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( convergência) real na TV e na Internet proporcionam outro tipo de público ao conteúdo produzido pela TV Cultura, com outro tipo de exigência. “Este público requer acompanhamento constante, tem que atualizar o tempo todo, twittar o tempo todo”, afirma Garcia. A TV Cultura também tem experimentado o desenvolvimento de conteúdos especificamente para a web, como o programa “Login”, destinado ao público jovem, que tem como característica a participação do público por meio da Internet e vai ao ar de segunda à sexta às 19h. Às 20h, entra no ar ao vivo, exclusivamente para a Internet, o “YouLog”, com a mesma apresentadora. Recentemente, um projeto criado especificamente para web deu origem a uma série de programetes ainda em desenvolvimento para o público infantojuvenil. A FPA desenvolveu um projeto para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre os presidentes do Brasil. “A FOTO: marcelo kahn

site possa conhecer melhor o público, saber de onde ele vem e direcionar melhor as ações. No mês de abril foram aproximadamente 51 mil acessos. Em maio, foram mais de 67 mil. No primeiro mês de operação, 5.889 usuários se cadastraram para assistir aos vídeos. Destes, 1.649 são professores e 877 alunos. Foram 23.242 exibições de 885 títulos diferentes. Para Silveira, ainda é um pouco cedo para avaliações, mas os comentários no site têm sido bastante positivos. A equipe já planeja evoluções no portal, como um sistema avançado de busca de conteúdo e uma ferramenta para o professor montar seu próprio canal. O coordenador destaca que a criação da web TV não apresenta um problema de competição entre plataformas. “Hoje o vídeo não deve mais ser pensado só como um vídeo. Todo o vídeo deve nascer com um viés educativo. Já fazemos pensando em conteúdo expandido, que possa passar por todas as mídias, inclusive pela nossa revista”, observa Silveira. Na TV Cultura, que já vem utilizando a web de forma diferenciada há algum tempo, com transmissão de programas ao vivo, por exemplo, a ordem é que nenhum projeto nasça voltado exclusivamente para uma mídia, enfatiza Mauro Garcia, diretor de projetos especiais da Fundação Padre Anchieta. “O que a gente tem desenvolvido é o pensamento e produtos audiovisuais para diferentes mídias. Não queremos fazer a transposição do que passou na televisão para a Internet”, explica. Garcia observa que com esta nova postura, os processos produtivos dentro da emissora sofrem alterações. “Esta é quase uma batalha interna. É uma nova alfabetização. Quem trabalha com televisão entende que o produto principal é o televisivo. As novas linguagens exigem capacitação, novos quadros de pessoal e incentivo a cursos de especialização”. A exibição de conteúdo on-demand e programas em tempo

Cultura Brasil Em abril, a Fundação Padre Anchieta lançou o Cultura Brasil, um portal de música brasileira com conteúdo da rádio e da TV Cultura. Ricardo Tacioli, editor do portal, explica que, hoje, 95% do conteúdo vem da rádio, mas a ideia é fazer mais uso do acervo da TV. “A proposta é ampliar o uso do acervo sonoro, audiovisual e iconográfico da fundação, articulando com os assuntos do dia-a-dia”, conta. Segundo o editor, não existe uma meta de integração do material da TV no site. O conteúdo entra de acordo com as necessidades editoriais. Tacioli destaca que com a nova proposta do site, o sistema de produção na Rádio Cultura mudou. “Antes nosso foco era o conteúdo exclusivamente sonoro. Agora, além do áudio nos preocupamos com foto, texto e elaboração de um conteúdo relacionado. Quando temos entrevista, por exemplo, é outra dinâmica: a gente pede fotógrafo da fundação, grava vídeos e às vezes produz algum material exclusivo para o site”.

“O que a gente tem desenvolvido é o pensamento e produtos audiovisuais para diferentes mídias. Não queremos fazer a transposição do que passou na televisão para a Internet” Mauro Garcia, da Fundação Padre Anchieta

pesquisa nos trouxe um material interessante, é uma tremenda aula de história”, conta Garcia. A atração deve ir ao ar antes das eleições de outubro na TV Rá Tim Bum e TV Cultura. Regional As emissoras públicas regionais também apostam no potencial da Internet para levar o conteúdo a espectadores distantes. A Funtelpa (Fundação de Telecomunicações do Pará), mantenedora da rádio e TV Cultura do Pará, reformulou em fevereiro de 2009 o seu portal e transmite todo o conteúdo do rádio e da televisão ao vivo e em tempo real. “O portal não tinha cara de veículo de comunicação. Ele era um suporte”, conta Marcos Urupá, diretor de comunicação integrada da Funtelpa. Segundo ele, com as mudanças, a audiência cresceu muito, saltando de 200 para 1,5 mil usuários únicos por dia. Segundo Urupá, cerca de 80% das atrações da televisão também estão disponíveis on-demand e há programas audiovisuais criados especificamente para a web, como as seções “Criação”, sobre o processo criativo de artistas, “Entrevistas” e “Eventos”. A Funtelpa ainda pretende usar a web para estreitar o diálogo entre a programação da rádio e da TV. Para a Copa, a fundação criou o programa “Papo de Copa”, com uma hora de transmissão de áudio durante os 30 dias da competição, com a produção de vídeo sobre os bastidores da atração. A ideia também é produzir futuramente uma revista semanal exclusiva do portal. Ana Carolina Barbosa

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Revista Tela Viva 205 - Junho 2010  

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