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O non-corrector pode ter um sentimento de culpa, pode ser alvo de queixas de alunos, de pais e da própria escola; pode ser considerado um 'mau professor' porque o acham irresponsável, incompetente e preguiçoso, e pode até gerar uma certa ansiedade em determinados alunos! Como tal, tem dois caminhos a seguir: tentar explicar as vantagens da sua estratégia e, simultaneamente, ceder de vez em quando. Uma no cravo, outra na ferradura!

Todos nós temos ou já tivemos alunos que gostam de ser corrigidos nos mais pequenos pormenores, porque acham que é bom para eles, para a sua aprendizagem (talvez porque lhes inspira confiança saber o que separa o certo do errado), e que ficam frustrados se não são corrigidos (por vezes em tudo) ou se não têm respostas para todos os seus porquês! Certamente que não se enquadram com o non-corrector, pois devem sentir uma frustração completa!

Quando alunos deste tipo (e já tive vários) me fazem perguntas minuciosas, costumo perguntar-lhes se esse tipo de pormenor os preocupa ou aflige (!) igualmente no português. A primeira reacção é, em geral, de espanto ('que pergunta tão idiota a dela!'), seguindo-se um certo constrangimento ('mas o que será que eu disse agora?'), não intencional da minha parte. O meu objectivo é, em primeiro lugar, fazer-lhes ver que há coisas para as quais não há propriamente uma explicação e, depois, fazer-lhes ver que há coisas que não têm qualquer relevância para o processo de aprendizagem, nem lhe trazem qualquer benefício palpável. E por último, realçar a importância da aquisição de conhecimentos o mais possível liberta de teoria, de regras, de porquês. Quanto mais inconsciente for a aprendizagem, mais natural é o resultado final.

O certo é que esses alunos respondem quase sempre negativamente às minhas questões 'profundas' (!). O que me permite sugerir imediatamente que sigam o mesmo critério com o inglês, que se preocupem o menos possível com os porquês das coisas, que inevitavelmente levam a regras, as quais vão sobrecarregar o processo de aprendizagem. Evidentemente que há que aprender 'meia dúzia' de regras básicas, mas o fundamental é um grande treino da língua falada e escrita.

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Reflexões sobre a problemática do erro  

Trabalho pesquisado e escrito em 1995, mas só agora (Out10) publicado por mim

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