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televisão, cinema e mídias eletrônicas

ano 22_#237_mai2013

edicao Especial producao paulistana

volta por cima Secretário Juca Ferreira dá sua visão sobre a política do audiovisual na cidade e conta como será a nova agência de fomento à produção em São Paulo. POLO Por que a Vila Leopoldina virou o bairro preferencial do cinema, TV e publicidade

empresas Para produtoras paulistas, potencial de mercado é grande, mas cidade apresenta gargalos


Foto: marcelo kahn

(editorial ) Presidente Diretores Editoriais Diretor Comercial Diretor Financeiro

Rubens Glasberg André Mermelstein Claudiney Santos Samuel Possebon (Brasília) Manoel Fernandez Otavio Jardanovski

André Mermelstein

a n d r e @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Virada à paulista

E Editor Tela Viva News Redação

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Depar­ta­men­to Comer­cial

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sta edição de Tela Viva traz uma série de matérias temáticas sobre a produção audiovisual na cidade de São Paulo. A gestão de Carlos Augusto Calil na Secretaria Municipal de Cultura teve qualidades, como a valorização de diversos equipamentos culturais da cidade, mesmo em face a um orçamento achatado por uma administração que nunca deu especial atenção à área. No que toca à produção audiovisual, no entanto, o desempenho foi tímido. Em plena efervescência do mercado de produção, com a aprovação e entrada em vigor da Lei 12.485, e com todos os mecanismos de fomento e incentivo fortalecidos, a cidade ficou para trás. Ao contrário do Rio de Janeiro, que na gestão dinâmica de Sergio Sá Leitão à frente da RioFilme e agora, desde janeiro, da Secretaria de Cultura, deu grande estímulo às indústrias criativas, São Paulo viveu quatro anos de um certo marasmo, sem uma política específica para o setor. Como resultado, a cidade vem deixando de aproveitar boas oportunidades, e vem perdendo projetos para outras capitais, em especial o Rio. Mesmo os canais internacionais de TV paga, todos baseados em São Paulo, vêm montando estruturas de produção na capital fluminense, para produzir com empresas locais e se beneficiar das facilidades oferecidas. O mesmo acontece com grandes produtoras, como a Mixer, que acaba de abrir nova sede no Rio. São Paulo ainda tem uma produção forte, mas que vem sofrendo com a falta de apoio. As dificuldades vão desde a ajuda na hora de gravar em um local público até a falta de instrumentos de incentivo à produção local. Falta também um órgão de promoção da cidade como locação para produções nacionais e internacionais. Agora, a cidade tem a chance de recuperar o rumo. O novo secretário, o ex-ministro Juca Ferreira, traz uma visão mais ampla e um diagnóstico do que deve ser feito, como mostra em entrevista exclusiva nesta edição. E o mais importante, conta com o apoio do prefeito Fernando Haddad. Apoio que, espera-se, seja refletido em um orçamento maior para o órgão e para a empresa que será criada para gerir a nova política. Não se trata de competir com o Rio ou qualquer outra cidade para ver quem atrai mais projetos ou investimentos, e nisso o secretário é bem claro. Sem provincianismo e olhando para o País com um todo, a ideia é que as duas capitais, bem como as demais cidades brasileiras, criem ambientes de negócio favoráveis à produção, o que é bom para todos. Nesse espírito, e se tudo der certo, a indústria continuará se desenvolvendo com força no Rio, mas também em São Paulo e onde mais houver boas condições.

capa: foto de marcelo kahn

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Ano22_#237_ mai/13

(índice ) 14

Scanner Figuras

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Especial Produção Paulistana

Entrevista

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Juca Ferreira apresenta os planos da Secretaria de Cultura para retomar o crescimento do audiovisual

Mercado

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Produtores paulistanos estão confiantes na evolução do audiovisual da cidade

Infraestrutura

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Locadoras de equipamentos buscam condições competitivas de mercado

Produção 26

20

32

Vila Leopoldina se consolida como principal polo da produção audiovisual na cidade

Artigo

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O financiamento à cultura e ao entretenimento

Making of Case

36 38

Grifa produz série de gastronomia para a programação pré-Copa do Mundo

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Upgrade Agenda

Acompanhe as notícias mais recentes do mercado

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Humor nacional O Comedy Central estreou em maio a atração nacional “O Que Tem Pra Hoje”. Trata-se de uma série de esquetes de humor produzida pela Toca dos Filmes, com apoio da produtora de som Saxsofunny. O conteúdo já faz sucesso na Internet, com mais de 2 milhões de views. Para produzir os esquetes, a equipe do programa se reúne mensalmente para a leitura de cerca de 20 roteiros, dos quais são escolhidos três para a filmagem, com direção do cineasta Paulo Leierer, do escritor Jean Di Barros e do administrador Pedro Brito. Os três esquetes são gravados em um único dia. O programa vai ao ar no Comedy Central em pílulas de 2 a 5 minutos, no formato interprogramas, diariamente na programação.

Fotos: divulgação

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“O Que Tem Pra Hoje” é uma série de esquetes de humor produzida pela Toca dos Filmes para o Comedy Central.

Crescimento

Nocautes múltiplos Também será possível assistir aos eventos ao vivo e ao conteúdo do acervo on demand através de aplicativos para dispositivos móveis, mas estes ainda estão em fase de desenvolvimento. O Combate ainda não definiu se o acervo de lutas e o TV everywhere com as transmissões ao vivo terão apps individuais ou se estarão reunidos em um único aplicativo. O serviço de TV everywhere do Combate deve funcionar de forma semelhante ao Telecine Play, também da Globosat. O assinante faz o login com os dados da assinatura de seu serviço de TV paga e poderá cadastrar um número limitado de dispositivos para acessar o +Combate, que pode variar de acordo com a operadora de TV paga do assinante. No caso do Telecine Play é possível cadastrar até quatro dispositivos, entre computadores, smartphones e tablets e, uma vez cadastrado, o dispositivo só poderá ser excluído para dar lugar a outro após 90 dias.

O Combate, canal de lutas da Globosat, está finalizando os últimos ajustes para lançar na Internet em junho o +Combate, seu serviço de TV everywhere. O +Combate já está disponível nas plataformas de vídeo on demand da Net Serviços (dentro do Now Clube) e da GVT com um acervo de mais de 900 lutas, com eventos do Pride, do Meca, e todas as edições do Ultimate Fighting Championship (UFC), e em breve será incluído em outras operadoras. O lançamento do +Combate, entretanto, vai além do acervo de lutas antigas. O Combate promete a transmissão de eventos ao vivo em sua plataforma de TV everywhere na Internet sem custo adicional para os assinantes do canal, não apenas de eventos nacionais, mas também das lutas do UFC, cujos direitos de transmissão para outras plataformas já estavam acertados desde o ano passado. O +Combate será uma das atrações do novo portal do canal, que reunirá informações sobre MMA e de assinatura do canal ou compra de pay-per-view, acervo de lutas on demand e player de transmissão de eventos ao vivo. Junto com o portal deve ser lançado um app para smartphones e tablets com a programação do site e alertas avisando sobre o início dos programas e eventos ao vivo. Canal Combate tem novo portal e serviço de TV everywhere.

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Segundo levantamento divulgado no início do mês pela Anatel, a TV por assinatura cresceu 3,83% no primeiro trimestre de 2013, chegando a 16,8 milhões de assinaturas no final de março. Trata-se de crescimento de 22,9% em relação a março de 2012. Em cada cem domicílios no país, 27,9 são atendidos pelo serviço. O serviço pela plataforma cabo fechou o trimestre com 6,33 milhões de assinantes, enquanto o DTH chegou a 10,36 milhões. A Net/Embratel conta com a maior base, fechando o mês de março com 8,78 milhões de assinantes, seguida da Sky, com 5,25 milhões. A Anatel retificou dados referentes a janeiro e fevereiro deste ano, após a correção de informações encaminhadas anteriormente pela Sky. Em janeiro de 2013, a base de assinantes de TV por assinatura chegou a 16.491.894. Em fevereiro de 2013, foi a 16.635.888. No crescimento anualizado, o mercado de TV paga está se expandindo a cerca de 23% ao ano. A novidade no mês de março é que a Net Serviços, depois de muitos anos, conquistou mais assinantes líquidos do que a Sky (47 mil contra 41,7 mil). Oi e GVT também tiveram leve crescimento nas vendas em relação ao mês anterior possivelmente em função de uma desaceleração da Sky.


Partos O GNT estreou a série “Parto pelo Mundo”, que acompanha a saga da parteira Mayra Calvette em uma jornada sobre nascimentos. Na atração de seis episódios de 22 minutos, Mayra viaja ao lado do marido pelos cinco continentes para registrar as diferentes formas de parto. Um dos pontos altos da série é o depoimento da top model brasileira Gisele Bündchen, que conta sobre suas experiências nos partos de seus dois filhos.

Em "O Infiltrado", Fred Melo Paiva tenta mostrar diversas facetas da sociedade.

Infiltração

Em “Parto pelo Mundo” a parteira Maya Calvette viaja pelo mundo ao lado do marido para registrar as diferentes formas de dar à luz.

O History apresentou uma nova série feita no Brasil: “O Infiltrado”. Coproduzida pelo canal com a Terra Vermelha e a Cinevídeo, a série, que já conta com a primeira temporada totalmente produzida, foi bancada com recursos do canal. Segundo Krishna Mahon, produtora executiva de programação e conteúdo do canal, a série contará com uma segunda temporada. Na série, o jornalista Fred Melo Paiva se infiltra em universos diferentes para desvendar as diversas facetas da sociedade brasileira. No episódio de estreia, por exemplo, o jornalista funda a sua igreja evangélica. Em outro, vira lutador de MMA. Segundo Miguel Brailovsky, vice-presidente senior de programação e produção do History, o programa é parte de um compromisso cada vez maior com o mercado e com a audiência brasileiras. “Em 2013 a comunidade Brasil está levando o History Channel a outro nível. O canal duplicou a audiência em relação a 2012”, disse o executivo.

Reinado internacional

A Conspiração produziu para o Multishow a série de humor “Vai que Cola”. A produção, que tem no elenco Paulo Gustavo, Samantha Schmutz, Fernando Caruso, Cacau Protásio, é uma mistura de teatro e televisão. A atração inteira tem um palco de mais de 200 m² como cenário. “Vai que Cola” deve estrear em julho, no horário nobre do canal.

A série “Rei Davi”, da Record, estreou no canal MundoFox, voltado para o mercado hispânico dos Estados Unidos. A atração de 29 episódios vai ai ar às 20h no horário local e é uma das ficções épicas inspiradas em personagens bíblicos que a emissora brasileira tem produzido. O texto é de Vivian de Oliveira e a direção geral é de Edson Spinello.

foto: Juliana Coutinho

Humor

Série “Rei Davi”, da Record, foi vendida para o canal MundoFox, voltado para o mercado hispânico nos Estados Unidos. O humorístico “Vai que Cola” foi produzido pela Conspiração para o Multishow.

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Fotos: divulgação

( scanner) Escritório paulistano

Educação financeira A Conteúdos Diversos e a Tritone Interactive criaram a websérie “Antenados” para o Bradesco. A proposta é abordar o tema educação financeira com uma linguagem jovem, já que é a este público que a comunicação é direcionada. Sérgio Lopes, da Conteúdos Diversos, criou o formato e as sinopses que estão sendo desenvolvidas pela roteirista Angélica Reis Marcondes (Keka), que escreve os episódios com base no material fornecido por Leo Fraiman, especialista em educação e criador da metodologia Orientação Profissional, Empregabilidade e Empreendedorismo. Os capítulos iniciais apresentam os temas “Querer e Precisar” e “Mesada”. Neles, Gabi, uma adolescente consumista vive se metendo em encrencas por gastar mais do que deve. Beto, seu irmão “nerd” viciado em videogame, sempre lhe ajuda a sair de apuros com seu raciocínio sagaz. A produção é da Cinema Animadores. A Conteúdos Diversos e a Tritone Interactive criaram a websérie “Antenados” para o Bradesco.

Solta o som Plínio Hessel tem se destacado pelo sound branding, criando trilhas de assinatura para marcas como Carrefour e Bradesco. No entanto, a e-noise ensaia a entrada na área de conteúdo, com prospecções para participação em longas-metragens e parceria com produtora 3D para um projeto infantil.

A produtora de som e-noise completa um ano e tem o objetivo de desbravar também o mercado de conteúdo. A maior parte das receitas estão na publicidade e a produtora dos sócios Marcelinho Romero, Rodrigo Prado, Edu Milreu, Otavio Bertolo, Lino Simão. Oswaldo Sperandio, Diego Raso e

A A&E Networks abriu um escritório em São Paulo (A&E Ole Audiovisual Serviços e Representações Ltda) e tem grandes expectativas acerca do mercado brasileiro, segundo Eduardo Ruiz, presidente e gerente geral da A+E Networks Latin America. “São 16 milhões de lares com pay TV, a publicidade acompanhando o crescimento e as demandas de produção original”, destaca o executivo, explicando os motivos pelos quais o grupo resolveu montar aqui uma estrutura que terá área de programação, digital, marketing, vendas publicitárias, on air e produção. “O mais importante é ter uma equipe de brasileiros que nos ajudará a fortalecer nossas marcas e deixar os canais o mais brasileiros possível. Estar no Brasil é a melhor maneira de investir no Brasil”, observa o executivo. Com a reestruturação, Ruiz acredita que os canais A&E, History Channel e Bio estarão mais aptos a brigar pela audiência. No ano passado, pela primeira vez o History apareceu Eduardo Ruiz, entre os 15 canais presidente do A+E mais assistidos pelo Networks Latin America público masculino de 18 a 49 anos. O objetivo do grupo é dentro de dois anos, levar todos os canais para o top 10. A produção nacional, que rendeu bons índices de audiência no ano passado, deve continuar recebendo atenção. “Até que a Morte nos Separe”, série sobre crimes passionais que estreou no A&E ano passado, deve ganhar mais uma temporada neste ano, assim como “Investigação Criminal”. A franquia “48 horas” também terá produção brasileira e o canal ainda terá na grade atração nacional “Vivendo com o Inimigo”, sobre casais que vivem com os sogros. Para o History estão previstas as atrações nacionais “O Infiltrado”, “Milagres Decodificados” e “Contato Extraterrestre”. Ruiz conta ainda que o grupo trabalha em um projeto de TV everywhere que deve ser comercializado pelas operadoras como forma de agregar valor ao serviço de TV por assinatura. A distribuição dos canais continua sendo feita pela HBO.

Sócios da enoise: produtora de som completa um ano e planeja atuar também na área de conteúdo.

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Novidades no OTT

Faroeste

A Netflix estreará uma nova série original em 11 de julho. “Orange is the New Black”, um drama cômico baseado na autobiografia de Piper Kerman, best-seller americano. Todos os treze episódios da série estarão disponíveis simultaneamente no dia do lançamento. A série poderá ser vista em todos os territórios em que Netflix está disponível: Estados Nova série original do Netflix, “Orange is the New Black” Unidos, Canadá, Brasil, é dos mesmos criadores de “Weeds”. América Latina, Reino Unido, Irlanda e países nórdicos. tes brasileiros, entre eles as apresen“Orange is the New Black” foi tações no Rock in Rio 2011 de Skank, criado por Jenji Kohan (“Weeds”), Jota Quest e Capital Inicial. Entre os que assina a produção executiva e títulos estão “Los Hermanos Na os roteiros do primeiro e último epiFundição Progresso” (2007), “Ana e sódios da temporada. A produção é Jorge” (2005), de Ana Carolina e Seu da Lionsgate Television. Jorge; “Victor e Leo Vivo e em Cores” O serviço OTT anunciou outras (2012) e a coleção infantil “Xuxa Só novidades neste mês, com a inclusão, Para Baixinhos”. em maio, de 24 produções nacionais A Netflix também perdeu 1,7 mil da Sony Music, incluindo shows ao títulos de seu catálogo, com conteúdo vivo, em seu catálogo brasileiro. Os da Warner Bros., da MGM e da títulos contemplam diversos gêneros Universal, que será oferecido no sermusicais, desde MPB e pop até sertaviço concorrente Warner Archive nejo e pagode. No dia 1º de junho, Instant. Mais de 500 novos títulos ao serão disponibilizadas outras seis catálogo no início de maio. produções similares para os assinan-

Chega às salas de cinema no fim de maio o filme “Faroeste Caboclo”, inspirado na música da banda Legião Urbana. O longa-metragem é uma coprodução da Gávea Filmes, da República Pureza e da Fogo Cruzado que tem a Fulano Filmes como produtora associada. O filme conta a história de João do Santo Cristo, que sai da Bahia no início dos anos 80 e vai para Brasília, onde se envolve com o tráfico. Ele conhece Maria Lúcia e quando decide mudar de vida para viver a seu lado é tarde demais: Jeremias, um rico traficante local, também quer o amor da moça. O filme foi rodado em Brasília, no Nordeste e em Paulínia. A distribuição é da Europa Filmes.

Longa-metragem inspirado na música “Faroeste Caboclo” é uma coprodução da Gávea Filmes, da República Pureza e da Fogo Cruzado.

Ficção em série para a captação de recursos pelo O GNT fez várias estréias Fundo Setorial do Audiovisual. de ficção nacional entre o fim A ideia foi apresentada ao de abril e o início de maio. canal entre julho e agosto do Daniela Mignani, diretora do ano passado, os recursos do canal, conta que o GNT está FSA só foram liberados em apostando forte no gênero e dezembro e as gravações comeum dos critérios de seleção é o çaram em março. Denise conta potencial de longevidade. “O que houve interesse do mercaque a gente gostaria é de chedo publicitário em participar do gar a um mercado maduro, conteúdo com product placecom séries de cinco, seis temment, mas não deu tempo. poradas”, explica. O canal “Acreditamos que a solução não estreou nessa leva a série é só o FSA, é interessante “Copa Hotel”, da Prodigo, “As Produção da BossaNovaFilms, “3 Teresas” deve ter segunda temporada no GNT. somar receitas do merchandiCanalhas”, da Migdal Filmes, sing e do branded para entrar “Surtadas na Yoga”, da com receita antecipada”, diz a produtora, que afirma estar Conspiração, e “3 Teresas”, da BossaNovaFilms. tentando costurar estas parcerias para uma possível segunda “3 Teresas”, por exemplo, tem 13 episódios de 26 minutos temporada. “A Bossa tem feito discussões permanentes com que irão ao ar no canal todas as quartas-feiras. Denise Gomes, agências de publicidade. Queremos trazê-lo para o projeto sócia e produtora executiva da BossaNovaFilms, conta que a quando a gente ainda está em roteirização”, explica. atração foi uma aquisição do GNT, que entrou como parceira

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( figuras) Marcos Mendonça é o novo diretor-presidente da Fundação Padre Anchieta, mantenedora da Rádio e TV Cultura e do canal de TV por assinatura TV RáTimBum. O advogado Belisário do Santos Jr. foi reconduzido ao cargo de presidente do Conselho. Jorge da Cunha Lima foi eleito vice-presidente do Conselho e Gabriel Jorge Ferreira foi escolhido para o cargo de secretário da mesa do Conselho Curador.

Foto: Jair Magri

Reprise

Marcos Mendonça

ABAP A Associação Brasileira de Agências de Publicidade realizou as eleições para a escolha da sua diretoria executiva nacional e diretorias regionais. Orlando Marques, CEO do Grupo Publicis Brasil, foi eleito novo presidente nacional da entidade. A lista com todos os eleitos está disponível no site: www.abapnacional.com.br/eleicoes2013-resultado.cfm

Novidade na pós O publicitário Paulo Barcellos é o novo diretor da O2 Pós, departamento da O2 Filmes para pós-produção e finalização. Barcellos participou da montagem, concepção e atualização de finalizadoras como O2 Pós, Quanta Post e Cinecolor Digital. Foi supervisor de efeitos de séries de TV e de longas como “Chico Xavier”, produzido pela O2 Filmes. Atuou como diretor técnico da campanha audiovisual da cidade olímpica Rio 2016 e do conteúdo audiovisual do pavilhão do Brasil na Expo Mundial em Shanghai, também produzidos pela O2 Filmes. Paulo é um dos sócios fundadores da White Gorilla, conhecida pelo serviço de laboratório digital móvel SnowFlake. Pela empresa, participou de mais de 15 longas-metragens, 3 séries de TV e diversos filmes publicitários.

Dos EUA A Movie&Art anunciou a contratação de Gil Inoue como diretor de cena. Inoue faz parte do coletivo Tiny Vices, de Nova York. O profissional mora nos Estados Unidos desde 2004 e já trabalhou com grandes nomes da fotografia mundial. Seu histórico profissional inclui colaborações para designers de moda e publicações como Vogue Brasil, Elle Norge e Monopol Germany. 10

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Mídia A RIOT contratou Camilo Otto como diretor de mídia. A agência aumentou seu staff na área de mídia e agora Otto, recém-chegado da F. biz, irá comandar a equipe. Na F.biz, o executivo dirigia todas as contas de branding da agência. Ele iniciou sua carreira no planejamento de vendas do iG e mais tarde desenvolveu projetos para clientes como Skol, Claro, Skype, Sony e Unilever, além da integração dos canais Cartoon Network e CNN com suas respectivas plataformas digitais na Turner International. Com dez anos de experiência no mercado, acumula também passagens pela F/Nazca e LOV.

Produção Local A Discovery contratou três profissionais para cuidar de seus projetos de produção local no Brasil. Carolina Telles e Gabriela Varallo assumem as funções de supervisoras de produção para os canais de estilo de vida e factuais, respectivamente, enquanto Luciana Soligo torna-se produtora associada para os canais do gênero estilo de vida. Carolina é jornalista com experiência em produção de TV em passagens pelas redes Globo e Record, além da participação em projetos para a TV por assinatura, inclusive para os canais Discovery. Gabriela tem mais de dez anos de experiência em produção para a TV e já desenvolveu diversos projetos para a rede Globo, canais Globosat e SBT. Juliana trabalhou com desenvolvimento de conteúdo para a televisão na rede Globo por sete anos.

Planejamento A TV Globo anunciou no último mês a criação da Direção de Planejamento e Gestão, que incorporará as áreas de recursos humanos, infraestrutura, patrimônio e engenharia e será comandada por Rossana Fontenele. Em mais de quinze anos nas Organizações Globo, Rossana foi diretora da Globocabo, atual Net, e CEO da Sky, atuou na renegociação da dívida do grupo e na criação Rossana Fontenele da nova estrutura de gestão, como diretora de planejamento, controle e acompanhamento de negócios da DGCorp. Com a reestruturação, Érico Magalhães, diretor geral de pesquisa e recursos humanos deixou a emissora. Vanessa Pina, que vem da Sul America Seguros e teve passagem pela Souza Cruz e pela Johnson & Johnson, assume a área de recursos humanos da Globo. •

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Houve uma época no Brasil em que era proibido discordar. E por isso muitas vezes direitos humanos foram violados. A Comissão da Verdade existe para completar as peças e esclarecer o que aconteceu entre 1946 e 1988. Se você tem alguma informação ou registro dessa época, contribua.

Comissão Nacional da Verdade. Para que nossa história se complete. De verdade.


Manifestação no centro do Rio de Janeiro, 1968. Acervo Correio da Manhã/Arquivo Nacional.

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Especial producao

( entrevista )

SP

André Mermelstein e Fernando Lauterjung

Sacode a poeira

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O secretário municipal de Cultura, Juca Ferreira, conta o que tem sido articulado para que São Paulo dê a volta por cima em políticas públicas para o audiovisual.

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FOTO: marcelo kahn

título desta entrevista é uma homenagem a Paulo Vanzolini, ícone da cultura e da ciência paulistanas, morto este mês, mas também reflete o espírito que transparece da conversa com o novo secretário municipal de Cultura da capital paulista, Juca Ferreira. No cargo desde janeiro deste ano, o ex-ministro da Cultura encontrou uma secretaria com orçamento reduzido e desaparelhada para formular políticas para o setor. No momento em que cresce a produção nacional, sobretudo para a TV, com o impulso da lei do SeAC, Ferreira tem a missão de tirar a cidade da inércia e implantar uma nova visão, que retome o caminho do crescimento para o audiovisual na cidade. Tarefa difícil, para a qual o secretário conta com o apoio de outras forças, como o governo do Estado e federal, e o apoio irrestrito do prefeito. Nessa entrevista exclusiva ele fala em detalhes da principal iniciativa de sua gestão na área da produção, a criação de uma agência de fomento municipal que faça frente aos desafios da cidade.

Marcel Leonardi

TELAVIVA Qual o seu diagnóstico da situação que encontrou na secretaria, em relação ao audiovisual? JUCA FERREIRA O audiovisual em São Paulo talvez seja o mais desenvolvido do Brasil, se analisado em seu conjunto, pela quantidade de empresas, de volume de produção. Mas tem estrangulamentos importantes, e percebi que falta uma política pública de fomento e de apoio. A secretaria tinha muito

Juca Ferreira

pouca coisa, e estamos construindo uma política pública, pensando até em termos muito ousados. Em que se baseia essa política? O ponto central é a criação de uma agência de fomento na cidade, mas não é uma agência isoladamente. Queremos 14

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atuar em todos os elos da cadeia. Por exemplo, na área de formação, existe uma carência crônica em cargos qualificados, de técnicos, por exemplo, de roteiristas. Na área de promoção também, o cinema paulista precisa de uma promoção muito mais forte. E apoio à produção também.


Quando a gente fala em audiovisual e cinema, há uma diversidade de interesses, de modos de produção, de modelos de negócio, de organização, de linguagem. A gente quer fazer uma política que contemple essa diversidade, não dá para ter várias políticas diferentes. Tem que atender às demandas complexas do audiovisual, de grandes produtoras, de pequenas produtoras, dos filmes mais autorais, dos filmes voltados ao mercado, à distribuição... Não queremos substituir a iniciativa privada, pelo contrário. Vamos criar instrumentos de fomento e de incentivo para que a atividade caminhe na direção de ser sustentável, que dê lucro, empregue as pessoas, seja um elemento culturalmente importante. Qual será a forma de atuação da agência? É um órgão de fomento? Ainda estamos desenhando, mas é sim uma agência de fomento, que teria recursos para alavancar o apoio aos diversos níveis, à produção, formação, distribuição. O que não couber na agência será feito pela Secretaria. Por exemplo, a film commission. Qual a ideia para essa film commission? Os produtores reclamam que é muito difícil filmar em São Paulo, que é bem mais fácil no Rio de Janeiro, por exemplo. Vamos desenvolver a film commission para facilitar isso. Talvez nem esteja debaixo dessa agência, pode ser que fique com a Secretaria, porque é uma atividade de articulação com outros setores da Prefeitura, como a autoridade de trânsito, polícia (Guarda Civil). Na área de capacitação, a agência faria isso diretamente, promovendo cursos, ou seria através dos agentes privados que já existem?

Não estamos pensando numa agência finalística, mas em uma agência de fomento. As atividades finais devem ser feitas na maioria das vezes pela iniciativa privada, pelos cineastas, produtoras, distribuidoras.

Além da mão de obra, há também uma carência de infraestrutura na cidade. Temos muita coisa, mas já faltam por exemplo estúdios, em muitos casos. Vão atuar nisso também? A gente vai estimular, pode ser até linha de fomento, vou conversar com o BNDES, dar apoio, financiamento. A gente entende que a infraestrutura precisa ser potencializada.

Vocês têm um modelo em mente, alguma referência nacional ou internacional, para essa agência? A RioFilme é uma referência. Evidentemente temos que adaptar à nossa situação e capacitar essa agência para desenvolver a política cultural para o audiovisual que nós estamos pensando fazer em São Paulo. É uma boa referência, porque eles já existem há um tempo, cometeram alguns erros, e já corrigiram.

“Não queremos substituir a iniciativa privada, pelo contrário. Vamos criar instrumentos para que a atividade caminhe na direção de ser sustentável”

Envolverão outras áreas da prefeitura também, por exemplo cedendo terrenos para a instalação de estúdios, concedendo alvarás? Sim. O que for conveniente instalar aqui no Centro a gente vai procurar adequar. O que não precisar ser no Centro a gente vai localizar em outras áreas da cidade. Não é uma política da Secretaria de Cultura, é da Prefeitura, está integrada, o prefeito (Fernando Haddad) está mobilizado. Ele quer estar presente por exemplo no diálogo com o ministério (da Cultura), com o Sesi, o Sesc. Vamos botar toda a força da Prefeitura e mobilizar as outras secretarias.

A RioFilme é originalmente uma distribuidora. A agência paulistana também terá essa função? Eles foram se modificando, virando uma agência de fomento, tem sido uma alavanca importante. Nós teremos uma relação boa com a Ancine, com o Ministério da Cultura, mas não queremos repetir o que já é feito por estes agentes, a gente quer somar e articular o máximo possível. O governador (de São Paulo, Geraldo Alckmin) já declarou interesse em participar da iniciativa, queremos ver se atraímos também Senac, Sesc, todos os que podem aportar contribuições, inclusive com recursos. Em princípio não atuará como distribuidora. A ideia é estimular, e onde houver vazios, insuficiências ou estrangulamentos a gente atua de maneira a permitir que aquele segmento tenha um desenvolvimento.

O projeto (da agência) então se encaixa também dentro da política urbana de São Paulo, em projetos como o do Arco do Futuro? Sim, e o momento é muito conveniente, porque se está discutindo o novo Plano Diretor da cidade, o zoneamento, a adequação das atividades. Dentro do trabalho de modernização urbana cabe definir a localização das diversas atividades. Isso não é só com o cinema, mas também com a moda, trazendo a promoção para o Centro e deixando a produção nos bairros. A cidade já tem uma certa geografia do audiovisual, com concentração de empresas em alguma áreas. Isso não é à toa, e a prefeitura vai considerar essa adequação, partindo do que existe e do desenvolvimento urbano previsto.

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Especial producao

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( entrevista) FOTO: marcelo kahn

O fomento provido pela agência será todo de âmbito municipal? Não, o governo do Estado já mostrou interesse em participar. Podemos montar uma grande parceria em torno do fundo que essa agência vai manejar. Esse fundo vai buscar compartilhar (o aporte) com outras instâncias que queiram participar. Mesmo com toda a oferta de recursos que existe hoje, com Fundo Setorial e outros mecanismos, vocês detectaram uma carência de funding para a produção? Eu acho que é um problema, mas talvez não seja o maior. Alguns cineastas se concentram excessivamente na questão dos recursos. Mas eu acho que a gente devia abrir o foco e perceber que são muitos os estrangulamentos. Talvez a gente nunca tenha tido tantos recursos disponíveis. Parte dos recursos que nós vamos mobilizar são esses que já existem, Lei do Audiovisual, Fundo Setorial, BNDES. A agência tem tudo para buscar uma parceria.

“São Paulo se atrasou, a verdade é essa. Não encontramos uma política no Estado e nem no município, e os estrangulamentos são evidentes”

Para quando deve sair essa agência? Estamos trabalhando com o prazo de sair ainda no primeiro semestre. O prefeito me deu um “dever de casa” de desenvolver um diálogo com a categoria e também com a área técnica da secretaria, para avançar rapidamente na formatação da agência. Espero ter o projeto até o final da próxima semana (n. do e.: na terceira semana de maio), e do jeito que o prefeito está mobilizado, isso deve ir imediatamente para a Câmara dos Vereadores.

no Estado e nem no município, e os estrangulamentos são evidentes. Só o fato de ser dificílimo filmar aqui já demonstra que é necessário desenvolver rapidamente uma política. Agora, eu proponho que a gente substitua essa “concorrência” por uma cooperação, no sentido de montar um sistema nacional que de fato seja sinérgico, que comporte as devidas diferenças, mas que gere um sistema brasileiro de produção, distribuição e exibição, e que esse sistema possa dialogar com sistemas internacionais, como o latino-americano, o iberoamericano, constituir um mercado comum cultural. Isso é genial e o Brasil nunca experimentou isso num sentido pleno. Os pequenos gestos e ações simbólicas cumpriram seu papel. Agora é hora de pensar grande. São Paulo tem uma responsabilidade

Existe uma certa urgência, não? Até pela “competição” com o Rio, que tem sido muito ativo na promoção do audiovisual na cidade... São Paulo se atrasou, a verdade é essa. Não encontramos uma política 16

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de liderar a criação dessa nova cartografia do audiovisual. Sou absolutamente otimista, nunca tivemos tantas condições. O que acontece com a estrutura atual da Secretaria de Cultura, que já tem inclusive um escritório, o ECine, para a atividade de produção audiovisual? Vai ser adaptada. Estamos remodelando a secretaria. Estou mandando um projeto de reforma para o prefeito, para o segundo semestre. Aí, falando não só sobre audiovisual, mas sobre tudo. A secretaria tem uma estrutura exótica. Tem o secretário, o adjunto, o chefe de gabinete e cento e tantos equipamentos, sem uma estrutura de gestão. Uma biblioteca não dialoga com a outra, não há política de livro e leitura no município. Então as bibliotecas ficam esperando que as pessoas venham pedir livros, quando temos toda uma possibilidade de fazer com que a leitura cresça. Livro é um exemplo, mas em todas as áreas temos uma demanda de outro tipo de secretaria. Os recursos para a agência e o fundo virão do orçamento da secretaria ou de outras partes?


Virão de orçamento, de cooperação com o governo do Estado, com a Ancine, a SAv (MinC) e outros agentes. Vejo um fundo que tem condições de alavancar até recursos privados. Até fazer coprodução, via Funcines e vários mecanismos. Tem que ser uma estrutura leve, de baixo custo, com o mínimo de pessoal possível, mas utilizando todos os mecanismos possíveis. A secretaria perdeu muito recurso (orçamento) no último ano. Pretende recuperar? Encontramos uma secretaria muito desaparelhada. No último ano o orçamento caiu muito. Ano passado o orçamento era de 1,3% do total municipal, este ano é de 0,9%. E isso não só para o funcionamento da secretaria, mas para todos os equipamentos, inclui o custeio (de

“Tenho estimulado o prefeito a abrir uma discussão, inclusive com outros secretários, sobre a valorização da marca de São Paulo” bibliotecas, museus etc). Confesso que me surpreendi, esperava que a cidade e o Estado tivessem uma estrutura cultural melhor do ponto de vista público. É uma cidade com uma criatividade enorme, uma arte vibrante, uma potência em áreas como arte contemporânea. Mas a estrutura pública e o desenvolvimento de políticas ainda são muito embrionários. E existe um compromisso do prefeito com o setor? Total. Foi promessa de campanha e ele tem reiterado que a cultura faz parte

de seu programa de desenvolvimento para a cidade. A Câmara (dos Vereadores) tem se mostrado também muito receptiva e predisposta a ser um baluarte dessa política. Tenho expectativa de que, se não for por unanimidade, a aprovação dessa política será por maioria absoluta, tal é o clima favorável. Em termos de linha de ação, e fazendo novamente a comparação inevitável com o Rio, você pretende fazer uma gestão, como a da RioFilme, de apoiar mais filmes com potencial de mercado, filmes que buscam o público? Não existe essa dicotomia entre filme de mercado e filme autoral. O bom filme de mercado é aquele feito com boa linguagem, bom roteiro, atores de qualidade e que desperta o interesse de parcelas

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Especial producao

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( entrevista) FOTO: marcelo kahn

significativas da população. O filme “de linguagem” tem menos busca de mercado, mas se concentra na linguagem, na experimentação. Um é complementar ao outro, o mercado acaba se beneficiando das experiências de linguagem, e estas também são um mercado, o cinema “cult” tem um público e circuitos importantes, isso em vários países do mundo. O problema que eu vejo é que o estado há algumas décadas assumiu uma responsabilidade junto ao cinema, mas acabou desenvolvendo uma política sem metas, indicadores. A disponibilização do recurso público tem que ser acompanhada de uma responsabilidade de que aquilo de fato terá um impacto na atividade audiovisual. A dificuldade é a superação de um certo patrimonialismo, uma dependência do recurso público, que leva a um descuido na construção de um público, e a perda de critério na avaliação do que é feito. Às vezes não é filme de linguagem e nem de mercado, porque os critérios andaram frouxos. Temos que ter uma visão de conjunto, mas é óbvio que o cinema brasileiro precisa conquistar mercado, aumentar seu público dentro do País.

“A disponibilização do recurso público tem que ser acompanhada de uma responsabilidade de que aquilo de fato terá um impacto na atividade audiovisual” com o proprietário do imóvel). Agora, eu não penso em cinemas estatais. A prefeitura vai estimular, ceder terrenos, agilizar as licenças, dar isenções etc. Pensamos em abrir pelo menos dez salas na periferia.

E em relação ao parque exibidor paulistano? Existe alguma forma de incentivar? Acho que já bateu no fundo, com o fechamento dos cinemas de rua etc. Mas isso já está se revertendo, encontrei cinemas que estavam fechados sendo recuperados, temos os cinemas dos CEUs (escolas municipais de tempo integral), as casas de cultura, dá uma rede de exibição razoável. Cabe na política de audiovisual apoiar a abertura e manutenção dos cinemas de rua. Se tudo correr bem, anunciaremos em breve a reabertura do Belas Artes, que é um símbolo desse movimento (complexo de rua de São Paulo desativado em 2011 por desacordo

Como será a film commission, vai apenas facilitar a produção ou vai também “vender” a cidade para a produção internacional? É mais que isso. Tenho estimulado o prefeito a abrir uma discussão, inclusive com outros secretários, sobre a valorização da marca de São Paulo. O Rio de Janeiro, além da política audiovisual, tem trabalhado o fortalecimento da marca da cidade. O Rio tem qualidades intrínsecas, como sua beleza. São Paulo também tem qualidades, é uma das maiores cidades do mundo, tem uma noite maior que a 18

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de Nova York, conforme ouvi até de diplomatas, temos museus, centros culturais, temos a Virada Cultural, cabe uma discussão da marca e uma política. Faz parte disso aumentar o interesse de trazer filmes estrangeiros para filmar aqui. Vamos chegar lá, vender a cidade no exterior, mas não só para filme, e sim como um todo. São Paulo precisa fazer alguns movimentos. O primeiro é se assumir, mostrar que não é só trabalho, tem atividade, tem uma cultura contemporânea imensa. Tem cultura de rua, grafite, uma cultura de periferia fortíssima. Precisamos descriminalizar as atividades culturais. Vamos organizar o carnaval de rua da cidade, que até então era proibido! São Paulo tem que fazer as pazes com o Brasil, esquecer (a revolução de) 32, se colocar de frente, ser a plataforma de lançamento da cultura brasileira para o resto do mundo. Em vez de se comparar o tempo inteiro com Nova York, deveriam assumir uma liderança cultural na América Latina. A cidade já tem essa articulação na área econômica, mas na área cultural ainda é provinciana.


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Ana Carolina Barbosa

a n a c a r o l i n a @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Mãe gentil e hostil

gary yim/shutterstock.com

Versatilidade e excelência nos serviços, caos e altos custos. São Paulo reflete suas contradições de cidade grande na atividade audiovisual, que precisa de políticas públicas inteligentes e urgentes para se fortalecer.

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unâmimes ao apontar que o elemento que falta para fortalecer a indústria audiovisual na capital paulista é uma política inteligente, capaz de estimular a economia da cidade como um todo. Em meio a lamentos, outras unanimidades: o otimismo com o novo governo, especialmente com a figura do secretário de cultura, Juca Ferreira, e com a SP Filmes, a agência de fomento que começa a ganhar contornos. Há também a vontade de, apesar dos pesares, continuar por aqui. A política audiovisual que os produtores desejam para São Paulo é uma que considere o audiovisual em todas as suas manifestações, e não apenas o cinema. Fernando Dias, sócio da Grifa Filmes, chamou a atenção para a ausência de editais da

maior cidade do país, boa infraestrutura, qualidade nos serviços, excelência na mão de obra, infinitas possibilidades de locação, proximidade das grandes empresas e tomadores de decisão na indústria do entretenimento, além de um público ávido pelo consumo de produtos culturais. São Paulo é um bom negócio para as produtoras, certo? “Em partes”. “Errado”. “Nem Tanto”. TELA VIVA ouviu produtores paulistanos para traçar o perfil do mercado de produção audiovisual em São Paulo. Independente do porte da produtora e do segmento em que atuam, os profissionais são 20

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Secretaria de Cultura da Prefeitura de São Paulo voltados para a produção para a televisão, que é o grande gargalo para a produção audiovisual, principalmente com a Lei 12.485, que criou novas regras para o setor de TV por assinatura no País, como as cotas de conteúdo nacional independente nos canais. “Há uma conjunção de fatores bons para o audiovisual para a televisão, com alinhamento do Ministério da Cultura e da Ancine. Agora existe uma boa vontade no município de São Paulo”, afirma. Dias usou dados da Associação Brasileira de Produtores Independentes de Televisão, a ABPI-TV, para destacar que há

antishock/shutterstock.com

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Fotos: divulgação

necessidade de se estabelecer políticas públicas para esse tipo de produção. Das 330 empresas associadas à entidade, 173 são paulistanas. “Não é fator de vantagem estar em São Paulo”, diz. Maurício Dias, também sócio da Grifa, aponta outra defasagem de capital paulistana: apesar de ser a cidade sede de várias grandes empresas, os grandes investidores no audiovisual, a Petrobras e o BNDES estão no Rio de Janeiro, além do escritório central da Ancine. “Se eu fosse gringo e quisesse abrir uma produtora, certamente seria no Rio”, afirma Fernando. A grama do vizinho É inevitável entre os produtores a comparação com os movimentos da capital fluminense no audiovisual. A RioFilme, empresa de investimento em cinema da Prefeitura do Rio de Janeiro, tem sido muito bem sucedida em suas atividades, servindo de modelo para o restante do País. A empresa passou por um processo de revitalização em 2009 e vem aumentando sua capacidade de investimento ano a ano, obtendo resultados cada vez mais expressivos. Em 2008, a capacidade de investimento da RioFilme foi de R$ 1,1 milhão em 22 projetos. Saltou para R$ 11,3 milhões em 2009 e em 2012 chegou à marca de R$ 50 milhões, distribuídos em 115 projetos. O Rio de Janeiro é hoje a cidade que mais investe em audiovisual no País. São Paulo no ano passado investiu R$ 11,2 milhões no audiovisual, incluindo convocatórias de editais, apoio a mostras e eventos setoriais e Lei do ISS. Além das linhas de editais reembolsáveis e não-reembolsáveis que contemplam várias áreas do

Gil Ribeiro, diretor-presidente da Conspiração, tem a missão de expandir os negócios do grupo na capital paulista, que hoje representa 40% do faturamento.

que em Nova York”, explica Carla. Além dos custos, os produtores destacam as dificuldades que enfrentam para filmar em São Paulo. É tudo muito caro e muito burocrático. audiovisual (longas e curtasUma das questões do secretário metragens, documentários, de Cultura da capital paulista, séries de TV, capacitação Juca Ferreira, é a criação de uma profissional e parque film commission, que possa não exibidor) a empresa lançou só facilitar todos esses trâmites este ano uma linha de para o produtor como também investimentos automático, voltado para atrair filmagens de TV, cinema e o cinema e televisão, focada no mérito publicidade para a cidade. da produtora e performance dos seus O movimento de abertura de produtos anteriores, não no projeto. A filiais no Rio de Janeiro existe, iniciativa, com critérios bem claros, mas grandes produtoras que facilita o acesso aos recursos e acelera nasceram na Cidade Maravilhosa a execução de projetos. também A Medialand, precisaram trazer Produtores produtora focada em seus negócios para projetos para televisão, São Paulo para querem mais abriu um escritório no recursos regionais aproveitar outras Rio de Janeiro para para o audiovisual oportunidades. Gil poder acessar os diretore distribuição entre Ribeiro, recursos cariocas. No presidente da todos os segmentos Conspiração, entanto, os sócios Beto do audiovisual, Ribeiro e Carla enfatiza a Albuquerque ainda como a produção importância da veem aspectos bons em unidade paulistana de televisão. São Paulo. “São Paulo para o grupo: “São tem uma variedade de Paulo não é filial. locações que o Rio não tem. A cidade Hoje a Conspiração é uma também é mais estruturada para os produtora brasileira, não tão negócios”, diz Ribeiro. “O ator carioca como já foi”. paulistano consegue um sotaque mais Ribeiro observa que estar em neutro. É difícil filmar com atores São Paulo e no Rio de Janeiro é cariocas”, completa Carla. O grande uma questão estratégica, que problema da capital paulista são os permite ter acesso à mão de obra custos e eles levantam a bandeira da qualificada que está nas duas desoneração, um ponto que deveria ser cidades. “A gente enfrenta melhor incluído na pauta da SP Filmes. “Até comparando com custos americanos os nossos são mais caros. Em São Paulo, a duplicação de fitas é cinco vezes mais cara do

Luciana Eguti e Paulo Muppet, sócios da Birdo: a forte característica de prestação de serviços em São Paulo gera demanda vinda de diversos segmentos.

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( mercado)

Investimentos municipais em editais de audiovisual 50

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São Paulo Rio de Janeiro

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2008

9,4 5,1

4,0

1,7 1,1

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2009

6,4

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(Em R$ milhões)

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2010

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2012

Linhas contempladas nos editais em 2012 São Paulo Produção Projeto Histórias dos Bairros de São Paulo Produção de Curta-Metragem Produção de Documentários Crônicas da Cidade Desenvolvimento de projetos de longa-metragem Produção de longa-metragem (baixo orçamento, complementação da filmagem, finalização)

Rio de Janeiro Produção e distribuição de longas-metragens (investimentos reembolsáveis) Produção de curtas Desenvolvimento,produção e finalização de longas Produção de documentários para a TV (Canal Brasil) Desenvolvimento de séries de TV FONTE: Secretaria de Cultura da Prefeitura de São Paulo e Riofilme.

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ideia é produzir nestes estúdios o conteúdo de televisão com uma produção mais simples, os talk shows, programas de linha e aquelas atrações que pedem cenários menores. Programas para a Globosat e para o Discovery Home & Health devem inaugurar o espaço. Fotos: divulgação

assim o déficit de mão de “O Rio é uma cidade linda, tem obra qualificada. Nos grandes talentos e a Rede Globo. próximos dois, três anos, São Paulo tem a economia do País, enfrentaremos o gap entre o mercado publicitário, canais e uma crescimento da indústria e a indústria criativa bastante forte” disponibilidade de mão de Paulo Moreira, da Coração da Selva obra”, explica o executivo. Uma meta da gestão de maio um novo estúdio na Ribeiro é fazer crescer a unidade Chácara Santo Antônio, que hoje representa 40% do especialmente voltado para a faturamento da empresa. Em São produção de televisão. Ribeiro Paulo está o núcleo de publicidade conta que é uma unidade com a e agora também a produção nonproposta de deixar a empresa mais fiction de televisão e o Corp, autosuficiente. O espaço tem dois núcleo voltado para a produção de estúdios e a Conspiração fez grandes vídeos corporativos. investimentos em equipamentos. A A produtora inaugurou em

Terra próspera O fato é que não precisa ser gigante para se manter e crescer em São Paulo. Se há um lugar onde há espaço para todos é na capital paulista, como afirma Paulo Muppet, sócio e diretor de animação da Birdo, produtora de animação que trabalha principalmente com publicidade e começa a dar seus primeiros passos em conteúdo, com coproduções e com o projeto da série infantojuvenil “Oswaldo”. “São Paulo é um mercado muito diferente de todos os outros. Sobrevivemos alguns anos mesmo sem atendimento estruturado porque tem vários mercados dentro da cidade. Aparecem filmes para diferentes áreas, como ONGs e exposições”. Luciana Eguti, sócia de Muppet, destaca que essa é uma característica da cidade e assim produtores de vários portes conseguem conquistar seus nichos. “A prestação de serviços é muito forte por aqui. Tem vários tipos de profissionais, isso acaba pulverizando os serviços”. Focados no segmento de animação, eles acreditam que a área ainda é carente de investimentos públicos de forma geral, mas principalmente dos regionais. Os projetos de animação acabam competindo com os live action nos editais de longas e curtasmetragens, o que não é o melhor dos cenários, pois os processos de


produção e os custos envolvidos são totalmente diferentes. “Pela iniciativa privada, acho bom ter a Birdo em São Paulo, mas pelo governo me sinto prejudicado”, observa Muppet. Luciana aponta que a proximidade da TV Cultura é um ponto positivo ao se desenvolver atividades audiovisuais em São Paulo. “Eles participaram do AnimaTV, lançaram um Funcine para a animação, fazem convocatórias para o Fundo Setorial do Audiovisual e dão bastante estrutura e apoio ao produtor”, diz. A TV Cultura é, de fato, um bom ponto de apoio ao produtor paulistano na visão de outros

“Com política nacional e local temos tudo para dar um salto que faça com que o audiovisual paulista ganhe estatura econômica à altura do que São Paulo já representa para o resto do País” Débora Ivanov, da Gullane Filmes.

profissionais do mercado, como Paulo Moreira, sócio da Coração da Selva, que tem uma série na grade do canal, “Pedro e Bianca”, e uma série em desenvolvimento chamada “Condomínio Jaqueline”. Para ele, o apoio da TV Cultura para acesso aos recursos do FSA é importante, mas precisaria também haver contrapartidas regionais, preferencialmente em direção do financiamento automático, como acontece no Rio de Janeiro. “Mas não

tem que ser só a prefeitura de São Paulo, seria interessante ter o estado também”, sugere, lembrando que faz falta hoje no mercado paulista a estrutura de Paulínia, que já foi grande pólo do audiovisual e hoje não existe mais. Moreira observa que São Paulo tem uma infraestrutura boa para o audiovisual devido à produção publicitária, com laboratórios, estúdios, equipamentos. Somente em 2012, foram registrados na Ancine 16.717 filmes publicitários. Agora, com boa vontade política, o setor tem tudo para crescer. “O Rio é uma cidade linda, tem grandes talentos e a Rede Globo. São Paulo tem a economia do País, mercado publicitário, canais e uma indústria criativa bastante forte”, diz.

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( mercado) Beto Ribeiro e Carla Albuquerque, da Medialand, sugerem que a prefeitura inclua a desoneração na pauta da futura agência de fomento.

Foto: divulgação

Altos custos e dificuldades de filmar em locações da cidade dificultam a atividade audiovisual na capital paulista. Débora Ivanov, sócia da Gullane e diretora executiva do Sindicato da Indústria Audiovisual do Estado de São Paulo (Siaesp), também reforça o coro dos que esperam por mudanças significativas na maneira como o governo do município encara a atividade audiovisual, principalmente pela figura de Juca Ferreira e seu background no Ministério da Cultura. “Há entusiasmo por toda a experiência que ele acumulou como gestor. Ele veio com a mesma garra que dedicou ao Ministério para São Paulo. Ele chamou para o diálogo, está se articulando e o prefeito Haddad é um grande entusiasta”, afirma. Alguns projetos do portfólio da Gullane receberam investimentos do município, por meio de editais, como os longas-metragens “As Melhores Coisas do Mundo” (2010) e “Acorda Brasil” e “Que Horas Ela Volta?”, ainda em desenvolvimento. A Gullane também já fez telefilmes para a TV Cultura, em um projeto apoiado pelo governo do Estado de São Paulo. Débora concorda que os investimentos regionais ainda são tímidos, mas ela ressalta que as produtoras paulistanas beneficiamse do progresso que o audiovisual tem experimentado nos últimos anos no País. Ela conta que quando a produtora iniciou suas atividades, em 2001, havia apenas quatro projetos. Hoje, são 40 projetos em curso na casa. Débora destaca o potencial de consumo de cultura do povo paulistano como um fator importante para os investimentos no audiovisual. Ela mencionou dados da Ancine que indicam que

Diego Silvestre/shutterstock.com

São Paulo tem 812 salas de cinema, contra 297 do Rio de Janeiro, a segunda maior praça. Na bilheteria, São Paulo também tem mais que o dobro de ingressos vendidos. Em 2012, foram 49,4 milhões de ingressos, contra 22,2 milhões do Rio (dados do Filme B). Criatividade e talento não faltam na capital paulista e apesar de as

produções cariocas terem liderado os rankings de bilheteria nos últimos anos, especialmente no gênero comédia, foi justamente uma comédia da Gullane que alcançou o topo em 2012: o longa-metragem “Até que a Sorte Nos Separe”. “Com política nacional e local temos tudo para dar um salto que faça com que o audiovisual paulista ganhe estatura econômica à altura do que São Paulo já representa para o resto do País”, conclui Débora.

A São Paulo do Audiovisual

812 salas de cinema

49,4 milhões de ingressos vendidos em 2012

16.717

obras publicitárias registradas em 2012

R$ 22,4 milhões

de investimentos do Fundo Setorial do Audiovisual em 23 projetos entre 2008 e 2012

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longas-metragens lançados comercialmente em salas de exibição em 2012 FONTE: Ancine e Filme B.


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( infraestrutura )

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Lizandra de Almeida

cartas.telaviva@convergecom.com.br

Em construção Com o aumento das produções brasileiras, especialmente de séries de TV, as locadoras de equipamentos estão investindo e batalhando por condições mais competitivas de mercado. E aumentam os cursos de formação profissional.

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bioraven/shutterstock.com

om o aumento da demanda por programação independente brasileira trazida pela Lei 12.485/11, o mercado de produção em São Paulo tomou fôlego. A maioria das empresas de locação de equipamentos e estúdios está funcionando a todo vapor e a expectativa é a de que a produção de conteúdo continue a crescer. Enquanto isso, o mercado de publicidade segue sendo a força que move a produção paulista, que de maneira geral parece estar bem abastecida de equipamentos e profissionais. Na prática, porém, alguns entraves persistem e a criação do que o mercado costuma chamar de “indústria do audiovisual” ainda empaca em questões como a concorrência desleal entre locadoras de equipamentos, que importam produtos por vias oficiais, e profissionais freelancers que adquirem seus próprios equipamentos (nem sempre pelas vias legais) e os sublocam informalmente. E na área profissional, a quantidade de pessoas em atuação parece ser suficiente, mas falta treinamento e especialização em um mercado em que, até há bem pouco tempo, o aprendizado acontecia principalmente na prática, especialmente nas funções técnicas. O mercado de locação de equipamentos para a produção audiovisual é formado principalmente de empresas tradicionais, com mais de 20 anos de atuação. É o caso da Quanta, que além de equipamentos

oferece quatro estúdios equipados com a mais alta tecnologia do setor. Segundo o gerente comercial da empresa, João Alexandre Silva, o mês de janeiro costuma ser fraco, mas seus estúdios estão ocupados praticamente o tempo todo desde o início do ano. Com a chegada do outono, época em que chove menos na cidade, o movimento está ainda maior. “Está havendo um boom de séries de TV, que ocupam equipamentos e estúdios por um tempo mais longo”, afirma. “Para nós isso é bom, estamos tendo a chance de reeducar as pessoas a trabalhar em estúdio. Mas sabemos que as produtoras precisam fazer uma matemática complicada para produzir com o que se paga pelos capítulos das séries.” Paulo Ribeiro, sócio da Locall e presidente da Associação das Empresas Locadoras de Equipamentos e Serviços

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Audiovisuais (Abele), também está sentindo o crescimento da demanda. “O nível de produção está bem alto, nossos estúdios já estão reservados para quatro longas-metragens que vão ser filmados até o final do ano e estamos recebendo muitas consultas para locação para séries de TV. O mercado de produção de comerciais oscila, mas continua forte. O momento é de crescimento e tudo indica que a demanda continua. Estão surgindo inclusive novas locadoras e as pequenas estão investindo, tentando crescer”, explica. Para atender a essa nova demanda, as empresas estão investindo na importação de equipamentos. É aí que surge um problema recorrente do setor: a tributação. Como presidente da Abele, Paulo Ribeiro está trabalhando com a Ancine na elaboração de uma proposta de desoneração da importação de equipamentos. O pleito é antigo, mas agora que o mercado está mais aquecido ele acredita que existem mais chances de o projeto andar. “Trabalhamos com equipamentos importados que não têm similar nacional, mas as taxas são muito altas. Não fabricamos câmeras, não fabricamos lentes. Não é possível expandir se isso não se tornar mais acessível”, diz. Ribeiro afirma que os impostos incidentes sobre os equipamentos importados podem elevar seus preços em algo entre 90% e 120%. Para tentar reduzir a concorrência desleal, a Abele também lançou um


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manifesto para as produtoras, alertando para os riscos de alugarem equipamentos dos próprios profissionais do set. “As pessoas compram seus próprios equipamentos, se inserem no mercado de locação e incluem o valor nas próprias diárias. Mas esse equipamento não é segurado, não tem manutenção e muitas vezes o operador não tem treinamento para usá-lo. Isso gera uma distorção no mercado, que acaba cedendo à pressão dos custos.” “Como em todos os mercados, sempre existe o lado A e o lado B”, afirma Vera Scatena, diretora da Moviecenter. “A tendência é aumentar a produção e já estamos atendendo muitas séries de TV, principalmente para GNT e Multishow. Há trabalho para todos, mas a infraestrutura ainda é frágil em vários pontos.” A empresa foi fundada na década de 1970 pelo pai de Vera e oferecia todos os tipos de equipamentos. Hoje é especializada na locação de equipamentos de iluminação e acessórios. “Mesmo o que não importamos é precificado em dólar, como os cabos, de cobre e borracha, ou acessórios de alumínio”, diz. João Pereira da Silva, CEO da JKL – empresa especializada na locação de câmeras profissionais –, atribui o aumento da demanda também à sofisticação crescente das produções. “Trabalhos que antes eram feitos com uma ou duas câmeras hoje exigem três ou quatro, o que nos obriga a ter uma quantidade imensa de equipamentos”, afirma. A JKL sempre trabalhou com os modelos mais sofisticados de equipamentos, porque seu foco era a produção de comerciais, mas agora, com o aumento da demanda por séries de TV, está investindo em modelos intermediários. “Para atender a esse mercado, precisamos ter modelos mais em conta”, afirma. O CEO da JKL afirma também que, estimulados pelo afã tecnológico, os profissionais estão sempre atrás de novidades. “Todo mundo quer o que

Cursos de Multimídia e Produção Audiovisual da ETEC Jornalista Roberto Marinho recebem inscrições de 16 a 19 candidatos por vaga. O diretor Mauro Araújo Gut quer parcerias com emissoras e produtoras para estágios regulares.

que conseguem ser mais baratos. Não estou vendo nada sendo feito nesse sentido”, afirma Eduardo Soares, sócio e diretor da empresa. “A tecnologia é uma loucura, tudo que sai os clientes querem. Na nossa área, estamos realmente em um ponto de virada. Os refletores antigos, grandes e pesados, estão sendo substituídos pelos sistemas de iluminação LED. Uma lâmpada de refletor custava R$ 10 mil a R$ 15 mil. O LED está revolucionando a iluminação de cinema, a vida útil da lâmpada é enorme, além de ser muito mais barata. Precisamos começar de novo, investir para nos manter atualizados. Os resultados estéticos também estão sendo muito interessantes”, acredita Vera Scatena.

há de mais moderno e tecnológico no mundo, seja lente, seja câmera. Por isso estão surgindo novos concorrentes e todo mundo está correndo atrás de amortizar seu investimento. O mercado está meio sem parâmetros”, diz. Para Abrahão Sochaczewski, sóciogerente da Bureau Cinema e Vídeo, empresa que trabalha não só com a locação mas com a venda de equipamentos, a logística do processo de importação e a quantidade de lançamentos das empresas dificulta a vida das empresas que vendem e alugam equipamentos. Segundo ele, o prazo para adquirir um equipamento pelas vias legais pode levar até nove meses. “Costumo dizer que é uma gestação. Até o equipamento chegar, são nove meses de investimento parado. Fica difícil aumentar a variedade do estoque”, afirma. “Não dá para oferecer tudo, é uma infinidade de lançamentos que exigem um investimento alto.” No caso da DMS Vídeo, que fabrica equipamentos de movimento como tripés e gruas e também os aluga, o principal problema é a concorrência com os importados chineses. “Somos muito poucas empresas fabricantes e temos encargos enormes. Enquanto isso, estão chegando equipamentos chineses de má qualidade

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Formação profissional E quem opera todos esses equipamentos? Atrás das câmeras, na conexão das ligações elétricas ou em atividades como direção de arte ou figurino, estão milhares de profissionais, e todos os anos muitos outros entram no mercado. “Em São Paulo, não faltam técnicos. O mercado é grande, a área de publicidade paga bem e muita gente está inserida. O que falta é melhorar o nível técnico desses profissionais”, afirma o presidente do Sindicato dos 27

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A Academia Internacional de Cinema é voltada para a formação artística, com aulas que mesclam conteúdos teóricos e práticos.

produtoras também estão trazendo técnicos da Argentina e do Uruguai, onde a remuneração é menor, para trabalhar aqui. “Em geral, são profissionais bem formados, que vêm para cá pelo mesmo motivo que eu vim”, diz o presidente do SindCine, que é argentino de nascimento mas naturalizou-se brasileiro. Com tantos encargos trabalhistas e exigências legais, afirma Lazzarini, as produtoras tentam cumprir a lei o menos possível. Enquanto isso, as locadoras de equipamentos sentem a dificuldade de trabalhar com profissionais mal preparados. Vera Scatena, da Moviecenter, estabeleceu uma parceria com o Senai para a criação de um curso profissionalizante de eletricista. O Curso de Eletricista do Audiovisual está formando sua oitava turma e tem 400 horas de duração. “Disponibilizamos nossos equipamentos para treiná-los, o profissional sai desse curso muito bem preparado”, afirma. Porém, segundo ela, nem sempre o aluno consegue se inserir no mercado, que em geral se baliza apenas pelo custo. Segundo Renata Rainho, responsável

Trabalhadores da Indústria e do Audiovisual (SindiCine), Pedro Pablo Lazzarini. Atualmente, São Paulo oferece cursos para todos os gostos, de todos os níveis, desde workshops técnicos de curta duração até curso de pósgraduação, com especialização em temas como roteiro ou produção executiva. Mas muitos profissionais das funções “da pesada”, ou seja, maquinistas, eletricistas, assistentes técnicos e motoristas, ainda aprendem a função na prática, de um jeito “torto”, como define Lazzarini. “O que acontece normalmente é que uma pessoa que já está no mercado traz seu filho, seu sobrinho, o filho da vizinha, para aprender. Como a remuneração é boa, muitos aceitam trabalhar por valores inferiores aos do mercado, que já são maiores do que ele ganharia em qualquer outro trabalho”, explica. Além dessas pessoas, que em geral não procuram aperfeiçoamento e vão reproduzindo os erros que aprenderam na prática, algumas

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pelo marketing da Bureau Cinema e Vídeo, faltam profissionais capacitados para operar equipamentos de ponta. “Existe uma demanda principalmente para operadores que falem inglês. Estamos recebendo muitas equipes de fora e os técnicos não conseguem se comunicar”, explica. Lazzarini concorda e diz que a demanda já foi constatada pelo Sindicato, que periodicamente oferece cursos de inglês especializado para a área. A demanda, porém, é baixa. “As pessoas não se preocupam em se aperfeiçoar, em reciclar os conhecimentos. Enquanto têm trabalho, dizem que nunca têm tempo.” Para tentar capacitar melhor os técnicos que utilizam seus equipamentos, a Bureau oferece cursos e treinamentos, oficinas e workshops. Em 2012, trouxe um especialista da Steadicam pela primeira vez no Brasil. “Além de vendermos e alugarmos equipamentos, estamos também oferecendo os cursos para que os profissionais conheçam e saibam usar os equipamentos. Senão temos de dar um curso cada vez que eles vêm alugar”, diz Renata. Treinamento para todos A oferta de cursos para a formação de profissionais do audiovisual está cada vez maior. Uma pessoa interessada em entrar nesse mercado pode optar por vários caminhos: desde os cursos livres de curta duração oferecidos por instituições como Senai e Senac, até cursos de graduação e pósgraduação. Em paralelo, também existem workshops e cursos de aperfeiçoamento. Há 17 anos oferecendo workshops técnicos e cursos de reciclagem, L.M. Stein associou-se a Edina Fujii, que foi gerente da Quanta por mais de 20 anos, e a Flávio Costa e Rodolfo Fischer, para inaugurar em março passado a Foco BR, um espaço localizado no bairro da Mooca e


Segundo Mauro, a maioria dos alunos vem de escola pública, mas, por ser específico, também há alunos formados em outras áreas que procuram a escola, além de alguns que pedem transferência de outras ETECs. A Academia Internacional de Cinema, por sua vez, é voltada mais para a formação artística do que técnica. O carro-chefe é o curso intitulado Filmworks, com dois anos de duração, focado na formação principalmente de diretores e roteiristas. Também são oferecidos cursos de menor duração de roteiro, documentário, direção, fotografia, arte, edição, som, produção e cursos teóricos, que podem ser cursados independentemente ou como complemento do Filmworks. Segundo Steven Richter, diretor da AIC, hoje existe demanda para todas as áreas e a procura vem aumentando. “O que ainda falta no mercado brasileiro são cursos para a produção de animação e games. Não oferecemos

“Aqui o aluno aprende fazendo, vai para os laboratórios, volta para a teoria, e assim vai participando de produções cada vez mais complexa"

Foto: roberto socrates/divulgação

anualmente dez vagas de estágio para alunos da ETEC, que oferece dois cursos de nível técnico: Multimídia (duração de um ano e meio) e Produção Audiovisual (dois anos). São 350 vagas por ano, voltadas para jovens que estão cursando ou terminaram o ensino médio. “Estamos tentando estabelecer parcerias com outras emissoras e produtoras para conseguir vagas de estágio regulares”, afirma o diretor da ETEC, Mauro Araújo Gut. Segundo ele, o curso é um reflexo da demanda do mercado, o que se comprova pelo número de inscrições. Logo em sua segunda turma, que teve início no primeiro semestre de 2012, o curso noturno foi o mais procurado de todo o Centro Paula Souza. No vestibulinho, são entre 16 a 19 candidatos por vaga. O curso é público e gratuito e oferece uma série de benefícios por cotas.

Luiz Alfaya , do Instituto Criar Fotos: bob paulinol/divulgação

totalmente equipado para a realização de cursos e workshops. Stein produzia cursos livres, de curta duração, geralmente ministrados em espaços oferecidos por parceiros. “Era um sonho ter nosso próprio espaço. Hoje estamos equipados com salas, laboratórios e estúdios. E em um momento propício, com o aumento da produção”, afirma. Ele também acredita que o mercado é carente de mão-de-obra qualificada. “Nossa intenção é preparar melhor os profissionais. As pessoas saem da faculdade preparadas intelectualmente, mas em geral não estão prontas para enfrentar o mercado”, diz Stein. A Foco BR oferece cursos em três níveis – para iniciantes, de especialização e avançado –, em uma tentativa de segmentar grupos de interesse, para evitar que sejam muito heterogêneos. Os cursos são muito procurados por pessoas de fora do eixo Rio-São Paulo, que já trabalham na área e buscam atualização e reciclagem, voltando para seus núcleos mais preparadas para trabalhar. “Nossa intenção com a Foco BR é que o espaço seja um ponto de encontro para a troca de informações, lançamento de equipamentos, tudo que envolve o audiovisual. Também queremos estender os cursos para o treinamento in loco, em emissoras e produtoras, e também empresas interessadas em montar área específica de audiovisual”, explica Edina Fujii. Recentemente, a empresa fechou acordo com o Polo Digital, de Recife, para o qual vão fornecer cursos específicos para o treinamento do pessoal que trabalha nessa área. Outra iniciativa relativamente recente é a Escola Técnica Estadual (ETEC) Jornalista Roberto Marinho, que integra o Centro Paula Souza, rede de escolas técnicas do governo do Estado de São Paulo. Criada em 2011, a escola está localizada ao lado da Rede Globo, próxima à Marginal Pinheiros, com quem mantém uma parceria. A emissora oferece

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( infraestrutura ) do Senac. “No mercado de São Paulo, em esses cursos, mas queremos que a publicidade é importante e ter”, afirma. A formação, explica, movimenta muito dinheiro, o diferencial mescla conteúdos teóricos e do curso tem de ser a conciliação entre a práticos, com muita discussão e tecnologia digital a serviço do cinema. É mão na massa. “Formamos importante proporcionar ao aluno um criadores intelectuais”, diz. trânsito pelo digital, da câmera mais Entre as diversas instituições que simples até uma 4K, tanto na produção oferecem cursos de graduação em São como na pósPaulo, o Senac é a produção”, acredita a que apresenta o Senac tem cursos coordenadora do curso cardápio mais diversificado. Desde profissionalizantes, de graduação do Senac, Ana Maria Giannazi. técnicos e cursos “Nosso curso recebe profissionalizantes pós-graduação um investimento alto, e técnicos até a temos um parque tecnológico que não recém-criada pós-graduação lato deixa a desejar, com equipamentos de sensu voltada para a área de negócios captação até edição em HD.” do audiovisual. A primeira turma se Essa mesma preocupação faz parte do forma no final do primeiro semestre trabalho do Instituto Criar, um projeto deste ano, e inclui produtores novos e social criado pelo apresentador Luciano outros já com experiência. Huck, que forma anualmente 150 jovens Adler Zambelli, coordenador do para o mercado audiovisual. Esses jovens curso, explica que o currículo tenta são selecionados a partir de cerca de 800 equalizar conhecimentos de produção a 900 indicados por ONGs e escolas e negócios, incluindo planejamento, públicas de São Paulo e Osasco, que são insumos e regulamentação, com vistas parceiras do projeto. ao retorno financeiro. “Havia um Segundo o diretor Luiz Alfaya, o curso preconceito muito grande dessa área com o retorno financeiro, como se isso resultasse em produtos sem Empresas aderem qualidade. Mas hoje a mentalidade ao Procult está mudando e muita gente quer primeira experiência do mercado entender melhor o mercado”, afirma. de locação de equipamentos e A segunda turma, que está em estúdios com a linha de apoio à andamento, já tem um perfil economia da cultura Procult, do BNDES, foi da Quanta, que obteve financiamento diferente, mais voltado ao para construir seus estúdios na zona empreendedorismo, com pessoas Oeste de São Paulo, com o que há de buscando conhecimento para montar mais avançado no setor. sua própria produtora. Zambelli Agora, a Locall, de Paulo Ribeiro, conseguiu aprovação de uma linha de explica que o Senac também tem recursos para a compra de cursos de mais específicos de pósequipamentos. “Estamos assinando o graduação, voltados para áreas mais primeiro Procult para essa área e vamos artísticas como roteiro e animação. nos dedicar especialmente à área de iluminação”, afirma. Foi um trabalho “Os alunos atualmente têm uma pioneiro e demorado, porque os origem muito diversificada. Antes, a avaliadores de projetos no BNDES não porta de entrada eram principalmente conheciam o setor. os cursos de graduação de Rádio e TV “Trouxemos os engenheiros do BNDES, mostramos tudo que usamos, e Cinema, mas hoje há convergência desde os refletores até as bandeiras e com cursos de web, design, já que a caixas, garras, tubos de alumínio. Eles passagem entre uma tecnologia e não conseguiam entender os acessórios, outra é mais fácil”, analisa. não entendiam nada que não fossem máquinas. Mas com esse trabalho O equilíbrio entre o conteúdo conseguimos a aprovação e acreditamos teórico e a prática, acompanhando a que isso pode abrir portas para outras evolução tecnológica, também é a iniciativas”, afirma Paulo. preocupação do curso de graduação

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também tem aspectos teóricos e práticos. “Aqui o aluno aprende fazendo, vai para os laboratórios, volta para a teoria, e assim vai participando de produções cada vez mais complexa. Fazemos um investimento intenso em equipamentos e tecnologia, nosso custo é alto, mas a recompensa não é só a formação de profissionais capacitados como a transformação na vida desses jovens.” Alfaya analisa que a demanda pelos jovens formados no Instituto vem crescendo, mas que às vezes há uma confusão entre um perfil “multimídia” e “multitarefas”. “Para baixar o custo, muitas produtoras procuram pessoas que façam duas ou três coisas. As pessoas dizem que precisam de pessoas ‘multimídia’, mas na verdade o que querem é que o profissional seja ‘multitarefa’. Uma coisa é o menino entender a convergência de mídias e outra é fazer produção, câmera e edição”, diz. Nesse sentido, ele acredita que falta uma articulação entre todos os elos da cadeia produtiva para que o setor se organize melhor. “As leis fazem uma parte, mas não garantem a rentabilidade das empresas nem formam pessoas”, afirma. O curso oferece 11 disciplinas técnicas – figurino, cabelo e maquiagem, produção, cenografia, câmera, iluminação, edição, áudio, computação, animação, mídias interativas –, além de cinco oficinas socioculturais de formação humanística. Ao todo, são 770 horas de formação técnica e 660 horas de formação sociocultural. “As pessoas que estamos formando fazem parte justamente dessa nova classe de consumidores que todo o mercado está procurando conhecer. Selecionamos jovens de famílias com até meio salário mínimo de renda per capita e estamos transformando a vida deles. O audiovisual é a ferramenta transformadora do milênio e essas pessoas vão ajudar a modificar o padrão da indústria”, acredita.


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Espaço para crescer Com mercado aquecido e novos investimentos, Vila Leopoldina se consolida como principal polo da produção audiovisual na cidade de São Paulo.

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airro historicamente industrial, a Vila Leopoldina passa por processo de transição. Antigos armazéns industriais dividem espaço com empresas e condomínios residenciais recém-construídos, alguns poucos restaurantes e um comércio crescente. Poucas indústrias permanecem no bairro. Entre os protagonistas do processo de transformação da Vila Leopoldina está o setor de produção audiovisual. Conforme as indústrias se mudaram para o interior do estado em busca de mais espaço para produzir e menos impostos, deixaram para trás grandes galpões industriais abandonados, instalados em quarteirões amplos e espaçosos. Atraídas por essa infraestrutura, baixos preços de aluguel e compra de terrenos nos anos 2000 e localização estratégica, com fácil acesso e livre circulação de caminhões, muitas empresas ligadas ao mercado de produção audiovisual paulistano mudaram para o bairro, deixando suas sedes em regiões como Moema, Vila Mariana e Vila Madalena. Assim como as indústrias que haviam deixado a região alguns anos antes, buscavam espaço para crescer. Hoje a Vila Leopoldina abriga o principal polo de produção audiovisual da cidade de São Paulo. Na região, estão as sedes de grandes produtoras, estúdios, agências e fornecedores de infraestrutura, além de uma unidade da Cinemateca FOTOs: divulgação

Brasileira. Entre as principais empresas do setor instaladas na região, encontramse nomes como O2 Filmes, Grupo Ink, Dínamo Filmes, Estúdios Quanta, Locall, Electrica Cinema & Vídeo, Hollywood Store, EBC (Empresa Brasil de Comunicação) e Neogama. “Crescimento precisa de espaço”, diz Paulo Morelli, sócio da O2 Filmes. “A dimensão dos espaços que encontramos aqui, com quarteirões amplos e grandes armazéns foi determinante”. A empresa chegou à Vila Leopoldina em 2002, alugando um terreno de 1,6 mil m2. “Mas isso também começou a ficar pequeno”, diz Morelli. Hoje a produtora é proprietária de um terreno com 8,5 mil m2 na região. No local, a O2 Filmes concluiu em 2013 uma reforma de cinco anos

“A dimensão dos espaços que encontramos aqui, com quarteirões amplos e grandes armazéns foi determinante” Paulo Morelli, da O2 Filmes

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para construção da sua nova sede. O espaço conta com centros de produção e pós-produção e três estúdios para casting. De acordo com Paulo Schmidt, sócio do Grupo Ink, “a região está se transformando em um polo da indústria criativa”. Em 2008, o grupo que reúne seis empresas mudou de Moema para um espaço com cerca de 2 mil m2 na Vila Leopoldina. “Para uma região central, na época os preços eram bastante atraentes. Além disso, é uma região onde ainda podem circular caminhões, e isso é importante para nosso negócio”, diz. Para Schmidt, estar em um polo como o que se formou na região traz vantagens para o negócio. “Assim como chegaram os concorrentes, chegaram fornecedores. Também tem muitas agências, que são nossos principais clientes”. De acordo com Schmidt, o Grupo Ink está fechando acordo com dois parceiros para concluir a construção de um complexo de 10 mil m2 na região, agregando serviços de produção audiovisual, infraestrutura para produção e mídia. Com nome provisório de Condomínio da Economia Criativa Vila Leopoldina, o projeto demandará investimentos de R$ 50 milhões, dos quais R$ 10 milhões vieram de financiamento feito pelo Grupo Ink com o BNDES pelo Procult. O grupo já fechou acordo com um parceiro e espera concluir as negociações com o segundo ainda no mês de maio. Após conclusão das negociações, a expectativa é que o projeto leve um ano para ser entregue. No bairro desde 1995, a Estúdios Quanta foi pioneira na região. Em um


espaço de 15 mil m2, as instalações da locadora de infraestrutura e equipamentos contam com quatro estúdios, além de oficinas e salas de produção. De acordo com José Alexandre, gerente comercial da empresa, o aquecimento do mercado é perceptível, e demanda investimentos. “A demanda aumentou cerca de 20% nos últimos anos. Hoje temos uma ocupação maior do que podemos atender. Inclusive precisamos recusar alguns trabalhos”. Ele diz que a empresa tem investido principalmente na aquisição de novos equipamentos. Quanto às instalações da empresa no bairro, diz ser necessário investir principalmente em salas de produção. “Temos oito salas hoje, todas ocupadas, e mais produtoras demandando”. Contudo, disse que a Quanta acabou de concluir uma série de obras para melhorar a infraestrutura das instalações em

“Nossa venda é muito específica, técnica. Estar próximo do cliente é essencial” Ariane Breyton, da Hollywood Store

2012 e que não é provável que façam investimentos agora. De acordo com Alexandre, a concentração de empresas do setor no bairro traz vantagens que vão além da proximidade entre clientes e vendedores. Para quem trabalha com locação de infraestrutura, estar próximo de concorrentes pode ser especialmente benéfico em um cenário de aumento de demanda. “É muito comum sublocarmos equipamentos de outras locadoras para atender a demanda, principalmente quando o mercado está aquecido como agora”. “As locadoras pegam coisa uma da outra diariamente e há a proximidade com o cliente. Com o problema de

deslocamento da cidade, isso economiza tempo e energia”, diz Paulo Ribeiro, sócio diretor da Locall, outra locadora instalada na região. Há um ano, a Hollywood Store fechou sua loja na Vila Madalena e mudou-se para um espaço dentro das instalações da Estúdios Quanta, na Vila Leopoldina. De acordo com a diretora da loja, Ariane Breyton, a quantidade de produtoras, estúdios e locadoras na região foi fator determinante na decisão de mudar a localização do negócio. “Nossa venda é muito específica, técnica. Estar próximo do cliente é essencial. Na Vila Madalena, a exposição era maior, mas isso não é tão interessante para nós. Ninguém sai para tomar um cafezinho e acaba comprando um

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da emissora. “Nosso projeto é trabalhar diferente de uma emissora tradicional”, diz. “Como somos uma empresa pública, temos um projeto de usar mais produção independente na nossa programação no futuro, e estar próximo das produtoras da região vai ajudar”.

Sede da O2 Filmes no bairro.

pelo grupo, é a única emissora com instalações na região. De acordo com Marco Antônio Coelho, superintendente da EBC para as regiões Sudeste e Sul, a proximidade com produtoras independentes é estratégica para o futuro

equipamento profissional. É um mercado restrito”, diz. Desde 2008, a sede da EBC (Empresa Brasil de Comunicação) em São Paulo também está localizada na Vila Leopoldina. A TV Brasil, gerida

As empresas de audiovisual na Vila Leopoldina Estúdios Quanta Locadora de estúdios e infraestrutura. Instalações no bairro oferecem quatro estúdios independentes, salas de produção e oficinas. No bairro desde 1995. R. Mergenthaler, 1000 Grupo Ink Conglomerado de seis empresas especializado na produção de conteúdo audiovisual e projetos de comunicação. No bairro desde 2008. Av. Imperatriz Leopoldina, 1623 Hollywood Store Loja especializada em produtos para produção audiovisual. No bairro desde 2012. R. Mergenthaler, 1000 O2 Filmes Produz conteúdo audiovisual para cinema e mercado publicitário. Estrutura no bairro conta com centros de produção e pós-produção e três estúdios. R. Baumann, 930 Locall Locadora de equipamentos para produção audiovisual. No bairro desde 2010. Dr. Gastão Vidigal, 541 Electrica Cinema & Vídeo Locadora de equipamentos para produção audiovisual. No bairro desde 2000. Av. Imperatriz Leopoldina, 1150 Neogama Agência de publicidade. No bairro desde 2004. Av. Mofarrej, 1174 Unidade da Cinemateca Brasileira Guarda parte do acervo da instituição. No bairro desde 2009. R. Othão, 290 Santo Forte Digital Oferece soluções de captação de imagem, fotografia, motion graphics, 3D e pós-produção. R. Paulo Franco, 405 Burti HD Aluga estúdios e equipamentos e oferece serviços de gráfica e pós-produção. No bairro desde 2007. Av. Mofarrej, 974 EBC - Empresa Brasil de Comunicação Gestora da TV Brasil. O prédio abriga o jornalismo e a estrutura de produção da emissora pública em São Paulo. No bairro desde 2008. Av. Mofarrej, 1200

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Desafios para o futuro Se grandes espaços vazios e preços baixos atraíram as empresas, e um mercado aquecido justifica previsões otimistas para o futuro do polo do audiovisual na Vila Leopoldina, há também problemas que podem atrapalhar, e até mesmo inviabilizar, sua longevidade. Aumento dos preços na região, infraestrutura defasada e uma presença cada vez maior de grandes condomínios residenciais são os principais desafios para o setor. Os grandes espaços abandonados que serviram para a criação de estúdios e produtoras atraíram também o mercado imobiliário. Hoje, há diversos condomínios residenciais recém-construídos e em construção na região. “Ainda há espaços, mas estão sendo ocupados por prédios”, diz Alexandre, da Estúdios Quanta. Conforme o bairro mudou de perfil, os preços na região também aumentaram. Para Ribeiro, da Locall, se os preços continuarem a subir no ritmo atual, a permanência das produtoras pode se tornar inviável. “Os alugueis subiram bastante. Se continuar nesse ritmo, teremos que ir para a periferia. Hoje ainda é viável, em parte pelo mercado aquecido e pela localização estratégica”. Além disso, algumas características estruturais do bairro estão defasadas para atender o novo público. As ruas pequenas, por exemplo, não suportam o trânsito de milhares de novos automóveis que chegam com os condomínios residenciais.


(artigo) Fabio de Sá Cesnik*

cartas.telaviva@convergecom.com.br

O financiamento à cultura e ao entretenimento em 2013 FOTO: divulgação

Segundo, é importante conhecer como outros países estruturam sua industria de entretenimento. O modelo é similar ao “real estate” (mercado imobiliário), muito simples: planeja-se um determinado filme a ser lançado (shopping center), que contará com a presença de atores e/ou diretor de muito sucesso (lojas “âncora”), que precisa levantar um determinado dinheiro no mercado com investidores (fundo imobiliário ou investidores avulsos), operação garantida por um seguro chamado Completion-Bond (seguro de que cumpridos os requisitos do contrato, o shopping será construído) e com garantias lastreadas na pré-venda do filme em vários mercados - valores mínimos garantidos por distribuidores pelo mundo afora (que equivale à previsão de receita futura de locação das lojas do shopping). Essa visão vale para todos os segmentos do entretenimento: do show ao filme. Precisamos dessa visão comercial no modelo brasileiro: olhar o entretenimento como negócio bom e lucrativo. Terceiro, muito além de entender um padrão, esse mercado tem suas fontes de financiamento baseadas na criatividade, inventando novos modelos a cada nova produção. Exemplo: os produtores do seriado americano “Veronica Mars” lançaram mão da ferramenta do crowdfunding (sistema de captação, no geral via portal de Internet, que busca financiamento direto do publico baseado no espírito doador, de investimento ou de prévenda de produto) para financiar o longametragem da série. Esperavam levantar US$ 2 milhões para financiar: acabaram por captar quase US$ 6 milhões (www. kickstarter.com/projects/559914737/theveronica-mars-movie-project). É dinheiro vindo do publico que curtia a serie e resolveu financiar o filme. Tal como existe o crowdfunding, há uma infinidade de novos

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mercado brasileiro dá os seus primeiros passos no complexo mundo do entretenimento global. O crescimento vivido nos últimos 20 anos de leis de incentivo, financiamento do setor público e privado e no amadurecimento dos agentes do setor só nos trazem otimismo diante de um mercado mundialmente promissor. Entretanto, algumas questões estão em nossa frente para serem enfrentadas. Primeiro, o setor cresceu fundando sua estrutura de financiamento no modelo de incentivo fiscal. Até aí nenhum problema maior: foi o incentivo elemento essencial no processo de amadurecimento do mercado até agora. Acontece que essa estrutura não é sustentável a longo prazo: o setor precisa ver incentivo como uma fonte de receita, mas não a única possível. E dentro do universo dos incentivos, saber que não existe apenas Lei Rouanet, mas uma gama imensa de mecanismos disponíveis para financiar a produção. 35

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modelos sendo inventados todo dia. Outra ideia inovadora é o Flattr (flattr. com), que monetiza a lógica de curtir das redes sociais. Quarto, a audiência não espera mais conteúdo pronto e imposto. A audiência está com o poder de escolher o que consome e fará isso cada vez mais. O sucesso dos seriados da Netflix, por exemplo, como “House of Cards”, construído na medida do desejo da audiência, faz parte de um caminho sem volta. Quem tiver as ferramentas para conhecer melhor o seu publico produzirá os conteúdos mais atrativos na nova indústria do entretenimento. Esse efeito está sendo mais poderoso que as ferramentas de CRM do mercado de varejo, que são impressionantes: uma grande cadeia global americana anteviu casos de gravidez das consumidoras pela sensível mudança no hábito de consumo, conhecendo muitas vezes a gravidez antes mesmo da cliente. Para fazer face a esses desafios o mercado brasileiro precisa urgentemente se qualificar, cada vez mais. E formação não é um assunto que se resolve da noite para o dia. Isso é fundamental para todos os profissionais: produtores, roteiristas, advogados, atores, diretores etc. Parafraseando o amigo professor americano Dov Simens, que estará dando cursos no Brasil em junho, os agentes têm que entender que operam no “show business”, e não no “show art”. *Advogado, sócio do escritório Cesnik, Quintino e Salinas. Autor do livro “Guia de Incentivo a Cultura”, na 3ª edição pela Editora Manole. Presidente da Comissão de Mídia e Entretenimento do IASP (Instituto dos Advogados de São Paulo).


( making of )

Lizandra de Almeida

c a r t a s . t e l a v i v a @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Driblando a Corrida Maluca demais eram carros reais, alugados de colecionadores. O Carro-Tanque, por exemplo, era de um colecionador francês que tem mais sete tanques iguais e uma coleção de 36 carros. O modelo usado pela Quadrilha da Morte foi o Hispano-Suiza 1924 H6, que deixou de existir em 1968, um carro espanhol de luxo usado antes da Segunda Guerra. As locações foram escolhidas pelo diretor e a ideia era que se parecessem a qualquer cidade, inclusive do Brasil. Foram seis dias de filmagens e mais um mês de pósprodução, que incluiu não só a criação dos carros da Corrida, como também efeitos especiais de explosões. “O mesmo cuidado tomado na escolha e na produção dos carros foi usado nos figurinos, no casting e na maquiagem. A ideia era que ninguém parecesse estar fantasiado, mas que fosse o Peter Perfeito, a Penélope Charmosa, o Dick Vigarista...”, afirma Leandro Câmara, que também participou de todas as etapas da produção.

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Peugeot Citröen acaba de lançar seu modelo Peugeot 208, fabricado em Porto Real (RJ). A campanha de lançamento acompanha o projeto ambicioso do carro. O conceito desenvolvido pela agência Y&R é “Dentro dele é outro mundo” e, para representá-lo, a criação transformou o trânsito caótico das grandes cidades em uma versão ao vivo da “Corrida Maluca”, o desenho animado da Hanna-Barbera exibido há mais de 30 anos no Brasil. “Nosso foco era a experiência de dirigir e pensamos em várias ideias, e uma delas justamente tinha a ver com como o trânsito pode ser agressivo. Daí pensamos na Corrida Maluca e em como o motorista poderia driblá-la graças ao carro. Era um jeito mais lúdico de mostrar os problemas do dia a dia e também as qualidades do carro”, explica o diretor de criação Victor Sant’Anna. Para dirigir o filme, a agência convidou o diretor Antoine BardouJacquet, da inglesa Partizan (produtora representada no Brasil pela Movie&Art). “Ele nunca tinha feito nada para o Brasil e é um dos diretores mais premiados nos últimos anos. Quando enviamos o roteiro, ele ficou encantado e trabalhou como se estivesse fazendo um longametragem. Afinal, nunca ninguém tinha feito a Corrida Maluca em filme ainda”, conta Victor. O processo seguiu um ritmo de pesquisas e pré-produção intensivos, típicos do diretor, que só dirige quatro projetos por ano. As filmagens aconteceram na cidade de Valência, na Espanha. “O que foi muito bom desde o começo é que todos logo se entenderam em relação à linguagem do filme. Porque há

ficha técnica

Filme do Peugeot 208 transforma o trânsito caótico nas grandes cidades em versão ao vivo do desenho animado. muitas maneiras de traduzir uma animação em filme e não queríamos que o resultado parecesse infantil. Mas logo que ele nos mandou sua primeira proposta, vimos que estava todo mundo na mesma sintonia”, diz Felipe Pavani, que acompanhou toda a produção na Espanha e a pós-produção na Inglaterra. O figurino e os carros de cada um dos personagens são inconfundíveis: A Máquina do Mal, pilotada pelo vilão Dick Vigarista, e a Lata Voadora do Barão Vermelho foram feitos em pós-produção. O Carro de Pedra, dos Irmãos Rocha, foi construído com isopor e fibra de vidro. Os 36

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Cliente Peugeot Produto Peugeot Modelo 208 Direção de criação Victor Sant'Anna, Rui Branquinho Criação Fabio Tedeschi, Leandro Camara, Felipe Pavani, Victor Sant'Anna, Rui Branquinho Atendimento Alessandro Cardoni, agência Waleska Bueno, Marina Freitas, Ana Coelho Produtora Partizan, Movie & Art Direção Antoine Bardou-Jacquet Fotografia Damien Morisot Produção Madeleine Sanderson, executiva Georges Bermann, Douglas Costa, David Stewart, Paulo Dantas Montagem Bill Smedley Pós-produção ETC London e finalização Produtora A9 Áudio


Balada subaquática

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e o personagem bíblico Jonas morou numa baleia, por que um grupo de amigos devidamente abastecido de cerveja gelada não poderia fazer o mesmo? Funcionando no Brasil desde setembro do ano passado, a filial da produtora inglesa Stink assina a produção da nova campanha da cerveja Skol, que inova no tema e na abordagem para divulgar o conceito da marca: “A vida manda quadrado, você devolve redondo”. Segundo depoimento do diretor de criação Eduardo Lima, “a ideia era fazer algo realmente diferente da categoria, surpreendendo o espectador pela linguagem, pela imagem e pela emoção”. O filme, dirigido pela dupla Jones e Tino, que já formaram uma dupla de criação na própria F/ Nazca e agora passaram para trás das câmeras, mostra um grupo de amigos em um barco, num passeio divertido ao pôr-do-sol. De repente, uma baleia gigantesca engole o barco e eles se veem dentro da barriga do bicho, cercados de restos de naufrágios, caveiras e tudo o que a baleia já engoliu por aí. Entre as coisas está uma geladeira cheia de cervejas da marca. Então, está tudo bem. O produtor executivo Adriano Costa conta que o interior da baleia foi todo construído em estúdio, em um cenário de 7 metros de largura por 20 de comprimento. A cena acontece dentro de um tanque cheio de água. “Construímos o cenário com materiais os mais orgânicos possíveis, coisas que dessem a textura que imaginamos para o interior da baleia. O que seria a parede interna do estômago, por exemplo, foi feito com uma resina com açúcar”, explica. A estrutura foi toda feita de

Para a construção do cenário do interior da baleia, equipe buscou materiais orgânicos, como uma resina com açúcar. madeira e concebida pelo diretor de arte Jan Houllevigue, francês, que trabalhou ao lado da brasileira Larissa Cambauva. “Os diretores de cena já tinham trabalhado com ele em outro filme feito para a Adidas internacional e resolveram trazê-lo para este filme”, diz Costa. A parte externa da baleia foi construída em computação gráfica pela equipe da Clan VFX. “Criamos o conceito juntos, antes do início da filmagem. Decidimos o formato, a textura e fizemos todo um planejamento da animação. Na hora de filmar, seguimos as regras que já tinham sido definidas com o pessoal da pós.” As imagens foram captadas por várias câmeras diferentes, segundo o tipo de cena – desde uma portátil GoPro até a Alexa (Arri), passando pela C300, 5D e 7D (Canon). A primeira cena do filme mostra uma câmera afundando na água, provavelmente a última testemunha do que aconteceu com os amigos. Eles estão gravando a diversão no barco e essas imagens mais soltas foram captadas com a GoPro, para dar um ar mais documental. As cenas internas da baleia foram captadas praticamente sem iluminação que não fosse dos próprios objetos de cena. “As luzes artificiais são as

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luzes ‘reais’, da lamparina e da própria geladeira de cerveja. Não usamos um grid de luz enorme no estúdio”, explica Adriano. No final, a baleia segue seu curso pelos mares enquanto os amigos fazem uma verdadeira balada lá dentro. A cena não estava prevista no roteiro inicial, mas deu uma graça final à história. ficha técnica Agência F/Nazca Saatchi & Saatchi Cliente Ambev Produto Skol Direção de criação Fabio Fernandes, Eduardo Lima Head of art João Linneu Redação Fabio Fernandes, Eduardo Lima, Pedro Prado Direção de arte Rodrigo Castellari Produtora Stink Direção Jones+Tino Fotografia Andre Faccioli Produção executiva Adriano Costa Direção de arte Jan Houllevigue, Larissa Cambauva Pós-produção Clan VFX Montagem Jones+Tino Trilha Sonido NaCena

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( case )

Bel Etoile Coprodução da Grifa Filmes com a francesa FL Concept, programa sobre a culinária brasileira irá ao ar pelo canal Arte na França e na Alemanha um mês antes da Copa do Mundo de 2014.

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paulistana Grifa Filme, dos irmãos Fernando e Maurício Dias, desenvolveu uma série de projetos relacionados ao Brasil para o canal franco-alemão Arte, que queria preparar a programação especial para a Copa do Mundo de 2014. A produtora levou ao Mipcom 2011 algumas ideias para mostrar a Catherine Alvaresse, diretora adjunta de programação de descoberta e conhecimento do canal. Uma das propostas que a Grifa levou neste pacote foi a da série “Bel Etoile”, em que a apresentadora, a chef Bel Coelho, viaja pelo País mostrando aspectos curiosos da nossa culinária. Não era a maior aposta dos produtores, mas foi a que mais chamou a atenção da executiva do canal. “O Arte não tinha slot de culinária e achávamos meio arrogante vender um projeto de culinária brasileira na França”, comenta Fernando. A ideia de desenvolver um programa de gastronomia apareceu na produtora com o diretor Herbert Henning. Ele havia dirigido um quadro para o programa “Metrópolis”, da TV Cultura, sobre um concurso gastronômico que acontece em São Paulo chamado Comida de Boteco. Para filmar este quadro especial, ele convidou a chef, que percorreu os bares da capital paulista para comentar os petiscos servidos. Henning a convidou então para fazer um teste de câmera para o projeto. “Ela foi muito bem e queria fazer o programa”, conta. Foi no Rio Content Market de 2012 que a produtora fechou um contrato com o canal para a produção do episódio piloto, que foi filmado em

A chef Bel Coelho viaja pelo Brasil mostrando os vários aspectos da culinária no País no programa que vai ao ar na França e na Alemanha um mês antes da Copa. janeiro deste ano em Salvador. A Grifa chamou a FL Concept, produtora francesa com a qual já tem outras coproduções para entrar no projeto, que foi sendo amadurecido pelos franceses. Outro aspecto positivo de se fazer a coprodução, segundo Fernando, é aumentar as possibilidades de venda internacional do conteúdo. “A coprodução francesa transforma o projeto em europeu. A possibilidade de venda do projeto é milhões de vezes maior do que se não fosse coprodução”.

pré-produção e busca de personagens para finalizar os 19 episódios restantes até janeiro do próximo ano. A ideia é percorrer diferentes regiões do País para mostrar os diversos aspectos da culinária brasileira. Henning conta que há três principais recortes para a escolha dos lugares: geográfico, antropológico e influências migratórias. Em São Paulo, por exemplo, serão gravados os episódios sobre alta gastronomia, comida árabe e Brasil no prato O programa terá comida japonesa. O episódio piloto foi um corte para o Estão nos planos da aprovado pelo canal tanto equipe um episódio mercado para a exibição na França sobre sobremesas em internacional e Pernambuco, um quanto na Alemanha. Em um para o Brasil e sobre comida de rua vez dos quinze episódios da proposta original, “Bel mercado latino. no Rio de Janeiro e Etoile” ganhou 20 e a um sobre os quitutes equipe do canal ainda quer que a de festa junina em Caruaru (PE). atração tenha desdobramentos na Além do Arte, um canal pago está Internet e em livros. Os profissionais interessado em exibir o conteúdo no envolvidos no projeto estão na fase de Brasil e na América Latina. 38

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As negociações estão avançadas e a montagem da atração já deve contemplar essa possibilidade, com versão de 26 minutos para a TV francesa e de 22 minutos para o Brasil e para a América Latina. Fernando explica que há diferenças também em abordagens a serem consideradas para a exibição em cada região, o que influencia também na maneira como a apresentadora fará suas intervenções. A França quer um material mais didático e com foco maior nos locais visitados, enquanto para o público brasileiro e latino, é interessante que haja uma aproximação mais pessoal e humana dos entrevistados. O orçamento de “Bel Etoile” é de dois milhões de euros, a maior parte financiada pelo canal Arte. “É um modelo de coprodução diferente. Não tem briga por território, é uma sociedade. A primeira em que temos participação como sócios de fato”, observa Maurício. Ele e o irmão

Bel Etoile Formato Produtoras

série, 20 episódios Grifa e FL Concept

Fernando destacam a importância do projeto, fruto de um trabalho de anos de mercado internacional. “Nos últimos três anos, fizemos uma coprodução por ano com a França”, lembra Fernando. “Ter um especial em

Sinopse: Em “Bel Etoile”, a chef Bel Coelho viaja pelo Brasil para descobrir sua história, sua cultura e seu povo através dos sabores da cozinha nacional. Ela começa sua jornada pela Bahia, onde as raízes africanas são mais visíveis no País. Mais tarde ela explora a Floresta Amazônica, onde encontrará os povos indígenas.

um grande canal, falado em português, com uma chef brasileira, exibido um mês antes da Copa. Todas estas dificuldades nós conseguimos vencer”, comemora Maurício. ana carolina barbosa


( upgrade )

Fernando Lauterjung

f e r n a n d o @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

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013 parece ser um ano de consolidação de tecnologias para produção e distribuição de conteúdo audiovisual. No NAB Show, principal evento de produtos e tecnologias para essa indústria organizado pela associação nacional de radiodifusores dos Estados Unidos em abril, não foram apresentados novos formatos, como nos anos anteriores, quando o 3D e, posteriormente, o 4K foram introduzidos como tendência. No entanto, as soluções para trabalhar com estes formatos, sobretudo o 4K, evoluíram a passaram a atender toda a cadeia produtiva e de distribuição de conteúdo. A Sony levou ao evento soluções para conteúdo em 4K da produção à exibição, com equipamentos para diferentes perfis de produção e para orçamentos variados. Na ponta final, a fabricante japonesa revelou no evento os preços de dois televisores apresentados pela primeira vez na CES, em janeiro. As versões com 55 e 65 polegadas custarão, respectivamente, US$ 4999,99 e US$ 5999,99 no mercado norte-americano. Além disso, a Sony lançou um media player 4K, o FMP-X1, que virá com dez longas e alguns curtas produzidos em 4K já embarcados, por US$ 699. No segundo semestre, os usuários do player poderão ter acesso a uma biblioteca paga de conteúdo em 4K da Sony Pictures Entertainment e de outros estúdios. A Sony já distribuiu globalmente 15 mil projetores de

cinema em 4K e 2 mil câmeras dos modelo F55 e F5, ambas capazes de trabalhar em 4K. No evento, foram apresentados dois protótipos de monitores profissionais OLED Sony apresentou protótipos de monitores 4K, um de 30” e profissionais OLED 4K, um de 30” e outro de 56”. outro de 56”. O menor deve ser lançado comercialmente no próximo ano. Além disso, a Sony apresentou evoluções ao formato de arquivo XAVC, que trabalha com resolução 4K, profundidade de cor de 10 bit. O formato ganhou uma versão “Long GOP” (4K 4:2:0 eHD 4:2:2). Além disso, para atender o mercado consumer, a Sony apresentou o XAVC S, aplicando um empacotamento MP4 ao formato. A versão consumer trabalha com resoluções 4K (3840 x 2160), HD e Proxy, com compressão MPEG-4 AVC/H.264, empacotamento MP4 e áudio linear PCM e AAC. O formato XAVC já é suportado por empresas como Adobe, Avid, Blackmagic Design, EVS, Grass Valley, Harris e Matrox.

Sob nova direção

O Media Composer 7 pode ser integrado ao Interplay Sphere, solução da Avid que permite trabalhar em times.

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Avid apresentou na NAB seu novo presidente e CEO, Louis Hernandez, que sucedeu Gary Greenfield. A missão de Hernandez agora é mostrar que a empresa que trouxe ao mercado o conceito de edição não linear é capaz de voltar a ter papel de destaque na evolução tecnológica. A Avid vem passando por momentos difíceis há alguns anos. Em 2009, demitiu 410 funcionários; 120 em 2010; 200 em 2011; e 350 em 2012. Além disso, se desfez da M-Audio e da linha de edição de vídeo consumer Pinnacle Systems. Na área de vídeo, o lançamento mais esperado da Avid era a nova versão do Media Composer. Em sua sétima edição, a solução de edição não linear apresenta um fluxo de trabalho baseado em arquivos simplificado e mais rápido, aperfeiçoado para distribuição em alta definição, do material fonte em HD à operação de mídia automatizada. O Media Composer 7 permite que editores trabalhem diretamente no formato HD original, sem precisar fazer o transcode ou redimensionar os vídeos.

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Uma novidade importante é a possibilidade de trabalhar com o Interplay Sphere, solução da Avid que permite trabalhar, em temporeal, em times, permitindo editar, compartilhar, e sincronizar mídia com outros editores em qualquer lugar do mundo. Além disso, o editor não linear conta com o Symphony Color Correction opcional, que traz ferramentas de correção de cor antes disponível apenas no Avid Symphony. O Media Composer estará disponível em junho por US$ 999, ou US$ 1499 na edição com Interplay. Para áudio, a principal novidade é o Pro Tools 11, apresentado como o maior upgrade já lançado da ferramenta para produção musical e de áudio. Esta versão conta com arquitetura 64-bit desenvolvida do zero. A arquitetura aumenta exponencialmente o número de instrumentos virtuais simultâneos, bem como o desempenho ao trabalhar em sessões mais sofisticadas.

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De ponta a ponta


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Focado na realização de negócios e com público qualificado, o evento reúne produtoras e distribuidoras de conteúdo e emissoras de TV para debater temas de interesse nacional e internacional. 4 e 5 14º Fórum Brasil de Televisão, Centro de Convenções Frei Caneca, São Paulo, SP. Tel.: (11) 3138-4660. E-mail: info@convergecom.com.br Web: www.forumbrasiltv.com.br

MAIO

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Tel.: +41 79 743-3278; E-mail: info@rosedor.com Web: www.rosedor.com/festival-2013

JUNHO

10 a 12 NCTA – The Cable Show ’13, Washington, DC, EUA.

Tel.: (202) 222-2430. E-mail: thecableshow@ncta.com Web: www.thecableshow.com

16 a 22 60º Cannes Lions, Palais des Festivals, Cannes, França. Tel: (44-20) 7239-3400. Web: www.canneslions.com

AGOSTO

2 a 18 Anima Mundi, Rio de

Janeiro, RJ, e São Paulo, SP. E-mail: info@animamundi.com.br Web: www.animamundi.com.br

Encontro sobre mídias convergentes. Reúne em um mesmo ambiente, os principais operadoras de TV por assinatura e banda larga, empresas de telecomunicações, produtores e programadores. 6 a 8 ABTA 2013 Feira e Congresso,

Apresenta a realidade do mercado de satélites, novas tecnologias e aplicações, no único evento sobre o assunto na América Latina. 5 e 6 Congresso Latino-Americano de Satélites, Rio de Janeiro, RJ.

9 a 17 41º Festival de Cinema de Gramado, Gramado, RS.

20 a 29 Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte, Belo

Transamérica Expo Center, São Paulo, SP. Tel: (11) 3138-4660. E-mail: info@convergecom.com.br Web: www.abta2013.com.br

E-mail: festival@umcultural.com.br Web: www.festivaldegramado.net

20 a 22 Broadcast & Cable 2013,

Tel: (11) 0800 77 15 028. E-mail: inscricoes@convergecom. com.br. Web: www. convergecom.com.br

Horizonte, MG. Tel.: (31) 3236-7400. Web: festcurtasbh.com.br

26 a 10/10 Festival do Rio,

São Paulo, SP. Web: www.broadcastandcable.com.br

Rio de janeiro, RJ. Web: www.festivaldorio.com.br

22 a 30 24º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo,

OUTUBRO

São Paulo, SP. Tel.: (11) 3134-5538. E-mail: info@kinoforum.org Web: www.kinoforum.org.br

SETEMBRO

16 a 21 Curta-SE 13, Aracaju, SE.

5 a 6 MipJunior, Cannes, França. Web: www.mipworld.com 7 a 10 MipCom, Cannes, França. Web: www.mipworld.com 18 a 31 Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, São Paulo,

Web: www.curtase.org.br

SP. Web: mostra.org

18 a 22 Ottawa International Animation Festival,

NOVEMBRO

Ottawa, Canadá. E-mail: info@animationfestival.ca Web: www.animationfestival.ca

6 a 13 American Film Market,

Santa Mônica, EUA. Tel.: (1 310) 446-1000. E-mail: afm@iftaonline.org Web: www.americanfilmmarket.com

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Revista Tela Viva - 237 - Maio de 2013  
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