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Rasga coração

1


Oduvaldo Vianna Filho Rasga coração organização

Maria Sílvia Betti

5


8 Apresentação Maria Sílvia Betti

16

Prefácio do autor

20

Rasga coração

23

Primeiro ato

87

Segundo ato

144 Posfácio

Maria Sílvia Betti 162 Anexos

163

Prólogo inédito

170

Nota editorial

172

Fichas técnicas das apresentações

176

Sugestões de leitura

179

Sobre o autor

180

Sobre a organizadora


Apresentação Maria Sílvia Betti


Rasga coração, última peça teatral de Oduvaldo Vianna Filho, foi concluída em seus últimos meses de vida, e teve um percurso sofrido e inusitado até que por fim fosse exibida ao público. Inscrita no Concurso Nacional de Dramaturgia do Serviço Nacional de Teatro (SNT), a peça, unanimemente classificada em primeiro lugar pela comissão julgadora, foi sumariamente proibida pela Censura Federal, tendo sido liberada para encenação e publicação apenas cinco anos depois, em 1979. A história do texto e a de sua primeira montagem liga-se a duas difíceis e angustiantes batalhas. A primeira, a do próprio Vianna, que fora surpreendido pelo diagnóstico de seu estado terminal ainda em pleno processo de criação. Seu objetivo era fazer da peça um épico das lutas políticas do país sob a perspectiva histórica de um militante anônimo do Partido Comunista Brasileiro (PCB) em sua labuta diária pela sobrevivência, tarefa que apresentava uma ampla e inédita demanda de pesquisa. Diante da necessidade de conhecer melhor os registros da história não oficial, Vianna, auxiliado pela jornalista Maria Célia Teixeira, realizara um extenso levantamento de pesquisa em arquivos da Biblioteca Nacional, nos quais apoiou-se para a criação. O avanço rápido da doença e a corrida contra o tempo para concluir o trabalho acabaram fazendo da elaboração do texto uma luta consciente e dolorosa, impregnada de um forte empenho histórico de resistência diante da ditadura. A segunda batalha ligada à história de Rasga coração foi a de José Renato, diretor a quem Vianna havia confiado a direção do texto. A morte prematura do autor, aos 38 anos, tinha ocorrido antes que se tivesse qualquer indício de autorização tanto para a publicação do texto como para sua montagem. Na sequência da premiação da peça, apoiado por um movimento amplamente constituído em prol da liberação do texto, José Renato fez vários apelos junto à Censura Federal em Brasília, todos sistematica9


mente negados. Iniciou-se, a partir daí, uma nova etapa dessa luta, impulsionada pela comoção nacional ligada à história da peça e à ansiedade crescente em conhecê-la. Rasga coração fazia o balanço histórico das lutas políticas da esquerda no decorrer do século XX, e havia sido escrita pelo artista cujo histórico de trabalho se ligava centralmente ao projeto épico e popular de cultura que o golpe de 1964 e o Ato Institucional número 5, em 1968, haviam procurado silenciar. Dentro desse contexto e diante da proibição dada como irrevogável, cópias mimeografadas começaram a circular em esquema artesanal, e leituras dramáticas clandestinas passaram a acontecer a portas fechadas em diversas partes do país. Tratava-se de um movimento continuado de desobediência civil e de resistência organizada que se estendeu até 1979, quando Rasga coração, finalmente liberada, estreou sob a direção de José Renato no Teatro Guaíra em Curitiba. Pouco tempo depois o SNT lançou o volume com o texto da peça e a íntegra do Dossiê de pesquisa que lhe havia servido de base, que faz parte também desta edição. Mesmo antes de sua liberação, no período compreendido entre 1974 e 1979, Rasga coração havia se tornado o texto teatral mais lido e discutido nos setores ligados à cultura e ao pensamento crítico no país. A expectativa em torno das questões nela colocadas tinha norteado a maior parte das discussões sobre o teatro e sobre as perspectivas políticas do país ao longo desses anos, e a crescente expectativa nacional em torno de sua estreia reforçara o caráter de bandeira de luta que a peça tinha passado a representar. Construir um balanço histórico-crítico e dialético da vida nacional a partir do prisma das esquerdas em plena égide da ditadura era indiscutivelmente uma empreitada inédita e corajosa. Afinal, todo o florescente movimento de cultura popular anterior a 1964 havia sido brutalmente sufocado, e a sensação generalizada que 10

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Rasga coração - Oduvaldo Vianna Filho  

Edição da editora Temporal da peça Rasga coração, de Oduvaldo Vianna Filho. Organização Maria Sílvia Betti

Rasga coração - Oduvaldo Vianna Filho  

Edição da editora Temporal da peça Rasga coração, de Oduvaldo Vianna Filho. Organização Maria Sílvia Betti

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