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Verdadeira Beleza Por Ronald Thompson

O

que é a beleza? Essa pergunta, que em princípio pode parecer retórica, encerra a real ansiedade de grande parte dos habitantes deste pequeno planeta azul, de nome Terra. Basta notar a preocupação com o corpo, que lota academias de ginásticas em todos os cantos do globo, e confirmar minha afirmação. Mas será que nossa percepção do belo corresponde à realidade e pode proporcionar o que buscamos? É indiscutível o poder que a mídia possui nestes tempos atuais, e é usando este poder, que dita um estilo de vida cujo pilar fundamental é o consumismo e a beleza física. O resultado são celebridades vazias, que mal sabem expressar qualquer tipo de pensamento ou emoção, deixando até os mais críticos em dúvida se conseguem pensar e sentir. Exemplo nítido é a arte de interpretar, onde substituíram atores e atrizes com talento, por seres saídos de programas como o Big Brother. Então, se por certo é prazeroso ver as formas longilíneas da Sabrina Sato, é melhor por sua TV no mudo, uma vez que ouvir o que ela diz sacrifica os ouvidos. Talvez o pior efeito disto tudo é que muita gente anda construindo suas relações amorosas com base única e exclusiva neste critério, então, após certo tipo de convivência, o que ocorre são corações dolorosamente partidos. Mais triste é verificar que estas experiências não parecem demonstrar o erro cometido, pois logo em seguida escolhem outro parceiro (ou parceira) dentro dos mesmos critérios e tudo se repete. O poeta inglês, John Donne, escreveu: “o amor construído sobre a beleza morre com a beleza”. Esta pérola de frase, se assimilada pela maioria dos jovens, pouparia lágrimas e sofrimentos. Num mundo onde, nem a família, nem a sociedade, nem as escolas e os colégios, nem o Estado, preocupam-se com a educação, o sofrimento há de bater nas portas dos que não sentem a beleza que há no olhar de uma criança, numa flor silvestre, numa obra de arte e mesmo nas coisas simples da vida. Fundamental que as famílias redescubram a importância de sua atuação, para que seus filhos

não se tornem autômatos, que só refletem o que lhes ditam, sem nenhuma personalidade verdadeira. Isso passa por ensinar respeitar aos mais velhos, noções básica de certo e do errado, do amor e de compaixão. Já as escolas (e universidades) devem deixar de ser apenas instituições de transmissão de conhecimento, pois para isto são absolutamente dispensáveis. Importante é ensinar sobre os grandes clássicos da literatura, não na posição dogmática de atribuir notas na prova (dane-se a prova), mas fazendoos discutir temas que estão sublimados em textos de Shakespeare, Cervantes ou qualquer grande pensador. Há colegiais que tiram notas altíssimas no vestibular, no entanto, nunca ouviram falar em Dom Quixote ou Otelo. São frutos de instituições de ensino cuja filosofia é voltada somente para beleza da forma, mas que dispensaram o conteúdo há muito tempo. Se família e escola unirem-se por esta modificação, ocorrerá radical transformação na comunidade, forçando a sociedade e o Estado a mudarem sua atitude irresponsável com o futuro das novas gerações. Afinal de contas, só existe Big Brother, porque há quem se proponha a assistir este show de bizarrices. Quem é educado, no sentido verdadeiro desta palavra, não consome programação assim ou qualquer similar. As emissoras de TV mudariam o foco, investindo na qualidade. O pensador Ralph Emerson disse que “a beleza sem expressão é entediante”, e que “a beleza sem a graça, é como o anzol sem a isca”. Então, vamos encher de ‘expressão’ e ‘graça’ a formosura que os aparelhos de musculação nos proporciona, fazendo surgir o que é verdadeiramente belo e está latente dentro de nós. A alma sensível de Antoine de Saint-Exuperry nos deixou a seguinte frase: “foi o tempo que perdi com minha rosa, que a fez tão importante”. E você, quanto tempo anda ‘perdendo’ com seu filho ou aluno? Será que sua babá está ‘educando’ seu filho? Será que sua escola dita as normas, e você somente obedece, com medo de perder o emprego? Lembre-se que nestas respostas reside o amanhã.


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