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Para fazer frente às várias críticas feitas ao professor 'benevolente perante o erro, incompetente e irresponsável', Bartram & Walton sugerem a seguinte estratégia: •

interromper constantemente com correcções aquele aluno que gosta de ser corrigido, especialmente quando o aluno está interessado no assunto, e no final perguntar se foi boa ideia. Geralmente responde negativamente, porque ninguém gosta de ser interrompido com frequência quando está mesmo a tentar expor as suas ideias;

perguntar aos alunos se acham útil perder tempo a corrigir erros dados por dois ou três colegas;

fazer ver a alunos e colegas que dar erros faz parte de qualquer aprendizagem;

pedir aos colegas que criticam que demonstrem com exemplos concretos que a correcção melhora a situação;

esclarecer os pais acerca das vantagens pedagógicas de corrigir menos;

explicar ainda aos pais que os erros são tentativas de linguagem correcta e que, por isso, há que motivar os alunos pela positiva, pelo que acertam, e não desencorajá-los pelo que falham.

O reverso da medalha, ou seja, o heavy corrector, o professor que corrige exageradamente, exerce um domínio total da situação, abafa a 'criatividade' do aluno, não lhe dá a possibilidade de exprimir uma opinião própria e inibe-o, porque ele passa a ter um cuidado excessivo, diria quase obsessivo, com o que diz, bem como passa a sentir uma tensão constante, o que o leva a falar muito menos, porque acaba por falar apenas quando tem certezas. Mas o próprio professor também sofre com a situação, porque embora se aperceba do seu exagero, encara-o como um dever. Por isso, trava uma luta interior, visto que não sabe como resolver a situação, como dosear sensatamente a correcção. Ele tem de corrigir menos, corrigir apenas aspectos específicos pré-definidos de acordo com o objectivo da aula e arranjar diferentes estratégias de correcção.

Como no meio termo é que está a virtude, constata-se que a maioria dos professores se situa numa posição intermédia de bom senso, que, repito, nem sempre me parece fácil de alcançar. Mas nem mesmo estes deixam de ter os seus problemas, porque sendo uma das nossas tarefas conseguir que os alunos adquiram confiança em si próprios e nas suas capacidades, para uns alunos isso significa poderem exprimir-se livremente, sem interrupções para cada erro, enquanto que para outros é

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Reflexões sobre a problemática do erro  

Trabalho pesquisado e escrito em 1995, mas só agora (Out10) publicado por mim

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