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Quando o aluno consegue autocorrigir-se, verifica-se que cometeu um slip. Quando não consegue, há que ajudar. Segue-se, então, a heterocorrecção, ou correcção por parte de um colega (peer correction), muito vantajosa no caso dos erros propriamente ditos (errors). Entre outras coisas, ela obriga os alunos a pensarem sobre o funcionamento da língua, permite ao professor recolher informações importantes sobre as capacidades de reconhecimento e correcção de erros, e desenvolve nos alunos um espírito de cooperação e entreajuda, que certamente os ajudará a tornarem-se cada vez menos dependentes do professor. S1: Electricians weren't in Queen Victoria's era. T: Almost! Small problem. S1: Electricians there weren't... T: No! Not yet. (indicando com as mãos a troca de posição na frase) S1: (fica calado) T: Let's help! S2: There weren't any electricians... T: Bingo! Very good! S1, do you mind repeating? (Respondiam oralmente a um questionário que insistia no verbo there be.)

Sou adepta incondicional desta prática, porque tenho verificado que os alunos aderem muito bem, sempre pela positiva, sem qualquer espécie de ofensa, porque de facto são receptivos ao espírito de entreajuda. Não a encaram como uma crítica por parte de colegas, como já tenho lido. O que, por vezes, acontece (e que é apontado como um dos inconvenientes deste tipo de correcção) é que são quase sempre os mesmos alunos a oferecer-se para a correcção. Mas o mesmo verifico noutro tipo de actividades, em que os que têm mais à--vontade (não só em termos de conhecimentos como também por uma questão de feitio) avançam primeiro. Embora não lhes 'corte as vazas', quando isso começa a acontecer com demasiada frequência, explico-lhes que todos devem ter oportunidade de intervir e que há que dar tempo aos colegas para pensarem na resposta. Não nos podemos esquecer que cada um tem o seu ritmo próprio. Quando ninguém se oferece, pergunto, em tom de brincadeira: − Do I have to decide 'democratically'? Acham piada, e geralmente aparece logo uma alma 'caridosa'! Se, apesar disto, ninguém se oferece, ou dou uma pista que tente despelotar a correcção por um deles, ou chamo um aluno (um 'voluntário à força', como gostam de dizer, na

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Reflexões sobre a problemática do erro  

Trabalho pesquisado e escrito em 1995, mas só agora (Out10) publicado por mim

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