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CARACTERÍSTICAS E CONTRIBUIÇÕES DAS TECNOLOGIAS NA INCLUSÃO DOS ALUNOS PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS DE APRENDIZAGEM NO SISTEMA REGULAR DE ENSINO Cladir Gava Colonetti1 Dóris Maria Daufenbach Goedert 2 Marli Terezinha Borges 3 UAA – MAEDU EXITUS IV

RESUMO

Este artigo se propõe a verificar as características e contribuições das tecnologias na inclusão dos alunos portadores de necessidades especiais de aprendizagem no sistema regular de ensino. Discute-se a idéia de que a escola deve ser adaptada e que os professores devem estar preparados para trabalhar com instrumentos

tecnológicos

heterogeneidade

dos

diversificados

alunos,

com

o

proporcionando-lhes

propósito melhores

de

favorecer condições

a de

aprendizagem.

PALAVRAS-CHAVE: Educação, Inclusão e Tecnologia.

1

Formada em Letras pela UNIVILLE, Universidade da Região de Jo inville, Mestranda em Educação pela Universid Autonoma de Asunción, Professora de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira. 2 Formada em Pedagogia pela UFSC, Un iversidade Federal de Santa Catarina, Especialização em Metodologia Didática da Educação, Mestranda em Educação pela Universid Autonoma de Asuncion, Orientadora Educacional e Coordenadora de Cursos de Pós -graduação.


Magia, sedução, comodidade, as tecnologias vêm marcando presença na vida humana desde tempos remotos, tanto em situações do cotidiano, quanto nos mais audaciosos projetos. Um clic e pessoas do mundo inteiro podem se comunicar, redimencionando as noções de espaço e tempo, na tênue fronteira entre o real e o virtual. Por apresentar tais atributos, as tecnologias podem constutuirem-se em recursos essenciais para a escola inclusiva. Compreende-se por inclusão, a necessidade de mudanças em três níveis:

-

-

Todas as crianças frequentando a escola local, na sala de aula regular e com o devido apoio; Todas as escolas reestruturando seu programa de ensino, pedagogia, avaliação e sistemas de agrupamento para garantir acesso e sucesso a todas as crianças da comunidade; Todos os professores aceitando a responsabilidade pelo aprendizado de todas as crianças, recebendo treinamento contínuo, apoio do diretor, do corpo admin istrativo da escola, de seus colegas e da comunidade 4 .

Pessoas em condições físicas carentes de atendimento diferenciado necessitam conviver com outras para ter a oportunidade de desenvolver seus potenciais, direito defendido atualmente por força de Lei (LDB 5 , ECA 6 ). Porém, esta necessidade apresentada aos educadores, trouxe novas questões que até então não pertenciam a sua realidade. É neste momento que se agrega a tecnologia como importante instrumento para o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem dos alunos portados de deficiências, colaborando em sua inserção à sociedade. O conceito amplo de tecnologia 7 ,

se identifica com a materialização de conhecimentos científicos e culturais da humanidade na produção de equipamentos ou ferramentas não -naturais visando à solução de problemas ind ividuais e coletivos; todos os elementos necessários para a produção de qualquer parte ou componente de equipamentos ou ferramentas, incluindo os sistemas de trabalho, maquinário, recursos e processos materiais, sociais e culturais; a metodologia e o conhecimento técnico direcionado ao estabelecimento desses processos, à solução dos problemas práticos. 3

Formada em Pedagogia pela A CE, Associação Catarinense de Ensino, Especialização em Ad ministração Escolar, Supervisão e Séries Iniciais, Mestranda em Educação pela Universid Autonoma de Asuncion, Professora de Séries Iniciais. 4 MITTLER (2005, p. 9) 5 LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCA ÇÃO (1996) 6 ESTATUTO DA CRIA NÇA E DO ADOLESCENTE (1990) 7 NA VES (2005)


No caso da educação, a tecnologia pode ser aplicada em múltiplas situações, como em recursos didáticos (TV, computador, revistas, giz, quadro, aparelho de som, lápis, canetas, jogos didáticos entre outros) e espaços físicos (adaptação de salas, carteiras, banheiros, pisos, construção de rampas, entre outras). “A abordagem interativa, que nasceu da preocupação de fazer crianças diferentes trabalhar juntas e apoiar-se nos recursos da heterogeneidade, proporciona aos professores os meios de trabalhar nesse sentido e em equipe”8 . Ainda para esta autora: “É preciso estar convencido de que toda criança pode aprender” 9 . O aluno portador de deficiência utiliza cotidianamente a tecnologia (óculos, cadeira de rodas, aparelho auditivo, etc.). A escola deve oferecer instrumentos que estimulem sua aprendizagem, atendendo as suas necessidades específicas, por meio da utilização de imagens, efeitos sonoros, manuseio de livros em braille se necessário, dentre outros.

As instituições educativas necessitam estar abertas a novas

possibilidades, aceitando o desafio da busca às soluções das problemáticas existentes. No novo paradigma gerado pela sociedade da informação, a universalização da tecnologia é fundamental para a inserção à sociedade dos indivíduos com necessidades especiais, enquanto cidadãos 10 . Na sociedade atual, caracterizada pela complexidade, a educação, deve ser “um caminho de organização de valores, como também um processo de construção de conhecimentos, formação de habilidades técnicas e cognitivas”11 . A tecnologia pode ser compreendida como instrumento de diversificação das metodologias das práticas educativas para a construção de saberes, proporcionando maior incentivo por meio do uso de múltiplas linguagens. As peculiaridades de cada ser humano não devem ser desconsideradas pela escola, cada pessoa é única na sua forma de aprender. Alguns são estimulados principalmente pelo som, outros necessitam da imagem para melhor relacionar e criar; outros ainda são atraídos por formas alternativas, possíveis por meio da utilização das tecnologias. Contudo,

os

instrumentos

tecnológicos presentes

nos procedimentos

pedagógicos, por si só, não garantem o êxito das práticas docentes se não estiverem a

8

HARDY (2005, p. 26) Op. cit., p. 25 10 SOCIEDADE DA INFORMAÇA O NO BRASIL (2000) 9


serviço dos objetivos a serem atingidos. É neste momento que evidencia-se a relevância da assistência e da capacitação do professor frente ao processo de inclusão e de utilização de tais recursos. No Plano Político Pedagógico da instituição educativa deve estar preconizada a inserção destes alunos, assim como toda a estrutura de suporte para atendê- los. A abordagem interativa resulta da preocupação em criar um ambiente em que as diferenças sejam valorizadas e que os recursos tecnológicos proporcionem aos professores meios de trabalho mais eficazes. Várias são as formas de conduzir o processo de ensino-aprendizagem na direção do sucesso, promovendo a inclusão e uma sociedade para todos. Uma possibilidade é lançar um olhar atento para aqueles cuja natureza impôs determinadas limitações, oferecendo- lhes melhores oportunidades de aprender, sendo que a tecnologia pode contribuir muito neste processo. Em um contexto em que se enfatiza a perfeição, muitas vezes sendo substimada a essência das relações humanas, a escola inclusiva emer ge como uma necessidade para alguns e uma utopia para outros. “Precisamos ser tomados pelo entusiasmo, pela fé, pela crença na superação dos obstáculos e, sobretudo, pela inesgotável coragem na transformação do impossível em possível”12 . As tecnologias contribuem significativamente neste empreendimento, quando utilizadas a serviço do conhecimento e exploradas para atender as necessidades coletivas e específicas dos discentes.

REFERÊNCIAS

CHALITA, Gabriel. Pedagogia do amor: a contribuição das histórias universais para a formação de valores das novas gerações. São Paulo: Gente, 2003. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. Lei n. 08.069 de 13/07/1990. MITTLER, Peter. O futuro das escolas especiais. Revista Pátio: revista da pedagogia. Ano VII, n. 32, nov-2004/Jan/2005. 11 12

NUNES (2005) CHALITA (2003, p. 81)


NAVES, Carlos Henrique Tomé. Educação continuada e a distância de profissionais da ciência da informação no Brasil via internet. Dissertação de Mestrado, da Universidade de Brasília. Disponível em <http//www.intelecto.net> Acesso em 13.01. 2005. NUNES, Ivônio Barros. Inovações na <http//www.intelecto.net> Acesso em 13.01. 2005.

Educação.

Disponível

em:

SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO NO BRASIL. Livro verde. Brasília: Ministério de Ciência e Tecnologia, 2000. Disponível em <http://www.socinjo.org.br/livro_verde/download.htm>.

Acesso em 13.01. 2005. LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇĂO NACIONAL. Brasília: 1996. HARDY, Marianne. É preciso estar convencido que toda criança pode aprender. Revista Pátio: revista da pedagogia. Ano VII, n. 32, nov-2004/Jan/2005.


A INCLUSÃO E AS TECNOLOGIAS