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televisão, cinema e mídias eletrônicas

ano 22_#239_jul2013

AJUSTE DA ROTA

Sob efeito da retração econômica, TV por assinatura se acomoda em novos patamares de crescimento. Operadoras contam com tecnologia e serviços para fidelizar e aumentar a base.

ENTREVISTA Para presidente da Abap, mídias digitais precisam melhorar métricas para disputar verbas com a TV aberta

PRODUÇÃO As séries nacionais de ficção que estão conseguindo emplacar novas temporadas


Foto: marcelo kahn

(editorial ) Presidente Diretores Editoriais Diretor Comercial Diretor Financeiro

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Ancine divulgou no último mês seu relatório anual de acompanhamento da programação na TV aberta e na TV por assinatura. Mesmo limitado aos dados de 2012, o documento traz revelações interessantes sobre nossa televisão, com destaque para dois elementos: o aumento do conteúdo nacional na TV paga (consequência da lei 12.485/11, embora o relatório pegue um período relativamente curto de aplicação das cotas) e a predominância da programação religiosa na TV aberta. Na TV por assinatura, como mostra matéria nesta edição, o salto da presença de conteúdo nacional se deu a partir de setembro do ano passado. A quantidade de programas exibidos praticamente dobrou. Olhando-se apenas os canais de programação predominantemente estrangeira, fomos de uma média mensal em torno de 150 a 200 horas para algo em torno de 350 horas. Ficou patente que o primeiro momento do atendimento das cotas, como era esperado, foi marcado pela presença de filmes já prontos (aquisições), com infindáveis repetições. O campeão, “Tropa de Elite 2”, foi exibido nada menos que 69 vezes ao longo do ano, nos canais Telecine. Alguns filmes, como “Carlota Joaquina”, tiveram 27 exibições em três canais diferentes (AXN, Sony e Canal Brasil). É compreensível que os canais não tenham tido tempo de se armar com produções originais na quantidade necessária para cumprir os horários obrigatórios, algo que já está mudando, como se vê pela safra recente que tem estreado nos canais pagos, com séries como “Copa Hotel” (GNT), “A Vida de Rafinha Bastos” (FX) e “Na Fé com Artur Veríssimo” (Discovery), entre muitas outras. O movimento é positivo, com as séries nacionais dando bons resultados de audiência. Para alguns canais, já faz sentido investir em geração local de conteúdo com ou sem obrigações legais. Um exemplo é “Mundo Selvagem de Richard Rassmussen”, produzido para o canal NatGeo em um modelo de negócios que não permite que o programa cumpra cota, ou “Psi”, série nacional em produção para a HBO, bancada integralmente pela programadora. É de se esperar que a tática da reprise infinita arrefeça um pouco. Já na TV aberta, manteve-se a predominância histórica do conteúdo nacional. À exceção do SBT, por conta das séries e filmes estrangeiros, e da TV Cultura, que exibe muitas horas de produção infantil importada (animação) e cinema estrangeiro, os índices de nacionalização chegam a 76%,no caso da Globo, 83% (Record) e até 100%, no caso da TV Gazeta. Mas os números não refletem toda a realidade. Grande parte deste conteúdo não é necessariamente de boa qualidade. Séries e filmes ocupam só 14% da programação. Mesmo as novelas, quando somadas as horas de todas as redes, são apenas 3% do total programado (na programação da Globo somam 14% do horário). Quem predomina na grade das TVs aberta é a programação religiosa, que responde por quase 14% da programação total, seguida por programa de variedades (10%). O alcance dos programas de qualidade da TV aberta ainda supera em muito aquele da TV paga. E o broadcast ainda absorverá por um bom tempo a maior fatia das verbas publicitárias (veja entrevista nesta edição com o presidente da Abap para entender por que). A TV aberta se acostumou no Brasil a ter o monopólio da qualidade na programação nacional, concentrando os melhores talentos, atores, diretores, roteiristas, cenógrafos. Precisa cuidar deste patrimônio, para não virar a “rádio AM” do conteúdo, perdendo aos poucos o público qualificado que ainda detém.

Fernando Lauterjung

Gislaine Gaspar (Gerente)

a n d r e @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Duas TVs

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capa: Dino Osmic/shutterstock.com

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Ano22_#239_ jul/13

(índice ) 28

Especial IPTV e Serviços Mercado

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TV paga busca alternativas para enfrentar desaceleração da economia e continuar crescendo

IPTV

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Plataforma é alternativa para oferecer novos serviços e atrair assinantes

Infraestrutura

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Redes de distribuição de conteúdo criam oportunidades comerciais para provedores de conteúdo e operadoras

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Figuras

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Entrevista

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Presidente da Abap defende modelo atual das agências brasileiras

Programação

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Parceria entre Turner e Esporte Interativo aquece mercado de direitos esportivos no Brasil 42

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Internacional

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BBC Worldwide leva centro de decisões sobre a América Latina para Miami

Produção

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Séries nacionais de ficção avançam para novas temporadas

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Making of

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Televisão

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Conteúdo religioso ganha espaço na radiodifusão

Case

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“Vai que Cola” é maior aposta do Multishow em 2013

Upgrade

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Agenda

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Acompanhe as notícias mais recentes do mercado

telavivanews www.telaviva.com.br 6

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Foto: ricardo cardoso

Rio em alta Além da produção “Rio Eu Te Amo”, versão brasileira da franquia Cities of Love que homenageia grandes cidades do mundo em filmes e tem previsão de lançamento para 2014, a Conspiração está com outro projeto em andamento sobre a cidade maravilhosa. Trata-se de uma parceria entre a produtora brasileira e a francesa Gédéon Programmes para a produção de um docudrama, orçado em R$ 6 milhões, sobre a construção do Rio de Janeiro. O projeto, que provisoriamente recebe o nome de “Rio” e comemora os 450 anos da cidade (em 2015), é desenvolvido pela Planète+ e pela Arte. A ideia é que “Rio” seja um longa-metragem de 90 minutos e uma série de cinco episódios, nos moldes de “Paris: The Great Saga”, que já foi vendida para 25 territórios.

Em “Na Fé com Arthur Veríssimo”, produzida pela Mixer, Discovery mostrará nove festivais religiosos no Brasil e na América Latina.

Andar com fé -hispânico El Tinku, na Bolívia; participa da peregrinação de nações indíginas no festival anual de Qoyllur Rit’l, em Cuzco, no Peru, e vai à peregrinação dos seguidores da fé Vodou no Haiti. O apresentador não observa apenas como turista, mas vivencia de fato todos os processos em cada um dos festivais. “É profundo, você tem que mergulhar. Ou você mergulha ou você fica ausente e fica de fora”, destaca. A produção teve início em outubro, durante o Círio de Nazaré e a pesquisa e pré-produção começaram cerca de três meses antes. Astiz conta que o maior desafio era logístico, de conciliar as datas dos festivais com as necessidades de produção. Segundo o diretor geral, há muito material gravado sobre cada um dos eventos selecionados e é possível que seja feito algum aproveitamento dele pela Discovery fora da televisão. Veríssimo acrescentou que já iniciou algumas pesquisas e tem muitas idéias para novos episódios. No entanto, uma segunda temporada ainda vai depender da resposta da audiência, explica Medin. “Na Fé com Arthur Veríssimo” será exibida no Brasil, nos demais sinais do Discovery na América Latina e no Discovery em espanhol nos Estados Unidos.

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Conteúdo nos ares Em julho, a Avianca passou a exibir conteúdo jornalístico produzido pelos canais Bandnews e Bandsports em sua programação de bordo nas aeronaves A319 e A320. A exibição é resultado de parceria firmada entre a Band Content Distribution, área responsável pela distribuição de conteúdos do Grupo Bandeirantes, e a companhia aérea. Fotos: divulgação

A Discovery estreou em julho a atração nacional “Na Fé com Arthur Veríssimo”. Fernando Medin, diretor-geral da programadora no Brasil, apresentou o docureality como a “produção local mais importante do Discovery” para 2013. Produzido pela Mixer sob direção geral de Rodrigo Astiz com recursos do Artigo 39, a série é resultado de mais de dez meses de pesquisa e produção, em que foram selecionados nove festivais religiosos (um para cada episódio) em que o jornalista que dá nome à série participa, mostrando as etapas, os significados, os preparativos e os rituais de manifestações da fé em cultos sagrados e cerimônias religiosas. O episódio de estreia mostra o Festival de Iemanjá, em Salvador. No Brasil, a equipe ainda passou pelo Círio de Nazaré, festa em homenagem à Nossa Senhora de Nazaré, em Belém; pela festa de Santa Bárbara, em Codó (MA) e participa de um festival da tribo indígena Yawanawá, no Acre. Veríssimo também participa da peregrinação do Dia de São Lázaro, em Cuba; vive a Semana Santa Tarahumara no México; mostra o festival pré-

Avianca fez acordo com a Band para exibir conteúdo jornalístico produzido pelos canais Bandnews e Bandsports a bordo. j u l 2 0 1 3


Novo canal Trata-se de um canal totalCesar Sabroso, vicemente voltado para a histó-presidente sênior de ria, com a proposta de oferemarketing da A&E cer conhecimento profundo Networks, assumiu há dos temas que aborda. Ele pouco tempo a gerência está disponível tanto em geral do recém-inauguradefinição padrão quanto em do escritório da empresa alta definição. As conversas no Brasil. Segundo o execom a HBO, encarregada de cutivo, o País é um merdistribuir os canais do grupo cado prioritário para o no Brasil e as operadoras de grupo, que quis reunir TV paga já foram iniciadas, um grupo de talentos nacionais para potenciali- Cesar Sabroso, gerente geral como conta o executivo. do A&E Networks no Brasil, Sabroso destaca o zar os negócios por aqui. conta que já há conversas Hoje são cerca de 25 pro- para a distribuição do canal desafio que representa o mercado brasileiro para a fissionais trabalhando no de história H2 no Brasil. A&E Networks: escritório de São Paulo “Atualmente, o mercado brasileiro nas áreas de marketing, produção, de TV paga é o mais difícil e o digital e redes sociais. Sabroso disse mais fascinante do mundo. O Brasil que há vontade de incrementar o portem uma televisão ótima e somos tfólio do grupo no mercado brasileiro obrigados a dar o melhor conteúdo (hoje com os canais History, Bio e A&E) para ser a melhor experiência de com a distribuição do canal H2, hoje marca para o público”. distribuído no território mexicano.

Cultura exibe “Sítio do Picapau Amarelo”, da Globo, e em troca, cede “Castelo Rá-Tim-Bum” e “Cocoricó” para a Globo Internacional.

Troca A TV Cultura exibirá a atração “Sítio do Picapau Amarelo”. A exibição é resultado de uma parceria firmada entre a Fundação Padre Anchieta e a Rede Globo. Em contrapartida, a Cultura cedeu para a Globo Internacional duas consagradas atrações infantis: “Castelo Rá-Tim-Bum” e “Cocoricó”. O programa foi produzido pela Globo entre 2001 e 2007 e irá ao ar de segunda a sexta-feira em episódios de 15 minutos.


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O Canal Brasil produziu o documentário “Dossiê Jango” e planejou os lançamentos em todas as mídias em um intervalo de três meses. O longa estreou no cinema no dia 5 de julho. Quinze dias depois chegou ao iTunes. Em 12 de agosto estreia no VOD e irá ao ar pelo canal em 18 de setembro. No mesmo mês será lançado em DVD pelo selo Coleção Canal Brasil. O documentário, dirigido por Paulo Henrique Fontenelle com base no argumento de Paulo Mendonça e Roberto Faria, propõe a reflexão sobre a ditadura militar brasileira a partir da morte do ex-presidente João Goulart, em 6 de dezembro de 1976, na Argentina. A ideia de fazer o documentário surgiu a partir das pesquisas para um filme de ficção de Faria sobre a vida do ex-presidente. A partir da conversa com a viúva de Jango, Maria Tereza Goulart, Fontenelle percebeu que haveria material para outro projeto. “Vimos que poderia sair

Fotos: divulgação

História revista

O documentário “Dossiê Jango”, do Canal Brasil, terá lançamento em todas as mídias em um intervalo de três meses.

dali um filme totalmente diferente”, disse. O filme apresenta novos elementos e testemunhas-chave para reabrir a discussão em torno das

circunstâncias da morte de Jango, cuja hipótese de assassinato vem sendo levantada desde a ditadura, sem nunca ter sido investigada. Oficialmente, o ex-presidente morreu de infarto durante seu exílio político, quando planejava voltar ao Brasil. Em três anos de filmagens e pesquisa, a equipe do filme entrevistou o filho e a viúva de Jango, amigos, jornalistas, historiadores, políticos e esteve na Argentina e no Uruguai, onde Jango viveu com a família em exílio. Lá, teve acesso a documentos da polícia uruguaia nunca revelados no Brasil. Segundo Fontenelle, a parte mais difícil do filme, que começou a ser estruturado em novembro de 2009, foi conseguir imagens. Muitas das pesquisas tiveram que ser feitas no exterior, em arquivos de bibliotecas argentinas, americanas e francesas. O documentário foi inteiramente financiado pelo Canal Brasil e teve apoio do Instituto João Goulart.

Animação nacional O filme “Uma História de Amor e Fúria”, uma coprodução da Buriti Filmes e da Gullane, ganhou o prêmio de melhor filme de animação na competição oficial do Festival de Annecy, na França. Esta foi a primeira vez que um longa brasileiro foi selecionado para a mostra competitiva em 53 anos de festival. O longa é uma animação para adultos que narra o amor entre Janaína e um guerreiro indígena que, ao morrer, assume a forma de um pássaro. Durante seis séculos, a história do casal sobrevive, atravessando quatro fases da história do Brasil: a colonização, a escravidão, o regime militar e o futuro, em 2096, quando haverá uma guerra pela água. Com traço e linguagem de HQ, o filme é dirigido por Luiz Bolognesi. Fox financiou a atração “Mundo Selvagem de Richard Rasmussen”, resultado de uma expedição de três meses por sete estados.

Selvagem O NatGeo estreou “Mundo Selvagem de Richard Rasmussen”. Em nove episódios, a atração acompanhará o biólogo em uma expedição de três meses pelos estados do Pará, Amazonas, Amapá, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Acre e Minas Gerais. A produção é da Green Planet, produtora nacional da qual Richard é sócio. Cada episódio da série foi montado em cima de um conhecimento, mito ou lenda tradicional das regiões visitadas. A atração, que é a primeira produção de Rasmussen para a TV paga, foi financiada pelo canal. 12

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O longa “Uma História de Amor e Fúria” levou prêmio de melhor filme de animação na competição oficial do Festival de Annecy, na França.

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Ficção local

App

A RPC TV, afiliada da Rede Globo no Paraná, começou a exibir no fim de junho mais um projeto de produção local. Dentro do quadro “Casos e Causos”, que vai ao ar aos domingos à noite no programa “Revista RPC”, a emissora exibiu o primeiro episódio da série “Os 7 Pecados”, que segue até dezembro. A produção é da RPC TV e contará com sete episódios mensais, cada um para um pecado: soberba, ira, luxúria, gula, avareA RPC TV, afiliada da Globo no Paraná, produziu za, preguiça e inveja. Os episódios trarão a série “Os 7 Pecados”, com episódios mensais. histórias do cotidiano e situações comuns com as quais os telespectadores poderão se identificar. A série tem como diferencial a inovação em linguagem narrativa, que não fica restrita somente às telas. O público também poderá acompanhar a história dos personagens nos intervalos da programação com pequenos programetes. Além do episódio que vai ar aos domingos, a RPC TV também desenvolveu conteúdo exclusivo para a Internet, com detalhes de produção, curiosidades técnicas, elenco, direção, fotografia, roteiro, que pode ser acessado no site www.os7pecados.com.br. Além disso, a série tem um laço ligando cada um dos sete episódios: o personagem coadjuvante de um capítulo será o personagem principal do próximo. A ideia original da série é da atriz Maureen Miranda. O projeto foi desenvolvido pela equipe de Produção da RPC TV e os episódios têm direção de André Siqueira. As imagens foram captadas com equipamentos 4K.

A Hyundai lançou um aplicativo nas smart TVs da LG no Brasil. Desenvolvido pela HXD Interactive, com participação da agência Mellon Marketing, o app está divido em duas seções: HB20 e Copa das Confederações. A primeira seção apresenta o novo carro da família Hyundai - o HB20, com um vídeo explicativo, informações do veículo, o comercial e galeria de fotos. Já a segunda seção teve como foco a Copa das Confederações e mostrou vídeos de alguns jogadores apresentando os estádios da Copa, o placar com as pontuações de cada time, tabela da final e semi-final, além de informações de cada seleção e uma galeria fotos. Os usuários das Smart TVs da LG podem acessar o aplicativo gratuitamente direto da Home Dashboard. O app Hyundai é parte de um projeto que contará com uma série de atualizações para a inclusão dos novos conteúdos, inclusive sobre a Copa do Mundo 2014.

Remake cia desse tipo nesse horário”, O SBT apresentou a nova disse Iris Abravanel. De acordo versão da novela infanto-juvecom o diretor comercial do canal, nil “Chiquititas”. Com direção Glen Valente, o SBT já renovou de Reinaldo Boury e autoria contrato com cinco anunciantes de Iris Abravanel, a produção de “Carrossel”: Chamito, Vim, estreou na grade da emissora Omo, Lifebuoy e Cacau Show. no dia 15 de julho, às 20h30. Ainda de acordo com Valente, o A previsão do canal é que a canal prepara o licenciamento de nova versão de “Chiquititas” produtos da atração, incluindo tenha cerca de 300 episódios e DVD, CD e bonecas. “Tivemos fique no ar por 16 meses. mais de 300 produtos com Apesar de ser uma adaptação, 'Carrossel'. A expectativa é que a nova trama tem grande tenhamos ainda mais com semelhança com a original e Depois do sucesso de "Carrossel", SBT aposta na nova versão de traz de volta todos os seus "Chiquititas", com boas expectativas de audiência e licenciamento. 'Chiquititas', pois já nos preparamos e começamos o processo de personagens principais. “Há licenciamento mais cedo”, disse. poucos novos personagens na série”, disse Iris. De acordo Uma das adaptações promovidas na nova versão é a com Arnaldo Saccomani, diretor musical do SBT, as músiinclusão da relação das crianças com a tecnologia na trama. cas mais populares da novela exibida no final dos anos “É incrível como em um espaço de tempo relativamente 1990 farão parte da trilha sonora da nova versão. curto entre as duas versões a vida das crianças e das famí“Fizemos uma pesquisa para saber quais eram as músicas lias mudou nesse aspecto”, disse a autora Iris Abravanel. A preferidas da versão original e elas estarão presentes na inclusão do tema na série está sendo usada para promover nova edição. Mas também terá muita novidade”, disse. Os a interatividade com os fãs por meio da Internet. De acordo tradicionais clipes musicais exibidos durante os episódios com o diretor Reinaldo Boury, o blog fictício da personagem também estão presentes na adaptação. O objetivo do canal Cris na novela ficará disponível na página do programa no é, no mínimo, repetir os números alcançados com portal do SBT, e servirá como ferramenta de interação com “Carrossel”. “O canal decidiu pela produção baseado no os telespectadores. sucesso de 'Carrossel' e em pesquisas que indicam carên-

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( scanner) Fotos: divulgação

Sem raízes O projeto “Latitudes”, estrelado e produzido por Alice Braga e Daniel de Oliveira e dirigido por Felipe Braga, estreia no final de agosto e começo de setembro, em formatos para TV, Internet e cinema. Para a Internet, será veiculada uma versão em 12 minutos, em formato convencional de ficção, em canal customizado em parceria com o Google. No canal TNT, será dividido em episódios de 22 minutos de duração, mesclando ficção, making of e a rotina de ensaios dos atores. Após cada exibição, o conteúdo será disponibilizado, sob demanda, na plataforma do projeto. A distribuição para salas de cinema ainda está sendo negociada. “Nosso desejo era o de produzir um filme, um projeto cinematográfico que não se restringisse a uma janela específica, que o definisse como ‘série de TV’, ‘websérie’, ‘série’, ‘longa-metragem’, etc. Como e quando ele será assistido, com que minutagem e em qual janela... Essa é uma pergunta para ser respondida pelo espectador”, diz o diretor do filme. “Latitudes” narra os encontros e separações de um casal sem raízes, que se encontra em hotéis de alto padrão, estações de trem e aeroportos na América Latina, Europa e Ásia. No filme, Alice Braga é Olívia, uma editora de moda que viaja o mundo pesquisando tendências, e Daniel de Oliveira é José, um renomado fotógrafo que viaja o mundo fazendo editoriais. A produção é da LosBragas e da House Entertainment.

Thaíde, Rita Batista, Mariana Weickert e China são os repórteres da quarta temporada de “A Liga”, que estreou com novos quadros.

Ligados O programa “A Liga” estreou sua quarta temporada na Band. Três novos integrantes se juntam ao apresentador Cazé Peçanha e ao músico Thaide na equipe de repórteres: a apresentadora Mariana Weickert, a repórter Rita Batista e o músico China. De acordo com Sebastian Gadea, diretor do programa, a temporada tem 26 episódios, seis a menos que no ano passado. O programa tem dois novos quadros. “7 Dias” mostra um dos apresentadores vivendo na pele situações extremas durante uma semana. Em um dos episódios, o músico China passou uma semana bebendo e convivendo com alcoólatras. Já o quadro “Mundos Opostos” acompanha dois personagens com opiniões divergentes sobre um assunto e promove o debate entre eles. Em uma das edições do quadro, o programa apresentará um pastor evangélico ex-gay e uma drag queen militante dos direitos dos homossexuais. O programa apresenta também uma nova proposta visual, com o uso de câmeras 5D, que permitem maior qualidade de imagem, e novas aberturas. “A nova identidade visual e a qualidade da imagem vão ao encontro da estética que queremos no programa, é um selo nosso. Com isso visamos um público mais amplo que aquele que consome jornalismo normalmente”, disse Gadea.

Personagens de “My Dear Handyman”, coprodução da Globo com a Telemundo baseada na novela “Fina Estampa”.

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"Latitudes", da LosBragas e House Entertainment, tem formatos para TV, Internet e cinema.

Coprodução

Embaixo d’água

“My Dear Handyman”, produção em espanhol baseada na história de “Fina Estampa”, estreou nos Estados Unidos em julho. A atração é uma coprodução da Globo com a Telemundo, rede de televisão americana voltada para o público latino. “My Dear Handyman” será licenciada pela Globo para os mercados europeu e africano em parceria com a Telemundo, e exclusivamente pela emissora brasileira para o mercado asiático.

O Canal Off estreou a série “Naufrágios”. Os 13 episódios do programa foram realizados pela produtora Macadâmia Filmes e trazem os mergulhadores Silvia Sampaio, Douglas Monteiro e Ninha Santhiago em uma aventura pelos mais importantes naufrágios da costa brasileira. A inovação fica por conta do uso de modernos equipamentos de comunicação embaixo d’água, onde o trio interage, discutindo e apresentando cada detalhe dos mergulhos.

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REALIZAÇÃO

ORGANIZAÇÃO

PUBLICAÇÕES OFICIAIS

NSAO. 5 A 7 DE AGOSTO DE 2014

TRANSAMÉRICA EXPO CENTER, SÃO PAULO, SP


Reprise

Diretor de Cena

O diretor-presidente da ANCINE, Manoel Rangel, foi reconduzido para um novo mandato de dois anos como secretário executivo da Conferência de Autoridades Cinematográficas de Iberoamérica (CACI). A decisão unânime foi anunciada durante a XIV Reunião Ordinária da CACI, em Medellin, na Colômbia.

A Movie&Art reforçou seu time de diretores de cena com a contratação de Ricardo Santini, profissional com cinco anos de carreira e portfólio que inclui filmes para Sky, Mitsubishi, Blackberry, Livraria Cultura e Instituto Goethe.O currículo de Santini inclui também a codireção do curta-metragem “Uma vida inteira”, baseado no conto “O salto” de Antonio Prata.

Fotos: divulgação

Direção

A Conspiração contratou Flávio Barone para integrar seu time de diretores. Formado e pós-graduado em cinema pela FGV-RJ, Barone começou há 11 anos no segmento de distribuição e exibição de filmes, e já realizou e apoiou mais de 100 mostras e festivais de cinema. Seu último trabalho foi na produtora Talk Filmes, empresa da qual foi fundador ao lado de outros sócios e onde esteve à frente da área de criação e projetos por quatro anos.

Retorno Léo Ávila retorna à Santa Clara para assumir o cargo de supervisor de criação após 10 meses na Almap/BBDO. O redator foi recentemente escolhido pelo projeto “30 Under 30”, da Meio & Mensagem, como um dos jovens talentos mais promissores no mercado publicitário. Léo Ávila irá se reportar diretamente a Fernando Campos, sócio-diretor de criação da agência.

Dupla criativa

FOTO: paulo vianna

A Lew’Lara\TBWA anunciou a contratação do diretor de arte Vinicius Sousa e do redator André Pallú para o departamento de criação. A dupla passa a integrar a área comandada por Manir Fadel. Vinícius vem da Criação da AlmapBBDO. Já Pallú, que atuava na Santa Clara, acumula passagens também pela JWT e Ogilvy Madri.

Vinicius Souza e André Pallú

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Mídia A executiva Maria Luísa Melo é a nova diretora de mídia da Artplan para o escritório do Rio de Janeiro. A publicitária tem mais de vinte anos de experiência e passagens pela Grey 141, Lowe, Bates Brasil Comunicação Integrada, TBWA Propaganda e J. W. Thompsom. Maria Luísa será responsável por clientes como TIM, Estácio, Spoleto, Amil, Leader, O Globo, Bodytech, Niely, Domino’s e Rock in Rio.

Globo A publicitária Carla Sá assumiu a diretoria de estratégia na comunicação da Globo. Carla ficará responsável pelas áreas de Planejamento e Atendimento da Comunicação e vai integrar a equipe comandada por Sérgio Valente. Ela começou a carreira como estagiária na Souza Cruz, onde chegou a ser gerente de produto e de marketing, além de ter sido gerente internacional em Londres na British American Tobacco. Deixou a Souza Cruz para fazer parte do projeto de lançamento do iG como vice presidente de Marketing. Participou da fundação da agência de propaganda Africa, como responsável pela área de Planejamento, e, no último ano, comandava a diretoria de Planejamento da F/Nazca Rio.

Movimentação

FOTO: Globo/João Cotta

FOTO: marcelo khan

( figuras)

O diretor de desenvolvimento artístico da Globo, Ary Grandinetti Nogueira deixou a emissora na qual trabalhou por mais de 40 anos. Ary será substituído por Monica Albuquerque, diretora de comunicação corporativa, que passará a responder pela diretoria de desenvolvimento artístico no entreteniMonica Albuquerque mento. Luiz Claudio Latgé, que nos últimos 28 anos esteve à frente de diferentes áreas do jornalismo, integrará o time da comunicação, como diretor adjunto da área. A Globo Rio também terá novo diretor. André Dias deixou a diretoria de negociações especiais em recursos humanos para assumir a área. •

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( entrevista )

André Mermelstein

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Guardião do modelo

Orlando Marques, presidente da Abap, fala sobre a complexidade do trabalho das agências de publicidade em um cenário de fragmentação de mídia e redefinição das prioridades.

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FOTO: Marcelo Kahn

m maio último o publicitário Luiz Lara passou o bastão da Abap (Associação Brasileira de Agências de Publicidade) para o veterano Orlando dos Santos Marques, presidente e CEO da rede de agências Publicis no Brasil (Publicis Brasil, Salles Chemistri, Publicis Dialog, AG2 Publicis Modem, Publicis Red Lion, Razorfish e Digitas). Embora esteja hoje à frente da associação e de um dos principais grupos de agências atuante no Brasil, Marques fez carreira, desde 1971, principalmente como profissional de veículo, tendo começado aos 22 anos como trainee de vendas na Editora Abril, de onde saiu 18 anos depois na posição de diretor geral de publicidade e publisher da revista Veja. Passou em seguida por O Estado de S.Paulo, Editora Globo, TV Bandeirantes, Brasil Mídia e TV Globo. Nesta entrevista, ele fala das mudanças que vêm ocorrendo no cenário da mídia mundial e nacional, do impacto da Internet na divisão das receitas publicitárias e faz a defesa incondicional do modelo atual de atuação das agências brasileiras.

Orlando Marques

jovem, porque aquilo tá cheio de velhinhos (risos). A molecada quer participar, mas há resistência, medo de que eles queiram mudar o modelo brasileiro de propaganda. Ora, vamos chamar os meninos e ver o que eles querem, né? Quando falei que queria rejuvenescer a Abap, apareceu um monte de gente querendo participar. E quais são suas prioridades? Terá alguma linha principal de ação? A primeira prioridade é implementar as teses defendidas e aprovadas no 5º Congresso Brasileiro da Indústria da Comunicação (realizado em maio de 2012). A gente vai continuar defendendo o modelo brasileiro de propaganda, porque acredita nele, e não só porque nos faz ganhar dinheiro. As agências da Publicis de outros países, onde tem separação entre agência (criação) e mídia, nos dizem:

TELA VIVA Como será sua gestão na Abap? ORLANDO MARQUES Eu nunca fui dirigente, até porque toda a vida fui de veículo, mais do que de agência. Mas no último Congresso (da Abap) fui indicado. Acertei para ficar apenas um mandato, de dois anos, com o compromisso de trazer para a associação um pessoal mais 20

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“vocês é que são felizes”. Então vamos manter. Segundo, há uma grande dificuldade no cenário que é a constante ameaça à liberdade de expressão comercial, que anda junto com a liberdade de expressão geral. Tem uma gente querendo restringir a comunicação comercial porque acha que batatinha e hambúrguer engordam as crianças, e essas pessoas têm que ser ouvidas e respeitadas, porque elas têm uma razão legítima. Mas tem um bando de oportunistas que se juntam a essa corrente, e gente do mundo político que se junta a esse povo, com a intenção de enfraquecer os veículos. O que está por trás desse pessoal, quando diz que quer proibir a propaganda de batata frita, não é proteger a saúde das


criancinhas, até porque o Brasil não tem o problema da obesidade mórbida como nos EUA, onde eles só comem batata e hambúrguer... Com isso, querem enfraquecer a Globo, a Abril, para deixá-las cada vez mais na mão do governo. Então a liberdade comercial anda de mãos dadas com a liberdade de expressão e a defesa da democracia. Essa é uma luta que é constante, não dá pra arrefecer. A gente leva isso muito a sério. Como eu comecei jornalista, e depois fui de área comercial de veículo, sei da importância disso pros veículos. Sou de uma cidade do interior de Minas e uma vez uns amigos de lá perguntaram ao meu pai, num jogo de truco, o que é que eu fazia na Veja, pois meu nome aparecia lá. E ele disse: “não sei bem, mas ele enche a revista de anúncio pros Civita poderem falar mal do governo” (risos). Que outros princípios do Congresso são prioritários? Foi decidido que deveríamos disponibilizar no CENP as tabelas de publicidade, para evitar a sacanagem dos pequenos veículos. De uns dez anos para cá o governo decidiu pulverizar as verbas, distribuir mais para as mídias locais. Então o cara de um jornalzinho lá do interior vai lá e um mês antes aumenta a tabela em 30%, 40%, 50%. Ele está roubando do governo, aquele não é o preço que ele pratica. Então foi decidido criar um banco de tabelas de preço e já está implementado. É aberto, todos podem acessar. É natural que vocês, como agências, defendam o modelo que funciona no Brasil. Mas este modelo não está sendo colocado em xeque pela própria mudança no ambiente, com a força da Internet e das redes sociais? O IAB (Internet Advertising Bureau) divulgou que o Google já seria a segunda maior empresa de mídia

do Brasil, depois da Globo. Eu li isso e devem ser mesmo, ou estão caminhando rapidamente para ser. A Internet não põe em xeque só o modelo brasileiro de propaganda, mas a indústria da propaganda em todo o mundo. Tudo isso está na mesa e estamos atentos. Veja o que aconteceu em Cannes (festival de publicidade) este ano. Não dá mais pra você ir só com um anuncinho bonito e achar que vai ganhar. Também não é só fazer Internet, vale o conjunto da obra. Eles olham se o anúncio é bonito, se fez Internet, promoção, evento, PR... Então

França eles disseram que é normal, lá também tem. Tenho convicção de que quanto mais se trabalhar junto as agências, as empresas de Internet, os tradicionais, melhor para todos, vai melhorar. Meu medo são os radicalismos, o cara que fala “eu só faço isso”. Outra coisa que eu levo muito a sério: li um artigo outro dia na revista da ESPM, traduzido da Columbia University, dizendo que os veículos tinham que enxugar os custos, reduzir, manter a margem e sobreviver, porque o mundo está mudando. E é isso mesmo. Eu se fosse dono de um jornal hoje, reduziria o máximo o custo, sem sacrificar a qualidade, e iria para todas as plataformas, porque em alguma delas a gente vai ser mais bem sucedido e ganhar dinheiro.

“A Internet não põe em xeque só o modelo brasileiro de propaganda, mas a indústria da propaganda em todo o mundo ”.

A audiência vem se fragmentando, os veículos tradicionais estão perdendo audiência, embora o consumo de mídia total aumente. Mas a verba publicitária ainda não acompanha essa migração. A TV aberta, por exemplo, perde audiência, mas sua receita aumenta. Por que? Até onde isso vai? Até onde vai eu não sei, mas a gente ainda precisa de muitas métricas para dar segurança ao anunciante. Meu cliente sabe perfeitamente que na hora em que bota um anúncio na TV aberta, ou mesmo na TV paga, você sabe com quantas pessoas está falando, onde sua mensagem chega. Isso tem um histórico. A Internet está começando a ter um histórico agora. Já temos casos, teve o lançamento de um carro da GM, o Ônix, que não teve anúncio, só saiu nas redes sociais, e vendeu. Só depois de lançar anunciaram na TV. Então vai caminhar cada vez mais pra gente experimentar novas mídias. Por que no Brasil ainda não chegamos nos níveis europeus? No grupo Publicis no mundo, por

tem que ser uma solução criativa que use todas as plataformas para o cliente. No negócio das agências a gente tem conversado muito com o Google, já estive com eles, e estão também preocupados, porque claro que querem ganhar dinheiro, mas não querem também destruir o mercado, fazer uma política de terra arrasada, do quanto pior melhor. A gente está junto, dá para conviver. Vai morrer quem ficar sentado no seu negócio, dizendo “eu faço rádio, só vou fazer rádio e azar do resto”. Como vê os veículos de Internet adotando práticas da mídia tradicional, como o BV (bonificação por volume)? É natural. Por que? O cenário é esse, é assim que o mercado funciona, é como o modelo brasileiro existe: remunera a agência por comissão, remunera a agência incentivando ela a programar criativo de veículo, o chamado plano de incentivo, que você chamou de BV. É assim em todo lugar do mundo. Quando falei de BV pro pessoal da Publicis na

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( entrevista) E você vê as agências não só usando o conteúdo como mídia, mas também entrando nesse negócio, sendo detentoras e explorando esse conteúdo? Por que não? À medida em que você tem a capacidade criativa na agência, deve usar. A Publicis fez um comercial para a Cartier na França que é um conteúdo lindo, não parece propaganda, as pessoas repassam.

FOTO: marcelo kahn

exemplo, 33% da receita vem do digital. No Brasil é 10%, 12%. Isso é porque você consegue sucesso na TV aberta no Brasil. Na Europa já há uma pulverização, você chega na França e não tem uma Globo, uma Abril, uma grande TV ou grande revista de circulação nacional. Já é pulverizado. No Brasil a TV aberta tem muita qualidade, muita cobertura, então funciona. Quero ver qual cliente vai ter coragem de contar só com a cobertura da Internet. E a gente é movido a isso. O profissional de mídia não pode errar a mão, senão ele perde a conta e depois perde o emprego.

Hoje muitas produtoras audiovisuais estão expandindo sua atuação para o conteúdo. Isso tem afetado o mercado publicitário? Não. Acho até bom que eles façam outras coisas com os ativos que têm, porque isso até pode baixar os preços da produção publicitária. Eles se exercitam mais, ganham mais musculatura.

Os anunciantes compartilham dessa visão? Compartilham, mas também cobram bastante. Querem saber “o que vamos fazer de Internet? O que vamos fazer de mídias sociais?”. É para ser moderno e também pra instigar a gente, fazer a gente pensar. Porque também se ficarmos fazendo só Estadão, Veja e Globo não dá mais.

“na europa já há uma pulverização. não existe lá uma globo, uma abril, uma grande tv ou uma revista de circulação nacional”.

E a TV por assinatura? Por que o investimento publicitário ainda não acompanhou o crescimento da base de assinantes e também a mudança no perfil, com a forte entrada da classe C? É mais ou menos a mesma coisa, embora a TV por assinatura já seja mais mensurável, tem Ibope etc. Mas padece do mesmo mal, que é concorrer com uma TV aberta de muita qualidade e muita penetração. Dá pra fazer uma campanha só de TV paga, tem cliente que faz, como a Heinecken, e vai bem. Mas também é mais pulverizada, são 200 canais, contra quatro ou cinco na TV aberta. Isso prejudica a TV paga na competição com a aberta, ainda mais com os preços mínimos que eles têm que

praticar. Para fazer uma boa cobertura na TV paga tem que pagar muito mais caro, tem que fazer 40, 50 canais. Hoje está na moda se falar em branded content, até por conta do crescimento das oportunidades de produção nacional. Isso é uma tendência real, ou só um desejo? É uma tendência, mas ainda tem muita fumaça. Tem muita gente falando ainda sem saber muito bem o que é isso. Mas caminha para isso. Principalmente para a TV paga, você levar um conteúdo junto com o seu cliente vai fazer uma baita diferença. Mas ainda tem muita falação e pouco faturamento. 22

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Vocês têm sido procurados, no caso da sua agência, por produtores com projetos de conteúdo? Sempre trazem, é constante. Apresentam conteúdos que são pensados para determinados clientes. Isso tanto produtoras grandes quanto pequenas. Todos estão criando jeitos de fazer conteúdos que podem ser agregados às marcas. O mundo ficou mais complexo para as agências? Sem dúvida. Antigamente você saia de casa com um jornal lido e sabia de tudo o que estava acontecendo (risos). Hoje não dá mais. Para as agências esse mundo é mais excitante, mas mais difícil. Morre mais gente pelo caminho. Não sei como as coisas estarão em dez ou mesmo em cinco anos, mas com certeza tudo será ainda mais rápido. O que vai fazer diferença é o respeito e a credibilidade de alguns veículos. Isso o mundo digital está conseguindo, mas não chegou lá ainda.


(programação) Fernando Lauterjung

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Entre gigantes Com Turner como sócia, Esporte Interativo deixa de ser um Davi cercado de um time de Golias e aquece mercado de direitos esportivos no Brasil.

TELA VIVA - Como vocês pretendem usar estes R$ 80 milhões? Edgar Diniz - Pretendemos investir no upgrade para o HD, o que já está sendo feito. Estamos investindo na nossa estrutura de produção e aumentando a nossa capacidade de feed. Com isso poderemos ter transmissões simultâneas, quando houver partidas acontecendo ao mesmo tempo, tanto na TV por assinatura quanto na Internet. Também estamos investindo em programação e na aquisição de direitos esportivos, que ainda não podemos revelar. Mas há algumas negociações em andamento que 24

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m junho, a Turner anunciou a aquisição de participação no canal Esporte Interativo. Com um aporte de R$ 80 milhões, o grupo internacional passou a ter 20% do capital da empresa brasileira. Capitalizado, o Esporte Interativo investe em tecnologia, preparando-se para lançar versão em alta definição em breve e para ter mais um feed para transmissão de eventos esportivos. Além disso, ganha fôlego extra para disputar direitos esportivos com grandes grupos de mídia, como Globo (SporTV), Fox (Fox Sports) e Disney (ESPN). Entre as metas está ampliar a distribuição na TV por assinatura, chegando às bases da Net e da Sky. Em entrevista a TELA VIVA, o CEO do Esporte Interativo, Edgar Diniz, e o vice-presidente sênior de desenvolvimento corporativo e novas mídias da Turner Broadcasting System Latin America, Alex González, revelam a estratégia de crescimento do canal.

"Temos um modelo de negócios diferente do da maioria dos canais de TV paga. A compensação do Esporte Interativo por assinante é bem menor do que a dos canais exclusivos da TV por assinatura". Edgar Diniz, do Esporte Interativo

devem ser anunciadas em breve. Qual é a estratégia para entrar nos line-ups das duas maiores operadoras de TV do Brasil (Net e Sky)? Edgar Diniz – A chave é a combinação de diversos fatores. Já há interesse da parte das duas operadoras. Certamente o canal em HD e os novos direitos vão ajudar. Acho que teremos um acordo em 2013 ou no início do próximo ano. O Esporte Interativo tem uma audiência expressiva na Internet e está presente no satélite e na TV aberta em algumas localidades. É possível conciliar o free-to-air com a TV por assinatura? Edgar Diniz – Nós temos um modelo de negócios diferente do da maioria dos

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canais de TV paga. Acreditamos que os assinantes da Oi, Sky, Claro também querem ter acesso ao Esporte Interativo, e de forma transparente, sem ter que usar uma segunda caixa. A compensação do Esporte Interativo por assinante é bem menor do que a dos canais exclusivos da TV por assinatura. A Globo conseguiu condicionar a sua presença no line-up da Oi à compra dos canais da Globosat. É claro que há valor nos canais abertos também. Para a Turner, é estratégico fincar um pé na TV aberta brasileira? Alex González – O que tem valor para nós no Esporte Interativo é que se trata de um canal de esportes com um modelo de negócios muito interessante, que soube valorizar tremendamente a sua marca. Não temos interesse no free-to-air, mas em um sócio que saiba criar valor para o mercado publicitário. A Turner tem alguns direitos esportivos para o Brasil. Este conteúdo deve ir para o Esporte Interativo? A Turner deve atuar diretamente na aquisição de direitos esportivos para o canal brasileiro? Alex González – O Space, que é o nosso canal de ação, é o que tem espaço para o esporte. Carrega hoje os jogos da NBA. Ainda não chegamos a uma conclusão sobre como devemos agir, se haverá uma troca de conteúdo entre os dois canais ou não. Ou mesmo se o esporte ficará restrito ao Esporte Interativo.


"O que tem valor no Esporte Interativo é que se trata de um canal de esportes com um modelo de negócios muito interessante. Não temos interesse no free-to-air, mas em um sócio que saiba criar valor para o mercado publicitário".

Sobre a compra de direitos, a resposta é não. O Esporte Interativo vem atuando bem nessa frente e, certamente, tem muito mais conhecimento deste mercado. A operação do Esporte Interativo deve permanecer independente, conforme anunciado por vocês, mas a Turner tem muito conhecimento sobre o mercado. Como pretendem colaborar? Alex González – Há diversas áreas nas quais podemos colaborar. Na área comercial, por exemplo. O mercado de TV por assinatura no Brasil vem crescendo muito, mas seu ecossistema é muito pequeno. Nós podemos ajudar o Esporte Interativo com conhecimento, podemos apresentá-los às pessoas certas do mercado. Já na área de publicidade, acho que o Esporte Interativo pode colaborar com a Turner. Eles têm

Alex González , da Turner Broadcasting System Latin America

conhecimento do mercado de massa brasileiro, sabem atrair o anunciante. Nós temos muita experiência na produção esportiva. Temos uma divisão para isso nos Estados Unidos, que também pode auxiliar o Esporte Interativo. Também podemos colaborar através

da cross promotion, com entradas na programação dos canais da Turner e do Esporte Interativo. Edgar Diniz – Temos os direitos de transmissão no Brasil da estreia do Neymar no Barcelona. Há muita expectativa para vê-lo jogando ao lado do Messi. Devemos fazer, em conjunto com a Turner, uma ação com a exibição ao vivo da partida em salas de cinema, para convidados do mercado publicitário.


( internacional)

Mais perto BBC Worldwide se reestrutura para atender melhor os mercados locais, e desloca decisões sobre a América Latina de Londres para Miami. Escritório no Brasil ainda não está nos planos.

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BBC Worldwide passou por uma reestruturação, terminada em abril deste ano, que descentralizou a tomada de decisões. No caso da América Latina, a gestão foi deslocada de Londres para Miami. Segundo Fred Medina, VP responsável pela área, o redesenho torna a estrutura da empresa mais próxima à de seus clientes na região. “As estruturas na América Latina são verticalizadas, então montamos nossa estrutura de forma a termos uma relação mais dinâmica com os clientes, com diversos pontos de entrada para todos os nossos serviços”, disse à TELA VIVA. Embora o Brasil seja o maior mercado da região, ainda não há planos da BBC Worldwide abrir uma estrutura maior por aqui, além do escritório comercial que mantém em São Paulo. “É uma questão de escala. O Brasil é um país caro e ainda não justifica uma grande estrutura local”, disse Medina. Ele ressalta que há, no entanto, diversos pontos e contato das emissoras brasileiras com a distribuidora, em mercados internacionais como MipTV e Mipcom, no showcase mundial que a BBC realiza anualmente em Liverpool e no Rio Showcase, que ela promove no Brasil (mas que é voltado a todo o mercado latino-americano) e que este ano acontece em agosto. A programadora, que é o braço comercial da TV pública britânica, anunciou o time que vai

cuidar das operações na América Latina e no mercado hispano dos Estados Unidos. A equipe executiva estará baseada no novo escritório em Miami e se reportará a Medina. Quatro executivos foram contratados. Karen Harrison assume o cargo de vicepresidente de finanças, e passa a ser responsável pelo desenvolvimento e gestão de todos os aspectos financeiros da região. Alejandra Olea junta-se à empresa como vice-presidente de vendas integradas, com

dos 34 canais da programadora, apenas um está hoje no país.

FOTO: divulgação

a função liderar a equipe responsável pelo canal de distribuição, programas de vendas e vendas de formatos, além de supervisionar o desenvolvimento de negócios e capturar o crescimento adicional de ganhos de receita para BBC Worldwide. David Hanono assume o cargo de diretor de desenvolvimento digital, responsável por liderar o desenvolvimento de negócios de vídeo digital na região. Rafael Alamo foi contratado para o cargo de gerente de recursos humanos, responsável pela estratégia de gestão de pessoas e cultura organizacional a nível regional. Outros seis executivos que já faziam parte da divisão da América Latina e no mercado hispânico dos EUA completam a equipe. Gareth Williams deixa o cargo de vice-presidente de programação e assume como vice-presidente de branding. Sergio Leos, vice-presidente de marketing e vendas publicitárias continua a liderar os esforços de

“Mantemos uma estrutura com diversos pontos de entrada para novos serviços.” Fred Medina, da BBC Worldwide

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marketing em todas as áreas de negócios da empresa e passa a ser também responsável pelo desenvolvimento de vendas publicitárias na América Latina e no mercado hispânico dos EUA. Alessandro Stroscio, vice-presidente de produtos de consumo, Alexandre Torres, vice-presidente de negócios e assuntos jurídicos, Frank Novo, diretor de operações e Viviana Rubinstein, diretora de comunicações e relações públicas, continuam a liderar seus departamentos dentro da nova estrutura da empresa na região. Crescimento A BBC Worldwide também divulgou seu relatório financeiro referente ao ano de 2012 (período de 31 de março de 2012 a 31 de março de 2013). A empresa teve crescimento de 3% em suas receitas totais, que ficaram em £ 1,116 bilhão. O lucro cresceu menos, 1%, totalizando £ 156 milhões. O lucro da empresa ajuda a financiar a TV pública no Reino Unido. A BBC Worldwide distribui 34 canais, dos quais apenas um, o BBC HD, está no mercado brasileiro até agora. No entanto, ela atua fortemente no País no licenciamento de programas para emissoras abertas e pagas no país. A empresa também anunciou que os investimentos em conteúdos somaram £ 176 milhões no período. O número de assinantes dos canais da BBC no mundo cresceu de 356 milhões no período anterior para 406 milhões em 2012/13. O Brasil foi um dos 15 países que entraram para a base da programadora no último ano. Da redação


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Crescimento da TV por assinatura desacelera com ajustes nas políticas de venda e nova realidade econômica. Criatividade, agora, será a palavra de ordem

TECNOLOGIA

Investimentos e planejamento são essenciais para operadores fazerem do IPTV uma forma de diferenciar serviços e competir com provedores online

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CDNs trazem o conteúdo para perto do usuário e desempenham papel central na entrega de vídeos over-the-top

ESPECIAL

IPTV E SERVIÇOS Os desafios e oportunidades do mercado de distribuição de vídeo, nas novas plataformas e nas tradicionais

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CRISE OU AJUSTE DE ROTA? SETOR DE TV PAGA SOFRE DESACELERAÇÃO EM 2013 POR CONTA DE AJUSTES NAS POLÍTICAS DE VENDA E NOVA REALIDADE ECONÔMICA. CRESCIMENTO, AGORA, DEPENDERÁ DE MAIS CRIATIVIDADE. Samuel Possebon samuca@convergecom.com.br

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CARSTEN REISINGER/SHUTTERSTOCK.COM

á quase dez anos, as discussões sobre uma crise no mercado brasileiro de TV por assinatura eram absolutamente teóricas. Eram discussões hipotéticas sobre eventuais impactos da troca de conteúdos peer-to-peer (P2P) entre usuários; depois dos conteúdos gerados pelos próprios usuários; depois da distribuição de conteúdos de TV paga por portais de Internet; a chegada dos serviços over-the-top (OTT); o fenômeno dos cordcutters... Foram discussões relevantes conceitualmente travadas nos últimos anos, mas que na prática não tinham nenhuma implicação. Aliás, a realidade era justamente oposta à teoria. Com um mercado crescendo no bom e velho modelo tradicional de TV paga a taxas de 30% ao ano, e boa parte do fôlego vindo da nada convergente tecnologia de DTH, os novos paradigmas da geração X passaram longe de incomodar de fato a indústria. Mas a partir de meados de 2012 e, sobretudo, nesse ano de 2013, houve um elemento novo, que efetivamente fez acender uma luz amarela no mercado: uma boa dose de turbulência na economia. Como consequência, o mercado desacelerou. O fôlego de 30% ao ano já se aproxima dos 20% e deve fechar 2013 na casa dos 10% a 15%. O mercado de TV paga voltou, dez anos depois, a enfrentar uma crise? Segundo alguns dos principais executivos da indústria ouvidos por esta reportagem, não. Tampouco há sinais de céu de brigadeiro no horizonte. “Se crescíamos 30% e agora passamos para 15% ao ano, isso não é sinal de que a indústria esteja em crise. Mas é um reflexo de que a economia brasileira desacelerou”, 2 8

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diz Alberto Pecegueiro, diretor-geral da Globosat, principal programadora brasileira. Para ele, o debate agora é sobre como continuar crescendo e qual o potencial do mercado. José Felix, presidente da Net Serviços, a maior operadora brasileira, com quase seis milhões de assinantes de vídeo, crê que o que houve foi um crescimento acima do normal nos últimos anos. “Isso foi impulsionado por uma disputa de um mercado onde não havia opção por parte de duas operadoras de DTH. A desaceleração era esperada, porque a história do mercado mostra que vender TV não é simples. Uma hora é preciso lidar com churn, com inadimplência”, diz Felix. Segundo ele, a Net optou nesse período por manter uma toada mais amena, que agora começa a se acelerar justamente porque a empresa passou a explorar quase 50 cidades que, até o ano passado, não eram atendidas com a tecnologia de TV a cabo. Para ele, essa desaceleração do mercado é muito mais um “ajuste de estratégias” do que qualquer outra coisa. A opinião é confirmada, em parte, por executivos de algumas operadoras de DTH, que preferiram não se identificar. Eles apontam duas questões: um cuidado maior com o churn, que passou a ser tomado desde o ano passado, e uma dificuldade maior de argumentar em defesa dos preços dos serviços. Por trás das duas dificuldades está, inevitavelmente, a economia do Brasil. “Algumas camadas, sobretudo da classe C, sentiram mais a questão da inflação. E o endividamento fez com que as pessoas optassem por não renovar os planos quando terminava o período de fidelidade”, diz um executivo. Para Alberto Pecegueiro, a questão é o quanto o mercado ainda vai crescer, e onde. “Em dez anos, chegamos a 30% de penetração dos serviços de TV paga. Isso era inimaginável. A questão é se podemos pensar em 40%, 50% de penetração ou mais”, diz. Para ele, a chave para isso passa pela estrutura de preços dos serviços. “Hoje, a TV paga chega à classe A e a boa parte da classe

Algumas camadas sentiram mais a questão da inflação e o endividamento fez com que as pessoas optassem por não renovar os planos quando terminava o período de fidelidade.

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“Se crescíamos 30% e agora passamos para 15% ao ano, isso não é sinal de que a indústria esteja em crise. Mas é um reflexo de que a economia brasileira desacelerou.”

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B1. Ainda cresce em B2 e C1. A partir daí, vai ficando mais complicado”. Na visão da Globosat, o desafio é fazer isso sem perder de vista que a TV por assinatura tem um público A1 e A2 e que não necessariamente quer abrir mão de conteúdos que não são tão atraentes para as classes C. “É um momento de testar várias alternativas, de encontrar formas criativas de expandir o serviço para quem ainda não tem”. Há quem diga que o modelo seja o de venda pré-paga, já testado algumas vezes no Brasil, sem sucesso, mas que é o que tem garantido o crescimento dos serviços na América Latina e em países como a Índia. As razões do fracasso desse modelo de venda no Brasil ainda não são bem diagnosticadas, mas, certamente, passam pela rentabilidade. O pré-pago rende menos do que a assinatura convencional. Por isso, só vale a pena apostar nesse modelo quando ele efetivamente não canibalizar os outros modelos, apontam fontes ouvidas. Outra evidência de que boa parte do crescimento do mercado se deveu a um certo excesso na disputa por assinantes foi a constatação, tornada pública pela DirecTV no final de junho, de que a Sky no Brasil reportava quase 200 mil assinantes a mais do que deveria em sua base, fruto de uma política mal feita de desconexão de clientes inadimplentes. Mais detalhes sobre o caso só serão conhecidos com o tempo, assim como suas implicações. Mas o fato é que a Sky já fez uma limpeza de pelo menos 130 mil clientes na base declarada em maio e deve fazer mais na base de junho. Já o fator “novos players”, tão alardeado desde que a legislação de TV paga mudou em 2011, teve apenas um efeito prático: a entrada da Net em cerca de cem cidades até o final do ano. A empresa acha que ainda cresce com o seu modelo triple-play onde não estava presente. “Onde estamos entrando, estamos vendendo muito bem, mesmo sendo mercados que já estavam parcialmente ocupados pelo DTH. Pela primeira vez, estamos nos comportando como attackers nesses mercados, tirando participação dos outros”, diz Felix. Para Alberto Pecegueiro, pensar que a indústria ainda pode avançar em mais 13 milhões ou 15 milhões de domicílios, além dos 17 milhões atuais, é algo factível. “Não estou dizendo que será simples e fácil, nem que será da mesma forma como se avançou até aqui, mas é possível”, diz ele. O executivo da Globosat ressalta também que ainda é cedo para dizer se esse crescimento que o mercado ainda comporta virá dos atuais players ou se há espaço para novos. “O mercado está aí, mas não me atrevo a dizer se o market share atual será mantido”. Ele aponta E S P E C I A L

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Alberto Pecegueiro, da Globosat alguns modelos, como o da Meo TV, praticado pela Portugal Telecom em Portugal, como exemplos de sucesso, e reconhece que a Dish, nos EUA, é uma operadora agressiva. Para José Felix, da Net, falar em TV paga para a classe C é algo já bem perto da realidade, “ainda que não seja nada simples”. Mas ir além e pensar em um produto de TV nas classes D e E é algo muito mais distante. “Eu não me atrevo a pensar em um modelo para TV além da classe C, por enquanto. Mas vejo oportunidades na banda larga”. A Net aponta um fator conjuntural relevante. “Querendo ou não, estamos no meio de uma crise econômica, com dólar subindo, inflação mais alta e mais insegurança. Isso se reflete, sobretudo, nos nossos custos em dólar, para a construção das redes”, diz Felix. Para a operadora, um aumento expressivo da valorização da moeda norte-americana pode ter impactos sérios sobre os planos de expansão. “Não existe como construir rede sem gastar em dólar. Talvez seja a hora de mostrar para o governo que essa indústria, assim como a de celulares, precisa de alguma desoneração para equipamentos importados”, diz, referindo-se principalmente aos modems (CPEs) e set-top boxes. Do ponto de vista de conteúdo, Pecegueiro acha improvável que o custo de programação caia drasticamente. Mas ele aposta que muito do conteúdo que tem sido agregado por conta de obrigações legais terá que ser avaliado em relação ao interesse do assinante. A Globosat também prefere não avaliar os efeitos que os eventuais investimentos em conteúdo que

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“A desaceleração era esperada, porque a história do mercado mostra que vender TV não é simples. Uma hora é preciso lidar com churn, com inadimplência.” José Felix, da Net Serviços •

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possam ser feitos com recursos públicos possam vir a ter no mercado. “Certamente há muito recurso disponível, mas não sabemos como isso será investido ainda”, diz, referindo-se ao cerca de R$ 1 bilhão que anualmente a Ancine recolhe como Condecine e que, em tese, deveria aplicar em financiamento à produção. Perspectivas futuras A indústria de TV paga no Brasil acabou evoluindo bastante nos últimos anos em relação a novas formas de entregar conteúdo. O sucesso da plataforma de vídeo on-demand (VOD) da Net, o Now, as plataformas de TV everywhere disponíveis (Muu, Telecine Play, HBO Go, Crackle, ESPN 360) e iniciativas on-demand, como ClaroVideo e Vivo Play, surgiram com força nos últimos dois anos. Mas não necessariamente são sucesso de público, exceto no caso do Now. “Acho que a gente caminhou mais rápido do que os próprios telespectadores esperavam”, diz Alberto Pecegueiro. José Felix comemora a aposta. “Fazer vídeo on-demand é muito caro. Proporcionalmente, talvez seja o produto mais caro de viabilizar. Quando fizemos, não tínhamos muita esperança de retorno. Era mais uma coisa para dar uma resposta ao usuário que buscava conteúdos online. Mas foi uma surpresa o sucesso do produto. Hoje eu posso dizer que um retorno é possível. Não

A Sky no Brasil tinha quase 200 mil assinantes a mais do que deveria em sua base, fruto de uma política mal feita de desconexão de clientes inadimplentes. é rápido, mas é um negócio viável”, diz José Felix, ressaltando que o serviço de VOD tem ainda o papel de agregar o hábito do consumo não-linear de conteúdos. A Net já trabalha há algum tempo em uma plataforma própria de TV everywhere, mas os indícios dados por José Felix são de que o lançamento dessa plataforma deve estar atrelado a uma inovação mais ampla na plataforma de TV paga, com a agregação de novos serviços no set-top. Sem detalhes, a Net dá a entender que deve seguir um modelo parecido com o da Comcast, com o xFinity, que mudou a interface de usuário de suas caixas, incorporou serviços conectados (widgets e aplicativos), abriu essa plataforma para vários dispositivos e integrou o modelo e as tecnologias tradicionais de vídeo a alguns serviços IP. “Não vejo porque pensar em uma rede all IP, mas alguns serviços podemos fazer, de forma híbrida”, diz Felix. Tanto Felix quanto Pecegueiro estão afinados em um discurso: o novo não pode destruir modelos de sucesso. “Não dá para mudar as janelas de conteúdo só porque é legal estar na Internet”, diz Felix, lembrando que a TV paga, no modelo tradicional, é hoje a principal responsável por pagar a conta dos produtores de canais”. Para Pecegueiro, nenhum programador tem outra opção a não ser estar junto do operador. “Qualquer novo modelo tem que respeitar essa parceria”.

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ão é de hoje que a Telefônica/Vivo coloca a maior parte de suas fichas na plataforma IP para desenvolver seu produto premium de TV por assinatura. O Vivo TV Fibra, entretanto, ainda é muito restrito, chegando a não mais do que alguns milhares de clientes. “Isso vai mudar. Mudamos a plataforma e agora temos condições de dar escala ao serviço”, diz o diretor de vídeo da Telefônica, Rafael Sgrott. Ele reitera os planos de levar o serviço para mais 15 cidades do interior de São Paulo, além da região metropolitana, já atendida. Paralelamente, a Vivo lançou o Vivo Play, um serviço de VOD similar ao desenvolvido pela Claro (o ClaroVideo), que funciona over-the-top, em múltiplas plataformas, de celulares a TVs conectadas. “Estamos com o produto desde o ano passado e aprendemos que ainda é preciso educar melhor o consumidor sobre essa oferta. Mas, uma vez que ele conhece, vira fã”. O Vivo Play não tem nenhuma relação com as outras plataformas de TV paga, ou seja, não é um benefício a quem assina o Vivo TV Fibra nem é uma plataforma de TV everywhere. “Mas estamos trabalhando nessas possibilidades de integração”, diz ele. O DTH, que hoje é o responsável pela maior parte dos cerca de 550 mil clientes de TV paga da Vivo, continua sendo visto como uma plataforma complementar, mas que deve receber uma injeção de ânimo agora. “Estamos intensificando mídia, voltamos a crescer e temos planos de expandir o serviço, com entrada de novos canais HD. O DTH da Vivo é hoje a opção mais econômica do mercado”.

“Estamos intensificando mídia, voltamos a crescer e temos planos de expandir o serviço (de DTH), com entrada de novos canais HD.” Rafael Sgrott, da Telefônica/Vivo 3 0

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TV COM PINTA DE INTERNET SERGEY NIVENS/SHUTTERSTOCK.COM

PKING4TH/SHUTTERSTOCK.COM

IPTV OFERECE A POSSIBILIDADE DE OPERADORES DIFERENCIAR SERVIÇOS, ATRAIR CLIENTES E COMPETIR COM OTTS, MAS DEMANDA INVESTIMENTOS E PLANEJAMENTO.

Leandro Sanfelice leandro@convergecom.com.br

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mpulsionadas pelas novas condições de distribuição trazidas pela Lei 12.485/2011, que instituiu o Serviço de Acesso Condicionado (SeAC) e estabeleceu o novo marco para o setor de TV paga, operadoras brasileiras começaram a lançar em 2012 seus serviços de IPTV, tecnologia que possibilita a transmissão da programação da televisão usando a rede de dados e o protocolo de Internet. Até o momento, Vivo, Oi e GVT já lançaram suas plataformas. Unindo características da televisão e da Internet, o IPTV permite a interação entre a programação da TV, os múltiplos dispositivos móveis presentes nas casas dos assinantes, a oferta de serviços como o VOD (vídeo on-demand) e a interatividade em tempo real com redes sociais, como Facebook e Twitter. Por

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isso, a tecnologia é vista por operadoras e fornecedores como uma maneira de diferenciar serviços, atrair novos assinantes e competir com plataformas OTT (over-the-top, serviços de vídeo oferecido por provedores que não têm rede própria e trafegam sobre a rede de terceiros, como Netflix e YouTube). Comparado com serviços de vídeo lançados na Internet como o Netflix, o IPTV oferece a vantagem de garantir a qualidade na entrega do vídeo, pois não utiliza rede pública da Internet, mas as redes proprietárias, e, portanto, de qualidade controlada, das operadoras de telecom. “As empresas de serviços de VOD na Internet não são donas da rede de transmissão, elas oferecem conteúdo que vai trafegar nas redes das operadoras. No meu caso, eu sou o dono do ‘tubo’, e posso garantir a passagem do conteúdo de vídeo”, explica o diretor de marketing da Vivo em São Paulo, Gustavo Fonseca. Contudo, o serviço demanda investimentos na rede para suportar o tráfego de vídeo em HD, e futuramente 4K e até 8K (ultra high-definition). Além disso, com a possibilidade de usar a rede para oferecer novos features, programadores, operadoras e fornecedores ainda buscam a melhor forma de entregar conteúdo diferenciado e atrativo para o cliente. As vantagens

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mais comuns nos serviços de IPTV atuais são a rápida mudança de canais, serviços de VOD, gravação de programas com possibilidade de assistir em qualquer ambiente da casa, extensão do conteúdo da TV em tablets e smartphones, conteúdo de portais de Internet na TV e interatividade com aplicativos e redes sociais. “Para investir em IPTV é preciso ter capacidade para atender assinantes simultaneamente, e a demanda só vai aumentar conforme aumenta a qualidade do vídeo”, diz o vice-presidente de inovação da Ericsson, Jesper Rhode. Para ele, o investimento em IPTV permite que as operadoras ofereçam serviços convergentes e aumentem a retenção de clientes. “Com serviços mais integrados, unindo TV, telefonia e Internet, a operadora oferece um perfil de serviço mais completo ao usuário, e isso é importante, porque cada vez que se perde um cliente é preciso fazer um investimento para compensar”, diz. A fornecedora adquiriu recentemente a plataforma de IPTV Mediaroom, da Microsoft. A aquisição garantiu à Ericsson uma participação de mais de 25% no mercado de soluções de IPTV e multitela do mundo. Mediaroom é o middleware escolhido para as plataformas de TV paga por protocolo IP nas operadoras brasileiras Vivo e Oi, além da AT&T, Deutsche Telekom, Portugal Telecom, Telefónica, Telus, Swisscom e cerca de outras 20 operadoras ao redor do mundo.

“Para investir em IPTV é preciso ter capacidade para atender assinantes simultaneamente, e a demanda só vai aumentar conforme aumenta a qualidade do vídeo.” Jesper Rhode, da Ericsson

“O principal desafio é garantir a qualidade e a integração com os outros dispositivos da casa”, diz o CTO para os mercados da América Latina da Arris, Patricio Latini. “O cliente espera ter, no mínimo, a mesma garantia na entrega do serviço que tem no cabo e no DTH”, completa. De acordo com ele, a última milha é onde as operadoras precisarão fazer mais investimentos. No caso de Oi e Vivo, a solução encontrada foi oferecer o serviço de IPTV com FTTH (fiber-to-the-home), levando fibra ótica à casa do assinante. “É um investimento alto, mas tomamos essa decisão pensando nos serviços que queremos oferecer agora e também nos que surgirão no futuro”, pondera Fonseca, da Vivo. Com a fibra, diz, leva-se para a casa do cliente também conexões de 200 Mbps e que podem evoluir para até 1 Gbps, abrindo espaço para ofertas de triple play e mais interatividade. “Conforme abrimos essa velocidade, diversos serviços vão surgir. Não faz muitos anos, 1 Mbps era considerado uma velocidade muito grande, mas novos serviços surgiram e hoje se discute até se isso é banda larga. O ‘giga’ é o novo ‘mega’”, conclui. Sobre a possibilidade de levar o conteúdo ao vivo da TV para os tablets, o diretor da Vivo diz que é preciso fechar modelos de negócios que beneficiem operadoras e programadores. “Precisamos discutir como fica isso, porque nós pagamos para os programadores de acordo com número de assinaturas. O conteúdo no tablet vai contar como um ponto adicional?”, questiona. De acordo com ele, esse tipo de negociação é comum quando se quer oferecer novos serviços. “É uma discussão interessante, sempre que se lança algo novo há a vontade de se FOTO: ARQUIVO

A aquisição da plataforma Mediaroom, da Microsoft, deu à Ericsson uma participação de mais de 25% no mercado de soluções de IPTV e multitela do mundo.


“O principal desafio é garantir a qualidade e a integração com os outros dispositivos da casa.”

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TECNOLOGIA

beneficiar com a novidade, mas também a cautela de não perder o que já se tem. No fim, precisamos de modelos em que todos ganhem, e não onde um ganhe tirando do outro”. As negociações para oferecer conteúdo publicitário complementar e venda de produtos relacionados aos programas na segunda tela passam pelo mesmo processo. “Para nós é ótimo que um programador queira estender sua publicidade para outros dispositivos usando nossos serviços, mas, antes de tudo, a publicidade é uma receita dele”, diz. A integração entre dispositivos passa também pela evolução do Wi-Fi. “Estamos buscando evoluir nossos roteadores para oferecer uma velocidade praticamente igual à que chega pela fibra”, diz Fonseca. De acordo com Patricio Latini, a Arris está se preparando para essa demanda. “Hoje temos tecnologia de Wi-Fi que atinge velocidades muito próximas à da que chega pelo cabo. A tecnologia já está pronta e a estamos demonstrado para as operadoras”, diz. Convergência Em uma realidade na qual a programação da TV passa a ser transmitida na mesma rede e com os mesmos protocolos que os dados da Internet, os diversos dispositivos usados para prover serviço na casa dos clientes podem estar com os dias contados. De acordo com Latini, a tendência é que os serviços de banda larga e TV concentrem-se todos em um único aparelho. “Estamos trabalhando em um projeto para

“Tecnologias como reconhecimento facial e o armazenamento na nuvem permitem que eu recomende conteúdo para cada usuário. Será uma evolução dos serviços de IPTV para um serviço mais avançado.” Hugo Marques, da Cisco 3 4

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Patricio Latini, da Arris

isso. A tendência é que as casas tenham um único home gateway multimídia, capaz de gerenciar os serviços e distribuir o conteúdo para todos os dispositivos”, diz. Para o consultor de vídeo da Cisco, Hugo Marques, essa transformação, aliada a investimentos em nuvem, permitirá economia na atualização de dispositivos. “Antes, se você quisesse mudar de SD (standard definition) para HD (high definition), precisava trocar o set-top box. Agora se tiver um home gateway inteligente fazendo a distribuição, eu elimino essa necessidade”. Para ele, a evolução do serviço demandará investimento em CDN (content distribution network, veja matéria neste suplemento), redes inteligentes de distribuição de conteúdo, e armazenamento de conteúdo na nuvem. Dessa forma, diz, é possível economizar com o investimento no backbone das redes e ter maior flexibilidade para atender picos de demanda. “Pode-se armazenar o conteúdo sob demanda em nuvem e distribuí-lo conforme ele é demandado, reservando espaço para o que for ao vivo nas redes multicast. E levando o conteúdo para mais perto da demanda, é possível reduzir o investimento em rede”. Ele destacou a possibilidade de usar tecnologias de SSO (Single Sign-on), como reconhecimento facial, para identificar quem é o assinante usando o dispositivo e recomendar conteúdo. “Isso, unido a uma série de dados e ao armazenamento na nuvem, permite que eu recomende conteúdo para cada usuário. Será uma evolução dos serviços de IPTV convencionais para um serviço mais avançado”. De acordo com Patrício Latini, a evolução do serviço será gradual, dependendo, principalmente, do quanto o cliente estiver disposto a pagar pelo serviço. “Em mercados com maior poder de compra, a evolução é mais rápida. A operadora depende da disposição do cliente adquirir novos serviços, e nós da disposição da operadora para investir. Não é algo que acontecerá de uma hora para outra, como virar uma chave”, diz. “No fim, vemos que é todo um ecossistema com três pontas: fornecedor, operador e programador trabalhando para entender o que o cliente, no centro, demanda”, diz Gustavo Fonseca.

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PARA GARANTIR A ENTREGA DE SERVIÇOS DE VÍDEO OVER-THE-TOP, CDNS DESEMPENHAM PAPEL CENTRAL E CRIAM OPORTUNIDADES PARA PROVEDORES DE CONTEÚDO E OPERADORAS.

Bruno do Amaral bruno@convergecom.com.br

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ão faz muito tempo, assistir a vídeos pela Internet era um luxo para poucos que conseguiam uma conexão fixa mais robusta. Ainda que iniciativas rudimentares de streaming tenham sido realizadas com tecnologias da Microsoft e Real Media, a Web era basicamente um reduto de conteúdo estático. Nos últimos cinco anos, o cenário mudou completamente: a maior oferta de banda larga proporcionou um crescimento não apenas dos chamados conteúdos over-the-top (OTT) pela Internet, com destaque para Netflix e YouTube, mas também do acesso a vídeos on-demand (VOD) providos pelas operadoras e empresas de mídia. E grande parte desta proliferação dos serviços de vídeo se deve à infraestrutura de entrega de conteúdo (CDN, ou content delivery network), que tornou possível uma experiência otimizada com o armazenamento local dos conteúdos mais acessados em determinadas áreas. Na verdade, os serviços de CDN não são 3 6

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restritos à entrega de vídeo. A plataforma também ajuda a distribuir conteúdo estático como imagens, páginas em HTTP de bancos e sites de e-commerce. Funciona da seguinte forma: servidores situados em locais estratégicos, como data centers e pontos de troca de tráfego (PTTs), armazenam conteúdo relevante para a região para que o usuário não precise buscá-lo em servidores internacionais. No caso do vídeo, isso permite uma performance melhor do streaming, com menos tempo de buffering. A diferença do caching (parte da CDN voltada à performance da rede), no entanto, é que as empresas podem estabelecer acordos para entrega de serviços de CDN, conectando os servidores diretamente às redes que controlam o acesso final ao usuário. É o caso do YouTube, que conta com diversas parcerias para distribuição. No Brasil, o portal do Google tem investido na infraestrutura para disponibilizar canais e vídeos regionais de grande audiência, como do grupo de comédia Porta dos Fundos, do infantil Galinha Pintadinha e do Jovem Nerd, que trata de entretenimento e tecnologia. “Nos últimos dois anos, o YouTube tem participado com (a transmissão do festival de música) o Rock in Rio, sendo pela primeira vez em mobile no último ano, e com catch-up”, explica o gerente de parcerias estratégicas de desenvolvimento da empresa, Eric Mauskopf. “Nossa estratégia é reconhecer e levar o YouTube para o mais próximo dos usuários possível, e é assim que determinamos com que parceiros conversamos, para pegar mais escala e

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“Nossa estratégia é reconhecer e levar o YouTube para o mais próximo dos usuários possível.”

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acessos aos consumidores”, declara. Mas o princípio de rentabilidade do YouTube está em oferecer oportunidades aos provedores de conteúdo de conseguir uma monetização – claro, com uma comissão para o portal. Justamente por conta das possibilidades de entrega de conteúdos por meio das CDNs, hoje é possível que vídeos contem com propagandas localizadas. Mauskopf não revela detalhes das parcerias para distribuição de conteúdo no País, limitandose a falar que a empresa olha “para qualquer oportunidade” para a entrega dos vídeos com melhor experiência do consumidor. Entretanto, é sabido que a companhia conta com parceria com vários provedores de serviços de CDN e com operadoras de rede para assegurar a entrega. Investimento próprio Uma dessas parcerias é com a GVT, com quem YouTube e Netflix têm contrato de peering. Ou seja, as empresas contam com um link direto ao servidor da operadora, otimizando o

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Eric Mauskopf, do YouTube

acesso. “Temos uma rede de CDN especificamente para Internet para fazer espelho (do conteúdo) na nossa infraestrutura”, declara o diretor executivo de marketing e produtos da GVT, Ricardo Sanfelice. Mas a parceria com terceiros não significa que a estratégia de entrega de conteúdo seja baseada apenas nisso. A empresa conta com o próprio serviço OTT, o Power Music Club, que afirma realizar três milhões de streamings por dia. Sanfelice garante que isso não quer dizer que haja alguma diferenciação no acesso do usuário em favor da plataforma própria. Na visão dele, os over-thetop não são concorrência, mas parceria. “O OTT

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“O OTT para um provedor de banda larga de altíssima velocidade é, até certo ponto, um aliado.”

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para um provedor de banda larga de altíssima velocidade é, até certo ponto, um aliado. Pelo consumo disso, por essa oferta de valor, é que o consumidor percebe o valor da banda larga”, pondera. Se o conceito de serviços de rede de entrega de conteúdo vai de encontro à questão da neutralidade de rede, Sanfelice prefere não entrar no mérito. “É como um acordo de peering. Hoje é uma aliança, porque ele (o parceiro) vai ter o benefício de entregar o melhor serviço, meu consumidor terá uma experiência com mais qualidade e eu vou economizar com minha banda IP”, diz. Não que plataformas OTT sejam as únicas a utilizar os serviços. Por oferecer TV por assinatura, a companhia procura proporcionar CDNs em locais com grande demanda de vídeo on-demand (VOD). “Nas cidades onde nós operamos temos alguns nós com CDNs de vídeo, com conteúdo replicado justamente para quando o usuário for assistir ao VOD, pegando o vídeo local em vez de acessar ao conteúdo que estaria (nos servidores) em Curitiba e São Paulo”, declara. Estratégia semelhante à da Telefônica/Vivo, que investe tanto na oferta de IPTV – com a plataforma Mediaroom, que era da Microsoft e foi recentemente comprada pela Ericsson – quanto na de OTT. O conteúdo on-demand da plataforma da operadora fica disponível em ambas as tecnologias. “A convergência do IPTV e OTT é mais no backend, utilizamos isso em uma CDN”, explica o head de estratégias e produtos OTT da Telefônica Digital, Fernando Garcia. “A gente colocou pedacinhos de OTT para ser mais compatível com novas tecnologias”, diz. Parcerias A TIM não conta com serviços de TV paga e, até por

“Não se trata de colocar grandes capacidades de processamento e entrega de conteúdo. A ideia é trabalhar para construir a rede tão espalhada quanto possível.” Cláudio Baumann, da Exceda/Akamai 3 8

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Ricardo Sanfelice, da GVT

isso mesmo, investe forte em parcerias com os operadores over-the-top. A chave dessa estratégia é o fornecimento de serviços CDN, que realiza com a tecnologia Videoscape Distribution Suite Transparent Caching (VDS-TC), da Cisco. A operadora prevê que, até 2016, 60% do tráfego total na Internet seja de vídeo, e argumenta que, com a solução VDS-TC, o impacto no crescimento do tráfego seria de 30% a 40% menor. Isso acontece porque, segundo o diretor de redes fixa e de transporte da TIM Brasil, Cícero Olivieri, cerca de 85% do tráfego de Internet está fora do País. O armazenamento local evita buscar o conteúdo em servidores internacionais, onerando a rede e provocando latência, deixando a aplicação

As CDNs permitem uma performance melhor do streaming, com menos tempo de buffering. mais lenta. “O mercado de infraestrutura para a operadora é complexo, não rentabiliza, e para distribuir conteúdo fica uma pressão grande”, explica o executivo. “Temos um produto, estruturado pela TIM Fiber, no qual podemos distribuir (conteúdo) com acordos exclusivos. A ideia é usar a CDN para isso”, afirma Olivieri. Daí a importância dos OTTs, como a Netflix, com quem a TIM firmou acordo em março deste ano para oferecer melhor qualidade de streaming e compressão de vídeo, chamada de Super HD (que mantém a resolução em Full HD, mas com maior bit-rate). Isso porque a over-the-top possui uma CDN dedicada chamada Open Connect, oferecida às operadoras gratuitamente em pontos de interconexão. No Brasil, a empresa conta com pontos privados em São Paulo nos data centers da Alog, no site em Tamboré, e da Global Crossing (Level 3), em Cotia. Na capital paulista, a interconexão é feita no PTTMetro Exchange, do Comitê Gestor de Internet (CGI.br). Além da Netflix, a TIM conta com acordos com vários provedores de conteúdo, como Globo e YouTube. Com as parcerias, a operadora pretende dar ao usuário maior garantia de qualidade para esses OTTs. “O conceito de experiência e latência começa a ser crítico. O YouTube vai ter que começar a

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se preocupar para fazer acordos para que as operadoras ofereçam uma latência baixa”, prevê Olivieri. Segundo ele, essa necessidade vai crescer à medida que esses conteúdos chegarem a mais TVs conectadas. “Na televisão, o YouTube ainda é muito carente de qualidade.”

“A gente tem posição estratégica no Brasil, de acordo com a demanda, que vem crescendo mais até pelo mercado de vídeo.”

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Christiane Nicoletti, da Level 3

Luta pelo mercado No campo dos fornecedores de serviços de CDN, a Akamai é a líder do mercado global, com 130 mil servidores no mundo. “Onde tem um provedor de Internet relevante, temos servidor”, diz o sócio da Exceda, Cláudio Baumann. A empresa é representante da Akamai no Brasil, além de outros países da América Latina e nos Estados Unidos, e tem mais de 200 clientes no País, incluindo portais com forte demanda de vídeo, como R7.com (do Grupo Record), Grupo Abril e Band. O vídeo, por sinal, é responsável por um terço do total do tráfego em CDNs no mundo da Akamai, e parte importante da estratégia da empresa, que oferece transmissões com segurança e conteúdos com proteção digital de

A Netflix tem uma CDN dedicada chamada Open Connect, oferecida às operadoras gratuitamente em pontos de interconexão. direitos autorais (DRM). Para tanto, ela oferece soluções com serviços agregados, como o que chama de geobloco. “Determinado conteúdo pode estar disponível para clientes de uma região, e, fora disso, ter o acesso bloqueado”, explica Baumann. Ainda assim, a arquitetura para a entrega do conteúdo se baseia justamente na distribuição da rede. A empresa não divulga a quantidade exata, mas garante que são “milhares de servidores no Brasil”, procurando colocar as CDNs cada vez mais próximas do usuário final. “Não se trata de colocar grandes capacidades de processamento e entrega de conteúdo. A ideia é trabalhar ao longo do tempo para construir essa rede tão espalhada quanto possível”, determina o executivo. Baumann explica que a rede de distribuição 4 0

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é construída com constantes trocas de informações, adaptando o tráfego de maneira dinâmica. “Os softwares conseguem montar um mapa instantâneo de toda a Internet acima dos backbones de cada provedor. São feitas medições de vários caminhos possíveis e são montados mapas de rotas óticas e capacidade de entrega em cada ponto”, conta. “Quando um cliente passa a usar os serviços, o que a solução faz é entregar a resolução do DNS para essa infraestrutura de servidores. Ele olha o IP do cliente e, em função disso, sabe qual será o servidor com melhores condições naquele momento.” Uma concorrente forte da Akamai é a Level 3, que afirma ter como diferencial o gerenciamento da infraestrutura, da qual também é fornecedora. “A gente tem toda uma rede, um backbone de alto tráfego, e um dos maiores players do mundo na área de Internet, então a gente consegue otimizar a transmissão de rotas, escolhendo as melhores para entregar qualidade para provedores de banda larga”, declara a especialista em produtos da empresa, Christiane Nicoletti. Ou seja, a gestão de rede e do data center da aplicação da CDN pode ser feita com um player só. Para atender a toda essa demanda, a Level 3 conta com 15 mil servidores no mundo. “A gente tem posição estratégica no Brasil, de acordo com a demanda, que vem crescendo mais até pelo mercado de vídeo, que aumenta”, diz. Especificamente para vídeo, a companhia disponibiliza a CDN Vivyx, com a qual atua em transmissão de eventos esportivos, como as Olimpíadas de Londres, a final do futebol americano, o Super Bowl, e a final da Copa da UEFA. Além disso, a companhia tem contrato com a Netflix, para quem disponibiliza o ponto de interconexão em seu data center em São Paulo. “É um cliente nosso há bastante tempo, principalmente com a operação norteamericana”, explica Nicholetti. O mercado de CDN tem se tornado tão relevante na estratégia das empresas que querem distribuir conteúdos (e para as empresas que oferecem infraestrutura para esses serviços) que uma tendência que se observa é a integração dos servidores de conteúdos na ponta da rede. Já existem tecnologias de BTS (base stations, que são as estações de transmissões das redes móveis) que incorporam capacidade de gerir CDNs. Ou seja, a única distância a ser percorrida pelo conteúdo, em tese, poderia ser entre a antena e o telefone celular, colocando o conteúdo o mais próximo possível do consumidor.

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( produção ) Ana Carolina Barbosa

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Atração de fôlego Séries nacionais de ficção avançam para segundas e terceiras temporadas na TV paga, ganham destaque nas grades dos canais, conquistam o público e constroem desenhos consistentes de produção, sinalizando o amadurecimento da indústria.

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s produtores independentes brasileiros começam a superar um grande desafio na TV por assinatura: ultrapassar a primeira temporada em uma série de ficção. As fortes apostas dos canais – que têm investido nas atrações mesmo que elas não entrem para as cotas impostas pela Lei 12.485 -, a boa resposta da audiência, a aprovação do mercado publicitário e o surgimento de subprodutos têm contrariado as queixas recorrentes de alguns canais e produtores de que o Brasil não tem talentos capazes de construir histórias que envolvam o público de modo a garantir vida longa ao produto mais requisitado da TV paga. O Gloob, canal da Globosat voltado para o público infantojuvenil, foi lançado há três anos e trouxe de cara uma aposta em série nacional de ficção live action, financiando-a integralmente. “Detetives do Prédio Azul”, produzido pela Conspiração, registrou audiência acima da média. A decisão de produzir a segunda temporada veio quando a equipe do canal promoveu um evento de Dia das Crianças em um shopping no Rio de Janeiro e observou de perto o frisson que o elenco da série causou nas crianças presentes, que compareceram vestidas como os personagens da atração. Paula Taborda, gerente de programação do Gloob, conta que o canal, de fato, acreditava no potencial do conteúdo, mas não esperava res-

“3 Teresas”, da BossaNovaFilms, estreou no GNT em maio e aumentou em 115% a audiência do canal junto com as outras séries nacionais.

postas tão imediatas. “Ele foi uma das apostas porque a ideia é trazer e oferecer para as crianças o universo dela. Sempre acreditamos que o conteúdo nacional teria melhor performance, mas não que fosse de forma tão rápida”. A atração, de exibição diária, está no top 5 de audiência do canal. A terceira temporada estreou em junho deste ano, a quarta temporada já está em produção e a quinta e a sexta estão engatilhadas. “As crianças crescem rapidamente e a gente precisa aproveitar”, afirma a gerente de programação. Somente no primeiro semestre de 2013, “DPA” chegou a 5,5 milhões de indivíduos, sendo que deste total 1,2 milhão

“O nosso core business não é produção, é propriedade intelectual. É desenvolvimento, é dramaturgia, é storytelling” Roberto D´Ávila, da Moonshot

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são crianças. Paula acredita que os produtos não-lineares da atração contribuem bastante para o sucesso. A Conspiração desenvolveu jogos online, conteúdo extra para o site do canal e aplicativos com histórias inéditas para tablets. A série está nos serviços de VOD da Net e da GVT onde também registra bons índices de audiência. O Gloob tem 35 programas no Now e o “DPA” é um dos quatro produtos que mais tem visualizações. O canal começa a estudar propostas de licenciamento de produtos com o tema “Detetives do Prédio Azul” e a coordenadora de roteiro da série, Flávia Lins, lançou um livro baseado na história do programa de televisão. Sem fórmulas Paula explica que o canal continua apostando no conteúdo nacional e tentando identificar produtos que perdurem na grade. Está programada

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“Detetives do Prédio Azul”, da Conspiração, estreou a terceira temporada no Gloob, produz a quarta e já tem a quinta e a sexta engatilhadas. Frisson que o elenco causa nas crianças foi uma das razões da continuidade da série.

Foto: kiko cabral

para outubro a estreia de uma novela nacional e a equipe acredita que terá uma performance semelhante à de “DPA”. “A gente sempre olha o projeto e tenta ver o conteúdo com um olhar 360º. Queremos oferecer um leque. O canal nasceu dessa forma. É uma análise detalhada, mas um pouco subjetiva. Pode ser que o nosso feeling dê errado em algum momento. Não há fórmula”, observa. Para Luiz Noronha, diretor do núcleo de TV da Conspiração, é natural que o produtor que trabalha com ficção seriada pense em um conteúdo que tenha desdobramentos em mais que uma temporada. Ter ou não a segunda ou terceira temporada vai depender do quanto ele será bem sucedido em termos de audiência. Da parte do produtor, o diferencial para ter capacidade de tocar projetos como esse é investir na consistência da equipe e dos talentos. Em “DPA”, a Conspiração trabalha com três roteiristas. “Tem sempre uma hierarquia, tem as condicionantes técnicas, mas além das técnicas da boa escrita de roteiro tem uma pessoa que tem que tomar uma decisão. É uma pessoa que tem domínio do projeto”, diz. Além de dar continuidade a “Detetives do Prédio Azul”, para o Gloob, a Conspiração prepara a segunda temporada de “Surtadas na Yoga” para o GNT. O canal passou a investir em séries nacionais no ano passado, com a primeira temporada de “Sessão de Terapia”, versão brasileira produzida pela Moonshot Pictures da série israelense “Bitipul”, que ganhou versão em mais de 30 países. Neste ano, o GNT continuou suas apostas e entre abril e maio estreou, além de “Surtadas na Yoga”, “Copa Hotel” (Prodigo), “3 Teresas” (BossaNovaFilms) e “As Canalhas” (Migdal). Ainda no segundo semestre irão ao ar novos episódios de “Copa Hotel”, “Sessão de Terapia”, e as séries inéditas

“Passionais” (Prodigo) e “Beleza S/A” (O2 Filmes). As tentativas Segundo Mariana Koehler, gerente artística do GNT, a decisão de investir em séries tem a ver com a fidelidade da audiência. “Série é um tipo de produto que dificilmente a pessoa larga no meio”, explica. Os resultados começaram a ser colhidos com o sucesso de “Sessão de Terapia” no ano passado e foram confirmados com os primeiros resultados de audiência (com base na medição do Ibope) das séries que estrearam no primeiro

de vídeo sob demanda da Globosat, as atrações estão no top 10 das mais assistidas em maio. Mariana conta que a decisão de levar ao ar “Sessão de Terapia” no ano passado foi ousada. Embora a equipe gostasse do formato e quisesse conteúdo para preencher a grade todos os dias, havia também riscos. “Era um conteúdo difícil. Uma série de diálogos e de atores”, explica. Roberto D’Ávila, diretor e produtor da Moonshot Pictures, classifica a atração como uma “quase antidramaturgia televisiva” e reconhece que a questão da audiência era, de verdade, uma incógnita. Para ele, o grande desafio para o produtor hoje é focar no seu núcleo de desenvolvimento, justamente o que menos recebe recursos dos mecanismos de fomento para o audiovisual nacional. “Tenho investido no departamento fixo de roteiro e desenvolvimento há cinco anos e acumulado know how”, ressalta D’Ávila. A Moonshot produziu em 2007 quatro episódios da série policial “9mm: São Paulo” para a Fox. A primeira temporada só se completou no ano seguinte, quando foram produzidos outros sete episódios. Em 2010 foi ao ar a segunda temporada. O diretor conta que o trabalho exigiu da equipe uma imersão no formato de dramaturgia e do universo policial de mais de seis meses antes de escrever o roteiro. Essa dedicação é importante para entregas consisten

Segundo os executivos dos canais, não há fórmulas que garantam a durabilidade de uma atração na grade. semestre de 2013. O canal informou que houve crescimento de 115% na audiência no total de indivíduos em relação à mesma faixa das 22h30 às 23h30. Se considerado apenas o grupo de mulheres acima de 18 anos, o aumento é de 50%. Antes da estreia das séries ia ao ar a programação de verão e a série “Brothers & Sisters”. Os programas estão entre os dez mais assistidos da TV por assinatura considerando os principais horários de exibição. Quando analisamos o total de indivíduos, as novas séries ficam entre os 15 programas mais assistidos. No Muu, serviço “Adorável Psicose”, do Multishow, recebeu mais investimentos para a segunda temporada e cresceu 30% na audiência.

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( produção) Equipe da Prodigo grava segunda temporada da série “Copa Hotel” para o GNT. O canal já fez a encomenda de duas temporadas.

tes. “O nosso core business não é produção, é propriedade intelectual. É desenvolvimento, é dramaturgia, é storytelling”, explica. Apesar de ter longas no portfólio e de não ter abandonado o cinema, D’Ávila conta que um dos fatores que o conduziu para a televisão era a necessidade real de conquistar um público. “Na produção do longa, você tem que satisfazer os requisitos de financiamento, e não do público final, para ser perene na sua atividade”, observa. D’Ávila acredita que outro aspecto fundamental para desenvolver atrações duradouras, sejam elas de ficção ou não-ficção, é fazer uma entrega de qualidade mesmo dentro de uma limitação de orçamento, entendendo que é preciso ser competitivo com as atrações internacionais da grade. A Moonshot produziu três edições do reality show “Brazil’s Next Top Model” para o canal Sony. O programa tinha orçamento oito vezes menor que a versão americana do formato, mas tinha audiência melhor. Para D’Ávila são três pilares que fazem com que a produtora tenha programas que permaneçam na grade dos canais com o passar do tempo: a compreensão dos fundamentos do produto, um norte para a atração e a reunião de talentos. Para a segunda temporada de “Sessão de Terapia”, que tem 35 episódios, a Moonshot trabalha essencialmente com a mesma equipe dos primeiros episódios, com o remanejamento de alguns roteiristas e uma nova diretora de arte. Novos pacientes 46

Outro aspecto importante é a compreensão do canal sobre a dinâmica de produção de dramaturgia seriada, os tempos de produção e os orçamentos das séries. “Os canais em geral trabalham com o planejamento muito a curto prazo. Agora frequentarão o conestão começando a entender essa sultório do psicanalisparte”, observa. ta Theo, que terá Para Mariana Koehler, do GNT, seus conflitos aprovivemos um momento atípico na TV fundados nesta tempaga, mas com o tempo e o hábito de porada. Junto com a produzir, canais e produtoras estarão estreia da segunda sintonizados. “A questão principal é o temporada, serão volume de produção. O mercado lançados produtos inteiro está entrando com um volume baseados na primeira temporada, como de série que até pouco tempo não um box de DVD da Som Livre, e um livro tinha. É um volume de mercado que da Editora Sextante, que está sendo escriexige de todo mundo”, ressalta. to por Jaqueline Vargas, coordenadora de Christian Machado, gerente de roteiro de “Sessão de Terapia”. produção artística do Multishow concorda com Mariana e enfatiza o Erros e acertos pouco tempo que o mercado de pay Na opinião de Giuliano Cedroni, direTV tem de formação e os investimentor de conteúdo da Prodigo, construir tos que têm sido feitos também por uma atração que se prolongue nas grades parte das programadoras, como a dos canais é uma junção de vários fatores Globosat, para identificar e lapidar e de interesses. O canal precisa se estrunovos talentos. O turar para entender a tem alguaposta em dramaturgia Mercado ainda se Multishow mas atrações de ficcomo um investimento de estrutura para ção que ganharam longo prazo e o produtor também precisa entender produzir séries em novas temporadas como “Adorável o tempo que leva para a escala, com formação de talentos. esforço de canais, Psicose” (Limite), Na Prodigo, que programadoras e “Meu Passado me (Atitude) e estreou no ano passado produtoras para Condena” “Sensacionalistas” “FDP” pela HBO e tem identificar e (Publytape). conversas com o canal a lapidar talentos. De acordo com respeito de uma possível Machado, um detanova temporada, e dedilhe importante ao se decidir uma cou-se esse ano às duas temporadas de segunda temporada é buscar um “Copa Hotel” (o canal encomendou as duas elemento novo, um frescor para a temporadas de uma vez) e “Passionais” segunda temporada, sem fugir da para o GNT, a proposta é trabalhar com trama central da série. Na primeira roteiristas soltos e ter um modelo de coortemporada da série “Adorável denação de roteiro sólido dentro da produPsicose”, escrita e interpretada por tora. Cedroni reconhece que os grandes Natalia Klein, os dilemas vividos nomes estão comprometidos com contratos pela protagonista se desenvolvem fixos com emissoras ou estão com as agenem cenários básicos, como o condas quase sempre lotadas. Com esse cenásultório de psicanálise, a casa e o rio é preciso dar oportunidades a novos trabalho. Na segunda temporada, a talentos também. “Não tem jeito de formar produção investiu em uma viagem. essa mão de obra especializada se não for A audiência cresceu 30% da pripela prática. É um movimento que está meira para a segunda temporada. acontecendo, mas leva tempo”, conclui.

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N

a campanha do antigripal Naldecon, vendido em comprimidos diferentes para se tomar de dia e à noite, a gripe é uma ovelha branca que dá sono durante o dia e uma ovelha preta que à noite não deixa a pessoa dormir. As personagens já existem há algum tempo, mas a nova campanha que estreou em julho agora tem criação da Fisher&Friends e dois novos filmes. “Nunca houve uma identidade forte para as ovelhas, elas já foram feitas de todas as formas, com todas as técnicas, como fantoches, animação, bonecos. Agora resolvemos dar uma cara mais engraçada para elas”, explica o diretor de criação, Sthefan Ko. Nessa temporada, as ovelhas têm um ar mais blasé. A cabeça é mecatrônica, com as expressões de olhos e boca controladas por controle remoto, acoplada a uma fantasia. A produção ficou a cargo da Fantástica Filmes, de Curitiba, que já tinha produzido alguns filmes anteriores da marca. “Costumamos trabalhar no desenvolvimento de personagens, e especialmente em filmes bemhumorados”, afirma o diretor Marlon Klug. “Temos um desenhista que faz os desenhos dos personagens à mão, desenvolvendo todas as características, e vamos trabalhando isso com a agência. Nesse caso, decidimos fazer uma fantasia com uma cabeça movimentada por controle remoto”, continua. Para que a ovelha não ficasse muito alta, já que a cabeça era separada do resto do corpo, Marlon chamou o amigo Claudio, que é ator e anão,

FOTOs: divulgação

As ovelhas da gripe

Animais ganharam cabeças robóticas para aumentar o realismo. para vestir a fantasia. O projeto foi desenvolvido pela Miniarte, empresa especializada em projetos artísticos, que trabalhou com as medidas do ator. Cada filme apresenta duas situações, uma diurna e outra noturna. No primeiro, a ovelha usa um massageador de cabeça para deixar um homem sonolento durante o trabalho no escritório. Mas antes que ele pegue no sono, um piano cai sobre a ovelha. À noite, outro homem tenta dormir e a ovelha está prestes a tocar um trumpete para acordá-lo quando um dardo com tranquilizante acerta seu pescoço. No segundo filme, a ovelha diurna hipnotiza uma mulher durante uma reunião e sai de cena ao ser atingida pela voadora de um lutador de telecatch. À noite, ela está prestes a tocar pratos para acordar um casal mas é nocauteada por um tronco. “Os filmes tiveram como base a linguagem dos cartoons, esses desenhos animados em que alguém leva a pior das maneiras mais absurdas”, explica Marlon. Mas, no caso, tudo foi feito em estúdio, com alguns retoques em pósprodução e elementos específicos criados em 3D. É o caso, por exemplo, do piano, todo feito em computação gráfica com o 50

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software Houdini, que tem uma função específica para destruição. O tronco, por sua vez, é real, ou quase. Na verdade, é um material mais leve revestido com uma casca de árvore, que realmente empurra a ovelha. “O efeito de cartoon também foi conseguido graças à trilha sonora. Sem os efeitos sonoros e a música, não fica a mesma coisa”, diz Marlon. ficha técnica Agência Fischer&Friends Cliente Naldecon Direção geral criativa Mario D’Andrea Diretor de criação Sthefan Ko e Beto Rogoski Direção de arte Thiago Lacorte Redação Rafael Moreno Produtora Fantástica Filmes e Post Diretor Marlon Klug Fotografia Alberto La Salvia Montador Marcos Cassel Pós-Produção Ivan Stephan, Michel Takahashi, Karlos Schirmer, Bruno Wotroba e Leonardo Sindlinger Finalizadora Fantástica Post Produtora de Áudio Lua Nova Produção 3D Zombie Studio

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( making of )

O momento mais esperado do dia

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linha de margarinas Delícia Cremosa vem sendo divulgada com uma campanha intitulada “Momento Delícia”. A ideia é mostrar que todo dia as pessoas têm um momento especial – sempre com um toquezinho de malícia. A campanha já mostrou uma mulher que tira sarro da ex do namorado, outra que fica feliz ao ver que o marido é bem mais “barbeiro” do que ela. Agora é a vez da atriz e apresentadora Fernanda Lima fazer a alegria de três vendedoras de uma loja, porque a calça que está experimentando ficou pequena e ela precisa pedir um número maior. O grande Momento Delícia das vendedoras é saber “que não está fácil para ninguém, nem para a Fernanda Lima”. “A proposta da marca é oferecer produtos que representem os desejos do consumidor e os inspirem a desfrutar momentos de alegria e prazer no dia a dia – é aquele ‘Momento Delícia’ que quebra a rotina e deixa a vida mais leve”, diz Sérgio Mobaier, diretor de marketing de Alimentos e Ingredientes da Bunge Brasil. O filme foi gravado na loja UMA, na Vila Madalena, em São Paulo, que também tem um café. Como o roteiro exigia combinar a história com a cena de produto, a produção precisou correr atrás de um local com essas características. “Procuramos uma loja que tivesse a ver com a Fernanda Lima e que permitisse ter as três vendedoras e mais um lugar onde elas pudessem consumir o produto”, explica o diretor Gustavo Leme. Além da cena na loja e do lanchinho das vendedoras, no qual se faz a demonstração do produto, todos os

Improviso das atrizes acabou alterando o roteiro do filme. filmes da campanha terminam com a personagem principal sentada em um tipo de “confessionário”, onde conta qual é seu Momento Delícia. O entrosamento entre as três atrizes que interpretam as vendedoras e a própria Fernanda Lima foi tão bom, que em vez de aparecer só uma das vendedoras no confessionário, o diretor decidiu gravar as três juntas e essa foi a versão aprovada. “Foi uma surpresa, porque era para ser apenas uma vendedora como protagonista. Mas decidimos alterar a estrutura dos filmes e a ideia vingou”, afirma o diretor. A cena do confessionário foi gravada em estúdio, no ambiente criado para toda a campanha. A própria Fernanda introduziu uns “cacos” em sua fala que deixaram o filme mais engraçado. Gustavo conta que inicialmente achou que a apresentadora poderia ficar 52

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constrangida com a proposta do filme, mas ela entrou na brincadeira e atuou de forma bem descontraída. ficha técnica Agência Lew’Lara\TBWA Publicidade e Propaganda Cliente Bunge Alimentos Produto Margarina Delícia Direção de criação Manir Fadel, Mariana Sá, Cesar Herszkowicz Criação Toni Fernandes, Leo Claret, Gabriel Jardim e Bruno Mancini Produtora de filme Delicatessen Filmes Direção Gustavo Leme Fotografia Rambo Direção de arte Thais Junqueira Montagem Onon Pós-Produção Pix Post Finalização Fernanda Souza Produtora de áudio Satélite Áudio


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(televisão)

Olhos atentos Estudos da Ancine mostram que conteúdo brasileiro ganha impulso na programação da TV paga a partir do SeAC. Na radiodifusão, programação local é predominante e conteúdo religioso ganha espaço.

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yui/shutterstock.com

Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual (OCA), da Ancine, publicou no final de junho dois importantes estudos sobre o mercado audiovisual: o Informe de Acompanhamento de Mercado de TV Paga e o Informe de Acompanhamento de Mercado de TV Aberta. O estudo sobre a TV por assinatura mostra a tendência de aumento do conteúdo nacional na TV por assinatura motivada pela Lei 12.485/11, a Lei do Serviço de Acesso Condicionado (SeAC), mesmo com um pequeno período de vigência em 2012, já que as programadoras e operadoras começaram a cumprir com suas obrigações de veiculação respectivamente em 2 de setembro e 1º de novembro daquele ano. Vale lembrar: pela lei, cada canal de espaço qualificado deve veicular 3h30 por semana de conteúdos brasileiros de espaço qualificado no horário nobre de suas programações, sendo metade produzida por produtora brasileira independente. A obrigação começou com 1h10 por semana, no primeiro ano de vigência da lei, aumentou para 2h20 no segundo ano, até chegar ao valor definitivo de 3h30 por semana a partir de setembro de 2013. O espaço qualificado é o espaço ocupado nas grades de programação por conteúdos que contribuem para estruturar a indústria, e que continuam a gerar receitas após sua primeira exibição, de acordo com regulamentação da Ancine. O estudo da agência reguladora

aponta que o número de Canais Brasileiros de Espaço Qualificado (CBEQ) - canal programado por programadora brasileira, que veicule, no horário nobre, obras audiovisuais brasileiras de espaço qualificado em mais da metade de sua programação – cresceu significativamente até o final de 2012 (veja Gráfico 1). Foram seis novos canais, sendo cinco deles programados por programadoras

brasileiras independentes (CBEQI), como se vê na tabela abaixo. Os canais SB são os superbrasileiros CBEQI com veiculação mínima diária de 12 horas de conteúdo audiovisual brasileiro produzido por produtora brasileira independente, três das quais em horário nobre - e os SBsR são os super brasileiros que não são controlados, controladores ou

Gráfico 1 Canais de Programação conforme Classificação publicada pela Ancine 20 18 16 14 12 10 8 6 4 2 0

31/08/2012 08/01/2013

CBEQ

CBEQI

SB

SBrS FONTE: Ancine.

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( televisão) coligados a emissora de TV aberta. O estudo aponta aumento substancial na quantidade de conteúdo brasileiro veiculado na TV paga. Em 2012, 20 canais tiveram suas grades monitoradas nas 24 horas de programação diária, sendo 18 Canais de Espaço Qualificado (CEQ), um Canal Brasileiro de Espaço Qualificado (CBEQ) e um Canal Super Brasileiro (SB). Os Canais de Espaço Qualificado monitorados foram: AXN, Cinemax, HBO, HBO Family, HBO Plus, Maxprime, Megapix, Multishow, Sony, Telecine Action, Telecine Cult, Telecine Fun, Telecine Pipoca, Telecine Premium, Telecine Touch, TNT, Universal Channel e Warner Channel. O Canal Brasileiro de Espaço Qualificado e o Canal Super Brasileiro monitorados foram GNT e Canal Brasil, respectivamente. Mesmo com o aumento expressivo de programação nacional, a maioria dos CEQ apresentou predominância da programação estrangeira. No entanto, o número de horas dedicadas ao conteúdo nacional em 17 canais de espaço qualificado com predominância de conteúdo estrangeiro mais que dobrou em 2012, passando para 336 horas mensais em dezembro, contra pouco mais de 144 horas no mês de janeiro do mesmo ano. Ainda no universo de 20 canais estudados, Universal Channel e Warner Channel são os que mais apresentam programação estrangeira, que ocupa, respectivamente, 99,8% e 99,5% do tempo da grade. Já o Canal Brasil e o Multishow são os mais brasileiros, dedicando, respectivamente, 98,6% e 83% do tempo à programação nacional.

Gráfico 2 Horas de Programação Mensal de Longas-Metragens Brasileiros por Canal - 2012 100 90

Multishow MaxPrime

80

HBO Plus Cinemax

70

HBO Family HBO

60

Universal Channel Warner Channel

50

GNT Sony

40

TNT AXN

30

Telecine Action Telecine Cult

20

Telecine Touch Telecine Fun

10

MegaPix Telecine Pipoca

A br il M ai o Ju nh o Ju lh o A go s Se to te m b O ro ut u N bro ov em D bro ez em br o

Ja ne i Fe ro ve re ir o M ar ço

0

Telecine Premium

FONTE: Ancine.

nacionais, de 710 exibidos; e Telecine Premium, com 31 nacionais, de 471 longas exibidos no ano. O longas brasileiros mais reprisados em 2012 foram “Tropa de Elite 2 - O Inimigo Agora

Em 2012, 20 canais tiveram suas grades monitoradas nas 24 horas de programação. é Outro”, com 69 exibições, e “Muita Calma Nessa Hora”, com 50 exibições. A entrada em vigor das cotas de conteúdo aqueceu o mercado para a indústria cinematográfica nacional. A

partir da metade do ano, o número de exibições de filmes brasileiros disparou na programação da TV por assinatura (veja Gráfico 2). Concentração Um dado interessante do Informe de Acompanhamento de Mercado é a concentração na área de programação no Brasil. Considerando apenas os Canais de Espaço Qualificado (excluindo, portanto, canais de jornalismo, esportivos e os chamados étnicos), o maior grupo de mídia atuando no Brasil em termos de número de canais é a Time

Gráfico 3 Tempo de Programação das Emissoras de TV Aberta por Origem 100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0%

Estrangeira

SB T TV Br as il TV Cu ltu ra TV Ga ze ta

Re de TV !

Gl ob o Re co rd

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Brasileira

Ba nd M TV Br as il

Cinema Os canais que mais exibiram longas-metragens brasileiros em 2012 no universo estudado foram o Canal Brasil, com 762 filmes nacionais, de um total de 789; o Telecine Pipoca, com 33 longas

Indefinido

FONTE: Ancine.

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( televisão) Warner (Turner e HBO – embora tenham gestões distintas no país), com 28 canais, seguida da Globo, com 15 canais. Na soma dos assinantes dos canais, Time Warner e Globo também lideram, nesta ordem. Este número é relevante porque as programadoras são remuneradas de acordo com o número de assinantes e por canal.

Gráfico 4 Percentual de Horas de Programação de TV Aberta por Categoria Outros 13,89%

TV aberta O Informe de Acompanhamento de Mercado de TV Aberta traz alguns dados interessantes da programação de TV aberta no Brasil. Segundo o estudo, que monitora as grades de programação de dez emissoras - Bandeirantes, CNT, Globo, MTV Brasil, Record, RedeTV!, SBT, TV Brasil, TV Cultura e TV Gazeta - 78,9% do tempo de programação é de obras brasileiras, na média. O percentual de horas dedicadas à programação estrangeira é de 14,66%. A diferença (6,43%) é por conta do conteúdo “indefinido” programas compostos por diversas pequenas obras, podendo ser brasileiras ou estrangeiras, ainda que ancoradas por apresentador brasileiro (veja Gráfico 3). O SBT é a rede que conta com menos conteúdo nacional (51,07%), seguido da TV Cultura (52,58%), que na última gestão passou por um forte enxugamento, levando à redução da produção de conteúdo próprio.

Publicidade Educação 8,57% 3,52% Entretenimento 58,97%

Informação 15,06%

FONTE: Ancine.

O informe classifica a programação em categorias e gêneros, tendo como base a obra Gêneros e Formatos na Televisão Brasileira, de Aronchi de Souza (2004). A programação das emissoras abertas foi dividida em cinco categorias: Entretenimento (com os gêneros Auditório, Colunismo Social, Culinário, Desenho Animado, Docudrama, Esportivo, Filme, Game Show, Humorístico, Infantil, Interativo, Musical, Novela, Quiz-show, Reality-show, Revistas, Séries e Minisséries, Sitcom, Talk-show, Variedades), Informação (Debate, Documentário, Entrevista, Telejornal), Educação (Educativo, Instrutivo), Publicidade (Chamada, Comercial, Político, Sorteio, Telecompra) e Outros (Especial, Eventos, Religioso). Enquanto nas categorias Informação, Publicidade, Educação e Outros a origem do conteúdo é quase exclusivamente brasileira (com menos de 2% de conteúdo

Gráfico 5 Percentual de Veiculação dos Programas Religiosos por Emissora - 2012 TV Gazeta TV Cultura TV Brasil SBT RedeTV! Record Globo CNT MTV Brasil Band 0%

5%

10%

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20%

25%

30%

35%

40%

FONTE: Ancine.

estrangeiro ou indefinido), no entretenimento é onde há a maior incidência de programação estrangeira (24,60%) e indefinida (10,91%). O entretenimento é responsável por mais da metade do tempo da programação da TV brasileira (veja Gráfico 4). O monitoramento da Ancine detectou um total de 2.110 exibições programadas de longas-metragens nos dez canais analisados. Desse total, foram 1.819 exibições de longasmetragens estrangeiros e 291 longasmetragens nacionais, o que representa 13,8% de ocupação. A TV Cultura, a TV Brasil e a Rede Globo foram responsáveis por 98,6% das exibições de longas-metragens nacionais em 2012. A TV Brasil, com 111 exibições, e a TV Cultura, com 109, foram os canais que mais abriram espaço para as obras brasileiras, ainda que com um alto índice de reprises, se comparado com o número de títulos. Também foi detectada a presença de longas brasileiros nas grades de programação das emissoras Band e Rede Record, ainda que representem menos de 2% do total de longas. Como em anos anteriores, a TV Brasil seguiu sendo a emissora com maior percentual de longas-metragens brasileiros programados, 50,2%, seguida da TV Cultura, com 24,1%. SBT, Rede TV! e Rede CNT, embora programem longasmetragens, não programam obras brasileiras em suas grades. Igreja eletrônica O gênero que mais ocupou as grades de programação em 2012 foi o religioso, responsável por 13,55% do tempo médio das grades, com destaque para a Rede TV! (38,08% do tempo dedicado ao gênero), Rede CNT (36,67%), e Record (23,33%). Na sequência vêm os gêneros variedades, com 10,45% do tempo médio, e telejornalismo, ocupando 10,43% do tempo médio das grades (veja Gráfico5). Fernando Lauterjung

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( case )

Vai que Cola FOTO: juliana coutinho

Atração do Multishow é gravada com a presença do público em uma arena no Rio de Janeiro. Foi montado um palco giratório que serve de cenário para todos os ambientes da pensão onde a história se desenrola.

Atores gravam duas vezes cada episódio: uma sem e outra com o público. Diretores participam da montagem, escolhendo as melhores cenas.

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ser gravado com a presença de plateia, com a dinâmica de teatro, sem deixar de atender às necessidades da televisão. A Conspiração foi a convocada para tocar a produção e o canal escalou os diretores João Fonseca, com ampla experiência em teatro, e Cesinha Rodrigues, que tem trabalhos no teatro e na TV, para comandar a atração. A trama se desenvolve toda na pensão de Dona Jô, no Méier, bairro do subúrbio carioca. As histórias giram em torno dos diferentes personagens, como a fogosa Terezinha, o fugitivo

Multishow estreou no começo de julho sua maior aposta em programação para 2013. “Vai que Cola” é uma atração que surgiu dentro do canal que há alguns anos vem investindo na formação de um elenco para a sua vertente de humor e, hoje, reúne nomes como Paulo Gustavo e Fernando Caruso. Christian Machado, gerente de produção artística do Multishow, conta que a proposta do canal era criar um formato que permitisse reunir parte deste elenco, e como alguns deles vêm do teatro e têm familiaridade com o palco, a ideia foi criar um projeto que pudesse

Valdomiro, o jovem casal Jéssica e Máicol, o misterioso Wilson, a sedutora Velna e o zelador insolente Ferdinando. Além do elenco principal, a atração conta com participações especiais como os cantores Ivete Sangalo, Naldo e Diogo Nogueira. A história é escrita por Leandro Soares, responsável por outra atração da casa, “Morando Sozinho”. Os roteiros são desenvolvidos pelo próprio Soares com a ajuda de Rosana Hermann (“Sai de Baixo”), Renato Fagundes, Fil Braz (“220

Humorístico é o projeto que mais recebeu investimentos do canal até agora. 60

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Construção Foi difícil encontrar um espaço onde fosse possível construir o palco giratório com 16 metros de diâmetro, que permite uma área cenográfica de 200 m². Todos os ambientes da pensão: recepção, cozinha, salas, banheiro e quartos são montados nesse espaço. Nos quartos, é possível fazer mudanças e trocar os objetos de cena de acordo com a história e com o personagem. Os atores transitam neste ambiente e vão de um lugar a outro durante a cena. Foram desenvolvidos processos mecânicos para que o palco gire de modo que a plateia possa acompanhar a movimentação dos atores. “Queríamos fazer uma coisa que fosse parte da ação e não fosse apenas operacional”, explica Machado. O espaço encontrado pela equipe foi uma arena na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, que era uma quadra de aquecimento de basquete. O lugar foi reformado para o projeto de iluminação, instalação do palco, construção da arquibancada da plateia de 250 lugares. Para o diretor Cesinha Rodrigues, a participação da plateia e a interação dela com a narrativa é fundamental para a sitcom. “A gente tenta levar essa emoção para o vídeo”, explica o diretor.

FOTOs: juliana coutinho

Volts”) e Gabriella Mancini. O gerente de produção artística do Multishow conta que esse é o projeto que mais recebeu investimentos do canal até agora. “Vai que Cola” tem 40 episódios de 45 minutos e vai ao ar de segunda a sexta, com exibição de maratonas aos domingos, garantindo espaço na grade ao longo de dois meses. Além do volume de produção, o programa exigiu também bastante investimento em infraestrutura para tornar viável a ideia de mesclar técnicas do teatro com a dinâmica da televisão.

Vai que Cola

FormatoSitcom ProdutoraConspiração Direção Cesar Rodrigues e João Fonseca Roteiro Leandro Soares, Renato  Fagundes e Rosana Hermann Produção executiva Luiz Noronha  e Gil Ribeiro Direção de produção Claudia Novaes

Sinopse: É na pensão da Dona Jô, em pleno Méier, bairro do subúrbio carioca que o malandro Valdomiro vai morar na tentativa de fugir da Polícia Federal. Lá, o novo hópede interage com a trabalhadora Dona Jô, o insolente Ferdinando, a fogosa Terezinha, a linda Velna, o misterioso Wilson e o jovem casal Jéssica e Máicol. novidades. Primeiro é um programa tipicamente da TV aberta na TV fechada. Estamos buscando os novos assinantes da TV por assinatura que chegaram em peso. Tem também a exibição diária, com conteúdo para dois meses. Por tudo isso é um projeto interessantíssimo”. Machado observa que artisticamente, a premissa é fazer um projeto de humor bastante democrático. “Tem que ser engraçado e compreendido por todos. Temos muitos convidados na plateia, que é bastante heterogênea e todos se divertem. Isso mostra o poder que o humor tem”, diz. ana carolina barbosa

Nos dias de gravação, os atores encenam duas vezes o mesmo episódio. Na primeira vez, gravam sem plateia e na segunda, o público participa. Segundo os diretores, isso ajuda a escolher os melhores momentos na montagem, já que o vídeo também exige um ritmo diferente da apresentação ao vivo. Alguns erros dos personagens são preservados, as cenas em que o palco gira são mantidas, tudo para o telespectador também possa observar o cenário e a movimentação dos atores. Comédia democrática Gil Ribeiro, diretor presidente da Conspiração, conta que a produtora está satisfeita em participar de um projeto que ele considera inovador. “Tem várias

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( upgrade )

Fernando Lauterjung

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Tudo em um

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Snell acrescentou três novas configurações à sua solução Ice. O produto é um channel-in-a-box e está agora disponível como um sistema de duas unidades de rack, exigindo menos espaço do que a plataforma de hardware anterior sem sacrificar a funcionalidade. Pelo contrário, a nova caixa tem o dobro da capacidade de gráficos em 2D ou 3D. Além disso, o Ice está sendo distribuído com a versão 4.0 do software, oferecendo novos recursos como monitoramento de audiência, uma opção de recurso Variplay, que comprime o material não crítico para dar espaço para playout de conteúdo mais essencial, e controle integrado de intensidade de loudness em conformidade com os regulamentos internacionais. Já o Ice LE é uma nova versão de uma unidade de rack que fornece a funcionalidade avançada do software na versão 4.0 em uma versão de baixo custo e com um conjunto de recursos simplificado - o que a torna ideal para operações

menores ou para projetos que requeiram um servidor de vídeo mais simples. Por fim, em parceria com a Quantum, a Snell está introduzindo o Ice SAN, que fornece armazenamento de conteúdo compartilhado em grande escala para permitir acesso instantâneo à mídia a partir de várias unidades Ice. O Ice SAN está disponível em duas versões: um modelo de empresa de alta performance que oferece níveis superiores de centralização de armazenamento e resistência, e uma opção de baixo custo que proporciona alto desempenho para operações menores.

Fluxo sob controle

Várias telas

FOTOs: divulgação

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Primestream lança em setembro o Fork 4.5, a versão mais recente de sua suíte de produção. A solução gerencia a automatização dos fluxos de trabalho de transmissão mais complexas. Com novos módulos, funcionalidades e integração com o hardware de transmissão principal e software, o Fork 4.5 é a versão mais extensível e configurável da suíte. Uma das novidades é o Workflow Manager 1.0, um novo módulo que torna os fluxos de trabalho visíveis e permite que os usuários categorizem e controlem os seus fluxos de produção de uma forma nova. A solução também apresenta integrações de fluxo de trabalho com os editores de mais populares, incluindo Adobe Premiere Pro, Apple Final Cut Pro e Avid Media Composer. O Fork mantém seu foco em todo o fluxo de trabalho, da aquisição ao arquivo, e suporta soluções de transmissão e de fluxo de trabalho de empresas como Harmonic, Quantum, Cisco.

Suíte de produção gerencia a automatização dos fluxos de trabalho de transmissão mais complexas.

T e l a

V i v a

Ice agora ocupa menos espaço com o dobro da capacidade.

Aplicativo para segunda tela Deep permite a navegação intuitiva entre milhares de revistas digitais criadas automaticamente sobre a programação da TV.

A

Viaccess-Orca apresenta no Brasil o Deep, um aplicativo para segunda tela que complementa a visualização de TV, oferecendo uma maneira de descobrir o conteúdo e explorar temas relacionados ao serviço de vídeo da tela “principal”. A interface de usuário do aplicativo permite a navegação intuitiva entre milhares de revistas digitais criadas automaticamente sobre filmes, programas de TV, atores e temas. Baseadas em dados agregados de vários parceiros, as revistas criam uma forma de interação com o conteúdo da TV. A empresa usa uma tecnologia própria para identificar automaticamente os tópicos mais interessantes relacionados ao conteúdo de TV, transformando dados em artigos interessantes para os leitores da revista. j u l 2 0 1 3

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PRESENTED BY:

AND

KEYNOTE PRESENTATION

WHAT'S IT ALL ABOUT? This one-day conference is designed for filmmakers, financiers, distributors, agents, and advisors seeking to learn more about Brazil and Latin America’s overall growing entertainment field, as well as to know more about working business models in the US and Europe. Topics of discussion will include: Addressing equity and debt financing resources beyond government subsidies and incentives Developing and packaging films and the importance of agents

Building international co-production projects Exploring local and global distribution opportunities Identifying soft money resources within Brazil and throughout Latin America

AUGUST 21, 2013 @ THE COPACABANA PALACE, RIO DE JANEIRO, BRAZIL

REGISTER NOW @ www.FilmFinanceForum.com LOCAL CO-PRODUCER

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( upgrade)

Volume correto

A

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NuGen Audio adicionou um recurso de timecode em seu plug-in de monitoramento visual de loudness, o VisLM. O recurso torna possível relacionar os parâmetros de intensidade diretamente às referências de timecode, dando aos engenheiros de som e editores a posição precisa do frame em todos os alertas, incluindo excessos de pico, valores máximos e outros indicadores. O VisLM agora também inclui suporte para proteção iLok 64-bit para AAX, VST, e unidades de áudio. Quando a configuração do timecode é selecionada no VisLM, um indicador será exibido na interface do usuário e as informações de timecode podem ser armazenadas no log, juntamente com outras informações. Os relatórios com timecode podem ser usados para indicar onde ocorreram, em um programa, eventos de intensidade de áudio. A atualização é gratuita para todos os usuários atuais.

Novo recurso melhora monitoramento de loudness no plug-in VisLM.

Sistema de transporte de stream e monitoramento MPEG agora acomoda uma variedade maior de entradas.

Transporte e monitoramento

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streia em setembro a versão 7.1 do Observer, da Volicon. O sistema de transporte de stream e monitoramento MPEG agora acomoda uma variedade maior de entradas, com suporte para ASI, QAM, 8-VSB, DVB-T/T2, e MPEG TS DVB-T. Disponível em todos os sistemas Observer TS - incluindo Enterprise, Pro e Scout - a nova interface simplifica a implantação e configuração para recepção de canais off-air. O Observer Mobile oferece aos usuários o acesso ao conteúdo em qualquer lugar, a qualquer hora através de um iPad ou iPhone. Projetado especificamente para executivos de mídia em movimento, a interface fornece maior flexibilidade e portabilidade, permitindo reproduzir, pausar, pesquisar e criar conteúdo sob demanda. A Volicon apresentará sistema Observer TS expansíveis que fornecem um caminho para o crescimento de sistemas de monitoramento de uma instalação. Os usuários podem comprar uma plataforma Observer que atenda às necessidades atuais, com a garantia da possibilidade de expansão com novas aplicações e requisitos de controle.

Fibra e cobre

O

MultiDyne Silverback-4K, que estreou em abril, no evento da NAB, é uma solução de transporte por fibra montada na câmera que suporta televisão digital 4K (Ultra HD). O produto permite que os usuários transmitam qualquer sinal da câmera - incluindo Ultra HD, vídeo HD-SDI, áudio, interfone, dados de controle, GPIOs, registro, e força ao longo de um único cabo híbrido de cobre e fibra. O Silverback-4K está disponível em duas versões: um modelo mais rico em recursos, com uma opção de visualização de vídeo para o viewfinder ou o monitor; e um modelo de baixo custo, sem a opção de visualização por viewfinder ou monitor. O suporte Ultra HD pode ser adicionado a qualquer sistema Silverback existente através de uma atualização, permitindo que os clientes do MultiDyne passem a entregar uma experiência de televisão 4K. O sistema de transporte apresenta uma caixa compacta medindo pouco mais de uma polegada de espessura - com uma interface intuitiva. Ideal para cinema digital, esportes, ENG, D-SNG, e aplicações de estúdio multicâmera, o sistema T e l a

V i v a

Solução de transporte por fibra montada na câmera agora suporta televisão digital 4K.

pode transportar vídeo SDI até 4K sem compressão com áudio incorporado ou separado. Os usuários podem acessar funções controle de câmera através de um dos três canais de dados disponíveis. Um canal de retorno adicional está disponível para sync de câmera ou genlock. j u l 2 0 1 3

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www.seta.org.br www.abta.org.br

O SETA e a ABTA atuam no combate à pirataria que prejudica as empresas, os colaboradores e todo País. Trabalham também visando à formação e qualificação do profissional do setor, por meio de convênios e treinamentos, como os STA – Seminários de TV por Assinatura.

PARTICIPE DOS SEMINÁRIOS DE TV POR ASSINATURA DE 6 A 8 DE AGOSTO FEIRA E CONGRESSO ABTA 2013


( agenda ) AGOSTO

Web: http://www.festbrasilia.com.br/

18 a 22 Ottawa International Animation Festival, Ottawa, Canadá.

2 a 18 Anima Mundi, Rio de Janeiro, RJ, e São Paulo, SP. E-mail: info@animamundi.com.br Web: www.animamundi.com.br

E-mail: info@animationfestival.ca Web: www.animationfestival.ca

9 a 17 41º Festival de Cinema de Gramado, Gramado, RS.

20 a 29 Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte,

20 a 22 Broadcast & Cable 2013, São Paulo, SP.

Apresenta a realidade do mercado de satélites, novas tecnologias e aplicações, no único evento sobre o assunto na América Latina.

22 a 30 24º Festival Internacional de CurtasMetragens de São Paulo, São Paulo,

Rio de Janeiro, RJ. Tel: (11) 0800 77 15 028. E-mail: inscricoes@convergecom.com.br

E-mail: festival@umcultural.com.br Web: www.festivaldegramado.net

Web: www.broadcastandcable.com.br

SP. Tel.: (11) 3134-5538. E-mail: info@kinoforum.org Web: www.kinoforum.org.br

SETEMBRO

7 a 14 23° Cine Ceará - Festival Ibero-Americano de Cinema, Fortaleza, CE.

5 e 6 de setembro Congresso Latino-Americano de Satélites,

Web: http://www.cineceara.com/ 16 a 21 Curta-SE 13, Aracaju, SE. Web: www.curtase.org.br

17 a 24 46° Festival de Brasília do Cinema brasileiro, Brasília, DF. E-mail: festivaldebrasilia@gmail.com

Belo Horizonte, MG. Tel.: (31) 3236-7400. Web: festcurtasbh.com.br

26 a 10/10 Festival do Rio,

Rio de janeiro, RJ. Web: www.festivaldorio.com.br

OUTUBRO

5 a 6 MipJunior, Cannes, França. Web: www.mipworld.com

7 a 10 MipCom, Cannes, França. Web: www.mipworld.com 8 a 13 13ª Goiânia Mostra de Curtas, Goiânia, GO. Web: http://www.

goianiamostracurtas.com.br/gmc_2013/


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Revista TelaViva - 239 - Julho de 2013  

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