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MERCADO

possam ser feitos com recursos públicos possam vir a ter no mercado. “Certamente há muito recurso disponível, mas não sabemos como isso será investido ainda”, diz, referindo-se ao cerca de R$ 1 bilhão que anualmente a Ancine recolhe como Condecine e que, em tese, deveria aplicar em financiamento à produção. Perspectivas futuras A indústria de TV paga no Brasil acabou evoluindo bastante nos últimos anos em relação a novas formas de entregar conteúdo. O sucesso da plataforma de vídeo on-demand (VOD) da Net, o Now, as plataformas de TV everywhere disponíveis (Muu, Telecine Play, HBO Go, Crackle, ESPN 360) e iniciativas on-demand, como ClaroVideo e Vivo Play, surgiram com força nos últimos dois anos. Mas não necessariamente são sucesso de público, exceto no caso do Now. “Acho que a gente caminhou mais rápido do que os próprios telespectadores esperavam”, diz Alberto Pecegueiro. José Felix comemora a aposta. “Fazer vídeo on-demand é muito caro. Proporcionalmente, talvez seja o produto mais caro de viabilizar. Quando fizemos, não tínhamos muita esperança de retorno. Era mais uma coisa para dar uma resposta ao usuário que buscava conteúdos online. Mas foi uma surpresa o sucesso do produto. Hoje eu posso dizer que um retorno é possível. Não

A Sky no Brasil tinha quase 200 mil assinantes a mais do que deveria em sua base, fruto de uma política mal feita de desconexão de clientes inadimplentes. é rápido, mas é um negócio viável”, diz José Felix, ressaltando que o serviço de VOD tem ainda o papel de agregar o hábito do consumo não-linear de conteúdos. A Net já trabalha há algum tempo em uma plataforma própria de TV everywhere, mas os indícios dados por José Felix são de que o lançamento dessa plataforma deve estar atrelado a uma inovação mais ampla na plataforma de TV paga, com a agregação de novos serviços no set-top. Sem detalhes, a Net dá a entender que deve seguir um modelo parecido com o da Comcast, com o xFinity, que mudou a interface de usuário de suas caixas, incorporou serviços conectados (widgets e aplicativos), abriu essa plataforma para vários dispositivos e integrou o modelo e as tecnologias tradicionais de vídeo a alguns serviços IP. “Não vejo porque pensar em uma rede all IP, mas alguns serviços podemos fazer, de forma híbrida”, diz Felix. Tanto Felix quanto Pecegueiro estão afinados em um discurso: o novo não pode destruir modelos de sucesso. “Não dá para mudar as janelas de conteúdo só porque é legal estar na Internet”, diz Felix, lembrando que a TV paga, no modelo tradicional, é hoje a principal responsável por pagar a conta dos produtores de canais”. Para Pecegueiro, nenhum programador tem outra opção a não ser estar junto do operador. “Qualquer novo modelo tem que respeitar essa parceria”.

APOSTA IP

N

ão é de hoje que a Telefônica/Vivo coloca a maior parte de suas fichas na plataforma IP para desenvolver seu produto premium de TV por assinatura. O Vivo TV Fibra, entretanto, ainda é muito restrito, chegando a não mais do que alguns milhares de clientes. “Isso vai mudar. Mudamos a plataforma e agora temos condições de dar escala ao serviço”, diz o diretor de vídeo da Telefônica, Rafael Sgrott. Ele reitera os planos de levar o serviço para mais 15 cidades do interior de São Paulo, além da região metropolitana, já atendida. Paralelamente, a Vivo lançou o Vivo Play, um serviço de VOD similar ao desenvolvido pela Claro (o ClaroVideo), que funciona over-the-top, em múltiplas plataformas, de celulares a TVs conectadas. “Estamos com o produto desde o ano passado e aprendemos que ainda é preciso educar melhor o consumidor sobre essa oferta. Mas, uma vez que ele conhece, vira fã”. O Vivo Play não tem nenhuma relação com as outras plataformas de TV paga, ou seja, não é um benefício a quem assina o Vivo TV Fibra nem é uma plataforma de TV everywhere. “Mas estamos trabalhando nessas possibilidades de integração”, diz ele. O DTH, que hoje é o responsável pela maior parte dos cerca de 550 mil clientes de TV paga da Vivo, continua sendo visto como uma plataforma complementar, mas que deve receber uma injeção de ânimo agora. “Estamos intensificando mídia, voltamos a crescer e temos planos de expandir o serviço, com entrada de novos canais HD. O DTH da Vivo é hoje a opção mais econômica do mercado”.

“Estamos intensificando mídia, voltamos a crescer e temos planos de expandir o serviço (de DTH), com entrada de novos canais HD.” Rafael Sgrott, da Telefônica/Vivo 3 0

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Revista TelaViva - 239 - Julho de 2013  

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