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( entrevista) E você vê as agências não só usando o conteúdo como mídia, mas também entrando nesse negócio, sendo detentoras e explorando esse conteúdo? Por que não? À medida em que você tem a capacidade criativa na agência, deve usar. A Publicis fez um comercial para a Cartier na França que é um conteúdo lindo, não parece propaganda, as pessoas repassam.

FOTO: marcelo kahn

exemplo, 33% da receita vem do digital. No Brasil é 10%, 12%. Isso é porque você consegue sucesso na TV aberta no Brasil. Na Europa já há uma pulverização, você chega na França e não tem uma Globo, uma Abril, uma grande TV ou grande revista de circulação nacional. Já é pulverizado. No Brasil a TV aberta tem muita qualidade, muita cobertura, então funciona. Quero ver qual cliente vai ter coragem de contar só com a cobertura da Internet. E a gente é movido a isso. O profissional de mídia não pode errar a mão, senão ele perde a conta e depois perde o emprego.

Hoje muitas produtoras audiovisuais estão expandindo sua atuação para o conteúdo. Isso tem afetado o mercado publicitário? Não. Acho até bom que eles façam outras coisas com os ativos que têm, porque isso até pode baixar os preços da produção publicitária. Eles se exercitam mais, ganham mais musculatura.

Os anunciantes compartilham dessa visão? Compartilham, mas também cobram bastante. Querem saber “o que vamos fazer de Internet? O que vamos fazer de mídias sociais?”. É para ser moderno e também pra instigar a gente, fazer a gente pensar. Porque também se ficarmos fazendo só Estadão, Veja e Globo não dá mais.

“na europa já há uma pulverização. não existe lá uma globo, uma abril, uma grande tv ou uma revista de circulação nacional”.

E a TV por assinatura? Por que o investimento publicitário ainda não acompanhou o crescimento da base de assinantes e também a mudança no perfil, com a forte entrada da classe C? É mais ou menos a mesma coisa, embora a TV por assinatura já seja mais mensurável, tem Ibope etc. Mas padece do mesmo mal, que é concorrer com uma TV aberta de muita qualidade e muita penetração. Dá pra fazer uma campanha só de TV paga, tem cliente que faz, como a Heinecken, e vai bem. Mas também é mais pulverizada, são 200 canais, contra quatro ou cinco na TV aberta. Isso prejudica a TV paga na competição com a aberta, ainda mais com os preços mínimos que eles têm que

praticar. Para fazer uma boa cobertura na TV paga tem que pagar muito mais caro, tem que fazer 40, 50 canais. Hoje está na moda se falar em branded content, até por conta do crescimento das oportunidades de produção nacional. Isso é uma tendência real, ou só um desejo? É uma tendência, mas ainda tem muita fumaça. Tem muita gente falando ainda sem saber muito bem o que é isso. Mas caminha para isso. Principalmente para a TV paga, você levar um conteúdo junto com o seu cliente vai fazer uma baita diferença. Mas ainda tem muita falação e pouco faturamento. 22

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Vocês têm sido procurados, no caso da sua agência, por produtores com projetos de conteúdo? Sempre trazem, é constante. Apresentam conteúdos que são pensados para determinados clientes. Isso tanto produtoras grandes quanto pequenas. Todos estão criando jeitos de fazer conteúdos que podem ser agregados às marcas. O mundo ficou mais complexo para as agências? Sem dúvida. Antigamente você saia de casa com um jornal lido e sabia de tudo o que estava acontecendo (risos). Hoje não dá mais. Para as agências esse mundo é mais excitante, mas mais difícil. Morre mais gente pelo caminho. Não sei como as coisas estarão em dez ou mesmo em cinco anos, mas com certeza tudo será ainda mais rápido. O que vai fazer diferença é o respeito e a credibilidade de alguns veículos. Isso o mundo digital está conseguindo, mas não chegou lá ainda.

Revista TelaViva - 239 - Julho de 2013  

Revista TelaViva - 239 - Julho de 2013

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