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novembro 2011

Quatro Décadas

Vida e Arte

História da Universidade Estadual de Londrina

Hasta la vista! Diário de bordo de Férias na Europa!

Perfil da professora de piano que vive pela música

Comportamento

Estilo de vida

Entenda por que brasileiros são mal vistos na internet

Drogas:

Conheça a carreira rotina de um tatuador

Expansão da mente ou queima de neurônios?

Especial: 7 pecados


Novembro 2011 7. STAY CLASSY, LONDRINA!

CRÔNICAS

8. A CIGARRA CIBERNÉTICA 9. METÁFORAS, PRA QUE TE QUERO?

ESPECIAL 7 PECADOS

18. VAIDADE É O MEU PECADO PREDILETO 9. AVAREZA NECESSÁRIA 20. PREGUIÇA GENIAL 21. ODE À PREGUIÇA

10. NEM TUDO SÃO FLORES, MAS OS ESPINHOS SÃO MUITOS

22. AS RAINHAS DOS 7 PECADOS

11. DO FUTURO NO

23. 7 MANEIRAS DE CONTROLAR A SOCIEDADE

JORNALISMO 12. O NETO, A RAPOSA E O TUCANO 13. É FOGO!

REPORTAGENS

24. UEL QUATRO DÉCADAS 28. FANTASIA PARA PIANO

14. SINAIS

32. HASTA LA VISTA! TSCHÜSS! ADEUS

15. A ARTE DO DESAPEGO

36. BRASIL E OS GAFANHOTOS


40. OS CAMINHOS DE UM ESTILO DE VIDA

44. ENIGMA CHAMADO MENTE CRÍTICAS

48. A SANGUE FRIO 50. GRANDE CRÔNICA DA VIDA URBANA 52. O REINO E O PODER 53. JORNALISTAS E REVOLUCIONÁRIOS 54. JOGOS DO PODER 55. SUBURGATORY

MATINÉE 56. A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATES 57. ZELIG QUE MÁRIO? 58. JOGO E MÚSICA 59. NÃO É UMA QUESTÃO DE NOSTALGIA

60 - 61 . ALTA FIDELIDADE CARNICEIROS DO FUTEBOL MUNDIAL TOP 5 MELHORES HISTÓRIAS EM JOGOS ELETRONICOS MÚSICAS PARA OS DIAS DA SEMANA MÚSICAS PARA DAR UNS PEGAS


Equipe Textos Guilherme Feijó Henrique Antonio Leonardo Caruso Lucas Nabesima Paulo Zambolin Castanho Vanessa Germanovix Diagramação Lucas Nabesima Vanessa Germanovix Edição Geral Vanessa Germanovix

Imagens Worth1000.com/galeries gettyimages.com Thecoolist.com/seven-deadlysins-wine buscafilme.com.br vintageculture.net vintageadbrowser.com Montagens (Morte da bezerra e Vinhos 7 pecados traduzidos para português): Rafael Vedovatte

Jornalismo Matutino - 3º Ano Disciplina Técnica de Reportagem, Entrevista e Pesquisa Jornalística III Professor Lauriano Benazzi UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA 2011


Stay classy, Londrina! A

elaboração de uma revista é um processo longo e exigente. Exige-se o planejamento de seu conteúdo. Exige-se a criação de uma identidade visual. Exige-se uma dedicação de todos os envolvidos na criação de um material que atenda as necessidades apresentadas pelo desafio do desenvolver a Revista TQP. O trabalho é resultante de um ano de produção para a disciplina “Técnicas de Reportagem, Entrevista e Pesquisa Jornalística III” do curso de Comunicação Social - Jornalismo da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Foram elaboradas durante o ano crônicas, artigos e colunas que serviram como experiência para a produção de grandes matérias opinativas. O resultado é o que você vê nesta edição, repleta do uso da criatividade humana - ou a tentativa de explorar ao máximo a mais avançada máquina que o homem conhece, o cérebro. Pesquisamos sobre o poder das drogas como forma de abrir a mente e desenvolver a plenitude da criatividade. Também vimos como é o trabalho - criativo - de uma experiente professora de piano e a rotina de um estúdio de tatuagem. Temos um diário de viagem pela Espanha, a (infeliz) invasão dos brasileiros na internet e os 40 anos da UEL. Mais do que uma experiência de formação, a “Tem Que Pensar” é uma junção de vários olhares sobre várias realidades com o intuito de... te fazer pensar!

TQP | novembro 2011 | 7


Leonardo Caruso

“T

ri... tri... tri...” Se o cursor do computador emitisse algum som enquanto pisca em uma página em branco do editor de textos, à espera de companhia, à espera de As, Bês e Cês que a completem, seria esse, um “tri, tri, tri” interminável. Como o canto de uma cigarra. Com intervalos, mas desesperador depois de um tempo. Aquela faixa preta se destacando em um universo branco. Por outro lado, a respostas para essa solidão se encontram em um universo escuro e aparentemente sombrio. Futebol, carro, café, mulheres, aqui, pronome, sinônimo,

8 | novembro 2011 | TQP

verbos, idéias, parágrafo, caracteres, assunto, bola, crônica, horário, computador, escrever, rostos, lugares, lembranças, compromissos, ansiedade, um leve desespero. Tudo ganha forma nesse céu negro e tem uma cor branca, o negativo da tela. Mas como fazer para o mundo das idéias criar uma copia no mundo dos bites? Como transformar as palavras que circundam a imaginação em 0 e 1 que transmite o computador. Aos poucos, a Via Láctea de pensamentos é explorada. Aos poucos vamos nos aproximando das estrelas e assim podemos vê-las melhor. Vemos seu contorno,

seu brilho, seu tamanho. E ainda aos poucos elas vão encontrando seu lugar nessa galáxia branca. Aquelas que não pertencem a esse universo somem e aquelas com o brilho certo permanecem. E, aos poucos, lentamente, sem perceber, o que era uma página em branco, ecoando um “tri, tri, tri” desesperador dá lugar a um mundo completamente novo. Um cursor é bem mais que um cursor. É uma viagem para onde quisermos. Mas essa viagem termina. Felizmente termina como começou... “Tri, tri, tri...”


Crônica

Vanessa Germanovix

D

e onde vêm os ditos populares? Citações feias que aparentemente não querem dizer nada. Estas máximas são popularizadas e consagradas pelo uso desgastado de provérbios. Por que cargas d’água usar a expressão “cargas d’água?”. Às vezes as pessoas recorrem aos ditados para preencher um assunto, ou para dizer algo que não conseguem expressar literalmente. Mas o dicionário tem uma grande coleção de palavras para serem usadas em seu sentido denotativo. Frases que foram usadas em um determinado evento do passado são apropriadas e até distorcidas até chegarem às péssimas metáforas repetidas diariamente. Um exemplo do uso incorreto de expressões é a famosa “quem tem boca vai a Roma”, que ganhou sentido de “deslocar-se a”. Entretanto, o correto seria “quem tem boca vaia Roma” (do verbo vaiar). Ficar de nhenhenhém deve ser a mais irritante de todas. E quem a usa provavelmente não conhece o seu significado original muito menos sua história, que vem de uma palavra em tupi, Nheë, que quer dizer “falar”. Quando os portugueses chegaram ao Brasil no início do século XVI não entendiam a linguagem dos índios e reclamavam que eles ficavam de “nhenhenhém”. Não adianta. Pensar na morte da bezerra é inaceitável. Sempre

que alguém usa esta pérola a única imagem mental que me vem é uma lápide com a inscrição “Aqui jaz Bezerra”. Existem também as sentenças de conteúdo geográfico. Afinal, onde Judas perdeu as botas? Será que existe uma plaquinha na região do Triângulo das Bermudas indicando “Judas perdeu as botas aqui”? Apesar destas citações maçantes, nem só de denotações vive o homem. Há algumas expressões conotativas admiráveis e importantes. Como a universal OK, que remete a eventos históricos. OK significa

“tudo certo” (all correct em inglês). No início do século XIX, nos Estados Unidos, em vez de usar as letras AC, que poderiam ser confundidas com alternating current (corrente alternada), as pessoas diziam OK, de oll korrect, gíria de mesmo significado. A sigla ficou conhecida em uma campanha presidencial de 1840. Outra versão é começou a ser usada durante a Guerra da Secessão, uma disputa entre o norte e o sul dos Estados Unidos. As fachadas das casas exibiam o OK para indicar zero killed, ou seja, nenhuma baixa na guerra civil. Na culinária, o banho-maria é muito comum, mas poucos conhecem sua história. É uma alusão à alquimista Maria, possivelmente irmã de Moisés, o líder hebreu que viveu entre os séculos XIII e XIV a.C. Foi ela quem inventou o processo de cozinhar lentamente alguma coisa mergulhando um recipiente com a substância em água fervente. Ou também pode se uma referência à Virgem Maria, símbolo de doçura, pois o termo evoca o “o mais doce dos cozimentos”. Bons ou maus, os ditos populares deveriam vir com o aviso “use com moderação”. TQP | novembro 2011 | 9


Crônica

Nem tudo sao flores, mas os espinhos sao muitos Paulo Zambolin Castanho

Q

uando eu entrei no jornalismo tentaram me desanimar logo de cara, falaram que é uma ótima profissão para você que pretende morrer de fome. Aliás, enquanto eu escrevia esse texto fui lembrado que isso nos foi dito no primeiro dia de aula, no distante ano de 2009. Esse foi o ano da fatídica queda da obrigatoriedade do diploma. Tudo bem que algumas pessoas escolhem o jornalismo para abastecer os seus inflamados idealismos, mas cá entre nós idealismo não enche barriga, não bota o pão na mesa da sua família, não garante a lua de mel em Bahamas, não garante a aula de xadrez do seu filho ou o curso de inglês da sua filha. Por outro lado eu reconheço a importância da comunicação social no mundo globalizado e tecnológico de hoje. Apesar da falta de valorização, tanto na remuneração quanto no preparo dos novos profissionais, a procura de espaço na mídia aumentou, assim como a produção cultural com a popularização das mídias sociais. No fundo dessa reflexão eu vejo que eu gosto de trabalhar com a comunicação, bem no fundo, apesar do decepcionante primeiro impacto que entrar em jornalismo causa em você. Das principais experiências da minha curta vida as mais empolgantes foram em torno do jornalismo. A experiência de estagiar em uma redação jornalísticas é muito boa. O importante é que diferente do pensamento do Homer Simpsons, “tentar é o primeiro passo para o fracasso”, eu continuo tentando gostar de jornalismo e seguir essa profissão pelo resto da vida... 10 | novembro 2011 | TQP


Crônica

Do futuro no jornalismo

Lucas Nabesima esde que entrei no curso de Jornalismo, me questionei sobre como seria o futuro assim que saísse da faculdade. Entraria eu em alguma redação de jornal impresso ou faria parte da loucura que é uma TV? Na cabeça deslumbrada de um calouro, essas questões ressoavam quase que com alegria, ansioso pelo que o futuro poderia reservar. Conforme o tempo passou e a experiência com a profissão foi aumentando – não muito, vá lá, mas aumentando – a tão inevitável de-

D

cepção aconteceu. A rotina exaustiva daqueles que usam a notícia como seu ganha-pão e a baixa remuneração assustavam, desmotivavam. “Mas fazer o quê, já estou aqui mesmo”, e assim a faculdade foi sendo empurrada com a barriga. Indo pra frente, aos trancos e barrancos, mas sempre pra frente. Alguma coisa me segurava no curso, alguma força maior. Uma loucura, uma paixão, não sei precisar. O fato é que, apesar dos pesares, mesmo que alternativas e opiniões mais

sensatas digam que o jornalismo não é a melhor escolha, não consigo me desvencilhar disso. Segundo a pensadora Lenina Natasha Doistoiaska, o jornalismo não é somente uma profissão; é algo que está entre religião e doença. E eu concordo. Apesar de estar terminando o terceiro ano do curso e sem perspectiva do que fazer no futuro, não me vejo em outra área. Seja no diário ou em alguma área especializada, não me livrarei disso, que é quase um karma. TQP | novembro 2011 | 11


Crônica

Guilherme Feijó se não podes ganhar deles, junte-se a eles. Olha o brilhantismo do garoto! Ele aproveitou a incapacidade da raposa mais velha de se eleger e propôs a ela uma aliança. “Você me apóia no Terceiro turno, eu ganho do tucano, e você continua vencedor na cidade de estúpidos.” A aliança por fim aconteceu e o resto você leitor londrinense já sabe. Mas tem uma parte da história que eu esqueci de lhe contar caro leitor. Lembra do programa policial? Então, adivinha quem tinha seus atos de corrupção delatados e criticados de maneira mais que exaltada por nosso protagonista. Sim a velha raposa. Será realmente devemos considerar a política um território sem leis? Tire as suas próprias conclusões.

12 | novembro 2011 | TQP


Cr么nica

Paulo Zambolin Castanho

TQP | novembro 2011 | 13


Crônica

Henrique Antonio

E

u nunca fui muito bom na leitura de sinais. Qualquer tipo de sinal. Seja um sinal de trânsito, seja um aceno de longe. Sou daqueles que sempre fica indeciso, no melhor estilo ‘vou, não vou’, quando o semáforo fica amarelo. Não que eu não saiba que o amarelo esteja alí, mas na hora que o bendito aparece, eu não consigo tomar uma decisão. Também já fui (hoje não mais) daqueles que quando veem alguém acenando de longe, sabe-se lá o porque, acenam também. Cansei de passar vergonha balançando a mão de um lado pro outro e abrindo um sorriso para pessoas que estavam apenas querendo chamar o garçom ou o amigo que estava atrás de mim. Patético. Sem contar que em 90% das vezes, esse tipo de cena sempre envolve uma guria extremamente gata. Ou, na pior das hipóteses, ‘interessante’. Patético ao quadrado! Enfim, não me dou com sinais. Sempre tive a sensação de que se um dia perdesse a audição ou a fala, morreria de fome, incomunicável, num canto de algum lugar isolado. Pura e simplesmente por me achar incapaz de aprender a ler e/ou fazer uso da linguagem dos sinais. Alias, alguém sabe se a linguagem dos sinais é uni14 | novembro 2011 | TQP

versal pra valer? Tipo uma língua única? Ou rola algo como ‘língua estrangeira’? Algo como: “Então cara, hoje eu não posso, tenho aula de linguagem de sinais em inglês. Sacumé, né? Tenho que me preparar pro mercado de trabalho... em sinais”. E é claro que toda essa dificuldade de leitura se intensifica quando o assunto em questão é o sexo oposto. Não sei se é a sutileza dos movimentos, se são as distrações visuais que elas nos impõem, mas elas são, definitivamente, mais complicadas de se ler. O que faz total sentido, pensando que elas são mais complicadas como seres humanos. Mas aí entra em cena minha meu incrível radar com a ainda mais incrível habilidade de encontrar e se fixar nas mulheres mais complicadas do meio raio de alcance. Sempre, haja o que houver. Quase um radar para psicóticas! Mas talvez não chegue a tanto. Todos sabemos que quanto mais complicada a mulher, mais misturados serão os sinais. E some-se a isso, uma pessoa que já não os lê com muita facilidade e, pronto! Temos um indeciso que prefere ficar no meio do caminho do que arriscar por causa de um sinal mal interpretado. Não sei se é coisa da minha cabeça

desconfiada, um mecanismo de autodefesa ou pura teoria da conspiração, mas mesmo quando me deparo com sinal que consigo decifrar, sempre acho que existe um significado por trás do significado mais simples. Algo como uma “semiótica da conquista“, ou nos meus casos, semiótica-de-como-ela-está-me-dando-o-fora-de-maneira-agradável (adoro ironia em frases longas! Funcionam tão bem!). Mas, de qualquer modo, não há insegurança que resista aos sinais mais claros quando eles vão aparecendo. Pois até a mais complicada das gurias são capazes de envia-los quando querem. E, eventualmente, esses sinais aparecem. Em uma mensagem de texto, uma ligação, um esbarrão, no momento em que olhares se cruzam sem querer ou simplesmente em um abraço inesperado. Nessa hora, toda a dificuldade de leitura, baixa autoestima, teorias conspiratórias e o que mais exista, caem por terra. E de repente uma certeza cresce dentro de você, e a partir dali, joga-se fora todos os manuais de leitura de sinais. E você está sozinho. E, de alguma maneira, pronto para tudo aquilo que te fazia perder o sono enquanto perdia tempo tentando decifrar o que talvez sempre esteve lá.


Crônica

Vanessa Germanovix

A

cumulamos de mais. Coisas que um dia tiveram um valor sentimental, que pensamos ser úteis, mas apenas ocupam espaço nos armários. Colwecionismo exagerado pode ser até doença, mas a mania de amontoar aos poucos também pode ser um problema. É difícil desapegar daquilo que chamamos de nossas quando associamos com quem nós somos ou com algum momento importante da vida. É difícil compreender que o reflexo de quem somos não pode ser projetado em objetos inanimados. Objetos têm forma, tamanho,

peso, profundidade, mas não têm vida, nem podem representar nossa vida. Guardar algo que traz boas lembranças é bom, pode trazer a sensação de uma agradável nostalgia. O que pode ser patológico é a idolatria a itens frívolos. O acúmulo desordenado de coisas pode até impedir o fluxo de boas e renovadas energias. Às vezes somos colecionistas também de sentimentos ruins. Conservamos na alma mágoas, angústias, ira por coisas passadas. Insistimos em manter arquivadas memórias de sofrimento que, se não é doentio, pode gerar problemas de saúde

(várias doenças podem ter origem psicossomática, como depressão e câncer). Assim, amargura e falta de desprendimento com o passado impedem de viver o presente. Ambas as situações – amontoar coisas e acumular mágoas – amarram nossa vida àquilo que nem lembramos quando foi vivido ou que desejaríamos nem ter vivido. É essencial aprender a valorizar o tempo presente, a investir no que realmente é importante, a apreciar as pessoas queridas. Praticar a arte do desapego de cargas do passado, de objetos e de amarguras, viver o presente e idealizar o futuro. TQP | novembro 2011 | 15


Vanessa Germanovix

N

o filme “O Advogado do Diabo”, essa é a última frase proferida pelo Diabo. A vaidade aparece – não só no filme, mas em relatos teológicos e filosóficos – como o mais grave dos pecados capitais. Seria a responsável por despertar os outros pecados. A vaidade acompanha a gula por tratar o alimento como objeto de desejos, não como sustento. A vaidade nutre a avareza e a inveja. A vaidade torna a luxúria necessária, incitando o desejo incansável por prazer. Vaidade é o pecado de Lúcifer, o anjo de luz. Sua queda ocorreu por causa de sua arrogância e ambição de ser como Deus. A rebelião de Lúcifer não foi pública de início. Começou em sua mente, onde iniciam todos os pecados. No mundo dos homens, o vaidoso crônico vangloria-se o tempo todo, precisa mostrar aos outros as coisas que faz e chamar a atenção de quem o rodeia. Na verdade, é uma expressão de insegurança essa necessidade em se auto-afirmar. Esse comportamento é muito comum nas celebridades instantâneas. Perseguem os holofotes, sempre à busca de uma câmera para aparecer em revistas e acreditam que são reis e rainhas da beleza. A cultura atual cria vaidosos em potencial, não apenas os famosos, como também os anônimos. A proliferação de livros motivacionais exalta incansavelmente o leitor, com frases de efeito dizendo como ele é bom, ele merece o melhor. É claro que pequenas doses de autoconfiança podem ser benéficas, mas o sujeito com orgulho inflado, ao fim de um livro assim, estará se achando digno de banquetes dos olimpianos. A ele, o melhor seria adquirir um pouco de modéstia. O narciso moderno, cheio de orgulho pelas várias qualidades que acredita ter, despreza as pessoas, pois imagina que nenhuma é boa o bastante. Para sua mente vaidosa, apenas ele próprio é bom. Aquele que passa a vida olhando apenas a si mesmo pode acabar definhando, sozinho, enquanto admira o próprio reflexo.

18 | novembro 2011 | TQP


Guilherme Feijó

“R

epresenta o medo de perder algo que possui. É uma pessoa que tem dificuldade de abrir mão do que tem mesmo que receba algo em troca, tem cuidado com seus pertences como uma pessoa egoísta. Prefere abrir mão do que tem menos valor e preservar o que é mais valioso. Acha que perder algo pode ser um desastre.” Essa é a definição dada pela Wikipédia para a avareza. Mas o que nos interessa é o significado religioso: “O pecado avareza, na verdade é a ganância, que foi traduzido de forma errada para o português como avareza. Uma pessoa avarenta acha que tudo e todos querem seus valores materiais ou financeiros, nada é verdadeiro tudo é interesse em suas posses.”

Sendo assim podemos chegar a uma conclusão um tanto quanto polêmica de que a avareza hoje em dia é justificável. Nesses tempos, da velocidade de informação, especulação financeira, da malandragem, bolsas de valores e afins quem não se cuida é passado para traz. Isto só contando as atividades consideradas legais, as ilícitas só pioram a situação, seqüestros falsos, furtos, assaltos à mão armada. Quantas vezes ligamos a televisão e vemos empresas quebrando por desvalorização repentina de suas ações, por meio de especulação nos mercados de ações, ou pessoas geralmente de mais idade que foram enganadas por meliantes que fingem um seqüestro com entes queridos para arrancar dinheiro dos mais desa-

visados. Outro aspecto que contribui para o cenário atual é a maneira banal com que as pessoas estão lidando com as situações. Tudo pode, nada é estranho. Como se sacanear o próximo não tem problema, a galera cresce um olho gordo nas coisas de quem tem mais posses. Quem é abonado ou é porque teve sorte de herdar ou tem pacto ou roubou, pelo menos é isso que a inveja das pessoas as deixa ver. Então o negócio é ficar esperto, sendo a mal-falada avareza uma das maneiras de se proteger, mal olhado, inveja, olho-gordo e sacanagem só tendem em aumentar, pelo menos é o que o século XXI está prometendo. Como diz a minha avó: canja de galinha e precaução nunca é demais. TQP | novembro 2011 | 19


Paulo Zambolin Castanho

D

esde o primeiro momento que eu soube da tarefa de escrever um texto sobre os sete pecados um deles despertou dentro de mim. A preguiça pode ser definida pelo dicionário como: pouca disposição para trabalhar, lentidão em fazer qualquer coisa; moleza; morosidade. Enfim este texto está atrasado e escrito com pressa tudo por causa da maldita e pecaminosa preguiça. Se você é daqueles que curte ficar um tempo à toa e aproveita ao máximo seu tempo de ócio deve me compreender. Os preguiçosos sofrem muito neste mundo dinâmico no qual as pessoas têm que fazer as coisas para “agora”. Não tem mais aquele negócio do “devagar se vai ao longe” hoje a máxima que vale é a do “atrasado come frio”. Por isso se você é afetado pela tal da preguiça e gosta de fazer as coisas lentamente, muito cuidado! Até hoje eu não consegui entender de onde vem esta tal de preguiça. Algumas pessoas afirmam que vem da Bahia, mas quando eu vejo a Ivete Sangalo e a Cláudia Leite pulando e cantando no trio elétrico eu não dou muito crédito a esta informação. Se as pessoas normais vieram dos macacos eu tenho a teoria de que as pessoas preguiçosas vieram do bicho preguiça. No momento ainda não existe comprovação sobre a minha teoria, mas acredito que algum cientista tome conhecimento sobre ela, deixe a preguiça de lado, e consiga comprová-la. Gostaria de aproveitar a ocasião e homenagear o grande padroeiro do

20 | novembro 2011 | TQP

Einstein em momento relax “Tudo deveria se tornar o mais simples possível, mas não simplificado.” Albert Einstein preguiçoso. Viva Robert Adler! Tenho certeza que você não sabe quem foi Robert Adler. Lógico, os preguiçosos não são valorizados hoje em dia. Deixa que eu explico, Adler foi o inventor do controle remoto. Alguém já imaginou o que seria de um preguiçoso sem seu controle remoto? Aliás, fico revoltado em ver os preguiçosos serem subestimados. As mentes mais brilhantes deste mundo foram instaladas no crânio de grandes preguiçosos. Vejamos, o Thomas Edison era de uma morosidade tão grande para botar o querosene no lampião que

inventou a lâmpada elétrica incandescente. Graham Bell tinha tanta preguiça de deixar carta no correio para sua namorada que deu origem ao telefone. Já o japonês Momofuku Ando era tão cozido para preparar o jantar que criou o macarrão instantâneo. A preguiça desperta o grande gênio que há em você. Para não correr o risco de ser discriminado não diga mais que está com preguiça, diga que precisa do tempo de ócio criativo. Não sei se o texto ficou bom, mas encerro por aqui, o motivo, ah deixa para lá...


Lucas Nabesima

A

bem da verdade, leitores, eu tinha intenção de escrever sobre coisas sublimes hoje. Sobre música, filosofia; sobre a eterna batalha do ser humano sobre a face da Terra e sobre as incessantes provações e intempéries a que nossa espécie está submetida todos os dias. Mas não deu. Minha inimiga e algoz, a preguiça, me impediu de realizar meus intentos mais uma vez. E, sendo sincero, esse calor que anda fazendo só intensifica a vontade de ficar deitado em uma rede ou cama, fazendo coisa alguma. Esse bloqueio me fez pensar

no quanto a tão malfadada preguiça faz parte do cotidiano das pessoas. Ou, pelo menos, do meu cotidiano. Não acho que passe um dia sem que diga ‘Puxa vida, que preguiça!’ E então, imediatamente, surgiu a voz de minha mãe falando para não ser preguiçoso, que só me traria desgraça e infortúnio na vida e que em algum ponto acabaria com a cara na sarjeta. Mas não sei não. Muitas vezes a preguiça pode salvar vidas – ou, no mínimo, evitar situações desagradáveis. Aquele casamento que você não quis ir pra ficar assistindo TV no domingo e ficou

sabendo depois que seu tio mala – é, aqueeele – foi e irritou todo mundo, por exemplo. Ou aquele super show que todos os seus amigos foram, mas você acabou desistindo na última hora e acabou chovendo o dilúvio? E mais: a preguiça também tem seu valor na comparação. O que seria dos esforçados se não existissem os preguiçosos para enaltecê-los ainda mais? Que fariam os dedicados se os procrastinadores não estivessem aí? Lendo novamente essa crônica, senti vontade de amassar e jogá-la fora. Se ela sair, é por que fiquei com preguiça. TQP | novembro 2011 | 21


Leonardo Caruso

P

or mais que as pessoas tentem ser perfeitas e viver corretamente em sociedade, alguns vícios ou características ruins existem em todos. E aqui não digo cutucar o nariz e comer a caquinha após fazer uma bolinha com ela – que o treinador da seleção alemã de futebol Joachim Löw me desculpe. Me refiro à aqueles sentimentos que temos quando vemos alguém em uma posição melhor que a nossa, quando comemos só por comer, quando não dividimos o que temos, quando sexo é nossa vida, quando trocamos nossa responsabilidade por um cochilo até às 11 horas da manhã. Os sete pecados. Por mais correto ou religioso que uma pessoa seja com certeza em algum ponto da vida ela terá rompantes pecaminosos. E algumas “classes” ou “grupos” de pessoas são mais propensas a cometer certos tipos de pecados. A “preguiça”, por exemplo, é uma das formas mais comuns de pecado e encontramos em 90% dos estudantes universitários, sempre dá tempo de fazer amanhã. A “ira” podemos encontrar em pessoas que sofrem ou sofreram muito bullying. Nem precisamos dizer que a “gula” é o pecado favorito dos gordinhos de plantão. “In22 | novembro 2011 | TQP

veja” é o que nós homens sentimos do Dentinho, Neymar e seus amigos, que mesmo sendo incrivelmente feios estão com mulheres maravilhosas! “Luxúria” já o que esse mesmo Dentinho, Neymar e amigos (e aqui não podemos esquecer-nos da ilustre contratação corintiana Adriano Imperador e com ênfase no mesmo) fazem nas festas. Os dois últimos pecados restantes são a “soberba” e “avareza”, ligados, sem duvida de errar, aos advogados e políticos (e não preciso nem explicar o motivo). É fácil perceber que todo mundo tem um pé no pecado. Mas se tem um grupo de pessoas que tem os dois pés e se bobear está até com a cabeça atolada nos pecados capitais é o grupo das mulheres. Duvida? Acompanhe o raciocínio. As mulheres sempre estão se apaixonando por artistas bonitões, jogadores de coxa larga e empresários cheios da grana. Nessa breve descrição já encontramos dois pecados, a luxúria e a soberba. Se elas pelo menos aceitassem um ménage a tròis, estariam livres da avareza. É feio não querer compartilhar o que tem com as amigas. A inveja vem quando a mulher vê aquela amiga mais bonita que ela. Pior se não for nem amiga. E se, por algum acaso você concordar que é bonita, esteja preparado

pra despertar a “ira” feminina. Os dois últimos pecados são fáceis de perceber. São aqueles pecados que sempre algo/ alguém leva a culpa. Na preguiça é culpa da dor de cabeça “a não amor, tô com dor de cabeça”. Na gula, a TPM “ai, to gorda! Comi 5 caixas de chocolate, brigadeiro, dois panetones, fiz um bolo, pedi duas pizzas. Não fala comigo que to na TPM”. Como percebemos, a mulher é a rainha dos pecados capitais, mas nada que atrapalhe nossa admiração por elas.


Henrique Antonio

D

efinir o que seria pecado é, no mínimo, um tanto quanto complicado para um ateu. Alias, um dos melhores momentos de quando você se descobre ateu, é aquele quando se percebe que tudo aquilo que você fazia de errado e vinha carregado de culpa, não te trará mais peso na consciência. Mas isso não significa que você pode sair por aí pegando qualquer um ou qualquer uma que passar na sua frente, ficar dormindo em casa enquanto o resto do seu grupo na faculdade rala para terminar um trabalho, que pode ficar invejando aquele babaca que estudou com você no colegial e que está sempre de carro do ano e cada vez com uma namorada mais gata, muito menos de ter um acesso de raiva e quebrar a cara desse mesmo babaca em meio a um ataque de ira. Não, ser ateu não te dá permissão moral para sair por aí “pecando” assim, simples e impunemente. Pois, independente do que um determinado ser superior disse que você não poderia fazer, existe uma linha moral de conduta do ser humano, essa sim, estabelecida durante milhares de anos de evolução e vivencia em sociedade e que deve ser minimamente respeitada. Para o seu próprio bem e para o bem daqueles que vivem em torno de você.. Pensando por esse lado, essa história de 7 pecados capitais, é na verdade muito da bem bolada. Pois com

eles deixa-se o cidadão que crê, sempre assustado pela possibilidade de estar mijando fora da bacia. E, pelo menos em teoria, se esforçando para fazer tudo certo. O que não deixa de ser uma maneira muito interessante da religião proteger a sociedade de si mesmo. Se realmente essa classificação se deve a um ser de força maior, onipresente, onisciente e insípido e/ ou inodoro, foi muito do bem bolado. Ponto pra ele. Mas o que acontece na prática, me parece um pouco com o que acontece quando sua mãe te fala para ir lavar as mãos antes de comer quando você ainda é apenas uma criança. E diz que se você não lavar, vai ficar com a mãos cheias de germes e micróbios. E então você passa a lavar as mãos impregnado de medo, porque, afinal, algo que tem um nome tão feio quanto micróbios, só pode te fazer mal! E assim somos criados na base da intimidação. Para apenas mais tarde, descobrirmos que o que nossa mãe nos dizia, realmente é verdade, até certo grau de dramaticidade. Mas que não necessariamente iremos morrer vítimas de micróbios assassinos se não lavarmos as mãos toda santa vez antes de comer. E é a partir daí, que passa-se a correr riscos por conta própria ao dar aquele famoso “migué” na hora de higienizar as mãos antes das refeições. Você pode até saber que é errado, mas tem a opção de errar se quiser. E é assim que um ateu vive (pelo menos os bem educados e conscientes da so-

ciedade da qual fazem parte). Sabendo que tem a escolha de, em alguma ocasião, ter uma conduta que não é considerada a mais correta pela sociedade. Tudo isso, sem queimar no fogo do inferno ou ser largado por tempo indeterminado no purgatório. Mas sempre tendo a consciência que quando se faz uma escolha, sempre existe um preço a ser pago. Se você quiser exibir seu carrão importado na porta da balada, que o faça. Mas saiba que existe a grande possibilidade de urinarem na maçaneta enquanto ele está estacionado. Se você quer sair por aí comendo mais do que precisava ou até mesmo queria, bom apetite! Mas tenha em mente que a azia, a obesidade e o colesterol estão aí para atazanar sua vida. Se quer sair por aí fazendo sexo com o maior número de pessoas que você conseguir (aqui não importa se esse número for 2 ou 200, o que conta é intensão, ok?), divirta-se! Mas lembre-se que nem um motel inteiro cheio de companheiros sexuais vai te trazer a satisfação que um amor de verdade traz. Acho que o que eu estou tentando dizer é que não importa se você evita os pecados por medo do julgamento de um ser maior, por acreditar que aquilo vai te tornar uma pessoa melhor, ou simplesmente por saber que é o caminho certo a se seguir. O que mais vale mesmo, é ter bom senso e “desconfiômetro” para escolher o “correto” para cada situação. TQP | novembro 2011 | 23


Hist贸ria


麓 Guilherme Feij贸


I

nstituições de ensino superior, faculdade, universidade. Muitos sãos os nomes para os locais onde nos preparamos para o futuro, onde comparecemos sedentos por conhecimento, onde mentes são moldadas, onde pessoas presenciam o nascimento do amanhã, enfim, onde o progresso acontece. Muito ainda precisamos avançar no quesito educação em nosso país com economia de primeiro mundo, mas pensamento e miséria de terceiro. Investimentos no conhecimento ainda são escassos, as pessoas não enxergam o óbvio, políticos não se preocupam e os que querem mudar a situação acabam não tendo suporte necessário nem de seus partidos, nem da sociedade. Este talvez seja o mal do Brasil, mas o que podemos fazer para mudar isto? Esta história que começo a contar aqui diz respeito a uma das Universidades mais conceituadas deste país de tamanho continental. Talvez não seja a maior, a com mais cursos ou até a melhor no que se diz respeito ao ensino, mas ainda é nova e tem todas as condições de um dia se tornar mundialmente reconhecida como centro de conhecimento, cultura e progresso. Não digo isto de uma maneira desvairada ou parcial, digo porque realmente acredito que não só esta instituição, mas todas as outras que compõe o portfólio nacional, são feitas de pessoas que se importam que talvez nem sempre acertem, porém sempre desejaram fazer seu melhor para os estudantes e as gerações futuras. Eis que no dia 7 de outubro de 1971 é fundada a Universidade Estadual de Londrina, organizada a partir de cinco faculdades já existentes na cidade: Faculdade Estadual de Direito de Londrina; Faculdade Estadual de Filosofia, Letras de Londrina; Faculdade Estadual de Odontologia de Londrina, Faculdade de Medicina do Paraná, Faculdade Estadual de Ciências Econômicas e Contábeis de Londrina. Seu começo foi um tanto quanto conturbado, com as obras no campus em andamento, as aulas eram ministradas no Colégio Hugo Simas, no centro de Londrina. Estudantes de hoje podem achar que o espaço reduzido atrapalhava, mas era realmente este espaço

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reduzido que trazia o que os estudantes da época mais apreciavam: a proximidade de alunos dos mais diversos cursos. Hoje em dia o campus é muito grande, é complicado para pessoas de centros diferentes se encontrarem, a não ser pelo Restaurante Universitário. O ambiente da década de 70 era no mínimo complicado. Os anos setenta foram anos de contrastes,iniciou com o apogeu do golpe militar no Brasil, do regime implantado pelos militares, mas também foi do declínio deste regime implantado desde o inicio dos anos 60. Foram anos de massiva propaganda, anos de ditadura, falta de liberdade, censura e perseguições. Mas foram anos de resistência, formada pelos intelectuais, estudantes, operários, artistas. Houve perseguições com prisões para todos que ousavam ir contra o regime. Muitos foram presos, torturados e banidos para fora do país. Anos de muita propaganda oficial Anos dos slogans do “Brasil! Amae-o ou Deixe-o”. Foi também a década em que o futebol esteve em pauta contribuindo para alienação do povo salientado pelo título de tri-campeão mundial, bem no começo da década “noventa milhões em ação”. A ironia é que a mesma ditadura que pregava a censura, exilava intelectuais e suicidava outros, ajudou em certo ponto na consolidação da recém fundada UEL. Alguns dos intelectuais mais conceituados das capitais brasileiras, se mudaram para Londrina na esperança de conseguirem fugir da censura. Os centros culturais estavam saturados e muito marcados pelos milicos, eles tentaram a sorte no interior. Foi aí que a universidade deu um salto de qualidade, viramos centro intelectual, cursos estruturados, ótimos professores e juventude participativa. Londrina entrava oficialmente no mapa intelectual brasileiro. De 1971 pra cá a Universidade Estadual de Londrina só cresceu. Hoje são 18.549 estudantes, distribuídos em 43 cursos de graduação e 4.427 em cursos de pós-graduação. São nove centros de estudos, 57 departamentos. A Instituição oferece 19 doutorados, 42 mestrados, 82 especializações e 65 residências. No total são 26.154 pessoas que freqüentam diariamente

o campus. A Pretty Big Deal levando em conta que estamos no Brasil. Em pesquisa feita por um instituto inglês a UEL aparece em 61º lugar em uma lista com as melhores universidades da América Latina e em 19º em relação as instituições brasileiras. Nestes 40 anos de história são muitas as contribuições de conhecimento que a UEL proporcionou. A vice-reitora da universidade Profa. Berenice Jordão diz que por ser uma universidade a instituição tem o papel de articular e desenvolver o ensino a pesquisa e a extensão. A UEL tem uma vocação desde a sua fundação de chegar até a população. Berenice acredita que dentre as universidades estaduais do Paraná a UEL se destaca pelos projetos e programas de extensão que tem, de cunho social e de possibilidade de trazer a experiência colhida fora, para dentro da universidade para gerar novo conhecimento. Um projeto desenvolvido no Hospital Universitário, é um exemplo da importância da universidade no ensino, pesquisa e extensão. No HU um projeto integrado de pesquisa e extensão exerce um papel fundamental diretamente ligado ao objetivo de reduzir os números de mortalidade infantil na cidade.

Peroba: o símbolo da UEL


Hospital Universitário de Londrina

“U

ma rede de apoio a família prematura” foi criado em 2007. De lá pra cá, já são mais de 500 famílias de bebês prematuros que receberam acompanhamento de uma equipe multidisciplinar de saúde. O projeto é do curso de Enfermagem e tem a participação de médicos, fonoaudiólogos, psicólogos e assistentes sociais. O atendimento é feito desde o nascimento do bebê prematuro de baixo peso. As enfermeiras acompanham os pais nas primeiras visitas ao filho na UTI Neo-natal. Orientam o mais cedo possível a assistência da família ao bebê, para que assumam cuidados como troca de frauda, banho, administração de medicamentos e aleitamento materno. Com a finalidade de capacitar a família para os cuidados com o bebê em casa, a equipe faz uma primeira visita antes da criança ser liberada do hospital. Depois de uma semana da alta hospitalar a equipe do projeto faz uma segunda visita, o objetivo é identificar as dificuldades de adaptação do bebê ao ambiente e intervir em problemas que vem com a insegurança dos pais. Uma outra etapa do projeto é um intercâmbio de informação entre a equipe que acompanhou a família e a criança prematura no HU para a equipe médica que vai acompanhar mãe e filho a partir da alta do bebê. Neste momento, as enfermeiras visitam a unidade básica de saúde mais próxima da família e passa o quadro do pequeno paciente para o pessoal que

trabalha no local. Paralelo ao atendimento das unidades básicas de saúde a família do bebê prematuro é atendida no Hospital de Clínicas da UEL, por meio de uma equipe médica, e também pela equipe do projeto. Este acompanhamento é feito durante o primeiro ano de vida e é documentado. Os dados preenchidos servem de base para pesquisas do grupo. A UEL tem o maior Hospital Universitário Público do interior do Paraná. O HU já é o terceiro maior do sul do país e nos últimos 12 meses atendeu pessoas de 20 estados do Brasil. O HU atende pelo SUS, Sistema Único de Saúde. Entre outubro de 2010 e setembro de 2011, o hospital realizou cerca de 140 mil atendimentos ambulatoriais e mais 35 mil de pronto-socorro. Entre os principais procedimentos estão os partos, cirurgias, transplantes, tratamentos de saúde, internações e exames de laboratório. Em 2010, foi inaugurada no hospital, a unidade de transplante de medula óssea. Com a implantação da unidade em Londrina, o paciente deixa de se locomover para Curitiba, onde fica localizada a central mais próxima, e passa a realizar o tratamento no HU. A meta estabelecida pela Central de Transplantes do Ministério da Saúde, era de 10 transplantes em um ano, mas o HU praticamente dobrou esta expectativa e realizou 19 procedimentos desde setembro do ano passado. O HU também é referência pela contribuição que oferece a formação acadêmica. Estudantes da UEL dos

cursos de medicina, enfermagem, fisioterapia, farmácia e odontologia, vivenciam no hospital a prática da profissão. O atendimento a comunidade também é papel de outros órgãos suplementares da UEL, ligados a saúde, como a Bebê Clínica. Nela, os profissionais da Odontopediatria e estudantes de graduação e pós-graduação, atendem crianças de 0 a 5 anos idade, com o objetivo de educá-los na saúde bucal e prevenir doenças. O apoio a cultura também é parte importante da UEL. Marca que acompanha a Universidade desde que a instituição foi criada. Antes mesmo de a universidade nascer, estudantes das cinco faculdades de Londrina organizavam festivais artísticos, o primeiro foi em 68. Para que a UEL fosse reconhecida como universidade, era necessário que a instituição mantivesse um projeto de extensão cultural. Nenhuma das faculdades tinham um projeto de extensão, então o reitor Ascêncio Garcia Lopes propôs aos estudantes que organizavam o festival universitário, que o evento fosse mantido pela UEL. O festival de todas as artes, passou apenas a ser festival de teatro. O festival cresceu e se tornou um dos mais importantes do Brasil e também mudou de nome, passou a se chamar Festival Internacional de Londrina, o FILO. A universidade continua apoiando o FILO e o Festival de Música de Londrina, que já tem 31 anos. TQP | novembro 2011 | 27


Perfil

Vida e arte da pianista que chega aos 70 anos sem medo de novos projetos Vanessa Germanovix

PrelĂşdio

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Aos seis anos, jรก era apaixonada pelo som do piano dos tios

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A

os 12 anos, começou a ter aula com Lídia Costa Branco, uma exigente professora. Ela determinava que no início de cada estudo em casa deveria tocar uma hora de Hanon (exercícios técnicos para piano), e não admitia que os alunos chegassem à aula sem ter treinado. E Magdalena sempre foi disciplinada e cumpria à risca as exigências. A mãe da pianista incentivava as aulas de música, mas naquela época eram muito caras e demandavam intensa dedicação, assim, era fundamental ter boas notas no boletim para poder continuar. Música não poderia ser mero passa-tempo. Com a cidade ainda em fase inicial de crescimento, as poucas escolas contavam com professores com formação em conservatórios na Europa. Aos 13 anos, Magdalena já mostrava além do talento, comprometimento com a arte. Para poder aprimorar ainda mais seu desempenho, o pai lhe comprou, então, um piano. Além de técnica e erudita, a música para piano também pode ser popular. Até hoje as tutoras mais tradicionais não incentivam a execução dessas peças, mas isso não é motivo para que sejam negligenciadas. Magdalena sempre apreciou músicas brasileiras e os tangos argentinos, desde cedo recorria ao repertório de partituras da mãe e das tias, que tinham uma extensa coleção destas peças. As músicas eram compartilhadas com a amiga de infância Terezinha de Almeida, que tinha dois pianos na sala. Assim, as duas se reuniam frequentemente para tocar juntas. Terezinha é conhecida por ter fundado o Conservatório de Música Carlos Gomes, mas seu primeiro aluno foi o irmão mais novo, Marco Antonio de Almeida – atual diretor artístico do Festival de Música de Londrina. Enquanto isso, Londrina crescia. Heloisa e Guilherme Rausch foram pioneiros no Norte do Paraná. O senhor Rausch foi o primeiro motorista de praça da cidade. Chegou da Áustria em 1925, e veio para

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1958: A apresentaçao de formatura

Londrina em 1933. Presenciou as primeiras décadas de desenvolvimento e trabalhou para a Cia. de Terras Norte do Paraná. Na década de 1950, já existia a Catedral, a Santa Casa e a primeira agência do Banco do Brasil. A expansão urbana foi rápida devido à produção cafeeira, e neste período população passou de 20 mil para 75 mil habitantes. O Cinema Ouro Verde, fundado em 1952, transformou-se em cine e teatro apenas em 1978, quando passou a pertencer a Universidade Estadual de Londrina, e começaram a ter mais concertos na cidade e os festivais de música clássica.

Mas ainda em 1958, a aluna dedicada de piano conclui seus estudos com a professora Ruth Lemos, com graduação em Curso Superior de Piano, no Conservatório Musical de Londrina. Agora Magdalena amplia sua meta para além de ser pianista: decide ser professora de piano. Para realizar este objetivo, além da preparação com sua mentora, estágios no Conservatório, ela também realiza cursos de especialização. Seu professor de Harmonia Musical foi Andrea Nuzzi, o compositor da melodia do Hino de Londrina que foi acompanhada da letra de Francisco Pereira Almeida Jr.


Melodia

Fotos de arquivo pessoal

A

jovem professora de piano casa-se em 1959, com Francisco do Amaral Souto, com quem teria três filhos: Adriano, Corina e Miriam. Nos anos 1960, morou com a família em Arapongas, cidade vizinha de Londrina, porém menor e menos desenvolvida; naquela época as ruas ainda eram de terra. Lá, foi chamada para trabalhar na Igreja Matriz como organista. Em seguida, foi para a Igreja São Vicente Palotti, acompanhando o coral. Sem ter feito cursos específicos de órgão, a experiência veio com a prática, adaptando os conhecimentos sobre piano. Os ensaios aconteciam terças e quintas à noite e, como a igreja era distante de sua casa, os cantores do coral lhe ofereciam carona. Magdalena colaborou voluntariamente como instrumentista das missas de domingo por dez anos. Além do trabalho na igreja, aos sábados Magdalena tocava também em casamentos. Realizou diversos estudos sobre performance para órgão e preparava os arranjos para as músicas sacras utilizadas pelo coral. Apoiada nesta pesquisa, a professora desenvolveu uma literatura específica para técnica organística. Ainda em Arapongas, o desejo de ensinar continua. Sua tia Carmen, que conhecia várias pessoas na cidade, promove um chá com as amigas para apresentar Magdalena como professora de piano. O evento lhe rendeu 20 novos alunos de piano. O intenso trabalho não a impedia de cuidar da família. Acompanhava de perto as atividades escolares dos filhos e, juntamente com Francisco, administrava o lar como uma boa dona de casa. Em 1981, retornou a Londrina. Para suas aulas, alugou uma sala em um centro comercial, antigo “Shopping Londrina”, na Rua Pará. O número de alunos aumentou, e o marido da musicista apoiara no propósito de investir na carreira. Decidiram montar uma escola

Durante a gravação de seu primeiro CD

maior e com mais professores. A escola de música “Gênios do Teclado” em 1983, oferecendo cursos de piano e órgão. Magdalena publicou, então, seus livros técnicos para órgão e, mais tarde, para piano.

Allegretto

A

musicista, experiente em técnica e teoria, publicou com a marca “Gênios do Teclado” uma obra em 25 volumes para órgão eletrônico, livros para piano em seis volumes, vários arranjos de músicas populares, transcrição de obras eruditas, além de composições próprias. Tom Jobim, Chico Buarque, Marcos Vale e outros compositores autorizaram suas obras a serem publicadas com o arranjo de Magdalena. Os livros são vendidos para alguns professores e escolas de música de Londrina e de outros estados. Dos três filhos, quem mais seguiu seus passos foi Miriam, que também é professora de piano. Hoje Magdalena recebe em casa seus alunos, idades e níveis diferentes do curso de música. Esta professora sente-se especialmente feliz por ter aumentado o interesse de crianças entre sete e dez anos

pela música. Mesmo o incentivo inicial sendo dos pais, ela tem certeza de que, depois que as crianças começam a tocar piano, o gosto e o empenho vêm inteiramente delas. Neste ano, Magdalena ganhou da filha Miriam e do genro João Henrique Cruciol a oportunidade de gravar o seu primeiro CD. O álbum contém 19 faixas, com peças de vários compositores clássicos como Liszt, Chopin, Debussy, Beethoven, e cinco de autoria própria. A pianista tem uma história para cada composição, algumas são dedicadas aos filhos e aos netos, outras são meditativas ou de agradecimentos a Deus. Magdalena considera este momento a melhor fase de sua vida. Contente com os alunos, com o CD e com a família. A dedicada pianista, professora e compositora tem ainda muitos projetos. Para o ano que vem, há planos para um segundo volume do CD, e foi convidada para ministrar um curso de Apreciação Musical aos responsáveis pela música nas igrejas. Ainda que muitos novos projetos lhe apareçam, Magdalena está convicta de que dar aula de piano é a sua missão e seus alunos serão sempre prioridade. TQP | novembro 2011 | 31


Viagem

Paulo Zambolin Castanho

Saindo do paĂ­s

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ol

Plaza del S

D

e repente surgiu uma oportunidade muito viável, inclusive financeiramente, de viagem para fora. A chance era de ir para um país que falava espanhol, e sequer ficava na América do Sul, eu teria que atravessar o Oceano para chegar a Madrid na Espanha! A viagem era seria épica, eu iria para lá na semana em que aconteceria a Jornada Mundial da Juventude com o Papa. A JMJ foi idealizada pelo Papa João Paulo segundo e reúne jovens cristãos do mundo inteiro para

celebrar, viajar e fazer amizades. É um dos maiores eventos do mundo. Para se ter noção em Madrid chegou a reunir mais de 2 milhões de pessoas em um único lugar, o aeroporto particular de “Cuatro Vientos”. É mais do que uma Copa do Mundo a qual não chega a ter 100 mil pessoas dentro do estádio assistindo à final. Conversei com meus pais e recebi todo o apoio. Assim o que era um sonho distante se tornaria realidade. Eu precisava me preparar pois eu queria apro-

veitar o máximo possível. Contudo eu sou um cara bem tranqüilo e sei que se eu começasse a correr atrás das coisas para a viagem não conseguiria pensar em outra coisa e a ansiedade iria acabar comigo. Fui pensando na viagem aos poucos, conforme a data se aproximava eu me mexia mais. Essa é uma das dica que eu deixo para você que é bastante ansioso, segue a vida e prepare-se para viajar com naturalidade. TQP | novembro 2011 | 33


Money

Passaporte

A

primeira coisa para ver é se o seu passaporte está em dia, no meu caso precisei fazê-lo.  É tudo bem prático hoje a foto do passaporte é agendada pela internet, eu cheguei na polícia federal antes da hora marcada e fui atendido em menos de cinco minutos. Porém, você provavelmente não conseguirá marcar para a semana seguinte vai demorar algum tempo, e em determinados meses, geralmente quando se aproximam as férias de julho e final de ano, o passaporte demora a ficar pronto.  Outra dica é ir arrumado para a foto, não vai com aquela barba de três semanas sem fazer, cabelo despenteado e camiseta da sua banda favorita de heavy metal.

Vacinas Outra coisa importante a fazer antes de viajar é verificar quais vacinas são indicadas tomar para o país de destino escolhido. Para isso existem bastantes sites para tirar dúvidas. Contudo a melhor coisa a fazer é pegar sua carteirinha de vacinação, levar no posto de saúde mais próximo, informar para onde vai e pedir para verificar se está tudo em dia. Não tem custo e não demora muito. Provavelmente nenhum país vai te barrar por não ter uma vacina, mas é prioridade se preocupar com a saúde nessas horas. 34 | novembro 2011 | TQP

Dinheiro no bolso não pode faltar. Euros, Dólares, Ienes, Libras... Enfim você vai ter que fazer o câmbio de reais para a moeda do país de destino. Essa hora exige planejamento, é importante fazer uma estimativa do que vai ser gasto. Não leve além do necessário, trazer dinheiro que sobrou de volta e convertê-lo novamente em real da um prejuízo razoável. Eu fui bem ponderado com o dinheiro que levei. Desse valor, dois terços eu levei em espécie  e um terço no cartão de moeda estrangeira. Dá para fazer o cartão em qualquer casa de câmbio ou agência de turismo. Uma vantagem do cartão é alguém no Brasil poder colocar mais dinheiro nele, outra é que a maioria dos estabelecimentos comerciais o aceita como forma de pagamento. A desvantagem consiste em não encontrar muitas máquinas para sacar o dinheiro dele ou conferir o saldo. É legal também levar aqueles porta moedas que você deixa por dentro da calça. Dá para levar umas notas e até o passaporte. É um pouco constrangedor tirar o dinheiro de dentro da caça toda hora, mas acostuma, é questão de segurança. Evita que você perca uma carteira ou alguém “tire” ela do seu bolso por exemplo. Em Madrid um amigo teve a carteira “retirada” de dentro da mochila no metrô.

Precaução

P

ara entrar em outro país é necessário fazer um seguro de saúde ou de vida também, depende do país e do contrato que você fizer. Na minha viagem eu não fui sozinho e a agência optou por fazer um seguro pelo grupo para sair mais barato que um seguro individual. Na prática, pelo que eu entendi, fica mais em conta só isso. Ninguém assina um seguro pensando em como utilizá-lo lá na frente. Eu não sou diferente, assumo que li apenas superficialmente o contrato.  Para que ler o contrato? Alguém usa?  Bom, eu usei. Quando um brasileiro pisa na Europa a primeira coisa que eles querem ver você fazer é sambar. Eu infelizmente não tenho intimidade com samba. A segunda coisa que mais querem ver um brasileiro fazer, e nisso eu assumo que sou muito bom mesmo, é jogar futebol. Após muita insistência dos gringos eu resolvi mostrar minha arte em solos madrilenhos, se algum olheiro do real visse certamente me contrataria. O resultado fugiu um pouco do esperado e logo no meu segundo dia na Espanha eu torço o pé jogando futebol. Com isso meu pé inchou bastante e doía muito ao ponto de não poder pisar no chão. Precisei acionar o seguro e torcer para que ele fosse eficiente. Liguei para a empresa conversei com uma atendente em português, que ficou de analisar para onde me encaminharia, em menos de quinze minutos recebi o retorno, dizendo para ir ao Hospital San Camilo. Lá eu me senti no primeiro mundo, um atendimento espetacular. O hospital era pequeno, mas moderno, bem equipado e atendia rapidamente. Deu cerca de trinta minutos do tempo de fazer a ficha a ser atendido, tirar raio x, e pegar o diagnóstico da médica. Ainda bem que não era nada muito grave, foi só a torção mesmo, a médica pediu uma semana sem pisar e gelo para desinchar o local. Como aquela semana era única, eu não podia ficar sem andar, fiquei o dia de cadeira de rodas e no outro já saí andando. Desobedeci a médica e até hoje não estou 100%. Toda essa história serve apenas para exemplificar como é importante um seguro bem feito. Nós nunca esperamos usar, mas quando precisamos dele ele precisa suprir nossas necessidades.


Arrumando as malas

A

Plaza del Sol

Fotos de arquivo pessoal

rrumar malas sempre foi um problema. Só consigo fechar a mala, tanto na ida quanto na volta, com muita insistência. Para verificar o quanto de bagagem é permitido levar no voo é preciso entrar no site da empresa de aviação, pois cada uma tem um regulamento próprio. Na companhia aérea que eu viajei era permitido duas malas de 32 kg e uma bagagem de mão para voos internacionais. Eu levei uma mala grande e uma mochila de costas como bagagem de mão. Por mais que eu poderia levar duas malas grandes, andar por aí com duas malas de rodinha e uma mochila nas costas reduziria muito a mobilidade, sem falar no desconforto. A mochila de costas é fundamental, nela eu coloquei itens de higiene, uma troca de roupa, documentos, e uma quantia em dinheiro. Caso a sua mala extravie, as coisas de maior necessidade estão na sua bagagem de mão. Registre Todo turista que se preze leva a sua máquina fotográfica. Em uma viagem internacional dá para conhecer muita coisa extremamente diferente das que existem em seu país. Por isso registre-as, depois você coloca no facebook e mostra para os amigos. Atente apenas a um detalhe, as viagens sempre são um momento marcante da sua vida, então viva a viagem. Não seja daqueles que dá um passo e tira uma foto. Desfrute todos os momentos, a viagem é sua e não dos outros, não fique pensando na lembrancinha que você “tem” que levar para sobrinha do vizinho do seu amigo. Aprendi com umas amigas algo importante: “seja egoísta nessas horas”. Espanha e Alemanha Na minha viagem eu conheci a Espanha e a Alemanha, não inteiras óbvio, eu fiquei apenas dezesseis dias no total. Não vou te falar em que lugar você deve comer,

onde você deve visitar... Aproveite as dicas que eu já dei e as experiências compartilhadas, claro. Mas também aproveite para criar seu próprio manual e seus roteiros de viagem. Pesquise antes e saiba mais ou menos o que quer conhe-

Em frente ao Palácio Real

cer no lugar de destino, mas não vá com tudo detalhadamente planejado, deixe-se surpreender com o que a cidade pode te oferecer. Enquanto isso, eu fico por aqui pensando no meu próximo destino. TQP | novembro 2011 | 35


Comportamento

Por que os internautas brasileiros são tão mal vistos, a ponto de serem considerados os “gafanhotos” da internet? Lucas Nabesima

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ão é novidade, ao menos para aqueles que frequentam regularmente, que a internet é um dos maiores antros de pessoas rudes, mal educadas e desagradáveis. Aventurar-se pela web significa, invariavelmente, encontrar alguma dessas criaturinhas. O anonimato proporcionado

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pela rede parece trazer o que há de pior nas pessoas. É por isso que vemos por aí, pessoas irritando outras pelo prazer de irritar – os trolls –, ofensas e ataques gratuitos e outros comportamentos que fazem da internet quase que uma terra sem lei.


U

m grande exemplo desse comportamento foi o que aconteceu com o Orkut. A idéia do site de relacionamento do Google era agregar amigos próximos ao seu perfil – tanto que, no começo, para entrar no Orkut, era necessário um convite. Algumas semanas após o lançamento do tão exclusivo site, alguns convites foram postos à venda no Mercado Livre. Com o número alarmante de pessoas cadastrando-se, o Google eventualmente retirou o requerimento do convite. O resultado: hoje, a rede que supostamente deveria ser exclusiva e quase totalmente anglófona é aberta e dominada por brasileiros. Mas digresso. Mas brasileiros são especialmente mal vistos em jogos online multiplayer, os MMOs. É muito fácil encontrar algum compatriota quebrando as regras do jogo – algumas simples, como por exemplo, conversar usando somente o idioma do servidor (normalmente o inglês) e utilizar seu idioma materno apenas em conversas particulares ou não ofender a equipe de GameMasters. E, por muito fácil quero dizer “olhar para o lado e encontrar algum fazendo isso”. E isso sempre me incomodou. Essas ações atrapalham o bom andamento do jogo, estragam a diversão daqueles que não estão atrás de bagunça e “sujam” a reputação dos demais brasileiros. Sempre quis saber por que diabos sempre que tinha alguma confusão em MMOs, tinha brasileiro envolvido. Conversei com muitos jogadores em busca de respostas. As que consegui serão relatadas mais à frente. Dificuldade - Quando eu era mais novo, não conseguia passar de uma determinada fase no Donkey Kong Country, para Super Nintendo. Provavelmente era uma de gelo, onde os macacos escorregavam sem parar. Vendo minha frustração, meu primo perguntou TQP | novembro 2011 | 3


o que tinha acontecido. Após contar minha lamentável campanha contra o gelo, esse primo em questão me deu um conselho que carrego comigo até hoje. Ele me disse “seja melhor”. Observando o comportamento de certos players, parece que esse conselho não atingiu a todos. O desafio imposto pelos desenvolvedores quando se joga contra o ambiente (o PvE) ou por outros jogadores (o tão famoso PvP) simplesmente some com o uso de programas ilícitos que geram algumas modificações no jogo, os hacks. Um jogador que preferiu permanecer anônimo contou que usa bot – um programa que faz com que seu personagem realize ações pré-determinadas, sem a necessidade de que um jogador o controle – por que “é mais fácil fazer dinheiro assim”. Esse lucro seria usado para a compra de equipamentos mais fortes, que o dariam vantagem sobre outros personagens de nível semelhante. Um hack desse tipo é, de certa forma, leve. Não afeta a jogabilidade, apenas dá uma vantagem maior a determinado personagem. Existem outros, por outro lado, que mudam completamente o jogo. O Pangya, um MMO de golfe, teve de fechar vários servidores por conta de uma modificação – que, não surpreendentemente, fora criada por um brasileiro— que retirava a inclinação do Green, garantindo quase 100% de acerto em cada putting. Por conta desse hack, poucas pessoas compravam a moeda virtual do jogo, que era a base de manutenção do servidor. Lei de Gérson – Seria muita ingenuidade pensar que uso desses programas é somente para aplacar uma enorme dificuldade imposta. A Lei de Gérson, a nossa tão arraigada mania de querer levar vantagem em tudo aparece aqui também. Independente se vai causar prejuízo a outro player, à empresa que desenvolve ou a que 2 | novembro 2011 | TQP


A tira que ilustra essa matéria retrata a vistão que estrangeiros – especialmente norte-americanos – sobre o comportamento brasileiro. Ela foi, originalmente, escrita em inglês e pode ser acessada em http://goo.gl/rIF5f

disponibiliza o jogo, uma vantagem que te permite vencer o oponente em um golpe é buscada a todo custo. Muitos “brasileiro é safado mesmo” mesclados com um aparente orgulho por “ser melhor” que outros, ainda que quebrando as regras apareceram várias vezes durante as entrevistas que conduzi. É curioso, apesar disso, que todos os que assumiram usar hacks exigiram terem suas identidades – tanto nomes quanto apelidos em jogos – ocultadas. Uma das coisas mais ditas no exterior sobre o comportamento brasileiro é que não sabemos nos comportar. Uma comparação que é recorrente relaciona um personagem brasileiro (facilmente identificável pela tag BR, presente em quase todos os servidores – incluindo os servidores nacionais) a um macaco que corre pela sala, quebrando tudo. Apesar de ofensiva – e me desculpem agora, leitores – cabe em muitos casos. Não interessa se o idioma oficial do servidor é o inglês, vamos falar em português no canal global, deixando muitos gringos irritados; vamos achincalhar e atacar aleatoriamente players pelo simples prazer de fazê-lo. Muitas vezes, a simples presença de jogadores brasileiros é uma afronta: por causa desse comportamento inconveniente, muitos jogos bloqueiam os endereços IP do Brasil. Má fé – Mais comum do que ver algum brasileiro usando hack é ver algum tentando passar outrem pra trás. Uma rápida passada pelo Google mostra dezenas de sites alertando contra tentativas de roubos e trapaças em MMOs. Bianca Fagundes, de 17 anos foi recentemente enganada desse modo. “Fui trocar um animal de estimação raro por uma armadura para minha personagem. Depois de alguns cancelamentos de troca, que pareciam acontecer por algum problema na conexão com o servidor, consegui pegar a armadura. O problema é que ao invés de ser o item raro que queria, era uma armadura genérica. A pessoa com quem tinha trocado, claro, sumiu. Parei de jogar por causa disso, desanimei”, conta Bianca. Procurei algum psicólogo ou antropólogo para comentar esses comportamentos, mas nenhum aceitou o convite. Rafael Gumieri, de 22 anos e 15 deles passados nesses mundos virtuais, avaliou que o comportamento brasileiro na internet, apesar de ainda falho, melhorou bastante nos últimos anos. “O problema do Brasil é que viveu um boom de internet muito tardio. Apesar de dominarmos o ranking de tempo conectados à rede, somos muito jovens nisso. Do mesmo modo que um novo-rico demora para acostumar-se à sua nova condição, temos um tempo até acostumarmos à liberdade obtida virtualmente.” TQP | novembro 2011 | 39


Tatuagem

Henrique Antonio

A

cordar as nove horas da manhã, para chegar ao trabalho depois das dez, é um horário extremamente agradável para começar o dia. Ainda mais levando em conta que, nesse caso, não existe patrão para prestar contas ao chegar. Quer mais? Ok, imagine que assim que você chega ao local de trabalho, pode ligar um computador – conectado a um moderno sistemas de caixa de som – e colocar para tocar a música que quiser, mas isso, claro, em um volume que não interfira na conversa com o cliente da vez. 40 | novembro 2011 | TQP

Se não dá para ser chamado de rotina, esse pode ser considerado um começo de dia comum para Miguel Dimas, tatuador, de apenas 28 anos, dono da “Tatuaria Brasil”, estúdio de tatuagens, na cidade de Bauru, no interior de São Paulo. Mais do que apenas um tatuador, um jovem empresário, que ao invés de faculdade, pós-graduação, terno e dinâmica de grupo; optou por aprender com a vida ao observar o trabalho de outros profissionais, vestir shorts e camisa, e trocar ideias com os clientes enquanto houve diferente histórias e explicações para diferentes trabalhos.


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M

as é claro que todo estilo de vido, ou, lifestyle, como ele mesmo gosta de dizer, traz consigo um preço a ser pago. Se você escolhe viver da sua própria arte rabiscada no corpo dos outros, tem que estar ciente que os caminhos são por vezes desconhecidos. Não existe um guia a se seguir sobre o que fazer para aprender, cada um ganha experiência de um jeito. Como também começa de um jeito. No caso de Miguel, foi o acaso. Ou melhor, o fato de ter ido morar com um tatuador enquanto fazia faculdade de publicidade. Como sempre desenhou, acabou chamando a atenção do colega. Aos poucos, começou a passar mais tempo no estúdio com o amigo do que nas aulas de publicidade, o que acabou em bomba acadêmica. A reprovação no segundo ano de faculdade acabou sendo decisiva para a decisão de trancar a matrícula. Uma decisão momentânea até alí, tempo para parar e pensar se era aquilo mesmo que lhe trazia prazer. Mas ao invés de voltar para a casa dos pais, Miguel continuou morando com o tatuador. E começou a trabalhar no estúdio para ajudar o amigo e também para ajudar a pagar as contas. Foi assim durante pouco mais de um ano. Tempo mais que suficiente para o talentoso desenhista aprender como desenhar em peles, ao invés de papel. Depois foi necessário mais algum tempo, cerca de um ano, para ele tomar coragem e bater o martelo. Era aquilo que queria para sua vida! A faculdade de publicidade já havia ficado no passado, apagada em algum lugar de memória. O futuro agora era cheio de agulhas afiadas... e tinta! Muita tinta. Com a decisão tomada, era hora de ganhar mais experiência. Então ele começou a se valer dos contatos que havia feito. E a par-

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tir daí se tornou um nômade, em nome da tatuagem. Acabou passando um temporada fora do país e foi estudar tatuagem e desenho nos Estados Unidos. Em cidades

conhecidas pela cultura e tradição no mundo das tattoos: Orlando e Miami, na Flórida; São Francisco e Los Angeles, na Califórnia e, por fim, Nova Iorque.


C

om a bagagem profissional adquirida durante o tempo trabalhando ao lado de diversos profissionais de renome, era hora de dar o próximo passo. E assim ele fez. Voltou para cidade dos pais, em Bauru. Usou as economias, emprestou mais uma grana com os pais e abriu o próprio estúdio de tatuagem. No começo era apenas uma apertada salinha em um conjunto de salas comerciais. O inicio nunca é fácil, ainda mais quando se decide ir para uma cidade menor, com um público menor, com menos tatuados e aspirantes a tal título, ou seja, menos clientela. Mas ele tinha certeza que era ali que ele queria estar. E assim ele começou o maior desafio da carreira profissional que escolheu, sendo que os primeiros clientes eram na verdade amigos de longa data. Principalmente o pessoal do skate e a galera da música. Gente que já conhecia Miguel antes do tatuador, que acompanhou a caminhada do amigo a distância. E que agora colocavam a própria pele em jogo para comprovar a qualidade do trabalho de Miguel. E é assim que as coisas funcionam nesse meio. Não existe anúncio, panfleto, outdoor ou nenhum outro tipo de propaganda que divulgue melhor seu estabelecimento do que o seu próprio trabalho. Suas linhas e tintas na pele de pessoas, desfilando por aí como se fossem telas em movimento. Exibindo sua arte e seus traços para outras pessoas, que podem acabar se interessando. E a partir daí o boca a boca faz o resto. E nesse caso, o resto, mais uma vez, veio rápido. Em poucos meses, a agenda do estúdio estava lotada, trabalho de manhã, a tarde e a noite. O que até atrapalhou as coisas durante um tempo, por causa de uma tendinite crônica na ocupada e talentosa mão direita do, agora, concorrido profissional. Nada que algumas sessões de fisioterapia não resolvessem. Logo a salinha ficou apertada para os clientes e agregados que chegavam todos os dias para acompanhar as sessões. Após reembolsar o dinheiro emprestado pelos pais, mais uma decisão arriscada para o empreendedor Miguel. Era tempo de expandir. E por volta de um ano e meio depois de dar o passo mais arriscado de sua vida, Miguel mudava seu estúdio para uma sala mais ampla, com dois andares, uma fachada planejada e uma secretária! O que o afastou da tarefa que mais o consumia e torrava sua paciência: ter que arrumar sua agenda e marcar os horários das sessões. Mais uma vez, o risco corrido valeu a pena. Deixando de lado a megalomania que afeta jovens empresários dos mais diferentes ramos, os investimentos rapidamente se pagaram sem maiores problemas. E desde então Miguel passou a viver tranquilamente apenas da tatuagem. De sua arte. A venda dos quadros em óleo sobre tela são apenas um complemento, algo feito por puro prazer. Pois a tela preferida dele é outra... aquela que sangra. TQP | novembro 2011 | 43


Leonardo Caruso

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A

mente é um enigma. O poder do cérebro humano e o potencial inativo que há por trás dessa máquina desperta interesse não só dos estudiosos da medicina e biologia, mas de escritores, executivos e artistas. Muitos universitários também procuram outros modos de enxergar a realidade, mais calmos, mais ativos ou simplesmente de forma alternativa.

Quando fazemos a pergunta de qual a porcentagem que usamos do nosso cérebro, muitas vezes somos levados a responder de 10 a 20%, porém os médicos explicam que usamos a totalidade desse orgão, ou seja, 100%. Então o que faz as pessoas acreditarem que poderiam ser mais criativas e dinâmicas (e se sentem assim) após usarem certos tipos de substâncias e drogas? Alguns filmes retratam a alteração física e psiquica que se decorre do uso de substâncias psicoativas (aquelas que agem sobre o sistema nervoso central e de certa forma alteram alteram a percepção, humor, comportamento e consciência). Neles, os indivíduos agem mais espontâneamente, com menos medo e/ou de maneira mais criativa. Um exemplo clássico de obra nesse sentido é Tainspotting, filme de 1996, em que o personagem principal - e seu círculo de amigos - são usuários de heroína e encontram na substância a solução para o bem estar e para viver. Eles passam por vários momentos de curtição, porém a droga os leva por caminhos infelizes. Apesar dos benefícios momentâneos que os personagens pudessem ter, o uso da heroína e sua finalidade acabam por colocá-los num círculo vicioso e perigoso de consumo e sobrevivência pela droga. Recentemente foi lançado Limitless (2011), um filme de Neil Burger e que explora a questão “uso do cérebro efetivo” x “potencial que poderíamos alcançar com a mente ‘livre’”. Na história, um es-

critor falido acaba experimentando uma droga revolucionária ao se reencontrar com um ex-cunhado. A droga funciona como um catalisador de transmissões neurais e o protagonista desenvolve seu potencial cerebral ao máximo. Em pouco tempo, Eddie Morra (personagem principal) desenvolve múltiplas habilidades, aprende novos idiomas, adapta-se ao mundo dos investimentos e, princiapalmente, atinge o ápice de raciocínio e criatividade. Em suma, não há atividade intelecto-social que ele não possa desenvolver. O problemas vem quando ele decide parar de ingerir a mágica substância, “síndrome de abstinência”. Porém, com uso moderado, não há malefícios. Ao final do filme, Eddie consegue conciliar o uso dessa “droga” e virar um político bem sucedido. A abordagem midiática sempre recai sobre casos do primeiro exemplo, casos como Trainspotting, em que a droga, independentemente de seu uso, é maléfica. Mas é possível que exista alguma substância que favoreça o desenvolvimento das qualidades individuais sem que existam “efeitos colaterais”, como no segundo filme (Limitless), ou mesmo um uso saudável das drogas já conhecidas? Um amigo relatou suas experiências com diversas substâncias e até que ponto o uso delas serviu como otimizadora da mais avançada ferramenta humana, o “pensar”. Anônimo (A.N.) - pseudônimo para o tal amigo - conta que suas experiências tiveram origem de forma recreativa, em rodas de amigos que, dentre outras substâncias, já haviam experimentado maconha, ecstasy, lsd e “cogumelos mágicos”, além das drogas legalizadas (álcool e cigarro). Para A.N., o desenvolvimento da criatividade e da inteligência decorrentes do uso de substâncias psicoativas é plausível. “Depende do meio que se encontra e do psi-

cológico de cada um”, comenta. Para ele, é muito mais fácil compreender algumas coisas quando está num estado de loucura. Só que Anônimo acredita que o uso que visa um objetivo específico é ineficaz. “Tomar esperando encontrar uma solução não resolve, tem que estar descontraído. Sua mente aos poucos vai buscando informações no inconsciente e mesclando com a realidade e daí podem surgir as soluções”, explica. Usuário de LSD, A.N. relata que precisa andar com um caderno de anotações. “As ideias sempre vem, mas é difícil lembrá-las depois que o efeito da droga passa”, acrescenta. Um outro amigo dele, Anônimo2, utilizador do “místico” chá de cogumelo, relata ter chegado a soluções para um problema de algorítimos (lógica programacional da informática) após beber do chá com os amigos. Explica que, por sorte, estava em casa e pode colocar no papel o raciocínio para mais tarde desenvolvê-lo. Em nenhum dos casos eles sentiram qualquer efeito colateral por terem utilizado essas drogas. “No momento temos um aumento da temperatura do corpo, dilatação das pupilas, sudorese, mas sintomas normais, como se tivéssemos tomado um café e nos sentíssemos acordados”, explica A.N.. Porém, seria essa criatividade algo permanente? Anônimo afirma que é difícil “controlar a loucura”. Entender o funcionamento dessas substâncias no organismo humano ajuda a compreender os efeitos que sentimos decorrentes do uso delas. O cérebro é o orgão responsável por interpretar os estímulos recebidos pelo organismo e significar, dentro de um contexto fisiológico e psicológico o que aquela informação quer dizer para o indivíduo. Ver um pôr-do-sol tem significados diferentes para cada a TQP | novembro 2011 | 45


indivíduo, sendo resultante de processos neurológicos e químicos em nosso cérebro. O mestre em Psicologia Cognitiva José Arturo Costa Escobar, em seus estudos, explora a ideia de que “os efeitos promovidos pelos psicodélicos envolvem as experiências subjetivas das pessoas, portanto estão mais relacionadas com o funcionamento da mente humana do que com o cérebro ou a cultura”. As drogas atuam, principalmente, em nosso Sistema Nervoso Central (SNC), alterando a forma como sentimos, pensamos e fazemos (psicotrópicas). O modo de ação dessas substâncias passam por duas vias principais: serotonérgicas e dopaminérgicas. Em outras palavras, há hipo ou hiperfrontalidade - diminuição ou aumento das atividades neurais. Em sua dissertação para mestrado em Psicologia Cognitiva pela Universidade Federal de Pernambuco, José Arturo Costa Escobar aprofundou-se no tema “Observação e exploração da percepção visual e do tempo em indivíduos sob o estado ampliado de consciência após o consumo de cogumelos “mágicos”. O que José Arturo Escobar tentou demonstrar é como a utilização dessa substância afeta o modo como os indivíduos se comportam nos diferentes graus de percepção da realidade. Comprovadamente - por meio de técnicas de Tomografia por Emissão de Pósitrons (PET) as drogas do tipo psicodélicas (aquelas que estimulam experiências de manifestações mentais/do espírito de maneira positiva) estimulam essas atividades neurais, o que podemos relacionar com um aumento de criatividade ou percepção do mundo. Durante análises, o estudioso chegou a algumas conclusões, 46 | novembro 2011 | TQP

sendo as principais a detecção de uma mudança na percepção do tempo, subestimada no caso da Psilocibina, aumento da sociabilidade entre os participantes do experimento e aumento dos estímulos neurais relacionados com a percepção visual (apesar de uma redução da memória curta). Esses resultados são mais significantes quando passa-se a entender o funcionamento cerebral humano. Durante os estudos, o mestre corroborou a seguinte teoria: “a estimulação da exploração dessas memórias é o cerne da questão central do sistema de Grof, e a partir desse ponto o paciente pode atingir as memórias perinatais (da vida intra-uterina) e experienciar os traumas físicos sofridos durante esse período. Nesse sistema, a importância do nível perinatal é crucial para toda a gama de comportamentos a serem desenvolvidos pelos organismos após o nascimento. Os traumas físicos sofridos geram emoções residuais e as sensações físicas, provindas de ameaças à sobrevivência ou integridade física do organismo, parecem ter um papel significativo no desenvolvimento de várias formas de psicopatologia, mas não ainda

reconhecidas pela ciência acadêmica”. Assim como explicitado em documentário sobre o LSD realizado pelo canal de televisão National Geographic, o uso de substâncias psicodélicas pode ser benéfica para o tratamento de diversas doenças, incluindo psicosomáticas, crônicas e traumas. Podemos não estar perto de desenvolvermos uma superdroga “saudável”, que aumente nossa capacidade sensorial, de memória e afetiva, mas cada vez mais os estudos tem demonstrado que conhecer o cérebro é remar rumo a soluções para doenças incuráveis, tratamento de traumas e, quem sabe um dia, chegarmos a perfeição do pensamento. Segundo Escobar, “dizer que os cogumelos promovem um estado ampliado de consciência significa apontar para uma expansão dos limites perceptuais em níveis subjetivos ou mesmo biológicos, com consequente aumento da quantidade de informação perceptual captada pelo sujeito, refletida em maiores taxas de processamento de informações cerebrais. Há uma maior avaliabilidade mental em acessar


conteúdos remotos com provável movimento da associação lexical em relação aos significantes”. Isso porque essas drogas agem nos sistemas responsáveis pelo processamento e “filtragem” de

informação sensorial, passando mais informação para interpretarmos. As drogas psicodélicas podem, portanto, serem consideradas como ampliadoras da mente,

mesmo em utilização recreativa? Muitos acham que sim. Um grande número é contra qualquer tipo de “droga”. Eu sou contra o pré-julgamento de usuários de drogas.

Sabe-se que as substâncias que ingerimos (sendo elas consideradas drogas ou não, lícitas ou não) geram efeitos em nosso organismo e que esses efeitos podem ser ampliados para o meio em que vivemos. Um artigo de um estudo desenvolvido pela Neuropsychopharmacology Unit da Imperial College de Londres, na Inglarerra, mostra os danos para os usuários e para os outros resultantes do uso de certas substâncias. O estudo visava caracterizar esses danos e comparar com a atual categorização dessas drogas. Entre os itens estudados, são nove ligados aos usuários (mortalidade direta, mortalidade relacionada, dano específico, dano relacionado, dependência, desordens mentais específicas, desordens mentais relacionadas, perda de bens e perda de relacionamentos) e sete (danos, crimes, danos ao ambiente, adversidades familiares, danos internacionais, custos econômicos e comunidade) às outras pessoas. Dentre as drogas estudadas estão: álcool, heroína, crack, metanfetaminas, cocaína, tabaco, anfetaminas, cannabis, GHB, benzodiazepinas, ketamina, metadona, butano, khat, esteróides anabolizantes, ecstasy, LSD, buprofeno e cogumelos. Os resultados podem ser visto nas tabelas abaixo. O curioso é notar que de todas as drogas analisadas, aquelas legalizadas ao redor do mundo fazem parte das mais danosas à sociedade (o álcool é a principal droga quando o assunto é danos à outras pessoas e o tabaco a quarta). Essas informações são úteis para que possam ser desenvolvidas políticas públicas mais eficientes no que se diz respeito a liberação/proibição do uso de substâncias químicas. O artigo completo (em inglês) pode ser visto no endereço http://download. thelancet.com/pdfs/journals/lancet/ PIIS0140673610614626.pdf . TQP | novembro 2011 | 47


Crítica | Livro


Henrique Antonio

“A

Sangue Frio”, de Truman Capote, foi publicado em 1966, e é baseado em eventos que aconteceram quase 50 anos atrás. Os eventos foram reais. Esta não é uma obra de ficção. Os Clutter, uma família de sobrenome típico do estado do Kansas, têm as suas próprias complicações dentro de casa. E que a família não têm? O patriarca é um agricultor, mas a vida não é tão produtiva como se fosse um conto de fadas. Além da esposa e as duas crianças mais novas, uma filha e um filho, que ainda vivem com a família. Até que, em novembro de 1959, os quatro Clutter são encontrados amordaçados, todos com suas gargantas cortadas e seus cérebros estourados por tiros de espingarda. A comunidade fica em assustada. Ninguém consegue explicar porque alguém poderia querer matar uma família inteira em Holcomb, uma pequena e pobre comunidade rural, no meio de uma das áreas mais religiosas do Estados Unidos. Nesse contexto, temos Hickock e Smith, dois personagens provenientes de famílias pouco funcionais, por assim dizer, e que estão sempre na estrada. Por qualquer motivo, eles caçam suas presas, de forma que os torna cul-

pados, detectáveis e, finalmente, passíveis de punição. Eles sabem que roubar é errado. Foram eles os responsáveis pelo assassinato da família Clutter. Eles que puxaram o gatilho, que cortaram as gargantas, que não chegaram a cometer estupro, pois acreditavam haver limites. E tudo isso por causa de quarenta dólares e um rádio transistor. Mas fique tranquilo, eu não estou contando nada de mais ao revelar que os dois homens cometeram os assassinatos – até porque, ninguém nunca admitiu - e que, após anos de disputas litigiosas, ambos foram enforcados. A força de “A Sangue Frio” não é o que acontece, mas sim como isso acontece. Truman Capote nos oferece um livro grande, sustentado em apenas quatro capítulos, cada um dos quais é subdividido enquanto a narrativa vai mudando entre os aspectos da vida dos indivíduos. Durante o livro, percebe-se que o estilo é muito mais complexo do que normalmente encontramos em um livro de linguagem jornalística, pois a clareza com que ele se comunica, às vezes é de tirar o fôlego. Nós ouvimos diretamente os envolvidos, vítimas e culpados, suas famílias, a polícia, o judiciário, os vizinhos, os advogados, os espectadores de ocasião, os

conhecidos, os companheiros de cela. Os detalhes são tão ricos que podem ser classificados quase como forenses. É essencial que o leitor seja lembrado constantemente que isso não é ficção. Truman Capote oferece diálogo onde um jornalista escreveria apenas mais uma matéria, oferece interpretação onde um historiador esperaria pela confirmação, oferece a opinião onde um observador poderia titubear. E assim “A Sangue Frio” se torna um clássico multifacetário da metade do século XX. Explorando o lado social e o contexto dos acontecimentos junto com as questões psicológicas. E é aí que o livro se revela profundamente perturbador, pois sugere que a sociedade contemporânea parece exigir de nós um certo grau de egocentrismo, que dá origem a nada menos do que o desprezo para com relação ao próximo. Sendo que nos 40 anos passados desde a publicação original de “A Sangue Frio”, pode se dizer que tal “egoísmo” passou a ser um problema cada vez maior. Pois, a cada dia que passa, diferentemente do que propôs John Donne, o homem se transforma mais e mais em uma ilha. O que deixa a obra de Capote com um certo ar de atualidade, além de deixar tudo mais assustador.


CrĂ­tica | Livro

Vanessa Germanovix

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Tom Wolfe nasceu em dois de março de 1931, na cidade de Richmond, Virginia, nos Estados Unidos. Com Ph.D. em Estudos Americanos na Universidade de Yale, sua tese foi intitulada “A Liga de Escritores Americanos: Atividades Organizacionais Comunistas entre Escritores Americanos, 1929-1942”. Wolfe foi convidado para o trabalho de professor acadêmico, mas escolheu a carreira de repórter. Aos 25 anos começou a trabalhar no jornal Springfield Union, em Massachusetts. Trabalhou de 1959 a 1961 no The Washington Post e em 1962 foi para Nova Iorque trabalhar como repórter geral e ensaísta do jornal New York Herald Tribune. Enquanto ainda um repórter diário do Herald-Tribune, completou seu primeiro livro, uma coletânea de artigos sobre os anos sessenta para a revista Esquire, publicado em 1965 com o título de “The Kandy-Kolored Tangerine-Flake Streamline Baby”. O livro tornou-se um best-seller e colocou Wolfe em posição de destaque na produção literária de não-ficção, que ficou conhecida como New Journalism. Em 1968, publicou dois best-sellers no mesmo dia: “The Pump House Gang”, formado por mais artigos sobre o estilo de vida da década de sessenta, e “The Electric Kool-Aid Acid Test”, uma narrativa não-ficcional sobre a história da era hippie. Além desses títulos, Tom Wolfe escreveu outros oito livros de não-ficção. As obras de ficção incluem – além de “A Fogueira das Vaidades” – “Um Homem por Inteiro”, publicado em 1998, e “Eu sou Charlotte Simmons”, de 2004. Atualmente, Wolfe vive em Nova Iorque com a esposa Sheila e com os filhos, Alexandra e Tommy. TQP | novembro 2011 | 51


Crítica | Livro

Guilherme Feijó

A

s entranhas da Imprensa norte-americana podem são apreciadas em um retrato fiel do universo considerado o quarto poder. O Reino e o Poder (Companhia das Letras, 560 págs., R$ 39), do jornalista Gay Talese, é uma obra lançada em 1969, nos Estados Unidos, mas que só ganhou uma versão traduzida para o português em 2000. Talese é tido como o inventor do new journalism, um estilo que busca na ficção os recursos necessários para dar a uma história mais “clima, um estilo elaborado, quando não afetado, e subjetivo, declaradamente parcial. E é exatamente este estilo que torna o livro realmente interessante: a história do NYT, jornal cujo apelido é “a velha dama cinzenta”, conhecido pela sobriedade e objetividade. Contado como um verdadeiro romance, em que há conflitos, erros e angústias, mas no final, entre frustrados e feridos, os princípios são vencedores. O autor extravasa os segredos editorias de um dos maiores jornais do mundo, o cultuado New York

Times, ao mostrar como as notícias de interesse público estão diretamente relacionadas aos interesses de uma redação. O autor conta a história das famílias Ochs e Sulzberger, descendentes dos judeus alemães, que formaram a dinastia do jornal norte-americano. Para isso, Talese adota técnicas de apuração jornalística que vão além das entrevistas tradicionais. O autor procurou informações em arquivos do próprio meio de comunicação, cartas e diários para montar diálogos e uma rica descrição de detalhes. Recursos, aliás, utilizados pela literatura dos romances. A obra desmistifica, por exemplo, o mito de que a redação do New York Times é um lugar de gentlemen que não se desentendem e que tomam as decisões de maneira calma e racional sempre. O livro mostra que a redação de um grande jornal é na verdade palco de dramas de todos os tipos, com alianças entre editores e repórteres, desentendimentos e jogos de influências de toda espécie. Dessa forma, o au-

tor desvenda as formações das rixas comuns às redações. Prova ainda que elas são muito mais do que um amontoado de casos de interesse restrito ao universo jornalístico. Talese vai além ao relatar como o poder político e econômico se relaciona com repórteres e editores do jornal. Coloca, por exemplo, presidentes como John Kennedy e Richard Nixon como coadjuvantes de histórias ao relatar suas estratégias para cativar jornalistas e editoriais favoráveis aos seus respectivos nomes. O Reino e o Poder está longe de ser de interesse restrito aos americanos. Pelo contrário. O livro alinha a saga do The New York Times a casos paralelos importantes relacionados às Primeira e Segunda Guerras Mundiais, à recessão de 1929, que atingiu o mundo inteiro em efeito dominó, entre outros momentos da história mundial deste século. É um livro indispensável para estudantes desta que é uma das profissões mais excitantes, complicadas e estressantes.

Gay Talese 52 | novembro 2011 | TQP


Crítica | Livro

Paulo Zambolin Castanho

B

ernardo Kucinski é um jornalista paulistano e professor da Universidade de São Paulo (USP). Nascido em 1937, chegou a cursar graduação em Física na USP, por volta de 1967. Foi nesse período que Kucinski começou a colaborar em jornais alternativos na Universidade, isso despertou nele o interesse pelo jornalismo. Foi preso e exilado no regime militar por seu engajamento na militência estudantil. O livro “Jornalista e Revolucionários” é uma adaptação de sua tese de doutorado defendida junto à Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo em 1991. Ele ajudou a fundar vários jornais alternativos de destaque como “Amanhã”, “Movimento”, “Opinião” e o “Em tempo”. É colaborador do Partido dos Trabalhadores (PT) auxiliou o ex-presidente Lula durante a campanha presidencial que o elegeu pela primeira vez. Trabalhou também como assessor de imprensa da Presidência da República no primeiro mandato de Lula, mas o próprio Kucinski garante não servir de assessor de imprensa. Hoje ele abandou o jornalismo e só escreve ficção. O livro “Jornalistas e Revolucionários” conta a história da imprensa alternativa no Brasil durante a Ditadura Militar. O regime político foi quando os militares assumiram a força a poder sem eleições diretas, de 1964 até 1985. O período foi caracterizado pelo desrespeito aos direitos humanos, principalmente a liberdade de expressão. Na ditadura foram utilizadas as mais diversas formas de violência para inibir manifestações contrárias ao regime. Dentro do regime o momento mais crítico foi durante a instituição do Ato Intitucional 5, decretado por Costa e Silva.

Com ele se decretou a censura prévia em jornais, revistas, emissoras de TV e também nos espetáculos culturais de música, teatro, entre outros. Dentro do contexto apresentado o livro que narrar parte da trajetória da imprensa alternativa contando a história de alguns jornais que circulavam na época, conta também com cerca de 60 entrevistas de jornalistas ou pessoas que participaram de forma ativa no período. O próprio autor divide o seu livro em três partes que podem ser lidas separadamente. A primeira parte ressalta o panorama que envolveu a demanda pela imprensa alternativa. O autor instrumentaliza a imprensa alternativa para a realização de questionamentos, diante de uma sociedade extremamente contraditória. Seu verdadeiro objetivo era atuar diretamente nas mudanças sociais, diferente da grande imprensa que cedia a censura, por vezes, criava uma autocensura para evitar problemas ou tentava mudar o jeito de escrever para enganar os censores, a imprensa alternativa vai direto ao ponto. A obrigatoriedade do diploma e aumento de cursos de jornalismo pelo país alteraram o perfil do jornalista. Começaram a trabalhar em jornais específicos de uma região, bairro ou movimento. Já na segunda parte o autor destaca as histórias do “Pasquim”, “Repórter, “Bondinho”, “Ex” e “Coojornal”. O autor destaca também a necessidade de diversificar a linguagem para driblar a censura. Nisso entra o humor junto com o jornalismo, evidenciados pelas charges. Kucinski destaca a grande fase de criatividade de Ziraldo. E cita outros nomes de destaque como Miguel Paiva Juarez

Machado e, o mais famoso deles, Henfil. Na terceira parte são abordados alguns jornais vinculados a partidos ou frentes políticas. Entre eles o “Movimento”, “Opinião” e o “Em tempo” todos com envolvimento direto do autor. Colaborou na fundação do “Opinião”, do “Movimento”, além de fundar e ser o primeiro editor do “Em tempo”. O autor descreve os três como jornais bastante ideológicos com pequeno público, mas de grande influência na época, era uma imprensa de oposição em rota freqüente de colisão com o regime ditatorial. Ele destaca o “Opinião”, como um jornal de alta qualidade e colaboradores importantes como Fernando Henrique Cardoso, Celso Furtado, que na época já era doutor em economia, Octavio Ianni, um dos sociólogos mais influentes do país, e Antônio Cândido. Ressalta que alguns jornalistas da grande imprensa colaboravam às escondidas como a imprensa alternativa. A principal virtude da obra é o resgate de um trabalho fundamental para a restauração da democracia e da garantia dos direitos humanos. Diferente da grande imprensa ela não se curvou diante dos interesses do poder dominante. Traz a tona também reflexões sobre as relações da imprensa com os partidos políticos e movimentos sociais atualmente. TQP | novembro 2011 | 53


Crítica | Filme

Lucas Nabesima

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través pelas ruas e becos escuros e sujos de Washington, DC, com o desespero de alguém que sabe que não viverá muito mais, um jovem corre. Ele é atropelado, sobe por uma cerca e, quando pensa estar a salvo do quer que seja que estava perseguindo-o, é alvejado com uma bala na cabeça. Alguns segundos depois, um entregador de pizza que assistiu à execução é alvejado também. O assassino foge, dando tempo para os espectadores retomarem o fôlego. Assim começa Intrigas de Estado (State of Play), a adaptação Hollywoodiana da série inglesa de mesmo nome exibida em 2003. É uma pena que o filme, dirigido por Kevin Macdonald (O Último Rei da Escócia, The Eagle), não consiga recriar a excitação e a velocidade dramática da cena da abertura. Conforme o filme progride, mais confusa a trama se torna. Personagens e revelações estranhas dão um ar pesado ao título. Isso, entretanto, não é surpreendente. A série original, escrita por Paul Abbot, era composta por seis episódios de uma hora. Na adaptação para o cinema, a ação atravessou o Oceano Atlântico e foi comprimida para pouco mais de duas horas. Esses defeitos são compensados com os atores. Russell Crowe impressiona como Cal McAffrey, um repórter investigativo veterano do Washington Globe designado para investigar as duas mortes. McAffrey gosta de beber, tem conta-

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tos exclusivos nos cantos mais obscuros da cidade e um método um tanto duro de lidar com as possíveis testemunhas, que inclui truculência e gravação ilegal de depoimento. Junto dele está Della Frye (Rachel McAdams), que é astuta e ambiciosa. McAffrey prontamente a trata de modo condescendente por ser uma blogueira e não uma repórter de jornal impresso. Mas suas habilidades investigativas se mostram tão boas quanto às de qualquer repórter da redação. Durante a apuração dos fatos do aparente suicídio da assessora parlamentar Sonia Baker, Della descobre que a assessora estava dormindo com o congressista Stephen Collins (Ben Affleck) e que sua morte não se tratava de um suicídio. Todas as três mortes parecem estar conectadas e ter algo a ver com uma empreiteira militar chamada Point Corps. E, caso esses fatos vazem para o público, as vidas de Collins e McAffrey – que, coincidentemente, foram colegas de quarto durante a faculdade – correm risco. Cheio de reviravoltas, do mesmo modo que filmes de espionagem como Syriana (2005), Intrigas de Estado presta uma homenagem a títulos como Todos os Homens do Presidente (1976). É um filme que exalta jornalistas pela sua disposição de lutar contra as mentiras, o jogo de interesses e descobrir verdades inconvenientes. Algumas das cenas mais divertidas do filme envolvem McAffrey e Della provocando um ao outro, dando um tom

de crítica (ou, no mínimo, contestação) entre o velho e o novo jornalismo. Ele considera-a novata e sem experiência; alguém que poderia estar usando uma caneta ao invés de ficar olhando para um monitor o dia inteiro enquanto que ela pensa que ele é algo como uma relíquia de museu. Outros filmes poderiam resolver esse tipo de tensão na cama, mas aqui McAffrey se torna uma espécie de mentor de Della, em uma relação que não existia no roteiro original. É quase irresistível ver Russell Crowe – que, para encarnar McAffrey, engordou vários quilos – atuando. Seu domínio sobre o personagem captura a atenção do público de modo que, se o espectador não tiver visto a série, vai ficar até o final especulando se o idealismo de McAffrey será recompensado ou não. Rachel McAdams também atua de maneira fantástica. Com seu olhar intenso e expressões fortes, consegue se manter bem ao lado de Crowe, evitando qualquer tentação de interpretar de maneira mais feminina e recatada diante de McAffrey. Intrigas de Estado se mantém fiel ao material original, com uma trama política e policial convolutada e apresenta um pouco da rotina de uma redação e do trabalho de reportagem investigativa aos espectadores. Não é, de modo algum, um desapontamento. Mas poderia ser mais. Poderia ser agressivo, instigante, com uma intensidade capaz até mesmo de machucar, mas não é.


Crítica | Série

Leornardo Caruso

A

presença da indústria cultural e a discussão sobre a exploração de seus potenciais nos leva até o meio estudantil. Na série “Suburgatory”, do canal ABC, na qual um pai solteiro muda-se para o subúrbio com sua filha para que ela cresça “saudavelmente” e longe das tentações e perigos dos grandes centros, um dos episódios aborda tal tema: o jornal deve se sobrepor aos valores éticos e morais e ao conteúdo informativo para simplesmente alcançar um maior número de leitores. O terceiro episódio da série traz Tessa (protagonista) tendo que escolher uma atividade optativa no colégio. Dentre as várias opções todas críticas ao pensamento simplista e material das pessoas -, a garota escolhe fazer parte do jornal da escola. “Crônica de Chatswin”, o impopular jornal estudantil, por não ter leitores, é utilizado, entre outras coisas, como calço da mesa dos professores e forro da gaiola dos hamsters do laboratório. Apesar disso, o aluno responsável pelas publicações continua o trabalho, pois “acredita no que faz”. Com a chegada de Tessa na redação, uma mudança editorial ocorre. Ela convence Malik de que as pessoas se interessam por assuntos superficiais e fofocas. O que acontece é que ambos acabam mudando e perdendo a personalidade, “ofuscados com o poder”, além da privacidade que tinham quando eram “anônimos”. Ao descobrirem que havia mais gente que se importava com o “Crônica”, Malik e Tessa voltam a trabalhar no que realmente achavam importante, popular ou não. Até que ponto o comercial deve prevalecer às ideologias e senso ético das pessoas? Nesse pequeno episódio de 21 minutos, a protagonista se depara com elementos cruciais da comunicação: a indústria cultural e o fluxo de informações. O primeiro conceito nos remete à transformação em mercadoria das obras culturais (incluindo a comunicação) e o segundo a qual o fator de imposição de valores (é o público que define o que será consumido ou os

meios de comunicação que o fazem?). A indústria cultural, segundo Adorno e Horkheimer, consiste em “moldar” toda a produção artística e cultural, de modo que elas assumam os padrões comerciais e que possam ser facilmente reproduzidas. A intenção da indústria cultural não é promover um conhecimento, mas incorporar uma nova necessidade, do “consumo”, e incentivar o produto ao invés do conhecimento. De maneira sutil e irônica, a série conseguiu trazer à tona a questão “por dinheiro X por amor”, apesar de o episódio ser curto e o final mais “romântico” do que vemos no dia-a-dia. Suburgatory é uma série pra se assistir sem expectativas. Episódios pequenos, sem muita profundidade nas questões abordadas, mas suficientemente boa e com produção de qualidade para prender a atenção do telespectador. Isso considerando-se uma sessão sem “comerciais”. Agora, se os “Polishops” da vida farão desviar a atenção, não sei e nao tenho a intenção de descobrir. TQP | novembro 2011 | 55


Matinée

Um remake melhor que o clássico Vanessa Germanovix a estética camp – popular pela ostentação e pelo brega – e utilizou referências ao movimento hippie para criar aquele mundo colorido.

Johnny Depp

A

primeira versão para cinema de A Fantástica Fábrica de Chocolate, de 1971, foi dirigida por Mel Stuart e foi um fracasso de bilheteria. Quando chegou à televisão, conquistou crianças daquela geração e também das seguintes. A ótima atuação de Gene Wilder no papel de Willy Wonka é uma das maiores qualidades do filme. Quase brega A história é boa, mesmo não sendo fiel ao livro homônimo de Roald Dahl. Mas a direção de arte é de gosto duvidoso. No filme de Mel Stuart, a produção explorou 56 | novembro 2011 | TQP

Melhor que o clássico A refilmagem de Tim Burton, de 2005, supera o clássico porque consegue manifestar o estilo excêntrico do diretor e ser, ao mesmo tempo, mais fiel ao livro de Dahl. O escritor não gostava daquela versão dos anos 70, já nesta última, a viúva dele assina co-produção. Burton já decifrara à sua maneira o estilo do autor, quando adaptou o livro James e o Pêssego Gigante, na animação de 1996. Willy Wonka e os novos Oompa-Loompas Willy Wonka na nova versão é interpretado por Johnny Depp, parceiro de Burton e mestre em criar personagens exóticos. O ator pensou em cada detalhe como o jeito de andar, expressões corporais e verbais para incorporar o maluco e neurótico dono da fábrica. Até os Oompa-Loompas foram remasterizados, são menos alaranjados, mais modernos, e interpretam como show cada canção da excelente trilha sonora de Danny Elfman.

Gene Wilder

Mesma mensagem, novo visual Em A Fantástica Fábrica de Chocolate de Tim Burton, a mensagem permanece, mas o visual é inédito, com momentos sombrios. O universo açucarado e cintilante dentro da fábrica é cenário para episódios extraordinários, também presentes no primeiro filme, mas que agora aparecem com tom mais macabro. O filme encanta crianças e adultos, fãs dos delírios de Tim Burton e admiradores da história clássica. Uma fantasia charmosa e duradoura como esta, em projetos de grandes estúdios, não acontece todos os dias.


TQP | novembro 2011 | 57


Que Mario?

Lucas Nabesima

S

empre me irrito quando ouço gente falando sobre algum jogo e exaltam apenas os gráficos. Gráficos isso, gráficos aquilo... Acabam esquecendose de um ponto extremamente importante quando se analisa um jogo: seus sons e trilha sonora.

Ambientação Por mais que o videogame seja uma mídia muito visual, para fazer o jogador comprar a idéia que o título quer passar, pra fazer com que ele sinta-se imerso naquele mundinho, somente as imagens não são suficientes. Dá pra tomar como exemplo a série de survival horror Silent Hill. As cenas mostradas são opressivas e um tanto quanto assustadoras, mas são os sons que tornam a experiência aterrorizante: são gritos que vem de lugar nenhum; risadas de crianças em um prédio abandonado; correntes ou ferros sendo arrastados; seu rádio que liga e começa a chiar sozinho ou aquele pequeno zumbido baixinho que te acompanha o tempo todo... Do mesmo modo, se estou jogando um jogo medieval, ao me aproximar de um castelo ou de alguma comitiva da nobreza, quero ouvir uma fanfarra. Todas essas coisas tornam o jogo mais crível e facilitam a imersão. Fator “Empolgação” Mas não são somente os scores que são importantes na trilha sonora do título. As músicas, não raro, dão suporte à ação acontecendo na tela deixando o jogador cada vez mais empolgado. As trilhas sonoras das séries Tony Hawk’s Pro Skater, que vai do reggae até o punk e Need for Speed – que contém rock, hip-hop e música eletrônica – foram sempre muito elogiadas por casar bem com a ação do jogo.

Identidade Algumas trilhas são tão icônicas que acabam formando uma espécie de identidade do jogo. Ao pensar na série de espionagem Metal Gear Solid, a exclamação sonora quando algum soldado te avista é um dos primeiros sons a serem lembrados. O tique-taque de um relógio pode ser relacionado a Chrono Trigger por jogadores mais saudosistas. E para a maioria das pessoas, ao pensar em Mario, a música da animação de abertura vem instantaneamente à cabeça. 58 | novembro 2011 | TQP


E

u não sei quanto a vocês, leitores, mas tenho uma certa birra com as gerações mais novas de videogames. Depois o final da era N64/Playstation e a chegada do Playstation 2 e do Xbox, perdi um pouco do entusiasmo que tinha pelos consoles. Do advento da chamada geração 128 bits em diante, as coisas meio que perderam a mágica. Enredo Talvez por causa das limitações dos consoles anteriores, o enredo era mais bem amarrado, as coisas aconteciam por algum motivo. Você ganhava a capa em Super Mario World porque existiam coisas acima das nuvens que podiam ser exploradas; você ganhava a Epoch em Chrono Trigger para avançar no tempo e evitar que seu mundo fosse destruído. Em contrapartida, muitos jogos tem passagens que simplesmente não tem razão de ser – e alguns casos, jogos inteiros não tem razão de existir. Fun factor Não sei, eu acho que a diversão sofreu um pouco por causa disso. Não consigo mais me manter várias horas frente a TV jogando algo como fazia quando era mais novo. Jogos atuais não conseguem me prender como um Super Nintendo conseguia. Nintendo Uma exceção dessa regra é a Nintendo. A Big N consegue se reinventar a cada novo console. O Gamecube, apesar de não ter sido um grande sucesso comercial tem fãs até hoje e o Wii faz você querer ficar jogando sem parar – até o momento em que você fica fisicamente cansado e tem que desligar o videogame para não ficar exausto. L.N.

Polígonos, polígonos em todos os lugares Com máquinas mais poderosas, os gráficos ficaram mais elaborados e os sprites 2D foram deixados de lado em favor do 3D, dos polígonos. O que é uma pena; a fluidez que os personagens e os cenários em duas dimensões possuíam demorou muito para ser alcançada pelas três dimensões. Mas mais do que isso, essa nova capacidade de processamento e renderização de gráficos gerou outro problema: muitas softhouses se focavam tanto em trabalhar os gráficos que se esqueciam de um item dos mais importantes: o roteiro.

A capa do Mario não tinha somente função cosmética, era bastante útil TQP | novembro 2011 | 59


Alta Fidelidade Por Henrique Antonio

Carniceiros do Futebol Mundial

1

Marco Materazzi Um mito. O único jogador que apenas com um sutil movimento de levantar o antebraço, foi capaz de deixar o adversário (nesse caso, o argentino Vinnie Jones Sorín) mais ensanguentado do que se tivesse sofrido um acidente de moto... sem capacete. Seus duelos contra Shevchenko são uma verdadeira aula de MMA. Não é à toa que recebeu o apelido de Macelazzi, um trocadilho com a palavra “açougueiro”, em italiano.

2

Vinnie Jones Jogador limitado, viril e com cara de hooligan. Essa última característica, inclusive, foi de suma importância para seu sucesso como ator após a carreira no futebol. Campeão de uma FA Cup pelo extinto Wimbledon e com passagens por Leeds e Chelsea, detém o recorde de cartão amarelo mais rápido do futebol profissional, com 3 segundos de jogo!

3

Nigel De Jong A fama do volante holandês do Manchester City é recente, mas já justificável para figurar na lista. Dentro todos os selecionados, é o mais novo, mas mesmo assim já tem uma perna de um adversário quebrada. De Jong, porém, precisa ter mais aulas com Van Bommel, já que a arbitragem não costuma deixar passar em branco seus carrinhos violentos. A não ser a famosa voadora no peito de Xabi Alonso, na final da Copa do Mundo, que foi ignorada pelo arbitro Howard Webb.

4

Cocito Tinha cara de xerife de cidade fantasma e o apelido de “Coicito”. Se fosse um pokemon, seria algo como a evolução do Sandro Goiano. O cavanhaque faz com que Kaká, ex-melhor do mundo, tenha pesadelos até hoje. Pois após enfrentar o volante do Atlético Paranaense, por um jogo do campeonato brasileiro de 2001, o então promissor são paulino saiu de campo aos prantos depois de uma das famosas botinadas do atleticano.

5

Mark van Bommel Por vezes sujo. O volante holandês do Bayern Munique coleciona inimigos e desafetos em vários lugares do planeta. Sua “vantagem”, porém, é que sabe bater, e com isso não é tão punido pela arbitragem. Pelo contrário, consegue muitas vezes punir o adversário e ainda passar ileso. Merece figurar na lista.

60 | novembro 2011 | TQP

TOP 5 Melhores Histórias em Jogos Eletrônicos

1

Ico (PS2) Ico foge do usual e apresenta uma espécie de conto de fadas melancólico, impossível não começar esse jogo sem terminar. Recheado de belos cenários, jogabilidade simples, com um bom nível de desafio sem deixar de ser cansativo. Ico é algo muito diferente do que existe no mercado . Vale a pena conferir!

2

The Legend of Zelda: The Ocarina of Time (N64) Provavelmente o melhor game já publicado. Desde o NES a franquia de Miyamoto sempre nos deu excelentes experiências, no console de 64 bits da Nintendo atingiu o seu melhor momento. Desde a infância até a vida adulta, a jornada de Link é uma unanimidade para os amantes do joystick.

3

Braid (XBOX360, PS3, PC) A obra-prima e única de Jonathan Blow é um jogo curto, sem gráficos poderosos e sem grandes investimentos (Blow tirou dinheiro do bolso para finalizar Braid) mas é um dos mais importantes games da última geração. Um game de plataforma/puzzle que recebeu quase sempre nota máxima de todas as mídias especializadas com uma história ímpar que, na minha opinião, têm o melhor final da histórias dos games.

4

Max Payne 2: The Fall of Max Payne (PC, PS2, XBOX) Além de ser um grande shooter com uma jogabilidade refinada, nível ótimo de desafio e um shooting mode único, a história de Payne colará seus olhos na tela. A mistura de HQ com o clima Noir de detetive nova iorquino é irresistível. O primeiro Max Payne também é uma obrigação. Uma dica, Max Payne 3 saiu em maio, o game terá São Paulo como cenário ao invés de NY.

5

Silent Hill (PSX, PC) Terror! A franquia da Konami é apenas para gamers com coragem. Silent Hill apresenta uma história com aquele terror bizarro no melhor estilo japonês. A jogablidade pode ser um pouco frustrante na maioria sequências, mas a experiência de conseguir terminar qualquer Silent é única. A imprevisibilidade e o clima de tensão durante todas as horas do game dão um charme inigualável aos survivals japoneses.


Músicas Para os Dias da Semana

1

Sebunda-feira Virgulóides

Para todos os dias, por fazer um resumo carregado de bom humor sobre a semana do cidadão comum. Um clássico do samba com rock (nada de samba-rock, ok?). Você vai rir e se identificar instantaneamente com a letra irreverente. Pena que o saudoso “Topa Tudo por Dinheiro” não existe mais...

2

I Don’t Like Mondays The Boomtown Rats (Bob Geldof)

Segunda é o pior dia da semana e isso é um fato. O que pouca gente sabe , é que essa música foi inspirada por uma tragédia, quando uma garota de 16 anos abriu fogo contra crianças em um playground nos EUA. Saldo: 2 adultos mortos e 8 crianças feridas. Perguntada sobre os motivos que a levaram à tal ato, a garota simplesmente respondeu que era porque “eu não gosto de segundasfeiras”.

3

Tuesday’s Gone Metallica

Para passar a terça no sítio e com estilo! Não que a versão original, do Lynyrd Skynyrd não seja boa, mas a versão “quase country” do Metallica é uma verdadeira jam session, com participação de vários astros do rock curtindo um dia de redneck. Senão, vejamos: Jerry Cantrell, do Alice in Chains, Pepper Keenan, do Corrosion of Conformity, Jim Martin, ex-Faith No More, Gary Rossington, um dos compositores da versão original, entre outros.

4

Friday I’m in Love The Cure

Sextas-feiras são sempre festejadas, não importa o motivo. E esse caso comprova que elas ficam melhores ainda se você estiver “in love”! Outra música que passeia por todos os dias da semana, mas claro, só para chegar a uma apaixonada sexta-feira. Clássico dos anos 90 que faz o ouvinte esquecer que quem está tocando é o The Cure, banda por vezes “quase depressiva” da, também por vezes, fria e cinzenta Inglaterra.

5

Domingo Titãs

Não consigo pensar em resumo melhor para o domingo de um brasileiro normal, antes do advento da internet, óbvio. Obra prima cotidiana dos Titãs e segunda faixa do disco homônimo, “Domingo” relata o marasmo desse dia que nos traz uma verdadeira mistura de sentimentos. Tédio e tranquilidade pelo merecido descanso depois uma semana de trabalho (fora a eventual recuperação da ressaca das baladas de sexta e sábado), junto com a angustia e a tristeza de saber que a ralação começa tudo outra vez no dia seguinte.

1

Wear My Hat – Mac Miller

A linha de baixo faz toda a mágica. Melodia no tempo certo. Nem muito rápida, nem muito lenta, como tem que ser. Música feita exatamente pensando no intuito de dar uns pegas. Não tem como não dar certo. Funciona melhor se você estiver com um boné!

2 3

Make It Chu – Queens of The Stone Age

Direto e reto, sem rodeios. Sutileza não é o caso aqui. Apesar das gírias, o título da música já é bem autoexplicativo, algo como “Eu quero fazer isso com você”. Trilha sonora para momentos mais quentes mesmo.

Vultures – John Mayer

Ritmo! Aqui tudo gira em cima do ritmo. A letra não pesa tanto assim, até pelo fato de ser uma música do John Mayer. Pois mulheres não precisam de maiores explicações quando a música é dele. Sucesso garantido. O resto é contigo, para fazer valer e manter o swing da guitarra...

4

Buzzin’ – Shwayze

Quem disse que dar uns pegas, a trilha sonora precisa ser cheia de energia? Afinal, devagar também se chega lá! M 
 úsica para ficar numa boa e curtindo mais tranquilo. Mas nunca com a namorada, por causa da letra. Apesar de todo romance na melodia, a letra, no fundo, não deixa de ser um retrato de um cafajeste que “vai de cidade em cidade, espreitando por vadias”. Mas, de qualquer jeito, uma música extremamente útil para determinadas ocasiões e determinadas gurias. Sempre efetiva!

5

Hypnotize U – N.E.R.D

Pharrell Williams é praticamente o mestre em músicas para tais momentos. Só não aparece outras vezes na lista, para não ficarmos repetitivos. Os sussurros e tom de voz alto fazem mágica quando misturados com a batida certa. Pode soar meio clichê às vezes, mas tem um efeito certeiro! TQP | novembro 2011 | 61



Revista Tem Que Pensar