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Universidade de Marilia Faculdade de Engenharia, Arquitetura e Tecnologia Arquitetura e Urbanismo.

ARQUITETURA e URBANISMO CONTEMPORÂNEOS

APRESENTAÇÃO

Este material foi elaborado para ser utilizada como suporte no 1° bimestre da disciplina Arquitetura e Urbanismo Contemporâneos, do Curso de Arquitetura e Urbanismo da FEAT- Unimar. Não é o único referencial da disciplina, mas fonte de referência dos conteúdos abordados.

Prof. Arq. Ms. Walnyce Scalise

Marília 2007


SUMÁRIO 1ª PARTE - ARQUITETURA MODERNA: CONTINUIDADE OU CRISE 1.

AS MUDANÇAS DE PARADIGMA DA ARQUITETURA

2.

A REDEFINIÇÃO DO MOVIMENTO MODERNO

3.

A PRIMEIRA DIFUSÃO DO MOVIMENTO MODERNO

4.

ENGENHARIA MODERNA

5.

0 ORGANICISMO

6.

A INFLUENCIA ORGÂNICA NOS MESTRES RACIONALISTAS

7.

COMPARAÇÃO ENTRE RACIONALISMO E ORGANISMO

8.

O ESTILO INTERNACIONAL

9.

O URBANISMO RACIONALISTA ( P Ó S 2 ª GUERRA)

10. CARACTERÍSTICAS FORMAIS DA ARQUITETURA DA 3ª GERAÇÃO 11. A CONTINUIDADE DA ARQUITETURA EXPRESSIONISTA. 12. CONTINUAÇÃO DOS TRABALHOS DOS MESTRES: GROUPIUS, MIES, LE

CORBUSIER, AALTO, WRIGHT 13. A REVISÃO FORMAL NOS ESTADOS UNIDOS 14. A ARQUITETURA BRITÂNICA: NEOBRUTALISMO E ESTRUTURAÇÃO

URBANA 15. A NOVA CULTURA URBANA 16. A ARQUITETURA NÓDICA: NEOEMPIRISMO 17. CULTURA E ARQUITETURA ITALIANA: ZEVI, ARGAN

2ª PARTE - A CONDIÇÃO PÓS- MODERNA 1.

1965- 1977 - A CONDIÇÃO PÓS- MODERNA

2.

NOVO FUNCIOLISMO E A ARQUITETURA COMO EXPRESSÃO

TECNOLÓGICA 3.

OS METABOLISTAS JAPONESES

4.

A ARQUITETURA NEOPRODUTIVISTA

5. A FORTUNA TECNOLÓGICA DO ANOS 70 6.

ARQUITETURA E ANTROPOLOGIA

7.

A HERANÇA DO PENSAMENTO SOCIOLÓGICO

8.

A BUSCA DA RACIONALIDADE NA DISCIPLINA ARQUITETÔNICA

9.

A ARQUITETURA COMO SISTEMA COMUNICATIVO

10. MANIFESTOS

E MECANISMOS PÓS MODERNOS


11.

A ARQUITETURA DO CONCEITO E DA FORMA

3ª PARTE - A DISPERSÃO DAS POSIÇÕES ARQUITETÔNICAS

1. 1977-1992 - AS POSIÇÕES ARQUITETÔNICAS 2. "REVIVAL" HISTORICISTA E VERNACULAR 3. CLASSICISMO PÓS MODERNO 4. A CONTINUIDADE DO CONTEXTUALISMO CULTURAL 5. O URBANISMO CONTEXTUALISTA 6. A VERSATILIDADE DO ECLETISMO 7. A OBRA DE ARTE COMO PARADIGMA DA ARQUITETURA 8. A NOVA ABSTRAÇÃO FORMAL 9. A SAIDA DA NOVA TECNOLOGIA


1ª PARTE - ARQUITETURA MODERNA: CONTINUIDADE OU CRISE 1. AS MUDANÇAS DE PARADIGMA DA ARQUITETURA A arquitetura depende de muitos fatores e responde por uma grande quantidade de solicitações de diferentes índoles. Para contestar a toda essa complexidade ao longo da história, a arquitetura tem precisado de paradigmas que a legitimam. Toda a tradição clássica é uma perfeita construção deste sentido da legitimação: as ordens, os textos de referência (Vitrúvio) e os modelos (Grécia, Roma) definiram seu corpo conceituai. O ecletismo do final do século XIX que tomou como fonte de legitimação a mesma história dos estilos arquitetônicos (neoclássico, neogótico, etc.) é formado por um paradigma renovador: a máquina. As tecnologias do aço e do concreto permitem a renovação formal juntamente com as vanguardas plásticas do começo do século. As diversas abordagens de mestres do Movimento Moderno: construtivistas, futuristas, neoplasticistas - tinham em comum a confiança em que o novo universo da máquina (motores, barcos, aviões..) transformaria radicalmente o status de objetos, edifícios e cidades. Após a 2ª Guerra Mundial, este paradigma da máquina se enfraquece à medida que surge um panorama de dispersão, fruto principal da aplicação dos princípios gerais e universais das vanguardas em cada contexto cultural, social e material. Uma das correntes que toma maior coerência é aquela que tem como referência predominante o humanismo, considerando culturas locais e as arquiteturas vemaculares. Utzon, Van Eyck, Barragan, Smithson, etc... A arquitetura popular e referências orgânicas da natureza passam a ser fontes de inspiração, a linguagem da máquina é substituída pela linguagem metafórica do orgânico.

2. A REDEFINIÇÃO DO MOVIMENTO MODERNO Se a década de 20 foi um período de difusão e propagação do Movimento Moderno, sustentado pela posição a política defendida por Gropius, isto é, que o


trabalho coletivo não deveria se identificar com direções políticas, nos anos 30 a situação se modifica. A década de 30 foi marcada por uma crise política, econômica e social que resultaria na Segunda Guerra Mundial. Verificou-se que as experiências concretas, especialmente públicas, foram bloqueadas, uma vez que o debate político se modifica; os partidos democráticos lutam pela sua sobrevivência devido a novos e crescentes movimentos autoritários. O conflito entre o pensamento moderno e os regimes autoritários de alguns países europeus acaba por isolar as experiências, chegando, por volta de 1935 em diante, à total supressão destas (Alemanha e Áustria) ou ao seu desenvolvimento marginal (França e Itália). Por t ant o, quando a ar quit et ur a racional ist a com eça a se est ender universalmente, tanto pelas influências de Le Corbusier no exterior como pela própria imigração dos mestres alemães, o Movimento Moderno toma novos caminhos. A restrição do campo de trabalho e a pressão política fazem surgir, nos países centrais, um academismo monumental e neo-decorativo, representado por uma arquitetura de celebração, tipicamente neoclássica e tradicionalista. Paralelamente, há a absorção do modernismo pelo repertório eclético, o que diminui a polêmica em relação aos conteúdos e limitasse à discussão dos esquematismo dos preceitos formais modernos. Surge o "Estilo Modernista", uma versão suavizada da arquitetura moderna, na qual acredita-se que a solução estava na atenuação do tecnicismo e da regularidade, além do retomo a uma arquitetura mais livre e humana, vinculada a valores tradicionais. Este racionalismo formalista caracteriza-se por: • •

Usar tetos planos e ambientes sem ornamentação; Usar paredes claras de textura perceptível, não totalmente brancas e lisas (revestimentos em pedra ao redor das aberturas e linhas traçadas sobre o reboco);

Empregar aplicação decorativa em móveis industrializados;

• Enfatizar contrastes fortes, principalmente no desenho e fotografia. Apesar dessa crise, de um lado academicista e do outro formalista, há o nascimento de uma nova vertente pós-funcionalista no trabalho de projetistas principalmente do norte da Europa. Esta nova versão da arquitetura moderna nasce no clima do Funcionalismo e se propõe a libertar-se de seus dogmas. Não era mais necessário criar um limitado vocabulário figurativo e rígidas fórmulas para se opor ao tradicionalismo, como


no primeiro período. O problema principal era encontrar um elo entre o utilitarismo tecnicista e o abstracionismo formal, mantidos separados pelos mestres nacionalistas. A nova corrente começa a tender da não-cor e forma pura para o uso de materiais naturais, como madeira e pedra, para assim dar uma expressão familiar, cotidiana e folclórica. Além disso, ela começa a incorporar as mais recentes investigações sobre controle ambiental e estudo da acústica.

3. A PRIMEIRA DIFUSÃO DO MOVIMENTO MODERNO Os principais motores para a evolução do Movimento Moderno: 1. A simbiose dos pressupostos modernos com as abordagens de cada um dos contextos, culturas, identidade e tradições. 2. A necessidade de renovação formal, superação do Estilo Internacional. 3. O papel da memória na evolução da Arquitetura Moderna, superar a ruptura com a tradição. 1.

A cidade - o urbanismo nacionalista, a separação das funções o zoneamento: novos bairros e cidades.

A condição contemporânea lida com uma concepção histórica não mais vista como completa, fechada, aceita a descontinuidade, o pluralismo e contrastes. "A primeira evolução (1930-1945)" O Movimento Moderno e a política Ligação do ponto de vista ético entre a forma e a política. Exs.: a transparência das fachadas com estrutura independente associada à noção de honestidade: a planta livre relacionada com democracia e amplas possibilidades: a ausência de ornamentos demonstrando economia. O E s t i l o I n t e r n a c i o n a l s u r g e e m 1 9 3 1 c o m a E xp o s i ç ã o d e O b r a s arquitetônicas de uma arquitetura funcionalista, cúbica. lisa, fachadas brancas, metal, vidro. Ex. Ville Savoye (Le Corbusier).

"A Missão da Segunda Geração do Movimento Moderno" Ampliar pontos básicos do Movimento Moderno, nova monumentalidade. A América Latina surge como principal foco de interpretação livre e exuberante da nova


tradição moderna (Brasil, Argentina, México, com Oscar Niemeyer, Lúcio Costa, Clorindo Testa, Félix Candeia, entre outros) com versão própria, monumentalidade. 1942 - O "modulor" de Le Corbusier, com o usuário ideal. Anos 50 - O gosto individual, a diversidade cultural, o contextualismo, a tradição. Na difusão do Estilo Internacional do Pós-Guerra, exemplos de Mies Van der Rohe com espaços universais e estruturas que aceitam quase todo o tipo de função.

4. ENGENHARIA MODERNA O desenvolvimento do Movimento Moderno deu-se paralelamente a um gradativo empenho tecnológico, sem o qual as bases racionalistas não poderiam ser modificadas. Novos princípios estruturais permitiram a ampliação de espaços cobertos e a redução do número de apoios. Neste período há a reatação dos vínculos entre arquitetura e engenharia, perdidos no século XIX: novamente a criança de formas se vê ligada à profundidade científica da técnica estrutural. O mérito da engenharia moderna foi romper, pela primeira vez, com decisão, o Classicismo e enfrentar os problemas estáticos sem preconceitos. As principais inovações no período foram: •

Desenvolvimento de estruturas na forma de abóbodas-casca;

Uso de curvas geradas por seções cônicas e parabólicas;

Emprego de peças pré-moldadas combinadas entre si e da protenção do concreto armado.

São alguns engenheiros que se destacaram durante o Movimento Moderno: a) Robert Maillart (1872-1940) Engenheiro suíço que inovou a construção de pontes de C.A., concebendoas como peças únicas, mas mantendo a continuidade de seus elementos: arco portante, plataforma de sustentação da via de transporte e componentes de ligação. b) Eugène Freyssinet (1879-1962) Engenheiro francês que foi o grande inovador do concreto protendido, através do estabelecimento das condições praticas para sua utilização c) Pier Luigi Nervi (1891) Engenheiro e arquiteto italiano que realizou importantes pesquisas na construção pré-moldada e esportiva.


5. O ORGANICISMO O organicismo constituiu uma atitude cultural peculiar e autônoma, cujos signos se manifestam antes, durante e depois do período racionalista. Esta propunha uma maior liberdade estereométrica, a recuperação dos valores individuais e psicológicos e uma modalidade de intervenção urbana voltada para o desenvolvimento regional, como meio de resolver a congestão hipertrófica das metrópoles. Ele está para o Racionalismo assim como o Barroco estava para o Renascimento. Trata-se do mesmo fenômeno lingüístico, mas com uma diferença essencial: enquanto o Barroco reintegra as três dimensões renascentistas, o orgânico faz o mesmo com a quadridimensionalidade cubista. Enquanto o Barroco raciocina em termos de pareces onduladas e dos bastidores que formam as ruas, o orgânico pensa em termos de volumes e espaços da cidade-paisagem. O organicismo da década de 30 veio às correntes racionais européias, criticando principalmente: •

O geometrismo e ‘“nudismo” racionais (a preocupação arquitetônica deixa de ser puramente volumétrica, mas volta-se também ao espaço e ao fator psicológico);

O universalismo (desprezando os "Standards” artificiais representando pelas caixas brancas, busca o particular);

O retangularismo (de inspiração orgânica, busca a pluralidade das formas onduladas ou diversas da ortogonalidade).

Na arquitetura orgânica, é impossível contemplar o edifício como uma coisa e o entorno como outra: o espírito com que esta é concebida coloca tudo como uma coisa só. O edifício é tido como obra de arte expressiva e vinculado à vida moderna, e principalmente adequada às exigências individuais de seus usuários. Dizer que ela é inspirada na natureza não significa que imitava as formas naturais. Ela apenas se estendia como um vegetal, mas não precisava parecer um ou significar 'retorno à natureza". Não era ART NOUVEAU. Além disso, não se pode confundir com Expressionismo, no qual os edifícios tentavam representar sentimentos, estados de espírito e seu conteúdo emotivo e simbólico. A atenção que os arquitetos orgânicos prestavam ao homem e à vida ia muito além da simples reprodução nos edifícios das sensações físicas humanas. Basicamente, podemos encontrar duas bases irradiadoras do Organicismo durante o Movimento Moderno na década de 30:

A européia representada pelas experiências escandinavas de apropriação da


tradição, em especial na atividade de Alvar Aalto;

A americana representada pela postura de Frank Lloyd Wright e seus precursores, numa visão integradora da arquitetura moderna.

São estas as principais características da linguagem arquitetônica organicista:

Reflexão, na seqüência e na ordenação de seus espaços, dos movimentos reais e fundamentais do homem na construção, o que é feito em nome de uma função psicológica

e espacial,

ultrapassando

os horizontes

figurativos do racionalismo;

Integração completa da realidade estrutural e espacial do edifício, não decompondo-o em planos, mas sim fazendo-se a projeção no edifício do complexo das atividades humanas que nele se desenvolvem;

Tendência ao gosto pelas formas livres, ângulos diferentes de 90° variedade e riqueza de materiais, uso de curvas etc.

6. A INFLUÊNCIA ORGÂNICA NOS MESTRES RACIONALISTAS Em meados da década de 30, Walter Gropius principia na Inglaterra uma nova pesquisa, esforçando-se por assimilar e elaborar metodicamente as características do ambiente britânico. Juntando-se com Edwin Maxwell (1899) em 1933, faz uma série de projetos onde as idéias modernas são adaptadas ao ambiente inglês. O melhor exemplo é a Escola de Impington, de 1936, totalmente inserida num espaço verde, com uma edificação aberta ao exterior e uso de tijolos. Único país que resiste ao Nazismo, a Inglaterra sobreviveu à decadência do Racionalismo e acolheu as experiências organicistas. Alem de Gropius, Marcel Breuer e Erich Mendelsohn também lá se instalaram, ingressando-se ao M.A.R. S na luta pela arquitetura moderna bem mais humana, ou seja, enriquecida com o vocabulário orgânico. No início dos anos 30, devido à forte reação acadêmica, a arquitetura na França faz um retorno ao Classicismo, o que coincide com o exterior, não só em relação à planta simétrica e em bloco, mas também a uma ornamentação em que se sublinha, tal como no passado, os elementos focais da composição. Após 1933, Le Corbusier executa obras para uma clientela restrita, uma vez que a arquitetura moderna é cortada dos encargos públicos e de uma grande parte da construção privada. Começa então a explorar novos sistemas de construção e novos padrões funcionais (materiais rústicos, uso de brise-soleil e pré-fabricação metálica). Inicialmente, o Brise-soleil era um mero aparato técnico (anteparo para os raios


solares) para depois se tomar um pórtico praticável, como no Centro de Negócios em Argel, o que o leva a projetar externamente a estrutura de concreto armado, deixando nas concavidades as vedações leves e as vidraças. O edifício aos poucos perde o caráter geométrico abstrato que derivava do vidro e do reboco branco, tornando-se capaz de absorver os sinais do tempo e de ser incorporado na paisagem natural. A principal contribuição de Le Corbusier no período vanguardista da arquitetura moderna foi seu amor pelos volumes simples e puristas diferentemente de Gropius, que preferia a articulação e a interpenetração de volumes. Enquanto que para Le Corbusier, a construção da estrutura do edifício fechava e envolvia os ambientes dentro de uma forma pré-estabelecida, para Gropius, não havia a necessidade duma circunscrição e exigência de uma volumetria pura. Além disso, os pilotis do primeiro negavam a continuidade entre o edifício e a natureza, enquanto que a arquitetura de Gropius e de Mies propagava-se pelo terreno. São obras de Le Corbusier desta segunda fase: •

1930: "Villa Mandrot"

1935: Casa Auxmathes e casa de "weekwnd" perto de Paris

Muros de pedra e abóbodas de C.A. rebaixadas

1938: Citté des Affaires (Centro de Negócios) em Argel

Nova concepção de arranha-céu, brise-soleil como "loggias”. Alvar Aatto (1898-19761) Arquiteto finlandês considerado precursor europeu da arquitetura orgânica da

década de 30. Diferentemente dos mestres nacionalistas, não escreveu livros, limitando-se a algumas palestras e declarações. Não pretendia propor teorias, princípios ou fórmulas de composição, mas uma revisão do pensamento funcionalista. Principia-se em Turku, em 1925, e logo fica conhecido no país e no exterior pelo prédio do jornal TURUN SANOMAT, de 1928/30, pelas corretas e rigorosas formas internacionais e uso correto do C.A. No período de 1932 a 1934, Aalto desenvolve móveis de compensado curso, onde as características estáticas da chapa são aproveitadas de modo a eliminar o entrelaçamento habitual (Firma Artek). Tais moveis, a serem produzidos em série, eram concebidos conforme a linha orgânica do corpo humano, quando este repousa, lê etc., mas sempre levando em consideração a produção industrial (pureza de linhas e planos), para haver um barateamento e maior viabilidade. Gradativamente, Aalto cria uma nova organicidade, onde nenhum elemento


é livre por si mesmo: estrutura, fachadas, plantas, janelas tudo está ligado a fim de libertar o homem e o espaço. Aproveitando-se dos progressos da produção industrial, reivindica uma maior modéstia (menor escala) e parte do regionalismo buscando a nacionalidade de formas funcionais e expressivas, não necessariamente ortogonais. Principais obras: •

1929: Sanatório em Paimio •

Preocupação com o aspecto utilitário e funcionalidade mecânica visando o bem-estar psicológico dos doentes: distribuição lógica das cores (anti-monotonia), controle de ruídos e ventilação, relação direta com a paisagem, obliqüidade e importância aos detalhes.

1930: Pavilhão finlandês na Exposição Universal de Amberes (com ERIK BRIGGMAN) for-mas curvas e ondulares de madeira.

• •

1934: Biblioteca em Viipun Complexo mecanismo de distribuição com grande empenho técnico e funcional: alturas variáveis dos ambientes, sistema de iluminação difusa na saia de leitura, unidade entre teto e parede em superfícies onduladas no auditório, ênfase nos detalhes como corrimãos de madeira e regionalismo.

1937: Casa própria em Helsinki Complexo industrial em Sunilla Pavilhão finlandês na Exposição Internacional de Paris - paredes onduladas

de madeira promovendo abrigo psicológico e sombra. •

1938: "Villa" Mairea •

O r g a n i s m o g e o m e t r i c a m e n t e s i m p l e s c o m v ar i e d a d e d e acabamentos e continuidade entre arquitetura e decoração (toque de modernidade no uso da madeira)

1939: Pavilhão finlandês na Exposição Internacional de New York

Decomposição do espaço prismático através de uma ciclópica parede ondulada e divisão da altura em quatro partes, que pendem sobre o observador.

Em 1938, Aalto vai lecionar nos EUA, acabando por inserir-se nas polêmicas do ambiente americano e desenvolvendo uma arquitetura definitivamente rompida do esquematismo, igualitarismo e estandardização. Suas idéias e características mais marcantes foram: a) Maior preocupação com a vida do homem, ou seja, com a psicologia e os valores regionais; a)

Maior habilidade com pormenores, diferentemente da visão conjunta e


harmoniosa dos racionalistas (importância a detalhes, como maçanetas, lustres, corrimãos, etc.); b)

Maior preocupação tecnológica, evitando clichês tecnicistas (uso de madeira tratada, avanços acústicos e luminotécnicos etc.);

c)

Abandono do dicionário cubista: liberdade dos enquadramentos neoplásticos,

dos

jogos

volumétricos,

em

nome

de

amplas

paredes onduladas e formas oblíquas. "A Natureza - a biologia oferece múltiplas e exuberantes formas: com as mesmas construções, os mesmos tecidos e as mesmas estruturas celulares, é capaz de engendrar milhares de combinações, das quais cada uma é exemplo de um alto nível formal. A vida humana procede das mesmas raízes." Frank Lloyd Wright (1869-1959) Arquiteto norte-americano, nascido em 08/06/1869, em Richard Center, Wisconsin, considerado profeta e gênio do Organicismo, uma vez que antecede em 30 anos a experiência nacionalista européia. Já a partir dos anos 80 do século XIX, Wright inicia uma renovação da arquitetura americana auto-intitulada "orgânica", contrapondo-se a todo resíduo classicista de Louis Sullivan e a Escola de Chicago (volumes isolados, superfícies lisas, purezas cristalinas e geometriamos abstratos). Ele começou a exaltar a horizontalidade, a linha da terra e os materiais inacabados: a casa ancorada no solo com fator de integração da paisagem. Desde o início de sua obra, os edifícios fazem parte da Natureza, da qual parecem brotar harmonicamente, uma vez que suas formas, cores e materiais são adaptados ao entorno. Para Wright, a expressão do edifício nunca depende primordialmente da distribuição volumétrica ou das leis geométricas, proporcionais ou dimensionais, mas sempre do conjunto arquitetônico - cada detalhe tem a mesma importância que todo o complexo. Em seus desenhos, a paisagem desempenha uma função eminente como complementação da obra. Como não havia arquitetura na Universidade de Wisconsin, ele acabou ingressando em Engenharia Civil, do que nunca se arrependeu: "Felizmente graças a isso, livrei-me da maldição que era o ensino arquitetônico dessa época, tão sentimentalizado nos EUA com sua falsa orientação cultural e sua ênfase equivocada pelo sentimento". Entretanto, não "agüentando mais perder tempo na universidade", Wright


abandona Madison e vai para Chicago, onde torna-se projetista no escritório de Louis Sullivan, do qual adotou seu lema:" A forma segue a função". Em 1894, aos 25 anos, inicia a trabalhar por conta própria, cirando casas tão pessoais e características que seus donos lhe davam afeto como se fossem seres vivos: esta é sua primeira fase, a das Praire Houses, que dura até aproximadamente 1910. Estas casas apresentavam os traços básicos da arquitetura orgânica de Wright, que criou um código individual e próprio para poder articular suas admiráveis e inimitáveis mensagens. São estas as principais características das Praire Houses: a)

Uso simbólico da chaminé como ponto de partida para a distribuição

radial da planta, que se distribui no entorno deste núcleo de lazer da forma cruciforme, obtida normalmente na interpretação de dois volumes de alturas diversas; b)

Sentido orgânico de expansão da planta, que é um espaço articulado

e contínuo, inspirado na tradição rural e concebido como ambiente único, que é diferenciado para satisfazer exigências particulares, como descanso, alimentação, lazer, sociabilidade etc. a)

Ênfase dada ao espaço interior, na qual a concepção da casa é a

de refúgio, no qual o ser humano pode se esconder e se proteger da chuva, vento e luz (pequeno uso do vidro e paredes brancas); b)

Uso de pesadas coberturas de proteção, conferindo maior maleabilidade e

liberdade da rigidez nacionalista, através de planos horizontais largos com protetores sobressalentes como se desprendidos do edifício; c) inovações

Eliminação

da

ornamentação

supérflua

e

inclusão

de

tecnológicas: uso de janela-parede, concreto armado, balanços,

calefação, etc. As mais importantes Praire Houses são: • •

1893: Casa Winslow Início de acentuação das linhas horizontais embora a planta ainda

seja retangular compacta, mas com indicação de expansão pela "bow-window", incorporação da cozinha à copa e sala (plano aberto) e ampliação dos terraços. •

1900: Casa Hickox, Kankakee, Illinois

1902: Casa Willitts

1908: Casa Roberts

1909: Casa Roble, Woodlawn Avence, Chicago.


Traçado cruciforme determinado pela implantação urbana num

organismo de ordem dinâmica e original, ao invés de fixo e simétrico: completa o ciclo das Praire Houses. Neste período, Wright fez outros projetos além de casas, como o Larkin Building, em Buffalo e o Templo de Oak Park, onde ele antecede a decomposição em planos neoplástica, embora ainda preso à simetria e rigidez estereométrica. O período de 1911 a 1930 foi marcado por muitos problemas em sua vida particular conflitos conjugais e relações complicadas o fizeram se afastar da arquitetura e viajar para Europa e Japão. Em 1911, iniciou a construção do Taliesin ("Resplandecente") em Spring Green, o estúdio próprio que incendiou-se por duas vezes e incansavelmente reconstruído. Foram estas as principais obras de sua segunda fase a partir da década de 30: •

1932: Escreve o livro "The Disappearing city", onde critica o funcionalismo inorgânico e mecanicista, prevendo a decadência das cidasdes atuais e propondo o Urbanismo Naturalista.

1934: Projeto de Broadacre City • Baseado na teoria de descentralização de seu livro cria uma comunidade ideal onde as famílias seriam isoladas dentro de uma ampla zona verde, cada qual com um acre (4000m 2) e interligadas por auto-estradas aos demais setores funcionais.

1936: Conjunto de escritórios Johnson, em Rancine. • Morfologia de elementos curvilíneos (estrutura elástica de colunas em forma de cogumelo) num espaço livre e antisísmico.

1936139: Casa Kaufmann (Falling water), Bear Run, Pennsylvania • Estrutura em concreto armado e pedras locais apoiada num maciço, rochoso, com três andares e intentando relacionar as duas margens do rio Bear Run e ligar-se com a natureza; •

Desarticulação progmática e assimétrica de volumes e espaços: retrata a desordem orgânica da natureza do lugar, tentando traduzir a força selvagem das rochas e rios (forma de projetar de dentro para fora)

1938: Casa-estúdio de Taliesin West, Paradise Valley, Arizona. • Uso de angulação de 30 e 60º, valorização de rochas ásperas e angulosas, ligação enfática à terra e inserção na natureza desértica da região.


A partir de 1936, a obra de Wright suscita forte interesse na Europa e no mundo inteiro, do qual decorrem inúmeras publicações. Um de seus valores principais foi a criança de um repertorio vastíssimo, sem se deixar aprisionar por uma única maneira de fazer arquitetura, no mesmo período, coexistem diversas famílias morfológicas. Para Wright, o mais importante era a liberdade da forma. Rebelou-se contra o cubo e o paralelepípedo ("a caixa aborrecida") e adotou uma crescente variedade de formas. Cada lugar novo e cada situação demandavam um novo conjunto de formas e detalhes. Ele nunca foi escravo de normas, nem mesmo das suas. Um grupo de mais de 50 discípulos, o Taliesin Fellowships, a ele se juntou a partir da década de 40, influenciando toda a arquitetura mundial. Essas são as principais idéias e contribuição da arquitetura de Frank Lloyd Wright: a) "Nos primeiros anos de vida tive de escolher entre a arrogância honrada e a humilde hipócrita. Escolhi a primeira e até agora não tive motivo para mudar de opinião: pretendo ser o maior arquiteto que jamais existiu". b) "O arquiteto constrói para a vida que se vive dentro da construção. A máquina deve construir o edifício, mas não é preciso construí-lo como se também este fosse uma máquina". a)

"Organicismo é mais uma atitude ideológica que um código-estilo propriamente dito. Que Deus me conceda os luxos da vida e renunciarei, com prazer, ao necessário".

b)

Interrelação entre edifício e natureza, numa distribuição livre sobre o terreno, com planta flexível e cômoda: a casa deveria se fundir ao que a rodeia, de modo que seja impossível dizer onde começa;

c) Acentuação das linhas horizontais e verticalidade dos elementos dispostos nos pontos rodais: uso de superfície planas a diversas profundidades, em retrocesso e balanço, porticado sobressalente, morfologia planimétrica e espacial curvilínea etc. d) Uso de materiais rústicos, textura dos muros e dinâmica das linhas: materiais naturais (granito, pedra de deserto, madeira bruta, etc.), unidades modulares em angulação, etc. e) Antecipação de questões da arquitetura contemporânea: dimensão tópica da arquitetura e urbanismo, questões ecológicas, criança tipológica e morfológica, etc.


7. COMPARAÇÃO ENTRE RACIONALISMO E ORGANICISMO

Quanto ao programa: RACIONALISMO ORGANICISMO • Programa vinculado à estrutura • Programa contraposto à estrutura (anti(composição) composição) • Preocupação fisiológica • Preocupação psico-biologica • Organograma desenvolvido dentro de • Liberdade para o desenvolvimento do um plano pré-estabelecido (compacidade) organograma (diversidade) • Uniformidade dos ambientes • Individualidade dos ambientes • Aspira à regra, ao sistema e à lei. • Se compraz no uniforme Quanto a estrutura: RACIONALISMO

ORGANICISMO

• Estrutura independente e formada de pilares e vigas modulados uniformemente segundo malha única. • Estrutura concebida como um mecanismo segundo uma ordem absoluta e imutável • Planimetria regular

• Variedade de soluções estruturais, com liberdade de orientação e diversidade de modulações • Estrutura concebida como um organismo que cresce segundo leis próprias de harmonia com as próprias funções • Planimetria irregular (ditada pelas necessidades humanas)

Quanto à forma plástica: RACIONALISMO ORGANICISMO • Regularidade, purismo, simplicidade e • Liberdade plástica, complexidade, unidade variedade multiplicidade • Preocupação com a plástica exterior • Preocupação com a plástica (estética da forma) interna(estética do espaço) • Despreza a natureza • É amante da natureza

Quanto ao caráter •

RACIONALISMO Universalismo, idealismo

e

ORGANICISMO Individualismo, realismo

estilismo

naturalismo

Produto do pensamento

Produto de sensações intuitivas

e


8. O ESTILO INTERNACIONAL No início da década de 40, a arquitetura moderna já era reconhecida como International Style, no qual era possível identificar uma sintaxe própria e uma ordem internamente lógica, além do fenômeno positivista de sua efetiva difusão. Após a Primeira Guerra Mundial, nos anos 20, encontramos a chamada Fase Triunfalista do Movimento Moderno, na qual os nacionalistas colocam na arquitetura a responsabilidade de conseguir a justiça e a igualdade social, suas principais características foram:

A identificação do processo técnico com o processo estético - uma estética cartesiana plenamente identificada com as exigências industriais da racionalização técnica e econômica da forma e da cultura;

A afirmação do Estatuto Funcionalista (“A forma segue a função”.) e da

nacionalidade absoluta - uma concepção funcionalista do desenho e da existência. Na Europa dos anos 30, o Racionalismo encontra barreiras ao seu desenvolvimento pela ascensão de regimes autoritários e pela crítica iniciada pelos orgânicos, que reivindicam o "prazer da arquitetura" e a necessidade do arbítrio poético. Desenvolvendo-se de forma localizada, o Organicismo contribui para uma ampliação do repertório moderno introduzindo:

A apropriação de tradições regionais, principalmente em relação à forma e ao material, além da renúncia à doutrina do modelo de formas geométricas simples;

A interrelação da obra com a natureza e a inclusão do fator psicológico na lista de funções pragmáticas.

Nos EUA, o modernismo acontece um pouco tardio, coincidindo com a crise de 1929, embora algumas de suas bases já tivessem sido formadas desde meados do século XIX. Na década de 30 obteve um desenvolvimento especial. que acaba por se equiparar ao europeu, a partir de quando assumirá importante papel ao nível mundial. O período que vai desde a Segunda Guerra Mundial até aproximadamente a década de 60 é reconhecido como uma fase de caráter pluralista, onde coexistem várias tendências de fundamentação da arquitetura contemporânea. Os primeiros sinais de questionamento dos princípios do Movimento Moderno aparecem no final da década de 50, no XCIAM onde se discutiram: •

A falta de identidade da arquitetura moderna

As limitações do zoneamento funcional

A pouca atenção dada aos fatores psicológicos

A desagregação do Movimento Moderno será testemunhada pelos próprios


mestres modernos, através de seus projetos da década de 50. São os seguintes os valores essenciais do Estilo Internacional, que a partir dos anos 60 receberam várias críticas, as quais fundamentaram o chamado Pós-Modernismo: a) Rompimento com a Historia da Arquitetura, ou pelo menos com tudo aquilo até antes de 1920 (A i-historicismo); b) Autoproposição como solução genérica e universal para todos e quaisquer problemas construtivos (Universalismo); c) Elevação do programa funcional e da estrutura à posição de únicos referenciais para a geração de formas arquitetônicas (funcionalismo); d) Formalmente, tendência a empregar formas simples e articuladas por elementos como janelas-fitas, fachadas-cortinas, coberturas planas, balaustradas metálicas, esqueletos estruturais, balanços, etc. (Pureza formal e uso de materiais modernos); e) Espacialmente, tendência a usar a planta livre composta por elementos como pilotis, volumes independentes da estrutura, divisões planas ou curvas, interpenetrações de espaços, etc. (Ênfase nas idéias de flexibilidade e funcionalidade); f)

Nas questões urbanas, respeito aos preceitos básicos da Carta de Atenas (1933), entre os quais:

Zoneamento funcional das cidades e priorização do sistema viário;

Estandardização, racionalização e regularização como fatores

essenciais para uma maior eficiência técnica e econômica; Padronização de um mesmo tipo de habitação urbana, preferencialmente prédios de vários pavimentos, funcionalmente projetados e imersos em áreas verdes.

9. O URBANISMO RACIONALISTA (PÓS 2GUERRA) Reconstruções e novos bairros nas periferias e a cidade funcional. Os princípios da Carta de Atenas úteis para o modelo capitalista de cidade. Zoneamento - facilita controle, fragmentação, segregação, produção em série, préfabricação. A idéia de zoneamento mono funcionais melhor controle de cada área. Método nacionalista de planejamento em equipe. Ex.: Ville Radieuse - Le Corbusier Síntese do trabalho teórico e prático sobre habitação e cidade. Brasília (1960) surge no momento em que os princípios do urbanismo nacionalista começam a entrar em crise.


Os CIAM (10 Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna. 1928 a 1956) 1ª1ª fase (1;2 e 3) ideologia radical e socialista 2a fase (4, 5, 6) A carta de Atenas cidade funcional. 3a fase (7) - Conflitos pela massificação, interpretações, ensino, pesquisa, relações com artes.

10. CARACTERÍSTICAS FORMAIS DA ARQUITETURA DA 3 a GERAÇÃO - Renovação no caráter formal, geração e análise, principais critérios projetuais, tecnológicos e sociais se mantém. 2 tipos de instrumentos metodológicos: - 0 critério de criação deve ser somado aos critérios de análise espacial, social, tecnológico, produtivo, cultural e contextual - A análise formal Anos 50 - eclosão da arquitetura da 3a geração. Ex.: Louis khan, Cario Scarpa, Kenzo Tange, Aldo Van Eyck, Jörn Utzon A característica essencial da 3a geração é a intenção de conciliar a vontade de continuidade das propostas dos mestres do Movimento Moderno ao impulso de uma renovação necessária. As características formais da arquitetura que se desenvolveu nos anos 50 variam com respeito aos padrões do período entre Guerras. Exemplos dessa evolução formal: Capela de Le Corbusier em Ronchamp; a Ópera de Sydney (Jõm Utzon juntamente com as obras expressionistas de Eero Saarinen). Do modelo da máquina se passa ao modelo aberto onde predominam contexto, a natureza, o vernáculo, a expressividade de formas orgânicas e esculturas, textura dos materiais. Uma recuperação romântica da preocupação pela relação do homem e suas obras com a natureza. A cidade surge, para alguns, como expressão de beleza em contato com a natureza e passa a ser para alguns o modelo de perfeição formal. O edifício deixa de ser visto isolado, o ambiente urbano, edifícios integrados ao contexto topográfico e urbano. Revalorização da esfera da vida cotidiana. Esculturas sobre plataformas, maior monumentalidade. Ex.: Brasília, Kahn, Utzon, Edifício das Nações Unidas NY (anos


50160). A busca de novas formas expressivas Evolução da nova tradição da arquitetura moderna, da solução monumental de conjuntos resolvidos como diversos volumes relacionados sobre plataformas e o tratamento dos edifícios isolados introduzindo novidades. Busca: evitar a monotonia e repetição na fachada. Tratamentos mais expressivos da cobertura modelo. Passos: Tratamento das fachadas Recurso das formas de caráter escultórico: Capela de Ronchamp, Ópera de Sydney Na revisão formal, busca de novas formas expressivas, valor escultórico da arquitetura, ênfase às coberturas (estruturas, abóbadas, coberturas planas). Crise do paradigma da máquina, recuperação da arquitetura popular. Le Corbusier e a 3a geração: Parte "Neobrutalismo" A Capela de Ronchamp 1950-55 caráter épico e expressionista (surpresa e polêmica); Unidade de Habitação (1945-52) edifício cidade, serviços próprios. A ópera de Sydney - Concurso Internacional/Jurado Eero Saarinen. Projeto bastante expressivo sobre uma plataforma na água com grandes abóbadas que funcionavam como fachada e cobertura.

11. A CONTINUIDADE DA ARQUITETURA EXPRESSIONISTA A falta de unidade do Movimento Moderno gerou a corrente expressionista alemã baseada na arquitetura dos anos 20 Gropius, Mies, Hans Scharon. Une os experimentos da transparência, a luz e a fluidez espacial da arquitetura alemã do início do século com as características de arquitetura por guerra. O organicismo expressionista e as referências à arquitetura medieval. (Expressividade e organicidade: Sala de Concertos Berlim) (1958-19153). O expressionismo estrutural Novas formas a partir de novas técnicas e materiais. Objetivos experimentais e expressivos. Ex.: Piar Luigi Nervi, Félix Candeia, Eládio Dieste, Utzon, Saarinen, Tange, Fumihiko Maki, Calatrava. Holanda: Hertzebergier, Van Eyck (recuperação e revisão da arquitetura moderna).


12. CONTINUAÇÃO DOS TRABALHOS DOS MESTRES: GROPIUS, MIES, LE CORBUSIER, AALTO, WRIGHT. Os primeiros anos do segundo pós-guerra constituem um período de transição e preparação. Foram produzidas na Europa construções para eliminar os danos da guerra e para abrigar milhões de refugiados. Desta prática, renasce o Racionalismo, porém já começam partir dos antigos mestres tendências inovadoras. Essas correntes pós-45 são prosseguimento da busca da ampliação da forma funcionalista, ocorrendo uma apropriação inédita de novos meios expressivos, inclusive de formas de estilos históricos. Podemos comparar este período de aproximadamente 30 anos, ou seja, da Segunda Guerra Mundial, no qual coexistiram várias correntes que não tinham um objetivo comum, a não ser o desejo de renovar, em termos artísticos e culturais, a sociedade européia. Tal fase caracterizou-se por uma cultura em crise: a crise da burguesia face à falência dos ideais de conquista do poder. Analisemos agora a influência dos mestres modernos para a formação e difusão dessas novas tendências pluralistas da arquitetura contemporânea. Walter Gropius Gropius se estabelece nos EUA em 1938, onde prossegue sua experiência didática em Harvard, primeiramente trabalhando com um antigo ex-aluno, Marcel Breuer (1902). Criticando a fixação de um repertório único, de soluçõesesquemas e hábitos constantes, para o Movimento Moderno, procurava demonstrar que o arquiteto deveria enfrentar conjuntamente o problema da idealização e da concretização, avaliando tanto fatores temporais como espaciais. Para ele, cada obra era objeto de si mesmo, como solução coerente de um problema particular. Se na Europa houve a necessidade de racionalizar as funções para ordenar a caótica cidade tradicional, uniformizando as células de habitação e integralizando as edificações públicas, nos EUA a situação era bem diferente. A descentralização causada pelo automóvel faz com que a casa tenha de reunir funções recreativas, antes exercidas em locais comuns. Gropius intenta pelo caminho de Wright, porém salientando que a qualidade e individualismo não podiam ser tidos sem as exigências de normalização e de controle quantitativo. Novos fatores influenciam sua obra nos EUA: •

A vastidão da escala e a urgência do desenvolvimento econômico;

A flexibilidade exigida pela multiplicidade de fatores.


Em 1941, Gropius começa a trabalhar com Konrad Wachsmann (1901) no aperfeiçoamento de estudos sobre pré-fabricação. Passa então da construção densa para a raia, isto é, das unidades em muitos andares pares as unidades independentes pré-fabricadas. Em 1945, juntamente com os ex-alunos, forma o grupo TAC (The Architects Collaborative), que se caracterizava principalmente pelo pragmatismo e extremo rigor técnico-construtivo. Este grupo chega a executar uns 70 projetos entre 1946 e 1953, mas nenhum como caráter progressista do mestre. São obras desta nova fase de Walter Gropius: •

1939: Casa Frank, em Pittsburg

1940: Casa Chamberiain, em Weyland

1949: Harvard Graduate Center, Cambridge (Mass.)

Composição formada por sete zonas de moradia e um centro

comunitário integrados por pátios entre si. •

1960: Projeto da Universidade de Bagdá

Uso de elementos formais heterogêneos e formas adequadas a

considerações climáticas •

1961: Embaixada dos EUA em Atenas, Grécia.

Disposição com átrio e planta semi-aberta com cobertura em

balanço. Ludwig Mies Van Der Rohe Mies vai para os EUA em 1938 para dirigir a seção de arquitetura do Armour Instituto of Chicago, que em 1940 passa a ser o I.I.T. (Illinois Instituto of Technology). No ambiente americano, sua arquitetura se dará em edifícios fechados e circunscritos em si, sobrevivendo a flexibilidade e variedade européias. Ele se utiliza de um mesmo modelo, com ritmo uniforme e mesmo material estruturas metálicas com vedação em alvenaria ou vidro chegando a uma grande variedade e riqueza de soluções. Nos EUA. Mies desenvolve duas formas típicas de construção: •

A cobertura suspensa com grande espaço em planta;

O edifício-torre com estrutura em aço e vedação em vidro.

Aos poucos, ele assume a figura de superprojetista, idealizados de formas exemplares, tendo como clientes as grandes firmas americanas. Os prédios seguem proporções previamente estudadas e constituídas por painéis repetidos. As casas ressaltar-se na paisagem urbana como objetos isolados, postos numa malha vazia do


espaço urbano ou no campo intacto, excluindo qualquer relacionamento com o fundo natural. A concepção americana da arquitetura de Mies implicou numa série de qualidades como: disciplina, simplicidade, precisão, perfeição, o que podem associar-se a relações mais sensíveis de ordem, objetividade e universalidade. As principais obras desse período são: •

1939/42: Novo Campus do I. I.T.

Uso de retícula modular e blocos simetricamente fechados:

subordinação a quadro visual unitário. •

1949: Fromontory Apartments, em Chicago.

Organismo rítmico formado pela repetição de painéis iguais com uso de

conveniente retícula estrutural. 1950: Casa Dra. Edith Famsworth em Chicago •

Prisma de vidro destacado do solo e sustentado por apoios

metálicos, com plataforma intermediária e com planta determinada por nova concepção de casa: produto industrial. •

1951: 860 Lake Shore Drive Apartments, Chicago.

Esqueleto de aço com vedação em vidro: neutralidade da fachada,

variabilidade da planta, ordenação em tomo de núcleo central e condicionamento artificial. •

1956: Crown Hall, I.I. T, Chicago

Pavilhão de arquitetura e desenho de planta retangular com total flexibilidade.

1959: Seagram Building, New York

Solução

volumétrica

dispendiosa:

partes

metálicas

em

bronze,

painéis de m árm or e polido ou vidro r óseo, pr aça front al e instalações surpreendentemente perfeitas. •

Ordenação axial do edifício, perfil e disposição, acentuando a

sensação de pesadez do volume. Le Corbusier Na França, após a Segunda Guerra Mundial, o problema de reparação dos danos causados pela guerra se junta à crise de alojamentos já anterior à década de 40, o que tende a redistribuir a população no território. Isto provoca a ação do Estado, que cria em 1944 o Ministério da Reconstrução e da Urbanística para planificar a área urbana e rural, além de subvencionar a construção.


Realizam-se então grandes complexos residenciais, entre os quais as "Unités d' habitacion" de Le Corbusier: a idéia de um organismo unitário com certo número de células habitacionais e serviços comuns, que tinha suas bases nas "Imeubles-villes" de 1922 em diante. O conceito da Unité foi uma das hipóteses mais importantes da cultura urbanística atual: baseava-se na idéia de superar as distâncias entre a dimensão urbana e a dimensão dos edifícios, introduzindo um submúltiplo para equilibrar serviços e habitação. Le Corbusier previa um novo elemento constitutivo da cidade, maior e melhor dotado de atribuições funcionais mais complexas. Em 1946, Le Corbusier consegue o encargo de concretizar uma de suas Unités em Marselha, experiência somente concluída em 1952. Mais tarde, novas Unités foram construídas em Nantes (1953155), Beriim (1957), Bhey-enForêt e Firminy. Entretanto , venficou-se que seu funcionamento correto somente podia ser obtido pela presença de outras similares nas proximidades, já que as relações entre residências e serviços não podem ser concebidas de modo unívoco e rígido. De qualquer forma, a Unité d'habitacion de Marselha resume o pensamento sócio-urbanístico de Le Corbusier todo trecho da habitação em um só bloco como elemento base da cidade. Depois da guerra, Le Corbusier também registrou, em suas obras, a queda de todas as esperanças de resgatar o mundo através de arquitetura. Foi abundante o uso de coberturas onduladas, brisas de concreto e não-ortogonalidade. São obras dessa sua última fase:

• 1950/ 54: Chapelle de Nôtre-Dame du Haut, Ronchamp, França • Abandono total dos 5 elementos, volume puro e superfícies lisas, recorrendo-se à inspiração barroca e expressionista.

• 1950/65: Capitólio de Chandigarh, Punjab, índia • Plano urbanístico composto de vias ortogonais com setores retangulares de 100 ha., cada qual dividido em 13 classes sociais, para a nova capital prevista inicialmente para 150.000 hab. e capacidade até 500.000;

• Conjunto complexo formado por edifícios públicos (Parlamento, Palácio do Governo e Palácio da Justiça) e casas de funcionários;

• Exploração de uma nova plasticidade: gigantescas cascas de C.A., aparente rampas, galerias, coberturas salientes e quebra-sóis.

• 1954: Conjunto residencial Jaoui, Neuilly, França • Uso de vigas de concreto aparente e tijolos à vista. arcos e janelas com marcos de madeira: estética do arcaico.

• 1957: monastério de La Tourette, Lyon, França • 1958: Pavilhão Philips da Exposição de Bruxelas


Alvar Aalto A atividade de Aalto pós-Segunda Guerra concentrou-se na exploração plástica do concreto armado, antecedendo a concepção brutalista. Suas principais contribuições para a arquitetura seguinte foram a acentuação da imagem e exposição da estrutura, os métodos de construção quase artesanais e a utilização de materiais ásperos no interior e exterior das obras. São obras de destaque nesta fase: •

1947: Dormitórios do M.I.T. (Massachusetts Instituto of Tecnology),

Cambridge, EUA •

Abandono de qualquer resquício do esquematismo moderno, no qual o

edifício desenvolve-se segundo uma serpentina, de modo que cada quarto possua uma visão particularizada. •

Nova função plástica e psicológica dada às escadas, que deixam de ser um

elem ento justapost o e se tor nam fator principal na organização compositiva da obra. •

1950/52: Prefeitura de Sainatsalo

1957/59: Igreja de Vuoksenmiska, perto de Imatra Frank Lloyd Wright Os projetos e construções de Wright em seus últimos anos apresentaram cada

vez mais uma tendência ao fantástico. A discrepância entre a idéia e a realidade tomou-se tão desproporcional que a combinação entre ambas ameaçou desmoronar-se. Estas obras apresentaram um germe para o futuro, no qual se identificou desde simbolismos até retornos ao ornamentalismo. As principais obras que merecem destaque são: •

1946/59: Museu Guggenheim. Fifth Ave., New York

Adequação da concepção plástica e continuidade volumétrica aos ideais da arte moderna: grande espaço arredondado com piso contínuo por rampa espiral e iluminação perimetral e central.

1947/48: Igreja unitária de Madison, Wisconsin

Cobertura em balanço como elemento de configuração determinante do fechamento espacial.

1950: Torre dos laboratórios Johnson Wax & Sons C°, Rancine •

Pisos se desprendem de um núcleo central e as paredes são substituídas por uma transparência de vidro.

1953: Torre Prince of Bartlesville. Oklahoma


Uso de formas agudas e verticalizantes, com planta quadrada em cujo centro localizam-se os elevadores e instalações e cujo giro em 45° cria uma volumetria externa dinâmica e ambígua.

1957: Projeto da ópera de Bagdá •

Reminiscências de formas arquitetônicas babilônicas. 1959: Sinagoga Beth Sholom, Elkine Park, Pennsylvania

Simbolização do Monte Sinai com resgate de signos da religião judia.

1960: Centro comercial Mary Contry, San Rafael (Cal.) •

Disposição com várias plantas ao redor de pátio interior, com linguagem formal e ornamentação tardia.

13. A REVISÃO FORMAL NOS ESTADOS UNIDOS Os arquitetos americanos: Sullivan, Richardson, Wright, etc. somam-se os que emigraram da Europa por causa da crise européia após a 2a Guerra Mundial: Gropius, Mies, Mendelson e anteriormente Saarineu, Neutra, Schindler, etc. Essas influências internacionais interagem sobre a grande variedade que

manifesta

a

arquitetura

americana,

aliado

ao

grande

potencial

econômico que propiciou grandes empreendimentos arquitetônicos, bem como no desenho industrial e nas artes plásticas, do expressionismo abstrato e logo após a pop-art, o "land-art", o "minimal", o conceituai, etc. Grandes

escritórios

praticam

uma

arquitetura

de

tecnologia

avançada: Yamasaki, Paul Rudolph, Cesar Pelli, Harrison e Abramovitz, etc ... Wright. Saarinen e Kahn são exceções a continuidade do Estilo Internacional ao longo dos anos 50. A contínua influência entre América e Europa pode ser ilustrada por Frank Lloyd Wright que foi referência para as vanguardas européias e ao mesmo tempo o contexto europeu. como outros oferecem sugestões à obra de Wright. Por outro lado, Wright representa uma posição individualista no panorama da arquitetura, confiando no controle individual do artista sobre seu produto. Nos anos 50, o Museu Solomon R. Guggenhein em. Nova York, projetado por Wright surgiu como paradigma da arquitetura, da intervenção urbana e representa a síntese das principais idéias arquitetônicas desenvolvidas por Wright traz em parte


a referencia ao sólido, as rochas e a busca do dinâmico, das formas ponte e pl at af or m as , d as f or m a s es be lt as e e m m ov im en t o, e m s in t o ni a co m o neoplastiscismo. Não possui qualquer relação tipológica e de escala com o entorno urbano convivem nele as referências orgânicas e naturais com a admiração pelo mundo da ficção científica e das máquinas. É evidente a influência de Wright em toda a arquitetura norte-americana atual: Rudolph, Venturi, Alexander, etc. O Formalismo e o Ecletismo em Eeero Saarinen (1910-1961) Filho de arquiteto, nascido na Finlândia emigrou para os Estados Unidos aos treze anos, estudou arquitetura em Yale (1930-1934). 1949 venceu concurso para o monumento a Jefferson em St. Lovis. Obra baseada na arquitetura moderna e difusor do Estilo Internacional nos Estados Unidos tem obras estritamente nacionalistas

de

formas

retas

e

simples

e

obras

exageradamente

expressionistas, simbolistas e ornamentadas, baseadas no alarde estrutural, nas formas livres e orgânicas (Aeroporto Kennedy da TWA; Nova York, Hockey Ring da Universidade de Yale) obras onde predomina uma mentalidade construtiva próxima à de Nervi, Candeia e Tange. O que o diferencia desses estruturalistas é que para ele as questões estéticas e simbólicas estão sempre acima das razões puras, materiais, estruturais, industriais e matemáticas. Busca novas formas estruturais e de cobertura com novo repertório formal, novos materiais, recorrendo a claras configurações organicistas. Foi um dos primeiros arquitetos do Movimento Moderno que buscou incorporar a metáfora à arquitetura contemporânea, colocando em 2° plano as exigências funcionalistas. Modernidade e Tradição em Louis L. Khan Experiência arquitetônica singular no século XX. Figura crucial na tradição americana e internacional em sua evolução da tradição modernista à chamada situação pós-moderna. Louis Kahn inicia sua intervenção no panorama da arquitetura internacional, quando começa a se evidenciar a Crise da Arquitetura do Movimento Moderno. Como alternativa, propõe para o método de projetação uma total inversão dos procedimentos compositivos da arquitetura moderna e dos critérios do funcionalismo. Em cada obra pergunta o que quer ser o edifício? Sustentando que as edificações possuem uma essência que determina sua solução, que a forma tem preponderante.

sempre papel


Kahn define os estados básicos do projeto arquitetônico: o inicial (que define a idéia, quando a forma surge como vontade concreta de existir e se elege entre a diversidade de tipos formais). A seguir, a introdução da ordem pelos critérios da composição tradicional, estabelecendo uma ordem que se baseará sempre no rigor e nas leis da geometria e por fim o desenho resolvendo os problemas compositivos, e definindo através dos detalhes as qualidades de cada espaço, sua eliminação, seus elementos construtivos, seus materiais e seu conforto interno. O momento inicial da idéia e da forma é essencial na concepção arquitetônica de Louis Kahn, é o momento dos croquis, dos primeiros trabalhos, frente aos primeiros dados do programa e do lugar, onde se manifesta a estrutura da forma, que se expresse a ordem que antecede ao desenho. A análise das plantas de suas obras nos mostra o repertório de formas utilizadas e a utilização das leis da geometria como a 1 a e última, justificação de todo projeto, desde a idéia inicial até a composição final. Sua última grande obra, o Palácio da Assembléia em Dacca, sugere uma síntese entre Modernidade e tradição, entre o uso da técnica e da memória juntos. O que diferencia da busca da mentalidade de Niemeyer, Utzon, Candeia ou Tange é que em Kahn a recriação da monumentalidade abandona o exclusivismo da linguagem moderna para interpretar a história. Segundo Kahn "a monumentalidade em arquitetura pode definir-se como uma qualidade espiritual inerente a uma estrutura que transmite a sensação de sua eternidade da qual não se pode tirar ou trocar nada". Panorama de Individualistas e Arranha-céus Com Wright. Saarinen e Kahn, a arquitetura norte americana destaca-se pela grande diversidade de tendências e individualidades. Nesse panorama destacam-se as obras de Richard Neutra, Minoro Yamasaki, do S.O.M. de (Skidmore, Owings e Merrill), de Philip Johnson. Se durante os anos 30 surgem os principais impulsos à arquitetura moderna, coma simplificação e regras do "Estilo Internacional", a partir dos anos 50 surgem as primeiras preocupações com o historicismo e o ecletismo. Alguns arquitetos como Paul Rudolph desenvolveram um novo expressionismo estrutural e brutalista, com o uso do concreto aparente e a pedra. Por último, destaca-se o minimalismo tecnológico que tem desenvolvido Kevin Rocha combinando cuidadosa utilização da tecnologia com a busca classicista da harmonia e proporção.


Da Europa à América: mescla de culturas O predomínio da cultura européia, reforçada e mantida ao longo dos séculos começa a declinar na 2ª metade do século XX. A América surge como a terra do futuro e começa a ter uma forte presença invertendo a situação, com grande influência da arquitetura americana a partir de Wright e cada vez mais dominam os teóricos (Venturi, Einsenman) os arquitetos (Gehry, Heyduk, ... ) e escolas de arquitetura (Columbia). Aliado ao êxodo de grande quantidade intelectuais europeus, expandem-se os pensamentos surrealistas e existencialistas. Os focos culturais se multiplicam ao longo do século XX e o novo papel da arquitetura americana acabará com o monopólio europeu. O processo de simbiose de culturas marca um caminho irreversível em termos mundiais, com a arte e a arquitetura sendo influenciados por diversos pensamentos orientais e acidentais.

14. A ARQUITETURA BRITÂNICA: NEOBRUTALISMO E ESTRUTURAÇÃO URBANA. Para tratar o contexto da arquitetura britânica do Pós-Guerra é necessário em primeiro lugar, ressaltar o interesse da experiência da construção de novas cidades para descongestionar Londres - as newtowns. Entre 1946 e 1951 foram fundados as primeiras newtowns, baseadas nas idéias iniciadas por Ebenezer Howard em 1898. Em 1903 foi criada a primeira cidade jardim (Letchworth) e as demais newtowns derivaram desta tradição, com critérios da separação racionais de funções. O conjunto era pitoresco e normalmente mostrava respeito com as árvores e plantas. Formalmente a arquitetura das newtowns era inspirada na arquitetura sueca (neoempirismo). Essa experiência consistiu em unir a tradição das cidades-jardim com as idéias do urbanismo racionalista, dos pianos de zoneamento e áreas verdes. Hipóteses experimento e verificação, integrando as críticas às experiências futuras. Seguiram-se 3 gerações de newtowns, a 2' geração nos anos 60, tratava de criar cidades mais compactas, mais densas e nos anos 70 uma maior flexibilidade e uma maior diversidade tipológica. Convivem o idealismo voltado ao futuro e o tradicionalismo, de uma casa isolada com jardim.


A Arquitetura do Novo Brutalismo Após a 2' Guerra, na experiência britânica destacam-se o forte predomínio da tecnologia e as preocupações em tomo dos processos e necessidades de produção da arquitetura. (Nesta harmonia entre a política industrial e as aspirações sociais). Por isso, nesta arquitetura apresenta por um lado a . tendência que se baseia na interpretação neoromantica da arquitetura vernácula e por outro lado a tendência da arquitetura high-tech. (Archigram, Price, Foster e Rogers). Grande parte das obras do chamado novo Brutalismo é britânica (Ex. escola em Hunstanton de Alisou e Peter Smithson, e as obras do independent Group, ambos baseados nas formas de Mies, principalmente da fase americana). Na arquitetura britânica dos anos 50, principalmente dos arquitetos que partem de uma continuidade com o projeto da modernidade arquitetônica (os Smithson, Mathew. Martin, Stirling e outros) têm importância especial o recurso da articulação dos edifícios (horizontal e vertical). "Estruturação Urbana" dos Smithson Texto publicado em 1967, onde os Smithson expõe uma proposta completa e ordenada das novas possibilidades da revisão formal que poderiam surgir nas intervenções urbanas. O texto mostra como a busca de um novo repertório formal na arquitetura recorre a configurações que provém do expressionismo abstrato da art. brut e inclusive o pop. Art.

15. A NOVA CULTURA URBANA A partir de 1945, planos regionais e municipais prevêem o crescimento residencial, situação dos equipamentos e traçado de novas ruas. Ao longo dos anos 50 assiste-se à reconstrução das cidades e desenvolvimento dos novos bairros demonstra que a pretensão do zoneamento restrito segregando as diferentes funções de cidade, é negativa. Pouco a pouco, os urbanistas passam a crer que a cidade urbana existe onde há mistura e sobreposição saudável de funções (residência, trabalho, comércio, lazer, ...) velando por um equilíbrio urbano. Surge também na 2 a metade do século XX uma nova cultura do espaço público, com novo papel ao espaço livre urbano. As obras: “Vida e Morte das Grandes Cidades “Jane Jacols e “O Direito à Cidade” Henry Lefebvre, são críticas ao urbanismo racionalista nas grandes cidades contemporâneas “““.


16. A ARQUITETURA NÓRDICA: NEOEMPIRISMO Arquitetura doméstica, de raiz vernacular aliada a razões produtivas, à forte influência do meio natural o que obriga a uma definição mais cuidadosa do meio arquitetônico onde habita o homem, insistindo na escala humana e psicológica da arquitetura.

Representa

a

síntese

progressista

entre

racionalismo

e

empirismo, tecnologia e saber tradicional. A arquitetura "neoempirista" se desenvolve principalmente na Suécia e Noruega estendendo-se aos países escandinavos, representa uma reação ao excessivo esquematismo da arquitetura dos anos 30. Mestres de destaque: o finlandês Alvar Aalto, o dinamarquês Jöm Utzon desenvolvendo uma síntese entre forma e desenho racional e inspirações orgânicas, entre organicismo e tecnologia. Na Noruega, destaca-se o arquiteto Sverre Fehn integrando princípios de tradição racionalista e da estruturalista francesa, influências da arquitetura italiana e arquiteturas orgânicas. O neoempirismo da arquitetura nórdica trata de humanizar, com planta racionalista que se solta em formas articuladas e abertas, aproveitando topografia e paisagem. Persegue-se a fantasia formal, a recuperação da decoração e referência às formas tradicionais. Não se trata de estabelecer modelos, mas desenvolver um novo conceito, um método de propor e pensar através do projeto.

17. CULTURA E ARQUITETURA ITALIANA: ZEVI, ARGAN . Nos anos posteriores à Guerra, a teoria e prática arquitetônica estão relacionados a reconstituição política, econômica e social. Idéias

predominantes:

consciência

do

valor

dos

setores

populares,

necessidade de sintonizar com os mestres da arquitetura dos anos 20 e 30, continuando e atualizando sua mensagem de modernidade, defesa da cidade, como lugar do coletivo e patrimônio cultural. Surge em Roma uma corrente de arquitetura neo-realista baseada no realismo e na comunicação e uma outra corrente definida como pos - nacionalista (Zevi) que propõe uma via organicista.


2ª PARTE - A CONDIÇÃO PÓS- MODERNA

1. 1965-1977 - A CONDIÇÃO PÓS MODERNA


ANOS 50 - Continuidade do Movimento Moderno ao mesmo tempo em surge uma nova geração de arquitetos e as primeiras tentativas de revisão e crítica. ANOS 60 - Na segunda metade dos anos 60 - mudanças radicam e grande pare da arquitetura se distancia do Movimento Moderno. Surgem novas correntes e concepções a partir das críticas dos anos 50. Ex.: as propostas do grupo Archigram, a crítica tipológica de Rossi, a arquitetura comunicativa de Venturi. Juntamente com novas alternativas construtivas, surgem temas como: conceito de tipologia, estrutura da cidade, a linguagem como comunicação simbólica, além de novas metodologias e novos horizontes para uma nova época. O dilema entre a crise e a continuidade dos anos 50, passa para uma fase --e novas propostas de caráter metodológico com novos sistemas de entender e projetar a arquitetura. Ao lado das novas propostas tecnológicas, do caminho da crítica tipológica da arquitetura como linguagem comunicativa e depois, a arquitetura conceitual de Eisenman e Hejduk, surgem novos métodos arquitetônicos que coincidem com o surgimento das metodologias das ciências sociais e o método que articula a maioria: o pensamento

estruturalista

(fundamentado nas leis da lingüística), Em Rossi. Venturi e Eisenman são evidentes traços do estruturalismo e teorias da linguagem. O ano de 1965 funcionou como fronteira: início de uma etapa diferente, de busca de novas estratégias (teóricas e projetuais). Anos 65 a 69 - período de mudanças radicais, primeiramente com o desaparecimento dos grandes mestres do Movimento Moderno: morrem Le Corbusier, Mies e Gropíus. Em 1968, a Escola de Desenho de Ulm, continuação da Bauhaus se fecha. Além disso, os projetos dos arquitetos mais jovens mostram uma troca paulatina de coordenadas: Rossi - com elementos classicistas e historicistas. Venturi e Moore - jogos formais e simbólicos.

Entre 1965 e 1970, surge uma grande quantidade de publicações com panoramas gerais e locais da arquitetura dos anos 50 e 60: −Kevin Lynch- A imagem da cidade (1960)


−Giulio Carlo Argan- Projeto e destino (1964)

-Robert Venturi- Complexidade e contradição na arquitetura (1966) -Vitorio Gregotti- O território da arquítetura(1 966) -Christian Norberg- schulz- Intenções na arquitetura (1968), uma tentativa lúcida de, a partir da crítica da arquitetura, buscar instrumentos e conceitos necessários para interpretar a nova situação. Despertando para a consciência de uma nova situação, que nos anos 70 se chamará "pós-modernidade". O livro A linguagem da arquitetura pós-moderna de Charles Jencks (1977) expõe a consolidação de uma nova condição, diante da valorização da tradição histórica e do sentido comum. ANOS 0- Em meados dos 70. a consciência critica com o legado do Movimento Moderno, se evidencia em projetos, textos e fatos como em 1972. a implosão do Conjunto residencial Pruitt-lgoe em St. Louis, de Minoru Yamasaki, concebido segundo os critérios de zoneamento, tipologia de blocos do urbanismo racionaiista. Em 1976, incendeia-se a Cúpula geodésica do Pavilhão dos Eua. em Montreal. A partir dos anos 70, surge uma grande diversidade de posições: correntes fundamentalistas; propostas hipertecnológicas; arquitetura alternativa e ecológica. Perde-se a idéia de uma visão continua e homogênea como propunha as vanguardas modernistas e abre-se o universo intelectual do pluralismo e da descontinuidade.

2.

NOVO

FUNCIONALISMO

E

A

ARQUITETURA

COMO

EXPRESSAO TECNOLOGICA Nos paises mais avançados, como a Inglaterra, Eua, Japão, ocorre a recuperação do espírito pioneiro e tecnológico das vanguardas. As novas possibilidades tecnológicas dos anos 60 (chegada do homem à lua – 69) aliadas à prosperidade, ao desenvolvimento capitalista, refletem-se nas propostas arquitetônicas (arquitetura sobre o mar e no espaço). As novas possibilidades de cálculo, projeto

e

produção

de

estruturas

arquitetônicas,

novos

instrumentos,

experimentação, novos materiais, tecnologias avançadas, pré-fabricação acabam por fomentar propostas radicais (às vezes impossíveis). O grupo Archigram (1960 - Inglaterra), formado pelos arquitetos: Peter Cook. Crompton, Chalk, Greene e Webb, toma-se referência de uma parte das propostas da


arquitetura contemporânea. De posição neofuncionalista, do progresso ilimitado (Hegel), do espírito dos tempos, o sentido evolutivo, base do Movimento Moderno, segue valendo para eles. Propõem alterações drásticas, naves espaciais, cápsulas. As propostas do Archigram representam a síntese entre a cultura pop inglesa e a assimilação dos progressos tecnológicos, indo desde pequenas cápsulas até megacidades, trabalhando com a imitação das leis da engenharia e o conhecimento científico, as possibilidades dos materiais e tecnologias.

3. Os METABOLISTAS JAPONESES Além das marcantes presenças norte - americanas e latinasamericanas na arquitetura do pós-guerra, surge um outro foco de evidência: o Japão. A partir do Movimento Moderno, a arquitetura japonesa destacase peia adesão do estilo internacional e ao mesmo tempo pelo vigor e expressionismo formais nos anos 50, com coberturas leves e expressivas, estruturas em madeira e sensibilidade construtiva, tudo reforçado pela utilização brutalista do concreto. Com sua arquitetura exalta a estrutura, a arquitetura moderna e a a r q u i t e t u r a t r a d i c i o n a l j a p o n e s a , o q u e o c o r r e at r a v é s d a v i o l ê n c i a f or m a l , geometrização e rigoroso planejamento estrutural. Esta fase está relacionada à arquitetura de Le Corbusier brutalista e do Museu de Arte Moderna - Tóquio (1957), paradigma para muitos arquitetos japoneses, com destaque para Kenzo Tange, cujas obras deste período apresentam tanto uma crítica ao funcionalismo através da exaltação das formas estruturais quanto pela vontade de recuperar certo naturalismo perdido. Ex.: Biblioteca Hirosamma (1954). Porém, será ao longo dos anos 70 que surgirão novas formulações como a busca de um novo tipo de cidade que Kenzo leva adiante e se expressa nas propostas dos "Metabolistas", grupo criado em 1960 juntamente com Kikutake. Kurokawa, Maki, Otaka e o crítico Kawazoe. A idéia básica é planejar desde o desenho industrial até o sistema de agregação de cápsulas residenciais. Surge como reação à falta de planejamento urbano típica no Japão, pensando novos organismos na escala urbana: cidades oceânicas, aéreas, unidades agrícolas, unidades residenciais móveis ou estruturas helicoidais.


A brutalista exaltação estrutural, tecnológica e agregativa do edifício são levadas à escala da cidade. Ex. Expo 70, Pavilhão de Kenzo Tange – Osaka, esta exposição funcionou como um mostruário de tipos formais gerados pelas novas tecnologias. Das utopias urbanas de Kenzo destacam-se os planos do MIT para Boston e da baía de Tókio. A arquitetura dos metabolistas influencia o reflorescimento da arquitetura japonesa: Shinohara (conceituai), Tadao Ando (minimalista), Fumihiko Maki (eclética).

4. A ARQUITETURA NEOPRODUTIVISTA

As possibilidades de altas tecnologias, de inovações, principalmente nos Eua e Inglaterra. Na Inglaterra, a arquitetura high-tech, influenciada pelo Archigram, equipe criada por Normam Foster, que sem renunciar aos aspectos lúdicos do Archigram, busca o rigor das realizações práticas e possibilidades do desenho industrializado. Prefere-se trocar de ambiente já existente que interpretá-lo e valorizá-lo. Outros arquitetos de destaque: James Stirling, Patríck Hodgkinson, A arquitetura produtívista foi mais bem desenvolvida nas possibilidades plásticas e materiais da tecnologia pelos norte-americanos, experimentando nos arranha - céus, a resistência, a rapidez, o conforto térmico, acústico, a transparência, etc... Ex: Kevin Roche, John Dinkeloo e a Fundação Ford- NY (1968). Colegio Indianácofis (1973), Hotel Plaza- NY(1976). Esta arquitetura também se desenvolve na Alemanha, com abordagem como as estruturas tencionadas de Frei Otto (Munique, 1972). A Espanha, ao longo dos anos 60, vive uma polêmica entre tecnologia avançada (Tons e Fargas) e tecnologias artesanais (Bohigas), além de Ricardo Bofill (Sant Just- Barcelona, 1975). Na América Latina, a arquitetura do desenvolvimento com Clorindo Testa, Elia, Ramos e Agostini com estruturas espetaculares em concreto, materiais e métodos locais, diferente do expressionismo tecnológico e experimental do concreto de Félix Candeia e do tijolo de Eládio Dieste.


5. A FORTUNA TECNOLÓGICA DOS ANOS 70 A Torre - cápsula de Nagakin, em Tókio (1971), de Kisho Kurokawa, reflexo do Archigram e dos Metabolistas dos anos 60, com jogo formal - células pré-fabricadas e possibilidades combinatórias na articulação volumétrica. A Sony Tower em Osaka (1976), de Kisho Kurokawa. O centro Georges Pompidou em Paris(1977) de Richard Rogers e Renzo Piano, um novo tipo de edifício urbano com a cultura e o lazer; uma megaestrutura à qual se adicionar módulos transparentes, símbolo da Paris contemporânea.

6. ARQUITETURA E ANTROPOLOGIA Aceitação da pluralidade e diversidade cultural (anos 60 e 70) por influências diversas; na arquitetura de algumas propostas da terceira geração nos campos da arquitetura, urbanismo e desenho buscam-se soluções alternativas aos critérios vigentes (culturais, econômicos, tecnológicos, urbanos e projetuais), mais adequadas a cada contexto social. No geral, se expressa como um dos resultados da tendência ao humanismo dos anos 50. Este movimento dos anos 70 atinge âmbito mais amplo que a arquitetura, indo desde o planejamento de um desenho participativo até proposta de urbanismo de participação.

7. A HERANÇA DO PENSAMENTO SOCIOLÓGICO Surgem

diversas

construções

teóricas

para

afrontar

o

planejamento de métodos e critérios compositivos para uma nova arquitetura pensada em função dos usuários e suas possibilidades de participação nos espaços públicos e privados. John Tumer - estudos sobre ocupação ilegal do solo e auto construção publicados em 1965. Christopher Alexander - arquiteto e matemático, desenvolveu pesquisas para explicitar uma maneira de sentir e realizar a arquitetura que pode estar em cada sujeito, relacionando o desejo insaciável de reformas temporais, relação entre a arquitetura e a cultura material e simbólica, recuperação dos valores das arquiteturas populares e tecnologias alternativas. Dentro dessa linha pode-se perceber a construção de novos museus, a


ampliação da cultura de massas e a revalorização da memória coletiva.

8.

A BUSCA DA RACIONALIDADE NA DISCIPLINA

ARQUITETÔNICA Esforços para construir uma teoria para a arquitetura contemporânea em resposta às exigências internas da disciplina, às vezes delineia a favor de objetos sociais, culturais, político. Ex. Rossi, Aymonino, Tafuri, Gregotti, com propostas que, a princípio, partem de conceitos das pré-existências ambientais tradição, idéia de monumento, responsabilidade do arquiteto dentro da sociedade. A obra “A Arquitetura da Cidade" de Aldo Rossi, com a intenção de entender a arquitetura em relação a cidade, com pontos de vista da antropologia, psicologia, geografia, ecologia, política, entende a cidade como um bem histórico e cultural. As Primeiras Obras de Aldo Rossi - Sua análise comprova como o instrumento da tipologia arquitetônica serve tanto para o momento da análise como para o projeto. Admiram as idéias de Adolf Loos, os pátios.

9.

A ARQUITETURA COMO SISTEMA COMUNICATIVO

A perda da capacidade de transmitir significados e valores simbólicos, críticas ao funcionalismo, Peter Blake - Forma x fiasco. Complexidade e contradições em arquitetura - Robert Ventura, visão contrária à da arquitetura moderna, em favor de uma via híbrida, complexa e contraditória (sem a coerência do racionalismo) para responder aos propósitos de comodidade,

solidez

e

beleza

(Vitrúvio).

Contrário

à

simplificação

da

modernidade. Principais obras: Casa Filadélfia, 1962 - Vanna Venturi: Guiide house - 1963 Filadélfia; Pátio Franklin, 1972 e o instituto de Informação Científica, 1978. Desenvolve a idéia de edifício - anúncio, com o espaço funcional totalmente independente da fachada, fazendo contraste a Adolf Loos e sua concepção da casa como máquina limpa por fora e obra singular e comunicativa por dentro. Os textos Aprendendo com todas as coisas e Aprendendo de Las Vegas, apresentam-se como um tratado sobre o simbolismo na arquitetura. A Idéia do Aplique - Ao final dos anos 70, a equipe de Venturi, dando


continuidade ao movimento Arts and Crafts, do século XIX, defenderá a idéia de um tratamento aplicado sobre as superfícies de desenhos, moveis e edifícios. Baseiam-se nas posições de John Ruskin, entendendo que o que caracteriza cada edifício é a ornamentação, a estrutura e o interior representam meros fatos construtivos, funcionais. Ex.: Edifício de Oficinas do Instituto de Informação Científica, Filadélfia (1978).

10. MANIFESTOS E MECANISMOS PóSMODERNOS

A Pós modernidade é mais uma situação que uma tendência concreta

no

final

do

anos

70.

São

realizadas

obras

que

se

transformam em manifestos da nova arquitetura "pós moderna" Ex: Piazza d'Italia, de Charles Moore, em N. Orleans (1978); Edifício ATT, de Philip Johnson em N. Y. (1978).

11. A ARQUITETURA DO CONCEITO E DA FORMA -Seus máximos representantes são os White- os 5 de Nova York: Peter Eisenman, John Hejduk, Michael Graves, Richarc Meier e Charles Guathmey,

trabalhando no campo do experimentalismo e das

atividades didáticas. Seu trabalho surge da análise dos pressupostos formais modernos dos anos 30, como relações ao pós-modernismo estilístico e como defeso da riqueza dos trabalhos das vanguardas . Einsenmam desenvolve uma arquitetura baseada na forma em si mesma, com uma arquitetura que parte da separação radicai entre a escala do humano e do mundo das formas geométricas. (Realiza uma arquitetura de total abstração baseada nas pautas da arte conceitua) (Minimai. Land Art, como predomínio das idéias iniciais sobre o resultado final. O mecanismo conceitual na arquitetura a enfatiza como trabalho intelectual, sem qualquer pretensão popular ou contaminação o torna realidade. Uma arquitetura que parte de premissas formais e conclui em resultados formais da arquitetura intelectual, anti-organica, Peter Einsenmam, da arquitetura do anti-humanismo, reconhecendo as leis autônomas dos abjetos, o pensamento


lógico como suporte da forma. John Hejduk desenvolve sua atividade experimental no campo do ensino do desenho. Seu método é muito mais empírico, plástico e sensível. Em Richard Meier predomina o pragmatismo e a perfeição profissional oral acima de qualquer experimento conceituai. A influência deste dispositivo conceitual será vista mais adiantemos anos oitenta com uma nova geração de arquitetos.

3ª PARTE - A DISPERSÃO DAS POSIÇÕES ARQUITETÔNICAS


1. 1977-1992- A dispersão das posições arquitetônicas.

A medida em que se utiliza o conceito de "posição arquitetônica" evita-se a utilização de termos bastante ambíguos para qualificar diversas atitudes arquitetônicas como arquitetura "pós moderna", "descontração"ou "regionalismo crítico". Arquitetura "pós-moderna" tem sido um termo ambíguo que tanto pode designar uma situação geral, como certas tendências na arquitetura que são marcantes: historicistas, ecléticas e por isso deve ser usado com muita cautela. "Desconstrução" termo que serve para assinalar a recuperação do construtivismo soviético insiste só em aspectos formais e superficiais de uma parte da arquitetura atual: do fragmento, da colisão. Atrás desta aparência plástica existem questões mais profundas como uma idéia de espaço dinâmico, método projetual, referências interdisciplinares que são as que realmente podem delimitar posições arquitetônicas. O "regionalismo crítico", que a partir de maio de 1990 foi rebatizado como "regionalismo realista" é um termo criado pelos focos internacionais de uniformização cultural e constitui uma forma superficial de reconhecer a diversidade cultural do planeta terra. 0 critério de regionalismo é muito amplo e ambíguo para delimitar posições

arquitetônicas.

A

maioria

das

obras

arquitetônicas

tem

sempre

componentes nacionais locais ou regionais. As posições arquitetônicas predominantes que serão vistas: o historicismo baseado

na

recuperação

do

estilismo

classicista;

a

continuidade

do

contextualismo cultural, que valoriza os valores urbanos e históricos de cada obra; a versatilidade do ecletismo, baseada na busca de novas formas a partir da mescla de linguagens e convenções, o paradigma da singularidade da obra de arte: 5 o surgimento de uma nova abstração baseada no jogo formal, 6 a continuidade no uso radical da alta tecnologia

(As 3 ultimas são métodos mais relacionados com a

ortodoxia da modernidade).

"REVIVAL" HISTORICISTA E VEMACULAR


A arquitetura fortemente enraizada na história, de comunicação com o usuário,do ressurgimento da capacidade significativa na arquitetura. Na maioria dos casos recorre ao prestígio e conforto das linguagens clássicas, o peso da tradição, a nostalgia e necessidade de precedentes históricas. Ao longo dos anos 80, muitos arquitetos seguiram este caminho apesar do grande número de críticas que esta arquitetura "pós-moderna" recebe. Ex: Graves, Cullot, Jencks, Bofill. O Fundamento Europeu - Essa volta às linguagens históricas tem papel transcendental, com a nova sensibilidade com relação aos centros históricos das cidades européias, Conservação, integração e reconstrução com tendências historicistas exclui toda nota de modernidade. Classicismo Anglo saxão - Ex: Quinlan Terry - Inglaterra (anos 80). Interações que continuam de maneira acrítíca uma tradição de grande tradução. o classicismo vitoriano e georgiano. Ricardo Boffil - Arquiteto catalão cuja obra pretende uma síntese entre o classicismo e a alta tecnologia, propondo inclusive sistemas de pré fabricação com molduras que acabam configurando edifícios resolvidos segundo uma interpretação livre da tradição clássica. Essa experiência parte da vontade de recuperar os valores históricos e símbolos da arquitetura com a finalidade de transformá-la em um fenômeno popular. Ex: Conjunto Antigona (1985) recuperando os princípios compositivos da cidade barroca, cada edifício recria tipologias históricas.

Classicismo Pós- moderno na América do Norte

Baseada em razões nacionalistas, quando na realidade a arquitetura clássica nasceu na Europa. Michaei Graves, iniciou um caminho neo vanguardista e gradativamente foi acrescentando à sua obra murais, o valor autônomo e plástico dos elementos e a ênfase ao decorativo. O contato com edifícios de arquitetura histórica e popular, a vontade de relacionar-se com a natureza e um método plástico de superposição de sistemas de linguagem evidenciam esta evolução. Ex: Humana Tower (1985), Biblioteca, Califórnia (1984). Sua identificação com a pintura a lhe permite escolher cuidadosamente as cores para edifícios de forte valor cromático. A cor serve para identificar,


articular e vitalizar os elementos e partes do edifício no conjunto.

A CONTINUIDADE DO CONTEXTUALISMO CULTURAL

As obras mais recentes de Aldo Rossi mostram uma grande capacidade para continuar evoluindo idéias, teorias e arquitetura na posição que coloca a cultura do lugar, os bens culturais do homem; o que diferencia suas últimas obras das primeiras é um espírito mais ecleticista e mais sensível na integração à tradição tipológica e formal de cada contexto. Ex: Teatro do Mundo (1979). Alvaro Siza (Portu gal) utiliza a inspiração nos elementos concretos do lugar como ponto de partida do projeto. Para iniciar cada projeto precisa um intenso diálogo com alugar e com os usuários. A partir daí, usando uma arquitetura às vezes organicista com grande capacidade de adaptação vai resolvendo cada projeto. Ex: Banca Borges (1986). Rafael Moneo (Espanha) uma arquitetura que parte das características do lugar e da tradição histórica. da história da arquitetura e na qual confluem grande diversidade de linhas arquitetônicas, como a arquitetura Bórica, a Romana, o movimento moderno, as vanguardas, o expressionismo de Scharoun.

O Urbanismo Contextualista

O contextualismo se manifesta não só nas obras de arquitetura, mas, também nas experiências urbanas que tem como referência o tecido histórico de grandes cidades, modernizando-as. Nos anos 80, destacam-se 2 cidades européias que passaram por um processo de transformação completa de algumas áreas: Berlim e Barcelona. Modelos para intervenções em outras cidades, mostram diversidade devido ao fato da participação de uma boa mostra de arquitetos, com intervenções que vão desde a recriação de tipologias, morfologias e linguagens da cidade até complicadas redes de superposições, jogos de formas. A criação de novos espaços públicos com soluções de diferentes tipos: jardins, praças, avenidas, parques, com novos tratamentos, dão grande


importância ao projeto arquitetônico e ao mobiliário urbano.

A VERSATILIDADE DO ECLETISMO

Tendência baseada na confiança de que se pode conseguir novos resultados formais a partir da mescla de configurações de diversas origens, principalmente no trabalho de síntese de fatores contrários: história e modernidade, artesanato e alta tecnologia. Baseia-se em soluções híbridas, na mescla e nos contrastes. Numa das manifestações mais claras do espírito ecletista que trabalha a colagem e a agregação foi realizada em 1980 para a Bienal de Veneza e se intitulou “Strada Novíssima”, em defesa da arquitetura contextualista organizada por Paolo Portoghesi, com a participação de 20 arquitetos defensores do novo ecletismo pós moderno. As últimas obras de James Stirling refletem a concepção da arquitetura como uma seqüência sensível de espaços de formas volumétricas distintas, diversos sistemas de obtenção de luz e referências estilísticas contrastantes. Ex: Clore Gallery (1986). O austríaco Hans Hollein rechaça o reducionismo da estética da máquina e do funcionalismo, seu projeto do Museu Municipal (1982) é exemplo de arquitetura sabiamente eclética que utiliza bastante a metáfora. O Museu de História e Arte (1989) possui toda a intensidade da arquitetura simbólica, encravada na montanha (rocha, caverna, tesouro. jóias).

A OBRA DE ARTE – PARADIGMA DA ARQUITETURA

Numa época

de crise de valores e de fracasso das grandes

interpretações, a arte converte-se em valor de segurança. 0 artista plástico trabalha as obras uma a uma, artesanalmente, inovando. Na vontade de imitar os autênticos artistas, arquitetos buscam um método arquitetônico que se aproxime aos mecanismos da criação artística. Renuncia-se, a princípio, da produção em série e


da industrialização radical. Cada obra será singular mantendo uma relação única e instrumental como contexto, com o usuário e arquiteturas existentes. Não só a arquitetura tem se aproximado da arte. Artistas plásticos têm feito intervenções em interiores espaços públicos e na paisagem. Ex: Smithson, De Maria. O Exemplo de Frank Gehry - Sua arquitetura tem se baseado em montagens artesanais de diversas formas simples: prismas, cilindros esferas, torres, ... Envoltório arquitetônicos promulgando uma arquitetura tátil baseada na textura dos materiais e na variedade cromática como reflexo das arquiteturas populares.. Ex: Casa Gehry (1978). Projetos que sejam uma festa de volumes, materiais, texturas, cores e objetos, com o máximo de referências. Gehry pretende que sua obra não sela valorizada por atributos de durabilidade ou monumentalidade mas pelo valor de ser considerado uma obra de arte e pelo sentido que os usuários lhe outorgam com seu uso e satisfação. Outros arquitetos que se destacam na mesma linha: Himmelblau (Viena), Jordi Garcés, Enric Soda (Espanha) Steven Holl, Emílio Ambasz (EUA).

A NOVA ABSTRAÇÃO FORMAL Surge como reação às tipologias estáticas, designando uma arquitetura que é abstrata e figurativa, que se baseia na experimentação de jogos formais. Esse termo evita o da "desconstrução" que insiste em questões apenas estilísticas conforme citado anteriormente. Arquitetura

que

tende

a

falar

dos

tempos

recentes,

da

desordem, da insegurança, da perda da relação com o lugar e a história. Não se propõe a colocar em primeiro plano o homem, nem como usuário dos seus espaços, nem como receptor das mensagens da arquitetura. Tanto em sua forma como em seus espaços tenta novas propostas, nova idéia de espaço (mais dinâmico) e novos modelos de representação. Principais arquitetos: Peter Einsenman, Bemard Tschumi, Zaha Hadid, Rem Koolhas, Libenskind, Hejduk, Cook, Shinohara. Trata-se de uma arquitetura experimentalista e inovadora que as idéias constituem a razão da arquitetura.

A SAÍDA DA ALTA TECNOLOGIA


Por ultimo, a mais representativa posição da arquitetura moderna, a que aborda ciência, indústria e técnica desde o século XIX (Palácio de Cristal, Torre Eiffel, etc...), o Archigram, os Metabolistas e ao longo dos anos 80, apesar das críticas, volta a aflorara confiança na nacionalidade e no mundo da tecnologia. Essa arquitetura rechaça o retomo historicista, jogos formais, decorativos. Dentro desse panorama, tem-se uma arquitetura de alta tecnologia com elegância no desenho como na obra de Norman Foster, ou ainda arquiteturas mais agressivas e a presença dos elementos estruturais e de instalação como a de Richard Rogers e Renzo Piano e casos como o de Santiago Calatrava com formas estruturais e agressivas e Jean Nouvel com a exploração de campos formais baseado em outras artes.

BIBLIOGRAFIA DE REFERÊNCIA MONTANER, Josep M. M. Después del Movimiento Moderno- Arquitectura de Ia segunda mitad dei siglo XX. Barcelona: Gustavo Gili, 1995.

BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR ARANTES, Otília B. F. O lugar da Arquitetura depois dos modernos. São Paulo: Edusp, 1995. GÖSSEL, Peter. Arquitetura no Século XX. Germany: Taschen, 1996. Jodidio, Philip. Contemporary American Architects. Koln :Benedickt Taschen Verlag, 1996. Jodidio, Philip. Contemporary Califomia Architects. Koln : Benedickt Taschen Verlag, 1996. Jodidio, Philip. Contemporary European Architects. Koln : Benedickt Taschen Verlag, 1996. MEYHOFER, Dirk. Contemporary Japanese Architects. Koln : Benedickt Taschen Verlag, 1994.


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