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interromper para corrigir pode quebrar a sequência lógica de ideias e desencorajar o aluno de continuar;

interromper pode ainda ter um efeito a meu ver muito mais negativo, que é o de inibir o aluno em questão porque, como muito bem dizem Bartram & Walton, não se corrige um erro, corrige-se uma pessoa13. Por esta razão, é fundamental ter um conhecimento adequado da turma, bem como sensibilidade e tacto para saber o que, como e quando corrigir.

Embora há muito defenda e pratique a 'tolerância' perante o erro, com 'conta, peso e medida', há casos em que sou bastante menos tolerante, nomeadamente com a falta de atenção ao nível da escrita. E por uma razão muito simples. Sendo a escrita uma actividade geralmente individual, pessoal e solitária (que pode, no entanto, apresentar variantes em pares ou em grupos restritos), liberta de pressões externas e de factores inibidores, o aluno tem condições para estar mais atento e concentrado, menos pressionado pelo tempo e por factores psicológicos e/ou emocionais (associados à oralidade). Na escrita não intervêm influências externas inibidoras e limitativas tais como o receio de exteriorizar falta de conhecimentos, de se poder tornar ridículo perante os colegas, de levar demasiado tempo para dizer qualquer coisa, etc. O aluno está entregue a si próprio para manifestar aquilo que pensa por intermédio daquilo que sabe, por pouco que seja. Tem à sua disposição dois factores essenciais que permitem uma melhor e mais calma aplicação de conhecimentos, e que dificilmente se encontram na oralidade − tempo para se concentrar e tempo para executar. Como tal, reúne melhores condições do que na oralidade para produzir um trabalho mais cuidado. Por conseguinte, se, do ponto de vista formal, o aluno não consegue um produto final à altura das suas reais capacidades (qualquer que seja o seu nível), é porque falhou qualquer coisa: terá sido a sua capacidade de concentração? Será que não doseou correctamente o tempo? Será que não reviu o trabalho? Será que se apressou a entregá-lo? Ou, muito simplesmente, será que não esteve para se 'chatear'? Qualquer destes factores é controlado pelo aluno. E chamo a atenção para eles antes de qualauer trabalho escrito. Daí a minha intolerância!

Norrish e Edge apontam, entre outras, as seguintes causas do erro: 13Obra já citada, pág. 39

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Reflexões sobre a problemática do erro  

Trabalho pesquisado e escrito em 1995, mas só agora (Out10) publicado por mim