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televisão, cinema e mídias eletrônicas

ano 18_#196_ago2009

20 anos na ponta

TV por assinatura completa duas décadas sob a marca da inovação. Desafio agora é massificar o serviços e acompanhar o avanço tecnológico TECNOLOGIA Os pesquisadores e empresas que apostam na televisão em 3D

CASE A primeira produção nacional incentivada da MTV Brasil


w w w. s o n y p ro . c o m . b r

O JORNALISMO DA RECORD ACABA DE GANHAR MAIS COR, MAIS NITIDEZ E MAIS TECNOLOGIA.

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Agradecemos à TV Record por adotar o formato XDCAM HD 4:2:2 como padrão em seu jornalismo. Isso mostra que a qualidade de nossos produtos estão à altura do profissionalismo de uma das maiores emissoras de televisão do país.

É SU CESSO . É SO N Y.

Sony é uma marca comercial registrada da Sony Corporation. As imagens visualizadas neste anúncio são simuladas. Fotos, gráficos e ilustrações podem não corresponder a uma representação fiel da realidade.


Foto: marcelo kahn

(editorial ) Presidente Diretores Editoriais Diretor Comercial Diretor Financeiro

Rubens Glasberg André Mermelstein Claudiney Santos Samuel Possebon (Brasília) Manoel Fernandez Otavio Jardanovski

André Mermelstein

a n d r e @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Aniversariante em forma

A Editor Editor Tela Viva News Redação

Coordenadora de Projetos Especiais Arte

Depar­ta­men­to Comer­cial

André Mermelstein Fernando Lauterjung Ana Carolina Barbosa Daniele Frederico Samuel Possebon Lizandra Almeida (Colaboradora) Humberto Costa (Colaborador) Letícia Cordeiro Carlos Edmur Cason (Direção de Arte) Debora Harue Torigoe (Assistente) Rubens Jar­dim (Pro­du­ção Grá­fi­ca) Geral­do José Noguei­ra (Edi­to­ra­ção Ele­trô­ni­ca) Alexandre Barros (Colaborador) Bárbara Cason (Colaboradora) Manoel Fernandez (Diretor) Fernando Espíndola (Gerente de Negócios) Patricia Linger (Gerente de Negócios) Iva­ne­ti Longo (Assis­ten­te)

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TV por assinatura completa 20 anos no Brasil, e é tema desta edição especial de Tela Viva, que traz matérias abordando os diferentes aspectos desta indústria, que não podem ser analisados separadamente, como a programação, o mercado e a tecnologia. As projeções iniciais para o serviço eram as mais auspiciosas. Por elas, teríamos hoje pelo menos o dobro dos atuais 6,5 milhões de lares assinantes (sem falar em algumas projeções ainda mais otimistas que havia à época). No caminho, a indústria esbarrou em todo o tipo de obstáculo: da própria conjuntura econômica à pressão de grupos de interesse. Mas grande parte foi ou está sendo superado. Hoje a TV paga vive uma onda de crescimento, tanto em novos serviços, como banda larga e telefone, quanto em base de assinantes, principalmente através das novas operadoras ligadas às teles (Telefônica, Embratel e Oi). Olhando para trás, lembramos sem saudade da exclusividade de programação, do atraso na liberação do cable modem e na liberação dos primeiros editais de cabo. Lembramos também das redes analógicas, do sinal de baixa qualidade, da programação “cucaracha”, do lixo satelital. O setor mudou muito, e trouxe para o país grandes inovações: a TV digital, a interatividade, com EPG e DVR, a alta definição, o triple play. Trouxe também os canais públicos e abriu caminho para a produção independente nacional. O próximo passo é a convergência entre as plataformas, com todos os serviços trafegando na rede IP, permitindo novos modelos de exploração dos conteúdos. Falta ainda vencer alguns desafios. Há dez anos não se lançam novos editais, fundamentais para a expansão geográfica dos serviços. Aguarda-se a tramitação do PL 29, que promete acabar com alguns anacronismos da Lei do Cabo, como a restrição de capital estrangeiro e presença das teles no setor. E falta que se definam novos modelos de empacotamento da programação, mais adaptados ao tempo atual em que os usuários querem poder sobre aquilo que assinam. E, claro, será necessário um grande esforço para conviver com a Internet e o fenômeno dos conteúdos onipresentes e muitas vezes gratuitos. Mas a conclusão é de que, passados 20 anos de altos e baixos, o setor tem mais a comemorar do que a lamentar. A hora é boa e o desenvolvimento do mercado interessa a todos: operadoras, programadoras, produtores independentes e sobretudo ao público, que cada vez tem mais condição de bancar o serviço, mas também está muito mais exigente.

capa: Editoria de arte/converge


Ano18 _196_ ago/09

(índice )

( cartas) Guia Tela Viva Gostaria de agradecer e parabenizar o trabalho do site Tela Viva. Através do Guia Tela Viva consegui trabalho. Me encontraram graças ao cadastro que fiz como camareira. Acreditei no que minhas amigas também camareiras acham ser impossível: arranjar trabalho através da Internet. Sonia Soares, Rio de Janeiro

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ES

Pequeno histórico de uma indústria em transformação

V POR ASS IN DE T RA • ATU

Mercado

Capa Li a reportagem de capa e fiquei positivamente surpreendido com as iniciativas das afiliadas. Os cases apresentados são extremamente interessantes, mostram que a proximidade com o leitor e espectador é mesmo uma grande vantagem. Cassiano Ferraz, Vitória

IAL • 20 ANOS PEC

Figuras

Operações

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Empresas se tornam prestadoras multisserviços

Programação

Cinema Ainda não tive a oportunidade de ver nenhum destes filmes baseados em histórias de times e personalidades do futebol, mas penso que do ponto de vista de negócios eles são uma grande ideia. Marcos Gastão, Curitiba

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Mercado tem foco em HD e novas plataformas de entrega de conteúdo

Tecnologia

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Convergência é um dos principais desafios da TV por assinatura

Futebol Finalmente há produtoras interessadas em fazer produtos sobre o futebol. Está aí um filão pouco explorado e que tem muito espaço para crescer no Brasil, haja visto que futebol é a paixão nacional. Também vejo os times se mobilizando no sentido de licenciar as suas marcas, não só para produtos audiovisuais, mas também para vestuário e outros itens. Grande iniciativa dos clubes e das produtoras brasileiras! Carlos P. Alves, Salvador, BA

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Audiência

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Making of

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Case

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Mixer produz série para MTV com recursos incentivados

Tecnologia

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Televisão se prepara para a tecnologia 3D

Tela Viva edita as cartas recebidas, para adequá-las a este espaço, procurando manter a máxima fidelidade ao seu conteúdo. Envie suas críticas, comentários e sugestões para cartas.telaviva@convergecom.com.br

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Agenda

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Acompanhe as notícias mais recentes do mercado

telavivanews www.telaviva.com.br 4

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PRIMEIRO CANAL DE FILMES 100% HD DO BRASIL

O MELHOR DO CINEMA EM HD CHEGA PRIMEIRO AQUI DisponĂ­vel para todas as operadoras de tv por assinatura por meio da NET Brasil: canais@netbrasil.com.br - Telefone: (11) 3898-7617.


( scanner ) Separação

Contos de Machado

A produtora CaradeCão BH deixa de fazer parte do grupo CaradeCão e passa a se chamar Quarteto Filmes. Com a saída da unidade mineira, o grupo produtor continua a atuar nas suas sedes em São Paulo, Brasília e no Rio de Janeiro. Segundo comunicado, a decisão se deve ao fato de os sócios não compartilharem mais da mesma visão estratégica do futuro. Juarez Precioso continua sócio das duas produtoras. Pepe Quintero, Maurício Foresti e Mário Felipe também fazem parte da sociedade na Quarteto Filmes.

FOTOs: divulgação

A Bossa Produções e o diretor Jom Tob Azulay começaram as gravações de uma minissérie baseada em contos de Machado de Assis. Serão adaptados cinco contos do escritor: “Entre Santos”, “Uns Abraços”, “Teoria do Medalhão”, “O Caso da Vara” e “Uma Visita de Alcebíades”, em cinco episódios de 26 minutos de duração. A minissérie conta Bossa Produções e Canal Brasil coproduzem com coprodução do Canal Brasil, minissérie baseada em contos de Machado de Assis. onde deve ser exibida em janeiro de 2010. Azulay e o produtor Hélio Pitanga encontraram em Barra do Piraí as fazendas do período do café e o apoio que procuravam para as filmagens. A cidade, localizada no interior do Rio de Janeiro, desenvolve um projeto para se tornar um pólo de produção audiovisual. A administração de Barra do Piraí ajudou com as locações e com a busca de patrocínio. “Além disso, grande parte do elenco é da própria cidade, com atores formados pela escola de teatro local”, conta Pitanga. A minissérie conta com patrocínio da Light, por meio de lei de incentivo do governo do Rio de Janeiro via ICMS. Outros 15% vem do Canal Brasil. A produtora ainda prospecta outras empresas para participar do projeto.

Falar e fazer O 3º Digital Day, evento que o portal iG promoveu em São Paulo no final de julho para agências e anunciantes, apimentou um pouco mais as discussões sobre o potencial de Rei Inamoto, da velhas e novas agência digital mídias. “Velhas AKQA: “Velhas mídias falam, novas mídias falam, mídias fazem. Está novas mídias na hora de parar de fazem. Está na hora de parar de falar e falar e começar a começar a fazer”. fazer”, afirmou o palestrante Rei Inamoto, diretor de criação da agência digital AKQA, com escritórios nos Estados Unidos, Europa e Ásia. Para ele, a mídia é uma commodity que está desaparecendo e as companhias estão percebendo que não precisam de mídia para engajar o consumidor. “Os consumidores estão virando mídia com as redes sociais e criando seus próprios canais. Com as novas mídias, a marca começa a fazer parte da vida do consumidor e se torna significante”, analisa Inamoto. A também palestrante Fernanda Romano, diretora criativa global da Euro RSCG, destacou a importância da plataforma digital. “É um absurdo ainda discutir se a Internet é uma plataforma de resultados quando se tem a notícia de que em três meses o Outlet da Dell no Twitter faturou US$ 3 milhões”, exemplifica.

Lucro na rede A Viacom tem uma nova divisão para a negociação dos sites das marcas do grupo na América Latina. A divisão, intitulada Rede Viacom (www.redeviacom.com), tem como objetivo explorar os sites internacionais das vinte marcas da companhia de forma conjunta, como nickelodeon.com, neopets.com, icarly.com, comedycentral.com, e os nacionais vh1brasil.com.br e vspot.br. Segundo o diretor de vendas publicitárias para a América Latina, Marcelo Cacciola, os sites internacionais já recebem um volume significativo de usuários brasileiros e latinoamericanos. No Brasil a Rede Viacom será comandada por Mauro Borges. A divisão oferece cinco pacotes de mídia principais para os anunciantes, constituídos das 20 marcas do grupo: gamers, teens, kids and family, entretenimento e música. Os sites podem ser agrupados ainda de outras formas, e também serem comercializados com os canais de TV do grupo. Os anúncios – que podem ser de diferentes formatos – estarão disponíveis de acordo com os países solicitados pelo anunciante. Segundo Cacciola, o segundo passo será ter alguns dos sites das marcas realizados em português. A América Latina é a primeira região a contar com essa divisão, que também terá uma área de pesquisa, baseada no México, dedicada a mostrar às agências e anunciantes quem são os usuários e a ajudar a catequizar o mercado sobre o uso da Internet. Rede Viacom pretende explorar os sites das 20 marcas da companhia de forma conjunta.

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Esporte em movimento A programação esportiva ganhou destaque em julho e agosto com canais investindo na aquisição de direitos de transmissão de novos eventos. A ESPN adquiriu direitos para dois torneios da pré-temporada do futebol europeu: a Wembley Cup e a Emirates Cup. Além desses, renovou os direitos de exibição da UEFA Champions League e da UEFA Europa League por mais três temporadas. No início de agosto, a ESPN Brasil transmitiu ao vivo, direto do Emirates Stadium, casa do Arsenal, a Emirates Cup. Participaram do torneio o time londrino, o Rangers, da Escócia, o Atletico de Madrid e o francês Paris Saint-Germain. O SporTV comprou com exclusividade os direitos de exibição do tour do Real Madrid. Outro evento exibido pelo canal foi a Copa da Paz. O Esporte Interativo também acompanhou o evento, transmitindo os jogos do Real Madrid na competição.

Animação brasileira

Além desse, o grupo adquiriu os direitos de transmissão do World Football Chalenge, que acontece nos EUA com Milan, Inter, Chelsea e America do México, da Superleague Formula, torneio de automobilismo em que os carros correm com marcas de times de futebol. No total, serão transmitidas ao vivo seis provas, até novembro, tanto pela TV, quanto pela Internet e celular. Na modalidade, 18 carros equipados com motores V12 e 750 cavalos de potência, correm com as marcas de times de futebol do mundo todo. No Brasil, os clubes participantes são Corinthians, com o piloto Antonio Pizzonia, e Flamengo, com Enrique Bernoldi. Os times não estão envolvidos na corrida. Suas marcas são licenciadas para a empresa que organiza o projeto.

A partir de agosto o Cartoon Network terá um bloco de animação 100% nacional. Dia 2 começaram a ser exibidos episódios de “Gui & Estopa”, criação de Mariana Caltabiano, que vão ao ar todos os domingos, das 9h45 às 10h. Antes da série dos cachorros, o canal exibe novos episódios da “Turma da Mônica”. No dia 30 de agosto, das 9h às 11h, o Cartoon Network faz uma maratona com os episódios e também exibe o longa-metragem “As Aventuras de Gui & Estopa”", inédito na TV. As outras séries de curtas da produtora - “Gui & Estopa no Fundo do Mar” e “Gui & Estopa em Bichos do Brasil” também foram compradas pelo Cartoon Network e estreiam no canal em 4 de outubro.

Temporada de Moda

Estudantes de moda disputam uma vaga no departamento da revista Capricho em atração do Boomerang.

O Boomerang estreia em setembro o docu-reality “Temporada de Moda”, coproduzido pelo canal e pela revista Capricho, com realização da Primo Filmes. Serão 13 episódios, com uma hora de duração, gravados em São Paulo, em que 17 estudantes de moda competirão por um estágio de seis meses no departamento de estilo da revista Capricho, da Editora Abril.

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“Gui & Estopa” estará no bloco de animação brasileira do Cartoon Network em agosto.

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Paulo Castro, diretor do Terra no Brasil: crescimento de 35% no primeiro semestre.

Surpresas no cosmo O portal Terra apresentou em seu evento anual Órbita algumas novidades para este ano. Na área de vídeo, a principal notícia foi a entrada das séries da Fox no portfólio de videoon-demand do Terra TV. São títulos de sucesso na TV paga e aberta, como "24 Horas", "Buffy", "Family Guy" e "Prison Break", entre outros. Ficou de fora a série de maior sucesso até hoje da Fox, "Os Simpsons". O Terra TV trará em 2010 a cobertura completa (inclusive com transmissão ao vivo de jogos) das Olimpíadas de Inverno de Vancouver e da Copa do Mundo. Para cada evento, o portal enviará uma equipe de 20 profissionais. O diretor do Terra no Brasil, Paulo Castro, comemorou os resultados do projeto Átomo, novo desenho do portal inaugurado em janeiro deste ano. A audiência do portal aumentou, segundo ele, 35% no primeiro semestre, em relação ao mesmo período do ano anterior, chegando à marca de 38 milhões de usuários únicos ao mês. O Terra apresentou também novos formatos publicitários em seu portal, inclusive na home page, onde foi criada a possibilidade de integrar três banners simultaneamente com conteúdos de vídeo. Outra novidade é um aplicativo agregador de redes sociais. Nele, o internauta pode atualizar em uma única janela as informações postadas em redes como Facebook, Twitter, Orkut e outras. O portal anunciou ainda uma parceria com a Samsung, para fornecer conteúdos para uma nova linha de TVs da fabricante coreana que exibirá na tela informações como tempo, notícias e até vídeos do arquivo do Terra TV. Mas ainda é um aparelho high end, cujo custo inicial deve superar R$ 10 mil. Também foi anunciada uma parceria com a RIM para incorporar o portal aos smartphones Blackberry, inclusive com a reprodução de vídeos do Terra TV.

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O Programa Cinema do Brasil anunciou uma ação de apoio à distribuição internacional de filmes brasileiros. Serão contempladas até dez propostas de distribuidoras e cada uma delas receberá US$ 15 mil para a estratégia de lançamento e divulgação no exterior. "Estimulamos coproduções, aumentamos substancialmente a participação de filmes brasileiros em festivais, mas percebemos que em nossas atividades faltava a colocação das produções nacionais no mercado de salas de outros países", observa André Sturm, presidente do Programa Cinema do Brasil. "Com a estreia nas salas, o filme ganha importância para outros mercados e a repercussão é maior. Acreditamos que este elemento vai estimular o fechamento de negócios, é um argumento para o agente de vendas que trabalha com filme brasileiro". O distribuidor deverá encaminhar ao Cinema do Brasil a proposta de lançamento e distribuição do filme, incluindo o plano de divulgação, orçamento detalhado com indicação de como os recursos recebidos serão aplicados e também indicação dos valores que a empresa investirá diretamente até o dia 31 de agosto. As

FOTOs: divulgação

Distribuição internacional

André Sturm, presidente do Programa Cinema do Brasil: faltava a colocação dos filmes brasileiros nas salas de cinema do exterior.

propostas serão avaliadas por uma comissão que escolherá os dez projetos contemplados. Existem algumas condições para a participação, entre elas o comprometimento da distribuidora em lançar no mínimo duas cópias por filme e exibir o filme em pelo menos cinco cidades diferentes ou garantir que o filme fique em cartaz por pelo menos quatro semanas. O mesmo filme poderá receber apoio para distribuidores diferentes em até três territórios. Filmes lançados com mais de 20 cópias não poderão receber o incentivo. Os recursos deverão ser empregados única e exclusivamente nas despesas para o lançamento em sala de cinema e divulgação, ficando excluídas despesas com frete, gastos administrativos das distribuidoras e alfândega.

Anúncio grátis A TAL-Televisão América Latina lançou um catálogo de documentários latino-americanos, disponível em seu site (www.tal.tv). A ideia é que o espaço seja usado por produtores e compradores como um mercado de conteúdo. O catálogo contém informações sobre documentários latino-americanos que estão disponíveis para comercialização em cinema, DVD e TV. Podem postar anúncios qualquer produtor ou diretor de qualquer país latino-americano. O cadastro é gratuito. V i v a

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Mudança de rumo O canal Voom HD, presente nas operações da Sky e TVA Xtreme, será substituído pelo Rush HD. O canal, que até o momento possui programação variada, será focado em esportes de ação, como automobilismo, paragliding, esqui e documentários de esportes. Esse conteúdo já faz parte da faixa de programação do Voom denominada “Rush”. Segundo Antonio Barreto, presidente da DLA,

Contagem regressiva distribuidora do canal na América Latina, a substituição do Voom HD começou em 2008 na Inglaterra e deve ser completada nos próximos três meses. No Brasil, ele deve ser substituído a partir do dia 1º de agosto. “Foi um processo de adequação no mundo todo. No início, os operadores queriam um canal mais genérico. Agora procuram por canais de nicho”, explica Barreto.

O SporTV estreou em julho “Missão África”, um programa mensal que abordará assuntos referentes à próxima Copa do Mundo, que será na África do Sul. O primeiro entrevistado foi o técnico Carlos Alberto Parreira, que já esteve à frente da seleção sul-africana.

Humor em cápsulas No final de julho, o People+Arts estreou cápsulas de humor em seus intervalos comerciais. Trata-se de “+Comédia”, série de 40 cápsulas de 30 segundos cada, com esquetes de histórias engraçadas feitas por nomes do standup brasileiro. As pílulas permanecem no ar pelos próximos dois meses e serão contadas por Gus Fernandes, Maurício Meirelles, Maíra Charken e Marcelo Piriggo. O projeto é da Discovery Networks, com produção da Magus Cine e direção de Guga Nogueira. Não foram utilizados recursos incentivados para essa produção, feita com exclusividade para o People+Arts.

Victorino Chermont entrevista Carlos Alberto Parreira no “Missão África”.


( scanner) FOTOs: divulgação

Minissérie no YouTube Com conteúdo criativo desenvolvido pela New Content e produção feita pela BossaNovaFilms, a minissérie “Entrelaçadas”, criada para a promoção da linha Seda S.O.S Chocolate Sem Sal, da Unilever, estreou nos breaks comerciais da televisão e também na Internet. A campanha digital, desenvolvida pela F.biz, usou várias redes sociais e inaugurou o novo formato publicitário do YouTube, o Masthead, que, segundo Roberto Grosman, diretor de mídia da agência, é um modelo que oferece maior visibilidade, interatividade e impacto.

João Daniel Tikhomiroff, da Mixer: parceria para a produção de formatos da BBC no Brasil. Campanha da Seda utilizou novo formato publicitário do site de vídeos.

Show HD

FOTOs: Publius Virgilius

O próximo canal da Globosat a ser lançado em HD, o Multishow, será totalmente focado em música, com 80% de sua programação composta por shows. “O que o canal terá em comum com o Multishow são os shows, mas haverá muito conteúdo novo, captado em HD ou em 35mm. Quase tudo que será exibido será inédito”, antecipa Guilherme Zattar, diretor geral do Multishow SD e HD. Ele conta que muitos documentários e shows estão sendo adquiridos no exterior. O segundo passo é produzir programas de música e documentários em alta definição. O Multishow HD deve ser lançado em setembro deste ano, inicialmente na Net. Nesta época também, o Mutishow SD apresentará suas reformulações. A programação do canal está baseada em quatro pilares: música, viagens e aventuras, reality show e humor. No momento, há 19 projetos em desenvolvimento no canal. A casa começou a desenvolver projetos, que são entregues a produtoras para a realização. A exceção fica por conta da atração “Quase Anônimos”, da Mixer, programa de humor que conta as histórias de dois candidatos a ator e atriz, que foi apresentado pela produtora, em um pitching do canal. Zattar diz ainda que atualmente 80% da grade é composta de projetos de fora do canal e 20% de dentro. A meta é reverter essa proporção. Ainda fazem parte das metas do canal trabalhar com novas produtoras e desenvolver conteúdo multiplataforma, pois grande parte da audiência do canal está na Internet. “Todos os projetos precisam ter ambientação na Internet antes mesmo de começar”,destaca o diretor.

Vanessa da Mata, em apresentação do Multishow. Canal HD deve

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Parceiros A BBC Worldwide e a Mixer anunciaram uma parceria para a produção de formatos da BBC no Brasil. Pelo acordo, a produtora passa a ser a parceira exclusiva de produção de formatos da empresa britânica pelos próximos cinco anos, passível de renovação. A BBC, por sua vez, será distribuidora dos formatos – e eventualmente de produtos prontos – da produtora no exterior. "Os formatos da BBC passam a ser produzidos exclusivamente pela Mixer no Brasil, mas não somos produtores exclusivos da BBC", lembra o presidente da Mixer, João Daniel Tikhomiroff. Emissoras e produtoras interessadas em produzir os formatos da BBC terão produção ou coprodução da Mixer a partir de agora. Tikhomiroff lembra, porém, que o modelo de produção e de negócios é flexível. "Podemos produzir um programa inteiro, ou então transformar um formato em um bloco de programação de um programa já existente. Além disso, a emissora pode utilizar atores e cenários próprios, por exemplo", conta. "Além de flexibilidade no formato, seremos flexíveis no modelo de negócios", diz o presidente da produtora, observando que se trata de um acordo operacional, sem nenhum tipo de sociedade. Ele conta ainda que há três negociações de formatos em andamento com três emissoras diferentes. Dois deles devem ser produzidos por inteiro e outro poderá ser um quadro de um programa. A BBC Worldwide tem acordos semelhantes de produção local na Austrália, Índia, França, Rússia, Canadá, Argentina e Estados Unidos.

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www.aja.com

“AJA hace todo el proceso más fácil.”

Keith Collea Co-escritor y Productor, The Gene Generation

Desde captura a conversión, Keith Collea’s línea de post producción completamente confía en AJA y su interior. Con un currículo de trabajo en blockbuster como Alien:Resurrection; Independence Day y Pearl Harbor; el veterano de efectos y post producción ha usado productos de AJA por mucho tiempo. La línea entera de post producción de Collea depende de los productos AJA que incluyen Kona, IoHD y Convertidores. “Yo soy un gran fan de AJA” dice Collea.

• 10-bit, Llena-resolución SD/HD a través de FireWire • Apple ProRes 422 codec a través de la placa; HD720/1080, SD NTSC/PAL • Conversión alta/baja y cruzada a través de la palca y en tiempo real • Conexión vía un solo cable de Firewire a un MacBook Pro o MacPro

I o H D .

B e c a u s e

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En su más recenté producción de película; The Gene Genaration, Keith escoge el IoHD como la pieza central de un sistema de proyección movible usando el IoHD, una Apple Intel MacBook Pro y un G-Tech G-DRIVE, fue posible crear un sistema que hiso la proyección de la película a través de un proyector Sony digital cinema sin el uso de alguna reproductora de cinta, el nos explica. “Nos ahorro tiempo y dinero y la calidad del imagen fue mejor que si se hubiera usado cinta. Fue increíble. Encuentre mas información de cómo Keith usa los productos de AJA para mejorar su trabajo, lea los detalles completos en www.aja.com/keith

m a t t e r s .


( figuras) Fotos: divulgação

Gerente Débora Pinto foi promovida de supervisora a gerente de marketing e produtos da TV Cidade. A profissional tem passagens pela Sky, onde atuou como coordenadora de relações públicas e pela prefeitura do Rio de Janeiro, onde foi coordenadora de comunicação e projetos especiais.

Vice-presidente Márcio Fonseca, diretor de afiliadas da Fox no Brasil, assume o cargo de vicepresidente da Fox Latin American Channels para México, América Central, Caribe e mercado hispânico norte-americano. Ele será responsável por tudo que diz respeito ao canais Fox para a região.

Direção de cena

Consultor José Luis Volpini, que vinha atuando na linha de frente do projeto de TV por assinatura da Oi, deixou o cargo. Ele continuará como consultor da Oi para o assunto, mas não deve ser mais interlocutor nessa área. Segundo a empresa, os negócios de TV, incluindo a distribuição do serviço de TV por satélite, já eram conduzidos pela diretoria de Estratégia e Novos Negócios da companhia, liderada por Pedro Ripper, e isso não deve mudar.

Ian Ruschel é o novo diretor de cena da gaúcha TGD Filmes. Vindo de uma formação em escolas de fotografia e direção de New York, o novo diretor da casa traz referências de linguagem e experiência como freelancer em direção, edição e fotografia, tanto em publicidade, como em conteúdo.

Coordenadora Diretor Walter Brunialti é o novo diretor de cena da Tamborim Filmes. Brunialti já foi sócio da Mojo Films, do Uruguai, e trabalhou para a produtora Elástica, de Portugal.

Elisa Vitale é o novo reforço da Comando S Áudio. Com passagens pelo departamento de cinema da agência DM9DDB, A9 Áudio e MCR, a profissional assume o cargo de coordenadora de produção.

AdSales

Atendimento

Duas executivas reforçam o time de AdSales da Viacom. Renata Bandeira (ex-Unilever, JWT e Ogilvy) assume o cargo de gerente de contas. Carla Bove (exEditora Globo) é a nova Renata Bandeira executiva de contas jr. publicitárias.

Arthur Gomes (ex-Farol Filmes, Colucci, Ogilvy e Nova S/B) é o novo reforço da equipe de atendimento da Margaridas Flores e Filmes em São Paulo. Ele trabalhará com Fabiano Beraldo, Ducha Lopes e Juliana Emeric.

Projetos nacionais

Agência digital A agência digital F.biz anunciou a contratação de quatro colaboradores. Kristiane Correa (ex-Agência Click e OgilvyOne) atuará como gerente de planejamento. Diego Vieira chega para a área de Interfaces Marcus Tomaselli, Antonio José de Souza, e o núcleo de Diego Vieira e Kristiane Correa e-commerce ganha dois reforços: Antonio José de Souza e Marcus Tomaselli. 12

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O ex-diretor geral do canal Multishow, Wilson Cunha, foi contratado pela Telecine Productions, marca da Rede Telecine que assina coproduções cinematográficas. Cunha passa a exercer a função de consultor para desenvolvimento de projetos nacionais, realizando análise e seleção de roteiros e novos projetos para coprodução do Telecine.

Programação Paulo Franco, ex-diretor de programação da Record, foi contratado pelo SBT. O profissional dirigirá o novo programa de Roberto Justus e integrará o comitê artístico da emissora.

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Foto: arquivo

Arthur Gomes

Carla Bove


Paulo Cesar Queiroz deixou a direção executiva da DM9DDB, onde atuou durante 18 anos, para assumir o cargo de chief operations officer (COO) do Grupo ABC, de Nizan Guanaes. Paulo Cesar Queiroz

Marketing

Foto: Sérgio Prado

Foto: arquivo

COO

Online Ana Lúcia Brito, diretora de mídia da DM9DDB, foi promovida a diretora de mídia online. Ana terá como objetivo aumentar a integração da mídia digital aos trabalhos criados pela agência e atuará ao lado de Fábio Saad, também diretor da área.

Cinthia Sidaui é a nova gerente de marketing e publicidade da TVA. A executiva atua há nove anos no mercado de TV por assinatura. Ela se reportará diretamente à Leila Loria, diretora geral da operadora.

Ana Lúcia Brito e Fábio Saad

Criativo A McCann Erickson contratou Tales Bahu como diretor de criação. O profissional fez carreira na Almap onde atuou durante dez anos como redator e seis como diretor de criação.

Novo negócio Christian de Castro deixou a diretoria comercial da RioFilme para assumir a Primum Entertainment Group, empresa de audiovisual e entretenimento ao vivo.

Falecimento Morreu em Brasília, no dia 21 de julho, Valdo Soares Leite, presidente do Sincab (Sindicato dos Trabalhadores das Empresas de TV por Assinatura).


IAL • 20 ANOS PEC

RA • ATU

( capa - mercado)

V POR ASS IN DE T

Samuel Possebon

ES

s a m u c a @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

20 anos: um resumo Os principais fatos das últimas duas décadas da TV por assinatura no Brasil marcaram também a vida dos dois maiores grupos de mídia nacionais. Nas próximas, o jogo é com as teles.

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TV por assinatura no Brasil completa em 20 anos. Mas, dependendo de como se faz essa conta, poderiam ser 30, 40 ou 50 anos. Em 1958, alguém teve a ideia de subir a montanha em Petrópolis (RJ), colocar uma antena de TV, puxar um cabo até a cidade e comercializar um serviço de antena coletiva. Em 1979 (e em várias ocasiões antes disso), já se falava em criar um decreto para a TV a cabo. Mas 1989 foi um ano diferente: foi quando entrou no ar, em São Paulo, o Canal +, a primeira operação de TV por assinatura com canais segmentados em notícias, esportes e filmes; foi também o ano em que as operações de antenas comunitárias (CATVs) ganharam um tratamento legal (tornaram-se DISTVs); e foi o ano em que o setor passou a ser representado institucionalmente por uma associação, a Abracom (Associação Brasileira de Operadores de Antenas Comunitárias), que em 1993 mudaria de nome, para ABTA (Associação Brasileira de TV por Assinatura). Esses três momentos que marcam os 20 anos da indústria são simbólicos apenas. Representam o início uma série de acontecimentos que permitiram a entrada dos grandes grupos de mídia nacionais e internacionais no mercado de TV paga nos anos 90, e depois, nos anos 2000, a chegada das empresas de telecomunicações. Essa trajetória é narrada no livro “TV por assinatura: 20 anos de evolução”, que será lançado este mês na Feira e Congresso da ABTA. Quem é mais antigo na indústria se lembra que no final dos anos 80 havia uma série de pequenas operações de

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antenas comunitárias. A operação de Presidente Prudente (SP) foi a primeira a iniciar os serviços, em 1987, retransmitindo o que houvesse no satélite (em geral canais abertos ou gratuitos). Depois veio a TV da cidade vizinha, Santo Anastácio. Tudo isso muito antes de haver uma regra para TV a cabo. E talvez o mercado brasileiro tivesse ficado por muitos anos restrito a esses pequenos operadores locais, que atuavam sem regulamentação e com pouca capacidade de investimento, se não fosse o papel desempenhado pelo então presidente José Sarney e pelo grupo Abril. Quem relata o episódio é Roberto Civita. “A história começa em 1982, quando o governo militar dividiu o espólio da antiga Rede Tupi em dois pedaços e ‘abriu uma licitação’ para que os interessados se habilitassem para assumir cada uma das metades. Como todos sabem, os ganhadores foram o Grupo Silvio Santos e o Adolpho

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Bloch, que apoiavam abertamente a ditadura. E a Abril foi preterida. Três anos depois, com a TV Manchete em apuros e o Adolpho Bloch querendo sair, o então presidente José Sarney nos consultou se tínhamos interesse em assumir a rede”, relata o hoje presidente do conselho do grupo Abril. Civita lembra ter respondido a Sarney: “não gostaria de ser o último em broadcast, e gostaria de ser o primeiro em TV por assinatura”. Ali começava o trabalho de formatação da regulamentação que daria respaldo às primeiras licenças do Serviço Especial de TV por Assinatura (TVA), em UHF, que seriam os embriões das primeiras operações em São Paulo e Rio. Era uma época em que muita coisa aconteceu paralelamente conspirando para o mesmo final. Se de um lado Civita plantava a ideia de TV por assinatura na cabeça do presidente Sarney, de outro o presidente Sarney falava com pessoas de sua intimidade, como o amigo e ex-senador Álvaro Pacheco ou com Matias Machline, do grupo Sharp, para que entrassem no mercado. Em outra frente, os operadores de CATV buscavam uma regularização de suas situações junto ao Ministério das Comunicações. E não só no eixo Rio-São Paulo se davam essas negociações. Anselmo Mororó, empresário cearense ligado ao jogo do bicho, também vinha, na mesma época, com ideias sobre um tal serviço de MMDS dos EUA, e procurou o senador cearense José Lins para viabilizar o serviço em sua cidade, Fortaleza. José Lins é pai de Hermano e Carlos André Lins de Albuquerque, que adotariam a ideia do MMDS e se tornariam os operadores da tecnologia em Brasília.


Abaixo a audiência A “última” a chegar nesses primeiros momentos da TV paga foi a TV Globo. O grupo, que já havia esboçado alguns experimentos com TV por assinatura na década de 70, passou a olhar com maior interesse para o tema depois de um encontro entre Roberto Irineu Marinho, hoje presidente do grupo (na época, vicepresidente) e o então ministro da Infraestrutura do governo Collor, Ozires Silva. O ministro sugeriu à Globo criar uma plataforma via satélite para distribuir conteúdos educativos. A ideia não foi para a frente, mas o grupo da família Marinho decidiu adaptá-lo para um modelo comercial, com quatro canais, distribuídos via satélite. Surgia a ideia da Globosat, uma sociedade entre a Globo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho (Boni) e Joe Wallach, ex-diretor da Globo no final dos anos 60. A Globosat entrou no ar no final de 1991 com a seguinte proposta: “uma TV sem compromisso com a audiência, em que se vende (...) informação. Uma TV cujo ritmo é calmo, sem a narrativa vertiginosa de ataque de venda de broadcasting”. Essa é a proposta de um memorando redigido por Boni, no começo de 1991, para orientar a formatação dos canais Globosat. O documento, parte da pesquisa realizada pelo livro, é um marco para a entrada

do grupo Globo no setor de TV paga. O projeto da Globosat ia além dos quatro canais. Era uma operação de TV paga condominial, distribuído via satélite, em banda C, e adicionado aos sinais das antenas coletivas dos prédios e condomínios que se tornavam clientes. O conceito foi logo abandonado e surgiu a Net Brasil com o papel de operadora (e priorizando a TV a cabo), deixando a Globosat apenas como produtora dos canais. Os primeiros anos da história da TV por assinatura no Brasil foram precários, para dizer o mínimo. Basta lembrar que nas primeiras operações, como a do Canal +, em São Paulo, o sinal sofria a interferência do forno de microondas do Hotel Maksoud Plaza, localizado a poucos metros da antena

A ponto de este ter sido o primeiro contrato de programação exclusivo, fechado depois que a TVA decidiu entrar no ar, em 1991, adquirindo a operação do Canal +, de Mathias Machline. Para abastecer os primeiros canais de filmes, os operadores compravam diretamente dos estúdios internacionais, pagando fortunas por contratos que previam a exibição na TV paga sem nenhum critério em relação a janelas de exibição ou ineditismo. Entre os anos de 1991 e 1993, os grupos Globo e Abril iniciaram suas operações de TV por assinatura, criaram canais de programação e começaram a dividir o mercado entre os que tinham programação da

civita disse a sarney:“prefiro ser o primeiro em tv por assinatura que ser o último em broadcast” de transmissão. Em Brasília, a TV Filme começou com seus próprios sócios encarregados de colocar e tirar fitas de vídeo do videocassete entre um filme e outro. Mas o conceito de uma TV segmentada e com programação exclusiva logo ganhou espaço e presença nos jornais de grande circulação. A CNN, primeiro canal tipicamente por assinatura distribuído no Brasil, ganhou fama e repercussão durante a invasão iraquiana do Kwait que levou à Guerra do Golfo (1990 e 1991), o que ajudou a impulsionar o conceito de conteúdo pago.

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Globosat e os que tinham TVA. Nessa mesma época, a Globo ganhava espaço ao se tornar sócia da Multicanal, uma operação de cabo iniciada por Antônio Dias Leite, empresário do setor financeiro e que depois foi para o ramo de mineração, e que teve dois papéis fundamentais para a indústria de TV paga: foi ele quem agregou a maior parte das licenças de DISTV distribuídas sem critérios entre 1990 e 1991 pelo governo Collor e, posteriormente, foi o primeiro a trazer

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( capa - mercado) ao grupo Cisneros, da Venezuela, lançam na América Latina (e no Brasil) a DirecTV. Meses depois seria a vez do grupo Globo seguir o mesmo caminho, em sociedade com a Televisa, do México, e com a News Corp., de Rupert Murdoch. As operações de DTH

por banda Ku trouxeram uma importante inovação para a televisão brasileira: eram as primeiras operações a transmitir com sinais digitais e recursos de interatividade. Banda larga O mercado de TV por assinatura amadureceu muito entre a primeira metade dos anos 90, com crescimento substancial das operações, a Lei do Cabo e o surgimento das primeiras operadoras de DTH em banda Ku. E logo surgiu também o conceito de Internet em banda larga distribuída pelas redes de TV por assinatura. As primeiras discussões nesse sentido estavam atreladas às redes de fibra óptica que as teles, ainda estatais, pretendiam construir em diversas cidades brasileiras. E em alguns casos isso efetivamente aconteceu, como foi o caso de

As uniões improváveis A TV por assinatura, desde os seus primeiros anos, é marcada por fatos que aconteceram e fatos que não aconteceram, mas que se tivessem acontecido teriam dado um rumo completamente novo para a indústria. Um primeiro momento marcante foi em 1985, quando o então presidente José Sarney ofereceu a Roberto Civita assumir a TV Manchete, e este recusou. Se tivesse aceitado, a TV por assinatura talvez não teria tido a força do grupo Abril impulsionando o desenvolvimento do mercado nos Roberto Civita seus primeiros anos. Em 1990, segundo Roberto Civita, antes que a Abril e a Globo tivessem iniciado qualquer operação de TV paga, houve uma reunião em que se discutiu uma sociedade entre os dois grupos. A sociedade não saiu, e a TV por assinatura foi marcada pela disputa entre os Civita e os Marinho por pelo menos mais 15 anos. Não sem algumas tentativas de aproximação, fosse para um canal de filmes único, em 1994, ou uma operação de DTH única, em 1996. O grupo Abril, em 1993, também chegou muito perto de se associar à Multicanal, o que teria tirado da Globo a liderança no mercado de cabo e, talvez, dado um rumo muito diferente para a indústria. Mas no final, Antônio Dias Leite fechou negócio com a família Marinho, em uma sociedade que, mesmo tumultuada, durou até 1998, quando a Globo Cabo comprou a Multicanal. A mesma Globo Cabo que, em 1998, quase teve a gigante norte-americana AT&T como sócia. O negócio foi fechado, mas desfeito 24 horas depois, quando a Rússia declarou a moratória de sua dívida, espalhando uma sombra de insegurança em relação a mercados emergentes. A TVA também chegou perto de ser negociada com a Oi e com a própria Net, já nos anos 2000. E a News Corp cogitou tornar-se sócia das operações de cabo do grupo Globo. Nada disso aconteceu, mas são não-fatos que poderiam ter mudado a história.

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Brasília, onde a Telebrasília construiu sua “videorede”, ligando todas as quadras da cidade a uma infraestrutura de fibra óptica. Mas por ordem do governo, que planejava a privatização da Telebrás, esta rede nunca foi

a codificação abriu espaço para um maior número de canais e para novos empacotamentos.

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FOTO: arquivo

para o mercado de TV paga um investidor financeiro, o Grupo Garantia. A Multicanal ficou no mercado até 1998 e foi, durante boa parte da primeira década da TV paga no Brasil, o maior operador de cabo existente. Dois episódios importantes marcam o tempo em que a Lei do Cabo foi discutida e aprovada no Congresso. De um lado, a abertura de espaço para canais de acesso público, como as TVs do Poder Legislativo (TV Câmara, TV Senado e as TVs das assembleias estaduais), canais universitários e canais comunitários. Outro aspecto importante decorrente da Lei do Cabo foi a garantia de que a Telebrás, estatal que até então monopolizava o mercado de telecomunicações, ficasse de fora daquele mercado que estava nascendo. Em meados dos anos 90, tanto Globo quanto Abril percebem que a TV por assinatura via satélite, em banda Ku, teria um papel importante. A DirecTV começara, em 1993, suas operações nos EUA, e o Brasil rapidamente entrou no mapa. Em 1996, a TVA, aliada à Hughes (controladora da DirecTV nos EUA) e

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utilizada. O conceito de cable modem foi apresentado pela primeira vez no Brasil em abril de 1996, em uma demonstração feita no congresso da ABTA. Mas a primeira operação comercial surgiria no final de 1997, quando a TV Filme iniciou as vendas do Link Express, um serviço de banda larga que funcionava pela rede de MMDS. Além da Internet, um conceito fundamental ganhou espaço a partir de 1997: o da codificação das redes de TV paga, o que abriu espaço para uma quantidade muito maior de canais e para a ideia de empacotamento, dividindo a programação em pacotes básicos, intermediários e premium. A TV paga abandonava os anos em que boa parte do conteúdo era simplesmente “lixo satelital”, com canais sem identidade com o assinante e muitas vezes sequer nacionalizados para o público brasileiro, e dava espaço para uma programação mais cuidadosa e diferenciada. Na mesma época em que novas tecnologias surgiam, o mercado via a perspectiva de crescer com novas licitações de cabo e MMDS. Os primeiros editais saíram no final de 1997. Mas uma disputa jurídica entre a TV Cidade (que envolvia os grupos Band, SBT e Jornal do Brasil) e o governo foi o suficiente para que o processo se alongasse por quase um ano. Veio a crise russa e a maior parte dos grupos desistiu da licitação. Ainda assim, o mercado ganhou novos players, como a Horizon (que depois se tornaria Vivax e, posteriormente, seria adquirida pela Net), a própria TV Cidade, a Acom e a Adelphia. Os anos seguintes foram de crises sucessivas. A crise russa foi a primeira

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( capa - mercado) Linha do tempo 1958

Registros das primeiras operações de antenas comunitárias (CATV) em Petrópolis

1965

Operação de CATV em Manaus, que transmitia sinais de TV da Venezuela

1975

Começam as primeiras discussões sobre um decreto para TV a cabo

1978

Operação piloto de CATV no condomínio Barramares, no Rio

1979

Nova discussão sobre um decreto para TV a cabo

1985

Grupo Abril sinaliza ao governo que quer fazer TV por assinatura Primeira operação de CATV em Presidente Prudente (SP)

1987

1998

Globo Cabo compra a Multicanal. A Telebrás é privatizada. Crise afasta grandes operadores da licitação de TV paga, que finalmente tem seus primeiros vencedores

1999

Governo libera a oferta de serviços de Internet em banda larga. TVA sai da DirecTV. Microsoft vira sócia da Globo em TV a cabo. É criada a associação NeoTV. Primeiras operações pós-editais começam a entrar em operação

2000

Exuberância irracional leva cotações da Globo Cabo a valores recorde. ImageTV lança primeiro serviço de telefonia em redes de cabo no Brasil

2001

Desvalorização cambial e crise pós-bolha fazem o mercado de TV paga discutir um novo modelo entre programadores e operadores. Grupo Band entra em programação. É criada a Ancine

2002

1988

Net e Globo suspendem pagamento de suas dívidas

Governo publica as regras para o Serviço especial de TV por Assinatura (TVA) Banda C

2003

Celulares começam a oferecer conteúdos pagos, Horizon compra a Canbrás. Roberto DirecTV entra em concordata

1989

Começa a operação do Canal + em São Paulo, é criada a primeira associação do setor (a Abracom) e o governo edita a Portaria 250, criando as DISTVs

TVA e Net anunciam os planos de digitalização das redes de cabo e MMDS. A Telmex entra de sócia da Net. TVA anuncia primeiro serviço de VoIP. Começa a discussão sobre usar o MMDS para WiMAX

1990

Grupo Abril coloca no ar a MTV, que logo se tornaria o primeiro “canal pago” do grupo

1991

2005

TVA e Globosat iniciam suas operações de TV por assinatura. Começa a discussão por uma Lei do Cabo

Canais HBO entram nas operações da Net. Anatel aprova fusão entre Sky e DirecTV. Net inicia venda do Megaflash

1993

Surge a figura da Net Brasil. Grupo Globo se associa à Multicanal. Negociações da Lei do Cabo ganham corpo. A Abracom torna-se ABTA e ganha a presença dos grupos Globo, Abril e Multicanal

2006

Net inicia venda do NetFone via Embratel. Oi compra a WayTV em Minas. Net compra a Vivax, que no começo do ano havia aberto capital em bolsa. Telefônica compra a TVA. Band e TVA fazem as primeiras transmissões em HDTV por cabo e MMDS. Cade aprova fusão entre Sky e DirecTV, e impõe o fim da exclusividade dos canais Globosat

1994

TVA traz a HBO ao Brasil e Globosat se associa a estúdios para fortalecer o Telecine

1995

Sancionada a Lei do Cabo. Grupo Adelphia chega ao Brasil na operadora Pansat, de Pelotas (RS). Abril traz Chase, ABC Capital, Hearst e Falcon como sócios na TVA

2007

Fusão Sky/ DirecTv

Telefônica lança seu DTH e começa o piloto do serviço de FTTH em São Paulo. Inicia-se o debate do PL 29. Globosat lança seu primeiro canal HD, e Net lança serviço em alta definição. Brasil Telecom lança operação de IPTV Videon

1996

Primeiras demonstrações de Internet banda larga em cable modems. TV Filme é a primeira operadora a abrir em bolsa, nos EUA. Operações de DTH DirecTV e Sky são lançadas no Brasil, trazendo o conceito de TV digital à TV paga.

2008

1997

Banda larga

Irineu Marinho

2004

Multicanal entra em Bolsa. No final do ano, saem os primeiros editais de cabo e MMDS. TV Filme começa a vender seu serviço de banda larga por MMDS. Começa a codificação das redes de TV a cabo da Globo Cabo, abrindo espaço para a oferta do pay-per-view do Brasileirão. A Anatel é criada.

2009

Portal Terra começa a transmitir conteúdos exclusivos e séries de TV paga. Sky compra a operação ITSA (TV Filme). Oi e Brasil Telecom anunciam fusão. Embratel lança serviço de DTH.

Sky lança serviço em HDTV. Oi lança seu serviço de DTH. Net chega à 2 milhões de assinantes de voz Chegada do HDTV

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em 1998, seguida pela desvalorização cambial do real, em 1999, e pelo estouro da bolha das empresas de alta tecnologia, em 2000, e a nova onda de desvalorização cambial em 2001 e 2002. Com isso, o mercado brasileiro ficou praticamente quatro anos oscilando entre avanços e retrocessos, sem crescimento consistente, ainda que algumas operadoras, como a Globo Cabo (atual Net Serviços), tenham desfrutado de períodos de prosperidade nas bolsas norte-americanas, se beneficiando da onda da Internet. A Globo Cabo, naquela época, tinha a Microsoft como acionista. Novos personagens A crise se agravou a partir de 2001. Apenas após uma longa tempestade financeira, com ajustes dramáticos nas relações entre programadores e operadores, em 2002, e depois com o saneamento pós-moratória do grupo

dinheiro. Não sei quanto é que vale, deve ser bem mais que isso, mas eu quero vender por US$ 200 milhões desde que seja pago antes de sexta”, respondeu Marinho. E assim se deu o mais importante negócio da história recente do setor no Brasil. Outro negócio importante, que começou em 2004 e se arrastou até 2006, foi o processo de fusão entre Sky e DirecTV, que juntou as duas maiores operadoras de DTH dez anos depois de suas operações. Depois disso, outros grupos de telecomunicações apostaram. A TVA foi adquirida, em 2006, pela Telefônica, movimento que praticamente afastou o grupo Abril do mercado de TV paga. O grupo, aliás, veio se distanciando da TV por assinatura desde 1999, quando começou a vender participações em operadoras e programadoras. Primeiro na DirecTV, depois nos canais ESPN Brasil e HBO, entre outros. Roberto Civita, presidente do conselho do grupo Abril, relata da seguinte maneira a experiência do grupo em TV paga: “Outro dia eu mandei fazer o cálculo sobre quanto investimos nesse projeto de TV por assinatura desde o primeiro até o último dia. Quanto investimos e quanto recuperamos depois das diferentes vendas. (...) Mais ou menos saímos empatados, incluindo os juros. O que eu considero um feito extraordinário. (...) Uma coisa eu aprendi: distribuição, não. Conteúdo, certamente estamos interessados, e estamos olhando para a Internet. Mas distribuição é para empresas gigantes, com muito capital”, conta o presidente do conselho do grupo Abril. É uma posição bem diferente da manifestada pelo grupo Globo: “O fato de termos feito nosso sistema de distribuição e investido em conteúdo mostrou que o conteúdo é a chave do jogo, e que o sistema de distribuição, embora tenha me custado esta barriga e todo o investimento que foi feito, foi o que viabilizou a estratégia dos canais”, diz Roberto Irineu Marinho. O ano de 2006 também foi o ano em que a WayTV, em Minas, era adquirida pela Oi, marcando a entrada da maior tele brasileira no setor. O DTH também se tornaria central na estratégia das operadoras de telecomunicações. A Telefônica começou suas operações em 2007, a Embratel no final de 2008 e a Oi, este ano. São estratégias que

roberto irineu precisava de US$ 200 mil. foi o que pediu pela net. Globo, a partir de 2003, é que o setor de TV paga entrou em uma nova fase. A banda larga, que se tornou um produto das operadoras de cabo no final de 1999, ganhou espaço nos primeiros anos de 2000 e em 2005 se tornava a principal aposta das operadoras como novo produto. Em 2004, a primeira grande operadora de telecomunicações aportou no mercado de TV por assinatura: a Telmex, que havia acabado de adquirir a Embratel, entra na Net. Segundo relato de Roberto Irineu Marinho ao livro “TV por assinatura - 20 anos de evolução”, foi a negociação mais simples já realizada pelo grupo Globo. A conversa com Jaime Chico Pardo, então CEO da Telmex, segundo Roberto Irineu Marinho, se deu nos seguintes termos: “Quanto é que você quer pela Net?”, perguntou Pardo. “Para ser exato, eu tenho que pagar, na próxima sexta, US$ 200 milhões e não tenho


IAL • 20 ANOS PEC

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( capa - operações)

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Fernando Lauterjung

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Desbravamento de mercados Montadas como infraestruturas para carregar conteúdos exclusivos e próprios, as operadoras de TV por assinatura se consolidam como prestadoras de multisserviços e vislumbram a entrada em novos mercados.

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ão há muita divergência entre os executivos das operadoras de TV por assinatura sobre os principais marcos da história do serviço no Brasil, que começou oficialmente há 20 anos. Sobre o futuro, também vislumbram cenários semelhantes. As apostas, no entanto, muitas vezes são divergentes. Cada operadora vai traçando seu próprio caminho, buscando diferentes perfis de público. “O primeiro grande marco foi quando as operações se transformaram em licenças de TV a cabo”, diz José Felix, presidente da maior operadora do país, a Net Serviços. “Isso trouxe garantias aos investidores, que sabiam que estavam investindo em algo legal”, justifica. Antônio João Filho, diretor-executivo do Via Embratel, serviço de DTH da tele, concorda que a regulamentação é o grande marco. “Não é a regulamentação que gostaríamos, mas definiu o mercado como é hoje”, diz, sobre a Lei do Cabo, de 1995. Além disso, o perfil dos primeiros investidores também ajudou a definir como seriam os primeiros 20 anos do mercado. Leila Lória, executiva da TVA, lembra que o mercado se formou pela atuação de dois grandes grupos de mídia. “A Abril queria poder, finalmente, entrar na mídia eletrônica; enquanto a Globo queria FOTO: Marcelo kahn

preservar o seu mercado. Ambas apostaram na exclusividade de conteúdo, a maior praga deste mercado”, diz. Para a executiva, os dois mais poderosos grupos de mídia do Brasil investiram de forma torta, com overbuilding de redes. Além disso, “investiram muito dinheiro em conteúdo, sem perceber que o mercado era pequeno”. “Eram os pequenos pensando com cabeça de grande e os grandes pensando com cabeça de pequenos”, diz Luís Eduardo Baptista, CEO da Sky. As crises que

“A banda larga só se desenvolveu com a entrada das empresas de telecomunicações”. Leila Lória, da TVA

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assolaram o país na segunda metade dos anos 1990 não colaboraram muito para o desenvolvimento do mercado. Com a crise cambial de 1997, o mercado começou a se reformatar. “Aí os pequenos perceberam estar na mesa de pôquer errada. As operadoras começaram a comprar umas às outras”, diz Baptista. “Mas ainda era tudo intrassegmento”, lembra. Leila lembra que Abril e Globo congelaram os investimentos e, mais tarde, a Abril foi a primeira a mudar sua estratégia, vendeu participação na DirecTV e saiu da área de programação, mercado no qual voltaria a investir, novamente sem sucesso, em 2008. “Nos concentramos no cabo, no MMDS e no triple play”, diz a executiva, lembrando que em 1999 lançou o serviço de banda larga Ajato. “Todo o negócio (de TV por assinatura) caiu por terra em 2000 e 2001. O número de assinantes não era tão grande. A indústria ruiu e teve que se reerguer. Teve que repensar o mercado, renegociar dívidas”, lembra Felix. Foi quando a Globo percebeu que seu potencial estava no conteúdo, e não na distribuição. “De 2001 a 2003, o mercado não cresceu, ficou estagnado”, lembra Baptista, da Sky. Foi aí, segundo ele, que se percebeu que não fazia sentido pagar programação em dólar e vender o serviço em real. “Todos os contratos foram mudados para real”. Em 2003 houve a fusão Sky/ DirecTV. “Nenhuma das duas operadoras tinha mais de um milhão


“Há a possibilidade de a indústria, que nasceu de TV por assinatura, se transformar em telecom”. José Felix, da Net Serviços

mudança começou muito antes da entrada das telcos. “Quando as operações começaram a construir redes e investiram no estado da arte. Se deram conta que era uma indústria em transformação. Se falava em convergência, mas não se sabia o que era. Mesmo assim, vislumbraram um futuro promissor. Poderiam ter feito a ‘argentinização’ da TV, investindo em equipamentos baratos ou recondicionados”, diz. Mais tarde, diz o executivo, veio outro marco, quando se entendeu a convergência, “e se colocou tudo no cabo”.

Futuro Questionados sobre o futuro, todos acreditam na consolidação da alta definição e de uma forte presença da classe C na base de assinantes, mas cada um segue seu próprio caminho. A Sky aposta no HDTV, uma “estrada sem retorno e nem acostamento”, diz Baptista. Segundo ele, o HD vai crescer muito rapidamente no país. “Até o fim do ano, teremos 150 mil assinantes, 300 mil até a Copa do Mundo (de 2010)”. A Embratel aposta em outro segmento. Segundo Antônio João, sua missão na empresa é criar um novo mercado. “A maioria dos nossos clientes nunca assinou TV paga. 55% a 60% dos assinantes FOTO: ricardo ferreira

de assinantes. Perderam, juntas US$ 1 bilhão para se manter até a fusão”, diz Baptista, lembrando que a materialização da fusão veio em 2004. Leila Lória diz que a quebra de exclusividade de programação, por decisão do Cade, também foi um marco. “Foi uma decisão histórica, mas que refletiu todas as distorções de mercado”, diz. Mas principal mudança, na visão de Leila, foi a entrada das teles no setor. Segundo ela, isso começou com a entrada da Telmex na Net. “A operadora passou de um investimento anual de R$ 100 milhões para R$1 bilhão”, diz. “A banda larga só se desenvolveu com a entrada das empresas de telecomunicações”, completa. Segundo ela, o setor ainda não aprendeu a vender telefonia. Felix, da Net, diz que essa

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“O que vai fazer o mercado crescer é o crescimento da renda das classes C1 e C2”.

não migraram da concorrência”, explica. “O que vai fazer o mercado crescer é o crescimento da renda das classes C1 e C2”, aposta. “Este consumidor está comprando TVs de LCD e computadores, vai precisar da TV paga e da Internet. “Há uma área a ser explorada. O mercado é um terço do potencial e está concentrado em duas operadoras”, diz Luiz Eduardo Volpini, que montou a operação de DTH da Oi, voltada à classe C, e agora atua como consultor da operadora. “Houve várias investidas na classe C, mas os pacotes anteriores não despertavam interesse. A classe C sempre apreciou mais os canais locais”, diz Felix, lembrando que o pacote de serviços da operadora destinado a este público, formado por banda larga, telefonia e os canais abertos e obrigatórios, vem colaborando com o crescimento da Net. A Sky não descarta a entrada da classe C, mas, para ela, o HD é o mais importante. “Quanto mais robusto o crescimento com a alta definição, mais recursos teremos para subsidiar a entrada da classe C”, diz Baptista. “O pré-pago (serviço da operadora destinado à classe C) não cresce como gostaríamos, mas tem crescimento constante.” Para Leila, da TVA, a mudança não se dá apenas na qualidade de imagem ou na entrada de um novo público. Segundo ela, o consumidor não quer mais que a experiência de ver TV “acabe no sofá”, ele quer poder consumir este conteúdo na Internet, no celular. “As experiências serão muito mais complexas. Quem descobrir como tornar a convergência em algo simples, vai liderar este mercado”, aposta. “Temos que poder oferecer o conteúdo em outros devices e ser um

Antônio João Filho, da Via Embratel

FOTOs: ricardo ferreira

( capa - operações)

hub do conteúdo na casa do assinante”, diz. Desafios O futuro vislumbrado pelas operadoras depende não apenas delas. Em relação ao conteúdo, muito precisa ser acertado. As operadoras não podem hoje entregar o conteúdo em outras plataformas. “O distribuidor quer cobrar em todas as plataformas, enquanto o cliente que pagar apenas uma vez”, simplifica Leila. “A TV por assinatura foi a primeira indústria de mídia eletrônica a conseguir cobrar pelo

por assinatura, se transformar em telecom”, diz Felix. “Pelo menos nas praças onde o cabo está, mas esta tendência depende muito do órgão regulador”, diz. Baptista concorda: “Havendo regras estáveis, que nos permitam ter escala e ser competitivos, vamos por este caminho (atuar como uma empresa de telecom)”. A operadora investiu na compra de duas operações de MMDS, o que poderia colocá-la como uma “triple player” usando a frequência para tráfego de dados, o que seria possível montando uma rede WiMax. “O MMDS depende do que a Anatel disser. Não queremos ter licenças apenas em Goiânia e em Brasília. Precisa abrir o mercado em São Paulo e no Rio”. “A Lei do Cabo é engessada”, diz Antônio João, apontando um dos principais empecilhos para o crescimento do setor. “O PL 29 deve resolver essa distorção”, diz. Mesmo assim, para ele, o próprio mercado vai resolvendo o problema da maneira como pode. “Vai haver convergência independente da infraestrutura. No futuro vamos combinar satélites com WiMax, telefonia fixa etc”. Para ele, a combinação dependerá principalmente da região e da conveniência em investir em determinada infraestrutura em cada localidade. “A convergência não vai ser homogênea”. Mas a maior mudança, diz ele, não depende do setor e nem do órgão regulador, mas de mudanças estruturais na economia brasileira. “O que mudou não foi a TV por assinatura, foi o Brasil. Hoje há outro poder de consumo. O acesso à informação faz as pessoas pensarem mais, fazerem juízo quanto ao conteúdo”.

mercado caminha ao mesmo tempo para popularização dos pacotes para a classe c e disseminação do HDTV. conteúdo, há 20 anos. A Internet ainda não conseguiu”, lembra a executiva. Para agradar a classe C, também há o que se negociar com programadores. “O mercado precisa desamarrar para acabar com a penetração baixa. Para o programador o importante é o volume”, diz Volpini. “O preço está muito alto para a realidade brasileira”, completa. O executivo aposta que, conforme as operações dedicadas à classe C mostrem que têm potencial, as programadoras aceitarão negociar a abertura de seus pacotes. “Na linha do tempo, acho que poderemos mexer nos pacotes. Quando tivermos 2, 3 ou quatro milhões de clientes, vão aceitar negociar”, diz. “Há a possibilidade de a indústria, que nasceu de TV

“Quanto mais robusto o crescimento com a alta definição, mais recursos teremos para subsidiar a entrada da classe C.” Luís Eduardo Baptista, da Sky

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Daniele Frederico e Ana Carolina Barbosa

ESP

( capa - programação)

E TV POR ASSI SD

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A era do conteúdo Nas últimas duas décadas, programadoras e operadoras esforçaram-se para ampliar e diversificar a oferta de canais. Hoje, mercado mira HD e novas formas de entrega de conteúdo.

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esde os primórdios da TV por assinatura, com canais que exibiam programas que tinham pouco ou nenhum interesse ao gosto brasileiro, até o presente momento, com conteúdo pensado para o Brasil, canais em alta definição e distribuição de conteúdo multiplataforma, muitos acontecimentos marcaram a história da indústria e ditaram os rumos da atual oferta de TV paga no País. No ano em que a TV por assinatura completa 20 anos é possível afirmar que a bola da vez quando o assunto é programação é a alta definição, pelo menos entre as duas maiores operadoras brasileiras, Net e Sky. Ainda que esse não seja o foco de pequenas e médias operadoras (leia box Negociação constante), que ainda passam pelo processo de digitalização de suas redes, entre os peixes grandes é quase tudo o que se fala. Isso porque, além do HD, outros serviços como o videoon-demand (VOD) e a oferta de conteúdo por outras plataformas fazem parte do planejamento das operadoras e devem ser assunto para as conversas entre os players do setor durante os próximos anos. Questões que dominaram o cenário da TV por assinatura durante anos, como a exclusividade de canais e conteúdos, parecem ter ficado no passado. Até mesmo a “fila de canais”, fortemente debatida há menos de um ano, parece não estar no topo das discussões. Isso porque operadoras como a Sky, por exemplo, deixam

claro que seu foco não está no lançamento de novos canais em definição padrão, ou SD. “Não vamos mais lançar canais em definição standard. Todo o posicionamento da empresa mudou para HD. Até mesmo nosso slogan se tornou ‘Sky - HDTV é isso’”, conta o vice-presidente de marketing e programação da operadora, Agrício Silva Neto. O próximo passo da Sky neste sentido é realizar uma segunda rodada de negociação com as programadoras para lançar no mínimo outros dez canais até o final do ano, independentemente se em um novo

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pacote ou como parte do pacote atual. Conseguir outros dez canais em alta definição, além dos dez que já estão presentes na atual oferta da Sky, parece não ser um grande problema para a operadora, agora que o lançamento do primeiro pacote HD já abriu o caminho. “Com o HD, nosso desafio maior foi fazer com que as programadoras acreditassem no projeto e, em alguns casos, trouxessem esses canais para o País. Foi uma negociação intensa e longa”, conta Silva Neto. “Agora já ganhamos essa confiança”.


FOTO: divulgação

Ele diz ainda que, embora o foco seja em HD, a operadora precisa ser seletiva, já que o espaço disponível para os canais ainda é restrito e um canal HD ocupa três vezes o espaço de um canal em definição standard. “Acredito que os canais vão migrar gradativamente para o HD”, afirma. Embora a base de assinantes ainda seja pequena – são 40 mil lares com pacote HD da Sky – Silva Neto diz que as programadoras sabem que esse número começa baixo e que depois os assinantes migram para os pacotes mais caros. “No período de um ano, mais de 50% da base se move para outros pacotes”, conta o diretor.

“Não vamos mais lançar canais em definição standard.Todo o posicionamento da empresa mudou para HD”. Agrício Silva Neto, da Sky

Deixar de adquirir canais lineares em definição padrão também é uma das estratégias da concorrente da Sky e maior operadora de TV por assinatura no Brasil, a Net Serviços. “A indústria passou de uma situação de não ter canais para ter até um excesso deles”, diz o diretor de programação da operadora, Fernando Magalhães. Hoje a Net conta com 90 canais pagos, além de canais de música e os abertos. Diante da ampla oferta, a operadora começa a focar em aquisições de outros tipos de produto, embora não descarte lançar

canais em definição padrão no futuro. “Não é que não vamos lançar mais canais lineares SD. Mas o modelo que existe hoje, de canais em definição standard, está próximo do fim”, afirma. “Que diferença faz, hoje, ter mais um canal? Atualmente, nenhum canal linear é diferencial para tomar uma decisão”, revela Magalhães. Para o executivo, o diferencial daqui para frente será o HD e o VOD, em especial este último, que atenderia, segundo Magalhães, ao conceito de cauda longa. “Com o VOD você pode dar o que o consumidor quer ver, na hora que ele quer ver. É uma biblioteca que não caberia em um canal linear”, diz. Para Magalhães, a tendência é que os canais lineares melhorem as suas programações em relação ao que têm hoje. “Além de uma

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(capa - programação) esse mercado”, conta Antonio Barreto, CEO da DLA, que esteve envolvido em uma das primeiras operações de TV por assinatura no Brasil, o Canal +, projeto pioneiro que iniciou a TV por assinatura na capital paulista, em 1989. Alberto Pecegueiro, a frente da Globosat desde o final de 1994, afirma que a diretriz principal naquela época era ser uma alternativa à TV aberta. “Não havia preocupação com audiência, não havia massa crítica”, observa. Para ele, o negócio de programação no Brasil começa a se firmar quando se divide a programação da distribuição. Essa motivação por pioneirismo, FOTO: divulgação

melhoria do próprio canal, acredito na substituição desses canais SD por suas versões HD”, afirma. Ele lembra, porém, que muitos canais HD hoje no mercado não são 100% produzidos em alta definição e contam com conteúdo upconverted. “Acredito que a tendência no HD seja ter canais relevantes e que tenham conteúdo em HD de fato. Vamos priorizá-los e complementar a oferta com o VOD na Net, com o objetivo de não empilhar muitos canais”. Para o VOD, Magalhães conta que um modelo interessante pode ser uma mistura de canal linear com vídeo sob demanda. “Podemos usar a marca do canal no VOD”, diz. Em termos de gênero de programação, conteúdo adulto, infantil, filmes e séries devem ter maior apelo sob demanda, segundo o diretor.

“A indústria passou de uma situação de não ter canais para ter até um excesso deles”. Fernando Magalhães, da Net Serviços

está sendo comercializado no Brasil porque a programadora analisa como lançá-lo sem que ele seja confundido com um produto da MTV Brasil. Distribuição em foco Embora o conteúdo fragmentado, vendido sob demanda, e os canais em alta definição sejam as meninas dos olhos dos maiores operadores, a realidade pode não ser exatamente a mesma enfrentada pelos

enquanto programAdoras tentam emplacar canais sd, operadoras buscam canais hd e conteúdo on-demand.

De volta às origens O aumento da oferta em alta definição, que passa por uma corrida dos operadores para ver quem oferece mais canais e de melhor qualidade, pode lembrar em alguns pontos o início da indústria, quando os operadores colocavam canais que não tinham qualquer apelo para o público brasileiro, feed em português, ou conteúdo nacional. “Naquela época, foi uma grande aposta em um negócio que funcionou em outros países. Colocávamos tudo aquilo que estivesse disponível no ar. Quem entrasse primeiro, tinha chance de conquistar

FOTO: Patricia barreto

atualmente, tem feito com que as programadoras corram atrás de fazer seus canais HD, mesmo que o conteúdo não seja totalmente produzido em alta definição e seja pouco adaptado para o público nacional. “Estamos passando pelos mesmos desafios: o custo caro de programação, a dificuldade de produção. O HD é uma aposta cara. É como se tivéssemos que reinventar a roda”, conta o vice-presidente da Turner International do Brasil, Anthony Doyle. Para contornar os altos custos do HD, os programadores apostam em canais programados globalmente. É o caso da Viacom, cujo canal MTVN HD conta com conteúdo da produtora do mundo todo para compor a sua grade. O canal ainda não

“No início, colocávamos tudo aquilo que estivesse disponível no ar. Quem entrasse primeiro, tinha chance de conquistar esse mercado”. Antonio Barreto, da DLA

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programadores. Ainda que todos os grandes programadores, brasileiros ou estrangeiros presentes no Brasil tenham canais em alta definição, ou pelo menos tenham iniciativas para colocar seus canais em HD no mercado em breve, há ainda deficiências na distribuição de seus canais lineares SD que precisam ser resolvidas. De um momento em que as operadoras precisavam de conteúdo para suas ofertas, até a saturação dos line-ups, as programadoras cresceram, fizeram fusões, ampliaram seus escritórios e começaram a negociar publicidade nacionalmente. Entre outros fatores, é a publicidade o principal motivador para que os programadores busquem ganhar distribuição. Um aumento de base significaria mostrar ao mercado publicitário que a TV por assinatura merece mais do que apenas os 3,74% de participação no

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FOTO: ricardo ferreira

(capa - programação) “É importante pensarmos em como baratear os custos para conseguir com que operadores façam pacotes mais acessíveis”.

Ao deixar claro que o foco das operadoras é a alta definição e que a aquisição de novos canais SD não está na pauta do dia, resta aos programadores que querem emplacar seus canais atender a outra demanda (e também desafio) dos operadores: os pacotes para a classe C. Os operadores que fazem as suas tentativas de entrar mais fortemente nesse segmento querem conteúdo de qualidade e que tenha forte apelo para este público, por um preço que torne os pacotes viáveis. “A gente sabe que o potencial de crescimento está na classe C. Porém, é preciso ter o conteúdo relevante, como o futebol, por um preço que se possa pagar. Se não for feito algo para mudar isso, o mercado não cresce”, diz a diretora executiva da NeoTV, Neusa Risette. A Fox, segundo Gustavo Leme,

Silvia Jafet, da Band

vice-presidente da Fox Channels Latin America no Brasil, trabalha com foco em duas pontas. Por um lado, busca atender à demanda dos operadores pelos canais em HD, para compor os pacotes voltados às classes A e B (além do canal Fox/NatGeo HD, que já está nos pacotes da Net e Sky, a programadora prepara o lançamento do NatGeo Wild para novembro e do NatGeo Adventure para janeiro do próximo ano). Por outro lado, está atenta também a clientes como Oi e Embratel, que entram no mercado de TV por assinatura com foco na classe C. “Estamos adequando produtos atuais para atender a esta demanda”, afirma Leme.

Silvia Jafet, diretora de desenvolvimento e novos negócios dos canais pagos da Band, também aponta estes dois elementos – alta definição e aumento da base de assinantes com a popularização do serviço de TV paga – como determinantes para os rumos da programação. Silvia conta que o grupo trabalha para o lançamento de quatro novos canais, sendo que um deles tem forte foco no mercado HD. “Também é importante pensarmos em como baratear os custos para conseguir com que operadores façam pacotes mais acessíveis. Acho que este é hoje o grande desafio do operador”, observa. Novos papéis Não é novidade que os hábitos dos consumidores de mídia estão mudando. É sabido por programadores, operadores e produtores de conteúdo que o consumidor quer ver o que quer, quando quer e na tela que quer. “As pessoas vão ver TV de forma não-linear, não se pode lutar contra

Negociação constante

“O mercado concentrado é um risco em termos de negociação. Quanto menos grupos, mais difícil negociar. As empresas pequenas e médias têm que ser mais criativas”

FOTO: ricardo ferreira

Enquanto as gigantes do setor de TV por assinatura planejam a ampliação de suas ofertas HD e pensam nos próximos passos em VOD e Internet, entre os pequenos e médios operadores, a situação é muito diferente. As operadoras médias passam pela digitalização de suas operações, enquanto a maioria das pequenas sequer deu início ao processo. Todos os movimentos que de alguma forma impactaram o mercado, certamente bateram com mais força nas operações de menor porte. Quando houve uma desvalorização do real, em 2002, por exemplo, os custos com programação, que até então eram em dólares, tornaram muitas negociações insustentáveis. “Eu achava que algumas empresas não terminariam o ano. Felizmente, os programadores entenderam a situação e houve uma renegociação dos

Neusa Risette, da NeoTV

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contratos”, conta a diretora executiva da Associação NeoTV, Neusa Risette. Questões como a quebra da exclusividade dos canais Globosat, inicialmente desejadas pelas operadoras menores, deixaram sequelas para essas empresas, devido à maneira como foi realizada. “Há uma série de exigências para carregar os canais, como a penetração total na base. Para os pequenos, principalmente, é muito difícil de carregar todos os canais, por causa dos custos”, diz Neusa. Ela lembra ainda que essa quebra fez com que os outros programadores corressem em busca de estar nos pacotes mais básicos das operadoras. “Neste momento, com os programadores querendo se proteger, aumentou a pressão por um empacotamento fechado e houve um retrocesso. O problema é que com a digitalização, o número de canais no mercado aumenta, e as empresas que não digitalizaram não conseguem carregar os canais que as programadoras empacotam”, diz. Em um cenário de consolidação, a tendência é que essas operações sofram ainda mais para realizar suas negociações de programação. “O mercado concentrado é um risco em termos de negociação. Quanto menos grupos, mais difícil negociar. As empresas pequenas e médias têm que ser mais criativas”, afirma.

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isso. Essas plataformas todas, Internet, celular, VOD, têm que conversar”, diz Álvaro Paes de Barros, da Viacom. Mediante essa desfragmentação do conteúdo e a oferta em mídias que não a televisão, como fica o papel do programador e do operador? Para Anthony Doyle, da Turner, a Internet, onde o consumidor acessa o que quer, quando quer e, muitas vezes, sem pagar pelo conteúdo, está mudando a forma de consumir entretenimento. “Temos que ser melhores do que fomos no passado”, diz. Para o executivo, a programação como ela existe hoje, feita por um intermediário, vai continuar a existir por muito tempo. “Acredito na oferta de

comodidade. O telespectador gosta de ter alguém programando o conteúdo para ele. O VOD, por exemplo, é um complemento importante, mas me parece que sozinho ele não sobrevive”, afirma. Para Barreto, da DLA, o que mais vale hoje é a marca do canal que se tem. “Canal é marca. Se você se identifica com ESPN, MTV, HBO, por

exemplo, você vai se identificar com o canal linear, com o VOD, com a marca presente no Facebook, em um chat ou qualquer outro lugar”, diz. Com tantos desafios para o operador, em desenvolver tecnologia e ampliar a base de assinantes, e para os programadores, em oferecer conteúdo para diferentes mídias e em diferentes formatos, os detentores dos direitos estão em posição mais privilegiada do que nunca. Diante dessa supremacia do conteúdo, programadores esforçam-se para adquirir direitos para todas as mídias, enquanto operadores repensam seu papel diante da distribuição de conteúdo por mídias que lhe escapam o controle.

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(capa - programação) “As pessoas vão ver TV de forma não-linear, não se pode lutar contra isso. Essas plataformas todas, Internet, celular,VOD, têm que conversar”.

FOTOS: divulgação

Passado vs. Futuro O que parece muito claro entre programadores é que o operador não perderá a sua função no mundo da programação. Além da tecnologia, o operador tem um relacionamento com o assinante, que vai além do que o programador consegue oferecer. Esse relacionamento e essa tecnologia são apreciados por quem viveu os primórdios da indústria, quando esses serviços não recebiam a devida importância. Barreto conta que, naquela época, todos acreditavam que o mercado adotaria a TV paga de forma mais rápida, e que isso não aconteceu em grande parte por problemas operacionais. “O mercado não conseguia instalar o equipamento, fazer o atendimento ao consumidor. Houve um investimento em programação, mas a parte operacional ficou de lado. Foi o ‘calcanhar de Aquiles’ da TV por assinatura em seu começo. Era um caos operacional total”, diz. “Hoje o grande ativo que a operadora tem é a relação com o cliente. Na época, a gente achava que se pusesse o canal no ar, as pessoas comprariam”. Roger Karman, hoje sóciogerente da Net Angra, de Angra dos Reis (RJ), concorda com Barreto. Ele foi presidente da TVA quando o grupo Abril lançou seu serviço de TV por assinatura. Hoje, ele avalia que erros estratégicos da Globo e da Abril, principais players na época, com excessiva preocupação com questões técnicas

Álvaro Paes de Barros, da Viacom

e de programação levaram a indústria a um desenvolvimento lento. “Os dois estavam errados do ponto de vista estratégico. Achavam que era televisão quando, na verdade, pay TV é um serviço de telecomunicação. Não é produção de conteúdo, é um fenômeno de distribuição de canais. Este posicionamento estratégico equivocado da Globo e da Abril fez com que a indústria tivesse um começo difícil e lento. Eles se preocupavam muito com questões tecnológicas, o que não era de

canais via Internet para os assinantes do serviço de TV por assinatura, mediante uma autenticação. A Sky, por exemplo, analisa um projeto para disponibilizar seu conteúdo na Internet, que se encontra ainda em fase inicial, segundo Agrício Silva Neto. Para Álvaro Paes de Barros, dentro de três a cinco anos o modelo que envolve conteúdo em diferentes janelas deve estar mais organizado. “Vivemos um momento de confusão, mas acredito que o provedor de conteúdo vai aprender a conviver com essas janelas”, diz. “No final, o que todos querem é conteúdo de qualidade. Por isso, um dos nossos grandes objetivos é nos estabelecermos como provedores de conteúdo”. Além disso, o que todos parecem concordar é que a

embora detendores dos direitos do conteúdo estejam em posição privilegiada, são os operadores que têm relação com o consumidor. interesse do assinante, que precisa ser conquistado. Por isso o serviço demorou para pegar”, opina. Quando se discute a possibilidade de utilizar a Internet como mídia para a exibição de conteúdos tipicamente da TV paga, embora se discuta muito a questão da venda desses conteúdos por parte dos estúdios a portais, sem respeitar a janela da TV paga, o que todos os programadores parecem concordar é que o modelo testado atualmente pela HBO nos Estados Unidos é um bom caminho a ser seguido. A HBO testa oferecer conteúdo de seus

”Acredito na oferta de comodidade. O telespectador gosta de ter alguém programando o conteúdo para ele. O VOD, por exemplo, é um complemento importante, mas me parece que sozinho ele não sobrevive”. Anthony Doyle, da Turner

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televisão ainda é a melhor maneira de promover um conteúdo, que pode ir para a Internet, celular ou qualquer outro meio, mas que depende necessariamente de divulgação. “Você precisa trabalhar a mídia que você tem. No nosso caso, apostamos no operador de cabo. Se fosse fazer sozinho, teria que ter dinheiro para gastar em mídia e promover esse conteúdo. Por isso, opto por fazer via operador. Meu cliente é meu melhor distribuidor”, diz Barreto. Na mesma linha, Pedro Garcia, diretor de negócios do SporTV, Globosat HD e canais pay-per-view, acredita que a televisão ainda é o melhor distribuidor de conteúdo audiovisual

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(capa - programação)

Roger Karman, da Net Angra

e a TV por assinatura deve ser o principal foco dos canais. “Todas as novas formas são complementares”, afirma. Ter foco em televisão, no entanto, não impede os canais de fazer experimentos em novas mídias. Segundo Letícia Muhana, diretora do GNT, o canal quer fazer do internauta uma audiência para seu conteúdo. Uma experiência está sendo feita com o programa “Happy Hour”, que reestreou no fim de julho com transmissão do primeiro bloco ao vivo na televisão e na Internet. “A ideia é que o conteúdo vá onde puder ir: celular, TV, Internet”, observa a diretora. “A Internet é uma plataforma de ensaio importante, dá para mensurar, experimentar”. Há também projetos no canal de produções que comecem na Internet e migrem para outras mídias. Entre as novas formas de entrega de conteúdo, a Fox também aposta as fichas na

caminho. Em 20 anos, as programadoras ganharam feeds exclusivos, depois programação local e, por último, produção nacional. Com recursos do Artigo 39, para as programadoras internacionais, e agora também o 3°A, que as empresas se preparam para começar a utilizar, só não faz conteúdo nacional quem não quiser. E as experiências até o momento demonstram que não há motivos para não querer. “Todos os grandes grupos produtores entenderam que o Brasil é um mercado importante. Isso fica FOTO: ricardo ferreira

“Globo e Abril estavam erradas do ponto de vista estratégico. Achavam que era televisão quando, na verdade, pay TV é um serviço de telecomunicação. Não é produção de conteúdo, é um fenômeno de distribuição de canais”.

Internet. “VOD ainda não é negócio e não sei se vai ser. Na telefonia móvel já tentamos fazer algumas coisas que não deram certo porque a plataforma não está preparada para formatos longos e não temos muita oferta de formatos curtos. Na Internet a gente tem capacidade de gerar negócios, mas

crescimento local e lei de incentivo permitiram a ampliação do conteúdo nacional nas programadoras estrangeiras. é preciso que ela se coloque em um lugar dentro da cadeia”, ressalta Leme. Recentemente, a programadora lançou seu portal de vídeos, o MundoFox, com temporadas antigas de suas séries de TV on-demand. Identidade nacional De esportes desconhecidos dos brasileiros a canais inteiramente produzidos no Brasil, a grade dos canais pagos já passou por um longo

claro não só pelos escritórios regionais montados aqui, mas pela produção específica para o Brasil”, diz Barros, da Viacom. Em 98, a Fox montou seu escritório no País. “A customização do conteúdo para o mercado brasileiro foi um processo de transição. Antes não tínhamos feeds, não tínhamos muita flexibilidade”, diz Leme, destacando que a produção local começa a ganhar força com o Artigo 39. “No começo eram coisas muito tímidas”. A Discovery abriu o escritório no País em 2006 e também tem investido nas produções locais. “É importante, geralmente é um grande sucesso e funcionam bem fora do Brasil também. Se vai crescer ou não, depende do mercado. É bom entregar o que as pessoas esperam, seja conteúdo brasileiro ou estrangeiro”, observa Fernando Medin, diretor “Manhattan Connection” estreou no GNT em 93. A premissa do canal era fazer não-ficção e aproveitar de maneira diferenciada os talentos da TV aberta.

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(capa - programação) Duelo de titãs

FOTO: divulgação

A indústria de TV por assinatura firmou-se no Brasil com apoio de dois grandes grupos de mídia, Globo e Abril, que protagonizaram duelos que influenciaram os rumos da programação por algum tempo. “Disputávamos muito com a Globo em quantidade de canais”, lembra Roger Karman, que presidia a TVA, serviço de TV por assinatura do Grupo Abril, no início de suas operações, em 1990. A TVA havia ganhado uma concessão de sinal UHF e agregou os canais distribuídos por MMDS da programadora Canal +. No line-up inicial da TVA, estavam canais internacionais na língua original (ESPN, CNN, Cartoon e TNT), além do Superstation, um canal programado localmente com conteúdo de fora, e o Showtime, canal de filmes cuja premissa era ter um filme novo por dia. A Globosat começa como programadora e distribuidora, junto com a Net Brasil, em 1991, lançando quatro canais: GNT, Multishow, Top Sport (atual SporTV) e Telecine. Foi na área de filmes que as empresas tiveram seu primeiro embate. Ambas gastavam muito dinheiro nas negociações com os estúdios pela compra e exibição dos filmes e, por isso, chegaram a cogitar o lançamento em parceria de um canal, o que não deu certo e abriu caminho para os acordos de exclusividade. A TVA atacou aliando-se à HBO, que faria a negociação com os estúdios. A Globosat respondeu no “O Cade não imaginava que o mesmo dia com um acordo com os mercado de DTH fosse ficar tão estúdios Paramount, Universal, MGM e Fox. Em 1997, acabou a exclusividade competitivo. Acredito que se de distribuição do Telecine na rede Net/ não fosse isso, a exclusividade Multicanal e do HBO na TVA. não teria sido quebrada” No final da década de 90, a disputa Alberto Pecegueiro, da Globosat entrou no terreno dos esportes. Houve um aquecimento dos direitos de transmissão dos eventos esportivos com a briga do SporTV e do ESPN Brasil, apoiado pelo Grupo Abril. A Globo manteve os direitos e viu espaço para o crescimento da programação esportiva lançando em 1998 o serviço pay-per-view para futebol. Em 2006, o Cade (Conselho Administrativo de Direito Econômico) determinou o fim da exclusividade dos canais Globosat na Net e Sky. De acordo com Alberto Pecegueiro, diretor geral da Globosat, o Cade levou em consideração o risco de dominação de mercado com a fusão Sky e DirecTV. “Eles não imaginavam que o mercado de DTH fosse ficar tão competitivo. Acredito que se não fosse isso, a exclusividade não teria sido quebrada”, avalia. Segundo ele, a decisão acabou funcionando como um impulso para os negócios, já que em 2006, a TV por assinatura no Brasil já vivia um regime de busca de audiência. A quebra de exclusividade abriu também caminho para que outros canais aumentassem a distribuição entrando para o line-up da Net, como foi o caso dos canais pagos do Grupo Bandeirantes, que só conseguiram entrar para a operadora em 2008.

geral e vice-presidente sênior da programadora. Muito do que se vê hoje na produção local é resultado de uma experiência positiva implantada inicialmente pela Globosat. Segundo Luis Gleiser, que atuou em 91 como diretor de programação geral dos canais Globosat no lançamento da operação, o fato da Globosat ter criado a programação que privilegia a produção

independente forçou os programadores estrangeiros a entrar nesse segmento. Foi na base da experimentação que o GNT, um dos quatro primeiros canais montados na Globosat, mudou de perfil ao longo dos anos. Surgiu como um canal de notícias (a sigla significa Globosat News Television). “Percebemos que não daria certo, que seria melhor que as redações do canal pago de notícias e da TV aberta estivessem no mesmo lugar”, conta

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Letícia. Mais tarde surgiu o Globonews. Assim, a orientação do GNT era ser um canal de nãoficção e aproveitar os talentos da TV aberta em suas devidas formações na TV por assinatura. O jornalista Paulo Francis, que tinha uma pequena coluna no Jornal Nacional, ganhou mais espaço no “Manhattan Connection”, em 1993. “Para ter mais notoriedade, abríamos o sinal no horário do programa para que aqueles que não assinavam pudessem ver. Deu supercerto”, diz Letícia. A partir daí, a programação nacional começou a ganhar força no canal, que coproduziu documentários, e assumiu em 2003 o perfil que tem hoje: “um canal de alma feminina”, como define a diretora. Veterana na indústria de TV por assinatura, Letícia reconhece que o começo foi difícil. “Quem disser que tinha plena convicção

modelo da hbo nos eua, de abrir o conteúdo para assinantes na internet, é bem visto pelos programadores. de que tudo o que estava fazendo daria certo está mentindo. Íamos muito pela intuição. Sabíamos o que se fazia nos Estados Unidos e na Europa, mas aqui não tínhamos base. Definíamos conteúdo para assinante nenhum”, lembra. Agora, há assinantes e a indústria esforçase para conhecê-los melhor e buscar embasamento para novas decisões. Alguns acreditam que a entrada da TV por assinatura na medição do Ibope contribuiu neste sentido. O fato é que agora ao menos existem pistas e saber segui-las é um grande trunfo diante das questões cuja complexidade aumenta cada vez mais.


IAL • 20 ANOS PEC

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( capa - tecnologia)

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André Mermelstein

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Mudança permanente Da TV analógica para a rede multiserviços, poucas indústrias viram seus modelos de negócio mudarem tanto em tão pouco tempo quanto a TV por assinatura. A questão agora é como se preparar para um mundo totalmente convergente.

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V por assinatura, e telecomunicações em geral, é uma indústria na qual os modelos de negócio são intimamente vinculados às tecnologias disponíveis. E poucos setores viram suas plataformas evoluírem tanto em tão pouco tempo. Em 20 anos de existência, a indústria saltou de um único serviço (TV), prestado em redes analógicas, para uma realidade de redes multiserviço digitais e bidirecionais, com o que há de mais moderno no mundo. Isso, claro, vem afetando os modelos de negócios das empresas. Serviços como banda larga, telefonia, e recursos como DVR e VOD entraram no vocabulário das operadoras. A TV por assinatura no Brasil nasceu sob a marca da inovação. O país entrou “atrasado” no mundo da TV segmentada, que na década de 1980 já tinha uma presença forte nos EUA e até na vizinha Argentina. Mas também por isso, entramos neste mundo com tecnologias já mais avançadas, para a época, do que os outros países. “As primeiras redes foram instaladas no Brasil ao mesmo tempo em que os EUA faziam o rebuild das redes lá, migrando para o HFC (rede híbrida de fibra e cabo coaxial). Nós fomos pioneiros no uso da fibra óptica. Antes só existia para o mundo corporativo, foi a

FOTO: arquivo

primeira vez que se usou para distribuição de sinal”, lembra Rodrigo Duclós, diretor de PMO & tecnologia da Net Serviços. “O primeiro grande desafio foi quebrar o temor de se cabear uma cidade”, conta Antonio Salles, diretor de tecnologia da Viacabo, que atua no setor desde o seu nascimento, e que mesmo antes já fazia cabeamentos para distribuição de vídeo em hotéis, clubes e condomínios. Ele também lembra que até então as redes eram no formato “tree and branch”, com dezenas de equipamentos

”O digital trouxe qualidade de imagem e novas possibilidades de serviço.” Claudio Zylberman, da Via Embratel

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(amplificadores) ligados em cascata. “Entramos na década de 90 com o HFC, que permitia uma qualidade muito maior e os novos serviços que vieram depois”. Duclós ressalta outros pioneirismos da TV por assinatura, coisas que hoje parecem comuns, mas que foram novidade naquele início dos anos 90. “Nós desbravamos o uso dos postes”, lembra. “Até então, só as empresas de energia e telefone, estatais, usavam os postes. Foi uma quebra de paradigma. Existia uma descrença no setor de telecom quanto a este tipo de rede”, conta. Mesmo antes da digitalização, relata Duclós, a TV a cabo já trazia novidades como a codificação dos sinais e até mesmo a telefonia sobre cabo. “Fizemos lá por 96, 97 um teste na Net Sul, com uma central da Nortel. Era o mesmo sistema usado à época pela Comcast e pela Cox, nos EUA, e pela VTR, no Chile. Só que com a privatização das teles a regulamentação não permitiu que aquilo fosse em frente”, relata. “Mas isso mostra como sempre estivemos muito perto do que acontecia lá fora”. Outra inovação relembrada pelo executivo da Net é o cable modem, cujos testes começaram nos idos de 1997. “Não só foi a tecnologia que introduziu a banda larga no país, como foi também, através do Docsis, a primeira vez que se operou com um padrão aberto na indústria”. A evolução do padrão Docsis para a versão Docsis 2.0, a queda


beiradinha do que distribuíam na Argentina. Pegávamos Cartoon e Discovery em espanhol ou em inglês. A qualidade era ruim, o sinal caía, era uma operação caseira. Mas isso se resolveu logo”. Amaral conta que quando montaram a DirecTV, em 1996, sua missão era colocar todos os canais disponíveis no line-up da operação, exceto os da Globosat (vigorava então a política de exclusividade). “Nós conseguimos, eram 23 canais!”, conta em tom de anedota. O diretor de tecnologia lembra também que o modelo da indústria no início era o mesmo da TV aberta, de FOTO: DIVULGAÇÃO

nos preços dos links de Internet e uma conjunção de fatores de mercado permitiu que a Net lançasse em 2005 o Megaflash, primeiro serviço de banda larga acima de 1 Mbps, lembra Duclós. “Foi outro marco da indústria, assim como a telefonia por cabo baseada em IP e a alta definição, que introduzimos posteriormente”. O diretor de tecnologia da TVA, Virgílio Amaral, ainda se lembra da época em que saiu da TV Globo para trabalhar na operadora, no distante 1995. “Era uma mudança de mundos, da forma de distribuir televisão”, conta. Ele lembra que à época não havia muita programação disponível. “Os programadores não acreditavam no Brasil, porque não tinha rede. O sinal que havia para cá era uma

”Com o Docsis 3.0 teremos modelos de ofertas mais flexíveis, podemos oferecer serviços de valor adicionado.” Rodrigo Duclós, da Net Serviços

cabeça-de-rede e afiliadas. As empresas envolvidas na distribuição, Globo e Abril sobretudo, começaram a investir em conteúdo. Só que descobriram que a rede de cabo requeria grandes investimentos, para fazer depois a banda larga, o digital. “Os modelos são diferentes. TV aberta é OPEX (custo operacional), você monta a rede e depois só investe na produção do conteúdo. TV paga é CAPEX (custo de capital), a rede tem uma obsolescência muito

FOTO: DIVULGAÇÃO

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”Pxxpaga. Essa não é a opinião da TV aberta.” José Felix, da Net Serviços

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( capa - tecnologia) rápida e requer grandes investimentos em inovação o tempo todo. No início dos anos 2000, o modelo quebrou”, conta. Foi então que grupos estrangeiros entraram no negócio, como a Telmex na Net e a Telefônica na TVA.

”A tecnologia permitirá tudo. O mercado é que vai determinar as aplicações.”

Era digital A TV por assinatura foi pioneira na introdução da TV digital no país. Em 96, com a chegada do DTH em banda Ku, começou a distribuição em grande escala, ainda usando a compressão MPEG-1. “O digital trouxe muitas possibilidades de serviços, como a interatividade e uma qualidade de imagem diferenciada”, conta Claudio Zylberman, que acompanhou o mercado desde as primeiras operações e hoje é diretor de tecnologia do Via Embratel. Ele recorda que cerca de seis meses após o início das operações da DirecTV, a plataforma foi trocada para MPEG-2, o que possibilitou um aumento no número de canais e uma melhora no hardware. “Para o assinante, houve uma percepção de melhoria muito grande”, lembra. As operações mais novas, como o próprio DTH da Embratel, já usam a compressão MPEG-4, que traz um ganho grande em economia de banda no satélite. Para Roberto Shigueo Suzuki, diretor de vendas de IPTV e broadband da Motorola, que acompanha a indústria há dez anos, a digitalização foi o grande marco tecnológico do setor. “Foi o que abriu a porta para a qualidade de sinal e a ampliação do número de canais”. Ele lembra que houve no passado tentativas de serviços interativos no meio analógico, como a plataforma Worldgate, mas que só a rede digital e bidirecional tornou isso realmente possível.

Shigueo também ressalta a evolução das redes: “começamos com 500 MHz (de largura de banda), fomos para 750 MHz, 1 GHz e agora já estamos chegando com fibra direto no cliente”. Sundeep Jinsi, diretor comercial de set-top boxes para a América Latina da Thomson, também aponta a digitalização como o ponto de virada do setor. “Quando comecei na indústria, há dez anos, havia dois milhões de usuários. Agora são 6,5 milhões. Esse crescimento coincidiu com a digitalização e também com o crescimento da economia”, diz. Ele lembra um fato importante: com a digitalização as operadoras foram para um padrão aberto, o DVB, o que permitiu a abertura do mercado para diversos fornecedores. Para Sundeep, estamos vivendo agora o segundo grande momento de evolução. “Depois do digital vieram algumas inovações, como o EPG. Mas é agora que começa uma nova revolução, com o DVR e a alta definição. O que se viu até hoje era só o barateamento das caixas, que chegaram a custar quase cinco vezes mais. Hoje chegou no limite. Agora, com essas tecnologias, começa um novo ciclo”, relata o executivo. No que se refere aos set-top boxes, Zylberman aponta a grande melhora que houve nos últimos anos em confiabilidade, redução de bugs, facilidade de operação e redução de custos.

FOTOS: arquivo

Antonio Salles, da Viacabo

”Os programadores estão engessando o modelo atual. Mas ninguém consegue brigar com a tecnologia.” Virgílio Amaral, da TVA

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E o futuro? Após os grandes saltos permitidos pela digitalização, o que falta? Os especialistas consultados por TELA VIVA, de uma forma ou de outra, respondem unânimes: a convergência. “Vai haver convergência independente do serviço do cliente. Ele poderá combinar satélite e banda larga, WiMax, celular. Em cada região e para cada cliente haverá um modelo”, prevê Zylberman. “A última onda será a migração total dos serviços para o mundo IP”, acredita Shigueo, da Motorola. “É a próxima fronteira”. Para a operadora, diz ele, a vantagem é a unificação: “você terá uma rede única para todos os serviços, é mais fácil de gerenciar e criar sinergia entre os serviços”, conta. “A Internet e a TV estão se confundindo, não se vende mais um sem o outro”, diz Antonio Salles, da Viacabo. “Uma plataforma vem dentro da outra. A rede está se transformando em uma plataforma de aplicativos”. Para ele, o acesso aos canais tende a ser ilimitado. O que terá que mudar, diz, é a atenção ao comportamento do usuário, mais que à tecnologia. “A tecnologia permitirá tudo. O mercado é que vai determinar as aplicações. O usuário hoje quer interagir, quer falar. Isso vai nos levar a ter que reinventar o nosso negócio”, diz Salles. Outra tendência para o futuro, apontada por Shigueo, é a operadora dominar mais o lado de dentro da casa do usuário, consolidar os serviços que entrega. “Hoje a TV, a banda larga e o telefone são serviços separados, que não se falam. Amanhã, você poderá, por exemplo, ver na tela da TV uma ligação que está chegando, atender pelo controle remoto e abrir um e-mail na TV”, diz. “Se você puder conectar-se pela TV com sua mãe a

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( capa - tecnologia) ”A última onda será a migração total dos serviços para o mundo IP.” Roberto Shigueo Suzuki, da Motorola

atritos. A própria oferta de bandas cada vez maiores pelas operadoras de cabo aos seus usuários permite a entrada de outros players de comunicação e entretenimento. Hoje, dispositivos como consoles de videogame, tocadores de Blu-Ray e até aparelhos de televisão usam a rede para oferecer filmes, informações e outros serviços. Nos EUA, por exemplo, usuários do PlayStation 3 podem comprar filmes em alta definição pelo console. Também há as operadoras que oferecem serviços de voz pela rede de dados das operadoras. E há a concorrência com a própria Internet, que “rouba” audiência dos canais de TV, principalmente entre os mais jovens. Mas Amaral lembra que há uma diferença entre o QoS (Quality of Service, qualidade do serviço) e o que se chama de QoE (Quality of Experience, qualidade da experiência do usuário). “É como na época em que surgiu o VoIP. Diziam que ia acabar com o telefone. Mas não foi tão simples, porque a rede não funcionava bem, não tinha confiabilidade”, conta. No caso do vídeo é igual. “Serviço ruim só vale a pena se for de graça, como o YouTube ou downloads, que

Inovações da TV paga

• Redes HFC • TV digital • Acesso condicional • Sinal digital • Banda larga • Interatividade (EPG, DVR, datacasting) • Opção de áudio e legenda • Alta definição

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ainda por cima são piratas. Mas para fazer um negócio sério, de VOD, precisa de uma rede confiável”. Por isso, conta, as operadoras como a Verizon, nos EUA, e a própria Telefônica, ainda em fase inicial, estão apostando na instalação de fibra óptica na casa do usuário. “A tendência é tudo convergir para a rede IP. Tem muitas vantagens, tudo é mais fácil. Você não tem, por exemplo, sintonizador no set-top box. Pode fazer um DVR com dez canais. Também, o IP é feito para a rede, então você pode dar pausa no filme que está na sala e acabar de assistir no quarto, por exemplo”, conta Amaral. O padrão DLNA, que já está sendo implantado em alguns aparelhos, permitirá a interconexão sem fio de todos os dispositivos, conta. O desafio, diz Amaral, é levar o IP do mundo online (comunicação máquina-máquina, onde pode haver erros, pois são “escondidos” pelos computadores) ao mundo real time (máquina-homem), onde qualquer erro (como uma imagem congelada) incomoda e não pode acontecer. “O problema é que se quer fazer isso com decoders de US$ 50”, brinca. Hoje, um set-top com processamento e capacidade de disco para gravar dois sinais HDTV simultâneos custaria R$ 1,2 mil, o preço de um PC. Outra “bronca” de Amaral é em relação aos empacotadores de conteúdo, que ainda não querem mexer nos seus modelos de negócio para permitir novos formatos. “Na hora em que os preços da tecnologia caírem mais, os modelos mudarão, e os programadores não estão preparados. Pelo contrário, estão engessando o modelo atual, entupindo o mercado com canais. Não querem que o mundo mude. Mas ninguém consegue brigar com a tecnologia”, afirma. FOTO: arquivo

mandar um vídeo que acabou de fazer de seus filhos para ela assistir, também pela TV, isso cria uma percepção grande de valor para o usuário”, exemplifica. Também começa agora a corrida pela ultra banda larga, com acessos em altíssimas velocidades, por fibra ou cabo, que vão possibilitar serviços mais avançados. “Com o Docsis 3.0 teremos modelos de ofertas mais flexíveis, podemos oferecer serviços de valor adicionado, como faz o celular. Teremos qualidade de serviço (QoS) para fazer video-on-demand, por exemplo”, relata Duclós. Quanto aos desafios para o futuro, Duclós acredita que a TV paga tem que ter uma resposta para a mobilidade. “A indústria tem que ter um braço móvel”, diz. As alternativas para isso são múltiplas, dependendo da posição de cada operadora. Nos EUA, por exemplo, elas investem no WiMax. Outra solução pode ser a associação com operadoras celulares. A banda larga traz grandes mudanças no cenário. “Nos EUA hoje se fala no mundo antes dos 15 Mbps e depois dos 15 Mbps (de acesso banda larga)”, diz Virgílio Amaral. Este tipo de oferta traz novas possibilidades, mas também alguns


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De olho na bola

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Foto: divulgação

o mês de junho, o SporTV derrubou o TNT do primeiro lugar no ranking dos canais pagos com maior alcance entre o público adulto, posição que o canal de filmes ocupava desde janeiro. Com jogos da Libertadores, séries A e B do Brasileiro, Copa das Confederações, Recopa Sul-Americana, eliminatórias para a Copa do Mundo, Copa do Brasil e o programa “Bem, Amigos!”, o canal obteve 11,30% de alcance diário médio e 47 minutos de tempo médio diário de audiência. O destaque ficou com o jogo das quartas-de-final da Libertadores entre São Paulo e Cruzeiro. A partida impactou mais de dois milhões pessoas com TV por assinatura, segundo dados do Ibope fornecidos pelo canal. A segunda maior audiência do mês, segundo o SporTV, foi a semifinal entre Cruzeiro e Grêmio, que alcançou 1,8

“Bem, Amigos!”, um dos responsáveis pelo desempenho do SporTV em junho.

milhões de pessoas. O canal TNT aparece em segundo lugar no ranking, com 10,97% de alcance diário médio, seguido de Globo News, Multishow e Fox. No total, os canais pagos obtiveram alcance diário médio de

49,14% e tempo médio diário de audiência de duas horas e oito minutos entre o público adulto (universo: 6.464.500 indivíduos). Entre o público infantil, o Cartoon Network venceu a disputa pelo primeiro lugar, com 17,46% de alcance diário médio e tempo médio diário de audiência de 53 minutos. Completam o ranking Disney Channel, Discovery Kids, Nickelodeon e TNT. Os canais por assinatura tiveram entre o público de quatro a 17 anos, alcance diário médio de 53,70% e duas horas e 18 minutos de tempo médio diário de audiência. Para este levantamento foi considerado um universo de 1.376.400 indivíduos. O Ibope Mídia considera as praças Grande São Paulo, Grande Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Distrito Federal, Florianópolis e Campinas. Daniele Frederico

Alcance* e Tempo Médio Diário – junho 2009 Total canais pagos SporTV TNT Globo News Multishow Fox Discovery Universal Channel Warner Channel National Geographic Discovery Kids AXN Telecine Pipoca SporTV 2 Cartoon Network Telecine Premium GNT Disney Channel ESPN Brasil Sony Telecine Action

De 4 a 17 anos** 

(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio 49,14 3.176,54 02:08:15 11,30 730,44 00:47:12 10,97 709,39 00:28:11 9,84 635,97 00:34:36 8,56 553,09 00:16:30 8,26 534,26 00:26:09 7,97 515,37 00:18:26 7,85 507,59 00:29:19 7,23 467,10 00:28:30 6,69 432,58 00:19:55 6,47 418,25 01:03:01 6,44 416,47 00:24:19 6,17 398,80 00:30:08 6,13 396,25 00:18:47 5,95 384,70 00:33:50 5,51 356,13 00:24:11 5,32 343,63 00:18:18 5,30 342,71 00:26:24 4,80 310,49 00:17:38 4,66 301,19 00:22:40 4,53 292,71 00:18:10

Total canais pagos Cartoon Network Disney Channel Discovery Kids Nickelodeon TNT SporTV Disney XD Multishow Fox Telecine Pipoca Boomerang Discovery Universal Channel Warner Channel Telecine Premium Globo News SporTV 2 National Geographic AXN ESPN Brasil

(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio 53,70 739,15 02:18:39 17,46 240,35 00:53:42 16,34 224,92 00:50:21 15,92 219,19 01:18:52 12,03 165,63 00:52:29 9,73 133,93 00:25:10 8,51 117,17 00:38:53 8,45 116,33 00:42:32 8,42 115,87 00:26:45 7,90 108,70 00:22:24 6,29 86,52 00:30:14 5,86 80,63 00:34:27 5,67 78,09 00:15:02 5,32 73,21 00:25:48 4,88 67,13 00:18:32 4,72 65,00 00:21:27 4,48 61,64 00:16:22 4,43 60,99 00:19:34 4,03 55,45 00:17:07 3,90 53,61 00:11:15 3,38 46,53 00:10:18

*Alcance é a porcentagem de indivíduos de um “target” que estiveram expostos por pelo menos um minuto a um determinado programa ou faixa horária.

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**Universo 1.376.400 indivíduos Fonte: IBOPE Media Workstation – Tabela Minuto a Minuto – Junho/2009



**Universo: 6.464.500 indivíduos

Acima de 18 anos**


( making of )

Lizandra de Almeida

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m filme que mostrasse a história do parque de diversões Playcenter desde a década de 1970 até hoje. Essa é a proposta do institucional produzido pela Fazenda Produtora, do grupo Movie&Art, para o parque, fundado em 1973. “Nosso desafio era contar visualmente essa história, ao longo das décadas, a partir dos brinquedos lançados na década de 1970, 80, 90 e 2000”, explica o diretor Luiz Gustavo Dias, o Luigi. A produção começou com um trabalho exaustivo de pesquisa de figurino e acessórios, além de cortes de cabelo, óculos e equipamentos. “Queria evitar recursos como o uso da fotografia granulada ou sépia para mostrar que as imagens eram antigas”, afirma. Por isso, a estética do filme valorizou as cores, sem outros efeitos. Todas as imagens foram captadas agora, exceto uma cena que mostra a torre original do parque, que não existe mais, e aparece rapidamente como se fosse o resultado da filmagem que a primeira personagem está fazendo. “É um trecho de uma filmagem original da época”, diz o diretor. Cada sequência representativa de um período tem um jovem caracterizado segundo a época e, no fundo, o brinquedo ícone de cada década. Os personagens em primeiro plano e o fundo foram filmados juntos, a 60 quadros por segundo. As pessoas que aparecem andando, em segundo plano, foram filmadas em fundo de recorte e aplicadas na pósprodução em outra velocidade, parecendo aceleradas. “A ideia é

fotos: divulgação

História em imagens

Para contar a história do parque de diversões, estética do filme valorizou as cores sem outros efeitos.

dar a sensação de que o tempo parou, que o personagem só tem olhos para o parque.” Nas primeiras cenas, os personagens aparecem com um equipamento de filmagem ou fotográfico, o que ajuda a representar as décadas. No primeiro, a garota segura uma câmera super-8, depois um homem fotografa com uma Polaroid. “Pensamos em usar um ícone desses para cada época, mas depois vimos que não era necessário ficar tão focado na tecnologia.” As imagens foram captadas com uma câmera HD Red, de 4 K de resolução. “A grande vantagem é que não tem a limitação do chassis. Então, quando acabamos de filmar, já estamos prontos para editar.” As imagens passaram por um processo de correção de cor, ou telecine digital.

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“Pedi para o diretor de fotografia manter a luz quente e os planos bem iluminados, para depois fazer o tratamento na pósprodução, reforçando uma cor para cada década.” ficha técnica Cliente Playcenter Agência DIM Criação/Dir. de Criação Guilherme Facci, Michele D’Ippolito Produtora Fazenda Produtora by Movie&Art Direção Luigi (Luiz Gustavo Dias) Dir. de fotografia Marcelo Rocha Produção Richard Piccoli Figurino Marcia Nachbar Edição Luigi e Bruno Faldini Finalização Fazenda Produtora by Movie&Art Produtora de Som Apollo 9

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Enquadramentos econômicos

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rçamento apertado, prazo curto. Esse binômio hoje é quase uma regra na produção publicitária, e para conseguir atender à demanda de agências e clientes as produtoras precisam de planos de filmagem precisos e de todos os recursos tecnológicos disponíveis. Para realizar o filme das meias Lupo que comemora o Dia dos Pais, a equipe da Porão Filmes decidiu concentrar todas as locações em um só lugar. O filme mostra quatro pais em situações diferentes, como se estivessem em suas casas, praticando alguma atividade. Cada cômodo da casa foi preparado para funcionar como uma locação diferente. Enquanto um pinta quadros na sala, o outro toca bateria em outra, um terceiro se olha no espelho e um quarto passa enceradeira imitando passos de Michael Jackson. A tecnologia das câmeras de alta definição veio bem a calhar. “Usamos uma câmera HD Red Cine, que tem definição de 4 K”, explica o diretor Clausius Steven. A escolha da câmera para o projeto tem a ver com essa resolução, que permitiu a captação de uma quantidade menor de planos,

Filme para a Lupo foi realizado com câmera HD Red Cine. A resolução de 4 mil x 2 mil pixels permitiu a captação de poucos planos, trabalhados depois em pós-produção.

trabalhados depois em pós-produção. “Como a câmera tem uma resolução de 4 mil x 2 mil pixels, nos preocupamos em fazer os planos abertos e não fizemos planos de detalhes, porque a câmera nos permite reenquadrar as imagens na finalização em até 50%. A resolução é tão alta que depois podemos aproximar as imagens e fazer closes sem perder definição.” Outro recurso oferecido pela câmera é o de copiar cada cena com as configurações básicas, além das imagens captadas segundo os parâmetros estabelecidos pelo diretor de fotografia. “As imagens são gravadas sem ajuste algum e com um sinal de vídeo mais alto. São imagens lavadas, que podem ser trabalhadas na pós-produção também caso

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haja algum problema com a configuração escolhida. Isso dá uma segurança, porque sempre há um backup”, afirma Clausius.

ficha técnica Cliente Agência Criação Direção de criação Produtora Direção Direção de fotografia Produtora de som

Lupo Rino Publicidade Fernando Zenun, Paulinho Lopes e Fernando Piccinini Fernando Piccinini Porão Filmes Clausius Steven Beto Loko Norcal Studios


( case)

Lizandra de Almeida

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Descolados FOTOS: Divulgação

MTV estreia sua primeira série brasileira financiada por lei de incentivo. Esta matéria faz parte de uma série que Tela Viva publica mensalmente, explicando o desenvolvimento de projetos audiovisuais bem sucedidos, sob o ponto de vista do modelo de negócios e do financiamento.

C

riado pela equipe da produtora paulistana Mixer, a série “Descolados”, que começou a ser exibida pela MTV em 14 de julho, é a primeira experiência da MTV em projetos incentivados. Sempre produzindo internamente os programas de sua grade, a emissora voltada ao público jovem se aventura agora nessa parceria com a produção independente. A série conta a história de três jovens em fase de transição para a vida adulta, na cidade de São Paulo. Lud, interpretada por Renata Gaspar, é uma garota de 22 anos que sai da casa dos pais, contra a vontade deles, para morar com um amigo, que acaba não aparecendo. Ela trabalha na noite paulistana e quer promover sua própria balada. Teco (Thiago Ribeiro) é deportado quando chega a Londres com uma ponta de cigarro de maconha esquecida no bolso. Recémformado, ele foi para Londres fazer um curso com o dinheiro dos pais e, com a deportação, não tem coragem de voltar para sua cidade, então decide ficar em São Paulo. E o modelo Felipe (Marcelo Lourençon) toma um fora da namorada e tem que sair do apartamento que divide com ela. Os três se conhecem e passam a dividir um apartamento no centro da cidade, que funciona como um quarto personagem da história. O projeto vinha sendo desenvolvido pela Mixer há cerca de

Elenco e diretores de “Descolados”: universo jovem é o tema da produção.

dois anos, inspirado na experiência com “Mothern”, série sobre mães modernas exibida no canal GNT. “Depois de trabalhar esse universo das mães, surgiu a vontade de tratar do mundo jovem, que é muito pouco explorado ainda pela TV”, afirma Michel Tikhomiroff, diretor artístico da Mixer. “Nesse nicho, nosso parceiro natural seria a MTV. Nosso diretor geral, Gil Ribeiro, entrou em contato com a emissora e logo na primeira conversa eles demonstraram interesse”, continua Tikhomiroff. O projeto foi orçado em R$ 5 milhões, dos quais R$ 2,190 milhões

desenvolvimento de roteiros, inspirada nas produtoras de seriados norte-americanos. “Quando ‘Mothern’ foi para a final do prêmio Emmy, aproveitamos para fazer uma visita à produtora do ‘CSI’. Lá a equipe é enorme, é claro, mas o princípio é o mesmo, reunir uma equipe que debate as histórias até ficarem de pé”, conta Tikhomiroff. As escaletas são discutidas à exaustão pelo grupo todo, para detectar qualquer possível furo na trama. Quando é considerada consistente, vai para um dos roteiristas, que então desenvolve os diálogos. Se o público é jovem, as redes sociais são um prato cheio para a pesquisa e também para o acompanhamento do desempenho da série. A equipe da Mixer está monitorando a repercussão dos primeiros episódios em todas as redes sociais. Logo na estreia, a comunidade do Orkut da série já tinha mais de 6 mil membros, diz Tikhomiroff. “Na noite da estreia, toda a equipe ficou conectada,

redes sociais são usadas para monitorar o desempenho da série. foram captados no mercado, pelo artigo 1ºA da Lei do Audiovisual. A cota master foi vendida para a Skol, e outras cotas para Peugeot, Sony Ericsson, Dijean e Colcci. Parte do orçamento foi aportado pela própria produtora, na forma de equipamentos e equipe. Redes sociais O know-how de produção desenvolvido para “Mothern” foi replicado aqui. O trabalho começa com uma extensa pesquisa de campo, com muitas conversas com o público potencial. As pesquisas são discutidas por uma mesa de

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especialmente no Twitter, para ver os comentários. Compilamos mais de mil trocas de comentários. Com isso a gente consegue medir a temperatura do programa a cada instante, porque o público não poupa ninguém, se não gosta mete o pau mesmo. Os comentários são sempre muito espontâneos, muito sinceros. E 90% deles foi favorável.” No primeiro episódio, a emissora registrou um share de 4,4% na faixa AB, de 15 a 29 anos. Esse acompanhamento não será assimilado nos roteiros dessa


temporada, já que a série foi ao ar com cerca de metade dos episódios finalizada. Os demais estão sendo editados. “Não temos a mesma agilidade de uma novela, e nem é essa a ideia. Trabalhamos com três diretores para conseguir esse ritmo. Enquanto um está finalizando seu episódio, o outro está rodando e o outro produzindo. Mas a equipechave, como diretor de fotografia, assistente de direção e a diretora assistente Fernanda D’Umbra, que participa de todas as gravações, é a mesma. Essa é a base para manter a coerência e a linguagem, mas a troca de diretores imprime um pouquinho do estilo de cada um e dá um frescor”, explica Tikhomiroff. A primeira temporada está sendo dirigida por três diretores da Mixer – Luis Pinheiro, Luiza Campos e Zaracla, sob a direção geral de Luca Paiva Mello.

Sinopse: Três jovens na faixa dos 20 anos enfrentam as dificuldades da passagem para a vida adulta. Eles não se conhecem, mas acabam se encontrando e dividindo um apartamento no Centro de São Paulo.

Descolados

30 minutos, exibida Série de ficção em 13 episódios de às terças-feiras às 23h na MTV Direção geral Direção Produtora

A captação está sendo feita com uma câmera de alta definição, com lentes de cinema, e a inspiração estética vem do cinema independente. “Mesmo lá fora não existem muitos seriados para esse público. Quisemos fazer uma fotografia

Luca Paiva Mello cla Luis Pinheiro, Luiza Campos e Zara Mixer

com apuro mas sem excessos, que fosse realista mas bem cuidada.” Ao contrário de “Mothern”, que tinha episódios temáticos, “Descolados” tem uma história por temporada, com episódios complementares.


( tecnologia ) Beto Costa

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Para além dos óculos A corrida para produzir conteúdo em 3D e pelo padrão de transmissão com qualidade broadcast mobiliza emissoras e pesquisadores. Fora das redes, produtoras aproveitam oportunidades na nova plataforma nos cinemas e na mídia corporativa.

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ia 28 de setembro de 2008, uma data que já pode ser considerada histórica para a TV brasileira. Na madrugada daquele dia ocorreu a primeira transmissão de um vídeo 3D no país. A façanha ocorreu no canal Multicultura, canal digital da TV Cultura. O documentário “Nave Mario Schenberg” registra como é a instalação de mesmo nome que proporciona a simulação de uma viagem espacial para salvar uma civilização ameaçada. Foram poucas as testemunhas. Para ter a sensação da tridimensionalidade transbordando para além dos limites da tela, elas usaram aqueles óculos com lentes avermelhadas e azuis, os chamados anaglíficos. “Foi emocionante, o pessoal berrou mesmo para comemorar”, relembra o professor Marcelo Zuffo, professor titular do Departamento de Engenharia de Sistemas Eletrônicos da Escola Politécnica da USP, um dos pais da pioneira experiência com broadcast de imersão. O professor Zuffo é um obcecado pela realidade virtual. Tudo começou com o projeto da Caverna Digital há oito anos, em que era possível, por exemplo, simular uma cirurgia no coração. Uma das maiores dificuldades para produzir a chamada live action em 3D é a afinação mecânica das duas câmeras: uma funciona como olho esquerdo e a outra como o direito. O cineasta Fábio Durand, autor do documentário e parceiro do engenheiro Zuffo na empreitada da tridimensionalidade, utilizou duas

câmeras Sony da família HVR na captação. “Não pense na utilização de algum software para alinhar os movimentos e passagens de foco. Foi tudo feito na mão”, sorri, satisfeito, Durand. Atualmente, Zuffo comanda os trabalhos de pesquisa de técnicas de produção e transmissão. A USP é uma das parceiras da TV Cultura na tarefa. “A gente poderia comprar a tecnologia pronta, mas a nossa proposta é desenvolvê-la e usar o Multicultura como laboratório. A ideia é levar até o final do ano um especial do ‘Cocoricó’ em 3D”, conta José Chaves, diretor de engenharia da TV Cultura. O desejo de fincar bandeira no badalado mercado de 3D é enorme, mas ainda há muito por fazer. Por exemplo, bolar uma estratégia de marketing eficiente para distribuição de óculos que

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permitam ao telespectador visualizar a tridimensionalidade. Claro, os broadcasters já sabem que terão aí futuramente uma nova forma de ganhar dinheiro com os anunciantes. As lentes anaglíficas são uma solução antiga, do início do século XX. Cada par custa em média trinta centavos, mas traz alguns inconvenientes. “Eles dão distorção de cores. Acredito que para o público infanto-juvenil e para as TVs que estão aí ainda funcionem bem”, avalia Marcelo Zuffo. Foi só o primeiro passo na busca pela imersão perfeita. A trupe de Marcelo Zuffo e Fábio Durand já trabalha em projetos com a chamada polarização ativa, a tecnologia que não compromete a qualidade da cor da imagem como nas lestes anaglíficas. São óculos que recebem estímulo eletrônico de uma bateria, por exemplo, e tem um mecanismo para controlar quando cada olho pode observar a tela da TV. As lentes de LCD se alternam entre transparente e opaco a uma velocidade imperceptível. Sensores conectam os óculos com o televisor ou display de tal forma que permite sincronizar o aparece-desaparece veloz de dois conjuntos de imagens na tela com o que cada olho vai ver. Esta tecnologia, sim, possibilita uma tridimensionalidade exuberante. A dupla Zuffo-Durand já fez dois trabalhos bem interessantes com a polarização ativa. O documentário “Campus Party”, sobre a festa de tecnologia que acontece no início do ano, e a animação “Rio de Janeiro Virtual”. O vídeo permite a sensação

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( tecnologia) dxxxxxxxxxxx c[pi [soai s[aod aso[d sa[dj aspdjaspdj aspodjasopdj asopd opad j

“Nave Mário Schenberg”, documentário 3D transmitido no ano passado pelo Multicultura.

de espiar pela janela de um avião que voa a baixa altitude pelos encantos da cidade maravilhosa. Um trabalho pesado de utilização de recursos gráficos. “Para renderizar este material nós usamos 100 CPUs durante sete meses”, conta o professor Zuffo. O melhor mimetismo da visão humana na TV ainda enfrenta uma série de barreiras para virar uma realidade na telinha. Não há um padrão brasileiro para transmissão broadcast 3D na TV digital. “A gente está caminhando para isso, preparando a configuração do set-top box para o 3D com polarização ativa. Estamos desenvolvendo o software e o hardware. E o que queremos mesmo é chegar na polarização ativa sem óculos. Pretendemos patentear todas as soluções, para ninguém tirar vantagem econômica. A ideia é dar acesso para todos os interessados”, aponta Zuffo. Os óculos talvez ainda sejam o maior empecilho. Há tendência de queda nos preços, mas eles custam em média quinhentos dólares o par. Com a técnica formatada, o projeto do Multicultura é dedicar uma

faixa da programação para produções em 3D. “Isso converge também com o desejo de criar um fábrica de desenhos animados por aqui, com abertura para parcerias com universidades e produtoras independentes. É um projeto para daqui um ano, um ano e meio. O que nós precisamos é ter o produto nacional com qualidade”, afirma José Chaves. Sem muito alarde, a TV Globo também procura entender melhor como será o futuro de parte da programação da TV digital. Desde meados do ano passado realiza testes para compreender os níveis de dificuldade da gravação, edição e pósprodução na tridimensionalidade. Dez profissionais estão envolvidos no projeto. Sem dar detalhes da tecnologia que está utilizando, a emissora gravou o primeiro piloto no carnaval deste ano. Não há uma previsão de quando a Globo pretende exibir o primeiro programa na nova plataforma. As dificuldades, claro, já foram evidenciadas. “A tecnologia 3D requer um novo roteiro, que trata do eixo Z. Nesta técnica, a tela da tevê

“A gente poderia comprar a tecnologia pronta, mas a nossa proposta é desenvolvê-la e usar o Multicultura como laboratório.” José Chaves, da TV Cultura

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não é vista mais como uma tela plana, e sim, como se fosse uma janela, criando a ilusão tridimensional. A produção é muito mais cara, requer o dobro do tempo de acabamento, dependendo do projeto”, conta José Dias, diretor de pesquisa e desenvolvimento da Central Globo de Engenharia. A líder de audiência também estuda quais óculos pretende utilizar, como distribuí-los e qual tecnologia utilizar para codificar as imagens estereoscópicas para a transmissão. Certeza, mesmo, apenas uma. “3D é o futuro, é o impulsionador da TV digital que dará um novo sentido à televisão. O que sabemos, até então, é que a NHK e o canal 11 do cabo, ambos japoneses, produzem conteúdo 3D”, afirma José Dias. Quem é melhor? No mundo todo há apenas um punhado de criadores de conteúdo 3D, e um número menor ainda de provedores de soluções para programas com sessões de imersão. Dois dos maiores players deste mercado são a 3ality Digital e a PaceHD. A 3ality vangloria-se de ter dado suporte para a produção da primeira partida em 3D da NFL (Liga Nacional de Futebol Americano), em 2008, e de estar por trás da primeira

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( tecnologia) mal para uma companhia que está começando”, brinca Vince Pace. Para ele, nunca se deve usar o apelo da tridimensionalidade como o principal motivo para uma produção. “Mas quando alguma coisa é excitante, emocional, atlética, divertido em 2D, eu estou certo que em 3D pode ser uma experiência ainda melhor”, conclui.

Na corrida pelo 3D sem óculos, LG trabalha tecnologia em parceria com a produtora brasileira Mirage Filmes.

transmissão do futebol para cinemas espalhados de costa a costa em janeiro deste ano. O entusiasmo de Steve Schklair, CEO da 3ality, com a transmissão ao vivo de eventos esportivos é inegável. “É irresistível, visceral, a experiência de imersão em jogos é um espetáculo completamente diferente, jamais visto. Os jogos em 3D irão transformar o dicionário do esporte como fizeram a tevê em cores e o widescreen HD”, disse o executivo a TELA VIVA. A empresa está trabalhando neste momento no desenvolvimento de uma nova geração de câmeras e sistemas eletrônicos para conteúdo live action 3D para filmes, concertos musicais e eventos esportivos. Steve afirma que é muito difícil fazer transmissão broadcast ao vivo com qualidade, especialmente quando utiliza-se o zoom. “Produções em 3D normalmente precisam de pós-produção para alinhamento de imagens e cores. A solução que nós criamos resolve em tempo real esses problemas, tornando desnecessária a pósprodução. Tudo é feito com avançada mecânica, controle de movimento e processamento de imagens disparado da própria câmera”. Ele desdenha os produtores de Hollywood que se “dão ao luxo” de gastar dinheiro em longos períodos de pós-produção. “A tecnologia da 3ality barateia dramaticamente os custos”, afirma.

É uma guerra de egos criadores. A PaceHD reconhece a 3ality e a Paradise FX como rivais diretos nesse mercado, em que se trabalha duro para se provar quem tem a melhor solução. A empresa criou o que afirma ser a mais poderosa plataforma de aquisição de imagem estéreo para 3D, denominada Fusion 3D. Um dos pais da criança é o premiado cineasta James Cameron (“Titanic”). Ele utilizou o sistema no aguardado “Avatar”, considerado o primeiro filme da nova era

Onde ver Em junho do ano passado, a Philips anunciou um produto que parecia iluminar com farol forte uma nova trilha: um monitor de 22 polegadas que dispensa o uso de óculos para visualizar a terceira dimensão. O foco inicial era o mercado de promoções em pontos de venda e games. O fabricante oferecia ainda ferramentas de criação e conversão de conteúdo. Produtores e o mercado ficaram alvoroçados à época, 3D sem óculos era o sonho atingido. Facilmente, criou-se desejo pelo produto. Só que pouco mais de um ano depois, tudo

mercado ainda tem poucos criadores e poucos fornecedores. produções em 3d precisam de pósprodução para alinhamento de imagens e cores. 3D para adultos, com estreia marcada para dezembro próximo. “Nossa companhia terminou ‘Avatar’, mais cedo que o previsto”, orgulha-se Vince Pace, um dos parceiros de Cameron no desenvolvimento do Fusion 3D e CEO da PaceHD. A empresa está envolvida na vigésima primeira produção do gênero. Deu suporte para as gravações dos documentários com a banda Jonas Brothers e a estrela infanto-juvenil Hannah Montana e do aclamado “Viagem ao Centro da Terra”. Desde 2007 produz jogos decisivos da NBA, a Liga Profissional de Basquete dos Estados Unidos. Curiosamente a PaceHD e a 3ality afirmam ter contribuído com o primeiro concerto tridimensional já produzido, o “U2 3D”. “O mercado para 3D é pequeno, mas está crescendo rapidamente. Nós já implantamos mais de 60 sistemas, nada

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mudou. A empresa desistiu temporariamente de produzir o aparelho, com preço estimado em R$ 18 mil. “Por causa de desenvolvimentos do mercado, o momento para a adoção em massa das TVs sem óculos 3D adiou-se significativamente. A unidade de negócios de TV avaliará as opções para desenvolver o aparelho em 3D no futuro, dependendo do nível de demanda dos consumidores”, afirmou a empresa. A surpreendente interrupção do projeto da Philips não significou um balizador para um movimento de manada. Tanto que a Samsung acaba de anunciar a chegada ao país de um monitor de 22 polegadas, o SyncMaster 2233RZ, primeiro modelo da marca para conteúdo 3D. “Para reproduzir conteúdo

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( tecnologia) tridimensional é necessário um conjunto: monitor, placa gráfica, óculos e sensor. Desenvolvemos este conjunto em parceria com a Nvidia, que fornece o kit GeForce 3D Vision”, explica Ronaldo Miranda, diretor da divisão de TI da Samsung no Brasil. Os óculos podem ser conectados à porta USB do computador e a bateria dura até uma semana sem necessidade de carga. O monitor tem formato panorâmico 16:10 (como era o da Philips), preço sugerido de R$ 899, e também reproduz material em 2D, basta um comando no teclado para alternar a forma de exibição. O público alvo do produto são os programadores e amantes de jogos. “A aplicação em maior quantidade, sem dúvida, é para os games. Existem mais de 300 títulos na plataforma, segundo especialistas. Em seguida, estão as aplicações profissionais de CAD/CAM, científicas e medicinais. Não esperamos ver este produto utilizado em grande volume para promoções em pontos de venda”, avalia Ronaldo Dias. Ele acredita que o uso obrigatório dos óculos acaba inibindo o uso mais abrangente da tecnologia. “A exibição broadcast sem a necessidade de óculos especiais ainda exigirá um longo caminho a ser percorrido. Acredito que inicialmente as TVs irão transmitir o sinal em 3D (digital) e que o usuário terá em casa um receptor que permita a conversão da imagem em 3D. Porém, no estágio atual, com certeza a utilização de óculos será necessária”. Ele fala num mercado mundial efervescente no desenvolvimento de produtos e tecnologias e faz ponderações. “Estamos no estágio inicial de consumo, se comparado a outros produtos de tecnologia sofisticada, obviamente. E o Brasil é um dos principais mercados para a Samsung desta tecnologia”, completa. FOTOS: divulgação

Rodrigo Olaio, da Mono 3D: empresa produziu comercial tridimensional para divulgar o LG Arena na tela de cimema.

Mídia corporativa Na corrida pelo 3D holográfico (sem óculos) a Philips se retirou, mas a LG já oferece uma tecnologia similar sem o incômodo das lentes. A produtora brasileira Mirage Filmes ajudou o fabricante coreano a desenvolver a solução. Os trabalhos começaram no ano passado, logo que a Philips anunciou o produto. A parceria na pesquisa rendeu à Mirage um contrato de exclusividade. “A LG se dispôs a converter todo o material de 2D para 3D na fábrica na Coreia do Sul. A gente negociou e conseguiu trazer para o Brasil o software que permite fazer a renderização. O plug-in pode ser adaptado ao Inferno, ao Maya, por exemplo. É possível pegar qualquer material 2D e convertê-lo em vídeo com o efeito tridimensional”, conta Bruno Azevedo, diretor da Mirage.

Uma série de filmes para o Itaú Personalitèe, peças para companhia aérea Azul e uma animação sobre o sistema solar exibida no Planetário do Parque Ibirapuera, em São Paulo, compõem o portfólio da produtora. Os vídeos em 3D só podem ser vistos no aparelho da LG. A Mirage dispõe de cinco monitores 42”, que são locados. Embora a mídia corporativa seja o principal mercado, a Mirage já pensa em outros voos tridimensionais. “A gente está se preparando para fazer um filme de animação no ano que vem”, finaliza. No escurinho Se na TV a onda 3D ainda é marolinha, nos cinemas cresce em ritmo vertiginoso. O número de salas para sessões de imersão já passa de 50 no país. Nesse embalo, foi exibido em julho o primeiro comercial 3D na telona. Um filme de 45 segundos para divulgar o novo LG Arena. Para pegar carona na interface gráfica tridimensional, metade do comercial era em 3D.

uso dos óculos, necessário no estágio atual, inibe o uso abrangente da tecnologia. nos cinemas o 3d cresce em ritmo vertiginoso. Claro que o material de maior impacto é aquele que é convertido a partir do vídeo ou animação já feito em 3D. “O que o programa faz é criar pontos de vista, perspectiva no material 2D. Vai gerar pontos de profundidade. O monitor vai interpretar o campo tridimensional para dentro e para fora da tela. Só de brincadeira eu já fiz isso com trechos de ‘Homem Aranha’, Pearl Harbour’, e os efeitos ficam perfeitos”, garante Bruno. Cada segundo de imagem convertida custa R$ 650. O impacto do 3D holográfico depende da posição do telespectador. Ele transborda num leque de 180 graus até a distância máxima de cinco metros. Os críticos dizem que há diferença na experiência de imersão para um grupo de pessoas posicionadas diante do aparelho. A cada posição diferente, uma visualização diferente, afirmam.

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A peça foi feita ao longo de onze dias pela Mono 3D, e, para ficar pronta para projeção, foi enviada aos Estados Unidos. “A gente teve que usar empresas especializadas em converter para os dois padrões de cinema 3D, o Dolby e o Real D”, detalha Rodrigo Olaio, sócio-diretor da Mono. Ele acredita que ninguém vai trabalhar só em 3D, mas a demanda por trabalhos no novo formato já aumentou. Para ampliar mais será necessária uma mudança de cultura, para entender as oportunidades da tecnologia. “O cliente não está acostumado ainda. Tecnicamente você não pode pensar num filme 3D com um corte a cada três segundos. É preciso dar um tempinho para o olho se acostumar com o efeito. A gente chega lá”, conclui.


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( upgrade ) ... e no multi-viewer

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3G no switcher...

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Broadcast Pix apresenta em setembro, na feira IBC, que acontece em Amsterdã, seu novo 3G Switcher Frame. Trata-se de um sistema para produção ao vivo de 3 Gbps com suporte ao formato 1080p. O upgrade proporciona multi-definição SDI I/O para os formatos 1080p, 1080i, 720p e definição standard. O sistema conta com capacidade de armazenamento de 100 horas de clipes, multi-view, armazenamento de grafismos, gerador de caracteres Inscriber e ambiente de trabalho Fluent. Como usa o dobro do data rate dos sistemas 1080i, o novo switcher oferece melhor qualidade de imagem e compatibilidade com a tecnologia 1080p, que começa a estar disponível em aparelhos de TV, roteadores, monitores e câmeras. O upgrade 3G é um frame separado, o que simplifica o cabeamento e aumenta o número de entradas e saídas. São até 20 entradas SDI, além de 16 entradas de vídeos e grafismos que são levadas até o dispositivo pela estação de trabalho Broadcast Pix através de uma porta PCI Express. É o software de ambiente de trabalho Fluent que faz com que o equipamento possa trabalhar de forma integrada com arquivos de vídeo, permitindo, diferentemente da maioria dos switchers, trabalhar simultaneamente com as entradas tradicionais de vídeo e os arquivos armazenados. O novo Fluent Watch-Folders monitora constantemente uma pasta, procurando novos arquivos gravados lá através de uma rede TCP/IP. Por isso, é possível acessar arquivos de vídeo gravados mesmo durante o trabalho de edição ao vivo. Também novo, o Fluent Macros pode memorizar clipes específicos, arquivos de animação e de gráficos, bem como posições de câmeras e movimentos de switcher, o que permite a criação e exibição de combinações complexas desses elementos. Outra novidade é o Fluent CG Connect, que permite conectar um arquivo XML ou um banco de dados Access a um gráfico. 56

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fernando lauterjung FOTOS: divulgação

3G Switcher Frame, da Broadcast Pix, usa o dobro do data rate dos sistemas 1080i.

Miranda também leva à feira de Amsterdã soluções 3 Gbps. Entre elas está o multiviewer Kaleido-X16, ideal para salas de controle e aplicações móveis. Desenhado para trabalhar com 3 Gbps/3D e vídeo HD/SD/analógico, o equipamento consiste em um chassi de uma unidade de rack, com 16 entradas, duas saídas multi-viewer e um roteador 16 x 2. O Kaleido-X16 trabalha de forma integrada com os roteadores da família NVision e roteadores de outros fabricantes. A família de roteadores NVision, que também será apresentada na feira, trabalha com 3 Gbps/HD/SD e conta com até 1152 x 1152 entradas de vídeo. O conversor de formatos Densité XVP-3901, para up e down conversion, que será mostrado na IBC, pode ter até dos módulos processadores de áudio, para trabalhar com decodificação de áudio Dolby e Dolby Digital, além de encodamento Dolby E/Digital. O equipamento aceita fontes de conteúdo 3 Gbps/HD/SD, proporcionando contante saída 3 Gbps/HD e SD. A interface pode ser controlada pelo novo painel de controle RCP-200, que conta com duas telas sensíveis a toque. Por fim, a fabricante leva seu primeiro processador de logos 3 Gbps/HD/SD, o Densité LGK-3901, capaz de inserir até cinco camadas de gráficos. Também conta com geração automatizada de caracteres, inserção de relógio, e oito canais de áudio clip ou voice-over

Miranda apresenta multi-viewer Kaleido-X16, que trabalha com 3 Gbps/3s e vídeo HD/SD/analógico.

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Tela Viva 196 - Agosto 2009  
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