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televisão, cinema e mídias eletrônicas

ano 22_#240_ago2013

E dição especial - Feira e Con gresso ABT A 201 3

contra-ataque TV por assinatura responde ao over-the-top com novos serviços e pressiona o governo por regulamentação e tributação aos players de Internet.

POLÍTICA Adaptado às cotas, setor quer ajustes nas regras para amenizar os gargalos de produção

PUBLICIDADE Agências e canais debatem as restrições que mercado ainda faz à TV por assinatura como mídia


Foto: marcelo kahn

(editorial ) Presidente Diretores Editoriais Diretor Comercial Diretor Financeiro

Editor Tela Viva News Redação

Projetos Especiais Arte

Depar­ta­men­to Comer­cial

Rubens Glasberg André Mermelstein Claudiney Santos Samuel Possebon (Brasília) Manoel Fernandez Otavio Jardanovski

Ana Carolina Barbosa Leandro Sanfelice Samuel Possebon Lizandra de Almeida (colaboradora) Letícia Cordeiro Edmur Cason (Direção de Arte) Alexandre Barros (Designer Gráfico) Geral­do José Noguei­ra (Designer Gráfico) Rubens Jar­dim (Pro­du­ção Grá­fi­ca) Bárbara Cason (Web Designer) Debora Harue Torigoe (Web Designer) Lúcio Pinotti (Tráfego/Web) André Ciccala (Gerente de Negócios) Patricia Linger (Gerente de Negócios) Iva­ne­ti Longo (Assis­ten­te)

Circulação

Patricia Brandão (Gerente)

Marketing

Gisella Gimenez (Gerente) Ana Paula Pascoaletto (Assistente)

Administração TI Central de Assinaturas

Claudia Tornelli Zegaib (Gerente) Marcelo Pressi (Gerente) 0800 0145022 das 9 às 19 horas de segunda a sexta-feira

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N

ão dá para questionar o sucesso da política de cotas de programação, criada pela Lei 12.485, em uma de suas propostas centrais: aumentar a quantidade de horas de conteúdo nacional nos canais pagos. Dados da Ancine demonstram que o tempo dedicado à produção nacional nos canais pagos praticamente dobrou no último ano. E o ganho também foi qualitativo: muitas produções nacionais são apontadas pelas programadoras como sucessos de audiência em seus horários. Mas o que poderia estar sendo celebrado como o início de um novo círculo virtuoso pela indústria de produção está se mostrando em muitos casos como uma armadilha. O nó está na questão do financiamento destas produções. Embora o governo se orgulhe do volume de recursos recolhidos ao Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), é corrente no mercado que estes recursos, mesmo quando aparecem, chegam tarde. E em debate na ABTA 2013 produtores chamaram a atenção para o fato de que os recursos privados dos canais, por sua vez, além de limitados também podem demorar a chegar. Assim, há casos, em especial nas produções de maior valor, particularmente em séries de ficção, em que a produtora precisa antecipar os recursos, na esperança de ser remunerada lá na frente. Sabe-se de séries que estão no ar ou que já foram até exibidas completamente sem que o produtor tenha visto o dinheiro. Além disso, produtores apontam que a contrapartida exigida para usar recursos do FSA, que tem retorno prioritário do investimento, não leva em conta a situação atual do mercado. “Já começo a produção devendo um dinheiro que provavelmente só vou recuperar na segunda janela de exibição, ou adiante”, diz um produtor. Com a lei, é provável que os canais estejam investindo mais em produção nacional do que faziam antes. Mas também é certo que os valores por projeto tendem a ser menores, pois os recursos têm que ser pulverizados por vários canais, no caso das principais programadoras. Também, pesa o fato de o canal não poder mais deter a propriedade do conteúdo (para que este cumpra as cotas), o que faz com que seu aporte seja proporcionalmente menor. Com menos dinheiro vindo dos canais e com os recursos públicos chegando ainda em ritmo abaixo do esperado, tem-se a uma situação em que, como descreveu a produtora Denise Gomes, da BossaNovaFilms, no painel da ABTA, a produtora precisa ter um banco como sócio para financiar as produções. O efeito é pior ainda para as produtoras pequenas e médias, com menor capacidade de autofinanciamento. Programadoras disseram a TELA VIVA que têm dado preferência às grandes produtoras, pela garantia da entrega dos produtos, mesmo que a preços maiores. São arestas previsíveis para um processo que está ainda no seu início, mas que devem ser sanadas logo, em um acordo entre produção, programação e governo, para não corrermos o risco de sufocar o mercado com uma demanda que ele não dará conta de cumprir em algum momento.

Fernando Lauterjung

Gislaine Gaspar (Gerente)

a n d r e @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Gargalo

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capa: editoria de arte converge/Picsfive/shutterstock.com

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Ano22_#240_ ago/13

(índice ) 14

Scanner

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Figuras

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OTT

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 TV paga está pronta para competir com novos serviços, mas pede isonomia regulatória e fiscal

Política

20

Operadoras, canais, produtores e agências reguladoras apontam pontos de atrito nas regras do SeAC

Radiodifusão

24

Canais abertos querem receber por seu conteúdo na TV por assinatura

Publicidade 42

40

28

TV paga ainda tem dificuldades para abocanhar fatias maiores do bolo publicitário

Pirataria

30

TV por assinatura luta contra roubo de sinal. Piratas têm tecnologia cada vez mais avançada

Tecnologia

34

Making of

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Entrevista

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Case

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 Operadoras investem em serviços de VOD e TV everywhere

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48

“Latitudes” muda relação com janelas e ganha versão longa-metragem, série de TV e websérie

Upgrade

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Agenda

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Acompanhe as notícias mais recentes do mercado

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Conheça a gama de produtos SONY PRO na Broadcast & Cable 2013 e venha participar das apresentações sobre nossos equipamentos profissionais.

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Agenda SONY PRO

20/ 8

Broadcast & Cable 2013 Dias 20, 21 e 22 de agosto Centro de Exposições Imigrantes

21/ 8

22/ 8

Sony é um Patrocinador Oficial da FIFA

14h 15h 16h 17h 18h

Marcelo Chacon Ilson Brancaleoni Helder Martins Wiliam Pacini Vlade Lisboa

Experiência de filmagem com a NEX-FS100 Vantagens da produção em vídeo com sensor 35mm Técnica de filmagem com a NEX-EA50H Experiência de filmagem com a PMW-F55 Pós-produção em 4K com o Scratch Lab da Assimilate

14h 15h 16h 17h 18h 18h

Edu Felistoque Marcelo Chacon Ilson Brancaleoni Helder Filipe William Pacini Vlade Lisboa

Experiência de filmagem com a NEX-FS700 Experiência de filmagem com a NEX-FS100 Lançamento: Linha de áudio digital para produção musical Técnica de filmagem com a NEX-EA50H Experiência de filmagem com a PMW-F55 Pós-produção em 4K com o Scratch Lab da Assimilate

13h 14h 15h 16h 17h

Marcelo Chacon Duda Catenacci Helder Filipe William Pacini Vlade Lisboa

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Novo hit que os autores dos vídeos com mais “likes” possam participar do quadro na televisão. No YouTube (www.youtube.com/eliana) ficarão disponíveis todos os vídeos enviados, mas só irão para o quadro no domingo e concorrerão ao prêmio de R$ 50 mil os que tiverem melhor desempenho online. A competição terá um júri de cinco pessoas formado por artistas e outras celebridades que ficaram famosas graças à plataforma. São 16 etapas, sendo 15 eliminatórias e uma grande final, que será exibida ao vivo tanto na TV quanto no YouTube, com votos pela plataforma de vídeo. A atração está prevista para estrear entre setembro e outubro. Álvaro Paes de Barros, diretor de conteúdo do YouTube Brasil, observa que este é o primeiro case em que uma emissora de TV estrutura uma parceria com o YouTube e reforça a aposta no formato, que ainda não tem patrocinador. “Ao longo do caminho temos condições de monetizar com os nossos formatos e o SBT também”, afirma o executivo. Juliana explica que este projeto é um aprendizado para todos os envolvidos e pode ser considerado ousado para a TV aberta, que geralmente quer formatos com sucesso já comprovado em outros países. A executiva conta que muitas agências de publicidade estão procurando a Endemol Brasil para desenvolver formatos online para marcas.

Foto: lourival ribeiro

O SBT, o YouTube e a Endemol anunciaram o projeto cross media de um quadro que irá ao ar aos domingos no “Programa Eliana”. “Fenômenos do YouTube” é inspirado em “YouTube Secret Talents”, um formato desenvolvido na Alemanha a pedido do próprio YouTube para incentivar os uploads de vídeo entre os usuários do país. Segundo Juliana Algañaraz, diretora geral da Endemol Brasil, as empresas envolvidas levaram bastante tempo para construir o desenho multiplataforma do projeto. A ideia do quadro é descobrir um novo hit entre os vídeos da Internet. No dia 25 de agosto serão abertas as inscrições e a atração irá ao ar quando o volume de material for suficiente para “Fenômenos do YouTube”, formato da Endemol, será quadro do “Programa Eliana”, primeira atração da TV aberta a estruturar parceria com a plataforma de vídeo.

Tocha acesa

Para celebrar os 50 anos da telenovela diária no Brasil, o Viva estreou em agosto o “Damas da TV”. O programa apresenta em cada um dos 22 episódios uma entrevista com uma grande atriz da teledramaturgia brasileira. Glória Menezes, Fernanda Montenegro, Regina Duarte, Marieta Severo e Glória Pires são algumas das convidadas. Entre os temas abordados pela atração estão as técnicas interpretativas, os trabalhos mais marcantes, curiosidades da época, das novelas e dos bastidores, além de relatos da vida pessoal de cada uma. Os depoimentos são intercalados com imagens de cenas e fotos de acervo. A produção é do próprio canal.

O projeto Memória do Esporte Olímpico Brasileiro, de fomento à produção da história dos grandes atletas que representaram o País nos Jogos Olímpicos, terá uma terceira edição. O projeto, realizado pelo Instituto de Políticas Relacionais com patrocínio da Petrobrás e da ESPN Brasil, foi responsável pela realização de 20 filmes nas duas primeiras edições, sendo 18 curtas e dois médias. Para o edital do Ano III estão previstos R$ 2 milhões em recursos. A seleção pública é aberta a qualquer produtora de vídeo do Brasil inscrita na Ancine e contemplará nove documentários, de 26 min, com R$ 230 mil cada um. A ESPN Brasil iniciou em agosto a transmissão da segunda edição do projeto. Entre os dias 11 de agosto e 13 de outubro, semanalmente aos domingo, às 21h30, vai ao ar um novo episódio da série. Serão nove documentários de 26 minutos patrocinados pela Petrobrás, e um com produção da ESPN com 52 minutos de duração. Foto: divulgação

Divas

O documentário “Um Homem que Voa” faz parte da segunda edição do projeto Memória do Esporte Olímpico Brasileiro, que vai ao ar entre agosto e outubro pela ESPN.

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Foto: Cleiby Trevisan

Riscos da Beleza

Victor Camejo, Leonardo Forti e Patrick Maia gravaram “República do Stand-Up” para o Comedy Central.

Show de risada O Comedy Central, da Viacom, gravou em agosto no Comedians Club, em São Paulo, seu próximo programa de stand-up comedy que estreia em 2 de setembro, a partir das 22 horas. O “República do Stand-Up” reuniu alguns dos melhores representantes do gênero em uma tarde e noite de gravações. Entre eles estavam Rodrigo Capella, Fabiano Cambota, Patrick Maia, Fábio Lins e Luiz França, sempre trazendo histórias sobre situações cotidianas, como relacionamento, consulta ao médico, casamento e até preconceitos, de forma leve e positiva.

O GNT estreou a série “Beleza S/A”, produzida pela O2 Filmes. A trama acontece em uma clínica de cirurgia plástica e as histórias dos pacientes trazem polêmicas como a ética na medicina, a auto-estima, a satisfação pessoal e os riscos aos quais muitos se submetem para agradar aos outros. Segundo Andrea Barata Ribeiro, produtora e sócia da O2, ela já tinha a ideia de produzir uma série sobre o tema quando o GNT, em seu movimento de investir em séries de ficção, procurou a produtora. Andrea convocou Márcio Alemão Delgado para a criação e Fabrizia Pinto

para a direção. A atração tem 13 episódios e, apesar dos toques cômicos, aborda os dramas profundos por trás da insatisfação com a própria aparência. A produção foi financiada com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). Andreia conta que há outras cinco séries de ficção em desenvolvimento na casa e outras três documentais. “Em 21 anos fizemos quatro séries de ficção, agora, em dois anos, desde que a Lei (12.485) começou a ganhar forma, temos 14 projetos entre os já produzidos, em desenvolvimento e produção”, comemora a produtora.


( scanner) Fotos: divulgação

O Inventor de Sonhos Um projeto da Indústria Imaginária que teve início em 2008 deve ganhar as salas de cinema em outubro. “O Inventor de Sonhos” foi concebido para ser um site com propósito educativo e um longa-metragem que aborda o Brasil colonial do século XIX. A história gira em torno de um menino brasileiro órfão e mulato que procura o pai entre 1808 e 1821. Segundo o diretor Ricardo Nauenberg, um dos pontos fortes do filme é a reconstituição do Rio de Janeiro colonial em computação gráfica. Ele conta que a equipe fez várias pesquisas de referência para reconstruir mais fielmente a Cidade Maravilhosa de 1808. As filmagens foram feitas em Parati e diferentes profissionais trabalharam de forma independente na composição gráfica, cada um na sua área de especialidade. O filme estreia em outubro com distribuição da Europa Filmes.

“Vincantados”, produção da Boutique Filmes e parceria com o estúdio de animação Lightstar, também será comercializada no mercado internacional.

Contos de fadas viajantes A série animada “Vincantados”, produção para o Gloob feita pela Boutique Filmes em parceria com o estúdio de animação Lightstar, deve ser comercializada no mercado internacional. Segundo Tiago Mello, sócio criador da Boutique Filmes, a atração será levada ao Mipcom, em outubro, e já há conversas de venda para um canal canadense e a negociação da licença com o canal público infantil argentino PakaPaka. Os licenciamentos internacionais servirão para aumentar as receitas do projeto, orçado em aproximadamente R$ 3 milhões. Do total, R$ 1,65 milhão virá do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). Há também o investimento de coprodução e compra de licenças do canal Gloob e recursos vindos do BNDES e da própria produtora. A previsão é que a produção dos episódios comece em setembro e seja concluída no final de 2014. “Vincantados” conta a história de uma menina que passa a receber treinamento para se tornar fada madrinha. Inexperiente, a protagonista vai cometer uma série de erros no processo de aprendizagem que servirão de base para as histórias ambientadas em contos infantis clássicos.

Longa da Indústria Imaginária foi filmado em Parati e reconstituiu o Rio de Janeiro do século XIX com computação gráfica.

Franquia

Solta o som O Sistema Globo de Rádio (SGR) lançou sua nova marca de canais de áudio para TV por assinatura, a SoundBox. O SGR já distribui seus canais de áudio na Net, Sky, OiTV e Claro TV, mas não usava Sistema Globo de Rádio tem uma marca específica para identificar o nova marca de canais de produto. O Sound Box tem em seu pacote áudio para a TV por 32 canais de gêneros diversos, como clás- assinatura. sicos ou axé, rádios temáticas, especiais musicais e quatro emissoras de rádio: CBN SP, Rádios Globo SP e RJ e Globo FM. Segundo Irene Junqueira, diretora de negócios musicais do SGR, o plano é lançar os canais também em plataformas over-the-top, com a oferta em smartphones e tablets, vinculadas à assinatura. 10

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Será lançado em setembro o longa-metragem “Casa da Mãe Joana 2”, continuação do filme homônimo lançado em 2008, com direção de Hugo Carvana. O filme é distribuído pela Imagem Filmes, produzido pela Mac Comunicação e coproduzido pela Globo Filmes e Telecine. Foi realizado com recursos do FSA/ FINEP e do FAC da Prefeitura do Rio de Janeiro/Rio Filme e conta com patrocínio da Neoenergia e apoio da Tele Image, responsável pelos efeitos visuais.

Longa-metragem lançado em 2008 ganhou continuação.

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Pitada de marketing A HBO estreou em agosto a série nacional “O Negócio”, produzida pela Mixer. Segundo o diretor, Michel Tikhomiroff, o projeto, que foi desenvolvido dentro da produtora e apresentado à HBO, levou três anos para ser concluído. A série, totalmente financiada pela programadora, conta a história de três prostitutas que decidem aplicar técnicas de marketing à profissão. “É a produção mais ambiciosa da Mixer em todos os sentidos: pela provocação da temática, pelo nível do elenco e pelos roteiristas que vêm amadurecendo aqui”, explica Tikhomiroff. A série foi filmada em cinco meses em São Paulo e contou com um grande número de locações e elenco.

“O Negócio”, série de ficção produzida pela Mixer, foi totalmente financiada pela HBO.

Crescimento nacional A Ancine divulgou seu Informe de Acompanhamento do Mercado, que mostra a performance do cinema nacional no primeiro semestre de 2013. No período, o público espectador de filmes brasileiros nas salas de cinema representou uma participação do mercado de 18,6%, patamar não registrado em nenhum semestre nos últimos dois anos. No primeiro semestre de 2013, o público de filmes estrangeiros caiu 11% em relação ao mesmo período do ano passado. Somente nos primeiros seis meses, o cinema brasileiro atraiu 13,6 milhões de espectadores com o lançamento de 53 títulos que geraram renda de R$ 149,1 milhões. Os números correspondem a cerca de 90% dos registrados em todo o ano de 2012. Enquanto no primeiro semestre de 2012 nenhum filme alcançou a marca de um milhão de espectadores, nos primeiros seis meses de 2013, cinco filmes brasileiros já venderam mais de um milhão de ingressos e integram a lista das 20 maiores bilheterias do semestre. Entre as 20 maiores bilheterias do semestre,

do Socorro (SE), Planaltina (GO), Santa Quitéria (CE) e Xinguara (PA), que não possuíam cinema, ganharam salas comerciais de exibição. Das novas salas abertas, aproximadamente 48% são de propriedade de grupos estrangeiros ou parcerias. O público e a renda das distribuidoras brasileiras em 2013 cresceram quase 30% em relação ao primeiro semestre de 2012, enquanto as distribuidoras estrangeiras tiveram queda de pouco mais de 1% na renda e de 8,6% no público nas obras que comercializaram. Esse desempenho está principalmente relacionado aos bons resultados das obras brasileiras. Dos cinco filmes nacionais de maior público no período, quatro foram distribuídos por empresas brasileiras e um foi codistribuído por empresa nacional e estrangeira. Para efeito de comparação, no primeiro semestre de 2012, apenas um filme brasileiro distribuído por empresa brasileira figurou entre as maiores bilheterias: “E aí, Comeu?”, codistribuído pela Downtown, Paris e RioFilme.

cinco títulos são brasileiros: “De Pernas para o Ar 2” (3º lugar), “Vai que Dá Certo” (8º lugar), “Somos Tão Jovens” (11º lugar), “Minha Mãe é uma Peça” (12º lugar) e “Faroeste Caboclo” (15º lugar). O primeiro semestre desse ano destacou-se também pelo maior número de salas ocupadas por lançamentos brasileiros em comparação com o mesmo período dos últimos dois anos. Foram mais de 3,3 mil salas de cinema ocupadas por estreias nacionais, o que significou um aumento de quase 60% em relação ao primeiro semestre de 2012. Destaque para “Somos Tão Jovens”, que, ao ocupar 565 salas, foi o terceiro maior lançamento brasileiro de 2012. Exibição e distribuição O informe também traz os dados relativos ao setor de exibição. O primeiro semestre do ano registrou a abertura de 83 salas de cinema, levando o parque exibidor brasileiro a um total de 2.571 salas. Os municípios de Caucaia (CE), Nossa Senhora

Esquetes exclusivas A Netflix lançou no catálogo brasileiro “A Toca”, do grupo Parafernalha. A série de esquetes de comédia é produzida por Felipe Neto, criador do canal do Youtube “Não Faz Sentido”, e sua equipe. Apresentadas por Felipe Neto e exclusivas no serviço, as esquetes com 30 minutos de duração exibem os bastidores da Toca, onde os espectadores serão levados a conhecer o escritório e cada um dos comediantes do grupo, como Silvio Matos, Lucas Salles, Daniel Curi e Marina Rebello. As esquetes vão de uma surreal entrevista de trabalho até um jantar romântico com Darth Vader. A produção inclui nomes como Osiris Larkin, Alessandra Bezerra e Otavio Ugá. A história da criação do canal estará nas livrarias em breve com o livro “Não faz sentido - por trás da câmera”, de Felipe Neto, e editado pela Casa da Palavra. “A Toca”, do grupo Parafernalha, foi lançada pela Netflix no catálogo brasileiro. T e l a

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FOTOs: divulgação

( figuras) Presidência

Troca

David Levy foi promovido a presidente da Time Warner’s Turner Broadcasting. O profissional desempenhou por muito tempo a função de supervisor de vendas publicitárias, relações com afiliadas e programação esportiva na operação de cabo da Turner Network. Com a promoção, Levy acrescenta às suas tarefas as responsabilidades pela área criativa e de negócios do TBS, TNT, Turner Classic Movies, truTV, Cartoon Network, Boomerang e Adult Swim. O profissional se reportará a Phil Kent, chairman e CEO da Turner Broadcasting.

Tiago Worcman assumiu o cargo de vice-presidente da nova MTV Brasil. A Viacom, detentora da marca, assumiu recentemente o controle do canal, que deixará a TV aberta e será relançado na TV paga. Worcman ocupava o cargo de gerente de programação do GNT. Com a saída de Worcman, o cargo de gerente de programação do GNT foi ocupado por Ana Carolina Lima, que deixou a diretoria de programação da Viacom. A profissional acumula mais de dez anos de experiência na área de programação, negociação e aquisição de conteúdo internacional para TV, celular e web.

Cápsula

Diretoria Renata Fontana foi escolhida para ocupar o cargo de diretora de marketing e comunicação da Turner no Brasil. Ela será responsável pela estratégia de marketing e relações públicas dos canais TNT, TCM, Space, Warner Channel, Cartoon Network, Boomerang, truTV, TBS, Glitz, Flashland, I.Sat, Tooncast, CNN en Español, CNN International e seus respectivos websites. Renata terá a missão de reestruturar a equipe de marketing em São Paulo e se reportará a Anthony Doyle e Marcelo Cataldi, vice-presidente de vendas publicitárias do Brasil e mercado pan regional. Antes de ingressar na Turner, Renata trabalhou no Grupo Ibmec Educacional como diretora de marketing e novos negócios, na Walt Disney Company dos Estados Unidos e França como gerente de marca e começou sua carreira como trainee da Rede Globo de Televisão.

Programação e marketing Livia Ghelli foi contratada como diretora de programação dos canais A&E, History e Bio. Livia era diretora de programação para os Livia Ghelli Maria Maligo canais Fox na América Latina. Com dez anos de experiência no mercado, já trabalhou com aquisição de conteúdo e programação nos canais da rede Telecine, da Globosat, e na Viacom. Maria Maligo também foi contratada para atuar no cargo recém-criado de diretora de marketing para os três canais. Com 15 anos de experiência no mercado de pay TV, passou pela Nickelodeon Latin America, Clear Channel, Rede Telecine, E! Entertainment Television e WMcCann. 12

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A Cápsula Filmes contratou Pepe Mendina como seu novo diretor de cena. Na produtora, o profissional trabalhará com direção de filmes publicitários e produção de conteúdo audiovisual. Pepe registra no currículo atuação para a MTV Brasil e para a MTV New York. Recentemente concluiu cursos de direção de atores, direção de fotografia e direção de comerciais na School of Visual Arts (SVA) de Manhattan. Nos Estados Unidos, trabalhou em várias produções publicitárias locais e com o núcleo de pesquisa de conteúdo e tendências na MTV NYC. Mendina se une ao time de diretores de cena da Cápsula, que conta ainda com Raphael Coutinho, Luis Alberto Kid e Fred Luz.

Em cena A Landia contratou Rodrigo Saavedra como seu novo diretor de cena. Ele era diretor de criação da Africa, e tem no currículo passagem pelas agências Mother London, Wieden + Kennedy Amsterdam, Santo Buenos Aires e WCRS London. Na Africa, atuava diretamente com as contas de Budweiser e Brahma. Rodrigo é o primeiro diretor brasileiro a ser representado pela Landia no País. A produtora, que iniciou operação no Brasil em outubro do ano passado por meio de sociedade com a Movie&Art, produziu no país comerciais para Adidas, Brahma, Sony, Coca-Cola, Budweiser e Brastemp.

Retorno A Movie&Art contratou Marcela Sutter para seu departamento de atendimento. Marcela retorna à produtora depois de passagens pela Fat Bastards e Delibistrot. Na Movie&Art, irá trabalhar na equipe liderada pela head of Marcela Sutter sales Regiani Pettinelli. •

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Dupla

Reforço internacional

A Vetor Zero/Lobo anunciou a chegada de Stella Gafo e Thais Lopes para reforçar seu time de atendimento. Gafo vem de agências, onde atuava como produtora de RTV. A profissional tem passagens por Taterka e Ogilvy, nas quais trabalha- Thais Lopes e Stella Gafo va para anunciantes como Claro, BMW Brasil e McDonald’s América Latina. Anteriormente à Vetor Zero/Lobo, estava como freelancer na Africa, onde era responsável por projetos especiais, como a produção de videocases para festivais. Já Thais Lopes vem do próprio mercado de produção. A nova contratada iniciou sua carreira publicitária em 2010, como assistente de atendimento na produtora de som Cabaret. Em seguida, alcançou o cargo de coordenadora geral. Em 2012, Lopes teve uma passagem pela Vetor Zero/Lobo e agora retorna à casa.

A BossaNovaFilms ampliou seu time de diretores com a contratação do espanhol Alejandro Toledo e do argentino Esteban Sapir. Toledo tem experiência no mercado internacional e filmou em torno de 700 Alejandro Toledo comerciais para anunciantes como Mercedes, Ford, BMW, Nissan, Coca-Cola, Unilever, Nike entre outros. Já Sapir, que começou sua carreira como diretor de fotografia, trabalhou em cerca de 400 comerciais, incluindo produções para Pepsi, Telecom, LG e Renault.

CEO Fábio Brancatelli é o novo CEO da Woody Comunicação. Com mais de 20 anos de experiência, Brancatelli acumula também a função de COO. Com passagens por agências como QG Fábio Brancatelli e Woody Gebara Comunicação, Guimarães, Synapsys e Talent, Brancatelli também trabalhou durante cinco anos à frente da área de projetos especiais e eventos da Semp Toshiba e três anos como diretor de marketing da Dotz, além de fundar a agência Bicofino.


cobertura

( capa )

Da redação

c a r t a s . t e l a v i v a @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

A regra é clara, mas não única

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ABTA 2013: distribuição multiplataforma e disputa com os players de Internet deram o tom do evento.

para a qual o mundo vai ter de encontrar uma resposta. Temos algumas ideias, mas nada que tenha sido consolidado pelo setor”, diz. Apesar disso, ele reconhece que o produto não-linear não chega a ser considerado uma ameaça para os players tradicionais e que o Brasil ainda não é um mercado maduro para os over-the-top. “O que a gente reivindica que aconteça é que eu, como operador, também possa ter um produto linear, mas em igualdade de competição tributária com os demais”. O Ministério das Comunicações e as duas agências que regulam o setor se mostraram sensíveis às demandas, mas apontam que Alberto Pecegueiro, da Globosat, prepara serviço OTT que será vendido por operadoras de TV paga para não-assinantes de TV.

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não pretendem inviabilizar nenhum tipo de plataforma de distribuição. O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, concordou com as colocações do presidente da maior operadora de TV do País: “O setor (de TV paga) reclama e tem razão. Elas (OTTs) prestam serviço no Brasil e não têm o ônus da prestação, como as cotas de conteúdos nacionais, nem pagam impostos. O dinheiro vai direto pra lá (EUA), somos como um paraíso fiscal”, reconhece o ministro. Ele acredita que, uma vez que prestam um serviço remunerado aqui no País, essas empresas podem ser tributadas. “Não é simples nem rápido, mas França e Alemanha já estão FOTOs: marcelo kahn

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s serviços over-the-top, com o Netflix em destaque, foram apontados há três anos como o bicho-papão debaixo da cama, prestes a fazer sua grande aparição ao público e, sobretudo, a um setor de TV por assinatura assustado. Agora os novos serviços é que terão que enfrentar uma assombração tão ou mais apavorante quanto a chegada de um concorrente com um modelo de negócios disruptivo: a regulação de sua atuação e o fisco. Enquanto isso, o setor de TV paga mostra que está preparado para manter sua relevância frente ao assinante de TV, com soluções para entregar seu conteúdo em múltiplas plataformas e de maneira não-linear. No Congresso e Feira ABTA 2013, que aconteceu no início de agosto, em São Paulo, o setor de TV por assinatura se uniu em um discurso, pedindo isonomia de tratamento aos serviços de distribuição de conteúdo over-the-top (OTT), como Netflix e Totalmovie. O presidente da Net Serviços, José Felix, ressaltou o que classificou como “assimetria tributária incrível” e “quase concorrência desleal”. “Tem empresa que nem sede no Brasil tem, não pagam impostos, sequer se dão ao trabalho de traduzir o site para o português e ganham muito dinheiro. Acabou o sonho da Internet livre, é um negócio de bilhões, centrado em quatro ou cinco grupos, talvez menos, e em um único país, vendendo aqui no Brasil o mesmo (conteúdo) que vendemos”, disparou Felix. O presidente executivo da ABTA, Oscar Simões, fez coro. “Precisamos de adequações, um marco regulatório e tributário”, declarou. “É uma discussão

foto: izilda frança

TV por assinatura já disputa assinantes com as novas plataformas de distribuição. Agora, operadores e programadores demandam isonomia de tratamento aos serviços de distribuição de conteúdo over-the-top.


discutindo uma forma de “Acabou o sonho da Internet livre, é tributar esse serviço e vamos um negócio de bilhões centrado em fazer o mesmo aqui, vamos quatro ou cinco, talvez menos, e em discutir”, garante. um único país, vendendo aqui no “Evidente que temos que Brasil o mesmo conteúdo que nós.” dar isonomia para todos os José Felix, da Net tipos de serviço”, afirmou o de conteúdo, mas sem presidente da Anatel, João Rezende, a inviabilizar as novas esta reportagem. “Se eu tiver uma modalidades. O presidente da empresa prestando serviços de agência, Manoel Rangel, diz assinatura pela Internet, vamos ter de que “o serviço (de TV) criar mecanismos para atender à conviverá com um conjunto de outros regulação da Lei 12.485/2011 (Lei do serviços que chegam ao mercado. Estes Serviço de Acesso Condicionado – serviços também deveriam ser operados de SeAC), mas também atentar à território brasileiro, valorizando também o tributação referente ao mercado conteúdo nacional (veja matéria à página brasileiro”, explica. Como exemplo, 20). A esta reportagem, Rangel afirmou Rezende menciona a regulamentação ainda que já há ferramentas para que a do serviço de DTH. “Na operação de agência possa atuar sobre alguns aspectos satélite, a Anatel já exige que as do OTT. No entanto, diz que para que o empresas tenham um representante serviço seja efetivamente regulado será local para responder por efeito de necessário mexer na legislação.

 tributação, acho que isso vai pelo Segundo Marcel Fenez, global mesmo caminho”, diz. “Podemos entertainment e media leader da PwC, há, obrigar as OTTs a ter um representante sim, uma disputa entre a TV por assinatura legal, com todos os deveres e direitos e o OTT. Segundo ele, os consumidores que de uma situação de TV a cabo, por desejam cancelar os serviços de TV paga nos exemplo”. A questão é que a operação Estados Unidos vêm crescendo a uma taxa de DTH é feita como um serviço de de um ponto percentual ao ano. “Ainda há acesso condicionado, diferente do meio crescimento na TV paga ao redor do mundo, pelo qual operam os OTTs, a Internet, mas a taxas muito menores”, diz, que é um serviço de valor agregado e complementando que os serviços OTT, com não está na seara de regulação da base ainda insignificante em comparação Anatel. “Isso é um debate que está no com a TV por assinatura, crescem Marco Civil (da Internet), porque nós rapidamente. regulamos redes. Precisa pensar na Para a consultora sênior da Farncombe questão do direito autoral, produção de Adriana Whiteley, o serviço Netflix não tem conteúdo. Se o Marco Civil mudar essa se mostrado como um competidor direto, discussão, pode ser que a agência mas sim como um complemento à TV por passe a discutir isso”, declara Rezende. assinatura. Segundo ela, mesmo nos Estados Segundo o presidente da Anatel, o Unidos, um mercado já consolidado para a assunto ainda é novo e está sendo TV paga, as pessoas ainda preferem assistir debatido internamente de maneira ao conteúdo linear. informal. “Vamos ter que A TV por assinatura estudar isso de forma mais brasileira não vê exatamente organizada e junto com desta forma. Segundo o diretor outros órgãos do governo como a Receita Federal e o Ministério das Comunicações.” “Precisamos de adequações,

um marco regulatório tributário. É uma discussão para a qual o mundo vai ter de encontrar uma resposta.”

Coexistência Na Ancine, a postura é a de preservar os modelos existentes de distribuição

Oscar Simões, da ABTA

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de estratégia e gestão operacional da Net Serviços, Rodrigo Marques, a operadora vê este tipo de serviço como uma possível ameaça, sim. Por isso, explica, a Net vem investindo em serviços como o VOD e o TV everywhere, em parceria com as programadoras, para continuar gerando valor para o assinante de TV. Segundo Marques, o serviço de VOD da operadora já mostra resultados na redução do churn. “Todas as pesquisas e contatos com o cliente apontam que o cliente gosta do serviço. Os que começam a usar tendem a usar cada vez mais. Entre estes assinantes, os indicadores de desconexão caem radicalmente”, diz. Mas o investimento, lembra, é muito elevado. Gustavo Ramos, diretor de novas mídias da Globosat, diz que “a lógica da complementação mostrada está correta, mas a TV por assinatura não precisa querer ser complementada. Nós já temos todos estes conteúdos oferecidos pelos OTTs”. Ramos diz ainda que a programadora vem trabalhando para agregar valor ao pacote e esta segue sendo sua estratégia nos serviços de TV everywhere e VOD. Estas iniciativas, afirma, não dão lucro, pelo menos ainda. “Mas essa ainda não é preocupação. A métrica neste momento não é a de receita. Olhamos mais o número de usuários”, diz. “A defesa da cadeia de valor, com pacotes complementares, é uma forma relativamente barata para um negócio de R$ 28 bilhões com 17 milhões de assinantes”, complementa. Os serviços de TV everywhere da Globosat já contam com quase um milhão de cadastrados, contra 80 mil há um ano. Já a Telefônica/Vivo acredita, sim, na complementaridade da plataforma e, por isso, investe para atuar em todas. Segundo Roberto Piazza, diretor executivo da Telefônica Digital, foi 15

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Limite Operadoras e programadoras se prepararam para um novo ambiente e começam a mostrar números interessantes de acesso ao conteúdo em variadas plataformas. Está claro que estão aptos a oferecer o conteúdo nãolinear e em todos os dispositivos. A questão agora é decidir até onde deve ir a oferta não-linear na TV paga e, principalmente, como será o modelo de remuneração neste novo ambiente. O presidente da Net, José Felix, diz que não há previsão de lançamento de um over-the-top puro da Net, como fizeram algumas operadoras norteamericanas. No entanto, o executivo diz que continuará ampliando a oferta de TV everywhere em parceria com as programadoras de canais. O problema é: como pagar essa conta? A maior parte do conteúdo acessado no Now, VOD da Net, é 16

“A TV paga reclama e tem razão. Os OTTs prestam serviço no Brasil e não têm o ônus da prestação, como as cotas de conteúdos nacionais e os impostos.”

serviços de TV everywhere, “mesmo em sacrifício da audiência”, para preservar o modelo da TV por assinatura. A Fox já está escolhendo conteúdos exclusivos para Paulo Bernardo, ministro das Comunicações seu produto de vídeo sob demanda e TV everywhere, oferecido gratuitamente, como o Fox Play, que estará um complemento à programação associado à oferta das de TV. Segundo Rodrigo operadoras. Paulo Franco, Marques, “a publicidade será importante diretor de programação e conteúdo da para remunerar a construção desta programadora, afirmou que deve plataforma”. Marques afirmou a TELA VIVA comprar conteúdos internacionais que pode ser explorado um modelo de exclusivos, pois produção exclusiva para publicidade pre-roll nos títulos disponíveis a plataforma seria muito caro. na plataforma. “A plataforma permite Para a Globosat, a entrada no OTT customizar o anúncio para cada assinante e “puro” é uma questão de tempo. No garante uma métrica imediata e precisa”, entanto, a programadora não vê sua completou. Sobre quem faria a venda da entrada no serviço canibalizando a TV publicidade para esta plataforma, o por assinatura. Pelo contrário, quer executivo diz que depende ainda da usar a nova plataforma como porta de definição de um modelo de negócios com os entrada da TV paga. A programadora programadores. Ele disse ainda que alguns começou a trabalhar no testes começarão em breve e afirma que a desenvolvimento de um serviço overexploração da publicidade no Now é algo the-top do Telecine para nãopara curto ou médio prazo. assinantes de TV por assinatura. O No entanto, programadores ouvidos por OTT do Telecine Play, segundo o esta reportagem ainda veem a plataforma diretor do geral da programadora, com ressalvas. A primeira grande questão é Alberto Pecegueiro, contará com filmes em relação à infraestrutura de programação na janela premium, ao contrário dos e playout de publicidade, um asset seus concorrentes “que custam R$ importante das programadoras. Há um 17,90”. O serviço será vendido por receio em enviar os comerciais para que a operadoras de TV por assinatura, ao operadora faça a gestão das inserções. mesmo preço pelo qual o conjunto de Segundo Marques, o Now, em dois anos, canais é oferecido aos assinantes de TV já contou com 170 milhões de visualizações paga (R$ 35), mas para não-assinantes. de títulos. São 15 milhões de novas “Se o assinante for convertido (para o visualizações por mês, principalmente de serviço de TV), passará a ter acesso conteúdo da própria programação da TV aos canais lineares e ao online”, por assinatura. explicou o executivo. Desta forma, a Já o diretor geral da Fox, Gustavo Leme, operadora mantém o relacionamento diz que o on-demand é um com o assinante do serviço OTT, modelo fraco para a venda de podendo fazer ofertas para convertê-lo publicidade. Mesmo assim, diz para outros serviços. que segue negociando para Segundo o diretor geral dos canais levar seus conteúdos para Telecine, João Mesquita, “em três a cinco anos, o valor da assinatura residirá “A defesa da cadeia de valor, com principalmente no pacotes complementares, é uma forma relativamente barata para um on-demand”. “Em algum tempo, o linear é que será negócio de R$ 28 bilhões com 17 complementar ao milhões de assinantes.” on-demand”, completou. Gustavo Ramos, da Globosat

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FOTOs: marcelo kahn

lançada uma plataforma global de VOD para as operações da companhia espanhola, a Global Video Platform. “É preciso levar em consideração o contexto de cada assinante e no qual ele acessa o conteúdo”, diz. Segundo o executivo, as plataforma de IPTV, DTH e o OTT Vivo Play atendem diversos contextos. Com relação a uma possível assimetria regulatória dos OTTs, Piazza lembra, contudo, que muita regulamentação pode acabar impedindo a flexibilidade e a velocidade de inovação que são tão caros a essa indústria. “Claro que é um debate que deve ser feito e muita coisa pode ser regulada, mas é preciso chegar em um bom senso do nível adequado de regulamentação. Tema tributário não é o mesmo que a regulação dos serviços OTTs, que na minha opinião, na verdade, é uma discussão mais ampla de Internet e tem de ser tratada no Marco Civil da Internet. São dois mundos distintos e o que preocupa é regular tanto que crie uma estrutura de custos muito elevada e freie e flexibilidade e a inovação”, analisa.


cobertura

FOTO: marcelo kahn

FOTOs: daniel ducci

FOTO: marcelo kahn

( Galeria ABTA 2013)

O ex-presidente da ABTA Alexandre Annenberg recebeu uma homenagem por seus anos de serviço à indústria.

Rosana Alcântara, da Ancine.

A advogada Leonor Cordovil explicou os detalhes da decisão do Cade sobre a cobrança de direitos autorais. Juan Vazquez, da Liberty Global, foi um dos keynotes internacionais do evento. Roberto Piazza, da Vivo.

Ariel Dascal, da OiTV.

Adriana Whately, da Farncombe.

FOTO: marcelo kahn

Sessão sobre tecnologia com Patricio Latini (Arris), Andrey Lee (Cisco) e Eben Jenkins (Tektronix).

foto: izilda frança

Assinatura do convênio entre o Seta e a SCTE (EUA), representada pelo seu presidente Daniel Howard. Associação americana proverá conteúdo de cursos de qualificação gratuitamente ao Brasil.

Cristina Padiglione (Estadão), Cícero Aragón (BoxBrasil), Roberto D’Ávila (Moonshot) e Tereza Trautmann (CineBrasilTV) em painel sobre produção nacional.

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FOTOs: daniel ducci e marcelo kahn

Uma sessão especial trouxe os participantes do Fim do Expediente, da rádio CBN, com o convidado Maurício Kubrusly.

Jesper Rohde, da Ericsson.

foto: izilda frança

Tubarão da Discovery marcou a entrada dos congressistas.

Roberto Primo, da Globosat, Alexandre Maluf, da Net Serviços e Leandro Gaunszer, da Media Networks. Painéis tiveram público de mais de 3 mil congressistas durante os três dias de evento. Jefferson Wanderley (On Telecom), Hugo Marques (Cisco) e Claudio Zylberman (Claro TV).

Juliana Sawaya (Ibope), Paulo Franco (Fox), Keila Jimenez (Folha de S.Paulo), Giani Scarin (Globosat) e Beatriz Mello (Discovery).

Gustavo Leme (Fox) e Cristina Bandiera (Claro TV).

Leonardo Cesar (Esporte Interativo), João Mesquita (Telecine), Marcelo Assumpção (DLA), João Worcman (Synapse) e Fernando Lauterjung (Tela Viva) em painel sobre conteúdo digital.

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cobertura

( política )

Arestas a aparar Mercado se adaptou bem à regulamentação da Lei 12.485, mas ainda há pontos de atrito entre operadoras, canais, produtores e agências reguladoras.

Manoel Rangel, da Ancine: houve ampla adesão às regras a adaptação dos players.

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que são especialmente sensíveis ao setor de TV por assinatura. Ele lembrou que com a expansão do mercado de TV por assinatura cresce junto o serviço de banda larga. “Outros serviços audiovisuais entram em movimento e tendem a se expandir”, disse, referindo-se à competição da TV paga com os serviços over the top (OTT), como Netflix e iTunes, talvez o tema mais abordado no evento. O setor de TV por assinatura pede igualdade de condições para competir com estes entrantes, que muitas vezes são operados a partir de outros países, de forma FOTO: marcelo kahn

o Congresso da ABTA deste ano, ocorrido pouco mais de ano após a entrada em vigor na regulamentação final da lei do SeAC, e portanto da vigência das normas, o setor fez um balanço das perdas e ganhos obtidos com a nova política setorial. O presidente da Ancine, Manoel Rangel, apontou que, em geral, houve um desfecho positivo na primeira fase da implementação. Segundo ele, houve ampla adesão às regras e foram despendidos esforços dos operadores, programadores e produtores nesta fase. Além do balanço positivo, Rangel deu o ponto de vista da agência reguladora sobre alguns pontos que foram alvo de muitos debates nos três dias de eventos e

“Não acredito que nenhum canal grande esteja exagerando na repetição” Fernando Medin, da Discovery

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desregulada. “Acreditamos que os serviços convivem. Eles competem, mas coabitam”, disse Rangel, que já se mostrou disposto a regular estes serviços. “Não abrimos mão de nenhum serviço de distribuição de conteúdos audiovisuais. Esses serviços conviverão e se fortalecerão mutuamente, fazendo com que o hábito de consumo de conteúdos audiovisuais se intensifique, fomentando o fortalecimento da produção audiovisual”, completou. Ou seja, a agência reguladora está atenta à chegada de novos serviços e ao impacto disto no setor e, conforme apontou Rangel na abertura do evento dois dias antes, disposta a corrigir distorções e garantir uma competição saudável. No entanto o presidente da Ancine deixou claro que, do ponto de vista do órgão, quanto mais serviços atuarem na distribuição de conteúdos audiovisuais, melhor. Programação Rangel voltou a abordar a questão da repetição de conteúdos brasileiros nas grades de programação com o intuito de cumprir cota. “Seguimos recebendo muitas reclamações em relação à quantidade de reprises de conteúdo brasileiro nos canais. Sabemos que é do interesse do espectador alguma dose de reprise. O setor precisa reorganizar suas práticas e se alinhar ao interesse do cidadão. Executivos das empacotadoras, no diálogo com as


“A operação hoje é deficitária, mas acreditamos na qualidade dos canais”

FOTO: marcelo khan

Preço Manoel Rangel falou ainda sobre a remuneração dos canais brasileiros, sobretudo aqueles que contam com 12 horas de programação independente. Os canais têm dito publicamente que os valores contratados com as operadoras têm sido insuficientes para sua manutenção. Ele pediu atenção das empacotadoras sobre a relação entre o valor pago e a

Cícero Aragón, da BoxBrazil

qualidade dos canais brasileiros. “Este é um tema que a Ancine não disciplina, mas nos sentimos no dever de alertar de que é preciso atentar aos custos de operação destes canais”, disse. “Canais brasileiros não têm o mercado internacional para amortizar custos”, completou. Os operadores presentes no debate, o executivo da Claro e Fernando Magalhães, diretor de programação da Net Serviços, não concordaram com o presidente da agência. “Lançamos seis canais novos, após uma negociação difícil, em um espaço muito curto de tempo. Os assinantes receberam os novos canais sem a retirada de nenhum outro. Tivemos que arcar com este custo”, disse Magalhães. O executivo completou ainda que já leva em conta a sobrevivência dos canais. “Quando você lança um canal, é um casamento.

Trabalhamos juntos para valorizar a presença daquele canal na operação”, diz. Antonio João, como operador de DTH, plataforma que sofre mais com a inclusão de canais no lineup por conta do custo e das limitações de espaço do satélite, afirmou que contratar os canais para cumprimento de cota não foi o maior problema. Para ele, o problema esteve em reduzir o espaço em seu line-up para incluir outros canais, que poderiam impactar de forma mais imediata no crescimento. “Também incorporamos este custo. O mercado é altamente competitivo e não nos permite repassar custos a assinante”, disse. Para o executivo da Claro, se houver inviabilidade de operação destes novos canais, talvez o problema esteja nos próprios canais. “A sobrevivência dos novos canais precisa levar em conta o mercado competitivo. Se não há como sobreviver com os contratos que foram firmados, talvez as

Expansão

FOTO: daniel ducci

programadoras, estarão atentos à qualidade da programação”, disse. “A repetição preocupa a todos, mas faz parte da dinâmica da TV paga”, disse no mesmo painel Fernando Medin, principal executivo da Discovery Networks no Brasil. “Não acredito que nenhum canal grande esteja exagerando na repetição. Eles dependem da audiência, não vão prejudicar sua própria grade”, completou. Paulo Saad, VP de canais pagos da Band/Newco, lembrou que os conteúdos só podem ser usados no cumprimento das cotas em um determinado canal durante um ano. “Quando o programador compra um conteúdo, precisa usálo ao máximo durante o primeiro ano. (A repetição) é por causa da otimização do custo por hora de conteúdo”, completou. Ele sugeriu que a norma permita que os conteúdos possam ser utilizados por prazos maiores, de dois anos, remunerando melhor o investimento em produção e evitando a frequência das repetições. As operadoras de TV, no entanto, compartilham da preocupação de Rangel. “Se o produto começa a ter o carimbo de repetido, nosso cliente não vai ficar satisfeito. Isso nos preocupa realmente”, disse Antonio João Filho, diretor geral da Claro TV, no painel.

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Lei do Serviço de Acesso Condicionado (SeAC) acelerou os investimentos da Net Serviços, ao permitir a expansão da operadora para novas cidades. “Finalmente tivemos autorização para expandir”, comemorou o presidente da Net, José Felix. “Antes só nos defendíamos nos mercados em que estávamos, agora também podemos atacar, é muito bom”, disse o executivo durante a ABTA 2013. Segundo ele, o investimento em 2013 será 30% maior que o do ano anterior, totalizando R$ 3,5 bilhões. Ele não detalhou como o dinheiro será gasto, mas boa parte Márcio Carvalho, da Net vai para a expansão da rede e instalação de assinantes Serviços: dobro de cidades atendidas graças à nova nas novas cidades nas quais a operadora está entrando regulamentação este ano. A Net espera fechar 2013 com o dobro de cidades atendidas em 2012. Até ano passado, a operadora estava em 93 localidades. Após as novas licenças, iniciou operações em 44 cidades, e deve estrear em outras 11 até agosto: Natal, Parnamirim (RN), Teresina, Rio Branco, Almirante Tamandaré (PR), Colombo (PR), Nova Lima (MG), Sabará (MG) Canoas (RS), Cariacica (ES) e Serra (ES). Segundo apurou este noticiário, as cidades onde a Net vem observando maior crescimento são as capitais do Nordeste. Curiosamente, ao contrário do que se esperava, a maior parte, perto de 70%, dos novos assinantes não migrou de outro serviço de TV paga, como o DTH, mas, sim, entraram pela primeira vez no serviço. A expansão resultará em um aumento de 40% nos home passed (domicílios cobertos) da operadora, conta Márcio Carvalho, diretor de marketing e serviços. Também criará cerca de três mil empregos e gerará R$ 820 milhões em impostos pagos.

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( política) FOTOs: marcelo khan

pessoas não estejam sentadas nos lugares corretos”, disse. “O peso da lei foi suportado integralmente por dois agentes econômicos: as operadoras, que aumentaram a oferta de canais sem aumentar preço; e as programadoras, que tiveram que estruturar novas áreas de programação e aumentar o volume de produção”, completou Medin, da Discovery.

“A sobrevivência dos novos canais precisa levar em conta o mercado competitivo” Antonio João Filho, da Claro

estrangeiros. “A dinâmica que esta produção traz ao mercado é fantástica e positiva para o produtor nacional, que vai ter, muitas vezes pela primeira vez, oportunidade de trabalhar e aprender com este tipo de produção”, disse. Segundo Rangel, o formato internacional até pode trazer experiência ao produtor brasileiro. No entanto, o espírito da lei é fomentar a geração de valor. “Este tipo de obra só traz retorno ao detentor do formato”, disse.

Alto nível Por fim, Rangel falou sobre o perfil do conteúdo produzido em parceria com programadoras de TV paga. “Julgamos necessário que as programadoras sigam investindo em obras de maior valor agregado. Em última instância, a fidelidade dos espectadores se dá essencialmente por meio da qualidade das obras audiovisuais. As de maior valor agregado terão ciclo mais longo de exploração no mercado audiovisual e ajudarão a fomentar o seu desenvolvimento”, disse o presidente da Ancine. Fernando Medin abordou a limitação que a lei trouxe ao impedir as programadoras de cumprirem cota com formatos

Fomento Manoel Rangel apontou também no painel da ABTA 2013 dois grandes desafios para a agência reguladora para ajudar a superar o volume de produção atual. Segundo ele, a tarefa exigira também o empenho de produtores, programadores e inclusive dos empacotadores e, destacou, mais recursos privados no setor. Segundo o presidente da Ancine, o primeiro grande desafio é rever o paradigma estabelecido ao fomento e ao estímulo do audiovisual brasileiro fixado pela Lei do Audiovisual em 1993,

Bolsa TV

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uestionada por uma operadora regional de TV por assinatura, a ministra da Cultura, Marta Suplicy, que participou da abertura da ABTA 2013, afirmou que o serviço só não foi incluído “na primeira leva” de setores que poderão aceitar o Vale-Cultura. Segundo ela, a questão pode ser reavaliada, já que a regulamentação do benefício deve ser periódica. No entanto, disse a ministra, uma pesquisa conduzida pelo MinC aponta que, na população abarcada pelo Vale-Cultura, a maior parte já tem TV por assinatura. Segundo apurou este noticiário, foi iniciativa da ministra a colocação da TV paga no projeto original do Vale-Cultura, mas houve muita reação contrária, inclusive de outros setores que pleiteavam a inclusão no benefício, como o de games. Optou-se então por tirar a TV paga no primeiro momento.

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Marta Suplicy: TV por assinatura pode voltar em futuras versões do Vale-Cultura

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altamente burocrática e lenta. “É preciso encontrar uma nova forma de estimular o setor. O foco da agência tem que estar mais nas obras e menos nos papeis que levam à produção destas obras. O papel do estado deve ser mais leve e mais ágil. Devemos focar mais no resultado e menos nos processos”, disse Rangel. “Isso é um grande desafio que envolve uma mudança de pensamento na Ancine e em todos os órgãos de controle do governo”, afirmou. Ele lembrou que a Ancine, bem como outros órgãos públicos, está sujeita a diversas camadas de controle e fiscalização, que por vezes prejudicam a agilidade na solução de problemas e na tramitação de processos. Denise Gomes, sócia e produtora executiva da BossaNovaFilms, disse no debate na ABTA que a lei deu aos produtores mais acesso aos canais de TV paga. “Hoje recebo na produtora diretores dos canais, nacionais e internacionais querendo conhecer a gente, a estrutura. Já é um ganho enorme trazido pela lei”, disse. Ela apontou no entanto que uma das maiores dificuldades dos produtores no momento é ter um fluxo de caixa. Segundo a produtora, os recursos demoram para chegar às produtoras. Ela afirmou que a morosidade na liberação de recursos não se resume ao recurso público, valendo também para dinheiro não incentivado das programadoras. Segundo ela o fluxo de recursos é travado “por questões burocráticas dos canais internacionais ou da Ancine”. “Já chegamos a entregar uma série inteira sem sequer ter o contrato assinado”, disse. “Hoje a produtora precisa ter um banco para se financiar”, completou. Volume A diretora da Ancine Rosana Alcântara fez em outra sessão da ABTA 2013 um balanço dos dois anos da Lei do SeAC e apontou alguns desafios regulatórios. Segundo ela, a lei ajudou a triplicar a quantidade de horas de conteúdo


brasileiro veiculado mensalmente. Ela adiantou no evento que está em preparação o novo Prodav Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Indústria Audiovisual, atuando em diversos gargalos do audiovisual. Além disso, a agência está trabalhando no aprimoramento da capacidade de monitoramento das obrigações de programação e, segundo Rosana, está ampliando o quadro de pessoal, com novo concurso público e investimento em capacitação em TV. Segundo ela, já foram superadas as questões relacionadas aos requisitos para credenciamento das empacotadoras de TV por assinatura. Apresentaram-se à Ancine 72 empacotadoras, das quais cinco foram credenciadas, seis foram indeferidas e 61 ainda contam com credenciamento em processamento. A agência também já analisou diversos pedidos de dispensa de cumprimento de cotas. No caso das programadoras, um canal foi atendido (TV5), quatro canais fizeram acordo (Disney Ch., Disney XD, Disney Jr e Disney HD) e um ainda está em avaliação (Eurochannel). Para as empacotadoras, os pedidos ainda estão em avaliação. A Ancine recebeu pedidos de dispensa de cumprimento de cotas de canais de 73 grupos empresariais, “a maior parte muito pequenos”. Segundo Cristina Bandiera, diretora de marketing e conteúdo da Claro TV, não foi fácil para a operadora acomodar mais canais na sua operação de DTH. Foram incluídos 12 canais no line-up. “Tínhamos seis dos 14 canais do must carry”, conta. Além disso, a Claro contratou quatro canais para cumprimento de cota. Fernando Magalhães, diretor de programação da Net, levou ainda uma demanda à agência.

“Quando o programador compra um conteúdo, precisa usá-lo ao máximo durante o primeiro ano”

resultados”, observou. “Foi bastante gratificante. A gente tem cumprido cotas com conteúdos em que a gente acredita. Não foi fácil”. Do lado da produção, Roberto D’Ávila, sócio da Moonshot Pictures, afirmou que não há dúvida de que o brasileiro gosta de se ver retratado na tela. “Também não há dúvida de que isso não se inaugurou com a nova lei”, disse, citando o bom desempenho da série “9 mm”, feita pela sua produtora para a Fox e também a primeira temporada da série “Sessão de Terapia”, que foi uma aposta do GNT independente do cumprimento das cotas e que ganhou nova temporada, que estreia em outubro no canal. Já o cenário para as programadoras independentes brasileiras poderia ser melhor, segundo Tereza Trautman, diretora da CinebrasilTV. Para a executiva, a Ancine não levou em conta o equilíbrio financeiro do mercado que ela regula, tanto do ponto de vista das produtoras quanto das programadoras. “Foi feito de forma predatória. Fez com que os canais nacionais recebessem pouco pelo licenciamento e mal podem pagar pelo conteúdo”, afirma, alegando que o faturamento anual médio de uma programadora independente de canal superbrasileiro equivale ao orçamento de um longa mediano. Cícero Aragon, diretor da BoxBrazil, conta que a lei teve efeitos positivos sobre a programação, fazendo nascer o projeto de canais nacionais que ele tinha há bastante tempo. “Existe espaço para canais brasileiros além da cota, canais que se justifiquem pela sua própria qualidade. A operação hoje é deficitária, mas acreditamos na qualidade dos canais, acreditamos que podemos ser alavancadores da produção industrial brasileira” diz.

Paulo Saad, da Newco (Band)

Segundo ele, há uma dificuldade em levar mais conteúdo das programadoras ao Now, VOD da operadora, porque o serviço é visto como adicional, e gera nova tributação. “O catch-up é a mesma janela da TV por assinatura. Deveria ser tratado desta forma”, disse. Roberto Martha, diretor sênior de produção da Viacom, e André Rossi, diretor de programação da Discovery, avaliaram positivamente o primeiro ano de vigência da regulamentação da Lei 12.485, durante a ABTA.

ancine propõe um novo prodav para atuar em diversos gargalos do audiovisual “Foi um ano difícil, mas cheio de resultados frutíferos que estão no ar”, resumiu Rossi. Ele contou que a programadora tem 400 horas de programação nacional e 14 contratos assinados com produtoras brasileiras. “Para o ano que vem, o número deve ser maior”, afirma. A Discovery tem cumprido cotas com aquisições, produções e, sobretudo, coproduções. Martha também destacou que a Viacom tem se relacionado com mais produtoras do que costumava lidar antes da necessidade das cotas e diz que a lei impactou a operação da programadora, que precisou se organizar para o recebimento de projetos. “A capacidade de realização foi um desafio que a gente passou esse ano. A gente só tem mais se houver capacitação e novos talentos que possam ser testados e comecem a dar Denise Gomes, da BossaNovaFilms: produtoras estão com o fluxo de caixa apertado.

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Da redação

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( radiodifusão)

Sem abrir mão Emissoras abertas avisam durante a ABTA 2013 que pretendem cobrar pela distribuição de seus sinais a partir do desligamento das transmissões analógicas.

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e radiodifusores depois que o sinal analógico passar a ser desligado, o que, pela legislação, acaba com a prerrogativa dos operadores de TV paga de levarem gratuitamente os sinais de TV. Pelo novo decreto da TV digital, o desligamento deve começar em 2015 nas grandes cidades e seguir até 2018, quando em tese haverá o “apagão” final da TV analógica. Para os radiodifusores, essa cobrança não necessariamente vai onerar mais o assinante. “Hoje a TV por assinatura talvez dê valor demais a canais que não necessariamente têm o mesmo

FOTOS: marcelo kahn

setor de radiodifusão (TV aberta) deixou claro em debate no Congresso ABTA 2013 que pretende cobrar, sim, pelo seu conteúdo na TV por assinatura. “Boa parte dos assinantes de TV ainda assina o serviço para ter uma boa recepção dos canais de TV aberta. É um contrassenso achar que a TV aberta deve ser gratuita, quando agrega valor à assinatura”, disse o diretor de relações institucionais do SBT, Roberto Franco. “Acho um absurdo não receber por nosso conteúdo. Nós contamos com esses recursos”, completou o vice-presidente executivo da Band, Walter Ceneviva, em debate que discutiu a relação entre operadores

“É um contrassenso achar que a TV aberta deve ser gratuita, quando agrega valor à assinatura” Roberto Franco, do SBT

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valor percebido que os canais abertos. É o momento de ajustar essa relação”, disse Franco. O advogado Marcos Bitelli destacou na discussão que, nos Estados Unidos, o valor cobrado pela retransmissão dos sinais na TV por assinatura chega a significar 20% do faturamento de algumas emissoras. “No ano passado foram pagos US$ 4 bilhões em retransmission fee”, disse o advogado. Uma das mais quentes disputas da TV por assinatura no mundo recentemente é justamente em relação ao retransmission fee, entre Time Warner Cable e CBS. A operadora retirou os sinais da radiodifusora de algumas de suas operações, após um longo embate em relação ao valor pago pelo canal. No Brasil, a prática já existe, mas apenas no DTH, onde não existia a regra do must carry.


Marcos Bitelli: nos EUA foram pagos US$ 4 bilhões em direitos de retransmissão.

FOTO: DANIEL DUCCI

Resolução de conflitos O conselheiro da Anatel Marcelo Bechara disse no evento que a agência pode e deve ser chamada para mediar conflitos decorrentes dessa nova realidade. Se, mesmo com o auxílio da Anatel, não for possível encontrar uma solução amigável, a Lei do Serviço de Acesso Condicionado (SeAC) dá à empresa de radiodifusão o direito de exigir o carregamento do canal, mas sem cobrar por isso. Segundo Bechara, embora a resolução de conflitos por parte da agência esteja prevista na Lei do SeAC, e a Anatel já conte com uma área específica para isso, deve ser editado um regulamento para balizar este trabalho. Em 2014 ou 2015 devem sair regulamentos adicionais ao SeAC. “Não acredito que cheguem (operadoras e radiodifusão) a esse ponto. Não acredito que a radiodifusão imponha um custo tão elevado que cause impacto significativo na TV por assinatura”, disse. Ao mesmo tempo em que se colocaram como vendedores de seus conteúdos, os radiodifusores também enfatizaram a relevância e o papel dos canais abertos para a população. Casos diferentes Para o diretor geral da Globosat, Alberto Pecegueiro, a disputa entre a Time Warner Cable e a CBS é um dos episódios mais importantes da TV por assinatura americana nos últimos anos. Segundo o executivo, que falou em painel no Congresso ABTA 2013, trata-se de uma disputa “que não deixará vencedor”. A operadora de cabo americana tirou de suas operações em algumas cidades o

Via IPTV

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om a explosão do satélite Intelsat 27 em fevereiro, a expansão das operações de DTH da GVT ficou comprometida e o carregamento dos canais obrigatórios de acordo com a Lei do SeAC se tornou um problema para a operadora. Ciente da situação, a Anatel estendeu para o fim de agosto o prazo para a adaptação, que pode ser feita com uma alternativa à transmissão por satélite: a rede de dados. “Salvo engano, eles vão fazer uma tecnologia baseada em IP para cumprir a obrigação”, afirmou o conselheiro da agência Marcelo Bechara, durante painel de regulamentação do setor na ABTA 2013. A ideia é utilizar o IPTV para carregar os canais adicionais de forma híbrida com o DTH. “Existe um compromisso”, assegurou. Bechara não deu mais detalhes de como isso seria feito, mas chegou a comparar o comportamento da GVT com o de outra operadora de DTH, a Sky, que vem brigando para ganhar tempo para o cumprimento das obrigações. “No caso da Sky, ela optou por outro caminho”, lamentou.

canal de TV aberta, por não terem chegado a um acordo sobre preços. Segundo o executivo, o Brasil não deve ver, em um futuro próximo, uma batalha semelhante. “O mercado não cresce mais nos Estados Unidos e não há válvula de escape para a pressão de preços de conteúdo sobre as programadoras”, explicou. No entanto, segundo Pecegueiro, é inevitável que as TVs abertas ambicionem cobrar por seus conteúdos no Brasil, com as mudanças no must carry trazidas pela Lei 12.485. Questionado, o presidente da Net, José Felix, diz que sempre houve uma boa relação entre a radiodifusão e a TV por assinatura. “Vamos conseguir sentar e equacionar esta questão”, disse. “Vamos pagar zero”, brincou. Da redação

Olho na banda C

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transmissão de canal de TV via satélite de forma aberta, sobretudo pela banda C, pode ser alvo de regulamentação. Questionado em painel no Congresso ABTA 2013, o coordenador geral de outorgas do Ministério das Comunicações, João Paulo Andrade, afirmou que “o momento do desligamento da TV analógica é o de arrumar a casa” e que uma iniciativa sobre o assunto está prevista para o próximo ano. No entanto, ele diz que ainda é preciso definir, “do ponto de vista estratégico da regulação das comunicações”, se é necessário regular a banda C. O conselheiro da Anatel Marcelo Bechara, no mesmo painel, lembrou de uma portaria de 1991 que estabelecia regulação específica sobre a exploração satelital. Pelo regulamento, havia a figura da “radiodifusão por satélite”, que estava condicionada a uma outorga. “Sempre defendi isso. Há gente fazendo radiodifusão de fato sem ter uma outorga”, afirmou. “Ainda não sei se a Anatel pode tratar sobre isso, pois se trata de radiodifusão”, disse. Para Bechara, necessariamente a transmissão de sinais de TV aberta no satélite deverá receber tratamento regulatório. Para Bechara, a Lei do SeAC pode ter dado a brecha para que a agência possa regular o assunto. “Se a banda C for considerada radiodifusão, caberia ao Minicom regular, e essa é a tese que eu mais simpatizo. Caso contrário, a distribuição por satélite seria considerada distribuição de audiovisual, o que compete à agência, de acordo com o novo marco legal da TV por assinatura”, disse. “O que não pode é ficar como está”.

“Não acredito que a radiodifusão imponha um custo tão elevado que cause impacto significativo na TV por assinatura” Marcelo Bechara, da Anatel

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Tiro ao alvo

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esmo com a significativa marca dos 17 milhões de assinantes conquistados e as boas perspectivas de crescimento, já que a penetração ainda é de 30% do mercado, o meio TV por assinatura encontra algumas resistências de agências e anunciantes, acostumados ao efeito tiro de canhão proporcionado pela TV aberta. A desproporção entre o aumento no número de assinantes e o ritmo de investimentos no meio foi discutida na ABTA, evento do setor de pay TV que aconteceu no início de agosto em São Paulo. A dificuldade de regionalização para atender o varejo foi apontada como um dos principais entraves ao aumento da publicidade na TV paga. A questão foi levantada por Orlando Marques, presidente da Associação Brasileira de Agências Publicitárias (Abap) e do grupo Publicis. “Hoje esse é o grande problema da TV paga. Para o varejo é fundamental que você possa ter a audiência o mais segmentada possível”, destaca o publicitário. A TV aberta, com a cobertura da rede de afiliadas, consegue uma entrega mais eficiente para os clientes que querem trabalhar em determinadas praças. Segundo Marques, outra dificuldade do meio é o Custo Por Mil (CPM), ainda muito mais alto do que o da TV aberta, e os contratos panregionais, fechados pelas programadoras internacionais em suas bases no exterior sem levar em conta as especificidades da audiência brasileira (e sem que a compra de mídia seja feita no País). “Me liga um cara pedindo a liberação de um anúncio que nós produzimos para ser 28

FOTO: marcelo kahn

Base de assinantes cresce em ritmo acelerado, mas TV paga ainda tem dificuldades para abocanhar fatias maiores do bolo publicitário. Fred Müller, Diogo Oliveira, Geraldo Leite, Orlando Marques e Guilherme Valentini: dificuldade de regionalização para atender ao varejo e contratos panregionais estão entre os principais entraves.

veiculado em um canal panregional, e eu nem sei quem é, não participamos”, disse Orlando Marques. Descompasso Fred Müller, diretor executivo comercial da Globosat, e Guilherme Valentini, VP de publicidade da Fox, concordam que a TV paga não consegue atender a questão da regionalização necessária para o varejo como a TV aberta, mas afirmam que já têm trabalhado com o varejo, principalmente com as montadoras. “Esse público é o que consome mais marcas. Deveríamos ter um share maior do que o que temos hoje”, avalia Müller, reconhecendo que o mercado publicitário tem uma demora em acompanhar o declínio de alguns meios e o crescimento de outros. Marques acredita que a crise no meio revista pode levar novos investimentos para a TV paga. “Eu acho que vai haver uma migração do segmentado de revista para o segmentado de televisão”, diz. Para Valentini, da Fox, a TV por assinatura precisa buscar caminhos para não perder oportunidades com as vendas panregionais que abrangem toda América Latina. “Temos puxado os anunciantes maiores e mais organizados para a compra aqui”, explica. O executivo da Fox

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disse que a publicidade panregional era “sua maior concorrente”, e sugeriu uma mudança na regulamentação. “A Ancine exige a intermediação de uma agência brasileira, mas isso não significa nada, pode ser só um telefonema. Basta mudar para que seja exigido que a ordem de veiculação (PI) seja feita no Brasil”. Valentini também chama a atenção para o fator audiência. “Quando a gente chega no anunciante o que importa é a audiência que tem para oferecer. É um desafio crescer em audiência com um hábito de consumo diferente. Encher a programação de merchandising como a TV aberta não é a praia da TV fechada ainda”, observa. Pesquisa Antes do debate, Diogo Oliveira, da Ipsos Media, apresentou uma pesquisa mostrando que o hábito de consumir TV por assinatura já está consolidado entre 45% dos entrevistados e que 33% dos assinantes têm o hábito de gravar conteúdos. “O on-demand é a reconfiguração do horário nobre”, ressaltou. Da redação


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(pirataria)

Jogo de gato e rato A corrida do mercado de TV por assinatura para manter-se à frente dos piratas, que atuam com tecnologia cada vez mais avançada.

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FOTO: marcelo kahn

esde que o serviço de pay TV chegou ao Brasil, há quem tente ter acesso a ele sem pagar, ou pelo menos pagando menos. O mercado legal cresceu, chegou a 17 milhões de assinantes e sua tecnologia evoluiu. Mas o mercado clandestino não ficou para trás. O que antes era uma prática individual, com o uso do popular “gato” para roubar o sinal de vizinhos, transformou-se em uma indústria clandestina sofisticada. De acordo com Antonio Salles, diretor do Seta (Sindicato Nacional das Empresas Operadoras de Televisão por Assinatura e Serviços de Acesso Condicionado), as conexões piratas ocorrem principalmente de duas maneiras. A primeira é a instalação do serviço em residências sem assinatura por meio de cabos “puxados” de residências pagantes - o popular “gato”. A segunda é a distribuição de set-top boxes genéricos, como AZ Box, Azamerica e Lexusbox, capazes de receber o sinal da operadora e decodificá-lo, oferecendo acesso a todos os canais e serviços. De acordo com Salles, esse segundo modelo, conhecido como cardsharing, é profissional, tem raízes internacionais e é motivo de preocupação para empresas do setor. “Eles (piratas) são sofisticados, têm grande capacidade logística e de produção e são organizados. Os seus aparelhos parecem muito com os originais das

Painel sobre pirataria na ABTA: números controverssos.

FOTO: Daniel Ducci

operadoras”, disse. Os provedores de serviços clandestinos contam com redes de distribuição das chaves de acesso necessárias para decodificar o sinal. Esse compartilhamento pode ser feito pela Internet, por meio de uma VPN (rede privada), e até mesmo via satélite, modalidade conhecida como SKS (Satellite Key Sharing). O usuário desse tipo de serviço pode receber o sinal da operadora ao interceptá-lo, no caso de transmissão via DTH, ou até mesmo contratar uma conexão legal de um pacote básico e, com o uso do decodificador clandestino ganhar acesso

“Eles (piratas) são sofisticados, tem grande capacidade logística e de produção e são organizados.” Antonio Salles, do Seta

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a todo o conteúdo oferecido pela operadora. A ABTA estima que pelo menos 10% dos assinantes de serviços de TV paga, cerca de 1,7 milhão de residências, utilizam o método de cardsharing para acessar conteúdo bloqueado. Segundo Salles, a pirataria é incentivada por uma cultura de buscar a gratuidade nos serviços e por uma percepção de que os serviços das operadoras seriam muito caros “Mas o que é caro? No valor da mensalidade está a remuneração de produtores, atores, operadoras e impostos. Isso envolve investimentos em aparelhos caros de produção, a construção de redes inteiras de transmissão de sinal e muitos outros investimentos”, questiona. Ele diz que as operadoras agem principalmente de duas maneiras para combater o avanço da


“Você pode tomar essas ações e destruir os produtos piratas, mas você estará agindo de forma reativa e não alcançará a todos.”

FOTO: marcelo khan

pirataria: organizando-se em grupos representativos para conscientizar autoridades e com tecnologia, através da criação e constante renovação de códigos de criptografia para o sinal. De acordo com ele, o apoio das autoridades ainda é pouco. “Avançamos no campo jurídico, com pareceres muito claros que classificam a pirataria como crime, mas ainda há muito pouca ação efetiva. Não é considerado crime sério, capaz de causar prejuízos à sociedade”, diz. Já em relação aos serviços de segurança e codificação, o maior problema é que os grupos que prestam serviços clandestinos desenvolveram novos métodos para acessar a chave para abrir a programação diretamente dos chipsets dos set-top boxes das operadoras. Com isso, a solução imediata tem sido promover uma constante melhoria dos códigos, forçando uma atualização constante dos serviços piratas e até mesmo desabilitando alguns. O objetivo, diz Salles, é fazer com que os assinantes irregulares precisem trocar seus aparelhos e atualizar o sistema constantemente, eliminando a vantagem econômica dos serviços irregulares. “Fica um jogo de gato e rato. Mas está surtindo efeito porque nosso mercado, apesar da pirataria, continua crescendo no País”, conclui. Estudo controverso Um estudo da consultoria argentina Business Bureau apresentado em painel da ABTA 2013 causou espanto no setor. Segundo a empresa, existem 24 milhões de residências com acesso a TV paga no Brasil, 7 milhões a mais que as 17 milhões declaradas pelas empresas do setor e reportadas à Anatel. Essa diferença representa o número de residências que recebem sinal de maneira irregular, não

Cristofaro Mune, do Riscure Security Lab

necessariamente por técnicas ilegais. O valor é composto por conexões piratas, mas também por clientes inadimplentes que continuam recebendo o serviço, ou que pedem o desligamento mas continuam com o sinal em casa e outras irregularidades. O levantamento da empresa foi feito a partir de pesquisas de campo, por telefone e pessoalmente. A pesquisa foi paga pela Turner, Fox, e Chello Media. Não foram dados mais detalhes sobre a metodologia, que surpreendeu operadores e mesmo especialistas em pirataria. Para Antonio Salles, o estudo não representa com precisão o problema enfrentado pelas operadoras de TV paga no País. A pesquisa, diz, é muito genérica e erra ao misturar problemas como o dos clientes inadimplentes e

sistemas de cardsharing, maior preocupação das operadoras. De acordo com Salles, é provável que esse número seja consideravelmente menor que os 7 milhões apresentados pela empresa argentina. “Estimamos um valor entre 1,5 milhão e 2 milhões”, diz. “Se o problema tivesse a dimensão apresentada pelo estudo, nosso setor não deveria estar crescendo, e não é esse o caso”, conclui. América Latina Em janeiro de 2013 foi criada a Alianza Contra la Piratería de Televisión Paga, grupo formado por representantes do setor de televisão por assinatura da América Latina para combater a prática na região. De acordo com Marta Uchoa, da DirecTV e diretora do grupo, os aparelhos piratas não são fabricados em nenhum país da região. “Cerca de 90% dos aparelhos ilegais vêm de Coreia e China, e são transportados por ar, mar e terra. É um problema de toda a região”, diz. De acordo com um

pirataria é incentivada por uma cultura de buscar a gratuidade nos serviços e por uma percepção de que os serviços das operadoras seriam muito caros erros de cadastro com a prática ilegal da pirataria. “O cliente inadimplente, por exemplo, é outro problema. Não é o mesmo que uma prática ilegal, propositalmente danosa como a pirataria”. Além disso, o valor apresentado pelo estudo agrega tipos de pirataria amadores e desatualizados, que já não representam grande preocupação para as operadoras. “A pirataria do sinal analógico, por exemplo, vai desaparecer naturalmente conforme os sistemas são atualizados”, diz. Ele diz que a ABTA está negociando com institutos de pesquisa para definir uma metodologia capaz de identificar isoladamente o número de usuários de

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levantamento da Dataxis feito na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México, Perú e Venezuela, aproximadamente 11,44 milhões de lares na região contavam com sinal pirata da TV paga até o final de 2011. O relatório, divulgado em outubro de 2012, levou em conta diferentes modalidades de pirataria, como roubo do sinal do poste, no caso do cabo analógico; divisão de um pacote residencial em mais de um endereço; e cardsharing, quando o sistema de acesso condicional é quebrado.  Segundo Marta, o grupo busca conscientizar autoridades locais. Desde sua criação, já teve 31

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( pirataria) “Essa ação direta de combate à pirataria nas ruas é importante para deixar claro que isso não é aceitável. Mas não é o método mais eficiente.”

FOTO: Daniel Ducci

participação na abertura de 18 investigações e nove ações que paralisaram a oferta de serviços clandestinos em toda a região. “Cortamos o sinal e monitoramos a reação das pessoas nos fóruns piratas. Há um grande aumento no número de reclamações e manifestações de preocupação e um fórum até fechou por causa disso”, diz. Nesse período, o grupo também comemorou a primeira destruição em massa de decodificadores piratas realizada pelo governo do Paraguai, a primeira condenação em um caso de pirataria de sinal de TV paga na Colômbia, que resultou em pena de 40 meses, e a regularização das zonas francas do Uruguai.

Benjamim Jun, da Criptography Research

devem promover testes constantes e transformar a segurança em um dos principais critérios para a seleção de equipamentos, com a criação de padrões mínimos de segurança. Benjamim Jun, CTO da Criptography Research, tem opinião semelhante. “Essa ação direta de combate à pirataria nas ruas é importante para deixar claro que isso não é aceitável. Mas não é o método mais eficiente”, diz. De acordo com ele, o mercado se encontra em um terceiro estágio no desenvolvimento de segurança para set-

Segurança dos set-tops Combater a pirataria nas ruas, destruindo set-top boxes piratas e cortando o sinal de centrais clandestinas, pode não ser a solução mais eficaz. A opinião é de Cristofaro Mune, analista sênior de segurança da Riscure Security Lab, empresa especializada em testar a segurança de equipamentos eletrônicos, que também participou no painel na ABTA 2013. De acordo com ele, o pirata consegue acesso às chaves dos códigos de criptografia em set-top boxes legalizados da própria operadora. Por isso, o foco deveria ser garantir a segurança dos aparelhos. “Você pode tomar essas ações e destruir os produtos piratas, mas você estará agindo de forma reativa e não alcançará todos. A pessoa que oferece serviço irregular conseguiu a chave em um decodificador legalizado vulnerável, da própria operadora. Então é mais fácil agir na raiz do problema, controlando a cadeia de produção e evitando que essa caixa vulnerável chegue ao mercado. Para isso, diz, as operadoras

software independentes, de forma que a única maneira de extrair as chaves de criptografia seria passando por todas elas. “É preciso combinar diferentes contribuições de forma que cada componente de segurança não confie no outro. Na realidade, quando desenvolvemos projetos de segurança pensamos que todos os componentes do sistema estão corrompidos, e pedimos que nossos parceiros façam o mesmo”, conclui. Ainda de acordo com ele, a Criptography Research tem buscado trabalhar em conjunto com os fabricantes de chipsets para garantir a segurança das caixas. Para Thierry Martin, diretor executivo e vice-presidente para América Latina da Nagra, é preciso levar tecnologia para dentro do próprio chipset. Para isso, diz, é preciso pensar na segurança dos sistemas em todos os estágios da

levantamento da dataxis apontou a existência de 11,44 milhões de lares com sinal pirata na américa latina. tops. No primeiro estágio, criaram-se as chaves de codificação. No segundo, adicionaram os smart cards e em seguida criaram uma combinação de códigos entre os set-top boxes e os cartões. “Infelizmente, alguns piratas conseguiram extrair o código direto das caixas, agora o próximo jogo de xadrez será descobrir como garantir a segurança dessas caixas. A tecnologia está sempre evoluindo, e nunca podemos decidir que nossos sistemas são seguros o suficiente”, diz. Para ele, conforme a complexidade dos set-top boxes avança será mais difícil garantir a segurança. “Complexidade é fatal, quanto mais features tem o equipamento, como OTT, VOD, e browsers mais complexos, mais possibilidade de existir um bug que comprometa a segurança”. A solução seria criar uma série de barreiras de segurança de hardware e 32

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produção dos set-top boxes. “É preciso pensar em segurança no próprio design do chipset, e isto demanda ação em conjunto com seus fabricantes, que não se preocupavam muito com isso, para ser honesto. Mas com a propagação do método de cardsharing esse cenário está mudando”. De acordo com ele, a segurança dos set-tops e seus chipsets é a maior preocupação da indústria no momento. Isso porque, enquanto os serviços clandestinos evoluíam nessa direção, a indústria aproveitou para tornar mais avançada a tecnologia dos smartcards. “Nesse quesito estamos bem avançados. Enquanto eles focavam em outro método para acessar as chaves, evoluímos bastante na segurança dos cartões”, diz. Leandro Sanfelice


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( tecnologia) Leandro Sanfelice

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Os caminhos para as múltiplas telas Para vencer a disputa com os serviços OTT, operadoras aceleram investimentos em serviços de VOD e TV Everywhere.

Net e Claro desenvolvem a oferta de vídeo em outras plataformas

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o longo do último ano, as maiores operadoras e programadoras de serviços de TV paga brasileiras lançaram suas plataformas de TV Everywhere. Elas se movimentam para atender uma demanda do consumidor, cada vez mais acostumado a receber conteúdo em vídeo pela Internet em seus tablets e smartphones, por meio de serviços over the top (OTT), como Netflix, iTunes e YouTube. Hoje, Claro, Vivo e Sky contam com plataformas online de distribuição de conteúdo sob demanda com os serviços Sky Online, Claro Vídeo e Vivo Play. Os serviços se assemelham bastante com as plataformas OTT, com possibilidade de oferecer conteúdo para não

assinantes do serviço de TV paga. Além disso, o serviço de IPTV da Oi conta com o Oi Go, que distribui conteúdo da programação de TV em dispositivos conectados. Durante a ABTA 2013, a Net expressou a intenção de desenvolver também uma plataforma de TV Everywhere. Também durante o evento, a Claro lançou seu pacote combinado de Internet Wifi, 3G e pay TV. O serviço de TV Everywhere, Claro Vídeo, ficou fora de qualquer combinação de pacote. Contudo, de acordo com Antonio João Filho, diretor geral da Claro TV, a operadora já trabalha para integrar esse serviço aos demais. “Faz todo sentido, pois tem nossa marca e isso é algo que precisaremos oferecer no futuro. O cliente não se contenta mais em ficar passivamente recebendo conteúdo no sofá, ele quer fazer sua própria 34

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programação”, diz. Ainda de acordo com ele, a operadora irá aproveitar o lançamento do satélite Star One C4 para iniciar oferta de serviços de vídeo sob demanda, por meio da tecnologia push VOD. “Esse pareceu ser o melhor modelo no nosso caso, que somos uma operadora de DTH”, afirma. A grande quantidade de sistemas e interfaces diferentes é um dos maiores desafios para o TV Everywhere, diz Antônio João. “Nos tablets e smartphones está praticamente formalizado em poucos players, mas nas smart TVs não é o caso, e existem os consoles e o Ginga”, diz. Valorizar os ativos De acordo com Vitor Mendez, gerente de desenvolvimento de negócios de vídeo para operadoras da Cisco, a plataforma de TV Everywhere, multiscreen e vídeo da fornecedora, Videoscape, tem como objetivo valorizar o investimento das operadoras de rede, seja em fibra, HFC ou DTH, entregando a mesma qualidade de experiência em todos os dispositivos e oferecendo possibilidade de personalização, integração entre as telas e interatividade com a Internet para socialização. “Elas já investiram muito com fibra ou HFC, então como podem entregar algo diferente? Não é uma questão de ser apensas um pipe, mas também de capitalizar e monetizar com o que você está entregando.” Ele cita serviços de personalização do conteúdo e


FOTOS: marcelo kahn

publicidade como exemplos. Segundo Mendez, os provedores de serviço de pay TV terão que investir em nuvem e ter uma estratégia de mobilidade para entregar uma solução completa de TV Everywhere e multiscreen, além de suportar o aumento do tráfego de dados de vídeo nos próximos anos. Contudo, o investimento difere de um tipo de operadora para outra. “Essa é uma decisão estratégica para cada tipo de servidor. Temos os operadores de cabo, as teles e as de DTH”, diz. No caso das operadoras de cabo, seria preciso investir em home gateways sofisticados e redes IP. “Criar uma rede dentro da casa com devices poderosos para transportar diferentes tipos de informação para as diferentes telas e também ter uma rede IP confiável. No caso específico dos MSOs (Multi System Operators) eles devem investir em CMTS e na evolução da plataforma DOCSIS, que permite maior banda para as operadoras”. Já para as teles, a solução seria aumentar a capacidade de banda, investindo em fibra, enquanto que as empresas de DTH poderiam fazer parcerias com outras operadoras. “No satélite, recebemos o conteúdo mas não temos a interatividade. Então as operadoras de satélite precisam alugar ou construir redes de fibra óptica, para receber o conteúdo do satélite mas também interagir com a Internet”, conclui. Em todos os casos, as aplicações de TV Everywhere funcionariam de forma similar à das provedoras de OTT. “Mas ainda é preciso desenvolver meios melhores de monetizar isso”, diz Mendez. Facilidade e disponibilidade Para Jerónimo Macanas, vicepresidente para sul da Europa e América Latina da Accedo, a melhor maneira de concorrer com OTTs é igualando-se a eles. “É preciso mudar a forma de pensar

“O usuário não quer saber se está em outra rede ou aparelho, quer apenas acessar o conteúdo”

Para Uri Gurevitz, diretor de produto da Amdocs, tão importante quanto garantir a disponibilidade nos diferentes dispositivos é garantir que Uri Gurevitz, da Amdocs o cliente possa acessar o conteúdo em diferentes redes e dispositivos de forma transparente. “Se o cliente sair de um lugar e quiser continuar das operadoras, que tem que assistindo o conteúdo, ou mudar de pensar em si mesmas como dispositivo e quiser fazer o mesmo, operadores de TV paga ele não quer saber se está em outra OTT”, diz. “Não adianta fazer rede ou aparelho, quer apenas nada muito complexo. O cliente está acessar o conteúdo”. dizendo que está feliz com o serviço dos “O cliente já teve a qualidade OTTs e é isso que ele quer receber”, diz. como prioridade. Hoje, a qualidade A plataforma de TV Everywhere da ainda é importante, mas ele tem a empresa, Accedo TVE, funciona no fim facilidade e disponibilidade como da cadeia, como uma aplicação. De prioridade”, diz Christian Frenza, da acordo com Jerónimo, a preocupação Ericsson. De acordo com ele, a das empresas deve ser investir em empresa está investindo em nuvem, para armazenar o conteúdo, e tecnologia para distribuição de vídeo. em garantir que o conteúdo esteja Exemplo disso foi a recente aquisição disponível em todos os dispositivos. “O pela fabricante sueca cliente demanda isso, não da plataforma quer pensar em qual claro, vivo e sky Mediaroom, dispositivo ele está, se é middleware da Apple ou Android, ou já lançaram console. Ele quer acesso ao seus over-the- Microsoft para serviços conteúdo”, diz. A top, e net deve de IPTV que permite a de transmissão desse conteúdo fazer o serviço. distribuição conteúdo em múltiplas seria feita através da rede telas. Segundo ele, a de Internet das operadoras, plataforma de vídeo da Ericsson pode junto com os outros OTTs. “Tem suportar outros tipos de entrega de funcionado muito bem para eles, porque vídeo em múltiplas telas, como o TV não funcionaria para os provedores?”, Everywhere em modelos OTT . “A questiona. De acordo com ele, os aquisição do Mediaroom serviu para métodos atuais usados para certificar o fortalecer um portfólio no qual já usuário, como o acesso por login e a vínhamos trabalhando”, explica. Para limitação do número de acessos ele, o mercado irá conviver com simultâneos, funcionam com eficiência. diferentes tipos de ofertas de vídeo “Quando você abre seu conteúdo para em dispositivos conectados, muitos dispositivos, não tem jeito, é dependendo do perfil da operadora e possível que exista compartilhamento. do usuário. “O IPTV com entrega de Mas se uma vez o assinante não vídeo e multiscreen com conseguir acessar o serviço qualidade garantida porque compartilhou a senha, podem ser uma boa ele deixará de fazer isso”, diz. solução para um cliente disposto a pagar mais. Em “O objetivo é entregar uma outros, a operadora pode solução para que a operadora usar soluções de OTT para possa enviar o conteúdo para entregar interatividade em diferentes telas, inclusive nas diversas telas”, diz. smart TVs e consoles, sem Por fim, ele diz acreditar que a maiores complicações” experiência em redes LTE Thierry Martin, da Nagra

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( tecnologia ) FOTO: marcelo kahn

da Ericsson servirá como diferencial “Não adianta fazer nada no mercado de entrega de conteúdo muito complexo. O cliente de vídeo. Como exemplo, ele usou a está dizendo que está feliz tecnologia LTE Broadcast, que com o serviço dos OTTs e é permite a transmissão de vídeo para isso que ele quer receber” dispositivos móveis sem download ou Jerónimo Macanás, da Accedo streaming. De acordo com Frenza, a tecnologia foi demonstrada no CES conteúdo. “Pode entregar 2013 e vem sendo desenvolvida junto conteúdo para DRMs da Nagra com a Verizon, nos Estados Unidos, ou de outros fornecedores”, diz para ser utilizada em grandes Thierry. De acordo com ele, eventos. “É possível que todos no esse tipo de gerenciamento é usado estádio tenham acesso ao serviço, inclusive na distribuição de conteúdo vendo lances de diversos ângulos e a para plataformas OTT, para definir, por operadora pode gerar receita de exemplo, o tipo de licença usado em várias maneiras, vendendo um pacote cada dispositivo. “A plataforma tem por exibição ou cobrando por vídeo várias soluções e aplicações integradas. assistido”, explica o executivo, usando Dificilmente uma operadora vai usar um jogo de Copa do Mundo como todas. Ela pode selecionar aquelas de exemplo. O torneio, inclusive, é uma que ela precisa”, diz. O Open TV 5 conta das apostas da Ericsson para fazer a também com set-top boxes com interface tecnologia vingar na América Latina. desenvolvida em HTML 5 e que permite “Acreditamos que graças aos grandes recursos de interatividade e VOD. De eventos que serão realizados aqui, o acordo com Thierry, “todas as Brasil pode ser a porta de entrada operadoras que contrataram o serviço para a tecnologia na região”. eram grandes, por isso optaram por Contudo, o executivo disse que não personalizar sua interface existem testes usando a tecnologia”. programados com para a viaccess Ele diz que levar operadoras brasileiras, O caminho conteúdo para múltiplas e que as conversas escolhido pela telas tornou-se ainda estão no começo. operadora para consideravelmente mais fácil nos últimos anos. Em A Nagra, outra entregar o dois meses ele diz ser fornecedora de conteúdo em possível fazer uma solução tecnologia, múltiplas telas para levar o conteúdo para apresentou na ABTA vai depender de plataformas iOS, Android e 2013 a plataforma onde ela vem notebooks em um modelo Open TV 5, um conjunto de historicamente OTT. “É praticamente aplicação. Às vezes tecnologias que dizemos para a operadora que ela pode atuam nos dispositivos da casa do ter o conteúdo nesses dispositivos com o cliente, na rede e no headend da Open TV 5 em pouco tempo, mas operadora. “O objetivo é entregar geralmente eles preferem começar pela TV uma solução para que a operadora e set-top boxes, querem aproveitar a Copa possa enviar o conteúdo para para isso. Esse é o principal business diferentes telas, inclusive nas smart deles”. TVs e consoles, sem maiores Segundo ele, é possível levar o complicações”, diz Thierry Martin, conteúdo dos provedores de TV paga diretor executivo e vice-presidente para diversos dispositivos com modelos para América Latina da empresa. de transmissão broadcast. Para isso, seria Para isso, a solução pode agir necessário o uso de um transcoder dentro inclusive no headend da operadora, da casa do assinante para transformar o com a plataforma Nagra Mídia Live, sinal recebido por cabo ou DTH da que gerencia a distribuição do 36

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televisão e transmiti-lo para outra plataforma com conteúdo e interface adaptadas. “É possível, mas hoje é preciso ter uma caixa só para fazer isso. É preciso um chipset dedicado para isso, não pode ser feito por software”, diz. O transcoder pode ser conectado, oferecendo serviços como VOD e interatividade ou oferecer apenas o conteúdo ao vivo, caso aplicado geralmente a operadoras de DTH. A vantagem desse modo estaria no fato de que é possível transmitir com qualidade maior e sem consumir banda. “O modelo OTT consome muita banda, e não tem qualidade garantida. Nesse caso, com broadcast, resolvem-se esses problemas”, conclui Thierry. Contexto “O caminho escolhido pela operadora para entregar o conteúdo em múltiplas telas vai depender de onde ela vem historicamente”. A avaliação é de Leonid Berkovich, vicepresidente de marketing, produtos e soluções da Viaccess Orca. De acordo com ele, para as grandes operadoras de telecomunicações, o caminho escolhido pode ser o dos serviços IPTV puros, com entrega garantida e gerenciada de vídeo pela Internet. “Porque você é grande o suficiente, já tem uma grande infraestrutura e tem milhões de clientes para compensar o investimento em fibra e tecnologia”, diz. No caso de operadores de cabo e DTH, Leonid diz ser provável optarem por uma solução mista, com uso de broadcast e Internet para transmissão de vídeo. “Mas se você é um player pequeno, ou médio, provavelmente vai para o modelo totalmente OTT. Já vimos casos de players tentando seguir o modelo IPTV com controle da rede mas perceberem que, sem a quantidade necessária de clientes, o investimento não compensa”, conclui.


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A primeira edição do Film Finance Forum vem mostrar quem é quem e promover encontros entre os mercados audiovisuais da América Latina, Hollywood e Europa! • Eduardo Acuña, Cinépolis do Brasil • Marisa Fernandez Armenteros, MediaPro • Steve Ashmore, Rentrak • Antonio Barreto, DLA • Leonardo Barros, B • Jason Michael Berman, TideRock Media • Gabriel Brakin, Participant Media • Diana Bustamante, Burning Blue • Pedro Butcher, Filme B • Andrés Calderón, Dynamo Capital • Fabio de Sa Cesnik, Cesnik, Quintino & Salinas • José Maurício Fittipaldi, Media & Entertainment Regulation Attorney • Alexis Garcia, WME Entertainment • Cristina Garza, Mundial • Antonio Gennari, Indomina Group • Tatyana Joffe, IM Global

• Renato Klarnet, G5 | Evercore • Stuart Manashil, Creative Artists Agency (CAA) • Paula Manzanedo-Schmit, Film Finances, Inc. • Camila Moraes, LatAm Cinema • Ivan Orlic, Seine Pictures • Eduardo Paes, City of Rio de Janeiro • Guido Rud, FilmSharks Int'l • Sérgio Sá Leitão, RioFilme • Mariana Secco, Salado Cine • Cesar Silva, Paramount Pictures • Sara Silveira, Dezenove • Steve Solot, Latin American Training Center (LATC) • Rodrigo Teixeira, RT Features • Mauricio Vedovato, Lilla, Huck, Otranto, Camargo Advogados • Bruno Wainer, Downtown Filmes • David Zannoni, Fintage House

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( making of )

Lizandra de Almeida

c a r t a s . t e l a v i v a @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

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ara divulgar o modelo BlueMotion do Fox, a Volkswagen está lançando uma campanha desenvolvida a partir de um processo que aproxima a produção de questões socioambientais, o que está diretamente relacionado com o próprio veículo, cujo principal diferencial é ser o mais econômico da categoria. A campanha inclui filmes de 30 segundos para o site e para a televisão e também minidocumentários de 3 minutos, com exibição no programa “Caldeirão do Huck”, de Luciano Huck. O processo de criação e produção envolveu não só a empresa, a agência Almap/BBDO e a produtora Maria Farinha Filmes, mas também a Fundação Volkswagen, braço socioambiental da montadora, e alunos do Instituto Criar, projeto social de Luciano Huck que forma jovens para atuar no mercado audiovisual. Huck também fez a narração dos filmes de 30 segundos. A campanha usou o mote do lançamento do carro para mostrar dois projetos desenvolvidos pela Fundação Volkswagen. A equipe da produtora visitou os projetos e captou as imagens, e cada um virou um comercial e um minidocumentário. O primeiro projeto é uma usina hidrelétrica na cidade de São João da Barra, no interior de São Paulo. A empresa mantém a usina, que produz 20% da energia que consome, e vários projetos ambientes ligados à flora e à fauna locais. “Trabalhamos com uma fotografia documental, com planos próximos e uma luz mais natural”, explica a diretora e sócia da produtora Estela Renner.

FOTOs: divulgação

Sustentabilidade total

Para promover carro econômico, produção mostrou projetos sociais da montadora. O outro projeto, na cidade de São José dos Pinhais, no Paraná, é o Costurando o Futuro, que treina mulheres para produzir bolsas, sacolas, nécessaires e outros itens a partir da doação dos uniformes usados dos funcionários da Volkswagen e de tecidos restantes da produção de bancos, cintos de segurança e forros dos veículos. As mulheres são treinadas não só na prática da costura, mas também em empreendedorismo para depois montarem sua própria cooperativa e venderem seu trabalho. A empresa então parte para outro local e começa o projeto novamente, 40

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com outro grupo. Estela contou com o apoio de um grupo de alunos recémformados do Instituto Criar, que trabalharam como assistente de montagem, atendimento, produção e na produção do making of do filme. “Da mesma forma como eu pude trocar informações com profissionais experientes quando comecei minha carreira, também quis proporcionar a esses jovens essa troca. É muito mais efetivo você estar ao lado dele, no set, na hora do almoço, do que simplesmente ir até lá dar uma palestra”, afirma a diretora. “Conversamos com eles durante todo o processo, explicando por que escolhemos certos ângulos de câmera, a abertura, a fotografia.” Toda a campanha estava afinada com a proposta da produtora, que desde a sua fundação tem por objetivo agir de forma sustentável. “Temos um contrato com a empresa Ecoplan, que faz o cálculo da produção de gás carbônico e promove a neutralização de tudo o que gastamos para a produção de cada filme”, diz Estela. “Fazemos coleta de lixo eletrônico na produtora e nosso catering é sempre feito por projetos sociais como a Gastromotiva.” ficha técnica Cliente  Volkswagen Produto  Fox BlueMotion Agência  Almap/BBDO Dir. geral de criação  Luiz Sanches Criação  Christiano Bock Produtora  Maria Farinha Filmes Diretora  Estela Renner Prod. executiva  Marcos Nisti e Luana Lobo Dir. de fotografia  Alexandre Samori Dir. de produção  Juliana Borges Edição  German Espiaut Trilha  Alessandro  Delicato (Somzera) Motion design  Lucas Pasquini


Para ser feliz

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epois de uma campanha bem sucedida com o slogan “O que faz você feliz?”, a rede de supermercados Pão de Açúcar este ano tornou a pergunta um pouco menos passiva: “O que você faz para ser feliz?”. Desde o início do ano, a campanha já apresentou três filmes, todos protagonizados pela cantora carioca Clarice Falcão, que já tinha estourado com suas músicas românticas e engraçadas no YouTube, como integrante do grupo Porta dos Fundos. Os filmes se destacam no intervalo justamente pelas músicas, que contam a história de maneira divertida. O responsável por elas é Daniel Galli, da Panela Produções, que assina as trilhas de toda a campanha. “Tivemos muita liberdade para criar e mergulhamos nessa ideia de falar da felicidade. O mote era mostrar que ela podia estar do seu lado”, conta o músico. “No início não sabíamos, mas depois que a Clarice foi escolhida para cantar, aí também começamos a criar pensando nela.” O filme mais recente comemora o aniversário do supermercado com um prêmio em dinheiro para que os cinco clientes possam fazer o que os faz felizes. Segundo o diretor Ricardo ‘Gordo’ Carvalho, é um filme simples, que mais uma vez se baseia na trilha para contar a história da promoção. Dessa vez, a cantora e seu violão estão diante de uma grande lousa, que recebe intervenções gráficas com desenhos feitos em giz, que brincam com a letra do jingle. “Dessa vez recebemos uma letra inicial feita pela Paula Junqueira, da criação, com a liberdade de fazer os ajustes necessários. Mexemos e foi aprovada. Aí fomos até o Rio para gravar a voz da Clarice em um estúdio parceiro, e depois gravamos os músicos em nosso estúdio em São Paulo”, explica Daniel. “O filme basicamente é a Clarice e

ficha técnica

A narrativa final foi criada na montagem, com a animação dos desenhos e a composição das imagens.

os desenhos”, simplifica o diretor. Clarice foi captada em várias posições, para que depois as imagens pudessem “brincar” com os desenhos. A narrativa final foi criada na montagem, com a animação dos desenhos e a composição das imagens.

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Cliente  Pão de Açúcar Agência  PA Publicidade Dir. de criação Marcelo Prista, Paula  Junqueira e Ari Fidélis Criação  Marcelo Prista, Paula  Junqueira, Ari Fidélis, Lucila Lico, Kika Reichert,  Clovis Marchetti, Renata  Leão e Fernando Reis Produtora  Conspiração Filmes Direção  Ricardo ‘Gordo’ Carvalho Dir. executiva  Cris Lopes Dir. de produção  Tim Maia Prod. de elenco  Lu Kfouri e Virginia Favrim Diretor de Arte  Marcos Botassi Prod. de figurino  Thiago Ferraz e  Betinha Magalhaes Dir. de fotografia  Rodrigo Carvalho Coord. de pós-produção  Ricardo Souza Finalizador  Felipe Britto Editores  Ricardo ‘Gordo’ Carvalho,  Patrícia Junqueira Sup. de efeitos  Claudio Peralta Sup. de finaliz.  Mauro Amar Artistas de Henrique Delgado, Cadu composição  Luca, Marcelo Martins Motion designer  Bruno Ronzani Ilustrador  Mario Niveo Trilha  Panela Produções  (Daniel Galli)


( entrevista )

Samuel Possebon

s a m u c a @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

A nova ordem da mídia

Principal executivo da área de mídia e entretenimento da PwC, Marcel Fenez fala de como a indústria tradicional está perdendo o controle para a Internet e como os players poderão se adaptar ao novo cenário.

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FOTO: Marcelo Kahn

s modelos tradicionais de mídia, a distribuição de conteúdos e a relação entre empresas de comunicação, Internet e infraestrutura têm passado por transformações importantes nos últimos anos. É uma batalha que definirá os vencedores e perdedores e que foi deflagrada com o surgimento da Internet, 20 anos atrás. A análise das mudanças nesse cenário ainda é cheia de incertezas e pontos nebulosos. Uma das pessoas que têm como função observar esses novos cenários é Marcel Fenez, principal executivo da área de mídia e entretenimento da PriceWaterhouseCoopers (PwC), uma das consultorias mais atuantes nesse segmento no mundo. Fenez esteve no Brasil durante a ABTA 2013 para falar sobre o futuro do mercado de TV por assinatura. Sua visão de longo prazo é preocupante para os players tradicionais. Ele não acredita que os modelos permanecerão intactos com as transformações trazidas pela Internet, mas acredita que os players tradicionais ainda têm espaço para se adaptar a um novo cenário.

Marcel Fenez

acontecendo. Fundamentalmente, o que acontece é que a indústria tradicional não está no controle do processo tanto quanto gostaria de estar. Olhando para o mercado de TV paga, por exemplo, o que vemos é que o usuário está mudando seus hábitos muito mais rapidamente do que os modelos. A não ser que a indústria reaja a essa mudança de comportamento, não sei se haverá mais negócio daqui a cinco anos. É simples assim. É um processo determinado pelo usuário, e ninguém

TELETIME – Qual a sua avaliação sobre a evolução do modelo de distribuição e consumo de mídia? MARCEL FENEZ – Todo o mundo tem consciência de que alguma coisa diferente está 42

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entende exatamente como ele está se comportando nem o ritmo em que isso está acontecendo. O fator determinante não é, então, a tecnologia em si. As pessoas raramente se importam com a tecnologia por si só, com as mudanças de cenário tecnológico. O que as pessoas se perguntam é o que querem, como encontrar, qual a maneira mais simples, o que é mais conveniente.


É isso o que todos nós buscamos. Poucas pessoas buscam tecnologia por si só. Por isso é complicado entender as mudanças de comportamento, que ainda não foram sentidas plenamente. Uma razão para isso é porque ainda existe uma inércia dos usuários, que têm uma certa lealdade aos serviços. Há também uma variável demográfica. O quanto alguém que tem hoje 13, 15, 18 anos será igual ou diferente de seus pais quando se tornar adulto? Certamente não será igual, mas não sabemos o quanto será diferente, inclusive nos hábitos de consumo. Não temos essas respostas ainda. É uma geração em transição, que não sabemos como se comportará. Sabemos, então, que existe uma mudança de comportamento, mas que não está sendo acompanhada por uma mudança de modelos. Existe o risco de que essa mudança não traga um modelo viável? É preciso colocar um horizonte de tempo para responder isso. E a resposta está no longo prazo. A questão é quanto tempo leva, quem vai ganhar e quem vai perder. Porque o que sabemos de fato é que algo vai mudar. Existem empresas e pessoas no ecossistema hoje que não estavam no cenário de cinco ou oito anos atrás. A lei da probabilidade diz que deve haver mais players. O desafio é gerir essa mudança e reagir a ela. A melhor resposta para um player tradicional certamente começa por reconhecer que algo está acontecendo e que é preciso mudar. Em modelos baseados em publicidade, uma diferença fundamental entre antigos e novos players está no nível de informação e conhecimento que se tem sobre o usuário final. Isso fará muita diferença no futuro? Como os players tradicionais conseguirão dar uma resposta?

As empresas tradicionais sempre disseram conhecer o consumidor com base em audiência, em leitores. Mas na verdade o que eles tinham era apenas um meio de criar uma audiência de massas com bons conteúdos. Essas empresas nunca foram canais B2C (business to consummer) efetivamente. Essas novas empresas são efetivamente canais B2C. A questão é o que as empresas tradicionais poderão fazer para se tornarem B2C? Estas empresas podem conseguir isso com os bons conteúdos que vêm produzindo? Provavelmente sim. Conseguirão isso com as mesmas pessoas e as mesmas mentalidades? Provavelmente não. O desafio é entender como os consumidores agora interagem com o conteúdo, se relacionam com ele, cruzar isso com os dados dos próprios usuários, analisar essas informações.

é verdade, mas o Google e outros também estão investindo pesadamente em conteúdo porque sabem que, no final das contas, é conteúdo o que as pessoas estão buscando. As pessoas não querem uma ferramenta de busca. Elas querem encontrar alguma coisa. Parece óbvio, e é, mas temos que lembrar disso. Essas novas empresas são grandes investidoras em conteúdo, de todas as naturezas. O interessante em observar nessas empresas é que elas têm sido muito inovadoras e continuam sendo, porque sabem que precisam resolver o problema de amanhã e de depois de amanhã. É muito desafiador, mas é como é. Você pode afirmar que uma empresa tradicional, consolidada, não consegue mudar. Mas eu acho que uma plataforma em chamas é o que de fato motiva uma mudança. Basicamente, quando se veem sem saída e ameaçadas por todos os lados é que as pessoas se movem. De certa forma, as grandes empresas do mercado de mídia já estão mudando.

“Você pode afirmar que uma empresa tradicional, consolidada, não consegue mudar. eu acho que uma plataforma em chamas é o que de fato motiva uma mudança”.

O risco maior está para as empresas de conteúdo ou para os intermediários, como as empresas de TV a cabo tradicionais, empresas de telecomunicações etc.? Talvez eu tenha simplificado demais quando eu dei a entender que todo mundo busca conteúdo e por isso as empresas de conteúdo estariam bem posicionadas. Isso é um fato, mas também é um fato que há hoje mais gente produzindo conteúdo do que antes. Todo mundo é potencialmente um criador de conteúdos. Isso é legal por um lado, mas por outro é fato que isso coloca uma pressão sobre a remuneração da cadeia. Blogueiros, por exemplo, uma hora precisarão ganhar algo com o que produzem. Nem todos sobreviverão. O movimento que estamos vendo é fantástico para a

Existe a necessidade desse tipo de mentalidade dentro das empresas tradicionais. Ainda não vimos muitas mudanças nesse sentido, mas tenho certeza de que veremos muito nos próximos três anos. Empresas como o Google, por exemplo, estão muito à frente nesse conceito. É uma empresa que tem o browser hegemônico, a principal ferramenta de busca, o sistema operacional móvel hegemônico... Tudo isso coletando dados sobre o uso. Como competir com isso? O ponto é que o Google e outras empresas não pararam por aí. Eles continuam buscando outras coisas, porque eles sabem que o que eles têm não é suficiente. Tudo o que você falou

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( entrevista) comunicação, focadas em bons conteúdos, vão sobreviver, mas precisam mudar.

FOTO: marcelo kahn

criação de conteúdos, mas não necessariamente para os criadores de conteúdo. Sobre a questão dos intermediários: por definição, um intermediário é alguém que tira vantagem da função de agregador, de estar no meio do caminho, da colaboração entre as partes. O que vemos é cada vez mais interação entre as pessoas. E nesse cenário estamos também vendo mais intermediários no processo a cada dia. Uma rede social é um intermediário, um site de busca é um intermediário. Por exemplo, o Netflix passa a ocupar o papel de um intermediário como uma operadora de cabo? O intermediário do passado é diferente do intermediário atual, e será diferente do intermediário do futuro. O que não quer dizer que essa função não existirá. Só serão outros players. Vamos voltar para a questão dos jornais. Trata-se de um meio. Uma empresa de jornal tradicional produz, agrega e distribui conteúdo. É uma combinação que faz todo o sentido quando o conteúdo é o core business. Mas aí as empresas de jornal resolveram comprar empresas de transporte para entregar os jornais, gráficas para imprimir. Se a competência era o conteúdo, por que comprar caminhões? Porque aquilo fazia sentido no processo de intermediação, de distribuição. Hoje isso não faz mais sentido. As empresas evoluíram.

“Eu sou um forte partidário da tese de que não se pode basear um negócio de comunicação apenas em publicidade”. novo ambiente. Isso é um fato. É preciso olhar outras fontes de receitas. Onde? No consumidor, e é daí que podem sair os recursos para as empresas de comunicação, de várias formas. Em geral, se explora apenas uma fonte, que é assinatura: o consumidor paga para assinar um conteúdo. Mas acho que é assim porque é isso que está sendo oferecido. É preciso ser mais sofisticado do que isso. Acho que modelos criativos de venda de conteúdo, modelos pré-pagos, podem ser bem mais efetivos. O desafio das empresas de comunicação é dar a possibilidade de escolha ao usuário. Mas o desafio de que esse conteúdo pode, no final das contas, ser encontrado de graça, permanece. É parte do processo de transição. Tenho certeza de que grandes empresas de

Ainda assim, as empresas jornalísticas precisam de publicidade para manter seus negócios, e a publicidade está minguando. Eu sou um forte partidário da tese de que não se pode basear um negócio de comunicação apenas em publicidade. Não existe mais publicidade suficiente no mundo para sustentar os negócios nesse 44

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Como você vê as mudanças no relacionamento entre empresas de mídia, empresas de conteúdo de Internet e empresas de infraestrutura? Há empresas de infraestrutura que optam por manter o foco nisso, e certamente são essenciais, porque todo o mundo precisa de infraestrutura. Ou optam por oferecer uma diferenciação, por meio de conteúdos. Há um vai-evem nesse momento em relação a essas estratégias, porque o caminho não está ainda muito claro. Isso depende muito do mercado, da dinâmica, da regulação. Não dá para dizer que haja apenas uma solução ou um caminho. Mas o que está claro é que quando falamos na oferta de conteúdos por parte das empresas de infraestrutura, não estamos falando apenas de mídia, estamos falando de outros conteúdos: saúde, transações bancárias, comércio, mídia também. Quando falamos de conteúdo, não falamos apenas de mídia. Aliás, os conteúdos que têm maior potencial de monetização para empresas de telecomunicações são outros. Saúde tem grande potencial, comércio. Uma das variáveis é a regulação dos mercados. O que você tem visto nesse sentido em diferentes países? Existe um caminho desenhado? A regulação da Internet varia muito de país para país, e inevitavelmente está vinculada a políticas, políticos e grupos de pressão locais. Num mundo ideal haveria um ambiente regulatório similar no mundo todo, mas não é isso que veremos, pelo menos no período das nossas vidas. Em cada mercado há interesses específicos, e isso se reflete nas políticas. Sem citar nenhum país específico,


falando em termos gerais, o que eu posso dizer é que existem três aspectos centrais do debate que podem ser observados de forma mais ou menos uniforme. Um é a privacidade, porque todo o modelo está baseado em data-mining, em coleta de dados. Outro aspecto em debate de uma maneira geral é o da simetria e assimetria de disputa de mercado, porque estabelecer um terreno comum de regras é muito complicado. E a questão da censura e liberdade de expressão é outro aspecto relevante nos debates sobre a regulação desses novos modelos. Como você disse, os modelos econômicos nascidos com a Internet estão baseados em modelos de data-mining. Esses modelos sobrevivem à medida que as preocupações com privacidade aumentam? Eu me pergunto se as pessoas estão tão preocupadas com privacidade. Acho que de uma maneira geral elas nunca fizeram esse tipo de questionamento da maneira aprofundada. Definir o que é uma infração de privacidade é complicado nesse ambiente. Receber um e-mail indesejado é uma infração? Há pessoas que acham que sim, outras acham que basta apertar o botão e apagar a mensagem e o problema está resolvido. No mundo analógico, qualquer um poderia colocar publicidade na minha caixa de correio. Isso era invasão de privacidade? A verdadeira questão é qual a tolerância das pessoas, porque o fato é que toleramos invasões de privacidade a todo momento. E isso varia de pessoa para pessoa.

passa muito pelo uso que se faz dessa informação. Na maior parte dos casos, as pessoas não se importam em ter suas informações usadas para publicidade, ao que parece. Por outro lado, as pessoas certamente não querem alguém olhando a sua conta bancária. Mas esse debate está apenas começando a acontecer, e há gente que diz que essa decisão sobre privacidade deveria caber às pessoas, e não aos governos. Vamos ver no que vai dar. Eu não sei.

gente especula. Sabemos que quando esse indivíduo monta a sua própria casa, instalar uma linha fixa de telefone certamente está longe de ser uma prioridade. Há dez anos isso ainda era importante, hoje não. Por outro lado, certamente esse indivíduo vai se assegurar de que tenha uma conexão wireless, um bom sinal de celular, Wi-Fi. É um exemplo das prioridades dessa geração. As pessoas ainda vão comprar TVs de tela grande? Provavelmente sim, ao que parece. Mas quem vai colocar conteúdo nessa TV é outro problema. Essa TV estará conectada a algo. Será TV, mas não como a conhecíamos.

Nesse momento, vemos a primeira geração nascida na era da Internet chegar aos 20 anos, entrar efetivamente no mercado de consumo. O que se pode esperar? Algumas coisas já sabemos, outras a

O mercado publicitário permanecerá? Com certeza. As empresas continuarão a anunciar, mas provavelmente farão outras coisas também para chegar a seus consumidores. Vão substituir as mídias, mas vão continuar a anunciar. A questão é se as empresas vão comprar espaço de publicidade, vão controlar os meios de publicidade ou vão buscar ganhar esse espaço de outras maneiras. Há 20 anos, o modelo de publicidade era baseado apenas na compra de espaço. Depois surgiram os websites, e elas passaram a deter um canal. O que não se sabe é qual a proporção que vai para cada coisa, ainda. Haverá publicidade na tela da TV? Certamente. Mas a TV será a mesma? Não sabemos.

“Há 20 anos, o modelo de publicidade era baseado apenas na compra de espaço. Depois surgiram os websites, e elas (empresas) passaram a deter um canal”.

Você tem conversado com empresas de comunicações no Brasil. Qual a sua avaliação? Posso dizer que elas têm um alto grau de percepção de todos esses desafios, e isso é bom. Mas não posso dizer, pelo pouco que vi e conheço, se a resposta está sendo adequada e na velocidade necessária. Isso eu deixo para que as próprias empresas respondam.

Em alguns casos isso já está estabelecido nas legislações locais. No Brasil, por exemplo, é proibido ler a correspondência, mas plataformas de e-mail fazem isso, e as pessoas toleram. A preocupação das pessoas

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FOTOs: divulgação

( case )

A versão produzida para o TNT mistura ficção, making of e a leitura dos atores.

Latitudes Conteúdo foi filmado durante dois meses em oito países e será exibido no cinema, TV e Internet.

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trabalhar em um projeto sobre personagens que se encontram sempre em hotéis, usando a ideia do “nãolugar”. “Latitudes” é baseado na história de Olívia e José, uma editora de moda e um fotógrafo que se encontram sempre por coincidência em destinos da Europa, Ásia e América Latina. “Queríamos fazer cinema, mas com um novo olhar. A história veio ao redor de um filme que pudesse ter a coerência de

roteirista e diretor Felipe Braga, da produtora Los Bragas, e os atores Daniel Oliveira e Alice Braga são consumidores de entretenimento online e queriam testar a produção de ficção para este meio e observar quais caminhos um projeto concebido como longa-metragem para cinema poderia ganhar ao passar por outras plataformas. A proposta do trio contou com a parceria da agência House Entertainment e há dois anos o projeto “Latitudes” começou a ganhar forma. Segundo Braga, ele como roteirista já tinha a ideia de

Procter & Gamble, Heineken e Fiat financiaram o projeto com recursos de marketing. 46

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um longa-metragem, mas que paralelamente funcionasse de maneira seriada”, explica o diretor. Com a ideia na cabeça, a equipe partiu em buscas de parcerias para viabilizar o projeto. A produtora levou a proposta para o canal TNT, da Turner, sugerindo um formato diferenciado em que o telespectador pudesse ter acesso a um conteúdo que geralmente não é mostrado nem nos bastidores: o trabalho dos atores no processo de construção dos personagens. Os oito episódios de 22 minutos de duração que vão ao ar pelo canal de filmes a partir de setembro misturam ficção e os ensaios dos atores.


Articulador O TNT foi o canal pensado como o exibidor na televisão originalmente pela audiência e pelo alcance. “A questão do acesso ao conteúdo era importante para nós”, resume Braga. O apoio do canal foi fundamental para que a equipe pudesse viabilizar “Latitudes”. Como conta o diretor, o projeto foi inteiramente financiado pelas marcas Procter & Gamble, Heineken e Fiat, com recursos vindos de suas áreas de marketing. O product placement foi feito de forma sutil, como por exemplo, no novo corte e cor de cabelo da personagem de Alice Braga, que faz parte de uma ação para a marca Wella, da P&G. “A gente está trabalhando um formato em que as marcas se alinham”, destaca Braga. O diretor ressalta que a participação do TNT foi fundamental para a articulação entre as empresas e a produtora. “Foi um canal fundamental para a operacionalização. Isso é uma coisa que todos os canais se mostram prontos, mas nem todos conseguem operacionalizar dessa maneira”. O projeto levou dois anos para se desenvolver e foi gravado em dois meses. A equipe viajou à França, Argentina, Uruguai, Inglaterra, Turquia, Portugal e Itália. Exceto em São Paulo, onde a locação é uma casa, nos outros países a maioria das cenas foi rodada em hotéis de luxo, como o Danieli, em Veneza, que recebe muitos pedidos de locação, mas só liberou para dois longasmetragens: “O Turista” e “Latitudes”. Braga destaca que isso só foi possível graças a um desenho de produção bem feito da produtora Rita Moraes e às vantagens que os hotéis viram em fazer parte de um conteúdo que teria exibição em um canal com ampla distribuição e com atores conhecidos do público. Segundo o diretor, esses parceiros se

latitudes

m, Longa-metrage ebsérie Formato série de TV e w  João Fonseca sar Rodrigues e Direção Ce Felipe Braga e ic Roteiro Teodoro Poppov s Brandão  co ar M utiva Produção exec e Rita Moraes  a Setembrino uli Gi Rita Moraes e Produção

Sinopse: Latitudes narra os encontros e separações de um casal sem raízes, sem uma história que possa ser contada longe das quatro paredes de um quarto de hotel, mas que retrata bem as paixões e conflitos que definem esta geração.

interessaram em abrir suas portas porque lhes interessa se apresentar como destino turístico para os brasileiros. Para a equipe esse é um ponto positivo. “’Latitudes’ cria acesso a lugares especiais”, observa Braga. A equipe ainda filmou em um desfile da coleção outono-inverno 2013/14 da Burberry, em Londres, uma mesquita em Istambul desenhada pelo arquiteto imperial otomano Mimar Sinan no século XVI, e uma banca de jornal em Saint-Germain-des-Prés, região conhecida como reduto de artistas e intelectuais em Paris desde o século XVII. Multitelas O projeto tem episódios de 12 minutos no formato tradicional de ficção que vão

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ao ar no fim de agosto, em um canal online exclusivo customizado para o projeto em parceria com o Google. Isso acontece antes da estreia na TV. Há negociação também com distribuidoras para estreia em salas de cinema, o que deve acontecer depois da televisão, propondo uma nova ordem de janelas de exibição. A equipe de produção não sabe o que pode acontecer, se o fato de o conteúdo estar disponível em outras mídias mais acessíveis antes pode dispersar o público do cinema, mas está disposta a arriscar. “Sinceramente não sei o que vai dar, é uma discussão bem longa. ‘Latitudes’ é a nossa contribuição para ela”, diz o diretor. ana carolina barbosa

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( upgrade )

Fernando Lauterjung

À distância

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Integrated Microwave Technologies (IMT), unidade de negócios da Vitec Videocom para sistemas de micro-ondas digitais, apresentou seu transmissor MicroLite com Clipe “V” RF Central (VMLT) no Congresso SET / Broadcast & Cable. O transmissor é um novo integrante da família de produtos da RF Central microLite HD, que incluem opções de encaixe hotshoe ou padrão Anton Bauer para câmeras. É um transmissor de vídeo compacto sem fio, que se encaixa na extremidade da câmera entre uma placa e qualquer bateria V-Mount, uma opção de montagem usada nas principais câmeras profissionais da indústria. A opção de V-Mount é integrada em ambos os

lados do transmissor VMLT, e permite que o transmissor seja fixado na câmera, e que a bateria seja encaixada no transmissor. Como resultado, a bateria pode ser usada para alimentar o transmissor e a câmera. O VMLT está disponível na versão de 2 GHz e na versão de 5 GHz. A versão de 2 GHz abrange de 1,9 a 2,5 GHz e proporciona até 200mW, enquanto a banda de frequência de 5 GHz tem uma saída de RF de 100 mW. Dependendo do modo e frequência, o transmissor tem um alcance de até 1,5 km. O alcance e a potência podem Transmissor MicroLite se encaixa na ser ajustados de 200 mW para 1 Watt extremidade da câmera entre uma placa e qualquer bateria V-Mount. com o amplificador de alcance Nucomm.

Para viajar servidores externos para plug-ins. Para conseguir a integração com o Pro Tools ou outra ferramenta, basta ligar um laptop na rede Ethernet AVB do sistema (através de um único cabo Cat5e). Com isso, é possível gravar com até 64 pistas de gravação / reprodução de áudio. O S3L permite uma expansão fácil para atender às necessidades de produção, podendo contar com 16 canais de I/O, até 64 canais, escalonável com módulos de 16 portas. Outro recurso é a possibilidade de contar com a mesa de controla a até 100 metros das portas I/O, conectada pelo cabo de rede. Assim não é necessário puxar todos os cabos de áudio até um rack distante do palco. Basta conectar uma unidade flash USB ao E3 para a reprodução de duas pistas de maneira simplificada, bem como para a gravação.

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Avid apresentou no Brasil durante a Broadcast & Cable, em agosto, através de seu dealer local Quanta AV-Pro, o sistema modular Avid S3L. Composto por processamento HDX e capaz de rodar plug-ins AAX, o sistema conta com entradas/saídas remotas e escaláveis, podendo ficar no palco ou em um rack, e roda os softwares Venue e Pro Tools. Além disso, tem um controle compacto construído para a estrada, mas que também pode ser usado em estúdios. O S3L oferece uma arquitetura de rede aberta, com uma rede Gigabit Ethernet tolerante a falhas conectando todos os dispositivos. Com entradas e saídas de nível profissional, o sistema suporta diretamente plug-ins AAX, o que permite acesso às mesmas ferramentas criativas utilizadas em estúdios de gravação, efetivamente substituindo equipamentos volumosos e T e l a

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Avid S3L oferece uma arquitetura de rede aberta, com uma rede Gigabit Ethernet tolerante a falhas conectando todos os dispositivos.

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FOTOs: divulgação

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( agenda )

Apresenta a realidade do mercado de satélites, novas tecnologias e aplicações, no único evento sobre o assunto na América Latina.

5 e 6 de setembro Congresso Latino-Americano de Satélites, Rio de Janeiro, RJ. Tel: (11) 0800 77 15 028. E-mail: inscricoes@convergecom.com.br

SETEMBRO

7 a 14 23° Cine Ceará - Festival Ibero-Americano de Cinema, Fortaleza, CE. Web: www.cineceara.com/

16 a 21 Curta-SE 13, Aracaju, SE.

Web: www.curtase.org.br

17 a 24 46° Festival de Brasília do Cinema brasileiro, Brasília, DF. E-mail: festivaldebrasilia@gmail.com. Web: www.festbrasilia.com.br/

18 a 22 Ottawa International Animation Festival,

Ottawa, Canadá. E-mail: info@animationfestival.ca. Web: www.animationfestival.ca

20 a 29 Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte,

Belo Horizonte, MG. Tel.: (31) 3236-7400. Web: festcurtasbh. com.br

26 a 10/10 Festival do Rio,

Rio de Janeiro, RJ. Web: www.festivaldorio.com.br

O novo ecossistema de desenvolvimento de aplicativos para smart TVs na visão dos principais players. 7 de novembro TV.Apps, São Paulo, SP. Tel: (11) 0800 77 15 028. E-mail: inscricoes@convergecom.com.br Web: www. convergecom.com.br

OUTUBRO

5 a 6 MipJunior, Cannes, França.

Web: www.mipworld.com

7 a 10 MipCom, Cannes, França. Web: www.mipworld.com 8 a 13 13ª Goiânia Mostra de Curtas, Goiânia, GO.

Web: www.goianiamostracurtas.com.br/gmc_2013/

18 a 27 Festival Internacional de Cine de Morelia, Morelia, México. Web: moreliafilmfest.com/

18 a 31 Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, São Paulo, SP. Web:

Fórum de discussões jurídicas sobre o mercado de telecomunicações, TI e comunicações. Debate a regulamentação de conteúdos audiovisuais e novas plataformas de mídia.

3 a 4 de dezembro Seminário Internacional ABDTIC, São Paulo,

SP. Tel: (11) 0800 77 15 028. Email: inscricoes@convergecom.com.br

7 a 17 21° Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade, São Paulo, SP. Web: www.mixbrasil.org.br

16 a 24 Festival Internacional de Cine de Mar del Plata, Mar Del Plata, Argentina. Web: www.mardelplatafilmfest.com/28/

21 a 1/12 21° Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade,

Rio de Janeiro, RJ. Web: www.mixbrasil.org.br

30 a 1/12 IV Mostra Animal,

mostra.org

Curitiba, PR. Web: www.mostraanimal.com.br/

NOVEMBRO

DEZEMBRO

5 a 7 Festival Internacional El Ojo de

3 a 6 Ventana Sur, Buenos Aires, Argentina. Web: www.ventanasur.gov.ar/eng/

6 a 13 American Film Market, Santa

5 a 15 35º Festival Internacional do Novo Cinema Latino Americano, Havana, Cuba.

Iberoamérica, Buenos Aires, Argentina. Web: www.elojodeiberoamerica.com/pt-br/ Mônica, EUA. Tel.: (1 310) 446-1000. E-mail: AFM@iftaonline.org. Web: www.americanfilmmarket.com

Web: www.habanafilmfestival.com/

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Revista TelaViva - 240 - Agosto de 2013  
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