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televisão, cinema e mídias eletrônicas

ano 23_#245_mar2014

Com boa resolução e de simples operação, as câmeras pequenas conquistam espaço em produções do jornalismo à dramaturgia.

o voo das compactas INTERNACIONAL BBC investirá quase R$ 6 bilhões este ano em produções originais

Fomento RioFilme apresenta novas linhas com financiamento automático para cinema, TV e digital


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financiamento de produções independentes para a TV tem sido o grande gargalo no desenvolvimento do mercado, que vem se expandindo rapidamente desde a plena adoção dos dispositivos da lei do SeAC (12.485/11). Esta opinião é compartilhada por pequenas e grandes produtoras e também pelos canais, indiscriminadamente. Com a demanda em alta e os custos de produção inflacionados, são poucos os que conseguem financiarse com recursos próprios ou de mercado. Embora os recursos estejam disponíveis, e nunca houve tanta verba destinada à produção, os prazos de aprovação de projetos e liberação de dinheiro muitas vezes beiram o absurdo. Tem sido comum ver os grandes produtores bancarem quase que integralmente suas produções para não perder as oportunidades, e os pequenos e médios, que não tem esta capacidade financeira, acabam preteridos pelos canais, pela incerteza de que consigam finalizar um conteúdo. Parte do problema está na estrutura burocrática da Ancine, e de resto, de todo o aparato estatal. A Ancine, aliás, é ela própria vítima da burocracia, como colocou seu diretor-presidente, Manoel Rangel, em debate no Rio Content Market, em fevereiro, sobre suas dificuldades na contratação de pessoal e sistemas informáticos. O excesso de documentos exigidos e a lentidão em processá-los é parte importante do problema, mas há outra questão que incomoda os agentes do setor. O sistema de avaliação e aprovação de projetos, da forma como existe nos principais mecanismos, especialmente no maior deles, o FSA (Fundo Setorial do Audiovisual), implica decisões subjetivas, muitas vezes autocráticas, de servidores da agência, e nesse campo sobram histórias absurdas. TELA VIVA já ouviu diversos casos, por exemplo, de produtores com 15, 20 anos de experiência e dezenas de produções realizadas serem vetados pela agência em um determinado projeto, por alegada falta de qualificação. Ou de produções paradas às vezes por meses porque o técnico da agência pediu um detalhe irrelevante sobre o tipo de cenário que seria utilizado. A agência precisa expandir o uso de novos mecanismos, como os de financiamento automático empregados pela RioFilme, que deem agilidade aos processos. E também pensar em formas de ser mais objetiva na aprovação de projetos. Não faz sentido que produtoras gastem mais tempo lidando com as demandas da Ancine do que em sua atividade-fim, a de produzir. Todos sabem do cuidado que se deve ter no Brasil quando se trabalha com dinheiro público. Mas muitas vezes os mecanismos que servem para proteger o interesse público acabam por engessar justamente a indústria que deveriam ajudara a fomentar. Talvez seja necessária, no caso da produção audiovisual, uma mudança de mentalidade. Que se liberem os recursos com mais agilidade, e fiscalize-se depois se estão sendo usados corretamente, ao invés de, como parece, partir-se do princípio de que todos são culpados até que provem o contrário.

foto de capa: Germanskydiver/shutterstock.com

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Compactas

As pequenas câmeras conquistam espaço nos sets de produção

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scanner

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figuras

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making of Internacional

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BBC Worldwide apresenta seu conteúdo em evento para compradores em Liverpool

Fomento

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RioFilme mostra crescimento de receitas e apresenta novas linhas de investimento

Política

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Presidente da Ancine diz que é o momento de aprimorar os mecanismos da Lei 12.485

Case 34

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“S.O.S Mulheres ao Mar” teve parte de suas filmagens feitas a bordo de cruzeiro

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Produção

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Globosat investe em “writer’s rooms” para desenvolver roteiros de novas séries

upgrade

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agenda

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Acompanhe as notícias mais recentes do mercado

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Nova programação

cotidiano dos pilotos de helicópteros da Polícia Militar na cidade de São Paulo, foi licenciada para exibição em TV aberta. O apresentador Otávio Mesquita também volta à grade do SBT em uma parceria. O seu programa da madrugada “Okay Pessoal” é coprodução da Mesquita Produções com o canal. Outro destaque é a mais que comentada contratação de Danilo Gentili, que ganha talk show noturno.

O SBT apresentou este mês as novidades da programação para 2014. Segundo a diretora artística e de programação, Daniela Beyruti, um comitê passou o final de 2013 definindo a grade deste ano, bem como “o futuro geral” do canal. Além de Daniela, fazem parte os diretores Fernando Pelegio (planejamento artístico) e Murilo Fraga (planejamento de programação). “Nossa luta constante é voltar à vice-liderança. Isso motiva cada um de nós”, disse. Com o mote “vai encarar?”, o SBT apresentou seus novos contratados e alguns programas que ocuparão a grade. Apesar de ter rompido uma longa parceria com a Warner, o SBT ainda conta com parceiros externos para compor a sua grade. Com a Endemol, o SBT apresenta o programa “Esse Artista Sou Eu”, do formato internacional “Your Face Sounds Familiar”, que traz uma competição entre celebridades que fazem performances semanais imitando outros famosos. “É aquele formato que deu uma briguinha

entre SBT e Globo, mas acabamos conseguindo (licenciar). Acreditamos muito nele. Já estamos com a Endemol escolhendo casting e jurados”, disse Daniela. Outro programa independente é “Águias da Cidade”, produzido pela Mixer em coprodução com a Discovery. A série, que retrata o

Esporte O futebol ganha mais espaço neste ano de Copa do Mundo, com o “Arena SBT”, uma mistura de humor com jornalismo. Segundo Daniela, o programa foi pensado para ser um programa de grade, não apenas para o ano do Mundial. Além disso, volta este ano “Menino de Ouro”, com 13 episódios, um a mais do que em 2013. O programa é uma “peneira”, que escolhe um entre 22 garotos para treinar com um grande time. Em dramaturgia, não há nenhuma novidade. O canal continua com “Chiquititas” até o final do ano.

Integração de marcas No final de janeiro a Net começou a adotar, pela primeira fez, a marca Claro entre seus serviços de vídeo. O vídeo sob-demanda por assinatura (SVOD) da Net, até então chamado de NetMix, passou a se chamar ClaroVideo, nome que a America Móvil (controladora da Net, da Embratel e da Claro) utiliza para o serviço em toda a América Latina, inclusive no Brasil, onde é comercializado pela operadora móvel Claro. O serviço consiste no pagamento de uma mensalidade fixa que permite acesso a um acervo de conteúdos de forma ilimitada. No caso do ClaroVideo, são cerca de dez mil títulos. Tanto o NetMix quando o ClaroVideo têm o mesmo fornecedor dos conteúdos: a DLA, que também pertence à América Móvil. Na prática, nada muda, ainda, para o assinante da Net. Todos os conteúdos existentes no ClaroVideo já estavam disponíveis no Now, que é a plataforma geral de vídeo sob demanda da operadora. O Now inclui conteúdos que podem ser adquiridos na forma transacional (um valor específico cobrado por título), alguns conteúdos gratuitos e os conteúdos que faziam parte do pacote NetMix, agora rebatizado. Por enquanto, segundo apurou TELA VIVA, não 6

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haverá uma integração plena das plataformas entre a Net e o serviço ClaroVideo oferecido pela Claro. Assim, o assinante Net não terá acesso a esses mesmos conteúdos pela web, pelo celular ou pelas TVs conectadas da Samsung e LG. Da mesma forma, os usuários do ClaroVideo não terão como serem autenticados para ter acesso ao conteúdo através do Now. A Net já vinha trabalhando em um projeto de um Now “everywhere”, ou um Now online, e possivelmente nesse segundo momento haverá a integração das plataformas para que os assinantes Net possam ter os conteúdos do ClaroVideo e outros em outras plataformas. Mas está sendo estudada uma forma de integração parcial para que os assinantes Net possam ser autenticados nas demais plataformas do ClaroVideo (celular, web e smarTVs). Nessa solução intermediária, ainda não será possível o acesso aos conteúdos transacionais. O passo é importante em relação a uma maior integração de marcas entre Claro e Net nos serviços de vídeo. Até aqui, as duas empresas já trabalhavam juntas, mas na oferta de pacotes combinados de celular, TV paga e banda larga. V i v a

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Fotos: divulgação

Investimentos

Geórgia Costa Araújo, Gorete Milagres, Heslaine Vieira, Marcos Mendonça, Giovanni Gallo, Thogun, Luciano Patrick, Roberto Moreira e Fabio Mendonça com o prêmio.

Reconhecimento A série brasileira “Pedro & Bianca”, da produtora Coração da Selva, recebeu o prêmio de melhor série infantil de 2013 do International Emmy Kids Awards. Em cerimônia realizada em Nova York no dia 10 de fevereiro, o programa exibido pela TV Cultura ganhou a estatueta da premiação. “Pedro & Bianca” concorreu na categoria de melhor série com “Beat Girl”, da Irlanda, “Limbo”, da Dinamarca, e “Junior High School Diaries”, do Japão. O International Emmy Kids Awards é uma versão para programas infantis do Emmy Internacional, concedido pela Academia Internacional das Artes & Ciências Televisivas, dos Estados Unidos, a produções estrangeiras. “Pedro e Bianca” conta com direção geral de Fábio Mendonça e Roberto Moreira, e tem entre seus criadores Cao Hamburger. A série aborda a complexidade da adolescência e apresenta com diversão e seriedade os diversos aspectos da juventude, especialmente o mundo dos jovens que estudam numa escola pública. O programa foi produzido pela TV Cultura em parceria com a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo por meio da Fundação para o Desenvolvimento da Educação.

Dez obras para televisão e cinco filmes de longa-metragem foram selecionados no último mês pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), numa operação que totaliza mais de R$ 12 milhões em investimentos. Na Chamada Pública Prodecine 02/2012, na qual distribuidoras demandam recursos para investir na aquisição de direitos de exploração comercial de filmes de longa-metragem, foram contemplados os projetos “Bacurau”, novo filme de Kleber Mendonça Filho (“O som ao redor”), e “Vermelho russo”, de Charly Braun (“Além da estrada”), apresentados pela distribuidora Vitrine Filmes, e “O banquete”, a ser dirigido por Daniela Thomas e distribuído pela Reserva Cultural (Imovision). Na Chamada Pública Prodecine 04/2012, que complementa orçamento de projetos de longa metragem que já tenham conseguido captar um mínimo de 40% dos recursos, foram contemplados os projetos “B.O. – Boletim de Ocorrência”, ação policial dirigida por Tomás Portela (“Qualquer gato vira-lata”), com previsão de filmagem para março deste ano e com distribuição pela Universal, e “Mãos de cavalo”, filme de Roberto Gervitz produzido pela M. Schimiedt Produções de Porto Alegre e distribuído pela Vinny Filmes. A produção para televisão foi contemplada na Chamada Pública Prodav 01/2012 com dez obras seriadas, no valor total de R$ 8.031.123, a serem exibidas em dez canais diferentes: Band, Arte 1, Gloob, Canal Viva, TV Cultura, RBS, Curta!, CineBrasil TV, Box Brasil e Canal Brasil.

Desenhos bem definidos O Cartoon Network estreou em fevereiro seu canal HD. O canal em alta definição entrou na posição 604 do line-up atual da Net Serviços, ou na 546, para clientes com line-up antigo, e estará disponível para todos os assinantes com pacotes Net Mais HD, Net Top HD e Net Top HD Max.

Laís Bodanzky e Luiz Bolognesi lançaram o Instituto Buriti, para fomentar o audiovisual como ferramenta de aprendizagem. O instituto vai levar oficinas educativas de alfabetização audiovisual para escolas públicas. A ideia é, a partir destas oficinas, semear projetos audiovisuais no contraturno de escolas. A dupla de cineastas deixa de conduzir o projeto de cinema itinerante Cine Tela Brasil. O Instituto Buriti nasce com patrocínio da CCR S.A. e Fundação Telefônica Vivo, que patrocinaram o Cine Tela Brasil por dez e sete anos, respectivamente. Este ano, o Instituto Buriti atuará em dez escolas públicas em diversos estados, dando continuidade às oficinas audiovisuais e ao Portal Tela Brasil, focado na informação e aprendizado audiovisual à distância, através da Internet. Também em 2014, o instituto publicará um livro sobre os dez anos do Cine Tela Brasil, incluindo uma análise sociológica e semântica dos mais de 200 curtas-metragens realizados por jovens de periferia na Oficinas Tela Brasil, ao T e l a

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Robert Kneschke/shutterstock.com

Inclusão audiovisual

Oficinas itinerantes de vídeo de Belo Horizonte

longo de sete anos de trabalho. O Cine Tela Brasil deve seguir em operação com os ex-funcionários José Carlos da Silva e Edson Souza Santos, projecionistas e produtores de campo do Cine Tela Brasil. Ambos comandam uma nova produtora, a Ibirajá, que atenderá a demanda de patrocinadores por projetos de cinema itinerante. m a r 2 0 1 4

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El Sítio A série de animação “Sítio do Picapau Amarelo”, produzida pela Mixer, passou as fronteiras do Brasil. Sua primeira temporada está sendo transmitida para países da América Latina no canal Tooncast (LATAM), da Turner, enquanto a segunda temporada é exibida por aqui no Cartoon Network Brasil. A série vai ao ar em espanhol de segunda a sexta ao longo da programação. No Tooncast Brasil, o desenho é exibido no bloco das 18h30 às “Sitio”: também em espanhol 19h (após o horário de verão será das 17h30 às 18h). Já a segunda temporada estreou no Cartoon Network Brasil em janeiro e é exibida aos sábados, das 11h às 11h30. A série é transmitida também pela TV Globo. A primeira e a segunda temporadas têm 26 episódios de 11› cada. A animação começou a ser produzida pela Mixer em parceria com a Globo em janeiro de 2011 e estreou em janeiro de 2012, com a segunda temporada no ar a partir de agosto de 2013. A produção executiva é assinada por Hugo Janeba, João Daniel Tikhomiroff, Michel Tikhomiroff, Eliane Ferreira e Reynaldo Marchesini, com direção de Humberto Avelar.

Fotos: divulgação

( scanner) Retomada A Prefeitura Municipal de Paulínia, através da secretaria de cultura, anunciou o apoio a filmes de longa e de curta-metragem, num total de R$ 8,98 milhões em dois editais. Os editais contemplarão até dez longas-metragens de ficção e 14 projetos de curtas. As inscrições podem ser feitas até quarenta e cinco dias depois da publicação dos editais. Para o edital de longas, no valor de R$ 8 milhões, foram criados dois grupos: o primeiro recebe até R$ 1 milhão e o segundo, até R$ 500 mil. Já no edital de curtas, o valor de R$ 980 mil contemplará 14 filmes, sendo sete de abrangência nacional e sete de proponentes moradores na região metropolitana de Campinas. Cada um receberá o valor de R$ 70 mil. Para cada grupo de curtas, três deverão ser de diretores estreantes e, dentre os projetos selecionados, dois serão documentários, dois de ficção e dois de animação. Além do valor do prêmio as produções deverão utilizar a infra-estrutura que o Polo Cinematográfico de Paulínia oferece, como estúdios, escritórios temporários de produção e toda a estrutura da film commission. Mayra Auad e Carlos Guedes (Cebola)

Foco no OTT Não está nos planos da TIM a criação de um serviço de TV paga vinculado ao seu acesso de banda larga por fibra, o TIM Fiber. O serviço vem fazendo sucesso por conta da oferta de banda ultra larga (a partir de 35 Mbps) a preços mais baratos que a concorrência no Rio de Janeiro e em São Paulo, tendo fechado o ano com 60 mil assinantes. “O conteúdo tem um poder enorme, mas o negócio de TV por assinatura no Brasil é difícil. Quando se monta um bundle, o preço sobe para R$ 150 ou R$ 200. A TV não é um produto que consiga deixar massiva a banda larga”, explicou o presidente da TIM Fiber, Rogério Takayanagi. “Nossa estratégia é acompanhar os OTTs (over the top). A classe média está sensível ao custo e está buscando alternativas para acessar conteúdo. Estamos investindo muito para ter uma rede superior para carregar OTTs”, complementou o executivo. Takayanagi citou um levantamento recente da Netflix, que comparou as redes de diversas operadoras de banda larga ao redor do mundo. Se tivesse sido incluída naquele ranking, segundo o executivo, a TIM estaria posicionada como a quinta melhor rede do mundo, à frente de várias operadoras internacionais de renome. Rogério Takayanagi Segundo apurou TELA VIVA, contudo, o fato de não estar disposta a entrar no mercado de TV paga no sentido tradicional, atuando como negociadora de conteúdos, não quer dizer que a TIM não esteja planejando um produto. Segundo fontes de mercado envolvidas no projeto, a TIM está trabalhando no desenvolvimento de uma caixa que permitirá a agregação de vários conteúdos OTT. 8

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Identidade A Delibistrot Filmes mudou de nome para Your Mama Films. A troca faz parte da nova estratégia de operação da empresa, que contempla reestruturação societária e a contratação de novo diretor de cena. Gustavo Leme deixa a sociedade e a produtora executiva, Mayra Auad, que está à frente da operação com Carlos Guedes, passa a integrar o quadro societário da produtora. Alessandro Cassulino foi contratado como diretor de cena. Após ter trabalhado na criação de grandes agências como TBWA/ Brazil, Africa, Publicis e Cheil WorldWide, Cassulino se tornou sócio criativo da produtora Hungry Man Projects. A Your Mama também anunciou parcerias internacionais com as produtoras America Cine / Whiskey Films na América Latina e a Mad Cow Films em Londres. O novo nome será acompanhado por uma nova identidade visual e por um novo posicionamento da produtora, que mudará para uma nova sede. Com o novo espaço, a empresa pretende facilitar o fluxo de trabalho e melhorar o atendimento aos clientes. m a r 2 0 1 4


LABELMAN/M.Stasy/Studio_G/shutterstock.com

Projetos

Ano bom

A Animus Consultoria, braço de assuntos paralegais do escritório Cesnik, Quintino e Salinas Advogados, criou uma área de negócios audiovisuais. A nova área atuará inicialmente na realização de estudos, consultorias e parcerias internacioDaniela Pfeiffer. nais. A responsável será Daniela Pfeiffer, que deixa o cargo de coordenadora de projetos na ABPI-TV. Ela também atuou como conselheira do audiovisual na Comissão Nacional de Incentivo à Cultura. A Animus realiza, desde 2006, trabalhos de execução de projetos, prestação de contas e clearance de conteúdos. O escritório tem sedes no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, além escritórios de representação internacionais.

Segundo o balanço da Net Serviços, divulgado em fevereiro, a operadora de TV paga, banda larga e telefonia fechou o ano de 2013 com 6,06 milhões de clientes de TV (12,6% de crescimento), 6,43 milhões de acessos banda larga (17,1% de crescimento) e 5,7 milhões de acessos de voz (17,3% a mais do que em 2012). A operadora teve R$ 9,7 bilhões em receitas líquidas (22% de crescimento), EBITDA de R$ 2,88 bilhões (crescimento de 29%), margem de 29,7% e resultado líquido de R$ 176 milhões (contra R$ 393 milhões em 2012). Os investimentos do ano foram de R$ 3,56 bilhões.

6,43 milhões de acessos banda larga

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6,06 milhões de clientes de TV Mais salas

A Rede Cinesystem Cinemas anunciou o fechamento do investimento da Stratus uma empresa brasileira de private equity com foco no middle-market - e também da gestora de fundos Hamilton Lane, dando sequência um plano de crescimento e ao processo de abertura de capital. A transação, contratada em 2012, prevê investimentos de R$ 350 milhões em cinco anos. A meta é consolidar a posição da Cinesystem entre os cinco maiores operadores de salas de cinema do Brasil, com aproximadamente 350 telas de exibição. O aporte inicial é de R$ 40 milhões. O Fundo Stratus passa a deter 42% do capital, que terá a holding Agroup, liderada por Marcos Barros, na posição de maior acionista individual. Fundada em 2003 e sediada em Maringá (PR), a Cinesystem opera 106 salas em oito estados; tem crescido principalmente em cidades de médio porte. A Cinesystem passou de 63 salas em 2011 para 80 em 2012, chegando às 106 salas atuais.

Interatividade social Aconteceu em Brasília, no dia 17 de fevereiro, o encontro do Conselho Deliberativo do Fórum do SBTVD (Sistema Brasileiro de TV Digital), e com ele o lançamento do projeto Brasil 4D no Distrito Federal. Criado e desenvolvido pela EBC, o projeto oferecerá serviços e informações sobre políticas públicas por meio da TV aberta, digital e interativa a famílias de Samambaia e Ceilândia, em parceria com o GDF (Governo do Distrito federal). A fase piloto foi realizada em João Pessoa (PB), entre 14 dezembro de 2012 e 30 de junho de 2013, envolvendo cem famílias de baixa renda. Participam das discussões membros da radiodifusão, fabricantes de equipamentos de recepção, de transmissão e indústrias de software, além de representantes do governo federal, de instituições de ensino e pesquisa que desenvolvem atividades relacionadas ao desenvolvimento da TV digital terrestre no Brasil.

Comercial unificado Segundo o vice-presidente de comercialização da Bandeirantes, Marcelo Mainardi, o grupo de mídia vem passando por um processo de “saneamento básico” - que, além da reestruturação, levou a um grande corte de pessoal. Segundo ele, com a ajuda de uma consultoria externa, o grupo resolveu unificar as plataformas de vídeo. Com isso, além de um jornalismo integrado, o grupo passa a ter um comercial unificado, com todas as praças de TV aberta trabalhando em conjunto. Além disso, o comercial dos canais de TV por assinatura também foi abraçado pela vice-presidência de Mainardi. A diretoria comercial dos canais de TV paga (Band Nets, Band Sport, Terra Viva, Arte 1 e Sex Prive) foi assumida por Mauricio Rollo em janeiro. O executivo tem passagens por veículos como Editora Abril e Folha de S.Paulo, além de Warner e Turner. Outra mudança importante anunciada por Mainardi é que o Opec - operador de encaixes comerciais - também passa a ser subordinado ao comercial. “Vamos ter sensíveis melhorias nessa Marcelo Mainardi. área em breve”, comenta. T e l a

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Novo sócio FOTO: Marco Antonio / divulgação

Conteúdo Infantil Após cinco anos no comando da produtora de som Ultrassom Music Ideas, André Antunes está assumindo a área de conteúdos infantis da distribuidora Elo Company. Sua atuação será voltada ao apoio no desenvolvimento de projetos, estruturação das produções em conjunto com as produtoras e comercialização. Enquanto André gerencia os projetos André Antunes de conteúdos infantis, Tito Liberato continua à frente da divisão de distribuição para cinemas.

Diego Melo, ex-produtor da Hungry Man, chega à Crash of Rhinos como sócio da produtora. Na Hungry Man, Melo era o profissional que fazia o elo entre as funções de atendimento e produção executiva. Melo se junta aos sócios Renata Mahseredjian e João Luz. Renata comanda a operação financeira e oferece suporte administrativo. Em parceria com Luz, Melo buscará ampliar a prospecção nos mercados publicitários e de entretenimento.

Câmara

FOTO: Agência Cãmara / divulgação

João Luz, Diego Melo e Renata Mahseredjian

Publicidade A diretoria comercial da Globosat anunciou a promoção de Giselle Ghinsberg, que passa a atuar como gerente de vendas na área de comercialização publicitária, e a contratação de Roberta Kotait como executiva de negócios da programadora. As profissionais integrarão a área comercial da Globosat, dirigida por Fred Müller. Giselle, que já atuava na Globosat como executiva de negócios, é graduada em propaganda e marketing pela UNIP. Roberta Kotait, que tem passagem pela Disney e Turner International, é graduada em marketing pela Faculdade da Cidade e pós-graduada em comunicação com mercado pela ESPM.

Ricardo Tripoli

A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara Federal elegeu o deputado Ricardo Tripoli (PSDB-SP) como seu presidente. Para primeiro vice-presidente foi escolhido o deputado Eduardo Gomes (SDD-TO). Tripoli elencou, entre seus objetivos, buscar o direcionamento de políticas públicas para a área de Ciência e Tecnologia.

Novos ares Daniel Conti, ex-diretor geral do canal Glitz, está atuando na produtora Moonshot desde o começo deste ano. Conti irá rever processos e ajudar a planejar o posicionamento de mercado da marca. O profissional está trabalhando pela primeira vez dentro de uma produtora. Ele atuará como uma espécie de consultor, revendo processos de produção e ajudando a alinhar a marca e os produtos da Moonshot Daniel Conti com as necessidades de programadoras e agências, em produções para TV, Internet e cinema. A produtora planeja intensificar sua atuação na produção de branded content.

Giselle Ghinsberg

Roberta Kotait

Conteúdo para consoles

Chefe

A Microsoft anunciou a contratação de Jordan Levin, ex-CEO da Warner Bros Networks e da Generate, empresa de gerenciamento e produção de conteúdo digital adquirida pela Alloy Digital em 2012, para o cargo de vice-presidente executivo da Xbox Entertainment Studios. Levin terá a missão de liderar o time criativo responsável pelo desenvolvimento e produção de conteúdo roteirizado e não roteirizado para os consoles Xbox One e Xbox 360.

Paula Tartaroti deixou o atendimento da produtora Dogs Can Fly para assumir o cargo de chefe de atendimento na Talk Filmes. A paulistana começa a atuar na nova produtora no mês de fevereiro. A profissional é formada em marketing e está concluindo a sua segunda formação, em publicidade.

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FOTOs: divulgação

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FOTO: arquivo

Despedida

FOTO: Marco Antonio / divulgação

Rafael Davini deixou a direção geral do Terra no Brasil. O portal comunicou mudanças em sua estrutura organizacional, extinguindo a função de country manager Brasil. A companhia ainda não anunciou o nome do novo diretor comercial e de publicidade local. A diretoria da empresa passa a responder Rafael Davini diretamente ao CEO global do Terra, Paulo Castro. Davini estava há dois anos no Terra, tendo chegado na empresa como como diretor comercial da operação brasileira, vindo da Turner, onde era vice-presidente de vendas e marketing para América Latina. Ele acumulou o cargo de diretor geral da empresa no País em julho de 2012. Davini também tem passagem pela Globosat e Grupo Estado.

Premiado A Crash of Rhinos anunciou a chegada de Raphael Gasparini para integrar seu casting de diretores de cena. O profissional já filmou para clientes como Hyundai, Nestlé e Banco do Brasil. Ele coleciona passagens por algumas Raphael produtoras de Vitória e São Paulo, como a Gasparini Movie&Art, e tem em seu portfólio o Prêmio Colunistas de 2013 pelo filme “Sentidos”, para o Detran.

Novo Conteúdo Goyo Garcia assumiu a gerência de aquisições e novos conteúdos da RedeTV!. Formado em rádio e televisão pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e pós-graduado em film & television business pela Fundação Getúlio Vargas, o executivo acumula passagens pela TV Globo e TV Bandeirantes. Goyo dará continuidade a projetos que Goyo Garcia já estão em andamento e buscará novas oportunidades de negócios nos mercados internacionais, como a aquisição de direitos de exibição de produtos e formatos.

Carreira solo A YourMama Films, dos sócios Mayra Auad, Carlos Guedes e Mario Peixoto, anunciou a chegada de Rafael Quinto para integrar seu casting de diretores de cena.Quinto atuou como diretor de criação na FCB Argentina e, em 2009, começou sua carreira como diretor de cena, quando formou a dupla Quinto Cruz. Após desligar-se da dupla, o proRafael Quinto fissional está seguindo carreira solo e passa a ser representado pela YourMama no Brasil.

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Mario Buonfiglio

c a r t a s . t e l a v i v a @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

As super poderosas Na palma da mão, presa ao corpo ou livre no ar, nada escapa do olhar diferenciado das câmeras compactas. Lentes mais precisas, conectividade, poder de processamento e resolução 4K garantem uma nova experiência na captação de imagem.

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Germanskydiver/shutterstock.com

s mentes desbravadoras são a origem das inúmeras inovações que mudaram por completo o comportamento das pessoas. Mesmo quando estas maravilhas começam em um laboratório ou em uma garagem com apenas um punhado de peças, sua primeira função é provocar. Não foi diferente com Nick Woodman, um garoto americano ávido por imagens que queria registrar a seu modo as aventuras no surfe pelos mares da Austrália e Indonésia. A ideia era simples: amarrar uma pequena câmera fotográfica 35mm ao pulso e sair pegando onda. A brincadeira do empreendedor feita em 2001 inaugurou a era das Action Camera (veja box) e resultou na GoPro, uma companhia que vale hoje US$ 2,25 bilhões. Segundo seu criador, a GoPro fez sucesso porque foi criada quando os smartphones eram ainda muito limitados, da mesma forma que as câmeras de vídeo da época. Outro atrativo, além dos vários acessórios para gravar em qualquer lugar, inclusive dentro d’água, foi o preço. Por pouco mais de US$ 200, qualquer pessoa podia registrar com a GoPro o seu “POV”, ou “Point of View”. Segundo a empresa de pesquisa de mercado IDC Data, na primeira metade de 2012 a câmera GoPro foi o item responsável por 21,5% das entregas de câmeras digitais em todo o mundo. As câmeras compactas sempre existiram (veja box “Maravilhas em 12

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“Não abriria mão também de um iPhone pela amplitude de usuários e a oferta de aplicativos.”

ou vídeo, o que contribui muito para o aprendizado e o compartilhamento particular ou profissional”, revela o jornalista e apresentador de TV César de Castro. Praticante desde cedo de esportes radicais como skate, surf, windsurfe e escalada esportiva, Castro redirecionou o foco nos últimos quatro anos para as corridas de rua. Na sua mochila, três equipamentos dão conta do recado: uma câmera de vídeo HD da Samsung, uma Sony Handycam e um Blackberry Torch. “Não abriria mão também de um iPhone pela amplitude de usuários e a oferta de aplicativos, assim como a GoPro, a melhor do segmento na minha opinião”, diz. Um projeto que o apresentador indica na área de FOTOs: divulgação

16mm”). Antes dos modelos digitais de hoje, as imagens de antigamente eram feitas em película cinematográfica. Quando a Kodak produziu o filme 16mm reversível, o cenário mudou. Marcas como a americana Bell & Howell e a suíça Bolex aproximaram o cinegrafista da aventura. A Bell & Howell 70A, ainda hoje considerada uma jóia de sua época, foi lançada em 1923. Feita de ferro e movida a corda, fez história no mundo em filmes de guerra e coberturas jornalísticas. Tinha uma torre de lentes que cobria todos os ângulos e custava 180 dólares, valor um pouco inferior ao de um automóvel Ford-T. No Brasil, a câmera esteve em uso no cinema e na TV até meados dos anos 1960. Quase cem anos depois da Bell & Howell e da Bolex, é inegável que a nossa maneira de enxergar o mundo pelas lentes mudou. Os exemplos

Cesar de Castro

estão em todo lugar: a campanha de comemoração dos 30 anos do Apple Macintosh foi captada inteiramente em iPhone. Uma das séries americanas de maior sucesso encerrada em 2013, “Breaking Bad”, presenteou seus espectadores com uma trama eletrizante e vários “POV” inspirados e alguns até produzidos com a GoPro. No jornalismo das emissoras de TV nos Estados Unidos e Inglaterra, o repórter fazer sua própria imagem e controlar a câmera por meio de um smartphone não é mais coisa de ficção. “São muitas informações e emoções. Sempre que possível registro tudo em foto

Blackmagic: cinema na palma da mão

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omeçou correndo por fora no segmento “look de cinema” das câmeras compactas. Aos poucos, vêm conquistando um público que busca algo mais do que a DSLR oferece. Estamos falando da Blackmagic, uma câmera de baixo custo que promete imagem cinematográfica e muita simplicidade na operação. O sucesso recente da Blackmagic se deve principalmente às aquisições que a australiana Blackmagic Design fez nos últimos anos. Em 2009, incorporou a Da Vinci Systems, empresa ganhadora do Emmy na categoria correção de cor. Depois vieram a Echolab (switchers), Teranex (processadores de vídeo) e a Cintel (pós-produção). “Eu acho a Blackmagic a melhor das compactas entre as que estão no mercado em termos de qualidade de imagem. Tem sensor de 2.5K, a maior latitude, que é o grande ponto positivo dela e o melhor codec também, o ProRes 422 de 10 bits”, observa o diretor de fotografia Fernando Fonini. Para ele, que possui os modelos Cinema Camera e a Pocket Cinema, o ideal é nunca escolher a câmera sem antes conhecer o perfil do trabalho. “Eu acho que a Blackmagic funciona mais para TV ou uma série de TV. Ela se sai bem em conteúdos que seriam o meio termo entre o documentário e o cinema. Em relação às lentes, uso a Cannon Zoom, que é fácil de encontrar, a super 16mm por causa da mecânica, a Zeiss compacta e a Zeiss R. No caso específico do documentário, fica mais difícil usar a Blackmagic porque você acaba pendurando muita coisa nela”, orienta. Em relação às possibilidades na pós-produção, a Blackmagic atende melhor os fotógrafos quando o assunto é colorimetria. Como o equipamento oferece mais opões de gama, o diálogo com o colorista se torna essencial. “No modo cinema,

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a imagem é mais flat, então o ideal é investir um pouco mais de tempo na finalização. A própria Blackmagic Design oferece para download uma versão gratuita do software de correção de cor DaVinci Resolve. Certa vez, em uma situação de estúdio eu precisei fazer um trabalho que envolvia maquiagem e produtos. Tudo precisava ser monitorado em tempo real com a Blackmagic, inclusive o resultado com o tratamento de cor. Para resolver o problema, usamos no set o Live Color Grading, que foi operado por um colorista incrível, o Cassiano Zoboli. Acho importante o fotógrafo se aprofundar e entender a função de colorista para entregar um trabalho mais completo”, orienta Fonini.

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Aos poucos, vêm conquistando um público que busca algo mais do que a DSLR.

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( capa ) 12 minutos. Não recomendo ir além dos 7 minutos de vôo porque já perdi um drone por causa disso. Ele simplesmente despenca”, adverte. Ainda sobre a GoPro, André lembra da época em que o equipamento chegou nas emissoras, por volta de 2010. “Era a primeira versão ainda e a gente não sabia muito o que fazer com aquilo, mas aos poucos fomos descobrindo o potencial do equipamento no jornalismo resolveu adquirir o seu drone Phantom Dji investigativo. Colocávamos a câmera e oferecê-lo ao mercado para locação. disfarçada em lugares “Antes, a qualidade da GoPro inusitados, como buquê 2 não era suficiente para as câmeras de flores e caixas de imagens aéreas. Agora, com a compactas bombom”, lembra. Hero 3 operando na resolução começam a Para o diretor de 2.7K mais o uso de um fotografia Ottmar estabilizador, o resultado é chegar Paraschin, as pequenas impressionante, mesmo à aos céus, câmeras digitais ainda noite”, garante. André diz que, embarcadas podem ser melhoradas. mesmo a nova GoPro tendo a em drones. “A ótica da GoPro por facilidade de ser operada via exemplo não é muito controle remoto, não é boa, pois acentua muito a recomendável usá-lo durante o vôo. “Isso deformidade nas laterais. Descobri provoca interferência no rádio do drone. uma empresa na Alemanha que Outra questão é a autonomia da bateria vende uma lente substituta que que, segundo o fabricante, fica entre 7 a corrige este problema. Você desmonta sua GoPro e coloca essa lente de € € #180. O resultado ainda é de grande angular, mas sem as distorções que a lente original produz. Se não quiser trocar a lente, uem tem mais de quarenta anos a outra possibilidade é corrigir essa sabe que não poderíamos falar das distorção por meio de um plug-in no câmeras compactas de hoje sem After Effects”, ensina. Com essa nova mencionar a suíça Bolex. Se os suíços se tornaram líderes na precisão de relógios, lente instalada, Ottmar passou a usar não é por acaso que foram também os a GoPro também em publicidade e responsáveis pela fabricação das cinema. “Com a gravação em 2.7K, é primeiras câmeras cinematográficas que possível cropar a imagem e se tem notícia. Depois de popularizadas, transformá-la em HD. Fiz um filme as pequenas câmeras da Bolex exploraram ao máximo os filmes de para o Governo do Estado de São 16mm e de Super 16mm em Paulo misturando imagens documentários, filmes de natureza e aéreas de câmeras maiores animação nas décadas de 1950 e 1960. e da GoPro em drones. Atualmente uma joint venture entre a Também rodei um teaser de Bolex International e a Cinemeridian, desenvolveu a Digital Bolex, uma câmera com um longa metragem no deserto praticamente o mesmo visual e o esmero na de Atacama e obtive imagens fabricação de suas antecessoras. Os excelentes. Com o tratamento de saudosistas têm que desembolsar a partir de finalização você não diz que foi feita US$ 3,299 pelo modelo, que tem resolução 2K A Bolex International com uma GoPro”, admite Ottmar. em RAW, processador de 12 bits e uma grande e a Cinemeridian, variedade de objetivas. Um clássico. A resolução de imagem alcançada desenvolveram a Veja mais em www.digitalbolex.com Digital Bolex. pelas câmeras compactas foi, sem dúvida, um dos fatores FOTOs: divulgação

acessórios para a captação de esportes radicais é o Person View Camera, criado pelo inglês Erick Wonk. O sistema, que é configurado para GoPro e DSLR, é composto de uma haste articulada ligada a um cinturão no corpo do atleta. Existe total liberdade para posicionar a câmera acima e abaixo da cintura, inclusive atrás do corpo, proporcionando mais estabilidade em movimentos bruscos. Nas alturas As câmeras compactas já começam a tomar conta dos céus. Instaladas em quadricópteros, os chamados drones, desafiam os limites de altura e velocidade em busca de imagens diferenciadas. Originados no aeromodelismo, estes ágeis equipamentos podem carregar câmeras como a GoPro ou DSLRs a uma altitude que varia entre 50 e 300 metros. André Zorato, proprietário da Ah! imagem e cinegrafista com mais de 13 anos de experiência em televisão,

Maravilhas em 16mm

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A era das Action Cameras

GoPro Hero 3+ Censor CMOS de 12MP. Gravação em 4K, 2.7K, 1440p e 1080p. Wi-Fi e aplicativo GoPro. Controle remoto. Modo Auto Low Light & SuperView Video. Bateria com duração 30% superior ao modelo Hero 3. Preço: US$ 399,99. http://pt.gopro.com

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s compactas estão dominando o espaço em praticamente todos os segmentos de produção. Depois do sucesso da GoPro, outros fabricantes entram no mercado prometendo baixo custo, qualidade de imagem e inúmeros acessórios. A adrenalina é por conta do cliente. Confira os principais modelos:

Sony Action Cam Controle remoto via celular ou tablet. Compartilha as imagens por meio do aplicativo PlayMemories Mobile. Resolução Full HD a 60 fps. GPS embutido e conexão Wi-Fi. Preço: US$ 298. http://store.sony.com/compactpov-action-cam-zid27HDRAS30V/B/cat-27-catid-AllAction-Cam

ATC Chameleon O diferencial são as duas lentes simultâneas, com resolução 720p cada. Permite ângulo de ajuste em até 180°. Duas horas de autonomia de bateria. Preço: US$ 199. http://br.atc.oregonscientific.com/index.asp

JVC GC-XA2 ADIXXION Gravação Full HD 1080/60p. Alta performance em ambientes escuros, F2.4. Conexão Wi-Fi. Monitor de 1,5 polegadas. Aplicativo Adixxion Synch para IOS e Android. Preço: US$ 299. http://camcorder.jvc.com/product. jsp?modelId=MODL029293&pathI d=141&page=10

ION Air Pro WiFi Lite Gravação em Full HD a 60 fps e slow motion a 120 fps. Captura de fotografia 12MP em múltiplos intervalos. Grande-angular de 160°. Saídas HDMI e vídeo composto. Preço: US$ 199,99. http://usa.ioncamera.com/ion/iON-AIR-PRO-Wi-Fi_Lite.html

Garmin Virb Gravação Full HD a 30 fps e slow-motion a 120 fps. Fotografia a 16MP. Monitor de 1.4 polegadas, três modos de lente (Wide, Medium e Narrow), corpo a prova d’água. Preço: US$ 299,99. http://www.garmin.com/en-US Os preços não incluem alguns acessórios, que variam de acordo com o fabricante.

Drift Ghost-S Action Camera Gravação em Full HD a 60 fps, fotos a 12MP. Wi-Fi, Aplicativo Drift. Visor de 2 polegadas com vidro Gorilla Glass (o mesmo do iPhone). 3.5 horas de duração de bateria. Modo Clone para sincronizar até quatro câmeras. Reproduz no modo loop. Preço: US$ 399. http://driftinnovation.com/drift-ghost/

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Ottmar Paraschin

maiores dificuldades certamente são o clima e os riscos relacionados à escalada e ao montanhismo. “O peso também é uma coisa que conta bastante porque é preciso carregar todo o equipamento de escalada, camping e

câmeras compactas por marca

Canon DSLR

EOS 60D EOS 5D Mark III

Sensor de 18MP, gravação de vídeo 1920x1080 HD, slot para cartões SD/SDHC/SDXC, utiliza lentes Canon EF e EF-S. ISO 6400 a 12800. Saída HDMI e vídeo composto.

Sensor CMOS 22.3 MP full-frame, 14 bit, ISO 100-25600. Gravação de vídeo 1080:30p, 24p, 60p, 25p. Timecode e saída HDMI.

Preço nos EUA: US$ 1,999 (inclui lente 18-135mm)

Preço nos EUA: US$ 3,299 (só o corpo)

EOS 70D

EOS 6D

Sensor 20.9MP, 14 bit, wireless embutido, gravação de vídeo Full HD 1080p MOV, MPEG-4 AVC/H.264. 19 pontos de auto-foco.

Sensor 20.2MP Full-Frame, 14 bit, visor LCD 3 polegadas, GPS, gravação de vídeo Full HD 1080p with Manual Controls. ISO 50 a 102400. 11 pontos de auto-foco.

Preço nos EUA: US$ 1,549 (inclui lente EF 18-135mm)

Preço nos EUA: US$ 2,499 (inclui lente EF 70-300mm) 16

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fotografia. Isso às vezes chega a ser um elemento limitador para as gravações”, aponta Mantovani. Em “Montahistas”, as câmeras utilizadas são a GoPro e as DSLRs Canon 60D e 6D. “Percebo que as câmeras DSLR praticamente dominaram o mercado de vídeo, mas continuam sendo fabricadas como câmeras fotográficas que podem filmar, limitando o trabalho profissional. Para conseguir gravar com elas eu preciso levar um mixer, dois microfones de lapela e um microfone direcional. A montagem de todo esse equipamento pendurado por uma corda a duzentos metros do chão é bem complicada. Outro fator que pode limitar o trabalho são alguns parâmetros da câmera que são bloqueados de fábrica”, critica. Para suprir essa deficiência, Seblen utiliza o Magic Lantern, um software gratuito que acrescenta novas funcionalidades às câmeras Canon. O diretor percebe também que outras marcas estão ganhando posição no mercado e merecem atenção. “Tenho feito alguns testes com a Blackmagic Pocket (veja box) e tenho ficado bastante satisfeito com os resultados. Ela é extremamente leve, compacta e com uma captação bem poderosa. Ainda não fiz testes em campo com mais seriedade, mas nas primeiras filmagens pude perceber que ela ocupa menos espaço nas mochilas, é mais barata e principalmente permite uma correção de cor bem eficiente em ambientes naturais e com diversas situações de iluminação”, aponta Seblen. FOTOs: divulgação

“A ótica da GoPro não é muito boa, pois acentua muito a deformidade nas laterais”.

determinantes para o seu sucesso. Se no passado estes equipamentos serviam apenas para algumas tomadas de making of, hoje a sua posição é bem diferente. Câmeras DSLR e as action cameras ajudam a contar histórias com muito mais dinamismo, principalmente na natureza. O programa “Montanhistas”, levado ao ar pelo canal Off, reúne uma equipe muito afinada para superar os desafios do esporte. De acordo com Seblen Mantovani, diretor do programa, as

A imagem é só o começo As pequenas câmeras de vídeo já demonstraram também o seu poder nas produtoras e emissoras de televisão. E quando o assunto é

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Aumente as possibilidades de sucesso de sua produção: chegou a SONY PXW-Z100. A nova câmera 4K handheld. A SONY PXW-Z100 é uma câmera de vídeo profissional para quem busca alta performance e uma alta qualidade de resolução de imagem 4K. • Sensor CMOS Exmor R com resolução 4K • Formato de gravação XAVC, utilizado na câmera PMW-F55 • Captura em 4K a 60fps • Cartão de memória XQD

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A garantia oficial Sony Brasil só é garantida para os produtos com número de série com procedência de importação Sony Brasil. Sony é uma marca comercial registrada da Sony Corporation. Todos os pesos e as medidas não métricas são aproximados. As imagens visualizadas neste anúncio são simuladas. Fotos, gráficos e ilustrações podem não corresponder a uma representação fiel da realidade.


( capa ) “A qualidade da GoPro 2 não era suficiente para imagens aéreas. Agora, com a Hero 3, o resultado é impressionante”.

FOTOs: divulgação

jornalismo, a agilidade que estes modelos proporcionam é uma vantagem. No Brasil, ainda existe um certo preconceito por parte dos operadores em relação ao tamanho destas máquinas mas é questão de tempo para que elas se tornem padrão. De acordo com a JVC, a BBC de Londres fechou um pedido para colocar nas ruas quinhentas unidades da GY-HM650, modelo compacto da fabricante japonesa que fornece um leque bem amplo de possibilidades. “Lá fora já é tendência, principalmente em notícias. E a qualidade é

André Zorato

praticamente é a mesma de uma câmera grande”, compara Armando Ishimaru, representante de desenvolvimento de negócios da JVC Tecnovídeo. Segundo ele, os modelos GY-HM600 e GY-HM650 entraram no mercado para proporcionar uma experiência que vai além da captação de imagens. A câmera utiliza dois compartimentos de memória de gravação em cartões SDHC/XC, tem três sensores CMOS de 1/3 de polegada resolução Full HD. A lente, que foi desenhada em conjunto com a

câmeras compactas por marca

Canon camcorder e EOS Cinema

XA10 Sensor 1/3” CMOS, 1920x1080, gravação coda AVCHD @24Mbps, memória interna de 64GB, lente fixa com zoom de 10x. Dois slots para cartão SD, duas entradas XLR de áudio e indicação no display de waveform, peaking e zebra.

Preço nos EUA: US$ 1.499

XA25 Sensor 1/2.84” CMOS 1920 x 1080, lente fixa com zoom de 20x, duas entradas XLR de áudio, conexões SD/HD-SDI, HDMI e vídeo composto. Wi-Fi embutido.

Preço nos EUA: US$ 2.499

EOS C300 Sensor Super 35mm CMOS. Codec Canon XF 4:2:2 50 Mb/s MPEG-2. Gravação em 1920 x 1080i60 & True 24p Recording. Entradas de áudio XLR. Saídas de vídeo HDMI-SDI. Duas entradas para cartão de memória. Canon Log Gamma.

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EOS C500 Sensor Super 35mm CMOS. Gravação em 10 Bit 4K RAW a 60p, 10-Bit 4K Half RAW a120p,12-Bit 2K 4:4:4 a 60p. Canon Log Gamma.

Preço nos EUA: US$ 19.999 (só o corpo)

Preço nos EUA: US$ 13.999 (só o corpo) 18

Fujinon, tem alta sensibilidade (F11 a 2.000 lux) e zoom de 23x, alcance superior às objetivas de câmeras maiores. “Outro ponto importante da lente é a sua abertura em grandeangular. Ela começa em 4.1mm, o que equivale a 29mm de uma câmera de sensor 35mm. No modo teleobjetiva, é equivalente a uma lente de 650mm. Não existe outra na indústria” garante Armando. Outro avanço desta câmera é o chip desenvolvido pela JVC, que possui dois encoders e dois codecs. Assim, é possível gravar nos formatos MOV, MP4, MXF, AVCHD e fazer backups. Permite também o upload simultâneo dos arquivos via FTP ou streaming ao vivo. “Com essa oferta de formatos, nós cobrimos 99% da pós-produção com arquivos nativos para o editor”, reforça Armando. Outro recurso da GY-HM650 é conectividade. É só colocar um adaptador WiFi ou um modem 3G/4G na entrada USB da câmera. A conexão à internet é imediata também quando o cinegrafista estiver em um hot spot. Se apenas o 3G estiver disponível, o operador pode fazer o upload do material em proxy (baixa definição) para o servidor da emissora, adiantando o processo de edição. “Todos estes recursos estão embutidos na câmera, não é preciso colocar nada por fora. Além disso, os controles de foco, zoom, white balance e íris podem ser acionados a distância por um smartphone ou tablet. Uma das aplicações é para os jornalistas que viajam sozinhos. Isso

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Blackmagic Design

acontece muito na CNN e BBC. O próprio jornalista se enquadra, dispara o rec e faz o streaming”, completa. Provando que as compactas podem surpreender ainda mais, os fabricantes capricham nas opções digamos, off-road. À prova de chuva e poeira é o que a Sony promete com o modelo HXR-NX70N. A empresa alcançou a classificação IEC605529 IPS4 após satisfazer os testes de despenho em ambientes inóspitos. Mas atenção, isso não quer dizer que o equipamento pode ser submerso. A câmera utiliza um sensor retroiluminado CMOS Exmor, que reposiciona os diodos sobre o circuito de suporte, maximizando a captação da luz. Paula Cruz, gerente de produto e marketing da Sony Brasil, reforça que a HXR-NX70 foi desenvolvida para atender jornalistas e produtores que viajam para as localidades mais remotas em busca de uma história. “A Sony criou um equipamento que pode aventurar-se nas mais rigorosas condições, pois é ultra-compacta e permite armazenar o conteúdo em uma memória interna de 96GB, ideal para aqueles momentos em que você está distante de qualquer lugar e não quer se

Blackmagic Design Production Camera 4K Sensor 4K Super 35mm com Global Shutter, compatível com lentes Canon EF, gravação em 4K (3840x2160) & HD (1920x1080). Codec Apple ProRes 422 (HQ), latitude de 12 stops, inclui os softwares DaVinci Resolve e UltraScope.

Preço nos EUA: US$ 2,995 (só o corpo)

Blackmagic Pocket Cinema Camera Sensor Super 16mm, latitude de 13 stops, gravação Full HD 1920x1080 CinemaDNG RAW, codec Apple ProRes 422 (HQ) @ 220 Mbps. Display de 3.5” com resolução 800x480, SDXC e SDHC Memory Card, conexões HDMI, LANC, e 3.5mm para áudio.

Preço nos EUA: US$ 995 (só o corpo)

Panasonic

AG-HPX250 P2 HD Três sensores 1/3” 3MOS, lente fixa de 12x, gravação em 10-Bit AVC-Intra a 100 Mb/s DVCPRO HD e SD. Dois slots P2 Memory Card, zoom, íris e foo manuais. Saídas HD-SDI, HDMI e vídeo composto.

AG-AC90 AVCCAM

Preço nos EUA: US$ 4,709

Três sensores 1/4.7” Full HD, lente fixa de 12x, dois slots de memória, zoom digital de 25x. Gravação AVCCAM HD, duas entradas de áudio XLR.

Provando que as compactas podem surpreender, os fabricantes capricham nas opções Off-road.

Preço nos EUA: US$ 1,725

AG-HMC 150 AVCCAM

AG-HMC150 AVCCAM Três sensores 1/3” Full HD, lente fixa de 13x, dois slots de cartão, gravação AVCCAM HD, duas entradas de áudio XLR. Cine like gamma.

Três sensores 1/3” Full HD, lente fixa de 13x, dois slots de cartão, gravação AVCCAM HD, duas entradas de áudio XLR. Cine like gamma.

Preço nos EUA: US$ 2,495

Preço nos EUA: US$ 2,495 T e l a

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( capa ) câmeras compactas por marca

Sony HXR-NX70 À prova d’água e poeira, gravação 1920x1080 60/24p Full HD, lente ultra grande-angular de 26.3mm. Cartão de memória de 96 GB, LCD touchscreen, entrada de áudio XLR destacável.

Preço nos EUA: US$ 2,550

HXR-NX30 Sensor 1/2.88” ExmorR CMOS, gravação em AVCHD 1080/60p @ 28 Mbps, lente zoom fixa de 10x, cartão de memória de 96 GB, projetor embutido, microfone Shotgun, estabilizador de imagem, compatível com cartão SD.

FOTOs: divulgação

Preço nos EUA: US$ 1,795

NEX-FS100 Sensor Exmor Super 35 CMOS, lente intercambiável, saída 4:2:2 & RGB via HDMI, gravação formato NXCAM (AVCHD), slow e quick motion em 1920x1080p. Memory Stick, SD/SDHC/SDXC.

Preço nos EUA: US$ 4,299 (com lente 18-200mm)

PXW-Z100 4K Resolução 4K 4096x2160 pixels, sensor 1/2.3” Exmore R CMOS, saídas 4K HDMI e 3G/HD-SDI. Controle remoto via Wi-Fi, Memory Stick Duo & SD/SDHC/ SDXC, microfone shotgun incluído.

Preço nos EUA: US$ 5,499

preocupar com cartões extras”, diz. Já o modelo NXCAM HXR-NX30N é menor mas não fica atrás nos recursos. Tem uma lente ultragrande angular de 26mm, zoom óptico de 10x e sistema de estabilização que envolve todo o conjunto óptico e o sensor, tornando-o virtualmente flutuante. Possui GPS integrado e transfere as imagens direto para um HD externo sem a necessidade de computador. E se o usuário quiser exibir suas façanhas para a plateia, um projetor integrado à câmera faz o show com imagens de até 100 polegadas. “Temos muita demanda de utilização deste modelo em moto link, documentários e produções “one man”, revela Paula. Outras aplicações das câmeras compactas da Sony são voltadas ao segmento 4K. Com 8,8 milhões de pixels, a PXW-Z100 XDCAM oferece zoom de 20x e o mesmo formato de captação XAVC utilizado na linha CineAlta. Segundo a empresa, é a única no mercado a oferecer a gravação de vídeo a 500Mbps ou 600Mbps. Tem saída para 4K e as operações de foco, zoom e rec podem ser controladas via browser por um smatphone ou tablet. Basta plugar um adaptador Wi-Fi. Na categoria cinema, as linhas NEX-FS100 e NEX-FS700 da Sony se apresentam como uma nova era na produção digital em Super 35mm. Com gravação em Full HD e 4K respectivamente, estes modelos permitem o uso de lentes intercambiáveis, com resultado similar ao filme em profundidade de campo. E o melhor, sem o inconveniente

NEX-FS700 Sensor 4K Exmor Super 35, gravação em 1920 x 1080/60p AVCHD e 4K/2K 12-Bit RAW. CineGamma Incluindo o S-Log2, ISO 320 a 64,000, duas entradas XLR de áudio e conexões HDMI & 3G/HD-SDI. Slots SD/SDHC/SDXC e Memory Stick.

Preço nos EUA: US$ 8,299 (com lente 18-200mm)

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“As câmeras DSLR praticamente dominaram o mercado de vídeo, mas continuam sendo fabricadas como câmeras fotográficas que podem filmar.”

FOTOS:divulgação DIVULGAÇÃO FOTOs:

do do rolling rolling shutter, shutter, aquela aquela ondulação ondulação incômoda incômoda que que às às vezes vezes aparece aparece nas nas DSLR. DSLR. “A “A flexibilidade flexibilidade do do sistema sistema E-Mount E-Mount para para a a linha linha NXCAM NXCAM aceita aceita praticamente praticamente todas todas as as SLR SLR ee lentes lentes DSLR DSLR 35mm, 35mm, com com o o uso uso de de adaptadores adaptadores simples, simples, baratos baratos ee sem sem degradação degradação óptica”, óptica”, salienta salienta Ilson Ilson Brancaleoni Brancaleoni Júnior, Júnior, Engenheiro Engenheiro de de Suporte Suporte ee Vendas Vendas da da Sony Sony Brasil. Brasil. Para Para expandir expandir a a capacidade capacidade criativa criativa dos dos diretores, diretores, vários vários frame frame rates rates estão estão disponíveis, disponíveis, começando começando de de 1 1 até até 60 60 fps, fps, o o que que permite permite sequências sequências em em slow slow ee quick quick motion. motion. No No caso caso da da NEX-FS700, NEX-FS700, o o frame frame rate rate chega chega a a 960 960 fsp. fsp. “Agora “Agora chegou chegou a a nova nova versão versão deste deste modelo, modelo, a a NEXNEXFS700RH, um sensor FS700RH, com com um sensor CMOS CMOS 4K 4K

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Seblen Seblen Mantovani Mantovani

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( making of )

Lizandra de Almeida

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m vez de roteiro, a produtora recebeu da agência um manifesto, com possibilidades de cenas, frases surrealistas e o slogan “Não olhe pra trás”. E transformou o slogan em uma música, quase um mantra para o protagonista – uma espécie de guru sarcástico, que brinca com a autoidolatria e pretende criar identidade com uma geração que admira mais os próprios pares do que grandes heróis. Fazer com que todos esses elementos se transformassem em um filme, criando uma narrativa, foi o grande desafio da equipe da Hungry Man para a nova campanha do energético Burn, da Coca-Cola. O filme resultante é um conjunto de camadas em cenas que remetem a sonhos, nas mais variadas locações, e mostra o protagonista seguindo seu coração (literalmente) no que é acompanhado por várias pessoas. Ao todo, 150 figurantes se revezaram em três dias de filmagens, que aconteceram no centro de São Paulo, em um casarão no bairro do Ipiranga, na zona sul, e em uma pedreira na cidade de Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo. “Quando começamos a pensar nas cenas do filme, logo vimos que o slogan precisava se transformar em uma música. Resolvemos então captar as imagens em slow motion e o ator cantava acompanhando um playback acelerado, para depois ficar em sincronia com a câmera lenta”, explica o diretor Carlão Busato. Logo no início do filme, uma menina é sequestrada por um grifo, figura mitológica que é metade leão e metade águia. O movimento foi feito por um guindaste e depois o

FOTOs: divulgação

Manifesto surrealista

Em vez de roteiro, a produtora recebeu da agência um manifesto, com possibilidades de cenas, frases surrealistas e slogan.

grifo foi criado em 3D e aplicado por cima. “Todo o filme é feito com essa combinação de ao vivo e 3D. Não queríamos que fosse só feito em pós-produção, para não tirar a graça do ‘feito à mão’. Usamos locações, traquitanas, todo tipo de recurso.” A grande inspiração cinematográfica de Busato foram as imagens do diretor, poeta e psicólogo chileno Alejandro Jodorowsky. “É como se um grupo de pessoas fosse abduzido e jogado em um local estranho. Cada um desses personagens tem uma história e estava no meio de uma atividade. O sushiman estava fazendo sushi, a médica estava examinando, o porteiro estava falando no interfone. Cada vez que você assiste o filme, repara em 24

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uma coisa diferente”, completa Busato. Em uma das situações, surge um soldado da Primeira Guerra Mundial em sua trincheira. “Construímos o cenário no fundo da locação do Ipiranga, uma casa com um quintal enorme. Queríamos um lugar a céu aberto, mais realista, então fizemos a trincheira e a chuva que cai em cima dela.” Depois de passar por várias peripécias, o guru e seus seguidores veem o coração pulsando e começam a segui-lo pelo centro de São Paulo. Com 3 metros de altura, o coração é todo revestido de lantejoulas e pulsa graças a um mecanismo interno, carregado por uma grua apagada na pós-produção. O ator, que vai protagonizar outras peças da campanha, caiu como uma luva no papel, garante o diretor. Até aprender a montar avestruz ele aprendeu. Além do filme inicial de 2 minutos para veiculação na web, a campanha também conta com uma versão para TV e outra para cinema e uma grande ação digital, com mais sete vídeos e ações nas redes sociais, comandadas pela agência Movimento. ficha técnica Cliente Coca-Cola Produto Burn Agência Grey Brasil Dir. de criação executivo Daniel Pérez Pallares Diretor de arteLucas Heck Redator Daniel Pérez Pallares ProdutoraHungry Man Diretor Carlão Busato Prod. executivoAlex Mehedff e Rodrigo Castello Line producer Felipe Francisquini Diretor de fotografiaLito Mendes da Rocha MontadorIvan Kanter Goldman Pós-produçãoHungry Man e Átomo VFX FinalizaçãoÁtomo VFX Sup. de pós-produçãoMarcelo Barros Áudio Big Foote


Bandeira branca nos estádios

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ara promover a paz nos estádios durante o Campeonato Paulista 2014, a Federação Paulista de Futebol decidiu produzir um filme para veiculação na internet. A agência Wunderman trabalhou com a produtora La Casa de la Madre para documentar o primeiro jogo do campeonato, no qual os bandeirinhas usaram bandeiras brancas, e assim criar um filme que faz dos bandeirinhas os protagonistas da partida. Tudo o que havia para a equipe de produção trabalhar era o tempo do primeiro jogo. Ao todo, a equipe permaneceu por três horas no estádio do Pacaembu, em São Paulo, documentando a preparação dos bandeirinhas e depois a partida em si. “Mesmo com uma verba reduzida e veiculação só na internet, queríamos fazer um filme épico, digno de um grande campeonato esportivo, um filme cinematográfico”, afirma o diretor Jorge Brevilati. Apenas quatro pessoas foram autorizadas a entrar no estádio, então o diretor aproveitou para utilizar um equipamento que já vinha “namorando” há algum tempo: o MOVI, um tipo de suporte com quatro motores que permite que a câmera fique totalmente estável, mesmo sendo carregada com a mão. “Você pode balançar, girar, fazer qualquer movimento que a câmera continua parada no eixo”, explica o diretor. Assim, a equipe foi formada apenas de diretor, diretor de fotografia, produtora e assistente de câmera. “Não tínhamos tempo para preparar um steadycam e esse tipo de equipamento também só pode ser operado pelo operador treinado, enquanto MOVI pode ser carregado por qualquer pessoa, pois é muito leve e muito simples”, diz Brevilati. Em uma das cenas, inclusive, o árbitro segurou o

equipamento para gravar o próprio pé, enquanto a câmera era operada à distância por controle remoto. As cenas foram todas gravadas com uma câmera 5D, em slow motion, o que rendeu cerca de oito horas de material para edição. A gravação começou uma hora antes do jogo, no vestiário dos árbitros e bandeirinhas. A ideia do filme era justamente enfatizar o trabalho deles e sua preparação, mostrando o momento em que pegam a bandeira branca que em seguida é usada no jogo. A princípio, o filme não seria em preto e branco, mas para não caracterizar os times que estavam jogando – Palmeiras e Linense – surgiu a ideia de converter as imagens. “O filme tem que falar com torcedores de todos os times, então propusemos para a agência que fosse finalizado em PB.” A trilha sonora, que inclui três músicas, é assinada por dois estúdios internacionais: Audio Machine, em Los Angeles (que produz para filmes hollywoodianos como “300”, “Batman”, “Hobbit e Árvore da Vida”), e “The Sessions Studios”.

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O filme não seria em preto e branco, mas para não caracterizar os times que estavam jogando – Palmeiras e Linense – surgiu a ideia de converter as imagens.

ficha técnica Cliente Federação Paulista  de Futebol Agência Wunderman Direção de criação Paulo Sanna, Adriano Abdalla, Fábio Matiazzi, Fernando  Tomeu, Rafael Palermo  e João Paulo Martins CriaçãoAndré Araújo e  Samuel Normando ProdutoraLa Casa de la Madre ImagensHerbert Gondo Imagens adicionais Jorge Brivilati,  Felipe Hermini, Angelina Trevisan Montagem Daniel Weber Correção de cor e final. Jorge Brivilati e  Felipe Andriolo Trilha sonoraAudioMachine,  The Secession Studio

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cobertura

( evento)

André Mermelstein, de Liverpool

a n d r e @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Bolo inglês BBC investe quase R$ 6 bilhões anuais em conteúdo e conta cada vez mais com as plataformas não-lineares para aumentar sua distribuição global.

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saiu por £ 1,5 milhão (cerca de R$ 5,8 milhões), o dobro da anterior. A unidade de drama da BBC Worldwide consume aproximadamente a metade dos £ 200 milhões anuais (cerca de R$ 780 milhões) de orçamento de produção da empresa. A próxima produção de fôlego é a série de dez episódios “Intruders”, coprodução com a BBC America, que tem no elenco o ator John Simm, e que está em produção no Canadá.

BBC Worldwide realizou no mês passado em Liverpool, Inglaterra, seu 38º Showcase, maior evento de conteúdos no mundo promovido por um único estúdio. A empresa é o braço comercial da televisão pública britânica, responsável pela comercialização de suas produções ao redor do mundo e pela distribuição dos canais pagos do grupo (no Brasil por enquanto distribuem apenas o BBC HD). É o quinto maior distribuidor global de conteúdos, e o primeiro fora dos EUA. Ao todo, a BBC deve investir £ 1,5 bilhão em produção original este ano (cerca de R$ 5,8 bilhões), dos quais a BBC Worldwide contribui com £ 200 milhões (cerca de R$ 780 milhões), £ 30 milhões a mais que no ano anterior. Vale lembrar, a BBC doméstica é financiada principalmente pelo license fee, uma taxa anual paga por todos os lares no Reino Unido que tenham pelo menos um aparelho de TV, e que deu em 2013 uma receita de £ 3,7 bilhões (aprox. R$ 14,4 bilhões). A BBC Worldwide e outras operações comerciais (serviços de produção, notícias etc) renderam outros £ 155 milhões em receitas à rede. No último ano, a BBC Worldwide faturou £ 1,2 bilhão e distribuiu 120 mil horas de conteúdos em todo o mundo. A empresa tem cerca de 50 mil horas de conteúdos em catálogo. Os valores são altos, mas os orçamentos de produção de séries de ficção para a TV cresceram

Valor das produções, sobretudo de ficção, crescem nos últimos anos.

fortemente nos últimos anos, e a culpada não é a inflação ou a ineficiência, mas a competição, diz Helen Walker, diretora de produção de drama da BBC Worldwide. Com o aumento global do volume de produções de alto nível, como as feitas hoje pela AMC, HBO, Starz e mesmo Netflix, a exigência do público fica maior. “Querem ver mais dinheiro na tela”, diz Helen. Ou seja, buscam produções cada vez mais elaboradas, com recriações de época, efeitos especiais, computação gráfica, e isso tudo custa caro. Para ela, ainda não se chegou a um limite para estes custos, que seguem aumentando. “Mas eventualmente haverá um patamar, quando deixarem de ser rentáveis”, diz a executiva. Ela dá como exemplo a série “Robin Hood”, feita há cerca de oito anos pela BBC, que custou cerca de £ 750 mil, em comparação com “The Musketeers”, lançamento da BBC para este ano, que 26

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Vendas No Showcase, os compradores internacionais tiveram acesso a 600 cabines individuais, onde puderam assistir a 2,8 mil horas de programação. Segundo a empresa, um potencial comprador assiste em média de 6 a 8 horas de conteúdos por dia. Estavam inscritos 725 compradores, de todas as regiões do mundo. A participação do Brasil foi pequena. Uma equipe de três pessoas da TV Globo foi ao evento, concentrada na aquisição de documentários de ciência e natureza para o jornalismo, especialmente para o “Fantástico”, “Globo Repórter” e “Globo Cidadania”. A Globo tem um volume deal com a BBC Worldwide, que garante à emissora o direito de primeira opção sobre os programas, e um volume mínimo de aquisições anuais. As outras emissoras não compareceram, mas esteve também no evento o diretor do serviço de VOD infantil Playground, Fabio Sgarbi. Entre os principais lançamento anunciados no evento estão a série de ficção “Os Mosqueteiros”,


Histórias mandam A tecnologia vem revolucionando a produção de documentários de natureza, com microcâmeras, super slow motions, visão noturna, sensores de movimentos, robôs, drones etc. Mas o que faz um bom filme ainda é a história que se conta, diz a bióloga marinha e geóloga Wendy Darke, diretora geral da divisão de história natural da BBC, que conversou com TELA VIVA durante o evento. Este é o “segredo”, diz ela, para que se criem ainda hoje novos programas sobre temas às vezes repetidos. “Já vimos mil vezes cenas dos animais na savana, por exemplo, mas podemos sempre contar de outro ponto de vista”, diz. Ela conta que uma série grande leva pelo menos quatro anos para ser realizada, dos quais os primeiros 18 meses são apenas de pesquisa. É a ciência, diz, que vai dar toda a base para o roteiro e as filmagens. Depois são planejadas em geral duas temporadas de filmagens no local, porque “animais não leem roteiro”, brinca. Ou seja, em uma única expedição podem não acontecer alguns comportamentos esperados dos bichos. No momento ela prepara, entre outras coisas, a série “Oceans”, prevista para 2017. Sua unidade tem atualmente 200

A equipe de “Top Gear” com Sir David Attenborough e Graham Norton: marcas globais.

FOTOs: divulgação

baseada na obra de Alexandre Dumas, com dez episódios de 50”; a segunda temporada de “Orphan Black”, com dez episódios de 60’; e “The Game”, thriller de espionagem ambientado na Guerra Fria, com seis episódios de 60”. Na área de história natural, o destaque é “Life Story”, coprodução com Discovery e France Télévisions, seis episódios de 50›. Chama a atenção o uso de animais robóticos equipados com câmeras, que interagem com os animais reais e conseguem cenas de grande proximidade. A tecnologia foi desenvolvida pela própria BBC, e está em séries como “Dolphins - Spy in the Pod” (2 x 50”).

horas de conteúdo em produção, e deve entregar este ano 150 horas. As produções são planejadas para atingir diferentes audiências, em um espectro que vai de séries altamente didáticas e científicas até aquelas que mostram os animais de forma quase humanizada, explorando o lado emocional do espectador. “Somos criticados às vezes por algumas séries que têm um caráter de entretenimento, mas elas também são importantes para criar uma consciência nas pessoas sobre a natureza”, explica. As séries também são programadas para diferentes faixas etárias e mesmo para exibições em diferentes dias da semana. “Num domingo à tarde por exemplo uma mãe pode assistir ‘Wild Brazil’, que tem cenas bonitas, e assim ela se distrai sem achar que está perdendo tempo, ou seja, se entretém e ainda aprende alguma coisa”, diz. Na busca pela audiência, a BBC também tem investido em apresentadores, que se identificam com o público, em músicas mais sofisticadas e até mesmo em técnicas tiradas do cinema comercial. “Para a série ‘Hidden Kingdoms’ nós consultamos a Pixar sobre as paletas de cores mais usadas hoje em produções de grande audiência”, revela. Algumas destas produções acabam ficando tão atraentes que podem entrar em slots de aventura ou mesmo de

drama, e não necessariamente no de documentários, completa. Online Até pelo seu caráter público e não-comercial, a BBC foi pioneira no uso da Internet para a difusão de sua programação. A audiência internacional (entenda-se fora do Reino Unido) do site BBC.com dobrou no último ano, tanto em número de usuários únicos quanto em engajamento (vídeos vistos e tempo de permanência), chegando a 65 milhões de usuários únicos ao mês. Mas a meta é mais ambiciosa, conta Dan Heaf, chief digital officer da BBC Worldwide. A companhia quer chegar aos 500 mil usuários únicos até 2022. A estratégia passa inicialmente por desvincular o serviço da ideia de que é um site apenas de notícias. A BBC está cada vez mais colocando conteúdo “non-news”, ou seja, programas sobre carros, turismo, atualidades e outros temas. Muitos dos conteúdos são produzidos ou editados originalmente para o site, e outros vêm do acervo da BBC, atual e antigo. “Meu sonho é ter um dia todo o acervo disponível online”, conta Heaf. Os programas são integrados ao noticiário sempre que possível, explica, de forma a alavancar a audiência. “Se você vê uma notícia sobre a China, colocamos em seguida, por exemplo, um trecho de um programa que temos sobre o país”. A maioria do público ainda vem dos EUA e da Europa ocidental, mas a companhia busca justamente

Os compradores internacionais tiveram acesso a 600 cabines individuais.

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( evento) os mercados emergentes, onde tem maior chance de crescer, diz.. “Ásia, América Latina e Austrália são prioritários para nós”. A estratégia passa também pela criação de conteúdos em outros idiomas que não o inglês ou o espanhol, mas isso ainda depende de escala, diz o executivo. Como em qualquer outro segmento, a BBC também tem visto o crescimento do acesso a seus conteúdos em dispositivos móveis. Eles já respondem, segundo Heaf, a 40% dos acessos ao site. Mesmo assim, diz, a estratégia é trabalhar os conteúdos no site BBC.com, e não em apps específicos para cada plataforma. “Fizemos um trial em 16 mercados e vimos que o browser ainda é mais eficiente para nós”, conta.

A emissora britânica mantém um departamento apenas para explorar novas possibilidades que surgem para espalhar seu conteúdo. Reino Unido, conteúdos ao vivo e on-demand de todos os seus canais, e o Red Button é uma ferramenta ligada à TV digital terrestre, que oferece conteúdos adicionais aos programas exibidos. A ideia, explica o diretor da área, Ralph Rivera, não é apenas exibir o conteúdo de TV e rádio, mas também pesquisar novas formas de interação e engajamento. O ponto de virada, diz, foram as Olimpíadas de Londres, em 2012, quando aconteceram os picos de acesso a conteúdos digitais, na web e no mobile. “Agora queremos ir da distribuição para a criação destes conteúdos”, diz. Os números chamam a atenção, mesmo quando falamos do mercado britânico, um dos mais conectados do mundo. O último torneio de tênis de Wimbledon teve 27 milhões de browsers conectados, para conteúdos ao vivo e on-demand. A transmissão do festival de Glastonbury do ano passado já teve 42%

Futuro A emissora britânica mantém um departamento, chamado de BBC Future Media, apenas para explorar as diversas novas possibilidades que surgem para espalhar seu conteúdo. Isso inclui hoje a presença em sites, apps, a gestão do iPlayer e do Red Button. O iPlayer é a ferramenta pela qual a BBC oferece, apenas dentro do

Foco nas marcas

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BBC vem adotando uma nova estratégia na gestão de suas marcas. Antes dispersos, os conteúdos da rede serão agrupados agora em três grandes guarda-chuvas: BBC Earth, que envolve conteúdos relativos a história e história natural; BBC Brit, para o que se define como “factually correct entertainment”, ou seja, entretenimento com um pé na realidade, como programas de culinária e gastronomia, carros (como “Top Gear”) e estilo de vida; e BBC First, para as marcas de ficção como “Sherlock” e outras. “Não é uma estratégia linear, mas sim de marcas”, explica o VP executivo para a América Latina da BBC Worldwide, Fred Medina. “Estas marcas podem estar presentes em eventos, produtos, canais, conteúdos não-lineares etc”, explica. Ainda assim, a estratégia deve se refletir nos nomes dos canais que a BBC Worldwide oferece na América Latina. O mais provável, conta, é que o BBC HD seja chamado de BBC Earth, pelo tipo de conteúdo que traz (mesmo que continue também exibindo conteúdo de entretenimento) e que o BBC Entertainment (não disponível no Brasil) vire BBC Brit. A programadora ainda quer lançar o infantil Cbeebies no país. Sobre as dificuldades para inserir novos canais no mercado Fred Medina brasileiro, Medina acha que há uma janela de oportunidade com o crescimento da base HD. “Há um espaço natural de entrada de canais HD. Em sete anos, a base deve ser igual à do SD”, diz.

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de seus acessos em dispositivos móveis. E o encerramento dos Jogos de Inverno de Sochi, este mês, tiveram 3,4 milhões de acessos móveis, superando os Jogos de Londres. A chave de tudo é o iPlayer, a ferramenta da BBC que permite consumir vídeos ao vivo e on-demand, por streaming ou download, em qualidade alta ou baixa e que está disponível em mais de mil devices. Segundo Rivera, o iPlayer e a marca mais conhecida no Reino Unido (não apenas em serviços digitais, mas em geral, mesmo comparada a produtos de varejo ou carros). “Lançamos há seis anos, no Natal de 2007, para apenas um dispositivo, o PC, e já tivemos de cara 92 mil pedidos de conteúdo. Em janeiro de 2014 chegamos a 10 milhões de pedidos por dia, em mil dispositivos, e já acumulamos 10 bilhões de pedidos”, alegra-se o executivo. Ele frisa que o tablet se transformou na “TV do quarto” dos usuários. 40% do consumo de vídeos já é em dispositivos móveis. “No caso de programas de culinária a porcentagem é maior, porque as pessoas levam o tablet para a cozinha”. As smartTVs respondem por 12% do consumo. O público principal do iPlayer, conta, tem de 35 a 54 anos, e em 42% dos casos não sabe o que quer assistir antes de ligar o dispositivo. Para o futuro próximo as novidades são um “catch-up” (recuperação de programas perdidos) de até 30 dias depois da exibição, e miniepisódios exclusivos. Já fizeram com séries como “Dr. Who” e “Sherlock”, com mais de 2 milhões de views. Também se pensam em canais mais personalizados, com interatividade e recursos multicâmera. Um dos desafios é montar um sistema forte de indicações de conteúdo, baseado em três vetores: editorial (curadoria), recomendação (o que seus amigos e pessoas parecidas com você assistem) e algoritmo (que conteúdos são similares aos que você assistiu).


realização

correalização

kiko farkas / máquina estúdio © 2014

De 7 a 9 De maio CinemateCa Brasileira aBCine.org.Br

patrocínio

apoio


( fomento)

Da redação

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Fórmula que funciona RioFilme mostra crescimento de receitas e apresenta novas linhas de investimento para 2014, dentro do modelo de financiamento automático que vem dando resultado.

no início de março no Rio de Janeiro. A empresa apresentou a linha de investimento automático em cinema, na qual serão oferecidos R$ 12 milhões, para produtoras cariocas e distribuidoras nacionais de longas de produtoras cariocas. Neste mecanismo, cada ingresso vendido de uma produção anterior da produtora gera um crédito ao produtor e ao distribuidor, automaticamente revertido em novos investimentos (para filmes

“Não temos comissão avaliadora e nem lemos roteiro. Os critérios são técnicos e objetivos.” Adrien Muselet, da RioFilme

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com mais de 300 mil ingressos vendidos em 2013). Em 2014 serão beneficiadas (por cumprirem o critério) dez produtoras: Migdal Produções, Morena/ Atitude, Frahia Produções, Canto Claro, Filmes do Equador, De Felippes Filmes, RT2A, Conspiração, Total e Sincrocine. Também serão contempladas quatro distribuidoras: Paris, Downtown, Imagem e Europa. Para o investimento automático em TV foram destinados R$ 10 milhões. Para ser contemplado, o produtor tem que apresentar um contrato com um canal de TV por assinatura. A RioFilme aporta R$ 1 para cada R$ 1 investido pelo canal, sendo ao menos metade deste investimento feito com recursos próprios (não incentivados). O teto para receber os recursos é de R$ 2 milhões por produtora, R$ 3 milhões por canal e R$ 4 milhões por programadora. Muselet explicou que no processo de investimento automático, como a RioFilme já vinha fazendo, não há comissão de seleção ou análise de roteiro. “O canal de TV faz uma seleção muito melhor que a nossa, se ele assinou o contrato é porque o projeto é viável, então investimos”, disse. FOTO: divulgação

Jalin/shutterstock.com

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RioFilme anunciou suas novas linhas de investimento, que entrarão em vigor a partir deste ano. A mais inovadora é uma linha de R$ 1,5 milhão para a produção de conteúdos para mídias digitais. Feita em parceria com o YouTube, a linha não prevê qualquer vínculo da produção com a plataforma. O YouTube apenas oferece suporte operacional e capacitação aos contemplados. As outras novidades são uma linha de investimento automático em desenvolvimento de longas, de R$ 1 milhão, e de desenvolvimento de conteúdos para a TV, de R$ 1,5 milhão. Há ainda uma linha de investimento em desenvolvimento de coproduções para a TV com o Canadá, esta em parceria com o Canada Media Fund, no valor de R$ 300 mil. Além das linhas, a RioFilme anunciou um acordo regional com o Fundo Setorial do Audiovisual, para ser um agente local do FSA; uma parceria com o Sebrae e a ESPM para cursos de capacitação (com duração de três anos e previsão de atender 1,5 mil alunos); e um acordo com a Universidade de Columbia, em Nova York, para oferecer no Brasil o prestigiado curso TV Writing Intensive, no valor de R$ 300 mil, para capacitar duas turmas de 30 alunos. O diretor da RioFilme, Adrien Muselet, apresentou as iniciativas durante o Rio Content Market, que aconteceu


Finalmente, a empresa anunciou os valores dos editais para 2014, também publicados a partir de 14 de abril. Serão ao todo R$ 10,3 milhões, sendo R$ 1,5 milhão para o desenvolvimento de longas, R$ 2 milhões para desenvolvimento de TV, R$ 4 milhões para a produção e finalização de longas, R$ 1 milhão para a produção de curtas, além dos já citados para a produção online e coprodução com o Canadá. Crescimento forte As receitas da RioFilme cresceram 680% desde a revitalização da empresa carioca, em 2008, passando de R$ 1,5 milhão em 2009 para R$ 11,7 milhões em 2013. Estas receitas são integralmente reinvestidas nos programas de fomento e financiamento de produções da empresa. Hoje a RioFilme é o segundo maior investidor em audiovisual do país, atrás do Fundo Setorial do Audiovisual. Muselet mostrou durante o evento o crescimento no número de projetos contemplados e de produtoras envolvidas. Houve um salto de 22 projetos em 2008 para 124 em 2013, com o envolvimento de 153 produtoras cariocas (os recursos da empresa só podem ser usados por produtores estabelecidos na cidade). A estratégia de investir em filmes com retorno de público fica clara nos resultados. Se em 2008 a RioFilme investiu em sete filmes, com público de 18,6 mil espectadores, em 2013 foram 21 filmes, que fizeram 19,6 milhões de ingressos. Filmes produzidos com recursos da empresa responderam por 70,3% do público de cinema nacional em 2013, embora sejam apenas 16,5% dos filmes brasileiros lançados no ano. Em 2013 foram contemplados 23 projetos com investimentos automáticos em cinema, de 19 produtoras, com um total de R$ 10,1 milhões investidos. O principal

programa de investimento automático em TV contemplou em 2013 12 projetos de oito produtoras, sete canais e quatro programadoras.

recolheu R$ 6,6 milhões em impostos federais, R$ 1,2 milhão em estaduais e R$ 2,9 milhões em impostos municipais, dando à RioFilme um retorno sobre o investimento de 224%. Já o programa de investimento automático em TV contemplou em 2013 12 projetos de oito produtoras, sete canais e quatro programadoras. Embora a RioFilme invista um real para cada real investido pelos canais, o aporte de dinheiro “bom” (não incentivado) dos canais nestes projetos acabou sendo maior que o da RioFilme, R$ 9 milhões contra R$ 6,9 milhões.

“case” do ano foi “Meu passado me condena”, que teve investimentos de R$ 1,6 milhão da RioFilme e R$ 2,1 milhões em renúncia fiscal federal, para um custo total (produção e lançamento) de R$ 8,1 milhões. O filme rendeu R$ 54,4 milhões e

Investimento anual (R$ milhões)

50,00 43,00

20,20

18,50 1,10 2008

11,30 2009

2010

2011

2012

2013

receitas anuais (R$ milhões)

11,7 9

8

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1,4

1,5

2008

2009

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6,6

2010

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2011

31

2012

2013

Fonte: Rio Filme.


( política)

André Mermelstein, do Rio de Janeiro

a n d r e @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Hora de ajustes Em debate no Rio Content Market o presidente da Ancine diz que o balanço da Lei 12.485 é positivo, e que a agência está disposta a ouvir o setor para aprimorar os mecanismos.

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FOTOs: divulgação

s obrigações de programação da Lei 12.485 estão sendo atendidas por canais, operadoras e produtoras, e a Ancine comemora os resultados, como o forte aumento nas horas de produção nacional na TV paga. Mas produtores e canais vêm pedindo ajustes na regulamentação da lei, e o presidente da agência, Manoel Rangel, disse em painel do Rio Content Market, em fevereiro, que ouvirá os pleitos, embora não necessariamente atenda a todos. Para ele, pode haver flexibilizações, desde que o espírito central da lei não seja desviado. “Muito do que nos pedem são formas de borrar os limites do que a lei estabelece, e isso não vamos permitir”, disse Rangel. A diretora de programação da Discovery, Monica Pimentel, apontou no painel que a produção nacional é política global da companhia, que hoje trabalha com 15 produtoras no Brasil e gostaria de expandir. Mas que o mercado não está 100% preparado para atender à demanda, e que ajustes na lei poderiam ajudar. “É como uma engrenagem que está em movimento, mas por não estar ajustada exige um esforço mecânico maior”, comparou. A diretora de produções da Turner, Silvia Elias, apontou a questão do desequilíbrio no tratamento de canais de características diferentes de um mesmo grupo programador. Ela conta que já produzia bastante localmente antes da lei e que com

Canais internacionais querem regras mais flexíveis para aumentar a produção.

as cotas foi obrigada até a cancelar programas nacionais, porque não se adaptavam à norma. A produção nacional também faz parte há dez anos dos canais Sony, disse o diretor Alberto Niccoli, que conta que a programadora já produziu 40 títulos. Ele se preocupa com uma má compreensão em relação às reprises, algo que a Ancine vem ameaçando fiscalizar com mais força. “Tem que separar o que é a exibição do mesmo conteúdo em vários canais da reprise no mesmo canal, é diferente”, explica. Também levantou a questão da caducidade dos conteúdos, para efeito de cota, após um ano. “Não faz sentido caducar um conteúdo que você adquiriu em apenas um ano, tem que amortizar. Para quem tem muitos canais, inviabiliza os investimentos”, disse. Roberto Martha, da Viacom, apontou para o gargalo de financiamento das 32

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produções, sobretudo com as demoras de liberação do Fundo Setorial. “Queremos ir além da cota, produzir mais, mas o que existe hoje é insuficiente”, disse no painel. Uma opinião geral é que as demoras na liberação de recursos para a produção faz com que seja muito difícil programar a grade, e gera uma aposta maior nas produtoras grandes, com capacidade de entrega. Além disso, programadores ouvidos por TELA VIVA se queixam da insegurança jurídica causada pela burocracia da agência. “Já tiramos programa da grade antes de estrear porque não conseguiam o registro, mesmo estando com tudo em ordem”. “O fundo (setorial) foi visto como salvação, mas não serve para montar grade. É como comprar um vestido pra usar daqui a cinco


anos. As grades mudam a cada seis meses, não dá para esperar, então os produtores estão pondo dinheiro do próprio bolso”, disse Krishna Mahon, do History. Mônica, da Discovery, também lamentou o veto, para efeito de cotas, do uso de formatos internacionais. “O Brasil tem capacidade, mas há carência de projetos bem estruturados. Um programa como ‘Desafio em Dose Dupla’ é 100% nacional, toda a equipe, os talentos. Mas não entra na cota porque é formato estrangeiro, nos faz pensar se vale a pena produzir. No momento em que a indústria está se capacitando, poderia se beneficiar do formato internacional, traz experiência, aprendizado”, disse. Produtores Do lado da produção, a lei também é vista como positiva, mas os gargalos ainda são enormes. “A lei é um marco. Produzimos cinco séries em 21 anos, e agora, só no ultimo ano e meio, fizemos oito séries e temos seis em desenvolvimento”, contou Andrea Barata Ribeiro, da O2. Mas ela se queixa da burocratização. “Tenho mais gente cuidando de Ancine do que de produção, metade do meu tempo é para lidar com questões burocráticas”, conta. O produtor Marcio Yatsuda, da Movioca, aproveitou seu background em TI para contribuir no debate. “O Brasil tem uma lei abrangente em documentos digitais, a lei de pagamentos permite que documento digital tenha validade legal. A Ancine poderia usar isso, acabar com o envio de papel”. “O timing na aprovação de projetos cria uma deturpação. Nosso caso mais exitoso levou nove meses da aprovação aos recursos.

“Muito do que nos pedem são formas de borrar os limites do que a lei estabelece, e isso não vamos permitir.” Manoel Rangel, da Ancine

Como existe mais dinheiro e possibilidades de negocio, as empresas que têm alavancagem são competitivas, podem esperar um ano. Os canais estão privilegiando estas empresas, o que diminui a competitividade com base na criação”, disse o produtor Belisário França. Andrea, da O2, diz que a questão da propriedade da produção deveria ser mais flexível. Segundo ela, as verbas de captação são limitadas, e o mercado está aquecido, com cachês altos, o que dificulta a realização de produções de maior valor. “Mesmo que o canal queira por mais dinheiro, fazer coisas maiores, não faz, porque não terá os direitos. Só faz sitcom, que não passa de R$ 200 mil o episódio. Um ‘Game of Thrones’ não tem como fazer, nenhum canal vai botar R$ 30 milhões”, diz a produtora. “É legal a Ancine proteger o produtor, mas tem que pensar outras possibilidades. Perdi uma série cara porque o canal ia financiar R$ 15 milhões, o fundo setorial R$ 3 milhões, e eu ia ficar com os direitos e poderia vender depois para um concorrente”, conclui.

Quanto às reprises, ele diz que a agência continua acreditando na autorregulamentação. “Detectamos esforços dos programadores. A pressão interna é positiva”, afirmou. Na questão dos preços de produção, ele diz que há um esforço central na produção de conteúdo de alto valor agregado, que possa viajar para outras janelas. Ele lembra que a Ancine também teve um grande desafio de adaptação, com suas novas funções de fiscalização e a explosão de demanda. “O mercado aquecido rebate lá de maneira forte, e não recebemos os meios para nos expandir. O acréscimo de servidores está chegando agora, bem como os recursos de TI, mas não na velocidade necessária”, disse Rangel. Ele conta que a agência investe hoje de 24% a 30% de seu orçamento na área de TI, para atender às demandas. “Nossa aposta principal para resolver os gargalos é no desenvolvimento de sistemas. Mas há toda a dificuldade da administração pública, a forma rocambolesca de contratar. Temos que particionar a contratação de um sistema em cinco empresas diferentes, que têm que fazer um único produto. Aí a contratada perde a equipe no meio do processo... nessa área há muita escassez de mão de obra”, aponta.

ancine quer estabilidade das regras, mas já cogita rever questões pontuais.

Respostas Na sessão em que recebeu estes comentários e deu sua resposta, Manoel Rangel disse que a premissa é a estabilidade das regras da lei e regulamentos, “mas entendemos que há massa crítica para examinar questões pontuais”. Segundo ele, estas mudanças estão incorporadas na agenda regulatória deste ano. “Mas não é simples, tem que encontrar um ponto de equilíbrio entre interesses diversos. Um movimento pode resolver uma parte do problema, mas criar outro”, disse.

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O jornalista viajou a convite do Rio Content Market.

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Leandro Sanfelice

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S.O.S Mulheres ao Mar Com orçamento de R$ 5,5 milhões, longa teve parte de suas filmagens feitas a bordo do cruzeiro MSC Orchestra, que faz um trajeto pelo Mediterrâneo. Gravações também foram feitas nas cidades de Roma, Veneza e Rio de Janeiro.

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FOTOs: divulgação

Filme “S.O.S Mulheres ao Mar”, da produtora Ananã em coprodução com Miravista e Globo Filmes, chegou neste mês de março aos cinemas brasileiros, com distribuição da Buena Vista International. A produção conta a história de Adriana, personagem interpretada pela atriz Giovanna Antonelli, que abdicou de sua vida para se dedicar ao marido, que decide deixá-la para viver com uma nova mulher. Quando Adriana descobre que o novo casal vai fazer um cruzeiro pelo Mediterrâneo, ela decide ir atrás dos dois para reconquistar seu amor. Com orçamento de R$ 5,5 milhões, o longa teve parte de suas filmagens feitas a bordo do cruzeiro MSC Orchestra, que faz um trajeto pelo Mediterrâneo. Gravações também foram feitas nas cidades de Roma, Veneza e Rio de Janeiro. A produção arrecadou recursos por meio dos artigos 1°, 1°-A e 3° da Lei do Audiovisual, dos artigos 39 e 41 da MP 2.228-1/01, de edital de desenvolvimento de projetos da Rio Filme e de patrocínio das empresas BB DTVM, Comgás, Cativa, Estácio e Multiterminais. As filmagens em alto mar foram realizadas durante duas viagens, totalizando 16 dias de gravações. De acordo com Júlio Uchôa, produtor executivo do filme e fundador da Ananã, gravar a bordo do cruzeiro exigiu uma logística complexa, que envolveu castings diários de figurantes e

As filmagens em alto mar foram realizadas durante duas viagens, totalizando 16 dias de gravações.

cronogramas de filmagens apertados. “Assim que decidimos produzir essa história, me vi diante do problema de encontrar um navio para filmar, a um preço acessível. A solução foi filmar durante uma viagem de cruzeiro. Entrei em contato com diversas companhias e fechamos com a MSC, com quem começamos a discutir como fazer o filme sem incomodar os passageiros”, disse o produtor. Para isso, explica, a equipe utilizou as instalações do navio em horários alternativos. O teatro, por exemplo, era utilizado em horários nos quais se encontrava fechado. “Todo dia montávamos um cronograma para completar as filmagens e precisávamos seguir ele com fidelidade, utilizando as instalações nos horários disponíveis”. “O maior desafio na parte de direção foi cumprir esses horários. Não existia a possibilidade de terminar uma 34

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cena no dia seguinte, precisávamos seguir com precisão o cronograma”, diz a diretora Cris D’Amato. “O filme é feito com uma série de cenas curtas que contam uma história, não existem cenas muito longas. A exceção é a aprte do teatro, onde tivemos mais tempo para filmar”, explica. Com uma equipe de dez pessoas, equipamentos e figurino a bordo, a equipe teve de buscar seus figurantes entre os mais de mil funcionários da tripulação do navio. Segundo Uchôa, enquanto eram feitas as filmagens, uma equipe dedicava-se exclusivamente a fazer uma seleção diária para os figurantes das próximas gravações. “Todo dia selecionávamos cerca de 50 funcionários para trabalhar em dois turnos de gravação. Era


preciso casar o período em que não estavam trabalhando com os horários nos quais podíamos utilizar as instalações”, diz o produtor. No total, as filmagens de “S.O.S Mulheres ao Mar” foram realizadas ao longo de cinco semanas. Além dos dias a bordo do navio, a equipe gravou em Veneza, em Roma, e no Rio. As cenas que se passam dentro das cabines do navio foram gravadas em estúdio. “Era tecnicamente ruim, apertado gravar na cabine. Por isso, optamos por reproduzir em estúdio”, explica Uchoa. Cenários Se gravar em um navio trouxe desafios para diretores e produtores, também teve suas vantagens. Segundo Uchoa, o filme explorou ao máximo a beleza da decoração e das paisagens das locações. “O navio tem um ótimo cenário, com ambientes dos quais

ter a equipe hospedada no mesmo local onde foram feitas as filmagens também ajudou no processo de produção do longa.

o custo que vem com isso, e estamos sempre cercados por cenários incríveis”. Making of e divulgação O trabalho de filmagens foi acompanhado por Gil Baroni, da WG7, empresa que ficou responsável por produzir o making of de “S.O.S Mulheres ao Mar”. Segundo Uchoa, o longa utilizou o conteúdo produzido por Baroni para gerar conteúdo para as redes sociais e divulgar o trabalho. “É um conceito diferente e bem mais elaborado de making of. Em alguns momentos tínhamos diversas câmeras acompanhando as filmagens. Todo o conteúdo alimentou Facebook, tumblr e outras mídias. Hoje em dia, é preciso gerar conteúdo para as outras telas na internet”, diz o produtor.

não teria dinheiro para produzir nem um corredor”, brinca. “Além disso, é difícil produzir um cenário com uma grande piscina ou restaurante com 500 pessoas neles. Há muita beleza e luz no cenário, que agregam qualidade à produção”. Para a diretora Cris D’Amato, ter a equipe hospedada no mesmo local onde foram feitas as filmagens, também ajudou no processo de produção do longa. “Por um lado, há todo o esforço de atravessar um navio do tamanho de uma cidade carregando um monte de equipamento, usar horários alternativos e não incomodar os passageiros. Por outro, não há todo o stress de deslocamento, trânsito e todo

es ao Mar S.O.S Mulher Cris D’Amato Direção Roteiro utiva Produção Exec Coprodução Distribuição

Sinopse: Adriana, uma mulher que abdicou da vida para cuidar do casamento, embarca em um cruzeiro para reconquistar seu ex-marido Eduardo, que a trocou por Beatriz, uma estrela da TV

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( produção )

Leandro Sanfelice

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Em equipe Globosat investe em “writer’s rooms” para desenvolver roteiros de novas séries. Comum nos Estados Unidos, método já foi empregado em sucessos como “Breaking Bad”, “Friends” e “CSI”.

FOTO: Rogério Resende /divulgação

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tempo. “O público notará a diferença quando vir o resultado. Partimos para a etapa de produção com um diferencial competitivo. Foi diferente do que fizemos até agora, com projetos de qualidade, mas sempre pressionados com a urgência da data de estreia. Dessa vez, dissemos para eles usarem o tempo e discutirem, brigarem, jogarem fora. Resolvemos investir no processo criativo”, disse a executiva. Segundo ela, ainda é cedo para dizer se a programadora usará esse modelo como padrão para as próximas produções. “Se usaremos isso em 100% das nossas produções no futuro realmente não sei dizer. Mas certamente espero que possamos transformar em um processo usual.” FOTO: divulgação

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m 2013, na primeira edição do Programa Globosat de Roteiristas, pitchings de doze projetos de séries foram apresentados. Entre eles, estavam os projetos da comédia “Meu Amigo Encosto” e do drama “O Que Dizem seus Olhos”. Em fevereiro deste ano, um painel realizado durante a segunda edição do programa, no Rio de Janeiro, reuniu autores das séries, que estão sendo desenvolvidas para canais da Globosat. Com apoio da programadora, seus roteiros foram desenvolvidos em “writer’s rooms“, método no qual um time de roteiristas reúne-se em uma sala para discutir, em tempo integral, a história de um episódio por dias ou semanas. O “writer’s room” é comum nos Estados Unidos, e já foi empregado em sucessos como “Breaking Bad”, “Friends” e “CSI”. No Brasil, a Globosat está utilizando a técnica pela primeira vez em suas produções. Nas duas séries, as equipes de roteiristas reuniram-se diariamente por cerca de cinco meses para concluir os roteiros. As duas produções encontram-se em fase de desenvolvimento. “O Que Dizem seus Olhos” será produzida para o canal GNT, e “Meu Amigo Encosto” ocupará um espaço na grade do canal Viva. Segundo a consultora de programação da Globosat e diretora do Canal Viva, Letícia Muhana os resultados obtidos com os projetos foram satisfatórios, ainda que esse modelo de desenvolvimento tenha demandado maiores investimentos e mais

Encosto A comédia “Meu Amigo Encosto” contará a história de um homem de 38 anos que, insatisfeito com sua vida, decide consultar um especialista em paranormalidade que lhe conta que a razão dos seus problemas é um encosto. No início, o protagonista recusa-se a acreditar na história. Contudo, após encontrar-se frente a frente com a assombração, ele aprende a conviver com sua presença. Thiago Luciano, idealizador

“Se usaremos isso em 100% das nossas produções no futuro não sei dizer. Mas certamente espero que possamos transformar em um processo usual.” Letícia Muhana

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“A equipe brigou, riu e se matou. No começo foi difícil, mas quando começamos a enxergar a mesma série o salto de qualidade foi muito grande.” Thiago Luciano

e roteirista da série, comentou os desafios de criar uma história utilizando o modelo “writer’s room”. “Estamos acostumados a escrever sozinhos e eventualmente debater a história com alguém. Ficar todos juntos, o dia inteiro, ganhando para isso é muito diferente, nunca tinha passado por um processo tão intenso”, disse. Segundo o roteirista, foi difícil se adaptar ao novo método de trabalho, mas o resultado foi positivo. “Quando começamos a enxergar a mesma série o salto de qualidade foi muito grande. Entendemos muito bem nossos personagens”. Além de Luciano, Fausto Noro e Tony Goes integraram a equipe de roteiristas que trabalharam na série. Eles contaram com o apoio da assistente de roteiro e pesquisa Helena Perim Costa Luciano, que também atua como produtor, defendeu que produtoras brasileiras tentem trabalhar com processos semelhantes, apesar dos desafios e da demanda por maiores investimentos. “As produtoras deveriam pensar em como viabilizar isso. Cinco pessoas juntas ainda podem errar a mão com a história, mas as chances são muito menores. Com linhas de recursos públicos destinadas ao desenvolvimento pode ser que seja possível fazer isso”, avaliou.


( upgrade )

Fernando Lauterjung

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Áudio ao vivo

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Integrated Microwave Technologies (IMT) lançou o transmissor micro-ondas Nucomm CamPac2 Plus HD/SD COFDM, destinado a aplicações de câmera sem fio, como a cobertura esportiva e captação eletrônica de notícias (ENG). Com codificação/ decodificação HD e baixo consumo de energia, o transmissor está disponível em bandas licenciadas, juntamente com outras bandas, mediante encomenda. Sua carcaça de metal oferece durabilidade e características térmicas para o Nucomm CamPac2 funcionamento nas Plus oferece a piores condições mesma qualidade de climáticas. transmissão do Segundo o modelo predecessor, ocupando a metade fabricante, o CamPac2 da largura de banda. Plus oferece a mesma qualidade de transmissão do modelo predecessor, ocupando a metade da largura de banda, utilizando MPEG-4. Também permite que mais de um stream seja feito na mesma banda, evitando o congestionamento de RF.

A

Fairlight apresenta na NAB, que acontece em abril em Las Vegas, o Evo Live, um sistema de mixagem de áudio digital para transmissões e produções ao vivo. Com desenho compacto e modular, o console de mixagem se adapta a caminhões de unidade móvel, casas de culto e instalações de transmissão. O console está disponível em diferentes configurações, de 12 a 60 faders. A área de controle do Fairlight inclui comandos individuais com imagens que se atualizam a cada tarefa executada, exibindo os comandos e funções corretos para cada momento. Com a nova tecnologia iCan (proprietária da Fairlight para controle integrado em toda a rede) a solução permite que o operador crie e projete layouts totalmente personalizadas. O console incorpora funções para dois operadores, permitindo que cada engenheiro de áudio acesse de forma independente o seu próprio conjunto de faders, seleções de canais etc. Após a conclusão de um evento ao vivo, o Evo Live pode ser reconfigurado inteiramente, transformando-se em sistema de pósprodução com edição de áudio, integração de vídeo completo, plug-ins, automação e panorâmica 3D surround.

A área de controle do Fairlight inclui comandos individuais com imagens que se atualizam a cada tarefa executada.

Over-the-top

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provedora de soluções multiscreen Visual Unity Global leva à NAB, em Las Vegas, as últimas versões das soluções VUMedia e vuMobile. A VUMedia é uma plataforma overthe-top que permite que radiodifusores e proprietários de conteúdo controlem a gestão de sua marca e seus ativos, distribuindo e rentabilizado em múltiplas plataformas. Escalável e modular, a plataforma oferece tecnologia de visualização ao vivo na web ou qualquer dispositivo móvel ou conectado. A vuMobile é uma plataforma de publicação de web móvel baseada em nuvem e mobile marketing que permite às marcas construir seu mCommerce. A Visual Unity Global também apresentará seu novo serviço vuDiscovery. Trata-se de um mecanismo de recomendação integrado ao VUMedia. O mecanismo combina hábitos de visualização e de compra, demografia, um mecanismo de colaboração e outras métricas para oferecer sugestões explorando o potencial de cauda longa dos conteúdos. T e l a

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VUMedia permite que radiodifusores e proprietários de conteúdo controlem a gestão de sua marca e seus ativos em plataformas OTT.

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Fotos: divulgação

Câmera à distância


( agenda ) ABRIL

4 a 11 Curta o Gênero 2014, Fortaleza, CE. curtaogenero.org.br/ 8 a 13 3º Festival Internacional de Cinema em Balneário Camboriú – Cinerama.bc, Santa Catarina www.cineramabc.com.br/

MAIO

11 a 17 St Tropez International Film Festival, Nice, França. sttropezinternationalfilmfestival.com

Toda a cadeia do mercado reunida para debater o universo de conteúdo móvel. Conta com a presença de experts de grandes empresas e realização do Prêmio Oi Tela Viva Móvel.

14 a 24 Festival de Cannes, Cannes, França. www.festival-cannes.com/. Tel: +33 (0) 1 53 59 61 00

21 e 22 de Maio

13° Tela Viva Móvel, São Paulo, SP. inscricoes@convergecom.com.br telavivamovel.com.br

31 a 10/6 13ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, Florianópolis, SC. luizalins@mostradecinemainfantil.com.br. Tel: (48) 3232.5996. www.mostradecinemainfantil.com.br/

AGOSTO

21 a 29 25° Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo Curta Kinoforum. info@kinoforum.org. www.kinoforum.org.br/

JUNHO

1 a 7 5° Festival de Cinema Curta Amazônia, Porto Velho, RO. festival@curtamazonia.com. www.curtamazonia.com

29 a 7/9 Festival de Cinema Latino-americano de Vancouver, Canadá www.vlaff.org/

SETEMBRO

14 a 23 Lima Independiente Festival Internacional de Cine, Lima, Peru. limaindependiente@gmail.com. www.limaindependiente.com.pe/

4 e 5 15° Congresso Latino-Americano de

Satélites, Rio de Janeiro, RJ. inscricoes@convergecom.com.br 9 e 10 58° Painel Telebrasil, Brasília, DF. inscricoes@convergecom.com.br

OUTUBRO

24 a 2/11 Festival Internacional de Cinema Infantil de Chicago, Estados Unidos www.cicff.org/

16 a 21 42º Festival Internacional de Cinema de Huesca, Huesca, Espanha. info@huesca-filmfestival.com. www.huesca-filmfestival.com/

JULHO

5 Wimbledon Shorts - Festival Internacional de Curtas de Wimbledon, Wimbledon, Inglaterra. info@wimbledonshorts.com. www. wimbledonshorts.com/

Ponto de encontro para produtoras, distribuidoras e canais de TV aberta e por assinatura. É um evento consagrado, com foco na realização de negócios e debates de temas relevantes para um público qualificado.

9 a 11 Festival Internacional de Cinema de Portsmouth, Portsmouth, Inglaterra. mail@portsmouthfilmfest.co.uk. www. portsmouthfilmfest.co.uk/

4 e 5 de Junho

15° Fórum Brasil de Televisão, São Paulo, SP. inscricoes@convergecom.com.br forumbrasiltv.com.br/

31 a 17/8 Festival Internacional de Cinema de Melbourne. miff.com.au/ 38

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Maior encontro do setor de TV por assinatura e banda larga da América Latina. Reúne operadores de TV por assinatura e banda larga, empresas de telecomunicações, produtores e programadoras de conteúdo, empresas de tecnologia e provedores de internet para debater as pautas urgentes do setor.

6 e 7 de Agosto

22ª Feira e Congresso ABTA, São Paulo, SP. inscricoes@convergecom.com.br www.abta2014.com.br/


infinitas

conexões.

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A Feira e Congresso ABTA é referência nos debates sobre os rumos do mercado de TV por assinatura e banda larga, com foco na inovação em serviços de vídeo. Destaque para novas tecnologias e soluções de distribuição de conteúdo como vídeo sob-demanda, IPTV, plataformas over-the-top (OTT), publicidade, satélites, TI, além das crescentes inovações na distribuição de conteúdos lineares e em alta definição. Programe-se já para a ABTA 2014.

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5a7, Agosto 2014

Transamérica Expo Center, São Paulo, SP

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ORGANIZAÇÃO

PUBLICAÇÕES OFICIAIS


Revista Tela Viva - 245 - Março de 2014  
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Revista Tela Viva - 245 - Março de 2014

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