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televisão, cinema e mídias eletrônicas

ano 21_#233_dez2012

LINE-UP À BRASIL EIRA Adaptação dos pacotes das operadoras às regras da Lei do SeAC foi menos traumática do que se previu; Canal Brasil e o novo Curta! foram os maiores beneficiados pela mudança.

ENTREVISTA Google explica suas posições sobre o Marco Civil da Internet, neutralidade e direitos autorais

PRODUÇÃO Aumenta a demanda por imagens de arquivo para cinema e televisão


Foto: marcelo kahn

(editorial ) Presidente Diretores Editoriais Diretor Comercial Diretor Financeiro

Rubens Glasberg André Mermelstein Claudiney Santos Samuel Possebon (Brasília) Manoel Fernandez Otavio Jardanovski

André Mermelstein

a n d r e @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Quem quer o Ginga?

O Editor Tela Viva News Redação

Projetos Especiais Arte

Depar­ta­men­to Comer­cial

André Mermelstein Fernando Lauterjung Ana Carolina Barbosa Bruno Borin Samuel Possebon Lizandra de Almeida (colaboradora) Leandro Sanfelice (vídeo repórter) Letícia Cordeiro Edmur Cason (Direção de Arte) Alexandre Barros (Designer Gráfico) Geral­do José Noguei­ra (Designer Gráfico) Rubens Jar­dim (Pro­du­ção Grá­fi­ca) Bárbara Cason (Web Designer) Debora Harue Torigoe (Web Designer) Lúcio Pinotti (Tráfego/Web) Bruna Zuolo (Gerente de Negócios) André Ciccala (Gerente de Negócios) Patricia Linger (Gerente de Negócios) Iva­ne­ti Longo (Assis­ten­te)

Inscrições e Assinaturas

Gislaine Gaspar (Gerente)

Circulação

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Marketing

Harumi Ishihara (Diretora) Gisella Gimenez (Gerente)

Administração TI Central de Assinaturas

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Ministério das Comunicações anunciou no início de dezembro o programa Ginga Brasil, de estímulo ao desenvolvimento de aplicativos de interatividade para o Sistema Brasileiro de TV Digital. É um primeiro programa de uma nova área de conteúdos e aplicações do Minicom, que terá possivelmente um orçamento de R$ 40 milhões, e no caso do programa Ginga Brasil, deve privilegiar a produção independente de aplicações, como se vê em matéria nesta edição de TELA VIVA. É legitimo questionar esse tipo de investimento. Afinal, o Ginga até agora não decolou, embora sua implantação seja praticamente obrigatória desde julho deste ano na maior parte das TVs fabricadas no Brasil (o middleware foi incluído no PPB - Processo Produtivo Básico das TVs). O brasileiro conhece iPhone, Android, Xbox, Wii, smart TV, DVR, TV paga, YouTube... mas não conhece o Ginga. Não viu até agora utilidade para a plataforma. Nenhum motorista de táxi conversa com seu passageiro sobre uma informação que viu na TV interativa na noite anterior. As emissoras não viram nenhuma aplicação prática do recurso, até agora. Aparentemente, não é de seu interesse investir esforços em aplicações interativas. Quantas chamadas já fizeram em sua programação mostrando as vantagens da interatividade? Quantas vezes seus apresentadores convidaram o espectador a navegar pelas aplicações, que já estão no ar em boa parte das emissoras nacionais? Não fizeram, e nem têm motivos para fazê-lo. A interatividade é mais um problema que uma solução para as TVs, pois tira o foco do telespectador daquilo que é para elas o conteúdo fundamental: os programas e a publicidade. Imagine o problema para elas se o espectador preferir navegar pelos aplicativos ao invés de assistir aos comerciais. Mas o público não quer interagir? Quer sim, e muito. Prova disso é que já o está fazendo, através das redes sociais, dos aplicativos instalados em tablets, celulares e PCs, e daqui para a frente também nas smart TVs. Dados mostram que nos EUA 70% das pessoas utilizam a Internet enquanto assistem televisão. No Brasil não é muito diferente. O Ginga é uma criação brasileira do mais alto valor, que consumiu recursos e muitas horas de trabalho de excelentes pesquisadores e desenvolvedores brasileiros. Mas chegou quando a realidade já estava transformada. Não faz mais sentido pensar em uma plataforma restrita, que roda apenas na TV aberta, com o problema do canal de retorno ainda não-resolvido e sem modelo de negócio viável, quando existe uma outra plataforma, aberta, múltipla, sem passar pelo gateway das emissoras de TV, que é a própria Internet. Também o discurso da inclusão digital, tão em voga no final da década passada, perdeu sentido. A banda larga fixa e móvel hoje é um serviço bastante difundido no país, e com forte crescimento em todas as camadas. As redes 3G estão em mais de 3 mil cidades, cobrindo a maior parte da população (e onde não está, também não há TV digital. Portanto o Ginga não ajudaria em nada...). Em setembro deste ano o Brasil tinha mais de 20 milhões de acessos de banda larga fixa, e 50% dos acessos já são superiores a 2 Mbps. O Brasil precisa sim investir em desenvolvimento de software, aplicativos e serviços interativos, que transformem a experiência de ver TV. Mas apostando nas plataformas que oferecem real interatividade e modelos viáveis.

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capa: editoria de arte converge / Nomad_Soul/shutterstock.com

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Evolução é com a AJA AJA anuncia três novos produtos que dão continuidade à evolução na captação, 4K, edição portátil e processos de trabalho baseados em arquivos.

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(índice ) 14

SeAC

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Scanner Figuras Programação

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Sem sustos, cotas de programação nacional entram em vigor

Canal Curta! estreia com 10 milhões de assinantes

Audiência Política 28

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24 26

Minicom investe para impulsionar o uso do Ginga

Entrevista

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Marcel Leonardi, do Google, revela a posição da gigante online sobre a regulação da Internet

Making of Cinema

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Boas perspectivas da produção nacional estimulam o product placement 36

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Produção

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Demanda por conteúdo na TV paga aquece o mercado de imagens de arquivo

Case

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Série da O2 para HBO escala não-atores para interpretar dramas de imigrantes em São Paulo

Upgrade Agenda Acompanhe as notícias mais recentes do mercado

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Fotos: divulgação

OTT A Telefônica/Vivo anunciou o lançamento de seu serviço de conteúdos over-the-top (OTT), o Vivo Play. O novo serviço nasce com uma biblioteca de 3,5 mil títulos, entre filmes, séries, desenhos, músicas e documentários, e pode ser acessado em smartphones Android, tablets, XBox e TVs conectadas da LG e da Samsung. Para o ano que vem, está sendo estudado um modelo de set-top conectado, em que uma caixinha simples para acesso apenas ao serviço por meio de televisores convencionais estará disponível no varejo. O Vivo Play terá dois modelos de comercialização: uma assinatura mensal de R$ 19,90 (promocionalmente a R$ 9,90 até o Carnaval) que dá acesso aos títulos em catálogo; e um modelo transacional, de pagamento por título, para aluguel de lançamentos da janela das locadoras e do pay-per-view da TV por assinatura. Para o lançamento, o Vivo Play oferece um acervo on-demand para aluguel de 248 títulos a R$ 6,90 e outros 88 filmes em alta definição (HD) a R$ 9,90. Por se tratar de um serviço OTT, qualquer pessoa pode assinar o Vivo Play, independente de ser cliente da operadora, assim como acontece com o Netflix ou o NetMovies. A título de comparação, a assinatura do Netflix custa R$ 14,99 ao mês e dá acesso a um catálogo de cerca de 2,3 mil títulos; enquanto o NetMovies cobra R$ 18,90 mensais para acesso aos conteúdos online de uma biblioteca de 6,5 mil títulos.

“Os Amigos”, da Dezenove Sons e Imagens, foi um dos filmes de primeiro corte selecionado para a Boutique Cinema do Brasil.

Passaporte carimbado O programa Cinema do Brasil, em parceria com a Apex-Brasil, promove duas ações voltadas para a exportação e distribuição de filmes brasileiros no exterior. Uma delas é a Boutique Cinema do Brasil, que de 4 a 8 de dezembro apresentou em Pernambuco seis filmes em pós-produção e seis projetos em desenvolvimento de produtoras associadas ao programa, a uma plateia formada por importantes agentes de vendas e distribuidores. Entre eles estão Eric Lagesse, da Pyramide International; Laurent Danielou, da Rezo; Zsuzsi Bankuti, da Match Factory; Maeva Gatineau, da Miramax; Marco Valerio Fusco, da IntraMovies; Adeline Fontan Tessaur, da Elle Driver; Gabor Greiner, da Films Boutique; Nelleke Driessen, da Fortissimo; Juliette Favreul Renaud, da Wild Bunch, dentre outros. Os seis filmes em primeiro corte selecionados foram: “A Montanha”, de Vicente Ferraz (Primo Filmes); “A Pele do Cordeiro”, de Paulo e Pedro Morelli (O2 Filmes); “Lobo Atrás da Porta”, de Fernando Coimbra (Gullane); “O Menino do Espelho”, de Guilherme Fiúza (Camisa Listrada); “Os

Amigos”, de Lina Chamie (Dezenove Som e Imagens); e “Tatuagem”, de Hilton Lacerda (REC Produtores Associados). Já os projetos em desenvolvimento foram: “Marias”, de Joana Mariani (Primo Filmes); “A Gente”, de Aly Muritiba (Grafo Audiovisual); “Ponto Zero”, de Pedro Goulart (Okna Produções); “Terapia do Medo”, de Roberto Moreira (Coração da Selva); “Todas as Coisas Mais Simples”, de Daniel Ribeiro (Lacuna Filmes) e “Uma Noite Não é Nada”, de Alain Fresnot (A.F. Cinema e Vídeo). Outro programa que está com inscrições abertas é o programa de Apoio aos Agentes de Venda. o objetivo da ação é apoiar os agentes que tiverem filmes brasileiros nas seleções oficiais de festivais como Berlim, Cannes, Veneza e San Sebastián, em 2013, ou de Sundance, na edição de 2014. Os agentes de venda selecionados no programa receberão US$ 40 mil para custear as despesas de promoção dos filmes (cópias, divulgação, etc). Mais informações no site www.cinemadobrasil.org.br.

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“Alimente-se Bem”, do Futura, estará na grade do canal universitário americano BYU Television International até 2014.

Internacional Cinco atrações produzidas pelo Canal Futura serão exibidas até 2014 no canal universitário americano BYU Television International. Os programas “Alimente-se Bem”, “Feito à Mão”, “Quer Saber? Dicas de Cidadania”, “Quer Saber? Dicas de Serviços e Produtos Tecnológicos” e “Estação Saúde” serão exibidos na TV a cabo, via satélite e pela Internet – por meio de webcast video, video streaming e, exceto no Brasil, video on-demand. Além dos Estados Unidos, onde o sinal está disponível para mais de 48 milhões de lares, países das Américas Central e do Sul também poderão assistir aos programas. •

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Nacionais Lei 12.485/11, que criou as A HBO anunciou duas de cotas de conteúdo nacional na suas novas produções nacionais. TV paga, também vem alteran“O Negócio” é a que deve estredo a relação entre canais e proar antes, no primeiro semestre dutoras. Segundo o diretor geral de 2013. Produzida pela Mixer, dos canais HBO para a América com direção de Michel Latina, Gustavo Grossman, Tikhomiroff, a série tem como como a maior parte dos direitos tema um grupo de prostitutas das obras agora têm que pertenque decide abrir um bordel utilicer necessariamente à produtozando técnicas modernas de ra, a programadora vem invesgestão e marketing, nos moldes tindo proporcionalmente menos de uma grande empresa. Já nas séries. O produtor tem que “Hoje é dia de Música”, da buscar o restante dos recursos Conspiração, será uma série de “O Negócio”, série produzida pela Mixer, é uma das atrações no mercado. docudramas sobre personalida- que a HBO anunciou para o primeiro semestre de 2013. Ele conta que a HBO tem des da música brasileira. Não contrato de exclusividade de cinco anos com os conteúfoi informada a data prevista de estreia. A programadora dos que produz, e que eventuais negociações para a estuda ainda a realização das segundas temporadas de aquisição dos direitos só serão feitas após este prazo. “FDP” e “Preamar”, mas sem nada definido até agora. A

Prestação de serviço

Editores cariocas criaram associação para organizar a categoria.

A edt., associação carioca dos profissionais de edição audiovisual, realizou um workshop em dezembro para implementar um contrato de prestação de serviços padrão para o segmento de montadores e editores. Segundo a associação, não há um padrão para a contratação destes profissionais e muitas vezes os contratos são feitos apenas verbalmente. Foi chamado então um escritório de advocacia e criada uma comissão para desenvolver um modelo de documento que sirva como base para as contratações. A ideia é que a partir do início de 2013 todos os editores associados trabalhem com contrato de prestação de serviços. A edt. foi fundada em março deste ano no Rio de Janeiro. Em julho a associação fez seu primeiro congresso e definiu o regimento interno. Seus quadros reúnem editores, montadores, assistentes e estudantes. A associação venceu recentemente um edital e organizará a primeira mostra de cinema de montagem, na Caixa Cultural, no Rio.

Foto: michel sousa/TELEM

Iluminado

O diretor de fotografia alemão Dedo Weigert esteve em dezembro no Brasil para um workshop de apresentação de sua linha de produtos de iluminação para cinema e TV, a Dedolight. Ele conta que esteve diversas vezes no País como documentarista nas últimas décadas. Mas deixou a profissão de fotógrafo para se dedicar a desenvolver as luzes, distribuídas no Brasil pela Telem, que o trouxe para ministrar o workshop. Weigert conta que resolveu desenvolver seus próprios refletores por não encontrar no mercado opções que dessem a precisão de luz que buscava. “Os estúdios usam refletores de lente esférica há cem anos. Nós acrescentamos duas lentes não-esféricas e conseguimos melhorar a iluminação, ganhou mais foco”, diz. Seus refletores foram usados em produções como os filmes da série “Harry Potter”. Hoje, conta, procura também aprimorar em seus produ- Dedo Weigert, diretor de fotografia alemão, desenvolveu tos itens como consumo de energia e durabilidade. seus próprios refletores. T e l a

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( scanner) Para gringo ver

A competição de talentos musicais “Breakout Brasil” é a primeira produção original do canal Spin.

Nacional A Sony Pictures Television anunciou o lançamento da primeira produção original do canal Spin no Brasil: o “Breakout Brasil”. Em formato original desenvolvido pela Sony Pictures Television Networks em parceria com a SupaJam, plataforma britânica de revelação de música e de notícias, o programa é uma competição de talentos adaptada para a era digital, e conta com a parceria do Google (plataformas Google+ e Youtube) e da Sony Music, que irá assinar um contrato artístico e de gravação com o vencedor. O programa será dividido em duas fases, sendo que na primeira (interativa) artistas solo e bandas deverão fazer upload de faixas e vídeos originais no site do projeto. Após o processo de inscrição, 40 artistas serão selecionados: 20 pela popularidade com os fãs e 20 escolhidos por um painel de jurados. A votação tem início no dia 15 de dezembro e os artistas escolhidos terão a oportunidade de trabalhar com profissionais como Anna Butler (diretora artística da MTV no Brasil por 13 anos), Marcello Lobato (empresário de cantores como Marcelo D2 e Pitty), Dudu Marote (produtor musical de bandas como Skank e Jota Quest) e Edu K (ex-vocalista do Defalla e produtor de artistas como Mundo Livre S/A e Chico Science). Antes de ir ao ar pelo Spin, o reality será aquecido por conteúdo exclusivo nas páginas do Breakout Brasil no Google+ e no Youtube. Além disso, os competidores utilizarão a rede social do Google para criar perfis e promover suas campanhas com posts e hangouts ao vivo.

Premiada A Record recebeu um prêmio inédito do Comitê Olímpico Internacional (COI) pela sua cobertura dos Jogos Olímpicos de Londres. A entidade concedeu uma estatueta na categoria “Melhor Perfil de Atleta” pela reportagem “Sarah Menezes, Orgulho do Piauí”, de Raul Dias Filho. Desta maneira, a Record tornou-se a primeira emissora da América Latina a ser contemplada com o prêmio. A reportagem – exibida no “Domingo Espetacular” do dia 12 de agosto deste ano – retrata a infância da judoca piauiense e sua história de superação. 10

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Rob Wilson/shutterstock.com

No ar desde março deste ano, a BR TV, emissora de TV aberta de conteúdo 100% brasileiro operando nos Estados Unidos, ainda tem bastante para crescer. É o que afirma Thor Medeiros, presidente da produtora de conteúdo Cristal Líquido Studios no Brasil, que está de mudança para o País justamente para cuidar das operações da emissora. Até então como CEO da Cristal Líquido Studios no Brasil, Medeiros deixou o cargo, que foi assumido por Marcelo Braga, produtor executivo da Cristal. Desde maio na produtora, Braga mantém uma relação com Medeiros desde o início dos anos 2000, quando os dois trabalharam juntos no Grupo Mixer. O profissional ficará responsável pelas operações da Cristal no Brasil. Sediada em Orlando, hoje a BRTV alcança 30% do Estado da Flórida, e tem todo seu conteúdo em português legendado em inglês. Segundo Medeiros, o objetivo da emissora é levar o melhor do Brasil para o público norte-americano, além de dar conforto para os brasileiros residentes no País. “E não tem lugar melhor para Marcelo Braga, CEO da Cristal Líquido Studios no Brasil. montar um canal de TV e falar bem do Brasil do que em Orlando, onde passam pessoas do mundo inteiro”, acrescenta. “Quero mostrar que o Brasil é um polo de produção muito grande, e que os estrangeiros podem vir pra cá sem medo, que o trabalho é sério”, afirma, deixando claro que também pretende abrir novas frentes para a Cristal Líquido do Brasil via sua sede nos EUA. E, com a chegada de novos anunciantes e contratos (como a Câmara do Comércio Brasil/EUA) o canal, que logo dará início a seu processo de expansão, precisava de uma operação mais presente: “Minha mudança do Brasil tem como objetivo começar a movimentação de expandir o canal para o País inteiro, gradativamente”, conclui Medeiros.

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Cena de filme

Nova produtora

Buscando apresentar o potencial do estado como polo cinematográfico, a Diretoria do Audiovisual (Dimas) da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) – entidade vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) –, lança o catálogo Bahia em Imagens. Produzido pela Bahia Film Commission – comissão instituída pelo Governo da Bahia que busca dar apoio às produções audiovisuais no estado –, o catálogo é uma publicação trilíngue (português, inglês e espanhol) que apresenta a Bahia como um cartão de visitas, focando nas possibilidades de infraestrutura, mecanismos de apoio e serviços e profissionais disponíveis. Além disso, apresenta também as facilidades oferecidas pela Bahia Film Commission, como mão de obra especializada, intermediação com órgãos públicos, banco de dados com listagens de lugares e informações sobre procedimentos instituídos pela Ancine. O catálogo pode ser encontrado em versão física e online, através dos sites da Funceb e da Dimas.

O mercado audiovisual baiano se fortaleceu no mês de novembro: com investimento de mais de R$ 3 milhões em infraestrutura, equipamentos e serviços, a Mandacaru Filmes já estreou como a maior produtora de vídeo da região Nordeste. Empreendimento fruto da parceria entre Kabá Gaudenzi, Pedro Gaudenzi e Dylton Lima, a Mandacaru pretende atuar na produção de conteúdo para televisão, documentários corporativos, captação de imagens submarinas, realização de programas jornalísticos, formatação de conteúdo audiovisual para plataformas digitais e produção de comerciais para o mercado publicitário. Seu primeiro job foi um documentário institucional produzido para a Bahiatursa, órgão oficial de turismo do Estado. Buscando parcerias com produtores do Rio de Janeiro e de São Paulo, a Mandacaru aposta em infraestrutura e tecnologia, contando com estúdio para entrada de veículos, fundo infinito, grid de iluminação, pé direito com 5 metros, tratamento acústico, piso flutuante e equipamentos de ponta que incluem captação Red e pós-produção Smoke.


Fotos: divulgação

Atendimento A Grey Rio, unidade carioca da Grey141, contratou Daniela Cardoso (ex-Publicis) como supervisora de atendimento da conta de GSK, que inclui as marcas Sensodyne, Respire Melhor, Corega e Sonridor.

Record Rio

Claudio Leite e Pedro Henrique Garcia

A Record Rio de Janeiro tem novo presidente: Cláudio Rodrigues. Até então na função de diretor-executivo da Record Minas Gerais, o profissional - que acumula mais de 20 anos dentro do Grupo Record - passa a assumir o lugar deixado por Carlos Geraldo, cujo destino dentro do grupo ainda não está definido.

Criativos A equipe de Criação da Lew’Lara\TBWA, liderada por Manir Fadel, ganhou dois novos diretores: Claudio Leite (ex-Propeg) e Pedro Henrique Garcia (ex-Fields Comunicação). Os criativos ficarão no escritório de Brasília, onde atenderão, entre outros clientes da agência, Banco do Brasil e Sebrae.

Comunicação

Planejamento e atendimento

Renata Lodi

Foto: ana colla

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A JWT anunciou a contratação de Renata Lodi (ex-África) como gerente de planejamento. A agência também criou recentemente uma nova diretoria de atendimento, formada por Carol Escorel, Luciana Rodrigues e Clineu Júnior, que vem da Loducca.

Criação A Leo Burnett Tailor Made reforçou a equipe de criação com a contratação do publicitário Marcio Juniot, que retorna à agência depois de oito anos para assumir o cargo de diretor de criação. Juniot irá atuar ao lado de Guilherme Jahara (diretor de criação), no departamento comandado pelos VPs Marcelo Reis e Ruy Lindenberg. O profissional atuou em agências como Publicis e Neogama/BBH. Marcio Juniot 12

A Turner contratou Oliver Herrgesell como vice-presidente sênior de comunicações. Sob seu comando estará o desenvolvimento de estratégias de comunicação e supervisão da execução das mensagens relacionadas ao portfólio de negócios internacionais da Turner e seu posicionamento no setor. Como líder das comunicações internacionais, Herrgesell fornecerá direção estratégica para as equipes de comunicação e de relações públicas da Turner na Europa, América Latina e Ásia, com um foco na priorização e coordenação de mensagens. Herrgesell atuou como vice-presidente executivo de comunicações, relações públicas e marketing para o Grupo RTL, em Luxemburgo, de 2006 até o começo de 2012.

Secretaria do Audiovisual Leopoldo Nunes deve voltar à Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultural, onde foi chefe de gabinete, agora como titular da pasta. Leopoldo Nunes fez parte da SAv na gestão de Orlando Senna, foi diretor da Ancine e, mais tarde, diretor de programação e conteúdo da TV Brasil, de onde saiu após uma conturbada relação com a então presidente da EBC, Tereza Cruvinel. •

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Leopoldo Nunes


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André Mermelstein e Fernando Lauterjung

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Sem (grandes) traumas Adaptação dos line-ups às regras do Serviço de Acesso Condicionado, com as cotas de empacotamento de canais nacionais, foi mais tranquila do que se alardeou durante o debate da lei. editoria de arte converge / Nomad_Soul/shutterstock.com

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pesar dos esforços, não foi possível adequar todo o setor de TV por assinatura às cotas de empacotamento de canais brasileiros dentro do prazo dado pela Ancine. Mesmo assim, o balanço do setor e de reguladores dessa primeira etapa é positivo. Por determinação da Ancine, no dia 2 de novembro entraram em vigor as cotas estipuladas pela Lei do Serviço de Acesso Condicionado (Lei do SeAC), a 12.485/11. A regra é que em todos os pacotes ofertados ao assinante, a cada três canais de “espaço qualificado” existentes no pacote, ao menos um deve ser brasileiro. Um terço destes canais brasileiros deve ser programado por programadora brasileira independente e ao menos dois canais devem veicular, no mínimo, doze horas diárias de conteúdo brasileiro independente. Entre os canais que carregam doze horas diárias de conteúdo brasileiro, pelo menos um deve ser de programadora não ligada a emissora de televisão aberta. Estes são os canais chamados no setor de “superbrasileiros”. No final do mês de outubro um executivo de uma grande operadora já apontava ao TELA VIVA News que provavelmente não seria possível atender à lei no prazo. As dificuldades, apontava a fonte, passavam pela conclusão das negociações dos contratos e pelo lançamento de novos FOTOS: ARQUIVO

canais. “Nunca tivemos um movimento assim, de ter que negociar e lançar vários canais novos com uma data-limite”. E concluiu: “estamos fazendo o melhor possível, não há negação ou intenção de não cumprir (a lei). Mas na data definida conseguiremos estar apenas 70% ou 80% de acordo com as cotas”. Passado mais de um mês do início da vigência das cotas, o setor já está praticamente adaptado à nova lei. Fernando Magalhães, diretor de programação da Net Serviços, diz que a maioria dos pacotes da operadora já está de acordo com as regras. “Quando incluímos os pacotes de filmes, ainda podem faltar um ou dois canais. Estamos negociando para cumprir

“A fiscalização é complexa, temos que olhar todos os pacotes. Uma operadora pode estar 90% regular, mas ter algum pacote fora da regulamentação.” Manoel Rangel, da Ancine

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isto em breve”, disse o executivo. A Net chegou a incluir canais brasileiros com doze horas de programação independente em pacotes onde não são obrigatórios. São dois canais desta modalidade, sendo um deles superbrasileiro, no pacote superbásico. Marcos Amazonas, presidente da associação NeoTV, que negocia programação em bloco para as pequenas e médias operadoras, diz que “nenhum operador terá problemas para cumprir as cotas”. Segundo ele, com os canais já negociados pela associação, qualquer membro pode adequar seus line-ups sem dificuldades. Em entrevista ao TELA VIVA News, dez dias após a entrada em vigor das cotas de empacotamento, o presidente da Ancine, Manoel Rangel, elogiou o esforço feito pelas operadoras na adequação às exigências da Lei do SeAC. “Percebemos que todas se mobilizaram em relação aos canais de 12 horas (de conteúdo nacional),


aos de jornalismo. Também foi positiva a forma como selecionaram canais diversificados e fizeram uma comunicação muito positiva aos assinantes e à sociedade.” Segundo Rangel, esta comunicação, em tom diferente do adotado por algumas operadoras antes da aprovação da lei, “demonstra compromisso com a legislação, e que os operadores perceberam as vantagens que ela traz”. O presidente da Ancine disse ainda que a agência reguladora está agora fazendo a verificação de todos os line-ups para fiscalizar o cumprimento da norma, e que cada vez que for constatada alguma violação será feita uma diligência, emitido um alerta e um pedido para que a operadora regularize a situação. Até agora, segundo ele, não houve nenhum caso. “A fiscalização é complexa, temos que olhar todos os pacotes. Uma operadora pode estar 90% regular, mas ter algum pacote fora da regulamentação”, afirmou, reforçando que não haverá tolerância em relação às irregularidades. Embora a lei tenha estipulado uma adoção gradual das cotas, com uma redução de dois terços no primeiro ano de vigência e de um terço no segundo ano, o processo de regulamentação na Ancine, fez com que a entrada em vigor das cotas se desse após a redução de dois terços. O setor goza de uma redução de um terço das cotas, até setembro de 2013. A mudança no próximo ano, no entanto, parece não preocupar muito os operadores. Segundo Magalhães, a Net deve estar de acordo com as cotas “finais” muito antes do prazo estipulado. “Estamos correndo para estar de acordo com a cota de setembro de 2013 o quanto antes. Queremos acelerar o máximo possível. É um sinal de boa vontade”, diz. Marcos Amazonas, da NeoTV, também não acredita que terá

“Estamos correndo para estar de acordo com a cota de setembro de 2013 o quanto antes. Queremos acelerar o máximo possível. É um sinal de boa vontade.”

também gente que não quer pagar nada e que vai ter que colocar a mão no bolso”, completou. Hoje, é possível apontar dois grandes vitoriosos da nova regra de programação. O primeiro é o canal Curta! - O Canal Independente, criado pela distribuidora carioca Synapse (leia matéria na página 18). O canal saltou, praticamente de um dia para o outro, de inexistente para um dos mais bem distribuídos do país, com quase 10 milhões de assinantes. Outro vitorioso neste processo foi o Canal Brasil, distribuído pela G2C (ex-Net Brasil). O canal não é considerado um “superbrasileiro”, já que é coligado a uma empresa de radiodifusão, a Globo, mas é apto a cumprir a cota de canal brasileiro com 12 horas de programação independente. O canal foi incluído nos pacotes básicos das principais operadoras e saltou de 3,5 milhões para 12 milhões de assinantes. O aumento da base de assinantes, no entanto, não se refletirá de imediato na grade e, principalmente, no orçamento do canal. Isto porque a receita de assinaturas não acompanhou o aumento da base de assinantes, já que o acordo com as operadoras para a expansão da base passou pela manutenção do valor gasto por elas com o canal. Segundo Paulo Mendonça, diretor do canal, a possibilidade de crescimento de receitas virá com o potencial que o canal agora tem como veículo publicitário. A programação não deverá sofrer mudanças. “Queremos dar a chance de quem não conhecia o canal agora conhecer. O canal era mais comentado do que visto. Agora ele finalmente tem o público que sempre deveria ter tido”, comemora o diretor. Outro canal criado para atender à lei (ou que pelo menos teve seu caráter original alterado para este fim) foi o Arte1, da Newco, do grupo Bandeirantes. Até agora, o

Fernando Magalhães, da Net Serviços

problemas com as cotas de 2013. “Sabemos que há novos canais a caminho”, afirma o executivo. Sob pressão Apesar da aparente tranquilidade no setor em relação às cotas neste momento, a fase de negociação que precedeu a entrada em vigor das novas obrigações de programação gerou algum conflito entre programadoras e operadoras. “O começo das negociações foi muito difícil, principalmente com os programadores que tinham canais aptos a cumprir cota de canal de 12 horas de conteúdo brasileiro. O programador dizia que o canal dele cumpre cota, cobrava um valor alto por assinante e ainda exigia que comprássemos mais três canais. Eram mais duros (na negociação) até que os grandes grupos internacionais. Depois eles viram que teriam concorrentes em breve e a conversa melhorou”, conta Marcos Amazonas, da NeoTV. O presidente da Sky, Luis Eduardo Baptista, no final daquele período de negociação com as programadoras, afirmou que a Lei do SeAC mudou a equação de preços de alguns canais. Para ele, no entanto, a flutuação dos preços conforme a demanda das operadoras era “parte do processo”. Mas Baptista já previa que algumas empresas sairiam frustradas do processo. “Tem gente que terá que colocar os pés no chão”, disse sobre os preços cobrados por algumas programadoras. “E tem

“O começo das negociações foi muito difícil, principalmente com os programadores que tinham canais aptos a cumprir cota de canal de 12 horas de conteúdo brasileiro.”

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Marcos Amazonas, da NeoTV

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( capa ) “Todas as operadoras que fizeram uma contraproposta e nos chamaram para conversar acabaram fechando acordo.”

Frustrados Entre os canais que saíram frustrados da primeira fase de negociações estavam o Climatempo, a programadora BoxBrazil e o SescTV. A primeira não conseguiu provar à Ancine que seu canal se adequava às regras de canal “superbrasileiro”, o que levou a uma disputa judicial entre a programadora e a agência reguladora que ainda pode ter mais desdobramentos. O canal chegou a conseguir uma liminar e um mandado de segurança para que ficasse na lista de canais “superbrasileiros”. Carlos Magno, presidente da empresa, explicou que o que levou à desqualificação do canal como apto a cumprir a cota de programação de canal brasileiro independente, segundo o estabelecido na Lei 12.485, não foi a quantidade de conteúdos nacionais e produzidos por produtora independente em sua grade, mas dúvidas em relação ao modelo de negócios e à viabilidade econômica do canal. “Vimos que havia dois pesos e duas medidas, uma vez que canais que sequer existem estão na lista de canais qualificados a cumprir a cota”, disse Magno. “É estranho exigirem documentos que comprovem a viabilidade econômica. A lei foi criada para dar viabilidade econômica aos canais brasileiros”, completou. Naquele momento, Manoel Rangel afirmou que a Ancine tinha razões técnicas fortes para sustentar sua posição. “O juiz de primeira instância nos deu razão, a liminar foi na segunda instância, mas o juiz pediu para sermos ouvidos e estamos prestando esclarecimentos. Enquanto isso, decisão judicial se cumpre”, disse. A liminar que favorecia o Climatempo foi cassada em meados

de novembro. Com isso, o canal passou a ser classificado como Canal de Programação Comum. A outra programadora que acabou não cumprindo suas expectativas até agora foi a BoxBrazil. Concebida antes mesmo do início da inclusão das regras de programação no Projeto de Lei 29/2007, que deu origem à Lei do SeAC, a programadora era considerada o principal exemplo de que, sem uma regra legal, não haveria espaço para programadoras brasileiras independentes na TV por assinatura. Seu diretor presidente e fundador, Cícero Aragón, teve papel ativo na tramitação da Lei do SeAC, atuando fortemente na Câmara dos Deputados e no Senado para convencer os congressistas da importância da criação das cotas de programação.

FOTO: DIVULGAÇÃO

canal fechou um acordo importante de distribuição, com a Sky, mas não foi ao ar na data-limite de 2 de novembro. Em meados de dezembro entrou no line-up da operadora de DTH, mas ainda em fase de testes.

Cícero Aragón, da BoxBrazil

Operadoras ainda não avaliaram o impacto econômico da inclusão de novos canais. O BoxBrazil Prime, canal “superbrasileiro” da programadora acabou não entrando nos line-ups das grandes operadoras. Segundo apurou TELA VIVA junto a algumas operadoras, houve desentendimentos nas negociações, inclusive por conta dos preços cobrados inicialmente pelo canal, considerados altos. O papel do fundador da programadora na tramitação da lei também não ajudou a torná-lo mais popular entre operadores. Segundo Cícero Aragón, a base total de assinantes do canal no início de novembro, que está nos pacotes básicos das operadoras que o carregam, era de aproximadamente 600 mil. A programadora acredita que ainda ampliará a sua base. “Todas as operadoras que fizeram uma contraproposta e nos chamaram para conversar acabaram fechando acordo”, 16

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disse o executivo. Quase nenhum dos operadores ouvidos por TELA VIVA descarta distribuir os canais da programadora no futuro, caso as negociações avancem “a um bom termo”. Já o SescTV, apesar de transmitir em quase toda a sua programação conteúdos nacionais e independentes, também ficou de fora da lista de qualificados a cumprir com o Artigo 17 da lei. O problema, segundo a Ancine, também esbarra no modelo de negócio. O canal é bancado pelo Sesc paulista, e não cobra pela distribuição. Ao contrário, paga para ser distribuído, situação que esperava reverter com a lei. Agora o canal estuda mudanças em seu modelo de distribuição, para ser incluído nas futuras listas de qualificação da agência. O CinebrasilTV, canal programado pela distribuidora carioca Conceito A, é o terceiro superbrasileiro qualificado pela Ancine, mas até o fechamento desta edição também não havia ainda aumentado significativamente sua base de assinantes. Impacto econômico As operadoras dizem que ainda não é possível medir o impacto econômico da inclusão de novos canais em seus line-ups. “É muito cedo para sentir o impacto. O que já posso dizer é que estamos recebendo um feedback muito positivo dos nossos assinantes”, diz Fernando Magalhães, da Net Serviços. Marcos Amazonas, da NeoTV, diz que o custo de programação é o que mais afeta as operações de TV. “O gasto com programação ‘sangra’ diretamente da rentabilidade”, diz. Mesmo assim, ele minimiza esse aumento de custo. “Hoje, as cotas já não nos preocupam tanto”, diz. “O que mais preocupa é o novo marco, que permite que qualquer um entre no mercado sem o custo das licenças. Isso vai favorecer a concentração, sobretudo nos maiores centros”, completa.


( Programação)

André Mermelstein, do Rio de Janeiro

a n d r e @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Canal express Como a Synapse montou em tempo recorde, e a custos baixos, o canal Curta!, que conquistou 10 milhões de assinantes ao atender às cotas de programação da Lei do SeAC.

S

Foto: divulgação

e o espírito da Lei do SeAC (12.485/11) era o de fomentar a criação de programadoras nacionais, a carioca Synapse fez a lição de casa. A empresa atua há 25 anos na distribuição de conteúdos de televisão brasileiros no exterior e de conteúdos nacionais e internacionais no Brasil, tanto para a TV aberta quanto para a TV por assinatura. O sócio Julio Worcman viu na lei uma possibilidade de expandir os negócios, e colocou no ar em tempo recorde um canal de 12 horas diárias de programação nacional, o Curta! - o Canal Independente. A ideia de fazer o canal surgiu de uma conversa com a Net Serviços. No início do ano, a Synapse negociava com a operadora a entrada do acervo de seu site Portacurtas no serviço de vídeo on-demand Now. O Portacurtas oferece curtas-metragens brasileiros gratuitamente na web, bancado por patrocínio da Petrobras, e a distribuidora buscava expandir o alcance dos conteúdos (o canal acabou entrando no acervo do Now). Foi quando Worcman viu que haveria espaço junto à maior operadora do País para um canal com o perfil do Curta! O canal ganhou a classificação de “superbrasileiro” da Ancine antes mesmo de ir ao ar. Teve que enviar à agência sua grade de programação e os contratos de licenciamento dos conteúdos que pretendia exibir. “Foi curioso, porque a agência queria a documentação dos meses anteriores, que não existia. Perguntei: ‘mas o objetivo não é criar canais novos?’, e acabaram

“Pequeno Dicionário Amoroso”, parte da mostra da cineasta Sandra Werneck, em cartaz no Curta!

dando a classificação”, conta Worcman. Com isso, o Curta! passou a ser um dos três canais a cumprir o previsto no parágrafo 5º do Artigo 17 da lei, que prevê a existência em cada pacote de programação de ao menos um canal com 12 horas diárias de conteúdo nacional independente e cuja programadora não seja ligada a algum grupo de radiodifusão. Os outros dois canais a atender esta demanda são o CinebrasilTV, também sediado no Rio de Janeiro, e o Prime Box Brasil, de Porto Alegre. Embora o primeiro exista há alguns anos e o segundo tenha sido criado também de forma a atender às exigências da lei, foi o Curta! o canal que obteve mais acordos de distribuição na data-limite para o cumprimento das cotas, em 2 de novembro deste ano. O canal fechou distribuição com Net Serviços, GVT, Claro TV, Vivo TV, Oi TV e finaliza acordo com a associação NeoTV. Das grandes operadoras, o canal só ficou fora até agora da Sky. 18

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Com isso, o Curta! nasceu já com cerca de 10 milhões de assinantes, feito raro para qualquer canal, nacional ou estrangeiro. O acordo com a Net foi fundamental para a distribuidora ter o sinal verde para ir em frente com o canal. E o tempo para isso foi talvez o mais curto na história da montagem de um canal de TV. Embora o canal já viesse sendo trabalhado pela Synapse no que se refere ao licenciamento de conteúdos e formatação da grade, foi só depois do dia 22 de outubro, quando tiveram o OK da Net, que os diretores da empresa montaram efetivamente o canal, criando vinhetas, chamadas, interprogramas. O canal foi ao ar no “dia D” da mudança dos line-ups: 1º de novembro. Com isso, muita coisa teve que ser improvisada. Funcionários da distribuidora se transformaram em apresentadores e locutores. A contratação de um escritório para


Foto: tela viva

fazer o on-air e as chamadas custaria caro e precisaria de mais tempo, conta Worcman. A solução foi criar as chamadas “em casa” mesmo. Uma funcionária grava as locuções em seu smartphone, e a curadora do Portacurtas, Talita Arruda, apresenta as chamadas. Tudo dentro da proposta do canal. “A ideia é ser mesmo um canal de curadoria”, conta Worcman. “Queremos ter essas pessoas na tela, os curadores. Queremos que os filmes sejam apresentados não por locutores ou críticos, mas por quem os conhece, seja o curador do festival ou o diretor do filme”, conclui. Ele conta ainda que pretende transformar a própria produção do canal em parte da programação, fazendo uma espécie de reality show. “Quero que a apresentadora conte, por exemplo, como foi para conseguir um filme, ou mesmo que não conseguiu determinado título porque outro canal comprou antes. Não vejo problema em mostrar isso, dizer como as coisas são feitas. O drama do provimento de conteúdo pode ser interessante para o telespectador”, conta. Apesar do nome, o canal não exibe apenas curtas-metragens. Na verdade, conta João Worcman,

“Fazia sentido para as operadoras apostar em um canal feito por uma distribuidora.” Julio Worcman, da Synapse

diretor da Synapse, o nome vem mais do verbo curtir do que do formato de filmes. O canal tem hoje cerca de 110 horas de conteúdo contratado, e ele estima que para o ano serão necessárias cerca de mais 250 horas (apenas de conteúdo nacional, sem contar os programas estrangeiros). Tecnologia simplificada Até na questão técnica o Curta! foge do modelo tradicional de canal de TV. Buscando manter os custos baixos, Worcman optou por não ter um teleporto ou links diretos com as operadoras. Contratou a Casablanca para fazer todas

as funções de playout e transmissão do canal para o satélite. Os programas, vinhetas, chamadas, metadados e playlists são enviados regularmente a São Paulo em HDs externos. A Casablanca então monta a programação na sequência de exibição e faz a subida do canal. “O problema é que ainda não conseguimos fazer transmissões ao vivo, mas estamos vendo tecnologias que nos permitirão fazer isso de forma econômica”, conta o diretor. A contratação de capacidade no satélite foi outro capítulo curioso. Para economizar banda, Worcman decidiu que subiria o sinal usando compressão DVB-S em MPEG 4. Assim, 3 MHz de banda seriam suficientes para o canal HD, e a Star One tinha essa capacidade disponível. O diretor descobriu então que teria que adquirir, apenas para a distribuição na Net, algumas dezenas de IRDs (receptores/ decodificadores) MPEG 4, uma conta que batia perto dos US$ 80 mil. Mas a operadora tinha um estoque disponível de IRDs MPEG 2. Worcman decidiu então usar o padrão mais antigo de compressão, o que por sua vez pedia mais banda de satélite, exatamente 4,5 MHz. Como a Star One não tinha a banda disponível, o Curta! teve que

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( programação) achar espaço em outro satélite, a poucos dias da estreia, e acabou procurando a Intelsat, que teria a capacidade necessária, mas apenas após a eleição presidencial dos EUA, porque parte da banda estava sendo usada para a transmissão do evento. Foi só após a vitória de Barack Obama, portanto, que o canal encontrou abrigo no Intelsat 11.

produções estrangeiras ligadas ao mundo da arte e cultura, como documentários e concertos. O preço também ajudou. Por ter montado uma estrutura muito enxuta, Worcman conseguiu chegar a valores interessantes para as operadoras, embora seja menos do que ele esperava quando começou o projeto. Ele também fez algumas inovações no modelo de remuneração do canal, que acredita que foram importantes. Ao invés de dar um desconto por volume de assinantes apenas considerando a base de uma operadora, ele decidiu dar o

Concorrência Segundo Worcman, foram alguns os fatores que levaram o canal a superar, em termos de distribuição, seus concorrentes diretos na disputa por uma vaga na cota dos “superbrasileiros”. “Nosso projeto se mostrou mais viável, sustentável. Não está baseado só em longa-metragem, que hoje é caro e muito disputado”, diz o diretor do canal. Ele também conta que mostrou desde o começo que não era um neófito no mercado de TV. “Levei nosso primeiro contrato de distribuição para a Globosat. Era de um programa sobre a Marilyn Monroe para o GNT, que licenciamos em 1991”, conta. O contrato foi assinado pelo então diretor da Globo Joe Wallach. “Fazia sentido”, conta, “apostar em um projeto nascido em uma distribuidora”. Houve uma preocupação em apresentar um canal complementar ao line-up, afirma Worcman. “Oferecemos um conteúdo que eles ainda não tinham”. O canal não exibe apenas curtas e longas nacionais, mas também, nas 12 horas restantes,

menos R$ 1,5 milhão de dinheiro próprio em novas produções, o que com a ajuda do FSA daria um total de R$ 10 milhões em produção original. A Synapse tem também acesso ao Art. 3º da Lei do Audiovisual, e já investiu em 15 filmes. Atualmente a distribuidora investe em duas produções: “Capoeira”, da Bossa Produções, e a série “Meu Amado Hipocondríaco”, de 13 episódios de 30’, produção da Cinerama Brasilis. O canal selecionará projetos no sistema de “balcão”, ou seja,

o contrato com as operadoras prevê um investimento alto em aquisições e produções originais desconto considerando o total de assinantes do canal. Assim, cada vez que uma nova operadora assina com o Curta!, todos os operadores se beneficiam do ganho de escala. Isso, segundo ele, é um estímulo a que mais operadoras carreguem o canal. Projetos Além de exibir títulos de terceiros distribuídos pela Synapse e outras distribuidoras, o Curta! pretende investir também em produção original. O canal, aliás, incluiu no contrato com as operadoras uma cláusula em que se compromete a investir boa parte de seu faturamento em novos conteúdos, tanto originais quanto licenciamentos. Serão cerca de 20% da receita, descontados os impostos, para cada modalidade. O canal pretende fazer uso do Fundo Setorial do Audiovisual, investindo pelo

Synapse prepara segundo canal A programadora do Curta! - o Canal Independente prepara para 2013 o lançamento de um segundo canal, o Mundo TV. A ideia é aproveitar a estrutura já criada e os conteúdos licenciados para o Curta! e desenvolver um canal com três horas diárias de conteúdo nacional independente, focado em documentários. Com isso, o canal se qualificaria como CaBEQ (canal brasileiro de espaço qualificado), apto portanto a cumprir as cotas do Artigo 17 da Lei 12.485/11 (Lei do SeAC). Programas do Curta! poderão ser exibidos também no Mundo TV, mas o canal terá programação própria. Ainda não há qualquer negociação concluída para a distribuição do novo canal.

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receberá projetos a todo o momento. Será criado um formulário no site do canal para padronizar os projetos. Worcman não vê conflito entre a atividade da distribuidora e a do canal. “Somos parceiros dos produtores. Eles sempre serão consultados sobre a venda do produto para o canal, mas é um bom negócio para eles, o canal paga bem e é uma janela garantida, tem a primeira opção de exibição dos conteúdos. Além disso, já deixamos o conteúdo prontinho, formatado e finalizado, com metadados, legendagem etc, para a comercialização em outras janelas”, conta. Segundo ele, o canal tem um “output deal” com a distribuidora. O canal tem a primeira opção sobre os conteúdos, mas se houver ofertas melhores, a distribuidora agirá de forma independente. “Há um muro entre o canal e a distribuidora, estamos inclusive separando os dois fisicamente, em locais diferentes”. Ele dá um exemplo recente, de um pacote de filmes do diretor Murilo Salles que a Synapse licenciou recentemente por dois anos para a HBO. “Eu gostaria de ter os filmes no canal, mas vou ter que esperar eles cumprirem essa janela na HBO”, conta Worcman.


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(audiência - TV paga)

Feriados oportunos

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proveitando datas comemorativas como o Dia das Crianças e o Halloween, o FX apresentou um crescimento bastante considerável em outubro, comparado com o mês anterior: o canal atingiu um alcance de 5,27% do share do público acima de 18 anos comparado aos 4,65% do mês de setembro, pulando da 19ª para a 13ª posição entre os canais de TV por assinatura. Segundo Livia Ghelli, diretora de programação do FX, os feriados foram um dos principais motivos para este aumento de audiência: “Temos uma preocupação de trazer sempre o que está acontecendo no mercado brasileiro para dentro de nossa grade. Como vimos que o público brasileiro já vinha abraçando o Halloween e trazendo ele para dentro de casa, resolvemos incorporá-lo à nossa programação”, afirma. Assim como o Halloween – que contou com uma programação especial envolvendo filmes como

A estreia da segunda temporada da série “Homeland” foi um dos carros-chefe do canal no mês de outubro

“Amigo Oculto”, “Predadores” e “Resident Evil” –, o Dia das Crianças também tomou conta da grade durante um período. “Para não ter uma grade tão pesada ao longo do dia, decidimos investir em uma classificação indicativa mais apropriada para a faixa etária, trazendo mais filmes de aventura e de super-heróis”, explica Livia. A estratégia deu certo: o canal atingiu 4,94% do público entre 4 e 17 anos, frente aos 3,94% do mês de setembro. “Investimos em filmes que não deixam a criança tão infantilizada. Filmes de aventura que os pais podem assistir de

bom grado com seus filhos”, explica a diretora, apontando a “semana do saco cheio” – que acontece em várias instituições de ensino no mês de outubro – como outro pilar aproveitado pelo canal. Além dos especiais, Livia ainda ressalta a estreia de títulos fortes durante o mês de outubro, como a 2ª temporada da premiada série “Homeland” (que rendeu especiais de “catch-up” e aquecimento, com a primeira temporada da série sendo transmitida ao longo do mês) e filmes como “X-Men 3” e “Encontro Explosivo”. “Trabalhamos para que tudo na grade fique bem ‘redondinho’, para que o público brasileiro possa entender que aquilo é uma programação especial feita para ele”, conclui a diretora. O levantamento do Ibope Mídia considera as praças da Grande São Paulo, Grande Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Distrito Federal, Florianópolis e Campinas.

De 4 a 17 anos** 

(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio Total Emissoras TV Paga 45,55 5.820,68 02:23:35 Sportv 9,30 1.188,39 00:35:42 TNT 9,24 1.180,33 00:31:28 Fox 8,56 1.094,35 00:35:28 Megapix 8,21 1.048,54 00:30:51 Multishow 7,84 1.001,37 00:17:56 Globo News 6,82 871,84 00:30:04 Viva 6,63 847,25 00:23:53 Cartoon Network 6,26 800,26 00:45:14 Space 6,12 781,74 00:27:48 Discovery Kids 5,85 747,15 00:59:30 Universal Channel 5,77 737,66 00:23:37 Sportv 2 5,76 736,21 00:21:55 FX 5,27 673,08 00:29:03 Disney Channel 5,07 647,19 00:41:40 National Geographic 4,94 631,45 00:24:45 Discovery Channel 4,93 629,35 00:23:24 Warner Channel 4,87 621,72 00:26:43 GNT 4,83 617,63 00:17:41 Telecine Action 4,42 564,98 00:31:17

**Universo 12.777.900 indivíduos

Acima de 18 anos**



(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio Total Emissoras TV Paga 50,14 1.706,89 02:48:21 Cartoon Network 16,70 568,48 01:04:23 Disney Channel 16,25 553,12 01:05:28 Discovery Kids 13,56 461,75 01:04:04 Nickelodeon 12,27 417,78 00:54:23 Fox 11,53 392,61 00:45:04 Disney XD 7,71 262,29 00:51:56 Megapix 7,62 259,30 00:31:17 TNT 7,59 258,48 00:29:15 Multishow 7,37 250,95 00:22:57 Sportv 5,89 200,69 00:24:44 Space 5,32 181,12 00:24:33 FX 4,94 168,29 00:33:52 Universal Channel 4,53 154,12 00:19:34 Telecine Pipoca 4,40 149,81 00:36:31 Viva 4,39 149,63 00:20:05 Discovery Channel 4,08 139,01 00:21:23 Telecine Action 3,85 130,99 00:29:25 Telecine Premium 3,71 126,31 00:26:02 Sportv 2 3,47 118,30 00:14:16 Warner Channel 3,13 106,43 00:19:03

*Alcance é a porcentagem de indivíduos de um “target” que estiveram expostos por pelo menos um minuto a um determinado programa ou faixa horária.

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**Universo 3.404.300 indivíduos Fonte: IBOPE Media Workstation – Tabela Minuto a Minuto – setembro/2012

Alcance* e Tempo Médio Diário – outubro 2012


( política )

Política para a era dos apps Minicom lança política de conteúdos digitais criativos. A ideia é fomentar o desenvolvimento de aplicativos e conteúdos para a TV digital, tablets, smartphones e plataformas conectadas. Rashevskyi Viacheslav/shutterstock.com

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anda larga, TV digital, over-the-top, TVs conectadas, smartphones, videogames... Palavras como essas são cada dia mais comuns na área audiovisual. Mas quando se fala em políticas públicas, em geral a abordagem se dá na infraestrutura, com políticas de estímulo às redes, ou dos dispositivos, que ganham isenção, regras de produção local etc. Raramente se fala em uma política de conteúdos para essas plataformas digitais. Mas essa política existe, ainda que discreta em sua atuação e ainda modesta em termos orçamentários. As primeiras ações começam a aparecer. “Nossa opção foi por conseguir vencer algumas etapas e concretizar alguns projetos para depois tornar públicas as ações da Política Nacional para Conteúdos Digitais Criativos”, explica James Görgen, assessor especial da secretaria executiva do Ministério das Comunicações e responsável pela condução do projeto. O termo “criativos” deixa claro que esses conteúdos não se confundem com a produção de softwares em geral. “Trata-se de uma área nova da economia, que está crescendo em todo o mundo e ainda é carente de políticas públicas”. A primeira manifestação concreta dessa política foi conhecida no começo de dezembro, quando foi instituído o programa Ginga Brasil, de estímulo ao desenvolvimento de apps para o Sistema Brasileiro de TV Digital. A proposta do programa é ajudar a desenvolver conteúdos e aplicações baseadas no middleware Ginga. Isso inclui o fomento à criação de conteúdos e aplicativos interativos

transmitidos pelas emissoras de TV digital (“com ênfase na produção independente”, segundo a portaria); a promoção de capacitação de profissionais e estudantes das áreas de audiovisual, design, tecnolo– gia da informação, engenharia e outras; a disponibilização de conteúdos e aplicações interativas, com especial atenção ao atendimento às finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas da TV digital; e a implementação e manutenção de repositórios digitais públicos destinados a abrigar conteúdos e aplicações multipla– taforma. O Ginga Brasil será coordenado pela Secretaria Executiva do Minicom e executado pelas demais secretarias. Os aplicativos e conteúdos produzidos no âmbito do programa não podem ter os direitos de autor e direitos conexos incidentes sobre aplicativos, obras audiovisuais e publicações resultantes dos projetos cedidos a terceiros, ainda que parcialmente, e suas licenças de uso deverão ser públicas, segundo a portaria ministerial. Ainda na linha do estímulo ao desenvolvimento de aplicativos para o Ginga, o governo está contratando a RNP 26

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(Rede Nacional de Pesquisa) para ser o braço operacional de um projeto que prevê uma série de ações, entre elas a capacitação de 40 profissionais de emissoras públicas de TV que serão treinados para desenvolver conteúdos e aplicações interativas de TV digital para o middleware GingaNCL. Serão cursos abertos aos profissionais de emissoras privadas. Também devem ser criados laboratórios de teste de conteúdos e aplicações interativas (LAB-TVDI) em dez emissoras públicas, com a possibilidade de que as aplicações sejam experimentadas em uma transmissão real. Outra função da RNP será a criação do que está sendo chamada de uma “Akamai pública”, ou nos termos técnicos, um serviço experimental de distribuição de conteúdos digitais multimídia. É uma referência à Akamai, que hoje é a principal plataforma de distribuição de conteúdos digitais. E por fim, está previsto um acordo com a RNP para um Repositório Público de Conteúdos e Aplicações Interativas de TV Digital, ou uma espécie de loja virtual para aplicações e conteúdos interativos. Trata-se de um projeto de R$ 5 milhões, que deve ser concluído até o final do ano de 2013. Segundo Görgen, ele está sendo desenvolvido com emissoras públicas, mas nada impede que emissoras privadas participem do projeto. Para além do Ginga, outra linha de ações prevista na área de Conteúdos Digitais Criativos do Minicom é o fomento a clusters regionais de desenvolvimento desses conteúdos. O foco do Ministério das Comunicações é atuar sobre os APLs,


“Trata-se de uma área nova da economia, que está crescendo em todo o mundo e ainda é carente de políticas públicas”

FOTO: Alberto Ruy

ou Arranjos Produtivos Locais. São áreas geográficas que têm uma série de características comuns ao desenvolvimento de uma determinada tecnologia. O Minicom quer que haja áreas como essas focadas na produção de conteúdos digitais criativos. Já existem áreas assim no Rio Grande do Sul, Pernambuco, São Paulo e Santa Catarina. Mas nenhuma delas é focada no desenvolvimento de audiovisual, jogos eletrônicos, tecnologias e plataformas de visualização (que inclui as áreas de simulação de imagens, realidade virtual, realidade aumentada, compu– tação gráfica entre outras), música e som e aplicativos de tecnologia da informação e comunicação. Os dois primeiros projetos de desenvolvimento desses APLs devem ser em Pernambuco e no Rio Grande do Sul. Em Pernambuco, será uma parceria com a Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambu– co (SecTec) e com o Núcleo de Gestão do Porto Digital (NGPD). A ideia é aproveitar o ambiente já criado no Porto Digital, onde se concentram empresas de tecnologia, para criar a infraestrutura necessária ao desen– volvimento de conteúdos digitais criativos. Essa infraestrutura é formada por equipamentos, local físico e locais de produção. Por exemplo, os APLs devem receber estúdios de cinema e televisão, estúdios de áudio, estúdios de motion-capture, laboratórios de testes de aplicativos e “render-farms” para a renderização de imagens. Como contrapartida, os governos estaduais e municipais que se candidatem aos projetos entram com as obras físicas, com as empresas incubadoras, com o plano de gestão do APL (ou cluster, como também é chamada essa área geográfica), segurança, programas de desoneração, energia e com a infraestrutura de telecomunicações.

como algo que se sobreponha a políticas de estímulo ao audiovisual do Ministério da Cultura ou da Ancine. Por essa razão, por enquanto não há planos de fomento direto em projetos. E mesmo os conteúdos audiovisuais que sejam beneficiados por essas ações devem estar ligados a essas novas plataformas de distribuição de conteúdos. Há questões importantes para serem respondidas em relação às políticas de conteúdos digitais criativos. A primeira é se elas terão suporte financeiro. Em princípio, o orçamento da área para 2013 é de R$ 10 milhões. No fechamento desta edição a Comissão Mista do Orçamento ainda estava para votar uma emenda do relator Romero Jucá (PMDB/RR) que destinava mais R$ 40 milhões para a área. Possivelmente seria aprovada. Aí fica-se na dependência da liberação dos recursos pela área econômica do governo em 2013, o que também depende de projetos consistentes e de uma folga orçamentária.

James Görgen, assessor especial do Ministério das Comunicações

Em média, os APLs receberão cerca de R$ 7 milhões do Ministério das Comunicações para a compra dos equipamentos e um montante equivalente do parceiro estadual ou municipal, em dinheiro e/ou estrutura, ao longo de um projeto de três anos. Nos casos dos projetos desenvolvidos até agora, a maior parte do aporte dos parceiros está sendo feito na forma de infraestrutura (prédios, terrenos, logística de segurança). No caso do RS, o APL será desenvolvido em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul. Apesar dos primeiros passos dessa política de conteúdo digital só estarem sendo dados agora, os embriões podem ser buscados desde 2006, quando o

Programa Capacitará 40 profissionais de emissoras públicas para desenvolver conteúdos. Essas políticas devem se refletir também em outras ações do Ministério das Comunicações. Uma delas é a política de desoneração de smartphones, que deve vir acompanhada da obrigação de que os aparelhos beneficiados saiam de fábrica com conteúdos brasileiros (aplicativos) embarcados. Segundo Görgen, o mercado brasileiro já tem uma forte produção de aplicativos e dará conta dessa demanda criada por um instrumento de política pública. Ainda é difícil mensurar se essas políticas terão impacto de curto prazo, mas é uma aposta importante em uma área nova da economia. A área, segundo interlocutores graduados do Minicom, será uma das prioridades do ministério em 2013, ao lado de uma nova versão do plano de banda larga voltado à universalização do acesso.

governo publicou o Decreto de TV Digital (Decreto 5820/2006), que estabeleceu o Ginga como padrão de interatividade da TV digital e previa a instituição de canais do Poder Executivo, Canal Educativo e Canal da Cultura e Canal da Cidadania. Nenhum desses canais saiu do papel desde então. Mas em 2010, com a materialização do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL), o assunto passou a receber um tratamento mais aprofundado. Deixou de ser baseado na ideia de canais de TV e ganhou uma dimensão mais ampla, focada em aplicativos, serviços e conteúdos digitais que complementassem a perspectiva de um país conectado. Até então, era uma formulação teórica. Importante como base de uma política pública, mas sem nenhuma linha de ação concreta pré-estabelecida. O Ministério das Comunicações tem uma preocupação de não caracterizar a política de conteúdos digitais criativos

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( entrevista ) Samuel Possebon, de Brasília

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Regulação com liberdade Marcel Leonardi aponta a posição do Google sobre novos desafios legais e regulatórios. FOTO: divulgação

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uanto da Internet deve ser regulado? Como manter o equilíbrio entre as inovações que uma rede livre sempre proporcionou e a preservação de determinados direitos, como os de autor? Quem deve remunerar o desenvolvimento de novas e mais poderosas redes de telecomunicações, as operadoras ou os que geram boa parte do tráfego? São algumas das questões enfrentadas todos os dias pela maior e mais influente empresa surgida com a explosão da Internet. Marcel Leonardi, diretor de políticas públicas e relações governamentais do Google do Brasil, fala sobre a posição da empresa em temas como o novo Marco Civil da Internet, em debate no Congresso, neutralidade de rede, direitos autorais e responsabilidades civis e criminais dos agregadores de informações e sobre os serviços de vídeo over-the-top.

indevido de imagem, é muito difícil avaliar se quem se diz prejudicado não quer, apenas, intimidar a pessoa que publicou o conteúdo.

Marcel Leonardi seja decidido pela legalidade ou ilegalidade desse material.

TELA VIVA - Que avaliação vocês fazem do debate sobre o Marco Civil da Internet e do processo de construção da proposta? MARCEL LEONARDI Entendemos que o Marco Civil talvez seja a lei mais importante da Internet brasileira. Tem preocupações de trazer segurança jurídica para vários cenários distintos que são questionados até hoje. Primeiro: a questão da responsabilidade das plataformas pelos conteúdos que os usuários publicam. No resto do mundo, essa questão já se sedimentou: as plataformas não são responsabilizadas diretamente e podem ter o dever de agir conforme

No caso de direitos autorais, vocês fazem uma análise prévia em plataformas como o YouTube, que automaticamente detecta possíveis infrações. Isso acontece no YouTube, mas nas demais plataformas é reativo, baseado em notificação, que é como o direito norteamericano resolveu regular essa parte específica de direito autoral. Não é que direito autoral tenha privilégio em relação à proteção do direito à honra. O ponto é que o direito autoral tem maior facilidade de ser demonstrado. Se uma empresa diz ser titular de um direito, ela mostra uma prova de que filmes ou músicas pertencentes a ela estão sendo utilizados sem autorização. Agora, em um cenário de difamação, uso 28

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Quando vocês fazem um filtro ativo sobre conteúdos possivelmente sujeitos a direitos autorais, vocês não estão exercendo papel de juiz? O que a gente tenta é facilitar a vida do detentor do direito e preservar o interesse do usuário. O YouTube tem esse sistema de identificação de conteúdo que varre tudo para avaliar se há áudio ou vídeo protegido. Como qualquer filtro, está sujeito a imperfeições. Mas a ideia é que o usuário que subiu um capítulo de uma novela, por exemplo, seja imediatamente avisado de que aquele conteúdo é protegido e que o detentor do direito optou por não permitir a veiculação. Não é um bloqueio automático, pois o detentor do direito pode determinar o bloqueio ou permitir o upload, mas aí ele solicita as métricas de audiência, ou ainda opta pela monetização, em que o detentor autoriza a veiculação do vídeo ou áudio, mas pede compartilhamento da receita publicitária gerada. Como são os acordos com os detentores de direito com os quais vocês têm parceria para monitorar o conteúdo? Não é exatamente um acordo. É uma participação voluntária que o detentor de direito faz, sem contrapartida financeira, desse programa que se chama Content ID. Quando o detentor do direito opta por participar, ele pode mandar para nós o material original e nós criamos o algoritmo e o filtro, ou ele mesmo


roda esse software e nos envia o que seria o resumo criptográfico do material para comparação com o que está sendo enviado pelos usuários. É algo aberto a qualquer produtor de conteúdo, mas só funciona bem quando a entidade tem muito material, do contrário não faz sentido técnico porque o algoritmo não terá elemento de comparação. Isso tende a ser usado por grandes detentores de conteúdo, mas há parceiros de todo o tipo, são mais de 3 mil no mundo. Como vocês avaliam a questão da neutralidade de rede no Marco Civil e a posição brasileira? O que preocupa o Google é se assegurar que a Internet continue aberta e livre. Toda a inovação da Internet surgiu desse modelo, sem autoridade central, que permitiu o uso da rede de uma maneira ampla, criando novos serviços. Tanto é que as inovações que apareceram, voz sobre IP, TV sobre IP, só floresceram porque a Internet não tinha alguém dizendo o que pode e o que não pode. Nossa preocupação com neutralidade é menos relacionada com a questão de acordos comerciais, que também podem ser preocupantes, mas mais em relação à natureza aberta, participativa e livre da rede. As operadoras colocam que se de um lado a natureza neutra da rede permitiu o florescimento de alguns serviços, outros precisam necessariamente de um tratamento diferenciado, como saúde, IPTV etc. Vocês aceitam essa possibilidade? Não creio que isso esteja excluído. Mas nenhum desses novos serviços que demandam um tratamento mais rápido, especializado ou privilegiado, como muitos dizem, justificaria que o resto da Internet pudesse sofrer. Claro que para quem tem uma experiência de voz sobre IP, ou mesmo de games online, a diferença do tempo de resposta faz toda a diferença. Mas disso não decorre que a web precise ficar fechada e que se

precise de camadas diferentes além da contratação do serviço básico que inviabilizem o funcionamento bom dos demais serviços. Esse é o problema. E a discussão da neutralidade não envolve isso apenas. A preocupação é saber se acordos comerciais não vão inviabilizar uns para privilegiar outros.

ficavam apavorados. O cenário do Marco Civil traz uma proteção maior para as empresas como um todo. Algumas vão crescer, outras não. Mas cria-se essa oportunidade. As empresas de telecom argumentam que o volume de informações produzidas por empresas como o Google e demandados pelos usuários geram um desequilíbrio na rede que requer investimentos, que eles não teriam como cobrir sozinhos. Como vocês veem essa questão? É um argumento que falha ao desconsiderar, ou descontar, que cada uma das empresas do setor paga caro, e muito, pela banda que usa. O Google investiu em 2011 mundialmente US$ 3,1 bilhões em nossa própria infraestrutura para melhorar serviços e pagamos caro no mundo inteiro pela banda utilizada. Isso ninguém leva em conta.

Hoje, aplicações como IPTV, rodam em cima da rede IP e têm garantia de qualidade, consomem banda e comprometem os demais serviços de Internet. A lei proposta não inviabilizaria esse tipo de serviço? Se a lei for bem pensada, de maneira que ressalve aspectos técnicos relacionados à qualidade de serviço, e ao mesmo tempo tenha a sutileza de ver que qualidade

“O que preocupa o Google é se assegurar que a Internet continue aberta e livre.”

Ou seja, se o usuário precisar de mais banda ou mais capacidade, ele é que pagaria por isso? É como é o mercado hoje, independente das regras que venham a ser criadas. Se alguém quer um serviço como Netflix, Netmovies ou Terra TV com alguma qualidade, costuma contratar banda larga de maior capacidade. Os serviços novos criam demanda por banda larga, e essa capacidade instalada de banda viabiliza serviços inovadores. Esse discurso de que ninguém dá mais conta de expandir a rede é falacioso. Existe uma simbiose muito clara entre plataformas e serviços possibilitados pela banda larga. No modelo de TV paga, os provedores de conteúdo recebem para ser distribuídos, porque geram demanda de assinatura pelo serviço. Ninguém precisa pagar para ser distribuído.

técnica de um serviço não se confunde com interesse comercial, isso é viável. Países que passaram normas de neutralidade, como Chile e Holanda, mostram que a questão é um pouco mais principiológica do que descer em minúcias. O debate que vemos é se vamos ficar no principiológico ou se já se pretende descer nas minúcias. Muitas vezes vocês são acusados de defender o Marco Civil apenas para evitar a responsabilização por conta de conteúdos colocados pelos usuários nas plataformas... Em um ambiente de legislação restritiva, Google, Yahoo, Microsoft, Facebook, os gigantes enfim, olhando de uma perspectiva cruel, podem optar por ficar ou não no País ou podem optar por bancar o custo de eventuais indenizações e continuar operando. Mas os entrantes, os garotos que desenvolvem aplicações na garagem, eles não têm essa opção. Antes de eu entrar no Google, muitos desses empreendedores me consultavam como advogado. Quando eu explicava os riscos jurídicos de uma falta de legislação, eles

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Existe uma polêmica sobre o enquadramento dos portais de Internet como veículos de comunicação social à luz das limitações da Constituição, no Artigo 29

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( entrevista ) FOTO: divulgação

222. O Google se vê como um veículo de comunicação social? Não, somos uma plataforma, uma empresa de tecnologia. E ainda que a decisão fosse avançar por esse lado, há posições em todos os sentidos. O Ministério Público de São Paulo tem um parecer lúcido que pondera o que a Internet representa e o que ela estabelece em relação ao modelo tradicional de concessão de rádio e TV. Avaliando a redação do Artigo 222, fica claro que a ideia é preservar a lógica do modelo de concessão. São modelos diferentes: a TV e o rádio trazem a lógica do “push”, ou seja, o conteúdo chega ao usuário. A Internet segue a lógica do “pull”, em que você vai atrás do que interessa. No debate sobre provedores de conteúdos, temos poucos conteúdos próprios, ao contrário de empresas como Yahoo! e Terra, que têm capital estrangeiro e fazem jornalismo, divulgam notícias. Mas imaginar que eles estariam sujeitos às mesmas restrições apenas por darem mais opções ao consumidor é criar um protecionismo que não faz sentido.

“temos poucos conteúdos próprios, ao contrário de empresas como Yahoo! e Terra, que têm capital estrangeiro e fazem jornalismo”

O complicador é que a Constituição não fala só de concessão, mas de mídia impressa e meios de comunicação eletrônica em geral para a aplicação dos preceitos do Artigo 221, que trata de programação educativa, cultural... Como vocês vendem publicidade, divulgam conteúdo, se enquadrariam nessas regras. Será que Constituição não dá interpretação dúbia? Não sei se ela dá essa interpretação ou se querem que ela dê. Na nossa concepção, o modelo colocado na Constituição foi pensado em uma era pré-Internet. A Internet tem uma natureza global. Se esse conteúdo não for produzido aqui, será produzido a partir de fora e a forma mais restritiva possível de evitar isso é bloquear o acesso, aos usuários, de um conteúdo que ele deseja. É um caminho perigoso, que interromperia o livre fluxo de informações.

O Google tem uma presença expressiva em diversos segmentos, no mercado de buscas, no mercado de publicidade em buscas, no setor de smartphones. Você não vê o risco de que o Google possa ser limitado por questões concorrenciais, como foi com a Microsoft no passado? Ser grande e bem sucedido por si só não é um problema. O mercado de buscas, por exemplo, é muito volátil e discutir isso depende muito daquilo que se está observando. Se você faz uma pesquisa por temperatura em Brasília, isso pode te dar uma lista de sites em que essa informação pode ser encontrada ou pode te dar uma tabela com a previsão para os próximos dias. Isso poderia ser visto como um problema concorrencial em relação a sites de previsão do tempo? Sim, mas proibir isso também é limitar uma resposta à busca mais adequada ao usuário. A busca

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pode dar as melhores respostas ou pode dar uma lista de links. O assistente pessoal da Apple, o Siri, é uma ferramenta de busca. O Facebook te permite buscar informações junto a seus amigos. Em relação a produtos, o maior portal de busca nos EUA é a Amazon. As pessoas vão lá para se informar por produtos mesmo que não planejem comprar. Dizer que temos hegemonia é relativo, pois há muitas nuances. Em relação a sistemas operacionais, como o Android, ou nossos serviços, como o YouTube, não existe nenhuma barreira de entrada ou saída. Os usuários escolhem, e usuário online não é fiel a um serviço por costume, mas porque enxerga ali uma melhor solução. Há dez anos os líderes eram outros. É um mercado de um dinamismo muito grande e a intervenção concorrencial não dá conta de resolver um mercado que se resolve sozinho. Seria frear um setor que puxa a economia. Os serviços OTT que surgem hoje têm um equivalente no mundo offline sujeitos a um ambiente regulado. É assim com a voz, vídeo etc. Como lidar com essa dicotomia? Certamente repensando a legislação em alguns cenários, flexibilizando o que deveria ter sido flexibilizado há mais tempo. A Internet acaba com fronteiras territoriais, as ofertas são mundiais. Até há pouco tempo, em alguns países voz sobre IP era proibido. Nesse cenário, o usuário tem como acessar os conteúdos de uma forma ou de outra. A única solução, e o Brasil dificilmente seguiria esse caminho, seria fechar o acesso à Internet. No caso dos serviços OTT, eles se estabelecem aqui para ter uma receita local, para chegar mais perto do consumidor. No nosso caso, optamos por prestar o serviço na China a partir de Taiwan, para não ficarmos sujeitos à censura chinesa. O que fomenta uma Internet aberta beneficia o Google. Quanto mais serviço, mais inovação na Internet, melhor será para o Google no longo prazo.


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( making of )

Lizandra de Almeida

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Dança da chuva pois era muito pesada”, conta a coordenadora de produção Amelinha Lobo. As cenas todas foram filmadas em layers, algumas com fundo de chroma key, para que depois os fundos fossem aplicados na pós. É o caso da cena dos ventiladores: o dia estava claro, então as imagens do céu fechado, preparando a tempestade, foram aplicadas e aceleradas na pós-produção. Como era necessário enfatizar o contraste entre o tempo fechado e o céu ensolarado, foi utilizada uma maquinaria pesada e muitos quilos de luz. “Usamos, entre outras coisas, três refletores de 18 mil, os mais potentes que existem”, explica o produtor executivo Marcelo Hipólito. A direção do filme coube ao diretor argentino Gonzo, parceiro da produtora que vem trabalhando em vários filmes da casa.

FOTOs: divulgação

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rês amigos decidem fazer um churrasco, mas o tempo não quer colaborar. A chuva se aproxima, então eles apelam para o plano A: usar dois ventiladores enormes para tentar afastar as nuvens carregadas. Não funciona. Partem para o plano B: invocam um xamã, mas ele acaba fazendo a dança da chuva. A tempestade despenca. É hora, então, de acionar o Plano C, de Crystal: apertam o botão de rewind do xamã, o filme roda ao contrário e o sol vem com tudo. Este é o segundo filme da campanha de verão da cerveja Crystal, que usa a ideia do Plano C de uma maneira engraçada e divertida. Para viabilizar o filme, a equipe da BossaNova procurou uma locação seguindo a orientação da agência de que fosse uma casa grande, tipo americana, de madeira, com um gramado enorme. A produção de locação encontrou a casa perfeita no bairro do Brooklin, em São Paulo, uma casa realmente grande, com um gramado tão bem cuidado que nem precisou de retoques. A parte mais prosaica da produção foi a fantasia do xamã. Se de um lado a produção encontrou uma roupa perfeita, de outro a tal fantasia – uma roupa real de xamã – tornou a filmagem mais complicada. A roupa foi alugada de uma pessoa que tinha comprado o figurino em uma viagem. Como a roupa é única, não podia ser molhada pela chuva. O filme mostra o xamã fazendo a dança da chuva com um tempo nublado, depois chove e então o

ficha técnica

O xamã teve que ser colocado na pós- produção, pois figurino não podia ser molhado. filme é revertido e o céu fica ensolarado. Assim, todas as cenas tiveram de ser rodadas duas vezes: com sol e com chuva. O xamã, porém, não podia estar na chuva, então teve de ser aplicado na pós-produção. “Fizemos uma pesquisa enorme de figurino e conseguimos essa roupa, que logo foi aprovada. O ator é que sofreu, 32

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Cliente Cervejaria Petrópolis S.A. Produto Cerveja Crystal Agência Y&R VP de criação Rui Branquinho Diretor geral de criação Flavio Casarotti Diretor de criação Flavio Casarotti, Marcelo Fedrizzi e Rafael Merel Criação Pedro Guerra, Kleyton Mourão Produtora BossaNovaFilms Direção Gonzo Direção de fotografia Marcelo Lavintman Direção de arte Equipe BossaNovaFilms Produção executiva Marcelo Hipólito e Eduardo Tibiriçá Coordenação de produção Amelinha Lobo Montagem Jair Peres Produtora de som Cream Studi Pós-produção e finalização Mistika


Festa multinacional

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campanha de final de ano da Brahma já é uma prévia do que vem por aí em tempos de Copa do Mundo. Dois novos filmes foram captados juntos e inauguraram a parceria entre a produtora francesa Partizan e a brasileira Movi&Art. A campanha é um “esquenta” para a Copa, e traz como slogan a frase “Imagina a festa”. O primeiro filme, lançado em novembro, mostra a chegada das delegações ao aeroporto. Captado no Campo de Marte, em São Paulo, permitiu uma liberdade estética maior à equipe de direção e produção, com muitos figurantes, coreografias, figurinos caprichados e o garoto-propaganda Ronaldo posando de controlador de voo. Já no segundo filme, a produção foi mais técnica. O filme mostra um carnaval de rua, com carros alegóricos, personagens típicos e toda a parafernália festiva que o Brasil conhece tão bem. As filmagens foram feitas no sambódromo do Anhembi, inspiradas nas cenas iniciais do longa “Tin-Tin”, com uma câmera aérea em plano-sequência. A pós-produção se encarregou não só da composição das cenas mas da criação de uma cidade ao fundo e para isso determinou, na préprodução, qual deveria ser o comprimento e a largura da rua por onde passaria o desfile. “O único lugar possível seria o sambódromo, até pela disponibilidade de tempo. Ficamos três dias lá. Passamos o primeiro ensaiando a maquinaria, no segundo ensaiamos a maquinaria com as pessoas e no terceiro filmamos”, explica a produtora Carol Dantas, da Movi&Art. Cerca de 120 figurantes foram contratados, mas as cenas foram captadas em layers para que as pessoas pudessem ser duplicadas em

Filmes inauguraram parceria franco-brasileira e tiveram finalização em Los Angeles e Barcelona. outras posições. A pós-produção ficou a cargo da produtora Glassworks, que tem sede em Los Angeles e uma filial em Barcelona - ambas acionadas para dar conta do volume de trabalho. A campanha ainda deve dar muitos frutos ao longo do próximo ano, segundo Carol Dantas. Ela conta que o trabalho foi uma experiência muito boa tanto para a equipe brasileira como para os diretores estrangeiros. Os dois filmes foram dirigidos pelo coletivo Canada, que também dirigiu o clipe “New Lands”, da banda Justice, vencedor de melhor direção de arte no UK Awards. “Eles acompanharam todo o processo, desde a pré-produção aqui no Brasil até a finalização em Barcelona, e reconheceram a competência dos profissionais da equipe. Nós também aprendemos muito. Esse tipo de parceria só vale a pena em filmes muito importantes, muito específicos, mas sem dúvida é um aprendizado para os dois lados”, acredita. A produtora tem sede em Paris e unidades em Nova York, Los Angeles,

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Londres, Berlim, Estocolmo, Mumbai e Dubai, e oferece um casting de mais de 60 diretores, entre eles Michel Gondry, diretor de filmes como “Rebobine, por favor” e “Brilho eterno de uma mente sem lembrança”. ficha técnica Cliente Brahma Agência Africa Criação Rodrigo Saavedra, Vico Benevides, Estefanio Holtz, Lucas Reis, Sleyman Khodor, Daniel Del Toro Direção de criação Rodrigo Saavedra, Vico Benevides Direção geral de criação Sergio Gordilho
 Produtora Partizan/Movie&Art Direção Canada e Cesar Saito Fotografia Sergi Vilanovas e Pedro Cardillo Produção Carol Dantas Editor Alex Lacerda Pós-produção Glassworks Spain Produtora de som Raw Audio

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( cinema)

Ana Carolina Barbosa

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Produtos em ação Novas perspectivas da produção nacional fortalecem o cinema como mídia e favorecem a inserção de marcas nos filmes em ações de product placement.

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cinema nacional está ganhando algumas credenciais e conquistando a atenção dos anunciantes interessados em fazer product placement na telona. A empresa Propaganda Gem, que tem bases em Genebra e em Los Angeles e escritórios em Paris, Londres, Moscou, Hong Kong e Pequim, chegou este ano para aproveitar o bom momento para promover soluções de aproximação entre o filme brasileiro e marcas interessadas em transmitir suas mensagens dentro de um contexto e em um momento de absoluto entretenimento do espectador. Segundo Lorenzo de Miranda Correa, gerente da Propaganda Gem no Brasil, os sócios da empresa, Anders Granath e Ruben Igielko-Herrlich, vinham observando o mercado brasileiro e apostaram que esse seria o momento certo para começar a trabalhar por aqui, com a participação dos filmes nacionais na bilheteria crescendo em um movimento impulsionado por produções de caráter bastante comercial. Segundo o Informe Anual da Ancine, em 2009 o cinema nacional atingiu share de 14,28%, tendo como campeão de bilheteria a comédia “Se Eu Fosse Você 2”. Em 2011, a produção cinematográfica brasileira chegou à marca de 12,4% de bilheteria com outra comédia no topo do ranking, o filme “De Pernas para o Ar”. Granath e Igielko-Herrlich

Product placement feito pela Produto em Cena para a Dufry no longa “Antes que a Sorte nos Separe”: no filme, a protagonista trabalha em uma loja no aeroporto.

conheceram Sandi Andamiu, diretor da Paris Filmes, e fizeram uma parceria sem caráter de exclusividade com a distribuidora logo na chegada ao País, em agosto. “Foi uma combinação de fatores”, explica Correa. “O product placement já estava acontecendo no Brasil, mas na maioria dos casos feita pelo próprio produtor. A Paris Filmes achou que havia mercado em potencial para uma agência com mais de 20 anos de experiência”, diz. Do lado da distribuidora, Andamiu afirmou na época que o propósito da parceria era trazer mais dinheiro para as produções, profissionalismo para o product placement e a força das marcas para a divulgação dos filmes. Não basta aparecer, tem que divulgar Correa observa que entre os diferenciais de se ter uma agência 34

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intermediando o processo de product placement está a construção de toda uma estratégia de marketing para acompanhar o lançamento do filme. “Trabalhamos com a ativação e com a estratégia de marketing para divulgar a parceria com o filme e maximizar os resultados”, explica. Entre os cases internacionais do portfólio da Propaganda GEM estão inserções da Nokia em “Matrix”; da Volvo em “Crepúsculo” e da BMW em “Missão Impossível”. Este último com ativação internacional envolvendo as concessionárias. Por ser uma empresa internacional e com cases de sucesso no exterior, Correa conta que o objetivo no Brasil é trabalhar em duas frentes. Uma


delas é o product placement de marcas nacionais em filmes nacionais. Outra é o product placement de marcas nacionais conhecidas mundialmente em filmes internacionais. Para o executivo, há espaço para isso. A Produto em Cena, de Gil Mazziotti, também aposta no bom momento do cinema nacional para diversificar o portfólio. A empresa, fundada há sete anos, trabalhava exclusivamente com o product placement para a televisão. Há dois anos passou a mirar no cinema também, devido às transformações pelas quais o mercado vem passando nos últimos anos. “Com mais volume, caráter mais comercial e bilheteria, conseguimos levar novas oportunidades para dentro do cinema”, destaca Mazziotti. “Há também ações efetivas do governo em relação à digitalização e expansão das salas. Esses fatores fizeram com que o cinema tenha um horizonte que nunca teve antes. Além disso, cada vez mais a população aumenta os gastos com entretenimento”. De acordo com Mazziotti, o product placement nos longasmetragens nacionais será cada vez mais frequentes e o que tem aproximado os anunciantes do cinema é o perfil de mídia que ele tem ganhado. “O anunciante procura mídia. Não adianta só ter produções premiadas”, diz ele. Um dos cases da Produto em Cena é a inserção da marca Dufry na comédia “Antes que a Sorte nos Separe”, recordista em bilheteria em 2012, com produção da Gullane Filmes em coprodução com a Globo Filmes, Paris Filmes, RioFilme e Telecine. Na trama, a personagem Jane, interpretada por Daniele Winnits, trabalha numa

Anders Granath e Ruben Igielko-Herrlich, da Propagada GEM, que chegou ao Brasil para levar marcas nacionais aos filmes nacionais e a produções estrangeiras.

loja da marca situada em um aeroporto. Segundo Mazziotti, o filme deve ter continuidade e a marca já sinalizou interesse em participar novamente. Para 2013, a empresa também fará product placement para a Renault no filme “Se puder, dirija”. Recentemente, a produtora firmou uma parceria com a LC Barreto e a primeira ação também já está encaminhada: o filme “Crõ”, baseado em um personagem da novela “Fina Estampa”, de Agnaldo Silva, começa a ser rodado no ano que vem. Hoje, a Produto em Cena está fazendo

investir recursos incentivados, mas, segundo Mazziotti, há uma tendência maior entre as marcas a usarem suas verbas de marketing. Os anunciantes, segundo os executivos, têm se mostrado muito abertos às novas propostas de comunicação com seus públicos.

Safra de filmes comerciais, aumento do share de bilheteria, disposição do brasileiro para gastar com entretenimento e investimentos governamentais na digitalização e expansão do parque exibidor tornam o cinema uma mídia mais atraente. “O product placement não é mensagem publicitária, é despertar uma vontade no consumidor de, por exemplo, tomar um sorvete na praia”, diz Mazziotti. Para Correa, cabe à agência, produtora e anunciante, trabalharem para que tudo aconteça de forma bastante orgânica dentro da narrativa. O ideal para a agência, observa ele, é ter um portfólio bastante variado de marcas e categorias. Mazziotti também tem feito uma abordagem junto às agências de publicidade e afirma que aí sim é um terreno de pequenas resistências, com um trabalho de catequização a se fazer. Ele explica que as agências estão acostumadas a ritmos mais acelerados e que o processo de product placement leva mais tempo.

o trabalho de aproximação das principais produtoras que trabalham com filmes comerciais para conhecer os projetos e os roteiros e identificar as oportunidades. Pequenas resistências De uma forma geral, Mazziotti e Correa, afirmam que o mercado tem sido receptivo. Os produtores, por motivos óbvios: têm recursos disponíveis para a produção e podem concentrar-se mais no trabalho artístico do filme. Os anunciantes podem

“O anunciante procura mídia. Não adianta só ter produções premiadas.” Gil Mazziotti, da Produto em Cena

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( produção) Bruno Borin

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Arquivos organizados Paralelamente ao aumento de produções independentes brasileiras, demanda por imagens de arquivo cresce no País. Mas ainda há alguns obstáculos a serem superados. FOTOs: divulgação

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om o aumento crescente no número de produções audiovisuais brasileiras vindo na esteira da Lei do SeAC, um outro segmento também se beneficia do novo panorama do audiovisual: as imagens de arquivo. Disponíveis para produções históricas e de entretenimento – como documentários e programas épicos –, as imagens de arquivo passam a ser um novo nicho a ser aproveitado pelas produtoras. Segundo Denise Gomes, sócia da BossaNovaFilms e produtora do documentário “Tropicália”, o que cresce é uma demanda do mercado: “Não é só uma questão do acervo em si, mas vai aumentar a demanda em todos os gêneros de programas, e, dentre eles, sem dúvida as biografias e documentários históricos. E onde existe demanda, obviamente existem mais oportunidades”, afirma. E do lado dos bancos de imagem, a visão é a mesma. Segundo Denis Lacerda, executivo de vendas da Associated Press – agência de notícias norte-americana que contém um dos maiores bancos de imagem do mundo –, a demanda por imagens de arquivo é crescente: “O avanço das tecnologias permite que se tenha uma produção cada vez mais fácil. Isso resulta no surgimento de muitos sites, empresas que não atuavam na internet e passam a solicitar conteúdo para seus novos sites, novos produtos”, afirma. Outro fator que contribui para o crescimento da demanda por imagens de arquivo são os grandes eventos que o País irá receber nos próximos anos, que provavelmente

A organização do acervo foi um dos problemas encontrados na produção do documentário “Tropicália”, de Marcelo Machado

resultarão numa demanda tanto por conteúdo local quanto por conteúdo externo. Segundo Mara Lobão, sócia da Panorâmica Comunicação, este é um filão a ser aproveitado: “É muito interessante que, neste momento em que o mundo inteiro quer saber mais sobre o Brasil, nós temos essa possibilidade de utilizar materiais históricos para contar um pouco mais de onde a gente vêm”, afirma. Além dos documentários, outro setor que se beneficia do mercado de imagens de arquivo é a TV por assinatura, que passará a ser “invadida” por produções independentes. Segundo Denise, isso fortalece a diversidade: “na TV a cabo você trabalha com nichos, diferentemente da TV aberta, que tem menos estilos de programas. Essa lei pode sim agregar muito na diversidade de produção e aumentar esta demanda por conteúdo brasileiro, para contarmos nossas histórias”, afirma, acrescentando que um mercado independente forte resulta em 36

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uma evolução enorme em relação à diversidade cultural e de gêneros. Problemas Mas nem tudo são flores no mercado de imagens de arquivo: segundo Marcelo Machado, diretor de “Tropicália”, alguns pontos, como a organização, ainda precisam ser trabalhados para que os bancos de imagens brasileiros se equiparem aos bancos internacionais. “O esforço para ter um cuidado com a memória cultural do Brasil é um esforço que ainda tem muito chão. Ainda temos problemas generalizados relacionados às dificuldades de acesso e no momento de negociar”, afirma o diretor. Para Mara – responsável pela realização do documentário “Batidas do Samba”, que conta a história do samba no Rio de Janeiro no início do século XX e estreou este ano no Canal Brasil –, é preciso olhar para este


mercado com outros olhos, uma vez que o País não tem a tradição de encarar a imagem de acervo como uma possibilidade de negócio: “Eu acho que a maioria das empresas encara mesmo como um problema – algo que deve ser organizado, vai custar muito dinheiro e não render nada. É preciso perceber que quanto mais organizado, maior a possibilidade de virar um negócio”, afirma. Outro ponto a ser muito trabalhado são as negociações: “Temos uma dificuldade muito grande em negociar direitos, pois não existe um padrão de referência. Cada um pede o que acha que deve pedir, e fica muito difícil para um produtor estimar quanto um filme vai custar”, afirma Denise. A profissional ainda conta que a ideia inicial não era fazer um filme totalmente de acervo (como acabou ficando), muito em função de não saberem o que existia de material para ser aproveitado: “Demoramos ao longo do processo quase quatro anos, sendo que grande parte deles foi dedicada à pesquisa, negociação de direitos deste material e recuperação do acervo”. Comparando aos acervos do País, Denise afirma que é muito mais fácil acessar e localizar algum conteúdo em uma agência internacional: “Lá fora o material está todo digitalizado e organizado por temas, o que facilita muito, inclusive nos custos. É muito mais rápido e simples de comprar os materiais, porque são mercados que já utilizam muito este tipo de imagem”. Outro lado Mas, se por um lado existem dificuldades para as produtoras, por outro algumas empresas estão se mobilizando para atender às necessidades do mercado: com uma média de 4 a 6 horas de novos vídeos por dia, a Associated Press

“As empresas tendem a ver o acervo como um problema, e não um negócio a ser explorado.”

Restauro Outra dificuldade encontrada pelas produtoras ao trabalhar com imagens de arquivo são as muitas imagens danificadas encontradas ao longo do processo. Mas este é um aspecto que parece estar se resolvendo. Segundo Denise, um dos maiores gastos com “Tropicália” foi justamente com a pós-produção, em função do material a ser recuperado: “Ainda tivemos sorte, pois pegamos a Record em um momento em que estava começando a organizar o seu acervo. Hoje ele está todo catalogado e organizado, mas foi o nosso filme que destacou este processo de recuperação”. Machado ainda destaca o empenho de outras empresas para a recuperação de imagens: “No nosso caso estávamos trabalhando com um momento que é a adolescência da televisão (os anos 60) e os materiais exigiam tratamentos e restauros. Neste sentido, vemos que as finalizadoras estão investindo cada vez mais em softwares voltados para o restauro”, afirma, contando que a O2 (responsável pela

Mara Leão, da Panorâmica

relançou em outubro deste ano seu site de vídeos de arquivo – o AP Archive –, buscando facilitar a navegação com um layout mais moderno e acessível. “O novo site dá uma liberdade muito grande para o cliente, pois conta com um motor de busca muito rápido e fácil, permitindo que ele acesse o vídeo e selecione os trechos que quiser”, afirma Lacerda. Desta maneira, a AP acaba participando apenas da parte de licenciamento, trabalhando direitos e valores. O escritório da AP em São Paulo é, inclusive, um dos cinco a cuidar da comercialização de vídeos do AP Archive. Oferecendo diversas coleções – como a do British Movietone, que conta com um acervo que vai de 1895 a 1986 –, o AP Archive conta com uma oferta variada e, segundo Lacerda, tem sido muito bem recebido pelos clientes, principalmente pela organização: “Quando você vende

algumas empresas e instituições, investem cada vez mais em restauração de imagens de arquivo um produto totalmente visual, você ter um layout mais moderno e acessível já compõe boa parte do seu cartão de visitas”, afirma. O serviço ainda conta com uma conversão constante de resolução standard para Full HD de todo seu material. Além da organização, o AP Archive tem diversas parcerias, oferecendo também o conteúdo de terceiros. Segundo Ana Lidia Gresenberg, gerente de vendas da AP, este modelo é bastante interessante principalmente para emissoras: “A AP já está estruturada em várias partes do mundo para atender clientes de documentários e de televisão, que são nossos clientes habituais. Então, se uma emissora possui um acervo e não sabe como comercializá-lo, ela já pode contar com a AP para fazer isso”, explica.

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finalização do filme) utilizou pela primeira vez programas para a limpeza do material. Além dela, a Cinemateca também é muito elogiada pelo diretor: “A Cinemateca, com seus equipamentos, fez um esforço muito grande, e talvez seja a instituição caminhando mais rapidamente para se aparelhar com a demanda que está vindo e com o cuidado que a nossa memória audiovisual pede”, afirma. O diretor ainda aponta que, com o aumento das produções brasileiras, é preciso mais ações neste sentido: “Nosso filme é só um exemplo de muitos que ainda vem por aí. Esta área só vai crescer, e vamos precisar de agilidade nela”, conclui.

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( case )

Destino São Paulo Série da O2 para a HBO mostra a relação de grupos de imigrantes com a capital paulista. Não-atores no elenco, escolhidos dentro das próprias comunidades, conferem naturalidade à produção.

H

á mais de dois anos a O2 Filmes apresentou à HBO uma proposta de série de ficção baseada nas experiências de imigrantes na capital paulista. Cada um dos seis episódios de 30 minutos abordaria um determinado grupo, de forma que pudesse ser visto e compreendido isoladamente apesar de fazer parte de um projeto com proposta e unidade bem claras, em que a cidade é essencial para a narrativa e é personagem no desenrolar dos acontecimentos. A ideia foi aceita pela programadora e, em 25 de novembro, o primeiro episódio de “Destino São Paulo” foi ao ar. A concepção do projeto é de Teodoro Poppovic e Fábio Mendonça. Os grupos retratados na primeira temporada de “Destino São Paulo” são os bolivianos, os judeus, os africanos, os argentinos, os coreanos e os chineses. Mendonça explica que a ideia central era abordar os relacionamentos afetivos usando a cidade e tendo como pano de fundo as comunidades de imigrantes. “Nunca tentei retratar a comunidade como um todo. Parto do individual para mostrar outro tipo de paulista”. Mendonça e Alex Gabassi se dividiram na direção dos episódios. Segundo Gabassi, um dos pontos mais complexos do projeto foi encontrar dentro das comunidades as pessoas que poderiam interpretar os personagens, pois a ideia era montar um elenco com não-atores para garantir a maior naturalidade possível ao projeto. “O grande trabalho de produção foi achar o elenco. Os roteiros se moldaram um pouco em decorrência do encontro

Roteiro sofreu modificações de acordo com o perfil das pessoas encontradas para interpretar os papéis.

dos personagens”, observa Gabassi. Foram três meses de casting. A equipe buscou o elenco com anúncios espalhados pela cidade, criação de páginas no Facebook e aproximação das comunidades. Gabassi conta que enfrentou pequenas resistências e precisou fazer algumas adaptações na

Christian Duurvoort. “Destino São Paulo” foi rodado entre fevereiro e março de 2012, totalmente gravado em locações em diversos pontos da cidade. A estética e a linguagem de cada episódio são diferentes, acompanhando o estilo de vida de cada comunidade e as histórias que

Série orçada em R$ 5 milhões foi financiada pela HBO com recursos incentivados. “Destino Rio de Janeiro” estreia em 2013. trama e na construção dos personagens quando finalmente era escolhido o ator. “Foi um trabalho de reescrita do roteiro na preparação dos atores. Os diálogos estavam escritos, os temas escolhidos, mas os personagens se apropriaram das histórias”, acrescenta Mendonça. O coletivo e o individual Selecionado o elenco, houve uma semana de workshop, mais uma semana de ensaios e uma semana de filmagem para cada episódio. O trabalho de preparação de elenco ficou por conta de 38

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se pretendiam contar. O episódio coreano, por exemplo, mostra um Bom Retiro pop e colorido para contar a história do garoto que quer presentear o avô com um banquete de carne de cachorro em seu aniversário de 80 anos. Já o capítulo judeu é todo em preto e branco (e conta com a interpretação do estilista Alexandre Herchcovicht), o boliviano usa muito o recurso do silêncio, o africano mostra a relação de hierarquias e poderes entre nigerianos, angolanos


e camaroneses. Os episódios também são falados nos idiomas originais das comunidades, o que exigiu o acompanhamento de tradutores ao longo do trabalho de ensaios e direção. A série foi orçada em R$ 5 milhões e financiada com recursos incentivados pela HBO. O projeto “Destino Rio de Janeiro” já está em andamento. Mendonça destaca que, apesar de seguir a mesma proposta de “Destino São Paulo”, de abordar relacionamentos afetivos usando a cidade e nacionalidade como pano de fundo, a série da capital carioca deve ter algumas nuances diferentes. “No Rio de Janeiro os imigrantes não estão reunidos em bairros, em comunidades. Devemos mostrar mais a relação deles com a cidade e com os cariocas”, explica. A série está em fase de roteirização e a produção deve começar em fevereiro para exibição em 2013. Ana Carolina Barbosa

destino são paulo

Série de televisão Formato 02 Filmes Produtora Berlinck, Bel ro, Andrea Barata Ribei Produção la de Jesus Ange a Mari e Rios rto Robe za, Pera Luis Bel Berlinck Produção Executiva Alex Gabassi e a donç Men Fábio Direção

Sinopse: “Destino São Paulo” aborda ficcionalmente a vida dos grupos de imigrantes que chegam a São Paulo diariamente com seus sonhos, esperanças, frustrações, alegrias, em busca de oportunidades. Chineses, nigerianos, israelitas, bolivianos, coreanos e argentinos são os grupos abordados em cada um dos seis episódios.


( upgrade )

Fernando Lauterjung

f e r n a n d o @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

A

For-A está fazendo demonstrações nos eventos de tecnologia de produção da câmera FT-One, que trabalha com resolução full 4K e tem captação em bit-rate variável. A câmera, que ainda não está disponível comercialmente, foi desenvolvida a partir de um sensor da alta sensibilidade FT1-CMOS, que pode gravar até 900 quadros por segundo. Enquanto um canal de saída pode fornecer full 4K, outro canal fornece a imagem down-converted em HD-SDI, para visualização ao vivo. A FT-One captura imagens sem compressão de dados em uma memória interna, que tem uma capacidade de gravação de 9,4 segundos. Esses dados são então armazenados em um dos dois cartuchos de memória em estado sólido. Cada um dos cartuchos é capaz de armazenar 84 segundos de imagens de resolução full 4K.

FOTOs: divulgação

4K variável

FT-One, que ainda não está disponível comercialmente, trabalha com resolução full 4K e tem captação em bit-rate variável.

Novo modelo de entrada

U

Carbonite 2 é baseado nos “irmãos maiores” Carbonite 2M e 2X, mas oferecendo 16 botões de seleção de fonte.

m novo produto chega à linha de switchers Carbonite, da Ross Vídeo. Chamado Carbonite 2, o switcher 2 MLE inclui todos os recursos padrão da família. O equipamento é baseado nos “irmãos maiores” Carbonite 2M e 2X, mas oferecendo 16 botões de seleção de fonte, em vez de 24 ou 32, respectivamente. Como os outros switchers desta categoria, o Carbonite 2 está disponível com 16 ou 24 entradas Multi-Definition SDI e nove fontes geradoras internas. Também pode ser configurado com os processamentos de imagens Carbonite+ e MultiMedia, e inclui o novo controlador de produção touchscreen ViewControl e a interface gráfica LiveAssist. O switcher pode ser adquirido com o pacote Studio System, formado ainda pelo servidor de playout Blackstorm e o sistema gráfico Xpression. A versão com 16 entradas do Carbonite 2 tem um preço de tabela nos Estados Unidos de US$ 32.995,00.

Mais funções

A

JVC anunciou uma atualização de firmware para a câmera de mão GY-HM600. A atualização adiciona novos recursos e aumenta o desempenho da câmera. Entre os recursos que ganham melhorias no novo firmware estão o foco automático, a redução do ruído de sinal, bem como ferramenta de compensação de flash, que minimiza ou elimina a formação de faixas durante a gravação com uso de um flash externo. Os novos recursos incluem modos de disparo pré-definidos, que fornecem as configurações otimizadas para cenários comuns de gravação: modo Standard, para as condições de iluminação ideais, e modo Extended, com ganho máximo para captura de imagem em condições de iluminação difíceis. Além disso, a GY-HM600 oferece agora a funcionalidade AF Assist no modo Auto Focus. Os proprietários da câmera podem fazer o download do arquivo no site pro.jvc.com/firmware. O firmware é carregado usando um cartão SDHC e as instruções estão incluídas no arquivo. 40

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Câmera de mão GY-HM600 ganha atualização com novos recursos e melhor desempenho.

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50th Anniversary

Celebration NATPE2013 January 28-30 Fontainebleau Resort, Miami Beach

Beyond

disrupTion

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Exhibit 36a. The remote control – Thought to be the enemy of broadcasting, encouraging channel surfing. Instead it opened the door for opportunity, and more importantly served as a catalyst for the explosion of channels and choices. Use promo code N13Tela for $750 registration rate (does not include membership)

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Š 2012 NATPE. All rights reserved


( agenda ) 4 de abril

8 a 11 de janeiro

Fabricantes, desenvolvedores e fornecedores se reúnem para apresentar as novidades no mercado de eletrônicos.

20 de fevereiro

Governo, empresários e especialistas discutem as prioridades do setor de telecomunicações para 2013. Políticas de Telecomunicações, Brasília, DF. Tel.: (11) 3138-4660 E-mail: info@convergecom.com.br Web: www.convergeeventos.com.br

CES – Consumer Electronic Show 2013, Las Vegas, Nevada, EUA. Tel.: 301-631-3983 E-mail: cesinfo@org.br Web: www.cesweb.org

JANEIRO 2013

de Cine de Cartagena de Índias,

11 a 20 22º Flickerfest – International Short Film Festival,

Sydney, Austrália. E-mail: coordinator@flickerfest.com.au Web: www.flickerfest.com.au

22 a 27 FIPA – Festival International des Programmes Audiovisuels, Biarritz, França. E-mail:

Cartagena, Colômbia. E-mail: info@ficcifestival.com Web: ficcifestival.com

26 a 28 Andina Link 2013, Cartagena, Colômbia. Tel.: (571) 635-6898. E-mail: contacto@andinalink.com Web: www.andinalink.com

MARÇO

info@fipa.tm.fr. Web: www.fipa.tm.fr

23 a 3/2 42º International Film Festival Rotterdam, Rotterdam, Holanda.

Tel.: (31 10) 890-9090. E-mail: tiger@filmfestivalrotterdam.com Web: www.filmfestivalrotterdam.com

27 a 30 Real Screen Summit,

1 a 9 28º Festival Internacional de Cine de Guadalajara. E-mail: info@ficg.mx. Web: ficg.mex

ABRIL

4 e 14 É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários, São Paulo, Rio de Janeiro, Tel.: (11) 3064-7485. E-mail: info@etudoverdade.com.br Web: www.etudoverdade.com.br

Washington, Estados Unidos. E-mail: jpinto@brunico.com Web: summit.realscreen.com

A evolução da TV e da distribuição de conteúdo para múltiplas plataformas, discutida por quem está à frente dos mais importantes projetos de novas mídias TV 2.0, Centro de Exposições Frei Caneca, São Paulo, SP. Tel.: (11) 3138-4660. E-mail: info@convergecom.com.br Web: www.convergeeventos.com.br

25 a 5/05 Hot Docs Canadian International Documentary Festival, Toronto, Canadá. Tel.: (416) 203-2155. E-mail: info@hotdocs.ca Web: www.hotdocs.ca

26 a 2/05 XVII Cine-PE, Recife, Pernambuco. Tel.: (81) 3343-5060. E-mail: festival@bpe.com.br Web: www.cine-pe.com.br/2013

MAIO

15 a 26 66º Festival de Cannes, Palais des Festivals, Cannes, França. Tel.:

(33-1) 5359-6100. E-mail: festival@festival-cannes.fr Web: www.festival-cannes.org

23 a 28 4º CINEfoot Festival de Cinema de Futebol, Rio de Janeiro, RJ. Tel.: (21) 8111-8030. E-mail: cinefoot@cinefoot.org Web: www.cinefoot.org

6 a 13 NAB Show 2013, Las Vegas Convention Center, Las Vegas, EUA. Tel.: (1-202) 595-2052. E-mail: register@nab.org Web: www.nabshow.com

30 a 04/06 4º CINEfoot Festival de Cinema de Futebol, São Paulo, SP.

6 e 7 MipDoc, Marriott Hotel, Cannes, França. Tel.: (33-1) 4190-4441. E-mail: info.miptv@reedmidem.com Web: www.mipdoc.com

30/5 Rose D’Or Festival 2013, Bruxelas, Bélgica. Tel.: +41 79 743-3278; E-mail: info@rosedor.com Web: www.rosedor.com/festival-2013

7 a 17 63º Festival Internacional de Berlim, Berlim, Alemanha.

8 a 11 MipTV, Palais des Festivals, Cannes, França. Tel.: (33-1) 4190-4441. E-mail: info.miptv@reedmidem.com Web: www.miptv.com

JUNHO

20 a 22 3º Rio Content Market, Rio de Janeiro. E-mail: producao@riocontentmarket.com Web: www.riocontentmarket.com.br

10 a 21 Bafici – Buenos Aires Festival Internacional de Cine Independiente,

28 a 30 Natpe Market & Conference, Miami, EUA. Tel: 310-453-4440 E-mail: info@natpe.org Web: www.natpemarket.com/natpemarket/

FEVEREIRO

5 a 8 Kidscreen Summit 2013, Nova

York, Estados Unidos. E-mail: jpinto@brunico.com Web: summit.kidscreen.com

E-mail: info@berlinale.de Web: www.berlinale.de

Buenos Aires, Argentina. E-mail: info@festivales.gob.ar Web: www.bafici.gob.ar

21 a 27 53º Festival Internacional

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Tel.: (21) 8111-8030. E-mail: cinefoot@cinefoot.org Web: www.cinefoot.org

4 e 5 Fórum Brasil de Televisão.

Tel.: (11) 3138-4660. E-mail: info@convergecom.com.br Web:forumbrasiltv.com.br.

10 a 12 NCTA – The Cable Show ’13, Washington, DC, EUA.

Tel.: (202) 222-2430. E-mail: thecableshow@ncta.com. Web: www.thecableshow.com d e z 2 0 1 2


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Revista Tela Viva - 233 - Dezembro de 2012  
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