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televisão, cinema e mídias eletrônicas

ano 17_#186_set2008

Pesquisa revela por que o brasileiro vai pouco ao cinema e indica os caminhos para retomar o mercado

em busca do público TV digital Governo cobra ação das emissoras para promover o sistema

Produção Digitalização deixa bancos de imagem mais acessíveis


w w w. s o n y p ro . c o m . b r

COM TANTA QUALIDADE, QUALQUER PRODUĂ‡ĂƒO VIRA MEGAPRODUĂ‡ĂƒO. É SATISFAĂ‡ĂƒO. É SONY.

PMW-EX3. Versatilidade para qualquer produção, desde eventos esportivos atÊ produçþes em estúdio.

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Sony Ê uma marca comercial registrada da Sony Corporation. Todos os pesos e medidas não mÊtricas são aproximados. As imagens visualizadas neste anúncio são simuladas e os produtos são vendidos separadamente. Fotos, gråficos e ilustraçþes podem não corresponder a uma representação fiel da realidade.


Foto: marcelo kahn

(editorial ) Presidente Diretores Editoriais Diretor Comercial Diretor Financeiro Diretor de Marketing

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a n d r e @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Buraco negro

Fernando Lauterjung

Internet E-mail

André Mermelstein

epois de ver o PL 29 “subir e descer do telhado” diversas vezes, o mercado de televisão teve uma nova surpresa em setembro. O projeto saiu das mãos do relator Jorge Bittar (PT/RJ), que vinha capitaneando todo o (des)acordo em torno do texto, e caiu, por uma decisão aparentemente burocrática da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, na comissão de Defesa do Consumidor, onde ganhou nova relatoria e teve seus prazos regimentais zerados. A situação não é boa para ninguém. Nem para as empresas de telecomunicações, programadoras e produtores independentes, que queriam a aprovação do projeto o mais rapidamente possível, muito menos para as operadoras de TV por assinatura, que eram contra a proposta. Apesar da aparente “morte” do PL, ou pelo menos sua prorrogação por tempo indeterminado (não deve ser votado antes do segundo semestre de 2009, na melhor das hipóteses), o resultado pode ser pior do que qualquer um esperava. A comissão de Defesa do Consumidor pode se tornar uma espécie de “caixa de Pandora” do projeto. Seguramente, seus integrantes não deixarão passar a chance de mexer com todas as questões históricas que assustam o mercado de pay TV, como o ponto extra, empacotamento de canais, publicidade, serviços de atendimento etc. Há ainda uma chance de o projeto tramitar em regime de urgência, o que levaria sua votação a Plenário, e forçaria necessariamente (e finalmente) um acordo entre todos. Hoje esta parece ser a melhor opção. É um bom momento para que todos os interessados voltem a se falar e se articular, para evitar um mal maior. A alternativa, mantido tudo como está, é o projeto virar uma colcha de retalhos pior do que já é hoje, e eventualmente não sair mais do papel, como tantas outras tentativas do passado em se criar uma regulamentação para a comunicação de massa no Brasil.

(11) 3214-3747 comercial@convergecom.com.br Ipsis Gráfica e Editora S.A.

Tela Viva é uma publicação mensal da Converge Comunicações - Rua Sergipe, 401, Conj. 605, CEP 01243-001. Telefone: (11) 3138-4600 e Fax: (11) 3257-5910. São Paulo, SP. Sucursal Setor Comercial Norte - Quadra 02 Bloco D - torre B - sala 424 - CEP 70712-903. Fone/Fax: (61) 3327-3755 Brasília, DF Jornalista Responsável Rubens Glasberg (MT 8.965) Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias publicadas nesta revista, sem autorização da Glasberg A.C.R. S/A

capa: carlos fernandes/gilmar

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Ano17 _186_ set/08

(índice ) Cinema

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Pesquisa mostra por que o brasileiro vai menos ao cinema

Scanner Figuras Home video

( cartas) Editorial Gostei do último editorial da Tela Viva, mas fiquei na dúvida: vocês estão falando de TV educativa ou de TV comercial? A comercial é concessionária, mas paga ao governo sua concessão através de licitação nacional. Portanto, se paga, não deve ser enquadrada como um bem público. Se for a educativa, cuja concessão é de graça, aí sim, todos os compromissos constitucionais... Edson Gualberto, Governador Valadores, MG

Blu-ray é a aposta dos distribuidores contra queda de vendas

TV digital

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Governo cobra de radiodifusores mais esforços na divulgação

Satélites

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Banda larga e alta definição puxam a demanda por capacidade

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Audiência Direitos autorais

Edson, O comentário serve para todos. O fato da concessão de TV privada ser onerosa (paga) não isenta as empresas de cumprirem os preceitos constitucionais. As estradas também são concedidas para a exploração privada, que paga pela concessão, mas têm que cumprir uma série de obrigações. A mesma coisa vale para as empresas de eletricidade, telefonia... Classe C Apesar das dificuldades apontadas na reportagem sobre a expansão da cobertura da TV por assinatura para a classe C, vejo com bons olhos esta notícia. É um processo democrático que ao mesmo tempo em que amplia o acesso a conteúdo televisivo diferenciado, aumenta a responsabilidade de programadores e operadoras por uma programação de qualidade e capaz de agradar esta parcela da população. Amadeu Braga, Sumaré, SP

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Associação internacional quer cobrar direitos da TV paga no Brasil

Making of Produção

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Bancos de imagens ficam mais acessíveis com acervos digitais

Case

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Produtora investe em produtos midiáticos ligados a longa

Upgrade Agenda

Tela Viva edita as cartas recebidas, para adequá-las a este espaço, procurando manter a máxima fidelidade ao seu conteúdo. Envie suas críticas, comentários e sugestões para cartas.telaviva@convergecom.com.br

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telavivanews www.telaviva.com.br 4

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( scanner ) Força-Tarefa

Colegas

Uma produção independente estreará na Globo: “Força-Tarefa”, um reality show policial produzido pela Medialand. O programa semanal tem foco na atuação de policiais. São 13 capítulos de dois blocos com duração de meia hora cada um ainda sem data de estréia nem dia e horário definidos na grade de programação. “Procuramos abordar o trabalho da polícia com foco nas histórias humanas dos policias. Mostramos diversas situações da polícia civil, militar, delegacias do interior, bombeiros, patrulha aérea e segurança em eventos, por exemplo”, diz Carla Albuquerque, diretora executiva da Medialand. Ela conta que a produtora tem trabalhado há dois anos no projeto. “Só quando estava tudo redondo apresentamos o piloto à Globo. Eles gostaram e entraram com co-produção na parte gráfica, para deixar o programa no mesmo padrão do resto da programação”. Segundo a diretora executiva, a emissora não interferiu no conteúdo. Toda a produção e captação (em HD) foram feitas pela Medialand. “Força-Tarefa” faz parte de um projeto da produtora denominado 190, que abrange também curtas-metragens e Reality show policial produzido pela Medialand documentários com a mesma temática. que deve estrear na Globo.

FOTOS: divulgação

A Gatacine e a Schürmann Film Company fizeram um acordo de co-produção para dois longas-metragens: “Colegas”, da Gatacine, e “Meninos de Asas”, da Schürmann. Segundo Rodrigo Tavares, sócio da Gatacine, a parceria prevê o apoio da Schürmann na captação de recursos para a produção de “Colegas” e suporte artístico da Gatacine para “Meninos de Asas”. Além disso, o produtor David Schürmann dirigirá filmes publicitários para clientes da Gatacine. “A Schürmann tem mais intimidade com o mercado corporativo, o que facilita a captação de recursos. A gente tem idéia de fazer um filme por ano e queremos depender o mínimo possível do governo”, observa Tavares. “Colegas”, aprovado na Ancine para a captação de R$ 3 milhões, conta a história de três jovens com Síndrome de Down que, inspirados no filme “Thelma & Louise” fogem de carro para uma aventura. A produção deve ser rodada no início de 2009, mas o diretor e roteirista Mário Galvão iniciou workshops com os protagonistas. O processo de preparação dos atores, que está sendo filmado para virar um documentário, pode ser conferido no blog: www.colegasofilme.com.br.

Pequenininhos O Playhouse, novo canal da Disney para pré-escolares, está sendo distribuído pelas operadoras Telefônica TV Digital e TVA. Com séries, programas educativos, desenhos animados e musicais, o canal já é exibido na Argentina, México, Colômbia e América Central.

Vinícius e Estela, apresentadores do “Playhouse Disney”, atração do novo canal da Disney voltado para pré-escolares.

Acordo internacional A Rede Record e a mexicana Televisa firmaram um contrato para a co-produção de novelas. O acordo, válido por cinco anos, prevê que a Record seja responsável pela adaptação e produção de obras originais sob as quais a Televisa possui direitos para o Brasil, como “Betty, a Feia” e “Rebelde”. A emissora brasileira informou que o custo de produção das novelas será pago pela Televisa e toda a receita de publicidade, merchandising, licenciamento de produtos e vendas internacionais/nacionais das obras será dividida entre as partes. A estrutura a ser utilizada para as novelas são os estúdios da Record no Rio de Janeiro (Recnov). Os frutos dessa parceria serão exibidos na faixa das 19h, na qual é exibido, hoje, o desenho animado “Pica-Pau”. BBC Worldwide Outra parceria da Televisa, com a BBC Worldwide para a distribuição de canais no México rendeu seus primeiros frutos. No fim de agosto, os canais CBeebies (para pré-escolares) e BBC Entertainment (programação variada, com dramas, comédias, estilo de vida, entretenimento e realidade) começaram a ser distribuídos pela Sky para 1,7 milhão de lares no México, República Dominicana e América Central.

Rita Pokk e Ariel Goldenberg, protagonistas de “Colegas”, uma das co-produções previstas na parceria entre a Gatacine e a Schürmann Film Company

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Espanto

Visibilidade no mercado internacional para o personagem do cineasta José Mojica Marins, com a participação de “Encarnação do Demônio” em mostra do Festival de Veneza e venda de filmes para o canal americano Independent Film Channel.

O personagem Zé do Caixão, do cineasta José Mojica Marins, ganha mais visibilidade no mercado internacional. Além do lançamento de “Encarnação do Demônio”, que foi selecionado para uma mostra no Festival de Veneza, a One Eyed Films, agência de vendas especializada no cinema latino-americano baseada em Londres, fechou a venda de um pacote de nove filmes da Coleção de Clássicos do Diretor - Mojica Marins para o canal norte-americano Independent Film Channel. Inicialmente, o canal havia adquirido três filmes da coleção. Segundo a distribuidora, os bons níveis de audiência levaram à compra das licenças adicionais. Os filmes do diretor já foram vendidos para mais de 20 territórios. A distribuidora anunciou ainda que está desenvolvendo um projeto de filme com Mojica Marins, que seria seu primeiro filme em inglês. O roteiro estaria sendo escrito em conjunto com fãs do diretor.

Para crianças A WTN - Web & Television Network estreou em setembro o portal WTN Kids. O portal conta com a série animada em 2D “Dogmons”, da brasileira Intervalo Produções. A série será exibida em episódios semanais com duração de 10 minutos. Além da atração, haverá promoções culturais dedicadas a crianças de até 12 anos.

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FOTOS: divulgação

( scanner) Os multitarefas

A Turner dedicou a terceira edição da pesquisa Kids Experts, feita anualmente para o canal Cartoon Network, ao estudo da relação entre as crianças e a tecnologia. O objetivo era descobrir como este público consome diferentes meios como fontes de informação e entretenimento. Baseada em entrevistas com especialistas em comportamento infantil, pesquisa respondida por cerca de 7 mil crianças no site do canal, anotações de mães sobre as atividades de seus filhos e observações dos pesquisadores durante reuniões de crianças, a pesquisa mostrou que 73% das crianças na faixa etária de sete a 15 Rafael Davini, da Turner: anos têm o hábito de usar várias tecnologias ao mesmo pesquisa serve para tempo. “É uma geração que já nasceu em um mundo orientar estratégias do canal e do site, além de digitalizado. Precisamos entender melhor o nosso target, aproximar a programadora pois fazemos produtos para eles”, diz Renata Policicio, do mercado publicitário. coordenadora de pesquisa da Turner. “Mesmo antes de conhecer os resultados do estudo, já buscávamos outras plataformas além da TV paga”, observa Rafael Davini, responsável pela área de propaganda e marketing da Turner na América Latina, mencionando a presença do conteúdo do canal na TV Claro, na Terra TV e no serviço de video-on-demand (VOD) da Brasil Telecom. Segundo Davini, o resultado da pesquisa, além de orientar as estratégias do canal e do site, aproxima a programadora do mercado publicitário. “Apresentamos os resultados em agências de publicidade e também em empresas que trabalham com o segmento infantil. É um novo desafio para os mídias, que têm outros caminhos além da TV aberta para chegar ao consumidor”, diz.

Canal HD A MTV Networks International, propriedade da Viacom Inc, lançou no dia 15 de setembro seu primeiro canal internacional 24 horas em alta definição. O MTV Networks High Definition (MTVNHD) terá programação musical e infantil, com conteúdo de acervo dos canais da MTV Networks International, como “MTV Unplugged”, “VH1 Storytellers”, “Bob Esponja” e “Jimmy Neutron”. O canal, em inglês, fica baseado na Polônia. O MTVNHD estará disponível primeiramente na Bélgica, Dinamarca, Finlândia, Noruega, Polônia e Suécia. O objetivo é expandir a oferta do canal até o final de 2008 para Portugal, França, Alemanha, México, Países Baixos, Espanha, Inglaterra, Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela.

Recursos do BNDES A série de animação “Escola para Cachorro”, da Mixer, foi o primeiro projeto a ser contemplado com os recursos não-reembolsáveis do BNDES. O projeto é uma co-produção com a canadense Cité-Amerique, com orçamento total de R$ 5,5 milhões, segundo Tiago Mello, produtor da Mixer. Estreando o mecanismo de recursos não-reembolsáveis, o projeto conta com cerca de R$ 2 milhões de recursos proveninentes do BNDES, sendo R$ 1,2 milhão do Procult e R$ 893 mil não reembolsáveis, provenientes do Artigo 1°A. O objetivo desse mecanismo é estimular a produção de obras audiovisuais para TV por produtoras nacionais independentes em co-produção com países estrangeiros. “O projeto da Mixer atendia aos critérios. Além de ser uma co-produção com o Canadá, eles já têm contrato com uma distribuidora internacional e com um canal de exibição no Brasil”, explica Patrícia Vieira Machado Alexandre, do departamento de cultura, entretenimento e turismo do BNDES. Além do banco, a parte brasileira do orçamento foi garantida a partir de acordos com dois canais (TV Cultura e um canal a cabo para toda a América Latina) e com os patrocinadores “Escola para Cachorro”, da Mixer, Toddynho e CSN. A série, para crianças em idade primeiro projeto a receber recursos pré-escolar, já tem exibição garantida em quatro não-reembolsáveis do BNDES. canais canadenses. Na produção, além de colaborar no roteiro (um dos sete roteiristas é brasileiro), o Brasil será responsável pelo storyboard e pela animação. A trilha sonora é do grupo Palavra Cantada. Paralelamente à produção, a Mixer trabalhará na formação de jovens para animação. Inicialmente, 20 jovens serão contemplados.

Nova página da Casa de Cinema de Porto Alegre traz blog com textos de Jorge Furtado, Luciana Tomasi, Giba Assis Brasil e Carlos Gerbasse

Blogueiros A Casa de Cinema de Porto Alegre reformulou seu site, www. casacinepoa.com.br. Agora, a página traz um blog com a participação de Jorge Furtado, Luciana Tomasi, Giba Assis Brasil e Carlos Gerbase. Os leitores podem postar comentários, dialogar com os autores e cadastrar-se para receber semanalmente o boletim-blog, com notícias da produtora e resumo dos últimos textos postados. 8

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A Net Serviços adquiriu a operadora de TV a cabo ESC 90, que opera nas cidades de Vitória e Vila Velha, no Espírito Santo, com programação Net. A operadora pertencia à concessionária de energia Escelsa (EDP), e terá 100% de suas ações adquiridas pela Net. A ESC 90 tem cerca de 31 mil assinantes conectados de TV por assinatura e 24 mil assinantes de Internet banda larga, que se somam aos 2,7 milhões de assinantes de TV paga, 1,8 milhão de banda larga e um milhão de voz da Net Serviços. Segundo o fato relevante, “o valor da aquisição está estipulado em R$ 94.624.000,00, equivalente a um múltiplo VF/LAJIDA de 4,0x, sujeito a ajustes de acordo com os termos e

condições estabelecidos se da terceira aquisição de pelas partes no contrato, e operação da Net Serviços nos o pagamento será realizado últimos dois anos. A primeira em dinheiro, na data de foi a Vivax, seguida da BigTV e fechamento da operação”. agora a ESC90. Segundo João A ESC 90 teve receita Elek, diretor financeiro da Net líquida anualizada em julho Serviços, a empresa está de R$ 49 milhões, com disposta a adquirir operações margem Lajida (Ebitda) de que complementem sua 48%. A operação, sem cobertura e a ESC 90 é contar eventuais dívidas, estratégica, pois com ela, a Net José Felix, da Net: representa cerca de R$ 3 mil empresa comprou estará presente, caso aprovada a operadora capixaba por assinante da ESC 90, operação, em todas as capitais do ESC 90 para ampliar valor acima das negociações cobertura. Sul e Sudeste. Embora, de acordo mais recentes realizadas no com o diretor, a Net tenha caixa mercado brasileiro (a própria Net para bancar sozinha a compra, a estabeleceu, pela compra da operadora empresa estuda fazer uma emissão de BigTV, em dezembro, um valor máximo dívida para quitar a negociação. Será de R$ 2,6 mil e um mínimo de cerca de uma emissão de renda fixa. Pode ser R$ 1,9 mil por assinante). A operação debêntures ou títulos de renda fixa no depende de aprovação da Anatel.Tratamercado internacional. FOTO: marcelo kahn

Aquisição

FOTO: divulgação

Agrobusiness na TV Fundado há três anos, o canal campo-grandense Agromix TV, com foco em agronegócios,entrou no satélite NSS-806 no começo de setembro. Segundo o diretor técnico e de programação do canal, Flávio Fontoura, o sinal ficará aberto por um tempo para as operadoras degustarem a programação, que vai de programas jornalísticos aos de culinária e musicais. Atualmente, o Agromix TV está na Net de Campo Grande. De acordo com Fontoura, durante a ABTA 2008, feira da área de TV por assinatura da qual participaram pela primeira vez, “Notícia Rural”, atração do canal mato-grossense Agromix TV, focado em agronegócios

Bafafá A Rede Globo e a TV Record trocaram farpas no começo de setembro sobre o International Emmy Awards. A Record divulgou nota questionando a parcialidade do concurso, já que a Globo, uma das parceiras da premiação, concorre a prêmios com suas produções. A emissora paulista também disse que iria avaliar se faria a inscrição, pelo terceiro ano consecutivo, de reportagens, obras e representantes de seu elenco na próxima edição do evento e afirmou que teria “vergonha de ganhar um Emmy patrocinado por ela própria”. Em resposta, a TV Globo explicou que é, há três anos, uma

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fecharam negócio com operadoras de mais de 50 cidades e houve interesse inclusive de uma operadora de Punta Del Este. “Tem muito empresário que mora no exterior e tem negócios agropecuários no Brasil”, justifica Fontoura, cogitando possibilidades de expansão. O canal, que tem estúdio em Campo Grande, está montando uma estrutura em São Paulo e ainda pretende abrir bases em Belo Horizonte e Brasília. A maior parte da programação atualmente é feita pela equipe do Agromix TV. Apenas uma atração, o “Horse Brasil”, é feito por uma produtora independente de Sorocaba, interior de São Paulo.

das patrocinadoras do evento anual da premiação e esclarece que, pelo regulamento do prêmio, uma emissora ou seus representantes jamais podem votar nas categorias em que estejam concorrendo. Segundo a emissora, quem avalia os programas são cerca de 600 profissionais de televisão, de 40 países, em um processo auditado pela Ernst&Young. A Globo diz ainda que não ganhou prêmio no período em que é patrocinadora do evento de gala, enumerando os três prêmios que ganhou, todos na década de 1980. Por fim, a Globo afirma que continuará “competindo duramente, todo ano, com as melhores emissoras do mundo em busca do reconhecimento da qualidade de nossa produção”.

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Crescimento publicitário no 1º semestre de 2008 em comparação ao 1º semestre de 2007

Fonte: Projeto Inter-Meios

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Investimento na rede A Internet foi o meio com maior crescimento publicitário, se comparado o primeiro semestre de 2008 com o mesmo período de 2007. As informações são do Projeto Inter-Meios, que levanta o volume de investimento em mídia no Brasil. O crescimento da Internet foi de 45%, com o total de R$ 321 milhões investidos. Esse valor representa uma participação de 3,36% no bolo publicitário. No total, os meios tiveram, ao final do primeiro semestre do ano, R$ 9,57 bilhões de verba publicitária, um crescimento de 16,32% em relação ao mesmo período no ano anterior. O meio com maior participação no investimento publicitário continua sendo a televisão, com 58,53% do montante, e crescimento de 14,76% em relação ao mesmo período no ano anterior. Em junho de 2008, a televisão acumulou R$ 5,6 bilhões em faturamento. A TV por assinatura faturou R$ 311 milhões no período, com crescimento de 25,46%. A participação do meio no bolo publicitário foi de 3,26%. O cinema também teve destaque, com 18,72% de crescimento no período. Entre os meios, porém, ainda é o que possui a menor participação nas verbas investidas, com 0,36% e investimento de R$ 34 milhões. Os únicos veículos com decréscimo no faturamento foram os do setor de guias e listas, que apresentaram valor acumulado de R$ 206 milhões e decréscimo de 13,63% em relação ao mesmo período no ano passado.

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kahn FOTO: marcelo

Houve uma reviravolta completa na tramitação do PL 29/2007, que cria novas regras para o setor de TV por assinatura e para o mercado audiovisual. No final de agosto, a presidência da Câmara aprovou o requerimento 2996/08, do deputado Cezar Silvestri (PPS/PR), para que o projeto passe a tramitar na Comissão de Defesa do Consumidor. Com isso, abrem-se todos os prazos regimentais novamente, é designado um novo relator na nova comissão, há a possibilidade de novos substitutivos e o substitutivo proposto pelo deputado Jorge Bittar deixa de ser votado agora, o que atrasaria o projeto seguramente até meados de 2009, pelo menos. Bittar atribui a remissão do projeto a uma nova comissão à guerra regimental que se trava nos bastidores, mas reconhece que a Comissão de Defesa do Consumidor pode contribuir com a Novos acontecimentos mudam a tramitação do PL proposta. “É algo que, evidentemente, diz 29/2007, que sai da relatoria respeito ao consumidor, e por isso eles têm do deputado Jorge Bittar o que acrescentar”, disse. O deputado informou que também pediria para o Planalto uma manifestação oficial de apoio ao projeto. Segundo ele, após a apresentação ao presidente Lula e à Casa Civil, o texto ganhou a simpatia da Presidência da República, mas uma manifestação oficial de apoio depende de uma reunião de ministros. Outro acontecimento coloca novos empecilhos à aprovação do projeto: os resultados de uma reunião realizada entre Band, Abril, Record, SBT e empresas de telecomunicações. Segundo Johnny Saad, presidente do grupo Bandeirantes, a reunião foi péssima, porque ficou claro que as teles só estariam interessadas em defender suas próprias posições. “Pedimos apoio para nossas reivindicações, sobretudo a cota de programação. Elas disseram que esse é um problema nosso. Ou seja, se é para fazer um projeto que só atenda ao interesse das teles, somos contra”, disse o executivo. A Band era uma das que vinha apoiando abertamente a proposta do PL 29, inclusive encabeçando o manifesto favorável ao texto publicado há cerca de um mês e reiterado durante a ABTA 2008, no começo de agosto, em São Paulo.

Al-Jazeera English Com dois anos de existência, e após conseguir cerca de 120 milhões de assinantes, sobretudo na Europa e Ásia, a Al Jazzera English, ex-Al Jazeera International, quer expandir sua distribuição na América Latina. A diretora de distribuição regional do canal, Diana Hosker, esteve em setembro no Brasil, a caminho da Argentina, onde participou da feira da ATVC. O canal mudou de nome porque a rede pretende lançar outros canais regionais, em idiomas locais. O próximo deve ser em turco, e estuda-se um canal em espanhol, conta Diana. No Brasil, o canal era representado pela Multipole, que agora tem apenas a representação do canal original, em árabe. O canal em inglês está sendo representado na América Latina por uma distribuidora colombiana, e no Brasil ficará a cargo de José Coltro. Até hoje, o Al Jazeera English está na região apenas na Argentina e em alguns países menores, como Honduras. 12

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FOTO: divulgação

Reviravolta

Programa “Fundão”, da MTV, está entre as atrações disponíveis no Minha TV, serviço de vídeo streaming da Claro.

Na palma da mão As operadoras de telecomunicações estão entrando na seara da produção audiovisual. A Oi, por exemplo, lançou no começo do mês um edital chamando produtores para um pitching de conteúdo convergente entre plataformas. Produtoras brasileiras poderão participar do processo de seleção enviando suas criações que possam ser distribuídas por internet, telefone móvel e TV. Além dos três formatos, os conteúdos das propostas deverão abordar música, comportamento e entretenimento e ter foco no público entre 18 e 25 anos. Os melhores projetos serão adquiridos pela companhia e distribuídos no Mundo Oi (portal de internet), Canal Oi (canal de TV transmitido pela Oi TV em Belo Horizonte e pela Internet) e Oi móvel. As informações estão no site www. oi.com.br/multiplataforma. A Claro também promove o Festival Claro Curtas, voltado a “todos os interessados em criar um curta-metragem original” sobre o tema “Diversidade e Inclusão”. Ainda no campo do audiovisual, operadora criou recentemente mais um serviço de video streaming. O Minha TV, como foi batizado, permite que usuários da operadora acessem via streaming pelo celular ou pelo PC vídeos produzidos por canais como Esporte Interativo, MTV, Discovery Móvel e Discovery Kids Móvel. O acesso ao serviço é feito através de uma assinatura mensal de R$ 10. Há também a opção de acesso a conteúdo adulto, cuja assinatura mensal custa R$ 15. A diferença do Minha TV para o Idéias TV, outro serviço de streaming de vídeo da Claro, é que no primeiro o usuário pode escolher o vídeo que deseja assistir na hora que quiser, enquanto no segundo se assiste a uma programação em tempo real. TV digital Não só as operadoras, mas também as fabricantes estão animadas com a televisão no celular. Depois de lançar o V820, primeiro telefone móvel capaz de captar o sinal de TV digital aberta do Brasil, a Samsung promete trazer um novo modelo com a mesma funcionalidade, mas a um preço mais acessível. O novo handset deve chegar às prateleiras perto do Natal e será mais simples que o V820: não será touch screen e nem terá tela LED. No primeiro semestre de 2009, a Samsung espera ter entre três e quatro modelos de celulares aptos a receber sinal de TV digital no Brasil, segundo o vice-presidente de novos negócios da marca, Benjamin Sicsú, estimando ainda a venda de 120 mil unidades do V820 este ano no País. O executivo participou no final de agosto do 5º Fórum Internacional de TV Digital, no Rio de Janeiro.

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Gerente comercial A Estação 8 contratou uma gerente comercial: Elis Pedroso (ex-Pródigo Films e Espiral). A profissional atua na área de comunicação e publicidade há 14 anos e, na produtora, terá a missão de reforçar a comunicação com os clientes, dando continuidade à estratégia de ampliação do setor comercial.

Ouvidor

Foto: Ana Paula Oliveira

Fotos: divulgação

(figuras ) Laurindo Leal Filho é o novo ouvidor da TV Brasil, tendo a função de fazer a ponte entre a emissora e o público. Leal Filho dedicou boa parte de sua atividade acadêmica ao estudo das realidades de TVs públicas em outros países e atuou ativamente na criação da TV Brasil.

Criativos

Licenciamento Andrés Mochón foi promovido a vice-presidente de licenciamento para a América Latina da Nickelodeon & Viacom Consumer Products, uma divisão da Viacom. Antes da promoção, Mochón era diretor de licenciamento para o Brasil, Chile e Argentina. Agora, com seu novo cargo, será responsável pela comercialização de produtos e licenciamento de propriedades do portfólio da MTV Networks International em todos os mercados da América Latina.

Foto: marcelo khan

Presidente Liliana Nakonechnyj, diretora de engenharia de transmissão e apoio às afiliadas da TV Globo, é a nova presidente da Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET). Ela foi eleita no final de agosto em substituição a Roberto Franco, diretor de tecnologia do SBT.

Abert

Atendimento

Produtor executivo

Foto: arquivo

Daniel Pimentel Slaviero foi reeleito presidente da Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abert) para o biênio 2008-2010. Emanuel Soares Carneiro foi eleito vicepresidente pelo Conselho.

Juliana Silleman, que integra a equipe da Margarida Flores e Filmes há três anos, é a nova profissional de atendimento da produtora no Rio de Janeiro. Juliana trabalhará com a produtora executiva Lara Marujo e o produtor Antonio Carlos Accioly.

Juca Ferreira assumiu oficialmente o cargo de ministro da Cultura no final de agosto. Ele era secretárioexecutivo e assumiu interinamente a pasta quando Gilberto Gil deixou a função para se dedicar à família e à carreira.

Juca Ferreira

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Daniel Pimentel Slaviero

Ministro

O produtor executivo Edu Sallouti (ex-Os Filmes Internacionais) é o novo contratado da Brasileira Filmes.

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Foto: marcelo khan

A assessora técnica da presidência do Senado Federal, Emília Ribeiro, teve seu nome aprovado pelos senadores no Plenário da Casa e assumirá o conselho diretor da Anatel. A votação secreta contabilizou 42 votos a favor da indicada contra 15 contrários.

O diretor de arte Marcelo Torma (ex-Loducca e Publicis), a redatora Marilu Rodrigues (ex-Leo Burnett & Young&Rubicam) e o assistente Marcelo Torma, Marilu Ricardo Tronquini Renato Salzano Rodrigues e Renato Salzano são os novos reforços de criação da DM9DDB. Ricardo Tronquini (ex-Gás Multiagência e E21) também chega a agência para completar a equipe de diretores de criação.

Foto: arquivo

Conselho diretor

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( capa ) Ana Carolina Barbosa*

a n a c a r o l i n a @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Uma luz no escurinho do cinema Pesquisa aponta motivos que afastam o público das salas. Produtores, distribuidores e exibidores vão agora em busca do espectador perdido.

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ocê costuma ir ao cinema? A resposta negativa de 52% dos 2120 entrevistados da pesquisa encomendada pelo Sindicato das Empresas Distribuidoras Cinematográficas do Município do Rio Janeiro ao Datafolha alarmou todos os elos da cadeia cinematográfica. A consolidação dos dados coletados na pesquisa quantitativa “Hábitos de Consumo no Mercado do Entretenimento”, realizada no final de 2007 com homens e mulheres com mais de 12 anos, de todas as classes sociais, abordados nas regiões dos dez maiores mercados de salas de cinema (Região Metropolitana de São Paulo, Campinas, Região Metropolitana do Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Salvador, Recife, Fortaleza e Brasília), e um estudo qualitativo sobre o assunto, ambos divulgados em agosto, servem de base para análise e elaboração de medidas para fazer da ida ao cinema uma atividade mais freqüente na vida dos brasileiros. “Pouca coisa surpreendeu a gente”, afirma Jorge Peregrino, presidente do sindicato e vicepresidente da Paramount para América Latina, explicando que o objetivo da pesquisa era identificar o público que não vai ao cinema, mas tem interesse em ir, o que a pesquisa identificou como “potencial”, público que corresponde a 11% do total de entrevistados. A projeção feita pelo Datafolha, transformando os

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assistir filmes no cinema, TV ou DVD?” e “Você prefere assistir filmes no cinema, em DVD ou na TV por assinatura?”. No segundo caso, para os entrevistados que responderam terem o hábito de ver filmes na TV por assinatura, o meio supera o DVD, 38% contra 30%. Assistir filmes em DVD também está entre as atividades de cultura e lazer favoritas dos entrevistados (51%), seguida de assistir filmes na TV aberta (39%), passeios em shoppings centers (37%) e cinema (23%). A pesquisa também traz algumas elucidações sobre os motivos que fazem com que as pessoas não cultivem o hábito de ir ao cinema ou o façam com menos freqüência do que gostariam, já que no grupo de 42% classificados como freqüentadores, 83% que declararam a vontade de ir mais vezes ao cinema. O estudo qualitativo, feito em abril de 2008, pela técnica de discussão de grupo formado por não-freqüentadores, freqüentadores potenciais e freqüentadores “light” (aqueles que vão ao cinema pelo menos uma vez por ano) mostrou que entre os aspectos restritivos à ida ao cinema está o custo do entretenimento como um todo: o preço do ingresso, somado aos gastos com estacionamento e pipoca, acaba caro. Além disso, há o inconveniente das filas e o fato de que os filmes não demoram muito mais para o lançamento em DVD ou a estréia na televisão e de os mais jovens, principalmente, preferirem gastar dinheiro em outras atividades de lazer, como baladas. A conclusão do Datafolha é que a relação custo/benefício de ficar em casa para este público é extremamente positiva. “O fácil FOTOs: marcelo kahn

“A pesquisa mostrou que tem público também fora dos grandes centros e que o público freqüentador é de mais de 14 milhões.” Jorge Peregrino, do Sindicato das Empresas Distribuidoras Cinematográficas do Município do Rio de Janeiro

resultados percentuais em números (ver box), deixa a avaliação de Peregrino mais otimista: “Antigamente, diziam empiricamente que o público de cinema no Brasil é composto por 10 milhões de pessoas, os que moram nos grandes centros. A pesquisa mostrou que tem público também fora dos grandes centros e que o público freqüentador é de mais de 14 milhões. Além dos que a pesquisa identificou como potenciais, que chegam a 3 milhões de pessoas”, destaca, mencionando a credibilidade dos dados, agora com o respaldo de um instituto de pesquisa. Se a identificação deste público é uma etapa cumprida, proporcionar as condições para que ele possa freqüentar o cinema é outra história. “Os dados estão aí para os órgãos de governo, produtores, distribuidores, exibidores e quem mais quiser consultar. Cada um pode analisar e tirar suas próprias conclusões e orientar suas ações, mas nada vai ser resolvido por um elo só”, afirma Peregrino, revelando como, na sua opinião, é possível levar o público às salas de cinema: ampliando o parque exibidor. Solução de ponta Segundo Peregrino, as salas precisariam ser construídas fora dos grandes centros urbanos. Ele sustenta com números sua afirmação: os paulistanos freqüentam o cinema 1,5 vez por ano. No Rio de Janeiro, a freqüência é de 1,3 vez por habitante/ano. O Brasil tem uma sala para

cada 80 mil habitantes e freqüência de 0,48 vezes por habitante ao ano; a Argentina tem uma sala para cada 39 mil pessoas e a freqüência é de 1,6. “Quanto mais salas, maior a freqüência”, conclui o presidente do Sindicato. “Acho que tem que aumentar o parque exibidor e o governo tem que estar envolvido nisso, mas não com dinheiro do BNDES, porque há juros. Acho que tem criar condições para a exibição, como tem para a produção”. Para exibidores que participaram de painel na Feira Internacional da Indústria do Cinema e Audiovisual (Fiicav), evento que aconteceu em São Paulo no final de agosto, o aumento de salas não significa necessariamente aumento de público. Marcelo Bertini, diretor da Abraplex e da Cinemark, deu o exemplo de Manaus, cidade em que, entre outubro de 2006 e julho de 2008, ganhou 30 novas salas e amargou decréscimo de 7,5% de público. Celso Lui, da Lui Cinematográfica, exibidor do interior de São Paulo levantou outro ponto: “A questão não é só abrir uma sala, é descobrir o que fazer para tirar o espectador da casa dele para ir ao cinema”. Este é o principal entrave porque, de acordo com a pesquisa, 95% dos entrevistados têm o hábito de assistir a filmes, mas outros suportes aparecem na frente do cinema. O DVD é o suporte de preferência do público, com 44%, seguido da TV, com 25%. O cinema fica em terceiro lugar, com 23%. A pesquisa incluía duas perguntas: “Você prefere

“O problema do filme nacional não é a escassez de produção, mas os poucos filmes competitivos.” Bruno Wainer, da Downtown Filmes

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( capa) acesso aos lançamentos, a pirataria a R$ 5,00 o filme, a comodidade, o conforto de casa e não enfrentar filas passam a ser justificativas racionais importantíssimas neste momento”, está destacado na pesquisa. Com justificativas tão fortes como estas, a tarefa de tirar o público de casa e levá-lo ao cinema é árdua, mas o estudo traz algumas pistas de como conseguir. Um dado curioso, por exemplo, é que o jornal aparece como o principal meio pelo qual os freqüentadores de cinema costumam se informar sobre os filmes que estão em cartaz (45%), mencionado principalmente pelos classificados como freqüentadores “heavy”, os que vão ao cinema pelo menos uma vez a cada quinze dias; FOTO: marcelo kahn

“Para chegarmos ao patamar de 100 milhões é a produção nacional que tem chegar aos 15, 20 milhões, em vez dos 10 milhões que faz hoje. Há caminhos para isso, mas a indústria como um todo tem que facilitar os projetos comerciais.” Rodrigo Saturnino Braga, da Columbia Tristar Buena Vista Filmes do Brasil

seguido pela Internet (29%), meio bastante citado pelos mais jovens. Logo em seguida, vêm a indicação de amigos (25%) e a TV (17%). “Isso mostra que para ter visibilidade não precisa, necessariamente, gastar uma fortuna em divulgação na TV”, diz Peregrino. A ida ao cinema também é uma atividade programada para a maioria dos entrevistados (68%) e a escolha do filme costuma ser feita com antecedência (72%). Produção nacional Outro ponto importante destacado na pesquisa é o prestígio da produção

nacional. Embora filmes nacionais ainda percam para os estrangeiros em grau de interesse despertado no público - 35% dos entrevistados têm grau máximo de interesse em filmes estrangeiros contra 21% que têm o mesmo nível de interesse pelo filme nacional - fica clara a percepção de que o filme nacional melhorou nos últimos anos e a inexistência de rejeição. Entre os participantes do estudo qualitativo, inclusive, o fato de ser uma produção brasileira aparece em alguns casos como critério de decisão para a ida ao cinema. A guinada do cinema brasileiro é

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pesquisa identifica público potencial O objetivo da pesquisa encomendada pelo Sindicato das Empresas Distribuidoras Cinematográficas ao Datafolha era principalmente identificar o público que tem potencial para ir ao cinema. Para isso, os 2120 entrevistados respondiam sim ou não à pergunta “Você costuma ir ao cinema?”. Nesta primeira etapa, 52% deram resposta negativa. Depois, os entrevistados tinham que atribuir uma nota de um a cinco em relação ao interesse de ir ao cinema (um representava nenhum interesse e cinco, muito interesse). Os que responderam que não costumavam ir ao cinema e deram notas entre um e dois para o interesse, vão ao cinema menos de uma vez por ano ou não vão, foram classificados como não-

freqüentadores, segundo Luciana Chong, coordenadora da pesquisa. Aqueles que vão menos de uma vez por ano ou não vão, mas têm interesse em ir, são os potenciais. Os freqüentadores foram classificados de acordo com a freqüência com que vão cinema em heavy (vão pelo menos uma vez a cada quinze dias), medium (vão pelo menos uma vez a cada três meses) e light (vão ao cinema pelo menos uma vez por ano). A projeção feita pelo Datafolha, considerando o total da população acima de doze anos dos dez centros pesquisados e transformando os resultados percentuais em números mostra que o público potencial é de 3.735 mil pessoas.

Grupos de consumidores de cinema

Grau de interesse em ir ao cinema (resposta estimulada e única, em %) Nota 5 “Muito interesse”

25

38%

Nota 4

13

Nota 3

14.859 mil*

3.735 mil

Frequentador 42%

Potencial 11%

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Nota 2 4.132 mil Heavy

21%

Medium

3.421 mil Light

16.429 mil

Não frequentador 47%

10%

Fonte: Sindicato das Empresas Distribuidoras Cinematográficas do Município do Rio de Janeiro

* Estes valores apresentam o total estimado de pessoas em cada faixa.

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42%

Nota 1 “Nenhum interesse”

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7.305 mil

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( capa) um aspecto significativo, principalmente para produtores e distribuidores. Para Rodrigo Saturnino Braga, diretor geral da Columbia Tristar Buena Vista Filmes do Brasil, é o cinema nacional que impulsionará o mercado cinematográfico do País. “O filme estrangeiro faz cerca de 80 milhões de espectadores por ano e não acredito que saia muito desta margem. Para chegarmos ao patamar de 100 milhões é a produção nacional que tem chegar aos 15, 20 milhões, em vez dos 10 milhões que faz hoje. Há caminhos para isso, mas a indústria como um todo tem que facilitar os projetos comerciais”, sugere. O fato de não haver rejeição para a produção nacional é uma boa notícia. O desafio, agora, é fazer filmes que caiam no gosto do público. No entanto, parece que a cinematografia brasileira tem caminhado na contramão. O gênero preferido dos entrevistados no cinema nacional é a comédia, e distribuidores reclamam da escassez deste tipo de produção. “Dos cerca de 74 filmes nacionais lançados no ano passado, 32 eram documentários, que não está entre os gêneros mais citados na preferência. Não sou contra documentários, mas a pesquisa indica que não é todo documentário que deve ir para o cinema”, observa Peregrino, da Paramount. Para fazer filmes que atraiam o público e sejam sucesso de bilheteria, distribuidores sugerem trabalhar com produtores e roteiristas desde a fase

Saturnino Braga, da Columbia, concorda: “Gostamos de trabalhar com projetos ainda na fase de tratamento de roteiro porque aí podemos sugerir algumas mudanças. O resultado em bilheteria geralmente é melhor”. Isso aconteceu, por exemplo, com “Meu Nome não é Johnny” (2008), que teve mais de 2 milhões de espectadores, e com “Dois Filhos de Francisco” (2005), que superou os 5 milhões. De acordo com Braga, neste último caso, a distribuidora foi procurada pelos cantores Zezé di Camargo e Luciano, que queriam contar a história da família. A partir da idéia, a Columbia contatou a Conspiração Filmes para desenvolvimento da sinopse e do roteiro. “Foi um sucesso, brasileiro gosta de histórias reais. Talvez seja o

cinema fica em terceiro lugar na preferência do público, depois do dvd e da tv aberta. inicial dos projetos. Bruno Wainer, diretor geral da Downtown Filmes é um dos adeptos desta teoria. “Podemos contribuir para deixar o filme mais competitivo com um olhar mais crítico, conhecimento e experiência de mercado. O problema do filme nacional não é a escassez de produção, mas os poucos filmes competitivos. Assim não tem espaço para errar, porque não tem banco de reserva”, compara Wainer, que também baseia sua posição em números extraídos do Boletim Filme B: entre 1994 e agosto de 2008, produziram-se e lançaram-se 497 filmes. Destes, os 140 que tiveram investimentos de distribuidora privada em sua produção correspondem a 90,5% dos ingressos, uma média de 700 mil ingressos por filme.

caso de procurarmos mais histórias por aí”, especula. As pesquisas quantitativa e qualitativa estão disponíveis no site do Sindicato das Empresas Distribuidoras Cinematográficas do Município do Rio de Janeiro (www. sedcmrj.com.br). Os dados, certamente, não trazem respostas definitivas, mas iluminam o hercúleo desafio lançado há tempos de driblar questões econômicas, a concorrência com outras mídias e problemas de outras naturezas para fazer da sala dos cinemas um ambiente um pouco mais íntimo dos brasileiros. Colaborou Daniele Frederico

Questão econômica A falta de dinheiro e os altos preços dos ingressos aparecem na pesquisa qualitativa encomendada pelo Sindicato das Empresas Distribuidoras Cinematográficas do Município do Rio de Janeiro ao Datafolha, estudo feito somente com não-freqüentadores, freqüentadores potenciais e freqüentadores light (os que vão ao cinema pelo menos uma vez ao ano) como fatores que restringem o consumo deste entretenimento. Perguntados sobre os fatores que os fariam ir mais vezes ao cinema na pesquisa quantitativa, os freqüentadores citaram o preço em segundo lugar (29%). Em primeiro aparece a falta de tempo disponível (36%). Porto Alegre, cidade onde não há meia-entrada de cinema, é a região com mais freqüentadores (61%).

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( home video) Daniele Frederico

d a n i e l e @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

O futuro é azul Com as vendas de DVD em queda, distribuidores apostam nos discos Blu-ray para recuperar mercado.

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ão é de hoje que a indústria de home video tem sofrido duros ataques. Com o crescimento da pirataria, a mudança nos hábitos do consumidor, as altas temperaturas e a disponibilidade de diferentes formas de entretenimento, as distribuidoras de filmes têm visto as suas vendas caírem, especialmente no segmento de locação. Para recuperar mercado e atrair um público cada vez mais distante das locadoras, as distribuidoras têm colocado as suas fichas no combate à pirataria e nas novas mídias. A menina dos olhos desse mercado, porém, assim como para a televisão aberta e por assinatura, é a alta definição. Não apenas a imagem em HD, mas todos os recursos possíveis de serem oferecidos na mídia em alta definição que aos poucos tomará o lugar do DVD, o disco Blu-ray. De 2006 para 2007, a União Brasileira de Vídeo (UBV) identificou uma queda de 28,1% das vendas de DVDs para as locadoras. Isso significa quase 2,4 milhões de unidades a menos no mercado. E a perspectiva para este ano também não é das mais otimistas: os números da UBV apontam que no primeiro semestre de 2008 foram vendidas cerca de um milhão de unidades a menos que no mesmo período em 2007. Esses números desanimadores, porém, não se repetem no varejo. Com um aumento de 16% nas vendas de unidades de DVD no varejo no primeiro semestre de 2008, em relação ao mesmo período de 2007, a Warner Home Video estima um crescimento de 12% em 2008 em relação a 2007, e 10% em 2009.

Espera-se que essa seqüência de quedas nas vendas para locação, que têm acontecido desde 2006, seja quebrada, especialmente agora que a indústria de home video pode contar com novas tecnologias em termos de distribuição e mídia. “Trabalhamos em paralelo a distribuição via Internet, mas acredito que o foco maior seja em Blu-ray”, diz o gerente de merchandising e varejo da Warner Home Video, Cleyton Oliveira. Desde que a Sony venceu a guerra do player HD contra a Toshiba e viu o fabricante do HD-DVD retirar o seu produto do mercado, as distribuidoras passaram a olhar o Blu-ray como alternativa para o aumento na venda de DVDs, tanto para locação quando para varejo. No Brasil, no entanto, a mídia em alta definição ainda é muito recente. Tão recente que sequer existem números oficiais sobre a quantidade de aparelhos de Blu-ray vendidos no País. A estimativa de fontes do setor é que este número esteja próximo de 30 mil aparelhos vendidos em 2008 (entre Blu-ray e Play Station 3, console de videogame capaz de reproduzir o formato). Embora o número possa parecer grande, é preciso lembrar que foram vendidos cerca de 6,5 milhões de aparelhos de DVD para as lojas de varejo em 2007 (estima-se que 60% a 70% sejam comercializados para o público final), segundo

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indicadores de desempenho do Pólo Industrial de Manaus. Isso não significa, porém, que as distribuidoras não estejam dispostas a apostar no novo formato. Assim como aconteceu com o DVD em 2005, quando este se consolidou como o substituto do vídeo cassete, é esperado que, aos poucos, a população se interesse pelos atrativos do Blu-ray, que vão desde a melhoria do áudio e da imagem até os recursos interativos, e substitua os aparelhos que têm em casa por aqueles capazes de ler o disco azul. Em preparo para esse momento, as distribuidoras já começam a demonstrar seus esforços no novo formato. Segundo números da UBV, foram lançados (até julho deste ano) 150 títulos em Blu-ray no Brasil. Oliveira diz que uma estimativa da Warner Home Video aponta que foram vendidos cerca de 4,2 mil discos Blu-ray no Brasil para o varejo


Preço, sempre ele Hoje, para ter a experiência completa de assistir a um filme em Blu-ray é preciso ter um player capaz de suportar o formato, uma televisão

acontecer em 2010 ou 2011, quando alguns fatores, como o preço do player, devem mudar. “Acho que o disco Blu-ray vai susbtituir o DVD, assim como aconteceu com as fitas cassete. Até porque, o player de Bluray é capaz de ler DVD tradicional”, diz. Ele aposta ainda que o Blu-ray pode ser muito benéfico para o mercado de locação. “Enquanto o preço estiver alto no varejo, o consumidor, que já tem o investimento na televisão e no player, vai preferir alugar. Além disso, a pirataria, considerada pelo setor o grande vilão do rental, é mais restrita com o Blu-ray”, afirma. Braga diz que a estratégia da Fox é fortalecer o mercado de locação, já que os consumidores não devem substituir as suas videotecas tão rápido. Ele aposta que o Blu-ray crescerá a partir do começo de 2009, quando o preço do player deve baixar. "Alguns parceiros de hardware nos dizem que vão começar a produzir as primeiras unidades do player em Manaus, a partir de janeiro", diz. Valente, durante apresentação na Feira Internacional da Indústria do Cinema e Audiovisual, disse estar otimista quanto ao futuro. “Acredito que de três a cinco anos estaremos com a maioria dos títulos sendo lançados simultaneamente em Bluray e no formato atual”, disse. Para divulgar a alta definição no home video, a aposta são ações e peças de ponto-de-venda. “Os ‘heavy users’ conseguem uma interatividade maior no ponto de venda”, diz Oliveira. A pouca publicidade existente hoje sobre o Bluray pode ser atribuída à cautela quanto ao anúncio de um produto que não está nas prateleiras. “Eu começaria a anunciar pelo ponto-de-venda. Pelo volume que é comercializado hoje, ainda não vale a pena investir em veículos de massa”, conclui Valente.

“Acreditamos que o mercado de home video deve se manter estável ou crescer com a chegada do Blu-ray”

FOTOs: DIVULGAÇÃO

e 2,3 mil discos para o segmento de locação, até junho passado. A Warner, por exemplo, lançou quatro títulos em Blu-ray no País, os quatro filmes da franquia “Harry Potter”. A partir de setembro, três novos títulos estarão disponíveis e em outubro, outros oito filmes serão lançados em Blu-ray. “Nossa estimativa é lançar em 2009 cerca de 70 títulos simultaneamente em DVD e Bluray”, diz o gerente da divisão de home video da Warner Bros. A Fox Home Entertainment, que tem 31 títulos lançados no Brasil (sendo apenas quatro com legenda e áudio em português), planeja ter até o final do ano outros 20 títulos no mercado. "Até o final do primeiro trimestre de 2009 teremos mais de 90 filmes disponíveis", diz o diretor de marketing da distribuidora, Hegel Braga. A Universal Home Entertainment também tem planos de lançar títulos em Blu-ray este ano. Segundo o diretor geral da Universal Pictures America Latina, Paulo Valente, esses planos são para o último trimestre de 2008 e devem incluir o lançamento de cinco a dez títulos. “Acreditamos que o mercado de home vídeo deve se manter estável ou crescer com a chegada do Blu-ray. Além de ser mais seguro, esse produto é mais atraente, com facilidade de navegação, qualidade de imagem e de som”, diz Valente. O diretor aposta que, inicialmente, serão lançados em Blu-ray aqueles filmes que tem apelo maior nesse tipo de mídia, ou seja, aqueles que tenham melhores efeitos sonoros e visuais a serem aproveitados.

Paulo Valente, da Universal Pictures Brasil

em alta definição, um equipamento de som surround e ainda a mídia Blu-ray. O preço de um aparelho reprodutor de Blu-ray está próximo dos R$ 2 mil, enquanto o valor de um filme em disco Blu-ray no varejo sai pelo preço médio de R$ 90. O alto custo do produto final é justificado pelo mercado por vários fatores, entre eles, o custo de produção (replicação e autoração) e a falta de escala. O custo de importar um disco em relação à produção local, hoje inexistente, é um dos responsáveis pela inflação do preço. “A produção local facilita o planejamento, além de possibilitar o preço menor que o do artigo importado”, diz o gerente da Warner. Além disso, a falta de escala é apontada como o principal fator para que os preços permaneçam altos. “Para que o preço caia é necessário atingir escala, é preciso que o mercado ganhe fôlego”, diz Oliveira. Atingir essa escala pode demorar um pouco. Porém, com a alta definição em alta em outros setores audiovisuais, como a televisão aberta e por assinatura, o player Blu-ray pode ser impulsionado. “Existe mídia indireta da TV em alta definição, o que gera curiosidade sobre o HD”, explica Oliveira. Valente, por outro lado, acredita que o player Blu-ray pode até incentivar a compra de um televisor HD. “Quando o DVD foi lançado, não adiantava a pessoa ter uma televisão velha em casa. O efeito não era o mesmo”, lembra. Para o gerente da Warner, o “boom” deste mercado deve

“Nossa estimativa é lançar em 2009 cerca de 70 títulos simultaneamente em DVD e Blu-ray” Cleyton Oliveira, da Warner Home Video

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Sem pressa Vendas dos receptores de TV digital estão muito aquém do prometido, mas, segundo fabricantes e radiodifusores, dentro das expectativas. Governo cobra mais esforços na divulgação da nova tecnologia. FOTOs: marcelo kahn

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uantos receptores de TV digital já foram vendidos no Brasil? Quantos são SD e quantos são HD? Está difícil obter uma informação exata, mesmo para quem participou do Congresso da SET, em agosto, o principal encontro de tecnologia de TV aberta. Indagado por TELA VIVA, um importante executivo de TV respondeu: “não sabemos, e isso não tem importância. Você tem alguma dúvida de que a TV digital vai dar certo?”. Não é bem assim. Estes números são importantes para saber se a implantação está seguindo no rumo certo, e também para orientar o mercado de produção e publicidade. Como investir, por exemplo, em alta definição, sem saber quantas pessoas estão vendo efetivamente o sinal? A Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos) estima que foram vendidos entre 70 mil e 80 mil equipamentos até o mês de agosto, por cerca de 15 empresas fabricantes. No entanto, boa parte dos fabricantes de set-top boxes não são filiados à associação. Daí a dificuldade em levantar números precisos sobre a venda de equipamentos. A estimativa, que leva em conta receptores 1-SEG, set-top boxes, televisores e telefones celulares, foi apresentada por Carlos Goya, diretor da entidade e coordenador do módulo de mercado do Fórum de TV digital, no Congresso da SET. Segundo Benjamin Sicsú, da Samsung, em 2008 serão vendidos 80 mil televisores com recepção digital embutida, 60 mil set-top

boxes, 150 mil receptores 1-SEG (portáteis e móveis) e 140 mil celulares com TV digital embutida. Sicsú diz que as vendas no Brasil crescem, desde abril deste ano, 20% ao mês. Mesmo assim, as vendas estão longe do que foi pregado pelos radiodifusores quando defendiam a adoção do padrão japonês de TV digital. Um deles chegou a dizer que haveria “fila nas portas das Casas Bahia”. Para a Eletros, as vendas estão acima do esperado. Mas um fabricante de componentes usados no settop box, e portanto fornecedor de vários fabricantes, disse a TELA VIVA que as vendas estão “muito abaixo da expectativa”. A postura dos radiodifusores foi, no evento da radiodifusão, duramente criticada pelo governo. Logo na abertura do congresso, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, deu um puxão de orelha. Embora tenha dito que a TV digital no Brasil vai muito bem e que “nos

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“Não estou vendo a TV brasileira vender a TV digital. Qual foi a última vez que você viu uma campanha sobre TV digital?” Hélio Costa, ministro das Comunicações

próximos meses, teremos o sistema de interatividade”, referindo-se ao middleware Ginga, o ministro afirmou que a radiodifusão passa por um momento delicado. “Não estou vendo a TV brasileira vender a TV digital”, disse. “Qual foi a última vez que você viu uma campanha sobre TV digital? Há uns seis meses?”. Vale lembrar que, para defender a urgência na digitalização da TV aberta, radiodifusores alegavam que a TV seria a única mídia audiovisual analógica, tendo que competir com a qualidade de imagem, áudio e interatividade das outras mídias. “Em 2007, pela primeira vez, a venda computadores superou a de


televisores”, alertou Hélio Costa. A estratégia na comunicação também foi criticada pela Eletros, mas, desta vez, direcionada ao Ministério das Comunicações. Para a associação “o consumidor está muito confuso”, como explicou Carlos Goya. Segundo ele, tal confusão se deu com declarações do tipo “não compre agora porque o preço do set-top box vai cair”. Vale lembrar, esta declaração é do ministro Hélio Costa, no momento do lançamento das transmissões digitais. Goya apontou a necessidade de campanhas educativas, que deveriam ser uma ação conjunta entre emissoras, governo e indústria. Os radiodifusores, ainda que reservadamente, assumiram a culpa pela falta de campanhas, prometendo algum barulho na mídia (ou seja, em suas próprias emissoras) para breve. Para crescer Para a Eletros, o ganho de escala pode ser mais rápido se o sinal digital for instalado mais rapidamente em outras cidades. O argumento, apresentado por Carlos Goya, conta com uma experiência que comprova tese. Em Goiânia, que iniciou a transmissão digital no dia 4 de agosto através da TV Anhangüera, afiliada local da Rede Globo, o estoque de set-top boxes esgotou no primeiro dia de transmissão e, segundo um radiodifusor local, o sucesso nas vendas permaneceu nas levas seguintes. Outro ponto defendido pela Eletros é a desoneração fiscal. Sicsú, da Samsung diz que só é possível vender receptores por menos de R$ 500 se o fabricante não amortizar o custo de pesquisa e desenvolvimento, se houver redução de impostos, e se o governo ajudar a negociar com o varejo, “como fez com os equipamentos de informática”. Segundo ele, não há risco de um incentivo fiscal não impactar no preço final dos equipamentos. “É um setor extremamente

Benjamin Sicsú, da Samsung, defende a obrigatoriedade de inclusão de receptores digitais nas TVs novas.

2007, e a Colômbia, que, seguindo o exemplo uruguaio, anunciou a adoção do padrão europeu DVB-T e a expectativa de que em dois anos o sinal digital esteja disponível a 25% da população. A vitória brasileira fica por conta de um importante mercado, a Argentina. Embora o país vizinho ainda não tenha, oficialmente, adotado o padrão brasileiro, assinou uma declaração oficial para trabalhar conjuntamente nos estudos tecnológicos e pesquisas sobre o padrão digital escolhido pelo Brasil. Segundo Eiji Roppongi, representante do Arib (órgão que coordena o padrão japonês ISDB-T) na América Latina, a Argentina deve anunciar o padrão ainda este ano. Roppongi apresentou, no evento da SET, um panorama da TV digital na América Latina. Segundo ele, concluídos os testes dos padrões, o governo peruano também deve receber um relatório em setembro, mas não tem previsão da data de escolha. Venezuela fez uma segunda bateria de testes, incluindo, desta vez, o padrão chinês, DTMB. O país estaria analisando propostas. Já o Equador deve publicar uma definição nos primeiros meses de 2009. Por fim, o Chile já realizou uma consulta pública e testes. Em abril deste ano, o Brasil comemorava uma iminente decisão chilena pelo padrão nipobrasileiro. Contudo, a decisão foi adiada. Um dos motivos é o próprio setor de radiodifusão do país. Luis Silva, da Chilevision, diz que a escolha dos radiodifusores chilenos é o ATSC, que seria uma

competitivo. O que houver de incentivo, será repassado ao consumidor”, disse. Sicsú pregou ainda a obrigatoriedade de inclusão de receptores nos televisores, nos moldes do que aconteceu nos Estados Unidos. Segundo ele, o aumento de custo fica entre 10% e 15%, o que poderia ser bancado por um incentivo tributário. O executivo diz que hoje é possível comprar televisores de tamanho superior a 40” com o receptor embutido. A idéia seria tornar obrigatória a inclusão do receptor em todos os televisores desta categoria e, gradualmente, fazer o mesmo com as categorias abaixo. Em relação à recepção móvel, Benjamin Sicsú afirmou que, por enquanto, só os celulares mais caros contam com recepção ISDB-T embutida. Mas adiantou que a Samsung lançará, até o fim deste ano, um novo modelo mais popular do que o existente no mercado. Ao longo de 2009, afirma, deve haver uma linha completa de celulares com recepção 1-SEG. Conquista territorial Embora não citado pelos fornecedores, outra forma de acelerar a redução de preços é o ganho de escala com o mercado internacional. Para isso, mais países teriam que adotar não apenas o padrão ISDB, mas a versão brasileira do padrão. O Itamaraty trouxe ao Brasil representantes do governo da Argentina, Peru e Equador para conhecer o sistema brasileiro de TV digital. Além de participar das atividades do Congresso da SET, eles cumpriram agenda de visitas a emissoras e reuniões com autoridades. Até o fechamento desta edição, o Brasil havia perdido dois mercados: o Uruguai, ainda em

“O consumidor está muito confuso.” Carlos Goya, da Eletros

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( tv digital) “Não inventamos nada, apenas repetimos o que já existe na transmissão analógica”

continuidade natural do padrão de cores NTSC, adotado naquele país. Segundo ele, os radiodifusores acreditam que é o padrão que permitirá a mais rápida adoção por parte da população, por conta dos preços já amortizados pelo ganho de escala. Além disso, a questão da transmissão móvel, um grande diferencial do sistema japonês, não é um problema. “Temos espaço para alocar canais digitais, canais para recepção móvel, simultaneamente aos canais analógicos”, disse. Em relação à inovação adotada no Brasil, o MPEG-4, Silva afirmou que o ATSC prepara uma norma usando a compressão, que deve estar escrita até o final deste ano. Contudo, para ele, o mais importante é que o país decida rapidamente. “As quatro maiores emissoras já são digitais, menos a transmissão. 30% a 40% do conteúdo produzido já é em HD”, afirmou. Fabian Palacios, superintendente de telecomunicações do Equador, disse a TELA VIVA que a viagem ao Brasil foi proveitosa não só para conhecer o padrão de TV digital brasileiro, mas também para entrar em contato com representantes de outros países que estão na fase de escolha do sistema a ser adotado. “Estamos conversando sobre a possibilidade de fazer um fórum para discussão. Ao meu ver, seria interessante se pudéssemos tomar uma decisão coletiva porque para o governo do Equador, essa não é uma questão só técnica, é também política e desenvolvimentista”, conclui destacando que o país se autoimpôs o limite para eleger o modelo de TV digital: “Não passará do primeiro semestre de 2009”. Se houver mesmo a decisão de fazer uma escolha coletiva, caberá ao

Amílcare Dallevo, da Rede TV!

Brasil defender seu padrão na região. Satélites Enquanto a TV digital na terra anda em passos lentos, no céu ela avança rapidamente, mas não com menos polêmica. Um painel no Congresso da SET explicou o funcionamento do sistema HDSat Brasil, de transmissão de TV de alta definição por satélite. Desenvolvido para a distribuição e contribuição de sinal das afiliadas, o sistema tem sido usado pela RedeTV! e pela Bandeirantes como uma espécie de DTH gratuito, com recepção aberta pelo Brasilsat, o satélite para onde apontam as estimadas 20 milhões de parabólicas do país.

sinal local”, explicou Nogueira, que classificou de “fofocas” as discussões sobre o assunto.. Ele disse ainda que uma grande campanha nacional deve ser veiculada em breve, apenas para os usuários da banda C, promovendo o sistema. A chave para o serviço HDSat Brasil é o receptor. Hoje, a Century, a Tecsys e a Zinwell vendem receptores satelitais digitais com alta definição (já usando compressão H.264). A proposta dos radiodifusores para amenizar o problema é a criação de um receptor híbrido satélite/terrestre, que identificaria a origem do sinal e faria o chaveamento automático entre as duas plataformas. Ou seja, um receptor que pega o sinal terrestre (local) onde estiver disponível, e muda para o satélite se o canal local não existir. O SBT, por exemplo, admite aderir ao sistema e abrir seu sinal caso este receptor seja adotado. Mesmo assim, cria-se um problema

após perder mercado para dvb-t na américa latina, padrão brasileiro conquista mercado argentino. A polêmica se dá por conta das afiliadas, que de repente se viram “concorrendo” com o sinal em alta definição de suas próprias cabeças-de-rede. “Não inventamos nada, apenas repetimos o que já existe na transmissão analógica”, disse o presidente da RedeTV! e da Abra, Amilcare Dallevo. Uma afiliada da RedeTV! ouvida por TELA VIVA definiu o sistema como um “tiro no pé”. Isto porque, pelo HDSat, qualquer pessoa pode receber os sinais HD diretamente do satélite, mesmo antes de sua cidade ganhar cobertura digital terrestre. Frederico Nogueira, vice-presidente da Band, defendeu o sistema. “Todos têm o direito de receber a TV digital. Não estamos fazendo para criar problema para as afiliadas. Pelo nosso acordo com a Net, por exemplo (que pega o sinal de alta definição do HDSat para seu serviço HD fora de São Paulo), eles usam o sinal de São Paulo só até ter HD naquela cidade. Depois, eles têm que trocar pelo

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para o afiliado, que ficaria sem audiência até que digitalizasse seu sinal. Vale lembrar, a adoção de um sistema de digitalização gradual no país se deu, entre outros motivos, para que radiodifusores de cidades de menor porte pudessem esperar pela amortização do preço dos equipamentos. Com isso, seriam obrigados a acelerar a digitalização para não perder a audiência. Os fabricantes consultados por este noticiário afirmam que estão construindo este receptor, que deve chegar logo ao mercado. Jackson Sosa, da RF Telavo, diz que houve três reuniões na Suframa sobre o assunto e que já existem 13 PPBs (Processo Produtivo Básico) aprovados para a fabricação dos receptores em Manaus. Segundo ele, o receptor será mais barato que o que recebe apenas o satélite, e portanto será o modelo dominante. *Colaborou Ana Carolina Barbosa


( satélites )

Céu de brigadeiro Operadoras de satélite vivem bom momento, com a explosão da banda larga e as perspectivas da TV de alta definição.

O

mercado de satélites passa por um bom momento na América Latina, puxado principalmente pelo crescimento da infra-estrutura de telecomunicações, pelo crescimento acelerado dos acessos em banda larga e, ainda em um momento inicial, pela oferta de TV de alta definição na TV aberta e por assinatura. O continente, ao lado de África e Ásia, é o que apresenta maiores taxas de crescimento, dizem os executivos ouvidos por TELA VIVA. Em alguns casos, há até demanda reprimida. “Há fila para entrar no satélite”, revela um executivo. “Já esperávamos este crescimento”, conta Jurandir Pitsch, diretor da SES NewSkyes. “Estão acontecendo dois movimentos simultâneos: aumento da demanda e diminuição da oferta atual e futura”, completa. Esta redução da oferta se deu porque os ciclos de investimento

em satélites são muito longos. Com as receitas em baixa alguns anos atrás, foram feitos menos investimentos em novos lançamentos, e isso se reflete agora, quando a demanda está crescendo. Houve ainda a saída do Nahuel, que não foi substituído. Também contribuiu para o aumento da demanda a redução do ritmo de crescimento das redes de fibras ópticas nos últimos anos.

FOTO: Marcelo Kahn

Explosão do acesso Na banda C, explica Pitsch, as grandes demandantes de satélite são as empresas de telecom. “É impressionante a quantidade de transponders das teles para backbone de longa distancia”, diz. Na banda Ku,

“Estão acontecendo dois movimentos simultâneos: aumento da demanda e diminuição da oferta atual e futura.” Jurandir Pitsch, da SES NewSkyes

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a ocupação principal é pelo DTH, serviço que vem ganhando novos players no país nos últimos meses, e projetos de inclusão social através da banda larga, como o Gesac. A ocupação média na frota da SES NewSkyes tem sido de 76%, conta Pitsch. Para o vice-presidente sênior de vendas globais da Intelsat, Kurt Riegelman, que esteve no Brasil em setembro para a Broadcast & Cable, o mundo ainda pode ser visto com duas lentes, a de dados e a de vídeo. “Mas isso tende a se embaralhar no futuro. Tudo caminha para ser tráfego de dados”, diz. Um bom exemplo desta explosão de demanda foram as últimas Olimpíadas. Segundo Riegelman, apenas a frota da Intelsat transmitiu 12 mil horas de programação, grande parte disso para a


América Latina. O impacto da alta definição ainda é pequeno, na opinião de profissionais ouvidos por TELA VIVA. “Ainda é percentualmente insignificante. O impacto mesmo vai ser quando isso se disseminar no cabo, porque ai teremos vários canais em HD, distribuídos para vários mercados. É o que acontece hoje nos EUA e Europa”, diz Pitsch, da SES NewSkyes. Vale lembrar que nos EUA a DirecTV sozinha oferece mais de cem canais em alta definição, inclusive muitos canais locais, e ocupa sete satélites com seu DTH. No caso do broadcast, a alta definição gera aumento de tráfego em duas ocasiões: na distribuição e na contribuição (sinal das afiliadas para a cabeça-de-rede). Por outro lado, o aprimoramento das técnicas de compressão geram economia de banda para quem transmite, o que em tese ocuparia menos espaço de satélite. “Não é o que acontece”, diz Riegelman, da Intelsat. “Desde que começaram a comprimir vídeo, diziam que o uso ia cair, mas só aumentou, porque isso ao mesmo tempo fez surgirem novos canais. Há um equilíbrio entre o aumento na compressão e o aumento de canais”, conta. Riegelman diz que os satélites de vídeo da frota Intelsat estão hoje quase totalmente ocupados. “Principalmente na América Latina há muito interesse em serviços de vídeo por parte das teles, como forma de reter seus clientes”, diz. O momento também é bom para a Star One, hoje a maior operadora regional do mundo. A empresa lançou dois satélites nos últimos meses, o C1, em novembro de 2007, e o C2, em março deste ano, ampliando sua oferta em banda Ku. “Estamos conquistando mercado novos tanto dentro

dólares a suas matrizes no fim do mês. Riegelman, da Intelsat, diz que os clientes estão mais “maduros” na hora de negociar, principalmente com a entrada das teles. “Temos discussões abertas com os clientes sobre qual o preço certo para que possamos prestar bons serviços. Tem gente que cobra barato, mas depois de três anos não tem dinheiro pra trocar o satélite”, alfineta. Silbert, da Star One, concorda que o preço praticado hoje no Brasil é compatível com o mercado internacional. “O preço é uma das variáveis consideradas por quem está contratando, e no nosso caso sempre oferecemos uma capacidade premium, pela nossa cobertura. Então conseguimos valores adequados”, diz. Com o ciclo positivo instalado no setor, aparecem os investimentos para substituição e ampliação da frota. A SES NewSkyes prepara para lançar em 2011 o NSS-14, em bandas C e Ku, com cobertura na América Latina. Serão 120 transponders equivalentes de 36 MHz, para substituir o NSS-7, que será deslocado. A empresa tem ao todo nove satélites em construção, visando principalmente as demandas crescentes da América Latina e África.

“Principalmente na América Latina há muito interesse em serviços de vídeo por parte das teles, como forma de reter seus clientes.” Kurt Riegelman, da Intelsat

quanto fora do Brasil”, conta Gustavo Silbert, presidente da empresa. Ele concorda que a demanda por alta definição ainda é incipiente, e credita o crescimento à explosão da banda larga. “O país está crescendo, e isso puxa tudo. Cresce o broadcast, a banda alarga, os projetos de inclusão social”, diz o executivo. Preço Outro fator que incomodava os operadores de satélite no passado está sendo superado: a questão do preço. Os valores cobrados no Brasil sempre foram historicamente abaixo dos valores internacionais. Esta situação vem se corrigindo pelo reajuste em si dos preços, mas também muito fortemente pela valorização do real frente ao dólar, o que vem permitindo às empresas (cujos custos são em grande parte em moeda norteamericana) enviar mais

“Estamos conquistando mercados novos tanto dentro quanto fora do Brasil.” Gustavo Silbert, da Star One

André Mermelstein

Seminário aborda negócios e aplicações TELA VIVA e sua publicação irmã TELETIME promovem nos dias 2 e 3 de outubro, no Rio de Janeiro, o 8º Congresso Latino-Americano de Satélites, evento que já virou marco do setor no país. O evento terá a presença dos principais operadores e usuários de serviços, como Star One, Hispamar, Viasat, Sky, Telefônica e Ministério da Defesa. Destaque para a presença de Daniel Goldberg, das Telesat, um dos pioneiros do setor, que falará no painel “O futuro da oferta (e da demanda)”. Informações pelo site www.convergeeventos.com.br/seminarios/542 ou pelo telefone 0800-771-5028.

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(audiência - TV paga)

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m mês de férias escolares, os canais classificados como “infantis” pelas operadoras tomam conta até do ranking de alcance dos canais mais vistos entre o público acima de 18 anos. Foi o caso do Disney Channel, canal que aposta em filmes de sucesso, especialmente musicais, que não apenas alcançou o primeiro lugar entre os canais com maior alcance no público de quatro a 17 anos, como também chegou à quarta colocação na lista dos campeões entre o público adulto. No mês de julho, o Disney Channel teve 7,71% de alcance diário médio entre o público acima de 18 anos e tempo médio diário de audiência de 41 minutos. Já na lista dos canais de maior alcance entre o público de quatro a 17 anos, o canal obteve 22,61% de alcance diário médio e uma hora e 33 minutos de tempo médio diário de audiência. Para o diretor de marketing do Disney Channel, Herbert Greco, o bom

Foto: divulgação

Apelo musical Musicais como “Camp Rock” impulsionam audiência do Disney Channel.

posicionamento do canal em ambos os rankings deve-se ao fato de a programação ser voltada à família, com estréias como o filme “Camp Rock”, que rendeu ao Disney Channel, segundo Greco, uma audiência 25% superior à estréia de “High School Musical”, sucesso absoluto do canal. “Além desses, exibimos em julho grandes sucessos de bilheteria da Disney”, diz. Para o segundo semestre, a aposta é o musical “Cheetah Girls 3”, filme original que deve estrear em meados de novembro. Entre o público acima de 18 anos, o TNT foi o líder do ranking, com 11% de alcance diário médio e 24 minutos de tempo médio diário de audiência, seguido dos canais SporTV, Fox, Disney Channel e

Warner Channel. O Multishow, que costuma figurar entre os primeiros colocados, no mês de férias caiu para a oitava colocação. No universo de 5.404.000 indivíduos, os canais pagos tiveram alcance diário médio de 46,26% e tempo médio diário de audiência de uma hora e 58 minutos. O levantamento do Ibope Mídia considera as praças Grande São Paulo, Grande Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Distrito Federal. No ranking que considera os canais com maior alcance entre o público infanto-juvenil, o Cartoon Network aparece em segundo lugar, com 15,66% de alcance diário médio, seguido de Jetix, Discovery Kids e Nickelodeon. No total, os canais pagos tiveram alcance diário médio de 50,48% e tempo médio diário de audiência de duas horas e 20 minutos entre este público (universo: 1.156.100 indivíduos). Daniele Frederico

Alcance* e Tempo Médio Diário – JUlHO 2008 Total canais pagos TNT SporTV Fox Disney Channel Warner Channel Universal Channel AXN Multishow Discovery Globo News Cartoon Network Telecine Pipoca National Geographic Discovery Kids Sony GNT HBO SporTV 2 Telecine Action Telecine Premium

De 4 a 17 anos** 

(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio 46,26 2.500,00 01:58:26 11,00 594,48 00:24:49 9,10 491,72 00:36:47 8,03 433,71 00:23:07 7,71 416,89 00:41:10 7,62 411,80 00:31:15 7,53 407,08 00:34:10 7,49 404,55 00:28:07 7,42 401,25 00:15:25 7,28 393,17 00:20:05 6,88 371,62 00:30:23 6,22 336,09 00:36:36 5,90 318,85 00:26:33 5,62 303,69 00:15:50 5,24 282,99 00:45:59 5,20 281,17 00:22:21 4,96 268,18 00:17:10 4,95 267,72 00:23:13 4,85 261,91 00:16:05 4,80 259,36 00:20:37 4,42 238,66 00:20:15

Total canais pagos Disney Channel Cartoon Network Jetix Discovery Kids Nickelodeon TNT Telecine Pipoca SporTV Fox Multishow Discovery Boomerang Warner Channel Telecine Action Universal Channel SporTV 2 AXN Telecine Premium HBO National Geographic

(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio 50,48 583,58 02:20:25 22,61 261,44 01:33:11 15,66 180,97 00:47:18 10,52 121,59 00:47:26 9,90 114,50 00:52:51 9,24 106,77 00:40:55 8,99 103,88 00:20:11 7,50 86,68 00:30:29 7,44 86,05 00:26:42 7,19 83,08 00:24:59 6,89 79,59 00:25:26 5,75 66,46 00:17:44 5,13 59,32 00:26:40 4,55 52,55 00:17:31 4,18 48,30 00:18:39 3,93 45,40 00:21:30 3,87 44,69 00:15:41 3,84 44,37 00:15:05 3,78 43,72 00:17:25 3,64 42,07 00:17:21 3,58 41,33 00:13:17

*Alcance é a porcentagem de indivíduos de um “target” que estiveram expostos por pelo menos um minuto a um determinado programa ou faixa horária.

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**Universo 1.156.100 indivíduos Fonte: IBOPE Media Workstation – Tabela Minuto a Minuto – Julho/2008



**Universo 5.404.000 indivíduos

Acima de 18 anos**


O maior evento da TV por assinatura foi um sucesso, mas jรก acabou.


( direitos)

Mais uma casquinha Organização internacional de produtores quer cobrar direitos sobre a exibição de obras na TV por assinatura no Brasil.

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Agicoa (Association of International Collective Management of Audiovisual Works), entidade internacional sem fins lucrativos de gestão coletiva de direitos baseada na Suíça, está de olho no Brasil. Representantes da organização virão ao país no final de setembro com dois objetivos: fazer convênio com produtores nacionais para que recebam os direitos sobre suas obras exibidas na televisão em outros países e iniciar a cobrança de alegados direitos devidos pelas operadoras de TV por assinatura pela retransmissão de programas licenciados originalmente para a TV aberta. O “cartão de visitas” da Agicoa são os estúdios da MPAA (Motion Pictures Association of America), a associação dos grandes estúdios norteamericanos, a quem a entidade representa, entre diversas outras sociedades de produtores, especialmente europeus, como a Associação dos Produtores Independentes da Grécia (Sapoe), a Federação Internacional das Associações de Produtores de Filmes (FIAPF), baseada em Paris, ou a União de Produtores de Cine e Televisão (UPCT), da Espanha, entre vários outros, de 42 países. Uma fonte conhecedora do mercado de cinema conta que no início, em idos de 1981, os grandes estúdios rejeitaram a proposta de uma sociedade independente gerindo seus direitos no exterior, mas mudaram de idéia quando os dólares começaram a fluir. O mesmo aconteceu com a Globo, que já recebeu direitos de retransmissão de seus programas em

outros países através da Agicoa. Na agenda da entidade no Brasil estão visitas a autoridades e empresas brasileiras e uma apresentação no Festival do Rio. Para os produtores nacionais, a Agicoa acena com a possibilidade de recebimento de direitos sobre obras exibidas nos países onde a entidade está presente. Cobrança O problema está na outra ponta. A Agicoa quer cobrar no Brasil o que chama de “direito de retransmissão (rebroadcast)”. Segundo a entidade, quando a TV por assinatura exibe a programação da TV aberta, isso gera um novo direito aos produtores do conteúdo, ainda que esta retransmissão seja simultânea, como

Koszuszeck admite que o direito do produtor não é reconhecido no Brasil, mas diz que este direito é reconhecido em outros países, e que os produtores também recebem por direitos conexos. Ele diz ainda que o produtor muitas vezes adquire, por contrato, os direitos do diretor e do autor, para fazer a gestão destes direitos. “Nos EUA e na Europa, os produtores são protegidos como autores. Para os produtores anglosaxões estes direitos valem, e o Brasil tem acordos que garantem que eles recebam aqui os mesmos direitos”, afirma Koszuszeck. No caso da Itália, ele diz, os produtores não são

presente em 42 países, a agicoa procura atuar agora no país, embora os direitos alegados não estejam na lei brasileira. acontece no Brasil, e ainda que haja na lei brasileira a obrigatoriedade do must carry (carregamento dos canais abertos pela TV a cabo). “São camadas diferentes de legislação”, conta o diretor legal da entidade, Helmut Koszuszeck. “O must carry é uma lei de mídia, de comunicação, não inclui os direitos de autor”, afirma. Acontece que a lei brasileira não reconhece o direito autoral do produtor. Em carta enviada à entidade em 25 de julho, a ABTA (Associação Brasileira de TV por Assinatura) explica que a Lei 9610 de 1998, em seu artigo 16, explicita que produtores não são co-autores das obras (apenas o autor do argumento e o diretor). A lei também não prevê a existência de direitos de produtores sobre a exibição pública de obras audiovisuais, apenas de músicos e autores. Além disso, o Artigo 97 da mesma lei exige que qualquer cobrança coletiva de direitos seja feita apenas por entidade legalmente estabelecida no país.

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protegidos, como no Brasil. “Mas eles adquirem os direitos, e passam a ser protegidos”, resume. A Ancine, agência que regula o audiovisual no Brasil, não havia sido procurada pela entidade até o fechamento desta edição. Para o Ministério da Cultura a Agicoa enviou uma correspondência em um tom “auto-promocional”, segundo o coordenador geral de direito autoral do ministério, Marcos de Souza. “Eles só diziam que tem titulares com direitos a receber e nos deram um prazo para responder”. “Nosso entendimento é de que eles não têm o que recolher aqui. Produtor não é autor e nem goza de direito conexo”, diz Souza. A posição é alinhada com a opinião do advogado especializado em direito autoral Marcos Bitelli, que afirma que não há base legal para a cobrança destes direitos alegados no Brasil. (AM)


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l i z a n d r a @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

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uando a equipe de produção do DVD perguntou ao cliente qual seria a finalidade do material a ser produzido, a resposta foi simples: “Queremos um institucional que sirva tanto para apresentar a empresa a um novo funcionário como para ser exibido em uma reunião do Banco Mundial.” Como resumir as atividades de um dos maiores grupos multinacionais brasileiros em um programa institucional? A resposta é praticamente um documentário sobre o grupo fundado em 1944 pelo baiano Norberto Odebrecht, que hoje atua não só na área de engenharia como também na área química (Braskem) e bioenergética (ETH), e está presente em mais de 80 países. “Nossa idéia era não só criar um catálogo de obras e realizações, mas mostrar a filosofia de trabalho da empresa. Por isso, escolhemos empreendimentos que tivessem a ver com esses valores, e que estivessem distribuídos ao redor do mundo”, explica o diretor Marcelo Machado. “Nossa preocupação era humanizar as informações, porque quando você começa a falar muito em números, o espectador perde os parâmetros, tudo fica muito grandioso.” A produção visitou sete países, em diversos continentes: Angola, Emirados Árabes, Portugal, Equador, Peru, Brasil e Estados Unidos. Em cada lugar, escolheu pessoas de diferentes etnias e ocupando postos hierárquicos os mais diversos. “Tivemos o cuidado de não escolher só diretores, para evitar o risco de um discurso vazio. A empresa então nos propôs que os clientes também fossem ouvidos”, diz Machado. Como a equipe teve quatro meses para produzir todo o material, foi

fotos: divulgação

Volta ao mundo em um DVD

Odebrecht no Peru: equipe da Maria Bonita Coisas visitou sete países onde a empresa atua para produzir vídeo institucional.

criada uma logística que se apoiou em uma equipe enxuta e na montagem simultânea, com a transmissão pela Internet das imagens captadas. Seis pessoas, entre diretor, diretor de fotografia e produtores, viajavam para cada país com duas câmeras HD, uma HVX200, da Panasonic, e uma Z1, da Sony, para as entrevistas. “Armamos duas frentes de produção, uma no Brasil e outra internacional. E contratamos uma base de produção local que se reunia à equipe em cada um dos países. Na maioria dos casos, já eram produtoras que trabalhavam para a Odebrecht”, explica o produtor executivo Robério Braga. Primeiro a equipe viajou o Brasil, voltou para São Paulo, depois foi para a América Latina, voltou, e então partiu para Europa, África, Oriente Médio e Estados Unidos. A maior parte das pessoas tem experiência em documentário e cinema. Em cada lugar, as imagens captadas eram enviadas ao Brasil para a montagem. Quando a equipe retornou, trazia consigo apenas as imagens do último trecho. E o filme estava praticamente montado. Em alguns casos, as obras ou projetos mostrados ainda estão no papel. Para filmar, apenas o terreno e o depoimento. Na finalização, portanto, foi usada muita

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computação gráfica, não só em vinhetas e passagens, mas também para reproduzir na tela o resultado dos projetos. “O espectador hoje está muito acostumado a ver programas de televisão sobre megaconstruções, como os do Discovery Channel. São muito bem acabados e didáticos, mostram as coisas como funcionam por dentro. Não poderíamos apresentar menos do que isso”, conta Machado. Para garantir os múltiplos usos que o cliente previa, a equipe pensou em autoração diferente para o DVD. “Dividimos o material por temas e cada um deles foi editado como uma pílula independente. Ao todo, foram feitas nove pílulas que, se assistidas juntas, formam o filme de 36 minutos. Mas pelo menu também é possível selecioná-las como capítulos”, diz Braga. Essa organização permite que o espectador selecione o que realmente interessa, além de poder enviar o trecho pela Internet para um cliente. E também facilita a produção caso um dos trechos se torne obsoleto. “A empresa faz muita coisa, está tudo sempre mudando. Então se uma parte ficar velha, podemos trocar.” ficha técnica Cliente Organização Odebrecht Produto DVD Institucional Produtora Maria Bonita Coisas Direção geral Marcelo Machado Produção executiva Robério Braga e Dudu Venturi Direção de fotografia Carlos Ebert Pesquisas e roteiros Malu Tavares e Aza Pinho Produção Tadeu Piantino e Renato Ciasca Montagem Wagner Picolo e Oswaldo Santana Coordenação de pós-produção Erika Marques Finalização Equipe Maria Bonita Artes e animações 2D Boreal Estúdio Animações 3D Oca Filmes Abertura Mary Post Autoração Autor in Trilhas YB


Show de rock no estúdio

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om 82 videoclipes produzidos em seu currículo, o diretor Alex Miranda vibrou com a possibilidade de produzir um programa de 46 minutos sobre uma banda de rock. A proposta do canal Boomerang, em sua nova estratégia voltada para o público pré-adolescente, era a de levar a banda NXZero para um estúdio, onde eles fariam um show, e a partir disso e de imagens de making of, entrevistas e de outras situações filmadas com a banda, montar o programa. “Era uma coisa que a gente nunca tinha feito, mas que tinha toda a estrutura para fazer”, diz Alex. Nos estúdios da produtora, foi montado o palco do show, com toda a estrutura de áudio e iluminação de um show profissional. “Trabalhamos em cima de um programa já realizado no México, mas tentamos reforçar a direção de arte.” Para a captação, foram usadas oito câmeras HD, uma delas instalada atrás do público e outra em cima do palco, em uma traquitana que girava 360º. “A câmera estava em um plongée de 90º, e quando rodava criava um efeito que parecia que o palco é que estava girando.” A primeira diária foi dedicada à filmagem do show e de seus bastidores. A platéia era composta por 100 fãs selecionadas a partir de um fã-clube da banda. Além do palco de 6 m2, foi construído um camarim e uma outra sala, com um sofá, de onde os integrantes da banda respondiam a perguntas do público. A banda tocou cerca de dez músicas e a cada duas, uma fã subia ao palco para fazer uma pergunta. Na segunda diária, a equipe levou a banda para uma corrida de kart, numa pista indoor. “É uma atividade que eles praticam quando estão de

Toda a estrutura para show foi montada nos estúdios da produtora. Oito câmeras HD captaram parte das imagens do programa

folga e conseguimos fazer imagens incríveis.” Depois, todos foram para a casa de um dos músicos onde foi preparado um churrasco. À beira da piscina, algumas improvisações acústicas e covers de suas bandas preferidas. “Eles têm um estúdio perto dessa casa, pequeno, mas muito bem equipado, usado nos ensaios. Também gravamos algumas músicas no estúdio e cenas de skate ali nos arredores.” O programa foi finalizado pela própria produtora, a partir das diretrizes de identidade visual do canal. “Apesar dessa ser uma fórmula meio rodada, continua sendo um sucesso quando se trata de banda, porque todo mundo quer saber como é a vida de seus artistas preferidos fora do palco”, diz Alex.

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ficha técnica Cliente Produto Produtora Direção Produtor Produtores executivos Coordenadoras de produção Diretor de arte Produção Coordenador de finalização Edição

canal Boomerang Programa Boom Box no Estúdio com NXZero Margarida Flores e Filmes Alex Miranda Paulo Roberto Schmidt Fabio Zavala, Cristina Fantato, Ricardo Oda Ingrid Raszl, Thais Freire Akauê Barkó Cidão Saraiva, Daniel Mendes, Gustavo Meligeni Chiquinho Ruiz Carlos Milanez


( produção)

O mundo a um clique Conteúdos dos bancos de imagens ficam mais acessíveis com digitalização do acervo e transporte de vídeos por arquivo.

FOTO: DIVULGAÇÃO

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produtora recebe um briefing da agência dizendo: “A câmera faz uma panorâmica por várias regiões do planeta, sobrevoando, por exemplo, a Torre Eiffel, a Muralha da China, as Cataratas do Iguaçu e o monte Rushmore”. Qualquer produtor sabe que, por maior que seja o cliente, a verba de produção não vai ser suficiente para levar uma equipe de filmagem a cada um desses lugares e produzir imagens aéreas incríveis – e inéditas. A saída? Usar imagens de stock shot, fornecidas por bancos de imagem. Com a evolução da tecnologia digital – seja na compressão de imagens ou na transmissão via Internet – o acesso a esse tipo de arquivo ficou muito mais fácil e acessível. Hoje, alguns bancos de imagem têm seus acervos digitalizados, permitindo que até a pesquisa seja feita pela Internet. E especialmente quando o filme precisa imagens de lugares distantes ou de cenas históricas, os bancos de imagem são imbatíveis. Segundo Fabio Pellim, diretor de vendas e marketing da LatinStock, o uso da Internet tornou realmente viável o negócio de comercialização de imagens em movimento. Antes, a empresa se dedicava principalmente às fotos. “Antes chegavam contâiners de catálogos no porto de Santos. Tínhamos

seis filiais e precisávamos manter cópias de cromos para ter isso a mão, era um investimento incrível. Sem contar que as imagens eram pesquisadas, enviadas ao cliente em VHS e depois que a cena era escolhida, precisávamos mandar vir a fita Beta de fora do país.” Agora, a empresa desenvolveu um sistema de pesquisa pela Internet que permite o acesso a partir de palavraschave. A empresa também representa no Brasil os acervos da Corbis, um dos principais bancos de imagens históricas, e a Thought Equity, que tem uma grande cobertura de eventos esportivos, além de imagens de grandes produtores mundiais de imagens, como o canal National Geographic, Sony Pictures e Universal. Tudo o que não é incluído no corte final dos filmes e programas de TV fica à disposição de produtores de comerciais e documentários. Boa parte do acervo já está em HD (high definition), e as cenas têm algo entre 15 e 30 segundos. Como agora a tecnologia tornou tudo acessível em menos tempo, Pellim afirma que os custos se tornaram mais competitivos. Com isso, é possível oferecer o acervo a produções menores. “Estamos esperando aumentar o acesso, chegando a um mercado que não tem um orçamento tão grande.” Com mais de 300 diretores produzindo imagens em todo o mundo, o acervo é muito variado e tem como finalidade realmente atender à necessidade de imagens difíceis de replicar. “Acreditamos que

há um grande potencial na TV a cabo e na área de educação e eventos.” Outra grande multinacional da área de bancos de imagem, também presente no Brasil, é a Getty Images. A empresa já oferece consulta pela Internet e agora avança na área de música, para fornecer uma solução completa para os produtores. “Cada vez mais o mercado está pedindo integração entre as mídias. Por isso, agora estamos oferecendo não só fotos e filmes, mas também trilhas. E podemos reunir tudo no que chamamos de ‘pílulas de conteúdo’”, afirma Ana Clara Cenamo, diretora comercial da Getty Images Brasil. Cerca de 100 mil horas de material são incorporadas anualmente ao acervo do banco. Para auxiliar os produtores na seleção das imagens, a empresa mantém um departamento de pesquisa que recebe os briefings e levanta as cenas, de acordo não só com o interesse em termos de conteúdo mas com o modelo de licenciamento necessário. As imagens podem ser royalty free, sistema no qual o produtor adquire a licença e os direitos de reprodução das imagens por tempo indeterminado, para qualquer utilização, sem exclusividade. A empresa também disponibiliza imagens para locação, produzidas por cineastas do mundo inteiro, captadas em 35 mm ou HD, sobre diversos temas. Nesse caso, o produtor “aluga” a cena e escolhe um dos pacotes de direitos autorais oferecidos pela empresa, segundo o uso e a duração da licença.

“Colocamos nosso conteúdo no Ig e em dois dias tivemos 200 mil acessos.” Ricardo Aidar, da Canal Azul

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A memória do Brasil No Brasil, emissoras de televisão e até mesmo produtoras começam a ver um potencial de receitas em seus próprios acervos. Mais uma vez, a possibilidade de digitalização permite que as cenas sejam armazenadas em menos espaço e consultadas remotamente. A produtora Canal Azul, por exemplo, acaba de inaugurar um site em que retrabalha mais de 15 anos de produção de imagens sobre natureza. Fotos e vídeos foram trabalhados como um portal de natureza. “Queríamos não só vender nosso acervo, mas embalar e agregar valor. Subimos o portal no Ig e em dois dias tivemos mais de 200 mil acessos. Foi uma surpresa tanto para nós como para o portal. E ainda não colocamos no ar nem 5% do que imaginamos”, conta Ricardo Aidar, sócio da produtora. As imagens também são vendidas para produtoras e grande parte do acervo já está digitalizada. “É um projeto em andamento. Temos 3 mil horas digitalizadas e esperamos digitalizar tudo em dois anos”, continua. O trabalho da Canal Azul sempre foi voltado para projetos audiovisuais na área de natureza. A produtora já colocou no ar quadros em vários programas da TV Globo, além de produzir para emissoras internacionais como o canal National Geographic. “Nosso acervo é o resultado de anos de filmagens. Às vezes, para fazer um documentário, passamos até um ano no local. Com isso, conseguimos imagens impossíveis de se conseguir no período de filmagem de um comercial, por exemplo.” A produtora paulista Margarida Flores e Filmes também está constituindo um departamento de pesquisas, que vai estar disponível para consultas externas em sua nova sede. A idéia é disponibilizar imagens não utilizadas nos comerciais e programas produzidos por eles. “Vamos orientar nossos diretores a trazer material adicional, sempre que possível”, diz Paulo Schmidt, sócio da

produtora. “Mas para isso precisamos de uma grande organização na parte de direitos autorais e de imagem.” Quando o assunto é história e geografia do Brasil, por sua vez, o grande acervo brasileiro é resultado do trabalho de Jean Manzon, cineasta que produziu mais de 840 documentários de curta-metragem ao longo das décadas de 1950 a 90. Hoje, todo o acervo foi adquirido por Wagner Labs Anastácio, verdadeiro aficionado pelo material. “Trabalhei muitos anos com o filho do Jean Manzon, Jean-Pierre, e resolvi comprar o material. É um acervo incrível. Ele guardou tudo, não só os filmes, mas todo o material bruto de tudo o que filmou. E os filmes são sobre todos os assuntos possíveis, em todas as partes do Brasil”, explica Wagner.

grande instituição, que tenha uma curadoria. É um conteúdo impressionante, que precisa ficar mais disponível.” Boa parte da história do Brasil na segunda metade do século 20 foi documentada por Jean Manzon. A história do telefone, dos aviões da Embraer, a inauguração de Itaipu são alguns dos temas. “Trabalhei 17 anos ligado ao acervo e achei que o conhecia, mas só com o trabalho de telecine – ficava cerca de oito horas por dia assistindo – é que vi a riqueza do material.” A gestão de todo esse conteúdo, o acesso ao público interessado e o controle dos direitos autorais é que tornam a manutenção dos bancos de imagem tão complicada. Pensando

a conteúdo expresso cataloga material de diversos provedores e oferece em formato digital. Com um investimento de R$ 3,2 milhões, Wagner digitalizou todo o material na Casablanca, ao longo de dois anos e meio. “Pouca coisa precisou ser restaurada, porque tudo estava muito bem conservado.” Dos 840 curtas documentários produzidos, 752 foram resgatados. Fora os longas-metragens, que também foram muitos. O acervo é muito procurado por emissoras de televisão e produtoras de documentários. “Acabamos de fornecer muito material da década de 50 para uma minissérie que o diretor Jayme Monjardim está produzindo sobre a cantora Maysa, para a Rede Globo.” A receita obtida com a locação de imagens é suficiente para a manutenção do acervo climatizado, instalado no bairro da Vila Mariana, em São Paulo. “Temos trabalhado muito com grandes empresas e principalmente organismos públicos, que estão montando seus museus e centros multimídia. Fizemos uma grande parceria com a Companhia Docas, de Santos, com a Bovespa. É um segmento muito interessante.” A intenção de Wagner e dos outros três investidores do mercado que bancaram o projeto de restauro e digitalização das imagens, porém, não é manter o acervo. “Queremos vender, passar para alguma fundação ou uma

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em facilitar a vida de detentores desses acervos e o processo de licenciamento, a empresa Conteúdo Expresso procurou algumas das maiores empresas de comunicação brasileiras e desenvolveu um sistema de pesquisa e administração. Hoje, a empresa de sindicate administra a venda do conteúdo de gigantes como a Editora Abril e a Rede Globo. Qualquer pessoa externa que queira consultar os centros de documentação dessas empresas passa pela Conteúdo Expresso, que também gerencia o arquivo do Canal Futura, do médico Dráuzio Varella, do fotógrafo Cristiano Mascaro e da Bei Comunicação. “Criamos uma empresa especializada na venda e entrega de acervo, com conteúdos de origens diversas em foto, texto, vídeo e infográficos”, explica Tomás Alvim, sócio da empresa. Por enquanto, os acervos só estão parcialmente digitalizados e esse processo vai sendo feito no ritmo da demanda, no que diz respeito a imagens em movimento. Na área de fotos, tudo o que foi produzido a partir de 1993 já está digitalizado. Lizandra de Almeida

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( case)

Condomínio Jaqueline Ao desenvolver projeto, produtora também investiu na criação de outros produtos midiáticos ligados ao longa. Esta matéria faz parte de uma série que Tela Viva publica mensalmente, explicando o desenvolvimento de projetos audiovisuais bem sucedidos, sob o ponto de vista do modelo de negócios e do financiamento.

depois, o projeto foi contemplado, em incentivo à cultura. “A cada ano, a 2007, com o PAC da Cultura do Governo Prefeitura de Paulínia nomeia uma do Estado de São Paulo. No total, a comissão para selecionar alguns produtora captou cerca de R$ 2 milhões, o projetos que podem captar com que permitiu o início das filmagens. “O renúncia fiscal na cidade. Em 2007, único edital que não ganhamos foi um da quando ganhamos, foram nove Prefeitura de São Paulo, mas preparamos projetos. Conseguimos captar em o projeto para ir bem nas comissões”, duas empresas locais, a Estre explica Geórgia. Ambiental e a Galvani.” A produtora, então, iniciou as Só então a produtora partiu para filmagens, com Silvia Lourenço captar na iniciativa privada. “Não é encabeçando o elenco e nomes como que não tentamos nenhuma empresa Ailton Graça, Maria Alice Vergueiro e antes, mas sabíamos que os Paulo Vilhena como moradores do resultados são pequenos quando o condomínio que dá nome ao filme. Silvia projeto está no início. Desde que Lourenço é Soninha, uma garota do começamos essa fase, estamos tendo interior que vem para São Paulo para se reuniões quase diárias. Já fechamos tornar atriz e vai morar no condomínio, com duas empresas e outras estão onde conhece vários vizinhos. em negociação.” Para A trama desenvolve várias ajudar nesse processo, histórias paralelas, ambientadas também foi criado um também na boate Egotrip. promo no filme, com sete O filme traz na equipe a direção minutos de duração. de fotografia de Marcelo Trotta, “Não é um trailer, porque música de Livio Tragtenberg, realmente conta a história”, direção de arte de Marcos completa Geórgia. Pedroso, montagem de Mirella Na fase atual, Geórgia Martinelli e som de João Godoy. também está em busca de Com equipe e elenco uma distribuidora e de Roberto Moreira recursos vindos de um definidos, começou o processo de captação pelo Artigo 1º. Funcine. A previsão é de “Quando todo o pacote já está fechado fica que o filme esteja finalizado em mais fácil abordar o marketing das fevereiro, a tempo de ser exibido no empresas”, diz Geórgia. “Essa tem sido a Festival de Berlim. “Fizemos a estratégia da produtora até agora, ou seja, primeira exibição de ‘Contra Todos’ investimentos nos elementos artísticos em Berlim e já conversamos com o para captar por editais e, com isso curador do festival, que se dispôs a fechado, complementamos com as assistir o primeiro corte do novo empresas.” filme. Acreditamos que a carreira do Para começar a captação, a produtora ‘Condomínio’ possa começar em montou um book e o site do filme, com Berlim e daí partir para outros todas as ações de apoio e produtos grandes festivais do circuito.” agregados. A captação começou em “Contra Todos” recebeu 28 Paulínia (SP), onde o projeto tinha sido prêmios em festivais internacionais e aprovado para captar pela lei municipal de brasileiros e essa trajetória serviu de

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nfase no roteiro e foco nos editais públicos no início, captação de recursos pelo Artigo 1º da Lei do Audiovisual em seguida. Essa foi a estratégia da produtora Coração da Selva para viabilizar seu quarto longa-metragem, “Condomínio Jaqueline”, que está em fase de finalização. E além do filme, a produtora também investiu na criação de uma série de outros produtos midiáticos ligados ao longa. “Logo depois de lançarmos ‘Contra Todos’, do diretor Roberto Moreira, sócio da produtora, ganhamos o edital para desenvolvimento de roteiro da Ancine”, conta a produtora Geórgia Costa Araújo. O roteiro tinha sido desenvolvido pelos dois sócios e pela atriz Silvia Lourenço, que trabalhou em “Contra Todos” e também protagoniza “Condomínio Jaqueline”. “Nossa estratégia, no primeiro momento, foi ir em cima dos editais. Investimos também em um plano de negócios para o edital do BNDES.” Os primeiros recursos vieram do Programa de Fomento ao Cinema Paulista de 2005, do Governo do Estado de São Paulo. Em 2006, o projeto foi selecionado pelo concurso anual do BNDES e pelo Programa de Apoio ao Cinema Paulista, parceria entre o Ministério da Cultura e a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp). Os três editais resultaram em R$ 1,2 milhão. Pouco

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base para o lançamento comercial do filme. “Nossa intenção é percorrer esse circuito de fevereiro a julho, para fazer a primeira exibição brasileira no Festival de Paulínia. Não se trata de compromisso com o festival, mas é coerente com a parceria e com a estratégia que desenvolvemos.” Além do longa, o projeto envolve várias outras ações. “Em parceira com a Estre, uma das empresas de Paulínia, criamos vários curtas-me­ tra­gens com personagens e situações do longa. São histórias independen­ tes, que podem ser exibidas separadamente, e funcionam como teasers.” Os filmes têm cinco minutos e podem ser exibidos em mídias digitais, como celular e internet. Com base na experiência do longa “Antonia”, de Tata Amaral, também produzido pela Coração da Selva, foi desenvolvida uma série para TV. “Já temos o financiamento para o desenvolvimento de roteiros e já apresentamos para algumas emissoras. Mas sabemos, pela experiência do ‘Antonia’, que não podemos lançar a série antes do longa. Não deu certo”, reconhece Geórgia. Outra frente é a criação de uma revista em quadrinhos, em parceria com a editora Conrad. “Vai ser um álbum baseado no condomínio, que também pode ser editado em fascículos para ser encartado em alguma revista. Isso ainda não está

Condomínio Jaqueline Filme de longa-metragem, 90 minutos, 35 Direção Produção Produtora

mm Roberto Moreira

Geórgia Costa Araújo Coração da Selva

Sinopse: Uma jovem atriz do interior de São Paulo se muda para a capital em busca do sonho de ser atriz. Um antigo condomínio com muitos apartamentos é seu novo lar. Nesse microcosmo ela encontra uma diversidade de moradores que representa a grandiosidade de São Paulo e cria laços como os de uma verdadeira família.

fechado, mas a parceria com a Conrad sim, e um artista já está trabalhando na criação dos personagens.” O filme também abre a possibilidade de uma abordagem musical. Uma das personagens, Justine, interpretada pela cantora Danni Carlos, é a líder de uma banda no filme. “Criamos todo o visual e o repertório da banda, que pode se transformar em um projeto musical com videoclipe e CD, assim como fizemos com o grupo ‘Antonia’, que até tocou no reveillon da Paulista. É o que chamamos de pacote transmídia, ou seja, ações em várias plataformas para potencializar o interesse pelo filme.” Lizandra de Almeida


(upgrade )

Fernando Lauterjung

f e r n a n d o @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Qualidade digital

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om a digitalização da televisão, a expectativa pela qualidade cresce e cada vez mais, e aumenta a importância dos instrumentos para medir a qualidade dos sinais digitais de áudio e vídeo. Não só radiodifusores e operadores de TV por assinatura vêm investindo nessa linha de equipamentos. “Prestadores de serviços também estão investindo em equipamentos de medição”, diz Richard Duvall, gerente de marketing da área de vídeo da Tektronix. Segundo ele, os prestadores de serviços precisam agora se preocupar com a medição, para garantir a qualidade do conteúdo que gravam. Além disso, segundo ele, o áudio é algo que vem sendo subestimado. “É preciso entregar um conteúdo à altura do investimento que o telespectador fez no seu home theater”, justifica, lembrando que qualquer irregularidade será percebida nos sistemas de áudio mais modernos. A fabricante incluiu em alguns de seus equipamentos a medição para o ISDB-Tb, a versão brasileira do padrão japonês de TV digital. Vale destacar que, além do MPEG-4, o padrão adotado por aqui apresenta outras diferenças, como o formato de vídeo 1-SEG e o áudio. O suporte ao padrão brasileiro está sendo adicionado aos equipamentos de análise MPEG MTS430 e ao software MTS4SA, além dos geradores MPEG MTX100B e RTX100B. As duas ferramentas de análise MPEG podem trabalhar com sinal DTV ou ainda monitorar o tráfego IPTV. Graças à possibilidade de fazer a análise cruzada de falhas e logs de erros, as soluções podem identificar se a causa de problemas no sinal de vídeo está na transmissão, no transporte da imagem pela banda ou na camada elementar da banda. Com isso, reduz o tempo para detecção de problemas. O RTX100B permite gravar e reproduzir transport streams MPEG-2 e gerar o sinal de RF modulado ISDB-Tb. O gravador MTX100B possibilita a avaliação do design e testes de conformidade de produtos de vídeo digital que usam a tecnologia MPEG-2. O equipamento pode reproduzir qualquer arquivo de transport stream, incluindo transport streams proprietários, criados com multiplexadores.

Linha de sistemas de medição da Tektronix: modelos já adaptados ao padrão brasileiro de TV digital.

Nacionalização

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ais um fabricante de antenas de transmissão aporta no Brasil, de olho no mercado das afiliadas. Assim como anunciou a RFS há a alguns meses, a fabricante norte-americana de antenas de radiodifusão Dielectric também terá sua versão nacional de equipamentos. Contudo, o equipamento será feito em parceria com um fabricante nacional, TransTel. As duas empresas fabricarão, em Campinas, os modelos desenvolvidos no exterior. Como lembra Leonardo Scheiner, da Tacnet, representante das empresas, todas as emissoras brasileiras terão que, em algum momento, digitalizar seu sinal, tendo, obrigatoriamente, que substituir suas antenas.

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( upgrade)

Gravador externo

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Edirol apresentou na Broadcast & Cable, que aconteceu em São Paulo em agosto, o gravador de vídeo para uso em campo F-1. O equipamento, através da porta IEEE1394 das câmeras, capta o vídeo DV ou HDV e grava diretamente em um disco rígido, permitindo que o conteúdo seja editado diretamente do disco, ou ainda seja transferido para uma ilha de edição. A gravação em fita pode ser feita simultaneamente, como backup. O disco rígido é removível, podendo ser usado em uma ilha, enquanto um segundo disco é usado com o gravador. Com um disco de 120 GB é possível gravar nove horas de conteúdo. Como usa o formato de gravação NTFS, o disco não está limitado e partições de 2 GB ou 4 GB, permitindo que o conteúdo seja gravado continuamente, sem interrupções. O gravador conta ainda com dois canais independentes de áudio, eliminando a necessidade de equipamentos adicionais para a gravação de áudio. O equipamento conta ainda com uma porta 15-pin D-Sub que permite exibir os clipes gravados em versões thumbnails em monitores externos. O monitor externo pode ser usado ainda para fazer as configurações, usando ainda um mouse ligado a uma porta USB no gravador. O conteúdo gravado pode ser copiado ainda por uma porta LAN, disponível na parte traseira do equipamento, que pode ser usada ainda para controlar o gravador à distância.

O F-1 grava diretamente no disco rígido, que pode ser levado para a ilha de edição.

Áudio monitorado

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Wohler Technologies lança na IBC, que acontece neste mês de setembro em Amsterdã, um novo monitor de áudio baseado na plataforma modular WohlerPlus. Desenvolvido para atender a demanda de broadcasters por uma solução de monitoramento dedicado, o AMP2-16MSDI permite monitorar até 16 canais de áudio embutido em um sinal multi-rate HD/SD-SDI. O equipamento conta com um monitor LCD de alta resolução e colorido, que exibe as barras de nível com até 210 segmentos. As cores e as configurações podem ser configuradas pelo usuário, que conta ainda com opções pré-definidas, como AES e BBC. Vendido com uma configuração padrão, o monitor permite ainda gravar outras quatro pré-configurações, para acesso futuro. Todas as funções são acessíveis por um PC com aplicativo compatível, através da porta Ethernet. Graças a isso, o equipamento permite fazer a monitoração em uma tela grande, ou ainda em projetor.

Novo monitor trabalha com até 16 canais de áudio e conta com visor de LCD de alta resolução.

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( agenda ) FOTO: arquivo

Outubro 1º a 9 XXV Festival de Cine de Bogotá, Santa Fé de Bogotá, Colômbia. Tel: (571) 341-7562. E-mail: info@bogocine.com. Web: www.bogocine.com

6 a 12 3º Festival do Paraná de Cinema Brasileiro e Latino, Curitiba, PR. Tel: (41) 3551-1431. E-mail: festcinepr@cinetvpr.pr.gov.br

7 a 9 Andina Link 2008, Guatemala. Tel.: (571) 345-9166. E-mail: sandra@andinalink.com. Web: www.andinalink.com

7 a 9 MaxiMídia 2007, São Paulo, SP.

21 a 23 de outubro 1º Fórum Mobile +, São Paulo, SP.

2 e 3 de outubro 8° Congresso Latino-Americano de Satélites, Rio de Janeiro, RJ. Tel.: (11) 3138-4660. E-mail: info@convergecom.com.br. Web: www.convergecom.com.br

11 a 12 Mipcom Junior, Palais des Festivals,

Tel: (11) 3769-1624. E-mail: comercial. eventos@grupomm.com.br (Comercial). Web: www.maximidia.com.br/2007

Cannes, França. Tel.: (33-1) 4190-4580. E-mail: info.mipcom@reedmidem.com. Web: www.mipcomjunior.com

7 a 12 8ª Goiânia Mostra Curtas,

13 a 17 Mipcom, Palais des Festivals,

Goiânia, GO. Tel.: (62) 3218-3780. E-mail: icumam@icumam.com.br. Web: www.goianiamostracurtas.com.br

Cannes, França. Tel.: (33-1) 4190-4580. E-mail: info.mipcom@reedmidem.com. Web: www.mipcom.com

Tel.: (11) 3138-4660. E-mail: info@convergecom.com.br. Web: www.convergecom.com.br Discussões sobre a nova fronteira para o desenvolvimento de aplicações voltadas a negócios, finanças pessoais, comunicações empresariais, aplicações corporativas, mobile marketing, mobile advertising e mobile commerce

15 a 18 V Mostra Competitiva de Vídeos do Interior – SP, Ribeirão Preto, SP. Tel: (16) 3625-3600. E-mail: info@saopaulofilmcomission.com.br. Web: www.saopaulofilmcommission.com.br/

17 a 31 32ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, São Paulo, SP. Tel.: (11) 3141-0413. E-mail: info@mostra.org. Web: www.mostra.org


Um evento imperdível, qualquer que seja sua freqüência. 8º Congresso Latino-Americano de Satélites. A nova edição do encontro obrigatório para toda a cadeia da indústria de satélites. Dois dias de debates, no Rio de Janeiro, sobre os temas mais importantes do setor. Sintonize este evento e venha. Em debate: s!ESCASSEZDAOFERTA s/SNOVOSOPERADORES s.OVOSSERVIÀOS s-ARCOSREGULAT˜RIOS s0ROJETOSDE($46 s3ERVIÀOSP¢BLICOSEMUITOMAIS

Presenças Confirmadas:

s$ANIEL'OLDBERGTelesat s&ERNANDO"ITENCOURTTV Globo s'USTAVO3ILBERTStar One s,UIS/TAVIO-ARCHEZETTISKY s-ARIANO'OLDSCHMIDTArsat s-ÖRCIO#ARVALHONet Serviços s-IGUEL!NGEL2EDONDOHispamar s-ITSUO3HIBATATelefônica Whole Sale s0AUL3ANDOVALViasat s0AULO-OURâO0IETROLUONGOMinistério da Defesa s0ATRICIO.ORTHLANDSatmex

EVENTO

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Dias 2 e 3 de outubro de 2008

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O maior encontro da indústria satelital do Continente.

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Rio de Janeiro, RJ. 3HERATON2IO(OTEL


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1-ª, 2-ª e 3-ª temporadas

© ABC, Inc.

1-ª temporada

© Touchstone Television

© Disney Channel

© Disney/Pixar

© Disney/Pixar

© Disney/Jerry Bruckheimer

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4-ª e 5-ª temporadas

© Touchstone Television


Revista Tela Viva 186 - Setembro 2008  

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