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televisão, cinema e mídias eletrônicas

ENTREVISTA Como o ministro Juca Ferreira vai reestruturar o sistema de formulação de políticas audiovisuais

ano 24_#259_jul2015

FOMENTO SPCine apresenta os resultados de seus primeiros editais de longa-metragem


Foto: arquivo

(editorial ) Presidente Diretores Editoriais Diretor Comercial Diretor Financeiro

Rubens Glasberg André Mermelstein Claudiney Santos Samuel Possebon (Brasília) Manoel Fernandez Otavio Jardanovski

André Mermelstein

andre@convergecom.com.br

20 anos

F

Editor Tela Viva News Redação

Projetos Especiais Arte

Depar­ta­men­to Comer­cial

Inscrições e Assinaturas Marketing Administração TI Central de Assinaturas Internet E-mail Redação E-mail Publicidade E-mail Impressão

oi no distante 1995 que a Converge (então Editora Glasberg) decidiu lançar aquele que seria, salvo notícia em contrário, o primeiro noticiário profissional feito exclusivamente para a Internet no Brasil, o Pay-TV News. Havia outros noticiários online naquele momento, inclusive o Universo Online (UOL), lançado pela Folha de S.Paulo e pela Editora Abril praticamente na mesma época. Mas usavam notícias apuradas para outros meios, como jornais e agências de notícia. As informações do Pay-TV News não estavam em mais lugar nenhum, apenas no site da publicação. Isso gerou algumas situações curiosas. Muitos executivos à época, até mesmo diretores e CEOs de empresas, ainda não tinham um endereço de e-mail. Pediam para receber o noticiário por fax. A Converge teve que fazer parceria com um provedor de Internet (discada!) para fornecer os primeiros e-mails para quem queria ler as notícias. Depois vieram outras publicações, como Tela Viva News, Teletime News, TI Inside online e a mais recente Mobile Time, dedicada ao mundo da mobilidade. A Internet trouxe (vem trazendo) profundas modificações no consumo de mídia e na alocação de verbas. Diariamente cobrimos seu impacto na indústria de comunicação, seja na TV aberta, TV paga, cinema, música. Com a Converge não foi diferente. Se por um lado a tecnologia nos deu uma ferramenta poderosa de comunicação, um meio para prover diariamente notícias que antes eram publicadas apenas uma vez ao mês, também é verdade que, somada a outros fatores de mercado, mudou a equação de receitas publicitárias. Com o tempo fomos obrigados a descontinuar títulos impressos importantes, que foram em sua época referenciais dos mercados de telecomunicações e tecnologia da informação, como as revistas Pay-TV, Teletime e TI Inside. Isso não é “privilégio” nosso. Nos últimos anos temos visto jornais e revistas em todo o mundo se adaptando, revendo seus modelos e criando novas fontes de receita para manterem-se relevantes. Tela Viva, a revista, sobrevive. Não desistimos do projeto de dar ao mercado uma publicação mensal com análises mais elaboradas, matérias mais aprofundadas sobre o setor, entrevistas, cases. Procuramos não fazer o jornalismo de press release que hoje domina o mercado. Mantemos redações próprias, com representações em São Paulo, Rio e Brasília, e cobrimos in loco mais de dez eventos globais ao longo do ano, além dos nacionais. Buscamos ir além da superficialidade, e principalmente da efemeridade das notícias online. Buscamos, ao longo dos anos, novas fontes de receita, como os eventos, para seguir esta jornada. É uma trajetória que nos orgulha, e que esperamos continuar, em qualquer plataforma que continue existindo, da melhor forma que for possível.

André Mermelstein Fernando Lauterjung Leandro Sanfelice Lúcia Berbert (Brasília) Lizandra de Almeida (colaboradora) Samuel Possebon Bruno do Amaral Letícia Cordeiro Edmur Cason (Direção de Arte) Bárbara Cason (Web Designer) Lúcio Pinotti (Tráfego/Web) Wilson Dias (Assistente) André Ciccala (Gerente de Negócios) Patricia Linger (Gerente de Negócios) Iva­ne­ti Longo (Assis­ten­te) Gislaine Gaspar (Gerente) Gisella Gimenez (Gerente) Julia Poggetto (Assistente) Claudia Tornelli Zegaib (Gerente) Marcelo Pressi (Gerente) www.telaviva.com.br assine@convergecom.com.br (11) 3138-4600 telaviva@convergecom.com.br (11) 3214-3747 comercial@convergecom.com.br Ipsis Gráfica e Editora S.A.

Tela Viva é uma publicação mensal da Converge Comunicações - Rua Sergipe, 401, Conj. 605, CEP 01243-001. Telefone: (11) 3138-4600 e Fax: (11) 3257-5910. São Paulo, SP. Sucursal Setor Comercial Norte - Quadra 02 Bloco D - torre B - sala 424 - CEP 70712-903. Fone/Fax: (61) 3327-3755 Brasília, DF Jornalista Responsável: Rubens Glasberg (MT 8.965) Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias publicadas nesta revista, sem autorização da Glasberg A.C.R. S/A

capa: BPTU/shutterstock.com

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Food Network, o único canal de estilo de vida que conecta os telespectadores por meio dos sabores. O canal para quem quer aprender, ensinar, e até se emocionar e se entreter com top chefs.

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bptu/shutterstock.com

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capa

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VOD cresce no Brasil, mas mercado sofre incerteza tributária e regulatória

scanner figuras entrevista

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regulamentação

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mercado

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making of case

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case

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tecnologia

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upgrade agenda

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Juca Ferreira fala sobre a reestruturação no sistema de formulação de políticas culturais e suas propostas de revisão da Lei Rouanet e da legislação de direito autoral

Relator vota a favor da lei do SeAC no Supremo. Decisão pode mudar entendimento de artigos constitucionais. 26

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Modelos de contrato de serviço geram desentendimento entre Siaesp e associação de cineastas. Spcine anuncia primeiros contemplados pelos editais de longa-metragem.

Série sobre rock migra do YouTube para a TV por assinatura

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Nat Geo leva Richard Rassmussen à África, em produção com potencial internacional

Especialistas mostram como as inovações podem ajudar as operadoras de TV paga a reter clientes e aumentar a receita em tempos de baixo crescimento da base.

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Grátis

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Nova Comunidade de Vídeo da América Latina Recentemente posicionado na privilegiada posição 48° Oeste *, o satélite NSS-806 oferece uma expansão da comunidade de vídeo premium do SES-6, na posição 40.5° Oeste. O satélite permite que programadoras, operadoras de TV e instituições governamentais alcancem novas audiências na região. Ambas comunidades de vídeo são vialibilizadas pelo Programa de Antena da SES nas principais programadoras e receptoras de TV por assinatura da região. www.ses.com

e de l -0.5 a ° (47.5 V° Oeste) i v a * Satélite ocupa posição Brasileira 48° Oeste com T offset

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fotos: divulgação

Unidas A Harmonic e a WISI Communications formalizaram parceria para fornecer tecnologia e serviços de distribuição de vídeo via cabo de próxima geração para operadores. As empresas desenvolverão em conjunto um portfólio de produtos baseados em tecnologias como CCAP, DOCSIS 3.1 e arquiteturas de acesso distribuído (Distributed Access Architecture em inglês) com transporte digital via fibra. O novo portfólio inclui tecnologias da WISI como a plataforma óptica de alta densidade Octopus e a plataforma de vídeo WISI Tangram, headend digital de alta densidade para entrega de conteúdo televisivo via redes IP e serviços como VOD, TV conectada, Web TV e soluções OTT. O conjunto se completa com produtos da Harmonic, como as plataformas CCAP, NSG Pro CCAP e NSG Exo, que oferece suporte a arquitetura de rede distribuída.

Ricardo Whately, Binho Holtz e Bidu Madio

Fusão

A produtora Dogs Can Fly incorporou o estúdio de animação Blank. O objetivo é promover o crescimento da produtora e reforçar seu perfil criativo, integrando talentos artísticos ao time de diretores da casa, composto pela dupla DOM (Gabriel Cupaiolo e Levi Vatavuk), Victor Abreu, Renato Jabuka e Ricardo Whately. As empresas já eram parceiras e trabalharam juntas em projetos de publicidade e conteúdo. A Dogs assume o atendimento comercial da Blank, dirigido por Mônica Siqueira e equipe. No último ano o estúdio realizou trabalhos publicitários para marcas como Itaú e Heinz, e deu vida ao mascote da Copa, o Fuleco, produzindo mais de cem animações em 3D. Além disso, os artistas do estúdio foram os responsáveis pela animação de lançamento do livro “The Yellow Book”, com concepção gráfica de Sergio Gordilho, sócio e copresidente da agência Africa. Na área de entretenimento, o estúdio tem atuado criando identidade visual de programas de TV. Assinou o pacote e os efeitos de séries para o canal Nat Geo, como “Missão Pet”, “Mundo Selvagem”, “100 anos de Seleção Brasileira” e “Histórias Extraordinárias”. A Blank também tem atuado em criações de palcos digitais, para artistas como Biquini Cavadão, Sambô, Paulo Ricardo e Toquinho.

Local A AMC Networks International – América Latina anunciou em junho a abertura de escritórios no Brasil. O grupo anunciou ainda a parceria com o canal brasileiro de cozinha Chef TV, o que permitirá à empresa aumentar suas produções originais na região. Localizado em São Paulo, o novo escritório contará com a presença de executivos da empresa em áreas-chave dos negócios de TV paga, incluindo vendas afiliadas, vendas de publicidade e produção de conteúdo. Contará ainda com especialistas para atender aos canais do portfólio da programadora, que inclui AMC, Sundance Channel, elgourmet, Casa Club TV, Film & Arts e Europa Oriental. A parceria com o Chef TV permitirá à AMCNI contar com a equipe do canal para desenvolver produções originais para seus canais voltados para estilos de vida na região. O Chef TV oferece programação composta por 80% de produção nacional e está disponível no Brasil através de plataformas de televisão por assinatura, dispositivos móveis e em seu site www.cheftv.com.br.

Ilja Generalov/shutterstock.com

Nas telas, ao vivo Desde junho a Globosat exibe a programação dos canais GNT, Gloob, Multishow, +Globosat e Bis ao vivo no Globosat Play, serviço de TV everywhere da programadora. O acesso à plataforma é feito pela internet, sem custo adicional aos clientes das operadoras de TV por assinatura parceiras. Para assistir aos canais online, os usuários podem acessar o Globosat Play pelo site da programadora ou através dos aplicativos para iPads, iPhones e dispositivos Android. A autenticação é feita com o nome de usuário e senha previamente cadastrados na operadora de TV por assinatura. Lançado em maio de 2014, o Globosat Play já oferecia a programação ao vivo dos canais GloboNews, Canal Brasil, Viva, Canal Off, Premiere, Combate e dos três SporTVs. Também estão disponíveis sob demanda milhares de vídeos dos canais Globosat.

Na rede O canal Fish TV, que já estava no line-up da Oi TV pelo canal 164 do satélite Amazonas, no canal 164, desde fevereiro de 2014, entra a partir de 1º de agosto também no novo satélite da operadora, o SES 6, pelo canal 177. O canal, especializado em pesca e atividades afins, conta com cerca de 5,5 milhões de assinantes. Além da Oi, tem distribuição pela GVT, Vivo TV, NET Now, operadoras Neo TV, Algar Telecom e iON TV.

Serviço da programadora agora traz os canais lineares ao vivo

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Bandinha

Peter Kotoff/shutterstock.com

Multimídia Os canais Multishow e o Off fecharam uma parceria com o Rdio. Os assinantes da plataforma social de música poderão ouvir as principais faixas musicais dos programas dos canais e acessar listas com as músicas o que seus apresentadores curtem. Em breve, o serviço trará ainda Rdio terá conteúdo mais conteúdos exclusivos e exclusivo dos canais listas temáticas para grandes eventos, como o Prêmio Multishow. Para acessar o conteúdo é preciso criar uma conta e começar a ouvir o Rdio.

Full HD A Record Minas está utilizando tecnologia HD em toda sua operação. A emissora concluiu a atualização da sua infraestrutura em junho. Telespectadores de Belo Horizonte e da região metropolitana agora recebem as imagens com maior qualidade. O projeto incluiu a substituição de câmeras de captação externa e de estúdio, switcher, sistema de edição, central técnica e controle mestre.

Evgeny Karandaev/shutterstock.com

Fliperama De olho na crescente audiência do serviço de streaming de vídeo de games Twitch, o Google anunciou o lançamento do YouTube Gaming, um novo aplicativo e website dedicado exclusivamente aos jogos. Além de agregar conteúdo já disponível no portal tradicional, a ideia é permitir uma “experiência melhorada ao vivo que deixa mais simples fazer broadcast de gameplay ao YouTube”, com um sistema redesenhado (agora não é necessário mais agendar uma transmissão), gravação digital, conversão automática de vídeo e captura em 60 quadros por segundo. Para quem consome os vídeos, haverá facilidades. A companhia vai criar páginas específicas para 25 mil títulos, onde será possível assistir aos vídeos e streamings de cada jogo. O YouTube Gaming também deverá ter canais de publishers de jogos e de criadores do portal de vídeos. O próprio sistema de busca levará em consideração o tipo de conteúdo: as sugestões serão sempre de games. Em post no blog oficial do YouTube, a companhia afirma que o Gaming estará disponível inicialmente neste verão (inverno no Brasil) nos Estados Unidos e no Reino Unido. Youtube terá aplicativo só para conteúdos ligados aos games

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O Brasil mostrou crescimento no primeiro trimestre de 2015, mas ainda apresentou velocidades e penetrações abaixo das médias mundiais no ranking de banda larga fixa realizado pela Akamai. De acordo com o estudo, o País registrou crescimento abaixo de outros latino-americanos, chegando inclusive a cair de posição. Com 3,4 Mbps, abaixo da média mundial de 5 Mbps, o Brasil ficou em 89º colocado no ranking global de velocidade média da banda larga, duas posições abaixo do registrado em junho de 2014. Mesmo com esse resultado, o País viu sua velocidade média crescer 29% no comparativo anual e mesmo 13% no comparativo com o trimestre anterior. Ainda assim, ficou atrás dos latinos Uruguai (6,7 Mbps), Chile (5,7 Mbps), México (4,9 Mbps), Argentina (4,6 Mbps), Colômbia (4,5 Mbps), Peru (4,5 Mbps) e Equador (4,1 Mbps). A Akamai destaca o crescimento de 75% do Chile no período de um ano, além do Peru (64%) e do Uruguai (55%). No primeiro trimestre, o Brasil tinha 31% das conexões com velocidade acima de 4 Mbps, um aumento de 45% no ano. O número é abaixo da média mundial de 63%, deixando a Internet brasileira em 81º lugar. O País ainda mostrou aumento de 132% na quantidade de conexões acima de 10 Mbps, ficando com 2,2% de penetração e garantindo a 67ª posição. Mas também o aumento foi menor do que o de países vizinhos e com melhor colocação, como Colômbia (972%, 4,7% de penetração), Peru (858%, 2,5%) e Chile (723%, 9,1%). No recorte de velocidade acima de 15 Mbps, o Brasil está em 54º, com 0,5% de penetração, aumento de 54%. Destacam-se o aumento de 740% na Colômbia (1,1%) e de 476% do Chile (1,8%). A Akamai não incluiu no ranking regional a penetração de conexões com velocidade acima de 25 Mbps.

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Fonte: Akamai

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Velocidades médias na América-Latina

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( scanner) fotos: divulgação

De volta

“SOS Fada Manu”: recursos do canal, do FSA, BNDS e TV Brasil

Encantado O Gloob estreou em julho a animação “SOS Fada Manu”. Resultado de uma parceria entre Boutique Filmes e a Lightstar, a animação narra as aventuras da aprendiz de feiticeira Manu no Reino Encantado. Munida de seu guarda-chuva, que na verdade é uma varinha mágica, a menina de dez anos tenta resolver os problemas dos habitantes do reino onde mora. “A animação conta a história dessa menina, aprendiz de fada madrinha, que mora em um mundo de faz-de-conta com todos os personagens mágicos, como o Lobo Mau e a Chapeuzinho Vermelho. Ela tem um serviço de SOS para ajudar as pessoas, mas como ainda é aprendiz acaba se atrapalhando em algumas situações”, conta Tiago Mello, produtor executivo da Boutique Filmes. No universo de “SOS Fada Manu”, Cinderela tem um pé gigantesco e não consegue calçar o sapatinho de cristal; Rapunzel é uma princesa negra com dreads no lugar de tranças; o filho do Lobo sofre na mão dos três porquinhos; e o gigante do pé de feijão tem uma gansa que bota ovos de chocolate. “Nossa ideia foi brincar com esse universo e subverter os padrões que normalmente são apresentados”, diz Mello. Com 26 episódios a primeira temporada contou com orçamento de cerca de R$ 3,3 milhões. Os recursos vieram do Fundo Setorial do Audiovisual, do Gloob, do BNDES e da TV Brasil. “SOS Fada Manu” será distribuída na TV paga pelo Gloob e na TV aberta pela TV Brasil. Segundo Mello, uma segunda temporada já está sendo desenvolvida. As vozes dos personagens foram gravadas em estúdio com todos os atores presentes e contracenando. “Esse processo é bem colaborativo. As expressões dos atores acabam guiando a inspirando os animadores. O resultado é mais autêntico”, explica a diretora de som da atração, Melissa Garcia.

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A Viacom Brasil anunciou as três primeiras parcerias com fabricantes locais para o licenciamento da propriedade MTV, desde que a companhia assumiu a marca em outubro de 2013. Por meio do seu departamento de Consumer Products, a programadora licenciou linhas de material escolar e escritório, que estão previstos para chegar às lojas a partir de novembro. A Dermiwill, com sua marca DMW, lança três linhas de mochilas e uma linha de malas para viagem da MTV. Além disso, a fabricante apresenta suas três linhas exclusivas dos personagens Beavis & Butt-Head e traz pelo segundo ano a linha completa de “South Park”, duas atrações tradicionais do canal. Já a Foroni fará a primeira linha de cadernos da MTV contendo agenda, fichário, caderno universitário, caderneta com elástico e refil para fichário. A fabricante também apresenta sua linha de “South Park” com agenda, caderno universitário, fichário e refil para fichário. A MTV no Brasil tem como público-alvo os millennials – jovens principalmente na faixa entre 15 e 30 anos.

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“Hip Hop Brazil”: MV Bill comanda programa no Music Box Brasil

O Music Box Brazil estreou dia 18 de julho, às 22 horas, o “Hip Hop Brazil”, comandado por MV Bill. A produção é da Inova.TV. O programa focado em hip hop e rap nacional. Clipes de todas as vertentes integram a programação, e as atrações passam por uma curadoria antes de irem ao ar. Além disso, o “Hip Hop Brazil” é um espaço para debates relacionados à cultura, ao comportamento e às tendências da cena musical. O programa vai ao ar todos os sábados.

Digital A Sony Pictures Television (SPT) assinou um contrato para adquirir ações majoritárias da IMS Internet Media Services (IMS), empresa que atua com vendas de anúncios e compra de mídia do espaço digital. O contrato foi anunciado por Andy Kaplan, presidente de redes mundiais da SPT, e Gaston Taratuta, diretor executivo, sócio e fundador da IMS. O negócio aguarda aprovação regulatória. Com matriz em Miami, a IMS tem filiais em 11 países na América Latina. Seus atuais parceiros comerciais incluem Waze, Twitter, LinkedIn, Spotify, Crackle, iAds e Foursquare. Taratuta permanecerá como diretor executivo. O diretor operacional Ignacio Vidaguren, a diretora de marketing Maren Lau e o diretor de criação Mariano Roman também seguirão em seus cargos.

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América Latina em 2022

Expansão

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A operadora satelital SES estima que em 2022 a América Latina contará com cerca de mil canais em HD e 50 em Ultra HD (4K). Segundo a operadora, até 2018 o mercado de TV paga tradicional deve chegar à penetração de 53% na região (atualmente é de 40%), enquanto o DTH partirá de 50% para 55% da base. Atualmente, a região conta com 315 canais em alta definição. E a expectativa é que o crescimento seja de 13% ao ano entre 2016 e 2022, aponta a operadora. Fonte: SES De acordo com a SES, outro fator para o aumento da capacidade e do número de canais é a chegada dos grandes eventos esportivos na região, como foi com a Copa do Mundo e será nos Jogos Olímpicos. Apesar do aumento na demanda ser temporário, a operadora aponta que isso justifica o investimento dos clientes em novos equipamentos que incentivam a contratação de novos serviços futuramente.

Canais Ultra HD (4k)

Canais HD

Novas salas Onze portarias publicadas no Diário Oficial da União em julho credenciaram no Recine (Regime Especial de Tributação para Desenvolvimento da Atividade de Exibição Cinematográfica) projetos de construção e modernização de complexos cinematográficos em oito estados brasileiros. O credenciamento vai possibilitar a desoneração de tributos para a construção de dois complexos de salas de cinema – um no município de Paulista (PE), em projeto credenciado pela Rede Cinesystem, e outro na cidade de Rio Grande (RS), em projeto apresentado pela Cinesercla. A Rede Cinesystem obteve também credenciamento para projetos de modernização de 16 de seus complexos cinematográficos. Serão reformados cinco complexos no Paraná (três na capital Curitiba, um em Paranaguá e um em Londrina); quatro no Rio de Janeiro (todos na capital); dois no Maranhão (um na capital São Luiz e outro na cidade de Imperatriz); dois em São Paulo (nas cidades de Hortolândia e Praia Grande); um no Rio Grande do Sul (em São Leopoldo); um em Santa Catarina (na capital Florianópolis) e um no Espírito Santo (no município de Vila Velha).

Internacional O escritório Cesnik, Quintino e Salinas Advogados (CQS), especializado em mídia e entretenimento, está abrindo um escritório nos Estados Unidos. A sociedade, que tem sedes em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, terá sua representação internacional em Beverly Hills, na Califórnia, no mesmo prédio em que funciona o Consulado do Brasil naquele estado. A responsável pela unidade americana será Natália de Campos Aranovich, advogada brasileira especializada em propriedade intelectual, inscrita na Ordem dos Advogados do Brasil e no órgão de regulamentação profissional americano (BAR) como consultora em direito estrangeiro. Natália Aranovich: escritório nos EUA

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Histórica A Companhia Cinematográfica Vera Cruz volta à cena. No dia 23 de junho o prefeito de São Bernardo do Campo (SP), Luiz Marinho, assinou o contrato de concessão por 30 anos à Telem, que terá a responsabilidade de, junto com o poder público, revitalizar e dar nova destinação ao local. O objetivo é que o complexo novamente esteja relacionado às grandes produções audiovisuais do País, transformando a cidade em um polo de produção cinematográfica. Faz parte do contrato a criação de estúdios, salas de pré e pós-produção, estacionamento, teatro, cinema digital, espaço de convivência e o Memorial da Cia. Vera Cruz. O Centro de Audiovisual (CAV) da Prefeitura será transferido para o complexo Vera Cruz e passará a ser custeado pela empresa concessionária, o que vai permitir ampliar sua capacidade de atendimento. Além disso, será criada incubadora de empresas para incentivar e fomentar o setor audiovisual do município.

Recomendações A Universal Pictures lançou um aplicativo exclusivo que enviará notificações sobre os gêneros de filmes favoritos dos usuários. A estratégia é da agência Social Tailors e usa a plataforma Argos, da Superare. No Facebook, o fã de cinema precisa se cadastrar no aplicativo e responder à questão: “Quais desses gêneros você curte mais?”. Já na primeira semana de funcionamento o aplicativo teve mais de três mil inscritos, e o gênero mais procurado é aventura. No Twitter, para receber mensagens diretas em sua conta, o usuário deve seguir o perfil @UniversalPicturesBR e usar a hashtag referente ao filme de que deseja receber notícias. Automaticamente, o seguidor passa a receber notificações sobre o filme. 12

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Operadores de TV por assinatura investiram o equivalente a US$ 15,3 bilhões na compra de settop boxes ao longo de 2014, cerca de 4% a FOI a REDUÇÃO NOS INVESTIMENTOS menos que os US$ 15,9 bilhões de 2013. A queda DAS OPERADORAS representa a primeira contração nesse mercado EM set-tops desde o ano de 2002, de acordo com o estudo Setem 2014 Top Box Market Monitor da IHS. Segundo a empresa, a quantidade de aparelhos comercializados apresentou leve crescimento no ano passado, avançando dos 203,1 milhões de 2013 para 204,7 milhões. Esse crescimento, no entanto, não foi suficiente para compensar a queda nos preços dos equipamentos. A previsão da IHS é que a receita caia para US$ 15,1 bilhões em 2015, seguindo essa tendência até chegar a USS 13,2 bilhões em 2018, quando se estabilizaria. O mercado vive momento favorável desde 2002, com crescimento constante do mercado de TV por assinatura e a adoção de tecnologias como DVR, HD e IPTV. Agora, no entanto, os mercados mais maduros passam por momento de estagnação. Ao mesmo tempo, os países com mercados emergentes não têm apresentado ritmo suficiente de crescimento e demanda por novos serviços para compensar as perdas.

Outros caminhos A Comcast está lançando nos Estados Unidos um serviço de TV OTT. Batizado de Stream, o serviço é direcionado aos assinantes do serviço de banda larga da operadora e traz o conteúdo ao vivo de uma dúzia de canais, incluindo HBO, NBC, CBS, ABC, Fox e CW. Além dos canais lineares, o assinante terá acesso a filmes sob demanda, à possibilidade de acessar o conteúdo fora de casa e ao DVR em nuvem. O Stream estreia no mercado de Boston no final do verão (hemisfério norte), seguindo para Chicago e Seattle. No início de 2016, estará disponível em todo o footprint da Comcast nos EUA.

Faca A BBC anunciou um programa de reestruturação, eliminando mil postos de trabalho. A previsão é que a medida gere uma economia mensal de £ 50 milhões à TV pública britânica. Nos últimos anos, a emissora já reduziu custos, com meta de gerar uma economia de mais de £ 1,5 bilhão por ano até 2017. As medidas de reestruturação incluem uma redução no número de divisões; uma redução no número de camadas da organização; uma redução no número de funções de gestão; e uma simplificação e padronização de procedimentos.

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Kristina Postnikova/shutterstock.com

fotos: divulgação

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Calmaria R7 Play: conteúdo on-demand da emissora

Streaming O conteúdo produzido pela TV Record estará disponível no R7 Play, novo serviço de TV sob demanda oferecido pela emissora. O conteúdo poderá ser acessado através de apps em smartphones, tablets e computadores. Com uma assinatura mensal de R$ 10,90, o cliente poderá assistir à linha de shows, jornalismo, esporte e dramaturgia da Record, além de produções originais. O público poderá degustar gratuitamente o serviço durante 14 dias. A plataforma é uma parceria com o YouTube e estará disponível para todos os sistemas operacionais já a partir do lançamento.

Reforma A Ancine publicou a Instrução Normativa (IN) nº. 121, que altera as obrigações de veiculação de conteúdo brasileiro na TV paga. Pela nova norma, aumenta o período para o “aproveitamento” de uma obra no cumprimento de cotas. Anteriormente, uma obra poderia ser usada por até 12 meses para o cumprimento das obrigações criadas pelo marco regulatório. A partir de agora, o período foi estendido para 18 meses no caso dos canais que devem veicular 3h30 horas semanais de conteúdo brasileiro, 24 meses nos canais que devem exibir 21 horas ou 24,5 horas e para 30 meses naqueles canais que têm a obrigação de veicular 84 horas semanais de conteúdos produzidos no país. Outra alteração diz respeito às reprises. Pela nova regulamentação, T e l a

Com 19,719 milhões de acessos, a TV paga fechou maio com ligeira queda de 0,21% na base de assinantes em relação a abril, segundo dados da Anatel. Foi o segundo mês consecutivo em queda, apesar de ainda se tratar de um aumento de 0,31% em relação ao tamanho da base em janeiro. Com 10,199 milhões de acessos, o grupo América Móvil (Claro hdtv e Net Serviços) é líder isolado do mercado brasileiro, com 51,72% de share, apesar de ter demonstrado queda de 0,25% em relação a abril. A operação de DTH do grupo soma 3,248 milhões de acessos (perda de 52 mil clientes no mês), enquanto a operação de TV a cabo totaliza 6,951 milhões de assinantes (crescimento de 26,9 mil clientes). Em segundo lugar vem a Sky, com 28,9% (5,698 milhões, diminuindo 0,45% a base); a Oi, com 6,04% (1,191 milhão de acessos, recuo de 1,31% na base); GVT, com 4,97% (979,4 mil, aumento de 2,14%); Vivo, com 4,10% (807,6 mil, crescimento de 1,12%); e os demais, que juntos contam com 4,28% (843,2 mil). Considerando-se a fusão da GVT com a Vivo (que em maio ainda não havia sido finalizada), a companhia resultante teria 9,06% do mercado, com 1,787 milhão de conexões. A tecnologia dominante continua share da tv por assinatura sendo a da TV por satélite (DTH), com Sky 11,897 milhões de acessos. O cabo fechou Vivo/GVT o período com 7,685 milhões de conexões. A TV por fibra até a Oi residência (FTTH) Net/Claro ainda registrou 121,9 mil acessos, todos da Outros Telefônica em São Paulo. O MMDS tinha 11,1 mil acessos, e a TVA contava com 3,253 mil acessos. Fonte: Anatel

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pedido de dispensa de envio regular de informações. Outra novidade diz respeito ao tratamento dado às coproduções internacionais para fins de fomento e registro. As mudanças consolidam o entendimento da Ancine de que a obra pode ser utilizada no cumprimento de cotas desde que o poder dirigente e a maior fração dos direitos patrimoniais pertençam a produtoras independentes, seja qual for sua nacionalidade. Além disso, 40% dos direitos patrimoniais da obra devem pertencer a empresa produtora brasileira e a obra deve utilizar para sua produção, no mínimo, dois terços de artistas e técnicos brasileiros ou residentes no Brasil há mais de três anos. A minuta do documento foi colocada em consulta pública, recebendo contribuições do setor audiovisual e da sociedade civil de 4 de novembro a 18 de dezembro de 2014.

cada obra só pode cumprir cota em até três canais de uma mesma programadora. Segundo a Ancine, a medida foi motivada por reclamações de consumidores em relação ao excesso de reprises e pelo princípio da isonomia. De acordo com a agência reguladora, sem a limitação, grandes grupos econômicos responsáveis por vários canais de programação tinham mais facilidade em atender às exigências legais do que pequenas programadoras. Neste caso, o normativo estabelece um período de transição, entre 12 de setembro de 2015 e 11 de setembro de 2016, em que a obra poderá cumprir obrigações em até quatro canais da programadora. No que se refere ao envio de informações à Ancine, diversos procedimentos foram simplificados, especialmente para as pequenas programadoras, que poderão apresentar

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( scanner) fotos: divulgação

Da hora

Realidade A Medialand estreia o programa “Test Drive” e uma nova temporada de “DH – Divisão de Homicídios” nos canais Discovery Turbo e Investigação Discovery neste mês de julho. O doc-reality “Test Drive” acompanha motoristas comuns que dirigem seus carros em pistas de corrida ao redor do Brasil. Com oito episódios, a primeira temporada da atração vai ao ar no Discovery Turbo às segundas. O programa foi filmado em autódromos como o de Interlagos, na capital paulista, a pista de provas de Limeira, no interior de São Paulo. A segunda temporada, com 20 episódios, já está em produção. Já o canal Investigação Discovery está levando ao ar a nova leva de 13 episódios do reality “DH – Divisão de Homicídios”. Nessa terceira temporada, a produção acompanha em tempo real as equipes das polícias de homicídios de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

O SporTV disponibilizou para os usuários do relógio inteligente da Apple, o Apple Watch, uma série de novos aplicativos aos fãs de futebol. Em parceria com a empresa Concrete Solution, 20 apps de diferentes times foram lançados para o wearable. A ideia do app é ser uma extensão da experiência do formato existente para iPhone, que possui 27 aplicativos e foi baixado por 5 milhões de usuários. Na versão para o Apple Watch, os usuários poderão acompanhar notificações de gols e placar atualizado das partidas, por exemplo. Embora o wearable da Apple ainda não tenha sido lançado no Brasil – nos Estados Unidos, o modelo mais barato do relógio sai por US$ 349 –, o canal esportivo da Globosat aposta no uso de múltiplas telas (TV, smartphone, smartwatch e tablet) por seus usuários, comenta o responsável por novas mídias do SporTV, Gustavo Freudenfeld, em comunicado à imprensa. Segundo estimativas da IDC, as vendas do Apple Watch para 2015 devem chegar a 45,7 milhões de unidades.

Raízes O Cine Group entrou na reta final das gravações de “Brasil: DNA África”, que se propõe a investigar a origem dos afrodescendentes e a importância dos africanos na construção do Brasil. O projeto conta com cinco episódios de 52 minutos, baseado em três eixos: o histórico, o cultural e o científico. 150 pessoas de cinco estados brasileiros fizeram testes de DNA para descobrir suas origens. O exame de DNA realizado no programa identifica se a pessoa compartilha a ancestralidade de determinadas etnias africanas. Mais de 220 etnias africanas estão registradas no banco de dados do laboratório responsável pelos testes, o African Ancestry, baseado em Washington (EUA). De cada estado, Rio de Janeiro, Bahia, Maranhão, Minas Gerais e Pernambuco, uma pessoa foi escolhida para visitar seu povo na África. A série documental busca resgatar laços interrompidos pela escravidão. Ao todo, 51% da população brasileira se declara negra ou parda, mas a maioria desconhece sua origem. O primeiro episódio da série documental já está pronto e retrata a visita do baiano Zulu Araújo às suas origens. A consultora de moda Juliana Luna, do Rio de Janeiro, também já gravou sua visita à Nigéria. Ela descende do povo iorubá. O jornalista e poeta maranhense Raimundo Garrone também 14 • • 14

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Série pesquisou a origem de brasileiros afrodescendentes a partir do DNA

viajou com a equipe do programa para o continente africano. Ele é descendente do povo balanta, da Guiné-Bissau. Nesta última etapa, o mestre de maracatu Levi da Silva Lima, de Pernambuco, vai descobrir sua origem. Em seguida, será a vez do músico Sérgio Pererê, de Minas Gerais. O Cine Group já está negociando a exibição de “Brasil: DNA África” com um canal pago no Brasil. O projeto entra em pós-produção em setembro. A produção executiva é de Mônica Monteiro e Luciana Pires, com coordenação de produção de Patrícia Monteiro. O diretor-geral de “Brasil: DNA África” é Carlos Alberto Jr.

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( figuras) Presidente

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Novo sócio

José Félix, até aqui presidente da operadora de TV a cabo, banda larga e telefonia fixa residencial Net Serviços, assumiu a partir de agora a presidência do grupo América Móvil no Brasil. Sob a José Félix presidência do grupo, ficam as três áreas de negócio: residencial, predominantemente com a marca Net, cujo CEO será Daniel Barros (que era COO da Net Serviços); pessoal, com a marca Claro, tendo como CEO Carlos Zenteno (que já ocupava a posição); e empresarial, com a marca Embratel, cujo presidente segue sendo José Formoso. Mas a separação, contudo, se dará não por marcas, mas por serviços, pois a Claro hdtv (DTH do grupo) ficará, finalmente, sob a responsabilidade direta da área residencial, com Daniel Barros.

TV e Branded Content Emerson de Morais assumiu a diretoria de negócios para TV e Branded Content da Sentimental Filme. Ex-Moonshot, Emerson tem passagens pela The Alchemists e New Content, além de experiências com projetos de transmídia e desenvolvimento de propriedade Emerson de Morais intelectual para TV. No currículo, trabalhos para Coca-Cola, Petrobras, Unilever, Bradesco, Vivo, Grupo Telefônica; além de conteúdos para Rede Record, Discovery, GNT e Sony.

Recondução O diretor-presidente da Ancine, Manoel Rangel, foi reconduzido para o cargo de secretário executivo da Conferência das Autoridades Cinematográficas Iberoamericanas (Caci) em mais um mandato de dois anos. A decisão unânime foi anunciada na última semana, durante a 28ª Reunião Ordinária da Caci, no Palácio San Martin, em Buenos Aires. Manoel foi o primeiro brasileiro a ocupar o cargo em Manoel Rangel 2011. Este será seu terceiro mandato à frente da Caci, um organismo multilateral criado em 1989 e responsável por ações de fomento e apoio a filmes realizados nos países membros.

Conteúdo

Internacional A Crash Of Rhinos adicionou à sua equipe de diretores de cena a dupla Alabama – formada pelo brasileiro Pedro de la Fuente e pelo americano radicado na Inglaterra James Worsley – e a argentina Maureen Hufnagel. Os profissionais serão representados com exclusividade no Brasil pela produtora. Baseada em Londres, a dupla Alabama está à frente da produtora Autobahn, fundada por eles em 2012. De lá para cá, os diretores já assinaram trabalhos, ao lado de agências como Across the Pond e Anomaly, para marcas como Google, Samsung, Mercedes e Adidas. Maureen, por sua vez, já atuou como diretora de arte, diretora criativa e head of art em agências publicitárias como Saatchi & Saatchi e Young & Rubicam, além de ter integrado o time de diretores da produtora Berdercine. Em 2009, fundou a Hachiko Films, onde atua desde então, ao lado do diretor Claudio Prestia.

FOTOs: divulgação

FOTO: arquivo

A Sentimental Filme contratou Sergio Sá Leitão. Ele chega à produtora para atuar como sócio na operação de cinema e TV. O profissional é ex-secretário municipal de Cultura do Rio de Janeiro (dezembro de 2012 a janeiro de 2015) e ex-presidente da RioFilme (janeiro de 2009 a janeiro de 2015). Ele deixou a vida pública após 12 anos ocupando cargos no BNDES, MinC, Sérgio Sá Leitão Ancine e RioFilme. Leitão está trabalhando na produção do longa de ficção inspirado no livro “Condenado à Morte”, do jornalista Ricardo Gallo, que será produzido pela Sentimental em parceria com a Querosene Filmes. A obra narra a trajetória de Marco Archer, o primeiro brasileiro sentenciado à pena capital e executado em um país estrangeiro. O filme é do diretor Guga Sander, que detém os direitos do livro. Outros dois longas estão em desenvolvimento já por iniciativa do executivo e a meta da produtora é fechar, em 2016, esses dois projetos em parceria com uma distribuidora ainda em negociação.

A Globosat promoveu Mariana Koehler ao cargo de diretora de conteúdo dos canais GNT e + Globosat. Com 19 anos de casa, a executiva começou no GNT em 1996 como assistente de produção. Desde então, já Mariana Koehler trabalhou como editora de texto, repórter, diretora de programa, coordenadora e gerente de conteúdo. Em 2011, participou da concepção da nova programação do canal. Atualmente, Mariana também é diretora geral do programa “Papo de Segunda”, com Marcelo Tas, Xico Sá, Léo Jaime e João Vicente de Castro.

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James Worsley e Pedro de la Fuente

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A AMC Networks International – Latino America anunciou Edgar Aguiar Rosa como diretor de vendas publicitárias para o mercado brasileiro. O executivo ficará no Brasil e responderá diretamente para Héctor Costa, vice-presidente sênior de vendas publicitárias da AMCNI – Latin America. Edgar tem cerca de duas décadas de experiência em TV paga no Brasil.

A partir da esquerda: Fábio Astolpho, Marcello Costa, Giulia Bianchi, Tarso Soares, Denis Scorsato, Letícia Rodrigues, Guilherme Jahara, Patrícia Medeiros, Suzana Taleb Haddad, Guilherme Almeida e Marcelo Siqueira.

Direção de arte

Edgar Aguiar Rosa

Publicidade e conteúdo

A F.Biz contratou novos diretores de arte para a equipe do diretor de criação Fábio Astolpho, que atende clientes como Kibon, Cif, TRESEmmé, Jameson e Chivas Regal. Respondendo diretamente à Astolpho, chegam na empresa Patrícia Medeiros, ex-Africa; Suzana Taleb Haddad, ex-AlmapBBDO; Letícia Rodrigues, ex-Artplan; Tarso Soares, ex-DM9DDB; e Denis Scorsato, ex-Publicis. No grupo comandado pelos diretores de criação Marcelo Siqueira e Marcelo Torma, que atendem Motorola e Subaru, chega a diretora de arte Giulia Bianchi, ex-AlmapBBDO. Tanto o grupo liderado por Astolpho quanto o grupo liderado por Siqueira e Torma respondem para Jahara.

A Popcorn Filmes anunciou a contratação dos diretores de cena Ivan Abujamra e Vokos. Os novos contratados atuarão na direção de filmes publicitários e em projetos de conteúdo. Abujamra tem seu trabalho estampado em diversas revistas de moda, livros de arte nacionais e internacionais e em exposições de arte, além de comerciais de TV. Ele exerce tripla função no set, como fotógrafo, diretor de cena e de fotografia. Vokos, diretor de cena da Zola nos últimos dois anos, cria obras em diferentes áreas como ilustração, design e direção de arte. Ganhou prêmios da indústria de produção, incluindo dois leões no Festival de Cannes.

Talento

André Godoi e Luis Carone

FOTOs: divulgação

FOTO: Moreno Gonçalves

Publicidade

Ivan Abujamra e Vokos

A Prodigo Films contratou o diretor de cena Luis Carone, profissional com passagens por O2 Filmes e ParanoidBR. Carone também é sócio da Jonathan Post, pós-produtora que atende os mercados de publicidade e cinema. Em 2008 foi considerado um dos 30 talentos do ano pela Revista Boards Magazine.

Nova fase Com a chegada de novos sócios, a Ioiô Filmes passa a se chamar Intro Pictures. Além da fundadora da Ioiô, Simoni de Mendonça, que segue como diretora-executiva, juntam-se o uruguaio Lucas Vivo, sócio da argentina Navajo Films, que assume a direção artística; e o empresário brasileiro Guilherme Campos, que fica responsável pela área administrativa e financeira. Com a nova composição e em novo endereço, a produtora terá como foco principal desenvolver conteúdos para televisão. Vivo traz à empresa uma experiência importante em audiovisual e entretenimento na América Latina. Além de produtor, diretor e roteirista, o profissional foi diretor artístico da Claxson. Com sua produtora, já desenvolveu projetos exibidos nos canais da região da América Latina: MTV, Cartoon

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Network, TBS, Glitz, Space, History Channel, The Walt Disney Company, MuchMusic, Lifestyle TV e Playboy. Simoni, com a Ioiô, tem na bagagem 18 curtas-metragens selecionados e premiados em festivais nacionais e internacionais, e, para a televisão, foi responsável por séries como “Tudo O Que É Sólido Pode Derreter”, programa infanto-juvenil exibido pela TV Cultura, que recebeu o Prix Jeunesse Iberoamericano; “Queda Livre”, em coprodução com a Turner Original Production para o canal Infinito; “Base Aliada”, “Cozinha Prática” e “Descontroladas”, para o canal GNT; além do documentário “Expedição Xingu” para a TV Globo. O empresário Guilherme Campos vem do mercado financeiro. Simoni de Mendonça e Lucas Vivo

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cobertura

( capa ) Fernando Lauterjung

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Ruim com regras, pior sem elas

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serviço de vídeo sob demanda, em todas as variedades de modelos de negócios - por assinatura, transacional, bancado por publicidade, ou um misto das três anteriores - começa a ganhar a escala para torná-lo relevante para todos os elos da indústria de conteúdo audiovisual. A nova janela já representa uma fatia considerável do faturamento de distribuidoras e criou um novo agente no setor, o agregador, que concentra a compra de conteúdos para que as plataformas de VOD, da sigla em inglês video on-demand, não tenham que lidar com um volume tão grande de produtores e distribuidores. O momento é, no entanto, de apreensão para setor, que aponta uma falta de segurança jurídica, sobretudo tributária, para ampliar os investimentos no lançamento de novos serviços e na ampliação do catálogo. Durante o VOD Brasil 2015, evento realizado pela Converge Comunicações em junho, João Worcman, da distribuidora e agregadora de conteúdo Synapse, apontou que 50% da receita da empresa já vêm do VOD, com um aumento de 100% em 12 meses. “Há quatro anos, nosso faturamento vinha 90% do mercado de pay-TV e 10% do VOD. Hoje a proporção é 50% para cada mercado”, diz. Está claro que o papel do VOD nesse mercado deve ganhar ainda mais destaque, com o ganho de escala do serviço e com mais concorrência. Fábio Lima, da agregadora Sofá Digital, concorda que, para o

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bptu/shutterstock.com

Após conquistar escala, setor cobra segurança jurídica, principalmente na questão tributária, para que o VOD possa receber investimentos e se desenvolver no Brasil. Para Ancine, é necessário discutir uma nova lei.

conteúdo brasileiro, as plataformas digitais vão muito bem. Segundo ele, no VOD o conteúdo brasileiro performa melhor do que no cinema. “Talvez por conta do hábito de décadas de conteúdo brasileiro na TV”, especula. Lima aponta que há casos de conteúdos em que a venda está nos três primeiros meses, e depois segue na cauda longa. O mercado também começa a aprender a lidar com essa modalidade de distribuição na hora de definir as janelas de determinado conteúdo, e começa a perceber o impacto que o VOD pode ter sobre os outros serviços. Segundo Fábio Lima, a tecnologia pode

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causar um forte impacto no mercado de direitos de conteúdo. “A gente precisa de tempo para entender se vai mudar ou não. Pode haver uma quebra de paradigma. A Champions League pode decidir não licenciar mais o campeonato e vender um aplicativo próprio, por assinatura, se tiver caixa para isso”, diz. Segundo João Worcman, a plataforma já impacta na audiência dos canais. “Alguns canais que compraram reprises de séries que já estão em serviços de SVOD, acabaram tirando do ar. O canal fica em desvantagem competitiva nesse caso”, diz.

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“Há quatro anos, nosso faturamento vinha 90% do mercado de pay-TV e 10% do VOD. Hoje a proporção é 50% para cada mercado.”

fotos: Marcelo Kahn

Além disso, completa, existe o cord cutting, principalmente entre pessoas que podem viver sem esportes e notícias. No último ano, vimos movimentos de separação na relação programador/ operador. Mesmo operadoras de TV por assinatura já destacam a relevância do VOD. A Net, com o seu serviço Now, é uma das principais plataformas atendidas pelos agregadores no Brasil. Segundo Cristina Bonini, da Net, a plataforma já está recheada de conteúdos. “Saímos de um patamar com pouquíssimos conteúdos para 30 mil, incluindo os diferentes modelos de negócio. Há uma mudança de hábito no consumidor”, disse. O serviço da Net conta com conteúdos de catch-up, por assinatura e transacional. Este ano, conta a executiva, deve ser lançada também a venda de conteúdos no modelo EST (electronic sell thru), pela qual o consumidor compra um título e pode assisti-lo sempre que quiser. Quanto vale? Para realmente se beneficiar da chegada de uma nova janela de distribuição, o produtor e o distribuidor dos conteúdos precisam ter conhecimento do valor do seu produto em cada momento, plataforma, serviço etc. Segundo Gilberto Toscano, do Cesnik Quintino & Salinas Advogados, uma mesma plataforma pode oferecer mais de um modelo de negócios de video on demand. “Comumente, as licenças de conteúdo não especificam todos os possíveis modelos de VOD, se restringindo à plataforma. Isso diminui o potencial de exposição e de rentabilização da obra. No contrato, há a necessidade de explicar cada modalidade de VOD, e não apenas mencionar as siglas, para evitar problemas futuros”, disse.

Dinheiro na frente é o que está mandando. Cada produtor e distribuidor adota a sua estratégia e alguns programadores adotam a estratégia de ter o conteúdo na frente”, diz.

João Worcman, da Synapse

Impasse Apesar das boas notícias, o mercado aponta que chegou a um impasse para o seu desenvolvimento no Brasil. O VOD já conta com uma regra tributária clara, pelo menos em relação à Condecine, a contribuição para o desenvolvimento da indústria audiovisual. O problema é que a regra atual está longe de ser a ideal para o desenvolvimento dessa plataforma de forma a colaborar com os outros elos da cadeia audiovisual. No modelo atual, o custo para ter grandes acervos pode inviabilizar os serviços de VOD, acabando com a possibilidade de explorar a cauda longa e prejudicando distribuidoras e

Ele lembrou que há casos em que um serviço exige exclusividade da plataforma durante determinado período. Segundo Toscano, o assunto não é regulado, cabendo às partes, portanto, negociar. A exclusividade, chamada no meio de hold back, pode ser usada para dar exclusividade a uma janela por algum período. “Há casos em que a plataforma contratante exige o hold back apenas para evitar que seu concorrente tenha o conteúdo em outra plataforma. Isso não é necessariamente ruim, se o produtor/ distribuidor tiver consciência disso no contrato”, explica.

No modelo atual, o custo para ter grandes acervos pode inviabilizar os serviços de VOD, acabando com a possibilidade de explorar a cauda longa produtoras com produtos de catálogo. A plataforma, vale destacar, tem papel fundamental no combate à pirataria de conteúdos e cria novas modalidades de remuneração a toda a cadeia audiovisual. Precisará de regras próprias para existir, talvez até além do ponto de vista tributário, uma vez que é muito diferente da qualquer outro serviço de distribuição audiovisual. Até aí, o setor e a Ancine concordam. Há, no entanto, uma divergência: advogados das plataformas de VOD e a Motion Pictures Association (MPA) apontam que o VOD precisa de uma segurança jurídica, principalmente na questão tributária, para

Para Fábio Lima, da agregadora de conteúdo para plataformas digitais Sofá Digital, o mercado pode se autorregular, na medida em que produtores e distribuidores aprendam quais são os potenciais do seu conteúdo e saibam precificar. “A precificação tem que compensar a perda de eventuais outras receitas que o VOD traz”, diz. Segundo Lima, a tradicional política de exploração do conteúdo por janelas já não é tão rígida. “Hoje, na prática, não existe mais controle sobre janela.

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“Pode haver uma quebra de paradigma. A Champions League pode decidir não licenciar mais o campeonato e vender um aplicativo próprio, por assinatura, se tiver caixa para isso.” Fábio Lima, da Sofá Digital

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( capa ) “No Now, saímos de um patamar com pouquíssimos conteúdos para 30 mil, incluindo os diferentes modelos de negócio. Há uma mudança de hábito no consumidor.” Cristina Bonini, da Net

Ancine vem dando a este mercado é a de “um mercado incipiente”. O setor não vê isso como uma ação segura, pois teme que o Tribunal de Contas da União pressione a Ancine a fiscalizar e cobrar, retroativamente, inclusive. A ação segura, na opinião de um agente do setor ouvido por TELA VIVA, seria dar um efeito suspensivo à Condecine Título do VOD, até que a nova normatização seja criada e tramitada. É importante notar que essa modalidade da contribuição tem “repique”, sendo cobrada novamente a cada cinco anos, daí o potencial em inviabilizar a cauda longa de muitos

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conteúdos. “Não se pode deixar de levar em consideração que o mesmo título já pagou Condecine para a distribuição no meio físico (DVD e Bluray) e, provavelmente, não obteve retorno”, disse Ricardo Castanheira, da MPAA. A Condecine Título é um tributo pago pelo registro de qualquer obra audiovisual que será exibida em qualquer plataforma de distribuição. Essa taxa pode chegar a alguns milhares de reais dependendo do tipo de obra, e para plataformas de vídeo sob demanda o recolhimento da taxa sobre um grande acervo geraria um grande impacto econômico. Segundo a diretora da Ancine, o presente é a aplicação da lei atual. “O grau de segurança não passa por outro caminho a não ser pela

Neutralidade de rede

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o Brasil VOD 2015, a Ancine foi cobrada a ter um papel mais ativo nas discussões sobre neutralidade de rede para buscar regras favoráveis aos serviços de vídeo sob demanda. Ana Luiza Valadares, da BFV Advogados, ex-procuradora da Anatel, afirmou que qualquer plataforma de VOD precisará de uma rede para trafegar e as regras para esse tráfego não estão claras. Segundo Ana Luiza, a Ancine pode brigar pela interiorização também neste mercado, bandeira sempre defendida pela agência reguladora no mercado de salas de cinema. Segundo ela, isso precisa ser feito em trabalho conjunto com a Anatel. Ela aponta que faltam regras claras. “O peering pode ou não ser liberado? Se o VOD tiver que pagar para trafegar em cada rede por onde passa, preparem-se para pagar muito e pedir a arbitragem da Ancine e da Anatel de dez em dez dias”, alertou a advogada. A Motion Picture Association (MPA), que representa os principais estúdios de Hollywood, também cobrou um protagonismo da agência reguladora nesse sentido. Ricardo Castanheira, presidente da associação na América Latina, disse que “a Ancine deve ter papel importante na discussão da neutralidade de rede. É a base de toda a questão.”

fotos: Marcelo Kahn

que possa receber investimentos e se desenvolver e essa segurança é fundamental neste momento. Já a Ancine diz que qualquer regra nova só pode vir com uma nova legislação e que não há nada que se possa fazer até que a norma seja criada, discutida, tramitada e publicada. Durante o seminário, a diretora da Ancine Rosana Alcântara apontou que o atual modelo de Condecine para o vídeo doméstico e outros mercados limita a expansão do VOD. “O atual modelo não é harmônico com as observações que temos feito. Precisamos encontrar um modelo com alíquota objetiva, base de cálculo transparente e com fato gerador de fácil aferição”, disse. “Do ponto de vista tributário, é inequívoco, entendemos que precisa de um marco legal”, completou. Para Felipe Cabral, do Cesnik Quintino & Salinas Advogados, esperar tal marco legal pode ter consequências pesadas ao desenvolvimento do VOD no Brasil. “Já existe uma situação real dos tributos. Uma certa esquizofrenia, na medida em que os segmentos não são regulados. Temos que ter uma base mais sólida para ter condições de entender a natureza jurídica de uma obrigação, para saber qual tributo vai incidir. Precisamos tornar o mercado sustentável hoje, não amanhã. Não há segurança jurídica na condução dos trabalhos”, disse. Marcos Bitelli, do Bitelli Advogados, concorda. Para ele, se o mercado de VOD ainda é incipiente, é por causa da insegurança tributária. “O mercado não se instala não pelo custo Brasil, mas pela instabilidade”, disse. Vale lembrar, algumas plataformas já foram notificadas pela Ancine por conta da incidência de Condecine. Todas apelaram judicialmente e aguardam uma decisão. Desde então a atenção fiscalizatória que a

“Se o VOD tiver que pagar para trafegar em cada rede por onde passa, preparem-se para pagar muito e pedir a arbitragem da Ancine e da Anatel de dez em dez dias.” Ana Luiza Valadares, da BFV Advogados

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( capa ) “Precisamos encontrar um modelo com alíquota objetiva, base de cálculo transparente e com fato gerador de fácil aferição. Do ponto de vista tributário, é inequívoco, entendemos que precisa de um marco legal.”

glossário VOD - vídeo sob demanda. Sigla em inglês da expressão video on-demand. SVOD - modalidade de VOD pela qual o consumidor paga uma assinatura. Sigla em inglês da expressão subscription video on-demand.

Rosana Alcântara, da Ancine

TVOD - modalidade de VOD

pela qual o consumidor paga por transação, como um aluguel de um título. Sigla em inglês da expressão transactional video on-demand.

“A regra da Condecine pode e deve ser mexida através da legislação. Tem outras que podemos trabalhar, mas vai além da Ancine. A agência pode até propor, não estamos desconsiderando”, Mais tributos respondeu Rosana. Segundo a O problema é que a indefinição vali diretora da Ancine, além dos domínios da Ancine. no próximo semestre Para o setor, mexer na a agência deve ter Condecine Título é importante, o conselho Superior do uma proposta sobre mas não suficiente. Fábio Lima, da agregadora de cinema criou um essa legislação. Conforme apurou conteúdos Sofá Digital, que comitê temático TELA VIVA, a questão também participou do evento, permanente para já foi debatida no apontou que enquanto não Conselho Superior de houver uma definição sobre o estudar o vídeo on-demand Cinema. A regulação que é ICMS e ISS, o mercado do vídeo sob demanda não vai andar. “Como é a foi o tema central da primeira Ancine que regula o mercado, deveria reunião ordinária do CSC de 2015. perceber que sem este passo, não dá para No encontro, que aconteceu no dar o segundo. Uma definição jurídica já início de junho, foi sinalizada a ajudaria as empresas a fazer os seus criação de um comitê temático planejamentos. Qual é a definição de VOD permanente sobre o tema, com que vai ser aplicada perante a legislação escopo e resultados ainda a definir. tributária brasileira?”, cobrou. Dado o interesse de vários Marcos Bitelli lembrou que a Ancine já conselheiros em participar do obteve sucesso ao buscar isenções fiscais para os setores regulados por ela com o Recine, regime tributário especial para salas de cinema que isenta os projetores digitais de IPI. construção de uma nova legislação. O caminho é a alteração legislativa. Pode ser pontual ou não. Nossa perspectiva é que seja uma lei enxuta”, diz.

FVOD - modalidade de VOD pela qual o conteúdo é oferecido gratuitamente, normalmente bancada por publicidade. Sigla em inglês da expressão free video on-demand. Cord-cutting - visto com mais força nos Estados Unidos, fenômeno consiste no cancelamento da assinatura de um serviço de TV, que normalmente é substituído pela TV aberta somada a uma ou várias modalidades de VOD. Condecine - Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional. Foi criada na MP 2228/01, que criou a Ancine. Catch-up TV disponibilização, em um ou mais modelos de VOD, do conteúdo recém exibido na programação linear de um canal, permitindo que o assinante recupere um conteúdo que não conseguiu ver no momento da exibição.

fotos: Marcelo Kahn

EST - modelo transacional pelo qual o consumidor compra um título e pode assisti-lo sempre que quiser, embora não tenha uma mídia física. Sigla em inglês da expressão electronic sell thru.

“Não se pode deixar de levar em consideração que o mesmo título já pagou Condecine para a distribuição no meio físico e, provavelmente, não obteve retorno.”

Peering - interconexão

voluntária de redes de internet separadas. São realizadas com o propósito de viabiliziar o trânsito de dados de seus respectivos usuários - como um serviço de “Acelerados”: da web para a TV. VOD e o seumigração assinante.

Ricardo Castanheira, da MPAA

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“O mercado não se instala não pelo custo Brasil, mas pela instabilidade.”

comitê, foi indicado como alternativa o envolvimento de todo o colegiado do CSC no tratamento do assunto. Ao comitê caberá dar continuidade e aprofundamento ao debate com a meta de produzir alternativas regulatórias e de desenvolvimento para o VOD no Brasil. As definições finais sobre esse processo e a distribuição de tarefas serão feitas na próxima reunião. Até lá, a secretaria-executiva do CSC deve cuidar da elaboração de uma proposta e projeto de resolução.

Marcos Bitelli, Bitelli Advogados

• acesso do Estado às informações essenciais; • preservação da experiência do usuário. Já as possibilidades de regulação na promoção do conteúdo brasileiro seriam: • presença do conteúdo brasileiro; • investimento na produção e aquisição de direitos; • proeminência das obras nacionais na disposição do catálogo visualizado pelo usuário. bptu/shutterstock.com

Tributos e algo mais Rosana Alcântara apontou no evento o que a Ancine vem estudando para criar o novo marco legal. Segundo ela, entre os principais desafios estão o estímulo a investi­ mentos e desenvolvimento deste segmento de mercado, criar oportuni­ dade para produtores e programa­ dores que trabalham com conteúdo brasileiro, adequar os serviços às leis, criar uma tributação justa e condizente com o modelo de negócio. Está claro que, para a agência reguladora, não se trata apenas de ter regras tributárias, mas de uma mão mais firme na inclusão e no destaque ao conteúdo nacional nestas plataformas. As premissas para a regulação elencadas por Rosana são: • promoção da diversidade de conteúdos; • foco em catálogos direcionados ao público brasileiro; • estímulo à concorrência entre provedores; • atenção às empresas menores e entrantes; • atenção à concorrência entre o VOD e serviços lineares; • conteúdo gerado por usuário (user generated content) fora da regulação; • necessária adequação às leis brasileiras; • tributação justa e adequada aos diversos modelos de negócio;

O benchmark internacional usado pela Ancine em seus estudos está, principalmente, no mercado europeu. Entre os instrumentos usados para promoção do conteúdo local estão financiamento – com a destinação de um percentual da receita anual, da assinatura ou da transação à aquisição de direitos de conteúdo local, por exemplo – as cotas de conteúdo nacional nos catálogos de VOD e o destaque ao conteúdo nacional nas ferramentas de sugestão de conteúdo destes serviços.

Valor do nicho

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receitas e também um terço do lucro. Esse perfil de conteúdo, diz o executivo, já se remunera mais no VOD do que no cinema, usando o lançamento theatrical apenas para valorizar o produto em outras janelas. Uma parte importante dos acervos das distribuidoras e agregadoras é formada por uma categoria de conteúdos que não encontrava formas de atingir o seu público, formada por conteúdos de

conceito da cauda longa traz algum valor aos conteúdos. Aqueles que não encontravam janelas de distribuição se beneficiam do VOD. Segundo Fábio Lima, da Sofá Digital, os produtos “top”, formados pelas principais bilheterias de cinema, representam apenas 2% da oferta de conteúdos, mas 50% das receitas e um terço do lucro. Já os conteúdos independentes em geral representam 8% do acervo, 25% das

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( capa ) “O Videocamp surgiu com o propósito de conectar o público com o conteúdo que ele quer assistir. No caso, pessoas interessadas em obras capazes de promover o debate de temas de relevância social”

nicho e documentários, por exemplo, que representam 90% da diversidade nas plataformas de VOD, 25% do faturamento e também um terço do lucro. Algumas plataformas se especializam nesse perfil de conteúdo. Durante o Brasil VOD 2015, ficou evidente que o ganho de escala do vídeo sob demanda abriu portas para a disseminação da tecnologia também em mercados de nicho. Sem os blockbusters que mobilizam milhões de pessoas em plataformas como Netflix e sem a variedade do YouTube, projetos desenvolvidos por empresas nacionais estão focando em conteúdo específico e direcionado para seus consumidores. Esses novos players já percebem alguns desafios, além de oportunidades. “O Videocamp surgiu com o propósito de conectar o público com o conteúdo que ele quer assistir. No caso, pessoas interessadas em obras capazes de promover o debate de temas de relevância social”, diz Luana Lobo, sócia e diretora de distribuição híbrida da Maria Farinha Filmes. A produtora e a plataforma Videocamp foram criadas pelo Instituto Alana, dedicado à proteção da infância. Além de reunir obras que abordem temas de relevância social, o Videocamp estimula exibições públicas, com instruções de como promovê-las para os usuários. O produtor pode optar por disponibilizar seu conteúdo para exibições gratuitas ou exigir doações com valor mínimo ou não. “Esses filmes precisam de espaço para se comunicar com sua audiência. Esse espaço é difícil de ser encontrado no circuito tradicional – não apenas no Brasil mas em todo o mundo”, diz Luana. De acordo com ela, o objetivo é

Luana Lobo, da Maria Farinha Filmes

popularizar os conteúdos nas exibições públicas, aumentando a demanda do público. A ferramenta é inspirada na historia da própria Maria Farinha Filmes, que já testou métodos de distribuição alternativa nos seus três primeiros longas: “Criança: A Alma do Negocio”, “Muito Além do Peso” e “Tarja Branca”. Os dois primeiros foram até mesmo distribuídos gratuitamente no YouTube. “Quando terminamos a exibição no circuito tradicional, não tínhamos conseguido levar a mensagem para o número de pessoas que gostaríamos. Foi então que resolvemos arriscar e o resultado foi muito bom, com mais de um milhão de visualizações. Além disso, começamos a receber propostas de plataformas online como a Netflix e de canais para exibir o conteúdo, mesmo com ele disponível gratuitamente. Aconteceu até mesmo algo surpreendente, que foi o público pedir pelos filmes em DVDs, e a caixa que lançamos com os três vendeu muito bem”, conta Luana. O Videocamp ainda possibilita que o usuário ajude as causas abordadas nos filmes com ações simples, como pequenas doações ou compartilhamento do conteúdo. “É uma forma de incentivar o ativismo de sofá, que nesse caso acreditamos ser positivo. Quando termina de ver um filme, a pessoa muitas vezes se sente tocada e quer ajudar, fazer algo,

“Com a popularização do ensino à distância esse mercado cresceu muito, com universidades e outras instituições produzindo vídeos de muita qualidade.” Salustiano Fagundes, da HXD

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mesmo que não tenha muito tempo”, explica a diretora. O novo longa da Maria Farinha FIlmes, “Território do Brincar”, que chegou recentemente aos cinemas, foi lançado na plataforma, ainda com algumas restrições, para preservar a primeira janela. Conteúdo educativo Desenvolvida pela HXD, a plataforma Galileo reunirá conteúdo educativo. “Com a popularização do ensino à distância esse mercado cresceu muito, com universidades e outras instituições produzindo vídeos de muita qualidade”, diz Salustiano Fagundes, presidente da empresa. No entanto, ele diz que grande parte desse conteúdo é difícil de encontrar ou não está disponível em todas as plataformas. “Nossa plataforma, por sua vez, estará disponível nas três lojas de dispositivos móveis – Windows, Apple e Android – e em praticamente todas as marcas de smart TVs”, diz Fagundes. O plano da empresa é lançar a Galileo em novembro, começando pelas smart TVs. O usuário poderá alugar um curso específico por um determinado período de tempo ou pagar uma assinatura que dará acesso a parte do conteúdo presente na plataforma. Existe ainda a possibilidade de assistir gratuitamente conteúdo de branded content. No caso dos conteúdos pagos, os vídeos são licenciados pela HXD junto às instituições que os produziram. “Procuramos adotar

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“Os grandes players do mercado todos estão disputando o mesmo público utilizando os mesmo blockbusters, e nós resolvemos oferecer conteúdo diferente, direcionado.”

modelos bem flexíveis para clientes e produtores, facilitando o acesso ao conteúdo”, explica Salustiano. Segundo ele, o plano é oferecer inclusive cursos certificados por meio da plataforma. “Teremos vídeos que vão desde cursos de curta duração até pós-graduações”.

com um conteúdo completamente diferenciado”, explica Luis Bannitz, presidente da Encripta. A Looke já conta com 12 mil usuários cadastrados e 7,5 mil vídeos em seu catálogo. “Oferecemos conteúdo que muitas vezes não tem apelo para seguir no circuito tradicional de distribuição, mas que têm um público que se interessa por eles. Reunimos todo tipo de conteúdo, mas não conteúdo qualquer – são obras de qualidade profissional, criadas por produtores”, conclui o executivo.

Marcelo Mattar, da Samsung

Entretenimento direcionado O Moony, criação da unidade brasileira da Samsung, é uma plataforma que agrega uma série de canais desenvolvidos para públicos específicos dentro dos aparelhos da marca sul-coreana. “Os grandes players do mercado todos estão disputando o mesmo público utilizando os mesmo blockbusters, e nós resolvemos oferecer conteúdo diferente, direcionado”, diz Marcelo Mattar, diretor de vídeo e mídia da Samsung no País. Os canais podem ser criados por produtores de conteúdo, como a Jovem Pan, ou por agregadores que licenciem conteúdo. Eles são divididos por temas – como infantil, música, esporte e animes. Os donos dos canais podem optar por oferecer os vídeos de forma gratuita, por assinatura ou em vendas transacionais, e têm liberdade para definir o preço. Organizados em uma programação linear, também podem ser consumidos individualmente sob demanda. “O dono do canal conhece melhor seu conteúdo que a Samsung, por isso ele cuida da curadoria, da programação e decide o melhor modelo de negócio para cada vídeo. Adotamos um modelo de revenue share, que varia de acordo com quem negocia os anúncios e o modelo adotado”, explica Mattar. Para desenvolver o Moony, a

Samsung criou uma start-up dentro da sua estrutura – a Media Solution Center. “A Samsung tem seu foco na produção e venda de aparelhos, mas esse é um negócio que tem um amplo ciclo de troca. Chegamos à conclusão que apenas a venda de aparelhos não sustenta o negócio pensando no futuro”, diz o diretor. Em operação no Brasil, o Moony deve chegar ao restante da América Latina em breve. Atualmente, conta com 35 canais e, de acordo com Mattar, a intenção é chegar até 60. “Existe muito conteúdo de qualidade que não chega à Netflix e outras plataformas maiores, focadas em blockbusters caros. Por outro lado, se esse produtor optar por levar o conteúdo ao YouTube, perderá grande parte do seu poder de monetização. Nossa ideia é se posicionar nesse espaço”, conclui. Conteúdo de qualidade que não encontra espaço no circuito tradicional e nas gigantes do mercado de VOD também é o foco da Looke, plataforma desenvolvida pela Encripta que combina aluguel, compra e assinatura de vídeo sob demanda. Seu catálogo inclui lançamentos, filmes de catálogo, conteúdo educacional e até conteúdo de canais de TV tradicionais. “Queríamos desenvolver uma plataforma que oferecesse a maior diversidade possível, mas

Combos A oferta direcionada e diversificada de plataformas VOD esbarra em uma questão inevitável – haveria espaço no bolso do consumidor para tantas opções diferentes de conteúdo? Para os desenvolvedores a resposta é sim, e a solução para isso é apostar em parcerias com marcas, que ofereceriam créditos para consumidores que comprassem seus produtos. Segundo Mattar, da Samsung, o Moony contará com um sistema de vouchers para que o cliente pague pelo conteúdo disponível na plataforma a partir de outubro deste ano. “O usuário poderá ir no supermercado, por exemplo, e se a marca for parceira da plataforma ele ganhará R$ 10,00 em crédito para adquirir conteúdo a partir de um certo valor de compras”, exemplifica. A mesma estratégia será adotada pela Looke já a partir de julho. “Estamos desenvolvendo uma parceria com uma marca específica que funcionará exatamente dessa forma – o cliente compra o produto e ganha acesso a uma determinada quantidade de vídeos”, explica Bannitz.

“Oferecemos conteúdo que muitas vezes não têm apelo para seguir no circuito tradicional de distribuição, mas que têm um público que se interessa por eles.”

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Leandro Sanfelice

Luis Bannitz, da Encripta

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( entrevista)

André Mermelstein e Samuel Possebon, de Brasília

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Modelo em revisão

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foto: arquivo tela viva

m sua segunda passagem pelo comando do Ministério da Cultura (a anterior foi no governo Lula, de 2008 a 2010, sucedendo Gilberto Gil, de quem foi secretário executivo), o sociólogo Juca Ferreira enfrenta desafios ainda maiores, como as restrições impostas pelo ajuste fiscal do governo federal. Mas encontra também uma situação de amadurecimento de várias políticas que foram gestadas em sua primeira passagem e que hoje dão frutos. Nesta entrevista exclusiva, ele fala de suas visões para os modelos de financiamento público da produção e da necessidade de se abrir os olhos para outros formatos de distribuição de conteúdos audiovisuais. TELA VIVA - O ministério pretende propor a renovação dos mecanismos de incentivo da Lei do Audiovisual, que expiram em 2017? JUCA FERREIRA - Sim, não há porque suspender intempestivamente. A experiência do audiovisual (da lei) é positiva, é a área que mais cresceu. A lei das TVs por assinatura (Lei 12.455/11) veio a acrescentar em termos de recursos e área de atuação. Pretendemos dar muita força a jogos e cinema de animação, avançando mais ainda, saindo um pouco do audiovisual em si e pensando na apropriação por parte da sociedade dessa produção. Estamos estreitando por exemplo os laços com o Ministério da Educação e haverá uma demanda de produtos para salas de aulas e que possam ser usados pelas próximas gerações. Temos uma excelente tradição de documentários autorais, mas não temos tradição em documentários de educação, de história, questões variadas.

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Juca Ferreira

Mas isso seria complementar ao que é feito ou substituindo, mudando o foco? Não vamos abrir mão do que já existe, daquilo que já fazemos, será um movimento complementar. Precisamos

“É um escândalo que um filme brasileiro seja retirado de exibição antes de cumprir sua trajetória econômica, mesmo estando às vezes acima da média de público” •

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conquistar mais público para o cinema brasileiro, e é preciso que o país regulamente essa coisa de se ocupar 75% das salas com um único filme estrangeiro. Não sou muito favorável a usar abusivamente a cota de tela, porque ela depende da capacidade de conquista de público e se você exagera para além da capacidade do cinema brasileiro atrair público ficam as salas vazias, não é o que a gente quer. Mas é um escândalo que um filme brasileiro seja retirado de exibição antes de cumprir sua trajetória econômica mesmo estando às vezes acima da média de público. Não temos provas, mas tenho evidências de que os exibidores compram pacotes e acompanhando cada blockbuster há uma lista de filmes carregados e que têm incidência na ocupação. A sala de exibição tem períodos de pico e de menos intensidade e isso precisa ser compreendido. Senão, o cinema brasileiro não avança. Não adianta produzir quase 200 filmes se não é para exibir, para fazer chegar ao público. Isso não é em parte consequência do modelo de fomento que não estimula tanto o diálogo com o público, já que os filmes se pagam na própria produção? É isso, estou inteiramente de acordo. A pergunta traz a resposta. É preciso aprimorar os mecanismos de fomento, que apesar de serem bem sucedidos precisam avançar para que o audiovisual brasileiro vire uma indústria de fato, com público, se auto-financie e não fique pendurado no financiamento a fundo perdido.

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E o Ministério da Cultura vai propor alguma coisa nesse sentido? Prefiro conversar com a categoria e ouvir. Sei que a categoria gosta do modelo atual, é cômodo, mas vou estimular para que a gente saia junto da zona de conforto. Inclusive em relação a buscar outras plataformas de distribuição? A TV até passou a ser mais aceita agora porque a Lei do SeAC abriu um mercado, mas outras plataformas, como Internet, VOD, não são tão exploradas. É isso. Eu diria que as novas gerações de cineastas não tem essa visão preconceituosa a que você se refere. Sinto que já estamos mudando, mas é preciso acelerar esse processo. Precisamos incorporar também um diálogo com o Mercosul, América Latina, países ibero-americanos para criar sistemas comuns de coprodução, exibição... Será bom para o Brasil e outros países como Argentina, Chile e Uruguai que produzem. Se criarmos um mercado comum de exibição, divulgação, coprodução teremos uma potência muito maior do que se pensar apenas no nosso próprio território. A limitação da língua não é desculpa. O cinema americano fez todo esse sucesso no mundo e 90% das pessoas não entendem uma palavra e assistem e gostam. O espanhol e português são línguas irmãs muito próximas. Não é essa a barreira, é a nossa tradição de “encimesmamento”. E pela importância do Brasil cabe a nós o papel de “vanguardiar” esse mercado comum e produção de sistemas de exibição. Que avaliação você faz hoje da Lei do SeAC? Não em termos estatísticos, numéricos, mas em resultados culturais. Eu acho que até pelo privilégio de ter um mercado que fala a nossa língua e não fala as demais, a gente deveria ter um público maior. A gente deveria melhorar o padrão dos roteiros, melhorar a linguagem

estratégia, incluindo a produção de conteúdos para essa área.

cinematográfica. Os cineastas, diretores, roteiristas deveriam ter maior preocupação com conquista de público. Não sou uma pessoa satisfeita com o nível que a gente chegou. Podemos chegar muito mais longe e ter um cinema que conquiste público não só aqui como lá fora. O Brasil é um país que interessa, veja as propostas que recebemos de parcerias, de festivais, intercâmbios, são muitas. Nos acomodamos em um certo patamar.

A nossa estrutura legal e regulatória, de fomento, precisa ser ajustada para isso? A Ancine tem que ser repensada para isso? Uma das coisas que eu encontrei e eu acho que foi uma perda nesses últimos anos em que estive fora (do MinC) foi o esvaziamento da Secretaria do Audiovisual (SAv). Há um desequilíbrio. A Ancine tem um papel mas ela não consegue abarcar todas as funções. Esse desequilíbrio nos colocas prisioneiros do modelo existente, uma vez que a agência é uma estrutura de operação. Se não houver uma reflexão sobre essas operações e sobre o conteúdo que está sendo produzido não avança. Estamos em processo de constituir um sistema do audiovisual, dentro do Ministério da Cultura, em que a agência terá um papel, a SAv terá outro papel, a Cinemateca voltará a ter seu papel de preservação de memória e o CTAV precisa redefinir seus objetivos no momento em que o digital já é infinitamente mais importante. Então, quero fazer isso junto, criar um sistema compartilhado, onde teremos que rever as políticas, abrir novas fronteiras, repensar os mecanismos atuais. Pouca importa a opinião do ministro, o mais importante é que seja um debate aberto em que cineastas, produtores e todos aqueles que fazem parte da cadeia atual e das futuras participem. A reconstituição da política do audiovisual não precisa ser traumática, pode ser uma reflexão conjunta de produtores, investidores, poder público e toda a área.

Mas e especificamente no caso da produção para a TV? No caso da TV, a produção mal está começando. Ela explodiu com a lei, mas é o começo. Quando a lei começou, lembro que havia apenas duas atitudes em relação a ela na área do cinema: ou eram contra ou eram indiferentes. Poucos perceberam a potência da lei que se estava tentando viabilizar. Agora acordaram e perceberam que se abriu uma porta gigantesca para a produção audiovisual, mas é uma

“A Internet hoje é o principal espaço cultural do mundo. Se não formos capazes de entender isso e produzir para ela, dificilmente a gente vai dar certo” linguagem diferente, o ângulo é diferente, e a gente está mal começando. Ainda não podemos dizer que o caminho foi encontrado. Na sua primeira gestão havia uma tentativa de integração maior entre a área de cultura digital e a área audiovisual, mas isso nunca aconteceu de fato. Como se junta esses dois mundos? Junta porque a Internet hoje é o principal espaço cultural do mundo e tem incidência em todos os países. Se não formos capazes de entender isso e produzir para a Internet, dificilmente a gente vai dar certo. Tenho visto que alguns gestores privados e públicos fora do Brasil ficam surpresos com a ênfase que a gente dá para salas de exibição, que é um espaço que na verdade está condenado a ser substituído por outros. É preciso toda uma

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Isso está combinado com a Ancine? Estamos combinando. Eu sou do diálogo, prefiro construir processos onde todos tenham a possibilidade de participar e defender seus pontos de vista. Eu pouco uso o meu poder de ministro para impor políticas. O Conselho Superior de Cinema terá que papel nesse novo sistema?

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( entrevista) Tem um papel importante de referendar, levantar questões, mas há um sistema que precisa funcionar até para ele ter insumos e referências. O Conselho já foi reativado, trouxe uma série de questões, a questão do digital, das novas fronteiras de produção, do processo da Lei do SeAC nos tribunais. O primeiro encontro foi muito bom, mas foi mais para atualizar as questões. Mas ele não tem condições, até estruturais, de produzir políticas. Isso tem que ser feito em um processo mais amplo, não apenas nos gabinetes oficiais. Nós temos um papel a propor, os produtores terão um papel, a área digital tem algo a propor, as TVs têm um papel. Queremos criar um sistema que seja uma reflexão em conjunto, envolver outros ministérios, Comunicações, Educação, para buscar materiais didáticos audiovisuais. Morei dois anos fora, e já havia morado 12 anos fora, e tenho convicção que estamos muito atrasados na questão do papel que os conteúdos audiovisuais podem ter na educação. A EBC tem que papel nesse sistema? Acabei de vir da Secretaria de Comunicação (Secom) e eles estão refletindo sobre como desdobrar essa experiência da EBC. Não discutimos a questão da vinculação (ao MinC). Eu acho que houve um erro na modelagem da EBC, e essa é uma opinião minha. Aquele processo que desenvolvemos nos seminários sobre TV pública formatou de forma bastante avançada o que seria o futuro da TV pública. Mas aquilo não foi considerado na formação da EBC. E eu acho que as dificuldades que ela encontra estão muito ligadas à falta de um projeto cultural consistente e amplo e com uma força cultural para que a produção, a ocupação da grade, tenham uma lucidez maior em relação ao papel da TV pública no século 21. Como anda a relação do ministério com a Ancine? É boa. Eu gosto do Manoel Rangel, ele é um bom quadro, há um avanço

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“A SAv poderia coordenar esse processo político de reformulação das políticas audiovisuais, modernização, avanços, de maneira harmoniosa com a Ancine” enorme. Me surpreendi positivamente com a implantação do Fundo Setorial do Audiovisual. Na minha primeira gestão (no MinC) o fundo era uma cacofonia, uma dificuldade de entendimento do setor, e hoje há uma base, ninguém questiona o funcionamento, a lisura. A crítica que eu tenho ouvido, e me parece que os críticos têm razão, é a questão da burocracia excessiva e a necessidade de funcionar no timing que a atividade exige. Estamos acordados com a Ancine de que vamos rever os procedimentos para melhorar isso. A Secretaria do Audiovisual participaria disso? Ela deve participar. Quero montar esse sistema em que a SAv terá um papel importante, a Ancine terá um papel importante. A SAv poderia coordenar esse processo político de reformulação das políticas audiovisuais, modernização, avanços, e acho que isso pode ser feito de maneira harmoniosa com a agência. Há a expectativa de algumas pessoas que estão no frontline com a Ancine de uma coisa traumática. Uma das coisas que eu descobri é que eu não poderia ser cirurgião (risos), não trabalho com bisturi. Minha abordagem é mais gramsciana, na busca de consensos, e dá para fazer. A gestão atual da Ancine tem um processo positivo e o que for necessário mudar faremos juntos. A Ancine é hoje uma máquina de gerar e gerir recursos, e boa parte disso alimenta o Tesouro, só uma parte volta

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para o setor. Qual a chance desses recursos crescerem? Não é tão pouco o que volta e estamos trabalhando para que seja mais. Mas o momento é o pior possível, pois o governo precisa sinalizar para a sociedade que está cortando gastos, a sociedade percebeu que o governo agiu um pouco atrasado em relação à mudanças de conjuntura, à queda de demanda das commodities, então estamos em um momento de correção de rumos. Estamos procurando proteger a área cultural, tivemos um índice de corte menor do que a média e o que cortou estamos qualificando para afetar o mínimo possível. O Fundo Setorial do Audiovisual foi razoavelmente preservado. Mas há uma situação em que nem tudo o que é arrecadado vem para a área, em termos de Condecine, e estamos tentando colocar essa discussão de uma forma estratégica. Mas também é preciso conquistar mais público, qualificar as produções. A sociedade, na medida em que vai sentindo a importância do audiovisual, dará ao setor força política para demandar mais investimentos. É uma dialética que aprendemos. Saímos no governo Lula de uma média de R$ 250 milhões, que era a série histórica do orçamento no governo FHC, para mais de R$ 2,3 bilhões agora, e isso

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( entrevista) com algumas “jabuticabas”, poderíamos até trazer de volta, mas vamos tentar trabalhar com o Senado. Existe já uma consciência acumulada. A Lei do Audiovisual não está na ordem do dia, mas quando formos discutir os limites do modelo de fomento alguma coisa vai aparecer de modificação.

foi feito pelo prestígio da área cultural junto à sociedade. O caminho é esse, é uma afirmação política do setor. Na área audiovisual há muito se fala em desenvolver uma indústria, até se falava no início em vincular a Ancine ao Ministério do Desenvolvimento (MDIC). Era uma discussão equivocada. Os próprios defensores de levar a Ancine para o MDIC tinham como justificativa real o fato de ficar mais perto da chave do cofre, quando na política real a menor distância nem sempre é uma linha reta. Estar mais perto do cofre é bom por um lado mas coloca o setor em posição secundária e periférica em relação a tudo o que o MDIC trata, enquanto aqui é central. Acho que esse movimento de rediscutir a vinculação perdeu força, tem força zero, e a repercussão no meio é muito pequena. Tentaram levantar essa discussão no encontro que eu tive com os cineastas mas eles mesmos desautorizaram. Mas e os canais de TV, as emissoras, eles não necessaria­ mente pensam assim... O problema desse setor é que ele não viu com bons olhos a questão da cota de tela para a produção brasileira, então se for tentar levar para o MDIC para quebrar a cota de tela, certamente o segmento de produção não vai gostar muito da ideia. Tudo indica que essa é uma problemática datada e um retrocesso. É a dificuldade de compreender que os canais de TV paga têm que participar do processo de valorização do conteúdo nacional e têm que abrir as telas para viabilizar essa produção. Isso é estratégico. Nesse debate sobre o sistema audiovisual que você mencionou, será retomada a discussão da revisão da legislação audiovisual? Tudo na vida tem a gestação, cresce, se desenvolve e chega à

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“É preciso conquistar mais público, qualificar as produções. A sociedade, na medida em que vai sentindo a importância do audiovisual, dará ao setor força política para demandar mais investimentos” plenitude, e toda a legislação é passível de sofrer um balanço, uma revisão, ser superada por outra que represente um avanço. Há limites no modelo de financiamento hoje, e é possível que avancemos para outro modelo. Mas nada será unilateral, partindo do ministério. Tudo será público e discutido com o setor. Não tirarei nenhuma carta da manga, faltei às aulas de mágica (risos). Não é meu estilo, políticas públicas não podem ser feitas em gabinete, mas à luz do dia. O que estou discutindo é a Lei Rouanet, que é absolutamente nefasta e precisa de correções nas suas distorções. Nosso cronograma é imediato, já estamos trabalhando. Foi aprovada na Câmara

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E a legislação de direito autoral? Essa também está na ordem do dia, com uma discussão bem avançada. Na área dos músicos já há quase unanimidade de que não há direito autoral sem a regulação do estado. A internet é um problema para a música porque é a maior economia, mas ao mesmo tempo não se paga os direitos aos artistas, e é preciso pagar. As empresas que operam globalmente se beneficiam da falta de legislação e de uma postura ainda tímida do Estado brasileiro no sentido de regular e garantir os valores devidos. O conteúdo audiovisual também é problemático, talvez em uma escala menor, não apenas pelo direito do autor, mas também das empresas que investiram, que se sentem lesadas por um sistema global que ignora a necessidade de pagamento. Temos que regular o direito autoral no âmbito da Internet. Hoje não temos nada. Na música, o ECAD não tem autoridade para arrecadar e os músicos preferem uma estrutura que seja ágil e transparente. Se será público ou privado esse ente, está a se definir. Mas é preciso ter um sistema de radar para que não se perca um centavo sequer. Vamos sair de uma perda quase que absoluta de direitos na Internet para um ambiente de controle total de arrecadação, porque a tecnologia permite isso. As empresas globais precisam pagar. Como será o regulador, ou organismo arrecadador, no caso da música? Esse debate teremos com os

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artistas para definir. Mas na música isso está muito mais avançado do que no audiovisual, essa discussão. A internet rende dinheiro, ela é meio invisível mas hoje é a maior economia na distribuição de conteúdos, mas as questões dos direitos, as questões tributárias, nada disso está claro. Estas empresas precisarão sair das nuvens e baixar na Terra e ter uma âncora aqui. Isso é um problema mundial, na França essas empresas globais estão sendo cercadas, na Alemanha idem. São os desafios do século 21 e ai de quem ficar atrasado. Os músicos hoje estão mais sensíveis a isso, mas quero abrir esse debate ao audiovisual, porque já há conteúdos rentáveis, já há espaço ocupado, não é irrisório o que se gera de economia. Nas plataformas on-demand deveria haver mecanismos como cotas, como há para a TV por assinatura? No não-linear, na Internet, é complicado cota, o conceito é da cauda longa. Essa discussão precisa ser colocada, mas acho que o modelo de cota na Internet não funciona. Na oferta, eles já querem o nosso conteúdo, já existe essa demanda. Uma dessas empresas globais me procurou no primeiro mandato para propor digitalizar a Biblioteca Nacional. O primeiro impulso foi de felicidade, mas quando ele me disse que os direitos ficavam com eles, eu disse não. Eles estão sempre oferecendo espelhinhos, como os portugueses fizeram com os índios. Não podemos cair nessa cilada, essa já é manjada. De que maneira vocês estão se posicionando sobre o julgamento da Lei do SeAC no Supremo? Somos absolutamente contra (derrubar a lei), estamos entrando em contato com o Tribunal, mostrando o quão nocivo seria para a cultura brasileira não ter esses

mundo. A única coisa que não aconteceu é que ela promovesse mostras e exibições em todo o território brasileiro. É um parque de telecinagem e recuperação que é dos melhores do mundo. Ela tem que voltar a cumprir essa função. Dos mais de R$ 100 milhões de investimentos foram menos de R$ 3 milhões com problemas administrativos, onde houve problema de prestação de contas, e não houve roubo, houve imprudências administrativas. Vamos tirar a Cinemateca dessa criminalização em que a botaram e colocar ela para funcionar, funcionando para as escolas, para que Acre, Bahia, Pernambuco tenham contato. Recursos são sempre complicados, mas vamos encontrar, com um modelo de gestão que estamos pensando. Uma das dificuldades é que a administração direta em organizações como a Cinemateca engessa muito. O melhor é criar uma estrutura como uma OS ou modelo do Theatro Municipal de São Paulo, que se possa gerir dentro da lei com padrões de agilidade que a administração direta não permite. Não é privatizar, é flexibilizar procedimentos administrativos.

mecanismos. Essa é uma contingência importante para a cultura brasileira. Mas o Judiciário é autônomo, vamos ver o que acontece. Não há pouca mobilização do setor em relação a estas ações? É verdade. Um dos aspectos que foi uma constante nos oito anos que estivemos, eu e Gil, à frente do ministério, é que os artistas têm uma dificuldade de localizar as questões centrais que estão sendo colocadas. Eu já citei que essa Lei do SeAC teve ou indiferença ou oposição. Depois que ela se materializa todos rendem homenagem, esquecem até de onde saiu. Em muito do que fizemos tivemos oposição inicial de setores da cultura brasileira. Muito em parte por conta do "farinha pouca, meu pirão primeiro". Um certo patrimonialismo. A proposta mesmo de colocar a Ancine perto da “chave do cofre” é simplória e equivocada em um nível quase infantil. É preciso um amadurecimento político do setor, saber se mobilizar em momentos importantes. Se por acaso as cotas caem, desequilibra-se toda a negociação que deu sustentação à lei, vai “pro vinagre”. As emissoras aceitaram a restrição à propriedade cruzada pela presença do conteúdo nacional. Se você retira uma peça do que foi costurado com um pacto, inviabiliza a lei, e isso só beneficia as empresas globais que operam sem nenhum compromisso para o desenvolvimento do conteúdo brasileiro. Os artistas, diretores, roteiristas deveriam estar mais mobilizados, não deveria depender só do ministro ou do presidente da Ancine.

Em que pé está a criação do Canal da Cultura, previsto no decreto da TV digital? Está em processo de gestação. Queremos um canal pleno, sem limites, que está sendo organizado aqui dentro, na SAv, na Secretaria Executiva. Vai ser um canal integrado ao nosso conjunto de políticas, digital e aberto. Queremos estar afinados com o século 21. O canal ainda depende dos movimentos do governo em termos de cronograma. Nós temos pressa, mas uma vez concebida a montagem, será um projeto importante. É um canal de televisão, não um escoadouro do cinema, por isso buscamos uma linguagem específica de TV. Há necessidades do campo público na área de TV que não são cumpridos no Brasil. Esse Brasil precisa dialogar por esse processo.

Qual o projeto de sua gestão para a Cinemateca Brasileira? Recuperar a sua grandeza. A Cinemateca sofreu um ataque especulativo, se questionou até a gente ter investido R$ 150 milhões na Cinemateca, mas se esqueceu que perdemos boa parte da história do nosso cinema. Há décadas das quais não temos mais nem a metade dos filmes. Quando fomos comprar o conjunto da obra de Glauber Rocha não existia mais um dos filmes. Então ela precisa recuperar esse papel. O investimento que foi feito a tornou uma das maiores cinematecas do

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(regulamentação)

Samuel Possebon, de Brasília

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Primeiro round

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Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou no dia 25 de julho o julgamento da Lei da Comunicação por Acesso Condicionado (SeAC), a Lei 12.485, que ordena o mercado de TV por assinatura. Na leitura de seu voto, o ministro Luiz Fux, relator da matéria, foi contrário a praticamente todos os pleitos colocados pelas partes que pediam a impugnação da lei (Partido Democratas – DEM, associação NeoTV, associação Abra e a associação ABTVU). O julgamento foi suspenso após a leitura do voto do relator e será retomado após o recesso, em agosto, com o julgamento dos demais ministros. O ministro Fux considerou que os Artigos 5 e 6 da lei, que estabelecem a separação entre os mercado de produção de conteúdo e de distribuição de conteúdo, são constitucionais. Os artigos haviam sido questionados pelas ADIs (Ação Direta de Inconstitucionalidade) 4747 e 4756, movidas respectivamente pela NeoTV e pela Associação Brasileira de Radiodifusão (Abra). O ministro também considerou constitucional a competência da Ancine, estabelecida no Artigo 9 da lei, entendendo que é legítima e constitucional sua atuação como reguladora do mercado audiovisual. Em relação ao Artigo 10 da Lei do SeAC, que estabelece restrição a apenas brasileiros natos ou naturalizados a gestão, a responsabilidade editorial e as atividades de seleção e direção inerentes à programação e ao

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foto: José Cruz/ABr

Voto do ministro relator Luiz Fux no Supremo confirma a constitucionalidade da Lei do SeAC. Demais ministros se manifestarão após o recesso, em agosto.

Fux: aprovação quase integral dos artigos em disputa.

empacotamento, Fux também considerou o artigo constitucional, indeferindo o pedido de impugnação. O mesmo valeu para todas as questões levantadas pelas ADIs. Entre as questões, estavam também o pré-credenciamento para junto à Ancine (Artigos 12 e 13 da Lei 12.485/2011). O ministro Fux também considerou constitucionais os artigos (16 a 20) referentes às cotas de programação brasileira, remetendo sua constitucionalidade ao cumprimento dos dispositivos do Artigo 221 da Constituição. Da mesma forma foi considerada constitucional, pelo relator, a competência de arbitramento de percentuais de publicidade (Artigo 24), a constitucionalidade da não necessidade de licitação para outorgas do SeAC (Artigo 29), a constitucionalidade da distribuição gratuita dos canais de

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radiodifusão (Artigo 32 inciso I) e a constitucionalidade do cancelamento do credenciamento das programadoras e empacotadoras (Artigo 36). Também considerou constitucional o Artigo 37, que estabelece que na mudança de serviço para o SeAC não caberá indenização. A única impugnação acatada pelo relator Luiz Fux é em relação ao Artigo 25, que veda a contratação de publicidade no exterior. Segundo o ministro, esse dispositivo da lei não tem respaldo constitucional nem encontra justificativa econômica, e por isso ele optou por declarar o artigo inconstitucional. Análise O primeiro dia do julgamento das ações de inconstitucionalidade

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que questionam a Lei 12.485/2011 foi, de certa forma, frustrante para quem esperava a discussão de grandes teses constitucionais relativas aos princípios da lei. O voto do ministro Fux foi sintético e objetivo, dentro do possível para uma manifestação que, na forma escrita, superou as 120 páginas, segundo o próprio ministro. Fux não esmiuçou nem rebateu detalhadamente os argumentos das partes que questionavam a lei (DEM, NeoTV, Abra e ABTVU). Optou por fazer apenas a sua própria leitura do marco legal e embasá-lo em relação à sua relevância econômica e constitucionalidade. Ainda é preciso conhecer o voto escrito, já que a leitura na sessão do Supremo foi superficial. Mas alguns indicativos são importantes. O mais relevante deles diz respeito ao artigo da Constituição utilizado para fundamentar a política de cotas estabelecida na Lei do SeAC: o Artigo 221. Esse embasamento já aparecia na justificativa aos projetos que criaram a Lei 12.485/2011, foi reforçado pela Advocacia Geral da União, Procuradoria Geral da República e pelas partes amigas do processo (notadamente o Coletivo Intervozes), e finalmente foi encampada pelo relator. Resta saber como será o voto dos demais ministros. Na sessão em que foi proferido o voto do relator todos os 11 integrantes do Supremo

estavam presentes e muitos acompanhavam a leitura de Fux atentamente e tomavam notas no voto impresso. Esta interpretação sobre o alcance do Artigo 221 da Constituição é relevante porque ela pode, no limite, valer para fundamentar uma discussão antiga, que é a aplicação dos artigos referentes à Comunicação Social da Constituição Federal a outros meios de comunicação social eletrônica, notadamente à Internet. Mantida a posição do relator, a jurisprudência do Supremo será no sentido de que os princípios do Artigo 221 da Constituição valem para a TV por assinatura. Estes princípios são mandatórios a todos os «meios de comunicação social eletrônica» previstos no Parágrafo 3 do Artigo 222, mas não definidos na Constituição, e estabelecem que “a programação e a produção de conteúdos devem dar preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais, informativas; a promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente; à regionalização da produção artística e jornalística e; ao respeito dos valores éticos e sociais da pessoa e da família”. Mantida a posição do relator, o Supremo caminha para entender que TV por assinatura é uma das formas de comunicação social eletrônica tratadas no Artigo 222. Será a primeira vez que a suprema corte brasileira enquadra um serviço que não seja radiodifusão neste dispositivo constitucional. Além disso, ao manifestar sua posição a este respeito, Fux citou outro ministro do Supremo, Luis Roberto Barroso, que quando advogado escreveu

sobre o tema e cuja tese (alinhada com a de Fux) inclusive respalda um pedido de 2010 da Abert (associação de emissoras de televisão) e da ANJ (que representa os jornais impressos) à Procuradoria Geral da República para que enquadre a Internet entre os meios sujeitos às regras constitucionais da Comunicação Social. Outro aspecto importante do voto do ministro Luis Fux diz respeito aos Artigos 5 e 6 da Lei do SeAC. São estes os artigos que impedem que empresas de conteúdo atuem na distribuição de conteúdos e vice-versa. A regra de propriedade cruzada, na interpretação do ministro Fux, encontra respaldo constitucional no Artigo 220, Parágrafo 5, da Constituição, em que está estabelecido que «os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio». De novo, a relevância deste aspecto do voto foi ter enquadrado como «meio de comunicação social», nos termos do Artigo 220, atividades de produção de conteúdo e distribuição em TV por assinatura, lembrando que os artigos da Lei do SeAC que estavam sendo questionados também fazem referência à aquisição de direitos de eventos. Nesses itens da Lei do SeAC, Fux também remeteu a questão ao Parágrafo 4 do Artigo 173 da Constituição, que dá poderes à lei para coibir o abuso de poder econômico.

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Leandro Sanfelice

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Contratos e divergências fotos: divulgação

Modelos de contratos padrão elaborados no âmbito do projeto Objetiva - Empreendedorismo em Foco foram alvo de críticas em evento que reuniu cineastas e diretores.

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Apro e o Sebrae – em parceria com a ABPITV, o Siaesp e a Ancine – lançaram no final de abril modelos referenciais de contratos para orientar e ajudar os produtores de conteúdo audiovisual brasileiros em suas relações de contratação profissional e comercial. A iniciativa tem o objetivo de oferecer aos profissionais base jurídica referencial para agilizar e formalizar negociações durante o processo de produção de obras audiovisuais. Oito dos 32 contratos foram validados pela Ancine. Tratam-se dos contratos que dizem respeito à regulação da agência sobre as relações entre produtoras e distribuidores, programadores e parceiros. "A construção de modelos de contrato é relevante

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“Com a nova lei, esse tipo de projeto, que surge como uma demanda dos canais, começou a ser mais comum. Esses contratos são voltados para esse novo tipo de relação e não para projetos mais autorais”. Debora Ivanov, do Siaesp

porque ajuda a organizar os processos de negociação entre os agentes do setor, que serão sempre livres. A constituição de referência ajuda na perseguição por melhores práticas e oferece maior segurança àqueles que buscam viabilizar os projetos", disse Manoel Rangel, presidente da Ancine, no escritório regional da agência em São Paulo, durante o evento de lançamento da ação. "Aqueles que negociarem nos parâmetros desses contratos têm a garantia de que estão de acordo com as regras relativas a benefícios fiscais", completou, alertando para peculiaridades de editais e linhas de

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fomento que tenham características e demandas não contempladas nos modelos recém lançados. "Vocês ainda precisam acionar o jurídico das suas empresas, mas o processo ficou mais ágil", disse. Os formulários estão disponíveis para download gratuito no site do Objetiva – Empreendedorismo em Foco, programa desenvolvido pela Apro e o Sebrae para capacitar os profissionais do mercado audiovisual, que reúne cerca de oito mil empresas em todo o país. Os documentos validados pela Ancine também foram publicados no site da agência reguladora. Os modelos foram desenvolvidos pelos advogados João Paulo Morello, Gabriela Pires Pastore e Thiago Macedo Clayton, do escritório Coelho e Morello Advogados Associados. O processo contou com a parceria dos representantes jurídicos das entidades parceiras na ação: Debora Ivanov, diretora executiva do Siaesp; Rodrigo Salinas e Gilberto Toscano, advogados representantes da ABPITV, membros do escritório Cesnik, Quintino e Salinas Advogados; e Claudia Toledo Mesquita, advogada da produtora Gullane Entretenimento S/A. Questionamentos Em evento que reuniu diretores e cineastas na Praça das Artes, em São Paulo, no final de junho, o contrato que se refere à prestação de serviço de diretor foi criticado. No entender da Associação Paulista de Cineastas (Apaci), o modelo referencial exclui das atribuições do diretor o papel criativo e a definição do corte final da

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obra, além de estabelecer relações de caráter abusivo. A entidade encaminhou parecer jurídico contra o modelo referencial para as entidades envolvidas na sua criação. Apesar da adoção dos modelos não ser obrigatória, a Apaci teme que os contratos passem a ser adotados como padrão no setor. A associação pediu que os documentos fossem revisados. "O direito ao corte final deve ser regra, e não exceção. É uma questão de diversidade, identidade plural e cidadania", disse Ícaro Martins, diretor da Apaci, no evento. A defesa da atuação do diretor no processo criativo e na definição da versão final da obra foi tema central do debate. De acordo com Martins, os principais questionamentos ao modelo de contrato referencial se devem ao "caráter abusivo de várias cláusulas e às funções estabelecidas para o diretor, excluindo completamente das suas atribuições o papel criativo e o direito a definir a versão final da obra". Daniela Broitman, diretora e representante da Abraci (Associação Brasileira de Cineastas) do Rio de Janeiro no evento, também criticou o modelo apresentado. "Também consideramos esse modelo extremamente abusivo, e gostaríamos de termos sido consultados sobre o tema", opinou a cineasta no evento. Na avaliação da diretora, o direito ao corte final é especialmente importante em produções de documentários. "São temas sensíveis e reais aos quais o cineasta se dedica de corpo e alma, pois julga serem importantes. A relação que se cria entre diretor e entrevistados de confiança é extremamente importante". Ela cita como exemplo seu trabalho no documentário "Marcelo Yuka no Caminho das Flechas", que aborda a vida do baterista e compositor após ficar paralítico e deixar a

Iniciativa tem o objetivo de oferecer aos profissionais base jurídica referencial para agilizar e formalizar negociações

quaisquer alterações nas obras que reputar necessárias, a seu exclusivo critério, independente de autorização da contratada ou do interveniente anuente, respeitados em todos os casos os direitos morais deste último". Também em relação aos direitos autorais do diretor, o documento destaca trecho do contrato que determina que "a contratante, na qualidade de única titular de todos os direitos de propriedade intelectual e outros sobre a obra, tem interesse em se tornar legítima titular, em caráter universal e definitivo, de todos os direitos patrimoniais e quaisquer outros, pertencentes à contratada e ao interveniente anuente, originados". No parecer, os advogados da Moutinho e Tranchesi avaliam que a proposta ignora a preservação dos direitos morais do autor, definidos como inalienáveis e intransferíveis. Entre eles, está o direito a ter garantida a integridade da obra e opor-se a quaisquer alterações que possam atingi-lo como autor, em sua reputação e honra. Segundo a empresa, o modelo de contrato também estabelece relações desproporcionais – o que seria irregular. O parecer lista artigos do contrato que garantem à produtora o direito de substituir, sem aviso prévio ou notificação, o diretor da obra. Além disso, o contrato atribuiria ao diretor responsabilidades que pertencem à empresa contratante em possíveis contratempos jurídicos.

banda O Rappa. "Ele estava em um momento extremamente delicado da sua vida e tinha uma preocupação muito grande sobre que tipo de imagem seria passada no filme. Ele aceitou participar do projeto porque acreditou que eu tinha essa preocupação também. Tive de recusar ofertas de produtoras que exigiam que eu abrisse mão do corte final. De nenhuma maneira eu poderia fazer isso", disse. "Sabemos que há muitos casos em que o corte final é negociado, dependendo das características da obra. O que aconteceu foi que o modelo proposto fez um corte radical e exponencial numa única direção, tirando de uma vez absolutamente todas as prerrogativas do diretor",disse Martins, da Apaci. Segundo ele, as irregularidades no contrato vão além da questão do corte final e das atribuições criativas. "Vide os pontos levantados no parecer jurídico, há irregularidades em todas as áreas – contratual, autoral e trabalhista. Do jeito que está, esse contrato é um desserviço prestado pelas empresas envolvidas. Sua aplicação levaria a uma série de questionamentos jurídicos e prejudicaria não apenas os diretores mas também as produtoras", avaliou o diretor. Parecer jurídico O parecer jurídico produzido a pedido da Apaci destaca trechos do contrato considerados abusivos pelos advogados. De acordo com o documento, o artigo 6.4 do contrato estabelece que "… a contratante está autorizada a proceder

Resposta Representantes de entidades envolvidas na promoção do projeto Objetiva - Empreendedorismo em Foco defenderam o modelo. Em parecer oficial, a Apro e o Sebrae argumentaram que o modelo referencial de contrato sugerido às produtoras foi elaborado para contratações de diretores no modelo de prestação de serviços

No entender da Apaci, modelo referencial exclui das atribuições do diretor o papel criativo e a definição do corte final da obra.

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“O contrato menciona claramente o respeito aos direitos morais do autor, que são intransferíveis e pertencem ao diretor obra. Isso é lei, e não pode ser desrespeitado. A questão é que esse modelo é diferente porque traz foco na produção”.

foto: divulgação

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João Paulo, do Objetiva – Empreendedorismo em Foco

por encomenda – no qual a concepção, organização e definição do conteúdo do projeto são de responsabilidade exclusiva da produtora – e não para projetos autorais dos diretores. As entidades também reforçaram que o contrato de direção não faz parte do conjunto de contratos que foram revistos pela Ancine e que se trata apenas de um modelo referencial, sujeito a alterações. No comunicado, os organizadores disseram estar dispostos a receber colaborações da Apaci na formulação de minutas futuras. No entanto, esclareceram que isso só poderia ser feito em uma segunda etapa do programa, cuja renovação ainda está em negociação. Para Debora Ivanov, diretora executiva do Siaesp, os cineastas interpretaram mal a intenção das entidades envolvidas na elaboração dos contratos. Ela explicou que o Objetiva surgiu para ajudar o mercado a se preparar para a demanda gerada pela lei da TV paga, e que os contratos desenvolvidos no projeto contemplam uma relação de prestação de serviços dentro de um projeto demandado. "Com a nova lei, esse tipo de projeto, que surge como uma demanda dos canais, começou a ser mais comum. Esses contratos são voltados para esse novo tipo de relação e não para projetos mais autorais", disse. Ela disse que há espaço para outros tipos de modelos referenciais, que contemplem projetos autorais. "Com essa expansão do mercado, há espaço para os dois modelos. Nada

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impede que a Apaci desenvolva um modelo referencial para outro tipo de projeto, para aquele projeto que surge do autor”. Além disso, segundo a diretora, há espaço dentro do modelo referencial para negociações, que podem até mesmo incluir o direito ao corte final – principal ponto de insatisfação dos cineastas. "Há uma parte fixa e uma parte variável. Dentro dessa parte variável, diretores e produtoras podem acertar relações de acordo com as características do projeto. No caso do corte final, é uma questão negociável. Depende do tipo de projeto, da disposição do canal e das outras partes envolvidas", explica. Advogado do projeto Objetiva, João Paulo Morello disse que a interpretação de que os direitos morais do autor estejam sendo negados no contrato é equivocada. "O contrato menciona claramente o respeito aos direitos morais do autor, que são intransferíveis e

Apro e Sebrae argumentaram que o modelo referencial de contrato sugerido às produtoras foi elaborado para contratações de diretores no modelo prestação de serviços por encomenda. •

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pertencem ao diretor obra. Isso é lei, e não pode ser desrespeitado. A questão é que esse modelo é diferente porque traz foco na produção, em um modelo que começou a ser aplicado com mais frequência após a aprovação da lei (do SeAC). O canal identifica uma demanda, propõe o tema, faz pitching e contrata a produtora para desenvolver esse projeto. Muitas vezes o canal é inclusive coprodutor", disse. Ele negou que o projeto estabeleça relações de trabalho desproporcionais, outra preocupação dos diretores. "Cada um é responsável pelos seus encargos. Não existe responsabilização a mais, a produtora é responsável pelos encargos dela e o diretor é responsável pelos encargos decorrentes da prestação de serviços. Inclusive existe cláusula para sua contratação como pessoa jurídica". Além disso, o advogado também ressaltou que o modelo serve como referência, e está aberto a negociações. Ele ainda descartou a possibilidade de o contrato para diretores ser referendado pela Ancine. "A Ancine chancelou oito contratos porque tinham relação direta com a regulamentação de leis de incentivo. Ela não fará o mesmo com os outros acordos", disse. Limbo jurídico Para o advogado Allan Rocha, pesquisador e professor na UFRJ e na UFRRJ, há falhas na legislação de direitos autorais no Brasil, em especial no que diz respeito ao audiovisual. Ele cita, por exemplo, a falta de uma menção clara corte final entre os direitos morais atribuídos ao autor. "Apesar da presença da regulamentação ser questionada muitas vezes, há também momentos em que ela é necessária. Na ausência de uma regulação estatal, o mercado assume papel de regulador, ou seja, quem tem maior poder econômico define as regras", disse o advogado.

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Da Redação

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Primeira fornada

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Spcine anunciou os filmes contemplados nas primeiras linhas da empresa paulista de fomento. São obras que receberão aportes retornáveis em produção e distribuição, com fundos vindos da própria Spcine, da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo e do Fundo Setorial do Audiovisual, via Ancine. Embora o Estado de São Paulo também participe da composição de capital da Spcine, a Secretaria Estadual de Cultura ainda não integralizou o aporte prometido de R$ 25 milhões. Este dinheiro portanto ainda não entra nestes primeiros editais. O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, presente ao anúncio, disse que se encontrou com o governador Geraldo Alckmin e pediu que o aporte fosse feito, o que segundo ele deve acontecer. Foram anunciados os vencedores das Linhas 2, 3 e 4, de fluxo contínuo. A Linha 1, que tem processo seletivo, terá os resultados anunciados posteriormente. Ao todo, 30 longas-metragens foram habilitados a receber o aporte total de R$ 12,7 milhões, tanto para produção (Linha 3) como para distribuição (Linhas 2 e 4). Os editais solicitaram aos distribuidores dos filmes um compromisso de lançamento mínimo no circuito exibidor. Segundo o acordo, as produções contempladas ocuparão, ao longo de suas exibições, aproximadamente 3 mil salas de cinema pelo Brasil, sendo 1,635 mil até o primeiro trimestre de 2016 e 1,344 mil salas até 2017. Em 2013 e 2014, o cinema paulista ocupou

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fotos: divulgação

Spcine anuncia as obras a receber aportes iniciais da empresa paulista. Investimento de R$ 13 milhões alavancará 30 longas com orçamento total de mais de R$ 74 milhões.

“Malasartes”, de Paulo Morelli, está entre os contemplados na linha 2.

respectivamente 2,2 mil e 3,56 mil salas brasileiras ao todo. O investimento destas três linhas anunciadas hoje contribuirá, segundo a empresa, para a produção e distribuição de filmes cuja soma de orçamentos é de R$ 74 milhões. A alavancagem de recursos para o setor audiovisual paulista é portanto de R$ 5,83 para cada R$ 1 investido pela empresa. As inscrições não se encerraram completamente. Ainda há R$ 50 mil disponíveis para a Linha 2, voltada para distribuição para filmes de pequeno e médio porte, e R$ 250 mil para a Linha 3, de produção de longas-metragens. O Programa de Investimento ainda tem mais duas etapas previstas para os próximos meses: o resultado da linha seletiva (Linha 1) – com investimento total de R$ 7 milhões – e o edital de conteúdo para TV e plataformas digitais – com investimento de R$ 10 milhões. Concorrência Para o prefeito Haddad, São Paulo vai sim concorrer com o Rio pelo

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protagonismo no setor audiovisual. “Vocês falam que não é concorrência, mas é. Depois que a gente passar eles a gente fala que não é mais competição”, brincou. “Na verdade”, prosseguiu, “vamos concorrer com nós mesmos. Está tudo aqui, tudo pronto, só depende de a gente articular as políticas”, disse. “Questionam se devemos investir em cinema num momento de crise, mas essa atividade, a economia criativa, gera empregos, impostos, movimenta a economia. Temos inclusive que associar outros programas a essa iniciativa, vai precisar de mão de obra, temos que dar formação. E tudo isso é muito barato. Só uma Fórmula Indy custa R$ 35 milhões. Aqui é um terço do que a cidade gastava pra ver os caras correndo em duas horas”, concluiu. Filmes aprovados Com aporte de R$ 2,95 milhões, a Linha 2 aprovou 19 longasmetragens. As distribuidoras

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( fomento) proponentes receberam de R$ 100 mil a R$ 400 mil por projeto com garantia de lançamento entre dez e cem salas de cinema. Confira os contemplados: “Que horas ela volta?”, de Anna Muylaert. Produtora: Africa Filmes / Gullane Entretenimento. Distribuição: Pandora. “Zooom”, de Pedro Morelli. Produtora: O2 Cinema. Distribuição: Paris Filmes. “Voltando para casa”, de Gustavo Rosa de Moura. Produtora: Lauper Filmes Ltda Me. Distribuição: Pandora Filmes.

“Que horas ela volta”

Cine Video Comercial Ltda Me. Distribuição: Vitrine Filmes Ltda. “Califórnia”, de Marina Person. Produtora: Lauper Filmes Ltda Me. Distribuição: Vitrine Filmes Ltda. “Homem comum”, de Carlos Aziz Nader. Produtora: Já Filmes S/S Ltda. Distribuição: Vitrine Filmes Ltda. “Obra”, de Gregorio Graziosi. Produtora: Cinematográfica Superfilmes Ltda. Distribuição: Vitrine Filmes Ltda. “A bruta flor do querer”, de Dida Andrade e Andradina Azevedo. Produtora: Filmes da Lata Produções Artísticas Ltda. Distribuição: O2 Produções Artísticas e Cinematográficas LTDA. “Ausência”, de Gustavo Pereira da Silva Teixeira. Produtora: Bossa Nova Films Criações e Produções Ltda. Distribuição: Reserva Nacional Distribuidora de Filmes LTDA. “Amores urbanos”, de Vera Egito Vellez. Produtora: Paranoid Filmes Ltda. Distribuição: Europa Filmes.

“Hipóteses para o amor e a verdade”, de Rodolfo García

Vázquez. Produtora: Associação Dos Artistas Amigos Dos Satyros. Distribuição: Raiz Distribuidora Audiovisual Ltda. “Invasores”, de Marcelo Freitas Toledo de Melo. Produtora: Raiz Produções Cinematográficas Ltda. Distribuição: Raiz Distribuidora Audiovisual Ltda.

“Pauê – o passo de um vencedor”, de Alessandra Pereira e

Fábio Cappelline. Produtora: Hope Image. Distribuição: Raiz Distribuidora Audiovisual Ltda. “Hysteria”, de Evaldo Mocarzel e Ava Rocha. Produtora: Casa Azul Produções Artísticas Ltda. Distribuição: Raiz Distribuidora Audiovisual Ltda. “Rio cigano”, de Julia Zakia Orlandi. Produtora: Cinematográfica Superfilmes Ltda. Distribuição: Raiz Distribuidora Audiovisual Ltda. “Eu nunca”, de Kauê Telloli . Produtora: Saliva Produções Cinematográficas Ltda / Kaue Tk Produções. Distribuição: Elo Audiovisual Serviços Ltda.

“Ninguém ama ninguém por mais de dois anos”, de Clóvis Mello . Produtora:

Empresa Cine Cinematográfica. Distribuição: Europa FIlmes.

“Se deus vier que venha armado”, de Luiz Dantas. Produtora: Plano Geral Produções Artísticas e Cinematográficas. Distribuição: Pandora Filmes.

Com aporte de R$ 5,7 milhões, a Linha 3 aprovou sete projetos. O segmento

“A corrente – Marina Abramovic e o Brasil”, de Marco Aurelio Del Fiol.

Embora também participe da composição de capital, o Estado de São Paulo ainda não integralizou o aporte prometido de R$ 25 milhões

Produtora: Casa Redonda Produções Culturais Ltda. Distribuição: Elo Audiovisual Serviços Ltda. “Sinfonia da necrópole”, de Juliana Rojas. Produtora: Avoa Filmes

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concedeu até R$ 1 milhão para a produção de longas-metragens com compromisso de lançamento em, pelo menos, 200 salas. Além disso, investiu R$ 500 mil em projetos com previsão de estreia entre 100 e 200. Veja os filmes: “Depois dos 40”, de Luiz Villaça. Produtora: Bossa Nova Films. Distribuição: Paris Filmes. “Malasartes”, de Paulo Morelli. Produtora: O2 Filmes. Distribuição: Paris Filmes. “A terapia”, de Roberto Moreira. Produtora: Coração da Selva. Distribuição: Dowtown. “Pequeno segredo”, de David Schurmann. Produtora: Schurmann Film Company. Distribuição: Diamond Filmes. “Desculpe o transtorno”, de Tomás Portella. Produtora: Gullane Entretenimento S/A. Distribuição: Buena Vista / Disney do Brasil. “Sampa”, de Carlos Alberto Riccelli. Produtora: Pulsar Produções Artísticas. Distribuição: Europa Filmes. “O caseiro”, de Julio Santi. Produtora: Nexus Cinema e Vídeo. Distribuição: Europa Filmes. Finalmente, quatro filme foram aprovados na Linha 4, voltada para distribuidoras de todo o país, desde que associadas a uma empresa paulista. O contrato prevê lançamento em, no mínimo, 300 salas, e investimento de R$ 1 milhão em publicidade. São eles: “Operações especiais”, de Tomás Portella. Produtora: Intro Ltda. Distribuição: Paris Filmes. “Escaravelho do diabo”, de Carlo Milani. Produtora: Dezenove Som e Imagens Produções Ltda. Distribuição: Paris Filmes. “A comédia divina”, de Toni Venturi. Produtora: Olhar Imaginário Ltda e Aurora Filmes Ltda. Distribuição: Imagem Filmes. “Reza a lenda”, de Homero Olivetto. Produtora: Ouro 21 Produções de Filmes Ltda. Distribuição: Imagem Filmes.

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André mermelstein


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( making of )

Lizandra de Almeida

cartas.telaviva@convergecom.com.br

Inspirados Criada pela Wunderman, a comunicação destaca a facilidade dos recursos do novo Lumia 640 XL para aproveitar o tempo livre de forma mais produtiva. FOTOs: divulgação

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smartphone Microsoft Lumia 640 XL chegou ao mercado brasileiro este ano e combina qualidade de hardware, sistema operacional Windows Phone 8.1, opções de tamanho de tela, conexão 4G, Skype pré-instalado e licença gratuita de um ano do pacote Office 365 Personal. Para mostrar como o aparelho ajuda o usuário a aproveitar o tempo livre de forma mais produtiva e em qualquer hora do dia, a campanha “Inspiração para Fazer Mais”, assinada pela agência Wunderman, é protagonizada pelo diretor de arte Felipe Fiuza, que aceita o desafio de construir uma bicicleta retrô motorizada em uma noite. Composta por dois webvídeos e uma série de ativações em redes sociais, a comunicação reflete alguns dos valores da Microsoft - conectar pessoas e ajudá-las a extrair o máximo de seu potencial.    A campanha foca na história de um personagem real que, com a ajuda da tecnologia, utiliza seu tempo, criatividade e produtividade para ir além e fazer mais. O primeiro vídeo apresenta o projeto, o Felipe e sua paixão por montar essas bikes. Já o segundo mostra se ele conseguiu completar o desafio. Produzidos com clima retrô e editados com recursos tecnológicos de última geração, os vídeos imprimem um ar de documentário. Entre um filme e outro, Felipe publicará videoposts nas redes sociais falando sobre o desafio de construir a melhor bike da sua vida e como o Lumia 640 XL o

Campanha contou com dois webvídeos e ativação nas redes sociais

ajudou nesta missão, desde a escolha de cores e nomes até a pesquisa por busca de referências e organização do inventário das peças que foi recebendo ao longo do processo. Nas pílulas, inclusive, ele convida as pessoas a darem sugestões para a escolha da cor e do nome da bike. “A história do Felipe tem tudo a ver com os valores defendidos pela Microsoft, que sempre esteve ligada à ideia de as pessoas explorarem seu potencial interno”, comenta Paulo Sanna, VP de criação da Wunderman. As seis pílulas e o desfecho da história estarão disponíveis nos canais do Lumia nas redes sociais: facebook. com/microsoftlumiabrasil e twitter.com/ lumiabrasil, e também na página da ativação, www.microsoft.com/pt-br/ celulares/inspiracao.

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ficha técnica Cliente Microsoft Produto Microsoft Lumia 640 XL Agência Wunderman VP de criação Paulo Sanna Direção de criação Paulo Sanna  e Fabio Matiazzi Redação Breno Amaro Direção de arte Bruno Almeida AtendimentoLuiz Telles e Jonathan Tominaga RTVC Rodrigo Cassino  e Cléo Andrade Aprovação do cliente Rodrigo Heymann Produtora BigBonsai Direção Felipe Briso Direção de fotografia Bruno Tiezzi Atendimento produtoraJoão da Terra Montagem Gugu Figueirôa Produtora de SomAnimal TrilhaAndré Caccia Brava Atendimento da Tatiana Nascimento produtora de som


Valores De forma inédita no segmento, Raízen ousa na forma de se comunicar e coloca consumidor no papel de protagonista da campanha; a iniciativa é o principal investimento da empresa em marketing no ano. que rompe os formatos do segmento: no lugar de mostrar produtos e serviços, usamos pessoas de verdade. Não são atores, são pessoas que representam a si mesmas, e que têm histórias pessoais que se identificam com o jeito Shell de estar sempre em movimento. Sempre progredindo", ressalta o diretor de criação da J. Walter Thompson, Gustavo Soares.

Filme inovou no segmento ao não mostrar produtos ou serviços

ficha técnica

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Raízen, licenciada Shell no Brasil, aposta na força da marca centenária e apresenta a evolução do seu posicionamento para os postos de serviço. Os postos Shell se apresentarão como parceiros nas jornadas dos consumidores para os ajudar a ir até o fim, um verdadeiro manifesto aos Não Acomodados. O “fim” em questão é a busca de sonhos, superações e conquistas dos clientes, humanizando a marca em um tom aspiracional. A ação ousa na comunicação ao não mencionar nenhum produto ou serviço do portfólio, tratando do posto Shell sem mencioná-lo diretamente. “A campanha da evolução do posicionamento dos postos Shell para o varejo busca ressaltar os valores essenciais na vida de cada um, mostrando a marca como impulsionadora na jornada das pessoas. Para isso, fizemos dos consumidores os cocriadores deste trabalho. Todas as sugestões de roteiros e filmes foram mostradas, revisadas e aprovadas por um grupo de consumidores”, afirma Luciane Matiello, diretora executiva de marketing da Raízen. Os trabalhos para a evolução do posicionamento começaram em

Cliente Raízen  Combustíveis S.A. ProdutoInstitucional CCO Ricardo John Head of art Fábio Simões Direção de criação Gustavo Soares RedatorHiroito Takahashi  e Rodrigo Castro Diretor de arte Marcelo Monzillo,  Waldemar França  e Diego Limberti AtendimentoJoão Paulo Hessel,  Rita Pereira, Antonio Corral e Andressa Tamburini Gerente de projetosKazuo Sugui Mídia Stella Lopes, André  Sanches, Tatiana Lopes,  Rafael Roque  e Fábio Vanucci Planejamento Fernand Alphen,Isabella  Mulholland, Gustavo Leite, João Caputi  e Rafael Guper Diretora RTV Marcia Lacaze Produtora RTV Marisa Toledo Produtora Zohar Cinema  e Comunicação Direção 300ml Direção de fotografia Felipe Reinheimer Produção executivaIsabelle Tanugi,  Carlos Paiva e  Fernanda Rossi AtendimentoEquipe Zohar MontagemIvan Kanter Goldman Finalização Full Frame Produtora de somA9 Áudio MaestroApollo 9 Atendimento Thiago Balma Aprovação clienteLuciane Matiello,  Richardson Nelson, Amanda Vasques  e Cleiton Malta

janeiro, com workshops em formato de laboratórios criativos. O objetivo das pesquisas era sintetizar os valores das pessoas e quais os desconfortos da vida moderna, para então conectar os resultados com as particularidades da marca como excelência, pioneirismo e tecnologia de ponta. Durante o estudo, consumidores apontaram a necessidade por relacionamentos mais duradouros e confiáveis em diversas esferas e por um cotidiano com menos excessos e mais qualidade na vida. Entre as descobertas, surgiram insights sobre o papel do automóvel e do posto na vida das pessoas, o que ajudou no desenvolvimento do conceito da campanha. O carro se apresentou como uma extensão das pessoas, um verdadeiro parceiro nas jornadas, enquanto o posto aparece como um lugar “urbano público”, que proporciona segurança e serve como ponto de encontro, apoio e referência. As pesquisas foram realizadas em diferentes regiões do país com mais de 200 consumidores, com 37 grupos de discussão ao longo do processo. Os entrevistados eram homens e mulheres proprietários de carros ou motos, de 18 a 55 anos. “A Shell é uma das marcas mais conhecidas do mundo, sendo forte o suficiente para ser reconhecida apenas por sua famosa concha, não precisando sequer escrever Shell em seus postos. Fizemos um trabalho profundo para entender os valores do consumidor, para desenvolver um comercial

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“Rock in Time”

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canal PlayTV estreou em julho o programa “Rock In Time”, que lembra momentos marcantes da história do rock. Cada episódio retrata um ano da trajetória do gênero musical, sem se prender à cronologia. A produção é da Miolos Fritos Produções, dona do canal culinário nerd “Miolos Fritos” no YouTube, cujo conteúdo já havia sido licenciado pelo canal. Os episódios inéditos de “Rock in Time” vão ao ar às terças, e depois ficam disponíveis em um canal próprio na plataforma online de vídeo. Com “Rock in Time”, a Miolos Fritos desenvolveu pela primeira vez um programa priorizando a televisão. O projeto reflete mudanças pelas quais a produtora passou desde que seu canal na plataforma online foi licenciado pela Play TV em 2013. “Hoje a maior parte do faturamento vem do licenciamento para TV, e essa receita permitiu que nos dedicássemos inteiramente à produtora”, conta Luiz Alberto Padreca, fundador e sócio da produtora. A atração relembra as bandas, os hits, os fatos e as curiosidades mais marcantes do rock a cada ano. “Diferente do 'Miolos', que já tínhamos produzido para o YouTube quando o canal nos abordou, o ‘Rock in Time’ foi produzido para a TV, se pagou com os recursos do canal e não existiria sem isso”, explica Padreca. Apesar do protagonismo da TV, os episódios da nova série seguem sendo publicados na plataforma de vídeo online, e a linguagem adotada segue alguns padrões do YouTube. “O

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FOTOs: divulgação

Com novo programa para Play TV, Miolos Fritos Produções prioriza televisão pela primeira vez. Empresa surgiu com produções para o Youtube.

Linguagem do programa se aproxima à da Internet.

formato é bem televisivo, mas adota uma linguagem típica de vlogs, com bastante opinião e um roteiro bem livre. Temos um roteiro para os episódios mas não nos prendemos a ele”, conta o produtor. De acordo com ele, a plataforma online desempenha papel importante na divulgação e na avaliação do conteúdo “O YouTube nos dá métricas importantes para avaliarmos a qualidade do conteúdo e recepção do público, e faz isso com muita precisão. Posso saber se meu púbico está abandonando o programa em um determinado momento e estudar formas de evitar isso. São informações que custariam um valor significativo e temos de graça”. Segundo o produtor, quando o canal foi fundado não havia intenção de produzir conteúdo para a televisão. Isso mudou quando Padreca e seu sócio, Daniel Machado, foram abordados pela Play TV. “O timing foi perfeito. Estávamos começando com o projeto e os canais

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procurando conteúdo independente devido à Lei da TV Paga. Começamos a pensar então que essa era uma oportunidade que deveria ser aproveitada”, lembra. A receita da produtora é complementada com publicidade nativa, dentro do vídeo, e recursos recebidos por participação na publicidade do próprio Youtube. “Esse valor do Youtube, no entanto, é muito pequeno para nós. Para esse valor ser relevante é preciso alguns milhões de inscritos e visualizações mensais pelo menos. Sempre pensamos que a publicidade no próprio conteúdo era o modelo mais viável, e agora temos também o licenciamento para TV”, explica. Ao contrário do que acontece nas produções do canal culinário, “Rock in Time” é comandado e apresentado por Daniel. “Eu sempre me interessei e entendi mais de

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culinária. O Teco, por sua vez, tem banda e sempre entendeu muito de música. Por isso, nessa produção os papeis estão invertidos – com ele comandando a atração”, conta Luiz. Fonte de conteúdo Além de “Rock in Time”, o canal Play TV estreou ao longo de 2015 os programas “Pipocando”, e “Jorgecast”, também de produtores com origens no YouTube. Entre setembro e outubro, o canal trará também o programa “Manual do Mundo na TV”, com conteúdo do canal “Manual do Mundo”, que ensina ciências por meio de experiências e projetos caseiros e já conta com mais de 3,5 milhões de assinantes na plataforma online. As novas atrações, criadas por produtores do YouTube, refletem estratégia adotada pelo canal de buscar conteúdo de qualidade com preço acessível na plataforma de vídeos online. Segundo Rodrigo Lariú, gerente de produção da Play TV, o canal começou a utilizar conteúdo do YouTube em sua grade já em 2013, com programas inspirados nos canais “Miolos Fritos” e “Quatro Coisas”, que aborda a cultura pop. “Na época, assim como outros canais, tínhamos dificuldade de encontrar conteúdo bom, com um preço acessível e que combinasse com a proposta do canal”, lembra. Segundo Lariú, a empresa combina dois tipos de modelos de

novo layout

forma mais consistente em novos projetos”, explica. De acordo com ele, o conteúdo dos canais YouTube, além de ter preço acessível, dialoga melhor com o público alvo do canal. “Com as produtoras muitas vezes tínhamos dificuldade para explicar como queríamos desenvolver os projetos. As produções para o YouTube, por outro lado, abordavam os temas que buscávamos – games, ciências, tecnologia e cultura pop – e falavam uma linguagem muito bem aceita pelo público jovem que se interessava por esses temas e já estava no YouTube.

negócios em arranjos que variam de canal para canal. A empresa pode licenciar conteúdo já produzido pelo canal ou coproduzir novos episódios com ele. No segundo caso, o conteúdo inédito deve ser exibido primeiro na TV, mas a produtora tem a liberdade de publicá-lo em sua página do YouTube depois. “É um modelo que beneficia os dois lados. O canal tem acesso a conteúdo que cumpre a cota e dialoga bem com o seu público por um valor acessível, uma vez que a produtora pode monetizar o conteúdo em outras plataformas. Ao mesmo tempo, o produtor ganha uma nova fonte de receita, que permite que ele invista de

Ficha técnica

Nome Rock In Time Produtora Miolos Fritos Produções Ano de produção  2015 Diretor  Beto Padreca Roteiristas  Teco Machado

Sinopse: Programa lembra momentos marcantes da história do rock. Cada episódio retrata um ano da trajetória do gênero musical, sem se prender à cronologia.

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Leandro Sanfelice

leandro@convergecom.com.br

“Mundo Selvagem de Richard Rasmussen”

Gravação da segunda temporada da atração levou equipe de filmagem ao continente africano.

O programa será exibido no Brasil e também no restante da América Latina.

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canal Nat Geo estreou no final de julho a segunda temporada de “Mundo Selvagem de Richard Rasmussen”. A atração é uma coprodução com a Green Planet, produtora nacional da qual Rasmussen é fundador e sócio. Diferente da primeira temporada, gravada no Brasil, os seis novos episódios acompanham o aventureiro em uma busca por animais ameaçados na África, como rinocerontes, tubarões, guepardos e gorilas. “Queríamos aceitar esse desafio e mostrar que podemos fazer uma produção de alto nível técnico mesmo fora do Brasil, que já conhecemos tão bem” conta Rasmussen.

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Para isso, a equipe de filmagem passou por nove países, percorrendo cerca de 30 mil quilômetros no continente africano ao longo de quatro meses. “Todo o trajeto, com exceção de um pequeno trecho, foi feito por terra, explorando e conhecendo o continente”, explica o aventureiro. Ao longo da viagem, a equipe de produção fez paradas estratégicas em três tribos nativas diferentes que persistem em viver como seus ancestrais: os Himbas, nômades da África Setentrional, os San, da região do Kalahari, e os Masai Mara, pastores que

vivem entre o Quênia e a Tanzânia. “O Richard representa muito bem a combinação de entretenimento com ciência e informação que é a marca do canal. Nesta temporada, ele mostra uma preocupação com a precisão da informação e com a denúncia. Por outro lado, há também a aventura e ele sabe entreter o público”, avalia Zico Goés, diretor de conteúdo dos canais Fox. Produzido com recursos investidos diretamente pelo canal, a atração conta com patrocínio principal da

a equipe de filmagem passou por nove países, percorrendo cerca de 30 mil quilômetros no continente africano •

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Mitsubishi, que fornece o carro utilizado pela equipe e da LG. “No começo, a intenção era produzir era ser dona desse conteúdo, e adicioná-lo ao portfólio dos canais Fox. Contudo, avaliamos que seria melhor o modelo de coprodução, até mesmo para poder cumprir a cota de conteúdo nacional”, conta o diretor. O programa será exibido no Brasil e também no restante da América Latina. “Com certeza é um produto com potencial para viajar. Temos certeza que será exibido na América Latina, porque a região está sob nossa responsabilidade, mas pode ser que vá para o resto do mundo”, avalia Gustavo Leme, vice-presidente sênior da Fox International Channels Brasil. Segundo o executivo, o canal já negocia a produção de uma terceira temporada. “A atração está entre nossas melhores audiências entre produções nacionais e sua continuidade deve aumentar a repercussão com o público. Não há nada fechado, mas estamos conversando e existe uma boa chance de continuarmos”, diz. Novo tema O programa vai além dos animais e aborda programas de preservação e as ameaças à vida selvagem na região. “Acho que agora encontramos um enredo definitivo para o programa – e esse é sempre o maior desafio. O tema da primeira temporada, mitos, foi interessante. Contudo, falar sobre os animais ameaçados e sobre as culturas associadas combina melhor com o Nat Geo, que é um canal de entretenimento mas se destaca pelo conteúdo informativo e preciso. Pretendemos desenvolver novos projetos em cima dessa ideia”, diz Rasmussen. O apresentador teve liberdade para aproveitar encontros imprevistos com animais como serpentes e lagartos e apresentá-los no programa. “Essa liberdade para

Programa vai além dos animais e aborda programas de preservação e as ameaças à vida selvagem

mim é fundamental, e é ótimo que o Nat Geo me permita isso. Temos um roteiro e um cronograma central que precisamos seguir, mas não nos limitamos a ele. A ideia é combinar informação com entretenimento, aventura. Sem essa liberdade de explorar não faz sentido ter eu como personagem”, conta o produtor.

Ficha Técnica Produtora Green Planet Studio  Produções de  Vídeo Editora e Serviços  de Educação Ambiental Ano de produção  2014/2015 Diretor  Luiz Ferraz Produtor executivo  Luba Agostino Produtora  Jane Rodrigues Roteiristas  Guilherme Stockler e Juliana Diegoli

Sinopse: Atração mostra o aventureiro Richard Rasmussen em uma busca por animais ameaçados na África, como rinocerontes, tubarões, guepardos e gorilas.

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(tecnologia) Da Redação

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O futuro agora

Especialistas apontam as tecnologias que podem ajudar a TV por assinatura a reter base de assinantes, aumentar a receita média dos serviços e enfrentar os provedores over-the-top.

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ue respostas a tecnologia pode dar às empresas de TV por assinatura em uma época em que a base de assinantes cresce a um ritmo menor, a pirataria ainda é um problema grave e os provedores over-the-top capturam parte da atenção do público? TELA VIVA fez esta pergunta a alguns dos principais fornecedores de soluções, e as respostas você confere nesta matéria.

fotos: divulgação

TELA VIVA Quais são as soluções tecnológicas disponíveis aos operadores para reduzir churn (desligamento de assinantes) e aumentar a ARPU (receita média por usuário, na sigla em inglês)? Segundo Thierry Martin, da Nagra, hoje existe um leque de tecnologias para aumentar a oferta do serviço de TV. O que gerou estes avanços foram a entrega de conteúdo over-the-top (ou por IP), o uso de múltiplas telas e a possibilidade de uso de tecnologia Web, como o HTML5, o que possibilita o uso apps e permite inovação mais rápida e menos custosa. “Estes elementos mudam fundamentalmente o que o operador pode trazer ao usuário, e o fato de levar a TV para telas individuais leva a repensar a forma da qual se acessa o conteúdo”, disse o executivo. Kirssy Valles, diretora de Desenvolvimento de Mercado - Pay-TV da Harmonic, vai na mesma linha. “Uma tendência que estamos vendo hoje é que os operadores estão oferecendo serviços de OTT como um valor adicionado aos seus

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clientes. Dentro dessa oferta OTT, há um número crescente de funcionalidades avançadas como streaming, VOD, e time-shift TV. Uma aplicação time-shift que está se tornando popular é o DVR em nuvem. Para este serviço, o cliente não precisa ter um set-top com funções de DVR. O conteúdo é gravado e armazenado na rede, permitindo que os telespectadores assistam time-shift TV em dispositivos de primeira e segunda tela, como tablets e smartphones”, disse. Hugo Ramos, CTO para América Latina e América central da Arris, lembra que em cada mercado no mundo existe uma pressão diferente em relação a este tema. Nos Estados Unidos, diz, a penetração é tão alta dos serviços de TV e banda larga que aplicações de IoT (Internet of Things), mais voltadas a serviços de segurança residencial e automação, foram necessárias como solução para as operadoras aumentarem o ARPU e reduzir o churn. Várias novas tecnologias ajudaram no sentido de tornar realidade estes produtos, tais como cloud e a evolução das tecnologias wireless em casa. “No mercado brasileiro acreditamos que estas tecnologias devem acontecer em meados do ano que vem”, disse o executivo. Sobre a implementação de sistemas de time-shifted TV (TSTV), nos quais o usuário controla quando, onde e em qual device assistir o conteúdo contratado, Ramos diz que eles permitem ao assinante perceber um valor muito maior deste conteúdo contratado dado a conveniência de encontrá-lo e assisti-lo em seus termos. Ele conta ainda que a imple-

“No mercado brasileiro acreditamos que tecnologias de Internet das Coisas devem acontecer em meados do ano que vem” Hugo Ramos, da Arris

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mentação de serviços Wi-Fi também permite ao operador reduzir o churn e possivelmente o aumento de ARPU, através de novos modelos de monetização como localização, propaganda direcionada entre outros. O que é possível oferecer aos assinantes baseline sem demandar alto investimento na substituição de caixas? Para Hugo Ramos, com a alta demanda de mais interatividade no mundo da TV, a explosão de devices poderosos introduzidos por grande empresas de internet e as novas possibilidades de implementação de software através de aplicativos criou em todo o mundo uma ameaça para os players tradicionais de entrega de TV. Esta oportunidades, diz, geraram pressão principalmente quanto à facilidade de se ter ciclos muito menores de atualização da experiência do usuário e implementação de novos serviços. “Um ponto importante a ser salientado”, diz, “é que o investimento na atualização do poder de processamento destes devices para implementação de novas features é efetuado pelo usuário. Isso permite que qualquer player que não conseguisse participar antes deste mercado hoje consiga participar”. Uma tecnologia que vem ganhando força no mercado, conta Ramos, é a do VirtualCPE. No caso da aplicação da tecnologia do Virtual CPE para vídeo, chamado de virtualização do set-top box, é uma tecnologia bastante madura e que permite a implementação de novos serviços aumentando a experiência do usuário com inte-

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ratividade super avançada através da renderização da interface do usuário (UI) em servidores, o controle remoto desta interface e o envio desta interface através de um stream de vídeo, item que as operadoras de vídeo mais sabem fazer. “Ou seja, traz liberdade para os operadores na implementação de novas interfaces de usuário (UI) e novos serviços em STB legados e avançados”, conclui. Para Kirssy Valles, quando se pensa em oferecer serviços OTT multiscreen, o investimento no lado do cliente é baixo, porque os operadores não têm necessariamente a instalação de um set-top box. Usa-se o conceito de BYOD (bring your own device, em inglês) ou “traga seu próprio dispositivo”. “Essa é uma ótima maneira para os operadores poderem rapidamente e de forma rentável alargar a sua oferta de serviços. “As possibilidades de uso e combinações destas tecnologias são muitas, e se a meta é reutilizar as caixas atuais, ainda sobra um mundo de opções para inovar”, diz Martin, da Nagra. A maioria das caixas no Brasil, lembra, contam com entrada IP, e se o operador tem controle sobre o software das caixas sempre é possível atualizar com desenvolvimento e atualização de software. “Quando se trata de inovar em outras telas, o impacto nas caixas é mínimo, ou até não necessário”, diz. Para Sergio Renteria, gerente internacional de vendas da Appear TV, Os operadores podem fazer o upgrade de seus sistemas de compressão, para trafegar conteúdos de forma mais eficiente, usando caixas com melhor peformance e métodos de multiplexação estatística, o que liberaria banda para a oferta de mais canais e serviços. Poderiam ser canais de rádio ou mesmo uma oferta maior de HD sem onerar tanto a rede ou fazer a troca das caixas dos usuários.

“Antes das operadoras poderem implantar serviços 4K, a indústria precisa definir todo o ecossistema”

Neste momento, conta, a maior parte do conteúdo 4K disponível é em VOD. “Uma vez que a indústria estabeleça um fluxo de trabalho da produção à entrega 4K ao vivo, podemos esperar ver operadoras de cabo, DTH e IPTV implantarem serviços 4K para se diferenciar dos provedores OTT, como Amazon e Netflix”, diz a executiva. Já o HDR é um tema discutido amplamente hoje na indústria, porque, juntamente com as novas especificações Rec-2020 para gama de cores, proporciona um diferencial real para o 4K, permitindo cores mais brilhantes, níveis de contraste mais elevados e melhora a experiência visual para os telespectadores, diz Kirssy. Renteria afirma que o HEVC 4K está ainda na infância de seu ciclo de vida técnico e comercial, e os padrões ainda não estão claramente definido pelos reguladores. Isso reduz o investimento na produção de conteúdo neste formato, fazendo com que seja custosa sua implantação ao longo da cadeia. Ao mesmo tempo, acredita que a tecnologia terá um papel futuro importante na distribuição multiscreen e OTT. “Nossa abordagem é a de introduzir esta tecnologia de forma modular, de forma que o operador possa implantá-la aos poucos, sem ter que trocar sistemas completos”, conclui.

Kirssy Valles, da Harmonic

TV por assinatura? E com HDR? Hugo Ramos lembra que a adoção massiva de conteúdo de mais alta definição no mercado tradicionalmente ocorre através de eventos esportivos mundiais, e esse será também o caso das Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. “A tendência de consumo de conteúdo cada vez mais personalizado e sobre demanda abre um canal importante para a massificação desta oferta em 4K, visto que a maioria dos conteúdos de vídeo sob demanda já estão sendo produzidos em definições iguais ou maiores”, diz. HDR, conta Ramos, é um tema ainda em estudo, porém com alguns avanços consideráveis. “Estudos mostram que este tema impacta imensamente no custo de produção de conteúdo e também no custo do TV o que deve demorar um pouco mais para ser acessível ao consumidor”. Quanto ao impacto do volume de dados, Ramos diz que os operadores devem lidar através da adoção de codificação mais avançada como o HEVC (H.265) e também da implementação de entrega deste novo conteúdo em IP. Para Martin, existe uma dinâmica complicada para este salto ao 4K, que lembra muito o do HD, já que envolve toda a cadeia de entrega do conteúdo: o conteúdo, o formato de compressão, a transmissão, a caixa e a televisão. “Na TV por assinatura, trocar a caixa é custoso, e para amenizar o consumo de banda deveria-se usar o HEVC para maior compressão e qualidade, estas mudanças não vão acontecer muito rapidamente”, opina. “Antes das operadoras poderem implantar serviços 4K, a indústria precisa definir todo o ecossistema”, diz Kirssy Valles.

Já chegou o momento de uma oferta mais consistente em 4K na

Qual é a importância da oferta do conteúdo em múltiplas telas? O assinante está preparado para lidar com mais dispositivos? O Consumer Entertainment Index (CEI 2015) feito pela Arris em 2015 mostrou que no nosso país em média existem sete devices conectados em cada casa, conta Hugo Ramos. Este número não somente vem aumentando ano a ano, diz, mas também mostra que a mudança de paradigma de consumo do assinante vem acontecendo, os assinantes querem consumir o conteúdo nos seus termos, onde, quando e em qual device assistir.

“Se a meta é reutilizar as caixas atuais, ainda sobra um mundo de opções para inovar” Thierry Martin, da Nagra

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Fernando Lauterjung

fernando@convergecom.com.br Fotos: divulgação

Variado

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Portáteis, o MGW Ace tem processamento baseado em hardware para codificação e streaming de vídeo em HEVC H.265, enquanto o MGW D265 é um decoder portátil HEVC, podendo trabalhar com codecs H.265 e H.264.

Ida e volta

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Vitec lança seu primeiro encoder HEVC portátil, bem como um decoder H.265 e H.264 também portátil. O encoder HEVC, o MGW Ace, tem processamento baseado em hardware para codificação e streaming de vídeo. O dispositivo apresenta compressão HEVC H.265, bem como a capacidade de trabalhar com legados em H.264. Seu uso principal é para apoiar os requisitos de conteúdo em campo em configurações móveis e compactas, como transmissões ao vivo de notícias, eventos desportivos ou aplicações em ambientes militares. Equipado com uma grande variedade de entradas e saídas e demandando baixo consumo de energia, o dispositivo serve para streaming de áudio de alta qualidade e vídeo. Já o MGW D265 é um decoder portátil HEVC, podendo trabalhar com codecs H.265 e H.264. Especificamente concebido para decodificação para IPTV e qualquer aplicação de vídeo full-motion, o dispositivo ocupa pouco espaço e traz opções de conectividade e ultra-baixa latência. O equipamento permite que aplicações de vídeo IP se beneficiem da economia de até 40% na largura de banda em comparação com o formato H.264. Como resultado, as instalações beta mostraram redução nas despesas operacionais, bem como melhor qualidade de imagem em ambientes de largura de banda fixa. Voltado para missões portáteis ou decodificação estacionária em qualquer rede, o decodificador fornece opções de conectividade, como HD-SDI, SD-SDI, HDMI e vídeo composto, oferecendo latência de 400 milissegundos.

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Audio-Technica já está distribuindo o seu microfone para broadcast de diafragma grande BP40. Com vocal dinâmico e som rico e claro, o equipamento é destinado para uma variedade de aplicações, incluindo rádio, overdubs, pós-produção ou podcasting. O dispositivo tem bom isolamento da fonte de som desejada, e máxima rejeição de ruídos externos quando se trabalha em ambientes de produção mais próximos. A posição das cápsulas é otimizada para ajudar a BP40: microfone manter uma presença vocal de diafragma grande da Audiodestacada, mesmo à distância, Technica para uso em broadcast. trazendo ainda barra vento de vários estágios de filtragem. Ele também inclui um filtro de 100 Hz que pode ser acionado para proporcionar ainda mais proteção de ruídos de vento. Entras as características do diafragma patenteado do BP40 estão a construção flutuante que maximiza a área de superfície do diafragma e otimiza o seu desempenho geral, enquanto a bobina humbucking impede a interferência eletromagnética - de monitores de vídeo, por exemplo. O BP40 vem de fábrica com a braçadeira de montagem AT8483, e para a proteção adicional do ruído, choques e vibrações está disponível o acessório AT8484.

Autônomo ou em conjunto

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MediorNet Micron é um dispositivo de rede de distribuição de mídia para a linha 80G MediorNet da Riedel, empresa de soluções de transporte e gerenciamento de mídia. Trabalhando de forma integrada com o roteador de fibra MediorNet MetroN, o Micron é uma interface de sinal de alta densidade, com uma gama completa de áudio, vídeo e entradas e saídas de dados, incluindo 24 SD / HD / 3G-SDI, duas portas digitais óticas MADI, uma porta Gigabit Ethernet, duas de referência de sincronização de entradas e saídas, e oito portas de alta velocidade 10G SFP+. O Micron oferece capacidades de roteamento e processamento que podem ser adaptados para produções de diversos tamanhos e complexidades. Uma única unidade serve como um roteador autônomo pontoa-ponto e processador enquanto várias unidades Micron é uma interface de sinal de alta densidade, com uma interligadas suportam gama completa de áudio, vídeo e roteamento de vídeo entradas e saídas de dados. escalável descentralizada.

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16º FÓRUM BRASIL DE TELEVISÃO

M E R C A D O

D E

C O N T E Ú D O S

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9 e 10 de novembro, 2015 WTC EVENTS CENTER, SÃO PAULO, SP

CURTA www.facebook.com/telavivanews | SAIBA MAIS www.forumbrasiltv.com.br INSCREVA-SE inscricoes@convergecom.com.br | 0800 77 15 028 | PATROCINE comercial@convergecom.com.br T e l a

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( agenda ) AGOSTO

7 a 15 Festival de Cinema de Gramado, Gramado, RS. www.festivaldegramado.net/ inscricao/index.php. E-mail: festivaldecinema@ gramadotour.com.br 5 a 15 Festival de Cinema de Locarno, Locarno, Suíça. www.pardolive.ch. E-mail: pardotickets@pardo.ch 23 a 27 Set Expo 2015, São Paulo, SP. www.setexpo.com.br/2015/. E-mail: comercial@set.org.br

outubro

O Congresso Latino Americano de Satélites reúne anualmente os representantes do Governo e dirigentes do setor para discutir e debater as principais questões que envolvem o mercado satelital.

27 a 6/9 Festival Internacional de Cinema de Veneza, Veneza, Itália. www.labiennale.org/en/cinema/ 71st-festival/. E-mail: info@labiennale.org

15 e 16 15º Congresso Latino-Americano de Satélites, Rio de Janeiro, RJ. www.convergecom.com.br/portal/eventos/satelites. E-mail: inscricoes@convergecom.com.br. Telefone: 0800-7715028.

SETEMBRO

9 a 15 TELAS - Festival Internacional de Televisão de São Paulo, São Paulo, SP. www.convergecom.com.br. E-mail: inscricoes@convergecom.com.br. Telefone: 0800-7715028.

10 a 15 IBC 2015, Amsterdã, Holanda. www.ibc.org/page.cfm/link=7. E-mail: sales@ibc.org 18 a 27 Cinemafest - Festival Internacional de Cinema, San Luis Potosí, México. www.cinemafest.com.mx/ E-mail: contacto@cinemafest.com.mx

DEZEMBRO

1 a 6 Festival Imagem-Movimento, Macapá, Amapá. www.festivalfim.blogspot.com.br/

18 e 19 Festival Internacional de Cinema de Amsterdã, Amsterdã, Holanda. www.idfa.nl/industry/festival.aspx E-mail: info@idfa.nl

OUTUBRO

3 e 4 Mip Junior, Cannes, França. www.mipjunior.com 5 a 8 Mipcom, Palais des Festivals, Cannes, França. www.mipcom.com. 30 a 7 de novembro Festival Internacional de Cinema de Mar Del Plata, Mar Del Plata, Argentina. www.mardelplatafilmfest.com/29/

NOVEMBRO

4 a 11 American Film Market, Santa Monica, Califórnia. http://www. americanfilmmarket.com/. E-mail: AFM@ifta-online.org    

Novembro

Ponto de encontro para produtoras, distribuidoras e canais de TV aberta e por assinatura. O Fórum Brasil de Televisão é um evento consagrado, com foco na realização de negócios e debates de temas relevantes para um público qualificado.

5 a 15 Festival Internacional de Cinema de Copenhagen, Copenhagen, Dinamarca. cphdox.dk/em. E-mail: info@cphdox.dk

9 e 10 Fórum Brasil de Televisão, São Paulo, SP. www.convergecom.com.br. E-mail: inscricoes@convergecom.com.br. Telefone: 0800-7715028.

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O MAIOR ENCONTRO DO SETOR DE TV POR ASSINATURA E BANDA LARGA DA AMÉRICA LATINA JÁ TEM DATA MARCADA PARA 2016!

De 29 de junho a 1º de julho de 2016 Transamérica Expo Center, São Paulo, SP [pavilhões D e E]

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PARCEIRO INSTITUCIONAL

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REALIZAÇÃO E ORGANIZAÇÃO

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Revista Tela Viva 259 Julho de 2015  
Revista Tela Viva 259 Julho de 2015  

Revista Tela Viva 259 Julho de 2015

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