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INTRODUÇÃO

Interessei-me verdadeiramente por tentar fazer um trabalho dedicado à problemática do erro quando (há cerca de três anos) me preparava para uma frequência de Didáctica do Inglês. A páginas tantas, num dos livros de leitura obrigatória 1, mais particularmente numa parte dum capítulo dedicado à clássica dicotomia de Noam Chomsky − competence e performance − deparei com a distinção entre slip e error de Rebecca Valette2. A minha curiosidade foi imediatamente despertada. Nunca tinha pensado no assunto naquela perspectiva!

Falei nisso aos alunos do 11º ano, só depois aos do 10º. Referi a 'curiosidade' que tinha descoberto e expliquei a diferença entre slip e error. Tal como eu, acharam muita piada, especialmente ao termo slip, porque se aperceberam de imediato da noção nele contida - uma 'escorregadela', um 'cair' inadvertido e inconsciente em qualquer coisa de incorrecto, um deslize! Não um erro 'enraizado' de que não nos conseguimos desenvencilhar no momento oportuno, a que, pelo contrário, corresponde o termo error. A própria sonoridade dos dois termos é, por si só, significativa e elucidativa. Enquanto que error tem um som pesado, parece conter uma carga negativa, parece transmitir algo de grave, de sério, slip tem um som leve, parece conter uma carga muito menos negativa, parece transmitir algo de menor importância.

O facto é que daí em diante passei a usar estes termos nas aulas, nomeadamente a nível da oralidade, e creio que consegui sensibilizar e despertar os alunos para o assunto, muito mais do que à partida tinha pensado. Sempre que havia uma falha que eu considerava digna de nota, alertava para ela e pedia ao aluno em questão que a corrigisse. Se ele não era capaz, os outros definiam logo a situação em termos da dicotomia, seguindo-se a correcção por um colega, só em último lugar por mim. A verdade é que ficavam satisfeitos sempre que percebiam que tinham cometido apenas um slip, não um error! Além disso, passaram a ter uma noção melhor das suas capacidades de autocorrecção, o que foi muito positivo. 1FISCHER, Glória, et al., Didáctica das Línguas Estrangeiras, p. 122-123, Lisboa, Universidade Aberta, 1990. 2VALETTE, Rebecca M. and DISICK, Renée S., Modern Language Performance Objectives and Individualization, p. 42-43, Harcourt, Brace Jovanovich, 1972.

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Reflexões sobre a problemática do erro  

Trabalho pesquisado e escrito em 1995, mas só agora (Out10) publicado por mim

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