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televisão, cinema e mídias eletrônicas

ano 20_#222_dez2011

Andrea Barata Ribeiro

Fernando Meirelles

base ampliada Aos 20 anos, O2 prepara-se para a busca de novos públicos no cinema e na TV.

PUBLICIDADE Nova Condecine para comercial estrangeiro opõe agências e anunciantes

PROGRAMAÇÃO Atrás da audiência, canais trocam nichos por programação generalista


Foto: marcelo kahn

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F

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Circulação

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Anos incríveis

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im de ano, hora de fazer um balanço dos últimos meses e preparar o terreno para 2012. E que ano, esse 2011. Seguramente um dos mais decisivos para a indústria do audiovisual no Brasil na última década. O maior destaque foi a TV por assinatura, que esteve no centro dos debates regulatórios. Mas foi muito além disso. O setor passou por um salto quantitativo e qualitativo. Na onda de crescimento que já vinha desde 2010, o setor deve fechar 2011 com índices recorde de aumento de base mais uma vez, passando os 12 milhões de assinantes. Ao contrário de algumas previsões, a demanda por TV paga não arrefeceu, e o segmento incluiu mais de 200 mil assinantes por mês durante o ano. Mais importante talvez que os volumes, são as mudanças de cenário. O DTH passou o cabo pela primeira vez, firmando-se como a primeira opção de acesso no amplo território nacional. A Embratel estabeleceu-se como competidor de peso no setor, passando dos 2 milhões de assinantes, e a GVT deu início à sua promissora operação, que deve ter impacto na indústria a partir de 2012. Para o ano que vem se esperam também movimentos mais agressivos de Oi e Telefônica, amparadas agora pelo novo marco legal. Surgiram em 2011 os primeiros serviços de vídeo on-demand prestados pelas grandes operadoras, notadamente o Now, da Net. Em 2012 estes serviços devem se expandir para outras operadoras, e surgirão outros, como a TV everywhere e a segunda tela, tendências já apontadas no mercado internacional. Vale registrar também a investida da Sky na banda larga terrestre, com sua rede 4G em Brasília, mostrando que está longe de ficar parada na competição com as teles. Finalmente, o ano termina com a expectativa dos regulamentos da Lei 12.485, por parte da Anatel e da Ancine. Os primeiros meses de 2012 serão marcados pelos debates em cima das consultas públicas e das ações judiciais que ameaçam a nova legislação. Vale registrar também que este foi o ano do início da massificação das TVs conectadas, que prometem boas novidades em serviços e aplicativos em 2012. Como contraponto, tivemos mais uma vez um ano fraco para a TV digital aberta. Foram raras as notícias sobre novas praças atendidas, e a produção em alta definição parece estar estagnada. Pouco também se ouviu falar do Ginga, que ainda não encontrou ressonância na população e na indústria. Destaque negativo também para o Ministério da Cultura. Depois dos oito anos agitados do governo Lula, sob a gestão de Gilberto Gil e Juca Ferreira, a ministra Ana de Hollanda não mostrou muita disposição no cargo. Entrou muda e deve sair calada, na reforma ministerial do início do ano. Uma pena. Esperamos voltar a ver um ministério atuante na proposição de políticas para o setor. Bom ano a todos, até 2012. Será divertido. foto de capa: marcelo kahn

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Ano20_#222_ dez/11

(índice ) 14

Produção

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Scanner

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Figuras

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Programação

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Audiência

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Publicidade

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Making of

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Case

30

Tecnologia

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Radiodifusão

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Artigo

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Upgrade

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Agenda

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O2 completa 20 anos e, depois das conquistas no cinema, prepara-se para o aumento de produções de televisão

Executivos de TV paga falam sobre a tendência de ter canais menos especializados

( cartas)

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Sucesso As pessoas ficam surpresas e se incomodam com o sucesso das Organizações Globo, mas a fórmula de sucesso não tem muito segredo: profissionalismo e pensamento voltado para o povo brasileiro. Isso fica bastante claro no especial produzido pela Tela Viva. Mauro Cavalcante, São Paulo, SP

III Fórum de Produção Publicitária reúne publicitários e produtores para discutir o setor

Primo Filmes e Três Mundos coproduzem longa-metragem de época com Itália e Portugal

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Globosat Parabéns à Globosat por seus 20 anos! Uma grande história e que promete ainda muita evolução! Maria do Carmo Silvestre, Rio de Janeiro, RJ

Pesquisa da Motorola aponta integração entre TV e redes sociais e aumento do consumo de vídeo em outras telas

Tecnologia A matéria de tecnologia, sobre as empresas de video mapping, mostra que com criatividade e conhecimento da tecnologia é possível fazer coisas incríveis e inovadoras. Parabéns às empresas que têm se dedicado a esta empreitada. José Capelano, São José dos Campos, SP

Brasil e Japão buscam cooperação científico-tecnológica em TV digital

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O equilíbrio entre regulamentação e mercado, por Gustavo Artese

Tela Viva edita as cartas recebidas, para adequá-las a este espaço, procurando manter a máxima fidelidade ao seu conteúdo. Envie suas críticas, comentários e sugestões para cartas.telaviva@convergecom.com.br

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( xxxxxxxxx) On no Off

FOTOs: divulgação

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O canal Off, da Globosat, fechou acordos com distribuidoras de conteúdo internacionais para compor a grade de programação. Um dos acordos de distribuição é com a Red Bull Media House, com a qual foram fechadas mais de 120 horas de programação. Com a Off The Fence, distribuidora holandesa de documentários e realities series, foram mais de 100 horas. E com a X-Treme foram licenciadas cerca de 50 horas de conteúdo de ação. A estreia do canal focado em ação, adrenalina, aventura e natureza foi no início de dezembro.

Cena do documentário “Marias”, da Primo Filmes, que já tem cenas captadas no Brasil, Peru, Cuba, México e Nicarágua.

Mulheres A Primo Filmes está produzindo o documentário “Marias”, o primeiro sob direção de Joana Mariani. A proposta do documentário é abordar a devoção às Marias padroeiras dos países da América Latina por meio de mulheres que se chamam Maria. “É mais sobre fé do que sobre religião”, explica Joana, que conta com o apoio da pesquisadora Carolina Chagas para a identificação de personagens. A produtora já filmou no Brasil, em Cuba, no Peru, na Nicarágua e no México. Em 2012, estão planejadas viagens à Argentina, Bolívia e Chile. A ideia de Joana é começar a montar em janeiro e ter o filme pronto para exibição na festa de Nossa Senhora de Aparecida, em outubro. A diretora conta que está em negociação também uma série de quatro episódios para a TV com o material. A Cinevídeo também prepara um documentário sobre mulheres chamado “Mulheres Africanas”. O trabalho, dirigido por Carlos Nascimbeni, vai contar a história de quatro mulheres sob a perspectiva do poder que exercem em suas áreas de atuação. Com embarque previsto para 20 de janeiro, a equipe passará por Moçambique, África do Sul, Tanzânia e Ghana, onde vão gravar com Mama Sara Masari, empresária, Luisa Diogo, ex-Primeira Ministra de Moçambique e Nadine Gordiner, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura.

Game desenvolvido pela Webcore é inspirado no reality "Nas Ondas".

Surf na web A Globo lançou o game “Surfínia” (surfinia. globoesporte.globo.com), desenvolvido pela Webcore, para estender o conteúdo do reality show esportivo “Nas Ondas”, que faz parte da programação do “Verão Espetacular”. Online e gratuito, o jogo permite que seu usuário surfe em seis praias de Itacaré, na Bahia – Prainha, Concha, Engenhoca, Havaizinho, Itacarezinho e Pontal. Para acumular pontos, o internauta deve executar manobras radicais sobre a prancha. Quanto maior o número e mais ousadas forem as manobras, mais pontos o jogador ganhará e assim melhor será sua posição no ranking disponível na página do jogo. O “Surfínia” fica no ar até março de 2012. Este é o sexto game online lançado pela TV Globo desde 2009, entre eles estão o “GameFutebol”, o “Missão Bioma” e o “SuperFinal Stock Car”.

Multiplataforma O Grupo Delicatessen, formado pela Delicatessen Filmes e DeliBistrot, lançou o estúdio multiplataforma Dlktsn Digital Shop (Delicatessen Digital Shop). A empresa terá Roger Macedo como sócio e diretor de criação. Os demais sócios são Gustavo Leme, Mario Peixoto, Alexandre Sallouti e Decio Matos Jr. A terceira empresa do grupo terá foco no desenvolvimento de websites, aplicativos para celulares/ tablets, instalações interativas e conteúdos audiovisuais (filmes, webséries, vídeos interativos), entre outros. Estão entre os planos da Dlktsn a criação e o desenvolvimento de plataformas digitais. 6

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Decio Matos Jr., Gustavo Leme, Roger Macedo, Mario Peixoto e Alexandre Sallouti, sócios da Dlktsn Digital. •

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Curtas latinos

Produção original do canal TNT, “Fronteiras” reúne curtas-metragens de dez diretores latino-americanos.

O canal TNT estreou a produção original “Fronteiras”. O canal propôs a dez diretores latinoamericanos que fizessem um curta-metragem de 20 minutos sobre o tema fronteiras no âmbito cinematográfico para cada um deles. A atração tem como anfitrião o argentino Juan José Campanella, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro com “O Segredo de Seus Olhos”. A produtora de Campanella, 100Bares, escolheu os diretores participantes, entre eles os brasileiros Jorge Furtado e Flávia Moraes. Completam a escalação os diretores mexicanos Jorge Michel Grau, Ruben Albarrán e Angel Flores Torres; os argentinos Gastón Duprat, Mariano Cohn e Ariel Guntern; além do colombiano Simon Brand e da peruana Claudia Llosa. Todos os curtas serão compilados como um epílogo no último episódio.

Aquisição O Grupo Cinecolor do Brasil (Chile Films) comprou a Cinema Produções Digitais, que passa a se chamar Cinecolor Digital. O grupo chileno, que atua no Brasil principalmente na área de cópias de película, contando com um moderno laboratório em Alphaville, em São Paulo, amplia a sua atuação local. Além da estrutura de cópias, o grupo é sócio do laboratório Megacolor, de revelação e transfer. Com a aquisição, a Cinecolor passa a prestar serviço de finalização digital, com estrutura capaz de executar da revelação à cópia de filmes, incluindo a finalização de áudio, com serviços de dublagem e trilhas. Para a parte de áudio, foram equipados três estúdios, sendo um capaz de finalizar áudio em Dolby 5.1. A estrutura de revelação e transfer do grupo será duplicada, uma vez que a nova casa também executa estes serviços.

Programação nacional da Living TV, canal para consultórios médicos, é produzida pela BossaNovaFilms.

Em espera O canal Living TV chegou ao mercado com a proposta de levar conteúdo de bem-estar, saúde e entretenimento para as salas de espera de clínicas, consultórios médicos e odontológicos, hospitais e laboratórios. Idealizada pelo empresário Ronan Rocha, que é seu presidente e CEO, a Living TV realizou pesquisas nas regiões da Grande São Paulo e de Campinas para desenvolver o conteúdo, que mescla produções nacionais (70%), assinadas pela BossaNovaFilms, com conteúdo internacional. Sua grade de programação é rotativa e renovada periodicamente. São dez blocos com no máximo 5 minutos de duração cada, com atrações sobre temas como Olhar (estética, beleza, moda); Verdejar (natureza, meio-ambiente, sustentabilidade); Movimentar (fitness, esportes, terapias corporais); Sentir (Saúde, Ciência); Experimentar (nutrição, gastronomia, receitas, restaurantes, lojas especializadas); BemHumorar (lazer, música, cinema, humor, livros, revistas); Atualizar (tecnologia, novidades, tendências, lançamentos eletrônicos); Saber (história, retrospectivas, finanças pessoais, biografias); Bem-Estar (terapias alternativas, estilos de vida, crenças, religiões) e Conhecer (turismo, design, arquitetura). T e l a

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Feito em casa O Viva estreou sua primeira produção original. O canal, que apresenta reprises de produções da TV Globo, exibirá toda segundafeira o “Reviva”. Com produção do próprio canal, o programa A atriz Claudia Abreu participa do apresenta entrevistas “Reviva”, primeira produção e reportagens, relembra original do canal Viva. os bordões e os figurinos que lançaram moda e traz de volta o panorama cultural, político e econômico da época de cada uma das novelas e minisséries que estão no ar. Cláudia Abreu e Glória Perez foram as primeiras entrevistadas do programa.

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( scanner) FOTOs: divulgação

Sem acomodação

O holandês Michiel Plugge, diretor de vendas e marketing da Zoom.in, com os executivos brasileiros que cuidarão do escritório paulista, Régis Lotumolo e Fábio Trindade.

Video-jornalismo aventura”. Ele acredita no potencial do país devido ao desenvolvimento da mídia por aqui. Outros países da América Latina também estão nos planos. O próximo deve ser o México.“Hoje não há distinção entre vídeo para Internet e vídeo para TV”, explica o executivo, afirmando que a plataforma também está aberta às negociações com os fabricantes de SmarTVs. A operação brasileira será liderada pelos executivos Fábio Trindade e Régis Lotumolo. A partir de janeiro, serão feitas as contratações de jornalistas para a produção local. A empresa já tem um cliente local, a Kappamakki Digital, responsável por distribuir o conteúdo da Zoom.in para as operadoras de celular. Já há contrato fechado com a Vivo. Atualmente, a Zoom.in produz diariamente mais de 150 vídeos em dez idiomas. Os conteúdos são transmitidos para 1,6 mil sites, atingindo uma audiência mensal de 45 milhões de pessoas. Plugge observa que 20% do faturamento com publicidade hoje vem de campanhas globais e os outros 80% dos anunciantes locais.

A Zoom.in, empresa holandesa de vídeos jornalísticos online, está montando sua base no Brasil. A proposta da empresa é oferecer conteúdo noticioso customizado aos portais, sejam vídeos dos 135 parceiros de conteúdo (entre eles empresas como Reuters e BBC) ou produção local própria. Hoje, a Zoom.in atua em 12 países. O modelo de negócios pode ser a simples aquisição de conteúdos ou a divisão de receitas com a publicidade inserida nos vídeos. O diretor de vendas e marketing da Zoom.in, Michiel Plugge, esteve no Brasil para a divulgação da empresa. Ele contou que a Zoom.in teve origem em 2003, em Amsterdã, como uma empresa de vídeos jornalísticos online cujo modelo era a assinatura. Como a estrutura não se apresentou muito lucrativa, a solução foi investir em parceiros de conteúdo, migrar para novos mercados, como Bélgica, Alemanha e Espanha, produzindo localmente também nestes países, e agregando publicidade. O investimento no Brasil, segundo o executivo, “é um compromisso, não uma

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Bruno Wainer, diretor da Downtown Filmes, reconhece que o cinema nacional vive um bom momento. Neste ano, sua distribuidora atingiu 7 milhões de ingressos dos aproximadamente 17 milhões que os filmes nacionais alcançaram. Duas produções, “Cilada.com” e “De Pernas para o Ar”, chegaram a um milhão de espectadores. Para 2012, as apostas são diversificadas, com títulos como “As Aventuras de Agamenon, o Repórter”, “Xingu” e “Gonzaga, de Pai para Filho”. É motivo para comemoração, mas não para acomodação. “O cinema brasileiro precisa vencer a barreira de lançar entre oito e dez filmes capazes de disputar um milhão de ingressos”, diz Wainer. Para isso, é preciso um fluxo maior e mais ágil de recursos para que distribuidores possam investir em projetos com potencial de mercado. Wainer defende o fortalecimento da linha C do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), que destina R$ 25 milhões à capitalização das distribuidoras independentes brasileiras. “Temos que defender a linha C Bruno Wainer: cinema do FSA e não nacional precisa de volume. permitir que os critérios saiam do escopo do mérito e descambem para uma tentação de distribuição de recursos”, afirma o distribuidor. A Downtown tem 25 projetos para desenvolver e os recursos são insuficientes para todos eles. Para o distribuidor, o cinema nacional precisa ter volume para dar margem aos erros. “Uma cinematografia não pode exigir que seus projetos acertem 100%”. A franquia é um segmento do cinema no qual a distribuidora começa a apostar. Para 2013, filmes de duas franquias devem ser lançados: “De Pernas para o Ar 2” e “Muita Calma Nessa Hora 2”. Está planejado para 2014 o lançamento de “Cilada.com 2”. Wainer destaca que as franquias e o desdobramento da produção cinematográfica em séries de televisão são atestado de amadurecimento do mercado.

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Sítio Animado

Parceria

O primeiro projeto no qual a Globo investe recursos do Artigo 3°A é também a primeira coprodução de animação da emissora. A versão em desenho animado do “Sítio do Picapau Amarelo”, produzida pela Mixer, estreia em 7 de janeiro. A primeira temporada, inspirada no livro "Sítio do Picapau Amarelo" é o primeiro projeto em que a “Reinações de Narizinho”, de Globo investe recursos do Artigo 3º A. Monteiro Lobato, tem 26 episódios de 11 minutos e ocupará as manhãs de sábado na grade da emissora. Dos R$ 4 milhões do orçamento da série, a Globo entrou com R$ 3 milhões pelo mecanismo de incentivo e o restante foi complementado pelo Cartoon Network, que deve exibir a série a partir de abril para toda América Latina, e pela Mixer, que investiu recursos próprios. Segundo Tiago Mello, produtor executivo da série, emissora e produtora terão partes iguais nos negócios oriundos da série, sejam vendas internacionais, lideradas pela Globo Internacional, sejam contratos de licenciamento. José Luiz Bartolo, diretor de licenciamento da TV Globo, contou que a série já conta com 18 contratos e cerca de 60 produtos licenciados. Cerca de 70 profissionais estiveram envolvidos na série. A adaptação e roteiro final é de Rodrigo Castilho e a direção é de Humberto Avelar. Reynaldo Marchezini assina a supervisão artística.

A Dínamo Filmes fechou contrato para trazer ao Brasil a Rattling Stick, uma das mais premiadas produtoras no mercado global. Sediada em Londres, a produtora acaba de abrir uma unidade em Los Angeles, nos Estados Unidos. A associação dá mais musculatura à atuação da Dínamo Internacional, operação do Grupo Dínamo. Sua atuação vai muito além do Reino Unido, já que ela também trabalha para filmes nos Estados Unidos e em outros países da Europa. No Brasil, os oito diretores da Rattling Stick passam a ser disponibilizados para a publicidade brasileira via Dínamo Filmes, que se torna sua representante exclusiva no país.

Ano novo A Turner apresentou os destaques da programação de seus 11 canais disponíveis no Brasil para 2012. No TNT um dos principais destaques é a transmissão de eventos ao vivo. A cobertura do Oscar terá a presença pelo oitavo ano do comentarista Rubens Ewald Filho, e ganha a participação da dupla de repórteres Sabrina Parlatore e Cássio Reis no tapete vermelho (chegada dos artistas). O canal também transmite o Scream Awards, em outubro, o Globo de Ouro, em 15 de janeiro, e a premiação da Screen Actors Guild, no dia 29 de janeiro, além dos prêmios musicais Grammy, em 12 de fevereiro, e Billboard Music Awards, no primeiro semestre, e American Music Awards, em novembro. Além dos eventos de cinema o canal também contará com o The Victoria’s Secret Fashion Show, em dezembro, o Sports Illustrated Swimsuit no primeiro semestre, e o Miss Universo, no início do segundo semestre, além do inédito The 2011 Video Game Awards em 21 de janeiro. Conhecido pela programação de filmes, o canal também contará com algumas séries: a inédita “Suits” e a segunda temporada de “Falling Skies”, com Noah Wyle (“ER”), e produzida por T e l a

Steven Spielberg. No Warner Channel o destaque principal é para “Alcatraz”, nova série de J.J. Abrams, cujo primeiro episódio vai ao ar em 22 de janeiro, um dia após sua exibição nos EUA. O restante da série será exibido a partir de fevereiro. O canal TruTV estreia em 2012 a nova série brasileira “Los Hermanos Perdidos no Brasil”, que acompanha a aventura de um argentino, um paraguaio e um uruguaio que atravessam o país em uma Kombi da década de 1970. Volta também a série “Operação Policial”, que acompanha as ações da Polícia Militar de São Paulo, em nova temporada. Já o WooHoo, canal nacional de esportes radicais da programadora, chegou a marca de um milhão de assinantes e cinco horas e meia de produção original por dia. Para o próximo ano os destaques são os novos realities “Camaleão”, sobre skatistas, e “Curta circuito”, que acompanha a vida de diretores de curtas-metragens. Outro canal com grande presença de produções locais é o Glitz, que em 2012 terá novos episódios de “Lado H”, “Glam”, “Taste It”, “Um dia com” e “Update”. Cássio Reis, que participará da transmissão do Oscar 2012, do TNT.

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( scanner) Demanda dos pequenos

FOTO: divulgação

incluem séries como “Backyardigans”, “Moranguinho” e A Log On, distribuidora do segmento de home “Sid, o Cientista”. De conteúdo nacional, somente séries video, desenvolveu a plataforma e lançou um canal da Revista Recreio, da Editora Abril. infantil online, o Clube DX TV, que propõe unir a Mace explica que o canal está aberto a conversas oferta de conteúdo online e sob demanda com a interação com produtores independentes brasileiros, mas, das redes sociais Facebook e Twitter. O produto geralmente os modelos de passou por um ano de testes produção apoiam-se em com mais de 30 mil usuários. parcerias com canais de TV, que Atualmente, o canal tem travam os direitos das atrações 43 mil usuários cadastrados para outras mídias durante e 22,5 mil pagantes. algum período. Além da A meta agora é assinatura, o acesso aos proporcionar o acesso do conteúdos poderá acontecer por conteúdo em outros meio de cards distribuídos no dispositivos, como tablets e varejo pela inComm. Estarão celulares. A primeira versão disponíveis cartões com seis para Android está pronta e meses de acesso ilimitado e deve ser lançada ainda este cartões de propriedades ano. Em janeiro de 2012, é a específicas, com quatro vez dos aparelhos conectados episódios de uma atração livres da Sony (PS3, Blu-Ray e e 30 dias a partir da ativação televisores). A Log On fez um Clube DX TV, da distribuidora Log On, oferece conteúdo com o código para consumir contrato de exclusividade com sob demanda para crianças. vídeos relativos a uma a fabricante. Segundo o diretor propriedade. Outra maneira de incentivar o consumo, presidente da empresa, Eduardo Mace, o produto segundo Mace, é oferecê-lo como complemento dos assemelha-se muito mais a um canal de TV do que a serviços de TV por assinatura, formando uma rede de uma locadora virtual. Com a assinatura de R$ 9,90, o afiliadas. A primeira destas afiliadas é a TV Alphaville. usuário tem acesso ilimitado aos conteúdos e pode A Log On está testando maneiras de oferecer o conteúdo personalizar a plataforma com a qual quer assistir. É no set top da operadora. A expectativa da empresa é possível fazer segmentação por gênero e idade. chegar a 200 mil assinantes até o final de 2012 e a 3 O conteúdo é licenciado junto aos detentores dos milhões de pagantes no mesmo período. A Log On direitos. A Log On fez também uma parceria com a DLA. planeja para o início do próximo ano o canal DX TV O usuário encontra 120 horas de programação e a cada Prime, com conteúdo voltado para a família. semana entra no ar uma nova série. Os conteúdos

Campeões de bilheteria marketing. “Investimos em média R$ 1 milhão por filme, mas o valor já chegou a R$ 6 milhões”, diz. Além do marketing na própria programação do canal, veiculando making ofs e entrevistas no horário nobre (antes da estreia das 22hs, em todos os canais Telecine), também são comprados espaços em outras mídias, como nos outros canais Globosat e em mídia externa. “Temos algumas coproduções em filmes distribuídos por outras empresas, além da Imagem, mas são casos pontuais”, completa. Abrão Scherer, sócio da Imagem, apresentou em dezembro o lineup de filmes nacionais para os próximos dois anos. Segundo ele a participação dos filmes nacionais na bilheteria total da

A parceria entre a distribuidora Imagem Filmes e os canais Telecine gerou duas das maiores bilheterias nacionais em 2011: “Bruna Surfistinha”, das produtoras TV Zero e Damasco, e “O Palhaço”, da Bananeira Filmes. O primeiro fez uma renda em cinema de R$ 19,5 milhões, enquanto o segundo, ainda em cartaz, se aproxima dos R$ 13 milhões. João Mesquita, diretor geral dos canais Telecine, conta que montou uma estrutura para fazer a análise e acompanhamento dos projetos desde que foi chamado pela distribuidora para coproduzir os filmes distribuídos por ela, há quatro anos. O Telecine entra nos filmes como investidor, sendo o seu aporte em 10

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distribuidora em 2011 foi de 35%. “Nossa meta é elevar esta participação para 50% no próximo ano”, diz. Para isso, aposta principalmente nos filmes “Dois Coelhos”, do diretor estreante Afonso Poyart e produção da Black Maria Filmes, que estreia em janeiro; “Billi Pig”, de José Eduardo Belmonte e produção da Bananeira Filmes; “O Vendedor de Passado”, de Lula Buarque de Hollanda e produção da Conspiração; e “Somos Tão Jovens”, de Antonio Carlos Fontoura e produção da Canto Claro. No total, serão dez lançamentos nacionais em 2012, incluindo uma animação. “Temos trinta projetos em diferentes estágios de desenvolvimento”, diz Scherer.

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Fotos: divulgação

( figuras) Anatel

Atendimento

Vitor Cravo foi nomeado para o cargo de procurador especializado na Anatel. Cravo era coordenador jurídico no Ministério das Comunicações. Ele substituirá Marcelo Bechara, que agora integra o conselho diretor da agência. Foi nomeado também Flavio Bianchi para a consultoria jurídica do Minicom, cargo que era ocupado por Rodrigo Zerbone, que Marconi Maya também passou a compor o conselho diretor da Anatel. Além deles, foram feitas as nomeações de Bruno Ramos para o cargo de superintendente de Serviço Privados, Marconi Maya como superintendente de Serviços de Comunicação de Massa e Marcus Paolucci para o cargo de superintendente de Radiofrequência e Fiscalização.

A produtora de som Voicez, comandada por Luciano Kurban, amplia a equipe de atendimento. Chegam à produtora Aninha Apolinário (ex-Comando S) e Tina Carlos (ex-Sagaz Filmes, Conspiração e Zulu Filmes). A equipe de atendimento é formada ainda por Daniela Celer. O departamento tem como assistente Luana Coelho.

Tina Carlos, Dani Celer, Luciano Kurban, Aninha Apolinário e Luana Coelho

Roteiristas A Assembleia Anual da Associação dos Roteiristas do Brasil elegeu sua nova diretoria. Após dez anos à frente da associação, Marcílio Moraes deixou a presidência, ocupando agora a vice-presidência do conselho. O roteirista e ex-secretário do audiovisual do Ministério da Cultura Newton Canitto assume o comando da associação, que representa 250 autores-roteiristas de todo o país. A Newton Canitto associação pretende atuar em várias frentes, inclusive promovendo a formação e especialização profissional, buscando a valorização do trabalho do roteirista. Uma ideia proposta pelo novo presidente é financiar projetos que partam de agências de conteúdo, controladas pelo criativo, pelo autor-roteirista.

Diretor executivo A Escala promove ao cargo de diretor o executivo Daniel Landi. Após um ano na gerência de Negócios, atendendo Warner Home Entertainment e projetos digitais de clientes como 3M, Daniel estará à frente da rede Sonae Sierra Brasil, com 13 shoppings em diversos Estados do país, e da Warner Home Daniel Landi Entertainment. A agência contratou também novos profissionais. Para a equipe de Negócios, entram três executivos: Thaís Argenton (ex-Full Jazz), Bruna Darakdjian (ex-141 Soho Square e Espaço Z) e Leandro Fernandes (ex-Sun MRM, Salen e Sunset). Já a área de Criação recebe a redatora Daniella Ferreira, (ex-SLM Ogilvy e da GlobalComm). 12

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Comercial e jurídico Felipe Goron é o novo diretor geral de Mercado Nacional do Grupo RBS. O profissional ocupava o cargo de diretor de planejamento e marketing para o Rio Grande do Sul e assume a área de comercialização nacional dos veículos da RBS. Ele substitui o executivo Claudio Santos, que ficará responsável pela vice-presidência Felipe Goron comercial e de marketing da GEO Eventos. Outra contratação da RBS foi a de Alexandre Kruel Jobim como vice-presidente jurídico e de relações governamentais. Ele assumirá a posição no dia 1º de fevereiro de 2012 e se reportará ao presidente do Grupo RBS, Nelson Sirotsky. Sob sua responsabilidade, estarão o setor jurídico da empresa, a sucursal de Brasília e a área de relações governamentais. Atualmente, Jobim atua no escritório Galvão, Jobim e Vieira de Carvalho Advogados Associados, em Brasília.

Vendas A Sony Pictures Television no Brasil contratou Luciana Valerio para a equipe de gerentes de vendas. A profissional trabalhou nos últimos nove anos na Fox Latin America do Brasil e tem passagens pelo Editora Globo e pelo Grupo Abril. Luciana ficará em São Paulo e se reportará a Mauricio Kotait, vice-presidente de ad sales do grupo Sony Pictures no país.

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( capa )

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O segundo salto fotos: marcelo kahn

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O2, uma das maiores produtoras nacionais de publicidade, cinema e televisão, chega aos 20 anos bem posicionada. Seus diretores, a começar pelo sócio Fernando Meirelles, são reconhecidos internacionalmente. A empresa mantém uma parceria exclusiva para a produção em TV aberta com a Globo e prepara-se agora para a explosão da produção para a TV paga, com a Lei 12.485. Para os diretores e sócios Fernando Meirelles e Andrea Barata Ribeiro (a empresa ainda tem como sócio o diretor Paulo Morelli), o mercado prepara-se agora para dar sua segunda mudança de patamar desde que a empresa surgiu, em 1991. O primeiro foi com a retomada do cinema, que permitiu o surgimento de uma geração de realizadores. O segundo, acreditam, se dará com a abertura da TV paga às produções nacionais. Eles receberam TELA VIVA para esta entrevista na sede da produtora na Vila Leopoldina, em São Paulo, que está passando por uma grande reforma, projeto da arquiteta Cristina Xavier. Eles falam sobre os novos projetos da casa, mas também dão sua visão sobre o mercado de conteúdos e publicidade, as mídias digitais e o momento promissor da produção nacional.

Andrea Barata Ribeiro e Fernando Meirelles

de cinema e TV não existia. Só publicidade. Em 2000, 2001, na época do “Cidade de Deus”, o cinema passou a ser viável comercialmente. E dez anos depois, ou seja, agora, televisão também passa a ser um negócio viável. Parece que houve um “boom” naquela época e vai haver um novo “boom” agora. Para mim a “retomada” da televisão está acontecendo agora. ANDREA BARATA RIBEIRO - Ou melhor, a “tomada”, porque a gente nunca tomou antes (risos). É a primeira

TELA VIVA - Quais foram, nesses 20 anos, as principais mudanças no mercado, os grandes marcos? FERNANDO MEIRELLES Respondendo de um jeito simples, o primeiro foi há dez anos. Quando começamos, em 1991, o mercado 14

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vez que a produção independente terá uma chance. Haverá oportunidades para todos, ou só para as grandes produtoras? FERNANDO - Para todos. Vai precisar de programa para a BabyTV, mostrando chocalhinho para crianças de quatro anos, que vai custar R$ 6 mil. E tem gente que faz meia-hora por esse valor. E precisam de séries de prestígio para por às 20h. Estão


fita. Nunca pediram pra tirar nada, no máximo pedem pra reduzir um pouco a duração na quarta-feira, porque tem futebol, coisa assim. Não tem por que mexer, é uma relação boa, os caras são sérios, gostam de qualidade. Estamos agora com dois projetos de série lá, e estamos com dois projetos muito ambiciosos, dez vezes mais caros do que eles costumam pagar, tem que ser um esquema de comercialização diferente. Vamos ver se a gente consegue convencê-los, depois de dez anos de parceria, a dar uma “tacada” mais forte.

pedindo tudo, realities, documentários, ficção. ANDREA - Vai ser a primeira vez que de fato haverá um espaço para a produção independente. Vai dar pra atender esta demanda, há um parque de produção suficiente? FERNANDO - Vai demorar para atender plenamente, direito. Pros caras (canais) poderem escolher exatamente o que querem, vai levar uns três anos. Os canais têm medo que com a demanda aquecida o custo de produção aumente muito. Isso vai acontecer? ANDREA - Talvez num primeiro momento isso aconteça, mas também vai se formar mais gente, empresas. Vai ter muito mais concorrência no mercado. Acho o contrário. Se você compara o audiovisual de alguns anos atrás e agora, não está tão mais caro. Na publicidade o valor caiu, porque tem mais concorrência. Então a mesma coisa vai acontecer na televisão. É reprimido num primeiro momento, depois tem um monte de gente fazendo. FERNANDO - A gente está pensando isso internamente porque sabemos que o que eles pagam (canais fechados) é menos do que a gente ganha, por exemplo, da Globo. Então nossa ideia é juntar um pacote de projetos para um mesmo canal, e ao invés de fazer só um programa, fazer, digamos, três. Aí contratamos um câmera, uma equipe fixa, e tentamos no mesmo período fazer tudo. Assim a gente consegue viabilizar custo. ANDREA - Agora, os canais pagam muito pouco também, né? O fato é que eles também vão ter que subir (os valores), porque os caras não contratam nada, trazem tudo de fora. Pagam muito barato o minuto. Pra fazer um programa, atualmente, para a gente não compensa. A gente nem sequer cogitou. Se montar um pacote, tiver volume, aí compensa.

Como é a divisão de receitas da O2 hoje entre a publicidade e a produção de conteúdos? FERNANDO - Quando a produtora começou, há 20 anos, a gente fazia praticamente só publicidade. Hoje se pegar o faturamento, deve dar mais ou menos 70% de publicidade e 30% de conteúdo, cinema e TV. E isso deve chegar logo a 40%. A publicidade nunca caiu, sempre cresceu, temos mais diretores etc. As outras coisas é que foram crescendo mais.

“com a nova lei haverá oportunidades para todos. há demanda por programas simples e por séries em horário nobre.” E na TV aberta? Vocês mantêm a parceria com a Globo? Veem alguma emissora se movimentando? ANDREA - A gente não olha (os outros) porque tem uma exclusividade com a Globo. Mas estão se movimentando sim, vários produtores amigos estão produzindo para a Record, TV Cultura.

Entre cinema e TV, qual a divisão? ANDREA - Depende muito do ano. Cinema é uma coisa muito concentrada, então se em um ano entram um ou dois filmes de, digamos, R$ 15 milhões, desequilibra pro lado do cinema. No outro ano pode não entrar filme grande, trabalharmos só com projetos pequenos. FERNANDO - Este ano (2011) por exemplo, fizemos os filmes “Xingu” (de Cao Hamburguer) e “A Cadeira do Pai” (de Luciano Moura, indicado para representar o Brasil em Sundance), e quase nada de televisão. Então entrou R$ 20 milhões de cinema e nada de TV. Pro ano que vem temos já em janeiro um projeto com a HBO, então começamos com TV lá em cima.

Para vocês interessa, neste momento do mercado, manter esta parceria exclusiva com a Globo? FERNANDO - Interessa. São parceiros que, além de terem mais dinheiro e visibilidade, o que permite produzir melhor, têm com a gente uma relação de confiança. A gente propõe projetos, e quando eles falam “vamos desenvolver esse”, criamos tudo aqui. Trocamos alguns e-mails para acertar roteiro, orçamento, mas a gente toca sem ninguém controlar. Um dia entregamos a

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( capa ) foto: marcelo kahn

E daqui para a frente, como será este equilíbrio? ANDREA - Surpreendentemente, a TV aberta ainda é a mídia que mais cresce no Brasil, então a publicidade fica muito forte também. Ainda temos muitos anos pela frente com o formato de 30 segundos. É claro que a publicidade está tentando se apropriar também dessas novas possíveis mídias, cinema, web, estão procurando isso. FERNANDO - Mas agora também a classe C começa a ter mais acesso ao cabo, não tem jeito. A TV aberta nunca mais vai voltar a ter as audiências que tinha no passado. Muito cliente hoje está nos pedindo programas patrocinados, como era no passado, no início da TV. Isso está bombando. Que projeto é esse com a HBO? ANDREA - Chama-se “Destino SP”, sobre imigrantes e migrantes na cidade. É uma série de ficção que vai abordar seis comunidades em São Paulo. FERNANDO - São histórias curiosas, cada episódio é cuidado por um núcleo dramático diferente: coreanos, bolivianos, judeus, chineses, nigerianos e argentinos. O coreano por exemplo é a história de um senhor idoso que está para morrer e no país natal ele comia cachorro, então quer comer novamente antes de morrer.

“nossos filmes têm prestígio. agora queremos buscar mais o público. é duro para o produtor quando o filme vai mal no cinema.” FERNANDO - Não tem muito padrão, a cada período a gente vai respondendo à demanda, interna ou externa, de um jeito. Agora por exemplo a gente recebeu a visita de algumas televisões, até de fora, porque agora eles têm que produzir um monte (por conta da Lei 12.485). Todos querem projetos para as grades. Então fizemos uma reunião com o pessoal da casa, explicando o que cada TV quer, e pedindo projetos para isso. Já temos 18 projetos na mão, só do pessoal da casa. ANDREA - Tem outra forma também, que acontece no dia-a-dia. Todo o projeto de terceiros que entra na casa passa por uma triagem, uma ou duas pessoas leem, eu leio... Acontece de vir um projeto de fora e a gente abraçar, como foi o “Lixo Extraordinário” (documentário de Lucy Walker). Uma série que estou desenvolvendo para a HBO veio assim também, de fora.

E o casting, é feito nas comunidades? ANDREA - Sim, já estamos fazendo, já achamos vários atores. Quer dizer, não são atores treinados, estamos escolhendo para capacitar. FERNANDO - Isso que é bacana, você pega um grupo de pessoas que nunca atuou e dali saem 30 pessoas que podem acabar virando atores, como fizemos em “Cidade de Deus”. Além dos trabalhos desenvolvidos internamente, vocês recebem muitos projetos de fora. Como é esse fluxo? 16

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Quais os principais projetos atuais? FERNANDO - Estamos fazendo o “Toca dos Leões”, sobre o sequestro do Washington (Olivetto), que é um filme de gênero. A O2 faz muitos filmes bons, que vão pra festivais, Cannes, Sundance, como “À Deriva” (de Heitor Dhalia), mas que não fazem um público enorme no Brasil. Têm prestígio, acabamento. Agora a gente, nos últimos meses, está começando a focar também, sem fazer comédia apelativa só pra ganhar dinheiro, em juntar as coisas (qualidade e público). Vamos fazer filme de gênero, mas bom. Estamos com esse projeto (“Toca”) que é bom, não é “bateção de carteira”, e outro projeto que é “O Elo”, um policial, meio suspense, com fantasmas, mas uma história interessante, com bom acabamento, tipo um “Sexto Sentido” (de M. Night Shyamalan). Essa atitude é nova pra gente. Sempre íamos pro filme “cabeça”, mais autoral. Agora estamos assumindo fazer filmes “para o mercado”, mas bons. Mas vocês têm filmes com boas bilheterias também... ANDREA - Sim, tivemos casos como “Cidade de Deus”, “Ensaio sobre a Cegueira”, “Viva-voz”. Mas faz tempo que a gente não emplaca um milhão (de espectadores), um milhão e meio... Todos têm muito prestígio. Atualmente temos dez projetos em andamento na casa, de longa-metragem. Não é verdade que a gente nunca tenha pensado no público. Eu não paro de pensar no público nem um minuto. Produzir para a televisão não traz mais esse tipo de visão, pensar mais na audiência? ANDREA - O que nos faz pensar no público, principalmente, é que fazer cinema é um esforço gigantesco. Você passa cinco anos trabalhando num projeto, e no primeiro final de semana (de exibição) o destino destes cinco anos de insônia, de trabalho, está definido. Se vai bem, tudo bem,


mas se vai mal no primeiro fim de semana você está excluído, não tem mais chance. Então uma hora você fala que não quer mais botar todo esse esforço pra chegar na estreia e não acontecer nada. É duro pro produtor, quero mostrar o filme pro público, quero que o público goste. FERNANDO - Aconteceu com um diretor nosso, o Nando (Olival), com um filme independente dele chamado “Os Três”, que acabou de lançar. Ele precisava fazer 120 mil espectadores para “zerar”. Lançou com 25 cópias. Saíram críticas boas, falando super bem, foi bem nos festivais, mas na classificação do Estadão apareceu como “Fraco”. No primeiro fim de semana o filme foi mal, cortaram as cópias, deixaram só seis salas, isso mata o filme. ANDREA - Cinema é cruel... Agora quero público. Serão bons

filmes, a gente não vai fazer qualquer coisa, mas que tragam público. E na área digital? Vocês já fizeram games, produzem para outras mídias, isso já é um negócio? ANDREA - Ainda não. A gente não tem mais aqui essa coisa de áreas, de braços (de produção digital), aqui dentro tudo converge para a mesma coisa, no fim você tem que tentar várias plataformas, várias mídias, várias formas para o mesmo cliente. Quem pensa já tem que pensar global. Mas é uma coisa pequena ainda, não é um mercado formado. Há cases de sucesso, fizemos a websérie da Localweb, quando nem tinha banda larga no Brasil e teve 3 milhões de views, fizemos pro Bradesco, sobre iPad, mas é muito pequeno. Atualmente é mais estratégico, para a produtora dominar a tecnologia, o conhecimento, do que como um negócio.

Como veem a produção transmídia? É um modismo? Tem que fazer mesmo ou é melhor se focar em produzir um bom filme ou uma boa série para a TV? FERNANDO - Eu sou um diretor que, confesso, penso sempre em fazer uma série ou um drama bem feito que o cara vai lá e assiste. Isso como diretor, mas na produtora tem uma galera que só pensa nisso (outras mídias). ANDREA - A gente faz. Se você pegar o “Xingu”, por exemplo, teve o filme, vai ser uma série para a TV, teve uma exposição interativa, a gente liberou os direitos para que se fizesse um reality sobre os Villas Boas, então a gente aplica aos nossos projetos. O filme teve um blog que teve um acesso gigante, então a gente procura aplicar o conceito de transmídia aos nossos produtos.

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( programação) Daniele Frederico

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Onde está a segmentação? Canais pagos tornam-se cada vez menos especializados e mais parecidos entre si. Programadores contam o que motiva mudanças no posicionamento. FOTOS: divulgação

Programa “Update”, do Glitz: canal deixou de ser focado em moda para tratar de temática mais abrangente, voltada para comportamento e estilo de vida.

O diretor de programação da Net Serviços, Fernando Magalhães, explica que as substituições de canais são tratadas caso a caso pelas operadoras, mas que os contratos de programação preveem as adequações. “Quando o canal muda materialmente, sentamos à mesa para discutir essas mudanças”, diz. Embora essas substituições de canais sejam raras, adaptações da programação a públicos maiores e dentro de categorias existentes têm acontecido com mais frequência na TV por assinatura. “Trata-se de uma adaptação do produto para que ele funcione melhor. Esse é um movimento vivo de produto”, diz Magalhães. Um dos canais a sofrer essas adaptações em 2011 foi

“Além do canal linear, é possível atender ao nicho com o VOD”. Fernando Magalhães, da Net Serviços

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o Glitz, antigo Fashion TV Brasil. Antes mesmo de ter seu nome mudado para Glitz (o que aconteceu por rompimento do acordo com a Fashion TV Paris), o canal da Turner já passava por mudanças em sua programação para adaptar-se a uma realidade de mercado diferente. Vale lembrar que Michel Adam, presidente e fundador da Fashion TV, disse, em fevereiro último, que não estava satisfeito com as mudanças do canal no Brasil, cujo conteúdo já não estaria mais de acordo com o perfil que o canal tem em outros países. Em maio, com o fim da parceria, o canal ganhou novo nome e deu continuidade às mudanças que vinham sendo realizadas com o objetivo de ampliar a temática do canal, de moda para comportamento e estilo de vida. “Vemos essa tendência no mercado e há razões mercadológicas bem claras para isso”, diz Daniel Conti, diretor geral do Glitz. Segundo Conti, uma das razões que apontam para essa tendência é o hábito de TV aberta do público brasileiro. “Por mais que se criem opções segmentadas, o hábito de variedades se reflete no meio de consumir a TV fechada”, diz o diretor. Além da tendência histórica por esse tipo de programação, o momento pelo qual passa a TV por assinatura, de entrada da classe C, traz novas necessidades para os canais. “A classe C traz FOTO: marcelo kahn

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m dos grandes diferenciais da TV por assinatura em relação à TV aberta sempre foi a especialização da programação de seus muitos canais. Diferente dos canais abertos, que exibem uma grade destinada a toda a família, o trunfo da TV paga é a oferta de canais 24 horas dedicados a interesses tão diversos como golfe ou moda. Com a pressão por aumento de audiência, ampliação de receita publicitária e atração de novos públicos, os canais vêm adequando a sua programação para contemplar temas mais abrangentes, encaixando-se em categorias pré-existentes como “filmes e séries” e “estilo de vida” e, em alguns casos, deixando totalmente de lado o conteúdo de nicho. Foi o caso do Sony Spin, que em maio de 2011 substituiu o Animax, canal dedicado totalmente a animês. O grupo Sony optou por substituir o canal de desenhos japoneses por um mais abrangente, voltado para o público jovem. Com séries, reality shows e programas musicais, o Sony Spin marcou a saída da Sony da oferta de nicho para a entrada na briga pela fatia do público jovem, até então distribuída em canais como Multishow e MTV. Para 2012, segundo informações não-oficiais que circularam na imprensa, o Fox Sports deve chegar ao Brasil, através do espaço ocupado hoje pelo Speed, canal voltado exclusivamente aos esportes a motor.


uma necessidade de trabalhar mais o entretenimento do que uma programação segmentada tematicamente”, completa. Segundo Conti, uma segmentação muito restrita, como acontece no mercado de revistas, por exemplo, não funciona para a TV. “Se fossemos pensar apenas em moda, como algumas revistas fazem, o universo de alcance e audiência seria inviável”, diz. Antes das mudanças começarem a ser implementadas no então Fashion TV Brasil, o canal contava apenas com imagens de desfiles e festas. Com a mudança no posicionamento, ele começou a ganhar uma veia de comportamento e estilo de vida, com temáticas que vão além da moda, como música, gastronomia, arte, lugares, e, evidentemente, a própria moda. Dentro da proposta de

“O canal pago caminha para uma exploração mais ampla dentro de temáticas específicas”. Daniel Conti, do Glitz

reformulação do canal, estava também a produção original. Na primeira fase de mudanças, o canal comemorou a realização de dez projetos nacionais com uso de Artigo 39. Além da produção nacional, o canal busca diferenciação de outros que seguem a mesma linha, de comportamento e estilo de vida, por

tem mirado um target diferente de outros canais que possam ter o mesmo posicionamento: homens e mulheres de 25 a 39 anos. Ele lembra ainda que apesar do Glitz e de outros canais pagos estarem mais abrangentes, eles estão longe de se parecerem com os canais abertos. “Acho que o canal pago caminha para uma exploração mais ampla dentro de temáticas específicas”, resume o executivo. Contra a maré Quem também reformulou um canal para brigar dentro de uma categoria já repleta de canais

Substituições de canais são tratadas caso a caso pelas operadoras, mas contratos de programação preveem adequações. meio de um “olhar Glitz”. “Temos um estilo próprio para filtrar e adquirir ou produzir conteúdo. Definimos uma estética muito particular, no ritmo dos programas, na edição, nas pessoas que escolhemos para serem a imagem do canal”, diz Conti. Além disso, o Glitz

experientes foi a Discovery. Em 2010, quando decidiu mudar o nome do canal People+Arts e criar o Liv, apenas para a América Latina, a programadora fez uma aposta no segmento de entretenimento, com foco na

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( programação)

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“nichado”. Para chegar ao modelo ideal, segundo o executivo, é preciso fazer a “matemática do assinante”. “Há 15 anos a TV por assinatura não tinha uma distribuição tão grande. Quem assistia ao Discovery Turbo? Apenas os amantes de motor dentro da TV paga. Hoje, temos o mesmo target, mas a distribuição é muito maior. Torna-se um nicho muito mais volumoso”, explica.

FOTOS: divulgação

categoria de filmes e séries, amplamente explorada por outras programadoras, como Sony e Turner. “É um superdesafio de quem trabalha com programação, conseguir um equilíbrio: não ser o nicho ao extremo, mas ser algo que o assinante consiga identificar”, diz o diretor de programação da Discovery, André Rossi. Ele lembra que o People+Arts já vinha no caminho de ter mais entretenimento, com séries e reality shows de competição, mas a entrega do canal não estava muito clara para o assinante. “O nome também não ajudava para que fosse visto como canal de entretenimento”, lembra. Segundo Rossi, a mudança do People+Arts para Liv foi impulsionada por posicionamento, não por audiência. O executivo diz ainda que revê o posicionamento dos canais do grupo a cada ano, para que eles continuem relevantes para o assinante e se tornem “destino” para aqueles temas. “No caso do Animal Planet, por exemplo, não mudamos a programação, mas a modernizamos. Quando o canal começou, a programação mostrava, basicamente, os animais em seu habitat natural. Durante algum tempo isso funcionou, mas o gênero começa a se desgastar. Se estivéssemos mostrando só programas de comportamento animal, ficaria repetitivo”, diz. “Hoje, contamos histórias de animais, mas agregamos a relação destes com os homens”. Mesmo com a investida no Liv para brigar em uma categoria existente, com concorrentes de peso, a Discovery não deixou de apostar na programação de nicho. Tanto que um dos canais da programadora que mais cresceu em 2011 foi o

“A Física do Impossível”, do Discovery Science: programadora aposta nos canais de nicho, que ganham volume com o aumento da distribuição.

Discovery Turbo. “Na Discovery, acreditamos na segmentação, com cada canal entregando um tipo de programação. Os nomes de alguns canais já definem o que ele é, como o Discovery Science, o Travel & Living Channel (TLC) e o Animal Planet”. No caso da Discovery, a ideia é continuar com um portfólio de canais diversificado, mas com público bastante claro. “Pode acontecer de ‘nichar’ muito um canal e ele ter uma audiência menor. Mas quando você segmenta de maneira bem feita, cria um canal destino”, diz. Apesar dessa aposta, Rossi reconhece que não é possível ser extremamente

“Na Discovery, acreditamos na segmentação, com cada canal entregando um tipo de programação”. André Rossi, da Discovery

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Caminhos possíveis Com as programadoras em busca de audiência e os canais tornando-se mais parecidos entre si, sobra espaço para o conteúdo de nicho? Para programadores e operadora, sim. Esse espaço pode ser aquele disponível nas novas e mais personalizadas formas de distribuição, como o video on-demand. “Não é mais preciso lançar um canal específico para um nicho. Agora esse conteúdo pode ir para o VOD”, diz Magalhães, da Net Serviços. Ele diz ainda que, com uma produção de conteúdo mundial relativamente inelástica, é difícil para um canal linear ser lançado para um nicho que ainda não esteja atendido no mercado. “Antes só era possível atender a um nicho específico com um canal. Agora, além do canal linear, é possível atender essa demanda com o VOD”, completa. Magalhães ressalta que ainda acredita nos canais lineares de nicho. “Canais como TCM, History, Viva, Bem Simples e Travel & Living Channel são canais de nicho, e que estão funcionando bem”, diz. “Vale lembrar também que a audiência não é a única variável de avaliação de um canal”. Para Conti, o conteúdo de nicho segue no line-up, mas a tendência para o conteúdo muito segmentado é a oferta mais direcionada. “O caminho desse conteúdo é ser oferecido a la carte, em pay-per-view ou VOD, não só na TV paga, mas em outras mídias digitais”, conclui.

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Encontro que discute modelos de negócio, conteúdos e aplicações móveis voltadas ao usuário final.

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(audiência - TV paga)

Bom de briga

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Foto: divulgação

a luta pelo melhor alcance diário médio da TV por assinatura, o canal SporTV ganhou de nocaute de seus adversários, em outubro deste ano. O canal de esportes da Globosat registrou 11,84% de alcance diário médio e tempo médio diário de audiência de 37 minutos entre o público adulto. Neste mês, um dos destaques de audiência do canal foi o UFC 137, campeonato de MMA que aconteceu em Las Vegas, em 29 de outubro, e teve como principal atração a luta entre o havaiano BJ Penn e o americano Nick Diaz. Segundo informações do canal, cerca de 1,3 milhão de pessoas passaram pelo SporTV durante a transmissão. Depois do SporTV, aparecem no

Campeonato de MMA foi destaque na programação do SporTV em outubro

ranking Multishow, TNT, Fox e Globo News. No total, os canais pagos tiveram entre o público com mais de 18 anos, alcance diário médio de 46,54% e

tempo médio diário de audiência de duas horas e 25 minutos. Entre o público de 4 a 17 anos, o Disney Channel garantiu a primeira colocação no lista, com alcance diário médio de 15,87% e uma hora e seis minutos de tempo médio diário de audiência. Em seguida, aparecem Cartoon Network, Discovery Kids, Nickelodeon e Multishow. Os canais pagos tiveram entre o público infantojuvenil 46,71% de alcance diário médio e tempo médio diário de audiência de duas horas e 37 minutos. O levantamento do Ibope Mídia considera as praças Grande São Paulo, Grande Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Distrito Federal, Florianópolis e Campinas. Daniele Frederico

Alcance* e Tempo Médio Diário – outubro 2011 

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio Total canais pagos 46,54 4.667,01 02:25:27 SporTV 11,84 1.187,43 00:37:40 Multishow 9,83 985,51 00:21:31 TNT 8,96 898,65 00:29:22 Fox 8,84 886,16 00:32:37 Globo News 8,14 815,78 00:27:59 SporTV 2 8,09 810,97 00:23:33 Megapix 7,83 785,56 00:32:05 Cartoon Network 7,64 766,51 00:43:56 Viva 7,35 737,43 00:29:05 Discovery Kids 6,61 662,77 00:54:59 Disney Channel 6,09 611,16 00:40:05 Universal Channel 6,06 607,58 00:25:26 Warner Channel 5,87 588,57 00:28:07 National Geographic 5,69 570,06 00:20:26 Discovery Channel 5,61 562,42 00:20:19 GNT 5,22 523,16 00:15:05 Telecine Pipoca 5,16 517,08 00:32:37 FX 4,40 441,48 00:22:51 Nickelodeon 4,10 411,57 00:30:18 Telecine Action 3,96 397,49 00:24:42

(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio Total canais pagos 46,71 1.135,37 02:37:23 Disney Channel 15,87 385,82 01:06:19 Cartoon Network 15,65 380,32 01:12:17 Discovery Kids 12,01 291,82 00:55:18 Nickelodeon 11,63 282,73 00:59:46 Multishow 9,02 219,12 00:26:17 Fox 8,95 217,61 00:33:24 SporTV 7,43 180,74 00:32:12 TNT 7,17 174,40 00:27:57 Megapix 7,03 170,98 00:29:12 Disney XD 5,46 132,68 00:47:48 SporTV 2 4,98 121,17 00:26:17 Viva 4,35 105,72 00:16:57 Telecine Pipoca 4,00 97,19 00:31:56 Universal Channel 3,90 94,79 00:19:11 Discovery Channel 3,85 93,61 00:23:15 Boomerang 3,82 92,83 00:32:36 Warner Channel 3,69 89,78 00:20:17 FX 3,23 78,42 00:27:06 Globo News 3,01 73,13 00:09:13 National Geographic 2,97 72,09 00:17:15

*Alcance é a porcentagem de indivíduos de um “target” que estiveram expostos por pelo menos um minuto a um determinado programa ou faixa horária.

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**Universo 2.430.700 indivíduos Fonte: IBOPE Media Workstation – Tabela Minuto a Minuto - Outubro/2011

De 4 a 17 anos**

(Das 6h às 5h59)

**Universo 10.027.600 indivíduos

Acima de 18 anos**




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(publicidade)

Os dramas do break Players da produção publicitária debatem novas propostas para o setor e os impactos da MP 545, que aumenta o valor da Condecine e define novas regras para obra estrangeira.

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FOTO: divulgação

pós uma lacuna de oito anos, players da produção publicitária juntaram-se no dia 23 de novembro no III Fórum de Produção Publicitária para discutir o setor. Embora muitas questões estivessem na pauta, nenhum assunto gerou mais polêmica do que a Medida Provisória 545, que entra em vigor em janeiro de 2012 e propõe, além do reajuste dos valores da Condecine para obras brasileiras e estrangeiras, o fim da figura da obra audiovisual estrangeira adaptada, que será classificada como estrangeira para cálculo da Condecine; a exigência da adaptação das obras estrangeiras veiculadas no país ao português por uma produtora brasileira registrada na Ancine e limite do número de adaptações de uma obra publicitária original. Os anunciantes manifestaram-se contra as propostas da MP 545 – vistas com bons olhos por publicitários e produtores - e retiraram-se do fórum organizado inicialmente em parceria com a Associação Brasileira da Produção de Obras Audiovisuais (Apro), Associação Brasileira das Agências Publicitárias (Abap) e Associação Brasileira das Produtoras de Fonogramas Publicitários (Aprosom). Em comunicado oficial, a ABA anunciou a ruptura com o fórum e apontou “profunda

Representantes de agências de publicidade e produtoras de som e imagem reuniram-se no Fórum, depois de oito anos, para discutir o setor.

FOTO: marcelo kahn

divergência entre os interesses dos anunciantes, que lutam pela contínua redução dos custos, com elevação da qualidade e o aumento da liberdade em produzir as peças audiovisuais publicitárias da forma mais conveniente ao momento atual da comunicação, e os do chamado mercado da produção, que trabalha para que não se eliminem restrições e privilégios, para a preservação de processos e de práticas arcaicas e para a manutenção de padrões de rentabilidade sem a devida renovação de produtividade que os novos tempos impõem”. Para Luiz Lara, presidente da Abap, o caminho para a solução destas “divergências” levantadas pela ABA é o diálogo. “Uma MP é lei e tem que ser respeitada”, disse. Ele lembra que outros setores da economia também fazem atualizações permanentes para acompanhar

“Não queremos fechar o mercado para as produções internacionais, essa não é uma característica brasileira. Também não queremos ser expulsos do próprio mercado”. Manoel Rangel, da Ancine

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a evolução do mercado. “A propaganda faz parte da cultura nacional e o cinema brasileiro floresce graças à publicidade”, lembra. Sônia Regina Piassa, diretora executiva da Apro, observa que o governo entendeu que estava criando um problema para a indústria nacional. “As equipes estão se ressentindo”, afirma. Os valores da Condecine não eram revistos desde 2001. Com as alterações, o valor da obra cinematográfica ou videofonográfica publicitária brasileira com pagamento simultâneo para todos os segmentos de mercado, por exemplo, sobe de R$ 1,5 mil para R$ 3,57 mil. Já para obras publicitárias estrangeiras o valor para todos os segmentos de mercado muda de R$ 84 mil para R$ 200 mil. Defesa nacional Manoel Rangel, diretor-presidente da Ancine, participou do


evento e recomendou atenção à transição desta MP, pois é uma medida considerada urgente e atrasada na defesa do talento brasileiro e do espaço do mercado publicitário. “Não queremos fechar o mercado para as produções internacionais, essa não é uma característica brasileira. Também não queremos ser expulsos do próprio mercado”, observa. “São elementos de defesa que mantêm a tradição do mercado interno, mas impondo regras para que quem queira atuar aqui deixe um valor agregado”. O elemento nacional também foi defendido em um painel sobre criatividade na produção publicitária. João Daniel Tikhomiroff, diretor da Mixer, destacou que a audiência brasileira gosta de se identificar e é preciso saber fazer um intercâmbio inteligente com outros negócios. “Temos que saber usar o melhor deles e fazer o nosso melhor”. O diretor de criação da Loducca, Guga Ketzer, observou que é hora de a indústria brigar por ideia e por remuneração. “Hoje, os vizinhos já estão com inveja do nosso quintal, a gente tem que valorizar”. Além da MP 545, outro ponto de divergência entre anunciantes e o resto da cadeia é a mesa de compras. Segundo Leyla Fernandes, presidente da Apro, a entidade iniciou conversas com a ABA para criar algumas regras. Entre elas, estão um formato padrão de orçamento e cartaorçamento, a presença dos profissionais de RTV e criação das agências na fase de compras e o fim dos prazos inviáveis de produção e pagamento.

prestação de serviços em produção publicitária. A principal modificação diz respeito ao contrato de elenco. Os advogados João Paulo Morello (Apro) e Paulo Gomes de Oliveira Filho (Abap, Aprosom, APP e Abrafoto) apresentaram o novo modelo de contratação de casting. O contrato foi dividido em dois. Dessa forma, as produtoras responsabilizam-se pelo contrato de prestação de serviços e as agências de publicidade pelo uso de imagem, som, voz e nome (direitos conexos). Segundo os advogados, o modelo anterior, em que todos os contratos eram feitos com a produtora, gerava problemas para as produtoras quando a imagem do

Leyla Fernandes, presidente da Apro, afirmou que a entidade está em negociações avançadas com a ABA para uma relação mais saudável nas mesas de compras.

Alguns anunciantes querem cem dias para pagar agência, produtora e fornecedores. Segundo Francesco Civita, produtor executivo da Prodigo Filmes, quem perde no fim das contas é o anunciante. “Mas ele é míope neste momento. A principal preocupação é com os ganhos imediatos”, explica. “Não estamos acostumados a dizer não porque éramos o mercado do crescimento. O bom senso da ABA é grande, mas na prática do dia a dia tem que ser feito. É fácil falar, mas

Entidades propuseram novo modelo para o contrato de elenco, em que a agência de publicidade responsabiliza-se pelos direitos conexos. artista contratado era utilizada além do território e prazos previstos no contrato. Outro assunto que implica mudanças no modo de trabalhar e foi debatido no evento foi a transição do SD para o HD no break comercial. O montador freelancer Ale Boechat observou que hoje existe uma vasta gama de formatos para produzir e entregar em publicidade. “É uma cultura que tem que ir desde o planejamento. Todo mundo tem que parar e estudar o meio eletrônico”, sugere. Para a RTV Maria Fernanda Moura, da Leo Burnett Taylor Made, os RTVs têm que tentar entender as inviabilidades e passar informações para atendimento e mídia. José Augusto de Blasiis, professor da Escola São Paulo de Economia Criativa e consultor da Casablanca, observa que as emissoras deveriam adotar um formato padrão para a entrega dos comerciais, o que facilitaria o trabalho da agência e das finalizadoras.

difícil aplicar. Não tem outro caminho”, diz Luiz Lara, da Abap. Segundo Paulo Ribeiro, presidente da Associação Brasileira das Empresas Locadoras de Equipamentos e Serviços Audiovisuais (Abele), 85% do faturamento da locação de equipamentos vem da publicidade e a postura dos anunciantes de impor prazo curto para produzir e longo para pagar podem levar à degração do setor. Entretanto, Ribeiro tem perspectivas otimistas para o setor. “A Lei da TV a cabo vai injetar dinheiro para produzir 4 mil horas de conteúdo por ano. Temos a Copa e as Olimpíadas que vão gerar muito trabalho. A correção da Condecine também vai ser importante”, observa. Mudanças No evento, os organizadores apresentaram uma série de sugestões de reformulações de contratos de

Para Luiz Lara, da Abap, agências e produtores têm que ser mais firmes com anunciantes nas mesas de compras e negar abusos.

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Ana Carolina Barbosa

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( making of )

Daniele Frederico

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Feito a mão

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FOTOs: divulgação

ideia inicial era fazer uma animação em stop motion, mas o prazo apertado fez com que os diretores do comercial “Mundo de Papel”, criado pela Salles Chemistri para o serviço de pós-venda da Chevrolet, optassem por desenvolver uma animação em tempo real. A jornada de um carro até a concessionária foi contada a partir de cenários, objetos e animais construídos em papel, com movimentos realizados “ao vivo”, ou seja, sem a ajuda da computação gráfica. “Construímos mecanismos para substituir o stop motion, que demandaria fotografar os objetos quadro a quadro”, conta um dos diretores do filme, Gabriel Nóbrega, da Vetor Zero/Animatorio. “Tivemos uma pré-produção intensa, e quatro dias de filmagem. Se fossemos fazer isso em stop motion, seria preciso de 15 a 20 dias de filmagem”, diz Guto Terni, que também assina a direção. O planejamento do filme tomou mais tempo que as filmagens e a pósprodução. Além da construção dos cenários e dos objetos, um animatic 3D foi feito com o objetivo de orientar a captação. “A filmagem não tem o mesmo nível de precisão da animação 3D, que oferece uma escala real. Se o carro tinha de 12 a 15 cm, reproduzíamos isso no 3D, e ele nos dava o tamanho que a estrada precisava ter para que o carro a percorresse no tempo que tínhamos”, lembra Nóbrega. Para cada cena do filme, uma nova solução para os movimentos foi encontrada. “O grande desafio desse comercial foi a concepção das traquitanas. Não tínhamos um mecanismo padrão para replicar. Criamos um mecanismo específico para cada cena”. Em grande parte do comercial, o

Para cada cena, um novo mecanismo foi construído.

Produção poderia fazer stop motion, mas optou pela animação real de objetos de papel.

carro se movimentava com a ajuda de um ímã, já que por baixo da estrada havia uma estrutura de ferro. O ímã foi utilizado também na cena em que o carro troca suas rodas por outras, maiores. “Nessa cena, o carro caía em cima de outro carrinho e o ímã grudava nesse carrinho com as rodas”, diz Terni. Para a cena em que o carro é levado por uma plataforma entre nuvens e uma série de homens gira em torno dele, uma espiral foi construída para movimentar os 28

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homens de papel, e uma manivela realizava o movimento de ascensão do carro. O esquilo que aparece no filme, e que faz o carro frear, era manipulado com a ajuda de manivelas e foi filmado em chroma key. Para a cena em que o mesmo esquilo aparece mais distante, um outro boneco de cerca de 1,5 cm foi utilizado, e seus movimentos foram realizados com a ajuda de um arame. Uma das cenas mais complexas, segundo os diretores, foi a da “corrida maluca”, em que o carro continua a andar em um eixo, mas suas rodas se “descolam” para acompanhar as oscilações do terreno. “Para isso, uma manivela trazia o carro em um eixo, e quando o carro entrava em um declive, as rodas deslizavam. Enquanto uma pessoa puxava o carro, outra puxava o eixo. Foram 85 takes dessa cena para chegar ao resultado final”, conta Terni. Com tantas traquitanas e cerca de 3 metros de cenários, pouca coisa foi feita na pós-produção. “Tiramos os fios de nylon que puxavam o carro, para não passar a ideia que o veículo estaria sendo guinchado”, conclui Nóbrega. ficha técnica Agência Salles Chemistri Anunciante Chevrolet Produto Pós-vendas Título “Mundo de Papel” Produtora Vetor Zero/Animatorio Direção Gabriel Nóbrega/  Guto Terni Dir. de fotografia Beto Hacker Montagem Déo Teixeira Concept design Colletivo Coord. de pós-prod. Fábio Truci Sup. de pós-produção Guilherme Sarinho Produtora de som Punch Áudio


Não sem a cerveja

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té onde você iria por sua cerveja favorita? Os comerciais de Skol da campanha “Um por todos. Todos por uma” mostram que os loucos pela marca estão dispostos a ir até o centro da Terra, caso seja necessário. No filme mais recente da marca, criado pela F/Nazca S&S, quatro amigos conversam em uma praia agitada, quando um terremoto tem início e o chão “engole” pessoas, objetos e animais através de suas rachaduras. Para simular o terremoto e os estragos causados por ele, quatro traquitanas diferentes foram desenvolvidas pela produção. A primeira era uma plataforma que simulava o tremor, utilizada apenas pelos protagonistas. “A câmera foi mantida fixa o tempo todo. Criamos o efeito tremido de grande parte do comercial na pós. Apenas os protagonistas foram filmados sobre essa plataforma e com fundo verde, para dar uma sensação mais realista de que a terra tremia”, contam os diretores do comercial João Dornelas e Pedro Pereira, que formam a dupla 2, da Sentimental Filme. Uma segunda traquitana foi criada para as cenas em que um turista, um cachorro e uma mulher, chamada no comercial de “gostosa”, são “tragados” pela terra. Nessas cenas, em que os personagens estão em movimento, uma espécie de alçapão se abre, para que os atores caiam por ele, como se estivessem caindo em um buraco. Para o desaparecimento de uma mulher sentada em uma cadeira de praia, um terceiro mecanismo foi criado, com três partes diferentes: duas delas se abriam para os lados, enquanto uma base descia pelo buraco, levando a atriz. “Além de ser puxada para baixo, uma quarta parte da traquitana fazia com que a

quando eles se movimentavam”, dizem os diretores. A pós entrou em cena em diversos momentos, como para compor as imagens feitas em estúdio com as captadas na praia. “O desafio era combinar as traquitanas grandes com as cenas que filmamos na praia”, diz a dupla. “Antes de tudo fizemos um ensaio, para saber como as traquitanas funcionariam. Na praia, enquadramos as cenas de acordo com o que tínhamos filmado naquele ensaio”. Para a cena final, em que os personagens se reúnem no centro da Terra, o piso de pedra preta foi feito com detalhes vermelhos, em uma área pequena, e todo o restante do cenário foi construído na pós-produção. O que não teve ajuda da pós para a realização foram as quedas de um quiosque e de um posto de salva-vidas. “O quiosque foi construído na praia, na diária que tínhamos para filmar tudo por lá, e a derrubada foi captada por várias câmeras. Não podíamos errar”, lembram os diretores. Ainda que o principal desafio tenha sido técnico, um dos pontos importantes na realização do comercial era que todos os efeitos trabalhassem a serviço do humor. “Não adiantaria ter um terremoto incrível, cinematográfico, se não ficasse engraçado”, concluem.

Atores são “engolidos” com a abertura de um alçapão.

Quatro traquitanas foram usadas para simular um terremoto no novo comercial da Skol.

ficha técnica

cadeira inclinasse, e a atriz ficasse com as pernas para o ar”, conta a dupla. “No total, essa traquitana somava sete ou oito movimentos”. Um quarto mecanismo, utilizado para “engolir” o cooler de cerveja e os protagonistas, foi feito a partir de uma variação do terceiro. Todas eles tinham altura de cerca de 3 metros, para permitir a queda dos atores, e base coberta de areia. “Queríamos captar o contato com a areia e as partículas que são lançadas

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Agência F/Nazca S&S Cliente Skol Título “Terremoto” Criação Fábio Fernandes, Pedro Prado, Rodrigo Castellari, Bruno Oppido e Romero Cavalcanti Produtora Sentimental Filme Direção 2 Dir. de fotografia Pedro Cardillo Montagem Rogério Ferreira Finalização Tribbo Prod. de som Studio Tesis

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( case )

A Montanha Em coprodução com a Itália e Portugal, Primo Filmes e Três Mundos rodam longa-metragem sobre a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial.

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FOTOs: divulgação

Primo Filmes e a Três Mundos rodaram no início de 2011 o longa-metragem de ficção “A Montanha”, filme de época sobre a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial. O roteirista e diretor Vicente Ferraz, da Três Mundos, propôs a parceria de produção a Joana Mariani, da Primo Filmes, que aceitou entrar na empreitada. A narrativa central do longa é a história de uma esquadra de caçadores de minas da FEB (Força Expedicionária Brasileira), que sofre um ataque de pânico e acaba se perdendo no sopé de Monte Castelo, na Itália. No meio do caminho, acabam encontrando outros dois desertores: um soldado italiano arrependido que quer se tornar partiggiano e um oficial alemão cansado da guerra. Segundo Joana, o que mais chamou a atenção na obra foi a abordagem que o roteiro faz dos soldados, tratando-os como seres humanos e não como super-heróis. “Os brasileiros são humanos, amendontrados, sensíveis e com reações normais de alguém que está perdido em um país que não conhece”, observa. As produtoras estrangeiras entraram no projeto posteriormente. A italiana Verdeoro foi uma indicação de Alberto Flaskman, que exercia o cargo de assessor internacional da Ancine. Joana conta que a ideia inicial era conseguir um segundo coprodutor alemão, mas foi difícil encontrar. No entanto, uma produtora de Portugal, a Stopline, interessou-se pela história. Os primeiros contatos foram feitos no Festival de Berlim,

As filmagens aconteceram no primeiro trimestre de 2011 na Itália e a sequência inicial foi rodada em Itu, no interior de São Paulo.

em fevereiro de 2009, mas a parceria só foi mesmo fechada no Festival de Cannes, em maio de 2010.

que a neve seria garantida. No entanto, a neve só veio depois de uma semana e os planos de filmagem tiveram que ser refeitos. Neve Uma parte do filme, a sequência O elenco reúne atores brasileiros, inicial, foi rodada em Itu, no italianos e portugueses. A direção de interior de São Paulo. arte e figurino ficou por conta da O filme foi orçado em R$ 8 produtora italiana, que fez um trabalho milhões e o Brasil é coprodutor minucioso e usou roupas oficiais, majoritário, contribuindo com 60% segundo Joana. As filmagens do financiamento. O Brasil entrou com recursos O filme foi orçado em R$ 8 milhões incentivados, com a e o Brasil é coprodutor aprovação no Fundo Setorial do majoritário, contribuindo com Audiovisual na linha 60% do financiamento. C, tendo a Europa aconteceram entre fevereiro e março de Filmes como a distribuidora, além 2011. A ideia inicial era filmar na de ter ganhado editais da região de Monte Castelo, onde os Petrobras (R$ 800 mil), BNDES (R$ brasileiros lutaram, mas a equipe não 400 mil), RioFilme conseguiu negociar e escolheu uma (R$ 500 mil) e Oi (R$ 200 mil). cidade ao norte da Itália. Acreditava-se As produtoras italiana e 30

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portuguesa entraram, cada uma, com 20% dos recursos. Somar forças, dividir riscos “A Montanha” deve estrear no primeiro semestre de 2012 e já está com a primeira montagem pronta. A finalização de imagem será feita no Brasil e a finalização de som em Portugal. Joana conta que a Primo já fez documentários em coprodução, mas esta é a primeira vez que produz um longa-metragem de ficção e de época com empresas de fora. “Tem diversas dificuldades de modus operandi, maneira de pensar logística, mas é uma experiência muito positiva para a gente, foi muito legal”, destaca a produtora, lembrando de uma frase do coprodutor português: “Coproduzir é somar forças e dividir riscos”. Ana Carolina Barbosa

A Montanha

longa-metragem Formato Vicente Ferraz Direção Vicente Ferraz e Pietro Reggiani Roteiro Carlos Arango de Montis Direção de fotografia Sergio Tribastone e Direção de arte e figurino Elisabetta Antico  s, Verdeoro e Stopline Produtora Três Mundos, Primo Filme

Sinopse: Durante a Segunda Guerra Mundial, no sopé do Monte Castelo, na Itália, uma esquadra de caçadores de minas da FEB (Força Expedicionária Brasileira) sofre um ataque de pânico e acaba se perdendo em plena “terra de ninguém”. No meio do caminho, acabam encontrando outros dois desertores: um soldado italiano arrependido que quer se tornar partiggiano e um oficial alemão cansado da guerra. Com a surpreendente solidariedade dos ex-inimigos, os soldados se tornam verdadeiros heróis, desarmando o campo minado mais temido da Itália.


(tecnologia)

TV social Pesquisa aponta que uso da TV combinada com as redes sociais vem crescendo rapidamente, bem como o consumo de vídeo em outros dispositivos.

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Motorola Mobility apresentou no início de dezembro uma pesquisa sobre hábitos de consumo de mídia em 16 países, a “Media Engagement Barometer - How do people consume media and the Internet”. Pela primeira vez, a América Latina fez parte do painel, que entrevistou 9 mil pessoas, na América do Norte, Europa, Brasil, México e Argentina. Segundo a diretora sênior para o mercado doméstico nas Américas da empresa, Liz Davidoff, os dados levantados mostram as tendênciaschave às quais as operadoras devem atentar para gerar aumento de receita e base de assinantes. O estudo foi apresentado durante o Moto4you, evento que a fabricante realiza anualmente com operadores na Flórida. Segundo a pesquisa, 72% das pessoas entrevistadas discutem o conteúdo da TV pelas redes sociais com seus amigos enquanto os assistem. Em 2010, este número era 38%, o que mostra uma curva acentuada de crescimento deste hábito. Recomendações de filmes e séries são desejadas por 62% dos entrevistados. E 50% apontaram que desejam formas de conectar o serviço de TV às suas redes sociais, de forma integrada, ou seja, com tecnologias que permitam unir a experiência de ver TV e se comunicar com os amigos simultaneamente. “Percebemos que a conectividade entre devices tem que ser inteligente, os dispositivos têm que conversar” diz Liz.

Motorola Mobility demostrou soluções para oferecer experiências ricas de consumo de vídeo.

FOTOS: telaviva

Primeiros O Brasil lidera o uso de social TV na região, e está também acima da média global. No País, 43% das pessoas entrevistadas usaram as redes sociais no último ano para recomendar conteúdos. Também foi pesquisado o hábito de consumir TV em dispositivos móveis. No Brasil 38% dos entrevistados afirmam ver conteúdos de TV no celular/tablet, enquanto na China este número é de 70%. O Brasil é o maior usuário de mobile TV da região e o segundo do mundo. No País 19%, dos entrevistados afirmam assistir vídeos no celular diariamente. Segundo o estudo, o usuário da América Latina

“Percebemos que a conectividade entre devices tem que ser inteligente, os dispositivos têm que conversar.” Liz Davidoff, da Motorola Mobility

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passa por semana, em média, 3 horas jogando games, 6 horas em redes sociais, 11 horas assistindo TV ou filmes e 12 horas na Internet (web). São cinco horas semanais a menos de TV que na pesquisa do ano anterior. Ainda segundo Liz, as maiores barreiras para a adoção da “social TV” são as limitações de acesso (rede), a falta de interesse e a dificuldade de uso. “Não é só questão de convergência tecnológica. O uso deve ser simples para o usuário”, completou. Tecnologia No restante do evento, a fabricante demonstrou sua visão para atingir os objetivos demonstrados na pesquisa, ou seja, oferecer experiências mais ricas de consumo de vídeo para os assinantes. A ideia central é de que o mundo das redes de TV por assinatura e o


da Internet estão convergindo, com o primeiro adotando técnicas características do segundo, como a computação em nuvem (cloud computing) e interfaces em HTML5. Ou seja, a TV ficará, do ponto de vista de suas plataformas, mais parecida com a web. Baseada no conceito de que o espectador busca mais interatividade com o conteúdo, integração da TV com as mídias sociais (social TV) e consumo de vídeo em múltiplos devices, a Motorola apontou uma linha evolutiva dos atuais sistemas de distribuição de vídeo até chegar em plataformas puramente IP. A ideia é que os operadores de cabo aproveitem ao máximo seus sistemas atuais, agregando funcionalidades que tornem a experiência final mais interativa. Segundo o VP de estratégia global da companhia, Bob Scheffer, há três forças agindo para esta evolução: o consumidor (que quer otimizar seu tempo e ter uma melhor experiência de assistir TV), a tecnologia (com interfaces em HTML, novos devices móveis com telas maiores e melhores, crescimento das redes) e o mercado (com a proliferação dos conteúdos, dos provedores over-the-top etc). Ele afirma que há um papel importante nesse cenário para os operadores, que contam com redes gerenciadas e portanto com confiabilidade, em oposição aos serviços que se utilizam da Internet “pública” para trafegar, como acontece com plataformas como Apple TV ou Netflix. “Os consumidores querem mais, mas há o desafio da integração dos devices e dos serviços”, concluiu. A proposta apresentada por Scheffer é de uma migração gradual, aproveitando a estrutura existente e devices do usuário, como os tablets. A solução Televation, por exemplo, é um settop com capacidade Wi-Fi que adapta o conteúdo recebido pelo cabo e o transmite para dispositivos móveis dentro da casa,

“Os consumidores querem mais, mas há o desafio da integração dos devices e dos serviços.”

operadora, de qualquer marca, desde que equipados com browser com capacidade HTML5. Ela também adapta automaticamente a interface para outros dispositivos como celular e tablet, respeitando a navegabilidade de cada um. ou seja, permite um “hot deploy” de novos serviços, com publicação imediata das interfaces. Por ser inteiramente online, a plataforma também permite a integração com as redes sociais e com serviços de recomendação de conteúdos, enquetes, blogs etc. Há também, evidentemente, uma versão offline, para que o assinante possa navegar na TV caso haja perda de conexão. A solução conta também com um aplicativo que roda em diversos ta­blets (não apenas os da Motorola) e que integra automaticamente os features de programação, como o guia eletrônico (EPG), e de redes sociais. Além disso, a plataforma permite futuras formas de monetização, como a oferta de produtos ou serviços ligados ao conteúdo assistido e a transação imediata destes produtos pela própria interface do usuário.

Bob Schiffer, da Motorola Mobility

com proteção anti-cópia (DRM). Ou seja, o usuário cria dentro de casa uma rede wireless para a distribuição de vídeo em qualquer dispositivo, com os conteúdos pelos quais já paga na TV por assinatura, sem sobrecarregar a rede da operadora. Cloud A computação em nuvem também pode agregar diversos serviços em cima da rede atual. A ideia aqui é jogar para a rede alguns serviços que antes rodavam localmente na casa do assinantes, consumindo recursos e dependendo de equipamentos caros. Uma das propostas é o DVR (gravador digital) em nuvem. Com isso pode-se, por exemplo, oferecer capacidade ilimitada de gravação, e até mesmo trocar a publicidade do break no momento em que o assinantes está vendo o programa por uma mais atual do que a exibida na época da gravação. O DVR “virtual” também permite que o assinante veja seu conteúdo remotamente, quando estiver fora de casa, em qualquer dispositivo conectado. A empresa demonstrou também sua plataforma de interface gráfica de usuário (GUI) em nuvem, baseada em HTML5. A Dream Gallery permite a criação de portais de conteúdo através de uma interface WYSWIG, publicados instantaneamente nos set-top boxes da

Massa crítica Em relação ao mercado brasileiro, um executivo de operadora ouvido por esse noticiário disse que embora estas tecnologias sejam interessantes, ainda são limitadas no País pelo número de assinantes e de devices instalados, muito pequenos em relação ao mercado americano. “Temos no máximo 600 mil tablets no Brasil, a maioria em São Paulo. Ainda não temos escala para implantar este tipo de serviço, mas esta parece ser a tendência”, afirmou.

Confira uma demonstração da integração entre TV e redes sociais nos tablets no canal da ConvergeTV no YouTube: www.youtube.com.br/convergetv

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André Mermelstein, de Fort Lauderdale. O jornalista viajou a convite da Motorola Mobility.

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(radiodifusão) Regina L. Diniz

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Parceria nipo-brasileira Pesquisadores brasileiros e japoneses aproximam-se e buscam cooperação científico-tecnológica na área de TV digital baseada no Sistema Brasileiro de Televisão Digital.

uma nova forma de comunicação, irreversível e ilimitada. Além disso, apontaram a necessidade de universalizar o acesso à TV através de tecnologias de acessibilidade. O tema do encontro evidenciou a “Discussão do

Semisatch/shutterstock

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plicações de TV digital com foco em sistemas avançados de alarme de segurança, educação, acessibilidade e além high definition, além de demonstração da quarta versão do Ginga-NCL/Lua, foram alguns dos temas apresentados no 2º Simpósio Brasil-Japão sobre Avanços em Televisão Digital, promovido pelo Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI), da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). O evento se insere no contexto do acordo de cooperação científica e tecnológica entre Brasil e Japão na área de televisão digital, estabelecido pela adoção do sistema ISDB-T, base do Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD). O objetivo dos simpósios, realizados em 2010 e esse ano, é estabelecer a troca de informações entre os pesquisadores para a divulgação de trabalhos inovadores em andamento no Brasil e no Japão, além de promover parcerias entre instituições para pesquisas cooperativas em áreas com potencial de cooperação internacional. O evento reuniu representantes de universidades, institutos de pesquisa e radiodifusores dos dois países, como USP, PUC-Rio, Universidade Federal do ABC, Ministério da Ciência e Tecnologia, TV Globo, Universidade de Joshibi, Universidade de Keio e NHK. Durante os dois dias de evento, os palestrantes ressaltaram a importância da TV digital no Brasil e no mundo como propulsora de

o especialista em computação gráfica para o HDTV, soluções como closed captioning, tradução em língua de sinais e audiodescrição só foram possíveis de serem aplicadas a partir da adoção do sistema de TV digital terrestre ISDB-T, com a vantagem de melhora na qualidade de som e imagem. Em toda sua abordagem e na discussão que seguiu após a apresentação, Tamegaya, defendeu a importância de uma televisão que seja desfrutada por todos. “Os conteúdos televisivos devem transmitir informações para a segurança, crescimento e entretenimento de todos, com pouca ou nenhuma barreira de acesso”, afirmou. O pesquisador japonês apresentou modelos gráficos que poderão ser utilizados universalmente e discutiu a adoção de um design universal e da

vagas para as bolsas de capacitação científicotecnológica não são totalmente preenchidas. Futuro da DTV”, trazendo o andamento e resultados de trabalhos de pesquisa e propostas de inovações científicotecnológicas com foco no estímulo a aplicações práticas e viabilidade de mercado do sistema ISDB-T, além de cases de sucesso. Universal O especialista em computação gráfica e consultor em conteúdo digital Hidechi Tamegya, da Universidade de Joshibi demonstrou em sua palestra uma pesquisa de acessibilidade a partir do sistema de TV digital terrestre. Segundo 34

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acessibilidade nos serviços de radiodifusão de televisão digital terrestre, sob o ponto de vista da convergência entre arte e tecnologia. “A integração entre arte e tecnologia é fundamental para que o acesso a esses aplicativos seja ainda mais atraente e lúdico e uma boa experiência para os usuários”, disse. A radiodifusão brasileira compartilha da visão de Tamegya. Liliana Nakonechnyj, engenheira de transmissão e apoio das afiliadas na Rede Globo e presidente da Sociedade de Emissoras de Televisão-SET,

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também defendeu um conteúdo livre e irrestrito para todos, a partir da intermediação e desenvolvimento promovidos pelas radiodifusoras. Segundo ela, o tema vem sendo discutindo em nível global, tendo sido debatido no fórum mundial FOBTV (Future of Broadcast Television - O Futuro da Televisão Terrestre), realizado na China, em novembro de 2011, reunindo mais de 40 representantes do broadcast mundial. O fórum tem o objetivo de firmar colaboração para acelerar o desenvolvimento de estratégias comuns quanto ao futuro da televisão terrestre, além de trocar informações sobre as tecnologias usadas em diversos países, nas áreas de radiodifusão terrestre, eletrônica de consumo e tecnologias de redes. Novo Ginga Na palestra “Ginga Nova Geração”, o pesquisador Luis Fernando G. Soares, responsável pelo desenvolvimento do middleware Ginga-NCL/Lua do Sistema Brasileiro de TV Digital, demonstrou a arquitetura Ginga para soluções terrestres de televisão IPTV e TV conectada e mais os novos recursos da próxima versão do software livre, Ginga-NCL 4.0. “A versão NCL 4.0, em desenvolvimento, oferece melhor suporte para aplicações sensíveis ao contexto, a dispositivos de múltiplas exibições, a dispositivos de entrada multimodal e a aplicações 3D”, avaliou. Em sua palestra, relacionou as pesquisas e desenvolvimentos que estão sendo realizados em novas ferramentas de autoria, em especial modelos de criação e a interoperabilidade entre o Ginga e outros middlewares, principalmente em BML e LIME. Segundo o pesquisador, sua equipe também está trabalhando no desenvolvimento de dispositivos hipermídia, para substituir o tradicional controle remoto e em breve poderá divulgar os resultados desses trabalhos. O pesquisador 36

FOTO: Francisco Emolo/DIVULGAÇÃO

( radiodifusão)

Marcelo Zuffo, do LSI/USP, diz que promoverá a divulgação de bolsas de capacitação científicotecnológica no sistema ISDB-T.

brasileiro também é responsável pela recomendação ITU-T (Setor de Normatização das Telecomunicações) para serviços IPTV. 4K O simpósio trouxe ao debate a evolução da qualidade de som e imagem na TV digital. Uma das novidades trazidas do Japão é a tecnologia 4K. Segundo Koji Suginuma, da Universidade de Keio, a tecnologia já está avançada no país. Ele demonstrou soluções audiovisuais de TV em super alta definição, baseadas no sistema 4K, durante o evento. “Já é possível a

adoção do ISDB-T como base para o Sistema Brasileiro de TV Digital inclui bolsas de estudos patrocinadas pela ABC (Agência Brasileira de Cooperação), Ministério das Comunicações e JICA-Agência Japonesa de Cooperação Internacional. As bolsas estão disponíveis para profissionais que pretendem se capacitar no sistema de ISDB-T. As vagas para as bolsas de capacitação científico-tecnológica não estão sendo totalmente preenchidas. O assunto foi tratado durante reunião entre pesquisadores japoneses e brasileiros presentes no simpósio. Marcelo Zuffo, pesquisador e coordenador de pesquisa do LSI e organizador do simpósio, informou que o LSI promoverá a divulgação dessas bolsas para que um número maior de profissionais brasileiros possam se beneficiar do acordo firmado entre os dois países, que inclui o treinamento de especialistas no sistema ISDB-T. O treinamento abrange todo o processo de digitalização de uma emissora de TV desde a geração até a recepção dos sinais digitais.

a indústria no Japão, está voltando sua atenção para as aplicações da resolução 4K em ambiente doméstico. transmissão de conteúdos em 4K por meio de serviços cabeados. No entanto, em função de problemas relacionados à padronização, as transmissões televisivas em 4K pelo ar ainda não estão maduras”, afirmou. A NHK, vale lembrar, já fez transmissões ao vivo em 4K em eventos do setor, usando redes de banda ultralarga para carregar o sinal de vídeo. Em sua palestra, Suginuma analisou a implementação da TV de super alta definição, que ainda pode demorar algum tempo para chegar à casa do usuário. Ele informa que, no momento, a indústria no Japão, está voltando sua atenção para as aplicações da resolução 4K em ambiente doméstico. Cooperação O acordo entre Brasil e Japão para a

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O representante da Secretaria de Telecomunicações, Departamento de Indústria, Ciência e Tecnologia do Ministério das Comunicações, Otavio Caixeta, afirmou durante o evento que é fundamental o intercâmbio de profissionais entre o Brasil e Japão para a sustentabilidade do sistema ISDB-T. Segundo ele o órgão continuará apoiando essas e outras ações de treinamento e capacitação profissional. Além do preenchimento das vagas para as bolsas, a realização do terceiro encontro já preocupa os acadêmicos. Segundo Zuffo, o próximo simpósio deve acontecer no Japão, em 2012. “Vamos buscar apoio de entidades brasileiras e japonesas para promover o evento no Japão.”

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(artigo)

Gustavo Artese*

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A difícil arte do equilíbrio FOTO: divulgação

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uem confere à promulgação assim, todos perseguem seus da Lei 12.485/2011, que interesses. O que é proibido é sua passou a regular o mercado perseguição a todo custo. Daí a de TV por assinatura no importância do Estado de Direito, Brasil, o status de que nada mais é que arquitetura mensageira das favas contadas, de institucional posta de prontidão prenunciadora do fim dos tempos, corre para ser acionada quando as regras alguns riscos, inclusive o de estar do jogo são quebradas. enganado. Há que se atribuir à lei, ainda O contexto econômico que mais àquela que visa estruturar setor colocou em marcha o específico da economia, o papel que estabelecimento de novas regras efetivamente lhe cabe: o de instrumento para a TV por assinatura é o que materializa uma série de acordos seguinte: segundo a tácitos e não escritos sobre a matéria StrategyAnalytics, o mercado que regula. É, portanto, menos âncora audiovisual global projetado para do que marco. 2011 será de US$ 508 bilhões, Como em qualquer outro certame, sendo que 92% deste montante se houve, sim, vencedores e perdedores. concentrará nas TVs paga e aberta. Pelo menos, há quem se julgue, ao fim Os 8% restantes serão divididos do processo, estar ocupando uma das entre serviços over-the-top, cinema duas posições. Não é e vídeo doméstico. A nosso propósito fazer juízo fatia deste bolo que A adoção de de adequação do texto caberá ao Brasil é de barreiras promulgado. Preferimos artificiais ao US$ 22 bilhões, ou nos restringir ao alerta: pouco mais de comércio, tais seja, aquele que imaginar que o 4% do total. como as cotas de jogo acabou, que as Tendo isto em programação conta, o que se diz posições, para o bem ou para o mal, não podem se da lei, constitui interessar ao governo inverter, corre o risco de é: (i) conferir impulso claro se acomodar. contraponto ao desenvolvimento da O diálogo entre indústria de à eficiência. governo e agentes audiovisual, econômicos se materializa preferencialmente a de assim como os lances de um jogo capital nacional, com vistas a obter qualquer. Se por um lado as regras estão fatia maior do market-share global; postas, sua deposição, mesmo que tácita, e (ii) incentivar política industrial depende quase que exclusivamente da voltada à universalização, a preços qualidade da interação dos jogadores (no baixos, tanto do conteúdo, quanto caso, produtores, programadores, grupos dos serviços de distribuição. de comunicação, empresas de Internet, Já na esfera privada os prestadores de serviços de propósitos são mais claros. Dizem telecomunicações, dentre outros) tanto respeito ao “direito de jogar”; à entre si, quanto com o juiz (aqui, o Poder necessidade de regras firmes que Estatal em seu sentido amplo). compatibilizem riscos e Neste jogo, e é salutar que seja investimentos. Relacionam-se

* Master of Laws (LL.M.) pela Universidade de Chicago e advogado responsável pelas práticas de TMT e Propriedade Intelectual do escritório VPBG Advogados. 38

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também, como é inerente a setores regulados, ao direito de explorar mercados mais atrativos e, a um só tempo, defender espaços consolidados. Segundo a tradição oriental, a virtude é atingida ao se seguir o caminho do equilíbrio. Ao que se diz, “a virtude está no meio”. A assertiva, válida para boa parte da atividade humana, também não o deixa de ser para as ações de estado. Caberá a este novo (ou velho?) governo, a partir do novo marco regulatório, gerenciar a composição de todos os interesses em jogo, inclusive os dele. Neste contexto, o que nos cabe é cobrar do “juiz do jogo” que se dê a devida atenção a questões relevantes, tais como: (i) as consequências do protecionismo e sua acomodação ao princípio da livre iniciativa; (ii) a defesa da

concorrência leal; (iii) os riscos inerentes à delegação de poderes pelo executivo; e (iv) a rápida evolução tecnológica. O ato de cobrar envolverá, portanto, desde a discussão do regulamento mais comezinho até a ponderação de princípios constitucionais. A adoção de barreiras artificiais ao comércio, tais como as cotas de programação da lei, constitui claro contraponto à eficiência e, por via de consequência, à livre iniciativa. É, portanto, muito mais veneno, do que remédio. No que diz respeito à defesa da concorrência, a questão passa pela estrutura do setor, que comporta agentes econômicos dos mais variados tamanhos e poderios. O encadeamento da produção, desde o conteúdo até a distribuição, implica inevitáveis relacionamentos entre desiguais. A delegação de poderes, não se discute, faz parte da moderna

administração. Neste quesito, o que se cobrará será a fiscalização adequada por parte do poder originário, bem como pelas demais instituições democráticas. Quanto ao ponto relativo à velocidade das mudanças tecnológicas, quem estiver atento à rápida evolução dos serviços overthe-top, saberá que a nova lei corre o risco de perder seu sentido de forma muito mais acelerada do que sua antecessora, a Lei do Cabo. Ninguém contesta que a missão de equilibrar incentivos a investimentos, tanto estrangeiros (e especialmente estes), quanto nacionais, com políticas públicas não é tarefa trivial. Por outro lado, se ao juiz cabe o papel de equilibrista, somos nós, jogadores, que vivemos na corda bamba. E neste ambiente, aquele que se der ao luxo de parar, cai.


( upgrade )

Fernando Lauterjung

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Controle de produção ao vivo

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Codec Avid em SSD

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codec de gravação e reprodução DNxHD Avid passa a ser suportado no HyperDeck Studio, da Blackmagic Design. Com isso, o deck baseado em SSD (Solid State Disk) permite gravar e reproduzir vídeos de 10 bits no formato, gerando arquivos MXF de forma nativa. Para isso, é necessário baixar do site do fabricante o HyperDeck Software Update 2.0, uma atualização de software disponível gratuitamente. Com o suporte nativo ao formato DNxHD, um dos padrões da indústria de broadcast para arquivos de mídia, é reduzida dramaticamente a necessidade de recodificação, cortando também os custos de mídia de armazenamento. Todo o conteúdo gravado no deck é imediatamente disponível no Media Composer, sem qualquer tipo de cópia de arquivo ou o processamento de importação. Com a atualização, o HyperDeck Studio mantém o suporte a vídeo 10 bit sem compressão, para o máximo de qualidade de gravação e reprodução. Portanto, os clientes poderão agora escolher entre os formatos sem compressão ou DNxHD, alterando entre os formatos dependendo de suas necessidades e do trabalho que estão fazendo. O HyperDeck Studio permite gravar e reproduzir de fontes SDI e HDMI, e inclui suporte a controles RS-422. Além disso, pode gravar continuamente, bastando que os discos sejam trocados constantemente durante a gravação.

FOTOs: divulgação

painéis de controle - um CP20, DNF Controls anunciou a para eventos, marcação, e painel Production Control de controle estilo VTR, e um Application para emissoras, ST420 shotbox, para desencadear construída sobre o Flex Control eventos complexos. Com a adição Network, uma plataforma modular de controladores de dispositivo, o de controladores baseada em IP. O aplicativo pode controlar até 24 Sistema de Controle de Produção é canais. uma combinação de equipamentos Os painéis de controle de Flex Control, que permite controle conversam com os controladores sobre o playout de programação ao de dispositivos através da porta vivo e live-to-tape, incluindo notícias, Aplicação é primeira de uma série de soluções de infraestrutura Ethernet. Ao separar os painéis de esportes, talk shows etc. de controle construída sobre o DNF Flex Control Network. controle e controladores, as emissoras Com a aplicação, emissoras podem criar sistemas centralizados em uma sala de podem controlar até 24 canais de VTRs, DDRs, servidores de equipamentos ou controle, ou sistemas distribuídos. Esta vídeo e dispositivos gráficos para playout de on-air e on-set. arquitetura de sistema distribuída significa que uma falha de A aplicação consiste em dois controladores DC20, que uma peça individual não paralisa todo o sistema. controlam até quatro dispositivos cada, juntamente com dois

Update do HyperDeck Studio traz suporte nativo ao codec de gravação e reprodução DNxHD.

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Usando até cinco modems 3G ou 4G, equipamento é montado diretamente na câmera.

Transmissão de bolso

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hega ao mercado o transmissor celular Bond, da Teradek. O equipamento, que pode usar até cinco modems 3G ou 4G, é montado diretamente na câmera, permitindo que radiodifusores e profissionais freelancer possam transmitir conteúdo ao vivo. Segundo a empresa, a vantagem do transmissor em relação aos modelos concorrentes é o seu tamanho compacto, que torna a a solução ideal para ENG, transmissões esportivas e cobertura de eventos ao vivo. Com a solução é possível ampliar o número de repórteres em campo, que podem produzir usando apenas um equipamento, a câmera, sem a necessidade de uma unidade móvel completa. Juntamente com o transmissor, também pode ser usado um codificador MPEG-4, reduzindo a banda necessária para envio do conteúdo ao vivo.

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NÃO DISPONÍVEL


( agenda ) 30 a 31 Mipdoc, Cannes, França. E-mail: registration.depttele@reedmidem.com. Web: www.mipdoc.com 13 a 15 de março Web Expo Forum Feira, workshop, seminários e palestras discutem e analisam as tendências da web 2.0 no mais importante e completo evento do setor no Brasil. Centro de Exposições Frei Caneca, São Paulo, SP. Tel.: (11) 3138-4660. E-mail: info@convergecom.com.br. Web: www.webexpoforum.com.br

15 e 16 de março de 2012 Congresso TV 2.0 Evento que apresenta estratégias e tecnologias para a entrega de conteúdo audiovisual em múltiplas plataforamas. Centro de Convenções Frei Caneca, São Paulo, SP. Tel.: (11) 3138-4660. E-mail: info@convergecom.com.br. Web: www.convergeeventos.com.br

JANEIRO 2012

E-mail: customersupport@kidscreensummit.com. Web: www.kidscreensummit.com

6 a 15 Flickerfest 2012, Sydney, Austrália. E-mail: coordinator@flickerfest.com.au. Web: www.flickerfest.com.au.

9 a 19 Festival Internacional de Berlim, Berlim, Alemanha. Tel.: (49-30) 259-200. E-mail: info@berlinale.de. Web: www.berlinale.de

10 a 13 CES 2012, Las Vegas, EUA. Tel.: (866) 233-7968. E-mail: CESreg@CE.org. Web: www.cesweb.org.

14 11° Seminário Políticas de (Tele) comunicações, Brasília, DF. Tel.: (11) 3138-4660. E-mail: info@convergecom.com.br. Web: www.convergecom.com.br

20 a 28 15ª Mostra de Cinema de Tiradentes, MG. Tel.: (31) 3282-2366. E-mail: up@universoproducao.com.br. Web: www.mostratiradentes.com.br.

18 a 1/3 Andina Link 2012, Cartagena, Colômbia. Tel.: (571)2498-229. Web: www.andinalink.com

23 a 29 Festival Internacional de Programas Audiovisuais – Fipa, Biarritz, França. E-mail: info@fipa.tm.fr. Web: www.fipa.tm.fr.

23 a 29 52º Festival Internacional de Cine de Cartagenas de Índias, Cartagena de Índias, Colombia. Tel.: (57 5) 664-2345. E-mail: comercial@ficcifestival.com. Web: http://ficcifestival.com/

23 a 25 Natpe 2012, Miami, EUA. E-mail: eric@natpe.org. Web: www.natpe.org. 25 a 5/2 International Film Festival Rotterdam 2012, Rotterdam, Holanda. E-mail: tigger@filmfestivalrotterdam.com. Web: www.filmfestivalrotterdam.com

29 a 2 Rio Content Market, Rio de Janeiro, RJ. Tel.: (21) 3875-5556. Web: www.riocontentmarket.com.br

29 a 1/02 Realscreen Summit, Washington, EUA. Tel.: (416) 408-2300. E-mail: jpinto@brunico.com. Web: http://summit.realscreen. com/2012/contact.html

2 a 10 27º Festival Internacional de Cine en Guadalajara, Guadalajara, México. E-mail: info@festivalcinegdl.udg.mx. Web: www.fcg.mx

MARÇO

22 a 1/04 17º É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários, São Paulo e Rio de Janeiro. Tel.: (11) 3164-7485. E-mail: info@etudoverdade.com.br. Web: www.itsalltrue.com.br

FEVEREIRO

7 a 10 Kidscreen Summit, Nova York, EUA. Tel.: (1-416) 408-2300. 42

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30 a 31 Mipformats, Cannes, França. E-mail: registration.depttele@reedmidem.com. Web: www.mipformats.com

ABRIL

1 a 4 MipTV, Cannes, França. E-mail: registration.depttele@reedmidem.com. Web: www.miptv.com 11 a 22 14º Buenos Aires Festival Internacional de Cine Independiente (Bafici), Buenos Aires, Argentina. E-mail: info@festivales.gob.ar. Web: www.bafici.gob.ar 14 a 19 Nab Show, Las Vegas, EUA. Tel.: (1 202) 595-2052. Web: www.nabshow.com 26 a 2/5 16º Cine PE Festival do Audiovisual, Olinda, PE. Tel.: (81) 3461-3773. Web: www.cine-pe.com

MAIO

6 a 10 Rose d’Or Festival, Lucerne, Suíça. E-mail: info@rosedor.ch. Web: www.rosedor.ch 16 e 17 11º Tela Viva Móvel, Centro de Convenções Frei Caneca, São Paulo, SP. Tel.: (11) 3138-4660. E-mail: info@convergecom.com.br. Web: www.telavivamovel.com.br 16 a 25 Festival de Cannes, Cannes, França. Tel.: (33 01) 5359-6110. E-mail: festival@festival-cannes.org 21 a 23 NCTA - The Cable Show 2012, Boston, EUA. Tel.: (202) 222-2430. E-mail: thecableshow@ncta.com. Web: http://2012.thecableshow.com

JUNHO

4 e 5 Forum Brasil – Mercado Internacional de Televisão. Tel.: (11) 3138-4660. E-mail: info@convergecom.com.br. Web: www.forumbrasiltv.com.br


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Revista Tela Viva 222 - Dezembro 2011  

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