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“Se crescíamos 30% e agora passamos para 15% ao ano, isso não é sinal de que a indústria esteja em crise. Mas é um reflexo de que a economia brasileira desacelerou.”

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B1. Ainda cresce em B2 e C1. A partir daí, vai ficando mais complicado”. Na visão da Globosat, o desafio é fazer isso sem perder de vista que a TV por assinatura tem um público A1 e A2 e que não necessariamente quer abrir mão de conteúdos que não são tão atraentes para as classes C. “É um momento de testar várias alternativas, de encontrar formas criativas de expandir o serviço para quem ainda não tem”. Há quem diga que o modelo seja o de venda pré-paga, já testado algumas vezes no Brasil, sem sucesso, mas que é o que tem garantido o crescimento dos serviços na América Latina e em países como a Índia. As razões do fracasso desse modelo de venda no Brasil ainda não são bem diagnosticadas, mas, certamente, passam pela rentabilidade. O pré-pago rende menos do que a assinatura convencional. Por isso, só vale a pena apostar nesse modelo quando ele efetivamente não canibalizar os outros modelos, apontam fontes ouvidas. Outra evidência de que boa parte do crescimento do mercado se deveu a um certo excesso na disputa por assinantes foi a constatação, tornada pública pela DirecTV no final de junho, de que a Sky no Brasil reportava quase 200 mil assinantes a mais do que deveria em sua base, fruto de uma política mal feita de desconexão de clientes inadimplentes. Mais detalhes sobre o caso só serão conhecidos com o tempo, assim como suas implicações. Mas o fato é que a Sky já fez uma limpeza de pelo menos 130 mil clientes na base declarada em maio e deve fazer mais na base de junho. Já o fator “novos players”, tão alardeado desde que a legislação de TV paga mudou em 2011, teve apenas um efeito prático: a entrada da Net em cerca de cem cidades até o final do ano. A empresa acha que ainda cresce com o seu modelo triple-play onde não estava presente. “Onde estamos entrando, estamos vendendo muito bem, mesmo sendo mercados que já estavam parcialmente ocupados pelo DTH. Pela primeira vez, estamos nos comportando como attackers nesses mercados, tirando participação dos outros”, diz Felix. Para Alberto Pecegueiro, pensar que a indústria ainda pode avançar em mais 13 milhões ou 15 milhões de domicílios, além dos 17 milhões atuais, é algo factível. “Não estou dizendo que será simples e fácil, nem que será da mesma forma como se avançou até aqui, mas é possível”, diz ele. O executivo da Globosat ressalta também que ainda é cedo para dizer se esse crescimento que o mercado ainda comporta virá dos atuais players ou se há espaço para novos. “O mercado está aí, mas não me atrevo a dizer se o market share atual será mantido”. Ele aponta E S P E C I A L

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Alberto Pecegueiro, da Globosat alguns modelos, como o da Meo TV, praticado pela Portugal Telecom em Portugal, como exemplos de sucesso, e reconhece que a Dish, nos EUA, é uma operadora agressiva. Para José Felix, da Net, falar em TV paga para a classe C é algo já bem perto da realidade, “ainda que não seja nada simples”. Mas ir além e pensar em um produto de TV nas classes D e E é algo muito mais distante. “Eu não me atrevo a pensar em um modelo para TV além da classe C, por enquanto. Mas vejo oportunidades na banda larga”. A Net aponta um fator conjuntural relevante. “Querendo ou não, estamos no meio de uma crise econômica, com dólar subindo, inflação mais alta e mais insegurança. Isso se reflete, sobretudo, nos nossos custos em dólar, para a construção das redes”, diz Felix. Para a operadora, um aumento expressivo da valorização da moeda norte-americana pode ter impactos sérios sobre os planos de expansão. “Não existe como construir rede sem gastar em dólar. Talvez seja a hora de mostrar para o governo que essa indústria, assim como a de celulares, precisa de alguma desoneração para equipamentos importados”, diz, referindo-se principalmente aos modems (CPEs) e set-top boxes. Do ponto de vista de conteúdo, Pecegueiro acha improvável que o custo de programação caia drasticamente. Mas ele aposta que muito do conteúdo que tem sido agregado por conta de obrigações legais terá que ser avaliado em relação ao interesse do assinante. A Globosat também prefere não avaliar os efeitos que os eventuais investimentos em conteúdo que

S E R V I Ç O S

“A desaceleração era esperada, porque a história do mercado mostra que vender TV não é simples. Uma hora é preciso lidar com churn, com inadimplência.” José Felix, da Net Serviços •

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Revista TelaViva - 239 - Julho de 2013  

Revista TelaViva - 239 - Julho de 2013

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