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televisão, cinema e mídias eletrônicas

ano 23_#253_nov2014

Edital de Núcleos Criativos contempla 28 propostas, que receberão R$ 1 milhão cada para desenvolver projetos de filmes e séries para a TV.

IDEIAS IRRIGADAS CINEMA Processo de digitalização de salas deslancha no país com recursos subsidiados do BNDES

RADIODIFUSÃO Governo cria a EAD, entidade responsável pela organização do desligamento analógico


Foto: marcelo kahn

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primeira edição do TELAS – Festival Internacional de Televisão de São Paulo, promovida pela Converge (que edita TELA VIVA) em corealização com a Secretaria Municipal de Cultura, premiou algumas séries brasileiras em várias categorias. No entanto, na área de ficção, o destaque ficou com as séries internacionais, em especial as francesas. A competição foi um pouco desequilibrada, é verdade, uma vez que a produção média brasileira estava concorrendo com séries internacionais já premiadas, que são as que em geral buscam inscrever-se neste tipo de festival. A vencedora do Grand Prix, por exemplo (“3 x Manon”, França, 2014) é dirigida pelo vencedor do Oscar Jean-Xavier de Lestrade. Para o próximo ano o festival deve tomar medidas que deixem a competição mais equilibrada para as produções nacionais. Além disso, produções de maior fôlego (e valor de produção), como a minisséries da TV Globo, entraram na mostra, mas não em competição. Ainda assim, parece evidente que o Brasil ainda tem que comer muito feijão com arroz para crescer e competir com estas produções internacionais. Não que nos falte talento e criatividade. Ao contrário. Somos uma potência criativa, disputando espaços internacionais em várias áreas, como a música, as artes plásticas e a gastronomia. Já na produção audiovisual, padecemos de algumas deficiências. Uma delas sem dúvida ainda é o funding. Falta às séries nacionais valor de produção, dinheiro mesmo, que aparece no roteiro, na luz, na direção, cenografia, figurinos etc. Uma exceção que confirma a regra é a recémlançada “Que Monstro te Mordeu” (em destaque nesta edição), que mostra como, além do talento, o recurso investido influencia o que se vê na tela. Um dos problemas das cotas é justamente que, ao inserir a produção nacional em todos os canais, também pulverizou as verbas, priorizando a quantidade em detrimento, às vezes, da qualidade. Há também algum preconceito de parte dos produtores independentes em relação aos formatos consagrados mundo afora, em especial na TV americana. Onde estão as boas sitcoms brasileiras, fora da TV aberta? Séries policiais ou de investigação, séries de detetive, de heróis? Os produtores buscam, e o governo incentiva, a inovação de linguagem, de tratamento, de temas. Mas não seria mal o Brasil também dominar estes gêneros populares (que podem ser feitos com extrema qualidade), para conquistar mercado e ganhar pontos na curva de aprendizado. Quem sabe não fazemos um movimento antropofágico, e deglutimos estes gêneros da mesma forma que a Bossa Nova deglutiu o jazz, criando algo nacional, original e ao mesmo tempo global?

capa: everything possible/shutterstock.com

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everything possible/shutterstock.com

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Ancine libera recursos para o desenvolvimento de projetos de núcleos criativos

radiodifusão

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Até fevereiro deve ser criada uma empresa de R$ 3,6 bilhões para assegurar o fim da TV analógica no Brasil.

programação

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Esporte Interativo entra na briga pelos direitos de programação e leva a Copa UEFA. 20

TV por assinatura

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Em 2014, mercado mantém ritmo constante de crescimento

evento

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Primeiro TELAS – Festival Internacional de Televisão exibiu mais de 150 programas durante uma semana em São Paulo

cinema

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Após liberação de verbas pelo BNDES, digitalização avança.

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making of case

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Vinte anos após o sucesso de "Castelo Rá-Tim-Bum", Sesi, TV Cultura e Cao Hamburger reeditam parceria

case

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Inspirada em aventuras dos anos 80, nova série do Gloob está sendo produzida pela Casablanca

upgrade agenda Acompanhe as notícias mais recentes do mercado

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TM Rio 2016.


( xxxxxxxxx) fotos: divulgação

Apoio à neutralidade de rede

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, reforçou sua posição de apoio à neutralidade de rede com um comunicado oficial no qual defende não apenas o conceito, como também dá diretrizes e pede à Federal Communications Commission (FCC) que reclassifique a banda larga como um serviço essencial de telecomunicações. A iniciativa está em linha com o que o chairman da agência reguladora norte-americana, Tom Wheeler, defende. Com isso, o governo dos EUA se opõe publicamente e totalmente ao suposto conceito híbrido de neutralidade, que diferenciaria as regras de acordo com o modelo para varejo e atacado. A FCC é uma agência independente. Mesmo assim, a opinião declarada de Obama deve pesar muito na decisão final da entidade. "Acredito que a FCC deveria criar um novo conjunto de regras para proteger a neutralidade de rede e garantir que nem uma companhia de cabo, nem uma

companhia de telefone possam agir como gatekeepers, restringindo o que você pode ou não pode ver online", diz ele no comunicado. A proposta da Casa Branca é baseada em quatro princípios, que incluem a proibição de bloqueio, de aceleração/freio e de priorização de acesso e conteúdos, além de aumento da transparência em acordos de troca de tráfego. A medida, se adotada, beneficiaria provedores de conteúdo over-the-top (OTT) como a Netflix, que durante o ano combateu ISPs como Comcast e Verizon por ter que aceitar pagar para usufruir de mais capacidade na Barack Obama troca de tráfego em suas redes. Operadoras dos Estados Unidos já se manifestaram, alegando que com menos regulação, há mais investimentos. Essa visão de que a regulação da banda larga como common carrier é prejudicial é compartilhada por senadores republicanos. A posição da bancada conservadora, desde quando a discussão de neutralidade voltou a esquentar nos Estados Unidos, é que a FCC não deveria se responsabilizar pela questão.

Concorrência na programação

Série venceu o pitching do Fórum Brasil

Veneno da lata na TV Vencedor do pitching realizado na 11ª edição do Fórum Brasil de Televisão, em 2010, o documentário "Verão da Lata", de Tocha Alves e Haná Vaisman e produzido pela Suju Filmes, estreia em dezembro no History. A produção trata do verão brasileiro de 19871988, que ganhou o apelido de "Verão da Lata" depois que 22 toneladas de maconha foram despejadas no nosso litoral, a bordo de latas de metal hermeticamente fechadas, atingindo praias que iam do Rio de Janeiro ao Rio Grande do Sul. O especial revive a efervescência desse acontecimento com material de arquivo e depoimentos de figuras-chave desse episódio, de investigadores de polícia e agentes do órgão norte-americano DEA (Drug Enforcement Administration) a personagens célebres como Perfeito Fortuna, Fausto Fawcett, Eduardo Bueno, Marina Person, Taciana Barros, Lobão, Roger Moreira e a cantora Fernanda Abreu, que alguns anos depois desse verão lançou o hit “Veneno da Lata”, inspirado no episódio. 6

Um dos anúncios mais impactantes feitos pelo governo no setor de TV por assinatura este ano, o de que a Anatel passaria a analisar a possibilidade de estabelecer regras concorrenciais para o mercado de programação e conteúdo, ainda não começou a ganhar forma na agência. Algumas análises foram feitas e há a possibilidade de que o tema seja encaminhado conjuntamente entre Anatel e Ancine. Mas nada há de concreto ainda. A primeira provocação sobre o tema foi feita pelo presidente da Anatel, João Rezende, durante a abertura da ABTA 2014, em agosto deste ano, e depois o tema voltou a ser tratado no Painel TELEBRASIL.

foto: marcelo kahn

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João Rezende

Globosat Play chega à Sky G2C e Sky firmaram acordo que torna o conteúdo do Globosat Play, serviço de TV everywhere da Globosat, disponível para assinantes da operadora. O Globosat Play tem um acervo de aproximadamente 6 mil vídeos que podem ser assistidos sob demanda, e também permite aos usuários que acompanhem ao vivo a programação do GloboNews e dos canais SporTV. O serviço pode ser acessado pelo site, em computadores desktop e notebooks, ou através de aplicativos para tablets e smartphones e alguns modelos de consoles de games e smart TVs. O serviço já estava disponível a assinantes dos canais da programadora na CTBC, GVT TV, Multiplay, Net, Net Angra, Oi TV e Vivo TV.

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Novas regras a caminho

foto: marcelo kahn

Está em consulta pública até o início 3 de dezembro uma minuta de Instrução Normativa (IN) que altera dispositivos da IN 100, que trata sobre a regulação das atividades de programação e empacotamento previstas na Lei do SeAC (12.485/2011). A principal alteração é em relação ao período de aproveitamento de uma obra para o cumprimento da obrigação de veiculação de conteúdos brasileiros de espaço qualificado. A proposta da Ancine é criar um período diferenciado de aproveitamento da obra, de acordo com a classificação do canal, beneficiando os chamados Canais Manoel Rangel Superbrasileiros (que contam com 84 horas de obrigação semanal) e os demais Canais Brasileiros de Espaço Qualificado (aqueles que exibem 21 ou 24h de conteúdos nacionais por semana), que poderiam usar o conteúdo para cumprimento de cota por 24 e 18 meses, respectivamente. Para a grande maioria de canais continuaria o prazo de 12 meses. A regra proposta amplia também a possibilidade de um mesmo conteúdo cumprir cota em até dois canais de uma mesma programadora. Além disso, os Canais Superbrasileiros também poderão usar obras audiovisuais videomusicais para o cumprimento das obrigações. As regras, se aprovadas, trabalham de forma conjunta. Ou seja, um conteúdo de um Canal Superbrasileiro poderia ser explorado por outro canal da programadora para cumprimento de cota por um período de até 24 meses após a sua estreia no Canal Superbrasileiro. Da mesma forma, uma obra videomusical poderia ser explorada também por dois anos por outro canal da mesma programadora após estrear no Canal Superbrasileiro. No início de agosto, durante o Congresso ABTA, o diretor-presidente da Ancine, Manoel Rangel, sinalizou que a agência deveria flexibilizar o prazo de validade de um conteúdo para o cumprimento da cota em um canal. Conforme apurou TELA VIVA na ocasião, a ideia da agência já era, naquela época, criar um sistema que levasse em conta as diferenças entre os tipos de conteúdo e os canais.

“X-Coração” em TV paga e aberta O Disney XD exibe com exclusividade a série de animação gaúcha "X-Coração", criada por Guto Bozzetti e Lisandro Santos e produzida pela Cartunaria Desenhos. Serão 26 episódios de 11 minutos cada, que vão ao ar em toda a América Latina via cabo e, a partir do ano que vem, também na TV aberta pela TV Brasil. A série conta as aventuras de três amigos que formam uma banda de rock e sonham com o sucesso. Enquanto o estrelato não chega, o vocalista Alex divide seu tempo entre os ensaios e o seu trabalho como chapeiro de uma lanchonete, onde sua especialidade é o famoso x-coração. A direção da série é de Guto Bozzetti e Lisandro Santos, os roteiros ficam a cargo do cineasta gaúcho Carlos Gerbase e sua filha, a também cineasta Iuli Gerbase, além de Lisandro Santos. As vozes dos três roqueiros são dos atores Rafael Pimenta, Diego Medina e Jack Kaminski. A série conta com a participação da consultora Heather Kenyon na função de “story editor”, o que garante ao projeto um caráter mercadológico internacional, mesmo que o sotaque seja tipicamente gaúcho. Financiada com recursos do FSA – Fundo Setorial do Audiovisual / PRODAV 2010, geridos pela Finep, a produção teve sua base em Porto Alegre e também contou com a participação de profissionais de São Paulo e da Argentina.

Sócios e diretores A lista de sócios e diretores de todas as empresas de rádio e televisão do país foi atualizada no site do Ministério das Comunicações. A relação foi extraída do Sistema de Acompanhamento de Controle Societário (SIACCO), que é gerenciado pela Anatel e também pode ser consultado via Internet. A planilha no site do MiniCom tem a relação completa dos sócios e diretores das mais de 14 mil emissoras comerciais de rádios AM, FM, ondas curtas (OC) e ondas tropicais (OT), além de geradoras e retransmissoras de TV. A lista contém o tipo de serviço prestado, canal, município, nome comercial e de fantasia da emissora e também o quadro societário completo.

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Simplificação O texto também simplifica as informações que as programadoras devem fornecer à Ancine e aos consumidores, e propõe que programadoras pequenas, frequentemente com abrangência local e cujos canais não tenham que cumprir nenhum tipo de obrigação de veiculação de conteúdos brasileiros de espaço qualificado, possam submeter solicitação de dispensa da obrigação de envio mensal de arquivos para a agência.

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foto: marcelo kahn

( scanner) Relatório de transição

Volta do veterano

Mesmo com a presidenta Dilma Rousseff reeleita, a equipe do ministro Paulo Bernardo está dedicada a uma movimentação de transição para preparar terreno para os novos integrantes do Ministério Paulo das Comunicações em 2015. Bernardo Para tanto, será criado um relatório com o andamento de projetos, como o Regime Especial de Tributação para o Plano Nacional de Banda Larga Popular (RE-PNBL), assim como propostas que seriam encaminhadas pela nova equipe, como a revisão dos contratos do Serviço de Telefonia Fixa Comutada (STFC) e o projeto de Banda Larga para Todos, apresentado na campanha à reeleição e que visa levar fibra a mais cidades brasileiras. "Todos os ministérios estão fazendo relatórios de transição para entregar para a nova equipe, eu até vi hoje que vai ter um site com essas informações para deixar claro como vai ser transição, porque vai ser a mesma presidenta, mas vai ter uma transição, um novo governo que vai ser instalado dia 1º de janeiro", afirmou Paulo Bernardo. O ministro explica que a presidenta encomendou a preparação para o projeto Banda Larga para Todos, que visa levar mais infraestrutura de fibra para municípios afastados – segundo um levantamento do Minicom, 47% das cidades brasileiras têm rede ótica chegando ao município, e a meta é chegar a 90%, ou "todos onde forem viáveis".

O canal Viva lançou uma nova versão do programa “Globo de Ouro”, exibido pela TV Globo de 1972 a 1990. Além de revisitar hits dos anos 80 e 90, o “Globo de Ouro Palco Viva” reúne ídolos das gerações passadas e artistas que hoje se destacam. O programa, que estreou no dia 17 de novembro, exibe suas dez edições “Globo de Ouro” inéditas de segunda a sexta, sempre às 23h. As gravações foram realizadas em setembro, no Espaço Tom Jobim, no Rio de Janeiro. Idealizado pela diretora do Viva Leticia Muhana, o programa é dirigido por Patrícia Guimarães e tem produção da Samba Filmes. Berna Ceppas assina a produção musical, e Bernardo Vilhena e Silvio Essinger, o roteiro. O “Globo de Ouro Palco Viva” foi gravado em 11 dias, que totalizaram 132 horas de gravações, com uma equipe técnica de aproximadamente 100 profissionais. Na plateia, o evento contou com 150 pessoas a cada dia de gravação. Márcio Garcia e Juliana Paes são os apresentadores do programa, que promove encontros, lembra temas de novelas e presta tributo a artistas consagrados como Tim Maia, Elis Regina, Clara Nunes, Renato Russo e Cazuza. Cenário Os efeitos de luz mesclam-se às 40 bolas de acrílico penduradas por fios de náilon e espalhadas pelo teto do palco do “Globo de Ouro Palco VIVA”. O cenário, todo analógico, é assinado por Gigi Barreto, do Escritório de Arte Rio. O conceito montado pela cenógrafa e equipe une o saudosismo da primeira versão do programa à tecnologia atual.

Muito mais HD No início de novembro, a Sky ampliou significativamente a sua oferta de canais em alta definição. O Viva pode ser visto em alta definição na posição 235 no line up da operadora, por todos os assinantes a partir do pacote New SKY Mix HD. Ao todo, são 12 canais em alta definição, entre eles, dois inéditos no Brasil e com lançamento exclusivo: o Sundance Channel (canal 268) e o Food Network HD (canal 292). O canal Fox Sports 2, que não estava no line-up da Sky mesmo em versão SD, também chegou à programadora, nas versões standard e HD. Com isso, a base de assinantes do canal esportivo dobrará. Serão mais de 8 milhões de residências que receberão a programação dos canais Fox Sports. Com o sinal HD, os canais Fox Sports passarão a ter 4 milhões de assinantes, um aumento de 50% em sua distribuição, e também, estendendo a medição de audiência de todos os canais do grupo. Os canais Fox, FX e Nat Geo também foram lançados em HD na mesma data, ampliando a distribuição de conteúdo em high-definition. Publicidade As mudanças na Sky também tiveram impacto direto no canal Discovery Turbo, que estreou no line-up da operadora 8

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de DTH e, com isso, ampliou a sua distribuição, chegando a cerca de 8 milhões de assinantes. Com alcance maior, o canal vem comercializando inserções comerciais desde agosto. A cota fundadora do canal foi adquirida pela Peugeot, por meio de acordo articulado em parceria com a Y&R, agência responsável pela conta publicitária da montadora no Brasil. Inserções convencionais e chamadas de programação que trazem a assinatura da Peugeot estão entre as ações contempladas. Passam ainda a fazer parte do line-up da Sky: Disney Jr HD (canal 295), ESPN HD (canal 229), FX HD (canal 247), HBO Plus HD (canal 273), Maxprime HD (canal 279), NAT GEO HD (canal 251) e Telecine Cult HD (canal 266).

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Canal educativo

O Zoo da Zu A produção local “O Zoo da Zu” estreou no canal Discovery Kids no início de novembro. A atração coproduzida pela Boutique Filmes, tem meia hora de duração. Alegre e cheia de energia, Zu está sempre ao lado de seus amigos humanos, prontos para ajudar a desvendar os mistérios guardados pelos habitantes do zoológico. Nuno é o melhor amigo; Eric é o irmão mais velho; tia Mimi, tio Passarinho e Sr. Gelado são os tratadores do zoológico e fontes importantes de informação sobre os bichos. Sob a ótica da menina, a produção incentiva as crianças a aprenderem fundamentos da zoologia e geografia, ao mostrar as peculiaridades dos animais, seus hábitos e habitats. A direção é de Gabriel Barros.

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A Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV Cultura, iniciou no dia 14 de novembro as transmissões da MCE TV, o canal Multicultura Educação, na posição da TV digital, na Grande São Paulo. Na mesma data, às 11h, foi assinado um acordo de cooperação entre a FPA, o Hugo Barreto, da Fundação Roberto Marinho; Grupo Globo e a Fundação Marcos Mendonça, da TV Cultura; Roberto Marinho. A parceria e Gilberto Leifert, do Grupo Globo prevê cessão de conteúdo do arquivo da Central de Documentação da Globo (CEDOC) e exibição do "Telecurso", entre outros apoios. A programação do novo canal, destinado a alunos, pais e professores do ensino básico, é integrada também por produções realizadas em parceria com a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, pela TV Cultura, pela Univesp TV, além do material educativo de acervo da Fundação. Segundo a FPA, a proposta do MCE TV é criar uma grade de programação dedicada à educação básica – que vai da educação infantil ao ensino médio –, com foco no currículo escolar.

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( scanner) Variedades paranaenses

Fundo Setorial do Audiovisual

A RicTV, afiliada da Record no Paraná, estreou em todo o estado o "Vida Leve", com a jornalista e apresentadora Mira Graçano. Trata-se de um programa de variedades com um formato de programação regional inexistente no estado. O "Vida Leve" irá ao ar de segunda a sexta-feira, das 6h30 às 7h30. Os telespectadores interagirão com o programa, que responderá aos questionamentos do público por meio de quadros como o "Tia Chica", no qual uma fitoterapeuta mostrará receitas com ervas que podem ajudar a amenizar ou curar alguma dor ou doença. O programa também dará dicas de saúde todos os dias com o quadro "E aí doutor?", no qual os telespectadores poderão enviar as dúvidas e um médico responderá. Com o quadro "Esse bicho é meu", será abordado o comportamento de animais de estimação e para fechar a semana, todas as sextasfeiras o programa mostrará música e dicas de turismo no estado.

A Ancine, o Banco Regional de Desenvolvimento Econômico do Extremo Sul (BRDE) e o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) anunciaram em novembro novos investimentos do Programa Brasil de Todas as Telas em dez projetos inscritos em três editais de fluxo contínuo. O valor total da operação é de R$ 9,9 milhões, em recursos do FSA. Dois projetos para a TV, com previsão de exibição inicial no Canal Curta!, foram contemplados pela Chamada Pública Prodav 01/2013. Apresentado pela Mamo Filmes, "Quem se importa - A série" receberá investimentos de R$ 1 milhão; já o documentário "Zanine Arte de arquitetar", da Pontos de Fuga Produções Artísticas, teve aprovado um aporte de R$ 400 mil em sua produção. Pela chamada Prodecine 02/2013, na qual distribuidoras demandam recursos para a aquisição de direitos de exploração comercial de filmes de longa-metragem, quatro projetos receberão investimentos que somam R$ 6,7 milhões. São eles: "Zama", da Bananeira Filmes, distribuído pela Europa Filmes; "SPA", da Mamo Filmes, com distribuição pela Elo Company; "Elis", da Zulu Filmes, com distribuição da Downtown Filmes; e "Domingo", da Gamarosa Filmes, que tem distribuição acertada com a Ludwig Maia Arthouse Distribuidora. Finalizando a lista dos investimento anunciadas nesta operação estão quatro longasmetragens contemplados na chamada Prodecine 04/2013, que oferece complementação de recursos para projetos de ficção e animação. Em um total de R$ 1,88 milhão, receberão investimentos os filmes "Mate-me por favor”, da Bananeira Filmes; “Xucro – Oração do amor selvagem”, da Pandora Filmes; "O circo de Santo Amaro”, da Bossa Nova Filmes Criações e Produções; e "Love Film Festival", da República Pureza Filmes.

Mira Graçano

Premium em canal básico O Paramount Channel estreou na América Latina no dia 14 de novembro, com uma base de aproximadamente 15 milhões de assinantes. No Brasil, o canal, que se coloca como básico e suportado principalmente por publicidade, chega pelas operações da Sky, GVT TV, OiTV e Vivo, conta Carlos Penzini, gerente de marca do Paramount Channel e VP sênior de estratégia e desenvolvimento de negócios da Viacom International Media Networks (VIMN) The Americas. "Nós temos um portfólio de marcas no Brasil e todas elas cresceram rápida e significativamente. Nossa meta é chegar à mesma distribuição com o novo canal", disse o executivo. Segundo Penzini, a ideia é proporcionar uma experiência premium em um canal básico. Um exemplo disso é na publicidade. O Paramount Channel terá interrupções comerciais limitadas, em menor volume que o dos outros canais da programadora. Conteúdo O canal exibe 24 horas de filmes, trazendo, principalmente, grandes sucessos de Hollywood do acervo da centenária Paramount Pictures, bem como aquisições e filmes de estúdios locais. "Nós gostamos de dizer que somos feitos de estrelas", diz o executivo, em referência ao elenco hollywoodiano dos filmes. Para cumprir a cota local de programação, o canal já adquiriu direitos de alguns filmes de acervo. "Queremos aumentar o volume de conteúdo local, não apenas para cumprir cota", diz. Para isso, conta Penzini, a programadora já vem conversando com produtores locais, para entrar na produção de novos filmes. "Estamos nos reunindo com produtores locais, procurando por telefilmes e filmes theatrical. Ainda não estamos fechados em um modelo de parceria", diz. Carlos Penzini

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( figuras) FOTOs: divulgação

Distribuição latina

Gustavo Leme, Renata Dumont, Mario Peixot, João Nun, Maya Montenegr e Decio Matos

Reforço duplo A Delicatessen, dos sócios Mario Peixoto, Gustavo Leme, Alexandre Sallouti e João Nuno, anunciou Renata Dumont, head of sales da Hungry Man nos últimos seis anos, como nova produtora executiva. A produtora ainda contratou Lemon como novo diretor de cena. O profissional começou a dirigir em 2005 na Rebolución Filmes e traz em seu portfólio filmes publicitários para marcas como Coca-Cola Light, Axe, Impulse, Nestlé e Chevrolet.

Promoção A ESPN promoveu João Palomino ao cargo de vice-presidente de jornalismo e produção na ESPN do Brasil. Pelo canal, onde atua desde 95, participou das coberturas das últimas cinco Olimpíadas e de João Palomino quatro Copas do Mundo. Em 2012, foi convidado a assumir a diretoria de jornalismo e produção da ESPN e, em 2013, foi considerado pelo Prêmio Comunique-se como o melhor executivo de mídia do ano. Palomino conduziu o time de jornalismo e produção da ESPN durante a Copa do Mundo 2014 realizada no Brasil.

Conteúdo A AMC Networks Internacional Latin America anuncia a nomeação de Pablo Corona como vice-presidente de programação e aquisição. Corona trabalhará no escritório de Miami e se reportará a Eduardo Zulueta, diretor geral de AMC Networks International Latin America e Iberia. Corona supervisionará a aquisição de todos os filmes e séries do portfólio da AMC Networks International Latin America. Antes de se juntar ao AMC, Corona exerceu o cargo de diretor de aquisição de conteúdo da Netflix na América Latina, comandando as negociações com os principais estúdios de cinema, distribuidores, produtores e emissoras para o mercado digital na América Latina. Anteriormente, trabalhou para Turner Broadcaster System Latin America em distintas funções, de 2000 a 2013. 12

A Discovery Networks Latin America/US Hispanic (DLA/USH), uma divisão da Discovery Commmunications, promoveu Vera Buzanello ao cargo de vice-presidente executiva de distribuição. Baseada no escritório da empresa no Rio de Janeiro, Vera continua a responder a Enrique R. Martínez, presidente e diretor geral da DLA/USH e Canadá. Ela iniciou sua carreira na Discovery em 1998 e ocupou diversos cargos nas áreas de distribuição e vendas para afiliados. Enquan- Vera Buzanello to vice-presidente sênior de distribuição da DLA/USH, seu último cargo, Buzanello supervisionou toda a estrutura de distribuição do portfólio latino-americano, composto por 11 canais. A executiva também lidera as negociações atualmente em curso na área de licenciamento para plataformas não lineares incluindo aplicativos para televisão e distribuição por tecnologias sem fio (wireless).

Dupla A Popcorn Filmes contratou o diretor de cena Caio Cobra, que estava na Side Cinema e tem passagem pela Talk Filmes. O profissional possui experiência na produção audiovisual e já trabalhou para marcas como Itaú, Banco do Brasil, TIM, Azul, Caixa, Garoto e Santander. Caio também montou o filme “O Bem Amado”, de Guel Arraes, e as séries “O Negócio”, da HBO, “Across the Amazon” e “Nos caminhos de Che”, ambas exibidas pela NAT Geo. Além disso, Cobra dirigiu e lançou recentemente o documentário “Sobrevivi ao Holocausto” e foi premiado com o filme “Crônicas de um Assassino” no New York Independent Film Festival como melhor curta-metragem estrangeiro.

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União A WMcCann promoveu a unificação de toda a área de produção audiovisual e gráfica sob uma mesma liderança. Marcelo Hack, desde 2009 na agência, e até então responsável Marcelo Hack pela área de produção gráfica, foi promovido a vice-presidente de produção, passando a coordenar, além das áreas de produção gráfica, art buyer e produção digital, a área de RTV, Estúdio Fotográfico, Ilustrações 2D e 3D e Retoque. Com uma equipe de 46 profissionais, Hack supervisionará os trabalhos da WMcCann em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Novo serviço A Produtora Trio de Caito Cyrillo, Luciano Mathias e Ricardo Valente, contratou Iracema Nogueira como chefe de produção associada. Iracema dirigiu o RTV de agências como Taterka, Leo Burnett Taylor Made, FCB, Lintas Worldwide e DPZ, atendendo campanhas de clientes como McDonalds, Natura, Fiat, P&G e Visa. V i v a

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Produção independente

Malaika Cipriano e Marina Bortoluzo

Carla Ponte foi anunciada como a nova produtora associada da Primo Filmes. Ela também atuará como produtora executiva em projetos de ficção e não-ficção e passa a integrar a equipe da Primo Filmes como parte do plano para desenvolvimento de conteúdos direcionados à televisão. A contratação consolida o primeiro encontro entre Carla e produtora, ocorrido em 2013 na produção da série infantil “Que Monstro de Mordeu?”, na qual a executiva assina a supervisão de produção. Jornalista com mais de 20 anos de experiência em televisão, Carla faz Carla Ponte parte desde o ano passado da equipe de avaliadores do NETLABTV. Também em 2013 foi consultora para o 1° Programa Globosat de Desenvolvimento de Roteiristas. De 2008 a 2012 foi supervisora de produção e desenvolvimento para a Discovery Networks Latin America/US Hispanic, onde desenvolveu e supervisionou dezenas de produções originais, entre elas as séries “Águias da Cidade” e “Viver para Contar”, cujo episódio “Soterrados” foi Prata na edição de 2012 do Festival de Nova York. Sua carreira inclui passagens pela MTV, Rede Bandeirantes, TV Cultura, TV1 e Globosat.

Atendimento A YourMama Films ampliou a área de atendimento com a chegada de Malaika Cipriano e Marina Bortoluzo. A executiva Malaika, atendimento da Volcano Hotmind nos últimos 4 anos, é a nova gerente de projetos. Em Portugal, cursou ciências da comunicação na Universidade Nova de Lisboa e atuou na produtora Montaini Films. Em seu currículo ainda acumula passagens pela Produtora Associados e Movie&Art. Já Marina Bortoluzo assume como assistente de atendimento. Formada pela UNIP em publicidade e propaganda, a profissional trabalhou na área por 4 anos na Sentimental Filme.

A Dogs Can Fly, dos sócios Ricardo Whately e José Henrique Caldas, contratou a dupla de diretores DOM, formada por Gabriel Cupaiolo e Levi Vatavuk. A dupla se conheceu no começo do ano quando trabalharam numa campanha para o GNT com o Rodrigo Hilbert. Cupaiolo já produziu conteúdos para a Danone e passou por agências e produtoras como a CuboCC, Agência Manga e O2. Vatavuk teve passagens como finalizador e montador por importantes produtoras, como Sentimental Filmes, BossaNovaFilms e outras.

Programação esportiva Rogério Brandão deixou a TV Brasil no final de outubro. O até então superintendente de programação e diretor de produção da TV pública voltou ao setor de TV por assinatura assumindo em novembro função similar nos canais Fox Sports 1 e 2. Brandão Rogério iniciou a carreira em TV nos anos 80, na TV Brandão Gazeta, onde participou de projetos como o TV Mix. Passou ainda pela TV Globo, TV Cultura, Record e Bandeirantes. Nesta última, teve experiência na transmissão de eventos esportivos, quando a emissora tinha foco no tema.

Produção de conteúdo Michelle Alberty foi promovida a vice-presidente sênior de gestão de produção e executiva de produção da Viacom International Media Networks The Americas. Ela supervisionará toda a produção de conteúdo do portfolio do grupo, que inclui MTV, Nickelodeon, Comedy Central, VH1 e Paramount Channel. Baseada em Miami, ela se reportará a JC Acosta, VP executivo, CFO e executivo responsável por produção da VIMN The Americas. T e l a

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FOTO: Adriano Vanni

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Righi, Martin Toro, Paula Goldman, Maria João, Rodolfo Vanni, Dupla IÊ e Claudio Costa

Direção de cena A Cia de Cinema apresentou mudanças em seu casting de diretores de cena com a contratação de Paula Goldman, Martin Toro e a dupla IÊ, formada pelos diretores Clara Izabela e Zé Inlê. Paula Goldman começou a dirigir em Londres e já tem em seu portfólio, além de vários comerciais, o média-metragem “Eldorado”, sobre o tráfico de pessoas. Já passou por produtoras como Mixer e Zulu. Martin Toro estudou cinema na Argentina, em Cuba e em Nova York. Foi considerado NewFilmaker pelo Archive Cinema NY. Para o mercado brasileiro já dirigiu filmes para a Almap (Pedigree) e Band. Clara já trabalhou na MTV Brasil e Inlê atuou com produção executiva de cinema e é pós-graduado em Direção de Cinema pela Universitat Ramon Lull (Barcelona). O curta-metragem “O Voo do Avestruz”, trabalho de estreia da dupla, fez parte da seleção oficial da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e do Festival Internacional de Cinema de Chicago, EUA, entre outras mostras e festivais pelo mundo.

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Humberto Costa

telav iva@ co nvergeco m .co m .br

Fábricas de roteiros

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everything possible / shutterstock.com

Em busca de conteúdos inovadores e que ajudem os canais a cumprir a cota de programação nacional, a Ancine liberou por meio de concurso recursos para o desenvolvimento de dezenas de projetos. O drama, reconhecido pelos premiados, será encontrar janelas de exibição. aqui a menos de um ano e meio, se os prazos forem rigorosamente cumpridos, o Brasil vai colher uma safra de 165 projetos de filmes e obras para televisão. Um manancial de ideias audiovisuais que terá o seu desenvolvimento bancado por R$ 27 milhões desembolsados dos cofres do Fundo Setorial do Audiovisual. Será o momento exato para saber se funcionou bem um dos quatro eixos do programa Brasil de Todas as Telas. A linha dos Núcleos Criativos é uma aposta da Ancine para promover o desenvolvimento de projetos, roteiros, marcas e formatos. É a fórmula da agência para enfrentar a chamada "crise de roteiristas" que surgiu após a entrada em vigor da Lei do SeAC (12.485/11). A legislação estabelece três horas e meia por semana de conteúdo nacional nos canais por assinatura. As propostas geradas pelas 28 empresas contempladas não servirá apenas à TV paga: também poderão ser exibidas na televisão aberta, salas de exibição e nas plataformas de vídeo sob demanda. A Ancine recebeu 200 propostas de investimentos que em sua fase final de análise passaram pelo crivo de dois representantes da agência e três consultores externos: o escritor e antropólogo Luiz Eduardo Soares, o cineasta e professor Luis Dantas e o também cineasta e professor de cinema e televisão, Leandro Saraiva. 14

A produtora cultural Minom Pinho concorda com boa parte dos pontos do edital lançado em julho deste ano e que anunciou seus vencedores no início de outubro. Gestora do NetLabTV, concurso promovido pela operadora Net para revelar e capacitar roteiristas, ela considera adequados os prazos exigidos e o recurso destinado a cada empresa vencedora, algo em torno de R$ 1 milhão. "O foco em desenvolvimento de carteira de projetos orientados ao mercado é um recorte fundamental e responsável com os recursos públicos

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investidos, ou seja, não adianta investir em projetos que não possuem condição de serem viabilizados nas áreas de cinema e TV. Se fosse diferente, seria um desperdício de recursos. Priorizar como critério de seleção e pontuação líderes de núcleo com experiência comprovada garante por si só uma condução competente da metodologia e dos resultados, bem como amplia as oportunidades para que os roteiros/projetos desenvolvidos tenham mais chances de serem viabilizados gerando novos negócios", analisa Minom. Ela ainda aponta como acertada a decisão de condicionar o acesso a novos recursos ao sucesso dos roteiros criados. Ex- secretário do Audiovisual do governo Lula e autor de séries como "Cidade dos Homens" (Globo) e "9mm: São Paulo" (Fox), Newton Cannito é um dos vencedores do concurso Núcleos Criativos. Ele aponta a valorização do autor como um dos acertos do programa. "O edital não priorizou a avaliação da produtora, e sim o currículo do roteirista, ao contrário da maioria dos editais. Isso foi uma forma de dar mais poder de produção ao roteirista", explica. Regional Além de Cannito, o programa Núcleos Criativos premiou outros medalhões do audiovisual como Walter Salles, Cao Hamburger, Carolina Kotscho, Giba Assis Brasil, produtoras consolidadas como a O2 e outras em ascensão. Mas também


“Teremos a chance de provar que existe vida inteligente fora do eixo Rio-São Paulo e que estamos prontos para contar nossas histórias.”

apostas. "No Brasil, falta uma série de animação adulta de sucesso. 'Somos todos zumbis' tem grande chance de fazer sucesso ao trabalhar na sátira aliada à Sílvia Batista Godinho, da Aldeia Produções crítica social. A série tem 12 minutos e poderá ser encaixada em canais pagos cinco anos. Ele decide que passam series de abandonar o circo e ir para o animação. Concilia ainda Recife. Para que isso não vários elementos que fazem sucesso aconteça, os companheiros decidem levar na cultura jovem de hoje: universos o circo junto com ele", detalha Cezar distópicos, música pop, comédia e Maia, sócio-diretor da produtora. Para ele, zumbis. Os zumbis representam as um dos grandes desafios do projeto é o pessoas que seguem religiosamente o ajuste da agenda de toda equipe. "Todos politicamente correto, sem questionar são produtores, realizadores, diretores e nada e sem ter pensamento próprio", roteiristas e vão trabalhar em paralelo afirma Cannito. Dentre os roteiros com outros projetos". criados, este será o que ganhará um piloto. Sul e Sudeste Para levar os projetos adiante, ele A Animaking, de Florianópolis, reuniu um time de roteiristas de mobilizará 50 profissionais para colocar humor de diferentes mídias - como o em pé dois longas-metragens em stop cartunista Allan Sieber, André Diniz motion, entre eles "Minhocas 2", e três (HQ) e Fernando Muylaert (stand up séries de animação em computação e esquetes) - que será encarregado gráfica para TV. "Como líder do núcleo de dar vida a uma criativo, procurei mesclar sitcom sobre os projetos de longas e séries de bastidores da TV. A ideia dos 28 TV que possam ter grande apelo comercial no Brasil e ganhadores, é que tudo fique pronto em até oito meses e no exterior. Como exemplo, 11 vêm de por avaliações posso citar o longa 'Minhocas fora do eixo passe qualitativas que serão 2' e a série 'Bubblebit'. O rio-são paulo coordenadas pelo longa 'Minhocas' (primeiro sociólogo Carlos Novaes, em stop motion do país) foi especialista em pesquisa de TV. lançado timidamente em dezembro do Dependendo do resultado do crivo, ano passado e agora será distribuído nos os projetos poderão ser refeitos. EUA e França em 2015 no circuito "Incluir um pesquisador de audiência comercial. Essa é uma grande conquista em nosso núcleo é um de nossos para a animação nacional e comprova a principais diferenciais", acredita abertura que estamos conseguindo no Cannito. mercado internacional. Já a série A badalada Casa de Cinema de Bubblebit foi criada por artistas de quatro Porto Alegre investirá os recursos do países numa colaboração internacional programa Núcleos Criativos em promovida pelo Animamundi (Brasil) e a ideias que já eram discutidas na escola Animation Worshop (Dinamarca) e produtora desde o início do ano. A já nasce como uma coprodução opção foi propor uma carteira com a internacional", fala o entusiasmado Paolo maior diversidade possível. Serão Conti, diretor-executivo da Animaking. desenvolvidos o longa de ficção A Fábrica de Ideias Cinemáticas, de "Baby Sete", a minissérie dramática Newton Cannito, vai atacar com sete "O Harém", três séries ficcionais para projetos de gêneros variados, mas com públicos distintos (entra elas, "Nada muito humor inspirado na cultura digital. a Perder", de humor negro) e uma E o desenho animado também é uma das

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deu chance para o estabelecimento de uma nova geografia do audiovisual. Dos 28 ganhadores, 17 são do Rio e São Paulo. Os demais vêm de oito estados diferentes, além do Distrito Federal. "Teremos a chance de provar que existe vida inteligente fora do eixo Rio-São Paulo e que estamos prontos para contar nossas histórias", afirma Sílvia Batista Godinho, da Aldeia Produções, de Belo Horizonte. De uma pequena produtora no interior da Paraíba vem uma das promessas do audiovisual. Jhésus Tribuzi foi um dos roteiristas premiados no concurso NetLabTV do ano passado. Ele também é um dos vencedores do programa Núcleos Criativos. Uma equipe de cinco roteiristas ligados à produtora dele, a Vermelho Profundo, terá a missão de escrever seis projetos - cinco longas e uma série para TV. "A série se chama 'Nordeste e seus Gêneros' e, como o nome já diz, parte de ideia que lida com o gênero - ficção cientifica, thriller, policial, aventura, fantástico e o filme de época - no sentido de entender como funcionam as 'regras' de cada tipo de filme e depois tentar recodificá-las de uma forma que os clichês sejam retrabalhados e novas saídas narrativas sejam alcançadas", conta Tribuzi. Também do Nordeste, outra empresa foi contemplada com a linha de crédito da Ancine. A Ateliê Produções, do Recife, prevê o desenvolvimento de quatro séries de documentários e dois filmes de ficção. Uma das apostas curiosas é o longa-metragem "Coração de Lona". "O filme conta a história do Grande Circo Nova Iorque, que carrega no nome a grandeza subjetiva de um pequeno circo do sertão. O patriarca do circo, o palhaço Bedel, está muito doente e em seu leito de morte pede ao filho a promessa de continuar o picadeiro. Mas depois que o pai morre, não vê motivos para continuar e prefere procurar a mãe que deixou o sertão, o circo e a família quando ele tinha apenas

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( capa ) Cezar Maia, da Ateliê Produções, trabalhará com profissionais que tocam outros projetos paralelos, como produtores, realizadores, diretores e roteiristas.

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série documental. "Isso vai nos permitir trabalhar com um grupo variado de roteiristas e ao mesmo tempo buscar a viabilização financeira dos projetos em diferentes mecanismos, emissoras de TV e eventuais outros parceiros. Foram propostas histórias que nós gostaríamos de assistir; em segundo lugar, projetos que valham a pena produzir escrever, preparar, filmar e finalizar; por último, projetos que nos pareçam ter possibilidades concretas de levantar recursos", conta Giba Assis Brasil, roteirista, montador e um dos sócios da produtora. A Bananeira Filmes do Rio de Janeiro também persegue a fórmula da diversidade em sua carteira de cinco projetos. "Temos uma série de animação jovem, que se passa no Brasil de um futuro distópico, com grande influência dos animes japoneses. Uma série dramática mais na pegada 'agentes secretos', que brinca com as influências do cinema de aventura, mas trata muitas vezes de assuntos delicados, como o amor e a vingança. Outra série que aborda o universo feminino com inteligência e humor em episódios diários sempre dentro de um banheiro de mulheres. E uma sitcom sobre um homem que, depois de desempregado, aluga a si próprio para serviços de amizade. E ainda a adaptação de um livro para o cinema", revela Roberto Vitorino, líder do núcleo criativo da Bananeira. A produtora carioca afirma ter priorizado o trabalho com jovens roteiristas. Recebeu diversas propostas até chegarem aos projetos que julgaram com maior potencial para TV. Trata-se de um negócio novo para a Bananeira, notabilizada pela realização de filmes. "Queremos arejar nossos projetos com ideias e

pontos de vista novos, testar o que não funciona, se for o caso, jogar no lixo e criar coisas absolutamente novas", promete Vitorino. Gerar conteúdo alternativo é o que inspira a Aldeia Produções, de Belo Horizonte. Acostumada a atender emissoras como a TV Cultura, a TV Brasil, a TV Justiça e a TV Escola, a produtora desenvolverá duas séries de comédia live action, duas séries de animação destinadas ao público infantil e um reality show sobre cultura brasileira. "Nós entendemos que esse é um tipo de programa pouco explorado pela televisão brasileira, que se resume a licenciar formatos 'importados'. Há no reality show um potencial para criação de formatos nacionais com vistas inclusive para o mercado internacional e queríamos experimentar uma proposta original com a cara do Brasil", pontua Sílvia Batista Godinho, líder do núcleo criativo mineiro. E os obstáculos para concluir o projeto? "As dificuldades previsíveis no processo já foram previamente estudadas. O que não podemos prever são as dificuldades que teremos ao longo de um processo que, em parte, é pouco conhecido pela equipe. Mas estamos bem preparados para superá-las. Acredito que os anos de experiência e sobrevivência num setor com poucos incentivos para a produção fora do eixo Rio-São Paulo nos tornaram mais persistentes e criativos", conta Sílvia. Sigam o líder Uma das figuras centrais do projeto do programa é o líder do Núcleo Criativo. Ele terá a missão de coordenar o trabalho dos roteiristas, lapidar ideias, buscar soluções narrativas para a realização, mas sem perder de

“O edital não priorizou a avaliação da produtora, e sim o currículo do roteirista, ao contrário da maioria dos editais. Isso foi uma forma de dar mais poder de produção ao roteirista.” Newton Cannito, da Fábrica de Ideias Cinemáticas

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vista a viabilidade de mercado do roteiro. "O papel dele é agir como uma espécie de showrunner, conseguindo aliar a criatividade em todas as etapas de produção. Inclusive da venda", define Newton Cannito, que será o líder das propostas tocadas pela FICs. É um profissional que terá que supervisionar os encontros, o passo a passo do desenvolvimento, fiscalizar a coerência com o formato inicialmente sugerido, além de cobrar o respeito aos prazos estabelecidos. "Meu papel será manter a unidade criativa e produtiva do desenvolvimento de cada um dos projetos", afirma Paolo Conti, da Animaking. O líder tem a missão de conjugar o olhar atento para o geral e para o particular. "Ele é o responsável pela condução do processo dentro do conceito de writer's room adotado neste núcleo, onde os roteiristas discutem e participam coletivamente de todos os projetos, mas cada um fica responsável pela escrita final de uma das propostas", explica Silvia Batista Godinho. Para levar adiante a tarefa de criar e gerir a carteira de projetos, algumas das empresas se aliaram a nomes com vasto currículo. A Ateliê do Recife se associou na empreitada ao premiado diretor e roteirista Paulo Caldas, que também tem experiência em parcerias internacionais. Os dois últimos trabalhos dele ("Deserto Feliz"-2007 e "País do Desejo" – 2011) são coproduções BrasilAlemanha e Brasil-Portugal, respectivamente. "Paulo Caldas será o integrante do grupo que dará o tom aos projetos desenvolvidos. Nossa expectativa é que ele traga para o Ateliê informações que vão ajudar a desenvolver esses seis projetos da maneira e forma que o mercado exige", conta Cezar Maia, sócio-diretor da Ateliê Produções. A Casa de Cinema de Porto Alegre deu mais peso ainda ao papel do líder. O


“Novos profissionais serão capacitados na medida em que colocamos profissionais experimentados trabalhando com estagiários, recém- formados e profissionais com pouca experiência.”

núcleo terá quatro coordenadores e, digamos, "um líder dos líderes". "São os sócios da produtora: eu, Jorge Furtado, Ana Luiza Azevedo e Nora Goulart. Eu, como 'líder', vou assumir a maior parte das tarefas de condução dos grupos de trabalho. Jorge e Ana, além de escrever, vão coordenar os trabalhos com os demais roteiristas. A Nora vai acompanhar tudo com o olhar de produtora, pensando as possibilidades de viabilizar cada projeto", conta Giba Assis Brasil.

Paolo Conti , da Animaking

Crise de roteiristas Virou lugar-comum ouvido no mercado: faltam roteiristas para injetar ideias novas e de qualidade na TV brasileira. Ou seriam as emissoras que temem arriscar no novo e buscam modelos consagrados? O fato é que há um longo caminho para que novidades cheguem à telinha. A contradição de tudo isso é que há muita gente interessada em escrever para TV. As duas edições do concurso NetLabTV somaram quase três mil inscritos. A produtora cultural Minom Pinho vai direto ao ponto. "Há muitas pessoas que querem escrever para TV e poucas estão preparadas para o desafio". Roberto Vitorino, da Bananeira Filmes, tem opinião parecida. "Achar bons roteiristas não é uma tarefa fácil. Existem, sim, pessoas com boas ideias, mas colocá-las de forma adequada no papel nem sempre acontece de forma simples e assertiva". Para ele não há como resolver o problema se não for pela formação. "Roteiro é além de talento, muita técnica. O profissional procurado em um mercado cada vez mais profissionalizado é aquele que, com técnica, consegue se adaptar a diferentes demandas criativas ou comerciais e trabalhar em parceria com outros criadores. Isolar-se ou acreditar apenas na intuição artística,

tenha concebido e criado. Ele será pelo menos para a televisão, não submetido a uma condição de funciona", postula Vitorino. trabalho que exige uma rapidez Conforme se percorre o país, sobre-humana e depois não consegue multiplicam as diferentes visões impedir que qualquer pessoa da sobre o problema. Jhésus produção altere o texto", explica Tribuzi conta que, para quem Newton Cannito. tem uma pequena produtora no interior Cannito é defensor do modelo de da Paraíba, o que não faltam são negócio desenvolvido pela sua Fábrica carências. Mas ele acha que o problema de Ideias Cinemáticas que chama de não está relacionado à falta de bons agência criativa. A empresa é baseada escritores. "Muitas vezes o que acontece é num roteirista que desenvolve um que os trabalhos demoram a chegar (ou núcleo de criação e que depois realiza não chegam como deveriam) e o o conteúdo junto com grandes profissional que passou anos tentando produtoras. "É uma empresa focada engatar um trabalho sozinho, se vê no desenvolvimento de um roteirista desmotivado, sem tanta vontade que está virando produtor, como é o para engatar um projeto maior", modelo americano", define. desabafa Tribuzi. Os núcleos criativos que Parece haver um consenso de que pretendem enfrentar a tal "Crise de existem poucas oportunidades para que o Roteiristas" vão gerar oportunidades roteirista se desenvolva e ganhe a para jovens trabalharem com figuras expertise exigida pelo mercado. A experientes. O que produtora mineira Sílvia muitas empresas Batista Godinho, da Aldeia investimento procuram são pessoas Produções, dá um bom público busca que conheçam exemplo de como há sanar a carência dramaturgia, mesmo sérias limitações por roteiristas que sejam escritores, geográficas. "Para no mercado de dramaturgos. "O montarmos o núcleo modelo de núcleo que criativo reunimos cinco cinema e tv montamos prioriza a dos mais experientes contratação de criadores talentosos profissionais de roteiro de Minas Gerais. É nos primeiros anos de suas fato que, apesar do grande potencial, carreiras", afirma Roberto Vitorino. alguns deles têm pouca experiência com Acredita-se que a mescla de roteiro para programa seriado, uma vez vivências contribuirá para o que Minas Gerais não tem tradição de surgimento de uma nova safra de produção de conteúdo para a televisão. escritores para TV e cinema. "Novos Um ou outro teve a oportunidade de profissionais serão capacitados na trabalhar em produtoras no Rio e em São medida em que colocamos Paulo, adquirindo alguma experiência profissionais experimentados com programas de ficção e animação para trabalhando com estagiários, recéma TV. Nesse sentido, acreditamos que o formados e profissionais com pouca núcleo irá contribuir para o experiência", ensina Paolo Conti. aprimoramento não só de roteiristas, mas A Casa de Cinema está de olho também da equipe como um todo". também em profissionais que Há também um entendimento de que chegaram há pouco tempo no para surgirem novos talentos é preciso mercado e ainda exercem outras mudar as atuais condições de trabalho. "O funções, como direção, assistência, roteirista ganha muito pouco e tem pouco montagem, arte, etc."O núcleo está poder sobre o projeto, mesmo que ele o

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oferecendo a eles a possibilidade de dedicar a maior parte do dia de trabalho à escrita e discussão de roteiros. Isso é um elemento de formação fundamental para essas pessoas. Também estamos estudando a possibilidade de incorporar mais gente, especialmente alunos recém-formados de cursos de cinema, em outro formato de participação, com carga horária e responsabilidades menores. Mas isso ainda está em aberto", revela Giba Assis Brasil. Estado x iniciativa privada A ação da Ancine como incentivadora da formação de roteiristas e fomentadora de novos conteúdos para TV, cinema e vídeo por demanda levanta o debate: estimular este berçário de ideias para o audiovisual é papel do Estado ou da iniciativa privada? "O interesse da iniciativa privada geralmente é escasso em áreas em que o investimento parece arriscado. Em todo o mundo, com exceção dos Estados Unidos, o Estado tem um papel fundamental para incentivar a produção de conteúdo nacional. Em alguns países mais em outros menos. As leis de incentivo servem justamente para educar e reunir pouco a pouco o interesse privado e o público. Quanto mais o mercado se profissionalizar e se tornar competitivo mais a iniciativa privada terá interesse", acredita Roberto Vitorino. Newton Cannito acha que no geral as emissoras ou produtoras buscam jovens talentos que aceitam um valor irrisório pelo trabalho, com prazos apertados para criar e em condições de trabalho amadoras. "A única empresa de audiovisual que funciona no Brasil, de fato, é a Globo, que tem centenas de autores internamente e permite que eles apresentem projetos para produtores e diretores avaliarem", finaliza. Silvia Batista Godinho aponta a necessidade das empresas terem 18

“Queremos arejar nossos projetos com ideias e pontos de vista novos, testar o que não funciona, se for o caso, jogar no lixo e criar coisas absolutamente novas.”

desafio quando bater a porta de distribuidores e emissoras. Todos os entrevistados ouvidos nessa reportagem concordam nesse ponto. "Encontrar janela de exibição é um problema histórico, sem dúvida", resume Giba Assis Brasil. Roberto Vitorino, da Bananeira Filmes A maioria das empresas vencedoras do concurso da Ancine, atuação mais marcante para que em níveis variados, já têm mantido o setor tenha uma economia conversas com os canais. São sustentável. "Para um país que negociações ainda embrionárias que tem como meta ser o quinto maior poderão amadurecer à medida que produtor e consumidor mundial de os roteiros e pilotos ganhem vida. conteúdo audiovisual até 2020 é preciso Por enquanto, estão na fase de mais". Ela ressalta que o investimento em abordar o canal que tenha o perfil novos talentos e produção de conteúdo para receber o projeto desenvolvido. inovador é feito quase que exclusivamente Uma das estratégias utilizadas é pelo Estado por meio de editais nacionais envolver as emissoras no processo de e estaduais. "As poucas iniciativas vindas criação como forma de ajustar o do setor privado geralmente são feitas com roteiro. "Porque se por acaso algum o suporte de leis de incentivo federais, ou dos projetos tiver dificuldades para seja, o investimento não sai do bolso das ser viabilizado e colocado nas grades empresas. Dessa forma, o tiro sai pela da maneira como foi concebido, culatra, elas controlam o conteúdo sem estamos justamente prontos para sequer precisar desembolsar a grana". modificá-lo da melhor maneira", Partindo do princípio de que tudo conta Roberto Vitorino. começa pela criação, Minom Pinho defende É certo que o sucesso da o caminho do protagonismo regional por empreitada só poderá ser medido se parte de governos, iniciativa privada e grande parte dos empreendedores. Sobre o roteiros for convertido papel da Ancine, é taxativa. A maioria programas, que "Precisamos consolidar das empresas em ganhem a grade dos iniciativas como os núcleos vencedoras canais e provoquem criativos e criar novas políticas do concurso repercussão entre o que sejam mais abrangentes. da Ancine, em público. Um trabalho Esta é uma demanda federal, mas que depende também de níveis variados, que exige lenta ampliação de cursos livres e já têm mantido maturação. "Fortalecer audiovisual regional cursos acadêmicos, da conversas com oexige paciência e aproximação entre roteiro e os canais investimento", mercado e de programas de sentencia Minom formação de profissionais Pinho, que viaja pelo país dando especialistas e técnicos para atuarem no palestras e workshops de setor audiovisual". Ela prega ainda empreendedorismo cultural e criativo. envolvimento de toda a cadeia produtiva. "Acho que estamos num momento de "Cabe aos canais investir um pouco grande curva de aprendizado mais em inovação e brasilidade. Cabe a coletivo. Estudo bastante as fronteiras todos nós empreender processos de da economia criativa e das indústrias qualificação das narrativas para cinema e criativas e penso que agora TV", completa. começamos a entender os potenciais de investir em patentes criativas Em busca da janela brasileiras", finaliza otimista. É A consolidação da formação da nova esperar para ver. Mãos à obra, safra de roteiristas embalada pela política criativos do Brasil. dos núcleos criativos terá seu maior

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(radiodifusão)

Samuel Possebon

sam uc a@ co nvergeco m .co m .br

EAD: você vai ouvir falar dela

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ntidade Administradora do Processo de Redistribuição e Digitalização de Canais de TV e RTV, ou simplesmente Entidade Administradora da Digitalização, ou EAD. Este nome confuso e obscuro será, na prática, um dos personagens mais importantes da história da TV brasileira, ou pelo menos da parte da história que vai se desenrolar nos próximos quatro ou cinco anos. A EAD será a principal responsável pelo processo de desligamento da TV analógica no Brasil. Será ela a responsável por assegurar que todas as emissoras de TV e todos os receptores de TV do país, ou pelo menos das cidades em que vivem a maior parte da população, estejam prontos para o dia em que houver apenas sinais digitais sendo transmitidos. Em tese, essa data será em 2018, se tudo se mantiver no cronograma previsto pelo governo. Há boas razões para acreditar que isso de fato vai acontecer, assim como há bons argumentos para quem quiser apostar no atraso nesta data final, como veremos mais adiante. Por hora, interessa-nos saber o que será e o que fará (ou não fará) a EAD. Sabemos que será uma empresa privada, criada pelas empresas de telecomunicações por determinação do edital de licitação da faixa de 700 MHz, leiloada no final de setembro. A faixa de 700 MHz, como se sabe, é a fatia do espectro hoje ocupada pelas emissoras de radiodifusão e que, no futuro, será usada para transmissões da tecnologia LTE, destinada à banda larga móvel, serviço prestado pelas empresas de telecomunicações. A EAD deve ser criada em 90 dias após a assinatura do termo de 20

andrea crisante/albund/shutterstock.com

Até fevereiro deve ser criada uma empresa de R$ 3,6 bilhões cuja principal função será assegurar o fim da TV analógica no Brasil. A missão é para lá de complexa.

autorização decorrente da vitória no leilão de 700 MHz. Esse prazo deve se esgotar provavelmente em fevereiro de 2015. Não será uma empresa pequena. Pelo menos não em relação à sua missão e orçamento. Esta empresa será a responsável por garantir a entrega dos receptores de TV digital para todos os beneficiários do Bolsa Família; será a responsável por ressarcir as emissoras pelos custos de desocupação da faixa de 700 MHz (entenda-se, pela troca dos transmissores e demais custos técnicos decorrentes da mudança do canal utilizado nas transmissões); e pelo o trabalho de eliminação de eventuais interferências entre as transmissões de TV digital e as transmissões do LTE, inclusive a instalação de filtros contra interferência em todos os domicílios e uma espécie de suporte. Parece uma missão simples, mas não é. A EAD terá um trabalho extremamente complicado do ponto de vista logístico, terá que lidar com as pressões de emissoras de televisão que querem assegurar a máxima preservação de seus interesses (e entre as emissoras que

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serão contempladas com recursos da EAD estão não apenas emissoras comerciais, que já têm um considerável poder político, mas também prefeituras, igrejas, canais de TV da Câmara, Senado e Supremo); terá que aguentar as pressões exercidas pela Anatel diretamente ou por meio do GIRED (Grupo de Implantação do Processo de Redistribuição e Digitalização dos Canais de TV e RTV); e terá que enfrentar a pressão das operadoras de telecomunicações, que serão “acionistas” da EAD e ao mesmo tempo exigirão que as faixas de 700 MHz estejam liberadas o quando antes, mas também exigirão que a EAD seja econômica em seus custos, pois se houver “estouro” no orçamento o dinheiro necessário para cobrir as necessidades da EAD sairá de um novo aporte das teles. Orçamento E o orçamento da EAD não é nada pequeno. Ela terá assegurada uma receita, nos próximos anos, de pelo menos R$ 3,6 bilhões, o que é um valor imenso sob qualquer perspectiva, mas que pode ser insuficiente para o tamanho da encrenca em que a EAD está metida. Segundo apurou esta reportagem, as emissoras de TV têm contas bem mais agressivas para os custos dos serviços que terão que ser prestados pela entidade, alguns chegando ao dobro daquilo que o edital de venda da faixa de 700 MHz projetou. Outros estão mais ou menos alinhados com as contas da Anatel, que se refletiram no edital, mas o “erro” é sempre para


mais. A conta mais criteriosa que foi apresentada a TELA VIVA chegava à casa dos R$ 4,3 bilhões. É importante notar que a Anatel não abre os detalhes de suas estimativas, nem para as empresas de telecomunicações, nem para as empresas de radiodifusão, talvez para evitar outro flanco de questionamentos posteriores, já que tanto teles quanto TVs questionaram e pressionaram muito o governo na realização do leilão. Segundo algumas análises de mercado, os itens mais caros são, obviamente, a compra dos receptores de TV digital (que devem custar cerca de R$ 1,8 bilhão na estimativa das emissoras); a troca ou reconfiguração dos transmissores (custo estimado em R$ 800 milhões, segundo estudos feitos pelas emissoras de TV a que esta matéria teve acesso); custos para instalação dos filtros em cerca de 25 milhões de televisores (o que daria cerca de R$ 350 milhões, estimando o

custo de fabricação e envio dos filtros em cerca de R$ 17 a unidade); um custo de cerca de R$ 800 milhões para fazer o trabalho de ajustes in-loco previsto para usuários de TV que tenham, por exemplo, instalações de antena externa e que requeiram ajustes específicos para mitigação de interferências ou para permitir a recepção. Isso sem falar em todas as outras obrigações da EAD colocadas no edital. São listadas no edital de 700 MHz nada menos do que 17 obrigações, e outras podem ser ainda criadas pelo GIRED. São responsabilidades que vão desde uma campanha de divulgação do processo de instalação dos filtros e dos conversores, passando pela logística reversa dos equipamentos eletrônicos que venham a ser descartados no processo (como transmissores antigos) até a instalação de um call center específico pra atender os consumidores de TV que tenham dúvidas no processo. Sem falar em custos administrativos, da necessidade de contratação de consultorias e estudos de

mercado (a EAD, por exemplo, terá o papel de assegurar à Anatel que pelo menos 93% dos domicílios nas áreas de desligamento estão aptos para receber os sinais digitais de TV). Logística complexa A EAD terá que gerir a logística de distribuição de receptores para cerca de 13 milhões de famílias inscritas no Bolsa Família. Terá que instalar 1,2 mil transmissores para as retransmissoras que precisam de remanejamento (custo estimado pelos radiodifusores de cerca de R$ 350 mil cada), conforme a lista da Anatel apresentada, sendo que ali estão cerca de 25 geradoras, cujos transmissores custam na casa do R$ 1 milhão cada. O trabalho de especificação dos receptores de TV digital será um desafio à parte. A regulamentação fala que eles precisam dispor de recursos de interatividade, com Ginga, obviamente. O governo pode estabelecer que esse é

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(radiodifusão) um bom momento para fazer alguma integração com o Programa Banda Larga para Todos, bandeira da campanha de reeleição da presidenta Dilma Rousseff. Ou estimular iniciativas como o projeto Brasil 4D, que está sendo desenvolvido pela EBC. Isso significa dotar os receptores de canal de retorno via alguma rede de banda larga (fixa, 3G, 4G, WiFi...). Quem vai especificar isso é o GIRED, mas quanto mais sofisticada a caixa, maior o custo de produção e maiores as dificuldades de instalação e uso. Só que há um detalhe importante: a maior concessionária de telecomunicações do Brasil, a Oi, não entrou no leilão das faixas de 700 MHz, então não terá nenhuma voz ativa no processo de definição dessas políticas. A logística de funcionamento da EAD será muito similar, provavelmente, à de uma operadora de DTH. Será necessário manter uma equipe de instalação permanente com cobertura nacional, estoques de distribuição de equipamentos em diferentes localidades, call center, um time responsável pelo relacionamento permanente com a Anatel e com o GIRED, consultores, equipes de compra, engenharia, financeiro, tributário, comunicação... enfim, uma empresa muito similar em estrutura e organização às que existem hoje no mercado. E por essa razão deve ser uma empresa cara. Mas o que acontece se o orçamento de R$ 3,6 bilhões, assegurados com

A especificação dos receptores de TV digital deverá contemplar o uso de recursos de interatividade, com Ginga. recursos dos vencedores do leilão de 700 MHz e do governo (porque uma parte do espectro, que seria em tese destinado à Oi, não foi adquirido, de modo que a parcela da EAD sai do governo), não for suficiente? O edital é claro: se o dinheiro não der, as teles pagam. Caberá ao GIRED arbitrar a real necessidade desse dinheiro. E o GIRED é um órgão composto por Anatel, Ministério das Comunicações, quatro cadeiras para as teles e quatro cadeiras para os radiodifusores, mas os impasses são resolvidos pela Anatel e pelo Minicom, dependendo da competência. Disputa Naturalmente, haverá uma disputa intensa entre teles e TVs por interesses conflitantes. As emissoras querem assegurar a melhor cobertura possível dos seus sinais, querem que os usuários sejam rapidamente atendidos, querem que os equipamentos instalados para as transmissões digitais sejam os mais modernos e avançados, querem que os telespectadores que hoje dependem de antena externa (esse número é estimado pelas emissoras em pelo menos 15 milhões de residências) consigam ter seus sistemas adaptados para evitar interferências e assegurar a perfeita recepção dos sinais, querem que os receptores funcionem perfeitamente, querem

um call center de boa qualidade, campanhas de divulgação amplas e eficientes. Já as teles querem que a EAD seja econômica para não estourar o orçamento previsto, querem que ela seja rápida e objetiva na compra e distribuição dos equipamentos e querem o mínimo de interação com o consumidor, para evitar transformar mais esta obrigação em índices ruins de reclamação junto à Anatel, Procons etc. O equilíbrio entre os dois grupos de pressão caberá ao GIRED - que arbitrará a atuação da EAD e acompanhará seu alinhamento ao que foi colocado no edital - e às políticas púbicas. Mas algumas coisas são confusas e podem ser questionadas. A Portaria 481 de 2014 do Ministério das Comunicações estabelece que o sinal da TV digital deve chegar a pelo menos 93% dos domicílios antes do sinal analógico poder ser desligado. Ainda não está claro se essa conta considerará todos os televisores de um domicílio ou apenas um. As operadoras de telecom também alegam que essa imposição de cobertura é injusta, já que ela na prática não existe nem mesmo na TV analógica, onde o sinal chega com chuviscos, fantasmas e qualidade ruim à maior parte da população, e que nunca ninguém cobrou os radiodifusores dessa responsabilidade. Botar agora, na conta da EAD, a responsabilidade de que essa cobertura esteja assegurada

Principais obrigações da EAD 1) Ressarcir os custos decorrentes da redistribuição de canais de TV e RTV e implementação de soluções para os problemas de interferência prejudicial nos sistemas de radiocomunicação. 2) Distribuir um conversor de TV digital com interatividade e uma antena de recepção de TV digital para cada família cadastrada no Programa Bolsa Família do Governo Federal. 3) Executar o processo de redistribuição de canais de TV e RTV e elaborar, junto aos fornecedores, às equipes de instalação e logística e às empresas de radiodifusão a serem ressarcidas, os cronogramas operacionais de migração para os novos canais de digitais. 4) Submeter ao GIRED, para validação, dados aferidos do atingimento da condição para o desligamento da transmissão analógica dos serviços de radiodifusão. 5) Especificar, adquirir e instalar equipamentos e infraestrutura de radiodifusão que garantam condições técnicas de cobertura, capacidade e qualidade

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semelhantes as dos equipamentos de radiodifusão já utilizados pelos radiodifusores, bem como a continuidade do serviço durante a redistribuição do respectivo canal. 6) Distribuir, sempre que necessário para a mitigação dos problemas de interferência prejudicial nos sistemas de recepção de TV, filtros de recepção de TV e outras técnicas de mitigação, quando necessário. 7) Acompanhar a implantação das redes de SMP utilizando a faixa de 700 MHz. 8) Divulgar, por meio da Internet e em campanha publicitária, inclusive em TV aberta, informações sobre o processo de redistribuição de canais e de desligamento do sinal analógico de TV, e também sobre as formas de mitigação das possíveis interferências. 9) Criar e manter um call center gratuito para dirimir dúvidas e para auxiliar na instalação dos filtros de recepção de TV e conversores. 10) Estabelecer forma de atendimento preferencial à população nas hipóteses de domicílios equipados com antena externa que opere em faixa de UHF.

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fere o princípio da isonomia. Mas as teles têm um problema grande: elas pagaram ao governo, pelas frequências de 700 MHz, quase R$ 2 bilhões cada uma (TIM, Claro e Vivo), sem contar o montante de R$ 30 milhões pagos pela Algar para ter as frequências na área do Triângulo Mineiro. Além do preço da outorga, Claro, Vivo e TIM desembolsarão R$ 903,9 milhões cada uma para custear as atividades da Entidade Administradora da Digitalização (EAD), e o próprio governo terá que tirar dos R$ 5,8 bilhões que arrecadou, R$ 887 milhões referentes à indenização para os radiodifusores que seriam pagos pelo quarto concorrente (Oi), que acabou não entrando. Obrigações As teles já vinham com obrigações de cobertura desde o leilão das faixas de 2,5 GHz, também usadas para a banda larga móvel. O leilão de 700 MHz permitiu a elas, por um pequeno “extra” no preço, utilizar outras frequências, inclusive a faixa de 700 MHz (muito mais eficiente e tecnicamente adequada para realizar uma cobertura como a que as teles têm no Brasil), para atender a estas obrigações. Para que esse investimento comece a se pagar, é essencial que os canais hoje ocupados pelos radiodifusores estejam desocupados. O que significa que a EAD esteja cumprindo suas responsabilidades a contento, sem muitas disputas, contestações e arbitragens junto à Anatel e Ministério das Comunicações. Do lado das emissoras de TV existe o temor real de que o desligamento da TV analógica ou qualquer tipo de ruído ou complicação na instalação dos receptores e dos filtros acabe empurrando o telespectador para a TV por assinatura. É um risco real, considerando que provavelmente muitos dos técnicos e equipes de campo que serão utilizados serão os mesmos que hoje prestam serviços para operadoras de DTH e que as teles tendem a querer compartilhar

A EAD será responsável por garantir a entrega dos receptores de TV digital para os beneficiários do Bolsa Família, ressarcir as emissoras pelos custos de desocupação da faixa de 700 MHz e pelo o trabalho de eliminação de eventuais interferências. recursos já existentes para reduzir custos da EAD, inclusive call center e times de campo. Será um pesado jogo político e econômico entre dois setores poderosos (teles e TVs), e a EAD ficará no meio do caminho. É um modelo único, ainda não testado no Brasil. A Anatel já adotou a ideia de entidades independentes para gerenciar questões operacionais decorrentes de imposições regulatórias. É o caso da ABR Telecom, que gerencia o mercado de portabilidade, ou a EAQ, que controla a qualidade dos serviços de banda larga. Mas nesses dois casos os eventuais conflitos são entre Anatel. Com a EAD, será a primeira vez em que dois setores com interesses regulatórios antagônicos dependerão do sucesso do trabalho de uma mesma entidade. Governança O jogo começará a ser definido efetivamente quando forem conhecidos os mecanismos de governança, tanto do GIRED, no nível da Anatel, quanto da própria EAD. Ainda não se sabe como será a rotina de trabalho do grupo de implementação, nem como funcionarão as votações. Sabe-se apenas que TIM, Claro, Vivo e Algar terão assento, e por paridade serão quatro representantes do setor de radiodifusão. Mas uma coisa está clara: o jogo, até aqui, está muito mais favorável às emissoras. Elas conseguiram garantias do dinheiro da indenização independente das vontades do Tesouro, conseguiram um prazo de um ano após o desligamento para que o serviço de LTE comece a funcionar na faixa. Mas a EAD pode também representar uma vantagem para as teles, a despeito de todas as complicações. Isso porque o edital diz que, se sobrar dinheiro, é possível, “após a utilização dos recursos (...) para ressarcir os custos

decorrentes da redistribuição de canais de TV e RTV e implementar as soluções para os problemas de interferência prejudicial nos sistemas de radiocomunicação (...), o saldo de recursos remanescente, se houver, deverá ser destinado à distribuição de Conversores de TV Digital Terrestre com interatividade e com desempenho otimizado, ou com filtro 700 MHz, às famílias que já não os tenham recebido, dentre outros projetos, sob critérios a serem propostos”. O que são estes “outros projetos” ainda é um mistério. Poderia ser, por exemplo, um projeto de um operador de rede de transmissão de sinais digitais, ou um projeto de inclusão digital integrando TV e telecom, ou um set-top híbrido para TV aberta e TV paga, ou simplesmente ampliar o horizonte dos possíveis beneficiários do programa de recepção de receptores para outras camadas da população além dos beneficiários do Bolsa Família. Será, mais uma vez, um item de debate e costura política. Mas o mais importante para as operadoras de telecomunicações será conseguir otimizar os recursos e economizar dinheiro da EAD. Como? Algumas ideias já estão na mesa: uso das redes de DTH para atendimento e distribuição, compartilhamento de call centers, compartilhamento de equipes de atendimento, compras conjunta com equipamentos de TV paga, uso da EAD entre outras. Mas o sucesso da EAD, seja para atingir os objetivos das emissoras de TV, seja para atender aos objetivos das teles, está apenas começando.

O mais importante para as operadoras de telecomunicações será conseguir otimizar os recursos e economizar dinheiro da EAD.

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(programação )

Fernando Lauterjung

fernando@convergecom.com.br

Entre gigantes

Esporte Interativo entra na briga pelos direitos de programação e leva, com exclusividade em TV por assinatura e Internet, a Copa UEFA. Meta agora é ampliar a distribuição em TV paga.

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FOTO: divulgação

canal Esporte Interativo marcou a sua entrada definitiva na primeira divisão da programação esportiva na TV paga brasileira. O canal, que em meados do ano passado recebeu um aporte de R$ 80 milhões da Turner, fez o seu mais pesado investimento, vencendo a ESPN (que estava na disputa tendo a certeza de sublicenciamento para a Globosat) na disputa pelos direitos da Copa UEFA, a Champions League, por três temporadas. O Esporte Interativo levou, com exclusividade, os direitos de todas as partidas para TV por assinatura e Internet. O valor pago é mantido em sigilo, mas especula-se no mercado que o desembolso será de algo entre US$ 130 milhões e US$ 140 milhões. O canal vem investindo em direitos exclusivos como forma de aumentar seu poder de negociação junto às operadoras. Hoje o canal está nos lineups da Vivo TV, Oi TV, Claro HDTV, entre outras com menor base, mas ainda não tem presença nas duas maiores operadoras do país, a Net e a Sky, que representam mais de 60% do total de assinantes do serviço. "Fizemos o investimento apostando na aceleração do crescimento. A gente vem, ao longo do tempo, criando uma oferta de valor cada vez maior paras as operadoras de TV paga, parceiras e futuras parceiras. Não tinha nenhum investimento melhor que o maior campeonato de clubes do mundo", diz Edgar Diniz, presidente do Esporte Interativo. Segundo o executivo, a 24

programadora vem repensando a comercialização e distribuição do canal. Uma coisa já é certeza: "a oferta de conteúdo vai impactar no preço do canal". A exclusividade também em Internet é um ponto estratégico para a empresa, que conta com o serviço Esporte Interativo Plus, oferecido gratuitamente aos assinantes do canal e por R$ 9,90 a não assinantes. Guerra multiplataforma Para TV aberta, quem levou os direitos foi a Globo. A expectativa é que o grupo sublicencie pelo menos parte dos jogos para a Bandeirantes, o que seria também uma forma de minar o valor do campeonato na TV por assinatura. O Esporte Interativo - que conta com canal aberto no satélite (banda C) e em uma série de emissoras de TV que retransmitem o sinal da geradora do canal, em Santa Inês, no Maranhão, inclusive na grande São Paulo - só poderá exibir o campeonato nas plataformas fechadas. "Não é o primeiro campeonato em que acontece isso. Temos vários conteúdos exclusivamente em TV paga", diz o executivo. Para Diniz, as exibições em TV aberta não diminuem o valor do conteúdo da TV por assinatura, até porque apenas parte dos jogos estará na plataforma aberta. "Esta será a primeira vez que todos os jogos do campeonato serão exibidos no Brasil e com narração em português. As partidas que não tiverem transmissão ao vivo em TV estarão disponíveis na plataforma online. Todos os jogos. É o conteúdo perfeito para o

momento", diz o executivo, lembrando que o campeonato tem até oito partidas simultâneas. "Não queremos fazer nada em pay-per-view, mas existe a possibilidade de exibir jogos para canais eventuais, dependendo da negociação com a operadora", completa. Cobertura Todos os jogos do campeonato serão produzidos e reproduzidos em alta definição. Para isso, o canal está investindo em uma infraestrutura apta a receber, processar a transmitir oito jogos simultâneos em HD. Além disso, a cobertura do campeonato não estará restrita às partidas e aos comentários analíticos. Por contrato, o Esporte Interativo fará uma cobertura mais próxima aos clubes. "Um dos aspectos da proposta foi fazer uma cobertura diária dos grandes times. Acabou virando uma obrigação contratual", conta Diniz. Para isso, o canal está montando uma equipe permanente na Europa, que cobrirá o dia-a-dia dos grandes times do futebol do continente, acom­panhando treinos e produzindo maté­rias diárias. "Os jogos são apenas o ápice". Por fim, o canal terá equipe "in loco" nos grandes jogos, liderada pelo ex-atleta e treinador Zico. Pelo menos as partidas das fases semifinal e final terão a cobertura local. "Vamos praticamente dobrar a equipe de narradores e comentaristas do canal", diz Diniz.

"Estamos criando uma oferta de valor cada vez maior paras as operadoras de TV paga, parceiras e futuras parceiras. Não tinha nenhum investimento melhor que o maior campeonato de clubes do mundo." Edgar Diniz, do Esporte Interativo

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(tv por assinatura)

Estabilidade, sob observação Em 2014, mercado mantém ritmo constante de crescimento e cai menos do que a economia como um todo. Perspectivas para 2015 passam por consolidações.

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não ser que a demanda despenque no último trimestre, 2014 terá sido, para o mercado de TV paga, um ano de navegação estável, apesar da acentuada desaceleração que se abateu sobre a economia em geral, especialmente sobre os prestadores de serviço. O ano começou com a promessa de uma desaceleração elevada, com o índice anualizado de crescimento chegando próximo dos 9%. Ainda é um número relevante se comparado com a maior parte das atividades econômicas, e mesmo em relação a outros serviços de telecomunicações. Mas considerando o potencial ainda existente de penetração da TV paga, 9% de crescimento anual é pouco. A boa notícia é que o índice de crescimento aumentou um pouco no meio do ano, e de maio a setembro se manteve estável na casa dos 11%. Com a base crescendo, um índice percentual estável significa mais assinantes a cada mês. Segundo dados da Anatel, em setembro eram cerca de 2 milhões de novos usuários, marca atingida pela última vez exatamente um ano antes, em setembro de 2013. O crescimento mensal foi o melhor do ano. Ainda assim, mesmo com os números melhores do que se esperava, é difícil achar no mercado quem esteja otimista. A cautela ainda é o tom e a razão é o índice de inadimplência, cada vez mais difícil de ser combatido. O que puxa o mercado, dizem os operadores, são pacotes de menor valor, sobretudo aqueles com poucos canais pagos (o que significa que os programadores estão recebendo menos, apesar do crescimento total da base), e a ação agressiva de algumas operadoras, mas 26

Claro, a Sky, a Oi TV e a Vivo/GVT. não do mercado como um todo. E de fato, Mesmo operadoras que vinham 2014 tem uma estrela: a Net Serviços. Em mantendo posições estáveis, como nove meses, a operadora cresceu mais de Blue e Algar, estão agora num lento um terço de todo o crescimento do processo de erosão da base, assim mercado. Enquanto a Net adicionou no como os demais pequenos período cerca de 520 mil novos clientes, a operadores. A razão é a dificuldade Sky, que teve o segundo melhor de competir com a escala dos desempenho, cresceu 270 mil, seguida da grandes. Oi com cerca de 200 mil. A Oi TV, aliás, foi Em 2015, além da conclusão da um destaque positivo do setor, pois cresceu integração entre GVT e Telefônica, a quando todo o resto dos negócios da novidade é a chegada da AT&T ao operadora caíram ou pararam de crescer. mercado, por meio da Sky, uma A Net cresce mais porque está subsidiária da DirecTV, que foi apostando na banda larga como carro comprada no começo do ano pela chefe nas quatro cidades em que está gigante de telecomunicações. A chegando agora. As demais operadoras principal mudança deve ser a forte (fora a Vivo TV) precisam apostar numa aposta em uma rede de rede de DTH mais limitada banda larga em termos de serviços. A Oi, Índice de (o que a por sua vez, está usando a crescimento complementar Sky já vem reforçando TV paga como carro chefe, aumentou um há algum tempo com a com uma oferta que inclui pouco no meio sua rede TD-LTE) e em uma grande quantidade do ano, e de programação exclusiva. (cerca de 45) de canais da TV Globo em alta definição, o maio a setembro Esse será o maior problema no Brasil, que nenhuma operadora via se manteve o modelo satélite tem como oferecer. estável na casa onde econômico, e mesmo A fusão com a compra da dos 11%. regulatório, não serve GVT pela Telefônica, de incentivo para políticas de anunciada no segundo semestre por 7 exclusividade . bilhões de euros, deve trazer alguma Também fica a expectativa sobre mudança no mercado de TV paga, já que como será a integração entre Net, somadas as duas operadoras terão 1,5 Claro e Embratel, processo já iniciado milhão de clientes, assumindo a quarta do ponto de vista administrativo e posição, hoje da Oi. Mas a maior mudança que deve ter reflexos operacionais é que com essa base de clientes a mais intensos no próximo ano. Por operadora começa a ter preços mais enquanto, as três empresas vivem de vantajosos de compra de programação, o maneira separada, mas operacional­ que será uma vantagem competitiva. Outra mente é visível a ampliação das notícia importante é que a Vivo TV chegou ofertas combinadas e sabe-se que em perto da casa dos 80 mil clientes por fibra. algum momento todas as empresas A má notícia para o restante do terão o mesmo CNPJ, da Claro, que mercado é o fato de que ele está se esse ano já havia assumido a divisão tornando mais concentrado naquelas que de DTH do grupo. já tinham um tamanho considerável, o que significa uma disputa entre o grupo Net/ Samuel Possebon

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cobertura

(evento)

Da redação

telav iva@ co nvergeco m .co m .br

A TV na ribalta

Festival exibe e premia produções de qualidade do Brasil e do exterior FOTOs: marcelo kahn

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ão Paulo sediou de 7 a 14 de novembro o primeiro TELAS – Festival Internacional de Televisão, promovido pela Converge (que edita TELA VIVA) em corealização com a Secretaria Municipal de Cultura e a SP Cine. Durante uma semana foram exibidos mais de 150 programas de todos os gêneros, como animações, documentários, séries documentais, séries de ficção, webséries e outros. Para a competição foram selecionados mais de cem programas das principais produtoras do Brasil e de 18 países: Alemanha, Austrália, Bélgica, Canadá, Chile, Coreia do Sul, Dinamarca, Equador, Estados Unidos, Finlândia, França, Holanda, Inglaterra, Israel, Itália, Japão, Suécia e Suíça. Em mais de 90 das cerca de 200 sessões, todas em salas de cinema espalhadas pela cidade, o público pode conversar com os autores, elenco e diretores dos programas. O TELAS contou com a presença de mais de 30 produtores e diretores internacionais, que vieram apresentar seus programas. Para avaliar os conteúdos, o TELAS contou com quatro júris internacionais, um para cada categoria. O júri de ficção contou com Cristina Padiglione, colunista do Estado de São Paulo, Hélio Goldstein, diretor do Metrópolis e dos programas especiais da TV Cultura, Luis Simão, administrador executivo da televisão de Moçambique, François Sauvagnargues, diretor do FIPA, e Aleksei Abib, responsável pelo desenvolvimento de projetos do programa Ibermedia, em Madri.

Parte do júri internacional do primeiro TELAS

Para não-ficção, gênero documentário, avaliaram as obras Ana Paula Souza, jornalista especializada em cinema e políticas públicas, Mariano Kon, produtor e membro da academia internacional de artes e ciências da Televisão, Ricardo Casas, diretor e responsável pelo festival Divercine, Ester Fér, realizadora e docente audiovisual no Senac, e Keila Jimenez, colunista de TV da Folha de São Paulo. As obras de não-ficção, gênero lifestyle e realidade, ficaram a cargo de Maria Amélia Rocha, jornalista, roteirista e apresentadora, João Worcman,

O festival também contou com atrações especiais, como os “corujões”, em que séries de TV foram exibidas na íntegra madrugada adentro em dois espaços da cidade. 28

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executivo de mídia e distribuidor de cinema e TV, Roberto Blatt, executivo de televisão, cineasta e ensaista, e Edianez Parente, jornalista especializada em cultura e mídia. Finalmente, o júri infantojuvenil foi composto por Cielo Salviolo, consultora e pesquisadora na área de comunicação e infância. Helisa Prieto, autora com obras adaptadas para cinema, teatro e TV, Jocelyn Stevenson, roteirista e produtora de programas infantis. Luiza Lins, coordenadora e idealizadora da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, e David Kleeman, VP sênior dos programas “Insights” e “PlayVangelist”, e colaborador do Huffington Post e da Kidscreen. A coordenação foi de Beth Carmona e Vanessa Fort, da comKids. O festival também contou com atrações especiais, como os


Cao Hamburger apresenta a premiére de “Que Monstro te Mordeu”, que abriu o festival.

“corujões”, em séries de TV foram exibidas na íntegra madrugada adentro em dois espaços da cidade. No MIS o público viu a primeira temporada completa da francesa “Les Revenants”, transmitida no Brasil pelo canal Max. O Consulado da França em São Paulo providenciou até um lanche para os famintos da madrugada. No Caixa Belas Artes houve a exibição da segunda temporada de “Sherlock”, da BBC. O evento trouxe à cidade a exposição dos figurinos da novela “Meu Pedacinho de Chão”, da TV Globo, na Praça das Artes, e promoveu uma conversa com o diretor, Luiz Fernando Carvalho, e a figurinista Thanara Schönardie,

responsável pelas criações. O evento foi patrocinado pela Net, Discovery, Globo, Globosat e Band, e teve como parceiros nacionais o Centro Cultural São Paulo, Centro da Cultura

Judaica, Cine Olido, Cinemateca Brasileira, FAAP - Fundação Armando Alvares Penteado, MIS - Museu da Imagem e do Som, Praça das Artes, Sesc São Paulo e comKids. Os parceiros internacionais são os renomados festivais FIPA - Festival International de Programmes Audiovisuels e Sunny Side of the Docs, ambos da França, e o Hot Docs, do Canadá.

• Melhor série de ficção: “The Legacy” (Dinamarca), da Danish Broadcasting Corporation, com NRK, SVT, RUV e Svenska YLE • Melhor direção de ficção: JeanXavier de Lestrade, por “3x Manon” (França), da Image et Compagnie • Melhor direção de arte de ficção: Cassio Amarante, por “Destino SP” (Brasil), da O2 Filmes • Melhor atriz: Alba Gaïa Bellugi, por “3x Manon” (França), da Image et Compagnie • Melhor ator: Milhem Cortaz, por “Fora de Controle” (Brasil), da Gullane • Melhor roteiro de ficção: Maya Ilsøe, Per Daumiller, Anders August, Maja Jul Larsen, Lasse Kyed Rasmussen, Karina Dam e Lolita Bellsta, por “The Legacy” (Dinamarca), da Danish Broadcasting Corporatio, com NRK, SVT, RUV e Svenska YLE • Melhor direção de fotografia ficção: Christophe Nuyens, por “Cordon” (Bélgica), da Eyeworks • Melhor documentário (feature): “Here comes uncle Joe” (Coreia), da Boda Mediagroup • Melhor série de não-ficção – documentário: “Hoje eu desafio o mundo sem sair da minha casa” (Brasil), da Indiana Produções

FOTOs: divulgação

Confira os vencedores do primeiro prêmio Net TELAS “3X Manon”

“Um Contra Todos”

• Melhor série de não-ficção – lifestyle: “Um contra todos” (Brasil), da Zeppelin Filmes • Melhor direção de não-ficção: Wooyoung Choi & Sinae Há, por “Here comes uncle Joe” (Coreia), da Boda Media Group • Melhor direção de arte de não-ficção: Felipe Nepomuceno, por “Sangue Latino” (Brasil), da TvZero • Melhor roteiro de não-ficção: Halil Efrat, por “Album 61” (Israel), da GO2 Filme

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• Melhor programa infantojuvenil: “Con que sueñas?” (Chile), da Mi Chica Produciones • Melhor direção de infantojuvenil: Paula Gómez Vera por “Con que sueñas?” (Chile), da Mi Chica Produciones • Melhor direção de arte de infantojuvenil: Matt Middleton, por “Annedroids” (Canadá), da Sinking Ship Entertainainment • Melhor roteiro de infantojuvenil: Nicólas Zalcaman e Lucila Las Heras, por “Amigos” (Argentina), do PakaPaka • Menção honrosa não-ficção categoria documentário: “The right to Kiss” (França), da Electrik Filmes • Melhor programa non-scripted: “O infiltrado” (Brasil), da Cinegroup • Grande prêmio do júri: “3x Manon” (França), da Image et Compagnie Prêmios NOW A Net deu ainda um prêmio adicional aos programas de maior audiência no seu serviço on-demand ao longo do ano. Os vencedores foram: Série: “O Negócio”, da HBO Infantil: “Detetives do Prédio Azul”, do Gloob Variedades: “Meu Passado Me Condena”, do Multishow 29


cobertura

FOTO: izilda frança

FOTOs: marcelo kahn

(galeria)

Caco Galhardo, autor, e Maria Casadevall, atriz de “Lili a Ex”

Festa de abertura na Cinemateca

A atriz Daphne Bozaski na abertura do evento

Luiz Fernando Carvalho após apresentação na FAAP

Ação do Discovery Kids na mostra infantil do TELAS

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Matias Mariani, da Primo Filmes

Renato Nery, da Secretaria Municipal de Cultura, anuncia o Grand Prix do júri

Recepção no Theatro Municipal, antes da premiação

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A atriz Flavia Alessandra apresentou a cerimônia de premiação

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André Mermelstein (TELA VIVA), Nicole Collet (“3 x Manon”) e François Sauvagnargues (FIPA)

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FOTOs: marcelo kahn

Equipe da série “Ticolicos” fala com o público em sessão do festival

Vagner Matrone (FAAP) e o apresentador Danilo Gentili

Marcio Carvalho (Net) entrega o Prêmio NOW a Anne Olesen (HBO)

Vencedores do NetLabTV edição 2014 são anunciados no festival

Juan Ramirez (Mi Chica, Chile) recebe o prêmio de Beth Carmona (comKids) Bruno Assami, do Centro de Cultura Judaica, entrega prêmio à O2

FOTO: izilda frança

Minom Pinho (Casa Redonda), Milhem Cortaz e Philippe Barcinski (NetLabTV)

Rachel do Valle entrega prêmio de melhor série documental A diretora coreana Sinae Ha recebe o prêmio de Maria Amélia Lopes

Cerimônia de premiação lotou o Municipal

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(cinema)

Leandro Sanfelice

lean dro@ co nvergeco m .co m .br

O fim da película ktsdesign/shutterstock.com

Com processo de digitalização avançando no país, exibidores começam a pensar nos desafios e nas oportunidades que chegam com o novo padrão. premiação deverá ser utilizada pelos contemplados exclusivamente em projetos de digitalização.

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serão destinados a estes pequenos exibidores. A operação foi a maior já realizada para incentivar a digitalização do parque exibidor no Brasil. O processo, promovido com atraso na América Latina, agora se aproxima da sua conclusão no Brasil. De acordo a Ancine, o país tem hoje cerca de 1,6 mil salas digitalizadas, ou 57% de todo seu parque exibidor. Após a aprovação do financiamento da digitalização das 770 salas pelo BNDES, o plano da agência é entrar em 2015 com 80% das salas digitalizadas e chegar a 100% até o final do ano. Para ajudar a alcançar este objetivo, a Ancine direcionou a edição deste ano do Prêmio Adicional de Renda (PAR) totalmente à modalidade PAR-Exibição. Com R$ 3 milhões em recursos, o prêmio é destinado às empresas exibidoras com complexos de exibição de até duas salas, que tenham cumprido a cota de tela no ano de 2013. A

o início de novembro, a Ancine anunciou a aprovação do BNDES para um financiamento de R$ 123,3 milhões à empresa Quanta DGT, que possibilitará a migração de 770 salas de cinema de empresas exibidoras brasileiras para o padrão digital. A iniciativa será realizada por meio da Linha de Digitalização do Programa Cinema Perto de Você, um dos eixos do Programa Brasil de Todas as Telas. As condições financeiras da operação de crédito variam de acordo com o porte de cada grupo exibidor. Para grupos com mais de dez salas, é aplicada uma taxa de juros de 3% ao ano. Grupos com menos de dez salas podem tomar crédito sem juros. O programa disponibiliza ainda um apoio não reembolsável aos grupos menores, com até quatro salas de cinema. Nesta operação, R$ 2,7 milhões 32

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Virtual Print Fee As linhas de crédito oferecidas pelo BNDES são destinadas a integradoras de VPF (Virtual Print Fee), empresas capacitadas a atuar como coordenadoras do processo de digitalização. No Brasil, apenas a Quanta está aprovada para atuar como integradora junto ao BNDES, que oferece condições de pagamento mais atrativas para o exibidor. A integradora toma o crédito com o banco e assume a função de atuar em todas as pontas do negócio. O VPF foi uma forma encontrada por distribuidores e exibidores para repartir os custos envolvidos na digitalização das salas. O distribuidor, beneficiado com o fim das cópias físicas, paga um valor para compensar o exibidor das obras, dependendo da quantidade de vezes que elas são exibidas numa sala e de quão novo é o filme. A Quanta/DGT concentra a maior parte dos acordos no país. Segundo Luiz Fernando Morau, diretor da Quanta/DGT, a empresa já tem acordos para atuar como integradora de VPF em 987 salas de grandes e pequenos exibidores no país. “Esse valor, no entanto, vem crescendo diariamente”, disse o executivo. Com a aprovação do financiamento para 770 dessas salas, a empresa está começando agora o processo de entrega e instalação dos equipamentos digitais. “Esperamos que esse


projeto atravesse o ano, indo até fevereiro do ano que vem, quando prevemos ter todas essas salas prontas”, disse Morau. Segundo o executivo, a empresa estima entre 120 e 170 o número de salas ainda não digitalizadas e sem acordos com integradores de VPF. “É um valor ainda bastante expressivo. Em uma parte desses, cerca de metade, é fácil especificar o problema: são empresas com problemas de cadastro com a Ancine. Outra parte são exibidores com diversos motivos para não entrar – acham que o VPF não serve para pequenos exibidores ou que terão mais prazo – são várias razões. A questão é que, com a virada do ano, elas correm o risco de perder as linhas de crédito com o BNDES”, concluiu.

“Abre-se espaço para outros conteúdos, como transmissão ao vivo, treinamentos corporativos e lançamentos. Isso quebra a barreira do horário tradicional do cinema”. Luiz Fernando Morau, da Quanta/DGT

Mundo novo Com o processo de digitalização avançando no país, representantes de fornecedores do setor cinematográfico reuniram-se com exibidores em painel promovido pelo Expocine 2014, realizado em São Paulo este mês, para discutir os desafios do setor em uma realidade digital. A expectativa do mercado é que os equipamentos digitais exijam maiores gastos com atualização e manutenção por parte dos exibidores. “Antigamente era possível utilizar o mesmo projetor por quase 30 anos, contanto que ele

recebesse manutenção adequada. Hoje, além disso, é preciso estar atento às atualizações dos padrões de decodificação, que podem tornar os equipamentos obsoletos em menos tempo”, disse Bruno Tavares, diretor da Christie Brasil. Além da manutenção dos equipamentos, será também preciso pensar na formação dos profissionais que realizarão esse trabalho. “O profissional que fará a manutenção nessa nova realidade é especializado. A NEC está investindo em uma equipe capacitada de técnicos e profissionais de TI para prestar suporte. Por outro lado, os problemas podem ser resolvidos com mais agilidade”, avaliou Marcio Lustosa, gerente da NEC Brasil. Ao mesmo tempo, o setor enfrenta o desafio de atrair o público para suas salas, enfrentando concorrência de um número cada vez maior de alternativas para

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(cinema) “Antigamente você colocava um painel luminoso de acrílico no lobby. Hoje existe a possibilidade de rentabilizar esse ambiente com publicidade”.

fotos: divulgação

consumo de conteúdo. Aumentar o preço dos ingressos, nesse ambiente, significaria correr o risco de espantar os clientes. Desta forma, os exibidores precisam encontrar fontes alternativas de renda. Para Morau, da Quanta/ DGT, uma saída possível é utilizar as capacidades do digital para fornecer novos serviços de transmissão de conteúdo, rentabilizando horários de pouca venda de ingressos. “É possível rentabilizar além do conteúdo cinematográfico. Abre-se espaço para outros conteúdos, como transmissão ao vivo, treinamentos corporativos e lançamentos. Isso quebra a barreira do horário tradicional do cinema”, disse. A publicidade, em ambientes externos e até mesmo nas salas, durante os trailers, é outra opção apontada para aumentar a rentabilidade do exibidor com a utilização de tecnologias digitais. “Antigamente você colocava um painel luminoso de acrílico no lobby e pronto. Hoje existe a possibilidade de rentabilizar esse ambiente, com monitores LCD com publicidade, em um ambiente interativo, que fornece uma experiência diferenciada. É possível tornar o cinema um ambiente multiuso, controlando tudo através de um único sistema de digital signage”, disse Laudson Diniz, diretor da Cinelive.

Laudson Diniz, Cinelive

questões que serão apontadas. “Será considerada a questão da garantia da entrega das cópias digitais para o conjunto dos complexos, da manutenção do lançamento de cópias analógicas por pelo menos alguns meses enquanto se dá o processo de digitalização, principalmente de grandes e médios lançamentos e a formalização dos acordos de VPF, ainda que em contratos entre privados, mas que estejam acessíveis na Ancine para

Plano da Ancine é entrar em 2015 com 80% das salas digitalizadas e chegar a 100% até o final do ano. consulta conforme estabelecido em instrução normativa”, disse. Uma das preocupações dos pequenos exibidores é o fato de não terem acesso aos principais títulos em suas semanas de lançamentos, reduzindo o valor recebido por meio dos acordos de VPF (Virtual Print Fee), que pagam melhor para a exibição de filmes novos. Com isso, teme-se um desequilíbrio no mercado. Os pequenos exibidores, que mais dependem do valor dos VPFs, acabariam recebendo menos. “A agência está atenta às negociações entre os entes privados do setor e prestando atenção nas negociações que estão sendo feitas. Estamos concla­man­do pequenos, grandes, distribuidores, exibidores a entrega de contratos para balizar o mercado. Podemos regular essa questão caso seja necessário”, disse.

Regulamentação Rosana Alcântara, diretora da Ancine, deu detalhes dos trabalhos da câmara técnica criada pela agência para discutir e propor uma regulamentação para a digitalização das salas de cinema no Brasil. Segundo ela, o grupo, composto por 13 especialistas do mercado, realizou uma reunião ainda no mês de novembro. Após as discussões, será entregue um relatório com as questões discutidas pelo grupo. A diretora adiantou algumas das

Distribuição independente Com volume maior de recursos disponíveis, o mercado audiovisual 34

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brasileiro vem expandindo sua produção nos últimos anos. Contudo, encontrar espaço para distribuir essa produção crescente tornou-se um desafio. No cinema, a disputa por espaço com os blockbusters internacionais torna a missão ainda mais difícil para produtores independentes, uma vez que a capacidade de investimento em divulgação dos grandes players internacionais é muito superior à do cinema nacional. Por outro lado, os exibidores precisam vender o maior número de ingressos possível para sustentar seu negócio. Ocupar um espaço significativo das salas disponíveis com filmes com pouco apelo comercial não é uma opção viável para o exibidor privado. O espaço dedicado ao cinema independente nas salas do país e maneiras de melhorar a divulgação dessas obras e sua rentabilidade para o exibidor são algumas das preocupações de toda a cadeia cinematográfica e que estiveram presentes nos debates no evento. Igor Kupstas, diretor da O2 Play, Felipe Braga, diretor e roteirista de “Latitudes”, Silvia Cruz, diretora da Vitrine Filmes, e Paulo Schultz, diretor do documentário “Eu Maior” compartilharam cases de distribuição alternativa de obras e o potencial da Internet e das redes sociais de atrair público. O longa “Hoje eu Quero Voltar Sozinho”, representante brasileiro na disputa pelo Oscar, foi antecedido por um curta-metragem, veiculado gratuitamente no Youtube. “Peguei um projeto que já tinha uma grande base de fãs no Facebook, com cerca de 200 mil pessoas, com um curta que já havia sido visualizado por milhões de pessoas na rede. Esse público estava ansioso por ver o longa e demandava sua exibição”, conta Silvia Cruz. A Vitrine Filmes foi a empresa encarregada da distribuição do longa. Entretanto, para conseguir aproveitar esse potencial, Cruz revela que foi preciso criar uma


estratégia eficiente de veiculação e diálogo com os exibidores. “Resolvemos fazer uma pré-estreia do filme com exibidores para mostrar o potencial do filme. O prélançamento, beneficiado por essa divulgação feita pelos fãs na rede, lotou salas em 14 cidades. Dessa forma, coseguimos apresentar o potencial do longa para os exibidores e eles tiveram maior confiança em destinar uma quantidade maior de salas.” Ela lembrou que, na semana do seu lançamento, “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho” disputava espaço com grandes produções internacionais como “Capitão América” e “Noé”, que já tinham garantidas quase todas as salas de exibição. Como resultado, o filme estreou em 33 salas de 17 cidades, com um público de 31,6 mil expectadores na primeira semana. No total, o longa ficou em cartaz por quase 30 semanas, atingindo até 54 salas de exibição simultâneas e vendendo mais de 200 mil ingressos em 85 cidades diferentes.

foto: marcelo kahn

A força da rede “Latitudes” e “Eu Maior” buscaram em outras janelas de exibição o público que queriam levar apara o cinema. “Latitudes” inovou ao lançar primeiro versões da obra para TV paga e internet, com a obra chegando ao cinema depois. “Eram materiais diferentes em cada uma das plataformas. Nossa visão é de que as plataformas se retroalimentam. Ter três delas mostrando e divulgando sua obra – TV, internet e cinema – foi importante. Oferecer conteúdo pode ser muito mais eficiente do que publicidade para atrair o público”, avaliou Felipe Braga. No caso do documentário “Eu Maior”, a proposta foi ainda mais radical. Com grande parte

“A palavra-chave é retroalimentação. O grande desafio que encontramos hoje é como avisar esse público que essa obra existe. O consumo e o conteúdo é diferente nas plataformas”.

publicar durante um dia todo uma obra que já estava disponível. Por isso, sentamos e conversamos com nossos parceiros para viabilizar essa exibição”, conta Paulo Schutz.

Felipe Braga, diretor de “Latitudes”

da obra sendo financiada via crowdfunding, o documentário foi produzido para ter a internet como janela principal. Contudo, seus produtores também queriam encontrar espaço para os fãs que gostariam de ver a obra no cinema. A solução foi trabalhar em horários alternativos nas salas do Cinemark, uma dos patrocinadores da obra, e apostar em um projeto de exibição coletiva. O documentário

A estratégia de distribuir conteúdo online para divulgar o produto nos cinemas ainda assusta parte do setor. incentivou seu público a se organizar e promover encontros com pelo menos 150 pessoas para ocuparem a sala dos cinemas da rede em horários alternativos às terças, quartas e quintas, com ingressos vendidos a R$ 20,00. Com os grupos fechados, as salas eram, então, disponibilizadas para exibição da obra. Apesar de estar inteiramente disponível online, o projeto levou seis mil telespectadores ao cinema, atraindo um público maior que outras obras disponíveis nos horários de menor audiência. “Sabíamos da preocupação do exibidor em ter a primeira janela e sabíamos que não teríamos como pedir um horário de destaque ou

Canibalização A estratégia de distribuir conteúdo online para divulgar o produto nos cinemas ainda assusta parte do setor. O receio é que essa estratégia volte-se contra o exibidor, que perde a exclusividade da primeira janela e, em consequência, pode acabar com um público ainda menor. Para Schutz, é preciso considerar novas formas de divulgação. Contudo, ele concorda que ainda é preciso avaliar o impacto disso nas vendas dos exibidores. “É preciso ressaltar que essa experiência pode não ser viável para toda distribuição, e que foi um projeto inovador. Pode ser que hoje faríamos diferente, divulgando primeiro nos cinemas e só depois na internet. É um processo de aprendizado”, avaliou. Uma alternativa apresentada durante o evento, que veio de uma intervenção da plateia foi a possibilidade de aumentar o share da receita destinado aos exibidores como solução para aumentar a distribuição das obras. Para Silvia Cruz, da Vitrine Filmes, a proposta merece ser considerada. “Hoje existem outras formas de monetizar o conteúdo além do cinema. Se em troca de uma divisão diferenciada for oferecido um maior número de salas e maior destaque na divulgação, para que esse filme chegue a mais gente, pode ser considerado. É tudo uma questão de negociar”, avaliou.

“Estamos atentos às negociações no setor. Estamos conclamando pequenos, grandes, distribuidores, exibidores à entrega de contratos para balizar o mercado. Podemos regular essa questão caso seja necessário".” Rosana Alcântara, da Ancine

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( making of )

Lizandra de Almeida

c a r t a s . t e l a v i v a @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

FOTOs: divulgação

Time Brasil em ação

Para cumprir prazo curto, filme investiu na animação tradicional

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modalidades esportivas nas quais o Brasil tem equipes mais fortes. “A ideia era dar uma pincelada em várias modalidades esportivas, já que o COB cuida de todas”, explica. Para reproduzir os movimentos dos atletas, a equipe da Oca Filmes fez uma ampla pesquisa na internet. “Não assistimos só a vídeos de atletas praticando os esportes, mas também de treinamentos, para entender exatamente os movimentos. Quando eles estão treinando, é possível entender as passadas, os saltos, a posição de receber a bola, por exemplo.” Como as imagens de um esporte se encadeiam no outro, entender cada um dos movimentos era fundamental para criar esses elos. Os atletas retratados não reproduzem as feições de atletas reais e uma das preocupações justamente foi em retratar a amplitude de etnias do Brasil. “Procuramos representar a variedade étnica brasileira sem especificamente retratar nenhuma pessoa conhecida.”

Comitê Olímpico do Brasil (COB) deu início à campanha de divulgação do Time Brasil para os Jogos Olímpicos do Rio com uma animação produzida pela Oca Filmes. O filme foi apresentado oficialmente em um evento realizado no Rio de Janeiro e representa a convocação dos atletas brasileiros de todas as modalidades que irão participar da Olimpíada e Paralimpíada. O filme foi produzido em animação 2D tradicional, com uma breve ajuda de recursos digitais. “Tivemos que usar um pouco o computador para atender o prazo, mas a maior parte do filme foi frame e a frame mesmo, a velha técnica old school”, brinca o diretor, Guilherme Alvernaz. O trabalho foi desenvolvido diretamente com o COB e para criar o roteiro, Alvernaz selecionou as 36

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A produtora foi contratada diretamente pelo COB e por isso a equipe de Alvernaz foi responsável pela criação do filme diretamente com os profissionais de comunicação do Comitê. “Essa relação direta sempre torna o nosso trabalho mais livre, no sentido de que podemos estabelecer o design e as características visuais do filme. Com isso também foi possível explorar a técnica 2D, na mesa, com papel e lápis, que sem dúvida é a que a gente mais gosta de usar”, conclui.

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ficha técnica Produto Time Brasil Cliente Comitê Olímpico do Brasil Produtora Oca Filmes Direção Guilherme Alvernaz Produção executiva Ana Paula Catarino Atendimento Isabela Gava Produtora de áudioCabaret


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m jovem negro sai de sua casa em um bairro pobre e depara com um homem invisível. Conforme o dia vai transcorrendo, ele passa por vários locais e cruza com vários personagens invisíveis. À noite, vai para a balada e tem que fugir de um tiroteio. Acaba sendo baleado, morre e no dia seguinte ele mesmo se torna invisível. Até o último momento, não é possível saber exatamente qual o tema da história. Esse foi o recurso utilizado pela criação da DM9Rio para prender a atenção do espectador e fugir ao padrão dos filmes que defendem causas. Só no final, uma narração explica que 30 mil jovens são vítimas de homicídios, 77% são negros. A campanha da Anistia Internacional foi rodada no Rio de Janeiro. “O cliente nos pediu que as locações não ficassem caracterizadas como sendo de uma cidade específica. Resolvemos então partir para comunidades que não correspondessem ao modelo clássico, vertical, que hoje até é visitado por turistas”, explica o diretor Rômulo Rodrigues Veiga. Para isso, a produção precisou contar com o auxílio e a boa vontade das comunidades, que ajudaram a abrir as portas de cada locação. Para integrar o casting, foi escolhido o ator Wallace Coutinho, do grupo de teatro Nós do Morro, e outros atores amadores de grupos de teatro de comunidades no Rio. A equipe da produtora pesquisou várias técnicas para realizar o filme. A preocupação era com o realismo dos efeitos especiais necessários para criar os rapazes invisíveis. “Fizemos um primeiro teste com pessoas vestidas de verde, pensando em usar chroma key e fazer uma composição do cenário. Mas vimos

FOTOs: divulgação

Os invisíveis da violência urbana

Equipe contou com apoio das comunidades para acessar locações

que isso limitaria os movimentos de câmera”, afirma o diretor. Como a intenção era trabalhar com movimentos de câmera bem soltos, outra possibilidade era usar um braço robotizado de câmera ou uma grua de precisão. Essa opção, porém, não cabia no orçamento. A opção escolhida foi simular a pessoa invisível em computação gráfica. “Nossa preocupação era que a simulação de tecidos nem sempre fica muito boa, mas os softwares estão cada vez melhores. Usamos o motion capture e conseguimos um resultado bem realista”, diz Rômulo. “Uma das nossas grandes referências visuais foi o filme Distrito 9, do diretor sulafricano Neill Blomkamp. Não queria que ficasse bonito, esse filme não poderia ter uma estética publicitária. A computação gráfica também foi feita por um sulafricano, John C. Phillips, que conhece bem o problema que o filme apresenta”, conclui.

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ficha técnica Cliente Anistia Internacional AgênciaDM9Rio VP de CriaçãoÁlvaro Rodrigues Diretor de Criação Diogo Mello Criação Otto Pajunk  e Ana Cecília Novis Produtora ParaRaio Filmes Direção  Rômulo Veiga Fotografia  Felipe Hutter Steadycam  Felipe Scaldini Produção  Carolina Vieira Produção local Valnei Succo  (Observatório das Favelas) Figurino  Daniela Guedes Direção de arte Thaís Rodrigues Maquiagem  Maria Lima Supervisão  Jorge Luiz Almeida de efeitos e John C. Phillps Motion Capture  Hero Live Trilha  “Duas de Cinco”, de Criollo Desenho de som  Silence e mixagemProduções

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Que Monstro te Mordeu FOTOs: divulgação

Com orçamento de R$ 14 milhões, nova série infantil de Cao Hamburger para a TV Cultura estreia em novembro. A atração, que abriu o Telas – Festival internacional de Televisão de São Paulo, foi produzida pela Primo Filmes.

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“Toda vez que uma criança desenha um monstro, ele ganha vida no Monstruoso Mundo dos Monstros”, é o lema da série. Nesse mundo fantástico, a protagonista conhece outros monstros – todos interpretados por bonecos – e torna-se amiga deles. Em cada um dos 50 episódios, uma nova criatura surge, dando origem a uma nova aventura. “No começo dos anos 2000, acompanhei em um trabalho a produção do 'Teletubbies', em Londres. Desde então, fiquei com essa ideia de produzir uma série infantil que não fosse tão fofinha – e daí veio a ideia dos monstros”, conta Cao Hamburger, criador da série. Segundo ele, a ideia de “Que Monstro te Mordeu” é falar dos sentimentos que toda criança sente. “Nessa mesma época, comecei a me interessar pela questão de como deve ser sentir pela primeira vez um sentimento novo para uma criança - seja raiva, compaixão, curiosidade. No caso da

inte anos após o sucesso de "Castelo Rá-Tim-Bum", Sesi, TV Cultura e Cao Hamburger reeditam a parceria em uma nova e ambiciosa produção infantil para o canal público. “Que Monstro te Mordeu” é uma série de ficção que mistura animação, bonecos e atores em um mundo fantástico habitado apenas por monstros. Com orçamento de R$ 14 milhões, a atração com 50 episódios de meia hora estreou em novembro na TV Cultura. A série, que abriu o Telas Festival Internacional de Televisão de São Paulo, foi produzida pela Primo Filmes. “Que Monstro te Mordeu” conta a história de Lali, uma garota meio monstra e meio humana que ganha vida no Monstruoso Mundo dos Monstros, habitado por criaturas surgidas da imaginação das crianças. 38

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série, essas emoções tomam forma nos monstros que são desenhados e surgem”, revela. Após trabalhar em outros projetos, Hamburger reviveu a ideia do mundo monstruoso e apresentou-a para o Sesi e a TV Cultura. “Fiquei por um tempo trabalhando com outros projetos, mas senti a vontade de voltar para o universo infantil. Foi então que fui buscar esse projeto que estava guardado há tanto tempo e apresentei para eles, que apoiaram desde o começo”, diz. Pré-produção O projeto foi desenvolvido em parceria com a produtora independente Primo Filmes, que já havia trabalhado com a Caos Produções (produtora de Cao Hamburger) em outros projetos. “Quando o projeto chegou


aceitamos como um grande desafio. Além do tamanho da obra, trabalhar com bonecos foi muito desafiador. Na televisão brasileira, dentro das emissoras, existem exemplos de trabalhos com bonecos famosos, mas um projeto desse tamanho na produção independente era algo inédito”, conta Matias Mariani, produtor da série. Segundo ele, a equipe da Primo pesquisou no mercado referências para o trabalho. “Tivemos um grande acesso ao pessoal do 'Cocoricó' e 'TV Colosso', o que ajudou bastante. Para criarmos os bonecos, buscamos fornecedores dos Estados Unidos, mercado com mais experiência nesse tipo de produção”, conta. Uma equipe de seis roteiristas trabalhou pelo período de quase um ano na produção dos roteiros. “A equipe se reunia para um brainstorm e então cada um saia com um episódio, de um novo monstro, para desenvolver. Depois esse episódio voltava para a equipe. Foi um processo feito a muitas mãos, sempre acompanhado de perto pelo Cao”, lembra. “Para mim, foi muito interessante essa experiência de trabalhar na criação e direção e também na produção e no planejamento” conta Hamburger. “Sempre dei muito valor para processos, acredito que o resultado final seja consequência de um bom processo. Tive a oportunidade de criar o procedimento ideal que sempre imaginei como diretor. Procurei fazer isso de forma que a direção e a direção de arte tivessem bastante espaço criativo, e planejando tempos bastante razoáveis para os processos de desenvolvimento de roteiro e amadurecimento dos personagens”, revela o criador da série. Monstruoso Mundo dos Monstros As gravações de “Que Monstro te Mordeu” foram realizadas nos

Idealizado pelo diretor de arte Valdy Lopes, o Monstruoso Mundo dos Monstros materializou-se em um estúdio de 600 m², completamente ocupado pelo cenário. estúdios da Quanta, em São Paulo, ao longo de cinco meses, entre setembro de 2013 e fevereiro de 2014. “Foi muito desafiador gravar os 50 episódios de uma vez só”, conta Mariani. Idealizado pelo diretor de arte Valdy Lopes, o Monstruoso Mundo dos Monstros materializou-se em um estúdio de 600 m², completamente ocupado pelo cenário. “Geralmente, dentro do estúdio, deixamos um espaço para equipamentos e equipe. Nesse caso todo o espaço foi tomado, sentíamos como se estivéssemos trabalhando dentro daquele mundo mesmo”, diz o produtor. Dessa forma, conta, a equipe precisou alugar um segundo estúdio menor para a gravação dos quadros extras que ajudam a compor as histórias.

Segundo Cao Hamburger, a construção desse mundo levou em consideração a complexidade de trabalhar com bonecos live-action, bonequeiros, bonecos vestidos e atores fantasiados em um cenário 360°. “Quando você trabalha com atores e bonecos em um cenário aberto, é sempre um desafio, pois para dar mais liberdade para um você acaba travando o outro. Para evitar isso e permitir que todos contracenassem com liberdade, o cenário foi construído com uma série de níveis móveis, trincheiras e rampas. São técnicas que já existem, mas não sei de outra produção que usou todas combinadas dessa maneira”.

Da esquerda para a direita: Teodoro Poppovic, Matias Mariani, Cao Hamburger, Philippe Barcinski e Jum Nakao

Curiosidades da série • Cenário com 600 m2 construídos, idealizado por Valdy Lopes • Oito bonecos desenvolvidos por Paul Andrejco • Seis quadros: As Monstro-Montanhas, Monstro-Notícias, Umus, Órgãos, Sherman e Shorume e Monstro-Lesmas • 110 diárias de gravação • Gravações simultâneas em dois estúdios • 18 crianças desenharam os monstros que viraram personagens 3D • Mais de 180 profissionais envolvidos na produção • 50 episódios de meia hora para a TV • 50 pílulas para a Internet

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( case) Alguns cenários, como a árvore na qual os personagens falam consigo mesmo em momentos de reflexão, combinaram estruturas reais com fundos 3D produzidos pela O2 Pós, responsável pela pós-produção e pelas animações da série. “Os atores e bonequeiros gravavam as vozes na hora, para dar maior veracidade à interpretação - é mais difícil, mas valeu a pena. Também utilizamos iluminação mais sofisticada que a da TV convencional. Adotamos uma linguagem bem cinematográfica para essa produção, buscando excelência em todas as etapas”, conclui Hamburger. A cada desenho, um novo monstro Concebidos pelo estilista brasileiro Jum Nakao, os bonecos dos personagens principais da série - Luísa, Gorgo, Dedé, Dr. Z, Morgume, Síndico, Deliverson e Talvez-Sim, Talvez-Não - foram confeccionados nos Estados Unidos pela Puppet Heap, empresa de Paul Andrejco, responsável pelos bonecos dos “Muppets”. Segundo Matias Mariani, Andrejco chegou a vir para o Brasil para instruir a equipe que manipulou os bonecos. “Alguns desses bonecos são verdadeiras máquinas, com diversos comandos. Sua operação é muito complexa”, explica. Já os 50 monstros que aparecem no decorrer da série (um a cada episódio) foram desenvolvidos em animação 3D também pela O2 Pós. A concepção de 18 deles surgiu de oficinas de desenho, realizadas com crianças. “Pedíamos para que elas desenhassem o monstro de um determinado sentimento. Elas usavam a imaginação e isso acabou servindo de inspiração para a criação desses personagens”, explica Hamburger. Vídeos dessas oficinas estarão entre as 50 pílulas criadas para a internet. Bastidores de gravação e

Sinopse: Lali é uma menina monstra. Ela vive no Monstruoso Mundo dos Monstros e convive com seus amigos, monstrinhos malucos e engraçados. Mas todo dia um novo monstro diferente aparece e "morde" nossos personagens, desorganizando a rotina de quem vive ali e obrigando Lali a descobrir como lidar com novos sentimentos e desafios.

Arcady/shutterstock.com

Ficha técnica

Realização SESI-SP e TV Cultura Produção Caos Produções e Primo Filmes Criação Cao Hamburger / Teodoro Poppovic Direção artística / produção executiva  Cao Hamburger  e Matias Mariani Produção / produção executiva Matias Mariani Concepção visual dos personagens Jum Nakao Direção de arte Valdy Lopes Direção de fotografia Pierre Kerchove Trilha sonora Lucas Marcier & Fabiano Krieger Supervisão de produção Carla Ponte Coordenação executiva Tatê Abrahão Produção associada Juliana Funaro  & Renata Wolter  Supervisão de direção Philippe Barcinski Roteiristas Felipe Sant’angelo, Íris Junges,  Jasmin Tenucci, Mariana Trench Bastos,  Teodoro Poppovic Diretores Philippe Barcinscki e Luis Pinheiro

quadros apresentados pelos personagens também estarão entre os vídeos publicados online. Vinte anos depois Para o criador da nova série da TV Cultura, “Castelo Rá-Tim-Bum” é uma produção que combina muito com a época na qual foi lançada, e reflete o princípio da revolução digital. “As crianças ainda tinham apenas seis canais abertos para escolher. Olhávamos para aquilo vindo e não sabíamos o que ia acontecer, mas sabíamos que seria revolucionário. Nesse 40

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sentido, o 'Castelo...' tinha a ideia de ampliar ao máximo as janelas. A própria estrutura da série, com o personagem apertando alguma coisa e um quadro surgindo, lembra o princípio dos computadores. O personagem do Marcelo Tas, com a frase 'porque sim não é resposta' era o pré-Google, que nem sabíamos ainda que iria existir”, diz. Para ele, embora traga características que possam lembrar “Castelo Rá-Tim-Bum”, como a utilização de quadros, a nova produção foi feita para outra época, e propõe uma discussão diferente. “Hoje, com essa revolução no seu auge, com esse bombardeio de informação em Internet, redes sociais, VOD e tantos outros, é preciso explorar todas essas opções”, diz. “Contudo, o conteúdo de 'Que Monstro te Mordeu' é sobre sentimentos humanos. É uma série que, em meio a tudo isso, te convida a olhar para dentro - em meio à loucura, olhar para o básico”, conclui. Leandro Sanfelice


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Buuu! Inspirada em aventuras dos anos 80 como “Goonies” e “Indiana Jones”, nova série de ficção do Gloob está sendo gravada pela Casablanca em locações no Instituto Butantã e estúdios na cidade de São Paulo. FOTOs: divulgação

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Casablanca está produzindo, em dois estúdios na cidade de São Paulo, a nova série de ficção do Gloob, “Buuu!”. Inspirada em aventuras dos anos 80 como “Goonies” e “Indiana Jones”, a atração contará a história de Carlinhos e Casca que, guiados pelo fantasma do seu avô Reginaldo, ex-diretor do Instituto Butantã, e acompanhado das amigas Chica e Isadora, terão a missão de desvendar os mistérios de uma pirâmide mágica que guarda o segredo para uma cura misteriosa. Com 26 episódios, a série deve estrear no canal em março de 2015. A primeira metade das gravações foi realizada em locações no próprio Instituto Butantã. O instituto, conta a diretora de operações da Casablanca, Solange Cruz, apoiou o projeto desde o início. “Conversamos com o Carlos Magalhães (diretor cultural do instituto) sobre criar uma série inspirada no local, cuja história é relativamente pouco conhecida por boa parte dos brasileiros”. A segunda metade das gravações, que está sendo realizada em estúdios, contará com cerca de 20 cenários, representando ambientes dentro da pirâmide e diferentes períodos históricos, como o Egito antigo, acessados através de portais mágicos pelos protagonistas. Para isso, a equipe de produção contou com uma logística complexa, criando, montando e desmontando cenários ao mesmo tempo em que gravava as cenas. “Em dois dias conseguimos montar os cenários mais complexos. Desmontamos e montamos três cenários ao mesmo tempo.

Produção misturou técnicas variadas, dos efeitos analógicos ao 3D

Realizamos também um trabalho extenso de garimpo para encontrar objetos antigos para integrar o cenário e produzimos também muita coisa que não conseguimos encontrar”, conta Nelson Foerster, produtor executivo. Na trama, os fantasmas de três importantes pesquisadores brasileiros – Paul Ehrlich, Vital Brasil e Carlos Chagas – acompanharão a turma de aventureiros. “Será também uma oportunidade de ajudar a divulgar a produção científica brasileira”, avalia. A produção foi 100% financiada com recursos próprios do canal. “O Gloob comprou a produção, que não irá cumprir

cota, portanto. O canal teve uma grande participação em todo o projeto”, conta o produtor. Trabalhando com crianças e informações científicas, a produção contou com o apoio de pedagogos e consultoria de cientistas no projeto. “Claro que existe uma liberdade criativa, mas precisamos tomar o cuidado para não passar informações que não sejam verdadeiras”, explica Solange. Variedade de técnicas A atração utilizou uma série de técnicas diferentes de produção.

A segunda metade das gravações, que está sendo realizada em estúdios, contará com cerca de 20 cenários, representando ambientes dentro da pirâmide e diferentes períodos históricos. 42

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“Buuu!” combina animação 3D, chroma key, bonecos, maquetes, animação em stopmotion e até mesmo animais nas suas gravações. “Contextualizamos a aventura com alguns momentos históricos. Para explicar isso, o personagem abre um livro e então contamos o que aconteceu através de uma animação estilo HQ”, exemplifica Foerster. A produção também utilizou muitos efeitos analógicos no set, permitindo maior agilidade na pós-produção. “A fumaça, por exemplo, pode ser feita digitalmente. Mas ao fazer artificialmente no estúdio já adiantamos o trabalho”, explica o produtor. Além disso, conta, a maquiagem dos personagens demandou bastante tempo de preparação antes de cada filmagem. “Cada um dos quatro fantasmas, por exemplo, leva cerca de uma hora para se produzir. Além disso, há todo um trabalho de envelhecimento das roupas de determinados personagens”, lembra. Com a grande variedade de cenários e técnicas, os produtores precisaram planejar com antecedência as gravações das cenas, que ocorreram fora da ordem cronológica. “Em cenas nas quais precisamos utilizar animação 3D ou efeitos para os personagens atravessarem cadeiras, por exemplo, sabemos que precisaremos de pósprodução mais demorado, por isso procuramos adiantá-las”, explica Solange, diretora de operações. O trabalho mobilizou, no total, cerca de 150 profissionais. Crianças e macacos Segundo o diretor Chris Tex, a produção, que utilizou câmeras 4K e até mesmo drones, aposta em uma linguagem cinematográfica para a série. "É interessante que essa série aborde um universo carente na produção nacional, que é o da fantasia. Fizemos questão de utilizar uma linguagem diferente e fazer uma produção com alto nível técnico", diz. Para Tex, o principal desafio na

Ficha técnica

Sinopse: Guiado por fantasmas de reconhecidos cientistas brasileiros e cientista do Instituto Butantã, grupo de crianças precisa desvendar mistério de pirâmide mágica para encontrar cura milagrosa.

ProduçãoCasablanca Diretor geral Chris Texl Produtor executivo Nelson Foerster Diretora de operações Solange Cruz Elenco principal Henrique Filgueiras (Carlinhos),  Lyvia Maschio (Isadora), Any Gabrielly (Chica),  Nicolas Cruz (Casca), Rogério Marcico  (Reginaldo), Walter Breda (Vital Brasil), Luiz Serra  (Paul Ehrlich) e Eduardo Chagas (Carlos Chagas)

direção da atração, além da variedade de técnicas, foi a diversidade de perfil dos atores. “Trabalhei com os atores muito experientes, no caso dos fantasmas, contracenando com as crianças, que estão trabalhando nessa área pela primeira vez, cheios de vontade. É preciso saber lidar com esses perfis diferentes”, conta. Além disso, os profissionais também contracenaram com macacos. “Trabalhar com animais é sempre desafiador. Um dos

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personagens na trama é um macaco. Porém, o animal às vezes tem medo de fazer uma determinada cena ou atuar com um boneco, por exemplo. Por isso, precisamos utilizar cinco macacos, intercalando suas atuações para as situações que eles se adaptavam melhor”, diz o diretor. Leandro Sanfelice

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( upgrade )

Fernando Lauterjung

Fotos: divulgação

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Qbox v5 oferece tempo de boot cinco vezes mais rápido, capacidade de armazenamento 60 vezes maior e transferência do texto dez vezes mais rápida.

O LCM-207-3G traz funcionalidades especificas para visualização como a calibração de cores em profundidade.

Mais rápido e com mais capacidade

Monitor duplo

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Plura, fabricante de soluções de transmissão e produção de vídeo digital, apresentou um novo monitor duplo de 7 polegadas para aplicações de visualização de vídeo. O LCM-207-3G amplia a gama de monitores integrando funcionalidades adaptadas especificamente para as necessidades de visualização - como a calibração de cores em profundidade para maximizar a qualidade da imagem e integridade. O conjunto de recursos do monitor é focado nas necessidades de monitoramento, calibração e controle de qualidade de vídeo através de dois monitores, "side-by-side". O LCM-207-3G integra essas ferramentas específicas deixando de fora opções e componentes extras que acabam forçando um aumento de custos. O novo monitor traz duas entradas 3G/HD/SD por tela com loops ativos e integra a capacidade de calibração para a reprodução de cores precisas. Traz ainda controle Ethernet para uso em rede. O equipamento compacto (ocupa três unidades de rack) integra com o PCS-400 Ethernet Controller, do mesmo fabricante, para trabalhar em rede com outros monitores Plura.

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Qbox ganha novas funções em sua quinta versão. A solução de teleprompter da Autocue agora oferece tempo de boot cinco vezes mais rápido, capacidade de armazenamento 60 vezes maior, transferência do texto dez vezes mais rápida, o dobro de conexões de controle, e maior variedade de opções de saídas de vídeo e capacidade de genlock. O Qbox v5 ocupa uma unidade de rack e traz fonte de alimentação interna e uma escolha maior de saídas de vídeo, incluindo HD-SDI, composto, componente, S-Video e HDMI. O número de portas USB também aumentou de três para seis, e o número de conexões em seriais aumentou de um a dois, reduzindo a necessidade de componentes adicionais de hardware. O novo hardware ganhou também maior poder de processamento, maior memória RAM, um drive SSD maior e conectividade Gigabit. O Qbox é um dispositivo baseado em Linux que gera a imagem de vídeo do script para o teleprompter. A aplicação Qmaster pode se conectar a qualquer Qbox, ou vários QBoxes de uma só vez, em qualquer local.

Estúdio pontual

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ma nova gama de timers de produção que trabalham em rede foi colocada no mercado pela Plura, através da sua marca Alpermann-Velte. A família Alpermann-Velte SPT é formada por versões para montagem em rack e de mesa, cada uma capaz de distribuir seis timers distintos em uma quantidade ilimitada de dispositivos de hardware ou de software. Podendo implementar qualquer combinação ou número de dispositivos de leitura, os estúdios podem gradualmente dimensionar a rede de timer conforme a necessidade. A arquitetura da linha SPT em rede, que inclui distribuição de sinal por Ethernet, também permite a sincronização com sistemas de referência de tempo de estúdio, bem como controle por IP de todos os dispositivos conectados ao iniciar, parar, reiniciar e ajustar outras definições do temporizador.  A linha SPT oferece uma inteligência por software para aplicações avançadas de timer de produção em instalações de transmissão e de produção de conteúdo. A linha oferece precisão de segundos para contagens regressivas indicando transições em conteúdo ao vivo ou gravado. 44

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A família de timers de produção Os produtos da linha SPT Alpermann-Velte SPT é formada por integram com os principais versões para montagem em rack e multiviewers do mercado, de mesa, cada uma capaz de incorporando temporizadores distribuir seis timers distintos. digitais, bem como relógios analógicos para a exibição visual. Um aplicativo móvel aumenta a gama de uso dos timers de produção nos estúdios conectados em rede ao proporcionar um ambiente de controle sem fio para o profissional que se desloca em torno da sala de controle ou na área de gravação. Disponível para a maioria dos dispositivos móveis, os usuários podem controlar as mesmas funções que uma solução com fios da linha SPT, e ver contagens regressivas e outras funções do temporizador em um tablet.

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Redshinestudio/shutterstock.com

( agenda )

FEVEREIRO

JANEIRO

23 a 26 Kidscreen Summit, Miami, Estados Unidos. Web: summit.kidscreen. com/2015/. E-mail: jpinto@brunico.com

6 a 9 CES – Consumer Eletronic Show, Las Vegas, Estados Unidos. Web: www.cesweb.org/. E-mail: internationalreg@CE.org

14ª

edição

MARÇO

8 a 15 - PIFF - Festival Internacional de Cinema de Pune, Pune, Índia. Web: www.piffindia.com .

6 a 15 FICG - Festival Internacional de Cinema de Guadalajara, Guadalajara, México. Web: www.ficg.mx/30/index.php/en/. E-mail: info@ficg.mx

20 a 22 NATPE, Miami, Estados Unidos. Web: www.natpe.com/market. E-mail: rperth@natpe.org

11 a 17 55º FICCI – Festival Internacional de Cinema de Cartagena das Índias, Cartagena, Colômbia. Web: www.ficcifestival.com/index.php. E-mail: jaime@lbv.co 

20 a 25 FIPA – Festival International de Programmes Audiovisuales, Biarritz, França. Web: www.fipa.tv/inscription. E-mail: info@fipa.tv 27 a 30 Realscreen Summit, Washington, Estados Unidos. Web: summit. realscreen.com/2015/. E-mail: jpinto@ brunico.com

JUNHO 22 a 25 NATPE, Praga, República Tcheca. Web: www.natpe.com/market. E-mail: rperth@ natpe.org

Os responsáveis pela agenda política reúnem-se para discutir as principais metas do setor de telecomunicações para os próximos anos. 10 de fevereiro Seminário Políticas de (Tele) Comunicações Auditório Finatec, Universidade de Brasília, Brasília, DF www.convergecom.com.br/eventos E-mail: eventos@convergecom.com.br Tel.: (+5511) 3138-4660

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Revista Tela Viva- 253 - Novembro 2014  
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