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televisão, cinema e mídias eletrônicas

ano 21_#229_ago2012

especial abta 2012

a ordem é expandir Net e Oi preparam novas operações de cabo e fibra, e mercado aguarda a chegada de novos players com as portas abertas pela Lei 12.485/11. ENTREVISTA CEO da Mixer aponta a necessidade de métricas de negócio para a produção

PROGRAMAÇÃO Canais e anunciantes debatem as mudanças no conteúdo para atender à classe C


Foto: marcelo kahn

(editorial ) Presidente Diretores Editoriais Diretor Comercial Diretor Financeiro

Rubens Glasberg André Mermelstein Claudiney Santos Samuel Possebon (Brasília) Manoel Fernandez Otavio Jardanovski

André Mermelstein

a n d r e @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Big bang

U

Editor Tela Viva News Redação

Projetos Especiais Arte

Depar­ta­men­to Comer­cial

André Mermelstein Fernando Lauterjung Ana Carolina Barbosa Bruno Borin Bruno do Amaral Edianez Parente (colaboradora) Lizandra de Almeida (colaboradora) Leandro Sanfelice (vídeo repórter) Letícia Cordeiro Edmur Cason (Direção de Arte) Alexandre Barros (Designer Gráfico) Geral­do José Noguei­ra (Designer Gráfico) Rubens Jar­dim (Pro­du­ção Grá­fi­ca) Bárbara Cason (Web Designer) Debora Harue Torigoe (Web Designer) Lúcio Pinotti (Tráfego/Web) Bruna Zuolo (Gerente de Negócios) André Ciccala (Gerente de Negócios) Patricia Linger (Gerente de Negócios) Iva­ne­ti Longo (Assis­ten­te)

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m dos efeitos desejados da Lei 12.485/11, a nova lei de TV por assinatura, é a expansão da oferta do serviço no País, em especial da TV a cabo, que leva ao assinante a vantagem dos pacotes de serviços com banda larga e voz. Hoje o serviço está em pouco mais de 200 cidades, dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros. Lembrando, a lei prevê um novo serviço de TV por assinatura, o SeAC (serviço de acesso condicionado), que substitui o atual serviço de TV a cabo, com normas bem mais flexíveis. O prestador do SeAC não está preso a uma única tecnologia de entrega, podendo utilizar fibra, micro-ondas, IPTV ou qualquer outra plataforma (na Lei do Cabo o serviço só podia ser prestado por redes HFC). Também caíram as restrições ao capital estrangeiro e à participação de empresas de telecom. A licença não tem mais o status de concessão pública, mas sim de autorização, que pode ser obtida sem licitação e a um custo muito menor, quase simbólico, e deixa também de ter a restrição geográfica (a concessão de TV a cabo era por município). A primeira consequência foi um já esperado movimento de concentração do mercado, com a Embratel assumindo o controle total da Net, antes impedida pelas amarras legais. Juntas, as operadoras do grupo America Móvil (Telmex) detêm aproximadamente 60% do mercado assinante do país. A Net deve se beneficiar da lei também ao expandir sua atuação para novas localidades (são prometidas mais de 50 para este ano), o que não era possível antes pela falta de novas licenças. O contrapeso desta concentração deve ser a entrada de novos players neste setor, e neste campo destacam-se os provedores de Internet (ISPs), que durante a ABTA 2012 mostraram-se bastante interessados em ampliar sua oferta de serviços. Estima-se que haja cerca de 2 mil empresas deste tipo no País, de todos os portes. Muitas destas empresas já operam redes próprias, algumas delas com fibra ótica bastante desenvolvida, e agregam anos de conhecimento dos mercados onde atuam, muitas vezes pequenas e médias localidades carentes de outros serviços de telecom. Agregar a TV ao seu portfólio de serviços faz todo o sentido. Muitos no mercado porém são céticos em relação a isso. Argumentam que o business de TV é muito diferente do negócio de Internet. Neste, o negócio consiste na compra de banda no “atacado” (link) e a venda no varejo (acesso). Quanto maior o número de clientes, mais se diluem os custos e maior o lucro. Já no business de TV paga há um custo alto de programação, que pode em alguns casos passar de 30% da receita da operação. E quanto mais assinantes, mais custo. As demandas de marketing e atendimento também são bem diferentes daquelas de um serviço “comoditizado” como a oferta de banda. É provável que muitos destes operadores se unam, para ganhar escala, seja entre eles ou através de associações como a NeoTV. Também devem fazer uso de serviços de entrega de canais e tecnologia como a Media Networks, que reduzem a complexidade da montagem do headend. Ainda assim, resta saber quantos destes provedores terão efetivamente capacidade para competir neste mercado de “peixes grandes”. Nos próximos meses, este cenário deve se clarear um pouco, e saberemos se a nova lei veio trazer uma expansão efetiva do setor, ou se terá servido apenas ao interesse dos grupos já estabelecidos. capa: editoria de arte converge/cobalt88/shutterstock.com

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(índice ) 18

ABTA 2012

Provedores de Internet, operadoras médias e grandes e investidores apontam tendência de crescimento da TV paga

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Figuras

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Programação

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Serviços

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Tecnologia

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Audiência

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Entrevista

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Making of

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Produção

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Case

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Artigo

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Upgrade

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Agenda

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Novos consumidores impõem mudanças ao conteúdo e ao empacotamento de canais pagos

Operadoras e programadoras investem no VOD

Plataformas móveis levam conteúdo da TV paga para outros ambientes domésticos

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Hugo Janeba, CEO da Mixer, fala em profissionalização da gestão e desenvolvimento de métricas no audiovisual

Ao completar 20 anos de carreira, Lawrence Wahba fala sobre os desafios da natureza e da televisão

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FDP, produção da Prodigo para a HBO, ganhará o mercado latino e norte-americano

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Acompanhe as notícias mais recentes do mercado

telavivanews www.telaviva.com.br 4

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Evolução é com a AJA AJA anuncia três novos produtos que dão continuidade à evolução na captação, 4K, edição portátil e processos de trabalho baseados em arquivos.

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Prepare-se já para os 4K. O Ki Pro Quad é capaz de gravar em resoluções HD e até 4K, sempre em qualidade 4:4:4. Faz o debayering dos dados RAW das câmeras em tempo real, grava em ProRes 4K em discos SSD removíveis e tem saídas de monitor em 4K e HD, em simultâneo. O Ki Pro Quad unifica os componentes de todo o processo de trabalho da câmera, monitor e edição, tudo em apenas um equipamento compacto, poderoso e acessível.

Liberdade portátil. Menor que uma carta de baralho, o T-TAP oferece saída de vídeo SDI e HDMI, a 10-bit com áudio embarcado a partir de qualquer sistema com Thunderbolt™. Compatível com qualquer software de edição e baseado nos reconhecidos drivers da AJA, o T-TAP coloca sinais de resolução SD, HD e 2K literalmente na palma de sua mão.

A transição da gravação em fita para arquivo, muito mais simples. O Ki Pro Rack possui um painel de controle familiar que ninguém achará estranho encontrá-lo na sala de máquinas. Com ligações profissionais de vídeo e áudio, controle via RS-422 e gravação direta para arquivos de alta qualidade “prontos para editar”, o Ki Pro Rack é o substituto direto de qualquer VTR.

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( xxxxxxxxx) Núcleo mobile

FOTO: maurício storelli

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A agência de publicidade DM9DDB anunciou a criação da DM9 Mobilidade, em parceria com a agência de mobile marketing Hanzo. O novo departamento é resultado de mais de um ano de planejamento e surge para fomentar e dar suporte para a produção de campanhas, produtos e serviços na área de mobilidade. O novo departamento é liderado por Joca Guanaes, diretor de convergência; Fábio Saad, diretor de mídia online; e Wagner Brahm, gerente de mídia online e head de mobilidade.

Demanda brasileira O Canal Brasil estreou o Canal Brasil+ no Now, serviço de vídeo on-demand da Net. O produto terá vídeos e shows que o assinante Net poderá alugar por preços quer variam entre R$ 3,90 e R$ 9,90. Na estreia do Canal Brasil+ estarão disponíveis lançamentos e clássicos do cinema nacional divididos em três categorias: Brasil Cult, com algumas das pérolas de cinematografia brasileira; Mostras, com seleções de filmes dividos por temas; Como Era Gostoso, com pornochanchadas que marcaram época e as abas Ficção, Documentário e Show. O Canal Brasil já tem conteúdos gratuitos no Now com séries como “Larica Total” e “Musas”, além da sessão “Curta na Tela”.

Arthur Zaneti, ginasta brasileiro que ganhou ouro em Londres, ao lado de Celso Zucatelli e Luisa Parente, da Record. Emissora ficou na liderança por 36 horas durante transmissão dos jogos.

Audiência Olímpica demand. Foram 4750 horas de transmissão em português para o Brasil e a mesma quantidade em espanhol. Os vídeos, sejam ao vivo ou on-demand, contabilizaram 122,4 milhões de visualizações (streamings). Dentre eles, 10 milhões de streamings em dispositivos móveis, registrando uma marca inédita em termos de transmissão de eventos esportivos via celulares e demais dispositivos móveis pelo Terra. No Brasil, o pico de audiência aconteceu no dia 1º de agosto, quando ocorreram partidas decisivas para as equipes nacionais de futebol masculino, vôlei de praia masculino, vôlei e basquete feminino. Ainda no Brasil, em termos de período do dia com maior fluxo de streamings, os destaques foram a faixa entre 15 e 17 horas, no dia 7 de agosto, quando o Brasil enfrentou a Coreia do Sul no futebol masculino, e no dia 9, mais uma vez entre 15 e 17 horas, horário da semifinal de vôlei feminino entre Brasil e Japão. Nesses dois dias, foram gerados mais de 20 milhões de streamings, chegando-se a quase 2 milhões de streamings por hora.

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FOTOs: divulgação

Terra e Record divulgaram os resultados que tiveram com a transmissão dos Jogos Olímpicos de Londres. A Record, que pela primeira vez adquiriu os direitos do evento, registrou 36 horas de liderança da audiência. Foram no total 165 horas de transmissão do evento e mais de 40 horas de matérias jornalísticas. A cobertura mostrou 24 modalidades olímpicas e atingiu 87% dos domicílios na Grande São Paulo e 86% no Painel Nacional de Televisão. Mais de 40 milhões de telespectadores acompanharam a Olimpíada pela Record no PNT. Em todas as praças, a Record consolidou o segundo lugar isolado na audiência no horário mais importante da televisão aberta. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, a média geral da transmissão foi de 7 pontos, enquanto a terceira colocada ficou com 5. O Terra teve audiência total de 97,8 milhões de pessoas nos 19 países (América Latina, Estados Unidos e Espanha) nos quais tinha direitos de transmissão. O portal disponibilizou 40 mil fotos e cinco mil vídeos on-

Arthur Veríssimo, Juliana Araripe e Rica Benozzati, apresentadores de “Sexo no Sofá”, coprodução entre o Glitz, o Canal Futura e a produtora Tevelogia.

Sexo à luz do dia O canal Glitz estreou o programa “Sexo no Sofá”, uma coprodução com o Canal Futura e com a produtora Tevelogia. A atração de 26 episódios é apresentada por Rica Benozzati, Arthur Veríssimo e Juliana Araripe. São discutidos à luz do dia, em espaço público e em um sofá, temas como fidelidade versus lealdade, libido, namoro na web, banalização do sexo e amizade colorida. •

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3D em casa A LG lançou sua nova linha de TV’s: a Cinema 3D Smart TV. Com interface mais amigável organizando a navegação através de seções definidas no menu do aparelho, o Home Dashboard - a TV conta com mais de 650 aplicativos, sendo que mais de 100 estão em português. Com um milímetro de espessura, o aparelho ainda garante uma experiência 3D com maior sensação de profundidade, já que conta com um ângulo de visão mais amplo. Através do controle remoto, os usuários poderão converter as imagens 2D para 3D, podendo assistir a qualquer conteúdo com maior sensação de realismo. E para encontrar os conteúdos que utilizam esta tecnologia, o aparelho conta com outro menu, o 3D World, que organiza tudo em categorias como entretenimento, esportes e infantil. Outro diferencial são os acessórios que acompanham a Cinema 3D Smart TV. Além de óculos mais leves, o aparelho conta com um controle sensível ao movimento - o Magic Remote - que ainda traz um sistema de reconhecimento de voz para que os usuários possam fazer buscas na internet ou postar nas redes sociais. A navegação é similar à de um mouse, apresentando barras de rolagem que facilitam o acesso aos conteúdos. Mas uma das novidades mais interessantes é direcionada especificamente para os amantes de videogame: o recurso

Cinema 3D SmarTV da LG conta com mais de 650 aplicativos, sendo mais de 100 em português.

Dual Play. Através dele, duas pessoas podem competir em um mesmo jogo sem o efeito “split screen” - característico de jogos multiplayers - visualizando sua perspectiva sobre a tela inteira da TV. Isso acontece graças à polarização feita na TV, permitindo que os óculos especiais utilizem duas lentes referentes ao mesmo lado da tela, sobrepondo as imagens para que cada jogador enxergue somente o seu lado, otimizando assim a experiência do jogo.

Bem sucedidos

“Em Busca do Pai”, produção da Modo Operante Produções para o GNT, reflete sobre a ausência paterna.

Projetos de agosto Durante o mês de agosto, a Modo Operante Produções estreou a série “Em Busca do Pai” e lançou duas mostras na Caixa Cultural do Rio de Janeiro: “100 anos Jorge Amado – O romance, a Bahia e o cinema” e “100 anos de Nelson Rodrigues”. Procurando refletir sobre ausência paterna a partir de entrevistas com personalidades como o ator Milton Gonçalves, o cineasta Luciano Vidigal e a cantora Gaby Amarantos, “Em Busca do Pai” é uma série documental com assinatura de Susanna Lira na direção, e teve cinco episódios exibidos aos domingos às 23h, no GNT. A diretora também é responsável pela curadoria das duas mostras, que contarão com a exibição de filmes adaptados de obras literárias dos autores. T e l a

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O canal Viva estreia no fim de agosto uma coprodução com a produtora independente Los Feliz: “Viva o Sucesso”, dirigido por Pablo Uranga. Transmitido às sextasfeiras, às 21h15, o programa traz personalidades que conquistaram o sucesso e o reconhecimento do público para contar suas trajetórias no programa. Os entrevistados revelam aos assinantes suas expectativas no início da carreira, contam quais obstáculos enfrentaram e mostram como chegaram ao auge de suas profissões. A primeira convidada é a cantora Sandy. Os perfis serão os mais diversos: músicos, atores, diretores, esportistas, escritores, jornalistas, entre outros. Eles revelam detalhes de suas conquistas e lembram os altos e baixos que marcaram suas trajetórias. Para isso, a produção acompanha o trabalho do entrevistado e faz um panorama de suas carreiras. A cantora Sandy é convidada do programa “Viva o Sucesso”, do canal Viva.

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FOTOs: divulgação

( scanner) Novos no pedaço A distribuidora H2O Films estreou no mercado com o lançamento do longa-metragem infantil “31 Minutos: o Filme”, animação coproduzida pelo Brasil (Total Entertainment), Chile (Aplaplac) e Espanha (User T-38). Neste primeiro projeto, codistribuído pela RioFilme, a meta é chegar a 150 salas. Para o segundo semestre deste ano, a distribuidora já tem três longas: “5x Pacificação”, novo filme de Cacá Diegues e dos diretores de “5x Favela - agora por nós mesmos”, que também terá a RioFilme como distribuidora; o thriller psicológico “Sequestro relâmpago”; e o longa-metragem de ficção “Disparos”. A empresa tem capital nacional e é ligada a Sandro Rodrigues, sócio da rede CineMagic, rede de salas no estado do Rio de Janeiro, e da

Play Two, agência de marketing voltada para o lançamento de filmes, que tem no portfólio títulos como “Se Eu Fosse Você”, “Assalto ao Banco Central” e os filmes da saga “Crepúsculo”. Segundo Rodrigues, a ideia de abrir a distribuidora, focada tanto em produções nacionais quanto internacionais, veio de uma série de fatores, como o expertise no marketing e na exibição de filmes e cenário mais favorável para que o distribuidor nacional possa ser mais competitivo, com mecanismos governamentais de incentivo como o FSA e a demanda por conteúdo nacional na TV a cabo para preencher as cotas impostas pela Lei do SeAC. A animação “31 Minutos: o Filme”, coprodução do Brasil, Chile e Espanha, é o primeiro filme distribuído pela H2O Films.

“Mesa para dois”, curta-metragem desenvolvido pelo núcleo de entretenimento da Delicatessen Filmes.

Conteúdo O núcleo de entretenimento da Delicatessen Filmes teve três curtas-metragens e um documentário exibidos em sessão especial na Cinemateca Brasileira, em São Paulo,. Foram apresentados os curtas-metragens “Mesa para Dois”, de Amilcar Oliveira, “O Colecionador”, de Gunter Sarfert e “Um Pouco de Tempo”, de Rafaela Carvalho, e o documentário “A Luta Continua – Um Documentário em 12 Rounds”, de Renata Sette. O documentário faz parte da primeira edição do projeto Memória do Esporte Olímpico patrocinado pela Petrobras, com apoio da ESPN Brasil, Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura e da Cinemateca Brasileira.

Afiliada paranaense A Rede Massa, afiliada do SBT no Paraná, inaugurou em agosto sua quinta emissora, a TV Guará. A emissora estreou no canal 34, em Ponta Grossa, no dia 6 de agosto. Com uma cobertura de 63 municípios, a emissora alcançará mais de 1,5 milhão de habitantes, que receberão a programação nacional do SBT e uma programação local produzida especialmente para a região.

Núcleos de trabalho A Cia. de Cinema abriu dois núcleos para ampliar o leque de trabalhos da produtora. O primeiro é voltado à produção de filmes com verbas mais enxutas. Com isso, a Cia. de Cinema passa a contar com uma equipe focada na produção desses filmes. O núcleo produzirá também jobs de varejo. Sergio Mesquita (ex- Mixer e Cine) é diretor geral do núcleo e passa a atuar também como diretor de cena da Cia. de Cinema. Ainda fazem parte da equipe Maria Taccari (ex- Tonicamix), responsável pela coordenação e atendimento, e Pércio Bruno (exGiacometti), atendimento. O segundo núcleo é voltado à produção de conteúdo e entretenimento, como séries para TV, curtas-metragens, documentários e ações para Internet. Alguns projetos já estão em andamento. Fazem parte da equipe de diretores de cena da Cia. de Cinema Rodolfo Vanni, Jeff Chies, Luigi Dias, Bruno Pinhal e o recémchegado Sergio Mesquita. Todos os diretores atuarão também nas áreas de novos projetos. Com estas novas frentes de trabalho, a Cia. de Cinema pretende aumentar seu faturamento anual. 8

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Percio Bruno, Maria Taccari, Sergio Mesquita (foto), Maria João Calheiros e Rodolfo Vanni, da Cia. de Cinema.

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O primeiro canal HD dedicado ao cinema independente brasileiro. Longas, curtas, médias, documentários e mini-séries. Exclusivamente conteúdos produzidos nos últimos 12 anos. Canal disponível em HD, SD e ON Demand. Adequado à Lei 12.485/2011 (Art. 17, § 4º e §5º).

Sessão Prime Box

Os filmes brasileiros de maior destaque você assiste na Sessão Prime Box, sempre às 22h. Filmes em destaque: Olga, Memórias Póstumas, Lavoura Arcaica, Extremo Sul, Cartola, O Preço da Paz, Estamira, A Alma Roqueira de Noel, Mãe e Filha, entre outros.

+ Cinema com Rubens Ewald Filho Com a estreia prevista para os próximos meses, o programa irá destacar a qualidade da nova safra da produção para cinema, TV e Internet brasileira e trazer aspectos incomuns dos bastidores do mercado audiovisual, festivais e estreias de filmes nacionais.

PROGRAMAÇÃO ESPECIAL: CINEMA, MÚSICA e TURISMO Em sua primeira fase, o Prime Box Brazil abriga também conteúdos de música e turismo brasileiro, dando uma amostra dos canais que virão em 2012. Music Box in Concert

Os melhores shows brasileiros estão no Music Box in Concert.

Box Brazil - Programadora Brasileira Independente Multiplataforma A BOX BRAZIL é a primeira programadora independente multiplataforma, 100% brasileira, dedicada à exibição, distribuição e difusão de conteúdo audiovisual nacional, na TV, Celular, Mobile, Internet e TVs Conectadas.

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( scanner) Olimpíada 3D

FOTOs: divulgação

A Net e a GVT ofereceram conteúdos em 3D das Olimpíadas de Londres em parceria com o canal SporTV. A GVT transmitiu pelo serviço de vídeo on-demand e a Net, além do Now, exibiu ao vivo no canal HD 3D dedicado aos Jogos Olímpicos. Além das cerimônias de abertura e encerramento, foram transmitidas em três dimensões provas de algumas modalidades esportivas como natação, ginástica artística, canoagem e salto ornamental. O conteúdo 3D ficará disponível também no serviço de vídeo on-demand da operadora, o Now.

Filme desenvolvido pela ComunicaFilmes para a Estomazil captou mais de 400 imagens, com 11 atores e seis ambientes.

Tá na mão Para lançar a versão em pastilhas mastigáveis, a Estomazil recorreu à ComunicaFilmes para desenvolver um comercial todo em stop motion com o mote da campanha: “Tá na Mão”. O filme mostra o produto em super close sendo passado de mão em mão, por várias pessoas e em diferentes situações. Afinal, as pastilhas têm forte apelo funcional, pois podem ser consumidas a qualquer hora, em qualquer lugar, por qualquer pessoa e em diferentes sabores. Foram captadas mais de 400 imagens com 11 atores e seis ambientes. Tudo isso para compor um filme que é um clipe musical. E para acompanhar o ritmo desse stop motion, foi produzido um jingle “chiclete” que transforma o conceito “Tá na Mão” em refrão. A direção é de Sergio Glasberg.

Conteúdo móvel A Sony Mobile Communications e a Sony Brasil anunciaram que os usuários brasileiros de Sony Tablet e smartphones Xperia terão acesso exclusivo e gratuito ao novo aplicativo do Crackle – empresa da Sony Pictures Entertainment que oferece séries e filmes no meio digital. O serviço vale para os usuários de sistema operacional Android 2.3 ou superior. O acesso estará disponível por três meses, nos quais os usuários podem assistir mais de 150 filmes e séries da Sony Pictures Entertainment, como “A Herança de Mr. Deeds”, “Embrigado de Amor” e “Valsa com Bashir”. O aplicativo pode ser baixado pelo Google Play, e não requer mensalidade. 10

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Plataforma de SmarTVs da Yahoo chega ao Brasil nos aparelhos da AOC e da Philco.

TV conectada A plataforma de smart TVs da Yahoo começa a chegar ao Brasil. A empresa anunciou a chegada ao mercado da Yahoo! Connected TV ainda neste trimestre, primeiramente em aparelhos da AOC e da Philco. Com o lançamento, o Yahoo! Brasil começa a disponibilizar seu conteúdo local, como Yahoo! Notícias, Yahoo! Finanças e Yahoo! Tempo também em TVs. Além disso, a ferramenta trará acesso às redes sociais como Twitter, Facebook e Flickr e uma série de aplicativos desenvolvidos por parceiros. A plataforma é uma das primeiras do mundo para TVs conectadas e está disponível em 135 países e 31 línguas. Está disponível nos Estados Unidos há cinco anos e está presente em mais de oito milhões de aparelhos em todo o mundo. A plataforma é aberta, o que possibilita qualquer desenvolvedor, um anunciante ou fabricante de TV, a criar um aplicativo e submeter no Yahoo! Connected TV.

Bons tempos A TV Climatempo estreou no dia 15 de agosto a série “Bagagem Extra”. São seis episódios de 30 minutos produzidos pela Cardigan Filmes & Comunicação que mostram a rotina de estudantes de várias “Bagagem Extra”, produção da Cardigan Filmes nacionalidades na para a TV Climatempo, mostra a rotina de estudos Escuela de Alta Dirección e diversão em Barcelona y Administración (EADA), de Barcelona. A atração mostra os estudos, mas também o turismo e a diversão na cidade espanhola. O programa é uma coprodução com a TV Climatempo e foi financiado pela EADA e por outras instituições de ensino brasileiras, como a ESPM, a FIA e o Instituto Cervantes. “Bagagem Extra” será exibido todas as quartas-feiras, às 22h30, na TV Climatempo, canal 102 da Sky. Além disso, o programa ficará disponível nas redes sociais da TV Climatempo, no portal Climatempo e no portal e nas redes sociais da EADA. V i v a

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Conecte-se a um mercado em desenvolvimento Em novembro, o seminário TV Apps volta a reunir os maiores destaques do mercado de aplicativos e conteúdos para TVs conectadas.

Público presente • Fabricantes de televisores e outros dispositivos conectados • Desenvolvedores de aplicativos • Agências de publicidade • Anunciantes • Canais de TV aberta e fechada • Produtores, distribuidores e players do mercado de conteúdo audiovisual

Temas debatidos • Os modelos de negócios no mercado de aplicativos • As oportunidades para anunciantes • As diferentes plataformas • A importância dos serviços de distribuição de vídeo.

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( scanner) Versão brasileira

Definitivo

Cartão de presente

Após um período de degustação para os assinantes durante os Jogos Olímpicos de 2012, a ESPN anuncia a entrada permanente de seu novo canal em alta definição ESPN Brasil HD em pacotes de três operadoras. O ESPN Brasil HD, que traz toda a programação da ESPN O novo canal em alta definição Brasil em alta definição, da ESPN, o ESPN Brasil HD, ganhou distribuição definitiva estará disponível para na Cabo Natal (RN), RTV (GO) e os assinantes da Cabo TV Alphaville (SP). Natal (RN), RTV (GO) e da TV Alphaville (SP).

Seguindo um modelo de negócio que já é tradicional em outros países, o Terra passa a comercializar as assinaturas de seu vídeo clube, o Sundaytv, em cartões. Vendidos em estabelecimentos como supermercados, livrarias e farmácias, os cartões funcionam como uma assinatura normal (que pode ser de um a três meses) e posicionam o produto de maneira física nas lojas. Segundo Pedro Rolla, diretor de produtos de mídia do Terra, mesmo estando em um processo inicial esta estratégia já tem apresentado bons resultados: “Vemos que as pessoas efetivamente têm atração em querer comprar e conhecer, e as taxas de conversão desses cartões estão sendo bem acima de nossas expectativas”, afirma. Para assinar o serviço, é necessário que o usuário compre o cartão e passe pela caixa registradora, impedindo que as pessoas roubem o produto. Assim que seu cartão for habilitado, o usuário passa a ter acesso ilimitado ao conteúdo disponível para assinantes. “Não existe diferença entre

Acordo comercial O Grupo Bandeirantes de Comunicação e a MGM fizeram acordo e passam a representar um ao outro comercialmente. Em parceria inédita no modelo “cross selling”, a publicidade dos canais MGM e MGM HD no Brasil está sendo vendida com exclusividade pela área de canais pagos da Band desde o início de agosto. A previsão é de que em poucos dias a MGM também passe a vender publicidade dos canais Band International e Bandnews International no exterior. Os quatro canais pagos do Grupo Bandeirantes no Brasil - Bandnews, Bandsports, Terraviva e Sex Privê - poderão ter seus espaços publicitários negociados juntamente com os canais MGM. Segundo as programadoras, uma venda não obriga a outra, sendo que os projetos comerciais serão montados “à la carte”, dando a possibilidade de fazer pacotes variados com um ou mais canais, atendendo às necessidades dos anunciantes. 12

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FOTO: arquivo

FOTO: divulgação

estados do Rio de Janeiro e O A&E estreou em agosto São Paulo, sendo três garotas e a versão brasileira da série cinco rapazes. O reality irá ao ar “Intervenção”, programa todas as quartas-feiras, às 23h, que aborda o drama de e acompanhará desde o drama jovens usuários de drogas e familiar, passando por momentos suas famílias. Vencedora do em que os jovens usam e ficam Emmy 2009 na categoria de sob efeito das drogas, até o Melhor Reality Show, a série é tratamento com os médicos reconhecida por ter conseguido interventores, Fábio Damasceno recuperar 70% dos casos retratados em sua versão norteVersão brasileira da série “Intervenção” é uma coprodução e Marcelo Piquet. A produtora Panorâmica também desenvolve do A&E com a Panorâmica. americana. Coproduzida pelo projetos para a Globosat, como A&E com a Panorâmica, a a nova temporada de “Afinando a Língua”, do Canal primeira temporada de “Intervenção Brasil” contará Futura, e o aquecimento para o Prêmio Multishow 2012. com oito episódios contando a história de jovens dos

Distribuição dos cartões de acesso ao Sundaytv crescem 50% ao mês, segundo Pedro Rolla, do Terra.

o conteúdo oferecido para a pessoa que fez a assinatura por call center, pelo site ou pelo cartão”, explica Rolla. E se no começo o modelo era incerto, hoje ele vem chegando a cada vez mais estabelecimentos. Segundo o diretor, o crescimento das redes onde o produto está sendo distribuído está na ordem de 50% ao mês.


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( figuras) Atendimento

Planejamento FotoS: DIVULGAÇÃO

Para reforçar a equipe de planejamento da WMcCann, liderada por Aloisio Pinto, Debora Nitta foi promovida a diretora geral do departamento em São Paulo. Debora, que faz parte da equipe da McCann desde 2006 e até então sustentava o cargo de diretora de planejamento, também será responsável pelo gerenciamento de todo o departamento em ocasionais ausências de Aloisio Pinto. Fernanda Albuquerque

A equipe de atendimento da Mood recebe o reforço de Fernanda Albuquerque, a nova supervisora de conta da agência, responsável pelo atendimento das contas de Philips Televisores (TP Vision) e Dr. Oetker. Ex-Loducca, onde desenvolveu projetos para as marcas do Grupo GVT, POP e Vono, Fernanda também passou quatro anos na Lowe de Lisboa, atendendo clientes como Audi, Zon e Jaba Recordati.

Vice-presidente Guillermo Sierra é o novo vicepresidente sênior e gerente geral de canais e serviços de marcas da BBC Worldwide para a América Latina e mercado hispânico dos Estados Unidos. Ele vem da VME Media, onde era diretor de conteúdo e vicepresidente sênior. Sierra fica responsável pelo  desenvolvimento estratégico dos canais comerciais da BBC Worldwide:  BBC Entertainment, BBC HD e CBeebies.

Gerente geral

Juliana Algañaraz

Juliana Algañaraz é a nova gerente geral da Endemol Brasil. A profissional vem da Fox Brasil, onde desempenhava a função de diretora de operações e serviços de produção, e tem passagens pelo Canal 13 (Argentina), Discovery Networks, Canal Azul/Teleimage. Juliana substitui Daniela Busoli que deixou a companhia em junho Como gerente geral da Endemol Brasil, Juliana se reportará a Martin Kweller, diretor criativo e de operações para a América Latina.

Som A produtora de som Sonido na Cena anuncia a contratação de dois novos profissionais. O produtor musical Ricardo Camara (ex-Play it Again) e a coordenadora de produção Manuela Thomaz (ex-Ultrassom) reforçam a equipe da produtora, que tem como sócios Lucas Duque, Max de Castro e Hebert Mota. Ricardo Camara e Manuela Thomaz 14

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Reforços A Euro RSCG contratou Paula Basso (ex-DCS, E21, Happy House e SLM) como supervisora de atendimento e Tatiana Helmer (ex-EMI Music, BMG e Trama) como gerente de atendimento. O redator Eduardo Bragança (ex-Cartoon Network) e o diretor de arte Felipe Leite (ex-Publicis NY) também reforçam a equipe.

Tatiana Helmer e Paula Basso

Engenheiro de som A PlayRK30 anuncia a chegada de Helio Leite, engenheiro de som com passagens pela Sony Music California, pós-graduação na Musicians Institute California e há 7 anos responsável pelos Estúdios Mega SP. O profissional passa a agregar sua experiência em mixagem 5.1 aos profissionais da Playrk30, empresa do grupo Play ItAgain, responsável pelo braço de entretenimento e mídias diversas.

Presidente Luca Lindner assumiu o papel ampliado de presidente da McCann Américas, somando o mercado da América do Norte à sua responsabilidade anterior pela América Latina e Caribe. Com base em São Paulo, Lindner também era responsável pelas operações do Oriente Médio e da África, que agora estão sob a liderança de Gustavo Martinez, presidente da McCann Worldgroup na Europa. Luca Lindner •

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Alexandre “Cajinha”, Marco Della Costa, Gunter Safert, João Luz, Alexandre D’Albergaria e Gabriel Matarazzo

Diretores Maurício Zabotto, Juliana Matavelli e Gabriel Henrique Marques

Criação A Lattitud, agência do Grupo Havas, reforça o time de criação com a chegada de três novos profissionais: o diretor de arte Maurício Zabotto (ex-Talent), a redatora Juliana Matavelli (ex-Rock Comunicação) e o assistente de arte Gabriel Henrique Marques (Ogilvy e Fess’Kobbi Comunicação).

Com o objetivo de aumentar o faturamento e ampliar a participação da empresa no mercado publicitário, a Crash Filmes contratou novos diretores. Reforçam o time da produtora liderada por João Luiz o diretor Alexandre “Cajinha” (ex-Asteróide Filmes), Marco Della Costa (ex-Vega Filmes), Gabriele Matarazzo (ex-Alta Filmes) e a dupla D&G Alexandre D’Albergaria (ex- Cubo) e Gunter Safert (ex-Delicatessen Filmes). A produtora tem também uma nova profissional na área de atendimento, Andrea Nero (ex- Cinecolor Digital).


Foto: Rafael Ianni

( figuras)

Priscila Mottola

Produtora Júnior

Vendas publicitárias

A produtora de som Na Glória anuncia a contratação da produtora junior Priscila Mottola. A profissional atuará ao lado de Teresa Moranduzzo, diretora musical e produtora da Na Glória. Priscila se formou em Comunicação pela Universidade Brigham Young (EUA). Ela é cantora, compositora, letrista e toca piano.

Dawn Williamson foi nomeada vicepresidente de vendas publicitárias para a Turner Broadcasting System (TBS) América Latina, Inc. Na Turner há 12 anos, a profissional esteve recentemente no cargo de vice-presidente para vendas publicitárias de CNN, responsável pela equipe nacional e os acordos multi-plataforma integrados nos canais CNN, HLN e CNN en Español nos Estados Unidos. Em seu novo cargo, Dawn estará à frente da Dawn Williamson equipe de vendas publicitárias pan regional da Turner América Latina, que é responsável pelo empacotamento e venda do portfolio de canais e sites do grupo. Ela atuará na estratégia de vendas e supervisionará o dia a dia do negócio desenvolvendo parcerias com executivos sênior da base de clientes da Turner. Dawn se reportará a Gretchen Cólon.

Direção geral A Conspiração reforça seu time de executivos com a contratação do produtor executivo Gil Ribeiro, que assume o cargo de diretor geral, baseado em São Paulo. Ele atua há mais de 30 anos na área de produção independente e tem no portfólio produção de filmes publicitários, programas de televisão e longasmetragen. Ribeiro era sócio e diretor geral da Mixer.

Comercial A Viacom International Media Networks The Americas anunciou a nomeação de Hector Almaguer como vice-presidente e conselheiro geral. Na função, o executivo cuidará de todos os negócios e assuntos legais para MTV, Nickelodeon, Comedy Central, Vh1 e outras marcas e propriedades da Viacom na América Latina e no Brasil. O profissional vem da Universal Music Latina America.

Internacional

Foto: arquivo

Abert

Foto: Rafael Ianni

A argentina Letícia Hernandez entrou para o núcleo internacional da BossaNovaFilms como atendimento executivo. A profissional acumula mais de nove anos de experiência na área, sendo que os últimos três anos foram dedicados ao mercado argentino. Ela trabalhou na produtora Rebolucion e na produtora de som TDL Music. Com passagens anteriores pelo Brasil, ela participou de projetos para Disney, São Paulo Fashion Week e Havaianas. Ao lado de Edu Tibiriçá, sócio e produtor executivo da BossaNovaFilms e da equipe internacional, Letícia terá como missão trabalhar com os diretores estrangeiros dentro do Brasil e levar os diretores brasileiros para o mundo.

Edu Tibiriçá; Leticia Hernandez; Marcelo Hipólito e Amelinha Lobo.

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O diretor-geral do SBT em Brasília, Daniel Pimentel Slaviero, volta à presidência da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão). Ele foi eleito nesta quarta, 15, para o biênio 20122014. Segundo a assessoria de comunicação da associação, Slaviero foi eleito por unanimidade pelo conselho superior da Abert. Ele sucede o presidente da Rede Itatiaia (MG), Emanuel Soares Carneiro. Para a vice-presidência da entidade, foi reeleito o empresário Vicente Jorge, da TV Asa Branca e da Radio Globo FM, em Caruaru (PE). Daniel Slaviero presidiu a Abert por duas vezes, entre 2006 e 2010, sendo seu conselheiro desde 2001. Também foi vice-presidnte para a América do Sul da Associação Internacional de Radiodifusão (AIR), onde atualmente é vice-presidente do Comitê Permanente de Liberdade de Expressão.

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A CONVERGÊNCIA ESTÁ BATENDO À SUA PORTA. UM FUTURO DIFERENTE NO ACESSO À INFORMAÇÃO, À CULTURA E AO ENTRETENIMENTO ESTÁ DIANTE DE VOCÊ. ATENDA O CHAMADO E PARTICIPE DA ABTA 2013! Nos últimos anos, atravessamos uma série de transformações tecnológicas impulsionadas pela expansão da banda larga, a convergência de mídias, a chegada das tecnologias IP, da TV digital e pela interatividade. A ABTA 2013 reunirá os principais players dos mercados de TV por assinatura, banda larga, telecomunicações, conteúdos e tecnologias para discutir estas e outras realidades, de maneira convergente e dinâmica.

6 A 8 DE AGOSTO DE 2013

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cobertura

( capa ) Fernando Lauterjung*

f e r n a n d o @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Conquista de territórios

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Lei do Serviço de Acesso Condicionado (SeAC) deu o tom da Feira e Congresso ABTA 2012, que aconteceu entre 31 de julho e 2 de agosto, em São Paulo. Os debates no evento, bem como a oferta de produtos e serviços, refletiram as novas demandas do setor, fomentadas pela possibilidade de expansão do serviço de TV por assinatura, bem como pela necessidade de cumprimento de cotas de conteúdos e programação nacional. Entre os destaques do evento estavam os provedores de Internet, que perceberam na nova regulamentação a possibilidade de ampliar suas ofertas de serviços. Um fornecedor de equipamentos expositor da feira afirmou a TELA VIVA que recebeu dezenas de representantes de empresas com este perfil, procurando soluções para levar TV às suas redes e suas bases de assinantes. A Algar Telecom, em parceria com a WDC Networks, lançou no evento o serviço ISP TV, com a proposta de reduzir os custos dos provedores com headend, softwares e outros equipamentos essenciais para o empacotamento e distribuição do conteúdo televisivo. O princípio é que o operador seja apenas responsável pela distribuição do serviço ao usuário final, por meio de sua rede de acesso, deixando toda a parte de empacotamento, negociação contratual, recepção dos sinais entre outras etapas, para um agregador, que seria a WDC. Segundo o presidente da WDC, Vanderlei Rigatieri, a ideia surgiu ao perceber que seus clientes (a WDC é fornecedora de soluções para 18

FOTO: daniel ducci

Com a nova lei, players tradicionais e novos entrantes expandem a presença de suas operações de TV a cabo.

O ministro Paulo Bernardo prometeu “fazer um lobby” junto à Anatel para acelerar o processo de outorgas.

operadores de Internet) perderiam mercado se não passassem a oferecer pacotes convergentes, incluindo TV por assinatura. Durante o evento, a WDC e a Algar receberam propostas de adesão de mais de 95 provedores de Internet. Por ora, três provedores já têm uso comercial da plataforma: Gigalink, em Nova Friburgo (RJ); BitCom, em Caxias do Sul (RS); e iSuper, em Maringá (PR). A expectativa dos desenvolvedores é de que apenas esses projetos rendam mais de duas mil assinaturas do serviço de TV paga. Pelo modelo de negócios, os assinantes de TV pertencerão à CTBC TV, da Algar. Este movimento das operadoras de Internet é natural, aponta Marcos Amazonas, presidente do Conselho da NeoTV, associação que reúne operadoras e pequeno e médio porte. Segundo ele, a TV por assinatura é uma atividade que vai além da televisão, é um negócio de assinatura. “Esse é o centro da questão, o que vai gerar oportunidade de negócios enormes em volta dos assinantes. É um negócio para grandes e para

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empreendedores”, diz. O executivo ainda complementou dizendo que o foco do negócio deve sempre ser o cliente, por quem as operadoras e programadoras devem se pautar: “Primeiro a empresa tem que dimensionar sua área, resolver quem é seu cliente e trabalhar a partir dele”, afirma. A própria NeoTV começa a ganhar força com essa movimentação. Mariana Filizola, diretora geral da associação, revelou que muitos operadores têm se associado e que espera um crescimento de 20% até o final do ano. Entre os novos afiliados está a CTBC, da Algar Telecom. A associação tem um projeto de video on-demand para que pequenas operações também tenham condições de oferecer conteúdo sob demanda. Testes ainda estão sendo feitos e a ideia é disponibilizar o serviço o mais rápido possível. Um dos associados já desenvolveu o hardware e software da plataforma e deve operar o serviço


para outras empresas. A associação trabalha ainda no fomento da montagem de headends para distribuição coletiva de programação. “Temos três afiliados estão participando da estruturação, que vai desde a montagem de um novo headend do zero, para servir a vários pequenos provedores de Internet, até a ampliação de um headend já existente de uma operadora”, conta Mariana. Projetos de expansão A nova regulamentação também abre oportunidades para operadoras de TV que atuam em cidades de médio porte e que querem ampliar suas áreas de atuação. A Blue Interactive (ex-Viacabo), por exemplo, já tem licenças para entrar em seis cidades em janeiro do próximo ano, além das 14 onde já opera. É o que afirma a CEO da empresa, Sílvia de Jesus, explicando que a operadora já se ajustou ao SeAC (Serviço de Acesso Condicionado). “Desta maneira, o processo para entrar nas cidades fica mais rápido e prático”, afirma Silvia. Ela conta que a Blue tem como plano de curto prazo chegar a 500 mil assinantes e disputar com as grandes teles com um serviço mais personalizado, local, e com melhor qualidade. A previsão é de chegar a 35 cidades no prazo de três anos. Para o mercado financeiro, há uma janela para investimento em operadoras médias no Brasil. Segundo Marcelo Di Lorenzo, do banco inglês 3i Group, que fez no início do ano um investimento de R$ 100 milhões na Blue Interactive, esta janela é curta e o mercado investidor pode se beneficiar dela se encontrar empresas “com capacidade de execução e a agilidade de quem quer ser consolidador”. Esta janela, explica o executivo, fica aberta durante o período em que os grandes operadores têm que se concentrar nos grandes centros, deixando as cidades médias “descuidadas”. “Em algum momento, eles vão atrás deste novo mercado”, diz. Di Lorenzo diz que a demanda por

banda larga é crescente nos mercados menores, com o aumento do e-commerce e do e-learning. “Há uma demanda reprimida e baixo padrão de qualidade”, afirma. Para ele, a qualidade de gestão, associada a uma infraestrutura robusta e atualizada, permite expandir o serviço a cidades próximas às das atuais operações. Ele acredita que haverá uma concentração, com empresas pequenas buscando se unir a empresas médias para poder competir. “Podemos ter uma empresa (de triple play) com capital aberto no Brasil”, aposta. Renato Pasquini, team leader da Frost&Sullivan, diz que a consolidação do mercado, as mudanças regulatórias e novos pacotes com IPTV devem ajudar a

realidades regionais. No entanto, qualquer entrante terá de concorrer com os grandes players. “O entrante não consegue competir nos pacotes básicos, mas pode disputar o pacote premium”, diz. Para isso, destaca, precisa de um triple play robusto e acompanhar de perto o mercado regional. “Fora dos grandes centros, a renda começa a crescer”, destaca. Lora aposta no crescimento do mercado, mesmo que a velocidade de ampliação da base de assinantes caia. “Há uma demanda por serviços que ainda está reprimida. As pessoas que já assinam, gostariam de migrar para pacotes mais caros”,

Segundo a Frost&Sullivan, penetração da tv paga deve ir dos atuais 21,4% para 59,9% até 2017 desenvolver o mercado no País. Segundo ele, o Brasil deve chegar a 59,9% de penetração do serviço de TV por assinatura até 2017. Hoje a penetração é de 21,4%. Embora preveja uma queda ainda mais substancial nos preços do serviço de TV paga praticados no Brasil, ele acredita que devem surgir oportunidades com a oferta de serviços adicionais. Ele lembra que já há pacotes por R$ 29,90 no Brasil, mas aponta que no México, a Dish tem pacote pelo equivalente a R$ 14,40. Esta queda deve ser empurrada pelas maiores operadoras, que têm escala. Além disso, para esta faixa de preço, é preciso deixar de subsidiar os set-top boxes e fidelizar o cliente por tempo maior, 18 meses. As oportunidades que surgem são com serviços adicionais como DVR em nuvem, TV everywhere e quadruple play. Luís Lora, analista de telecom e diretor do banco BNP Paribas, se diz cautelosamente otimista com o mercado brasileiro. Segundo ele, há perspectivas de crescimento, sobretudo nas diferentes José Félix, da Net: operadora deve chegar a mais de 200 municípios até o final de 2013 e promete expandir sua rede para mais 50 cidades ainda em 2012.

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diz. Di Lorenzo, do 3i Group, concorda que pode haver uma redução na evolução da base de assinantes no Brasil. “O crescimento de 7,5% ao ano não é sustentável. Essa pausa será saudável para que o setor se estruture”, diz. Terra de gigantes A Net também anunciou no evento um agressivo projeto de expansão. A operadora promete dobrar o número de cidades atendidas com seus serviço, chegando a mais de 200 municípios até o final de 2013. Atualmente, a operadora está presente com cabo em 93 localidades. Márcio Carvalho, diretor de marketing, produtos e serviços da operadora, anunciou que a Net investirá R$ 2,7 bilhões em 2012. “Isso é mais que a metade do que foi investido nos últimos cinco anos”, disse o executivo. Segundo apurou este noticiário, estes valores serão captados pela Net por meio de acordos de mútuo com o acionista controlador (Telmex), mas em valores mais atraentes do que os de mercados. José Félix, presidente

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FOTOs: marcelo kahn

( capa )

da Net, diz que a lógica de investimentos em novas localidades seguirá, principalmente, a densidade demográfica. As maiores cidades devem receber investimentos antes. Além disso, a operadora pode investir em cidades vizinhas a cidades onde conta com operação. Félix afirmou que quer expandir sua rede para mais 50 cidades ainda em 2012. A operadora divulgou que seu plano de expansão contemplará todos os estados do Brasil e que todas as novas cidades passarão a ser atendidas com o portfólio completo de produtos. A Oi também promete ampliar expressivamente sua base de assinantes. A operadora deu início às vendas de serviço de acesso banda larga de ultra velocidade sobre sua nova rede fiber-to-the-home (FTTH). Essas vendas, com velocidades de 100 Mbps e 200 Mbps, estão funcionando como um teste para auferir o quanto o cliente está disposto a pagar pelo serviço. A informação foi dada no evento pelo diretor de segmentos da Oi, Eduardo Aspesi. “Estamos oferecendo o serviço a preços de R$ 89,90 a R$ 109, para saber quanto o cliente está disposto a pagar. Eu mesmo fui à casa de três 20

clientes e vendi o serviço na semana passada”, conta Aspesi. A avaliação da demanda por Internet de alta velocidade via fibra funciona como uma preparação para o lançamento do serviço de IPTV da Oi, o que deve acontecer em setembro, começando pelas cidades de Belo Horizonte e Rio de Janeiro. “Até 2015 vamos cobrir 20 cidades e cabear no mínimo 2 milhões de domicílios com FTTH”, diz Aspesi. A estratégia da Oi prevê a oferta de serviços de IPTV sobre a fibra para cidades com grandes concentrações populacionais, que são as cidades localizadas até 150 km da orla brasileira, e o atendimento do restante do País com DTH. Regulação Para saciar a fome de expansão das operadoras, a Anatel prometeu no evento que os pedidos de novas licenças do Serviço de Acesso Condicionado devem ter um tempo médio de análise de dois meses. A informação é de Érika Bezerra Luciano, gerente de outorga da Anatel. Ela lembrou que os pedidos têm que passar pelo conselho diretor da agência, mas não

“Até 2015 vamos cobrir 20 cidades e cabear no mínimo 2 milhões de domicílios com FTTH.” Eduardo Aspesi, diretor de segmentos da Oi

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Manoel Rangel, da Ancine, e João Rezende, da Anatel. Agência de telecomunicações deve encerrar o ano com um total de cerca de 250 licenças aprovadas, 60% delas referentes a adaptações das atuais licenças de MMDS, cabo ou DTH.

precisam mais ser submetidos à procuradoria, o que garante pelo menos 45 dias na análise. Érika conta que a agência reguladora já recebeu 33 pedidos de novas licenças do SeAC. Para migração para o novo serviço, a agência já autorizou 39 empresas, sendo 25 de MMDS, 14 de cabo e uma de DTH. O presidente da Anatel, João Rezende, declarou que a agência deve encerrar o ano com um total de cerca de 250 licenças aprovadas, 60% delas referentes a adaptações das atuais licenças de MMDS, cabo ou DTH. “Só da Net são mais de 90 outorgas em análise, e mais de 40 da Sky”, acrescenta Rezende. O ministro Paulo Bernardo, das Comunicações, disse no evento que vai “fazer um lobby” junto à Anatel para acelerar o processo de outorgas. Segundo o ministro, a nova lei da TV por assinatura é apenas uma parte das ferramentas normativas que devem regular o setor de mídia. Ele citou a crescente penetração do serviço de Internet no País, que chegou a 27% dos lares em 2010 e 38% em 2011, e afirmou que é necessário fazer um plano de universalização. Para o ministro, a Internet ajuda a “puxar” a média do PIB pelo País. Outra novidade regulatória apresentada pela Anatel é que todos os prestadores de telecom terão que mostrar não ter vínculos de controle com empresas de radiodifusão. O processo começa com o SeAC, para os quais os futuros pleiteantes terão que enviar documentos à Anatel atestando que não têm empresas de radiodifusão em suas composições acionárias além dos limites legais. Segundo José Mares Guia Júnior, gerente geral de outorga da Anatel, a agência exigirá os documentos nos casos de novas licenças também. As empresas de radiodifusão não podem deter controle


Conteúdo Do lado do conteúdo, a Ancine foi cobrada por celeridade na análise de pedidos de recursos, bem como na criação de uma lista de canais aptos a cumprirem as diferentes modalidades de cota de conteúdo no SeAC. Ao mesmo tempo, programadoras pediam mais tempo para realizar o credenciamento de seus canais junto à agência, algo previsto na Lei do SeAC. Manoel Rangel, presidente da agência, afirmou que

“O crescimento de 7,5% ao ano não é sustentável. Essa pausa será saudável para que o setor se estruture.”

12.485/11 potencializa este cenário e o mercado forte levará à criação de mais conteúdos e canais brasileiros e à exploração destes ativos no mercado internacional. Ao mesmo tempo, prevê a presença de mais canais estrangeiros no Brasil, sempre carregando conteúdo nacional. Sobre os grupos de mídia regionais, hoje sustentados pelo mercado publicitário em um modelo de afiliação com as cabeças de rede, Rangel diz que o Estado os vê como ativos importantes para o país e destacou que a Lei 12.485/11, ao direcionar recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) à produção regional, já busca alavancar a presença de diferentes regiões e estados como polos de criação de conteúdo. Rangel afirmou a TELA VIVA que já existem ferramentas para auxiliar os grupos regionais que tenham interesse em ampliar o seu escopo. “O FSA traz um conjunto de oportunidades para todos que quiserem atuar como empresas de programação de conteúdo”, disse Rangel, explicando que as oportunidades valem para perfis regionais e nacionais. “Cabe a estas empresas estruturar departamentos para se relacionar com a produção independente. A maioria delas não tem”, disse Rangel. “Há no mercado profissionais qualificados para assumir estas funções”, disse o presidente da agência. Segundo Manoel Rangel, o mercado de TV por assinatura comporta mais programadoras brasileiras e o Fundo Setorial do audiovisual atuará para alavancar a programação nacional. “Estamos mais perto de cumprir obrigações constitucionais que foram deixadas de lado durante anos”, finalizou.

Marcelo Di Lorenzo, do 3i Group

não haveria prorrogação do prazo, pedindo aos programadores que ainda não tivessem feito credenciamento, que o fizessem o quanto antes. Além disso, Rangel afirmou acreditar que há canais se credenciando de forma equivocada, “afirmando ser aquilo que não é”. Segundo o presidente da Ancine, a agência analisará a lista de canais credenciados como canais nacionais de conteúdo majoritariamente independente e pode, eventualmente, mudar suas categorias. Rangel disse ainda que pretende desenvolver os mercados nacional e regional de programação. Ele destacou que, desde a década de 1990, a publicidade vem perdendo relevância no modelo de financiamento da televisão em todo o mundo e que a tendência começa a ter reflexos no mercado brasileiro, com o crescimento da TV por assinatura no País. O presidente da agência reguladora apontou que até 2017 a TV por assinatura deve ter penetração de mais de 50% no Brasil. Neste momento, o faturamento da TV paga (excluindo as receitas com a venda dos serviços de banda larga e telefonia) terá ultrapassado de longe o faturamento da TV aberta. Os efeitos desta mudança serão a diluição da audiência e uma disputa mais equiparada pelo bolo publicitário entre TV aberta e por assinatura. “Tal como acontece no mundo desde 2008, a assinatura suplantará a publicidade nas receitas da televisão como um todo”, diz Rangel. Segundo ele, a Lei FOTO: danielducci

e nem participação acionária acima de 50% em operadores do SeAC. No caso de operadoras que também prestem outros serviços de telecomunicação, o limite cai para 30%. Além disso, a Anatel também passará a exigir de todas as empresas de telecomunicação (não apenas do SeAC, mas também STFC, SCM entre outras) documentação comprovando que não haja empresa de radiodifusão na composição acionária acima do limite de 30%. Já a regulamentação sobre direito do assinante e qualidade deve ser anunciada ainda esse ano. Ângela Beatriz Cardoso de Oliveira Catarcione, gerente de regulamentação e planejamento técnico e econômico da agência, contou que são quatro as regulamentações em que a Anatel tem trabalhado no momento: qualidade do serviço, direitos do assinante, normas técnicas (closed caption, interatividade, volume, multiprogramação, níveis de qualidade de imagem) e condições de dispensa do carregamento dos canais obrigatórios. Esses regulamentos complementarão a regulamentação atual e completarão o marco regulatório do SeAC. Segundo Ângela, a regulamentação de qualidade a direitos do assinante devem sair ainda este ano. A regulamentação técnica deve sair no ano que vem e a de dispensa de carregamento de canais obrigatórios também.

“Nossa empresa já se ajustou ao SeAC. Desta maneira, o processo para entrar nas cidades fica mais rápido e prático.”

* Colaboraram Ana Carolina Barbosa, Wilian Miron e Letícia Cordeiro.

Sílvia de Jesus, da Blue Interactive

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GALERIA

Alexandre Anneberg, presidente da ABTA, abriu os trabalhos da 20ª edição do evento.

Corredores lotados: perspectiva de expansão atraiu players novos e tradicionais do setor. O ex-jogador Zico gravou na ABTA seu programa no canal Esporte interativo.

Ariel Dascal, diretor da OiTV.

Antonio João Filho, da Claro TV, relembrou sua trajetória e apontou os fatores que fazem o sucesso de uma operação.

Marcelo di Lorenzo (3i Group), Renato Pasquini (Frost & Sullivan), Samuel Possebon (Teletime) e Luis Lora (BNP Paribas)

Ana Cortat, da agência Africa, participou de painel sobre a publicidade na TV por assinatura.

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Deputado Alessandro Molon, relator do Marco Civil da Internet na Câmara.

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Marcello Zeni, da Disney/ESPN.


Painel de programação com Manoel Rangel (Ancine), Anthony Doyle (Turner), Paulo Saad (Band), André Mermelstein (Tela Viva), Fernando Ramos (G2C), Rodrigo Marques (Net) e Luiz Antonio Silveira (Conspiração)

A jornalista Maria Beltrão, da GloboNews.

Sundeep Bhalla, diretor de IPTV da CenturyLink

Antonio Barreto, da DLA.

Rodrigo Dienstmann, da Cisco, e Marcio Carvalho, da Net.

Fernando Medin, da Discovery.

Antonio Salles, do Seta.

Steve Hersey, da Motorola.

Marconi Maia, da Anatel Fernando Ramos (G2C), José Felix (Net) e Rossana Fontenele (Org. Globo)

Brett Tishler, da Broadcom.

Richard Alden, da Blue Interactive

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cobertura

(programação) Edianez Parente

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Mudanças de hábito Mercado enfrenta o dilema de agradar a classe C sem perder antigo assinante; adequação às cotas acentua cuidados com a qualidade do conteúdo e anunciantes precisam refazer as contas.

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FOTOS: marcelo kahn

tender às expectativas de conteúdo da enorme massa entrante na TV por assinatura sem contrariar o público pagante que há anos sustentava o setor não vem sendo uma tarefa simples para os programadores . A questão também requer atenção das operadoras, preocupadas em dosar a oferta de pacotes às expectativas de cada público e já chama a atenção dos anunciantes do meio, que percebem mudanças de perfis e hábitos das audiências. Não bastasse tudo isso, há ainda a urgente adequação das partes às regras estabelecidas pela Lei 12.485 sobre programação nacional, que desperta a preocupação com a qualidade do que será oferecido nos canais já a partir de setembro. Na ABTA 2012, o presidente da Ancine, Manoel Rangel, levantou em uma de suas apresentações que é factível para a agência um cenário de mais de 30 milhões de assinantes de TV por assinatura em 2017, com 50% de penetração – a ABTA estima que esse número possa variar entre 35 milhões e 45 milhões. “Nesse momento, estamos cientes de um cenário onde o faturamento da TV por assinatura terá superado o da TV aberta”. Para Rangel, como ocorre desde 2008 no mundo todo, as receitas com assinaturas superarão as receitas com publicidade como fonte de financiamento da televisão nos próximos anos. Como o governo estima que a classe C deva representar 60% da população em 2014, é natural constatar que o potencial da TV paga na classe C está longe de se esgotar. Independentemente das previsões,

Carla Ponte (Discovery), Silvia Elias (Turner), Keila Jimenez (Folha de SP) e Paulo Schmidt (Grupo Ink): canais e produtoras garantem que cotas não causarão queda na qualidade das produções.

o fato é que os milhões de novos assinantes que chegaram à TV por assinatura e a necessidade de explicar-lhes o próprio conteúdo tem modificado a linha de comunicação da grade e a conduta dos executivos de programação dos canais. Luiz Cláudio Costa Latgé, diretor de jornalismo do Globonews e do portal G1, traçou um panorama dos mais elucidativos sobre este momento que vivencia o profissional de conteúdo do setor. Explicou que atualmente o canal Globonews tem uma carga de novidade para nada menos do que metade da sua audiência. “É necessário ter um reforço na reapresentação do canal, sendo preciso revalidar conceitos para torná-los conhecidos para o novo público que advém das classes C e B”. Assim, conforme Latgé detalhou, marcas já sedimentadas do canal, como as atrações “Millenium”, “Entre Aspas” e “Sem Fronteiras”, por exemplo, precisam ser reapresentadas a quem está chegando, para serem conhecidas. Ele vê este novo universo de 24

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telespectadores muito próximo ao perfil da audiência da TV aberta. “Isso tem um forte impacto no mercado e acho que até sacode um pouco a lógica da TV por assinatura”. Atento observador do lado de dentro do business, ele acha que a tendência é de concentração de audiência nos canais que apresentam uma programação mais generalista. “Ao mesmo tempo, há uma fragmentação de audiência dos canais mais segmentados, o que faz ressurgir a dúvida histórica: fazer um canal generalista ou canal de nicho”, pergunta, para ele mesmo responder: “A discussão ainda se faz presente, mas ganha contornos novos. E o ponto de partida é trabalhar no fortalecimento da marca”. “Para outras marcas”, segue Luiz Latgé, “as quais não julguem oportuno trabalhar segmentação, não se pode abrir mão de estar perto do seu cliente, sob risco de perdê-lo”. O diretor exemplifica, citando uma das propriedades do


canal, a faixa “Conta Corrente”, que não pode, segundo ele, ter a visão de ser um canal de economia. “Trata-se de um conteúdo que deve ser explorado muito mais dentro do ambiente de web”, aponta. Numa frase, o diretor da Globonews resume o cerne da questão: “A gente se acostumou com um público que mudava pouco. E agora, ele mudou muito rápido”. A preocupação de Latgé é pertinente. Em meados de agosto, por exemplo, a colunista de TV de O Globo, Patricia Kogut, dedicou um texto crítico à descaracterização da TV por assinatura. Num dos trechos, ela assinalava o tanto de vezes que o longa-metragem norte-americano “Velozes e Furiosos” fora reprisado no Universal Channel, mas também reclamou dos demais canais: “(...), a maioria dos canais voltou a exagerar nas dublagens. É o caso do Sony, do Warner e do AXN, também exibidores de séries campeãs. Já o HBO básico vem dando uma rasteira chatinha naqueles que não assinam o pacote HD da Net: está dublando ‘The Newsroom’, a série do momento”. Para a jornalista, tal modelo, conforme suas palavras, “tenta agradar a gregos e troianos — criando horários para exibições tanto de atrações dubladas quanto de legendadas — acaba não agradando a ninguém”. O texto de Patricia pode facilmente ser estendido a uma parcela do público assinante de maior poder aquisitivo que sustentou por muitos anos o sistema e que agora se sente um tanto incomodado. Operadora De volta à ABTA 2012: para o operador, a questão envolve mais do que o simples desenho das suas ofertas. Fernando Magalhães, diretor de programação da Net Serviços, lembra como os pacotes mudaram bastante recentemente, com a chegada das várias

Fernando Magalhães, da Net: os pacotes também têm mudado devido à chegada de novas plataformas.

plataformas sob demanda sendo lançadas no mercado. Para ele, como a tendência dos canais foi partir por uma linha de programação mais generalista, passou-se a contar com novas ferramentas para conteúdos nãolineares específicos sob demanda. “O nome do jogo para os canais passou a ser audiência”, diz ele, lembrando da mudança de foco dos principais canais para a linha mais generalista, de forma a atender melhor à entrante classe C. Magalhães assinala que, em um ano, desde que estreou o Now, serviço de VOD da Net, a adesão é crescente. Ele lamenta ainda não haver aferição independente de audiência desta plataforma para comprovar o seu sucesso, que é medido pela própria Net. Vale lembrar que o Now passou recentemente também a atingir clientes de pacotes mais básicos. E é nessa plataforma que a Net hoje concentra enorme quantidade de parcerias para ofertas diferenciadas de conteúdos on-demand. Neste aspecto, admite Magalhães, o Now tem “uma posição privilegiada”. A Net prevê mudança de alguns dos seus canais, conforme adiantou o diretor Rodrigo Marques, em debate ao lado do presidente da Ancine. Ele disse que em virtude da adequação de canais aos pacotes segundo a quantidade de programação nacional, provavelmente canais serão trocados. “Estamos fazendo uma análise detalhada em cada um dos pacotes. Mas a gente não sabe ainda quais os canais qualificados para se adequar”, alertou. Sobre esta questão das cotas, fora dos microfones e discussões públicas, executivos de canais de conteúdo nacional

“A economia não está como em 2011; e a capacidade de consumo da classe C também se esgota.” Paulo Saad, do Grupo Bandeirantes

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passíveis de qualificação pela lei reclamam da falta de receptividade das operadoras diante das suas demandas de valor; os operadores, por sua vez, argumentam que os preços pedidos por quem se encaixa nas novas determinações da Ancine estão fora dos valores que o mercado pode pagar. Ainda, as operadoras começam a se resguardar nos novos contratos, assegurando em cláusula a retirada imediata do canal caso ele deixe de atender às determinações de cotas estabelecidas pela agência reguladora do audiovisual. No mesmo palco de discussão, o diretor do Grupo Bandeirantes, Paulo Saad, atentou para entraves de ordem burocrática na adequação dos canais à nova regulamentação. Ele pontuou também que a produção simplesmente dobrou de preço desde que se aventou uma maior demanda – o que no seu caso chega a ser bom e ruim ao mesmo tempo, uma vez que é fornecedor e também adquirente de produções. Saad, entretanto, faz uma observação relevante: “A economia não está como em 2011; e a capacidade de consumo da classe C também se esgota”. Ainda assim, ele aposta no novo canal do grupo para conteúdo nacional na TV por assinatura, o Arte1, lembrando que a programadora almeja ser a segunda maior do mercado nacional. Fernando Ramos, diretor do braço de distribuição da Globosat, a recentemente rebatizada G2C, define que o momento é de adequação. Canais internacionais Manoel Rangel em uma de suas exposições, destacou que as remessas ao exterior dos canais internacionais em 2011 superaram R$ 1 bilhão: “Em 2017, será um valor equivalente a mais de R$ 3 bilhões”. Entre as programadoras internacionais, o impacto da maior 25

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( programação) “A gente se acostumou com um público que mudava pouco. E agora, ele mudou muito rápido .”

FOTO: daniel ducci

audiência é também significativo. Do lado da Viacom no Brasil, o diretor de criação, Jimmy Leroy, considera que a própria TV aberta está sofisticando sua grade, “aproximando-se da TV a cabo”. Para ele, um canal do cardápio da programadora como o Comedy Central (conteúdos de humor) aproxima-se muito das aspirações do novo público entrante nos sistemas de televisão paga. A Discovery tem 13 canais no seu portfólio no País. Seu diretor de programação, André Rossi, lembra que a mudança recente do canal Liv, que foi substituído pelo novo ID-Investigação Discovery, gerou grande expectativa de evolução positiva na sua audiência. O canal trata de temas ligados a suspense sob a perspectiva do entretenimento. Carla Ponte, supervisora de produção e desenvolvimento dos canais Discovery, diz que em qualquer circunstância a qualidade tem de estar preservada. Para ela, a classe C não pode estar associada a uma programação de menor qualificação, já que este novo público traz em si o caráter aspiracional. Neste sentido, o presidente da Ancine também sacramentou: “Confio na capacidade dos executivos das programadoras de escolher o melhor entre as produtoras. Num cenário de maior competitividade, não está em questão derrubar a qualidade. O novo cenário é bom porque é bom o momento econômico do País”. Segundo Carla, também cada nova produção tem um custo correspondente no mercado de aquisições em função de seu gênero. “Mas no Brasil é sabido que é tudo muito caro. Infelizmente, a produção aqui é uma das mais caras da América Latina, com comparativos também com Europa e EUA”. Para ela, há uma demanda enorme por produção vinda com a nova lei. “Estamos construindo esse ambiente e a produção independente no Brasil nasceu com a 26

Luiz Cláudio Costa Latgé, do Globonews

TV por assinatura”. Carla destacou ainda haver um enorme gap de profissionais, como roteiristas, por exemplo, e por outro lado há profissionais – como direção de fotografia – com custos altos, porque são formados pela publicidade e dramaturgia. Silvia Elias, gerente de conteúdo local para canais adultos da Turner – que tem 11 canais no Brasil - chegou há poucos meses na programadora exatamente com a finalidade de criar novas parcerias e identificar as produções do mercado brasileiro que tenham apelo também para os canais internacionais da empresa. “Estamos estruturando um departamento de produção local”, diz ela. O vicepresidente da Turner, Anthony Doyle, manifestou também diante do presidente da Ancine as dificuldades encontradas para se adequar tão rapidamente à nova legislação, enumerando questões de logística, os prazos para registros dos canais e as questões relativas a uso do Fundo Setorial do Audiovisual. Sobre a questão levantada de que os produtores nacionais seriam remunerados com valores baixos, Silvia Elias, ressaltou: “A Turner não vai investir em produção barata só para cumprir as cotas, mesmo

O lado das produtoras Paulo Schmidt, sócio do Grupo Ink, destaca a força criativa do brasileiro, e chama a atenção para o fato de que o mercado tem de ser formado também por pequenas e médias empresas, ao lado das grandes produtoras, dada a diversidade de tipos de formato que a indústria comporta. E salienta, diante dos questionamentos sobre os altos preços cobrados pelas produtoras, que em comparação ao valor cobrado nos demais países “a mensalidade da TV por assinatura no Brasil também é cara”. Para ele, a atividade principal das grandes produtoras nacionais ainda é fortemente baseada nos trabalhos de publicidade, uma vez que a produção independente é um tanto recente. A Academia de Filmes, braço do Grupo Ink dedicado a cinema e televisão, enumera entre os muitos de seus maiores trabalhos para TV aqueles feitos para as redes de TV aberta: a minissérie “A Pedra do Reino” e “Amor em 4 Atos”, ambas atrações para a TV Globo, além do “É tudo Improviso”, para a Bandeirantes, ao lado de programas para a TV Cultura. “Mas é um caminho que vem se abrindo para a produção independente”, afirma Schmidt. Ele também se diz preocupado com o fato de a nova classe C ingressar nos sistemas de TV por assinatura à procura de

net diz que canais serão trocados por efeito das cotas de programação nacional porque se tratam de atrações para o horário nobre dos canais”. No entanto, segundo ela, os custos têm de estar alinhados. “Os custos de TV aberta – e eu já atuei em emissora aberta - são maiores porque têm a ver com questões de estrutura, estúdios etc. Sobre os valores negociados junto às produtoras, isso já tem a ver com o perfil de cada canal”, disse Silvia. De olho no público emergente, a Turner prepara um programa de talentos musicais que relembra os shows de calouros e também uma série nacional de comédia para seu canal de entretenimento, o TBS.

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maior qualidade. “Isso tem de ser administrado, para que a classe C não assine simplesmente um pacote básico de canais”. Luiz Antônio da Silveira, produtor executivo da Conspiração, diz que a meta da produtora para 2013 é já ter 40% de seu faturamento obtido pelo núcleo de TV. Ele afirma que a estrutura de roteiristas na empresa para a área simplesmente dobrou, contando agora com 16 profissionais.


Publicidade também vê novo público Paulo Camossa, diretor geral de mídia da AlmapBBDO, mostrou como os canais por assinatura pedem conteúdos relevantes e proprietários no trabalho com as marcas. Ele define a nova legislação do setor para produção nacional como oportuna, e diz esperar que o CPM (custo por mil, índice utilizado pelos profissionais de mídia para quantificar a relação custo-benefício das audiências) da TV paga, que já é maior nos canais de nicho, não suba ainda mais. Ele observa que, dada a segmentação dos canais, não é uma vocação do setor gerar grandes audiências – mesmo porque “o CPM dos canais pagos segmentados é cerca de cinco vezes maior que os similares na TV aberta”. Por exemplo, ele compara o CPM de um filme da faixa “Tela Quente”, da TV Globo, a um longa-metragem no CineFox: 34 (Globo) x 50 (canal Fox); ou ainda um jogo de futebol: 55 (Globo) x 65 (SporTV). “Os canais da TV paga não têm e nem vão ter o volume de audiência de uma novela da TV aberta”, lembra. Camossa também assinalou que atualmente “os perfis dos principais canais são razoavelmente semelhantes”, mas a TV paga pede conteúdos relevantes e proprietários. Daí, ele enumera interesses de anunciantes em programas específicos, como por exemplo os cases da AlmapBBDO com GE para o SporTV com o programa “Superatletas”, ou de O Boticário para o GNT, com o “Desafio Beleza”. A Ipsos acaba de fazer um levantamento chamado “Os Luxos da Classe C”, apurado em 13 regiões metropolitanas. De acordo com o diretor do instituto de pesquisas Diego Oliveira, o meio TV paga já atinge 29% desta faixa da população. Chama atenção o fato de 82% dos lares terem apenas um ponto de TV por assinatura, que vira área de concentração do

lar: “Para eles, assistir à TV paga é um programa de família”. Fred Müller, diretor de publicidade da Globosat, em resposta a Paulo Camossa, destaca que o CPM do meio vem caindo, “enquanto o da TV aberta só sobe”. E assinala que o setor “eleva seu alcance das classes A e B, sem perda de performance na classe C”. Para o diretor da Globosat, a maior popularização do setor não significará perda de segmentação dos canais. “A segmentação é parte do negócio”, diz, lembrando-se de cases de sucesso como o canal OFF e também o Viva, ambos da Globosat. Para ele, “o meio gera identificação com o mercado anunciante e a partir desse crescimento, as marcas precisam se tornar mais fortes. Como a TV aberta é sempre citada, a título de ilustração, o diretor geral da TV Globo, Octavio Florisbal, deu duas semanas após a ABTA 2012 a seguinte resposta para o jornal O Estado de S. Paulo ao ser questionado sobre como o crescimento da TV por assinatura poderia afetar o faturamento da TV aberta: “TV paga sempre se colocou como uma TV da classe AB, é mais para nichos, mesmo com a chegada agora da classe C. Os anunciantes quase não programam TV paga para públicos de classe B2 para baixo porque eles já foram atingidos pela TV aberta, que é muito assistida por quem tem TV paga. A TV aberta ainda tem 55% de participação na audiência de quem tem TV paga – selecionando só a classe C essa participação da TV aberta é de 75%. Fizemos uma pesquisa para saber sobre a classe C que agora está entrando bastante na TV paga: eles assistem maciçamente à TV aberta, filmes dublados e canais de esportes”.

FOTO: marcelo kahn

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receita de publicidade do conjunto dos canais de TV por assinatura deve em alguns anos ultrapassar o volume da TV aberta. As receitas de assinatura do setor devem superar o montante de faturamento da televisão aberta em 2014 – o valor em 2011 foi de R$ 18 bilhões de faturamento da TV aberta – ou 63,3% do bolo nacio– nal -, segundo o Projeto InterMeios. Os profissionais do mercado de publicidade veem a entrada recente de milhões de novos clientes e a perspectiva de tantos outros para os próximos anos como de grande oportunidade de se criar novos vínculos de emoção. O meio TV por assinatura faturou em publicidade R$ 1,2 bilhão em 2011, com participação de 4,2% do bolo nacional. Geraldo Leite, da Singular Arquitetura de Mídia, detalhou uma pesquisa feita com as principais agências e anunciantes de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, relatando que 97% dos entrevistados dizem que pretendem investir no setor ainda neste ano ante 93% que investirão nos canais de TV aberta. Também, 53% fizeram alguma ação de branded content no último ano, sendo que 41% dos entrevistados pretendem fazê-lo neste ano. Ana Cortat, VP de planejamento da agência Africa, destacou a força do meio nos aspectos de relacionamento e atentou para a oportunidade de se criar novos vínculos emocionais com estes entrantes na TV por assinatura. Ela lembra que assuntos de televisão dominaram entre os mais comentados no Twitter – os chamados TT’s, ou trending topics – nos últimos três meses e dá um exemplo familiar para ilustrar sua percepção do segmento: “Minha mãe também acaba de entrar num sistema de TV por assinatura. E sabe o que ela acha que vai estar vendo em cinco anos? Novela na TV a cabo”.

“Espero que o CPM da TV paga, que já é maior nos canais de nicho, não suba ainda mais.” Paulo Camossa, da AlmapBBDO

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( serviços ) Bruno Borin

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VOD e segunda tela ganham espaço nas operadoras Net, ClaroTV e GVT apresentaram novidades na feira; Globosat lançou mais canais on-demand.

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FOTOS: divulgação

s operadoras e programadoras presentes à ABTA 2012 mostraram que as tendências internacionais de crescimento do VOD (vídeo on-demand) e da distribuição multitela chegaram para valer. Em um ambiente de competição, tanto entre elas quanto com o mercado do overthe-top (OTT), as empresas apresentaram na feira suas armas para reter o assinante. Pelo lado das operadoras, uma das principais novidades foi apresentada pela Net, com seu novo produto NetMix. Disponível dentro do serviço Now – que oferece mais de quatro mil títulos para locação dentre filmes e programas para os assinantes HD da operadora – o NetMix garante acesso ilimitado para os usuários que assinarem o serviço por R$ 14,90 ao mês (os assinantes do Now compram o conteúdo para uma única exibição). Segundo Henrique Zanardo, consultor de produtos de pay TV da operadora, o serviço apresenta vantagens se comparado ao Netflix: “O usuário tem acesso a conteúdos em HD sem depender da banda larga”, afirma. Disponibilizando conteúdo on-demand, a operadora busca também gerar uma receita indireta através de clientes que, interessados na oferta de conteúdo, optam pelo upgrade de seus pacotes. Além disso, outra vantagem seria a redução do índice de desistência de clientes, o churn, ligado diretamente à oferta de conteúdo da

O novo serviço da GVT, Power Music Club (PMC), permite que os assinantes gravem e reproduzam suas próprias playlists de músicas.

operadora. Em painel durante a ABTA 2012, o diretor geral da DLA, Antônio Barreto, afirmou que o serviço on-demand potencializa o negócio da televisão, fortalecendo a relação com o assinante. Além do NetMix, a Net apresentou também um novo produto: um disco externo que possibilita gravar o conteúdo assistido pelo cliente Net Digital HD. Através de uma entrada USB, o dispositivo se conecta ao receptor HD do usuário, podendo armazenar o conteúdo como um DVR. Desta maneira, a operadora permitirá que toda sua base de assinantes HD – mais de um milhão de clientes – possa gravar e guardar os conteúdos dos canais da NET. Atualmente o recurso de gravação só está disponível para os clientes Net HD Max, que contam com decoders equipados com discos rígidos. A operadora anunciou que em breve os assinantes dos dois pacotes – Net HD e Net HD Max – também terão a possibilidade de ligar um disco externo a seus set-top boxes, ampliando a capacidade de gravação atual de 500 GB. André Nava, da Globosat, afirma que a segunda onda de interação dos serviços de vídeo on-demand procura fazer uma nova “invasão” na TV.

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Outra empresa que trouxe novidades em termos de gravação para seus clientes foi a Claro TV, que anunciou seu novo serviço Claro Clube. Utilizando um espaço no disco rígido dos set-top boxes que até então era inacessível ao usuário, o novo serviço possibilitará a gravação automática de alguns conteúdos em alta definição exibidos pela operadora em seus canais premium. E assim como a NET, a Claro TV apresentou um novo decoder para o serviço de TV em alta definição, que também permitirá a gravação através de um disco externo. E se nas outras operadoras os conteúdos só podem ser assistidos nos aparelhos onde foram gravados, a GVT apresenta um novo recurso que pretende se diferenciar deste modelo: o Multiroom. Disponível gratuitamente para os assinantes com Gravador Digital GVT, o serviço permite que os assinantes assistam os conteúdos gravados no aparelho em qualquer ponto de TV de suas casas. Além deste recurso, a GVT também anunciou as ferramentas Smart, que possibilitam o acesso a redes sociais como Facebook e YouTube diretamente pela tela da TV, por meio do set-top box da operadora. Duas outras ferramentas completam o pacote de novidades da GVT TV: o serviço Multitelas e o Power Music Club. Disponível para todos os assinantes, independentemente do pacote, o Multitelas permite que o programa que está passando em determinado canal seja visto antes de mudar para ele, garantindo que o usuário tenha certeza da escolha na hora de trocar. Já o Power Music Club


possibilita que os assinantes criem playlists com suas músicas favoritas, diferenciando-se dos canais de música tradicionais por permitir que ele monte seu próprio repertório e possa repetir ou pular faixas. Vídeo on-demand Outro segmento que trouxe muitas novidades durante a feira ABTA 2012 foi o de vídeo sob demanda, ou VOD. A própria GVT, por exemplo, apresentou seu On-Demand GVT, com milhares de títulos disponíveis para 100% de seus assinantes. A partir deste mês, a operadora também passa a contar com o Telecine Play, serviço de VOD anunciado pelo Telecine em julho, assim como outros lançamentos da Globosat. Pegando carona em seu serviço Muu – recurso lançado na Feira e Congresso ABTA 2011 que conta com mais de duas mil horas de conteúdo disponíveis para mais de 4 milhões de

Novo decoder da Net com entrada USB permite que os clientes conectem um HD externo para gravar e armazenar conteúdo.

assinantes da NET e da CTBC, em negociação com outras operadoras – a Globosat anunciou uma série de novos serviços de VOD que deverão ser lançados até o final deste ano. O mais recente, Philos – focado em documentários e produções de arte e cultura –, estreou na NET e na GVT em agosto, e deve estar nas outras operadoras ainda neste mês. Além dele foram anunciados mais três canais que poderão ser assinados até o final de 2012: Combate HD, Receitas GNT e Bis. Segundo André Nava, gerente de tecnologia de novas mídias da Globosat, acompanhar serviços VOD é um hábito que ainda está sendo criado. “Tivemos uma reação muito

positiva aos serviços já lançados. Agora é hora de testar e inovar, e ver como o usuário reage”, afirma. E buscando inovar, a Globosat anunciou que pretende criar uma segunda onda de interação dos serviços de vídeo on-demand. Explicando que a primeira onda se deu através dos devices (smartphones, tablets e computadores), Nava afirma que este segundo momento busca voltar para a TV em um novo formato. Com conversas adiantadas com as fabricantes de Smart TVs, a programadora procura investir em aplicativos de seus canais on-demand. Segundo Nava, a segunda onda não se dará apenas nas TVs conectadas, mas também em outros dispositivos como consoles de videogames e na plataforma Google TV. “Além de vários fabricantes de Smart TVs, também temos conversas bastante adiantadas com Microsoft, Sony e Google”, revela.


cobertura

( tecnologia) Bruno do Amaral

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Convergência para o futuro Além de continuar como a principal tela da residência, a TV ganha novas funcionalidades. A ordem não é competir com as plataformas móveis, mas usá-las como aliadas.

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Terra, que ofereceu 36 canais para a cobertura das Olimpíadas de Londres, com mais de 4,7 mil horas de programação, e o da Disney em 3D, disponibilizando conteúdo em terceira dimensão de filmes e desenhos animados. Programação de nicho, com VOD, é também uma das opções para o formato. Nesse ecossistema da fabricante sul-coreana há o app do Digital Concert Hall, que transmite concertos em alta definição dessa forma. Mas diferentes possibilidades de interação são igualmente bem-vindas: conteúdos distintos como áudio, games e aplicativos informativos são ofertados. Já ocorrem até conversas com outros fabricantes como Sharp e Phillips para a criação de um kit de desenvolvimento de software (SDK, na sigla em inglês) para unificar as plataformas de smart TVs. Essas coisas são possíveis também pela melhoria na performance do hardware desses dispositivos, alguns já com processadores dual-core e RAM de 2 GB, o que permite rodar programas mais pesados, multitarefas e games. “Os jogos estão ficando cada vez mais próximos do console, talvez a TV já tenha capacidade de processamento para isso”, diz o executivo. Por isso mesmo, ele já afirma que há “alguns projetos de incorporar o set-top box”, embora ainda veja isso com

FOTO: arquivo

FOTO: marcelo kahn

om tantas novas tecnologias disponíveis para dispersar um usuário, a TV paga poderia estar enfrentando um momento ruim. Pelo contrário. Além de já contar com um faturamento maior do que a TV aberta (R$ 14,5 bilhões no primeiro trimestre), o mercado de televisão por assinatura começa a descobrir outras possibilidades de distribuição de conteúdo com novos modelos de negócio justamente nessas plataformas alternativas, como smartphone e tablets. Durante a ABTA 2012 as empresas deixaram claro uma coisa: a convergência é o melhor caminho para continuar nessa maré. Um dos símbolos desse cruzamento de novas tecnologias são as smart TVs. Cada vez mais comuns nas lojas, os televisores conectados estão procurando oferecer experiências mais completas, com ofertas de conteúdo em alta definição e 3D pela Internet e uma interface melhorada. Um dos recursos é entregar um ecossistema de aplicativos, tanto gratuitos quanto pagos, algo ainda pouco comum nesse tipo de aparelho. O gerente geral de smart TVs da LG, Milton Neto, acredita que, apesar dos diferentes tipos de conteúdo possíveis nas TVs conectadas, “o vídeo continua sendo a principal força da plataforma”. Tanto que entre os parceiros da LG estão provedores de conteúdo como Terra, Netflix e Netmovies, além de versões web de canais como MTV e Bandeirantes. Neto cita o aplicativo do

“O vídeo continua sendo a principal força da plataforma.” Milton Neto, da LG

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“O conteúdo de TV ainda vai ser consumido por muito tempo, mas dá para melhorar e aumentar a experiência de uso.” Thierry Martin, da Nagra

reticência. “Temos de ver se vale a pena tirar a caixinha, mas estamos cada vez mais próximos em capacidade”, ressalta. Conteúdo para outras telas O fato é que o próprio mercado entendeu também que, mesmo oferecendo conteúdo em handsets, a tela principal continua sendo a TV da sala. Isso não impede, entretanto, o fenômeno da segunda tela. O executivo sênior para a América Latina da Nagra, Thierry Martin, diz que está ficando cada vez mais comum usar um smartphone ou tablet enquanto se assiste à TV, comentando a programação em redes sociais. “Essas telas mudaram a forma com os quais os usuários acessam as telas e estenderam a entrega de conteúdo para além dos cômodos da casa”, diz. O conceito proposto pela empresa é o de levar um set-top box capaz de exibir uma interface personalizável para os operadores com foco grande em compartilhamento social e conexão com a nuvem, com conteúdo tanto de serviços de streaming como Amazon e YouTube quanto de armazenamento como Dropbox. Tudo podendo ser comandado através de handsets ou mesmo assistido no próprio dispositivo. A liberação de acesso fora de casa, no entanto, depende de contratos de distribuição dos programadores. Martin acredita que a solução da


“O coaxial é a melhor mídia para vídeos em alta definição em todos os cômodos da casa, com múltiplos streamings, e as pessoas já têm esses cabos em casa.”

diversas empresas do setor, diz estar presente em 95% dos operadores de TV paga nos Estados Unidos (exceto AT&T) e vê potencial para o Brasil. “Temos todas as operadoras de cabo no Canadá, trials na Europa, muito interesse na China e aqui também”. Não há trial no País ainda, mas ele afirma que isso deverá acontecer até o final do ano. Uma das vantagens que a MoCA pode trazer ao país é de ser adaptável para novas tecnologias, como as resoluções em ultraHD 4K e 8K. “Essa tecnologia vai levar ainda uns quatro ou cinco anos para ser adotada, mas o MoCA 2.0 poderá lidar com isso sem problemas”, afirma o presidente da aliança, Charles Cerino. A nova versão, retrocompatível com a 1.0, deverá ser certificada internamente até o final do ano ou no primeiro trimestre de 2013. “Por conta desse cronograma, a maioria dos operadores que irão adotar a MoCA no Brasil irão diretamente para o 2.0”, prevê Cerino. Ou seja: já haverá infraestrutura dentro de casa para esse tipo de conteúdo, mas ainda vai depender das programadoras ofertarem isso e os consumidores possuírem TVs compatíveis com a resolução. Se depender da disposição e crescimento do mercado brasileiro, não deverá demorar tanto assim. FOTO: divulgação

Nagra, o middleware OpenTV, é relativamente barata, pois adiciona uma plataforma sem precisar substituir o atual set-top box do operador, conectando-se por ethernet para distribuição via Wi-Fi e realizando a transcodificação no próprio aparelho. Além disso, a tecnologia se baseia na linguagem HTML5, formato que integra conteúdo multimídia sem a necessidade de plugins como o Flash, já adotado em grande escala para plataformas móveis. “O HTML5 dá potencial enorme para os operadores reinventarem as grandes telas - não radicalmente, pois o conteúdo de TV ainda vai ser consumido por muito tempo-, mas dá para melhorar e aumentar a experiência de uso”, explica. “A ideia é ter set-top boxes muito mais simples, seria mais interessante economicamente para o usuário e operadora”, diz o diretor de operação de vendas de service provider para América Latina da Cisco, Anderson André, baseando-se no conceito de levar a transcodificação para o aparelho (semelhante à Nagra) para distribuir o sinal internamente via IP para demais devices como smartphones ou tablets, otimizando a largura de banda para aplicações em vídeo ou games. “A coisa mais importante é que tudo isso está convergindo e permite trabalhar em cima de padrões e plataformas abertas, levando ao desenvolvimento da operadora em si até como concorrência ao over-the-top”. A Broadcom aposta também na convergência e lançou durante a ABTA o BCM3472, primeiro chipset de recepção dupla para os padrões ISDB-T em 40 nm que podem ser utilizados para exibir serviços como PVR e VOD do operador. O vice-presidente executivo e gerente geral da unidade de negócios de comunicações da empresa, Dan Marotta, explica que o processador é exclusivo para a América do Sul e que visa redução de custos pela versatilidade do componente. “Fazemos mais barato porque colocamos tudo junto “, afirma.

Rob Gelphman, da MoCA

Adaptar o produto não foi uma opção, segundo ele. “Há muitas demandas diferentes, não dá para simplesmente trazer uma solução norte-americana para o Brasil.” Marotta afirma que a Broadcom está contratando mais vendedores e que, eventualmente, irá construir uma fábrica no País. Futuro com fio Para otimizar a rede interna com essa distribuição de conteúdo digital, a Multimedia over Coax Alliance (MoCA) propõe utilizar a estrutura já existente de cabo coaxial para promover acesso com uma banda estável, de qualidade e barata. O alvo são justamente aparelhos “fixos”, como a própria smart TV, STBs, videogames e computadores, servindo como um backbone e liberando a internet Wi-Fi para os handsets. “O coaxial é a melhor mídia para vídeos em alta definição em todos os cômodos da casa, com múltiplos streamings, e as pessoas já têm esses cabos em casa”, diz o vice-presidente de marketing e relações com membros da MoCA, Rob Gelphman. A aliança internacional, formada por

A aposta no IPTV Uma aposta comum em várias das empresas presentes na ABTA 2012 foi o IPTV, a transmissão de vídeo sobre redes de dados. A Orange Tecnologia, em parceria com o centro de pesquisas gaúcho Bichara, apresentou sua plataforma (também compatível com cabo e DTH) com middleware próprio. O diretor comercial da empresa, Fábio Henrique Sulzbacher, afirma que a solução engloba “desde o headend, onde são injetados os canais, codificados para IP e distribuídos dentro da rede, até chegar ao cliente”. Para o consumidor, há um serviço de nDVR, ou gravação e armazenamento na nuvem. Para o futuro, segundo Sulzbacher, a Orange pretende incorporar compatibilidade com smartphones e tablets. A aposta da Kaonmedia, da Coreia do Sul, é na plataforma Android. Como é aberta e já tem uma herança mobile, o sistema promete compatibilidade com aplicativos já existentes, além de fácil desenvolvimento de novos programas. Smartphones e tablets que utilizem o software do Google podem inclusive fazer o papel de controle remoto mais sofisticado. “É interessante não só para operadores de IPTV, mas também provedores de conteúdo que querem instalar terminais em hospitais, escolas e outros locais”, justifica diretor de vendas regionais para a América Latina da Kaonmedia, Jeff Kim.

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(audiência - TV paga)

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om a transmissão de campeonatos importantes, além dos preparativos para a recém-terminada Olimpíada de Londres, o SporTV garantiu sua permanência no topo da audiência entre espectadores com mais de 18 anos no mês de junho. O canal apresentou um aumento de 1% no alcance, graças principalmente aos campeonatos de futebol transmitidos ao longo do mês. Segundo Pedro Garcia, diretor de negócios do SporTV, os torneios responsáveis pelo bom desempenho do canal foram a Eurocopa e os jogos da fase final da Copa do Brasil. Com 30 jogos transmitidos ao longo de junho, a Eurocopa foi o carro-chefe da audiência do SporTV, que apostou em uma cobertura completa em alta definição para o evento. “Mandamos nossa equipe para várias cidades da Europa, inclusive para as duas sedes (Varsóvia

Foto: divulgação

Bola no pé, controle na mão

Estúdio de vidro do SporTV na Polônia, com vista do Estádio Nacional de Varsóvia ao fundo.

e Kiev), e recebemos ótimas imagens da UEFA”, afirma Garcia. O diretor ainda diz que o torneio foi o principal evento do canal no mês. E mesmo apontando outros eventos – como o Grand Prix de Vôlei e os jogos das semifinais da Copa do Brasil – como corresponsáveis pelo bom desempenho do canal, o diretor afirma que foi o tratamento dado ao torneio europeu que garantiu o bom índice: “Tratamos como se fosse uma

Copa do Mundo, o que acabou gerando uma permanência maior do público e deixando o canal em voga”, afirma. Esta permanência chamou bastante atenção, uma vez que o tempo médio dos espectadores no canal aumentou mais de 10 minutos em relação ao mês de maio, passando de 39 para 51 minutos entre o público maior de 18 anos. “Quando você tem uma boa performance em alguns eventos, ela acaba permeando também o resto do canal”, afirma Garcia, explicando que as pessoas também passaram a assistir mais aos jornais e programas da grade. “Com a Eurocopa, percebemos um grande interesse no canal como um todo”. O levantamento do Ibope Mídia considera as praças da Grande São Paulo, Grande Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Distrito Federal, Florianópolis e Campinas. Bruno Borin

Alcance* e Tempo Médio Diário – junho 2012 

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio Total Canais Pay TV 45,01 5.763,18 02:26:26 Sportv 10,61 1.359,02 00:50:49 Tnt 8,92 1.142,27 00:28:45 Multishow 8,33 1.066,11 00:17:21 Fox 7,96 1.019,22 00:30:45 Megapix 7,93 1.014,85 00:30:50 Viva 6,92 886,05 00:24:24 SporTV 2 6,69 856,85 00:24:01 Globo News 6,44 824,95 00:27:16 Discovery Kids 6,34 812,32 01:08:26 Space 6,24 798,38 00:30:24 Universal Channel 5,97 764,75 00:26:40 Cartoon Network 5,88 752,93 00:42:23 National Geographic 4,98 637,33 00:22:12 Discovery Channel 4,96 635,34 00:22:44 FX 4,90 628,01 00:27:16 Warner Channel 4,70 602,13 00:27:37 Disney Channel 4,65 594,85 00:41:04 Telecine Pipoca 4,34 556,20 00:36:32 GNT 4,13 528,85 00:12:21 Telecine Action 4,05 518,96 00:33:41

(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio Total Canais Pay TV 45,09 1.523,39 02:52:41 Cartoon Network 14,37 485,46 01:17:16 Disney Channel 13,07 441,73 01:06:14 Discovery Kids 12,75 430,71 01:29:34 Nickelodeon 10,09 340,92 00:57:15 Fox 7,82 264,19 00:39:44 Disney XD 7,25 245,08 00:57:39 Multishow 6,81 230,13 00:23:08 TNT 6,67 225,42 00:31:18 Megapix 6,50 219,61 00:31:50 SporTV 5,35 180,56 00:29:20 Space 4,59 154,97 00:30:36 Viva 4,11 138,72 00:20:16 FX 3,98 134,56 00:31:23 SporTV 2 3,82 129,09 00:16:45 Universal Channel 3,47 117,31 00:17:10 Warner Channel 3,16 106,83 00:24:18 Discovery Channel 3,13 105,85 00:27:32 Telecine Action 3,10 104,75 00:24:54 Telecine Pipoca 3,06 103,37 00:33:33 Boomerang 2,86 96,75 00:22:43

*Alcance é a porcentagem de indivíduos de um “target” que estiveram expostos por pelo menos um minuto a um determinado programa ou faixa horária.

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**Universo 3.378.200 indivíduos Fonte: IBOPE Media Workstation – Tabela Minuto a Minuto – junho/2012

De 4 a 17 anos**

(Das 6h às 5h59)

**Universo 12.804.000 indivíduos

Acima de 18 anos**




( entrevista) André Mermelstein

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Um olho na qualidade, outro na planilha Com a experiência adquirida no setor de telecomunicações, CEO da Mixer quer profissionalizar a gestão e afirma que é preciso desenvolver métricas de negócios no audiovisual.

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com indicadores, resultado. A ideia é montar uma estrutura preparada para a expansão do mercado prevista para os próximos anos.

FOTO: marcelo kahn

Mixer, uma das maiores produtoras de publicidade, cinema e TV do País, passou por uma reviravolta nos últimos meses. Com a pressão por um maior controle de custos e processos por parte de seus sócios e investidores, em especial o grupo Pragma, que em 2008 comprou cerca de 30% do controle da produtora, a Mixer contratou um executivo vindo da área de telecomunicações, o ex-VP de marketing da Vivo, Hugo Janeba, que assumiu em maio deste ano como presidente executivo e CEO. No processo, deixou a empresa um dos sócios fundadores da companhia, o produtor Gil Ribeiro, e o sócio João Daniel Tikhomiroff trocou a posição de principal executivo para assumir a função de chairman. Segundo fontes do mercado, houve também uma importante revisão nos salários e bônus de executivos da empresa. Vale lembrar que pouco depois da entrada da Pragma no negócio, ainda em 2008, o sócio Fábio Ribeiro saiu do grupo, e em fevereiro de 2009 deixaram a sociedade os irmãos Fernando e Maurício Dias, da Grifa, que haviam se unido à Mixer, com uma participação minoritária, em 2006. Nesta entrevista, Janeba fala sobre o processo de mudanças na produtora, os resultados esperados e as expectativas para a produção de conteúdo para a TV, em especial a TV por assinatura, com a entrada em vigor da Lei do SeAC (Lei 12.485/11).

O que levou à saída de Gil Ribeiro, um dos sócios fundadores da produtora (a Mixer nasceu da fusão da Jodaf, de João Daniel Tikhomiroff, com a Radar, de Gil e seu irmão Fábio Ribeiro)? A questão da profissionalização vem para trazer essa nova visão de processos e negócios. Na minha opinião, a saída e troca de pessoas é natural em qualquer empresa. Estamos preparando a Mixer para uma época de maior controle, de uma entrega com qualidade, nos prazos, e para isso os processos ficam cada vez mais importantes. A troca de sócios é uma questão normal.

Hugo Janeba

TELA VIVA Como você define as mudanças pelas quais a Mixer passou nos últimos meses? HUGO JANEBA A Mixer nasceu em 2003 com esse conceito de misturar tudo mesmo: publicidade, conteúdo, e essa tendência está se consolidando agora. A visão dos acionistas é que agora é um momento de profissionalização. Não só com capacitação, ter profissionais acostumados a trabalhar com metas, mas também uma visão de criação de processos, de uma gestão preocupada 34

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Qual é o papel do sócio investidor (Pragma) na gestão? Eles têm agora um controle maior da empresa? Sua vinda foi uma imposição deles? A relação com eles é excelente, eles aportam conhecimento, estrutura, um suporte para que a gente tenha uma visão de negócios mais ampla. Não tem nenhum tipo de situação em que pudesse haver algum comentário diferente disso. O processo de governança é natural de uma S.A., tem os sócios, segue todo o processo normal de apresentação de resultados, plano de negócios etc. Como está hoje a composição


dentro da Mixer entre as diferentes fontes de receita: publicidade e conteúdo? Conteúdo já representa cerca de 40% das receitas. O ritmo de crescimento é impressionante. A gente produz para a Discovery, estamos fazendo uma série grande para a HBO, chamada “O Negócio”, temos a parte de animação, que atende Nickelodeon, Cartoon e TV Globo, com “Sítio do Picapau Amarelo” e “Escola pra Cachorro”, e teremos uma série animada nova em breve. Também estamos produzindo longas, lançamos o “Corações Sujos” (de Vicente Amorim), teremos um filme novo do Michel (Tikhomiroff) no começo do ano que vem. Então, não só pela questão da lei (12.485/11), o conteúdo se mostra uma oportunidade, porque o mercado pede isso. Inclusive o mercado publicitário? Sim, e é pouco explorado, tem pouca gente trabalhando nisso, até porque os modelos de negócio, de como fazer, são difíceis. Entra na relação agência-cliente, tem que construir um modelo novo no mínimo de briefing para sanar isso (integração entre conteúdo e publicidade). Porque hoje todo anunciante quer conteúdo proprietário, e as soluções pra isso são as peças de branded content, o product placement bem feito. Isso vai ditar as novas tendências de produção. Há exemplos de como fazer isso criando conteúdos relevantes.

Vocês projetam um momento em que o conteúdo vai passar a publicidade no seu mix de receitas? A gente não está muito preocupado com essa questão, de qual o mix ideal. Temos visto que alguns projetos de conteúdo, como têm tempo de maturação mais longo, desenvolvimento de roteiro, a produção em si, têm ciclos diferentes dos da publicidade. Na publicidade o ciclo é às vezes de duas semanas, e uma série de TV pode levar três, quatro anos da concepção à finalização. Uma hora também vai ser difícil classificar o que é

Como se diferenciar, então? Hoje na Mixer o grande desafio é como se estruturar em termos de capital humano para atender às necessidades do mercado, porque quando você está fazendo dez produções ao mesmo tempo precisa ter gente, estrutura, roteiristas,

“A visão dos acionistas é que agora é um momento de profissionalização. Não só com capacitação, mas também com uma gestão preocupada com indicadores, resultado.” publicidade e o que é conteúdo. Nem sei se é importante qualificar. Isso está mudando e é impossível prever qual o modelo final. Será tudo uma coisa só? O importante é o projeto entregar qualidade, porque as TVs têm cotas a cumprir, e têm prazos, grades para preencher. Esse é o grande gargalo. E tem um telespectador cada vez mais exigente, que paga por aquilo, tem o poder do zapping... Uma pesquisa mostrou que 43% dos assinantes já vê TV com uma segunda tela no colo, tem opções. É um novo momento, de novos hábitos de consumo de mídia. Então se você pergunta qual vai ser o percentual, eu não sei, é impossível prever o modelo final, a gente vai estar sempre em “beta”.

Isso já é uma tendência? Sim, já tem até categoria para isso em Cannes. Eu vejo uma preocupação dos clientes e agências em como fazer isso, como viabilizar estes projetos, colocar no mercado, como se constrói as parcerias com os canais. É uma questão do mercado aprender, se disciplinar e começarem a aparecer os produtos de boa qualidade.

hoje não é mais. Hoje o cara monta um estúdio de 16 canais em casa e grava um CD. O diferencial vão ser as pessoas, os roteiristas, as equipes de desenvolvimento e criação.

O espectador está sempre à frente, é isso? É um bom ponto, quer dizer, se ele está sempre se antecipando e o ciclo de produção de uma obra, uma série, é de dois anos, como você vai prever, saber o que será a tendência? Aí quem vai ter os melhores resultados são as produtoras que apostam no capital humano. Hoje qualquer um, em termos, pode ter uma 5D, uma câmera que capta em alta definição. Antigamente ter um equipamento bom era um diferencial,

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equipamentos, controle desta operação toda. Não é uma atividade para amadores. Senão vira uma butique de cinema, e a gente não está falando disso, estamos falando em montar um business que precisa dar resultado e ter qualidade suficiente. Não pode preencher as cotas com conteúdo que o espectador não quer ver. A publicidade tradicional tende a diminuir? De jeito nenhum, está indo bem. Mas é uma atividade mais de prestação de serviço, enquanto que no conteúdo você consegue entregar uma especialidade que nós temos que é o storytelling. A parceria com a agência aumenta quando você está mais próximo do criativo, ajuda a agência a resolver os problemas dos seus anunciantes. É um equilíbrio que a gente vai ter que estabelecer. A nova lei já deu resultado, vocês estão sendo mais procurados? Sim, a procura aumentou bastante. Já temos contato hoje com quase todos os canais de TV paga e também de TV aberta. Não sei te dizer quanto aumentou, mas 35

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( entrevista) gente “criada” aqui, que começou a carreira na Mixer. Estamos hoje dobrando nosso portfólio de diretores de cena para atender à demanda (ver box), e formando diretores que trafeguem nas duas áreas, que façam publicidade e conteúdo. O diretor tem que ser capaz de fazer um documentário, um branded content, um comercial.

FOTO: marcelo kahn

cresceu. Às vezes o canal precisa de uma entrega que não pode falhar, então procura uma produtora grande, com quem já trabalhou, porque sabe que vai entregar, tem história. A lei (12.485/11) foi pensada para se desenvolver a indústria da produção independente. Você acha que ela criará chance para novas produtoras ou o mercado será dominado pelas grandes, mais estruturadas? Tem espaço para todo o mundo, desde que consiga produzir com qualidade e prazo para preencher as grades dos canais. Não depende se é pequeno, grande ou médio. Essa entrega é o ponto de “seleção natural”. Claro que a escala é importante, como em qualquer business. Quando você produz muito consegue reduzir os custos e ter melhores resultados, é uma lei natural.

E como se gerenciam os custos, os cachês, já que os valores na publicidade são muito diferentes dos praticados em um documentário, por exemplo. Depende dos ciclos. Às vezes um diretor está no meio de produzir um conteúdo e entra uma publicidade. Como o ciclo é mais curto, ele para e vai fazer a publicidade, e depois volta. Essa flexibilidade é uma decisão nossa, a gente permite. Não sei se outras fazem assim, esse vaie-vem. E uma coisa compensa a outra, ele faz a publicidade, que tem um giro mais rápido, e faz um conteúdo, que é mais lento.

Vocês pensam em comprar produtoras menores, está no seu business plan? Não temos nada em vista, mas não é uma possibilidade descartada.

“Uma hora vai ser difícil classificar o que é publicidade e o que é conteúdo. Nem sei se é importante qualificar. É impossível prever qual o modelo final.”

Os produtores devem cada vez mais ser os detentores dos direitos das obras, até por exigência da lei. Vocês pretendem explorar estes conteúdos próprios? De que forma? A primeira coisa é a questão do licenciamento. Já temos uma área aqui dentro para isso. “Escola pra Cachorro”, por exemplo, tem perto de cinquenta itens licenciados. Queremos desta forma ampliar o perfil da receita da produtora. Ter produtos licenciados também significa utilizar disciplinas de negócios que não são muito comuns em produtoras. Então a gente precisa hoje de gerentes de negócios que são muito mais de produto, que não estavam nos nossos perfis de profissionais.

Estamos contratando gente com esse perfil e montando uma área não só para o mercado nacional, mas também internacional, porque produtos como este, ou como o “Sítio”, têm esse potencial de ir pra América Latina toda. Aproveitar que o Brasil está na moda. Como está a questão da mão-deobra, estão conseguindo contratar talentos no mercado, que hoje está mais disputado? Como estamos há muito tempo fazendo isso, sempre houve a preocupação em desenvolver aqui dentro profissionais adequados. Tem muita 36

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Existe um temor dos canais de que o conteúdo fique mais caro, pela demanda aquecida. Isso vai acontecer? Não vejo isso. Os briefings vêm com orçamentos já definidos. Aí entra a maturidade da equipe em montar projetos que caibam nos orçamentos. É uma questão de se adequar os formatos. Claro que se for uma locação complicada, com figurantes, vai custar sempre mais do que um programa de estúdio. Isso vai definir o perfil dos custos. Hoje fala-se muito em produção transmídia, em múltiplas plataformas. Isso está acontecendo na prática, os clientes estão exigindo este desdobramento dos conteúdos? Ou ninguém quer bancar o custo extra? Tem sido feito sim. Todo mundo percebeu que fazer filminho pra Internet não é gastar R$ 2 mil e ter um filme de 30


Você veio da área de marketing de uma grande operadora de celular, a Vivo. Que tipo de experiência você trouxe para este mercado? Eu conheço o João Daniel (Tikhomiroff, sócio da Mixer) desde 1999, quando ele fazia campanhas para o plano Baby, da Telesp Celular, já com recursos de finalização avançados para a

FOTO: divulgação

minutos, isso está mudando. Você já assiste Olimpíada em HD na web, tem o Apple TV, você assiste a tudo com uma baita qualidade. Dá pra filmar com celular em cima de um carrinho de supermercado, mas não vai ter a visibilidade de um projeto de qualidade. Hoje temos projetos como o da Natura, que é um branded content para a TV, que está também todo na Internet, então é natural que a produção transborde também para as outras plataformas.

Who, Seb Caudron, Lucia Novaes e John Porciuncula.

Quadro ampliado Dentro da reestruturação pela qual vem passando desde o início do ano, a Mixer, apontou o publicitário Fabio Quinteiro, sócio da holding controladora da empresa, para dirigir o núcleo de Publicidade e Operações Dedicadas, e contratou seis novos diretores de cena: Seb Caudron, Who, John Porciuncula, Lucia Novaes, John Perez e Markus Walter, passando a ter 15 diretores residentes.

época, quando fazíamos o bebê “falar”. O que ajuda com essa minha vinda para cá é entender como a gente, no

processo criativo, entra na mudança de hábito das pessoas no consumo destas novas plataformas. Como traduz esta mudança de hábito dentro da qualidade criativa das nossas peças, e como se prepara, se escreve um roteiro, um formato, que já prevê a interatividade, o 3D, o consumo em uma tela de três polegadas. E o que já deu para aprender sobre este mercado? É um mercado ainda pouco desenvolvido em relação às métricas de negócio. A gente está colocando isso como prioridade, como criar os indicadores, transformar os processos para que isso vire uma indústria respeitável e séria, porque ainda é quase artesanal, e muito pequena, comparado com os outros players, anunciantes, agências. Temos que estar muito bem organizados para ganhar este respeito.


( making of )

Lizandra de Almeida

c a r t a s . t e l a v i v a @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

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uando a equipe da Volcano Hotmind recebeu o roteiro da campanha criada pela Giacometti para o BNDES, logo pensou em qual seria o melhor caminho para produzir um filme em que todas as pessoas ficam paradas, enquanto a câmera passeia em travelling por várias situações até voltar ao ponto inicial. A proposta era mostrar que o BNDES é um banco que não tem agência, cheque nem caixa eletrônico, mas que está presente no cotidiano dos brasileiros. Claro que a melhor solução não era a mais fácil. “Para ganhar a concorrência, de cara vimos que íamos ter de ir pelo caminho mais difícil, o motion control”, explica Giancarlo Barone, um dos diretores. O equipamento permite programar um movimento de câmera e repeti-lo quantas vezes for necessário, de maneira absolutamente precisa. Só que o único disponível na América do Sul fica no Uruguai. O jeito foi trazer o trambolho - que pesa duas toneladas - do país vizinho para as três diárias de filmagem. Antes de sair às ruas do Centro de São Paulo para captar as imagens, porém, o filme foi planejado frame a frame, em três meses de pré-produção. “Para trabalhar com o motion control, precisamos pensar em layers. Cada cena é formada por uma série de camadas, filmadas de maneira independente e depois compostas na pós-produção”, afirma o diretor. “Existem maneiras mais simples de fazer, mas apresentam uma série de limitações. Não é possível chegar tão perto dos personagens, por exemplo. Ninguém ainda tinha feito dessa forma no Brasil.” Para complicar ainda mais, os dois filmes são planos-sequência. No primeiro, a câmera mostra um pai conversando com a filha pequena. A câmera então percorre todo o Pátio do 38

FOTOs: divulgação

Sua excelência, o motion control

Equipe da Volcano trouxe um motion control do Uruguai para filme do BNDES.

Colégio, observando vários personagens, sobe para o alto de um prédio onde um homem molha as plantas com um esguicho e retorna para o pai e a filha do início. “Claro que não filmamos tudo no mesmo lugar, mas tínhamos que fazer parecer que era a mesma coisa”, diz Barone. Se de um lado o equipamento permite essa precisão, de outro obriga a equipe a se ater ao planejamento sem a menor possibilidade de improviso. “O ritmo do trabalho é o do equipamento. Aqui no Brasil temos uma flexibilidade, fazemos adaptações conforme o pedido do cliente, mas com o motion control isso simplesmente não existe. Ele é programado por engenheiros, é enorme, não temos como movimentá-lo a qualquer hora.” A fotografia também exigiu precisão absoluta. Todos os planos precisavam ser filmados com a mesma luz, para que depois pudessem passar pela composição. Outra questão é a movimentação da câmera. “Em um filme normal, o fotógrafo pode usar lentes diferentes e fazer um zoom para se aproximar de um personagem, por exemplo. Nesse caso, só podíamos usar uma lente e toda a movimentação tinha de ser planejada para ser feita pelo equipamento”, completa. O planejamento envolveu também a

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preparação do figurino. Como as pessoas tinham de parecer totalmente frisadas, a roupa e os cabelos não podiam se mover ao vento. “Os tecidos foram endurecidos com um tipo de resina, algumas peças ganharam armações de arame. Até os dread locks de um personagem ficaram estáticos, cheios de arame por dentro”, conta o diretor. Para que o capoeirista ficasse parado de ponta cabeça, foi preciso pendurá-lo. A pós-produção, feita pela finalizadora Che Revolution, da Argentina, levou outros dois meses. “Optamos por trabalhar com eles porque já tinham experiência em filmes com essa técnica.” As imagens foram compostas e receberam alguns efeitos. Elementos como a água do esguicho, por exemplo, foram compostos em 3D e os cabos e traquitanas que ajudaram a manter as pessoas congeladas foram apagados. “Nosso trabalho mesmo aconteceu antes da filmagem. Ensaiamos tudo mil vezes, uma verdadeira coreografia. Na hora, foi só observar se nada estava fugindo do planejado.” ficha técnica Cliente BNDES Agência Giacometti Comunicação/ Rio de Janeiro Diretor de criação João Santos Criação João Santos, Marco Ferreira, Rodrigo Rosman, Alexei Potemkin, Mariana Moreira e Daniel Parreira Produtora Volcano Hotmind Direção Coletivo Volcano Coord. de produção Marisa Costa e Ricardo Ferrer Fotografia Rhebling Jr. Direção de arte Thays Leite Figurino Silvinho Monteiro Maquiagem Anna Van Steen Pós-produção Che Revolution Post Produtora de som Lua Nova


De olho na concorrência

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enorme sucesso da campanha de Gilette estrelada por Vitor Belfort e outros astros do MMA motivou a criação de um segundo filme, com a mesma provocação: “Vai amarelar? Ou vai de Gilette?”. O primeiro filme mostra um homem no supermercado, indeciso entre que marca de aparelho de barbear escolher. Quando pega a amarela, da concorrência, surge a cabeça de Belfort, estourando a prateleira, para perguntar se o cara “vai amarelar”. Em seguida, vários outros lutadores surgem dos locais mais improváveis para intimidá-lo, em pleno corredor do supermercado. Claro que, cercado de fortões por todos os lados, o comprador prefere o aparelho da Gilette... Segundo o diretor Amilcar Oliveira, o filme bateu recordes de espectadores no YouTube, com mais de 20 milhões de views. “Foi o filme mais visto no Brasil na história do YouTube.” Por isso, foi criado o segundo filme, que mostra o mesmo homem em casa. Ele pergunta para a mulher onde está o aparelho de barba e descobre que ela comprou o amarelo. A resposta dos lutadores vem na mesma hora: Belfort sai do espelho do banheiro e os outros vão aparecendo em toda parte, até de dentro do cesto de roupas, para garantir que o homem não vai apelar para a concorrência. A agência África aproveitou a popularidade que o esporte está tendo no Brasil para criar uma campanha que ataca a concorrência de frente, utilizando jargões da luta. O protagonista, um dos maiores porta-vozes do UFC, é patrocinado pela Gilette. No primeiro filme, a equipe de São Paulo trabalhou em uma locação no Rio. “Nunca tínhamos feito um

No filme da Gilette, atores precisavam agir com precisão para evitar a perda de tempo com reposição de paredes falsas.

filme com esse tipo de efeito e fizemos muita pesquisa para encontrar materiais que não machucassem mas parecessem reais. Não queríamos que ficasse muito ‘Os Trapalhões’”, brinca Oliveira. Praticamente todos os efeitos foram ao vivo, desde a prateleira com fundo de polietileno que Belfort destrói com a cabeça até o lutador que surge em meio às compras da mulher que está no mesmo corredor. “Usamos um carrinho com fundo falso. O lutador está sentado no chão, cheio de compras por cima.” Já o segundo filme foi feito em estúdio. Segundo o diretor, o trabalho com Vitor Belfort foi muito fácil. “Os filmes tinham muita coisa para dar errado, então precisávamos que os atores acertassem logo. Cada vez que tínhamos de trocar uma parede falsa, por exemplo, precisávamos de

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mais de uma hora. Mas o Belfort acertou sempre quase de primeira, os atores realmente ajudaram muito.” ficha técnica Cliente Procter & Gamble Agência Africa Redator Nizan Guanaes, Eco Moliterno Diretor de arte Alexandre Prado Diretores de criação Nizan Guanaes, Sergio Gordilho, Eco Moliterno Produtora Delibistrot Produção de Filmes Direção Amilcar Oliveira Produção executiva Cebola (Carlos Gudes) Dir. fotografia Leonardo de Rezende Ferreira Pós-prod. e finalização Pix Trilha Lua Nova

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( produção)

André Mermelstein e Ana Carolina Barbosa

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Entre as feras

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awrence Wahba, documentarista de natureza reconhecido internacionalmente, já esteve bem próximo a animais perigosos como os ariscos cães selvagens africanos, sucuris de oito metros e onças-pintadas. Ele também já registrou mais de 50 espécies de tubarões em mergulhos sem a utilização de gaiola de proteção. No entanto, não hesita em dizer que os momentos de maior tensão da sua vida são as reuniões com os canais de televisão. Levar os projetos aos “leões” de terno e gravata é o momento crítico de qualquer empreitada. “As aventuras são os bastidores. É para viabilizar as parcerias que é preciso ter mais paciência e mais persistência”, afirma o documentarista. Em uma conversa exclusiva com TELA VIVA, ele contou algumas destas aventuras, e mostrou os diferentes modelos de negócio por trás de algumas de suas produções mais recentes. Ele também mostra uma posição dissonante em relação às demais produtoras no que se refere às cotas impostas pela nova lei da TV por assinatura (12.485/11). Mergulhador, cinegrafista, produtor e diretor, Wahba produziu mais de 200 programas sobre animais e ecologia, gravando em todos os continentes para canais abertos (Globo, SBT, Bandeirantes, TV Cultura) e pagos (NatGeo, Discovery, GNT, AXN, SporTV e ESPN Brasil). Canais internacionais também estão no portfólio, como o argentino Canal 13, o japonês TBS e o americano Paramount TV. Ele já teve uma produtora voltada para os conteúdos de natureza, a Canal Azul. Hoje dirige um núcleo organizado para 40

FOTO: cristian dimitrius

O documentarista de natureza Lawrence Wahba completa 20 anos de carreira e conta a experiência de encarar animais selvagens e executivos de televisão. Segundo o produtor, documentários de natureza captados na América Latina, especialmente no Brasil, estão em alta.

cuidar deste tipo de produções dentro da BossaNovaFilms. Foi após 18 meses de negociação que conseguiu emplacar um projeto pessoal sobre seus 20 anos de carreira no NatGeo e garantir a distribuição dele no mercado externo pela Globo Internacional. A série “Reino Animal: Diários de Lawrence Wahba” mostra em dez episódios os principais momentos da carreira do documentarista, com imagens de arquivo e material inédito captado especialmente para a série. A atração estreia no dia 15 de setembro no canal pago e a Globo tem os direitos de exibição na TV aberta. Grande projeto Os modelos de negócio para produzir são diferentes para cada projeto. O departamento de Wahba na BossaNovaFilms realiza um grande volume de production service (contratação por produtoras ou agências estrangeiras para produzir cenas no Brasil).

totalmente bancados pelo canal exibidor (modelo conhecido no mercado como full commission). “O canal não podia usar leis de incentivo porque eram episódios de um programa de grade, mas resolveram fazer assim mesmo”, conta. O programa foi ao ar no primeiro semestre de 2012. Em outra formatação de negócio, uma série infantil de animação que propõe adivinhações sobre animais selvagens, “As Aventuras de Caco e Dado”, foi desenvolvida para a TV Cultura e depois licenciada para o canal infantil da Globosat, o Gloob. O maior projeto do núcleo atualmente é a superprodução “Pantanal” (3x50’), para o NatGeo Wild, tratada como o maior lançamento mundial do canal para o quarto trimestre de 2012. “Foram 37 semana de gravação na região”, conta

Wahba: cotas vão pulverizar as verbas dos canais e prejudicar a produção de maior qualidade. Após fazer um destes serviços para o programa “Tabu América Latina”, do NatGeo, a produtora desenvolveu os três episódios de 50 minutos do “Tabu Brasil”,

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o produtor. “Uma pessoa da equipe passou 12 noites acordada esperando a eclosão de ovos de jacaré em um ninho”, diverte-se.


As filmagens aconteceram entre maio de 2011 e junho de 2012, conta com trilha sonora orquestral original de Alexandre Guerra, executada pela Osesp. “Usamos as mesmas câmeras HD da Panasonic que a BBC usou no ´Planet Earth´”. A única participação internacional é de um roteirista da BBC. Neste caso, atração foi bancada (commissioning) em 50% pelo NatGeo Wild, que detém os direitos para a TV paga. O produtor teve que conseguir o resto da verba no País, mas ficou com os direitos para a TV aberta. O dinheiro veio, como investimento direto, do governo do Mato Grosso, que achou interessante e viu vantagens na ideia de levar aspectos positivos da natureza local aos mais de 160 países onde a atração irá ao ar. O documentarista aposta neste modelo de produção em que as marcas vão se associar e financiar projetos de qualidade que tenham potencial de promovê-las. Ainda na Canal Azul, ele teve uma experiência de parceria com a

Toyota, na produção do reality “Across the Amazon”, também para o NatGeo. Cotas problemáticas Para Wahba, o documentário de natureza produzido na América Latina, em especial no Brasil, vive um bom momento. Em primeiro lugar porque é uma região rica e ainda pouco explorada por profissionais especializados neste tipo de conteúdo. Além do mais, o Brasil especificamente está nos holofotes, com a aproximação de dois grandes eventos esportivos que acontecerão por aqui nos próximos anos: a Copa do Mundo 2014 e os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016. No mercado interno, o cenário também é bom com toda a movimentação provocada pela Lei do SeAC, que estabelece novas regras para o setor de TV por assinatura, incluindo as cotas de programação independente brasileira nos canais internacionais. No entanto, “voz destoante” no mercado, como ele próprio se classifica, Wahba é contra o sistema de cotas porque não acredita que este seja o verdadeiro

caminho para o crescimento e consolidação da indústria. Um dos potenciais problemas apontados por ele é que, com a obrigação de preencher horários em muitos canais, os programadores podem acabar diluindo suas verbas de produção, o que inviabilizaria, ou pelo menos prejudicaria a produção de maior qualidade, mais elaborada. “Seria melhor para o setor, por exemplo, se houvesse para a produtora independente a isenção de imposto sobre equipamentos que há para a TV aberta. Hoje um produtor vai pagar por uma câmera mais que o dobro do que paga a Globo pelo mesmo equipamento. Não adianta só criar cota e não olhar para isso”. Wahba tem novos projetos em vista também fora do audiovisual, como lançamento de livros e trabalho como palestrante. Cada vez mais para viver bem no seu ambiente civilizado, o bicho-homem precisa conhecer o espírito da selva.

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“FDP” Produção da Prodigo Films para a HBO irá ao ar simultaneamente no Brasil e nos demais países da América Latina e tem estreia garantida nos Estados Unidos.

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FOTO: joana luz

om estreia simultânea no Brasil e nos países da América Latina na HBO em 26 de agosto, além de exibição garantida nos Estados Unidos, “FDP”, maior série de dramaturgia da Prodigo Films, mexe com dois assuntos que despertam paixões: relacionamento e futebol. Resultado de quatro anos de elaboração e planejamento, a série de 13 episódios de 28 minutos conta a história do juiz de futebol Juarez Gomes, cujo maior sonho é apitar a final de uma Copa do Mundo. Na série, ele é escalado para apitar a Taça Libertadores da América, o que representa um degrau importante para o seu grande objetivo. Mas isso acontece ao mesmo tempo em que sua vida pessoal despenca ladeira abaixo. Após trair a esposa e lhe passar uma doença venérea, Juarez é expulso de casa sendo obrigado a ficar longe de seu filho Vini. Giuliano Cedroni, diretor de conteúdo da produtora, conta que a Prodigo já trabalhava no argumento de “FDP” quando ficou sabendo que a HBO tinha aberto uma espécie de concorrência entre produtoras da América Latina buscando conteúdo de dramaturgia relacionado a futebol. Com o projeto, que tem como protagonista o anti-herói da maioria das partidas, a Prodigo venceu a concorrência e chamou os roteiristas José Roberto Torero e Marcus Pimenta para trabalharem no roteiro, que levou mais um ano e meio para chegar ao tratamento final. Então a equipe pôde partir para 15 semanas de pré-produção. “É difícil filmar futebol em dramaturgia: jogadores, estádios,

“FDP” foi gravado em quatro estádios e dirigida por quatro diretores em todos os episódios.

torcida, muitas câmeras”, observa Cedroni. De fato, o projeto exigiu uma grande mobilização da equipe, que deveria filmar em quatro estádios e em 56 locações. Nos planos iniciais, as filmagens em estádio deveriam acontecer entre junho e julho de 2010,

locações foram canceladas e os profissionais dispensados. “Perdemos dinheiro, perdemos equipe, perdemos atores. Foi difícil”, conta Cedroni. Mas, por outro lado, ele observa que, com a revisão dos contratos e a

Após revisão do contrato pela Ancine, a produtora ficou com 51% dos direitos. enquanto acontecia a Copa do Mundo e o campeonato nacional estava suspenso. No entanto, esse foi um período turbulento nas movimentações da Lei do SeAC, quando muita coisa estava sendo reformulada, inclusive a questão dos direitos sobre a obra financiada com recursos incentivados, que até então ficavam com as programadoras. Enquanto estas questões não foram resolvidas, a verba não foi liberada. As 42

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adequação aos propósitos da nova lei, a produtora ficou com 51% dos direitos sobre a obra. Time em campo, de novo A série, orçada em R$ 9 milhões, foi financiada com recursos provenientes do Artigo 39 e do Artigo 3ºA. Em 2011, a verba foi liberada e a série foi rodada em 17 semanas. A série tem um proposta diferente, com


FOTOs: divulgação

quatro diretores que dirigem todos os episódios. Caito Ortiz, Kátia Lund, Johnny Araújo e Adriano Civita revezavam-se na direção das cenas, seguindo uma mesma cartilha artística. Além do elenco principal, com dez atores, a série conta com participações especiais, como o jogador Neymar, o ex-jogador Rivelino e o jornalista Juca Kfouri. Ficou para a pós-produção, feita na própria Prodigo, que já tem um departamento de finalização estruturado para os trabalhos de publicidade, a tarefa de lotar as arquibancadas dos estádios, o que seria inviável durante as filmagens. Cedroni explica que a HBO ficou positivamente impressionada com a qualidade da série e dá sinais de que haverá uma segunda temporada. Embora “FDP” tenha sido o primeiro projeto de ficção para a televisão no qual a Prodigo Films começou a trabalhar, com o atraso na produção da série outro projeto saiu na frente: o “Oscar Freire 279”, para o Multishow. Hoje, a área de conteúdo recebe bastante demanda com o movimento das programadoras em busca do conteúdo nacional. Estreou também em agosto a série “Ciência em Casa”, para o NatGeo, que mistura o factual com ficção. Cedroni e o sócio Francesco Civita destacam que a produtora só trabalha com projetos que tenham no mínimo um prazo de seis meses para o desenvolvimento. “Existe ainda a ideia e a calma de não produzir tudo às pressas. Essa história do roteiro é muito forte. A gente joga muita energia”, diz Civita. “Queremos trabalhar com o que tem a ver com a gente. Nossas orientações são comportamento, relacionamento e humor”, ressalta Cedroni. Em cinema, a produtora ganhou o Festival do Rio no ano passado com “A Hora e a Vez de Augusto Matraga”, inspirado na

Sinopse: “FDP” retrata a rotina de um brasileiro e juiz de futebol na busca de seu maior sonho: apitar a final de uma Copa do Mundo. No início dessa temporada, Juarez Gomes da Silva é convocado para apitar a taça Libertadores da América, um degrau importante para o seu grande objetivo. Mas isso acontece ao mesmo tempo em que sua vida pessoal despenca ladeira abaixo... Após trair a esposa e lhe passar uma doença venérea, Juarez é chutado de casa sendo obrigado a ficar longe de seu filho Vini. Entre um jogo e outro, no Brasil e América Latina, o juiz tentará reconquistar sua família e avançar na carreira sem ferir sua ética, equilibrando-se nessa arena tortuosa que é o futebol profissional.

FDP

série 13 X 28’ Formato rodigo Films ProdutoraP us Pimenta Marc e Roberto Torero Roteiro ny Araújo John , Lund Kátia , Ortiz Caito Direção e Adriano Civita  Francesco Civita, Caito Ortiz, Produção Beto Gauss e Adriano Civita 

Para a Internet, a produtora tem feito alguns projetos de branded content e um projeto institucional da Petrobras. A Prodigo venceu uma licitação no ano passado e montou uma estrutura no Rio de Janeiro para a produção de um telejornal diário para os funcionários da estatal. A base carioca também deve ser acionada para a execução de futuros projetos.

obra de João Guimarães Rosa, e deve lançar no início de 2013 a ficção “Estação Liberdade”, gravada em Tóquio e em São Paulo, contando a história de um descendente de japoneses. A grande aposta em cinema da produtora é o filme sobre o roubo da taça Jules Rimet. O projeto está em fase de captação e a ideia é que estreie um pouco antes da Copa do Mundo de 2014.

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(artigo) Paulo Areas*

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Reserva de mercado para as redes de TV?

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FOTO: arquivo

á algumas semanas o governo federal arrecadou mais de R$ 2,8 bilhões com a venda em leilão de grande quantidade de radiofrequências para as empresas celulares (as “teles”) operarem banda larga móvel de alta capacidade (4G). As teles já avisaram que desejam comprar mais frequências, e o governo demonstra que está disposto a atendê-las. Vale destacar que as frequências agora leiloadas foram compradas por algumas empresas em leilão no ano 2000 e, através de demorado acordo, o governo conseguiu que estas empresas aceitassem receber indenização e cessassem operações na faixa. As frequências são recursos escassos e finitos, e são usadas para transmissões de rádio, TV, celulares, banda larga móvel etc.. Como numa fazenda que foi loteada, não há como se fabricar novos terrenos ou, em nosso caso, criar novas frequências. Os canais de TV aberta - gratuitos e transmitidos pelo ar, servindo aos 75% da população que não têm TV por assinatura - ocupam a faixa de frequência chamada de UHF, onde há espaço para vários canais de TV, e as teles desejam que o governo retome oito destes canais e os disponibilize para as telecomunicações. Com a conclusão da migração para a TV digital aberta em 2016, não haverá problemas em se utilizar para telecomunicações os canais UHF vagos na maioria das cidades. Contudo, nas 15 maiores metrópoles, onde vive 35% da população, seria criado um grave problema, pois não sobrariam canais para serem alocados para empresas de TV que ainda não operam nestas metrópoles, ou seja, para novas empresas de TV, e seria formado um sólido cartel, através de uma simples mudança regulatória, limitando para sempre

* Empresário e consultor. 44

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a concorrência neste setor. Como no Brasil há precedente sobre indenização para detentor de frequências, e nosso governo aproveitou as soluções do governo americano quanto à migração para a TV aberta digital, um caminho seria aproveitar o modelo de leilões voluntários de canais de TV, recentemente aprovado pelo Congresso americano (sendo que, em geral, uma emissora de TV receberia bem mais vendendo o canal para uma tele do que operando televisão, como demonstrado em estudo da FCC). Exemplificando: a empresa de TV “X”, que ocupa o canal 40, entra em acordo com a empresa de TV “Y”, que ocupa o canal 20, e as duas concordam em exibir suas programações usuais, em alta definição, no canal 20. Colocam então à venda em leilão o canal 40, que ficou vago, e dividem parte da receita gerada (a outra parte fica com o governo). A tele que comprou o canal 40 em leilão o libera para a empresa de TV que hoje ocupa o canal 52 e, em troca, fica com direito a usar determinada faixa de frequência entre os canais 52 e 59, que é a faixa preferida pelas teles. Através de leilões voluntários, vários canais de UHF ficariam vagos. Com isto o governo receberia recursos, não criaria uma eterna reserva de mercado para as atuais emissoras de TV evitando ações judiciais - e liberaria novas frequências para serviços de telecomunicação, beneficiando milhões de espectadores e de usuários, empresas de mídia e de telecomunicação e, o bem maior, a democracia, pela preservação da concorrência entre veículos formadores de opinião.


( upgrade )

Fernando Lauterjung

Doze cores

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1080/23.98PsF, 720/59.94p, 720/50p, 525/60 (NTSC), e 625/50 (PAL). O equipamento é uma unidade autônoma, e é disponibilizado com o controle do painel frontal ou com um painel de controle externo para controle mais preciso.

For-A está lançando o DCC-7000, seu novo corretor de cor multi-matriz em tempo real. O equipamento é apontado pela fabricante como ideal para esportes ao vivo e aplicações de pós-produção. O sinal ao vivo HD/SD-SDI passa pelo produto, que realiza a correção de cor, aprimorando até doze cores diferentes e matizes no vídeo. Trata-se de uma grande evolução em relação ao equipamento antecessor, o DCC-70HS, que tinha sua atuação limitada às cores primárias: vermelho, verde e azul (RGB). O DCC-7000 suporta padrões HDTV e SDTV, com 10 bits e processamento de sinal digital 4:2:2. Entre os padrões suportados estão: 1080/59.94i, 1080/50i, 1080/24PsF,

DCC-7000 realiza a correção de cor em tempo real, aprimorando até doze cores diferentes e matizes no vídeo.

Multiplex estatístico

Centro de controle

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Thomson Vídeo Networks apresentou o Flextream 2.0, o mais recente desenvolvimento de sua tecnologia de multiplexação estatística. A solução libera banda provisionada para o processamento de componentes de serviços, tais como áudio, teletexto, legendagem e closedcaption, permitindo que seja realocada para melhorar a qualidade de vídeo. Com o Flextream 2.0, os usuários de codificadores Thomson Vibe têm a capacidade de ativar novos mecanismos para aumentar o desempenho geral do sistema de multiplexação estatística, simplificando as operações através de configuração e monitoramento. Com isso, ganha melhor desempenho de taxa de bits e permite maior flexibilidade de arquitetura para implantações de sistemas envolvendo multiplexação estatística híbrida para serviços que contemplem áudio em vários idiomas e legendagem multicanal. O Flextream 2.0 torna mais fácil de usar a banda livre, evitando tarefas de automação complexas e arriscadas ao operar um plano de serviço para ajustar a largura de banda de acordo com a programação do canal. Em vez disso, para cada serviço selecionado no Flextream, componentes elegíveis podem iniciar automaticamente, liberando banda não utilizada. Com a nova versão, os operadores podem configurar a programação do canal com “tudo incluído” e deixar o sistema se adaptar automaticamente para condições de tempo real. A nova versão está disponível como uma atualização de software para codificadores Thomson Vibe, NetProcessors e sistemas de gestão XMS.

Flextream 2.0: banda provisionada para o processamento de componentes de serviços, tais como áudio, teletexto, legendagem e closed-caption. T e l a

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FOTOs: divulgação

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ma nova ferramenta de gestão com recursos de vídeo chega ao mercado. Trata-se da Vimond Control Center (VCC), da Vimond Media Solutions, baseada na plataforma da empresa Online Video Platform (OVP). A solução foi projetada Vimond Control Center foi para as emissoras e distribuidores que projetado para as querem rentabilizar o seu conteúdo emissoras e distribuidores diretamente para os usuários finais, e que querem rentabilizar o para os distribuidores de conteúdo que seu conteúdo diretamente para os usuários finais, e buscam ampliar sua oferta e para os distribuidores de proporcionar serviços de catch-up. conteúdo que buscam ampliar sua oferta e Um dos recursos da ferramenta é proporcionar serviços de um componente de “autosserviço” que catch-up. permite aos provedores de serviços OTT atrair um grupo de colaboradores de conteúdo, dando-lhes acesso restrito às suas contas. Os colaboradores de conteúdo acessam o VCC do provedor, criam os seus próprios canais e carregam seus próprios vídeos, que serão distribuído através da plataforma do provedor. Nesse ponto, um administrador do lado do prestador aprova o conteúdo antes de ser publicado. Usando esse recurso, os provedores podem criar um serviço único, com uma aparência unificada através da qual eles publicam conteúdo de fontes múltiplas, ou permitir que os proprietários de conteúdo criem seus próprios canais de marca. O VCC conta com outras características importantes, incluindo a possibilidade de publicar os serviços de TV em todas as telas sem a necessidade de produtos adicionais, bem como a funcionalidade de marcação, que simplifica o processo de gestão de centenas de horas de conteúdo. O conteúdo é encontrado através de uma pesquisa inteligente. Além disso, o VCC integra com a maioria das soluções de encoder transcoder, permitindo a automação de ingestão de vídeo ao vivo e on-demand.

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( agenda ) Tel.: (79) 3302-7092. Web: www.curtase.org.br

19 a 23 Ottawa International Animation Festival, Ottawa, Canadá.

Tel.: (613) 232-6315. E-mail: info@animationfestival.ca. Web: www.animationfestival.ca

13 e 14 de setembro Congresso LatinoAmericano de Satélites, Royal

Tulip, Rio de Janeiro, RJ. Tel.: (11) 31384660. E-mail: info@convergecom.com.br. Web: www.convergecom.com.br Único evento de satélites da América Latina, para debater os temas mais importantes do setor.

SETEMBRO

4 a 6 Andina Link 2012, San

Pedro Sula, Honduras. E-mail: contacto@andinalink.com. Web: www.andinalink.com

6 a 11 IBC 2012 - Rai Amsterdan, Amsterdã, Holanda Web: www.ibc.org

14 a 23 14º Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte, Belo Horizonte, MG. Web: www.festcurtasbh.com.br

17 a 22 Curta-SE 12, Aracaju, SE.

27 a 11/10 Festival do Rio,

Rio de Janeiro, RJ. Web: www.festivaldorio.com.br

OUTUBRO

E-mail: info@mardelplatafilmfest.com. Web: www.mardelplatafilmfest.com

DEZEMBRO

4 a 14 34º Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano, Havana, Cuba. E-mail: festival@festival.icaic.cu. Web: www.habanafilmfestival.com

JANEIRO 2013

11 a 20 22º Flickerfest – International Short Film Festival,

Web: www.mipworld.com

Sydney, Austrália. E-mail: coordinator@flickerfest.com.au. Web: www.flickerfest.com.au

8 a 11 Mipcom, Cannes, França. Web: www.mipworld.com

27 a 30 Real Screen Summit, Washington, Estados Unidos.

6 a 7 MipJunior, Cannes, França.

19 a 1/11 Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, São Paulo, SP. E-mail: info@mostra.org. Web: www.mostra.org

25 a 28 BRAFFTv 2012, Toronto,

Canadá. Tel.: (11) 2615-7615. E-mail: brafftv@brafftv.com. Web: www.brafftv.com

31 a 7/12 American Film Market,

E-mail: jpinto@brunico.com. Web:.realscreen.com

22 a 27 FIPA – Festival International des Programmes Audiovisuels, Biarritz, França. E-mail: info@fipa.tm.fr. Web: www.fipa.tm.fr

23 a 3/2 42º International Film Festival Rotterdam,

Santa Monica, EUA. Tel.: (1 310) 446-1600. E-mail: AFM@ifta-online.org. Web: www.americanfilmmarket.com

Rotterdam, Holanda. Tel.: (31 10) 890-9090. E-mail: tiger@filmfestivalrotterdam.com. Web: www.filmfestivalrotterdam.com

NOVEMBRO

FEVEREIRO

Mar del Plata, Argentina. Tel.: (54 11) 4383-5115.

Nova York, Estados Unidos. E-mail: jpinto@brunico.com. Web: summit.kidscreen.com.

5 a 13 26º Festival Internacional de Cine de Mar del Plata,

5 a 8 Kidscreen Summit 2013,


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Revista Tela Viva - 229 - Agosto 2012  
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