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ano 19_#207_ago2010

as espe conver re c des ia gê d l nc a ia

televisão, cinema e mídias eletrônicas

a nova antena Broadcasters e provedores de conteúdo preparam-se para a disseminação das TVs com conexão direta à Internet

ENTREVISTA Alex Dias mostra os planos do Google para serviços de vídeo

TV POR ASSINATURA Anatel pisa no freio e segura as novas licenças de cabo


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Foto: marcelo kahn

(editorial ) Presidente Diretores Editoriais Diretor Comercial Diretor Financeiro

Editor Editor Tela Viva News Redação

Coordenadora de Projetos Especiais Arte

Depar­ta­men­to Comer­cial

Rubens Glasberg André Mermelstein Claudiney Santos Samuel Possebon (Brasília) Manoel Fernandez Otavio Jardanovski

Ana Carolina Barbosa Daniele Frederico Samuel Possebon Letícia Cordeiro Lizandra de Almeida (Colaboradora) Letícia Cordeiro Edmur Cason (Direção de Arte) Debora Harue Torigoe (Assistente) Rubens Jar­dim (Pro­du­ção Grá­fi­ca) Geral­do José Noguei­ra (Edi­to­ra­ção Ele­trô­ni­ca) Alexandre Barros (Colaborador) Bárbara Cason (Colaboradora) Manoel Fernandez (Diretor) Fernando Espíndola (Gerente de Negócios) Patricia Linger (Gerente de Negócios) Iva­ne­ti Longo (Assis­ten­te)

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Gerente Administrativa Gerente de TI Central de Assinaturas

Vilma Pereira Marcelo Pressi 0800 0145022 das 9 às 19 horas de segunda a sexta-feira

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A

Fernando Lauterjung

Gislaine Gaspar

a n d r e @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Mês agitado

André Mermelstein

Gerente de Circulação

André Mermelstein

(11) 3214-3747 comercial@convergecom.com.br Ipsis Gráfica e Editora S.A.

Tela Viva é uma publicação mensal da Converge Comunicações - Rua Sergipe, 401, Conj. 605, CEP 01243-001. Telefone: (11) 3138-4600 e Fax: (11) 3257-5910. São Paulo, SP. Sucursal Setor Comercial Norte - Quadra 02 Bloco D - torre B - sala 424 - CEP 70712-903. Fone/Fax: (61) 3327-3755 Brasília, DF Jornalista Responsável: Rubens Glasberg (MT 8.965) Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias publicadas nesta revista, sem autorização da Glasberg A.C.R. S/A

gosto não é o mês das bruxas para o mercado de televisão. Pelo contrário. No início do mês acontece a ABTA 2010, maior evento de multisserviços da América Latina, organizado pela Converge (que edita TELA VIVA). O evento deste ano bateu recorde em número de empresas expositoras, com crescimento de 30% em relação ao ano passado. São, principalmente, novos fornecedores de equipamentos, de olho no potencial explosivo de crescimento deste mercado com a anunciada abertura de novas licenças pela Anatel e a perspectiva de aprovação do PLC 116, antigo PL29, que abrirá o mercado às operadoras de telecom. Sem falar das tradicionais e novas programadoras que chegam ao país. Não é pouca coisa. Ao se olhar para os mil maiores municípios do Brasil, que concentram 84% da população nacional, ainda há 719 cidades sem outorgas de cabo e MMDS, que somam 5,6 milhões de domicílios A, B e C, e uma população de 46 milhões de pessoas, mais que a população total da Argentina, quase uma Espanha. Este otimismo do mercado se reflete nesta edição de Tela Viva, com mais de cem páginas de informação, outro recorde, pelo menos nos últimos anos. Pensando nesta demanda, preparamos um especial de 32 páginas sobre as redes do futuro, destrinchando as tecnologias e tendências para as redes de vídeo, voz e dados que se espalharão pelo País se tudo correr como o planejado. E se o ambiente é de crescimento, o centro das atenções é mais que nunca o conteúdo. Não por acaso, o Congresso ABTA deste ano será aberto por Roberto Irineu Marinho, em uma de suas raras manifestações públicas. O presidente das Organizações Globo vem a público em um momento em que seu grupo movimentase cada vez mais para uma oferta multiplataforma, com avanços significativos em programação de TV paga, Internet, mobile e out-of-home. O conteúdo é o grande tema dos debates, porque este segmento se desenvolve para ser cada vez mais de multisserviços, e não apenas TV por assinatura. Além das empresas tradicionais do setor participam “estranhos no ninho”, como Google, Terra e empresas de telecomunicações. Esta edição de TELA VIVA reflete essa diversidade, com matérias e entrevistas sobre Internet, TV paga, produção audiovisual, programação. Estamos onde o conteúdo está, inclusive nas novíssimas TVs conectadas (broadband TV), nossa capa desta edição. Finalmente, no final do mês, acontece o Congresso da SET (Sociedade de Engenharia de Televisão), em um momento de forte expansão de outra plataforma fundamental de distribuição, a TV digital aberta. Nesta edição, mostramos como as geradoras começam a fazer também a transição de suas retransmissoras Brasil afora, mais de 10 mil estações a serem atualizadas para a plataforma digital. Isso em um momento pós-Copa, quando a venda de TVs HD bateu todas as metas previstas. Razões para o otimismo existem. Montado em cima de uma nova classe de consumidores, o Brasil vê a possibilidade de concretizar nos próximos cinco anos as projeções mais otimistas que nunca se realizaram. Algumas das condições políticas, tecnológicas e de negócios para que isso aconteça você acompanha aqui.

foto de capa: shutterstock

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Ano19 _207_ ago/10

(índice ) 16

Convergência

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Provedores de conteúdos começam a explorar as oportunidades da broadband TV

Scanner Figuras Entrevista

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Diretor do Google fala da nova plataforma para a TV da gigante da Internet

TV por assinatura 22

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28

Depois de anunciar abertura do mercado de TV a cabo, Anatel tira o pé do acelerador

Artigo

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Os desafios da TV paga, por Paulo Martins

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especial as redes da convergência As novas redes multisserviços e a casa conectada

Audiência

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Copa do Mundo alavanca tráfego de portais, mas televisão continua a ser meio favorito

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( cartas)

Audiência - TV paga Programação

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Canais infantis da TV por assinatura apostam em programas live action

Cinema

Audiovisual

Fiquei encantada com o Programa Cinema Perto de Você, apresentado na matéria “Em todos os cantos”, da Tela Viva de junho. Se o projeto se concretizar mesmo, a capilaridade vai aumentar e nossos filmes vão chegar aos quatro cantos do país. Simone Santos, São Paulo, SP

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Newton Cannito explica os novos projetos da Secretaria do Audiovisual

Radiodifusão

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Retransmissoras são a nova etapa da transição para a TV digital

Site

Parabéns pelo novo site da TELA VIVA. Muito mais fácil e agradável de ler. Mudança aprovada! João Caetano Ferreira, Rio de Janeiro, RJ

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Making of Conteúdo

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TV Climatempo, 10, aposta na oferta de conteúdo multiplataforma

Artigo

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Legitimidade da atuação externa com o legislativo: o caso do PL 29, por Julia Vianna

Case

Tela Viva edita as cartas recebidas, para adequá-las a este espaço, procurando manter a máxima fidelidade ao seu conteúdo. Envie suas críticas, comentários e sugestões para cartas.telaviva@convergecom.com.br

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Formato internacional ganha versão local no GNT

Upgrade Agenda Acompanhe as notícias mais recentes do mercado

telavivanews www.telaviva.com.br 6

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Fotos: divulgação

Circular Projeto vencedor de último edital de baixo orçamento do Ministério da Cultura, o longa “Circular”, da Grafo Audiovisual e Processo Filmes, acabou de ser captado em Curitiba, onde está sediada sua produção, e nas cidades vizinhas de Pinhais e Piraquara. As filmagens, que aconteceram durante cinco semanas entre os meses de maio e junho, contaram com cinco diretores. Trata-se de uma peculiaridade do filme, que tem um grupo de diretores vindos da faculdade de cinema e TV CINETVPR/FAP, de Curitiba: Adriano Esturilho, Aly Muritiba, Bruno de Oliveira, Diego Florentino e Fábio Allon. Cada um dirigiu um núcleo de personagens, com seu próprio ponto de vista e estilo cinematográfico, porém todos trabalharam juntos no set de filmagens, em um esquema de direção colaborativa. A direção de fotografia ficou por conta do veterano Carlos Ebert, ABC, que conciliou as cinco visões dos diretores para que estas

“Circular”, da Grafo Audiovisual e Processo Filmes, de Curitiba, foi vencedor do último edital de baixo orçamento do Ministério da Cultura.

dialoguem entre si de modo visualmente harmônico. Os cinco núcleos de personagens principais são protagonizados pelo estrangeiro Carlos (o ator uruguaio César Troncoso), a artista plástica Cristina (Letícia Sabatella), o cobrador e pugilista Lourival (Santos Chagas), o policial evangélico Samuel (Marcel Szymanski) e a banda punk Gengivas Podres (Luiz Bertazzo, Bruno Ranzani, Débora Vecchi e Gustavo Pinheiro). O filme contou com cerca de 50 atores com fala, 300 figurantes e 30 locações. No site www.circular.com é possível conferir os vídeos de making of que foram postados após cada diária de gravação, apresentando o cotidiano das filmagens, além de fotos de bastidores e still, depoimentos, curiosidades, entre outras informações.

O livro das respostas Marta Machado, presidente da Associação Brasileira de Cinema de Animação (ABCA) e produtora da gaúcha Otto Desenhos Animados, lançou em Porto Alegre o livro “Tudo o que você queria saber sobre a comercialização de filmes nacionais e não tinha a quem perguntar”, resultado dos registros de todas as informações colhidas ao longo da trajetória de comercialização do longa-metragem “Wood & Stock – Sexo, Orégano e Rock’n Roll”. Em 2007, a iniciativa recebeu o financiamento do Fundo Municipal de Apoio à Produção Artística e Cultural de Porto Alegre (Fumproarte) e a autora iniciou uma vasta pesquisa de informações sobre comercialização de filmes brasileiros com a colaboração da produtora executiva Ana Adams de Almeida. Por não existir bibliografia especializada no assunto, muitos dados foram organizados a partir de entrevistas com profissionais da área de produção, distribuição, vendas e exibição de obras cinematográficas. O livro está sendo vendido pelo site www.tudosobrefilmenacional.com.br em versões impressa, digital ou áudio-livro. O site tem ainda seções abertas para que os visitantes registrem suas experiências pessoPublicação tira ais na comercialização de filmes e insiram dúvidas sobre a novas perguntas a serem respondidas pela comercialização de autora.

“Biscoito de Vento”, de Thomas Hale e Ana Tonani, está na mostra online do Festival Cine Cufa.

Festival online A Elo Company realiza a primeira mostra online do Festival Cine Cufa (Central Única da Favela). Os 74 filmes participantes dessa 4ª edição do festival, todos eles criados por moradores de favelas, poderão ser assistidos gratuitamente na Internet antes do evento, realizado de 24 de agosto a 5 de setembro, no Centro Cultural do Banco do Brasil, no Rio de Janeiro. Os filmes participantes do festival estarão disponíveis permanentemente desde 2 de agosto no canal Elo Comunidade (www.elocomunidade.com.br) na TV blinkxbrasil by Elo Company. Além de ter acesso aos filmes online, o público poderá votar em seus favoritos até o dia 5 de setembro por meio das redes sociais (Twitter e Facebook) e o filme vencedor será premiado com uma câmera de vídeo.

filmes nacionais.

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De fora

“Cantigas de Roda”, da MultiRio, estreou na TV Cultura em julho.

Tempo de férias A TV Cultura estreou novos programas infantis nas férias de julho. Da TV Ra Tim Bum, canal pago da Fundação Padre Anchieta, a emissora exibiu episódios inéditos de “Cocoricó na Cidade”, “Tchibum TV”, “Cantigas de Roda” e “Juro que Vi”. Os dois últimos são produzidos pela MultiRio, empresa municipal do Rio de Janeiro. A animação nacional “Princesas do Mar”, da Flamma, também entrou para a grade. Entraram também na programação as atrações “Pequeno Bosque Ilustrado” e “Invenções”, do argentino Canal Encuentro.

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A Record pode ficar, mais uma vez, fora da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Radiodifusão). Dia 25 de agosto a associação deverá eleger, em assembleia geral, seu novo conselho superior e conselho fiscal. Na única chapa registrada, não há nenhum representante da emissora de Edir Macedo. Essa não é a primeira vez que a Record deixa a Abert e, há muitos anos, a relação entre ela e as outras emissoras representadas na associação é conflituosa. Segundo fontes ouvidas por TELA VIVA, a relação se deteriorou ainda mais nas últimas semanas. A tendência é que a Record fortaleça a Abratel, associação de radiodifusores que hoje representa sobretudo emissoras ligadas a igrejas evangélicas. A futura presidência da Abert, por sua vez, ainda está indefinida. Existe uma disputa interna entre Edilberto Ribeiro e Orlando Zovico, ambos provenientes da AESP (Associação de Emissoras do Estado de São Paulo). Fontes ligadas à Record informam que a emissora ainda não definiu a sua saída da Abert. No entanto, segundo apurou TELA VIVA, a Record estranhou a forma como foi conduzida a montagem da chapa que deve ser eleita para o conselho superior da associação e que não inclui a emissora. A Record não teria sido consultada sobre seu interesse em participar no conselho da Abert e teria ficado sabendo a composição da chapa apenas depois do prazo final para mudanças. Nada impede que uma emissora que não esteja representada no conselho continue na Abert, mas causou estranhamento que a segunda maior emissora do país em faturamento e audiência não esteja presente.

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( scanner) FOTOs: divulgação

Para o mundo

Curta-metragem “Bolota e Chumbrega: um Guarda-Chuva Muito Especial”, um dos vencedores da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis que ganhou prêmio-aquisição da TV Brasil.

Produção infantil “O Menino no Espelho”, projeto de longa-metragem da mineira Camisa Listrada venceu o 3º pitching da 9º Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, evento que aconteceu entre junho e julho na capital catarinense. A história, que deve ser dirigida por Guilherme Fiúza e produzida por André Carreira, é baseada no livro homônimo de Fernando Sabino. Como prêmio, os autores participarão em 2011 do festival de Buff, na Suécia, em busca de coprodução. Os curtas-metragens “Doido Lelé”, de Ceci Alves; “Bolota e Chumbrega: um Guarda-Chuva Muito Especial”, de Frederico Pinto (animação, RS, 2009, 11), “O Coração às vezes Para de Bater”, de Maria Camargo; e “Zica e os Camaleões”, de Ari Nicolosi Mota, foram premiados, respectivamente, nas categorias melhor filme pelo júri popular, prêmio especial do júri sessão escola, melhor ficção e melhor animação. Os quatro vencedores das categorias principais foram contemplados com um prêmio-aquisição da TV Brasil, no valor de R$ 5 mil cada, e incorporados à programação da emissora pública federal.

Os programas produzidos pelo núcleo de especiais da RBS TV ganharam novos territórios. Os conteúdos serão exibidos em 115 países através da Globo Internacional. Em julho, foram apresentados a série “Longe de Casa” (produzida em 2010, com direção de Gilson Vargas, e que conta com cinco programas que contam a trajetória de cinco gaúchos vivendo em terras estrangeiras) e “Um Italiano Genial” (dirigido por Saturnino Rocha para a série “Histórias Extraordinárias”, de 2004, e que narra a vida e os inventos de um morador de Veranópolis/RS).

“Longe de Casa”, programa produzido pelo núcleo de especiais da RBS TV, foi exibido na Globo Internacional.

Líder HD Duas frentes ajudam as operadoras a ampliar a penetração do serviço de TV por assinatura no Brasil: os pacotes HD e os pacotes voltados à classe C. Segundo o presidente da Net Serviços, José Félix, que falou com jornalistas em teleconferência sobre o balanço do segundo trimestre da empresa no dia 20 de julho, a operadora é líder absoluta em alta definição, se distanciando cada vez mais da segunda colocada (Sky). Félix não citou o número de assinantes. No mês de junho, afirmou, o crescimento da base HD foi 44% acima do previsto para o mês. “A questão é se o crescimento foi impulsionado pelo futebol (por conta dos jogos da Copa do Mundo) ou pelo aumento da base de televisores HDTV”, apontou Félix. A aposta do executivo é que o crescimento acompanha o volume de vendas de televisores em alta definição e que, portanto, a aceleração nas vendas de assinaturas deve se manter mesmo após a Copa. Segundo Félix, percentualmente, o crescimento da base junto à classe C é maior que nas classes A e B, uma vez que a penetração neste segmento da sociedade era muito pequena. Contudo, na mesma apresentação, o diretor de relacionamento com investidores da operadora, João Elek, lembrou que sua rede é limitada, atendendo às classes A, B e C prioritariamente, mas com maior eficácia em regiões das classes mais altas. 10

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Mesmo assim, Elek aposta que os novos produtos lançados recentemente pela Net devem acelerar a penetração do serviço de banda larga popular no estado de São Paulo, que já passa dos 100 mil assinantes. Na nova carteira de produtos da Net, os assinantes de pacotes combo recebem o dobro da velocidade de banda larga contratada. Além disso, os assinantes de combos que portarem seus números de outras operadoras não pagam assinatura do serviço de voz. Com isso, os assinantes de banda larga popular recebem banda de 1 Mbps. Segundo Elek, o lançamento deste produto é recente e, portanto, deve apresentar impacto maior nos próximos trimestres.

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Documentário é uma coprodução entre o Discovery Channel e a Mixer.

Jean Charles O Discovery Channel exibiu em julho o documentário “O Assassinato de Jean Charles”. A atração, sobre a execução do brasileiro Jean Charles pela polícia inglesa dentro de um metrô de Londres após ser confundido com um terrorista, foi ao ar no bloco Discovery Apresenta. O documentário, dirigido por Rodrigo Astiz e financiado com recursos incentivados, é uma coprodução entre o canal e a Mixer.

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O canal TNT exibe em agosto a quarta temporada da revista eletrônica “TNT+Filme”, produzida pela Mixer e dirigida por Kiko Ribeiro e Daniel Augusto. A partir do dia 3 de agosto, o canal exibe às terças-feiras, por volta das 19h, a produção original, que conta com apresentação da atriz e produtora teatral Virginia Cavendish e do crítico de cinema Rubens Ewald Filho. O formato do programa foi exportado para outros países. Em agosto, a produção estreia sua segunda temporada no México e a primeira na Venezuela.

Virginia Cavendish apresenta a quarta temporada de “TNT + Filme”.

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FOTO: Queila Susá

Mais filme


( scanner) FOTO: eduardo laviola

Latido potente

O reality “Busão do Brasil” é um formato da Endemol e tem patrocínio máster do Guaraná Antártica.

Carona para a juventude A Band estreou em julho duas novas atrações dentro da proposta da emissora de rejuvenescer a programação e ganhar audiência: “Busão do Brasil” e “O Formigueiro”. “Os dois programas caem como uma luva tanto para a programação quanto para o mercado publicitário”, disse o vicepresidente comercial da emissora, Marcelo Mainardi. “Busão do Brasil” é um formato da Endemol que já foi exibido na Espanha, Bélgica e Holanda. Trata-se de um reality show em que 12 participantes são confinados em um ônibus de 45 metros quadrados de área útil, equipado com 16 câmeras de alta definição. Após três meses de estrada, passando por 11 estados e 16 cidades, onde os competidores participarão de provas, o vencedor ganhará R$ 1 milhão e uma viagem na companhia de dez amigos que ele escolher. O programa, apresentado por Edgard Piccoli, vai ao ar às sextas-feiras, às 22h. Ainda são feitos boletins diários no prime time da Band e, aos domingos, às 21h30, é exibido um compacto da semana. A atração tem o patrocínio máster do Guaraná Antártica. Sérgio Esteves, gerente de marketing da marca, conta que a intenção da Ambev com a iniciativa é melhorar a conexão com o jovem de um jeito que não seja exclusivo, mas sim inclusivo. “Reality show é para todo o mundo e Guaraná é para todo mundo”, observou Esteves. Segundo Hélio Vargas, diretor de programação da emissora, não haverá pay-per-view do reality show, mas a Band negocia conteúdo exclusivo do programa com empresas de telefonia móvel. Já “O Formigueiro”, programa de humor e entrevistas apresentado por Marco Luque, é um formato da Eyeworks Cuatro Cabezas (a mesma produtora de “CQC”, “A Liga” e “Polícia 24 Horas”). A atração, que tem patrocínio máster da Claro, é transmitida aos domingos às 19h.

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A animação brasileira comercializados para países “Escola pra Cachorro”, da do Oriente Médio, Noruega e Mixer em coprodução com a Suécia. Além disso, no canadense Cité-Amerique, foi segundo semestre, diversos destaque na audiência do produtos da série serão canal Nickelodeon no México lançados no mercado. Em e na Argentina. Em exibição outubro, o DVD da primeira há três meses, a audiência do temporada da atração será canal no México aumentou lançado pela Paramount. 32% no horário em que é Além dos discos, uma coleção exibida, e 131% na Argentina, com oito livros deve chegar às em maio em relação a livrarias pela editora abril. No Brasil, o Bearare. Há contratos programa, que também para o estreou em 12 lançamento de de outubro de álbum de 2009, aumentou figurinhas, em 67% a material de festas audiência do e outros produtos Nickelodeon no com a marca da período em que série. Produtos é exibido, de da linha segunda a de material sexta-feira, às escolar devem 9h. Os dados de começar a ser Produtos licenciados de “Escola audiência comercializados pra Cachorro” chegam ao fornecidos pelo mercado a partir deste semestre. no início do ano canal são do letivo de 2011. Ibope Media. O diretor de As mochilas serão lançadas produção da TV Cultura, pela Vooz. A agência de Marcelo Amiky, afirmou ainda licenciamento do “Escola durante o Forum Brasil, em pra Cachorro” é a Kasmanas. junho, que a série é líder de A Mixer também está em audiência nas manhãs da processo de finalização de um emissora. A segunda acordo com uma ONG de temporada de “Escola pra adoção de cães, com o Cachorro” deve começar a ser objetivo de chamar a atenção produzida em agosto com para a causa do abandono de previsão de estreia no animais, maus-tratos e Nickelodeon no início de adoção. Um selo do programa 2011. Os 26 primeiros deve ser lançado para apoiar episódios da série já foram iniciativas relacionadas.

Balcão A TAL, Televisión América Latina, disponibilizou em seu site (www.tal.tv) um catálogo de documentários latinoamericanos. Exclusivo para obras em fase de comercialização, o catálogo é uma plataforma de interação entre produtores e compradores da região. Documentaristas da região podem cadastrar suas obras em comercialização para as mídias cinema, DVD e TV. Compradores podem pesquisar o catálogo por país, diretor, produtora ou título. V i v a

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FOTO: arquivo

Brendan Fitzgerald, Floresta tem como vice-presidente sênior de objetivo desenvolver produções para a programas customizados América Latina da Sony de acordo com as Pictures Television necessidades de cada (SPT), anunciou em emissora. Este último meados de julho a investimento da SPT faz Floresta, nova jointparte de uma estratégia venture entre o grupo e a de expansão da divisão executiva Elizabetta internacional de Zenatti. A produtora com produção do Grupo. Em sede em São Paulo passa Elizabetta Zenatti lidera a outubro de 2009, a SPT Floresta, uma joint-venture a representar fundou a “Toro com a Sony Pictures exclusivamente no Brasil Television. Produções” na Espanha os formatos de e na Itália, liderada por entretenimento para televisão da SPT, Marco Tombolini e Pasquale Romano. incluindo teledramaturgia. A diretora Em março deste ano, aumentou sua geral Elizabetta Zenatti já está em participação acionária na Tuvalu contato com emissoras brasileiras Media, nos Países Baixos. A SPT para desenvolver produções de também ampliou sua lista de sucesso em diversos países como, por produtoras bem estabelecidas, exemplo, “Quem Quer Ser um através de investimentos na Milionário?”. Além da produção Gogglebox, no Reino Unido, Starling, desses formatos já existentes, a na França e Teleset na Colômbia.

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FOTOS: DIVULGAÇÃO

Mais formatos

“The Pacific”, da HBO, lidera indicações para o Emmy.

Indicações A minissérie “The Pacific”, da HBO, lidera as indicações ao Primetime Emmy Awards 2010, evento que premia os melhores da televisão americana. Em seguida, aparecem “Glee”, exibida no Brasil pelo canal Fox, com 19 indicações, e “Mad Men”, da HBO, com 17. A rede americana que recebeu o maior número de indicações foi a HBO, com 101. A entrega dos prêmios acontece em 29 de agosto, em Los Angeles.

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Patrícia Silveira

Margarida

Sociedade

A Margarida Filmes, empresa do Grupo Ink, reforça seu atendimento em São Paulo com a chegada de Patrícia Silveira. Há oito anos no mercado, a profissional tem passagens como RTV pela QG Propaganda, Fischer+Fala! e como atendimento na Prodigo Films. Patrícia junta-se à equipe paulista composta por Milena Trindade, Juliana Emeric e Roberta Frederico.

O Canal Brasil ganhou um novo sócio: o produtor de cinema André Saddy, que é gerente de marketing e projetos do canal desde 1999. Esta é a primeira mudança societária do Canal Brasil, que completa 12 anos em setembro e pertence à Globosat e ao Grupo Consórcio Brasil, formado por Luiz Carlos Barreto, Zelito André Saddy Vianna, Marco Altberg, Roberto Farias, Anibal Massaini Neto, Patrick Siaretta e Paulo Mendonça (diretor geral do canal).

Foto: Daniel Ducci

Fotos: divulgação

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Diretor Race TV O jornalista e radialista Octávio Muniz (ex-TV Bandeirantes e Rede Vida de Televisão) assumiu a direção do Race TV, canal multimídia de motorsports. O profissional já integrava o quadro de jornalistas do canal no programa “Super Podium”.

ABTU Foto: Vinícius Soares

Ricardo John foi anunciado como diretor de criação executivo do escritório de São Paulo da Giovanni+Draftfcb. Ele será responsável pelo trabalho criativo, integrando as áreas de propaganda e de online. A mudança faz parte do projeto de reestrutura operacional para atender os clientes que demandam campanhas offline e online.

A WMcCann promoveu Fabio Matiazzi a diretor geral de criação online. O diretor de arte está há quatro anos na agência e tem passagem pela EURO RSCG 4D. Matiazzi trabalhará ao lado de Fernando Penteado, também diretor geral de criação online.

Fabio Matiazzi

Planejamento Gabriel Zuccoli é a mais recente contratação da Ínsula, empresa de ativação, promoção, eventos, digital e direct do grupo NEOGAMA/BBH. O profissional (ex- Urban Summer Digital Creative) é o novo gerente de planejamento digital da agência. Zuccoli tem passagens pela Hub Comunicação Digital, Credicard Citi e Giovanni + DraftFCB.

Área móvel O Esporte Interativo contratou Manoela Castello como diretora de sua área móvel. Há oito anos no mercado de entretenimento digital e de telecom, a profissional registra passagens pela Oi, Arvato Móbile Brasil e KIUI – CitelGroup. 14

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Sócio O diretor executivo de conteúdo infantojuvenil e captação da Mixer, Tiago Mello, tornou-se sócio da produtora. Na Mixer desde 2005, Mello está à frente dos projetos voltados ao público infantojuvenil, como a série de animação “Escola pra Cachorro”. A participação societária do executivo abrange também o Grupo Etc... Participações S/A, (controladora da Mixer), que tem João Daniel Tikhomiroff Tiago Mello como presidente, Gil Ribeiro como vice-presidente e Michel Tikhomiroff como diretor executivo artístico. •

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Foto: marcelo kahn

Digital

A Associação Brasileira de Televisão Universitária (ABTU) realizou sua eleição de diretoria para o biênio 2010 - 2012. Foi reeleita a diretoria anterior, tendo na presidência Cláudio Márcio Magalhães, do Centro Universitário UNA, de Belo Horizonte. A ABTU completa dez anos em 2010 e prevê uma série de projetos. Um deles, realizado em parceria com a EBC, pretende catalogar a produção das TVs universitárias com o objetivo de disponibilizar o conteúdo para players nacionais e internacionais. A entidade agrega mais de 50 IES - Instituições de Ensino Superior, sendo 22% públicas, como USP, UnB, Unicamp e mais sete universidades federais.


Comercial Criação

A Discovery Networks Latin America/ US Hispanic anunciou a promoção de Lilian Akyama a gerente de vendas comerciais no Brasil. Baseada em São Paulo, a executiva se reporta a Raul Costa, vice-presidente de vendas comerciais da Discovery Networks no Brasil. A profissional entrou para o time da Discovery em 2006, depois de nove anos de atuação na Unilever nas áreas de vendas, trade marketing e marketing.

A Rapp Brasil reforça sua área de criação com a contratação dos redatores Fernando Luiz de Oliveira (exSM e Repense) e Beatriz Campagnolli Funari (ex-iThink) e dos diretores de arte Felipe Barros Andrade (exBuzz) e Malu Serraglio (Z+ e Publicis). Os profissionais trabalharão com as contas de Itaucard, Pernambucanas, Volkswagen e Nycomed.

Atendimento

Atendimento A NBS contratou uma nova profissional de atendimento para o escritório de São Paulo. Gabriela Yamamoto (ex-Leo Burnett Brasil, McCann e Rapp Collins) trabalhará para as contas Sul América Seguro e Previdência, Suvinil e Eskala.

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A Hotel Filmes contratou Priscila Andrade para o atendimento. Pós-graduada pelo Instituto Nacional del Arte, da Argentina, Priscila trabalhou nos últimos dois anos em produtoras de Buenos Aires e retorna ao País para integrar a equipe comandada por Luciano Traldi na captação de projetos de publicidade, entretenimento Priscila Andrade e novas mídias.

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Ana Carolina Barbosa

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Possibilidades largas Provedores de conteúdo encaram as TVs conectadas como uma maneira de ampliar a presença da marca e o contato com a audiência.

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m junho do ano passado, a Samsung trouxe ao mercado brasileiro o primeiro aparelho de televisão com conexão à banda larga, que permite ao usuário acessar conteúdo da web diretamente em sua televisão. A novidade, também conhecida como broadband TV, colocou mais pimenta na polêmica discussão sobre a perda de audiência da TV para as novas mídias, mas o fato é que, um ano depois, com mais opções de aparelhos conectados no mercado e fabricantes em busca de parceiros nacionais, provedores de conteúdo já exploram com entusiasmo as possibilidades da broadband TV, encarando-a em um primeiro momento como uma maneira de ampliar a presença da marca e os pontos de contato com a audiência e como mais uma fonte de receitas publicitárias no futuro. Os portais saíram na frente, mas os canais de pay TV e os broadcasters já sinalizam que não ficarão para trás. O Terra foi um dos primeiros a firmar parceria com fabricantes para levar conteúdo às TVs conectadas. Segundo Tiago Romazzini, diretor de inovação do portal, a decisão de participar deste novo negócio está, em primeiro lugar, relacionada à expansão da marca. “É importante que a marca esteja em todos os lugares fora da web e FOTO: zé paulo cardeal

do celular. No caso das TVs, fomos muito mais pelo lado da inovação do que do tráfego”, observa o executivo, destacando que o desenvolvimento mantém a identidade visual do Terra, a árvore de navegação, o conteúdo do portal e o nome dos produtos já conhecidos na Internet. Ainda em junho do ano passado, o portal criou widgets de texto e de previsão do tempo nos aparelhos da Samsung (TV e Blu-ray). Em notícias, o usuário tem acesso ao conteúdo noticioso do Terra, com atualização em tempo real, tal como na web. Os textos não passam por uma edição específica e podem ser lidos na íntegra com o auxílio de uma barra de rolagem. O usuário pode ainda ativar os tickers para que as manchetes das notícias e previsão do tempo que entram no sistema apareçam na tela enquanto ele assiste a alguma atração. Em previsão do tempo, o Raymundo Barros, da Globo: emissora faz testes para entender a plataforma do ponto de vista tecnológico e da experiência do usuário.

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usuário também pode programar seis cidades para uma consulta rápida. Atualmente, estes dois widgets estão também disponíveis no aparelho da Samsung na Argentina, Chile, Colômbia, Venezuela e Peru. Em março deste ano, o portal incluiu somente no Brasil os widgets galeria, com as fotos legendadas do portal, e o Terra TV, que é o serviço de vídeo. Atualmente, o conteúdo de vídeo está disponível também nos aparelhos conectados LG e, brevemente, deve estar na Sony. O primeiro parceiro de conteúdo nacional da Sony foi o iG, em junho de 2010, motivado por questões semelhantes às do Terra. “Desde novembro, o grupo tem como estratégia a expansão para


no negócio e aprender para no momento em que a plataforma ganhar massa crítica, estarmos bem preparados”.

FOTOs: divulgação

“Acreditamos que essa é uma poderosa plataforma para desenvolvedores de conteúdo, porque é um meio altamente escalável para que os grupos de mídia possam expandir suas marcas, serviços e conteúdo para um mercado de massa, que é a tela da TV.” Russ Schafer, do Yahoo!

novas plataformas, aí surgiu esta oportunidade de TVs com acesso à Internet”, explica Caíque Severo, diretor de conteúdo do portal. Atualmente, o iG disponibiliza vídeos produzidos pelo próprio portal, com foco em entretenimento, como o musical “Canja”, o programa de moda e beleza “Hiperativa” e o “Faça Você Mesmo”, com dicas para fazer coisas em casa. “A forma de uso é on demand, o conteúdo está sempre disponível. A gente tem que pensar em coisas

Vídeos Apesar de a distribuição de conteúdo pelas TVs conectadas ser uma atividade recente e de escala limitada, os provedores, por meio dos relatórios e estatísticas de uso, já tem uma noção daquilo que mais têm agradado o consumidor. “O consumo de vídeo é bem importante”, afirma Romazzini. O executivo do Terra conta que o acesso a vídeos tem sido forte em notícias e esporte e, agora, o portal tem experimentado oferecer mais

complementares porque a intenção não é competir nem com a TV paga nem com a TV aberta”, diz Severo. O UOL também oferece conteúdo nas TVs conectadas da LG desde maio deste ano. São textos, vídeos e fotos das estações notícias, entretenimento e esportes, além de uma home page do portal editada especificamente para esse canal. “Para o grupo, tudo o que é digital vale a pena”, explica Enor Paiano, diretor de publicidade do UOL. “Há um tempo, a Internet também era limitada, mas a gente tem que entrar

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( capa) O iG optou por trabalhar com vídeos focados em entretenimento produzidos pelo próprio portal nas TVs conectadas da Sony.

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vídeos de entretenimento. Romazzini destaca que o perfil de uso ainda tende a mudar com a melhoria da velocidade da banda larga nas residências (hoje, para funcionar bem, o serviço precisa de pelo menos 1Mbps) e aquisição de direitos de novos conteúdos para este dispositivo. O Terra oferece na Internet acesso a filmes e séries em modelo catch up, com episódios disponíveis na rede pouco tempo depois da exibição na televisão. A ideia é que este tipo de conteúdo possa ser levado também para a broadband TV, assim como os eventos ao vivo dos quais o portal adquire direito de transmissão. Os jogos de basquete da NBA já foram negociados para exibição em diversos dispositivos. De acordo com Romazzini, os parceiros não têm apresentado resistência e têm se interessado em disponibilizar conteúdo nesta nova plataforma. Russ Schafer, diretor sênior da Yahoo! Connected TV, plataforma criada pela Yahoo! para levar conteúdo da web à televisão e atender à demanda de usuários que desempenham várias tarefas enquanto assistem TV, aponta os widgets de vídeo como um dos favoritos da audiência ao lado das redes sociais. Em janeiro de 2009, o Yahoo! estabeleceu parcerias com diversos fabricantes, como Samsung, Sony e LG para o serviço

Yahoo! Connected TV e hoje a estimativa é que ele está disponível em mais de 3 milhões de aparelhos em mais de 100 países, com 53 widgets. Globalmente estão disponíveis widgets do Facebook, Twitter, Yahoo! News, Yahoo! Finance, Flickr, eBay e USA Today. Para o mercado americano, a oferta é mais ampla, com Amazon Video on Demand,

escalável para que os grupos de mídia possam expandir suas marcas, serviços e conteúdo para um mercado de massa, que é a tela da TV”, analisa Schafer. Negócio principal Até mesmo para quem já tem na tela da televisão o foco do trabalho, as TVs com conexão à Internet têm se mostrado uma

avanços na tecnologia, adesão aos aparelhos e o fator inovação devem estimular os anunciantes a experimentarem a plataforma. Blockbuster, Pandora, MyLocalTV, Yahoo! Video, CBS, MyCast e YouTube. De acordo com o executivo, em 2010, o foco do grupo deve mudar da validação da tecnologia para o aumento da distribuição e criação de conteúdo. “Acreditamos que essa é uma poderosa plataforma para desenvolvedores de conteúdo porque é um meio altamente

Aposta das fabricantes A broadband TV foi uma das apostas das fabricantes em 2010, ao lado do 3D, no mercado nacional. A Samsung foi pioneira, lançando em junho do ano passado o primeiro aparelho com a ferramenta Internet@TV, em parceria com o Terra e com o YouTube. Em 2010, as parcerias foram ampliadas e os aparelhos conectados da marca oferecem widgets da ESPN Brasil, Cybercook, Skype, Apontador, Getty Image, History Channel, Picasa e Twitter. Os 25 novos modelos de aparelho de televisão que a Sony lançou no mercado nacional neste ano contam com a função Internet Bravia Video. A fabricante tem 20 parceiros de conteúdo. Entre os nacionais, o primeiro foi o iG, com conteúdo disponível desde junho. O UOL entrou no fim de agosto e, para setembro, estão programadas a entrada da Band, SBT e Terra. Já a LG afirmou que metade dos modelos lançados até o final do ano terão a acesso à Internet e a fabricante já tem o UOL e o Terra como parceiros nacionais. A Panasonic tem um aparelho de TV e um Blu-ray conectado (função Viera Cast). Os parceiros são YouTube, Picasa, Skype, Bloomberg e Weather Channel.

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plataforma não só atraente, como necessária, devido às mudanças nos hábitos de consumo de mídia. O SBT e a Band fecharam acordo com a Sony e devem levar conteúdo à linha de aparelhos conectados da fabricante a partir de setembro. “A indústria de broadband TV é um degrau essencial para o futuro do entretenimento digital. Sua plataforma permite a entrega rápida de vídeos digitais, trazendo para o aparelho de televisão a natureza on-demand da Internet. Isso é fundamental para atender às necessidades de um público cujo hábito de consumo de conteúdo está em constante transição devido às novas tecnologias”, diz Renata Abravanel, coordenadora do SBT, lembrando que o controle da “grade de programação” que até há pouco era das emissoras, deslocou-se para o usuário.


rápido e customizado de acesso ao conteúdo da televisão”, observa Anderaos. Segundo o executivo, esta oportunidade tem sido um “grande laboratório” também para os testes do canal de retorno, já que alguns aparelhos disponíveis no mercado possuem receptor digital integrado e hardware preparado para o iDTV (Ginga). A Globo não tem parceria firmada com nenhum fabricante, mas vem desenvolvendo testes para enteder a plataforma do ponto de vista tecnológico e da experiência do usuário. “Temos que considerar que os novos televisores conectados possuem telas a partir de 32”, portanto, o aproveitamento dos vídeos e do lay out típicos dos sites da web não são adequados para essas

Renata Abravanel, do SBT: controle da grade de programação deslocou-se da emissora para o usuário.

FOTO: roberto nemanis

A ideia é disponibilizar, aos poucos, toda a programação da emissora em modelo catch-up. “Focamos também na exibição de programas na íntegra, pois, devido à comodidade que a experiência oferece, o usuário de broadband TV dispõe de um tempo maior para o consumo de conteúdos mais longos”, explica Renata. A emissora ainda prepara conteúdo específico para a plataforma. Trata-se do “SBT+”, programete sobre os bastidores dos programas e eventos da emissora. Na Band, a decisão de distribuir conteúdo pelas TVs

conectadas é uma orientação da presidência, de buscar a maior exposição possível dos conteúdos do grupo, no maior número possível de plataformas, como conta Ricardo Anderaos, diretor de negócios online da Band. O usuário do aparelho com acesso à Internet da Sony terá acesso a vídeos do portal eband, que reune conteúdo da Band e dos outros canais do grupo, o BandNews, o BandSports e o Terra Viva. “A vantagem desta plataforma é que os fabricantes criaram um sistema

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“A vantagem desta plataforma é que os fabricantes criaram um sistema rápido e customizado de acesso ao conteúdo da televisão.”

novas telas. Adicionalmente, a interface com o usuário tem o controle remoto como dispositivo de controle e não o mouse e teclado típicos da web”, frisa Raymundo Barros, diretor de engenharia da emissora. “Nossos estudos indicam que temos que proporcionar uma experiência semelhante a que os telespectadores possuem na TV aberta digital, portanto, temos que enfrentar a questão da disponibilidade de banda larga para definir qual a qualidade mínima aceitável na plataforma e um modelo de navegação intuitivo e simples”. Barros destaca que não existe um padrão tecnológico único, o que exige um desenvolvimento específico para cada fabricante. “Isso reduz a possibilidade de inovação, pois é economicamente inviável desenvolver e manter múltiplas plataformas simultâneas”. O engenheiro, no entanto, admite que, as novas plataformas conectadas, se compartilhassem um padrão único, permitiriam explorar novos modelos de distribuição de conteúdo sob demanda tanto no modelo catchup como na alavancagem do acervo da emissora. Entre os canais de pay TV, apenas dois já

Ricardo Anderaos, da Band

têm widgets nos aparelhos disponíveis no mercado nacional: History Channel e ESPN, ambos na Samsung. José Papa Neto, diretor de novos negócios da ESPN, conta que o conteúdo do grupo, textos e vídeos da web e do canal de televisão, começaram a ser oferecidos pelos aparelhos conectados em maio de 2010. “Por trás da nossa cadeia de

FOTOs: divulgação

( capa) Publicidade A expectativa dos provedores de conteúdos é que, passada a fase de experimentação e com a consolidação da plataforma, a broadband TV possa gerar renda com venda de publicidade, o que ainda é um desafio dada a escala limitada. “Avanços na tecnologia e a adesão dos consumidores às TVs conectadas estão transformando a maneira como as marcas líderes buscam engajar a audiência. Marcas querem maximizar a exposição e

terra aderiu à broadband TV mais pela inovação do que pelo tráfego. valor, nossa produção tem que atender qualquer plataforma. É benéfico que as redes e os hardwares evoluam. O que a gente tem de maior ativo é o conteúdo. A gente sabe o quanto custa produzir e gerar opinião sobre determinado conteúdo”, diz Neto, ressaltando que é fundamental para o grupo estar apoiado em um modelo de negócio sólido.

“Por trás da nossa cadeia de valor, nossa produção tem que atender qualquer plataforma.” José Papa Neto, da ESPN

A terra prometida Não só as fabricantes, mas também os provedores de conteúdo veem o Brasil como um país promissor para a broadband TV. “O Brasil é um mercado importante para o Yahoo!, um país onde vemos grandes oportunidades para engajar os consumidores. A penetração de Internet no mercado cresce rapidamente”, observa Russ Schafer, diretor sênior de Yahoo! Connected TV. Ele acredita que, na medida em que as pessoas comprem novos televisores ou outros aparelhos conectados, elas desejarão ter acesso aos mesmos serviços que encontram no computador ou celular e a TV conectada é uma extensão natural deste processo. Tiago Romazzini, diretor de inovação do Terra, destaca que um dos atrativos do grupo é a atuação em vários países da América Latina, o que permite aos fabricantes estabelecer parcerias regionais em uma só negociação. Segundo o executivo, entre os países da região em que o serviço está disponível, o Brasil é o que está mais evoluído.

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TVs com acesso à Internet apresentarão um novo caminho de atingir a audiência consumidora com a mensagem certa”, palpita Schafer, com base nas previsões otimistas das fabricantes. Tiago Romazzini, do Terra, acredita que o apelo inovação, que levou o portal a experimentar esta forma de distribuição de conteúdo, também pode funcionar entre os anunciantes, que querem ter suas marcas associadas a projetos diferenciados. Ele acredita que os anunciantes terão interesse pelo produto, especialmente porque já estão acostumados e já conhecem as outras possibilidades do grupo. “Se fosse para vender só a TV, seria mais difícil”, afirma. O UOL também busca modelos. “É diferente da Internet porque não dá para clicar, mas dá para trazer a marca para dentro daquele ambiente e da sala do consumidor”, observa Enor Paiano. Para os provedores de conteúdo, a broadband TV ainda é um mundo desafiador, porém, todos concordam com as palavras de Schafer: “As oportunidades estão escancaradas”.


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( entrevista)

André Mermelstein

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De tela em tela Diretor geral do Google no Brasil fala da nova plataforma para a TV da gigante da Internet e diz que mudanças no consumo de mídia serão maiores do que se pensa.

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FOTO: Marcelo Kahn

uem ainda enxerga o Google como uma empresa apenas de Internet precisa rever rapidamente seus conceitos. A marca é hoje um dos nomes mais fortes também na indústria de telefonia celular, com seu sistema operacional Android, e pretende levar sua plataforma, a partir deste ano, para telas maiores, com o Google TV, sistema de busca e organização de conteúdos para a TV lançado no início deste ano. Coincidência ou não, seu diretor geral para o Brasil, Alexandre (Alex) Dias, foi “pinçado” justamente do setor de TV por assinatura, bem como seu antecessor no cargo, Alexandre Hohagen, ex-HBO, que foi para a direção do Google na América Latina. Engenheiro formado pela Unicamp, Dias foi diretor de vendas e marketing da Sky no Brasil, e CEO da DirecTV na Argentina e Uruguai até sua contratação pelo Google, em 2008. Nesta entrevista exclusiva, ele falou a TELA VIVA sobre o papel do Brasil para a empresa, e sua visão sobre o futuro do consumo de mídia em múltiplas plataformas.

Alex Dias, do Google

escalável - no segundo dia já está disponível no mundo todo. Dentro disso, o Brasil é um dos mercados de maior volume no mundo, e obviamente o Google percebe isso. São 200 milhões de habitantes, 75 milhões de usuários de Internet, em LAN houses ou em casa. É uma massa muito considerável. Que posição o país ocupa entre os usuários dos serviços do Google? Quando se fala em comportamento do usuário, o Brasil está sempre entre os “top 5” ou “top 10” em número de usuários, dependendo do serviço. Em buscas, por exemplo, nosso principal serviço, está entre os dez maiores. Em e-mail e YouTube, está no “top 5”. E em Orkut é o número um, claro. O que vemos é uma demanda crescente. Dentro do Google, o Brasil é o país que mais cresce.

TELA VIVA Qual a importância do Brasil na estratégia do Google? Alex Dias O Google é uma plataforma global, deve ser uma das empresas mais globalizadas do mundo. É fundamentado no fato de que qualquer produto que você lança hoje na Internet tem o benefício de ser imediatamente

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E isso já se reflete na receita? Reflete em crescimento, no potencial que o país tem. Esse é o diferencial. O Brasil é uma operação relativamente pequena dentro dos U$ 30 bilhões que o Google fatura. Mas não é só a monetização hoje. Estamos olhando o crescimento. E há a questão da mobilidade social, que hoje já absorve a questão tecnológica muito mais rapidamente que há cinco ou dez anos. É só ver o que acontece com o celular. É impressionante, por exemplo, a velocidade com que os players locais já falam de tablets, uma coisa super premium, que acabou de ser lançada, e aqui já existe uma movimentação. A empresa desenvolve produtos no país, ou apenas


traduz o que vem de fora? Nosso desenvolvimento é diferente do tradicional. Não fazemos localização. Os centros de desenvolvimento pelo mundo trabalham integrados. Os projetos são colaborativos. Temos um centro de desenvolvimento em Belo Horizonte que trabalha em conjunto com outros centros no mundo. Por exemplo, temos um grupo de “quality search”, que trabalha nos fundamentos da busca, na melhoria da qualidade da busca. Este grupo desenvolve para o mundo todo, trabalha não só pra melhoria da experiência do usuário no Brasil, mas em todo o mundo. Além disso há aqui um grupo importante, como não poderia deixar de ser, que cuida do desenvolvimento do Orkut. O Brasil tem uma “ownership” do

Orkut e desenvolve o serviço junto com a Índia e outros países.

generated content”), do conteúdo amador, mas há também uma janela importante para o conteúdo mais profissional, dos nossos parceiros. Este consumo, até pela característica da interatividade, é muito diferente do consumo da televisão. Há uma diferença muito grande entre o que é premium e o que é popular. O popular, quando chega a 5 milhões, 20 milhões de views, começa a trazer elementos muito novos pro consumo de mídia de uma maneira geral. O YouTube tem essa característica, então faz a gente experimentar, para entender como esse consumo de mídia evolui. O que a gente já conhece? Sabemos que é uma plataforma que as pessoas acessam, tem milhares de pageviews, as pessoas buscam (NR: depois do Google, o YouTube

O YouTube é a maior plataforma de vídeo online do mundo. Em outros países, o site vem trabalhando com vários provedores de conteúdo

“tem um fenômeno que ainda não aconteceu inteiramente no Brasil, que é uma profissionalização do conteúdo amador online”. profissional, deixando um pouco de ter apenas conteúdos gerados pelo usuário (UGC). Isso se repete no Brasil? A gente percebe que, no comportamento do usuário, o consumo de vídeo se estende além do UGC (“user

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( entrevista ) há várias experiências interessantes dos grupos, que estão vendo novas formas de consumo, o cara que vê várias vezes o mesmo vídeo, ou que busca rever uma cena do jornal ou da novela.

FOTO: Marcelo Kahn

é a segunda maior plataforma de buscas). Aliás, temos pesquisado formas de evoluir essa busca. Hoje é por tags (palavraschave), mas estudamos como podemos fazer para que o sistema reconheça os vídeos, vozes, os temas que estão sendo discutidos naquele vídeo, e busque as imagens. Na web as pessoas se engajam. Eu vim de pay TV e já havia essa pergunta, “como as pessoas se engajam”, e se falava na integração do mundo offline com o mundo online. No YouTube é assim, são 24 horas de conteúdo adicionados por minuto. As pessoas se envolvem, elas gostam daquela plataforma. Esses aspectos da experiência de consumo de vídeo são muito ricos e facilitam a experimentação. Nesse sentido, a gente vem buscando cada vez mais parceiros, desde que eles estejam abertos a experimentar com tecnologias como essa, discutindo parcerias onde a gente dá ferramentas de controle dos direitos, com várias opções para monitorar, monetizar. São várias possibilidades. Eu diria que estamos engajados em negociação com 100% dos grupos de mídia hoje no Brasil. Agora, tem um fenômeno que ainda não aconteceu inteiramente no Brasil, que é uma profissionalização do conteúdo amador online. O cara gera um conteúdo que atinge 5, 10 milhões de views, ele está criando algo que é popular e premium, começa a ficar sofisticado. Isso ainda não está acontecendo muito por aqui. O Brasil, nossos estudos mostram, tem uma lacuna, um atraso de três a cinco anos na adoção de tecnologias, uso de Internet, em relação aos mercados mais desenvolvidos, EUA e Inglaterra. Os anunciantes também começam a testar isso e isso traz um elemento muito novo ao ecossistema. Nos EUA já

“Nossa aposta é que (o google TV) funcione, porque vivemos um timing diferente do que há cinco, dez anos, quando já se falava na integração de Internet com TV”. perceberam a questão do engajamento. Marcas são lançadas pela Internet, produzindo conteúdos engajadores, de baixo custo, com grande sucesso. Para esses parceiros premium, vocês têm modelos de negócios diferenciados? Como isso funciona? Os modelos, de maneira geral, não variam tanto assim. Você monetiza por venda (do conteúdo), o que ainda não é uma coisa feita em escala massiva pelo YouTube, ou você vai monetizar por revenue share (de publicidade). Esse share pode ser de zero a qualquer número. O que os parceiros vêm aprendendo com as novas tecnologias que temos colocado à disposição, de controle de direitos etc, é que uma estratégia como essa, de publicação de vídeos no YouTube, não é estanque. Tem que fazer parte de uma convergência, de uma integração de mídias. Isso tem começado a aparecer mais,

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Vocês lançaram este ano o Google TV. Alguma perspectiva de chegar ao Brasil? A plataforma foi lançada recentemente nos EUA, chega às lojas agora no outono (norteamericano), com parceiros fortes como Sony, Logitech, Best Buy... deve ser como foi com o Android há 18, 24 meses. A gente tinha um OEM (fabricante terceirizado), um operador e um aparelho. Pro lançamento é importante ter um controle sobre como a experiência do usuário vai realmente acontecer. O roadmap é semelhante, vai se limitar no começo ao mercado americano e a esses partners, pra gente entender como o público interage, qual é a demanda. Nossa aposta é que funcione, porque vivemos um timing diferente do que há cinco, dez anos, quando já se falava na integração de Internet com TV. Melhorou tudo, desde a arquitetura de hardware, com processadores mais potentes, até a questão da penetração e maturidade da Internet e da banda larga. Tem ainda o elemento “search”, a “encontrabilidade”, que é relevante para a televisão. Tem que integrar mídias. Por isso estamos colocando uma plataforma baseada em Android e no browser Chrome, que tem características importantes de velocidade, latência, acesso etc. A plataforma será mais aberta do que a Apple TV, ou mesmo essas broadband TVs que os fabricantes colocaram no mercado, nas quais há um filtro para o conteúdo disponível?

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( entrevista ) cartoon japonês. Você não vai tirar da cabeça desse jovem que ele vai consumir aquilo que ele quiser. Essa onda que está vindo não é nada linear, é altamente disruptiva, e vai acontecer.

FOTO: Marcelo Kahn

O Google TV é uma plataforma aberta, com browser, que vai buscar todos os conteúdos de mídia, bookmarks, customizar o seu consumo de mídia para todas as plataformas que estão ligadas ali. Vai interligar seu DVR, a Internet, o que houver. É uma plataforma aberta, que pode acessar o conteúdo de tudo o que esteja conectado. Vai haver uma “locadora virtual” do Google, uma biblioteca de conteúdos? Não. A melhor definição é um sistema operacional, com um browser, que te dá uma nova interface com a televisão, que não existia. É o mesmo conceito do Android, aberto. Vai ter espaço para aplicativos, pra comunidade de desenvolvedores. A gente não tem o controle. É uma plataforma aberta de acesso.

“É um clichê, mas obviamente a convergência vai passar por cima de qualquer um desses devices, seja ele televisão ou não”.

E aí pode haver um aplicativo de uma locadora virtual, como a Netflix nos EUA? Sim, ela (a plataforma) prevê uma forte dimensão de “apps”, faz todo o sentido. É mais uma tela, como o celular, o iPad. Ela prevê uma camada de aplicativos.

adotando modelos que são absolutamente antagônicos aos modelos que valem na Internet hoje. Se você fizer uma comparação com a Apple, versus uma empresa de pay TV, a Apple vende um device, a operadora vende um acesso. Eu tinha esse debate dentro da DirecTV: como é que você tem um computador, que é o set-top box, com tanta tecnologia, processamento, e que é esquecido debaixo da TV, não usa pra nada? É a contramão da história do que é um device. Você coloca tecnologia, processamento, e vende isso, as pessoas compram. Na indústria de TV isso não ocorreu. Essa evolução foi sendo mais ou menos linear até agora, mas será mais disruptiva do que as pessoas pensam. Um colega me contava de seu filho de 12 anos, que está ligado em cartoons japoneses. E tem uma molecada ligada nisso, assistindo 20 minutos por dia de

Como alguém que veio de televisão, qual a sua visão sobre o futuro do consumo de televisão, entre linear e não-linear? Que espaço cada um vai ocupar? Eu defendi tanto tempo o espaço que a TV deve ocupar (risos). O problema é o seguinte. É um clichê, mas obviamente a convergência vai passar por cima de qualquer um desses devices, seja ele televisão ou não. A indústria de TV, dentro desses devices, é a mais madura e a mais “entrincheirada”, por razões óbvias. É uma tecnologia que sempre teve muito poder, com a questão do broadcast. É hoje pulverizada do ponto de vista de grupos econômicos, e acabou

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E em relação aos modelos? A onda também é disruptiva para os modelos de negócio. Como ficará essa reconfiguração do mercado? Quem paga pelo cartoon japonês? Temos dois extremos de modelos: 100% pago e 100% grátis, bancado por publicidade. O que eu acho que está acontecendo é que depois de se testarem os modelos e se virem as debilidades de ambos, porque os dois têm debilidades, se está testando como essa onda de conteúdos se adapta ou se readapta a modelos híbridos. Eu não acho que o modelo de subscription morreu. Muita gente diz “eu não vou pagar de jeito nenhum”, mas isso é se o conteúdo não se autosseleciona, se autossegmenta. À medida em que ocorre uma tendência natural desse conteúdo se autoagregar em segmentos, você vai pagar por algo que considera premium e que já não tem mais o acesso livre, como é até agora. Também não esqueça que o que está acontecendo hoje em termos de precificação da publicidade online está alterando esse gráfico. A publicidade online começou no Brasil e no mundo como um “underdog”, se pagavam centavos. Isso vai acabar. Qual o valor que se tem em ver um vídeo de uma cerveja na TV aberta, em 30 segundos, passivamente, contra você interagir com esse vídeo durante três minutos, num YouTube, onde você clicou, viu, compartilhou no Facebook dizendo que gostou daquilo, fez um rating...? São experiências completamente diferentes e que precisam ser reprecificadas. É o que está ocorrendo hoje.


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( tv por assinatura) Samuel Possebon

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Difícil recomeço Depois de anunciar abertura irrestrita do mercado de TV a cabo, Anatel enfrenta resistências e tira o pé do acelerador. Pressões pela expansão do mercado continuam atuando.

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mercado brasileiro de TV por assinatura começa a entrar em uma nova fase. Com a perspectiva de que nos próximos meses a Anatel retome o processo de outorgas de concessão para TV a cabo, surge no horizonte a possibilidade concreta de entrada de novos players, novos investidores, uma intensificação na demanda por equipamentos, pela construção de redes e por novos conteúdos. Isso porque, ao que tudo indicava até então, a agência reguladora havia decidido, no final de maio, depois de quase uma década, liberar concessões em cidades ainda não atendidas. Mas o que parecia ser um cenário positivo para a indústria, está longe de ser um ambiente tranquilo e consensual. Ao contrário, são muitos os obstáculos que se colocam a essa abertura irrestrita do mercado, existem riscos reais, existem fatos utilizados como supostas ameaças para a defesa de posições específicas de mercado, há muita confusão regulatória e pouca certeza sobre os benefícios específicos de determinadas medidas. A origem desse ambiente foi a decisão da agência tomada no final de maio, quando o conselho diretor decidiu suspender cautelarmente os efeitos do Planejamento de TV por Assinatura, um instrumento de balizamento do mercado existente desde 1997 e que dizia, basicamente, quantas operadoras de cabo e MMDS poderiam existir em cada cidade. A sinalização da agência com essa

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decisão cautelar foi dizer ao mercado que não haveria mais limites ao número de operações de cabo em cada localidade e que as outorgas, a partir daquele momento, seriam concedidas a quem as pedisse, desde que passando por um processo de qualificação técnica e jurídica. Ato contínuo, sem um limite para o número de outorgas, a Anatel também declarou a inexigibilidade de licitação para concessões de cabo. Ou seja, a expansão do mercado não se dará mais por um concorrido processo de licitação, em que cada pleiteante prepara um projeto e se dispõe a pagar alguns milhões de reais por concessão. O que a agência propõe é um modelo mais simples, do tipo “pediu, ganhou”, como é hoje o processo de autorização para licenças de telefonia fixa (STFC), serviços multimídia (SCM) ou mesmo DTH (nesse caso, o valor da licença é bem mais alto, mas ainda assim sem a necessidade de uma disputa por licitação). O princípio do conselho diretor para tomar essa medida é que o setor de TV a cabo independe de bens escassos, como o espectro, e que o mercado

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já atingiu um ponto de maturidade em que não se justifica mais a preservação de pequenas reservas de mercado para que ele se desenvolva. Prova disso é que a expansão do mercado no segmento de DTH, que tem cobertura nacional, é muito mais intensa do que a expansão das redes de cabo e MMDS existentes, restritas à área de um município ou região metropolitana. Mas a TV a cabo é um ambiente muito mais complexo jurídica e economicamente do que o setor de SCM ou mesmo de STFC. A começar porque segue uma lei própria, a Lei do Cabo, de 1995, e uma série de regras específicas que tratam desde o processo de licitação até o compartilhamento de redes entre operadores. Depois, porque o mercado de TV a cabo envolve interesses de grupos de comunicação e empresas de telecomunicações, e está no limiar entre o setor de radiodifusão e o de Internet. Geopoliticamente, a TV por assinatura em geral, mas a TV a cabo especificamente, é um segmento que está na fronteira entre os mercados de TV, banda larga, telefonia e infraestrutura. Quando o conselho da Anatel, por meio de uma frágil cautelar, sinalizou que abriria irrestritamente esse setor, despertou a cobiça de muitos setores, o receio de outros e mexeu em uma caixa de marimbondo que estava há quase uma década isolada. A cobiça surgiu principalmente das empresas de telecomunicações, que há muito tempo queixam-se de não conseguir oferecer aquilo que as operadoras de cabo oferecem,

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Detalhes complicados O problema de todo esse quadro são justamente as exceções. E há duas exceções importantes a essas restrições para que empresas de telecomunicações estejam presentes no mercado de cabo. A primeira, mais antiga, é a a presença da CTBC, que opera cabo em Uberlândia e Araguari, em Minas Gerais. As concessões da CTBC foram adquiridas de investidores privados ainda na década de 90, antes da Lei Geral de Telecomunicações e, portanto, antes do surgimento da Anatel e da formatação dos atuais contratos de concessão de telefonia fixa. Já existia,

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“O PL 29 é um passo importante que o Brasil dará para uma legislação de TV por assinatura mais convergente e moderna.” Antônio Carlos Valente, da Telefônica

na época, a Lei do Cabo, que restringia a presença de “concessionárias de telecomunicações”, mas esta restrição, aparentemente, não foi observada quando a concessão foi transferida para a CTBC por ser ela própria uma operadora privada. Outra exceção importante é a presença da Oi como concessionária de cabo em algumas cidades mineiras, incluindo Belo Horizonte. A Oi adquiriu as operações e as concessões de um processo de venda da antiga WayTV. Na época (2006), os controladores da WayTV colocaram a operadora à venda em leilão público, e

planejamento de TV a cabo e não mais exigir licitação para as concessões do serviço é que, com isso, seria possível enquadrar os pedidos das empresas de telecomunicações na exceção prevista em lei. Como não há limite ao número de outorgas, não faria sentido impedir a entrada das teles, pois assume-se que o mercado tem capacidade infinita. Foi essa possibilidade que assustou grandes, médios e pequenos operadores de TV a cabo, mesmo aqueles que há muitos anos pedem novas concessões para expandir seus serviços. A Oi, por exemplo, que já se enquadrou na exceção uma vez, quando conseguiu as concessões da WayTV, teria todas as condições de conseguir quantas concessões quisesse, pois não tem nenhuma limitação de capital FOTO: arquivo

sobretudo a Net Serviços, que tem a Embratel como acionista: uma oferta realmente integrada de serviços de voz, dados e vídeo. Para empresas como a Oi e Telefônica, a possibilidade de tirar essa vantagem competitiva da Net (e por tabela da Embratel) significa parar de perder espaço na banda larga e na telefonia fixa e ganhar espaço no mercado de multisserviços. Também a GVT é uma empresa que se beneficiaria sobremaneira de uma abertura do mercado de TV a cabo, pois tem uma rede preparada para a oferta de multisserviços e poderia, com poucas adaptações, passar a integrar vídeo em sua oferta convergente. Lembrando sempre que a GVT tem como controlador o grupo francês Vivendi, que opera TV por assinatura e banda larga na França e tem participação em empresas de conteúdo. O problema das teles é que a legislação e a regulamentação preveem a presença de empresas de telecom no mercado de TV a cabo apenas em caráter excepcional. A Lei do Cabo e o contrato das concessionárias de STFC locais são claros ao impor essa limitação. No caso da Telefônica, a limitação é ainda maior por conta da restrição ao capital estrangeiro estabelecida em lei e, nesse caso, sem exceção prevista. No caso da GVT, essa limitação de capital seria o único óbice, pois trata-se de uma autorizada de STFC (e não concessionária), que não está vetada pela Lei do Cabo.

A possibilidade de que empresas de telecomunicações venham a disputar o mercado que quiserem com serviços de cabo fez logo acender a preocupação sobre um excesso de competição naqueles mercados mais concorridos. surgiram apenas dois interessados: a Oi e a Net Serviços. A Net resolveu não apresentar propostas, e a Oi comprou a empresa. Em princípio, a Anatel negou a venda, mas depois de analisar recurso da Oi, a agência entendeu que como não havia mais interessados no leilão realizado pelos controladores da WayTV, a Oi estaria qualificada para a compra da empresa. Fora estas exceções, as teles estão presentes em mais duas empresas: TVA e Net Serviços, por meio da Telefônica e Embratel, respectivamente. Em ambos os casos, contudo, as teles não têm posição de controle efetivo (pelo menos do ponto de vista formal) e estão abaixo do limite de capital previsto em lei. No momento em que a legislação permitir, já há acerto para que o controle das duas operações de cabo passe para a mão das empresas de telecomunicações. A confusão criada pela decisão da Anatel de acabar com as limitações do

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estrangeiro. Telefônica e GVT ainda teriam a limitação de capital prevista na Lei do Cabo, mas na iminência de uma mudança na legislação, teriam sinal verde. E poderiam ainda utilizar parceiros locais e engenharias societárias sofisticadas para caracterizar controle nacional. Ao perceberem essa possibilidade, operadores de TV a cabo de todos os tamanhos ficaram genuinamente preocupados. Primeiro porque, ao contrário do senso comum, o setor de TV por assinatura é sim bastante competitivo. Há pelo menos duas operações de DTH (Via Embratel e Sky) que disputam nacionalmente o mercado. Há ainda operações de TV paga via satélite das próprias teles, como Telefônica, Oi e CTBC, que também atuam em muitas das cidades importantes do Brasil, além de outros pequenos players de DTH, como DTHi e

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NossaTV, que atuam em nichos de mercado. A possibilidade de que empresas de telecomunicações venham a disputar o mercado que quiserem com serviços de cabo fez logo acender a preocupação sobre um excesso de competição naqueles mercados mais concorridos.

FOTO: ARQUIVO

( tv por assinatura) “Os postes e toda a infraestrutura do País para receber estas novas redes têm capacidade física limitada.” José Félix, da Net Serviços

concessionárias de energia conseguiriam acordos para uso dos postes com mais facilidade que outros. “Os postes e toda a infraestrutura do País para receber estas novas redes têm capacidade física limitada”, disse José Félix, presidente da Net Serviços. “Não haverá espaço para todo o mundo. Como em qualquer outro setor, para não sucumbir, precisa haver atratividade”, afirmou. Félix disse ainda que as concessionárias de energia elétrica, por conta da limitação para receber as novas redes, podem ficar com um poder de decisão sobre o setor de TV por assinatura que não cabe a elas.

Corrida aos postes Além disso, os operadores de cabo atuais ponderam o risco de que uma abertura irrestrita do mercado, mesmo para cidades em que já existe o serviço, gere uma corrida aos postes. E há muito tempo o acesso aos postes é considerado uma facilidade essencial, parte inerente de uma operação de cabo que não pode ser duplicada a não ser com custos elevados. O espaço nos postes é limitado. Pelo menos é esse o argumento que as concessionárias de energia utilizam para justificar os valores muitas vezes exorbitantes cobrados pelo compartilhamento desse tipo de infraestrutura. Para se ter uma ideia da complexidade do tema, até hoje Anatel e Aneel, dez anos depois da edição do primeiro regulamento conjunto de compartilhamento de postes, dutos e torres, ainda não conseguiram chegar a uma fórmula de cálculo do valor cobrado das empresas de telecomunicações, e a maior parte dos casos conflituosos acaba se resolvendo na Justiça, pois não há caso de arbitragem bem sucedida entre as agências. Para a ABTA, associação que representa os interesses das operadoras, as empresas de telecomunicações, que têm um poder muito maior de negociação com as concessionárias de energia, teriam muito melhores condições de negociar postes, deixando operadores de cabo em desvantagem. E mesmo entre operadores de cabo, aqueles que hoje estão presentes em mais cidades ou que já celebraram contratos com as

Clandestinos Outro problema alegado pela ABTA e pelos operadores de cabo é que a abertura irrestrita permitirá a regularização de operadores clandestinos. De fato, hoje existem no Brasil, sobretudo em regiões pobres de grandes áreas metropolitanas,

eram cidades que foram ocupadas simplesmente porque não havia outorgas disponíveis. Quando veio o processo de licitação, em 1998, a maior parte destas operações conseguiu se legalizar, ou as redes foram vendidas aos concessionários. Na época, contudo, havia a barreira do preço mínimo pela outorga, que era bem mais salgado do que os R$ 9 mil que a Anatel pretende cobrar agora. E estas operações clandestinas ocupavam cidades inteiras, e não apenas um bairro ou favela. O temor dos atuais operadores de TV a cabo é que, legalizadas, estas operações continuem operando da forma que trabalham, sem qualidade técnica e com conteúdo roubado, mas que fique muito mais difícil para as autoridades lacrar as operações. Por outro lado, em muitas comunidades, a TV por assinatura é um instrumento importante de lazer e informação (em muitas delas o sinal da TV aberta não chega) e a própria Anatel já tentou encontrar uma solução para legalizar estas operações, mas encontrou a resistência dos grandes operadores. É um problema econômico e social que pode ser resolvido com a iniciativa de abrir o mercado a novas

problema alegado pela ABTA e pelos operadores de cabo é que a abertura irrestrita permitirá a regularização de operadores clandestinos. um contingente significativo de operações que, em muitos casos, funcionam à margem da lei. São operadores que esticam suas redes de cabo, utilizam sinais das redes de TV aberta ou de outras operações de TV por assinatura (redistribuindo ilegalmente sinais de operadoras de DTH) e comercializam um serviço precário, a um baixo custo. As estimativas são imprecisas, mas especialistas estimam em cerca de um milhão os usuários de TV por assinatura que recebam seus sinais por meio destes operadores. O processo de legalização por meio de novas licenças não é novo. Em 1997, havia dezenas de operações clandestinas espalhadas por todo o Brasil. Em geral,

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outorgas, mas que gerará uma forte demanda por uma fiscalização intensa destas operações e equidade de condições competitivas que a Anatel teria que observar. “Meu grande receio é que a Anatel e a polícia, que hoje já têm muita dificuldade de entrar em uma favela para fechar uma operação totalmente irregular, fiquem ainda mais acomodadas no caso de uma operadora legalizada, mas que usa sinais piratas de algum DTH”, diz um operador de porte médio que prefere não se identificar. Diante de tantas polêmicas, a agência resolveu deixar o processo de abertura do mercado de TV por

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( tv por assinatura) FOTO: DIVULGAÇÃO

assinatura em banho-maria por pelo menos dois meses. Segundo fontes ouvidas por TELA VIVA, houve uma forte pressão dos radiodifusores, sobretudo do grupo Globo e da Bandeirantes, para uma diminuição no ritmo de trabalho. Pressão para expandir A agência, que já estava pronta para publicar o “caderno de habilitação”, em que detalharia os documentos que as empresas precisarão apresentar para darem início ao processo de outorga, voltou atrás e resolveu que antes disso, fará uma reconfirmação de interesse. Hoje, a Anatel tem uma listagem de cerca de 1,1 mil solicitações de outorgas de TV a cabo que chegaram desde 2000. Segundo apurou este noticiário, há 884 pedidos anteriores a dezembro de 2008. Desses há cerca de 400 feitos por apenas cinco empresas e/ou pessoas físicas, e todos eles deram entrada antes do final de 2006. A maior parte das solicitações é de pequenos grupos, para pequenas cidades (ver matéria no suplemento especial desta edição). Outros especialistas, contudo, acreditam que existe uma demanda que só vai se revelar quando a Anatel der o sinal verde para receber a documentação de habilitação. É nesse momento, acredita-se, que empresas como a Oi vão se manifestar. É o caso da Telefônica, que tem 25 solicitações. Na verdade, são pedidos antigos, feitos pela TVA, todos em cidades do interior paulista já atendidas pela Net. Segundo Leila Loria, diretora executiva de relações institucionais e novos negócios da Telefônica, a TVA vai alugar a rede de acesso em fibra da tele espanhola (FTTH) para prestar o serviço, já que o grupo espanhol não tem o controle integral das operações de cabo da TVA. E não são apenas as teles que buscam oportunidades de investimentos. O mercado brasileiro está crescendo como nunca. A Embratel, que hoje é a operadora de TV paga que mais cresce no Brasil, por meio de sua concessão de DTH, está construindo redes HFC em diversas

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A Bandeirantes atacou a iniciativa da Anatel em reportagens e editorial no “Jornal da Band” (acima).

cidades brasileiras. A GVT já anunciou planos de iniciar serviços de TV paga a partir de 2011. A Blue Interactive, empresa que adquiriu a operadora Viacabo e que tem como acionista Marcelo Lacerda, criador da Nutecnet (que deu origem ao Terra), não esconde planos de buscar novas oportunidades, e mesmo a Net vinha em um ritmo importante de ampliação da rede. José Félix, presidente da operadora, diz que “vê com bons olhos” a possibilidade de entrar em novas localidades, sobretudo como forma de competir em áreas onde hoje a plataforma DTH reina absoluta. Contudo, isso precisa ser feito “dentro da lei”. Segundo Félix, a Net deve esperar a aprovação do PLC 116/2010 para expandir sua rede a estas localidades. Trata-se do antigo PL 29/2007, hoje em tramitação no Senado com esta nova numeração, e que cria um novo marco regulatório para a TV paga. A Telefônica também é forte defensora da aprovação do projeto. “Já falei em outras ocasiões que o PL 29 é um passo muito importante que o Brasil dará em relação a uma legislação de TV por assinatura mais convergente e moderna. Mas ele não é suficiente. É preciso que a Anatel aja liberando novas outorgas também. O ideal seria que as duas coisas acontecessem juntas. Mas se uma vier antes da outra, isso não faz a menor diferença. O importante é que o processo comece”, diz Antônio Valente, presidente da operadora. As emissoras de TV também receiam uma abertura irrestrita do mercado de TV por assinatura antes que o novo marco

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regulatório esteja estabelecido, pois na redação atual do projeto que tramita no Senado, há uma importante reserva de mercado para a produção de conteúdos nacionais. O grupo Bandeirantes chegou a fazer uma série de reportagens em seus telejornais, críticas à atuação das teles e ao projeto de abrir o mercado de cabo a estas empresas, e finalizou com um editorial atacando a iniciativa da agência. “A Anatel vai lavar as mãos diante de tudo isso ao liberar a entrada sem critérios no negócio de TV por assinatura. Ou melhor, vai compactuar com os atuais exploradores da área, que são gigantes com fortíssima influência na Anatel, agora mais poderosa em ano eleitoral. São aqueles que fazem o que bem entendem para atender mal o consumidor brasileiro e garantir seus lucros fáceis e ilegítimos”, disse o editorial, referindo-se às empresas de telecomunicações. O editorial, que contou com o apoio da Abert, foi reforçado por uma visita do grupo Globo à Casa Civil, manifestando as mesmas preocupações. A Anatel, decidiu então esperar pelo menos mais 60 dias antes de dar o sinal verde para o processo de novas concessões, prazo este que se expira apenas após outubro. Com as eleições passadas e com o Congresso de novo em funcionamento, a agência espera que o novo planejamento de TV a cabo, sob a relatoria da conselheira Emília Ribeiro, acalme os setores descontentes. A conselheira, vale lembrar, não participou da decisão cautelar que derrubou o limite de outorgas. Qual será a postura da conselheira em seu relatório é ainda um mistério. O debate jurídico sobre as teles poderem ou não entrar no setor de TV a cabo é longo, e também é longo o histórico de dificuldades que a agência tem encontrado para expandir o setor de TV. Desde 2001, como bem lembra o presidente da ABTA, Alexandre Annenberg, a agência segura o processo. Quando decide abrir, desperta uma série de descontentes e precisa por o pé no freio. Falta encontrar o meio-termo.


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( artigo )

Paulo Martins* c a r t a s . t e l a v i v a @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Os desafios da TV paga

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FOTO: divulgação

essa edição da ABTA 2010 ultrapassamos duas décadas de TV por assinatura em nosso país. Alguns de nós, que tivemos a oportunidade de participar destes mais de 20 anos, somos testemunhas do quanto essa indústria evoluiu nesse período. Em conjunto com os diversos representantes dos órgãos regulatórios, legislativos e dos mercados financeiros conseguiu-se estabelecer uma indústria que atualmente é responsável por mais de 22 mil empregos diretos e fatura mais de R$ 10 bilhões anualmente. Mas estes números, ainda que expressivos, representam apenas uma parte do imenso potencial que a capacidade tecnológica, aliada à relevância do nosso produto, podem oferecer ao país nos próximos anos. Estamos vivendo um momento da mais alta relevância da nossa indústria. Acredito que hoje podemos estar definindo o desenho estratégico do setor, o futuro de como o negócio irá se desenvolver a partir de agora, quem serão os “players” e em que condições. Esse é o momento em que todos os participantes do setor devem, mais do que nunca, privilegiar o diálogo e valorizar a experiência e o conhecimento acumulado por cada um para, em conjunto, debater os temas que hoje se encontram em pauta. Atualmente o setor convive com três questões que, individualmente ou combinadas, podem alterar de maneira substancial a dinâmica da indústria: estamos todos acompanhando o PLC 116/2010 (antigo PL 29/2007); as novas outorgas de TV a cabo; e o Plano Nacional de Banda Larga. O que se percebe em cada um desses projetos, até o momento, é uma motivação válida, mas diversas proposições preocupantes nas propostas

* Paulo Martins é operador de TV por assinatura no Brasil desde 1991 e fundador e diretor da Viacabo, operadora de porte médio presente em 15 cidades brasileiras.

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de implementação de cada um. Hoje, há dúvidas quanto aos reais benefícios e riscos para o mercado, para a livre competição e principalmente para o consumidor. Começando pelo PLC 116, que na sua origem tinha como tema central permitir que as concessionárias de telefonia fixa prestassem serviços de TV por assinatura. Em sua tramitação, o projeto recebeu contribuições como o fim da proibição do controle estrangeiro sobre as empresas de TV por cabo, algo absolutamente lógico e necessário para o desenvolvimento desse setor, que depende de investimentos intensivos, e que é, atualmente, a única tecnologia que oferece serviços de TV paga com essa restrição. Outra contribuição foi o regime de “cotas”, com a inquestionável motivação do incentivo ao conteúdo nacional. Nenhum agente da indústria é contra esta causa. Mas não nos parece uma medida justa quando se analisam todos os riscos, custos e ausência de benefícios claros e perceptíveis da proposta. Ao redesenhar todo o setor, obrigando a mudança de todos os canais e de todos os pacotes de programação oferecidos, impõe-se uma obrigação para programadores e operadores sem que haja uma proposta de benefício para quem aderir ao projeto. Nós, como operadores, trabalhando com pesquisas de assinantes, acompanhando audiências dos canais, sendo conhecedores das limitações e capacidades técnicas disponíveis para empreender uma mudança de tal ordem em nossos canais e pacotes de programação, ao

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( artigo) quantificarmos o investimento necessário, as questões a serem enfrentadas no relacionamento com nossos clientes, órgãos de defesa do consumidor, perguntamo-nos: qual será o ganho efetivo para todos com esse projeto? E por que o PLC 116 deixou de fora questões de altíssima relevância para o setor, como por exemplo, a venda casada de programação? O acesso a todos os canais disponíveis, a preços competitivos para todos os operadores? As questões de qualidade de programação? As relações comerciais e contratuais entre programadores e operadores? Essas questões necessitam de respostas, pois teriam um impacto direto e imediato no setor, preparando o ambiente para que quaisquer novos grupos que desejem investir na indústria encontrem condições adequadas de competir e viabilizar seus investimentos. Mas o PLC 116/10 não é a única preocupação. Recentemente, a Anatel sinalizou que pretende oferecer novas licenças de TV por cabo. Isso atende a um anseio antigo de todo o mercado, da sociedade em geral e dos operadores estabelecidos. Mas ao fazê-lo com a eliminação do limite de operações por localidade e fixando o preço da licença em R$ 9 mil, torna-se necessário analisar se esse modelo realmente estabelece as condições necessárias para a continuidade do desenvolvimento do setor, valorizando toda uma cadeia de negócios e, não simplesmente, transformado-a em um subproduto de outras tecnologias já consolidadas e com maior capacidade de investimento. Fazendo um paralelo com o ano de 1998, recordo-me de como o processo de licitação naquela ocasião atraiu um imenso interesse de investidores, operadores

internacionais, “players” locais, todos motivados a participar e realizando suas projeções de investimento. Na ocasião, as regras ofereciam previsibilidade e um potencial de retorno que poderia atrair os consideráveis recursos que um investimento em uma operação de TV a cabo requer. O cenário atual parece ser totalmente oposto. De um lado, qualquer novo operador enfrentará investimentos ainda maiores. Afinal, não consigo imaginar uma nova operação que não seja totalmente digital e que já inicie oferecendo serviços “triple-play”, de vídeo, dados e voz, para competir com o limitado mercado que irá encontrar quando iniciar, efetivamente, suas operações. Segundo os dados do recente Panorama dos Serviços de TV por

segunda rede em cidades de médio porte? Devemos considerar que a nova operação estará concorrendo com o operador de cabo já instalado, possivelmente com um operador de MMDS, uma ou até duas empresas locais de STFC (telefonia fixa) e ainda com até seis (ênfase no seis) operadores de DTH, com serviços de TV por assinatura existentes. Acredito que esse modelo econômico será tão desafiador, ou tão limitante, que irá restringir o interesse somente a grupos que possuam uma geração de caixa suficiente com outros serviços para suportar taxas de retorno de tal ordem reduzidas. É prioritário que a agência enderece questões operacionais e estruturais do setor e que

esse modelo econômico será tão desafiador que irá restringir o interesse somente a grupos que possuam uma geração de caixa suficiente com outros serviços. Assinatura da Anatel nº40, atualmente 352 outorgas, nos diversos serviços, encontram-se em operação. Se considerarmos somente as licenças de TV por cabo, seriam 240 em funcionamento, que atendem a apenas 4,7% dos municípios brasileiros. Mas essa pequena parcela dos municípios representa 45,9% dos domicílios brasileiros e 44,3% da população nacional e, em conjunto, possuem mais de 4,6 milhões de assinantes. Outras nove outorgas de DTH já somam quase 4 milhões de clientes e seguem crescendo em ritmo acelerado. Naturalmente, qualquer investimento necessita ser viável. Para rentabilizar uma rede de TV por cabo é necessário um mercado com um nível econômico adequado e uma densidade mínima que rentabilize a extensão da rede construída e da sua manutenção futura. Quantos municípios, dos 5.564 existentes em nosso país, são viáveis economicamente para a instalação de uma operação de TV por cabo? E qual a viabilidade da construção de uma

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fundamentalmente carecem de uma solução para que o cenário competitivo ocorra dentro de um ambiente justo e positivo para o mercado e o consumidor. É fundamental que seja regulada a contratação do uso compartilhado dos postes das companhias elétricas. Atualmente existem operadores pagando valores inaceitáveis quando comparados ao que empresas de STFC pagam pelo mesmo uso. Imaginemos por um momento se três grupos solicitarem a licença para uma mesma região, e sabendo que o espaço físico no poste é limitado, quem definirá o direito ao acesso da infraestrutura? Outra questão relevante em que, apesar do apoio da Anatel, pouco se conseguiu avançar, foi na negociação dos valores de backbones de dados em patamares razoáveis com as empresas de STFC. Se essas empresas vierem a se tornar concorrentes diretas, oferecendo todos os serviços e

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( artigo) sendo detentoras desse insumo com um custo privilegiado, essa será uma vantagem competitiva relevante e quase impossível de enfrentar. As alterações no mercado resultantes do PLC 116, das novas outorgas e do PNBL apresentam boas oportunidades para as empresas de telefonia, que poderão expandir seus serviços e ampliar sua atuação. É fundamental que a Anatel atue de forma decisiva, garantindo aos operadores de TV por cabo o acesso aos backbones de Internet, em custos e condições de igualdade com os serviços ofertados por essas empresas. Quando a agência sinaliza que as novas outorgas terão um custo de R$ 9 mil, frente aos valores investidos no leilão de dez anos atrás, duas questões merecem comentários. A primeira diz respeito aos investimentos realizados pelas empresas anteriormente. Estas empresas, com justiça, acreditam não ser correta a possibilidade de, a partir de agora, terem uma competição ilimitada e com preços absolutamente inferiores aos originalmente pagos por elas. A segunda questão diz respeito ao risco que um valor tão pequeno pode trazer, ao facilitar o ingresso de operadores com pouca experiência ou até mesmo de operações irregulares que hoje, não licenciadas, podem ter suas práticas mais facilmente coibidas. Uma vez detentoras de uma outorga, passariam a contar com um cenário legal mais confortável para gerenciar suas operações e protelar ações mais intensas de fiscalização. Por fim, há um desafio trazido pelo Plano Nacional de Banda Larga, que se propõe a estruturar um backbone nacional, com oferta de capacidade de transporte de dados no atacado, em oferta não discriminatória, reforçada por linhas de crédito do BNDES e

desoneração de impostos. Mas, no mesmo texto, encontramos propostas como a estruturação de ativos por empresas controladas, ou com participação do governo, novas concessões de TV por cabo sem limitação, entre outras proposições de alcance ainda não perfeitamente compreendido. Muitas das propostas contidas no PNBL são realmente relevantes e totalmente ajustadas à necessidade dos problemas do setor. Hoje, as empresas de STFC e as operadoras de TV por cabo associadas a alguma detentora de backbone conseguem oferecer pacotes com preços e velocidades cada vez mais atraentes, e continuam a avançar constantemente, graças aos constantes investimentos em equipamentos, maior capacidade de backbone e alguns programas de desoneração tributária,

que o governo deixará a indústria à parte e entregará a execução de uma única empresa, como noticiava a Folha de S. Paulo em 27 de julho recente. O momento é rico e propício para o debate e para o aprofundamento das questões sobre o modelo que melhor atenderá o interesse nacional, ao crescimento, à universalização e à modernização da infraestrutura. Naturalmente, para atingirmos todas essas metas, é fundamental contarmos com o investimento e interesse dos grandes grupos estrangeiros, como as empresas de STFC, que possuem a capacidade técnica, operacional e financeira para promover os expressivos investimentos que um mercado da dimensão de nosso país requer. Ao O governo desenvolveria o grande mesmo backbone nacional, que realmente tempo, é a carência que hoje temos. considero que seria um que já permitem oferecer serviços a erro histórico, por parte dos valores compatíveis com outras nossos legisladores, não classes de consumidores. considerarem condições razoáveis Acredito que o caminho mais de operação e competição que eficiente para o desenvolvimento da permitam continuar atraindo banda larga no Brasil seria intensificar para esse setor os médios e as parcerias entre o governo e todas as pequenos grupos que, ao final, empresas privadas detentoras de contribuem em levar tecnologia, distribuição. O governo desenvolveria o informação, canais locais, grande backbone nacional, que conteúdo regional, investimento e realmente é a carência que hoje temos. emprego às médias e pequenas Dessa forma, poderia oferecer a todos cidades do nosso país. os distribuidores finais de banda larga Em um país tão vasto e de a conexão a preços isonômicos, uma cultura tão diversa, não permitindo assim o real aumento da poderia justamente o setor de competição e o estímulo a novos telecomunicações negar essa grupos participarem desse mercado. realidade e privilegiar a Desta maneira, o governo concentraria homogeneização dos serviços e seus esforços em buscar soluções produtos e permitir o tributárias e de regulamentação que fortalecimento de oligopólios. Em promovessem uma inclusão ainda conjunto e com diálogo podemos mais acelerada da população ao aprimorar as propostas que aí mundo digital. estão, permitindo à nossa O que nos preocupa no tema é se o indústria continuar celebrando PNBL será uma resposta aos pleitos suas conquistas e realizações a que o nosso setor defendeu durante cada ano nas edições da Feira e tanto anos ou se será um projeto em Congresso da ABTA.

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E S P E C I A L

as redes da convergência Com a perspectiva de crescimento do mercado, redes de TV por assinatura, dados e voz, mais modernas e de acordo com as demandas atuais dos assinantes, começarão a ser construídas ou ampliadas. Operadores enfrentarão os desafios de construir redes preparadas para a evolução tecnológica e de levar os serviços convergentes a todos os dispositivos da casa do assinante. Confira neste especial as tendências e as opções para quem vai investir nas redes convergentes.

Serviços 43

O que muda na oferta de vídeo, Internet e serviços convergentes

Mercado 46

Para onde o serviço de cabo pode se expandir

Tecnologias 52

As opções para quem vai construir do zero ou ampliar e modernizar uma rede

Terminais 60

O que esperar da nova geração de set-top boxes

Redes residenciais 64

Conectar todos os dispositivos do assinante é o próximo desafio das operadoras

Artigo 70

HPNA, uma solução robusta e barata T e l a

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UNIDADES MÓVEIS SONY. É TECNOLOGIA DE PONTA A PONTA.

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(serviços)

especial as redes da convergência

Tudo por todos os meios Realidade da conectividade plena traz disputa pelo controle do usuário, impõe novas regras de compartilhamento de redes e gateways domésticos, transforma players de conteúdo em competidores de serviços e subverte os modelos conhecidos.

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convergência plena de serviços é a meta de todos os operadores de telecomunicações. O alvo de qualquer operadora é ser a única provedora de serviços de televisão, banda larga, telefonia fixa e móvel e, aos poucos, serviços de valor agregado, como segurança de rede, conectividade doméstica, conteúdos sob demanda, vigilância... Esse é o mundo do triple-play, quadrupleplay e quantos mais serviços se agregar ao consumidor. Mas essa nova realidade levanta uma série de discussões: quem será o “dono” do usuário? Quem terá, em última instância, a relação comercial com o cliente? Quem estabelecerá o formato comercial do produto a ser oferecido, fará a cobrança, assumirá a responsabilidade regulatória por aquele serviço prestado? Onde está o mercado para essa casa conectada? Que redes prevalecerão? Quais as interfaces e gateways de acesso à informação? Quais as regras que se aplicam nesse ambiente? Há ainda poucas certezas e várias respostas a cada um desses questionamentos, e sem dúvida muita polêmica ainda surgirá até que o cenário se torne mais claro. O especial que você lerá nas próximas páginas mostra alguns dos caminhos tecnológicos, alguns dos serviços e as oportunidades do mercado. Aqui, tentamos organizar algumas informações. Primeiro, sobre o que se sabe: todos os conteúdos serão digitais,

transmitidos pela banda larga. Isso significa que o dono da rede terá um papel fundamental, pois é ele quem fará a conexão do cliente. Nesse cenário, disputam empresas de telefonia, empresas de TV a cabo, empresas concessionárias de energia e água e

vários televisores, que agora também se conectam à Internet. Os computadores e smartphones são cada vez mais pessoais, conectados por redes wireless à Internet e a outros dispositivos domésticos. E diferentes dispositivos domésticos, tais como computadores, sistemas de segurança e iluminação precisam também estar conectados, já que o controle de máquinas à distância será cada vez mais comum, seja pela comodidade de uso, segurança ou monitoramento remoto de gastos. Em um cenário de smartgrids de energia, tudo isso estará atrelado ao consumo eficiente de energia e água. Provavelmente, todos os players disputarão esse mercado e cada um terá o seu papel. Hoje, a maior parte da disputa se dá entre empresas de telecomunicações e empresas de TV por assinatura pela oferta de banda larga. No Brasil, as teles ainda não oferecem conteúdos de TV pelas mesmas redes que trafegam Internet, e por isso fala-se apenas em convergência empresarial, mas não

empresas de telefonia, EMPRESAS de TV a cabo, concessionárias de energia e água e operadoras de telefonia MÓVEL disputam a conexÃo do cliente. operadoras de telefonia celular. Até hoje, a conexão se dava isoladamente. Teles, empresas de energia e operadoras de cabo chegavam paralelamente à porta do assinante, e cada uma fazia a sua conexão até um ou dois pontos de TV, até um aparelho de telefone e um computador conectado à Internet, ao quadro de luz. Isso está mudando. Há

T43e l• a T Ve li va a V •i v aa g o 0 1 0 2 •0 1 43 • 2 AGO 0

de tecnologias e serviços. As empresas de energia ainda estão distantes dessa disputa, mas já existem casos de operadoras que oferecem banda larga pela rede elétrica (PLC) ou que estão construindo suas próprias redes de fibra. Enquanto isso, empresas de telecomunicações e TV a cabo

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( serviços)

especial as redes da convergência

correm para ampliar a capacidade de suas redes, para que a oferta de taxas cada vez maiores de velocidades não seja um diferencial competitivo. Hoje, a oferta de 100 Mbps para usuários residenciais já é uma realidade em redes de fibra óptica ou redes HFC, ainda que seja ainda algo muito longe do padrão de consumo do mercado (hoje em torno de 2 Mbps). Mas a rede de acesso é apenas o primeiro desafio. A segunda etapa, e cada vez mais importante, é a rede interna, dentro da casa do usuário ou de determinado condomínio. Até hoje, esse território não pertencia a nenhum dos players tradicionais. Quem era responsável por distribuir energia, sinais de TV, telefone ou conexões de Internet era (e ainda é) o próprio usuário. No cenário da casa conectada isso tende a mudar, e as operadoras passarão a incluir as redes internas como parte do serviço de conectividade plena. WiFi, femtocell, redes Ethernet, cabeamento coaxial e mesmo fibra óptica passam a ser parte da estrutura interna dos domicílios. Para operadoras de telecomunicações, TV a cabo e empresas de Internet, prover uma boa conectividade doméstica é a garantia de qualidade de serviços, fidelidade do consumidor e maiores índices de uso. A terceira etapa é o gateway de acesso e o dispositivo de consumo de mídia. Nesse sentido, o computador deixa de ser a única plataforma de acesso à Internet, o televisor deixa de ser a única plataforma para consumo de vídeo, o telefone não é a única plataforma de voz. Os set-tops de TV, antes exclusivos das operadoras de TV por assinatura, passam a ser fornecidos por uma série de provedores, inclusive de conteúdo. É a partir do set-top que são consumidos conteúdos sob demanda, acessados serviços de vídeo virtuais e mesmo utilizados serviços de Internet, como sites de

vídeo ou redes sociais. E as plataformas de mídia pessoal, como computadores, smartphones e tablets, tornam-se ferramentas de interação com set-tops, papel até recentemente restrito ao controle remoto. Da mesma forma, televisores e aparelhos domésticos diretamente conectados à Internet permitem que os conteúdos de vídeo, informações e voz sejam acessíveis independentemente dos serviços de TV por assinatura, ou mesmo que o computador doméstico esteja desligado. Por fim, vem o desafio do conteúdo. Provedores de informação, conteúdos e serviços de Internet passam a prover serviços tradicionais de vídeo e voz. Plataformas como o Google TV ou Apple TV, que trazem inclusive um hardware próprio (uma caixa separada), rivalizam com serviços de TV paga e canais de TV. Serviços virtuais e aplicações na nuvem permitem, por exemplo o gerenciamento remoto do consumo de energia doméstica, independente da

consumir conteúdos de um provedor de conteúdos na Internet. As relações econômicas se tornam mais complexas no ambiente da conectividade plena. Se antes a lógica da distribuição da Tv por assinatura obedecia a uma estrutura conhecida de produtores de conteúdo, canais agregadores, empacotadores e operadores responsáveis pela distribuição, hoje essa lógica é corrompida pelo consumo diretamente pela Internet e chega ao consumidor na mesma sala de estar, mas por meio de uma TV conectada. Nada disso é futuro. Tudo é realidade no mundo atual. Contudo, tudo passa pela massificação das redes de acesso banda larga, seja na forma de fibras, seja na forma de redes coaxiais. E a massificação dessas redes e dos serviços por elas oferecidos passam por uma lógica de mercado bem conhecida, ditada pela viabilidade econômica. Em um país com limitações importantes de

no caso brasileiro, o cenário da casa conectada está ainda distante, mas não é algo inalcançável. companhia de energia. Serviços de voz por IP como o Skype saem dos computadores e smartphones conectados e ganham a tela da TV. Diante desse cenário novo e confuso, em que múltiplos players podem prover múltiplos serviços, as garantias de neutralidade de rede passam a ser um problema regulatório cada vez maior. Em mercados mais avançados como EUA ou Comunidade Europeia, essa discussão já está evoluindo para políticas públicas efetivas. Nos EUA, inclusive, um dos aspectos centrais do plano de banda larga apresentado pela FCC em março deste ano é justamente garantir que os set-tops e gateways domésticos sejam abertos, ou seja, o fato de ter em sua casa um set-top ou um modem banda larga de uma determinada operadora não pode impedir que a TV conectada do usuário tenha acesso a outros conteúdos não oferecidos por aquele determinado provedor de conectividade, ou que ele possa instalar uma outra caixa para

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renda e infraestrutura, como é o caso brasileiro, o cenário da casa conectada está ainda distante, mas não é algo inalcançável. Ao contrário, hoje praticamente todas as novas vendas de TV por assinatura na tecnologia cabo se dão já acompanhada da venda de uma conexão banda larga. E a TV por assinatura avança mais e mais para classes menos abastadas; 80% das vendas de banda larga da GVT, por exemplo, são em velocidades acima de 10 Mbps; e as conexões de Internet oferecidas pelas empresas de telecomunicações avançam rapidamente para cidades em que a banda larga não existia. Nesse especial, discutiremos um pouco a realidade das redes, as tecnologias que devem predominar e a realidade de dispositivos e recursos dentro da casa dos usuários. Samuel Possebon


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(mercado)

especial as redes da convergência

A disputa pelas novas redes Na batalha pelas redes multisserviços, operadoras de telecomunicações já conquistaram a maior parte do território nacional. Mas expansão do mercado de TV por assinatura pode levar a uma mudança nesse cenário.

N

o mundo digital, ganha a corrida pelo assinante quem tiver o melhor canal de acesso banda larga. Não por acaso, as redes banda larga no Brasil são a prioridade das operadoras de telecomunicações e TV por assinatura. As redes de acesso se tornaram sinônimo de redes de acesso à Internet. O salto na última década foi impressionante. Para se ter uma ideia (ver gráfico), no final do ano 2000, ano em que começaram a ser oferecidos os serviços de ADSL no País, havia 51 cidades com serviço do que se chamava de banda larga na época: conexões de cable modem ou ADSL cujas velocidades variavam de 64 kbps a 512 kbps. Mais que isso, só em soluções corporativas, e mesmo assim até 2 Mbps. Esses dados, computados na primeira edição do Atlas Brasileiro de Telecomunicações, eram comemorados como a chegada da “Era da Banda Larga” no Brasil. Em junho deste ano, segundo o

levantamento feito para o pôster Operadoras Brasileiras de Telecomunicações, da TELETIME, eram nada menos do que 4,6 mil municípios cobertos com alguma tecnologia de acesso banda larga (a maior parte, ADSL+), e velocidades disponíveis ao consumidor de até 100 Mbps. Também em junho de 2010, o mercado nacional de banda larga apresentava 331 municípios com redes de acesso residencial por fibra óptica (FTTx), o que é mais do que o total de municípios com acesso por cable modem (151) e que as cerca de 80 operações de banda larga por MMDS. Esses dados devem se ampliar ainda mais até o final de 2010, visto que a Oi tem o projeto de atender com banda larga por ADSL todos os

Banda larga - cobertura por município xDSL (4305) xDSL + Cable Modem (200) Sem cobertura xDSL ou Cable (1056)

Novas redes A pergunta é: o quanto a abertura do mercado de TV a cabo,

Fonte: Atlas Brasileiro de Telecomunicações junho/2010. Obs.: os números entre parênteses representam o total de municípios em cada faixa. As áreas plotadas indicam o território total dos municípios, e não apenas perímetro urbano.

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municípios em que está presente. Da mesma forma, a Telefônica concluiu a cobertura de banda larga em abril desde ano, o que significa que até o começo de 2011 praticamente 100% dos municípios terão acesso a banda larga fixa. O que não quer dizer que as zonas rurais e localidades com menos poder aquisitivo terão o serviço. Outro problema é que o grosso dessas redes de banda larga no Brasil utiliza as tecnologias ADSL e ADSL2, o que significa velocidades limitadas a não mais do que 20 Mbps, o que é pouco diante da perspectiva dos futuros serviços de dados e vídeo que passarão pelas redes de Internet. Redes de cabo e fibra são mais adequadas a esse cenário. O que existe pouco no Brasil é a competição entre redes de diferentes operadores. Isso porque a melhor alternativa de acesso banda larga para fazer frente às redes ADSL e FTTx das concessionárias de telefonia são as redes das operadoras de cabo, e essas não têm encontrado um ritmo razoável de expansão. Primeiro, porque o número de outorgas de cabo e MMDS continua estagnado desde 2002. Hoje há cerca de 260 operações de TV a cabo e cerca de 80 de MMDS, e há sobreposição entre elas. As operadoras de MMDS estão rapidamente perdendo base e, no restante no Brasil, o DTH tem ganho espaço.

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( mercado)

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com novas licenças, impactará na construção de novas redes? Será que as operadoras de DTH não optarão por continuar entregando seus serviços de vídeo apenas por satélite, como fazem hoje? É tudo uma questão de análise de viabilidade de mercados. Um bom ponto de partida para entender o potencial impacto da expansão da TV por assinatura é a listagem de 1,1 mil pedidos de concessões de cabo acumulados na Anatel desde 2000 (em 762 cidades). Ressalte-se que esta listagem não contempla, por exemplo, o interesse de empresas como Oi, GVT e Embratel, três operadoras que declaradamente pretendem expandir a sua cobertura de TV por assinatura por meio de redes físicas. Mas essa lista da Anatel dá uma ideia do que o mercado cresceria sem as teles. Do ponto de vista de infraestrutura de banda larga, o impacto é quase nulo. Apenas 81 das cidades propostas não têm nenhuma rede de acesso banda larga, e em 92 já existem outras operadoras de cabo, com redes de Internet em alta velocidade. E se forem consideradas outras tecnologias, há 210 cidades em que existe o

atendimento à Internet em alta velocidade com redes de rádio ou fibra. Ou seja, mesmo nessas pequenas cidades em que existe demanda manifestada por redes de TV por assinatura, já existe oferta do serviço de banda larga e a TV por assinatura entraria apenas como competidora.

municípios tem, individualmente, pouca atratividade econômica e dificilmente viabilizaria a construção de redes estanque de TV paga. Se fizermos um corte nos mil maiores municípios brasileiros, todos com mais de 31 mil

Há um potencial, nas cidades ainda sem concessão, de 95 milhões de habitantes, que respondem por 37% da renda nacional. Olhando do ponto de vista do mercado, a população nesses 762 municípios em que a Anatel já recebeu pedidos de outorgas soma cerca de 68 milhões de pessoas, ou 20,3 milhões de domicílios. Mas excluindo aquelas cidades em que já existem operadores de TV por assinatura, o potencial de mercado é bem menor. A população das cidades em que há interesse manifestado por novas outorgas cai a 30 milhões e o total de domicílios, a 8,8 milhões. Olhando-se para todo o universo brasileiro, e não apenas para esses municípios em que, em princípio, já houve algum tipo de manifestação de interesse, o potencial é maior. Há um potencial, nas cidades ainda sem concessão, de 95 milhões de habitantes, que respondem por 37% da renda nacional. Mas grande parte desses

Cidades com banda larga no Brasil 5000 4500 4000 3500 3000 2500 2000 1500

habitantes, onde ainda não há oferta de TV por assinatura, existe uma população de 46 milhões de pessoas, 1,7 milhão de domicílios AB, 3,87 milhões de domicílios classe C e uma participação no potencial de consumo nacional de cerca de 20%. Nessas cidades, já existem cerca de 1,36 milhão de assinantes de banda larga. Analisar os efeitos concretos da competição entre empresas de TV por assinatura e empresas de telecomunicações não é tarefa simples. Olhando no mercado como um todo, a entrada das teles trouxe resultados significativos. Por exemplo, segundo os dados mais recentes da Anatel, as três empresas de telecomunicações que atuam no mercado de TV paga com operações de DTH próprias acumulavam em junho mais de 1,5 milhão de assinantes, o que significa cerca de 17% de market share. A maior operadora entre as teles é a Embratel, com 655 mil assinantes, seguida da Telefônica, com 468 mil e finalmente pela Oi, que segundo a Anatel tinha em junho 344 mil clientes mas, segundo o balanço da própria operadora, tinha 265 mil clientes. No caso da Embratel, a operação de DTH começou no final de 2008.

1000 500 0

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Fonte: Atlas Brasileiro de Telecomunicações - Dado parcial até junho de 2010

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Desempenho das teles Mas quando se olha os exemplos de desempenho de uma operação de TV paga por redes fixas operada pela Oi, no caso a

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A sua melhor opção em 49 rede de telecomunicações!


( mercado)

especial as redes da convergência

operação de Belo Horizonte, o cenário não é tão positivo. A operadora de cabo comprada pela Oi em 2006 tem menos assinantes do que tinha no começo de 2007 (38 mil clientes hoje contra 46 mil no primeiro trimestre de 2007, segundo dados da PTS). Depois de um período de crescimento que perdurou até o começo de 2009, quando se atingiu o ápice do número de clientes da Oi TV na cidade (71 mil assinantes), houve uma forte retração, que coincidiu com o período de aperto financeiro da maior operadora de telecomunicações do País. A Net, por sua vez, manteve crescimento constante na cidade desde 2007 e nunca foi ameaçada pela Oi (tem hoje 204 mil clientes em BH, contra 128 mil no começo de 2007). Por outro lado, a Embratel, por exemplo, mostra ter tomado gosto pela coisa. Com a experiência acumulada na Net Serviços, onde a tele é acionista ao lado da Globo, a Embratel percebeu que as redes de cabo podem ser muito competitivas no acesso banda larga e na telefonia. Não por acaso, a empresa está investindo na construção de redes HFC em dez clusters espalhados pelo País. A operação de Osasco

(SP), por exemplo, já está em funcionamento, e lá a Embratel vende apenas banda larga pela rede de cabos, pois não tem concessão para TV a cabo. É natural supor que no momento em que a legislação permitir e que a empresa tenha a outorga efetiva de TV, a oferta multisserviços se tornará realidade.

A construção de um grande backbone nacional pelas operadoras móveis Vivo, Claro e TIM/Intelig, em conjunto com a GVT, também deve tornar a infraestrutura mais barata para terceiros. Já a Telefônica parece estar caminhando para uma retomada na expansão de suas redes de fibra e pretende oferecer TV por assinatura nessa infraestrutura. Mas, até junho deste ano, estava com rede disponível em apenas oito cidades. Quem está mesmo fazendo a diferença com uma rede de acesso em fibra é a GVT (72 cidades) e empresas que utilizam a rede de acesso da Copel, em fibra, no Paraná. A Oi diminuiu o ritmo de expansão de seus serviços de TV por assinatura em 2010 e planeja chegar aos 800 mil clientes até o final de 2011. Hoje, a empresa opera DTH em apenas dois estados (Rio de Janeiro e Minas), mas deve levar o serviço ainda a Pernambuco e Ceará. A entrada da Portugal Telecom no capital da empresa, anunciada este mês, pode mudar as coisas. A PT é das operadoras europeias

competição no mercado de TV por assinatura Oi 4%

TVA 2%

Telefônica 6%

Net Serviços 45%

Outros 9%

Embratel 8%

Fonte: Anatel, junho 2010

que mais inovaram na oferta de serviços convergentes. Desde a década de 90 a operadora tem tradição de oferecer serviços de TV paga avançados e recentemente decidiu conectar todas as cidades de Portugal com redes de fibra e melhorar a rede de acesso para a

Sky 26%

oferta de IPTV. É claro que as dimensões brasileiras são outras, mas os próprios acionistas atuais da Oi esperam que os portugueses agreguem uma cultura convergente, o que levaria a uma expansão nas redes multisserviços. Paralelamente, existe a expectativa dos impactos que a atuação da Telebrás no mercado de backbone poderá provocar. Muitos provedores de serviços, como a RNTW, no Paraná, dependem de capacidade de compra no atacado para se tornarem mais competitivas, e é nesse tipo de empresa (e nos pequenos operadores de cabo) que a estatal quer concentrar seus esforços, como forma de criar competição com quem já tem capacidade, como é o caso da Oi, Telefônica e Embratel/Net. A construção de um grande backbone nacional pelas operadoras móveis Vivo, Claro e TIM/Intelig, em conjunto com a GVT, também deve tornar a infraestrutura mais barata para terceiros, caso haja sobra nessa rede, o que potencialmente beneficiará operadores que façam pequenas redes de acesso, como são as operações de cabo locais. Aos poucos, o mercado brasileiro pode começar a registrar a realidade do mercado dos EUA, em que o acesso por cabo e fibra dominam o mercado e o ADSL está em franca decadência. Samuel Possebon

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(tecnologias)

especial as redes da convergência

Questão de fibra Operadores e fornecedores apontam soluções variadas para o acesso triple play ao usuário, desde a rede HFC tradicional até a fibra óptica na última milha e o wireless.

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eles, provedores de Internet (ISPs), operadoras de telefonia locais, novos investidores. Muita gente está de olho na possibilidade de oferecer serviços de vídeo, a partir da perspectiva de outorgas de novas licenças pela Anatel e de aprovação do PLC 116 no Senado. Mas diferentemente da situação de dez anos atrás, quando foram dadas as últimas licenças, hoje há diversas opções de arquiteturas e tecnologias de rede, dependendo do bolso do investidor, de seus projetos comerciais e de suas apostas para o futuro. “Olhando para o vídeo, os princípios ainda são os mesmos de quando começamos”, conta Rodrigo Duclós, diretor de tecnologia da Net Serviços, maior operadora nacional de cabo. “A melhor rede para distribuir vídeo e dados ainda é a HFC (rede híbrida de fibra óptica e cabo coaxial). A decisão a ser tomada é quanto de ‘F’ e quanto de ‘C’ você vai usar”, completa. Ou seja, até onde se vai com a fibra e com o cabo. Esta decisão, explica, é tomada em função dos planos oferecidos, do produto, da densidade da área e da competição. Ao pensar uma rede, conta Duclós, tem que haver um planejamento de como será sua evolução. “Este é o grande atrativo da HFC,

ela é naturalmente à prova de futuro, o custo/benefício é muito atrativo”, diz. Duclós lembra que quem for construir hoje uma rede do zero tem uma vantagem sobre quem construiu no passado: a ausência do legado analógico. Ou seja, uma rede nova, que nasce 100% digital, pode utilizar toda a banda de forma otimizada. Uma rede razoável, que permita todos os serviços com qualidade, deve ter no mínimo 1 GHz de capacidade, estima Duclós. Ele acredita que o fiberto-the-home (FTTH), a fibra levada até dentro das

“Este é o grande atrativo da HFC, ela é naturalmente à prova de futuro, o custo/ benefício é muito atrativo.” Rodrigo Duclós, da Net Serviços

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residências, pode até ser uma alternativa atraente para localidades novas, se houver um plano de negócios que justifique seu emprego. Mas ele reforça que uma rede híbrida de fibra e coaxial sem legado analógico já permite uma grande variedade de serviços. O gerente de tecnologia da Embratel, Luiz Fernando Bourdot, pensa de forma similar. “A rede HFC é a mais eficiente, flexível e preparada para o futuro”, diz Bourdot. Seu grande atributo, conta, é evoluir sempre. “É uma tecnologia evolucionária, não revolucionária. Ao longo dos anos evoluiu sempre, sem perder o legado. Foi verdade nos últimos 20 anos e será nos próximos 20”, diz. Mesmo em um cenário no qual tudo trafegue em IP, isso


sentido para ela, já tem monitoração, experiência com isso”, prossegue. “A telco já tem redes redundantes, aneis ópticos, não vai jogar isso fora”, conclui. Ele confirma que uma rede de fibra óptica até a casa do assinante é muito cara, só para quem tem muito dinheiro. Mas que esta será sem dúvida a arquitetura do futuro. “Estive na África do Sul em 2006 e voltei agora para a Copa. A diferença é incrível. Antes, a banda larga média era de 200 kbps, celular era caríssimo. Agora conectaram tudo com fibra, ficou ótimo. Foram obrigados a isso. E nós, como será para a Copa e as Olimpíadas? Vamos precisar de redes para atender tudo isso, as transmissões serão em 3D, HD, vai precisar de conexão, e não só no Rio e São Paulo”, questiona Amaral.

“Para uma telco, como a Telefônica, é melhor fazer tudo IP, usar sua infraestrutura, suas metroredes já existentes.”

FOTOS: arquivo

ainda será verdade, diz o engenheiro. Segundo ele, o FTTH é muito bom, mas a implantação por home passed custa dez vezes mais, e não há nada que ela faça que não se possa fazer em HFC também. Essa evolução, explica, é uma preocupação da Embratel, que vem planejando e instalando redes HFC em várias cidades brasileiras. Embora o foco seja no mercado de massa, residencial, explica, a empresa também precisa destas redes para atender ao mercado corporativo. A arquitetura, portanto, é feita de forma a poder também atender diretamente com fibra onde houver necessidade. “Há uma maneira simples de chegar com fibra nesses clientes, usando o RFoG (RF over Glass), uma solução simples, que já é padrão do SCTE. Funciona como a rede HFC, mas a parte que seria coaxial trafega em uma fibra óptica, com sinal analógico. É como criar um micronode dentro da casa ou empresa do assinante, com um desempenho melhor e sem ruído, pois na fibra não há ingresso (interferência) de sinal”, explica Bourdot. Desta forma, diz ele, o custo operacional cai, porque a rede óptica é passiva (não alimentada e sem amplificadores), o que reduz os gastos de manutenção. “Nos EUA estão usando muito isso em novos condomínios, e até valorizando o imóvel, porque anunciam como sendo FTTH”, conta. Outra opção, diz, é a arquitetura GPON. Neste caso, usa-se um comprimento de onda da fibra para a rede DOCSIS, e outro para GPON. “Poderia-se fazer tudo, vídeo e dados, com o DOCSIS 3.0, mas o CMTS é caro, só se paga quando compartilha com muitos clientes. Com essa

Virgilio Amaral, da Telefônica

arquitetura, podemos atender grupos menores”, explica Bourdot. Os principais fabricantes de soluções GPON são Huawei, Alcatel-Lucent, Motorola e Ericsson. As vendas de equipamentos com esta tecnologia cresceram 40% no primeiro trimestre deste ano, e 70% em comparação com o mesmo período do ano passado. Ele diz não acreditar que o DOCSIS 3 seja uma boa solução para novas operações, especialmente em cidades pequenas. “Tem a vantagem de estar pronto e ser escalonável, mas não se paga para um grupo pequeno de usuários”, conclui. 100% fibra Há quem enxergue as coisas de maneira diferente, porém. “Essa coisa

questão central é quanto de fibra e quanto de cabo usar em uma nova rede. de gostar de cabo ou de fibra é como religião. Cada um segue a sua, acredita naquilo”, conta Virgílio Amaral, responsável pelo desenvolvimento de produtos de vídeo para o grupo Telefônica. Ele explica: empresas de telecom têm uma tradição, uma cultura de gestão IP. “Se você colocar RF, CMTS nas redes destas empresas, vai virar um elefante de pescoço comprido”, brinca. “Para uma telco, como a Telefônica, é melhor fazer tudo IP, usar sua infraestrutura, suas metroredes já existentes. O mundo dos dados faz

Quem vai atender esta demanda toda, segundo ele, são as grandes teles: Telefônica, Oi e Telmex (Embratel). “Não tem como não ser fibra, pros estádios, centros de imprensa. Mas tudo isso tem que ser pensado pra atender também o usuário final”, completa. Virgílio, que durante muitos anos operou, e ainda opera, com redes HFC na TVA, concorda com os benefícios do cabo coaxial: tecnologia madura, preços já amortizados, fácil manutenção, resistência, flexibilidade. “Mas o cabo também tem problemas. É muito sensível a descargas externas, à chuva. O cabo é quase um para-raios, numa tempestade queima fonte, amplificador. Também recebe muita interferência de sinais externos,

“A rede HFC é a mais eficiente, flexível e preparada para o futuro” Luiz Fernando Bourdot, da Embratel

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( tecnologias)

especial as redes da convergência

possíveis arquiteturas de rede triple-play Home Gateway

Home Gateway

Triple Play residencial

ADSL2+/ VDSL2 ONU M41 xDSL

Home Gateway ONT

FTTC

WWW

FTTH Triple Play residencial

GbE MSAN WDM

Splitter ONT

IP

GPON OLT

Servidor de vídeo

Serviços de voz Vídeo por RF

PSTN

Encoder óptico ADSL2+/ VDSL2

Splitter

FTTB

Fonte: ECI Telecom.

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fibra até o apartamento, e de lá distribuímos o sinal com rede Ethernet ou PLC (Powerline Communication transmissão através da rede elétrica). Mas o PLC limita a banda, e tem problemas de aterramento. É bom para dados, mas não para vídeo”, explica Virgílio. Outras alternativas são usar o próprio cabo coaxial, ou uma solução wireless. “Estamos tentando soluções sem fio e funcionam bem. O problema é o custo, em torno de US$ 80 FOB por ponto”, conta o executivo. A Verizon, nos EUA, usou uma arquitetura híbrida para seu serviço FiOS, uma referência mundial em FTTH, conta Virgílio. Eles chegam com dois sinais na casa do assinante: uma fibra puro IP para dados, e uma de RF para vídeo. A vantagem, explica, é que para prover serviço de dados não se quebra a cultura da tele, e o vídeo trafega com boa qualidade. Mas isso foi em 2005. Passados quase seis anos, o cenário mudou. O que deve fazer quem está construindo uma rede hoje? Apostar em RF, que

pois é RF. A fibra não tem isso”, conta. A fibra, explica, acaba com problemas de falta de energia. Sua gestão é mais simples e barata. E com a multiplexação por comprimento de onda (ou seja, cada sinal é transmitido em um diferente comprimento de onda, ou cor, dentro da mesma fibra), pode-se multiplicar a capacidade do meio físico, sem instalar novos cabos. Por outro lado, há uma grande dificuldade de instalação dentro das residências e escritórios, por falta de espaço nos dutos e pela dificuldade de corte e fusão das fibras, que exige um maquinário complexo e caro e mão de obra especializada. Por isso, mesmo a solução FTTH preconizada pela Telefônica aposta em algumas alternativas para fazer a última milha, o acesso final aos terminais dos usuários. “O que a gente faz é ir com a

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está maduro, mas que pode ficar caro em dez anos, se for ficando obsoleto? “É como a situação de você ficar muito tempo esperando passar um ônibus no ponto. A cada momento você se pergunta se já é hora de tomar um taxi, ou se espera um pouco mais. Quando você resolve entrar no taxi, o ônibus chega”, brinca Virgílio. Traduzindo, o operador deve decidir hoje se banca ou não um custo mais alto na casa do usuário, apostando no que virá no futuro. “Hoje o cabo atende bem, mas no futuro eu penso que não. Com fibra você pode transmitir vídeo 1080p a 25 Mbps, vídeo 3D a 30 Mbps. Quando esta demanda vier, no futuro, o cabo pode não atender”, completa. Outra questão levantada por diversos especialistas é a da distribuição de vídeo pelo sistema broadcast convencional, usando a plataforma DVB-C com

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A tecnologia móvel está transformando nosso jeito de viver, aprender, trabalhar e se divertir.

UMA GRANDE IDEIA. INFINITAS POSSIBILIDADES. Como líder mundial em tecnologias de próxima geração, a Qualcomm está focada em uma grande ideia - acelerar a mobilidade ao redor do planeta. qualcomm.com

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© 2010 Qualcomm Incorporated. All Rights Reserved. Qualcomm is a publicly traded company on the NASDAQ Stock Market under the ticker symbol QCOM.

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( tecnologias) MPEG-2 ou MPEG-4, ou o uso de uma distribuição por IP (IPTV), ou seja, ponto-a-ponto usando a rede de dados. Segundo Luiz Fernando Bourdot, da Embratel, o IP para broadcast (distribuição de canais) não agrega nada, só custo. O driver para IP, explica, é o nãolinear, o on-demand. “Aí, o IP é rei”, afirma. Para Duclós, da Net, é uma decisão complicada, pois vivemos hoje uma transição de tecnologias. “Me parece que ainda não seria o momento (de migrar para IP)”, diz. Pesa para o DVB-C, conta Duclós, a maturidade do sistema. “Já existe, funciona, está pronto. Para quem for entrar, é muito rápido. Mas se for alguém que possa correr mais risco, experimentar com uma tecnologia menos madura (IP), pode valer a pena”, afirma. “Não tenho dúvida que o jeito mais barato de distribuir hoje é com DVB-MPEG. Por quanto tempo é a questão. Se você me perguntar daqui a seis meses, talvez seja diferente”, completa.

“Uma rede de 450 MHz com HPNA pode levar 100 canais SD e 50 HD.” João Marcelo Corrêa, da Cianet

FOTO: divulgação

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Ele relata que alguns ISPs de médio porte vêm consultando a empresa, mas ainda não estão fazendo projetos. Mas afirma que a Furukawa não vai trabalhar, como no passado, com projetos turnkey (em que a empresa monta toda a infraestrutura e a rede). A Furukawa tem um contencioso com a TV Cidade até hoje por conta de um projeto turnkey que não teria sido pago. A empresa apenas venderá equipamentos e materiais e fará treinamento de mão de obra. “Este, aliás, pode ser um grande problema: a falta de mão de obra

TV a cabo. “Você pode fazer um sistema de IPTV, e na casa conectar um settop box por IP ou HPNA. O GPON permite os dois cenários. A CPE aceita terminais HPNA com o uso do cabeamento existente ou um sistema novo de IPTV”, conta. Outra solução apontada por Barros é o uso do VDSL2 (variante, com muito mais capacidade de dados, do ADSL, usado hoje pelo serviço de banda larga das teles) para a distribuição de sinais dentro dos prédios e das casas, utilizando a fiação telefônica existente. Testes recentes da Alcatel-Lucent conseguiram velocidades de 200

segundo fornecedores, muitas consultas são de ISPs que querem oferecer serviço de vídeo. especializada para mexer com fibra, pois com a redução dos projetos de rede, muita gente saiu desta área”, conta o executivo. “São raros os clientes que já têm uma rede pronta para os três serviços, voz, vídeo e dados”, conta o consultor de negócios para redes fixas da Alcatel-Lucent, Eliseu Alencar Barros. “Nossa orientação é que qualquer projeto de rede hoje tem que contemplar tudo”, diz. Segundo ele, para uma oferta completa de serviços, será necessário um novo tipo de rede, e necessariamente se falará em FTTH ou FTTB (fiber to the building). “Este é o cenário mais interessante para o Brasil, levar a fibra até o prédio, próxima ao cliente”, conta. “Para novas operadoras, uma estratégia em cima de coaxial ficará ultrapassada”, afirma Barros. A aposta da fabricante para a última milha é o GPON, pois teria a vantagem de permitir reserva de comprimentos de onda para trafegar

Mobilização A maior parte dos fornecedores se prepara para uma nova onde de consultas sobre construção e ampliação de redes. Segundo Hélio Durigan, diretor de engenharia da Furukawa, muitos ISPs (provedores de Internet) buscam informações sobre como usar sua infraestrutura atual para oferecer vídeo, quando saírem as novas licenças. Segundo ele, a empresa trabalha com três modelos de implantação: HFC tradicional, fibra até a rua (armário) e, em alguns casos, fibra até a casa (FTTH). “Incentivamos o uso da fibra, pela flexibilidade. Você pode dimensionar como quiser. Temos casos de projetos com nodes até de 64 usuários”, conta Durigan.

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Mbps com a tecnologia, usando pares combinados. “É muito novo, e o custo ainda é alto, mas tem a vantagem de usar o cabeamento já existente, e por isso vem crescendo muito rapidamente. Não são necessárias novas obras, passar fiação. E também, com a difusão da 3G (banda larga celular), essas redes podem ser usadas como backhaul, para fazer a interligação das ERBs (estações radiobase). Isso amortiza o custo da instalação. A banda larga fixa será o meio para a banda larga móvel”, diz Barros. O VDSL2 é uma solução para a conexão dentro de prédios ou casas, mas não para a rede externa, pois seu sinal degrada com a distância. Seu alcance é de algumas centenas de metros apenas, enquanto o GPON pode se estender por até 20 quilômetros. Hoje, conta Barros, fala-se em GPON de nova geração (NGGPON),

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( tecnologias)

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com velocidades de até 10 Gbps. “Ou seja, a evolução para novos serviços está garantida”, conclui.

precisa de mais amplificadores, manutenção”, explica. “Numa rede, fibra é 30% dos custos, e os ativos são 70%. Isso é bom para os grandes fornecedores, que ganham com a venda desses ativos. Com Fiber Deep, o custo de manutenção cai muito, pois a última milha, por cabo coaxial, é passiva”, conclui Schwartz. A tecnologia já tem, segundo ele, 4 milhões de homes passed instalados em vários países. “É uma arquitetura muito flexível, e migra facilmente para diferentes topologias, FTHH, GPON, RFoG”, conta ele. A Fiber Deep também promete ser uma tecnologia “verde”, pois reduz o consumo de energia na rede em 50%. Outra solução, já em uso em operadoras no Brasil, é a HPNA (leia artigo à página 70). Ela também usa

Olho no custo Enquanto este tipo de solução, mais cara e mais “à prova de futuro” atrai a atenção das grandes operadoras, o mercado apresenta também plataformas de custo baixo e rápida implantação, com foco especialmente, mas não apenas, nas entrantes, nas novas operações e nos provedores de dados ou voz que planejam oferecer vídeo no futuro próximo, assim que obtiverem suas licenças. Uma destas soluções é a Fiber Deep, que faz a distribuição da última milha usando cabo coaxial passivo, sem necessidade de fontes e amplificadores. Segundo Yuval Schwartz, da Aurora Networks, uma rede assim pode ser construída como um jogo de Lego: crescendo à medida em que se acrescentam módulos. “Numa rede HFC comum, ativa, quanto mais cresce a demanda por dados, mais nós têm que ser criados, cada vez com menos assinantes. O custo é alto,

alternativas como fiber deep e hpna podem ser vantajosas para operadores entrantes.

Glossário CMTS CPE DOCSIS FTTH GPON

Cable Modem Termination System. Parte de um sistema de cable modem que fica no headend da operadora Costumer Premises Equipment. Qualquer equipamento instalado na casa do usuário Data Over Cable Service Interface Specification. Padrão do CableLabs para a transmissão de dados por redes HFC Fiber to the Home. Arquitetura na qual a fibra ótica chega até a casa do usuário Gigabit Passive Optical Network. Arquitetura que provê a última milha através de uma conexão Gigabit Ethernet

HFC

Hybrid Fibre-Coaxial. Redes híbridas de fibra óptica e cabo coaxial

Homes passed

Domicílios cobertos por uma rede (assinantes ou não)

HPNA

Home Phoneline Networking Alliance

RF

Radiofrequência

RFoG SCTE

fibras ópticas no backbone e cabo passivo na última milha. “O HFC tradicional usa o padrão DOCSIS, que faz upstream e downstream em faixas diferentes, e precisa de amplificadores bidirecionais. É um custo alto para um pequeno provedor. No HPNA, o upstream e o downstream são numa única faixa, reduzindo o custo do terminal para abaixo de R$ 450, já incluído o rateio do backbone”, conta João Marcelo Corrêa, diretor técnico e comercial da Cianet. Segundo ele, um pequeno ISP pode deixar a sua rede pronta para transmitir vídeo assim que obtiver uma licença. “Quem vai começar do zero não precisa de uma rede muito larga, pois não tem o legado do analógico. Usando

RF over Glass. Solução que permite substituir o cabo coaxial por uma fibra óptica em uma rede HFC-DOCSIS Society of Cable Telecommunications Engineers. Entidade que homologa padrões para a indústria do cabo

HPNA, com 450 MHz ele pode trafegar 100 canais SD, 50 canais HD, dados e voz”, conta Corrêa. Nesta arquitetura, o last mile é passivo. Um modem na casa do assinante se liga a um switcher HPNA, ligado ao backbone por fibra ou GPON. Esse switcher também pode ser ligado a um transmissor Wi-Fi, atendendo até mesmo uma pequena área urbana. “Foi feito em Parati (RJ), com uma oferta de 256 kbps. Poderia ser WiMax também, e se alguém quiser mais banda, é só levar um cabo até lá”, conta Corrêa. Segundo ele, a parte mais cara da solução ainda é o modem, por uma questão de escala. Um switch master outdoor, como o desenvolvido pela Cianet, custa R$ 1,8 mil e atende 160 casas, ou seja, apenas R$ 11 por assinante. “O modem ainda custa R$ 160, mas vai cair logo. Só a AT&T está instalando 170 por mês nos EUA”, diz o executivo. André Mermelstein

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especial as redes da convergência Letícia Cordeiro

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Da digitalização à casa conectada Nova geração de caixas unificará conteúdos da TV linear e de serviços VOD.

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magine sua TV por assinatura, a TV digital aberta, conteúdos over-thetop (OTT) e mais a infinidade de conteúdos espalhados pela nuvem da Internet disponíveis em uma rede residencial, podendo ser acessados por qualquer um dos seus dispositivos conectados a essa rede – como um computador, uma tablet, um videogame, uma TV e ainda um smartphone –, tudo isso sendo gerenciado por uma única caixa, que poderá oferecer também serviços de automação residencial. O cenário já não é mais apenas ambiente de filmes de ficção e, em breve, também deixará de ser só exclusividade de quem tem muito dinheiro para investir em tecnologia. É claro que alguns países da Europa e os Estados Unidos estão muito mais próximos dessa realidade do que nós, brasileiros, já que eles já vêm testando essas caixas tudo-em-um chamadas “home gateways”. E, uma vez que a tecnologia ganhe escala, é provável que possamos ter acesso aos mesmos benefícios por aqui. Especialistas do setor estimam um prazo de cinco anos para a popularização dos home gateways naqueles países. Em favor dessa popularização, pesa a recente decisão da FCC, órgão regulador das comunicações norteamericano, determinando FOTOS: divulgação

que a partir de 31 de dezembro de 2012 as operadoras de TV por assinatura instalem apenas uma caixa na casa de cada usuário. O que significa o fim da grande variedade de set-top boxes espalhados em uma residência. O receptor da TV com alta definição e 3D, o DVR, o modem de acesso banda larga, os set-top boxes dos pontos adicionais, o roteador Wi-Fi e até mesmo uma plataforma para abrigar widgets para conteúdos online e OTTs como NetFlix e Hulu estarão integrados

nesse home gateway único. A Technicolor já tem uma caixa intermediária chamada Advanced Cable Gateway (ACG), instalada na France Telecom e na British Telecom, que provê banda larga, telefonia e alguns serviços agregados como acesso a informações da bolsa de valores, notícias da CNN e do Terra Sports para visualização numa tela de LCD do telefone fixo, mas ainda não é um home gateway completo. “Ainda não tem a parte de vídeo integrada, mas o próximo passo é

“A exigência de capacidade de processamento dos chipsets mais do que dobrou no último ano e hoje os chips são multiprocessadores, com núcleos específicos para não prejudicar o desempenho de nenhum aplicativo.” Fabiano Carneiro, da Abrangenet

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totalmente concluído, as operadoras de TV por assinatura nacionais comemoram, sem divulgar números, a expansão da base de assinantes de alta definição. Vale pontuar que essa expansão em muito foi impulsionada pelo inicio das transmissões do padrão brasileiro de TV digital, com os canais abertos em high definition (HD). Embora reconheça que a migração dos set-top boxes da TV paga pra caixas HD no Brasil seja uma tendência sem volta, o diretor regional para o Sul da América Latina da Nagravision, Thierry

”Essa plataforma de TV conectada nos abre uma infinidade de possibilidades e constantemente conversamos com outras empresas para desenvolver parcerias e agregar conteúdos relevantes para o consumidor.” Marcio Portella Daniel, da Samsung

incluir vídeo no pacote, com mecanismos de acesso condicional e DRM, e distribuí-lo dentro da casa para outros set-top boxes mais simples ou diretamente para as TVs e outros dispositivos portáteis”, conta o diretor da Technicolor, Sundeep Jinsi. A Motorola também vem trabalhando com operadoras norte-americanas no desenvolvimento desses home gateways. “Já temos soluções intermediárias na Comcast e na TimeWarner, que consistem em uma caixa mais complexa, como um home gateway, que faz as mais diversas funções, e set-top boxes mais simples conectados ao home gateway que fazem o processamento para os televisores”, explica Marcos Takanohashi, diretor da área de roaming da Motorola. A integração de todos os dispositivos dentro da casa do usuário, entretanto, só será possível se todos os devices e o home gateway tiverem um protocolo de comunicação em comum. Existem alguns protocolos no mercado, mas ao que tudo indica, o padrão deverá ser o DLNA, desenvolvido pela Digital Living Network Alliance, uma associação de 250 fabricantes de dispositivos móveis, computadores, eletrônicos de consumo e operadoras de TV por assinatura. Novos modelos de TVs conectadas, consoles de videogames, Blu-rays conectados e outros dispositivos já têm saído de fabrica com DLNA embarcado, que também tem integrado Universal

Plug and Play (UPnP), protocolo capaz de reconhecer automaticamente outros dispositivos e compartilhar conteúdos neles armazenados. Outro ponto-chave é a evolução dos chipsets que integrarão esses home gateways, lembra o diretor da Abrangenet, representante da Sigma Designs, Fabiano Carneiro. “A exigência de capacidade de processamento dos chipsets mais do que dobrou no último ano e hoje os chips são multiprocessadores, com núcleos

A integração dos dispositivos na casa do usuário só será possível se os devices e o home gateway tiverem um protocolo de comunicação em comum. específicos para não prejudicar o desempenho de nenhum aplicativo”, explica Carneiro. A tendência, segundo ele, é que esses chipsets passem a ter até seis núcleos para tratar separadamente o processamento de vídeo e dos gráficos, a interface 3D gráfica de programação e de interatividade, a transcodificação, processamento de aplicativos de acesso à conteúdos de internet, integração com a home network e, ainda, algoritmos que melhoram a qualidade da imagem.

Martin, acredita que ainda levará alguns anos para que a casa média dos assinantes no Brasil tenha pelo menos um set-top HD. “Hoje a penetração de HD já é visível em termos de market share, mas ainda é pequena. E como o preço das caixas HD é maior e esse valor entra no capex das operadoras brasileiras, elas ainda comprarão em sua maioria set-tops standard definition (SD) este ano”. Takanohashi, da Motorola, concorda: “Nos próximos dois anos ainda vejo as operadoras focadas em ampliar a base HD, agregando função de PVR, e apenas em um segundo momento poderemos começar a ver movimentação em direção ao 3D”, analisa. A importância da alta definição reside no fato de que, para prover conteúdos HD, as operadoras precisam trocar os set-tops (SD) MPEG2 por caixas mais complexas, com MPEG4, que permite maior compressão e ocupa menos banda de transmissão, explica Jinsi, da

Brasil Enquanto o mundo experimenta uma diversidade de dispositivos conectados e distribuição de conteúdo online rumo a uma integração total, o Brasil começa a dar seus primeiros passos. Após a recente digitalização das redes de TV por assinatura, processo ainda não Sundeep Jinsi, da Technicolor, conta que o próximo passo é incluir vídeo na caixa Advanced Cable Gateway.

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( terminais)

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“Vemos uma possibilidade de integração maior entre redes sociais como Facebook e Twitter com a interface de usuário do set-top box da TV, permitindo que seus amigos vejam o que você está assistindo no momento.” Thierry Martin , da Nagravision

Amazon Video On-demand.

Technicolor. “Essas novas caixas necessariamente têm maior capacidade de processamento e memória, canal de retorno IP e podem agregar ainda funcionalidade de PVR se tiverem um disco rígido interno e permitirão a oferta de vídeo on-demand (VOD) em SD e HD”, complementa. Na outra ponta, vimos nos últimos meses o lançamento de diversos modelos de TVs e Blurays conectados de marcas como LG, Panasonic, Samsung e Sony. Esses dispositivos têm um digital media adapter (DMA) embarcado, que além gerenciar os conteúdos digitais do usuário, integram widgets em sua plataforma para acesso otimizado a conteúdos específicos da internet. A Samsung, que lançou seu primeiro modelo de broadband TV em abril de 2009 no Brasil, fechou parcerias de conteúdo com o portal Terra notícias, YouTube, ESPN Brasil, Cybercook, Skype, Apontador, Getty Images, The History Channel, Picasa e Twitter. “Essa plataforma nos abre uma infinidade de possibilidades e constantemente conversamos com outras empresas para desenvolver parcerias e agregar conteúdos relevantes para o consumidor”, afirma Marcio Portella Daniel, diretor da divisão de eletrônicos de consumo da Samsung. Segundo ele, um desses recursos é a possibilidade de baixar e armazenar filmes e séries de TV em um Blu-ray conectado para assistir na TV. O serviço já é comum nos EUA, onde TVs e Blurays conectados e DMAs permitem acesso a conteúdos de provedores como NetFlix, Hulu, Vudo e

O que vem pela frente Algumas tendências já começam a apontar os novos caminhos de evolução para caixas e dispositivos conectados. A grande adesão às redes sociais, por exemplo, deu algumas ideias a fabricantes e operadoras de TV por assinatura. “Vemos uma possibilidade de integração maior entre redes sociais como Facebook e Twitter com a interface de usuário do set-top box da TV, permitindo que seus amigos vejam o que você está assistindo no momento e permitindo, inclusive, que um deles

Com relação a transmissões em 3D, como ainda não há um padrão único, Takanohashi, da Motorola lembra que é provável que os chipsets embarcados em TVs, set-top boxes ou home gateways precisarão ter a capacidade de converter a transmissão do sinal de TV em 3D para o padrão compatível com o televisor, no caso de serem diferentes. Já o sucesso das caixas DMAs para conteúdos over-the-top como NetFlix, influenciaram a Apple a lançar sua própria caixa, a Apple TV e, agora, o mercado aguarda o lançamento de mais um set-top, o Google TV. De acordo com Carneiro, da Abrangenet, nos últimos dois anos foram lançados

para prover conteúdos HD, as operadoras precisam trocar os set-tops por caixas mais complexas, com MPEG4, que permite maior compressão e ocupa menos banda. programe seu PVR para gravar um determinado conteúdo”, revela Martin, da Nagravision. Ele conta que o serviço já está em operação comercial em uma prestadora da França e em fase final de implantação em uma dos EUA. Na mesma linha, Daniel, da Samsung, revela que a fabricante está desenvolvendo um tipo de chat integrado nas TVs conectadas que permitiria sugerir programação a seus contatos. A Motorola vem trabalhando na implantação de um projeto bem similar em uma operadora de TV paga dos EUA. Segundo Takanohashi, tratase de um serviço de mensagens instantâneas integrado na TV para funcionar pelo controle remoto. “Se um usuário estiver assistindo a um jogo de futebol e quiser provocar um amigo que está online e que ele sabe que torce para o time adversário, poderá provocá-lo com um ‘ping’”. O serviço deve ser lançado entre este ano e o ano que vem.

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mais de cem novos produtos com DMA – Digital Media Adapter no mercado. “É o momento da explosão dos DMAs”, afirma. Os DMAs ainda não são populares no Brasil, mas Carneiro aponta uma grande oportunidade de mercado com caixas conversoras do padrão brasileiro de TV digital. “Globo, SBT e Record já têm aplicativos de interatividade, mas para que funcionem é preciso que os receptores do ISDB-Tb tenham o middleware DTVi (anteriormente chamado Ginga) integrado. Esses middlewares, que também podem ter um DMA embarcado para acesso a conteúdos de internet, e TVs conectadas com DTVi passariam a ter funcionalidades até mais avançadas do que as operadoras de TV por assinatura oferecem no momento”, avalia o executivo da Abrangenet.


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(redes residenciais)

especial as redes da convergência Fernando Lauterjung

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Invasão de privacidade Conectar todos os dispositivos da casa do assinante é o novo desafio dos operadores.

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disputa pelo assinante multisserviço está chegando a uma nova fase. É o momento de entrar na casa do cliente e garantir o consumo mais inteligente do conteúdo e a interação de forma intuitiva, bem como o tráfego de conteúdos do próprio usuário entre os dispositivos do lar. Nesta etapa da concorrência as operadoras podem passar a concorrer com outros setores, alertam analistas. O timing depende ainda de uma percepção de valor por parte do cliente e de se encontrar um modelo de negócios com fornecedores e com os próprios assinantes. A ideia por trás das casas conectadas é que o usuário possa consumir o conteúdo a qualquer momento em qualquer dispositivo da casa, independente da origem deste conteúdo, que pode ser da programação linear da TV por assinatura, de um serviço de video on-demand (VOD) ou de seu próprio conteúdo, disponível em algum dos equipamentos conectados na rede. Além disso, cabe a esta rede permitir uma interação transparente, também independente do dispositivo usado. “Hoje a experiência é fragmentada, com o conteúdo apenas na TV, ou só no computador ou ainda no celular. Os conteúdos não estão integrados”, diz Flávio Simoni, gerente de desenvolvimento de negócios da Cisco. “A interatividade também é fragmentada. Há um dispositivo para interagir, FOTO: divulgação

outro para falar e outro para assistir”, completa. A Cisco prevê, diz o executivo, que não haverá qualquer restrição de tempo, espaço e equipamento para o usuário consumir o conteúdo e para interagir com este conteúdo. O estudo “Administrando a Casa Digital”, realizado pela Accenture em 2008, apontava que as pessoas tinham dificuldade de compreender todo o potencial de ter uma casa

conectada, com todos os dispositivos trabalhando em sintonia, o que poderia segurar a aceleração da adoção deste tipo tecnologia. Atualmente esta tecnologia está em um volume crescente de dispositivos, incluindo televisores, set-top boxes, computadores, roteadores, unidades de armazenamento, telefones celulares e câmeras fotográficas ou de vídeo. Na medida em que estes equipamentos chegam à casa do usuário, sua percepção de valor na interconexão de seus dispositivos muda. Segundo Renato Improta, executivo sênior da área de mídia e telecomunicações da Accenture, os usuários já querem que seus equipamentos conversem entre si. “As máquinas fotográficas digitais fizeram com que as pessoas tirassem mais fotos. Surgiram preocupações como não perder o arquivo de fotos e como mostrá-lo nas telas grandes”, diz. O executivo lembra que atualmente há uma oferta grande de equipamentos que permitem levar as fotos à tela da TV através de um pendrive. “As pessoas se perguntam porque precisam de uma ação física. Percebem o impacto que uma rede doméstica pode trazer”. Para ele, o

“Hoje, se houver um problema com um dispositivo, o primeiro a ser procurado é o provedor de serviço de dados. A tendência, portanto, é buscar o operador para administrar esta rede interna.” Renato Improta, da Accenture

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especial as redes da convergência “Queremos ser o gateway de telefonia, dados e conteúdos. Acreditamos nesse modelo e vamos trabalhar para que seja o modelo vencedor.”

Rede de quem? A questão ainda é: quem vai prestar o serviço? Para Improta, podem ser as operadoras, mas há uma gama de prestadores de serviços que podem abocanhar este mercado, como as empresas de manutenção de PCs, por exemplo. “As empresas de varejo já fazem isso, e bem, nos Estados Unidos. Elas oferecem o serviço no momento da venda dos equipamentos”, diz. Até mesmo fabricantes e desenvolvedores, como Sony ou Microsoft, por exemplo, podem passar a atuar nesta área, já que há interesse do usuário em pagar por este serviço. “Haverá uma disputa para decidir quem vai providenciar a conectividade e a caixa. A caixa pode, sim, ser separada da conectividade. São os casos dos concorrentes externos às operações de telecom. Fabricantes de TV e outros equipamentos, como o Apple TV”, diz Jesper Rhode, vicepresidente de integração de sistemas e multimídia da Ericsson. A preferência, no entanto, é pelo operador multisserviço. O diagnóstico de Improta, da Accenture, é baseado na reação do consumidor quando percebe algum problema nos equipamentos da casa. “Hoje, se houver um problema com um dispositivo, o primeiro a ser procurado é o provedor de serviço de dados, seguido de amigos e familiares e, depois, dos fabricantes. A tendência, portanto, é buscar o operador para administrar esta rede interna”, aposta. Jesper Rohde também acredita que, independente das caixas concorrentes, as

Márcio Carvalho, da Net

operadoras vão acabar oferecendo o serviço onde seu modem ou set-top box se tornam o home gateway.

FOTO: arquivo

Desafios Para Flávio Simoni, da Cisco, o maior desafio do operador é empacotar a experiência fragmentada atual do assinante. “É o grande desafio em médio prazo. Hoje todos têm HD e bundle de serviços. Quem conseguir empacotar primeiro vai ter um diferencial”, diz. Segundo ele, para isso é preciso combinar um modelo de negócios com os fornecedores do conteúdo. “Será preciso negociar com os broadcasters”, diz. “Não sabemos como eles veem os conceitos de catch-up (quando o assinante pode buscar um conteúdo que não pôde assistir quando foi veiculado na grade linear de programação) e o start over (quando o assinante pode voltar ao início de um programa que está sendo exibido)”, completa, destacando que o conteúdo da radiodifusão aberta tem alto valor no Brasil. Para Jesper Rhode, da Ericsson, os provedores de conteúdo em algum momento terão que aceitar esse novo modelo de disponibilização do conteúdo. O executivo diz que o efeito de “cable disconnect” nos Estados Unidos é

“Haverá uma disputa para decidir quem vai providenciar a conectividade e a caixa. A caixa pode ser separada da conectividade, como televisores e outros equipamentos, como o Apple TV”. Jesper Rhode, da Ericsson

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tendência entre jovens que estão entrando na vida adulta. Para estas pessoas, que estão equipando suas primeiras casas, o conteúdo vem apenas da banda larga. “Mesmo assim, sempre haverá um consolidador do conteúdo, que são as marcas ligadas a determinados gêneros e tipo de conteúdo”, diz o executivo, que acredita que os canais lineares, como existem hoje, devem desparecer. “O YouTube pode ilustrar como sempre haverá uma camada agregadora dos conteúdos. Os estúdios gradualmente começam a levar seus conteúdos para o portal de vídeo. Mas esses conteúdos não ficam soltos lá dentro, fazem parte dos canais que os estúdios têm no portal”, explica. O mesmo acontece com músicos e gravadoras. Por outro lado, o desafio é também entrar na casa do assinante e garantir que tudo funcione de forma harmoniosa. Ninguém sabe que tipo de equipamentos estão nas casas e nem que tipo de redes, se há compatibilidade. “O operador precisa definir o que aceita fazer. Se vai prestar atendimento para todo tipo de device ou se fechará o escopo apenas para seus equipamentos?”, diz Improta, da Accenture. “Também é preciso definir como receber as demandas e como cobrar. Que tipo de transação será feita? Cobrarão por mês, por demanda?”, questiona. FOTO: arquivo

consumidor vai acabar pressionando para que o mercado preste algum serviço que viabilize esta comunicação.

Planos Todos os operadores ouvidos por esta reportagem dizem que pretendem, em algum momento, oferecer o serviço aos assinantes. Segundo Luiz Fernando Bourdot, gerente de tecnologia da Embratel, as conexões internas estão no radar das operadoras. “O problema

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( redes residencias) é que a operadora começa a responder por questões que não eram dela. Cresce exponencialmente o volume de situações nas quais a operadora é chamada. O principal desafio é operacional, de atendimento ao assinante, e não tecnológico”, diz. Como exemplo, o executivo cita uma rede mais simples que o conceito de casa conectada, formada apenas pela disponibilização de um roteador Wi-Fi no modem. “Nesse caso, se uma impressora compartilhada na rede para de funcionar, o operador vai ser chamado”. Márcio Carvalho, diretor de produtos e serviços da Net, também diz que vê como um trabalho para as operadoras providenciar a conectividade nas casas. “A tendência é sermos o gateway de telefonia, dados e conteúdos. Acreditamos nesse modelo e vamos trabalhar para que seja o modelo vencedor”, diz Carvalho. A operadora pretende agregar mais interatividade à programação de TV, permitindo comentários e “linkar” o conteúdo às redes sociais. “Haverá sociabilização na experiência de ver TV. No futuro teremos todas as experiências das duas mídias (TV e Internet) de forma integrada”, acredita Carvalho. Segundo ele, a operadora vem trabalhando há bastante tempo para “trazer mais inteligência para a TV”. O DVR é um exemplo desse trabalho. “Nós acompanhamos a evolução das tecnologias. Todo lançamento de chipset traz novidades”, diz. O executivo da Net afirma, contudo, que as experiências ainda são um pouco especulativas. “Ainda não temos o super gateway vencedor do futuro”, diz. Mas algumas tecnologias se mostram eficientes, conta, como o protocolo de compartilhamento na rede interna DLNA (que encontra automaticamente outros dispositivos compatíveis com o

“Para fidelizar, precisa ser simples para o cliente.” Dante Compagno, da TVA

protocolo na rede). Em relação à infraestrutura destas redes, Carvalho diz que o Wi-Fi já é bastante confiável atualmente, mas as outras tecnologias, como coaxial e cobre não podem ser descartadas ainda. Dante Compagno, gerente executivo de produto da TVA, também confirma que a operadora está desenvolvendo novos produtos e serviços para atender à demanda dos assinantes por uma maior conectividade. “Para fidelizar, precisa ser simples para o cliente”, alerta o executivo. Compagno não teme o atendimento para o serviço de redes internas. Segundo ele, como a operadora já é provedora de banda larga, tem que lidar com chamados. “O

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especial as redes da convergência devem ser híbridas, com conexão IP para VOD.

Solução Ainda não há um gateway vencedor, nem mesmo uma infraestrutura de rede ou protocolo de comunicação único. A solução para este problema, por enquanto, está longe das mãos dos futuros prestadores deste serviço de conexão residencial. A própria tecnologia caminha para resolver a integração dos equipamentos no lar. Segundo Renato Improta, da Accenture, o próprio usuário vai ajudar a definir os padrões. “A questão é que as pessoas ainda estão escolhendo seus equipamentos, e isso vai definir

operadores terão que lidar com novos tipos de demandas no atendimento ao assinante. assinante já liga quando a impressora não funciona”, diz. A TVA, em parceria com a Telefônica em uma área limitada da cidade de São Paulo, tem o único serviço de fiber to the home 100% IPTV. Mesmo os canais lineares são recebidos em uma estrutura IPTV, além do conteúdo de video on-demand. A conectividade no lar, contudo, ainda não existe. Um dos primeiros serviços de compartilhamento do conteúdo no lar deve ser lançado ainda este ano. Será um DVR, apenas para a base de assinantes do serviço FTTH, que pode ser compartilhado pelas outras TVs da casa. “Isso é mais fácil no IPTV. No modelo broadcast, para garantir que toda a família possa gravar seus programas, seriam necessários quatro, cinco ou mais tuners”, diz. No IPTV, a caixa precisa ter capacidade de processamento para suportar mais de um stream. Compagno diz que a operadora faz estudos para levar esta tecnologia também para caixas broadcast, mas não estão tão avançados. Para ele, as caixas do futuro

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quais serão os protocolos do futuro. Provavelmente serão vários”, diz. Jespe Rohde, da Ericsson, diz que há diversos cenários para a construção das redes. “Há sistemas abertos, baseados em protocolos com o DLNA, e propostas mais fechadas, com protocolos proprietários”, lembra. “Os fabricantes de dispositivos querem monopolizar a camada de sistema operacional. A questão é se o usuário aceitará ter todos os equipamentos de um mesmo fabricante. No final, deve haver um equilíbrio entre o aberto e o fechado”, prevê. Para o executivo da Ericsson um ponto já está definido: independente de quem oferecerá a conectividade, da infraestrutura e dos protocolos, a TV terá posição central nas casas conectadas. “As tecnologias que vão chegando gradualmente na casa do usuário são ferramentas para acessar a tela da televisão”, diz.


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(artigo)

especial as redes da convergência Glauco Reis*

c a r t a s . t e l a v i v a @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

HPNA, uma solução robusta e barata Tecnologia de ultra banda larga evolui e mostra fôlego, viabilizando o triple play a um custo/benefício excelente em operadoras como a Net Angra. FOTOs: divulgação

D

epois de se tornar conhecido mundialmente em 2005 através da AT&T nos Estados Unidos, numa variante da tecnologia adaptada à rede de TV a cabo, o HPNA desembarcou no Brasil, mais especificamente na cidade de Angra dos Reis, litoral sul-fluminense, em 2007, numa pequena operadora de TV a cabo, a Net Angra. Na época da implantação, feita pela GH Supply, a opção da operadora era por uma tecnologia versátil e barata, que pudesse tomar como base a infraestrutura de cabo já existente e que tivesse banda suficiente para a oferta de telefonia IP, Internet e TV. O HPNA é uma tecnologia capaz de aumentar a receita media por usuário, melhorar a fidelização do cliente e diminuir as despesas de operação, reduzindo os custos da instalação, suporte e gerenciamento, uma vez que o equipamento master pode controlar mais de 60 modems-clientes, com ferramentas de monitoramento e gerenciamento de QoS e outros serviços individualmente. Com tudo isso, somado aos 250 Mbps de largura de banda e baixíssimo custo de implantação e gerenciamento, a tecnologia se torna ainda mais atrativa. Para integrar a rede da Net Angra, o HPNA, até então exclusivo para aplicações de home networking, precisou passar por uma adaptação, realizada neste caso pela Sendtek, um fabricante taiwanês especializado na tecnologia. Depois de desenvolvidos, os equipamentos puderam integrar a topologia super

* Diretor gerente da Net Angra.

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distribution, que através da arquitetura de rede em estrela distribui os equipamentos em células. Atualmente, cada braço da rede conta com dois modems-master que controlam até 122 modems-clientes, que dividem entre si uma banda de até 500 Mbps. A tecnologia hoje é utilizada com êxito pela Net Angra nos serviços de Internet e telefonia, e em testes já se tornou muito promissora para a oferta de outros serviços, como vídeo on-demand e futuramente os serviços de games, telemetria e IPTV. O modelo cliente mais atual conta, além de duas portas Ethernet, com uma porta de telefonia. Com a abertura do mercado e a migração das teles, o HPNA desponta como principal aliado das pequenas e medias operadoras, uma vez que a oferta de triple play se tornou praticamente um caminho sem volta para MSOs de todos os tamanhos, que não dispõem de capital suficiente para utilizar a mesma tecnologia das operadoras maiores. E é justamente quando comparado às outras tecnologias que o HPNA mostra o seu valor. O custo de aquisição dos modems é baixo (cerca de U$$ 99) e não é necessário fazer uma grande reestruturação da rede para a implantação da tecnologia.

Terminal de assinante e equipamento de rede HPNA.


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( audiência) Daniele Frederico

d a n i e l e @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Copa 2010: por onde a bola rolou

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mbora os portais de Internet tenham se esforçado para dar a cobertura completa da Copa do Mundo de Futebol 2010, realizada na África do Sul, durante os jogos do Brasil o brasileiro estava mesmo ligado na televisão. A constatação foi possível a partir de dados compilados em um estudo da DM9DDB sobre os impactos da Copa na mídia. O boletim da agência, elaborado por Alessandra Gambuzzi e Patricia Muratori, mostra que os portais apresentaram no período da competição, de 11 de junho a 11 de julho, aumento no tráfego de 200% (fonte: Akamai). Durante os jogos do Brasil, porém, esse acesso caiu 70%, indicando uma clara migração para a televisão. Apesar da clara preferência pela televisão para assistir aos jogos da seleção brasileira, um dos dados mais interessantes do boletim mostra que na comparação das audiências das duas Copas anteriores, realizadas em 2002 e 2006, na Coreia/Japão e na Alemanha, respectivamente, com a competição da África do Sul, a audiência média caiu na maior parte das análises (vale ressaltar que todos os dados de audiência televisiva desse estudo são do Ibope Mídia Workstation, considerando audiência domiciliar, base São Paulo capital). Na média de todos os jogos da primeira fase, a Globo obteve na Copa da Coreia, em 2002, 18,3 pontos de audiência. Em 2006, na

FOTO: Vladimir Melnik/shutterstock

Boletim da DM9DDB aponta os impactos da Copa do Mundo na mídia. Cobertura online destacou-se, mas televisão continua sendo a preferida para os jogos do Brasil.

conquista do pentacampeonato garantiu 64,1 pontos de audiência à Globo naquele ano.

Copa da Alemanha, foram 24,5 pontos. Este ano, foram 18,0 pontos para a Globo, sendo que este ano os direitos foram compartilhados com a Band, que registrou audiência média de 4,8 pontos (ver tabela “Audiência domiciliar das Copas de 2002, 2006 e 2010”). Mesmo se computados apenas os jogos do Brasil da primeira fase, as Copas anteriores também foram vencedoras: em 2002, a Globo registrou 61,9 pontos de audiência; em 2004, foram 62,1 pontos; e, em 2010, foram 43,1 pontos. A Band registrou nos jogos do Brasil audiência média de 10,9 pontos este ano. A final, entre Holanda e Espanha, e a disputa pelo terceiro lugar entre Uruguai e Alemanha, tiveram audiência média de 22,2 pontos na Globo e 7,6 na Band. Na Copa da Coreia, a final teve audiência média de 44,7 pontos e na da Alemanha esse número foi de 35,3 pontos, lembrando que, em 2002, o Brasil estava na final. O jogo da

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Campeões da TV Na TV, o jogo com maior audiência nos dois canais abertos que transmitiram o Mundial foi entre Brasil e Chile, no qual o Brasil venceu por 3 a 0, pelas oitavas de final. A partida registrou 46 pontos de audiência na Globo, chegando a 44.980.512 telespectadores (projeção net), e 12,7 pontos na Band. O jogo que eliminou o Brasil da Copa, com placar de 2 a 1, contra a Holanda, teve audiência similar à da estreia do País na competição, segundo os dados do Ibope fornecidos no estudo. Na manhã de sexta, dia 2 de julho, a audiência foi de 45 pontos na Globo. Na Band, foram 11,2 pontos de audiência. Se considerados apenas os jogos

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( audiência ) 20 maiores jogos na Globo Brasil x Chile

46,0

Brasil x Coreia do Norte

45,2

Holanda x Brasil

27,7

24,2

Argentina x Nigéria

24,1

11,2 10,2

Brasil x Coreia do Norte

10,1

Brasil x Costa do Marfim

10,0

Argentina x México

pontos

Argentina x México

12,7 12,6

Holanda x Espanha

40,7

Holanda x Espanha

Brasil x Chile Portugal x Brasil Holanda x Brasil

43,4

Brasil x Costa do Marfim

pontos

20 maiores jogos na Band

45,0

Portugal x Brasil

perfil dos telespectadores das emissoras que exibiram a competição. Na Globo, a participação, que em maio de 2010 era de 40% de homens e 60% de mulheres, passou a ser de 51% de homens e 49% de mulheres. Na Band, os homens, que eram 64% da audiência, passaram a ser 53%, com 47% de participação feminina no perfil dos telespectadores da emissora.

9,1

Argentina x Alemanha

6,3

Inglaterra x EUA

22,2

Grécia x Argentina

6,1

Argentina x Alemanha

22,0

Argentina x Nigéria

6,0

Alemanha x Austrália

21,8

Alemanha x Inglaterra

África do Sul x México

21,6

Inglaterra x EUA

6,0 5,7

Paraguai x Espanha

21,0

Gana x Alemanha

5,6

Itália x Paraguai

20,6

Paraguai x Espanha

5,6

Uruguai x França

19,8

EUA x Gana

5,4

Espanha x Portugal

19,6

Espanha x Portugal

5,3

Alemanha x Inglaterra

19,5

Alemanha x Austrália

5,3

Grécia x Argentina

19,3

Sérvia x Gana

5,3

EUA x Gana

19,0

Uruguai x França

5,2

Itália x Nova Zelândia

18,8

Uruguai x Alemanha

5,1

Fonte: Ibope Mídia Workstation - base São Paulo Capital

seleção brasileira contra a Coreia do Norte e a Costa do Marfim. As cinco maiores audiências da Copa na Band foram: Brasil e Chile (12,7 pontos), Portugal e Brasil (12,6 pontos), Holanda e Brasil (11,2 pontos), Holanda e Espanha (10,2 pontos) e Brasil e Coreia do Norte (10,1 pontos) (ver tabela “20 maiores audiências”). Outro dado interessante do estudo é que a Copa praticamente equiparou a participação de homens e mulheres no

da seleção, na Band, a audiência mais que dobrou durante os jogos do Brasil, variando entre 10 e 12,7 pontos. Na Globo, a audiência média no horário passou de 14,1 para 43,8 pontos. Sem considerar os jogos do Brasil, a maior audiência da Copa nos canais abertos foi no jogo da final da Copa, entre Holanda e Espanha, que terminou com a vitória da Espanha por 1 a 0. Na Globo, o jogo da final registrou 27,7 pontos de audiência, enquanto na Band foram 10,2 pontos. Na média, os jogos da competição tiveram audiência de 19,6 pontos na Globo, atingindo, portanto, cerca de 15 milhões de pessoas em todo o Brasil (projeção net). Esses números representaram para a emissora um aumento de 70% na audiência em relação a maio de 2010. As cinco maiores audiências da Globo foram de jogos que contaram com a participação do Brasil: depois de Brasil e Chile, aparecem Brasil e Coreia do Norte (45,2 pontos), Holanda e Brasil (45 pontos), Portugal e Brasil (43,4 pontos) e Brasil e Costa do Marfim (40,7 pontos). Na Band, a final entre Holanda e Espanha teve melhor desempenho que os jogos da

AUDIÊNCIA DOMICILIAR DAS COPAS DE 2002, 2006 E 2010 (pontos)

Média Jogos do Brasil Sem Brasil Média Jogos do Brasil Sem Brasil Média Jogos do Brasil Sem Brasil Média Jogos do Brasil Sem Brasil Média Jogos do Brasil Sem Brasil

Coreia do Sul (2002)

Alemanha (2006)

Globo

Globo

PRIMEIRA FASE 18,3 24,5 61,9 62,1 15,6 22,2 OITAVAS DE FINAL 24,9 36,6 68,0 64,5 17,7 31,0 QUARTAS DE FINAL 32,2 40,3 63,0 61,5 22,0 33,3 SEMIFINAIS 41,2 36,2 68,5 29,8 36,2 FINAIS 44,7 35,3 64,1 25,3 35,3

África do Sul (2010)

Globo

Band

18,0 43,1 16,0

4,8 10,9 4,2

21,9 46,0 18,5

6,5 12,7 5,6

25,4 45,0 18,8

6,9 11,2 5,4

17,0 17,0

5,2 5,2

22,2 22,2

7,6 7,6

Fonte: Ibope Mídia Workstation - base São Paulo Capital

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Competição virtual Os portais também tiveram destaque com a cobertura da Copa e, no caso do Globo.com, a exibição de jogos ao vivo. Durante a abertura da Copa, o tráfego dos portais teve aumento de 200%, batendo recorde mundial de acessos com 12 milhões de usuários simultâneos (fonte: Akamai). O Globoesporte.com, por exemplo, divulgou que no período do Mundial foram 58,8 milhões de requisições entre vídeos ao vivo e sob demanda. Vale lembrar que o site exibiu com exclusividade todos os jogos da Copa por streaming. Segundo o Globoesporte.com, o site recebeu 222 milhões de visitas no período dos jogos, uma média diária de 7 milhões de acessos. Mesmo com números gigantescos para mostrar, nos jogos do Brasil a audiência dos portais caiu em média 70% (Fonte:CEPRTRO.br | IDGNow!). Essa informação mostra que, apesar de acompanhar a cobertura e as transmissões via Internet da Copa, e da queda na audiência da TV em relação a Copas anteriores, o brasileiro ainda prefere assistir aos jogos do Brasil pela televisão. Na Internet, foi possível captar algumas tendências apontadas pelas redes sociais. No primeiro ano de realização de uma Copa com a presença do Twitter, o microblog chegou a registrar 3 mil tweets (mensagens) por segundo, somente com termos relacionados à Copa do Mundo. Entre os temas que estiveram em alta no período, estão “Vuvuzela”, “Jabulani”, “Cala boca Galvão”, “Cala boca Tadeu Schimidt” e “Larissa Riquelme”.


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Never Stop Asking


( audiência -TV paga)

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m junho, mês no qual aconteceu parte da Copa do Mundo de futebol, houve queda no alcance dos canais de TV por assinatura. No mês, em que aconteceram quatro dos cinco jogos do Brasil na competição, os canais pagos tiveram entre o público adulto (18 anos e mais), alcance diário médio de 45,18%, enquanto em maio esse alcance foi de 47,61%. O tempo médio diário de audiência dos canais pagos entre este público foi de duas horas e 19 minutos. O destaque do mês ficou com o SporTV, que liderou o ranking, com 11,03% de alcance diário médio e tempo médio diário de audiência de 53 minutos. Durante o período da Copa - de 11 de junho a 11 de julho - de acordo com dados do Ibope fornecidos pelo SporTV, o

Foto: divulgação

Disputa pela bola

Equipe do SporTV na Copa: canal teve melhor alcance em junho. canal teve as 14 maiores audiências da TV paga, sendo as quatro primeiras conquistadas nas partidas da seleção brasileira. A maior audiência foi na partida entre Brasil e Chile, válida pelas oitavas de final. Apesar da Copa ter sido transmitida durante grande parte do mês de junho, os canais com melhor alcance diário médio, além do SporTV, não foram os esportivos.

Em segundo lugar na lista aparece o TNT, seguido de Multishow, Globo News e Fox. Entre o público de 4 a 17 anos, o destaque foi para o Disney Channel, com 16,08% de alcance diário médio e uma hora e cinco minutos de tempo médio diário de audiência. Cartoon Network, Discovery Kids, Nickelodeon e Multishow completam o topo do ranking. No total, os canais pagos tiveram entre o público infantojuvenil alcance diário médio de 46,92% e tempo médio diário de audiência de duas horas e 35 minutos. O levantamento do Ibope Mídia considera as praças Grande São Paulo, Grande Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Distrito Federal, Florianópolis e Campinas. Daniele Frederico

Alcance* e Tempo Médio Diário – junho 2010 

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio 45,18 3.498,56 02:19:38 11,03 853,97 00:53:47 10,18 788,20 00:37:24 8,42 652,14 00:17:40 8,16 632,23 00:23:03 6,92 535,92 00:29:08 6,80 526,81 00:28:26 6,52 504,93 00:25:50 5,99 464,06 00:20:50 5,97 462,21 00:17:21 5,97 462,05 00:29:13 5,89 456,49 00:52:48 5,68 440,05 00:35:06 5,60 434,04 00:35:18 5,47 423,67 00:28:34 5,43 420,31 00:22:09 5,33 412,46 00:41:14 4,84 374,62 00:30:46 4,74 366,77 00:17:16 4,25 329,20 00:36:01 4,02 311,01 00:23:19

Total canais pagos Disney Channel Cartoon Network Discovery Kids Nickelodeon Multishow Disney XD TNT SporTV Fox Megapix Warner Channel Telecine Pipoca SporTV 2 Discovery Boomerang Universal Channel Globo News National Geographic Animal Planet Telecine Premium

(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio 46,92 737,15 02:35:48 16,08 252,70 01:05:16 14,75 231,77 01:00:10 13,42 210,82 01:16:32 13,26 208,35 00:52:41 8,40 132,03 00:25:02 8,18 128,58 00:51:03 7,83 123,01 00:29:15 6,56 103,14 00:38:52 6,12 96,14 00:27:10 5,04 79,19 00:25:59 4,96 77,90 00:23:44 4,91 77,19 00:35:03 4,34 68,19 00:20:48 4,28 67,20 00:20:30 4,20 66,00 00:21:28 4,13 64,88 00:27:07 4,00 62,93 00:20:53 3,81 59,84 00:11:51 3,23 50,69 00:15:02 3,12 49,08 00:20:54

*Alcance é a porcentagem de indivíduos de um “target” que estiveram expostos por pelo menos um minuto a um determinado programa ou faixa horária.

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**Universo 1.571.200 indivíduos Fonte: IBOPE Media Workstation – Tabela Minuto a Minuto - Junho/2010

Total canais pagos SporTV TNT Multishow Globo News Fox Warner Channel SporTV 2 Discovery National Geographic Universal Channel Discovery Kids Cartoon Network Disney Channel Megapix AXN Telecine Pipoca ESPN Brasil GNT Nickelodeon Telecine Action

De 4 a 17 anos**

(Das 6h às 5h59)

**Universo: 7.744.200 indivíduos

Acima de 18 anos**




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( programação)

Eles querem a realidade Programas live action fazem sucesso em canais infantojuvenis da TV por assinatura e ocupam parte do lugar antes destinado à animação.

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FOTO: divulgação

s nomes “Hannah Montana”, “Jonas”, “iCarly” e “Isa TKM” têm mais características em comum do que apenas o fato de estarem na boca de grande parte das crianças e adolescentes brasileiros. Esses e outros nomes tão ou mais curiosos são títulos de programas live action, ou seja, produções que contêm personagens reais e humanos (diferente das animações e dos programas com personagens totalmente criados em computação gráfica) que têm invadido as grades dos canais infantojuvenis da TV por assinatura. Embora os programas live action não sejam novidade na televisão, chama a atenção o crescimento de sua presença nos canais infantis, onde têm tomado parte do espaço antes amplamente ocupado pela animação. O sucesso de programas live action, em especial aqueles com personagens humanos, na audiência, nas pesquisas e nos produtos derivados tem feito com que canais infantis repensem suas grades para acomodar e incrementar o número de programas desse tipo, com aquisições e produções originais para atrair a atenção dos pequenos. No Brasil, um dos exemplos mais emblemáticos dessa tendência é o do Nickelodeon, canal que há cerca de cinco anos tinha de 20% a 30% da programação constituída de programas live action. Hoje, cerca de 50% dos programas são live action e os outros 50% animações. O vice-presidente de criação do Nickelodeon, Jimmy Leroy, conta que o canal sempre foi conhecido por suas animações, com destaque para sucessos mundiais como “Bob

Novela “Isa TKM”, do Nickelodeon: sucesso incentivou a produção de outras novelas latinas para o público infantojuvenil.

Esponja” e “Rugrats”, mesmo tendo séries de live action, como “Sabrina, Aprendiz de Feiticeira”. No entanto, há cerca de cinco anos, os programas desse tipo começaram a aparecer como uma tendência. Foi nessa época que shows como “Drake & Josh” e “Zoey 101” começaram a ganhar a audiência do canal. O live action conquistaria de vez um lugar de prestígio no Nickelodeon com a estreia da primeira novela para crianças e adolescentes no canal em 2009. “O ‘Isa TKM’, uma produção original em parceria com a Sony, foi um divisor de águas, por causa da grande audiência que gerou”, conta Leroy. O sucesso de “Isa TKM” levou à produção de outras duas novelas na América Latina, “Sonha Comigo”, produzida na Argentina em parceria com a Televisa e a Illusion Studios, e “Grachi”, com texto da venezuelana Mariela

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Romero, responsável, entre outros títulos, pela novela “Isa TKM”. A tendência do live action não é exclusiva do Nickelodeon. Até mesmo o Cartoon Network, canal tradicionalmente focado em animação, incorporou o live action em sua programação. Em uma apresentação no Banff World Television Festival, em 2009, Robert Sorcher, chief content officer do Cartoon Network, canal tradicionalmente voltado para animação, falou de uma busca por programas live action para o canal nos Estados Unidos, que, à época, tinha mais programas desse tipo em produção do que animações. No Brasil, segundo o content senior director do Cartoon Network Latin America, Pablo Zuccarino, há cinco anos, não havia conteúdo live

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action no canal. O foco era totalmente animação. Desde então, foram incorporados filmes de live action uma vez ao dia e alguns programas, como “Kamen Riders”. “Vamos continuar a explorar opções de live action para aumentar o alcance de nosso conteúdo junto das expectativas da nossa audiência”, diz Zuccarino. Ele lembra, porém, que, ao contrário dos Estados Unidos, embora o live action esteja nos planos do canal, a animação ainda é componente chave da estratégia, com duas animações originais em desenvolvimento para o canal no Brasil. A “nova onda” de live action não é um fenômeno apenas brasileiro. Nos Estados Unidos, de onde vem a maior parte dos programas desse tipo, o live action faz parte da programação infantil há muito tempo. No Brasil, um dos precursores dessa tendência foi o Disney Channel, que conta com programas live action desde o lançamento da operação, em 2001. No início, porém, o live action não funcionava tão bem quanto no país de origem, como conta Cecília Mendonça, diretora de produção (ficção), promoções on air e intersticiais da The Walt Disney Company Latin America. “O live action não funcionava como a gente gostaria. Ainda assim, funcionava melhor no Brasil do que no restante da América Latina”, observa. “Mas os programas estavam seguindo essa linha, então procuramos trabalhar muito forte o marketing, tentando desenvolver produção local, enfim, trabalhamos os produtos”, lembra.

FOTO: DIVULGAÇÃO

Expansão de idade Um dos motivos que tem levado os canais infantis a abraçarem os programas live action é a vontade de atingir a um público entre a infância e a adolescência, cheio de características próprias. São os chamados “tweens”, que constituem uma fase imediatamente anterior à adolescência, ou seja, entre 8 e 14 anos. “Sempre tivemos as crianças de 4 a 11 anos como público-alvo, mas

FOTO: marcos penteado

( programação)

“High School Musical”: conexão com público que estava entre os desenhos animados e as séries adultas.

faltavam opções para o público de 11 a 17 na programação, por isso fizemos a expansão para esse target”, conta Jimmy Leroy, do Nickelodeon. O The Walt Disney Group também apostou muito no live action em seu canal Disney Channel como forma de chegar ao público pré-adolescente. “A partir da descoberta de que faltava programação

a 12 anos. “Foi a mesma descoberta de que existe um público entre desenho animado e a programação mais adulta. Foi intencional subir o target do canal”, diz. Apesar de ser uma forma de chegar a um público mais velho, os programas de live action, ou os elementos humanos implantados em alguns canais, também têm registrado sucesso entre crianças menores, na faixa pré-escolar. No Nickelodeon, por exemplo, o live action tem tido êxito também entre as crianças mais novas. A exibição noturna de “Manual de Sobrevivência do Ned”, por exemplo, deixa o canal em primeiro lugar de audiência entre meninos de 4 a 11 anos com TV paga e no segundo lugar na exibição da tarde entre meninos de 0 a 4 anos (Fonte: IBOPE MW Brasil. 8

Um dos motivos que tem levado os canais infantis a abraçarem os programas live action é a vontade de atingir a um público entre a infância e a adolescência. para esse público, o canal começou a investir em produção para esse target”, conta Cecília. No caso do Disney, o grande marco foi o lançamento do filme “High School Musical”. “O ‘High School Musical’ transformou-se em uma conexão com esse público, que estava entre os desenhos animados e as séries adultas”, diz Cecília. Foi mais ou menos o que aconteceu com outro canal do grupo, o Jetix, que em julho de 2009 tornou-se Disney XD. Com a mudança no nome, veio uma mudança no público, que passou a ser de meninos de 8

“Castelo Rá Tim Bum”, produzido em meados nos anos 90: para Mauro Garcia, diretor da TV Rá Tim Bum, programa é atemporal.

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mercados. Média Abr-Jun/2010. Perfil: todas as exibições. Audiência - faixa segunda a sexta das 14h às 14h30 e das 22h às 22h30). “A novela ‘Isa TKM’ é o programa mais assistido do canal no público de 0 a 4 anos”, reforça Leroy. No Playhouse Disney Channel, canal do The Walt Disney Company voltado a crianças em idade préescolar, os “elementos humanos” também fazem grande sucesso. “Os apresentadores, Vini e Estela são bem populares”, diz Cecília, lembrando que, apesar da presença dos apresentadores e de alguns programas live action, o canal mantém muitas animações na grade. No Discovery Kids, que também é voltado para crianças em idade préescolar, o live action não é o foco. A prioridade é a variedade de formatos e estilos. “Estão surgindo formatos novos, inclusive híbridos, que misturam live action, fantoches, bonecos...”, diz o diretor de programação do canal, André Rossi.

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( programação) FOTO: DIVULGAÇÃO

“Por que vou escolher entre apenas um ou outro se posso fazer algo diferenciado? As crianças gostam muito dessa variedade”, completa. Entre os programas com essa característica no canal estão “Mister Maker” e o “Hi-5”. Ele concorda que a questão da idade do público que se quer atingir está ligada à adoção ou não do live action, já que crianças em idade préescolar gostam de cores, movimentos e formatos variados. “A animação tem tudo isso”, lembra.

Para André Rossi, do Discovery Kids, não é preciso escolher entre técnicas quando se tem programas com mistura de formatos, como o “Lazy Town Extra” (foto).

tempo. “Da mesma forma que nosso público está passando por uma transição, os talentos também estão. Não serão produções de dez anos”, lembra Cecília sobre o live action que faz tanto sucesso no Disney Channel. “Isso é o fantástico da animação”, completa.

Quero ser grande Quais são as causas para esse sucesso dos programas live action que têm levado os canais a adequar a sua programação? Identificação com o público, continuidade e a necessidade aspiracional são alguns dos fatores que fazem com que o live action conquiste capítulo a capítulo um terreno na grade dos canais infantojuvenis. Esse público, talvez mais do que outros, está em constante transformação, e o hábito de televisão também está mudando. Para Zuccarino, a tecnologia e as múltiplas fontes de conteúdo estão fazendo com que as crianças amadureçam mais rápido, ficando expostos ao live action mais cedo. Ele lembra ainda que o cenário é muito diferente de alguns anos atrás, tanto nas expectativas da audiência, quanto nas opções disponíveis. “Há mais canais entre os quais escolher, mais plataformas para aproveitar conteúdo, uma nova extensão de técnicas e gêneros para usar (live action, animação 2D e 3D, stop motion, realities etc)”. Outra característica desse novo hábito de televisão é a continuidade proporcionada por programas como novelas e séries baseadas na vida real. “A audiência quer a continuidade, e isso é algo que a animação não tem”, diz Leroy. Por outro lado, a perenidade dos produtos live action é menor, uma vez que seus personagens são atores reais que mudam com o passar do

capacidade de identificação das séries internacionais. “O live action consegue com uma representação humana vivenciar a criança em algo mais próximo dela”, diz. “No entanto, não sei se essas séries internacionais conseguem essa identificação”, completa. “Essas decisões que têm orientado o live action vêm dos Estados Unidos e Canadá. Será que a criança brasileira quer o live action que a americana quer?”, questiona Mauro. Em crianças mais jovens, préescolares, a identificação dá lugar à aspiração. “O público menor olha para o maior”, conta Cecília. No caso do canal pré-escolar Playhouse Disney Channel, por exemplo, o motivo que leva canal a procurar o live action está muito mais ligado a essa imagem aspiracional que o formato é capaz de

Identificação com o público, continuidade e a necessidade aspiracional são alguns dos fatores que fazem com que o live action conquiste capítulo a capítulo um terreno na grade dos canais infantojuvenis.

FOTO: arquivo

Uma das características mais atrativas do live action para o público infantojuvenil - e portanto para os canais voltados a esse target é a identificação com elementos reais. Para Leroy, do Nickelodeon, o live action funciona para crianças paralelamente ao reality show para os adultos. “Os programas live action infantis reproduzem normalmente o ambiente da escola, e as crianças se vêem refletidas ali”, explica. Para Zuccarino, a chave dos programas live action que têm sucesso está normalmente relacionada com uma boa história, personagens que se conectam com o público de maneira que este se sinta representado, refletido. Mauro Garcia, diretor da TV Rá Tim Bum, questiona essa

“Os programas live action infantis reproduzem normalmente o ambiente da escola, e as crianças se veem refletidas ali.” Jimmy Leroy, do Nickelodeon

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transmitir do que a uma adequação a um público mais próximo da adolescência. “Existe uma necessidade nossa de localizar o canal e conectar com o público local, por isso usamos os apresentadores reais, e não os mesmos personagens em animação”, conta Cecília, que diz que a programadora está abrindo mais a porta para produções live action no Brasil. No caso do Discovery Kids, André Rossi ressalta que os programas com personagens humanos acumulam essa questão aspiracional. O programa da Bindi, a filha do “caçador de crocodilos”, intitulado “As Aventuras de Bindi”, por exemplo, tem essa característica. “As crianças querem ser como ela”, lembra Rossi. Para conectar-se com os pequenos durante a programação, o Discovery Kids aposta em apresentadores reais. Uma seleção vai escolher

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dois apresentadores para o canal, entre mais de 4,4 mil candidatos inscritos no Brasil. “Isso está relacionado com a identificação. As crianças têm esse lado aspiracional, veem na tela alguém um pouco mais velho que elas e querem ser iguais. Elas querem participar do canal”, diz Rossi.

FOTO: DIVULGAÇÃO

( programação) “Como em outros gêneros e formatos, no live action é importante ter uma boa história para contar, personagens interessantes e alto valor de produção.” Pablo Zuccarino, do Cartoon Network

série “Escola pra Cachorro”, da Mixer em parceria com a canadense Cité-Amerique, que no início de 2011 chega a sua segunda temporada. Para Cecília, do Disney, a animação sempre terá lugar, especialmente quando se quer fazer uma programação mundial. “Além disso, tem uma faixa etária que vem antes do ‘tween’, de seis a oito anos, que é bastante conectada com a animação”, lembra. A TV Rá Tim Bum não só vai continuar a exibir animação, como também tem em seus planos tornar-se um canal 100% de animações brasileiras. “Queremos ser o principal distribuidor de animação nacional”, diz Garcia. Para o diretor, o live action é uma tendência passageira, que tem relação com um momento que a sociedade passa, de necessidade de identificação. O canal da Fundação Padre Anchieta deve continuar seguindo a linha da animação que está vivendo um bom momento no País. “Estamos em sintonia com o mercado brasileiro, que está produzindo um volume grande de animação, lançando escolas, e apresentando novos mecanismos de incentivo para produção”, conta. Para Garcia, isso é uma resposta ao público, que quer animação e sente falta dela nos outros canais. “A animação atinge um público maior, porque passa por várias faixas etárias. É só ver o sucesso dos

Oportunidades Se para as crianças o live action apresenta as características de identificação, para os canais os benefícios vão muito mais longe que apenas na audiência. Para Zuccarino, o live action é uma boa forma de testar ideias e estabelecer-se como um player relevante. “Os benefícios vêm de reviravoltas rápidas, e o uso de ferramentas e técnicas televisivas mais comuns, ao contrário do trabalho mais complexo, específico e intenso que acontece na criação de produtos de animação. Isso normalmente significa que os criadores regionais têm melhor chance de se tornarem relevantes, testarem novas ideias e explorarem oportunidades mais profundas de negócios”, afirma. Entre essas oportunidades de negócios, estão os produtos decorrentes dos programas live action, que competem com a animação nas vendas. Enquanto a animação sempre foi vista como a grande estrela do licenciamento, os programas live action oferecem outras possibilidades de “produtos derivados”, como shows e CDs. “O iCarly é nossa principal audiência de live action hoje. E já existem mais de 50 produtos licenciados no mercado dessa marca”, diz Leroy, do Nickelodeon. Apesar de todas as vantagens, os canais que sempre investiram em animação não parecem estar prontos a desistir da técnica tão cedo. Leroy conta que o canal continua a lançar novidades em animação, como a

filmes de animação nas bilheterias”. De live action, o canal tem uma série sobre cuidados com as crianças, voltada para os pais, além de programas de bonecos, como “Cocoricó”. Garcia conta que o canal sempre evitou a presença humana, investindo em bonecos como apresentadores. Apesar da aposta em animação, um programa de live action não foi tirado da grade, a pedido da audiência. “Castelo Rá Tim Bum”, produzido em meados nos anos 90, ainda faz sucesso na grade da TV Rá Tim Bum. “Nesse caso, a dramaturgia foi tão bem elaborada que você não consegue datar. É um programa atemporal”, diz. No final das contas, todos os executivos dos canais parecem concordar que o que tem mais valor, independente se produzido com animação, live action, bonecos, fantoches ou qualquer outra técnica, é contar uma boa história. “Live action não é sucesso garantido. Como tudo, há bons e maus produtos em cada categoria. Como em outros gêneros e formatos, é importante ter boa história para contar, personagens interessantes e alto valor de produção”, conclui Zuccarino. Daniele Frederico

Ação nacional Quando o assunto é programação infantojuvenil, o live action é a nova moda e os canais estão à procura desses produtos. A afirmação é do diretor da Mixer, Tiago Mello, da Mixer, que no momento trabalha em dois projetos de live action. Um deles é o “Brilhante FC” (cujo piloto foi vencedor do FicTV), que deverá ser exibido pela TV Brasil. A série de 13 episódios de 26 minutos conta a história de Rita e quatro amigas que querem montar um time de futebol. Também em live action, a Mixer prepara “Julie e os Fantasmas”, para a Band. A série conta a história de uma banda dos anos 80 que vai parar dentro de um disco. Os fantasmas são libertados quanto Julie coloca o disco para tocar. “Vamos lançar a banda Julie e os Fantasmas de verdade”, conta Mello. O seriado, de 26 episódios de 26 minutos, tem orçamento de R$ 5 milhões, parte pago pela Band, que terá a primeira janela de exibição. A série também contará com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual e ainda do artigo 1°A. A Band terá ainda participação comercial na série e aprovará os roteiros. A produção terá início no começo de 2011.

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Novas diretrizes Newton Cannito explica como será o Fundo de Inovação do Audiovisual, o Canal da Cultura e outros projetos que a SAV começa a gestar para este e para o próximo governo.

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cultura viva, de inovação e criação”, diz o secretário.

FOTO: Marcelo Kahn

roteirista e autor Newton Cannito assumiu a Secretaria do Audiovisual (SAV) do Ministério da Cultura há menos de dois meses, substituindo o cineasta Silvio Da-Rin, que há algum tempo vivia em conflito com o ministro Juca Ferreira. Mesmo com apenas seis meses de mandato pela frente, chegou ao cargo prometendo manter os programas do antecessor, mas também propondo abordagens novas ao segmento da produção de cinema, TV e mídias digitais, com uma visão bastante convergente do setor. Segundo Cannito, sua gestão será ancorada em três princípios: “Pensar grande, inovar e convergir”. A ideia, diz, é ocupar todos os espaços possíveis com a produção nacional, não só as telas de cinema e TV mas também livrarias, parques temáticos e outros. “Por que não pensar em parques com personagens brasileiros?”, questionou, em seu discurso de posse. Uma das propostas é aproximar a produção audiovisual de outros talentos culturais brasileiros, como a publicidade, o teatro e a moda. “Temos que trazer a publicidade brasileira, que é super premiada mas está longe da produção audiovisual. Precisamos unir nossos talentos criativos, dialogar com ONGs, ministérios, com o Exército. Os americanos fazem filmes de ação com apoio do seu exército, por que não podemos fazer?” Nesta entrevista exclusiva concedida a TELA VIVA no final

Newton Cannito, secretário do Audiovisual

de julho, o secretário fala sobre a previsão de funcionamento de dois dos projetos mais ambiciosos cujas bases ele pretende lançar nesta gestão, mesmo sabendo que deverão ser implantados de fato apenas no próximo governo: o Fundo de Inovação do Audiovisual, que seria complementar ao Fundo Setorial do Audiovisual, com foco em desenvolvimento, incluindo roteiros, desenvolvimento de projetos, storyboards, pesquisa etc, e o Canal da Cultura, previsto no decreto presidencial que criou o sistema brasileiro de TV digital. “Não será um canal de promoção das atividades do MinC, mas um laboratório de produção e formatos, um espaço de

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TELA VIVA Como está o cronograma da secretaria para o segundo semestre, em termos de programas, editais etc? Newton Cannito Primeiramente temos o DocTV 5, que já está com as parcerias todas fechadas e deve ser lançado nos próximos dias. O modelo é o mesmo das edições anteriores. Também estamos lançando dois editais. Um é de interprogramas de animação em parceria com a EBC (mantenedora da TV Brasil). Serão duas séries de cinco programas, com orçamento de R$ 1,5 milhão. Também para a EBC, preparamos um edital de interprogramas sobre meioambiente, em parceria com o Ministério do Meio-Ambiente, para lançamento em breve. Além disso, teremos o edital de games, o BRGames, que teve a verba aumentada para R$ 2,5 milhões. Neste caso, fizemos algumas alterações. Os editais anteriores eram para jogos muito simples. Agora, vamos pedir também “bíblias” para jogos mais complexos, multiplayer etc, mesmo que não dê para produzi-los. Assim, conseguimos “sonhar mais alto”, incluímos outros talentos, como roteiristas, etc. Falei outro dia que “a animação é uma coisa muito grande para ficar só na mão de animadores”. Com games é a mesma coisa, temos que abrir espaço para quem não é da área tecnológica. Não dá pra ficar só na mão dos programadores.


O resto depende do descontingenciamento de verbas, pelo Ministério do Planejamento. Ainda não sabemos quanto teremos. Deve sair nos próximos dias, aí veremos.

Será aplicado nos moldes do Fundo Nacional de Cultura, através de editais, convênios ou parcerias, com contrapartidas da instituição. Mas também pensamos em modelos diferentes, como o de balcão, com

acompanhamento, dar uma dinâmica de mercado.

Como será criado o Fundo de Inovação do Audiovisual, com que recursos? Como serão aplicados? O fundo está previsto na nova lei de fomento à cultura, que ainda não foi aprovada no Congresso. Terá recursos do orçamento. O que vamos fazer por enquanto é um teste, com dinheiro do orçamento natural do ministério. O valor previsto para esse fundo é de R$ 90 milhões, mas depende também do descontingenciamento. Precisamos torcer para que saia.

“O valor previsto para O fundo DE INOVAÇÃO é de R$ 90 milhões, mas depende do descontingenciamento”.

Que tipo de mercado, de projetos, se busca estimular? Pensamos no desenvolvimento de forma mais completa. Já há editais de roteiro, mas sabemos que precisa muito mais que isso. Podemos fazer para pesquisa, desenvolvimento de roteiros ligados a propostas de direção, pode ser treinamento de atores, de tecnologia de filmagem. Ou seja, pesquisa para o desenvolvimento de um projeto inteiro. Um projeto de documentário, por exemplo, pode usar o fundo para fazer a pesquisa, mas o ideal é que isso sempre gere também um produto, pode ser um livro, um site etc. Assim, estamos financiando o processo, não só o produto.

recebimento permanente de projetos. É como o Fundo Setorial do Audiovisual, mas lá “não pegou”, e temos que entender por quê. Acho que isso dá uma dinâmica de investimento aos projetos. O cara está fazendo uma coprodução, tem que esperar o próximo edital para ter mais recursos? Você pode criar critérios de

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( audiovisual) mundo ele seria chamado em seguida, assinaria um contrato.

FOTO: Marcelo Kahn

Podemos financiar programas completos. Hoje é tudo separado, temos a produção, a distribuição, formação... A graça é juntar as várias coisas, aí é que se tem resultados bons. Pode ser um projeto de distribuição diferenciado. A gente não está hoje sabendo financiar isso. Podemos financiar ações que acontecem antes mesmo do lançamento de um filme, como sites, outdoors, mobilizações, qualquer coisa. Tem que ter uma estratégia clara, e temos que aprender a financiar isso.

Isso não está mudando com a Internet, a pessoa aparece no YouTube, faz sucesso? Mais ou menos. O formato é diferente. Não é porque o cara fez um curta lá que vai fazer um longa. Não é todo o tipo de talento que vai aparecer lá. Pra algumas coisas, sim. Mas tem coisa que tem apelo na Internet, mas não fora dela. Tem uma estética típica da Internet, que funciona bem, você passa para os amigos para “tirar uma onda”. Mas temos que buscar os talentos em outros lugares.

Os recursos do fundo serão retornáveis? Inicialmente não, será fundo perdido, como um fomento tradicional. Mas para o futuro podemos começar a pensar nisso, em formas dele se sustentar. O foco serão as produtoras independentes? Acho que há um problema no Brasil, pois se fala muito em produção independente, mas pouco em autor independente. Aqui não existem, como nos EUA, as agências de talentos. Não há agentes de roteirista, de diretor. No máximo, de atores. Como consequência, ou as produtoras são muito grandes, e reproduzem o modelo da televisão aberta, de produzir in-house, ou são pequenas, autorais, ligadas a um diretor ou autor, e aí não têm estrutura. Não conseguem, por exemplo, ter uma atuação transmidiática, é uma complexidade que uma produtora de três funcionários não consegue fazer. Aqui, as produtoras tratam o autor como commodity, reproduzem a lógica da Globo. O autor independente existe no mundo todo, menos no Brasil. Aqui, um Tim Burton ou James Cameron não virariam cineastas. Lá, são autores independentes,

“Minha ideia é financiar o autor independente, não só as produtoras.” que se associam a produtoras grandes. Aqui eles iam ficar participando de edital, correndo atrás de patrocínio? Faltam agências que tenham conteúdo criativo e modelo de negócio. Minha ideia é financiar o autor independente, não só as produtoras. No (programa) FicTV apareceu um coletivo de autores da ECA (Escola de Comunicação e Artes da USP) e a produtora Maria Bonita “adotou”. É igual com os olheiros de futebol, identificar os jovens valores e oferecer oportunidades. Se você deixa o moleque sozinho o que ele vai fazer? Vai ficar brigando por verbas para produzir, em vez de aproveitar seu talento criativo? A gente avançou na democratização, tem muita gente fazendo coisas, mas não avançou na meritocracia. O cara faz uma coisa boa e não acontece nada. Ele faz um curta bom e para. Em qualquer indústria do

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E depois que esse cara aparecer, não vai acabar sendo absorvido por uma produtora? Sim, mas esse é o objetivo. Ele vai ficando sócio dos projetos. Quando se fala em economia criativa, o modelo é de socialização das empresas. As empresas que se destacam são as que têm os melhores talentos, e dividem seus ganhos com eles. É o modelo do Vale do Silício. Dão poder aos talentos que são criativos. Temos que avançar, nosso capitalismo tem que sair da cultura da década de 70 e chegar na economia criativa, onde o que vale não é seu poder de produção ou o patrimônio acumulado, estúdios, mas seu capital humano. Temos que avaliar o cinema, a TV, no contexto da economia criativa. Se mede de outra forma. Não podemos só chegar no BNDES dizendo para investir R$ 10 milhões numa série de animação porque vai gerar 300 empregos. Assim, estamos comparando a indústria cultural com qualquer outra. Temos que mostrar que quando fazemos, por exemplo, animação, podemos criar um novo “Simpsons”, um produto globalizado que vai “vender” o país lá fora, os produtos, turismo etc. Tem um valor simbólico.

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( audiovisual) Em relação à capacitação profissional, o que pode ser feito? Sempre se ouve muito que é uma coisa que falta, mas pouca coisa é feita. O ideal é sentar todo o mundo e dar uma reavaliada. Por um lado, a gente sente falta, mas por outro tem muita escola, tem escola demais, mas todo o mundo quer ser só diretor. Temos que rever isso, pensar junto com as escolas, ver o que falta. O que acontece é que as escolas estão gerando turmas que acabam virando professores da própria escola. O fundo de inovação pode atuar onde as leis de fomento não atuam, na formação técnica. Não há formação boa de técnicos nas escolas, e são a base da indústria. Elas formam diretores, roteiristas, mas os técnicos aprendem na prática. Seria importante ter uma formação técnica aliada a uma formação estética, cultural, que formasse técnicos criativos, e não só operadores. Quando falei em incentivar o autor independente, não precisa ser só o roteirista. Pode ser por exemplo o figurinista. Ele pode ter participação criativa no filme, não ficar só escolhendo as roupas. Pode ter participação em um filme. Em outro filme, podemos valorizar, fomentar os músicos. Enfim, fazer o cinema voltar a ser uma arte que dialoga com as outras artes. Eles precisam ser valorizados no orçamento, na mídia do filme. Os festivais, por exemplo, não convidam os figurinistas, músicos, é só diretor, ator. Lá fora se premiam os figurinistas, as categorias técnicas. Aqui não é valorizado. Podemos, por exemplo, e já estamos fazendo, nos associar com a São Paulo Fashion Week e fazer debates sobre moda e cinema, elaborar coisas juntos.

“Seremos uma incubadora de formatos. E, se algum der certo, pode ir para a TV comercial. Não preciso ser o dono do formato, brigar pela audiência”. Existe aí até uma questão social. O pobre vai para as funções técnicas, que são menos valorizadas, e os ricos para as funções “artísticas”. Temos que parar de formar costureiras e passar a formar estilistas, como era antigamente. Você anunciou que lançará as bases para o Canal da Cultura, previsto no decreto da TV digital, para implantação no próximo governo. Como será este canal, já existe um projeto? As questões técnicas, de orçamentos, operação, estão sendo encaminhadas, já estamos vendo. A ideia é lançar o canal no final de 2011. Para elaborar a proposta do canal,

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faremos consultas públicas, eventos onde todos poderão opinar. Queremos sonhar alto, recuperar a capacidade de se criar uma televisão diferente da que há hoje. Não queremos repetir o que já existe, mas chamar pessoas de várias áreas para dar sua opinião, e formar um projeto até o fim do ano. Mas já temos alguns princípios gerais. Não será um canal institucional do ministério, nem um canal institucional da arte brasileira, para divulgar artistas etc. Também não é um canal para “desovar” a produção nacional. Até pode servir para isso, quando tiver grade, mas não é o perfil. É um canal da cultura, não da Secretaria do Audiovisual. O que é então? É um canal de experimentação, de novos formatos. Queremos ter muita coisa ao vivo, e criar novos formatos televisivos, como realities. Desenvolver coisas com linguagem televisiva. Queremos fazer parceria com as TVs comerciais. Faremos várias parcerias, claro, com a produção independente, as TVs públicas, mas é importante uma aproximação com as comerciais. Podemos até coproduzir, desenvolver programas juntos. Em um formato considerado de alto risco, podemos entrar com incentivos, fazer uma parte do programa, ter esse papel de estimular a inovação. A TV muitas vezes tem medo de inovar, do risco. Podemos entrar num projeto e produzir por exemplo os extras de um programa, ou a parte online. Se der certo, ótimo. É parte do papel da TV pública. Seremos uma incubadora de formatos. E, se algum der certo, pode ir para a TV comercial. Não preciso ser o dono do formato, brigar pela audiência. André Mermelstein


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(radiodifusão)

Conquista de territórios Grandes geradoras já digitalizadas se preparam para a segunda etapa da transição para a TV digital: levar a alta definição às localidades atendidas por retransmissoras.

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FOTOs: divulgação

processo de transição para as transmissões digitais de televisão entra em uma nova etapa. Com o aumento da venda de televisores digitais, as geradoras começam a perceber demanda por sinais digitais em áreas atendidas por suas retransmissoras. Segundo dados da Anatel, há no Brasil 498 geradoras de TV e 10.208 retransmissoras. Trata-se de um mercado promissor para os fabricantes, que vão além dos transmissores em si, passando pelas plataformas de envio de sinal da geradora para as retransmissoras. De olho neste mercado estão fabricantes locais e estrangeiros, que trazem suas linhas de montagem ao Brasil para poder se beneficiar de financiamento do BNDES disponível para equipamentos nacionais. A italiana Screen Service, por exemplo, montou fábrica no Brasil, apostando também no mercado dos países sulamericanos. A empresa construiu fábrica, montando localmente transmissores de 0,5 W a 22 kW. A norte-americana Harris também está fabricando no Brasil transmissores que vão de 10 W a 4 kW. Um estudo do CPqD de 2006 estimava em R$ 5,62 bilhões os custos para a transição das emissoras públicas e privadas, não apenas em transmissão. Essa era a previsão para as geradoras. Segundo Carlos Alberto Fructuoso, diretor de marketing da fabricante mineira Linear, é difícil prever quanto será investido no total pelo mercado de

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radiodifusão em transmissão digital. Isto porque as especificações dos transmissores digitais mudam de acordo com a topografia e outras variáveis, inclusive mercadológicas. Ele calcula que cada retransmissora deve gastar um décimo do valor gasto pelas geradoras em transmissão. Felipe Luna, diretor regional da Harris, aponta o tamanho das estruturas das retransmissoras. Segundo ele, as retransmissoras usam transmissores com potência entre 10 W e 2 kW, enquanto as geradoras podem usar equipamentos de até 18 kW, como acontece com algumas na cidade de São Paulo. Cobertura regional O diretor comercial da Screen Service, Júlio Rocha, destaca que as emissoras terão de escolher uma tecnologia para levar seu conteúdo até as retransmissoras. “No analógico, tudo é feito por micro-ondas, UHF ou satélite. Estas tecnologias serão usadas no digital, mas otimizadas”, explica. Uma solução apontada por ele para reduzir o custo de envio do sinal às retransmissoras é mandar apenas o sinal digital, em substituição ao sinal analógico enviado hoje. “O sinal vai direto para o transmissor digital e convertido para o transmissor analógico”, diz, lembrando que a

“No analógico, tudo é feito por micro-ondas, UHF ou satélite. Estas tecnologias serão usadas no digital, mas otimizadas.” Júlio Rocha, da Screen Service

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“No caso do satélite, o custo para cobrir o país ou uma região de um estado é o mesmo.” Carlos Alberto Fructuoso, da Linear

banda necessária para enviar os dois sinais seria maior. Outra hipótese apontada por ele é o uso de redes IP nos links de micro-ondas, permitindo assim não apenas o envio do sinal digital, mas o uso do link para tráfego de material para o jornalismo, ou telefonia IP para comunicação entre geradora e retransmissora, por exemplo. Felipe Luna, da Harris, explica que a opção pela plataforma depende do tipo de rede que será montada com as retransmissoras, que podem ser MFN (Multi Frequency Network) e SFN (Single Frequency Network). No caso das redes SFN, geradoras e retransmissoras irradiam na mesma frequência. O sinal ISDB-T é enviado para a retransmissão sem a necessidade de qualquer tipo de alteração. No modelo MFN, as retransmissoras contam com canais diferentes. Nestes casos é necessário um equipamento (remux) na retransmissão, que “desmonta” o sinal ISDB-T, faz as alterações, como o número do canal virtual, e retransmite. Vale lembrar, na canalização digital foi usado o canal virtual, para que o telespectador possa sintonizar determinada emissora usando o número de seu canal analógico, mesmo o canal digital estando em outra frequência. Entre as tecnologias usadas na retransmissão analógica o UHF já tem destaque na radiodifusão para cobrir regiões, mas com alguma degradação da qualidade do sinal. Nessa modalidade, um transmissor UHF é


instalado sobre um morro, irradiando em quatro direções. No extremo da área de cobertura do sinal, é instalado um receptor e outro transmissor UHF sobre outro morro, ampliando a área atendida. “No caso do sinal digital, não há perda de qualidade”, explica Fructuoso, da Linear. “Cada unidade conta com um receptor, um regenerador do sinal e um transmissor, que juntos mantêm a qualidade original”. Nesse caso, é possível usar sempre a mesma frequência UHF ou não. Em algumas situações, o rádio digital por micro-ondas ainda é a melhor solução, já que em determinadas regiões pode ser difícil conseguir autorização do Ibama para construir uma antena sobre o morro. O uso do UHF também pode custar caro, já que é necessário levar eletricidade ao

“Podemos usar a rede por micro-ondas para enviar diagnósticos dos equipamentos locais nas retransmissoras.” Felipe Luna, da Harris

topo destes morros. No caso do rádio digital é possível colocar uma unidade autossuficiente de rádio micro-ondas, alimentada por painel solar e baterias e que recebe o sinal da geradora e direciona para o próximo ponto ou diretamente para a retransmissora. No caso dos links por rádio, Luna, da Harris, concorda com o executivo da ScreenService, apontando a vantagem do uso de comunicação por IP como uma oportunidade de melhorar a qualidade da comunicação e reduzir os custos da operação. Isto porque a comunicação passa a ser em duas vias. “Também podemos usar a rede para enviar diagnósticos dos equipamentos nas retransmissoras”, explica Felipe Luna. A digitalização do sinal pode trazer

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economia até no uso do satélite. Segundo o executivo da Harris, há tecnologia para comprimir o sinal ISDB-T na geradora, subir para o satélite e descomprimir na retransmissora. Para isso, basta instalar uma placa de compressão/ descompressão no envio e na recepção do sinal. Segundo ele, uma transmissão de 32 mbps cai para 15 mbps ou 16 mbps. Fructuoso, da Linear lembra que a conta não é simples. “No caso do satélite, o custo para cobrir o país ou uma região de um estado é o mesmo”, diz, sem destacar que nesta conta pode entrar também a cobertura das residências que recebem o sinal das parabólicas. Fernando Lauterjung

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( making of )

Lizandra de Almeida

l i z a n d r a @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Galera descolada em cena

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Toda a ação está sendo monitorada pela Wunderman, agência de interatividade do Grupo Newcomm, ao qual a Young & Rubicam também pertence. A equipe de analistas usa ferramentas para capturar informações de redes sociais e também monitora as reações dos consumidores acessando os sites mais frequentados. Segundo Tiago Lee, diretor de planejamento da Wunderman, o acompanhamento é diário, com reuniões semanais de avaliação. “Os analistas agrupam os comentários segundo as emoções manifestadas pelos consumidores em relação a cada uma das ações da campanha. Monitoramos inclusive o Foursquare, que muitas empresas não monitoram”, explicou. Durante a festa de lançamento do projeto, que reuniu o que Lee chama de “influenciadores”, foram distribuídos “badges” do Foursquare, um tipo de selo que corresponde ao assunto da mensagem, o que facilita o monitoramento e dá status a quem recebe.

fotos: divulgação

abe aquele amigo descolado da irmã do seu amigo? Pode ser que esteja no casting da nova campanha de Vivo, que envolve um filme para TV aberta, fechada e Internet e uma série de ações em redes sociais, além de anúncios impressos para jornais e revistas. “Ninguém no filme é modelo ou ator. Trabalhamos com amigos dos amigos e também com pessoas que encontramos nas redes sociais”, diz o diretor Luis Carone. “Como era época de Copa do Mundo, reunimos grupos e convidamos para assistir aos jogos. Gravamos o pessoal nesses momentos de descontração. Foi o teste de casting mais divertido que já fizemos.” A ideia da campanha é mostrar que as pessoas estão ligadas o tempo todo e que isso se torna mais fácil com o Vivo On, um pacote de oferta ilimitada de SMS, acesso às redes sociais e bônus de voz. Para isso, foi criado o filme “Luzes”, que também pode ser visto no site www. vivoon.com.br. A partir das luzes de diversos aparelhos de celular e telas de computador, o filme mostra como as pessoas estão ligadas entre si, em cenas do dia a dia. Elas vão se encontrando na rua, até chegar a um show na garagem de uma casa. “A única locação que utilizamos foi a garagem, em uma casa em Interlagos (São Paulo). As demais cenas foram rodadas nas casas das próprias pessoas, na minha, na casa da diretora de arte. Não é que fosse um filme de guerrilha ou uma coisa ‘caseira’, mas fomos atrás do que seria real e não óbvio”, diz Carone. O mesmo valeu para os figurinos: cada integrante do casting trouxe algumas de suas próprias roupas e a produção escolheu o que seria usado no filme. A maioria das cenas é interna

Cenas internas noturnas não tiveram produção de luz cinematográfica, mas uso de câmeras que permitiam luz baixa.

ou noturna, mas não foi preciso produzir uma luz cinematográfica. “O filme permitia uma linguagem diferente, então praticamente só usamos a luz dos aparelhos mesmo. Usamos essa nova linha de câmeras Canon, 5D e 7D, que permitem que se use uma luz muito baixa e enquadramentos bonitos.” A montagem criou um filme com muitos cortes, com cenas de menos de um segundo. As imagens passaram por um processo de correção de cor feito pelo próprio diretor, que vem da área de finalização. “As imagens foram bastante mexidas em termos de luz e cor, e também incluí vários fundos nas cenas”, explica.

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ficha técnica Cliente: Vivo Produto Vivo On Agência Young & Rubicam Direção de criação Marco Versolato, Alexandre Vilela (Xã) e Felipe Gall Criação Roberto Kilciauskas e Pedro Rosa Produtora Paranoid BR Direção Luis Carone Produção Gabriela Hahn e Andrezza de Faria Fotografia Pierre de Kerchove Pós-produção Paranoid BR Montagem Alex Lacerda Finalizadora Andréa Lopes Trilha Raw Produtora de Áudio (Hilton Raw e Fernando Forni)


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O dito pelo não dito

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tire a primeira pedra quem nunca mudou de ideia. A campanha do Clio 2011 parte do princípio de que todos podem mudar de opinião para divulgar a linha 2011 de seu carro de entrada, que sai de fábrica com três anos de garantia. “O Clio sempre foi visto como um carro mais caro do que o básico, e por isso muita gente pensava: ‘não é para mim’. Agora, a Renault resolveu entrar no mercado de populares, tornando o carro mais acessível, então resolvemos mostrar isso com um personagem que muda a toda hora de opinião”, diz o redator Pedro Guerra. O filme mostra dois amigos caminhando em uma calçada, de frente para a câmera que os acompanha. Um deles comenta que andar de patins é muito cafona. No instante seguinte, uma bicicleta passa na frente deles e os dois então surgem devidamente paramentados, andando de patins. A conversa continua e o mesmo rapaz diz que jamais vai trabalhar em escritório. É quando as roupas deles somem e eles aparecem engravatados. Casar é o próximo tabu. Ele diz que nem pensar, mas nisso o amigo tropeça e é substituído por uma noiva. O moço então vê um Clio, carro que ele jamais pensou em comprar, e logo paga a língua e sai por aí, com a esposa, passeando de Clio por vários cenários. “Queríamos tornar o filme memorável, reforçando o humor. O básico seria cortar de uma cena para outra, mas achamos mais divertido fazer sem cortes, usando passagens que reforçassem a ideia”, conta o diretor Carlão Busato. A primeira passagem é um wipe: a bicicleta que passa serve para levar a cena antiga e trazer a nova, com os dois amigos de patins. Na segunda, as roupas foram arrancadas por fios de náilon.

Comercial foi filmado sem cortes, com pequenos truques para as mudanças de figurino, como fios de náilon para arrancar as roupas.

“Filmamos primeiro os dois com as roupas de patins, aí desmontamos a roupa e colocamos por cima do terno, presas a fios de náilon.” A noiva não estava nos planos iniciais. A princípio, seria uma mulher vestida normalmente. “Em filmes assim, a gente não pode ter medo de ser surreal. A noiva faz tudo ficar mais claro”, diz o diretor. A cena de troca entre o amigo e a noiva exigiu uma traquitana e rendeu uma legião de observadores na filmagem. Enquanto o amigo tropeça e cai em um colchão posicionado à sua frente, a noiva que vinha sendo puxada em um carrinho é catapultada para o braço do noivo. “Fizemos uma estrutura com apoio para a cabeça e as costas e uma alavanca que faz com que ela fique em pé em um movimento, e saia andando.” 98

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As filmagens foram feitas em Curitiba, cidade onde o diretor nasceu, para facilitar os deslocamentos e o fechamento das ruas. As filmagens aconteceram no domingo, ao lado do Paço Cultural, e atraíram a atenção das pessoas. “Todo mundo parou para ver a noiva sendo arrastada pela rua”, comenta Busato.

ficha técnica Cliente Renault Produto Clio 2011 Agência Neogama BBH Criação Kleyton Mourão e Pedro Guerra Direção de criação Márcio Ribas e Wilson Mateos Diretor geral de criação Alexandre Gama Produtora Hungry Man Direção Carlão Busato Fotografia Russo Loyola Montagem André Mello Finalizadora Black House FX Trilha Menina Produtora


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Previsão: tempo bom

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ntre tempestades, aberturas de sol e frentes frias, a TV Climatempo completou dez anos. Nesse período, passou por uma série de mudanças tecnológicas, expandiu o modelo de negócios para além do pagamento das operadoras e apostou na inovação, seja na própria TV quanto em outras plataformas. A TV Climatempo, que foi lançada dez anos após a empresa de meteorologia Climatempo, surgiu tímida, incubada na Universidade do Vale do Paraíba (Univap). Criada inicialmente com o nome Canal do Tempo, a TV contou com os estúdios da TV Univap e os alunos da universidade para montar uma primeira estrutura. A primeira operadora a abraçar a ideia foi a extinta Tecsat. Foi em um galpão da própria operadora em São José dos Campos que a TV Climatempo funcionou de dezembro de 2000 a 2003, depois de ficar incubada na universidade por um ano. Apesar do lançamento ao final de 1999, as oportunidades só começaram a aparecer com a saída do concorrente norte-americano The Weather Channel das operações no Brasil. Foi em 2003 que o canal começou a transmissão na Sky, na época apenas com boletins de hora em hora sobre o tempo, e alguns poucos programas. Hoje, o canal conta com uma série de programas com temas variados, que vão desde meio-ambiente até surf, passando por turismo e agricultura. “Tivemos que montar uma produtora aqui dentro. Hoje temos mais ou menos 20 programas, alguns coproduzidos com parceiros”, conta o presidente da Climatempo, Carlos Magno. Essa transformação teve início em

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TV Climatempo completa dez anos apostando em tecnologia e distribuição de conteúdo multiplataforma. O próximo passo é entrar com conteúdo interativo na TV aberta.

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Além do canal, conteúdo em vídeo é distribuído para clientes em diferentes plataformas.

2007, com a aquisição de novos equipamentos, mas as mudanças mais significativas vieram em 2009. “Foi feito um investimento na TV, quase dobramos o número de profissionais. Nosso objetivo é aumentar a audiência”, ressalta Magno. Com a estrutura da TV, a Climatempo presta serviços para diferentes parceiros. Entre os serviços, está a produção de previsões do tempo para emissoras regionais, que utilizam os boletins gravados em São Paulo em sua programação. “Podemos enviar para os clientes tanto apenas o conteúdo da previsão, quanto o vídeo já pronto, com apresentador”, completa Magno. Veículos de mídia indoor, como a TV Aeroporto e a TV Carrefour, também utilizam os serviços. Além desses, o canal está disponível no Windows Media Center, ferramenta do Windows Vista, e também pela Internet, em site próprio. A Internet tem sido uma mídia importante para o conteúdo da consultoria Climatempo. A empresa fornece informações a portais de todo o Brasil, e mantém um portal próprio, com previsão do tempo. Atualmente, o sucesso do site levou os executivos da empresa a comercializar seus espaços publicitários, abrindo uma outra possibilidade de receita para a empresa. “A gente joga com mais facilidade na prestação

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de serviços, e com maior dificuldade no jogo da publicidade”, diz Magno. Também na TV, a publicidade ainda não é significativa. Cerca de 70% da receita do canal é proveniente das operadoras e 30% da prestação de serviços. “Hoje a publicidade não representa quase nada na receita da TV Climatempo”, diz Magno. “Queremos que essa receita aumente. Por isso, desde janeiro, temos investindo em melhor divulgação do canal junto aos mídias das agências”, diz o vice-presidente da empresa, Vanderlei Violin. “Queremos ter patrocínio de programas de sustentabilidade, branded content”, diz. Além dos modelos mais tradicionais na publicidade, a Climatempo tem entrado nesse universo por meio da apresentação de projetos para agências. Um desses exemplos foi o projeto para a marca Skol, o “Garota do Tempo Skol”, no qual o internauta entrava no site e tinha a previsão do tempo para determinadas localidades mostrada pela “garota do tempo” da marca, caracterizada de acordo com a temperatura. A ideia surgiu dentro da Climatempo. “Sempre criamos aqui. Estamos pensando o tempo todo no nosso mundo, o da meteorologia. Se a agência ou o cliente precisam de soluções criativas para a venda de nebulizadores, por exemplo, nós temos”, conta Magno. Além da Internet, o celular é um dos meios para os quais há mais projetos requisitados. “Hoje tem muita procura por vídeo para celular”, conta Magno, que produz conteúdo para os aparelhos móveis desde o início da tecnologia WAP. Além do conteúdo produzido especificamente para essa mídia, a

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Climatempo está experimentando o aparelho como ferramenta de produção de vídeo. Alguns testes já foram feitos para a captação de matérias de rua com celulares. O repórter sai com um celular, com microfone adaptado ao aparelho, para gravar e transmitir ao vivo a matéria dentro no jornal “Climatempo News”, via rede 3G. Na ponta O desenvolvimento de tecnologias sempre fez parte da história da Climatempo. Enquanto a maior parte dos canais transmite seu sinal via satélite para as operadoras, a TV Climatempo é “enviada” pela Internet. No livro que conta a história da Climatempo, escrito por Denise Góes, a interrupção do sinal da Tecsat, que era responsável pela distribuição da TV Climatempo para as demais operadoras, foi apontada como o motivo para a mudança no sistema. Essa transmissão permite customização

“Estamos sempre colocando o conteúdo meteorológico na ponta da tecnologia. E tentando rentabilizar isso.” Carlos Magno, Climatempo

para diferentes localidades. A operação da Net Espírito Santo, por exemplo, recebe um canal customizado para a região. “Tanto o software quanto o aplicativo interativo foram feitos aqui”, conta Paulo Polli, diretor executivo da TV. No momento em que a TV aberta fala sobre interatividade, o canal orgulha-se de ter a interatividade como um de seus grandes diferenciais. Na Sky, por exemplo, é possível acessar a previsão do tempo para a cidade desejada, via aplicativo interativo. Na Net, embora a TV Climatempo não esteja com seu conteúdo no line-up, a previsão é ofertada como um serviço interativo. “A Sky tem um sistema operacional, a Net tem

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outro, e o Ginga é outro. Aprendemos a programar e a fazer produtos para eles”, conta Violin. A TV aberta é o próximo passo da empresa de meteorologia, que desenvolve no momento com a TOTVS dois aplicativos para o middleware Ginga. Um deles já viria embutido em equipamentos receptores com informações básicas sobre clima e tempo. O outro, com maior número de informações, deverá ser comercializado. “Crescendo o número de TVs com conversor na praça, as agências de publicidade podem querer colocar a marca no nosso aplicativo”, diz Magno. “Estamos sempre colocando o conteúdo meteorológico na ponta da tecnologia. E tentando rentabilizar isso”, conclui. Daniele Frederico

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Julia Vianna* c a r t a s . t e l a v i v a @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

PL 29: legitimidade da atuação externa com o legislativo

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clássico e notório o preconceito existente em relação à atuação da iniciativa privada na esfera pública. Seja em ministérios, Câmara dos Deputados ou Senado Federal, raramente são vistos com bons olhos o interesse de empresas e entidades de classe em participar do processo decisório. O lobby – muito diferente do tráfico de influência ou de atos de corrupção – envolve sim a comunicação entre o público e privado, e é tão legítimo quanto à “benquista” atuação de ONGs. Atualmente, no Congresso Nacional, uma matéria em particular tem causado muita polêmica. É o Projeto de Lei 29/2007, do deputado catarinense Paulo Bornhausen (DEM), que muda várias regras do setor de televisão por assinatura. O projeto recebeu muitas alterações na Câmara e foi recebido recentemente pelo Senado, numa época de certa morosidade parlamentar frente ao período eleitoral, quando as atenções estão voltadas para as campanhas. Desde sua apresentação em 2007, o projeto vem sendo exaustivamente debatido nas comissões da Câmara, que analisaram aspectos relacionados à tecnologia, defesa do consumidor, economia e constitucionalidade. E por todo este percurso, a iniciativa privada atuou intensivamente. Como? Dando subsídios aos parlamentares interessados e envolvidos: informações legais, estatísticas, estudos, perspectivas de quem lida com o tema há muito tempo e sabe do que está falando, e por isso se acha no direito de interferir. E essas empresas estão certas. Deixando de lado o teórico e ideal, deputados e senadores têm que lidar diariamente com centenas de assuntos com os quais, no mais das vezes, não têm a menor intimidade. Suas assessorias muitas vezes até pedem contribuições externas de

*Assessora legislativa na área de relações governamentais da Umbelino Lôbo Assessoria e Consultoria.

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especialistas nesses assuntos, e querem ouvir todos os lados, o contrário e o favorável. Então por que a interferência da iniciativa privada é tão mal vista pela opinião pública? Por falta de informação e por uma péssima impressão deixada por uma minoria de atores que age de forma escusa. O PL 29/2007 tem agitado ânimos de programadores, produtores, distribuidores e empacotadores – as quatro divisões que o setor de TV por assinatura possui. Ele cria cotas de programação, concede novos poderes à Ancine, abre o mercado para as empresas de telecomunicações, e até mesmo retira limites de participação estrangeira nessa área. Mas como tudo o mais, possui pontos positivos e negativos, que variam de acordo com quem critica. Atualmente, empresários, advogados, assessores parlamentares, consultorias políticas e assessorias de imprensa estão envolvidos no complicado processo democrático, no qual todos têm direito de defender seu posicionamento, de forma legítima. O fluxo de pessoas e informações ligadas ao PL 29 é tamanho, que não raro representantes de visões opostas se veem debatendo com parlamentares numa mesma reunião, ou se cruzam nos corredores. Mas afinal, é assim que tem que ser. Não se pode discriminar uma empresa ou setor por seu interesse em debater determinado tema, e tampouco sua efetiva participação no processo de elaboração das leis. A iniciativa privada deve ter tanta liberdade e direito de manifestação quanto as entidades sem fins lucrativos, e ambas continuarão a ser consideradas grupos de pressão e estarão fazendo o lobby da mesma forma: legitimamente.

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Lizandra de Almeida

l i z a n d r a @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Por um Fio Esta matéria faz parte de uma série que Tela Viva publica mensalmente, explicando o desenvolvimento de projetos audiovisuais bem sucedidos, sob o ponto de vista do modelo de negócios e do financiamento.

FOTO: divulgação

Para viabilizar a versão brasileira do reality show “Por um fio”,o canal GNT fez investimentos próprios e disponibilizou cotas de patrocínio, sem o uso de leis de incentivo. Modelo já conseguiu o patrocínio da L’Oréal, através da marca Garnier.

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ormato de sucesso nos Estados Unidos, o reality show “Por um Fio” está começando a ser produzido pela Moonshot para o canal GNT, da Globosat. Com estreia prevista para 24 de setembro, o programa vai colocar 12 cabeleireiros para disputar o título de gênio das tesouras. A atriz Juliana Paes será a apresentadora, mediando as provas e o júri. O cabeleireiro Tiago Parente encarna o diretor do salão, responsável por orientar os participantes. No final do concurso, o vencedor ganhará um editorial de moda na revista Marie Claire, da Editora Globo. A produtora começou a escolher os participantes em julho. O projeto não previu a realização de um concurso, mas aceitou inscrições no site. O início das gravações está previsto para agosto, para início de exibição em setembro e duração até meados de dezembro. “Fizemos um chamamento público e abrimos inscrições, mas também fomos atrás de pessoas com o perfil necessário para que se inscrevessem.” Ao mesmo tempo, a produtora testou os potenciais jurados, que opinam e traduzem para o público o jargão técnico. “Cabelo é como futebol. Todo mundo tem opinião a respeito”,

Roberto D’Avila, da Moonshot.

brinca o diretor e produtor Roberto D’Avila, responsável pela empreitada, para justificar o interesse do canal em produzir a versão brasileira do formato. Para viabilizar o projeto, o canal está fazendo investimentos próprios e vendendo cotas de patrocínio para marcas, sem o uso de leis de incentivo. O canal já conseguiu o patrocínio da L’Oréal, através da marca Garnier. “A Ancine não tem aprovado projetos de reality shows, mas há sempre um

nesse sentido e parece que os investimentos têm compensado. “Até mesmo canais menores e mais recentes conseguem viabilizar projetos de reality show ligados à área de moda, em função do interesse do público e, consequentemente, das marcas.” A proposta do projeto surgiu da agência de conteúdo carioca Contente Entretenimento, sociedade da apresentadora Renata Boldrini com Maiz de Oliveira e Fernanda Cortez. A agência negociou com a detentora internacional dos direitos e propôs o projeto ao canal, que procurou uma produtora para realizá-lo. Foi quando a Moonshot foi procurada por sua experiência em projetos semelhantes. Em 2003, fez a engenharia técnica das gravações da segunda edição do “Popstars” para o SBT. Em 2007, produziu para a Sony a primeira temporada de “Brazil’s Next Top Model”, que já chegou à terceira edição. “Fizemos a produção inteira, entramos com os dois pés no formato. Fomos aprendendo, desenvolvendo a

“A Ancine não tem aprovado projetos de reality shows, mas há sempre um interesse das empresas em associar sua marca a esse perfil de programa.” interesse das empresas em associar sua marca a esse perfil de programa”, diz D’Avila. O orçamento de uma produção como essa, afirma, é bastante alto e exige um esforço maior do canal. Mas, segundo o produtor, o interesse dos canais vem aumentando

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tecnologia”, explica D’Avila. A produtora também se prepara para a segunda temporada da série de ficção “9 MM”, exibida pela Fox. Os três parceiros discutiram juntos o conceito da versão

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brasileira, em reuniões semanais de brainstorming para chegar às definições artísticas do programa. Os encontros continuam e permanecem ao longo de todo o processo. “O GNT é muito ativo, participa de todo o processo, é um dos canais que faz isso melhor. Já temos a experiência de 12 anos na produção do programa do Olivier Anquier, que saiu do canal e agora voltou.” Produção vitaminada O programa será gravado em São Paulo e os 12 contendores ficarão confinados em uma casa, como em outros programas do gênero. Nesse caso, porém, a casa tem um peso menor. “Eles ficam isolados porque isso faz parte da dinâmica da relação. Eles precisam conviver o tempo inteiro, sair da vida normal, perder o contato com as pessoas de fora. As relações precisam ser turbinadas porque o período de convívio é muito curto”, diz D’Avila. A intimidade que o convívio traz evidencia as reações, para o bem ou para o mal. “Ou as pessoas se associam ou o santo não bate, e as duas coisas são enfatizadas com o convívio.” O grande desafio de um reality show é construir os pontos de contato com o público, explica o diretor. “Temos que pensar na dramaturgia desde o planejamento das provas, para gerar material que renda na edição”, conta. Isso porque a realidade vai até certo ponto. “A realidade nesse caso são as reações espontâneas às provocações que o programa propõe. Nosso trabalho é gerar essas provocações para manter a espontaneidade e fazer com que o público se apegue e fique colado na tela.” Para produzir um reality show, a produtora conta com uma estrutura de peso. Como os

Sinopse: Baseado em formato norte americano, o reality show “Por um Fio” traz a competição entre 12 cabeleireiros, eliminados através de provas. Com estreia prevista para 24 de setembro no canal GNT, o programa foi viabilizado com recursos do canal e de anunciantes.

Por um fio Formato

Reality show em 12 episódios semanais

Produção Moonshot Pictures e Contente Entretenimento Direção

Roberto D’Avila

Apresentação

Juliana Paes e Tiago Parente

roteiros são fechados na edição, é preciso estar preparado para cobrir ao máximo os momentos de interação entre os participantes. “No final jogamos muito material fora, mas temos várias equipes trabalhando ao mesmo tempo.” As equipes se revezam em turnos tanto na gravação como na ilha de edição. Como a casa não é personagem do programa, não haverá um monitoramento tão intenso.

Beldades brasileiras Em terras estrangeiras, outra brasileira faz sucesso à frente do reality show “Shear Genius”, nome do formato original. Depois de duas temporadas apresentadas pela ex-pantera Jaclyn Smith, que encarnou a morena Kelly no seriado da década de 1970, a terceira temporada foi apresentada pela modelo brasileira Camila Alves, também conhecida como sra. Matthew McConaughey.

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“No ‘Big Brother’ as pessoas ficam na casa o tempo inteiro, então são instaladas câmeras robô. Nesse caso, só vamos precisar de câmeras na mão para a cobertura”, explica. A parte mais difícil do trabalho do diretor, para D’Avila, é monitorar a “temperatura” das relações, para prever o que pode acontecer entre os participantes e conseguir posicionar a equipe de gravação para documentá-las. “Temos que identificar o tom à medida que vai acontecendo, enquanto ainda é velado, para estar pronto quando vier à tona. E depois processar esse material para que todos os conflitos estejam espelhados na edição final.” O programa conta com três roteiristas e dois assistentes de direção, mais duas pessoas que permanecem na casa acompanhando os participantes, ouvindo e propondo temas para fazer com que os assuntos mais quentes sejam abordados.

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( upgrade )

Fernando Lauterjung

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esde o início da cinematografia digital, o workflow é apontado como motivo para se usar ou evitar determinada tecnologia. A Marvin Technologies levará para a IBC, em Amsterdã, uma solução que proporciona um fluxo de trabalho simples para cinema digital com suporte a câmeras Red One, Silicon Imaging SI-2K, ARRI D21/Alexa, Panasonic P2, bem como câmeras de aquisição em alta velocidade como Vision Research Phantom e Weisscam HS-2. Assim que a mídia de gravação é conectada ao equipamento da Marvin,

Sistema Marvin para cinema digital cria backups em fitas LTO, proxies QuickTime para edição offline e DVDs automaticamente.

uma cópia é feita, já com uma verificação de erros, nos discos RAID5 de armazenamento interno. A partir destes arquivos, o sistema gera múltiplas cópias verificadas em LTO, bem como DVDs e arquivos QuickTime para edição offline. A equipe pode buscar as cenas através de imagens thumbnail ou mesmo em vídeo, o que facilita o trabalho de continuidade. O equipamento fica abrigado em uma caixa externa de proteção de tamanho de quatro unidades de rack, com proteção para transporte. O sistema inclui um RAID5 de 6 TB ou 12 TB e um processador core i7, além de dois drives de fitas LTO e um gravador de DVD. O conteúdo pode ser levado ao equipamento através de diversos slots de cartões de memória em estado sólido ou das portas e-Sata, Firewire 400/800 e USB. Portas customizadas também podem ser encomendadas, como SxS ou Fibrechannel. O equipamento é controlado por um browser em um laptop conectado por porta Ethernet.

Atualização

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linha de switchers de topo da tela e duas colunas com produção multidefinição quatro imagens abaixo. O nome da CrossOver, da Ross Video, fonte de sinal é exibido em cada ganhou um upgrade de software. A imagem em alta definição. versão 3.0 já está disponível Os modelos CrossOver 6, gratuitamente para todos os clientes CrossOver 12 e CrossOver 16 usam o da família CrossOver. A novidade é mesmo software e que agora os podem ser atualizados switchers contam através do download com um multiviewer da versão interno, que permite 3.0 do site exibir qualquer www.rossvideo.com. combinação de até dez A série de switchers sinais internos ou é criada para externos. A exibição se estúdios compactos, A linha CrossOver de switchers conta dá através de duas bem como unidades agora com multiviewer capaz de imagens grandes no móveis de produção. exibir até dez fontes de vídeo. 108

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X,Y e também Z

Cinema automatizado

O processador de sinal Densite 3DX-3901 Stereoscopic permite converter entre múltiplos formatos 3D.

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ntre as soluções para 3D que a Miranda Technologies leva para a IBC este ano, que acontece em setembro, em Amsterdã, está o processador de sinal Densite 3DX-3901 Stereoscopic. O equipamento converte entre múltiplos formatos de 3D, incluindo Dual 1,5 Gbps, Dual 3 Gbps, Single 3 Gbps, Single 1,5 Gbps, podendo codificar em side-by-side encoding e Sensio side-by-side. Além disso, todos os multi-viewers da linha Kaleido, incluindo o Kaleido-X (96x8), Kaleido-X16 (16x2) e o modelo de baixo custo Kaleido-Modular (8x2), podem monitorar sinal estereoscópico, com suporte para os formatos Dual 1,5 Gbps e Single 3 Gbps. Ao monitorar o sinal 3D durante a produção, o operador pode comparar a perspectiva das imagens antes de fazer o corte entre dois conjuntos de câmeras 3D, por exemplo. Por fim, a fabricante leva à feira de tecnologia o Imagestore 750 Stereoscopic 3D. Trata-se de um processador de logos que oferece a variável de profundidade, permitindo posicionar o logo em um campo tridimensional. Esta variável pode ser controlada manual ou automaticamente. A solução pode ser integrada com o sistema de gerenciamento e automação de conteúdo da Miranda, a Vertigo Suite.

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THE BUSINE SS JOURNAL

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PRODUCTION, DISTRIBUTION October 2009 VOL.

29 NO. 6 $9.75

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t   ’s  $$  traditional heavily inves MIPCOM ted in Latin break Latin Amer America joine fast, three mark et organizatio ican TV market. Repre d us to assess the Feldman; ns fter the anno new from Brasil TV Forum senting NATPE was nature of the COP, Patric setting U.S. uncement of recor was AndrÊ k Jucaud. Serafini. dMermelstei president Rick All three summer intakes, are n and from box office mented, weaker pictu There is little red below companies DISnegatively results, settin come the European with   doubt that tend to be America is affected the  ’s Dom BO Latin growing in most. admissions g their own recor In effect, as a territory, impo d for in the first there is a par with not only for rtance half of 2009 among the buoyant attitu internation 2006. It fortunate U.S. , at de and seems al programm companies that the bad econo for market towards ing, but my is organizers proving a      as well.   boon for Unofficial entertainm the Latin Amer estimates value the ent indus ican progr The try. presence am market $1.5 billio at n annually film and TV of so many and it repre sents betwe mark ets en during the fall of Hollywood eight and 10 percent few months period is strengtheni also ’s before the ng start of Asia In addition total annual sales. (ATF) in among those the business Singapore TV Forum to traditional and pay-T (Dece asked ATF’s FTA V, telecoms panies fortu smaller comGeneral Mana mber 2-4),  

a preview are now nate to have ger Michelle of what the good produ Lim for industry shoul crossing the ct. Unfo Pacifi d expect befor tunately, r     like with Held at Singa c. e   every economic pore’s Sunte ATF bring crisis, and c Conventio s together MIPCOM as n Centre, internation and new medi has well docual TV broad a content caster providers to service progr s am-



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he discussion TV vs. Onlin panel titled “Paye Pay-TV Servic Video: How Are es Dealing Threat from with the Web Video offered a broad range of informServices� well as a ation, as broad divid e between tives. IPTV execumonetizatio the bone of n proved to be contention . The first executive Richard Halto to speak was tor at the n, IPTV program direcnewly devel Canvas, a oped Proje subsidiary ct of the Project Canv U.K.’s BBC. as was estab of linking lished as a three indus way tries — manu turers of STB factechnology tent provi , ISP and conders. The goal is ing access to the living “democratizclaimed the room.� Halto BBC has no n and is simpl profit motiv y gathering e, a group of panies trying comto make it to get their easier for them content out, be the key as this seems to linear to Stephen Nutta channels’ survival. ll, commercial for BSkyB, direct also of the or extremely U.K., seeme unset d Canvas propo tled by the Proje ct sal. At the BSkyB is moment, primarily a pay-TV content  

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he U.S. TV networks could their terres bundle all trial services, becom channels for IPTV ing less depen cable and dent on satell afraid of upset ite deliveries, but they’re model. This ting their current business is an interview the message deriv ed from with Gavin president Camp ion, the of Kit Digit al, a comp he described any that as the first stop IPTV opera for any tor. There are four messa Digital woul ges that d like to get Kit networks: IPTV make across to the TV s content distribute, cheap to massively increases population availa , makes it and opens easy to mone ble up new mark tize ets. According to Campion, who is based    



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he overriding uite a bit theme of MIPCOM of the focus this year’s is “rethinking funding, new MIPCOM this year at tion, techn is on new .â€? Producinitiatives ways ology, meth the impact etize conte and incen tizing conte of online gamin tives, ods of mone nt and reach to monre sport-TV mum amou nt‌ you name - vision spher g on the telethe maxicompanies nt e, and tives are told SPORTEL it, TV execu so it’s impo of viewers/consume to rethink Laurine Garau more. because they’r attending rs, and talks rtant it. Today featur on the Cote e already de, acting on new the companies to take a look at d’Azur for es the TV divisi sources of vice versa? one of MIPCOM that on of Reed director of Will seems produ grasp on the ction MIPCOM’s to have a MIDEM, sary celebration SPORTEL’s 20th anniv or firm measures such challe organizer said, “Dur ernecessary cessfully expan be a symb both to nging iotic boost ing sucmark d in the mode economic ets? coupled with for landscape. times and rn industry Last year, a period of FremantleM some 1,000 to online rapid edia Enter (FME), with migra almos viewing, we companies tion prises t 2,500 branches your Busin see ‘Rethinkin of local produ tion across 80 countries attendees from more and ess’ as an the globe, g ccame imme action seems to be to SPORTELM than diate call right track. to re-exa This is a on the to clear indic onaco. ing and distri mine production ation that What’s impre indeed a big fundbutio sport n mone TV business ssive about s els.â€? Basic just the size sports TV and a specia is ally, the unde tisation modFME is not and scale market is lized of this year rlining messa of the opera although a However, is that “you ge that even thoug great attraction. tion, you shoul don’t know h large comp envy in almos alone would be cause such d,â€? anies, t any other for home there and to drive the messa all event as WWE and RaiTr    really catch company. ade attend      s, other ge are over What es the atten both     keynotes, 45 sessio sports progr companies with tion is the for making screenings 

 ns, limited ams tend to knack a profit, even and match making choos According economic in these terrib times. to Marielle e one. le Senio      David Ellen r Vice Presid Zuccarelli   , ent of Sales London-ba der, CEO of FME for GRB , sed RTLowned comp the      any,       

Birds & Bi at MIPJuniorz

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Gaming Is Big Biz



t Comcast, sr vp of Networks Gracia Wave International looking rly is active ly lifestyle genre for acquisitions in the complemen from international sellers to t original rently on programm the ing curStyle Netw international versio n of The ork. Reached at the Waverly (pictu Comcast booth, mostly looki red) said that for E!, they’r ng at realit The Style y series and e Netw for lifestyle progr ork, they’re intere sted in ams. Waverly is ming, on-ai responsible for the progr r, for E! Enter marketing and opera amtainm tions ent Telev internatio ision’s seven nal netw orks and Network, the which she recently launcStyle hed



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run of succe t the mom ss like the ent, 25 coun one Disney has enjoy governmen ed for years tries have terday’s press ts offering now has origins in lunch centives location its many stren One of these . one. Ben ingths, not tions. Amo to attract foreign ccording strategies, Pyne, just dent produc- Distr to Fred Hass ng them are ibution, Disn president, Glob such by several of Disney’s as made evidirector of Canada, on, Australia, al new as   !# ey Media France, Brazil, outlin Redbedlam executive ed a few of Networks, “a than 50 Germany, !and  hit shows Jamaica, the .com, focus on those stren Israel, U.S. and $ #, is lation plays percent of the world more great gths at yes- Pyne U.K., with situations ’s popugames, up claimed, “unit storytelling,� which similar pending 20 percent dramatical in Kenya. Yeste es audiences the world ly from Norway in rday, Jane .� At the all over like the PS3 2000. And, while luncheon, Corden, mana and director conso tured at of Moneypen Pyne (picleft) was ging predomina and Xbox still main les Ltd., mode flanked by ny Services  #’s produ ntly male tain a rated the Nintendo  $ user base, Pay cer Josh DS Funding for   !# panel on Appl and Wii, ebaum and iPhones boast !’s produ ! ly small gend “New Producers cer wski, the relativeWorld: The from Arou latter of which Jessika Barkatry declared er gaps. The gami nd the Latest Incen ng industhe 10th tives.� Canada, repre is at work episo worldwide an estimated $40 billion in work order de of the initial U.S. on revenue in Karen Thor sented on the panel means in of 13. netne-Stone by terms of its 2008. What this Another impo Developm of the effect on sion secto ent Agen rtant facto the televir ery and cy of Onta Media rema been offeri r ins is the support of to be overall concl rio, has ng production that conte delivPyne was usion is that seen, but the the 1990 clearl nt, and business s. Thorne-St incentives since people in shou sale of   y thrilled to anno that while one comm unce the These findi ld be paying atten this  !#! to they have ented ngs were over 100 tion. primarily productio presented territoat the Gam focused on n in the yesterday ing past, in months the Simon NelsoRevolution seminar.     coming Canadian

 n, who is governmen sanctionin in charge t will be g co-produc of tion fund ing even    

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t this MIPJ unior stantial conn , there was a subdren’s progr ection between chilamming and On Satur licens day, seminar called for instance, there ing. was a “The Licen which focus sing Leap, ed on the � creation and opment of devellicensing strategies successful based TV terday, there properties. Similarly, on and New Digitwas the “Online Gamyesing during which al Revenue Stream s� panel on promising industry experts weigh ed in new busin the connection ess models and s between the online television world. and This year also boasts edition of MIPJunior ’s sixth its pitching comp “Licensing Challenge, � a etition hono TV prope ring those rties with kids the most licensing

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he importanc e of MIPC Hollywood OM to Disne majors as y, has more selling to a venue for than two, them to expre and gettin to gauge. TheyLatin America is diffic ss a view recent repor ult all have at on the straig g t revealed utive listed least one exec- forward question, htpercent of that over as having “how impo MIPCOM 40 young adult responsibil sales to the rtant as a mark in the U.S. ity households region, but et for sellin is view Intern none, apart for Latin America,� is their televi g to et video on not an easy from sion The larges and it predi sets at least once a t studio sellin task. month, cted that for Latin g contingent by from web-t Amer o-TV stream 2013, revenue Miami, Florid ica comes from $2.9 billio ing will grow the n. Media Netw a-based office of to Disney whether we This raises the quest orks Latin ion of are heading sented here America, world in reprefor a whol by whic e three of whom at least five execu become more h television prod new tives, ucers Morera, Ferna are pictured at left: ing content like movie producers, Jack ndo Barbo for sale direct Bovino. maksa, and Fabio rather than ly to the publi la to a midd One of the c, broadcaster leman, such studios with who then executives as a two such directly in sells it to present is the form public Warner Broth with both of rectly Jim Brehm Pay-T ers, via an adver V, or indi, senio dent, Latin tiser. One of the America and r vice presikey Asia Pacifi problems content direct c, with sellin ly to the g identified public has    

by been Jonathan  Ford, execu tive

o far, MIPC OM’s speak ing been a busy one for Frem circuit has CEO, Tony antleMedia’s Cohen. His been clear message has — a lot of chang ing, and if handled prope e is happenthing. He has also noted rly, it’s a good are not chang that some things ing in the had predicted. ways that many In regard to the latter point found that , it has been terrestrial television are actually audiences on the rise. MIPCOM Cohen began at the Fremantle Breakfast, citing an Press incre European ase in avera daily viewi ge ng of per day, and a 30-minute 14 minutes the same increase period in the U.S. since over plus stagg ering audie 2000, nces like   & ! !, of whichfor hit shows pulled in one episo eighteen de percent Australian of population the   ; The &$ , which & , on avera ge, attracts

  co nd old Pier Sil ucted a no holds ba rre enjamin (B Fedele Co vio Berlusconi, vice-c d, 360-degree interv nfalonieri, en 49-year-old ) Pyne is the minister, CEO is Gi hairman of Italy’s M iew with the 40-year Sil guitar (of Italian tel vio. This is a cri uliano Adreani) and ediaset (chairman is and Burb New York City which he tical mome evision ind an ’s son player) in of Italy’s pri general: nt for M based presi k, Californiaorder to pro an accomplished me The trans ustry in ediaset, an results. dent of duce harm dig d iti Di Gl on for ita str ob onious l the ibu al to ter competitio tion for n with Ru restrial television, Bu M Di t, ed sney before tou ia Netw Italia (bo ching on th in ter pert Murdoch’s Sk “matrix� tha orks, the new with Pyne, on any subjec ms y channels e from the fir t ros st and the de of premium TV t has to unde e “as satellite TV velopment rstand the Buena Vi hes� of the old sta. The  Endemol, platform), the acq of a new brand wa   latter the creation uisition of  s ret companies ire of new pro d in 2007 just abou an , duction t drama pro d the goal of bring Pyne took the time that ing du over. current 70 ction costs down daytime ,000 euro from the Considerin BY DOM hour to a (U .S. $1 SERAFINI 00 more mana responsibil g Pyne’s varied euro (on geable level ,000) per itie pa picture him s, one might which ma r with those of of 15,000 sitt nages to sel Argentina, or ing the be purpo hin console, pu da l its low-co shi st shows characters se of this story, “U  of buttons ng a multitude ltimates� are in   . Another  of financia a Marvel comic, bu not Mediaset metaphor ap ’s Pier Silv t rather a l en t is io Berlusco marve account exe gineering adopted ni playing the that of him by Hollywo l cutives to revenue wi od figure ou group like divisions of his ll be genera t how mu ’s the strings series. Ultim ted by eac ch of his h movie tit ates are up financial le or TV people wi dated monthly by the studio th fresh s’ data from the sales,  IN Televisio    regional tel n is a privately ow ne evi d sion ne reaches ov er 5.2 mi twork that across llio the nation’s six states of Au n viewers str company capital. The privat alia and Bruce Go has grown significa ely owned rdon purch ntly since interest in Telev ased a controlling Transmiss ision W ion Ltd ollongong known tod (W ay as WIN IN4) in 1979, Television. The WIN Australia’s Network reaches 42 8.5 1400 emplo million homes an percent of 27 markets, yees. Broadcasting d has over thr Channel including its related oughout Ni WIN’s tra ne in Adelaide companies an geographica nsmission spans thed Perth, l area in the largest world. Today, W operations IN Corp. includ es pay-TV, filmin TV and radio bro business adcasting, and TV pro duction. WIN wa to transmis the first regional bro services, 12 t high definition adcaster mo nth s ahead of go digital regulatory Canberra, requirements, in W vernment oll and the So Ballarat, Tasmania, ongong, uthern Qu eensland maMildura WIN Telev rket. isio n member of is also a formed by Freeview Australia, founding which was broadcaster Australia’s free-to-v s iew to assist in the TV digital tel pro enable acc evision in Australi motion of ess a, to-view dig to the very best qu and to ital progra ality freemming.

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( agenda ) AGOSTO

E-mail: info@animationfestival.ca. Web: www.animationfestival.ca.

19 a 27 21º Curta Kinoforum Festival Internacional de CurtasMetragens de São Paulo, São Paulo, SP. E-mail: spshort@kinoforum.org. Web: www.kinoforum.org. 30 de setembro e 1º de outubro 10º Congresso Latino-Americano de Satélites, Rio de Janeiro, RJ. Tel.: (11) 3138-4660. E-mail: info@convergecom.com.br. Web: www.convergeeventos.com.br. O maior encontro da indústria de satélite da América Latina, que anualmente se reúne para debater, durante dois dias, os temas centrais do setor.

21 Curso “Gestão do Entretenimento” da Academia Internacional de Cinema/FGV. Tel.: (11) 3826-7883. Web: www.aicinema.com.br. E-mail: info@ aicinema.com.br 25 a 27 Broadcast & Cable 2010, São Paulo, SP. Web: www.set.com.br e www.broadcastcable.com.br

24 a 3/10 Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte, Belo Horizonte, MG. Web: www.festivaldecurtasbh.com.br

31 a 12/10 5º Cinefantasy – Festival Curta Fantástico, São Paulo, SP. E-mail: contato@curtafantastico.com.br. Web: www.cinefantasy.com.br

OUTUBRO 4 a 8 Mipcom, Palais des Festivals, Cannes, França. Tel.: (33-1) 4190-4580. E-mail: info.mipcom@reedmidem.com. Web: www.mipcom.com

SETEMBRO 14 a 18 Curta-se 10 - Festival Iberoamericano de Cinema de Sergipe, Aracaju, Sergipe. Tel.: (79) 3302-7092. E-mail: operacional@curtase.org.br. Web: www.curtase.org.br.

5 a 10 10º Goiânia Mostra Curtas, Goiânia, GO. Tel.: (62) 3218-3780. E-mail: producao@icuman.com.br. Web: www.goianiamostracurtas.com.br

19 a 25 6º Festival Latino Americano de Canoa Quebrada, Aracati, CE. Tel.: (85) 3251-1105. E-mail: curtacanoa@curtacanoa.com.br. Web: www.curtacanoa.com.br

5 a 11 4º Festival do Paraná de Cinema Brasileiro Latino, Curitiba, PR. Tel.: (41) 3551-1431. E-mail: festpr@pr.gov.br. Web: www.festivaldecinema.pr.gov.br

23 a 7/10 Festival do Rio, Rio de Janeiro, RJ. Tel.: (21) 22666-9000. E-mail: films@festivaldorio.com.br. Web: www.festivaldorio.com.br

16 a 22 7º Cineesquemanovo – Festival de Cinema de Porto Alegre, Porto Alegre, RS. E-mail: producao@cineesquemanovo.org. Web: www.cineesquemanovo.org

24 a 26 4º BRAFFT – Festival do Cinema Brasileiro em Toronto, Toronto, Canadá. Tel.: (11) 3746-5800. E-mail: www.brafft.com. Web: www.brafft.com

20 a 24 Ottawa International Animation Festival, Ottawa, Canadá. Tel.: (613) 232-8769.

22 a 4/11 34ª Mostra Internacional de Cinema, São Paulo, SP. Tel.: (11) 3266-7066. E-mail: info@mostra.org. Web: www.mostra.org.

NOVEMBRO 3 a 10 American Film Market, Santa Mônica, EUA. Tel.: (310) 4466-1000. E-mail: AFM@ifta-online.org. Web: www.americanfilmmarket.com. 8 a 12/12 5º Mostra Cinema e Direitos Humanos na América Latina, São Paulo, SP. Tel.: (11) 3512-6112. E-mail: contato@cinedireitoshumanos.org.br. Web: www.cinedireitoshumanos.org.br. 11 a 21 18º Festival Mix Brasil de Cinema da Diversidade Sexual, São Paulo, SP. Tel.: (11) 3562-2100. E-mail: mixfest@gmail.com. Web: www.mixbrasil.org.br 20 a 28 25º Festival Internacional de Cine de Mar del Plata, Mar del Plata, Argentina. E-mail: info@ mardelplatafilmfest.com. Web: www.mardelplatafilmfest.com. 22 a 27 17º Vitória Cine Vídeo, Vitória, ES. Tel.: (27) 3327-2751. E-mail: vcv@imazul.org. Web: www.vitoriacinevideo.com.br

DEZEMBRO 2 a 12 32º Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano, La Habana, Cuba. E-mail: festival@festival.icaic.cu. Web: www.habanafilmfestival.com.

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Revista Tela Viva 207 - Agosto 2010  
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