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televisão, cinema e mídias eletrônicas

na linha de frente Radiodifusão Os planos de Ratinho para ser o número um do Paraná

ano 17_#180_mar2008

Walter Pinheiro, presidente da Comissão de Tecnologia da Câmara, conta como cuidará de questões espinhosas como a renovação de concessões e a convergência de meios.

Política Perto de ser aprovado, PL das cotas divide o mercado


Foto: marcelo kahn

(editorial ) Presidente Diretores Editoriais Diretor Comercial Diretor Financeiro Diretor de Marketing

Editor Tela Viva News Redação

Sucursal Brasília Coordenadora de Projetos Especiais Arte

Depar­ta­men­to Comer­cial

Gerente de Marketing e Circulação Administração Webmaster Central de Assinaturas

Rubens Glasberg André Mermelstein Claudiney Santos Samuel Possebon (Brasília) Manoel Fernandez Otavio Jardanovski Leonardo Pinto Silva

Mariana Mazza (Repórter) Letícia Cordeiro Carlos Edmur Cason (Direção de Arte) Debora Harue Torigoe (Assistente) Rubens Jar­dim (Pro­du­ção Grá­fi­ca) Geral­do José Noguei­ra (Edi­to­ra­ção Ele­trô­ni­ca) Alexandre Barros (Colaborador) Bárbara Cason (Colaboradora) Roberto Pires (Gerente de Negócios) Patricia Linger (Gerente de Negócios) Iva­ne­ti Longo (Assis­ten­te) Gislaine Gaspar Vilma Pereira (Gerente) Gilberto Taques (Assistente Financeiro) Marcelo Pressi 0800 0145022 das 9 às 19 horas de segunda a sexta-feira

Redação E-mail

(11) 3138-4600 telaviva@convergecom.com.br

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U

Ana Carolina Barbosa Daniele Frederico Humberto Costa (Colaborador) Lizandra de Almeida (Colaboradora)

www.telaviva.com.br assine@convergecom.com.br

a n d r e @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Pesquisa de campo

Fernando Lauterjung

Internet E-mail

André Mermelstein

(11) 3214-3747 comercial@convergecom.com.br Ipsis Gráfica e Editora S.A.

m passeio na rua Santa Efigênia, no centro de São Paulo, pode revelar mais sobre os hábitos dos consumidores do que muita pesquisa qualitativa contratada a preço de ouro. O “data-camelô” detecta exatamente o que as pessoas estão querendo comprar, e oferece a mercadoria (nem sempre de forma legal...) na mesma hora, no volume exato que o mercado demanda. Assim, fica-se sabendo em alguns minutos de caminhada quais são os filmes mais procurados, os games que todos querem ter, os celulares que estão na moda. A pesquisa vale também para eletrônicos em geral. Pois foi em uma destas pesquisas de campo, em fevereiro, que detectamos a ausência quase total nas lojas do comércio popular dos receptores de TV digital terrestre. Simplesmente percebemos que o aparelhinho “não pegou”, ao contrário de diversos outros dispositivos, como iPhones (vendidos já sem o bloqueio), set-top boxes de TV por satélite, home theaters e TVs de LCD. A pergunta na cabeça do “popular” é simples: pra que serve isso? Ao contrário dos aparelhos de DVD e dos consoles de games, a TV digital não mostrou a que veio. Sim, temos alta definição, mas para admirá-la precisamos comprar ainda um televisor de LCD. Temos a mobilidade, mas os primeiros receptores foram lançados só agora em março, a preços indigestos. E o conteúdo? Bem, o conteúdo é basicamente... o mesmo de antes. Mesmo quem poderia se interessar pelo sistema só para melhorar sua qualidade de recepção está preferindo, segundo os lojistas, esperar pelos televisores com receptor integrado. O Fórum da TV digital resolveu agora incluir em seus quadros um representante das redes de varejo. Como dizem os cariocas, demorou. São eles que fazem uma coisa que nenhuma emissora de TV fez até hoje: falar (e ouvir) com o público, o consumidor. Afinal, não adianta nada ter o sistema mais avançado tecnologicamente no mundo se ninguém entendeu ainda para que serve tudo isso.

Tela Viva é uma publicação mensal da Converge Comunicações - Rua Sergipe, 401, Conj. 605, CEP 01243-001. Telefone: (11) 3138-4600 e Fax: (11) 3257-5910. São Paulo, SP. Sucursal Setor Comercial Norte - Quadra 02 Bloco D - torre B - sala 424 - CEP 70712-903. Fone/Fax: (61) 3327-3755 Brasília, DF Jornalista Responsável Rubens Glasberg (MT 8.965) Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias publicadas nesta revista, sem autorização da Glasberg A.C.R. S/A

foto de capa: GLAUBER QUEIROZ

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Ano17 _180_ mar/08

(índice )

( cartas) Projetos de sucesso Quero parabenizá-los pela iniciativa de publicarem matérias que expliquem o desenvolvimento de projetos audiovisuais bem sucedidos. Isso supre a falta de análises e documentações a respeito da experiência brasileira em produção audiovisual. Mais uma vez, a Tela Viva faz valer o seu papel. Parabéns. Ulisver Aparecido da Silva , Canal do Boi, Campo Grande, MS

Regulamentação

Famosos engajados Um fato inusitado me chamou atenção na cobertura do Mobile World Congress, matéria de capa da edição de fevereiro: a presença de will.i.am, vocalista do Black Eyed Peas, Isabella Rosselini e Robert Redford (estes dispensam apresentações) ocupando posições diferentes daquelas nas quais a mídia costuma referenciá-los. É só um detalhe curioso, que não chega a ser irrelevante porque mostra também que nenhum outro veículo brasileiro dedicou o devido espaço, ou cobriu o evento com a devida atenção.

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Walter Pinheiro conta como os temas ligados às comunicações tramitarão no Congresso

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Figuras

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Política

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Projeto de cotas na TV por assinatura cria divergência no setor

Edvaldo Sousa, São Paulo, SP

Radiodifusão

Indústria perene Muito reveladora a entrevista de Silvio Da-Rin. Espero sinceramente que sua presença à frente da Secretaria do Audiovisual sirva para não apenas para aumentar a participação da produção nacional no mercado, mas sobretudo para afastar de nós uma vez por todas o fantasma da sazonalidade. O audiovisual deve ser encarado como uma indústria séria e perene.

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Ratinho aposta na programação local em rede paranaense

Making Of

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Mercado

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Acordo de co-produção dobra orçamento de “Estômago”

Maria Aparecida Viana, Rio de Janeiro, RJ

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Maturidade Que a produção de programas infantis no Brasil já era madura o suficiente para ganhar mercados internacionais já sabíamos há algum tempo. Tomara que a presença maciça de representantes do Brasil no Kidscreen seja o marco desse amadurecimento e possamos ver nas grandes redes globais séries concebidas, produzidas e finalizadas no Brasil.

Produção

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Seguros viram preocupação constante de produtoras

Publicidade

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Anunciantes apostam na Internet

Juliano Chagas, Cuiabá, Mato Grosso

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Upgrade

Acompanhe as notícias mais recentes do mercado

Tela Viva edita as cartas recebidas, para adequá-las a este espaço, procurando manter a máxima fidelidade ao seu conteúdo. Envie suas críticas, comentários e sugestões para cartas.telaviva@convergecom.com.br

telavivanews www.telaviva.com.br 4

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Concurso multiplataforma

TV digital no celular

Tom Perlmutter, presidente do National Film Board, produtora e distribuidora pública canadense, esteve em São Paulo para o 3º Fórum de Co-Produção Brasil-Canadá, evento que aconteceu nos dias 28 e 29 de fevereiro. Na ocasião, ele anunciou o concurso “Brasil-Canada Cross-Media Challenge”, que visa à escolha de projetos Tom Perlmutter (acima) anuncia concurso no Encontro multiplataforma, com especial foco em diversidade de Co-Produção Brasil-Canadá. cultural. Trata-se de um fundo de desenvolvimento para projetos voltados para as novas mídias, com financiamento de 10 mil dólares canadenses. O programa deve selecionar ao menos um projeto do Brasil. Para Perlmutter, os meios tradicionais de comunicação como o cinema e a TV continuarão tendo um papel importante, mas é preciso incentivar também incentivar e financiar projetos para as novas mídias. “Agora é a hora de construir a base para a entrada no mundo digital”, disse. Ele foi um dos 25 canadenses a comparecer ao evento promovido pelo Consulado Geral do Canadá em São Paulo, em parceria com a Associação Brasileira dos Produtores Independentes de TV (ABPI-TV) e o Cinema do Brasil. No total, foram realizadas 199 reuniões pelas 39 produtoras brasileiros da ABPI-TV e 139 pelas 28 produtoras de cinema. Estiveram presentes do evento autoridades brasileiras, como o diretor geral da TV Brasil, Orlando Senna, e o secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura, Silvio Da-Rin.

Foi dada a largada para a TV digital aberta no celular: na primeira semana de março, a Samsung apresentou o primeiro aparelho capaz de receber o sinal transmitido pelas emissoras de TV aberta no Brasil. O produto, comercializado pela Vivo, deve chegar ao mercado no início de abril e a expectativa da empresa é vender cerca de 50 mil unidades até o final do ano. “A expectativa é bastante positiva, dada a característica dos brasileiros que gostam muito do conteúdo da TV aberta”, afirma Oswaldo Mello, diretor de telecom da Samsung. Um dia após a Samsung lança o primeiro apresentação da Samsung, a LG receptor nacional. anunciou os planos de lançar em meados de outubro seu handset com recepção digital. Alexandre Jesus, diretor de celulares da LG acrescentou que está negociando com o sócio da Participe TV e ex-diretor da Telemar Alberto Blanco o fornecimento de terminais compatíveis com a tecnologia DVB-H. Blanco está montando uma rede DVB-H para serviço de mobile TV no Rio de Janeiro.

Aprovada MP da TV Brasil Após uma sessão de 12 horas e meia de duração, o Senado Federal aprovou na madrugada da quarta-feira, 12 de março, o Projeto de Lei de Conversão (PVL) 02/2008, que cria a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e a TV Brasil. Em sua apresentação do relatório da TV pública votado, o senador Renato Casagrande (PSB/ES) esclareceu a quem são as recomendações de alterações no texto presentes em seu parecer: ao governo. “Estou encaminhando as propostas ao governo, que depois poderá mandar um projeto de lei. E se não encaminhar, nós podemos fazer um projeto de lei com essas questões”, declarou o relator. As alterações sugeridas por Casagrande atingem a cota

fotos: divulgação

fotos: Éric Brochu

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Número 49 homenageia os 70 anos de criação do Instituto Nacional de Cinema.

de produção independente que será veiculada obrigatoriamente pela TV Brasil; as regras para o carregamento dos canais públicos pelas TVs por assinatura; o método de nomeação dos diretores, com a inclusão de sabatinas; e a obrigação de repasse da transmissão de jogos desportivos à nova TV pública. Todas questões importantes que o próprio relator admite não ter podido alterar por conta da falta de tempo antes que a MP expirasse.Como o relatório do senador Renato Casagrande não alterou o texto encaminhado pelos deputados, a proposta não precisará retornar ao Plenário da Câmara dos Deputados para nova votação e irá direto à sanção presidencial.

Edição especial da Revista Filme Cultura O Centro Técnico Audiovisual (CTAv) relançou a Revista Filme Cultura em uma homenagem aos 70 anos de criação do Instituto Nacional de Cinema Educativo (INCE). A versão eletrônica da revista está disponível no site www.ctva.gov.br e a edição impressa, com mil exemplares, está sendo distribuída gratuitamente a instituições ligadas ao audiovisual. Criada em 1965, a publicação circulou até 1988, chegando a 48 edições. Além do artigo dedicado ao INCE, a edição especial (nº 49) traz depoimentos de Afonso Beato, Walter Carvalho, Marcos Magalhães e Carlos Augusto Calil, contando episódios que envolveram a criação do CTAv, em 1985. O relançamento da revista faz parte de um projeto de preservação da memória do audiovisual brasileiro, que prevê a digitalização de todos os números anteriores da publicação e sua disponibilização eletrônica para consultas de pesquisadores, estudantes e profissionais do cinema.

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Vinte e poucos anos A MTV tem buscado acompanhar o amadurecimento de sua audiência. Segundo o diretor de programação do canal, Zico Góes, a audiência do canal está mais madura, com maior participação de indivíduos de 20 a 24 anos. “Queremos aumentar esta tendência com a nova programação”, disse o executivo. “Nada mais natural em buscar um amadurecimento da audiência, já que este ano a MTV completa a maioridade”, diz Góes. A nova grade de programação, que estreou em março, conta com a estréia de Zico Góes: audiência “Notícias MTV”, uma nova temporada de “Fudêncio e seus Amigos” da MTV amadureceu. e “Tela Class”, humorístico no qual a dupla Hermes e Renato dublam filmes antigos. Diariamente, pelo menos uma hora da programação do canal será produzida em alta definição. “Isto deve aumentar no decorrer do ano, com a chegada de novos equipamentos”, diz Góes.

Cinema itinerante nas cidades paulistas Entre março e maio, as cidades de São Paulo, São Bernardo do Campo, Santos, Guarujá, Jundiaí, Sorocaba, Americana, Araraquara, Ribeirão Preto e Pirassununga terão sessões de cinema grátis pelo Visões da Vida, um projeto da Muzy Projetos Culturais aprovado pelo Ministério da Cultura para obtenção de benefícios fiscais concedidos pela Lei Rouanet que tem como patrocinadores BD-Bexton, Dickson and Company, Credit Suisse Brasil e Volkswagen Caminhões e ônibus. As exibições acontecerão em auditórios móveis de 92 lugares e a programação contemplará o público infanto-juvenil e adulto com exibições matutinas, vespertinas e noturnas de filmes e curtas-metragens que, segundo a curadoria do projeto, abordam temas relevantes e têm mensagens construtivas. Entre as obras a serem exibidas estão os documentários “Meninas”, de Sandra Werneck, e “Doutores da Alegria”, de Mara Mourão. Auditórios móveis exibirão filmes em dez cidades paulistas.

Entretenimento Entretenimento é palavra de ordem para Globo e Record. A Record anunciou a criação da Record Entretenimento, com sede em São Paulo. No cinema, a empresa deve trabalhar com produção e co-produção, de forma semelhante à Globo Filmes. A Record Entretenimento também trabalhará com eventos, organizando espetáculos esportivos, musicais e culturais. Caberá à nova empresa também o desenvolvimento de conteúdo para novas mídias e o licenciamento da marca Record, assim como outras atreladas ao seu conteúdo. Já a Globo criou a área de entretenimento, que reunirá os departamentos de criação, produção, recursos artísticos e controle de qualidade da emissora. Manoel Martins, com 30 anos de TV Globo, será o diretor da nova área. A mudança faz parte do planejamento de sucessão da Direção Geral Artística (DGA), que vem sido desenvolvido a mais de um ano. Mário Lúcio Vaz deixa a DGA para ocupar o cargo de diretor associado artístico e prestar consultoria para a direção geral e para a área de entretenimento. A transferência das atividades, papéis e responsabilidades do modelo atual de criação e produção para o novo modelo de entretenimento será coordenada por um comitê de transição, com foco de atuação no período de março a junho.


fotos: divulgação

( scanner) Serviço completo A Colméia, produtora de conteúdo e entretenimento digital do Grupo Ink, incorporou a operação da produtora Gauge e criou uma área de user experience (UX). A idéia é oferecer serviço completo em projetos de internet envolvendo vídeo, aplicativos web/móbile, pós-produção (3D + motion graphics), produção de conteúdo e experiência de marca. Os sócios da Gauge, Dante Calligaris e Edgar Akiyama, junto com sua equipe, trabalharão para a Colméia, aumentando a capacidade de entrega de projetos.

“O Último Kuarup Branco”, da Setcom, que será distribuído pela francesa 10 Francs.

Parceria Internacional

Tele-prêmios na mira

A produtora catarinense Setcom fechou parceria com a distribuidora francesa 10 Francs para a distribuição do filme “O Último Kuarup Branco” para cinema, home vídeo (versão 72”) e TV (versão de 52”). Os contatos entre a Setcom e a 10 Francs começaram no 8º Forum Brasil, em 2007, quando o filme ainda estava em produção. O contrato assinado em fevereiro tem duração de cinco anos e prevê a exclusividade da 10 Francs na distribuição do filme dirigido por Bhig Villas Boas, que resgata a história do contato com uma tribo a beira de extinção no Brasil Central e a cerimônia em homenagem a Orlando Villas Boas, realizada pelos índios. “O Último Kuarup Branco” foi selecionado para a mostra “O Estado das Coisas”, do festival É Tudo Verdade. A distribuidora francesa já manifestou a intenção de distribuir o filme “Pró Darwin”, que está em desenvolvimento pela Setcom e contará a história do naturalista Fritz Müller, radicado em Santa Catarina no século XIX.

As promoções instantâneas veiculadas na televisão, que induzem os telespectadores e assinantes a ligarem ao número anunciado para concorrer a prêmios em dinheiro ou mercadoria, estão na mira dos anunciantes tradicionais. A Associação Brasileira de Anunciantes (ABA) e a Associação de Marketing Promocional (AMPRO) encaminharam um alerta público a autoridades ligadas à área de comunicação e defesa do consumidor, manifestando-se contra promoções enganosas veiculadas na TV aberta e por assinatura. No comunicado enviado em 6 de março a diversas autoridades, entre elas o ministro das Comunicações, Hélio Costa, ABA e AMPRO classificam tais promoções como “nefastas ao consumidor”, uma vez que têm como objetivo único gerar receita para as emissoras envolvidas e seus parceiros nos negócios. Para as associações, iludidos pela possibilidade de ganho fácil, os participantes fazem ligações telefônicas tarifadas em valores acima do mercado. As entidades destacam que, além de prejuízos aos telespectadores, estas promoções podem afetar a imagem de toda a atividade promocional e arranhar a imagem da televisão.

Elementos gráficos e imagens de mulheres no on air.

GNT de nova identidade O canal GNT mudou a identidade visual, com chamadas e vinhetas em novos formatos. A estréia do on air aconteceu no Dia Internacional da Mulher, 8 de março. São cerca de 15 peças com elementos gráficos se misturando a imagens de mulheres feitas pelo fotógrafo Paulo Vainer.

Petrobras no “Speed Racer” A marca Petrobras aparecerá em um carro de corrida do filme “Speed Racer”. O investimento da empresa de energia brasileira nesta ação de product placement é de US$ 1 milhão. “O filme será visto em todo o mundo e o objetivo é reforçar a marca Petrobras no cenário internacional”, diz Luiz Antônio Vargas, gerente de publicidade e promoções da companhia. O acordo mercadológico com a Warner Bros. Pictures e a Village Roadshow Pictures também inclui a presença da marca no game “Speed Racer” e uma parceria promocional para o lançamento do filme, cuja estréia deve acontecer em maio. Petrobras investiu US$ 1 milhão em ação de product placement.

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Mais downloads Depois de realizar uma promoção “Tudo por R$ 0,99”, em que reduziu de R$ 3,99 para R$ 0,99 o preço para download de vídeos, a SK8, empresa brasileira que produz vídeos para celulares registrou aumento de 450% na quantidade de download dos seus vídeos na Oi. No período em que aconteceu a promoção, entre os meses de janeiro e fevereiro, a receita da SK8 com download de vídeos na operadora cresceu 150%.

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foto: Robson Siqueira

Fonte: Projeto Inter-Meios

Re vis ta

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A Internet foi a mídia que mais cresceu em faturamento publicitário entre 2006 e 2007. O aumento foi de 45,76%, chegando a R$ 526 milhões de reais, segundo dados do Projeto Inter-Meios, estudo de mídia coordenado pelo Grupo M&M. Em seguida vem o cinema, com um crescimento de 23,13% Faturamento publicitário (chegando a R$ 75 milhões), Crescimento 2006-2007 e a TV por assinatura, com 45,76% aumento de 20,65%, chegando a R$ 639 milhões. A TV aberta foi o meio com o maior faturamento 23,13% publicitário no ano, R$ 11 20,65% bilhões, apresentando um 15,22% 8,67% crescimento de 8,67% em 7,18% 5,60% relação ao ano anterior. Ou -13,28% seja, apresentou crescimento um pouco abaixo da média. - 16,33% O faturamento geral do mercado publicitário brasileiro foi de R$ 26 bilhões em 2007, o que representa um aumento de 9% em relação ao ano anterior. Salles Neto, presidente do Grupo M&M prevê que, em 2008, o crescimento do faturamento publicitário será de 10%. Int ern et

O programa “Nickers”, do Nickelodeon, ganhará uma versão argentina e outra mexicana, a serem produzidas pela Viacom Networks Brasil a partir de maio. As versões do programa de entretenimento e comportamento, voltado para o público adolescente, devem estrear na Nick Argentina e Nick México na primeira e segunda quinzena de junho, respectivamente. Roberto Martha, diretor de produção da regional Brasil, explica que, apesar da valorização do Real, Apresentadores do “Nickers“ Brasil. é vantajoso para o grupo produzir o programa no País. “Já temos toda a estrutura aqui e conhecimento do formato”, diz. Os programas seguirão o mesmo formato e conceito do programa brasileiro, com o mesmo cenário, figurino, roteiro adaptado, trilha sonora e equipe de produção. Dois apresentadores locais virão ao Brasil para as gravações que devem acontecer durante uma semana a cada dois meses. Apenas as matérias externas serão feitas nos próprios países. Segundo Álvaro Barros, gerente geral da Viacom Networks, a verba para a produção dos programas faz parte do orçamento latino-americano.

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A mídia da vez

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Produção para os hermanos

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foto: divulgação

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Interatividade na TV Canção Nova A participação do público da TV Canção Nova aumentou a partir de dezembro do ano passado, quando, em parceria com a Compera nTime, empresa que desenvolve serviços de valor agregado para operadoras de telefonia móvel, a emissora dedicada à comunidade católica lançou o Chat TV. Os participantes enviam mensagens de texto pelo celular e elas aparecem na tela da televisão durante programas que vão ao ar de segunda à sexta-feira, exceto às quintas, com duração entre 30 minutos e uma hora. Com um mês de Chat TV, a participação dos Com o Chat TV, a emissora telespectadores saiu da média de 18,6 mil mensagens entre ligações telefônicas e e-mails para recebe quatro mil SMS por dia. 120 mil SMS. Atualmente, o sistema recebe cerca de quatro mil mensagens por dia.

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Tatiana Peres é a nova executiva de vendas da Globo TV International. Ao lado de Marcelo Mattar e Víctor Teixeira, ela cuidará da gestão de vendas de programação da TV Globo para os países da África, Oriente Médio, Países Escandinavos, Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo. Formada em jornalismo e com MBA pela Massachusetts Institute of Technology (MIT), Tatiana já colaborava com a divisão internacional da TV Globo. Nos últimos três anos, dedicou-se a atividades de marketing local para o canal internacional nos Estados Unidos.

Trio de diretores A DM9DMB contratou um trio de diretores. Carlos Henrique Giusti (exOgilvy, Publicis e Rino) é o novo responsável pelo atendimento à conta da Telefônica. Rodrigo Carlos Kawassaki, Carlos Henrique Giusti Almeida, com mais de e Rodrigo Almeida 20 anos de mercado e passagens pela Leo Burnett, Y&R, DPZ e AlmapBBDO, foi contratado como diretor de criação. Carlos Kawassaki, que já trabalhou na International Research e F/Nazca, é o novo diretor de planejamento.

De saída Celso Forster deixou a diretoria de marketing da ESPN no Brasil para assumir a função de diretor de marketing para a América Latina da World Wrestling Entertainment (WWE). Desde junho de 2004 na ESPN, Forster esteve Celso Forster à frente do marketing durante a cobertura da Olimpíada de Atenas e da Copa da Alemanha e de projetos como a parceria Eldorado ESPN e o serviço para internet banda larga ESPN360. Gérman von Hartenstein, diretor geral da ESPN no Brasil, acumulará interinamente o cargo deixado por Forster, com o apoio do gerente de marketing Robert Mills, até a contratação de um novo diretor para a área. Foto: Arquivo Pessoal

Executiva de vendas

Fotos: divulgação

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Jorge Solari na TGD Filmes O diretor de cena argentino Jorge Solari é o novo reforço da TGD Filmes, empresa que comemora 21 anos de atuação no mercado publicitário. Solari já fez filmes para clientes como Perdigão, Kopanhagen, Correios, Uncle Ben’s, GM, Mercedes Benz, Volkswagen, Johnson & Johnson, Kraft, O Boticário, Casas Bahia e C&A.

Ex-Fox no NIC Meios

Planejamento

O produtor Clay Lins (ex-Fox EUA, WGN e PostLogic) assumiu a diretoria de desenvolvimento de negócios e conteúdo do Núcleo de Inteligência para Conteúdo – NIC Meios, empresa focada no desenvolvimento de formatos de audiovisual para TV e outras plataformas. O NIC Meios foi lançado em 2007 pela OMM Holding, que engloba a M. Gonçalves Publicidade, a Biocomm Comunicação e a produtora de comerciais e conteúdo Santo Forte Filmes.

Renata D’Ávila assume a diretoria de planejamento do escritório paulista da Giovanni+Draffcb em substituição a Marcello Magalhães, que deixou a agência para morar e trabalhar em Londres como sócio da BrandThink Tank. Renata tem passagens pela FCB, Newcomm e Y&R.

Nova diretoria A Sky anunciou em fevereiro a criação da diretoria de planejamento. Roger Haick, ex-diretor de atendimento da empresa, assume a área que tem o objetivo de apoiar os movimentos de expansão e crescimento da operadora e identificar oportunidades de negócios. Vito Chiarella Neto, ex-diretor de suprimentos e administração do Grupo Roger Haick Abril, substitui Haick na diretoria de atendimento. Chiarella também trabalhou como auditor nas empresas Deloitte Touche Tohmatsu Brasil e Grupo CLC.

Novos diretores para a O2 Digital

Paulinho Caruso

A O2 Digital contratou dois novos diretores: Kitty Bertazzi e Paulinho Caruso. Ambos já realizaram alguns trabalhos para a produtora. Kitty tem 14 anos de experiência no mercado publicitário e já atuou como assistente de direção de diretores como Nando Olival e Fernando Meirelles. Na O2 Digital, trabalhou para clientes como Embratel e GM. O primeiro trabalho de Caruso para a O2 Digital foi o “Diário de Bianca”, criado para o Show iG. Formado em cinema pela FAAP e pela New York Film Academy, ele foi premiado no Festival de Gramado 2007 com o seu primeiro curtametragem 35mm, “Alphaville 2007 d.C.”. Kitty Bertazzi

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Volta a São Paulo

F/Nazca carioca

Depois de quatro anos trabalhando em Curitiba como executiva de marketing corporativo da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), a produtora Adriana Samara volta a São Paulo para integrar o Atendimento da Margarida Flores e Filmes. Adriana já passou por agências como MPM:Lintas, Lintas NY e McCann-Erickson.

Flávia Cerqueira, Fabiana Vidal e Joana Uchôa foram contratadas pela F/ Nazca Saatchi & Saatchi no Rio de Janeiro. Depois de 15 anos na DPZ Propaganda, Flávia Joana Uchôa, Flávia Cerqueira e Fabiana Vidal. assume na F/Nazca a diretoria de conta do Infoglobo. Fabiana, com passagens pela Giovanni FCB e Duda Propaganda, será supervisora de conta, integrando o grupo de atendimento da Petrobrás. Joana também atenderá a Petrobrás como supervisora de mídia.

Núcelo digital e mídia

Alexandre Prado, Fabrício Andreotti, Bárbara Rocha e Paulo Zoéga, sócio-diretor da QG Propaganda.

Foto: arquivo

ABPI-TV elege conselhos A Associação Brasileira de Produtores Independentes de Televisão (ABPI-TV) elegeu conselhos federal e fiscal, para mandato de dois anos. Fernando Dias foi reeleito presidente do conselho federal, tendo Leonardo Dourado como vice-presidente e Adriano Civita como secretário geral. Marco Altberg, Francisco Mistrorigo, Luís Antônio Silveira, Maurício Delman Lains, Roberto D’Ávila e Ricardo Rangel formam o Fernando Dias corpo de conselheiros. André Breitman, Rodrigo Letier e David Roth representam o conselho fiscal. O grupo pretende estreitar a relação com órgãos federais, estaduais, municipais e privados, além de ampliar acordos internacionais já existentes e desenvolver novos.

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Carlos Castelo e Rodrigo Corbari são os novos diretores de criação da Euro RSCG Brasil. A dupla substitui Jader Rossetto na direção da equipe criativa da agência, propondo mais integração entre os profissionais Carlos Castelo e Rodrigo Corbari de criação e planejamento. Castelo já passou pelas agências DPZ, Talent, Ogilvy, Salles Publicis e Grey. Corbari trabalhou em agências internacionais como a Saatch&Saatchi, de Londres, e a Wieden+Kennedy, de Amsterdã.

Da Oi para a Claro

Aline Ugêda e João Pereira Oliveira

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Foto: Geison Geiga/divulgação

Dupla de criativos

Foto: arquivo

Atendendo às demandas dos clientes e às tendências do mercado, a QG Propaganda criou o Núcleo de Projetos Digitais. A nova área inicia suas operações com três profissionais: Bárbara Rocha, ex-Tribo, será coordenadora; Fabrício Henri Andreotti, ex6P-Digital, assumirá o cargo de diretor de arte e Alexandre Prado será supervisor de TI. A área de mídia da agência cresceu com a chegada de João Pereira Oliveira, ex-TBWA, como Gerente de Mídia, e Aline Ugêda como assistente.

Fiamma Zarife, que nos últimos anos esteve à frente da gerência de serviços de valor adicionado (SVA) da Oi, é a nova diretora de SVA da Claro. Ela ocupa o lugar que era de Marco Quatorze, que foi promovido e se tornou diretor de SVA de todo o grupo América Móvil. Fiamma trabalhou na Oi por sete anos, desde o início das operações da companhia. Nesse período, participou do lançamento do “Mundo Oi”, o primeiro serviço de download de vídeos para celular no Brasil, e do lançamento do primeiro jogo para celular baseado em localização, o Alien Revolt, desenvolvido pela M1nd Corporation, que tornou-se um case mundial. Nos últimos anos, Fiamma participou como representante da Oi em quase todas as edições do Tela Viva Móvel, evento da Converge Comunicações dedicado ao mercado de SVA.

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LOCALa O V O N améric Trans Center Expo

11 A 13 DE AGOSTO, TRANSAMÉRICA EXPO CENTER, SÃO PAULO-SP.

O MAIOR EVENTO DE TV POR ASSINATURA E SERVIÇOS CONVERGENTES DA AMÉRICA LATINA. Os debates mais quentes. As novidades em tecnologia e conteúdo. O mais concorrido espaço de exposição e negócios, com repercussão em todo o continente. Um público de mais de 12 mil pessoas*, de presidentes e CEOs a equipes de venda e relacionamento. Programe-se para a 16ª edição do evento oficial da Associação Brasileira de TV por Assinatura. ABTA 2008. De 11 a 13 de agosto, agora no Transamérica Expo Center.

* Dados da ABTA 2007.

www. a b t a 2008 . c o m . b r


EXPOSITORES CONFIRMADOS: AURORA NETWORK BAND BRASIL TELECOM CONAX CANAIS ABRIL CIANET DISCOVERY EMBRATEL FOX GLOBOSAT HARMONIC HBO IRDETO JDSU MOTOROLA NAGRAVISION NET SERVIÇOS NET BRASIL SETA SKY TECHNOTREND TECSYS TELE DESIGN TELESUR TELESYSTEM TELSINC TURNER TVA TELEFONICA TOPFIELD VIACOM ZAPI ZINWEL

ESPAÇO GARANTIDO PARA OS MELHORES NEGÓCIOS A indústria de serviços convergentes encontra na ABTA o ambiente ideal para negócios, networking e atualização de conhecimentos, além das novidades em equipamentos, sistemas, serviços e conteúdos.

EXPOSIÇÃO PRIVILEGIADA PARA SUA MARCA Conforto, segurança e retorno para expositores, congressistas e visitantes. Novas atrações: área de inovação da indústria, espaços Flex, praça de eventos e muito mais. Há 16 anos a ABTA é o evento obrigatório para os principais players do mercado.

PALESTRAS DE ALTO NÍVEL PARA TODOS OS PARTICIPANTES Líderes da indústria, autoridades governamentais e reguladoras, especialistas internacionais, falando para a alta gerência e para equipes de vendas, instalação e relacionamento, reunidas nos Seminários de TV por Assinatura (STA).

TODAS AS ATENÇÕES VOLTADAS PARA CÁ Com grandes novidades, presença maciça de público qualificado e mercado em franca expansão, a enorme repercussão na mídia é característica natural da ABTA. Não fique de fora. Alie sua marca a um evento que é também campeão de audiência.

REALIZAÇÃO

ORGANIZAÇÃO

PATROCÍNIO STA

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Samuel Possebon

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Cabo de guerra Proposta de criação de cotas para a TV por assinatura cria disputa entre grupos nacionais e programadores estrangeiros. tem fôlego para ir adiante. O PL 29/2007 é a proposta de reforma no marco legal do setor de TV por assinatura. A inovação do projeto é que, além de abrir o mercado de TV paga às empresas de telecomunicações, o PL 29/2007 também cria a figura inédita das cotas para produção nacional e conteúdo brasileiro nas operações de TV paga (ver box). O assunto é tão polêmico e tão significativo, que nos primeiros meses do ano a temperatura subiu entre os programadores internacionais, o deputado Jorge Bittar (PT/RJ), relator da matéria, programadores nacionais e produtores de conteúdo (veja matéria a seguir). Por outro lado, os grupos de comunicação nacionais começaram a assumir simpatia pela idéia. “Apoiamos o modelo canadense, que prevê 50% de conteúdo nacional em qualquer operadora de TV por assinatura. Queremos que esse conteúdo seja produzido por aqui, independente da origem do capital que esteja por trás”, diz Frederico Nogueira, diretor geral da Band, que além da TV aberta e das rádios está presente no mercado de TV paga com três canais (BandNews, FOTOs: DIVULGAÇÃO

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polêmica das cotas de programação para programadores e conteúdos nacionais, que podem ser implementadas no setor de TV por assinatura, tem dois lados bem definidos. De um lado, grupos de mídia nacionais, que apóiam a idéia de uma reserva de mercado ao conteúdo produzido no Brasil. Do outro, os programadores internacionais e a ABTA, que alegam que o aumento de custos para bancar a idéia das cotas inviabilizaria o mercado. O que pode acontecer se uma idéia em tramitação no Congresso Nacional tem o apoio de grupos de comunicação como Globo, Abril e Band? O que pode acontecer se estas idéias contam com a simpatia, ou pelo menos a nãoobjeção, de grupos econômicos como Embratel, Telefônica, Oi e Brasil Telecom? E se somado a isso há um apoio bastante forte do poder Executivo? Esses são alguns dos elementos que permitem dizer que o PL 29/2007 tem grandes chances de ser aprovado mesmo em 2008, um complicado ano para o Legislativo em função das eleições municipais no final do ano. É isso que faz os deputados Walter Pinheiro (PT/BA), Jorge Bittar (PT/RJ) e Julio Semeghini (PSDB/ SP), três dos mais atuantes parlamentares no setor de comunicações, acreditarem que a idéia

“As cotas surgem como uma alternativa, por falta de uma solução melhor à dificuldade de distribuição que o conteúdo nacional enfrenta nas operadoras de TV paga”. André Mantovani, da Abril

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BandSports e Terra Viva) e ainda é sócia da TV Cidade, uma operadora de porte médio. “A Abril entende que as cotas surgem como uma alternativa por falta de uma solução melhor à dificuldade de distribuição que o conteúdo nacional enfrenta nas operadoras de TV paga. Existe um bloqueio de fato, e a proposta das cotas ajuda a romper este bloqueio”, diz André Mantovani, diretor geral do grupo TV, unidade da Abril responsável pela MTV e pelos dois canais pagos do grupo, o FizTV e o Ideal. A reserva de mercado a que Mantovani se refere é a Globo, que é acionista das duas maiores operadoras de TV por assinatura (Net Serviços e Sky) e distribui os canais pagos da Globosat por meios destas operações, principalmente. O mesmo ponto é criticado pela Band. “Hoje temos três canais e não conseguimos distribuí-los em todas as operações”, diz Nogueira. “A figura de um ‘gatekeeper’ é muito ruim”, diz, referindo-se à Net Brasil, empresa ligada ao grupo Globo que faz a ponte entre os programadores nacionais e as operadoras associadas, entre as quais a Net Serviços e a Sky, que representam a maioria da base de assinantes nacional. Apesar do clima antagônico, a Globo se alinha aos demais grupos e também entende que a idéia de cotas para programação nacional na TV paga é um ponto positivo do PL 29/2007. “A idéia de ter cotas para programação nacional nos agrada porque é fato que existe assimetria competitiva e que os canais


internacionais encontram condições muito melhores de disputar o mercado do que os canais brasileiros. Nós não temos a escala que eles têm”, diz Alberto Pecegueiro, presidente da Globosat. Sobre as críticas de que a Globo dificulta a distribuição dos demais programadores nacionais, Pecegueiro lembra que a decisão de distribuir ou não um canal é apenas da operadora, e que a Globosat não exerce nenhum veto ou ingerência sobre essa escolha. “O fato é que estamos há mais de 15 anos no mercado com os nossos canais, e há anos não lançamos nenhum canal novo porque entendemos que há uma limitação em função do tamanho do mercado. Se alguém chega com um canal novo na praça, tem que justificar aos operadores que vale a pena distribuí-lo”, diz. Concorrência Este ponto talvez seja o mais complicado ao deputado Jorge Bittar na relatoria do PL 29/2007. Como encontrar o equilíbrio em relação às questões concorrenciais? A proposta original do deputado é que isso fosse arbitrado pela Ancine. Agora, ele já pensa em deixar a Ancine apenas como instrutora em processos que correriam, naturalmente, no Cade. Outro problema que Bittar terá que enfrentar é a questão da cota de conteúdo nacional dentro dos canais existentes, dispositivo que parece não ter a simpatia dos programadores nacionais. “Queremos que a cota preveja canais nacionais, não que parte do tempo de todos os canais tenha que ser de conteúdo brasileiro. Isso seria intervencionismo em atividade privada”, diz Frederico

atendida, em tese, pelos grandes grupos de comunicação brasileiros. Grupos que, aliás, também estão confiantes de que a demanda por conteúdo nacional será suprida. “Não tenho dúvidas que conseguiremos atender com sobra a demanda criada pelas cotas, desde que haja garantias de distribuição”, diz Frederico Nogueira. “A TV por assinatura costuma ter uma visão de curto prazo, mas não pode se resignar em ter sempre apenas este conteúdo hoje ofertado. É preciso acreditar que há mercado para mais conteúdo nacional e abrir espaço para isso”, diz Mantovani, da Abril. Para ele, uma política de cotas, ainda que não seja a ideal, força o distribuidor a subsidiar o surgimento de novos conteúdos. As atividades de fomento são subsídios de Estado. “O ideal é misturar as

”Não tenho dúvidas que conseguiremos atender com sobra a demanda criada pelas cotas, desde que haja garantias de distribuição.” Frederico Nogueira, da Band

Nogueira, da Band. Outro programador brasileiro, que prefere não se identificar, é ainda mais crítico: “as cotas internas, dentro dos canais, para conteúdos brasileiros, são um absurdo. É intervencionismo desnecessário”. Outro ponto: os grupos de mídia brasileiros, sobretudo a Globo, ainda insistem que os limites para a participação das empresas de telecomunicações no mercado de produção sejam equivalentes aos limites que o capital estrangeiro tem para

Outro problema que Bittar terá que enfrentar é a questão da cota de conteúdo nacional dentro dos canais existentes, dispositivo que parece não ter a simpatia dos programadores nacionais. participar do mercado de radiodifusão: 30%. E a tendência é que o deputado Jorge Bittar acate este limite, mudando sua proposta original, que apenas impedia o controle de grupos de telecomunicações em atividades relacionadas a conteúdos. Já a discussão sobre o que é produção independente, isso deve ser mais complicado. “Eu pretendo manter a definição adotada até aqui, que define como independente aquele conteúdo que não é produzido por grupos ligados à empresa que faça a distribuição”. O paradoxo é que, por esta definição, a programação dos canais Globosat é independente quando distribuída pela Telefônica, por exemplo. Ou passarão a ser independentes na Net se um dia a Globo diminuir sua presença societária na operadora. Da mesma forma, os canais e conteúdos da Abril são independentes em operadoras que não sejam ligadas a ela. O mesmo vale para a Band ou Record. Com isso, a cota de programação independente poderia ser

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duas coisas. Tem que começar de alguma forma, mas invariavelmente vai doer mais para alguém”. Sobre os incentivos financeiros que o PL 29/2007 prevê, aliás, Frederico Nogueira é quase indiferente. “Nós não queremos caridade. Queremos é espaço para o conteúdo produzido no Brasil”. Alberto Pecegueiro, da Globosat, vai na mesma linha: “Até hoje produzimos sem incentivos, que aliás são dados aos programadores internacionais no Brasil, e mesmo assim temos a preferência do telespectador”. Jorge Bittar não está sozinho em sua batalha. Tem o apoio do novo presidente da Comissão de Comunicação da Câmara (deputado Walter Pinheiro, veja entrevista nesta edição), do ex-presidente da comissão, Júlio Semeghini (PSDB/ SP), que também é um incentivador da idéia, e do Palácio do Planalto, que discretamente costura com a

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Ancine e com a Anatel o apoio e orientação ao projeto conduzido por Bittar. As teles, que receberão o sinal verde para controlar empresas de TV por assinatura, também estão animadas com a proposta. E a discussão, assim, deve chegar ao Senado no mês de abril com um bom nível de entendimento. Nesse ritmo, deve passar sem problemas. As contas irão fechar? Os fios entre Bittar e o setor de TV por assinatura já estavam desencapados desde o ano passado, quando a ABTA saiu atacando publicamente a idéia de uma cota para canais brasileiros em operações de TV paga. A ABTA é a mais importante a associação setorial, reunindo operadores e canais, mas não está sozinha. Há também a ABPTA, que congrega os programadores internacionais, que tem posição semelhante, e a TAP, que reúne em nível regional os mesmos programadores. O incêndio, contudo, veio com o estudo apresentado pela ABPTA e pela Sky em fevereiro. Foi a primeira vez que alguém se dispôs a fazer as contas e tentar avaliar o impacto econômico das cotas sobre o mercado de TV paga. A empresa Pezco Pesquisa e Consultoria, contratada pelos programadores e pela Sky, fez a conta de quanto custaria produzir o conteúdo demandado pelas cotas. O que a Pezco fez foi usar os parâmetros de custo de produção adotados pela Ancine, excluir os canais que já cumpririam as cotas (caso elas estivessem vigentes) e estimar o número de horas necessárias para atender a demanda dos demais canais. Sabendo o número de horas necessárias para preencher as cotas, é possível estimar quanto elas custariam. Esta foi a metodologia utilizada. O resultado é o seguinte: as cotas demandariam, no primeiro

“Até hoje produzimos sem incentivos, que aliás são dados aos programadores internacionais no Brasil”.

FOTOs: glauber queiróz

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Alberto Pecegueiro, da Globosat

ano de vigência, R$ 850 milhões em investimentos na cadeia. No segundo ano, R$ 1,66 bilhão. No terceiro, R$ 2,5 bilhões, até chegar a um acumulado de custo para se cumprir os patamares colocados em lei de R$ 3,3 bilhões no quarto ano, segundo as contas da Pezco. Aí começam as polêmicas. O deputado Jorge Bittar rebate, e diz que o estudo da Pezco assume que todo o conteúdo que preencherá o espaço aberto pelas cotas terá que ser produzido do zero. “É preciso considerar que hoje já existe muito conteúdo independente, muito conteúdo em acervo, muito conteúdo já em produção e que nem tudo precisa ser inédito”, explica Bittar. “O desafio de formar novos atores, especialmente produtores e programadores que promovam ainda mais a cultura nacional no segmento de televisão por assinatura não se resolve com cotas ou com restrições artificiais, mas sim com incentivos econômicos adequados”, conclui o levantamento da Pezco.

Quais são as cotas

Estas são as cotas que o PL 29/2007 estabelece, até o momento (isso pode mudar até o próximo substitutivo, que seria apresentado após a Páscoa): 1) Entre os canais qualificados (filmes, séries, infantis, documentários e variedades), todos devem ter 10% de conteúdo nacional e independente. 2) Ainda entre os canais qualificados, 30% deles devem ter pelo menos metade de seu conteúdo nacional (seguindo a definição de conteúdo nacional adotado pela Ancine) e 25% deles devem ter conteúdo nacional e independente (ou seja, produzido no Brasil e por alguém que não tenha vínculos com a operadora). 3) Dos canais qualificados, metade deve ser programada por programadoras nacionais e 30% devem ser programados por programadora nacional independente.

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Não é o que pensa o deputado, que defende a sua proposta. “É um mecanismo que obteve grande sucesso na Europa e que efetivamente ajuda a estimular a produção nacional, porque cria uma demanda pr este conteúdo e garante a distribuição”, diz Bittar. Aliás, Bittar e a Pezco divergem sobre os resultados das políticas de cotas adotadas em diferentes países, mas isso é tema para outra reportagem. O estudo da consultoria prefere apostar em formas de financiamento e fomento ao conteúdo, alegando que o impacto econômico para que a demanda por conteúdos seja atendida pela indústria ocasionaria aumento da assinatura paga pelo consumidor de TV paga. Se as contas da Pezco estiverem corretas, o aumento do valor da assinatura passa a ser preocupante, com percentuais variando de 144% nos pacotes básicos mais simples a 82,6% nos pacotes básicos mais completos. Aumentando o valor das mensalidades, diz a Pezco, diminuise o potencial de mercado. E a estimativa é de que o mercado se retraia em até 1,5 milhão de assinantes até 2010. Bittar rebate veementemente esta projeção: “Primeiro, porque certamente o investimento na produção nacional não será bancado apenas pela TV por assinatura, já que toda esta produção terá outras janelas. Depois, porque o PL 29/2007, somado aos outros mecanismos já existentes, colocará R$ 500 milhões ao ano na produção de conteúdo para TV paga. E, por fim, porque o estudo da Pezco não considera que o mercado crescerá com a entrada das empresas de telecomunicações no mercado, e elas têm acesso direto hoje a 35 milhões de lares”, diz o deputado. Mesmo assim, ele acena com um alívio, e pretende


diminuir a cota de paridade entre canais nacionais e estrangeiros a partir de um determinado nível de empacotamento. “Além dos pacotes básicos e intermediários, não faz sentido exigir que haja sempre um percentual mínimo de canais nacionais”, reconhece Bittar. Segundo Frederico Turolla, um dos autores e coordenador do estudo da Pezco, existe um fator que deve ser observado que é o quanto o usuário está disposto a pagar por conteúdos que ele já conhece (conteúdos de prateleira) e quanto ele está disposto a pagar se o conteúdo que já existe nos canais pagos for trocado por outros tipos de conteúdo (por exemplo, o novo conteúdo nacional). “Nossa percepção, com base nas análises do comportamento dos assinantes, é que para não correr o risco de enfrentar desconexões, as operadoras precisariam investir em conteúdos novos e de qualidade. Para fazer isso, seriam necessários investimentos, o que levaria a um aumento da assinatura, e isso pode levara a desconexões”. “Eu não entendo de onde pode vir a idéia de que os canais com conteúdo nacional não terão interesse do assinante. Hoje, os canais brasileiros estão entre os mais assistidos. Cerca de 70% da audiência da TV paga vai para os canais abertos, que têm essencialmente conteúdo nacional”, contra-argumenta Bittar. Crise internacional A discussão sobre cotas na perspectiva dos argumentos econômicos pode nunca ter fim. Sempre haverá um argumento em favor de uma perspectiva ou de outra. Por isso mesmo é que o debate é político. A outra variável que surge nesse momento, portanto, é até que ponto a legislação brasileira pode

influenciar em um mercado essencialmente privado, como é o mercado de TV paga. “O problema maior desta política é que ela interfere na liberdade que o programador tem de fazer seu canal como preferir. O programador zela pela qualidade dos programas, ele faz a grade da forma como acha mais interessante e oferece ao mercado. Se o mercado compra, não tem porque mudar”, diz Sean Spencer, presidente da TAP Latin America, associação que reúne os principais programadores internacionais. Para Spencer, caminhos como os que existem no Artigo 39 da MP 2.228/2007, que criou a Ancine, são mais eficientes. Por este mecanismo, a programadora internacional pode reservar parte do que pagaria de Condecine sobre as remessas ao exterior para co-produzir localmente. “Levamos um bom tempo negociando o Artigo 39, que agora ganhará o reforço do artigo 3A da Lei do Audiovisual”, lembra Spencer, mencionando

encaminharam a todos os ministérios com voz ativa em relação à questão (Cultura, Comunicação, Casa Civil, Fazenda e Desenvolvimento), além da Embaixada do Brasil em Washington, cartas de conteúdo duro, contestando a falta de transparência do governo no trato desta questão. As associações ameaçavam, caso medidas como “criação de contribuições obrigatórias para os setores de programação estrangeira de TV por assinatura e de publicidade, bem como a instituição de quotas mínimas de programação local para os operadores de TV a cabo” fossem adotadas contra a indústria audiovisual norte-americana sem que os estúdios e programadoras fossem ouvidos, desistir do mercado brasileiro, suspender a venda de programação e, mais grave, recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC). Como se não bastasse o tom das cartas, elas ainda foram com cópia para o United States Trade Representative (USTR), o poderoso órgão de comércio exterior norte-americano. Hoje, levar a questão para a OMC está descartado, já que os países têm o direito de impor restrições a bens culturais estrangeiros. A MPA também não está participando de nenhum tipo de pressão, já que a discussão do PL 29/2007 não passa pelo cinema e a associação está desarticulada no Brasil. Mas ainda assim os canais estrangeiros estão mantendo as autoridades dos EUA informadas sobre os acontecimentos. “Não chegamos ainda no ponto de buscar ajuda das autoridades internacionais porque acreditamos que o deputado Jorge Bittar estará aberto ao diálogo, assim como pelo menos mais 13 deputados que se dispuseram a entender o problema dos programadores”, diz Spencer, sem descartar nenhuma possibilidade.

“Hoje, os canais brasileiros estão entre os mais assistidos. Cerca de 70% da audiência da TV paga vai para os canais abertos, que têm essencialmente conteúdo nacional.” Jorge Bittar (PT/SP), relator do PL 29

mecanismo semelhante que converte parte do Imposto de Renda em fundos para a co-produção. “Por que não esperamos todos estes mecanismos estarem funcionando de forma combinada antes de criar uma regra como a das cotas?”, pergunta Spencer. Há alguns anos, mais precisamente em meados de 2001, o mercado de programadores internacionais viveu uma situação muito parecida. Foi quando o governo FHC e o GDIC (grupo que à época buscava soluções para o desenvolvimento da indústria do cinema) discutiam a medida provisória que criou a Ancine. Naquela ocasião, a MPA (Motion Pictures Association, a poderosa associação dos estúdios de cinema dos EUA) e a TAP

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Com a pauta cheia FOTO: glauber queirós

Em entrevista exclusiva, o novo presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados explica como se dará o debate sobre a política de comunicações este ano.

Dep. Walter Pinheiro (PT/BA)

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lugar por que passam os principais atos normativos do setor de mídia e telecomunicações. É lá que se realizam os principais debates, na forma de audiências públicas. É por lá que passam os maiores projetos do setor, e é ali que são realizadas as negociações setoriais. Uma comissão pode não ter poder de regular o dia-a-dia do mercado ou fiscalizar as empresas, como a Anatel, mas tem o poder de colocar um debate em pauta, convocar

deputado Walter Pinheiro (PT/BA), novo presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados (CCTCI), tem uma grande missão pela frente. A última vez que o PT ocupou a presidência da comissão foi em 1992, quando a então deputada Irma Passoni (PT/SP) esteve à frente do órgão. Trata-se do

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ministros e, é claro, criar leis. Pinheiro assumiu a presidência da comissão em um ano complicado por dois motivos: primeiro, porque é um ano eleitoral, o que toma praticamente todo o segundo semestre, em que o Congresso pára. E depois porque neste ano passam pela comissão nada mais do que três assuntos de imensa importância: o PL 29/2007, que está revisando as regras do setor de TV por assinatura e adaptando parte do marco regulatório atual das telecomunicações ao ambiente convergente; a proposta de revisão das regras do setor de telefonia para permitir a fusão entre operadoras (idéia que vem no encalço da possibilidade de uma fusão entre Brasil Telecom e Oi) e; o processo de renovação das outorgas de broadcast que expiraram em outubro 2007, o que inclui as cinco concessões da TV Globo (Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Recife), TV Bandeirantes (em Belo Horizonte) TV Record (Rio de Janeiro), SBT (Rio de Janeiro) e mais sete emissoras de médio porte. Nesta entrevista, Walter Pinheiro mostra que suas prioridades à frente da comissão passam por praticamente todos estes temas relevantes. TELA VIVA Quais são as prioridades que a Comissão de Comunicação deve ter ao longo deste curto ano eleitoral? WALTER PINHEIRO Temos a vantagem de que no ano passado muitos temas importantes já foram encaminhados aqui dentro. As coisas não foram resolvidas em 2007, mas se adiantaram, e isso facilita a nossa


vida. Podemos, portanto, deliberar. Há a questão da convergência, que é fundamental e que envolve o projeto 29/2007 e o relatório do deputado Jorge Bittar; tem a questão das empresas de telecomunicações, com a banda larga em redes 3G, a fusão entre Brasil Telecom e Oi e a revisão da LGT. Aliás, esse é um ponto crucial, até pela própria pressão da tecnologia, que perpassa o terreno da inclusão digital. O governo parece que resolveu dar uma tacada decisiva nessa área, com a universalização da banda larga e da TV digital... O que tem a TV digital a ver com inclusão digital? Os próprios radiodifusores não se vêem como agentes desse processo de inclusão. Se TV digital fosse só para fazer TV, por que o sujeito trocará o televisor dele? Se não se combinar TV digital com inclusão digital, será um erro. Temos também que priorizar a racionalização do uso dos fundos da área de telecomunicações, como Fust, Fistel, Funttel. O Fistel, por exemplo, tem que ser melhor utilizado para melhorar o trabalho de fiscalização de rádios comunitárias, de acompanhamento de concessões de TV, e isso não é feito. A questão não é só reduzir o Fistel. É um fundo que está hoje financiando também a Ancine, o Bittar está colocando ele como financiamento para a produção de conteúdo, eu utilizei o fundo para financiar a TV pública (Pinheiro relatou a MP que criou a TV Brasil). É um fundo que pode fazer uma diferença imensa para os setores de comunicação e não faz nenhuma diferença para o superávit. Essa é uma discussão para a agenda desse ano. E para a área de radiodifusão? Qual a prioridade? É aí que entra a nossa discussão sobre a democratização. Está mais do que na hora de fazer a Conferência Nacional de Comunicações, que precisa sair para este ano ainda, em novembro, dezembro no máximo. Nessa conferência é que poderemos

discutir com as bases do país as propostas do governo para os diferentes áreas das comunicações. O problema é que existe uma certa paranóia de que se pretende discutir as concessões de TV, para cassar as concessões da Globo, Bandeirantes... Bobagem, precisamos é fazer a leitura das carências, arrumar a questão das rádios comunitárias, porque tem muita distorção. Tem rádio comunitária com dono, o que é um absurdo, por exemplo! Tem a questão das TVs educativas, que também são abusadas principalmente por políticos.

Ministério das Comunicações para o acompanhamento e análise desses processos de renovação, de todos eles, e isso passa pela questão do uso ineficiente, por exemplo, do Fistel, que é o fundo de fiscalização. O ministro Hélio Costa vive reclamando, com razão, que não tem gente. Aí a documentação chega para a gente incompleta, pouco criteriosa em relação ao que poderia ser, sem um trabalho ativo de ir aos locais saber se as outorgas estão funcionando de forma regular. O Minicom reclama que não tem dinheiro para digitalizar os processos, desde os novos pedidos até as renovações. E mesmo aqui na comissão já tive que pedir para diminuírem minha sala para poder colocar mais papel desses processos. Falamos em inclusão, quarta geração do celular, e nós aqui na idade não da

Mexer nesses pontos significa alterar o marco regulatório da radiodifusão, não? Pois é, e aí voltamos para a velha discussão sobre a Lei de Comunicação, que ficou inevitável até pela questão da convergência, da TV digital... As coisas estão ficando mais próximas entre a

“existe uma certa paranóia de que se pretende discutir as concessões, para cassar a concessão da globo, bandeirantes. isso é bobagem”. radiodifusão e as telecomunicações, mas as duas coisas estão separadas na Constituição, e isso é que fez com que ficasse congelada ao longo desses anos a questão da Lei de Comunicação.

pedra, mas do papel. Outro ponto é o rito processual. Foi algo que a subcomissão especial criada para tratar dessa questão apontou. Temos que colocar as sugestões da subcomissão em um regulamento para essa área. Tem coisas que podem ser melhoradas, temos que reler o relatório da deputada Maria do Carmo (PT/MG), arrematar o trabalho e estabelecer não apenas um conjunto de sugestões, como fizemos, mas transformar isso em regras.

A proposta de mexer nessas questões vem do Executivo ou é algo que o Congresso deva fazer por sua conta? O Executivo obrigatoriamente vai ter que mandar, porque há exigências constitucionais. A Conferência Nacional de Comunicações pode dar subsídios para que o executivo se coloque nessa discussão. Então não vai ser algo para a minha gestão. A Lei Geral de Comunicação precisa começar este ano, para que aconteça antes do presidente Lula ir embora em 2010.

O senhor considera importante que o Congresso analise a renovação de todos os tipos de outorgas? Não, até porque não analisa, né? Não conseguimos fazer uma análise criteriosa. Até o modelo de votação é complicado, as votações são em bloco, com 30 itens em uma mesma batelada. Não é que não haja instrução preliminar, mas apenas raramente, quando existe alguma desconfiança, é que se pinça um processo específico e se olha mais

O que significa para a comissão o debate sobre a renovação de concessões das grandes redes? O senhor está satisfeito com a forma como a Câmara e o Executivo têm trabalhado esses processos? Primeiro, vamos ver que existe uma grave falta de estrutura na Casa Civil e

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( capa ) atentamente o que está lá. Esse rito de análise das concessões pelo Congresso, que foi criado para dar segurança, está completamente distante dos objetivos. A comissão acaba não fazendo um bom trabalho, dá o carimbo, a chancela para que as empresas e o governo digam que aquilo foi ratificado pelo Congresso Nacional e aí não tem o que reclamar. Isso precisa ser revisto, os processos têm que ser acompanhados pela sociedade, o que é democratizar o processo. E especificamente sobre a renovação das concessões dos grandes grupos? Do ponto de vista técnico, não diferem em nada de qualquer processo de renovação e estão protegidas por dispositivos legais que a Comissão de Comunicação não pode revogar. Mas há implicações políticas. Houve já desde o ano passado pressões da sociedade por audiências públicas, debates sobre o tema, e isso vai continuar na ordem do dia. Tem o debate sobre a democratização, uso dos canais, o debate sobre a produção cultural, regional. Há um componente político, sem dúvida. E ainda tem gente que associa esse processo ao que o Chavez fez (ao cancelar a concessão da rede venezuelana RCTV), gente que é contrária e gente que é a favor. Isso esquenta a discussão. A gente não pode se deixar levar por esse tipo de pensamento nem por esse medo, mas isso não significa deixar de fazer o debate sobre o papel que essas grandes redes de televisão têm para o país, desmistificar algumas idéias. Eu sei que a TV brasileira contribui muito para a difusão da cultura nacional, para a língua. Isso é até uma contribuição esperada por alguém que ganhou uma concessão pública. Pior seria se não tivesse feito isso. Por isso tem que aproveitar o debate da renovação para discutir como extrair mais dessa TV enquanto instrumento educativo e cultural.

“se a tv digital for só tv, pra que o sujeito vai trocar? não combinar a tv com inclusão digital será um erro”. O senhor vê a radiodifusão como um serviço público? Sim, público, mas não estatal. Ela tem que atender o interesse público, mas não deve ser prestada só pelo Estado. Mesmo a radiodifusão privada, comercial, tem um caráter público. Ela não pode ter o só objetivos privados se é algo que está na essência do funcionamento da sociedade. Dá para combinar o caráter público e a exploração da atividade como negócio. Eu não tenho nenhum problema com isso. Por exemplo, seria um erro fazer todas as TVs do Brasil parte da rede da nova TV Brasil. Isso não contribuiria em nada para democratizar a sociedade. Mas que qualquer emissora de TV tem um caráter público, isso é inegável. Que avaliação o senhor faz das duas agências atuantes na área de comunicações, a Anatel e a Ancine? Foram experiências positivas, mas eu sou muito crítico em relação aos papéis desempenhados por elas. No caso específico da Anatel, acho que a gente precisa republicanamente consolidar o

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conceito de agência como instrumento da sociedade, e não como instrumento do negócio. Ela regula o mercado, ela se mete no negócio, orienta os marcos, mas tem que olhar para o cidadão comum. Será que o cidadão enxerga a agência como um instrumento dele? A agência também não deve servir só para multar. Ela tem que se antecipar, tem que enxergar onde é que pode aparecer um problema e corrigir em tempo. Ela tem que ser uma agência reguladora, e não registradora de multas. O mesmo vale para a Ancine, que tem uma turma muito boa, por sinal, mas que precisa ser um instrumento para que a produção cultural se enxergue. Ela tem que ser um instrumento capaz de fomentar, de ajudar a sociedade. O que acontece é que o cidadão não enxerga a agência e ela não consegue ser capilar o bastante para chegar ao cidadão. E o governo, este governo especificamente, aprendeu a lidar com as agências? Não, acho que não. Tem ainda muito preconceito. Há um exemplo: a Anatel perdeu um conselheiro que eu reputava como um dos mais competentes e preparados, que era o conselheiro José Leite. Para ele continuar na agência, precisaria ir para um terceiro mandato. Por diversas vezes, falamos que era uma das pessoas com quem o governo deveria conversar, mas ainda assim, algumas pessoas enxergavam Leite como alguém do governo passado. O governo Lula está melhorando um pouco nessa visão, mas ainda existe essa cultura. Outra coisa é que o governo tem que resolver melhor os papéis da agência e do governo. Aliás, nesse aspecto a responsabilidade também é nossa, do Congresso, na medida em que a Lei das Agências está conosco para ser discutida. Quem sabe se a gente discutisse a questão aqui logo o governo não ficasse tão receoso. Espero inclusive que até 2010 o governo Lula coloque o conselheiro que está faltando na Anatel (risos). Samuel Possebon


( radiodifusão )

Humberto Costa

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O pulo do gato de Ratinho Apresentador investe pesado na renovação do SBT no Paraná. Rede Massa entra no ar em março apostando no jornalismo, com o dobro de horas de programação regional, mas sem inspiração no dono.

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expressão “café no bule”, popularizada por Ratinho, significa ter muito cacife para realizar alguma coisa, e parece definir bem a pretensão da rede que o alter ego do comunicador está montando no Paraná. Em cinco meses, o empresário Carlos Massa desembolsou R$ 70 milhões na aquisição e em um ano vai gastar mais R$ 10 milhões na reestruturação das afiliadas do SBT no Estado. O histriônico apresentador, fora da grade de programação da emissora de Silvio Santos desde o final do ano passado, como empresário da comunicação quer ir além do também famoso patrão. “A meta é ser o maior do Paraná em dois ou três anos”, aponta Carlos Amorim, diretor artístico e de programação da Rede Massa, novo nome da rede comprada do Grupo Paulo Pimentel. Ratinho planeja um vôo alto a partir de uma base razoavelmente sólida. O grupo Paulo Pimentel é composto de quatro geradoras nas principais cidades do Paraná (Curitiba, Foz do Iguaçu, Londrina e Maringá) e tem 171 retransmissoras. “Nosso sinal é o único que chega a 100% do Estado. A Rede Paranaense/Globo tem o dobro de geradoras, mas não tem o mesmo alcance”, cutuca Sok Lee, diretor técnico da Rede Massa. Além da ampla área de cobertura, é uma emissora conhecida pelos paranaenses, está no ar há quarenta anos. Mas para entrar na nova fase será fortemente remodelada. “Nós estamos

trocando quase tudo, vamos aproveitar no máximo 30% da estrutura existente. Por exemplo, os equipamentos para transmissão são relativamente novos, quatro anos em média, e é possível utilizá-los bem ainda. Assim como as câmeras de estúdio e os switchers”, afirma Lee. Mesmo assim, é praticamente como montar uma nova emissora. Estúdios foram construídos nas quatro praças. Já foram compradas dez câmeras Sony PD 170 e outras dez estão em negociação. Também foi iniciado o trâmite de importação de dez câmeras XD Cam, para captação de reportagens mais elaboradas. O fluxo de trabalho já era em edição não-linear e ganha reforço de novos servidores e o programa de finalização adotado é o Final Cut. A automação do jornalismo inclui ainda o software AP ENPS, o mesmo usado pela cabeça de rede. A emissora que tinha sérias limitações para entradas ao vivo, agora aumenta o cardápio de possibilidades.

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Uma unidade móvel de jornalismo dotada de uplink está sendo montada, o que permite transmissões em tempo real de qualquer ponto do Paraná. Por enquanto é alugado, mas o rol de aquisições contempla também um helicóptero Robinson que permite ao repórter intervenções da cabine ao lado do piloto. O preço estimado da aeronave é de R$ 1,5 milhão. “O uplink e o helicóptero ficarão em Curitiba, mas a idéia é deslocá-los para aquela praça que mais estiver precisando, em sistema de rodízio, um dia em cada lugar. O que está acontecendo é a padronização e integração das operações”, explica Sok Lee. Os investimentos não deixam dúvida, a Rede Massa quer demarcar território com telejornalismo. Será a espinha dorsal da nova programação, que estará no ar a partir de 17 de

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( radiodifusão ) “Queremos ser a maior rede do Paraná em dois ou três anos.”

FOTO: DIVULGAÇÃO

março. Para se ter idéia, o número de jornalistas nas quatro geradoras pulou de 38 para 130. São 25 equipes de reportagem espalhadas pelo Estado. O salto é substantivo. “Nós estamos nos preparando para uma operação grande. Hoje a produção está em torno de duas horas diárias, vai para quatro, e queremos chegar a seis horas”, planeja Carlos Amorim, profissional experiente, ex-diretor nacional de jornalismo Band, responsável pela implantação do “Domingo Espetacular” na Record. Amorim é parceiro de Ratinho de longa data e na Rede Massa é o diretor responsável pelo conteúdo, inclusive jornalístico. Um dos carros-chefe será o matutino “Jornal da Massa”,

Carlos Amorim, da Rede Massa

integração do Estado, com jornalismo muito presente”, explica Daniel Pimentel Slaviero, diretor executivo da Rede Massa e que também é presidente da Abert, Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e TV. A Rede Massa quer fazer o bolo crescer logo. O planejamento de metas e investimentos foi feito para os próximos dois anos. A emissora quer se lançar também no horário nobre, o mais lucrativo da TV. “Queremos uma hora de programação na faixa das 18h à meia noite. Planejamos uma segunda

A emissora está montando unidade móvel com uplink, que permitirá transmissões a partir de qualquer ponto do Estado.

FOTO: DIVULGAÇÃO

exibido das 7h às 8h, o dobro da duração atual. O telejornal terá as reportagens exibidas a partir da TV Iguaçu em Curitiba e terá conversas entre os âncoras de cada praça, o que não existia. O outro telejornal estadual é a “Tribuna da Massa” (12h25 às 13h40), que prevê uso intenso dos recursos para intervenções ao vivo dos repórteres. Na seqüência, entra no ar o “50 Segundos”, um programa focado em reportagens curtas de comportamento, inclusive de notícias internacionais, mas que pode voltar-se para uma cobertura do dia no caso de uma notícia de grande impacto. A grade ainda tem produção local de esporte em Curitiba e uma revista feminina matutina nas demais praças, que poderá ter uma versão na capital também. “A diretriz do Ratinho é valorizar as coisas do Paraná, a

edição do “Jornal da Massa” que ocuparia os dois últimos segmentos do ‘Aqui Agora’, que podem ter conteúdo local. Estamos estudando um programa de grandes reportagens, o ‘Massa Repórter’. Também pode surgir algo na linha de shows”, revela Amorim. O novo SBT paranaense também se prepara para fincar bandeira no território que notabilizou Silvio Santos, o domingo. Três programas serão exibidos pela manhã. “Negócios da Terra”, pautado no agronegócio. O “Armazém da Massa”, que não nega inspiração em Rolando Boldrim, e pretende explorar a interatividade com o público em concursos de música regional. Para completar o cardápio, antes da hora do almoço, o “PR Aventuras”, com reportagens sobre as rotas do turismo radical

”A meta em 2008 é crescer 16% no faturamento anual.” Daniel Pimentel Slaviero, da Rede Massa

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no Estado. Ratinho X Massa Goste ou não do estilo, é inegável que Ratinho já tem espaço reservado na história da TV brasileira na galeria dos grandes comunicadores. Começou esbravejando e dando pancadas de cassetete na bancada em meio a reportagens policialescas na obscura CNT na década de oitenta. Pulou para a Record e chegou ao SBT onde consolidou seu estilo circense, que mistura show, humor de gosto duvidoso e generosas porções de jornalismo sensacionalista. Será o estilo do dono fonte de inspiração para a Rede Massa? “Ratinho não tem nada a ver com esta TV aqui. O Carlos Massa tem a ver com esta TV. Será uma TV popular, mas elegante, bonita, que terá também grande linha de shows, iluminação moderna”, dissipa dúvidas Carlos Amorim. “Nada a ver o estilo do apresentador, do artista, com o estilo e a visão do empresário. Uma coisa não é atrelada com a outra”, completa Daniel Pimentel Slaviero. A ordem é deixar claro que o sensacionalismo passa longe da linha editorial do grupo. “Faremos um jornalismo comunitário, de prestação de serviços”, sentencia Slaviero. Ratinho realiza no Paraná seu sonho de ser empresário da comunicação (veja box). Conhecido pelas opiniões fortes, hoje prefere o silêncio. Dá sinais de estar em plena metamorfose, quer divulgar mais sua imagem pública de Carlos Massa. Cultua a discrição, inclusive no modo de administrar os negócios. “Ele é absolutamente consciente de seu papel de empresário, não se envolve no diaa-dia. O presidente executivo do grupo dá as diretrizes para o cotidiano da empresa”, revela


Daniel Pimentel. Diferentemente do patrão Silvio Santos, Ratinho não parece estar interessado, por enquanto, em ser a estrela da própria emissora. Não cogita fazer nenhum programa na Rede Massa. Nem poderia, porque o contrato em vigor com o SBT exige exclusividade. O foco é dar vazão aos anseios expansionistas. O que se fala na Rede Massa é que a operação montada transcende o Paraná. Ratinho estaria preparando o terreno para o próximo passo, controlar emissoras no interior de São Paulo, um vigoroso mercado e ainda com bom espaço para o crescimento. Não está claro se o negócio implicaria em novas aquisições ou disputar concessões. Silvio Santos tem hoje afiliadas em apenas cinco cidades do Estado (Santos, Campinas, Ribeirão Preto, Sorocaba e Jaú). Disputa O modelo de negócios do SBT divide o intervalo comercial em metade com propagandas nacionais e metade local. É aí que a Rede Massa quer dar o pulo do gato. “Nós vamos fazer um trabalho forte de aproximação com os clientes. Vamos oferecer novas oportunidades, formatos especiais. A meta em 2008 é crescer 16% no nosso faturamento anual que está na casa dos R$ 40

Ratinho na Rede TV! No litoral paranaense, em Paranaguá, Ratinho dá mais um tacada na construção de um conglomerado de emissoras no Estado. O apresentador também é dono de uma geradora que foi inicialmente batizada de TV Massa Litoral e depois ganhou novo nome, TV Serra do Mar, numa tentativa de não confundir dois negócios diferentes. A TV Serra do Mar é tida como outro projeto de comunicação do grupo. A emissora hoje retransmite a programação de infomerciais do “Shop Tour” e leva ao ar dois telejornais, um na hora do almoço e outro à noite. Não será integrada ao SBT no Paraná. Na verdade, se prepara para se integrar à Rede TV!, o que deve acontecer em sessenta dias.

milhões”, faz as contas o diretor executivo Daniel Pimentel. Lucros impulsionados pelo Ibope. Ao

lugar”, afirma Carlos Amorim. A Record ainda não era um incômodo para o antigo Grupo Paulo Pimentel. “Nós somos segundo lugar absoluto. O objetivo é crescer ainda mais na participação do número de ligados, saltar o share da faixa de 18% a 22% para 30% até o final do ano”, pontifica Daniel Pimentel. Resta saber se Ratinho vai manter na Rede Massa o tom provocador dos tempos em que exibia audiência turbinada. Nessa época, a banda do programa executava a trilha do “Jornal Nacional” e o apresentador subia ao ponto mais alto de um pódio armado no palco. A estripulia foi batizada de “a dança do primeiro lugar”. Talvez a afinação do empresário Carlos Massa seja menos barulhenta, mas pelas metas estipuladas, igualmente ousadas. Do gênero “roendo pelas beiradas”. E

executivos garantem que a emissora não terá o estilo do apresentador. contrário do SBT, que tenta a duras penas recuperar o segundo lugar de audiência em São Paulo, no Paraná, Ratinho herdou uma emissora bem posicionada. “Em Foz do Iguaçu, o jornalismo da manhã chega a ter o dobro de audiência da Globo. Em Curitiba, a programação local da hora do almoço muitas vezes empata no primeiro

capaz de contagiar seus colaboradores mais próximos. “Os prédios das emissoras que eram do grupo Paulo Pimentel são grandes, bem estruturados, tinham muito espaço ocioso. Agora está ficando tudo ocupado, é muito bom. Nós estamos trabalhando feito uns alucinados, mas estamos


( making of )

Lizandra de Almeida

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fotos: divulgação

Com o tempo a seu favor

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passagem do tempo – e as conquistas que isso traz – é o tema de dois novos filmes criados pela Neogama/BBH para o Bradesco Prime. Em ambos, de 45’, uma locução diz que quando se é pequeno, o tempo é grande; e quando se é grande, o tempo fica pequeno. No primeiro filme, um garotinho está na praia e entra no mar, onde nada com um golfinho. O tempo passa, ele cresce e vira um executivo super atarefado. Mas como conquistou a categoria Prime, pode manter sua amizade com os golfinhos, praticando seu hobby: fotografia submarina. “Logo que vi o roteiro, comecei a me perguntar como filmaria isso. O garoto interage com os golfinhos e seria muito legal poder fazer isso ao vivo. Mas começamos a pesquisa e descobrimos que no Brasil ninguém nada com golfinhos, é proibido. Encontramos um aquário com cinco golfinhos em Mar del Plata, na Argentina, onde isso poderia ser feito, mas venceu a opção de usar a composição, reunindo imagens filmadas do menino com imagens de arquivo”, conta o diretor João Caetano Feyer. “Precisávamos de imagens subaquáticas de ótima qualidade, em 35 mm, então pesquisamos nos acervos da BBC e da National Geographic. A partir das imagens, fizemos o shooting board do filme

Menino é filmado em uma praia em Arraial do Cabo (RJ) e graças à montagem com imagens da BBC e National Geographic mergulha com golfinhos. No outro filme, meninas brincam em jardim cujo céu foi construído em pós-produção.

para levar à reunião de pré-produção. Analisamos cada imagem para descobrir com que lente tinha sido filmada, e assim poder reproduzir as mesmas condições na filmagem do menino.” O menino foi então filmado em uma praia em Arraial do Cabo, no litoral do Rio de Janeiro. As imagens dele embaixo da água foram feitas em uma piscina profunda, para mergulhos. “Não queríamos uma piscina muito limpa, para que os azulejos não ficassem aparecendo no fundo”, explica. Na hora da com­posição, optou-se por recortar o menino e aplicá-lo nas imagens de arquivo. O segundo filme mostra três amigas em um lindo jardim, à noite. Elas se acomodam sob as estrelas, para observar o céu. Já adulta, uma delas volta ao mesmo lugar, dessa vez com as duas filhas pequenas, e as três se deitam na grama para ver as constelações. “O filme poderia ser executado de várias formas, mas achei que para que esse momento fosse realmente

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marcante, um momento que uma mulher se lembrasse depois de 25 anos, ele tinha de ser mágico, como um ritual. Como tenho três filhas mais ou menos na mesma faixa etária, pensei nelas fantasiadas, vivendo uma aventura.” Em vez de um simples gramado, João Caetano optou por um jardim colorido. “Encontramos esse jardim

ficha técnica Cliente Bradesco Produto Prime Criação Bruno Souto e Alexandre Gama Dir. de Criação Alexandre Gama Produtora Mixer Direção João Caetano Feyer Fotografia Alex Sernambi Produção Equipe Jodaf Montador Tony Tiger Pós-Produção Tribbo Post Finalização Equipe Mixer Trilha: Música “Time is on my side” (Jerry Ragovoy) Regravação Tentáculo


de Burle Marx na serra de Teresópolis, que já tinha todas essas cores. Filmamos à noite e essa foi a grande dificuldade, já que estávamos trabalhando com cinco crianças com menos de seis anos. Um fog baixou sobre o jardim às sete e meia da noite e só foi embora à meia-noite. A filmagem acabou acontecendo da uma às quatro da

manhã e precisamos manter as crianças acordadas e dispostas a atuar.” Uma ampla pesquisa de figurino foi feita para compor as imagens da primeira parte do filme, que se passa há cerca de 25 anos. “As crianças estão fantasiadas, mas houve uma pesquisa para definir essas fantasias e as cores da época.” Um plano do alto mostra as personagens deitadas e flores brancas

foram colocadas em volta, simulando as estrelas. O céu foi todo feito em pós-produção. “É muito difícil filmar o céu. Se usarmos uma velocidade muito baixa na câmera, ele tende a ficar azulado. Então é melhor construir. Mas de qualquer forma, é complicado achar o tom correto, o brilho das estrelas, o quanto elas piscam.”

O oriente é aqui

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em só de refrigerantes vive a Coca-Cola. Agora, a marca também é grife de roupas. E o filme criado pela JWT para divulgar a idéia é um clipe no mínimo insólito. Com uma versão de dois minutos de duração, o clipe está no ar na Internet, mas deve sacudir os espectadores de televisão muito em breve. Como diria Renato Russo, tratase de uma “festa estranha, com gente esquisita”. Ambientado em um pseudo país oriental, o clipe tem uma música cantada em uma língua inventada. Uma idéia tão insólita quanto a de a Coca-Cola ter uma marca de roupas. No filme, ninguém aparece tomando refrigerante. A ação é resultado de um licenciamento de marca da Coca-Cola, feito há quatro anos, e que agora chega ao mercado. A produção buscou referências nos filmes de Bollywood, a indústria cinematográfica indiana, com toques de outras culturas orientais. Tudo filmado em São Paulo e arredores. “Recebemos o briefing de criar um videoclipe que parecesse feito num país estranho, alguma coisa entre o Leste Europeu e a Índia. Com pessoas estranhas dançando e cantando numa língua estranha, mas vestindo roupas legais”, explica Miriam Lima, atendimento da produtora.

“Nosso grande desafio foi encontrar essas locações em São Paulo e um elenco que tivesse cara de Bollywood”, continua. Parte do filme foi captada em uma pedreira em Barueri, cidade da região metropolitana de São Paulo. O templo chinês existe em Parelheiros, distrito no extremo sul da cidade. “As filmagens aconteceram em duas diárias, com cerca de 40 pessoas atuando. Foram feitas várias trocas de roupas e, a cada momento, havia uma palheta de cor diferente.” Um carro de boi, patos, bodes e um ônibus antigo, tipo jardineira, ajudaram a compor a paisagem. O resultado é realmente um filme que causa estranheza. “Todo mundo acha que o filme foi feito fora. Tínhamos que achar o equilíbrio entre a qualidade da produção e o resultado, que tivesse uma cara de mal feito mas não fosse”, diz Miriam. “O público-alvo do filme são os formadores de opinião, as pessoas que dissipam o gosto, quem é muito ligado em tudo. Por isso pudemos ousar mais e foi muito gratificante que a Coca-Cola nos escolhesse para esse projeto especial”, afirma o diretor de criação Roberto Fernandez. “A filosofia do nosso trabalho criativo aqui na agência é que a propaganda, hoje, precisa ser também um entretenimento. Porque ela não tem só a concorrência com outras marcas e outras propagandas, mas precisa disputar o tempo livre de pessoas que hoje fazem várias coisas ao mesmo tempo. E isso tem tudo a ver com esse projeto.”

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Produção buscou referência nos filmes de Bollywood para comercial de roupas da marca Coca-Cola.

ficha técnica Cliente Produto Agência Criação Direção de criação Produção Direção Fotografia Direção de arte Montagem Finalização Trilha

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Coca-Cola Coca-Cola Clothing JWT Laércio Regner, Rondon Fernandes Mário D’Andrea, Roberto Fernandez O2 Filmes Heitor Dhalia Lito Mendes Cássio Amarante Jair Peres O2 Filmes Dr. DD


(mercado)

Lizandra de Almeida

l i z a n d r a @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Culinária ítalo-brasileira FOTOS: divulgação

Baixo orçamento e co-produção italiana são a receita de “Estômago”. Esta matéria faz parte de uma série que Tela Viva publica mensalmente, explicando o desenvolvimento de projetos audiovisuais bem sucedidos, sob o ponto de vista do modelo de negócios e do financiamento.

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om estréia prevista para 11 de abril de 2008, o longa-metragem “Estômago”, de Marcos Jorge, é um filme de baixo orçamento com co-produção Brasil-Itália, e já tem garantida sua distribuição internacional pela Elle Driver, filial da distribuidora Wild Bunch. O filme, protagonizado por João Miguel, conta a história de Raimundo Nonato e suas passagens por três cozinhas – de um boteco, de um restaurante italiano e de uma prisão. O projeto começou em 2003, quando o roteiro do filme foi desenvolvido. Como o diretor Marcos Jorge e a produtora executiva Cláudia da Natividade trabalharam na Itália durante a década de 1990, viu-se a oportunidade de envolver um parceiro de produção italiano. Marcos trabalhou com cinema, publicidade e filmes institucionais, e Cláudia fez pós-graduação em história e relações internacionais, e trabalhou com o desenvolvimento de projetos de cooperação internacional. O roteiro foi apresentado a representantes da produtora Colorado Films em 2004, quando ainda não se sabia como seria o financiamento da produção no Brasil. Os produtores italianos se interessaram pela história, que fala de gastronomia e discute a dessacralização da alta cozinha. A partir desse interesse inicial, foram feitas algumas adaptações ao roteiro

Filme foi o primeiro a usar acordo bilateral de 1974.

para que o filme se tornasse mais interessante para o mercado italiano. A produtora brasileira, então, começou a pesquisar a existência de mecanismos legais de co-produção com a Itália, até chegar ao Acordo de Co-produção Cinematográfica Brasil-Itália, de 1974. A legislação existia, mas não havia jurisprudência. “Pouco conseguimos recolher de informações ou suporte para a utilização do acordo”, explicou Cláudia no relatório enviado à Agência Nacional de Cinema (Ancine), depois do encerramento do projeto. No final de 2004, o projeto de “Estômago” foi um dos vencedores do edital de produção de baixo orçamento do Ministério da Cultura, o que garantiu o orçamento da parte brasileira da produção. Como o edital de baixo orçamento não permite a captação de outros recursos por meio de leis de incentivo, esse foi todo o recurso aportado no Brasil. Segundo Cláudia, enquanto a possibilidade de utilização do acordo

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ainda estava sendo estudada pela produtora, os contatos na Colorado Films decidiram deixar a empresa e abrir uma produtora própria, levando consigo o projeto. Isso aconteceu em 2005 e, em 2006, o Ministério da Cultura deu seu aval para que a co-produção fosse levada adiante, considerando que não haveria outro aporte de recursos federais. O orçamento do filme ficou dividido, então, em 50% para cada parceiro. No mercado internacional, a receita também será dividida nessa proporção. “O acordo de co-produção internacional entre o Brasil e a Itália nunca tinha sido utilizado antes. Estudei vários meses o acordo e fiz uma série de consultas sobre o possível ‘modo de operação’ junto à Ancine e ao Ministério dos Bens Culturais italiano antes de chegar a um desenho de produção que pudesse ser realizado considerando os limites


do próprio acordo de co-produção. Várias facilidades previstas no acordo, entre elas a transferência de fluxos financeiros entre os países para produção e o deslocamento de negativo, nunca foram efetivadas e, por isso, tive que fazer um contrato que servisse mais ao próprio contrato do que à produção”, explica a produtora executiva. Tarefas divididas Diante disso, a produção optou por dividir o projeto em duas etapas, cada uma sendo realizada em um país: a pré-produção e captação seriam feitas no Brasil, com os recursos do edital de B.O. E a finalização seria feita na Itália, a cargo da Indiana Production Company. “A divisão de competências funcionou perfeitamente no nosso caso, porque os co-produtores se conheciam de longa data. Mas não podemos esquecer que esse arranjo estratégico pode ser potencialmente arriscado, porque uma divisão de competências tão determinada significa uma limitação de poder de decisão da parte não envolvida diretamente neste ou naquele processo. No nosso caso, acabou favorecendo o país responsável pela finalização, que só comprometeu recursos quando tinha certeza da qualidade do material filmado”, continua Cláudia. Depois que as duas produtoras entraram em acordo em relação ao conteúdo do contrato, foi preciso

Roteiro com romance e comida agradou aos italianos.

a Ficha Técnic Estômago

Longa-metragem asil-Itália, (Co-produção Br 2’, 2007) 11 , m m 35 ficção, Jorge s Direção: Marco oras: ut od pr as Empres rasil) e Indiana (B es Zencrane Film pany (Itália) Production Com ram e os há os que devo a vid Sinopse: Na nato, No do un im dos. Ra que são devora caminho um re ista, descob nosso protagon s de um ha zin co s na é E ha. à parte: ele cozin de e no lia restaurante ita boteco, de um abar ali? – ac ra pa z fe ele que uma prisão – o história. E e sua intrigante que Nonato viv ciedade so da as gr re e as também aprend s. Regras do ra vo m ou são de dos que devora mesmo os u favor, porque que ele usa a se sua parte – er m direito a co cozinheiros têm uém, qual é ais do que ning e eles sabem, m infantil da na a Uma fábul a parte melhor. ia. ár lin cu a e xo se sobre o poder, o rane.com.br ões: www.zenc Mais informaç

para a Itália para fazer a intermediação e o internegativo em 35 mm foi um dos processos operacionais mais complicados de todo o trabalho. Depois tudo se resolveu inclusive com a intervenção da própria Embaixada italiana no Brasil, mas o transporte do negativo gerou um stress totalmente desnecessário e um atraso na finalização do filme.” Para Cláudia, o fato de os co-produtores italianos já serem conhecidos da equipe brasileira não foi determinante para o fechamento do contrato de co-produção. “O roteiro do filme é bom e trabalhamos no filme com temas universais, como a comida, o sexo e o poder. Um bom roteiro é a base de todo bom projeto e desperta o interesse de qualquer produtora do mundo. Além disso, existe um interesse da Itália pelo Brasil e vice-versa.” Ela acredita, porém, que o conhecimento prévio do país foi fundamental. “Acho importante saber como funciona e como é organizado socialmente o país com quem você faz uma parceria comercial tão intensa quanto a realização de um longa-metragem. O envolvimento é muito longo e a quantidade potencial de problemas que pode surgir pela simples falta de entendimento de outra cultura é muito grande.”

mais de um ano, quando o filme estava na última fase de finalização”, compara a produtora. Burocracia alfandegária Mesmo com todos esses cuidados, na hora de enviar o material filmado para finalização na Itália, ainda surgiu um grande problema internacional. “A Receita Federal brasileira, assim como o fisco italiano, prevêem facilidades para a entrada

”Levar a matriz para a Itália foi um dos processos mais complicados do trabalho.” Cláudia da Natividade, produtora

encaminhar toda a documentação para a Ancine e, na Itália, para o Ministério dos Bens Culturais. Isso foi feito, como previa o Acordo, um mês antes do início das filmagens. “No Brasil, quando nossa solicitação chegou à Superintendência de Fomento da Ancine, a aprovação inicial aconteceu muito rápido. Na Itália, mesmo cumprindo todas as exigências, a aprovação demorou

de obra audiovisual para fins de exibição não-comercial, em regime de importação temporária. É o que acontece, por exemplo, no caso de festivais. Mas não há facilidades previstas para o envio ou recebimento de negativo revelado, fruto de co-produção internacional, a ser submetido a algum processo laboratorial no outro país. Levar a matriz do negativo 16 mm

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( produção )

Fernando Lauterjung

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Risco diluído Depois do mercado de longas, seguradoras aumentam ofertas para produções publicitárias.

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médico e de vida para os trabalhadores. Para o caso de funcionários fixos, “as empresas que não tiverem seguro de vida para seus empregados, contratarão um seguro de vida e de acidente de trabalho para cobrir riscos de viagem em serviço e/ou unidades externas. Esse seguro não poderá ser inferior a R$ 23,2 mil”, estabelece o acordo entre o Sindicine (Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Cinematográfica do Estado de São Paulo) e o Siaesp (Sindicato da Indústria Audiovisual do Estado de São Paulo). Para contratação temporária, o seguro deve garantir indenização mínima de R$ 115.953,55, em caso de morte acidental ou invalidez permanente por acidente; R$ 63.049,62 em caso de morte por qualquer causa e; R$ 12.609, 91 para assistência médica e despesas complementares. Além deste seguro obrigatório, há aqueles exigidos por parceiros. “As distribuidoras costumam exigir o seguro por erros e omissões”, explica o produtor Caio Gullane. Trata-se de um seguro que cobre reclamações por quebra de direitos autorais ou de patentes, invasão de privacidade, difamação escrita ou verbal, plágio e outras quebras de contrato especificadas que se originem do uso de obras literárias, musicais ou outros materiais na produção. Normalmente, o período de cobertura é de três anos, com limites de indenização de US$ 1 milhão por ação isolada e um limite agregado de US$ 3 milhões

FOTOS: divulgação

anificar uma peça do figurino de um filme antes mesmo dela ser usada em alguma gravação é algo que pode acontecer. Ainda na linha de possíveis desastres na produção, um ambiente usado como cenário pode incendiar-se antes do fim das filmagens. Em casos como estes, o produtor vai se considerar um sortudo se tiver confiado no argumento de venda de um corretor de seguros. Os dois casos, aliás, são exemplos de sinistros ocorridos em produções seguradas pela Generali. O vestido danificado era assinado por Jean-Paul Gaultier e foi substituído pela seguradora, que gastou € 7 mil para repô-lo. Em outro caso, a seguradora gastou € 400 mil na reconstrução de uma lanchonete que pegou fogo. O lugar era usado como cenário em um filme. Outros exemplos envolvem a construção de um modelo do Empire State, porque o acesso ao edifício para filmagens havia sido proibido logo após o 11 de setembro de 2001; ou ainda os custos para maquiar um cavalo para que parecesse uma zebra, já que uma epidemia na África do Sul impediu a presença do animal selvagem no set. No Brasil, uma grande produtora perdeu uma câmera de 35 mm durante uma filmagem. O equipamento caiu de uma embarcação no Rio de Janeiro. Em outro caso brasileiro, as armas usadas em um filme foram roubadas nas filmagens em uma favela. O único seguro exigido por força de lei é o seguro

“A demanda da publicidade vem crescendo. De novembro para cá, fizemos 50 apólices.” Ricardo Minc, da Brasil Special Risks

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durante o período do seguro. Outro caso de exigência de algum tipo de seguro é quando é feito um completion bond (garantia de conclusão) do filme. Trata-se de um contrato entre o produtor e um garantidor que garante aos investidores e financiadores que um projeto será concluído em tempo e dentro do orçamento. Por regra, este garantidor exige uma apólice “all risk”. Tudo incluso Um seguro “all risk” custa entre 1% e 2% do valor total de uma produção e pode poupar muita dor de cabeça para o produtor. As seguradoras dizem que o volume de contratos vem crescendo, mas que ainda existem longas em produção sem esse tipo de seguro. “A maioria dos longas tem seguro de produção, mas não todos”, diz Ricardo Minc, da Brasil Special Risks, representante da Generali no Brasil. Alguns ainda não contratam “porque algumas produtoras pensam que é muito caro”, diz Juliana Santos, executiva da carteira de entretenimento da Chubb. O pacote traz seguros considerados essenciais por muitos produtores. Os principais pontos deste tipo de apólice cobrem o não comparecimento do elenco; negativo; despesas extras; equipamentos; sets, guarda-roupas e adereços; bens de terceiros; responsabilidade civil; roubo de valores e veículos de cena. Destes, o produtor Caio Gullane destaca o de não comparecimento do elenco e o de negativo. O primeiro protege o produtor pelas perdas caso uma das pessoas


seguradas seja impedida (por morte ou enfermidade) de começar ou concluir seu trabalho. Gullane diz que já recebeu uma indenização por este tipo de seguro, por conta de um profissional que ficou doente durante as filmagens de “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias”. “É algo que a gente usa em última instância. O seguro paga pelas diárias paradas, mas há um desgaste na equipe por causa da pausa”, explica. “Sempre seguramos cinco profissionais, que é o máximo permitido”, diz o produtor. Geralmente, o elenco segurado é formado pelo diretor e pelos atores principais. Vale destacar, a regulamentação das profissões de artista e de técnico em espetáculos de diversões garante que o profissional, comparecendo na hora e no lugar da convocação, deve receber o salário integral, “mesmo que o trabalho não se realize por motivo independente de sua vontade”. Além disso, a mesma regulamentação diz que “na hipótese de trabalho executado fora

reposição de equipamentos danificados até o acesso a cuidados médicos por parte da equipe.

“Os comerciais hoje têm valores muito altos para fazer sem seguro.” Juliana Santos, da Chubb

diminuem o risco da seguradora. “As filmagens arriscadas podem encarecer o seguro”, explica Juliana, da Chubb. “O uso de animais selvagens, filmagem submarinas ou aéreas, ou ainda filmagens acima de 2 mil metros de altura encarecem o seguro”, diz Ricardo Minc. O seguro de não comparecimento também é um dos que mais influenciam no preço da apólice. “Quando o elenco segurado tem mais de 70 ou menos de nove anos, o custo sobe”, diz Minc. Juliana diz que a seguradora costuma oferecer exames médicos para o elenco segurado. “Assim, o produtor e a seguradora ficam mais tranqüilos”, diz. Esta cláusula pode elevar significativamente o seguro de alguns documentários. “Quando a obra é sobre um personagem, a produção fica dependente da disponibilidade desta pessoa”, justifica Ricardo Minc.

Publicidade Tanto a Chubb quanto a Generali apostam no aumento do volume de produções para publicidade. “Antigamente, os comerciais eram mais baratos. Hoje podem custar mais de R$ 500 mil, é um valor muito alto para fazer sem seguro”, diz Juliana Santos. Segundo ela, já houve um aumento na demanda nos últimos meses. “O interesse por contratos anuais vem crescendo”, diz. Os contratos anuais foram a maneira que a seguradora encontrou para atender à dinâmica do mercado publicitário. “Fazemos uma análise da produtora, chegando a uma taxa percentual fixa sobre cada projeto”, explica a executiva. A partir daí, a produtora pode contratar o seguro por fax, garantindo sua cobertura mesmo que a produção comece no dia seguinte. Minc concorda que a demanda vem crescendo. “De novembro para cá, fizemos 50 apólices”, diz. Os comerciais estrangeiros, filmados no Brasil por meio de contrato de production service com uma empresa local, foram os primeiros a usar seguro de produção. Mas o mercado de filmes locais também já está adotando o serviço. Segundo Minc, existem pacotes de R$ 1 mil para a publicidade. “A burocracia dificultava muito este tipo de seguro, por isso criamos um site para este mercado”, afirma. Pelo site, o cliente pode orçar e contratar a produção. Mesmo assim, os longasmetragens representam atualmente 80% dos seguros de produções audiovisuais. “Prefiro pagar para não usar”, diz Caio Gullane.

Um seguro “all risk” custa entre 1% e 2% do valor total de uma produção e pode poupar muita dor de cabeça para o produtor. do local constante do contrato de trabalho, correrão à conta do empregador, além do salário, as despesas de transporte e de alimentação e hospedagem, até o respectivo retorno”. No caso do seguro de negativo, a seguradora indeniza as perdas que sejam resultado de dano, roubo ou destruição do suporte utilizado para a filmagem. Ou seja, no caso de um negativo arranhado, a seguradora pagará por sua recuperação em uma finalizadora ou pela refilmagem da cena. Custos O custo do seguro está ligado não apenas ao valor da produção. Existem fatores que aumentam ou

O seguro de negativo também pode influenciar bastante no preço. “Produções feitas em vídeo têm o seguro mais barato”, diz o representante da Generali, explicando que a película é um suporte mais sensível que as mídias usadas na aquisição em vídeo. No caso das produções feitas em filme, Juliana diz que a freqüência com que a produtora leva o filme ao laboratório também pode influenciar. “O seguro fica mais barato se a produtora leva os negativos para o laboratório diariamente, pois neste ambiente ele estará menos sujeito a acidentes”, explica. A produção em locações remotas também é levada em conta no orçamento do seguro. Neste caso, é considerado desde o tempo para

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( publicidade)

Daniele Frederico

d a n i e l e @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Internet cai no gosto dos anunciantes Empresas experimentam a rede como mídia e descobrem que ela pode ser mais eficiente para melhorar a relação com o consumidor do que os meios convencionais.

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FOTOS: eduardo lopes

om métricas pouco precisas e modelos de negócios indefinidos, a Internet vinha ficando para trás na corrida pelas verbas publicitárias que os anunciantes dedicam à divulgação de suas marcas. Se depender da vontade desses anunciantes, no entanto, esse cenário pode mudar em breve. Eles têm buscado compreender melhor o comportamento de seus consumidores e têm notado a importância da Internet em suas vidas. As experiências com a mídia digital foram apresentadas durante os painéis realizados no Proxxima 2008 – Encontro Internacional de Comunicação Digital, que aconteceu nos dias 11 e 12 de março em São Paulo. O exemplo mais claro da percepção dos anunciantes em relação à Internet foi dado durante o painel “Ad 2.0 – O que Vale a Pena e Por Quê?”, pelo gerente de produto Skol, da Ambev, Leonardo Byrro, que contou que uma experiência para conhecer os hábitos do consumidor, chamada por ele de safári, “abriu os olhos” da empresa para as mídias digitais. “Passamos algum tempo com jovens de 19 anos da Cidade de Deus, Rio de Janeiro, e perguntamos a eles sobre seus hábitos de TV. Eles disseram que só assistem TV para ver os jogos do Flamengo”, observa Byrro. “Ao mesmo tempo, são jovens que têm celular e sempre encontram um jeito de acessar a Internet. Eles

Painel Ad 2.0, no Proxxima: tendência é aumentar os investimentos online.

utilizam ferramentas como o ‘messenger’ e participam das redes sociais”, diz. Segundo Byrro, foi depois dessa pesquisa que a Skol aumentou o percentual da verba de mídia destinada a Internet de 1% para 5%, em um período de cerca de dois anos. Com uma campanha interativa, o site da empresa saiu de 200 mil para 1,4 milhão de page

relacionamento dele com as marcas, as agências de publicidade têm sido obrigadas a deixar de olhar apenas para os meios capazes de lhes proporcionar lucros exorbitantes, e propor soluções criativas para essas necessidades. “Mudamos a nossa forma de fazer campanhas. Agora, a primeira coisa na qual pensamos é

“O que importa não é a classe social. É qual o conteúdo que vamos passar para essas pessoas”, diz Byrro. views. “Recebemos mais de mil vídeos feitos pelos usuários”, diz. “Quem quer se reaproximar do consumidor hoje tem de entender como a sua marca se encaixa nesse comportamento”, explica. Neste cenário, no qual os anunciantes realizam pesquisas para chegar ao conhecimento sobre os hábitos do consumidor com o objetivo de melhorar o

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qual é o comportamento do consumidor nessas novas mídias”, afirma Byrro. Segundo o gerente de produto da Skol, na pesquisa feita em campo, a agência acompanhou o trabalho, para criar em sintonia com as descobertas. “A agência participou do processo desde o início para


buscar pontos de contato com o consumidor pela Internet. Agora, todas as nossas ações precisam ter um espaço para que o cliente possa se expressar”, diz. Para todas as classes A pesquisa da Skol serviu para mostrar à empresa e à agência com a qual trabalhavam, que a televisão não é, necessariamente, a forma mais eficiente de chegar ao consumidor. Mesmo que este esteja nas classes mais baixas da população. “O que importa não é a classe social. É qual o conteúdo que vamos passar para essas pessoas”, diz Byrro. O diretor de novos negócios da Oi, José Luís Volpini Mattos, exemplifica a afirmação de Byrro com o caso das operadoras de telefonia celular, que inicialmente acreditavam que os serviços de valor adicionado deveriam ser direcionados para as classes A e B. Ele diz que em uma conversa, descobriu que uma pessoa de classe C, por exemplo, não baixava música no celular porque o tipo musical que gostava, neste caso pagode, não estava disponível na operadora. “O uso do serviço está mais ligado à cultura do que à capacidade de pagamento”, diz.

Apocalipse

A publicidade e os meios tradicionais podem estar próximos do fim. Este foi, resumidamente, o tom da apresentação do colunista da Advertising Age Bob Garfield, que abriu o Proxxima 2008. “Publicidade não é conteúdo. É algo que fica no caminho entre o espectador e o conteúdo”. Os hábitos do consumidor estão mudando, e nesse contexto até mesmo a TV broadcast pode desaparecer, segundo o crítico de publicidade. Ele rebate a afirmação de que nenhum meio de comunicação desaparece devido ao surgimento de outro. “Como dizem por aí, o rádio não desapareceu com o surgimento da Bob Garfield: a TV televisão. Porém, ele sofreu muitas mudanças, e deixou de ser o aberta está perto do fim entretenimento do horário nobre das casas das pessoas”, afirma. Garfield diz ainda que não só o rádio, mas também a indústria fonográfica foi fortemente atingida pela revolução digital. “O iPod já revolucionou duas indústrias para pior”, acredita. Neste cenário, a televisão broadcast também estaria fadada ao fim. E Garfield acredita que este fim pode estar mais próximo do que se imagina – cinco anos, em média. “Não acho que este meio sobreviverá, porém, caso sobreviva, será em virtude dos eventos ao vivo, como esportes e shows”. A solução para salvar os publicitários? Trabalhar com marketing. “Os marketeiros ficarão bem. São eles que vão criar o engajamento com os clientes”, diz. “Já as agências só tem chances de sobrevivência como boutiques, não grandes corporações”, conclui.

Share Ainda que os anunciantes estejam dispostos a utilizar a Internet como mídia, a parcela da verba desses anunciantes destinada ao meio ainda é baixa. No caso da construtora e incorporadora imobiliária Cyrela, esse montante é de 4%, segundo o CIO e diretor de marketing corporativo da empresa, German Quiroga, presente no evento. Para a Fiat, conhecida por investir em campanhas que envolvem as mídias

digitais (como a do carro Fiat Adventure, que contou com filmes feitos exclusivamente para Internet pela O2 Digital, e o lançamento do Punto, realizado inicialmente pelo celular), o percentual destinado à Internet é de cerca de 10%, de acordo com a gerente de publicidade da montadora, Maria Lucia Antônio. Já a Petrobrás, segundo o gerente de publicidade e promoções, Luiz Antônio Vargas, dedica apenas 3% a essa mídia.


(upgrade ) Não-linear e multiformato FotoS: divulgação

Conteúdo organizado A Vizrt lançou a nova versão de seu sistema de gerenciamento de conteúdo, o Viz Ardome 4.6. Trata-se da base do sistema de gerenciamento de conteúdo criado pela Ardendo, que foi comprada pela Vizrt em 2006. O Ardome é o modulo responsável pelo gerenciamento e arquivamento do conteúdo. O portifólio da Vizrt para a área conta ainda com módulos para ingestão e playout, transcodificação, busca de conteúdo, edição. A nova versão melhorou o suporte à alta definição, podendo trabalhar de forma integrada com os sistemas de jornalismo mais difundidos, como o Avid iNews, a Associated Press ENPS, o Avstar, e o QNews. Assim como nas versões anteriores, o Ardome 4.6 trabalha de forma integrada com a solução gráfica Viz Content Pilot e o Final Cut Pro. Também pode se integrar a bibliotecas e servidores de outros fornecedores, como a Omneon. A solução facilita tarefas como detecção, aquisição e arquivamento do conteúdo e de seus metadados. Combinada com o transcodificador Viz Media Processor, o Ardome pode decodificar vídeo de forma mais rápida que tempo real para visualização do conteúdo em um desktop PC. Traz ainda suporte à importação e exportação de arquivos MXF e AAF. Fazem parte ainda da família de software para gerenciamento de conteúdo da Vizrt o Viz Dart, que agenda ingestão de conteúdo; Viz Upload e Viz Capture, estação para ingestão e controle de playout; Viz Media Processor, transcodificador; Viz PreCut e Viz EasyCut, edição baseada em vídeo proxy; Viz Media Logger, para arquivamento, e; Viz Engine, servidor de vídeo HD e SD de canais.

Edius 4.6: suporte à edição multicamadas para conteúdo HD.

Com o lançamento da nova versão do software da plataforma de edição broadcast Edius, a Thomson/Grass Valley passou a oferecer suporte para todos os formatos estabelecidos de aquisição sem fita. A versão 4.6 do Edius passa a oferecer suporte à edição em multicamadas para conteúdos HD gravados com o codec JPEG 2000, usado na linha de camcorders Infinity. Além disso, o suporte ao formato da Sony, o XDCam, também foi melhorado, suportando agora a nova família de camcorders EX. Segundo a fabricante, o Edius é o primeiro editor não-linear a se beneficiar da tecnologia SAM (da sigla em inglês Modo de Acesso Simples), da Sony, que permite que vídeos em baixa resolução possam ser usados em conjunto com áudio HD. A solução também suporta o formato P2, da Panasonic. A solução, que trabalha com formatos SD, HD, DV25 e MPEG, permitindo misturar diferentes padrões e formatos em uma mesma timeline, foi lançada em fevereiro, custando US$ 999. O upgrade para usuários das versões 4.x do Edius Broadcast é gratuita. Usuários do Edius Pro 4.x podem fazer o upgrade por US$ 409. Edição colaborativa A Thomson lançou, também em fevereiro, uma solução que leva a liberdade criativa do Edius a ambientes colaborativos, baseados em armazenamento compartilhado. Trata-se do sistema de edição Aurora Craft, desenvolvido para ser usado com os servidores de mídia Grass Valley K2. Incorporando todas as funções do antigo Aurora Edit, o Aurora Craft é voltado aos usuários já acostumados com a família de produtos Edius. A solução pode ser adotada gradativamente nos departamentos de edição de news, ou de uma vez só. O sistema conta com o mesmo pacote de codecs, mas com os efeitos em tempo-real do Edius, além de suporte SD/HD. O Aurora Craft deve chegar ao mercado no segundo trimestre de 2008.

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Com o Viz Ardome 4.6, é possível trabalhar de forma integrada com os sistemas de jornalismo mais difundidos.

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( agenda ) MARÇO

14 a 18 Fiap 2008 – Festival Iberoamericano de la Publicidad, Buenos

27 a 6/4 É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários, São Paulo,

Aires, Argentina.Tel.: (54-11) 4311-2242. E-mail: fiap@fiap.com.ar. Web: www.fiaponline.net

Rio de Janeiro, Brasília (DF), Porto Alegre (RS), Recife (PE) e Campinas (SP). Tel.: (11) 3064-7617. E-mail: info@etudoverdade.com.br. Web: www.itsalltrue.com.br

17 a 27 Hot Docs Canadian International Documentary Festival, Toronto, Canadá. Tel.: (416) 203-2155. E-mail: info@hotdocs.ca. Web: www.hotdocs.ca

ABRIL

13 e 14

5 e 6 MipDoc, Carlton Hotel, Cannes,

19 a 26 Curta-se: Festival Iberoamericano de Curtas-Metragens de Sergipe,

França.Tel.: (33-1) 4190-4580. E-mail: info.miptv@reedmidem.com. Web: www.mipdoc.com

Acaraju, SE.Tel.: (79) 3246-6265. E-mail: operacional@curtase.org.br. Web: www.curtase.org.br

7 a 11 MipTV/Milia, Palais des Festivals, Cannes,

23 a 25 Expo Convención Canitec,

França.Tel.: (33-1) 4190-4580. E-mail: info.miptv@reedmidem.com. Web: www.miptv.com

Cidade do México, México. Tel.: (52-55) 5481-8050. Web: www.canitec.org

10 a 17 18° Cine Ceará - Festival Ibero-Americano de Cinema, Fortaleza, CE.

28 a 3/5 Cine PE – Festival do Audiovisual,

7° Tela Viva Móvel Maior evento brasileiro dedicado à produção de conteúdos para celular. Frei Caneca Convention Center, São Paulo, SP.Tel.: (11) 3138-4660. E-mail: info@convergecom.com.br. Web: www.convergecom.com.br.

14 a 25 Festival de Cannes, Palais des Festivals, Cannes, França. Tel.: (33-1) 5359-6100. E-mail: festival@festival-cannes.fr. Web: www.festival-cannes.org.

Tel.: (85) 3264-3877. Web: www.cineceara.com.br

Recife, PE.Tel: (81) 3461-2765. Web: www.cine-pe.com.br.

11 a 17 NAB 2008, Las Vegas Convention

MAIO

18 a 20 NCTA – The Cable Show ’08, New Orleans, Louisiana, EUA.

Center, Las Vegas, EUA. Tel.: (1-202) 595-2052. E-mail: register@nab.org. Web: www.nabshow.com

2 a 6 Rose D’Or, Lucerne, Suíça.Tel.: (41-41) 242-

Tel.: (202) 222-2430. E-mail: thecableshow@ncta.com. Web: www.thecableshow.com

0907. E-mail: info@rosedor.ch. Web: www.rosedor.com

11 a 17 6° Festival de Cinema de Ribeirão Preto, Ribeirão Preto, SP.

13 a 23 L.A. Screenings, Los Angeles, Califórnia, EUA.Tel.: (818) 889-9188.

Tel: (16) 3625-3600. E-mail: festival@saopaulofilmcommission.com.br. Web: www.saopaulofilmcommission.com.br

E-mail: nlloyd_ceo@yahoo.com. Web: www.lascreenings.us

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22 a 30 15° Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá – Fronteiras, Cuiabá, MT. Tel.: (65) 3624-5331. E-mail: videocuiaba001@terra.com.br. Web: www.cinemaevideocuiaba.org

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Revista Tela Viva 180 - Março 2008