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Depois do que acabo de dizer, espero, contudo, que não se pense que até então nunca pensara no erro, nas suas causas e nos possíveis remédios ou soluções para este ou aquele tipo de erro. É uma área que sempre mereceu e merecerá a minha atenção! E certamente a de todos os professores de língua estrangeira, quanto mais não seja pelas suas implicações diárias no nosso trabalho.

O que realmente aconteceu comigo foi que a referida distinção slip−error teve o mérito de me levar a pensar mais seriamente na questão do erro. O que, por sua vez, me levou a aprofundar o assunto através de leituras específicas. Leituras essas que despertaram desde logo em mim um enorme interesse. E foi então que nasceu a vontade de fazer um trabalho de divulgação: porque na época me pareceu que, entre nós, o assunto estava pouco tratado (e ainda me parece); e porque achei que podia ser útil reunir uma série de ideias interessantes, práticas e funcionais. No entanto, concretizar a ideia levou o seu tempo, não tanto por falta de disponibilidade, mas muito mais pelo receio de empreender a tarefa, de deitar mãos à obra, pois era a primeira vez que embarcava num projecto desta natureza. Enfim, era o receio do desconhecido! O que é natural e humano.

Este trabalho tem, assim, como objectivo primordial a transmissão de conhecimentos básicos adquiridos em leituras a que me dediquei e na experiência de quase duas dezenas de anos de prática lectiva. Conhecimentos esses que espero possam constituir um background que desperte um maior interesse por esta problemática e um maior empenhamento por parte de todos nós, professores de língua estrangeira, na tentativa de resolvermos problemas comuns. Embora de carácter essencialmente teórico, ele não deixará de estar salpicado de uma componente prática em termos de exemplos ilustrativos de certas técnicas e estratégias, bem como de exemplos concretos de erros típicos ou comuns. Sempre que entender oportuno, referirei estratagemas, a maior parte das vezes produto do momento, por isso mesmo, intuitivos, a que tenho recorrido para tentar remediar, se possível, eliminar, determinados (tipos de) erros (repetitivos). Estratégias essas que poderão parecer pouco pedagógicas (!), demasiado caseiras e simplistas, mas que gradualmente produzem os seus efeitos. Sim, porque pouco ou nada no ensino de uma língua estrangeira tem efeitos imediatos!

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Reflexões sobre a problemática do erro  

Trabalho pesquisado e escrito em 1995, mas só agora (Out10) publicado por mim