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O erro pode também ser encarado noutros termos. É inteligível (não afecta a compreensão) ou não-inteligível (afecta a compreensão)? É entendível (através do contexto) ou não--entendível (nem o contexto ajuda)? Esta perspectiva visa o efeito do erro, não a sua causa. Qual a sua relevância? Fundamentalmente o facto de ser a perspectiva vigente no mundo que nos rodeia e na utilização que damos à língua na vida real, na qual ninguém se preocupa com a causa de um erro. (É só na situação de sala de aula que a causa nos preocupa e, por vezes, excessivamente.) No diaa-dia, o erro só preocupa quando, de facto, impede a compreensão, quando bloqueia a comunicação. No dia-a-dia, o erro assume gravidade, ou não, em função da situação em que ocorre.

Debrucemo-nos, então, um pouco sobre a questão da 'gravidade do erro' e dos possíveis critérios para a definir. Creio que a maioria dos professores de língua estrangeira considera os erros gramaticais mais sérios do que os vocabulares ou fonéticos, possivelmente porque vê neles consequências mais graves para a compreensão e para a estrutura; contudo, não podemos esquecer que os erros vocabulares e fonéticos também podem gerar mal--entendidos por vezes desastrosos. Já pensaram nas consequências que pode ter um número mal pronunciado num contacto entre um controlador e um piloto? E o que dizer de um número inadvertidamente trocado na dose de um medicamento (os sufixos -ty e -teen geram grandes confusões)? Pode até ter efeitos fatais!

Como exemplo de natureza bem diferente, deixem-me que lhes conte um episódio passado entre o meu pai, na época tenente, e um sargento. Tentavam pôr um equipamento novo em funcionamento. Todas as instruções haviam sido seguidas. Nada! O sargento insistia que o aparelho estava ligado, mas nada! Depois de várias outras tentativas, o meu pai, completamente intrigado e quase desesperado, insistiu uma vez mais com o sargento: 'Ó Paiva, tens a certeza que o aparelho está ligado?' 'Tenho sim, senhor tenente. Está ligado em off.' Ficou nos anais de família!!! Embora o desfecho tenha sido lúdico, a situação não deixou de gerar complicações e dores de cabeça.

Em que critérios nos podemos, então, basear para definir gravidade do erro? Para começar, na frequência com que ele se dá. Ocorre sempre? Só às vezes? É um critério importante, pois não só permite avaliar o grau de gravidade do erro, como permite informar o professor se um aluno ou um

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Reflexões sobre a problemática do erro  

Trabalho pesquisado e escrito em 1995, mas só agora (Out10) publicado por mim

Reflexões sobre a problemática do erro  

Trabalho pesquisado e escrito em 1995, mas só agora (Out10) publicado por mim

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