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televisão, cinema e mídias eletrônicas

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IMPULSO PARA CRESCER

Produtoras encontram recursos em fundos de private equity e financiamentos para expandir sua estrutura e financiar desenvolvimento de projetos. REGULAMENTAÇÃO Solução da Anatel para sinais locais no DTH põe operadoras e broadcasters em rota de colisão

MERCADO Equipamentos de produção já estão mais caros por conta da desvalorização cambial


Foto: marcelo kahn

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André Mermelstein Fernando Lauterjung Leandro Sanfelice Lúcia Berbert (Brasília) Lizandra de Almeida (colaboradora) Samuel Possebon Letícia Cordeiro Edmur Cason (Direção de Arte) Bárbara Cason (Web Designer) Lúcio Pinotti (Tráfego/Web) Wilson Dias (assistente) André Ciccala (Gerente de Negócios) Patricia Linger (Gerente de Negócios) Iva­ne­ti Longo (Assis­ten­te) Gislaine Gaspar (Gerente) Gisella Gimenez (Gerente) Julia Poggetto (Assistente) Claudia Tornelli Zegaib (Gerente) Marcelo Pressi (Gerente) www.telaviva.com.br assine@convergecom.com.br (11) 3138-4600 telaviva@convergecom.com.br (11) 3214-3747 comercial@convergecom.com.br Ipsis Gráfica e Editora S.A.

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ma mudança de paradigma está prestes a abalar algumas convicções no mercado de TV por assinatura. A HBO lança no mês que vem nos EUA seu primeiro serviço de vídeo on-demand (VOD) por assinatura, o HBO Now. Pela primeira vez um programador premium oferece seus conteúdos pagos diretamente ao assinante, sem a mediação de uma operadora de cabo ou DTH. Hoje há serviços como o da Fox e os da Globosat, gratuitos para quem já assina os canais, ou o Crackle, da Sony, gratuito para o público em geral. Mas não havia nenhum até agora um que cobrasse mensalidade de não-assinantes de TV paga. O serviço da HBO estará disponível inicialmente apenas em dispositivos iOS, como iPhone, iPad e Apple TV. Quem não tem um destes dispositivos poderá ainda assistir aos conteúdos no computador, pelo browser. A assinatura custará US$ 14,99, e dará acesso a toda a biblioteca de conteúdos da programadora (com séries como “Game of Thrones” e “Sopranos”, entre outras), além dos filmes exibidos nos canais HBO. Também nos EUA, a operadora Verizon disse estar preparando um serviço over-the-top (OTT). A operadora anunciou um acordo com a unidade de programação AwesomenessTV, da DreamWorks Animation. A CBS também prepara um serviço OTT “para um futuro não muito distante”, segundo o principal executivo da empresa, Leslie Moonves, em uma conferência com investidores. Ele deixou claro que o canal Showtime deve ganhar um serviço nos moldes do HBO Now. “Claramente o empacotamento está mudando. Os dias do universo de 500 canais estão contados”, disse Moonves. E a operadora de DTH Dish lançou em janeiro o serviço OTT Sling TV. Por US$ 20 o assinante tem a programação linear de canais como ESPN, TNT, Food Network, Cartoon Network, Disney Channel, CNN e outros, e por mais US$ 5 é possível escolher pacotes infantis e jornalísticos adicionais. O serviço deve ser incluído em plataformas como Amazon Fire TV, Google Nexus Player, Roku Box e algumas TVs conectadas, além de estar disponível em dispositivos móveis por meio de aplicativos. Pode ser, como nas palavras do executivo da CBS, o começo do fim de um modelo de empacotamento do tipo “all you can eat”. Parece que o consumidor quer uma experiência mais “à la carte”. Como a cadeia de valor absorverá esta demanda, e que papel o futuro reserva a operadoras e programadoras nesse cenário, é algo a ser discutido com urgência.

capa: alphaspirit/shutterstock.com

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Fundos de private equity começam a perceber mercado de conteúdo audiovisual

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Desvalorização cambial pode inflacionar infraestrutura, com reflexos na produção

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TV por assinatura

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Recepção digital em caixas do DTH é ponto de discórdia entre radiodifusores e operadoras

regulamentação

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Ancine divulga agenda regulatória para o biênio 2015/16

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produção

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Veto a série abre discussão entre produtora e Ancine

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“Lowrider Brasil” se viabiliza calcado em personagens fortes

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Fonte: Ancine

Uplink

Mais frequências A Anatel publicou no dia 12 resolução ampliando a destinação de frequências para o Serviço de Acesso Condicionado (SeAC). O objetivo é criar as condições que permitam futuras autorizações de uso de radiofrequências para a exploração do serviço de TV por assinatura. Foram destinadas frequências que antes pertenciam ao MMDS e ao DTH. Entre elas as faixas de 2.170 MHz a 2.182 MHz, em caráter secundário; de 2.500 MHz a 2.570 MHz e de 2.620 MHz a 2.690 MHz, em caráter secundário; de 2.570 MHz a 2.620 MHz, em caráter primário, sem exclusividade. E ainda as faixas de 25,350 GHz a 25,475 GHz, de 25,475 GHz a 25,600 GHz, em caráter primário, sem exclusividade; as faixas de 37,646 GHz a 37,814 GHz e de 38,906 GHz a 39,074 GHz, em caráter primário, sem exclusividade; e de 12,2 GHz a 12,7 GHz.

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A Sky anuncia a construção de um novo centro de transmissão (CT), que está previsto para entrar em funcionamento a partir do primeiro trimestre de 2016 na cidade de Jaguariúna, polo tecnológico do interior paulista. O novo CT atenderá não somente o Brasil como as demais operações da DirecTV na América do Sul. Ele terá três vezes a capacidade do atual, que passará a operar de forma parcial a partir do início da operação de Jaguariúna. A empresa investirá R$ 1,3 bilhão, entre satélite, equipamentos, construção e outros itens necessários a seu funcionamento. A construção da nova unidade contou com o apoio do Governo do Estado por meio da Investe São Paulo, agência estadual responsável pelo atendimento às empresas privadas, e da Desenvolve SP – Agência de Desenvolvimento Paulista. O novo satélite (SKY B1) será lançado no segundo trimestre do ano que vem a tempo de ser utilizado para a transmissão dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.

LoopAll/shutterstock.com

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A Dinamo Filmes anunciou uma jointventure com a plataforma de curadoria estratégica em conteúdo ComoSeFaz.TV. Juntas, as empresas desenvolverão conteúdo audiovisual para publicidade, entretenimento e branded content. Sob curadoria e planejamento executivo da ComoSeFaz.TV, a produção criativa também ficará a cargo da Edu Cama, Sandra Freitas e Dimitria Cardoso Dinamo Filmes, que fornecerá toda estrutura e seu time de diretores de cena. A produtora passa a desenvolver serviços de conteúdo sob demanda, já que as duas empresas se associam em pesquisas de linguagem para TV aberta, TV paga, internet e dispositivos mobile. A partir desta parceria, Dimitria Cardoso se torna sócia diretora executiva da Dinamo, após dez anos na direção do atendimento da produtora.

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foto: divulgação

Juntos

Bilhetes vendidos

em milhões

A bilheteria de cinema no Brasil em janeiro bateu um recorde histórico, com 17,9 milhões de ingressos vendidos, de acordo com a Ancine. Trata-se do melhor resultado na série histórica desde a década de 80, com um crescimento de 15% em relação aos 15,5 milhões de bilhetes comercializados em janeiro de 2014. Em relação à renda, o crescimento foi de 22%, subindo de R$ 189,1 milhões em 2014 para R$ 232,2 milhões, tomando por base o mesmo período que compreende as cinco primeiras semanas cinematográficas do ano. Janeiro foi o primeiro mês em que esteve em vigor o compromisso firmado por exibidores e com a Ancine limitando o número de salas de cada complexo que podem ser ocupadas com a exibição de um mesmo filme.

em R$ milhões

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foto: Dan Behr

Histórico

A SES anunciou a compra de um novo satélite para atender o mercado de dados empresariais, vídeo e telefonia móvel, o SES-14. O aparelho será construído pela Airbus Space and Defense e vai operar na posição orbital 47,5°/48°W, substituindo o atual NSS806, e contará com feixes em bandas C e Ku para América do Sul e para o Atlântico Norte, além de bandas Ku e Ka (do tipo High Throughput Satellite) para cobertura nas Américas e Atlântico Norte, visan­do atender demanda de backhaul pa­ra rede móvel, serviços marítimos e aeronáuticos. O satélite é considerado o primeiro de alta potência na faixa de quatro toneladas e deverá complementar a capacidade de HTS da O3b em órbita média. O SES-14 deverá ser lançado em 2017, quando a empresa também lançará o SES-15 (satélite de bandas Ku e Ka) e SES-16/GovSat (multimissão com feixes de alta potência direcionáveis para missões governamentais e que será propriedade da LuxGovSat, jointventure entre SES e governo de Luxemburgo), que serão fabricados pela Boeing e Orbital AKT, respectivamente. No total, a operadora contará com sete satélites, sendo que seis possuem capacidade incremental. O satélite que o SES-14 substituirá, o NSS-806, foi lançado em fevereiro de 1998, com vida útil prevista de 12 anos, para operar nas bandas C e Ku para broadcast de vídeo, redes de comunicação corporativa e aplicações de banda larga.

Em órbita A Anatel aprovou edital para licitação de mais quatro posições orbitais. O preço mínimo ainda depende de aprovação pelo TCU, mas o relator do processo, conselheiro Marcelo Bechara, afirmou que as condições são praticamente as mesmas da licitação realizada no ano passado. A previsão é de que a nova licitação seja realizada no final de abril ou início de maio de 2015. De acordo com Bechara, o preço mínimo será estabelecido pela Superintendência de Planejamento e Regulamentação e pode ter algum reajuste em relação Marcelo Bechara ao valor pedido na licitação realizada em maio do ano passado, de R$ 12,2 milhões cada. Isto porque o ágio médio pago pelas empresas vencedoras chegou a 213,5%, mostrando que há espaço para aumento do preço. O total arrecadado em 2014 foi de R$ 157 milhões. Após a definição do preço mínimo, o TCU terá 30 dias para se manifestar. Depois disso, o edital é publicado e haverá um prazo de mais 30 dias para preparação da licitação. Segundo estudo da Anatel, ainda haveria interesse do mercado por posições orbitais. Na licitação passada, sete empresas se credenciaram para participar do certame.

Pros baixinhos O Google confirmou o lançamento do YouTube Kids, versão para crianças de seu popular portal de vídeos. O aplicativo, inicialmente disponível para Android e iOS apenas nos Estados Unidos, foca em conteúdo que a companhia considera “apropriado para toda a família”. De acordo com a empresa, o app foi desenhado com uma interface maior e com mais cores pensando no público infantil. Para os pais, há incorporado no aplicativo a opção de controle parental, incluindo a habilidade de colocar um limite de tempo para que a criança utilize o serviço. Não há informações de quando o YouTube Kids chegará a outros países.

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foto: arquivo

Estreou no dia 10 de março no GNT “André Midani – Do Vinil ao Download”, série sobre a história de um dos maiores executivos da indústria da música no Brasil. Baseada no livro homônimo, publicado em 2008 pela Editora Nova Fronteira, a série tem produção da Conspiração Filmes e direção de Andrucha Waddington e Mini Kerti. O programa narra a trajetória desse nome que influenciou os principais e mais importantes movimentos musicais dos últimos 50 anos no Brasil. Dividido em cinco episódios, de 60 minutos cada, a série segue o formato de documentário e promove encontros com intelectuais e artistas como Ney Matogrosso, Baby do Brasil, Marisa Monte, Arnaldo Antunes, Fernanda Montenegro, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Frejat, Jorge Ben e Erasmo Carlos.


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Opinião registrada

O Globosat Play tem novos recursos para os usuários que acompanham os canais ao vivo disponibilizados dentro da plataforma. A partir de agora, quem assiste pela internet à programação ao vivo dos canais SporTV, GloboNews, Off, Canal Brasil, Combate, Premiere e Big Brother Brasil 15 pode utilizar recursos de pausar o vídeo e também repetir trechos dos programas. A pausa ao vivo funciona de forma intuitiva: enquanto estiver assistindo à programação ao vivo, basta acionar o botão de pausa e depois retomar a reprodução do mesmo ponto onde parou, até 30 minutos depois. O recurso está disponível em computadores e dispositivos móveis. Para quem chega atrasado para ver o programa , o Globosat Play agora oferece o recurso de rever os últimos 30 minutos transmitidos ao vivo pelos canais. Para utilizar a função, basta deslizar o mouse pela barra de tempo disponível na área inferior do player e escolher o ponto a que se deseja voltar. No canto superior da imagem o player exibe a indicação se aquela imagem é transmitida “Ao Vivo” ou “Gravada”.

A Gfk, empresa alemã que está implantando no Brasil um sistema de medição de audiência de TV aberta e por assinatura concorrente ao Ibope, deve ter seus primeiros números divulgados em breve, segundo Dominique Vancraeynest, diretor de desenvolvimento de negócios da empresa para a região. Mas os números não serão abertos ao público ainda. Apenas os clientes receberão os primeiros resultados. “A partir daí faremos ainda análises e correções”, conta Ricardo Monteiro, diretor de medição de audiência da empresa no Brasil. Ele diz acreditar que haverá diferenças entre os números medidos pela Gfk e os atuais, mas principalmente por conta da metodologia. A empresa usará exclusivamente medidores em tempo real, e terá uma amostra diferente da do Ibope, contando por exemplo com domicílios que recebem apenas banda C, ou lares em comunidades e favelas. Além disso, ele conta que o aparelho da Gfk é mais que um medidor de audiência. “Parece um porta-retrato digital, e tem capacidade, por exemplo, de fazer perguntas ao espectador e coletar as respostas. Pode avaliar não só se a pessoa está vendo um programa, mas se está gostando”, diz. Ele diz também que desde o início haverá a preocupação em medir a audiência em outros dispositivos, como tablets, celulares e PCs.

Recém-nascida Surge mais uma produtora no cenário independente. André Rossi, executivo com passagem pela área de aquisições da Globosat e até mais recentemente responsável pela produção original dos canais Discovery, uniu-se aos sócios Rodrigo Schmidt e Gustavo Leite na Zen Filmes. Segundo ele, a empresa deve produzir todos os gêneros, exceto ficção. A ideia é buscar temas diferenciados, que não estejam atualmente no mercado. A produtora já tem projetos em andamento. Para o canal Curta! a Zen documentou o trabalho de artistas brasileiros na Art Basel de Miami. O especial deve dar origem futuramente a uma série. Para o Off está em desenvolvimento a série “Overall Índia”. A ideia da série é levar dois skatistas campeões para introduzir o esporte no país asiático, onde ele praticamente não existe. A série deve ser exibida ainda este ano.

Áudio e visual

de viagens agregado a indicações gastronômicas. A equipe escalada para cuidar da produção de filmes será formada pelo produtor executivo Marcos Monteiro (ex-Cine e O2) e Sergio Mesquita na direção artística (que tem passagens pela Mixer e Cia de Cinema). Contará ainda com Clovis G. Gonzalez (ex-TVC, JX e Movieart) na coordenação de produção e Rafa Pascali (ex-Damasco Filmes) como assistente de produção. O casting de diretores de cena parceiros será formado por Marcelo Guimarães, o Guimas, Renata Sauda, Patrick Caracas, e Rambo, diretor de fotografia que a partir de agora assinará

A Play it Again passa a se chamar Play it Again Som&Imagem e irá produzir filmes, além de trilhas sonoras. A produtora, comandada pelos sócios Tula Minassian e Kiki Eiseibraun, atua há 25 anos desenvolvendo trilhas sonoras, jingles, entre outros trabalhos que envolvem a produção de som. As experiências com produção de imagem não são novidades dentro da empresa. Desde 2010 a PlayRK30, braço da Play voltado ao entretenimento, vem experimentando em diversos formatos a produção de conteúdo de imagem e som. Entre os trabalhos já realizados estão receitas para Atum Coqueiro, um filme para o lançamento imobiliário Tons de Ipanema e um programa 8

André Rossi

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Em pé: Marcelo Guimas, Marquinhos, Tula, Clovis Gonzalez e Patrick Caracas. Sentados: Rafa Pascali, Renata Sauda e Serginho Mesquita.

também a direção de cena de filmes. O núcleo de som fica a seguinte equipe: Kiki Eisenbraun, na produção executiva; André Minassian no atendimento comercial; Pedro Jaguaribe na direção artística; Lollo Anderson na direção de produção, e os produtores Renan Corso e Ricardo Wey.

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Reposicionamento O canal francês TV5 quer se diferenciar do chamado grupo de canais “étnicos” da TV por assinatura, como são conhecidos os canais internacionais, geralmente estatais, exibidos aqui nos seus idiomas locais (como NHK, TVE e RAI, por exemplo). Segundo o diretor geral da TV5 Monde (braço internacional do canal), Yves Bigot, a Lei do SeAC foi vista por eles como uma oportunidade. “Parecia uma coisa ruim, mas resolvemos transformar em uma vantagem. Ao invés de ficar no bloco dos étnicos, que não tem nenhuma obrigação pela lei, decidimos abrasileirar o canal e concorrer como um canal normal de conteúdos”, disse. Na prática, foi criada ano passado a TV5 Monde Brasil, separando o sinal do país do resto do feed de América Latina. Segundo Bigot, é o segundo país no mundo a ter um sinal exclusivo da TV5. O outro são os Estados Unidos.

Na mão, no colo, na TV

Atualmente 50% do conteúdo do canal é legendado em português e 80% do público é de brasileiros que não falam francês. “Achamos Yves Bigot que pelo seu porte e pela ligação que o Brasil tem historicamente com a França, se justificava um canal exclusivo. É uma aposta que estamos fazendo e vamos ver se se paga”, disse. O canal está hoje em 1,8 milhão de assinantes, devendo chegar a 2 milhões no segundo semestre, mas vem negociando com as operadoras sua inclusão em pacotes mais “baixos”, ou seja, mais próximos dos tiers básicos de programação, para atingir um público maior. O objetivo é tentar crescer em receita publicitária.

A Samsung lançou sua plataforma de vídeos digitais, a Moony. Através dela, os usuários de dispositivos da marca, sejam TVs conectadas, tablets ou smartphones, terão acesso a conteúdos de provedores parceiros, nas modalidades free, transacional e SVOD (assinatura). Segundo Marcelo Mattar, gerente de vídeos e esportes da área de con­teú­do da Samsung para a América Latina, a plataforma foi desenvolvida no país e está disponível só para o mer­cado brasileiro, mas a ideia é expandi-la para outros territórios no futuro. O serviço estará disponível a partir de 3 de março. Os usuários de TVs conectadas terão o ícone incluído automaticamente nos seus menus. Já para os dispositivos móveis será preciso baixar o app. Mas a Samsung fará uma campanha promovendo o aplicativo, colocando por exemplo banners nas telas iniciais dos celulares e tablets. No lan­ çamento, estão disponíveis mais de 30 canais, com conteúdo variado. Já estão na plataforma parceiros como Climatempo, Medialand, Prodigo, Cennarium, Jovem Pan, EduK, Canal 100 entre outros. Para os provedores, a Samsung oferece vários modelos de negócios, conta Mattar. "O dono do conteúdo decide o modelo, se vai cobrar assinatura, oferecer de graça ou cobrar por conteúdo. Ele terá acesso a um dashboard com todas as informações de consumo de seus conteúdos, sempre atualizado".

gualtiero boffi/shutterstock.com

Sob medida A Viacom planeja trazer este ano ao Brasil o canal interativo My Nick Jr, voltado ao público infantil, conta Pierluigi Gazzolo, presidente da divisão Americas da programadora. O canal já foi implantado na França, pela CanalSat, nos EUA pela Verizon e no Reino Unido pela Virgin. Trata-se de um canal linear, que aparece no line-up normal da operadora, mas que pode ser programado pelos pais com base em um banco de dados de temas. Ou seja, o pai decide quanto tempo quer que a criança assista, e define, por exemplo, que ela verá programas ligados a idiomas e matemática. O canal então seleciona programas que se encaixem nessas definições e exibe para a criança. O espectador pode também interagir, avaliando por exemplo o quanto gostou de cada programa. O My Nick Jr tem também versões para PC e dispositivos móveis, e a criança pode começar a ver em um dispositivo e continuar em outro. Para a exibição em TV, no entanto, é preciso que o set-top da operadora seja capacitado para a interatividade e bidirecionalidade.

Va bene! A ESPN fechou um acordo para a aquisição dos direitos de transmissão – na TV e no WatchESPN – de jogos exclusivos e ao vivo do Campeonato Italiano 2014/2015. Juventus, Milan, Roma, Napoli, Inter de Milão e outros clubes voltam aos canais do grupo. A ESPN também adquiriu os direitos de transmissão do World Championship Tour de 2015 e 2016 da World Surf League. O canal transmite todas as etapas do WCT desde 2009. Pelo contrato, a ESPN poderá transmitir todas as etapas ao vivo em seus canais de TV por assinatura e também no Watch ESPN, serviço de vídeos on-demand e ao vivo da emissora.

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( scanner) A SPI, programadora de origem polonesa e hoje sediada em Nova York, lançará nove canais de marca Filmbox no mercado de TV por assinatura brasileiro. Os canais já receberam a aprovação da Ancine: FightBox, Fast&FunBox, DocuBox, FilmBox Arthouse, FashionBox, MadscreenBox, 360 TuneBox. Também devem ser lançados dois canais de conteúdo adulto, o Erox e o Eroxxx. Segundo Thivá Fróes de Souza, diretor da SPI Brasil, os canais vêm sendo apresentados a operadoras e à NeoTV há um ano. Segundo o executivo, nesse primeiro momento, a programadora busca apenas conteúdos nacionais de catálogo para compor as grades de seus canais, para cumprir as regras de conteúdo nacional. “Mas queremos, em breve, começar a viabilizar novos conteúdos com os produtores independentes”, diz. A distribuição dos canais no

Brasil se dará, no início, por IP, até que seja negociado espaço satelital, o que deve acontecer em breve. A marca Filmbox já está presente no Brasil através do aplicativo mundial da SPI, o Filmbox Live – um VOD com filmes, esportes, moda e documentários. O conteúdo de filmes é formado por títulos da Polônia, de outros países europeus e dos Estados Unidos. Fenton one/shutterstock.com

New player

fotos: divulgação

Erotismo sob demanda Segundo o VP regional de marketing e distribuição da Hustler TV, Alex Behrens, o video on-demand (VOD) já representa para a marca um share de receitas maior que os seus canais lineares. “O linear é muito importante, muitos assinantes querem o canal inteiro. Mas vemos que no caso do conteúdo adulto o VOD tem mais apelo, as pessoas querem escolher o que ver”, disse a TELA VIVA. A empresa Alex oferece seus Behrens conteúdos de todas as formas possíveis: em canal linear, em PPV, VOD, TV everywhere, digital etc. O canal linear Hustler TV foi lançado no ano passado e já chega a 11 milhões de clientes potenciais no Brasil. Segundo Behrens, há

negociações em andamento e esta base deve crescer este ano. Ele não revela quantos destes domicílios são assinantes de fato do canal. Conteúdo nacional Segundo Behrens, tem sido mais comum ver conteúdos brasileiros no canal, mas aqui acontece um fenômeno interessante. “O conteúdo brasileiro é reconhecido como de ótima qualidade, mas os produtores querem nos vender os direitos para todo o mundo, menos para o Brasil. Então temos levado este conteúdo para vários países”, conta. Ele diz que Brasil e Argentina são os melhores mercados para os conteúdos da Hustler, por serem mais abertos a uma programação sem restrições. “Esse é nosso diferencial. Outros canais eróticos são mais ‘soft’. A Hustler tem por princípio ser mais explícita, mostrar tudo, ser mais ousada”, conta o executivo. T e l a

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Menu completo O Food Network fechou acordo de distribuição nos pacotes básicos da DirecTV em oito países da América Latina (na operação chamada de DirecTV Panamericana): Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile, Equador, Peru, Uruguai e Venezuela. No Brasil o canal da Scripps é distribuído pela Sky. O canal deve entrar em cerca de 80% dos domicílios assinantes da DirecTV na região, no canal 236 em SD e no 1236 em HD. Segundo Marcio Fonseca, diretor da Scripps par a América Latina, já foram concluídas as negociações com a NeoTV no Brasil e o canal tem sinal verde agora para negociar com as operadoras afiliadas à associação, o que já vem sendo feito. Os programas brasileiros produzidos para o feed Marcio local do Food Network não Fonseca migrarão automaticamente para o canal no resto da região, mas Fonseca não descarta a hipótese de “exportar” programas no futuro, em especial do gênero reality, que viaja melhor, segundo ele. Sabor Brasil O canal também anunciou uma nova atração nacional no seu feed brasileiro. “Bizu” é apresentado pela chef Luiza Hoffman, que nunca havia feito televisão. Em cada um dos 12 episódios (de 12 minutos cada) ela usa um ingrediente e faz toda uma refeição baseada nele, da entrada à sobremesa. A série já está toda gravada e em fase de finalização, conta a diretora de produção e marketing do canal, Adriana Alcântara. Dentro do programa, Luiza apresenta os “bizus”, dicas culinárias, que depois viram clipes no site do canal. A produção é da estreante Bistrô de Conteúdo, produtora criada pela diretora do programa, Andrea Setti. Ela vem da TV aberta, onde é diretora do programa de Otávio Mesquita. Na sociedade estão também Rodrigo Leitão e Emerson Coelho. Adriana conta que não houve uma decisão específica de trabalhar com uma produtora pequena e estreante, mas foi quem apresentou o projeto mais adequado. “Recebemos muita proposta até de produtoras bem grandes, mas não adequadas à grade do canal. Não temos por exemplo programas de saúde, dieta ou comida orgânica. Muitos ainda não entenderam o perfil”, conta.

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FOTOs: divulgação

( figuras) Conteúdo online

Promoção

A Vevo contratou Gabriela Hermanny para o cargo de diretora de novos negócios. Com 13 anos de experiência em marketing, Hermanny estava na Som Livre. A profissional deverá buscar novas oportunidades, parcerias estratégicas e negócios para o aumento da área de atuação da Vevo no mercado de música e entretenimento Gabriela no país. A empresa espera aumentar Hermanny seu faturamento no Brasil em 50% no ano de 2015. Durante o ano de 2014, a plataforma online apresentou uma grade de conteúdo exclusivo no Brasil. Atualmente, já são mais de 10 programas com periodicidade mensal, todos gravados no Brasil com artistas locais, e mais de 300 milhões de views por mês.

A Discovery Networks Brasil promoveu Lara Andrade a vice-presidente jurídica e de business affairs. Baseada no escritório da empresa em São Paulo, Lara continuará respondendo a Fernando Medin, vice-presidente executivo e country manager da Discovery Networks Brasil. A Lara Andrade advogada atua na empresa desde 2012 como diretora responsável pela área jurídica e regulatória, fornecendo assessoria para todas as áreas, inclusive na elaboração de contratos de licenciamento de programação para distribuição e vendas publicitárias, além da mediação do contato da Discovery junto à Ancine. Acumulando agora a área de business affairs, Lara também fica responsável por dirigir a negociação de contratos relacionados às áreas de produção e programação de conteúdo brasileiro.

Novo line-up Monica Sufar, ex-diretora de aquisições e planejamento na Turner Broadcast System (TBS), entrou para o time da Elo Company. Segundo a empresa, Monica auxiliará a equipe na construção de um line-up de maior potencial comercial através da aquisição de conteúdo pronto; contratação e financiamento de projetos de distribuição, bem como construção de modelos de co-produção internacional. Monica é formada em direito pela Universidade de São Paulo e estava na Turner desde 2008. Foi responsável pelo planejamento de conteúdo dos canais Turner no Brasil e América Latina, incluindo TNT, TCM, Cartoon Network, Boomerang, Space, TBS, Isat, Infinito, TruTV e Glitz. Anteriormente, trabalhou no departamento de programação da HBO e Cinemax no Brasil em São Paulo, e mais tarde em Miami.

Reestruturação A Fox reestruturou sua área de conteúdos no Brasil. Eduardo Zebini, que dirigia os canais Fox Sports, passa a ser responsável pelo conjunto de canais da programadora, com o cargo de VP sênior de produto. Para os canais de entretenimento, Cristiano Lima cuida da programação, Eduardo Zebini e Zico Góes é responsável pela produção de conteúdo. Marcio Moron responde pelos conteúdos dos canais esportivos, e Rogério Brandão cuida da programação dos canais Fox Sports, enquanto Luciano Callegari dirige a área de eventos.

Vice-presidente

Alexandre Raposo

Alexandre Raposo assumiu a vicepresidência comercial da RedeTV!. Raposo já ocupava o cargo de vicepresidente institucional do canal. O profissional trabalhou por 26 anos na Rede Record, onde foi presidente.

Dupla A Vice contratou Hui Jin Park e Thiago Guedes para seu time de negócios. Hui assumiu o cargo head de planejamento e Guedes o de diretor de relacionamento com clientes. Guedes é formado em publicidade pela ESPMSP, tem especialização em advanced marketing consumer connections pela Staford Graduate School of Business e em branding pela Kellogg School of Management. Possui 12 anos de experiência em marketing, trabalhando com anunciantes como Ambev, Tyco Electronics, Unibanco e Grupo TV1.Ele fundou e dirigiu, por 6 anos, a É Tutoria de Comunicação. Natural da Coreia do Sul, Hui reside no Brasil há mais de 25 anos. Bacharel em comunicação social pela ESPM e mestre em estudos de design pela Central Saint Martins de Londres, iniciou sua carreira com pesquisa de tendências de comportamento na Mandalah Inovação Consciente, e atuou na área de planejamento de agências como McCann Ericksson São Paulo, Talent, DPZ e WMcCann Rio. Atendeu a clientes como Nestlé, NET, Vivo, Coca-Cola e L’Oréal. 12

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Hui Jin Park e Thiago Guedes

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Carla Ponte

Conteúdo

Mudança

A Associação dos Profissionais de Propaganda (APP) reelegeu o presidente Ênio Vergeiro, que cumprirá o terceiro mandato para a gestão biênio 2015/2017. Vergeiro é diretor da sucursal de São Paulo da Rede Bahia. O publicitário também faz parte do Conselho Nacional de Ênio Vergeiro Autorregulamentação Publicitária (CONAR), do Conselho Executivo das Normas-Padrão (CENP) e do Instituto Verificador de Comunicação (IVC). O profissional já passou pelas editoras Abril e Globo, O Estado de S. Paulo e o Grupo ABC. O novo Conselho Administrativo e Financeiro da APP conta com Luiz Lara (Chairman da Lew’Lara/TBWA), como 1º vice-presidente, e Renato Pereira (Diretor Executivo de Relações com o Mercado da Rede Globo), como 2º vice-presidente. Os diretores do Conselho de Administração são André Porto Alegre (CEO da Edgard Leite Advogados Associados), Antonio Carlos Franchini Ribeiro (Diretor Geral da GTec), Paulo Gomes de Oliveira Filho (Paulo Gomes Advogados Associados e consultor jurídico da ABAP), Silvio Soledade (diretor do Plano Gestão), Wagner Yoshihara (diretor de mídia da Tônica de Comunicação) e o diretor executivo José Maurício Pires Alves (diretor na Atalho Soluções em Comunicação). Já o Conselho Fiscal é composto por Paulo Fernando Chueiri Gabriel, Alceu Gandini, Antonio Calil Cury, Carlos Alberto Nano, José Francisco Queiroz e Luiz Arnaldo Casali, como suplentes.

A área de serviços digitais da Telefônica/Vivo passou por uma mudança importante. Roberto Piazza, que ocupava a diretoria executiva responsável por esta área, deixou a empresa, e os serviços vinculados à área de serviços digitais serão divididos. Christian Gebara, diretor da área de mercado individual, assume sob sua diretoria tudo referente à Vivo TV. Já a Roberto Piazza parte de serviços de educação e saúde digitais passam para a diretoria de serviços corporativos, sob o comando de Silvio Antunes.

Live action A produtora Consulado está abrindo um núcleo dedicado a produções live action. Para comandar a nova divisão, a produtora contratou Daniel Baccaro, diretor do longa “Vida sobre rodas” e das campanhas publicitárias “Perdi meu amor na balada”, da Nokia, e “Paixões Perigosas”, da Discovery ID. Baccaro, que estava na Trator Filmes, também se dedicará aos projetos de conteúdo da Consulado. O diretor está trabalhando no longa-metragem “Vida sobre rodas”, primeira produção brasileira sobre skate a ser exibida comercialmente em cinemas nacionais, coproduzida com a Daniel Baccaro Miravista (Walt Disney Company) e distribuída pela Buena Vista International (Walt Disney Company). Formado em desenho industrial, Daniel já atuou como designer no American Atelier, na Califórnia (EUA), para clientes como Fox, Warner Bros., Walt Disney e Looney Tunes. Nos dois anos em que esteve na Trator Filmes, incluiu em seu portfólio filmes para Fiat, LG, Vivo e P&G, entre outros projetos que resultaram da parceria com agências como Publicis, Africa, Leo Burnett e AG2.

Agentes digitais A Associação Paulista de Agentes Digitais (ABRADi-SP) elegeu sua nova diretoria para o exercício de 1º de abril de 2015 a 31 de março de 2016. O novo presidente da entidade é Bernardo Castello Branco, CEO da Casulo Apresentações Vencedoras. Alexandre Suguimoto, presi­ dente da gestão anterior e CEO da ZAW, permanece na diretoria como vice-presidente. O diretor financeiro passa a ser Marcelo Abdo (Agência Pic) e o vicetesoureiro é o Roberto Calderón (Future Lab). A nova chapa conta Bernardo Castello Branco com quatro conselheiros: o ex-presidente Claudio Coelho (BEST), o ex-vice-presidente David Reck (Enken), e dois ex-diretores, Cristiano Calmonaci (Tino Comunicação) e Valdiney Viçossi (VM2). O novo corpo diretivo conta ainda com oito diretores: Arthur Tupinambá (LQDI), Carlos Eduardo Zagatti (TV1.com), Daltro Martins (AG2 Publicis), Fernando Viberti (Conteúdo Online), Rodrigo Nista (Trendi), Rodrigo de Oliveira Neves (VitaminaWeb), Samuel Leite (Digitale) e Thiago Borges (Agência Pulso). T e l a

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Conteúdo A Turner Broadcasting System (TBS) Latin America promoveu Ángel Zambrano, ex-vice-presidente de aquisição, a vice-presidente sênior de conteúdo. Zambrano será baseada em Atlanta e se reportará diretamente a Carlos Urdaneta, presidente da Turner América Latina. Inicialmente, a TBS havia contratado Zambrano para criar e gerenciar um novo departamento focado em novas aquisições, mas a seção tornou-se enorme, abrangendo o desenvolvimento de conteúdo, syndication e estratégias. Entre os formatos de maior sucesso que Zambrano conseguiu trazer para a Turner estão “The Amazing Race América Latina”, “Extreme Makeover Home Edition América Latina” e “Project Runway América Latina”. Ele também foi responsável por algumas co-produções.

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Fernando Lauterjung

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Capital novo

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m fevereiro, um fundo de investimentos anunciou aporte de R$ 9 milhões no capital social de três empresas brasileiras produtoras de conteúdo audiovisual. O valor não é tão grande, dado o volume de recursos que esse mercado já movimenta - só o Fundo Setorial do Audiovisual tem aproximadamente R$ 1 bilhão para investir em ações e projetos do setor este ano - e o fundo é um Funcine, podendo contar, portanto, com incentivo fiscal para os cotistas. A novidade é, no entanto, um importante indício de que o setor chegou a uma nova fase de maturidade. Segundo Ângela Ximenes, superintendente executiva da Associação Brasileira de Private Equity & Venture Capital (ABVCAP), há um interesse dos fundos de investimento em geral neste mercado, provocado pelo aumento da demanda por conteúdo nacional independente, principalmente pelos canais de TV por assinatura. "Há um forte crescimento das empresas produtoras, oferecendo boas oportunidades de investimento com bom potencial de crescimento. Situando esta aceleração num cenário internacional - com a consolidação de empresas provocada por novos modelos de distribuição de conteúdo para múltiplas plataformas, onde a mobilidade e a qualidade do conteúdo exercem papel central - vemos um caminho claro para as empresas investidas, o que dá segurança aos investidores", explica. O investimento do Funcine Investimage 1 na Bossa Nova Films, Glaz Entretenimento e Oca Filmes tem também um valor simbólico para todo o mercado. Até aqui, a oferta de 14

alphaspirit/shutterstock.com

Indústria do conteúdo ganha atenção dos fundos de private equity, fomentada pela forte demanda da TV por assinatura, a consolidação do cinema nacional e a promessa das plataformas digitais.

recursos para as produtoras se deu, principalmente (quase exclusivamente), para os projetos. Estruturar estas empresas e levantar um capital de giro para suportar a imprevisibilidade de recursos sempre coube exclusivamente aos produtores empreendedores. Pela primeira vez, estas produtoras recebem investimento externo em seu patrimônio líquido. Até aqui, os recursos apareciam em seus balanços como dívida. Para Thierry Peronne, CEO da Investimage Asset Management, até agora, o mercado não estava pronto para receber dinheiro em private equity. "O mercado não estava suficientemente desenvolvido para a produção de televisão. No mundo, o audiovisual como um todo está muito calcado na TV. Não havia mecanismo possibilitando o mesmo no

“Estamos trabalhando para ser uma holding na cadeia de produção, incorporando outras atividades.” Eduardo Tibiriçá, da BossaNova

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Brasil". Para ele, as cotas de conteúdo brasileiro estabelecidas na Lei do Serviço de Acesso Condicionado têm papel central no desenvolvimento do mercado de conteúdo. "Claramente a obrigação foi boa, mostrou resultado. As cotas revolucionaram o mercado e criaram uma demanda gigantesca. Mas as empresas precisam de investimento para acompanhar este crescimento", completa. As cotas para TV trouxeram outra dinâmica para este mercado, mas não são o único motor. Segundo Edu Tibiriçá, sócio-gestor da BossaNovaFilms, uma das três produtoras que receberam investimento do Funcine Investimage, há uma conjuntura que fomenta a indústria de criação audiovisual. "Primeiro é o cinema, que vem ganhando força há anos como indústria. Depois a TV, por conta da lei da TV por assinatura. Mas acho que a plataforma

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“A entrada de um fundo de investimento em uma empresa obriga a uma divisão de governança. Essa divisão funciona se houver sintonia criativa entre as partes.”

digital também traz uma imensa oportunidade, um potencial de criar propriedade intelectual que atraiu o mercado financeiro", explica. Peronne confirma. Segundo ele, "o Brasil é um grande consumidor de Internet e de entretenimento em geral". Estruturação O Funcine Investimage 1 tem R$ 14,5 milhões para investimento em equity de produtoras. Os principais cotistas são o BNDESPar e a Caixa Seguros. Além dos R$ 9 milhões anunciados em fevereiro, outros R$ 4 milhões estão disponíveis para novos investimentos ao longo deste ano. Segundo Peronne, há um trabalho para encontrar empresas aptas a receber o investimento. "A empresa tem que estar preparada em termos financeiro e até pessoal. Em muitas que analisamos, eram as pessoas que não estavam preparadas, não apenas as empresas", explica. "Fizemos toda uma gestão e tivemos uma consultaria para chegar nesse ponto. Faz cinco anos que os sócios contam apenas com salário. É uma cultura já da empresa. Quando decidimos buscar investimentos, já tínhamos isso bem organizado", conta Mayra Lucas, sócia e produtora na Glaz. Embora cobre algum nível de governança, o fundo traz uma importante contrapartida, sobretudo às produtoras com estruturas mais simples: uma relevante ajuda na criação do modelo de gestão. Segundo Ângela Ximenes, da ABVCAP, os fundos de venture capital podem e devem incutir nas empresas parâmetros de gestão, governança, rede de relacionamentos, planejamento estratégico e visão de longo prazo. "É o conceito do capital empreendedor", diz. Para Mayra, esse foi um dos fatores decisivos na opção por buscar um sócio. "Nossa empresa é familiar.

departamento exclusivo de animação, outro para TV, também totalmente dedicado. Além disso, investirá em desenvolvimento de projetos e começará a estruturar uma área comercial, para negociar seu catálogo e cuidar do licenciamento das obras e Ana Paula Catarino, da Oca de derivados, bem como coordenar, junto aos agentes de venda, a Começou muito pequena e foi distribuição no mercado crescendo num modelo familiar. internacional. A Glaz já investe R$ A gestão familiar tem ônus e 500 mil em desenvolvimento ao ano. bônus. Agora, chega uma equipe Com novos recursos, passa a ter capacitada para a gestão", diz. "O sobra em caixa para resolver o fluxo produtor tem a cabeça muito voltada para de caixa. “A produção dos projetos a o artístico. Eu não tenho o ferrramental gente ainda faz com outras formas de para administração. Fiz artes plásticas. financiamento”, completa Mayra. Agora vamos nos capacitar", completa. Já a Oca financiará seu plano de Segundo Ana Paula Catarino, sócia da expansão no desenvolvimento de Oca Filmes, também uma das empresas propriedades intelectuais, contratação que recebeu investimento em private de pessoas especializadas na área equity, “a entrada de um fundo de criativa e comercial, aquisição de investimento em uma empresa obriga a software e hardware. uma divisão de governança. Essa divisão Eduardo Tibiricá conta que a funciona se houver sintonia criativa entre Bossa Nova pretende inverter o papel as partes. Imagine como seria discutir as da área de conteúdo em seu implicações de direitos autorais em faturamento. Hoje, a área é desenho animado com um fundo que atua responsável por 30% do faturamento. na área de infraestrutura”. O Em três anos, deve representar conhecimento dos gestores do fundo no metade e seguir ganhando mercado audiovisual, portanto, é fator importância. “Estamos evoluindo em definitivo na busca do sócio. “Acho um um caminho que já seguíamos, privilégio poder contar com a vivência do fortalecendo a área de conteúdo com Thierry Peronne na hora de fechar critérios de seleção de projetos para contrato com um player internacional”, desenvolvimento mais agressiva. completa Ana Paula. Nosso foco é na propriedade intelectual e vamos explorar Investimentos comercialmente o mercado brasileiro Além de contar com uma voz e o internacional”, diz. experiente na gestão e no desenvolvimento Segundo ele, a área de conteúdo da nova governança das empresas, a será dividida em cinco: ficção, produtora passa a contar com recursos infantojuvenil, animação, aventura/ para investir onde não contava antes. “A natureza e branded content, empresa pode custear coisas que não mantendo foco poderia com outras formas de investimento disponível no “A empresa tem que sobretudo em televisão e mercado. Tem dinheiro em estar preparada em digital. “Estamos caixa. É complementar a termos financeiro e trabalhando para ser outros mecanismos. Com até pessoal. Em muitas uma holding na cadeia capital social, a empresa que analisamos, eram de produção, incorporando outras consegue financiar itens as pessoas não que não conseguia antes”, estavam preparadas, atividades”, afirma Tibiriçá, abrindo, diz Peronne. não apenas as portanto, a possibilidade Segundo Mayra, da Glaz, empresas.” de agregar outras a produtora, agora mais Thierry Peronne, empresas ao grupo. capitalizada, montará um da Investimage

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( capa ) “Sentimos a oportunidade de trabalhar o conceito de investir no plano de negócios das empresas. É uma ajuda à empresa para se organizar e surfar essa onda positiva que o setor está vivendo.”

fortalecimento de sua estrutura de criação, comercialização e produção. Desses recursos, R$ 2 milhões são provenientes do BNDES Procult, reembolsáveis, e o restante do artigo 1ºA da Lei do Audiovisual, não reembolsáveis. Os recursos contemplarão o desenvolvimento de Luciane Gorgulho, do BNDES quatro projetos para cinema, entre eles o já concluído "Não Pare na Pista produtoras - Conspiração Filmes, A Melhor História de Paulo Coelho". Cine Group e Dama Filmes - com Os demais projetos, em fase de recursos provenientes do desenvolvimento, são: "Hebe", Programa para o Desenvolvimento da baseado na vida da apresentadora Economia da Cultura (BNDES Procult), Hebe Camargo; "Até o Fim do reembolsáveis, combinados com dinheiro Mundo", que trata com humor da e do artigo 1ºA da Lei do Audiovisual, não delicada relação mãe e filha; e "O reembolsáveis. Código da Vida", suspense baseado no A linha Procult, originalmente, foi best-seller homônimo de Saulo Ramos, desenvolvida para apoiar os projetos nas um dos principais juristas do Brasil. empresas, conta Luciana Gorgulho, Entre os investimentos diretora do departamento de economia da corporativos previstos no plano de cultura do BNDES. “Até permitia fazer um negócios estão a aquisição de uma ilha apoio nas empresas como um todo, mas o de edição, a ampliação da gerência de tamanho do recurso era suficiente apenas relações institucionais voltada para para projetos”, conta. A linha veio se captação de recursos, a contratação de aprimorando - e ganhando corpo - de produtores executivos de TV e cinema forma a permitir um investimento nas e a formação de equipe para empresas. “Mas também o setor veio produção e comercialização dos amadurecendo e crescendo por conta do produtos da empresa. nova regulamentação (da TV por Para a Conspiração, foram assinatura)”, explica. Com um cenário destinados R$ 26 milhões ao apoio do mais robusto e empresas com maior plano de negócios 2014-2016 do capacidade de administrar os recursos, no grupo. A empresa pretende final de 2013, houve um aprimoramento desenvolver cinco projetos para TV, a para permitir o investimento nas empresas maioria direcionada ao público e suas carteiras. “Sentimos a oportunidade infanto-juvenil, como a série de de fazer pequenos ajustes e trabalhar o animação "Planeta Palavra", além de conceito de investir no plano de negócios quatro produções para o cinema, entre das empresas. Esse investimento não é eles "Vai que Cola", baseado na série apenas na carteira, mas na criação de homônima do Multishow, e "Os uma equipe, na divulgação dos projetos, Penetras 2", continuação de "Os infraestrutura. Todo o tipo de Penetras", terceira maior bilheteria investimento que uma empresa normal nacional de 2012. faz. É uma ajuda à empresa para se Do total, R$ 20 milhões são do organizar como um todo e surfar essa Procult e R$ 6 milhões da onda positiva que o setor está vivendo”, conta Luciane. “Fizemos toda uma Lei do Audiovisual. O gestão e tivemos uma dinheiro também será usado na realização de Plano consultaria para A Dama Filmes recebeu chegar nesse ponto. melhorias na sede do Rio R$ 4 milhões, que serão Faz cinco anos que os de Janeiro e investimentos destinados ao sócios contam apenas em processos e sistemas. A parte do Procult é desenvolvimento da carteira com salário. É uma um empréstimo, diferente, de negócios da empresa no cultura já da empresa.” portanto, do investimento Mayra Lucas, da Glaz período 2014-2018 e ao

Fim da relação O fundo tem prazo de cinco a sete anos até o desinvestimento. Ele tem uma cláusula de liquidez nos contratos com as produtoras, podendo ser um IPO, a venda para outro fundo ou a recompra por parte da própria empresa e seus sócios. “A meta é fazer as empresas crescerem, torná-las grandes empresas de conteúdo”, diz Peronne. A abertura de capital em bolsa em empresas de conteúdo tem precedentes no mercado internacional, mesmo fora dos Estados Unidos. Duas grandes empresas francesas são negociadas em bolsa, a Europacorp, uma distribuidora que trabalha nos moldes dos estúdios de Hollywood, e a Maratoon Produccion. “Acreditamos que é possível que uma grande produtora brasileira faça um IPO em cinco ou seis anos. Mas essa não é a única saída possível do fundo das empresas. Os fundos mais generalistas de private equity já estão começando a olhar para este mercado”, diz o gestor do Funcine Investimage 1. Para Tibiriçá, a saída mais natural é mesmo a venda para outro fundo de investimento, mas não descarta as outras saídas citadas. “Temos um business plan para cinco anos bem estruturado”, diz Para Mayra, um IPO no Brasil não depende apenas das empresas. “Temos dois desafios: conseguir que o mercado dependa menos do dinheiro público, e a demanda por parte da TV por assinatura pode ser o começo disso; e que recursos públicos retornáveis, como o Fundo Setorial do Audiovisual, não sejam tão travados”, diz. Outras modalidades Também em fevereiro, o BNDES anunciou um conjunto de investimentos diferente do que estava acostumado a fazer no mercado audiovisual. O banco aprovou apoio financeiro de R$ 42 milhões em três 16

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recebido pelas empresas pelo Funcine Investimage 1. Após uma carência de dois anos, será pago em seis anos, em condições bastante favoráveis. Segundo Gil Ribeiro, diretor presidente da Conspiração, embora exista dinheiro “mais barato” no mercado, estes recursos não podem ser usados para o mesmo fim. Além disso, com o tamanho da empresa, é necessário ter uma carteira de fontes de financiamento. “Os recursos baratos são limitados. Nosso volume, para cumprir o pipeline do plano de negócios, pede mais. Não estamos abrindo mão dos recursos mais acessíveis, e que tem processos de pitching e aprovação. Mas estes mecanismos também não são fáceis, principalmente pelo tempo que demandam da equipe e da empresa”, explica. Ribeiro conta que a produtora passa por um momento de estruturação grande, com

“Os recursos baratos são limitados e não são fáceis, principalmente pelo tempo que demandam da equipe e da empresa.” Gil Ribeiro, da Conspiração

investimentos em sistemas de controle de produção e infraestrutura - estúdios e equipamentos. “Estamos criando o nosso centro de produção. Queremos ter um pólo de criação da Conspiração. Deve levar até dois anos para ficar pronto”, conta. O outro financiamento aprovado pelo banco, no valor de R$ 12 milhões, destinase ao Plano de Negócios 2014-2017 do grupo Cine Group. Os recursos - metade deles provenientes do BNDES Procult e metade da Lei do Audiovisual fortalecerão a expansão da produção voltada para TV. Os objetivos do projeto são implantar um núcleo de ficção em São Paulo, voltado

para o desenvolvimento de novos projetos; produzir três séries ficcionais para TV, em coprodução com o Grupo Turner, a Globosat e a Universal; e viabilizar um documentário. Segundo Mônica Monteiro, CEO da Cine Group, cada real investido pelo BNDES deve gerar um faturamento de R$ 4. “A indústria da televisão é promissora e tem boa rentabilidade”, diz a executiva.​ Segundo Luciane Gorgulho, este foi o começo do uso da linha nesta modalidade de investimento. “O balcão está aberto para todos. Temos outras operações que já estão seguindo para aprovação da diretoria. Temos um pipeline enorme, com praticamente todas as grandes produtoras grandes e médias e até algumas pequenas e nascentes”, diz.


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(mercado) Leandro Sanfelice

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Pedra no caminho

Em meio a um período de crescimento no mercado audiovisual, desvalorização do real e tributação elevada devem aumentar custos com locação de equipamentos importados.

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Mudanças no câmbio “De 70% a 80% de nosso portfólio na Hollywood Store é composto por produtos importados e, nos Estúdios Quanta, essa porcentagem chega a 95%”, diz Lívia Teixeira, gerente de marketing da Hollywood Store. A loja, especializada na venda de 20

“De um lado, existe uma política de estímulo à produção que deve se ampliar. Do outro, uma valorização muito rápida do dólar que reduz nossa capacidade de investimento”.

FOTOs: divulgação

equipamentos profissionais, atua dentro das instalações da Quanta, empresa especializada em locação de equipamentos e estúdios localizada na Vila Leopoldina, um dos principais polos audiovisuais de São Paulo. “Sendo os produtos de nosso portfólio praticamente em sua totalidade importados, são adquiridos em moeda forte (dólar ou euros), e quaisquer flutuações das taxas cambiais refletem no custo final em real e, consequentemente, no seu preço ao consumidor final. Quanto à elevação dos preços atual, estamos estudando qual postura adotar, pois esse pico de dólar será passageiro e acreditamos que a taxa deverá se estabilizar em torno de R$ 3,00”, conclui a executiva. “De um lado, existe uma política de estímulo à produção que deve se ampliar, com a regulamentação da quantidade de reprises e exigência de produções mais recentes (para cumprimento de cotas na TV por assinatura). Do outro, uma valorização muito rápida do dólar que reduz nossa capacidade de investimento. Com mais demanda e equipamentos consideravelmente mais caros, a tendência é que o custo das produções se eleve”, avalia Paulo Ribeiro, proprietário da Locall, empresa especializada na locação de equipamentos e que atua principalmente com produtores independentes. Segundo ele, a companhia

om produção crescente, o mercado audiovisual brasileiro deve enfrentar uma elevação dos custos de locação de equipamentos ao longo de 2015. Como grande parte dos equipamentos não é produzida no país e precisa ser importada, a desvalorização cambial do real, principalmente em relação ao dólar, deve afetar os preços. No período entre outubro de 2014 até março deste ano, o valor comercial da moeda dos Estados Unidos foi de R$ 2,50 para cerca de R$ 3,30. No mesmo período, o valor do euro foi de R$ 3,10 para cerca de R$ 3,50. A maioria dos executivos entrevistados por Tela Viva acredita que as moedas se estabilizarão em valores abaixo dos apresentados atualmente. No entanto, não é possível prever quanto tempo irá durar o processo de desvalorização cambial e o consenso é que o valor final das moedas estrangeiras será maior que aquele apresentado até o final do primeiro semestre de 2014. Além da desvalorização do real, a indústria também paga preços elevados na tributação sobre importações. As taxas, cobradas de forma acumulativa, chegam a dobrar o valor de compra dos equipamentos.

Paulo Ribeiro, da Locall

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tem investido cerca de R$ 2,5 milhões por ano em novos equipamentos desde 2011, quando a demanda começou a crescer. “Até o momento, a demanda vem crescendo e sendo atendida. Com preços elevados, não digo que deixará de ser atendida, mas pode ser que a quantidade de equipamentos disponível não seja a ideal”, diz. A expectativa é que a elevação do custo de locação e compra de equipamentos reflita no valor final de futuras produções. “O custo de locação de equipamentos depende das particularidades de cada projeto. Até o momento, o aumento do dólar não tem refletido nos orçamentos. E acreditamos que isso se deve ao fato das empresas de locação estarem oferecendo equipamentos do estoque. No entanto, acreditamos que as novas aquisições deverão trazer reajustes nos preços. E isso sim, poderá influenciar no aumento dos custos das produções”, diz Eduardo Tibiriçá, sócio-gestor da BossaNovaFilms.   Tributação elevada Além da alta do dólar, a elevada tributação dos equipamentos impor­ tados também colabora com a eleva­ ção dos preços. Segundo Ribeiro, a empresa realizou um estudo em 2013, a pedido da Ancine, para avaliar a participação dos impostos sobre importação no custo de compra dos equipamen­tos. Na época, a empresa concluiu que a tributação sobre importações poderia elevar em até 120% o valor das aquisições.

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Serviços e produção local A Comerciall atua com foco na venda de equipamentos de iluminação e movimento para cabeças de rede, retransmissoras e produção web, como conteúdo para cursos universitários à distância. “Para quem trabalha com a compra e revenda de equipamentos importados o impacto é ainda maior”, diz João Manoel, proprietário da empresa. Cerca de 70% do faturamento da

“Sendo os produtos de nosso portfólio praticamente em sua totalidade importados, quaisquer flutuações das taxas cambiais refletem no custo final em real e, consequentemente, no seu preço ao consumidor final”. Livia Teixeira, da Hollywood Store

Comerciall vem de produtos fabricados em uma indústria própria em Guarulhos, na Grande São Paulo. Segundo João, apostar na produção local de equipamentos pode ser uma forma de amenizar os efeitos da alta do dólar e da tributação elevada. “Nem sempre a qualidade é igual à do produto importado, mas é possível dizer que produzimos equipamentos de qualidade semelhante. Vendendo pacotes combinando produto nacional, prestação de serviços e produto estrangeiro, podemos diluir o valor gasto na importação”, diz. O plano de ampliar a produção local, no entanto, esbarra na instabilidade do câmbio. “O câmbio varia muito ao longo dos anos e principalmente em momentos instáveis como esse. Quando o real está desvalorizado, a diferença de preço para o equipamento importado é pouca e você acaba perdendo demanda para o nacional. Com muita variação, torna-se inviável ter uma política de produção local de longo prazo, assim como investir em uma política de longo prazo para importação”, explica o executivo. Demanda Se por um lado a alta do dólar eleva os preços de aquisição dos equipamentos importados, por outro ela atrai produtores internacionais para o Brasil. “Quando uma produtora vai gravar um comercial, ela orça em diferentes localidades. A desvalorização tem efeitos bem rápidos. Nos últimos 60 dias já atendemos dois

“Com pacotes combinando produto nacional, prestação de serviços e produto estrangeiro, podemos diluir o valor gasto na importação”

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João Manoel, da Comerciall

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grandes projetos. No entanto, isso também acaba dependendo dos custos dos equipamentos no País”, avalia Paulo Ribeiro, da Locall. Segundo o executivo, a demanda por equipamentos reduziu a partir de outubro do ano passado, mas voltou a crescer e ele espera que se estabilize a partir do segundo semestre. “A demanda na área de conteúdo independente para TV vai crescer certamente graças à regulamentação. Esperamos uma queda em produções comerciais ou de publicidade e um aumento na demanda por produções internacionais em território brasileiro. Se uma coisa compensar a outra, devemos ter um ano bom”, avalia. Em setores de produção fora do mercado independente, fornecedores esperam uma redução na demanda.”Pior que a desvalorização cambial é o momento recessivo que o país vive. O investimento em publicidade diminui e isso afeta o investimento das emissoras e, em consequência, a demanda por equipamentos”. “A despeito do grande diferencial tecnológico, tal demanda deve arrefecer diante das incertezas macroeconômicas e políticas. Este certamente é um período no qual as empresas tendem a reavaliar os investimentos e aquisições”, avalia Lívia Teixeira, da Hollywood Store. Para Robinson Silva, consultor de vendas da loja, a redução da demanda reflete um momento de incertezas em relação ao mercado. “Todos que tinham compras para efetuar estão aguardando para ver o que realmente irá acontecer com dólar. Mesmo com alguns itens em estoque e preço baseado no valor de antes do dólar, as pessoas estão esperando, até porque para nós o ano começou realmente em março. Temos muitos orçamentos, mas as empresas e pessoas ainda preferem aguardar.” 21

FOTOs: divulgação

“Havia uma preocupação da Ancine na época com o aumento dos preços após a aprovação das cotas de conteúdo nacional na TV paga. A agência falou com o mercado para entender quais eram as maiores dificuldades, e a resposta da maioria foi que os custos de importação e locação de equipamentos eram muito elevados”, conta Ribeiro. A demanda do mercado por tributação reduzida, no entanto, acabou não sendo atendida. “Se naquele momento favorável não conseguimos levar adiante o pedido, acredito que hoje, com a balança em déficit, seria ainda mais difícil”, avalia o executivo. Para Ribeiro, a revisão das taxas beneficiaria principalmente o mercado independente de produção, que ainda está se consolidando. Além disso, diz, a tributação sobre esse tipo de equipamento tem pouco peso nas contas do governo, e não existe produção nacional dos equipamentos no Brasil. “Importamos principalmente refletores, gruas, câmeras e lentes. A taxa sobre importação acaba não protegendo a industria nacional simplesmente porque não se fabricam esses produtos aqui”, justifica. A reportagem de Tela Viva entrou em contato com a Ancine, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.


(tv por assinatura) Samuel Possebon e Lúcia Berbert

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Casamento forçado

Operadoras de TV paga e radiodifusores disputam na Anatel como ficarão as regras de carregamento obrigatório dos sinais de TV aberta no DTH. Em jogo está o equilíbrio no mercado de TV, e uma conta de R$ 4 bi para os operadores.

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TV aberta. Mas se optassem por levar uma, teriam que levar todas as 14 chamadas "redes nacionais" (cobertura em todas as regiões e mais de 60% de cobertura populacional). Essas 14 redes foram especificadas pela Anatel depois de uma análise de cada uma delas: MTV, Mix TV, Canção Nova, Rádio e TV Aparecida, Globo, Band, CNT, Record, Rede Mulher, SBT, Rede Brasil, RIT, Rede Vida e Rede TV!.

Concept Photo/shutterstock.com

esde que a Anatel regulamentou a lei de TV por assinatura, conhecida como Lei do Serviço de Acesso Condicionado (SeAC), em 2011, um problema com potencial explosivo começou a ser formado: como garantir que emissoras de TV aberta, ao serem distribuídas pelas operadoras de TV por assinatura, enfrentariam condições isonômicas de tratamento. Na época, ainda em 2011, o SBT foi o primeiro grupo radiodifusor a colocar o problema em cena. De lá para cá a coisa piorou e, à exceção da Globo, todas as emissoras de TV estão incomodadas com a forma como o setor de TV paga se relaciona com a radiodifusão e com os instrumentos regulatórios que estão sendo usados para organizar esse mercado. Agora, diante da gritaria geral, a Anatel deve alterar as regras, e isso está causando grande preocupação junto às operadoras de TV paga, sobretudo aquelas que operam via satélite (DTH). Desde a década de 1990, quando o mercado de TV por assinatura passou a ter uma lei (a Lei do Cabo, de 1995), foi criada no Brasil a regra do must-carry. Isso significa que, por lei, as operadoras de TV a cabo eram obrigadas as carregar os sinais das geradoras locais de TV aberta nas praças em que atuavam. Quando a Lei do Cabo foi substituída pela Lei do SeAC, em 2011, FOTO: arquivo

a regra do must-carry se ampliou a outras tecnologias de TV por assinatura, como o DTH. Mas havia um problema: para uma empresa de satélite, que tem cobertura nacional, levar todas as geradoras do país (514 ao todo) seria tecnicamente muito complicado, e inviável do ponto de vista de custos (pois implicaria espaço no satélite, uplink de sinais etc). A lei criou uma possibilidade de exceção, a ser regulada pela Anatel, e isso foi feito em 2012. Basicamente a agência disse que as operadoras de DTH poderiam não levar nenhum sinal de geradoras de Segundo Oscar Simões, da ABTA, o custo da troca de caixas do DTH está avaliado em R$ 4 bilhões.

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Conteúdo local Acontece que o mercado de TV paga foi além e não ficou apenas nas redes ditas "nacionais", mas começou a distribuir os sinais da TV Globo regionalmente. Algumas operadoras como a Sky e a Claro hdtv optaram por incluir cerca de 20 praças da TV Globo em seu serviço. A Oi TV foi mais longe, e colocou nada menos do que 43 praças, e todas com o sinal HD. Ou seja, em 43 regiões metropolitanas, os assinantes da Oi recebem o sinal da TV Globo em alta definição como se fosse mais um canal do seu serviço (integrado ao guia de programação, gravador digital etc), respeitando o conteúdo local daquelas geradoras que foram contempladas. A Globo desenvolveu inclusive um modelo de negócios, vendendo os sinais da sua emissora aberta para operadoras de TV paga e repassando uma parte dos ganhos para os respectivos afiliados. Todas as maiores operadoras de TV paga hoje pagam pelo sinal da Globo, exceto a Net, que ainda se beneficia da regra do must carry.

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As demais emissoras protestaram. A primeira a levantar a voz foi o SBT, ainda em 2012. Queriam que a Anatel obrigasse as operadoras de DTH a dar isonomia entre todas as redes abertas em relação ao carregamento local. Agora, em 2015, a Anatel finalmente resolveu abordar o problema, e decidiu alterar a regulamentação do SeAC. Como a agência não conseguiria obrigar as operadoras a colocarem os sinais das geradoras locais no satélite, pois isso seria uma interferência excessiva no negócio das empresas, resolveu obrigar as empresas a adotarem uma solução híbrida. Caixa híbrida A solução que a Anatel está indicando adotar é a de obrigar a instalação, pelas operadoras de DTH, de um equipamento de recepção dos sinais digitais terrestres, transmitidos de forma aberta pelas emissoras. Esse equipamento só seria obrigatório para as emissoras de DTH em uma determinada localidade caso, em seu line-up, essa mesma operadora leve o sinal de alguma emissora local de TV aberta. Por exemplo, se determinada operadora de DTH leva o sinal da geradora da Globo em Brasília em seu pacote, na cidade de Brasília seria obrigatória a instalação da caixinha de recepção aberta. Algumas operadoras de DTH já adotam essa solução, mas só para assinantes de pacotes mais caros ou sob demanda. A Anatel quer generalizar essa prática a todos os clientes nas praças em que houver carregamento local. Segundo o presidente da Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA), Oscar Simões, que levou esse assunto ao ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, o custo dessa troca está avaliado em R$ 4 bilhões para atender os atuais 12 milhões de assinantes. Algumas operadoras

“Estamos buscando uma solução escalonada no tempo, que permita a substituição das caixas sem onerar o operador, mas respeitando a isonomia para os radiodifusores.”

Já a Associação Brasileira de Radiodifusão (Abra) apoia a intenção da Anatel de obrigar as operadoras de TV por assinatura via DTH de adotarem um conversor híbrido. Para o vicepresidente executivo da entidade, Walter Ceneviva, a inclusão de canais abertos nos line-ups das operadoras é uma questão de cumprimento da Lei do SeAC. Ceneviva diz que a Abra reconhece a preocupação dos operadores de TV por satélite, mas entende que é preciso dar prioridade ao que é melhor para todos os brasileiros.

Daniel Slaviero, da Abert

estimam valores ainda maiores, na casa dos R$ 6 bilhões, a depender da quantidade de pontos extras e necessidade de instalação de antena externa, cabeamento etc. Os radiodifusores dizem que o problema não é tão grande assim. Alegam que o mercado de TV paga já está adotando caixas híbridas na maior parte das novas vendas, e que o DTH repõe cerca de 2 milhões de caixas por ano, entre novas vendas, upgrades e substituições naturais. Considerando que são cerca de 12 milhões de usuários de DTH, a troca das caixas levaria seis anos naturalmente, e é nessa linha que caminham os radiodifusores. "Estamos buscando com os operadores de TV paga uma solução escalonada no tempo, que permita a substituição das caixas sem onerar o operador mas ao mesmo tempo respeitando a isonomia para os radiodifusores", diz Daniel Slaviero, presidente da Abert. Para o superintendente de Planejamento e Regulamentação da Anatel, José Alexandre Bicalho, a proposta de troca de conversores da TV por assinatura via satélite está atrelada ao cronograma do desligamento do sinal analógico, o que garantirá a diluição dos custos das operadoras. Ele acredita que a indústria também deverá contribuir para o sucesso da proposta, com a oferta de um preço adequado ao equipamento. Bicalho lembra ainda que a Sky já instala essa caixinha híbrida para seus assinantes, assim como a Oi TV, quando solicitada.

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Efeito colateral Mas existe um efeito colateral para os radiodifusores se a Anatel de fato obrigar o DTH a instalar as caixas híbridas. Isso porque a Lei do SeAC dava ao radiodifusor a prerrogativa de cobrar ou não pelo carregamento de seus sinais digitais. No momento em que o equipamento de recepção terrestre for instalado pelo operador de DTH, ele não terá mais a necessidade de negociar com a empresa de radiodifusão. Uma fonte de uma emissora de TV aberta reconhece o problema, mas diz que é preciso escolher o “menos pior”. "Hoje estamos no pior dos mundos, onde ninguém paga para nós e a Globo é distribuída localmente a todos os assinantes de DTH. Se a Anatel obrigar a instalação das caixinhas híbridas, pelo menos resolvemos o problema da distribuição. Mas de fato, dificilmente vamos conseguir cobrar", diz a fonte. O assunto estava para entrar na pauta da Anatel para decisão do conselho diretor no fechamento desta edição, mas a agência ainda tentava amarrar uma solução costurada entre todos os envolvidos.

Para Walter Ceneviva, da Abra, a inclusão de canais abertos nos lineups das operadoras é uma questão de cumprimento da Lei do SeAC.

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(regulamentação)

Fernando Lauterjung e Lúcia Berbert

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Mudanças à vista

Ancine publica sua agenda regulatória para 2015/16. Na pauta, a cobrança de Condecine e cotas nacionais para o VOD e atuação no equilíbrio de contratos de programação.

sevenke/shutterstock.com

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no Brasil todo o acervo que poderia. Parte significativa do conteúdo sobre qual o serviço já tem o direito de distribuição no Brasil estaria “na gaveta”, esperando uma definição sobre a cobrança do tributo.

Ancine publicou em fevereiro sua agenda regulatória para o biênio 2015/16, trazendo temas importantes como a cobrança de Condecine sobre serviços de VOD (vídeo on-demand), atuação da agência no campo da defesa da concorrência e da ordem econômica e mudanças nas regras de relativas a mecanismos de fomento e do Fundo Setorial do Audiovisual. A cobrança da Condecine para a atividade de VOD é um dos maiores vespeiros que a agência reguladora precisa cutucar. A contribuição está prevista para esta modalidade de mercado, mas a Ancine tinha receio de travar o desenvolvimento do serviço ao estabelecer regras numa fase ainda embrionária. No último ano, deu sinais de que chegava a hora de regular o VOD. Sobre a cobrança da Condecine, o desafio da agência é não inviabilizar uma janela já importante de escoamento de conteúdo e com grande potencial de crescimento, mas manter regras isonômicas com serviços concorrentes, como a TV por assinatura. Os valores praticados podem inviabilizar serviços de VOD por assinatura com acervos muito grandes, bem como a disponibilização de conteúdos de cauda longa. Comenta-se no mercado que a Netflix, o maior serviço de SVOD (VOD por assinatura) no país, não lançou 24

Ordem econômica Outro assunto delicado que consta na agenda da Ancine é a regulamentação da sua atuação no campo da defesa da concorrência e da ordem econômica. Também está prevista a edição de uma norma para regrar o escopo e funcionamento da ferramenta de mediação de conflitos. Nesse ponto, a TV por assinatura pode estar na mira da agência. Por um lado, a Anatel já provocou a Ancine apontando indícios de que os custos dos insumos de programação, que são mais elevados para operadores de TV que têm bases menores, estejam contribuindo para uma dificuldade de expansão do mercado de TV paga. Por outro lado, as programadoras dos canais chamados “superbrasileiros” também vêm manifestando à agência dificuldades em se viabilizar com os valores pagos pelas operadoras. A estimativa é que estes canais recebam, em média, por assinante, menos de R$ 0,10. Seus custos com programação, no entanto, são altos, uma vez que precisam cumprir cota diária de 12 horas de conteúdo nacional independente. Recursos públicos Neste biênio, deve ser editada norma para simplificar o processo de acompanhamento de projetos e outra para

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atualizar os procedimentos de prestação de contas de projetos que contem com recursos públicos. São pontos importantes para destravar o fluxo de recursos públicos para o desenvolvimento, produção e distribuição de obras audiovisuais. Já está em consulta pública prevista a revisão do sistema de classificação de empresas para fins de autorização para captação de recursos oriundos de renúncia fiscal. Também está previsto que se defina a regulamentação de critérios para gestão de direitos e exploração econômica de projetos audiovisuais realizados com recursos públicos federais e regulamentar o licenciamento de obras audiovisuais brasileiras produzidas com recursos públicos federais em canais educativos, legislativos, universitários, judiciários, comunitários e estabelecimentos públicos de ensino, dez anos após a sua primeira exibição comercial. Publicidade Outra ação da Ancine prevista para este ano é a aprovação da regulamentação do emprego de publicidade em canais de distribuição obrigatória e do credenciamento das entidades programadoras para utilização de espaços por canais de distribuição obrigatória. A agência também pretende definir a norma que estabeleça os critérios e procedimen­ tos administrativos para a garantia da reciprocidade de tratamento das obras publicitárias estrangeiras em relação às condições de produção e exploração de obras audiovisuais brasileiras em territórios estrangeiro. Os dois temas são de grande interesse dos prestadores de SeAC.

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Confira um resumo dos temas em pauta na Ancine em 2015 TEMA

AÇÕES

MATÉRIA

Alinhamento das coproduções internacionais quanto ao alcance dos dispositivos previstos na Medida Provisória nº. 2.228-1/01, e na Lei nº. 12.485/11

Norma que alinhe os conceitos de obra brasileira independente, nos termos da Medida Provisória nº.2.228-1, de 6 de setembro de 2001, e de obra produzida por Produtor Brasileiro Independente, nos termos da Lei nº. 12.485, de 12 de setembro de 2011 para fins de coproduções internacionais

Estabelecimento de diretrizes para gestão de direitos de exploração econômica de obras audiovisuais fomentadas com recursos públicos federais e para fins de classificação de obra nos termos da Lei nº. 12.485/11

Regulamentação de critérios para gestão de direitos e exploração econômica de projetos audiovisuais realizados com recursos públicos federais

Regramento da exibição de obras fomentadas em canais do campo público de TV

Regulamentar o licenciamento de obras audiovisuais brasileiras produzidas com recursos públicos federais em canais educativos, legislativos, universitários, judiciários, comunitários e estabelecimentos públicos de ensino, dez anos após a sua primeira exibição comercial

Revisão da normatização de cota de tela, incluindo regulamentação do período de permanência dos títulos brasileiros em exibição em cada complexo em função dos resultados obtidos

Proposta de nova metodologia para o cálculo da exibição obrigatória de obras cinematográficas brasileiras de longa metragem em salas de exibição, e regulamentação de dispositivo que dispõe sobre o período de permanência dos títulos brasileiros em exibição em cada complexo em função dos resultados obtidos

Regulamentação do Sistema de Controle de Bilheteria

Implantação de solução para apreensão de dados de bilheteria das salas de cinema comerciais

Revisão dos mecanismos de fomento para pequenos e médios exibidores brasileiros

Revisão da regulamentação existente e proposta de novos instrumentos de fomento para ampliar o acesso a obras brasileiras independentes, estimulando maior diversidade do parque exibidor

Regulamentação sobre a promoção do acesso ao audiovisual nas salas de exibição cinematográfica

Regulamentação de dispositivos que permitam o acesso a bens audiovisuais por pessoas portadoras de deficiência visual e auditiva

Revisão da regulamentação dos mecanismos de investimentos

Edição de norma que dispõe sobre as operações de investimentos em projetos audiovisuais com a utilização de recursos derivados dos benefícios fiscais previstos pelos artigos 3º e 3º-A da Lei nº. 8.685/93, e do artigo 39, inciso X da Medida Provisória nº. 2.228-1/01

Revisão do modelo de acompanhamento de projetos

Edição de norma que simplifica o processo de acompanhamento de projetos

Revisão da norma de prestação de contas

Edição de norma que atualiza os procedimentos de prestação de contas em função do Decreto nº. 8.281/14

Revisão do sistema de classificação de empresas

Edição de norma que atualize o sistema de classificação de empresas para fins de autorização para captação de recursos oriundos de renúncia fiscal

Definição de norma relativa às obrigações de retorno não financeiro, conforme previsto no Regulamento Geral do Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Audiovisual Brasileiro – Prodav (itens 71.2.b a 71.2.f)

Norma que regulamente a possibilidade de retorno não financeiro ao investimento, em contrapartida à participação do Fundo Setorial do Audiovisual – FSA no projeto audiovisual beneficiário do Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Audiovisual Brasileiro – Prodav

Revisão dos critérios e normas dispostos no Regulamento Geral do Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Audiovisual Brasileiro – Prodav

Regulamento que estabeleça diretrizes e condições para a aplicação dos recursos do Fundo Setorial do Audiovisual nas ações do Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Indústria Audiovisual – Prodav, instituído pelo artigo 4º da Lei nº. 11.437, de 28 de dezembro de 2006

Jogos eletrônicos

Promover estudo relativo à inclusão dos jogos eletrônicos no espectro da legislação do setor audiovisual

Estudo relativo à inclusão dos jogos eletrônicos e de sua cadeia produtiva no espectro da legislação do setor audiovisual

Mediação

Regulamentação sobre mediação de conflitos

Norma que regra o escopo e funcionamento da ferramenta de mediação de conflitos

Regulamentação de critérios e procedimentos para a reciprocidade de tratamento às obras publicitárias estrangeiras

Norma que estabeleça os critérios e procedimentos administrativos para a garantia da reciprocidade de tratamento das obras publicitárias estrangeiras em relação às condições de produção e exploração de obras audiovisuais brasileiras em territórios estrangeiros

Revisão do processo de registro de obras publicitárias brasileiras filmadas no exterior

Estabelecimento em norma de novo procedimento de registro das obras publicitárias brasileiras filmadas no exterior que, necessariamente, demande a análise interna da Superintendência de Registro – SRE antes da liberação de cada requerimento

Ordem econômica

Regulamentação da atuação da Agência no campo da defesa da concorrência e da ordem econômica

Regulamentação da atuação da Agência no campo da defesa da regulação e da ordem econômica

Serviço de Acesso Condicionado – SeAC

Regulamentação dos canais de distribuição obrigatória

Regulamentação do emprego de publicidade em canais de distribuição obrigatória e do credenciamento das entidades programadoras para utilização de espaços por canais de distribuição obrigatória

Vídeo por Demanda

Regulação da atividade econômica de vídeo por demanda

Regular a atividade, com revisão dos critérios para a cobrança da Condecine

Coprodução internacional

Direitos de exploração econômica de obras audiovisuais

Exibição cinematográfica

Fomento

Fundo Setorial do Audiovisual – FSA

Obras publicitárias

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( making of )

Lizandra de Almeida

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nova campanha do cream cheese Philadelphia conta de trás para a frente como se começa a preparar uma boa comida. “A ideia de contar uma história de trás para frente traduz o conceito da marca para 2015, ‘Comece com Philadelphia’”, afirma Enoch Lam, diretor de criação da J. Walter Thompson. Ou seja, o filme começa mostrando um grupo de amigos reunidos para comer os pratos que eles prepararam e vai voltando até o início do preparo, mostrando sempre que tudo começou com o produto. O filme também faz parte do conceito de Cozinhaterapia, com o qual a marca pretende mostrar que a prática de cozinhar pode ser mais divertida e estimulante quando amigos e familiares participam. Por isso, o primeiro desafio da equipe era encontrar uma locação em que fosse possível fazer todo o filme, um ambiente aberto que permitisse a movimentação dos personagens sem que desse a impressão de ser uma casa muito luxuosa. O segundo desafio da dupla de diretores Kid Burro (André Saito e Cesar Nery) foi descobrir como realizar o filme de trás para frente e, ao mesmo tempo, manter o appetite appeal dos pratos preparados. “Fizemos uma pré-produção muito detalhada, com vários testes e um monstro com trechos de outros filmes e testes para tranquilizar o cliente”, diz Nery. “E também criamos um storyboard muito detalhado.” Em cada cena, as equipes de produção e direção tinham de pensar em como seriam os movimentos das pessoas para garantir que a cena ao contrário daria resultado. “Muitas cenas funcionam rodando normalmente, mas não funcionam em reverse. Trabalhamos com a agência para pensar em possíveis movimentos que ajudassem a passar 26

FOTOs: divulgação

Sabor de trás para frente

Desafio foi realizar filme ao contrário e manter appetite appeal.

a ideia.” É o caso, por exemplo, da personagem que derrama uma lágrima, que aparece voltando para seu olho. O detalhe ajuda a reforçar a ideia de que o filme está voltando. Em uma das cenas, um personagem quebra um ovo e, enquanto isso, várias pessoas passam ao lado. Os diretores optaram por fazer com que as pessoas estivessem em uma velocidade diferente. “Filmamos o primeiro personagem indo até o fogão e depois filmamos novamente a cena só com as pessoas em volta. Na edição, montamos as duas imagens juntas, mas com velocidades diferentes”, conta Nery. Todas as cenas foram filmadas em câmera lenta, mas a velocidades diferentes, dependendo do efeito que se queria dar. Os ovos foram “trucados” pelo produtor de efeitos especiais Cesar

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Utimura. “Ele enchia uma casca de ovo com a gema e a clara e abria uma pinça especial, o que fazia com que o conteúdo caísse sempre da mesma forma”, conta Nery. Outra cena que exigiu uma produção especial foi a que mostra as batatas assando em um forno, à vista do espectador. “Utimura montou um forno de acrílico no set e fizemos takes de 20 minutos mostrando as batatas dourando, para depois rodar mais rápido”, explica o diretor. O pote do produto, que aparece várias vezes seguidas sendo manuseado pelos personagens, foi afixado a uma traquitana acoplada à câmera, o que permitiu fazer uma série de movimentos sequenciais em que o pote se mexia a uma velocidade e as pessoas em volta em outra, além de outras cenas em que o pote aparecia em close. Alguns movimentos, por exemplo, precisaram ser exagerados para garantir o resultado. “Quando uma pessoa serve as batatas ou um suco, é preciso fazer isso bem de cima, para o movimento ficar evidente. Normalmente, jamais faríamos isso, porque sem dúvida ia espirrar e sujar tudo – como realmente sujou. Alguns personagens tinham três ou quatro figurinos iguais”, finaliza.

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ficha técnica Agência J. Walter Thompson ClientePhiladelphia ProdutoPhiladelphia Direção de criação Enoch Lam Redação Daniel Del Toro,  Patrick Matzenbacher Direção de arte Waldemar Franca,  Andrea Pissaro ProdutoraParanoid Produção executiva Egisto Betti DireçãoKid Burro Fotografia Marcelo Corpani Montagem Caroline Leoni FinalizaçãoNash Produtora de somAntfood


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pássaro dodô é uma espécie extinta há 300 anos, mas um exemplar da espécie pode ter sido visto na Costa Rica. É o que uma moça chamada Letícia Blause, interessada em biologia mas totalmente diletante, conta para seus seguidores do Facebook depois de postar um vídeo amador no qual um bicho realmente parecido com a iconografia histórica passeia em frente a câmera. Assim como o pássaro dodô, porém, Letícia Blause não existe. A personagem foi inventada para protagonizar a campanha da ONG Alternativa Terrazul, criada pela NBS e produzida pela Vetor Zero. O perfil de Letícia já existia desde 2011, mas a partir de novembro do ano passado a equipe da agência vinha recheando seu perfil com fotos de viagem e comentários sobre a natureza. Em fevereiro de 2015, ela supostamente vai viajar para a Costa Rica e à noite tenta gravar uma iguana com seu celular. Ao fundo, aparece o tal do pássaro e ela então pergunta para seus seguidores o que eles acham que é aquele bicho. Como a agência previa, o vídeo viralizou e muita gente deu seu pitaco. É, não é, não pode ser, quem sabe? A campanha foi toda pensada para as redes sociais, explica Carlos André Eyer, um dos criadores. “Na história que criamos para ela, Letícia foi namorada de um biólogo e adora viajar. Ela não poderia ser uma especialista, porque senão não teria dúvidas”, diz o diretor de criação. O vídeo, por sua vez, tinha de ser “ruim” o suficiente para provocar dúvidas, mas ao mesmo tempo verossímil. “Mais ou menos 95% do que havia no set era real.

FOTOs: divulgação

Será que é um dodô?

Ave extinta é recriada para salvar espécies ameaçadas.

Criado mesmo, só o pássaro dodô”, diz Eyer. “Eu tinha usado uma iguana em um filme anterior e funcionou super bem, então sugeri usar novamente”, conta o diretor do filme, Nando Cohen. “Essa era a lógica do filme: ela estava tentando gravar a iguana e sem querer pegou o dodô.” As imagens foram captadas no quintal de um condomínio em São Paulo, com a iguana em primeiro plano. Mais difícil do que reproduzir a selva da Costa Rica, porém, foi imaginar como um dodô se movimentaria. “As referências são todas de imagens estáticas, é claro. Pensamos que talvez ele caminhasse como um peru, então fizemos um movimento da cabeça parecido. Foi bom que o vídeo era em preto e branco, porque assim a cor das penas também ficou indefinida”, explica Cohen. Duas semanas depois de postado o vídeo, a agência colocou no ar o site da campanha, que explica que o dodô está realmente extinto, mas que todo mundo pode se mobilizar para salvar as espécies que estão ameaçadas. O site da campanha é www.quaseumdodo.com.br.

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ficha técnica AgênciaNBS Cliente ONG Alternativa Terrazul ProdutoInstitucional Direção de criação Eduardo Almeida, Carlos André Eyer, André Lima Criação Eduardo Almeida,  Carlos André Eyer,  Milena Zindeluk,  Bernardo Cople,  Dennis Sieber, Vinícius Theodoro, Hagall Muniz Produtora digital/web Santa Transmedia Produtora Vetor Zero  Direção Nando Cohen Fotografia Alexandre Elaiuy Diretor de CG Fabio Shigemura AnimaçãoHelio Tak Montagem Poliana Martins,  Nando Cohen Produtora de som Equipe Vetor Zero Pós-Produção Equipe Vetor Zero

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(produção)

André Mermelstein

an dre@co nvergeco m .co m .br

Região cinzenta

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diretor-presidente da Ancine, Manoel Rangel, abriu uma discussão durante sua participação em painel do RioContentMarket, que aconteceu no final de fevereiro. Questionado sobre atrasos na liberação de projetos pela agência, Rangel atribuiu parte dos problemas aos próprios produtores, que muitas vezes, segundo ele, mandam documentação incompleta ou incorrem em outros problemas. Ele citou o exemplo de uma produção que pediu a aprovação na Ancine para a sua segunda temporada, mas que na avaliação da agência, tratavase de um “soft porn” (filme erótico sem cenas explícitas), e que portanto teria sido vetado. Rangel não citou o nome da série, mas suscitou uma reação por parte dos produtores e da HBO, que exibiu o conteúdo. Trata-se de “Mulher Arte”, da Santa Rita, na qual um artista plástico percorre o Brasil desenhando mulheres seminuas. Na série não há, além da nudez parcial, insinuações de cunho sexual, como simulação de sexo ou masturbação, conta o produtor Marcelo Braga. “Tínhamos o parecer de dois técnicos da Ancine aprovando o conteúdo, mas no final o projeto foi rejeitado”, diz. Braga continua: “Como produtor, em primeiro lugar, acho a declaração de que a série é pornográfica um desrespeito a todas as mulheres que participaram desta obra. Mesmo não concordando com a decisão da Diretoria Colegiada pelo indeferimento da segunda temporada, resolvemos, produtor e coprodutor (HBO), acatar a decisão. Mas ressalto que o projeto e 28

fotos: divulgação

Ancine abre polêmica ao vetar recursos do FSA a segunda temporada de série considerada de caráter erótico. Para canal e produtora o conteúdo atende os princípios da lei.

“Mulher Arte”, da Santa Rita: para Ancine, série não poderia ser financiada com dinheiro público, mas produtora e canal alegam que conteúdo não é pornográfico, e que várias obras exploram o erotismo.

o canal é coprodutor. a obra nunca estiveram em linha com - Sendo “Mulher Arte” uma conteúdo pornográfico. Permanecemos por coprodução e seguindo todas as quatro meses em análise complementar, e premissas da lei, a produtora é a nota técnica assinada por reguladores e proprietária da série e decide sobre coordenadores de fomento da Ancine o corte final do conteúdo que é conclui que é exata a classificação da obra entregue ao canal. como seriada documental e que não existe - A HBO entende que os fundos qualquer vedação a conteúdo erótico do Artigo 39 não devem apresentado na série pois a em “mulher ser usados para mesma não é considerada arte” um artista produção de conteúdo pornográfica. Portanto o veto foi uma decisão da diretoria”, percorre o brasil pornográfico. Nunca desenhando ficou determinado que ressalta. “Nosso histórico de “Mulher Arte” é produções comprova ainda o mulheres conteúdo pornográfico. quanto a produtora diversifica seminuas. De fato, a HBO recebeu seus projetos de conteúdo nas a nota técnica da Ancine sobre o mais diferentes áreas e segmentos, mas projeto e a recomendação dos jamais faríamos pornô”, conclui. reguladores que o avaliaram foi Na mesma linha, a HBO se manifestou de que a segunda temporada de em nota, dizendo que: ‘Mullher Arte’ fosse aprovada “- A HBO é reconhecida para produção. mundialmente por proporcionar - No entanto, mais tarde a liberdade criativa aos seus roteiristas, direção da Ancine não aprovou o diretores, produtores e atores. Isto projeto da segunda temporada.” também se aplica aos projetos nos quais

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Associação A ABPI-TV, associação dos produtores independentes de TV e organizadora do evento, defende que “seja cumprida a legislação existente”, nas palavras do diretor executivo, Mauro Garcia. “Não fazemos qualquer julgamento moral, e sim o legal”, completa. “Que os artigos que tratem do assunto se imponham para qualquer dos lados. Não conheço o regulamento de cor e não sei te dizer se não é permitido utilizar recursos públicos para séries eróticas”, diz. “Acho que o erótico, o sensual é um tipo de conteúdo. E o cinema brasileiro tem uma longa história de filmes eróticos. A série não é pornográfica - não há prática do sexo explícito. Há nudez e palavras que podem ser consideradas impróprias, mas a série foi exibida em horário noturno”, explica o executivo da associação. Ele lembra ainda que vários filmes e séries brasileiras exibidos em diferentes canais possuem cenas de sexo e diálogos com termos “impróprios” e são sucesso de audiência, tendo recebido recursos públicos de alguma ordem. Resposta A Ancine manteve sua posição. Segundo a agência, a decisão de não autorizar a aplicação de recursos públicos na produção da série foi motivada pelo fato de que “o fomento a obras pornográficas não atende ao interesse público que guia as políticas implementadas pela Ancine, que, no que se refere à produção de obras audiovisuais, tem como finalidades o desenvolvimento do mercado, a promoção da cultura nacional e regional, a difusão do conteúdo brasileiro e o acesso a bens culturais, dentre outras”, disse a assessoria do órgão. Ainda segundo a agência, a sinopse da primeira temporada apresentada à Ancine introduzia uma “série documental que mistura

Segundo a Ancine, sinopse da obra apresentada não condiz com o seu conteúdo.

arte, paisagens brasileiras, seu povo, hábitos, crenças, tudo isso sob o olhar multifocal de um artista plástico que percorre o país em busca de um caminho para que se possa descobrir a beleza da mulher brasileira, espelhada em suas mais diversas semelhanças entre a região a ser desvendada e a mulher local”. A análise da obra revelou, entretanto, características distintas, diz o órgão. “Em um episódio de 30 minutos, percebem-se 28 minutos dedicados às cenas de nudez (total ou parcial) e apenas 2 minutos de introdução com texto sobre a cultura local e imagens da cidade retratada, evidenciando a exposição da nudez como o centro organizador da narrativa da obra, ao contrário do que fazia parecer o projeto original”, afirma a Ancine. A diretora da agência Rosana Alcântara, em sua argumentação contrária à liberação de recursos incentivados para a segunda temporada do projeto, ressaltou ainda que “a análise das características da obra no contexto da programação atual torna possível verificar a abordagem de localidades diferentes, que tende a se assemelhar a uma linha de programas hoje comum na televisão, que tem em

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comum a abordagem turística de diferentes locais. A partir do momento em que a obra em questão resume a exploração de diferentes localidades do Brasil à sexualização das mulheres que representariam cada uma delas, é possível ainda induzir a sua associação com a prática de turismo sexual”. Em seu voto, Rosana Alcântara chama atenção ainda para a “despersonalização e objetificação das mulheres retratadas na série”. No mercado, há quem fale em censura da agência a um determinado conteúdo. A Ancine rechaça a acusação, afirmando que “em nenhum momento foi questionada a legalidade da existência dos conteúdos eróticos ou pornográficos, mas sim a pertinência do uso de incentivos fiscais federais para a produção deste tipo de conteúdo”. Ou seja, a questão 29


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Lowrider Brasil

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m exibição nos canais Discovery e Discovery Turbo, o docu-reality “Lowrider Brasil”, da Boutique Filmes, retrata o dia a dia de Tatá, Japonês e Alemão, líderes do Vida Real, importante car club de lowriders localizado no bairro da Mooca, zona Leste de São Paulo. Formato original da produtora, o programa estreia em abril nos canais da Discovery Networks na Argentina e na Venezuela. No Brasil, a atração estreou sua primeira temporada em outubro de 2014 no canal Discovery, ocupando um dos principais horários da programação ao lado de programas consagrados como “Overhaulin” na sexta-feira de motor. Em cada um dos 13 episódios da série, um veículo é customizado na oficina de Japonês, que utiliza técnicas tradicionais da cultura lowrider. Além da customização em si, o programa explora conflitos e dificuldades do dia a dia dos participantes e a relação deles com seus carros. Com orçamento de R$ 1,8 milhão e contando com recursos do Artigo 39, o programa foi gravado ao longo de seis meses, exigiu um processo extenso de pesquisa e sua produção envolveu cerca de 50 profissionais. A Boutique Filmes é proprietária majoritária do conteúdo.

FOTOs: cauê moreno

Formato original da Boutique Films inspira-se em modelo de docu-reality consagrado nos Estados Unidos.

Alemão, Tatá e Japonês são os protagonistas do docu-reality.

formato consagrado em outros países, mas que está começando no Brasil. Estava procurando por personagens interessantes que instigassem o público, e o grupo deles tem uma tradição e cultura única, é muito autêntico e pouco conhecido. Quando li sobre, bateu um senso de oportunidade e resolvi apresentar o projeto para o canal”, conta. Antes de convencer o canal, no entanto, foi preciso convencer os próprios personagens a participar do projeto. “Esse tipo de clube costuma ser bem fechado a pessoas de fora. Eles têm um código de conduta próprio, e foi preciso ganhar sua confiança”, revela o produtor. Além disso, conta, era preciso entender a cultura lowrider, que tem características muito específicas. “Sempre que alguém entrava na equipe chamávamos numa reunião e explicávamos sobre essa cultura, de onde ela veio, suas ideias, a tradição e a importância do carro para essas pessoas”. A produtora apresentou um teaser do projeto para a Discovery ainda no

Projeto e pré-produção De acordo com Gustavo Mello, produtor executivo e idealizador de “Lowrider Brasil”, a ideia de produzir o programa surgiu ao ler sobre os protagonistas da série em uma reportagem de uma revista de carros. “Eu tinha a ideia de criar um programa no modelo docu-reality, 30

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primeiro semestre de 2013. “Achamos que a ideia se encaixava muito bem com as propostas dos nossos canais. Nosso foco está nos personagens, e no caso de Low Riders tínhamos três com muita personalidade. Além disso, o tema envolvendo carros e cultura automotiva se encaixa dentro da nossa programação”, diz Maria Carolina Telles, supervisora de produção e desenvolvimento da Discovery Networks Brasil. Após acertar a produção de “Lowrider Brasil” com protagonistas e programadora, a Boutique iniciou um processo de pesquisa, com sua equipe convivendo ao longo de cerca de três meses com os integrantes do Vida Real. “Uma equipe de quatro pessoas realizou uma pesquisa para entender melhor a história do clube, seus valores e começar a desenvolver o projeto”, conta Mello. Foi neste período que a equipe de

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produção selecionou quais carros participariam da primeira temporada do programa. “Quando você vai fazer um programa que fala de customização, uma das coisas mais importantes nesse início de trabalho é selecionar qual será o carro de cada episódio”, diz o produtor. Segundo ele, a seleção levou em consideração, além do cronograma de atividades da oficina e atributos estéticos, sua história e o potencial para desenvolver um bom roteiro. “Mapeamos carros que estavam em via de ser customizados e outros que estavam parados, mas que tinham boas histórias por trás. Nesse ponto, foi preciso negociar e convencer o pessoal do car club, explicando a relevância de alguns veículos para o programa. A ligação deles com os carros é muito forte”. Produção As gravações de “Lowrider Brasil” começaram em outubro de 2013, entendendo-se até abril do ano seguinte. Ao longo desse período, equipe de produção e personagens mantiveram contato constante. “Conversávamos todos os dias, várias vezes por dia. É preciso saber o melhor dia para gravar. Quando vão fazer teste da bomba hidraulica no carro, por exemplo, é sempre um momento de tensão. Quando pintam as carrocerias, é sempre um momento interessante do ponto de vista estético. Por outro lado, existe dias em que não há tanta atividade. É preciso saber qual o cronograma de atividades deles para nos anteciparmos”, diz Mello. Segundo o produtor, a preocupação central da Boutique foi interferir o mínimo possível nos conflitos e na história. “Vemos muitos programas nesse formato forçarem a mão no roteiro, e nossa ideia era fugir disso, aproximando-se da maneira de produzir consagrada nos Estados Unidos, com histórias mais autênticas. Ao mesmo tempo, é preciso contar uma história que o telespectador entenda, sem furos de

Apesar de toda a preparação, a equipe permaneceu de prontidão para capturar momentos de tensão inesperados ao longo do período de produção. “É preciso ter uma equipe muito preparada e com experiência em externas, porque em alguns momentos acontecem coisas que não estavam nos planos e você tem que estar pronto para filmar”, conta o produtor. De acordo com Mello, pósprodução e a edição ocorreram em paralelo com as gravações. “Além de agilizar o cronograma, foi importante realizarmos os processos em paralelo para entendermos o que funcionava e ir adaptando nosso processo de produção ao longo do caminho”, diz. “A produção tem um diferencial muito grande em relação a outras semelhantes no Brasil por valorizar a autenticidade dos acontecimentos reais. Apesar de ser um formato original brasileiro, foi desenvolvido em conformidade com nosso padrão internacional, o que aumenta seu valor para nós e a possibilidade de novas temporadas e comercialização com outros países”, conclui Telles, da Discovery.

Lowrider

A

cultura lowrider teve início na década de 50, no período pós-guerra, nos Estados Unidos. A ideia era customizar os carros e deixá-los mais próximos do chão. Contudo, leis de trânsito passaram a proibir os veículos rebaixados. A solução encontrada pelos “lowriders” foi utilizar bombas e válvulas hidráulicas que permitiam controlar a altura do carro.

narrativa.” Para isso, além de estar atento ao dia a dia dos personagens, era preciso adaptar o roteiro constantemente. “Mapeávamos as atividades, tínhamos um cronograma, mas era preciso adaptar o roteiro sempre de acordo com os desdobramentos, pensando a história 24 horas por dia”, conta Mello O roteiro da primeira temporada combina conflitos pontuais, com início, meio e fim dentro do mesmo episódio, com um arco de história maior, que se desenvolve ao longo dos episódios. “Dessa forma, o telespectador consegue aproveitar o episódio individualmente, mas, acompanhando toda a temporada, também pode criar vínculos com os personagens”, diz o produtor.

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Leandro Sanfelice

Ficha técnica

Sinopse: Docu-reality acompanha rotina de oficina especializada na customização de carros lowriders na cidade de São Paulo.

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Roteiro André Midori Simão  e Thiago Faelli Produção Boutique Filmes: Tiago  Mello, Gustavo Mello e  Carol Scalice; Discovery  Channel América Latina:  Michella Giorelli, Rafael  Rodrigues, Maria Carolina  Telles, Jimmy Herrera,  Luciana Soligo e  Danilo Concillo. Direção de arte Monica Palazzo Som Orlando Pereira Trilha Sonora Protutora de áudio Original  Mondo: André Abujamra  e Marcio Nigro Elenco José Américo Crippa Filho,  Sergio Hideo Yoshinaga e  Antonio Carlos Batista Filho


( upgrade )

Fernando Lauterjung

f e r n a n d o @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Pequeno

Equipamento de iluminação Sidekick foi criado para trabalhar acoplado às câmeras ultraportáteis GoPro.

Micro

A

s câmeras ultraportáteis GoPro, muito usadas em produções de aventura e ação, ganharam um escudeiro à altura. Trata-se do equipamento de iluminação Sidekick, que será demonstrado na NAB em Las Vegas. Pesando menos que a própria câmera apenas 123 gramas -, ele pode ser facilmente acoplado às GoPros. O desenho simples e - importante nas cenas de ação - selado de fábrica, traz um sistema de montagem universal. Com iluminação de 600 lumens, o Sidekick é pensado para uso profissional, permitindo ajustar sua intensidade para não comprometer o visual característico de point-of-view. O equipamento está disponível em duas versões. Uma com a iluminação ambiente de 90º e outra que permite também uma iluminação de ponto de 23º.

Nucomm Dropcam traz, em um único chassi, câmera POV, bateria e transmissor COFDM. Autonomia de uso é de 3 horas.

Mini

E

specializada em monitores compactos de campo, a SmallHD apresenta na NAB o novo membro da série 500 de monitores de 5 polegadas em Full HD para uso na câmera, o 502. Baseado em uma nova plataforma da fabricante, o modelo suporta duas entradas digitais e exibe em uma resolução de 1920x1080. A densidade do monitor é de 441 pontos por polegada, permitindo seu uso pelo cinegrafista para ajustes precisos de foco em condições difíceis. O campo de visão é de 179º, permitindo a visualização em grupo. O 502 suporta entrada e saída em 3G-SDI e HDMI, podendo realizar o cross conversion. O modelo é agnóstico a frame rates e formatos de tela, adaptando-se automaticamente ao sinal recebido. O equipamento também permite usar guias de enquadramento padrão da indústria ou customizados e traz ainda assistência ao foco, indicador de exposição e 3D LUT (lookup table) - este último pode ser importado através de um cartão SD, que também pode ser usado para exportar capturas de tela para o continuista ou outros usos. O modelo pesa 250 gramas e mede 75mm x 146,8mm x 20mm e pode funcionar com baterias ou adaptador AC/DC.

Em apenas 5 polegadas, 502 traz resolução de 1920x1080 e densidade de 441 PPP.

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Fotos: divulgação

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Integrated Microwave Technologies (IMT), desenvolvedora e fabricante de sistemas digitais de microondas para os mercados de broadcast, esportes e entretenimento e militar/governamental, apresenta na NAB, em Las Vegas em abril, sua Dropcam. Trata-se de um transmissor com uma câmera de liveaction point-of-view. A Nucomm Dropcam, em um chassis compacto, traz, além da câmera, bateria e um transmissor COFDM e permite trabalhar com outros equipamentos modulares acoplados. A bateria dura três horas de transmissão não assistida e ininterrupta. O pacote é ideal para capturar vídeo POV para eventos esportivos, programas de realidade, aplicações de câmera escondida e outros usos broadcast que demandem câmeras em locais e ângulos de difícil acesso e difíceis de serem cabeados.


Grande como nossos sonhos. Grande como nossos talentos. Grande como nossas histórias.

Audiovisual brasileiro. Grande como o Brasil.

Com o seu reconhecimento e os contínuos investimentos do Governo Federal, o audiovisual brasileiro cresceu e se diversificou. Filmes, séries e outras produções nacionais estão presentes no cinema, na televisão e nas telas dos computadores e celulares em todo o país. E com o seu prestígio e as ações do Brasil de Todas as Telas, o mais importante programa de incentivo ao audiovisual já construído em nosso país, nossa produção vai se tornar cada dia maior.

Assista, recomende, valorize o que é seu.

Saiba mais:

/ancinegovbr


( agenda ) ABRIL 11 a 16 - NAB Show Las Vegas Convention Center, Las Vegas, EUA. Web: www.nabshow.com. 13 a 16 - MIPTV Palais des Festivals, Cannes, França. Web: www.miptv.com.

MAIO

5 a 7 Intx – The Internet & Television Expo Chicago, Estados Unidos. Web: intx15.ncta.com . E-mail infointx@ncta.com

MAIO

14º Tela Viva Móvel O Tela Viva Móvel traz nos dias 5 e 6 temas atuais do mercado de conteúdo móvel, música, games, vídeos, redes sociais, localização, mobile marketing e mobile advertising. O evento acontece em São Paulo, no WTC Events Center. Mais informações podem ser obtidas no site www.telavivamovel.com.br, pelo email inscricoes@convergecom.com.br ou pelo telefone 0800-7715028.

JUNHO

18 a 24 - Cine Ceará – Festival Ibero-Americano de Cinema Fortaleza, Ceará. Web: www.cineceara. com. E-mail: contatos@cineceara.com. Tel: +55 (85) 3055-3465. 18 a 27 - Festival Internacional de Cinema Lima Independente Lima, Peru. Web: www. limaindependiente.com.pe. E-mail: limaindependiente@gmail.com 22 a 25 - NATPE Praga, República Tcheca. Web: www.natpe.com/market.  E-mail: rperth@natpe.org

5 a 15 - Festival de Cinema de Locarno, Locarno, Suíça. Web: www.pardolive.ch. E-mail: pardotickets@pardo.ch.

OUTUBRO

5 a 8 - Mipcom, Palais des Festivals, Cannes, França. Web: www.mipcom.com. 15 e 16 - 15º Congresso LatinoAmericano de Satélites Rio de Janeiro, RJ. Web: www.convergecom.com.br/portal/ eventos/satelites. E-mail: inscricoes@convergecom.com.br. Telefone: 0800-7715028.

AGOSTO 4 a 6 - Feira e Congresso ABTA 2015, São Paulo, SP. Web: www.abta2015.com.br. E-mail: inscricoes@convergecom.com.br. Telefone: 0800-7715028.

NOVEMBRO

6 a 13 - TELAS - Festival Internacional de Televisão de São Paulo São Paulo, SP. Web: www.convergecom.com.br. E-mail: inscricoes@convergecom.com.br. Telefone: 0800-7715028. 9 e 10 Fórum Brasil de Televisão, São Paulo SP. Web: www.convergecom.com.br. E-mail: inscricoes@convergecom.com.br. Telefone: 0800-7715028.

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2ª edição

TELAS FESTIVAL INTERNACIONAL DE TELEVISÃO DE SÃO PAULO Dias 6 a 13, novembro de 2015 São Paulo, SP Confira os melhores momentos da edição de 2014 Saiba mais sobre o evento:

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Tela Viva 255 - Março de 2015  
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