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televisão, cinema e mídias eletrônicas

ano 22_#235_mar2013

A CONQUISTA DO ASSINANTE

Depois de crescer em base, desafio da TV paga é aumentar a audiência dos canais por assinatura. ENTREVISTA Alvaro Paes de Barros conta as estratégias do YouTube para o mercado brasileiro

PRODUÇÃO Como os serviços terceirizados ajudam a manter a estrutura das produtoras de animação


Foto: marcelo kahn

(editorial ) Presidente Diretores Editoriais Diretor Comercial Diretor Financeiro

Rubens Glasberg André Mermelstein Claudiney Santos Samuel Possebon (Brasília) Manoel Fernandez Otavio Jardanovski

André Mermelstein

a n d r e @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Espectadores sem TV

O

Editor Tela Viva News Redação

Projetos Especiais Arte

Depar­ta­men­to Comer­cial

André Mermelstein Fernando Lauterjung Ana Carolina Barbosa Bruno Borin Samuel Possebon Lizandra de Almeida (colaboradora) Leandro Sanfelice (vídeo repórter) Letícia Cordeiro Edmur Cason (Direção de Arte) Alexandre Barros (Designer Gráfico) Geral­do José Noguei­ra (Designer Gráfico) Rubens Jar­dim (Pro­du­ção Grá­fi­ca) Bárbara Cason (Web Designer) Debora Harue Torigoe (Web Designer) Lúcio Pinotti (Tráfego/Web) Bruna Zuolo (Gerente de Negócios) André Ciccala (Gerente de Negócios) Patricia Linger (Gerente de Negócios) Iva­ne­ti Longo (Assis­ten­te)

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instituto de pesquisas norte-americano Nielsen divulgou este mês um estudo que pode acender um sinal amarelo para a indústria tradicional de televisão. A Nielsen identificou um grupo ao qual apelidou de Zero-TV. São famílias nos Estados Unidos que não estão apenas cancelando o serviço de TV por assinatura: estão abandonando o uso da TV para o consumo de vídeo em qualquer plataforma de transmissão, incluindo TV aberta, por assinatura e over-the-top. As famílias Zero-TV representam menos de 5% dos norte-americanos, de acordo com o relatório Fourth-Quarter 2012 Cross-Platform. Mais de 5 milhões de lares com essa característica foram mapeados em 2012, ante pouco mais de 2 milhões em estudo anterior, de 2007. Estas famílias não se encaixam na definição tradicional da Nielsen de uma casa com TV, mas ainda consomem conteúdos de vídeo. A televisão não foi totalmente abandonada nestes lares, uma vez que 75% ainda têm pelo menos um aparelho de TV. Mas eles são usados para assistir DVDs, jogar ou navegar na Internet. Quando se trata de conteúdo de vídeo, uma quantidade crescente de famílias está usando outros dispositivos. Cerca de 37% o fazem em um computador, 16% através da Internet, 8% em smartphones e 6% em tablets. O americano médio, segue o relatório, gasta mais de 41 horas por semana, ou quase 5h30 diárias, consumindo conteúdo em todas as telas. Eles passam a maior parte do tempo (mais de 34 horas) na frente de uma TV, e os consumidores gastam três dessas horas de TV assistindo conteúdos em time-shifted (gravados e vistos em outro horário). No relatório, a Nielsen também apontou que as casas Zero-TV tendem a ser mais jovens, com quase metade dos moradores com idade inferior a 35 anos. Além disso, estes lares tendem a ser ocupados pelos telespectadores que vivem sós e não têm filhos (80,9%, contra 66,7% para a TV tradicional). Além disso, apenas 18% do grupo disseram considerar assinar serviços de TV. As implicações deste fenômeno são grandes, ainda mais se ele se confirmar como uma tendência entre os novos consumidores. Como medir esta audiência, saber exatamente o que está sendo visto e como? Os métodos tradicionais certamente não dão conta. E mais: como produzir e programar para esta geração ligada em diversas telas ao mesmo tempo? Como capturar sua atenção? Que modelos de financiamento e remuneração da produção e da distribuição terão sucesso diante de um público que consome muito, mas quer pagar pouco ou nada? São questões que a realidade digital nos impõe, e que devem ser endereçadas enquanto estes grupos ainda não representam a maior parte dos usuários.

ilustração de capa: Seri

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(índice ) 12

Programação

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Figuras

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Canais pagos miram aumento na audiência e publicidade após crescimento da base de assinantes

Entrevista

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Alvaro Paes de Barros, do YouTube, aponta oportunidades para conteúdos originais no portal de vídeos

Política

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Neutralidade da rede e faixa de 700 MHz são pautas no Seminário Políticas de (Tele)Comunicações

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Audiência

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Produção

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Produtoras investem em prestação de serviços de animação para manter equipe e estrutura

Making of

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Case

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Animação coproduzida pela 44 Toons e Fundação Padre Anchieta chega aos Estados Unidos 32

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Tecnologia

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Globo e japonesa NHK testam captação com a tecnologia 8K durante o Carnaval 2013

Upgrade

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Agenda

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Acompanhe as notícias mais recentes do mercado

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Fotos: divulgação

Licenciamento Seguindo sua estratégia de investir no licenciamento para os grandes eventos que o País receberá nos próximos anos, a Globo Marcas anunciou o lançamento de um boneco do tatu-bola Fuleco, mascote oficial da Copa das Confederações da FIFA de 2013 e também da Copa do Mundo de 2014. O boneco, feito em parceria com a Ri Happy, será vendido a R$ 129,99 em todas as lojas da rede varejista. Fuleco, o mascote oficial da Copa das Confederações da FIFA de 2013, foi desenvolvido pela Globo Marcas em parceria com a Ri Happy.

Máster Licenciada dos dois eventos, a Globo Marcas já anunciou 34 parceiros em diversas categorias de produtos oficiais como vestuário, bolas, cadernos, brinquedos e mais. Com acordo firmado com a Dufry Sports, a empresa ainda será responsável pela operação dos quiosques oficiais dos estádios e dos aeroportos, assim como das lojas oficiais nas cidades-sede. Segundo o diretor de licenciamento da Globo Marcas, José Luiz Bartolo, o mercado deve contar com cerca de 1,5 mil produtos oficiais diferentes até a Copa do Mundo da FIFA de 2014.

Mercado internacional

Infantil

A Discovery Communications apresentou seu relatório financeiro do quarto trimestre e o consolidado do ano de 2012. A receita total no ano foi de US$ 4,487 bilhões, um crescimento de 8% sobre o ano anterior. Mais uma vez, a maior contribuição ao crescimento veio do mercado internacional (fora dos EUA), que cresceu 13%, contra 5% do mercado doméstico (EUA). O mercado doméstico representa 61,2% das receitas do grupo, um pouco abaixo dos 61,8% de 2011, tendo faturado US$ 2,748 bilhões no ano, contra US$ 1,637 bilhão do mercado internacional. Nos dois casos, houve um crescimento maior da receita publicitária do que da receita com assinaturas. Nos EUA o crescimento foi de 9% com publicidade e apenas 4% com assinaturas. No mercado internacional, 11% com assinaturas e 13% em publicidade. O resultado internacional, embora bom, foi prejudicado pela variação cambial. Em moedas locais, o grupo cresceu internacionalmente 12% em receitas de distribuição e 19% em publicidade. O OIBDA (receitas operacionais antes de depreciações e amortizações) ajustado cresceu 9%, chegando a US$ 2,095 bilhões. O lucro líquido teve uma redução de 16% no ano, de US$ 1,135 bilhões em 2011 para US$ 954 milhões no ano passado. Segundo a companhia, a queda deveu-se ao forte crescimento de 75% no lucro líquido no ano anterior. Para 2013, a Discovery projeta uma receita total de US$ 5,575 bilhões a US$ 5,7 bilhões, OIBDA ajustado entre US$ 2,425 bilhões e US$ 2,525 e lucro líquido entre US$ 1,2 bilhão e US$ 1,3 bilhão.

A Netflix e a DreamWorks Animation SKG anunciaram a produção da primeira série infantil original da plataforma de VOD. A série “Netflix Turbo: F.A.S.T. (Fast Action Stunt Team)” é baseada no longa de animação “Turbo”, da DreamWorks, que estreia no meio do ano, e estará disponível na plataforma online em dezembro. A animação é uma comédia em 3D sobre uma lesma que sofre um acidente que lhe dá o poder de supervelocidade. A luta de Turbo para ser uma lenda das corridas continua na série, cuja história começa onde a do filme termina.

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Netflix e DreamWorks Animation produzem primeira série infantil original da plataforma VOD, baseada na animação “Turbo”.

OTT A provedora de conteúdos digitais para operadores de TV paga DLA lançou o Neon, um produto voltado para provedores de banda larga da América Latina que pretendem oferecer serviços de vídeo streaming e conteúdos over-the-top (OTT). A ideia da DLA é oferecer uma solução completa, competitiva e economicamente viável para que as operadoras possam competir em suas próprias redes com os serviços internacionais de OTT. O

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Neon reúne filmes de Hollywood, produções independentes, conteúdo esportivo, shows, programas infantis e temporadas completas de séries de televisão. Além do conteúdo, o Neon oferece uma estrutura completa de serviços de marketing e comunicação para promover o produto. O Neon foi apresentado na Natpe, mercado de televisão que aconteceu em Miami, no final de janeiro. Até o momento, não há acordos fechados.


Brasileiros

O NatGeo estreia em 20 de março a atração nacional “A Verdade de Cada Um”. Sem recursos de incentivo, a série é uma coprodução da Fox International Channels do Brasil e da produtora O2, e procura mostrar que até assuntos em que as opiniões são quase unânimes (como o crack e a educação) Produção da O2 para o NatGeo, “A Verdade de Cada Um” podem ter vários aborda assuntos polêmicos de vários ângulos. lados. A produção é rios, um ex-viciado, um familiar de Fernando Meirelles e a de usuário, um policial e um direção-geral de Marcelo psicólogo que trabalha em uma Machado. Outros três diretores ONG que ajuda viciados. também estão envolvidos no proSegundo Machado, o projeto jeto: Renato Rossi, Miguel Mendes pretende seguir a linha de neue Celso Yamashita. tralidade do canal, dando foco Utilizando uma linguagem aos personagens e seus múltide documentário, a primeira plos pontos de vista: “queretemporada conta com cinco epimos contrapor e dar oportunidasódios de uma hora que discude para várias vozes”, afirma. tem temas bastante atuais no Para Meirelles, a preocupação Brasil (crack, consumismo, edude “A Verdade de Cada Um” é a cação, alimentação e madeira), mobilização que o tema possa abordando diversos pontos de causar, promovendo debates e vista de pessoas que estão direquestionamentos, e não se é um tamente relacionadas aos tema “batido” ou não. A atração assuntos. O primeiro episódio, deve estrear nos canais Nat Geo “Crack”, por exemplo, conta América Latina. com os depoimentos de usuá-

Lucy Barreto e Luiz Carlos Barreto no lançamento da LCTV, núcleo de conteúdo da produtora.

Teatro A Cennarium TV estreou no Now, plataforma VOD da operadora NET, com as peças de teatro “Marvada Mula”, “Alguém Acaba de Morrer lá Fora”, “Caravana: Memórias de um Picadeiro” e “A Mecânica das Borboletas”. Idealizada pelo empresário Harry Fernandes, a Cennarium TV tem mais de 300 peças nacionais e 30 estrangeiras e, como canal de TV, aguarda qualificação da Ancine para cumprir cotas de três horas de conteúdo qualificado, como determina a Lei 12.485. “Alguém Acaba de Morrer lá Fora” é uma das peças do canal de teatro Cennarium que estreou no Now, da Net.

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Os canais Prime Box Brazil, de filmes, e Music Box Brazil, ambos da programadora nacional Box Brazil, entraram no início de março nos line ups da Claro TV e da Net. Na Claro, os canais estão disponíveis a partir do pacote Fácil (pacote básico da operadora). Na Net, o Prime Box Brazil está nos pacotes Net Mais TV, NET Mais HD e NET Top HD Max. O Music Box Brasil está nos dois últimos. O Prime Box Brasil é um dos três canais a atender o parágrafo 5º do Artigo 17 da Lei 12.485, que prevê o carregamento de pelo menos um canal nacional de programadora brasileira independente com 12 horas diárias de produção brasileira independente, os chamados “superbrasileiros”. Os outros são o CinebrasilTV e o Curta! - O Canal Independente. O Music Box Brasil também cumpre cota de empacotamento de canais nacionais, na condição de CaBEQ (canal brasileiro de espaço qualificado) programado por programadora brasileira independente.

Foto: rogério resende

Em pauta

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Núcleo de conteúdo A LC Barreto lançou seu núcleo de produção de TV durante o Rio Content Market, mercado de conteúdo que aconteceu na capital fluminense em fevereiro. A LCTV apresentou alguns projetos que já estão sendo desenvolvidos, entre eles a websérie “Ela Disse, Ele Disse” para a Coca-Cola. Segundo Paula Barreto, diretora do núcleo, a ideia também é desenvolver longas que possam ser desdobrados em séries para a televisão. Entre os projetos apresentados estão “Manual de Sobrevivência para o Século XXI” e o docudrama “Rondon”. •

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Fotos: rogério resende

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João Roberto Maciel, vice-presidente executivo do SBT, contou que a emissora desenvolve a versão em animação de “Carrossel”, que será exibida também em um canal pago.

Carrossel animado

Ficção

O vice-presidente executivo do SBT, José Roberto Maciel, informou que quando a novela “Carrossel” acabar, uma versão em animação do folhetim deve estrear na grade da emissora. A animação, desenvolvida em parceria com a Televisa, está sendo produzida pela Super Toons e deve ir ao ar também em um canal pago. Maciel participou do Rio Content Market, mercado de conteúdo de televisão que aconteceu na capital fluminense no final de fevereiro, e disse aos produtores da plateia que acha muito válido e positivo os projetos que envolvem produtores independentes, canal aberto e canal pago.

O Canal Brasil estreou em fevereiro a série de ficção “Jogos da Paixão”. O roteiro, baseado na peça “Turbilhão”, é de Domingos Oliveira, que também é diretor da produção. Com quatro episódios, “Jogos da Paixão” conta a história de Inês, uma psicanalista que se envolve em duas histórias de amor com os personagens vividos por Aderbal Freire-Filho e Pedro Furtado, respectivamente pai e filho. Enquanto ela se apaixona por esses dois homens ao mesmo tempo, recebe conselhos amorosos do espírito de seu pai.

Fomento próprios. Sérgio Sá Leitão, presidente De acordo com estes critérios, as da Riofilme e secretário municipal produtoras que podem ter acesso de cultura do Rio de Janeiro, aos recursos em 2013 são a Atitude anunciou durante o Rio Content Produções, a Bananeira Filmes, a Market, mercado de conteúdo Casé Filmes, a Conspiração, a audiovisual que aconteceu na capiMorena Filmes, a Raccord, a tal fluminense no final de fevereiSincocine, a Tambellini Filme, a ro, a criação de uma linha de Total Entertainment, a TV Zero e a investimento automático e reemZazen. As distribuidoras são a bolsável na produção de longasDowntown, a Imagem, a Nossa e a -metragens e séries de televisão. Paris. A nova linha de financiamen“Financiamento automático é a to entrará em funcionamento a parbase para uma indústria audiovitir de 25 de março. sual fortalecida”, disse ele no início da apresentação, citando paíSérgio Sá Leitão, da RioFilme, lançou as linhas de investimento automático e reembolsáveis para cinema a televisão. Televisão ses bem sucedidos na adoção do Para a televisão também serão modelo, como Alemanha, França destinados R$ 10 milhões em uma linha de fluxo contínuo e e Coreia. “Onde há presença forte do conteúdo nacional no em ordem de chegada. O produtor precisará apresentar o mercado interno, há mecanismos automáticos de fomento e é contrato com o canal feito a partir do lançamento da linha, por meio deles que o Estado investe a maior parte dos recurtambém em 25 de março. A RioFilme investirá R$ 1 a cada sos”, observa. Ele destaca que o mecanismo é impessoal, R$ 1 investido pelo canal e ao menos metade do investitransparente e sem subjetividade e visa conduzir a operação mento do canal tem que ser feito com recursos próprios. O de forma mais rápida e objetiva. teto será de R$ 1 milhão por projeto, R$ 2 milhões por proPara a linha de investimento automático em longa-metradutora, R$ 3 milhões por canal e R$ 4 milhões por progragem serão destinados R$ 10 milhões em 2013. A linha é volmadora. O equity da Riofilme será de 0,6% a cada 1% do tada para produtoras cariocas e distribuidoras nacionais de custo de produção investido. longas cariocas. O dinheiro será destinado a empresas e não Sá Leitão contou que os investimentos da Riofilme para a projetos. Em 2013 receberão investimentos empresas que 2013 são de R$ 48 milhões, que devem ser ampliados ao lançaram filmes que fizeram mais de 300 mil espectadores longo do ano, conforme entrem as receitas com o lançaentre 2011 e 2012. Cada ingresso vendido gera um crédito mento de filmes que receberam recursos da RioFilme. Só de R$ 0,27 ao produtor e R$ 0,27 ao distribuidor com limite no primeiro bimestre do ano, conta ele, entraram R$ 3 de R$ 3 milhões de ingressos. Os recursos precisam ser milhões que serão totalmente reinvestidos. Serão destinaempregados no desenvolvimento e na produção de longas dos R$ 11,5 milhões aos editais de desenvolvimento de cariocas. O teto de investimento por filme é de R$ 2 milhões. longas, desenvolvimento de conteúdo para televisão, proO equity da Riofilme será de 0,6% para cada 1% do custo de dução e finalização de longas, produção de documentários produção investido. É necessário o compromisso do distripara a TV, produção de curtas, produção de eventos setobuidor de lançar o filme ao menos em 100 salas e de destiriais e distribuição de longas. nar R$ 1 milhão ao P&A, sendo ao menos 50% em recursos 8

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A nova regulamentação movimentou o setor de televisão por assinatura e de produção independente.

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Fotos: divulgação

( scanner) Público infantil A Playground apresentou seu novo aplicativo YouYn, que disponibiliza programas infantis de TV, lançamentos e conteúdos complementares (como apps e jogos), além de conteúdos exclusivos. Com conteúdo exclusivamente infanto-juvenil, o YouYn disponibilizará vídeos e videocasts, além de músicas, games para todas as faixas de idade, YouYn, aplicativo de conteúdo infantil livros ilustrados, animados e inte- da Playground. rativos, audiobooks e conteúdo de apoio escolar. Dentre o conteúdo audiovisual, produções independentes nacionais e internacionais, assim como produções próprias, poderão ser acessadas pelas crianças e seus pais – que ainda têm a opção de ver tudo que seus filhos acessaram e como utilizaram o aplicativo. Além dos próprios programas, o YouYn ainda oferece conteúdo em tempo real através da segunda tela, com informações referentes ao programa que o usuário estiver assistindo no momento, além da possibilidade de se compartilhar os vídeos favoritos dentro de sua própria rede social. O aplicativo conta com toda a programação dos canais infantis e juvenis do ambiente do usuário. Embora seja exclusivo para assinantes, qualquer pessoa pode testar o YouYN gratuitamente pelo período de um mês antes de decidir pela assinatura. O lançamento oficial do aplicativo para o mercado brasileiro está previsto para acontecer nas próximas semanas, quando seu download ficará disponível no iTunes e no Google Play.

Atrações do canal Cbeebies, como “Waybuloo”, formarão o bloco infantil do BBC HD.

Bloco infantil O canal BBC HD terá a partir de abril um bloco conteúdo infatil. Segundo Guillermo Sierra, SVP e diretor geral dos canais e branded services para América Latina e mercado hispânico da BBC Worldwide, algumas atrações do Cbeebies, canal infantil do grupo britânico, irão ao ar pelo feed brasileiro aos sábados e domingos das 7h às 9h.

Além da TV A startup TV Square lançou a rede social de segunda tela também chamada TV Square. Segundo a idealizadora Mariana Eva Leis, a ideia inicial era criar um blog que pudesse também ser um e-commerce de peças que personagens de séries usam na televisão. No entanto, devido à escassez de projetos de segunda tela no País, a startup decidiu investir em um projeto mais amplo. A proposta da TV Square (www.tvsquare.com.br) é ser uma rede social que funciona como segunda tela. Ela não está ligada a nenhum canal ou programa específico. O usuário pode acompanhar em tempo real tudo o que está sendo comentado no Facebook ou Twitter sobre um programa que está em exibição. Além disso, como no FourSquare, será possível fazer check-in, ganhar badges e até se tornar o “prefeito” do programa assistido. A página também conta com o ranking das atrações mais assistidas, wordcloud dos temas mais comentados, informações sobre a grade de cada emissora e notícias sobre personalidades da TV. Hoje o portal TV Square tem 20 canais, todos os abertos e as maiores audiências da TV paga. Segundo Mariana, o objetivo agora é chegar a um milhão de inscritos no portal. A partir daí, vários modelos de negócio podem ser desenvolvidos. Até meados de março o aplicativo mobile deve ser lançado. 10

Equipes da TV Sorocaba e do SBT comemoram a chegada do HD aos telejornais da afiliada do interior paulista.

Alta definição A TV Sorocaba, afiliada do SBT no interior de São Paulo, passa a ter seus telejornais captados e exibidos em alta definição As atrações “Noticidade Manhã” (7h), o “Manchetes Noticidade” (13h) e o “Noticidade” (19h15) agora estão em HD. O avanço tecnológico foi comemorado pelo sistema Vanguarda de Comunicação na biblioteca municipal de Sorocaba e contou com a presença de personalidades como o governador Geraldo Alckmin. A TV Sorocaba SBT é a primeira afiliada no interior do Estado de São Paulo a trabalhar com alta definição.

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Vice-presidências

Diretoria

O grupo Bandeirantes anunciou no começo de fevereiro sua nova estrutura organizacional, montada para integrar mais profundamente as suas plataformas e fortalecer os controles operacionais e financeiros. A Band passa a ser dividida nas seguintes vice-presidências: VP de Televisão e Digital, a cargo de Marcelo Meira. Continua vinculada a esta VP a direção geral de conteúdo e pasMarcelo Meira sam a vincular-se a esta VP as áreas de operações e tecnologia e jornalismo e esportes, cuja direção cabe a Fernando Mitre. Mario Baccei está à frente da VP de rádio, responsável pela gestão da rede de afiliadas e a comercialização dos espaços comerciais em rádio. Frederico Nogueira é VP de mídia exterior, além de CFO e VP de Serviços Partilhados. Ele cuidará da administração e finanças de todo o grupo. Foi criada a Superintendência de Operações Estruturadas e Relações com o Mercado Financeiro, a cargo de José Carlos Anguita, vinculada ao CFO, que será responsável pela estruturação de operações que financiarão o crescimento do grupo. Na VP de canais pagos está Paulo Saad Jafet e na de comercialização está Marcelo Maninardi. Antônio Ruggiero está à frente da VP de negócios por assinatura.

A Rede Aparecida anunciou mudanças na diretoria geral. Padre Josafá de Jesus Moraes, que atua como diretor de programação da TV Aparecida há sete anos, passa a ocupar o cargo de diretor geral da TV e, Padre William Betônio, diretor de programação da Rádio Aparecida desde 2011, assume a direção geral da rádio.

Fotos: divulgação

( figuras)

Padre Josafá de Jesus Moraes

CMO Antônio Wanderley assumiu o cargo de chief marketing officer (CMO) do Ibope Media. O profissional será responsável pelas áreas de marketing, learning & insights, ciência de medição e gestão de projetos da instituição. O executivo tem 14 anos de casa e atuava como diretor de desenvolvimento de negócios na América Latina.

Dupla

Eduardo Martins e Vitor Amati

Eduardo Martins e Vitor Amati são a nova dupla de diretores da Delicatessen Filmes. Martins é fotógrafo, cinematógrafo e diretor. Amati leva sua experiência de diretor de arte e criação e agências como F/Nazca, Y&R e África para a produtora.

Diretor Felipe D’Andrea é o novo integrante do time de diretores da BossaNovaFilms. O profissional tem passagem pela Cine e já desenvolveu trabalhos para anunciantes como Unilever, Coca-Cola e HSBC.

Programação

EBC Dois diretores da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) anunciaram o desligamento da companhia. Virgílio Sirimarco, diretor de administração e finanças, voltará aos Correios, empresa onde fez carreira, e será substituído por José Vicentini, ex-secretário de gestão, controle e normas da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). Cícero Feltrin, diretor de captação e serviços, deixou a EBC e sua sucessão ainda não está definida. T e l a

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A Discovery Networks anunciou a contratação de Flavio Medeiros como diretor de programação para o Discovery Kids. Medeiros exercerá suas funções no escritório da empresa em São Paulo, reportando-se diretamente a Angela Recio Sondón, vice-presidente e diretora dos canais Discovery Kids, Discovery Home & Health e TLC. Antes de integrar a equipe da Discovery, Medeiros ocupou o cargo de vice-presidente de vendas para a região e o mercado hispânico nos Estados Unidos da ITV Global Entertainment. O executivo também tem passagem pela Walt Disney Company Latin America como gerente sênior de programação e aquisições para os canais Disney Channel, Disney XD e Playhouse Disney Latin America.

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André Mermelstein e Fernando Lauterjung

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A próxima fronteira da TV paga Após forte crescimento da base de assinantes, canais buscam melhorar performance da audiência dos canais pagos e aumentar a receita publicitária.

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ilustração: seri

base de assinantes de TV no Brasil experimentou uma explosão nos últimos anos, crescendo a taxas próximas a 30% ao ano, com leve redução em 2012 (27%). Em poucos anos, a indústria passou de uma penetração de pouco mais de 10% para quase 30% dos domicílios, ou 16 milhões, o que corresponde a uma população de quase 50 milhões de brasileiros. Há uma barreira, no entanto, que ainda não foi quebrada, e é um dos focos principais das programadoras nessa nova fase do mercado, quando já se pode falar na TV paga como um produto de massa: a luta pela audiência. Tradicionalmente, os líderes de audiência nos lares que pagam para assinar um serviço de cabo ou DTH são os canais abertos. As explicações “clássicas” são várias: o usuário assina para ter uma recepção melhor da TV aberta, para pegar canais abertos que não existem em sua cidade, ou simplesmente não consegue, ou não quer, romper os hábitos de anos de consumo de certos canais e programas. Em um exercício teórico, se os canais pagos fossem considerados um único canal, ele seria, em 2012, o segundo no ranking, com 4,75 pontos de média anual (público acima de 4 anos, das 6h às 25h). O primeiro ainda é a Globo, com 5,57 pontos. Isso significa, por um lado, que há mais assinantes vendo canais pagos do que redes como Record e SBT. Por outro lado, mostra que a maioria dos assinantes ainda assiste

FOTO: divulgação

majoritariamente à principal rede aberta do país, que teve em 2012 um share médio de um terço do total da audiência. O importante é que há um movimento, ainda lento, de migração da audiência dos canais abertos para os pagos. Em 2008 os abertos respondiam por 72,54% da audiência entre os assinantes de TV. Em 2012, esse número caiu para 66,29% (no mesmo público e horários).

“As famílias que estão entrando no serviço trazem seus próprios hábitos.” Ana Maria Gemignani, da Globosat

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O gráfico ao lado mostra a evolução desta audiência. Esta conquista de audiência é fundamental para os canais por dois motivos: primeiro, porque cada canal precisa ser relevante dentro do universo de canais oferecidos pelas operadoras, para manter ou aumentar sua distribuição. Segundo, para disputar as verbas do mercado publicitário. Embora tenha crescido tanto em base nos últimos anos, o setor ainda não consegue amealhar uma fatia proporcional do bolo publicitário, ficando com cerca de 4,22% do total, contra 64,96% da TV aberta (segundo o Intermeios de outubro de 2012). Em 2012, pela primeira vez, o bloco dos canais abertos não permaneceu inteiro acima do bloco dos canais pagos, na audiência média anual entre assinantes de TV paga. Em alguns momentos, canais por assinatura tiveram performances excelentes, chegando a ficar entre os primeiros lugares do ranking. Isso se deve tanto ao crescimento dos canais pagos quanto à queda de algumas redes abertas, notadamente a RedeTV!. TELA VIVA compilou os dados de audiência dos últimos cinco anos para analisar esta movimentação. Aqui cabe um aviso: há infinitas leituras possíveis dos índices de audiência. Pode-se selecionar as informações por faixa etária, por classe social, por horários, e por inúmeras combinações destes recortes. Em


FOTO: arquivo

acelerado dos canais infantis. “Estas famílias (na maioria de classe C) têm em média mais crianças”, destaca Ana Maria. Este público foi praticamente abandonado pela TV aberta, com exceção das TVs públicas e do SBT, que ainda fazem investimentos para buscar a audiência infantil. Já na TV por assinatura, há a oferta de conteúdo 24 horas para crianças. “Foi um período de mudanças no hábito de consumo da TV por assinatura. Vemos hoje que a TV por assinatura deixou de ser um meio exclusivamente qualificado para um meio segmentado de massa”, diz Fernando Medin, VP e diretor geral da Discovery no Brasil. A tendência é que a base de assinantes aumente ainda mais, ainda que em desaceleração e, com isso, os canais por assinatura se aproximem dos canais de TV aberta. Para Anthony Doyle, diretor geral da Turner no Brasil, em cinco ou, no máximo, seis anos, o serviço deve chegar a 50% dos lares. Para Doyle, no entanto, o aumento da base e o perfil de consumo da classe C não são as únicas explicações para a mudança em curso na audiência da TV por assinatura. Há, ainda, a solidificação do serviço em uma base

Gustavo Leme, da Fox

Os canais que mais têm audiência junto ao assinante são primeiramente os infantis. Isso é verdadeiro tanto quando se olha para toda a amostra (acima de 4 anos de idade) quanto entre os assinantes mais velhos, de 18 a 49 anos. Isso é explicado pelo chamado “coviewing”, ou seja, os pais que assistem à programação infantil com seus filhos. Em seguida, na lista dos dez mais vistos, estão canais de esportes (SporTV), séries (Fox) e filmes dublados (Megapix e TNT). Para Ana Maria Gemignani, diretora de marketing da Globosat, esta movimentação na audiência acontece acompanhando a mudança na base de assinantes. “Os entrantes (no serviço) trazem os seus próprios hábitos”, diz, destacando que não são apenas os hábitos referentes à TV. A executiva lembra, por exemplo, que, há poucos anos, a maioria da base de assinantes, que tinha um perfil diferente do atual, queria ver o conteúdo estrangeiro legendado. Hoje, os canais que “falam português” sobem na audiência. A própria estrutura familiar do novo assinante de TV mexe na audiência dos canais. Um exemplo é o crescimento

abertos

aUDIÊNCIA DAS 6H às 25h - acima de 4 anos

pagos

Criança, esporte e filme Em qualquer recorte que se faça, as quatro principais redes abertas (Globo, Record, SBT e Bandeirantes) ainda dominam o topo do ranking em praticamente todos os horários e faixas etárias. As novidades começam a partir da quinta posição, hoje ocupada já por canais pagos (veja as tabelas na página 17). É importante lembrar que em mercados mais maduros, como o dos EUA, os canais pagos levaram pelo menos três décadas para começar a disputar audiência com os canais abertos, e isso em um ambiente de penetração muito maior dos serviços por assinatura.

“Não adianta mirar apenas nos outros canais pagos. Temos que ir onde está a audiência.”

Média anual em pontos

cada situação, o ranking de canais mais vistos se altera. Optamos por fazer a seleção mais ampla possível. Usamos as médias anuais de audiência dos canais, evitando assim comparações sazonais e desconsiderando as oscilações em períodos como férias, campeonatos esportivos etc.. Também optamos por analisar a audiência do dia todo (6h às 25h), e não apenas do horário nobre (exceto quando indicado). Evidentemente, são escolhas que interferem no resultado. Mas, de novo, sempre é necessário algum recorte, e aqui buscou-se a abrangência. Uma observação fundamental é que os números de audiência aferidos pelo Ibope não levam em conta a distribuição de cada canal, sua base de assinantes. Assim, compara-se muitas vezes canais com 10, 12, 15 milhões de assinantes a outros com 3 ou 4 milhões. E os números são dados em pontos absolutos, ou seja, número de espectadores, que é diretamente afetado pelo número de assinantes que têm efetivamente o canal. Isso favorece, evidentemente, os canais abertos, mais uma vez, já que estão presentes em virtualmente 100% da base de assinantes, mesmo naqueles pacotes mais básicos, inclusive nos pré-pagos.

9,72

9,34

4,46

4,86

4,75

2010

2011

2012

10,67

10,52

9,32

4,04

4,25

2008

2009

Fonte: Ibope.

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( capa )

0,3

Anthony Doyle, da Turner

Estratégias “Há um trabalho constante em entender as necessidades de nossos telespectadores atuais, que inclui os novos telespectadores e os já tradicionais assinantes do serviço. O equilíbrio entre os que já têm o serviço e os que estão tendo acesso pela primeira vez é fundamental para o sucesso dos canais”, diz Medin, da Discovery. “Com o tamanho da base de

médias anuais - filmes 0,3

0,25

0,15 0,1

0,1

0

0,3

Telecine Cult

0,05

0,05 0

Megapix TNT TNT Telecine Pipoca Telecine Pipoca Telecine Action Telecine Action Telecine Premium Telecine Premium TelecineFunFun Telecine Cinemax Cinemax Telecine TelecineTouch Touch HBO HBO TCM TCM HBO2 HBO2 Canal Brasil Canal Brasil Telecine Cult

0,2 Pontos

Pontos

0,2 0,15

Megapix

0,25

2008

2008

2009

2009

2010

2011

2010

2012

2011

Fonte: Ibope.

2012

médias anuais - séries 0,3

0,25

0,25 Fox

0,15 0,1 0,05

0,15 0,1

Syfy

0,05 0

0

Fox Space Space Universal Channel Universal Channel FX FX Warner WarnerChannel Channel AXN AXN Sony Sony Studio Universal Studio Universal Sony Spin Sony Spin Syfy

0,2 Pontos

Pontos

0,2

2008

2008

2009

2009

2010

2011

2010

2011

14

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2012

Fonte: Ibope.

2012 V i v a

assinantes e a mudança que vem acontecendo na distribuição da verba publicitária, o tema programação se tornou palpitante”, diz Ana Maria. “O desafio das programadoras é entender estas mudanças e responder a elas”. A executiva da Globosat complementa que saber abrigar a nova base de assinantes não tem reflexo apenas no faturamento publicitário. “As classes A e B1 estão praticamente completas na TV por assinatura. Há espaços de crescimento na B2, C e, em alguns casos na D”, diz. “Quem conseguir atrair este público, passa a valer mais para as operadoras”, completa. Um dos problemas dos canais pagos na hora de brigar pela audiência é que a dinâmica deste mercado é diferente daquela da TV aberta, uma vez que a maior parte da receita vem das assinaturas, e não da publicidade. E muitas vezes o reforço de um lado vem acompanhado de um sacrifício do outro. Um exemplo é a decisão de lançar canais HD com programação simultânea à do canal SD ou com programação diferente. “Se o canal HD é idêntico ao SD, o Ibope soma a audiência dos dois, mas a operadora não paga a mais pelo licenciamento do canal. Se os canais são diferentes, perdemos no total da audiência, mas recebemos da operadora pelos dois canais, o que dá uma receita maior”, explica um executivo ouvido por TELA VIVA. Atualmente, a base de assinantes HD supera 28% do mercado. FOTO: DIVULGAÇÃO

“Há uma geração que já cresceu vendo TV por assinatura.”

mais tradicional. “Já há uma geração de telespectadores que nasceu com a TV por assinatura e que se relaciona com ela de maneira diferente. Esta geração também se relaciona com outras plataformas de entretenimento, que competem com a TV, sobretudo a TV aberta”, diz. O crescimento da base de televisores no País também tem impacto positivo para elevar a audiência dos canais pagos, diz o executivo da Turner. “Há cada vez mais televisores nas residências e cada vez mais pontos adicionais. A segmentação é ainda mais forte nos pontos adicionais”.

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Táticas Os canais pagos vêm usando dois recursos importantes para conquistar a audiência. O primeiro é o próprio conteúdo. Nos últimos anos percebeuse um “achatamento” na segmentação dos canais, com vários canais antes de nicho passando a apresentar programas de interesse mais genérico. Assim, canais que por

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FOTO: Tela Viva

( capa ) exemplo exibiam principalmente documentários passaram a exibir também reality shows e programas explorando temas como crimes ou o mundo sobrenatural. É o que se percebe em canais como o History, ou mesmo o Animal Planet, da Discovery, que passou a ter mais programas sobre pessoas e suas relações com animais do que sobre o mundo animal propriamente dito. O outro recurso é a programação. Não basta ter os conteúdos que falam ao público: também é preciso montar estratégias diferenciadas de programação. Uma dessas estratégias é a chamada contraprogramação, ou seja, programar filmes e séries de acordo com o que a concorrência está exibindo, buscando atrair fatias do público que estão sendo deixadas pelos outros canais. É uma estratégia típica de TV aberta que vem sendo adotada pelos canais pagos. Na TV aberta, por exemplo, é comum um programa ser “esticado” até o fim da novela ou do filme no canal concorrente. Na TV por assinatura isso também está sendo feito. No

Megapix, por exemplo, o filme do horário nobre não é mais chamado pelo horário, mas anunciado para “depois da novela”, ou seja, buscando captar o espectador que está saindo da TV aberta. Uma das programadoras que vem apostando em estratégias de programação com sucesso é a Fox. As mudanças começaram quando a empresa levou para dentro profissionais vindos da experiência em programação na TV aberta, como o diretor de programação, Paulo Franco, e o gerente de programação e pesquisa, Cristiano Lima, ambos com passagens em redes abertas como SBT e Record. Uma das estratégias, conta Franco, é não deixar seu público órfão quando é feita uma alteração na programação. Para isso, as programadoras usam o conjunto de canais. Se um horário destinado à determinada segmentação vai passar por

médias anuais - 10 mais vistos em 2012 0,5 0,45

Discovery Kids Cartoon Network Disney Channel Sportv Fox Megapix TNT Nickelodeon Space Telecine Pipoca

0,4

Pontos

0,35 0,3 0,25 0,2 0,15 0,1 0,05 0

2008

2009

2010

16

2011

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2012

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Fonte: Ibope.

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Anúncio do Megapix no Metrô de São Paulo: busca por uma audiência de massas.

mudanças, outro canal do mesmo grupo pode começar a abrigar aquela segmentação, por exemplo. Além disso, os canais começam a explorar de forma mais consistente a publicidade própria. Lima conta que recebeu a missão de comunicar os canais da Fox no espaço publicitário dos próprios canais atentando para a segmentação de público. “Não temos mais calhau. Nosso espaço de publicidade da casa está reservado para isso”, conta Paulo Franco. Gustavo Leme, vice-presidente sênior e diretor geral para o Brasil da Fox, é categórico ao falar sobre esta tendência. “Não adianta brigar apenas pela audiência dos outros canais pagos. Temos que mirar onde está a maior parte dos espectadores”, diz o executivo. Ou seja, na TV aberta. Com estas estratégias, a Fox conseguiu se destacar entre os canais de séries e chegar à quinta posição no ranking do horário nobre, onde é o canal pago mais visto, e oitava posição no dia todo, saindo de 0,14 pontos de média em 2008 para 0,24 em 2012, como mostra o gráfico na página 14. Para Doyle, da Turner, há uma disputa com a TV aberta, mas isso não pauta a programação de todos os canais. “A TV aberta tem quase 100% de penetração. É natural que o nosso alvo está no público da TV aberta, mas precisamos aumentar a audiência de forma honesta e correta”, diz o executivo. “Oferecemos uma opção à TV aberta, mas não nos espelhamos nela, somos mais específicos. Há canais mais generalistas, que têm uma preocupação maior com a nova base de assinantes, como o TBS. Já o CNN é o oposto, o público-alvo não está nesta nova base. O Cartoon abriga os novos assinantes sem que tenha sido necessário mudar”. Para Ana Maria, da Globosat, os canais não podem abrir mão da


FOTO: DIVULGAÇÃO

“Além das pesquisas de audiência, desenvolvemos estudos de comportamento, que nos mostram o que nossos assinantes querem, o que esperam de nossos canais.”

Queda O levantamento feito por TELA VIVA também aponta uma queda geral na audiência entre assinantes de TV em 2012, em relação ao ano anterior. A queda vale inclusive para os canais abertos. Para Ana Maria Gemignani, isso se deve à concorrência com outras plataformas. A TV vem competindo pela atenção das pessoas com dispositivos

como smartphones, tablets, computadores, consoles de games etc. “Nós atuamos para estar presentes em todas as plataformas”, diz a executiva. Segundo Doyle, da Turner, os canais pagos incentivam mais a interatividade entre plataformas. “O telespectador tem maior contato com as nossas marcas”. “De 2008 a 2012 vemos que o uso de consoles aumentou e as novas tecnologias poderiam explicar esta mudança de 2011 para 2012. Com isto em mente, a Discovery já se prepara para este novo cenário ao ter uma oferta completa de conteúdo para outras plataformas, como VOD”, complementa Medin.

Ranking de audiência 2012 - Dia todo

Ranking de audiência 2012 Horário nobre

Assinantes acima de 4 anos, 6h às 25h

Assinantes de 18 a 45 anos, 6h às 25h

Assinantes de 18 a 45 anos, 20h às 25h

segmentação para buscar a audiência da TV aberta. Segundo ela, a estratégia da Globosat é mapear todos os nichos a atendê-los no conjunto de canais. “Não vemos, hoje, um nicho relevante que não seja abrigado em nossos canais”, diz, apontando que a programadora não tem plano de lançar novos canais em curto prazo. Medin, da Discovery, concorda com a estratégia: “Existe um trabalho constante para detectar e atender as demandas de nossos telespectadores, que impacta diretamente a programação e influencia também na decisão de lançarmos novos canais. Além das pesquisas de audiência, desenvolvemos estudos de comportamento, que nos mostram o que nossos assinantes querem, o que esperam de nossos canais e

Posição Canal 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25

Globo Record SBT Bandeirantes Discovery Kids Sportv Cartoon Network Fox Megapix TNT Disney Channel Rede TV! Space Multishow Telecine Pipoca Warner Channel FX Nickelodeon Universal Channel Viva Sportv 2 Telecine Action Discovery Channel Discovery Home & Health Disney XD

Média anual 4,88 1,44 1,07 0,54 0,36 0,25 0,24 0,24 0,21 0,20 0,18 0,17 0,14 0,13 0,13 0,12 0,11 0,10 0,10 0,10 0,09 0,09 0,08 0,08 0,08

Fernando Medin, da Discovery

qual a melhor forma de nos comunicarmos”.

Posição Canal 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25

Globo Record SBT Bandeirantes Fox Sportv Discovery Kids Megapix TNT Rede TV! Cartoon Network Disney Channel Multishow Telecine Pipoca FX Space Universal Channel Warner Channel Viva Telecine Premium Discovery Channel National Geographic Telecine Action Sportv 2 Discovery Home & Health

share 2012 - Dia todo

Média anual 8,50 1,95 1,49 0,88 0,42 0,39 0,36 0,32 0,31 0,30 0,27 0,23 0,23 0,21 0,20 0,18 0,17 0,17 0,15 0,14 0,13 0,13 0,13 0,12 0,11

Posição

Canal

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25

Globo Record SBT Bandeirantes Discovery Kids Cartoon Network Disney Channel Sportv Fox Rede Tv! Megapix TNT Nickelodeon Space Telecine Pipoca Multishow Globo News Viva Disney XD Universal Channel Telecine Action Warner Channel FX Sportv 2 Discovery Channel

Média anual (%) 33,08 9,49 7,39 3,68 2,58 2,15 1,75 1,67 1,43 1,25 1,18 1,18 1,01 0,78 0,73 0,72 0,7 0,7 0,66 0,63 0,62 0,61 0,58 0,58 0,47 Fonte: Ibope.

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( entrevista ) Fernando Lauterjung

f e r n a n d o @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Portal de canais

Para Alvaro Paes de Barros, do YouTube, o portal de vídeo será a plataforma de lançamento de uma nova geração de canais, que atenderá uma audiência ainda mais segmentada que a da TV por assinatura.

V

FOTO: marcelo kahn

eterano do mercado de TV por assinatura, Alvaro Paes de Barros assumiu como diretor de conteúdo do YouTube para América Latina há um ano com a missão de reposicionar o portal na região como uma plataforma de conteúdo de entretenimento. O executivo, que anteriormente dirigia a Viacom no Brasil (responsável por canais como Nickelodeon e VH1), conta como o portal de vídeos vem trabalhando para estimular a criação de canais de vídeo com conteúdo profissional e como os criadores destes canais e dos respectivos conteúdos podem ser remunerados. TELA VIVA - Por que o Google trouxe um profissional de conteúdo, do setor de TV por assinatura? Alvaro Paes de Barros - O meu principal trabalho é tentar reposicionar o YouTube como um grande destino de entretenimento, e não apenas um repositório de vídeos. Através de parcerias de conteúdo, é possível mudar esta visão que o mercado tem do site. O YouTube é uma ferramenta poderosíssima. Tem uma quantidade absurda de visitas. No mundo inteiro são mais de 800 milhões de unique visitors todos os meses. No último ano, esses visitantes consumiram mais de um trilhão de vídeos. É como se cada habitante do planeta Terra assistisse 140 vídeos no YouTube ao longo do ano. Sobem na plataforma 72 horas de conteúdo por minuto. É uma plataforma muito vibrante, mas ela ainda não é percebida como um destino de entretenimento. A gente acredita que o YouTube

Alvaro Paes de Barros

pode ser para a TV fechada o que a TV fechada foi para a TV aberta 30 anos Marcel Leonardi atrás. Ele pode ser uma plataforma de lançamento para uma nova geração de canais. Da mesma forma como a TV por assinatura veio e trouxe com ela a HBO, a ESPN, MTV, Cartoon e Fox, atendendo uma segmentação da audiência, a gente acredita que o YouTube pode ser a plataforma de lançamento de uma nova geração de canais que vai atender uma audiência ainda mais segmentada. Estamos falando de canais, e não mais de vídeos. O conteúdo brasileiro, com suas peculiaridades, pode ser beneficiado pelo alcance global dessa plataforma? Por ser uma plataforma global e uma marca reconhecida globalmente, o YouTube é uma tremenda oportunidade para qualquer produtor de conteúdo. Eu não conheço nenhuma plataforma com o alcance tão grande quanto o do YouTube. 18

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É claro que há determinados gêneros de conteúdo e uma limitação da língua que fazem com que a audiência principal esteja no nosso País, mas nada impede que sejam feitas customizações ao conteúdo. Se você tem um vídeo, por que você não legenda ou não dubla para determinados mercados? O bom da plataforma é que ela, municiada pelo Google Analitycs, consegue identificar onde está a sua audiência. Um parceiro nosso no Peru apresentou uma audiência muito grande local e na Itália. Descobrimos que tem uma comunidade peruana grande na Itália, que assistia muito ao conteúdo deste canal, com variedades e notícias bem locais. Hoje esse produtor pensa em produzir vídeos específicos para esta comunidade que está próxima do Peru, mas tem uma necessidade de consumo de


entretenimento e de informações diferente daquela de quem está em Lima. Eu acredito que a plataforma global é uma tremenda oportunidade para qualquer produtor de conteúdo. Há alguma iniciativa para ajudar o produtor a financiar o conteúdo? O YouTube é uma plataforma, não é um comprador de produtos e formatos. Ele não coproduz e não comissiona. Se fôssemos tentar dar nomes aos bois, em um cenário mais acostumado com a TV por assinatura, somos uma espécie de Net ou Sky. A gente não tem nenhum interesse em produzir conteúdo, mesmo porque somos uma empresa de tecnologia. Se o YouTube se posicionar como uma empresa de mídia, provavelmente será expulso, como o organismo expulsa um corpo estranho. Existe ainda muita confusão em relação a isso porque no ano passado, nos Estados Unidos, o YouTube apoiou o lançamento de uma centena de canais. Este programa se expandiu para alguns países da Europa e para o Japão. Isso gerou uma certa confusão no mercado. Quando o YouTube apoiou o lançamento de uma centena de canais, falou-se que o YouTube estava comprando, comissionando ou coproduzindo conteúdo. O que estamos tentando fazer neste mercado é o que a Apple fez lá atrás, em 2008, quando criou com o John Doerr o iFund. Quando Steve Jobs fez o lançamento da AppStore, logo depois subiu ao palco este venture capitalist, com um fundo de US$ 200 milhões para apoiar o desenvolvimento de uma nova indústria, através dos desenvolvedores de aplicativos. O YouTube está tentando apoiar o lançamento de uma nova indústria, mas não está comprando o conteúdo, não está passando briefings para as produtoras sobre determinado tipo de conteúdo.

Como será o apoio a esse desenvolvimento no Brasil? O aporte de capital é uma iniciativa que a gente olha com muita atenção, mas no momento não há nada de concreto que possamos compartilhar. Neste momento estamos tentando criar os nossos grandes exemplos. A melhor forma de convencer o produtor de conteúdo é oferecendo exemplos bastante tangíveis. Eu acho que no último ano a gente conseguiu mostrar tanto para o anunciante quanto para o produtor de conteúdo que o YouTube é muito mais que esse depositório de vídeos. No ano passado fizemos durante todo o ano um calendário de vídeos. Começamos com o Carnaval, fizemos a transmissão do Meca, um festival do Sul

Sony Spin e Break Out, um formato que eles estão apostando. Além do produtor, quem mais pode ser parceiro do YouTube? No ano passado fechamos um acordo grande com a Disney, que lançou no YouTube mais de 20 canais. A Disney percebeu no YouTube uma nova forma de fazer negócios. Ela criou canais, um misto de profissional com conteúdo amador. A função de curadoria no YouTube é muito importante. Ela criou uma nova família de canais, usando conteúdos postados por usuários, ao redor de suas propriedades. A Disney percebe que quando um usuário posta um conteúdo usando a sua propriedade, ele está fazendo um tributo. Alguns canais são meramente promocionais, como os canais de filmes, com trailers, making ofs, entrevistas que promovem o lançamento destes filmes no cinema, home vídeo ou qualquer que seja a janela. Há canais como o Disney Parks e o Disney Cruze, que recria toda a parte de recreação do grupo Disney. Imagina a quantidade de história que tem por detrás de cada parque. Esses canais são misto de promocionais e novos negócios. A Disney entendeu que o YouTube é uma forma de buscar novos talentos e testar novos formatos. Você consegue perceber o próximo Justin Bieber e se associar a ele antes da sua concorrência. Pode testar modelos. Talvez a prova seja o Swampy, aquele jacarezinho do (game) “Where’s My Water”. O app foi muito bem e a Disney planeja produzir uma webserie. O custo de fazer uma webserie para o teu canal do YouTube é muito menor do que fazer uma série inteira para um canal de TV aberta ou fechada. Outro exemplo são as gravadoras. Quando licenciaram seus fonogramas para o YouTube, criaram uma nova fonte de negócios.

“O YouTube pode ser a plataforma de lançamento de uma nova geração de canais que vai atender uma audiência ainda mais segmentada. Estamos falando de canais, e não mais de vídeos.” de música eletrônica, depois o Sonar em São Paulo, o Rock in Rio Lisboa, o Rock in Rio Madri, sessões direto do Cine Joia e diárias do Estúdio da Trama. Esse calendário é importante porque realmente mostra ao mercado - seja o consumidor, o produtor de conteúdo, detentor de direito autoral, anunciante que o YouTube é muito mais que um repositório de vídeos. É uma grande casa para conteúdos de grande qualidade. Também fizemos algumas parcerias estratégicas para mostrar que o YouTube é muito mais uma mídia complementar do que concorrente. Com o jornal Estado de S. Paulo e a TV Cultura fizemos a transmissão ao vivo dos debates dos candidatos à prefeitura de São Paulo no primeiro turno. Tem exemplos como o “Porta dos Fundos”, do qual participamos do desenvolvimento. O crescimento de players como “Galinha Pintadinha”, “Jovem Nerd”, “Parafernália” são outros exemplos. Temos uma parceria interessante com a Sony, que fizemos no final do ano passado, com o

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ABRIL

MAIO

JUNHO

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Ao permitir que um usuário suba um Fotos: Seminário vídeo com uma música que tem Políticas de (Tele) dono, as gravadoras criaram uma Comunicações nova forma de receita. Um exemplo é o Michel Teló. Metade dos views dele foram em vídeos feitos por usuários, e não no vídeo oficial. A mesma coisa acontece com o Psy e com o Harlem Shake. Ao permitir que os usuários usem sua música em vídeos caseiros, o proprietário de um fonograma cria uma nova forma de receita. Outra coisa que elas fizeram muito bem foi licenciar seus clipes para o YouTube. O consumo de clipes é muito grande. As gravadoras transformaram um item de custos em um ativo, em uma fonte de receita. Para usar um exemplo nacional, explique como funcionou o desenvolvimento do “Porta dos Fundos”. Sentamos para discutir modelos de negócios, compartilhar as melhores experiências. Promovemos o canal, dizendo aos milhões de visitantes sobre esse conteúdo. O “Porta dos Fundos” nasceu com o objetivo de ter sucesso no YouTube. São grandes contadores de história, mas também entenderam a plataforma e como fazer com que seus vídeos tenham audiência. Há um expertise por detrás do desenvolvimento de audiência, e isso o “Porta do Fundos” faz melhor do que ninguém. O modelo é revenue share de receita de publicidade. A produção ascendente de conteúdo para TV no Brasil pode se beneficiar também do YouTube como plataforma? A que os produtores devem estar atentos? A palavra da moda é transmedia. Nenhuma boa história hoje fica contida a uma única plataforma. O YouTube é uma delas e é bastante vibrante. Aos produtores, fiquem bastante atentos quanto à liberação dos direitos digitais, para que tenham autonomia de explorar esta plataforma de distribuição que é o YouTube. Ele permite não apenas um 22

FOTO: marcelo kahn

( entrevista)

“Se o YouTube se posicionar como uma empresa de mídia, provavelmente será expulso, como o organismo expulsa um corpo estranho. Somos uma plataforma de distribuição de conteúdo.” alcance muito grande, mas também uma forma de engajamento muito grande com a audiência. São duas coisas muito importantes para o sucesso de qualquer propriedade. Como prever o retorno através desta plataforma, de forma a viabilizar o investimento? Estimativa de audiência com o CPM médio do Youtube. Há uma ferramenta nossa, com métricas e estudos nossos, que permitem estimar a receita com publicidade. Como ter acesso a essa ferramenta? Funciona apenas produzir e colocar o conteúdo no site? Muita gente fala conosco explicando que tem um curta, uma série ou filme e que quer colocar no YouTube. São expertises diferentes: a produção de conteúdo e a gestão de um canal. A

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gestão de canal pede a criação de marca, desenvolvimento de audiência, curadoria, monetização. A mesma coisa que faz qualquer canal. Um canal tradicional de TV é um grande curador de conteúdo, com uma equipe que vai aos eventos internacionais buscando conteúdos, coproduzem. Essa curadoria é importante para ter sucesso no YouTube. Não necessariamente este expertise está na mão da produtora. Não é melhor ou pior, são negócios diferentes. A confusão está aí. Um produtor pode achar que simplesmente postar um conteúdo no YouTube, porque o YouTube tem uma enorme quantidade de acessos, vai trazer a ele muitos acessos. Não é bem assim. A função de programadora é bastante importante. As pessoas precisam entender a sua vocação, montar e programar canais ou produzir conteúdo. Gostaríamos que, no futuro, quando um produtor tiver uma boa ideia, pense em vender a um canal aberto, fechado ou a um canal do YouTube. Há canais suficientes para viabilizar este ecossistema no Brasil? Não. Minha função aqui é justamente estimular o desenvolvimento deste ecossistema. Vemos grandes exemplos. O Machinima (especializado em games) é um exemplo de um canal americano, com presença internacional que é um agregador de conteúdo. No próprio YouTube, ele vai atrás de produtores de conteúdo sobre o tema e que julga ter qualidade e agrega seus conteúdos ao canal, organiza por assuntos. Os aficionados por games vão ao Machinima porque sabem que encontrarão conteúdo relevante. Há um espectro amplo de potenciais programadores. Grupos tradicionais de mídia, programadores internacionais e produtores que eventualmente tenham o interesse em montar canais próprios.


( política ) Samuel Possebon, de Brasília

s a m u c a @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

De lados opostos FOTO: Alberto Ruy

Mais uma vez, radiodifusão e telecom se enfrentam em questões críticas. Atrito agora está no espectro de 700 MHz, que será usado para banda larga, e na neutralidade de rede. Marco Civil da Internet e futuro do espectro de 700 MHz foram temas de debate durante o Seminário de Políticas de (Tele) Comunicações, realizado em Brasília.

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az algum tempo que os setores de telecomunicações e de radiodifusão estão em lados opostos em questões como espectro, políticas regulatórias para a Internet, reforma do marco legal das comunicações, entre outros temas. Essa divisão ficou transparente durante o Seminário Políticas de (Tele)Comunicações, realizado pela Converge (que edita TELA VIVA) e pelo Centro de Estudos de Políticas de Comunicações da Universidade de Brasília (CCOM/UnB), em meados de fevereiro, em Brasília. O momento não é exatamente positivo para um alinhamento de posições entre a radiodifusão e as teles. No começo de fevereiro o governo baixou uma portaria ministerial definindo as políticas de ocupação da faixa de 700 MHz,

hoje usada pelas emissoras de TV para a operação na faixa alta do UHF, e que a partir de agora será destinada aos serviços de banda larga móvel. Trata-se do chamado “dividendo digital”, uma faixa que supostamente sobraria ao final da transição para a TV digital, quando os sinais analógicos serão, em tese, desligados. Esse ingrediente colocou fogo nos debates sobre as perspectivas para a radiodifusão. O Ministério das Comunicações, desde a publicação da portaria, tem procurado tranquilizar as emissoras ao afirmar que a cobertura atual dos sinais de TV não será impactada. Mas existe uma grande apreensão em relação à possibilidade de que todos sejam acomodados no restante do espectro de UHF. A SET (Sociedade de Engenharia de Televisão) já havia apresentado ao Minicom um estudo sobre a digitalização da radiodifusão em regiões de grande T e l a

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ocupação do espectro, onde mostrava que, nas regiões mais congestionadas (São Paulo, Campinas e algumas outras cidades), seria praticamente impossível fazer a transição e ainda liberar a faixa de 700 MHz. “O estudo da SET é muito bom, mas acreditamos que em relação a algumas premissas vamos precisar dar uma apertadinha”, afirmou o secretário de Comunicação Eletrônica do Minicom, Genildo Lins, no evento. Lins garantiu que o ministério tem plena convicção de que haverá espaço para todas as emissoras, mesmo nas regiões onde o espectro está mais congestionado. “A coisa mais importante que o governo tem a dizer nesse momento é: vamos garantir espaço para todo o mundo, cobertura para todos os operadores e garantir que não haverá 23

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( política ) “Vamos garantir espaço para todo o mundo, cobertura para todos os operadores e garantir que não haverá interferência.”

FOTOs: Alberto Ruy

interferência”, declarou. “Se não houver espaço, a faixa de 700 MHz será reduzida para as teles e a radiodifusão não será prejudicada”. As palavras do secretário, contudo, não foram capazes de tranquilizar os radiodifusores. O presidente da Abert, Daniel Slaviero, não escondeu o seu descontentamento com a forma com que o governo vem tratando a questão. “Não tivemos nenhum acesso a estudos que comprovam isso. Por outro lado entregamos um estudo dizendo que em 4,5 mil (cidades) a tendência é que não haja problema, mas nos grandes centros onde há concentração econômica existe, sim, problema. De lá para cá nós não tivemos acesso a nenhum estudo contraditório da agência ou do ministério, e isso tem trazido uma certa intranquilidade”, disse Slaviero. Após essas declarações, a Abert foi formalmente chamada a participar do grupo de estudos conduzido pela Anatel sobre o tema. Segundo os dados do ministério, há 885 municípios em que é necessário desligar a transmissão analógica para liberar a faixa para a banda larga. Nesses municípios o cronograma de desligamento (originalmente previsto para 2016) será antecipado para a partir de março de 2015. Nos demais municípios em que a faixa não é ocupada (4,8 mil, segundo o Minicom) ou os canais poderiam ser migrados para a faixa de UHF sem desligamento do sinal analógico, ou o cronograma do switch-off será postergado de 2016, como previsto hoje, para até 2018, diz Lins. “Isso acontecerá de forma escalonada”. Outra preocupação dos radiodifusores com a faixa de 700 MHz é que, com sua utilização para serviços de banda larga, ela possa causar interferências, prejudicando

Genildo Lins, do Minicom

a recepção dos sinais de TV. “Não tivemos acesso a nenhum estudo de campo que demonstre que a banda de guarda de 5 MHz garanta que não haja interferência”, afirmou o presidente da Abert, Daniel Slaviero. O conselheiro da Anatel Jarbas Valente, que também participou dos debates, procurou minimizar esse eventual atrito com o setor privado. Segundo ele, qualquer interessado terá acesso à documentação e à fundamentação do estudo. Além disso, a ideia é que o estudo seja feito com algum instituto brasileiro ou de fora que utilize os critérios para que ele possa ser aceito pela UIT.

3GPP padronizou isso aí baseado na experiência do Japão inclusive. Algum tipo de interferência pode acontecer, mas dá para gerenciar isso com engenharia”, afirmou. Neutralidade Outro tema que colocou teles e radiodifusores em lados opostos foi o da regulação da Internet. Mais precisamente, a proposta de regulação trazida pelo Marco Civil (da Internet, em debate no Congresso). E nesse aspecto, as divergências de posição são muito nítidas. De um lado, curiosamente, estão grupos como as Organizações Globo, provedores de conteúdos como o Google e entidades que militam na causa da democratização das comunicações, que normalmente atuam em campos opostos. Do outro lado estão as empresas de telecomunicações, e no meio, pendendo para o lado das teles, o governo.

há 885 municípios em que é necessário desligar a transmissão analógica para liberar a faixa para a banda larga. De qualquer maneira, a Anatel está confiante que a opção pelo modelo ÁsiaPacífico (APT) de canalização da faixa de 700 MHz – que trabalha com 5 MHz de banda de guarda – minimize bastante a chance de interferência. Para o conselheiro Jarbas Valente, a banda de guarda de 5 MHz “garantiria todo o processo”. Para o diretor de relações governamentais da Qualcomm, Francisco Giacomini Soares, o fato de o 3GPP ter padronizado o modelo garante que a interferência, que ele não descarta que ocorra, seja possível de ser reparada. “O

“Entendemos que o princípio da neutralidade é incontestável. Nós como grupo decidimos abrir mão desses modelos.” Paulo Tonet, da Globo

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Talvez o aspecto mais importante da discussão tenha sido o posicionamento público das Organizações Globo em favor da neutralidade. Essa postura já era conhecida, mas Paulo Tonet Camargo, VP de relações institucionais do grupo, foi ainda mais enfático. “Se para ter a garantia de neutralidade for necessário abrir mão de futuras oportunidades de negócio em que nosso conteúdo Globo tenha tratamento privilegiado na rede das teles, a Globo abre mão”, disse. “Entendemos que o princípio da neutralidade é incontestável. Nós como grupo decidimos abrir mão desses modelos”, disse Tonet. Ele disse acreditar, contudo, em uma composição dos diferentes interesses nessa questão:


“temos que nos espelhar em uma discussão recente, que reuniu mais ou menos os mesmos atores, e que conseguiu produzir um texto bom dentro do possível, que foi a Lei do Serviço de Acesso Condicionado”, lembrou Tonet. Para ele, o texto do Marco Civil está muito perto de um acordo e é fundamental para organizar os princípios de um mercado que será, cada vez mais, explorado comercialmente. “O Marco Civil deveria ser chamado de uma lei sobre os usos da Internet, porque é disso que se trata, de regular o uso que é feito da Internet, e não a própria rede”. Para Jonas Valente, do Coletivo Intervozes, que defende causas relacionadas à democratização da Internet, é fundamental que o Marco Civil não permita que diferenças socioeconômicas criem desigualdade em relação ao acesso à rede. “É

“Sem as redes de banda larga, o modelo de todo o mundo desaba.”

contrário não farão os investimentos necessários, e sem as redes de banda larga, o modelo de todo mundo desaba”. A posição do Ministério das Comunicações também é de apoio ao projeto, mas com a necessidade de rever alguns aspectos da redação atual. “O projeto saiu do Executivo e o Minicom entende que a redação proposta originalmente na questão da neutralidade era a ideal. Nos preocupa que a redação atual acabe causando algumas limitações”, disse Miriam Wimmer, diretora de universalização do ministério. Para o Minicom, a regulação mais específica para as questões decorrentes dos princípios da neutralidade pode vir de decreto presidencial, e os subsídios técnicos podem ser trazidos pela Anatel.

André Borges, da Oi

inconcebível pensar em uma Internet que tenha algum de seus serviços limitados”, disse. André Borges, diretor de assuntos regulatórios da Oi, pondera que o desconforto das teles com o Marco Civil está, essencialmente, na questão da neutralidade. “Nada contra a neutralidade como princípio geral, mas quando se começa a querer colocar, em uma lei principiológica, todas as situações, isso limita definitivamente algumas possibilidades de desenvolver o mercado”, disse Borges. Para ele, é preciso entender que as teles, pressionadas pela necessidade de investir na infraestrutura, buscarão inevitavelmente modelos alternativos e complementares, “do

Ancine: obstáculos adiante

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participação da Ancine no Seminário Políticas de (Tele)Comunicações tinha como objetivo fazer um balanço da atuação da agência na regulação do mercado de TV paga, mas acabou sinalizando os desafios e problemas que terão que ser enfrentados daqui em diante. Um aspecto relevante levantado durante o debate foi a análise do consultor legislativo do Senado e pesquisador da UnB Marcus Martins, sobre a relação entre a TV aberta e as cotas de programação. Na interpretação de Martins, ainda não contestada pela Ancine, quando a transição da TV analógica para a TV digital se encerrar, o que deve acontecer a partir de 2015 em algumas cidades, os canais abertos passarão a ser contabilizados para fim de cumprimento de cotas como qualquer outro canal pago, ou seja, servem para dimensionar os pacotes e calcular a quantidade de canais na cota e também para cumprir a cota de canais nacionais. A Ancine ainda não tinha projetado esse cenário, mas se comprometeu a estudar o assunto, disse Manoel Rangel, diretor-presidente da agência. “Hoje a lei prevê que os canais obrigatórios não contem para as cotas, mas isso vale só para os canais analógicos. Após o switch-off, as emissoras de TV poderão vender seus conteúdos às operadoras do SeAC, e aí os canais passam a contar para as cotas”, alertou Martins. A Ancine também levantou um aspecto relevante de sua pauta de trabalho para os próximos dois anos: a revisão da Condecine para os segmentos de vídeo sob demanda (VOD) e vídeo doméstico. Rangel, reconheceu que o mecanismo atual, baseado em uma taxa fixa por título, pode gerar distorções em alguns mercados, e o setor de VOD é um deles. Hoje, as plataformas de VOD precisam pagar R$ 3 mil

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por título de longa-metragem, pois estão enquadradas em uma categoria não prevista originalmente pela Medida Provisória 2.228/01, que criou a contribuição. Em acervos de milhares de títulos, esse custo é significativo e pode até inviabilizar títulos de menor interesse. “A tributação mais justa seria a percentual sobre a receita, mas é um ajuste delicado, pois não queremos que se abra frente para se discutir outras questões. Não pode ser um processo que se sabe como começa e não se sabe como termina”, disse Rangel, explicando que mudar a Condecine necessariamente envolve uma intervenção em lei. “Precisamos trabalhar um consenso sobre essa mudança para que ela seja realmente pontual”, disse. Para Rangel, não há chances de que a contribuição em outros segmentos de mercado sejam aumentadas. Ao mesmo tempo, ele rechaçou prontamente qualquer possibilidade de a Ancine passar a regular no curto prazo conteúdos que trafegam hoje em redes de banda larga (over-the-top), como Netflix e similares. Na agenda da Ancine para 2013 está também a regulamentação do Fundo Setorial do Audiovisual, o que permitirá aplicar os montantes de recursos que estão sendo recolhidos para o fundo, sobretudo pelas empresas de telecomunicações (para este ano projeta-se um recolhimento da ordem de R$ 1 bilhão). Também estão previstas regras que balizarão a dispensa de cumprimento de obrigações, uma revisão nas regras de credenciamento, regras de acessibilidade de conteúdos, uma instrução normativa de mediação de conflitos e arbitragem; regras para celebração de termos de compromisso (TAC), regras de sigilo à informação e a criação de câmaras técnicas para discussão da regulamentação.

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(audiência - TV paga)

Feliz Ano Novo

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Foto: Kiko Cabral

postando em uma programação que contempla séries de humor, música e reality shows, o Multishow começou o ano de 2013 dando um salto para o topo da tabela de alcance da TV paga: o canal – que em dezembro do último ano estava na quinta posição, alcançando 7,95% do share – ficou em primeiro lugar entre os mais assistidos do segmento no mês de janeiro, com um alcance diário médio de 9,52% do share. Segundo Guilherme Zattar, diretor do Multishow, o bom desempenho do canal deve-se principalmente a esta diversidade na programação, que compreende todos os gostos e estilos. Ele cita como destaques de audiência as séries “220 Volts”, do humorista Paulo Gustavo (cuja terceira temporada é exibida deste outubro de 2012), e “Mais x Favela”, de Cacá Diegues,

A série “Mais x Favela”, de Cacá Diegues, mostra a divertida história de três adolescentes numa favela do Rio de Janeiro.

que passou a ir ao ar no final do mês. Mas nem só de séries se faz a programação do Multishow: ao longo do mês de janeiro, o canal também contou com diversas atrações musicais. O destaque ficou para a transmissão ao vivo do Festival de Verão de Salvador – que contou com atrações como Ivete Sangalo, Capital Inicial e Gusttavo Lima – entre os dias 16 e 19, e do show do cantor pop carioca que estourou nos últimos meses, Naldo, no dia 12. Além das séries e shows, outra atração

garantiu os altos índices de audiência durante o mês de janeiro: a 13ª edição do Big Brother Brasil, exibida desde o dia 8. “O reality tem muito apelo junto ao jovem, nosso público alvo, e por isso temos uma parceria com a TV Globo, entrando com flashes ao vivo logo após a exibição do programa na emissora”, afirma Zattar. E os fatos comprovam: o canal também apresentou crescimento entre o público mais novo, pulando da nona para a sétima posição. A última vez em que o Multishow havia liderado a audiência da TV paga foi em março de 2012, justamente o último mês de exibição da edição passada do reality. O levantamento do Ibope Mídia considera as praças da Grande São Paulo, Grande Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Distrito Federal, Florianópolis e Campinas. Bruno Borin

Alcance* e Tempo Médio Diário – janeiro/2013 

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio Total TV Paga 42,99 7.367,42 02:41:49 Multishow 9,52 1.631,87 00:20:14 TNT 9,19 1.574,95 00:32:55 Fox 9,07 1.554,12 00:36:07 Megapix 8,83 1.513,05 00:31:27 Sportv 8,23 1.410,54 00:33:11 Viva 7,12 1.220,72 00:25:05 Globo News 6,67 1.143,67 00:26:20 Space 6,27 1.075,08 00:30:20 Cartoon Network 6,10 1.045,17 00:43:32 Universal Channel 6,01 1.030,77 00:25:17 Disney Channel 5,78 991,42 00:44:18 Sportv 2 5,69 975,65 00:18:50 FX 5,66 970,60 00:32:14 Discovery Kids 5,57 953,83 01:00:29 National Geographic 5,39 924,03 00:23:22 Discovery Channel 5,23 897,17 00:25:35 Warner Channel 5,00 856,72 00:30:35 GNT 4,81 824,90 00:16:15 Sony 4,33 742,52 00:18:32 Nickelodeon 4,11 703,96 00:34:32

(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio Total TV Paga 42,46 1.956,42 03:11:47 Disney Channel 15,11 696,21 01:16:43 Cartoon Network 14,39 663,22 01:20:19 Discovery Kids 11,06 509,76 01:01:45 Nickelodeon 10,60 488,12 00:56:52 Fox 9,10 419,38 00:39:01 Megapix 6,88 316,84 00:32:34 Multishow 6,81 313,84 00:21:24 TNT 6,74 310,36 00:31:50 Disney XD 6,67 307,45 01:02:32 FX 4,98 229,31 00:33:33 Sportv 4,33 199,41 00:22:20 Space 4,26 196,23 00:27:14 Viva 4,21 193,75 00:21:06 Universal Channel 3,60 165,76 00:24:02 Discovery Channel 3,40 156,85 00:25:01 Warner Channel 3,31 152,40 00:30:26 Sportv 2 3,25 149,90 00:12:05 National Geographic 3,19 146,88 00:25:10 Telecine Pipoca 2,70 124,36 00:31:27 Discovery Home & Health 2,67 123,08 00:34:34

*Alcance é a porcentagem de indivíduos de um “target” que estiveram expostos por pelo menos um minuto a um determinado programa ou faixa horária.

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**Universo 4.607.400 indivíduos Fonte: IBOPE Media Workstation – Tabela Minuto a Minuto - Janeiro/2013

De 4 a 17 anos**

(Das 6h às 5h59)

**Universo: 17.138.600 indivíduos

Acima de 18 anos**




( produção)

Ana Carolina Barbosa

a n a c a r o l i n a @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Animação delivery

D

esenvolver projetos próprios de séries e longas-metragens de animação leva tempo e exige paciência dos envolvidos para a aprovação em editais, liberação dos recursos, acordos com coprodutores e canais exibidores. Para manter a equipe e a estrutura, algumas produtoras de animação têm se dedicado à prestação de serviços tanto para os seus pares brasileiros quanto para os internacionais, embalados pelos louros que a animação brasileira vem conquistando, seja por produções exitosas exibidas mundo afora como “Peixonauta” e “Meu Amigãozão”, seja pelos investimentos públicos que o setor recebeu nos últimos anos, o que ajudou no fortalecimento da área e na descoberta de novos talentos. Zé Brandão, diretor criativo da carioca Copa Studio, conta que no ano de 2012 inteiro a produtora esteve voltada para projetos de prestação de serviço, cuidando da animação da série “Historietas Assombradas”, da Glaz Entretenimento, que teve estreia no Cartoon Network esse ano, e de uma série de animação para a TV peruana chamada “O Jardim Mágico de Ania”. Ele explica que prestar serviços para outras produtoras vem da necessidade de preencher as lacunas de produção e não deixar a equipe ociosa. “A gente já está trabalhando junto e não quer desfazer a equipe. Isso traz estabilidade para o profissional, o que é algo muito difícil na nossa indústria”, explica Brandão.

thinz/shutterstock.com

Produtoras prestam serviços em animação para clientes do mercado nacional e internacional como uma maneira de manter profissionais e a estrutura para trabalhar em projetos próprios, mais lucrativos a longo prazo.

Outro aspecto positivo da prestação de serviço, segundo o diretor, é que a rotatividade de projetos coloca a equipe em contato com diferentes estilos de animação e ajuda a quebrar certos vícios. No entanto, Brandão observa que do ponto de vista econômico, a prestação de serviço só é rentável no curto prazo. “Quando a gente está em produção de um projeto próprio, ele não gera lucro. É um investimento da empresa. No curto prazo, a prestação de serviço é mais rentável que a

produção própria”, diz Brandão, lembrando que com a produção própria há os ganhos com as vendas para os canais nacionais e internacionais, além de recursos vindos do licenciamento de produtos, o que é bastante forte no caso da animação infantil. Dessa forma, o foco da Copa Studio é o desenvolvimento de projetos próprios de animação. Brandão acredita que em 2013 os profissionais devem estar integralmente voltados para os projetos da casa e o time deve inclusive receber reforços. A produtora deve dar sequência à série “Tromba Trem”, que foi uma das vencedoras do Anima TV para o desenvolvimento de 13 episódios de 13 minutos. A série foi ao ar nas TVs públicas e no Cartoon, mas a quantidade de episódios é insuficiente para as vendas no mercado internacional. Outro

o Brasil ainda não consegue competir em preço e prazos com produtoras asiáticas, mas tem outros aspectos positivos para trabalhar com o mercado internacional, como a língua e o fuso. T e l a

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( produção ) FOTOs: divulgação

A HGN, fundada para prestar serviços, produziu 15% do longa “A Princesa e o Sapo”, da Disney, em 2009.

projeto que tem sido desenvolvido em coprodução com o Cartoon é a série “O Irmão de Jorel”. A Copa Studio também pretende trabalhar no longa-metragem de “Tromba Trem” e no desenvolvimento de novas séries.

País ainda precisa investir em formação, para gerar mão de obra qualificada para os serviços de animação, destacam produtores.

Veterano A opinião de Haroldo Guimarães Neto, diretor presidente da HGN, fundada em 1989 para prestar serviços em animação, é bem parecida com a de Brandão. Neto trabalhou na Disney, nos Estados Unidos, entre 1987 e 1989. Quando voltou ao Brasil abriu uma produtora para produzir por aqui alguns episódios de séries do estúdio, como já era feito em países

como Coreia, Japão e França. “Durante cinco anos, ficamos fazendo praticamente só trabalhos para a Disney. Em meados dos anos 90 a gente não conseguia mais competir com a Ásia em capacidade e custo”, conta Neto. A produtora então partiu para os trabalhos de publicidade e vídeos institucionais para o mercado nacional e voltou a trabalhar com a Disney em 2009, dessa vez com a Features Animation, divisão de longas-

A carioca Copa Studio passou o ano de 2012 trabalhando em projetos de terceiros, entre eles, a animação da série “Historietas Assombradas”, da Glaz Entretenimento.

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metragens. A HGN fez um teste para fazer uma parte do longa “A Princesa e o Sapo”, feito em 2D, e passou. Uma equipe de 50 pessoas trabalhou no projeto e 15% do filme saiu do estúdio brasileiro. Outros projetos internacionais vieram na sequência. Para Neto, um dos maiores problemas de somente prestar serviços é a sazonalidade dos projetos. “Às vezes tem, às vezes não tem trabalho”, diz. Além disso, existe a dificuldade de competir em preços e prazos com estúdios asiáticos, que já têm uma estrutura industrial para atender em escala às demandas vindas de outros países. Para conquistar o mercado internacional, o Brasil tem que focar na qualidade. Brandão concorda que competir com os preços dos estúdios asiáticos é impossível e as produtoras brasileiras que querem trabalhar para fora precisam oferecer qualidade e estar atentas a alguns outros detalhes, como a proximidade cultural dos mercados ocidentais e a melhor comunicação. Brandão acredita que o caminho é oferecer além da animação. A Copa Studio faz também storyboard e design de personagens. Mercado interno Embora o mercado externo seja atraente, o momento para o mercado interno também é bom e traz boas oportunidades. A HGN começou a prestar serviços de animação para a série “Osmar, a Primeira Fatia do Pão de Forma”, da também brasileira 44 Toons, e desenvolve projetos próprios, que a médio e longo prazo apresentam perspectivas mais interessantes, entre eles uma série infantil chamada “Nutriamigos”, uma série sobre o Mazzaropi e uma série pré-escolar de cantigas de roda chamada “Turma da Dona


Baratinha”. Neto observa que a prestação de serviço para o mercado nacional também gera uma troca de experiência positiva para a produtora que, estreante na produção de conteúdo próprio, está aprendendo a lidar com editais, captação e negociação com canais. A Birdo, produtora fundada em 2005 pelos sócios e diretores de animação Paulo Muppet e Luciana Eguti, também está aprendendo a trabalhar com conteúdo próprio ao desenvolver a série infantil “Oswaldo”. Com muitos filmes publicitários e videoclipes no currículo, a produtora presta serviço desde sempre para o mercado nacional e internacional, mas os projetos mais longos demoram no máximo quatro meses para serem concluídos. “Agora temos que estar em contato com áreas que não existiam por aqui, como captação de recursos e prestação de contas”, explica Luciana. O envolvimento com conteúdo começou com a prestação de serviços em curtas-metragens e inserções de animação em documentários. Depois de algumas experiências como prestadora de serviço, a Birdo passou a entrar como coprodutora em alguns projetos. “É legal para agregar como portfólio da produtora e poder partir para serviços maiores”, diz Luciana. Entre os projetos de conteúdo recentes estão o documentário “Muito Além do Peso”, da produtora Maria Farinha, e “Pobre de Nós, uma História Animada da Pobreza”, da produtora holandesa Submarine. Muppet e Luciana contam que foram muito procurados por outras produtoras brasileiras para fazer a animação de séries de televisão, mas por uma questão de estrutura, preferiram esperar e desenvolver

A HGN também tem um centro de treinamento em animação. Neto destaca que o investimento em formação é importante para o mercado no geral. No caso da animação “A Princesa e o Sapo”, 80% da equipe que realizou o trabalho foi formada por ex-alunos. Atração brasileira O produtor Eduardo Gurman, da Studio Sumatra, desenvolve uma coprodução com a americana Toonzone, cuja animação está sendo toda feita no Brasil. Gurman também afirma que a mão de obra qualificada é escassa. “Infelizmente não tem mão de obra para todo mundo simultaneamente e isso acaba encarecendo um pouco a demanda”, diz Gurman. Com “Tiny Warriors”, série de 26 episódios de 22 minutos que mistura live action e animação, a Studio Sumatra anima pela primeira vez em um projeto de conteúdo que surgiu em outra produtora. Segundo Gurman, o Brasil não compete no preço com os países asiáticos, mas tem chamado a atenção de produtoras internacionais por outros motivos, entre eles as possibilidades de captação de recursos e de exibição nos canais pagos. “A gente também tem algumas questões mais vantajosas como a língua e o fuso horário”, destaca Gurman. É o momento Brasil.

Na coprodução da série “Tiny Warriors”, a Studio Sumatra ficou encarregada de toda a animação da série. Possibilidades de financiamento e exibição nos canais pagos atraem produtoras internacionais.

uma série própria, que surgiu da ideia de um dos funcionários da produtora. “A gente demorou para amadurecer como queríamos lidar com projetos grandes de séries. Não era questão de saber fazer e inchar a equipe”, observa Luciana. Para Muppet, o grande mercado para as produtoras de animação ainda é interno e é preciso aproveitar o momento. Os sócios, no entanto, apontam a dificuldade de encontrar bons profissionais para dar conta da demanda. “Tem muita gente interessada em trabalhar e tem muito trabalho em animação, mas não há tanta capacitação. É hora da formação, tem que melhorar”, conclui Luciana.

A Birdo anima trabalhos de conteúdo como o documentário “Pobre de Nós, Uma História Animada da Pobreza”, da holandesa Submarine. Em alguns casos, a produtora paulista entra como coprodutora.

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( making of )

Lizandra de Almeida

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m algum ano da década de 1970, um grupo de pessoas se reúne em torno de um carro arrojado, em cima do Viaduto do Chá, centro de São Paulo. O apresentador Cazé Pessanha mostra para os transeuntes deslumbrados como será o Fusca do futuro. Em meio aos comentários dos curiosos, aparece o comediante Mussum para dar seu pitaco e comentar: “É o Fusquis!”. E no outro filme da campanha, a estrela é o jogador Roberto Rivellino. Brincando com o carinho que a população brasileira tem pelo Fusca, a campanha de lançamento do Novo Fusca compara não só o próprio carro como também as expectativas de consumo dos brasileiros em dois momentos. A mudança é tanta que ninguém consegue evitar o riso. Os filmes, basicamente, mostram o carro em exposição, cercados de pessoas “da década de 1970”. Para caracterizar o grupo, a produção caprichou no figurino e também deu um tom meio avermelhado à fotografia, como naquelas velhas fotos dos álbuns de família. “A imagem que as pessoas têm da década de 70 são duas: ou a americana, hippie, de Woodstock, ou a brasileira, urbana, retrô e avermelhada”, conta o diretor Dulcídio Caldeira. A produção começou com a procura das cenas de arquivo de Mussum e Rivellino e também cenas de época, que foram montadas lado a lado com as imagens atuais. “Conseguimos as cenas antigas no acervo do diretor Jean Manzon”, diz Caldeira. As imagens de Mussum foram mais complicadas: as cenas do programa Os Trapalhões foram todas

FOTOs: divulgação

Olha o Novo Fusquis!

Imagens desfocadas e sem canais amarelo e azul dão o tom de cor dos anos 70. captadas em vídeo, em formatos que hoje têm uma qualidade muito aquém da utilizada. “Revimos os filmes e acabamos tirando essa imagem do longa “Atrapalhando a SWAT”, feito em película”, explica. A cena de Rivellino, por sua vez, foi extraída de um documentário feito pela BBC na época, já que os arquivos brasileiros também eram principalmente em vídeo. A partir daí, o diretor discutiu com o colorista Sergio Pasqualino, da Casablanca, como seria a direção de arte. “Ele testou a correção de cor e decidimos cancelar os canais amarelo e azul e tirar um pouco o foco, para ficarmos mais próximos das imagens da época. Vimos tantas imagens desfocadas 30

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que ficamos com a impressão de que o foco só foi inventado na década de 1980”, brinca. Depois, a equipe usou três diárias de filmagem para captar as imagens no centro de São Paulo e fazer o pack-shot. “Tivemos o cuidado de incluir referências da época, como outdoors, a menção à rádio AM, uma câmera Polaroid, um vendedor de beiju e até uma ‘baratinha’, a viatura policial laranja daquele tempo.” A escolha do apresentador Cazé também foi calculada. “Se usássemos uma pessoa desconhecida, teríamos que reforçar ainda mais a diferença de figurino e talvez não ficasse tão claro que ele estaria vindo do futuro. Trabalhar com uma pessoa de hoje, conhecida, ajudou a determinar a época”, acredita. Para dar mais veracidade ao filme, a equipe de pós-produção redesenhou todo o chão do Viaduto do Chá, que antes era feito de ladrilhos que formam o mapa de São Paulo e hoje já é totalmente diferente. Como não poderia deixar de ser, os filmes têm como trilha “País Tropical”, de Jorge Ben Jor, que faz referência ao Fusca em sua letra. ficha técnica Cliente Volkswagen do Brasil Produto Novo Fusca AgênciaAlmapBBDO Dir. geral de criação Marcello Serpa,  Luiz Sanches Direção de criação Renato Simões,  Bruno Prosperi Criação Renato Simões, Bruno  Prosperi, Pernil, André Gola Produtora Paranoid BR Direção Dulcídio Caldeira Fotografia Pierre de Kerchove Montagem Alex Lacerda Trilha Raw Audio  (locutor: Paulo Ivo) Pós-produção Casablanca e Clan VFX


Edgar Allan Poe brazuca

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streia em abril o primeiro episódio da nova série “Contos do Edgar”, com cinco episódios de meia hora, baseados nos contos do escritor inglês Edgar Allan Poe. Com direção geral de Pedro Morelli, a ideia é trazer para a realidade brasileira – mais especificamente paulistana – o mundo aflitivo do autor. “Tive a ideia de adaptar o Poe para a realidade brasileira e comecei a discutir com meu amigo, o roteirista Gabriel Hirschhorn. Lemos dezenas de histórias e fomos criando as sinopses, recontextualizando num contexto brazuca”, conta o diretor. O primeiro episódio, justamente, transforma a Berenice do título de uma aristocrata para uma cantora brega de boate, interpretada pela cantora paraense Gaby Amarantos. Ela faz sucesso como cantora, mas tem os dentes horríveis e morre de vergonha. O primo, que é apaixonado pela moça, resolve financiar um tratamento. Ela então tem todos os dentes arrancados e substituídos por implantes. Para pagar, porém, ele acaba violando uma sepultura no cemitério para roubar as joias de um morto. A partir daí, fica obcecado e os arrepios na espinha começam. Afinal, dentes e cemitério sempre são uma combinação aflitiva. Todos os episódios são conduzidos por dois personagens: Edgar e Fortunato. Eles trabalham numa empresa de dedetização e por isso entram em contato com as figuras peculiares que revisitam os personagens de Poe. No primeiro episódio, Edgar vai colocar uma armadilha para um rato na boate e fica sabendo da história. Mas sempre paira uma dúvida se ele está contando ou inventando. E a relação entre os dois personagens também tem algo de misterioso, que será revelado ao longo dos capítulos. A gravação de todos os episódios

Todos os episódios de “Contos do Edgar” foram gravados ao mesmo tempo, no centro de São Paulo. aconteceu ao mesmo tempo, em locações no centro de São Paulo. Nesse primeiro, as gravações aconteceram numa boate de prostituição, num consultório de dentista e no cemitério da Quarta Parada, onde Gaby Amarantos teve de deitar num caixão e entrar num túmulo de verdade. Ela ainda recebeu uma prótese de dentes horríveis, e depois, quando recebe os dentes novos, aparece com o próprio sorriso. As filmagens noturnas no cemitério foram feitas com o uso de balões de luz, que deram um tom suave, de luar, para as cenas. “Disse para o fotógrafo que não podíamos ter medo do escuro. O tom do seriado é irônico, levemente bem humorado, mas é uma série de terror, dark”, diz Morelli. A câmera utilizada, uma Alexa, tinha sensibilidade suficiente para captar nessas condições. Ao longo dos capítulos, o espectador pode procurar referências ao escritor e seu universo. O personagem principal contracena com uma pomba, que remete ao conto mais famoso de Poe, “O corvo”. Em todos eles, uma imagem do autor aparece discretamente. Para descobri-las, só assistindo...

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ficha técnica CanalFox Produto série em 5 capítulos  “Contos do Edgar” Produtora O2 Filmes Criação Pedro Morelli e  Gabriel Hirschhorn Direção Geral Pedro Morelli Produção Andrea Barata Ribeiro,  Bel Berlinck, Fernando  Meirelles e Paulo Morelli Prod. Executiva Cristina Abi Direção de Arte Marghe Pennacchi Dir. dos episódios Pedro Morelli, Quico  Meirelles, Cassiano  Prado, Alex Gabassi Roteiro Gabriel Hirschhorn,  Vitor Brandt Fotografia Ale Samori Música Matheus Leston Elenco principal Marcos Andrade, Danilo  Grangheia (episódio 1: com  Gaby Amarantos e Marcelo  de Barros; episódio 2  com Joyce Almeida, Kauê  Tellol e Luciano Quirino;  episódio 3:  Larissa Ferrara e Jorge Cerrut;  episódio 4 Carolina Borelli e  Marisol Ribeiro; episódio 5:  Julia Ianina)

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( case )

Nilba e os Desastronautas

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série de animação “Nilba e os Desastronautas”, produzida pela paulistana 44 Toons, conquistou o mercado internacional de forma inédita: é a primeira atração inteiramente nacional a ser adquirida por um canal americano. A compra pelo canal pago Starz, que chega a 30 milhões de residências, foi anunciada na última edição do Kidscreen, em fevereiro, em Nova York, e a exibição será a partir de abril. “Nilba e os Desastronautas” ganhou também espaço nos canais infantis brasileiros. É exibido desde 2010 na TV Rá Tim Bum e, em 2013, entrou na programação do Gloob, da TV Cultura e da TV Brasil. O projeto foi viabilizado por caminhos incomuns. “Não seguimos cartilhas. Fomos procurar formas criativas de produzir, desde a concepção até o jeito de financiar”, explica o produtor, diretor e roteirista Ale McHaddo. A 44 Toons levou a proposta de “Nilba” à Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV Rá Tim Bum e da TV Cultura, propondo que eles entrassem como coprodutores no projeto. A ideia era produzir 39 episódios de sete minutos, em um orçamento total de R$ 1,5 milhão. Parte foi financiada pela produtora e parte pela FPA com recursos próprios. O modelo proposto foi de sociedade. A FPA é proprietária de 25% dos episódios e tem participação nos licenciamentos. A série de animação 2D é voltada para crianças de seis a nove anos e conta as aventuras de um comandante de oito anos de idade e de sua tripulação, que estão perdidos no espaço. Mas, em vez de tentar levar a 32

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Produção da paulistana 44 Toons, a série de animação “Nilba e os Desastronautas” é a primeira atração inteiramente nacional a ser vendida para um canal americano. o projeto de “Nilba” foi o tratamento visual da série. “Há personalidade sem precisar de descrição, o que é algo muito difícil de alcançar”, destaca. Catherine e a produtora brasileira investiram então em dublagem em inglês e em reempacotamento para ter uma amostra de 30 minutos de animação e bater na porta dos canais estrangeiros. A sales agent acreditava que o material tinha potencial para o mercado americano e que a compra por um canal dos Estados Unidos poderia abrir a porta em outros Os 39 episódios de sete minutos de “Nilba e os territórios, ser uma plataforma de Desastronautas” foram coproduzidos pela 44 Toons visibilidade para futuras vendas. e pela Fundação Padre Anchieta, que entrou com Entre o pitching para o Starz e a recursos próprios e virou coprodutora do projeto. efetivação da negociação passaramtripulação sã e salva de volta para a Terra, se nove meses. Catherine conta que o capitão da nave só quer saber de se apesar de gostar da atração, o divertir. McHaddo conta que, como canal tinha certas preocupações em cresceu assistindo aos cartoons comprar um produto brasileiro. O americanos, é natural desenvolver canal deu à produtora um prazo de cartoons que tenham uma pegada 120 dias para preparar os másters parecida. Os episódios de “Nilba” fazem e entregar o conteúdo traduzido e referência a produções como “De Volta dublado em inglês. para o Futuro”, “Transformers”, “Rambo”, A produtora executiva de “Nilba “Avatar” e “Planeta dos e os Desastronautas”, Macacos”, fazendo da Melina Manasseh, A IDEIA DA animação um programa conta que a produtora PRODUTORA E DA atrativo também para e a sales agent adultos, que compreendem SALES AGENT É tentaram nesta fase CONSEGUIR UM a intertextualidade. conseguir um estúdio COPRODUTOR PARA que topasse fazer uma Apelo visual coprodução, mas não A PRODUÇÃO DE A produtora levou um MAIS EPISÓDIOS. conseguiram chegar a prêmio do júri infantil no um acordo dentro do MipJr, em Cannes, em 2009, com outra prazo e a dublagem, feita em Nova série de animação, “Osmar, a Primeira York, foi paga pela 44 Toons. Fatia do Pão de Forma”, que deve Catherine conta que os estrear no Gloob, neste ano. Com o executivos do Starz ficaram destaque, a 44 Toons chamou a atenção impressionados com a qualidade da para seus trabalhos. A sales agent entrega feita pela produtora americana Catherine Branscome conta brasileira, porque muitas vezes nem que o que mais chamou a atenção para os produtores locais conseguem

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fazer uma entrega tão perfeita. Próximas vendas McHaddo e Melina contam que com os gastos que tiveram com os processos de tradução, dublagem e másters, a margem de lucro com esta venda tanto para a produtora quanto para a FPA foi baixa. Eles acreditam que o retorno financeiro virá a partir das próximas vendas. Por outro lado, a venda para o Starz coloca a produtora em outro patamar, seja no mercado nacional, seja para futuras negociações internacionais, não só de “Nilba e os Desastronautas”, mas também de outros produtos da 44 Toons. A ideia de Catherine é arrumar um coprodutor para que a série possa chegar a 26 episódios de 30 minutos, o que torna o programa mais interessante para ser comercializado para os canais estrangeiros. O Starz já sinalizou

NILBA E OS DESASTRONAUTAS Formato série de TV/ 39 episódios de sete minutos Produtoras 44 Toons e Fundação Padre Anchieta Produção executiva Melina Manasseh Direção Ale McHaddo Roteiro Ale McHaddo, Luiz Felipe Mazzoni e Keka Reis

interesse em novos episódios. Paralelamente, a 44 Toons também trabalha em subprodutos da série, como um longa-metragem 2D, jogos que serão comercializados na Apple Store e

SINOPSE: A série narra as aventuras de um comandante de oito anos de idade, Nilba, e de sua tripulação, que estão perdidos no espaço. Mas, ao invés de tentar levar a tripulação sã e salva de volta para a Terra, o capitão da nave só quer saber de se divertir.

livros animados. Está nos planos também o desenvolvimento de um jogo para Xbox. ANA CAROLINA BARBOSA


( tecnologia) Bruno Borin

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Melhor que cinema Em parceria com a emissora japonesa NHK, Rede Globo realiza testes de captação Ultra HD (8K) durante o carnaval de 2013 e prevê o uso da tecnologia em um futuro não tão distante.

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FOTOS: divulgação

nquanto muito se discute sobre a transmissão Full HD (4K) e pipocam aparelhos no mercado cujo diferencial é justamente suportar esta tecnologia, a Rede Globo já está de olho no futuro: a emissora realizou durante o carnaval de 2013 os primeiros testes com a tecnologia 8K, a Ultra High Definition (UHDTV). Feitos em parceria com a NHK, que trouxe equipamentos e profissionais durante o período, os testes fazem parte da estratégia da emissora de pesquisar e investir no que será a TV aberta para as próximas gerações, segundo Raymundo Barros, diretor de Engenharia de Entretenimento da Globo. “Estamos tentando contribuir para a construção do modelo de TV dos próximos 10 a 15 anos”, afirma. Desenvolvida pela NHK, a tecnologia 8K (ou Super Hi-Vision, como foi apelidada) apresenta resolução dezesseis vezes superior à 4K, com 33.2 megapixels (7680 x 4320), além de 22 canais de áudio e dois canais adicionais (muito superior ao sistema 5.1 surround, presente em cinemas), o que permite uma sensação de “imersão” ao telespectador. Desta maneira – e apoiada pela parceria antiga entre as emissoras –, a oportunidade de testar a tecnologia durante os dois dias de desfile do grupo especial do carnaval carioca pareceu uma oportunidade imperdível para a Globo, afirma Barros. A tecnologia já havia sido testada pela NHK no ano passado, durante a Olimpíada de Londres, quando a emissora exibiu suas captações em três locais do Reino Unido e também no Japão.

A instalação de um monitor de 84 polegadas foi necessária para a exibição ao vivo do material captado em 8K.

Mas por que o Carnaval? Segundo Barros, o evento tem sido, ao longo de toda a história da Globo, um dos mais adequados para se fazer experiências com tecnologias – tanto que foi nele que a emissora realizou experiências com a tecnologia 4K (em 2012) e 3D (nos anos anteriores). “Além de ser um evento muito bonito – com uma riqueza de cores, nuances e detalhes não só na imagem, mas também no som –, o Carnaval também conta com uma atratividade global, pois o mundo gosta de ver nossa transmissão”, afirma Barros, explicando porque é o conteúdo perfeito para padrões mais evoluídos de tecnologia. “A Globo conhece o carnaval como poucos, e temos os direitos de transmissão, então esta operação se mostrou muito boa para ambas as partes”, afirma. 34

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Dificuldades... Para a realização dos testes foi necessário que a NHK trouxesse equipamentos e profissionais para o Rio de Janeiro, enquanto a Globo participou do processo de instalação e operação da estrutura. Como as câmeras para este tipo de captação ainda não são comerciais, foram usados dois protótipos – desenvolvidos pela própria NHK – interligados com fibra óptica, além de uma “estratégia” diferente: “Como ainda não existe um padrão de interconexão de equipamentos Super Hi-Vision, a NHK desenvolveu uma solução baseada em 16 sinais Ultra HD (4K) separados, que eram processados e gravados neste formato”, explica Barros. O


...e facilidades Por outro lado, os testes também animaram Barros – não só pela qualidade da imagem, mas também por sua viabilidade. “Não estamos discutindo ‘ciência de foguete’, não é ficção científica. Estamos falando de um caminho claro, definido inclusive pelo governo japonês para o mercado doméstico de evolução da TV digital”, afirma o diretor, citando o comprometimento público entre governo, NHK e parceiros em formar um ecossistema que viabilize que as emissoras de TV produzam conteúdos 8K no seu dia-a-dia. Outro ponto levantado pelo diretor foi que os equipamentos necessários para realizar esta experiência mostram viabilidade técnica e econômica, afirmando que – apesar de os custos começarem altos – não será proibitivo produzir em 8K em um futuro não tão distante: “Os equipamentos já estão mais próximos de se tornarem produtos ao invés de meros protótipos. Uma câmera S65 da Sony, por exemplo, apesar de ter resolução 4K, já possui um sensor de 8K”, afirma. A diretora de Engenharia de Telecomunicações da Globo, Liliana Nakonechnyj, concordou com Barros, afirmando que os equipamentos para a cadeia de produção e distribuição do 8K estão

“No passado, muitos anos se passavam entre a criação tecnológica e sua viabilização. Essa demora não acontece mais nos dias de hoje”

avançados de TV ter contato com os equipamentos, verificar a performance e ter uma experiência ‘hands on’ (mãos à obra)”, afirma. E, no que diz respeito à aplicação prática futura da tecnologia, Barros afirma que serão necessárias telas bem maiores para se desfrutar da experiência que o 8K pode proporcionar: segundo o diretor, para se ter a sensação de imersão que a tecnologia permite, é preciso estar a uma distância de 0,75 vezes a altura da tela (para a tecnologia HDTV esta proporção é de 3 vezes). “Não consigo perceber nenhuma vantagem de uma resolução tão alta nos televisores de 32 polegadas disponíveis no mercado.

FOTO: DIVULGAÇÃO

resultado era exibido ao vivo em um monitor de 84 polegadas, que também foi trazido pela emissora japonesa ao País. Segundo Barros, esta forma de captação gerou muitas dificuldades: “como os gravadores eram baseados em cartões de memória, a cada tempo tínhamos que descarregar o conteúdo de 16 cartões, colocá-los de volta e voltar a gravar”, explica. Para ele, o volume de conteúdo, captado em aproximadamente 20 horas (10 horas diárias de gravação) foi “monstruoso”, mas foi possível. “Foi quatro vezes mais trabalhoso do que fazer uma transmissão em 4K, a matemática não mente (risos)”.

Liliana Nakonechnyj, diretora de Engenharia de Telecomunicações da Globo

em fase de desenvolvimento acelerado: “No passado, muitos anos se passavam entre as criações tecnológicas e sua viabilização – o HDTV, por exemplo, foi criado no fim dos anos 70, início dos anos 80, e só passou a ser viável com o advento das tecnologias digitais, duas décadas depois. Essa demora não acontece mais nos dias de hoje”, aponta. A profissional ainda cita a meta de iniciar as transmissões satelitais em Super Hi-Vision no Japão

A tecnologia 8K apresenta resolução dezesseis vezes superior à 4K, com 33.2 megapixels e 22.2 canais de aúdio, dando uma sensação de “imersão” ao telespectador. até 2016, além do desenvolvimento da tecnologia que possibilitará a transmissão em TV terrestre (prevista para ser demonstrada pela NHK na NAB 2013).

Claro que percebemos a diferença, mas o Super Hi-Vision só vai mostrar toda sua beleza em telas grandes”, afirma, acrescentando que 80 polegadas é um tamanho adequado. E, se hoje uma tela de 84 polegadas pode se apresentar como um objeto de consumo de luxo, o diretor acredita que no período de tempo até a tecnologia ser implementada isto mudará, citando como exemplo as primeiras telas de LCD, que também tinham preços proibitivos quando começaram a ser vendidas e hoje “se popularizaram”. “O preço cairá, como sempre caiu em relação à tecnologia. Nesta escala de tempo que estamos discutindo, uma tela de 84 polegadas já terá um preço absolutamente acessível, e provavelmente a tecnologia não será nenhuma das que estamos vendo hoje em dia”, prevê.

Resultados e previsões Como o material captado no Sambódromo do Rio de Janeiro não foi editado, ele foi levado para o Japão pela NHK. A emissora ficará responsável pelo processo de pós-produção, e contará com a ajuda de um engenheiro de aúdio da Globo que mora no país e irá acompanhar o processo. Mas não é só ele que ganhará experiência com o material: para Barros, os profissionais da emissora que participaram dos testes no Brasil também estão satisfeitos. “Foi uma oportunidade de ouro para um grupo que há muitos anos vem estudando estes modelos Segundo o diretor de Engenharia de Entretenimento da Globo, Raymundo Barros, os testes com a tecnologia 8K visam construir o modelo de TV dos próximos 15 anos.

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( upgrade )

Fernando Lauterjung

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CMOS completa intercomunicação para o produtor de set, e um registro visível no teleprompter. A câmera também oferece novos recursos e funções, incluindo redutor de mancha vertical, sensibilidade padrão F12 com mais de 60dB de taxa de ruído, e a função de correção de aberração na lente em tempo real. Além disso, mantém todas as características populares e funcionalidades inerentes à atual linha de câmeras HDTV da fabricante, como operação por fibra ou cabo digital triax externo, auto-configuração e correção de cor avançada. FOTOs: divulgação

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Hitachi apresenta na NAB 2013, que acontece no mês de abril em Las Vegas, a câmera de estúdio Z-HD6000, para HDTV. O equipamento traz um novo sensor CMOS de 2/3” com resolução de 1920x1080. Com um ponto de força adicional, é possível usar um teleprompter, além de um monitor de chão ou de estúdio, a partir da cabeça da câmera, sem a necessidade de fontes de energia externas. Com acesso embutido a vários canais de comunicação, a Z-HD6000 também oferece dois canais IFB somente para escuta, duas portas auxiliares que podem enviar vídeo para o operador, dois feeds de vídeo que podem ir para monitores de estúdio, um segundo canal de

Câmera de estúdio da Hitachi pode alimentar teleprompter e monitor, eliminando a necessidade de fonte adicional.

Nova família

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ntre os novos produtos da Fujifilm na NAB deste ano estão duas lentes de alto desempenho, a Premier PL 85-300 Cabrio (modelo ZK3.5x85) e a UltraWide XA99x8.4, lente de produção em campo. A primeira é similar em tamanho e peso à PL 19-90mm Cabrio (Modelo ZK4.7x19), mas seu maior comprimento focal a torna ideal para documentários de fotografia, natureza e animais selvagens, além de comerciais. Ela oferece uma distância focal de 85-220mm e 300mm com abertura T2.9 e T4.0, e 200 graus de rotação no foco. O desempenho ótico do centro da imagem se repete nos cantos da moldura. A PL 85-300 está equipada com características como macro de objetos de até 97 milímetros e a área de cobertura de sensor de até 31,5 milímetros diagonal. A codificação servo digital de 16-bit garante aos operadores que todos

UltraWide XA99x terá versão com assistência de precisão de foco (PF).

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PL 85-300 Cabrio conta com unidade servo de acionamento destacável, tornando-a adequada para utilização como uma lente PL padrão ou no estilo ENG.

os dados extraídos da lente - como a posição do zoom, íris e foco - são precisos, além de dar suporte aos formatos de metadados Lens Data System (LDS) e “/i”. A lente conta com uma unidade servo de acionamento destacável, tornando-a adequada para utilização como uma lente PL padrão ou como uma lente no estilo ENG. Já a lente UltraWide XA99x é ideal para a produção ao vivo de esportes e eventos de entretenimento. O modelo XA99xPF também estará em exposição, com uma versão melhorada de assistência de precisão de foco (PF). O Foco Assist ajusta automaticamente a focagem, assegurando foco rápido e preciso de imagens de alta definição sob condições variáveis. O UltraWide XA99x oferece uma faixa de zoom de 99x e uma distância focal de 8,4 a 832 milímetros. V i v a

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( agenda ) ABRIL

25 a 5/05 Hot Docs Canadian International Documentary Festival,

3 e 4 7º Web Expo Forum, Centro de

Exposições Frei Caneca, São Paulo, SP. Tel: (11) 3138-4660. E-mail: info@convergecom.com.br Web: www.webexpoforum.com.br

4 e 14 É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários, São Paulo e Rio de Janeiro. Tel.: (11) 3064-7485. E-mail: info@etudoverdade.com.br Web: www.etudoverdade.com.br

6 a 13 NAB Show 2013, Las

Vegas Convention Center, Las Vegas, EUA. Tel.: (1-202) 595-2052. E-mail: register@nab.org Web: www.nabshow.com

6 e 7 MipDoc, Marriott Hotel,

Cannes, França. Tel.: (33-1) 4190-4441. E-mail: info.miptv@reedmidem.com Web: www.mipdoc.com

4 de abril

A evolução da TV e da distribuição de conteúdo para múltiplas plataformas, discutida por quem está à frente dos mais importantes projetos de novas mídias. TV 2.0, Centro de Exposições Frei Caneca, São Paulo, SP. Tel.: (11) 3138-4660. E-mail: info@convergecom.com.br. Web: www.convergecom.com.br/eventos/ tv-20/

8 a 11 MipTV, Palais des Festivals, Cannes, França. Tel.: (33-1) 4190-4441. E-mail: info.miptv@reedmidem.com Web: www.miptv.com 10 a 21 Bafici – Buenos Aires Festival Internacional de Cine Independiente, Buenos Aires, Argentina. E-mail: info@festivales.gob.ar Web: www.bafici.gob.ar

Toronto, Canadá. Tel.: (416) 203-2155. E-mail: info@hotdocs.ca Web: www.hotdocs.ca

26 a 2/05 – XVII Cine-PE, Recife, Pernambuco. Tel.: (81) 3343-5060. E-mail: festival@bpe.com.br Web: www.cine-pe.com.br/2013

MAIO

15 a 26 66º Festival de Cannes,

Palais des Festivals, Cannes, França. Tel.: (33-1) 5359-6100. E-mail: festival@festival-cannes.fr Web: www.festival-cannes.org

16 e 17 12º Tela Viva Móvel, Centro de Convenções Frei Caneca, São Paulo, SP. Tel: (11) 3138-4660. E-mail: info@convergecom.com.br Web: www.convergecom.com.br/eventos


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Revista Tela Viva - 235 - Março de 2013  
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