Page 1

televisão, cinema e mídias eletrônicas

ano 21_#225_abr2012

a tv pessoal

Congresso TV 2.0 aponta o crescimento dos serviços de vídeo on-demand e TV everywhere no Brasil e no mundo, com a consolidação dos modelos de negócio. ENTREVISTA Bittencourt, da Globo: “acho inviável digitalizar tudo até 2016”

INTERNACIONAL Esvaziado, MipTV debate as plataformas digitais e a produção 3D


O primeiro canal HD dedicado ao cinema independente brasileiro. Longas, curtas, médias, documentários e mini-séries. Exclusivamente conteúdos produzidos nos últimos 12 anos. Canal disponível em HD, SD e ON Demand. Adequado à Lei 12.485/2011 (Art. 17, § 4º e §5º).

Sessão Prime Box

Os filmes brasileiros de maior destaque você assiste na Sessão Prime Box, sempre às 22h. Filmes em destaque: Olga, Memórias Póstumas, Lavoura Arcaica, Extremo Sul, Cartola, O Preço da Paz, Estamira, A Alma Roqueira de Noel, Mãe e Filha, entre outros.

+ Cinema com Rubens Ewald Filho Com a estreia prevista para os próximos meses, o programa irá destacar a qualidade da nova safra da produção para cinema, TV e Internet brasileira e trazer aspectos incomuns dos bastidores do mercado audiovisual, festivais e estreias de filmes nacionais.

PROGRAMAÇÃO ESPECIAL: CINEMA, MÚSICA e TURISMO Em sua primeira fase, o Prime Box Brazil abriga também conteúdos de música e turismo brasileiro, dando uma amostra dos canais que virão em 2012. Music Box in Concert

Os melhores shows brasileiros estão no Music Box in Concert.

Box Brazil - Programadora Brasileira Independente Multiplataforma A BOX BRAZIL é a primeira programadora independente multiplataforma, 100% brasileira, dedicada à exibição, distribuição e difusão de conteúdo audiovisual nacional, na TV, Celular, Mobile, Internet e TVs Conectadas.

Av. Ipiranga, 6681 - Portal TECNOPUC - Prédio 99A - 15º andar - CEP 90619-900 - Porto Alegre RS - Fone: +55(51) 3021.6161 - www.primeboxbrazil.tv.br


Foto: marcelo kahn

(editorial ) Presidente Diretores Editoriais Diretor Comercial Diretor Financeiro

Editor Tela Viva News Redação

Projetos Especiais Arte

Depar­ta­men­to Comer­cial

Rubens Glasberg André Mermelstein Claudiney Santos Samuel Possebon (Brasília) Manoel Fernandez Otavio Jardanovski

Ana Carolina Barbosa Daniele Frederico Leandro Sanfelice (Vídeo repórter) Lizandra de Almeira (Colaboradora) Letícia Cordeiro Edmur Cason (Direção de Arte) Debora Harue Torigoe (Assistente) Rubens Jar­dim (Pro­du­ção Grá­fi­ca) Geral­do José Noguei­ra (Edi­to­ra­ção Ele­trô­ni­ca) Alexandre Barros (Colaborador) Bárbara Cason (Colaboradora) Bruna Zuolo (Gerente de Negócios) André Ciccala (Gerente de Negócios) Patricia Linger (Gerente de Negócios) Iva­ne­ti Longo (Assis­ten­te) Gislaine Gaspar (Gerente) Patricia Brandão (Gerente)

Marketing

Harumi Ishihara (Diretora) Gisella Gimenez (Gerente)

Administração TI Central de Assinaturas

Vilma Pereira (Gerente) Marcelo Pressi (Gerente) 0800 0145022 das 9 às 19 horas de segunda a sexta-feira

Internet E-mail

www.telaviva.com.br assine@convergecom.com.br

Redação E-mail

(11) 3138-4600 telaviva@convergecom.com.br

Publicidade E-mail Impressão

É

Fernando Lauterjung

Circulação

a n d r e @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Adaptação

André Mermelstein

Inscrições e Assinaturas

André Mermelstein

(11) 3214-3747 comercial@convergecom.com.br Ipsis Gráfica e Editora S.A.

Tela Viva é uma publicação mensal da Converge Comunicações - Rua Sergipe, 401, Conj. 605, CEP 01243-001. Telefone: (11) 3138-4600 e Fax: (11) 3257-5910. São Paulo, SP. Sucursal Setor Comercial Norte - Quadra 02 Bloco D - torre B - sala 424 - CEP 70712-903. Fone/Fax: (61) 3327-3755 Brasília, DF Jornalista Responsável: Rubens Glasberg (MT 8.965) Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias publicadas nesta revista, sem autorização da Glasberg A.C.R. S/A

reveladora a entrevista que o diretor de engenharia da Globo, Fernando Bittencourt, deu ao editor Fernando Lauterjung e que você lê na íntegra nesta edição. Quem acompanha o mercado percebe como os grupos de mídia vêm se adaptando e adequando seus discursos à realidade. O assunto vídeo on-demand, sobretudo nas TVs conectadas, por exemplo, sempre foi visto com muita desconfiança pelos broadcasters, sobretudo a Globo, que encarava estas novidades como ameaças ao seu consagrado modelo de negócios. Há poucos anos a emissora até mesmo ameaçava bloquear na Justiça o avanço das smart TVs por entender que a tecnologia feria os direitos autorais dos detentores de conteúdos. Hoje a emissora admite prover seus conteúdos de forma não-linear, até mesmo dentro das plataformas das TVs conectadas, como conta Bittencourt. Outro tema que aparece com mais clareza é o da TV digital. Como sempre dissemos neste espaço, os radiodifusores farão de tudo para não abrir mão do espectro que detêm hoje nas faixas analógicas. O que já se sabia, mas que agora é comentado abertamente, é que o prazo de 2016 é inviável para o switch-off das transmissões analógicas. Desde o início, estava claro que a transição para o digital traria mais ônus que bônus às emissoras. Não haveria qualquer aumento de receita para compensar os pesados investimentos na digitalização dos parques de produção e de exibição. A eventual economia de espectro interessava apenas ao governo, que, como no resto do mundo, receberia de volta as frequências analógicas para explorar este recurso com outros serviços. Os broadcasters jogarão o prazo de transição o mais para a frente possível, o que bloqueará qualquer definição de uso deste espectro (afinal, nenhum governante é louco de deixar metade da população sem sinal de TV de um dia para o outro), e cobrarão em radiofrequências os investimentos que têm feito na digitalização. Temas como a multiprogramação, a interatividade e a mobilidade, tão úteis à época para “vender” a necessidade da digitalização, ficaram em segundo plano ou simplesmente foram esquecidos. O cenário, no fundo, é este: a TV aberta, com a força e importância que tem, abraça de um lado o mundo novo das mídias digitais, e por outro luta para manter seu modelo tradicional e a sua relevância social, e para isso precisa garantir até quando puder suas frequências.

ilustração de capa: seri

T e l a

V i v a

a b r 2 0 1 2

3


Ano21_#225_ abr/12

(índice ) 14

( cartas)

TV 2.0 

20

14

Congresso debate modelos de VOD e TV everywhere

Esportes em alta A conclusão que tiro da matéria “Novos no ringue” (TELA VIVA 224, março de 2012) é que os canais pagos têm papel definitivo em criar ídolos e também novas paixões nacionais quando o assunto é o esporte. O Combate correu um risco ao investir nas lutas há bastante tempo e agora está, merecidamente, colhendo os frutos dessa aposta. João Pedro, Rio de Janeiro, RJ

Scanner Figuras Evento 

6 12 20

Entrevista

30

Audiência Programação

36 38

Making of Case

40 42

Upgrade Agenda

44 46

Mais vazio, MipTV aborda conteúdo 3D, negócios digitais, tendências de programação e até a nova lei brasileira de TV por assinatura 30

Fernando Bittencourt, diretor-geral de engenharia da Globo, fala sobre os investimentos da emissora para a adaptação ao cenário das mídias digitais

Capa Acho difícil que as novas plataformas decolem com tanta força no Brasil, com essa cultura tão arraigada de TV aberta, ou melhor, de um canal de TV aberta. Tudo bem que as novas mídias conquistam mais espaço, mas percebe-se pelo hábito do brasileiro que elas ainda têm que comer muito arroz com feijão. Edson Prata, Avaré, MG

Discovery apresenta bons resultados em mercados emergentes e não tem custo de conteúdo nacional no Brasil

44

Novo longa da Zazen Produções segue modelo de distribuição de “Tropa de Elite 2”

Tela Viva edita as cartas recebidas, para adequá-las a este espaço, procurando manter a máxima fidelidade ao seu conteúdo. Envie suas críticas, comentários e sugestões para cartas.telaviva@convergecom.com.br

Acompanhe as notícias mais recentes do mercado

telavivanews www.telaviva.com.br 4

T e l a

V i v a

a b r 2 0 1 2


( xxxxxxxxx) Android

FOTOs: divulgação

( scanner ) Documentário “If a Tree Falls”, disponível no Philos, novo produto de vídeo on-demand da Globosat.

O Muu, serviço que disponibiliza conteúdo dos canais Globosat sob demanda, agora pode ser acessado em tablets com sistema operacional Android. O aplicativo, desenvolvido pela área de novas mídias da programadora, está disponível para download gratuito no Google Play e foi criado para tablets de diferentes fabricantes que usam Android na versão 2.3 ou superior, para telas de 7” ou mais. O aplicativo permite que o usuário assista a duas mil horas de conteúdo e o compartilhe nas redes sociais. O Muu conta também com aplicativos para smartphones iPhones e tablets iPad (que podem ser baixados na Apple Store).

Em sintonia

Mais demanda

O aplicativo da Sky para iPhone e iPad ganhou uma nova funcionalidade: 61 canais de rádio via streaming, no serviço batizado de Sky Tunes. Os canais contam com áudio de alta qualidade, transmitido a 256 kbps. O serviço também traz metadados sobre o conteúdo executado, Sky Tunes: o aplicativo permitindo a visualização de para iPad e iPhone da nome do artista, da música e da operadora agora tem capa do álbum. O assinante rádio via streaming. ainda pode compartilhar o que está ouvindo nas redes sociais. O app da Sky já teve mais de 480 mil downloads desde seu lançamento, no início de 2011. Além de trazer a grade de programação dos canais, o app permite ainda controlar o set-top box como um controle remoto e programar gravações de programas. Segundo a operadora de TV via satélite, deve ser lançada em breve uma versão para a plataforma Android.

A Globosat lança no final de abril seu primeiro produto de vídeo on-demand (VOD) por assinatura. Trata-se do Philos, “canal” de VOD com foco em documentários (85% do conteúdo) e espetáculos (15%). Cerca de 90% do conteúdo é exclusivo para essa plataforma, e não está em exibição em outros canais Globosat, enquanto os outros 10% estão espalhados em canais como GNT, Canal Brasil e Globosat HD. O Philos será oferecido em modelo de assinatura, por R$ 14,90 mensais. A princípio, o produto estará no Now, plataforma de VOD da Net, a partir de abril, e ficará disponível para degustação, sem custo, até o lançamento oficial, que deve acontecer entre junho e julho, com cerca de 300 títulos. No lançamento oficial, o Philos deverá ter cerca de 500 títulos. Cerca de 95% do conteúdo é HD, sendo que destes, 85% são HD nativos e o restante é upconverted. A ideia é que, ao final do ano, o produto tenha de 600 a 700 títulos, sendo que metade deve ser episódios de séries e a outra metade documentários ou shows de episódio único. A partir do lançamento oficial, entre junho e julho, o Philos também ficará disponível em “TV everywhere”, ou seja, o conteúdo poderá ser acessado pelos assinantes pela Internet e por aplicativo exclusivo.

Troca de guarda

Mais adorado

A Record está perto de encarar o grande desafio que é transmitir um evento esportivo do porte das Olimpíadas. Douglas Tavolaro, vice-presidente de jornalismo da emissora, conta que a Record prepara uma cobertura em alta definição com cerca de 300 profissionais que estarão em todos os estádios e ginásios em que o Brasil estiver competindo. Os principais atletas mundiais também serão acompanhados pela equipe. O Record News deve dedicar quase toda a programação ao evento. O portal R7 vai oferecer conteúdos exclusivos. Tavolaro conta que o grupo está desenvolvendo conteúdos de interatividade. 6

T e l a

V i v a

O site AdoroCinema foi comprado pelo grupo francês AlloCiné e apresenta algumas mudanças para o público e anunciantes. O Grupo AlloCiné tem o segundo maior banco de dados do mundo, com mais de 90 mil fichas entre sinopses e fichas técnicas, e acumula mais de 40 milhões de visitantes únicos em seus sites espalhados pelo mundo. Entre as novidades resultantes da parceria, estão novo layout e player de vídeo, mecanismos de navegação mais refinados, novos conteúdos, interações sociais maiores, programação mais abragente das salas de cinemas no Brasil, e ainda novos modelos publicitários. •

a b r 2 0 1 2


Onda nacional A Fox International Channels anunciou novas produções nacionais para seus canais e faixas de programação dedicadas a conteúdos nacionais. Algumas ainda não tem nome, ou definição sobre como serão viabilizadas, se com recursos provenientes de Artigo 39 ou da própria programadora. Para o canal Fox, a programadora fechou uma parceria com a Total Filmes para a realização da série baseada no filme “Se Eu Fosse Você”. O canal também terá a faixa CineFox Brasil, com sucessos do cinema brasileiro. Já o Fox Life terá a faixa Fox Life Music, com eventos musicais. Outra faixa que estreará no canal é o Fox Life Retro, com programas da TV aberta brasileira. O primeiro acordo fechado para programação neste horário foi com a Record, para exibição da novela “Bela, a Feia”. “Também estamos conversando com a Bandeirantes e com o SBT para adquirir programação. A Globo não está em negociação porque ela tem o canal Viva para exibir programação de arquivo”, lembra o vice presidente sênior de programação e conteúdo, Paulo Franco. Outra novidade no Fox Life é a versão brasileira do formato “Man vs. Food”, da FremantleMedia. O FX terá a série de ficção “A Vida de Rafinha Bastos”, em coprodução com a Mixer. A série terá seu piloto exibido no primeiro semestre, e os outros 12 episódios, com recursos do Artigo 39, programados para o segundo semestre. Um dos destaques é a parceria com o diretor Fernando Meirelles e sua produtora, O2 Filmes, para a produção de duas séries: “Contos de Edgar”, uma releitura dos contos de Edgar Allan Poe, para exibição no FX; e “360”, projeto com viés jornalístico para o Nat Geo, baseado no longa de mesmo nome do diretor, que mostra uma mesma situação mostrada de diferentes pontos de vista. A princípio serão cinco episódios. Para o Nat Geo está em desenvolvimento uma série do documentarista Lawrence Wahba, sobre seus 20 anos de carreira, com produção da Bossa Nova Films. O documentarista também anunciou que está fazendo três documentários para o National Geographic internacional. O Nat Geo também terá um novo programa do

Helô e Ticiane Pinheiro apresentam a terceira temporada de “Ser Mulher”, do canal Bem Simples, que passa a ter atrações gravadas no Brasil.

especialista em comportamento animal Alexandre Rossi, conhecido como Dr. Pet, com produção da Nation Filmes. Em parceria com a Endemol, o canal prepara um novo formato com os Irmãos Nogueira, os lutadores Minotauro e Minotouro, focado no lado cultural das artes marciais. Já em produção, com recursos do Artigo 39, a série de seis episódios de 30 minutos “Aquanautas”, da produtora Bioma Produções, mostrará o casal de exploradores Tony e Ana Paula Rangel a bordo de um catamarã pela costa brasileira. Também para o Nat Geo, o trio Daniel, Gerson e Wilson, conhecido pelas experiências no quadro do SBT “Ciência em Show”, terá um programa para “traduzir a física” para os espectadores, produzido pela Prodigo; e o biólogo Richard Rasmussen, com equipe própria, estreia série sobre aventuras na natureza. O canal Bem Simples, que até então tinha produções com talentos brasileiros realizadas na Argentina, passa a produzir localmente suas atrações. Para isso, um pacote de produção foi fechado com a Zeppelin Filmes, no Rio Grande do Sul. Entre as novidades do Bem Simples estão a chegada de Palmirinha Onofre ao canal, e a estreia da terceira temporada do programa “Ser Mulher”, com Ticiane e Helô Pinheiro.

Nova proposta

Flávia Moraes, diretora da Film Planet, que agora se chama apenas Planet e tem foco na prestação de serviços.

T e l a

A produtora Film Planet anunciou uma mudança de nome e de conceito. A partir de agora a empresa se chama apenas Planet The Production Company, e se focará na prestação de serviços de produção para todo o tipo de conteúdo: publicidade, cinema, TV, teatro, música etc. A ideia é aproveitar a experiência e os talentos da produtora, que tem 21 anos e 3,5 mil comerciais no portfolio, mas sem manter uma estrutura fixa. A Planet prestará serviços pontuais ou completos para outras produtoras ou agências. “Qualquer produtora do mercado é um potencial cliente”, conta a diretora Flavia Moraes, incluindo a si própria na lista, pois pretende abrir um selo para a produção de conteúdo. A produtora manterá seus escritórios em São Paulo, Rio, Buenos Aires e Los Angeles.

V i v a

a b r 2 0 1 2

7


( scanner) FOTOs: divulgação

Canal internacional A TV Brasil tem como um de seus objetivos o lançamento de um canal internacional, com conteúdo em inglês, para divulgar o País no exterior. Segundo o novo diretor internacional da emissora pública, Ottoni Fernandes Jr., trata-se do “macro objetivo” da TV Brasil, e o projeto ainda está em fase embrionária. Ainda que o objetivo seja produzir programas sobre o Brasil para o público internacional, ele diz que o canal teria também filmes e documentários legendados. A ideia é que o canal tenha programação para diferentes

Canal infantil estreou nova identidade visual e proposta diferente de programação.

Nova carinha A TV Rá Tim Bum!, canal infantil por assinatura da Fundação Padre Anchieta, estreou em abril sua nova identidade visual e uma proposta diferente de programação. A logomarca do canal passa a ser uma bolha de sabão. Outra novidade é o conceito do canal, que pretende se tornar a voz e a imagem da criança brasileira, gerando relacionamento e interação. O novo slogan é “A TV que cresce com você”. Para alcançar o objetivo, explica o canal, seu conteúdo será transmídia: o que vai para a televisão será compartilhado também em outras plataformas de comunicação, como games, aplicativos para web, redes sociais, apresentações ao vivo, livros, DVDs, entre outros produtos. A terceira ponta da nova roupagem é a distribuição dos programas em faixas temáticas. A proposta é criar um diálogo com a audiência para fidelizar o público. Os nomes das faixas, com as respectivas definições, são: “Hora de História,” que reúne séries e animações que incentivam práticas de linguagem oral e escrita; “Quintal da Cultura”, que, entre as brincadeiras da turma do programa, apresenta diversos desenhos; “Aventuras em Série”, que traz tudo o que envolve ambiente físico e social, como meioambiente e corpo humano; “Hora Animada”, que incentiva a expressividade oral, musical e visual da criança; “É hora, é hora, é hora Rá Tim Bum”, que relembra programas clássicos da TV Cultura; “Mistureba”, que traz pacote que mescla imaginação, brincadeiras, curiosidades e aventura; “Laboratório Rá Tim Bum”, que explora o mundo da ciência; e, por último, “Cine Rá Tim Bum”, uma sessão de cinema infantil.

8

T e l a

faixas etárias. “Estou me reunindo com os produtores brasileiros para pedir contribuições. Não é um projeto fechado”, conta. O canal não deve ficar pronto antes do final de 2013, começo de 2014. Além do projeto a longo prazo, Fernandes conta que no momento tem como principais focos a ampliação da distribuição do sinal da TV Brasil Internacional, especialmente para a América Latina e África, e o intercâmbio com essas regiões. “Queremos trocar conteúdo com as TVs desses países”, contou.

Parceria A BusTV e a TV Record ampliaram sua parceria, pela qual a rede de TV out of home em transportes coletivos passa a exibir atrações da emissora de televisão aberta em toda a sua frota no País. A Rede BusTV impacta 1,2 milhão pessoas por dia em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo BusTV passa a exibir conteúdo da Horizonte, Porto Alegre, Recife, TV Record em toda a sua frota. Brasília, Fortaleza e São Luís, além de Sorocaba (SP). A grade da BusTV passa a contar com 20 minutos da programação da Record diariamente. A parceria iniciou em novembro de 2010, quando a BusTV passou a exibir a programação da Record no Rio de Janeiro, em operação teste. Desde julho do ano passado os coletivos de Brasília também passaram a exibir a programação da emissora. Além do conteúdo da Record, BusTV também leva uma programação própria, gerada em sua rede.

Expansão das telas O Esporte Interativo levou conteúdo ao vivo para os aparelhos com Bravia Internet Video, da Sony. Com a adição desse novo aplicativo, o usuário da smart TV Sony pode assistir ao Esporte Interativo ao vivo e optar por vídeos com os melhores momentos de algumas modalidades esportivas. Dessa forma, o canal é o primeiro parceiro de conteúdo em tempo real por streaming de vídeo nos televisores conectados da Sony. V i v a

a b r 2 0 1 2


Internacional

Documentário da Conteúdos Diversos e Cinema Animadores aborda do tema câncer de mama e terá desdobramentos em outras plataformas.

Mulheres de peito A Conteúdos Diversos e a Cinema Animadores produziram em parceria com o Grupo Brasileiro de Estudos do Câncer de Mama (GBECAM) o documentário “Mulheres de Peito – falando abertamente sobre o câncer de mama”. O filme dirigido por Paula Galicini, conta a história de cinco brasileiras, entrevistadas sozinhas e com a família, permeado por conversas com oncologistas, psico-oncologistas, tatuadores e fabricantes de chapéus e roupas para mulheres mastectomizadas. As produtoras desdobrarão o projeto em outras plataformas.

A Globo está desenvolvendo coproduções internacionais de duas propriedades: “Os Normais” e “Retrato Falado”. “Os Normais” ganhará uma coprodução com o Canal 13, do Chile, que contará com “Retrato Falado” ganha versão em inglês. formato de sitcom e 13 episódios. Já “Retrato Falado”, quadro do Fantástico com Denise Fraga, é o primeiro projeto resultante da parceria anunciada na Natpe 2011 com consultores internacionais, que visa a adaptação de títulos da Globo para o mercado norte-americano e canadense de língua inglesa. Para essa coprodução, que recebeu o nome de “Sketch It Out”, a emissora fechou uma parceria com a Second City, grupo de comédia de Chicago. O piloto está pronto e deve começar a ser apresentado em pitching para as redes de TV, em formato de sitcom, com 13 episódios de meia hora. Recentemente, a emissora também anunciou a coprodução da novela “Fina Estampa” com a Telemundo.


( scanner) Estreias FOTOs: divulgação

também apresentou três novas O Multishow estreou em atrações em abril, além de abril novas atrações e novas temporadas de seus temporadas de seus programas. Em “Viver Com programas. O destaque é para Fé”, a apresentadora Cissa o humor, com mais de cem Guimarães encontra pessoas episódios de formatos variados, que têm histórias interessantes como realities e sitcoms, em relacionadas à fé. “Cozinha uma faixa de programação Prática”, com a chef Rita Lobo, totalmente dedicada ao gênero, traz receitas de pratos simples nas noites de segunda a e práticos de fazer e “Homens sábado, a partir das 22h. As Possíveis” - uma versão novidades começam em 2 de masculina do “Mulheres abril, às 22h, com a estreia de Possíveis”, que já teve três “Os Buchas”. O mês conta “Homens Possíveis”, produzido pela Volcano Hotmind, é uma das temporadas exibidas no canal ainda com as estreias das novas atrações do GNT. desde 2007 – chega à grade no novidades “Vida de Mallandro” dia 6, às 22h30, e recebe convidados famosos e anônimos e “Viajandona”, e as novas temporadas de “Olívias na TV”, e propõe uma troca de rotinas entre eles. A produção é da “Até Que Faz Sentido”, “Morando Sozinho”, “Adorável Volcano Hotmind com direção do Coletivo Volcano. Psicose”, “220 Volts” e “Sensacionalista”. O canal GNT

Passionais O A&E estreou em abril a série “Até que a Morte nos Separe”. A atração, produzida pela Prodigo Films, aborda crimes passionais que aconteceram no Brasil desde a década de 90 e tiveram grande cobertura da mídia e mobilização da opinião pública. A primeira temporada tem seis episódios e cada um deles traz um caso diferente, como os de Pimenta Neves e Sandra Gomide, Lindemberg Alves e Eloá Cristina Pimentel, goleiro Bruno e Eliza Samudio. A série utiliza animação para as cenas do crime. O diretor de arte Rodrigo Pimenta inspirou-se no estilo noir frequentemente usado em comic books.

Série produzida pela Prodigo Films para o canal A&E mostra crimes passionais que mexeram com a opinião pública.

Pré-venda

Timeline

A TV Pinguim fez uma pré-venda da série de animação “Gemini8” para o Cartoon Network, para ser exibida em toda a América Latina. As aventuras do menino Marco em outro planeta foi lançada como revista em quadrinhos pela editora Abril, que tornou-se sócia do projeto, com recursos do Artigo 1º A. A série tem 52 episódios de 11 minutos e é voltada para crianças de 6 a 10 anos. A TV Pinguim também comemora a venda da primeira e da segunda temporadas de “Peixonauta”, exibida no Brasil pelo Discovery Kids e pelo SBT, para a Netflix. Atualmente, a segunda temporada está em produção.

Com a mudança das fanpages para as timelines no Facebook, o Discovery aproveitou a oportunidade para transformar a sua página na rede social em uma fonte de informação sobre fatos marcantes da história internacional e do Brasil. O objetivo é tratar de maneira descontraída informações de relevância histórica. Os internautas que entram no perfil do Timeline do Discovery Channel Brasil no Facebook Discovery Channel Brasil encontram traz informações históricas importantes desde a uma timeline que começa com o data de descobrimento do País. descobrimento do País. A timeline do Discovery também terá informações sobre política nacional, história da arte e dos esportes no Brasil, além de fatos curiosos como a invenção do Pong, o primeiro videogame, que chegou ao mercado nos EUA em 1972. A ação foi desenvolvida pela Torke São Paulo, em parceria com a equipe Discovery.

10

T e l a

V i v a

a b r 2 0 1 2


Eco

O BandSports comprou dois tradicionais ônibus ingleses para cobrir e divulgar a cobertura dos Jogos Olímpicos de Londres.

Ônibus vermelho O BandSports comprou dois autênticos ônibus ingleses para utilizá-los na divulgação e cobertura das Olimpíadas de Londres. Um veículo vai ficar na capital inglesa, estacionado cada dia num ponto turístico da cidade, e será utilizado como estúdio principal do canal, para a transmissão de jornais, realização de entrevistas e debates. Câmeras, apresentadores e entrevistados ficarão instalados no segundo andar do veículo, que foi adaptado para fazer dali as transmissões ao vivo. Os estúdios do centro de imprensa de Londres serão usados apenas de forma alternativa, como instrumento de apoio. O segundo veículo está em São Paulo e vai circular pela cidade durante todo o período das Olimpíadas, com o objetivo de divulgar o canal.

A Play It Again, de Tula Minassian, apresentou a Casa de Produsom. Não se trata de uma nova empresa voltada ao mercado, mas uma unidade interna de prestação de serviços que atenderá à própria Play It Again e à PlayRK30, braço da produtora dedicado ao mercado de entretenimento. Segundo Minassian, com isso a produtora conseguirá apresentar orçamentos de forma mais detalhada, mais adequada à nova realidade do mercado e à forma de contratação através das chamadas mesas de compras. Para atender os trabalhos mais simples com qualidade, a produtora propõem o uso do que chama de “trilhas verdes”. Ao invés de comprar trilhas brancas no mercado, que vêm prontas de fora, a produtora está montando um banco de trilhas criadas pelos compositores que trabalham para a casa. Desta forma, ainda há alguma exclusividade e garante-se o trabalho local. Outra novidade da Play é o Núcleo de Produção e Pesquisa, que será coordenado por Gabriela Ruffino e André Minassian. O departamento servirá de suporte aos trabalhos de publicidade, produzidos pela Play It Again (Brasil) e pela PlayAmics (Portugal e Polônia), e aos jobs de conteúdo e entretenimento, produzidos pela PlayRK30. O núcleo avaliará os roteiros, fará pesquisas de vozes, artistas, músicas, e apresentará aos clientes o andamento do trabalho de forma mais detalhada e com mais conteúdo.


Fotos: divulgação

( figuras) Vice-presidente sênior

Atendimento

Raul Costa foi nomeado vicepresidente sênior e gerente-geral da Viacom Brasil. Costa será responsável por conduzir as operações da companhia no Brasil, pelo posicionamento estratégico da rede de negócios, presença de marca e relacionamento com parceiroschave na região. Ele também Raul Costa deverá identificar e desenvolver novos negócios e oportunidades para os canais Nick Jr., Nickelodeon, Comedy Central, VH1 e Vh1 Mega Hits no Brasil para capitalizar o momento de crescimento da companhia no país. Baseado em São Paulo, Costa se reportará a Sophia Ioannou, diretora da Viacom International Media Networks – The Americas. O executivo vem da Discovery Brasil e tem passagens pela Publicis do Brasil, JWT Publicidade e MPM Lintas.

A Margarida Filmes, que vem reestruturando sua equipe de atendimento, anunciou a contratação de uma nova diretora de atendimento. Fernanda Costa deixou a Ogilvy&Mather para junta-se à equipe da produtora. A profissional tem passagens por agências como Y&R, JWT, McCann-Erickson e Santa Clara.

Diretor sênior Ariel Sardiñas é o novo diretor sênior para a Améria Latina da Grass Valley. O executivo, que já passou pela Avid, Harris e Sony, ficará baseado em Miami e se reportará a Rafael Castillo, vice-presidente sênior para a América Latina e Caribe. O time brasileiro continuará à frente das atividades locais e se reportará diretamente a Rafael Castillo.

Vendas publicitárias Comercial A Globosat anuncia a contratação de Luiz Sumida para o cargo de gerente de planejamento comercial da programadora. O publicitário será responsável pelo desenvolvimento e planejamento de projetos comerciais dos canais Globosat e se reportará ao diretor executivo comercial, Fred Müller. Formado em Comunicação Social Luiz Sumida pela FIAM, o profissional atuou na área de mídia de agências como Denison, WMcCann, Giovanni+Draftfcb, Santa Clara, Z+ e DM9DDB.

Foto: Sérgio Zacchi

Marcelo Cataldi (ex-Fox) vai integrar a equipe da Turner Broadcasting System (TBS) Latin America, assumindo o cargo de diretor executivo de vendas publicitárias EUA e panregional para a Turner Latin America. O anúncio foi feito por Gretchen Colón, vicepresidente sênior de vendas publicitárias para a Turner Broadcasting System (TBS) Latin America, Inc. e gerente geral do canal Glitz*. Cataldi cuidará dos Marcelo Cataldi clientes com atuação na América Latina, mas com base nos Estados Unidos, assim como da estrutura de negociação de publicidade nos mercados emergentes da região como República Dominicana, Caribe e Peru. Ele vai definir e liderar as estratégias de vendas para estes mercados usando todo o portfólio de canais latino-americanos da Turner e suas propriedades online. Inicialmente com sede em São Paulo, Cataldi será realocado para o escritório da companhia em Miami, onde vai liderar o time local assim como o time de vendas publicitárias da Turner Latin America na cidade de Los Angeles. Foto: marcelo kahn

CEO

Carla Affonso

Carla Affonso, que até março deste ano exerceu o cargo de chief operating officer (COO) da Zodiak Brasil, assume o posto de CEO, no lugar de Paolo Nocetti. Além desta mudança, a operação no Brasil, que teve início no final de 2010, sofreu outra mudança recentemente: o escritório passou do Rio de Janeiro para São Paulo. 12

T e l a

V i v a

Promoção A Discovery Networks Latin America/US Hispanic promoveu Elizângela Mariani ao cargo de diretora comercial. A executiva está na Discovery desde 2010, onde atuou como gerente na área, responsável pela comercialização de publicidade para os canais da rede no País. Com a promoção, será a responsável pela área comercial, função que compreende não somente a venda de espaço publicitário nos canais da rede como abertura de novas frentes de negócios e desenvolvimento de projetos diferenciados com todos os canais e sites que fazem parte da Discovery Networks no Brasil. Elizângela tem passagens pela Taterka, Young & Rubicam, Warner Bros e Sony Pictures Television. Ela está baseada em São Paulo e reporta-se diretamente a Fernando Medin, vice-presidente sênior e diretor-geral da empresa no Brasil.

a b r 2 0 1 2


Cena

Criação

Pedro Coutinho é o novo diretor de cena da ParanoidBR. Com passagens por produtoras como O2, Sentimental, Conspiração e Fulano, Coutinho chega à ParanoidBR para trabalhar com projetos de publicidade e conteúdo. Além de Coutinho, a ParanoidBR conta com os diretores Heitor Dhalia, Carlos Pedro Coutinho Manga Jr. (Manguinha), Paulo Vainer, Luis Carone, Cisma, Vera Egito, Dulcidio Caldeira, Brenno Castro e Esmir Filho.

A WMcCann tem novidades na área de criação. A agência contratou oito profissionais, ampliando seu time para 67 profissionas. São dois novos diretores de arte, quatro redatores, quatro assistentes de arte, além de uma analista de social media. Rafael Rosa (ex-QG e editor do Hypeness) e Fabiano Gomes (ex-Ogilvy) são os novos diretores de arte. Bruno Geiger (ex-JWT), Camila Lordelo (ex-Agência Tudo), Luise Barros (ex-Ogilvy) e Sabrina Korman (ex-Leo Burnett) são os novos redatores, e Vanessa Escremin (ex-F/Nazca) é a nova analista de conteúdo de social media. Para apoiar a área, os assistentes de arte Flávio Gomes (ex-Loja) e Leonidas Pires (ex-Squadro Ideias) completam o time de criação da agência no Rio de Janeiro, e Lucelia Melo (ex-Dentsu) e André Rodrigues (ex-Z+) reforçam a equipe na filial paulista.

Dupla

Willy Biondani e Alexandre Lucas

Alexandre Lucas integra o time de diretores da BossaNovaFilms. O profissional tem passagens por agências como DM9DDB, AGE Isobar, Young & Rubicam e Dentsu Brasil. Ele fará dupla com o diretor Willy Biondani.

Atendimento Ana Campos (ex-Fischer & Friends) chega à Crash Filmes para reforçar o atendimento da produtora. Há sete anos no mercado, a profissional trabalhou para a RT Features, com foco no longa metragem sobre o Tim Maia. Recentemente, ela produziu o 4º Festival Internacional de Cinema de Paraty, produzido pela Villas Boas Entretenimento.

Lucelia Melo, Vanessa Escremin, Luise Barros, Sabrina Korman e Camila Lordelo (na frente), Rafael Rosa, Fabiano Gomes e Bruno Geiger.

Nova estrutura André Pulcino, Diego Morone, Guido Gallo, Luiz Adriano e Luciano Neves estão deixando a sociedade na Tribbo Post. A finalizadora segue prestando seus serviços normalmente, sob o comando dos sócios Bibinho e Rodrigo Pina. O atendimento ao mercado passa a ser feito por Vera Flores. Além disso, Mayra de Lutiis ajudará na formação e composição da nova equipe de atendimento.

Contratação

Paula Goldman

A Guadalupe Filmes contratou a diretora de cena Paula Goldman. A profissional, que vinha atuando como free-lancer nos últimos meses, entra para o time de diretores da produtora, que já conta com Marcelo Nepomuceno e Rogério Utimura. Antes de entrar para o time da produtora, Paula dirigiu o filme “Código X”, para o cliente Clight.

T e l a

V i v a

Arte A área de Criação da Lew’Lara\TBWA ganhou reforço com a chegada do diretor de arte Ary Nogueira. O criativo, que fará dupla com o redator Igor Cabó, tem passagens por agências como Age Comunicações e AlmapBBDO.

a b r 2 0 1 2

13

Ary Nogueira


cobertura

( capa )

Da redação

c a r t a s . t e l a v i v a @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Explosão on-demand Streaming de vídeo já afeta negócio tradicional de TV nos EUA e ganha momento no Brasil com expansão da banda larga, dos dispositivos móveis e das TVs conectadas.

N

ilustração: seri

ão há mais dúvidas de que o conteúdo on-demand veio para ficar e deve ter um crescimento rápido nos próximos anos. O debate agora está em quais modelos e devices devem liderar o mercado. Esta foi a tônica dos painéis do Congresso TV 2.0, promovido por TELA VIVA em março em São Paulo. Aparentemente os serviços de streaming estão à frente desta onda. O uso de Netflix por streaming em 2011 foi 80% maior do que todos os serviços de vídeo on-demand (VOD) das operadoras de TV por assinatura juntas nos Estados Unidos. Esse foi um dos dados apresentados por Colin Dixon, senior partner da consultoria TDG, que falou no evento. Segundo Dixon, as operadoras gastaram dez anos para construir seus sistemas de VOD, e, embora todos os assinantes digitais de pay TV tenham acesso ao VOD nos Estados Unidos - são 45 milhões de domicílios - estima-se que foram vistas 4,8 bilhões de horas em 2011. O Netflix transmitiu por streaming 2 bilhões de horas somente no quarto trimestre de 2011. “Essa diferença acontece principalmente por causa das interfaces. Na interface de VOD das operadoras é difícil de achar um conteúdo, ela não identifica as preferências do usuário, entre outros problemas”, diz Dixon. “Foi uma oportunidade perdida pelos operadores. Se tivessem levado o OTT (over the top) a sério e reconhecido uma oportunidade de servir melhor os assinantes, talvez

serviços como o Netflix não existissem”. Para ele, o modelo de TV Everywhere, em que o assinante de TV paga pode ver os conteúdos em qualquer tela, mediante autenticação, levará bastante tempo para ser adotado. Atualmente, dos mais de 100 milhões de assinantes de TV paga nos EUA, pouco mais de 52 milhões têm acesso a TV Everywhere, e “apenas” 4,12 milhões utilizam de fato o serviço. A perspectiva é de que em 2016 haja quase 96 milhões de assinantes de TV paga, com quase 90 milhões com acesso ao TV Everywhere, e 29,46 milhões de usuários do serviço. “O acesso vai crescer rápido para os consumidores, mas a adoção será lenta”, diz Dixon. “O esforço foi 14

T e l a

V i v a

a b r 2 0 1 2

apropriado, mas veio muito tarde, apenas em 2009”. Vídeo online Atualmente, 74% dos usuários de banda larga dizem assistir vídeo online. A perspectiva da TDG é de que em 2016 haverá 250 milhões de domicílios no mundo todo assistindo a vídeos da Internet em suas TVs. “E em 2020, nos Estados Unidos, vamos assistir tantos vídeos da Internet quanto dos broadcasters”, diz Dixon. Entre os serviços de vídeo online, o Netflix é o mais visto nos EUA, com 50,3% dos espectadores


Assinatura Em relação aos modelos de negócio praticados pelos serviços de VOD, parece que o de assinatura é o que vem encontrando maior adesão do consumidor. A análise é de Marcelo Spinassé, presidente da Truetech, empresa que oferece plataforma de distribuição digital para

“Em 2020, nos Estados Unidos, vamos assistir tantos vídeos da Internet quanto dos broadcasters.”

de 2 Mbps de velocidade de conexão de Internet. Apesar dos vídeos serem baixados ou assistidos por streaming online, a maneira preferida para assistir aos filmes é na TV: 82% usam o computador para acessar o conteúdo e 74% conectam o PC ou notebook às suas TVs. Entre os outros dispositivos que os usuários mais desejam ver os filmes, estão o iPad e o iPhone (17,92%), com destaque também para as TVs conectadas. Quando o assunto é conteúdo, o que os consumidores querem encontrar são os últimos lançamentos (15,46%), séries de TV (10,96%) e conteúdo em alta definição (10,57%). fotos: marcelo kahn

de vídeo online utilizando o serviço. Existem atualmente mais de 20 milhões de usuários do Netflix via streaming, acumulados em quatro anos de atuação. A maioria das pessoas que assistem conteúdo pelo streaming do Netflix (44,5%) usa o serviço durante 1,5 hora por semana. Na média, porém, o usuário de Netflix usa o serviço por 5,5 horas semanais. Dixon também traçou um paralelo entre a utilização de serviços OTT, como o Netflix, e a TV paga nos Estados Unidos. Segundo a pesquisa da TDG, os usuários de Netflix estão mais propensos a reduzir suas assinaturas de pay TV (com a mudança de pacotes, por exemplo) do que os assinantes de TV paga. Em 2010, 16% dos assinantes de Netflix estavam propensos a fazer uma redução de suas assinaturas, contra 17% dos assinantes de pay TV. Já em 2011, 25% dos assinantes de TV paga estavam propensos a fazer o “downgrade” de suas assinaturas, contra 32% dos assinantes Netflix. Entre os assinantes inclinados a fazer essa redução, a maioria o faria por não assistir a tantos canais, a ponto de justificar o custo, ou simplesmente por não conseguir mais bancar o serviço. Dixon comentou também que em 2010, a HBO perdeu 1,6 milhões de assinantes, e que embora a utilização do Netflix não seja o fator decisivo, ele certamente influenciou essa perda.

Colin Dixon, da TDG

varejistas como Saraiva e Submarino, e também para portais e operadoras de TV por assinatura, como o serviço Sky Online. Ela realizou uma pesquisa com 1,2 mil internautas que já consumiram vídeo sob demanda online em algum dos serviços suportados pela empresa. Spinassé comentou que embora 90% dos resultados venham de SVOD (subscription vídeo on-demand), o que essa janela oferece são basicamente títulos de catálogo, enquanto os lançamentos estão nas janelas de TVOD (VOD transacional). “O TVOD serve para branding, traz relevância, disponibilizando o conteúdo mais atual e de maior visibilidade para os usuários”, afirmou. A pesquisa, realizada no segundo semestre de 2011, mostrou que a maioria dos usuários prefere fazer download dos vídeos do que assistir por streaming: 82,17% afirmaram assistir aos vídeos por download, enquanto 17,83% veem por streaming. Os motivos para a escolha por download são diversos, mas 44,62% responderam que preferem fazer download por opção, para ter o arquivo no computador. Outros 15,93% disseram que não conseguiram assistir ao vídeo online pois o mesmo travava, e outros 16,49% afirmaram que sabiam que poderiam assistir ao vídeo online, mas quiseram baixar o arquivo porque a Internet era lenta. A velocidade da Internet influenciou na decisão da maneira de assistir aos vídeos, já que 52% dos entrevistados possuem menos

YouTube Os gigantes da internet também se movimentam para lucrar com o serviço. O maior provedor mundial de vídeos online, o YouTube, está buscando uma maior profissionalização de seu conteúdo, reduzindo a dependência por vídeos gerados pelo usuário e aproximando-se de conteúdos profissionais. Para isso, busca formas de monetizar este conteúdo. Segundo Francisco Varela, diretor de Global Platform Partnerships do YouTube, que participou do evento, a empresa está se movimentando agressivamente para encontrar uma forma de monetizar seus parceiros Entre as ações para criar esse novo modelo de negócios está a ampliação da base de usuários, bem como o aumento do consumo por parte dos usuários. Para Varela, trabalhar com dispositivos é a forma natural de trazer ao consumo de vídeos online bilhões de pessoas

“Os consumidores estão buscando e comprando em dispositivos móveis os mesmos conteúdos que antes eram exclusivos dos desktops.” Francisco Varela, do YouTube

T e l a

V i v a

a b r 2 0 1 2

15

>>


fotos: marcelo kahn

( capa )

Congresso TV 2.0 debateu temas como VOD, TVs conectadas e TV everywhere.

que hoje não estão conectadas ou que não acessam as plataformas de vídeo. A empresa aposta na evolução dos equipamentos móveis e na capacidade de processamento, que fazem com que smartphones sejam plataformas de consumo e até produção de vídeo. “Os consumidores estão buscando, compartilhando e comprando (em dispositivos móveis) os mesmos conteúdos que antes eram

exclusivos dos desktops”, diz, afirmando que 10% dos acessos do YouTube são feitos em dispositivos móveis e atualmente a média é de duas horas de upload de vídeos feitos através desses devices por minuto. Outro dispositivo vital é a TV. Varela admite que a capacidade de processamento da maioria das TVs conectadas e outros dispositivos que trazem conexão à televisão ainda é limitada. “Apenas os equipamentos ‘top’ podem oferecer o processamento

necessário para navegar na Internet”, diz. Mas ele lembra que a TV “ainda é o centro de consumo de conteúdo nos lares”. Hoje, o YouTube está disponível nas plataformas conectadas dos principais fabricantes, e a estratégia é chegar a todos, inclusive os pequenos. Neste tipo de dispositivo, ele lembra que a qualidade de imagem é fundamental, o que pode ser um problema dependendo da banda disponível. Além disso, o controle remoto ainda é uma questão não muito bem resolvida. Para resolver este problema, o YouTube tem trabalhado para facilitar as buscas e organizar os conteúdos e os canais temáticos. Ele diz que os aplicativos para TVs conectadas já chegaram à terceira geração, e uma quarta está em desenvolvimento. Em relação ao conteúdo, o YouTube montou um fundo de US$ 100 milhões que opera apenas nos Estados Unidos no desenvolvimento de ideias originais de conteúdo em vídeo para a web. No Brasil, Varela disse que o portal de vídeos vem explorando a exibição de eventos premium ao vivo, como o Rock in Rio. Segundo ele, o conteúdo esportivo também é

Globosat prepara cinco canais de TV everywhere A Net começa a oferecer no mês de abril conteúdos por assinatura no Now, sua plataforma de vídeo on demand, e a Globosat já conta com canais de conteúdos formatados para a plataforma. Segundo Gustavo Ramos, diretor de novas mídias da programadora, os canais também contarão com uma versão TV everywhere, que pode ser acessada pela Internet, permitindo que os assinantes vejam os conteúdos em tablets, smartphones e computadores. “Queremos consolidar os dois portais (Muu e PFC. com, ambos de TV everywhere) a lançar cinco novas ideias”, disse o executivo no Congresso TV 2.0. Veja quais serão os canais em preparação pela Globosat: Clapp – Um canal de VOD de música que deve trazer “tudo o que é lançado em DVD”. A previsão é que o canal comece com 200 títulos, chegando rapidamente a 500. O canal também estará disponível aos assinantes em TV everywhere e deve custar R$ 12,90. Philos – Canal VOD de documentários. Segundo Ramos, serão documentários “mais cinematográficos”, podendo abordar natureza, mas

16

T e l a

de maneira diferenciada. Também contará com portal de TV everywhere e custará R$ 14,99. Receitas GNT – o canal VOD (também com portal restrito aos assinantes) trará as receitas dos programas culinários do GNT, bem como conteúdos adquiridos exclusivamente para ele. Custará R$ 4,90. Telecine Play – o pacote de filmes disponível no Now aos assinantes dos canais Telecine ganhará um portal de TV everywhere exclusivo, também restrito aos assinantes. “Não faria sentido incluir estes títulos no Muu, pois trata-se de um universo muito grande de conteúdo”, explica Ramos. Combate – Os assinantes do canal pay-per-view Combate poderão acompanhar as lutas ao vivo, bem como outros conteúdos de acervo, no portal de TV everywhere. Além disso, Ramos prevê o lançamento de um modelo de comercialização avulsa, destinado a não assinantes do canal PPV. “Mas deve ser um conteúdo diferenciado, sem acesso às lutas ao vivo”, explica. Ramos, da Globosat: conteúdos segmentados por assinatura.

V i v a

a b r 2 0 1 2


de grande valor na plataforma. Além disso, o executivo apontou interesse em parcerias com distribuidores e produtores independentes. Para monetizar os parceiros, o YouTube vê três possibilidades: receita por publicidade; vídeo on-demand em modelo de cobrança por transação (o que já está em operação em alguns mercados); e assinatura. Este último modelo de negócios ainda está em estudo no portal. Varela acredita que alguns conteúdos segmentados podem despertar atenção de usuários. “Um guitarrista muito bom poderia oferecer uma série consistente de vídeos no YouTube”, citou como exemplo. TV social Outro tema importante do evento foi a social TV, a integração do vídeo com as redes sociais, tanto na divulgação de conteúdos quanto na interação com o público. A MTV deve continuar explorando seu potencial na web, convidando internautas para montar sua programação. O mecanismo será semelhante ao projeto Shuffle MTV, em que internautas montavam seus blocos de programação no Facebook, intercalando as atrações de curta duração do canal preparadas para o especial de verão com clipes. Aqueles que obtivessem mais “curtir” iam para a programação do canal no domingo. Eram três horas de programação no domingo, uma hora para cada um dos três internautas mais votados na semana. “Vamos fazer a mesma coisa com a programação 2012, com grau de complexidade maior, pois as atrações terão duração maior”, avisa Ricardo Anderáos, diretor de novas plataformas da emissora. A MTV começou a investir de forma mais agressiva nas redes sociais em maio do ano passado, quando tinha 22 mil fãs no

“É obrigatório ter estratégia multiplataforma.”

portal Terra, um dos mais ativos na oferta de VOD, para conquistar a popularidade de seu novo serviço de vídeo é buscar conteúdos «realmente locais». Segundo Pedro Rolla, diretor de mídia do Terra, o SundayTV, novo nome do VOD da empresa, lançado em março, conta com uma equipe de «cinco ou seis pessoas» dedicadas a buscar conteúdos locais. «Não é apenas o show do Rafinha Bastos, temos conteúdo regionais no Rio Grande do Sul e no Pará», exemplificou o executivo no Congresso TV2.0. Como exemplo, ele cita o «Guri de Uruguaiana», personagem que grava shows locais em diversas cidades do Rio Grande do Sul. «Os artistas regionais tornamse importantes divulgadores do nosso serviço em seus shows», diz. Para o Terra, este conteúdo tem alto valor agregado, a ponto de ser vantajoso comprar o conteúdo, e não apenas adotar o modelo de revenue share. O SundayTV surgiu como uma evolução da plataforma de VOD do Terra e cobre toda a América Latina. Segundo Rolla, a ideia é expandir o serviço a outros territórios. «Não é um produto americano que desembarcou aqui, sem presença local. Vamos começar aqui e podemos ir para os Estados Unidos e a Europa», disse.

Luiz Olivalves, da ESPN

Facebook. Em agosto de 2011, com a premiação VMB, chegou aos 52 mil. Em janeiro de 2012, com as ações da programação de verão chegou aos 127.493. Já em março deste ano, chegou aos 220.606 fãs. Hoje, todo o conteúdo que vai ao ar no canal também é transmitido ao vivo no site do canal. Para a programação 2012, uma das novas propostas é que os apresentadores da casa continuem se comunicando com o público da web durante o break comercial da TV, reforçando assim, a atratividade da segunda tela. Desta maneira, o canal consegue responder ao «buzz» gerado nas redes sociais durante a exibição de programas gravados. Para o canal Esporte Interativo, as mídias sociais são importantes ferramentas de divulgação de sua audiência, de medição de sua relevância junto ao público-alvo e até de veiculação de sua programação. Segundo Maurício Portela, VP de novas mídias do canal, o EI conta com 3 milhões de fãs no Facebook. Esse volume de internautas que acompanha as movimentações do canal no mundo online acaba ajudando a divulgar a programação. Como exemplo, Portela cita alguns conteúdos, como brincadeiras, que são compartilhadas no Facebook. Uma destas ações chegou a ganhar 30 mil compartilhamentos, sempre citando a marca. «Conseguimos usar de forma poderosa o conceito de segunda tela. Ações nas redes sociais dão voz aos torcedores», diz. No caso da transmissão do Super Bowl, o canal conquistou um ponto de audiência. Nas mídias sociais, o sucesso foi muito maior. A partida foi primeiro lugar nos trending topics do Twitter no Brasil.

Em toda parte Outro tema relevante da chamada TV 2.0 é a TV everywhere, ou a disponibilidade dos conteúdos em outras telas além da TV, sobretudo as móveis. Os programadores tradicionais apontam o investimento em distribuição multiplataforma como uma forma de agregar valor à assinatura de TV, e ainda gerar receitas adicionais nas outras plataformas. Luiz Olivalves, diretor de novos negócios da ESPN, afirmou no encontro que a TV por assinatura é o mercado mais forte da programadora, mas destacou a importância da rádio, dos portais e da revista para estar constantemente

Local Uma das principais estratégias do

T e l a

V i v a

a b r 2 0 1 2

17

>>


( capa ) perto de seu público. Segundo ele, a equipe sempre pensa em como o conteúdo será consumido, gerando-o de forma customizada para ser consumido “no sofá ou fora de casa”. O desafio é como distribuir estes conteúdos nas diversas plataformas. “É obrigatório ter estratégia multiplataforma”, completou. Segundo Rogério Francis, diretor de distribuição da Viacom, por criar conteúdos destinados ao público jovem a programadora tem facilidade em levar sua audiência às plataformas digitais. No entanto, ele lembra qual é o negócio principal. “O negócio mais forte continuar sendo o canal linear. Esse conteúdo digital acaba sendo uma degustação dos conteúdos da Viacom”, diz Francis. Gustavo Ramos, diretor de novas mídias da Globosat, aponta o TV everywhere como uma ação fundamental para proteger o modelo da TV por assinatura e não deixar baixar a guarda para os serviços over-the-top tradicionais. “Queremos fazer isto sempre com as operadoras, não queremos fazer billing ou saber quem é o cliente”, diz o executivo.

Segundo ele, no portal Muu a Globosat exibe entre 300 mil e 700 mil vídeos por mês, apesar da ainda fraca divulgação do serviço. Boa parte, diz, em dispositivos móveis, através de apps. Já a Bandeirantes prepara uma presença ainda mais forte de seus veículos nas plataformas digitais, com destaque para as TVs conectadas. Segundo Edson Kikuchi, diretor de projetos digitais da emissora, até junho a maior parte dos veículos do grupo

erótico, será criado um aplicativo baseado no modelo de assinatura. “O conteúdo estará nas plataformas dos principais fabricantes, menos na Sony, que não aceita conteúdos adultos. Ainda estamos resolvendo como será o billing, porque cada fabricante conta com uma plataforma própria”, diz Kikuchi. Segundo o executivo, explorar todas as plataformas é estratégico para o grupo. “A audiência da TV

O uso de Netflix por streaming em 2011 foi 80% maior do que todos os serviços de vídeo on-demand (VOD) das operadoras de TV por assinatura juntas nos Estados Unidos. deve entrar nas smart TVs. “O investimento publicitário está em alta e há uma multiplicação dos meios. O grupo de comunicação precisa diversificar para atender os diferentes públicos”, diz. Atualmente, a Band conta com sua programação ao vivo e sob demanda em algumas das principais plataformas de TVs conectadas. O executivo afirmou que os lançamentos já contarão com modelos de negócios definidos. Alguns produtos contarão com publicidade. Para o canal Sex Privê, de conteúdo

Home vídeo ainda cresce no Brasil Carlos Canhestro, diretor de operações de home vídeo, da Time Warner Company, contou durante o Congresso TV 2.0 que o mercado de vídeo doméstico ainda cresce no Brasil. Segundo o executivo, o crescimento econômico do país é o motivo. “O consumo cresce na classe C, um aparelho de DVD pode ser adquirido por R$ 89”. De acordo com Nelson Sambrano, diretor de marketing para home vídeo da distribuidora no Brasil, em 2011 o segmento se manteve estável, mas a expectativa de crescimento no Brasil é de 3%. O mercado cresce sobretudo impulsionado pelo catálogo (60%), devido às promoções de títulos no varejo. Canhestro observa que há um movimento interessante no Brasil, pois ao mesmo tempo em que há uma redução dramática no número de locadoras (hoje são cerca de 3 mil ativas na União Brasileira de Vídeo), muitas melhoram e incrementam o ponto de venda e buscam uma diversidade de produtos. Outro mercado em que o home vídeo ainda cresce, ainda que timidamente, é a Alemanha. A área de home vídeo cuida também da distribuição digital dos filmes. Canhestro destaca que a empresa busca rentabilizar com o conteúdo em todos os setores para poder Canhestro, da Warner: crescimento econômico gerar novos conteúdos. A Warner investe em formas de puxa vendas de DVDs. proporcionar ao usuário conteúdo em qualquer device.

18

T e l a

V i v a

a b r 2 0 1 2

aberta tem caído consistentemente. O modelo ‘simplista’ da radiodifusão continuará existindo. A questão é que a distribuição tem que passar a ser multiplataforma”, diz o diretor de projetos digitais da Bandeirantes. “Não podemos mais pensar na TV aberta apenas como uma distribuição linear. A produção de conteúdo deve ser pensada para todas as telas”, completa. Em relação à publicidade, Kikuchi diz que o modelo de remuneração terá que mudar e acompanhar a mudança no hábito do consumidor. “O anunciante quer estar onde o consumidor está. Não importa o meio”, completa. TVs inteligentes O mercado de smart TVs deve ganhar um impulso em 2012, apontaram alguns dos principais fabricantes de equipamentos no último dia do Congresso TV 2.0. Segundo Marcelo Varon, gerente de network business - TV product marketing da Sony, em 2011, 20% dos televisores vendidos eram conectados. A previsão é que 500 milhões de aparelhos conectados (incluindo smart TVs, blu-ray players e consoles de games) sejam vendidos globalmente até 2015. “Só no Brasil, a base deve ser de 15 a 20 milhões”, disse. No caso da


“Só no Brasil, a base de TVs conectadas até 2015 deve ser de 15 a 20 milhões.” Marcelo Varon, da Sony

Milton Neto, gerente geral de conteúdo da LG, concorda que a banda larga é um dos principais fatores que determinam o volume de acesso às plataformas de smart TVs. Além deste, enumera a criação de hábito de consumo de conteúdo na modalidade “catch up TV” e o hábito de alugar ou comprar conteúdo premium. “Há um esforço para educar o consumidor sobre a plataforma”, diz. Segundo o executivo da LG, é preciso disponibilizar diferentes perfis de conteúdos, pois eles ajudam a atrair variados perfis de usuários. Como exemplo, diz que alguém pode começar a usar a plataforma apenas porque gostou do jogo de paciência. “Isso quebra a barreira de entrada na tecnologia”, explica A LG conta hoje com mais de 500

Procurando visibilidade para sua marca? O portal TELA VIVA traz o melhor noticiário sobre TV aberta, TV por assinatura, cinema, produção de conteúdo, publicidade, Internet e celular, além de inúmeros novos serviços.

Para anunciar: (11) 3138.4623

www.telaviva.com.br

aplicativos, criados por mais dez desenvolvedores em sua plataforma. Milton destaca que há uma área apenas de conteúdos Premium em vídeo e outra dedicada aos apps, para variados perfis de consumidores. Cintra, da Samsung, diz que, globalmente, a Samsung conta com aproximadamente mil aplicativos. Os usuários da plataforma da fabricante já realizaram mais de 10 milhões de downloads em todo o mundo. No segundo trimestre, a fabricante contará com aplicativo para exibir o conteúdo da TV Corinthians. No caso da Sony, a contabilização é diferente. Isto porque a fabricante não tem uma plataforma de aplicativos de games e utilitários. Suas TVs conectadas carregam apenas aplicativos de vídeo. Segundo Varon, já há mais de quarenta canais de vídeo on-demand na plataforma. fotos: marcelo kahn

Sony, 85% das TVs e todos os bluray players vendidos no ano passado são conectados. A participação de aparelhos conectados nas vendas globais de TVs, apontou Varon, deve saltar de 20% em 2010, para 54% em 2015. Para a América Latina, o salto é ainda maior: de 1% em 2010, para 39% em 2015. Segundo Rafael Cintra, gerente sênior de produtos TV da Samsung, 2012 deve representar o maior crescimento da categoria de produtos até agora. Em números absolutos, apontou o executivo, o salto deve ser de 2,05 milhões de smart TVs distribuídas em 2011 para 3,73 milhões em 2012. Para Cintra, o aumento da penetração da banda larga é um importante motor para a evolução das plataformas de TV. A expectativa é que 30 milhões de lares estejam conectados em 2013. “A qualidade da banda larga ainda é um problema. Atualmente, apenas três milhões de lares têm uma boa conexão de banda larga”, lembra.


cobertura

( evento)

Oferecida por

Ana Carolina Barbosa e Daniele Frederico, de Cannes

a n a c a r o l i n a @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r d a n i e l e @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Discussões quentes, corredores frios FOTOs: ©360 Medias / Image& Co

MipTV 2012 apresenta sinais de enfraquecimento, mas discussões sobre Internet, VOD, TV 3D e outros temas que instigam os profissionais do setor continuam a todo vapor.

Edição 2012 teve queda de público.

N

ão se sabe se foi o clima de crise na Europa, a mudança nos dias, a realização em uma semana de feriados, a proximidade de outros eventos do mesmo setor, o desgaste do modelo existente, ou até mesmo todos os fatores juntos, mas a sensação geral no Palais des Festivals era que o MipTV 2012 estava esvaziado. Considerado um dos principais mercados de conteúdo audiovisual no mundo – superado apenas por seu eventoirmão, o Mipcom, realizado em outubro – o MipTV deste ano, realizado entre os dias 1° e 4 de abril, apresentou-se mais tímido, com os espaços antes ocupados por estandes de empresas agora tomados por áreas de encontro de

negócios ou destinados a jornalistas. Embora os números oficiais sejam de 11 mil participantes, incluindo 4 mil compradores, de 100 países diferentes, a opinião de executivos que costumam participar do evento é que este ano o movimento foi mais fraco. A presença brasileira também foi menor que em eventos anteriores, como o Mipcom 2011. As emissoras Globo e Record e a associação Brazilian TV Producers estiveram presentes com estandes no Palais des Festivals. Além destes, a Maurício de Sousa Produções International esteve com um espaço próprio no pavilhão este ano pela primeira vez. O braço internacional da empresa, que participava de edições anteriores em estandes de parceiros, em 2012 ficou baseada em um “pod”, pequeno espaço para reuniões e exibição de produtos. A produtora levou em seu 20

T e l a

V i v a

a b r 2 0 1 2

catálogo as séries de animação da Turma da Mônica “Monica’s Gang” e “Ronaldinho Gaucho’s Team”. Pelo programa Brazilian TV Producers, 12 empresas participaram do evento, com 19 profissionais. Além do estande, o programa promoveu uma palestra durante o evento sobre a Lei 12.485/11, que cria o Serviço de Acesso Condicionado, e seus impactos, com José Maurício Fittipaldi, da Cesnik, Quintino e Salinas Advogados. Em sua apresentação, Fittipaldi mostrou à plateia, composta por produtores de diversos países, o cenário da TV por assinatura no País, ressaltando o constante aumento da penetração do serviço, que, segundo ele, ainda é caro se comparado aos preços praticados


nos demais países da América Latina e em outras regiões. “A lei estimula a competição”, afirmou. Fittipaldi falou sobre o empoderamento da Ancine na regulamentação do mercado e do estabelecimento de cotas de conteúdo nacional. “As coproduções internacionais não são apenas desejáveis, mas são necessárias para juntar esforços e somar”, explicou, destacando que o conteúdo deve ganhar escala no mercado e os produtores terão maior poder de negociação. As coproduções foram tema de outros painéis do congresso do MipTV, que este ano teve um crescimento de 25% no número de produtoras presentes, segundo a organização. Vale lembrar que, tradicionalmente, o MipTV é um evento com mais distribuidores. Além deste tema, o MipTV contou com sessões sobre branded entertainment, programação infantil, negócios digitais, VOD e TV 3D. Em três dimensões A produção e o consumo de conteúdo em 3D foi um tema bastante debatido no congresso do MipTV. Diferente das discussões sobre esse tema em edições passadas, este ano as apresentações foram mais maduras, focadas em dimensionar o mercado e solucionar questões colocadas por produtores, distribuidores e exibidores desta cadeia. Jim Chabin, presidente da 3D International Society, apresentou alguns dados de mercado. Ele acredita que com a perspectiva de redução de preços e aumento da venda de dispositivos com essa funcionalidade, haverá mais fôlego para a produção de conteúdo e publicidade 3D nos próximos anos. Segundo o executivo, apenas na China, foram vendidas 6 milhões de TVs com capacidade de exibir conteúdos 3D em 2011; mais

José Maurício Fittipaldi, da Cesnik, Quintino e Salinas Advogados, falou sobre a Lei 12.485/11 no MipTV, ressaltando a importância das coproduções internacionais.

até o final de 2013 a estimativa é de que haverá 150 títulos disponíveis nos principais mercados: Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e França. Quando o assunto é conteúdo 3D, os especialistas que participaram do evento alertaram para a necessidade de diversificá-lo, já que hoje está muito focado em esportes. O francês Peter Angell, consultor independente de 3D, sugeriu que para desenvolver o mercado está na hora de variar as iniciativas de produção para a televisão, indo além da transmissão de futebol e eventos ao vivo. “A gente não tem muito como saber o que pode acontecer nestes eventos”, explica. “Precisamos avançar para discutir o valor editorial, não só o valor tecnológico do conteúdo. Precisamos experimentar outros gêneros como música, drama, documentário”, disse. O produtor alemão Erwin M. Schimidt, da Neue Road Movies, que produziu em 2008 seu primeiro filme 3D, observou que o mais importante agora é explorar o lado emocional. “Os independentes terão que apresentar coisas muito originais para conquistar o mercado”. O especialista em 3D David Wood, deputy director da EBU Technology and Development, participou das primeiras transmissões de TV em 3D, em 1982. Ele diz que os atrativos para que as pessoas assistam à programação em 3D pela televisão são conteúdos que as façam querer estar fisicamente naquele lugar, e a experiência compartilhada, de assistir algo coletivamente. “Esportes e eventos combinam essas duas características que atraem o espectador”, disse. Entre os esportes, porém, Wood conta que aqueles que acontecem em estádios não produzem a melhor experiência em 3D do ponto de vista

de 15 milhões de Nintendos 3D foram vendidos; e há estimativa da venda de 148 milhões de dispositivos móveis com 3D até 2015. Chabin citou um estudo da Cable & Telecommunication Association for Marketing (CTAM) de 2011 em que 57% dos entrevistados, donos de aparelhos de televisão 3D, acreditam que a TV 3D os fazem sentir-se mais próximos da ação, e 48% sentem-se mais próximos das personagens. Os conteúdos favoritos são filmes, esportes, ação, aventura, natureza, animais, sci-fi e jogos de videogame. Outra pesquisa citada pelo executivo foi a da agência de publicidade TBWA, que mostra que as pessoas reagem mais quando veem algum conteúdo em 3D (60%) do que em 2D (menos de 50%). Tom Morrod, analista sênior de TV e tecnologia broadcast do instituto de pesquisa IHS Screen Digest, também acredita que com o barateamento dos devices e a sofisticação da tecnologia (que uma hora deve dispensar o uso do óculos), o conteúdo televisivo 3D pode chegar mais perto do sucesso do conteúdo tradicional. Estudos do instituto indicam que até o final de 2012 18 milhões de aparelhos Blu-Ray 3D serão vendidos. Para os serviços de vídeo on-demand (VOD), a pesquisa mostra que filmes e documentários serão mais procurados que eventos esportivos. Hoje, os lançamentos 3D são 40% mais procurados que os lançamentos HD. Atualmente, há 130 títulos de Blu-Ray disponíveis nos EUA, e Para Jim Chabin, presidente da 3D International Society, com a redução dos preços e o aumento das vendas de dispositivos, haverá mais fôlego para a produção de conteúdo e publicidade 3D.

T e l a

V i v a

a b r 2 0 1 2

21

>>


( evento) “Os independentes terão que apresentar coisas muito originais para conquistar o mercado.”

técnico. “Não é possível colocar a câmera no campo, mas acima dele, o que produz o efeito de ‘teatro de marionetes’, e não o de estar lá dentro”, disse, referindo-se à relação de tamanho entre os jogadores e os espectadores. Para o especialista, os esportes que funcionam melhor em 3D são aqueles realizados em arenas menores, e que permitem aproximação e câmera no nível dos olhos, como o boxe e o golfe. Wood cita algumas características de produções que funcionam melhor em 3D: profundidade de cena limitada, ações-chave próximas do plano da tela (e não saindo dela), programas de curta duração (menos de uma hora) e projeção no centro da tela. “O mais legal do 3D vem da sensação que os objetos têm volume, e não grandes panoramas”, afirmou.

Erwin Schimidt, da Neue Road Movies

outro lado, vejo os operadores de cabo e IP olhando para o 3D. Os operadores móveis também devem adquirir conteúdo, com o lançamento de aparelhos com player 3D”, afirma. De fato, o conteúdo 3D é visado na TV por assinatura. Ainda não gera lucro para as operadoras, mas reforça as estratégias de marketing. Sven Weissenfels, gerente de parcerias de conteúdo da Deustche Telekom, explicou que apenas 10% da base de assinantes de TV paga da operadora alemã tem aparelho de televisão 3D, mas quando um título é oferecido em SD, HD e 3D, mais de 50% dos assinantes optam pelo conteúdo 3D, que é em média 20% mais caro do que o

indústria audiovisual. As discussões do MipTV mostraram que os operadores têm se beneficiado buscando novos nichos. A operadora de TV paga BSkyB, do Reino Unido, por exemplo, prepara o lançamento de um serviço on-demand voltado para nãoassinantes de TV por assinatura. Segundo Emma Lloyd, diretora de produtos emergentes da British Sky Broadcasting, o novo produto será lançado no próximo verão (do hemisfério Norte) e terá como públicoalvo pessoas que ainda não têm acesso à TV por assinatura no Reino Unido. O usuário terá acesso ao conteúdo em dispositivos móveis. A executiva explica que é uma maneira bastante flexível de oferecer o conteúdo da TV por assinatura. Emma contou que os produtos sob demanda têm sido bem sucedidos no mercado britânico, onde a operadora tem 10,3 milhões de assinantes. “A distribuição multiplataforma tem grande

Dados da Screen Digest sobre o consumo de vod mostra que o modelo transacional corresponde a 63% das receitas, as assinaturas correspondem a 13%, e o gratuito a 24%.

Realidade de mercado Independentemente do que indicam as pesquisas e os números, o que se pode observar é que existe um misto de otimismo e desconfiança em relação ao verdadeiro potencial de mercado do 3D. Chabin apresentou uma lista com os 31 canais 3D pelo mundo e três brasileiros figuravam entre eles: ESPN, Globo e Rede TV!. Vale lembrar que estes canais fazem experimentos com o conteúdo em três dimensões e não têm grade inteira preenchidas com este tipo de conteúdo. Os próprios players contestam alguns dados de mercado. Torsten Hoffman, da distribuidora 3D Content Hub, da Austrália, que conta com cerca de 70 horas de documentários de 25 produtores, diz que esse número de 31 canais não é verdadeiro. “Há dez (canais) adquirindo, sendo três com orçamento significativo”, diz. Além disso, segundo Hoffman, a maioria dos compradores faz acordos de revenue share com os produtores, e ainda não há escala para isso. “Por

HD no VOD. “Ainda não é muita receita, mas tem potencial. As pessoas estão dispostas a pagar”, disse o executivo. Stephan Heimbecher, head de inovações e padrões da Sky alemã, acredita que o consumidor está ficando cada vez mais experiente e acostumado com a tecnologia 3D. Ele ainda aponta a falta de conteúdo e a necessidade do uso de óculos como incovenientes para o aumento da demanda, mas acredita que estas questões serão solucionadas, já que as fabricantes já desenvolvem aparelhos que dispensam o uso do óculos e a indústria busca maneiras de baratear os custos da produção em 3D. Demanda para todos os lados Independentemente do tipo e do gênero de conteúdo, 3D ou 2D, o VOD firma-se como um importante caminho de distribuição para diferentes players da 22

T e l a

V i v a

a b r 2 0 1 2

potencial”, explica a executiva, exemplificando com números do Sky Go, serviço de VOD disponível em vários dispositivos para os assinantes da operadora. Hoje, o produto tem mais de cinco milhões de devices registrados, com 60% do uso vindo de smartphones. Para alguns players, no entanto, o VOD para mobile ainda precisa ganhar consistência, apesar das tendências indicadas pelos hábitos de consumo. “A expectativa do consumidor tem mudado muito. Ele quer começar a ver num device e terminar em outro”, diz Jeff Henry, CEO da FilmFlex, uma joint-venture entre a Sony Pictures Television e a Walt Disney Company que negocia conteúdos premium para os serviços de VOD. Para Ashley MacKenzie, criador e fundador da Base 79, do Reino Unido, os


“No YouTube, o conteúdo viaja. É uma medição mais real da audiência. Na TV, é preciso recorrer à Nielsen e ter a audiência por amostra.”

compartilhar conteúdos musicais, em um primeiro momento. “Acreditamos que a TV é um meio passivo e tem muitas pessoas que estão assistindo em seus tablets e celulares, que são devices mais propícios para a comunicação”, explica o executivo. O MySpace tem intenção de desbravar o mercado de produção de conteúdo, mas outras empresas que vêm de negócios da web preferem agregar parceiros e aprimorar sua capacidade de fornecer soluções. “O que queremos fazer é dar possibilidade aos desenvolvedores de conteúdo de distribuir em multiplataforma”, observou o gerente de desenvolvimento de parcerias estratégicas do Google TV, Christian Witt. O produto, disponível no mercado americano, teve sua distribuição em TVs conectadas da Sony recentemente anunciada. Segundo o executivo, outras fabricantes estão interessadas no produto. Karla Geci, diretora de parcerias estratégicas do Facebook, explica que o grande negócio da empresa é construir conexões e afirma que a televisão pode tirar proveito do potencial de distribuição FOTO: ©360 Medias / Image& Co

dispositivos móveis trazem muitas possibilidades, mas ainda precisam ganhar escala. “A escala ainda está na sala de estar”, observa. Henry, da FilmFlex, acredita no crescimento do VOD e na busca de formas legais de consumo de vídeo. “Em alguns casos, o conteúdo chega ao VOD quando ainda está no cinema. O Netflix está matando o BitTorrent nos Estados Unidos”, diz. Ele apresentou dados da Screen Digest sobre o consumo dos modelos de VOD. O transacional corresponde a 63% das receitas, as assinaturas correspondem a 13%, e o gratuito a 24%. É também o VOD que traz um novo player para o mercado de conteúdo: as fabricantes de TVs, que com seus devices conectados ganham cada vez mais escala. Tom Morrod, da IHS Screen Digest, chamou a atenção para sua rápida expansão. “Elas estão tornando-se rapidamente um device dominante, trazendo muitas oportunidades para o mercado de OTT (over-thetop)”. Daniel Sanders, diretor de serviços de conteúdo da Samsung Electronics Europe, afirma que a fabricante tem investido muito em conteúdo para suas SmarTVs. Ele conta que até janeiro de 2012 foram feitos mais de 20 milhões de downloads de aplicativos

Jed Simmons, do YouTube

desenvolvidos para os devices conectados da marca. “Vídeo é o melhor conteúdo. Temos foco no VOD”, diz, ressaltando que os devices conectados são uma excelente oportunidade para os broadcasters criarem engajamento, oferecendo seus conteúdos de maneira não-linear. Além das fabricantes, as empresas que têm a Internet como negócio principal também começam a encontrar na televisão um habitat natural. Blair Day, vice-presidente de estratégia do MySpace, contou que o MySpaceTV estreará em julho nos aparelhos conectados da Panasonic, nos Estados Unidos, e há perspectiva de aterrissar em outro mercado ainda em 2012. Segundo Day, conteúdo original é bastante interessante para os players OTT. “É uma oportunidade de criar mobilização. É possível também juntar outros parceiros de mídia”, afirma. O MySpace vem investindo em interação com a televisão. Outro lançamento é o aplicativo MySpace Companion, pelo qual os usuários podem interagir e

Para Jim Chabin, presidente da 3D International Society, com a redução dos preços e aumento das vendas de dispositivos, hverá mais fôlego para a produção de conteúdo e publicidade 3D.

T e l a

V i v a

a b r 2 0 1 2

>>

>> 23


A HORA É ESSA! Com o crescimento do mercado de TV paga, a aprovação da Lei 12.585, que cria as cotas de programação nacional, a expansão do Artigo 3A e dos fundos de financiamento da produção, o mercado de produção deve dar um salto no país. Produtoras, programadoras, canais de TV e distribuidoras precisam se encontrar, trocar informações, fazer networking e pensar conjuntamente em como avançar na qualidade e volume dos projetos. Nos dias 4 e 5 de junho, o Fórum Brasil de Televisão realiza sua 13ª edição, com palestrantes e compradores internacionais e a presença de toda a comunidade envolvida na produção de TV.

CONFIRA ALGUNS DOS TEMAS PRINCIPAIS: • O MERCADO DE PRODUÇÃO NO NOVO AMBIENTE REGULATÓRIO • COPRODUÇÃO • FINANCIAMENTO DE PROJETOS • NARRATIVAS TRANSMEDIA • PRODUÇÃO PARA MULTIPLATAFORMAS • PITCHINGS COM ALGUNS DOS PRINCIPAIS CANAIS DO MERCADO

Associated Partner

Patrocínio Silver

Apoio Educacional

Apoio

Parceria

Parceiro de mídia

J O R N A L P RO PA G A N D A & M A R K E T I N G - E D I TO R A R E F E R Ê N C I A

Parceiros Institucionais

Promoção

Realização


13ª EDIÇÃO

4 e 5 de junho de 2012

CENTRO DE CONVENÇÕES FREI CANECA, SÃO PAULO, SP

GARANTA SUA INSCRIÇÃO E APROVEITE AS CONDIÇÕES ESPECIAIS QUE PREPARAMOS PARA VOCÊ!

INSCRIÇÕES: 0800 77 15 028 inscricoes@convergecom.com.br


( evento) Dead’ foi primeiro lugar de audiência depois que a primeira temporada foi para o Netflix. Também achamos que o fato de as quatro primeiras temporadas de ‘Mad Men’ estarem disponíveis na Netflix fez com que a estreia da quinta temporada fosse boa”, comentou. O executivo disse que os serviços de TV everywhere e autenticação são elementos importantes para ajudar a crescer o modelo de TV paga, mas questionou o que vai fazer com que as pessoas continuem a pagar para ver todas essas telas. “É o conteúdo”, resumiu. “As pessoas tem dois ou três programas que ‘detestariam viver sem’ e são esses que fazem com que a TV paga sobreviva e cresça”, afirmou. FOTOs: ©360 Medias / Image& Co

“A expectativa do consumidor tem mudado muito. Ele quer começar a ver num device e terminar em outro.”

e socialização da rede social. Para Jed Simmons, diretor e head de programação original do YouTube, este é um tempo “empolgante”. Para ele, o serviço será a plataforma da próxima geração de canais. Simmons destaca as vantagens da plataforma: “No YouTube, o conteúdo viaja. É uma medição mais real da audiência. Na TV, é preciso recorrer à Nielsen e ter a audiência por amostra”. Alguns executivos de televisão acreditam que a TV pode se beneficiar da fronteira cada vez mais tênue entre as mídias. “Não há um pote de ouro aí, mas a Internet vai ajudar a monetizar a marca e achar mais audiência”, disse JB Perrette, chief digital officer da Discovery Communications. Ele acredita que o hiato entre uma temporada e outra, nas TVs americanas, especialmente,

Jeff Henry, da FilmFlex

pode ser aproveitado pelos canais através da produção para a Internet. “No período sem episódios, a audiência é dormente. É possível pensar em produções para esse momento, para manter a atenção”, afirmou. Para o presidente e CEO da AMC Networks Inc., Josh Sapan, a Internet facilitou muito o acesso aos episódios de “conteúdos emblemáticos”, que as pessoas não gostariam de viver sem, afetando diretamente o ecossistema de TV por assinatura. “A TV paga está mudando por causa do impacto da Internet”, disse. “A segunda temporada de ‘The Walking

Rindo à toa Além de ser tendência no mercado de conteúdos, o humor também é popular nos comentários na Internet. Um estudo da The Wit, empresa especializada em pesquisa e informação sobre programas de TV pelo mundo, apontou que os conteúdos televisivos que as pessoas mais gostam de curtir e comentar no Facebook são as comédias, as novelas e os reality shows. A CEO da empresa, Virginia Mouseler, mostrou durante o evento alguns resultados do Social TV Analytics, que aponta a resposta da audiência a programas de televisão a partir dos comportamento nas redes sociais. Segundo a análise dos top 1,2 mil programas em 11 países, dois terços dos programas mais populares do Facebook são aqueles “divertidos”. Além disso, ter continuidade e um público fiel, caso de programas que estão em exibição há bastante tempo, também ajuda a criar popularidade no Facebook. Em terceiro lugar, Virginia apontou a importância do engajamento para ser popular. Neste espaço, realities como “American Idol” e “X Factor” são exemplos dos que conseguem trazer participação dos espectadores para as redes. O estudo analisou também as diferenças entre o Facebook e o Twitter em termos da relação com os programas. No Facebook, 75% dos “likes” vão para os programas scripted, ou roteirizados, e 25% para os não-roteirizados, como os reality e game shows. Já no Twitter, 78% dos followers são para os não-roteirizados, e 22% para os roteirizados. Uma das análises mostrou que alguns programas são bastante populares mesmo antes de sua estreia. No Facebook, os mais antecipados foram “The River”, da ABC, com produção de Steven Spielberg, com 256.923 likes, “The Voice”, em Israel, e “Tallafornia”, na Irlanda (aqui foram considerados os números de likes e o tamanho do

26

T e l a

mercado. Caso essa comparação não tivesse sido feita, os três primeiros seriam programas americanos). No Twitter, os programas mais aguardados foram “The Voice”, da BBC One, do Reino Unido, com 24.885 seguidores; “Alcatraz”, da Fox, dos Estados Unidos, e “Smash”, da NBC, também dos Estados Unidos. “’The River’ e ‘Smash’, por exemplo, têm produção de Steven Spielberg. Isso prova o poder das marcas, do nome do produtor e dos esforços de divulgação”, disse Virginia. Mesmo com esses resultados, apenas 29% dos novos programas têm uma página oficial no Facebook, e apenas 15% uma página oficial no Twitter. Entre os que estão mais engajados no Twitter, alguns programas se destacaram, como a novela “Por Ella Soy Eva”, do Mexico; “The X Factor”, dos Estados Unidos, e “Got Talent”, da Colômbia. “O programa ‘Work It’, da ABC, dos Estados Unidos, postou apenas duas vezes no Twitter, e foi cancelado depois de duas semanas”, comparou Virginia. No feedback do público, ela ressaltou que entre os programas novos mais comentados no Twitter e no Facebook, 71% são não-roteirizados. Nos Estados Unidos, porém, ocorre o inverso: a maioria (72%) é roteirizado. Na América Latina, considerados Twitter e Facebook, os programas mais comentados são as novelas. O primeiro lugar ficou com “Amor Eterno Amor”, da TV Globo, seguido de “Los Graduados”, da Argentina, e “Por Ella Soy Eva”, do México. Os dados foram coletados entre 1° de janeiro de 2011 e 25 de março de 2012.

V i v a

Virginia Mouseler, da The Wit, mostrou estudo sobre a resposta nas redes sociais de 1,2 mil programas em 11 países: dois terços dos programas mais populares do Facebook são “divertidos”.

a b r 2 0 1 2

>>


( evento)

internacional de formatos os programas de namoro e os de talentos. “Também vejo uma terceira tendência, que é a comédia. Tudo tem que ter humor hoje”, diz. Entre as crianças, essa tendência em relação ao humor também é válida. A comédia é o gênero favorito das crianças, com heróis clássicos, como Scooby Doo, ou modernos, como os Pinguins de Madagascar, ou Bob Esponja. “Vemos um grande desejo por comédias e também observamos sucesso na mistura de técnicas: animação, live action, fotos de still, entre outras”, diz Michael Carrington, vice-presidente sênior e chief content officer para Europa, Oriente Médio e África da Turner Broadcasting Systems. Apesar do sucesso da mistura de técnicas, e da onda de live action observada nos últimos anos nos mercados de conteúdo, a preferência das

entretenimento e 4% de conteúdo factual. Amandine apontou também que os programas internacionais dominam a audiência, mas os programas locais também se destacam. “Isso acontece porque há uma globalização dos códigos e nas narrativas”, explica. A pesquisa da Médiamétrie/Eurodata TV Worldwide também apontou que quando o assunto é live action, as crianças não assistem apenas aos programas feitos diretamente para elas. Por influência dos pais e dos irmãos, as crianças assistem a muitos programas familiares, como game shows e programas relacionados à música, como “Idols”, e a eventos esportivos. Os filmes mais vistos por este público ainda são os animados, mas as franquias, como “Piratas do Caribe”, também são bem aceitas. Fora dos Estados Unidos, elas FOTO: telaviva

Em 2012, a aposta do CEO da FremantleMedia, Tony Cohen, é em programas voltados para a descoberta de talentos e de “namoro” (“dating shows”).

Tendências da telinha Ainda que as pessoas busquem “conteúdos emblemáticos” da TV em diferentes mídias, o grande destaque dos mercados internacionais ainda são os formatos, que podem ser adaptados às diferentes culturas, e são bem aceitos por terem sido testados em outros territórios. Durante café da manhã oferecido pela FremantleMedia no primeiro dia de MipTV, o CEO da companhia, Tony Cohen, falou de algumas tendências para o mercado em 2012. Entre elas, está a aceleração global dos formatos. “São 99 formatos no mundo todo, o que representa um crescimento de 10% em relação a 2010. E não achamos que essa tendência vai se reverter”, apontou, baseado em pesquisa realizada pela própria FremantleMedia. Cohen contou que embora o número de formatos tenha aumentado, as fontes são as mesmas, com a liderança do Reino Unido (40% dos formatos internacionais), Estados Unidos (de 15% a 20%) e Holanda. Para Carlos Gonzalez, presidente regional da FremantleMedia Brasil, o mercado brasileiro para formatos está forte e tende a crescer com as definições da cota de programação nacional na TV por assinatura. “Entre os produtores a expectativa é grande. Fomos procurados por programadoras, mas ninguém está agindo ainda”, disse. Na TV aberta, no entanto, há vários projetos em andamento. “Cada vez mais as TVs estão querendo apostar em formatos de sucesso comprovado”, explica. Entre as atrações para 2012 estão “Ídolos” (Record), ”Ídolos Kids” (Record) e “Megasenha” (Rede TV!). Entre os diferentes formatos, a aposta de Cohen para este ano é nos programas voltados para a descober­ ta de talentos e os de “namoro” (conhecidos como “dating shows”). Assim como o CEO da FremantleMedia, Carla Affonso, CEO da Zodiak Brasil, também aponta como tendência no mercado

Entre os 15 programas jovens mais vistos, em 13 países, 64% são de animação, 23% de live action, 9% de entretenimento e 4% de conteúdo factual. crianças na TV ainda é a animação. Isso foi o que mostrou uma pesquisa apresentada pela chefe de pesquisa da Médiamétrie/Eurodata TV Worldwide, Amandine Cassi, durante o MipTV, que teve parte de sua programação dedicada ao segmento infantil. Segundo Amandine, o consumo de TV das crianças europeias aumentou nove minutos em quatro anos, passando de 2h09 diárias em 2008 para 2h18 em 2011, segundo pesquisa realizada na Alemanha, Itália, Espanha e Reino Unido. Nos Estados Unidos, a média é ainda maior: as crianças assistem a 3h39 diárias de TV. O principal conteúdo que as crianças veem nestas horas que passam em frente à TV é animação. Entre os 15 programas jovens mais vistos, em 13 países, 64% são de animação, 23% de live action, 9% de

28

T e l a

V i v a

a b r 2 0 1 2

também são responsáveis por grande parte do share de audiência das séries, como “House” e “Grey’s Anatomy”. “O desafio hoje é manter a família em frente à TV o tempo todo e o live action é bom para esse objetivo”, diz Amandine. Em pesquisas qualitativas realizadas pela Nickelodeon International e apresentadas pela vice-presidente sênior de produção e desenvolvimento da empresa, Nina Hahn, baseada no Reino Unido, notou-se que a audiência dos programas está mais nova, com crianças assistindo a programas para adultos. “Por isso vemos crianças de nove anos vendo ao programa da Kim Kardashian”, disse a executiva, referindo-se ao reality show da socialite americana.


LOCACAO.

TUDO EM UM ÚNICO LUGAR. Leve agilidade para sua produção. Venha para a Universo Imagens.

CÂMERAS ACESSÓRIOS DE CÂMERAS ARMAZENAMENTO ILUMINAÇÃO

ÁUDIO FILTROS LENTES MAQUINARIA MOVIMENTOS

Rua Santa Justina, 48 | Vila Olímpia, São Paulo, SP | CEP 04545 040 Tel.: 5511 3845.4339 | Cel.: 7846.7444 | Nextel: 7*73441 | www.universoimagens.com.br


( entrevista) Fernando Lauterjung

f e r n a n d o @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Prontos para o futuro

A

FOTO: divulgação

Globo vem investindo pesadamente para se adaptar ao cenário mutante das mídias digitais. O diretorgeral de engenharia da emissora, Fernando Bittencourt, aponta algumas das mudanças que vêm acontecendo no maior grupo de mídia do país e dá pistas de suas consequências no mercado como um todo. TELA VIVA - A Globo se reestruturou no último ano e a área de tecnologia foi uma das que mais apresentou mudanças. Por que isso foi necessário? Fernando Bittencourt - A engenharia da Globo passou por um processo de reestrutura com intuito de trabalhar não apenas em um conceito de televisão, mas multimídia e multiplataforma. Estamos trabalhando no chamado Projeto JB (Jardim Botânico), de expansão aqui no Rio de Janeiro. É uma demanda da operação de televisão que também contempla a Internet, agora que todos os sites da Globo são operados em conjunto com a TV. Para essa operação conjunta, precisamos de novos prédios aqui no Rio e também uma expansão na parte de tecnologia, sobretudo para contemplar a produção de conteúdo para a Internet. A expansão também é em função de outro projetos, como a Globo On Demand.

Fernando Bittencourt

também para os portais. Temos um servidor para jornalismo e outro para esporte. No de esporte, por exemplo, todas as mídias acessam o mesmo servidor e editam e readaptam o conteúdo de acordo com seu perfil. Assim como todas as mídias alimentam este servidor. O servidor concentra todas as matérias. A captação, normalmente, é específica para cada mídia, mas isso não impede que aquele material seja usado por qualquer mídia. Naturalmente, a TV demanda mais qualidade. Mas a mão contrária é

O que muda na operação com essa proposta multiplataforma? Não vamos mais separar por gênero. Quem faz jornalismo, ou atua na cobertura de esporte, trabalha não só para a TV, mas 30

T e l a

V i v a

a b r 2 0 1 2

simples: a Internet usa maciçamente o conteúdo da TV. Muitas vezes, o conteúdo gerado pra Internet é tão forte, que tem que ir pra TV, mesmo que não atenda às especificações habituais da TV. Também, o conteúdo da Internet está ganhando mais qualidade, com a redução do custo de equipamentos. Mas por que a engenharia precisou se reestruturar? Fizemos isso no ano passado,


por conta dessa atuação multiplataforma. O grande conceito adotado foi o de parceria. Agora temos engenharias que trabalham em parceria com as áreas específicas da empresa. Isso é importante porque temos uma equipe especializada em atender o jornalismo, outra para o esporte, para o entretenimento, de distribuição e transmissão. São áreas que diferem muito umas das outras. O jornalismo demanda agilidade, enquanto a qualidade conta mais no entretenimento etc. Com esse modelos de parceria, há maior intimidade com o parceiro. Outro conceito foi a inovação. Para nós é importante inovar nos processos de trabalho, no que é apresentado ao telespectador etc. Estamos sempre propondo novas formas de fazer, e novos processos. Temos fóruns e debates envolvendo as áreas afetadas. Esta mudança sempre leva tempo. Começamos com algum programa, ou um evento, para testar e motivar as pessoas. Depois difundimos no restante da empresa. É claro que inovar é sempre complicado, mas já temos um “mindset” para isso. Já estamos acostumados com todo o processo de retreinamento etc. Estamos também muito preocupados com a produtividade. Queremos ter mais produtividade, mantendo a qualidade. A multiplataforma também está ligada a isso, produzir mais, mas mantendo a qualidade. Outra mudança na engenharia é que passamos a ter que observar o que acontece e o que surge em outras mídias, não só em TV. Temos que encontrar oportunidades e identificar ameaças às organizações (Globo). Vocês apresentaram recentemente estudos em 3D e 4K. Não são tecnologias ainda distantes da TV aberta?

Nós temos áreas específicas de pesquisa e desenvolvimento. Achamos que é fundamental para a televisão. A TV digital como é hoje, pesquisamos dez anos antes. É importante até para que você não fique à mercê do mercado. O conhecimento das tecnologias, que podem vir ou não, é importante para poder negociar com o mercado.

pode até ser pelo ar, mas com uma nova tecnologia. Mas o 4K já pode ser usado na nossa operação atual como auxiliar. Para produzir com backlot, quando inserimos um fundo pré-gravado para compor a cena, o 4K se presta muito bem. A qualidade da operação melhora abruptamente, mesmo que o resultado final seja HD, e não 4K. Usamos muito isso em quase todas as novelas.

Você acha que o 3D chegará à TV aberta? Ainda é um nicho. Não vai massificar tão cedo e não vamos botar no ar enquanto for nicho, porque a TV aberta é de massa. Acho que quando chegarem as TVs sem óculos, pode massificar. Na CES

Como está a expansão digital da rede? Cobrimos 50% dos domicílios com TV, entre Globo e afiliadas. Até a Copa do Mundo de 2014, vamos cobrir 70%. É o nosso Projeto 50K, que levará o sinal digital a todas as cidades com 50 mil habitantes ou mais. Já estamos trabalhando e estudando como será o pós 50K, que são os 30% de lares restantes. É um desafio muito grande, pois envolve milhares de retransmissoras. Os desafios são diversos, como o volume de investimentos, a capacidade de realizar em função do volume de instalações etc. Queremos em um prazo que julgamos adequado completar estes 30%.

Em dois anos não dá para digitalizar algumas milhares de transmissoras. Nem nós e nem os nossos concorrentes conseguirão cobrir o Brasil em tão pouco tempo. deste ano já mostraram alguma coisa, ainda muito no começo. No caso da TV aberta, precisaria de uma nova tecnologia para permitir a transmissão. Por enquanto, estamos acompanhando e aprendendo a produzir. Mesmo que não massifique, podemos encontrar oportunidades de explorar como nicho. Para nós o importante é que a nova tecnologia venha com novos canais, para não sacrificar a tecnologia anterior. Da mesma forma que fizemos com a TV digital. Se fizéssemos uma substituição imediata, seria uma autofagia. Com o 4K (TV de altíssima definição), o desafio é ainda maior. Provavelmente a distribuição será pela banda larga, satélite ou cabo. No futuro

T e l a

V i v a

a b r 2 0 1 2

Adequado significa o que? Dá para cumprir o prazo estipulado pelo governo (2016)? Não será possível. Em dois anos não dá para digitalizar algumas milhares de transmissoras. Nem nós e nem os nossos concorrentes conseguirão cobrir o Brasil em tão pouco tempo. Pelo menos não com transmissão terrestre. E a distribuição por satélite? Não é a melhor alternativa. Para nós é uma alternativa para chegar em áreas onde a TV terrestre já não chega no analógico. Estamos fazendo isso gradativamente, por conta da logística complicada. O sinal da 31

>>


( entrevista ) FOTO: divulgação

Globo regional HD já está chegando a áreas onde sabemos de antemão que não chegaremos com o digital terrestre. São áreas remotas, rurais. Não descartamos cobrir algumas cidades menores através do satélite, mas o plano não é esse. Temos um modelo de TV terrestre vitorioso, que permite programação e publicidade local. Não queremos reduzir o nosso modelo. O segredo do sucesso da TV aberta brasileira é a segmentação (de territórios). Temos 130 emissoras capazes de gerar conteúdos locais. Nossa intenção é ir além disso com a TV digital, inclusive após o switch off do analógico. Queremos segmentar mais ainda. Será possível, com mais canais, colocar geradoras em cidades onde hoje não há. Há um análise econômica a ser feita, mas sabemos que com crescimento do país, teremos muitas cidades que poderão abrigar uma geradora.

“O movimento mundial é mau exemplo para nós, que temos uma boa TV aberta e que queremos que se mantenha forte. É algo bom para o País”

Por que são necessários canais adicionais para isso? Muitas cidades do interior usam o mesmo canal digital da capital (trata-se do modelo Single Frequency Network, que permite usar a mesma frequência na geração a na retransmissão do sinal). Isso inviabiliza o modelo local. À medida que haja canais disponíveis, conforme haverá com o switch off analógico, será possível converter algumas cidades a geradoras. Isso é bom porque gera conteúdo local e permite vender comercial local, desenvolvendo a economia local. Trata-se de algo bom para todos. Nenhuma mídia tem mais vocação local do que a TV aberta.

onda mundial que vai contra isso. Está acontecendo fortemente nos Estados Unidos, onde há uma pressão enorme para tirar as emissoras do ar. As emissoras podem fazer leilão e sair do ar e a FCC pode remanejar as que ficarem para liberar espectro. Mudar uma emissora do canal 47 para o 30 é algo brutal. Demanda investimentos em torre, antena, transmissão, e ainda mexe com o hábito de consumo. Esse movimento vai desvalorizar mais ainda a TV aberta dos EUA, que já está fragilizada. A TV aberta é tudo de bom que acontece no Brasil. O movimento mundial é mau exemplo para nós, que temos uma boa TV aberta e que queremos que se mantenha forte. É algo bom para o País. O único país parecido conosco é o Japão, onde a TV aberta também é muito forte, mesmo sendo um país muito conectado. Isso prova que há sempre espaço para a TV aberta. Já começamos a falar com o

A radiodifusão deve, então, disputar este espectro? Há algumas demandas que temos para o espectro. Há uma 32

T e l a

V i v a

a b r 2 0 1 2

governo sobre as possíveis aplicações dos canais disponíveis. E as novas formas de distribuição não serão exploradas? A Globo On Demand deve acontecer primeiramente na Internet, como já há na Globo. com. Temos um projeto para oferecer de maneira melhor estruturada. No futuro, eu vejo que estaremos também na TV conectada. As TVs com banda larga abrem uma janela para a TV, que até então só exibia conteúdos lineares. A TV poderá oferecer conteúdo sob demanda. É algo muito revolucionário. Para isso acontecer, não é trivial. A rede de banda larga precisa evoluir muito. Temos que harmonizar as interfaces dos fabricantes. Enquanto cada um tiver a sua tecnologia, não vai massificar. Ninguém vai fazer

>>


cinemateca brasileira largo senador raul cardoso 207 s達o paulo

9 a 11 maio 2012 cinemateca brasileira abcine.org.br


( entrevista ) de ganhar uma audiência adicional, a gente segmenta ainda mais a audiência. Se o conteúdo é outro, temos que buscar outro modelo de negócios. Mas reconhecemos que alguns conteúdos, como filmes, não são feitos para o 1 SEG (transmissão móvel).

FOTO: divulgação

conteúdo para cada fabricante. Os produtores precisam poder criar um portal de conteúdo que atenda todas as plataformas. Vão surgir vários modelos de negócios, baseados em publicidade ou em cobrança. Para isso, o ecossistema precisa se equilibrar, a banda larga melhorar. Vamos nos preparar para oferecer conteúdo com qualidade neste mundo. Começa com qualidade para atender PCs e tablets, mas pensando no futuro na TV em HD. Não sei quantos anos vai levar. Nos caso dos devices portáteis e PCs, começa ainda este ano.

O que falta para toda a grade ser HD? Só falta o jornalismo. Ainda assim, só o nacional, porque boa parte das afiliadas já produz os jornais locais em HD. Temos como regra não degradar a transmissão analógica na transição para o digital. Temos um compromisso com a audiência. Tudo o que é novo, é em HD. O jornalismo é mais complexo pela variedade de conteúdo utilizado. Estamos trabalhando fortemente para acelerar o processo, mas começando pelo local.

E a TV por assinatura? O Now da Net é ainda a primeira experiência feita. Estamos estudando muito. Não temos nada acertado com os players. Acho que antes deve vir a oferta de conteúdo na segunda tela. A oferta de conteúdo relacionado com o linear, nos tablets, por exemplo. Pode ser pela rede de telecom, ou através do ar. Há a oportunidade de alavancar a audiência da TV linear. Tipicamente, seria durante um jogo de futebol. Pode ter informação de gols, de jogos paralelos etc. Não acho que funciona em todos os programas. Em novela, por exemplo, não é bom tirar a atenção do telespectador da tela. Acho que precisa ser sempre sincronizado com o que está na TV. Já estamos experimentando agora.

“A Globo On Demand deve acontecer primeiramente na Internet, como já há na Globo.com. Temos um projeto para oferecer de maneira melhor estruturada. No futuro, eu vejo que estaremos também na TV conectada”

Em relação aos dispositivos móveis, qual é a melhor forma de distribuição? Pelo ar, com a TV digital, e através das redes das operadoras. Vamos começar agora uma campanha para divulgar o móvel. A TV móvel para nós é uma audiência adicional, o que para

nós é música. Mas também teremos conteúdos sob demanda nos tablets e smartphones. Não poder usar conteúdo diferenciado limita a transmissão para móveis? Se fizermos uma programação específica, quem vai pagar? Ao invés 34

T e l a

V i v a

a b r 2 0 1 2

Como está a estrutura de produção para a Copa? Vamos ter muito mais trabalho que em todas as Copas anteriores. Normalmente, cobrimos a participação brasileira. Desta vez, temos que cobrir tudo. Haverá uma atuação em cada cidade. Não apenas nas 12 cidades que receberão os jogos, mas também nas cidades que receberão as seleções e seus campos de treinamento. Isso nos obriga a criar um modelo de cobertura mais amplo, o que envolve uma participação forte das afiliadas. Ainda estamos trabalhando no modelo. Estamos nos aproximando da HBS, que produzirá o evento, para troca de tecnologia e em uma parceria para formação de pessoal. Vamos trabalhar juntos para formar profissionais. Eles têm uma demanda de 3 mil ou 4 mil pessoas. Quanto mais eles formarem aqui, sairá mais barato para eles.


Faça seu ‘check-in’ no Tela Viva Móvel. HOLGER LUEDORF, vice-presidente de desenvolvimento de negócios do Foursquare, estará presente na 11ª edição do Tela Viva Móvel para discutir a relação entre redes sociais, localização e mobilidade no painel “Socialização, localização e redes móveis.” CONFIRA TAMBÉM: OS PRINCIPAIS EXECUTIVOS DO MERCADO COLOCAM EM PAUTA TEMAS COMO: • A CHEGADA DA QUARTA GERAÇÃO E O QUE MUDA EM CONTEÚDO MÓVEL. • O SURGIMENTO DE SERVIÇOS DE PAGAMENTO VIA DISPOSITIVOS MÓVEIS. • O IMPACTO SOCIAL DA MOBILIDADE.

16 E 17 DE MAIO, 2012

Centro de Convenções Frei Caneca São Paulo, SP

Não deixe de participar! Mais informações 0800 77 15 028 inscricoes@convergecom.com.br Programação completa do evento no site www.telavivamovel.com.br PATROCÍNIO PRÊMIO TELA VIVA MÓVEL

PATROCÍNIO BRONZE

OPERADORA OFICIAL

PARCEIROS INSTITUCIONAIS

PATROCÍNIO SILVER

PROMOÇÃO

APOIO

PARCEIRO DE MÍDIA

REALIZAÇÃO


(audiência - TV paga)

Em alto e bom som

F

Foto: divulgação

evereiro é o mês do Multishow. O canal voltado para jovens tradicionalmente conquista o primeiro lugar no ranking dos canais pagos com melhor alcance diário médio entre o público adulto nesse mês, devido, em grande parte, à exibição do “Big Brother Brasil”, que este ano chegou à sua 12ª edição. Além do “BBB”, em fevereiro deste ano, destacaram-se na programação do canal as transmissões ao vivo do último show do grupo Exaltasamba e do festival Planeta Atlântida. No show do Exaltasamba, mais de 2,3 milhões de pessoas passaram pelo Multishow ao longo das 3h30 de apresentação. No Planeta Atlântida, em 20 horas de transmissão, aproximadamente 4,6 milhões de

Exaltasamba: show do grupo foi destaque de programação do Multishow em fevereiro.

pessoas passaram pelo canal (segundo dados do Ibope fornecidos pelo canal, com base de assinantes da Anatel). No mês, o Multishow registrou alcance diário médio de 11,3% e tempo médio diário de audiência de 21 minutos. Em seguida no ranking aparecem SporTV, TNT, Fox e Globo News. No total, os canais pagos tiveram entre o público acima de 18 anos 45,02% de alcance diário médio e

duas horas e 25 minutos de tempo médio diário de audiência. Entre o público de 4 a 17 anos, os canais pagos com melhor alcance diário médio foram Cartoon Network, Disney Channel, Discovery Kids, Nickelodeon e Multishow. Em primeiro lugar da lista, o Cartoon conquistou alcance diário médio de 16,41% e tempo médio diário de audiência de uma hora e sete minutos. Os canais pagos tiveram entre o público infantojuvenil alcance diário médio menor do que o registrado entre adultos: 44,86%. O tempo médio diário de audiência entre este público foi de duas horas e 47 minutos. O levantamento do Ibope Mídia considera as praças Grande São Paulo, Grande Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Distrito Federal, Florianópolis e Campinas. Daniele Frederico

Alcance* e Tempo Médio Diário – FEVEREIRO 2012 

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio Total canais pagos 45,02 5.748,54 02:25:21 Multishow 11,33 1.447,18 00:21:07 SporTV 9,37 1.196,02 00:34:08 TNT 9,14 1.166,65 00:27:51 Fox 8,62 1.100,70 00:32:26 Globo News 8,16 1.042,20 00:27:33 Viva 7,92 1.011,69 00:26:22 Megapix 7,85 1.002,07 00:27:28 Cartoon Network 7,23 923,67 00:41:36 Discovery Kids 6,63 846,44 00:53:35 Universal Channel 6,29 802,84 00:24:18 SporTV 2 6,13 783,20 00:17:31 Disney Channel 5,79 739,59 00:43:34 Warner Channel 5,73 732,30 00:28:54 National Geographic 5,71 728,88 00:21:42 Discovery Channel 5,28 674,84 00:19:24 GNT 5,18 661,19 00:16:19 Telecine Pipoca 4,58 584,94 00:35:56 Telecine Action 4,17 531,83 00:34:42 FX 4,07 519,82 00:17:51 Animal Planet 3,87 493,89 00:19:47

(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio Total canais pagos 44,86 1.530,90 02:47:11 Cartoon Network 16,41 559,84 01:07:43 Disney Channel 15,66 534,25 01:09:13 Discovery Kids 15,03 513,02 01:10:04 Nickelodeon 9,97 340,30 00:53:23 Multishow 9,27 316,23 00:21:14 Fox 8,38 286,08 00:33:22 TNT 7,09 242,09 00:29:45 Megapix 6,65 227,04 00:31:31 Disney XD 5,64 192,51 00:48:50 SporTV 5,35 182,77 00:20:22 Viva 5,31 181,31 00:23:35 Universal Channel 4,15 141,57 00:15:19 Discovery Channel 3,94 134,41 00:21:25 Telecine Pipoca 3,53 120,53 00:35:27 Warner Channel 3,49 119,09 00:19:21 FX 3,45 117,77 00:19:23 SporTV 2 3,45 117,62 00:16:08 Boomerang 3,27 111,56 00:26:47 National Geographic 2,99 102,05 00:18:22 Globo News 2,98 101,77 00:11:05

*Alcance é a porcentagem de indivíduos de um “target” que estiveram expostos por pelo menos um minuto a um determinado programa ou faixa horária.

36

T e l a

V i v a

a b r 2 0 1 2

**Universo 3.412.800 indivíduos Fonte: IBOPE Media Workstation – Tabela Minuto a Minuto - Fevereiro/2012

De 4 a 17 anos**

(Das 6h às 5h59)

**Universo 12.769.500 indivíduos

Acima de 18 anos**




VENHA FAZER PARTE DESSA HISTÓRIA. PARTICIPE DA ABTA 2012.

20 ANOS

O maior encontro de mídias convergentes do país completa 20 anos em 2012, em um dos melhores momentos já vividos pelo setor. A ABTA 2012 traz um congresso com temas relevantes, área de exposição com o melhor das tecnologias e do conteúdo mundial para quem atua no mercado de TV por assinatura, vídeo on-demand, banda larga e serviços digitais avançados, além de ampla oportunidade de network.

Onde a convergência acontece. 31 DE JULHO A 02 DE AGOSTO, 2012 TRANSAMÉRICA EXPO CENTER - SÃO PAULO, SP Reservas de estande:

(11) 3138.4623

comercial@convergecom.com.br

Mais informações:

0800 77 15 028

info@convergecom.com.br

Realização

Organização

Publicações Oficiais

Parceiros de Mídia J O R N A L P RO PA G A N D A & M A R K E T I N G - E D I TO R A R E F E R Ê N C I A

Parceiros Institucionais


(programação)

Estratégia global Com investimento de US$ 1 bilhão por ano em conteúdo, Discovery consegue crescer no difícil mercado norte-americano, mas coloca suas fichas no mercado internacional para garantir o futuro.

E

ZF/shutterstock

m cinco anos, a Discovery Communications quase dobrou seu investimento em conteúdo. Segundo David Zaslav, presidente e CEO do grupo de mídia, hoje é investido mais de US$ 1 bilhão por ano em conteúdo. Parte do fruto deste investimento foi mostrado no “upfront” realizado em Nova York no início de abril para o mercado anunciante local. A programação dos canais conta com cada vez mais estrelas de peso para dar credibilidade ao conteúdo. Entre os destaques deste ano está, por exemplo, “Robogeddon”, criado e produzido por James Cameron. O programa trará disputas entre robôs controlados por rádio de controle remoto e desenvolvidos especialmente para as batalhas. Além disso, o ator James Woods apresenta e produz o novo programa “This Changes Everything”, que traz as grandes invenções que mudaram o mundo. Robert Redford dirige uma série baseada no filme estrelado por ele e Dustin Hoffman “Todos os Homens do Presidente”, lembrando os 40 anos do caso Watergate. Outro programa que traz grandes nomes é o “Gatekeepers”. Trata-se de uma série com os chefes de equipe da Casa Branca, abordando os bastidores da política. Outra novidade é o canal Destination America, que exalta a cultura norteamericana, abordando o povo, a comida e os destinos turísticos nos Estados Unidos. FOTOS: divulgação

Segundo Zaslav, este investimento resultou em um grande crescimento no mercado global, mas também em crescimento interno nos Estados Unidos, apesar da crise econômica e da estagnação na base de TV por assinatura. “Aqui nos Estados Unidos, no último trimestre, nós crescemos 6%”, disse em encontro com a imprensa estrangeira. “Hoje mais pessoas passam tempo com nossas marcas e mais pessoas assistem a nossos programas”, completou. Apesar do sucesso interno, o executivo aponta o mercado internacional como estratégico.

“Vários mercados emergentes hoje se comportam como os Estados Unidos dos anos 1990.” David Zaslav, da Discovery Communications

38

T e l a

V i v a

a b r 2 0 1 2

“A Discovery Networks International hoje é responsável por 35% do faturamento do grupo Discovery”, disse. Segundo Zaslav, a capacidade de crescimento fora dos Estados Unidos é muito maior. “No Brasil a penetração é de apenas 24%. A América Latina ainda está crescendo muito”, afirma. “Vários mercados emergentes hoje se comportam como os Estados Unidos nos anos 1990. É muito vantajoso estar no negócio de conteúdo quando você tem crescimento da base de assinantes e de audiência. Quando isso acontece, os anunciantes começam a perceber que mais e mais pessoas estão passando tempo na plataforma de TV paga. E a diferença (de preço) é substancial em relação à TV aberta”. O principal executivo da Discovery aponta que a decisão de tornar o canal TLC uma marca global é resultado e consequência da boa performance global. Segundo ele, a decisão foi tomada há 18 meses, mesmo sem ter certeza se aquele conteúdo se comportaria bem globalmente. “Sabíamos que queríamos um canal forte feminino. Durante a crise aqui nos Estados Unidos, vimos a vantagem em ter um canal entre os ‘top ten’ para homens e outro ‘top ten’ para mulheres. Aqui, Discovery e TLC são dois canais muito fortes”, diz Zaslav. Presença local Segundo Zaslav, a presença local é fundamental para o sucesso dos canais da Discovery Networks International (DNI), braço internacional do grupo. “Uma das vantagens que temos é que várias de nossas marcas têm apelo global. Elas


parecem locais, porque o conteúdo é universal. Se você assistir ao Science Channel ou Animal Planet na Rússia, não vão parecer canais americanos. Em parte por causa do trabalho que nosso time faz, realmente indo até estes países e criando conteúdos locais e se conectando com talentos locais. Mas principalmente por causa de um grupo de programação global para estes canais”. Mark Hollinger, presidente e CEO da DNI, destaca que há 38 escritórios ao redor do mundo para a DNI “e estamos sempre ampliando”. “Apenas 2% do nosso time está baseado em nossa central em Washington. Este não é um negócio tocado de uma central, mas um negócio em nível local”, explica. Para Hollinger, deter o conteúdo é fundamental para garantir o futuro da DNI. “Quando pensamos no futuro, em tecnologias que não existem hoje ou modelos de negócios que ainda não exploramos, é importante que tenhamos um grande fluxo de conteúdo e que tenhamos propriedade de tanto conteúdo quanto possível”, diz. Segundo o executivo, é a propriedade do conteúdo que permite que o grupo explore outras mídias e formatos, sem ter que rever contratos. “Para dar um bom exemplo, na Europa ocidental temos algumas similaridades entre os países, onde a TV por assinatura cresce em dígitos únicos, mas a TV digital terrestre vem crescendo muito. Neste locais, vimos a oportunidade de suplementar o nosso negócio de TV por assinatura com a TV aberta gratuita. Começamos na Alemanha com o D-Max há seis ou sete anos. Hoje temos dois canais abertos na Itália: Realtime, que está nos top sete para mulheres no país, e D-Max. Também lançamos o Discovery Max na Espanha e está indo muito bem”, diz. Luis Silberwasser, vicepresidente executivo e chief

“A questão de ter que colocar conteúdo local no primetime não será um problema para nós.”

mesma versão do conteúdo, talvez seja apenas o formato, ou ainda uma outra maneira de explorar o formato. Estamos muito abertos a mecanismo diferentes”. Silberwasser diz não saber ainda se será necessário produzir mais conteúdo no Brasil para cumprir as cotas de conteúdo impostas pela Lei 12.385/11. Mesmo assim, ele acredita que o momento é propício para aumentar a geração de conteúdo local. “Dada a escala do que vem acontecendo no Brasil, eu não ficaria surpreso em ver grandes histórias saindo de lá. Por exemplo, estamos fazendo com a Mixer o ‘City Eagles’, sobre helicópteros dos times de resgate. Se isso for bem no Brasil, por que não levaríamos para outros países?”, pergunta. Mark Hollinger diz que ainda está se familiarizando com a nova regulamentação brasileira. Mesmo assim, diz que alguns dos conteúdos criados pela DNI já cumprem os requerimentos de conteúdo local. “A questão de ter que colocar conteúdo local no primetime não será um problema para nós”, diz. Em relação à publicidade, que não poderá mais ser vendida fora do Brasil, Hollinger também minimizou o problema. Segundo ele, a DNI tem um time que está no mercado há algum tempo e entende a sua dinâmica. “Eles dizem que podemos cumprir a obrigação sem comprometer nosso negócio. Temos um grande portfólio, com canais que os consumidores gostam e nos quais os operadores veem valor”, diz. O maior impacto para os players internacionais, diz Hollinger, é a cota para canais locais. “Ela está segregando parte da banda disponível para programação apenas para canais locais”, diz.

Mark Hollinger, da DNI

content officer da DNI, lembra que, embora a estratégia seja tornar os canais valiosos no mercado local, “claramente, eles não serão canais locais”. Segundo ele, já existem outros canais locais, principalmente terrestres. “Nós trazemos o melhor do conteúdo nãoficção para estes mercados, mas de forma que a tonalidade seja local, com alguns talentos locais. Queremos que na Rússia ou no Brasil, o canal pareça que foi feito para aquela audiência”. Brasil Questionado sobre como a DNI pode manter a estratégia de ter os direitos sobre o conteúdo sob a nova regulamentação do setor de TV por assinatura no Brasil, Silberwasser lembra que a DNI vem trabalhando com a regulação da Ancine há algum tempo. “Já temos um relacionamento com produtoras como Mixer e Conspiração”. Segundo ele, há precedentes para esse tipo de trabalho. “No Reino Unido já trabalhamos com produtores locais e uma regulação semelhante à do Brasil, no sentido de ter que dividir os direitos. Sabemos que teremos que ser mais flexíveis na estrutura do negócio destes programas”, explica. “Nós produziremos no Brasil e teremos os direitos para exibir no Brasil, mas negociaremos quais direitos e benefícios nós teremos no mercado internacional e quais os produtores terão. Acho que é uma oportunidade para investir em mais conteúdos e levá-los para o exterior. Talvez não seja a

”Nós produziremos no Brasil e teremos os direitos para exibir no Brasil, mas negociaremos quais direitos e benefícios nós teremos no mercado internacional e quais os produtores terão.”

Fernando Lauterjung, de Nova York. O jornalista viajou a convite da Discovery.

Luis Silberwasser, da DNI

T e l a

V i v a

a b r 2 0 1 2

39


( making of )

Daniele Frederico

d a n i e l e @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Direção de todas as espécies

F

FOTOs: divulgação

ilmar com animais nunca é fácil. Você pode escrever um roteiro com todas as ações dos animais, mas tem que estar aberto para o que eles oferecem a você”. Assim, o diretor argentino Riki Saul, representado pela BossaNovaFilms, explicou o trabalho com animais no comercial para o suco Del Valle Kapo. Com o objetivo de mostrar que o suco não tem corantes, é feito com frutas de verdade e contém poucas calorias, o roteiro mostrava uma família sentada à mesa em uma fazenda, em meio a árvores e animais, que respondiam às perguntas da família sobre a bebida. “Achei melhor aproveitar os gestos naturais dos animais do que fazer algo animado”, diz Saul. “A cena em que a vaca mostra a língua, como se estivesse sedenta pelo suco, ou a dos jumentos do final, não estavam no roteiro, mas foram aproveitadas”, exemplifica. As filmagens aconteceram em uma fazenda em Itu, no interior de São Paulo. A escolha por filmar tudo em locação, inclusive os animais, estava relacionada com o conceito do comercial, de ser o mais natural possível. “Os gestos dos animais deveriam ser naturais e achamos que o entorno deveria ser real também. Além disso, o fundo real permite que tenhamos a mesma luz em tudo”, diz o diretor. “Os animais foram para a fazenda alguns dias antes, para se adaptarem ao ambiente e se comportarem melhor no dia da filmagem”. O filme contou com bastante composição, já que as filmagens foram feitas em camadas. Cada um dos animais foi filmado

Diretor do filme de Del Valle Kapo optou por usar pouca animação e aproveitar gestos dos animais.

isoladamente e em diferentes posições para depois serem colocados nas cenas. Para os movimentos, o mínimo de animação foi utilizada: na remarcação de olhos, sobrancelhas e sorrisos, por exemplo. “Em geral, o que queríamos era que a animação não fosse a protagonista”, resume Saul. Entre essas cenas, feitas a partir de efeitos “físicos”, está a do canário, que tinha que fazer um movimento de dizer “não” com a cabeça. “Para isso, era só dar água para ele, e ele movia a cabeça de um lado para o outro”, diz Saul. As técnicas, aliás, costumam estar relacionadas com a alimentação dos bichos. “Com o porco, que fazia um movimento de cabeça como se estivesse dizendo ‘sim’, colocamos comida em uma vara de pescar, e quando ele tentava comer, fazia esse movimento naturalmente”, explica o diretor. Com tantos efeitos realizados fisicamente, a pós-produção atuou 40

T e l a

V i v a

a b r 2 0 1 2

principalmente na composição. “Muitos detalhes foram trabalhados na pós, como a perfeita proporção dos animais, a retirada das sustentações, dos fios, a composição, a correção de cor, entre outros aspectos, mas de forma sempre sutil, respeitando o conceito de que a pós não fosse notada”, conclui.

ficha técnica Título “Teste final” Produto Del Valle Kapo Cliente Coca-Cola Agência NBS Produtora BossaNovaFilms Direção Riki Saul Direção de fotografia Fe de Oliveira Direção de arte Rodrigo Martirena Montagem Rafael Mesquiara Pós-produção/ finalização Mistika Post Provider Produtora de som Tesis


Por uma boa causa

F

ilmes de animação costumam ser demorados e trabalhosos para serem realizados. O objetivo final do filme “2 Boys” realizado pela Vetor Zero/Lobo, em parceria com o Birdo Studio, para a ONG The Fund for Reconciliation, Tolerance and Peace, que atua em prol do fim do conflito entre Israel e Palestina, é infinitamente mais difícil de ser atingido do que qualquer resultado em animação. Trata-se de um filme sobre dois garotos, um israelense e outro palestino, que, em um tempo futuro de paz, falam sobre o passado e como eles estão felizes pelo fim da violência e do ódio, possibilitando que eles se tornassem amigos. O projeto chegou aos diretores João Tenorio e Coi Belluzzo por causa de trabalhos anteriores feitos para o mercado internacional, e a partir do contato de Eitan Chitayat, que teve a ideia da animação e escreveu o roteiro. Para chegar a uma estética diferente, e para dar conta de toda a animação, os diretores convidaram o Birdo Studio para ajudar. “Quando já estávamos há alguns meses trabalhando, com o animatic estruturado, começamos a dimensionar o trabalho. Percebemos que tinha muito tempo de animação, e como trabalhamos com o Birdo há bastante tempo, nós os convidamos para participar”, diz Belluzzo. A experiência de Belluzzo e Tenorio em live action – eles não são animadores – determinou também qual seria a técnica utilizada para o filme. O caminho escolhido foi filmar os atores, em locações, e desenhar em cima dessas imagens, quadro a quadro. “Trabalhamos com rotoscopia. Sentimos que filmar também daria maior controle criativo”, diz Tenorio. A praia, por exemplo, foi filmada no litoral de São Paulo, enquanto a

cena em que o homem-bomba se aproxima de um estabelecimento comercial foi captada em Israel pela equipe de Chitayat. Parte das cenas também foi feita em animação tradicional, em especial as cenas que mostram ambientes em áreas de conflito. “Chitayat é documentarista, então também tínhamos acesso a algumas imagens de arquivo, como a do ‘checkpoint’”, explicou Tenório. Do lado estético, a opção foi por fundos aquarelados e personagens desenhados com linhas simplificadas. Em um primeiro momento, uma extensa pesquisa foi feita e usada de base para o trabalho, já que os dois diretores são brasileiros e estavam contando uma história do Oriente Médio. O casting, por exemplo, foi realizado três vezes. “A ideia era que aqueles dois meninos

simbolizassem um rosto israelense e um palestino”, diz Belluzzo. Os diretores lembram que para contar essa história, que desperta opiniões muito diferentes, além do trabalho do roteirista, de mostrar os dois lados de maneira equilibrada, a contribuição brasileira tinha de mostrar o lado mais universal. “De nossa parte, tínhamos que mostrar o lado humano desta história. Há coisas que não dependem do posicionamento político, como o sofrimento, que é igual para todas as pessoas.”, conta Tenório. “A maior dificuldade foi trabalhar com um tema com tanto sofrimento humano e fazer uma peça esteticamente bonita”, completa. “Além deste, que é um baita desafio, também tivemos um desafio de produção. Afinal, o filme tem mais de dois minutos, um processo de montagem delicado e recursos limitados”, completa Belluzzo.

ficha técnica Cliente The Fund for Reconciliation, Tolerance and Peace Agência Eitan Chitayat Produtoras Vetor Zero/Lobo, Birdo Studio e The Ebeling Group Direção criativa/ executiva Eitan Chitayat Direção criativa Vetor Zero/Lobo  Mateus de Paula Santos Direção João Tenorio e Coi Belluzzo (Vetor Zero/Lobo) Redatores Eitan Chitayat, Shelley Hermon e Brad Mislow Direção de arte Vetor Zero/Lobo Manuel Dischinger Trilha sonora Vico Sharabani e Daniel Freedman, Wicked Music Produtora de áudio & mixing Uri Kalian e Sweet Sound Produtora de áudio & mixing Raw Audio Vetor Zero/Lobo e Roberio Barbosa Edição Joao Tenorio, Vinicius Martins, Shelley Hermon e Sari Ezouz Composição João Tenorio

Filme de animação usou rotoscopia para contar história de conflito entre Israel e Palestina.

T e l a

V i v a

a b r 2 0 1 2

41


( case )

Paraísos artificiais

D

epois do sucesso da franquia “Tropa de Elite”, a Zazen Produções se prepara para o lançamento de seu novo longa-metragem de ficção, “Paraísos Artificiais”. Agora, os papéis dos dois sócios da produtora – José Padilha e Marcos Prado – se invertem. Padilha assina a produção, enquanto Prado assina a direção de seu primeiro longa de ficção. Premiado em festivais de todo o mundo pelo documentário “Estamira”, Marcos Prado mergulhou no universo da música eletrônica e do tráfico de drogas sintéticas. Assim como em todos os filmes da produtora, muitos deles documentários, a pesquisa foi parte fundamental do processo de trabalho. Além de frequentar eventos de música eletrônica, o diretor entrevistou psicanalistas, antropólogos, médicos, usuários, traficantes e visitou clínicas de reabilitação, para entender melhor o universo que se propôs a retratar. A ideia do filme surgiu há cerca de quatro anos, quando o ator Bernardo Melo Barreto, que integra o elenco do filme, chamou a atenção do diretor para as recorrentes prisões de jovens de classe média por tráfico internacional de drogas, na época do boom da música eletrônica e das raves. Com um filho de 15 anos na época, Marcos Prado começou a se questionar sobre os excessos aos quais a juventude está exposta em sua passagem para a vida adulta. Começou então a pesquisa, que foi trazendo novas questões, as quais o diretor procurou abordar sem apologia, mas também sem moralismo. “Comecei a pensar em por que jovens com todas as oportunidades se envolvem com a 42

FOTOs: divulgação

Novo longa-metragem da Zazen Produções, dirigido por Marcos Prado, aposta em distribuição própria, como em “Tropa de Elite – 2”.

Filme tem orçamento de R$ 10 milhões e coprodução da Riofilme.

criminalidade. As festas refletem um vazio existencial coletivo ou uma comemoração à extrema liberdade? Os relacionamentos estão mais superficiais ou mais sinceros?” Assim, o filme mostra de forma contundente o relacionamento entre três jovens que se conhecem em uma festa em clima de Woodstock, numa praia de Pernambuco. A DJ Érica, vivida por Nathalia Dill, e sua amiga Lara (Lívia Bueno) conhecem Nando (Luca Bianchi). A partir daí, os três personagens se veem totalmente envolvidos. O filme tem cenas no Rio de Janeiro e em Amsterdã, e mostra como a vida e as relações entre os três evoluem ao longo dos seis anos seguintes. Distribuição em casa Com um orçamento de R$ 10 milhões, o filme começou a reunir os recursos de produção ao vencer o edital do BNDES em 2008. A Caixa Seguros é outra grande investidora, a partir de leis de incentivo, e o filme também tem coprodução com a

Riofilme. A grande novidade está no projeto de distribuição, que mais uma vez será coordenado pela produtora. “Em todo filme, a produtora acaba investindo recursos próprios também, o que a gente chama de ‘dinheiro bom’. Como vimos que o sistema tinha dado certo em ‘Tropa de Elite – 2’, resolvemos nos encarregar da distribuição”, explica Marcos Prado. Em outubro de 2011, depois que “Tropa de Elite – 2” bateu todos os recordes de público do cinema brasileiro e chegou a mais de 11 milhões de espectadores, a Zazen se uniu a produtoras como O2, Conspiração Filmes, Lereby, Mobz, Morena Filmes e Vinny Filmes para fundar a Nossa Distribuidora, que vai distribuir o novo longa. “A estratégia de distribuição do ‘Tropa 2’ foi feita por Marco Aurélio Marcondes, que também é sócio da distribuidora. ‘Paraísos Artificiais’ vai ser o primeiro filme da Nossa, o primeiro a

O filme tem cenas no Rio de Janeiro e em Amsterdã, e mostra como a vida e as relações entre os três evoluem ao longo dos seis anos seguintes. •

T e l a

V i v a

a b r 2 0 1 2


seguir esse formato, que trouxe um retorno muito maior para a produtora”, explica o diretor. Depois do sucesso do primeiro “Tropa de Elite”, a Zazen resolveu trabalhar a distribuição do segundo filme internamente. Isso porque, segundo Marcos Prado, o acordo proposto pelo Artigo 3º é prejudicial ao produtor. “Em geral, os contratos preveem taxas muito altas para a distribuidora, sem contar o controle dos direitos e participações nas vendas de todos os subprodutos. O produtor trabalha feito um condenado, coloca dinheiro bom e no fim a distribuidora quer os mesmos direitos que tem no mercado americano, sem investir na produção.” Prado reconhece que o novo longa não tem o apelo da franquia anterior, mas aposta no novo formato. “Paraísos Artificiais” tem estreia prevista para 4 de maio, com 200 cópias. “Estamos trabalhando a

Sinopse: Em uma paradisíaca praia do Nordeste brasileiro, Shangri-La – um enorme festival de arte e cultura alternativa – é pano de fundo de experiências sensoriais intensas entre três distintos jovens contemporâneos: Nando (Luca Bianchi), a DJ Érica (Nathalia Dill) e sua melhor amiga Lara (Lívia de Bueno). Sem que percebam, como meras peças de um caótico jogo do destino, o encontro muda radicalmente suas vidas.

Paraísos artificiais

Longa-metragem Formato Marcos Prado Direção Marcos Prado e da Gual Roteiro Pablo Padilha, Cris Lula Carvalho Direção de fotografia Claudia Kopke Figurino Cláudio Amaral Peixoto Direção de Arte Zazen Produções Empresa produtora ossa Distribuidora Distribuição N

e sete pessoas é possível acompanhar todo o processo”, diz Prado.

distribuição dessa maneira artesanal, escolhendo as praças certas. Para distribuir um filme, não é preciso investir muito no back-office. Com algo entre cinco

T e l a

V i v a

a b r 2 0 1 2

Lizandra de Almeida

43


( upgrade )

Fernando Lauterjung

f e r n a n d o @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Ultra portátil FOTOs: divulgação

A

Sony traz ao mercado brasileiro em junho a camcorder de alta definição HXR-NX30N. O novo modelo, da linha NXCAM, usa a tecnologia de estabilização de imagem SteadyShot óptico balanceado, que elimina a trepidação. Diferentemente dos sistemas de estabilização que trabalham com um motor que faz o ajuste dos elementos internos da lente para compensar a vibração da câmera, a função SteadyShot combina o conjunto lente e sensor de imagem em um único elemento, reduzindo o efeito de trepidação causado pelo movimento normal da câmera durante a gravação. A HXR-NX30N grava em full HD 1920 x 1080 usando lentes Carl Zeiss Vario-Sonnar T, com zoom de 10 vezes (equivalente a 35 mm, zoom de 26 mm a 260 mm). O modelo usa sensor de imagem de tecnologia CMOS Exmor R de 1/2.88 polegada e permite captura com variadas taxas de quadros - 1080/60p, 1080/30p, 24p, 60i, 720/60p. Com gravação AVCHD, a câmera tem 96 gigabytes de memória interna (cerca de 40 horas de conteúdo HD), com um slot duplo que aceita cartões SD ou Memory Stick para gravação adicional. Um projetor embutido de vídeo permite que usuários reproduzam imagens de até 100 polegadas a uma distância de 16 metros, em qualquer superfície plana.

Este recurso é ideal para rever filmagens em campo ou em estúdio, quando não há um monitor disponível. A camcorder também tem uma unidade Camcorder da Sony usa tecnologia de estabilização de imagem XLR destacável e áudio de SteadyShot óptico balanceado. qualidade profissional, controle de nível de gravação, opção de gravação de áudio Linear PCM. Segundo a fabricante, o novo equipamento é ideal para documentários, vídeos jornalísticos, escolas ou área corporativa.

Expansível

A

For-A está lançando o switcher compacto HVS390HS. Disponível em 1 M/E e 2 M/E, o switcher conta com 16 entradas HD/SD-SDI e oito saídas, podendo ser expandido para até 24 entradas e 13 saídas, com sincronização de frames para todas as entradas. Com ferramentas de redimensionamento embutidas em quatro entradas, o equipamento permite misturar fontes de vídeo

Switcher compacto da For-A permite misturar fontes de vídeo HD, SD e PC em uma mesma produção.

44

T e l a

V i v a

HD, SD, e PC em uma mesma produção. Com quatro keyers por M/E, o HVS-390HS inclui dois keyers para chroma key. Todos os keyers têm um canal independente de efeitos 2D, além de dois canais de efeitos 3D por M/E. O equipamento vem com cem padrões de efeitos 2D e 68 3D, além de corte, mixagem e transições. A configuração de entradas e saídas é versátil, incluindo a possibilidade de usar placas opcionais de entradas e saídas. Além das entradas e saídas, o equipamento conta com uma saída adicional HDMI. Também podem ser adicionadas portas analógicas componente, composto, bem como DVI e RGB. O switcher é equipado com gravação e execução de vídeo. Os clipes podem ser de até 240 frames. Vídeo e imagens still gravadas podem ser usadas nos efeitos. Até cem eventos podem ser armazenados na memória e recuperados com um click durante aplicações ao vivo. Três painéis de controle estão disponíveis: HVS391OU (1 M/E), HVS-392OU (2 M/E) e HVS-392ROU (2 M/E para montagem em rack). A unidade principal de três Rus de medida.

a b r 2 0 1 2


( agenda ) E-mail: festival@festivaldegramado.net

21 a 23 Broadcast&Cable, São Paulo, SP. Web: www.broadcastcable.com.br

4 e 5 de junho Ponto de encontro entre quem faz, distribui e exibe programas de TV. Um evento dinâmico, com foco em negócios. Fórum Brasil de Televisão, Centro de Convenções Frei Caneca, São Paulo, SP. Tel.: (11) 3138-4660. E-mail: info@convergecom.com.br. Web: www.forumbrasiltv.com.br

31 julho a 2 de agosto O maior encontro de mídias convergentes do país. Congresso e área de exposição, de tecnologia e conteúdo para o mercado de TV por assinatura, video-on-demand, banda larga e serviços digitais avançados. ABTA 2012, Transamérica Expo Center, São Paulo, SP. Tel.: (11) 3138-4660. E-mail: info@convergecom.com.br. Web: www.abta2012.com.br

ABRIL

Animação de Annecy, Annecy, França. Tel.: (33 04) 5010-0900 E-mail: info@citia.org Web: www.annecy.org

26 a 2/5 16º Cine PE Festival do Audiovisual, Olinda, PE. Tel.: (81) 3461-3773 Web: www.cine-pe.com

15 a 26 FAM 2012 – 16º Florianópolis Audiovisual Mercosul, Florianópolis, SC. Web: www.panvision.com.br

MAIO

6 a 10 Rose d’Or Festival, Lucerne, Suíça. E-mail: info@rosedor.ch Web: www.rosedor.ch 15 a 25 LA Screenings, Los Angeles, Estados Unidos. Tel: (1305) 200-3890. E-mail: info@lascreenings.org. Web: www.lascreenings.org 16 e 17 11º Tela Viva Móvel, Centro de Convenções Frei Caneca, São Paulo, SP. Tel.: (11) 3138-4660. E-mail: info@convergecom.com.br Web: www.telavivamovel.com.br

19 a 23 Ottawa International Animation Festival, Ottawa, Canadá. Tel.: (613) 232-6315 E-mail: info@animationfestival.ca Web: www.animationfestival.ca

13 a 29 Animamundi, Rio de Janeiro e São Paulo. Tel.: (21) 2543-8860. E-mail: info@animamundi.com.br. Web: www.animamundi.com.br

AGOSTO

JUNHO

10 a 18 40º Festival de Cinema de Gramado, Gramado, RS.

4 a 9 Festival Internacional de 46

14 a 23 14º Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte, Belo Horizonte, MG. Web: www.festcurtasbh.com.br

21 a 24 Sunny Side of the Doc, La Rochelle, França. Tel.: (33 05) 4634-4652 Web: www.sunnysideofthedoc.com 21 a 28 V Festival de Paulínia de Cinema, Paulínia, SP. Tel: (19) 3874-5700 Web: www.culturapaulinia.com.br

2 a 8 9º Feminafest, Rio de Janeiro, RJ. Tel.: (21) 2544-4080. E-mail: contato@feminafest.com.br Web: www.feminafest.com.br

29 a 30 Mediahub Market, Bangkok, Tailândia. E-mail: info@mediahub. Web: www.mediahubmarket.com

4 a 6 Andina Link 2012, San Pedro Sula, Honduras. E-mail: contacto@andinalink.com Web: www.andinalink.com

17 a 22 Curta-SE 12, Aracaju, SE. Tel.: (79) 3302-7092 Web: www.curtase.org.br

JULHO

21 a 23 NCTA - The Cable Show 2012, Boston, EUA. Tel.: (202) 222-2430 E-mail: thecableshow@ncta.com Web: http://2012.thecableshow.com

SETEMBRO

17 a 23 Cannes Lion, Cannes, França. Tel.: (44 0 20) 7728-4040 Web: www.canneslion.com

29 a 15/7 11º Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, Florianópolis, Santa Catarina. Tel.: (48) 3232-5996. Web: www.mostradecinemainfantil.com.br

16 a 25 Festival de Cannes, Cannes, França. Tel.: (33 01) 5359-6110. E-mail: festival@festival-cannes.org

23 a 31 23º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo, São Paulo, SP. Tel.: (11) 3034-5538 E-mail: spshort@kinoforum.org Web: www.kinoforum.org

T e l a

V i v a

a b r 2 0 1 2

OUTUBRO 6 a 7 MipJunior, Cannes, França. Web: www.mipworld.com 6 a 18 Festival do Rio, Rio de Janeiro, RJ. Web: www.festivaldorio.com.br 8 a 11 Mipcom, Cannes, França. Web: www.mipworld.com 19 a 1/11 Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, São Paulo, SP. E-mail: info@mostra.org. Web: www.mostra.org 25 a 28 BRAFFTv 2012, Toronto, Canadá. Tel.: (11) 2615-7615. E-mail: brafftv@brafftv.com. Web: www.brafftv.com


Assine por um preço especial e ganhe 10% de desconto nos eventos da Converge Comunicações. Revista TELA VIVA Há mais de 15 anos a principal revista brasileira sobre TV aberta e paga, cinema e novas mídias em multiplataformas. Realizada por uma equipe especializada no segmento de audiovisuais.

1 ANO = 12 EDIÇÕES + 3 ESPECIAIS Pagamento único R$ 165,00

Cartão de crédito 3x R$ 55,00

Revista TELETIME Leitura obrigatória para o profissional de telecomunicações. Jornalismo independente e confiável, acompanhando e antecipando tendências do mercado de telecom desde 1997.

1 ANO = 12 EDIÇÕES + 4 ESPECIAIS Pagamento único R$ 204,00 Cartão de crédito 3x R$ 68,00

Revista TI INSIDE Publicação especializada em gestão e soluções de tecnologia da informação para os negócios. Abordagens instigantes em linguagem acessível a todos os públicos.

1 ANO = 12 EDIÇÕES Pagamento único R$ 144,00

Cartão de crédito 3x R$ 48,00

Saiba mais sobre os eventos: www.convergecom.com.br/eventos Preços válidos até 31/07/2012 somente para o território nacional.

LIGUE GRÁTIS PARA

0800 014 5022 assine@convergecom.com.br


CHEGOU CLARO TV. É CLARO QUE VOCÊ VAI QUERER TER EM CASA, NÉ? QUALIDADE DE SOM E IMAGEM

GUIA ELETRÔNICO DE PROGRAMAÇÃO NA TELA

LIGUE E ASSINE

3003-4333 www.claro.com.br/clarotv

Compartilhe cada momento

Consulte condições de contratação e disponibilidade do serviço na sua região.

Revista Tela Viva - 215 - Abril de 2012  
Revista Tela Viva - 215 - Abril de 2012  

Revista Tela Viva - 215 - Abril de 2012

Advertisement