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A longa noite de Cristal

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Oduvaldo Vianna Filho A longa noite de Cristal organização

Maria Sílvia Betti

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8 Apresentação Maria Sílvia Betti

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A longa noite de Cristal

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Primeiro ato

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Segundo ato

96 Posfácio

Maria Sílvia Betti 108 Anexos 109

Fichas técnicas das apresentações

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Sugestões de leitura

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Sobre o autor

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Sobre a organizadora

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Apresentação Maria Sílvia Betti

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A longa noite de Cristal, peça em dois atos escrita por Oduvaldo Vianna Filho em 1969, coloca em foco questões ligadas à consolidação da televisão como meio de comunicação controlado pelo Estado e atrelado aos interesses mercadológicos de patrocinadores. Na segunda metade da década de 1960, a televisão havia se tornado o veículo principal de informação e de entretenimento de um grande contingente da população. Seu papel era crucial para a veiculação do ideário do regime militar e para a difusão de uma cultura de massas e de consumo em expansão. Dentro da TV, o telejornalismo tinha passado a exercer papel central como mediador de conteúdos informativos. Desde os primeiros anos da ditadura, com o abortamento do projeto épico de teatro e cultura do Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes (CPC da UNE), Vianna vinha colocando em foco a classe média, por um lado sufocada pelos mecanismos coercitivos do regime, e por outro cooptada pelos atrativos que este lhes estendia de uma suposta ascensão social e profissional no escopo do assim chamado “milagre econômico”. No âmbito do teatro profissional, diante das novas circunstâncias do país, tratar da classe média era a perspectiva que se apresentava. Era, ao mesmo tempo, um desafio dramatúrgico, pois trazia a necessidade de tratar de questões do presente imediato dentro do quadro político e cultural vigente. A longa noite de Cristal é um texto surpreen­dente e único na dramaturgia brasileira por abordar, de forma econômica e densa, aspectos centrais desse contexto de rápidas e drásticas transformações. O protagonista da peça, Celso Gagliano, é um veterano locutor de telejornalismo cujas origens de trabalho se ligam ao rádio. Seu apelido, Cristal, descreve a qualidade sonora do timbre que o havia consagrado no mundo radiofônico. Por analogia, o título da peça faz também uma remissão implícita à chamada Noite dos Cristais (Kristallnacht), 9

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na madrugada de 9 para 10 de novembro de 1938, quando sinagogas e estabelecimentos comerciais de judeus em toda a Alemanha e na Áustria foram destruídos num pogrom moderno organizado por forças nazistas paramilitares e civis sob o estímulo do governo.1 O protagonista Cristal construíra sua tarimba de locutor noticioso no rádio numa época em que era possível dar furos de reportagem após contato direto com muitos dos acontecimentos que iam ao ar. Profissional da voz e da informação dentro dos novos tempos que agora se apresentam, na TV, Cristal está diante de mudanças consideráveis na estrutura de trabalho da emissora, no país e até em sua própria vida pessoal, pois se encontra recém-separado da esposa, Lise. De forma indireta mas marcante, A longa noite de Cristal faz lembrar também do episódio envolvendo a demissão, dos quadros da Rede Globo, do consagrado locutor Luiz Jatobá (1915–1982), vítima de perseguição política severa durante a ditadura. Nas décadas precedentes, Jatobá destacara-se não só na primeira edição do noticioso oficial A voz do Brasil, que estreara em 1935 durante o governo de Getúlio Vargas, mas também no Repórter Esso, famoso programa de radiojornalismo (depois levado também à TV), e ainda no primeiro formato do programa telejornalístico Jornal da Globo, que estreara em 1967 e que permaneceria no ar até o mesmo ano de criação da peça por Vianna, 1969, quando foi substituído pelo Jornal Nacional. A TV havia deixado para trás sua fase heroica, quando ainda se apoiava numa concepção de telejornalismo muito próxima ao modelo radiofônico de redação e de

1.

GUTERMAN, Marcos. A moral nazista: uma análise do processo que transformou crime em virtude na Alemanha de Hitler. Tese apresentada à Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo em 2013.

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A longa noite de Cristal - Oduvaldo Vianna Filho  

Edição da editora Temporal da peça A longa noite de Cristal, de Oduvaldo Vianna Filho. Organização Maria Sílvia Betti.

A longa noite de Cristal - Oduvaldo Vianna Filho  

Edição da editora Temporal da peça A longa noite de Cristal, de Oduvaldo Vianna Filho. Organização Maria Sílvia Betti.

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