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televisão, cinema e mídias eletrônicas

PUBLICIDADE TV paga ganha audiência e entra no radar de agências e anunciantes

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PROGRAMAÇÃO Elevação nos custos dos direitos e alta do dólar preocupam canais


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(editorial ) Presidente Diretores Editoriais Diretor Comercial Diretor Financeiro

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Depar­ta­men­to Comer­cial

Inscrições e Assinaturas Marketing Administração TI Central de Assinaturas Internet E-mail Redação E-mail Publicidade E-mail Impressão

Rubens Glasberg André Mermelstein Claudiney Santos Samuel Possebon (Brasília) Manoel Fernandez Otavio Jardanovski

André Mermelstein

andre@convergecom.com.br

Prazo inviável

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altando menos de quatro meses para o desligamento do sinal analógico de TV na cidade-piloto de Rio Verde (GO), as retransmissoras que levam as programações da Record e da Band ao município não estão nem perto de estarem digitalizadas. A jornalista Lúcia Berbert, do TELA VIVA News, apurou que as duas estações pertencem à prefeitura local, que não tem os recursos humanos e financeiros necessários para digitalizar o sinal. Sequer consegue entregar ao Minicom a documentação necessária à requisição do canal consignado. São procedimentos que demoram meses para ser realizados. A situação, diz a reportagem (na íntegra em goo.gl/kve4zA), se repete em várias cidades onde as prefeituras têm o papel de gerir as outorgas de retransmissão. Segundo a Anatel, há 3,2 mil registros de retransmissoras de TV em nome de prefeituras, além das que estão em nome de associações, fundações e de Câmaras de Vereadores. E há ainda as que funcionam sem nenhum tipo de formalização, com transmissores ligados clandestinamente. Segundo fontes do mercado de radiodifusão, haveria mais de 4 mil pedidos de consignação de canais digitais à espera da liberação no Minicom, não só de prefeituras, mas também empresas comerciais, número não confirmado oficialmente pelo órgão. Nas contas da Abert, associação de emissoras comerciais, existem no país 13 mil retransmissoras, incluindo as 2,5 mil que funcionam sem autorização, e apenas cinco mil estão digitalizadas. Os dados oficiais do Minicom falam em 10,7 mil retransmissoras e 543 geradoras, mas não há dados sobre quais já têm o canal digital consignado ou já digitalizado. Em Brasília, que terá (terá?) o sinal analógico de TV desligado em abril de 2016, há notícias de que oito retransmissoras também não estão digitalizadas ainda. As dificuldades não param aí. O desafio de mensurar a recepção de TV digital em no mínimo 93% dos domicílios em cada cidade, requisito para o desligamento, é enorme. Há toda a questão da distribuição de caixas aos usuários do Bolsa-família, mas há também outras milhares de pessoas fora do programa, que terão que ser instruídas a comprar e instalar os equipamentos. O modelo brasileiro de TV digital adotou uma solução técnica impecável, sem dúvida a melhor do mundo em qualidade de recepção. Mas deixou de lado todas as outras questões, da multiprogramação à interatividade. Perdeu-se a chance histórica de se repensar um modelo para a radiodifusão, e acabou-se com canais digitais em cidades como São Paulo alugados a igrejas neopentecostais. Agora imagina-se que tiraremos o atraso e faremos um desligamento no prazo planejado. As teles, que estão pagando a conta, vão pressionar, porque querem as frequências que serão liberadas. Mas é difícil acreditar que cidades como São Paulo, Rio de Janeiro ou Brasília tirarão a TV analógica da tomada nos próximos dois a três anos.

André Mermelstein Fernando Lauterjung Leandro Sanfelice Lúcia Berbert (Brasília) Lizandra de Almeida (colaboradora) Samuel Possebon Bruno do Amaral Letícia Cordeiro Edmur Cason (Direção de Arte) Bárbara Cason (Web Designer) Lúcio Pinotti (Tráfego/Web) Wilson Dias (Assistente) André Ciccala (Gerente de Negócios) Patricia Linger (Gerente de Negócios) Iva­ne­ti Longo (Assis­ten­te) Gislaine Gaspar (Gerente) Gisella Gimenez (Gerente) Julia Poggetto (Assistente) Claudia Tornelli Zegaib (Gerente) Marcelo Pressi (Gerente) www.telaviva.com.br assine@convergecom.com.br (11) 3138-4600 telaviva@convergecom.com.br (11) 3214-3747 comercial@convergecom.com.br Ipsis Gráfica e Editora S.A.

Tela Viva é uma publicação mensal da Converge Comunicações - Rua Sergipe, 401, Conj. 605, CEP 01243-001. Telefone: (11) 3138-4600 e Fax: (11) 3257-5910. São Paulo, SP. Sucursal Setor Comercial Norte - Quadra 02 Bloco D - torre B - sala 424 - CEP 70712-903. Fone/Fax: (61) 3327-3755 Brasília, DF Jornalista Responsável: Rubens Glasberg (MT 8.965) Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias publicadas nesta revista, sem autorização da Glasberg A.C.R. S/A

capa: editoria de arte cvg sobre imagem de YURALAITS ALBERT/shutterstock.com

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Curta ou longa-metragem. Ficção ou documentário. O melhor da produção brasileira tem sempre lugar reservado na nossa programação, que traz também séries, entrevistas e música. Disponível nas principais operadoras. sua. T e l a Consulte V i v a • a a g o 2 0 1 5

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canalbrasil.com.br facebook.com/canalbrasil @sigacanalbrasil canalbrasilplay.com.br


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editoria de arte cvg sobre imagem de YURALAITS ALBERT/shutterstock.com

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Evento mostra um clima de relativo otimismo, mesmo com estagnação na base

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Agências, anunciantes e programadoras debatem o meio TV por assinatura

TV por assinatura

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Oi e Claro apresentam novidades nos serviços de TV 40

tecnologia

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Demanda por VOD e TV everywhere aceleram transição do vídeo para IP

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Pequenos provedores decidem entre DTH e FTTH

programação

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Alta de custos de conteúdo preocupa canais

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Arte 1 lança nova grade com 110 horas de conteúdo nacional inédito

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making of case

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“Que Horas Ela Volta” chega ao Brasil após se destacar em festivais internacionais

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História

A Claro lançou o Claro Curtas, plataforma que traz uma seleção com vídeos de notícias, humor, música, infantil, entre outros temas, tudo em alta definição. Para assinar o serviço, disponível para Android, basta acessar clarocurtas.com.br do navegador ou baixar o aplicativo pela Google Play na loja da Claro Brasil. Há opções de contratação diária, semanal e mensal, ao custo de R$0,50, R$2,99 e R$9,99 respectivamente.

A Summus Editorial lançou “Cinema brasileiro a partir da retomada – Aspectos econômicos e políticos” (272 p., R$ 62,50). No livro, o cineasta, professor e crítico de cinema Marcelo Ikeda percorre os últimos 25 anos para traçar um panorama das políticas públicas – sobretudo as cinematográficas – para o setor audiovisual no Brasil. Ikeda é professor do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal do Ceara (UFC) e mestre em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

FOTOs: divulgação

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Adiós

Na telinha

A Fox International Channels (FIC) anunciou que vendeu sua participação no MundoFox, cadeia de televisão em língua espanhola nos Estados Unidos, ao sócio RCN Television Group. O grupo de Murdoch diz que se mantém comprometido com o mercado hispânico dos EUA por meio de seus outros canais de televisão espanhóis, Fox Sports World e Fox Nat Geo Life. O canal MundoFox foi lançado em 2012 já como a terceira maior emissora destinada ao mercado hispânico dos Estados Unidos.

O Ibope Media desenvolveu em parceria com a japonesa Video Research o TDT Mobile, sistema de medição que captura a audiência da televisão digital em celulares e em tablets. Assim, o Brasil passa a ser o primeiro país depois do Japão a contar com essa tecnologia. Os primeiros dados da pesquisa sobre a audiência de TV em celulares e tablets na Grande São Paulo indicaram que a classe AB foi a que mais utilizou estes aparelhos para da classe A e B consome TV em ver programas de televisão, sendo que 58% celulares dela consumiu TV em dispositivos móveis e e tablets 46% pelo modo tradicional, levando em consideração os domicílios que possuem dispositivos móveis capazes de receber o sinal de televisão digital terrestre. Ainda de acordo com o estudo, 70% do consumo de TV digital no celular veio de indivíduos entre 35 e 49 anos. A maior audiência da televisão móvel foi registrada às quintas-feiras e os picos de audiência deste modo de consumo foram entre 12h e 14h e 17h e 21h. Disponível para a Grande São Paulo e, em breve, para a Grande Rio de Janeiro, os dados de TDT Mobile serão somados, de forma consolidada, com a audiência regular de TV.

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Suprimentos A Arris vendeu sua divisão de suprimentos para a Technetix Group, fornecedor de equipamentos para telecomunicações e TV por assinatura. A divisão é a antiga Telewire Supplies, e fazia parte do Arris Group. A Technetix vai fundir a Arris Supplies com sua operação existente em Denver (EUA). A transação deve ser concluída ao final do terceiro trimestre. A empresa tem hoje cerca de 1,8 mil clientes atendidos, em 70 países, com suprimentos para redes HVC, do headend à casa do assinante, como splitters, cabos, fibra, módulos etc.

O setor de telecomunicações reduziu em 54,23% o recolhimento de Imposto de Renda no primeiro semestre deste ano, em comparação com igual período de 2014. O volume pago pelas empresas foi de R$ 906 milhões ante R$ 1,9 bilhão recolhidos no ano passado, ou seja, recolheu a menos valores superiores a R$ 1 bilhão, segundo mostra relatório de arrecadação divulgado pela Secretaria da Receita Federal. Em junho, o pagamento de IRPJ pelas empresas de telecomunicações foi de R$ 194 milhões, valores 44% menores que o recolhido em igual mês do ano passado, de R$ 347 milhões. Já os recolhimentos de PIS/Cofins do setor recuaram 24,48% na comparação entre junho deste ano e de 2014, caindo de R$ 511 milhões para R$ 386 milhões. A Receita Federal divulgou que no primeiro semestre a União arrecadou R$ 607 bilhões, um recuo real, já descontada a inflação do período, de 2,87%. Em junho, a arrecadação atingiu R$ 97 bilhões, queda real de 2,44% sobre igual período de 2014.

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54,23%

Sintoma

Foi a redução no IR recolhidos pelas empresas de telecom no primeiro semestre


Ultra high

Consulta rápida

A Globosat oferecerá acesso gratuito a uma série de atrações produzidas em 4K para clientes de smart TVs 4K da Sony Brasil. O acesso gratuito ao Globosat Play 4K poderá ser feito nos televisores a partir da loja de aplicativos da Sony. O acervo, que será atualizado gradativamente, conta com conteúdo dos canais GNT, SporTV, Viva, +Globosat, Telecine e Off. Entre as atrações disponíveis no lançamento do app há programas de esportes radicais, ficção, natureza, música e viagem. O aplicativo poderá ser instalado gratuitamente e estará disponível para os modelos de smart TVs Sony da linha XBR dos modelos de 2014 e 2015. Para assistir aos vídeos, é necessária uma conexão à internet de 30 Mbps ou superior.

A Animus Consultoria, a Editora Brasileira e o escritório de advocacia Cesnik, Quintino e Salinas Advogados lançaram em parceria o “Manual do Patrocinador”. A obra foi elaborada para auxiliar as empresas que atuam no Brasil (nacionais ou multinacionais) a otimizar o aproveitamento dos benefícios fiscais que podem ser obtidos através de patrocínios ou doações. O manual também pode ser obtido gratuitamente por download através do site www.manualdopatrocinador.com.br

FOTOs: divulgação

Renovação

Série tem exibição antes na internet

Troca de janelas "Porta Afora" estreou no Multishow no último dia 6. Produzidos pelo Porta dos Fundos, os episódios da atração entrarão primeiro no YouTube, sendo exibidos pelo canal pago alguns dias depois. Ou seja, a produção adota a plataforma online de vídeo como sua primeira janela. O primeiro episódio da atração estava disponível no Youtube quase uma semana antes da estreia no canal. O grupo humorístico tem 100% dos direitos da obra. "Porta Afora" é apresentado por Fabio Porchat e pela roteirista Rosana Hermann. Ao longo de dez episódios temáticos, os apresentadores abordam assuntos relacionados a viagens como réveillon, praia, animais, natureza e família. Entre uma história e outra, os viajantes darão dicas sobre os destinos que já visitaram.

No ano em que comemora seu sétimo aniversário, o Megapix lança uma nova identidade visual. O estreou em julho nova marca, sound design, locução e paleta de cores, com visual inspirado no mundo digital e mais colorido. Símbolo da marca, o prisma verde mantém-se como protagonista de toda a comunicação do Megapix, mas adquire um novo papel. Ele funcionará como um navegador dentro do acervo do canal, selecionando e combinando os filmes. Essa dinâmica é inspirada nos serviços de video on-demand e tem o objetivo de destacar o portfólio de títulos. Emoticons e comentários passam a aparecer como se estivessem sendo digitados em tempo real, em caixas de diálogo, durante as chamadas da programação. Esses recursos indicam o que esperar das atrações a serem exibidas e reforçam a interatividade.

Rename

Novo diretor, novo nome

A Y Filmes agora chama Conteúdo Filmes. A produtora assina as novas temporadas do "Fazendo a Festa" e "Que Marravilha! Chefinhos", do canal GNT, e "Dose Dupla", da ESPN. A produtora foi criada em 1998 no bairro do Humaitá, no Rio de Janeiro.

O diretor de cena Carlos Manga Jr. agora integra a composição societária da ex-Popcorn, produtora com poucos meses de atuação liderada pela sócia e produtora executiva Tatiana Quintella. Com a chegada do novo sócio, a produtora muda seu nome para Popcon e assume nova identidade visual. Além de Manga Jr., o time de diretores de cena da produtora conta com Rodrigo Rebouças, Caio Cobra, Vokos e Ivan Abujamra. Na direção do núcleo digital estão Alexandre Dequeker e Richard Luiz. A Popcon representa ainda nove diretores parceiros da latina Salado. Tatiana Quintella e Carlos Manga Jr.

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Conselho controverso

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“Supletivo do Céu”: sitcom católica

Divina comédia

A TV Aparecida estreou dia 19 de julho o humorístico "Supletivo do céu". As aulas acontecem em uma sala improvisada no sótão de uma igreja onde Padre Divino (Gilberto Salvio), é pároco. Observando que seus paroquianos não estavam sabendo nada sobre as escrituras sagradas, monta com o seu amigo Frei Josias (Phil Miler), um curso prático sobre as coisas do céu. Romulo Barros, um dos criadores da série inspirou-se nas catequeses, escolas dominicais, aulas de reforço de ensino adulto para que, junto com os roteiristas Celso Garcia e João Dias Jr, que também faz parte do elenco, criassem um programa para toda a família.

foto: alex ferreira/câmara dos deputados

Os novos integrantes do Conselho de Comunicação Social tomaram posse em julho. Os nomes foram aprovados em sessão do Congresso no dia 8. Miguel Ângelo Cançado foi eleito presidente do conselho. Ele integra o grupo como representante da sociedade civil e foi indicado pela OAB. O vice-presidente será Ronaldo Lemos, também representante da sociedade civil. O conselho conta com 13 integrantes titulares e 13 suplentes, que cumprirão mandato de dois anos, sendo três representantes de empresas de rádio, televisão e imprensa escrita; um engenheiro especialista na área de comunicação social; quatro representantes de categorias profissionais e cinco representantes da sociedade civil. O conselho estava sem funcionar desde agosto do Miguel Ângelo Cançado ano passado, quando venceram os mandatos dos integrantes. Previsto na Constituição, o conselho é um órgão auxiliar do Congresso Nacional. Entre as suas atribuições, está a de realizar estudos, pareceres e outras solicitações encaminhadas pelos parlamentares sobre liberdade de expressão, monopólio e oligopólio dos meios de comunicação e sobre a programação das emissoras de rádio e TV. Porém, oito deputados, dois senadores e nove entidades da sociedade civil deram entrada logo em seguida com um mandado de segurança no STF para anular o ato que nomeou os integrantes do conselho. Os autores defendem que o processo que levou à homologação da nova composição do conselho foi ilegítimo, inconstitucional e antirregimental. Eles criticam a nomeação dos dois ministros para vagas destinadas à sociedade civil. O mandado também questiona a ocupação das vagas da sociedade civil por um ex e um atual servidor da Secretaria de Comunicação do Senado e pela diretora do Instituto Palavra Aberta, que reúne associações empresariais. O professor de comunicação e pesquisador do Laboratório de Políticas de Comunicação (LaPCom) da UnB Murilo César Ramos, um dos indicados como suplentes para as vagas da sociedade civil, não tomou posse, "para não legitimar o processo".

foto: divulgação

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Desligado

A.RICARDO / Shutterstock.com

O canal Sports+ sai do ar no Brasil este mês. Em carta aos assinantes, a Sky, que tem exclusividade na distribuição, anunciou que pararia de carregar o canal, nas versão SD e HD, no dia 15 de agosto. A operadora afirma que a mudança no line-up é fruto de uma "estratégia comercial". O canal se manteve na operação de DTH através de decisões judiciais obtidas pela Sky, uma vez que a Ancine tornou o canal irregular em maio do ano passado. A agência reguladora apontou que o canal pertencia, de forma indireta, à operadora, o que é proibido pela Lei do SeAC. Futebol brasileiro amplia exibição no mercado europeu

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Jogada global A Globo fechou acordo com a MediaPro, empresa espanhola de direitos esportivos, para a distribuição dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro, e os estaduais de São Paulo e do Rio de Janeiro nos próximos três anos (2016, 2017, 2018) para os países da Europa e Ásia – com exceção de Portugal, Croácia, Albânia, Sérvia, Montenegro, Bósnia, Macedônia, Kosovo e Eslovênia. Na China e na Espanha os direitos podem ser negociados a partir de 2017. O pacote inclui 172 jogos. Também estão incluídos os direitos de exibição para os programas "Footbrazil", que apresenta entrevistas, os principais objetivos, análise das equipes e relatórios especiais sobre o futebol brasileiro; e "Footbrazil Destaques", que reúne os melhores momentos dos jogos da rodada.

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As smart TVs fabricadas pela Philips no Brasil a partir deste ano contarão com um aplicativo de vídeo da ESPN. A ferramenta reunirá conteúdo aberto e gratuito dos sites dos canais do grupo. Os usuários poderão assistir os gols das rodadas de grandes campeonatos de futebol nacional e internacional – e a cobertura de relevantes torneios esportivos como NBA, NFL (liga norte-americana de hóquei no gelo), MLB (futebol americano), entre outros. O aplicativo desenvolvido pela Accedo divide o conteúdo nas seguintes categorias: Últimos, Mais Vistos, Programas, Gols da Rodada e Melhores Momentos.

foto: divulgação

Nova tela

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Em queda

No céu Foi lançado no último dia 15 de julho o satélite StarOne C4, da StarOne (braço de satélites da Embratel), que será utilizado sobretudo para serviços de TV por assinatura do grupo América Móvil, especialmente pela Claro hdtv, no Brasil. O satélite foi lançado com sucesso pelo foguete Ariane 5, a partir da base de Kourou, na Guiana Francesa. A nave ficará posicionada na posição 70°W e tem 48 transponders em banda Ku. O equipamento foi construído pela SSL (SpaceSystem Loral), consumiu investimentos de US$ 321 milhões por parte da Embratel e tem vida útil inicialmente prevista para 15 anos. Ainda serão necessárias mais algumas semanas para o posicionamento final do satélite a 36 mil quilômetros de altitude e abertura dos painéis solares (o que acontece durante o processo de posicionamento). Durante e após estas etapas, o satélite passa por uma série de testes e, tudo correndo bem, pode entrar em operação, o que deve acontecer mais para o final do ano. Um dos papéis principais do novo satélite será permitir à Claro hdtv ampliar a sua capacidade de canais em alta definição no Brasil e nas operações de língua hispânica da holding América Móvil, mas também haverá aplicações de telecomunicações remotas do grupo mexicano. T e l a

A venda de televisores despencou 39% no primeiro semestre deste ano, segundo a Eletros. De janeiro a junho, foram vendidos 4.856 aparelhos ante 7.935 comercializados nos primeiros seis meses de 2014. A retração de vendas também atingiu a linha branca de eletrodomésticos, que reúne fogões, lavadoras e refrigeradores. A queda desses aparelhos ficou em 11% na comparação entre os primeiros seis meses de 2014 e 2015. Já a venda de eletroportáteis caiu 19% na comparação entre o 1º semestre de 2015 e igual período de 2014. Em 2014, foram vendidos 14.993 televisores, número que não será alcançado este ano, prevê a Eletros. Vale destacar que, historicamente, a venda de televisores no Brasil cresce de forma substancial nos anos de Copa. No entanto, em 2014 a produção de televisores no Brasil foi levemente superior à do ano anterior, quando foram produzidos 14.816 televisores no país.

Sashkin/shutterstock.com

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A ESPN renovou os direitos de transmissão do Campeonato Espanhol. O acordo, fechado com a Mediapro, agência que negocia os direitos da Liga de Futebol da Espanha, é válido por cinco anos – da temporada 2015/2016 até a de 2019/2020. Os direitos incluem a exclusividade de transmissão de 380 partidas da La Liga para a TV por assinatura e Internet, além de highlights e dos arquivos das temporadas anteriores. A cobertura será multiplataforma, nos canais ESPN, ESPN Brasil e ESPN+, no WatchESPN, serviço de vídeos ao vivo, on-demand e exclusivos, no portal ESPN.com.br e no ESPN Sync, aplicativo de segunda tela.

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Queda nas vendas de TVs em 2015

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Beth Carmona, do comKids, Luiz Henrique Sena, do MinC, e Sara Rocha, da SAv.

Só para crianças A Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura lançará um edital para a produção de filmes dedicados ao público infanto juvenil. Cerca de R$ 10 milhões serão dedicados à produção de conteúdos audiovisuais para a infância. Parte dos recursos virão do Fundo Setorial do Audiovisual. O edital é o primeiro resultado do grupo de trabalho criado no âmbito da Secretaria do Audiovisual para debater questões ligadas à produção cultural voltada à infância. O anúncio foi pela chefe de gabinete do secretário do Audiovisual, Sara Rocha, e o coordenador geral de inovação e tecnologia do Ministério da Cultura, Luiz Henrique Sena, durante o comKids, em agosto, em um debate com a participação da diretora geral do evento, Beth Carmona. O comKids é uma iniciativa para a promoção e produção de conteúdos digitais, interativos e audiovisuais de qualidade para crianças e adolescentes, a partir de pressupostos de responsabilidade social, desenvolvimento cultural e economia criativa no Brasil, na América Latina e na Península Ibérica. O evento é um uma parceria do Midiativa – Centro Brasileiro de Mídia para Crianças e Adolescentes - com a Singular, Arquitetura de Mídia.


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Roda móvel

A marca BBC Earth chega à América Latina no dia 1º de setembro como um canal de TV paga, anunciou a BBC Worldwide, braço de distribuição internacional da emissora britânica. O canal trará programação produzida pela BBC e voltada para a história natural, assim como novos programas originais comissionados, séries de aventuras e histórias sobre ciência, saúde e tecnologia. Disponível em inglês, com legendas em português e espanhol, o canal BBC Earth estará disponível em alta definição em operadoras de TV paga no Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. O portfólio de canais da BBC Worldwide na América Latina consistirá agora em BBC Earth, BBC Entertainment e CBeebies (este último também disponível no mercado hispânico dos EUA).

A TV Cultura lançou um aplicativo gratuito do programa "Roda Viva" para celulares. Com a ferramenta, disponível para Android e IOS, será possível assistir a atração ao vivo, participar de enquetes, acessar o acervo das melhores entrevistas, charges de Paulo Caruso e ser avisado, antecipadamente, sobre o inicio do programa.

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Regionalização A Secretaria Municipal de Cultura, Esportes e Turismo (SMCET) de Cuiabá (MT) abriu inscrições para edital que investirá R$ 1 milhão em produção audiovisual na região. O Prodecine 01 Cuiabá 2015 está sendo promovido em parceria com o Fundo Setorial do Audiovisual. O fundo será responsável por R$ 660 mil, enquanto a Prefeitura de Cuiabá investirá os R$ 340 mil restantes. Serão contemplados um projeto de telefilme de ficção (de 50 a 120 minutos) com R$ 330 mil; um projeto de média ou curta de animação (de até 20 minutos), com R$ 100 mil; dois projetos de documentário para TV (com duração de 52 minutos) com R$ 115 mil, cada; dois projetos de média ou curta-metragem documentário (com até 26 minutos), com cada um deles recebendo R$ 50 mil; e três projetos de média ou curta de ficção (com duração máxima de 26 minutos) que receberão, cada um, R$ 80 mil. Os projetos inscritos devem garantir realização de ao menos 50% da produção no município e prever a utilização de um mínimo de 80% de mão de obra técnica de profissionais residentes no Mato Grosso. As obras também devem ser obrigatoriamente dirigidas por residentes no estado há pelo menos três anos. 12

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Brincadeira O Gloob lançou uma versão para celulares e tablets do Gloob Play, plataforma VOD do canal. O app está disponível para iOS e terá uma versão para Android em breve. Assinantes do canal poderão cadastrar até três usuários e ter acesso gratuito ao conteúdo. Novos episódios das atrações serão adicionados mensalmente, com exceção de “Gaby Estrella”, que terá os capítulos disponíveis no dia seguinte à exibição no canal. As duas temporadas de "Gaby Estrella" e a primeira temporada completa de "Buuu" já estão disponíveis. Com elementos de game, o app possibilita a criação de perfis nos quais as crianças podem escolher o próprio avatar para representa-las virtualmente. Quanto mais usarem o aplicativo, mais ganharão opções dos bonequinhos em poses e estilos diferentes. O aplicativo também permite criar alertas que avisam ao usuário quando seu programa favorito for começar. Para divulgar o novo recurso, o Gloob criou dez jogos das principais atrações do canal para quem baixar o aplicativo, incluindo quem não é assinante. Além do aplicativo, o Gloob Play também está presente na web, onde conta com a programação ao vivo do canal.

Capacidade A Telefónica Business Solutions, braço de mercado corporativo do grupo espanhol, lançou um serviço de transmissão de vídeo para empresas de TV via satélite usando a banda Ka. Segundo a companhia, o serviço, operado por meio da Media Networks (outra empresa do grupo), já foi testado durante as eleições federais no México, em junho, e na Copa América realizada no Chile neste ano. Em ambos os casos, as transmissões foram efetuadas com uso de cinco canais dedicados de 2 Mbps cada. A solução promete capacidade máxima de 18 Mbps de downlink e 3 Mbps de uplink, com priorização de subida de vídeo.

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Um pedido de vista do ministro Dias Toffoli adiou a conclusão do julgamento da constitucionalidade da Lei 12.485/11 (SeAC) no STF. Os ministros Rosa Weber, Roberto Barroso e Teori Zavascki acompanharam o relator da matéria, ministro Luiz Fux, que considerou a lei constitucional em praticamente todos os artigos. Também votou o ministro Edson Fachin, que Toffoli: pedido de vistas considerou a lei totalmente constitucional, sem ressalvas. Ainda faltam votar os ministros Dias Toffoli, que pediu vista, Gilmar Mendes, Celso de Mello, Marco Aurélio, Carmen Lúcia e o presidente Ricardo Lewandowski. Não há data para a retomada do julgamento.

Aprovado A Anatel deu aval para que a Oi conclua a reorganização societária, que inclui a redução de R$ 4,4 bilhões do capital da companhia. Segundo o relator, conselheiro Rodrigo Zerbone, a operação proposta é uma continuação do processo de reorganização anterior. A operação prevê, principalmente, a incorporação da Telemar Participações (TmarPart) pela companhia. O processo inclui um "tag along" de 100% para ações ordinárias e a limitação de direito a voto para no máximo 15% dos acionistas. Um dos objetivos da companhia com as mudanças é se enquadrar no Novo Mercado da BM&FBovespa. A redução do Rodrigo Zerbone capital foi justificada pela companhia pela impossibilidade de arcar com o prejuízo registrado pela Oi em 2014, de R$ 4,1 bilhões. Mas a empresa se comprometeu a reduzir a distribuição de dividendos. Para Zerbone, a redução foi uma boa solução porque gera um resultado mais compatível com a realidade da empresa. "Caso assumisse o prejuízo, a operadora poderia demorar dez anos para recuperar sua contabilidade", disse. O relator afirmou que, em função da pulverização das ações, a Anatel deve acompanhar a execução da operação a fim de identificar se será formado um bloco de controle ou não da operadora. Zerbone afirmou que a agência não está considerando ainda a operação como troca de controle.

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fotos: divulgação

foto: Fellipe Sampaio /SCO/STF

Avançou e parou

“3%”, da Boutique, marca a entrada da Netflix em produção nacional

Primeira A Netflix começa a gravar sua primeira produção original no Brasil no início do ano que vem. "3%" será produzida pela Boutique Filmes e estreará com exclusividade no serviço de streaming no final de 2016. A série com sete episódios de uma hora será produzida em 4K e deve ser exibida em todos os países onde o serviço está disponível. "3%" retrata um mundo distópico dividido entre progresso e devastação. A única chance de passar para "o lado melhor" é por meio de um processo cruel – e nem sempre justo – onde somente 3% dos candidatos são aprovados. A produção inspira-se em websérie homônima com três episódios pilotos lançados em 2011 no YouTube. "A ideia central é a mesma da obra no YouTube, mas trata-se de uma produção totalmente nova, com novos roteiros e novas histórias", diz Tiago Mello, diretor de conteúdo e negócios da Boutique Filmes. Em 2014, o projeto teve orçamento de R$ 4,29 milhões aprovado pela Ancine. Segundo Mello, a empresa chegou a negociar com canais, mas acabou optando por abrir mão de recursos públicos e fechando com a Netflix. "Tivemos interesse de alguns canais também, mas o projeto 'casou' melhor com a Netflix. Essa é a plataforma mais dinâmica hoje em dia e o Brasil agora está participando desse movimento internacional de produção de conteúdos originais", diz o diretor. A primeira temporada será dirigida por Cesar Charlone (“Cidade de Deus”, “Ensaio sobre a Cegueira” (fotografia) e “O Banheiro do Papa”), e protagonizada por João Miguel (“Estômago”, “Xingu”, “Felizes Para Sempre?”) e Bianca Comparato (“Avenida Brasil”, “Sete Vidas”, “Irmã Dulce”).

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( figuras) Novas portas

fotos: divulgação

A Zohar Cinema contratou Ian SBF como diretor de cena. O profissional é sócio-fundador, diretor e roteirista do coletivo de humor Porta dos Fundos, que conta com mais de 10 milhões de seguidores no YouTube. Ian irá conciliar seu trabalho no grupo de humoristas com o trabalho na Zohar, onde atuará com foco no mercado publicitário. Além do Porta dos Fundos, Ian fundou o canal online Anões em Chamas, foi roteirista colaborador do seriado “Junto & Misturado”, da rede Globo, e produziu no Multishow o seriado “O Fantástico Mundo de Gregório”. Em 2015,

lançou seu primeiro longametragem, “Entre Abelhas”, do qual participou como coprodutor, diretor e roteirista em parceria com Fabio Porchat. Na nova casa, o profissional já atua na produção do primeiro longa do Porta dos Fundos, “Contrato Vitalício”, com filmagens previstas para janeiro de 2016.

Dupla

Conteúdo A produtora Consulado contratou Guilherme Keller como diretor de conteúdo. Ele se une ao time da produtora para trabalhar no desenvolvimento de projetos publicitários, de conteúdo e entretenimento ao lado de Tomás Gurgel, produtor executivo da casa. Keller era sócio da produtora Querosene Filmes, da qual se desligou em busca de novos desafios. Ele iniciou sua carreira no final dos anos 90 e fez parte de diversos projetos documentais, como as séries “Ironman Brasil” e “Rally dos Sertões”, do curta “Bicho Solto” e do longa Guilherme Keller “Vida Sobre Rodas”, lançado pela Disney e dirigido por Daniel Baccaro, que também está no casting de diretores da produtora.

A produtora Débora Ivanov foi indicada para a diretoria da Ancine, na vaga antes ocupada por Vera Zaverucha, que terminou seu mandato na agência. A presidente Dilma Rousseff encaminhou o Débora Ivanov nome da produtora para apreciação do Senado Federal. Se aprovada a indicação, a diretoria da agência reguladora ficará formada por Débora Ivanov, Rosana Alcântara e Roberto Gonçalves de Lima, além do presidente, Manoel Rangel. Advogada e produtora, Débora tem no currículo mais 50 obras audiovisuais entre curtas, médias e longas-metragens, telefilmes e séries para televisão. Também é diretora executiva do Sindicato da Indústria do Audiovisual do Estado de São Paulo – Siaesp, membro do Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual e membro do Conselho Consultivo da SPCine.

Reformulação Desde o início do ano, a Delica Digital vem reformulando sua equipe, estrutura e posicionamento. Agora, com as mudanças consolidadas, a empresa planeja expandir sua atuação, entregando projetos que envolvam tecnologia, desenvolvimento e filmes com presença digital. A nova estrutura será liderada pelos diretores de criação Thiago Elias (ex-Ogilvy, Colméia e Saatchi de Londres) e André Debevc (ex-Star Media de Nova York, Banco de Eventos e Prole), e pelo produtor executivo Ricardo Xocolate (ex-One Digital, Colméia e Mutato).

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A dupla de diretores 300 ml agora integra o casting da Paranoid. Os profissionais vão atuar em projetos de publicidade, brandend content e entretenimento para televisão e cinema. No portfólio da dupla estão filmes publicitários como “Arca”, de Axe, e “Gigante”, da Claro, além de diversas campanhas globais para Stella Artois. A dupla 300ml iniciou sua carreira na produtora Republika. Os diretores também passaram por Hungry Man, Mixer e Zohar. A dupla também assina o curta “Tarantino’s Mind”, estrelado pelo ator Selton Melo e pelo cantor Seu Jorge. A produção recebeu prêmio de melhor edição no festival norte-americano Creativity No Spot Film Festival em Nova York, além de ter sido selecionado para abrir o Festival de Cinema do MoMA, em 2007.

Substituição

Ricardo Xocolate, Thiago Elias e André Debevc

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Ian SBF

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Conteúdo público O jornalista Américo Martins foi confirmado na presidência da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em substituição a Nelson Breve, que ocupará a Secretaria de Imprensa da Presidência da República. Martins ocupava antes a diretoria-geral da empresa desde o início deste ano. Antes, trabalhou por 13 anos na emissora pública Américo Martins britânica BBC, onde foi editor-chefe e diretor da BBC Brasil e também editor executivo da BBC World Service. Américo Martins iniciou a carreira jornalística na Folha de S.Paulo, onde foi repórter e editor assistente de política e economia. Em Brasília, trabalhou na sucursal do Jornal do Brasil, coordenando a editoria de política. Em agosto de 2010, assumiu a superintendência de jornalismo e esportes na Rede TV.

Coordenação A Wunderman, agência presidida por Eduardo Bicudo, contratou Monica Andrade como nova Diretora de RTV. Com cerca de 20 anos de experiência no mercado publicitário, a profissional deixa a área de Monica Andrade RTV da Y&R, onde atuava como produtora sênior, para coordenar todos os projetos da agência digital do Grupo Newcomm. Monica estava na equipe da Y&R, desde 2012. Antes disso, passou pelas agências Africa, Ogilvy & Mather, Publicis e Colucci. Durante dois anos, esteve na Fuel Advertising Inc., em Lisboa.

Integração A Telefônica/Vivo resestruturou sua área de negócios para adotar uma abordagem integrada de produtos, serviços, canais e clientes sob uma única vice-presidência executiva, de marketing e vendas, liderada pelo novo Chief Revenue Officer, Christian Gebara. O executivo, que até então era responsável pela área de negócios móveis da Telefónica/Vivo, responderá pela integração operacional e das marcas da empresa resultante da incorporação da GVT, além da missão de expandir a cobertura 4G para 140 municípios e aumentar em 4,7% o market share da Vivo no pós-pago.

Publicidade

Tom Stringhini

Tom Stringhini é o novo diretor de cena da Conspiração. Há oito anos na direção de filmes publicitários, Stringhini já fez comerciais para marcas como Nivea, Samsung, Claro e Burger King, e trabalhou em produtoras como Zola, Dogs Can Fly, Cia de Cinema e Dínamo.

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cobertura

( capa ) Da redação

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Parou. E agora?

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momento atual da indústria de TV por assinatura inspira cuidados. De um lado, um cenário econômico especialmente desafiador, em que o principal combustível de crescimento dos últimos anos (a ascensão da classe C e do poder aquisitivo da população) foi afetado pelos efeitos da retração econômica. De outro lado, a indústria enfrenta um momento de redefinição de tecnologias, modelos de negócio e um novo arranjo das forças competitivas, com impactos diretos sobre operadores e produtores de conteúdos. A Feira e Congresso ABTA 2015, realizada no começo de agosto, teve estas duas situações como pano de fundo, e uma mensagem clara do setor: para superar o momento atual, é necessário um cenário de mínima interferência regulatória e atenção à carga tributária, por parte do governo, mas também a busca de mais eficiência, melhor adequação de produtos e melhores relações econômicas entre os diferentes players. O evento teve um tom surpreendentemente otimista, sobretudo considerando que 2015 será o primeiro ano de paralisação de crescimento, e eventualmente uma pequena retração de base. A mensagem foi passada pelos presidentes de algumas das principais operadoras do mercado. “Essa é a hora de pisar no acelerador, mas com responsabilidade”, disse José Felix,

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editoria de arte cvg sobre imagem de YURALAITS ALBERT/shutterstock.com

Principal evento do setor de TV por assinatura mostra um clima de relativo otimismo, mesmo considerando que o setor de TV por assinatura não deve evoluir em 2015. Carga regulatória, OTTs e impostos são vilões. Mas há boas notícias.

presidente do grupo América Móvil (dono das marcas Net e Claro). A Telefônica/Vivo, sobretudo após a aquisição da GVT, não faz mais mistério sobre a importância da TV por assinatura em sua estratégia de crescimento. Com quase 2 milhões de assinantes e em pleno processo de integração de plataformas, a oferta de combos de TV, banda larga, voz e telefonia móvel é a grande aposta do novo CEO da empresa, Amos Genish, que também falou na abertura da ABTA. Segundo ele, a plataforma de DTH terá a mesma programação no serviço não linear hoje disponível no IPTV até o final do ano, e ele enfatizou que não pensa

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mais na oferta de serviços isolados. A operadora está agora selecionando a plataforma de satélites que atenderá as duas bases, mas tudo indica que será a da Media Networks. Uma reclamação, que também esteve presente no discurso da Vivo é a negociação com programadoras. O presidente da Telefônica já havia sugerido que a integração com a GVT vai permitir maior poder para a empresa nessa hora, mas ele ressalta que o custo, que representa “mais de 50% do preço final”, é repassado às operadoras sem transparência. “É

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“Intervenções do Executivo, do Legislativo e de órgãos de defesa do consumidor geram custos milionários, que terão de ser repassados aos clientes.”

fotos: Marcelo Kahn

diferente de telecom. Esse segmento (de programação) é o único do mundo em que o preço final está totalmente fechado”, disse ele. Ele reclama ainda que há falta de flexibilidade dos programadores no empacotamento, o que impediria os consumidores de escolherem opções de canais mais personalizadas. “Na minha opinião, é um erro enorme. Se o mercado quiser crescer com penetração como da Argentina, de 80%, e da Venezuela, de 50%, tem que rever isso”, argumentou. Ele afirmou ainda que essa flexibilidade poderia ser aplicada para plataformas de vídeo não-linear para combater as over-the-tops. Durante a ABTA, a Vivo mostrou uma postura bastante crítica aos serviços oferecidos sobre as redes de banda larga. A maior crítica de Genish foi ao WhatsApp, que segundo ele representa uma espécie de pirataria de serviço para os operadores móveis, por não ter nenhuma obrigação e oferecer serviços de mensagens e voz semelhantes aos das operadoras tradicionais, usando a mesma numeração. O presidente da Oi, Bayard Gontijo, acredita que nesse momento de economia mais frágil é preciso promover a discussão do quanto o aumento da carga tributária do setor inibe o crescimento da base e a que ponto a carga mais baixa aumentaria a penetração do serviço e a arrecadação dos estados. “O crescimento robusto de 30% nos últimos cinco anos foi muito impulsionado pelas classes sociais mais baixas, pela classe C em especial. E no cenário macroeconômico muito mais duro nosso papel é ter mais criatividade”, diz Gontijo. A Oi, segundo seu presidente, não tem nenhum tipo de preconceito em relação à classe C, D ou E. “Telefonia móvel é mais de 100% penetrado em cima dessas classes. O que mostra que a TV paga tem que adequar a oferta a essas classes.

Oscar Simões, da ABTA

Claro que são mais voláteis, mas não vamos continuar nesse momento por uma década, acreditamos que vamos voltar a crescer”, avalia Gontijo. Para José Felix, o problema é conse­ guir montar um produto entre R$ 100 e R$ 120 que a classe C pague. “A classe C alta tem renda familiar de R$ 2,5 mil, a inferior, de R$ 1,5 mil. E as classes D e E ganham R$ 646. Então, quando se fala que tem que colocar TV paga nas classes D e E eu tenho vontade de rir. Tem que colocar esgoto primeiro para essas pessoas. TV é inviável”, argumenta. Embora o presidente da Telefônica/ Vivo, Amos Genish, afirme que a empresa continua crescendo em TV por assinatura mesmo com o quadro econômico desfavorável, graças ao foco em clientes de maior poder aquisitivo, ele admite que nos momentos de crise a TV por assinatura possa ser uma alternativa de entretenimento mais barata para as classes C e D, substituindo a ida ao cinema, a shows ou ao teatro. “Não estamos desistindo da classe média

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digital. Precisamos de uma abordagem para esse segmento. E para isso precisamos ainda reduzir custos operacionais, buscar mais eficiência. Mas, sem dúvida, temos que pegar como segmento mais que a classe A ou B”. O tom adotado pelas empresas se refletiu, de alguma maneira, na manifestação dos reguladores e formuladores de políticas presentes à ABTA. “A agência não pode se calar diante disso e já se colocou contra qualquer aumento de carga tributária. O que é preciso é igualar a carga por baixo. Deixar todos os serviços de telecom com 10% de ICMS, e não aumentar o da TV por assinatura. O problema é que os players muitas vezes não se entendem entre eles”, pontuou o presidente da Anatel, João Rezende. Ele sugere também que é importante olhar o tamanho dos pacotes, “É preciso deixar todos o volume de canais os serviços de telecom hoje à disposição do com 10% de ICMS, consumidor. “Nem e não aumentar o da todos querem tudo. TV por assinatura.” O setor tem de João Rezende, da Anatel pensar modelagem de canais para classes C e D”, sugere. Esse empacota­ men­to, com menos canais e mais acessível para classes de menor poder

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( capa ) “Essa é a hora de pisar no acelerador, mas com responsabilidade.”

investimentos em novas estruturas para uma pequena parcela de clientes até uma possível obrigação de troca de decodificadores de José Felix, da América Móvil milhões de assinantes de DTH – por conta do must carry. “Intervenções como essas não são apenas fazer uma nova inoportunas, como geram custos ‘concertação’ nas formas de milionários, que terão de ser regulação, não apenas das repassados aos clientes, aumentando comunicações, mas das a ameaça de redução da base de telecomunicações, de forma assinantes”, completou. conjunta”, disse ele durante Segundo o professor do a ABTA. “Vai implicar Departamento de Direito do Estado necessariamente alteração da Faculdade de Direito da USP em ambas as legislações, Floriano de Azevedo Marques Neto, de comunicação e telecom, mas só pode que participou de debate durante a ser produto de acordo entre setores.” ABTA 2015, muitas vezes Uma vez sinalizada, precisa envolver reguladores passam um pouco a outras pastas, “como o Ministério da fronteira da regulação subsidiaria, Cultura, Ministério da Ciência, residual. “Não faz sentido Tecnologia e Inovação e, regular o preço que o possivelmente, a Secom”. a ancine e o operador vai pagar pelo Carga regulatória minc têm no insumo. Precificar valores Para o presidente da horizonte de conteúdo não é ABTA, Oscar Simões, além de um marco razoável do ponto de vista disse. “Há uma desaceleração do regulatório regulatório”, uma tendência ao crescimento, os últimos anos para o vod. voyeurismo regulatório, foram marcados por uma uma propensão a querer “avalanche de intervenções, a conhecer o íntimo da operação dos nosso ver, desnecessárias e que não regulados”, disse o professor. resultam nas soluções que pretensamente Outro problema frequente na buscam alcançar. São iniciativas de regulação é o regulador se isolar no agentes do Executivo, do Legislativo e de mundo da regulação e não dialogar órgãos de defesa do consumidor que não com o regulado. “O regulamento da se justificam em um setor onde há Anatel de proteção ao consumidor é intensa competição e onde os diversos um exemplo. Garante diretos aos concorrentes têm o mesmo interesse de consumidores aos quais nem estes oferecer o melhor serviço aos seus dão importância. Dispende energias clientes”. A ABTA contabilizou mais de e aumenta custos”, 1,6 mil comandos afirmou. regulatórios que precisam Esse regulamento, ser seguidos pelas aponta Gilberto Sotto operadoras de TV paga. Mayor, diretor de Como exemplos, citou estratégia regulatória regulamentos que exigem da Net, é exagerado. dos operadores “Foi detectado que o consumidor tem “Se o mercado quiser dificuldade em crescer com penetração cancelar o serviço? como da Argentina, de Então faz um 80%, tem que rever a regulamento com cinco falta de flexibilidade na artigos, não 140. A programação.” regulamentação não Amos Genish, da Vivo

fotos: Marcelo Kahn

aquisitivo poderia ajudar o setor a continuar crescendo mesmo no cenário de desaceleração da economia. “É claro que a gente não vai regular ou obrigar a isso, mas é um momento difícil e possível de ser superado. Porque esse setor tem muita demanda e podemos imaginar um país com 70% de domicílios cobertos com TV por assinatura”, avaliou o presidente da Anatel. Para Manoel Rangel, presidente da Ancine, além da crise econômica, o setor de TV por assinatura seguirá enfrentando desafios dentro do próprio setor, como o fortalecimento dos serviços de VOD – aqui e no mundo. Rangel pediu ousadia dos executivos do setor de TV por assinatura frente ao cenário de estagnação no crescimento do serviço. “Em meio ao nevoeiro é que se exige dos executivos a fibra desenvolvida ao longo dos anos”, disse. O presidente da Ancine disse que segue acreditando “que os serviços convivem ao mesmo tempo em que competem entre si. É preciso seguir apostando no desenvolvimento de todos esses serviços”. A Ancine e o Ministério da Cultura têm no horizonte um marco regulatório para o setor de vídeo sob demanda, incluindo cotas de conteúdo nacional e uma política tributária que o equalize com os serviços tradicionais. Para o secretário-executivo do Ministério das Comunicações, Luiz Azevedo, é preciso simplificar a regulamentação de comunicação e telecomunicação juntando as duas em uma só. Para tanto, a forma é estimular um debate entre os diversos atores e os setores, de maneira semelhante à realizada na elaboração do Marco Civil da Internet. “Necessitamos no Brasil

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“Precisamos atrair investimento com estabilidade regulatória, deixar a empresa privada expandir.” Gilberto Sotto Mayor, da Net

expansão da infraestrutura. “O setor não está em um momento em que precisa de vários regu­ lamentos. Precisamos atrair investimento com estabilidade regulatória, deixar a empresa privada expandir”, finalizou. Para a diretora de assuntos jurídicoregulatórios da Vivo, Camila Tápias, a regulamentação tem como fim ser eliminada. “Tão melhor ela é quanto

deve dizer como fazer, porque a agência (reguladora) sai da regulamentação e entra na operação”, disse. “O como fazer é decisão da operadora”, completou. Segundo Sotto Mayor, os recursos gastos para resolver pequenas assimetrias deixam de ir para a

mais ela conseguir se tornar desnecessária”, disse. Para Camila, a preocupação do órgão regulador deve ser em incentivar o crescimento do serviço de TV por assinatura. Para ela, as assimetrias que existem no mercado atualmente são circunstanciais. “Hoje, o setor compete com OTTs e serviços desregulados. O papel do regulador pode ser colocar uma pitada de política pública. Mas talvez o ideal não seja impor, mas tirar obrigações. O importante é que haja um tratamento isonômico”, disse. Reforma Segundo o conselheiro da Anatel Igor Freitas, a agência deve ter um novo modelo de funciona­mento no próximo ano. A ideia é rever a necessidade dos dispositivos regula­tórios e traba­ lhar com um mínimo ne­ces­sário.

Pirataria ou fogo amigo?

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“pirataria branca”, praticada pelas empresas do próprio setor. Ele se refere ao compartilhamento de uma mesma assinatura por diversas residências. Winik pediu que as operadoras fiquem atentas ao tipo de oferta que lançam no mercado, para não incentivar a prática. “Aquela coisa de oferta com cinco pacotes de altíssimo valor com quatro pontos adicionais que cria um condomínio, nós coibimos dentro da Oi. Sabemos que existem

ABTA atualizou, durante o a Feira e Congresso ABTA 2015, os dados referentes ao contingente de usuários de TV por assinatura que não são assinantes regulares do serviço, ou seja, estão recebendo seus sinais de alguma fonte ilícita. Pode ser por meio de serviços clandestinos ou pelo compartilhamento indevido de pontosextra. Segundo a ABTA, são 4,6 milhões de usuários irregulares, o que seria a terceira maior operadora do país. O crescimento em um ano foi de mais de 8%. Segundo Bernardo Winik, diretor de varejo da Oi, existem diversos “Acelerados”: migração da tipos pirataria, webde para a TV. incluindo uma

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“Nós coibimos a oferta com cinco pacotes de altíssimo valor com quatro pontos adicionais que cria um condomínio. Isso também é pirataria, também é caso de polícia.”

maneiras criativas de distribuir e é preciso coibir, auditar o consumidor, ver se o distribuidor não está ofertando esse tipo de coisa. Contudo, sabemos que essa é uma prática de mercado e algumas pessoas adoram a ideia de não ter que pagar, de dividir com o vizinho. Mas isso também é pirataria, também é caso de polícia e nesse caso nós podemos sim agir”, disse. Para Márcio Carvalho, gerente de marketing e produtos da Net, a pirataria “é algo que incomoda a todos que estão aqui (operadores e programadores), e nós não conseguimos reagir sozinhos. Isso precisa de governo e das instituições. Temos que ser mais efetivos contra todo e qualquer tipo de pirataria, que afeta não só nosso negócio mas também nosso país e a sociedade. Esse é um grande problema e precisamos achar soluções”.

Bernardo Winik, da Oi

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Leandro Sanfelice

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Alberto Masnovo/shutterstock.com

SBT, Record e Rede TV estão formando uma joint-venture que visa criar condições de comercialização para as três emissoras.

“Não há dúvida de que o radiodifusor tem o direito de ter seu canal carregado. Se não houver entendimento sobre um valor, o radiodifusor pode exigir a distribuição gratuita.”

é mais pela cobrança, que onerará a já pesada parcela de custos de programação, do que pela distribuição compulsória. Algumas emissoras, como a Globo, já têm acordos comerciais com algumas operadoras. Mas as demais ainda não. Não por acaso, SBT, Record e Rede TV estão formando uma joint-venture que visa criar condições de comercialização para as três emissoras, compartilhando o custo e a estrutura de vendas. O assunto é tão grave que a ABTA e a Sky pediram ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para ser parte no processo e opinarem sobre a formatação da joint-venture. Nos bastidores dessa disputa, outra frente é a mudança no regulamento do Serviço de Acesso Condicionado (SeAC). A Anatel vinha propondo uma mudança para obrigar os operadores de DTH a incluírem um equipamento de recepção dos canais abertos locais, que seria compulsório sempre que a operadora distribuísse sinais das redes de TV aberta de uma determinada região. Seria, assim, dada isonomia às demais emissoras. A Anatel decidiu, contudo, estudar melhor o assunto, entendendo que esse modelo técnico teria um custo muito elevado para os operadores de TV paga.

Igor Freitas, da Anatel

Samuel Possebon

De canais abertos a programadores seu canal carregado. É uma relação pactuada, em que pode se estabelecer uma relação comercial. Mas se não houver entendimento sobre o valor, o radiodifusor pode exigir a distribuição gratuita”, disse Freitas, indicando uma relação semelhante à do mustcarry, mas sem esse nome. Para os operadores de TV por assinatura, o receio

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foto: Marcelo Kahn

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om o início do desligamento dos sinais analógicos e a digitalização completa da TV aberta, que em tese começa este ano e passa a atingir as maiores cidades do país a partir de 2016, a relação entre operadores de TV paga e radiodifusores muda completamente. O instituto do must-carry, que desde 1995 existe no Brasil e dá às operadoras de TV a cabo o dever (e ao mesmo tempo, o direito) de levarem os sinais de TV aberta gratuitamente, agora passa a ser uma relação comercial. O conselheiro Igor Freitas, da Anatel, diz que a interpretação da legislação é cristalina sobre esse tema. “Não há dúvida de que o radiodifusor tem o direito de ter

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classe C sofre especialmente com a crise, mas não deixa faltar Internet ou TV por assinatura. Essa é a conclusão de um estudo voltado para o comportamento do consumidor diante da crise e que foi apresentado pelo pesquisador Maurício Prado, da PlanoCDE, durante a ABTA 2015. Segundo o levantamento, os dois serviços não estão sequer entre os dez primeiros citados na hora de promover cortes de despesas nos últimos seis meses. E isso representa uma oportunidade para as operadoras. Na hora do aperto, o brasileiro considera primeiro cortar a alimentação fora de casa (opção de 59% dos entrevistados), o lazer (como cinema e teatro, com 49%) e serviços de beleza (38%). A pesquisa foi realizada com 200 pessoas online, a maioria do sexo feminino e entre 25 e 34 anos, com renda mensal familiar de até R$ 2.500. Do universo total, 81% declararam ter Internet em casa, enquanto 41% afirmaram ter TV a cabo. Outros dados mostram que entre as despesas do domicílio há ainda aluguel (32%), plano de saúde (29%), educação privada (28%), prestação de carro (14%) e prestação de casa própria (10%). A visão de Maurício Prado sinaliza que Internet e TV a cabo viraram itens essenciais para os consumidores, e isso tem ligação com a crise. “Muitas famílias vivem em área de violência, e com baixa opção de lazer, então TV paga e Internet são muito importantes; esses serviços têm um papel diferente (na classe C) do que nas classes A e B”, avalia. Tanto que, em previsão de corte para o futuro, os dois serviços não estão entre os mais citados.

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Ancine sinalizou uma mudança na forma como tratará os conteúdos oferecidos sob demanda nas modalidades de catch-up e TV everywhere. Segundo Manoel Rangel, os títulos do catch-up TV ou TV everywhere veiculados pela Internet passarão a ser considerados como uma “extensão da veiculação pelo segmento originário” – canal de TV por assinatura ou canal aberto. O catch-up TV é a modalidade de serviço de TV paga em que o usuário pode assistir aos conteúdos já exibidos a qualquer momento posterior à exibição, de maneira não-linear. O TV everywhere é a modalidade que permite assistir aos conteúdos exibidos por meio da Internet, de forma autenticada, ou seja, só liberada se o usuário for de fato assinante do serviço em uma plataforma tradicional de TV por assinatura. Com essa mudança de entendimento da Ancine, esses títulos não devem receber o mesmo tratamento dos conteúdos destinados a serviços de vídeo sobdemanda puros (VOD) e, portanto, devem ficar isentos do pagamento da taxa de Condecine Título na modalidade do VOD (que é chamada “outros mercados”). Trata-se de uma economia de até R$ 3 mil por título nos catálogos das programa­ doras e operadoras de TV paga. Regulamentação No evento, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, abordou a regulação do video ondemand, inclusive com cotas para o conteúdo nacional. Em conversa com jornalistas, disse que a regulação do VOD é o que possibilitará uma segurança jurídica para mais investimentos. “É preciso fazer

“Muitas famílias vivem em área de violência, e com baixa opção de lazer, então TV paga e Internet são muito importantes.”

fotos: Marcelo Kahn

E o VOD?

Setor resiliente

“É preciso fazer com que os serviços não regulados se pautem pelos princípios constitucionais.” Juca Ferreira, ministro da Cultura

com que os serviços não regulados se pautem pelos princípios constitucionais”, disse citando o artigo 222 da Constituição que, entre outros pontos, determina a regionalização do conteúdo. O tema também foi abordado pelo presidente da Ancine, que, juntamente com o ministro, disse que espera ter o desenho de uma proposta para a regulamentação do serviço até o final do ano. Rangel falou ainda da pressão por uma desregulação do serviço de TV paga, ao invés da regula­ mentação do VOD, para dar isonomia aos serviços. “Não entendo muito bem o que estão querendo. Não deve ser a extinção dos marcos regulatórios”, ironizou. O regulador disse que a Ancine optou por retardar o debate para dar condições de desenvolvimento ao serviço e que espera uma regulação “leve e equilibrada”.

Maurício Prado, da PlanoCDE

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Fernando Lauterjung

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fotos: marcelo kahn

(galeria)

foto: izilda frança

Os presidentes da Anatel e da Ancine, João Rezende e Manoel Rangel Evento reuniu executivos de todo o setor

Andres Vazquez del Mercado, CEO da America Móvil Content Office

Arena ABTA: oportunidades de negócios

Ana Paula Duarte, da Unilever

Diego Guebel, da Band

A jornalista Cristina Padiglione (Estadão) debate conteúdo com os canais: Cícero Aragón (Box Brazil), Elisa Chalfon (Viacom), Monica Pimentel (Discovery) e Zico Góes (Fox)

Jeremy Wade, apresentador de “Monstros do Rio”

Feira contou com demonstrações de novas tecnologias

Newco (canais Band) promoveu uma jam session entre músicos do setor Rafael Sgrott (Vivo), Márcio Carvalho (Net), Flavia Heksher (Globosat), Alessandra Pontes (Discovery) e Bernardo Winik (Oi TV) debatem o futuro da programação com o jornalista André Mermelstein

Abertura do evento

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cobertura

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Edianez Parente

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Veículo em ascensão

Agências, anunciantes e programadoras debatem o meio TV por assinatura como mídia publicitária.

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“São 20 milhões de lares com mais de 150 canais. Seus programas e séries geram hábitos e as pessoas se programam para assistir.”

e tanta gente está vendo, por que o seu comercial não está lá ainda? A ABTA 2015 proporcionou um dia inteiro de discussões e esclarecimentos sobre a TV por assinatura como mídia publicitária. Trata-se de um meio que atinge aproximadamente 60 milhões de pessoas, mas que ainda tem um décimo da verba de anúncios de que desfruta a TV aberta. Pior: detém apenas 5,3% de share no bolo nacional de publicidade (Projeto InterMeios/2014). Numa série de painéis, profissionais das programadoras, agências e anunciantes trataram sobre os temas das pesquisas, vantagens do meio e variedades de formatos propiciadas pelos canais. Publicitários elogiaram os canais, as programadoras mostraram números que compravam a efetividade do meio e os anunciantes exibiram seus cases de sucesso. O copresidente da DM9DDB, Paulo Cesar Queiroz, abriu os trabalhos. O publicitário – que desenvolveu grande parte de sua trajetória profissional na área de mídia - deu uma visão geral do meio, exaltando a grande capacidade de segmentação dos canais. “São 20 milhões de lares com mais de 150 canais. Seus programas e séries geram hábitos e as pessoas se programam para assistir”, destacou. O publicitário explicou como o meio teve sua disparada a partir da entrada da classe C e recomendou a compra

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Paulo Cesar Queiroz, da DM9DDB

de pequenas e médias audiências, que fazem um grande bem para a marca. Ele faz coro à reclamação geral de que a verba de publicidade na TV por assinatura é ainda um “fiasco”, sendo subutilizada, com menos de 6% de share do bolo publicitário, e enumerou ainda o potencial financeiro dos clientes do meio. Queiroz destaca que a TV aberta tem custo absoluto alto – ele calcula em até 50% mais baixo o custo na TV por assinatura. “A utilização de frequências menores de TV aberta e mais frequência na TV por assinatura vai gerar mais lead na sua campanha. Por que investimos tão pouco na TV por assinatura?”, perguntou, para ele mesmo responder: “Porque não estamos onde a opinião pública está”. Ele lembrou da grande oportunidade que há para o mercado em ações de branded content. Para Queiroz, um grande dificultador para o segmento tem a ver com a capacidade de os canais venderem seus espaços. “Não há capilaridade comercial, são muitos canais, com

“Verificamos que enquanto a audiência da TV aberta cai ano após ano, a TV paga cresce.” Marco Frade, da Unilever

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estruturas de vendas pulverizadas”, enumera. Ainda, as agências têm conhecimento insuficiente do meio para indicar aos seus anunciantes e há dificuldades operacionais para anúncios de varejo, que é o grande motor para a TV. Ele vê o segmento com potencial para mais do que dobrar de tamanho em cinco anos do ponto de vista real, mas diz que se faz necessário investir em equipes comerciais mais parrudas, com capilaridade comercial, com mais representantes no interior de SP e no Nordeste, por exemplo. “A TV aberta tem a competência pela sua capilaridade”, assinala. Tal qual o presidente da Ancine, Manoel Rangel, falara num outro momento, também Paulo Cesar Queiroz criticou o excesso de repetição de programação nos canais. Anunciantes Ana Paula Duarte, diretora de mídia da Unilever, representou a maior anunciante de pay TV do País: em 2014, a Unilever investiu quase R$ 100 milhões nos canais da TV paga, segundo levantamento do Ibope Monitor. Seu entendimento é o de que, como um meio que cresceu muito rapidamente nos últimos quatro anos, existe ainda um tempo até o mercado se adaptar, até perceber como pode trazer retorno para as marcas. Ana Paula indica o trabalho feito junto aos canais com

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diferenciação, com uso de multitelas e conteúdos integrados. Ela acredita que haverá ainda novas opor­ tunidades nos conteúdos on demand das pro­ gramadoras – a empresa trabalha com 25 pro­ dutos diferentes e neces­ sita de diversos canais. Para a executiva da Unilever, a TV paga ajuda a construir a marca, o que é um trabalho de longo prazo. Na sua visão, o meio se viu estancado durante muito tempo para a publicidade porque havia a percepção de se tratar de nicho, um estigma da concentração no público AB. Num momento seguinte, outro executivo da Unilever, o diretor de marketing Marco Frade, disse que tudo na empresa é feito na ponta do lápis, após muitas contas. “O que nos interessa é o tamanho do público”, relata, afirmando que a empresa observa a audiência de massa do meio. “Verificamos que enquanto a audiência da TV aberta cai ano após ano, a TV paga cresce”. Ele diz que a empresa acompanha esta evolução para poder avaliar novos investimentos. Também outros anunciantes detalharam como estão trabalhando nos canais de TV por assinatura para exposição de suas marcas, utilizando as possibilidades em branded content. “Temos falado muito dessa comunicação mais integrada. Não deve ser uma escolha, tem de ser uma premissa”, diz Maria Lúcia Antônio, gerente de publicidade da Fiat/Jeep. Segundo ela, a empresa não entende haver uma ruptura entre a TV aberta e a TV por assinatura, mas sim que há um complemento entre ambas. “E vemos que a barreira entre elas está caindo”. O anunciante ainda prefere a TV aberta para as campanhas de varejo, estabelecendo como premissas na TV por assinatura a

“Temos falado muito dessa comunicação mais integrada. Não deve ser uma escolha, tem de ser uma premissa.”

Entretanto, coube ao Itaú a apresentação que mais mostrou um novo posicionamento de anunciante neste momento de ampla convergência de mídias. A marca, segundo afirmou o superintendente de marketing, Eduardo Tracanella, já considera a si mesma como uma empresa de mídia, sempre em busca de um lugar no coração das pessoas. “A gente atualmente concorre com a timeline das pessoas”, disse, em referência à participação do público nas redes sociais. Para ele, as marcas hoje também querem ser amadas pelos consumidores, daí que muitas partiram para nova concepção em termos de comunicação. Num mundo onde mudou a relação das pessoas com a mídia, “every company is a media company” (toda empresa é uma empresa de mídia), considera Tracanella. Para ele a inflação dos custos de mídia também vem alterando as relações num cenário onde não basta mais apenas ser uma marca, mas onde se tem de se contar uma história. “As marcas podem ser elas mesmas contadoras de história”, diz. Vale lembrar que o banco tem mídias proprietárias, seus canais na internet, salas de exibição de cinema, bicicletas que rodam estampando a própria marca em grandes cidades. Assim, o Itaú dedica forte atenção a conteúdos, com equipe interna que se incumbe de desenvolvê-los - cabe às agências da marca nestes casos a compra de mídia nos veículos. “O consumidor já paga por entretenimento na TV por assinatura; então, ele não vai querer ver os mesmos 30 segundos de comercial da TV aberta”, diz o executivo. O Itaú espera dos canais por assinatura um posicionamento intermediário entre a Internet e a própria TV aberta em termos de formatos. A equipe do

Maria Lúcia Antônio, da Fiat/Jeep

compra de espaços e formatos, como em programação de filmes, por exemplo, além de procurar sempre um envolvimento com a programação. A Fiat exibiu entre outros a ação de product placement virtual desenvolvida em seriado do canal AXN, com a marca sendo estampada em cena, além de participação em reality shows e outros programas dos canais da TV paga. “O maior desafio para o futuro é juntar o meio digital e a TV por assinatura”, arrematou a executiva, sobre as ações nestas mídias. A Riachuelo, que há apenas poucos anos decidiu voltar os investimentos em campanhas de TV, celebrou ações importantes em programação dos canais por assinatura ligados ao universo da moda e comportamento. O gerente de marketing, Daniel Harpaz, enumerou alguns desafios para se trabalhar o meio, como estabelecer uma moeda para se lidar com o varejo, trabalhar com maior frequência e reforçar os projetos especiais. Aliás, neste aspecto a empresa que confecciona e comercializa cerca de 170 milhões de peças de vestuário/ano, vê como vantagens implícitas trabalhar com maior segmentação, com relativos baixos investimentos e com personalização do conteúdo em relação ao posicionamento. A Riachuelo tem como novidade o programa “A Estilista”, uma produção em 13 episódios que estreia em setembro no canal Fox Life sobre a designer de moda Lethicia Bronstein.

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“A gente atualmente concorre com a timeline das pessoas.” Eduardo Tracanella, do Itaú

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( publicidade) “Hoje, a Globosat tem 12 milhões de horas de conteúdo consumidos fora da TV. São 14 canais em simulcast no sistema play.”

possibilidade novas em formatos. “A TV por assinatura evoluiu nos formatos, consegue colocar o anunciante na programação, no enredo de um programa, consegue contextualizar de uma forma efetiva”, assinalou Alexandre Ugadin, Giani Scarin, da Globosat VP de mídia da FCB. Isto, segundo ele, ocorre de forma diferente à de gastronomia: “Isso nunca um simples merchandising. Ainda, tinha acontecido antes”. de acordo com ele, no meio não se Beatriz Mello, diretora de fala mais em impacto, mas sim em pesquisa e insights da qualidade do impacto, no Discovery, disse que “mais engajamento, que é a métrica do importante que a plataforma momento e onde o que vale é estar é o comportamento”. inserido no conteúdo. Segundo ela, todas as programadoras de Em outra sessão, voltada às TV por assinatura estão estudando as análises de pessoas e dividindo os comportamento da insights com o mercado. não se fala audiência, o diretor de Entre os diversos insights mídia da DPZ&T, elencados pela Discovery, mais em Boaventura Junior, disse desta­que para o coviewing impacto, que o momento é de se (pais e filhos assis­tindo juntos mas sim em o novo ou compartilhando um mes­ qualidade do entender consumo da TV. Mas mo conteúdo em diferentes impacto, no lembrou que do lado platafor­mas). A diretora engajamento dos programadores há lembra que em poucos anos questões que ainda não um ponto de audiência na TV estão equalizadas. Entre por assinatura saltou de 100 o que falta, ele enumerou questões mil espectadores para 300 mil. como por exemplo o preenchimento das tabelas ainda ser feito de forma Publicitários manual. “Mas dá para tentar Luiz Ritton, VP de mídia e operações encontrar um avanço porque a da Lew’Lara\TBWA lembrou de vários tecnologia está ai para ajudar”. cases de sucesso na programação na TV E há profissionais querendo por assinatura, em atrações que viraram participar mais do trabalho junto aos febre sem ter exibição paralela na TV canais. Ken Fujioka, diretor de aberta. “Gosto muito de olhar planejamento da Loducca, pleiteou comportamento da audiência”, disse, uma maior participação da lembrando que a relevância do meio já é especialidade nas conversas entre muito evidente para a publicidade, bem veículos e as agências. como sua capacidade para “Há muito conhecimento contar histórias. sobre comportamento Da Talent, o COO João Livi represado nas empresas colocou que também o jeito de e nem sempre os pro­ trabalhar vem mudando, e as fissionais de planeja­ duplas têm sido formadas por mento têm contato. criativos e profissionais de Interessa também ao mídia, pois existem muitas planeja­mento, que atua muito junto à área de mídia, esse contato. “Mais importante Essa aproximação só que a plataforma é o pode trazer bons comportamento." frutos”, assinalou. Beatriz Mello, da Discovery

banco idealizou e encomendou a produção de um filme de 10 minutos para o Dia dos Pais estrelado pelo ex-tenista Gustavo Kuerten, o Guga. A produção foi exibida nos canais pontocom da marca; Tracanella observou que não se tem espaço para este tipo de conteúdo na TV por assinatura. A versão de 3 minutos para o filme, colocada no canal do banco no You Tube, tinha dez dias após sua estreia mais de 2 milhões de visualizações. Canais Do lado das programadoras, a preocupação é divulgar mais os novos números do setor, que são bastante significativos e precisam estar nas mesas dos tomadores de decisão na compra de mídia. A gerente de pesquisa e inteligência de mercado da Globosat, Giani Scarin, analisou que o futuro já chegou ao meio: assistir e baixar vídeos, conteúdos sob demanda, TV online, uso do smartphone. “Tudo isso já acontece na base de assinantes”, assinalou. Mas o grande fato é que o número de horas assistidas em TV paga já é maior que o consumo de TV aberta. Ela também destacou os novos gêneros e novos formatos na TV por assinatura. Para ela, o maior desafio é como entender as métricas. “Hoje, a Globosat tem 12 milhões de horas de conteúdo consumidos fora da TV. São 14 canais em simulcast no sistema play”, relata, lembrando da dificuldade em se explicar tantos novos números. “Isso demanda novas tecnologias de aferição para entender como se medir VOD e TV everywhere”, assinalou. A gerente da Globosat também celebrou o fato de muitos gêneros e atrações da TV por assinatura terem influenciado a grade dos canais da TV aberta, como por exemplo os programas de

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Letícia Cordeiro

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Gigantes em movimento

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Serviços da América Móvil igualarão suas ofertas de canais.

assinantes de TV da operadora. A cobrança da TV pré-paga da Oi será feita, em um primeiro momento, via cartão de crédito, mas a Oi, segundo Dascal, também trabalha no desenvolvimento de um modelo que utilize a recarga do celular. “A pessoa poderá recarregar o celular e depois fazer a transferência para a Oi TV”, explica. O tempo de recarga do produto ainda não foi definido, mas deve haver descontos progressivos no valor do foto: Marcelo Kahn

A

desaceleração da economia brasileira tem produzido efeitos negativos no mercado de TV por assinatura, em especial nas operações de TV via satélite. O DTH, que vinha se firmando em especial na classe C para crescer, sentiu a crise e nos últimos três meses do ano experimentou redução na base de assinantes. Segundo dados da Anatel de junho, a maior queda veio da Claro hdtv, que perdeu 59 mil clientes, seguida da Sky, com queda de 43 mil e da Oi TV, que perdeu 7,5 mil clientes no mês. O presidente da Oi, Bayard Gontijo, disse durante sua participação na ABTA 2015 que a TV paga precisa adaptar sua oferta para continuar crescendo nas classes mais baixas, em especial na classe C. “No cenário macroeconômico muito mais duro nosso papel é ter mais criatividade. Cabe às operadoras assumir o desafio, executar bem, ter eficiência operacional, trazer ofertas adequadas às classes”, diz. Para “navegar esse mar nos próximos dois anos”, Bayard aposta no lançamento de uma oferta de TV pré-paga. O alvo dessa oferta, de acordo com o diretor da Oi TV, Ariel Dascal, são os 500 mil clientes da base Oi TV Livre – pessoas que decidiram comprar a antena e o decodificador da Oi para ter acesso gratuito aos canais abertos em HD. “Funcionaria como o primeiro degrau na escada para trazer esses clientes para a nossa base pagante”, revela Dascal, ao lembrar que esses 500 mil “clientes” não entram na conta do total de 1,2 milhão de

foto: izilda frança

Oi aposta no pré-pago para rentabilizar base de 500 mil domicílios com o Oi TV Livre, enquanto a Claro hdtv usará a capacidade do novo satélite Star One C4 para igualar oferta da Net.

“No cenário macroeconômico muito mais duro, cabe às operadoras assumir o desafio, executar bem, ter eficiência operacional, trazer ofertas adequadas às classes.” Bayard Gontijo, da Oi

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serviço por tempo contratado – por exemplo se por 15 dias, um mês ou três meses. O produto pré-pago já está em testes técnicos acompanhados, mas a data de lançamento permanece em sigilo. Claro hdtv A estratégia da América Móvil Brasil para sua operação de DTH, por sua vez, é igualar a oferta do satélite à da Net Serviços, a operação de cabo do grupo mexicano no País, e assim acelerar a migração da base para a alta definição. A ideia, de acordo com o presidente da América Móvil Brasil, José Felix, é utilizar a capacidade do satélite Star One C4, lançado no

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fotos: Marcelo Kahn

último dia 15 de julho, para melhorar a oferta do DTH e lançar dez novos canais em HD. “Vamos usar o C4 para incrementar a programação da Claro hdtv e torná-la mais competitiva, mais preparada para entrar em áreas nas quais até agora não conseguiu com um portfólio de A a Z que a Net já tem. Vai ter mais canais HD e algumas novidades bem interessantes”, promete Félix, esperando que a estratégia reverta a perda de assinantes dos últimos meses. A Claro hdtv fechou o segundo trimestre de 2015 com redução de 112 mil assinantes da base de DTH. A expectativa do diretor de marketing e produtos para o mercado residencial do grupo América Móvil Brasil, Márcio Carvalho, é de que o C4 comece a operar ainda em setembro. “Serão três novos canais Premiere em HD, que nos garantirão a transmissão de todos os jogos do Brasileirão em HD até o final do ano, além do SporTV 3 HD, também esportivo, e mais seis canais de entretenimento, filmes e séries”, conta Carvalho. Os demais canais são Discovery World HD, Cinemax HD, H2 HD, ID HD e FX HD. Net e Claro hdtv preparam ainda mais de 20 canais HD dedicados às mais de 40 mil horas de transmissões da Olimpíada do Rio de 2016, além de conteúdo on-demand e everywhere para que as competições também possam ser acompanhadas de computadores, tablets e smartphones. Novos produtos e funcionalidades O sucesso do conteúdo infantil na plataforma on-demand da Net Serviços, o Now, levou a operadora a lançar uma versão de TV

“Vamos usar o C4 para incrementar a programação da Claro hdtv e torná-la mais competitiva. Vai ter mais canais HD e algumas novidades bem interessantes.”

ficarão mesmo para o próximo ano. A operadora por enquanto testa velocidades de 500 Mbps no cabo coaxial, utilizando ainda a tecnologia DOCSIS 3.0. “Estamos em testes, mas a tecnologia ganhou ainda mais sobrevida. Hoje chegamos com oferta comercial de José Félix, da América Móvil 300 Mbps e acredito que no próximo ano já será possível chegar com 500 Mbps na casa do everywhere do Now Kids, assinante”, conta Carvalho. A oferta, segmentação esta que já entretanto, exigirá a troca de estava disponível no VOD da modems dos usuários que permitam TV a cabo. De acordo com a utilização de mais canais para Marcio Carvalho, oito em chegar a essa velocidade. Em testes cada dez conteúdos vistos no Now também está a oferta de banda atualmente são para crianças e, apenas larga com capacidade de 10 Gbps no último ano, o volume de conteúdos em fibra ótica diretamente na casa infantis assistidos mais do que triplicou do usuário (FTTH). no Now, cresceu 230%. “Hoje chegamos com “Há um mês, quando net e Gbps na oferta mudamos a interface do claro hdtv 1comercial de FTTH, Now na TV e inserimos preparam mas já estamos imagens dos conteúdos, mais de 20 conseguindo nos testes nossa audiência aumentou entregar 4 Gbps na 30%. É um conteúdo que canais hd tem alta demanda e agora dedicados à fibra. Chegamos na casa com capacidade para 10 vamos levar para outras olimpíada. Gbps, mas os modems telas”, diz. hoje só conseguem O Net Now Kids agora foi agregar quatro portadoras de 1 integrado como uma sessão dentro do Gbps de capacidade cada”, explica. portal online do Net Now (www. “Talvez tenhamos novidade em fibra nowonline.com.br) e dá acesso ilimitado também em 2016”. sem custo adicional a todo o conteúdo infantil do pacote contratado pelo Oi TV assinante. Pelo portal também é possível Tendo na TV o carro-chefe de adquirir novos conteúdos infantis, como sua oferta combinada de serviços, já os disponíveis no over-the-top (OTT) do que reduz em 50% o churn na Oi, a grupo, o ClaroVideo. Para evitar compras operadora aproveitou a ABTA 2015 inadvertidas pelas crianças, entretanto, para adiantar uma série de novas os aplicativos para smartphones e funcionalidades: a tablets, nas versões Android plataforma de TV e iOS, não permitem a Everywhere, a Oi Play, a aquisição de conteúdos. extensão do serviço de Já no produto de banda gravação para as caixas larga, novidades da Net mais simples da OiTV com a utilização de um pendrive, o Pen-VR, e “Há um mês, quando ainda a possibilidade de mudamos a interface realizar compras no do Now na TV e serviço on-demand da inserimos imagens dos operadora. “Já tínhamos conteúdos, nossa audiência a melhor oferta de TV do aumentou 30%.” mercado, com o maior Márcio Carvalho, da Net

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foto: izilda frança

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Oi lançou sua plataforma de TV everywere e a funcionalidade de gravação em caixas mais simples.

foto: Marcelo Kahn

números de canais HD a partir gênero, canal e audiência, com os do pacote de entrada e mesmos conteúdos dos aplicativos. A exclusividade da transmissão da terceira etapa consiste em trazer o portal Globo em HD direto do do Oi Play para dentro do satélite em mais de 3 oi lançará um set-top box da Oi TV, que mil municípios, mas a também como portal de tv funcionaria dinâmica do mercado catch-up, revela o diretor da everywere com operadora de DTH, Ariel agora é não-linear, e curadoria e Dascal. “A ideia é ter os precisávamos do segmentação. conteúdos dos canais on-demand”, avalia o diretor de varejo da Oi, também no formato Bernardo Winik. on-demand para que o assinante possa A Oi Play será disponibilizada ver diretamente na televisão, mas isso em três fases. A primeira é, na vai exigir que a caixa (set-top box) esteja verdade, a possibilidade de conectada à banda larga”, conta. autenticação nas plataformas de TV Segundo Dascal, a expectativa da Oi é everywhere dos próprios canais. Os lançar o Oi Play nos set-tops no primeiro assinantes da Oi TV poderão trimestre de 2016. acessar gratuitamente os conteúdos de 30 canais lineares, desde que já Gravador e on-demand façam parte de seu pacote de TV, A função de gravação de com conteúdo ao vivo e on-demand programas da Oi TV estará no sites das programadoras, pelo disponível para toda a base computador ou por meio de 11 de assinantes a partir de aplicativos para tablets e novembro, mesmo para smartphones. São eles: Telecine Play, Globosat Play, Premier Play (PFC), ESPN Watch, Esporte “Praticamente 70% da Interativo, Sexy Hot Go, Fox Play, nossa base de TV têm Cartoon Go, TNT Go, Space Go e banda larga da Oi em Combate Play. A segunda etapa é o casa e 20% dos clientes lançamento, em outubro, de um têm o modem ao lado portal do Oi Play que terá curadoria da caixa de TV.” de conteúdo, segmentação por Ariel Dascal, da Oi TV

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aqueles que não têm uma caixa com DVR integrado. Basta conectar um pendrive de pelo menos 8 GB de capacidade na caixa mais simples para poder gravar programação da grade, dar pausa ao vivo, realizar agendamentos e acessar lista de conteúdos gravados. O assinante não precisará pagar nada a mais para utilizar o Pen-VR. Interessante notar que a caixa simples da Oi TV custa R$ 10 mensais para o assinante no plano que ele já paga, enquanto a caixa que já tem DVR integrado tem custo mensal de R$ 20 no valor da assinatura. Já o pay-per-view (PPV) para aluguel de filmes da operadora, o Oi Filmes, ganhará a partir de novembro a opção de compra pelo controle remoto. Mas funcionará apenas para as caixas que estiverem conectadas à Internet – a TV via satélite precisa de um canal de retorno para validar as compras pelo controle remoto. O diretor da Oi TV, entretanto, destaca que isso não será um problema. “Hoje praticamente 70% da nossa base de TV (cerca de 1,2 milhão de assinantes) têm banda larga da Oi em casa e 20% dos clientes têm o modem ao lado da caixa de TV”, calcula. O Oi Filmes entrará também como um serviço de NVOD (near video on-demand), com uma janela de três meses da saída em cartaz dos cinemas. Os filmes são enviados pelo satélite e ficarão armazenados nas caixas com DVR da Oi. E esse serviço não precisará de uma caixa conectada. “Se a caixa estiver conectada, o cliente poderá comprar pelo controle remoto, se não, basta comprar pelo telefone”, explica Dascal. A caixa com DVR armazena 30 filmes e a Oi também trabalha para liberar a compra de filmes através de mensagem SMS do celular.

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9e10, novembro de 2015

wtc events center São Paulo, SP

O Fórum Brasil de Televisão agora é TelasFórum. O Fórum Brasil de Televisão chega a sua 16ª edição reformulado e com grandes novidades. O evento agora é parte do Telas - Festival Internacional de Televisão de São Paulo, e passa a ser correalizado pela SPCine, a empresa paulista de apoio ao audiovisual. Venha para o novo TelasFórum, o evento que é um marco no debate e na realização de negócios em produção e distribuição de conteúdos em todas as plataformas. Te esperamos lá!

www.telasforum.com.br

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realização

correalização

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promoção


cobertura

( tecnologia)

Leandro Sanfelice

lean dro@ co nvergeco m .co m .br

A convergência do vídeo

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que ele não precisa deletar um conteúdo para gravar outro. Já para o operador, soluções de Cloud DVR permitem serviços de recomendação avançados “Hoje os serviços OTT estão baseados em sistemas de recomendação conteúdo para conteúdo. Acreditamos que haverá duas novas etapas: primeiro, conteúdo para usuário, com a criação de um perfil para cada assinante, e depois usuário para usuário,

foto: Marcelo Kahn

migração do conteúdo de vídeo para IP, armazenamento em nuvem, o desenvolvimento de redes de distribuição e virtualização foram temas centrais dos debates sobre tecnologia da ABTA 2015, evento promovido pela Converge Comunicações em São Paulo. Em um ano no qual operadores apresentaram números que indicam uma popularização das suas plataformas de VOD e TVE, os principais fornecedores do mercado apresentaram tecnologias capazes de atender uma demanda crescente por conteúdo disponível a qualquer hora e em qualquer lugar. De acordo com Hugo Ramos, CTO da Arris na América Latina, a migração do conteúdo para IP, combinada com tecnologias de virtualização e computação em nuvem, é uma maneira de atender o consumidor com novas demandas. “Há uma mudança de comportamento do usuário. A nova geração quer assistir aquilo que ela quer, quando ela quer, no device que ela escolher. Ela muda o conceito de ter um canal preparado por alguém e dividido em silos – carros, comida, vida selvagem – para algo absolutamente personalizado”, diz.

Dedi Grigoroiu/shutterstock.com

Demanda do consumidor por serviços de vídeo sob demanda e TV everywhere aceleram transição do vídeo para IP e possibilita novos serviços.

Na nuvem Durante a feira, a empresa apresentou sua solução de Cloud DVR, que permite gravar conteúdo em nuvem. Para o consumidor, a novidade representa comodidade, uma vez

“Há uma mudança de comportamento do usuário. A nova geração quer assistir aquilo que ela quer, quando ela quer, no device que ela escolher.” Hugo Ramos, da Arris

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interagindo com as redes sociais. Quando o conteúdo do consumidor está hospedado na nuvem, você tem acesso a informações que permitem avançar nos serviços de recomendação”, diz Ramos. Além disso, seria possível ofertar espaço para o consumi­dor  de forma escalar, sem demandar a atualização dos set-top boxes, e aumentar a janela de receita com publicidade. “Hoje nossas pesquisas mostram que a preocupação do consumidor começa a não ser mais o que gravar e começa a ser o que deletar, porque ele tem muito conteúdo persona­ lizado. Com a nuvem, o operador pode vender esse espaço a mais sem grandes dificuldades. Além disso, como o conteúdo está na nuvem, é possível atualizar a publicidade, fazendo com que seja rentável por mais tempo”, explica o executivo. De acordo com ele, o armaze­ namento do conteúdo possibilitaria atender outra tendência identificada pela empresa – o “download to go”. Para Andrey Lee, consultor de engenharia da Cisco, a demanda por TV everywhere vai acelerar a migração do conteúdo para IP e demandar cada vez mais das redes. Isso, por sua vez, permitirá o desenvolvimento de novos serviços.“Não há dúvida que o vídeo sobre o IP será responsável pela maior parte do consumo de banda nos próximos anos. Os dispositivos estão se tornando cada vez mais individuais e há vários tipos de serviços surgindo. São os serviços de nuvem, por questão de competiti­vidade e para as operadoras adquirirem outras formas de receita”.

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“Não há dúvida que o vídeo sobre o IP será responsável pela maior parte do consumo de banda nos próximos anos. Os dispositivos estão se tornando cada vez mais individuais.”

fotos: daniel ducci

A empresa também apresentou sua solução de Cloud DVR na feira do evento.“Nos Estados Unidos esse serviço já é uma realidade. Com o serviço, é possível levar o conteúdo além do set-top, e o cliente pode gravar e acessá-lo onde quiser e em qualquer dispositivo”, disse Lee.

dobro da eficiência em comparação com as tecnologias atuais. “O 4K e o Ultra HD só existe de forma massificada com o HEVC”, disse Ramos, da Arris. Para Ronaldo Dias, diretor de serviços de compressão da Ericsson, a adoção do Ultra HD passa por evoluções em compressão e produ­ ção. “O HEVC é fundamental, porque consegue comprimir mais o vídeo, e é preciso uma padronização do HDR. Para que o 4K deslanche como serviço, o HDR também é essencial. Inclusive, na nossa visão, o HDR pode ser complementar inclusi­ve no HD, em um momento de transição”.

Andrey Lee, da Cisco

Rede e segurança Para Thiery Martim, diretor executivo e vice-presidente da Nagra na América do Sul, a expansão de serviços multiscreen é uma tendência já consolidada. “Passou do ponto de não retorno, de agora em diante só deve crescer”, avaliou o executivo. O Middleware da fornecedora, OpenTV5, incorpora linguagens de programação da Web, como Java e HTML5, e é adotado no Brasil por Vivo e Net. Segundo o executivo, esses serviços, apesar de não oferecerem valores expressivos de receita até o momento, estão se tornando fundamentais na retenção de clientes, em um cenário em que a concorrência com OTTs puros se torna cada vez mais acirrada. “Não é um serviço que traz grande faturamento mas fideliza e faz parte do que as pessoas querem hoje. A tecnologia para fazer isso não é simples, mas está se tornando mais acessível”. Segundo o executivo, o conteúdo sobre IP é a maneira mais eficiente de atender às demandas por conteúdo personalizado, mas o broadcast ainda desempenha papel importante na massificação de conteúdo. “O IP é muito eficiente para algumas coisas mas muito ineficiente para outras. Na experiência personalizada do vídeo on demand, por exemplo, ele é uma solução muito eficiente. Mas para grandes transmissões ao vivo, com público elevado, o broadcast é insuperável”, afirmou. Na avaliação de Martin, em um

universo com diversas telas e conteúdo trafegando em IP, a segurança se torna ainda mais complexa. “Nesse universo, a parte de back office e investimento em nuvem é mais importante. A logística e a infraestrutura são mais conectadas, mais próximas à estrutura da internet e mais vulneráveis a ataques típicos desse ambiente. Pessoalmente acho que a parte de defesa cibernética será cada vez mais importante no ambiente multi-screen, porque se podem usar técnicas tradicionais de invasão pela internet”, diz.

Tendências No final de julho, a Arris publicou a edição de 2015 do Índice de Entretenimento do Consumidor, pesquisa global que mapeia hábitos do consumidor. OEntre os resultados, constatou-se que uma casa comum tem, em média, seis dispositivos conectados a uma rede Wi-Fi (no Brasil 6,7) e que essa residência usa quase 6,5 horas por semana de um serviço de streaming por assinatura. Além disso, 32% dos entrevistados disseram assistir TV via streaming em diversos cômodos e 54% revelaram interesse em ter Wi-Fi com maior alcance que o atualômodos. Essa demanda contrasta com a baixa qualidade do Wi-Fi, com 63% dos assinantes reportando problemas com suas conexões sem fio. O estudo também aponta para uma demanda maior por consumo de vídeo em dispositivos móveis fora das residências – o TV on the go – principalmente entre os jovens. Entre entrevistados de 16 a 24 anos, a adoção já chega a 72%. O alto custo dos dados móveis é um dos maiores obstáculos à popularização dessa forma de consumo, sendo apontado por 22%

4K Ao lado das soluções de virtualização e IP, o 4K foi um dos destaques da feira. Assim como na edição anterior, televisores com a tecnologia e recursos como o HDR (High Dinamic Range), que permite maior precisão nas cores, exibiam imagens com nitidez muito superior à do HD tradicional. O consenso entre fornecedores é de que o Ultra HD é o próximo estágio na qualidade do conteúdo televisivo. Contudo, há obstáculos conhecidos para sua adoção que permanecem relevantes, principalmente no broadcast. O principal é o consumo elevado de banda que a tecnologia demanda. A massificação da tecnologia dependeria do HEVC, forma de compressão que promete o

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“Pessoalmente acho que a parte de defesa cibernética será cada vez mais importante no ambiente multi-screen, porque se podem usar técnicas tradicionais de invasão pela internet.” Thierry Martin, da Nagra

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( tecnologia) “O HEVC é fundamental, porque consegue comprimir mais o vídeo, e é preciso uma padronização do HDR”.

fotos: daniel ducci

dos entrevistados entre os jovens, esse valor sobe para 35%. A solução, no momento, é utilizar o acesso via Wi-FI mesmo fora das residências, opção adotada por 73% dos consumidores de TV on the go. Contudo, de acordo com o estudo, os consumidores preferem o download ao streaming de conteúdo quando se trata de consumi-lo fora das residências: 72% dos consumidores de download disseram que a possibilidade de baixar conteúdo em um dispositivo é importante para que eles possam assisti-lo mais tarde sem uma conexão à internet.

Ronaldo Dias, da Ericsson

A ideia da empresa é oferecer o serviço a operadoras de DTH que já figuram entre seus clientes e também diretamente para provedores de conteúdo. “São basicamente dois grupos: um cliente DTH nosso que queira ofertar esse serviço ou um produtor de conteúdo como Netflix, HBO ou ESPN que queira ir direto ao assinante para complementar o mercado atendendo quem não tem banda larga. Vemos as duas possibilidades”, explica Pitsch. O serviço, no entanto, não seria igual ao ofertado via Internet. “No caso dos provedores de conteúdo, seria necessário adaptar o serviço. Na Internet, não há muito custo em adicionar conteúdo de pouca relevância em um catálogo extenso. Um serviço como o nosso é voltado para os títulos premium mais acessados, pois o custo em manter canais pouco relevantes é muito elevado”, diz. Além disso, explica Pitsch, trata-se de uma tecnologia direcionada para operações com muitos assinantes. “É um produto que não atende todo o mercado, pois depende de escala – no mínimo entre um e dois milhões de assinantes. Em quantidades menores, tecnologias como o Push VOD são mais econômicas”, explica. O lançamento da nova tecnologia faz parte de uma série de iniciativas que a SES, assim como o mercado de satélites como um todo, vem tomando

O futuro do satélite A SES está desenvolvendo tecnologia para oferecer serviços de vídeo sob-demanda na modalidade de assinatura (SVOD) via satélite. Um protótipo em operação será apresentado na edição deste ano da conferência IBC, em Amsterdã. Segundo Jurandir Pitsch, presidente da empresa no Brasil, os primeiros minutos das obras disponíveis no catálogo do serviço ficarão armazenados no set-top box da solução. Quando o cliente selecionar o conteúdo que deseja assistir, o aparelho usará esses minutos para receber o restante do filme sem delay. Sem depender de conexão banda-larga, a solução foi desenvolvida para atender regiões onde a velocidade média de conexão não suporta vídeos HD em soluções OTT típicas, como o Netflix e até mesmo os serviços de VOD das operadoras. “A empresa pode chegar em 100% do mercado. Hoje levaria décadas para chegar no interior do país, onde as pessoas querem esse tipo de serviço mas não tem estrutura para acesso”, diz Pitsch.

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“Temos grupos que acompanham o avanço desses tipos de serviço e evoluímos nossos serviços para que o satélite consiga acompanhar essa demanda.” Jurandir Pitsch, da SES

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para garantir a relevância do setor no mercado de vídeo, em um cenário onde os serviços OTT e VOD ocupam cada vez mais espaço. “Temos grupos que acompanham o avanço desses tipos de serviço e evoluímos nossos serviços para que o satélite consiga acompanhar essa demanda”, revela Pitsch. Ele cita avanços como a solução Sat-IP, que converte o sinal recebido no satélite para IP, possibilitando a entrega do conteúdo em múltiplas telas, e tecnologias de VOD via satélite, como Push VOD e Near VOD. “Acredito que o satélite se manterá relevante até mesmo no VOD. Estamos desenvolven­ do soluções para entregar esse conteúdo até mesmo em 4K e para grandes quantidades de pessoas”, avalia. Para o executivo, a tendência para os próximos anos é uma convivência entre sistemas OTT e lineares. “Na Alemanha já trabalhamos com sistemas híbridos, nos quais o assinante recebe o conteúdo linear via satélite e conteúdo de catch-up TV pela rede. O que vemos é o assinante cancelando alguns pacotes com conteúdo que pode ser encontrado nos serviços online. Mas para jornalismo e esportes, por exemplo, esses serviços não atendem o assinante e não acredito que isso mude nos próximos anos”, diz. Além disso, ele lembra que a participação do satélite na distribuição de conteúdo vai além das operações de DTH. “Nas próprias estrutu­ ras OTT, o carregamen­ to para as periferias da rede é feito via satélite. No cabo, também, o sinal chega na opera­ dora via satélite. Mesmo nessas novas plataformas, esse vídeo vai passar pelo satélite em algum momento”.

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Diversidade, cultura e entretenimento. 2ª

edição

9a15, novembro de 2015 São Paulo, SP facebook.com/telasfestivaldetv www.convergecom.com.br 0800 77 15 028

realização

correalização

promoção


(mercado)

Bruno do Amaral

b run o@co nvergeco m .co m .br

IPTV para quem pode, DTH para quem precisa

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maneira individual, precisando de um agente agregador, sobretudo para negociação com fornecedores e programadoras. O presidente da Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint), Erich Matos Rodrigues, diz ter dúvidas se não seria melhor oferecer o DTH como um negócio sustentável, e não apenas como argumento de retenção. Ele afirma que há 2,2 milhões de acessos fornecidos por ISPs e, desse

foto: marcelo kahn

ara o pequeno provedor de Internet (ISP), as duas melhores opções para oferecer serviço de TV é por satélite (DTH), que oferece maior cobertura em regiões remotas; e por fibra (com IPTV), infraestrutura que tem se tornado cada vez mais barata e que garante maior capacidade alinhada com estratégia de banda larga. A melhor solução, contudo, está longe de ser unanimidade, e cada tecnologia tem desafios e vantagens. O consultor e ex-CEO da iON TV e da associação de operadores regionais Unotel, Alexandre Britto, defende a utilização do satélite ao justificar que a maior parte dos provedores não pode contar com uma infraestrutura de fibra. Ele explica que ainda há o uso de rádio e que, “a curto e médio prazo, a solução ainda é o DTH”. Britto explica que quando foi aprovada a Lei do Serviço de Acesso Condicionado (SeAC) houve expectativa grande de poder concorrer com grandes operadoras, mas que isso foi “um grande erro”. A sugestão agora é “começar pequeno” para poder competir com um triple-play, “com caixa (set-top) bem baratinha, line-up bem enxutinho”. Na avaliação do executivo, é inviável para um ISP instalar um DTH ou headend de

Tatiana Shepeleva/shutterstock.com

Para pequenos provedores regionais, a escolha de tecnologia para TV depende de cada caso. Satélite é solução imediata, enquanto fibra depende de capacidade de investimento.

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“Recorremos a bancos locais, usamos linha do BNDES para comprar fibra, e é isso que muitos provedores conseguem capitalizar”. Luis Eduardo Martins, da Life

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total, 500 mil seriam de fibra, ou de fibra até o poste. “E o número vem crescendo, já existem clientes registrados na Anatel em 152 cidades atendidas com fibra”, destaca. Carne de vaca A Life, operadora de Marília e mais sete cidades do interior de São Paulo, investe em fibra até a residência (FTTH) e, por meio dessa rede, IPTV em três dos municípios atendidos. O presidente do ISP, Luis Eduardo Martins, explica que houve atropelos no caminho, com pro­ blemas de firmware, atualizações, fornecedores e modelos. “Mas hoje a gente conseguiu amadurecer e temos 1.000% de certeza que acertamos no modelo”, assegura. A companhia tem parceira com a Cianet para desenvolvimento e

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“Financiamento é importantíssimo, mas não estamos parados esperando que isso aconteça”.

de linhas de crédito. A percepção, manifes­ tada durante a ABTA 2015, é de que não há apoio por serem opera­ ções pequenas, exigindo que elas utilizem recursos próprios “na base da porrada”, conforme explica o presidente da Life, Luis Eduardo Martins. “Recorremos a bancos locais, usamos linha do BNDES para comprar fibra, e é isso que muitos provedores fazem, assim que conseguem capitalizar”, explica. Há também grande queixa na hora de financiamento para equipamentos, como o set-top box e modems. “Financiamento é importantíssi­ mo, mas não estamos parados esperando que isso aconteça”, declara Erich Matos Rodrigues, da Abrint. Ele reclama que os ISPs não podem contar com iniciativas como o regime especial de tributação da banda larga (REPNBL). “O Tesouro entendeu que os provedores, que são quase 70% ou 80% participantes do Simples (Nacional, regime de tributação), já tinham incentivo tributário e não deveriam participar. No nosso entendimento, isso é equívoco, porque (o REPNBL) é desoneração na aquisição de equipamentos, não tem tributação diferente”, justifica. fotos: marcelo kahn

fornecimento do set-top box e seu sistema. Martins recomenda o modelo, que utiliza headend compartilhado, para pequenos provedores. “Eles estão construindo rede, vão poder ter serviços de IPTV de qualidade e tenho certeza absoluta de que esse é o futuro”, declara. “Fibra tem se tornado 'carne de vaca' (no universo dos pequenos provedo­res)”, completa. O diretor geral da associação NeoTV, Alex Jucius, concorda: “Hoje os operadores menores compram mais fibra que os grandes, e o fazem com capital próprio em lugares que não trazem interesse econômico para as grandes”. São ISPs que estão com dinheiro para investir e, em vez de procurar expandir o portfólio com TV por assinatura, primeiro implantam fibra para garantir infraestrutura mais à prova de futuro, se possível com fibra até a residência (FTTH). Usam ainda rede alugada, até por haver dificuldade na instalação, como as disputas no aluguel de postes e no direito de passagem. Só que FTTH não significa necessaria­ mente grande adoção do IPTV. “A Anatel tinha expectativa que tivéssemos 200 ou 300 operadores prestando

Erich Matos Rodrigues, da Abrint

(IPTV), mas na NeoTV a gente lançou 15 em dois anos, com mais 20 para lançar”, declara Jucius. As dificuldades passam por custo alto de programação e a falta de experiência em lidar com a Lei do SeAC e com o próprio mercado. “A gente fala para lançar fibra primeiro, porque TV tem menos margem. Primeiro fideliza o assinante, e aí monetiza a fibra lançando TV”, explica. Outra possibilidade sugerida pelo diretor da NeoTV é a de, enquanto não puder ofertar TV linear, tentar parceria com empresas over-the-top (OTT) e capacitar a rede com velocidades finais para que o usuário possa ter esses serviços. Falta de apoio Mas um desafio na hora de apostar nessa infraestrutura é a obtenção

“A gente fala para lançar fibra primeiro, porque TV tem menos margem. Primeiro fideliza o assinante, e aí monetiza a fibra lançando TV”. Alex Jucius, da NeoTV

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( programação)

Edianez Parente

c ar tas.telav iva@co nvergeco m .co m .br

Na onda da audiência

Programadoras se preocupam com altas de custos de conteúdo; canais buscam maior engajamento do público.

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pacotes com canais como Telecine e os de esportes. “O Brasil tem essa capacidade de gerar demandas fora dos pacotes básicos, e isso é um fator a mais de força para o mercado”, assinala. Mesmo com toda a oferta de novas tecnologias na operadora – VOD, TV everywhere etc -, na Net não existe queda de audiência dos canais no modelo de exibição linear, assegurou Rodrigo Marques, diretor executivo de gestão e inovação da operadora. Mas se a audiência não é mais uma preocupação, os desafios que permanecem dizem respeito a, principalmente, custos crescentes de conteúdo. Pecegueiro manifestou especial apreensão com a inflação dos direitos esportivos; do lado do distribuidor, Rodrigo Marques, da Net, assinalou que o cliente final não se mostra disposto a pagar mais. A fala do executivo da Globosat remete à entrada do canal esportivo EI Maxx no cardápio de canais da Turner – o canal conta com os direitos da desejada Champion's League, por exemplo. Ele também se referiu à recente investida do grupo Discovery na Europa na aquisição do canal Eurosports. “Há loucos à solta”, afirmou Alberto Pecegueiro, dizendo que “a Turner entende que para o seu futuro estratégico precisa ter seu canal de esportes. A Discovery já o fez

foto: Marcelo Kahn

mercado de TV paga constata neste ano de retração econômica uma estagnação de crescimen­ to da base. No entanto, há ainda o que comemorar: nunca antes a audiência do conjunto dos canais da TV por assinatura foi tão boa. Questões de mercado, audiên­cia, custos de programação e empa­ cotamento nortearam o debate com dirigentes das grandes players Globosat, Band, Discovery e da maior operadora do País, a Net, na ABTA 2015. “TV paga ou aberta é uma questão de hábito”, afirmou Alberto Pecegueiro, diretor-geral da Globosat, para quem a audiência continuará numa crescente. “Em função do crescimento acelerado dos últimos anos, uma porção significativa da população brasileira passou a estar exposta ao leque de opções. Essa massa entrante não consegue absorver as opções de conteúdo da noite pro dia. Vamos ver a audiência continuar crescendo, porque o hábito demora pra mudar.” Diante deste cenário, o executivo pondera: “Não se pode imaginar que a Globo vai ficar de braços cruzados. O que está acontecendo é um processo que carrega uma certa inércia das novas opções”. De acordo com Pecegueiro, o que dá força ao negócio de TV paga no Brasil é o mercado premium de conteúdos, visto que só por aqui existe uma ampla penetração com

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“O Brasil tem essa capacidade de gerar demandas fora dos pacotes básicos, e isso é um fator a mais de força para o mercado.” Alberto Pecegueiro, da Globosat

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na Europa e a Turner quer fazer o mesmo na América Latina, começando pelo Brasil”. Para ele, o limite é a capacidade de os programadores financiarem a entrada no mercado esportivo. Para Fernando Medín, vice-presidente executivo e diretor-geral da Discovery no Brasil, a aposta do grupo na área esportiva feita na Europa se deu em virtude de uma oportunidade baseada nos elementos de cada país da região. “Na América Latina, a posição é outra, e por enquanto vamos continuar trabalhando com o tipo de conteúdo que temos”. Sobre as altas de custos de programação, Marques, da Net, diz que é preciso levar o cliente ao centro da discussão: “O distribuidor não tem como pagar a conta se os custos estão subindo. O distribuidor tem de investir muito pra fazer o mercado crescer”. Ele lembra que o preço que o consumidor está disposto a pagar está caindo. Neste contexto, com cada novo campeonato com custo mais alto, o mercado não vai crescer, não haverá capacidade para continuar investindo sem retorno. “É uma matemática simples”, resumiu. Fernando Medin assinalou que a operação local da Discovery é muito grande, os canais já passaram a ter produção de on-air aqui. “Estamos no País há mais de 20 anos e seguimos fortes, independentemente dos resultados econômicos do momento”, disse. Os canais também observaram um crescimento nos gêneros de programas que no passado nem eram percebidos como entretenimento em si.

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“O operador não tem como pagar a conta se os custos estão subindo. O distribuidor tem de investir muito pra fazer o mercado crescer”

fotos: Marcelo Kahn

“Documentário não para de crescer”, afirmou. Diego Guebel, diretor que responde pela programação dos canais do Grupo Bandeirantes na TV aberta e TV por assinatura, acha que a lei do SeAC foi dinamiza­dora para o mercado e fez um grande bem para a indústria, no sentido de tornar possível também uma maior localização do conteúdo. “TV aberta e TV por assinatura vão continuar a coexistir”, diz. Além disso, ele assinala que há o fenômeno do long tail no cabo. Para ele, o mercado local não deve se espelhar no modelo da indústria norte-americana. Diante dos custos crescentes, ele avisa: “A conta não fecha(...). As renegociações já começaram”. Segundo Pecegueiro, no mercado de ficção a lei das cotas nacionais também ajudou a subir os custos. Engajamento Os canais melhoraram sua programação porque o público aumentou. E esta maior entrega de grade tem tido muito receptividade do público. Enfim, um círculo virtuoso se formou. No dia-a-dia da programação dos canais, a preocupação agora é com o engajamento e relacionamento com esta “big” audiência. Essas são as palavras mais utilizadas pelos executivos que comandam as áreas dos canais da TV por assinatura, administrando a customização de conteúdos globais ao lado da produção local. Em comum, os programadores mostram que a questão do cumprimento de cotas de produção nacional, tão premente nos anos anteriores, nem soa mais como uma preocupação do setor. Mônica Pimentel, VP de conteúdo da Discovery Brasil, credita o grande crescimento da programadora no mercado – em 2014, os canais cresceram em

aos fãs de celebridades, temas constantes das atrações. Para Zico Goes, diretor de desenvolvimento de conteúdo dos canais Fox (Fox, FX, Nat Geo e Fox Life), “TV é relacionamento”. Segundo ele, a necessidade é de se estar próximo ao público para que haja engajamento entre a programação e as várias audiências. “A audiência não sabe o que quer, nós é que temos de oferecer”, afirma. Obviamente, são as produções internacionais como “Os Simpsons” e “The Walking Dead” que atraem os maiores públicos na programadora, mas o produto nacional também tem sua função de chamar a atenção para o todo dos canais, agregando valor. Assim, Goes cita os locais “Hermes & Renato” (FX), “Mundo Selvagem – com Richard Rasmussen” (Nat Geo), “Lucky Ladies – Funkeiras” (Fox Life) e “Porta dos Fundos” (Fox) como exemplos de programas que mantêm proximidade com seus públicos. Outro lançamento do canal é “O Grande Gonzales”, produção original inédita do mesmo Porta dos Fundos. Programadora 100% nacional na discussão, a Box Brazil ainda busca expandir seus canais (Travel Box, Music Box, Prime Box e Fashion TV) num mercado já consolidado. Segundo Cícero Aragón, diretor geral da Box Brazil, se por um lado a amortização dos investimentos é um desafio para uma programadora sem parceiros internacionais, por outro lado tal condição de empresa independente dá o diferencial que é maior liberdade de grade, o que facilita também as conversas junto a anunciantes. Dos canais, o Music Box, especiali­ zado em som brasileiro, tem feito muitas transmissões de shows ao vivo e tido também grande resposta nas redes sociais.

Rodrigo Marques, da Net

audiência quase o dobro da média da pay-TV no mercado – não somente ao próprio crescimento da base assinante, mas sim a um conjunto de iniciativas tomadas nos últimos tempos, que incluem reestruturação da grade, grande investimento em conteúdos globais e produção nacional, além da valorização de talentos e localização do on-air. Ela também destaca as parecerias desenvolvidas com as redes de TV aberta (SBT, Band e Record) para ter produções locais de formatos internacionais que já estão na programação – como os programas “Cake Boss” e “Masterchef”, por exemplo. A Discovery soma 500 horas/ ano de programação local, e já foram feitas 32 séries nacionais. Elisa Chalfon, diretora de produção da Viacom no Brasil, ressalta o forte trabalho no engajamento do público para os canais jovens da programadora, MTV e Comedy Central, além do infantojuvenil Nickelodeon. “É também um trabalho de curadoria artística, que é capaz de fazer a diferença ao entender para quem se está falando”, diz ela. Os canais dão ênfase às redes sociais, inclusive para captar o público com participação na própria programação. O uso de hashtags para redes sociais têm sido uma dinâmica da programação, e também têm sido feitas promoções junto

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“Estamos no País há mais de 20 anos e seguimos fortes, independentemente dos resultados econômicos do momento.” Fernando Medin, da Discovery

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(canais)

Fernando Lauterjung

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Arte renovada

Arte 1 lança nova grade, com 110 horas de conteúdo nacional inédito. Canal ainda planeja outras 18 séries com recursos do FSA. fotos: divulgação

Com o incentivo do Fundo Setorial do Audiovisual, duas produções independentes já estão em andamento: as séries “Arte Ativa”, da Aiue, que fala sobre arte de rua e intervenções urbanas no Brasil; e “Balé da Cidade”, da Pródigo, que contextualiza a importância cultural da companhia com detalhes inéditos sobre sua construção artística e conceitual. Segundo Luciano Cury, a produção de ficção original está no radar do canal, mas ainda não é possível pelo seu custo. “Talvez possamos ter em algum modelo em parceria com outras canais”, diz.

Canal investe alto em conteúdo sobre dança.

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canal Arte 1, da Band, estreou este mês a sua nova grade de progra­ mação trazendo 11 séries nacionais, com mais de 110 horas de conteúdo, envolvendo produções próprias e coproduções com produtoras independentes. Além disso, outras 18 séries em coprodução estão em gestação, dando entrada para pleitear recursos do Fundo Setorial do Audiovisual, conta Luciano Cury, diretor de conteúdo do canal. Entre os novos conteúdos do canal estão as coproduções “Fotógrafos”, com a GW, “Coreógrafos”, “Arquitetos Brasileiros” e “Design Gráfico”, com a Aiue. Nessas produções, o canal optou por usar recursos próprios para financiar a produção. Segundo Cury, em alguns conteúdos é melhor

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usar recursos próprios, para garantir maior agilidade no lançamento. Outros conteúdos foram realizados com parceiros independentes a partir de um edital da RioFilme: “Tec Art”, com a Indiana Filmes, que mostra como a tecnologia influencia a música no Brasil e no mundo; “Olhar”, com a Maravilha 9, um retrato intimista e poético da arte contemporânea no Rio de Janeiro; e “O Canto dos Exilados”, com a Telenews, que retrata os exilados de guerra que influenciaram a produção intelectual brasileira.

produção de ficção original está no radar do canal, mas ainda não é possível pelo seu custo •

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Produções próprias O Arte 1 também está investindo em produções próprias. Desde o seu início, há dois anos, o canal tem produzido o “Especial Arte 1”, uma série de 26 documentários com entrevistas exclusivas de grandes personalidades da arte e da cultura, que ainda conta com conteúdo inédito e que, segundo Cury, seguirá em produção contínua. Em uma parceria com a exposição “Made by… Feito por Brasileiros”, o canal acompanhou o processo de criação das intervenções artísticas realizadas por artistas nacionais e internacionais no antigo Hospital Matarazzo, em São Paulo. No mesmo ano, o canal fez uma parceria com a Associação Casa Azul, organizadora da Flip – Festa Literária de Paraty -, para produzir o “Sobremesa Flip”, boletins curtos com depoimentos dos escritores convidados. Em 2015, essa parceria foi renovada e ampliada: o Arte 1

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“Max Richter Reinterpreta As Quatro Estações de Vivaldi” está entre os conteúdos musicais licenciados.

Stravinsky”, de Jan Kounen, que retrata o romance proibido entre o ícone da moda e um dos compositores mais importantes do século 20, e os documentários “O Mundo Segundo Anish Kapoor”, de Heinz Peter Schwerfel; “Twiggy – The Face Of The 60's”, de Philip Priestly; e “Kraftwerk – Pop Art”, de Simon Witter e Hannes Rossacher. A nova programação do Arte 1 ganha ainda um acervo especial de dança, com espetáculos do Grupo Corpo, como “Lecuona”, inspirado nas canções românticas do pianista e compositor cubano Ernesto Lecuona, e 30 vídeos curtos com arquivos históricos que relembram os 40 anos da companhia. Outro grande destaque na área de dança é o longa-metragem “Pina”, dirigido por Wim Wenders, um espetáculo que une dança e teatro inspirado no trabalho da bailarina e coreógrafa alemã Pina Bausch, gravado em 3D. O canal traz ainda novidades na área de música, com grandes apresentações como o show solo “Elvis Costello no Baloise Session”; o documentário “John Cage – Experimen­tos Sonoros”; o documentário “O Making Of de West Side Story”; e o concerto “Max Richter Reinterpreta As Quatros Estações de Vivaldi”.

se tornou o canal oficial do evento, produzindo também os vídeos em homenagem a Mário de Andrade, exibidos antes de cada mesa de discussão. Licenciamentos Entre os destaques das novas aquisições estão a série “Sherlock”, da BBC; o documentário “Hugh Laurie – Down By River”, dirigido por John Paul Davidson, que acompanha o ator e músico conhecido pelo personagem House; o longa-metragem austríaco “Amour”, de Michael Haneke, que ganhou o Oscar, o Globo de Ouro e o BAFTA de melhor filme estrangeiro em 2013; e o filme “No”, de Pablo Larraín. Também entram na programação os filmes “A Festa da Menina Morta”, de Matheus Nachtergaele; “O Reino das Fadas”, de Georges Méliès; “Tetro”, escrito e dirigido por Francis Ford Coppola; “O Garoto da Bicicleta”, dos irmãos JeanPierre e Luc Dardenne; “As Neves de Kilimanjaro”, de Robert Guédiguian; e “Coco Chanel e Igor

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( making of )

Lizandra de Almeida

cartas.telaviva@convergecom.com.br

Passeio pela inovação FOTOs: divulgação

Instituto Mauá de Tecnologia usa documentário para divulgar seus cursos.

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sai de laboratórios como se estivesse solta, fazendo um passeio, e chega ao lado externo, sobrevoa o campus. Essas passagens foram cuidadosamente criadas em computação gráfica e composição, para ajudar a conduzir esse passeio e a contar essa história.” A captação das imagens foi feita com câmeras acopladas a dois drones, de tamanhos diferentes. “Nas cenas áreas, usamos um drone maior, com uma câmera mais robusta. Nas internas, chegamos a passar em espaços de apenas um metro. Para isso, usamos o drone menor, com uma câmera menor”, explica a diretora. Segundo Paula, a ideia não era contar a história da instituição em si, mas ressaltar o lado humano dos professores e alunos ao lado do conteúdo técnico forte que a faculdade oferece. Conhecido tradicionalmente por seus cursos de engenharia, hoje o Instituto também oferece cursos de administração e design e também queria ressaltar o intercâmbio entre as três áreas em todos os cursos oferecidos. “Tentamos o tempo todo criar esse equilíbrio, e ao mesmo tempo enfatizar o lado humanista, fazendo perguntas mais pessoais e mostrando o envolvimento de cada um com o próprio campus, que é cercado de verde.”

Instituto Mauá de Tecnologia, tradicional faculdade do ABC Paulista, inovou na comunicação este ano ao criar um documentário para divulgar seus cursos, que se desdobrou em uma série de peças publicitárias para TV e web. Com 7 minutos, o filme se ramificou em quatro pílulas de 2 a 3 minutos e mais uma série de filmes de 30 segundos. O filme apresenta depoimentos de alunos, professores e diretores, além de ex-alunos, que se intercalam com imagens do campus, localizado em São Caetano do Sul, dos laboratórios e das demais atividades desenvol­vidas nos cursos. “Todas as imagens foram captadas no campus, que é muito grande”, conta a diretora Paula Goldman. Para garantir o ar tecnológico esperado pelo cliente – já que a instituição tem como slogan “Onde mentes inovadoras se atraem” – a produção optou por usar o que Paula chama de “câmera fluida”. Entre as cenas, passagens igualmente fluidas transportam o espectador de um ambiente a outro, passando por dentro de objetos. “A câmera entra e

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A captação foi feita com câmeras acopladas a dois drones.

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ficha técnica Cliente Instituto Mauá  de Tecnologia Produto Institucional Agência  Dim & Canzian Chief Creative Officer Michele Dim  D’Ippolito Chief Media Marcio Canzian Officer Diretor de  Samuel Segatelli criação e Bruno Cirello Criação Cristiano Franco e  Márcio Bittencourt Produtora  Cia de Cinema Direção do filme  Paula Goldman Direção de fotografia Andre Martins de Arruda Serra Montagem  Diogo Ekizian Costa Pós-produção  Bitt-Lente Viva Produtora de áudio Estúdio Angels


Sem efeitos especiais Equipe brasileira foi ao Congo para documentar trabalho da Médicos Sem Fronteiras. usar teleprompter, para que a fala da médica brasileira, a pediatra Ana Maria Amorim, ficasse mais espontânea. Em alguns momentos, a gravação precisou parar, porque ela se emocionava com a situação.” Para encerrar o périplo, na véspera da partida Glauco ficou sabendo que não poderia trazer de volta o equipamento, por uma questão de espaço no avião. Teria de ser transportado no dia seguinte. “Havia previsão de chuva e, se a pista ficasse alagada, o avião não teria como decolar no dia seguinte. Enchemos nossas mochilas, pegamos o mais importante, mas felizmente deu tudo certo e no dia seguinte o restante do equipamento chegou.” Até o momento, os filmes dos MSF, que são exibidos principalmente na TV por assinatura, eram feitos com imagens internacionais e a participação de um ator brasileiro gravado aqui, em chroma. Mas com o aumento da Condecine para produções estrangeiras, explica Glauco, a ONG preferiu produzir um filme inédito. A diferença é nítida, inclusive porque a trilha sonora agora também é original. As imagens, por sua vez, podem ser usadas em outros países.

FOTOs: divulgação

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ela primeira vez, uma equipe de produção brasileira se des­ lo­cou até o Congo para filmar o trabalho da ONG Médicos sem Fronteiras (MSF), que leva auxílio médi­ co às regiões mais pobres e conflituosas do planeta. Toda a logística necessária para que a equipe – formada apenas pelo diretor e pelo diretor de fotografia – chegasse ao local onde está instalado o hospital na República Democrática do Congo foi igual à encarada pelas equipes dos MSF, cheia de restrições. “O MSF tem uma logística incrível, eles providenciaram tudo, transporte, hospedagem. Mas é claro que não podíamos estar onde queríamos a qualquer momento, pois tudo é controlado e restrito”, explica o diretor Glauco Kuhnert. As limitações deram o tom de todo o trabalho: desde a quantidade de equipamentos a ser levada até as informações exigidas com toda a precisão. “Além de não podermos levar mais do que 20 quilos de equipamentos, porque fomos em um avião de ajuda humanitária e cada quilo extra representava menos alimentos ou materiais que seriam transportados para o local, ainda tivemos que resolver tudo com muita antecedência”, explica. De Paris, a dupla voou para a região do Zongo, junto ao rio Bangui, perto da fronteira com a República Centroafricana, onde guerras religiosas resultaram em muitos refugiados, que se abrigam em campos atendidos pelos MSF. Todo o trabalho tinha que se desenvolver em sete dias, período entre as viagens do avião. “Era um momento de trégua, mas o clima é sempre tenso”, diz Glauco. “A cada parada, recebíamos um briefing de atualização da situação local. Mas o pessoal do MSF é muito responsável e cuidadoso com a própria equipe, e mais ainda com os visitantes.”

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Limitações deram o tom do trabalho.

Glauco e Bernardo viram a morte de perto em vários momentos, já que as cenas só podiam ser gravadas dentro dos hospitais e locais de atendimento. Só em um momento é que lhes foi permitido gravar no rio, considerado local de mais risco, e mesmo assim só Glauco pôde ir com a equipe dos MSF, que ia fazer um resgate. “As imagens são todas impactantes, desde a chegada do avião à pista de terra, com as crianças correndo em volta, esperando os suprimentos. Mas a situação não permite que nada do país seja filmado.” A equipe ficou alojada em um convento, onde só havia energia quatro horas por dia, graças a um gerador. O hospital era o único local com energia 24 horas e por isso a logística também incluía planejar o carregamento das baterias de câmera e luz e do laptop, além dos back-ups. “Levamos tudo em dobro, por garantia, e foi bom, porque em alguns momentos nos dividimos e conseguimos captar mais cenas”, explica o diretor. “Optamos por não

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ficha técnica Cliente Médicos  sem Fronteiras Agência  Repense Rio Supervisão Octavio Moreira Lima de criação Direção de arte  Júlia Rabelo Produção  Fato Cinema Direção Glauco Kuhnert Direção de fotografia  Bernardo Richter Computação gráfica  Tatiana Kuhnert Montagem Daniele Pimentel Motion designer Tatiana Kuhnert Trilha Fernando Moura Locutor Gustavo Gasparani

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( case )

Leandro Sanfelice

leandro@convergecom.com.br

“Que Horas Ela Volta”

Produção chega ao Brasil após se destacar em festivais e circuitos internacionais.

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FOTO: divulgação

rodução da Gullane em parceria com Africa e Globo Filmes, e com direção de Ana Muylaert, “Que Horas Ela Volta” contou com orçamento de cerca de R$ 4,5 milhões. Quando chegou às salas de cinema do Brasil no dia 27 de agosto, o filme já tinha vendido mais de 200 mil ingressos no mercado europeu. Ao longo do verão no hemisfério norte, a obra estreou no circuito de diversos países, incluindo França, Itália, Espanha, Bélgica, Suíça e Holanda. Em todo o mundo, o longa foi comercializado com distribuidores em 22 países. Em seu currículo, “Que Horas ela Volta” traz ainda premiações em dois dos festivais mais importantes do mundo – Sundance e Berlim. Com atuação de destaque em grandes festivais internacionais e boa recepção da crítica, tornou-se um dos filmes nacionais mais comentados e esperados do ano. “Isso não aconteceu sem querer. Pensamos em fazer o filme acontecer primeiro fora do Brasil para depois chegar aqui. Sempre houve uma intenção de dar a esse filme uma carreira internacional sólida”, diz Fabiano Gullane, sócio fundador da Gullane. Segundo ele, a distribuição internacional das obras é um dos focos da produtora, que já coproduziu com empresas de diversos países, incluindo França, Japão, Itália, Alemanha, Argentina, Espanha e Portugal. De acordo com o produtor, a carreira internacional de “Que Horas Ela Volta” começou em agosto de 2014, quando a obra participou da sessão Carte Blanche do Festival de Locarno, dedicada a filmes em fase

Interpretando Val, Regina Casé recebeu o prêmio de melhor atriz no Festival de Sundance.

de pós-produção. “Já nessa época Sundance sinalizou para nós que gostaria de ver o filme finalizado. Quando enviamos a obra para eles, fomos logo convidados. Em seguida, recebemos o contato de Berlim - e é muito raro um filme ser convidado para dois festivais desse porte”, diz. Para Gullane, estar presente nas seleções oficiais dos festivais foi determinante para o sucesso internacional da obra. “Fora da seleção oficial há milhares de filmes sendo comercializados. Então estar na seleção é uma vitrine que abre muitas possibilidades. Nossa estratégia foi colocar o filme na melhor posição possível dentro dos festivais e negociar com distribuidores de renome para ajudar o filme a ficar grande”, conta. “Que Horas Ela Volta” contou com representação da The Match Factory, agente internacional de obras cinematográficas. Os resultados obtidos no mercado internacional refletem na receita da produção. De acordo com Gullane, a expectativa é que o mercado

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internacional corresponda a quase metade da receita com bilheterias. “Temos uma expectativa de algo próximo a US$ 1 milhão lá fora. Para chegar a esse valor seria preciso vender cerca de 350 mil ingressos, no mínimo”, avalia. No Brasil, “Que Horas Ela Volta” deve estrear em cerca de cem salas. A expectativa dos produtores é vender entre 400 mil e 500 mil ingressos. Segundo ele, a repercussão das premiações internacionais facilitaram o acesso ao mercado exibidor nacional. “O maior desafio hoje é fazer com que o público conheça seu filme, saiba sobre ele. A repercussão dessas premiações chega ao Brasil e, claro, gera interesse – tanto do público quanto dos exibidores”. Sinopse: Depois de deixar a filha no interior de Pernambuco e passar 13 anos como babá do menino Fabinho em São Paulo, Val tem estabilidade financeira mas convive com a culpa por não ter criado sua filha Jéssica. Às vésperas do vestibular do menino, Jéssica pede apoio para vir a São Paulo prestar vestibular.

Ficha técnica

Roteiro:  Anna Muylaert Produção Executiva:  Claudia Büschel Diretor de Fotografia:  Bárbara Alvarez Direção de Arte:  Marquinho Pedroso Montagem:  Karen Harley Produtor:  Fabiano Gullane,  Caio Gullane,  Debora Ivanov, Gabriel Lacerda

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( upgrade )

Fernando Lauterjung

fernando@convergecom.com.br

Gráficos 64 bits

Redução

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Lyric, da ChyronHego, chegou à versão 65. Trata-se de um lançamento significativo, que foi completamente reprojetado no ambiente de 64 bits. Como seu antecessor, o Lyric64 oferece uma única solução para a criação e reprodução de gráficos, incluindo o acesso point-and-click de dados usando a tecnologia Data Object Avançada, da ChyronHego. O Lyric64 inclui uma nova interface de usuário que fornece usabilidade simples e fácil acesso ao seu conjunto de recursos. Além disso, a solução, em termos de resolução, é agnóstica, com suporte para criação e reprodução em proporções fora do padrão e resoluções de 4K e além.

Lyric64 inclui uma nova interface de usuário que fornece usabilidade simples e fácil acesso ao seu conjunto de recursos.

O Platinum IP3 28RU terá a versão com 15RU apresentada em setembro.

HEVC entrelaçado

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Thomson Video Networks apresentou uma versão atualizada do sistema de codificação multitela Vibe VS7000, trazendo capacidades expandidas para codificação de vídeo de alta eficiência (HEVC) - incluindo um novo modo entrelaçado, uma melhoria adicional de 10% no desempenho de compressão, e suporte para multiplexação estatística. Com a atualização, o Vibe VS7000 é a primeira solução a oferecer HEVC e codificação estatística para conteúdo de vídeo entrelaçado incluindo 1080i25/30, 576i25, e 480i30. Segundo a fabricante, a maior parte do conteúdo de vídeo existente hoje está no formato entrelaçado. Com a nova versão, mais essa capacidade é entregue através do HEVC, levando a uma redução nos requisitos de largura de banda pela metade. Projetado para a TV digital, satélite, cabo e IPTV, o novo recurso de multiplexação estatística pode combinar qualquer fluxo codificado

MPEG-2, MPEG-4 AVC, e HEVC em um único pool, se necessário. As implantações do encoder podem ser atualizadas suavemente e facilmente sem a necessidade de mudanças na configuração do hardware.

Vibe VS7000 agora traz um novo modo entrelaçado, com melhoria de 10% no desempenho de compressão.

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Fotos: divulgação

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ma versão compacta do roteador Platinum IP3 28RU, da Imagine Communications, será apresentada pela primeira vez na IBC, que acontece em setembro, em Amsterdã. O roteador terá as mesmas configurações do irmão maior, mas ocupando um espaço de 15RU, permitindo seu uso em aplicações móveis ou mesmo permitindo economia de espaço em estruturas de produção. O Platinum IP3 15RU suporta sinais Ultra High Definition (UHD), o que dá a ele continuidade nas infraestruturas por mais uma geração. O equipamento traz mux/ demux interno, bem como multiviewer e frame sync integrados. O roteador também permite expansão multi-frame sem interferir na operação do on-air. Segundo o fabricante, a distribuição do sinal está garantida porque o roteador protege sinais de áudio, vídeo e multiviewer em uma solução single-frame. As duas versões do equipamento suportam crosspoints redundantes.


( agenda ) SETEMBRO

10 a 15 IBC 2015, Amsterdã, Holanda. Web: www.ibc.org/page.cfm/ link=7. E-mail: sales@ibc.org 18 a 27 Cinemafest - Festival Internacional de Cinema, San Luis Potosí, México. Web: www.cinemafest. com.mx/ E-mail: contacto@cinemafest. com.mx

OUTUBRO

3 e 4 Mip Junior, Cannes, França. Web: www.mipjunior.com

outubro

O Congresso Latino Americano de Satélites reúne anualmente os representantes do governo e dirigentes do setor para discutir e debater as principais questões que envolvem o mercado satelital.

5 a 8 Mipcom, Palais des Festivals, Cannes, França. Web: www.mipcom. com.

15 e 16 15º Congresso Latino-Americano de Satélites, Rio de Janeiro, RJ. www.convergecom.com.br/portal/eventos/satelites. E-mail: inscricoes@convergecom.com.br. Telefone: 0800-7715028.

30 a 7 de novembro Festival Internacional de Cinema de Mar Del Plata, Mar Del Plata, Argentina. Web: www.mardelplatafilmfest.com/29/.

NOVEMBRO      4 a 11 American Film Market, Santa Monica, Califórnia. Web: http://www. americanfilmmarket.com/. E-mail:  AFM@ifta-online.org    

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18 e 19 Festival Internacional de Cinema de Amsterdã, Amsterdã, Holanda. Web: www.idfa.nl/industry/ festival.aspx E-mail: info@idfa.nl

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DEZEMBRO

5 a 15 Festival Internacional de Cinema de Copenhagen, Copenhagen, Dinamarca. Web: cphdox.dk/em. E-mail: info@cphdox.dk

1 a 6 Festival Imagem-Movimento, Macapá, Amapá. Web: www.festivalfim. blogspot.com.br/.

9 e 10

WTC Events Center, São Paulo, SP

Novembro

Ponto de encontro para produtoras, distribuidoras e canais de TV aberta e por assinatura. O Telas Forum é a evolução do Forum Brasil de Televisão, em sua 16ª edição, com foco na realização de negócios e debates de temas relevantes para um público qualificado. 9 a 15 TELAS - Festival Internacional de Televisão de São Paulo, São Paulo, SP www.festivaldetv.com.br. E-mail: inscricoes@convergecom.com.br. Telefone: 0800-7715028. 46

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Revista Telaviva 260 Agosto de 2015  
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