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E a audiência, muda por conta desse investimento? Quando lançamos o 3D, disseram que a RedeTV! fez isso “sem saber para quem”. Foi o que aconteceu quando Roquete Pinto transmitiu rádio para 80 aparelhos. Também com o Chateaubriand, que instalou televisores em praça pública para que pudessem acompanhar as primeiras transmissões. Queremos, sim, lançar coisas sem saber para quem, desde o HD até o 3D. Em algum momento a gente descobre quem está vendo. Com a Copa do Mundo, a base de televisores HD no Brasil deve chegar a 10 milhões. Quem tem TV HD hoje, dá preferência à RedeTV!, porque quer ver o jornal com qualidade de imagem. Não muda a audiência de uma hora pra outra, mas essas pessoas estão adquirindo o hábito de ver a RedeTV!. Um dia isso vai aparecer na audiência. Mas hoje não muda, ainda não há uma base significativa de telespectadores de TV digital na medição de audiência. Mas isso é uma incoerência da medição. Nem é a incoerência mais significativa. São 25 milhões de parabólicas no Brasil. Metade da população assiste TV por parabólica, e isso é fato. Porque o Ibope acha que as parabólicas não existem? Enquanto o mercado publicitário fizer de conta que as parabólicas não existem, vai estar jogando fora o dinheiro do anunciante. Pega qualquer estrada, saindo 30 km dos grandes centros, e procura uma antena tipo espinha de peixe. Não vai achar, só tem parabólica. Como é que as parabólicas não fazem parte do Painel Nacional de Televisão? Mas a própria RedeTV! não conta apenas com a parabólica para ter distribuição nacional. Há perspectivas em aumentar a rede?

só abre o sinal do satélite nas localidades não atendidas, não resolve o problema garantindo força ao conteúdo local? Não. Não dá para saber com certeza se o sinal chega com qualidade em determinado endereço. O telespectador sabe melhor que ninguém, ele sabe se precisa ou não de parabólica. A questão não é essa, é que o satélite iguala muito a cobertura das redes. Se assumirmos o satélite como Qual é a cobertura digital? realidade, ao invés de tentar fingir São Paulo, Rio de Janeiro, Belo que não existe, uma rede ter 50 ou Horizonte, Porto Alegre e, claro, o HD e 70 afiliadas não faz muita o 3D no BrasilSat C2. diferença. Mesmo Há essa conversa antiga “Há uma emissora nas grandes de que o sinal aberto e cidades há que tem mais ou gratuito no satélite, que parabólica nos é o nosso modelo, pode menos 40% de share e condomínios e afetar a venda de 80% do dinheiro. As prédios, com o publicidade regional. sinal descendo outras quatro Não afeta. Por um antena emissoras têm que se pela motivo muito simples: coletiva. estapear pelos 20% mais da metade do Brasil não é coberto Mesmo assim, que sobram, pegar pela TV terrestre. É há uma alguma migalha uma conversa pra boi de para poder fazer expectativa dormir. Não adianta haver mais televisão.” construir caminho onde conteúdo as pessoas não passam, regional? porque vão acabar abrindo caminho Já temos jornais locais no Rio estragando a grama. O Brasil conquistou de Janeiro e em Belo Horizonte. uma unidade nacional através do Este ano queremos ter ainda em satélite e não tem o que mude isso. As Recife e Fortaleza. Sempre parabólicas já estão sobre as casas das investindo bastante em tecnologia. pessoas. Não adianta instalar um Nesses dois casos será tudo transmissor ao lado dessa casa, a controlado pelo apresentador, que antena vai ser a mesma. define as câmeras antes mesmo da geração do jornal. A TV digital terrestre não tem As 50 afiliadas também geram potencial para mudar esse cenário? conteúdo, inclusive para a rede. Não muda, porque as pessoas já Também vamos aumentar as fizeram o seu próprio caminho, já têm equipes. Hoje temos cem o satélite, que inclusive tem mais webreporteres (que contam com opções de programação que a TV uma câmera e um laptop para gerar aberta. Além disso, é impossível a TV e enviar matérias para a emissora). digital terrestre cobrir o que o satélite cobre. Nem hoje e nem em 2060. A grade da RedeTV! é Duvido que alguém faça uma afirmação calcada no programa de diferente dessa. auditório e no jornalismo. Essa tendência se manterá? E o modelo de acesso condicional Hoje temos muitos programas proposto e adotado pela Globo, que jornalísticos e continuamos Temos 50 afiliadas. Queremos dar um “banho de loja” de tecnologia nas afiliadas. Vamos oferecer alguns softwares em comodato e agilizar a digitalização destas emissoras. Se a gente levar alguma infraestrutura tecnológica, fica mais fácil para as emissoras investirem em transmissão digital, só tem que comprar o transmissor. Assim também garantimos que o conteúdo gerado por elas tenha a mesma qualidade que o gerado por nós.

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Revista Tela Viva 205 - Junho 2010  

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