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televisão, cinema e mídias eletrônicas

ano 21_#230_set2012

Congressos da SET e IBC debatem o impacto das novas tecnologias sobre o serviço e mostram como as emissoras estão se adaptando ao mundo digital.

o futuro da tv POLÍTICA Ancine publica primeiro plano de diretrizes e metas para o audiovisual

SATÉLITES Mirando a demanda de vídeo, operadoras ampliarão a capacidade espacial nos próximos anos


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Foto: marcelo kahn

(editorial ) Presidente Diretores Editoriais Diretor Comercial Diretor Financeiro

Rubens Glasberg André Mermelstein Claudiney Santos Samuel Possebon (Brasília) Manoel Fernandez Otavio Jardanovski

André Mermelstein

a n d r e @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Adaptação

P Editor Tela Viva News Redação

Projetos Especiais Arte

Depar­ta­men­to Comer­cial

André Mermelstein Fernando Lauterjung Ana Carolina Barbosa Bruno Borin Lizandra de Almeida (colaboradora) Leandro Sanfelice (vídeo repórter) Letícia Cordeiro Edmur Cason (Direção de Arte) Alexandre Barros (Designer Gráfico) Geral­do José Noguei­ra (Designer Gráfico) Rubens Jar­dim (Pro­du­ção Grá­fi­ca) Bárbara Cason (Web Designer) Debora Harue Torigoe (Web Designer) Lúcio Pinotti (Tráfego/Web) Bruna Zuolo (Gerente de Negócios) André Ciccala (Gerente de Negócios) Patricia Linger (Gerente de Negócios) Iva­ne­ti Longo (Assis­ten­te)

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Harumi Ishihara (Diretora) Gisella Gimenez (Gerente)

Administração TI Central de Assinaturas

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oucas indústrias no mundo devem discutir tanto qual será o seu futuro quanto a de mídia, em especial a de televisão. A preocupação até certo ponto se justifica, como mostraram os debates dos principais eventos do setor neste segundo semestre, como a ABTA e o Congresso da SET, em São Paulo, e a IBC, em Amsterdã. A TV aberta busca defender seu quinhão no “latifúndio eletrônico” do espectro de frequências, onde disputa espaço com os serviços de telecom, e se vê diante do desafio de digitalizar os cantos mais remotos do país, a custos altos e sem perspectivas de novas receitas. A TV por assinatura enfrenta a concorrência ainda pequena, mas crescente, dos serviços over the top e seus modelos de receita que não remuneram adequadamente a produção de conteúdo original de qualidade. A indústria é puxada por dois vetores aparentemente opostos: de um lado a pressão dos fabricantes para implantar uma nova geração de alta definição, com 4K e 3D. Por outro lado, a pressão dos usuários, que exigem flexibilidade na oferta de conteúdos, com possibilidades de time-shift, vídeo on-demand, segunda tela, TV everywhere e outras funcionalidades. Pelo que se viu nos congressos, parece que a TV está se adaptando bem para fazer deste limão uma limonada. A perspectiva de adoção da ultra-alta definição (4K), embora não seja uma necessidade imediata dos broadcasters (que ainda nem conseguiram implementar o HD direito), pode acabar sendo uma justificativa para a futura necessidade de mais frequências. Já se constrói o discurso de que o Brasil não pode ficar de fora da “segunda geração da TV digital”. Ao mesmo tempo, os players tradicionais da indústria de pay TV, operadoras e programadoras, abraçam as plataformas e as estratégias do over the top para fidelizar clientes, auferir novas receitas (ainda pequenas) e se apresentar como uma alternativa melhor que os “invasores” do over the top. TELA VIVA mais uma vez esteve em todos estes eventos, participou dos debates e traz em primeira mão os resultados destes encontros internacionais. Talvez a principal conclusão, que começa a tomar forma, é de que, ao contrário do que muitos previram há alguns anos, a TV não vai morrer. Longe disso. Mas certamente vai se adaptar, o que já está fazendo com considerável velocidade.

(11) 3214-3747 comercial@convergecom.com.br

Quaisquer que sejam as razões da presidenta Dilma Rousseff, se políticas ou gerenciais, foi saudável a substituição da titular da pasta da Cultura, no último mês. Espera-se que Marta Suplicy dê uma nova dinâmica ao MinC, similar à do governo Lula. A nova ministra tem também melhor trânsito junto à Ancine, o que é fundamental para a implantação das políticas para o setor audiovisual.

Ipsis Gráfica e Editora S.A.

Tela Viva é uma publicação mensal da Converge Comunicações - Rua Sergipe, 401, Conj. 605, CEP 01243-001. Telefone: (11) 3138-4600 e Fax: (11) 3257-5910. São Paulo, SP. Sucursal Setor Comercial Norte - Quadra 02 Bloco D - torre B - sala 424 - CEP 70712-903. Fone/Fax: (61) 3327-3755 Brasília, DF Jornalista Responsável: Rubens Glasberg (MT 8.965) Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias publicadas nesta revista, sem autorização da Glasberg A.C.R. S/A

capa: editoria de arte converge / nortivision / Andrei Shumskiy / shutterstock.com

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Figuras

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IBC - Evento

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Players apostam em novas plataformas de distribuição para manter uma disputa equilibrada com os serviços over-the-top.

IBC - Radiodifusão

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IBC - Produção

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Broadcast & Cable - TV Digital

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Broadcasters e operadoras móveis europeias debatem sobre a destinação das faixas de 700 MHz liberadas pela TV analógica.

Emissoras apresentam seu planejamento para os grandes eventos que acontecerão no Brasil em 2014 e 2016.

Prazo e medidas para adoção do switch-off da TV analógica no Brasil foram tema de discussão durante o Congresso SET.

Broadcast & Cable - Convergência 36 Qualidade de entrega e modelos de negócio são os desafios das experiências broadcast/broadband.

Broadcast & Cable - Tecnologia

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Satélites

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Making Of

44

Regulamentação

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Case

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Audiência

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Cinema

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Upgrade

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Agenda

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De olho na Copa do Mundo e nas Olimpíadas do Brasil: empresas apresentam novidades tecnológicas. 26

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Chegada da Hughes aquece o mercado satelital brasileiro, que espera resolução do switch-off da TV analógica.

Ancine apresenta plano inédito com metas para o desenvolvimento do setor audiovisual. 40

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Canal Futura comemora 15 anos com série de ficção infantojuvenil assinada pela Primo Filmes.

Com recuperação de imagens da Record, BossaNovaFilms reconstrói o Tropicalismo em documentário.

Errata O longa-metragem “Tabu”, da Gullane Filmes, será distribuído no Brasil pela Espaço e pela Europa Filmes, não pela Estação, como foi publicado na seção Case da Tela Viva 228, de julho de 2012.

Acompanhe as notícias mais recentes do mercado

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( xxxxxxxxx) Portais regionais

FOTOs: divulgação

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O portal R7.com concluiu sua primeira fase de regionalização de conteúdo, que contou com 95 sites de emissoras filiadas e afiliadas, além de sites parceiros geradores de conteúdo regional. Para Antonio Guerreiro, diretor-geral de Internet da Rede Record e do R7.com, o portal ganha em agilidade e qualidade de conteúdo na cobertura dos fatos de todo o País com as parcerias regionais. Até o momento, o R7 já lançou o R7 Rio, R7 DF e o R7 MG, e já planeja o lançamento do R7 Bahia e R7 Espírito Santo nos próximos dois meses. Segundo Dado Lancellotti, diretor comercial e de marketing do R7.com, a regionalização ajuda a oferecer capilaridade e tom local às experiências dos anunciantes.

“Astro”, da BossaNovaFilms, é o primeiro longa distribuído pela Elo Company para salas de cinema.

Theatrical A Elo Company, que desde 2005 vem atuando no mercado de distribuição audiovisual para televisão, VOD e meios de transporte no Brasil e no exterior, inicia a distribuição para salas de cinema. O primeiro longa-metragem será “Astro – Uma Fábula Urbana em um Rio de Janeiro Mágico”, de Paula Trabulsi. Segundo Sabrina Nudeliman, diretora da distribuidora, com o mercado audiovisual aquecido, chegou a hora de investir também nas salas de cinema e completar a cadeia de distribuição. Tito Liberato, ex-Fox Film, esteve à frente da criação da nova área da distribuidora. A Elo também lançou um pitching de projetos de longa-metragem para a inscrição na Linha C do Fundo Setorial do Audiovisual. A Linha C do FSA possibilita o investimento de até 80% do orçamento na produção de obras de longa-metragem de ficção, documentário ou de animação que sejam brasileiras, independentes e ainda não finalizadas. O edital público exige que os projetos sejam inscritos pela distribuidora da obra. A Elo convidou para participar do pitching os canais A&E, BBC HD, TV Cultura e TV Rá Tim Bum, com foco em propostas de pré-compra dos projetos apresentados. Para aumentar o potencial comercial da obra, todos os projetos contratados pela distribuidora contarão com assessoria de especialistas nas várias janelas, bem como na construção conjunta de plano de negócios.

Conspiração produziu série sobre futebol de areia para o ESPN Brasil e ESPN HD.

Na praia O ESPN Brasil e o ESPN Brasil HD estrearam a série “Ao Som do Mar, à Luz do Céu”, uma coprodução com a Conspiração financiada com recursos da Lei do Audiovisual e patrocínio da Petrobras, através da Lei de Incentivo do Estado do Rio de Janeiro. Dirigida por Pedro Amorim, a série sobre futebol de areia tem quatro episódios de 26 minutos com cerca de 40 depoimentos, imagens de jogos atuais e de arquivo para contar a história do esporte que se confunde com a história do Rio de Janeiro.

Pequenos transmidiáticos O Gloob, canal infantil da Globosat, traz para a TV o projeto “O que Queremos para o Mundo?”, da produtora Cocriativa, de Belo Horizonte. Em dez pílulas de 1’30’’, dez crianças de diversos estados do Brasil vão expor seus desejos para um mundo melhor. Cada criança, com idade entre 5 e 11 anos, se apresentará em seu ambiente natural mostrando seus hábitos e preferências do cotidiano, como dança, esportes e bichos de estimação.  As gravações ainda estão em andamento e as pílulas já são produzidas para serem um projeto multiplataforma, aliando TV e web, com ações no site (www.mundogloob.com.br) e no Facebook (facebook. com/mundogloob) do Gloob. As pílulas vão ao ar durante os intervalos da programação do Gloob, sem horário fixo na grade. Também será realizado um concurso cultural para escolher uma Gloob levou para a TV o projeto multiplataforma da produtora criança para gravar uma pílula. Cocriativa, de Belo Horizonte. 6

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Parceria A distribuidora Paris Filmes anunciou uma parceria com a empresa Propaganda GEM, especializada em product placement. Buscando estimular mais os anunciantes a utilizarem esta ferramenta em filmes nacionais, a empresa com sede em Genebra e Los Angeles chega ao Brasil e tem a Paris Filmes como seu primeiro cliente. “A ideia é trazer mais dinheiro para as produções, mais profissionalismo para o product placement e contar com a força da marca na divulgação do filme”, conta Sandi Adamiu, diretor geral da distribuidora. Especialista na inserção de marcas no cinema, na TV, em música e em videogames, a Propaganda GEM tem em seu portfólio cases como o da Nokia no filme “Matrix”, e o da BMW em “Missão Impossível”, e já tem algumas ações pensadas para os filmes da Paris.

Propaganda GEM atuou na inserção da marca BMW no filme “Missão Impossível”.

FOTO: aline cusato

TV por assinatura em alta O Ibope Media divulgou os resultados da 19ª edição do Pay TV Pop – estudo com mapeamento das TVs por assinatura realizado entre 19 de março e 1º de abril de 2012. O estudo contemplou as praças de 13 mercados (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Recife, Fortaleza, Salvador, Distrito Federal, Campinas, Florianópolis, Goiânia e Vitória), e seus resultados apontaram o potencial que o setor de TV por assinatura ainda tem para crescer no País: entre os entrevistados que nunca assinaram o serviço, 17% têm intenção de fazê-lo nos próximos seis meses, enquanto 30% dos que já tiveram acesso ao conteúdo da TV paga e cancelaram pretendem recontratar. Entre os assinantes a aprovação também é alta: 78% dos entrevistados mostraram satisfação com o serviço, sendo que 17% consideram os pacotes de canais ótimos e 55% os avaliam como bons. A programação dos canais também teve aprovação alta: 15% responderam que a consideram ótima, enquanto 58% dizem que é boa.

Apresentadores da MTV na coletiva do VMB 2012: diretoria nega rumores de venda do canal.

Volta por cima Negando os rumores de que o canal seria vendido, a MTV Brasil anunciou as novidades para a 18ª edição do Video Music Brasil (VMB). Com quatro horas de duração – tornando esta a edição mais longa da premiação – o evento contou pela primeira vez com um show de abertura (Planet Hemp) e um show de encerramento (Racionais MC’s). Além disso, três categorias foram incluídas na premiação deste ano: melhor banda, melhor artista feminino e melhor artista masculino. A mecânica de votação aconteceu em três fases: na primeira, o canal indicou os dez finalistas para cada uma das 12 categorias; os finalistas passaram por uma triagem feita pelo público em um segundo momento, e os vencedores foram avaliados por um júri composto por jornalistas, críticos e formadores de opinião. Com um valor total de mais de R$ 10 milhões comercializado, o evento contou com a associação de onze marcas (Axe, Santander, Toyota, Uol, Anhanguera, Blowtex, Cup Noodles, Honda, Riachuelo e Adidas), e poderá ser acompanhado em HD também pela Internet – por meio de computadores, tablets ou smartphones. T e l a

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Brasil no holofote A Latin American Training Center e a CesnikQuintino&Salinas Advogados lançaram o livro “The Brazilian Audiovisual Industry – An Explosion of Creativity and Opportunities for Partnerships”. O livro, editado por Steve Solot, trata do crescimento econômico e dos reflexos no setor audiovisual, com artigos assinados por diferentes players da indústria que fazem uma análise setor a setor, abordam questões legislativas e comerciais e as oportunidades para a produção de conteúdo, distribuição e exibição. Entre os profissionais do setor que contribuiram com artigos estão Manoel Rangel (Ancine), Luciane Gorgulho (BNDES), Alexandre Annemberg (ABTA) e Sérgio Sá Leitão (RioFilme). •

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Até o fechamento desta edição, a Ancine havia publicado duas listas com canais credenciados para o SeAC (Serviço de Acesso Condicionado), apontando aqueles que cumprem as diferentes cotas impostas pela Lei 12.485/11. Existem alguns detalhes curiosos em relação à classificação e prazos. Há canais que foram qualificados como aptos para cumprir as cotas de canal de produção nacional independente, mas ainda não existem na prática, como o Curta! (da distribuidora Synapse) e o Arte1 (do Grupo Bandeirantes). Uma fonte da Ancine disse à Tela Viva que eles só serão considerados válidos para efeito de atendimento à lei se estiverem efetivamente no ar. “Vale o line-up que estiver no ar em 2 de novembro. Não adianta apresentar um contrato com um canal, mesmo que qualificado, se a programação não chegar ao assinante”, disse a fonte. Os empacotadores precisam correr contra o tempo para ajustar seus line-ups à lei, que prevê que um terço dos canais oferecidos em cada pacote de programação seja de canais brasileiros de espaço qualificado, até o limite de 12 canais, sendo pelo menos um terço deve ser programado por programadora brasileira independente, e sincronizar com os prazos da Anatel. A agência firmou o entendimento de que qualquer mudança nos pacotes, seja com a inclusão ou com a exclusão de canais, deverá ser informada previamente ao assinante com 30 dias de antecedência, conforme estabelece o Artigo 28 do Regulamento de Proteção e Defesa dos Direitos dos Assinantes de TV por Assinatura (Resolução 488/2007). Esse aviso deve acontecer mesmo que não haja mudança de custos nos pacotes. O prazo estabelecido pela Ancine para que os pacotes com as cotas comecem a ser entregues aos assinantes é 2 de novembro, o que obriga os operadores a informar os assinantes de eventuais mudanças até o dia 2 de outubro. A Ancine promete ser rigorosa com os prazos e punir com suspensão os canais que não realizarem o crecenciamento até o final de outubro. Chamou a atenção o fato de nenhum canal HBO, nem mesmo os básicos, aparecerem em nenhuma das duas listas. Procurada por TELA VIVA, a programadora informou que os credenciamentos foram feitos e que a agência pediu algumas informações que estavam sendo sendo providenciadas.

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Gérman Hartenstein (segundo da direita para a esquerda), diretor geral da ESPN no Brasil, no anúncio da 1ª Copa do Brasil Sub 20 e dos direitos de transmissão adquiridos pela programadora.

Novos campeonatos na tela Brasil e a Copa São Paulo de Futebol Júnior). O acordo firmado – que permite também o sublicenciamento do torneio, além dos direitos exclusivos de transmissão e exibição em todas as plataformas – é válido até 2016, e as cotas de patrocínio ainda serão colocadas no mercado publicitário. As partidas irão ao ar pela ESPN Brasil e ESPN Brasil HD às terças e quintas-feiras, totalizando cerca de 20 jogos exibidos – sendo 15 com exclusividade. Para 2013, está programada a primeira edição da Copa do Brasil Sub 17 – que também conta com a ESPN como detentora dos direitos de transmissão.

A ESPN adquiriu os direitos para transmitir a 1ª Copa do Brasil Sub 20, promovida pela CBF em parceria com a empresa de marketing esportivo SportPromotion. O torneio será realizado entre 2 de outubro e 15 de dezembro, e será disputado em formato eliminatório por 32 equipes – sendo as 20 que disputaram a Série A do Campeonato Brasileiro 2011 e as 12 melhores colocadas na Série B. Para Gérman Hartenstein, diretor geral da ESPN no Brasil, a iniciativa é uma maneira de ampliar a participação dos canais ESPN no mercado com exibição de mais conteúdo nacional (atualmente, em futebol, os canais exibem a Copa do

Smart Games A LG lançou globalmente, ainda no segundo semestre deste ano, um novo portal de jogos para sua linha Cinema 3D Smart TV. Desenvolvido para facilitar a compra, a busca e o uso dos aplicativos de jogos, o “Game World” contará com um menu principal dividido em quatro categorias – Featured (destaques), Top Chart (mais populares), New (lançamentos) e Genre (gêneros) –, que ainda terá um tutorial para ensinar os usuários a utilizar o portal e os jogos. Os games oferecidos poderão ser jogados com o Magic Remote do aparelho ou outros dispositivos, e ficarão localizados na seção Meus Jogos – que mostra os games comprados e mais utilizados pelo usuário. FOTO: divulgação

Nome na lista

FOTOs: Willy Ertel

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LG lançou o portal Game World em sua linha Cinema 3D Smart TV, para facilitar a compra, a busca e o uso dos aplicativos de jogos.

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( scanner) Terapia diária FOTO: Adalberto Pygmeu

bem este perfil. Em converO canal GNT estreia no sa com o GNT, descobrimos dia 1º de outubro a série de que eles estavam querendo ficção “Sessão de produzir dramaturgia e isso Terapia”, adaptação da se encaixou”, conta D’Avila. israelense “Be Tipul” – que Com direção de Selton já teve adaptações para Mello e patrocínio de Nívea, mais de trinta países e Unilever e Nestlé, “Sessão agora ganha sua versão de Terapia” foi gravada nos brasileira por iniciativa do estúdios Quanta e financiaprodutor Roberto D’Avila, da integralmente pelo da Moonshot Pictures, que canal. A série mostrará a comprou os direitos da sessão de personagens com série e buscou um canal o psicanalista Theo (interinteressado. A atração tem pretado por Zecarlos duração de nove semanas e Moonshot Pictures comprou direitos da série israelense “Be Tipul” Machado), sendo que cada contará com 45 episódios e produziu a versão brasileira, “Sessão de Terapia”, para o GNT. dia da semana contará no total. Diferentemente com um personagem diferente. A atração também estadas outras produções em parceria com a produtora – os rá disponível nos serviços de vídeo on-demand realities “Por um Fio” e “Desafio de Beleza” –, que Muu (Globosat), Now (Net) e GVT, e a possibilidade foram encomendadas pelo canal, a série partiu da inide uma segunda temporada está condicionada à ciativa da própria Moonshot. “Comecei a oferecer para reação da audiência. alguns canais, procurava algum onde pudesse encaixar

Visual repaginado

Novos negócios

rem a uma ampliação dos Após anunciar a reformuinteresses da audiência: lação global de sua identida“Queremos inspirar e entreter de visual, o canal E! o fã da cultura pop. Entertainment Television Estávamos focados no conteaplica as novas mudanças no údo de espetáculo e entreteBrasil e demais países da nimento, mas todos os nossos América Latina a partir de interesses se conectam”, afirsetembro. Com um novo logo ma. A executiva acredi– que deixa de ser verta no aumento de promelho para dar lugar a duções no país graças um tom preto em que a ao êxito das produções própria letra E forma já realizadas – como os um ponto de exclamação realities “Meu Book” e –, o canal estreia a iden“Meu Agente” e os epitidade visual com dois sódios de “Histórias novos programas em Verdadeiras” –, assim sua grade: “Opening como pelo cumprimento Act” (que recruta novos das cotas de programatalentos da música a ção impostas pela Lei do partir de seus vídeos no SeAC. Além da nova YouTube) e “Married to identidade visual, o Jonas” (um reality show canal também lança sobre o grupo Jonas neste mês seu primeiro Brothers). Segundo Logo do E! Daniela Chaparro, vice- Entertainment aplicativo, que estará disponível para as plata-presidente de markepassou por ting do E!, as mudanças reformulação e formas Android, iOS e acompanhou Blackberry. procuram um apelo junto ao público mascu- mudanças na programação. lino, além de responde-

Em seu Showcase América Latina, promovido este ano no Rio de Janeiro, a BBC Worldwide tem sido consultada por parceiros para auxílio na produção local de drama. Segundo Helen Jurado, VP de vendas para televisão e distribuição da BBC Worldwide Latin America, este pode ser um reflexo do sistema de cotas de programação nacional imposto pela Lei do SeAC: “Temos muita experiência em drama, roteiro e produção. Estamos vendo como podemos ajudar”, diz. Além das novas oportunidades de negócios – que ainda não tem modelos definidos, e devem ser ajustadas de acordo com a necessidade de cada cliente – as vendas continuam fortes e crescentes para o mercado brasileiro. Segundo Matt Forde, EVP de vendas e coprodução da BBC Worldwide America, esta é uma grande oportunidade de mostrar a programação da BBC, e ajuda a estabelecer uma conexão mais profunda tanto com a Matt Forde, EVP de vendas e audiência quanto com parcoprodução da BBC Worldwide ceiros locais. Neste ano, a America, estuda modelos para BBC iniciou a distribuição de ajudar parceiros locais com a um de seus canais no Brasil, o produção de drama. BBC HD – disponível por enquanto apenas no line-up da Net.

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Balanço da mídia Segundo o balanço semestral do Projeto Inter-Meios – relatório de investimentos em mídia tabulado pela PricewaterCoopers e encomendado pelo Grupo Meio & Mensagem – a TV por assinatura e a Internet foram os meios que mais cresceram em investimentos publicitários no período de janeiro a junho de 2012. Com um crescimento de 11,02% em relação ao mesmo período de 2011 – quando o valor atingido foi de R$ 12,8 bilhões – o mercado recebeu investimento de R$ 14,2 bilhões no primeiro semestre deste ano. A TV por assinatura foi responsável por 4,06% do share (com R$ 580 milhões investidos), e a Internet representou 5,1% (com faturamento de R$ 738 milhões). O maior share e volume de investimentos ficam por conta da TV aberta (64,8% com R$ 9,2 bilhões), que registrou crescimento de 13,5% no semestre. O cinema cresceu 13%, chegando a um share de 0,30%.

Share dos meios nos investimentos publicitários 1º semestre de 2012 3,95% 4,06%

3,06% 0,92% 0,30% Televisão Jornal

5,17%

Revista Internet TV por assinatura Rádio

6,06%

Mídia Exterior Guias e listas

11,67%

Cinema Fonte: Projeto Inter-Meios

64,81%

Conspiração ganhou prêmios no Cannes Corporate Media & TV Awards, em Cannes, com filmes corporativos para a Vale.

Brasileiros em Cannes Pela primeira vez na história do Cannes Corporate Media & TV Awards – festival internacional de filmes corporativos – uma empresa brasileira levará troféus: a Corp, núcleo de conteúdo corporativo da produtora Conspiração, produziu os dois filmes da Vale premiados na terceira edição do evento, que acontece no dia 18 de outubro em Cannes. Os filmes vencedores são “Nossa História”, mini-doc sobre os 70 anos da Vale premiado na categoria Comunicação e Marketing, e “Dia de Reflexão”, uma série de depoimentos que foi utilizado numa ação de saúde e segurança no trabalho e levou o troféu na categoria Comunicação Integrada. A 3ª edição do Cannes Corporate Media & TV Awards contou com mais de 650 inscritos de 35 países.

Sob os holofotes O BBC World News estreou uma série com foco no Brasil. “Brazil Direct” faz parte da série “Direct”, que busca explorarem profundidade cada país abordado e mostrar como é a vida das pessoas em determinado lugar. Emma De’Ath, diretora de programação do canal, explica que as pessoas estão interessadas no Brasil, especialmente agora com a aproximação de dois importantes eventos esportivos como a Copa do Mundo (2014) e os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro (2016). A série sobre o Brasil foi produzida por profissionais da sede do canal em Londres e do escritório de São Paulo. A atração vai ao ar de 17 a 27 de setembro e também tem conteúdo exclusivo online (www.bbc. com/brazildirect). Os destaques da programação são “Working Lives –

Rio de Janeiro”, em que a jornalista da BBC Brasil Júlia Carneiro apresentará a vida de seis pessoas em distintos níveis socioeconômicos; “On Square Mile – Três Fronteiras”, mostra a região de Três Fronteiras, na Amazônia, que abrange as divisas de Brasil, Colômbia e Peru; “Click”, sobre as regiões da Floresta Amazônica sem conexão telefônica ou Internet; “Talking Movies”, traz as novidades do cinema nacional, com destaque para o Festival de Gramado; “Fasttrack”, sobre o ecoturismo no Brasil, e o “BBC World News América” apresentado de São Paulo. Gary Duffy, editor executivo da BBC, conta que novos correspondentes devem chegar ao País nos próximos meses.

“On Square Mile”, da série “Brazil Direct”, mostra a região de Três Fronteiras na Amazônia, que abrange as fronteiras de Brasil, Colômbia e Peru.

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( scanner) Telinha = telona O presidente da RioFilme, Sérgio Sá Leitão, contou que para 2013 o orçamento para projetos de cinema e conteúdo de televisão da distribuidora carioca devem ser equivalentes. Os valores para o próximo ano ainda não estão definidos, já que este é um ano eleitoral (a empresa é ligada à Prefeitura do Rio de Janeiro), mas a equiparação é uma das metas. “O nosso objetivo é ajudar a indústria do audiovisual do Rio a capitalizar ao máximo as possibilidades abertas pela Lei 12.485 e pelo crescimento da TV paga”, diz Sá Leitão. “Estamos preparando aumento substancial para a produção de televisão”. Em 2012, a RioFilme investiu R$ 35 milhões em cerca de cem projetos de produtoras cariocas. Entre 2011/2012, a produção para TV recebeu investimentos de R$ 7,9 milhões. Segundo Sá Leitão, o aumento significativo dos investimentos em televisão é bastante factível já que, além dos investimentos provenientes da prefeitura do Rio de Janeiro, a RioFilme também gera receitas. Em 2012, foram gerados R$ 12 milhões em receitas que devem ser aplicados em projetos em 2013. Além disso, há a possibilidade de novas parcerias nos editais, Sérgio Sá Leitão, presidente seguindo os modelos pratida RioFilme, afirma que os cados com MTV, Canal investimentos para 2013 Brasil e Oi TV, o que garante serão equiparados entre também a exibição do concinema e televisão. teúdo. Sá Leitão ressalta que haverá um crescimento de dez vezes na demanda por conteúdo nacional independente na TV paga no período de implantação da cota. No cinema, a RioFilme fez um estudo que aponta que, tirando o Canal Brasil, os outros 14 canais focados em filmes fizeram 74 exibições de filmes nacionais em 2010. Para cumprir a cota plena, eles terão que fazer 1.456 exibições. “A demanda aumentará exponencialmente”, observa. FOTOs: divulgação

“Águias da Cidade”, produção da Mixer para a Discovery, mostra o dia a dia do Grupamento Aéreo da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

Mixer e Discovery no ar No próximo dia 10 de outubro a Discovery estreia sua nova série documental sobre a rotina de pilotos, médios e enfermeiros do Grupamento Aéreo da Polícia Militar do Estado de São Paulo: a superprodução da Mixer “Águias da Cidade”. Surgida durante as filmagens de outra produção feita para a programadora – “Águas Mortais”, de 2010 – a série acompanha toda a ação que se passa no helicóptero e nas cabines de atendimento do Grupamento, focando em mostrar o profissional e a dimensão humana por trás do trabalho. O diretor-geral da série, Rodrigo Astiz, conta que a produção teve início um mês antes das gravações: “Foi o tempo de nos ambientarmos com o trabalho, conhecer as pessoas, as histórias pessoais, os tipos de trabalho e estudar como posicionar as câmeras e microcâmeras”. Sem o uso de um cameraman, a produção optou por instalar aparelhos na aeronave que eram acionados na partida do helicóptero e só se desligavam quando voltavam. “Isso proporciou uma linguagem muito interessante, que é a de voar junto com eles. É uma das maiores qualidades da série”, destaca Astiz. Financiada com recursos incentivados (Artigo 39) e dividida em oito episódios, a série aborda vários aspectos – como o treinamento de pilotos novatos, a atuação dos águias no período de chuvas, planejamentos e imprevistos – e pode ser exibida em outros territórios devido à universalidade de seu tema.

TV Social Durante o ABA Mídia 2012 – evento promovido pela Associação Brasileira dos Anunciantes, em São Paulo – a gerente de consumer insight do Ibope Media, Juliana Sawaia, apresentou a pesquisa concluída em agosto deste ano sobre o tema social TV. O Estudo Social TV – O consumo simultâneo de Internet e Televisão no Brasil apontou que 43% da amostra assiste televisão e navega na web simultaneamente, sendo que 29% destas pessoas comentam na Internet sobre o que estão assistindo. Entre os usuários que assistem e comentam ao mesmo tempo, 80% afirmaram 12

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já ter mudado de canal motivados pelos comentários de outros usuários. A pesquisa ainda trouxe informações sobre o relacionamento das marcas com as redes sociais: segundo o estudo, 65% dos internautas buscam ações e promoções específicas ao seguir uma marca. Além disso, 89% dos entrevistados levam em consideração a opinião de outras pessoas nas redes sociais antes de fazer uma aquisição, sendo que as categorias mais pesquisadas são eletrônicos (66%), serviços de telecomunicação (51%), turismo (37%) e entretenimento (36%).

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Ministério da Cultura

Globo

A senadora Marta Suplicy foi convidada pela presidenta Dilma Rousseff para assumir o Ministério da Cultura em substituição a Ana de Hollanda, que estava à frente da pasta desde janeiro de 2011. Em sua trajetória política, Marta foi ministra do Turismo (2007/2008), prefeita de São Paulo (2001/2004) e deputada federal (1995-1998). No discurso de posse, Marta evitou pontos polêmicos e antecipou que vai se dedicar, inicialmente, à aprovação do Vale Cultura.

Vendas publicitárias FotoS: DIVULGAÇÃO

Foto: Lula Lopes

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Gilberto Corazza é o novo diretor de vendas publicitárias da Turner para o Brasil. Ele se reportará a Marcelo Cataldi, diretor executivo da área para o Brasil, pan regional e Los Angeles da Turner Latin America. Antes de juntar-se à equipe da Turner, Corazza era diretor do Gilberto Corazza e Marcelo Cataldi mercado anunciante na Editora Globo. Ele tem passagens por veículos como a Editora Três, TV Gazeta de São Paulo e Rede Bandeirantes.

Conteúdo Carla Raimondi é a nova diretora de conteúdo da JWT. As atividades da profissional especializada em moda serão focadas em estilo e comportamento de clientes, como Pernambucanas, por exemplo. Ela atuará principalmente com os grupos de planejamento e criação da agência. Carla foi editora de moda da revista Estilo, da Editora Abril.

Distribuição e desenvolvimento A BBC Worldwide Channels anunciou a nomeação de Javier López Casella como VP de distribuição e desenvolvimento para América Latina e mercado hispânico dos Estados Unidos. O executivo é ex-VP de vendas e serviços a afiliados da DLA e tem passagem pela HBO e Discovery. Casellas trabalhará com base em Miami e se reportará a Guillermo Sierra. Ele será responsável por liderar a equipe de vendas da empresa britânica na região e pela estratégia de distribuição dos canais BBC HD, BBC Entertainment e o canal pré-escolar CBeebies, buscando novas oportunidades de negócios e expansão nos diferentes territórios. 14

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As Organizações Globo anunciaram mudanças na governança corporativa e também na direção geral da TV Globo. Conforme comunicado assinado por Roberto Irineu Marinho, Carlos Henrique Schroder assumirá a direção geral da TV Globo a partir de 1º de janeiro de 2013, quando Octávio Florisbal, atual diretor geral, passará a integrar o conselho de Carlos Henrique Schroder administração das Organizações Globo. Também em janeiro, o conselho de administração passará por uma reformulação e terá seus membros indicados pela assembleia dos acionistas. Além disso, foi definida a ampliação da atuação da área comercial. Willy Haas acumulará a direção de negócios e de comercialização da TV Globo. Ele substituirá Schroder em suas ausências. Ali Kamel, atual diretor da Central Globo de Jornalismo, sucederá Schroder na direção geral de jornalismo e esportes. A jornalista Silvia Faria é a nova diretora da Central Globo de Jornalismo, substituindo Kamel.

Profissionalização Para dar sequência ao plano de profissionalização da equipe de produção e atendimento da Mixer, a produtora anuncia as contratações de Fernanda Senatori, Reynaldo Marchesini, Cristina Muacaad, Fabiana Gimenez e Maria Paula Maluf. Fernanda Senatori assume a função de produção executiva. Ela tem mais de 15 anos de experiência como produtora na realização de filmes, documentários e série para a TV. Reynaldo Marchesini irá auxiliar nas produções de animação e também no licenciamento e distribuição internacional das obras infantojuvenis. Maria Paula Maluf, com mais de dez anos de mercado publicitário, assume o atendimento do projeto “Aqui tem Natura”. Fabiana Gimenez e Cristiane Muaccad atuarão no gerenciamento e desenvolvimento de projetos publicitários.

Diretor executivo A Associação Brasileira de Produtores Independentes de TV (ABPI-TV) contratou Mauro Garcia como diretor executivo. O profissional foi diretor de programação e produção da TV Cultura, criador e diretor de programação da TV Rá Tim Bum e chega com o desafio de ampliar o diálogo para a construção e articulação de novas parcerias, além de contribuir para a concretização da plataforma de gestão proposta pelo novo Conselho Federal da entidade, eleito para o biênio 2012-2014. •

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Diretora de cena

A ESPN no Brasil anuncia a promoção de dois executivos. Marcelo Pacheco, atual diretor de marketing e vendas, assume o cargo de vicepresidente de marketing e vendas. Da mesma forma, Marcello Zeni, atual diretor de vendas afiliadas foi promovido a vice-presidente Marcelo Pacheco e Marcello Zeni de vendas afiliadas.

A Guadalupe Filmes anuncia a chegada da nova diretora de cena associada à sua equipe de profissionais: Fabrizia Pinto. O time de diretores da produtora já conta com Leo Del Castillo, Marcelo Nepomuceno, Paula Goldman, Rogério Utimura e Vinicão. A profissional tem no currículos projetos para a televisão e cinema como a codireção de “Menino Maluquino 2”, com Fernando Meirelles.

A Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA) anunciou a nomeação de Oscar Vicente Simões de Oliveira como presidente-executivo da entidade, no lugar de Alexandre Annenberg. Simões atuava desde abril de 2011 como vice-presidente executivo. Antes disso, atuou no mercado de mercado de TV por assinatura como diretor em empresas como Globocabo Oscar Simões (hoje Net Serviços), Net Brasil e foi ainda presidente do Seta (Sindicato Nacional das Empresas Operadoras de TV por Assinatura).

Foto: marcelo kahn

ABTA

Foto: Willy Ertel

Promoção

Criação A Lew’Lara\TBWA anuncia a chegada de mais dois integrantes para a equipe de criação, liderada pelo VP Manir Fadel. Felipe Bellintani (ex-f. biz) é o novo diretor Felipe Bellintani e Gabriel Jardim de arte senior digital da agência, área coordenada por André Finaga. Já o diretor de arte Gabriel Jardim (ex-Ogilvy) chega para ser dupla do redator David Bessler.

Sócio

RTVC e mídia

A produtora Dogs can Fly anuncia novo sócio em seu segundo ano de vida. Ao lado dos fundadores José Henrique Caldas e Ricardo Whately, Guto Figueiredo assume o cargo de sócio-diretor executivo de atendimento. O profissional está no mercado publicitário desde 2004, quando começou a coordenar a produção da Frevo Filmes. Figueiredo atua na empresa desde o inicio, quando passou Guto Figueiredo a integrar a equipe de atendimento a convite de Caldas e Whately. Inicialmente, o novo sócio assumiu o núcleo de publicidade e conteúdo do novo projeto e participou do planejamento de lançamento da Dogs, da contratação de novos diretores e das parcerias internacionais. 

Com o objetivo de reforçar a sua equipe de RTVC, a Euro RSCG promoveu recentes alterações em seus quadros. Sob o comando do diretor de operações, Gilmar Souza, Neusa Cizik passa a ser diretora de RTVC. Paula Rinaldi foi promovida a produtora de RTVC. Já Viviane Dias ocupa agora o cargo de assistente, enquanto Marjorie Oliveira passa a ser assistente de Art Buyer da agência. A agência também contratou Pedro Gonçalves (ex-Agência Click, McCann Erickson e Y&R) como diretor de mídia. Ele será responsável pelo gerenciamento de mídia no País.

Novos negócios Foto: Leonardo Sang

Ronaldo Gasparini (ex-WMcCann, Y&R e Africa) chega à Bossa NovaFilms como diretor de novos negócios. O profissional entra para o time de Lili Boiajion, Mauricio Mauricio Lains, Lili Boiajion, Ronaldo Gasparini Lains e Teresa Carvalho. e Teresa Carvalho.

Comercial A TV Iguaçu, emissora da Rede Massa com sede em Curitiba, contratou novo gerente comercial. Trata-se de Gonçalo Tomasoni. Com experiência de mais de dez anos em veículos de comunicação, Gonçalo vem reforçar o time de vendas da Rede Massa e trabalhará em parceria com Fábio Góes, gerente comercial da Rede Massa para o Mercado Nacional. T e l a

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Seu planejamento de eventos para 2013 já está pr Conheça as melhores oportunidades para movime FEVEREIRO

ABRIL

MAIO

JUNHO

Dia 20

Dias 3 e 4

Dias 16 e 17

Dias 04 e 05

ROYAL TULIP BRASÍLIA ALVORADA, BRASÍLIA, DF

CENTRO DE CONVENÇÕES FREI CANECA, SÃO PAULO, SP

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O ponto de encontro para quem leva mídia social a sério e quer trocar informações e experiências com profissionais de diversas empresas.

CENTRO DE CONVENÇÕES FREI CANECA, SÃO PAULO, SP

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EDIÇÃO

EDIÇÃO

Governo, empresários e especialistas discutem as prioridades do setor de telecomunicações para 2013.

CENTRO DE CONVENÇÕES FREI CANECA, SÃO PAULO, SP

EDIÇÃO

Comunicação e Marketing na palma da sua mão: temas atuais do mercado de conteúdo móvel, como as apps, redes sociais móveis a marketing e conteúdo patrocinado, entre outros.

Dia 4

CENTRO DE CONVENÇÕES FREI CANECA, SÃO PAULO, SP

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EDIÇÃO

Dias 20, 21 e 22

BRASIL 21 - CENTRO DE CONVENÇÕES E EVENTOS, BRASÍLIA, DF

Focado na realização 14a EDIÇÃO de negócios e com público qualificado o evento reúne produtoras e distribuidoras de conteúdo e emissoras de TV para debater temas de interesse nacional e internacional.

Dias 24 e 25

AMCHAM, SÃO PAULO, SP

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EDIÇÃO

A evolução da TV e da distribuição de conteúdo para múltiplas plataformas, discutidas por quem está à frente dos mais importantes projetos de novas mídias.

O Painel TELEBRASIL é o principal encontro de lideranças e autoridades da área de telecomunicações, reunidas para discutir os rumos do setor no Brasil.

INFORMAÇÕES SOBRE EVENTOS

(+5511) 3138.4660

info@convergecom.com.br

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EDIÇÃO

Seminário que enfoca o desafio do atendimento aos clientes e consumidores no Brasil, ao longo de toda a cadeia de valor envolvida nos serviços de relacionamento.


ronto! entar o seu negócio. AGOSTO

SETEMBRO

OUTUBRO

NOVEMBRO

Dias 06, 07 e 08

Dias 05 e 06

Dia 09

Dia 07

TRANSAMÉRICA EXPO CENTER, SÃO PAULO, SP

RIO OTHON PALACE, RIO DE JANEIRO, RJ

13a

HOTEL PAULISTA PLAZA, SÃO PAULO, SP

EDIÇÃO

Maior encontro sobre 21a mídias convergentes na EDIÇÃO América Latina, é o único que congrega, em um mesmo ambiente, os principais operadores de TV por assinatura e banda larga, empresas de telecomunicações, produtores e programadores de conteúdo, empresas de tecnologia e provedores de Internet.

3a

EDIÇÃO

Paineis e palestras com especialistas em tecnologias A realidade do mercado de verdes e ferramentas de satélites, novas tecnologias e aplicações, no único evento sobre sustentabilidade. o assunto na América Latina.

Dias 24 e 25

CENTRO DE CONVENÇÕES FREI CANECA, SÃO PAULO, SP

HOTEL PAULISTA PLAZA, SÃO PAULO, SP

Voltado para o mercado de aplicativos e conteúdos para plataformas de TV 3a conectadas à internet, EDIÇÃO o evento debate como oferecer novas experiências aos usuários de conteúdo web em televisores.

Fórum Saúde Digital Dia 14

HOTEL PAULISTA PLAZA, SÃO PAULO, SP

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EDIÇÃO

Fórum

As inovações e propostas 6a desenvolvidas por EDIÇÃO operadoras, agências de propaganda móvel, integradores de valor agregado e soluções empresariais e fabricantes de dispositivos móveis.

Seminário que apresenta uma grade de palestras e discussões relevantes aos investimentos de TI e Telecom na área da saúde.

A Converge Comunicações organiza eventos que atendem todos os setores da indústria de comunicações: TV, Internet, telefonia fixa e móvel, tecnologia da informação e políticas públicas. A agenda da indústria é repassada em feiras, congressos e seminários que congregam formadores de opiniões, com debates ricos em conteúdo e palestrantes de alto nível. Nossa equipe comercial não prevê o futuro, mas sabe oferecer boas oportunidades para alavancar os negócios e os relacionamentos da sua empresa em 2013.

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cobertura

(IBC 2012)

Oferecida por

André Mermelstein e Letícia Cordeiro, de Amsterdã

a n d r e @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r l e t i c i a @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Abraçado ao inimigo

S

e alguém ainda acha que os serviços de vídeo on-demand e over-the-top vão matar a TV linear convencional, melhor rever seus conceitos. Ou visitar um evento como a IBC, que aconteceu no início do mês em Amsterdã, na Holanda. No maior encontro europeu da indústria do broadcast o que se viu foram muitas apostas na evolução da TV, com a ultra alta definição e um diálogo maior com a Internet, as redes sociais e novas plataformas de distribuição. Claro que a “TV 2.0” também marcou forte presença, com muitos debates sobre a distribuição não-linear. Mas há certo consenso de que as duas modalidades devem conviver, mais do que disputar espaço. Em uma apresentação da operadora de satélites SES, por exemplo, o chief commercial officer da empresa, Ferdinand Kayser, apresentou levantamento que mostra que há hoje no mundo cerca de 30 mil canais de TV, sendo 4,7 mil em HD, e a projeção é de que haja 45 mil canais em 2020, 75% dos quais em HD. O crescimento, diz, virá principalmente dos países emergentes, e puxado pelo crescimento do DTH, que já supera o cabo na maior parte das regiões do mundo (inclusive no Brasil). O receio de que provedores de conteúdo over-the-top como Netflix, Amazon, Hulu, entre tantos outros, destruíssem modelos estabelecidos de distribuição linear como o da TV por assinatura e serviços de radiodifusão permanece, mas os players tradicionais de TV paga, broadcasters e operadoras de telecom já começam a encontrar formas de usar o modelo de negócios OTT em seu favor e, para 18

FOTO: teletime

Players da indústria de TV tradicional adotam novas plataformas de distribuição para se manterem vivos na disputa de mercado com os provedores de serviços over-the-top.

Congresso da IBC: broadcasters e fornecedores vêm investindo em plataformas de VOD, over-the-top, segunda tela e TV everywhere.

estes, o futuro da distribuição de conteúdos reside na capacidade de achar um equilíbrio entre o modelo de empacotamento de canais e o modelo on-demand. Para a vice-presidente sênior de media distribution da The Walt Disney Company EMEA, Catherine Powell, novas plataformas significam novas oportunidades de se chegar ao consumidor, e a TV precisa se adaptar a uma experiência que agora vai além da transmissão linear. “O que pudemos observar é que os serviços on-demand de nossas marcas ajudam na descoberta de conteúdos e trazem o público de volta para a TV linear”, conta Catherine. Ela revela que alguns programas da ABC (emissora aberta do grupo nos EUA) já têm mais de 50% da audiência em “time shifting”, sendo vistos no DVR (gravador digital) ou através de serviços tipo catchup TV (recuperação de uma programação já exibida pelos canais lineares). “On-demand e OTT não são a mesma

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coisa. E ninguém vai sobreviver sem on-demand, mas é preciso ter cuidado com a canibalização”, diz. “O modelo OTT foi construído tendo acesso a conteúdos a preços muito baixos e vendendo serviços ao consumidor também a preços muito baixos, e esse modelo não será sustentável no futuro”, avalia o CEO da Sky Deutschland, Brian Sullivan. Para modernizar a experiência de seus assinantes de DTH, a Sky holandesa e a britânica BSkyB (que não têm relação societária com a Sky do Brasil), lançaram seus serviços on-demand Sky Anytime e também o Sky Go, no conceito de TV everywhere. A mais nova empreitada da Sky do Reino Unido foi o lançamento de seu próprio serviço OTT, o Now TV, em julho deste ano. “O temor de que os OTTs sejam uma ameaça não poderia estar mais longe da verdade. As ofertas no mercado não são satisfatórias e o


Ameaça ineficaz? A opção de embarcar serviços OTTs de terceiros em sua própria plataforma de VOD parece que não afetou em nada o desempenho do consumo de conteúdos da Virgin Media, que opera TV por assinatura via cabo, banda larga e ainda telefonia fixa e móvel no Reino Unido. A operadora lançou sua plataforma de VOD há apenas 18 meses, mas encerrou 2011 com nada menos do que um bilhão de conteúdos consumidos, de acordo com o diretor de consumer platforms e digital entertainment, Ian Mecklenburgh, em entrevista exclusiva a TELA VIVA. “Incluímos os provedores de serviços por banda larga em nossa plataforma desde o início e mesmo assim isso não prejudicou em nada o desempenho de nossos serviços sob demanda”, revela. Um ano após o início da oferta da plataforma de VOD a Virgin já tinha um milhão de set-top boxes da TiVo instalados, que incluem vários serviços OTT como Netflix e LoveFilm. “Vemos o set-top box como o centro de nossa proposta de segunda tela, para oferta de nossos conteúdos pela Internet a partir de armazenamento na nuvem”, acrescenta Mecklenburgh. A operadora anunciou durante a IBC o lançamento da Virgin Media Anywhere, com funcionalidades de

catch-up TV na web (recuperação de conteúdos já exibidos) e via aplicativo para iPad. Para o presidente e CEO da Discovery Networks International, Mark Hollinger, a indústria se encontra em um momento em que a tecnologia, com seus modelos OTT, ameaça a sustentabilidade dos investimentos na produção de conteúdos de qualidade. “Apenas este ano estamos investindo US$ 1,2 bilhão em produção de conteúdos e precisamos assegurar que a TV por assinatura, que é quem nos dá condições de continuar investindo, cresça. Além disso, os OTTs ameaçam também as receitas com publicidade, que hoje

forma de agregar valor para o assinante”, conclui. Sullivan concorda: “Se os conteúdos OTT forem complementares à TV por assinatura, é ótimo; se for canibalista, será prejudicial”. Broadcasters Além de desenvolverem seus próprios produtos on-demand, os principais radiodifusores do Reino Unido, como BBC, Channel 4, Channel 5 e ITV, decidiram apostar suas fichas em uma joint-venture para vender no varejo set-top boxes com funções de DVR e que integram

Radiodifusores do Reino Unido fizeram uma joint-venture para vender no varejo um set-top box com funções de DVR e que integra a programação ao vivo de 70 canais. representam 40% das nossas receitas totais. São duas linhas de receita em risco, e não apenas uma”, avalia Hollinger. O executivo, entretanto, ressalta que a programadora não está de olhos fechados para esse mercado. Em entrevista a TELA VIVA, Hollinger lembrou que a programadora tem parcerias com a Netflix e com a Amazon para distribuição de conteúdos nos EUA, um mercado já maduro, onde a penetração da TV paga ultrapassa os 90%. “Lá, diferente de outros mercados, não corremos o risco de minar o crescimento da TV por assinatura e mesmo assim nossos conteúdos para OTTs não têm uma janela inferior a 18 meses.” O tratamento para serviços on-demand das próprias operadoras de TV paga também é diferenciado na Discovery. “Nesse modelo trabalhamos com uma janela menor e mais conteúdos, porque vemos nele um complemento ao serviço das operadoras, uma

a programação ao vivo de 70 broadcasters com funcionalidades de catch-up TV de até sete dias e ofertas de vídeo on-demand (VOD) gratuitas e pagas. Também integram a jointventure, chamada YouView, as operadoras de telecomunicações BT (British Telecom) e Talk Talk. “O que é essencial para todos os parceiros da YouView é a escala, e a plataforma é uma ótima oportunidade para inovar no mercado free-to-air e aumentar as receitas”, conta o CEO, Richard Halton. Pelos cálculos de Halton, somados os conteúdos de todos os broadcasters que integram os serviços, são mais de três bilhões de horas de conteúdo na plataforma por ano. Depois de testes realizados em outubro do ano passado, o set-top box da YouView chegou às prateleiras do varejo no Reino Unido no final de julho e, segundo seu CEO, a meta é alcançar um total de 10 milhões de domicílios no país. Além dos conteúdos de VOD dos radiodifusores, o set-top passou a integrar no início de agosto o serviço OTT da FOTO: divulgação

que vemos é uma oportunidade de chegar aos 13 milhões de domicílios no Reino Unido que ainda não têm Sky”, pontua o CEO da BSkyB, Mike Darcey. Segundo ele, a operadora está presente hoje em cerca de 40% dos domicílios britânicos. Outros 10% têm outro provedor de TV por assinatura e há ainda metade dos domicílios (de 10 milhões a 12 milhões de residências) apenas com TV aberta gratuita. “O Now TV não foi uma resposta à entrada da Netflix, mas, assim como eles, vimos uma oportunidade de entrar nesse mercado free-to-air”, explica.

“Vemos o set-top box como o centro de nossa proposta de segunda tela, para oferta de nossos conteúdos pela Internet a partir de armazenamento na nuvem.” Ian Mecklenburgh, da Virgin Media

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( IBC 2012)

Mark Hollinger, da Discovery

serviços também no conceito de segunda tela, com integração a redes sociais, VOD e catch-up da programação. “Continuaremos testando o Tivù On em 200 residências até o final do ano e o lançamento comercial do serviço está programado para o ano que vem. Precisamos ter a tecnologia no maior número possível de dispositivos nos domicílios para ter um modelo OTT que nos permita vender publicidade e obter novas receitas com VOD”, diz. Dispositivos conectados “No futuro, hardware, software e conteúdo terão que estar integrados, e nós como fabricantes temos que entender o conteúdo. Há uma janela hoje para isso, e não é apenas uma oportunidade, mas é imperativo”. Foi o que disse o VP executivo de mídia global da Samsung, David Eun, que mostrou a visão que a gigante coreana tem hoje para tornar-se uma plataforma de distribuição de conteúdos. “Nossos dispositivos conectamse à Internet, mas não uns aos outros.

com um set-top virtual do serviço de IPTV da Telia Sonera, da Estônia. “Especialmente em um cenário de cord cutting (usuários que deixam de assinar TV para ficar apenas com serviços OTT) que começa a ser diagnosticado nos EUA, a smart TV é uma boa forma de trabalhar em parceria com telcos e operadores de TV por assinatura”, afirma o head de serviços de conteúdo da Samsung, Dan Saunders. Segundo ele, a fabricante já vem trabalhando também há algum tempo com operadores de cabo nos EUA. “Atualmente cerca de 50% dos nossos usuários de TV conectada são ativos, um número bem superior aos 10%, 15% que registrávamos em 2010”. Para se ter uma ideia da importância que a TV conectada vem ganhando, segundo o diretor geral de programação e on-demand da BBC, Daniel Danker, responsável pelo aplicativo iPlayer, a TV conectada foi a plataforma na qual o sistema de vídeos online da emissora inglesa mais cresceu no último ano. “O consumo de nossos vídeos online cresceu em todas as mídias, 40% no PC, 140% no celular FOTO: DIVULGAÇÃO

“Investimos US$ 1,2 bilhão em conteúdos. Precisamos manter o modelo de TV por assinatura, que é o que permite esse investimento,”

Sky, Now TV, e agora também vende filmes on-demand. E pra ajudar na disseminação da plataforma, a operadora Talk Talk distribuirá o set-top gratuitamente ao seu um milhão de domicílios com banda larga. Tanto a Talk Talk quanto a BT têm acordos que garantem a qualidade da banda para entrega dos conteúdos do YouView nas suas redes. “O mercado de consumo on-demand no Reino Unido está apenas começando e temos um bom produto graças à aliança entre operadoras, broadcasters e fornecedores para construir a plataforma”, comenta o CEO. O próximo passo da YouView será o desenvolvimento de aplicações para a segunda tela e a integração com uma plataforma de publicidade para explorar, por exemplo, anúncios direcionados para determinados consumidores ou segmentados por horários e conteúdos. A exemplo do que foi feito no Reino Unido, os principais broadcasters da Itália deram início em março aos testes de uma plataforma de VOD com catch-up TV a partir do guia eletrônico de programação. O OTT dos radiodifusores italianos, chamado Tivù On, é uma iniciativa da emissora pública RAI, da Mediaset e da La 7, (canal da Telecom Italia) e deriva da plataforma via satélite Tivusat, que distribui gratuitamente os sinais dos radiodifusores onde não há cobertura do sinal digital terrestre. “Grandes marcas internacionais como Netflix, Amazon, Hulu e outras estão entrando em novos mercados para expandir seus serviços e são uma ameaça para broadcasters e TV por assinatura. Por isso precisamos alavancar nossa força, que é o alcance que temos diariamente”, justifica o head de conteúdo de TV digital terrestre da Mediaset, Angelo Pettazzi. Segundo ele, a TV aberta alcança 40 milhões de pessoas na Itália e a ideia com o Tivù On é expandir os

os principais broadcasters da Itália deram início em março aos testes de uma plataforma de VOD com catch-up TV a partir do guia eletrônico de programação. Quando fizerem isto, teremos uma das maiores plataformas de distribuição de conteúdos do mundo”, conta. Segundo ele, a Samsung não pretende (mas também não descarta...) entrar na seara da produção de conteúdos, mas sim desenvolver parcerias com os desenvolvedores de aplicativos e provedores de conteúdo. “Temos mais de 2 mil apps nas nossas TVs conectadas. Acreditamos em um ecossistema aberto, queremos criar relações com esses desenvolvedores”. A Samsung demonstrou também durante a IBC um modelo de smart TV 20

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e 580% nos tablets. Mas nas smart TVs o crescimento foi de 1000%, o que prova que as pessoas gostam de ver TV na TV”. Para Saunders o consumo de conteúdos através de aplicativos nas TVs conectadas não visa destruir a experiência do broadcast de TV, de destruir o mundo linear, mas sim de aproximá-lo do mundo IP. “O que estamos tentando fazer é que os consumidores tenham conteúdos de forma integrada em todos os devices. E a descoberta de conteúdos é parte importante e por


isso temos investido muito no desenvolvimento de tecnologias de voz e gestos”, acrescenta. A opinião é compartilhada por Tom Rogers, CEO da TiVo, empresa pioneira no conceito de gravação digital de conteúdo e que agora criou um set-top que agrega conteúdos de TV a cabo e da Internet em uma única interface. “As informações têm de ser organizadas de forma simples, racionalizada, porque o consumidor não vai suportar tantas opções de conteúdos e devices”, avalia Rogers. Suveer Kothari, head de distribuição global da Google TV prevê uma “tempestade perfeita” a se formar. “O conteúdo está sendo impulsionado pela demanda porque a banda larga já tem massa crítica suficiente e há muita fragmentação do conteúdo”, diz . Segundo ele, a plataforma de TV do Google também está investindo muito na

funcionalidade de descoberta de conteúdos para facilitar a vida do usuário. “É importante algum tipo de curadoria do conteúdo, não apenas aquela feita por nós, mas também com recomendações de outros usuários”. O Google TV tem expectativa de estrear no Brasil em novembro. “Nosso desafio é conectar os pontos para entregar o que o consumidor quer”, define o gerente geral do Xbox Live para a região EMEA, Rohan Oommen. “O mais importante não é quem vai vencer, mas sim como vai ficar a sala de estar do usuário com tanta experiência fragmentada de diversos conteúdos em diferentes devices de fabricantes distintos e variados sistemas operacionais”, pontua. O Xbox Live, serviço online do console de videogames Xbox, da Microsoft, e que transforma a TV em um aparelho conectado, tem experimentado um crescimento de 140% ao ano no quesito consumo de conteúdo, de acordo com

Oommen. O serviço reúne 200 mil títulos disponíveis e já soma 40 milhões de usuários em 35 países. “Estamos com uma média de três horas de uso do console por usuário ao dia e mais da metade desse tempo é gasto com o consumo de filmes e vídeos”, conta o executivo. O Kinect a tecnologia de reconhecimento de gestos do Xbox, promete inovações não apenas na interação do usuário com os jogos de videogame. “A tecnologia influenciará também a forma do conteúdo com o qual se vai interagir. Já estamos desenvolvendo conteúdos específicos para Kinect em parceria com a ‘Vila Sésamo’ e com a National Geographic”, revela Oommen. Mesmo destino pode ter a publicidade, com interação de voz ou gestos com a audiência. “A TV não é mais linear. Será uma experiência imersiva na sala de estar”, define Oommen.

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( IBC 2012) FOTO: DIVULGAÇÃO

David Eun, da Samsung

exemplo, já têm funcionalidades de comando de voz e movimento que poderiam ser usadas para interatividade de conteúdos baixados na própria TV. Apenas TV As novidades da IBC não se limitaram ao front das novas plataformas. A feira mostrou a aposta forte que fabricantes e operadores vêm fazendo na TV convencional, aberta ou por assinatura. A Sony , por exemplo, e na linha do que apresentou em anos anteriores, está apostando alto na evolução da alta definição, com equipamentos para a produção em 4K para a televisão. Segundo o VP da área profissional da Sony para a Europa, Katsinori Yamanushi, o HD “tradicional” já não satisfaz os consumidores. Por isso, as novas linhas de produto da Sony chegam debaixo de um novo slogan: “Believe beyond HD”. Ele também chamou a atenção, claro, para o fato de que só qualidade de imagem não é mais suficiente, e que agora todos têm que pensar nas hoje tão comentadas novas telas, na conectividade e no 3D. Yamanushi também destacou os avanços no workflow de produção de ultra alta definição, com a evolução das tecnologias de encoding e armazenamento. Na TV por assinatura, a luta de gigantes é entre os provedores de set-top boxes e, principalmente, das plataformas (middleware) que rodam nas caixinhas. Uma tendência é o conceito de home gateway, ou media gateway, ou seja, uma caixa central mais “parruda”, que gerencia toda a mídia dentro de uma residência e distribui os sinais para outros dispositivos. Em seu maior negócio desde que foi concluída a aquisição da empresa pela Cisco, em julho último, a NDS anunciou durante a IBC que a UPC, maior operadora de cabo europeia, ligada à Liberty Global, implantará seu set-top box de última geração, no serviço batizado de Horizon TV. A Liberty Global opera em 13 países 22

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da Europa, com a marca UPC, e tem cerca de 20 milhões de assinantes. Embora a parceria tenha sido anunciada já há algum tempo, tudo indica que agora os problemas foram solucionados e o lançamento inicial deve acontecer na holandesa UPC Netherlands, seguido das operações na Suíça, Alemanha e Irlanda nos próximos três a seis meses. Um dos features mais importantes da caixa é a distribuição de sinal, via wi-fi, para outros dispositivos da casa, que podem ser tablets e smartphones ou set-tops clientes, distribuídos pelos cômodos. Assim, o set-top principal funciona como um media gateway, que gerencia todo o conteúdo, inclusive as gravações do DVR. O set-top, que tem o hardware produzido pela Samsung, também traz interface com a web e aplicativos de redes sociais, como Twitter e Facebook. Outro destaque importante é a interface do usuário, com gráficos 3D que permitem a navegação entre o conteúdo ao vivo, gravado, on-demand e serviços online. A caixa também acessa os arquivos de foto, áudio e

Holandesas FOTOs: tela viva

“Integrar hardware, software e conteúdo é hoje imperativo para nós.”

O lançamento de conteúdos interativos do canal Nat Geo Wild e da “Vila Sésamo” no Xbox 360 da Microsoft estava programado para o dia 18 de setembro. Serão 16 programas de cada provedor de conteúdo, que têm principalmente crianças e pais como público alvo, e que poderão ser adquiridos em formato digital pelo próprio Xbox ou em mídia física na Amazon. David Amor, chief creative officer da Relentless Software, empresa que desenvolveu a interface dos conteúdos da National Geographic, conta que o desenvolvimento da programação, que combina elementos de interatividade com realidade aumentada através dos comandos de voz e sensores de movimento do Kinect, levou 18 meses. “Pegamos programas que já existiam, como o “America Wild”, e adicionamos novas cenas para a interatividade. Ainda é um programa de TV, com interatividade de forma simples que mantém crianças e pais engajados em uma mesma tela”, conta. Na demonstração feita por Amor, o telespectador interage escolhendo caminhos por onde o apresentador deve seguir, fala quando acha pegadas na tela e também é convidado a jogar com realidade aumentada como se fosse um urso. “O mais difícil foi achar o formato que fosse interessante para crianças. Foi uma jornada de descobrimento. Agora estamos procurando mais canais que queiram testar isso”, conta. O desenvolvimento de interatividade, segundo o executivo, não está limitado ao Xbox com Kinect. “Essa foi a primeira parceria, mas podemos trabalhar não apenas com consoles de games, mas também com TVs conectadas”. Alguns modelos da Samsung, por

Aula de inovação O cantor e diretor de inovação da Intel, will.i.am, fez um keynote sobre tecnologia e criatividade na IBC. Para ele, se uma empresa quer criar e inovar, “tem que sair deste debate da monetização. Isso inibe o desenvolvimento”. Segundo ele, o que tem que se buscar é a mudança, o novo, e depois pensar se isso tem retorno. “Se não fosse assim, não teriam feito o YouTube, o Twitter, etc.”, disse. “Primeiro vem a ideia”, reforçou.


vídeo de qualquer computador na rede doméstica. Ela pode ser controlada através de um aplicativo no iPad ou com o controle remoto. O set-top tem seis tuners, o que permite a gravação de até quatro programas simultaneamente e o acesso a diferentes canais por vários dispositivos ao mesmo tempo, além de uma redução na latência na troca de canais. Segundo o VP sênior e COO da NDS, Raffi Kesten, nos próximos meses a marca Cisco deve substituir a NDS, que deixará de ser utilizada. “Isso não é um problema para nós, porque temos um número limitado de clientes e eles já nos conhecem, não somos uma marca de varejo”, disse a TELA VIVA. Ele reforçou, no entanto, que a atual NDS ficou sob uma área da Cisco totalmente separada da fabricação de set-top boxes (hardware). “Há uma ‘muralha da China’ entre nós, são negócios separados e que serão mantidos. A Cisco continuará integrando seus set-tops com todos os fabricantes de software, e nós também integraremos nossos software com caixas de outras marcas”, ressaltou.

recebe os sinais de video e dados da operadora e os distribuí para outros dispositivos, como set-tops clients (pontos extras) ou tablets. Os tablets também podem ser usados para controlar toda a experiência do espectador, funcionando como um controle para a seleção de conteúdos ou apenas para mudar de canal.

Já a Nagra apresentou durante a IBC, em Amsterdã, seu novo middleware OpenTV 5, para set-tops de cabo, satélite e IPTV. Uma das principais novidades da plataforma é que ela incorpora linguagens de programação da web, como Java e HTML5, de forma que diversos aplicativos podem migrar do mundo web para a TV (com adaptações), e também cria um

Consumo de conteúdos no Xbox Live vem apresentando crescimento de 140% ao ano. Na linha de home gateway, chamou a atenção de operadores presentes à IBC o set-top da Pace com 16 tuners, que já havia sido apresentado no Brasil durante a ABTA 2012, em agosto. Parece um exagero, mas o número de sintonizadores permite agregar à caixa alguns benefícios, como a gravação de múltiplos canais ao mesmo tempo, a sintonia de canais diferentes por set-tops “satélite” ligados à caixa principal e até mesmo acelerar o processo de mudança de canal (zapping), uma vez que vários canais são sintonizados ao mesmo tempo.

ambiente de desenvolvimento de apps por terceiros. A Nagra anunciou inclusive uma parceria com a Accedo, desenvolvedora de apps, para a criação de uma loja de aplicativos para a TV. A appstore será acessada através do menu dos set-tops equipados com o OpenTV 5. A plataforma também é compatível com as mais de 165 milhões de caixas implantadas hoje no mundo com a versão OpenTV 2, que podem ser usadas como set-tops clientes, por exemplo, de um media center OpenTV 5. A plataforma incorpora o conceito de casa conectada. Através dela, o assinante

Bem na fita O Brasil foi mencionado em diversos paineis da IBC, seja nos que falavam sobre as próximas Copa do Mundo e Olimpíadas, seja nos que faziam projeções de mercado, apostando no crescimento dos países emergentes. Neste painel da SES, por exemplo, colocado na entrada de um dos pavilhões, uma foto do Rio ilustra a promessa de bons negócios nas economias emergentes.

Ainda de óculos Sensação em anos anteriores, o 3D apareceu de forma mais tímida nesta IBC. Muitos acreditam que a tecnologia só vá mesmo decolar quando estiverem disponíveis telas 3D que dispensem os incômodos óculos, como esta, apresentada no estande da Sony. A qualidade, no entanto, ainda está abaixo do desejável. Deve levar alguns anos até aparecerem displays 3D realmente confortáveis aos olhos.

Economia de banda Demonstração, no estande da EBU (European Broadcast Union), de transmissão de vídeo no padrão HEVC (H.265), em desenvolvimento pelo MPEG. O padrão promete uma grande economia de banda, o que é fundamental para viabilizar futuras transmissões em 4K e 8K. Aqui se conseguiu uma transmissão de 3840 x 2160 utilizando-se apenas 11 Mbps de banda.

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Espectro, tema universal Como no Brasil, debate sobre a destinação das faixas de 700 MHz liberadas pela TV analógica na Europa também está aquecido, como se viu no congresso da IBC.

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JMiks/shutterstock.com

congresso da IBC 2012 abordou um debate conhecido no Brasil: a disputa entre radiodifusores e operadoras móveis sobre o destino da faixa de 700 MHz. Mas, diferentemente do que acontece aqui, a Europa está vivendo a segunda etapa da destinação de faixas do dividendo digital. “A etapa que o Brasil vive agora com a faixa de 700 MHz foi a que vivenciamos há dois anos e meio, quando decidimos pela destinação da faixa de 800 MHz para a transmissão de dados móveis”, lembra o head da unidade de radiofrequência da Comissão Europeia, Pearse O’Donohue. “Com o switch off da TV analógica, que será concluído em 31 de dezembro deste ano, decidimos pela destinação de toda a faixa de 800 MHz para a telefonia móvel, porque entendemos a necessidade de mais espectro para atender à demanda por dados móveis e porque pudemos garantir que ainda haveria espectro suficiente para a radiodifusão em 700 MHz”, explica. O Parlamento Europeu solicitou um total de 1.200 MHz alocados para a banda larga móvel até 2015, e por isso haverá a discussão para destinação da faixa de 700 MHz. De acordo com O’Donohue, essa segunda etapa de discussão do dividendo digital se apresenta ainda mais complexa. “Já fizemos os broadcasters abrirem mão da (faixa) de 800 FOTO: marcelo kahn

MHz e agora não será simples com a de 700 MHz. No entanto, não podemos tomar uma decisão com base na sobrevivência de uma indústria ou outra, mas sim no que será melhor para os cidadãos”, avalia. Enquanto operadoras móveis continuam clamando por mais espectro para fazer frente à explosão da demanda por dados móveis, broadcasters da Europa argumentam que uma redução ainda maior do seu espectro pode colocar em risco

“A telefonia móvel de quarta geração interfere com a TV digital a ponto de você ligar o seu celular em casa e o sinal da TV ser interferido.” Fernando Bittencourt, da Globo

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a continuidade da TV digital terrestre na região diante da impossibilidade de acompanhar avanços tecnológicos como transmissões HD, 3D e super HD 4K. “Hoje a TV digital terrestre chega a 72% dos lares da Europa, tem 275 milhões de telespectadores e mais de 1,8 mil canais. Atualmente, os canais de 21 a 60, que incluem a faixa de 700 MHz, estão totalmente ocupados em muitos dos países e precisaremos de todo o espectro disponível para migrar nossas transmissões para HD, 3D e, possivelmente, 4kHD”, defende Lars Backlund, chairman da Broadcast Networks Europe (BNE). Outro risco, lembrado por Bernard Pauchon, chairman do grupo de espectro e redes da DigiTAG, é a interferência do LTE nas transmissões de TV digital e para o qual estudos já estão sendo desenvolvidos. “Precisamos é de uma visão de longo prazo. Podemos melhorar a eficiência de transmissão da TV digital terrestre com novas tecnologias como o novo padrão DVB-T2 ou mesmo com maiores compressões. Mas não podemos também apenas espremer os broadcasters, temos que cobrar eficiência também das teles móveis. A melhor solução será a convivência de ambas as indústrias na faixa, mas para isso será preciso ainda muita conversa, o que está apenas começando”, conclui O’Donohue. Interferência O problema de uma eventual interferência entre o serviço de


“Os envolvidos no processo de padronização da TV digital deveriam se sentir envergonhados.”

encoding HEVC. Vale lembrar que o DVB fez um forte lobby no Brasil para a adoção de seu padrão, bem como os americanos do ATSC, que ocupam hoje a liderança do FoBTV, mas foram suplantados pelo padrão japonês, superior tecnicamente e que contava com apoio das emissoras locais. Segundo Laven, a implantação desta segunda geração será mais difícil que a da atual, pois os benefícios são mais difíceis de serem percebidos pelo público. Além disso, consome mais espectro, o que alimenta a briga por frequências entre broadcasters e FOTO: divulgação

dados móveis e o de TV já é levantado pelos broadcasters brasileiros. Para Fernando Bittencourt, principal executivo da área de tecnologia da TV Globo, o assunto mais impactante discutido durante a IBC foi a constatação de que as primeiras transmissões móveis em LTE na faixa de 700 MHz estão interferindo na recepção de TV digital nos países que começaram a usar a faixa para banda larga móvel. “O uso da faixa do primeiro dividendo pelo LTE, entre os canais 61 a 69, e a convivência lado a lado com a TV geram uma séria interferência na recepção dos canais. A ponto de você ligar o seu celular em casa e o sinal da TV ser interferido”, disse Bittencourt, apontando constatação realizada em diferentes países que já usam o dividendo digital para o serviço móvel. Segundo ele, o problema decorre do fato de que os aparelhos de TV atuais recebem os sinais de toda a faixa de UHF. Quando essas faixas deixam de ser usadas pela TV, os aparelhos continuam suscetíveis às transmissões na faixa. “Isso tem causado atrasos na implantação dos serviços de TV e de LTE”, diz Bittencourt. Segundo ele, uma solução óbvia seria colocar filtros nos televisores. Mas isso só pode ser feito quando for concluído o processo de digitalização e devolução do dividendo digital. “Mesmo assim, não tem como resolver o problema do legado de milhões de televisores, e a cada dia aumentamos esse legado”. Além desse novo argumento de interferência, Bittencourt apontou outros problemas para o uso da faixa de 700 MHz para a banda larga móvel. “O dividendo digital parte da premissa de que a TV aberta evoluiu tudo o que tinha para evoluir, o que não é verdade. Tecnologias como 4K, 8K e 3D mostram que ainda existe espaço para desenvolvimento. Além disso,

Phil Laven, do DVB e da FoBTV

a TV aberta é baseada, sobretudo no Brasil, em um modelo regional de produção de conteúdos. Esse mercado tem oportunidade de se expandir e mais canais serão necessários”. Padrão mundial O chairman do DVB, consórcio responsável pelo padrão de TV digital terrestre europeu, falou em um painel da IBC promovido em conjunto com a SET (Soc. Bras. de Engenharia de Televisão).

para broadcasters europeus, redução ainda maior do seu espectro pode colocar em risco a continuidade da TV digital terrestre na região. Falando em nome da FoBTV (Future of Broadcast TV), entidade internacional da qual o Brasil, através da SET e da TV Globo, faz parte, Phil Laven, que é vicechairman do grupo, propôs que os países se unam em torno de um padrão universal para a TV digital de segunda geração, que deve acontecer com a chegada da ultra alta definição e do

empresas de telecom. Ele diz que a divisão do mundo em diferentes padrões foi um erro que custou bilhões de dólares à indústria e ao público. “Os envolvidos naquele processo de padronização deveriam se sentir envergonhados”, disse. André Mermelstein e Letícia Cordeiro, de Amsterdã

Tecnologia nacional A TV Globo ficou entre as finalistas do prêmio de inovação em produção do IBC 2012, com um sistema que desenvolveu internamente para uso no quadro “Dança dos Famosos”. Chamado de Vate, o sistema memoriza os cortes de câmera feitos pelo diretor durante os ensaios das apresentações, criando uma espécie de EDL (lista de edição), que depois é usada como guia na transmissão ao vivo. O prêmio acabou ficando com as empresas Red Bee Media e Civolution, que desenvolveram para o canal FX uma ferramenta que sincroniza a produção com o conteúdo extra oferecido em segunda tela, nos tablets, utilizando uma “marca d’água” sonora. O sistema foi usado na série “The Walking Dead”, e por usar o áudio do programa para a sincronização do conteúdo do video com o aplicativo no tablet, funciona tanto na transmissão ao vivo quanto com o programa gravado. O Laboratório de Pesquisas em Ciência e Tecnologia da emissora japonesa NHK (STRL) foi homenageado com o International Honour of Excellence. O prêmio do júri foi para a iniciativa FIMS (Framework for Interoperable Media Services), que pretende criar padrões para o intercâmbio de arquivos de conteúdo. O padrão é promovido pela Advanced Media Workflow Association (AMWA) e pela European Broadcasting Union (EBU).

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Esforço olímpico

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s Jogos Olímpicos de Londres foram o maior evento já transmitido pela TV inglesa, relatou a diretora da BBC Sports, Barbara Slater, em painel do congresso da IBC, no início deste mês em Amsterdã. Os eventos foram vistos por 51 milhões de pessoas, ou 90% da população britânica, através de todos os canais utilizados pela BBC. A emissora usou três canais de TV aberta (BBC One, BBC Two e BBC Three), diversos canais de rádio e a Internet. Um canal de rádio foi criado especificamente para o evento. Além da audiência dos esportes, os Jogos também alavancaram o resto da programação, em especial os noticiários, mas também documentários e programas ligados ao esporte. A BBC transmitiu 2,5 mil horas de conteúdo ao vivo. Nas Olimpíadas anteriores, em Beijing, foram 1,5 mil horas, em comparação. O lema da BBC para a cobertura foi “Never miss a moment”, ou seja, tudo deveria ser transmitido. A Internet foi fundamental na cobertura, conta Barbara. “Não conseguiríamos fazer tudo sem as novas plataformas. O esporte sempre puxou as inovações”, disse. Ela lembrou que há quatro anos, nos Jogos de 2008, na China, praticamente não havia tablets, smartphones, smart TVs e as redes sociais não tinham o tamanho de hoje. No player online da BBC o espectador podia ver qualquer prova já realizada on-demand, e também os eventos ao vivo. O site teve 10

skyearth / Shutterstock.com

Jogos de 2012 foram o evento mais visto do mundo em todas as plataformas, e os primeiros da era da “segunda tela”. Agora as emissoras preparam-se para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Segundo Barbara Slater, da BBC, cobertura dos Jogos não teria sido possível sem o suporte das plataformas digitais.

milhões de acessos por dia, e 106 milhões de requisições de vídeos. Perguntada sobre as transmissões em 3D, a diretora da BBC foi lacônica: “Fizemos poucas transmissões, apenas as cerimônias de abertura e encerramento e a prova dos 100m rasos. O 3D é bom, mas não é tão grande quanto se antecipou. Não chegou seu momento ainda”, concluiu. No mesmo painel da IBC, o diretor global de mídia do Terra, Pedro Rolla, apresentou um balanço da transmissão e cobertura dos Jogos Olímpicos feitas pelo portal em 17 países da América Latina,

Os acessos via PC somaram 62 milhões, e 16 milhões de usuários assistiram aos vídeos por celular ou tablet. O Terra computa ainda uma audiência de 19,8 milhões de usuários através das telas out-of-home. Ao todo, foram assistidos 122 milhões de streamings de vídeo, sendo 10 milhões em dispositivos móveis e 170 mil em smart TVs, somando 1,1 milhão de horas assistidas. As redes sociais tiveram um papel

O site teve da BBC teve 10 milhões de acessos por dia e 106 milhões de requisições de vídeos durante as olimpíadas de londres. EUA e Espanha, em português e espanhol. O número de usuários conectados à transmissão online do portal cresceu de 15 milhões nos Jogos de Beijing para 32 milhões no Panamericano de Guadalajara e 98 milhões em Londres 2012 (somados os usuários em todas as plataformas, ou seja, um mesmo usuário pode ser contado mais de uma vez se acessar por plataformas diferentes). 26

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importante na promoção do evento, conta Rolla. Foram realizadas 258 mil postagens nas redes sociais no período dos Jogos. A cobertura do Terra envolveu 220 profissionais, 84 dos quais em Londres. Copa mais cara O custo de produção da Copa do Mundo de 2014 deve sair em torno


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de 40% a mais que a de 2010, na África do Sul, estimou Francis Tellier, presidente da HBS, geradora de imagens oficial do evento, em outro painel da IBC. O aumento se deve principalmente às dimensões do Brasil e ao número de cidades-sede, 12, contra dez na Copa anterior. Ele estima que terá que contratar cerca de 300 profissionais a mais para a cobertura. O diretor da Fifa TV, Niclas Ericson, reforçou o desafio logístico. “É o maior país que sedia uma Copa desde 1994, nos EUA”, lembrou. “Também é uma operação mais complexa que a das Olimpíadas, porque acontece em várias cidades simultaneamente”, disse, após apresentar um vídeo promocional com imagens do futebol brasileiro e de paisagens do

Katsumori Yamamuchi, da Sony Europe, com Ericson (FifaTV) e Tellier (HBS): fabricante japonesa será fornecedora oficial da Copa.

País (ao som de uma rumba!). Segundo Ericson, a cooperação entre a entidade do futebol e os governos brasileiros (federal, estaduais e municipais) está indo muito bem, e que o momento atual é de preparação da infraestrutura de telecomunicações, que está sendo acertada entre a Fifa, o Comitê

Organizador Local, o Minicom e as operadoras. “Um dos maiores legados da Copa para o País deve ser esta infraestrutura de telecomunicações”, disse Ericson. Segundo ele, a indústria de telecom brasileira é muito avançada, mas também muito fragmentada. O diretor disse que a Fifa está “confortável” com o ritmo das obras dos estádios, e que seis deles devem estar prontos para a Copa das Confederações, no ano que vem. Ele ressaltou a parceria da Fifa com a Globo, não apenas como licenciada local para a transmissão do evento, mas também como parceira na produção (provendo serviços para a HBS) e na organização de eventos de exibição pública dos jogos, licencia­mento comercial e outras atividades ligadas à Copa. A transmissão da Copa envolve,

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segundo Tellier, cerca de 3 mil profissionais. “Será uma transmissão totalmente multitelas e multimídia”, ressaltou. A HBS fará a geração e transmissão de 64 jogos, com esquema de 34 câmeras. Para isso, terá 32 equipes de ENG (unidades móveis). “Não há definição ainda sobre as transmissões em 3D ou 4K”, disse Tellier. Já para a Globo, parceira da HBS e emissora oficial do evento, um dos maiores desafios na preparação para a Copa de 2014 são os recursos humanos. A emissora dará início no segundo semestre do ano que vem a um processo de seleção e treinamento de cerca de 200 profissionais, contou o diretor de engenharia de jornalismo e esportes da rede, José Manoel Marino. A preparação também inclui completar a migração da área de jornalismo para HD, porque ainda há material gerado em definição padrão. Outro passo, que já vem sendo tomado pela rede, e o chamado projeto 50K, ou seja, a expansão do sinal digital para as praças com população acima de 50 mil habitantes. “Precisamos também suplementar nossa infraestrutura de distribuição multiplataforma”, contou Marino, que explicou que a Globo conta com uma CDN (rede de distribuição de conteúdos online) própria. Ele disse ainda que a empresa desenvolve um plano para aplicações de segunda tela e social media. Marino conta que a Globo exibe 160 jogos por ano na TV aberta, todos em HD, e ainda 1,5 mil jogos por ano nos canais pagos da Globosat. Além disso, o Globoesporte. com transmite 43 milhões de vídeos ao mês apenas ligados ao futebol. Além dos jogos, a estrutura para a Copa prevê a cobertura dos cerca de 64 locais de treinamento das equipes internacionais e uma cobertura 24 horas da Seleção Brasileira. A Globo ainda organizará 12 International Fifa Fan Fests,

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Transmissão olímpica do Terra: portal teve 62 milhões de acessos via PC e 16 milhões em devices móveis durante Londres 2012.

grandes eventos de música ligados à programação esportiva. Inovações Os grandes eventos são catalisadores e consolidadores de tendências em tecnologia e hábitos de consumo. Números apresentados na IBC 2012 mostraram que as Olimpíadas de 2012 não foram apenas

com anúncios”, avalia Irving. Stephen Streater, CEO da Forbidden Technologies, lembrou que cada vez mais a nuvem será relevante não apenas para armazenar os conteúdos a serem distribuídos simultaneamente para múltiplos dispositivos, como broadcast para TVs, Internet, smartphones e tablets, mas também para a própria edição dos conteúdos. “Durante os Jogos Olímpicos foi feito o upload de mais de 2 milhões de horas de conteúdo na nossa plataforma de vídeo profissional baseada na nuvem”, contou. De acordo com o CTO da Panasonic, Eisuke Tsuyuzaki, o projeto e implantação da estrutura para transmissão em 3D dos jogos de Londres levou apenas 18 meses. “Usamos três caminhões e 30 câmeras e foi a maior quantidade de conteúdo 3D já distribuída globalmente”, conta. Só nos EUA, ao final de 2011, havia 7 milhões de TVs 3D e 3,5 bilhões de

o custo de produção da copa do mundo de 2014 deve sair em torno de 40% a mais que em 2010 os jogos do vídeo e das redes sociais, mas também das transmissões em 3D, Super Hi-Vision e conteúdos armazenados na nuvem para transmissão simultânea de broadcast, Internet e mobile. O diretor comercial da Deltatre Media, Jim Irving, lembrou que o streaming de vídeos dos jogos olímpicos começou ainda em 2008, em Pequim. “De lá para cá, a quantidade de streaming passou de 625 horas para 2,5 mil horas em 2012 e a quantidade de tweets cresceu de 6 milhões em 2008 para 500 milhões em Londres”, compara. No mesmo período, a quantidade de page views do site oficial dos jogos originados em dispositivos móveis passou dos apenas 3% registrados em Pequim para 55% em Londres. “Outro dado interessante é que enquanto a média de visitas no site oficial durante os jogos variou de 8 a 30 minutos, no DIVA, nosso online vídeo player, a média foi de 45 a 60 minutos. As próximas Olimpíadas serão uma boa oportunidade para monetizar a plataforma 28

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filmes 3D vendidos. Na visão de Tsuyuzaki, a experiência de assistir às Olimpíadas em 3D trouxe o espectador mais para perto do espetáculo. Já a emissora japonesa NHK inaugurou em Londres as transmissões em Ultra-HD 4K no padrão que estão desenvolvendo com o nome de Super Hi-Vision (SHV). “A intenção é fazer com que a audiência sinta como se estivesse realmente lá. Gravamos em altíssima resolução, com menos cortes, ângulos mais amplos e movimentos de câmeras mais lentos”, explica o engenheiro sênior de pesquisa da NHK, Kimio Hamasaki. Para ele, o SHV abrirá um novo mundo de negócios de conteúdo. Mas esta é uma tecnologia ainda em processo de maturação. Em Londres, apenas algumas imagens foram captadas em 4K. André Mermelstein e Letícia Cordeiro, de Amsterdã


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Texto gerado a partir do conteúdo falado de qualquer programa de televisão, disponibilizado em tempo real e na íntegra para diversas aplicações e/ou divulgação pela internet, por parte da emissora.

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cobertura

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Transição cautelosa Ministério das Comunicações quer começar o switch off do sinal analógico antes mesmo de 2016 nas principais cidades. Emissoras ainda lutam para digitalizar localidades menores.

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FOTOS: marcelo kahn

Ministério das Comunicações está desenhando o plano de “apagão” (switch off) da TV analógica, com o desligamento gradual dos sinais. A novidade, anunciada na abertura do Congresso SET, organizado pela Sociedade de Engenharia de Televisão em agosto, é que o governo já trabalha com a possibilidade de postergar o desligamento analógico em algumas localidades, mas antecipar em outras. A informação foi dada pelo secretário de Serviços de Comunicação Eletrônica do Minicom, Genildo Lins, no evento. À TELA VIVA, Lins afirmou que o Minicom prevê fazer o desligamento dos sinais analógicos na cidade de São Paulo e de mais duas ou três localidades ainda em 2015. A maioria dos grandes centros urbanos deve seguir o plano previsto no decreto que instituiu o Sistema Brasileiro de TV Digital, de junho de 2016. “Nos Estados Unidos ainda não desligaram completamente a TV analógica”, lembra Lins, mostrando a extensão de tempo que a tecnologia analógica pode ganhar nas menores praças. A diretora de outorgas da Secretaria de Serviços de Comunicação Eletrônica, Patricia Ávila, disse no evento que a Região Metropolitana de São Paulo (27 cidades) deve ter o processo de switch off iniciado em março de 2015. Em seguida, virão Brasília e as capitais do Sudeste (com suas regiões metropolitanas, 24 cidades). Ainda em 2015 serão desligadas as capitais do Nordeste, outras 35 cidades. Em 2016, conta a diretora, será a vez das capitais do Centro-Oeste e do

Abertura do Congresso SET 2012: novidades no cronograma da TV digital.

Norte (24 cidades) e do interior de São Paulo, com 434 cidades. No final do ano acontece o switch off de outras 477, completando a cobertura de grande parte da população nacional, concentrada nas maiores cidades. Segundo Lins, o Minicom já estuda a possibilidade de reeditar o decreto da TV digital, permitindo que sejam mantidas as transmissões analógicas em diversas praças. Modelos O Minicom analisou o que funcionou e o que não deu certo nos países que já fizeram o desligamento da TV analógica, para preparar a parte final do plano de transição brasileiro. Patrícia Ávila lembra que no Japão o switch off foi feito em “one-shot”, ou seja, de uma só vez. Mas houve no país uma grande mobilização, com divulgação nos órgãos públicos e até apoio dos Escoteiros, na ajuda aos idosos para se adaptarem à TV digital. Houve também um grande esforço na universalização da recepção, 32

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com instalação de antenas, reforço na cobertura e parceria com o varejo. Foram veiculados vários avisos na TV, com apoio de um call center para dúvidas. O efeito foi um alto custo, e um problema de fornecimento de receptores na etapa final. Nos EUA também foi feito um one-shot, embora alguns radiodifusores tenham desligado seus sinais antes mesmo do prazo. Foi criado um cupom para a compra do receptor (set-top), e feito o leilão antecipado das faixas de 700 MHz, para quem quisesse abrir mão das frequências. No caso europeu (França, Espanha e Portugal) o desligamento foi escalonado, modelo que o Brasil pretende seguir. No caso francês, houve subsídio dos receptores, e em toda a região foi utilizado o satélite para complementar a cobertura onde esta era deficiente. Já na Coreia houve um one-shot, mas com quatro pilotos realizados até


dois anos antes da data final. Foi importante no país a colaboração da indústria de receptores, que ofereceu equipamentos de baixo custo no período de transição. Canalização As emissoras, porém, apontam ainda vários problemas para se pensar em um desligamento em tão curto prazo. A SET defende a necessidade de ajustes na canalização de TV no Brasil, disse a então presidente da associação, Liliana Nakonechnyj, na abertura do Congresso. Segundo ela, há novas tecnologias que demandam espectro, referindo-se ao serviço de banda larga 4G, e que o maior desafio é liberar espectro sem deixar de contemplar a possibilidade de regionalização da TV aberta e gratuita. Trata-se de um discurso já adotado pela radiodifusão há algum tempo. O setor teme que a readequação do espectro termine congelando a canalização, acabando com a possibilidade de liberação de novos canais para geradoras regionais. Para Liliana, o ponto de partida é o trabalho de planejamento de canais já desenvolvido pela Anatel. No entanto, destaca, os ajustes necessários não serão simples. “Ajustar no papel é rápido”, ironizou. Na prática, explicou a presidente da SET, qualquer mudança demanda adaptações nas antenas transmissoras e, em alguns casos, até a mudança da localização das antenas de transmissão de TV. “É necessário prever um prazo para este tipo de adaptação, antes do início do 4G”, disse. Ainda no painel de abertura do evento, Daniel Pimentel Slaviero, presidente da Abert, lembrou que o maior desafio na liberação da faixa dos 700 MHz para os serviços de banda larga é não prejudicar a radiodifusão aberta e gratuita. Ele afirmou a TELA VIVA que a

possibilidades de interferência que impactam na cobertura. Em outras palavras, a faixa de 700 MHz, alvo das teles, está congestionada nas cidades mais densamente povoadas, e mais interessantes economicamente. O estudo focou-se no interior de São Paulo, uma das áreas mais problemáticas do País, segundo André Ulhoa Cintra, coautor do trabalho. Analisando as possíveis interferências entre todas as emissoras da região, o estudo concluiu que são necessários mais canais para garantir a transmissão de TV digital de qualidade à maioria dos habitantes. “Poderiam ser liberados apenas dois canais em Campinas/Sorocaba, seis em Ribeirão Preto, oito em São José do Rio Preto e sete em Bauru”, diz Cintra, mencionando as áreas pesquisadas. “Há necessidade de mais espectro já hoje para replicar os canais analógicos, isso sem considerar futuras expansões e entrada de novos players”, relata.

“Estudamos a possibilidade de reeditar o decreto da TV digital, permitindo que sejam mantidas as transmissões analógicas em diversas praças”. Genildo Lins, do Ministério das Comunicações

entidade manterá uma postura “dura” em defesa da garantia de não interferência nos sinais da radiodifusão por outros serviços e na oferta de novos canais de TV. Ele destaca que o Ministério das Comunicações tem mantido aberta a possibilidade de diálogo com o setor. Genildo Lins disse no evento que o governo não tomará qualquer decisão sem que a população e a radiodifusão tenham certeza de que não haja riscos à TV aberta. Mais canais A SET apresentou no evento um estudo que mostra que a cessão de canais do chamado “dividendo digital”, ou seja, as frequências liberadas com o fim da TV

SET defende a necessidade de ajustes na canalização de TV no Brasil. analógica, não será tão fácil quanto podem pensar as operadoras de telecom. Segundo a consultora Teresa Mondino, uma das organizadoras do trabalho, a TV ocupa hoje os canais 14 a 59 (TVs comerciais) e 60 a 69 (TVs públicas) da faixa de UHF, e as teles querem ficar com a faixa do 14 ao 52, que seria liberada com a digitalização. No entanto, diz ela, o plano de canalização da TV digital não é otimizado, e há um excesso de estações em SFN (Single Frequency Network, ou seja, operando na mesma frequência), o que gera

Mais frequências podem ser liberadas se o plano de canalização for refeito, de forma a otimizar as redes SFN, sobretudo por conta das empresas independentes, que muitas vezes têm apenas uma emissora e com isso ocupam um canal que poderia ser usado por uma rede em todo o Estado. Mas este novo plano, diz, só pode ser feito depois do switch off analógico. Algumas semanas após o evento, no dia 18 de setembro, representantes das duas principais associações do setor de radiodifusão, Abert e Abra, reuniramse com o ministro Paulo Bernardo para apresentar oficialmente a posição do setor sobre o tamanho do dividendo digital.

“A associação manterá uma postura dura em defesa da garantia de não interferência nos sinais da radiodifusão por outros serviços”. Daniel Slaviero, da Abert

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“Chegamos (com a cobertura digital) a 47% da população. Os próximos 53% serão muito mais difíceis”.

Com base no estudo da SET, as associações entregaram um documento no qual reivindicam que os canais de 14 a 59 sejam integralmente mantidos com a radiodifusão “em regiões mais densas que venham a ser identificadas pela SET”. Segundo Daniel Slaviero, a ideia é replicar o estudo para outras áreas com grande número de emissoras. “Com a metodologia pronta, é só uma questão de replicar. Nossa preocupação é nos grandes centros”. “O Brasil não pode abrir mão do potencial da Internet via banda larga, mas, por outro diapasão, também não pode fazê-lo em prejuízo do setor da radiodifusão, que é e continuará sendo, ainda por muito tempo, a única plataforma eletrônica efetiva de comunicação de massa no Brasil”, diz o documento, que sugere também que seja criado um grupo de trabalho com a participação da radiodifusão para discutir o assunto. O documento também ressalta a necessidade de que sejam criadas políticas públicas para a migração do sistema analógico para o digital. As associações apontam a necessidade de se desburocratizar o acesso ao crédito específico do BNDES para a digitalização das transmissões. Na ponta dos consumidores, as associações apontam a necessidade de se “universalizar” os set-top boxes através de desonerações fiscais e distribuição gratuita. Em relação a algumas prefeituras que operam retransmissoras de TV – problema já relatado pelo ministro Bernardo – a sugestão é que se crie um fundo público para financiar a digitalização. Também foi sugerido que todas as emissoras que tiverem seus canais realocados deverão ser indenizadas pela tele que “der causa à necessidade de realocação”. As associações também reivindicam a “blindagem dos white spaces”, os canais vazios entre um canal e outro para evitar interferência. “As interferências na radiodifusão, causada por serviços

FOTO: marcelo kahn

( TV digital)

Roberto Franco, do Fórum SBTVD

de telecomunicações que se utilizam dos chamados white spaces, devem ser impedidas no Brasil. A sua utilização deve se limitar à radiodifusão e aos seus serviços auxiliares e ancilares”, diz o documento. Receptores Além do problema da canalização e da cobertura da TV digital, está na mesa a questão da recepção. O Brasil conta com 16 milhões de televisores com recepção digital embutida, número que deve chegar a 70 milhões até o final de 2015, segundo Roberto Franco, presidente do Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital, durante o Congresso SET. Segundo ele, a estimativa não considera o plano de desligamento da TV analógica, em desenvolvimento no Ministério das Comunicações. “O adiantamento do apagão nos grandes centros pode acelerar ainda mais a penetração da TV digital”, explica Franco. Atualmente, 60 milhões de pessoas já estão cobertas pelos sinais digitais.

“Chegamos a 47% da população. Os próximos 53% serão muito mais difíceis”, disse. “Quanto mais próximo dos 100%, mais difícil será”, referindo-se à digitalização das menores localidades. Franco apresentou ainda um panorama da oferta de receptores no mercado brasileiro. Segundo ele, há atualmente mais de 200 modelos de televisores com recepção digital integrada e mais de 40 modelos equipados com o middleware para interatividade Ginga. A questão da interiorização é chave para entender o problema. Emissoras regionais estão tendo dificuldades para bancar o custo de digitalização de suas praças mais remotas, custo este que envolve não apenas a instalação do transmissor, mas também o transporte do sinal digital. Um radiodifusor regional disse a TELA VIVA que estima gastar R$ 600 mil apenas com transmissão, o que seria um custo alto para seu porte. E isso sem que haja qualquer perspectiva de novas receitas decorrentes do serviço. André Mermelstein, Fernando Lauterjung e Helton Possetti

SET premia soluções tecnológicas A Sociedade de Engenharia de Televisão realizou durante seu congresso a terceira edição do Prêmio SET. Veja a lista dos dez premiados: Harris

Melhor solução em transmissão e/ou recepção ISDB-TB

EBC Melhor solução de interatividade desenvolvida para a TV digital baseada em Ginga Building 4 Media Melhor solução de mobilidade em televisão digital Avid Latin America Melhor solução em gerenciamento de conteúdo (MAM) e/ou workflow Grass Valley do Brasil Melhor solução em produção para esportes Rede Globo

Melhor solução em integração de novas mídias

SBT São Paulo

Melhor projeto de inovação tecnológica

Marcos Lucena

Melhor artigo publicado na Revista da SET

Luiz Fausto, Edilberto Melhor apresentação/publicação do ciclo acadêmico Strauss e Flávio Mello científico de 2011 Carlos Nazareth

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Melhor sessão apresentada no Congresso SET 2011

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cobertura

( convergência) Ana Carolina Barbosa

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Broad o quê? Emissoras e operadoras concluem que é fundamental focar na qualidade da entrega e desenvolvimento de modelos de negócio mais sólidos para aprimorar as experiências broadcast/broadband.

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convergência entre os setores de broadcast e broadband foi tema de debates no Congresso SET, 2012, evento de engenharia de televisão que aconteceu em São Paulo no final de agosto. “O que parecia uma tendência (vídeo sobre broadband) tem se tornado uma revolução da indústria global”, disse Alexandre Colcher, da Accenture. “A quantidade de devices conectados vai aumentar. Passa a ser inevitável servir bem para manter o cliente e monetizar”. Ele apresentou uma pesquisa feita pela Accenture que mostra que 87% dos consumidores no Brasil estão dispostos a pagar por vídeo online. A pesquisa também perguntava de quem as pessoas estavam dispostas a contratar o serviço de banda larga. A maioria contrataria das telecoms e empresas de banda larga (42%). Broadcasters (20%) e fabricantes de TV (19%) apareceram em segundo e terceiro lugar, respectivamente. Com base neste cenário de convergência, a Oi tem feito investimentos. “A Oi entende que é preciso ter uma rede abrangente e diversificada”, explica Marco Dyodi Takahashi, diretor do segmento FFTH/IPTV da operadora. A empresa quer lançar o produto de IPTV este ano em uma nova rede de Fiber to the Home para a cobertura de áreas mais densas. A meta é chegar a 2,5 milhões de casas passadas em 2015 em mais de 20 cidades. Estão nos planos FOTOS: MARCELO KAHN

a implementação de CDNs (content distribution networks) para a distribuição de vídeo e a implementação da plataforma de VOD. Breno Fleury, gerente de negócios da Cisco, também apresentou dados de algumas pesquisas que justificam os investimentos de provedores na qualidade do serviço. O número de usuários de Internet no Brasil deve sair de 61 milhões em 2012 para 98 milhões em 2016. A velocidade média da banda larga no País também deve saltar de 4,9 Mbps para 13,6 Mbps neste período. Em 2016, haverá em média três dispositivos conectados para cada indivíduo. “A palavra-chave é qualidade de experiência. É preciso sair do ‘best effort’ para garantir o ‘quality of experience’”, observa. De acordo com Fleury, um impacto que não pode ser ignorado é o das TVs e consoles de games conectados, pois o crescimento de ambos tem sido progressivo e bastante rápido. Nos Estados Unidos, das casas com conexão de banda larga, em 42% havia uma SmarTV em 2010. Já em 2011, 51% contavam com o dispositivo. Entre os consoles, também há progressão. Eram 47% em 2010 e, em 2011, chegaram a 52%. Pesquisa de um ano

“A palavra-chave é qualidade de experiência. É preciso sair do ‘best effort’ para garantir o ‘quality of experience’”. Breno Fleury, da Cisco

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Serviço de vídeo on-demand ajuda na retenção de clientes, como atesta André Guerreiro, diretor de inteligência de mercado da Net.

atrás indica que o tempo médio semanal de consumo do conteúdo das TVs conectadas era de 4,7 horas. O executivo da Cisco também destacou o fato de que o principal motivo de irritação de quem consome vídeo pela Internet é o atraso no buffering (30%). “O impacto é imenso e a solução são os investimentos paralelos. Tanto os orgânicos, na qualidade do serviço, quanto as soluções específicas para melhorar a experiência do usuário”, diz Fleury. O futuro é agora Os players que oferecem conteúdo para consumo por banda larga já têm lições a compartilhar sobre a experiência. A Net, por exemplo, percebeu redução do churn (desligamento de assinantes) após o lançamento do Now, serviço de vídeo on-demand. André Guerreiro, diretor de inteligência de mercado da operadora, embora não tenha revelado números, explicou que os consumidores de TV paga estão divididos em três segmentos: tradicionais, aqueles que vão demorar a aderir às novidades; contemporâneos, aqueles que têm tudo, mas não consomem nada; e transformadores, aqueles que têm e consomem tudo. Neste último grupo, segundo ele, a redução do churn é bastante significativa. As fabricantes, com suas TVs conectadas, têm aproveitado a


Monetização online Outra grande questão para a televisão é como monetizar com o online. Franco contou a

redes sociais. Projetos que envolvam sua marca e a marca do patrocinador”, destaca Werneck, lembrando que uma alternativa é prover conteúdo para o patrocinador. André Terra, da Intacto, empresa de Brasília que trabalha com tecnologia da informação e desenvolve aplicativos para a TV conectada, observou que os investimentos não são em vão, em primeiro lugar porque eles aumentam o buzz da emissora na Internet e isso desperta o interesse dos anunciantes; em segundo porque pode haver reflexos na audiência. Ele mostrou dados da Nielsen nos Estados Unidos que indicam que quando a emissora aumenta os investimentos em ações digitais em 9%, a audiência sobe 1%. Cassiano Froes, coordenador de tecnologia de novas mídias da Globosat, conta que essa é uma preocupação constante da programadora, mas as definições ainda estão distantes. “Acho que tem muita coisa para ser testada, temos que ver como vai ser a aceitação do público. Talvez a primeira tentativa seja com o modelo básico do YouTube, o pre-roll, mas não sei dizer ainda”, disse o executivo.

experiência com o projeto de second screen criado pela empresa Klug TV. Desde junho, a emissora vem testando a oferta de interatividade para toda programação, incluindo os intervalos comerciais em tablets e smartphones. Sem saber quanto cobrar pela inserção das marcas no serviço, a emissora pediu para as agências ajudarem a colocar preço, porque se trata de algo muito novo no mercado. “Também levou um tempo para chegarmos às tabelas do 30 segundos”, observa o executivo, para quem o ajuste de preços e formatos é uma questão de amadurecimento do mercado. Os canais sabem que investir em conteúdo digital é necessário, mas as fórmulas para monetizar ainda estão obscuras. Para Jefferson Padilha, gerente de desenvolvimento de produtos digitais da Band, é preciso trabalhar redes sociais como um caminho sem volta. “O anunciante vê a relevância da sua marca neste contexto. É importante trabalhar mesmo que haja custos”, diz o executivo. Para Guilherme Werneck, editor executivo de mídia digital da MTV Brasil, os modelos nestes meios precisam ser novos. “Não dá para fazer anúncio tradicional, mas dá para fazer projetos especiais trabalhando digital e

FOTO: divulgação

Marcelo Varon, da Sony, acredita que o grande diferencial entre as fabricantes de devices conectados será a exclusividade de conteúdos.

FOTO: arquivo

maré favorável. Marcelo Varon, gerente de Internet vídeo da Sony, apresentou uma pesquisa em que a estimativa é que o Brasil tenha entre 15 e 20 milhões de aparelhos conectados em 2015. No mundo, a expectativa é que chegue a 500 milhões. Para o executivo, o que vai diferenciar as fabricantes neste cenário é a exclusividade de conteúdos. Por isso, a Sony já deu alguns passos nesta direção. Em parceria com o Terra, a fabricante levou com exclusividade aos usuários de seus aparelhos conectados o show ao vivo da banda Maroon 5, que aconteceu em São Paulo no início de setembro. Além disso, a Sony trará com exclusividade para o Brasil até o fim do ano o set-top da Google TV. A TV aberta, que reinou absoluta durante muito tempo, é a que mais corre atrás para aprender a lidar com a convergência e com as novas possibilidades tecnológicas. A TV aberta brasileira oferece atualmente 105 horas de interatividade, segundo o presidente do Fórum Brasileiro de Televisão Digital e diretor de redes e assuntos regulatórios do SBT, Roberto Franco. Em apresentação no Congresso Set, ele retomou o discurso de que o middleware da TV digital brasileira, o Ginga, poderá conviver com os serviços OTT e com as TVs conectadas, no entanto, ele observou que o radiodifusor precisa buscar constantemente o aprimoramento de seus serviços, apostando em tecnologias como o HD, o 3D, o 4K e o ultra 3D. “Ninguém consegue vencer em outros territórios sem antes vencer no próprio território”, afirma Franco.

Juventude conectada Fernando Bittencourt, diretor de engenharia da TV Globo, comandou um painel com nove jovens de até 20 anos participando das discussões e revelando seus hábitos quando o assunto é consumo de mídia. Indagados sobre o que mais gostam e o que mais odeiam no consumo de vídeos online, as respostas foram unânimes: gostam da possibilidade de escolher o que assistir e a hora de fazê-lo; reprovam os anúncios obrigatórios no YouTube. Nas justificativas, eles não se mostraram totalmente contra a publicidade, o que incomoda é o pre-roll obrigatório. Para eles, a solução mais viável seria o anúncio no canto da tela. No entanto, apesar do incômodo, poucos deles estariam dispostos a pagar para consumir o conteúdo. O mesmo grupo de jovens disse que não se incomoda com os anúncios de televisão. Eles garantiram que não aproveitam o intervalo comercial para zapear.

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cobertura

( tecnologia) Bruno Borin

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Buscando o pódio

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urante o Congresso SET – que aconteceu entre os dias 20 e 23 de agosto no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo, dentro da feira Broadcast & Cable – um dos principais temas discutidos foi o jornalismo e as novas tecnologias disponíveis para este campo. Visando aos próximos grandes eventos que acontecerão no País (a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro em 2016), profissionais do mercado de comunicação apresentaram novas câmeras e equipamentos que buscam melhorar o sistema. No mercado de câmeras, as principais novidades ficaram por conta da Sony e da Panasonic, que levaram vários novos modelos até então inéditos no Brasil. Um dos destaques da Sony foi a linha de câmeras compactas PMW 200 que garante uma comunicação fácil entre os pontos por meio de transmissão via IP. Segundo Erick Soares, engenheiro especialista de suporte e vendas da Sony Brasil, através de um cabo de rede e um encoder o sinal é levado de maneira simples para outro ponto. “É um produto versátil, para eventos rápidos, que permite uma transmissão ao vivo e sem delay”, explica. O executivo ainda apresentou outros modelos, como a HXR NX30 – que já vem com um estabilizador óptico embutido que compensa a trepidação da imagem – e as câmeras Ipela, normalmente utilizadas para segurança, mas que possuem qualidade de imagem compatível com o jornalismo. Desde modelos mais caros, como a nova F65 – considerada tecnologicamente a mais avançada da 38

Fotos: divulgação

Fabricantes apresentam na Broadcast & Cable suas novidades em sistemas mais ágeis e velozes para a produção de esportes e news, já visando os grandes eventos dos próximos anos.

O modelo Repórter 3G da TV Integração facilita a cobertura factual em qualquer lugar com a redução no número de equipamentos.

empresa, sucessora da F35 (utilizada nas gravações da novela Avenida Brasil) – até soluções mais econômicas, como a PDW 680 (desenvolvida especialmente para os mercados emergentes e que contém quase as mesmas funcionalidades da PDW 700, mas com um valor mais acessível), a Sony apresentou soluções para todos os gostos. “Nosso objetivo é dar suporte e opções para o mercado”, explica Soares. A empresa ainda apresentou o modelo HXR-NXSD1, para captação em 3D, cujo grande diferencial é a possibilidade de ver o conteúdo neste formato já no visor, sem o uso de óculos e apenas com a profundidade. Também com novidades em equipamentos para captação em 3D, a Panasonic levou para a feira o modelo AG-3DP1, versão de ombro de sua linha 3D que possui lente com zoom mais potente (17x), tornando-se ideal para a cobertura de eventos graças à mobilidade

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aliada à tecnologia. A empresa também levou modelos para atender o mercado que procura uma relação vantajosa entre performance e custo – como a câmera de entrada da linha AVCCAM, a AC90 – e também apresentou uma solução para pequenas produtoras: a HPX 255, camcoder de mão semelhante à HPX 250 que pode ser conectada a um remote control, permitindo que o trabalho seja feito de dentro do estúdio. A principal novidade da Panasonic ficou por conta do modelo HPX 600. Com lentes cambiáveis de 2/3” – que permitem a utilização de lentes de outras câmeras – , o equipamento é o que mais gera expectativas para a empresa: “aproveitando o parque existente de lentes, buscamos oferecer uma economia de custo para o usuário e assim conseguimos uma vantagem competitiva”, afirma Sergio Constantino, gerente comercial da divisão de broadcasting da Panasonic. No campo de transmissão, a emissora japonesa NHK apresentou a Super Hi-Vision. Com 33 milhões de pixels (16 vezes o número do atual sistema de broadcasting em alta definição), a tecnologia possui um sistema de som multicanal, e permite que os espectadores experimentem sensações super-realistas a partir da imagem em ultra alta definição (UHDTV) e do som 3D, muito superior ao atual sistema 5.1 surround. A tecnologia foi utilizada para transmitir as Olimpíadas de Londres em vários locais públicos do Japão, Reino Unido e Estados Unidos. Mas a feira Broadcast & Cable e o Congresso SET não contaram apenas


com novidades na área de captação e transmissão: além delas, foram apresentados e discutidos também alguns modelos de contribuição, apoiados principalmente nas redes sociais. O gerente de engenharia da TV Integração, Marciano Palmeira, apresentou um novo modelo utilizado pela emissora: o “Você no MGTV”. Buscando fazer com que o espectador participe do conteúdo transmitido no telejornal, o aplicativo permite que se enviem fotos, vídeos ou qualquer material armazenado no smartphone. Desta maneira, a emissora passa a ter a possibilidade de cobrir pautas para as quais não conseguiu um bom material ou não enviou sua equipe. Mobilidade e Workflow Além do aplicativo “Você no MGTV”, Palmeira também apresentou uma solução encontrada pela TV Integração para otimizar o workflow: o Repórter 3G. Utilizando poucos equipamentos (um notebook com conexão firewire, um conversor de áudio e vídeo e um modem 3G com Linux), o Repórter 3G busca dar mobilidade para o jornalismo, e pode ser utilizado em dois formatos – maleta (case) ou mochila. Segundo Palmeira, a ferramenta resume o workflow à uma câmera firewire, um notebook, Internet (3G) e um switcher. “Repórter 3G é um produto que dá mobilidade e, tendo a conexão 3G, permite fazer factuais de uma maneira fácil e de qualquer ponto”, afirma. Outro produto apresentado na feira que busca dar agilidade à produção de matérias foi a unidade móvel da Sony: Flexible. Disponível em três modelos pré-montados, a Flexible – uma combinação de um veículo compacto com equipamentos de produção feita em parceria com as empresas Starling e VodTech – ainda é oferecida num modelo customizável, para atender às necessidades e o orçamento de cada cliente. “Com a possibilidade de conectar 3, 4 carros numa unidade

desde efeitos básicos para o começo da edição até outros recursos para a continuidade do processo em alta resolução. Ela também está integrada à plataforma News Force, que oferece a possibilidade de compartilhar projetos e trabalhar diretamente no conteúdo, evitando a necessidade do uso do FTP – o que permite um processo de edição mais ágil para o jornalismo. Buscando também a agilidade, a Grass Valley apresentou seu sistema de playout automatizado: com uma plataforma multifuncional, o K2 permite simplificar o fluxo de trabalho integrando-se à infraestrutura já existente. Com um sistema tapeless, o K2 oferece novas possibilidades além de substituir sistemas de edição linear. Segundo Carlos Moura, engenheiro de vendas da Grass Valley, as eficiências adicionadas pelo K2 são ferramentas para “tunar” a forma de gravação e ajudar cada vez mais a usar o vídeo-servidor.

A ilha de edição Velocity ESX da Harris, integrada à plataforma News Force, otimiza o fluxo de trabalho e evita a necessidade do uso de FTP.

máster para distribuir todo o conteúdo, a Flexible dá agilidade para as empresas, que podem chegar em qualquer lugar com facilidade e equipamentos profissionais”, afirma Alexandre Giglio, gerente de produto da linha de broadcast da Sony Brasil. As empresas que passaram pela Broadcast & Cable 2012 também apresentaram novidades em relação à automação do fluxo de trabalho no jornalismo. A Sony apresentou seu Media Backbone Conductor – ferramenta para limitar e gerenciar o workflow. O produto leva esse nome por ser a “espinha dorsal” da emissora, permitindo que os funcionários estipulem o que deve ser feito no workflow e possam ver os arquivos em baixa resolução, economizando tempo para que puxem e utilizem apenas o necessário. Outro produto que pôde ser conferido na feira foi a ilha de edição Velocity ESX, da Harris. Integrada ao Final Cut 7 e FX (e com previsão de integração em breve com o Adobe Premiere Pro), a ilha oferece

Social Media Ainda abordando soluções para o fluxo de trabalho, a Ross Media introduziu sua plataforma para integração com as redes sociais, a Inception. Utilizada para gerenciar o feed de saída de mídias sociais, a ferramenta dá a possibilidade de publicar o conteúdo na hora ou agendá-lo, além de monitorar o retorno que o mesmo tiver. A ferramenta possui plugins para diversas redes sociais – como Twitter, Facebook e YouTube. Seguindo esta mesma linha, a Chyron apresentou sua ferramenta Shout. De dentro do sistema de newsroom, a plataforma pode monitorar, selecionar e integrar conteúdo publicado no Twitter, a partir das hashtags. Com outra plata­ forma da empresa, a Mass Relevance, ainda é possível criar ferramentas gráficas com as informações monitoradas, apresentando informações da rede social de uma maneira diferenciada a partir da geolocalização dos usuários.

A unidade móvel Flexible da Sony, que pode ser customizada para atender às necessidades e orçamentos das empresas.

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cobertura

(satélites) Samuel Possebon, do Rio de Janeiro

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Olhos para o céu Mercado satelital promete mais capacidade para os próximos anos, com destaque para a chegada da Hughes. Expectativa fica para a situação gerada com o fim da TV analógica.

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photobank.kiev.ua / shutterstock.com

ão é de hoje que o mercado brasileiro de comunicação via satélites está em alta, muito puxado pelo crescimento dos serviços de DTH, pela TV digital e, aos poucos, pelas perspectivas da oferta de banda larga diretamente ao consumidor por meio de satélites em banda Ka. Em função disso, o setor deve viver uma forte expansão na oferta de capacidade nos próximos dois anos. Essa foi uma das mensagens do 12º Congresso Latino-Americano de Satélites, que aconteceu em setembro, no Rio de Janeiro, promovido por TELA VIVA e TELETIME. A grande sensação do mercado é a Hughes Networks Systems. Vencedora de uma das posições orbitais mais caras do mundo, adquirida no leilão de 2011 por um lance de R$ 145 milhões, a operadora deve viabilizar a entrada da operadora de DTH Dish no Brasil. Segundo Délio Morais, presidente da Hughes Networks Systems do Brasil, ainda não há uma definição sobre como a Dish chegará. “Nossa outorga está paga e a decisão de entrar é firme. Mas não está definida a forma com que vamos explorar o direito, se será diretamente, em parceria, joint venture, aliança estratégica. Qualquer comentário é mera especulação. Não há decisão tomada ainda”, disse ele, evitando afirmar se existe uma negociação com a Telefônica, como se comenta no mercado. Cada modelo de negócios FOTOS: marcelo Kahn

terá um timing diferente para a Hughes: “Por exemplo, se optarmos por uma joint venture, isso precisa passar pelo novo Cade, e aí o tempo de aprovação pode chegar a oito meses”, diz ele. O projeto da Hughes é operar três tipos de frequências, e pretende ter um satélite para cada uma. O primeiro satélite será em banda Ku BSS (cuja frequência é otimizada para a prestação de serviços de vídeo, ocupando uma faixa livre de interferências terrestres). Provavelmente será por este satélite que a Dish iniciará suas operações. A Hughes também planeja um super-satélite em banda Ka para a oferta de banda larga ao consumidor final. E um terceiro satélite deve operar em banda S. Ao todo, a empresa tem cinco anos para ocupar as duas posições orbitais que conquistou no leilão. Já a Intelsat, uma das

“Nossa outorga está paga e a decisão de entrar é firme. Mas não está definida a forma com que vamos explorar o direito.” Délio Moraes, da Hughes Networks Systems do Brasil

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principais operadoras do mercado, planeja para o mercado local um de seus satélites Epic, com múltiplos spots em banda Ku e alta performance, potência e taxa de transmissão. Segundo Estevão Ghizoni, diretor geral da Intelsat do Brasil, o país estará na cobertura do Intelsat 29E, que operará em banda Ku e tem capacidade de tráfego de 60 Gbps. “Será um satélite voltado a operadores e corporações. Não para usuários finais. Nosso foco é corporativo”, diz ele. Já a SES planeja para o próximo ano o SES 6, que terá grande capacidade para a América do Sul e coberturas especialmente planejadas para o Brasil. A SES não tem planos de lançar uma oferta de banda Ka no curto prazo no Brasil. Não é o caso da Hispamar, que terá uma cobertura em banda Ka no Amazonas 3, planejado para ser lançado no primeiro trimestre do ano que vem. Especificamente para banda Ka, o primeiro satélite da Hispamar deve subir apenas em 2015, com o Amazonas 4. A prioridade da Hispamar não é a


oferta de banda Ku. A Telespazio é outra operadora internacional que deve ter capacidade de satélites exclusiva para o Brasil até 2016, mas planeja utilizar apenas banda Ka. Já a Telesat planeja lançar imediatamente para o Brasil até o final do ano o Anick G1, que terá capacidade adicional de 12 transponders em Ku e 12 em banda C. Para a Telesat, o investimento em banda Ka para o Brasil, devido à questão das chuvas, traz um risco adicional, e isso só entrará no planejamento da empresa caso haja demanda de algum operador.

Claro TV, explica que toda essa capacidade é necessária para a expansão da quantidade de canais e para a oferta de mais conteúdos HD. Mas a Claro TV descarta, por enquanto, utilizar capacidade em banda Ka para fazer a transmissão de dados ou mesmo para vídeo, fazendo a transmissão dos conteúdos locais. “Esse é o modelo americano, mas aqui fomos por outro caminho, que é acoplar a antena terrestre de UHF à parabólica de banda Ku”, disse Antônio João. A StarOne ainda não tem planos definidos sobre um satélite com capacidade de operar em banda Ka. "Banda Ka é um desafio grande. Podemos ter um grande satélite em uma posição só para isso ou um híbrido em outra. Isso não está definido. Nossos estudos para um grande satélite focado em banda larga ao consumidor não

Antonio João, da Claro TV, descarta por enquanto a utilização da banda Ka para a transmissão de dados e vídeos.

final do ano, e ao C4, em 2014. A operadora de satélites da Embratel se prepara para colocar em órbita no dia 9 de novembro o seu próximo satélite, o StarOne C3. Será um satélite com capacidade em banda C e Ku e que cobrirá todo o Brasil, a Região Andina e mais 300 km de plataforma continental. Lincoln Oliveira, diretor geral da StarOne, explica que o planejamento depois do C3 prevê ainda um lançamento de um novo satélite, o C4, totalmente em banda Ku e integralmente destinado à Claro TV no Brasil e América Latina. Serão 36 transponders apenas para o serviço de DTH, que se somam aos 14 que a Claro TV tem hoje no C2. Antônio João Filho, diretor geral da

Exclusivo Os novos projetos se somam ao lançamento do C3, da StarOne, no

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mostram um cenário muito animador se olharmos a questão dos impostos. E como um satélite de alta capacidade também tem um risco maior, a decisão é complexa.”, diz Lincoln de Oliveira. Ele explica a dificuldade de operar banda larga por banda Ka, sobretudo para o mercado residencial: “O nosso desafio é que em um primeiro momento você tem um satélite com capacidade ociosa, depois ele enche e depois você tem que começar a esvaziar ele, atendendo menos usuários, para poder dar mais banda para cada pessoa”, diz ele, sobre o conceito dos grandes satélites em banda Ka. "Ainda temos que decidir se vamos por um satélite grande ou um menor. Vamos ter que repor um satélite da nossa frota e podemos colocar banda Ka lá, na posição 84ºW", disse ele

Segundo Estevão Ghizoni, diretor geral da Intelsat do Brasil, o país estará na cobertura do Intelsat 29E, que operará em banda Ku e tem capacidade de tráfego de 60 Gbps.

FOTO: marcelo Kahn

( satélites)

de se decidir pelo desligamento dos sinais. Segundo ele, hoje a TV Globo cobre 50% do país com TV digital terrestre e cerca de 20% da planta de televisores já está apta a receber os sinais. A Rede Globo já tem 64 geradoras e retransmissoras digitais, que chegam a 95 milhões de habitantes. “Nosso plano é chegar à Copa do Mundo cobrindo 70% do País, porque as pessoas compram TV para assistir à Copa e deve haver um grande pico de venda. Pretendemos ter 590 geradoras e retransmissoras digitalizadas até a Copa, cobrindo 170 milhões de pessoas”, diz ele. A estimativa da Globo é que na Copa cerca de 60 milhões de televisores digitais estarão no mercado, de um total de pouco

TV digital Uma variável que pode mudar todo o cenário do mercado brasileiro de satélites, ampliando ainda mais a demanda já aquecida, é a digitalização dos sinais das redes de TV no satélite e o fim da TV analógica, previsto para 2016. Com isso, mais emissoras poderiam optar por distribuir seus conteúdos via satélite regionalmente ou mesmo nacionalmente. Mas Fernando Bittencourt, o principal executivo da área de tecnologia da TV Globo, disse que o desligamento da TV analógica transmitida via banda C no satélite deve demorar mais do que a transição analógica terrestre. Ele também voltou a afirmar que não existe chance de a transição terrestre ser concluída integralmente em junho de 2016, como estabelece o Decreto de TV Digital, e que também é muito cedo para dizer quando alguma cidade poderá realizar o desligamento. Para ele, alguns grandes centros certamente concluirão o processo de digitalização antes, mas há muitas questões a serem analisadas antes

processo é ainda mais complicado. “Seguramente o sinal de TV analógica só sai do satélite quando estiver desligado nas transmissões terrestres. Infelizmente, o sinal analógico no satélite é um mal necessário”. Sinal digital O fato de achar que a transmissão analógica nos satélites ainda tem longa vida não impede a Globo de já estar implementando a sua solução de digitalização. A emissora tem apostado em um modelo de digitalização do satélite baseado em um receptor de TV digital que tem um GPS e impede a recepção do sinal regional distribuído via satélite quando existe cobertura local terrestre, justamente para não ferir o modelo de rede, em que a prioridade da transmissão é

digitalização de tv aberta pode mudar o cenário, aumentando ainda mais a demanda. mais de 100 milhões. A partir daí, destaca Bittencourt, o desafio é monumental. "É um desafio absurdo, enorme. Precisaremos chegar a outras 3,6 mil retransmissoras, que cobrem 60 milhões de pessoas e 17 milhões de domicílios. Será impossível fazer isso em dois anos, e o custo desse esforço é igual ao que será gasto até 2014. Essa é a realidade da TV Globo, mas todas as outras têm desafios parecidos", afirmou. Segundo ele, dimensionar o momento exato do desligamento é complicado porque depende sobretudo de as pessoas terem televisores digitais em casa. “Isso passa por uma política do governo para estimular a compra de set-tops e, preferencialmente, de televisores digitais. Se chegarmos a uma situação em que 95% das pessoas já recebem TV digital, ainda assim é complicado desligar, porque alguém vai ter que encontrar uma solução para os outros 5%”, diz ele. No satélite, diz Bittencourt, o 42

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da afiliada local. Até o final desse ano quatro estados (Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás) terão o sinal regional de suas afiliadas no satélite. Grandes mercados, como os estados de São Paulo e Rio, ainda não têm previsão. Outros estados devem ter o sinal digitalizado em 2013 e 2014 no satélite, mas isso ainda depende de acertos com as afiliadas. O grande problema do modelo da Globo é que ele é único, já que as demais emissoras estão optando por um modelo de distribuição nacional, via satélite, do sinal HD. Mas Bittencourt acredita que a Globo fez a escolha certa. “Nosso modelo preserva as afiliadas e o modelo que temos hoje na TV aberta. E é melhor ao telespectador, que terá sempre a produção local. Se distribuíssemos o sinal nacional, como acontece no analógico, o telespectador não teria os conteúdos regionais”.


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( making of )

Lizandra de Almeida

c a r t a s . t e l a v i v a @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Nascida na estrada

U

FOTOs: divulgação

ma parceria entre a Conspiração Filmes e a Tribbo Post transformou a ideia da África em um filme que representou um dos maiores desafios da carreira da produtora e também da finalizadora. O filme mostra uma estrada deserta, que começa a sofrer rachaduras, como se estivesse sendo abalada por um terremoto. Aos poucos, algo vai surgindo de baixo do asfalto, um tipo de casulo de piche, que explode e revela a nova caminhonete offroad Pajero Dakar. “É um filme complexo, em que todas as cenas foram pensadas em função da pós-produção”, explica o diretor Christiano Metri. Por isso, ele desenvolveu um storyboard para estabelecer as etapas do processo de mutação do casulo, a partir das dimensões que o carro real ocupa. “Na filmagem, fizemos marcas no asfalto para determinar esse espaço e enquadrar o comprimento e a altura do carro. Foi uma filmagem bem precisa.” A equipe da Tribbo Post, liderada por Bibinho Carvalho, acompanhou o processo desde o princípio, ajudando a criar o que seria esse casulo, misto de asfalto, piche, restos de folhas e tudo que se pudesse encontrar em uma estrada. “Recolhemos referências de casulos de borboleta, texturas, fotografamos tudo o que encontramos na estrada”, explica Bibinho. A equipe de pósprodução criou frames indicativos do visual que cada etapa teria, e isso foi apresentado para a agência junto com o storyboard. “Na nossa história, consideramos que a transformação teria quatro fases: casulo, pele, piche e pedra”, conta Christiano. Depois que a estrada começa a rachar, surge o casulo e em seguida os detalhes de

A equipe da Tribbo desenvolveu internamente algumas ferramentas de software, plug-ins específicos para as rachaduras e a textura do casulo.

sua pele, algo viscoso que se rasga como uma borracha elástica, até que seca e se transforma na pedra, que explode. Para ter mais controle sobre alguns processos, a equipe da Tribbo desenvolveu internamente algumas ferramentas de software, plug-ins específicos para as rachaduras e a textura do casulo. Assim, era possível controlar profundidade, espessura e extensão das rachaduras, assim como o brilho e as deformações do casulo em 44

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todas as fases. Thiago Eva, que codirigiu o filme e supervisionou os efeitos especiais, conta que o trabalho consumiu mais de dois meses, entre a pré-produção e a finalização. “Para nós foi um trabalho muito prazeroso, especialmente porque pudemos participar de todo o processo criativo. Nem sempre um trabalho desse tipo é orçado por aqui e ficamos muito felizes porque a agência apostou em produzir o filme no Brasil”, comemora Bibinho. O projeto ainda agregou um novo membro à equipe da finalizadora, Um animador brasileiro que estava trabalhando na Pixar foi chamado para colaborar no filme e acabou sendo contratado. As imagens foram todas captadas na cidade de Brotas, no interior de São Paulo. O local foi escolhido não só pelo visual, mas também porque a estrada era pouco movimentada e permitia que a equipe trabalhasse sem muitas interrupções. Além da estrada em si, as cenas de desempenho do carro também foram filmadas na região, o que incluiu o lagarto, única testemunha de tudo. “Filmamos ao vivo, para garantir a mesma luz. Preferi não usar stock shot para que a fotografia ficasse igual”, finaliza o diretor. ficha técnica Cliente Mitsubishi Motors do Brasil Produto Pajero Dakar Agência África Dir. de criação Sergio Gordilho Redação Carlos Fonseca, Pedro Lazera Dir. de arte Sergio Gordilho, Eduardo Martins, Ricardo Sarno Produtora Conspiração Filmes Direção Christiano Metri, Thiago Eva Sup. de efeitos Bibinho Carvalho, Thiago Eva Finalização Tribbo Post, Conspiração Filmes Prod. de som A9 Áudio


Um novo mundo igual

É

propaganda de cerveja, tem seus clichês (mulher-futebolcerveja), mas é divertida: dois amigos estão na praia no Rio de Janeiro e resolvem reconstruir o mundo de acordo com as próprias prioridades. Tudo à volta deles desaparece, e conforme eles vão elencando as novidades, o entorno vai sendo reconstruído. No final, tudo continua igual ao que era, faltando só a cerveja Itaipava para chegar a um Brasil 100%. O primeiro problema enfrentado pela equipe da Vetor Zero/Lobo para traduzir a ideia em imagens foi a locação: o filme deveria mostrar pontos chave do Rio, como o Pão de Açúcar e o Corcovado. Para isso, a filmagem tinha que acontecer na Praia do Flamengo, a poucos metros do aeroporto Santos Dumont. “Apesar de ser um filme com muitos efeitos, é também um filme de atores, que dependia muito da atuação dos dois personagens. Então usamos três câmeras filmando ao mesmo tempo para conseguir a interpretação que queríamos, sem tanta preocupação com o barulho”, explica o diretor Nando Cohen. Além das cenas filmadas na praia, a equipe contou com duas diárias de helicóptero para captar imagens aéreas do Rio. Depois, as imagens foram apagadas e reconstruídas em 3D. “As imagens nos deram a referência de luz e uma certa referência da cidade, mas na reconstrução não nos preocupamos em reproduzir a cidade como ela é”, conta Mateus de Paula, que também dirige o filme. Quando os dois personagens se veem sozinhos, no meio do nada, estão em um cenário criado a partir de imagens de referência do arquivo da produtora, produzidas em um deserto de sal na Argentina. O sal simula uma areia muito branca e fina.

Na hora em que a reconstrução começa, os personagens decidem colocar florestas e o mar. Tudo foi criado em 3D, inclusive a água. “O Pão de Açúcar está ao fundo, mas esse lugar não existe, foi criado por nós”, afirma Nando. Por um instante, pensam em transformar o Pão de Açúcar em vulcão, mas mudam de ideia. Depois, resolvem repovoar o mundo, privilegiando as mulheres. Elas começam a aparecer nas varandas de um edifício. “Filmamos as mesmas meninas vestidas com roupas diferentes, em posições diferentes, em uma varanda. Depois reconstruímos o cenário em 3D e aplicamos as varandas”, diz Cohen. Outras três garotas surgem do nada, no meio da areia, graças a um braço de três metros de comprimento, que permitia um movimento de câmera de 360º. “A cena foi filmada em uma diária de estúdio, junto com detalhes de produto. Parece que as mulheres estão girando, mas é a câmera que gira. Fizemos essa cena separada e depois aplicamos o fundo”, diz Mateus. Todo o processo consumiu cerca de três meses e contou com a participação de 30 pessoas. O filme se complementa com ações na internet, que acontecem a partir de outubro.

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Desafio foi reconstruir do nada a cidade do Rio de Janeiro.

ficha técnica Cliente Cervejaria Petrópolis Produto Itaipava Agência Y&R Dir. de criação Rui Branquinho, Flavio Casarotti, Rafael Merel e Marcelo Fedrizzi Criação Pedro Guerra e Kleyton Mourão Produtora Vetor Zero/Lobo Direção Mateus de Paula e Nando Cohen Fotografia Lito Mendes da Rocha Direção de arte Marcelo Reginato Prod. executiva Alberto Lopes e Sergio Salles Montagem Vinicius Martins Diretor de CG Cleverson Leal Pós-produção e final. Equipe Vetor Zero/Lobo Prod. de som Cream Studio

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( política )

Plano de vôo Ancine coloca em consulta pública o Plano de Diretrizes e Metas para o Audiovisual, com diagnóstico detalhado do setor em todos os segmentos e propostas para o médio e longo prazo.

A

desenvolvimento da indústria”, completa o presidente da agência. O mercado audiovisual brasileiro movimenta receitas anuais de cerca de R$ 33 bilhões (dado de 2011) segundo o levantamento. É relativamente pouco, comparado a outras indústrias, mas carrega um valor simbólico, pela capacidade de promover e disseminar a cultura e a identidade nacionais e de “vender” o país no exterior, atraindo turismo e negócios ao Brasil.

Ancine colocou em consulta pública no final de agosto um documento inédito. A agência elaborou um Plano de Diretrizes e Metas para o Audiovisual (PDMA), que traz um diagnóstico detalhado do setor em todas as suas vertentes (cinema, TV aberta, TV paga etc) e propões metas para cada uma delas a médio e longo prazo. O material fica disponível para contribuições no site da agência até 22 de dezembro. Segundo o presidente da Ancine, Manoel Rangel, o plano começou a ser debatido no Conselho Superior de Cinema (CSC) há cerca de um ano. A motivação veio da percepção de que há hoje um alto nível de desenvolvimento e maturidade do setor, o que permite fazer um planejamento de longo prazo. Os indicadores também já estariam maduros o suficiente para permitir um acompanhamento das ações. “A aprovação do Plano Nacional de Cultura, em 2010, já apontava a ideia de que planejamentos setoriais seriam importantes. O objetivo é pactuar um conjunto de objetivos para o setor e algumas diretrizes gerais para o seu desenvolvimento”, conta Rangel. Ele conta que houve concordância na elaboração das diretrizes e do plano em geral. O PDMA foi produzido na Ancine, mas submetido e aprovado por consenso dentro do CSC. “Este plano passa a

PDMA: pela primeira vez, metas mensuráveis para o desenvolvimento do setor.

FOTO: arquivo

ser uma orientação taxativa para as políticas do poder público, nos níveis federal, estadual e municipal, e esperamos que seja também um estímulo para os agentes privados”, diz o presidente da Ancine, O plano, na forma em que foi submetido à consulta, não é um instrumento de ruptura. Ao contrário, consolida as políticas públicas que vêm sendo implantadas ao longo dos últimos anos, em especial durante as gestões de Gilberto Gil e Juca Ferreira no MinC, e de Rangel na Ancine. “Ele centraliza a ideia de expansão do mercado interno e de universalização, e dá maior escala às políticas em curso. Além disso, pactua com o setor os principais vetores de

“O crescimento do mercado pressupõe uma integração maior entre a TV aberta e a produção independente, é uma necessidade óbvia”. Manoel Rangel, da Ancine

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Inovações A principal novidade do PDMA é que ele traz um conjunto de indicadores que serão, a partir de sua publicação, ferramentas objetivas de acompanhamento do mercado e observação de tendências. Outra inovação é a fixação de metas para o setor. “Isso nunca foi feito”, conta Rangel. “E quando foi feito, foi de forma intuitiva, expressava uma vontade. Mas com dados objetivos, como planejamento setorial, é a primeira vez que se faz”, completa. Ele explica que anualmente serão feitos ajustes às metas, e que a Ancine acompanhará os principais indicadores da economia, como o PIB e índices de inclusão social, para ajustar as metas à realidade. Embora traga informações completas sobre o mercado de exibição e distribuição (cinema, TV aberta, TV paga), e também sobre o de produção (filmes produzidos, coproduções feitas etc), o plano tem pouca ou quase nenhuma informação sobre o mercado de produtoras, ou seja, o perfil das empresas, seu faturamento, empregos no setor, crescimento etc.


Rangel diz que a Ancine está indo atrás destas informações e que elas serão importantes para se aferir efetivamente o crescimento do mercado. O PDMA O Plano de Diretrizes e Metas para o Audiovisual traz inicialmente um diagnóstico sobre o crescimento do País, com séries históricas projeções de indicadores como o PIB e o índice de Gini, que mede a desigualdade social, e também a evolução das populações urbana e rural. O Plano também relaciona os entes públicos responsáveis pela gestão das políticas audiovisuais nacionais: a CSC, a Ancine e a SAv/ MinC (Secretaria do Audiovisual) e seus órgãos vinculados, a Cinemateca Brasileira e o CTAv. O PDMA analisa o cenário atual das diferentes plataformas de exibição e das transformações causadas pelos meios digitais. Em seguida, faz um balanço da evolução da produção para cinema e TV no país, e de todos os mecanismos de incentivo e fomento aplicados nos últimos anos para promover esta produção. O estudo aponta que em 2010, por exemplo, houve um grande salto na aplicação de recursos públicos na produção audiovisual, de R$ 24,5 milhões em 2008 para uma ligeira queda até R$ 19,7 milhões em 2009 e atingindo R$ 50,2 milhões em 2010. O plano também menciona a indústria de jogos eletrônicos e de Internet como braços considerados dentro do espectro de produção de conteúdo. Em sua parte final, aponta uma série de metas para cada item da pauta, separados pelas diferentes diretrizes do trabalho. Cinema Após um período de bilheterias estagnadas em torno de 90 milhões de bilhetes entre 2005 e 2008, seguiram-se, diz o estudo, três anos

CRTs de obras brasileiras não publicitárias 1.800

1.650

1.600 1.400 1.200

1.107

800

1.117

995

1.000

1.240

1.503

1.302

665

600

437

400

127

200 0

2002

2003

2004

2005 TV aberta

Fonte: Ancine

2006

2008

2007

TV por assinatura

de resultados expressivos. Entre 2009 e 2011 o número de bilhetes vendidos aumentou 25%, 20% e 7%, respectivamente. Segundo o trabalho, “o crescimento mais expressivo de 2009 e 2010 deveu-se, particularmente, ao desempenho dos filmes brasileiros, que cresceu três vezes mais que a média, 76% e 60% nesses dois anos”. Em 2010, o número de bilhetes vendidos, inclusive para filmes brasileiros, retomou o patamar do início da década de 80. Em 2011, continuou a expansão do mercado de cinema, mesmo com a redução da bilheteria dos filmes nacionais, submetida a uma base comparativa ampliada pelo desempenho excepcional de “Tropa de Elite 2” no ano anterior. Há algumas explicações para esse crescimento: a consolidação da produção cinematográfica brasileira, o fortalecimento de algumas empresas e o incremento da qualidade dos roteiros e produções e do prestígio dos profissionais, artistas e técnicos brasileiros. Mas as causas do crescimento do cinema, segundo o estudo da Ancine,

2009

2010

2011

Total

extrapolam a produção. “A distribuição é atividade decisiva para o desempenho dos filmes. Algumas alterações importantes nessa atividade começam a ser percebidas, especialmente pelo reposicionamento das distribuidoras brasileiras no mercado interno”, diz a agência. Desde 2004, diz o estudo, as distribuidoras brasileiras têm conquistado o mercado interno. Nesse período, o número de bilhetes vendidos triplicou: de 12,8 milhões para 39,8 milhões. Em market share, o resultado de 2004 foi dobrado entre 2007 e 2009. Atualmente, segue o trabalho, as distribuidoras brasileiras detêm pouco menos de 30% do mercado nacional de cinema. Os filmes brasileiros passaram a responder por parte significativa desse desempenho com 19,3 milhões de bilhetes e 14,3% de market share em 2010 (12,5 milhões e 8,7%, em 2011). Um dos dados mais significativos demonstra a posição preponderante das distribuidoras

lançamento anual de longas no cinema 99 78

72 49 29 19 10 0 2002

30 26 4 0 2003

33 15 1 2004

45 32

46

25 12 1 1 2005 2006 Total Animação

44 32

79 53 25

2 1 2007 2008 Documentário

84 45 38 1 2009 Ficção

Fontes: 2002 a 2005: Database Filme B; 2006 e 2007: Filme B e Sedcmrj; 2008: Filme B, Sedcmrj e SADIS/ANCINE; 2009 a 2011: SADIS/ANCINE. Pesquisa: SAM/ANCINE.

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75 43 32 0 2010

54 44

1 2011

>>


(política) brasileiras na distribuição de filmes nacionais: 75% (2010) e 70% (2011) dos bilhetes vendidos. Televisão O PDMA considera a penetração de TV por assinatura no Brasil ainda muito baixa, apesar de todo o crescimento dos últimos anos. Para o documento, a principal força que impulsionará o crescimento do mercado e da produção nacional dentro deste segmento é a Lei 12.485 (Lei do SeAC), em vigor a partir deste ano. O plano projeta para 2015 o dobro da base atual de assinantes, de cerca de 14 milhões. O estudo reconhece no entanto na TV aberta o meio audiovisual mais abrangente do país. “Por qualquer indicador que se escolha – estrutura, número de usuários, tempo diário dedicado ao consumo ou faturamento –, a TV aberta representa a principal forma de

contato da população brasileira com as obras audiovisuais”, diz o trabalho. Segundo a PNAD 2009 do IBGE, segue o texto, a TV aberta atingia 95,7% dos domicílios brasileiros. Suas receitas representaram, em 2011, 63% do mercado publicitário brasileiro e 55% do faturamento somado de TV, vídeo e cinema: R$ 18 bilhões (sobre R$ 33 bilhões de publicidade, bilheteria, assinaturas, vendas de vídeo). “Trata-se de uma categoria de serviços audiovisuais que deve ser valorizada, mas precisará adequar-se às novas exigências colocadas pelo processo de digitalização e pelo novo ambiente de concorrência”, conclui. O estudo aponta uma concentração da geração de conteúdos para a TV nos grandes centros econômicos, especialmente Rio e São Paulo, e dentro destes, em uma única rede, a Globo. Sua programação é veiculada por cerca de um terço das 514 geradoras de TV aberta e 10.506 retransmissoras outorgadas.

recursos públicos diretos e incentivados aplicados na proDução de tv 60.000.000 50.184.590,95

50.000.000 40.000.000 30.000.000

24.517.780,33

20.000.000

19.729.708,14

10.000.000 0

2008

2009

2010

2006

Filmes distribuidoras BR

2007

2008

2009

12,42%

8,69%

14,29%

5,25%

10,16%

14,28%

19,05%

23,69%

23,40% 1,75%

3,95%

1,76%

10,89%

11,73%

21,57%

17,72% 11,97%

14,94% 0,68% 2005

27,65%

28,96%

market share das distribuidoras brasileiras

André Mermelstein

2010

Filmes BR distribuidoras BR

2011 Filmes BR total

Fonte: Ancine

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Um dado curioso do estudo é que o conteúdo brasileiro é predominante na TV aberta nacional: 89% dos programas exibidos são produzidos no país, contra 6,6% de conteúdos norteamericanos e 4,1% de outros países. No entanto, quando se olha para filmes e séries, a relação é diferente: dos 1,809 mil longas-metragens exibidos pelas redes de TV aberta em 2009, 206 títulos eram brasileiros e 1,411 mil eram dos Estados Unidos. No mesmo ano, das 4,708 mil horas de minisséries e séries exibidas pelas cabeças de rede, 774 horas corresponderam às obras brasileiras e 3,378 horas às norte-americanas. E ainda assim, a rede pública respondeu pela maior parte do conteúdo independente veiculado. Ou seja, o conteúdo nacional exibido pelas TV é formado sobretudo por jornalismo e programas de estúdio ou auditório, e não por uma produção ficcional mais elaborada. Dos segmentos de mercado acompanhados pelo plano, apenas a TV aberta não sofre hoje interferência regulatória direta da Ancine. A agência atua sobre toda a cadeia do cinema, da produção à exibição, e da TV por assinatura, em especial depois da aprovação da lei 12.485. Segundo Rangel, o plano explicita a necessidade de ações junto a este segmento. “O crescimento do mercado pressupõe uma integração maior entre a TV aberta e a produção independente, é uma necessidade óbvia”, diz. E afirma que o poder público prepara respostas a isso. O Fundo Setorial do Audiovisual, por exemplo, trabalha com a perspectiva de produção independente para a TV como um conceito amplo, diz. “Mobilizaremos a TV para sair de sua zona de conforto”, avisa Rangel.

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O Plano de Mercado disponível para consulta pública pode ser visto em www.ancine.gov.br/sites/default/files/ consultas-publicas/PDM%20-FINAL.pdf


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( case )

Família Imperial Canal Futura investe recursos do artigo 3ºA da Rede Globo em seu maior projeto de dramaturgia voltado para o público infantojuvenil.

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FOTOs: divulgação

restes a completar 15 anos, o Canal Futura concretiza um projeto que o acompanhava desde o ano 2000: produzir uma série infanto-juvenil sobre a vinda da família real portuguesa para o Brasil. Para Lúcia Araújo, gerente geral do canal, este episódio tão particular merecia uma abordagem à altura. “Isso torna o Brasil um país singular, ter tido a corte aqui. Em geral, a fantasia de contos de fadas acontece em outros países”, observa. O toque da varinha de condão, no entanto, chegou anos mais tarde. Certamente seria uma produção de época, o que exigiria altos investimentos. A produção só foi possível quando a Rede Globo entrou com recursos do Artigo 3ºA para fazer a produção de ficção mais grandiosa do canal, que vai utilizá-la como carro-chefe das comemorações de 15 anos. O Futura fez então uma chamada criativa, convidando algumas produtoras a apresentar projetos dentro do tema. Uma proposta da Primo Filmes, de uma série dirigida por Cao Hamburguer, foi a vencedora. A atração de 20 episódios mostra o deslocamento no tempo dos irmãos Iara e Jonas, que vivem no presente, e Lucrécia e Afonso, do passado. Lucrécia e Iara são duas moças da mesma família, mas de séculos diferentes. Insatisfeitas com a época em que vivem, as duas jovens trocam de lugar com a ajuda de uma penteadeira mágica e embarcam em uma viagem no tempo. Lucrécia desbravará o futuro em 2012, enquanto Iara

Canal Futura abriu chamada criativa para escolher projeto de ficção sobre a vinda da família real ao Brasil. Primo Filmes foi escolhida com história de viagem no tempo.

viverá aventuras no século XIX, passando pelos anos-chave do Brasil Império. Eles passeiam pelas épocas de acontecimentos históricos como a chegada da família real (1808), a independência do Brasil (1822) e a belle époque brasileira e a proclamação da República (1889). “Achamos que esta ideia de presente e passado e viagem ao tempo traria uma compreensão melhor das diferenças”, explica Lúcia. Consultoria A antropóloga, historiadora e escritora Lilia Moritz Schwarcz deu consultoria para a série e ajudou os diretores e roteiristas a definirem a abordagem. A série está estruturada em 20 episódios de 26 minutos de duração, sendo 15 deles de dramaturgia, um making of, e quatro episódios

explicativos, com recapitulação histórica. Já que 2,6 milhões de apresentadores assistem ao Futura, é importante oferecer este material. A pré-produção da série aconteceu entre abril e maio deste ano. Era preciso estar bem preparado porque a atração seria toda rodada nos estúdios da Locall, em São Paulo, em oito semanas, entre o final de junho e agosto. A reprodução do figurino de época ficou a cargo de Verônica Julian e os efeitos visuais foram responsabilidade de Renata Rico. Como ficaria muito caro deslocar a equipe até o Rio de Janeiro e fechar as locações para gravar o período imperial, a equipe optou por trabalhar com projeções. “Tivemos a ideia de trabalhar mais com

Série foi toda filmada em estúdio com uso de painéis de projeção para criar diferentes cenários. 50

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projeções do que com chroma key, para uma visão minimalista da linguagem”, conta Teo Poppovic, roteirista e um dos diretores da série. “Optamos por filmar mais neutro para na colorização encontrar mais a cor da cara da série”. As projeções de Renata Rico também seguiam a pesquisa e o momento histórico. Dessa forma, de entre 1808 e 1822 eram as pinturas que dominavam ao fundo. Em 1889, já havia fotografias. O casarão da família também foi montado de maneira que pudesse virar outros cenários. Animações também foram inseridas nos episódios. Segundo Poppovic, os efeitos visuais são elementos importantes e foram adaptados de acordo com os recursos, mas “Família Imperial” é uma série muito calcada no texto e no trabalho dos atores. Tempos modernos A série estreia no dia 12 de outubro no Canal Futura e a TV Globo também tem o direito de exibição da atração. “Família Imperial” permite o desdobramento em outras temporadas, mas a produção ainda não está acertada. Por enquanto, produtora e canal planejam conteúdo extra para a web e DVD. ana carolina barbosa

Família Imperial

Série de 13 episódios de 26’ Formato Cao Hamburguer Diretor geral Rafael Gomes ovic, Gabriel Barros, Teo Popp Diretores Joana Mariani e ani Mari as Mati Produção Camila Groch Produção executiva  Luiz Roque Direção de arte Martinelli el Rafa e ori Alexandre Sam Fotografia

Sinopse: Iara e Lucrécia, duas moças da mesma família, nasceram em séculos diferentes. Insatisfeitas com a época em que vivem, as duas jovens trocam de lugar com a ajuda de uma penteadeira mágica e embarcam em uma viagem no tempo. Lucrécia desbravará o futuro em 2012, enquanto Iara viverá aventuras no século XIX, passando pelos anos-chave do Brasil Império.


(audiência - TV paga)

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poiada nas férias escolares e em algumas mudanças na sua programação, a Fox apresentou no mês de julho um crescimento no alcance diário médio tanto no público adulto quanto no infantil. O canal pulou da quarta para a terceira posição dentre os indivíduos com mais de 18 anos – alcançando 7,99% do target – mas o maior destaque ficou por conta do público infantil: apesar de se manter na mesma quinta posição, o alcance variou de 7,82% para 8,45%. Segundo Paulo Franco, VP sênior de programação e conteúdo da Fox International Channels do Brasil, um motivo forte para esse aumento no público entre 4 e 17 anos foi o período de férias escolares: “no mês de julho, naturalmente temos um crescimento considerável no publico infantil”, afirma. Além disso, algumas estreias também impactaram esta audiência, como os episódios novos das séries “Glee”, “One Tree Hill” e “Os Simpsons”, além do reposicionamento

Foto: divulgação

Sessão de férias

O filme “Marmaduke” foi uma das principais estreias do canal durante o período de férias escolares. na grade de “How I Met Your Mother” – que foi para o prime time do canal. “Apesar de as novas temporadas das séries não terem chamado tanto a atenção dos adultos, geraram audiência por parte do público jovem” conta. Mas com a temporada de estreias globais das séries norte-americanas marcada para os meses de outubro e novembro, foram os filmes que se destacaram durante o mês de julho. Além de estrear uma nova sessão aos domingos – a Cine Fox Kids, com filmes voltados para o público infantil – o canal também apresentou atrações como “Marmaduke” e “Eu, Robô”. Durante o

último fim de semana do mês, um especial de super heróis ainda exibiu os filmes “Quarteto Fantástico”, “Homem Aranha 3”, “X-Men Origins: Wolverine” e “X-Men 3”. Outro ponto que chamou a atenção foi o aumento no tempo médio dos espectadores acima de 18 anos, que ficaram quase cinco minutos a mais assistindo ao canal em relação ao mês anterior. O executivo justifica a permanência pela própria programação, uma vez que os filmes duram normalmente duas horas, sendo mais que o dobro do tempo dos episódios das séries. “Apesar das séries trazerem mais fidelidade ao canal, acaba sendo por um tempo menor. Com mais filmes na grade, acabamos tendo uma retenção maior da audiência”, conclui. O levantamento do Ibope Mídia considera as praças da Grande São Paulo, Grande Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Distrito Federal, Florianópolis e Campinas. Bruno Borin

Alcance* e Tempo Médio Diário – julho 2012 

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio Total emissoras TV paga 44,69 5.716,28 02:24:59 Sportv 10,50 1.343,43 00:44:42 TNT 8,76 1.120,76 00:31:13 Fox 7,99 1.021,69 00:35:16 Multishow 7,77 994,12 00:17:40 Megapix 7,64 976,96 00:33:25 Sportv 2 6,64 849,56 00:26:32 Viva 6,46 826,92 00:23:14 Discovery Kids 6,32 808,21 01:10:05 Globo News 6,27 802,00 00:24:50 Space 5,99 766,63 00:28:14 Cartoon Network 5,73 733,24 00:36:14 Universal Channel 5,59 714,67 00:27:33 Disney Channel 4,86 621,67 00:41:56 Warner Channel 4,74 606,51 00:34:32 National Geographic 4,68 598,68 00:21:04 Discovery Channel 4,62 591,62 00:21:45 Fx 4,36 558,16 00:29:27 Telecine Pipoca 3,97 508,34 00:34:29 GNT 3,94 503,89 00:13:32 Telecine Action 3,68 470,60 00:33:14

(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio Total emissoras TV paga 45,23 1.533,56 02:51:22 Cartoon Network 14,12 478,85 01:15:00 Disney Channel 13,82 468,56 01:12:27 Discovery Kids 13,46 456,27 01:19:40 Nickelodeon 9,54 323,51 00:56:56 Fox 8,45 286,43 00:39:46 Disney XD 6,79 229,98 00:52:42 Multishow 6,49 219,81 00:20:16 TNT 6,46 218,98 00:30:50 Megapix 6,39 216,56 00:33:28 Sportv 5,63 190,83 00:28:28 Space 4,48 151,88 00:25:24 Viva 3,86 130,83 00:17:23 Sportv 2 3,81 129,31 00:15:37 Universal Channel 3,61 122,35 00:22:23 Warner Channel 3,32 112,50 00:30:29 Fx 3,22 109,17 00:28:27 Discovery Channel 3,20 108,53 00:22:11 Telecine Pipoca 3,18 107,78 00:33:02 Boomerang 2,89 97,93 00:24:06 Telecine Premium 2,66 90,24 00:22:16

*Alcance é a porcentagem de indivíduos de um “target” que estiveram expostos por pelo menos um minuto a um determinado programa ou faixa horária.

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**Universo 3.390.500 indivíduos Fonte: IBOPE Media Workstation – Tabela Minuto a Minuto – julho/2012

De 4 a 17 anos**

(Das 6h às 5h59)

**Universo 12.791.000 indivíduos

Acima de 18 anos**




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( cinema)

O Tropicalismo ressurge Com recuperação de arquivos antigos, pesquisa profunda e parcerias adequadamente estabelecidas, a BossaNovaFilms reconstrói movimento artístico da década de 60 em documentário para cinema e subprodutos. FOTO: Paulo Salomao/Editora Abril

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ogo no começo do documentário “Tropicália” há uma cena de uma entrevista concedida por Gilberto Gil e Caetano Veloso à portuguesa RTP, um pouco antes do exílio de ambos em Londres, em que Veloso diz ao entrevistador que o nome de um movimento só existe enquanto o movimento existe e o Tropicalismo já não existia mais. Agora, anos mais tarde, nos 82 minutos em que o espectador se propõe a assistir o filme, resultado de seis anos de trabalho, pesquisa e composição de parcerias, o movimento artístico da década de 60 ressurge. Lançado em setembro nas salas de cinema, o documentário é descrito pela produtora Denise Gomes como seu trabalho mais “redondinho”. A ideia surgiu em 2005, quando dois produtores americanos, da produtora Mojo Pictures, procuraram Fernando Meirelles para fazer um documentário sobre a Tropicália. Isso aconteceu no período em que a área de conteúdo estava sendo estruturada na BossaNovaFilms e o diretor Marcelo Machado assinava um documentário sobre a China pela produtora. Foi Machado quem fez a ponte entre o projeto proposto a Meirelles, que na época estava focado na produção de ficção, e Denise. A BossaNovaFilms gostou da proposta, mas entendeu que sem os arquivos da Record, que registrou os festivais e aparições dos artistas do Tropicalismo, o

Documentário “Tropicália”, da BossaNovaFilms, precisou recuperar arquivos antigos da Record e encontrar arquivos domésticos para contar a história do movimento.

FOTO: Eduardo Martino

filme seria inviável. Denise encontrou então José Amâncio, da Record, que à época estava montando a Record Entretenimentos e tinha já planos para a recuperação destes arquivos. A emissora topou entrar no projeto como coprodutora com recursos do Artigo 3ºA e forneceu os arquivos. Só então a produtora inscreveu o projeto nos editais da Petrobras e BNDES. Alguns caminhos artísticos foram pensados para o filme. Machado conta que uma das opções era encontrar um narrador estrangeiro para contar a história ou fazer um misto de documentário e drama, 54

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mas quando a produção teve finalmente acesso a todas as imagens de arquivo, percebeu que o filme se sustentaria só com elas. A espera Para recuperar imagens antigas da Record, foi preciso esperar mais de um ano por uma máquina específica para isso. O processo peculiar pelo qual foi feito o documentário exigiu a

O diretor Marcelo Machado montou um grande painel em ordem cronológica para selecionar as imagens do filme.


FOTO: Gabriel Bittar

Depoimento de personalidades como Tom Zé também fazem parte do documetário.

como Tom Zé e o maestro Júlio Medaglia. As entrevistas estarão na íntegra nos extras do DVD. Por usar muitas canções e lidar com muitos direitos autorais, durante todo o processo, conta Marcelo, a BossaNovaFilms usou uma assessoria jurídica. A recompensa Denise comemora o tratamento que foi dado ao documentário pela distribuidora, Imagem Filmes. “Tropicália” foi lançado com 40 cópias, sendo 35 delas em 35 mm. “Eles apostam no cinema, correm risco com o produtor, lançam novos diretores”, observa a produtora. A exibição na TV aberta (Record) e paga (VH1) está garantida, embora as datas ainda não tenham sido fixadas. Segundo Denise há outros canais interessados e consultando a possibilidade de adquirir o conteúdo para preencher as cotas da Lei do SeAC. Um CD com a trilha sonora foi lançado pela Universal e um DVD será lançado no fim do ano pela Videofilmes e um sales agent alemão já vendeu a produção para a Polônia e para a França. “Tropicália” também tem tido boa performance nos festivais dos quais participa, como o de San Sebastián, na Espanha, e o Telluride Film Festival, no interior do Colorado. Este último é um evento frequentado por cinéfilos em que os filmes participam por convite dos organizadores, no caso, membros da Academia do Oscar. Entre os filmes brasileiros, apenas “Central do Brasil” e “Cidade de Deus” estiveram na seleção. “Tropicália” teve três sessões extras para atender à demanda do público.

Filme conquistou diversas parcerias ao longo do processo, garantindo exibição na TV aberta e na TV paga. FOTO: Paulo Salomao Editora Abril

participação da pós-produção na etapa de restauração. “Era a recuperação do material e a narrativa. Envolvia coisas supertécnicas e outras muito artísticas”, explica o diretor. Estas imagens, além das conseguidas em acervos pessoais pela incansável pesquisa de Eloá Chouzal e Antônio Venâncio, ajudaram Machado a montar um grande painel com o material em ordem cronológica. Entre os achados da pesquisa estão imagens de Gil empurrando carrinho de bebê em Londres. Outros coprodutores entraram para o projeto e compuseram o orçamento de R$ 2,3 milhões do filme. A produtora inglesa Revolution Films gravou cenas na Inglaterra que farão parte dos extras do DVD; o VH1 entrou com Artigo 39 e a DLA também. A American Film Conservancy, uma associação americana que investe na recuperação do acervo da América Latina, também entrou com aportes. Sabesp e Bahiatursa entraram com patrocínio. A Bahiatursa investiu verba de marketing porque achou que o filme mostra a Bahia de uma forma positiva. Na parte artística, o filme ganhava seus contornos com direção de arte de Ricardo Fernandes, que deu um colorido psicodélico às imagens em preto e branco, usou animações e deu movimento às fotografias que foram usadas para contar a história. O filme ganhou R$ 130 mil no edital do Proac para a finalização. O roteirista Di Moretti chegou para dar o toque final. Além do material de arquivo, Machado gravou entrevistas com Gil e Caetano, mostrando trechos do filme, e outros nomes importantes do cenário musical Equipe teve que esperar um ano pela chegada de uma máquina para recuperar imagens antigas.

Ana Carolina Barbosa

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( upgrade )

Fernando Lauterjung

f e r n a n d o @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Dois a seis canais

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Nugen Audio, criadora de ferramentas profissionais para manipulação de áudio, apresentou um protótipo de um plug-in que permite fazer mixagem transformando entre estéreo e surround 5.1. O plug-in usa a tecnologia proprietária Isostem, que remixa ao estéreo original, e, se necessário, automaticamente restringe o diálogo no canal central.

O plug-in terá três versões. O plug-in upmix fornecerá a upmixagem “pura” com configurações flexíveis, enquanto a versão crossmix oferece upmixagem bem como downmixagem. A terceira versão vai fornecer a funcionalidade estendida disponível no modelo com hardware Isostem. Novo plug-in permite mixar áudio transformando entre estéreo e surround 5.1.

Tudo em sete polegadas

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LV5307 é um novo monitor de teste de vídeo SDI e HDMI projetado para apoio a produção de conteúdo de vídeo e pós-produção da Leader Instruments. O monitor incorpora uma tela colorida widescreen de 7 polegadas, analisador de sinal e áudio de-embedded. O equipamento é capaz de converter 3G-SDI, HD-SDI e SD-SDI para HDMI e viceversa. Sua saída HDMI pode ser usada como um rasterizer, entregando o conteúdo da tela a um monitor externo. Todas as entradas e saídas estão localizados na parte traseira da unidade. Entre os recursos de conectividade estão entrada/saída SDI, entrada de vídeo componente analógica Y/Pb /Pr, entrada de áudio analógico esquerda/direita, entrada/saída de PC, entrada/saída HDMI, entrada/saída RS-485, saída de áudio de-embedded (esquerda/direita, selecionados a partir de 16 canais digitais do fluxo SDI), além de uma entrada XLR de quatro pinos para energia. O monitor também fornece monitoração de imagem das entradas analógica, SDI e HDMI. As telas de teste selecionáveis de forma de onda, vetor e de cores falsas podem ser inseridas no fluxo SDI e HDMI. As funções de imagem incluem marcadores, modo monocromático, modos somente azul, somente vermelho e somente verde, mais a função de pulso cruzado. Uma função de nitidez permite o ajuste preciso de focagem da câmera. Controles pré-programados com teclas

de funções rápidas complementam a abrangência do display e menus. O display integrado é um painel LCD com tecnologia IPS LED-backlit e Monitor de teste de vídeo SDI e HDMI da Leader Instruments foi criado para apoiar a produção ângulo de visão de conteúdo de vídeo e pós-produção. horizontal e vertical de 170 graus, resolução de 1024 x 600 pixels, gama de cores de 16,7 milhões e relação de contraste de 800:1. A temperatura da cor da tela pode ser ajustada localmente ou remotamente. Todo o conteúdo da tela - incluindo forma de onda, vetor, marcadores, cores falsas - pode alimentar diretamente uma entrada HDMI de um monitor externo maior. O áudio embedded é de-embedded e mostrado como ícones de 16 canais de barras sobrepostas sobre a imagem de vídeo. A monitoração do conteúdo de áudio pode ser realizada utilizando alto-falante interno ou via fone de ouvido estéreo. A sincronização de áudio é ajustável para compensar qualquer variação em relação à fonte de vídeo. O volume do monitor pode ser ajustado no painel frontal.

Portátil ou não

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Avid anunciou três novos pacotes Venue HD System que combinam o sistema de som ao vivo Venue com nova interface Thunderbolt do Pro Tools|HD Native. Os pacotes - D-Show HD Native 64 Bundle, Profile HD Native 64 Bundle e Mix Rack HD Native 64 Bundle - com a interface Thunderbolt do Pro Tools|HD Native oferecem custo-benefício às soluções portáteis para mixagem e gravação de apresentações ao vivo. Os pacotes Venue HD incluem o que é necessário para gravar até 64 entradas usando o Pro Tools HD em um computador desktop ou laptop equipado com Thunderbolt, sem interfaces de áudio adicionais. Os pacotes também oferecem opções com configurações do Pro Tools HDX e placa HD Native PCIe. 56

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Novos pacotes Venue HD incluem o que é necessário para gravar até 64 entradas usando o Pro Tools HD em um computador desktop ou laptop.

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( agenda ) 25 a 28 BRAFFTv 2012, Toronto, Canadá. Tel.: (11) 2615-7615. E-mail: brafftv@brafftv.com. Web: www.brafftv.com 8 de novembro O principal encontro do mercado de aplicativos e conteúdos para TVs conectadas. TV Apps, Hotel Paulista Plaza, São Paulo, SP. Tel.: 3138-4600. E-mail: info@convergecom.com.br. Web: www.convergeeventos.com.br

SETEMBRO

27 a 11/10 Festival do Rio, Rio de Janeiro, RJ. Web: www.festivaldorio.com.br

OUTUBRO

6 a 7 MipJunior, Cannes, França. Web: www.mipworld.com 8 a 11 Mipcom, Cannes, França. Web: www.mipworld.com 15 a 20 XV Festival Nacional 5 minutos, Salvador, BA. Tel.: (71) 3116-8143. E-mail: 5minutos.producao@gmail.com. Web: www.dimas.ba.gov.br/5minutos 19 a 1/11 Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, São Paulo, SP. E-mail: info@mostra.org. Web: www.mostra.org

23 a 3/2 42º International Film Festival Rotterdam, Rotterdam, Holanda. Tel.: (31 10) 890-9090. E-mail: tiger@filmfestivalrotterdam.com. Web: www.filmfestivalrotterdam.com

31 a 7/12 American Film Market, Santa Monica, EUA. Tel.: (1 310) 446-1600. E-mail: AFM@ifta-online.org. Web: www.americanfilmmarket.com

28 a 30 Natpe, Miami, EUA. E-mail: eric@natpe.org. Web: www.natpe.org

NOVEMBRO

FEVEREIRO

5 a 13 26º Festival Internacional de Cine de Mar del Plata, Mar del Plata, Argentina. Tel.: (54 11) 4383-5115. E-mail: info@mardelplatafilmfest.com. Web: www.mardelplatafilmfest.com

DEZEMBRO

4 a 14 34º Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano, Havana, Cuba. E-mail: festival@festival.icaic.cu. Web: www.habanafilmfestival.com

JANEIRO 2013

11 a 20 22º Flickerfest – International Short Film Festival, Sydney, Austrália. E-mail: coordinator@flickerfest.com.au. Web: www.flickerfest.com.au 27 a 30 Real Screen Summit, Washington, Estados Unidos. E-mail: jpinto@brunico.com. Web:.realscreen.com 22 a 27 FIPA – Festival International des Programmes Audiovisuels, Biarritz, França. E-mail: info@fipa.tm.fr. Web: www.fipa.tm.fr

5 a 8 Kidscreen Summit 2013, Nova York, Estados Unidos. E-mail: jpinto@brunico.com. Web: summit.kidscreen.com. 7 a 17 63º Festival Internacional de Berlim, Berlim, Alemanha. E-mail: info@berlinale.de. Web: www.berlinale.de 20 a 22 Rio Content Market, Rio de Janeiro. E-mail: producao@riocontentmarket.com. Web: www.riocontentmarket.com.br 21 a 27 53º Festival Internacional de Cine de Cartagena de Índias, Cartagena, Colômbia. E-mail: info@ficcifestival.com. Web: ficcifestival.com

MARÇO

1 a 9 28º Festival Internacional de Cine de Guadalajara. E-mail: info@ficg.mx. Web: http://ficg.mex

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Revista Tela Viva - 230 - Setembro 2012  
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