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ATITUDES PERANTE O ERRO

As nossas atitudes e reacções perante o erro e sua correcção, ou não, estão intimamente associadas a diversos factores, entre os quais tendências e hábitos pessoais, turma, objectivo da aula (fluency ≠ accuracy, por exemplo), objectivo(s) do ano ou do curso, etc. E se bem que todos nós tenhamos as nossas ideias assentes e arrumadas de como agir perante o erro típico e comum, a verdade é que nem todos os erros são dessa natureza. Se a maioria dos erros são perfeitamente previsíveis, a verdade é que por vezes surgem erros completamente inconcebíveis e inimagináveis... e há que reagir prontamente! O que fazer? Nada como a nossa intuição, o nosso feeling, para nos ajudar a resolver prontamente situações pontuais. É um factor tão ou mais importante que os outros, e talvez aquele a que recorremos com mais frequência do que nos apercebemos ou manifestamos abertamente. Mas só intuição não chega. Ela tem necessariamente de estar associada à capacidade de improviso, que a complementa. Daí que, quando se fala da problemática da correcção do erro, temos de pensar que ela implica factores subjectivos e objectivos. E temos de pensar numa outra coisa ainda mais importante. É que não existem receitas nem fórmulas para a melhor forma de agir perante tal ou tal situação.

O que, de facto, existe são três tipos básicos de professores, que correspondem a diferentes atitudes face à problemática do erro. Dois são considerados tipos extremos, radicais, e o terceiro situa-se numa plataforma intermédia, de compromisso, como tal, sensata. Diz-se que é o no meio-termo que está a virtude, não é?

Comecemos então por analisar os dois tipos extremos de professores − o que corrige constantemente e o que nunca ou quase nunca corrige (o heavy corrector e o non-corrector, como lhes chamam Bartram e Walton). O professor que corrige constantemente é aquele que não consegue deixar passar despercebido qualquer erro que detecta. É logo impelido a corrigi-lo. O professor que não corrige é aquele que conscientemente decide ignorar os erros. Ambos sofrem as consequências das suas atitudes extremistas.

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Reflexões sobre a problemática do erro  
Reflexões sobre a problemática do erro  

Trabalho pesquisado e escrito em 1995, mas só agora (Out10) publicado por mim

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