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Por outro lado, digo que não sou nenhuma enciclopédia ambulante. Não tenho obrigação de saber tudo. E admito prontamente qualquer falha, sem vergonha. (Há muito que sinto que ganhamos imediatamente o respeito deles, que subimos pontos na sua consideração.) Mas tenho sempre a preocupação de os informar na aula seguinte. Sempre aprendi e desenvolvi conhecimentos com os alunos, acima de tudo através de questões pertinentes que me põem e me obrigam a investigar para poder responder e ajudar da forma mais correcta e acessível.

Por último, aviso que tenho por hábito corrigir o indispensável, não só na oralidade como na escrita, mas muito especialmente na oralidade. Portanto, se detectarem erros vossos ou de colegas não corrigidos, normalmente é propositado. É que não tenho nem a veleidade nem a ousadia de dizer que me apercebo da totalidade dos erros. Felizmente, em especial quando o objectivo é a fluência.

Cabe ao professor tudo fazer para que o aluno adquira confiança em si próprio e nas suas capacidades, de modo a tomar parte em actividades de comunicação, falando e ouvindo, exprimindo as suas ideias num ambiente de total descontracção e à-vontade. Só assim ele compreenderá que os erros nem sempre levam a uma quebra na comunicação e que pode ser divertido conseguir usar outra língua como meio de comunicação.

Quase no fecho do capítulo, gostaria de referir algumas ideias a reter no nosso espírito com respeito à problemática da correcção do erro: •

ser tolerante para com a linguagem produzida pelo aluno − se entendemos o que ele diz, há que encorajar, elogiando;

julgar o esforço do aluno mais em termos de inteligibilidade e compreensibilidade e menos de accuracy, que é um entre vários factores a considerar;

dar ao aluno a noção de que o professor está a tentar ajudar e se preocupa com os seus progressos;

encorajar, estimular, incentivar o aluno pelo que acerta, nunca desencorajá-lo pelo que erra;

dar ao aluno a noção dos seus progressos, do que já conseguiu alcançar, o que lhe dará confiança;

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Reflexões sobre a problemática do erro  

Trabalho pesquisado e escrito em 1995, mas só agora (Out10) publicado por mim

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