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televisão, cinema e mídias eletrônicas

ano 21_#232_nov2012

SALTO EM DISTaNCIA Conspiração prepara-se para crescer 20% ao ano, apostando na expansão de mercados como o cinema, Internet, corporativo e a produção para a TV.

Pedro Buarque de Hollanda

PUBLICIDADE Fragmentação das mídias faz com que agências adotem novas ferramentas de análise

NOVAS MÍDIAS SmartTVs ampliam sua base, mas ainda faltam conteúdos para atrair audiência e anunciantes


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André Mermelstein

a n d r e @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Próxima etapa

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gora está valendo. No início de novembro as operadoras de TV paga colocaram no ar seus novos line-ups, adaptados à Lei do SeAC. Pode-se dizer que foi uma operação difícil, mas da qual saíram todos vivos. Alguns mais felizes, outros nem tanto. De qualquer forma, o movimento foi até elogiado pelo presidente da Ancine, que em entrevista ao TELA VIVA News reconheceu o esforço das distribuidoras e programadoras em por no ar os novos canais a tempo (e aproveitou para reforçar que a agência será rigorosa na advertência e punição às irregularidades, caso sejam detectadas). Mas em uma conversa informal com o produtor Belisario Franca, surgiu uma questão que ainda não chegou à pauta dos debates sobre a produção independente: dadas as condições para o mercado se desenvolver, que tipo de televisão queremos fazer? Para ele, coisas como cotas, financiamento etc são ótimas, mas são o ponto de partida, não o de chegada. A disputa por espaço é contínua, e saudável. Mas só faz sentido se levar ao desenvolvimento não apenas de uma indústria no sentido fabril, mas de um setor com relevância social e cultural. Parece “papo-cabeça”, mas faz sentido. Os países que mais conseguiram impor globalmente seus conteúdos culturais são aqueles que conseguiram não apenas produzir, mas também criar formatos, desenvolver a excelência em determinados gêneros. É assim com a televisão inglesa e seus documentários e séries ficcionais, a canadense com sua produção infantil, a francesa, em diversos gêneros, a americana, evidentemente, e mesmo a argentina, criadora de formatos em jornalismo e entretenimento. A TV aberta brasileira já tem um renome internacional com as telenovelas, gênero latino-americano por excelência, mas que também já é produzido com relativo sucesso em outras regiões, como Europa e sobretudo Ásia. É preciso achar na TV por assinatura, através da produção independente, gêneros e formatos igualmente originais. Ou essa nova indústria será construída em cima da repetição de programas já conhecidos. Há bons exemplos, que apontam alguns caminhos. Franca cita programas como “Larica Total”, do Canal Brasil, ou, mais recentemente, a ótima série de ficção “FDP”, produção da Prodigo para a HBO, como ideias originais que mostram ser possível criar algo bom a partir de uma visão inovadora, diferente. Uma produção televisiva tipicamente brasileira, que agrada ao público, dá personalidade aos canais e fala uma linguagem global, que pode ser entendida em qualquer lugar. Parece prematuro falar nisso agora, quando se está percorrendo o primeiro quilômetro de uma prova de longa distância. Mas talvez o momento seja exatamente este, quando os projetos estão na mesa e as histórias ainda estão para serem contadas. De qualquer forma, levantar a questão já é um bom começo.

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foto de capa: editoria de arte converge / Nomad_Soul/shutterstock.com

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B e c a u s e

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Capa

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Figuras Publicidade

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Conspiração surfa no crescimento do mercado de conteúdo e pretende chegar a 2020 com faturamento anual de R$ 500 milhões

Fragmentação da mídia leva agências a desenvolverem novas metodologias para auxiliar anunciantes

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Audiência Novas Mídias

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Tecnologia

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Making of Case

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Evento

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Upgrade Agenda

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Smart TV demanda conteúdo para ganhar relevância A plataforma de IPTV da Portugal Telecom, que pode ser inspiração para o serviço da Oi no Brasil

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“Rouge Brésil” capta 3 milhões de euros em coprodução com França e Canadá Lei do SeAC e novas formas de distribuição foram temas de encontros do Festival Internacional de Televisão

Acompanhe as notícias mais recentes do mercado

telavivanews www.telaviva.com.br 6

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FOTO: maurício storelli

Pobreza em pauta O Canal Futura estreou no fim de novembro a série de documentários “Why Poverty”, que discute o tema pobreza. São oito documentários e 30 curtas-metragens resultantes de uma iniciativa da Step International, organização sem fins lucrativos com escritórios na Dinamarca e na África do Sul. O propósito da instituição é difundir documentários que abordem grandes assuntos contemporâneos. A organização conta com o apoio de broadcasters espalhados pelo mundo para isso. Em 2007, o primeiro projeto da Step International trabalhou com o tema democracia em “Why Democracy”, exibido por 45 canais. Um de seus filmes, o documentário “Táxi to the Dark Side”, ganhou o Oscar. Na ocasião, o Canal Futura era o único parceiro latino-americano do projeto. Para o “Why Poverty”, o canal articulou a parceria com a TAL e o conteúdo deve chegar a outros países da América Latina. Dessa vez, serão 70 broadcasters transmitindo os documentários, incluindo a britânica BBC. A ideia é alcançar 500 milhões de telespectadores. Houve uma apresentação do projeto na Organização das Nações Unidas em setembro e segundo Lúcia Araújo, gerente do Futura, o canal foi mencionado como o parceiro que melhor trabalhou o conteúdo fora da televisão. O canal prepara novamente material para trabalhar em suas redes no ano que vem.

Série documental é um branded content da Coca-Cola Latin America, que contou com renomados diretores latino-americanos e foi ao ar pelo Nat Geo.

O lado positivo

FOTOs: divulgação

O Nat Geo estreou a série documental “Vivendo Positivamente”, um branded content da Coca-Cola Latin America. A série tem quatro episódios que trazem oito histórias de pessoas que superaram grandes desafios sociais, ambientais e econômicos, que impactam e inspiram suas comunidades e o mundo. Os protagonistas são apoiados pela Coca-Cola Latin America através de sua plataforma de sustentabilidade Vivendo Positivamente. Os diretores da série são renomados cineastas latino-americanos, como a brasileira Kátia Lund (“Cidade de Deus”), o mexicano Carlos Carrera (“O Crime do Padre Amaro”), a argentina Natalia Smirnoff (“Rompecabezas”) e o colombiano Ciro Guerra (“La Sombra del Caminante”). As histórias acontecem em vários países: Brasil, Argentina, Colômbia, Haiti, México e Peru. Cada episódio se concentra em uma causa social diferente que vai desde a criação de oportunidades educacionais em comunidades de baixa renda, a importância de manter o corpo e a mente saudáveis, até o valor dos cuidados com a reciclagem e com o meio-ambiente.

Luís Mauro, CEO do Grupo Printscom, fabricante de equipamentos para televisão da marca Betaprints, planeja exportar para América do Sul e África.

Segredos do Pantanal

Nova fábrica O Grupo Printscom inaugurou no início de novembro sua nova fábrica em Cotia (SP). O empreendimento teve investimento de R$ 8 milhões e ocupa uma área de 1,5 mil m². O grupo assumiu há um ano o controle da Telavo no Brasil, fabricante nacional de equipamentos para televisão. Além da nova planta, que substituirá a anterior, de Taboão da Serra (SP), a empresa, lançou uma marca própria, a Betaprints, e fechou uma parceria com a italiana Electrosys para a industrialização de transmissores digitais, filtros e combinadores. Os planos da Betaprints incluem a exportação para a América do Sul e África, disse em comunicado o CEO do grupo, Luis Mauro. 8

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O NatGeo estreou em novembro uma série documental de três episódios sobre o Pantanal. “Brasil Secreto” é uma coprodução entre a BossaNovaFilms e a NatGeo Wild realizada pelos documentaristas Haroldo Palo Jr. e Lawrence Wahba com patrocínio do Governo do Estado do Mato Grosso. O roteiro é assinado pelo renomado roteirista sênior da BBC, Jeremy Evans, e a direção geral é de Lawrence Wahba e Lygia Barbosa. Haroldo Palo Jr. e Lawrence Wahba assinam a direção de fotografia, que conta com imagens adicionais de Cristian Dimitrius, Evandro Fontana e Lucas Pupo. A trilha sonora original foi composta pelo maestro Alexandre Guerra, mesclando viola caipira com orquestra. “Brasil Secreto” está sendo exibida com sucesso nos Estados Unidos e também irá ao ar em mais 165 países. Os programas mostram animais lutando para sobreviver na maior planície alagável do mundo, durante os períodos da seca e da cheia. No terceiro episódio, os espectadores acompanharão um making of com cenas curiosas que incluem todo o processo de produção e a dificuldade do trabalho de Palo Jr e Wahba para filmar animais selvagens em ambientes hostis ao ser humano. n o v 2 0 1 2


Longa animado

Novo canal que a Globo lançou em Portugal tem foco na dramaturgia brasileira, com atrações como “Aquele Beijo” na grade de programação.

Para a terrinha A Globo lançou um novo canal em Portugal, em parceria com a operadora de TV por assinatura portuguesa Zon. O canal estreou dia 11 de novembro e a expectativa é alcançar cinco milhões de portugueses que assinam o pacote básico da operadora. A Globo terá uma grade dedicada aos fãs da dramaturgia brasileira. As novelas serão transmitidas sete dias por semana, começando com “Aquele Beijo”, que será exibida no horário nobre, e é protagonizada por um núcleo de atores portugueses – Ricardo Pereira, Maria Vieira e Marina Mota.

Longa-metragem de “Peixonauta” estreou em novembro.

O filme “Peixonauta – Agente Secreto da O.S.T.R.A”, inspirado na série de animação infantil “Peixonauta”, estreou nas salas de cinema em 9 de novembro. A série, produzida pela TV Pinguim, ganhou exibição na TV paga (Discovery) e TV aberta (SBT). A atração recebeu o prêmio APCA 2009 como melhor programa infantil e o Prix Jeunesse Latino-Americano como melhor programa de ficção na categoria infantil.

Acidente no ar A Discovery estreou a série “Catástrofes Aéreas”, uma coprodução com a Mixer que aborda acidentes históricos acontecidos na América Latina. Os oito episódios semanais reúnem informações sobre os acidentes e são construídos a partir dos pilares: reconstituições, animações em 3D, informações provenientes dos processos de investigação, além dos depoimentos de especialistas e envolvidos nas tragédias.


( scanner) Adolescentes

Nova série da cultura, “Pedro & Bianca”, tem produção da Coração da Selva e direção de Cao Hamburguer.

A TV Cultura estreou uma nova série para adolescentes. “Pedro & Bianca” é um projeto da Escola 2.0, produzido pela TV Cultura em parceria com a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo por meio da Fundação para o Desenvolvimento da Educação. Produzida pela Coração da Selva e dirigida por Cao Hamburguer, a série aborda grandes temas próprios do universo e do comportamento do jovem como trabalho, puberdade, sexo, drogas, cigarro, bebida, namoro, separação, ciúmes, paquera, novas amizades, desafetos e desentendimento, dificuldade de aprender, dificuldades em casa, gravidez, esporte, música, ídolos, consumo, dinheiro, status e bullying. Os personagens principais são Pedro e Bianca que são gêmeos, mas têm diferenças raciais: ele é branco, ela é negra. A atração tem 46 episódios de 30 minutos e cinco programas de auditório em que são discutidas a fundo as questões levantadas pela atração, além de um making of.

Custo por mil

Escritório paulista

O expressivo aumento de assinantes de TV por assinatura no Brasil tem causado a redução do CPM (Custo por Mil). Trata-se de um índice utilizado no mercado publicitário que é, resumidamente, o valor empregado para atingir um grupo de mil pessoas com cada inserção comercial, o número obtido pela divisão do valor da inserção pela audiência do meio expressa em milhares. As agências que incluíram canais pagos na compra de mídia logo no início de 2012 acabaram tendo uma grata surpresa, como observa Adrian Ferguson, VP de mída da Fischer&Friends. “Quando dimensionaram as tabelas de preço para 2012, levaram em consideração o crescimento orgânico da base de assinantes. A pegadinha foi que a base cresceu mais do que a gente imaginava”, diz o publicitário, lembrando que o mercado esperava fechar 2012 com 12 milhões de assinantes e, em setembro, já passava dos 15 milhões. Ferguson fez um comparativo do CPM entre janeiro e setembro deste ano, levando em conta a audiência dos canais pagos SporTV, Fox, Cartoon, Discovery Kids, Rede Telecine, TNT e Megapix, na faixa horária das 18h à 1h (e das 20h às 22h para os canais Telecine), considerando seus preços de tabela sem negociação. O CPM nestes canais era de R$ 1.541,14 em janeiro e caiu para R$ 1.163,77, o que representa uma queda de 24% neste período. “Quem apostou no meio no início de 2012 ganhou muito em queda do CPM”, afirma Ferguson. Ele acredita que em 2013 o mercado terá um comportamento muito parecido, com a expectativa de que a TV por assinatura chegue a 20 milhões de lares. Para Ana Balleroni, diretora geral de mídia da agência Grey141, o aumento da base de assinantes nem sempre implica redução do CPM, pois o índice depende da audiência individual de cada programa e do target almejado. “De qualquer forma, não é um meio cuja compra seja baseada em CPM, mas sim na relação entre penetração e afinidade do meio, além da segmentação por conteúdo editorial e adequação ao target”, destaca a publicitária.

O estúdio criativo de áudio Anthfood, com base em Nova York, inaugurou escritório em São Paulo. Wilson Brown, que já trabalhou no mercado publicitário brasileiro e é diretor de criação da Anthfood, está no comando das equipes criativas em São Paulo e Nova York. O formato de trabalho proposto é juntar recursos e expertises criativas de ambos estúdios, como em uma colaboração internacional. Pedro Botsaris e Vinícius Nunes (ambos criadores e compositores) serão os responsáveis por tocar a produtora. Botsaris é um Pedro Botsaris e Wilson Brown, da Anthfood, estúdio criativo de áudio com dos sócios, fazia parte da base em Nova York que chega a São Paulo. equipe da Anthfood em Nova York e retornou ao Brasil para abrir o estúdio em São Paulo. O Anthfood acumula alguns prêmios importantes como Leões no Festival de Cannes e entre seus últimos trabalhos estão criações para campanhas globais da Emirates (Hello Tomorrow), Budweiser (Great Times), Nike (Camp Victory: instalação artística no US Olympic Trials em Oregon) e MoMA:Unadulterated (ação para o Museum of Modern Arts). O estúdio propõe compor para diversos segmentos como publicidade, cinema, animação e instalações culturais.

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Planeta água O Nat Geo estreou a série “Aquanautas”. A produção é da Bioma Produções, produtora da jornalista Ana Paula Rangel e do documentarista Tony Rangel. Os dois são protagonistas da série na qual percorrem o litoral brasileiro, mostrando lugares como Parcel Manoel Luís, Abrolhos e Fernando de Noronha. A produtora financiou a série com recursos incentivados e a atração cumprirá as cotas de programação nacional impostas pela Lei do SeAC.

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Nas alturas A Azul Linhas Aéreas e a Sky lançaram o serviço de TV ao vivo a bordo. O projeto teve início há mais de três anos e tomou um investimento de aproximadamente R$ 100 milhões. O serviço, que não será cobrado dos passageiros da companhia aérea, está disponível na maioria dos jatos Embraer da Azul, com 48 opções de canais de Os presidentes da Sky e da Azul mostram o serviço de TV ao vivo a bordo. programação oferecidos em monitores widescreen individuais. Em breve, o número de canais deve ser ampliado. Segundo o presidente da Sky, Luiz Eduardo Baptista, a parceria é uma relação institucional que visa fortalecer ambas as marcas. “Não é uma relação financeira”, diz. “(A viagem aérea) é uma oportunidade ímpar de degustação do produto”, completa. A lista completa inclui Bandsports; Glitz; Investigação Discovery; TLC; Discovery Home & Health; Viva; Sportv; Globonews; GNT; Multishow; Universal Channel; Nat.Geo; Discovery; Animal Planet; TruTV; Space; TNT; TCM; Vh1; Discovery Kids; Cartoon Network; Boomerang; Nickelodeon; Bandnews; CNN International; SBT; Bandeirantes; Globo, além do Canal do Cliente Sky. O serviço demanda uma antena e um sistema de TV embarcados, desenvolvidos em parceria entre a engenharia da Sky e da Azul Linhas Aéreas, com a LiveTV, que foi responsável por viabilizar a captação do sinal do satélite da operadora e a transmissão da programação nas telas disponíveis nos assentos das aeronaves durante o voo. Em junho, as empresas iniciaram a fase de testes em algumas aeronaves. O serviço precisou ainda ser aprovado pela Federal Aviation Administration (FAA) e pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Tais aprovações garantem que as questões técnicas inerentes ao sistema de transmissão não comprometam qualquer questão relacionada à segurança de voo.

Prazo revisto O cronograma do desligamento do sinal (switch off) da TV analógica pode ter alterações em breve, garante o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. Ele afirmou estar com uma agenda cheia de novidades para o setor em 2013 e que, por orientação da própria presidenta Dilma Rousseff, a tendência é que seja priorizada a mudança nas datas de desligamento do sinal analógico, prevista para 2016. “Queremos fazer esse desligamento em algumas áreas entre 2014 e 2015, em outras podemos manter e, dependendo da necessidade, até aumentar este prazo”. Outro ponto tratado como prioridade na Paulo Bernardo: Dilma pediu prioridade à revisão agenda do próximo ano é a eventual licita- do desligamento da TV analógica. ção das faixas de 700 MHz. No entanto, este tema está atrelado à aprovação de um novo cronograma do switch off do sinal analógico e à implantação da TV digital. Está em pauta também a aceleração dos pacotes de desoneração propostos pelo ministério – entre eles a renúncia fiscal para smartphones e redes – e outros decretos presidenciais que podem beneficiar a expansão da infraestrutura no País.


( figuras) Novas mídias

Foto: marcelo kahn

Secretaria de Cultura

A Conspiração contratou dois profissionais para o núcleo de produção audiovisual voltado para Internet e novas mídias, a Conspiração Concept. Mario Raposo e Pedro Levier ficam responsáveis pelo conteúdo do movimento Mario Raposo e Pedro Levier #RioEuTeAmo, atualmente um dos mais importantes da produtora, que inclui ações inusitadas de amor ao Rio de Janeiro, em diversas frentes – lazer, cultura, esporte, entretenimento. Raposo, que já atuou em agências como a Propeg e a Que Comunicação, será gerente de projeto. Lavier (ex-W/MacCann, Script, Agência3 Propaganda e BBDO de Moscou) será o head de criação. A produtora também anunciou a contratação de Paschoal Samora, novo diretor de cena que vem reforçar a equipe e ficará baseado na unidade de São Paulo. Paschoal, que há três anos trabalha com projetos que misturam histórias reais com publicidade, é diretor de filmes com especialização em documentários e vai atuar na direção de projetos para os núcleos de publicidade e de TV, com foco em formatos de não-ficção.

Marketing A Viacom Brasil anuncia que a diretora de comunicação corporativa, Natasha Szaniecki Novak, assume também o cargo de diretora de marketing dos canais Nickelodeon, Comedy Central e Natasha Szaniecki Novak e Vh1. Graduada em jornalismo, Luciana Santos Natasha tem 19 anos de carreira, e está há sete anos na Viacom. Ela passa agora a acumular o marketing e se reportará tanto ao gerente geral da Viacom no Brasil, Raul Costa, quanto aos executivos da Viacom International Media Networks responsáveis por cada marca. A área de comunicação conta com o reforço de Luciana Santos, que chega à Viacom Brasil para atuar como gerente de comunicação. Ela acumula passagens por agências de relações públicas como Approach, In Press Porter Novelli e Ideal, além de ter atuado como freelancer para a revista Pequenas Empresas Grandes Negócios e Folha de S. Paulo.

Diretor André Silveira é o novo diretor de atendimento da Leo Burnett Tailor Made. O profissional trabalhou nos últimos seis anos no Grupo ABC, como diretor geral de atendimento na DM9DDB e diretor da conta global de Vale na África. Na Leo Burnett, o publicitário atenderá o Carrefour sob o comando do VP de operações e atendimento, Pablo de Arteaga.

Dupla A Dínamo Filmes anuncia a contratação do diretor de cena Renato Jabuka (ex-Black Maria) e de Vandreia Ribeiro (ex-Timbre), que ficará responsável pelo atendimento. Jabuka tem experiência com pós-produção e direção. Já dirigiu filmes para marcas como Coca-Cola e Vivo. Vandreia trabalhou no departamento de RTV da W/McCann, depois atuou no atendimento da Fatbastards e Timbre.

Relações institucionais Fernando Vieira de Mello é o novo diretor de relações institucionais das Organizações Globo em São Paulo. O jornalista deixa a vice-presidência de conteúdo da Fundação Padre Anchieta (TV Cultura). Segundo a emissora pública paulista, Eduardo Brandini, gerente de programação e multimídia, sai desse setor para assumir a vice-presidência de conteúdo da Fundação. Além disso, André Mantovani deixa a vice-presidência de Gestão e passa a colaborar na condução da TV Rá Tim Bum. A nova vice-presidente de gestão será a socióloga Neide Saraceni Hahn, conselheira da FPA.

Atendimento

Alessandra Pegolo

Produção

Foto: arquivo

Fotos: divulgação

A Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou no dia 1º de novembro que Sérgio Sá Leitão assumirá a Secretaria Municipal de Cultura, substituindo Emilio Kalil, que sai para presidir a fundação RioArte. Sá Leitão é, atualmente, presidente da RioFilme. Em sua atuação pública, o jornalista, que foi chefe de gabinete do Sérgio Sá Leitão ministro da Cultura na gestão de Gilberto Gil, secretário de políticas culturais do Ministério da Cultura e assessor especial da presidência do BNDES, se destacou por trabalhar pelo desenvolvimento da economia criativa. A pasta deve ter no próximo ano um orçamento de R$ 200 milhões, além de R$ 40 milhões para a RioFilme.

Carla Ponte deixou a Discovery no final de outubro. A profissional era supervisora de produção e desenvolvimento da programadora, responsável pelas produções nacionais. A assessoria de comunicação da Discovery afirmou que ainda não há substituto para a vaga de Carla e que nenhuma reestruturação interna foi feita até o momento.

A Trator Filmes anuncia a contratação de Alessandra Pegolo (ex-Cia. de Cinema). A profissional ingressa na área de atendimento ao lado de Mariana Pinheiro. O departamento é dirigido por Gabriela Lemos, diretora de atendimento e produtora executiva da Trator Filmes. 12

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( capa ) André Mermelstein

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Longo prazo Presidente da Conspiração fala do bom momento do mercado brasileiro e abre as projeções de crescimento da produtora em cinema, TV, publicidade e Internet até 2020.

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FOTOs: marcelo kahn

Conspiração fez a lição de casa. A produtora detectou desde os primeiros momentos o salto que haveria na produção de conteúdos e preparouse para ele nos últimos anos, profissionalizando sua estrutura, ajustando seus departamentos. A estratégia deu certo. A publicidade, que sempre foi o carrochefe das receitas, foi perdendo espaço no share de receitas, não porque tenha caído em volume (pelo contrário, continuou crescendo), mas porque as outras áreas cresceram em velocidades maiores, e hoje respondem por metade do faturamento. O grupo divide-se em cinco áreas: Conspiração (publicidade), Conspiração Concept (Internet e novas mídias), Conspira Corp (conteúdo corporativo / conteúdo de marca), TV (televisão) e Conspiração Filmes (cinema). A empresa começa a colher agora na produção para televisão o tipo de reconhecimento que tem há anos com sua produção para cinema. No final de novembro a série “A Mulher Invisível”, de Claudio Torres e Guel Arraes, coproduzida com a Globo, foi uma das vencedoras do Emmy Internacional, feito inédito em dramaturgia para uma produtora independente brasileira. Nesta entrevista exclusiva o presidente do grupo, Pedro Buarque de Hollanda, fala sobre a visão estratégica da maior produtora nacional, seus planos de crescimento e as perspectivas para o mercado brasileiro em um momento de expansão da TV por

Pedro Buarque de Hollanda assinatura e de introdução das cotas de produção nacional. TELA VIVA - Como a Conspiração se estruturou para aproveitar o momento atual do mercado de produção? PEDRO BUARQUE DE HOLLANDA A reestruturação vem desde 2008. Foi quando separamos a empresa em divisões específicas para cada área de negócio e passamos também a buscar no mercado talentos não apenas da área de produção, mas também de gestão, pessoas com formação em negócios. A estrutura se fortaleceu este ano com a vinda do Gil Ribeiro (ex-Mixer) como CEO, para cuidar de toda a operação. E quais são suas projeções para o negócio de agora em diante? Estamos nos preparando para crescer 14

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cerca de 20% ao ano. No ano anterior crescemos perto disso, em torno de 15% a 18%, e devemos fechar este ano com mais de R$ 130 milhões em faturamento. A meta da Conspiração é chegar em 2014 com faturamento anual de R$ 200 milhões, e atingir a marca de R$ 500 milhões até 2020. Que áreas devem puxar este crescimento? Como está a sua divisão de receitas por segmento? A publicidade ainda será o carrochefe no futuro? A publicidade ainda é muito importante para nós, fundamental, e responde por 50% do faturamento, mas a tendência é que esta participação, que vem diminuindo


em termos relativos, fique ainda menor à medida em que os outros ramos de negócio se desenvolvam. A publicidade continua crescendo em números absolutos, mas os outros segmentos crescem mais rapidamente. Uma das nossas apostas fortes é no segmento online, para o qual temos também uma divisão específica, que está indo muito bem. Um exemplo é a ação #rioeuteamo, que começou no digital, inclui um concurso de curtasmetragens e vai virar um longa-metragem.

cresce muito são as possibilidades de integração entre o conteúdo e a publicidade. O fato de estarmos na produção de publicidade mas também de TV, cinema e Internet facilita esta integração, temos visto mais projetos de conteúdos ligados a marcas, que não são necessariamente propaganda.

“A publicidade ainda é 50% da receita e continua crescendo, mas a tendência é que os outros segmentos ocupem mais espaço no share”

Que mudanças isso acarreta? O que temos visto cada vez mais é que o formato de comercial de 30” não será mais tão dominante. O que

E o cinema? Tem relevância econômica para a produtora ou serve mais como vitrine e incubadora de talentos? Somos uma das principais produtoras

de cinema do país, lançamos cerca de três filmes por ano. Dá retorno sim. A maior dificuldade é competir com o produto norte-americano. Isso não é um problema só nosso, quase todos os países enfrentam essa concorrência. Os americanos foram muito inteligentes lá atrás e perceberam a importância dessa indústria, investiram fortemente nisso. Estamos conquistando esse espaço, mas temos no mesmo fim de semana o “Gonzagão” disputando com o “007”, é uma briga difícil... Quais são os principais gargalos para esse crescimento estimado? Infraestrutura, mão de obra? Eu não sinto esse gargalo de mão de obra. Sempre contratamos gente nova e mantemos equipes fixas na casa. Hoje também está mais fácil contratar. Antigamente o cara para

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( capa ) começar a produzir tinha que entrar numa produtora, ficar lá alguns anos aprendendo. Hoje, com o barateamento dos equipamentos, muita gente já chega aqui sabendo fazer as coisas, muitas vezes já chega até com um projeto em andamento. Com a nova lei, o que muda dentro da sua estrutura de produção para a TV? O que está mudando é que estamos negociando com alguns canais acordos maiores, para várias produções. Isso nos permite manter uma estrutura fixa, com equipes de roteiristas, diretores, técnicos, equipamentos. Televisão é diferente de cinema, precisa de escala, de velocidade, de volume. Os canais estão abertos a isso e já estamos fechando alguns destes pacotes de produção.

“Estamos negociando com alguns canais acordos maiores, para várias produções. Isso nos permite manter uma estrutura fixa maior”

Isso mexe também com sua estrutura física? Sim. Estamos com um estúdio novo em São Paulo (no bairro do Morumbi) porque a estrutura que tínhamos aqui estava ficando pequena. Tínhamos mais a área comercial, e estamos montando uma estrutura de produção na cidade, mesmo porque muitos canais de TV por assinatura estão aqui. A própria chegada do Gil (Ribeiro), que é paulista, reforça isso. Ele passa metade do tempo no Rio e metade em São Paulo, conhece bem o mercado paulista. Dos 260 funcionários da empresa, 70 estão em São Paulo.

necessidades, há espaço para todos. O que as produtoras vão precisar é cada vez mais se profissionalizar. Produtora sempre foi aquele negócio meio familiar, meio artesanal. Isso está mudando. Além de produtores, vocês são hoje grandes detentores de direitos, o que será ainda reforçado com a nova lei (que obriga que os produtores sejam os detentores majoritários dos direitos patrimoniais das obras). Como estão explorando estas propriedades? Temos uma pessoa cuidando disso, mas não é um negócio estruturado ainda. Licenciamento é algo complexo, vamos cuidar direito disso mais para a frente. Agora, já há negócios feitos em cima das nossas propriedades. O filme “A Mulher Invisível”, por exemplo, deu origem a uma série na Globo que fez muito sucesso, aumentou em quatro pontos a audiência no horário. É um formato nascido de uma marca nossa.

Que efeitos você acha que a Lei do SeAC terá no mercado de produção como um todo? Favorecerá apenas as grandes produtoras? Não acredito. Para nós é muito bom, estamos produzindo muito. Uma HBO sempre vai fazer produções de alta qualidade, vai trabalhar com produtoras deste porte. Mas cada canal tem suas 16

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Há planos de internacionalização da companhia? Nossa atuação internacional hoje se dá através das coproduções. Estamos lançando a série “Vermelho Brasil”, em coprodução com a França e Canadá. Na Europa essa modalidade é muito comum, e temos inclusive uma representação internacional (na Alemanha) para cuidar destas parcerias. Mas atuar diretamente em outros mercados não está nos planos agora. Há espaço para a entrada de novos investidores, estão sendo procurados? Temos há muito tempo dois investidores, o Icatu, desde o início, e a Rio Bravo, mais recente. Estamos muito satisfeitos, e eles também, não vejo motivo para a entrada de outros parceiros. Por outro lado, com o crescimento do mercado, não descartamos no futuro adquirir outras empresas para o grupo.


A CONVERGÊNCIA ESTÁ BATENDO À SUA PORTA. UM FUTURO DIFERENTE NO ACESSO À INFORMAÇÃO, À CULTURA E AO ENTRETENIMENTO ESTÁ DIANTE DE VOCÊ. ATENDA O CHAMADO E PARTICIPE DA ABTA 2013! Nos últimos anos, atravessamos uma série de transformações tecnológicas impulsionadas pela expansão da banda larga, a convergência de mídias, a chegada das tecnologias IP, da TV digital e pela interatividade. A ABTA 2013 reunirá os principais players dos mercados de TV por assinatura, banda larga, telecomunicações, conteúdos e tecnologias para discutir estas e outras realidades, de maneira convergente e dinâmica.

6 A 8 DE AGOSTO DE 2013

TRANSAMÉRICA EXPO CENTER, SÃO PAULO, SP

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a n a c a r o l i n a @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Bons de matemática Para ajudar os anunciantes na escolha no mix de mídia, agências investem em profissionais que saibam interpretar números e colher informações que estão além do alcance dos tradicionais institutos de medição.

E

agsandrew/shutterstock.com

m outubro, durante um painel do Maximídia 2012, evento anual que reúne anunciantes e agências em São Paulo para discutir os rumos da mídia, a diretora de marketing da Vivo, Cris Duclos, disse de forma muito natural uma frase que soou como um apelo: “O problema hoje é que temos que entender mais de matemática do que de comunicação”. A executiva expressava a dificuldade que agências e anunciantes enfrentam ao lidar com orçamentos nem sempre tão elásticos e múltiplas opções de plataformas. Como escolher a mais eficiente? Ao mesmo tempo, Cris lembrava que apesar da dificuldade de encontrar este equilíbrio, hoje em dia o mercado publicitário também conta com um grande facilitador que vem sobretudo das redes sociais. “Nunca o consumidor esteve tão disposto a contribuir. Se a gente puder se aproveitar disso, melhor”, observa. As agências de publicidade se deram conta desta questão e estão se estruturando para melhor atender aos clientes e ajudá-los a empregar bem suas verbas diante de tantas opções, criando departamentos e contratando profissionais com habilidades que nada têm a ver com criação. A DM9DDB criou em outubro do ano passado seu Núcleo de Inteligência e Performance, o NIP. O departamento está vinculado à vicepresidência de mídia e business, comandada por Mônica de Carvalho, e

Case da DM9: o usuário curte a peça da coleção da C&A e o cliente da loja tem uma ideia do que faz mais sucesso.

FOTOS: divulgação

conta com profissionais especialistas nas áreas de SEO (Search Engine Optimization), SEM (Search Engine Marketing) e Business Intelligence aplicado à construção de marcas, sob a liderança do diretor de mídias digitais e performance Fábio Saad. É tarefa do setor analisar ondas comportamentais dos consumidores no ambiente online, gerando insights e oportunidades para o planejamento, mídia e criação. Outro serviço é o monitoramento da construção da imagem digital da marca nas redes sociais, com determinação de policies a

“A informação está na rede de alguma forma. As pessoas falam e comentam. É uma forma de pesquisa que pode ajudar muito.” Armando Neto, da DM9

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serem obedecidas e entrega de relatórios detalhados com análise de impactos, índice de sentimentos e influenciadores potenciais. Um dos integrantes do NIP, o responsável pela área de Business Inteligence da agência, Armando Neto, é bacharel em estatística e, antes de chegar ao mundo da publicidade, trabalhou na área de riscos de mercado do banco Itaú. Ele conta que a agência já tinha profissionais voltados para o search, links patrocinados e business intelligence, mas estes trabalhos estavam muito voltados às necessidades de mídia. Com a organização do núcleo, o trabalho se diversificou, estruturou metodologias e atende às diversas áreas da agência. Interpretação Para Neto, as redes sociais têm influenciado bastante nas decisões de mídia. Os pontos de audiência fornecido pelos institutos tradicionais como o Ibope não são os únicos termômetros. “A informação está na rede de alguma forma. As pessoas falam e comentam. É uma forma de pesquisa que pode ajudar muito”, diz. Para chegar aos números, a equipe usa ferramentas como Scoop, Imonitor, Sysonos e Radiant6. No entanto, Armando comenta que é preciso de profissionais capazes de fazer uma interpretação inteligente dos dados colhidos. Entre os projetos executados pelo departamento estão o monitoramento das interações durante a transmissão ao vivo das Olimpíadas pelo Terra e projetos da C&A. Foi uma


integrada para as dez identificação da área a “O aumento de ferramentas de pesquisa é agências que atendem constante busca por um fator positivo e que deve contribuir marcas da multinacional. celulares dentro do site para que as estratégias de comunicação Os profissionais que da loja, o que levou a sejam cada vez mais assertivas.” trabalham no SIM têm empresa a criar uma Ricardo Medeiros, da JWT formação em pesquisa de sessão de eletrônicos, identificando os contextos sob mídia, planejamento e que é a mais visitada os quais consomem diferentes negócios, plataforma hoje, e saiu também do NIP a ideia conteúdos e o que os motiva. digital e também da campanha Fashion Like, uma Uma equipe multidisciplinar financeiro, uma vez que integração do on e offline. Este está envolvida no processo, controles internos e último funciona da seguinte maneira: liderada por profissionais de auditoria também fazem os internautas podem curtir as peças mídia e estatísticos alinhados às demais parte do escopo de trabalho da da coleção Poderosas do Brasil no áreas da JWT, como business intelligence, equipe do SIM. Facebook. Em lojas da C&A que têm planejamento e criação. A estrutura é dividida em três o ponto de venda preparado para O planejamento de canais está times: inteligência, negócios e isso, o consumidor pode ver quantas estruturado na combinação de um oportunidades e auditoria e pessoas gostam da peça, quais as conjunto de ferramentas de institutos de controles internos, que atuam de peças mais votadas e assim orientar pesquisa tradicionais, novos institutos e forma integrada, estabelecendo um suas escolhas. O projeto começou na ferramentas proprietárias. Essa padrão gerencial dos relatórios loja da C&A do Shopping Iguatemi, metodologia vem sendo aplicada em gerados para as marcas e suas em São Paulo, e deve chegar a mais campanhas desenvolvidas para clientes respectivas agências e também quatro cidades este ano. como Ford e Coca-Cola. “Nos últimos anos para a P&G. Marco Jacobucci, A troca de informação e a integração entre o on e o offline é cada vez mais importante para os Profissionais explicam que não basta ter clientes, destaca Neto. Ele cita acesso aos números que vêm das redes sociais, também o fenômeno dos comentários é preciso fazer uma interpretação inteligente. sobre a programação de televisão passamos por mudanças significativas no diretor de mídia da agência e team nas redes sociais, cujo ápice consumo de midia com o aumento das líder de P&G, conta que o SIM aconteceu durante a exibição de opções de canais de comunicação e possui acesso às informações dos “Avenida Brasil”. Neto afirma que há popularização de meios digitais. Dados de grandes institutos de pesquisa do influência na compra de mídia. “A pesquisa de mídia aferidos por institutos Brasil, porém, os objetivos da gente não usa os dados como o Ibope tem grande valor, empresa e a competitividade do isoladamente, mas a reverberação do fornecendo embasamentos técnicos que mercado obrigam a equipe a offline no online é importante saber devem ser interpretados e avaliados de desenvolver constantemente para o mix de mídia”, explica. forma racional. O aumento de ferramentas modelos específicos para a de pesquisa é um fator positivo e que deve multinacional, como ferramentas Pontos de contato contribuir para que as estratégias de de análise que avaliam não apenas A JWT implementou a comunicação sejam cada vez mais o consumo de cada meio, ou metodologia de planejamento de assertivas”, ressalta Medeiros. programação em TV aberta de canais (channel planning), que tem A Publicis também construiu um forma isolada, mas que entendem o como objetivo aperfeiçoar o modo modelo diferenciado voltado somente perfil de compra de cada categoria como são planejadas as ações de para o cliente P&G. Chamado de produto e seus consumidores. comunicação para os de SIM (Soluções Integradas Jacobucci observa que neste clientes por meio de de Mídia), ele opera na modelo, as TVs são pensadas de estudo detalhado sobre os Publicis Brasil desde outubro maneira mais focada em relevância e diversos pontos de contato de 2010 e trabalha de forma resultados de negócios, e não com o consumidor e não somente em audiência. O desafio é apenas meios de mídia. buscar a melhor composição de Segundo Ricardo Marco Jacobucci, diretor de mídia emissoras e programas para cada Medeiros, diretor de da Publicis e team líder de P&G, categoria e respectivos grupos de planejamento de canais da conta que objetivos da empresa e a competitividade do mercado consumidores. Para as outras agência, a análise coloca obrigam a equipe a desenvolver plataformas de comunicação, o as pessoas como objeto constantemente modelos específicos núcleo segue a mesma lógica. central de estudos, para a multinacional.

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(audiência - TV paga)

Informação em primeiro plano

C

Foto: divulgação TV globo/matheus cabral

om grandes fatos borbulhando pelo Brasil, o campo jornalístico teve um destaque expressivo durante o mês de setembro. E este destaque pôde ser visto principalmente na TV por assinatura: refletindo o contexto do período, a Globo News apresentou um crescimento bastante considerável em comparação com o mês de agosto, saltando da 10ª para a 6ª posição entre os canais mais assistidos da TV paga. Segundo a Central Globo de Comunicação (CGCOM), o crescimento na audiência é decorrente de grandes acontecimentos do período: “durante o mês de setembro, o Globo News cobriu grandes acontecimentos políticos, como o discurso do presidente norte-americano Barack Obama (que aconteceu no dia 6 de setembro)”. O julgamento do “mensalão” – que teve início durante o mês de agosto e ocupou os noticiários durante quase todo setembro – também é apontado como

Mariana Godoy, âncora do "Jornal das Dez" - um dos principais telejornais do canal. um fator relevante, assim como a notícia em primeira mão (dentre os concorrentes no segmento de notícias na TV por assinatura) da saída da ex-ministra Ana de Hollanda do Ministério da Cultura (em 11 de setembro). Mas não foram apenas fatos políticos que fizeram com que o espectador passasse mais de um minuto a mais no canal durante o mês (saltando de 25 para quase 27 minutos de tempo médio): a morte da apresentadora Hebe Camargo, no dia 29 de setembro, também foi um dos pontos

apontados pela CGCOM para o bom desempenho do canal no período. Ao todo, o Globo News alcançou cerca de 100 mil espectadores a mais do que no mês de agosto, quando seu alcance atingiu 5,78% do share de um universo de quase 12.778 milhões de indivíduos com mais de 18 anos. Durante o mês de setembro, esta marca saltou para 6,61%, fazendo com que o canal passasse à frente dos consagrados infantis Discovery Kids e Cartoon Network, além do Viva – também da Globosat. O levantamento do Ibope Mídia considera as praças da Grande São Paulo, Grande Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Distrito Federal, Florianópolis e Campinas.

De 4 a 17 anos** 

(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio Total Emissoras TV Paga 45,28 5.778,98 02:37:30 Sportv 9,50 1.212,93 00:42:34 Fox 8,96 1.143,56 00:35:54 TNT 8,63 1.101,75 00:31:40 Megapix 8,07 1.029,78 00:31:35 Multishow 7,90 1.007,79 00:19:39 Globo News 6,61 843,28 00:26:51 Discovery Kids 6,39 814,95 01:02:52 Viva 6,35 809,99 00:23:58 Cartoon Network 6,10 778,15 00:43:46 Telecine Pipoca 5,94 758,51 00:39:26 Telecine Action 5,70 727,67 00:35:12 Space 5,63 718,91 00:29:25 Sportv 2 5,61 716,13 00:24:18 Universal Channel 5,54 707,46 00:26:12 Disney Channel 5,45 695,31 00:40:34 Telecine Premium 5,27 673,19 00:30:41 National Geographic 4,98 636,08 00:25:42 Discovery Channel 4,67 596,04 00:27:37 FX 4,65 592,88 00:30:08 Warner Channel 4,50 573,88 00:29:48

**Universo 12.763.000 indivíduos

Acima de 18 anos**



(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio Total Emissoras TV Paga 48,28 1.650,77 02:55:16 Cartoon Network 15,38 526,05 01:11:49 Disney Channel 15,08 515,67 01:07:21 Discovery Kids 13,06 446,47 01:11:49 Nickelodeon 11,19 382,64 00:47:00 Fox 11,16 381,48 00:49:48 TNT 7,46 255,00 00:29:52 Disney XD 6,99 238,95 00:55:41 Megapix 6,98 238,59 00:30:30 Multishow 6,41 219,13 00:21:29 Telecine Pipoca 5,89 201,34 00:42:55 Sportv 5,76 197,09 00:30:27 Telecine Action 4,82 164,58 00:31:31 Telecine Premium 4,80 164,06 00:26:19 Space 4,47 152,77 00:26:10 Universal Channel 4,12 140,77 00:20:23 Viva 4,11 140,55 00:21:15 FX 3,94 134,85 00:28:22 Telecine Fun 3,81 130,21 00:33:06 Sportv 2 3,52 120,40 00:15:50 Discovery Channel 3,39 115,85 00:18:05

*Alcance é a porcentagem de indivíduos de um “target” que estiveram expostos por pelo menos um minuto a um determinado programa ou faixa horária.

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**Universo 3.419.300 indivíduos Fonte: IBOPE Media Workstation – Tabela Minuto a Minuto – setembro/2012

Alcance* e Tempo Médio Diário – setembro 2012


cobertura

( novas mídias ) Fernando Lauterjung*

f e r n a n d o @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Muita inteligência, pouco conteúdo As smart TVs chegaram para ficar, mas ainda faltam dados confiáveis e conteúdo relevante para que se estabeleçam como plataforma de distribuição de conteúdo e consigam atrair anunciantes.

A

disponibilização de venda e de conexão de seus conteúdo relevante. equipamentos, o que dificulta a comercialização destas TV para quem? plataformas como mídia. É difícil achar um A executiva do Terra fez consenso entre os no evento uma lista dos fabricantes de smart principais pontos necessários TVs sobre os números para o desenvolvimento das de equipamentos smart TVs como mídia. Além vendidos no Brasil. No do alinhamento dos dados TV.Apps, fabricantes entre fabricantes, ainda há o Lilian Viana, do Terra, apontaram que devem que ser melhorado para o aponta a falta de métrica ser vendidas, em 2012, desenvolvimento das para a nova mídia e cobra 4 milhões de smart TVs, plataformas de TV conectada. dos fabricantes dados consolidados sobre formando uma base Lilian lembra que ainda não instalada de há uma métrica definida para penetração e uso das smart TVs. aproximadamente 6 esta mídia, o que precisa ser milhões no país. desenvolvido em conjunto por Sobre os equipamentos que fabricantes, agências de publicidade e foram efetivamente conectados, os veículos de mídia. números apresentados são Também é fundamental, aponta, obscuros. É quase consenso entre aumentar a taxa de utilização das os fabricantes que há uma taxa de plataformas, o que não depende, é conexão que varia entre 20% e importante destacar, apenas do 40% dos televisores vendidos. aumento da base instalada de smart Causa estranheza a enorme TVs no Brasil. Além disso, é necessário margem de erro, uma vez que os garantir que os consumidores fabricantes têm como levantar este efetivamente conectem seus televisores número com precisão. A única que e acessem os conteúdos disponibilizados destoa dos outros fabricantes é a online com frequência. Isto leva aos Samsung, que apresenta um dois últimos pontos número exato, mas que foge do necessários, segundo Lilian, que dizem seus concorrentes. para dar relevâncias às Segundo Marcelo Natali, gerente plataformas: o de conteúdo de smart TV da amadurecimento das Samsung, nos últimos três meses, interfaces, tornado-as ainda de todas as TVs conectadas mais amigáveis para todos os vendidas pela fabricante coreana, perfis de usuário; e a 58% foram ativadas. Segundo Marcelo Natali, da Samsung, A conta otimista aponta que os aplicativos da plataforma da devem existir 2,4 milhões de fabricante contabilizam 10,8 milhões televisores efetivamente conectados de page views. FOTOS: marcelo kahn

s TVs inteligentes, conectadas, começam a ganhar relevância com o aumento da base instalada, bem como do conteúdo disponibilizado nas plataformas online. No entanto, alguns desafios estão postos para que as smart TVs possam disputar a atenção dos usuários com outros dispositivos mais enraizados no hábito de consumo - como a programação das TVs aberta e por assinatura e os consoles de games -, bem como uma fatia no bolo publicitário, permitindo remunerar todos os elos da cadeia de valor em formação. Para Lilian Viana, gerente de inovação do Terra, há alguns pontos que precisam ser harmonizados entre os diversos players para que essa plataforma possa se apresentar ao mercado publicitário. Durante o TV.Apps, evento realizado no início de novembro pela Converge Comunicações, que edita TELA VIVA, ela afirmou que é fundamental haver um alinhamento de dados de penetração das diferentes plataformas de smart TVs, bem como do número de equipamentos efetivamente conectados. Isto porque, alegando sigilo estratégico, os fabricantes relutam em abrir os números de 24

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à Internet no Brasil. De qualquer forma, está claro que há um crescente amadurecimento do mercado, que triplicou sua base este ano, seguindo uma curva acentuada de crescimento. “É importante colocar em perspectiva a velocidade da tecnologia. As pessoas já conhecem, já ouviram falar e muitas vezes já têm TV conectada. Não estamos mais falando em conceito, mas de realidade”, observa Milton Neto, gerente geral de produtos de televisores e marketing digital da LG. Luís Bianchi, gerente da área de SmarTV da Philips no Brasil, conta que a audiência dos aplicativos disponíveis na plataforma conectada dos televisores da fabricante dobrou entre abril e setembro. Os usuários costumam acessar os conteúdos mais de 50 vezes por mês. “A audiência mostra que as plataformas oferecidas fazem sentido”, conclui o executivo. Segundo Natali, da Samsung, os aplicativos da plataforma da fabricante contabilizam 10,8 milhões de page views. Mais de um milhão de aplicativos foram baixados. Conteúdo O executivo da Samsung aponta o perfil dos aplicativos mais acessados pelos clientes da marca. Segundo ele, os apps de informação, como dos portais de conteúdo, por exemplo, são os mais usados (28%). Em seguida vêm os apps de vídeo gratuitos, como o YouTube, com 25%. Os de vídeo por assinatura, como Netflix e Netmovies, representam 23% dos apps acessados. Por fim estão os aplicativos de redes sociais, com 15%. É interessante notar que quando as TVs conectadas chegaram ao mercado, o acesso às redes sociais era o principal

“A audiência mostra que as plataformas oferecidas fazem sentido.” Luís Bianchi, da Philips

argumento de venda. Naquele momento, já se previa que o conteúdo em vídeo, sobretudo o conteúdo profissional, seria aquele que agregaria maior valor às plataformas de smart TVs no futuro. Para os players da cadeia, no final é a relevância deste conteúdo que vai selar o destino destas plataformas. Em 2012, o Terra foi responsável por experiência ainda inédita nas TVs conectadas. O portal, que comprou os direitos da Olimpíada de Londres para meios online, levou as partidas para as

smart TVs. No TV.Apps, Lilian Viana fez um balanço da cobertura do evento. O portal contou com um app para as plataformas da Philips, Sony, LG e Samsung, através do qual era possível assistir a 18 canais diferentes que transmitiam os jogos olímpicos ao vivo. Foram exibidos, nas TVs conectadas, 170 mil vídeos, totalizando 1,1 milhão de horas. Outro dado interessante é que a audiência nas TVs conectadas, ao contrário do que acontecia na web, crescia nos finais de semana, quando efetivamente concorria com a audiência da TV aberta e por assinatura. “Não sabemos ainda o que estes números significam, se são bons ou não. O que importa, por enquanto, é que temos alguns números”,

“O mercado está crescendo muito, principalmente no Brasil, mas ainda há muito a aprender.” Albert Mombarg, da SmartTV Alliance

repositório de conteúdos Albert Mombarg, membro da diretoria da SmarTV Alliance e diretor de Smart TV da TP Vision, esteve no TV.Apps reforçando os propósitos da associação de padronizar a tecnologia para facilitar o desenvolvimento de aplicativos. “O mercado está crescendo muito, principalmente no Brasil, mas ainda há muito a aprender”, observou o executivo. Uma das ideias apresentadas por ele é criar um repositório de conteúdos para os fabricantes membros da aliança. No mesmo painel, Sabrina Zaremba, gerente regional do browser Opera na América Latina, e Diego de Macedo Higgins, diretor de mobile e TV conectada do Yahoo!, apresentaram suas plataformas de apps recém chegadas ao país. O Opera recentemente passou a fazer parte de toda a linha de dispositivos conectados da Sony globalmente. A plataforma de aplicativos da Opera complementa a da Sony, que só trabalha com aplicativos de vídeo. Já o Yahoo! desembarcou no Brasil este ano em televisores da Philco e da AOC.

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( novas mídias) Segundo Claudia Woods, da Netmovies, a empresa conversa com produtoras nacionais para a oferta de conteúdo original.

FOTOS: marcelo kahn

disse Lilian, cobrando novamente o esforço conjunto do mercado para a definição de regras de métrica para a nova mídia.

diferenciação no mercado, praticado também por players internacionais, como Hulu e Netflix. Claudia conta que a Netmovies está em fase inicial de conversa com as produtoras e quer entrar como parceira em um projeto que deve ser de série. Marcelo Varon, gerente de Internet vídeo da Sony, conta que, para os fabricantes, a exclusividade tem função de valor agregado. “Estamos buscando cada vez mais conteúdo exclusivo”, explica. O aplicativo do SBT, o Crackle (plataforma de filmes e séries online da Sony) e os shows ao vivo do Terra Live são até o momento exclusividade da fabricante.

On demand Alguns canais “tradicionais” de TV também já perceberam a importância das smart TVs como plataforma de distribuição. Durante o evento, a Sony anunciou que passaria a ter os conteúdos da TV Cultura em sua plataforma. Salustiano Fagundes, diretor da desenvolvedora de aplica­ tivos HXD, também anunciou que trabalhava na criação de aplicativos encomendados pelo Canal Rural e pela Bovespa. Esta última já conta com um aplicativo que mostra as movimentações na Bolsa de Valores em um ticker na tela das TVs da Sam­sung. Segundo Fagundes, em O mesmo vale para os concorrentes. breve a Bovespa lançará também A LG, por exemplo, têm um app um app com o conteúdo de seu exclusivo que traz o documentário canal de TV. “#prasemprefenomeno - A Despedida da Estes canais juntam-se ao SBT, Seleção”, sobre o jogador Ronaldo, Band, MTV e Esporte Interativo, que enquanto a Samsung têm exclusividade, já contam com aplicativos em smart pelo menos por enquanto, do aplicativo TVs, em alguns casos com o que traz informações da Bovespa. streaming da programação ao vivo. Segundo Marcelo Natali, este app já é o Além destes, a Globo também conta segundo mais usado na plataforma da com aplicativos em teste com fabricante. consumidores de Minas Gerais. A Eduardo Mace, da Log On, que Globosat também anunciou na conta com o aplicativo de SVOD para última ABTA, em agosto, que crianças Clube DX TV, exclusivo na trabalha no desenvolvimento de Sony, destaca que é difícil negociar apps para TVs conectadas. exclusividade nas plataformas online. A forte concorrência entre os “O detentor de conteúdo teme perder serviços de SVOD (subscription video diversas oportunidades on-demand) também deve dar um importantes ao assinar um empurrão nas plataformas de smart contrato de quatro anos de TVs. Segundo Claudia Woods, CEO exclusividade”, explica. da provedora de conteúdos online Netmovies, a empresa conversa com produtoras nacionais “Se a experiência de conteúdo não for para a oferta de uma coisa que o consumidor só encontra conteúdo original. A na smart TV, ele não vai chegar lá. Ele já executiva destacou que tem o hábito da Internet no computador e a busca de conteúdos exclusivos é um no smartphone.” movimento natural e de Ana Nubie, da Agência Click Isobar

Relevância Apesar dos esforços de fabricantes, grupos de mídia e desenvolvedores de aplicativos, para o mercado publicitário a nova plataforma ainda não atingiu a maturidade. Segundo a vicepresidente de atendimento da agência Click Isobar, Ana Nubie, a falta de massa crítica não é o principal problema. Para ela, as smart TVs não mostraram grandes atrativos para os investimentos dos anunciantes. Ela explica que falta “perfume” à plataforma, algo que faça o consumidor enxergar uma necessidade de usar os equipamentos. “Não há nada nas smart TVs que já não exista em outras plataformas digitais”, disse ela. Mesmo no caso do aplicativo do Terra para a Olimpíada de Londres,

os aplicativos de vídeo são os mais acessados pelos usuários de smart tvs

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Ana diz que só contou com uma adesão grande de patrocinadores porque fazia parte de um pacote completo de publicidade em mídias online. “Se fosse só para smart TVs, não teria dado certo”, afirmou. “Eu acho que a indústria tem que se reinventar. Não o produto, mas o que ele entrega e como entrega. Se a experiência de conteúdo não for uma coisa que o consumidor só encontra na smart TV, ele não vai chegar lá. Ele já tem o hábito da Internet no computador e no smartphone”, observa Ana. Ela destaca que a proposta da TV conectada tira o mercado publicitário da zona de conforto do ponto de vista criativo e do ponto de vista de produção. Em sua opinião, ainda não há o que recompense o esforço e o risco de explorar este novo território. * Colaborou Ana Carolina Barbosa


Seu planejamento de eventos para 2013 já está pr Conheça as melhores oportunidades para movime FEVEREIRO

ABRIL

MAIO

JUNHO

Dia 20

Dias 3 e 4

Dias 16 e 17

Dias 04 e 05

ROYAL TULIP BRASÍLIA ALVORADA, BRASÍLIA, DF

CENTRO DE CONVENÇÕES FREI CANECA, SÃO PAULO, SP

7a

12a

O ponto de encontro para quem leva mídia social a sério e quer trocar informações e experiências com profissionais de diversas empresas.

Dia 4

CENTRO DE CONVENÇÕES FREI CANECA, SÃO PAULO, SP

8a

CENTRO DE CONVENÇÕES FREI CANECA, SÃO PAULO, SP

12a

EDIÇÃO

EDIÇÃO

Governo, empresários e especialistas discutem as prioridades do setor de telecomunicações para 2013.

CENTRO DE CONVENÇÕES FREI CANECA, SÃO PAULO, SP

EDIÇÃO

Comunicação e Marketing na palma da sua mão: temas atuais do mercado de conteúdo móvel, como as apps, redes sociais móveis a marketing e conteúdo patrocinado, entre outros.

Dias 21 e 22

UNIQUE PALACE, BRASÍLIA, DF

EDIÇÃO

57a

EDIÇÃO

A evolução da TV e da distribuição de conteúdo para múltiplas plataformas, discutidas por quem está à frente dos mais importantes projetos de novas mídias.

Focado na realização 14a EDIÇÃO de negócios e com público qualificado o evento reúne produtoras e distribuidoras de conteúdo e emissoras de TV para debater temas de interesse nacional e internacional.

Satélites

Dias 24 e 25

AMCHAM, SÃO PAULO, SP

8a

EDIÇÃO

O Painel TELEBRASIL é o principal encontro de lideranças e autoridades da área de telecomunicações, reunidas para discutir os rumos do setor no Brasil.

INFORMAÇÕES SOBRE EVENTOS

(+5511) 3138.4660

info@convergecom.com.br

Seminário que enfoca o desafio do atendimento aos clientes e consumidores no Brasil, ao longo de toda a cadeia de valor envolvida nos serviços de relacionamento.


ronto! entar o seu negócio. AGOSTO

SETEMBRO

NOVEMBRO

Dias 06, 07 e 08

Dias 05 e 06

Dia 07

TRANSAMÉRICA EXPO CENTER, SÃO PAULO, SP

ROYAL TULIP RIO DE JANEIRO, RJ

13a

HOTEL PAULISTA PLAZA, SÃO PAULO, SP

EDIÇÃO

Maior encontro sobre 21a mídias convergentes na EDIÇÃO América Latina, é o único que congrega, em um mesmo ambiente, os principais operadores de TV por assinatura e banda larga, empresas de telecomunicações, produtores e programadores de conteúdo, empresas de tecnologia e provedores de Internet.

A realidade do mercado de satélites, novas tecnologias e aplicações, no único evento sobre o assunto na América Latina.

Dias 24 e 25

CENTRO DE CONVENÇÕES FREI CANECA, SÃO PAULO, SP

Voltado para o mercado de aplicativos e conteúdos para plataformas de TV 3a conectadas à internet, EDIÇÃO o evento debate como oferecer novas experiências aos usuários de conteúdo online em televisores.

Fórum Saúde Digital Dia 14

HOTEL PAULISTA PLAZA, SÃO PAULO, SP

4a

EDIÇÃO

Fórum

As inovações e propostas 6a desenvolvidas por EDIÇÃO operadoras, agências de propaganda móvel, integradores de valor agregado e soluções empresariais e fabricantes de dispositivos móveis.

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IPTV à portuguesa Portugal Telecom se vale da plataforma, distribuída através de redes óticas, para oferecer serviços avançados de TV paga e banda larga. Serviço pode servir de modelo à implantação da TV sobre redes de dados também no Brasil.

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FOTOS: divulgação

Portugal Telecom (PT), quando olhada sob a ótica do mercado português, com seus pouco mais de 5 milhões de clientes fixos e 7 milhões de clientes móveis naquele país, não é nem de longe uma das maiores operadoras do mundo. Mas é uma das acionistas controladoras da Oi, e por aí tem considerável poder de influência sobre o que acontece no Brasil. A operadora brasileira já declarou que fará do IPTV e da rede de fibras suas bandeiras para a expansão no mercado de TV por assinatura, a exemplo do que a PT faz em sua terra natal. TELA VIVA esteve em Portugal durante o Technology & Innovation Conference, evento voltado a analistas e investidores da PT, a convite da própria empresa, para conhecer um pouco sobre a operadora. Grande parte dos lares portugueses é hoje conectado por fibra ótica (mais de 40%), o mercado é extremamente competitivo (três operadoras disputam os mercados de telefonia fixa, TV, celular e banda larga) e as redes 4G já cobrem quase 90% da população do país. Fica evidente que os resultados por lá dependeram de uma série de fatores que não se reproduzem no Brasil. A começar do tamanho: Portugal é um país de 92 mil km2 e pouco mais de 10,5 milhões de habitantes. É aproximadamente o que seria o Estado de

Evento de inovação da operadora portuguesa: tecnologia de ponta.

Pernambuco no Brasil, mas com uma renda bem mais elevada e condições de infraestrutura únicas. Quem reconhece essas diferenças é o próprio presidente da operadora, Zeinal Bava: “Não dá para comparar o que foi feito em Portugal e o que será feito no Brasil”, diz ele. Bava observa que a população de Portugal é predominantemente urbana, “e aqui são 4 milhões de lares, contra 55 milhões no Brasil”. A menina dos olhos da Portugal Telecom é o seu serviço de IPTV. Trata-se do MeoTV. O serviço foi criado quando a Portugal

MeoGo: conteúdo distribuído em tablets, PCs e celulares.

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Telecom se viu forçada, por conta das restrições antitruste, a vender sua operadora de cabo (hoje sua concorrente), a Zon TV. A partir daquele momento, a PT iniciou do zero um projeto de TV paga baseado, inicialmente, na rede ADSL, mas logo ajustado à crescente rede de fibras que estava sendo instalada por ela no país. A empresa iniciou a operação do MeoTV em 2008 e em um ano chegou a 385 mil clientes. Em 2009 começou a instalar fibras na casa dos usuários finais. Hoje, com mais de 40% dos domicílios cobertos por redes de fibra (cerca de 1,6 milhão de lares), o serviço MeoTV passa de 1,2 milhão de clientes (contando os clientes que recebem o serviço pelo ADSL e DTH). Hoje a Portugal Telecom tem cerca de 40% do mercado de TV paga em Portugal, mais 51% do mercado de triple play e 51% do mercado de banda larga. Uma das razões do sucesso da empresa na área de TV por assinatura é o fato de ter reinventado completamente o produto, com uma série de recursos que não são disponíveis aos concorrentes que têm a tecnologia de cabo, além de conteúdos exclusivos. Entre os múltiplos recursos em que o MeoTV está apostando estão os aplicativos interativos. Segundo Vera Pinto Pereira, diretora do MeoTV, um desses serviços é o MeoGO, um serviço de TV everywhere que permite assistir aos conteúdos dos canais pagos fora do ambiente da TV: em tablets, PCs e celulares, por exemplo. “É preciso ter uma equipe

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“No começo os pacotes eram plenamente flexíveis, e isso era ruim, pois as pessoas não sabiam escolher.”

inteiramente dedicada aos conteúdos caso se queira apostar em uma interatividade de fato”, diz Vera. Ela explica que o trabalho de desenvolvimento é sempre planejado em conjunto com os programadores, e algumas experiências da MeoTV nessa área, como a parceria com o canal de notícias da SIC, são únicas no mundo, com um conteúdo totalmente interativo, informações complementares em tempo real e, o mais importante, modelos de monetização por publicidade que colocam a Portugal Telecom inserida no mercado de mídia. “As aplicações interativas ainda não são inteiramente monetizadas com publicidade específica, mas essas receitas estão crescendo muito”. O que ajudou a Portugal Telecom nesse sentido é que o desenvolvimento técnico das aplicações interativas é feita pela equipe do Sapo, o maior provedor de conteúdos de Internet de Portugal, também pertencente à PT. São hoje mais de 40 aplicativos desenvolvidos, que vão desde ferramentas de comunicação até compra de serviços e produtos, quase todos com altíssimo grau de uso pelos clientes da plataforma de IPTV. A operadora agora aposta, como todas as empresas de TV paga do mundo, no modelo de TV everywhere e desenvolveu o MeoGo, que já tem cerca de 58 mil usuários ativos, 40% deles usando dispositivos móveis. O MeoTV tem cerca de 50 milhões de programas sendo gravados por mês pelos seus clientes, 60 horas por cliente em média. E 75% dos consumidores usam os canais não lineares de distribuição de conteúdos, como VOD, o MeoGO. Há ainda 5 mil canais de conteúdos gerados pelos usuários, criados pelos clientes que geram mais de 20 mil horas de material. Esses conteúdos foram acessados, até agora, 45 milhões de vezes pelos demais usuários do MeoTV.

FOTO: DIVULGAÇÃO

( tecnologia)

Vera Pereira, da PT

Telecom começou com uma liberdade quase total na montagem dos pacotes, mas com o tempo a operadora percebeu que esse modelo era ineficiente e confundia o usuário. Hoje, há poucos pacotes disponíveis, mas o entendimento deles é simples e eficiente. “Se dermos muita opção de escolha ao cliente, ele se perde. No começo os pacotes eram plenamente flexíveis, e isso era ruim, pois as pessoas não sabiam escolher. Voltamos ao modelo de pacotes”, diz Vera Pereira. A operadora também deu grande ênfase ao guia de TV próprio, porque constatou que com recursos avançados de gravação e catch-up não poderia haver erro nas informações sobre a grade. Vera explica que o desafio para ter uma grande opção de recursos de catch-up (alguns

identificar aquilo que terá mais receptividade”, diz ela. Outra estratégia interessante da Portugal Telecom para promover a venda de conteúdo é a possibilidade de que as pessoas se presenteiem com créditos para a aquisição de filmes ou conteúdos sob demanda. Esses créditos são vendidos na forma de cartão pré-pago ou podem ser transferidos através do próprio set-top da TV. Vera Pereira explica ainda que a PT acompanha atentamente as informações de audiência real dos seus assinantes e isso auxilia nas negociações, nos projetos de interatividade e na venda comercial. “Mas não vamos questionar os painéis oficiais de audiência, essa briga não é nossa.”, diz ela. Tecnicamente, a Portugal Telecom precisou desenvolver as melhores maneiras de fazer o sinal de TV ser bem distribuído. Primeiro,

a Pt acompanha as informações de audiência dos seus assinantes e isso auxilia nas negociações, nos projetos de interatividade e na venda comercial. canais oferecem permanentemente a possibilidade de recuperação de até oito horas de programação e alguns colocam os programas do último mês para serem assistidos sob demanda) foi a negociação com programadores. “Foi preciso convencê-los das vantagens desse modelo”. Os recursos de gravação são utilizados por 75% dos clientes, que gravam em média duas horas, “mas queremos que as pessoas gravem na nuvem com network PVR e oferta multitela de conteúdos gravados”, diz a executiva responsável pela operação de IPTV. Recomendação Outro cuidado da MeoTV foi desenvolver uma equipe dedicada a elaborar as ferramentas de recomendação e seleção dos destaques de programação. “É preciso um trabalho editorial de observar a nossa oferta e

Liberdade limitada O modelo de TV paga da Portugal 32

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teve que desenvolver um ONT (Optical Network Terminal) interoperável, que permitisse o uso de caixas e equipamentos de diferentes fornecedores para não ficar na mão de nenhum fabricante específico. Esse OTN foi desenvolvido pela PT Inovação. Depois, a operadora percebeu que o jeito mais barato de atender a uma demanda por pontos adicionais era utilizar a distribuição por RF dentro das residências, ou seja, os canais são distribuídos de forma analógica pela rede interna, para poderem ser assistidos em TVs antigas. Nesse caso, perde-se os recursos de interatividade e a alta-definição. A rede interna de distribuição dos sinais é quase sempre uma rede coaxial, comum em Portugal. A plataforma de IPTV é o Mediaroom, da Microsoft.


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Flores para você

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partir de várias ações de divulgação, inclusive o típico avião que passa no litoral com faixas publicitárias. Em meio aos jardins criados pela direção de arte do projeto, mais de 2 mil pessoas se divertiram. As gravações começaram no sábado à noite, com a chegada das flores, e foram retomadas ao amanhecer, depois que todo o cenário estava montado. Três câmeras ficaram ligadas em time lapse, captando imagens de flores e da Lagoa. Outras três câmeras estavam voltadas para o público, uma na mão, outra em um trilho de 10 metros de comprimento e uma terceira numa grua de 8 metros de altura. A produção se espalhou no meio do pessoal, de roteiro na mão. Pelo rádio, ia orientando as equipes de câmera a captar as ações espontâneas das pessoas que tinham a ver com o roteiro. “O dia estava lindo, as pessoas ficaram tão felizes que conseguimos captar imagens incríveis. Para onde se olhava, tinha alguma coisa, parecia ensaiado”, conta Fabio. O vídeo está no ar na plataforma de Internet criada para o projeto, o site www.rioeuteamo.net.

FOTOs: divulgação

Conspiração está encabeçando o movimento #RioEuTeAmo, com uma série de mais de 200 ações artísticas e culturais que envolvem cinema, moda, design, literatura, música e outras expressões. Um calendário de atividades será desenvolvido no Rio até 2014, quando deve estrear a franquia carioca da série Cities of Love, com dez curtas que formam um longametragem, a exemplo de “Paris Je t'aime” e “New York I Love You”. O projeto do filme, que terá distribuição pela Warner, são a própria Conspiração, em parceria com Bossanova Films, OZ e Primum. Serão histórias de amor vividas no Rio e assinadas por diretores de cinema brasileiros e estrangeiros, entre eles Fernando Meirelles e José Padilha. O projeto começou em outubro e agora conquistou seu primeiro patrocinador máster, O Boticário. Para marcar a parceria, a produtora organizou um evento em que encheu de flores o Parque dos Patins, na Lagoa Rodrigo de Freitas. “O projeto prevê a participação de vários patrocinadores, que se integram de forma orgânica ao calendário que já elaboramos e também ganham ações exclusivas, como a que aconteceu na Lagoa”, explica Fabio Seixas, diretor executivo da Conspiração Concept, área dedicada às novas mídias. A partir de um roteiro previamente desenvolvido, seis câmeras captaram imagens ao vivo para compor um vídeo que conta uma história ligada ao evento. Durante toda a manhã de domingo, a equipe montada pela Conspiração distribuiu buquês de flores aos visitantes, que foram avisados a

ficha técnica

Distribuição de flores serviu para captar imagens espontâneas do público. 34

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Criação e produção Conspiração Concept Diretor executivo Fabio Seixas Produtor executivo Leonardo M Barros Gerente de projetos Mario Raposo Direção Pedro Levier e Chico Pithon Produção Luana Duque, Edmundo Albrecht e Fernanda Binato Redação Bruno Tavares e Mateus Habib Fotografia João Atala Som direto Bernardo Adeodato e J.P. Direção de arte Nath Siqueira Finalização Conspiração


Batalha nas ruas do Rio

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Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, será a sede do Red Bull BC One, evento que reúne os melhores B-Boys do mundo para uma batalha de dança. Para divulgar a grande final, que acontece em 8 de dezembro, foi criada uma campanha que mistura várias técnicas e imagens, com uma linguagem que combina elementos do hip hop e referências ao Rio de Janeiro, mostrando vários break dancers nas ruas da cidade. Segundo o diretor Rodrigo Ribeiro, a produção começou em fevereiro, com os primeiros story boards. “O evento já aconteceu em vários países do mundo, mas pela primeira vez a criação ficou a cargo de uma agência brasileira, a Loducca. Trabalhamos o tempo todo com a agência da Red Bull, que é a patrocinadora do evento”, conta. O diretor trabalhou com vários tipos de material. Recebeu uma série de imagens do próprio acervo da Red Bull, que tem uma house que também produz muitos programas de TV, especialmente de vida selvagem e esportes radicais. Além disso, captou vários atletas no Rio de Janeiro, e tudo foi composto com animações em 2D e 3D. “Em julho, depois de tudo aprovado e depois de termos selecionado as imagens que recebemos, captamos os atletas brasileiros em estúdio. Nosso grande trabalho foi manter a linguagem das imagens que já existiam e trabalhar com todos esses formatos. Para isso, foi preciso muita rotoscopia, um trabalho muito manual”, explica o diretor. A Loducca tinha desenvolvido a linguagem da campanha com o uso de grafismos que remetem às ondas do calçadão de Copacabana, o que foi

Filme recebeu imagens de arquivo da própria Red Bull, que produz programas de esportes radicais.

usado também nos filmes, em animações 2D aplicadas sobre as imagens. Os cenários – locais símbolo do Rio – foram reconstruídos em 3D. É o caso dos Arcos da Lapa, por exemplo, e do Cristo Redentor que abre o filme. O filme foi finalizado para o mercado brasileiro, com letreiros e cartelas divulgando, em versões de 8, 15, 30 e 45 segundos, e também distribuído para finalização por produtoras dos países onde foram realizadas as etapas eliminatórias do campeonato ao longo do ano. A partir da base foi aplicada a parte informativa em suas respectivas línguas. “Passamos por muitas fases de aprovação desde o primeiro story board, mas foi muito interessante desenvolver essa parceria internacional, foi realmente um trabalho colaborativo”, diz Rodrigo.

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Entre os participantes do filme está o B-Boy brasileiro Pelezinho, que integra a equipe do Red Bull BC One All Stars, formada por B-Boys de diferentes países como Estados Unidos, Itália, Coreia do Sul, Venezuela, França e Japão. ficha técnica Agência Loducca Anunciante Red Bull Título BC ONE 2012  Criação Gustavo de Lacerda e Catarina Menchik Head of Design Gustavo de Lacerda Direção de criação Cássio Moron, Fábio Saboya e Thomas Gessner Produtora Vetor Zero/Lobo  Direção Rodrigo Ribeiro Pós-produção Vetor Zero/Lobo Produtora de áudio A9

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( case )

Rouge Brésil Conspiração captou aproximadamente 3 milhões de euros na coprodução com França e Canadá que mostra a chegada de franceses ao Rio de Janeiro em meados do século XVI.

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FOTOs: davi de almeida

Conspiração Filmes está envolvida em uma superprodução coproduzida com a francesa Pampa Filmes e a canadense CD Films. “Rouge Brésil” é um projeto de longametragem e série de televisão idealizado pelo produtor francês Nicolas Traube, que queria contar a chegada dos franceses ao Brasil em meados do século XVI. O projeto de ficção teve início entre 2005 e 2006, com outros parceiros brasileiros, mas não foi para a frente. Segundo Ricardo Rangel, COO da produtora brasileira, a entrada da Conspiração no projeto aconteceu por recomendação de um amigo francês de Traube que mora no Brasil e trabalha com audiovisual. A aceitação foi imediata. A obra é baseada no livro homônimo de Jean-Christophe Rufin, que conta a história da expedição de Nicolas Durand de Villegaignon ao Brasil por volta dos anos 1550 e sua luta para criar uma colônia, a chamada França Antártica, no Brasil conquistado pelos portugueses. Como pano de fundo, as batalhas com Portugal, a história da fundação do Rio de Janeiro e a formação da identidade brasileira no primeiro século da colonização. O projeto de “Rouge Brésil” incluia a produção de um longa-metragem e de uma série televisiva. No entanto, o Brasil e a França só têm tratado para a produção de cinema e foi necessária a entrada de um parceiro canadense, a produtora CD Films, a convite de Traube. O Brasil e o Canadá têm tratado para televisão e, além de resolver questões regulatórias, era mais um parceiro para reforçar o orçamento da produção de época, estimada em 7,8 milhões de euros.

A atração foi toda rodada em inglês para facilitar o acesso aos mercados internacionais.

Rangel participou do Mipcom 2012, mercado de televisão que aconteceu em outubro em Cannes, na França, falando em um painel sobre coproduções com o Canadá, país homenageado no evento. “Estamos fazendo mais negócios com a Europa e com o Canadá. É a primeira vez que fazemos uma coprodução deste porte”, disse o executivo, na ocasião. De fato, o Brasil fez um aporte de aproximadamente 3 milhões de euros e

e Trindade, no litoral fluminense. Outras cenas foram filmadas em Xerém, município cercado de Mata Atlântica e que beira a serra fluminense, e em uma pedreira em Jacarepaguá. Os figurinos dos franceses que chegam ao litoral brasileiro vieram da Espanha. Já a caracterização dos colonos e dos índios foi toda feita por aqui. “A logística do

A Globo entrou com recursos do Artigo 3ºA e tem os direitos da exibição da série de TV. precisou captar recursos em várias fontes. O projeto tem recursos do Artigo 3ºA (Globo e Globofilmes), BNDES (Procult), Riofilme, Artigo 1ºA (Caixa Seguros) e algumas empresas que investiram dinheiro próprio. Caracterização O produtor Luiz Noronha acompanhou o processo de pré-produção e filmagens. Algumas cenas foram gravadas na França e a maior parte das filmagens aconteceram no Brasil, com cenas captadas principalmente em Paraty

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departamento de maquiagem em um filme como esse é muito complexa”, explica Noronha. Os dois atores e os mais de cem figurantes que faziam os índios precisavam passar todos os dias pelo demorado processo de caracterização. A pré-produção começou seis meses antes. O produtor francês fez a coordenação de produção e contratou o elenco principal. O diretor é canadense, assim como a equipe de fotografia. A maior parte da pós-produção também foi feita no


Canadá. O protagonista é um ator sueco e ainda há brasileiros, portugueses e franceses no elenco. A atração, no entanto, foi gravada em inglês para facilitar o acesso aos mercados internacionais. Os atores brasileiros gravaram as cenas também na versão em português.

Sinopse: Baseado no livro homônimo do escritor francês Jean-Christophe Rufin, o filme Rouge Brésil conta a história da expedição de Nicolas Durand de Villegaignon ao Brasil por volta dos anos 1550 e sua luta para criar uma colônia, a chamada França Antártica, no Brasil conquistado pelos portugueses. Como pano de fundo, as batalhas com Portugal, a história da fundação do Rio de Janeiro e a formação da identidade brasileira no primeiro século da colonização. O local escolhido por Villegaignon para sua aventura nos trópicos foi um trecho da costa inicialmente ignorado pelos portugueses: a até então virgem e selvagem Baía de Guanabara. A tentativa de conquista pelos franceses serviu como pontapé inicial para um maior engajamento dos portugueses na ocupação das terras que haviam descoberto. Assim, de uma pequena fortaleza de madeira construída para combater os invasores nasceu a cidade do Rio de Janeiro. O projeto Rouge Brésil conta esta história pelo ponto de vista de duas crianças, Just e Colombe, órfãos levados na expedição para serem treinados como intérpretes na relação com os “selvagens” nativos.

Estreias No final de janeiro do próximo ano, “Rouge Brésil” terá estreia na televisão francesa no canal FT2. A produção irá ao ar dividida em dois telefilmes de 100 minutos. No Brasil, a série ainda não tem data para ir ao ar, mas a Rede Globo, que investiu recursos do Artigo 3ºA na produção, é a detentora dos direitos. A série está sendo negociada para a TV canadense. O longa-metragem deve estrear no Brasil no final de 2013, com distribuição da RioFilme. A principal distribuidora da série é a France Television e, segundo Rangel, a participação das produtoras nas receitas é proporcional aos investimentos. an_phase_tvlogic_230x150mm.pdf

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21/11/11

rouge brésil

Longa-metragem e série televisiva Conspiração Filmes, Pampa Filmes, CD Films, Riofilme e Globofilme Sylvain Archambault Direção ie Ravard, Ricardo Rangel, Produtores Nicolas Traube, Soph de Hollanda, Luis Antonio que Buar o Pedr nha, Luiz Noro Lafontaine e Joe Iacono Lyse ay, Dugu Silveira, Christian Marie Beaulieu Roteiro phe Graillot Cristo Direção de Fotografia Formato Produtoras

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(evento) Bruno Borin, do Rio de Janeiro

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Nova onda Festival aponta novas possibilidades para a produção de TV com a Lei do SeAC e o crescimento das plataformas não-lineares. FOTOS: P&C Pictures / andré castilho

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om o início do processo de implementação da Lei 12.485/2011 no último mês de outubro, quando as operadoras e programadoras começaram a se adaptar às exigências impostas pela Lei do SeAC, começaram a ser discutidas também suas implicações, assim como seus possíveis impactos no mercado de TV por assinatura. A lei foi tema de um dos encontros da 8ª edição do Festival Internacional de Televisão, que aconteceu entre os dias 6 e 11 de novembro no Espaço Oi Futuro de Ipanema, no Rio de Janeiro. Luis Antônio Silveira, diretor da produtora Conspiração, afirmou que no Brasil a produção independente “vai até a página dois”, uma vez que as produtoras precisam se unir com as emissoras para conseguir trabalhar seu conteúdo. “Quem quer trabalhar na televisão precisa estar em sintonia e trabalhar com os canais, seguir parâmetros e regras. Se você é produtor e sabe a estratégia do canal, deve se adequar a ela”, aponta, afirmando que a TV por assinatura é diferente do cinema, onde os diretores procuram fazer filmes completamente autorais. “É claro que, quando se entra numa parceria com uma emissora, de alguma maneira se perde sua autoria”, afirma. O diretor da Conspiração ainda contou que, com a lei, muitas produtoras já estavam se preparando para este momento, com departamentos de desenvolvimento de projetos e criação. “É preciso estar desenvolvendo o tempo inteiro, atendendo seu parceiro, mas sem

Luis Antônio Silveira, Nelson Hoineff e Roberto Gonçalves de Lima discutiram as implicações da Lei 12.485 no mercado de TV por assinatura

perder sua identidade”, afirma. E, apesar de apontar que os canais ficaram reativos com a implementação da lei e as cotas exigidas por ela, Silveira afirma que a lei é muito boa para eles, uma vez que traz audiência para a TV por assinatura. “Brasileiro gosta de ver TV na sua língua, no seu país, gosta de se ver na tela e se identificar. E a grande prova disso é a TV aberta, que tem praticamente 90% de suas produções produzidas aqui”, afirmou Nelson Hoineff, diretor do Instituto de Estudos da Televisão (IETV), organizador do festival. E, ao apresentar os principais aspectos da lei, Roberto Gonçalves, assessor da diretoria da Ancine, acrescentou que, se para as programadoras a lei traz diversas vantagens, ela agrada ainda mais as produtoras, que passam a ser incluídas na estrutura do mercado. “Pretendemos estimular a diversidade cultural e uma competição equilibrada no SeAC, além da interação entre os elos da cadeia 38

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produtiva e o surgimento de novas programadoras independentes”, afirma, acrescentando que com a lei o número de obras sendo produzidas para a TV paga praticamente dobrou. “A nova organização do mercado do audiovisual vai excluir aqueles que não estiverem pensando no aprimoramento de seus conteúdos e de sua gestão”, completa. Sobre o papel das produtoras com a nova lei, Gonçalves ainda afirmou que a lei não incide sobre a produção, regulando exclusivamente a programação e o empacotamento: “Houve um consenso de que, como a produção é livre, a lei não optasse por fazer distinção entre as produtoras (pequenas, médias ou grandes), fugindo da burocracia que é o principal entrave para os pequenos e novos produtores”, pontua. E Silveira completa: “é óbvio que uma indústria jovem como a de


TV por assinatura tem muitos players, mas existe mercado e espaço para todo mundo”. O surgimento de um “novo” mercado - o de curtas-metragens também foi comentado pelos profissionais: “o canal Curta! conseguiu dez milhões de assinantes em apenas uma semana”, afirmou Gonçalves, acrescentando que a lei preza pelo ineditismo uma vez que metade dos conteúdos que atendem sua cota devem ter no máximo sete anos. Silveira apontou que o aumento de assinantes oriundos da classe C também cria uma demanda dos canais, que busca uma programação para eles. “O desafio dos produtores agora é fazer um produto que atenda todas as classes, da A à E”, afirmou. OTT e TV Everywhere Mas não foi só a lei que tomou as discussões do festival: dentro do evento aconteceu também a 8ª edição do Fórum Internacional de Inovação em Televisão. Nele, serviços não-lineares como o overthe-top (OTT) e a TV Everywhere também foram tema de debate. Apontando que cada vez mais as pessoas procuram acesso a conteúdo de qualquer lugar e a qualquer hora, Luis Olivalves (ESPN) e Sóvero Pereira (Telecine Play) apresentaram seus serviços nesta linha, e discutiram as novas maneiras de se oferecer conteúdo. Ressaltando que o consumidor está cada vez mais multiplataforma, Pereira afirmou que tão importante quanto a qualidade dos filmes é o conforto de poder assisti-los na hora e no lugar que o consumidor quiser: “a grade de programação é uma limitação que pode e deve ser superada”, afirma. Olivalves seguiu na mesma linha, apontando que a TV nos novos dispositivos deve ser mais do que simplesmente assistir vídeos: “o social deixou de ser

Para Sóvero Pereira, do Telecine Play, a grade de programação é uma limitação que pode e deve ser superada.

apenas uma interface, e passou a ser um jeito de se consumir, de tornar a experiência mais interessante”, pontuou. Em outro painel, o diretor da Netvision, Ricardo Miranda, e o diretor geral da OiTV, Ariel Dascal, concordaram que a distribuição de conteúdo não-linear ainda é incipiente no Brasil - sendo necessário buscar parceiros e bibliotecas. Mas, segundo Dascal, a tendência é que este mercado se torne um nicho: “No Brasil vemos um crescimento grande do tempo gasto na frente da TV e na frequência de pessoas utilizando a tecnologia de second screen. A tendência é que o conteúdo não-linear responda por aproximadamente 20% da audiência nos próximos anos”, afirmou. E para completar a programação do Fórum Internacional de Inovação em Televisão, dois profissionais estrangeiros também palestraram: o gerente de sistemas integrados e operações da HBO, Michael Dube, e o CEO da New Amsterdam Media, Seth Shapiro. O primeiro apresentou o serviço OTT do grupo HBO, o HBO Go, e afirmou que apesar de não gerar receita, o serviço serve para dar valor agregado ao consumidor. Já Shapiro destacou o fato de a TV, atualmente, dominar as mídias sociais em termos de interação, afirmando que a tecnologia second screen é o melhor caminho para fidelizar e fazer com que os espectadores prestem atenção em seu programa. Social Permeando a maioria dos debates, as mídias sociais tiveram destaque no segundo

André Dexheimer, da Globosat, afirmou que não existe outra solução que não seja entregar o que o usuário procura na hora e no dispositivo que ele quiser.

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dia do festival, com dois painéis dedicados exclusivamente a elas. No primeiro, o assunto principal foram os social games, assim como sua interação com a TV. Os profissionais Daniel Coquiere e Luiz Henrique Gama, da O2 Games, apresentaram seu projeto em parceria com o canal Esporte Interativo - o Golaço Esporte Interativo -, game feito em crosspromotion que funciona pelo Facebook. Eles ainda apontaram a necessidade de se conseguir assistir televisão pela internet, questionando por que serviços como o Telecine Play e o HBO Go não estão disponíveis online (para os profissionais, existe um público grande para isto). No segundo painel, a gerente de marketing do GNT, Mariana Novaes, o analista de contas de novas mídias dos canais PPV da Globosat, André Dexheimer, e o sócio e VP de criação da DM9Rio, Álvaro Rodrigues, debateram estratégias de interação multiplataforma com o espectador, apresentando cases como o aplicativo de 2ª tela do Campeonato Brasileiro (“+ Futebol”, da Globosat) e a campanha do GNT que invadiu o Facebook (“Existem várias mulheres em você, e um canal para todas elas”). Enquanto Mariana previu um aumento em curto prazo no investimento em VOD por parte das operadoras (uma vez que com o crescimento do mercado, a TV por assinatura passa a “sofrer uma pressão de TV aberta”, com menos possibilidade de oferecer um conteúdo mais específico), Dexheimer afirmou que o conteúdo não linear é o grande ouro da indústria da TV por assinatura, apontando as TVs conectadas como uma das alternativas para o momento: “Não existe nenhum plano B, nenhuma outra solução que não seja entregar para o usuário o que ele procura e quer, na hora e onde quiser”, concluiu. 39


( upgrade )

Fernando Lauterjung

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ProRes em estado sólido

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Blackmagic Design anunciou a disponibilidade de uma atualização de software para a linha de equipamentos HyperDeck, de gravação em cartuchos de memória em estado sólido (SSD). A versão HyperDeck Shuttle 3.6 adiciona suporte ao codec 2 ganha suporte ao codec Apple ProRes Apple ProRes 422 (HQ) ao 422 (HQ). HyperDeck Shuttle 2, além de suporte ao closed caption para todos os modelos HyperDeck. O modelo Shuttle 2, aliado ao novo recurso de compressão ProRes, reduz significativamente o tamanho de arquivos de vídeo HD sem compressão, preservando full frame de 10 bits com qualidade 4:2:2, permitindo gravar

até seis vezes mais conteúdo. O codec ProRes 422 (HQ) é um dos formatos de vídeo mais populares para pós produção e radiodifusão. O HyperDeck Shuttle permite o uso de câmeras de baixo custo em operações broadcast, pois permite a gravação de arquivos de vídeo ignorando a compressão da câmera, através das portas SDI e HDMI, diretamente para os formatos QuickTime 10 bits descompactado, Avid DNxHD MXF e agora Apple ProRes 422 (HQ). Os cartuchos SSDs podem ser conectados a um dock eSATA para o acesso imediato aos arquivos de mídia. O software HyperDeck 3.6 com suporte ProRes está disponível gratuitamente para download no site www.blackmagicdesign.com/suporte.

H.264 em baixa latência

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utro lançamento envolvendo codificação de vídeo é da Haivision, que anunciou a nova geração de sua plataforma de codificação de vídeo H.264, a Makito Série X. A promessa é, “com um aumento de seis vezes no poder de codificação”, entregar alta qualidade de vídeo HD usando a metade da largura de banda de codificadores comparáveis. O Makito X2, um encoder H.264 de dois canais de baixa latência HD-SDI, é o primeiro produto da Haivision a incorporar a tecnologia da nova série X. Ele pode codificar até 12 fontes HD (até 1080p60) para H.264, ocupando apenas uma unidade de rack. Com o suporte à compressão High Profile H.264, o Makito X2 oferece codificação mantendo a latência de 55 milissegundos.

Makito Série X entrega High Profile H.264 com latência de 55 milissegundos.

Ao entregar vídeo para múltiplas plataformas e através de uma variedade de redes simultaneamente, o X2 Makito pode trabalhar com streaming em múltiplos bitrate com até quatro versões de cada entrada de 32 Kbps a 25 Mbps em 1080p60 completos. O codificador também pode gerar uma variedade de tipos de streams, tais como TS e RTMP, em unicast e multicast. Com o apoio a MBR, o Makito X2 serve desktops, dispositivos móveis, set-top boxes, leitores de sinal, gravadores, e servidores de streaming.

FOTOs: divulgação

Natureza e esportes

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uas novas lentes Fujinon foram lançadas pela Fujifilm North America Corporation: a PL 85-300 Cabrio e a ultra-wide XA99x8.4BESM, para produção externa. A PL 85-300 é uma lente zoom com montagem PL da família de cinematografia digital Premier PL. A XA99x8.4 é uma lente box HD, ideal para a produção ao vivo de esportes e eventos de entretenimento. A PL 85-300 é, segundo a fabricante, ideal para documentários de fotografia, natureza e vida selvagem, e comerciais de carros, entre outros cenários de produção exigente. Ela oferece distância focal de 85-220 mm em abertura T2.9 e 300 mm em T4.0, com 200 graus de rotação foco. A XA99x8.4 é uma Ultra Wide para produção em campo que oferece uma faixa de zoom de 99x, e distância focal de 8,4 a 832 milímetros, e MOD de 2.9 m. A XA99x tem abertura F1.7 a 341 milímetros e 832 milímetros em F4.2.

Fujinon apresenta nova lente para documentários e box HD para produção ao vivo.

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( agenda ) 8 a 11 de janeiro Fabricantes, desenvolvedores e fornecedores se reúnem para apresentar as novidades no mercado de eletrônicos. CES – Consumer Electronic Show 2013, Las Vegas, Nevada, EUA. Tel.: 301-631-3983 E-mail: cesinfo@org.br Web: www.cesweb.org

20 de fevereiro Governo, empresários e especialistas discutem as prioridades do setor de telecomunicações para 2013. Políticas de Telecomunicações, Brasília, DF. Tel.: (11) 3138-4660 E-mail: info@convergecom.com.br Web: www.convergeeventos.com.br

DEZEMBRO

20 a 22 3º Rio Content Market, Rio de Janeiro. E-mail: producao@riocontentmarket.com Web: www.riocontentmarket.com.br

4 a 14 34º Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano, Havana, Cuba. E-mail: festival@festival.icaic.cu Web: www.habanafilmfestival.com

21 a 27 53º Festival Internacional de Cine de Cartagena de Índias, Cartagena, Colômbia. E-mail: info@ficcifestival.com Web: ficcifestival.com

JANEIRO 2013

11 a 20 22º Flickerfest – International Short Film Festival, Sydney, Austrália. E-mail: coordinator@flickerfest.com.au Web: www.flickerfest.com.au

26 a 28 Andina Link 2013, Cartagena, Colômbia. Tel.: (571) 635-6898 E-mail: contacto@andinalink.com Web: www.andinalink.com

22 a 27 FIPA – Festival International des Programmes Audiovisuels, Biarritz, França. E-mail: info@fipa.tm.fr Web: www.fipa.tm.fr

MARÇO

1 a 9 28º Festival Internacional de Cine de Guadalajara. E-mail: info@ficg.mx Web: ficg.mex

23 a 3/2 42º International Film Festival Rotterdam, Rotterdam, Holanda. Tel.: (31 10) 890-9090 E-mail: tiger@filmfestivalrotterdam.com Web: www.filmfestivalrotterdam.com

ABRIL

4 de abril A evolução da TV e da distribuição de conteúdo para múltiplas plataformas, discutida por quem está à frente dos mais importantes projetos de novas mídias TV 2.0, Centro de Exposições Frei Caneca, São Paulo, SP. Tel.: (11) 3138-4660. E-mail: info@convergecom.com.br Web: www.convergeeventos.com.br 10 a 21 Bafici – Buenos Aires Festival Internacional de Cine Independiente, Buenos Aires, Argentina. E-mail: info@festivales.gob.ar Web: www.bafici.gob.ar 25 a 5/05 - Hot Docs Canadian International Documentary Festival, Toronto, Canadá. Tel.: (416) 203-2155 E-mail: info@hotdocs.ca Web: www.hotdocs.ca 26 a 2/05 – XVII Cine-PE, Recife, Pernambuco. Tel.: (81) 3343-5060 E-mail: festival@bpe.com.br Web: www.cine-pe.com.br/2013

MAIO

15 a 26 – 66º Festival de Cannes, Palais des Festivals, Cannes, França. Tel.: (33-1) 5359-6100 E-mail: festival@festival-cannes.fr Web: www.festival-cannes.org

27 a 30 Real Screen Summit, Washington, Estados Unidos. E-mail: jpinto@brunico.com Web: summit.realscreen.com

4 e 14 É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários, São Paulo, Rio de Janeiro, Tel.: (11) 3064-7485 E-mail: info@etudoverdade.com.br Web: www.etudoverdade.com.br

28 a 30 Natpe Market & Conference, Miami, EUA. Tel: 310-453-4440 E-mail: info@natpe.org Web: www.natpemarket.com/ natpemarket/

6 a 13 NAB Show 2013, Las Vegas Convention Center, Las Vegas, EUA. Tel.: (1-202) 595-2052 E-mail: register@nab.org Web: www.nabshow.com

30/5 Rose D’Or Festival 2013, Bruxelas, Bélgica. Tel.: +41 79 743-3278 E-mail: info@rosedor.com Web: www.rosedor.com/festival-2013

FEVEREIRO

5 a 8 Kidscreen Summit 2013, Nova York, Estados Unidos. E-mail: jpinto@brunico.com Web: summit.kidscreen.com

6 e 7 MipDoc, Marriott Hotel, Cannes, França. Tel.: (33-1) 4190-4441 E-mail: info.miptv@reedmidem.com Web: www.mipdoc.com

10 a 12 NCTA – The Cable Show ’13, Washington, DC, EUA. Tel.: (202) 222-2430 E-mail: thecableshow@ncta.com Web: www.thecableshow.com

7 a 17 63º Festival Internacional de Berlim, Berlim, Alemanha. E-mail: info@berlinale.de Web: www.berlinale.de

8 a 11 MipTV, Palais des Festivals, Cannes, França. Tel.: (33-1) 4190-4441 E-mail: info.miptv@reedmidem.com Web: www.miptv.com

16 a 22 Cannes Lions, Palais des Festivals, Cannes, França. Tel: (44-20) 7239-3400 Web: www.canneslions.com

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30 a 04/06 – 4º CINEfoot Festival de Cinema de Futebol, São Paulo, SP. Tel.: (21) 8111-8030 E-mail: cinefoot@cinefoot.org Web: www.cinefoot.org

JUNHO


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Revista Telaviva - 232 - Novembro 2012  
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