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this board! And don't you dare make this mistake again! O aluno em questão começou a utilizar a forma correcta e, quando minutos depois, me virei para ele e lhe perguntei, com o ar mais natural, Pedro, what means...? ele sorriu, com um ar de quem diz: Não me apanhaste em falso!, e disse: Teacher, what does ... mean? Good! You've got it. And I don't think you'll forget it!

Concluindo, que critérios nos podem, então, levar a ignorar, adiar ou negociar a correcção de um erro? Depois de definidos os objectivos (accuracy ou fluência, por exemplo) e as prioridades da aula, estamos numa posição favorável para, no momento em que o erro ocorre, decidirmos, entre outras coisas, se ele afecta realmente a compreensão da mensagem, se é mesmo erro ou apenas slip, se foi experiência ou tentativa 16, por que razão o aluno o terá feito 17, se o erro se enquadra nas prioridades da aula18, se a turma conhece aquele aspecto linguístico. Uma vez mais entram em acção a subjectividade e a intuição. Mas seja qual for o critério, o importante é que o professor seja flexível, conheça bem a turma e trate cada aluno como um ser humano. Não podemos esquecer que sempre que corrigimos, estamos a corrigir a pessoa, como tal, tem de haver tacto, sensibilidade.

Não nos podemos esquecer que falar é uma actividade complexa. É necessário prestar atenção simultânea ao conteúdo e à maneira como se expressa esse conteúdo, portanto, é necessário planear. Apesar disso, como nem tudo sai exacta e automaticamente como queremos, nem mesmo

16T: Pedro, will you help me? S: Yes, I will. T: And you, João? Can you also help me? S: Yes. I will can help you. O segundo aluno parte da hipótese que qualquer verbo se conjuga no futuro. O aventureirismo não se limita ao campo gramatical. 17Terá sido formulação de hipóteses ou experimentação? Terá sido um erro, ou apenas um deslize resultante de cansaço, de esforço ou de esquecimento momentâneo? Terá sido induzido em erro pelo professor, ou pelos materiais? Perceber a causa ajuda a decidir se resolver a situação de imediato ou a posteriori. Por muito estranho que pareça, é possível destrinçar certas causas, embora nem sempre. O caso das interrogativas directas, treinadas a partir das interrogativas indirectas, é muito evidente. O treino, que geralmente se faz, tem tendência para induzir em erro T: Ask Pedro what time class ends. St: Pedro, what time class ends? O aluno limita-se a repetir o professor. É um exemplo de transfer of training, expressão de Selinker. E, na sua língua, talvez até seja possível a mesma ordem em ambas as interrrogativas. O mesmo se pode dizer das interrogativas indirectas treinadas a partir das directas. Ou seja, quando o aluno já está bem sintonizado para a inversão e para o uso do auxiliar no presente e passado simples, por exemplo, tem dificuldade em se adaptar às novas regras. Pode também ser induzido em erro pela L1 - é o language transfer. 18Se o objectivo da aula é accuracy e a prioridade é o treino de um determinado tempo verbal, pode-se ignorar a correcção de qualquer erro com outro tempo verbal não relevante.

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Reflexões sobre a problemática do erro  

Trabalho pesquisado e escrito em 1995, mas só agora (Out10) publicado por mim

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