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grupo de alunos domina uma determinada regra ou estrutura, determinado vocabulário, determinado tipo de linguagem, etc.

Em segundo lugar, nas regras e excepções às regras. É muito frequente um aluno generalizar excessivamente uma regra. Exemplo disto é acrescentar -s a todos os substantivos para formar o plural (mans, childs) ou acrescentar -s a todas as terceiras pessoas do singular do presente simples (She cans speak Chinese), esquecendo as excepções.

Havendo que decidir qual o erro mais grave, Norrish, por exemplo, considera menos grave produzir childs, ou confundir he com she (que apenas revela confusão), e mais grave omitir constantemente as terminações do plural, ou não distinguir entre he e she (que revela que o aluno nem sequer se apercebe da existência de regras). Por conseguinte, ele é da opinião que infringir uma excepção à regra ou uma regra menos importante é menos grave do que infringir uma regra fundamental. E apresenta um quadro de prioridades, que se resume ao seguinte: se a forma não é aceitável, é erro. Se esse erro impede a comunicação, é um erro mais grave, por isso, há que tratá-lo de imediato. Se apenas provoca irritação no ouvinte, é um erro menor que não necessita de tratamento imediato. Mas se usar formas incorrectas é menos grave, porque geralmente não afectam a comunicação em si, o facto é que quando não se aprende uma regra básica, outras poderão ficar pelo caminho por arrastamento. Gera-se então o efeito da bola de neve, que leva a distorções maiores ou menores na linguagem. E aí já entramos no capítulo da gravidade. Cabe, portanto, ao professor tentar evitar a acumulação de regras não aprendidas, potenciais geradoras de obstruções de comunicação.

Outro critério ainda é o de saber se o erro provoca irritação no ouvinte/leitor, porque quanto mais irritação provocar, mais interferirá na atenção dada ao sentido, e mais grave será considerado. Considero o factor irritação extremamente subjectivo e de pouca ou nenhuma relevância em situação de sala de aula. Se há coisa que um professor tem de ter é paciência. Se há coisa que ele não deve fazer é irritar-se com facilidade. Nem tão pouco deve manifestar a irritação que possa sentir! É que os efeitos sobre o aluno podem ser bem negativos e contraproducentes em vários sentidos.

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Reflexões sobre a problemática do erro  
Reflexões sobre a problemática do erro  

Trabalho pesquisado e escrito em 1995, mas só agora (Out10) publicado por mim

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