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Burt e Kiparsky baseiam-se no critério da compreensibilidade para distinguir entre erros globais − os que afectam a interpretação de toda a frase − e erros locais − os que afectam apenas uma parte da frase. Logicamente, os erros globais são os de maior gravidade, porque são os que mais facilmente levam a falhas/quebras de comunicação.

Por último, e conforme já foi dito, em determinadas sociedades e dependendo da situação em que ocorre10, um erro de register pode ser mais chocante, consequentemente, mais grave do ponto de vista de atitudes e comportamento, do que um erro gramatical .

Para terminar, desejo salientar dois aspectos: •

sendo a língua um meio de comunicação, o erro é algo de 'incorrecto', é uma anomalia, que pode provocar ou um simples 'choque', ou um 'acidente grave', consoante interfere ligeiramente com o sentido ou, pelo contrário, impede ou bloqueia completamente a comunicação, a transmissão de uma mensagem. Quer seja um erro semântico (de sentido ou significado), sintáctico (formal) ou fonético (de pronúncia), considero que ele é grave sempre que gera malentendidos ou bloqueios que não permitem que a comunicação se estabeleça com maior ou menor fluidez nos dois sentidos. Tudo o resto encaro como 'acidentes de percurso' de maior ou menor gravidade, que se resolvem com mais ou menos ajuda e/ou negociação (repetições, reformulações de frases, pausas, entoações, hesitações, gestos, expressões faciais, pedidos de esclarecimento, olhares confusos ou duvidosos). Consequentemente, têm solução e levam ao entendimento entre as partes interessadas;

errar significa aprender e não há aprendizagem sem erro. O erro faz parte integrante da aprendizagem e tem de ser aceite como inevitável, porque está intimamente associado à

10Já se viu que é importante que o aluno vá adquirindo a noção de linguagem (in)adequada às situações e a correcção do erro deve ser feita com base nisso. O professor deve ser cauteloso ao corrigir e não cair no 'erro' de dizer que determinada forma é incorrecta, porque ela pode sê-lo naquela situação e não noutra. Importante é chamar a atenção para o uso inadequado de determinado tipo de linguagem e/ou de formas em certas situações. Dado que a actividade dramática (role plays) é uma actividade menos controlada, mais livre, é uma boa maneira de pôr os alunos a treinar e assimilar, mais ou menos inconscientemente, linguagem própria para determinadas situações. Nunca fui adepta deste tipo de actividade por duas razões: 1) embora considere que o professor é uma espécie de actor, dado que representa grande parte do tempo - por mim falo, pois sinto que o faço quase permanentemente, com espontaneidade, naturalidade e sem esforço - perante uma situação real, imposta, forçada, sinto-me completamente inibida, sem naturalidade e sem saber o que dizer; 2) tenho verificado que não é uma actividade muito do agrado dos alunos mais velhos, das faixas etárias que ensino; e como tento ir ao encontro dos gostos deles e não lhes fazer o que me faziam, e que eu não gostava, é uma actividade que sempre releguei para segundo plano. Que me desculpem os partidários e praticantes ferverosos (sei que os há)! Aceitam-se críticas!

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Reflexões sobre a problemática do erro  

Trabalho pesquisado e escrito em 1995, mas só agora (Out10) publicado por mim

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