Page 38

brincadeira). Evidentemente que o objectivo é sempre o mesmo: pôr os alunos a 'pensar' sobre a língua. 'Get those grey cells working!', dita com alma, mas com um sorriso, costuma funcionar.

Quando estas duas estratégias falham, recorro à terceira e última estratégia − a correcção pelo professor. Só depois de esgotadas as duas hipóteses anteriores é que digo a forma correcta e, se necessário, explico o porquê. Por vezes peço ao aluno em questão que repita a frase ou expressão, mas nunca peço à turma que o faça em conjunto, porque considero essa técnica desajustada do nível etário que ensino. Contudo, não a ponho de parte com níveis etários mais baixos.

É importante ter presente que o recurso à correcção pelo professor significa que a turma não entendeu o ponto em questão, portanto, devemos voltar a ensiná-lo, mas de uma maneira diferente. E quando entendermos oportuno. Geralmente não volto logo à carga porque, se vou atacar o problema de forma diferente, prefiro deixá-lo cair um pouco no esquecimento a fim de facilitar a concentração na nova abordagem, o mais possível liberta da interferência de vícios.

De tudo o que atrás foi dito, há que concluir que importante mesmo é envolver os alunos ao máximo na correcção. Só assim os levamos a raciocinar sobre o funcionamento da língua que estão a aprender e a desenvolver os seus conhecimentos com vista a uma mais correcta utilização dessa mesma língua. Quando somos nós a corrigir, convém não exagerarmos a correcção, porque podemos ter efeitos contraproducentes. Podemos provocar um certo sentimento de 'falhanço', especialmente naqueles alunos que são corrigidos com frequência. Podemos levá-los a sentirem-se inferiorizados, consequentemente, a perderem gradualmente o entusiasmo pela aprendizagem. Assim, a correcção não deve insistir em tudo absolutamente correcto, deve, sim, ajudar os alunos a usar a língua mais correctamente.

Analisemos de seguida o caso de uma aula de fluência, em que se pretende acima de tudo que os alunos usem a língua e que a usem tanto quanto possível em situações reais e da forma mais natural. Logicamente que a estratégia de correcção que acabámos de analisar é totalmente despropositada e incorrecta numa aula deste tipo. Porquê? Conforme vimos anteriormente, é

37

Reflexões sobre a problemática do erro  

Trabalho pesquisado e escrito em 1995, mas só agora (Out10) publicado por mim

Advertisement