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ano 19_#208_set2010

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televisão, cinema e mídias eletrônicas

novo juiz

Com medida provisória e possível aprovação do PL 116, Ancine passa a ter papel de arbitragem na relação entre canais e operadoras de TV por assinatura.

PRODUÇÃO Emissoras usam formatos para preencher programas de linha

EVENTOS Cobertura completa da ABTA 2010 e do Congresso da SET


Foto: marcelo kahn

(editorial ) Presidente Diretores Editoriais Diretor Comercial Diretor Financeiro

Editor

Rubens Glasberg André Mermelstein Claudiney Santos Samuel Possebon (Brasília) Manoel Fernandez Otavio Jardanovski

Fernando Lauterjung

Redação

Ana Carolina Barbosa Daniele Frederico Samuel Possebon

Coordenadora de Projetos Especiais Arte

Depar­ta­men­to Comer­cial

Edmur Cason (Direção de Arte) Debora Harue Torigoe (Assistente) Rubens Jar­dim (Pro­du­ção Grá­fi­ca) Geral­do José Noguei­ra (Edi­to­ra­ção Ele­trô­ni­ca) Alexandre Barros (Colaborador) Bárbara Cason (Colaboradora) Manoel Fernandez (Diretor) Fernando Espíndola (Gerente de Negócios) Patricia Linger (Gerente de Negócios) Iva­ne­ti Longo (Assis­ten­te) Gislaine Gaspar

Gerente de Marketing

Patricia Soderi

Gerente Administrativa Gerente de TI Central de Assinaturas

Vilma Pereira Marcelo Pressi 0800 0145022 das 9 às 19 horas de segunda a sexta-feira

Internet E-mail

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Redação E-mail

(11) 3138-4600 telaviva@convergecom.com.br

Publicidade E-mail Impressão

E

Letícia Cordeiro

Gerente de Circulação

a n d r e @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Televisão, 60

André Mermelstein

Editor Tela Viva News

André Mermelstein

(11) 3214-3747 comercial@convergecom.com.br

m 18 de setembro de 1950 foi fundada a TV Tupi, primeira emissora brasileira de televisão. Com programação fortemente baseada em talentos vindos do rádio (e até alguns programas adaptados diretamente daquele veículo, no que se poderia chamar de experiência “transmedia” na linguagem atual), a nova mídia ganhou, em poucos anos, a adesão da maioria da população brasileira, chegando ao século XXI como o principal meio de informação e entretenimento do país. Durante estas seis décadas, a televisão reinou praticamente sozinha nos domínios do audiovisual. Seu “concorrente” direto, o cinema, só viu o número de salas diminuir ao longo dos anos, chegando hoje no Brasil a uma das piores relações sala/habitante do mundo ocidental, tendo retomado o crescimento apenas nos últimos anos. O VHS surgiu na década de 80 como potencial ameaça, e houve mesmo tentativas de proibir sua fabricação nos EUA. Como se sabe, o aparelho foi em frente e criou uma nova indústria, a do home vídeo, sem sequer arranhar a hegemonia da TV (provavelmente porque ninguém até hoje aprendeu a programar aquele reloginho piscante). Hoje a TV, especialmente a TV aberta, encara uma nova “ameaça”. O crescimento da Internet, fixa e móvel, traz consigo o fenômeno da fragmentação da audiência, do conteúdo e da publicidade. O conceito de consumo de conteúdos a qualquer hora e em qualquer lugar é disruptivo, e afeta os modelos vigentes de receita. Mas é prematuro falar em “fim da televisão”. A TV não vai morrer. Prefiro pensar que o usuário não vai assistir seus conteúdos onde quer e quando quer, mas sim onde pode, e quando pode. E nestas situações, vai buscar o meio que oferece a melhor qualidade. No ônibus, possivelmente o melhor seja um celular com recepção de TV digital terrestre, ou conteúdos baixados de serviços online. Em casa, na hora do futebol, quem trocaria uma tela de alta definição por um monitor de computador? O fato do usuário contar com mais opções apenas fará com que ele consuma mais conteúdos. É claro que com a expansão da Internet e a criação de novos serviços deve haver alguma migração de “eyeballs” da TV para o meio online, mas no curto e médio prazo a TV deve manter sua hegemonia. O público, enfim, já fez suas opções: quer mais conteúdos, disponíveis em mais lugares e em quantas telas for possível. O que fará realmente a diferença, para um lado ou para o outro, é como o mercado publicitário se comportará. Se conseguir aumentar suas verbas para conseguir estar ao lado deste público o tempo todo, todos crescerão. Se apenas redistribuir os recursos entre todos os meios, a disputa pela atenção do usuário ficará ainda mais acirrada. Os próximos anos dirão.

Ipsis Gráfica e Editora S.A.

Tela Viva é uma publicação mensal da Converge Comunicações - Rua Sergipe, 401, Conj. 605, CEP 01243-001. Telefone: (11) 3138-4600 e Fax: (11) 3257-5910. São Paulo, SP. Sucursal Setor Comercial Norte - Quadra 02 Bloco D - torre B - sala 424 - CEP 70712-903. Fone/Fax: (61) 3327-3755 Brasília, DF Jornalista Responsável: Rubens Glasberg (MT 8.965) Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias publicadas nesta revista, sem autorização da Glasberg A.C.R. S/A

foto de capa: shutterstock

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Ano19 _208_ set/10

(índice ) 20

Regulação

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Ancine terá poderes para mediar relação entre programadoras e operadoras

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Figuras

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Entrevista

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Manoel Rangel conta como a Ancine se prepara para atuar no cenário convergente

Especial TV digital A nova fase da expansão da TV digital terrestre no Brasil, com os receptores integrados e a estreia do Ginga.

Congresso ABTA

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Evento debate alta definição, banda larga, produção nacional e TVs conectadas

Regulamentação

40

Liberação de novas licenças de cabo deve ser postergada novamente

Convergência 40

( cartas) Roda presa

A Anatel pisou no freio e adiou a oferta de novas licenças para o cabo. A agência reguladora é hoje o maior entrave para que a TV por assinatura cresça a velocidade ainda maior. Pior, acaba com a chance mais concreta de haver alguma concorrência nos serviços convergentes nas cidades médias. Francisco Alencar São Paulo, SP

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Novos set-top boxes e TVs conectadas abrem caminho para serviços de VOD

Audiência

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Making of

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Produção

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Produtoras apostam em quadros para programas de variedades

Radiodifusão

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Congresso SET aponta desafios para a televisão nos próximos anos

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Case

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Film Planet produz minissérie para a Nestlé se comunicar com os jovens

Tela Viva edita as cartas recebidas, para adequá-las a este espaço, procurando manter a máxima fidelidade ao seu conteúdo. Envie suas críticas, comentários e sugestões para cartas.telaviva@convergecom.com.br

Upgrade

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Agenda

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Acompanhe as notícias mais recentes do mercado

telavivanews www.telaviva.com.br 4

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Cheios de opinião o uso racional da água sob a coordenação de profissionais de criação, entre eles o publicitário Washington Olivetto (WMcCann). Pablo Verdin, vice-presidente de pesquisa da Turner para a América Latina, destaca as preferências das crianças, de acordo com a pesquisa: gostam de ação e efeitos especiais, mas sabem diferenciar o que é realidade e o que é fantasia; interessam-se por peças que tenham humor, presença de personagens, outras crianças e celebridades. Elas também valorizam a combinação de live action com animação. Anúncios com muita informação, mensagens esnobes e propaganda mentirosa, com diferenças entre o produto anunciado e aquilo que é vendido, desagradam as crianças. “As crianças são críticas e sabem que ficam menos ingênuos para qualificar a comunicação com o passar do tempo”, observa Verdin. A pesquisa está sendo desenvolvida também no México e na Argentina.

A Turner elegeu a comunicação como tema da quinta edição do Kids Experts, pesquisa que desenvolve anualmente para entender melhor o comportamento do público infantojuvenil. O objetivo este ano era saber a opinião das crianças sobre publicidade. O estudo foi realizado entre abril e maio deste ano, com uso de diferentes metodologias. A primeira etapa foi a de grupos de discussão. Foram sete no total, na cidade de São Paulo, reunindo meninos e meninas de três faixas etárias: 6-8 anos, 9-11 anos e 12-15 anos. Todos eles pertencentes à classe A/B e moradores de domicílios com TV paga. Outras metodologias utilizadas foram o eye tracking, que usa um aparelho acoplado à tela ou monitor, capaz de acompanhar o que é visualizado e com qual intensidade, identificando focos de atenção e visualização no vídeo; o trace, um teste eletrônico que mede o interesse da criança conforme gosta mais ou gosta menos do conteúdo; e as oficinas criativas, nas quais as crianças tiveram a tarefa de desenvolver uma campanha publicitária sobre

FOTOs: divulgação

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Gravações de “Laços de Sangue”, coprodução entre a TV Globo e a SIC, de Portugal.

Atados Começaram as gravações da coprodução entre a TV Globo e a SIC, de Portugal. Durante as duas últimas semanas de agosto, o elenco da novela “Laços de Sangue” gravou em Lisboa e no Rio de Janeiro. Com autoria de Pedro Lopes e supervisão de Aguinaldo Silva, a novela é a terceira coprodução da Globo com emissoras internacionais. A emissora brasileira está apoiando a produção portuguesa com produtores brasileiros, cenógrafos, atores, além de definir a estratégia de comunicação e lançamento do produto. A novela deve estrear em Portugal em 13 de setembro.

Audiovisual na escola O Festival do Minuto lançou o “Minuto na Escola”. O projeto, que tem o apoio da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo e o patrocínio da Comgás e da Votorantim, estimula alunos da rede pública de ensino (são 4,3 mil escolas com 3,4 milhões de alunos participantes) a produzirem vídeos de até 60 segundos de tema livre. Os vídeos-minuto podem ser feitos em qualquer suporte e inscritos até o dia 23 de outubro. São duas categorias, uma para o Ensino Médio e outra para o Ensino Fundamental. Os alunos concorrem a seis laptops, três para cada categoria. Em novembro, haverá uma cerimônia de exibição e premiação dos vídeos vencedores. O Festival do Minuto realizou workshops com 90 coordenadores de artes nas escolas, para informá-los sobre o formato do vídeo-minuto. Além disso, cada uma das escolas recebeu um DVD educativo com 57 vídeos do acervo do Festival, depoimentos dos realizadores, comentários do curador Marcelo Masagão e dicas sobre programas gratuitos de edição de imagem e som, que podem ser usados pelos alunos na produção de seus trabalhos. A ideia do projeto é estimular o uso do audiovisual nas escolas. 8

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Apresentação aos alunos do concurso promovido pelo Festival do Minuto em parceria com a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo.

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Mercado exigente A vice-presidente de vendas e distribuição da BBC Worldwide, Helen Jurado, em visita ao Rio de Janeiro para o 7º BBC Showcase Latin America, evento de apresentação do catálogo da empresa a emissoras latinas e do mercado hispânico americano, afirmou que este é um mercado que cresce a cada ano devido dois fatores principais: apresentação de um portfólio diversificado e oferta de conteúdos e soluções que possam ir além da televisão tradicional. “Este é um ponto-chave. Construímos uma relação com vários clientes na região e precisamos estar atentos e buscar entender o que eles necessitam e isso pode não ser um conteúdo para a televisão, pode ser VOD, licenciamento, DVD ou direitos para o catch-up”, explica Helen, ressaltando que a equipe da BBC é bastante cuidadosa com a questão da segurança do conteúdo e tem uma equipe específica para cuidar destas questões. Durante o evento, a BBC anunciou um acordo de VOD com a operadora chilena VTR. “O Chile é um dos principais países para a mídia digital na América Latina”, observa. Outros pontos que Helen destaca são a procura também crescente por conteúdo em full HD, já que a maioria dos países da região já definiu o seu sistema de televisão digital, e as tentativas da empresa de produzir e oferecer conteúdo mais atraente para o público jovem, especialmente nos gêneros drama e comédia, que é o grande desafio para os programadores de televisão. Matt Forde, EVP de vendas e distribuição da empresa, que também

Matt Forde e Helen Jurado, da BBC, com Eduardo Leal, da Globosat, em uma das atividades promovidas no Rio de Janeiro.

esteve no evento, conta que a empresa está experimentando novos modelos de negócio em coprodução, inclusive com a América Latina. “Como um distribuidor, acho ótimo poder mudar os negócios e mostrar o melhor da BBC”, explica o executivo, referindo-se aos modelos em que a BBC exporta direitos, roteiros e expertise para a produção local. Há uma área de produção voltada para a América Latina, liderada pelo vicepresidente Gareth Williams. “Atuamos em dois eixos: adaptar os programas da BBC para a América Latina e desenvolver conteúdo na América Latina e exportá-lo para o resto do mundo”, explica Williams. Para isso, a BBC conta com a parceria de duas produtoras regionais: a Mixer, para o mercado brasileiro, e a argentina GP Media, para a América hispânica. Com esta última, a BBC já desenvolveu o quiz show “El Juego del Centenário”, em que o participante testa seus conhecimento sobre assuntos relativos ao país. A atração vai ao ar pelo Canal 7.

Provocando em DVD O programa de entrevistas do ator Antônio Abujamra na TV Cultura, o “Provocações”, completa dez anos com lançamento em home video. Quatro DVDs contam com 18 das mais de 500 entrevistas feitas por Abujamra. O disco “Provocações 10 anos especial” reúne conversas que sintetizam a trajetória do programa; o “Provocações - Nomes da Música” conta com entrevistados como Tom Zé, Walter Franco e Arnaldo Antunes; “Provocações - Nomes do Teatro” traz entrevistas com José Celso Martinez, Paulo Autran e Cleyde Yáconis; o “Grandes Provocações” traz as entrevistas que mais repercutiram, com personalidades como Itamar Assumpção, o poeta Peter Campos e Rachel Pacheco, a ex-garota de programa Bruna Surfistinha. “Provocações”, programa de Antônio Abujamra na TV Cultura, ganhou box especial de dez anos.

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Onda nacional Os canais E! Entertainment Television e The Biography Channel estrearam novas produções nacionais. O canal de entretenimento e celebridades E! estreou em 9 de agosto o “Brasil Bites”, seu primeiro programa de notícias produzido no Brasil, com recursos do canal. Os programetes, coproduzidos pela SP Telefilm, são exibidos dentro do programa “E! News Live”. No final de agosto, o canal estreou a série “Meu Book”, também uma coprodução com SP Telefim, mas com recursos do artigo 39. O programa, gravado em fevereiro, acompanha o trabalho de cinco modelos que estão iniciando a carreira. Ainda no E!, será exibido em setembro um episódio de “Histórias Verdadeiras”, versão nacional do “The E! True Hollywood Story”, com a cantora Ivete Sangalo. Já foram exibidas versões do programa dedicadas às “marias-chuteira” (esposas e namoradas de jogadores de futebol) e sobre o jogador Ronaldinho Gaúcho. Os especiais têm coprodução da Conspiração Filmes. Já o The Biography Channel produziu quatro novas biografias de brasileiros. A primeira, que estreou em 15 de agosto, é do músico Gilberto Gil, e teve exibição no A&E no mesmo dia, uma hora depois. As demais, que serão exibidas mensalmente, são do tenista Gustavo Kuerten, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do lutador de jiu-jitsu Hélio Gracie. A produção é da Mixer, com recursos do Artigo 39. Mobile e HD

Outra novidade é que os canais do grupo A&E Ole Networks (A&E, The History Channel e The Biography Channel) oferecerão conteúdo exclusivo de sua programação no celular, por meio da tecnologia multimídia 2D Codes. Para decifrar o conteúdo por trás dos 2D Codes, basta acessar a página na internet www.phdmobi.com pelo telefone celular e baixar o aplicativo Multi Tagg Reader. Quando o programa estiver instalado, o usuário deve utilizar a câmera do aparelho, apontando-o para a imagem que traz o código para armazenar o conteúdo no celular. No caso dos canais, os códigos serão inseridos na Internet e na televisão. Não precisa ser assinante de TV paga. Com o uso da tecnologia 2D Codes, todos têm acesso a vídeos, informações, fotos, além de todo e qualquer conteúdo exclusivo dos canais. A tecnologia poderá ser utilizada em mais de 45 países ao redor do mundo, inclusive na América Latina. O grupo A&E também lançou o canal History Channel em HD e prepara o lançamento do A&E HD para novembro e do Biography HD para o primeiro semestre de 2011. Os canais HD terão feed exclusivo para o Brasil e conteúdo diferente da definição padrão, mas devem compartilhar parte da programação.

Gilberto Scarpa, apresentador do “Brasil Bites”, programa de notícias do E! produzido no Brasil.

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FOTOs: divulgação

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“Spartacus”, do Globosat HD, é o primeiro lançamento de uma série exibida no País apenas em um canal de alta definição.

Exclusividade HD Um dos lançamentos de destaque no Mipcom de 2009, a série “Spartacus Blood and Sand” está sendo exibida no Brasil com exclusividade pelo canal Globosat HD, desde o início de agosto. É o primeiro grande lançamento de uma série exibida no País apenas em um canal em alta definição. A série, produzida por Sam Raimi (“Homem-Aranha”), tem 13 episódios de uma hora e é exibida aos sábados, às 23h.

Toscana com “Passione” A Globo Marcas lançou em parceria com a Editora Bei o guia “Passione: um roteiro pela Toscana”. A publicação, que tem textos introdutórios assinados pelo autor da novela, Silvio de Abreu, pela diretora de núcleo, Denise Saraceni, e pelo diretor-geral, Carlos Araújo, é dividido em capítulos temáticos, em que os atores envolvidos com o núcleo italiano expõem suas impressões sobre as cidades pelas quais pasaram. Entre os assuntos abordados estão história, gastronomia, agroturismo e compras. O chef Rodrigo Queiroz também faz uma seleção de pratos da culinária local. O livro estará a venda em livrarias de todo o País e no site da Globo Marcas (www.globomarcas.com). Globo Marcas e Editora Bei lançaram um guia sobre a região italiana inspirado na novela.

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Quase 30

SBT completou 29 anos com a apresentação da reestreia de “Topa ou Não Topa?”

à diversidade da programação. “Hoje temos uma linha completa de programas, para todos os gostos”, observa. Outra novidade da emissora é a reformulação do site, com destaque para o portal de jornalismo e a central de vídeos. A equipe de jornalistas da casa atualizará o portal de jornalismo, onde o usuário também poderá conferir todo o conteúdo dos telejornais da emissora, em vídeo e em texto. A nova central de vídeos terá integração às redes sociais, novo layout (com lista dos vídeos mais assistidos, mais comentados e enviados) e funcionalidades, como “apagar a luz”.

FOTOs: divulgação

O SBT completou 29 anos no dia 19 de agosto e a principal novidade da emissora para as comemorações é a reestreia do game show “Topa ou Não Topa”. O programa, um formato internacional da Endemol (“Deal or No Deal”) em que os participantes têm a chance de ganhar R$ 1 milhão, já foi ao ar pela emissora, com apresentação de Silvio Santos. Agora, quem está a frente da atração é o publicitário e apresentador Roberto Justus que, encerrada a primeira temporada de “1 Contra 100”, continua disputando audiência com o futebol no horário nobre. O game show deve ir ao ar por volta das 23h. Com duração prevista de seis meses, “Topa ou Não Topa” terá até quatro cotas de patrocínio no valor de R$ 35 milhões cada. Até agora, apenas o Bradesco comprou uma cota e terá inserção nos 36 programas. Justus esclareceu que seu contrato com o SBT não estabelece que ele capte anunciantes para seus programas, embora os clientes da Young & Rubicam, agência comandada por ele, tenham a primeira oportunidade de compra. O apresentador também destacou que seu perfil e seu estilo de apresentar contribuiu para a atração de audiência das classes A e B para a emissora. Henrique Casciato, vice-presidente comercial do SBT, afirmou que o período pós-Copa é bom, bem como o momento econômico. Segundo ele, o canal completa 29 anos em um bom momento comercial, o que ele também associa

FOTO: carol soares

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Ônibus disputado

FOTO: wayne camargo

O game show “O Último Passageiro” entrou na grade da Rede TV! para fortalecer e consolidar a grade da emissora aos domingos. A atração, que vai ao ar às 20h, é uma disputa entre estudantes do Ensino Médio de três escolas pela viagem de formatura. A apresentação é de Mario Frias. “O Último Passageiro” é um formato da Endemol e já foi produzido na Grécia, Chile, Turquia, Vietnã e Argentina.

Sérgio Lobo, apresentador do “Programa do Sócio PFC”, que também vai ao ar pelo PFC Internacional.

Pontapé asiático O PFC Internacional, canal Globosat especializado em futebol brasileiro, estreou no Japão no fim de agosto. É o primeiro país asiático a transmitir o conteúdo do canal, que está disponível pela Fiber TV. O canal é distribuído em mais 13 países: Portugal (Zon TV, Sonae, Cabovisão, Vodafone e Pt Comunicações), França (Free e SRF), Estados Unidos (Dish, DirecTV, Time Warner, Comcast e RCN), Canadá (Next), Nigéria (Trend), Trinidad e Tobago (Columbus), Angola e Moçambique (Multichoice), Uruguai (Monte Cable e Nuevo Siglo), Chile (GTD), Panamá (Cable & Wireless Panama), Bolívia (Cosett) e Peru (Cable Club). 12

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“O Último Passageiro”, formato da Endemol que estreou na Rede TV!.

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Incentivados A Globo trabalha com mais de dez projetos para o uso dos recursos recolhidos pelo artigo 3º A. Segundo Carlos Eduardo Rodrigues, diretor da Globo Filmes e coordenador das negociações para uso dos recursos na Globo, a emissora dispõe de R$ 25 milhões por este mecanismo de incentivo e deve utilizar metade na produção cinematográfica e metade na produção de séries televisivas. “Espero aproveitar 100% dos recursos que recolhemos. É importante para a empresa que a empreitada seja bem sucedida”, explica o executivo. “Para uma empresa que fatura milhões como a Globo, não é muito dinheiro, mas é o valor simbólico de ter o projeto dentro da lei que possa ser repetido anualmente”. Rodrigues contou que a maior parte dos recursos é proveniente do recolhimento de impostos da compra de direitos esportivos e que houve, inicialmente, dificuldades em convencer os parceiros a repassarem os benefícios. “Esta forma de negociação é nova para a TV. A ideia é fazer com que isso seja feito da forma mais adequada possível para que nas próximas negociações possamos batalhar por esses recursos, que são importantes para a produção independente no País”, observa. Segundo o diretor da Ancine Mário Diamante, foram recolhidos até agosto de 2010 R$ 51,43 milhões. A Globo é a que mais recolheu, seguida da HBO Brasil, Fox Latin America Channels do Brasil, Record, Fox Film do Brasil, ESPN do Brasil, Telecine, Turner, Topsports, Elo Audiovisual e Sky Brasil.

C2Rural: plataforma do Canal Rural para a transmissão de programação exclusiva ao vivo pela web.

Internet e TV O Canal Rural lançou um novo canal para a transmissão de programação exclusiva ao vivo pela Internet. Trata-se do C2Rural (www.c2rural.com.br), cuja proposta é unir a qualidade de transmissão da televisão com a interatividade da web. Serão transmitidos diversos formatos de eventos, incluindo leilões, palestras e feiras.


( scanner) Curta em alongamento

Canal do trabalhador O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC lançou um canal de televisão em agosto. A TVT, emissora educativa, foi outorgada em outubro do ano passado à Fundação Sociedade, Comunicação, Cultura e Trabalho, entidade cultural sem fins lucrativos criada e mantida pelo sindicato. A TVT tem diariamente uma hora e meia de produção própria, com destaque para o “Seu Jornal”, um telejornal ao vivo de meia hora de duração, exibido de segunda a sexta-feira. Integram a grade outras sete produções envolvendo serviços, debates, documentários, cooperativismo, entrevistas e destaques do mundo do trabalho. Para garantir o restante da programação, foram firmadas parcerias com a TV Brasil e as TVs Câmara e Senado, que fornecerão noticiário nacional, reportagens Web TV do Sindicato dos especiais e documentários. A equipe Metalúrgicos do ABC, que lançou da TVT conta com 70 profissionais um canal de televisão em agosto. responsáveis pela produção da programação própria da TVT. Segundo o sindicato, foi investido R$ 1 milhão na compra de equipamentos. O custo mensal da programação da TVT está estimado em R$ 400 mil. Por ser educativa, a emissora não pode veicular publicidade nem ter patrocínios, apenas apoios culturais. A programação irá ao ar pelo canal 46 UHF em São Paulo. Também estará em 27 canais comunitários (a cabo) da Grande São Paulo e em mais de 240 pontos de abrangência da Rede NGT em todo o País. A programação será transmitida simultaneamente pela TV Web do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (www.tvt.org.br).

A TV Rá Tim Bum, canal infantil da Fundação Padre Anchieta, ganhou distribuição no Japão pela operadora Fiber TV. As produções serão transmitidas em língua portuguesa para alcançar o telespectador migrante. Esta é a “Glub Glub”, atração da TV Rá Tim Bum. segunda distribuição internacional que o canal ganha. Desde outubro de 2009, ele faz parte do line-up da ZON Mídia para Portugal. No Brasil, o canal conta com mais de 2,5 milhões de assinantes e é transmitido por 30 operadoras.

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FOTOs: divulgação

Distribuição no Japão

O Festival Internacional de CurtasMetragens de São Paulo promoveu paralelamente às mostras o primeiro Seminário de Comercialização de Conteúdos Audiovisuais de Curta Duração, entre os dias 23 e 25 de agosto. Os profissionais que participaram dos debates chamaram atenção para o grande número de filmes produzidos (são aproximadamente 400 novos títulos todos os anos, segundo dados levantados pela organização do evento) e para a crescente demanda pelo formato, impulsionada principalmente pelas mídias digitais. Eles alertaram os realizadores: é preciso planejar a distribuição antes da produção do curtametragem. O secretário do audiovisual, Newton Cannito, participou da abertura do evento, destacando a complexidade da produção audiovisual. “Não é mais fazer o filme e descobrir o que fazer. Temos que pensar que temos um produto, então, para quem vender? Precisamos descobrir novas formas de comercializar novos produtos e atingir novos públicos”. Sabrina Nudeliman, diretora da distribuidora Elo Company, observou que o curta-metragem tem demanda tanto no exterior quanto no Brasil, já que o País é um dos maiores mercados em mídia digital Ela enumerou alguns detalhes que o realizador deve ter um mente antes de iniciar a produção, para que seu filme tenha êxito: é importante ter todos os direitos para o curtametragem, ter sempre o espectador em mente, não descuidar do roteiro, aproveitar as redes sociais para a preparação de material de divulgação, cuidar dos detalhes de produção, selecionar bem os festivais e os modelos de distribuição. A TV também se beneficia das faixas programadas por curtas-metragens, como explicou João Garção Borges, diretor do canal português RTP 2 e criador de “Onda Curta”, atração semanal que vai ao ar em horário nobre, às 21h, e é líder de audiência no canal. “Não há concorrência de programação com curtasmetragens”, observa o diretor, que seleciona filmes para aquisição em festivais internacionais e também coproduz alguns curtas-metragens. O preço médio de aquisição é de 65 euros por minuto, sem exclusividade, para duas exibições. Moema Müller, coordenadora de programação e distribuição da Programadora Brasil, que tem aproximadamente 1,4 mil pontos de exibição não-comercial associados, contou que dos 700 títulos acumulados pela programadora desde fevereiro de 2007, 549 pertencem à categoria curta-metragem e 70% dos programas organizados pela curadoria, incluem um curtametragem. “É uma oportunidade para as pessoas apresentarem seus trabalhos”, afirma.

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( figuras) Comercial

Daniela Chaparro foi promovida a vice-presidente de marketing do E! Entertainment Television na América Latina e no Brasil. A profissional tem passagens por outras empresas da área de televisão como SPE Networks Latin America, Warner Channel Latin America, Televen e RCTV. Daniela entrou para a equipe do E! em 2009 e seguirá comandando as áreas de marketing para consumidores, afiliados, vendas e relações públicas, além de portais da E! Networks Latin America.

A Record anunciou que Walter Zagari, vice-presidente comercial, concentrará todas as iniciativas de comercialização do grupo. Todas as diretorias comerciais estarão alinhadas em uma mesma equipe. A partir de agora, os planos poderão contemplar a Rede Record, a Record News e o R7, compondo uma multiplataforma comercial.

Finanças e relações com investidores

Jornalismo Dedê Gomes foi contratado como gerente de jornalismo da Race TV. Gomes tem experiência em automobilismo, com passagens em diversos veículos como Band, SporTV, Gazeta, rádio Jovem Pan e Racing Magazine.

Contratações

Márcio Minoru

A Sagaz Filmes anunciou contratações. Tina Carlos (exConspira Express e Na Glória) chega para o atendimento. A produtora também ganhou dois novos diretores de cena: Rodrigo Rebouças e Judith Belfer. Judith Belfer, Tina Carlos e Rodrigo Rebouças

Atendimento Leonardo Alves (ex-Pródigo Films) é o novo atendimento da produtora de som Na Glória. O profissional atuará ao lado de Rubia Elias, coordenadora de produção.

Roberto Catalão assumiu a função de diretor executivo financeiro da Net Serviços. Catalão ocupava o cargo de diretor de controladoria da Embratel, onde estava há sete anos, e substitui João Adalberto Elek Júnior, que pediu desligamento da empresa. O departamento de relações com investidores da operadora está sob responsabilidade de Márcio Minoru Miyakava, atual diretor de mercado de capitais da Net.

Reestruturação Com a reestruturação pela qual a Abril passou no último mês, André Mantovani, diretor geral da MTV, deixa o grupo, sendo substituído por Helena Bagnoli, diretora superintendente da unidade de negócios segmentada I. A Abril resolveu que a emissora, voltada ao público jovem, deve ter maior sinergia com os produtos da editora destinados ao mesmo público.

Diretor A Dínamo Filmes, produtora de filmes publicitários do Grupo Dínamo, anunciou a contratação de Daniel Klajmic como diretor de cena. O fotógrafo tem carreira internacional e sua chegada faz parte de uma aposta da produtora de transferir para os filmes publicitários talentos de outras expressões visuais.

Diretor O Grupo Conspiração contratou João de Faria Daniel como diretor comercial. O profissional, que vem da Tivit (na área de TI), trabalhará na unidade de São Paulo com foco em captação para projetos de cinema e de TV e de prospecção de clientes para comunicação corporativa e branded content. Daniel também terá a função de integrar os núcleos de negócio da produtora.

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Foto: arquivo

Fotos: divulgação

Mercado


Administração e atendimento

Planejamento e criação

O Grupo Ink anuncia a contratação de Fernando Godoi como seu novo diretor administrativo e financeiro. O profissional tem experiência como auditor e consultor e passagens por Andersen e Baker Cristal Caetano, Paula Piussi e Pamela Witt. Tilly. Fernando também atuou na Okto Mobile Ideias, empresa de tecnologia dedicada a serviços de mídias móveis e móbile marketing, onde foi responsável pela gestão de viabilização e desenvolvimento de modelos de negócios e estruturação das ofertas para o mercado. A Margarida Filmes de Porto Alegre também tem novidades no atendimento com a chegada de Cristal Caetano (ex-TGD, Brava Filmes e Batuque Música) e Paula Piussi (ex-Zeppelin). A equipe ainda tem Pamela Witt como assistente.

A Fischer+Fala! contratou Nelson Kuniyoshi como vice-presidente de planejamento estratégico. O profissional, especialista em comportamento do consumidor, tem passagens pela I&S BBDO Japão e pela JWT em Londres. A criação também ganhou reforços com as contratações dos publicitários Bruno Mendonça (ex-Wunderman, Sinc e Garage) e Jader Rubini (ex- In Vista Comunicação), especializados em ambiente digital.

Abert A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) elegeu novo presidente para o próximo biênio. Emanuel Carneiro, presidente da Rede Itatiaia, grupo de rádio em Minas Gerais, substitui Daniel Slaviero na presidência da entidade. A vice-presidência fica com Vicente Jorge, da TV Asa Branca e da Rádio Globo FM em Caruaru (PE).


( figuras) Sócio

Gerente

Otávio Pacheco é o novo sócio da Na Laje Filmes, ao lado de Fausto Noro, Regina Campos e Isabel Campos. Otávio é formado em cinema. Atua na produção de filmes Fausto, Regina, Otávio e Isabel e videoclipes e já recebeu prêmios nacionais e internacionais.

Rafael Lunes é o novo gerente de marketing de Serviços de Valor Agregado (VAS) da Claro. Lunes responde pelo segmento de conteúdo e interatividade da operadora. O profissional tem passagens pela Vivo e pela Brasil Telecom, além da integradora Pure Bros.

Digital

Fotos: divulgação

Gerente comercial Os Estúdios Quanta contrataram Welton Almeida como gerente comercial. Com passagens por empresas como Philips, Siemens e Rockwell Automation, o profissional será responsável por ampliar o relacionamento dos Estúdios Quanta com o mercado nacional de produção audiovisual com foco nos negócios de broadcast, publicidade, entretenimento, Internet e no novo segmento no qual a empresa atuará: eventos corporativos.  

Pedro Porto (exSanta Clara) e Miguel Genovese (ex-Ogilvy, Lew Lara, McCann e Garage) reforçam a área digital e interativa da NBS. Os profissionais assumem, respectivamente os Miguel Genovese e Pedro Porto cargos de diretor de plataformas interativas e supervisor de criação interativa. Porto cuidará de toda a operação digital da agência enquanto Genovese vai supervisionar a criação interativa nos escritórios do Rio de Janeiro e São Paulo.

Carioca e paulista

Trio

O escritório do Rio de Janeiro da Giovanni+Draftfcb anunciou contratações. Camila Serejo (ex-HiMídia e Agência 3) e Larissa Andrade (exAgência 3) assumem, respectivamente os cargos de gerente Camila Serejo, Larissa Andrade, Simone e assistente no Ferrerone, Renata Régis e Raquel Castro. departamento de mídia on-line. Renata Régis (ex-Contemporâneia e JMD Comunicação) e Simone Ferreroni reforçam a área de atendimento enquanto Raquel Castro (ex-GL Comunicação) chega para o planejamento. O escritório de São Paulo recebe de volta o redator Felipe Rodrigues, que fará dupla com a diretora de criação Cristina Amorim.

A Neogama/BBH reforçou a equipe com quatro contratações. Arthur Tanelli (ex-DM9DDB) é o novo gerente de atendimento para a conta institucional de Bradesco. Diana Santos (ex-Namosca) assume como supervisora de planejamento. Diana Santos, Marie Madaleine Mitre e Arthut Tanelli. Marie Madaleine Mitre (ex-Trip Editora e Valor Econômico) foi contratada como coordenadora de mídia online da agência. Flávia Cassettari (ex-Grupo Eugênio) chega como diretora de atendimento para as contas de varejo da agência.

Dupla Dois novos profissionais chegam à F.Biz. Fernando Diniz (ex-Young & Rubicam) é o novo head de planejamento da casa. Gal Barradas (CEO), Lisiane Kindelin Lisiane Kindelin e Fernando Diniz (ex-Grupo TV1, DPZ e Loducca) é a nova diretora de criação da agência.

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Reposicionamento A Brasileira Filmes, para assumir um posicionamento mais agressivo no mercado, conta com dois novos diretores de cena: Teisson Froés, Eliene Carvalho, Maristela de Vasques e especialista em filmes Érica Seta. 3D e de animação, com larga experiência em finalização, e Ricardo Santini. A produtora também criou uma área comercial. Érica Seta (ex-Conspiração Filmes) e Eliene Carvalho, respondem pelo atendimento sob a coordenação de Maristela de Vasques.

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Samuel Possebon

s a m u c a @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Jogo com árbitro Relação entre programadores e operadores terá a Ancine como agente regulador. As disputas passadas e presentes podem ser argumento em favor desse novo cenário.

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foram ampliados no final de junho, com dois artigos da Medida Provisória 491. A MP cria o programa “Cinema Perto de Você”, e estabelece também que a Ancine deverá “zelar pela distribuição equilibrada de obras audiovisuais, visando à universalização do acesso”. Para isso, a agência observará o “equilíbrio nas relações comerciais entre agentes econômicos” e “o combate às práticas comerciais abusivas”. A MP acrescentou dois incisos à MP 2.228/2001, que é o

egociações entre programadores e operadores de TV por assinatura nunca são simples e, em geral, são caracterizadas por um jogo de pressões de parte a parte. Em quase todos os casos registrados até hoje na indústria de TV paga brasileira, chega-se a um entendimento que acaba não sendo considerado tão bom para nenhum dos lados. Mas o que acontece quando de um lado da negociação está um pequeno operador, com recursos e condições financeiras limitadas, e do outro estão programadores com grande poder econômico? E o contrário? O que acontece quando de um lado está um grande operador e do outro há um programador que não consegue distribuir seus canais? Essa questão torna-se ainda mais relevante no momento em que a Ancine, com a iminência da aprovação no Senado do PLC 116/2010 (que cria novas regras para o setor de TV paga), se prepara para ser a agência reguladora do setor audiovisual como um todo, e não apenas uma agência do cinema (ver entrevista com o presidente da agência, Manoel Rangel, nesta edição). Mas além do que acontecerá com a aprovação do PLC 116/2010, vale lembrar que os poderes da Ancine já

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principal marco legal da agência do cinema. Nesses dois novos incisos, que entram no artigo das atribuições da Ancine, as novas funções ficam claramente estabelecidas. E mais: a Ancine poderá também, por estas novas atribuições, “no âmbito de suas competências legais, firmar com os agentes regulados termos de compromisso de ajustamento de conduta, que visem a corrigir irregularidades, indenizar danos provocados ou cessar atividades”. Ou seja, a Ancine ganha força na sua atuação concorrencial e já teria poderes para, se quisesse, interferir no mercado. Segundo Manoel Rangel, presidente da Ancine, essas novas atribuições visam dar à agência os poderes necessários para cumprir as obrigações referentes ao programa “Cinema Perto de Você”, mas também poderão ser utilizados em outras esferas reguladas pela agência. Ele explica que, por enquanto, a MP não teve efeitos práticos nesse aspecto, ou seja, não houve nenhuma ação regulatória ou fiscalizadora que tenha utilizado as novas atribuições. Até porque, explica Rangel, são dispositivos que ainda estão em medida provisória e, portanto, têm caráter precário.


“A orientação da Anatel aos operadores é que eles informem a agência sobre qualquer fato que possa ter implicações sobre as obrigações do Regulamento de Defesa e Proteção dos Usuários. Se for uma alteração de pacotes ou preço por situação de força maior que possa afetar o consumidor, isso será observado pela Anatel, que pode tomar providências”

FOTO: arquivo

As MPs valem por 60 dias da data de publicação, renováveis por mais 60. Esse prazo não conta durante os períodos oficiais de recesso parlamentar. Para se tornarem leis definitivas, as MPs precisam ser aprovadas pelo Congresso. Os exemplos de conflitos entre operadores e programadores são muitos ao longo da história da TV por assinatura no Brasil. Alguns deles chegam a casos extremos, que poderiam servir de justificativa para uma interferência regulatória sobre essa relação, até hoje tratada na esfera privada. Disputa recente O mais recente conflito envolveu a Fox e a NeoTV, associação que representa pequenos operadores de TV por assinatura. Esta reportagem acompanhou os bastidores do caso e ouviu relatos sobre as negociações. Em geral, as negociações são cheias de cláusulas de confidencialidade e raramente tornam-se públicas, mas nesse caso, um pequeno operador, que não quer ser identificado, revelou alguns detalhes como forma de expressar sua preocupação com uma situação que era, em seu entendimento, uma conversa desigual entre um grande grupo de mídia internacional e uma pequena empresa operadora. Em muitos momentos, os relatos ouvidos por esta reportagem chegavam perto do desespero. Foi um embate negocial que terminou apenas no dia 3 de setembro, chegando muito perto de uma situação de desligamento dos sinais da Fox nessas operações. No final, as partes chegaram a um acordo, mas os meandros da negociação mostram como o problema é complexo. O caso da negociação entre Fox e os pequenos operadores foi um entre vários exemplos de situações em que a autoridade reguladora poderia

Ara Apkar Minassian, da Anatel

atuar para evitar abusos de parte a parte. O resumo da situação é o seguinte: o contrato entre a programadora e a NeoTV terminou em março, e naturalmente ali se iniciaria uma nova rodada de negociações. É normal nesse momento que, de um lado, o programador tente ampliar a sua base de distribuição e, do outro, o operador busque melhores condições comerciais e mais flexibilidade nos pacotes. O fato novo na negociação com a Fox é que a programadora, em um determinado instante, ameaçou não mais negociar com a NeoTV. A NeoTV é uma associação criada em 1999 justamente para intermediar essa relação entre operadores e programadores, criando, de um lado, mais escala para conseguir

NeoTV também deixou de levar o peso dessas importantes bases de assinantes para a mesa. O que aconteceu este ano, com a Fox, foi reflexo de tudo isso, segundo operadores ouvidos por esta reportagem. Segundo Leonardo Caetano, diretor de afiliadas da Fox no Brasil, em nenhum momento a programadora ignorou ou deixou de levar em conta a NeoTV. “Pelo contrário, sempre tivemos uma ótima relação com a associação. Apenas no momento em que as negociações pareciam mais complicadas é que houve contatos diretos com os operadores. Mas no final, as coisas voltaram ao normal”, explica. Neusa Risette, diretora geral da

recente impasse envolvendo a fox e a neo tv seria um exemplo em que caberia a atuação da agência reguladora contratos melhores e, de outro, facilidade para que pequenas empresas sem capacidade financeira e/ou operacional possam ter acesso aos mesmos programadores que grandes operadores têm. A essência do modelo é que a associação consegue um contrato-padrão com os programadores e os operadores associados, individualmente, aderem a este contrato, comprometendo-se em seguir os termos acertados. Durante anos, a NeoTV funcionou nesse modelo sem maiores incidentes. Na prática, como o terceiro player na compra de programação, menor apenas do que a Net Serviços e a Sky. Nos últimos anos, contudo, Oi e Telefônica deixaram de usar a associação em suas negociações. Com a aquisição de associados importantes como a Vivax e a BigTV pela Net, a

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Neo TV, diz que esse tipo de negociação tem cláusulas de confidencialidade e a associação não pode comentar detalhes do caso. Vale lembrar que esse tipo de conflito não é exclusivo da relação entre pequenos operadores e grandes programadores. Esse ano mesmo a Fox chegou a criar um site justamente para informar seus telespectadores de uma eventual interrupção dos canais em uma grande operadora (pedindo inclusive aos assinantes que pressionassem sua operadora caso isso acontecesse). A programadora e a operadora nunca admitiram, mas sabe-se que as dificuldades eram com a Sky. Mais uma vez, contudo, as partes se acertaram antes que o

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( capa) mais drástico acontecesse: o corte de sinais. Durante esse complicado acerto de posições com a Fox, operadores entraram em contato com essa reportagem alegando impotência diante de uma situação: “Estão enviando uma carta de corte de sinal em inglês (como se eu tivesse a obrigação de entender inglês) dizendo que vão cortar nosso sinal no dia 6 de setembro, caso a NeoTV não assine um novo contrato. Eu tenho dois canais e eles querem me empurrar mais seis”, relatou um operador indignado a este noticiário. Ele se queixava ainda de ter que levar esses canais adicionais, que não tinham segundo ele o menor interesse para os pouco mais de mil assinantes de suas operações. “Você acha que com pouco mais de mil assinantes vou ter poder de negociar com a News Corp. (dona da Fox)? Além das teles, do mexicano, do AZBox (pirataria), agora também os programadores querem nos destruir”, protestou. No fim, contudo, o contrato saiu. Não sem antes a questão ser levada por estes operadores à Anatel, pelo menos em conversas informais. FOTO: arquivo

“Há uma distorção no mercado de cabo, que privilegia canais estrangeiros. Também não queremos que seja na mão de um grupo brasileiro apenas. Queremos pluralidade, mas isso eu não vejo acontecendo” Johnny Saad, do grupo Bandeirantes

Anatel aos operadores é que eles informem a agência sobre qualquer fato que possa ter implicações sobre as obrigações do Regulamento de Defesa e Proteção dos Usuários. Se for uma alteração de pacotes ou preço por situação de força maior que possa afetar o consumidor, isso será observado pela Anatel, que pode tomar providências”, disse. Não foi o que aconteceu no ano passado entre a Viacabo e a HBO. Mais uma vez, uma discussão contratual colocou um operador de porte médio brasileiro contra uma grande programadora. A disputa chegou inclusive à Justiça dos EUA, segundo fontes de mercado, e resultou em uma decisão inédita: a Viacabo tirou 14 canais

adequadamente e perdeu competitividade. Aliado a fatores econômicos, a operadora não resistiu, perdeu o fornecedor de satélite e fechou a operação em 2007. Operadores fortes Mas não são só os programadores que falam alto na hora de uma negociação. O jogo é duro também do lado dos operadores, sobretudo dos grandes, com maior poder de fogo. A soma de altas bases de clientes, como têm a Net Serviços ou a Sky, por exemplo, limitação técnica para a distribuição de todos os canais, complicadas questões contratuais com outros programadores e estratégias

o canal cinebrasil tv, hoje com menos de 200 mil assinantes, é um dos que sempre se queixaram da falta de espaço. distribuídos pela HBO de sua base, substituindo por canais similares de outras programadoras. Foi uma operação de guerra acompanhada com lupa por todos os pequenos e médios operadores, pois aquilo poderia servir de exemplo sobre a reação dos assinantes. Ao que tudo indica, os traumas foram menores do que se poderia imaginar e a Viacabo conseguiu atravessar a migração sem maiores problemas. Uma disputa semelhante aconteceu em 1999 também entre a HBO e a já extinta operadora Tecsat. A HBO alegava que a Tecsat não tinha um sistema de auditoria confiável de sua base de assinantes e cortou o sinal da operadora, fechando alguns meses depois um contrato de exclusividade com a DirecTV. A Tecsat, que já vivia uma complicada situação financeira, não conseguiu substituir os canais da HBO

Sem regulação O superintendente de comunicação de massa da agência, Ara Apkar Minassian, explica que “a Anatel não regula a relação entre programadores e operadores, mas a regulamentação é clara ao estabelecer que os programadores precisam ter representantes locais”, o que significa, na interpretação da agência, que as negociações devem ser formalizadas no Brasil. Minassian diz ainda que os operadores precisam formalizar junto à agência qualquer situação que possa afetar os usuários. “Não posso comentar sobre casos específicos, mas a orientação da

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diferentes acabam deixando determinados canais fora dos line-ups. O canal CineBrasil TV é um dos que sempre se queixaram da falta de espaço para chegar ao assinante, e que há mais tempo reclama da falta de oportunidade de estar presente em uma base maior de clientes. Até 31 de maio de 2006 o canal tinha 520 mil assinantes, mas com a consolidação do mercado e o fim da exclusividade de programação perdeu a maior parte dos assinantes (alguns grandes operadores trocaram o canal pelo Canal Brasil, que até então não era distribuído fora do sistema Net). Hoje o canal tem menos de 200 mil assinantes pagantes.  A própria Band levanta essa bandeira há vários anos, e aponta

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como culpados operadores nacionais e estrangeiros com maior poder de fogo. Johnny Saad, presidente do grupo Bandeirantes, declarou durante o painel Telebrasil, realizado em agosto: “há uma distorção no mercado de cabo, que privilegia canais estrangeiros. Também não queremos que seja na mão de um grupo brasileiro apenas. Queremos pluralidade, mas isso eu não vejo acontecendo”. Em outras ocasiões, a programadora reclamou também da forte presença dos canais Globosat nas operadoras controladas pelo grupo Globo, o que limitava o espaço a canais da Band. Com o tempo, essas situações foram se ajustando, sobretudo depois dos acordos firmados por ocasião da fusão entre Sky e DirecTV em 2005 e, posteriormente, o acordo firmado entre Globosat e o Cade em relação à exclusividade dos canais. Outros dois episódios recentes mostram que o peso dos operadores pode ser decisivo em situações de negociação sobre a distribuição de determinados canais. Uma delas, em 2009, marcou o embate entre o grupo Abril e a Sky, em que, de um lado, a Abril tentava usar a força da MTV Brasil para conseguir melhores condições de distribuição de seus canais FizTV e Ideal. A Sky jogou duro e optou por tirar a MTV Brasil de sua base. A disputa chegou inclusive ao Cade, mas no final, a Abril descobriu que não havia condições econômicas para tentar colocar aqueles dois canais, voltados para conteúdos gerados por usuários (no caso do FizTV) e programas para o mundo empresarial/corporativo (caso do Ideal) no mercado. Ao encerrar as atividades em julho de 2009 da unidade de programação de TV paga, a Abril justificou a decisão com a “dificuldade em romper uma barreira praticamente intransponível que existe no Brasil para a distribuição de canais pagos”.

Para Paulo Mendonça, do Canal Brasil, há evidência de que a relação operador/programador precisa ser tratada por uma agência reguladora. A grande dificuldade é saber o que são práticas abusivas.

FOTO: arquivo

( capa)

Outra situação comum no mercado é a de canais que precisam pagar para serem distribuídos. E não estamos falando de canais de caráter exclusivamente comercial, como os de televendas. O SescTV, que é um canal de programação nacional variada e de boa qualidade, dedicado às artes em geral, paga valores elevados para ter seus sinais distribuídos na Net Serviços e na Sky. As operadoras justificam com os custos de distribuição e o espaço que qualquer canal ocupa no line-up. Caso mais recente se deu entre a Sky

explicação passa por uma disputa entre a Sky e suas concorrentes, sobretudo com as teles. A operadora tirou o Canal Brasil porque percebeu que as operações de DTH das empresas de telecomunicações tinham um contrato com a Net Brasil em que o Canal Brasil não estava no mesmo empacotamento. Com isso, passou a adotar o mesmo procedimento. Só que a Sky tem um contrato com a Net Brasil similar ao contrato que a Net Serviços tem, e que é diferente dos contratos que as empresas de telecomunicações (que passaram a operar mais recentemente) celebraram para ter os canais Globosat.

a abril encerrou a unidade de programação de tv paga alegando dificuldades em romper barreiras para a distribuição de canais. e o Canal Brasil. A operadora de DTH, a partir de setembro de 2009, deixou de incluir o Canal Brasil nos novos pacotes que foram lançados. Assim, à medida que novos assinantes entravam na base ou assinantes antigos mudavam de empacotamento, perdiam o sinal do canal. Segundo Paulo Mendonça, diretor geral do Canal Brasil, “há um contrato que vale até 2014, mas a Sky deixou a gente fora dos pacotes entre setembro de 2009 e agosto deste ano. Nesse período, perdemos cerca de 500 mil assinantes em relação à base que tínhamos”, afirma. A

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Para Paulo Mendonça, a situação por que o Canal Brasil passou é uma evidência de que “esse é um assunto que pode precisar ser tratado por uma agência reguladora”. Para ele, “as práticas abusivas têm que ser observadas”. Mas faz uma ressalva: “a grande dificuldade é saber exatamente o que são práticas abusivas”. A verdade é que numa negociação de programação, o poder e o tamanho de operadores e programadores podem falar mais alto. Negociações comerciais nunca são simples e sempre cada parte tenta puxar a corda para o seu lado. Quando a disputa se dá entre desiguais, entretanto, o resultado será pior para um dos lados. É nesse cenário que a ação reguladora pode acabar surgindo. Os recentes poderes adquiridos pela Ancine são um bom exemplo do que está por vir, e tudo isso tende a se consolidar se o PLC 116/2010 for aprovado no texto atual.


( entrevista)

Camada adicional Presidente da Ancine, a agência reguladora do audiovisual, conta como a autarquia se prepara para o ambiente convergente proposto pelo PLC 116/2010.

TELA VIVA A Ancine está se preparando para ser uma agência reguladora de todo o audiovisual? MANOEL RANGEL A Ancine acompanha com muita atenção esse ambiente de convergência digital e de um cenário em que empresas de telecom e comunicações se fundem em grandes conglomerados e passam a diluir as fronteiras entre as diversas plataformas. Ao acompanhar esse quadro, a agência procura observar o mercado audiovisual brasileiro, analisar como ele pode crescer e como ele pode ter uma relevância mundial.

carreiras de especialistas nesse setor estão sendo formadas desde 2006. Nosso olhar é para o desenvolvimento do mercado audiovisual. Mantemos as ações e instrumentos de fomento porque, na realidade brasileira, isso é necessário ao processo regulatório.

FOTO: Marcelo Kahn

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perspectiva de aprovação do PLC 116/2010 (antigo PL 29), que cria novas regras para o mercado de TV paga, cresceu com os apoios de última hora (ou pelo menos a não resistência) de personagens importantes no processo, como a ABTA (associação de TV por assinatura) e a própria Globo. Com isso, se avizinha um momento importante no ambiente regulatório brasileiro: a Ancine, criada em 2001 para ser a agência reguladora do mercado cinematográfico, terá sua atuação expandida para quase todo o setor audiovisual. Empresas de telecomunicações que distribuam conteúdos, empresas produtoras e empacotadoras de conteúdos e todas as formas de distribuição digital de obras audiovisuais estarão, em maior ou menos escala, vinculadas a ela. Manoel Rangel, presidente da Ancine, conta nessa entrevista como está preparando a agência para esse novo cenário e como será a relação entre a agência e a Anatel, responsável pela regulação da “camada de redes de distribuição”, em suas palavras.

Manoel Rangel

Nos últimos três anos e meio estamos acompanhando o debate sobre um marco convergente para o setor de TV por assinatura, para o audiovisual de acesso condicionado, consubstanciado no PLC 116/2010 (antigo PL 29/2007, que agora tramita no Senado). E ao acompanhar essa discussão, a Ancine procurou se preparar para um cenário em que ela fosse convocada a cumprir um papel mais relevante e efetivo na regulação do mercado de produção, programação e empacotamento de conteúdos. Ou seja, ir além do fomento e atuar na regulação dos conteúdos e de sua distribuição? Sobretudo na regulação da programação e do empacotamento e sua interface com a distribuição dos conteúdos audiovisuais. A Ancine procurou reunir informações e formar expertise, sobretudo com a formação de seu quadro de funcionários, cujas

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O que muda na atuação da Ancine com a eventual aprovação do PLC 116 na redação atual? O PLC 116, como está proposto, evidentemente amplia a responsabilidade da Ancine com relação a esse mercado e torna mais clara a especificidade da camada audiovisual e da exploração dos serviços de comunicação que distribuem esse tipo de conteúdo. Há dois universos que interagem na prestação do serviço de TV por assinatura: há o universo da disponibilidade e da economia das redes de telecomunicações e o conjunto de atividades audiovisuais, que tem uma economia específica, que tem problemas concorrenciais específicos e desafios específicos para o desenvolvimento do mercado. Estas questões na camada do audiovisual podem representar entraves ao desenvolvimento dos serviços tanto quanto questões de rede. É comum que observadores menos atentos vejam a Ancine como uma agência de fomento, mas ela é reguladora do setor cinematográfico e videofonográfico, tem atribuições sobre o mercado de TV por assinatura, tem acompanhamento do processo de produção e circulação das obras publicitárias e acompanha o mercado audiovisual em geral desde sua criação. O PLC 116 traz novas responsabilidades e uma visão convergente sobre o serviço de


comunicação audiovisual de acesso condicionado, organizando de maneira mais atual e melhor o que já está presente e que pode se desenvolver em formas ainda não conhecidas no futuro. Constrói, portanto, o primeiro marco regulatório com leveza suficiente para viver o desenvolvimento dos diversos serviços que viveremos nos próximos anos. Como enfrentar a sobreposição de análises e interpretações que surgem no trabalho da Anatel e da Ancine? Como integrar duas agências que tratam de assuntos correlatos? O PLC 116 já aponta um caminho profícuo para o desenvolvimento e questões futuras e que sejam comuns. Ao dizer que cabe à Ancine e a Anatel regulamentar a lei em 180 dias, o projeto indica um caminho de cooperação entre as agências, naquilo

que diz respeito a expertises específicas e o desenvolvimento dos mercados sob as responsabilidades específicas de cada uma e atuando de comum acordo sobre os princípios estabelecidos em lei. Durante o processo de reflexão e debate do projeto no Congresso, essa cooperação já aconteceu entre Anatel e Ancine. Tenho encontrado no conselho da Anatel receptividade ao diálogo e à interação e tenho encontrado no presidente da Anatel, embaixador Ronaldo Sardenberg, um interlocutor de alto nível. Recentemente a Anatel debateu a possibilidade de atuar na regulação dos conteúdos de TV por assinatura. Fez isso com a questão de canais obrigatórios e agora há uma demanda do Ministério Público para que a Anatel atue mais na questão da publicidade. Isso deveria ser tarefa da Ancine? Nossa postura sobre esses temas é a de ficarmos à disposição da Anatel, colocar à disposição nossa experiência e nosso

acompanhamento técnico dessas matérias para a construção de uma visão sobre esses temas e para contribuir no processo de decisão quando essa situação se apresentar. O cuidado que a gente tem tido na Ancine é o de não apressar o passo em relação ao que está consolidado na lei e nos decretos que disciplinam as nossas atuações. Entendemos que no marco legal que criou a Ancine, há inclusive um conjunto de territórios que ainda precisam ser explorados. No Congresso da ABTA vocês trouxeram dados sobre o preço dos serviços de TV por assinatura. Esse tipo de análise econômica é o que se pode esperar da Ancine? Vocês sentiram falta de dados de mercado para fazer esse levantamento? No caso do estudo, nós fizemos um levantamento internacional com base em dados públicos. Não

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( entrevista ) FOTO: Marcelo Kahn

alcançamos na nossa análise os operadores de TV por assinatura a ponto de eles nos deverem informações sobre o preço praticado. Procuramos revelar os efeitos nocivos de um mercado concentrado sobre a diversidade dos conteúdos ao consumidor e o preço praticado. Compete a quem tem a visão do conjunto do mercado zelar para oferecer ao cidadão a informação que permita a ele tomar decisões sobre o que ele sabe e o que ele não sabe. Se naqueles pacotes de canais há, por exemplo, subsídios cruzados, isso não é problema do consumidor. Constatamos os efeitos positivos do aumento dessa concorrência, tanto em aumento do número de canais quanto na redução dos preços dos pacotes.

As medições de audiência mostram que o conteúdo brasileiro é carro chefe na venda DA TV PAGA, e assegurar a presença desse conteúdo estimula o mercado

A Ancine constatou que mais concorrência reduziu preços ao consumidor. Por outro lado, fomentar a concorrência com novas licenças é uma atribuição da Anatel. Ou seja, vocês podem fazer o diagnóstico, mas talvez não tenham como aplicar os remédios em um ambiente convergente. Ou têm? Não acho que haverá obstáculos intransponíveis. A soma da expertise das duas agências, lidando com princípios específicos cada uma em seus mercados, e com princípio comuns no mercado audiovisual, dará a base da cooperação para o desenvolvimento do serviço. Para mim, quem dá o paradigma é o próprio PLC 116. Na redação que está em debate, ele remove os obstáculos à oferta do serviço. Não existe limitação aos agentes econômicos nem barreiras tecnológicas. Outra novidade é a ênfase ao conteúdo brasileiro na grade de programação. As medições de audiência mostram que o conteúdo brasileiro é carro chefe na venda do serviço, e assegurar a presença desse conteúdo estimula o mercado. E, por fim, o projeto prevê condições de igualdade na distribuição dos conteúdos, e isso facilita o processo de competição. Portanto, mesmo que diagnósticos feitos pela Ancine ou pela

Anatel necessitem de remédios ministrados pela outra agência não haverá paralisia do processo. Essa cooperação entre as agências, se não estiver prevista em lei, será estabelecida por atos do Poder Executivo. Essa regulamentação será feita depois da lei aprovada. O que nos leva a um outro problema: de onde virão as diretrizes políticas comuns para a atuação de duas agências que estão sujeitas a ministérios diferentes? Haverá a necessidade dessa linha de orientação comum, não? Haverá necessidade de políticas comuns, e eu diria que em geral já há uma orientação política comum. O que o cidadão espera do Estado é que seus diferentes entes trabalhem de forma articulada. Isso existe em certo grau. A realidade legal ainda não impõe essa cooperação, mas com o primeiro marco legal convergente, com o PLC 116, isso ficará mais claro tanto para as agências quanto para os entes políticos, como os ministérios da Cultura, Comunicações, Presidência da República.

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A abertura do mercado de TV paga tem que se dar no marco legal atual ou deve aguardar o novo ambiente do PLC 116, quando (e se) ele for aprovado? Não quero falar sobre a situação em si, pois eu teria que examinar condicionantes e variáveis específicas sobre a necessidade de expandir o serviço de cabo. Mas em termos de princípios, tenho segurança de que omelhor é que o processo de abertura a todos os entrantes, sem restrições à oferta de TV por assinatura, seja realizado sob um novo marco regulatório. Temos que lidar na remoção dos obstáculos na forma como eles foram postos. Se eles foram criados por lei, devemos removê-los na lei. E não há dificuldade para tanto, pois há alto grau de consenso sobre a necessidade do serviço e sobre a liberdade na prestação do serviço. Nos levantamentos que a Ancine já fez, houve a percepção de que o aumento da competição na TV paga a partir de 2007 ampliou a distribui– ção de conteúdos brasileiros? Se formos procurar uma relação causal direta entre o quadro de preços e a presença de conteúdo nacional, não encontraremos. A entrada de novos prestadores, de forma ainda lateral e parcial como está se dando, não resultou no surgimento de novos programadores e empacotadores, e não trouxe mais encomendas de conteúdos. Mas quero destacar que o conjunto de discussão sobre isso, sobre a mudança do marco legal desde que o PL 29 começou a tramitar em 2007, só isso já intensificou o ritmo de produções nacionais. No momento em que impõe às operações de TV paga uma obrigatoriedade de canais nacionais e produção independente, como determinado nas cotas que estão sendo criadas, não há o risco de haver uma pressão sobre os custos de operação? Nos patamares propostos pelo PLC 116 não identifico essa possibilidade.


Os patamares das cotas são mínimos, com uma estrutura de transição, e há outras medidas simultâneas, como o fomento à produção e a liberação da competição na camada de telecom e audiovisual. Competição é o elemento central na redução de preços. Eu diria que o conteúdo brasileiro será um diferencial na competição. A expansão da base de assinantes é mais do que suficiente para suportar a mudança de estratégia das empresas. Vejo as programadoras estrangeiras, por exemplo, mais preocupadas em estudar a exploração do conteúdo brasileiro para o mercado internacional do que com o raciocínio inverso, de que isso aumentaria custos e forçaria uma renegociação de preços. O projeto separa o universo da produção e da distribuição de conteúdos, com telecom de um lado e empresas de comunicação do

outro. No longo prazo, isso não vai contra a lógica da convergência? E mais, isso não pode afastar investimentos do setor de conteúdo, já que as teles ficam limitadas para atuar nesse mercado? São salvaguardas importantes que estão sendo construídas para preservar a capacidade brasileira de ser produtora e programadora de conteúdos nacionais. Parte-se do princípio que o principal agente comprometido com a produção nacional seja o produtor e programador brasileiro, e não a empresa estrangeira. Agora, pode acontecer de ao longo do tempo esse marco regulatório, que faz a transição de uma realidade não-convergente para outra convergente, vir a ser atualizado. Lembrese que se de um lado o marco proposto faz a segregação entre os dois setores, por outro, ele prega a competição e garante que produtores terão acesso à distribuição e vice-versa. A possível ausência de capital das teles na produção de conteúdo é questão menor, pois outros substratos

necessários ao fortalecimento do mercado estão lá. O PLC 116 cria um fundo de fomento para a produção audiovisual, baseado no Fundo de Fiscalização de Telecomunicações (Fistel), e isso é muito criticado pelas empresas de telecomunica– ções. Como você vê essa questão? A rigor, o projeto não utiliza o Fistel para o custeio das atividades audiovisuais. Ele estabelece uma contribuição sobre o domínio econômico de todos aqueles que detêm redes e que exploram ou podem explorar através dessas redes para contribuir na produção e programação de conteúdos brasileiros. Conteúdos estes que retornarão na composição dos diversos canais. O que o PLC 116 faz é, em contrapartida a essa contribuição, desonerar uma parte da

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( entrevista ) FOTO: Marcelo Kahn

contribuição ao Fistel. Parte-se de uma lógica de que a cadeia do serviço de comunicação audiovisual de acesso condicionado só se completa quando chega ao distribuidor, que é o detentor da rede, e diz que estes distribuidores devem uma contribuição à sustentação dessa cadeia. Em troca, oferece a desoneração do Fistel, trazendo até uma leve redução na carga tributária no cômputo final. Qual o tamanho desse fundo de fomento do audiovisual? Era aproximadamente, segundo as estimativas dos relatores do PL 29 na Câmara, uma arrecadação de R$ 250 milhões a R$ 300 milhões. Em telecomunicações isso não é muita coisa, mas no campo do audiovisual isso significa pelo menos dobrar o montante que temos disponível para o fomento do setor hoje. No ambiente digital, as formas de distribuir conteúdos são infinitas. Pode ser pela TV por assinatura, pelo computador, pelo celular, TVs conectadas... como a Ancine pretende regular e fiscalizar esse mercado sem conseguir ter o controle de onde está o conteúdo? Essa é a pergunta que está todo mundo se fazendo. É a pergunta que a FCC está se fazendo nesse momento, por exemplo, ao discutir bases regulatórias para a banda larga. A Anatel também se pergunta isso, a Ancine idem. Em um quadro novo, o olhar do regulador tem que ser pelo interesse no desenvolvimento do mercado e dos serviços, atuando em bases conceituais e princípios que não impeçam nenhum novo serviço, nenhuma nova oportunidade aos usuários e sem impedir a troca livre de informações. Nossa atuação não deve ser pelo controle, mas pelos princípios da lei a serem observados. Por exemplo, se o serviço é pago, deve ter um determinado tratamento. Se é gratuito, o tratamento é outro. Se o serviço é gratuito, mas sustentado por uma cadeia econômica robusta, deve ter um outro tratamento. Se o serviço

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A possível ausência de capital das teles na produção de conteúdo é questão menor, pois outros substratos necessários ao fortalecimento do mercado estão lá. livre é feito de forma amadora, colaborativa ou por pequenos, deve ter um terceiro tratamento. Identificar esses grandes grupos, o que não é um grande desafio e para os quais já há parâmetros, será o caminho para pensar o desenvolvimento desses serviços. O que é preciso é fazer uma reviravolta, que é a conceitual. Na verdade ela já aconteceu: é a necessidade de separar a regulação das redes da regulação dos serviços. E no que diz respeito aos serviços audiovisuais, que são o foco de atuação da Ancine, é preciso separar a camada de telecom da camada audiovisual. Essa base conceitual é nova e recepciona o futuro. Mas como regular quando não há um agente econômico claro, uma empresa estabelecida no Brasil? Tudo o que gerar riqueza e que envolver transações comerciais é localizável. “Siga o dinheiro”. Qualquer gestor segue esse caminho, o que não tem receita não tem problema. A não ser, é claro, que haja crimes, como pedofilia e

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pirataria, e para isso há instrumentos de repressão eficientes. No mundo digital, sempre há uma impressão digital de onde a coisa surgiu, por mais que se despiste, há como rastrear. Mas no nosso caso, não estamos preocupados com a contravenção, e sim com o tratamento regulatório necessário, e para tudo o que houver relevância econômica temos como atuar. Onde não houver relevância econômica, isso está no campo das livres trocas de informação entre as pessoas, não é o foco da Ancine. A Ancine não está preocupada com os conteúdos gerados por usuários, não está preocupada com a troca dessa informação ou com a audiência. Mas se houver dividendos, se houver inserção econômica, é preciso haver isonomia com outros setores que seguem as regras estabelecidas pelo marco legal. O marco regulatório atual já é suficiente para isso? A forma como o PLC 116 foi construído pelo Congresso tem a leveza necessária, sem dúvida. As bases do marco regulatório atual da Ancine, por sua vez, também têm elementos que perdurarão, assim como a LGT. São comandos que alcançam essas novas realidades. Mas há por aí sem dúvida um ambiente que exige um marco regulatório mais amplo. Isso está na cabeça dos reguladores e formuladores de política, é assim que pensa o Ministério das Comunicações, Cultura, Casa Civil, Secom, Anatel... Assim pensam os agentes econômicos. Quem observou os palestrantes do Congresso da ABTA, percebeu na boca de vários desses agentes econômicos a reivindicação de um marco regulatório convergente, mesmo que estivessem olhando a questão com perspectivas diferentes. E o cidadão pode até não reivindicar com essas palavras, mas o faz ao pedir mais simplicidade nos serviços, preços reduzidos, serviços de mais qualidade, diversidades de fontes de informação etc. Samuel Possebon


Especial

TV digital Com a obrigatoriedade da inclusão do receptor digital nas novas TVs de plasma e LCD, a ampliação da cobertura para as cidades médias e com o lançamento dos primeiros produtos com o Ginga embarcado, a TV digital prepara-se para um novo salto no país. Neste suplemento, mostramos os investimentos feitos em produção e transmissão e os desafios do mercado de set-top boxes, que ainda procura seu nicho. Transmissão Fabricantes e radiodifusores apontam os desafios da interiorização

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Produção Regionais investem em equipamentos de produção

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Interatividade Com a normatização do middleware, indústria de software se aproxima da TV

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Mercado 10 Fabricantes de set-top box para TV terrestre esperam crescimento de vendas Artigo Rui Dourado - A parceria público-privada e a TV pública digital

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Especialtv digital | transmissão

Fernando Lauterjung | fernando@convergecom.com.br

Interiorização digital Emissoras começam a levar o sinal da TV digital ao interior e buscam soluções inovadoras para reduzir investimentos na transição.

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foto: marcelo kahn

foto: divulgação

om uma base instalada que deve ser próxima a A digitalização de Uberlândia custou à Rede Integração 20 milhões de aparelhos receptores, variando para R$ 10 milhões, sendo R$ 6 milhões em equipamentos cima ou para baixo de acordo com a fonte dos importados, R$ 111 mil em equipamentos nacionais, dados, a TV digital começa a chegar a cidades R$ 202 milhões em estudos de projetos, R$ 2 milhões em obras médias no interior do país. O processo de e R$ 1,6 milhões em móveis e outros bens. Em localidades interiorização da TV digital é estratégico para os grupos de menores, no entanto, o custo não é tão alto. Em Ituiutaba, comunicação regionais, que veem a TV por assinatura conta Feres, foram investidos R$ 3,5 milhões, enquanto a crescendo em penetração em suas áreas de atuação, retransmissora de Uberaba custou R$ 1,5 milhão. sobretudo por conta do crescimento do DTH. O diretor de engenharia da EPTV, retransmissora da Globo Segundo dados da Anatel de 2009, há no Brasil 498 em São Paulo e parte de Minas Gerais, José Francisco estações geradoras de TV e 10.208 retransmissoras. Até o Valência, mostra que a digitalização no interior acontece de desligamento dos sinais analógicos, marcado para 2016, todos forma acelerada. A EPTV Campinas conta com transmissão estes pontos de transmissão devem estar operando digital na geradora desde 2008. Até o final de 2010 serão seis digitalmente. retransmissoras. Com isso a rede cobrirá 22 municípios. Até o Em uma série de debates sobre o tema que aconteceu no final de 2011 serão 12 estações digitais (entre geradora e Congresso SET, em agosto, radiodifusores e fabricantes retransmissoras), cobrindo um total de 31 municípios. expuseram cases da regionalização e planos futuros, além das A EPTV Ribeirão Preto conta com geradora digital desde soluções disponíveis no mercado para as redes regionais. Paulo Feres, diretor de engenharia da Rede Integração, afiliada da Globo em Minas Gerais, lembrou no evento que o número de receptores digitais vendidos não corresponde ao número de lares aptos a receber os sinais digitais. Segundo ele, uma pesquisa feita pelo grupo em Uberlândia, onde transmite digitalmente desde março de 2009, mostra que 10% da população já tem televisores digitais. Contudo, diz o engenheiro, a maioria não sabe sintonizar e acaba recebendo o sinal analógico. Para solucionar o problema, a Rede Integração vem promovendo nas localidades com transmissão digital treinamento a antenistas, varejistas e seus vendedores. Segundo Feres, outra questão relevante em relação à digitalização é o financiamento. A Rede Integração vem conseguindo digitalizar cidades do interior com a ajuda do financiamento do BNDES, através do PROTVD, programa de financiamento da transição para a TV digital. “É dinheiro barato”, disse, afirmando que paga juros de Soluções de fabricantes como Harris (esq.) e ScreenService suportam sistema SFN e MFN. 4,5%, somado à TJLP, ao ano. t v

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2009 e, até o final de 2010, terá cinco retransmissoras, cobrindo 18 municípios. Até o final de 2011, 38 municípios serão atendidos, após a instalação de 15 novas retransmissoras. A EPTV Central conta, por enquanto, apenas com a geradora digital, atendendo quatro municípios. A expectativa é que, até o fim de 2012, 13 estações sejam digitais, cobrindo 22 municípios. A EPTV Sul de Minas conta com uma geradora e uma retransmissora operando digitalmente, cobrindo três municípios. Em 2012 serão 20 estações digitais, irradiando para 23 municípios. “Nesta região a maioria das emissoras cobre apenas um município”, explica Valência, destacando que o custo para a digitalização deve ser mais alto para cobrir a área. Rede pública Provavelmente a rede mais complexa sendo montada no Brasil é a da TV Brasil. Conforme apontou Emerson Weirich, gerente executivo de engenharia da Empresa Brasil de Comunicação, o projeto Plataforma Nacional de Rede Digital cobrirá todas as capitais e cidades com mais de 100 mil habitantes. São 253 cidades, com aproximadamente 100 milhões de pessoas. Esta rede contará com a programação das emissoras federais, incluindo a TV Brasil. Todas as emissoras federais mandam seus sinais para o centro de controle em Brasília, de onde o sinal sobe para o satélite. Localmente, é inserido o sinal das emissoras locais parceiras da EBC na rede nacional. Para construir a rede de retransmissoras, a EBC vem encontrando dificuldade em encontrar sites aptos. Segundo Weirich, a EBC busca emissoras que queiram compartilhar suas estruturas de transmissão. “As emissoras comerciais não costumam disponibilizar espaço para locação”, lamenta. Onde a EBC encontra parceiros, muitas vezes se depara com instalações precárias, sem a refrigeração adequada e em alguns casos até sem proteção para o transmissor. Em alguns lugares a solução foi o uso de contêineres (shelters) para proteger os equipamentos. O monitoramento das emissoras, explica Weirich, é remoto, feito todo de Brasília, ou ainda de qualquer lugar pela Internet, acessando um painel virtual de cada transmissor da rede. “Imagine como seria isso há alguns anos, sem as soluções 3G. O custo seria impensável.” Na solução adotada pela EBC cada site conta com um modem GPRS redundante, com chips de duas operadoras. Com isso, a central em Brasília recebe informações de todos os transmissores e conta com alguma segurança em relação à inconstância das redes móveis. Ao receber um alerta de um transmissor, a central envia automaticamente um SMS para o técnico local responsável.

(MFN, ou Multi Frequency Network, e SFN, ou Single Frequency Network, respectivamente). No caso das redes SFN, geradoras e retransmissoras irradiam sempre na mesma frequência. Neste caso, o sinal ISDB-T é enviado para a retransmissão sem a necessidade de qualquer tipo de alteração. No modelo MFN, as retransmissoras contam com canais diferentes. Nestes casos é necessário um equipamento (remux) na retransmissão, que “desmonta” o sinal ISDB-T, faz as alterações e retransmite. O MUX é o equipamento que recebe vários fluxos (chamados de TS, ou Transport Stream) e os parâmetros de configuração do transmissor e dados adicionais e os agrega em um único fluxo, o BTS (Broadcast Transport Stream). No Congresso SET, Cristiano Barbieri, engenheiro responsável por sistemas de transmissão na Harris, destacou que no caso das redes SFN, o BTS é criado na geradora e transmitido para o site de transmissão ou retransmissão, por satélite, fibra, micro-ondas etc. Neste tipo de rede o custo da rede é mais baixo, pois os sites de retransmissão não precisam contar com equipamentos MUX. Além disso, o custo de envio de um sinal “fechado” ISDB-T também é mais baixo, demandando menos banda. No caso da EPTV, explica José Francisco Valência, a rede é SFN, usando o canal 42 e com distribuição do sinal por micro-ondas ISDB-T. A estruturação deste tipo de rede demanda um cuidado especial para que o sinal das diversas unidades de transmissão que a compõem (geradora e retransmissoras) não gerem interferência nas outras unidades. Para isso, explica Gerard Faria, CTO da Teamcast, o principal desafio é a sincronização dos sinais. Ou seja, todos os transmissores precisam irradiar o sinal em conjunto, sem qualquer diferença de tempo. A dificuldade é que o próprio envio do sinal para as retransmissoras gera um atraso no sinal. E este sinal varia conforme a tecnologia de envio (satélite, fibra ou micro-ondas) e a distância que cada retransmissoras está da geradora.

maior desafio nos sistemas sfn é sincronizar as transmissões.

Tecnologias de rede Na busca pela interiorização, as redes se deparam com duas tecnologias de estrutura de rede. As redes baseadas em múltiplas frequências e as baseadas em uma única frequência especial

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A Rede Integração, afiliada Globo em Minas Gerais, já se preparou para a possibilidade de transmissão de conteúdo exclusivo para dispositivos móveis, o que hoje não é permitido. Segundo Paulo Feres, diretor de engenharia da rede, na geradora de Uberlândia foi colocado um controle mestre exclusivo para 1-Seg, esperando a liberação de transmissão de conteúdo diferenciado. Por enquanto, o controle é operado com o conteúdo idêntico ao da programação principal.

Emissoras se preparam para ter conteúdo exclusivo em receptores móveis.

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foto: divulgação

Pronta para o 1-Seg


Especialtv digital | transmissão A solução neste caso, aponta Faria, é usar um GPS em cada transmissor e definir um “delay máximo para a rede”. O BTS enviado pela geradora conta com uma informação de tempo. Através do GPS, todo transmissor tem uma informação de tempo unificada. Com esses dois dados e a definição de delay máximo para toda a rede, cada unidade transmissora calcula de quanto é o atraso para que o sinal fique exatamente no tempo do delay máximo. Se o tempo máximo for de cinco segundos, por exemplo, a geradora terá de esperar cinco segundos para irradiar o sinal. Uma retransmissora que receba o sinal com atraso de dois segundos, teria que esperar apenas três segundo para ficar no delay máximo permitido. As redes SFN só podem contar com essa tecnologia de uso de um único BTN caso o canal virtual de todas as transmissoras sejam o mesmo. Vale lembrar, para evitar que o telespectador “se perdesse” no lineup da TV digital, foi adotado no Sistema Brasileiro de TV Digital o canal virtual. Através da tecnologia adotada, o telespectador não escolhe o canal no line-up pela frequência em que ele é transmitido, mas por um número virtual, enviado no BTS. Com isso, o telespectador continua acessando a emissora digital pelo canal que ela ocupa no transmissão analógica, embora o sinal seja enviado por outra frequência. Portanto, como a informação do canal virtual faz parte do BTS, no caso de uma rede em que o canal virtual não seja sempre o mesmo é

necessário fazer o remux do BTS com o canal virtual adequado para cada transmissor. Segundo Lucas Prado Rocha, diretor de engenharia da ScreenService Brasil, uma solução é unir uma estrutura MFN com diversas SFN. Neste caso, todos os conteúdos são multiplexados e enviados por satélite até as microrredes locais SFN. Segundo ele, não há necessariamente um consumo maior de banda no satélite do que o envio do sinal ISDB-Tb Fechado. “No BTS sempre há pacotes de dados em branco, que acabam ocupando espaço extra”, explica. Neste modelo, toda a área de uma rede pode ser coberta por um conjunto de redes SFN. Cada uma destas redes pode usar uma estrutura terrestre de comunicação, como micro-ondas ou fibra óptica.

sistemas sfn com bts único são viáveis em redes que usam o mesmo canal e canal virtual.

Especificações diferentes foto: divulgação

A Linear recebeu prêmio no Congresso SET por seu sistema de rede SFN. A fabricante nacional foi a única a perceber uma peculiaridade nas especificações do Sistema Brasileiro de TV Digital que fazia com que os equipamentos de verificação e testes para ISDB-T apontassem um erro em uma situação específica de transmissão no padrão brasileiro. O erro aparecia apenas quando a transmissão não contava com a legenda no conteúdo transmitido. Nas especificações japonesas do ISDB-T é necessário carregar no sinal de TV a informação de que não há legenda quando ela não está presente, enquanto na especificação brasileira basta não enviar a legenda. Essa diferença nas especificações fazia com que o equipamento de teste apontasse um erro, embora os receptores recebessem o sinal de forma perfeita.

Sistema SFN da Linear foi premiado pela Sociedade de Engenharia de Televisão.

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Entrave burocrático Valência, da EPTV, aproveitou o evento da SET para criticar o tempo levado para receber a aprovação dos pedidos de consignação dos canais adicionais para transmissão de TV digital. Ele fez um apelo para que o Ministério das Comunicações agilize este processo. “As nossas licenças são em caráter experimental e científico, com prazo de validade de um ano. Se a licença para uso do canal adicional não sair a tempo, teoricamente teríamos que tirar o sinal digital do ar”, disse. Fontes do setor ouvidas por TELA VIVA apontam uma falha ainda mais grave no processo. Muitas das emissoras contam com suas concessões vencidas, operando apenas com o aval de uma permissão precária. Estas emissoras não podem receber os canais adicionais, mesmo que em caráter experimental e científico, enquanto não regularizarem sua concessões. O processo, contudo, caminha lentamente no Ministério das Comunicações. O imbróglio está no decreto 5.820, de 29 de junho de 2006, que estabelece diretrizes para a transição do sistema de transmissão analógica para o sistema de transmissão digital. No Artigo 7º, fica decretado que será consignado às concessionárias e autorizadas de serviço de radiodifusão de sons e imagens, para cada canal outorgado, canal adicional a fim de permitir a transição para a tecnologia digital sem interrupção da transmissão de sinais analógicos. Contudo, a consignação só é permitida “às concessionárias e autorizadas cuja exploração do serviço esteja em regularidade com a outorga, observado o estabelecido no Plano Básico de Distribuição de Canais de Televisão Digital”. O mesmo vale para as autorizadas e permissionárias do serviço de retransmissão de televisão.

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Especialtv digital | produção

André Mermelstein | andre@convergecom.com.br

A disseminação do HD

Com a expansão da transmissão digital para as cidades de médio porte, emissoras regionais puxam investimentos em equipamentos de produção em alta definição.

fotos: divulgação

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mercado de equipamentos para produção vem crescendo a taxas, no Brasil, que vão de 10% a 20% ao ano, dependendo da fonte. Uma coisa é consenso: o crescimento é forte e está sendo puxado, sobretudo, pelos investimentos das emissoras afiliadas em seus parques de produção, voltado sobretudo para a alta definição, mas também com a incorporação de novas tecnologias, como os workflows baseados em redes, sem tráfego de fitas (tapeless) e novas técnicas de captação, produção e armazenamento

Castillo, da Grass Valley (Technicolor): vendas no Brasil crescerão este ano três vezes mais que a média mundial. 36

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(storage) de material. “A América Latina toda está passando por mudanças em seu parque de produção, com a adoção da TV digital, a alta definição e os sistemas tapeless”, conta Rafael Castillo, vicepresidente para a América Latina e Caribe da Grass Valley, que esteve em São Paulo em agosto para a Broadcast & Cable. Dentro deste cenário, aponta, o Brasil tem uma perspectiva de crescimento muito grande, pelos eventos como Copa e Olimpíadas, e a expansão da TV digital. As vendas da GV para a área de broadcast na região cresceram 5% no primeiro semestre deste ano. O crescimento mais forte foi nos produtos voltados ao DTH, graças à fortíssima expansão da plataforma no último ano: 300% no semestre. Castillo lembra que hoje 100% dos equipamentos vendidos são para produção HD, e muitos já são preparados para 3D. “O 3D ainda não é uma realidade, vai demorar mais, mas temos que estar nisso, oferecendo os equipamentos”, conta. Embora a América Latina represente apenas 15% das vendas globais da GV (e o Brasil é 45% deste total), o executivo acredita que é uma região com grande potencial de d i g i t a l

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crescimento. O grupo, exemplifica, pretende crescer este “Num primeiro momento, as ano 5% no mundo, enquanto no Brasil a projeção é de afiliadas investiram na transmissão. 15% em 2010. “Ainda tem muito mercado nas afiliadas, e Agora investem também na também nas produtoras independentes e canais internacionais”, relata. produção digital”. Para garantir presença neste mercado, a Grass Rosalvo Carvalho, da Videodata Valley (que foi vendida no início deste ano e hoje atua sob a marca Technicolor) pretende aumentar sua cobertura no país, investindo em contratação de pessoal e na política de revendas. Segundo ela, também no As projeções da Sony para este ano também são bastante caso da AD quem puxa as otimistas. A empresa espera crescer entre 20% e 25% na área vendas são as afiliadas. “As profissional, que além do broadcast inclui aplicações de cabeças de rede fizeram o segurança, projetores, medicina etc., conta Luis Fernando investimento forte em 2007. As Fabichak, chefe de marketing do Broadcast & Professional afiliadas deviam fazer ano Group da fabricante japonesa. passado, mas seguraram. Agora são elas e a Globosat que O grande mercado, também segundo ele, são mesmo as estão comprando mais”, relata. afiliadas. “Elas vão precisar de um padrão. Muitas ainda Muitas destas emissoras estão migrando diretamente trabalham com o analógico e vão migrar direto pro HD”, conta. do analógico para o HD, sem ter passado pela digitalização. Ele lembra que a Globo adotou o padrão XDCam para a “Temos casos em que estamos mexendo na planta publicidade e acredita que isso vá se estender. completa, do estúdio ao playout, como na “É um potencial”, conta. Record de Manaus”, conta Daniela. Outros grupos que também vêm investindo Como resultado, ela conta que até março são as programadoras, particularmente a deste ano a empresa faturou mais que em Globosat, com quem a Sony tem um projeto todo o ano de 2009, e que 2010 deve superar em instalação em regime similar ao turnkey, e o recorde de faturamento da empresa, de R$ produtoras de grande porte, como 35 milhões em 2008. a Casablanca. O crescimento do mercado também foi sentido na Video Systems, que aumentou Integradores seu faturamento em 20% no primeiro As empresas que representam os fornecedores e fazem semestre. Embora também aponte as afiliadas como um projetos e integração de sistemas também apontam na mesma importante vetor, o diretor Kazuyuki Tsurumaki diz que o direção. “Num primeiro momento, as afiliadas investiram, e crescimento é generalizado. ainda investem, na transmissão. Mas agora começam a “No médio e longo prazo, as necessidades de investimento investir também na produção HD, tanto local quanto para a ainda são muito grandes. Temos pouco tempo para eventos contribuição com a rede”, conta Rosalvo Carvalho, diretor da como a Copa e as Olimpíadas, e até lá teremos muitas Videodata. novidades, como o 3D. Na Copa de 2014 haverá muita A empresa aposta nos sistemas de preparação do produção em 3D”, aposta o executivo. “O mercado vai estar conteúdo e gestão de arquivos digitais, como o MediaPortal mais maduro e a tecnologia mais desenvolvida, até lá temos Topazio, voltado a emissoras de pequeno e médio porte, com que aprender a usar, como extrair os melhores resultados, e sistema de arquivamento LTOS. Também já se prepara para o isso requer capacitação e recursos”, completa. mercado de monitoração de loudness, que deve crescer devido à regulamentação. Sony aposta em unidades móveis A Videodata também já trabalha com solução para transmissão 3D, com a tecnologia Sensio, que permite A Sony apresentou na Broadcast & Cable uma novidade em seu multiplexar os canais de vídeo direito e esquerdo em portfólio de serviços: o projeto e montagem de unidades móveis um único sinal HD. completas. A fabricante entrega o caminhão pronto ao comprador, com várias configurações possíveis. Também pode montar a UM sobre uma As perspectivas também são de um forte crescimento em careta fornecida pelo interessado. Segundo Luis Fabichak, há um mercado 2010 para a AD Digital. “Tivemos um ano excelente em 2008, e potencial de 40 a 50 unidades de grande porte no Brasil, estimado ao se muito fraco em 2009, quando as empresas congelaram os olhar para as cidades-sede da Copa de 2014. investimentos por conta da crise internacional. Mas usamos o O valor da UM completa pode variar muito, de acordo com o tempo para prospectar. Em 2010 a coisa explodiu, estamos número de câmeras, custo da carreta e outros fatores, mas uma realizando projetos que vinham sendo feitos há dois anos”, montagem média custa em torno de R$ 400 mil, caminhão incluído. conta a diretora da empresa Daniela Souza.

fabricantes projetam crescimento com os investimentos das afiliadas na alta definição.

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Especialtv digital | INTERATIVIDADE

Ginga: primeiros passos TVs, celulares e set-tops com o middleware da interatividade começam a chegar ao mercado, e os players se movimentam para ocupar espaços no mundo interativo.

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base instalada de receptores com capacidade interativa no Brasil ainda é ínfima, mas já se vê muito movimento entre emissoras, fabricantes e desenvolvedores para lançar seus produtos. Segundo Leonardo Frias, da TV Globo, durante o Congresso da SET, a emissora saltou de cinco aplicações interativas em 2008 e 2009 para 11 aplicações disponíveis em 2010, como a da novela “Ti-ti-ti”, do Carnaval e do Futebol. Band, Record, RedeTV! e SBT também têm aplicações “no ar”, em caráter de teste. Em junho, a LG lançou o primeiro celular equipado com o recurso, o TV Phone GM 600. Na Broadcast & Cable, em agosto, foram apresentados dois receptores com Ginga embarcado. A novidade é que contam com middlewares desenvolvidos pelas próprias fabricantes, e não soluções prontas no mercado. Tratase de um televisor da Samsung e um celular com recepção digital embutida da Nokia, ambos demonstrados rodando aplicativos criados pela HxD. A TV Integração, afiliada da Globo em Minas Gerais, estrearia seu primeiro aplicativo no dia 31 do agosto. Também desenvolvido pela HxD, será executado nos receptores compatíveis durante as edições do telejornal “MGTV”. Entre os serviços disponíveis estão informações sobre oferta de empregos, destaques de notícias separadas por região, barra de notícias e enquete, já explorando o canal de retorno. O aplicativo ser�� transmitido nas versões para televisores grandes e receptores 1-Seg. “A interatividade não está acontecendo mais só em São Paulo, começa a chegar nas afiliadas”, comemora

Salustiano Fagundes, da HXD. Outros modelos Ainda em agosto, a Totvs anunciou sua plataforma de aplicativos para a TV digital interativa. A solução leva aos aparelhos equipados com o middleware ByYou (implantação do Ginga desenvolvida pela empresa) o conceito de widgets, que neste caso foram batizados de Stickers. Como nos caso das app stores de telefonia celular, os usuários da plataforma StickerCenter poderão escolher aplicativos da Sticker Shop, e executá-los em suas TVs. Para isso, precisarão de uma TV com a plataforma embutida ou de um set-top box. Por enquanto, nenhum fabricante fechou com a Totvs para a produção de televisores equipados com a plataforma. Em relação aos set-tops, o primeiro disponível no mercado é um modelo da Visiontec. Os aplicativos são desenvolvidos por parceiros da Totvs, como bancos (Banco do Brasil), varejistas (Walmart, Extra) e empresas de mídia (Band, Climatempo, UOL), entre outros, mas podem também ser criados por desenvolvedores independentes, em linguagem NCL-LUA ou Java, e distribuídos na “loja” StickerShop. Para o acesso a estes aplicativos, os set-tops devem estar conectados à banda larga. Para os set-tops ou TVs não conectados, a plataforma prevê também a distribuição de aplicativos de forma unidirecional pela rede dos broadcasters (TV aberta). Neste caso, cada emissora terá seus parceiros de conteúdo, e o usuário poderá visualizar apenas os conteúdos ligados ao canal ao qual está sintonizado naquele momento. O usuário poderá personalizar a sua caixa, como faz com os aplicativos de seu celular, adicionando ou eliminando os aplicativos que quer consultar. Dependendo da conexão do usuário, a caixa poderia suportar um serviço de vídeo on-demand que venha a ser oferecido por algum dos parceiros, conta David Britto, diretor de estratégia e tecnologia da Totvs. Em debate sobre a interatividade no Congresso da SET, um dos desafios para a implementação das aplicações é a ausência de uma suíte de testes para aplicativos. “Falta um ambiente para a homologação de aplicativos, ferramentas para a implementação do código e testes de aplicação”, conta Fabio Angeli, da Record. Da redação

Tela do StickerCenter, plataforma de widgets para a TV digital desenvolvida pela Totvs. 38

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Especialtv digital | mercado

Daniele Frederico | daniele@convergecom.com.br

Por dentro da caixa Mercado de TVs com receptor digital integrado cresce, mas vendas de set-top boxes estão abaixo do estimado. Pouco conteúdo em alta definição, baixa abrangência do sinal e preço são alguns dos problemas.

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pós quase três anos do lançamento do sinal digital terrestre em São Paulo, o mercado ainda aguarda uma explosão das vendas das caixas conversoras. Estima-se que existam cerca de 200 mil a 250 mil set-top boxes instalados atualmente. Os números não são oficiais, e são estimados pelos fabricantes que continuam a investir na produção desse produto, mesmo com o resultado fraco e o crescimento das vendas de televisores com receptor integrado, que já somam 2,8 milhões de unidades desde o início das transmissões. O aumento de consumo do sinal da TV digital, seja via set-top box ou TV com receptor embutido, depende de uma série de fatores, como a ampliação da cobertura do sinal, o aumento do conteúdo em alta definição e a inclusão de novas funcionalidades nos aparelhos. Para Carlos Goya, coordenador do setor de áudio e vídeo da Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos), o sinal da TV digital terrestre tem sido beneficiado pela migração de telas, das antigas TVs de tubo para as telas finas, de plasma ou LCD. “O consumidor busca aquilo em que vê benefício”, diz. Em 2008, segundo o executivo, houve um esforço da indústria em impulsionar a nova tecnologia. No entanto, apenas 5% ou 6% dos televisores produzidos contavam com receptor digitais integrados. Em 2009, essa fatia era de 16%. No primeiro semestre de 2010, 55% da produção de TVs de LCD e plasma já tinha receptor integrado, e a expectativa é que ao final deste ano chegue a ser de 70% a 75% “Desde julho de 2010, todas as TVs com tela de 32 polegadas e maiores, precisam ter receptor integrado. A partir de janeiro de 2011, esse requisito passa a valer também para as telas de 26 polegadas”, diz, lembrando que praticamente 80% da produção é de telas com 32 polegadas ou mais. Segundo Goya, estima-se que já tenham sido vendidos 2,8

Carlos Goya, da Eletros: a estimativa é que este ano sejam vendidas 6 milhões de TVs com receptor digital integrado. 40

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milhões de televisores com receptor digital integrado desde 2007 até julho deste ano. A estimativa é que ao final do ano sejam vendidos 6 milhões de unidades de TVs com conversores, entre o total de 11 milhões de aparelhos estimado. Para o executivo, a adoção do sinal digital segue o ritmo esperado. “A indústria está cumprindo seu papel, colocando o conversor integrado em televisores, até para regiões que ainda não têm o sinal”, diz. Embora para os fabricantes de televisores o ritmo de adoção do sinal digital possa estar dentro do esperado, para as empresas que investiram na produção de set-top boxes de TV digital, a migração

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segue a passos lentos. Isso, em parte, porque a expectativa criada em torno da TV digital foi muito grande em sua inauguração. “Acho que a adoção está mais lenta do que esperávamos. Mas pode ser porque a indústria tenha feito uma estimativa muito alta. Foi feito muito barulho em cima disso”, diz o diretor de novos negócios da Century, Marcello Martins. Os números ainda pouco expressivos levaram diversas empresas a abandonar a fabricação de set-tops. “O ritmo de adoção não está lento, está tudo dentro do programa. O que aconteceu é que todos quiseram entrar nesse segmento, viram que o mercado leva tempo para ganhar maturidade e, por isso, acabaram desistindo”, conta o diretor geral da Tele System, Marco Szili. Em 2007, segundo Martins, havia 14 empresas fabricantes de caixas conversoras. Em 2010, apenas seis estão neste mercado como parte do Fórum Brasileiro de TV Digital. “Ainda não chegou o momento para o conversor, e não tem espaço para todo mundo nesse mercado. Por isso tanta gente saiu”, completa o executivo da Century. Além das empresas brasileiras e reconhecidas pelo Fórum, outras marcas, em especial chinesas, tentam cavar um lugar no apertado mercado de conversores para TV digital. A concorrência com algumas importadas não é bem vista pelas empresas que produzem dentro das normas determinadas pelo Fórum. “No início desse mercado, um dos grandes problemas que a TV digital enfrentou foi o surgimento de aventureiros. Um número enorme de fabricantes que não deram assistência ao consumidor e deterioraram a imagem do produto. Mas acho que o próprio mercado vai filtrar isso”, opina Szili.

“No futuro, o set-top box será um concentrador de mídias, o chamado ‘tudo em um’”. Ricardo Minari, da Visiontec

Para a Century, a chegada do sinal em mais municípios, especialmente aqueles não saturados de opções para a recepção de TV, como cabo e satélite, é um dos focos para o crescimento das vendas. “São Paulo é um ponto fora da curva. Estamos apostando na interiorização”, diz Martins, lembrando que este ano cerca de 120 cidades passarão a receber sinal digital terrestre. Além das novas cidades, a empresa aposta suas fichas na classe C, com uma linha de baixo custo, já que nos grandes centros, onde o sinal já está disponível, a classe média e alta já conta com disponibilidade de TV a cabo e satélite. “A classe média mais alta está bem servida. Meu conversor tem endereço certo: classe C”, diz o executivo da Century. Quem também aposta na descentralização das vendas é a Visiontec. Segundo o diretor de negócios e tecnologia da empresa, Ricardo Minari, as TVs de LCD são populares nos grandes centros, mas essa não é exatamente a realidade para o resto do país, que precisará das caixas próximo do momento do switch off do sinal analógico, marcado para acontecer em São Paulo em 2016. É esse parque instalado de televisores, tanto de tubo quanto de LCD e plasma, sem o receptor, o grande foco dos fabricantes de caixas. “Há cerca de 10 milhões de televisores LCD vendidos nos últimos três anos sem conversor, e outros 2,5 milhões de TVs com conversor, mas sem interatividade”, lembra Minari.

Os números ainda pouco expressivos levaram diversas empresas a abandonar a fabricação de set-tops.

No aguardo Pouco conteúdo em alta definição, baixa abrangência do sinal e preço são alguns dos fatores que influenciam nas vendas de caixas conversoras no Brasil, segundo os fabricantes. Embora a maior parte das emissoras tenha algum conteúdo produzido e transmitido em HD, apenas a Rede TV! assumiu a transmissão de toda a sua programação em alta definição. Essa falta Tudo em um de conteúdo HD, um dos grandes diferenciais do sinal digital para o Além dos set-tops mais simples, que contam apenas com analógico, é apontada como uma das razões para a baixa procura conversor digital, as empresas fabricantes apostam em recursos por caixas. “O conteúdo HD é de aproximadamente 10% do tempo e com tela no formato 4:3”, contabiliza Martins. Em cidades onde há apenas um ou dois canais digitais, o conversor ainda não é um objeto necessário. A digitalização das emissoras e a chegada do sinal digital em mais cidades também são apostas da indústria para o crescimento das vendas. “O sinal da TV digital está em 26 capitais, com pelo menos dois canais, e em outras 15 cidades com apenas um canal. As emissoras precisam investir muito para migrar. E um só canal digital não estimula a compra”, diz Martins. Set-top da Visiontec com Ginga: no futuro, conversores terão mais funcionalidades. especial

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Especialtv digital | mercado extras para atrair a atenção do público para as caixinhas. Diante da competição com as TVs com receptor embutido, as fabricantes de set-tops lançam modelos com gravador digital, Ginga e preparamse para oferecer conectividade, VoIP, vídeo on-demand e outras funcionalidades. “No futuro, o set-top box será um concentrador de mídias, o chamado ‘tudo em um’, com TV conectada, interatividade, games etc”, diz Minari. A facilidade em trocar um conversor por outro, diferentemente dos televisores, também é uma das apostas da indústria. “A médio e longo prazo, a TV vai se tornar um monitor. O set-top vai ter as funcionalidades como gravação, interatividade, vídeo on demand, e será um produto trocado com frequência, como o celular”, diz Szili, lembrando que no âmbito da TV digital terrestre, a Tele System apostou, a princípio, na mobilidade, com pocket TVs, USBs e GPS com recepção de sinal digital. O Ginga, que promete ser um dos atrativos do set-top box, ainda não convenceu totalmente a indústria de seu potencial de vendas. Para os fabricantes, embarcar o middleware para interatividade em suas caixas resulta em novos custos e ainda não apresenta atrativos suficientes para justificar o investimento nesse momento. “Temos um modelo com o Ginga, mas ele ainda não foi colocado no mercado. Enquanto não houver aplicativos, não vale a pena”, diz Szili,

lembrando que apenas algumas emissoras têm aplicativos disponíveis, e a maioria ainda está em caráter experimental. Além de atrativos, o que a indústria precisa, tanto do lado dos fabricantes de set-top quanto dos de televisores, é encontrar uma forma baixar o preço dos conversores mais simples e também integrar todas as novas funcionalidades a preços justos nos conversores e televisores mais arrojados. “É possível cair o preço do set-top, e isso passa pelos auxílios do governo, por novas políticas de incentivo e promoção para aumentar a demanda”, diz Minari. A promoção do produto deve ser principalmente explicativa. O executivo da Visiontec conta que já chegou a receber ligações em seu call center de interessados em comprar set-top para locais onde ainda não há sinal digital. “A pessoa precisa saber o que está comprando. Existe muita confusão e tem gente comprando até o que não vai usar”, diz. Apesar disso, o executivo acredita que o momento é promissor para o set-top box, com uma série de ações acontecendo em favor do produto, como queda nos custos de componentes; criação de grupos de discussão em fóruns públicos e privados; planos, ações e metas claras sendo estabelecidas; mercado em processo de amadurecimento; e tecnologia madura, capaz de suportar o que a TV digital demanda. 

Um set-top popular

foto: marcelo kahn

Representantes do governo e empresas fornecedoras de equipamentos de consumo reuniram-se em agosto para discutir o projeto do set-top popular para TV digital. O projeto pretende levar ao consumidor ao custo de R$ 200 um set-top convergente, com capacidade para aplicações interativas e bidirecionais, além da recepção de sinais de TV digital em alta definição. Mais do que um set-top, o governo trabalha com a perspectiva de que o aparelho funcione como um “media center” popular, com possibilidade de acesso a serviços interativos das emissoras de TV e aplicações de governo eletrônico, além de servir como um modem de acesso à Internet para o Plano Nacional de Banda Larga. A demanda colocada pelo governo foi para um receptor full HD, com 128 Mb de memória flash e 256 Mb de RAM, browser nativo, modem de banda larga (inicialmente ADSL) e middleware Ginga completo instalado. As primeiras empresas interessadas em oferecer o produto apresentaram uma planilha de custos iniciais, com valores próximos do que quer o governo (R$ 240). A segunda etapa do projeto envolve negociações com o BNDES para financiamento e com a Fazenda para reduções tributárias e concessão de incentivos de produção até que se chegue ao preço alvo ao consumidor, de R$ 200. O set-top popular terá aplicativos residentes dos radiodifusores e aplicativos desenvolvidos por diferentes órgãos do governo, trabalho que

André Barbosa, da Casa Civil: governo quer levar ao consumidor set-top convergente ao custo de R$ 200.

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será coordenado com a Casa Civil junto aos diferentes ministérios que possam ter serviços a oferecer ao cidadão (Cultura, Educação, Saúde etc). Também está aberta a possibilidade de que aplicativos de terceiros possam rodar no set-top. Segundo André Barbosa, assessor especial da Casa Civil e um dos responsáveis pelo projeto, a ideia, por enquanto, é manter o set-top restrito a aplicações de banda larga e TV digital aberta, mas nada impede que no futuro os próprios fabricantes busquem alternativas para preparar as caixas para serviços pagos que poderiam ser incorporados ao set-top, caso o consumidor deseje. A proposta do governo é que o set-top esteja no mercado até abril de 2011 e fique disponível até junho de 2013 pelo menos, que é o prazo final para que a TV digital tenha cobertura de 100%. Com isso, prevê André Barbosa, ajuda-se a expandir a base de pessoas com acesso à TV digital até a Copa de 2014 e haverá uma inversão no processo, com a interatividade e os serviços bidirecionais chegando antes ao mercado e ajudando a TV em alta definição a se massificar. Os grupos que mostraram mais interesse em fabricar o set-top popular são a Positivo, Visiontech, STB, Totvs e outras menores, mas todos os fornecedores serão chamados para conversar. As empresas querem tentar com o governo desoneração de PIS, Cofins e impostos de importação dos insumos de produção. Samuel Possebon

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Especialtv digital | artigo

Ruy Dourado | rjd@siqueiracastro.com.br

A parceria público-privada e a TV pública digital

foto: divulgação

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inalmente o Governo Federal, seis anos após a edição da Lei nº 11.079/2004, lançará em 2010 suas primeiras Parcerias Público-Privada (PPP). Optou por utilizar esse modelo para alguns empreendimentos de vulto; um de irrigação, outro, que é a construção do satélite geoestacionário brasileiro, e o da TV pública digital, este último um projeto de aproximadamente R$ 3 bilhões. O objeto do contrato é a exploração, mediante concessão administrativa, da Rede Nacional de Televisão Pública Digital (RNTPD) pelo período de 20 anos e a contratação se dará pelo menor preço. O fato de o Governo Federal ter optado pela PPP no caso da TV pública digital e do satélite geoestacionário é interessante, pois ambos os projetos são estratégicos e contarão com a participação do setor privado na sua concepção. O edital, lançado pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), está sob consulta pública e prevê que a contratada - que poderá ser pessoa jurídica brasileira ou estrangeira, entidades de previdência complementar e fundos de investimentos, isoladamente ou em consórcio -, deverá fornecer materiais, meios, serviços e equipamentos indispensáveis à construção, implantação, gerenciamento, operação, monitoramento e manutenção da infraestrutura da Rede Nacional de Televisão Pública Digital Terrestre (RNTPD), que dará suporte aos serviços de televisão e retransmissão de televisão pública digital. A iniciativa, do ponto de vista econômico e jurídico, é bastante interessante e deve ser prestigiada e aplaudida. Afinal, desde sua criação, a PPP ficou esquecida na gaveta do governo em meio a outros projetos como o PAC, Bolsa Família etc. Embora distinta na forma, na essência a PPP, que é um tipo de concessão de serviço público, hoje está totalmente assimilada pela sociedade, o que facilita a compreensão da execução de um contrato nos moldes propostos para construção da TV pública digital. Entretanto, aqueles que se interessarem pelo contrato que será licitado deverão ter atenção para alguns pontos, já que a PPP possui peculiaridades. Um deles Ruy Dourado diz respeito à licitação se dar na 44

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modalidade do menor preço. Embora seja esse um aspecto importante, no caso específico a questão técnica tem um peso bastante significativo, pois estamos falando de tecnologia de ponta e não existe muita mágica nem muitos fornecedores dos equipamentos necessários. Tanto isso é verdade que o edital prevê pré-qualificação técnica das empresas, de modo que somente aquelas habilitadas poderão participar da licitação. Aqui reside um ponto importante: como a remuneração do ente privado se dará pela contraprestação pública, que levará em conta o Service Level Agreement (SLA), se a operação começar a ter problemas a contratante poderá não só parar de pagar a contratada, como ainda aplicar pesadas sanções. Isso quer dizer que a economia no momento da licitação em nome do menor preço, poderá, eventualmente, comprometer no futuro a qualidade do serviço prestado. Ainda que o SLA possa sofrer revisão a cada dois anos, sendo ela promovida pela contratante ou de comum acordo entre as partes, e que sendo verificada variação nos custos a contratada terá direito a recomposição do equilíbrio econômico financeiro do contrato, não se pode deixar de olhar essa questão com muito cuidado. Em um contrato com essas características, a contratada não pode descuidar um milímetro de sua administração. Nesses casos é aconselhável que a contratante tenha um gestor de contratos acompanhando pari pasu sua execução. Além das questões técnicas, existem questões jurídicas e econômicas muito relevantes e cujas providências devem ser

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tomadas a hora e a tempo, pois do contrário a contratada poderá perder direito a uma futura indenização ou ao reequilíbrio econômico financeiro do contrato. Aliás, no texto da minuta do contrato anexo ao edital não fica claro como será realizada a recomposição do equilíbrio econômico-financeiro, na medida em que ele diz que isto se dará “relativamente ao fato que lhe deu causa”. Na realidade, a recomposição se dá na equação econômicofinanceira do contrato como um todo e não é possível recompor o fato isoladamente, de maneira desmembrada. Neste diapasão é importante que os licitantes tenham muita atenção para a questão relacionada à alocação dos riscos, pois, caso sejam avaliados de forma equivocada, a contratada poderá amargar sérios prejuízos. Outro aspecto que merece destaque no contrato licitado pela EBC é a forma pela qual devem ser resolvidas as controvérsias.

A cláusula que prevê a aplicação da arbitragem para a resolução de conflitos não indica qual a câmara que será utilizada para a instauração do juízo arbitral, o que pode suscitar discussões. Determina, ainda, que o suscitante do conflito é que terá a obrigação de contratar o “órgão/entidade” responsável pela arbitragem e arcar com os custos dela decorrentes. Tal prática foge ao usual e pode trazer incertezas e demora na solução da controvérsia. Por isso, o texto aqui poderia também ser aprimorado. A iniciativa de se “tirar da gaveta” a PPP é muito bem vinda, devendo os envolvidos e interessados ter muita atenção na sua execução, buscando sempre aprimorar esse instituto que pode ser mais uma ferramenta muito importante para ajudar no desenvolvimento do nosso país.

é importante que os licitantes tenham muita atenção para a questão relacionada à alocação dos riscos, pois, caso sejam avaliados de forma equivocada, a contratada poderá amargar sérios prejuízos.

Advogado e sócio do setor Contencioso Estratégico do escritório Siqueira Castro Advogados.


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IMAGEM MERAMENTE ILUSTRATIVA

ASSINATURA TELA VIVA


COBE R T U R A

( congresso ABTA) Da redação

Assuntos da maioridade

FOTOs: marcelo kahn

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Ao atingir 21 anos de atuação no País, TV por assinatura lida com assuntos cada vez mais complexos. Produção nacional, alta definição, conteúdo não-linear e banda larga fizeram parte da pauta da ABTA 2010.

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maioridade não traz apenas independência e maturidade. Significa que também é hora de aprender a lidar com assuntos mais complexos. Com a trajetória da TV por assinatura não é diferente. No ano em que completa 21 anos de atuação no País, o maior evento do setor, o Congresso ABTA 2010, evento promovido pela Associação Brasileira de TV por Assinatura em São Paulo entre os dias 10 e 12 de agosto, com o tema “A Revolução da Convergência”, abordou uma variedade de assuntos, entre eles a produção nacional, a alta definição, conteúdo não-linear e banda larga. Roberto Irineu Marinho, presidente das Organizações Globo, foi destaque da abertura, apontando que o futuro da Globo no mercado convergente está na programação e produção de conteúdo. “Programar é um negócio, e distribuir é outro, bastante diferente. Nós, da Globo, aprendemos isso a duras penas”, disse. “Produzir e programar, saber contar histórias e emocionar, para diferentes

Público acompanhou três dias de debates e apresentações.

audiências, gostos e momentos, é a essência da parte que nos cabe nessa cadeia de valor”. O executivo, que raramente aparece em público, enfatizou a importância da Globosat no desenvolvimento desse trabalho para o mercado de TV paga. Para ele, a Globo deve o seu sucesso às suas produções, mas também ao seu “talento de programá-las no melhor horário, na melhor grade, e, sempre que necessário, na companhia do que de melhor se faz em TV no mundo”. O binômio produção e programação se repetiu nas experiências da Globo na TV por assinatura, apontou, dando ênfase ao conteúdo brasileiro nas grades de programação dos canais Globosat: “são cerca de 33 mil horas de conteúdo brasileiro, sendo 22 mil horas de produção própria e

11.200 horas contratadas de 100 produtoras independentes”. “A Globosat transformou-se, sem nenhum incentivo fiscal, no maior pólo privado brasileiro de promoção do produtor independente, sendo essa uma de suas principais vocações”, disse. Marinho lembrou que os canais brasileiros estão entre os que têm maior audiência na TV por assinatura brasileira. Das 20 maiores audiências na TV paga, nove são canais brasileiros. Ele apontou que não há riscos de uma disputa desigual com grupos estrangeiros por conta da competência dos grupos nacionais. Outro ponto importante para garantir o sucesso dos canais brasileiros é a separação da distribuição e da programação e produção de conteúdo. Para Marinho, os riscos de uma disputa desigual com grupos estrangeiros são minimizados, ao se adotar a quebra da cadeia de valor,

“Numa linguagem muito simples, a regra será esta: quem programa e produz não distribui; quem distribui não programa nem produz.” Roberto Irineu Marinho, da Globo

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( congresso ABTA) FOTOs: marcelo kahn

“a espinha dorsal da proposta de nova legislação”. “Numa linguagem muito simples, a regra será esta: quem programa e produz não distribui; quem distribui não programa nem produz”. Marinho diz que já há atualmente uma concorrência desigual, com produtores e programadores brasileiros disputando com estrangeiros de porte global. Para ele, a entrada das empresas de telefonia na produção e programação traria mais um desequilíbrio, difícil de ser suportado pelas empresas brasileiras. “A proposta de nova legislação é sábia ao dividir bem os papéis dos atores em nosso mercado. De um lado, ao acabar com as restrições ao capital estrangeiro e abrir o mercado da distribuição às empresas de telefonia, a nova legislação permitirá que a TV por assinatura se expanda mais rapidamente, tornando-a acessível a um maior número de brasileiros. De outro lado, ao impedir que as empresas de distribuição se envolvam na produção e na programação, permitirá que as empresas brasileiras do setor compitam entre si numa saudável concorrência”, afirmou Marinho. Contudo, disse, a abertura do mercado de cabo às operadoras de telecom e a quebra da cadeia de valor só fazem sentido se vierem juntas. “Uma depende da outra para que o mercado siga num ambiente saudável. Não faz nenhum sentido, portanto, a tentativa da Anatel de abrir o mercado às telefônicas sem nenhuma das salvaguardas da nova lei”. O mercado publicitário também reconhece a produção nacional. No GNT, ela representa grande parte da receita proveniente de patrocínio. Segundo o gerente de conteúdo do canal, Zico Góes, cerca de 40% da grade é constituída por produções independentes e nacionais. As produções brasileiras representam 80% do primetime, e é dessa

“Parece que no fim tudo volta para a TV. Os complementos tornam a experiência de TV melhor.” Steve Rudolph, da McKinsey

produção que vem de 80% a 90% da receita de patrocínio do canal. “Mais de 60% dos programas nacionais nasceram em produtoras independentes e 40% foi criado 'em casa'”, disse Góes. As programadoras internacionais também estão atentas aos efeitos do produto nacional. O número de produções nacionais dos canais Turner está aumentando com o passar dos anos, e hoje os recursos próprios investidos nessas produções equivalem aos recursos incentivados. Segundo o diretor geral da Turner International do Brasil, Anthony Doyle, nos últimos sete ou oito anos, desde que a Turner passou a produzir localmente, foram realizadas 77 produções nacionais,

Segundo o presidente da agência de cinema, há na TV aberta 11,4% de filmes brasileiros e 16,5% de séries, contra 1,4% e 1,2%, respectivamente, na TV paga. Esse dado, no caso dos filmes, desconsidera o Canal Brasil, caso contrário o percentual de fimes seria de 14,6%. Rangel apresentou um estudo da Ancine que procura mostrar a baixa incidência de conteúdos nacionais nos canais de filmes brasileiros. Foram analisados os canais Canal Brasil, Cinemax, HBO, HBO Family, HBO Plus, Maxprime, Telecine Premium, Telecine Action, Telecine Light, Telecine Pipoca, Telecine Cult e TNT. Segundo a Ancine, considerando o canal Brasil, a incidência

O mercado publicitário também reconhece a produção nacional. No GNT, ela representa grande parte da receita proveniente de patrocínio. totalizando 351 horas inéditas, feitas com 35 produtoras independentes. Ele conta que o Artigo 39 foi importante por representar um impulso para começar o investimento em produção nacional, mas a tendência é ter fôlego para investir com recursos próprios. “Hoje investimos 50% de recursos incentivados e 50% de recursos próprios”, contou. A ideia é que o montante de recursos próprios aumente. Ancine Ao discutir na ABTA 2010 a presença de conteúdos nacionais na televisão, Manoel Rangel, presidente da Ancine, expôs uma nova razão pela qual, a seu ver, a criação de cotas a conteúdos nacionais faz muito mais sentido na TV paga do que na TV aberta. “Na TV aberta, os percentuais de conteúdo brasileiros são muito maiores”, diz, dando números.

de filmes nacionais é de 811 filmes em 4727 títulos exibidos em 2009, ou seja, 14,6%. Desconsiderando o Canal Brasil, esse percentual cai a 1,4%, ou apenas 64 títulos. O quadro não muda na análise dos canais de séries e seriados: 1,2% do tempo da programação foi dedicada a programação nacional, o que dá apenas 34,5 horas anuais, contra 2.754 horas exibidas no ano. De acordo com Rangel, esse pequeno percentual se deveu às coproduções financiadas com recursos do Artigo 39, e no caso do Canal Brasil, trata-se de um canal que tem um incentivo de distribuição colocado na Lei do Cabo. A agência também apresentou na ABTA 2010 um levantamento atualizando análise que havia sido realizada em 2007, que estudou pacotes de operadoras em cinco países. O critério de análise foi comparar a média de preços de pelo

“Se a penetração da banda larga nas camadas mais ricas já é alta, a única forma de se manter um crescimento sustentado é levando o serviço para os mais pobres também.” Carlos Kirjner, consultor

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menos duas operadoras de cada país (no caso brasileiro foram cinco), a partir dos canais no segundo pacote mais barato, excluídos canais de transporte obrigatório (must carry). O levantamento mostra que no Brasil o preço ao consumidor por canal por assinante fica entre R$ 2,88 e R$ 1,97, o que, segundo Rangel, é um valor bem acima do Chile, onde o preço do canal por assinante está entre R$ 1,08 e R$ 1,24; Espanha, entre R$ 1,80 e R$ 0,82; Portugal, entre R$ 0,82 e R$ 0,81 e; Argentina, entre R$ 0,89 e R$ 0,51. Questionado, sobre a influência tributária sobre esta variação, Rangel afirmou que esse não pode ser colocado como o fator preponderante para a diferença, porque no mesmo levantamento feito em 2007 os valores praticados no Brasil eram muito maiores, entre R$ R$ 1,92 e R$ 6,84. Rangel destacou também que na análise feita em 2010 foi considerado o cenário em que há dois novos operadores, e nesses casos, o preço por canal por assinante é menor ainda, reforçando a sua hipótese de que a competição é que leva à redução de preços. Para Sean Spencer, diretor geral da TAP Latin America, associação que representa operadores internacionais na América Latina, não é possível descartar a questão tributária que, segundo ele, é muito mais elevada no Brasil. Outro dado do estudo da Ancine é que, nos pacotes analisados, há menos canais. No caso de Espanha e Portugal, há entre 31 e 54 canais nos pacotes analisados. Na Argentina e Chile, entre 42 e 86. No Brasil, o total de canais nos pacotes estão entre 26 e 47 canais. Olhando especificamente o cenário competitivo na cidade do Rio de Janeiro (onde há três operadores de DTH de grande porte operando, uma operadora de cabo e uma de MMDS), a conclusão da Ancine é que o preço dos canais por assinante é 30% maior do que no Chile, 70% maior do que em Portugal e Espanha e 171% mais caro do que na Argentina, considerando as operadoras analisadas. Nos demais países, as operadoras analisadas foram ZON e Portugal Telecom, em Portugal; Digital +

sendo o do segundo pacote mais barato na Argentina era na verdade um valor adicional a ser pago na migração do pacote inferior. A ABTA questiona ainda que alguns dados econômicos não foram considerados no estudo da Ancine. A desvalorização do dólar e do euro frente ao real deveria ser levada em conta. Portanto, em seu estudo, a ABTA incluiu uma análise de sensibilidade ao câmbio, tomando como referência os valores de janeiro de 2009, anteriores à crise internacional. A associação também aponta que o custo do conteúdo, sobretudo local, também é mais caro no Brasil. Isto porque nos Estados Unidos o mercado local, bem como o internacional, conta com maior escala. O critério mais controverso questionado pela ABTA foi a retirada dos canais obrigatórios (must carry) do cálculo da Ancine. “O bem mais escasso da TV por assinatura é o espectro”, disse Sotto Mayor. Carregar os 21 canais obrigatórios (no caso da cidade de São Paulo) teria um custo aos operadores, ainda que não tenham que pagar pelo conteúdo em si. Além disso, afirmou, há percepção de valor desses canais por parte dos assinantes. Por fim, o estudo da ABTA incluiu ainda três países a mais em sua amostragem: França, Noruega e Reino Unido. Além destes, foram usados os mesmo países adotados pela Ancine: Espanha, Argentina, Chile, Brasil e Portugal. O levantamento da ABTA, após as correções e as mudanças na metodologia, aponta que a assinatura média do pacote de entrada no Brasil não destoa da apresentada nos países selecionados. No Brasil, o valor apontado pela associação é de US$ 23,56 (câmbio de 01/2009), abaixo da média de US$ 25,66 nos países selecionados, com preços que variam de US$ 36,11, na Noruega, a US$ 18,24, em Portugal. Em relação ao custo por canal por assinante no Brasil, segundo o estudo da ABTA, que não descartou os canais obrigatórios, o país está próximo à

Sean Spencer, da TAP Latin America: não é possível descartar a questão tributária elevada no Brasil.

e Telecable na Espanha; DirecTV, Telmex e VTR no Chile. Dias mais tarde, a ABTA rebateu os dados da Ancine, questionando a metodologia utilizada pela agência. Segundo Gilberto Sotto Mayor, diretor da Net Serviços e responsável pelo levantamento da associação, usar o segundo pacote mais barato em todos os países gera uma distorção. Isso porque em alguns dos países pesquisados pela agência reguladora não há uma oferta tão variada de pacotes como no Brasil. Segundo ele, no Chile o segundo pacote mais barato é equivalente a um dos pacotes mais caros no Brasil. Ou seja, naquele país o pacote estudado teria número de canais maior, reduzindo o custo por canal. Sotto Mayor apresentou ainda um dado que estaria equivocado no levantamento da Ancine. Segundo ele, o valor adotado como

A onda 3D A Globosat prepara seu primeiro canal com conteúdo 3D. O diretor geral da programadora, Alberto Pecegueiro, afirmou que ele está sendo pensado nos moldes do Globosat HD, canal superstation, com conteúdo em alta definição de gêneros diferentes. "No segundo semestre já vemos oportunidades com o futebol", diz Pecegueiro. O lançamento do canal deve acontecer em cerca de 15 meses. Segundo o diretor, o canal 3D é uma demanda dos operadores, mas ainda não há negociações fechadas.

Alberto Pecegueiro, diretor geral da Globosat, anunciou o lançamento de um canal 3D no ano que vem.

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( congresso ABTA) FOTOs: marcelo kahn

Marcel Fenez, da PricewaterhouseCoopers: a crise financeira de 2009 foi um marco em relação aos investimentos publicitários e à mídia digital.

“stand alone”, isto é, tem programação própria, independente de canal original SD. Muitos já têm conteúdos originalmente finalizados em alta definição, mas também há casos de canais com conteúdo upconverted - transformados em HD a partir de um SD. "Colocamos canais upconverted em nossa grade com o compromisso de virarem canais de conteúdos nativos em HD ao longo do tempo”, conta o diretor de programação da Net Serviços, Fernando Magalhães. “Não queremos canais novos, queremos os mesmos conteúdos em alta definição, mas temos que gerar mais conteúdos em HD e ao mesmo tempo controlar os custos, porque não podemos fazer o assinante pagar cada vez mais na assinatura”, pondera. Para ele, essa migração para alta definição acontecerá aos poucos, o que possibilitará o surgimento de canais

Alta definição Se a produção nacional é benéfica, mas ainda gera polêmica, a alta definição tem sido uma aposta dos players do mercado, apesar da baixa penetração. Atualmente há mais de 20 canais HD nas grades das operadoras brasileiras, incluindo os canais abertos, e a grande maioria dos canais pagos é

simulcast, ou seja, canais em HD com programação espelhada à do canal em standard definition. O Brasil alcançou em julho deste ano 581 mil assinantes de pacotes de TV por assinatura HD. O número representa uma penetração de 7% do HD no total de 8,4 milhões de assinaturas. Em 2009, ano em que as ofertas de pacotes em alta definição foram ampliadas, a base de assinantes era de 236 mil. Os números foram apresentados pela gerente de produtos dos canais SporTV e Premiere, da Globosat, Bianca Maksud. Segundo apurou TELA VIVA junto a fontes do mercado, aproximadamente 400 mil assinantes desse total são da Net Serviços e o restante é da Sky. Do 1,3 bilhão de assinantes de TV paga do mundo, 45 milhões recebem o sinal HD. Nos Estados Unidos, 53% dos domicílios tinham ao menos uma TV HD ao final de 2009. Desses domicílios, 70% já possuíam algum serviço por assinatura com conteúdo HD. Na Europa, 125 milhões de aparelhos de TV de alta FOTO: Edson Kumasaka

média nos países selecionados, ainda um pouco acima. O preço médio no Brasil é de R$ 1,46 (R$ 1,52 no pacote estendido e R$ 1,39 no pacote básico), contra R$ 1,39 na média nos países estudados. Antes de apresentar o levantamento de custo por canal, Sotto Mayor desqualificou a métrica. “Preço por canal é métrica sem alta relevância”, disse, afirmando que o que importa é a percepção de valor por parte do assinante. Ele lembrou que entre os canais que compõem o line-up, há canais pagos, gratuitos e canais que pagam para ser transportados.

Vitrine de canais A feira da ABTA 2010 foi palco de apresentação de novos canais ao mercado. Um deles é o Trace Sports, canal focado em estiilo de vida de personalidades do esporte, é da mesma programadora do Trace TV, canal focado em videoclipes musicais e programetes sobre música, que está na operação da Viacabo. Ambos os canais são franceses, mas têm sinais internacionais em inglês, ainda sem legendas em português. Outra novidade é o canal Chef TV, com mais 24 horas de programação dedicada à gastronomia. O canal é produzido pela Mídia do Brasil, que também é responsável pelo Blue TV, que está na TVA. O Chef TV terá mais de 30 programas entre programas entre produções próprias e aquisições internacionais. A programação internacional deve corresponder a 80% da grade. A partir do início de 2011, o canal estará nas operações da TVA nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Florianópolis, e estará disponível para todas as operadoras a partir de novembro de 2010. Após a estreia na TV a cabo, toda a programação será transmitida ao vivo pelo site do canal www.cheftv.com.br. O World Channel, lançado durante o evento, fechou acordo com oito operadoras para a transmissão do sinal para 32 cidades. O canal, oferecido gratuitamente às operadoras, é focado em turismo brasileiro com 80% da programação feita no País. “Nosso foco é divulgar o Brasil lá fora”, conta o diretor de expansão, Flávio Fontoura, que afirma ainda que o canal está disponível no satélite para interessados em outros países. Programado pela TV Tur, que também é responsável pelo canal Agromix, o World Channel conta com programas cedidos à sua

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grade, provenientes de secretarias municipais, agências de viagens, e outros interessados em promover o turismo em suas cidades. Segundo Fontoura, são quase 1,8 mil programas com duração de três a 15 minutos. “É um canal com custo zero”, diz o diretor. “Pretendemos vender mídia e lucrar com ele”. O canal Sex Privé Brasileirinhas aproveitou a feira para fazer testes com tecnologia 3D. No estande dos canais pagos da Band na feira da ABTA 2010, o canal fez uma demonstração com seu conteúdo em 3D. O diretor geral do canal, Eduardo Ramos, conta que o canal está produzindo conteúdo com a tecnologia, mas ainda não existe uma definição de como será utilizado. Entre as novidades de programação do canal Sex Privé Brasileirinhas está a estreia de um reality show. Os participantes ficarão confinados 24 horas em um dia da semana. Neste dia, a programação normal dará lugar à transmissão exclusiva do reality. O programa deve estrear em outubro.

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Não-linear Outra questão polêmica abordada no congresso foi o conteúdo não-linear. Para Marcelo Lacerda, acionista e VP da Blue Interactive/Viacabo, pode chegar o dia em que o canal não seja mais programado de forma linear. Marcel Fenez, líder global de mídia e entretenimento da PricewaterhouseCoopers, ressaltou ainda que nesse momento, os canais terão outra função, possivelmente de experimentação de conteúdo. Alberto Pecegueiro, diretor geral da Globosat, porém, acredita que o programador tem um trabalho de entender os hábitos do consumidor e selecionar e hierarquizar dentro da grade. “Isso está a milhas de distância do You Tube”, completa. Para José Felix, presidente da Net Serviços, é papel do operador entregar tudo aquilo que for demandado pelo usuário. “Hoje, somos a empresa que conecta o usuário quando ele está no seu domicílio. Mas brincamos que se esse cliente sair do domicílio teremos que dar um jeito de mantê-lo conectado, nem que seja indo com o cabo atrás dele”, diz. A operadora tem planos dentro do conceito de TV Everywhere baseado em duas frentes: a primeira, segundo Felix, é oferecer o conteúdo nas três telas (TV, computador e celular) dentro da casa do usuário. Uma segunda frente é a

saia de US$ 228 bilhões em 2009 e chegue a US$ 351 bilhões em 2014. Os mercado de TV por assinatura neste período devem crescer entre 6% e 7% neste período. A média de crescimento anual de entretenimento e mídia no Brasil é de 3,9% na América do Norte e 8,8% na América Latina. No Brasil, a projeção é de 8,7%. Steve Rudolph, diretor geral de mídia da Mckinsey, também trouxe dados a respeito de conteúdo 2.0. Segundo o executivo, a rentabilização deste tipo de conteúdo ainda não existe, mas está a caminho. De acordo com pesquisas feitas nos Estados Unidos, aproximadamente um quarto dos entrevistados está disposto a pagar pelo

Hoje, metade da produção da Turner é custeada com recursos próprios e metade com recursos incentivados, segundo Anthony Doyle, diretor geral da programadora no Brasil.

possibilidade de o assinante ter acesso a este conteúdo onde quer que ele esteja. Duas apresentações mostraram dados sobre consumo de mídia digital e conteúdo nãolinear. Segundo Marcel Fenez, líder global de mídia e entretenimento da PricewaterhouseCoopers, a crise econômica de 2009 foi um marco em relação à mídia e aos investimentos publicitários. Sem dinheiro para o consumo, as pessoas passaram a buscar alternativas de entretenimento mais

O Brasil alcançou em julho deste ano 581 mil assinantes de pacotes de TV por assinatura HD. menos US$ 5 mensais por um agregador de conteúdo de alta qualidade. Além disso, consumidores não mostram rejeição a anúncios relevantes, bem direcionados e que podem fazer parte do entretenimento e um terço dos anunciantes nos Estados Unidos já investem em campanhas

baratas e até mesmo gratuitas. A resposta veio do mundo online. Com menos recursos, foi preciso buscar alternativas mais baratas para divulgar as marcas, situação que desenhou um novo cenário de investimentos, no qual os meios digitais devem ganhar cada vez mais destaque. As projeções globais da empresa são de que o mercado de Internet

Novo controle

FOTO: divulgação

definição foram vendidos em 2009 e 33% das residências já tinham acesso a quase 200 canais com conteúdo HD ao final do ano passado. A estimativa é de que, até 2013, 80% das residências com TV de alta definição tenham conteúdo HD e que o número de canais chegue a 600. Apesar da baixa penetração do HD no mercado brasileiro, as operadoras e programadoras apostam na tecnologia. Durante a Copa do Mundo, período em que foram vendidas 5 milhões de unidades de TVs de alta definição, foram comercializados 162 mil pacotes HD em dois meses, volume 55% maior que a média do ano, diz a Globosat.

A Net apresentou na ABTA 2010, que acontece entre 10 e 12 de agosto, em São Paulo, um protótipo de aplicativo para dispositivos móveis que permitirá que os assinantes da operadora controlem seus settop boxes, consultem a grade de programação e assistam conteúdos sob demanda. O aplicativo foi demonstrado em um iPad, da Apple. Segundo Márcio Carvalho, diretor de produtos e serviços da operadora, o produto Net apresentou protótipo de aplicativo ainda está em desenvolvimento pela equipe para dispositivos móveis na ABTA 2010. de engenharia da Net em parceria com fornecedores. Na demonstração, o iPad controlou o set-top box HD com DVR da Net, fornecido pela Cisco. O aparelho, contudo, foi totalmente adaptado para essa finalidade e a operação ainda é apenas conceitual. Pelo aplicativo é possível consultar a grade de programação do canal e, a partir dela, selecionar o programa que será sintonizado na TV e ainda "convidar" outros assinantes a assistir ao mesmo conteúdo. Se o outro assinante aceitar o convite, sua TV também sintonizará automaticamente o programa. O aplicativo pode acessar ainda um portfólio de conteúdos disponíveis sob demanda, que podem ser exibidos no televisor ou no próprio iPad, usando a rede Wi-Fi. Segundo Carvalho, a Net terá uma oferta grande de conteúdos já exibidos em seu line-up e inéditos que será disponibilizada em VOD. A ideia é que este conteúdo esteja na "nuvem", de modo que possa ser acessado pelos assinantes mesmo fora da rede da Net, mas isso ainda depende de negociações de direitos, explica o executivo. Segundo José Félix, presidente da Net, o principal entrave à oferta de video sob demanda não é a tecnologia. "Precisamos encontrar uma forma de remunerar o produtor e a rede e ter um preço acessível ao assinante", diz.

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multiplataforma. As pesquisas também apontam declínio de 1% em número de horas assistidas no consumo de vídeo linear e aumento de 14% no consumo não-linear. Ao mesmo tempo, a geração de receitas com vídeos nos Estados Unidos cresceu 8% no período de 1990 e 2010. Metade dos americanos têm DVR e metade costuma assistir ao conteúdo pré-gravado. Houve um aumento de 39% de usuários que assistem vídeos em três telas. Na Internet, 80% das atrações assistidas são gratuitas. Rudolph destacou que para monetizar neste novo cenário de consumo de mídia é preciso estabelecer parcerias, desenvolver conteúdos profissionais de qualidade (embora o conteúdo não-profissional seja complementar e importante), criar novas formas de conteúdo e resolver os dois lados da equação: aumento de valor para o anunciante e para os consumidores. “Parece que no fim tudo volta para a TV. Os complementos tornam a experiência de TV melhor”, observa. Um assunto recente, mas também importante para os novos rumos da distribuição de conteúdo são as TVs conectadas, tema de debate na ABTA 2010. Segundo o diretor de estratégia e tecnologia da Telefônica/TVA, Virgílio Amaral, o usuário que compra uma TV conectada, bem como algum dispositivo que permita que a TV trabalhe conectada em rede e busque conteúdos na Internet, busca em uma instância uma melhor experiência de vídeo. “No fim, o que o usuário quer é entretenimento”, completou. Para o executivo, todas as evoluções tecnológicas têm essa mesma função.

Marcelo Lacerda, da Blue Interactive/Viacabo: pode chegar o dia em que o canal não seja mais programado de forma linear.

FOTOs: marcelo kahn

( congresso ABTA)

“Ninguém quer um DVR, o que as pessoas querem é a conveniência de ver o conteúdo que quiserem, quando quiserem, mesmo que para isso tenham que gravar este conteúdo no DVR”, disse. No mesmo painel, Benjamin Sicsu, vice-presidente de novos negócios da Samsung, apostou que a tendência é que as caixinhas de conectividade desapareçam, prevalesccendo um único dispositivo, a TV conectada. Segundo ele, o equipamento será capaz de receber conteúdo de todas as plataformas de distribuição, compatível com o sinal terrestre, TV por assinatura e banda larga. O papel da TV por assinatura no cenário que se aproxima com o aumento de oferta de

brasileiro Carlos Kirjner, que teve papel central na formulação do Plano Nacional de Banda Larga dos EUA, esteve presente no painel de abertura do último dia da ABTA 2010, realizada esta semana em São Paulo, para compartilhar sua experiência como “senior advisor” da FCC (Federal Communications Commision) no maior mercado do mundo. Segundo Kirjner, se a inclusão digital é um objetivo nacional, é fundamental que a indústria e o governo trabalhem de forma conjunta para levar a banda larga às camadas mais pobres. E o consultor acredita que a inclusão não é apenas uma prioridade de política pública porque também interessa à iniciativa privada. “Se a penetração da banda larga nas camadas mais ricas já é alta, a única forma de se manter um

para a samsung, tv conectada será o centro de mídia da residência. soluções para levar conteúdo online aos televisores depende da agilidade do setor. Segundo Amaral, os consumidores querem ter o conteúdo sempre disponível, a qualquer momento e em qualquer lugar. Para atender esse consumidor, o setor terá que competir em um mundo conectado, com oferta de contúdos de novos players. Como benefício, acredita, o setor poderá oferecer uma plataforma ainda mais segmentada ao mercado publicitário, já que poderá traçar perfis mais precisos de cada público. Como provedores de conectividade, o executivo da Telefônica/TVA não vê qualquer ameaça às operadoras. “Sempre seremos prestadores de serviço, qualquer que seja a forma de empacotamento”, disse. Banda Larga O consumo de vídeo nas mídias digitais ou nos aparelhos conectados, no entanto, dependem da banda larga, outro ponto debatido no congresso. O consultor José Felix, da Net, e Alex Dias, do Google. Operadora aposta na TV Everywhere.

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crescimento sustentado é levando o serviço para os mais pobres também, com renda inferior a um ou dois salários mínimos”, explica. De acordo com ele, um contingente considerável, 20% da população brasileira, vive com menos de meio salário mínimo por mês. “Nos EUA, 30% do povo não está conectado. Estamos falando de 100 milhões de pessoas, que não estão na Internet, em sua maioria, por razões financeiras”, acrescenta. O problema, diz, não é de cobertura necessariamente, pois há serviço disponível para 95% dos domicílios. Kirjner considera alguns pontos importantes no plano americano, tais como ações que estimulem a competição entre as teles; a revisão e mudança dos direitos de passagem de cabos e de estações radiobase; transparência e ações de longo prazo; reforma de regras de atacado (backhaul) e de uso de microondas; competição entre fabricantes de set-top boxes; e desenvolvimento de aplicações para os usuários finais. “Não adianta ter fibra se não há um sistema de saúde pública ou de educação para as escolas”, finalizou.


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( congresso ABTA) FOTOs: marcelo kahn

Embaixador Ronaldo Sardenberg, presidente da Anatel

Alexandre Annenberg, presidente do Sindicato das Empresas de TV por Assinatura (Seta), e Canindé Pegado, presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Sistemas de TV por Assinatura e Serviços Especiais de Telecomunicações (Sincab), assinaram convênios durante a feira.

Roberto Irineu Marinho, entre os senadores Antonio Carlos Jr. e Flexa Ribeiro.

Fábio Bruggioni, da Telefônica

O presidente da Telebrás, Rogério Santanna Marco Altberg, da ABPI-TV

Ricardo Morishita Wada, do departamento de defesa do consumidor do Ministério da Justiça, participou das sessões do STA

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Fernando Medin, da Discovery

Painel sobre o plano nacional de banda larga, moderado pelo jornalista Renato Cruz, do Estadão

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Carlos André de Albuquerque, da Neotec

FOTO: Edson Kumasaka

FOTO: Edson Kumasaka

Os deputados Julio Semeghini (PSDB/SP) e Jorge Bittar (PT/RJ) no estande da Telefônica, com Leila Loria e Sidney Basile, do grupo Abril.

A transmissão de TV em 3D e os personagens da TV por assinatura foram algumas das atrações do evento

Antonio João Filho, da Via Embratel

Zico Góes, do canal GNT

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Walter Vieira Ceneviva, do grupo Bandeirantes

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(regulamentação)

Muito barulho por nada Abertura do mercado de TV a cabo volta ao compasso de espera. Depois das pressões dos grupos de mídia, agora é a vez da Anatel se confrontar com uma discussão técnica e jurídica que deve postergar a abertura de novas concessões.

D

epois do terremoto provocado no mercado de TV paga no final de maio, quando a Anatel anunciou a repentina mudança de regras nas concessões de TV a cabo, tudo volta ao compasso de espera e não há indícios de que novas outorgas sairão ainda este ano. O motivo para este cenário de aceleração e desaceleração bruscas foi o intenso bombardeio sofrido pela agência por parte dos grupos de comunicação. Mas também pesou o amadurecimento das reflexões internas sobre as formas legais de se flexibilizar o mercado, como queria a Anatel. No final, as coisas estão se mostrando bem mais complexas do que esperava a agência. O Congresso da ABTA 2010, realizado em agosto, foi um marco nesse debate. Dali, veio a manifestação mais inequívoca de preocupação sobre a forma como a Anatel pretendia abrir o mercado. O porta-voz dessa preocupação foi nada menos do que Roberto Irineu Marinho, presidente do maior conglomerado de mídia brasileiro, as Organizações Globo. Na verdade, dois temas centralizaram os debates institucionais do Congresso da ABTA: a aprovação do PLC 116/2010 (antigo PL 29, que cria novas regras ao mercado de TV paga) e a abertura de novas concessões de cabo pela Anatel. A associação de operadores de TV por assinatura já havia

sinalizado, ainda em junho, a disposição de não mais resistir ou tentar segurar o projeto no Senado. A razão é simples: quanto mais o projeto atrasa, maior a chance de que essa “abertura” se dê via Anatel, o que é ruim para quem já está no mercado já que outros entraves que poderiam ser resolvidos com a revisão do marco legal continuariam atrapalhando a vida das empresas. Por exemplo, a limitação de capital estrangeiro e regras assimétricas de outorga e

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exigências de programação para operadores de cabo, de um lado, e operadores de DTH e MMDS de outro. A ABTA abriu o evento com esse discurso. Alexandre Annenberg, presidente da associação, foi claro: “sempre criticamos o projeto e continuamos achando que ele está longe de ser o ideal, mas é o que se pode ter agora”, disse. A manifestação mais contundente nesse sentido veio de Marinho, presidente das Organizações Globo: “Não faz nenhum sentido a tentativa da Anatel de abrir o mercado às telefônicas sem nenhuma das salvaguardas da nova lei”, disse em seu discurso, referindo-se à necessidade de aprovação do PLC 116/2010. Vale lembrar que o grupo Bandeirantes já havia externado, em editorial lido em seu principal telejornal, o mesmo receio do grupo Globo sobre a abertura do mercado de TV paga às empresas de telecomunicações. O receio dos grupos de comunicação deve-se à posição que até então prevalecia no conselho da Anatel, explicitada pela medida cautelar de maio, que suspendeu o Planejamento de TV por Assinatura. Para a agência, a abertura do setor deveria ser imediata, para que os pedidos represados pudessem ser atendidos rapidamente. Duas regras apenas balizariam a abertura do setor de cabo: a inexigibilidade de licitação e a inexistência de limites ao número


FOTOs: marcelo kahn

de licenças. Há quem entenda que, nessas condições, a abertura visa permitir que as teles participem do setor. “O debate que está colocado no mercado é sobre a convergência, o País está crescendo e há demanda por mais outorgas. Não faz sentido segurar mais tempo. A Anatel patrocinou, nos últimos anos, uma reserva de mercado”, disse o conselheiro da Anatel João Rezende, um dos principais defensores da abertura do mercado de TV a cabo, durante a ABTA. Ele também defendeu a forma como a Anatel está propondo esta abertura: sem restrições ao total de outorgas e com valores mínimos. A posição da Anatel recebeu uma manifestação de apoio de Cezar Alvarez, assessor especial da Presidência da República, em discurso durante o painel Telebrasil, que aconteceu uma semana depois da ABTA. Segundo Alvarez, “a demanda por TV por assinatura pode ajudar a impulsionar a construção de infraestrutura de acesso ao Plano Nacional de Banda Larga”. Para ele, “a Anatel, em bravíssima decisão, decidiu dar andamento ao processo de concessões e o PL 29 também está para ser aprovado”. Foi a primeira vez que um representante do Palácio do Planalto falou abertamente sobre a polêmica decisão da agência. Qualquer que seja a decisão final da Anatel, ela está condicionada a um planejamento definitivo para o setor de TV paga. E esse debate ainda divide a agência. A conselheira Emília Ribeiro, por exemplo, ainda não está convencida de que a maneira como a agência decidiu abrir o

arrazoado sobre as idas e vindas do processo que visa rever o planejamento, existe apenas uma referência à manifestação do Ministério das Comunicações sobre o tema, ocorrida em 2005. Ou seja, desde 2002, o setor de TV por assinatura praticamente não foi objeto de preocupação em termos de orientação política do governo. Em se tratando de um assunto em que interesses conflitantes aparecem do lado de setores poderosos como o de radiodifusão e o de telefonia, fica claro que a maior dificuldade de levar adiante a abertura do mercado de TV paga talvez tenha sido, em essência, de natureza política. E

“Sempre criticamos o projeto e continuamos achando que ele está longe de ser o ideal, mas é o que se pode ter agora.” Alexandre Annenberg, da ABTA

mercado trará de fato os resultados esperados. E mais, está convencida que a Anatel está em um caminho que não encontra respaldo na legislação específica de TV a cabo. Tanto que pediu para a agência elaborar estudos mais aprofundados. Mas a leitura do relatório da conselheira Emília Ribeiro sobre a questão do Planejamento de TV por Assinatura (relatório disponível na homepage do site www.teletime.com. br) mostra ainda dois aspectos importantes: primeiro, o tamanho do problema político-regulatório sobre o

Qualquer que seja a decisão final da Anatel, ela está condicionada a um planejamento definitivo para o setor de TV paga. fica claro também que muitas das decisões tomadas pela agência até aqui foram decisões de natureza muito mais política do que técnica. O voto de Emília Ribeiro mostra ainda uma série de complicações regulatórias para levar adiante a abertura do mercado da maneira como estava sendo colocada pelos demais conselheiros. A expectativa é que a discussão ainda se alongue até pelo menos depois da eleição, e o mais provável é que a agência, para evitar bolas divididas, acabe mesmo “seguindo o conselho” dos grupos de comunicação e espere a aprovação do PLC 116/2010.

qual a Anatel está debruçada. Segundo, a força que a Lei de TV a Cabo, de 1995, tem e que continuará tendo sobre qualquer processo de decisão que envolva o mercado de cabo. A mudança do planejamento está em debate desde abril de 2002, tendo passado, desde então, por nada menos do que duas consultas públicas, analisada por sete conselheiros relatores, passou oito vezes pela análise da procuradoria jurídica da Anatel e resultou na elaboração de sete informes da área técnica, isso sem contar a medida cautelar de maio deste ano que, finalmente, propôs a suspensão total do planejamento. O curioso é que ao longo de todo o

Samuel Possebon

“O debate que está colocado no mercado é sobre a convergência, o País está crescendo e há demanda por mais outorgas. Não faz sentido segurar mais tempo.” João Rezende, da Anatel

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(convergência)

Da redação

cartas.telaviva@convergecom.com.br

Locadora no sofá Com os novos set-top boxes e TVs conectadas começam a surgir os serviços de vídeo on-demand, seja pela Internet ou pelas redes de dados das operadoras.

O

conteúdo é gravado em um disco rígido embutido na caixa e fica disponível por até trinta dias, ou até 48 horas após o início da execução. Como o conteúdo é baixado para depois ser executado, não há nenhuma restrição em relação à largura de banda contratada pelo assinante. As operadoras recomendam, no entanto, uma banda de pelo menos 2 Mbps. O produto conta ainda com aplicativos atualizados minuto a minuto sobre clima, esporte, notícias e horóscopo. A caixa também funciona como um media center na casa do cliente. Através dela o usuário poderá visualizar na TV todos os arquivos multimídia armazenados em sua rede por meio do protocolo de compartilhamento DLNA. Isso inclui mais de quarenta formatos de arquivos que o usuário tenha disponível em sua biblioteca. Para setembro estava prevista uma evolução do produto, que será oferecido em conjunto com o DVR das operadoras. Segundo Virgílio Amaral, diretor de estratégia e tecnologia da Telefônica/ TVA, as operadoras optaram pelo modelo de parcerias com provedores de conteúdo porque seria a forma mais ágil de lançar. Contudo, não descarta a conversa com outros parceiros, contanto que seja para a oferta de conteúdo não-linear. O portal Terra está negociando com os detentores dos conteúdos premium disponíveis no FOTO: marcelo kahn

início de setembro foi marcado, na indústria do entretenimento, pelo lançamento do novo Apple TV, dispositivo que permite acesso a milhares de séries e filmes via banda larga, em alta definição, pelo próprio serviço da Apple, o iTunes, ou por locadoras virtuais como a Netflix (somente nos EUA). O mercado ainda aguarda, para breve, as primeiras caixas e TVs com o Google TV, que também promete convergência total entre Internet e TV. Na ABTA 2010, foram vistos diversos serviços OTT, ou over the top, plataformas que usam a rede de dados (banda larga) para oferecer conteúdos audiovisuais diretamente aos computadores e televisões. A TVA e a Telefônica apresentaram na feira seu serviço de vídeo on-demand, o On Video. O serviço é oferecido aos clientes de banda larga das duas operadoras. Ao contratar o serviço, por R$ 19,90 por mês, o assinante do Speedy ou do Ajato recebe um novo set-top capaz de acessar conteúdos da Internet, bem como uma locadora virtual formada por mais de 2 mil títulos, fruto de uma parceria com a Saraiva Digital. Por enquanto, o único parceiro que oferece conteúdos da Internet é o portal Terra. Os vídeos da locadora custam a partir de R$ 3,90 por locação. O

Virgílio Amaral, da Telefônica: parceria com provedores de conteúdo.

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serviço Terra TV para que eles possam ser exibidos também na plataforma da Telefônica/TVA e nas TVs conectadas (broadband TVs). Por enquanto, o conteúdo do portal disponível nestes equipamentos não inclui os filmes e as séries que estão disponíveis para visualização pelo computador. A expectativa é que estes conteúdos estejam liberados para os equipamentos conectados brevemente. Segundo o diretor geral do Terra, Paulo


Castro, a ideia é criar uma janela de conteúdos pagos na Internet via TVs ou outras caixas conectadas. “Teremos conteúdos on-demand sendo oferecidos no modelo freemium, alguns conteúdos gratuitos, com publicidade; e outra parte paga pelo usuário”, detalha. “Já estamos em negociações bastante adiantadas com os estúdios e programadoras para a liberação de filmes, séries, conteúdos infantis e videoclipes musicais neste modelo on-demand que pode ser exibido na TV e teremos novidades ainda este ano”, comemora Castro. Atualmente, o Terra TV tem mais de 300 mil vídeos em seu acervo. Os conteúdos que serão oferecidos nos equipamentos conectados devem ter a mesma janela do VOD das TVs por assinatura e os preços provavelmente serão equiparados para evitar canibalização. Lançado há aproximadamente um ano, a Saraiva Digital, serviços de vídeo on-demand da Saraiva, tem registrado crescimento mensal entre 10% e 15%, segundo Marcelo Spinassé, diretor da Truetech, empresa especializada na distribuição legal de conteúdo digital, que tem a livraria como cliente. Independentes Não são só as operadoras que preparam seus serviços de vídeo on-demand. Aproveitando-se do crescimento da banda larga, grupos independentes também apresentaram suas plataformas, cada uma com uma estratégia diferenciada, mas com uma filosofia em comum: levar conteúdo “anytime, anywhere” a quem estiver disposto a pagar. A Log On, tradicional distribuidora de home video, e a ATV, de Nestor Amazonas, apresentaram na ABTA 2010 a plataforma DX, que consiste em

Assista Já, da Mediastream, é oferecido a operadores de cabo e provedores de Internet que queiram agregar o VOD ao seu portfólio.

um browser de vídeo associado a uma interface de usuário e plataforma de distribuição. “Estamos trazendo uma nova abordagem de distribuição e consumo de conteúdos, via broadband com a sensação de TV”, diz Eduardo Mace, diretor geral. Na prática, o que o DX faz é dar ao usuário a possibilidade de escolher, de forma nãolinear e sob demanda, o conteúdo que quiser dentro de um catálogo, mas se não souber ou quiser escolher, existe um fluxo contínuo de programas que são exibidos, como se fosse um canal personalizado de TV. A definição dos conteúdos que são incluídos nesse fluxo contínuo de conteúdos e que são sugeridos ao usuário passa por um algoritmo de gerenciamento de preferências desenvolvido pela própria

BBC, NBC Universal, National Geographic, AETN, CBS, Fremantle Media, Lionsgate entre outras. Todo o conteúdo é distribuído por IP, protegido por DRM (Digital Rights Management) e só é possível acessá-lo pelo browser DX. As janelas de conteúdo a que a DX terá direito

terra negocia direitos de conteúdo premium do terra tv para as tvs e caixas conectadas. DX e que leva em conta características de cada usuário individualmente. A plataforma para PC funciona em cima do Silverlight, da Microsoft, e sistemas desenvolvidos pela própria DX. Para a exibição do vídeo com qualidade, é necessário um fluxo garantido de 800 kbps, o que os desenvolvedores da plataforma acreditam ser possível com uma conexão de 2 Mbps, considerando que a maior parte do conteúdo rodará dentro da rede dos próprios parceiros. Esse é o segundo aspecto importante da DX: ela não pretende ser um player isolado do mercado de conteúdos online, mas sim uma provedora da plataforma para operadores de TV a cabo e portais de Internet. A ideia é que se cobre, pelos conteúdos, uma assinatura mensal com direito a consumo ilimitado. Já há parcerias de conteúdos com a Warner,

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são as do vídeo on-demand e do home video na maior parte dos casos. Os clientes da LogOn são provedores de acesso e de conteúdo web e operadoras de TV por assinatura. “Estamos em trial em um provedor de acesso há um ano e uma grande operadora de TV a cabo há um mês”, diz Mace, que preferiu não revelar nomes. Outra grande aposta da DX são os dispositivos conectados, como televisores, set-tops de TV paga e aparelhos de DVD e Bluray. Segundo Mace, já há contratos com a Samsung e LG e a partir do começo do ano que vem o browser DX deve começar a ser embarcado nos dispositivos com conectividade à Internet dessas duas marcas. Nesse caso, a DX espera ter parcerias com provedores de conteúdos e

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(convergência)

Por R$ 19,90 mensais, assinante Speedy ou Ajato recebe um set-top capaz de acessar conteúdo da Internet e uma locadora virtual.

integrar com redes sociais. Segundo os idealizadores da plataforma, a ideia é começar com o usuário das classes A e B, mas rapidamente avançar para camadas de baixa renda, o que será possível com a massificação da banda larga. “Hoje, muitos usuários de banda larga não têm opções de conteúdo e o modelo de TV por assinatura não serve a eles, seja pelo preço, seja pelo empacotamento”, diz Nestor Amazonas, ex-executivo da Abril e da TVA.

parceiros locais que possam dar suporte para os clientes em cada cidade, e também conteúdos locais. Caso contrário, será a única situação em que a DX administrará diretamente os assinantes. Outro modelo de distribuição que está sendo planejado é incluir a plataforma DX em HDs externos que contenham acervos específicos, como a coletânea de filmes de determinado diretor ou todos os episódios de uma série. O modelo que está sendo desenvolvido prevê que esses HDs, depois de ligados ao computador, possam ser operados por controle remoto. Vale destacar que a plataforma DX não servirá para rodar conteúdos de mídia que o usuário já tenha, ou seja, não é um player de vídeo convencional. “Optamos por isso porque o conceito por trás do DX é não apenas exibir o conteúdo digital, mas organizá-lo e apresentá-lo para o consumidor de uma maneira única, para que ele tenha a sensação de estar assistindo à TV, e isso seria impossível de ser feito se incluíssemos os conteúdos que o usuário já tem. Além disso, temos que proteger o conteúdo dos parceiros”, diz Mace. No entanto, a DX também promete converter conteúdos de Internet para a mesma interface de navegação de vídeo, além de se

Para operadores Presente na ABTA no estande do fabricante de seu set-top box, a Progic, a catarinense Mediastream demonstrava o AssistaJá, serviço de vídeo on-demand via TV e Internet.

top box específico para o serviço, fabricado em Manaus, que é ligado à banda larga por Ethernet ou Wi-Fi, e tem saídas de vídeo RF e HDMI, embora o serviço ainda não esteja disponível em alta definição. O conteúdo, essencialmente filmes e séries, é fornecido por parceiros como a Warner, primeiro grande estúdio a fechar com a plataforma. Gracce diz que outras parcerias estão sendo negociadas, inclusive com provedores locais. “A operadora de cabo pode até colocar seu próprio conteúdo local para oferta on-demand”, conta. O foco do conteúdo serão os lançamentos, blockbusters. A plataforma já tem títulos como “Sherlock Holmes” e “Onde Vivem os Monstros”, e também clássicos do acervo da Warner, como “2001: uma Odisseia no Espaço”. Segundo Gracce, já foram licenciados 3 mil títulos, embora apenas cem estejam disponíveis atualmente. “Lançaremos cerca de 20 títulos novos ao mês”, explica. Os valores de locação serão entre R$ 1,90, para títulos de catálogo e episódios antigos de séries, a R$ 6,90 para lançamentos. Haverá também planos de assinatura (SVOD), com preço fixo ao mês e

a plataforma dx oferece conteúdo não-linear e um fluxo contínuo de programas, como um canal de tv. A plataforma será oferecida para operadoras de cabo e provedores de Internet que queiram agregar o serviço de VOD em seu portfólio. O modelo de exploração é o de revenue share, em que a receita obtida é repartida entre a AssistaJá, o operador e o provedor de conteúdo. O diferencial desta plataforma em relação a outros serviços OTT é que ele usa a rede da operadora, e não a Internet, garantindo a estabilidade e a qualidade da banda, conta o sócio da Mediastream Alexandre Buganza Gracce. A empresa conta com um set-

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um pacote de “locações” determinado. O hardware (set-top) também será cobrado: R$ 399. Uma segunda versão da caixa deve integrar outras funcionalidades, como receptor ISDB-Tb, ATA (para telefonia sobre IP) e até o acesso condicional da operadora, para que o assinantes fique com apenas um set-top box. O sistema já está em teste em cerca de cem assinantes da TV a cabo de Campo Mourão (PR), cujo sócio Laersion Jorge Badotti também é sócio do AssistaJá.


( audiência -TV paga)

Mais tempo entre as crianças

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Canais pagos tiveram quase três horas de tempo médio diário de audiência entre público infantil em julho, com destaque para o Discovery Kids, que estreou “WordWorld” (foto) nesse mês.

Entre o público adulto, o TNT foi o canal com melhor alcance em julho, com 11,03% de alcance diário médio e tempo médio diário de audiência de 35 minutos. Em seguida, aparecem SporTV, Globo News, Multishow e Warner Channel. No mês em que aconteceram os jogos finais da Copa do Mundo da África do Sul de futebol, os canais pagos registraram entre o público com 18 anos e mais 45,77% de alcance diário médio e duas horas e 21 minutos de tempo médio diário de audiência (universo: 7.755.200 indivíduos). O levantamento do Ibope Mídia considera as praças Grande São Paulo, Grande Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Distrito Federal, Florianópolis e Campinas.

Foto: divulgação

m julho, mês de férias escolares, os canais pagos tiveram alcance diário médio de 46,91% entre o público de 4 a 17 anos (universo: 1.560.200 indivíduos). Embora o alcance tenha sido praticamente o mesmo do mês de junho, em julho o tempo médio diário de audiência dos canais entre esse público foi de quase três horas. Os canais pagos registraram duas horas e 51 minutos de tempo médio diário de audiência, enquanto no mês passado foram duas horas e 35 minutos. O canal com maior tempo médio diário de audiência foi o Discovery Kids, com uma hora e 18 minutos e alcance diário médio de 14,97%. No mês, o destaque da programação do canal foi a estreia de “WordWorld”, que em seu primeiro mês de exibição, ficou entre os quatro programas mais assistidos do Discovery Kids entre

crianças de 4 a 11 anos, segundo dados fornecidos pelo canal. O melhor alcance entre o público infantojuvenil foi do Disney Channel, com 17,84%, e tempo médio diário de audiência de uma hora e cinco minutos. Completam o ranking os canais Cartoon Network, Discovery Kids, Nickelodeon e Disney XD.

Daniele Frederico

Alcance* e Tempo Médio Diário – julho 2010 

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio 45,774 3.549,874 02:21:36 11,035 855,829 00:35:56 9,898 767,579 00:41:20 9,463 733,848 00:28:28 8,865 687,528 00:19:00 8,082 626,813 00:29:05 7,755 601,462 00:26:50 6,542 507,368 00:28:38 6,352 492,657 00:56:03 6,309 489,309 00:21:11 6,000 465,296 00:18:41 5,795 449,435 00:30:43 5,758 446,547 00:38:09 5,752 446,043 00:21:31 5,709 442,750 00:28:10 5,664 439,218 00:24:56 5,598 434,120 00:36:00 4,714 365,603 00:16:14 4,214 326,767 00:19:48 4,176 323,834 00:23:27 4,097 317,764 00:16:24

**Universo: 7.755.200 indivíduos

Total canais pagos TNT SporTV Globo News Multishow Warner Channel Fox Universal Channel Discovery Kids Discovery National Geographic Cartoon Network Disney Channel SporTV 2 Megapix AXN Telecine Pipoca GNT ESPN Brasil Telecine Action A&E

De 4 a 17 anos**

(Das 6h às 5h59)

Total canais pagos Disney Channel Cartoon Network Discovery Kids Nickelodeon Disney XD TNT Multishow Fox SporTV Megapix Warner Channel Telecine Pipoca Universal Channel Boomerang Globo News Discovery SporTV 2 Telecine Premium Telecine Action FX

(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio 46,911 731,807 02:51:43 17,838 278,315 01:05:08 15,533 242,302 00:57:58 14,972 233,545 01:18:07 13,137 204,923 00:59:52 9,097 141,900 00:51:33 8,732 136,196 00:28:05 8,444 131,713 00:23:29 7,679 119,756 00:29:08 6,844 106,789 00:32:30 5,784 90,211 00:26:11 5,726 89,334 00:24:58 5,204 81,134 00:31:37 4,975 77,582 00:25:56 4,730 73,780 00:22:35 4,534 70,713 00:14:47 4,256 66,388 00:16:17 4,104 64,044 00:24:36 3,917 61,043 00:22:39 3,845 59,971 00:20:17 3,348 52,239 00:15:20

*Alcance é a porcentagem de indivíduos de um “target” que estiveram expostos por pelo menos um minuto a um determinado programa ou faixa horária.

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**Universo 1.560.200 indivíduos Fonte: IBOPE Media Workstation – Tabela Minuto a Minuto - Julho/2010

Acima de 18 anos**




( making of )

Daniele Frederico

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Pisando em nuvens filmagem, mas não foi uma preocupação muito grande, porque a câmera participa da ação”, conta Castro. Foram usadas câmeras fotográficas digitais que proporcionavam, segundo o diretor, além de uma imagem de qualidade, bastante mobilidade. “Com essas câmeras era possível entrar no meio da multidão”, diz. Uma das maiores preocupações durante a filmagem foi com a segurança, já que os espelhos poderiam se quebrar. “A BFerraz fez os espelhos com alças e suporte de madeira. Eles acabaram ficando um pouco pesados, mas no geral não tivemos problema”, lembra Castro. O peso dos espelhos fazia com que ocorressem pequenas oscilações nos reflexos. Por isso, em algumas cenas, os espelhos foram colocados em cima de uma superfície, para captar o reflexo de céu sem movimentos. Devido à característica de espontaneidade da ação e do filme, sobrou pouco trabalho para a pósprodução, como a correção de luz. “Se filmamos o céu refletido, a rua fica escura. Se filmo a rua, o céu fica branco. Tivemos uma preocupação com a exposição, mas tivemos que corrigir na pós”, conta o diretor, lembrando que o filme todo foi feito com a luz natural. “Chegamos a pensar se precisaríamos de composição, mas não usamos”, conclui.

fotos: divulgação

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s flashmobs, mobilizações instantâneas de pessoas, tornaram-se comuns em grandes cidades. Uma dessas mobilizações, que normalmente acontecem com o objetivo de realizar uma ação inusitada, foi organizada em torno do conceito da marca Brastemp, de que inspiração é capaz de mudar tudo. Participaram do flashmob cerca de 500 pessoas, que procuraram “inverter o céu com o chão”, ao levantar espelhos e compor uma grande passarela que refletiria o céu, no Centro de São Paulo. Para viabilizar a empreitada, três empresas entraram em ação: a DM9DDB, agência da Brastemp, a BFerraz, como a organizadora do evento, e a Paranoid BR, produtora responsável pela captação do filme para a TV e pela versão de dois minutos feita para a Internet. “Toda a organização do evento foi baseada na filmagem”, conta o diretor do filme, Brenno Castro, da Paranoid BR. Para testar se a ideia dos reflexos funcionaria bem, foi realizado um ensaio uma semana antes das filmagens. “O mais difícil de imaginar era se a ideia funcionaria. Uma das possibilidades era que poderíamos só ver prédios no reflexo, pois o Centro de São Paulo é cheio deles”, diz o diretor. Para captar toda a ação, foram utilizadas oito câmeras em quatro frentes de filmagem, sendo uma delas dedicada também a captar cenas a partir de um helicóptero. “Coordenar essas equipes, as pessoas que participaram da ação, e depois juntar todo mundo, só foi possível com uma logística elaborada”, lembra Castro. Além do helicóptero, a equipe alugou apartamentos em cinco prédios na região, para captar a ação do alto. O diretor conta que algumas cenas chegaram a ser filmadas com seis câmeras simultâneas, com o objetivo dar um ar de espontaneidade ao filme. “Tivemos uma preocupação para que as câmeras não ‘vazassem’ muito na

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ficha técnica Agência  DM9DDB Cliente  Brastemp Produto  Refrigerador Inverse Campanha  Brastemp Inverse - Espelhos Produtora  Paranoid BR Direção  Brenno Castro Codireção  Cia de Foto Dir. de fotografia  Rodrigo Carvalho Montagem  Francisco Antunes Finalização  Casablanca Pós-produção  Casablanca Produtora de som  Zeeg2 Produção da ação  BFerraz

Cerca de 500 pessoas participaram do flashmob organizado pela Brastemp. Oito câmeras captaram a ação.

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Tecnologia de gente grande

Para inserção ao vivo, a Digital 21 formou um banco de imagens dos personagens 3D com cerca de 20 sequências de animação.

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show “Criança Esperança 2010”, que faz parte da campanha promovida pela TV Globo em parceria com a Unesco com o intuito de arrecadar fundos para projetos sociais, contou nesta edição com a participação de personagens de Maurício de Sousa. A participação, porém, não foi com bonecos, ou com trechos de desenhos inseridos na programação. Mônica e Cebolinha participaram do programa virtualmente, interagindo com os apresentadores Sandra Annenberg e Evaristo Costa. Essa foi a primeira vez que a principal personagem dos quadrinhos do cartunista ganhou uma versão animada 3D. “Além do desafio de fazer isso tudo ao vivo, o valor desse projeto foi ter feito uma personagem de 50 anos em 3D”, conta Rodolfo Patrocínio, diretor geral da Digital 21, produtora responsável pela animação 3D dos personagens. O projeto teve início com o pedido da Globo para que houvesse uma intervenção no “Criança Esperança” com a Turma da Mônica. Mais de 60 pessoas envolveram-se no projeto de dar vida a Mônica em tempo real. “No total, foram dez inserções dos

personagens, totalizando cerca de dez minutos em cena”, diz Patrocínio. O primeiro desafio foi criar a Mônica e o Cebolinha em 3D, já que são personagens que, até então, haviam sido animados somente em 2D. Após a modelagem, foram criadas diversas animações baseadas no roteiro criado pela Mauricio de Sousa Produções. Formou-se, então, um banco de imagens da Mônica e do Cebolinha 3D com cerca de 20 sequências de animação, nas quais os personagens sempre voltavam para uma posição neutra. “As coisas que sabíamos que a Mônica e o Cebolinha deveriam falar, já deixamos prontas”, conta o diretor. Para as outras, criadas em tempo real, um operador, a partir do software Motion Buider, controlava as animações com a ajuda de um joystick. “O trabalho é exatamente como um videogame”, compara Patrocínio. A fase seguinte foi a de voz e “lip sink”, ou sincronização do movimento da boca com o som. Todos os fonemas já ficaram pré-gravados, e uma pessoa ficou responsável por gerar a voz dos personagens e sincronizá-la ao vivo. Por fim, a aparição dos personagens na tela junto dos apresentadores é gerada por uma câmera virtual, posicionada

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exatamente como a câmera da animação. “O sinal que sai da câmera virtual faz a composição do virtual com a imagem ao vivo”, explica o diretor da produtora. Para Patrocínio, o processo todo foi um grande desafio, por envolver pessoas e empresas muito diferentes entre si. “Acabou virando um coletivo. Nós criamos a Mônica e o Cebolinha 3D, o roteiro foi feito pelo Mauricio e toda a parte de tecnologia, manipulação ao vivo e as câmeras foram feitas pela Globo”, diz. ficha técnica Direção geral Rodolfo Patrocínio Dir. de animação Américo Catão Jr. Atendimento Debora Garcia Dir. de produção Fabiane Rivero Modelagem/RenderRicardo Mantoan, Willian Mattos, Rafael Furtado Coord. de animação Henrique Montanari  “EDMX” Animação/Rigging Gian Carlo Burani,  Fernando Fracarolli,  Gabriel Prezoto,  Fernando Donizete,  Aulo Licinio,  Marsyel Sylvestre Dir. de coordenação Tatiane Borges Coordenação Amália Coccia


( produção)

Ana Carolina Barbosa

a n a c a r o l i n a @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Emoldurados Produtoras veem oportunidades no desenvolvimento de formatos que possam virar quadros em programas diários e semanais de variedades, já que os canais precisam de novidades constantes para não desgastar fórmulas e manter a audiência.

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anter um programa diário ou semanal de variedades por muitos anos no ar é um desafio para qualquer emissora. Estas atrações demandam exercício constante de criatividade e esforços de produção, já que muitas delas ocupam preciosas horas da grade. Renovar é preciso para que programas já consagrados não tenham suas fórmulas desgastadas e percam audiência, em tempos em que está difícil mantê-la. Atentas a essa necessidade dos canais, algumas produtoras têm focado no desenvolvimento de formatos que possam ser ajustados à linha editorial de um programa com este perfil. Fundada no fim do primeiro semestre de 2010, a Creative Bees Studio, de São Paulo, está de olho neste filão. A produtora é liderada por Walter Bernacca, profissional que trabalhou durante 17 anos em pós-produção nos Estados Unidos para grupos como Universal, Warner, E! Entertainment e HBO. Bernacca veio para o Brasil com a proposta de criar conteúdo, especialmente formatos. Hoje, a produtora tem 12 projetos. Um deles é para Internet e celular. Todos os outros são voltados para a televisão e podem ser produzidos como um programa ou como um quadro dentro de uma atração. “Há uma necessidade de arejar e esta é uma possibilidade

A Globo compra ideias e se encarrega da produção. Na foto, “Maratoma”, da Endemol, que foi ao ar pelo “Domingão do Faustão”.

FOTOS: divulgação

muito boa”, afirma Bernacca. O primeiro projeto que desenvolveu, em 2009, ainda antes da fundação da produtora, foi o reality show “Cozinhando Para Fora”, em que fãs preparam pratos para os seus ídolos, para a Mix TV. Em 2010 a produtora começou a fazer alguns trabalhos de pós-produção para a Record e apresentou um dos projetos à emissora e ao chef e apresentador do “Hoje em Dia”, Eduardo Guedes, que quis gravar um piloto. A proposta de “Você, o Chefe + 20” é convidar um chef e uma nutricionista a ajudar uma pessoa ou uma família com maus hábitos alimentares a preparar uma refeição saudável com apenas R$ 20. Os profissionais vão com os participantes às compras e os auxiliam no preparo dos alimentos. A produção foi feita pela Record e Bernacca codirigiu o piloto com um

“Há uma necessidade de arejar e esta é uma possibilidade muito boa” Walter Bernacca, da Creative Bees Studio

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profissional da casa. Agora, ele espera as deliberações da emissora. “O piloto pode dar origem a uma atração ou a um quadro no ‘Hoje em Dia’”, conta. A carioca Contente Entretenimento também aposta na criação de formatos. Com menos de um ano de mercado, a produtora das sócias Renata Boldrini, Fernanda Cortez e Maíz de Oliveira emplacou o reality show “Por Um Fio” no GNT e está criando novos formatos para a TV. “Compramos o formato ‘Shear Genius’ (do canal americano Bravo TV) e levamos o projeto completo ao canal. Agora estamos trabalhando em criações próprias”, conta Renata Boldrini. A produtora tem três formatos de criação própria e um deles pode ser alinhado ao conteúdo de uma atração semanal e virar um quadro. “Estes programas precisam ter uma coisa nova a cada semana. É uma coisa que a gente pensa que seria um caminho interessante”, destaca Fernanda. Marca Denise Gomes, sócia e produtora executiva da área de entretenimento da BossaNovaFilms, observa que, com exceção da Globo, as emissoras têm se mostrado mais abertas aos projetos da produção independente que possam ajudar a trazer novos ares para os programas de variedades. “A gente tem feito algumas tentativas. Acho que vamos emplacar formatos de quadro. Estamos em negociações, fazendo pilotagem para dois formatos curtos”, diz Denise. Para a produtora, estes espaços também


podem ser uma oportunidade para as marcas praticarem o branded content. “Ele pode funcionar tanto dentro dos programas ou durante os breaks”, explica. A produtora já desenvolveu projetos de branded content para marcas como Ambev, Mitsubishi e Nokia. No ano passado, a BossaNovaFilms produziu, sob orientação da agência Babel, a série “Toque de Mãe”, para a Johnson & Johnson, que ganhou espaço no programa “Hoje em Dia”, matinal da Record que vai ao ar de segunda a sábado das 9h30 às 12h e completou em 2010 cinco anos no ar. Em 14 episódios de dois minuitos, a série dirigida por Georgia Guerra Peixe ia ao ar todas as sextas-feiras com apresentação de Cris Flores, uma das apresentadoras da atração da Record. A proposta era mostrar a rotina de quatro mulheres com seus bebês. Denise destaca que, no caso da produção de atrações dentro de programas já existentes, seja para marca ou seja um projeto de conteúdo da produtora, a liberdade de criação não existe. “A nossa relação passa a ser com o diretor de programação e criativo. Tem que estar alinhado ao editorial, não é como o 30 segundos”. Canais O presidente do Comitê Artístico da Record, Mafran Dutra, explica que no caso dos quadros idealizados por anunciantes é necessário que haja alinhamento à estratégia de programação da emissora e, de todo modo, ele ganha um tratamento de projeto publicitário. Ele concorda que as parcerias fazem parte da necessidade da TV aberta de inovar e buscar oferecer o melhor para o telespectador. “A parceria com empresas internacionais permite trazer para o Brasil formatos de sucesso testados em vários lugares do mundo e adaptá-los a nossa cultura. Já a parceria com produtoras independentes está

muito mais relacionada à ideia de compartilhar as grandes demandas de produção que uma grade de programação exige e ainda à missão de cumprir um papel importante que é o de fomentar o mercado produtor independente nacional”, explica Dutra. Apontada pelos produtores como uma das emissoras mais abertas à análise de propostas, as maiores experiências com o conteúdo criado fora da Record ainda são os formatos internacionais como “O Aprendiz”, “A Fazenda”, “Ídolos” e “Troca de Família”. “Aqui, além de exibidoras, as emissoras são grandes produtoras e desenvolveram um know how próprio alinhado com as suas estratégias, em um mercado que é extremamente competitivo. À medida em que as produtoras, especialmente as independentes, se alinham a este padrão, o espaço está surgindo e tende a crescer”, diz o executivo. Em relação aos programas diários e semanais de variedades, Dutra ressalta os estímulos à equipe interna para o desenvolvimento. Dois quadros do “Hoje em Dia”, surgiram de ideias nas reuniões semanais do comitê artístico da emissora. “O Convocado”, apresentado por Celso Cavallini, que propõe desafios físicos aos convidados; e “De Carona com a Moda”, apresentado por Gianne Albertoni, que dá palpites nas peças do armário de

“A parceria com produtoras independentes está muito mais relacionada à ideia de compartilhar as grandes demandas de produção que uma grade de programação exige.” Mafran Dutra, da Record

uma telespectadora e a leva às compras. A Globo, segundo Edson Pimentel, diretor de planejamento estratégico da emissora, não terceiriza a criação de quadros, mas “compra boas ideias”. “A empresa licencia formatos de diferentes fornecedores, com flexibilidade de customizá-los, adotando ajustes importantes para atender às nossas expectativas e às características de audiência Os ajustes artísticos e a responsabilidade de produção são de competência das equipes da Rede Globo”, explica o executivo. Em casos excepcionais, a emissora contrata produtoras independentes para apoiar os processos. Grande parte dos formatos licenciados, seja como quadros ou como atrações completas, vem da Endemol Internacional por meio da joint-venture Endemol Globo. Só em 2010, por exemplo, o “Domingão do Faustão”, produziu os formatos “Os Encolhidos”, “Maratoma do Faustão”, “Dança dos Famosos”, “Primeiro e Último”, “Os Imitadores” e “Sufoco”. Outro programa semanal da Globo, o “TV Xuxa”, demandou a criação de um quadro, o “Melhor de Dois”, em que duas celebridades por episódio, participam com o desafio de interagir com crianças através de brincadeiras e jogos propostos pela produção. Vence aquele que tiver melhor performance. “Melhor de Dois” , em parceria com a Globo, é o primeiro formato nacional da Endemol Globo. “Já existe interesse de outros países para a produção”, conta Mônica Athayde, diretora geral da Endemol Globo.

“Toque de Mãe”, programete produzido pela BossaNovaFilms para a Johnson & Johnson, foi ao ar no “Hoje em Dia”, da Record.

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COBE R T U R A

(radiodifusão)

Em defesa do modelo Redistribuição do espectro, fim da TV analógica e futuro da TV digital são discutidos no Congresso da Sociedade de Engenharia de Televisão, que aconteceu em agosto. Radiodifusores apontaram divergências e convergências no cenário atual da mídia eletrônica.

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evento, Liliana chamou a atenção para outra questão: “o ‘look’ semelhante” ao dos canais de televisão que as soluções de TV conectadas, bem como as caixas over-the-top, apresentam. Segundo ela, isto pode confundir o telespectador, sobretudo os idosos, que poderiam confiar em determinado conteúdo acreditando ser de um dos canais de TV que conhece. A abertura do evento foi usada politicamente pela Abra, associação encabeçada por RedeTV! e Grupo Bandeirantes, para expor suas demandas. O presidente da associação, Amílcare Dallevo, levantou três questões: multiprogramação na TV digital, dificuldade na obtenção de financiamentos, e o desprezo ao público das antenas parabólicas na medição de audiência. “O momento reserva desafios e uma comunicação mais avançada tecnologicamente, mais livre e mais plural”, disse. Dallevo chegou a cobrar um marco regulatório para o setor. O executivo, também presidente da RedeTV!, afirmou que este marco regulatório não deve “apenas criar restrições”. Pelo contrário, deve criar condições para que a televisão tenha destaque no cenário convergente. Dallevo cobrou a liberação para que a radiodifusão possa explorar a mobilidade (sinal 1-Seg) da TV

Congresso da SET, que acontece anualmente, paralelamente à feira Broadcast&Cable, costuma levantar debates políticos importantes. Promovido pela Sociedade de Engenharia de Televisão, o evento tem o mérito de reunir representantes de diferentes associações da radiodifusão, além de governo e representantes de outros setores complementares ou concorrentes à TV aberta. Este ano não foi diferente. O evento, que aconteceu em agosto, levantou debates sobre alguns dos temas mais atuais da radiodifusão brasileira, como TV digital, disputa por espectro de frequências, must carry, interatividade e regulamentação. Na abertura do evento, no dia 25, o destaque foi para a convergência dos meios. A presidente da SET, Liliana Nakonechnyj, abordou as TVs conectadas. O tema foi levantado pela primeira vez na edição de 2009 do evento dos engenheiros de televisão. Naquele momento, ficou clara a preocupação com a chegada de novos concorrentes na tela onde a TV aberta ainda reina. Sobretudo a preocupação com a forma como os conteúdos desses concorrentes seriam apresentados nos televisores. Os radiodifusores deixaram claro que brigarão, juridicamente, se necessário, para não permitir que o conteúdo (e a publicidade) seja sobreposto à imagem dos canais de TV aberta. Na abertura do

“Com tantos novos serviços, não é de se admirar que surjam tecnologias para oferecê-los” Liliana Nakonechnyj, da SET

FOTOs: Marcelo Kahn

digital com conteúdos diferenciados, exclusivos para os dispositivos móveis e portáteis. Tecnicamente, seria a transmissão de conteúdo em multiprogramação. O secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Roberto Pinto Martins, também presente na abertura, concordou. Para ele é um “desperdício” não poder transmitir uma informação exclusiva para um dispositivo móvel. “O momento é oportuno para fazer esta reflexão”, disse. Em relação ao financiamento, o presidente da Abra reclamou das dificuldades encontradas para conseguir crédito junto ao BNDES através da linha criada para financiar a transição para a TV digital, o ProTVD. Segundo ele, nenhuma empresa consegue aprovação na linha. Contudo, em debate sobre a interiorização da TV digital que aconteceu no Congresso da SET, alguns grupos regionais apontaram que conseguiram buscar “40% da população recebe TV pela financiamento junto ao banco parabólica. Como é possível não estatal, mas não deixaram de fazer parte do Painel Nacional de apontar dificuldade na aprovação Televisão (do Ibope)? Como pode de crédito. O assessor especial da não ser considerada no cálculo de Casa Civil, André Barbosa, que distribuição de verbas publicitárias?” participou da abertura, em resposta a Dallevo disse que Amílcare Dallevo, da Abra levará ao BNDES as demandas do

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setor em busca de uma solução. Sobre as parabólicas, o presidente da Abra e da RedeTV! reclamou da forma como a distribuição de TV por satélite é ignorada no setor de mídia. Segundo ele, o Brasil tem 20 milhões de antenas parabólicas, que levam sinais de TV a 40% da população. “Como é possível não fazer parte do Painel Nacional de Televisão (do Ibope)? Como pode não ser considerada no cálculo de distribuição de verbas publicitárias?”, questionou. Dallevo lembrou que RedeTV! e Band contam com seus sinais digitais abertos e em alta definição no satélite. “Entramos no satélite um dia depois de inaugurar as transmissões digitais terrestres”, disse. Em entrevista exclusiva à revista TELA VIVA de junho, Dallevo já havia reclamado da falta de medição de audiência junto ao público das parabólicas. Para o executivo, as parabólicas provam que uma rede maior de afiliadas não significa uma cobertura muito mais ampla da população. Radiofrequências Outro ponto levantado por Liliana Nakonechnyj também relacionado à convergência dos meios é a disputa por espectro. “Com tantos novos serviços, não é de se admirar que surjam tecnologias para oferecê-los”, disse, destacando que parte destas formas de oferta de serviços passa pelo uso de frequências do espectro eletromagnético. A engenheira destacou que em alguns países já há pressão para a liberação de espectro usado pela TV analógica para outros serviços. O tema voltou a ser abordado em outro debate no evento, no qual os radiodifusores saíram em defesa de algumas ideias que protegem seu modelo atual. Estava em pauta uma recomendação da UIT (União Internacional de Telecomunicações) para que sejam alocadas frequências para a popularização da banda larga.

O mesmo estudo da Abert foi usado para apontar a possibilidade de atraso no desligamento da TV analógica, estipulado para 2016. Balduíno lembrou que em vários países desenvolvidos houve atraso no switch-off da TV analógica. “Os cronogramas estão sendo dilatados em todo o mundo. Mesmo nos EUA, só houve o desligamento das emissoras de alta potência. Para as de baixa potência ainda nem há data. No Canadá, ainda há um milhão de casas sem TV digital, e no Japão, cujo desligamento está previsto para julho de 2011, 25% das residências ainda estão de fora”, contou. O estudo funciona como um discurso da associação dos radiodifusores para “proteger” a TV aberta de uma futura divisão de seu espectro com outros serviços, notadamente a telefonia celular. Segundo Balduíno, “a banda larga é importante e deve ser universalizada, mas sem prejudicar o desenvolvimento da TV digital”. Ele demonstrou a preocupação da associação com a Consulta Pública 28 da Anatel, que prevê o uso secundário da faixa de 698 MHz a 806 MHz para serviços móveis. “Não se deve permitir o uso desta faixa até pelo menos depois de 2016”, pontuou. O estudo também propõe que o serviço de banda larga das

“Nos EUA há uma grande demanda por banda, porque há conteúdo, como serviços de vídeo, telemedicina. No Brasil não há uma necessidade tão grande” Paulo R. Balduíno, da Synthésis

Uma reunião da entidade marcada para 2012 pode revisar as regras de uso do espectro, permitindo o uso das faixas hoje destinadas à TV aberta com outros serviços compartilhados. O consultor Paulo R. Balduíno, da Synthésis, apresentou dados de um estudo que está sendo feito por encomenda da Abert (maior associação que reúne radiodifusores) sobre os mercados de radiodifusão e telecomunicações. Segundo ele, o Brasil não pode ser comparado a outros países neste aspecto, pois as necessidades são diferentes. “Nos EUA há uma grande demanda por banda, porque há conteúdo, como serviços de vídeo, telemedicina. No Brasil não há uma necessidade tão grande”, afirmou. No mesmo painel, o diretor de engenharia da Globo, Fernando Bittencourt, disse que o Brasil discute em posição desfavorável na UIT quando o tema é banda larga sem fio, porque nos países desenvolvidos a radiodifusão não teria tanta importância, e portanto as frequências seriam atribuídas a outros serviços. Balduíno propôs que o Brasil se movimente para chegar com uma posição forte a esta reunião, para defender a manutenção do espectro destinado à radiodifusão.

Prêmio tecnológico A SET promoveu nesta edição de seu congresso uma série de concursos voltados a empresas e profissionais ligados ao setor de engenharia da TV e de radiodifusão por atuações de destaque na área. Os projetos foram classificados em sete categorias cinco ligadas à área de tecnologia e as outras duas ligadas a ações para a SET - e foram escolhidos pelos associados da entidade, que puderam votar pelo site. Confira as empresas e profissionais vencedores: • Melhor lançamento de transmissão e/ou recepção - sistema SFN da Linear; • Melhor lançamento de produção e pós-produção - câmera F35 da Sony Brasil; • Jornalismo/esporte - Tricaster HD TCXD300 da Imovix; • Inovação tecnológica para TV digital - compressor BTS da Tecsys; • Melhor projeto em novas mídias - projeto TV Digital Rural da Rede Globo; • Melhor apresentação do congresso em 2009 - TV estereoscópica 3D: da captação à casa do espectador, por José Dias; • Melhor artigo publicado na revista SET - Sistema de TV de ultra alta definição, por Alberto Deodato Seda Paduan.

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( radiodifusão) operadoras wireless se desenvolva com tecnologias que permitam maior aproveitamento do espectro, como o uso de femtocells, e apregoa que as políticas para o uso do espectro devem usar, na avaliação de eficiência do uso, “fatores culturais, sociais e econômicos”. Roberto Pinto Martins, do Minicom, disse que não há ainda qualquer definição sobre como será ocupado o espectro liberado a partir de 2016 com o fim da TV analógica. Afirmou que este é o momento de se começar a discussão, mas que ela só acontecerá mesmo no próximo governo. “Está em aberto, podem ser criados mais canais de TV, ou ser usado para outros serviços. A faixa dos 700 MHz é nobre, muita gente quer”, disse. Bittencourt, da Globo, manifestou preocupação com a possibilidade da faixa ser compartilhada entre a radiodifusão e serviços móveis. Segundo ele, a convivência entre os serviços é inviável, pelas características técnicas das redes, e só seria possível

entidade, que deve concentrar discussões e resoluções relacionadas a governo eletrônico, entre outras questões, será presidida primeiramente pela Argentina. Os comandos das duas entidades devem ser trocados anualmente, sendo que os próximos presidentes serão escolhidos em março de 2011, no Chile. Os encontros das entidades internacionais de TV digital já começam com duas disputas envolvendo Brasil e Argentina. Uma se refere à interatividade. O governo argentino vem apontando que deve adotar o middleware Ginga NCL-Lua, sem a camada Java adotada no Brasil. Os argentinos estariam relutantes em pagar royalties a uma empresa norte-americana. Vale lembrar que pelas negociações feitas entre Brasil e a Sun, antiga detentora do Java, será cobrado apenas o valor referente ao Java Engine, incapaz de influenciar nos preços dos equipamentos receptores de TV. O governo brasileiro teme que com isso se feche o potencial mercado internacional de software criado com a massificação do middleware desenvolvido no Brasil em parceria com a Sun. Outra questão é em relação ao modelo de adoção do padrão digital por parte da população. A Argentina optou por distribuir caixas receptoras a uma parcela significativa da população desde o início da implementação do padrão. Já os fabricantes brasileiros estão se esforçando para criar um mercado de receptores e televisores com recepção embutida e vê na inciativa argentina uma ameaça a este mercado e à pluralidade de modelos de equipamentos, com diferentes características. O governo, por outro lado, trabalha para desenvolver um set-top popular e que permita aplicações interativas.

FOTOs: Marcelo Kahn

“Está em aberto (o espectro que será liberado com o fim da TV analógica), podem ser criados mais canais de TV, ou ser usado para outros serviços. A faixa dos 700 MHz é nobre, muita gente quer” Roberto Pinto Martins, do Minicom

se cada um ocupasse uma faixa completamente separada. Padrão global Durante o Congresso SET aconteceu ainda um encontro reunindo radiodifusores e governos dos países que adotaram o ISDB-T como padrão na TV digital aberta. No encontro foram criadas duas entidades internacionais que serão responsáveis pela harmonização, normatização, evolução e regulamentação do padrão do ISDB-T. Uma será o Fórum Internacional do ISDB-T, formado por agentes da iniciativa privada de cada um dos países onde a norma de TV digital foi adotada. A entidade, responsável pelas normas técnicas, será presidida primeiramente pelo representante brasileiro, o presidente do Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital, Frederico Nogueira. A segunda entidade é o Congresso Permanente da TV Digital Aberta, formado por representantes dos governos dos países onde o padrão ISDB-T foi adotado. A

Must carry revisto O diretor da Globo Fernando Bittencourt sugeriu no evento que se rediscuta no Brasil a regra do must carry, pela qual as operadoras de cabo são obrigadas a carregar os sinais das emissoras locais, que por sua vez devem ceder o sinal gratuitamente. Bittencourt mostrou vídeos de diretores da NAB (associação de radiodifusores dos EUA) defendendo o modelo de retransmission consent, adotado naquele país. Por este modelo, a emissora pode obrigar o cabo a levar seu sinal (nesse caso gratuitamente) ou pode negociar um valor pela cessão da programação. O argumento das emissoras

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Bittencourt, da Globo, propôs o fim do must carry, com adoção do modelo de retransmission consent, adotado nos EUA.

é que o conteúdo da TV aberta tem grande valor para os operadores, que não pagam nada por isso. Presente à sessão, o presidente da Net Serviços, José Felix, mostrou-se contrário à ideia. “Do jeito que está, o sistema funciona bem, é isonômico. Não acho boa ideia mexer nisso agora”, disse. “Hoje está todo o mundo bem”, afirmou Felix, ao que o diretor da Globo retrucou: “todo o mundo quem?”, demonstrando a insatisfação que o tema gera entre as emissoras abertas.

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André Mermelstein e Fernando Lauterjung


Obrigado pela sua presença na ABTA 2010. A 18º edição da ABTA foi um sucesso absoluto de público e reuniu os maiores nomes do setor de TV por assinatura, mídia e telecom do Brasil.

Esperamos você em 2011.

9 A 11 DE AGOSTO DE 2011

TRANSAMÉRICA EXPO CENTER, SÃO PAULO, SP


( case )

Tô Frito Content, produtora do grupo Film Planet, cria minissérie para aproximar a Nestlé do público jovem. Atração ganha exibição na Band e MTV.

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FOTOs: divulgação

Film Planet desenvolve filmes publicitários para a Nestlé há dez anos. Em 2008, a Content, produtora que faz parte do grupo, recebeu da multinacional a proposta de desenvolver projetos de conteúdo que carregassem o espírito da marca. Segundo Izael Sinem Junior, diretor de comunicação e serviços de marketing da Nestlé no Brasil, devido ao amplo portfólio de produtos, faz parte das estratégias da companhia relacionar-se com os mais diversos públicos por meio de ações de longo prazo. No ano passado, a Cuatro Cabezas produziu um reality show para a companhia, o “Mudar Faz Bem”, que foi ao ar pelo canal pago Discovery Home & Health. A proposta era acompanhar as evoluções de uma família que, com o auxílio de profissionais, buscava um estilo de vida mais saudável. A empresa queria ainda um projeto que estreitasse seu relacionamento com o público jovem. Foi com esse target em mente que a Film Planet concebeu a minissérie “Tô Frito”. “O mercado, de forma geral, tem dificuldade de se comunicar com este público”, explica Junior. “Queríamos um caminho em que ele pudesse participar, ter entretenimento e um contato natural com as marcas”. Com roteiro de Marcelo Pires e Letícia Wierzchowiski (“A Casa das Sete Mulheres”), a minissérie aborda a história de Vitor (Ian Ramil), um jovem de 21 anos que sai da casa dos pais, no Rio Grande do Sul, para morar sozinho em São Paulo, onde

No branded content para a Nestlé, produção cuidou para que a marca não aparecesse de forma tão ostensiva na dramaturgia.

pretende trabalhar como ilustrador. Além mais sofisticados, explorando de aprender a viver na metrópole, a sutilmente o portfólio da marca. empreitada proporciona novas “A dramaturgia estava no próprio experiências ao jovem, entre elas, o produto”, explica a diretora. primeiro emprego, a paixão e os aprendizados na cozinha, já que agora Parceria ele tem que cozinhar a própria comida. Flávia conta que a minissérie “Queremos mostrar o rito de passagem começou a ser gravada em São da adolescência para a vida adulta. É Paulo quando ainda não havia também o rito de passagem da mesa da parcerias para a exibição. Foi a mãe para a independência na cozinha”, própria Nestlé que procurou explica a diretora Flávia Moraes. parceiros comerciais que A diretora conta que tomou alguns estivessem interessados no cuidados para que a marca não conteúdo. A Band, que iniciou o aparecesse de forma tão ostensiva na ano propondo rejuvenecimento da produção. Os produtos grade e da audiência, aparecem aos poucos e de e a MTV, que já Os episódios forma sutil. No início, trabalha voltada para ficam desacostumado com a disponíveis na este target, cozinha, o personagem o projeto Internet após abraçaram mata a fome com pacotes e aceitaram exibir a exibição na Band, minissérie de bolacha e sopa de em modelo saquinho, até que passa integralmente para itens de culinária custeada pela Nestlé, catch-up. 70

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que não revela o valor investido na produção. “Tô Frito” tem oito episódios. O primeiro tem meia hora de duração, e os restantes têm 15 minutos. O programa estreou na Band no dia 23 de agosto. A atração ganhou espaço na grade às segundas-feiras, logo após o “CQC”. Na MTV, a minissérie entrou no ar no domingo, 29 de agosto, às 19h, mas a partir do segundo episódio fixou-se na grade aos sábados na faixa das 20h. Assim como o “Mudar Faz Bem”, que teve desdobramento multiplataforma com conteúdo produzido para o Claro Minha TV e foi reconhecido como o melhor case de Mobile Marketing pelo 2º Prêmio Tela Viva Móvel na categoria brand advertising em maio deste ano, “Tô Frito” também terá conteúdo multimídia. As agências Front e Aretha cuidarão das ações de ativação e perfil dos personagens nas redes sociais, respectivamente. O protagonista, por exemplo, terá um portfólio online de suas ilustrações no Flickr e também um blog com seu diário de viagem. O portal da minissérie (tofrito.terra.com.br) abriga o site de serviços da série, e lá o usuário encontra informações úteis para quem vive situações semelhantes a de Vitor, como lugares baratos para comer e oportunidades de emprego. No brand channel, também hospedado no Terra, os internautas poderão assistir aos capítulos da série que serão disponibilizados na web após a estreia na Band, no modelo catch-up. A trilha sonora do programa, criada pela produtora de som Satélite Áudio, também estará disponível no Sonora, serviço de músicas do portal. Terceira idade Segundo Flávia Moraes, que tem sua estreia na direção de conteúdo para TV com “Tô Frito”,

Tô Frito Minissérie

Formato 

Sinopse: Vitor (Ian Ramil) é um jovem de 21 anos que sai da casa dos pais, no Rio Grande do Sul, para morar sozinho em São Paulo, onde pretende trabalhar como ilustrador. Além de aprender a viver na metrópole, a empreitada proporciona novas experiências ao jovem, entre elas, o primeiro emprego, a paixão e os aprendizados na cozinha.

8 episódios de 15 minutos Duração  ontent (Film Planet) Produtora C Karin Stuckenschimit Produção executiva  Flávia Moraes Direção 

atores de terceira idade, explorando situações típicas desta fase da vida. A ideia é que esta atração fique pronta e seja veiculada no próximo ano, quando a Nestlé completa 90 anos de atuação no País.

a atração pode ter uma segunda temporada, o que depende do sucesso dos primeiros episódios. A diretora conta que a Film Planet tem outros projetos elaborados para a Nestlé. Um deles é voltado para a família e está sendo negociado com a Globo. O outro, explica Flávia, é uma comédia com

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Ana Carolina Barbosa

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COBE R T U R A

( upgrade )

Fernando Lauterjung

A Broadcast&Cable, que aconteceu em agosto em São Paulo, contou com os principais lançamentos apresentados pela primeira vez na NAB 2010, em abril deste ano. Veja alguns destaques do evento.

iPrompter

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uas soluções que transformam iPods/iPhones e iPads em teleprompters foram apresentadas na feira em São Paulo. A Tacnet apresentou o Autocue QTV SSPi. Trata-se de um teleprompter que pode ser montado em câmeras handheld e conta com adaptador especial para um iPhone/iPod Touch. A fabricante não fornece um software de teleprompter, sendo recomendado um dos aplicativos disponíveis na App Store da Apple. O equipamento pesa 1,1 kg e vem acompanhado de um case rígido. A outra solução apresentada no evento é nacional, desenvolvida pela Smart TP. Portátil, o equipamento pode ser usado com um iPod/iPhone ou um iPad. Para esta solução são necessários dois equipamentos. Enquanto um iPod/iPhone/iPad fica no teleprompter, outro é usado para controlar a velocidade com a qual o texto corre na tela. A comunicação entre os dois equipamentos pode ser feita por Bluetooth ou Wi-Fi AdHoc. O equipamento da Smart TP vem acompanhado de case rígido e anel adaptador para prender diretamente na lente da câmera. Além disso, pode ser comprado em conjunto com um par de iPods ou um iPod e um iPad, acompanhados de um carregador duplo.

Câmera sem fio

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Videodata trouxe para a feira o sistema de câmeras wireless CMT-II, da Nucomm/Central RF. Trata-se de um conjunto de equipamentos que permite transmitir o sinal das câmeras sem a necessidade de cabos. Com um equipamento conectado no suporte para bateria das câmeras, é possível cobrir uma área equivalente a um estádio de futebol. Usando a câmera conectada a uma maleta portátil, é possível transmitir a uma distância de até 30 km. O transmissor COFDM de 100 mW envia o sinal em SD ou HD nas frequências 2 GHz, 5,8 GHz ou 6,4 GHz. O vídeo pode ser NTSC/PAL composto, SDI, ASI ou vídeo HD, através de portas SDI opcionais. O áudio pode ser analógico, AES ou integrado. A caixa conta com 16 esquemas de codificação predefinidos, eliminando o risco de sobreposição do sinal das câmeras. O atraso é de até 2,5 quadros, adequado tanto para jornalismo quanto para produção esportiva. A alimentação pode ser feita por fonte externa, ou usando a força da bateria conectada ao equipamento, que vem com montagem Anton/Bauer por padrão, podendo usar outras montagens. Com o equipamento wireless CMT-II é possível transmitir em uma área equivalente a um estádio.

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FOTOS: divulgação

f e r n a n d o @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Teleprompter da Tacnet pode ser montado em câmeras handheld e conta com adaptador especial para iPhone e iPod Touch.

Do celular para a TV

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presentando a solução Fork, da Building 4 Media, a AD Digital chamou a atenção no evento com o módulo Mobile2Air. Trata-se de um módulo da solução de transição tapeless Fork que permite enviar vídeo capturado por um iPhone para a emissora. Embora a câmera do telefone da Apple não conte com recursos profissionais, ela é capaz de capturar conteúdo em alta definição (720p), no caso do iPhone 4, o que pode ser satisfatório no caso de cobertura jornalística, sobretudo em casos emergenciais ou em lugares de difícil acesso. Usando a rede 3G ou Wi-Fi, o aplicativo opera sem a necessidades de um link por microondas ou por satélite, a um custo incomparável. O tráfego deste conteúdo dentro da emissora acontece de forma rápida no sistema de gestão de conteúdo. O workflow da Fork conta ainda com gerenciador de conteúdo (MAM), clip ingest, editor, playout para conteúdo gerado ao vivo, arquivo digital e master playout.

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Tecnologia local

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uando montou a RedeTV!, a Tecnet, empresa de software de Amílcare Dallevo, desenvolveu as soluções de ingestão, gerenciamento e exibição de conteúdo da emissora. A solução, criada sob medida para a TV paulista, evoluiu em conjunto com a emissora, podendo hoje trabalhar com conteúdo em alta definição e 3D. Após vender para a EBC a parte do gerenciamento de conteúdo (MAM) da solução, a Tecnet leva o conjunto de soluções de workflow para TV digital ao mercado. Na Broadcast&Cable, a empresa expôs as soluções às emissoras concorrentes da RedeTV!. O workflow MasterTV HD 3D permite integração com Internet, rádio e dispositivos móveis, além de sistemas proprietários que usem o protocolo MOS. Faz parte do sistema completo o sistema de gestão MAM Tecnet, que permite o

Para o avião

gerenciamento dos ativos digitais em alta definição, com geração automática de proxy em baixa definição, agilizando o tráfego de conteúdo em uma emissora. O software controla todas as fases do processo produtivo, captação, edição, pesquisa, armazenamento, recuperação de conteúdo em LTO, rastreamento de processos e monitoração da exibição. O sistema conta ainda com o Ingest Media, para captura do conteúdo digital com diversos codecs e formatos; o Digital News, que faz a ponte entre redatores e produtores, bem como a criação e acompanhamento das pautas, controle do teleprompter, entre outras funções; e o PlayList/ PlayNews, para automação da exibição integrando o sistema WEB-OPEC para controle comercial. Este último gera um vídeo em baixa resolução com o respectivo comprovante de exibição do comercial.

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ma solução para facilitar o transporte de equipamento em produções que exigem deslocamento aéreo foi apresentada na feira pela Hollywood Store. Trata-se da mala CA001 da Petrol Bags. O equipamento é um case para transportar uma camcorder portátil e acessórios, sendo de tamanho e peso permitido para embarque nos voos comerciais. A grande novidade é que o case é também um tripé que pode suportar a câmera a até 1,42 metro do chão. Podem ser usadas câmeras de até 4,5 kg. A alça usada para transportar a mala, que Mala CA001 é um conta com rodízios, é case e um tripé. transformada no suporte para a plataforma que sustenta a câmera. O suporte é do tipo ball head, permitindo movimentos pan tilt.

FOTOS: marcelo kahn

Cartão e disco

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XDCAM PMW-350: três sensores CMOS full HD, sensibilidade F12 e nível de ruído 59 dB.

Gravador PDW-HR1 suporta todos os formatos XDCAM e pode ter placa com suporte a cartões XDcard.

ntre as novidades trazidas pela Sony no evento estava a camcorder XDCAM PMW-350, a primeira da fabricante japonesa para apoio no ombro e com gravação em cartão. Com três sensores CMOS full HD de 2/3”, a câmera conta com sensibilidade F12 e nível de ruído de 59 dB. Graças ao tamanho do CCD, a camcorder pode capturar imagens com profundidade de campo mais evidente. Com montagem de lente tipo baioneta de 2/3”, a camcorder pode vir empacotada com zoom de 16 vezes. Outra novidade apresentada é o gravador portátil PDW-HR1, da família XDCAM. Semelhante ao modelo predecessor PDW-R1 SD, o novo modelo ainda com algumas funcionalidades adicionais, como todos os formatos XDCAM, incluindo o frame rate 23.98 no modo 1080i e SD (DVCAM e MPEG IMX). O gravador pode contar ainda com uma placa opcional com suporte aos cartões de gravação XD card. Com isso, além de dar suporte a toda a família de camcorders XDCAM, o gravador pode ser usado como um editor linear, similar ao tape-to-tape, mas disc-to-card. A gravação pode ser em até 50 Mb/s, usando MPEG HD 4:2:2, em formatos 1080i e 720P, além de SD. O equipamento suporta discos dual-layer (50 GB) e single-layer (23.3 GB), que permitem gravar (a 50 Mb/s) aproximadamente 95 minutos e 43 minutos, respectivamente. A gravação de áudio é em oito canais. O equipamento pode ser operado com uso de bateria.


( agenda ) SETEMBRO

8 a 12/12 5º Mostra Cinema e Direitos Humanos na América Latina, São Paulo, SP.

14 a 18 Curta-se 10 - Festival Iberoamericano de Cinema de Sergipe, Aracaju, Sergipe.

Tel.: (11) 3512-6112. E-mail: contato@cinedireitoshumanos.org.br. Web: www.cinedireitoshumanos.org.br

Tel.: (79) 3302-7092. E-mail: operacional@ curtase.org.br. Web: www.curtase.org.br.

30 de setembro e 1º de outubro 10º Congresso Latino-Americano de Satélites, Rio de Janeiro, RJ. Tel.: (11) 3138-

19 a 25 6º Festival Latino Americano de Canoa Quebrada, Aracati, CE. Tel.: (85) 3251-1105. E-mail: curtacanoa@ curtacanoa.com.br. Web: www.curtacanoa.com.br

4660. E-mail: info@convergecom.com.br. Web: www.convergeeventos.com.br. O maior encontro da indústria de satélite da América Latina, que anualmente se reúne para debater, durante dois dias, os temas cruciais do setor.

23 a 7/10 Festival do Rio, Rio de Janeiro, RJ. Tel.: (21) 22666-9000. E-mail: films@festivaldorio.com.br. Web: www.festivaldorio.com.br

24 a 26 4º BRAFFT – Festival do Cinema Brasileiro em Toronto, Toronto, Canadá. Tel.: (11) 3746-5800. E-mail: www.brafft.com. Web: www.brafft.com

24 a 3/10 Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte, Belo Horizonte, MG. Web: www.festivaldecurtasbh.com.br

Tel.: (41) 3551-1431. E-mail: festpr@pr.gov.br. Web: www.festivaldecinema.pr.gov.br

16 a 22 7º Cineesquemanovo – Festival de Cinema de Porto Alegre, Porto Alegre, RS. E-mail: producao@cineesquemanovo.org. Web: www.cineesquemanovo.org

20 a 24 Ottawa International Animation Festival, Ottawa, Canadá.

11 a 21 18º Festival Mix Brasil de Cinema da Diversidade Sexual, São Paulo, SP. Tel.: (11) 3562-2100. E-mail: mixfest@gmail.com. Web: www.mixbrasil.org.br

20 a 28 25º Festival Internacional de Cine de Mar del Plata, Mar del Plata, Argentina. E-mail: info@mardelplatafilmfest.com. Web: www.mardelplatafilmfest.com.

22 a 27 17º Vitória Cine Vídeo, Vitória, ES. Tel.: (27) 3327-2751. E-mail: vcv@imazul.org. Web: www.vitoriacinevideo.com.br

23 a 30 43º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, Brasília,

4 a 8 Mipcom, Palais des Festivals,

Tel.: (613) 232-8769. E-mail: info@animationfestival.ca. Web: www.animationfestival.ca.

Distrito Federal. Tel.: (61) 3325-7777. E-mail: festivaldebrasilia@gmail.com. Web: www.festbrasilia.com.br

Cannes, França. Tel.: (33-1) 4190-4580. E-mail: info.mipcom@reedmidem.com. Web: www.mipcom.com

22 a 4/11 34ª Mostra Internacional de Cinema, São Paulo, SP.

DEZEMBRO

Tel.: (11) 3266-7066. E-mail: info@mostra.org. Web: www.mostra.org.

(00 33 06) 5822-6181. E-mail: festafilm.lusophonie@gmail.com

OUTUBRO

5 a 7 Maximídia 2010, São Paulo, SP. Tel.: (11) 3769-1519. E-mail: eventos@grupomm.com.br. Web: www.maximidia.com.br.

5 a 10 10º Goiânia Mostra Curtas, Goiânia, GO. Tel.: (62) 3218-3780. E-mail: producao@icuman.com.br. Web: www.goianiamostracurtas.com.br

5 a 11 4º Festival do Paraná de Cinema Brasileiro Latino, Curitiba, PR.

NOVEMBRO 3 a 10 American Film Market, Santa Mônica, EUA. Tel.: (310) 4466-1000. E-mail: AFM@ifta-online.org. Web: www.americanfilmmarket.com.

8 a 9 Montreal International Game Summit, Montreal, Canadá. E-mail: spilon@alliancenumerique.com. Web: www.sijm.ca

3 a 5 Fest’Afilm, Montpellier, França. Tel.:

6 a 11 17º Vitória Cine Vídeo, Vitória, ES. Tel.: (27) 3327-2751. E-mail: vcv@imazul.org. Web: www.vitoriacinevideo.com.br 2 a 12 32º Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano, La Habana, Cuba. E-mail: festival@festival.icaic.cu. Web: www.habanafilmfestival.com

Marque na sua agenda: os melhores eventos dos setores de telecom e mídia estão aqui: www.convergecom.com.br

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Revista Tela Viva 208 - setembro 2010