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Ainda recentemente, numa aula dedicada aos modals, deparei com exemplos concretos de interferência da L1. Após termos visto alguns exemplos com must, do tipo He must stop smoking We mustn't drink when we are going to drive, os mesmos passaram automaticamente a He must to stop smoking He mustn't to drink... mal os alunos se aperceberam de que must equivale a 'ter de'. E depois, já num outro plano, continuaram a persistir no erro quando, através de outros exemplos, deduziram que have to pode ser sinónimo de must. Evidentemente que aqui se deu entretanto uma sobreposição de causas, dado que entrou em jogo a 'generalização excessiva de uma regra', a que me referirei mais adiante. Desfiz imediatamente o engano da analogia e referi que no caso de must não há correspondência directa com o português.

Sempre que ocorre este tipo de situação, pergunto a mim própria: porquê logo a tendência para a asneira? Porquê a 'analogia da asneira', se é que assim lhe posso chamar? Até parece uma 'atracção fatal'! A culpa pode por vezes ser nossa, quando tentamos ensinar demasiado duma só vez ou quando misturamos coisas que se podem facilmente confundir 11. Embora nunca tenha sido apologista da teoria de que não se pode 'traumatizar' os alunos (especialmente os mais pequenos), admito que às vezes possamos exagerar um pouco na matéria que apresentamos e no modo como a apresentamos. Mas também não tenho dúvida nenhuma de que há, por parte dos alunos, uma falta de motivação e de sensibilidade para a aquisição de novos conhecimentos, aliada a ou geradora de uma grande dose de falta de atenção, especialmente de atenção visual. Estou convencida de que se prestassem mais atenção ao que vêem e ao que lêem, e se fizessem analogias lógicas, muitos destes erros seriam evitados.

De todas as causas que apontei, aquelas por que sinto verdadeira tolerância são a maior atenção ao conteúdo e o aventureirismo, que, em certos casos, estão intimamente ligadas. Porque revelam 11Caso do simple present e present continuous, que, quando ensinados muito próximo no tempo, geram as tais misturas a que me refiro, que têm como resultado frases do tipo we are walk to school e we going to school tomorrow, por exemplo. E também do simple future e 'going to' future.

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Reflexões sobre a problemática do erro  

Trabalho pesquisado e escrito em 1995, mas só agora (Out10) publicado por mim

Reflexões sobre a problemática do erro  

Trabalho pesquisado e escrito em 1995, mas só agora (Out10) publicado por mim

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