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televisão, cinema e mídias eletrônicas

ano 18_#197_set2009

interatividade

Emissoras desenham suas primeiras aplicações para o Ginga. Corrida agora é para descobrir quais os modelos que funcionarão e trarão resultados.

TV POR ASSINATURA Setor sente impacto da pirataria no DTH e cobra soluções

PROGRAMAÇÃO Brasil lidera a migração para alta definição na América Latina


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A g a ra nti a o f i ci a l So ny B r a s il s ó Ê ga r a n t ida pe lo s re v e n de do re s a u t o r iz a do s . Sony Ê uma marca comercial registrada da Sony Corporation. Todos os pesos e as medidas não-mÊtricas são aproximados. As imagens visualizadas neste anúncio são simuladas. Fotos, gråficos e ilustraçþes podem não corresponder a uma representação fiel da realidade.


Foto: marcelo kahn

(editorial ) Presidente Diretores Editoriais Diretor Comercial Diretor Financeiro

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A

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Dar o exemplo

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escolha pela Argentina do padrão nipo-brasileiro de TV digital terrestre, o ISDB-T, é uma ótima notícia para o parque brasileiro de radiodifusão, fabricantes de equipamentos broadcast e varejistas de receptores e telas. A adoção do país vizinho soma-se à do Peru, que também entrou para a plataforma, e deve impulsionar outras adesões no continente, como a da Venezuela. A escolha faz sentido técnico, já que o padrão é o mais avançado do mundo, único a usar a compressão H.264 (MPEG-4), com robustez na recepção indoor e externa e flexibilidade de uso (HD, SD e mobilidade). Também faz sentido estratégico, pois cria uma escala que em pouco tempo levará os preços dos equipamentos a níveis similares aos dos padrões europeu e americano. O chinês corre por fora, e apesar de ser avançado tecnicamente, é confuso do ponto de vista político e negocial. Mas, se o Brasil quer realmente ser um referencial no desenvolvimento da TV digital, tem que fazer melhor a lição de casa. No que pese os méritos do governo e do Fórum SBTVD na difusão e nos arranjos políticos para a expansão da tecnologia, a adoção interna da plataforma ainda está se dando em ritmo abaixo do esperado, para um sistema que está perto de completar dois anos e já está presente em boa parte das principais cidades do país. Os números apresentados em agosto pelo Fórum SBTVD, de 1,8 milhão de receptores vendidos no país, não encontram respaldo na experiência de fornecedores consultados por TELA VIVA, que garantem não haver mais de 300 mil aparelhos (alguns falam em 200 mil). A TV digital não está nos anúncios de equipamentos eletrônicos nos jornais e nem na “boca do povo”. Falta informação, por parte das emissoras (com algumas exceções Brasil afora), dos varejistas e dos fabricantes. Boa parte deles, aliás, saiu silenciosamente do mercado de set-top boxes, visto como sem futuro, para apostar apenas nas TVs com receptor integrado. O espectador muitas vezes compra uma TV de alta definição e acha que só com isso está recebendo os sinais digitais, porque não é bem informado pela loja. As emissoras se limitam a exibir um logotipo informando que estão transmitindo em HD, mas não explicam ao usuário como receber os sinais adequadamente. E o que é mais grave, há pouquíssima programação nos canais abertos que utiliza plenamente os recursos do SBTVD. Poucos têm alta definição, e quando têm, em geral não utilizam a tela em formato 16:9. Isso é fato para todas as emissoras, à exceção da RedeTV!, que hoje é 100% HDTV. Quem está fazendo a “evangelização” do público é a TV por assinatura, que com suas campanhas agressivas já migrou mais de 100 mil assinantes (esses sim números reais) para a alta definição. Podemos continuar nos escondendo atrás de números que a própria indústria admite que não são confiáveis. Ou podemos partir para a ação, criando uma situação de fato que impulsione de vez a adoção do ISDB-T em escala continental.

capa: carlos fernandes/gilmar

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Ano18 _197_ set/09

(índice )

( cartas)

Não é só pra ver

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Scanner Figuras TV por assinatura

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Chegada do Ginga acende debate sobre os modelos de interatividade

TV Digital Li no Tela Viva News os números sobre a TV digital no país e gostaria de comentar que para conseguir adquirir aqui em São Paulo um decodificador foi dificílimo. As grandes redes de lojas não os possuem e um ou dois sites de vendas possuem apenas modelos de um fabricante. Segundo vendedores de lojas como Casas Bahia, Fast Shop e Ponto Frio, há muitos meses que não tem este equipamento. O único equipamento encontrado é importado de Taiwan pela Semp Toshiba. Onde estariam os prometidos equipamentos nacionais, incluindo chipset, etc ? Mais ainda, observei que os Estados Unidos nos últimos meses encerraram as transmissões analógicas. Os conversores custavam US$ 60 (R$ 120), e se o cidadão declarava-se incapaz da compra ainda levava um bônus do sistema no valor de R$ 40. José Luiz de Martini, Barueri, SP

Caixas piratas prejudicam vendas e roubam assinantes

Programação

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Publicidade

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Demanda por alta definição traz oportunidades aos programadores TV paga discute meios de aumentar share publicitário

Retificação capa Anselmo Mororó foi um dos pioneiros do serviço de TV por assinatura no Brasil. Foi ele quem fundou a primeira operadora de MMDS em Fortaleza, ainda no final dos anos 80,conseguiu a primeira autorização para o serviço na região Nordeste e negociou os primeiros contratos de programação. Mas o sobrenome Mororó acabou trazendo alguns problemas: o de ser associado ao jogo do bicho na capital cearense. Anselmo procurou Tela Viva para explicar que não tem nenhuma relação com a atividade, ao contrário do que foi publicado na edição de agosto da revista. A confusão se deve ao fato de que há, de fato, Mororós em Fortaleza ligados ao jogo. Não ele.“Estudei comunicação e morei por 15 anos nos EUA e voltei ao Brasil para fazer o MMDS e lançar várias emissoras em UHF. Hoje, tenho uma retransmissora de TV e uma empresa de água mineral.Infelizmente, meu sobrenome acaba gerando essas confusões”.

Galeria de fotos ABTA 09 26 Televisão 32 Broadband TVs preocupam radiodifusores

Operadoras

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Audiência Política

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Oi e TVA investem em conteúdo diferenciado no canal de relacionamento 26

PL 29: aprovação no Conselho de Defesa do Consumidor não traz otimismo

Making Of 44 Tecnologia 46 Globo monta centro de pós-produção preparado para novas mídias, alta definição e 3D

Scanner Diferente do publicado na seção Scanner da edição 195 (julho) da TELA VIVA, na nota “Rato abocanha leão”,não é a primeira vez que a produtora Cia. de Cinema ganha prêmio no Festival de Cannes. Com o filme “Rato”,quem ganha o primeiro Leão é o diretor Tom Stringhini.

Artigo

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Case

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Upgrade Agenda

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Engenheiros dissertam sobre VOD e IPTV Boomerang licencia a marca Capricho em sua primeira produção original

Tela Viva edita as cartas recebidas, para adequá-las a este espaço, procurando manter a máxima fidelidade ao seu conteúdo. Envie suas críticas, comentários e sugestões para cartas.telaviva@convergecom.com.br

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Acompanhe as notícias mais recentes do mercado

telavivanews www.telaviva.com.br 4

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( scanner ) FOTOs: divulgação

Passaporte O longa-metragem “Loki-Arnaldo Baptista”, de Paulo Henrique Fontenelle, foi escolhido pelo público do VII Cine Fest Petrobras Brasil, festival de cinema brasileiro promovido pelo Grupo Infinitto, em Nova Iorque, o melhor filme em competição. Além de receber o troféu Lente de Cristal, o filme ganhou distribuição no mercado americano em 2010 graças a uma parceria entre o Grupo Infinitto e a distribuidora californiana voltada para o mercado latino Maya Entertainment. Segundo Tonantzin Esparza, diretora de aquisição da Maya Entertainment, a iniciativa faz parte de um programa nacional de distribuição, o Maya Independent, em que seis filmes de diferentes países são selecionados em festivais e levados a oito cidades dos Estados Unidos, incluindo Nova Iorque, Los Angeles, Washington e Miami.”Loki-Arnaldo Baptista” é o primeiro longa-metragem produzido integralmente pelo Canal Brasil.

Exibição em 3D de “A Era do Gelo 3” fez 35% da renda do filme no Brasil.

A animação “A Era do Gelo 3”, que estreou em 1º de julho nas versões 2D e 3D, teve bom desempenho nas salas de cinema em que foi exibida na tecnologia 3D, na avaliação da diretora geral da Fox Film do Brasil, Patrícia Kamitsuji Ito. Até a segunda semana de agosto, o 3D, lançado em 71 salas, correspondia a 35% da renda gerada com a exibição do filme. Patrícia observou que o País teve um dos melhores resultados em bilheteria com o 3D comparado com o desempenho das salas em 2D: 696 salas (91% do total) geraram 65% da receita. “O 3D tem se apresentado como um adicional de experiência. Se algum exibidor tinha dúvida se deve ou não investir nesta tecnologia, os resultados de ‘A Era do Gelo 3’ estão aí para comprovar”, afirma Patrícia. A distribuidora prepara para dezembro deste ano o lançamento de outra produção disponível em versão 3D,

“Avatar”, de James Cameron. Patrícia diz que a distribuidora aposta na tecnologia para o futuro, e também deve transformar em 3D outros títulos de prateleira do estúdio. “O próximo filme de Carlos Saldanha, ‘Rio’, que está em produção, deve ser lançado com a tecnologia”, afirma. Exibir filmes em 3D ainda é caro para as salas de cinema. Segundo Marcos Araújo, da Cinematográfica Araújo, as despesas para montar uma sala apropriada chegam a R$ 500 mil. “É preciso ter cinco grandes filmes para pagar a conta”, diz. Apesar do custo, ele afirma que o 3D tem vantagens que vão além da atração do público. “Quando você coloca esse tipo de sala, valoriza todo o complexo”, conta. Estes debates sobre 3D e exibição aconteceram durante a Fiicav, evento de audiovisual que aconteceu paralelamente ao Congresso da SET, em São Paulo.

FOTO: mariana vianna

A Era 3D

Projeto olímpico Record, Globo e Band dividirão os direitos de transmissão em TV aberta dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016. A Record anunciou que “de comum acordo com o Comitê Olímpico Internacional a negociação foi compartilhada com um consórcio formado por outras emissoras brasileiras de televisão”. No caso, Globo e Band, que, além dos direitos nãoexclusivos de transmissão em TV aberta, compraram em caráter de exclusividade os direitos para Internet, televisão fechada, rádio e telefonia celular. Globo e Band anunciaram que permitiram que o COI “ainda pudesse oferecer os direitos não exclusivos de televisão aberta às demais redes brasileiras”. A Globosat, integrante do consórcio formado por Globo e Band, tem exclusividade dos direitos para a TV por assinatura, Internet e telefonia móvel. 6

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André Saddy (Canal Brasil), Adriana Dutra (Grupo Infinitto), Tonantzin Esparza (Maya Entertainment) e Paulo Henrique Fontenelle, diretor de “Loki-Arnaldo Baptista”, que venceu festival em Nova Iorque e ganhou distribuição internacional.


FOTO: Roosewelt Pinheiro/Abr

Reformulação

Lula e Kirchner: expansão do ISDB-T.

Hermanos digitais A Argentina anunciou a adoção do ISDB-T como padrão de TV digital terrestre no dia 30 de agosto. A iniciativa foi resultado de um longo trabalho de convencimento promovido pelo governo brasileiro. A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, assinou o acordo juntamente com o presidente Lula. Os ministros das Comunicações do Brasil, Hélio Costa, e do Planejamento da Argentina, Julio de Vido, firmaram o acordo ao lado dos dois presidentes. Também o embaixador do Japão, Hitohiro Ishida, e Hiroya Masuda, enviado especial do primeiroministro do Japão, assinaram o acordo. A adesão da Argentina ao padrão se soma à decisão do Peru, ocorrida em abril. Com isso, anula a resolução de 1998 do país vizinho, que adotava o ATSC. “Vamos construir um modelo comum aos nossos países, promovendo uma parceria comercial e tecnológica que vai beneficiar nossos parques industriais e a nossa população, que terá acesso ao que existe de mais moderno em televisão aberta no mundo”, disse Hélio Costa. Chile, Equador, Venezuela e Cuba também consideram a possibilidade de utilizar o ISDB-T.

A Brasileira Filmes anunciou a contratação de cinco novos diretores e a criação das áreas de gestão de projetos e marketing. O objetivo é oferecer um núcleo de inteligência multidisciplinar para a produção de conteúdo para a publicidade, entretenimento e cultura. Gustavo Brandau, João Flores, Patrícia Batittucci, Lucas Gontijo e Rodrigo Sobreiro são os novos diretores de cena da casa. Vera Nunes é responsável pela formatação e comercialização dos projetos de cultura e entretenimento. Rose Jimenez chega para coordenar a produção e Ana Barbieri (ex-MTV Brasil) assume a área de marketing. Entre os atuais trabalhos da produtora está o projeto Restaurando o Cinema Brasileiro, em parceria com o Instituto Anselmo Duarte, que compreende a restauração de 22 filmes da carreira do prestigiado ator e cineasta Anselmo Duarte. A produtora ainda trabalha no longa-metragem “Os Manos”, baseado nos jovens personagens Piolho, Preto Jóia e Cabeção do programa da Rádio 89 FM que passam por situações hilárias vividas na periferia de São Paulo. Além disso, entrará em produção um documentário sobre a vida de Costanza Pascolato, um dos ícones da moda no Brasil, e um programa para televisão, com conteúdo contemporâneo, que será apresentado pelo estilista Alexandre Herchcovitch e captado em HD e por câmeras de celular.

Equipe da Brasileira Filmes: produtora contrata novos diretores e cria novas áreas.


( scanner) FOTOs: divulgação

Folhetim adolescente

Uma das duplas brasileiras que participa da versão latino-americana do reality “The Amazing Race”.

Corrida latina O canal Discovery Channel estreia no domingo, 20 de setembro, às 22h, a versão latino-americana do reality show “The Amazing Race”, formato da Disney. A produção é da argentina RGB Entertainment, com o auxílio de parceiros locais nos países por onde a produção passou. No Brasil, a produtora parceira foi a gaúcha Farofa Filmes. Segundo o diretor artístico do programa, Patricio Rodriguez, mais de 250 pessoas estavam envolvidas na produção, sendo 90 fixas e as outras nos países participantes. Foram 25 dias de gravações, que foram realizadas em alta definição. “Nós fizemos a nossa própria corrida”, conta Rodriguez. O programa será exibido no Discovery Channel, mas não será transmitido pelo Discovery HD Theater, o canal do grupo em alta definição. Ao longo de 13 episódios, o programa acompanha 11 duplas formadas por participantes de sete países latinos realizando provas em 20 cidades de nove países da região. Entre essas 11 duplas, duas são brasileiras: uma é formada pelos amigos Carlos Tavares e Daniel Mastroiano, e outra pelo casal Anna Arestivo e Rodrigo Alegro. A dupla vencedora recebe um prêmio de US$ 250 mil. A apresentação da versão latina é do jornalista mexicano Harris Whitbeck. Uma cota de patrocínio máster com abrangência panregional foi comercializada para a marca Visa, que inclui ações dentro do programa. Há ainda duas cotas de veiculação panregionais da GM e Red Bull.

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A novela teen “Isa TKM”, produzida pela Sony Pictures para o canal infanto-juvenil da Viacom, Nickelodeon, será exibida também na TV aberta pela Band. De acordo com a diretora artística e de produção da Band, Elisabetta Zenatti, a emissora aposta na atração porque é um produto de enorme sucesso que ultrapassa os limites da televisão, com músicas e shows. A executiva afirma que a experiência da Band com “Floribela” foi positiva e que a emissora quer aproveitar o histórico com produtos infanto-juvenis. Neste fim de semana, o elenco da novela teen faz shows em São Paulo e Rio de Janeiro e participa nos próximos dias dos programas da Band. A emissora ainda não divulgou a data para a estreia e horário para a exibição. “Isa TKM”, produzida pela Sony Pictures para o Nickelodeon, ganhará exibição na TV aberta pela Band.

Locadora online A NetMovies, locadora online brasileira, lançou em agosto um serviço de streaming de filmes direto de seu site na Internet e já está testando internamente protótipos de set-top boxes capazes de fazer streming de conteúdos direto para a televisão do cliente. Segundo o CEO da empresa, Daniel Topel, a expectativa é que o serviço seja lançado comercialmente ainda em 2009. “Nossa caixa será fácil de instalar e de usar e elimina a necessidade do computador. Basta conectá-la na Internet via cabo Ethernet ou Wi-Fi e ligá-la na TV”, conta Topel. O set-top virá equipado com saída de áudio digital e saídas de vídeo AVI, HDMI e S-Video. “Estamos próximos da escolha do fornecedor do equipamento e nossa ideia é que o preço da caixa no Brasil fique abaixo dos R$ 300”, revela. O modelo da NetMovies foi inspirado na norte-america NetFlix, que além de oferecer o serviço de streaming com o set-top box Roku Digital Video Player, também tem acordo com Xbox 360, TiVo, LG e Samsung para oferta direta nos devices de conteúdos digitais como filmes e séries de TV. Nos EUA, o Roku custa US$ 99,99.

Telejornal em pauta O livro “Inovação no Telejornalismo: o que você vai ver a seguir” (EspaçoLivros) é o resultado de uma longa pesquisa de Carlos Tourinho sobre os processos históricos da evolução dos meios de comunicação, sobretudo da televisão e de seu gênero telejornal. O autor procura responder à questão: por que ocorrem inovações no telejornal (ou em qualquer outro meio de comunicação), quem define as mudanças e como elas são aplicadas. A pesquisa aponta as tendências para as futuras inovações e, mais do que isso, as Livro aborda as inovações e as estratégias que servirão para um novo modelo de estratégias que orientarão a orientação na hora de se programar o telejornal. programação do telejornal. T e l a

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www.aja.com

“AJA hace todo el proceso más fácil.”

Keith Collea Co-escritor y Productor, The Gene Generation

Desde captura a conversión, Keith Collea’s línea de post producción completamente confía en AJA y su interior. Con un currículo de trabajo en blockbuster como Alien:Resurrection; Independence Day y Pearl Harbor; el veterano de efectos y post producción ha usado productos de AJA por mucho tiempo. La línea entera de post producción de Collea depende de los productos AJA que incluyen Kona, IoHD y Convertidores. “Yo soy un gran fan de AJA” dice Collea.

• 10-bit, Llena-resolución SD/HD a través de FireWire • Apple ProRes 422 codec a través de la placa; HD720/1080, SD NTSC/PAL • Conversión alta/baja y cruzada a través de la palca y en tiempo real • Conexión vía un solo cable de Firewire a un MacBook Pro o MacPro

I o H D .

B e c a u s e

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En su más recenté producción de película; The Gene Genaration, Keith escoge el IoHD como la pieza central de un sistema de proyección movible usando el IoHD, una Apple Intel MacBook Pro y un G-Tech G-DRIVE, fue posible crear un sistema que hiso la proyección de la película a través de un proyector Sony digital cinema sin el uso de alguna reproductora de cinta, el nos explica. “Nos ahorro tiempo y dinero y la calidad del imagen fue mejor que si se hubiera usado cinta. Fue increíble. Encuentre mas información de cómo Keith usa los productos de AJA para mejorar su trabajo, lea los detalles completos en www.aja.com/keith

m a t t e r s .


( scanner) Aniversariante comando de Fernando Pelégio, criou vinhetas novas para os programas infantis (“Bom Dia & Cia.”, “Carrossel Animado”, “Sábado Animado” e “Domingo Animado”) e do “Cinema em Casa”, além da animação temática de comemoração do aniversário do canal, com os apresentadores da casa em situações inusitadas. Também em agosto, o SBT passou a ser distribuído na plataforma de DTH da Sky, inicialmente para 75% da base de assinantes. A mudança é importante porque o SBT era a emissora de TV aberta que mais resistia a ter seus sinais transmitidos por operadoras de TV paga, exceto nos casos previstos em lei (operações de TV a cabo).

FOTOs: divulgação

O SBT completou 28 anos em agosto e comemorou com algumas novidades na programação, com as estreias dos programas “Um Contra Cem”, de Roberto Justus (em 16 de setembro), e da atração dominical da apresentadora Eliana, além de filmes inéditos, e na Internet. A home page da emissora (www.sbt.com.br) foi reformulada. Com o novo desenho, o espaço de conteúdo exclusivo aumentou em 340%. Conteúdos em vídeo, como reportagens, programas na íntegra, melhores momentos ou trechos inéditos na TV, continuam sendo exibidos em uma área nobre, mas com maior destaque através de uma playlist randômica. O departamento de criação visual, sob

Vinhetas criadas para o aniversário do SBT, com apresentadores da emissora.

Sem perder a majestade O Projeto Inter-Meios, Participação no bolo publicitário relatório de investimentos em mídia no País, divulgou dados Revista 7,20% Internet 4,8% referentes ao primeiro Rádio 4,56% semestre de 2009, indicando bom desempenho do meio televisão. Enquanto o mercado Jornal 15,37% publicitário fechou os primeiros Televisão seis meses do ano com 60,19% crescimento de 1%, a TV Mídia Exterior 3,11% aberta cresceu 3,9%, Guias e listas 1,78% ampliando sua participação no Cinema 0,33% share para 60,19% (o índice TV por assinatura 3,38% era de 58,8% no final de 2008). Fonte: Inter-Meios, agosto/2009 A TV por assinatura cresceu 4,8% neste período, mas apresentou pequeno decréscimo na participação, caindo de 3,7% para 3,4%. A Internet apresentou o maior índice de crescimento, 22,8%, conquistando participação de 4,8% no bolo publicitário. O segundo meio que mais cresceu foi a mídia exterior (12,4%), alavancada pela expansão da mídia digital out-of-home, que cresceu 68,3%. O cinema teve queda de 5,4%.

“Titãs - A Vida Até Parece Uma Festa” estreia faixa de documentários musicais na MTV.

Doc musical A MTV Brasil estreou em setembro uma faixa dedicada à exibição de documentários musicais: sábados, às 23h30. Segundo o canal, a ideia é mesclar documentários nacionais e internacionais. A estreia foi com o nacional “Titãs - A Vida Até Parece uma Festa”, de Branco Mello e Oscar Rodrigues Alves, produzido pela Academia de Filmes e pela Casa 5. O longa, que estreou em 2008 nos cinemas, conta a história da banda com entrevistas, imagens de arquivo e, principalmente, imagens captadas por Branco Mello ao longo da carreira dos músicos.

Uma garota e uma arma O brasileiro João Paulo Miranda Maia foi o vencedor do Mobile Phone Movie Competition, concurso de filmes para celular promovido pelo programa “The Screening Room”, do CNN International. Miranda é de Rio Claro, interior de São Paulo, faz mestrado na Unicamp e integra o Grupo de Pesquisa e Prática Cinematográfica Kino-Olho. Para produzir a história de suspense de dois minutos e meio intitulada “A Girl and a Gun”, o cineasta inspirou-se na frase do cineasta francês Jean-Luc Godard: “Tudo que você precisa para um filme é uma garota e uma arma”. No segundo e terceiro lugares, ficaram respectivamente os ingleses Chris Glover, Tom Robinson e Mark Wilkinson, por “Hidden Features”, e o também inglês Benjamin Borley, por “Memory of Childhood”.


Conteúdo A Film Planet lançou seu primeiro trabalho com o selo Content, braço de conteúdo da produtora. Trata-se do DVD “Sou Meninos do Morumbi”, sobre o projeto feito com crianças carentes de Paraisópolis, em São Paulo. Com direção de Flávia Moraes, o doc-show foi gravado em Paraisópolis e no Auditório do Ibirapuera, onde os meninos se apresentaram em 2007 com Sandra de Sá, Falamansa, bateria da Mocidade Alegre, entre outros artistas. O vídeo, que recebeu apoio da Garoto para a realização, pode ser visto no site DVD dos Meninos do Morumbi é o primeiro trabalho a www.meninosdomorumbi.org.br. levar o selo Content, braço de conteúdo da Film Planet.

Programetes patrocinados A Sony Pictures Televison, programadora responsável pela comercialização de publicidade dos canais Animax, AXN, A&E, Cinemax, E!, HBO, HBO2, MGM, History Channel e Sony Entertainment Television, criou uma nova modalidade de comercialização de seus espaços publicitários. A programadora começa a oferecer, a partir da próxima semana, o projeto Sob Medida, formado por programetes patrocinados criados de acordo com a necessidade do anunciante. Para isso, a Sony negociou parcerias com produtoras que receberam o desafio de desenvolver programetes com até dois minutos de duração, sobre temas que se encaixem com

“Fora de Casa”, vencedor do pitching do GNT em 2008, estreia em setembro.

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a realidade do mercado de anunciantes atuais. Os temas dos programetes são relacionados a diversos segmentos, para que cada patrocinador possa escolher aquilo que corresponde ao perfil da marca. Segundo a programadora, a estrutura, a linguagem, o número de episódios, o tempo de duração e o custo de cada um dos programetes são sob medida, variam de acordo com as necessidades de cada possível anunciante. A nova modalidade de comercialização conta com 140 projetos estruturados que abrangem 14 setores, entre eles: música, telefonia, educação & cultura, alimentos, moda e acessórios, eletroeletrôni­ cos, saúde, conectividade, bem-estar.

Mulheres em alta O GNT estreia em setembro uma das atrações que venceu o pitching do canal no ano passado: “Fora de Casa”, da Plano Geral Filmes. Em 13 episódios de uma hora, a série mostra a vida de 13 brasileiras em 13 países diferentes. O projeto vencedor do pitching de 2007, que foi exibido pelo canal em junho de 2008, o documentário “Noivas do Cordeiro”, da mineira BemVinda Filmes, está fazendo carreira em festivais. A comunidade no interior de Minas Gerais em que mulheres que decidiram viver uma vida sem religião eram discriminadas, tem se beneficiado com a exposição na televisão. Suas moradoras abriram uma loja em Belo Horizonte. Elas também serão tema da próxima montagem da Companhia de Dança do Palácio das Artes, que fará uma coreografia baseada na história das mulheres da comunidade. Para completar, estão tentando aprovar nas leis de incentivo um projeto para a construção de um Centro de Cultura em Noiva de Cordeiro. V i v a

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FOTOs: divulgação

( scanner) Curta no bolso

Paulo Sanna, Fernando Teixeira, Tarcila Steter, Cris Rother, Eduardo Bicudo e Terrence Reis, da Wunderman: meta de crescimento de 25% em 2009.

Múltiplas plataformas A Wunderman, agência do Grupo Newcomm, encerra o primeiro semestre de 2009 com crescimento de 24%, em relação ao mesmo período no ano anterior. A meta é finalizar 2009 com 25% de crescimento, 10% a mais do que o previsto inicialmente. De acordo com Eduardo Bicudo, presidente da Wunderman no Brasil, o resultado acima da expectativa deve ser atribuído a vários fatores, como o aumento expressivo dentro dos negócios dos próprios clientes, a conquista da conta de comunicação digital de todas as marcas da Perdigão e ao atendimento da demanda internacional por produção de campanhas. Para atingir as metas, a agência tem investido na contratação e promoção de profissionais e criação de novas unidades de negócio, além de intensificar a utilização de multiplataformas com desdobramentos em programa de TV, site na Internet, ações de marketing direto, de marketing de guerrilha e outras mídias. Entre os novos contratados e promovidos estão Cris Rother, ex-sócia da agência LOV - A Nova Geração, que assume como vice-presidente de mídia; Tarcila Steter foi promovida de diretora de tecnologia para vicepresidente de operações e tecnologia; Terrence Reis chega para dirigir a área de mobile marketing e Fernando Teixeira foi promovido ao cargo de vice-presidente de atendimento.

Concurso animado O Cartoon Network lançou no seu site oficial a ferramenta Cartoon Movie Maker, para que as crianças escolham um entre três desenhos animados do canal e criem seu próprio storyboard misturando cenas já prontas. As histórias estão disponíveis no site para que os visitantes acessem e votem em suas favoritas. Aquela que for a campeã de votos será animada pelos profissionais do Cartoon Network e transformada em uma vinheta de 30 segundos, exibida a partir de 12 de outubro.

A Ioiô Filmes Etc, em uma parceria com a integradora Compera nTime, levou seis curtas de seu portfólio para o Minha TV, serviço de conteúdo audiovisual da Claro. “Alguma Coisa Assim”, “Perto de Qualquer Lugar”, “Vibra Call”, “Tapa na Pantera”, “Saliva” e “Espalhadas Pelo Ar” estão disponíveis para clientes da operadora que utilizam o serviço. “A renda é pequena, mas é uma forma de rentabilizar o curta-metragem, que geralmente tem a vida restrita a festivais”, explica Daniela Conde, coordenadora de projetos da produtora. “Não queremos deixar nossos curtas na gaveta. Eles são o tipo de produto ideal para as novas plataformas, pelo formato curto”. Segundo Daniela, a Ioiô “Saliva”, um dos seis curtas tem uma parceria com a distribuidora Elo Audiovisual para levar curtas-metragens para a venda em varejo em DVD. Projeções holográficas No início de setembro, a produtora anunciou parceria com a Uau Mídia, empresa de tecnologia voltada para a publidade, para oferecer para o mercado brasileiro know-how para a captação de imagens para projeções holográficas que atendam produções multiplataforma. A tecnologia de projeção holográfica permite que pessoas interajam em um mesmo vídeo, mesmo estando distantes. A produtora oferecerá aos profissionais de comunicação ações de convergência além de complementar as campanhas de formato tradicional. A Ioiô já negocia projetos de multiplataforma com emissoras de TV, nacionais e internacionais, e agências de publicidade.

Coisa de homem

“Lado H”, programa sobre o universo masculino, que estreou

O Fashion TV Brasil, canal programado pela Turner, estreou em setembro o programa “Lado H”, sobre o universo masculino. O radialista Daniel Daibem apresenta a atração, que aborda sob o ponto de vista dos homens temas como cerveja artesanal, solterice convicta e surfe. A consultoria em estilo masculino fica por conta de Lula Rodrigues, que faz uma participação especial em todos os episódios. Produzido pela MZ Filmes com recursos incentivados (Artigo 39), o programa de 13 episódios de meia hora tem direção de Ricardo Whately e roteiro e criação de Carolina Margone. O programa vai ao ar às quintas-feiras, às 21h, com reprise às sextas-feiras (19h) e sábados (11h30). 12

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Expansão platinada

Equipe interativa

A Globo Internacional, canal dedicado aos brasileiros que moram no exterior e falantes do português em todo o mundo, completou dez anos e anunciou novidades. Uma é a entrada para o pacote do FiOS, serviço de TV paga por IP (em fibra óptica) da Verizon, nos EUA. Com isso, o canal passa a ser distribuído por 53 operadoras de cabo, DTH e IPTV em 115 países. Nos EUA a Globo Internacional é distribuída agora por nove operadoras. O diretor da área internacional da Globo, Ricardo Scalamandré, também anunciou no encontro que a partir de 2010 o canal terá um novo feed. Hoje são quatro sinais distintos, para as Américas, Portugal, Europa/África e Ásia (Japão), devido principalmente às diferenças de fuso horário. No caso de Portugal, o feed exclusivo existe por conta das novelas da Globo, que são exibidas no país pela SIC, e portanto não poderiam ser exibidas simultaneamente no canal internacional. O novo feed será exclusivo para a África, que hoje recebe o mesmo sinal da Europa. Isto porque grande parte da publicidade do canal é gerada e destinada ao público africano, sobretudo de Angola, onde o canal tem 175 mil assinantes, em uma base total de 550 mil clientes. O canal também tem um programa criado no país, o “Revista África”, que passará a ser exclusivo do feed africano.

A BossaNovaFilms anunciou no início de setembro sua divisão de interatividade. Segundo Irma Palma, uma das sócias da produtora, a área surge para atender à necessidade do mercado de encontrar uma produtora que tivesse know-how Irma Palma e Eduardo Tibiriçá, da BossaNovaFilms, com o time tecnológico para da área de interatividade ao fundo: Guilherme Almeida, desenvolver projetos Alexandre Souza, Gabriel Laet e Paulo Perez. interativos de dos projetos; Gabriel Laet, campanhas encarregado da programação; transmídia. “A produtora, como um Guilherme Almeida, que cuidará da elo da cadeia produtiva, precisa integraçaõ entre design e dominar também a tecnologia, programação, e Paulo Perez, diretor porque ela passa a ser ferramenta interativo da nova área e indispensável e, em algumas responsável pela direção artística campanhas é até mais importante dos projetos. “É importante destacar que o conteúdo audiovisual”, que existe integração da nossa acrescenta o sócio Eduardo Tibiriçá, equipe e da produção. Podemos usar contando que no primeiro semestre os talentos da produtora também de 2009, o desenvolvimento de para a área de interatividade. conteúdo audiovisual para novas O investimento do cliente vai ser mídias, sem o desenvolvimento da único”, destaca Perez. parte tecnológica, representou 10% A equipe da área interativa do faturamento da produtora. desenvolverá projetos para clientes A equipe de interatividade da nacionais e internacionais da BossaNovaFilms, apta a produzir BossaNovaFilms tanto na área de projetos interativos que incluam publicidade como de hotsites, advergames e aplicativos, entretenimento. De acordo com por exemplo, é composta por Irma, alguns projetos já estão profissionais que deixaram a agência sendo orçados, um deles para os Gringo: Alexandre Souza, Estados Unidos. responsável pela identidade visual

Revisão O crescimento da Rede Globo em 2009 deve ser de 5% a 6% em relação a 2008, projeção um pouco abaixo dos 7% previstos anteriormente, segundo o diretor geral da Central Globo de Comercialização, Willy Haas Filho. “A crise não foi tão grande no Brasil como em outros países. É claro que todo o mercado publicitário sofre, é como um ecossistema, mas a TV sofre menos”, afirma. Para o último quadrimestre do ano e para 2010 as expectativas são positivas. “Para este ano, há sinais de recuperação da economia. Ano que vem será um ano auspicioso. Acreditamos que vamos conseguir crescer mais do que em 2009”, diz Haas, lembrando que em 2010 acontece a Copa do Mundo de Futebol.

Celebridades do esporte O grupo Trace, que programa o canal musical Trace.TV, distribuído na África, Europa, América do Norte e Caribe, apresentou na ABTA, evento de TV por assinatura que aconteceu em agosto em São Paulo, o canal em alta definição Trace Sports. A programação do canal está voltada para o estilo de vida de celebridades do mundo do esporte. Segundo Liz Polania, representante do canal no Brasil, o Trace Sports, com lançamento previsto para o segundo trimestre de 2010, chamou a atenção dos operadores brasileiros pela temática que se diferencia dos demais canais de esporte e pelo fato de ser em HD. T e l a

Novo canal do grupo Trace está focado no estilo de vida das celebridades do esporte, como o jogador de basquete Tony Parker.

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Mercado Internacional

Filmes comerciais

Com o objetivo de entrar no mercado publicitário internacional, a Animaking Produções, especializada em animação em stop motion, contratou Howard Cohen como produtor executivo e representante para negócios internacionais.

Vitor Mafra, que tem passagens pela MTV, O2 Filmes e Movie&Art, integra a equipe de diretores da Tamborim Filmes. Mafra dirigirá filmes comerciais exclusivamente pela produtora. O profissional também atua na Ioiô Filmes Etc. com projetos de cinema e conteúdo.

Marketing O SBT promoveu Priscila Stoliar, analista sênior de marketing, à gerência da área. A profissional assumiu a liderança da área, vaga desde que Manoel Mauger, ex-diretor de marketing da emissora, deixou o SBT no início deste ano. No período entre a saída de Mauger e a promoção de Priscila, a área de marketing reportava-se ao diretor comercial da emissora, Henrique Casciato.

Cena A Dínamo Filmes reforça o seu time de diretores de cena com a contratação de Johnny Araújo. O profissional tem experiência em filmes publicitários, cinema e televisão. Foi um dos diretores da série “Alice”, da HBO.

Promoção Thiago Balma é o novo atendimento da Zeppelin Filmes. O profissional entrou para o time da produtora em 2008 como assistente da equipe liderada por Breno Castro, sócio e diretor executivo da Zeppelin.

Mudanças Thiago Balma

Captação A Mixer contratou Ana Flora Camargo (ex-Columbia/Buena Vista International) como gerente de captação da produtora. Ela tem a missão de organizar a área de captação dentro do grupo.

Diretores A Ilegal FX, empresa de efeitos, animação e pós-produção do Grupo INK, anuncia três novos diretores: Thiago Eva, Ricardo Balduino e Raquel Falkn. Thiago, com passagens Thiago Eva, Raquel Falkn e Ricardo Balduino pela Casablanca, Conspiração e S Filmes, irá trabalhar em filmes digitais na Ilegal. Balduíno já trabalhou em pós-produção no SBT, e em agências como Leo Burnett, Lew Lara TBWA, O2 Filmes e TV9 da DM9DDB. Antes de chegar à Ilegal, Raquel trabalhou por dois anos no estúdio Nakd como diretora de arte e animadora. Passou também pelo Estúdio Lobo. 14

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Maximiliano de Lacerda, vicepresidente de atendimento da McCann Erickson passa a gerir a unidade carioca da agência. O escritório do Rio de Janeiro passa por mudanças e deve trabalhar mais integrado a São Paulo, tendo participação efetiva dos líderes de todas as áreas da unidade paulista. Outra mudança é a saída de Ângelo Franzão, que deixou o cargo de Maximiliano de Lacerda vice-chairman do McCann World Group, posto que ocupava desde o final de 2008. Antes disso, o profissional havia trabalhado durante 30 anos na agência, sempre na área de mídia. Atualmente, Franzão é o presidente do Grupo de Mídia de São Paulo. Sua gestão se encerra em 2010.

Diretora Vicky Zambrano passa a integrar o time de executivos da Turner Broadcasting System Latin America como diretora do canal Boomerang para a América Latina e consultora para o Fashion TV em questões de programação e desenvolvimento do canal de forma geral. Antes de entrar para a Turner, Zambrano passou 11 anos em cargos de gestão nas áreas de programação e aquisição na HBO Latin America e dois anos gerenciando vários canais da Discovery Networks para América Latina, incluindo People + Arts, Discovery Home and Health e Discovery Travel and Living. •

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Fotos: divulgação

( figuras)


Foto: ricardo ferreira

Sindicato O advogado Canindé Pegado é o novo presidente do Sincab, o sindicato dos trabalhadores da TV por assinatura. Ele assume no lugar de Valdo Soares Leite, falecido em julho. Pegado é membro titular do CODEFAT - Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador e Secretário Geral da União Geral dos Trabalhadores – UGT.

Atendimento A Black Maria contratou Cibele Nunes (ex-Iniciativa Filmes) como reforço para o atendimento do escritório de Porto Alegre, que atende os mercados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

Distribuição Lara Andrade, diretora de business affair da MTV Brasil, assume também a área de distribuição, responsável pela negociação da programação do canal com operadores de TV por assinatura e relacionamento com afiliados e outras plataformas (mobile, Internet e rádio). Também na MTV, Sandra Lara Andrade Jimenez deixa a área de conteúdos digitais para tocar Sandra Jimenez projetos na Abril digital.

Foto: ricardo ferreira

André Godoi integra o time de diretores de cena da Prodigo Films. O criativo tem passagens pela AlmapBBDO, Santa Clara, Loducca e Giovanni Draftfcb. Godoi já havia participado do desenvolvimento do roteiro do longa-metragem “Estação Liberdade”. Agora, além de projetos de publicidade, o profissional trabalhará também com conteúdo.

Foto: May Edelstein/Divulgação

Criativo


( tv por assinatura)

Samuel Possebon*

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Um ano depois do início do problema, as caixas piratas como o AZBox continuam oferecendo “TV por assinatura grátis” com os canais disponíveis no line-up da Telefônica. O problema aflige, sobretudo, os pequenos operadores de cabo.

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As flores piratas

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que acontece por semana. É difícil apurar a quando a TV paga exatidão dos números, pois a deixa de ser maior parte da importação se paga? É essa a dá de forma clandestina. Um pergunta que levantamento rápido pela aflige operadores e Internet revela centenas de programadores nos últimos sites vendendo os meses, desde que se descobriu equipamentos e inúmeros que as pessoas estavam fóruns de discussão. Um deles, conseguindo assistir a o AZBox World, tinha em conteúdos pagos oferecidos setembro, nada menos do que pelo DTH da Telefônica por 19,4 mil membros. Outro, o meio de equipamentos AZSat, tinha 51 mil membros. clandestinos. Muitas marcas Isto representa apenas uma circularam e circulam no pequena parcela das inúmeras mercado. A mais famosa deu comunidades existentes de nome ao problema: AZBox. troca de informação sobre as Set-tops piratas são vendidos livremente no comércio e na Internet. Operadoras e programadoras cobram ação da Telefônica e do governo. Mas essa é apenas uma das caixas piratas. A pirataria do opções existentes no mercado. AZBox e similares é conver­ Este não foi o primeiro e cada vez mais sofisticada”, diz Antônio gente, pois necessita necessariamente dificilmente será o último caso de Salles, diretor da operadora Viacabo e da da Internet. É por meio desses fóruns pirataria de TV paga no Brasil, mas é comissão de combate à pirataria da ABTA. que circulam os arquivos que um dos mais graves de que se tem O problema é mais crítico na região Sul precisam ser periodicamente registro no país. O que dá ao AZBox e do País, pela proximidade da fronteira com instalados nas caixas para que o sinal a outros equipamentos similares um o Paraguai, por onde entra a maior parte possa ser descriptografado. No jargão contorno tão preocupante é, de um das caixas clandestinas. O presidente da de usuários dessas caixas, quando os lado, o potencial representado pela Sky, Luiz Eduardo Baptista, deu um canais estão descriptografados, “os escala do mercado no Brasil e, de número durante a abertura do Congresso jardins ficam floridos”. outro, o fato de ser uma pirataria de ABTA 2009, em agosto, que dá a medida A maior parte das pessoas que sinais que atinge todas as mais do problema. “No Sul, vendemos 28% a compram o AZBox prefere não fazer importantes programadoras nacionais menos do que no resto do país. Isso só por conta própria esse procedimento, e estrangeiras atuantes no país. A lista pode estar associado à opção pirata”, diz. que envolve conhecimentos de de programadores cujos sinais estão Mas o grande problema está mesmo informática. Então, boa parte das sendo distribuídos “gratuitamente” com os pequenos operadores de cabo, que pessoas inscritas nos fóruns de por meio dessas caixas piratas vai de não têm os recursos de marketing nem a discussão são, na verdade, Globosat a HBO. Com isso, o efeito da tecnologia da Sky para compensarem a revendedores das caixas e que pirataria atinge todos os operadores concorrência desleal do serviço “gratuito”. prestam o serviço de atualização do (pois todos têm em seus pacotes os Segundo Marcelo Sokolowski, diretor da software a seus clientes, muitas vezes mesmos canais da Telefônica). operadora de cabo Televigo, que opera nas cobrando pequenas taxas de “Agora é que estamos conseguindo cidades paranaenses de Pato Branco e manutenção pelo serviço. fazer uma medição mais precisa do Marechal Rondon, os grandes fornecedores problema. O que já sabemos é que paraguaios que enviam as caixas AZBox e Baixo custo muitas operadoras estão sofrendo similares para o Brasil falam abertamente Sokolowski, da Televigo, lembra uma concorrência feroz e que está em números entre 15 mil e 20 mil caixas que há um ano as caixas começaram

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FOTO: Marcelo Kahn

a chegar ao país por R$ 1,2 mil. Hoje, diz ele, o produto é facilmente encontrado no Paraguai por R$ 300, e chega ao Brasil, nas cidades próximas à fronteira, por até R$ 500. “Quem trazia whisky e vinho do Paraguai agora está trazendo AZBox”, diz o operador de cabo. “Eu não consigo mais vender nada além do pacote básico, que as pessoas contratam para ter o sinal da TV aberta local e para ter a Internet. Então, posso não estar perdendo base, mas meus clientes estão gastando muito menos do que antes do AZBox”, diz Sokolowski. Relato semelhante é feito pela operadora Master Cabo, do grupo RBC, que opera em oito cidades de Minas Gerais. “Pagar para ter TV a cabo aqui em Montes Claros virou motivo de gozação. Tem loja vendendo AZBox até em shopping aqui na cidade, com nota fiscal. Por que é que o sujeito vai pagar uma mensalida­ de?”, diz Roberto Machado, diretor da operadora mineira. Um operador de uma pequena cidade do interior diz que ao procurar a polícia para reclamar da concorrência desleal, descobriu que até o delegado era usuário do serviço pirata, aparentemente sem saber que estava realizando um crime. O problema é complexo, pois muitas lojas comercializam o equipamento com nota fiscal. Até uma caixa produzida no Brasil, pela Telesystem (modelo F1.2) é citada em diferentes fóruns como capaz de decodificar o sinal do DTH da Telefônica. A compra e venda das caixas em si, a não ser quando entram no Brasil ilegalmente, não configura crime. São irregulares para o serviço de TV paga, pois não são certificadas pela Anatel, mas não representam nenhuma infração legal. O crime se dá quando se baixa a chave de decodificação para o módulo de acesso condicional, infringindo a propriedade intelectual da

tecnologia de acesso condicional e do são remunerados para isso. Por trás conteúdo. O que os piratas conseguiram de uma quebra de acesso fazer foi replicar o acesso condicional da condicional de empresas como a Nagra no hardware do equipamento e Nagra (a maior fornecedora mundial gerar as chaves que servem para desfazer desse tipo de tecnologia, com mais a criptografia do sinal. Para habilitar a de 114 milhões de caixas em caixa pirata, a chave precisa ser colocada funcionamento) está o esforço de pelo usuário, por meio de entradas USB ou desenvolver produtos como o AZBox, de cabo serial do set-top. Em uma que possam render lucros para operação regular de TV paga, a chave vem alguém. Ainda que as caixas piratas pela própria operadora. em geral sejam Esse tipo de quebra de produzidas na China e fornecedores segurança do acesso calculam que 15 tenham seus condicional já aconteceu componentes com diferentes tecnologias mil a 20 mil caixas produzidos em países entrem no brasil asiáticos, o esforço e a no mundo todo. No Brasil, no final da década de 90, a todos os meses. coordenação para DirecTV foi vítima duas chegar conhecer vezes de quebras desse tipo. Na ocasião, o completamente a tecnologia a ponto acesso condicional era da NDS, a maior de quebrá-la são globais. concorrente da Nagra. O fato é: nenhum acesso condicional está imune a quebras. Escala nacional É só uma questão de tempo e O que justifica tanta mobilização é investimento por parte de quem planeja o a escala. Nesse sentido, a entrada da crime. Em geral, o trabalho é demorado e Telefônica no mercado de DTH caro, pois os sistemas de criptografia e ajudou a formar a tempestade, pois a proteção dos sinais estão ficando cada vez tele optou pela distribuição via satélite mais sofisticados. em toda a América Latina com uma O trabalho em geral se dá por meio de tecnologia única e, mais importante, um esforço de engenharia reversa, em que montou um pacote de canais com a tecnologia a ser quebrada é detalhada­ tudo o que existe no mercado, mente examinada, com a ajuda de micros­ incluindo os canais premium de cópios eletrônicos e outros instrumentos filmes, o conteúdo da Globosat, o paysofisticados. Depois, é preciso conhecer per-view do Campeonato Brasileiro e todo o processo lógico pelo qual o software até o sinal da TV Globo na capital de criptografia interage com o hardware paulista e interior do Estado. do equipamento. A quebra desses sistemas Durante a ABTA 2009, esse foi o só é possível porque há intensa troca de tema que dominou as discussões informações via Internet entre diferentes mais acaloradas no painel de especialistas e hackers até que se chegue abertura, e foi a primeira vez que o ao domínio total da tecnologia. No caso da problema, existente há mais de um Nagra, o acesso condicional que foi ano, foi tratado abertamente. Na quebrado (conhecido pelo nome Nagra ocasião, Leila Loria, diretora geral da 110) é antigo e vem sendo TVA no Brasil, lembrou que esse é estudado pelos hackers há um problema que envolve não apenas muito tempo. a Telefônica, mas a própria Nagra e a Tanta complexidade requer polícia, pois se trata de um crime. muito investimento. Não é “No Brasil, já vimos esse tipo de trabalho apenas de garotos em situação em outras ocasiões, como foi garagens, mas de técnicos que o caso da DirecTV, que trocou duas vezes os cartões”, disse Leila. “Muitas operadoras sofrem Como a programação da uma concorrência feroz e Telefônica é a programação de toda a cada vez mais sofisticada.” indústria, a preocupação de pequenos, médios e grandes Antônio Salles, da Viacabo

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( tv por assinatura) “Pirataria é um problema que todos os fabricantes e operadores enfrentam em algum momento.” Thierry Martin, da Nagra

para cada tipo de equipamento pirata. Com isso, algumas caixas deixaram, definitivamente, de funcionar, mas outras (inclusive o AZBox), que contam com equipes de “desenvolvimento” mais sofisticadas, logo tornaram disponível, via Internet, atualizações do firmware. Hoje, a Nagra faz uma atualização do software a cada seis ou sete dias. Em geral, em até 24 horas os piratas conseguem colocar uma nova versão na Internet, pelo menos para as caixas mais populares, e isso leva de três a quatro dias para se disseminar completamente em diferentes fóruns de discussão até que as caixas estejam operando novamente. Então vem uma nova versão, e o ciclo recomeça. Isso tem um custo grande para a Nagra e para a Telefônica, que precisam mobilizar equipes e administrar esses procedimentos de atualização de software, mas também tem um custo para os piratas. O principal ganho dessa política de gato e rato é passar insegurança para quem compra o equipamento clandestino. Nos fóruns, é comum encontrar consumidores que compraram as caixas piratas insatisfeitos, reclamando da constante necessidade de atualização do software ou da indisponibilidade da chave para modelos específicos. Ainda assim, o problema é sério e está longe de ser resolvido. Os pequenos operadores cobram especialmente uma ação da Anatel. Dificuldades Um grupo de 13 empresas de TV por assinatura encaminhou no começo de agosto um ofício à Anatel pedindo que a agência exija da

“É uma briga de gato e rato. O pirata é o rato que deu uma escapada agora.” Alberto Pecegueiro, da Globosat

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Telefônica providências para que seu sinal do DTH não seja captado por caixas como a AZBox. O ofício também foi encaminhado à ABPTA (Associação Brasileira de Programadores de TV por Assinatura), à ABTA e ao SETA (sindicato patronal do setor). As 13 signatárias da carta são: Sidy’s TV, TV Cabo Mix, Giga TV, Cabo Serviços de Telecom, TV a Cabo Campo Mourão, Televigo TV a Cabo, GTV, Editora Diário da Amazônia, Master Cabo, Ina Telecom, EGTV, Ibituruna TV e Cabo Visão. Segundo apurou TELA VIVA, uma das grandes dificuldades da Telefônica para resolver o problema definitivamente é o fato de que a operação de DTH do Brasil é administrada, do ponto de vista técnico e tecnológico, do Peru, onde está o headend e o centro de operações. As decisões são tomadas por lá, em conjunto com a Espanha, o que torna as decisões mais lentas. Segundo um interlocutor familiarizado com o processo, essa demora é comum em empresas internacionais, ainda mais em empresas de telecomunicações, que não estão acostumados com problemas como a pirataria de sinais de TV. Segundo Marcelo Sokolowski, a Anatel poderia ser mais dura no combate ao AZBox. “Eu não tenho futebol no meu line-up. Se eu pegar um AZBox e ligar no meu headend com o jogo de futebol do SporTV, no dia seguinte eu sou lacrado pela Anatel. Agora, se as pessoas compram milhares de caixas piratas com todos os canais de graça a Anatel não pode fazer nada?”, protesta o operador de cabo. Para Thierry Martin, diretor da Nagra no Brasil, “o problema de pirataria em tecnologias de acesso condicional é uma realidade que todos os fabricantes e operadores enfrentam conjuntamente em algum momento”. Ele reforça a leitura de que é uma FOTOs: Marcelo Kahn

operadores aumenta à medida que o tempo passa e o problema continua. Por exemplo, pressionar a Telefônica a realizar a troca da tecnologia de acesso condicional, o que, aliás, já está sendo feito para as novas vendas da empresa desde pelo menos abril deste ano. A Telefônica opera em simulcript, o que significa ter dois acessos condicionais operando paralelamente. Os assinantes há mais tempo na base estão no acesso condicional antigo, e os adicionados recentemente já estão na tecnologia nova, que não foi quebrada. Bastaria tirar do ar os sinais com acesso condicional antigo e o problema estaria resolvido. Para isso, é preciso trocar os cartões de acesso condicional dos set-tops, o que envolve um custo significativo, já que cada cartão custa cerca de US$ 10, fora os custos de importação e distribuição. Estima-se que a Telefônica gastaria, para enviar novos cartões aos seus usuários, pelo menos R$ 40 por cliente, com uma base que chega a perto de 400 mil assinantes apenas no Brasil. É possível fazer a troca começando primeiro por assinantes que tenham pacotes mais avançados, com programação mais cara, como os pacotes HBO ou o payper-view do Campeonato Brasileiro, mas a solução definitiva depende da troca total. A Nagra tem feito atualizações periódicas do software de criptografia quebrado como procedimento paliativo, até que seja possível substituir toda a base de assinantes que usa a criptografia vulnerável. Mas rapidamente versões atualizadas da chave tornam-se disponíveis na Internet. Em julho, a fabricante adotou uma nova medida, e alterou a forma como o processo de criptografia funciona. Nesse caso, não basta uma nova chave, mas uma reprogramação completa do equipamento, o que implica troca do firmware, que é específico


questão econômica em que “os criminosos se esforçam para quebrar tecnologias utilizadas por operadoras que tenham grandes bases ou com grande potencial”. Segundo Martin, “no caso específico do AZ Box, o problema foi diagnosticado rapidamente e estamos implementando as medidas necessárias juntamente com nosso cliente, mas não posso dar detalhes por uma questão de sigilo contratual”. A Anatel vai na mesma linha. Procurada por esse noticiário, a agência preferiu não se manifestar, mas informou que já está trabalhando junto a autoridades policiais, Receita Federal e operadores para resolver o problema. Sabe-se, informalmente, que a agência tem exigido da Telefônica medidas para assegurar maior controle sobre as decisões técnicas aqui no Brasil. Já os programadores evitam falar abertamente sobre o problema.

Existe, é claro, a preocupação. Mas a Telefônica é uma operadora importante e que foi bem vinda no mercado por parte das empresas de conteúdo. Alberto Pecegueiro, presidente da Globosat, foi quem, de certa maneira, acabou expressando abertamente a posição dos fornecedores de conteúdo durante a ABTA. Segundo ele, a Telefônica foi um cliente difícil de ser conquistado e, por isso, não se pensa em medidas mais drásticas como corte de sinal, ainda mais enquanto houver a sinalização de que a operadora está buscando uma solução. “É uma briga de gato e rato. O pirata é o rato que deu uma escapada agora”, explicou. Fato é que alguns operadores importantes já começam a cogitar a hipótese de pressionar os canais a oferecerem descontos para quem não está sujeito a pirataria, como forma de compensar pelos prejuízos causados pelas caixas piratas. Sky e Net são as duas maiores operadoras de TV paga, e desde o primeiro momento têm ressalvas quanto à

participação da Telefônica no mercado. As críticas se tornaram mais ácidas com o problema do AZBox. Há inclusive quem diga que a Telefônica estaria sendo lenta justamente para atrapalhar o crescimento do mercado, o que parece ser apenas uma teoria conspiratória sem fundamento, pois a tele sabe que ficará sujeita a responsabilizações legais junto a programadores se não tomar uma providência, e não conseguirá recuperar seu investimento na própria operação se não crescer. Independente de responsabili­ dades, o fato é que o problema de pirataria por meio das caixas tipo AZBox é grande e preocupa o mercado de TV por assinatura, pois afeta todos os operadores (já que a escala é nacional) e todos os programadores (pois todos estão no line-up da Telefônica). *Colaborou Helton Posseti


(programação) Daniele Frederico e Fernando Lauterjung*

daniele@convergecom.com.br e fernando@convergecom.com.br

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Com mais de 100 mil assinantes do serviço em alta definição, o Brasil lidera a transição da TV por assinatura na América Latina e abre uma oportunidade para as programadoras.

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Definição para crescer

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ELA VIVA apurou junto a operadoras e programadoras durante a Feira e Congresso ABTA 2009, que aconteceu entre os dias 11 e 13 de agosto em São Paulo, que a TV por assinatura tem mais de 100 mil assinantes de serviço de TV em alta definição. Destes, cerca de 60 mil estão na Sky, a operadora que vem investindo mais na divulgação do serviço. A Net Serviços, a primeira a lançar pacotes HD, conta com aproximadamente 40 mil assinantes. O número de televisores (telas) capazes de exibir imagens em alta definição no Brasil, conforme afirmou Fernando Ramos, diretor da Net Brasil, em painel dedicado ao tema no evento, é de cerca de 5 milhões. Segundo ele, até dezembro de 2008 havia 3,8 milhões de aparelhos. Outros 300 mil são vendidos, em média, todos os meses. Como a maior parte destes aparelhos está em lares das classes A e B, o potencial de crescimento da base em alta definição das operadoras é grande. Segundo Rômulo Pontual, vicepresidente e CTO da DirecTV nos Estados Unidos, que acompanhou a implantação da alta definição naquele mercado, até o fim do ano devem existir 150 mil assinantes HDTV no Brasil. Até a Copa do Mundo, que acontece em meados de 2010, devem ser 300 mil assinantes. Até o fim de 2010, o executivo calcula que devem ser 400 mil assinantes. Com isso, diz Fernando Medin, diretor da Discovery Networks, o Brasil está na dianteira na alta definição na

Segundo Rômulo Pontual, da DirecTV EUA, até o fim do ano devem existir 150 mil assinantes HDTV no Brasil.

Programação Para as programadoras, a mudança também é sem volta. Em outro debate sobre programação, Fernando Magalhães, diretor de

“Nossa estratégia é aumentar o Arpu junto aos assinantes da classe A”. Eduardo Aspesi, diretor de marketing da Net Serviços

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programação da Net Serviços, foi categórico: “A última oportunidade de lançamento de canais é com o HD”. Segundo ele, a oferta de canais atual das operadoras já é capaz de atender todos os nichos de telespectadores, não fazendo mais sentido a inclusão de novos canais. “Não dá para aumentar custo sem aumentar a receita”, explicou. Segundo os programadores presentes no painel sobre alta definição, os investimentos agora vão apenas para o HD. Antônio Barreto, presidente da DLA, diz que o conteúdo SD já está estabelecido. “Não precisamos mais defender o produto”. Fernando Medin, diretor da Discovery Networks, concorda, mas alerta que os canais existentes continuarão por algum tempo, e continuarão recebendo investimentos. “Não podemos FOTOS: ricardo ferreira

América Latina. Mesmo no México, disse, não há muito esforços neste sentido. “As operadoras brasileiras são as que estão conduzindo o HD na América Latina”. Para as operadoras, isso não significa uma nova base de assinantes, uma vez que a maior parte da base HD é convertida da base SD. No entanto, não quer dizer que não seja uma nova fonte de receitas. “Nossa estratégia é aumentar o Arpu (receita média por assinante) junto aos assinantes da classe A”, disse Eduardo Aspesi, diretor de marketing da Net Serviços.


abandonar a realidade do mercado”, disse Gustavo Grossman, vice-presidente executivo da HBO. Mas ainda concordando que não há espaço para novos canais SD. “O HD não é conflitante com o SD”, disse Fernando Ramos, da Net Brasil. Para ele, esse é o momento de se trabalhar na criação de pacotes de programação. No futuro, “chegará a fase do lançamento de versões HD dos canais já existentes em SD”. Paulo Saad, vice-presidente do Grupo Bandeirantes, foi o único a fazer ressalvas à transição para a alta definição. Segundo ele, o HD traz mais custos e, no fundo, tratase de um produto para ser trabalhado com o público atual da TV por assinatura. “Ter uma base de 13 milhões ao invés de 6,5 milhões de assinantes seria mais interessante”, disse. Contudo, afirmou a TELA VIVA que o grupo vem investindo para disponibilizar conteúdo HD. O BandSports terá cobertura em alta definição da Copa do Mundo, disse. Além disso, o BandNews também deve se tornar HD até o final deste ano.

FOTO: marcelo kahn

Oferta robusta A corrida para conquistar o mercado da alta definição ficou clara durante a feira da ABTA, onde as três principais operadoras do país apresentaram novos canais, serviços e equipamentos relacionados à tecnologia. Net, Sky e TVA anunciaram a entrada de novos canais em suas ofertas de alta definição. A primeira lançou HBO (com primetime HD), HBO HD (100% em alta definição), Multishow HD e um segundo canal da rede Telecine, a ser escolhido por votação interativa por controle remoto, pelos assinantes HD. A votação ocorre em setembro e o canal

eletrônico de programação (EPG) e outras proporcionadas pela caixa da operadora. O aparelho, que capta os sinais de TV digital aberta disponíveis nas diferentes regiões, custa ao assinante do HD R$ 19,00 mensais pelo aluguel. Na mesma ocasião foram anunciados três canais payper-view de filmes em alta definição. Com a entrada dos novos canais, há três novos combos sendo oferecidos pela operadora, que vão de R$ 229,90 a R$ 265,90. Tanto na Sky quanto na Net, o Multishow HD começa a ser transmitido em outubro. A TVA, por sua vez, apresentou a entrada de HBO HD, Rush HD, Fox/NatGeo HD, Telecine e o canal aberto SBT HD. Os canais são oferecidos em pacotes. O primeiro conta com os canais abertos, além de Rush HD e Fox NatGeo HD. O pacote seguinte é formado por HBO e Telecine. “A ideia é criar um conceito de pacote básico em HD com os canais que não tiverem restrição contratual”, diz o diretor de tecnologia da TVA/ Telefônica, Virgilio Amaral. Vale lembrar que o HBO HD é 100% em alta definição, enquanto o HBO em alta definição que a TVA já oferece tem conteúdo HD apenas durante o primetime.

“As operadoras brasileiras são as que estão conduzindo o HD na América Latina”. Fernando Medin, da Discovery

escolhido (que pode ser Telecine Premium, Pipoca, Action, Light ou Cult) entra no ar em dezembro deste ano. Também foi anunciado que o canal aberto SBT HD deve entrar na oferta da operadora a partir de setembro. A Sky, que anunciou a entrada de cinco canais Globosat em sua oferta em alta definição, também terá um segundo canal Telecine a ser definido futuramente. Na ocasião, a operadora anunciou os canais Globosat HD e Multishow HD, que estarão disponíveis nos pacotes mais “básicos” de alta definição; e o Premiere Futebol Clube para assinantes do pay-per-view de futebol que também sejam assinantes da alta definição. A entrada dos três canais não acarreta custos extras nos pacotes. Além destes, o Telecine HD e o segundo canal Telecine em alta definição serão oferecidos à lá carte. “Com isso, temos 28 canais HD. O aumento desse número vai depender dos programadores internacionais. Para o fim do ano, pretendemos chegar a 40, e até 60 ao final de 2010”, diz o presidente da Sky, Luiz Eduardo Baptista da Rocha. Na mesma semana, a operadora apresentou para jornalistas um receptor para os sinais de TV aberta terrestre. O novo equipamento para recepção dos canais digitais abertos é acoplado ao atual decodificador Sky HDTV por meio de uma entrada USB e funciona de maneira integrada, permitindo ao espectador utilizar todas as funcionalidades de DVR, guia

Tudo para os assinantes HD Além da entrada de novos canais HD, tornando os pacotes de alta definição mais robustos, as operadoras aproveitaram a feira da ABTA para anunciar novos produtos e serviços. O destaque ficou com a TVA/Telefônica, que demonstrou em seu estande o serviço de video-on-demand (chamado pela operadora de Locadora Virtual) e um novo DVR, com foco em sua oferta de fibra óptica (FTTH).

“A última oportunidade de lançamento de canais é com o HD”. Fernando Magalhães, da Net Serviços

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Para os clientes do serviço de TV paga por fibra óptica da operadora, o VOD, com conteúdo da DLA, conta com mais de 500 títulos, entre filmes e documentários. Há ainda conteúdo musical e karaokê. Segundo Virgílio Amaral, no momento, há conteúdo gratuito para teste. Todos os títulos oferecidos ficarão à disposição do cliente durante 48 horas. A TVA também se prepara para lançar a nova versão de seu gravador digital. O DVR está em fase de testes e tem como destaque a possibilidade de se acoplar um hard disk externo, para ampliar a sua capacidade de armazenamento. Segundo informações do diretor, não há motivos para temer a pirataria, já que o conteúdo é protegido e só poderá ser visto pelo DVR. Além dos serviços de vídeo, a TVA apresentou o Xtreme Live, conjunto de widgets com informações sobre clima, economia e horóscopo, e novidades no canal Imagine TV. Além dos quadros com o melhor da programação, as novidades incluem vídeos e comentários enviados por assinantes. A Net Serviços que já oferece DVR para os

“Ter uma base de 13 milhões ao invés de 6,5 milhões de assinantes seria mais interessante” Paulo Saad, da Band

FOTOS: ricardo ferreira

( programação )

clientes de alta definição, anunciou a oferta de um ponto extra em HD. O produto custará R$ 10 a mais do que o ponto extra convencional, e só estará disponível para assinantes que tenham HD no ponto principal, em qualquer um dos pacotes. A estratégia da Net é preparar a massificação da alta definição para a Copa do Mundo de 2010. Também para os clientes HD, a Sky apresentou dias antes da feira o serviço de calibragem de televisores, com o objetivo de melhorar a imagem dos aparelhos HDTV presentes na casa do espectador. Um técnico vai até a casa do cliente com um netbook, e através de um software realiza o trabalho de ajuste de brilho, contraste, nitidez, cor, matiz, back light e RGB. O software foi desenvolvido e customizado para a Sky pela SpectraCal, empresa certificada pela THX (criada pelo cineasta George Lucas e parceira da Sky

“O HD não é conflitante com o SD”. Fernando Ramos, da Net Brasil

no serviço). Além da calibragem, há a sugestão para o cliente sobre o posicionamento da tela no ambiente, de acordo com o seu tamanho. O serviço custa R$ 99 para o primeiro aparelho de TV e R$ 39 a partir do segundo. O departamento de engenharia da Sky ainda realiza testes internos para desenvolvimento de um serviço de Push-VOD, uma modalidade de vídeo-on-demand em que a operadora de TV por assinatura envia para o DVR do assinante um número limitado de títulos, geralmente de alto valor agregado. O supervisor de engenharia de campo da Sky, Alexandre Menon, explica que neste modelo de VOD a escolha do assinante limita-se a uma lista de títulos que a operadora determina para ser armazenada no DVR do cliente. A ideia da Sky, num primeiro momento, é trabalhar com pelo menos cinco filmes, atualizados periodicamente no DVR dos decoders de alta definição (HD). Os testes estão ainda em um estágio inicial e não há previsão para o lançamento comercial do serviço. *Colaborou Letícia Cordeiro

Programação nas alturas

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canal superstation da programadora. Um dos destaques para este ano é a exibição de “Mothern”, série da Mixer, em alta definição. É a primeira temporada da série captada e transmitida em HD. FOTO: márcia alves

Embora a Globosat tenha anunciado o Premiere Futebol Clube HD, a programadora produz e exibe apenas dois jogos por rodada em alta definição, um pelo PFC e outro pelo Globosat HD (na faixa de programação SporTV HD). Pedro Garcia, diretor do Globosat HD, conta que ainda não existe volume de programação HD para um canal SporTV 100% em alta definição. O executivo afirma que durante os Jogos Olímpicos de Inverno de Vancouver, que acontecem em fevereiro de 2010, e durante a Copa do Mundo, o Globosat HD se transformará em SporTV HD. Garcia diz que começar a transmitir jogos em alta definição também incentiva o crescimento do mercado de produção, no sentido de substituição do parque de equipamentos. “Conforme a demanda por HD aumenta, faz sentido as produtoras se equiparem. E nós pagamos mais pelo serviço”. Além dos esportes, o Globosat HD transmite programação do GNT e alguns programas do Multishow HD. O Telecine, que ganhou canal próprio em alta definição, já não tem faixas no

“Mothern” será captada e transmitida em HD este ano.

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FOTO: ricardo ferreira

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consenso que a fatia da TV por assinatura no bolo publicitário precisa aumentar. Embora esse aumento passe por um crescimento da base de assinantes, existem outras formas de impulsionar o crescimento desse share, segundo os participantes do painel “Verba publicitária: com quem é a disputa?”, que aconteceu durante a ABTA. Para José de Salles Neto, do Intermeios, o atual share da TV paga, de 3,7%, é “vergonhoso”. “A TV por assinatura não pode se contentar com esse share. Para alavancar o negócio, seria importante que a ABTA fizesse um trabalho junto ao mercado publicitário, ‘vendendo’ as qualidades, as vantagens e os diferenciais da TV paga”, diz Salles Neto, que participou do painel ao lado de Fred Muller, da Globosat, e de Luciana Schwartz, então diretora geral de mídia da Y&R. Vale lembrar que dados do projeto Intermeios referentes ao primeiro semestre de 2009 indicam que a TV por assinatura registrou queda na participação do bolo para 3,4%. Luciana Schwartz concorda que é preciso uma união de esforços para que o mercado publicitário conheça a TV por assinatura. “Tem que pegar pesado com campanha e um trabalho forte. Acho, inclusive, que foi devido ao trabalho feito pela Aner, de divulgação do meio revista, que ele não está sofrendo tanto quanto os jornais”, compara. Segundo Luciana, o problema maior está na base de assinantes, que ainda é muito pequena. Outras questões, como a qualidade de programação, parecem não ser problema para o setor no Brasil. “No Japão, por exemplo, a TV por

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TV por assinatura busca meios de expandir a publicidade nos canais pagos. Principal problema ainda é o tamanho da base de assinantes.

ERTURA ES P OB

IAL ABTA 20 EC

A caça aos anunciantes

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( publicidade)

José de Salles Neto, Luciana Schwartz e Fred Muller: para que atual share da TV paga, de 3,7%, aumente, é preciso união de esforços para promover o meio.

assinatura não decolou porque não tinha conteúdo local. Aqui tem, e com qualidade. A TV por assinatura brasileira tem musculatura”, afirmou. Para Fred Muller, diretor comercial da Globosat, as equipes comerciais de TV por assinatura têm feito seu trabalho para defender o meio. “A palavra ‘vergonhoso’ dói”, contesta. Ele lembra que a TV por assinatura ganhou share e que agora é preciso olhar para frente. “Temos que buscar nossa relevância para a audiência e a publicidade crescerem”. Segundo Muller, essa relevância passa pela qualidade da TV paga, pelos formatos comerciais diferenciados e mais flexíveis e ainda pela oferta em alta definição. Salles Neto acredita, porém, que a TV por assinatura, assim como os outros meios, deve se beneficiar do constante crescimento das verbas publicitárias, mesmo que não ganhe em share. “Acredito que vamos fechar o ano com um aumento de 5% no volume de investimento em mídia”, afirmou. Ele acredita ainda que a grande competição da TV por assinatura deve ser

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com a TV aberta, que detém a maior fatia do bolo publicitário. “Se vocês conseguirem tirar um pouquinho do share de TV aberta, já é um grande avanço”. Ele ressalta também que o meio jornal foi o único que perdeu espaço significativo no share de verba publicitária desde 1990. “A maioria das mídias não ganhou nem perdeu quase nada desde que o Projeto Intermeios iniciou a medição. Apenas o jornal, que perdeu quase 11% de share”, afirmou. “Se somarmos a entrada da TV por assinatura, com 3,7% de share, da Internet, com 3,5%, guias e listas, com 2,16% e cinema, com 0,4%, dá quase 10%”, calcula. Ele acredita ainda que a vantagem do processo é que as verbas vêm crescendo, de um modo geral. “Apesar da mídia manter o share, é possível ter desenvolvimento favorável”, diz. “Para o ano que vem, estamos prevendo um crescimento de 8% a 10% no volume de investimento”, conclui. Daniele Frederico

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FOTOS: marcelo Kahn

(galeria )

O deputado Celso Russomanno falou sobre direitos do consumidor em uma das sessões dos STA, Seminários de TV por Assinatura.

O público lotou as salas de congresso. Foram mais de 30 paineis de debates.

Leila Loria, da TVA/Telefônica, no painel de abertura.

Cristina Bandiera, da Via Embratel

Peggy Johnson, da Qualcomm

Tim Hewitt, do WiMAX Forum

Movimento nos corredores: três dias de networking.

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Antonio João Filho, da Via Embratel


Luis Eduardo Baptista, da Sky, e José Felix, da Net Serviços

Painel sobre audiência e publicidade, com Giani Scarin (Globosat), Rafael Davini (Turner), Beatriz Mello (Viacom), André Rossi (Discovery) e Dora Câmara (Ibope)

Fernando Dias (ABPI-TV) e Manoel Rangel (Ancine)

Alexandre Annenberg, da ABTA

FOTO: EDSON KUMASAKA

Katia Murgel (Fox) e Livia Ghelli (Viacom) participam dos STA.

20 anos FOTO: EDSON KUMASAKA

Os personagens da TV por assinatura foram uma das atrações da feira, que bateu recorde de expositores este ano.

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Samuel Possebon, diretor editorial da Converge (que edita TELA VIVA) lançou na ABTA 2009 o livro "TV por Assinatura: 20 Anos de Evolução". O livro é uma iniciativa da ABTA e do SETA para comemorar a data. Através de mais de 40 entrevistas e pesquisa em materiais da época, o jornalista narra o desenvolvi­ mento do setor desde as primeiras licenças até o momento atual.

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( capa )

André Mermelstein*

a n d r e @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

A TV que não é só para ver Com chegada do Ginga, debates sobre os modelos de interatividade começam a tomar corpo. Questões como integração com a TV paga estão longe de uma solução.

O

FOTO: marcelo kahn

s assuntos ligados à adoção da TV digital no Brasil mais uma vez foram o centro dos debates do Congresso da SET (Soc. Bras. de Engenharia de Televisão), que aconteceram no final de agosto em São Paulo. As melhores notícias vieram do exterior, com a adoção pela Argentina do padrão nipo-brasileiro ISDB-T (em detrimento do ATSC, que havia sido a escolha anterior do país vizinho), somando-se ao Peru no bloco dos países alinhados à tecnologia. Aparentemente, a Venezuela também estaria inclinada a escolher o sistema brasileiro. Mérito dos esforços do governo e do Fórum de TV Digital. Já no Brasil, a coisa anda um pouco mais devagar. A SET anunciou, na abertura do evento, números “oficiais” do Fórum, que considera existir no país 1,8 milhão de receptores de TV digital terrestre, incluindo set-top boxes, TVs integradas, celulares, pen drives e outros dispositivos. Mas TELA VIVA conversou com fornecedores que trabalham diretamente com produtos voltados ao consumidor e levantou que haveria no máximo 300 mil receptores vendidos no país. Os próprios radiodifusores admitem que há uma dificuldade em se chegar a números definitivos. “Os fabricantes de set-tops e televisores não abrem seus números nem mesmo para as associações, como a Eletros. Então não temos como saber”, disse um deles, diretor de uma importante rede. Tanto fornecedores quanto emissoras ouvidos

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por TELA VIVA apontam o que seriam os principais motivos de uma lenta adoção da TV digital até agora: preços ainda altos de receptores (embora tenham caído nos últimos meses), pouca (quase nenhuma) divulgação da tecnologia por parte de emissoras, fornecedores e varejistas, falta de treinamento do varejo para oferecer a tecnologia e, principalmente, a falta de conteúdo em alta definição, o que seria o maior atrativo para o sistema. Um novo elemento entra em cena agora para tentar melhorar o cenário: a interatividade. Com a normatização do middleware Ginga finalizada, as emissoras voltam os olhos para as possibilidades desta nova tecnologia e começam a testar seus modelos. Segundo o presidente do

Fórum SBTVD, Frederico Nogueira, os primeiros televisores com o Ginga embarcado chega às lojas ainda neste mês de setembro. Modelos Algumas questões se colocam em relação ao que será esta interatividade na TV, e as apostas são variadas. Se por um lado os radiodifusores acreditam que a plataforma pode viabilizar novos negócios e ajudar na “fidelização” dos telespectadores, cada vez mais ligados em outras mídias como a Internet (100% interativa por definição), por outro lado preocupamse em não deixar que as aplicações interativas “roubem” a atenção do produto principal, a TV. Por exemplo, o que acontece se

“Os broadcasters acham que o mundo gira em torno do Ginga, mas o Ginga não é compatível nem com ele mesmo”. Virgílio Amaral, da TVA/Telefônica.

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Exemplo de interatividade desenvolvido pela Globo. Menus não interferem na programação ao vivo.

FOTO: tela viva

um espectador entra em uma aplicação de jogo online e deixa de ver a programação ou o break? E se durante um comercial de automóvel o espectador resolver pedir mais detalhes do carro e esta tela se sobrepuser ao comercial seguinte, de outro produto? Outra questão diz respeito aos modelos de negócio. Hoje as emissoras faturam alto com a interatividade feita por SMS (mensagens de texto de celular). Se oferecerem por exemplo votações por controle remoto, poderão cobrar por isso? Abrirão mão de uma receita certa? Há também questões relativas à implantação. O middleware está pronto, mas os formatos têm que ser testados, e têm que funcionar para todo o tipo de receptor, set-top boxes de diferentes fabricantes, com diferentes controles remotos, TVs de vários tamanhos, receptores portáteis etc. Há também receptores com e sem canal de retorno. E, finalmente, como isso será integrado com a TV por assinatura e o celular. Como se vê, não são poucas preocupações. O Grupo Bandeirantes, por exemplo, vem conseguindo receitas significativas com a interatividade através de SMS nas diferentes plataformas de distribuição em que atua: TV aberta, TV paga, mídia impressa e rádio. “É uma receita muito relevante e que já gira em torno de 6% a 7% do faturamento total do grupo”, revelou no evento o diretor de novas mídias, Luis Renato Olivalves. A média de SMS enviados ao programa da TV Bandeirantes “Brasil Urgente”, por exemplo, é de 6 mil a 7 mil por dia, durante sua 1,5 hora de duração, quando as mensagens são mostradas numa barra na parte de baixo da tela da TV. “Esse número subiu para 25 mil no dia em que o apresentador Datena leu uma mensagem no ar e, num caso extremo, quando o tema foi a morte da garota Isabella Nardoni e o apresentador lia seguidamente os SMS enviados, em

evidencia o peso que a indústria quer dar para o tema. Foram demonstrados exemplos de aplicações, todas funcionando “ao vivo”, ou seja, transmitidas pelo sinal terrestre. E já se pode sentir as diferentes abordagens de cada emissora. A Globo, por exemplo, demonstrava uma aplicação em cima da novela “Caminho das Índias”. Um menu transparente ocupando aproximadamente 20% do lado esquerdo da tela oferece opções como Personagens e Enquete. Os resultados são apresentados em outra faixa, do lado direito da tela. Assim, preservase o cento da tela para a programação, que continua sendo exibida ao vivo. Uma aplicação

apenas 15 minutos o número subiu para 82 mil”. A receita das operadoras com as mensagens é dividida com a emissora. O mesmo é verdade para as outras emissoras, como a Globo, que recebe grande parte dos votos de programas como o “Big Brother Brasil” via SMS, e tem com isso uma receita adicional. Há outros obstáculos ainda no caminho do desenvolvimento da interatividade. Nada sério, coisas normais em um processo que está começando. Os desenvolvedores queixam-se, por exemplo,

há controvérsias quando o assunto é interatividade: pode viabilizar novos negócios ou roubar a atenção do produto principal. da falta de ambientes para desenvolvimento e teste de aplicativos em múltiplos dispositivos, ou seja, softwares que facilitem a visualização de uma aplicação em diversos aparelhos antes dela ir ao ar. Uma novidade nesse sentido, apresentada na Broadcast&Cable, é a plataforma AstroTV, da TQTVD. Trata-se da primeira implementação comercial do Ginga, que inclui ferramentas para desenvolvedores. A empresa criou uma rede, a AstroDevNet, para capacitar desenvol­vedores, sejam das emissoras de TV ou de empresas que queiram criar aplicativos, através de kits de desenvol­ vimento e teste.

semelhante, mas com menus horizontais posicionados no topo da tela, foi demonstrada para jogos de futebol. O espectador pode consultar estatísticas do jogo em andamento, tabela do campeonato atualizada etc. A Record, que também já montou um grupo multidisciplinar interno, que se reúne quinzenalmente, só para desenvolver a interatividade, mostrou uma aplicação semelhante transmitida durante o reality show “A Fazenda”. Do que se viu, pode-se perceber que são aplicações sensíveis ao contexto, ou seja, mudam a cada programa e se relacionam com o conteúdo exibido. Ainda não está claro o que acontecerá nos breaks, se as aplicações continuam funcionando ou se serão trocadas por informações ligadas aos anunciantes. Também,

Visões As aplicações interativas foram o foco do estande do Fórum SBTVD na Broadcast & Cable deste ano, o que

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( capa) são aplicações que interferem muito pouco no ato de assistir TV. Já o SBT partiu para outra abordagem. A emissora criou um portal, que será aberto sempre que o espectador acionar o ícone de interatividade em seu controle remoto. “Estudamos o que faz as pessoas saírem da TV. Vimos que elas saem porque vão ao banheiro, vão comer, ou vão em busca de outras informações, como tempo, trânsito e últimas notícias. As duas primeiras nós não podemos substituir, mas a terceira nós podemos, e foi isso que nos orientou”, contou Roberto Franco, diretor de engenharia do SBT em sua apresentação no Congresso da SET. O portal do SBT tem uma janela tipo PIP, na qual a programação ao vivo continua sendo exibida, mas traz um menu de opções não necessariamente ligadas à programação, como consulta a cotações, previsão do tempo, horóscopo, trânsito etc. Haverá também, claro, informações sobre os programas e apresentadores da casa. Outras empresas apostam em aplicações totalmente desvinculadas da programação (e das emissoras) da TV, transformando a tela em um terminal de jogos ou informações. É o caso da Maurício de Sousa Produções, que lançou uma aplicação da Turma da Mônica para a TV digital. A aplicação foi feita em parceria com a HXD, e foi apresentada como a primeira produção interativa desenvolvida para o middleware Ginga com conteúdos voltados para o

FOTOs: tela viva

Portal do SBT: informações gerais, para evitar que o espectador saia da frente da TV.

entretenimento e educação. Em fase de desenvolvimento, traz histórias em quadrinhos, passatempos educacionais e jogos, entre outros recursos. Segundo o desenvolvedor, as atualizações de conteúdo poderão ser feitas pelo ar ou pela Internet, em um modelo de negócio que pode envolver emissoras de TV, fabricantes ou provedores de conteúdo web. O produto será lançado comercialmente em 2010. TV por assinatura Outro ponto importante ainda em aberto é a relação entre TVs abertas e por assinatura quando o assunto é a interatividade. É bom lembrar que se fala aqui de quase 7 milhões de domicílios, número que vem crescendo rapidamente, boa parte situada nas classes A e B. Em painel no Congresso da SET, TVA, Net e Via Embratel apontaram as principais dificuldades para harmonizar as aplicações feitas para o middleware do ISDB-T com os sistemas adotados nos settops do cabo e do DTH. “Para ter o Ginga em nossas caixas, precisaríamos de muito mais memória e processamento, além de uma adaptação e personalização dos aplicativos”, disse Virgílio Amaral, diretor de tecnologia da TVA/Telefônica. “Além disso, nosso middleware hoje cuida de muitas coisas, como opção de som e legenda, por exemplo. Imagine se o assinante entra no Ginga para rodar uma aplicação e perde a legenda”, completou, lembrando que o set-top é subsidiado pela operadora e não pode custar mais caro para incluir o Ginga. Na mesma linha, o diretor Maurício de Sousa e o aplicativo da Turma da Mônica: conteúdo independente da programação da TV.

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de tecnologia do Via Embratel, Claudio Zylberman, disse que a prioridade é a usabilidade e a simplicidade da caixa. “Vemos interatividade como algo para agregar à TV, não substituir. Por isso, o mais importante para nós é o EPG, é onde estamos focando”, disse. Se for rodar alguma aplicação do Ginga, completou, ela teria que ser convertida para o OpenTV, middleware adotado pela operadora. Ele apontou algumas opções para a integração, como a adoção de tradutores de um middleware para o outro, ou até a inclusão do Ginga nas caixas, o que está, segundo ele, descartado pela complexidade e custo que traria. O diretor de engenharia do SBT, Roberto Franco, e outro painel, chamou de “um erro” o fato dos middlewares serem diferentes. “Estamos diante de uma dificuldade. A conversa para harmonizar o sinal HD já começou, mas a da interatividade ainda não”, disse. Em resumo, não há por parte dos operadores intenção de aumentar seus custos por causa do novo middleware da TV aberta. Ou, como colocou Virgílio Amaral ao final do painel: “os broadcasters acham que o mundo gira em torno do Ginga, mas o Ginga não é compatível nem com ele mesmo. Ele é que tem que ficar compatível com o que já existe há anos”. *CoLABORARAm Fernando Lauterjung e Letícia Cordeiro


(televisão)

Nós vamos invadir sua praia Chegada das broadband TVs assusta radiodifusores, que veem como ameaça a divisão da tela mais nobre para o mercado publicitário com portais da web.

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O operador da TV levou tempo para tirar o conteúdo inadequado, arrancando gargalhadas da plateia. O modelo da Samsung tem como destaques os conteúdos de dois parceiros: o YouTube e o Terra. Do primeiro, é possível exibir os vídeos. Do Terra, por enquanto, estão disponíveis apenas informações como tempo e notícias. Contudo, quando o Terra anunciou a parceria, em julho, a disponibilização de conteúdos em vídeo era uma promessa. Vale lembrar, o Terra TV conta com séries da TV por assinatura e transmitiu com exclusividade na Internet os jogos das Olimpíadas de Pequim. Tiago Ramazzini, diretor do centro de competência de Internet do Terra, diz que a estratégia do portal é levar seu conteúdo para todas as telas: computador, TV, celular etc. “O custo é muito baixo para reformatar o conteúdo para a tela da TV”, disse. “Já temos o conteúdo, mas estamos estudando como encodar corretamente”, disse. FOTOS: Marcelo Kahn

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m debate no Congresso da SET, que aconteceu no fi­nal de agosto, em São Paulo, ficou evidente que a radiodifusão vê com receio a chegada dos modelos de “broadband TV”. Tratam-se de modelos de televisores capazes de acessar algum conteúdo da Internet. O único lançado no Brasil é da Samsung e conta com porta ethernet, podendo ser ligado à banda larga. O aparelho, tema do debate, leva à tela conteúdos de provedores parceiros da fabricante. O custo é salgado, cerca de R$ 12 mil. A questão é se esse conteúdo diluirá a atenção dos telespectadores e disputará espaço na tela. “A TV cada vez mais se confunde, em termos tecnológicos, com o computador”, disse o diretor de tecnologia da TV Globo, Fernando Bittencourt, que encabeçou a apresentação. Com esse tipo de equipamento, “a oferta de conteúdo passa a ser ilimitada”, admitiu o engenheiro. “Mas a Internet é um ambiente desregulamentado. Isso impacta no cenário, já que a TV tem questões como classificação indicativa”. O engenheiro minimizou o potencial de impacto imediato da nova geração de TVs, já que, dos equipamentos existentes nos Estados Unidos, apenas 20% estão conectados. “Por questões culturais, mas é uma questão de criar hábito”, explicou. Após a introdução de Bittencourt, o dispositivo foi apresentado à plateia. Um assistente do engenheiro mostrou que a TV permitia navegar entre conteúdos do YouTube e, aparentemente de forma acidental, acabou escolhendo um vídeo recheado por palavras de baixo calão em inglês.

Publicidade Uma questão essencial é o modelo de negócios destes provedores de conteúdo, a publicidade, e, principalmente, como este conteúdo entra na tela. Izabelle Macedo, gerente de marketing e novos negócios para América Latina da Samsung, explicou que o conteúdo entra como widgets, aplicativos que se sobrepõem parcialmente sobre o conteúdo principal. Ramazzini, do Terra, Izabelle Macedo, da Samsung, lembrou que a Internet já chegou à sala das pessoas em outros mercados com dispositivos como videogames, Apple TV etc.

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“A TV cada vez mais se confunde, em termos tecnológicos, com o computador”. Fernando Bittencourt, da Globo

foi categórico: “nosso modelo é a publicidade”. Rodrigo Köpke Salinas, advogado do escritório Cesnik, Quintino e Salinas, afirmou que colocar estes aplicativos sobre o conteúdo da TV aberta fere os direitos autorais do radiodifusor. “A sobreposição de conteúdos só é possível se houver autorização do titular do conteúdo”, disse. Da plateia, Luiz Nicolaewsky, diretor de relações institucionais das Organizações Globo, perguntou a Salinas se a inserção de uma publicidade sobre o conteúdo da TV não configuraria ainda uma concorrência desleal. “Nós investimos muito para conseguir a audiência de uma novela”, disse. O advogado concordou. Questionado por TELA VIVA se o conceito não seria o mesmo do recurso de “picture-in-picture”, que permite assistir mais de um canal simultaneamente, Salinas disse que não. Segundo ele, no PIP há a separação do conteúdo, já que a tela é dividia. No caso do recurso com sobreposição de uma pequena janela com um canal sobre o conteúdo de outro, Salinas diz que a tela ainda está dividida por uma margem separando os dois conteúdos. Também participando do debate, Virgílio do Amaral, diretor de


tecnologia da TVA, tentou acalmar os ânimos. “Não estamos falando de um garoto que quer faturar com a audiência da Globo. São empresas sérias, estabelecidas, e que têm conteúdo”, disse. A TVA, em parceria com a Telefônica, oferece em alguns bairros de São Paulo um serviço de vídeo sobre fibra, pelo qual trafega, além dos canais lineares da TV por assinatura e de canais payper-view, vídeo sob demanda. O serviço também conta com widgets que se sobrepõem ao conteúdo dos canais. Individual x coletivo Bittencourt questionou se não haveria um antagonismo, já que a Internet seria uma mídia “individual” e a TV seria de uso coletivo. “Será que, ao buscar um conteúdo no YouTube na

“O custo de reformatar o conteúdo para a tela da TV é muito baixo”. Tiago Ramazzini, do Terra

TV da sala, o sujeito não vai desagradar ao restante da família?”, perguntou. Ramazzini, do Terra, afirmou que o compartilhamento da TV na sala pode ser natural. “Uma família pode eventualmente buscar uma notícia sobre o clima, ou sobre o resultado do jogo do Grêmio”, disse. Virgílio do Amaral, da TVA, discordou de Bittencourt. “80% dos assinantes de TV têm dois pontos ou mais na casa. Não vemos mais como uma mídia de família, mas como algo segmentado “, disse o executivo. O consultor e ex-diretor de tecnologia da Globo Adilson Pontes Malta, manifestando-se da plateia, concordou com Amaral. Segundo ele, o mix de Internet e TV é natural nas novas gerações. “Temos

que saber como atender este novo telespectador”, alertou. Izabelle, da Samsung, lembrou que a Internet já chegou à sala das pessoas em outros mercados com outros dispositivos, como videogames, Apple TV etc. Bittencourt deixou claro que não trabalha com a hipótese de televisores “individuais”. Ele lembrou que a TV também está mudando, tendo um salto de qualidade com o HD. “A alta definição está trazendo a família para a sala novamente. Durante muitos anos, isso vai perdurar. No quarto não tem alta definição”, disse. Para Virgílio do Amaral, da TVA, a grande audiência da TV aberta está no conteúdo. “Como fica o horário nobre com a segmentação e a oferta ilimitada de conteúdo? Se os canais abertos perderem o futebol, por exemplo, a competição fica difícil”, disse. fernando lauterjung


(operadoras )

Ana Carolina Barbosa

a n a c a r o l i n a @ c o n v e r g e . c o m . b r

Um minuto de atenção Oi e TVA investem em atrações diferenciadas para seus canais de relacionamento. Sem pretensão de gerar grande audiência, o objetivo, além de promover a programação, é chamar a atenção do espectador também para os demais serviços das operadoras. Adriana Alcântara, gerente de programação da Oi, entre os atores Gregório Duvivier (esquerda) e Silvio Guindane, da série “Os Buchas”, projeto vencedor do pitching de 2008.

FOTOS: sivulgação

A TVA lançou em junho deste ano a reformulação do seu canal de relacionamento, que até o final do ano deve estar disponível para toda a base de assinantes da TVA, da Telefônica TV Digital, e do serviço de fibra óptica XTreme. O Imagine TV entrou no ar com a proposta de ser mais do que um guia de programação e chamar a atenção do espectador para os conceitos que balizam o projeto de comunicação do Grupo TVA/ Telefonica: tecnologia, entretenimento e interatividade. Além dos destaques da programação, o Imagine TV tem atrações especialmente produzidas para o canal pela agência de conteúdo customizado New Content. “Somos um prestador de serviço. Temos que nos comunicar com o assinante e o conteúdo tem que ser relevante”, diz Virgílio Amaral, diretor de tecnologia e estratégia da TVA/Telefonica. Segundo Roberto Feres, um dos sócios da New Content e diretor editorial do projeto, a ideia do canal surgiu a partir da proposta da revista Imagine. “No final do ano passado, participamos de uma concorrência para o guia de programação impresso. Sugerimos a separação dos produtos: um guia simplificado e uma revista, com conteúdo editorial reunindo um mix de conteúdo e entretenimento. Quando apresentamos a proposta, eles gostaram e quiseram transportar o conceito da revista para o home channel”, conta. A partir daí, a New Content começou a trabalhar também na produção do conteúdo audiovisual. Atualmente, a agência produz uma média de 20 horas de programação por mês para o Imagine TV. O canal

estreou com um programa comandado por Domingas Person ePaulo Vinícius com os destaques da programação e quadros que contam com a participação de assinantes, como o “Crítico por um dia”, com comentários de uma atração, ou “Cena do Assinante”, com comentários sobre a cena favorita do espectador. “O ingrediente mais importante é a interatividade. O espectador tem que fazer parte”, afirma Feres, que acredita que a participação deve aumentar com o lançamento do portal Imagine, ainda em 2009. Programetes de dez minutos semanais devem estrear na grade do canal em setembro: “Loucos por Séries”, com apresentação do jornalista Paulo

Domingas Person e Paulo Vinícius apresentam atração no Imagine TV, da TVA.

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Gustavo Pereira; “Giro Cultural”, com dicas de passeios culturais; “Superperfil”, com a filmografia de um artista; “Making Of”, com os bastidores de uma grande produção e um programete sobre música. Produzir sai caro Amaral destaca que a ideia, além de aumentar a programação com mais conteúdo em vídeo enviado pelos assinantes com temas pautados pelo canal e pela revista, é aumentar a produção de conteúdos produzidos especialmente para o canal. “Pensamos em abrir um horário à noite, com conteúdos de terceiros que agreguem valor ao canal. Pode ser bandas que querem fazer seu show ou curtas independentes. Queremos ter cada dia uma atração diferente para o usuário”, afirma o executivo, observando que este conteúdo de terceiros também teria que estar alinhado às premissas de tecnologia e entretenimento do canal. Futuramente, o conteúdo deve passar por adaptações para os assinantes de cada serviço (TVA, Telefonica TV Digital e XTreme). Para levar adiante os planos, o executivo aposta no modelo da

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Conteúdo Multiplataforma Proporcionar aos assinantes contato com o que acontece no “universo Oi” é um dos pilares que orientam a programação do Canal Oi, da OiTV, como explica Adriana Alcântara, gerente de programação da operadora. O canal de relacionamento da operadora também tem incorporado conteúdos além do guia de programação e promos dos canais do line-up. “A estratégia do canal está baseado em três pilares principais. Uma é a o perfil multiplataforma, trabalhando a convergência e a maneira como as pessoas consomem conteúdo tanto na TV, quanto na web e celular. A televisão é muito importante neste projeto. Outra premissa é que o cliente conheça o que ele tem disponível na OiTV, trazendo entretenimento dissociado de vendas. A terceira, é trazer as ferramentas e as plataformas que temos dentro de casa, como o conteúdo do iG”, diz Adriana. Em agosto, o Canal Oi estreou conteúdo do portal iG. “TV iG” é um

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programa de 30 minutos de duração, gravado no estúdio do portal em São Paulo. A atração, apresentada por Karen Gebara, reúne conteúdo de programas já existentes na web: a música do “Canja”; moda, beleza e comportamento do “Hiperativa” e todas as novidades sobre os melhores games dos programas “Arena News” e “Top Ten”. “TViG” vai ao ar toda quarta-feira e tem horários alternativos na grade de programação. Também da web, o canal exibe o “Bolsa de Mulher”, programa sobre o universo feminino, e “No elevador”, em que um repórter aborda celebridades dentro de um elevador. Ambos são atrações do Bolsa TV, canal web e mobile criado pelo grupo de comunicação Bolsa de Mulher, da Ideiasnet. “A gente avalia conteúdo da web para trazer para a TV desde que eles tenham propostas multiplataforma. Com o Bolsa de Mulher, estamos tentando negociar conteúdo deles no celular também”, ressalva Adriana. A natureza multiplataforma é uma premissa para os projetos inscritos nos pitchings promovidos anualmente pela operadora. “Os Buchas”, projeto da Pérola Negra Produções que venceu o pitching do ano passado, gerou conteúdo para Internet, plataforma móvel e televisão, tendo estreado no Canal Oi no início de setembro. A comédia tem cinco episódios de 15 minutos e vai ao ar às sextas-feiras. Outro projeto que ficou entre os dez finalistas do pitching do ano passado, “Castigo Final”, da beActive Entertainment, série interativa de ficção sobre oito mulheres que tentam sobreviver dentro de uma prisão, também tem FOTOs: DIVULGAÇÃO

publicidade. “Produzir conteúdo é caro, vamos precisar remunerar os nossos parceiros e rentabilizar. A maneira mais fácil para viabilizar estes projetos é a possibilidade de ter publicidade e patrocínio de conteúdo editorial”, diz ele. Tanto a operadora quanto a New Content trabalham na captação de anunciantes. De acordo com Amaral, investimentos foram feitos em tecnologia para a distribuição do canal nestas diferentes plataformas e o canal de relacionamento foi reposicionado no line-up para ficar próximo aos canais abertos. “Não se espera grande audiência. Queremos ser um canal de passagem, que algumas vezes as pessoas vão assistir. Queremos audiência para nos comunicar”, observa o executivo, lembrando que o canal Imagine TV e todos os outros canais de comunicação estão integrados ao plano de fidelização. “O assinante fica integrado nos produtos de fidelização e serviços que temos junto com a Telefonica”.

“No elevador”, atração do Bolsa TV, do site Bolsa de Mulher, que está na grade de programação do Canal Oi.

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Beto Feres, da New Content, transpôs os conceitos de entretenimento, interatividade e tecnologia da revista Imagine para o canal de relacionamento da TVA.

estreia prevista para outubro. A atração, de quatro capítulos de 25 minutos cada, deve ser exibida em todas as mídias da Oi (Oi TV, Oi FM, Oi Móvel e iG). O pitching deste ano recebe inscrições de projetos multiplaforma até o dia 17 de setembro pelo site www.canaloi.com. br/multimidia. O projeto selecionado terá uma verba de R$ 350 mil. Segundo Adriana, uma das novidades deste ano é que o produtor deve apresentar também um plano de divulgação do conteúdo. “Queremos que ele tenha uma forma de engajar a audiência e aumentamos o orçamento para isso”, conta Adriana. A executiva destaca que o pitching é a única forma para a produção apresentar projetos hoje à operadora porque é um mecanismo democrático pelo qual produtoras de grande e pequeno porte podem competir em condições iguais. Na programação de quatro horas que se repete ao longo do dia, além do conteúdo web e produções geradas pelos pitchings, há o “Programa OiTV”, apresentado por Danilo Sacramento, sobre os destaques da programação. Ele é gravado semanalmente em uma produtora terceirizada, mas todo o conteúdo elaborado pela OiTV, seguindo suas estratégias de produto. Adriana conta que novas atrações estão sendo elaboradas pela operadora. Um programa, ainda sem nome, deve ser lançado nas próximas semanas mostrando os bastidores de algum programa do line-up. A executiva destaca a importância do trabalho em conjunto com os programadores. “Desde que a gente apresentou para todos os programadores a proposta do Canal Oi, eles têm se mostrado muito interessados em pensar coisas juntos. Acho que o canal depende 50% desta parceria”, observa.


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Presente de aniversário horas e 19 minutos de tempo médio diário de audiência. Para este levantamento foi considerado o universo de 6.467.100 indivíduos, nas praças Grande São Paulo, Grande Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Distrito Federal, Florianópolis e Campinas. Entre o público de quatro a 17 anos, a disputa pelo primeiro lugar no ranking de alcance foi acirrada. O Disney Channel levou a melhor, com 18,9% de alcance diário médio e tempo médio diário de audiência de uma hora e cinco minutos. O Cartoon Network aparece em segundo, com 18,82% de alcance diário médio e uma hora de tempo médio diário de audiência, seguido de Discovery Kids, Nickelodeon e TNT. Para este ranking, foi considerado universo de 1.373.800 indivíduos nas mesmas praças mencionadas anteriormente.

Foto: divulgação

N

o mês em que completa um ano, o canal Megapix passa a figurar na lista dos vinte canais com melhor alcance da TV por assinatura. Em julho, o canal de filmes dublados da Globosat ocupava a 20ª posição, com 4,76% de alcance diário médio e tempo médio diário de audiência de 25 minutos. Neste levantamento, ESPN Brasil e Sony, que figuravam na lista em meses anteriores, deram lugar ao Megapix e ao Nickelodeon. No mês de seu primeiro aniversário, o Megapix exibiu filmes como “Shaft”, “A Intérprete”, “Caçada ao Outubro Vermelho” e “Duro de Matar 2”. Em primeiro lugar no ranking aparece o SporTV, com alcance diário médio de 11,74% e tempo médio diário de audiência de 44 minutos. Em seguida, TNT, Globo News, Fox e

“Shaft” Canal de filmes dublados da Globosat entra para a lista dos 20 canais pagos com melhor alcance entre adultos.

Multishow completam o top cinco do ranking. No total, os canais pagos tiveram 48,56% de alcance diário médio entre o público com mais de 18 anos, e duas

Daniele Frederico

Alcance* e Tempo Médio Diário – julho 2009 Total canais pagos SporTV TNT Globo News Fox Multishow Universal Channel Warner Channel Discovery Kids Discovery Cartoon Network Disney Channel National Geographic AXN Telecine Pipoca SporTV 2 GNT Telecine Premium Telecine Action Nickelodeon Megapix

De 4 a 17 anos** 

(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio 48,56 3.140,20 02:19:42 11,74 759,29 00:44:52 11,14 720,29 00:30:01 9,29 600,56 00:31:26 8,60 556,09 00:28:16 8,54 552,52 00:17:00 8,32 538,02 00:36:25 7,87 508,89 00:26:46 7,68 496,56 01:00:29 7,51 485,74 00:19:12 7,00 452,98 00:39:37 6,66 430,43 00:33:57 6,52 421,89 00:19:08 6,38 412,52 00:26:30 6,13 396,20 00:30:40 5,95 384,60 00:20:08 5,74 371,49 00:16:56 5,48 354,54 00:25:07 4,90 317,03 00:22:15 4,85 313,58 00:31:53 4,76 308,02 00:25:54

Total canais pagos Disney Channel Cartoon Network Discovery Kids Nickelodeon TNT Jetix SporTV Fox Multishow Telecine Pipoca Warner Channel Boomerang Universal Channel Discovery SporTV 2 Globo News Telecine Premium AXN Telecine Action HBO

(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio 53,71 737,92 02:46:48 18,90 259,70 01:05:56 18,82 258,54 01:00:01 16,18 222,29 01:13:27 14,22 195,32 00:59:21 10,21 140,31 00:28:40 10,07 138,40 00:59:45 9,35 128,43 00:44:47 7,93 109,01 00:29:12 7,88 108,23 00:24:29 6,10 83,80 00:27:05 5,65 77,69 00:20:16 5,49 75,45 00:27:50 5,36 73,61 00:27:53 5,16 70,83 00:18:09 4,94 67,86 00:19:54 4,24 58,21 00:17:23 4,23 58,07 00:22:11 4,18 57,47 00:14:29 3,78 51,86 00:16:19 3,59 49,33 00:16:13

*Alcance é a porcentagem de indivíduos de um “target” que estiveram expostos por pelo menos um minuto a um determinado programa ou faixa horária.

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**Universo .373.800 indivíduos Fonte: IBOPE Media Workstation – Tabela Minuto a Minuto – Julho/2009



**Universo: 6.467.100 indivíduos

Acima de 18 anos**


ano treze

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que significa que o “Entendemos que a distribuição projeto poderia gratuita de conteúdos pela finalmente sair da Internet não concorre Câmara e ir ao economicamente com as diversas Senado em formas de televisão por assinatura.” outubro ou Deputado Vital do Rego Filho (PMDB/PB) novembro, contando com a agilidade da Comissão de justificou o Constituição e Justiça, que analisará a deputado Vital constitucionalidade do texto final. A fórmula do Rego Filho para a agilidade é a seguinte, segundo o (PMDB/PB), deputado: “o que for consensual fica. O que relator do for divergente, decidiremos no voto”. É aí projeto, ao justificou essa abordagem. que a coisa pode se complicar. Outro ponto de atrito mantido na O texto que sai da CDC desagrada proposta é a exigência de venda sobremaneira o setor diretamente envolvido avulsa de canais. “Entendemos que com o projeto: os operadores e um costume comercial, ainda que programadores de TV por assinatura. cristalizado em determinado segmento, não deve ter o condão de Inovações inviabilizar o exercício do direito A proposta da Comissão de Defesa do fundamental dos consumidores de não Consumidor, por exemplo, diz que a venda serem compelidos à compra casada de conteúdos pela web deve seguir as de produtos e serviços. Tudo indica mesmas regras da TV por assinatura. que a prática da venda por pacotes “Entendemos que a distribuição gratuita de pelos programadores consolidou-se conteúdos pela Internet não concorre também pela impossibilidade de economicamente com as diversas formas de aquisição avulsa de canais pelos televisão por assinatura. No entanto, a consumidores”, argumentou o relator popularização dos sítios pagos e a em seu parecer. proliferação de acessos a altas velocidades Para Neusa Risette, diretora geral emprestam aos provedores de conteúdo a da associação NeoTV,que representa potencialidade de se tornarem importantes operadores na compra de competidores no mercado de programação, esse modelo é inviável distribuição de conteúdos. Dessa para operadores e programadores. maneira, a inclusão da Internet “Hoje, os operadores precisam, paga garante a inclusão desses contratualmente, adquirir um atores na conformação conjunto de canais para venderem em normativa que se pretende pacotes. E mesmo que se mudem conferir para o novo serviço”, esses contratos, a que preço cada canal individual chegará ao “O que for consensual fica. consumidor?”, pergunta. A O que for divergente, obrigatoriedade de uma venda à la decidiremos no voto.” carte já foi intensamente discutida em Deputado Eduardo Gomes (PSDB/TO) mercados maduros, como os EUA, e

FOTO: Luiz Xavier/Agência Câmara

PL 29/2007, que estabelece novas regras para o setor de TV por assinatura e terá impactos importantes no mercado audiovisual, completou no começo de setembro mais uma etapa dos inúmeros desvios que vem enfrentando para ser votado desde que começou a tramitar, em fevereiro de 2007. O texto foi aprovado na Comissão de Defesa do Consumidor (CDC) da Câmara dos Deputados, para onde foi remetido em meados de 2008. Com isso, se não houver nenhum tipo de manobra regimental ou pedido de outra comissão, o texto finalmente será apreciado pela Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI), que em tese tem a palavra final sobre o que virá do texto. Isso significa que agora é que as discussões sobre a forma final do PL 29 serão efetivamente abordadas. No Congresso, todas as comissões têm igual poder de avaliar um projeto, mas desde que começou a tramitar, o PL 29 foi remetido à Comissão de Desenvolvimento Econômico em 2007, voltou à CCTCI em 2008, mas logo foi remetido para a Comissão de Defesa do Consumidor. Não haveria problema nisso, se não fosse o fato de que as comissões apro­ veitam pouco do trabalho realizado nas instâncias anteriores, o que faz com que o trabalho comece do zero a cada escala. A expectativa do deputado Eduardo Gomes (PSDB/TO), presidente da CCTCI, era a de aprovar o texto em três semanas, o

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FOTO: Brizza Cavalcante/Agência Câmara

O PL 29/2007 finalmente é votado na Comissão de Defesa do Consumidor e agora retornará à comissão de mérito, onde há a promessa de votação rápida. Mas as muitas polêmicas do projeto não permitem uma previsão tão otimista.


FOTO: Marcelo Kahn

não frutificou. A razão é simples: a TV paga precisa da escala gerada pelos canais mais populares para viabilizar os canais de nicho. Se o consumidor puder contratar apenas alguns canais, a lógica econômica fará com que a variedade de canais acabe. A proposta da CDC estabelece um limite de veiculação de publicidade pelas TVs pagas, estipulado em 12,5% do total diário da programação e 20% a cada hora. Exige-se que a publicidade destinada ao público brasileiro, em português ou com legenda em português, seja contratada por meio de agências publicitárias no Brasil. É pouco em relação ao que praticam hoje os programadores de TV por assinatura, que querem percentuais maiores, mas enfrentarão a resistência das emissoras de TV quando o projeto

“Hoje os operadores precisam, contratualmente, adquirir um conjunto de canais para venderem em pacotes. E mesmo que se mudem esses contratos, a que preço cada canal individual chegará ao consumidor?” Neusa Risette, da NeoTV

chegar na CCTCI. Na relação entre operadoras de TV paga e emissoras abertas, aliás, a proposta aprovada até aqui prevê o carregamento obrigatório e gratuito dos canais dos radiodifusores na modalidade analógica, a livre negociação desse carregamento na tecnologia digital e na distribuição via satélite. Cotas A questão mais polêmica até aqui do PL 29/2007 tem sido a das cotas. Nesse aspecto, uma mudança de última hora, respaldada pelo governo, trouxe mudanças importantes no texto aprovado pela CDC: a nova redação do projeto define que, em todos os canais com programação

majoritariamente ocupada por espaço qualificado (filmes, seriados etc), devem ser veiculadas no mínimo três horas e meia semanais de conteúdo brasileiro, sendo metade desta produção criada por produtoras independentes. Também define que 10% do conteúdo vendido na modalidade avulsa ou em catálogo deve ser brasileiro. Com isso, praticamente todos os canais estrangeiros terão que destinar espaço à produção nacional. Mais um ponto que deve gerar insatisfação. O deputado Paulo Henrique Lustosa (PMDB/CE) será o relator da matéria na Comissão de Comunicação. Salvo imprevistos, será dele a redação final do projeto. Mas Lustosa tem

>>


“As empresas de telecomunicações já estão entrando no mercado de TV por assinatura. Então, a ideia é ajustar essa situação da Lei do Cabo.”

posições firmes e que podem gerar grandes atritos, sobretudo com radiodifusores. Para ele, o objetivo original do PL 29/2007 é resolver uma situação conjuntural. “As empresas de telecomunicações já estão entrando no mercado de TV por assinatura. Então, a ideia é ajustar essa situação da Lei do Cabo. Mas não podemos usar esse projeto para fazer mudanças estruturais no setor de telecomunica­ ções e de radiodifusão, dois setores que têm seus marcos regulatórios tão bem definidos”, disse. Lustosa respondia a uma pergunta específica sobre um dos pontos de mais intensa e complicada negociação quando o PL 29 ainda estava na CCTCI e era relatado por Jorge Bittar: a divisão do mercado de conteúdo e distribuição entre empresas de radiodifusão e telecom, respectivamente. Para Lustosa, contudo, essa é uma questão muito importante “para ser tratada em apenas dois parágrafos”,

Deputado Paulo H. Lustosa (PMDB/CE)

FOTO: Brizza Cavalcante/Agência Câmara

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como propunha a redação dada por Bittar e, aparentemente, pacificada pelos radiodifusores e pelas empresas de telecomunicações. Segundo Lustosa, “se for entrar nessa discussão, será difícil aprovar em duas semanas”. Outros pontos que Lustosa deve deixar de fora são questões já reguladas pela Anatel. “Não precisamos promover questões menores a assunto de lei”, diz, referindo-se, por exemplo, à questão do ponto extra. Sobre a questão das cotas de conteúdo, tanto o deputado Paulo Henrique Lustosa quanto o deputado Eduardo Gomes acreditam que haja algum espaço para discussão agora, mas lembram que essa questão será abordada pela Conferência

Nacional de Comunicação no final do ano, de onde se pode inferir que se o assunto se tornar muito polêmico, será deixado para depois da Confecom. Acontece que esse é o único ponto em que o governo parece estar efetivamente envol­vido, tanto que foi o único aspecto defendido na aprovação final na CDC. No tempo em que o projeto tramitou na Comissão de Ciência e Tecnologia sob a relatoria de Jorge Bittar as cotas pro­­postas eram bem mais complexas. Todo aquele debate, que havia sido tra­ va­do em várias audiências públicas, tende a voltar. Resta saber se tudo isso acon­tecerá rapidamente ou o PL 29/2007 seguirá em ritmo de tartaruga, e se o setor de TV paga conseguirá se fazer ouvir ou receberá apenas passiva­ mente as consequências da proposta. Samuel Possebon

Enquanto isso, na Confecom... Se o PL 29/2007 pode dar à TV paga e ao setor audiovisual um novo marco legal, a Conferência Nacional de Comunicação, que acontece em dezembro, poderá ser o palco das discussões mais amplas sobre o mercado de mídia e telecomunicações. O que não significa um nível menos acalorado de debate. O que se viu em agosto foram alguns fatos importantes que moldaram a forma que a Confecom terá em suas conferências estaduais, preparatórias, e no seu grande final, em dezembro, em Brasília, durante o encontro nacional. O fato mais importante, até aqui, é que a Abert, representando radiodifusores como a Globo, RBS, SBT e outros, caiu fora da comissão organizadora. Alegaram discordância com a forma como os debates estavam sendo colocados. Outras associações, como a ABTA (de TV paga) e a Abranet (de Internet) também se juntaram à Abert e deram adeus à Confecom. Mas a surpresa foi a permanência da Telebrasil (que representa empresas de telecomunicações) e a Abra (que representa Band e Rede TV!). A Record, que está na Abert, também manifestou vontade de participar. Em meio a esse racha entre as associações empresariais, definiuse, em linhas gerais, os mecanismos de voto dos delegados da Confecom e os pesos que cada setor terá. As entidades da sociedade civil não-empresarial terão 40% dos votos, as entidades empresariais terão outros 40% e o governo terá 20% dos votos. O acerto foi de que o quorum qualificado será de 60% para as matérias consideradas sensíveis. Mas, dentro destes 60% deverá, necessariamente, haver no mínimo um voto de cada um dos segmentos representados, quais sejam entidades civis, empresas e governo. Assim, nenhuma pauta polêmica poderá ser aprovada pela maioria simplesmente. Essa regra tem sido

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considerada por algumas entidades ainda como um veto velado, já que a oposição de um segmento pode invalidar uma pauta apoiada pela totalidade dos outros dois segmentos. Também se definiu como serão os critérios de participação das entidades. Quem quiser participar da grande conferência nacional terá que participar das etapas estaduais. Com isso, o provável é que sobrem vagas no final. O governo terá a prerrogativa de redistribuir essas vagas, e possivelmente utilizará esse mecanismo para assegurar que alguns setores (sobretudo empresariais) não fiquem sub representados. Há quem acredite que essa será a forma com que as empresas que decidiram sair da comissão organizadora voltem ao final do processo, em dezembro. Outro avanço na preparação diz respeito às linhas temáticas do que será discutido na conferência. Provavelmente (isso ainda estava sendo definido no fechamento da edição) serão três eixos temáticos para os debates: produção de conteúdo; meios de distribuição; e cidadania - direitos e deveres. O ponto de atrito promete ser em relação a mecanismos de “controle social” das comunicações. Para as empresas, o controle social pode deslanchar em uma possível censura. Boa parte das entidades civis não-empresariais e do governo critica essa visão, uma vez que a liberdade de expressão está garantida constitucionalmente. De qualquer forma, o assunto pode esquentar ainda mais o debate sobre o temário. Da parte das empresas, as ameaças de abandonar a Confecom foram retomadas mesmo após a trégua que permitiu a aprovação do regimento interno do evento, tudo por conta da discussão sobre o controle público das comunicações. (Mariana Mazza)

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Daniele Frederico

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Vôo interativo pronta, os pássaros passaram pelo processo de plumagem, para dar texturas diferentes a cada um dos animais. “Eu sempre pensei em pássaros meio amarronzados, depois de fotografar alguns para ter referência” conta Andrade. Algumas cenas do curta podem ser comandadas pelo usuário/ espectador. O usuário recebe indicações para clicar nas setas do teclado de seu computador para movimentar o carro, e assim ajudalo a fazer curvas e a desviar dos pássaros que prometem atacá-lo. Assim, além dos desafios logísticos e de animação, as cenas que contam com interatividade representaram uma dificuldade maior a ser vencida. Andrade conta que para ter a interatividade, é preciso que os elementos - carro, estrada e pássaros - sejam filmados separadamente. “Os pássaros são facilmente controlados por serem feitos em 3D”, conta. Já o carro, que seria inicialmente filmado separado, teve de ser captado junto da estrada, já que não foi possível encontrar um encaixe perfeito das cenas separadas. “Recortamos quadro a quadro o carro e reconstruímos o fundo”, conclui.

fotos: divulgação

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ma superprodução para a Internet. Essa é uma das definições para o curta-metragem de três minutos, com toques de interatividade, produzido pela Spray Filmes para o Eos, conversível da Volkswagen. O intuito do filme era explorar as sensações que o carro proporciona. A campanha, criada pela AlmapBBDO, envolvia um projeto de Internet, no qual a jovem produtora se encaixou. “O projeto demorou a ser lançado por conta dos efeitos”, conta o diretor e sócio da Spray Filmes, Fernando Andrade. Segundo o diretor, a produtora tem a proposta de fazer publicidade, entretenimento e games, e a necessidade da agência de fazer um filme para a Internet com interatividade se encaixou nos propósitos da Spray. O curta tem um look retrô, desde o figurino da atriz até as locações. Dividido em etapas, o filme mostra uma mulher, caracterizada de forma a parecer uma jovem dos anos 50, dirigindo seu conversível por estradas sinuosas e fugindo de pássaros que tentam atacá-la. Os números do filme são grandiosos: foram utilizadas duas câmeras de cinema digital, locações em uma fazenda particular e duas cenas aéreas realizadas de um helicóptero no Rio de Janeiro. “Um dos grandes desafios foi obter a sensação de um pássaro voando. Tivemos de fazer alguns mergulhos de helicóptero com a porta aberta e a câmera na mão”, conta Andrade. Em três diárias, uma equipe de cerca de 80 pessoas esteve envolvida na produção. A integração dos pássaros com as cenas filmadas aconteceu de forma muito calculada. Primeiro foi feito um storyboard, para depois

Curta-metragem feito para a Internet contou com cenas captadas em helicóptero e pássaros criados em 3D.

ser realizado um fotoboard, com todas as cenas fotografadas já nos ângulos corretos, para que em cima delas fossem desenhados os pássaros em suas respectivas posições. Depois da montagem, as carcaças dos pássaros foram posicionadas nas cenas, para trabalhá-los na composição do quadro. Em seguida, a animação foi feita pela Casablanca em 3D. Uma vez que a animação estava

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ficha técnica Título Anunciante Produto Agência Produção Diretor Produção Direção de fotografia Finalização e 3D Tecnologia e Flash Design Produtora de som Maestro

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“Open Cage” Volkswagen VW Eos AlmapBBDO Spray Filmes Fernando Grostein Andrade Fernando Menocci Fernando Grostein Andrade, Rafael Levy Casablanca Grafikonstruct Panda Sonora Lucas Lima


Cervejaria polar

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ualquer apreciador de cerveja gostaria de conhecer uma cervejaria por dentro e descobrir como a bebida é feita. Conhecer uma fábrica gelada, coberta de neve por todos os cantos e fazer isso escorregando por um tobogã, seria ainda mais divertido. Foi dessa forma que a O2 Filmes procurou retratar o cenário criado pela agência para explicar, por meio da fantasia, como se dá o processo de produção da nova cerveja Antactica Sub Zero, duplamente filtrada a dois graus abaixo de zero. Sentados em um bar, um grupo de amigos dá risada enquanto bebe cerveja. Ao perguntar qual é o segredo para o sabor daquela Antarctica, um dos amigos cai por um buraco aberto no chão e é levado por uma viagem pela cervejaria completamente coberta de gelo, onde conhece como é o processo de fabricação. Segundo o diretor do filme, Luciano Moura, a ideia inicial era fazer o filme na própria cervejaria. “No entanto, havia uma série de limitações logísticas para fazer o comercial dentro da fábrica. Além disso, eu sempre pensei em fazer algo mágico”, disse. A vontade de fazer algo lúdico levou à mistura de elementos reais e outros criados em 3D. Assim, tudo o que aparece em primeiro plano é real: garrafas, canos e até mesmo o escorregador por onde o protagonista desliza. “O escorregador foi pintado de prata, cortado e ‘dressado’ com o gelo”, explica o diretor. Os tonéis de cerveja foram filmados para depois serem reconstruídos e multiplicados em 3D. Foram utilizados cinco ou seis tonéis de até cinco metros de diâmetro por seis metros de altura. Os objetos reais foram cobertos de gelo, para criar o efeito de uma fábrica congelada desejado. O efeito translúcido do gelo é conseguido a partir de resina.

Objetos foram “vestidos” de gelo para criar sensação de congelamento.

“Embora grande parte da ‘neve’ tenha sido aplicada fisicamente, a pós-produção também deu uma ajuda”, diz o diretor. Ele conta ainda que embora o filme tenha exigido um grande trabalho de finalização, um dos grandes desafios das gravações foi a primeira parte do comercial, que mostra o grupo de amigos bebendo em um bar. Filmar o momento em que o chão se abre e o ator cai dentro de um buraco negro, impediu que a cena fosse feita em um bar de verdade. Assim, construiu-se um bar suspenso, a 1,5 m de altura. “A queda é real. A cadeira estava presa ao chão e no momento que ele se abre, ela cai do mezanino, com um sistema de amortecimento embaixo”, diz. O prazo para entrega do filme foi apertado. Foram dois dias de ensaio, três de filmagem e 15 dias de finalização, o que exigiu dobrar a equipe de pós. Como a cerveja seria lançada no mercado antes da finalização do comercial, um teaser foi

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feito com o ator Rodrigo Lombardi. Ele caía pelo buraco ao perguntar sobre a qualidade da cerveja, e o comercial preparava o espectador para o comercial completo que viria em seguida. “O teaser foi filmado junto do comercial, mas foi ao ar antes por não precisar de uma finalização muito complicada”, conclui Moura. ficha técnica Título “Caçapa” Produto Cerveja Antarctica Cliente Ambev Agência AlmapBBDO Produtora O2 Filmes Direção Luciano Moura Direção de fotografia Adriano Goldman Direção de arte Billy Castilho Montagem Gustavo Giani Pós-produção/finalização O2 Filmes Produtora de som S de Samba

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( tecnologia)

Prontos para o futuro Globo monta centro de pós-produção para abrigar novas mídias, como Internet e celular, e novas tecnologias, como alta definição e 3D.

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TV Globo inaugura neste mês de setembro seu novo Centro de Pós-Produção no Projac, no Rio de Janeiro. A nova área é, na verdade, uma expansão do antigo prédio dedicado à finalização e à pósprodução, que dobrou de área. Além de ganhar mais recursos para a pósprodução, o CPP passa a abrigar também profissionais da área de novas mídias. A construção levou aproximadamente um ano e meio, explica o gerente de pós-produção da emissora, Paulo Henrique Castro. O engenheiro, que teve participação ativa na elaboração das normas técnicas do padrão SBTVD de TV digital, deixou suas funções para assumir o novo centro e seus 300 profissionais, 70 apenas na área de efeitos visuais. “Estamos, na verdade, centralizando profissionais que estavam dispersos em diversos endereços e unidades”, explica. Castro diz que a ideia é que haja mais sinergia entre as empresas do grupo, para melhor explorar os conteúdos em todas as janelas. Daí a chegada dos profissionais de novas mídias ao Projac. Trata-se de uma equipe específica para web e telefonia móvel. “Assim estes profissionais participam de todo o processo criativo”, diz o engenheiro. Segundo o diretor de tecnologia da Globo, Fernando Bittencourt, a emissora trabalha com a ideia de ter conteúdo produzido exclusivamente para celular, podendo ser por streaming ou download, dependendo do modelo de negócios. Ele vê como uma “combinação muito rica” a mistura

“As novelas, minisséries, shows e especiais passam por aqui. Eventualmente, algo produzido pelo jornalismo, mas com um tratamento de entretenimento.” Paulo H. Castro, da Globo

de conteúdos pagos e gratuitos para a telefonia móvel. O conteúdo gratuito seria distribuído pelo sinal de TV digital terrestre. “O conteúdo linear é da radiodifusão, o conteúdo continuado vai pela rede de telecom”, disse Bittencourt em uma apresentação à imprensa. Quase tudo o que é produzido pela Globo passa pelo novo prédio, com exceção das áreas de jornalismo, esportes

Memória Em dezembro de 1978 a Globo inaugurou seu Centro de Pós-Produção. Era a primeira unidade dedicada à pós-produção na América Latina, responsável pela finalização das novelas e shows produzidos pela emissora. O centro contava com oito ilhas de VT, três salas de sonorização, uma central técnica e um slow-motion.

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e programas ao vivo. “As novelas, minisséries, shows e especiais passam por aqui. Eventualmente, algo produzido pelo jornalismo, mas com um tratamento de entretenimento, também pode vir pra cá”, explica o gerente de pós-produção. “Estamos prontos para atender também às demandas dos canais da Globosat”, diz. Até mesmo os filmes produzidos pela própria Globo passam por lá. Castro esclarece que não se tratam dos coproduções da Globo Filmes, mas dos filmes próprios. O CPP já está inclusive fazendo testes de finalização de conteúdo em três dimensões. A Globo já conta com experiências de eventos ao vivo, com imagens gravadas nos desfiles das escolas de samba no carnaval, e até de dramaturgia, com algumas cenas de novela produzidas usando a tecnologia. Castro faz questão de deixar claro que não passam de testes. “Quando o 3D chegar às casas das pessoas, ele tem que ser novidade apenas para os telespectadores, não para nós”, diz. No primeiro andar do edifício fica uma área dedicada às imagens, onde funcionarão as 46 salas de edição offline. O conteúdo que chega lá muitas vezes já foi pré-editado pelos switchers localizados nos estúdios das novelas, restando aos editores uma edição final e o corte final. Geralmente o conteúdo chega ao prédio em fitas, que é o formato


Iluminação especial facilita trabalho dos editores. FOTOS: tela viva

habitual no fluxo interno. “O workflow é bem flexível. Avaliamos caso a caso. Alguns produtos podem chegar através da rede, e o tráfego interno no CPP pode ser tanto por fitas quanto pela rede. Os equipamentos estão todos interligados”, explica Casto. Ele não revela quais são as ilhas usadas no offline. “Estamos sempre avaliando. Temos de tudo”. Três turnos de profissionais fazem com que as ilhas funcionem 24 horas por dia. As salas, projetadas para receber os equipamentos, contam com iluminação especial, para facilitar o trabalho do editor. A área de videografismo conta com 12 ilhas de composição. Lá são criadas animações, 2D e 3D é feita a rotoscopia em algumas imagens e inseridos cenários virtuais em cenas gravadas em chroma key. Trata-se de uma das áreas que sofre mais pressão externa. “Às vezes um diretor

O áudio 5.1 pode ser mixado em Dolby e THX.

chega pedindo um trabalho para o dia seguinte. Aí temos que propor a solução viável. Em outros casos, começamos a trabalhar em um especial um ano antes, tendo tempo criar animações ou efeitos”, diz Paulo Henrique Castro. “Tudo é uma questão de tempo versus qualidade”, completa.

A área de edição online, de onde saem as imagens prontas, conta com uma sala de color grading, equipada com um Baselight. O equipamento permite operar em resoluções de até 4K. Na área de sonorização o áudio é tratado na masterização, onde é possível limpar algum ruído que acabou sendo gravado por engano. “O ideal ainda é que as cenas sejam regravadas toda vez que um avião passa. Mas, se não houver outro jeito, podemos limpar aqui”, diz Castro. Depois o áudio enriquecido com os sons ambiente e músicas. A maior parte dos ruídos atualmente vem de bancos de áudio. Por fim, o áudio vai para a mixagem 5.1, etapa que será importante com a difusão da TV digital. A infraestrutura do CPP permite mixar o áudio em Dolby e THX. Fernando Lauterjung


( artigo)

José Mário Tagliassachi e William Kamizaki* c a r t a s . t e l a v i v a @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Modelos para video on demand sobre redes IP Serviço permite a oferta quase infinita de canais e conteúdos avulsos, mas há algumas decisões importantes a se tomar em cada plataforma: cabo, fibra, par trançado e wireless.

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FOTOs: marcelo kahn

termo IPTV tem sido utilizado atualmente em várias tecnologias e sua definição não é totalmente clara, mas pode ser considerada a entrega de vídeo ao dispositivo do usuário final através do protocolo de Internet (IP). Para as telcos, essa tecnologia representa mais um meio de ingressar no mercado de TV por assinatura, já que a largura de banda disponível no par trançado não é suficiente para trafegar centenas de canais de televisão simultaneamente, assim como é feito nas redes de cabos coaxiais das operadoras de cabo. O uso da tecnologia IP é conveniente para as telcos, já que se podem utilizar esquemas de transmissão multicast e unicast ao invés do broadcast, que apesar de mais barato, utiliza a banda disponível de maneira ineficiente. A utilização da tecnologia IP faz com que somente os canais que estão sendo assistidos trafeguem na rede. Com a adição de um servidor de vídeo sob demanda, no qual o usuário tem acesso aos conteúdos, e set-top boxes IP nas casas dos assinantes, um sistema de vídeo sob demanda poderá ser criado. Ao contrário das transmissões tradicionais, no vídeo sob demanda a programação não é linear, o usuário assiste conteúdo quando, onde e como quiser. As vantagens são: a infinidade de conteúdos disponíveis para escolha, a possibilidade de ter seu próprio horário para assistir os programas desejados e a sensação de pagar somente pelo o que se assiste, já que no modelo atual é entregue ao assinante um pacote com diversos canais dos

José Mário Tagliassachi

William Kamizaki

*Gerente de engenharia e engenheiro eletricista da Tele Design.

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quais uma pequena porção são de fato assistidos. No broadcast, tal como feito nas redes de cabo, o espectro é ocupado pelos diversos canais que estão sendo transmitidos, e como eles devem passar todos juntos e ao mesmo tempo por esse tubo, há uma limitação de espaço, isto é, o número de canais é limitado. Em um ambiente IPTV/ VOD, o número de canais poderá ser tão grande quanto o usuário quiser, pois o conteúdo que passa pelos cabos será somente o que for escolhido. No entanto, o fato de passar somente o canal escolhido não impede que o usuário tenha uma infinidade de escolhas, e isso só dependerá do tamanho do servidor. Nesta nova cultura influenciada pela Internet, há maior liberdade e possibilidades de escolha para o usuário. Ou seja, é um serviço de maior valor agregado para o telespectador já que emprega mais tecnologia para que o usuário final tenha uma televisão mais personalizada. Segundo estatísticas da comScore, em junho de 2009, 16,8 bilhões de vídeos online foram vistos nos EUA por 152 milhões de usuários, atingindo uma média de 6,4 horas por mês de vídeos para cada usuário e este número cresce mês a mês. O acesso as esses sites é gratuito, ou seja, percebe-se que há demanda por esse tipo de serviço. No entanto, não se sabe se o usuário pagaria para ter esse serviço disponível na


tela da sua televisão. Além disso, os números de comercialização do pay-per-view, sistema no qual os assinantes compram filmes pela tela do televisor, animam as operadoras a implementar esse novo serviço. A diferença é que no VOD o usuário terá controle no fluxo de vídeo e não precisará esperar a janela de exibição do filme. Ofertas De olho nesse mercado, muitas operadoras ao redor do mundo já oferecem essa tecnologia, como a Verizon e a Comcast nos Estados Unidos. No Brasil, em algumas regiões, já é possível contratar serviço de vídeo sob demanda, com locadoras virtuais oferecendo filmes, seriados e documentários. Por exemplo, em algumas regiões em São Paulo atendidas pela fibra óptica da Telefônica, há a oferta do TVA Xtreme, que oferece ao assinante uma locadora virtual na tela do televisor, e a compra ou pedido do conteúdo é feita via controle remoto. O principal desafio para as telcos será a expansão dos serviços para outras áreas, já que hoje só é oferecido o serviço nas regiões onde os usuários são atendidos por fibra. O problema de fazer a entrega através do par trançado é que a velocidade obtida na ponta do usuário depende muito das condições em que se encontra o par trançado e sua distância da central. Como há uma grande quantidade de cabos telefônicos instalados nos grandes centros urbanos, substituir todos por pares trançados novos ou fibra óptica seria inviável devido aos altos custos associados. Logo, espera-se que somente nas regiões com maior poder aquisitivo ou que sejam de grande interesse da operadora a fibra seja instalada até o usuário. No restante das áreas, o mercado aposta em uma arquitetura de rede híbrida, com a fibra óptica chegando a um armário próximo do usuário e as

últimas centenas de metros feitas com o cabo de cobre já instalado aliado a alguma tecnologia xDSL (Digital Subscriber Line) concluiriam o link entre central e assinante. Tecnologias sem fio também serão consideradas para o acesso de última milha, tal como o WiMAX. O importante é que essa nova rede seja capaz de comportar o tráfego de dados e vídeos sem que haja a necessidade de altos investimentos. Além dos desafios técnicos, há também algumas barreiras no campo regulatório para a entrada das telcos no mercado de pay TV, pois se a IPTV for vista como serviço de TV por assinatura, haverá necessidade de obter licenças junto à Anatel para operar nas cidades. As operadoras de cabo também terão grandes desafios para implementar serviço de vídeo sob demanda. Nenhuma ainda oferece comercialmente o serviço e

oferecem uma solução que cria um caminho direto entre o servidor de vídeo sob demanda e os moduladores QAM. Essa solução retira parte do processamento do CMTS e coloca essas funções nos moduladores, visando diminuição do número de CMTSs e consequentemente uma redução de custos. Há também os contraargumentos dos defensores do uso do CMTS para VOD no cabo. Uma das principais alegações é que o novo padrão DOCSIS 3.0, juntamente com o CMTS modular, tem como um dos objetivos a redução de custos. Acredita-se que os custos dos processadores multicore cairão devido ao ganho de escala e melhoramento das técnicas de fabricação. Consequentemente o preço do CMTS também ficará mais baixo, permitindo seu emprego em

Em um ambiente IPTV/ VOD, o número de canais poderá ser tão grande quanto o usuário quiser, pois o conteúdo que passa pelos cabos será somente o que for escolhido. muitas delas terão que modernizar suas redes para 860 MHz ou 1 GHz se quiserem ter banda suficiente para acomodar o vídeo sob demanda mais os serviços disponíveis atualmente. Existe também uma grande discussão na área de cabo sobre qual solução apresenta o melhor custo/benefício para implementação de IPTV/ VOD, já que alguns modelos foram propostos por alguns fabricantes de equipamentos. Um dos modelos propostos sugere que o tráfego de vídeo não passe pelo núcleo do CMTS, por ser muito mais intenso e constante que o tráfego de rajadas comuns às aplicações web. Esse desvio deve ser feito, pois o vídeo consumiria muito processamento do CMTS e prejudicaria os serviços de dados e voz. Para evitar esse super carregamento, haveria a necessidade das operações despenderem um alto valor para adquirir novos equipamentos CMTS para suportar esse novo tráfego de vídeo. Há no mercado fabricantes que

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maior escala. No entanto, para as operadoras de cabo a solução ainda não é inteiramente IPTV, pois a rede IP termina nos moduladores QAM, e a partir daí o transporte é feito via MPEG Transport Stream. O que se tem é uma rede híbrida e o conteúdo pode ser entregue ao usuário final em formato tradicional. Ambas as plataformas suportam a implementação do vídeo sob demanda; resta saber qual das duas apresentará o melhor custo/ beneficio, já que os investimentos são consideráveis e muitas vezes a margem de lucro poderá ser baixa. Mas uma coisa é fato: tanto as telcos como as operadoras de cabo vêem os serviços de vídeo sob demanda como uma maneira de oferecer aos usuários um produto mais refinado, e com isso aumentar a fidelidade do assinante e possivelmente a ARPU (Average Revenue Per User).

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( case)

Temporada de Moda Capricho FOTOS: Divulgação

Boomerang produz sua primeira série original no Brasil em parceria com a revista Capricho e realização da produtora paulista Primo Filmes. Esta matéria faz parte de uma série que Tela Viva publica mensalmente, explicando o desenvolvimento de projetos audiovisuais bem sucedidos, sob o ponto de vista do modelo de negócios e do financiamento.

Sem orçamento, produtoras e profissionais envolvidos na produção do longa terão cotas de participação nos resultados do filme.

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Boomerang, canal da Turner voltado para pré-adolescentes e adolescentes, estreou dia 9 de setembro sua primeira produção original no Brasil: o docu-reality “Temporada de Moda Capricho”, uma coprodução com a revista Capricho, da Editora Abril, com realização da produtora paulista Primo Filmes. Daniela Vieira, gerente de programação do Cartoon Network, Boomerang e Tooncast América Latina conta que o canal é anunciante da revista e que as equipes da publicação e do canal já tinham vontade de desenvolver algum projeto em conjunto pelo fato de produzirem conteúdos com foco no mesmo público-alvo. Foi no início deste ano que as ideias começaram a ganhar forma. “Nosso departamento comercial abordou a Capricho para desenvolvermos um projeto para 2009. Descobrimos que cerca de 90% das perguntas que as leitoras enviam à publicação são relacionadas à moda, daí a ideia de fazer um programa sobre o tema”, explica Daniela. Definido o tema da atração, Capricho e Boomerang fizeram um brainstorm e chegaram a um modelo que julgaram ideal para a atração: um reality em que o participante vencedor ganharia

Foi desenvolvido um formato de docu-reality, no qual o vencedor ganha um estágio na editoria de moda da revista.

como prêmio um estágio de seis meses na editoria de moda da revista. O Boomerang abriu então concorrência para escolher a produtora que cuidaria da execução do programa. Cinco produtoras de São Paulo participaram do processo. A Primo Filmes foi a que apresentou o projeto

chefa dos participantes. Para agregar valor ao reality, que conta com provas, eliminações a cada episódio e um vencedor no final, a ideia foi documentar todo o processo de formação dos candidatos, com workshops sobre temas como moda, revista e

O canal custeou o programa sem o uso de recursos incentivados e licenciou a marca da Editora Abril, repassando à revista uma porcentagem pelo uso do nome Capricho. que mais se encaixou no perfil do canal. “Tínhamos medo que ficasse um reality sensacionalista”, observa Daniela. “A produtora sugeriu um tratamento quase voyeurístico para a série. A câmera seria um elemento que acompanharia os participantes, sem se envolver muito”. Ficou definido também que a apresentadora do programa, Adriana Yoshida, editora criativa e visual da revista Capricho, teria um papel de mentora, e não de

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editorial. Chegou-se então ao formato de docu-reality. Marcelo Monteiro, da Primo Filmes, produtor executivo do programa, conta que a produtora entrou na concorrência a convite do Boomerang. A produtora, especializada em cinema, começou a trabalhar no ano passado com televisão, produzindo um programa para o canal Futura, “No Estranho Planeta dos Seres


Cross media Segundo Daniela, a atração foi planejada para ter desdobramento em múltiplas plataformas. O programa semanal de 13 episódios de uma hora terá um hot site (www.temporadademoda.com.br), onde os internautas encontrarão informações sobre o programa e videoblog dos participantes, que gravaram depoimentos ao final de cada episódio. O conteúdo do programa também estará na revista Capricho. Cada episódio é composto por uma palestra, pesquisa dos participantes e uma tarefa, como produzir um visual com orçamento limitado, desenvolver um look partindo dos sapatos ou inspirar-se em filmes retratando décadas passadas. Por fim, há um julgamento, com júri formado por profissionais da revista e por convidados especiais. Toda prova tem um vencedor e uma eliminação. O participante vencedor da prova da semana assina o editorial de moda que circula na revista naquela semana. Como a revista é quinzenal, na semana em que ela não circula, o editorial de moda vai para o hot site da atração. Sem revelar o orçamento do docu-reality, Daniela explica que o programa foi totalmente custeado pelo canal sem o uso de recursos incentivados. “O modelo de negócio que usamos nesta primeira temporada foi o licenciamento. Licenciamos a marca Capricho e pagamos à Abril uma porcentagem da publicidade, do que faturamos com o uso da marca”, conta a gerente de

FOTOs: Divulgação

Audiovisuais”. “Quando entramos para a concorrência, fizemos um intenso estudo de cores do Boomerang e da revista Capricho para chegar na linguagem audiovisual. Compusemos também uma música-tema para o programa. Acho que isso causou impacto”, afirma Monteiro.

palestrantes. A Primo Filmes cuidou de toda a execução. Aproveitamento O programa foi gravado em São Paulo, em um estúdio montado em um prédio na Praça Vitor Civita, próximo à Editora Abril, ao longo do mês de julho. Era preciso aproveitar o período de férias dos participantes, pois todos estão cursando no máximo o terceiro ano de faculdade. Os candidatos foram recrutados pelas equipes da Capricho e Boomerang nas principais faculdades de moda da capital paulista (Santa Marcelina, Senac, Anhembi Morumbi, FMU, Belas Artes e USP), onde os profissionais do canal e da revista faziam palestras explicando a proposta do programa e tirando dúvidas dos estudantes. Os interessados em participar do programa deveriam fazer a inscrição preechendo uma ficha e encaminhando à produção três looks criados por eles. Após uma triagem no material recebido, foram selecionados 80 candidatos para um teste de VT. Destes, 17 foram escolhidos: 13 meninas e quatro meninos. “Não tivemos preocupação em escolher meninos ou meninas, escolhemos os melhores nos testes. Conseguimos representantes de várias regiões do País, que estudam nas universidades de São Paulo”, destaca Daniela. O programa vai ao ar pelo Boomerang às quartas-feiras com reapresentação aos sábados. O tema do programa ainda permite reprise às terças-feiras em outro canal programado pela Turner, o Fashion TV. De acordo com Daniela, a Capricho e o Boomerang têm vontade de desenvolver outros projetos em parceria, mas ainda não foi discutida a realização de uma segunda temporada do docureality de moda.

Temporada de Moda Capricho Formato  Público-alvo

13 episódios de uma hora

adolescentes e pré-adolescetes Peu Lima

Direção 

(produção executiva) ProduçãoMarcelo Monteiro(diretora de produção) alho Carv dia Clau  Primo Filmes Produtora 

Sinopse: Docu-reality de 13 episódios de uma hora de duração em que os participantes, 17 estudantes de moda, disputam uma vaga de estágio na editoria de moda da revista Capricho, da editora Abril.

programação do canal. O programa já tem cotas de patrocínio vendidas para Ruffles, Johnson & Johnson, Dijean e Tilibra. A equipe da revista contribuiu para o conteúdo do programa, cedendo seu acervo de roupas, determinando temas, agendando fotógrafos e

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ana carolina barbosa

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( upgrade )

Fernando Lauterjung

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Produção local

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Harris fabricará no Brasil, em Campinas (SP), o transmissor refrigerado a ar Maxiva UAX, para transmissões de baixa e média potência em UHF. Segundo a fabricante, o modelo foi escolhido porque atende às necessidades de 98% das emissoras brasileiras na transição para o digital. O equipamento conta com a tecnologia PowerSmart, que otimiza o uso de energia, e pode ser usado para Transmissor Maxiva UAX, para transmissão de sinais baixa e média potência em UHF, analógicos e digitais, será fabricado em Campinas. incluindo o sinal para dispositivos móveis. Segundo Felipe Luna, gerente geral da Harris para o Brasil, a unidade não será apenas para montagem dos equipamentos: as placas também serão fabricadas localmente. Com isso a fabricante, que já tem mais de 20 transmissores digitais em funcionamento no país, passa a ter acesso a benefícios oferecidos aos fabricantes nacionais. A fabricante diz que deve começar a fabricar em breve, já que clientes demandam que os equipamentos sejam entregues antes da Copa de 2010. O equipamento foi demonstrado na Broadcast&Cable, que aconteceu em agosto.

Tudo em uma tela

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Sony também trouxe à feira de equipamentos no Brasil um switcher de pequeno porte. Trata-se do BRS-200, que tem versões em SD e em HD e custa a partir de US$ 13 mil FOB. Com uma operação amigável, o equipamento oferece flexibilidade para produções ao vivo e apresentações. O switcher vem equipado com a função multi-viewing, que permite que um único monitor mostre todos os sinais de entrada e saída, o que reduz o número de monitores necessários para a operação e permite que os usuários vejam todas as imagens ao mesmo tempo. A tela pode ser dividida em 16, dez ou quatro imagens, dependendo do tipo de operação. O sistema conta com quatro portas SDI para entrada e saída e uma saída DVI. A configuração de entradas e saídas, no entanto, pode ser alterada, através de placas opcionais, permitindo montar sistemas de acordo com cada aplicação. Com placas opcionais, o equipamento pode contar com até oito entradas SDI e uma DVI-I, além de quatro saídas SDI e duas DVI-I. O BRS-200 pode ainda controlar câmeras remotas da série BRC, permitindo controle de pan/tilt/zoom, íris e foco. Switcher da Sony permite dividir a tela em 16, dez ou quatro imagens, dependendo do tipo de operação.

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Grass Valley já está distribuindo no Brasil o sistema de replay K2 Dyno. Disponível no estande da fabricante na Broadcast&Cable, o equipamento já foi entregue no Brasil para a EPTV Campinas, diz a fabricante. O sistema foi criado para trabalhar em conjunto com o novo cliente de produção K2 Summit HD. A combinação atende à necessidade de produção em alta definição para jogos e eventos ao vivo. A interface se dá através de um pequeno switcher com uma barra T e botoneira, por tela sensível a toque ou por um computador conectado por Gigabit Ethernet. Em produção ao vivo, um operador pode trabalhar incluindo os metadados de cada jogada ou cena, facilitando o trabalho do operador do replay. O equipamento conta ainda com uma CPU que ocupa duas unidades de rack e pode importar e exportar arquivos MXF, QuickTime e GXF (SMPTE 360M) usando um drive USB.

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FOTOS: marcelo kahn

Pequeno dedicado aos esportes

O sistema de replay K2 Dyno atende à necessidade de produção em alta definição para jogos e eventos ao vivo.

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Mas a gente tem certeza que elas vão estar aqui.

19 e 20 de maio de 2010

Centro de Convenções Frei Caneca - São Paulo-SP

O maior e mais importante encontro latino-americano de conteúdos e aplicativos para celular. E mais: Prêmio Tela Viva Móvel 2010, uma iniciativa pioneira de fomento e desenvolvimento deste mercado. Mais detalhes em breve. w w w. t e l a v i v a m o v e l . c o m . b r


( agenda ) SETEMBRO

6 a 11 9º Goiânia Mostra Curtas, Goiânia, GO. Tel.: (62) 3218-3780. E-mail: icumam@icumam.com.br. Web: www.goianiamostracurtas.com.br

24 a 8/10 Festival do Rio 2009, Rio de Janeiro, RJ. E-mail: mostrageracao@ festivaldorio.com.br. Web: www. festivaldoriobr.com.br

1 e 2 de outubro 9º Congresso Latino-Americano de Satélites, Rio de Janeiro, RJ.

OUTUBRO 1 a 9 XXV Festival de Cine de Bogotá, Santa Fé de Bogotá, Colômbia.

Tel.: (11) 3138-4660. E-mail: info@convergecom.com.br. Web: www.convergecom.com.br Regulamentação, desafios e perspectivas no principal encontro da indústria de satélites do continente.

Tel: (571) 341-7562. E-mail: info@bogocine.com. Web: www.bogocine.com

3 e 4 Mipcom Junior, Palais des Festivals, Cannes, França. Tel.: (33-1) 4190-4580. E-mail: info.mipcom@reedmidem.com. Web: www.mipcomjunior.com

5 a 11 4º Festival do Paraná de Cinema Ibero-Americano, Curitiba, PR. Tel.: (41) 3551-1431. E-mail: festcinepr@cinetvpr.gov.br. Web: www.festivaldecinema.pr.gov.br.

5 a 9 Mipcom, Palais des Festivals, Cannes, França. Tel.: (33-1) 4190-4580. E-mail: info. mipcom@reedmidem.com. Web: www.mipcom.com

6 a 8 Maximídia 2009, São Paulo, SP. Tel: (11) 3769-1624. E-mail: comercial.eventos@ grupomm.com.br (Comercial).

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12 a 15 Festival Prix Jeunesse Iberoamericano 2009, São Paulo, SP. E-mail: contato@prixjeunesseiberoamericano.com.br. Web: www.prixjeunesseiberoamericano.com.br

14 a 18 Ottawa International Animation Festival, Ottawa, Canadá. Tel.: (613) 232-8769. E-mail: info@animationfestival.ca. Web: ottawa.awn.com

23 a 5/11 33º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, São Paulo, SP. Tel: (11) 3141-0413. E-mail: info@mostra.org. Web: www.mostra.org

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Um relatório que agrada ao seu paladar PTS, a empresa que produz o mais completo relatório sobre a TV paga no Brasil, oferece um cardápio completo, com 6 sabores que vão agradar ao seu paladar. Incluindo o relatório PTS ON DEMAND, com informações consolidadas conforme sua necessidade (você escolhe os ingredientes). Além de apetitosos, esses relatórios foram feitos para caberem dentro do seu orçamento. Consulte o cardápio e faça seu pedido.

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MAILING DAS OPERADORAS

. Informações consolidadas - dados de identificação e endereçamento da operadora e seus principais executivos. . Periodicidade - semestral (junho a dezembro) . Formato - eletrônico (planilha com filtro)

3 5

CONTEÚDO DE PAY-TV NO CELULAR .Informações consolidadas - programadora, conteúdo oferecido, título, formato, duração, relevância do conteúdo, meio de acesso ao conteúdo, valor do conteúdo pago. Sumário comparativo indicando as principais mudanças entre o último e o atual relatório. . Peridiocidade - mensal . Formato - planilha eletrônica

RADIOGRAFIA DE CANAIS

. Informações consolidadas - especificação do gênero dos programas exibidos pelo canal, tempo dedicado ao gênero, número de programas por gênero, número de estréias no gênero. . Periodicidade - mensal . Formato - eletrônico (planilhas para cada canal com a consolidação dos resultados – gráficos e tabelas).

FAÇA SEU PEDIDO!

+55 11 3138.4630 | pts@convergecom.com.br

2

CONTEÚDO NACIONAL

. Informações consolidadas - total de minutos mensais dedicados à exibição de conteúdo nacional, percentual de programação nacional exibida. . Periodicidade - mensal . Formato - eletrônico (planilhas para cada programadora contendo as grades e consolidado dos canais).

4

RELAÇÃO DE OPERADORAS BRASILEIRAS E SEUS STATUS

. Informações consolidadas - razão social da operadora, praças onde têm licença para operar, base de assinantes, grupo a que pertence (Net Brasil, Neo TV ou independente) e status de cada operação. . Periodicidade - trimestral (março, junho, setembro e dezembro). . Formato - eletrônico (planilha com filtro).

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PTS ON DEMAND

Informações consolidadas conforme sua necessidade, no formato e com a periodicidade que se adequar ao seu projeto.


Tela Viva 197 - Setembro 2009  
Tela Viva 197 - Setembro 2009  

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