Page 1

televisão, cinema e mídias eletrônicas

ano 16_#175_set2007

as teles

Operadoras de telefonia estréiam no mercado de TV paga e esquentam a competição nos serviços convergentes. especial: um guia da migração para a nova fase da tv

entrevista Markun explica a aposta da TV Cultura na multiprogramação

negócios Transporte público ganha força como mídia audiovisual


Editorial Tela 175


Foto: marcelo kahn

(editorial ) André Mermelstein

a n d r e @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Presidente Diretor Editorial Diretor Editorial Diretor Comercial Diretor Financeiro Diretor de Marketing

Editor Tela Viva News Redação

Coordenadora de Projetos Especiais Sucursal Brasília Arte

Depar­ta­men­to Comer­cial

Gerente de Marketing e Circulação Administração Webmaster Central de Assinaturas

Rubens Glasberg André Mermelstein Samuel Possebon (Brasília) Manoel Fernandez Otavio Jardanovski Leonardo Pinto Silva

O

Fernando Lauterjung Daniele Frederico Fernanda Montano Humberto Costa (Colaborador) Lizandra de Almeida (Colaboradora) Letícia Cordeiro Mariana Mazza (Repórter) Carlos Edmur Cason (Direção de Arte) Debora Harue Torigoe (Assistente) Rubens Jar­dim (Pro­du­ção Grá­fi­ca) Geral­do José Noguei­ra (Edi­to­ra­ção Ele­trô­ni­ca) Bárbara Cason (Colaboradora) Roberto Pires (Gerente de Negócios) Patricia Linger (Gerente de Negócios) Iva­ne­ti Longo (Assis­ten­te) Gislaine Gaspar Vilma Pereira (Gerente) Gilberto Taques (Assistente Financeiro) Marcelo Pressi 0800 0145022 das 9 às 19 horas de segunda a sexta-feira

Internet E-mail

www.telaviva.com.br assine@convergecom.com.br

Redação E-mail

(11) 3138-4600 telaviva@convergecom.com.br

Publicidade E-mail Impressão

Quanto vale um set-top box?

(11) 3214-3747 comercial@convergecom.com.br Ipsis Gráfica e Editora S.A.

Tela Viva é uma publicação mensal da Converge Comunicações - Rua Sergipe, 401, Conj. 605, CEP 01243-001. Telefone: (11) 3138-4600 e Fax: (11) 3257-5910. São Paulo, SP. Sucursal Setor Comercial Norte - Quadra 02 Bloco D - torre B - sala 424 - CEP 70712-903. Fone/Fax: (61) 3327-3755 Brasília, DF Jornalista Responsável Rubens Glasberg (MT 8.965) Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias publicadas nesta revista, sem autorização da Glasberg A.C.R. S/A

debate sobre o início das transmissões digitais de TV aberta (ou melhor, da recepção, porque os sinais das principais redes já estão sendo transmitidos em São Paulo em regime de teste) marcou os dois grandes eventos da indústria de televisão que aconteceram em agosto, a ABTA 2007 e o congresso da SET. No centro da discussão está o receptor, seja ele um set-top box ou uma TV (monitor) com sintonizador integrado. O preço do equipamento, o interesse do público e suas capacidades técnicas são fonte de intermináveis discussões. Há quem ache que o começo da TV digital será igual ao começo da própria TV no Brasil, quando Assis Chateaubriand teve que importar receptores e instalá-los em locais públicos, para que as primeiras transmissões tivessem público. Será a volta dos “televizinhos”? Outros acham que, pelo contrário, o brasileiro, ávido por inovação, acorrerá às lojas desde as primeiras horas para comprar seu sistema de recepção. Entre os otimistas e pessimistas totais, tentamos decifrar um possível comportamento do público. O assinante de cabo e DTH, por exemplo, comprará mais uma caixa para receber o sinal aberto? Ou aguardará o já prometido set-top HDTV das operadoras? Como será esse set-top? Trará todos os canais HD, ou apenas os que a operadora decidir carregar? Ou ainda, será um híbrido de cabo/DTH e TV terrestre, como o modelo analisado pela Telefônica? E quanto custa, afinal, um set-top? Há a proposta da caixa de R$ 200, exibida com orgulho por Hélio Costa, mas que, como revelado por TELA VIVA, só pega os sinais de baixa definição destinados aos receptores móveis. Do outro lado a indústria nacional, em seu lobby por redução de impostos, afirma que por menos de R$ 800 ninguém assistirá à nova televisão. Não temos dúvida que a TV digital dará certo. Cedo ou tarde (até por força de lei), todos acabarão migrando para algum sistema de recepção. A preocupação é saber quanto tempo levará para que o sistema ganhe escala e permita realmente a criação de novos serviços. Enquanto isso, preparamos aos nossos leitores um suplemento especial, encartado nesta edição, com dicas e informações importantes para os broadcasters, sobretudo pequenos e médios, sobre a migração para o digital, abordando temas como o custo dos equipamentos, os prazos de transição e as fontes de financiamento. É mais uma contribuição para que o mercado se desenvolva da forma mais eficiente, para as empresas e para os usuários. ilustração de capa: carlos fernandes / gilmar

T e l a

V i v a

S E T 2 0 0 7

3


Ano16 _175_ set/07

(índice ) Capa

( cartas)

18

Serviços de TV das teles levanta discussões sobre questões concorrenciais

guia tela viva Sou assinante de TELA VIVA há anos e também recebo o GUIA TELA VIVA, excelentes ferramentas de trabalho. Gostaria de agradecer e parabenizálos pelo belo trabalho editorial e de pesquisa, vital pra quem vive o audiovisual no Brasil de agora. Apenas não entendi por que no Guia 2007/2008 nem a minha empresa nem o meu próprio nome foram publicados, se nos anos anteriores lá estavam.

Scanner

6

Figuras

14

Mercado

24

Entrada de novos players esquenta setor de TV por assinatura

Entrevista

28

Paulo Markun aponta os rumos da gestão na TV Cultura

Cordialmente, Guilherme Whitaker - WSET Multimídia – Rio de Janeiro

28

Artigo

32

O conteúdo brasileiro em debate no Congresso, por Marcos Bitelli

Guilherme, É gratificante para nós saber que o GUIA TELA VIVA tem cumprido seu papel de ser uma ferramenta útil para os profissionais do setor audiovisual. Gostaríamos de esclarecer que para a divulgação dos dados no GUIA TELA VIVA o profissional/empresa precisa se cadastrar diretamente pelo site www.telaviva.com.br e atualizar anualmente essas informações pelo site ou respondendo ao e-mail de atualização de cadastro que enviamos quando da preparação da nova edição impressa da publicação. Precisamos da confirmação das empresas como autorização para publicação dos dados. Todos os dados publicados no GUIA são necessariamente atualizados ao menos uma vez por ano. Embora não seja mais possível inserir seus dados e o de sua empresa no GUIA TELA VIVA 2008, podemos disponibilizar as informações na versão online. Basta acessar o link www.telaviva.com.br/guia e preencher os formulários de cadastro.

TV Digital

34

Fabricantes brigam por incentivos fiscais para set-top boxes

Suplemento TV digital

37

Conheça os desafios da transição 37

Audiência

53

Making Of

54

Negócios

56

Transporte público vira mídia para produção independente 62

Produção

60

DocTV torna-se modelo para outros países

Letícia Cordeiro Coordenadora de Projetos Especiais

Tela Viva edita as cartas recebidas, para adequá-las a este espaço, procurando manter a máxima fidelidade ao seu conteúdo. Envie suas críticas, comentários e sugestões para cartas.telaviva@convergecom.com.br

Upgrade

62

Agenda

66

Acompanhe as notícias mais recentes do mercado

telavivanews www.telaviva.com.br 4

T e l a

V i v a

s e t 2 0 0 7


( scanner ) Sky lança serviço para o mercado corporativo

Sem Internet O principal impeditivo para disponibilizar o conteúdo das programadoras pela Internet – como forma de contornar a pirataria e a distribuição ilegal – é a questão dos direitos das Gustavo obras, que devem ser Leme conseguidos junto aos produtores. Essa é a opinião de Gustavo Leme, da Fox, que diz também que existem problemas econômicos e tecnológicos para executar este tipo de ação. “Queremos manter a cadeia de janelas, ou seja, proteger primeiro a TV para depois pensar em outras mídias”, diz. “Além disso, temos que garantir, tecnicamente, que o conteúdo não seja usado sem controle”. Para combater a pirataria, Leme conta que a empresa tem trabalhado junto a associações, pensando em campanhas educativas sobre o tema. O executivo admite, porém, que essas campanhas têm focado especialmente na pirataria física e no furto de sinal. O que fazer para combater as trocas de arquivos via programas de compartilhamento, ainda não está claro.

A Sky lançou durante a ABTA a sua unidade de negócios dedicada ao mercado corporativo, a Sky Empresas. O novo serviço, comandado pelo diretor de aquisição e novos negócios da Sky, Marcelo Miranda, terá duas linhas de produto. A principal é a TV Corporativa, que oferece o serviço de transmissão de treinamentos, programas de marketing e outros conteúdos corporativos. Segundo o presidente da Sky, Luiz Eduardo Baptista, uma empresa pode comprar a transmissão de forma customizada, com uma, duas, ou eventualmente, 24 horas de transmissão de seu conteúdo. De acordo com Bap, com a fusão Sky e DirecTV, a empresa passou a ter mais freqüências, além de poder contar com os horários ociosos de outras. A carteira de clientes do Sky Empresas conta com as Casas Bahia, Fiat, Ambev, ABN/Amro Bank e outros. Com Luiz Eduardo gastos de cerca de US$ 250 mil, a Sky espera que a nova unidade represente de 3% a 4% do faturamento da empresa Baptista em 2008, e de 15% a 20% nos próximos cinco anos. Aluguel O outro serviço oferecido pela Sky Empresas é a locação e gestão de freqüências. A TV Canção Nova, com conteúdo católico, é a primeira a ser lançada dentro deste modelo. A operadora não terá responsabilidade sobre o conteúdo do canal que também não é remunerado como os outros canais da TV por assinatura.

TV paga investe em programas nacionais Seguindo os passos da série “Mothern”, que já está em sua segunda temporada, o GNT prepara um novo programa com modelo de negócios diferenciado. Trata-se de “Mulheres Possíveis”, série a ser produzida pela Cinemacentro, que terá produção financiada por um anunciante. No caso de “Mothern”, os custos de produção foram divididos entre os quatro patrocinadores. Em “Mulheres Possíveis”, o modelo prevê apenas um anunciante, que vai contar com merchandising na série, entre outros tipos de inserção. O mote da produção é mostrar artistas em seus momentos sem “glamour”, e mulheres comuns “glamourizadas”. Não há previsão de estréia do programa. Do Multishow Além desse, o Multishow também lança novos programas. As duas atrações principais são “Retrato Celular” e “Urbano”. O primeiro, que “Retrato terá produções do público feitas pelo celular, conta Celular“: nova com produção da Conspiração Filmes e direção atração do Multishow. geral de Andrucha Waddington. “Urbano”, produção do próprio canal, abordará temas da cidade a partir de pauta realizada pelos espectadores via blog na Internet.

6

T e l a

V i v a

fotos: divulgação

Otimismo entre programadoras A previsão dos executivos das programadoras Band, Globosat e Fox é que o faturamento publicitário deve crescer em 2008, impulsionado pelas Olimpíadas, lançamento de canais, programação e regionalização. A Band aposta nas Olimpíadas para aumentar a receita publicitária tanto de seu canal de esportes, o Band Sports, quanto do canal de notícias Alexandre Bortolai Band News. Segundo o diretor comercial da Newco (programadora da Band), Alexandre Bortolai, a empresa já começou a trabalhar as Olimpíadas em cross mídia, com todos os veículos do grupo. “Acredito que teremos crescimento superior a 10%”, diz. Os jogos na China também são foco da Globosat, que terá cinco canais no ar em função do evento. “Um dos canais será widescreen, e o som será 5.1”, diz Fred Müller, diretor comercial da Globosat. A programadora aposta ainda na comercialização regional de publicidade. Além disso, a Globosat espera se fortalecer com Eurocopa, novos programas no GNT e no Multishow, e novos filmes e séries no Universal e Telecine. Já a Fox, aposta no crescimento da distribuição dos canais FX e Fox Life, além dos novos Sci Fi, lançado na Sky, e o la carte Baby TV.

s e t 2 0 0 7


Uruguai adota padrão europeu O segundo país da América Latina, depois do Brasil, a oficializar a escolha do padrão de transmissão da TV digital aberta, não decidiu pelo sistema nipobrasileiro. O presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, assinou decreto optando pelos padrões DVB-T e DVB-H para as transmissões de TV digital aberta terrestre e móvel, respectivamente. Segundo a imprensa uruguaia, a opção seria por conta da possibilidade de “democratizar a televisão”. Contudo, se o país terá ou não multiprogramação, com a entrada de novos produtores de conteúdo, ainda será uma disputa política. Entre os outros países que ainda não optaram por um padrão, Chile e Argentina aceitaram apenas adiar a decisão para ouvir a proposta brasileira. Segundo André Barbosa, assessor especial da Casa Civil, as negociações estão avançadas com vários países, como Peru, Equador e Colômbia, que estiveram no Brasil durante o Congresso da SET para acompanhar mais de perto a implantação da TV digital no Brasil. “A Colômbia já acena com a aceitação do padrão”, diz. Na tentativa de convencer os países latino-americanos a implantar o padrão nipo-brasileiro de TV digital, Brasil e Japão sairão, no próximo ano, em uma viagem conjunta.

Animação a mil por hora O mercado de animação cresce em ritmo acelerado no mundo todo, com sucessos de bilheteria como “Shrek” e “A Era do Gelo”. No Brasil não é diferente. Os filmes de animação atraíram 18,2 milhões de espectadores às salas de cinema brasileiras no ano passado, o que representa um crescimento de 153% na procura pelo gênero em um período de quatro Longa da Turma da Mônica levou anos (em 2002 foram 7,2 milhões de pessoas). 507 mil pessoas aos cinemas. Os dados foram apresentados por Melanie Schroot, da Nielsen EDI, durante a Fiicav 2007. Melanie mostrou ainda que a animação foi o gênero de filme mais assistido no Brasil no ano passado, com 20% de market share e média de público de 800 mil espectadores. A produção local acompanha a evolução. Em 2004, o longa-metragem “Cinegibi”, dos Estúdios Maurício de Souza, atraiu 305 mil espectadores; em 2005 o filme “Xuxinha e Guto” alcançou a faixa de 495 mil pessoas. Neste ano, o longa “Turma da Mônica: uma aventura no tempo” já levou 507 mil pessoas às salas de cinema e ocupa, até o momento, a segunda posição no ranking dos filmes nacionais mais vistos em 2007 e a quinta posição na classificação geral.

Maquinado artesanalmente À frente do roteiro e direção do videoclipe “Sem Conserto”, do Maquinado, Fernando Sanches recorreu a uma técnica artesanal. Os 1,8 mil frames, captados em HD, foram impressos, recortados a mão, escaneados e, Videoclipe produzido pela Prodigo então, reanimados no processo de finalização. teve frames recortados a mão. O clipe faz parte do projeto solo do guitarrista da Nação Zumbi, Lucio Maia, e foi produzido pela Prodigo Films. O processo de produção, que durou dois meses, contou com 55 pessoas. O filme gira em torno de um presente que o personagem ganhou, mas ainda não abriu.

As revistas e os eventos mais importantes sobre convergência de meios no Brasil têm uma assinatura em comum: Converge Comunicações. E agora também têm um novo número:

(11) 3138.4600

O novo telefone da Converge Comunicações. www.convergecom.com.br


( scanner ) fotos: divulgação

Cinema com o pé na estrada

Sessão gratuíta em posto de gasolina.

A “Caravana Siga Bem Caminhoneiro” vai divulgar o cinema brasileiro pelas estradas do país, totalizando mais de 20 mil quilômetros até o mês de dezembro. O projeto, patrocinado pela Petrobrás e Iveco Caminhões, vai promover sessões de cinema gratuitas em postos de gasolina em todo o Brasil. Serão exibidos longas como “Anjos do Sol”, “O Dia em que Meus Pais Saíram de Férias”, “O Céu de Sueli” e “O Grilo Feliz”. O investimento no projeto foi de R$ 6 milhões.

Luz e cor

Nos dois primeiros anos, a Caravana rodou mais de 60 mil quilômetros, passou por 300 cidades e fez contato com mais de 765 mil motoristas. Nas paradas das edições anteriores, promoveu palestras, debates e exibição de filmes e vídeos de conscientização sobre a necessidade da garantia dos direitos da criança e do adolescente. A partir de agora, vai levar também a mensagem da importância da valorização do cinema nacional.

Bar, cerveja e curta-metragem

O cineasta Wong Kar Wai foi convidado para criar um curta-metragem para a próxima geração de televisores Ambilight da Philips. Conhecido por filmes como “Amor à Flor da Pele” e “Felizes Juntos”, o diretor trabalhou com imagens icônicas, combinando os elementos para criar uma experiência visual inovadora, acompanhando a proposta dos novos televisores. O curta “There is Only One Sun” tem como protagonista Amélie Daure, atriz francesa que estrelou vários filmes, incluindo “Les Tremblements Lointains”. Mais informações no site www.seductionbylight.com

Até mesmo sentado em uma mesa de bar é possível conferir curtas brasileiros como “Uma História de Futebol”, “Super-herói Fora de Série” e “Viva Volta”. O projeto “Circuito Curta em Bar”, idealizado por Paulo Sato e Júlio Vicentainer, promove sessões de curtas-metragens em bares de São Paulo, visando incentivar a produção do formato e alcançar um número maior de espectadores. São apresentados de três a quatro curtas por sessão, com 15 minutos de duração cada. O material exibido no “Circuito Curta em Bar” é selecionado a partir do acervo de filmes da Associação Cultural Kinoforum, realizadora do Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo e apoiadora do projeto. Inicialmente, as exibições acontecerão na capital paulista, mas há intenção de, em uma etapa posterior, levar os filmes para bares no interior do estado e em outras capitais brasileiras.

Curta de Wong Kar Wai para a Philips.

Curta o Curta de cara nova O Curta o Curta, site que desde 2000 exibe curtas-metragens brasileiros na Internet, estréia novo layout a partir de outubro. O redesenho do site foi formulado para acompanhar os novos rumos da distribuidora, que apostará no desenvolvimento da distribuição comercial de filmes. Em outubro, serão lançados novos serviços de distribuição, sistemas de acompanhamento dos serviços e uma integração do site à promoção e distribuição dos filmes. Já na entrada do site o usuário será convidado a escolher qual área se encaixa mais em seu perfil: Produtores, Exibidores ou Curtistas. Assim, um produtor ou um exibidor de filmes Guilherme Whitaker e Marcus Mannarino, sócios do Curta o poderá conhecer os serviços especialmente criados Curta: site foi redesenhado para para o desenvolvimento do negócio, enquanto os acompanhar novos rumos da curtistas seguem assistindo aos filmes e se distribuidora. informando. Outra novidade será o serviço “Sessões Cineclubes”, dedicado à divulgação da programação de cineclubes. Entre 2005 e 2006 a Curta o Curta distribuiu 270 filmes, exibidos em mais de 80 sessões para um público estimado de 2,5 mil pessoas.

História de vida Em quase cinqüenta anos de vivência na televisão, Fernando Barbosa Lima acumulou inúmeras experiências para contar. O criador de programas como “Jornal de Vanguarda” e “Abertura” conta as suas histórias no livro “Nossas Câmeras São Seus Olhos”, de sua autoria. O livro vem acompanhado de um DVD com imagens de alguns dos programas de sua criação.

8

T e l a

V i v a

s e t 2 0 0 7


( scanner ) Internet fatura mais com publicidade

Curta-metragem interativo

Tel evi são TV po rA ssi na tur a

Rá dio

Re vis ta

Jo rna l Mí dia Ex ter ior

Lis tas

Int ern et

A Internet foi o veículo com maior índice de crescimento no faturamento publicitário do primeiro semestre de 2007, em comparação ao mesmo período do ano passado, segundo levantamento do projeto Inter-Meios. A marca de 40% de crescimento no período, com faturamento acumulado de R$ 221,5 milhões, vem seguida do cinema (crescimento de 6,8% e faturamento de R$ 28,8 milhões) e TV por assinatura (1,5% e R$ 248,7 milhões). Os dados apontam ainda a queda da TV aberta (-5,2%), que faturou R$ 4,88 bilhões na primeira metade de 2007, contra R$ 5,14 bilhões no mesmo período de 2006. No 40,16% caso da Internet, o crescimento Crescimento publicitário pode estar relacionado a uma 1º semestre 2007 mudança de metodologia, que (em comparação ao agora estaria contabilizando 1º semestre 2006) links patrocinados. Somando todas as mídias, o 6,8% resultado mostra queda de 3,6% 2,71% 1,52% no total de verbas investidas, -2,78% com faturamento de R$ 8,2 -4,8% -5,16% -8,76% bilhões, contra R$ 8,5 bilhões no primeiro semestre do ano -17,67% passado. Uma possível explicação é o efeito da Copa do Mundo, que teria inchado as verbas no ano passado. Cin em a

DJs habilidosos protagonizam um duelo nas pickups em uma favela da periferia de São Paulo na nova animação do Cartoon Network, que estréia em 21 de setembro. Realizada em stop motion e inteiramente produzida no Brasil, “Batalha – A Guerra do Vinil” terá quatro episódios com cinco minutos de duração cada e será transmitida às sextasfeiras, à meia-noite, no “Adult Swim”, bloco adulto “Batalha – A Guerra do Vinil” do canal. Produzido pela Terpins Greco, a animação aborda o mundo do hip hop na periferia, com direito à disputa entre DJs e participação de MC Thaíde (no papel dele mesmo) e Paulo Brown, radialista mais famoso do hip hop nacional, emprestando sua voz para a narração dos episódios. O estúdio desenvolveu três cenários (o principal deles é uma enorme maquete composta por mais de 300 barracos, recriando a favela), criou 28 bonecos para os personagens e produziu mais de 10 mil fotos. No total, mais de 40 profissionais, incluindo seis criadores, foram envolvidos na produção. O projeto vem sendo desenvolvido desde 2003 e utiliza recursos do Artigo 39 da MP 2.228/01.

Gu ias e

FOTOs: divulgação

Hip hop animado estréia no Cartoon

Fonte: Projeto Inter-Meios

Segurança e tranqüilidade na Internet

Com a idéia de mostrar o maior benefício do novo processador Core 2 Duo da Intel, a empresa convidou Geórgia Guerra-Peixe para dirigir um curta-metragem interativo. Criado pela McCann Erickson e produzido pela Bossa Nova Films, o curta “Mais de Mim” passa o conceito de multiplicidade e mostra a ligação entre várias mídias, como internet, fotografia, vídeo e música, sempre apostando na interatividade com o público. “Quando fazemos para Internet e a idéia é ser interativo, precisamos abrir mais ainda a mente, os estudos, as possibilidades e a entrega”, comenta a diretora do curta. O filme faz parte da campanha de marketing online da Intel e todas as peças de propaganda levam ao site do curta, www.maisdemim.com.br.

10

A RMG Connect criou o site www.toaquietotranquilo.com.br, que faz parte da campanha “Segurança na Internet”, lançada pelo HSBC. Ao entrar na página, o usuário é recepcionado pelo personagem Haroldo, que apresenta em vídeos com ilustrações animadas dicas de segurança e alerta sobre possíveis fraudes eletrônicas. Os filmes foram produzidos pela Colméia, especializada em conteúdo e interatividade online. O vídeo interativo, com direção de cena de Tadeu Jungle, foi filmado em fundo branco, para promover a interação entre o ator e a animação. Segundo Eduardo Camargo, diretor executivo da produtora, o diferencial foi a atuação de um diretor de interatividade (Leonardo Barbosa). “Fizemos um mix de TV e internet”, diz.

T e l a

V i v a

s e t 2 0 0 7

O comercial para a TV, protagonizado pelo mesmo Haroldo, foi criado pela JWT e produzido pela Republika, com direção de criação de Mario D’Andrea e Fabio Miraglia. O filme mostra o personagem lidando com situações cotidianas, em uma comparação entre a Internet e o diaa-dia, como conclui a locução: “Haroldo sabe que a Internet é como a vida. Se você tomar alguns cuidados pode ficar sossegado”.

Vídeos produzidos pela Colméia para a Internet alertam sobre segurança online.


• Switcher Ross com 16 entradas e 2 DSK, Clean Field • Câmeras Sony D 50 c/ Triax • Gravação em Formato 4x3 e 16x9 • 5.000 metros de Cabos Triax • Lentes Zoom e Grande Angular • Tripés Profissionais Cartoni (modelos Master e Delta) • Capacidade para Gravar com até 12 Câmeras • VTs Beta Digital e Analógico para Gravação • Nobreak Powerware • Sistema de Comunicação RTS (Matriz Zeus) • Gerador de Caracteres p/ Transmissões ao Vivo • Equipe Altamente Especializada e Experiente em • Projetos Broadcast

Rua Joaquim de Almeida, 230 - 04050-010 - São Paulo - SP

Fone/Fax: (11) 5581-5222

Visite nosso site: www.programasom.com.br Atendemos em todo Brasil


Comédia móvel

Concentração no cinema Poucas produtoras brasileiras produzem mais de um filme para o cinema. E as que mais produzem são também as que obtêm maior sucesso. Essas afirmações podem ser comprovadas por uma pesquisa apresentada por Vera Zaverucha, da Agência Nacional do Cinema (Ancine), durante painel da Fiicav. Zaverucha apresentou dados referentes ao período de 1995 a 2006. Nestes anos, foram lançados 370 filmes, de 197 produtores diferentes, dirigidos por 242 diretores distintos. Considerando-se filmes de ficção, a pesquisa separou as produtoras em categorias pelo número de filmes lançados: as que conseguiram lançar um, dois ou três filmes. Entre essas produtoras, 66% lançaram apenas um filme. Essas produções ficaram com apenas 13% do público. Enquanto isso, 11% das produtoras lançaram três ou mais filmes e ficaram com 59% do público.

Propaganda no celular A Claro começou no início A Claro, em parceria com do ano uma campanha para a Tellvox e a Agência Click, construir uma base de veiculou uma campanha do assinantes que aceite rece ber novo carro da Fiat, o Punto. propaganda pelo celular. Entre os publicitários, a Segundo Marco Quatorze, questão da privacidade é tida diretor de serviços como crucial para o de valor agregado sucesso da da Claro, em propagando no recente pesquisa a celular. “Temos que operadora tomar cuidado para descobriu que 73% não saturar essa dos assinantes mídia fantástica aprovam o com propaganda recebimento de burra. As pessoas SMS avisando que têm que ter vontade um novo conteúdo de ver a está disponível no propaganda. Temos Portal Claro Idéias, Marco Quatorze, da Claro que criar conteúdo que recebe cerca de absolutamente 200 mil clientes por dia. interessante, a época é de A operadora não fala quantos correr riscos”, diz Marcello assinantes já aceitaram. Serpa, da Almap BBDO.

A produtora Raccord produz conteúdo de dramaturgia exclusivo para o celular. Trata-se de conteúdo de comédia inédito produzido para o serviço de TV móvel da Oi, que deve ser lançado ainda este ano. Serão disponibilizadas à operadora duas horas por mês de programação em programetes de três minutos. “O formato será o de ‘tirinhas de Fiamma Zarife, da Oi humor’”, diz Clélia Bessa, da Raccord. A produção está sendo pensada apenas para a tela do celular, com captação digital. A equipe envolvida na produção engloba 25 pessoas, além de atores e técnicos rotativos. “A nossa idéia é trabalhar com os jovens, que estão ‘ligados’ nessas novas tecnologias”. Embora o projeto seja da produtora, a operadora comprou o conteúdo. “Não vamos trabalhar com publicidade neste primeiro momento, mas vemos espaço para futuras oportunidades”, diz Fiamma Zarife, da Oi. Além de ter conteúdo transmitido via streaming pelo celular, há ainda a possibilidade de utilizá-lo em outras plataformas. “Poderemos ‘levar’ os personagens para a Internet e a Rádio Oi FM”, diz Fiamma.

Projetos gaúchos Estréia em outubro na RBS TV o curta “Gaúchos Canarinhos”, produzido pela Estação Elétrica Filme e Vídeo. Trata-se do primeiro documentário da série Histórias Curtas da emissora. O curta narra a criação da camisa amarela da Seleção Brasileira, feita em 1953 pelo gaúcho Aldyr Schlle. Para a produtora, o projeto é um prêmio pelos seus dez anos. Outro motivo de comemoração da produtora foi o Prêmio de Desenvolvimento de Projetos de Longa-metragem Santander Cultural - Prefeitura de Porto Alegre - APTC com o filme “Histórias de Fronteira”, que documentará o cotidiano de pessoas que vivem nas regiões limítrofes ao Brasil, hoje em fase de pré-produção.

Canal interativo para IPTV O Centro de Estudos e Sistemas Avançados de Recife (CESAR) está desenvolvendo um canal interativo para IPTV, que poderá ser acessado também via web e pelo celular. O A.M.I.G.O.S. TV, como foi batizado, permitirá que os usuários publiquem conteúdos, como vídeos e fotos, e interajam através de salas de bate-papo. O canal poderá incluir a oferta de video-on-demand de variados provedores de conteúdo e permitirá, por exemplo, que várias pessoas assistam juntas a um filme ou seriado, em uma hora pré-combinada, dentro de uma sala de bate-papo, trocando mensagens durante a transmissão. O servidor para suportar o serviço está em montagem e o lançamento do site deve acontecer em dezembro. Paralelamente o serviço está sendo adaptado para que funcione em diversos set-top boxes, o que deve ser concluído entre janeiro e fevereiro. O canal será oferecido para as teles que tiverem serviço de IPTV e o modelo de negócios deve ser de compartilhamento de receita. A proposta do CESAR é de que os usuários sejam cadastrados e que o serviço tenha interoperabilidade, ou seja: assinantes de teles diferentes poderão conversar dentro do ambiente do A.M.I.G.O.S. TV.

12

T e l a

V i v a

FOTOS: divulgação

( scanner)

s e t 2 0 0 7


(figuras ) Foto: marcelo kahn

Em dia com os efeitos especiais

Guilherme Steger

H

ouve um tempo em que a tecnologia de computação gráfica preocupou o especialista em efeitos mecânicos Guilherme Steger. Quando a computação gráfica começou a se instalar de verdade, cheguei a ver meu faturamento reduzido em quase 80%. Mas ele tinha um nicho de mercado e conseguiu se

Com cerca de 16 anos, começou a prestar serviços para uma empresa que fazia efeitos mecânicos. No início, fazia pintura. Passei nove anos prestando serviços sem me interessar exatamente pela área de cinema. Pensava em ir para a indústria de máquinas. Estudei desenho de máquinas na escola Protec e aprendi a projetar as máquinas e ferramentas que já usava na oficina.

Hoje o pessoal da computação gráfica me consulta e trabalhamos juntos para decidir a melhor forma de captar. restabelecer. Hoje, são as pressões econômicas e as novas imposições do mercado de produção comercial que estão pautando as mudanças. Se antes seu grande trunfo era a habilidade manual, hoje é a capacidade de reinventar seu negócio. A habilidade manual ele herdou do pai, que tinha uma oficina de preparação de carros, seu hobby. Ali, Guilherme fazia aeromodelos e também consertava carros e motos.

Depois de nove anos, realmente experimentou o trabalho na indústria, onde ficou por quatro anos. Foi então que o cinema o encontrou novamente. A produtora de efeitos especiais Truque chamou Guilherme para voltar ao setor. Era uma empresa grande, com mais de 30 funcionários, especializada em efeitos mecânicos. Ficou um ano e foi trabalhar na produtora de filmes Multiefeitos. Pouco depois, em 1986, resolveu sair e trabalhar por conta própria, aproveitando a

14

T e l a

V i v a

SE T 2 0 0 7

oficina que herdara do pai. Minha área sempre foi a produção para truca ótica, e sempre trabalhei principalmente com produtos, criando equipamentos que ajudassem a segurar e movimentar os produtos. Aos poucos, além dos equipamentos que desenvolvia especialmente para um ou outro filme, ele começou a criar produtos para locação. Alguns tipos de traveller ou plataformas giratórias estão entre esses itens. Isso ajudou a manter a empresa funcionando quando a computação gráfica se tornou uma concorrente. Com o tempo, as duas áreas passaram a se complementar e a atuar em conjunto, para que cada um resolva os problemas da melhor maneira, com os recursos mais adequados. Hoje o pessoal da computação gráfica me consulta e trabalhamos juntos para decidir a melhor forma de captar. A computação gráfica tornou certas coisas possíveis. O grande desafio atual são os prazos e os custos. Não há mais tempo, a pressão é muito grande. Nosso processo é artesanal, assim como o da própria computação gráfica, mas as agências não entendem. Se eles mudam de idéia, é só uma idéia. Mas se temos de trocar a cor de um objeto, por exemplo, isso pode levar quatro dias. A saída, portanto, foi ampliar a oferta de equipamentos para locação. Nosso trabalho exige investimento em estrutura e pessoal, e temos que manter isso. Por isso, estou desenvolvendo novos equipamentos e criando outros iguais aos que já temos, para aprofundar a área de locação. (Lizandra de Almeida)


Fotos: divulgação

Prata da casa Álvaro Paes de Barros foi promovido ao cargo de vice-presidente sênior de Distribuição da MTV Networks Latin America (MTVNLA) e gerente geral da Viacom Networks Brasil. Há sete anos na empresa, Paes de Barros será responsável pela distribuição de conteúdo de pay-tv da MTVNLA em Miami, Buenos Aires, São Paulo e Cidade do México. Pela Viacom Networks Brasil, vai coordenar a estratégia e o posicionamento da companhia e de suas marcas.

Mais um para o time Jeff Chies é o novo diretor da Companhia de Cinema. Ao lado de Rodolfo Vanni e Sérgio Glasberg, Chies forma o quadro de diretores fixos da produtora, após passagem pela Dínamo Filmes. O diretor já atuou na Paralela Filmes e na própria Cia. de Cinema, de 1999 a 2001 e de 2003 a 2004. Regina Dias, que fazia parte da sociedade da produtora, deixa a empresa para assumir novos compromissos profissionais. Rodolfo Vanni e Maria João Calheiros são os atuais sócios.

Reforço no atendimento

Do governo para a distribuição Sérgio Sá Leitão, que foi assessor do ministro da Cultura, Gilberto Gil, e assessor especial da presidência do BNDES durante a gestão de Demian Fiocca, foi para a Vereda Filmes. Trata-se de uma distribuidora de conteúdos audiovisuais brasileiros com foco no mercado internacional. A distribuidora recebe investimentos do Funcine da Rio Bravo. Sá Leitão deixou o BNDES há dois meses, tendo permanecido por mais de quatro anos no Governo Federal.

Liliane Pulz é a nova contratada para a equipe de atendimento da área de publicidade da Mixer. A profissional vem da Young & Rubicam, onde trabalhou durante dois anos e ocupou o cargo de assistente de RTVC, sendo responsável pela produção de filmes e spots. Liliane tem passagens por empresas como W/Brasil Publicidade, Maria Bonita Filmes, Margarida Flores e Filmes, Almap/BBDO e Fabra Quinteiro Comunicações.

Novidades no licenciamento A Discovery Networks Latin America/ US Hispanic, divisão da Discovery Communications, apresenta duas novas contratações. André Bogsan assume como gerente de publicações e home vídeo. O executivo atuou durante cinco anos como gerente sênior da divisão de publicações e canais alternativos para a distribuição de produtos na Walt Disney Company Brasil. A outra novidade é Diana Carrizosa, que vai ocupar o cargo de gerente de licenciamento, integrando a equipe nos Estados Unidos. Diana vem da Trademark Group Inc e trabalhou ainda durante sete anos na Disney Consumer Products.

Diretoria completa Mário Diamante foi oficialmente nomeado para o cargo de diretor da Ancine, com mandato de quatro anos. Com isso, a diretoria da agência volta a ficar completa. Diamante foi presidente da Associação Brasileira de Documentaristas e Curtametragistas do Rio de Janeiro e atuou no BNDES e no Ministério da Cultura. Ocupava, até a nomeação para a diretoria, a Superintendência de Desenvolvimento Econômico da Ancine.

Novo diretor de arte

Mudança na TV

A O2 Filmes tem novo diretor de arte em sua equipe. Renato Amoroso volta ao cenário publicitário após três anos na Trattoria. O diretor também trabalhou na F/Nazca, onde atuou como diretor de criação por sete anos, e em seu próprio estúdio de design gráfico.

Após quatro anos como vice-presidente executivo do Grupo Bandeirantes, Marcelo Parada deixa a emissora. Desde então, as diretorias que se reportavam a ele passam a responder a Walter Vieira Ceneviva, que acumula as funções de vice-presidente executivo e vice-presidente do grupo.

T e l a

V i v a

SE T 2 0 0 7

15

>>


( figuras ) Atendimento turbinado

Fotos: divulgação

Comercial reformulado

Cléa Klouri assume o cargo de diretora de atendimento da produtora Pset Criações. A publicitária vai dirigir os núcleos de atendimento do programa “Avesso” (que mostra os bastidores da comunicação no país) e do “Avesso Corporativo”, lançado há um ano e responsável pela produção de vídeos internos das corporações por meio da visão dos bastidores. Cléa chega da De Brito Propaganda, além de acumular passagens pela Almap e MPM, Duez T Euro RSCG e Carillo Pastore.

A Hughes, empresa de comunicação em banda larga via satélite, tem novo diretor comercial. O executivo Antonio Francischelli, que passou por empresas como Paes Mendonça, Labo Eletrônica, AT&T, Alcatel e Gtech, vai coordenar a área de vendas corporativas da Hughes para os segmentos de varejo, finanças, indústria e serviços e ensino a distância.

Fase de expansão A Hands, agência especializada em marketing promocional e de eventos, contratou quatro profissionais para reforçar a equipe. Marco Aurélio Mezzacapo (1) assume o novo cargo de diretor de 1 3 2 4 planejamento e novos negócios. O publicitário é ex-diretor de Operações Estratégicas do instituto Idecace (Instituto para o Desenvolvimento da Criança e do Adolescente pela Cultura e Esporte) e foi o responsável pelo planejamento operacional do revezamento da tocha dos Jogos Pan-americanos Rio 2007. A executiva Tatiana Zanon (2), ex-supervisora de atendimento da Y&R Propaganda, é a nova coordenadora de planejamento da agência. O assistente de produção Hilton Ganuche (3) (ex-Mood) e o estagiário de criação Marcio Mamede Filho (4) completam o time de reforços.

Decisão conjunta Com o vencimento do contrato do diretor artístico da TV Record, Hélio Vargas, a emissora extinguiu o cargo de seu organograma e convocou um comitê para gerenciar os assuntos artísticos do canal. Fazem parte desse comitê executivos que já trabalham em diferentes áreas na emissora: Paulo Franco (Programação), Detto Costa (Criação), José Amâncio (Conteúdo), Vildomar Batista (Conteúdo) e Mafran Dutra (Produção). A coordenação é de Paulo Franco. Segundo o gerente nacional de comunicação da emissora, Ricardo Frota, a idéia é tornar a gestão mais participativa. As sugestões, avaliações e conclusões elaboradas pelo comitê serão subordinadas ao superintendente executivo de produção, Honorilton Gonçalves.

Fôlego para agência A equipe da F/Nazca Rio acaba de receber novos reforços. Ex-atendimento das contas CEG e Vizcaya pela Binder, Joana Lemgruber assume como assistente do grupo Infoglobo. Na redação, a novidade é Thiago Fernandes, que Angelina, Fernandes e Joana. acumula passagens pela Giovanni + DraftFCB e Fischer América Rio. Angelina Vargas, ex-executiva de contas da Ogilvy e ex-coordenadora de propaganda da Varig (onde trabalhou durante oito anos), completa o novo time da agência.

Nova direção A Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-metragistas (ABD) elegeu, durante o 18° Festival  Internacional de Curtas-metragens de São Paulo, sua nova diretoria. Solange Lima assume a presidência, auxiliada pelos vice-presidentes Mauro d’Addio e Guilherme Whitaker. A secretaria fica a cargo de Heraldo Cavalcante; Guto Lima e Chicão Fill assumem como primeiro e segundo tesoureiros, respectivamente. O diretor  institucional será Márcio Blanco e Guto Basko atuará como diretor de eventos e regionalização. Danielle Bertolini é a nova diretora administrativa e Beto Leão ocupa o cargo de diretor de comunicação. Para o conselho fiscal foram  eleitos Cândido da Fonseca, Roberto Sabóia e Afonso Galindo.

16

Equipe ampliada A Giovanni+DraftFCB segue o programa de reestruturação desde a implantação do modelo de comunicação 360 graus e 4 6 2 incrementa sua equipe. Na área de Novos Negócios, Mariana Nogueira (1), ex-Amcham, chega para atuar junto à diretora Beatriz Ayrosa. A área de tecnologia ganha os reforços de Fábio Augusto Soares (2), ex-Sinc, e Priscila Loschiavo Daniel (3), ex-Agência Click, já o departamento de criação recebe o redator Fábio Calvetti (4), ex-F/Biz, e a revisora Marcela Baumont (5), ex-Wunderman. O estagiário Kauê Secco (6) assume a posição de assistente de planejamento na equipe que atende a conta do Unibanco, time que recebe ainda Marianna Teixeira (7), ex-Duda Propaganda. Roberto Souza Lima, ex-RC Comunicação, assume como gerente de pesquisa e inteligência de mídia e Ingrid Vieira, ex-SBT São José dos Campos, integra o grupo de Roberto como supervisora. Para completar, Fábio Malaquias (8), ex-Sonae Sierra, é o novo analista contábil da agência. 8

T e l a

3

7

V i v a

1

5

SE T 2 0 0 7


Em setembro, a gente se vê em 22°54’10’’S, 43°12’27’’W*

Rio de Janeiro | Hotel Pestana Rio

20 e 21 de setembro

Venha para o mais importante encontro da indústria de satélites do hemisfério sul. Junte-se a líderes e especialistas de todo o continente em dois dias de debates sobre temas cruciais da indústria: • Fusões e alianças estratégicas • Tendências e perspectivas de mercado • Soluções corporativas customizadas • Projetos interregionais • Marcos regulatórios • Projetos DTH • Convergência • Serviços públicos

PARA MAIS INFORMAÇÕES

(+5511) 3138-4623 info@convergecom.com.br

E muito mais. Patrocínio

EVENTO INTERNACIONAL

Uma parceria Converge Comunicações (Brasil) & Convergéncia Latina (Argentina).

*22°54’10’’ S, 43°12’27’’ W: coordenadas aproximadas da cidade do Rio de Janeiro.

Promoção

Apoio

Organização & vendas


( capa ) Samuel Possebon

s a m u c a @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

TV paga em ebulição Telefônicas lançam seus serviços de vídeo e Congresso é inundado de projetos tentando ordenar a distribuição de conteúdos.

O

também como a principal competidora no mercado de telecomunicações, crescendo de forma expressiva nos serviços de dados e telefonia e bateu a marca de um milhão de assinantes do serviço de banda larga. Em outra frente, a Brasil Telecom prepara para setembro o lançamento de seu serviço de video-on-demand (VOD) por IPTV e a Telemar testa a tecnologia de acesso por fibra óptica (FTTH) no Rio. Já os programadores e fornecedores comemoram a ampliação da

FOTO: marcelo kahn

mercado de TV por assinatura não vivia uma fase tão intensa desde que foi aberto, no final dos anos 90, o processo de licitação para novas operações. Nos últimos meses não só a Telefônica foi formalizada como acionista da TVA como também a Globo fechou contrato de distribuição com a tele. A Telefônica, por sua vez, iniciou a sua operação própria de DTH em um pacote combinado de voz, dados e vídeo; a Net, que concluiu a aquisição da Vivax, se consolidou

“Ampliamos a oferta de serviços. É uma briga saudável para o consumidor.” Maurício Ramos, da VTR (Chile)

18

T e l a

V i v a

s e t 2 0 0 7

base de assinantes e do número de operadores, enquanto o Congresso, mais do que nunca, se envolve com a criação de regras para o cenário convergente. Tudo isso chegando ao ponto máximo de ebulição durante a Feira e Congresso ABTA 2007, que aconteceu no início de agosto em São Paulo. O fato comum a tanta agitação é, naturalmente, a aproximação entre as empresas de telecomunicações e o mercado de TV paga. Fato este que, se de um lado significa novos ares para a indústria de TV por assinatura, por outro acende a preocupação sobre a concentração do mercado e os efeitos possivelmente danosos à concorrência. A Telefônica é a empresa que mais agressividade vem mostrando. Tornou-se acionista da TVA, com a anuência da Anatel (a Telefônica controla totalmente as redes de MMDS da TVA e tem participação relevante sobre as operações de cabo, ainda que o controle permaneça com a Abril). A empresa de telefonia passou também a explorar, em agosto, uma operação própria de TV paga via satélite (DTH), que se soma à parceria que já tinha para explorar o mesmo serviço por meio da DTHi. Com isso, com menos de um ano de operação, a Telefônica pode chegar ao final do trimestre com quase 500 mil assinantes (incluindo os da TVA), o que a coloca como um player expressivo do setor. Mas será que a operadora conseguirá se sobressair como um player diferente? Quando entrou no mercado, por meio da parceria com a DTHi, a Telefônica trouxe pacotes bastante mais flexíveis de empacotamento e,


“Quando não existe propriedade cruzada, o ganho para a sociedade é maior.”

FOTO: daniel ducci

sobretudo, preços promocionais extremamente agressivos. Hoje, contudo, o cenário é um pouco diferente. A Telefônica fechou acordo com a Globosat para distribuir os canais SporTV, GloboNews, GNT, Multishow e o conteúdo esportivo do Premiére Futebol Clube. Contratualmente, a tele não tem como fazer um empacotamento muito diferente daquele praticado pelas suas principais concorrentes, Net e Sky. Isso significa que a Telefônica oferecerá um conteúdo semelhante ao que já existe no mercado, pelo menos no seu serviço próprio, já que o contrato com a Globosat não inclui as operações de cabo da TVA nem a DTHi. Sua aposta está naquilo que conseguir adquirir a mais, e daí o interesse da Telefônica e de outras teles no mercado de produção independente de TV. Não por acaso, o setor de telecomunicações participou no final de agosto da reunião preparatória do Congresso Brasileiro de Cinema, e deve integrar a delegação brasileira ao próximo Mipcom, em Cannes. Outro fato significativo foi o acerto entre a Telefônica e a TV Globo para a distribuição dos sinais da emissora de TV aberta, dado extremamente relevante em um momento em que não só a Globo como outros radiodifusores começam a contestar a regra do must-carry, que é o dispositivo legal que obriga as operadoras de cabo a levarem os sinais das geradoras de TV. O acordo foi para a distribuição da TV Globo nas mesmas condições que a Sky, hoje, é obrigada a cumprir, ou seja, mantida a qualidade técnica (portanto, sem abusar da compressão do sinal) e respeitada a transmissão da afiliada local. Assim, na cidade de São Paulo a Telefônica só pode distribuir o sinal da emissora em São Paulo, em Campinas só o sinal da EPTV, afiliada da Globo na região e

desenvolvimento de negócios da empresa, José Luiz Volpini, faz sentido para a operadora comprar operações de cabo porque isso permite que ela entre mais rapidamente no mercado de TV. “Tínhamos a nossa estratégia para Belo Horizonte, com a WayTV, e para o Rio, com a rede de fibras e com IPTV. E continuamos dispostos a adquirir operações”, disse o executivo durante a ABTA 2007

Francisco Valim, da Net Serviços

assim por diante. O inusitado é que entre 1998 e 2001 a TV Globo travou contra a DirecTV uma batalha de grandes proporções junto ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) justamente para garantir que a Sky tivesse a exclusividade sobre o sinal, e saiu-se vitoriosa. Mas não é apenas a Globosat que pode comemorar contratos com a Telefônica e outras teles no mercado de TV por assinatura. A Brasil Telecom, que inicia seus serviços de TV paga em setembro, também acertou com os principais programadores conteúdos para seu serviço, que será uma espécie de video-ondemand mediante assinatura fixa, conhecido como SVOD (Subscription Video-on-Demand). É um modelo bem diferente do atualmente praticado pelas operadoras de TV paga, até porque a Brasil Telecom não tem a licença de TV a cabo. Seu serviço só pode ser no modelo sob demanda. A operadora já está com tudo pronto para o lançamento comercial do serviço em Brasília. Na seqüência deverá ativá-lo em Porto Alegre, Curitiba e Florianópolis, possivelmente ainda neste ano. O lançamento será gradual inicialmente para haver condições de garantir a banda, sem interrupções do sinal de transmissão da programação, explica o diretor adjunto de desenvolvimento de negócios e vídeo comunicação da BrT, Carlos Watanabe. A Telemar também não quer perder o bonde. Diz que continua interessada em adquirir operadoras de TV a cabo e aguarda uma reversão na decisão da Anatel que impediu a operadora de adquirir a WayTV. Segundo o diretor de FOTO: marcelo kahn

A questão concorrencial Mas a entrada das empresas de telefonia no mercado de TV por assinatura tem um outro lado, mais complexo. Diz respeito à questão concorrencial. Ao entrarem neste mercado, como mostra a operação entre Telefônica e TVA, as teles diversificam suas plataformas de distribuição, e muitas vezes acabam comprando uma plataforma ou empresa que, potencialmente, poderia se tornar competidora. É fato que a Telefônica tem, na cidade de São Paulo, por exemplo, a sua rede de acesso por par trançado, onde oferece banda larga por ADSL, como a rede de MMDS e a rede de cabos pertencentes à TVA. Daí a preocupação sobre a propriedade cruzada de meios, ponto levantado pela ABTA, a associação que representa os operadores de TV paga, e pelos principais operadores já estabelecidos. “Quando não existe propriedade cruzada, ou seja, uma só empresa detentora de diferentes plataformas, o ganho para a sociedade é maior”, disse o presidente da Net Serviços, Francisco Valim, durante a apresentação de estudo da FGV na ABTA 2007. O estudo vai justamente nessa linha de análise: segundo a FGV, para que o País consiga eliminar o atraso na adoção de banda larga – hoje, 65% municípios brasileiros não têm cobertura –, a melhor solução seria estimular a

Watanabe, da Brasil Telecom: video-on-demand em Brasília já em setembro.

T e l a

V i v a

s e t 2 0 0 7

19

>>


( capa ) competição entre os players. Antes disso, no entanto, seria necessário equalizar as condições de competição e reduzir a concentração de redes por uma única empresa. Outro estudo apresentado durante a ABTA 2007 foi realizado pela TMG Group, consultoria internacional na área de telecomunicações. Segundo Daniel Betz, diretor da consultoria, redes independentes são fundamentais para manter os mercados competitivos. O estudo da TMG foi realizado, segundo Betz, com base em análise dos principais mercados da Europa e América do Norte. “Com a convergência, todos podem oferecer os mesmos serviços por diferentes tecnologias e, portanto, é importante que pelo menos a propriedade das redes se mantenha separada”. Ele exemplificou com o caso do Peru, em que as redes, controladas pelo mesmo operador (Telefônica), não competem entre si, desestimulando o crescimento da banda larga. Exemplificou também com o caso de alguns países na Europa em que há mais concentração de rede. “Nesses casos, as incumbents concentram a maior parte do mercado de banda larga”. FOTOS: marcelo kahn

Ronaldo Sardenberg, da Anatel: agência estuda adequação regulatória dos serviços.

positiva. Com a adoção do triple play, a operadora aumentou sua base de clientes de 465,5 mil em 2002 para 811,6 mil em 2007. Segundo o executivo, com a convergência a empresa deixou de ser apenas uma operadora de cabo. “Menos de 50% de nossa receita vem do serviço de vídeo”, afirmou. É, de certa forma, o mesmo efeito que a Net Serviços sente no Brasil, com a brutal expansão de sua rede de acesso banda larga e já uma posição considerável no mercado de voz. A Net entende que o

Diversão O testemunho da VTR, maior operadora de cabo do Chile e a principal concorrente em banda larga e telefonia naquele país, traz uma visão menos preocupada. Segundo Maurício Ramos, CEO da empresa, que também esteve na ABTA 2007, a disputa com a Telefônica por lá é “divertida” e a entrada da operadora de telecom no mercado de TV por assinatura levou a concorrência a investir em novos serviços, aumentando o número de assinantes de vídeo e a penetração do setor naquele país. “Ampliamos a oferta de serviços. É uma briga saudável para o consumidor”, disse ele. Para a VTR, especialmente, foi uma disputa

20

por assinatura não têm como atender esse mercado, que chegaria a algo em torno de 20 milhões de clientes potenciais. “Vinte milhões é uma conta de padaria, se você quiser é trinta”, diz ele. No entanto, as redes de TV por assinatura estão presentes em apenas cerca de cinco milhões de lares, diz o executivo. “O pessoal de cabo não quer discutir o tamanho desse mercado. E os outros 15 milhões? Se eles não vão investir, então que nos deixem investir”, afirmou o executivo, também durante a ABTA 2007. Como crescer Sobre o fato de a TV por assinatura não alcançar penetrações maiores, Francisco Valim lembrou que

Feira da ABTA: perspectiva de crescimento agita o setor.

consumidor está ganhando com esse aumento da competição na banda larga e na voz e pede um período de reserva de mercado no segmento de vídeo, para que as operadoras de cabo tenham fôlego para continuar na briga. As teles, por outro lado, colocam o foco em outra questão. Dizem que existe um mercado de triple-play que é muito mal atendido hoje. O presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco, é o autor da idéia. Ele disse que as empresas de TV Banda larga já vende mais que TV por assinatura, conta Márcio Carvalho, da Net Serviços

T e l a

V i v a

s e t 2 0 0 7

existe um custo extremamente pesado, que é o de programação, que inviabiliza pacotes mais baratos. “Não consigo fazer a equação ficar de pé com um modelo alternativo ao dos pacotes que oferecemos hoje. O modelo de venda de canais individualmente é inviável” (ver matéria a seguir). Alexandre Annenberg, diretor executivo da ABTA, lembra ainda que a falta de abertura de editais de TV paga limitou o crescimento da indústria. “O último processo de licitação para cabo e MMDS é de 2001, a


“O último processo de licitação para cabo e MMDS foi em 2001, a despeito da vontade de investidores.” Alexandre Annenberg, da ABTA

comunicação. “São serviços semelhantes, mas ainda regulados por tecnologia”, disse o embaixador. A disputa entre teles e TV paga talvez se explique melhor em números. Segundo o diretor de produtos e serviços da Net Serviços, Márcio Carvalho, a companhia já vende mais banda larga do que a própria TV por assinatura nas praças em que os dois serviços estão disponíveis. E mais, 50% das novas adições de banda larga são em alguma das opções do pacote Mega Flash, que tem maiores velocidades: 2 Mbps, 4 Mbps e 8 Mbps. Isso significa que a TV paga rouba mercado das teles fixas em ritmo intenso, e por isso as teles querem reagir, entrando

no mercado de TV paga. No meio desta guerra, quando a Telefônica lançou o seu pacote Trio (que basicamente é a oferta combinada de voz, dados e vídeo, seja pela plataforma de DTH própria, seja pela TVA), a Net imediatamente reagiu, mostrando que seu produto era mais barato, se consideradas algumas condições, como o custo da assinatura básica do telefone fixo. Fez ainda acusações sobre propaganda enganosa da nova concorrente, no que foi apoiada pela associação de defesa do consumidor ProTeste. A Telefônica, evidentemente, se defendeu, alegando que os detalhes são informados na hora da venda. Mas o fato, independente de quem tenha razão, é que o que era uma disputa conceitual e jurídica sobre regras e sobre aspectos concorrenciais agora chegou ao consumidor. Se ele ganhará com isso, o tempo dirá.

Novos tempos, novas regras

S

e até hoje o Congresso Nacional ficou à margem da discussão sobre convergência dos meios de comunicação, este ano não há o que se reclamar. São nada menos de cinco projetos que, de uma maneira ou de outra, tentam ordenar o mundo da produção, programação e distribuição de conteúdos por meios convergentes (ver artigo nessa edição). São quatro propostas na Câmara e uma no Senado. Três dos projetos na Câmara andam juntos e têm grandes chances de efetivamente se tornarem lei. Trata-se dos projetos PL 29/2007, 70/2007 e 332/2007, todos relatados pelo deputado do PT do Rio de FOTO: daniel ducci

despeito da vontade dos investidores”, lembra o executivo. Mas a ABTA não está apenas expondo suas teses em público. Está também tentando mostrar para a Anatel a sua perspectiva. Em reunião realizada em agosto com o embaixador Ronaldo Sardenberg, presidente da Anatel, a ABTA tratou da entrada das teles no mercado de TV paga do ponto de vista concorrencial. Durante sua apresentação, Annenberg ressaltou a importância de que se preserve o ambiente competitivo da TV por assinatura, com cuidados para impedir o controle simultâneo de múltiplas redes. Indiretamente, a ABTA também entrou no tema ao destacar o caráter monopolista do serviço de telefonia fixa e da necessidade de preservar o potencial competitivo que a TV paga (sobretudo o cabo) representa no universo da banda larga. Vale ressaltar que nesta mesma reunião a ABTA também tratou de temas consensuais na indústria, como a carga tributária e a necessidade de abertura de novos editais. Segundo declarações de Sardenberg durante a ABTA 2007, a agência estuda ainda a adequação regulatória dos atuais serviços TV a cabo, MMDS e DTH. Deve entrar em consulta pública ainda neste ano o Serviço de Comunicação Eletrônica de Massa (SCEMa), “que seja neutro, mantenha as conquistas da TV por assinatura, promova a unificação regulatória e possa abarcar outras modalidades de serviço com perfil inovador”, disse Sardenberg, sem entrar no mérito específico da questão das teles. Caso a opção não seja por um modelo de serviços convergentes, como coloca o presidente da Anatel, a agência vai trabalhar para adequar os atuais regulamentos do cabo, MMDS e DTH à Lei Geral de Telecomunicações ou à legislação de

“Uma revisão da Lei do Cabo deve ser feita, sem esperar uma lei geral.” Antonio Carlos Valente, da Telefônica

Janeiro Jorge Bittar. Há ainda um projeto do deputado João Maia (1.908/2007) que entrou no circuito de tramitação no final de agosto. Enquanto os projetos que estão com Bittar tratam basicamente da produção, programação e provimento de conteúdos, o de Maia busca criar um serviço de comunicação eletrônica de massa. O tema é para lá de polêmico, como se viu durante a ABTA 2007. Para o presidente da Telefônica, Antônio Carlos Valente, a Lei do Cabo de fato está ultrapassada em relação ao que era em 1995, quando foi feita, e precisaria ser revisada. “Acho que existe uma grande complexidade para se discutir uma lei de comunicação ampla.

>>


( capa ) cinco projetos na câmara e no senado tentam ordenar a produção e distribuição de conteúdos. Uma revisão da Lei do Cabo deve ser feita, sem esperar uma lei geral”, declarou, mostrando que a Telefônica tem pressa e não quer esperar uma discussão complexa, que poderia tomar anos, para ver o imbróglio regulatório entre o serviço de TV paga e as telecomunicações ser resolvido. Já Francisco Valim, da Net Serviços, não acha que seja necessário mudar a Lei do Cabo. “Antes de tudo, a lei precisa ser cumprida. Não é porque ela é antiga que ela deve ser refeita. A CLT é da década de 40 e continuamos cumprindo”. Alberto Pecegueiro, presidente da Globosat, lembra que é preciso tomar cuidado para que uma mudança no marco legal não jogue fora as conquistas da Lei do Cabo. “Eu acompanhei a elaboração da lei e foi um dos casos em que vimos o pleno exercício da democracia, com a conciliação de interesses absolutamente diferentes”. Para o presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco, o país daria um grande passo se dividisse em suas regras a distribuição e a produção de conteúdos. “Não vejo problema nenhum em colocar limites à produção de conteúdos. As regras nesse setor são importantes. Mas elas não podem se misturar com as regras de distribuição”. É mais ou menos nessa linha que caminha o deputado Jorge Bittar. Para o deputado, uma nova lei deverá tratar apenas dos meios de comunicação eletrônica de acesso

“A competição pode ajudar o mercado a crescer.”

trabalho de impor a desagregação deverá ficar para a Anatel, “até porque é um conceito que já está na Lei Geral de Telecomunicações e na Lei do Cabo e não precisaria ser repetido”. O que ele trará para seu substitutivo, segundo sua própria indicação, é o conceito de poder de mercado significativo (PMS) na hora de avaliar se existe concentração demasiada de redes. Mas Bittar mostra um discurso alinhado ao das teles na questão da abertura do mercado de TV paga. “Entendo que esse mercado de TV por assinatura está estratificado, com apenas 5 milhões de assinantes, e a competição pode ajudar o mercado a crescer”, diz ele. Para o deputado, a nova lei deverá substituir a Lei do Cabo, “aproveitando as conquistas que ela trouxe para a sociedade”. Ele diz ainda que sua proposta busca permitir a criação de mais sistemas de TV por assinatura “de forma simples e desimpedida, respeitadas apenas as limitações tecnológicas”

Deputado Jorge Bittar, PT/RJ

(SP)

FOTOs: marcelo kahn

condicionado, ou seja, apenas os meios por assinatura. “Não haveria como colocar a radiodifusão no mesmo grupo, até porque a Constituição separa as coisas”. Ele defende ainda as cotas de produção nacional, separadas entre cotas para produção independente e produção regional, mas ainda

“E os outros 15 milhões de domicílios? Se eles (cabo) não querem, deixem a gente investir.” Luis Eduardo Falco, da Oi

não está claro como será o enquadramento de conteúdos esportivos e jornalísticos, nem os percentuais obrigatórios. A ABTA já se colocou contrária a essa idéia. Bittar é um forte defensor da desagregação de redes para empresas de telecomunicações como forma de evitar monopólios sobre várias plataformas, no que é apoiado pela associação de operadores de cabo. No entanto, o deputado reconhece que o

22

T e l a

V i v a

s e t 2 0 0 7


Novas formas de fazer e assistir, novos modelos de negócio, novas tecnologias e linguagens, novas plataformas e novos ambientes regulatórios.

TV DIGITAL E INTERATIVA VIDEO-ON-DEMAND IPTV, WIDEBAND E PLATAFORMAS DE DISTRIBUIÇÃO DE TV NA INTERNET TV MÓVEL E TV NO CELULAR NOVOS FORMATOS PUBLICITÁRIOS, AUDIÊNCIAS SEGMENTADAS E NOVAS RECEITAS NOVAS LINGUAGENS E FORMATOS

PRESENÇA DE: PROFISSIONAIS DE TELEVISÃO, TV POR ASSINATURA EMPRESAS DE TELECOM, TELEFONIA MÓVEL E INTERNET PROVEDORES DE CONTEÚDO PROGRAMADORES CONSUMIDORES DE VANGUARDA DAS MÍDIAS DIGITAIS.

No ar em 30 e 31 de outubro.

Milenium Centro de Convenções, São Paulo, SP. INFORMAÇÕES: 0800 77 15 028 | www.convergecom.com.br/eventos PARA PATROCINAR: (11) 3138.4623 | comercial@convergecom.com.br

O FUTURO DA NOVA TELEVISAO.

PATROCÍNIO

PROMOÇÃO

REALIZAÇÃO E VENDAS

Este é um evento restrito para os profissionais da área. Acesso permitido somente mediante inscrição prévia. Acesse o site www.convergecom.com.br/eventos e solicite outras informações.

Uma nova maneira de ver TV. Mil novas maneiras de fazer negócios.


( mercado) Fernando Lauterjung

f e r n a n d o @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Aquecimento à vista Fornecedores de conteúdo e tecnologia celebram a possibilidade de crescimento do mercado de TV por assinatura com a entrada de novas operações.

A

FOTO: marcelo kahn

iminência da entrada de novos compradores no setor TV por assinatura animou os programadores. Todavia, alguns ainda vêem com cautela a injeção de dinheiro no mercado. Em um painel que reuniu dirigentes das teles e das operadoras de TV por assinatura na ABTA, o presidente da Globosat, Alberto Pecegueiro, afirmou que “vender TV no país da Globo e as outras abertas não é tarefa fácil”, mas que o momento é positivo para os programadores e os produtores de conteúdo. Um dirigente de uma programadora diz estar “conversando” com todos os novos players, havendo inclusive conversas sobre a oferta de video-on-demand. Mas alerta: “o setor tende a ficar empolgado quando entra um novo player. Mas não podemos permitir que isso faça com que sejam ofertadas vantagens que os outros players não têm”. Este mesmo programador é ainda mais cauteloso em relação aos serviços exclusivos de vídeo sob demanda. “Quando ofertado individualmente, não faz sentido. É fundamental a oferta maior, com canais, DVR etc”, explica. Aliás, a própria Brasil Telecom, operadora que já anunciou o lançamento do seu serviço sob demanda, admite que essa é uma estratégia inicial e que o serviço de TV paga depende de outros modelos mais convencionais para se sustentar. O que se entende em conversas com os

A feira da ABTA 2007 foi a primeira com presença forte das teles como compradoras de programação.

FOTO: daniel ducci

programadores é que o mercado pode voltar a crescer. Mas também se percebe que a estagnação levou-os a otimizar seu produto e buscar outras fontes de receita. Muitos programadores vêm investindo em pesquisas de opinião para calcar seus investimentos em programação. É claro que no país da TV aberta, boa parte deste investimento acaba indo para o conteúdo local. Graças a isto, a TV por assinatura conseguiu ver sua margem no bolo publicitário crescer 1,5% no primeiro semestre de 2007 em relação ao mesmo período de 2006, segundo dados do InterMeios. Vale destacar, o mercado publicitário em 2006 contou os investimentos em publicidade inchados por conta da Copa do Mundo. A TV aberta, por exemplo, apresentou no mesmo período queda de 5,2%. A Viacom, por exemplo, está investindo na regionalização da MTV Network. Metade dos

empregados de Miami passarão a ficar nos países da região, sendo que o canal Nickelodeon concentra a maior parte da equipe em São Paulo. Em relação aos canais VH1 e MTV, a maioria ficará em Buenos Aires. “Queremos descentralizar as decisões. Cada país terá um chefe de programação”, explica Pierluigi Gazzolo, CEO da MTV Latin América. “Temos canais pan-regionais, mas buscamos ao máximo a produção local”, explica. Com o programa de linha “Nickers”, que entra diariamente na grade do Nickelodeon brasileiro, o canal conseguiu aumentar em 25% as vendas de publicidade. Para criar o programa, a programadora contou com uma pesquisa sobre “o que é bacana” junto ao seu público. Para o VH1, produzirão franquias da matriz, como o “Behind the Movies” e o “Story Tellers”. Letícia Muhana, diretora do

“Vender TV no país da Globo não é fácil, mas o momento é positivo para os programadores.” Alberto Pecegueiro, da Globosat

24

T e l a

V i v a

s e t 2 0 0 7

>>


( mercado) canal GNT, da Globosat, conta que as pesquisas de opinião ajudaram a buscar os gêneros que podem estar na grade do canal. “É uma evolução na decisão dos investimentos em programação”. Com pesquisa qualitativas de seus programas, o canal pode estrear a nova temporada do “Alternativa” totalmente renovado. O mesmo aconteceu com o programa “Contemporâneo”, que acabou tendo um crescimento de 70% na audiência. Também da Globosat, o canal Multishow está buscando formas de viabilizar o aumento do conteúdo local, que hoje representa 40% da grade do canal. Segundo Wilson Cunha, dirigente do canal, uma das formas de se viabilizar a regionalização do canal é o uso das diferentes janelas de exibição. O executivo disse em painel da ABTA que a união com canais abertos educativos, por exemplo, pode viabilizar produções que de outra forma não seriam exibidas na TV paga. “Nossa verba de produção é de R$ 25 mil por unidade de programa. Considerando que podemos comprar um bom produto internacional por US$ 2 mil o episódio, fica clara a necessidade de estabelecer essas parcerias”, diz. O Multishow tem utilizado a estratégia também entre os próprios canais da Globosat, como o caso do programa “Cine View”, que é exibido primeiro no Telecine (canal premium da programadora). Outra forma de ter aumento de receitas é ampliar o leque de atuação, aumentando a oferta de canais. A digitalização das operadoras acaba abrindo espaço para novos canais. Segundo Pierluigi Gazzolo, CEO da MTV Latin América, a programadora deve lançar novos canais no país. “Sempre canais de nicho”, enfatiza. O mesmo disse o FOTO: divulgação

Gazzolo, da MTV: mais canais de nicho.

responsável pelos canais da Abril em matéria publicada por Tela Viva em agosto. Segundo André Mantovani, a estratégia do grupo é a de lançar canais que não tenham concorrência, explorando nichos carentes de programação exclusiva. Novas mídias Outra aposta das programadoras é nas novas plataformas de distribuição. O gerente de desenvolvimento da Turner, Milton Neto, explicou em painel da ABTA que a interatividade somada às novas plataformas de distribuição como Internet e celular possibilita que os espectadores do canal Cartoon Networks, por exemplo, esteja em contato com conteúdo todos os períodos do dia. A unidade de games do Cartoon desenvolve jogos que vão de formatos para a TV com interatividade, para celulares e computadores e com três modelos de negócio: gratuito, assinatura mensal e gratuito com publicidade. A Viacom estreou o site Nick Turbo, que leva episódios inéditos, além de séries antigas do canal. “O Brasil representa o terceiro maior tráfego para os sites da Viacom”, diz Gazzolo.

FOTO: marcelo kahn

Fornecedores comemoram A chegada de novos players à TV por assinatura movimenta não apenas a programação de televisão. Os fornecedores de tecnologia estão ainda mais excitados com a possibilidade de disputar o interesse das empresas de telecom que, embora tenham a estrutura de rede, precisarão investir em equipamentos para viabilizar a distribuição de vídeo. Chamou a atenção na feira da ABTA o volume de ofertas de set-top boxes

Wilson Cunha, do Multishow: parcerias para viabilizar novas produções.

26

T e l a

V i v a

s e t 2 0 0 7

customizados para as redes de telecom. Todos os fornecedores apresentavam soluções dedicadas à distribuição e recepção de vídeo em redes IP. Todos, aliás, capazes de trabalhar com uma estrutura convencional de TV por assinatura, como cabo, MMDS e DTH, em conjunto com o IP. Parece uma solução sob medida para a Telefônica, que conta com a operação de DTH e a rede de par trançado. Através desta estrutura é possível oferecer, por exemplo, em um único set-top box, a recepção dos canais de TV por assinatura e video-on-demand pela rede IP. A Techno Trend, que fornece settop boxes para a Telefônica, apresentou na feira o TT-micro. Trata-se de uma caixa híbrida capaz de trabalhar com redes IP e front end que pode ser escolhido entre cabo, satélite e TV aberta. A banda necessária para manter uma qualidade de vídeo semelhante à da TV por assinatura através das redes IP é de 3 Mbps. A Nagra também levou sua solução, chamada de Martini. “Assim como a popular bebida, pode ser preparada de várias maneiras diferentes”, brinca um dos engenheiros da fornecedora Edmar Moraes. Assim como o modelo da Techno Trend, esta caixa pode combinar IPTV com front end RF de qualquer rede. A Unicoba, que recentemente começou a fabricar set-top boxes em Manaus com tecnologia da coreana Topfield, também demonstrou soluções híbridas na feira. “Inicialmente, os equipamentos estão sendo produzidos para atender aos pedidos das operadoras de TV por assinatura, mas a Topfield também tem produtos de IPTV que podemos facilmente trazer para o Brasil”, explica o diretor comercial da Unicoba, Bruno Starling.


( entrevista)

André Mermelstein

a n d r e @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Fundação digital FOTOS: marcelo kahn

O presidente da Fundação Padre Anchieta, Paulo Markun, conta a estratégia da TV Cultura para a era digital, com a aposta na multiprogramação, e as novidades em programação e novas receitas. digital, com a criação de um novo canal, voltado à educação superior, e explica como a emissora vai usar seu acervo de imagens para viabilizar a digitalização do arquivo. Markun revela ainda a estratégia de criar um novo instituto de pesquisas com a marca da TV, e conta seus planos para criar uma nova relação com a produção independente. TELA VIVA O que norteou estes primeiros meses de trabalho na fundação? PAULO MARKUN Eu já tinha um conhecimento prévio, um ponto de partida, pois estou da Cultura há nove anos, e já havia trabalhado aqui antes, em 1975. Definimos um trabalho para a Fundação Padre Anchieta (FPA) toda, não apenas para a TV Cultura. A Fundação é mais antiga que a TV, tem 40 anos (a Cultura tem 38), e conta com outros instrumentos de mídia. A TV ficou tão importante, que a fundação acabou cumprindo só um papel burocrático.

Paulo Markun

A

ntes de assumir a presidência da Fundação Padre Anchieta, em junho deste ano, Paulo Markun já tinha a “cara” da TV Cultura, onde trabalha há quase uma década. Agora, quer juntar sua imagem pessoal à imagem da instituição, para implantar mudanças profundas na gestão das emissoras de TV e rádio AM e FM, da Internet e das outras atividades da fundação. Para mostrar que sua disposição de mudar as coisas é real, Markun começou por uma mudança física da estrutura administrativa, eliminando

as divisões entre as diferentes áreas. Promoveu também uma onda de substituições em cargos-chave, que gerou bastante ruído na imprensa. Em finais de agosto, a novidade era uma ONG que pedia a demissão de Markun por causa da reprise de uma entrevista de dois anos atrás, durante a madrugada, com o dono de uma casa de prostituição em São Paulo. Markun diz que não se abala com estas coisas. Quer jogar a Fundação Padre Anchieta na era digital, integrando todos os veículos de que dispõe. Nesta entrevista exclusiva ele conta por que a Cultura optou pela multiprogramação em definição padrão em sua migração para a transmissão

28

T e l a

V i v a

s e t 2 0 0 7

O que isso significa na prática? Se fosse só a TV, já teríamos muito o que fazer. Mas com a FPA, temos que nos organizar para todas as mídias. Aqui eram quatro entidades separadas: a fundação, a TV, na parte de programação, o jornalismo e a rádio, cada uma com sua estrutura, com recursos duplicados, sem muito rumo comum. Por outro lado, havia uma centralização em outros aspectos. O vice-presidente tinha que assinar a liberação de despesas mínimas. E quais foram as primeiras mudanças? As primeiras iniciativas tiveram


um caráter simbólico, mas também real, de quebrar os feudos, dar o exemplo. Colocamos todos os diretores na mesma sala, sem secretárias particulares. O restaurante passou a ser o mesmo para todos. O jornalismo da rádio, TV e Internet foi unificado, e a produção também. Mas ainda é uma batalha diária para que funcione assim. Agora, quando fizermos um novo programa, não será pensado só para a TV, tem que pensar também na Internet, rádio, eventos. Na programação, queremos trabalhar em segmentos não atendidos hoje, como a juventude. A TV tem programação infantil, e depois é voltada para um público acima de 50 anos. Na rádio isso é mais acentuado, com a programação de música clássica. Precisamos então de um projeto para essa faixa, que tenha sustentabilidade e participação do público. Juntamos esses dias várias ONGs ligadas aos jovens, para ouvir o que eles querem. Outra coisa que queremos é mudar nossa atitude no mercado. Nossa marca é forte, mas nossa atitude às vezes é subserviente. Estive nos EUA e no Canadá conhecendo as TVs públicas. A PBS (EUA) tem orçamento de US$ 600 milhões ao ano, só para a rede nacional. A CBC (Canadá) tem quase US$ 1,6 bi. Nós temos US$ 80 milhões, mas se comparar marca

contra marca, nossa força no mercado nacional é maior que a deles. Agora não vamos mais carregar a marca de ninguém. Os projetos que chegarem têm que ser do interesse da TV e do público. Nada que beneficie uma marca comercial.

aprovação do Conselho, um plano para um contrato de parceria para 2008, com deveres e direitos de parte a parte. E em relação à TV digital? Quais são os planos para a implantação? Vamos fazer multiprogramação. Temos que fazer algo que tenha a ver com a missão da fundação, de promover a formação e a cidadania, e que seja sustentável. Já em dezembro, teremos o embrião de um segundo canal aberto, dedicado à formação universitária. Estamos envolvendo as secretarias de Ensino Superior e da Cultura (do

O que muda na venda de publicidade? A diretoria de marketing e vendas passa a ser de marketing e captação. Muda o enfoque. Acabamos com a publicidade na rádio, agora haverá apenas cinco apoiadores (dos quais já fechamos dois), e vai faturar mais do que antes.

“vamos fazer multiprogramação na tv digital. em dezembro teremos o embrião de um segundo canal.“ Quando você assumiu, pediu aumento de verbas ao governo do Estado de São Paulo? Como está o orçamento da FPA para este ano? Há um pleito junto ao governo para ampliar o orçamento ainda em 2007 em função de um plano de trabalho que estamos desenvolvendo. Também pedimos o descontingenciamento de R$ 3 milhões da FPA. Hoje a participação do Estado no orçamento é de 50%, já foi de 70%. Uma das dificuldades que temos é que a lei obriga o Estado a dar recursos, mas não é um percentual fixo, varia com diversos fatores. Vamos apresentar, com a

Estado de São Paulo) e a rede de instituições universitárias. De onde virão os recursos para o canal? Do governo. Parte do nosso investimento em TV digital está resolvida, estamos reformando as instalações, inauguramos no final de setembro. A produção de “Vila Sésamo”, por exemplo, já será totalmente sem fita. Mas ainda faltam, por exemplo, as câmeras de externa, um investimento de US$ 5 milhões que estamos tentando viabilizar.

>>

>> T e l a

V i v a

s e t 2 0 0 7

29


( entrevista) Que mudanças estão sendo planejadas para a programação? Haverá uma data para uma mudança geral, ou serão inovações pontuais? Estamos trabalhando a grade, fixando faixas. Já aumentamos em 8% a programação infantil e queremos ter um

Já compramos também o transmissor digital, da Harris. Através de um convênio com a Radiobrás, iremos compartilhar nossa torre em São Paulo com a nova TV pública nacional e com as TVs estatais, como TV Câmara e Justiça. Em troca, eles vão contribuir para nos equipar. E a alta definição, está descartada? Para o conteúdo da Cultura, a HDTV não muda muito. Nossa função é mais de multiplicar as possibilidades de informação. Mas vocês compraram recentemente (na gestão anterior) equipamentos de altíssima resolução, como as duas câmeras Viper, de cinema digital. O que pretendem fazer com isso? Estamos iniciando o projeto de uma minissérie de cinco capítulos em co-produção com Portugal, que envolve a RTP, a Radiobrás, a TVE Bahia, a Fundação Roberto Marinho e o STF, sobre a vinda da família real portuguesa ao Brasil, dirigida por João Falcão. Fora estes projetos, vamos alugar as câmeras, gerando receitas para a TV.

“em 2008, nosso site será o maior portal de arte, cultura e cidadania do país.”

Você está participando dos debates de criação da nova TV pública nacional? Estou olhando de longe. Acho complicado juntar estruturas tão diferentes quanto a TVE e a Radiobrás. Também não está claro se o modelo da rede será mais como o da PBS ou da CBC. A CBC é uma grande estrutura, nacional. Já a PBS é um sistema, as emissoras locais têm mais liberdade de montar a grade e trocam programação entre si. Acho que deveria haver associações para projetos entre as emissoras, troca de produtos. Nós por exemplo colocamos o “Observatório da Imprensa” no mesmo horário da TVE do Rio, criando uma faixa no horário nobre dedicada à reflexão. Mas daí a imaginar uma rede nacional, é outra coisa.

telejornal infanto-juvenil na hora do almoço. A Cultura teve por muito tempo vergonha de ser uma TV infantil. Em setembro haverá algumas estréias, como o infantil “Cambalhota”, no domingo à tarde, quando não existem opções para este público. No dia 24 começa o novo “Jornal da Cultura” apresentado por Raul Juste Lores, ex-repórter da Folha. O Heródoto Barbeiro fará entrevistas e apresentará o novo programa “Retrovisor”, que analisará as notícias com a ajuda de material de arquivo da TV. Na outra semana, lançaremos “Panorama”, uma revista semanal com o resumo da programação. E como isso se traduzirá na Internet? Todas as plataformas estão integradas ao processo. Dia 22 de setembro, por exemplo, faremos uma

30

T e l a

V i v a

s e t 2 0 0 7

experiência de dar celulares com câmeras a membros de diversas ONGs para cobrir o Dia Mundial sem Automóvel. No fim de setembro estreamos o novo portal, com uma abordagem diferente. E em 2008 faremos uma grande renovação. Queremos ser o maior portal de arte, cultura e cidadania do Brasil. Não vamos competir com os grandes portais em hard news, mas em notícias do mundo infantil e da cultura, sim. Os vídeos da Cultura estarão disponíveis na Internet? Já temos alguma coisa, mas há problemas sérios para isso: a banda de transmissão, a adaptação dos formatos para a tela e a velocidade do computador, e a questão dos direitos. Lançamos agora a Cultura Imagens, que vai regrar o uso comercial do nosso acervo, para gerar recursos para a digitalização. No ritmo atual, sem novos recursos, levaríamos 20 anos para digitalizar todo o acervo. Outra novidade é que teremos um instituto de pesquisa, o DataCultura, dirigido pela Fátima Pacheco Jordão, que fará pesquisas de opinião. A marca da Cultura tem muita credibilidade, às vezes é melhor que produto. Vamos usar isso. Que espaço terá a produção independente na nova programação? Temos uma preocupação inicial muito grande em honrar os compromissos com os produtores independentes assumidos antes da nossa gestão. Acabado este processo, vamos estabelecer novas regras para a produção independente, que não privilegiem ninguém. Hoje, com cada produção, há um critério diferente. Faremos inclusive um pitching em 2008 para novas produções. Colocamos uma pessoa (Wagner La Bella, o Waguinho) só para ser o interlocutor com a produção independente. Mas temos também nossa estrutura interna de produção, que deve ser aproveitada.


( artigo)

Marcos Bitelli*

m a r c o s . b i t e l l i @ b i t e l l i . c o m . b r

Protegendo o conteúdo brasileiro?

N

FOTO: daniel ducci

ovamente o País se depara com um projeto de lei do Senado (PLS 280) e três na Câmara dos Deputados (PL 29, 70 e 332) que tratam de comunicação social, regulação de convergência dos meios e erigindo uma suposta proteção ao conteúdo brasileiro. A exemplo da PEC 55 (proposta de alterar a Constituição), arquivada em dezembro de 2006, novamente no Senado aparece uma proposta que visa “regular” o “conteúdo” que trafega pelos meios de comunicação eletrônicos, sob a velha bandeira do nacionalismo e ousando atingir, com novas regras, a ampla liberdade de criação, produção, distribuição e programação de conteúdos intelectuais. Os projetos da Câmara oscilam desde a mesmice da PEC 55 e do PLS 280, até a proposição de novas regras para a TV por assinatura e restrições às atividades das empresas de telecomunicação, de provimento de Internet e alguns casuísmos visando a proteger as maiores empresas de radiodifusão, como, por exemplo, a total liberdade para a produção e agenciamento de publicidade aos estrangeiros em contraposição à restrição ao capital e aos estrangeiros nos demais segmentos de mercado. Tudo isso em nome de proteger o conteúdo brasileiro. Mais uma vez os textos não se preocupam quanto às proibições que a Constituição tem quanto às imposições de limites aos direitos de informar e ser informado e à manifestação de expressão por qualquer meio ou veículo, o que por si só recomendam cuidado redobrado no trato da matéria. Os conceitos de “conteúdo” e “conteúdo brasileiro” esboçados no PLS 280, são os mesmos da PEC 55 (do

* Sócio do escritório Bitelli Advogados e autor do livro “O Direito da Comunicação e da Comunicação Social“, entre outros títulos.

32

T e l a

V i v a

s e t 2 0 0 7

senador Maguito Vilela) e do PLC 4209 (do deputado Luis Pihauylino). Tais definições, todavia, surgiram primeiramente no contrato celebrado entre um grande grupo de mídia brasileiro e um grande grupo de mídia estrangeiro, regulando como seria o acordo entre eles de programação dos canais brasileiros. Portanto, tais conceitos, longe de se caracterizarem em definições acadêmicas, técnicas ou científicas, em verdade se resumem a significados enfeixados em um contrato para regular interesses individuais privados. Tanto isso é verdade que esse conceito de “conteúdo” é vazio de conteúdo. Ora, qualquer teoria que estude a linguagem ou uma rápida passagem pela semiótica fará concluir que conteúdos não podem ser sinais, sons, imagens ou textos, posto que sem significante ou significado, sem mensagem ou sem relevância, se traduzem em simples sinais eletrônicos ou signos irrelevantes. Avançar na análise dos textos dos projetos é algo desafiador para o leitor. Isto porque o embaralhamento de temas não relacionados, a confusão de conceitos e o casuísmo de pinceladas para agradar os diversos agentes econômicos de diferentes setores, transformam estas colchas de retalhos em instrumentos que na prática são limitadores da produção, criação e circulação de obras intelectuais e informações em seu conceito mais amplo. Como temos no Brasil um modelo de muita concentração dos grupos tradicionais de mídia,


certamente o resultado, fosse isso aprovado, seria uma maior concentração, sem que houvesse nenhum avanço na produção independente, na produção regional ou garantia de uma elevação dos padrões morais, éticos e de proteção da família, da criança e do adolescente. Não se vê nestes projetos nenhuma iniciativa para a evolução dos temas que dizem respeito à regulação da radiodifusão, que desde 1962 vive sob o mesmo regulamento. Passada a Lei do Cabo, produzida a Lei Geral das Telecomunicações, criado o marco legal do incentivo e fomento ao Audiovisual, com a Lei da Ancine (MP 2228/01), os assuntos mais básicos da comunicação social brasileira não foram ainda enfrentados e se está produzindo projetos para frear a diversidade, a pluralidade, a liberdade de iniciativa, o capital estrangeiro e a atuação de estrangeiros no Brasil em outros setores das telecomunicações, como se os problemas do “conteúdo brasileiro” fossem gerados pelas possibilidades contemporâneas de acesso a outros conteúdos que não os da radiodifusão brasileira. Na verdade os veículos que sucederam à radiodifusão e aos jornais impressos têm sido o canal de vazão para conteúdos brasileiros independentes, para a experimentação, para novas formas de manifestação informativa, de entretenimento, cultural e artística. Ora, a quem se quer proteger? O conteúdo brasileiro não conseguiu ainda se proteger da hegemonia existente no próprio país e, sob a vexada questão de supostamente se proteger a cultura nacional, produzem-se propostas legislativas repetidamente, com as mesmas inspirações e motivos, não difusos ou coletivos. Nesta onda, diferentes agentes vêem oportunidades pontuais de “pegar uma carona legislativa”, ainda que não comunguem com as

mesmas inspirações e sem avaliar os riscos de médio e longo prazo, para si próprios, para o País, para as futuras gerações. Fala-se até em emendas para erigir “cota de tela” nos meios eletrônicos. As salas de cinema já vivem com esta reserva de mercado para os filmes de longa metragem brasileiros e percebe-se que o efeito dela é pífio porque não se cria mercado por decreto. Querer trazer cota de tela para a TV por assinatura, como aventaram no

quanto ao que existe de mais valioso que é a expressão que se materializa no tal conteúdo. O operador do direito, todavia, tem a obrigação de trabalhar sobre a letra da lei, posto que as palavras se vão ao vento. A urgência da tramitação dos projetos é algo que surpreende, de vez que há projetos como a regionalização e o controle da propriedade cruzada que pendem há mais de uma década no

O conteúdo brasileiro não conseguiu ainda se proteger da hegemonia existente no próprio país. Congresso da ABTA deputados e gestores públicos, é destruir o conceito do próprio segmento de mercado, que se caracteriza por programação classificada por gêneros ou tipificada pela possibilidade do local ter acesso ao global, ao que se passa no mundo, sem intermediações, edições ou mediações. Pensar em tudo isso para a Internet, então, é mais absurdo, porque não há como se controlar o provimento, produção, programação e disponibilização de conteúdos a partir de páginas não hospedadas no Brasil.

Congresso. A tal Lei Geral que tanto se fala não foi sequer discutida pela sociedade brasileira e nem esboçada. Talvez, a partir da estrutura básica do PLC 332, do deputado Paulo Teixeira, com muita calma e boa vontade de todos os agentes econômicos relacionados à comunicação em conjunto com representantes legítimos da sociedade civil, se pudesse dar início à gestação de uma norma geral que estabelecesse os princípios gerais da comunicação social, a partir da sua própria definição, ainda hoje inexistente para fins legais, e deixasse para a regulação a solução dos assuntos decorrentes das tecnologias. Todavia, tal processo de legislar não pode ser conduzido por ideologias políticas, interesses do governante ou de um grupo econômico sobre outro, de um segmento de mercado sobre o outro, e sim, pelas regras programadas e vigentes na Constituição Federal, o que permite se tratar de uma agenda positiva, abrangente e progressista, mas jamais restritiva ou limitadora, de vez que somente a radiodifusão (que é sujeita a concessão pública) e as empresas jornalísticas podem sofrer algum tipo de restrição, e apenas quanto a capital e direção, jamais quanto à criação, programação, disponibilização ou provimentos de conteúdos de qualquer natureza.

Fora do papel O mais grave é que o que está sendo apresentado ao debate público não é o que está escrito nos projetos, e sim uma ideologia genérica daquelas que ninguém pode ser contra, sob pena de ser politicamente incorreto. Infelizmente o ambiente das audiências públicas não é favorável à leitura e debate do que vem escrito nos projetos das leis e suas emendas, onde as apresentações tocam de longe o que realmente vem tratado nos artigos e parágrafos destas significativas propostas de mudança do paradigma das comunicações brasileiras,

conheça os projetos em tramitação Você pode baixar o texto integral dos projetos da Câmara e do Senado em www. telaviva.com.br/arquivos/projetosdelei.zip

T e l a

V i v a

s e t 2 0 0 7

33


( tv digital)

Bloco na rua TV por assinatura e radiodifusores começam a discutir a fase de implantação. Custo de televisores e set-top boxes pode ser novo obstáculo.

A

canais de TV por assinatura, dependem das operadoras. A TVA ensaiou seu serviço HD na última Copa do Mundo. O serviço não se popularizou (conta com cerca de 500 assinantes), mas a falta de conteúdo pode ser a grande culpada. A Net Serviços deve ser a primeira operadora com contrato com a Globosat a ter o serviço, mas apenas em dezembro. A operadora não deve adiantar o lançamento da caixa HDTV (anunciada durante a ABTA) para seus assinantes por conta dos ajustes de software e as negociações de programação. A Sky também já anunciou seu serviço HD, para setembro do próximo ano. Para isso, já contratou um segundo satélite. FOTOS: marcelo kahn

televisão aberta brasileira entra, no dia 2 de dezembro, em um processo evolutivo sem volta. Nesta data começam as transmissões digitais, inicialmente em São Paulo. A TV por assinatura segue os passos, com serviços em alta definição já anunciados para iniciar na mesma época da TV digital pelo ar, além de planos para o futuro. Em sua edição de agosto, TELA VIVA levantou a articulação, ou a falta dela, entre radiodifusores e operadores de TV por assinatura neste processo. O tema entrou na pauta do mais importante evento do setor de TV por assinatura, a ABTA, e da radiodifusão, o Congresso da SET. Dois pontos fundamentais geraram polêmica: como os assinantes da TV paga receberão o sinal digital da TV aberta e quanto custará aos telespectadores comprar um set-top box ou um receptor integrado de TV digital. A oferta de conteúdo em alta definição começa em dezembro, seja o da TV aberta seja o da TV por assinatura. A TV Globo já vem testando a captação em alta definição há tempos, a Band lança a sua primeira novela em HD em outubro, “Dance, Dance, Dance”, e as redes já fizeram testes com as transmissões dos jogos Panamericanos e partidas de futebol. Pelo lado da TV por assinatura, a Globosat terá o seu canal em alta definição pronto para ser distribuído em novembro deste ano. Antes, portanto, do início das transmissões em HDTV pelas emissoras abertas da cidade de São Paulo. As abertas terão sua própria plataforma, os canais consignados para a transmissão digital. Quanto aos

E agora? As redes estarem preparadas para a distribuição e a oferta de conteúdo, contudo, ainda não resolve a questão: como o assinante de TV vai receber a TV aberta? Será necessária uma pilha de set-top boxes sobre a TV? Na ABTA, operadores e radiodifusores dividiram uma mesa para debater a questão, e não faltaram momentos de afago e de discussão intensa. Rômulo Pontual, CTO da DirecTV norte-americana, fez uma apresentação mostrando que o driver da alta definição nos Estados Unidos foi a TV por assinatura, e não a TV aberta. Em resposta à apresentação do executivo, o diretor de tecnologia da TV Globo, Fernando Bittencourt, afirmou que, ao contrário do que aconteceu nos Estados Unidos, o driver da HDTV no Brasil será a TV aberta. “É evidente que no Brasil será o contrário. Não há um paralelo com os EUA. Lá a TV aberta não tem a mesma importância que tem aqui”. Para Bittencourt, o consumidor das classes AB que assistir à novela em alta definição em

34

T e l a

V i v a

s e t 2 0 0 7

“A Globo não vai liberar o sinal sem um contrato com o operador de cabo.” Fernando Bittencourt, da TV Globo

uma loja, vai levar uma TV. “Quando tentar receber aquela qualidade que viu na loja com a TV por assinatura, não vai conseguir. É claro que vai comprar um conversor da TV digital aberta”, afirmou categoricamente. E provocou: “a TV por assinatura está atrasada na oferta de alta definição”. Já Roberto Franco, diretor de engenharia do SBT e presidente do Fórum do SBTVD e da SET, acalmou a discussão, ao afirmar que a TV aberta não pretende fazer multiprogramação porque tem “um concorrente com mais excelência nesta área: a TV por assinatura”. Contudo, Franco afirmou que não acredita que algum operador de TV por assinatura possa ofertar no dia 2 de dezembro (data da estréia da TV digital aberta em São Paulo) o serviço de HDTV. Destacou ainda que o conteúdo da TV aberta é altamente desejado pelo consumidor, e que terá uma qualidade de imagem muito superior à da TV digital. Virgílio Amaral, diretor de tecnologia da TVA, lembrou aos radiodifusores que compartilharam a mesa de debates com ele que a operadora, em conjunto com a Bandeirantes, já tem alta definição e transmitiu a Copa do Mundo usando esta tecnologia. “Já falei para o Fernando (Bittencourt) que se ele liberar o sinal teste da Globo hoje, eu coloco em 500 residências”. Por fim, Virgílio fez um apelo para


que operadores e radiodifusores conversem para facilitar a popularização da alta definição. “Se as indústrias não conversarem, a velocidade da adoção vai cair”, disse.

ainda não há uma posição em relação a isso, indicando que a Globo não descarta a hipótese de cobrar pelo sinal em alta definição. A emissora já está preparando o que chama de “termo de licenciamento”, que pretende celebrar com os operadores de TV por assinatura para a distribuição dos seus sinais em alta definição. Segundo o diretor de engenharia da emissora, ainda estão sendo definidos alguns detalhes, mas uma coisa é certa: “A TV Globo não vai autorizar a distribuição do seu sinal digital sem assinar um contrato com o operador”, diz ele. Este contrato trará, sobretudo, as condições para a oferta do sinal da emissora: a manutenção rigorosa da qualidade de imagem disponível na TV aberta, o que implica dizer, a mesma taxa de compressão. Nas demonstrações que a Globo já está fazendo do sinal em alta definição com o padrão brasileiro, a taxa de transmissão utilizada é de 17 Mbps, com compressão MPEG-4. A emissora também deve exigir a manutenção de todas as aplicações interativas do seu sinal original, mas Bittencourt reconhece que essa é uma situação complicada, já que os

aplicativos do canal aberto rodam no middleware Ginga e precisarão ser convertidos para o middleware das respectivas caixas das operadoras. Foi o que aconteceu no caso das transmissões interativas dos Jogos Pan-Americanos, transmitidos pela Net Serviços em sua rede digitais. “Tivemos que fazer um código para a TV aberta, para o Ginga, outro para a Net e outro para a Sky. Caixa híbrida vs banda Uma alternativa para os operadores seria o uso de uma caixa híbrida, que recebesse simultaneamente os sinais terrestres e o sinal por cabo ou satélite. Como ainda não tem um legado significativo de set-top boxes instalados em seu serviço de DTH, a Telefônica pode apostar ainda em uma

>>

FOTO: DIVULGAÇÃO

Must carry Um dos pontos mais polêmicos, sem dúvida, diz respeito ao must carry. A Lei do Cabo diz apenas que o operador de cabo é obrigado a levar o sinal das geradoras de TV de sua área de concessão, mas não diz que o radiodifusor seja obrigado a ceder o sinal. Há interpretações jurídicas de que, com isso, a palavra final cabe à TV aberta. Assim, está aberta uma porta para que os radiodifusores cobrem pelo seu sinal. É sabido que os radiodifusores estão confiantes que a TV digital aberta será muito bem recebida internamente, necessitando apenas de uma antena (aliás, a Globo demonstrou isso durante o painel na ABTA, quando foi instalado um televisor de plasma com antena interna, recebendo os sinais da Globo com perfeição). Com essa segurança, os radiodifusores entendem que não necessariamente precisarão das operadoras de TV paga para distribuir os sinais. E com isso, sentem-se confortáveis para cobrar pelo conteúdo. Segundo Fernando Bittencourt,

Franco, da SET, e Amaral, da TVA, em painel da ABTA. Relação entre TV paga e TV aberta ainda está indefinida.

”Pxxpaga. Essa não é a opinião da TV aberta.” José Felix, da Net Serviços

>> T e l a

V i v a

s e t 2 0 0 7

35


suplemento especial

( tv digital) Sicsu, da Samsung: queda de braço com o governo para baixar impostos dos receptores.

governo. Ambos travam uma guerra de bastidores em relação ao preço dos set-top boxes. O governo, tendo como seu principal articulador nesta questão o ministro Hélio Costa, das Comunicações, cobra dos fabricantes um preço que permita a rápida adoção da tecnologia pela população. Por outro lado, os fabricantes acenam com preços muito além do proposto pelo governo, pedindo incentivos fiscais para a queda dos custos. Os fabricantes de TV, através da Eletros, “fecharam questão” no valor de R$ 700 a R$ 800 para o set-top box da TV digital terrestre, e dizem que a única forma de baixar o preço é uma redução de impostos. Benjamim Sicsu, da Samsung, diz que os televisores com receptores de TV digital terrestre incorporados estarão nas prateleiras das lojas em novembro, um mês antes do início oficial das transmissões. Em palestra durante o Congresso da SET, Sicsu afirmou que os novos equipamentos terão valores de 15% a 20% maiores que as televisões atuais. O executivo afirmou ainda que o país só poderá pensar em uma TV digital popular quando a indústria de recepção também tiver uma política de redução de impostos, como retirada do PIS/ COFINS (9,25%), redução do ICMS (18%) e redução das taxas na Zona Franca de Manaus, onde os televisores são produzidos. “O consumidor que compra hoje uma TV com monitor LCD, por exemplo, vai adquirir o aparelho de TV digital. Mas, para levar isso a um número maior de pessoas, é preciso desonerar a carga tributária, para que o preço que chega ao consumidor final seja mais acessível”, concluiu. A Samsung, aliás, bem como outros fornecedores de grande porte, não deve sequer produzir set-top boxes, mas apenas TVs com receptor digital integrado. No mesmo evento, o ministro Hélio Costa

TV gratuita A outra grande disputa para o início da TV digital envolve os fabricantes de receptores de televisão e o

Receptor de R$ 200 do ministro Hélio Costa só receberá os sinais comprimidos da transmissão móvel.

36

T e l a

V i v a

s e t 2 0 0 7

manifestou-se sobre o settop de TV digital do chamado “consórcio indiano brasileiro”, conforme a definição do ministro. Trata-se da caixa receptora produzida pela Telavo e pelo grupo indiano Encore, e chegará ao varejo, segundo Jackson Sosa, diretor da Telavo, custando R$ 200, incluindo o middleware Ginga instalado. Este é o valor que está sendo comemorado por Hélio Costa como um padrão para a indústria. “Tenho certeza de que esse preço cai ainda 40% a 50% em seis meses”, disse o ministro Hélio Costa. “O ministro das Comunicações do Japão também já disse que esses set-tops, que serão importantes por lá, chegarão no Brasil a US$ 50”. Segundo Jackson Sosa, a produção será realizada na Teikon, no Rio Grande do Sul. Contudo, este modelo usará o stream de vídeo para receptores móveis e portáteis (sinal 1-SEG). Em outras palavras, o receptor de R$ 200 não receberia o sinal em alta definição (HDTV), mas um sinal com menor resolução e maior compressão, destinado aos telefones celulares e outros dispositivos de recepção portátil. A Telavo apresentou na Broadcast & Cable, feira de equipamentos que acontece paralela ao Congresso da SET, um segundo receptor, baseado em processador da ST, que, segundo Sosa, custará cerca de R$ 350. Com exceção da Telavo, todos os fabricantes que expuseram na Broadcast & Cable dizem ser impossível fabricar um set-top box ao preço proposto pelo Governo Federal. Os preços apontados pelos fabricantes, nenhum deles produtores de televisores, apenas set-top boxes, ficarão entre R$ 700 e R$ 800. Conforme apurou TELA VIVA, o custo da tecnologia deve ficar em torno de US$ 100, sem contar industrialização e comercialização. E essa tecnologia embarcada representaria um quarto do preço final dos equipamentos. FOTOS: marcelo kahn

caixa híbrida de DTH e TV digital terrestre para oferecer os canais de alta definição a seus assinantes sem ter que carregá-los no satélite. A colocação foi feita pelo diretor geral de desenvolvimento de negócios da empresa, Fernando Freitas, durante o Congresso da SET. Trata-se da mesma solução adotada pela DirecTV dos Estados Unidos. Conforme explicou Rômulo Pontual na ABTA, os set-top boxes HD da operadora são equipados com um receptor ATSC para a TV digital aberta, mas essa política será interrompida no próximo mês. “Acredito que vende mais que o conversor terrestre, que não atende ninguém”, afirma. Pontual lembra que suas primeiras caixas que a operadora adotou custavam US$ 270. “Hoje custa menos da metade e, no próximo ano, devemos quebrar a barreira dos US$ 100”. Para melhorar a integração com a TV aberta, os set-top boxes da DirecTV contam com guia de programação dos canais terrestres locais. Para os que não adotarem as caixas híbridas, o problema será na quantidade de banda disponível para transportar a alta definição. Segundo o diretor de engenharia da Net Serviços, José Felix, o maior problema da TV a cabo (e do DTH) é que não há espaço atualmente para todos os canais HD que virão (contando os broadcast e os pagos). Antecipando o problema causado pelo súbito aumento na demanda por banda, o diretor de engenharia da Globo Fernando Bittencourt, disse que “não adianta tapar o sol com a peneira. Vai ser uma briga para ver quem vai entrar (nas redes de cabo)”.

(Da redação)


Suplemento Especial

A t ra n s i çã o

PARA O DIGITAL O que emissoras e produtores precisam saber sobre a migração para o sistema de TV digital terrestre.

Transição

38

Produção

42

Transmissão

46

Financiamento

52

Os prazos para a implantação da TV digital em cada região

É hora de testar a produção em alta definição

Do encoder ao transmissor, mercado tem soluções nacionais e importadas

Programa do BNDES pode ajudar radiodifusores na transição


especial tv digital

Transição

Fernanda Montano

fe r n a n d a . m o nt a n o @ co nve rgecom.com.br

Contagem

regressiva

O que emissoras e afiliadas estão fazendo para acompanhar os prazos da implantação da TV digital no Brasil

A

“O estudo de canais será feito para todas as cidades, pequenas e grandes.” FOTO: marcelo kahn

Ara Minassian, da Anatel

pós a instituição do decreto 5.820, que define o regime de transição da televisão analógica brasileira para o sistema digital, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 29 de junho de 2006, os radiodifusores vêm promovendo discussões sobre a melhor maneira de explorar o espectro, se vão recorrer a fundos como os do BNDES e vários outros detalhes que fazem parte dessa fase de definições. A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), responsável pelos estudos de canalização de freqüências, trabalha para que todas as emissoras tenham seus canais disponíveis, sem que haja interferência no digital, no analógico ou em outros serviços. O Plano Básico de Distribuição de Canais Digitais, reformulado em 2005, apresenta 1893 canais para serem distribuídos em 306 localidades em todo o país. O plano inclui os municípios que possuíam pelo menos uma estação geradora de televisão em operação em maio de 2003 (quando o plano foi concluído) e as localidades que contavam, no mesmo período, com estações retransmissoras de televisão e somavam população superior a cem mil habitantes, segundo indicadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na época, o Brasil ainda estudava a melhor opção entre os sistemas europeu, norteamericano e japonês e, portanto, a estratégia foi baseada em todas as alternativas. Desde 2006, com o sistema nipo-brasileiro definido, a agência vem reavaliando cidade por cidade, levando em consideração a portaria 652, que estabelece o cronograma para apresentação de requerimento de consignação de canais destinados à transmissão digital junto ao Ministério das Comunicações. Hoje, já estão concluídos os novos estudos para as cidades do Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília, além da região metropolitana de São Paulo. Segundo o superintendente de comunicação de massa da Anatel, Ara Apkar Minassian, Fortaleza, Salvador, Curitiba e Recife já concluíram a análise de contribuições, fase em que ainda se encontram Belém e Manaus. As cidades de Campo Grande, Cuiabá, João Pessoa, Natal e Teresina concluíram a fase de consulta pública,

38

T e l a

na qual permanecem Florianópolis e Porto Alegre. Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília já têm o estudo de pareamento de canais concluído. Minassian diz ainda que não há peculiaridades ou diferenças nas regras de emissora para emissora. “Não importa se está na capital, em cidade pequena ou na Amazônia Legal, também não importa se ela é pequena ou grande. O estudo de canais será feito para todas”, conclui. O superintendente também acredita que, ao longo do tempo, com a experiência das grandes emissoras, o processo de transição se torne mais fácil para afiliadas e repetidoras. Embora o superintendente se mostre otimista, a Anatel terá um grande trabalho para encaixar todos os canais de TV digital nos espectros congestionados das diferentes cidades. Uma das soluções levantadas pela agência pode ser alterar a designação dos canais 60 a 69, atualmente usados pelas repetidoras de sinais de televisão aberta (faixa em caráter primário). A reguladora irá manter o serviço, mas apenas em caráter secundário, para abrir espaço para a transmissão digital. A mudança deve ser encaminhada pela área técnica ao conselho da Anatel em outubro, junto com as demais mudanças que estão sendo traçadas para a remoldagem do espectro visando comportar os novos canais digitais. Seguindo os passos Enquanto os órgãos governamentais correm para disponibilizar os canais, as grandes redes já vivem a nova era televisiva. Globo, SBT, Bandeirantes e MTV saíram na frente e vêm testando a transmissão em alta definição, inclusive durante os jogos Panamericanos. A Band começa a transmitir em outubro a primeira novela em HD, “Dance, Dance, Dance”. Para

V i v a

s e t 2 0 0 7

>>


N達o disponivel


especial tv digital

FOTO: arquivo

Transição

“Queremos concluir a preparação para o hdtv até o final do ano .” Leonel da Luz, da TV Anhangüera

“Estamos analisando outras opções, como o financiamento externo .” FOTO: Beto Novaes/Estado de Minas

Luís Eduardo Leão, da TV Alterosa

acompanhar o ritmo, radiodifusores afiliados de todo o Brasil já estão se movimentando para estar com tudo pronto quando a TV digital estiver liberada para transmissão. A TV Anhanguera, afiliada da Rede Globo no estado de Goiás, vem investindo em tecnologia para recepção e tráfego de sinal em alta resolução. “Estamos em construção, no maior ‘quebra-quebra’. Mas queremos concluir essa fase de preparação do sinal em HDTV até o final do ano”, afirma Leonel da Luz, diretor de tecnologia da Organização Jaime Câmara (TV Anhanguera). Ainda segundo o executivo, a troca de antenas e a aquisição de transmissores devem iniciar já no mês de outubro, com previsão de conclusão até o início de 2008. Os investimentos em operação começarão em janeiro do ano que vem e a transmissão digital deve entrar no ar, em Goiânia, ainda no primeiro semestre. Para que esse planejamento possa ser cumprido, “toda opção de financiamento é bemvinda”, segundo Leonel da Luz. Porém, a TV Anhanguera ainda não decidiu se vai utilizar recursos do BNDES ou de outros fundos de investimento. “Temos uma situação financeira mais saudável que o resto do mercado, então podemos pensar nisso com calma, analisando todas as possibilidades”, defende o diretor. Leonel afirma que ainda não vê um movimento do mercado publicitário em querer participar e investir na transição para TV digital, pelo menos nesse momento. Segundo ele, a TV Anhanguera está promovendo palestras e debates com publicitários para mostrar os benefícios do novo modelo e as oportunidades estratégicas que vão surgir. “Por enquanto, essa iniciativa está sendo nossa, mas conforme o mercado for absorvendo essas informações, eles vão começar a nos procurar para acompanhar as mudanças”, diz. A TV Anhanguera vai seguir a linha de programação da Globo, no Rio de Janeiro.

financiamento, Leão acredita que o Programa de Apoio à Implementação do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (PROTVD), do BNDES, pode não ser a melhor alternativa para as emissoras de porte médio nesse primeiro momento. “Talvez a gente não gaste os R$ 5 milhões que a linha do BNDES impõe como limite mínimo. Por isso, estamos analisando também outras possibilidades, como financiamento externo”, afirma. Quanto ao incentivo do mercado publicitário, a TV Alterosa já está investindo nesse nicho, por meio de matérias no jornal “O Estado de Minas” e da publicação mensal “Programa”, voltada aos publicitários. “Usamos esses espaços para informar e orientar o meio publicitário sobre a TV digital. Eles já demonstram interesse, mas acho que só haverá um grande movimento nesse sentido depois que sentirem os primeiros impactos da nova tecnologia, quando a nova TV já estiver no ar”, diz Leão. A TV Alterosa vai priorizar, nesse primeiro momento, a transmissão em alta definição, que, segundo opinião do gerente técnico da emissora, gera mais valor agregado. “Vamos apresentar o pedido junto ao Ministério das Comunicações até o final do ano e já estamos em fase de desenvolvimento de projetos. Não pretendemos esperar o prazo máximo, queremos iniciar a transmissão digital assim que possível”, conclui Luís Eduardo Leão.

Comitê As afiliadas do SBT também já estão se organizando e algumas delas resolveram se unir, formando um grupo de trabalho para buscar soluções em conjunto para a parte técnica e financeira (financiamentos) da implantação da TV digital. TV Alterosa (Minas Gerais), TV Iguaçu (Paraná), TV Aratu (Bahia), TV Jornal (Pernambuco) e TV Serra Dourada (Goiânia) vêm discutindo juntas as especificações técnicas, melhores fornecedores e opções de financiamento. “Por meio da negociação conjunta temos mais força para buscar as melhores soluções”, defende Luís Eduardo Leão, gerente técnico da TV Alterosa. Sobre as opções de

40

T e l a

V i v a

Cronograma para apresentação de requerimento de consignação ao Ministério das Comunicações Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Rio de Janeiro e Salvador

até 30 de novembro de 2007

Belém, Curitiba, Goiânia, Manaus, Porto Alegre e Recife Campo Grande, Cuiabá, João Pessoa, Maceió, Natal, São Luís e Teresina

até 31 de julho de 2008

Aracaju, Boa Vista, Florianópolis, Macapá, Palmas, Porto Velho, Rio Branco e Vitória Geradoras situadas nos demais municípios

até 31 de março de 2008

até 30 de novembro de 2008 1º de outubro de 2007 até 31 de março de 2009

Retransmissoras situadas nas capitais e no Distrito Federal

até 30 de abril de 2009

Retransmissoras situadas nos demais municípios

até 30 de abril de 2011 Fonte: Ministério das Comunicações

Veja como ficará a distribuição de canais digitais em cada estado Acre Alagoas Amazonas Amapá Bahia Ceará Distrito Federal Espírito Santo Goiás Maranhão Minas Gerais Mato Grosso do Sul Mato Grosso Pará

s e t 2 0 0 7

16 18 15 10 86 34 31 43 71 44 271 43 37 41

Paraíba Pernambuco Piauí Paraná Rio de Janeiro Rio Grande do Norte Rondônia Roraima Rio Grande do Sul Santa Catarina Sergipe São Paulo Tocantins

21 18 27 162 97 18 30 11 133 111 11 452 30 Fonte: Anatel


especial tv digital

Produção

Humberto Costa

c a r t a s @co nverg e com.com.br

Hora de

experimentar

geradoras se preparam para seguir o rastro da produção em HDTV das cabeças de rede. Para chegar lá, precisam testar a nova tecnologia com antecedência para adequá-la ao modelo de negócio.

E

xperimente rodar pelo Brasil e assistir à produção regional das TVs. Ela se mostra bastante irregular, às vezes carente de qualidade broadcast. O fato é que a TV digital vai tomar o rumo do interior do país no ano que vem. E na era da alta definição, erros não corrigidos saltarão aos olhos do telespectador numa explosão de cores. Imagine uma gravação digital com iluminação equivocada, ou imperfeições de maquiagem, figurino e cenário. A oferta crescente de programas nacionais em HDTV a partir de dezembro, a faca no pescoço do cronograma de implantação do novo serviço e o desejo do telespectador que gradativamente vai ter acesso ao aparelho digital vão pressionar as geradoras e produtoras regionais. O mergulho da produção regional na nova plataforma é inevitável. A receita do sucesso parece simples. “Para quem já vem fazendo com qualidade, praticamente não muda”, afirma o consultor Olímpio Franco. Trocando em miúdos: sem um nível de excelência não será possível avançar. Normalmente, o jornalismo representa o grosso da produção regional das emissoras. O caminho mais provável no estágio inicial da TV digital é as geradoras seguirem o modelo já usado pelas emissoras nos Estados Unidos. A captura em estúdio é feita em HD e as reportagens são feitas em SD. “A última parte a gerar em HD vai ser o jornalismo. Essa será uma transição mais demorada. São necessários muitos equipamentos. A gente tem centenas de câmeras de jornalismo para trocar. E num primeiro momento, não causa o mesmo impacto que a área de produção e esporte. Um dia vai ser HD, porque tudo vai ser HD”, prevê Liliana Nakonechnyj, diretora de engenharia de transmissão e apoio às afiliadas da Rede Globo. Cabeças em HD e matérias em SD. A TV Bandeirantes já anunciou que o principal telejornal da casa, o “Jornal da Band”, será feito dessa forma. “Outra opção é fazer o jornal em standard e depois upconverter. O importante é começar de alguma forma”,

42

T e l a

incentiva Olímpio Franco. O upconvert “transforma” SD em HD. A qualidade é melhor que a SD, bem parecida com o sinal do DTH digital disponível hoje. Já se anuncia o uso desse expediente em larga escala. Mas não há milagre. Além de tudo, o upconvert é uma solução que implica em alguns cuidados em relação ao aspecto. “Se deixar no 4:3 você vai cortar as extremidades laterais. Se trabalhar em 16:9, você resolve esta questão dos cortes. Pelo menos não aparecem barras”, adverte Olímpio. O investimento em estúdios adequados não deve ser prioridade na embrionária TV digital regional. E entra em cena um novo quebra-galho na hora de captar em HD, ou mesmo em SD para conversão. “Sem mudança de estrutura, melhor trabalhar com planos mais abertos, menos cortes de câmera e com mais abertura de lente”, aconselha. A compra de câmeras de estúdio tem peso relevante no orçamento da migração digital. E não existem opções de baixo custo para geradoras de pequeno e médio porte. “Para esse tipo de geradora existe o modelo HDC-1400, com preço estimado em US$ 47 mil, ou HDC-1550, custa em torno de US$ 73 mil. As variáveis em jogo são: a qualidade de imagem em HD, multiformato, transmissão em fibra ótica ou triax”, explica Luis Fabichak, da divisão profissional da Sony Brasil. A conexão em fibra ou triax é a forma como é feito o link do estúdio com o sistema irradiante. O gerente nacional de negócios da Thomson GrassValley, Jaime Ferreira, compara as duas câmeras HDTV para estúdio oferecidas pela empresa. A LDK 8000 e a LDK 4000 possuem o mesmo tipo de CCD (DPM de 9,2 milhões de pixels). Esse tipo de tecnologia possibilita gerenciar o tamanho do pixel para fazer a leitura de qualquer formato HD diretamente na captação. Assim, sem conversão eletrônica é

V i v a

s e t 2 0 0 7


Externas O cardápio de opções para externa é bem mais variado e palatável. “Há muitas câmeras econômicas que fazem o HD barato”, aponta Olímpio Franco. A Sony, por exemplo, tem câmeras com preço inicial de US$ 3 mil até US$ 120 mil. “São soluções que começam no HDV, passam pela XDCAM HD, HDCAM até SRW, respectivamente, a partir do mais barato. A diferença entre os equipamentos está nos tipos de compressão e de mídia utilizada”, informa Luis Fabichak. O que está em questão é o codec, formato de gravação disponível em diferentes taxas de compressão. A Panasonic utiliza um sistema de captação externa baseado em memória de estado sólido (memória flash). “Com a P2HD não há necessidade de especificar os tradicionais (e caros) VTRs para transferência

de conteúdo, como fazem os concorrentes. Toda a transferência pode ser feita nas interfaces que a câmera possui ou pelo P2 Drive (interface de cartões), que tem um custo muito baixo. Isso gera uma grande economia, principalmente porque nossos equipamentos não têm partes mecânicas. Portanto, estão livres de manutenção”, provoca o gerente de broadcasting da Panasonic do Brasil, Sérgio Constantino, sem informar estimativas de investimento. O problema ainda é o preço dos cartões de memória e seu tempo de gravação, ainda muito limitado. Mas qual a diferença entre as HDVs e os equipamentos high end? “Não existe almoço grátis. A diferença de qualidade de imagem é muito grande. Qualquer um percebe. Começa do próprio sensor que é de 1/3” (na HDV) em vez de 2/3”. A disparidade do tipo de lente também é grande. Tem lente para HD que é quase mais cara que a câmera. As mais caras são teles, usadas para transmissão esportiva”, detalha Olímpio Franco. O caminho mais suave para fechar negócio é iniciar o mais rápido possível os testes que sigam um padrão com imagem de referência. Para se ter idéia do tempo desse trabalho, a Globo passou nove meses testando as câmeras para estúdio. E só agora em setembro iniciou para valer a primeira produção em HDTV, a nova novela das 20h. Outras cabeças de rede tiveram o mesmo cuidado. Como a

FOTO: marcelo kahn

possível gerar 1080i, 1080p (inclusive em 60 quadros por segundo), 720p e outros. “A diferença é que a LDK 8000 pode trabalhar em qualquer formato de HD existente, enquanto a LDK 4000 permite apenas um formato, que deve ser definido na compra: 1080i ou 720p, e custa 20% menos. O preço inicial de uma câmera de estúdio é de US$ 70 mil (FOB)”, informa.

“A última área a gerar em hd será o jornalismo. Serão necessários muitos equipamentos.” Liliana Nakonechnyj, da TV Globo

>>


especial tv digital

Produção

FOTO: divulgação

indústria oferece uma infinidade de opções que não param de ganhar novas versões, a pior compra agora é aquela feita às pressas.

“Começamos o digital no segundo semestre de 2008. temos 8 meses de frente de produção.” Giulio Caio Junqueira Breveglieri, da EPTV

Errar e aprender As geradoras fora das capitais têm o tempo a seu favor. Iniciam a transmissão digital no segundo semestre do ano que vem. A EPTV (grupo com afiliadas à Rede Globo em Campinas, Ribeirão Preto, São Carlos, no interior paulista, e no Sul de Minas) iniciou a montagem de um núcleo de produção em HDTV, uma experiência pioneira no interior do país. O programa semanal “Terra da Gente”, carro-chefe da emissora, há dez anos no ar, começa a ser captado e editado em HD a partir de outubro. “Nós começamos a transmissão digital no segundo semestre do ano que vem. Teremos oito meses de frente de produção. Nós estamos testando os equipamentos e aprendendo a usá-los. Aí dá tempo de corrigir as dificuldades”, conta Giulio Caio Junqueira Breveglieri, projetista de sistemas digitais da EPTV. A emissora investiu cerca de US$ 400 mil em três câmeras XDCAM HD (Sony), lentes e duas estações de edição. Há um mês, todos os cinegrafistas da casa testam os novos recursos. Vão a campo, gravam e observam o resultado. A captação em HD exige cuidado especial com a iluminação. “Como é um programa sobre natureza, eles aprendem a associar os novos recursos e configurações com o uso da luz natural. Há cinco anos eles já trabalham com SD, então isso ajuda muito. O que eles fazem é comparar a qualidade fotográfica dos dois equipamentos, verificando adaptação de enquadramentos e iluminação. O HD segue mais ou menos as mesmas características de uso da luz que o SD. Eles vão passar por um curso de direção de fotografia e estão muito animados”, revela Giulio. O estúdio para TV digital ainda está em fase de projeto. A nova estrutura só deve se tornar realidade em 2009. No início, as cabeças, segmento em que o apresentador anuncia as reportagens, serão gravadas em ambiente fechado com as câmeras de externa mesmo. A receita de maquiagem e figurino para a produção de HD brasileira vai ser criada na base da tentativa e erro. Na nova plataforma, valorizar as imperfeições é um pecado mortal. “O figurino do apresentador é muito simples, roupa de pescador, não devemos ter problema. Com a maquiagem, nós vamos fazer testes de estúdio. Os maquiadores já estão fazendo cursos de aperfeiçoamento”.

Demonstração do sbtvd na Broadcast & Cable: produtores já se preocupam com novos formatos.

A experiência com o “Terra da Gente” vai servir de padrão. O passo seguinte previsto pela engenharia da emissora é montar a estrutura de captação e edição em HD para o jornalismo. Não há uma data prevista para o início da migração ainda. Essa operação tem um problema adicional: os telejornais da EPTV no interior de São Paulo exibem entradas de três praças. Ou seja, todas deverão estar simultaneamente capacitadas para a nova realidade. Jornalismo digital Para chegar até a produção em HD é preciso preparar o terreno, arquitetar a digitalização e a integração dos sistemas. A Videodata orçou o investimento para criar um sistema de newsroom para uma emissora imaginária que tenha uma equipe de 15 jornalistas e produz dois telejornais locais diariamente. “Apenas com o S/W de redação para dez estações o investimento aproximado é de US$ 35 mil, mas a conta não inclui a aquisição de PCs. A vantagem desse sistema é o controle de prioridades na redação, agilidade e acesso remoto ao material”, afirma Rosalvo Carvalho, diretor da Videodata. O orçamento não prevê estrutura para tratamento final das matérias. Numa newsroom, o editor de texto pode, por exemplo, decupar as imagens, ou mesmo montar o esqueleto, até a matéria inteira, da própria mesa de trabalho. A grande vantagem é a funcionalidade. A intensidade da produção jornalística vai determinar a velocidade da conversão do acervo para a mídia digital. Quem produz muito, tem que acelerar, já que há qualquer momento pode precisar. Quem tem produção intermediária, pode dosar diferente. A forma e custo de conversão do acervo dependem muito do formato em que ele está disponível hoje. “As emissoras que já utilizam equipamentos DVCPRO, por exemplo, terão uma migração natural para o P2HD, sem a necessidade de conversão. Quem trabalha em outros formatos, os arquivos podem ser convertidos para DVCPRO, o que é feito por editores não-lineares, uma vez que todos os softwares produzidos nos últimos três anos possuem formatos de arquivo compatíveis com o MXF do P2 e P2HD. Quem já possui edição não-linear com softwares atualizados não terá necessidade de fazer qualquer investimento”, explica Sérgio Constantino, da Panasonic. Quem vai converter, precisa levar em conta a forma de acesso ao acervo e a taxa de digitalização para o armazenamento do conteúdo em alta resolução. “As taxas mais utilizadas com qualidade broadcast variam de 25 MB/s


Rosalvo. As grandes emissoras já decretaram a morte da fita na produção jornalística. Alguns telejornais já são totalmente produzidos e finalizados em meio digital tapeless. A Sony oferece duas opções em 25 MB/s que abraçam da captação ao arquivo. “O sistema Network parte de US$ 80 mil e tem capacidade de expansão. O SONAPS, que trabalha com 50 MB/s até HD parte de US$ 500 mil. O dimensionamento do projeto depende do formato que se deseja operar, número de estações de trabalho e capacidade de armazenamento”, calcula Luis Fabichak. Os orçamentos ora divulgados são pistas para os executivos das emissoras, principalmente geradores de pequeno e médio porte. Em alguns casos, as soluções tecnológicas já dão sinais que vão colaborar com o bolso dos broadcasters. “Observamos uma redução gradativa de preços para implantar um sistema de digitalização de conteúdo e arquivamento digital. As reduções de custos mais significativas ocorreram na área de discos de armazenamento on line e sistemas para as unidades robóticas. Para esse modelo, por exemplo, nós usamos a tecnologia LTO”, aponta Rosalvo Carvalho.

FOTO: marcelo kahn

a 100 MB/s. Sugere-se que o conteúdo digitalizado com previsão de uso freqüente deve ser mantido on line em um servidor de vídeo de alta resolução. Esse servidor deve trabalhar de forma compartilhada com os sistemas robotizados, chamado de near line”, explica Rosalvo Carvalho. No near line, o robô vai buscar o disco e a operação demora alguns segundos. Numa geradora regional hipotética que tenha produzido dois telejornais diários de 30 minutos nos últimos dez anos e na qual 20% das imagens não tenham sido exibidas, teria aproximadamente 3,5 mil horas de material para conversão. A Videodata, que é especializada em digitalização, gerenciamento e mídia e arquivamento digital, pôs no papel um desenho de projeto de digitalização e acesso ao acervo. “A solução deve ser composta de um sistema de ingestão e catalogação do acervo, S/W de gerenciamento de mídia, arquivamento on line em alta resolução, arquivamento on line em baixa resolução para sistemas de busca e disponibilidade na Internet, sistema de arquivamento robotizado near line, integração do sistema e do processo operacional. Valor estimado entre US$ 120 mil e US$ 400 mil (FOB)”, estima

Recepção móvel também precisará de novos parâmetros de produção.


especial tv digital

Exibição e transmissão

P r e p a r a r,

apontar, já!

custo dos equipamentos de transmissão e exibição assusta, mas há perspectiva de queda. A indústria, inclusive a nacional, investe no desenvolvimento de soluções tecnológicas para o padrão japonês.

O

“O grande desafio é para as mais de 5 mil retransmissoras do país.” FOTO: marcelo kahn

Roberto Franco, da SET

marco zero da TV digital no Brasil é o próximo dia 2 de dezembro. As transmissões em São Paulo abrem caminho para uma nova era do veículo de comunicação mais relevante na vida dos brasileiros. O cronograma oficial prevê que em sete anos o serviço esteja espalhado por todo país. “É um prazo muito ousado. Nas principais cidades eu acredito que o prazo de quatro anos deve ser encurtado. O grande desafio é para mais de cinco mil retransmissoras do país, presentes em localidades dos mais diferentes portes”, afirma Roberto Franco, presidente da Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão e Telecomunicações (SET). A corrida migratória digital exige pesados investimentos. O broadcaster precisa bancar a implantação de uma nova estrutura e aguardar o retorno financeiro a partir da formação de uma massa crítica de telespectadores digitais. “É um investimento de longo prazo, para três ou quatro anos. Em São Paulo, a cidade mais rica do país, deve levar ao menos dois anos para a penetração chegar a 10% dos lares”, avalia Roberto Franco. Pouca gente ousa apontar as cifras do negócio. O padrão japonês de transmissão é uma tecnologia em aperfeiçoamento. “O mercado total gira em torno de US$ 400 milhões para quatro anos de transição”, estima Herberto Yamamuro, diretor da NEC do Brasil. Durante os próximos dez anos, a TV brasileira será simultaneamente digital e analógica. O receio é que o fardo da operação duplicada seja pesado demais para alguns segmentos. “O pequeno broadcaster não sabe o que fazer. Ele não tem receita para manter um sistema no paralelo por esse período”, opina Jakson Sosa, diretor executivo do grupo RF/ Telavo. “O parque analógico está sucateado. 90% das emissoras têm de investir na renovação também”, completa Almir Ferreira, outro executivo do grupo. As dificuldades existem, mas a migração está posta, será inevitável.

A programação em HDTV vai começar pelo horário nobre e progressivamente ganhará mais espaço. No simulcasting, haverá convivência de produções em high definition e standard definition. A solução temporária para compensar o desnível de qualidade é o upconvert (“melhorar” eletronicamente os sinais). Algumas emissoras já decidiram adotá-lo nos primórdios da TV digital brasileira. “A Globo vai começar transmitindo a novela das 20h em HDTV. A outra novela, por exemplo, é produzida em SD e a gente vai converter o sinal. O telespectador com TV digital vai ver um produto melhor que se fosse transmitido em SDTV”, explica Liliana Nakonechnyj, diretora de engenharia de transmissão e apoio às afiliadas da Rede Globo. O desafio é gerar conteúdo em HD a passos largos. “Upconvert é um quebra galho, não tem milagre. É como se fosse assistir o DTH digital hoje, porque é mais limpo e não tem ruído, mas é a mesma resolução”, detalha Olímpio Franco, consultor e diretor de tecnologia da SET. É bom ressaltar que o HD tem até cinco vezes mais definição do que a TV que assistimos hoje. Segundo Luis Fabichak, do marketing da divisão profissional da Sony, “um upconverter tem investimento estimado em US$ 13 mil”. Tudo em dobro A convivência de parte da programação em HDTV e outra faixa em SDTV vai implicar em operação duplicada e simultânea nas centrais de exibição. “Um switcher de controle mestre para multicanal possibilita, por exemplo, o corte de canais (um em HD, outro em SD) ao mesmo tempo.

>>


especial tv digital

FOTO: marcelo kahn

Exibição e transmissão

“Soluções japonesas elevaram muito o custo final da planta digital.” Carlos Fructuoso, da Linear

Estamos implantando essa solução para duas emissoras em São Paulo”, afirma Jaime Ferreira, gerente de negócios da Thomson Grass Valley. Vamos imaginar uma geradora de porte médio, que transmita a produção local de estúdio em HD e reportagens em SD. A Videodata, fornecedora de sistemas de automação para TVs aberta e a cabo, formatou a solução de um hipotético sistema de exibição. “O projeto necessita de uma mesa de controle mestre, um servidor de vídeo para o centro exibidor, uma matriz de vídeo (todos HD/SD) e um software de automação de exibição. Também inclui monitores de vídeo e instrumentos de monitoração. Valor: de US$ 250 mil a US$ 400 mil”, faz as contas Rosalvo Carvalho, diretor da Videodata. A Sony incluiu na resposta uma larga variedade de opções para switcher. “O investimento pode ser de US$ 20 mil a US$ 300 mil, dependendo das especificações e utilização. Os critérios são com relação ao tipo de produção, deve se levar em conta o número de misturadores de efeitos, número de entradas, efeitos especiais, etc”, explica Luis Fabichak. Soluções de switcher HD/SD para produção da Panasonic estão orçadas entre US$ 8 mil e US$ 16 mil. “Em uma emissora de porte médio, a escolha se baseia sempre na relação custo/ benefício e nas características técnicas, tendo como um dos pontos de decisão a quantidade de entradas necessárias”, salienta Sérgio Constantino, gerente de broadcasting da Panasonic do Brasil. Alcance O padrão de modulação adotado no Brasil vai permitir que a TV digital avance nas áreas em que a analógica não chega: as zonas de sombra. A limitação hoje é o espectro escasso. Para transmitir para telespectadores que vivem numa baixada, por exemplo, a realidade analógica exige outra freqüência, só que faltam canais. O posicionamento das novas antenas será bem parecido com os atuais projetos, de preferência, no mesmo local. A vantagem é que será possível levar o sinal digital a 100% da área de cobertura. “Você pode colocar um retransmissor de sinal na mesma freqüência. Isso é uma característica desse sistema de múltiplas portadoras baseado na modulação OFDM. Ele permite reforçadores de sinal na mesma freqüência. Investindo, você consegue cobrir tudo”, explica Liliana Nakonechnyj. Em muitas cidades brasileiras, todos os canais do espectro serão ocupados, o digital ao lado do analógico já existente. É preciso ter um cuidado especial para que

não haja interferência. “Existe uma máscara, um filtro de transmissão para evitar que ocorra vazamento nos canais adjacentes. Esta é uma das características mais importantes do transmissor digital”, finaliza. A planta digital de transmissão de uma geradora inclui também encoders, multiplexador e modulador/transmissor. “A escolha do transmissor é importante porque é para durar vinte anos. Tem que ser algo durável, confiável”, aponta Olímpio Franco. O multiplexador é uma das novidades, ele fica depois dos encoders, captura todos os sinais de áudio e vídeo que vão entrar no modulador. “Esse equipamento é o coração do padrão. Ele permite definir se você vai transmitir sinal em HD, SD, interatividade, etc. Ele comanda o modulador e todas as funções que o receptor possa ter na ponta”, pontua Olímpio Franco. O investimento no sistema irradiante digital depende de algumas variáveis. Fora os encoders, o grupo RF/Telavo produz todos os equipamentos para a transmissão digital, inclusive as antenas. O executivo Jakson Sosa construiu alguns cenários com estimativas de custo. “Uma geradora para uma cidade de até 100 mil habitantes com produção local em HD (exige um link com o estúdio para transportar esse sinal) vai precisar de um transmissor de 200 W, multiplexador para levar o sinal dele e outros que ele transmite, digamos três encoders, antena, filtros e cabos. Deve gastar em torno de R$ 300 mil”, avalia. Numa geradora maior, transmitindo para uma área entre 100 mil e 300 mil habitantes, com transmissor de 7,5 kW e produção local em HD, o investimento é bem maior. “Vai gastar R$ 1,5 milhão no mínimo”. A Linear também aceitou o convite da reportagem de TELA VIVA para oferecer um guia de investimentos. A empresa também oferece soluções digitais em ATSC para emissoras do México e Canadá. Trabalha no desenvolvimento do encoder H.264 (MPEG-4) e montou os sistemas experimentais de transmissão (200 W) na nova plataforma para as TVs Bandeirantes e MTV. Carlos Fructuoso, diretor de marketing da Linear, previu orçamentos para geradoras imaginárias com três sinais (HD, SD e portátil, por exemplo) e produção local em HD para cidades de até 100 mil e de mais de 300 mil habitantes. “No primeiro caso, um sistema com modulador, multiplexador e transmissor de 200 W sai por R$ 300 mil. Na segunda hipótese, com os mesmos itens e potência de 500 W, sai por R$ 450 mil”. A NEC fabrica encoders também, mas o portfólio da empresa não oferece transmissores de baixa potência. Herberto Yamamuro lembra que além do número de habitantes é importante levar em conta a dispersão geográfica da população na hora de dimensionar o projeto de cobertura de uma geradora que também transmita produção local em HD. “Para se ter uma ordem de grandeza, soluções completas para cidades entre 100 mil e 300 mil habitantes custam algo em torno de US$ 700 mil (FOB)”, estima o executivo da NEC. O pacote leva em conta também o sistema master (switcher, matrix, etc.) O sistema irradiante de uma retransmissora dispensa encoders e multiplexador. Orçamos o gasto para um exemplo hipotético numa cidade de até 100 mil habitantes. “Pode conseguir um pacote (transmissor e antena) por R$ 150 mil”, de acordo com Jakson Sosa. Fructuoso enfatiza que para se ter uma conta exata é preciso saber como é a chegada do sinal: recepção por microondas, satélite ou conexão por fibra ótica. Para um transmissor de 200 watts estima o custo do conjunto “entre R$ 200 mil e R$ 300 mil”.

>>


especial tv digital

Exibição e transmissão Compressão O grande nó na planta digital das geradoras é o encoder, responsável pela compressão e transporte. Para cada sinal diferente que entra no multiplexador é preciso um encoder. O equipamento tem onze processadores trabalhando simultaneamente. “O investimento em encoders responde por metade do custo de implantação de uma planta de transmissão digital”, avalia José Marcos Freire, diretor geral da Tecsys. A empresa trabalha há quatro anos com distribuição de sinais analógicos e agora digitais. Produz multiplexador, modulador e decoder (necessário à retransmissora que recebe o sinal ASI, digital puro, que não precisa de modulação. Tem a capacidade de decodificar e preparar para o lançamento). E é a primeira fabricante nacional de encoder H.264, resultado de uma parceria com a Intel e a Texas Instruments (que fornecem o chip de silício). A criação das plataformas e o desenvolvimento foram feitos por aqui. “Nós já mexíamos com MPEG-2, foi uma evolução natural ter a solução em MPEG-4, que é o encoder H.264”, explica José Marcos. A fabricação em série começa em outubro. O objetivo é oferecer uma alternativa mais barata. “O encoder importado custa US$ 70 mil , US$ 80 mil FOB. Nós vamos vender por US$ 52 mil, incluindo todos os impostos recolhidos no Brasil. No lançamento, 40% mais barato. A nossa luta é para que custe um terço do produto importado. Eu acredito que isso aconteça até o final de 2008. Tem muita gente usando H.264 no mundo. Para ganhar escala não depende só do Brasil”, argumenta. A migração digital é também um trabalho de dimensionamento. Antes de sair às compras, cada emissora precisa definir qual é o seu projeto. “Eu não preciso ter um multiplexador que atenda ‘N’ entradas de programação, ‘N’ entradas de dados, quando eu só quero explorar HD, um segmento e interatividade. Se há um equipamento para um conjunto de operações prédeterminadas, isso é muito mais barato que um equipamento que faz tudo, mas que eu só vou usar uma parte dele”, vai direto ao ponto Roberto Franco. A montagem da nova planta pode meter o broadcaster numa complicada relação com um emaranhado de fornecedores. “Eu não usaria modulador de um, encoder de outro. Quando der problema, um fabricante vai apontar que a culpa é do outro. Não podemos esquecer que estamos fazendo projetos para muito tempo. Não é uma TV digital para cinco anos”, afirma José Marcos Freire, da Tecsys. O conselho é de quem puxa a brasa para a própria sardinha, mas não deixa de ser um ponto para reflexão.

A escolha do padrão japonês para a TV digital brasileira foi anunciada em junho do ano passado. Desde então a indústria (também a nacional) se meteu numa corrida em busca da adequação da tecnologia à nossa realidade. “Os japoneses usaram soluções tecnológicas que não afetam muito o Brasil, mas que elevaram muito o preço final da planta digital”, alfineta Carlos Fructuoso. O broadcaster deve ficar atento às novidades que ainda estão por surgir. Roberto Franco dá um exemplo prático. “No Japão, o sincronismo dos transmissores é feito através de relógios de alta precisão de rubídeo. Mundialmente os transmissores são sincronizados por GPS. E no Brasil já surgiram soluções baseadas no GPS que são muito mais baratas”. Alguns fornecedores se mostram receosos em tornar público o preço dos equipamentos. Alguns dizem que só a vivência prática da montagem dos projetos vai fornecer as variáveis exatas para estabelecer orçamentos. Segmentos da indústria admitem o caráter especulativo em torno dos preços no momento. Uma das explicações é que a referência são os equipamentos usados pela TV digital japonesa. É certo, porém que divulgação serve para guiar os passos do broadcaster nesse estágio inaugural do padrão digital. “A tendência é de redução do custo dos equipamentos. E isso vai fazer com tenhamos uma diversidade de números muito maior ainda”, acredita o presidente da SET. A velocidade da queda será dada pela produção em escala. Quanto mais o processo de digitalização se espalhar pelo país, mais rápido os orçamentos ficarão enxutos. “Eu imagino que o início da interiorização aconteça no segundo semestre de 2008”, projeta Almir Ferreira, diretor do grupo RF/Telavo. Outro fator de propulsão é o estímulo à produção regional em HD. “Não dá para ficar muito tempo em SD, porque isso vai perder valor rapidamente. Se não oferecer HD logo vai ser uma frustração muito grande para quem comprar o aparelho novo de alta qualidade, mas vai ter em casa a mesma coisa que assiste hoje. Tem que premiar o investimento que o telespectador vai fazer”, cutuca o consultor Olímpio Franco. Humberto Costa

Clique para escanteio A interatividade não será uma preocupação prioritária inicial dos broadcasters. Acredita-se muito mais no impacto das imagens de alta resolução no primeiro momento. “A interatividade é uma área em que as emissoras vão ter que aprender muito. A Globo tem feito iniciativas muito simples. Até porque os softwares dos receptores de TV paga usados hoje não permitem nada muito sofisticado. O pessoal da criação resiste em criar algo que não vai para o ar. Agora é que eles começaram a ficar interessados”, afirma Liliana Nakonechnyj, diretora de engenharia de transmissão e apoio às afiliadas da Rede Globo. Cada tipo de transmissão (para TV fixa ou portátil) terá um software, que ainda estão em desenvolvimento. “O receptor fixo vai ter mais memória que o portátil, o que determina maior capacidade de processamento. Na transmissão para TV fixa será possível fazer peças bem mais bonitas que hoje, com maior agilidade, maior sincronismo com o vídeo”, explica Liliana. O desenvolvimento de programas interativos, inicialmente, ficará a cargo das cabeças de rede. As retransmissoras preparadas para o digital poderão carregar programas do gênero. Na lista de prioridades dos broadcasters, a interatividade tem outro concorrente além da exuberância das imagens em HD. Roberto Franco, presidente da SET, acredita que a transmissão portátil, para celular, ou aparelho de até 14 polegadas,em movimento, “será um fenômeno anterior à interatividade”.


A única empresa que pode oferecer a verdadeira interoperabilidade entre todo o seu portifólio de produtos para todo o workflow de sua emissora. Operações de Negócios: A plataforma H-Class é a única no mercado que permite total interoperabilidade entre diversas aplicações para operações de vendas de comerciais, tráfego, planejamento da programação e cobrança.

Gerenciamento de Conteúdo: Permitimos aos geradores de conteúdo a buscar, gerenciar e valorizar seu acervo digital, de forma mais eficiente e efetiva.

Jornalismo e Edição: Oferecemos um fluxo de trabalho baseado em arquivos de vídeo de ponta a ponta, o que torna mais rápida a operação da edição à exibição mantendo, contudo, a flexibilidade de formatos e uma produção eficiente em um verdadeiro ambiente de armazenamento compartilhado.

Processamento Central: Provemos a solução que integra todo o seu fluxo de trabalho em uma infra-estrutura interoperante.

Transmissão do Canal: Integramos a automação com o controlemestre e o sistema gráfico para que o seu conteúdo seja transmitido com a sua marca registrada de forma flexível, criativa e com qualidade.

Transporte de Conteúdo:

Transmissão:

Transportamos o seu conteúdo de forma rápida, fácil e limpa – para qualquer lugar , através de uma solução de codificação e decodificação de sinais, independente do formato e do tipo de compressão usado.

Ajudamos a sua estaçãoa a migrar, de forma segura, para o futuro digital com a mais vasta linha de soluções de transmissores do mercado.

IPTV/ TV Móvel: Colocamos a TV dentro dos mundos IP e Móvel, com a mais completa linha de soluções ponta- a-ponta.

Transição. Migração. Evolução. Na indústria de broadcast, as mudanças estão em todo lugar e acontecem de forma rápida. A Harris Corporation é a empresa que possui a mais vasta gama de tecnologias e a mais profunda experiência para ajudá-lo a alavancar qualquer oportunidade que o futuro possa trazer para a sua empresa. Lucre com os novos modelos de negócio de multi-canais. Melhore os fluxos operacionais e a redução de custos da sua empresa. Mova o seu conteúdo para qualquer lugar, de forma rápida, fácil e com segurança. Construa a sua infra-estrutura de mídia digital para o futuro de sua empresa. Com a Harris.

Para mais informações visite www.broadcast.harris.com. Brasil +55-11-4197-3105 / +55-11-4197-3113 | América Latina +1 786 437 1960

assuredcommunications ® B r o a d c a s t • G o v e r n m e n t

S y s t e m s

R F

C o m m

www.harris.com M i c r o w a v e


especial tv digital

Financiamento

Mapa

da mina

Veja como funciona o programa de financiamento da BNDES para o processo de transição das emissoras de TV.

O

desembolso que a radiodifusão terá de fazer na transição para o digital não será em busca de novas receitas, mas uma necessidade para manter a fatia da televisão no bolo publicitário na disputa com as mídias emergentes. É aí que surge a principal questão: como bancar este investimento se ele não vem necessariamente acompanhado de aumento significativo de receita? O telespectador de baixa renda que comprar um set-top box para receber o sinal com melhor qualidade provavelmente vai usar o financiamento das redes vareijistas. Ao radiodifusor, o BNDES apresentou uma alternativa com taxas bem mais baixas que as praticadas pelas grandes redes de varejo, o Programa de Apoio à Implementação do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (Protvd). Com linhas de financiamento para infraestrutura e produção de conteúdo, o Protvd conta com orçamento de R$ 1 bilhão e vigência até 31 de dezembro de 2013. O BNDES apoiará atividades de pesquisa e desenvolvimento, modernização da infra-estrutura, produção de seus insumos (software, equipamentos e componentes) e novos conteúdos digitais. O programa é subdividido em três: o Protvd Fornecedor, o Protvd Radiodifusão e o Protvd Conteúdo. O valor mínimo para financiamento direto do BNDES foi reduzido. Normalmente, este tipo de empréstimo ocorre nas operações acima de R$ 10 milhões. Radiodifusão O Protvd Radiodifusão financiará a implantação da rede de transmissão digital e modernização da rede de transmissão analógica ao longo do período de transição de dez anos, além da implantação, ampliação, recuperação e modernização de estúdios, e capacitação, treinamento e qualidade. O valor mínimo para a concessão de crédito direto é de R$ 5 milhões e as beneficiárias serão as concessionárias do serviço de radiodifusão e as retransmissoras. Com exceção da infra-estrutura de transmissão - que conta com fornecedores nacionais -, os equipamentos de estúdio com índice de nacionalização superior a 60%, assim como máquinas e equipamentos importados novos sem similar nacional, também poderão ser financiados. O primeiro projeto aprovado para uso desta

linha foi de um financiamento para o SBT, de R$ 9,2 milhões. Os recursos serão destinados à modernização dos transmissores analógicos, garantindo a qualidade do sinal durante o período de transição da TV analógica para a TV digital. O projeto prevê a aquisição de transmissores para as oito emissoras e uma afiliada do SBT e a substituição de três torres de transmissão. Conteúdo O financiamento do conteúdo contará com condições diferenciadas para a produção própria e a aquisição de produção independente e valerá para novos projetos de documentários, dramaturgia e educativos. O subprograma financiará a produção de conteúdo produzido pelas emissoras para TV no valor mínimo de R$ 3 milhões e apoiará até 60% dos itens financiáveis do projeto, com taxa de TJLP + 3% ao ano. No caso da aquisição de conteúdo de produtoras independentes, o financiamento será de até 90% dos itens financiáveis do projeto, com taxa de TJLP + 2% ao ano. Fornecedor O Protvd Fornecedor apoiará investimentos de empresas produtoras de software, componentes eletrônicos e equipamentos do SBTVD-T. O valor mínimo para financiamento direto é de R$ 400 mil para pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação, e R$ 1 milhão para os demais empreendimentos apoiáveis. Este será o único subprograma entre os três criados que incluirá a modalidade de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P, D & I). A linha oferece taxa fixa de 4,5% ao ano e participação do banco de até 100% para investimentos em inovação. Há ainda a cobrança de um spread de risco que varia de 0,8% a 1,8%. O programa dispensa garantias reais para a realização de investimentos em inovação até o valor de R$ 10 milhões de financiamento. Os beneficiários desse subprograma serão as empresas nacionais ou estrangeiras com sede no País que mantêm atividades de desenvolvimento e/ou produção de software, componentes eletrônicos, equipamentos ou infra-estrutura para a rede de transmissão, equipamentos de recepção e para a produção de conteúdo para a TV digital. Financiamento coletivo A apresentação de propostas coletivas para financiamento de projetos de TV digital pode ser a solução para emissoras que tenham dificuldade de ter seu crédito aprovado junto ao BNDES. A idéia é que as cabeças de rede se juntem a algumas afiliadas e apresentem pedidos em conjunto, em vez de cada emissora procurar o banco separadamente. O chefe do departamento de indústria eletrônica do BNDES, Maurício Neves, disse em evento realizado pelo banco em julho deste ano que não há problema nenhum, desde que a cabeça de rede assuma o risco pelas suas afiliadas. Da redação


(audiência - TV paga) Canais de esportes crescem com o Pan milhões de pessoas por dia, e um tempo médio diário de audiência de duas horas e 13 minutos. O levantamento do Ibope Mídia considera as seguintes praças: Grande São Paulo, Grande Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Distrito Federal. Em mês de férias escolares, o canal que mais se destacou entre o público de 4 a 17 anos foi o Cartoon Network, com alcance de 18,2% e tempo médio de 58 minutos. Em seguida no ranking, aparecem Disney Channel, Nickelodeon, Discovery Kids e Multishow. O crescimento mais expressivo foi no alcance do Disney Channel, que ficou em 17%, contra 7,4% no mês de junho. Os dados referem-se ao público infantil (universo: 1.031.700 indivíduos), nas mesmas praças citadas anteriormente. Neste grupo, o alcance médio total dos canais foi de 50,1% e o tempo médio diário de audiência foi de duas horas e 35 minutos.

Foto: divulgação

O

s jogos Pan-americanos, que aconteceram em julho no Rio de Janeiro, levaram a um crescimento significativo da audiência dos canais esportivos de TV por assinatura. Os canais SporTV ficaram entre os cinco mais assistidos entre o público adulto (universo: 4.934.300 indivíduos). O primeiro lugar no ranking ficou para o SporTV, com alcance diário médio de 13,3% e tempo médio diário de audiência de 45 minutos. O segundo e o terceiro lugar do ranking ficaram com TNT e Globo News, com alcance médio de 12,3% e 10,4% respectivamente. Em quarto lugar aparece o SporTV 3, com alcance de 9,5% e 24 minutos de tempo médio de audiência. O SporTV 2 subiu da 17ª posição em junho para o quinto lugar em julho, com alcance de 9,4% e tempo médio de 33 minutos. A ginástica foi a modalidade mais assistida durante os jogos no SporTV. Segundo o Ibope Telereport, nas

Jogos Pan-americanos levaram os canais SporTV ao topo do ranking de audiência.

praças Grande São Paulo e Grande Rio de Janeiro, entre os dias 13 e 29 de julho, a maior audiência do canal foi no dia 17, com as finais masculina e feminina da ginástica por aparelhos. Além dos canais da Globosat, a ESPN Brasil também figurou no ranking dos vinte canais mais assistidos, com 6,7% de alcance médio. No público com mais de 18 anos, o alcance diário médio foi de 50,2%, ou 2,479

(Daniele Frederico)

Alcance e Tempo Médio Diário 

Total canais pagos SporTV TNT Globo News SporTV 3 SporTV 2 Multishow Universal Channel AXN Warner Channel Fox Cartoon Network Discovery Disney Channel ESPN Brasil Telecine Premium GNT Sony Discovery Kids HBO National Geographic

De 4 a 17 anos* 

(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio 50,2 2.479 2:13:36 13,3 655 0:45:11 12,3 605 0:25:52 10,4 514 0:32:43 9,5 470 0:24:13 9,4 462 0:33:04 9,1 448 0:15:53 8,3 410 0:33:05 8,1 398 0:20:02 7,8 387 0:24:14 7,7 380 0:24:48 7,4 367 0:36:04 7,4 366 0:17:08 7,4 367 0:38:26 6,7 332 0:40:10 6,5 322 0:24:48 6,3 311 0:19:19 6,0 297 0:22:04 5,4 269 0:46:19 5,4 264 0:22:36 5,3 263 0:13:14

Total canais pagos Cartoon Network Disney Channel Nickelodeon Discovery Kids Multishow TNT SporTV Jetix SporTV 3 Fox SporTV 2 Telecine Pipoca Telecine Premium Boomerang ESPN Brasil AXN Discovery Globo News Warner Channel HBO

*Universo 4.934.300 indivíduos

*Universo 1.031.700 mil indivíduos

T e l a

V i v a

s e t 2 0 0 7

(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio 50,1 517 2:35:26 18,2 188 0:58:27 17,0 176 1:19:07 12,1 125 0:38:42 11,6 120 1:09:35 10,5 108 0:22:10 10,1 104 0:29:10 9,9 102 0:35:53 7,3 75 0:47:03 7,0 73 0:21:34 6,8 70 0:33:46 6,5 67 0:25:10 5,9 61 0:33:56 5,5 57 0:24:49 5,1 53 0:20:32 5,1 53 0:28:03 5,1 52 0:20:35 5,0 52 0:14:25 4,6 48 0:26:22 4,3 45 0:20:19 4,2 44 0:18:01

53

Fonte: IBOPE Telereport – Tabela Minuto a Minuto – Julho/2007.

Acima de 18 anos*


( making of )

Lizandra de Almeida

l i z a n d r a @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

fotos: divulgação

Aproveitando a realização do 18º Festival Internacional de Curtas-metragens de São Paulo, escolhemos dois filmes entre os dez preferidos do público para o Making Of deste mês. São dois filmes bem diferentes – um documentário e uma animação em computação gráfica – com histórias de produção interessantes.

Farkas e as imagens originais de 1954. Material ganhou trilha nova, pois a câmera não captava sons.

Pixinguinha e a velha guarda do samba

E

m 1954, ano do 400º aniversário de São Paulo, a cidade passava por muitas mudanças e era o epicentro da industrialização e do desenvolvimento do País. O ano inteiro foi pautado por comemorações, shows e festas. Em abril, Pixinguinha e vários músicos cariocas de primeira linha vieram a São Paulo para um show no Parque do Ibirapuera. João da Baiana, Donga, Almirante e Benedito Lacerda eram alguns deles. O jovem fotógrafo Thomas Farkas, filho do dono da loja de fotografia Fotóptica, levou ao parque sua câmera 16 mm movida a corda e captou imagens de Pixinguinha e dos músicos da velha guarda. Esse material ficou guardado em sua casa por 50 anos. E foi encontrado em 2003, em meio

a outras latas de filmes revelados. Essa é a história do documentário “Pixinguinha e a Velha Guarda Do Samba”, que intercala depoimentos de Farkas e as imagens de 1954, em preto e branco. A qualidade das imagens é incrível e, mais do que um documento de época, é praticamente o único registro existente do grupo de músicos, Pixinguinha incluído. A câmera, porém, não captava sons. Foi feita então uma pesquisa e o programa do evento foi encontrado no Instituto Moreira Salles. Daí se descobriu que músicas o grupo estava tocando na hora da filmagem. Mas não havia registro sonoro da ocasião, então procurou-se outras gravações. “Não era possível fazer um sincronismo absoluto, então pensamos em intercalar os depoimentos do Farkas interrompendo os trechos das imagens originais, com comentários que

54

T e l a

V i v a

s e t 2 0 0 7

ajudassem a entender o trabalho todo”, explica o co-diretor do filme, Ricardo Dias. Alguns solos de pandeiro e percussão foram regravados em estúdio, para complementar a gravação original. As imagens foram captadas com essa câmera antiga, cuja corda era suficiente para filmar planos de 30 segundos. “Aí era preciso dar corda novamente”, diz Ricardo. A câmera tem mais de 100 anos, e é posterior às primeiras, movidas a manivela, todas elas ainda sem motor. Na Segunda Guerra Mundial, conta o diretor, surgiram modelos a corda com mais autonomia. “Era o vídeo caseiro da época, mas não era tão popular.” “O material foi apresentado na festa dos 450 anos de São Paulo, em 2004, numa exposição na Fiesp. Havia uma cabine onde os trechos eram exibidos com a música aproximadamente sincronizada, sem cortes”, explica Ricardo Dias. O filme também é um registro de uma época em que as celebridades estavam muito mais próximas de seu público. Farkas levou sua câmera e seu tripé, se


Farkas, filho de Thomas no curso de cinema da ECA-USP, que fotografou as cenas de depoimento do pai. “A gente filma e fotografa para lembrar. Acho incrível que as pessoas percam o que fizeram. Se de um lado é incrível termos esse material, de outro é vergonhoso que provavelmente a melhor imagem de um músico como Pixinguinha tenha sido feita por um amador (que depois se tornaria um grande profissional), que guardou isso porque tem esse cuidado com tudo o que faz.”

instalou a poucos metros do palco e deixou para a história imagens únicas. “O material estava em ótimas condições, porque uma pessoa que gosta de fotografia e cinema se preocupa com isso. Essa nossa preocupação com a preservação é uma das razões da afinidade entre o Thomas e eu.” Todo o trabalho é um encontro de memórias e afinidades. Thomas Farkas foi aluno do pai de Ricardo Dias na Escola Politécnica, e Ricardo foi colega do fotógrafo Pedro

ficha técnica Produtora Cinematográfica Superfilmes Direção Thomaz Farkas e Ricardo Dias Produção executiva Zita Carvalhosa Direção de fotografia Thomaz Farkas e Pedro Farkas Direção de produção Daniel Santiago Som direto Gabriela Cunha Montagem Marcio Miranda Perez Pesquisa musical José Luiz Herencia e Marcelo Nastari Edição de som Alexandre Guerra Ruídos de sala Daniel Turini Mixagem Paulo Gama

Vida

lançaram uma nova versão, baseada no retorno que dei e em outras modificações. Mas era incompatível com a versão que eu estava usando. Ajudou, mas a versão atual teria ajudado muito mais.” Outro problema sério era a renderização. “Queria dar saída em HD, com 1920 x 1080 de resolução, e tinha duas máquinas boas, mas vi que só a renderização ia levar quatro meses. E a verba estava acabando, não tinha como contratar alguém para isso. Pesquisei e encontrei outro programa, chamado Alien Skin Blow-up, que funciona como o redimensionador do Photoshop, mas com de uma forma matemática muito mais complexa. Fiz um teste com a versão demo e percebi que poderia renderizar na metade da resolução, usando o plug-in depois para ampliar. É como um blow-up eletrônico mesmo.” O conhecimento da linguagem Max Script, do 3D Max, também foi muito útil na hora de programar. “Quando a gente trabalha sozinho tem que resolver todos os problemas técnicos. O ruim é que se não prestar, não tem em quem botar a culpa. Mas quando dá certo, os louros são todos pra você.”

O

s ciclos de vida que se autoreproduzem sem questionamento são o tema desta animação do cearense Márcio Ramos, que está arrebatando prêmios por todos os festivais onde é exibido. O filme conta a história de Maria José, uma menina que vive no interior do Nordeste e está aprendendo a ler e escrever, mas que abandona os estudos para ajudar a mãe na lida diária do sítio e da casa. Conforme trabalha, Maria José cresce e envelhece, reproduzindo a vida de sua mãe e transferindo para a filha o ciclo que herdou. “Não quis dar uma conotação de valor, do que é certo ou errado, mas mostrar que a gente se envolve em ciclos dos quais não consegue escapar”, afirma o diretor. “É uma história muito simples, mas que serve de metáfora para outras situações de vida.” Márcio trabalha com computação gráfica desde 1992 e vinha acalentando o projeto de fazer um curta desde 1999. “Tinha vontade de produzir, mas nunca tinha tempo. Foi passando e eu não parava para fazer o roteiro. Da mesma forma que a personagem, a gente fica naquele ciclo e não consegue desenvolver nosso lado criativo.” Em 2003, o diretor finalmente escreveu o roteiro e ganhou o Prêmio Ceará de Cinema e Vídeo, um edital do estado. “Fui contemplado com nota máxima, então me vi na obrigação de

Animação cearense conta a história de Maria José, que abandona os estudos para ajudar a mãe.

fazer o melhor possível.” Originalmente, ele montou uma equipe de sete pessoas, mas como os recursos demoraram sete meses para serem liberados, o grupo se dispersou. Decidiu, então, tocar o projeto sozinho. Durante um ano, dividiu seu tempo entre o trabalho em publicidade e o filme. “Mas vi que se não me liberasse não ia conseguir terminar o filme.” Daí, passou mais um ano dedicado exclusivamente ao curta. Em setembro de 2006, o filme foi finalizado na Link Digital, no Rio de Janeiro. O trabalho foi todo feito no software 3D Max e, para otimizar o processo – já que estava trabalhando sozinho – Márcio Ramos buscou plug-ins que o ajudassem. “Fiz um acordo com uma empresa na Nova Zelândia que tinha um plug-in ótimo para animar as caminhadas, chamado Character Animation Tool Kit. O programa simula isso e como havia muitas cenas com caminhadas no filme, entrei em contato com eles. Eles me venderam o software por um preço bem abaixo e fiz o beta-teste.” Como estava em teste, o software ainda dava alguns erros. “No meio do processo eles

T e l a

V i v a

s e t 2 0 0 7

ficha técnica Produção Co-produção Direção, modelagem, animação e composição Trilha original Finalização

55

ViaCG Trio Filmes Márcio Ramos Hérlon Robson Link Digital


( negócios )

Daniele Frederico

d a n i e l e @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

E você, já comprou a sua passagem? Três novos serviços de mídia em meios de transporte são lançados em São Paulo; conteúdo exclusivo é o destaque do meio.

S

air da zona Sul de São Paulo e chegar à zona Norte assistindo dicas de roteiros culturais da cidade. Saber o resultado do jogo do seu time favorito enquanto vai do Ipiranga para o Sumaré de metrô. Conhecer a história de um bairro paulistano enquanto espera o trem. Todas essas situações podem ser vivenciadas no dia-a-dia do paulistano, que somente em 2007 ganhou três novos serviços de mídia indoor em meios de transporte ou em suas plataformas, com destaque para o fato de duas empresas prestadoras desses serviços serem produtoras audiovisuais. A Mixer estreou em setembro a TVO, televisão nos ônibus metropolitanos, enquanto a TV Minuto, comandada por Sávio de Tarso, foi implantada no metrô em caráter de testes em maio. Além desses trabalhos, que tomam lugar dentro dos veículos, a Estação 8 lançou em agosto a TV Trem, formatada para a transmissão de conteúdo com imagens e sons nas plataformas de trens da CPTM. O que todas elas têm em comum é o fato de terem seu conteúdo pensado especificamente para o meio. São notícias, serviços inerentes ao próprio meio de transporte, variedades e agenda cultural produzidos e transmitidos em blocos rápidos de programação, para que o usuário não perca o ponto, a estação ou o trem. Além disso, são pensadas para um público que não tem direito ao zapping da TV naquele momento. “Temos de tomar cuidado para não causar constrangimento no público”, diz o idealizador da TV Minuto, Sávio

pensada por esses produtores é a possibilidade de utilização da TV digital aberta, que permitirá, entre outras funções, a mobilidade. Uma vez que todos parecem concordar que esse tipo de mídia requer conteúdo específico, criado para quem passa poucos minutos dentro de um veículo, ou esperando por ele, a solução seria fazer um acordo com um canal para a utilização de uma faixa do espectro. “O conteúdo para o ônibus, por exemplo, só funciona no ônibus”, diz Ribeiro. “Seria interessante utilizar um canal aberto do ponto de vista da transmissão, já que é mais barato transmitir ao vivo. Ainda assim, perdese o recurso de segmentação”, afirma o diretor da TVO. Confira a seguir os três novos serviços lançados recentemente em São Paulo.

Só não vale perder o ponto de Tarso. “Notícias sobre violência, por exemplo, não nos interessam, pois dispersam a audiência”. Esse crescimento no número de serviços em meios de transporte poderia ser visto como uma conseqüência da Lei Cidade Limpa, que proibiu a publicidade exterior em São Paulo. Para Fábio Ribeiro, da Mobile Mixer, divisão da produtora para novas mídias, os novos serviços não são necessariamente fruto dessa necessidade, mas sim uma tendência mundial. “Não é só em São Paulo que este tipo de mídia indoor está sendo utilizado, o mercado está ‘quente’ no mundo todo. Fazer esse tipo de trabalho está muito mais associado à tecnologia do que a uma oportunidade de mercado”, diz. Outra característica que já pode ser

56

T e l a

V i v a

s e t 2 0 0 7

Quando começaram os trabalhos para a criação da TVO, uma televisão para ônibus metropolitanos, em novembro de 2006, a equipe da Mixer – sócia minoritária e administradora da empresa, que é formada por empresários do setor de transportes – tinha em mente algo sofisticado em relação à tecnologia a ser utilizada. A idéia era fazer conteúdo online, em tempo real, como acontece em algumas mídias indoor espalhadas por pontos da cidade. Em um primeiro momento, no entanto, a idéia mostrouse inviável. A solução, então, foi criar uma televisão cujo conteúdo fosse atualizado uma vez ao dia, no momento em que o ônibus encontrase estacionado na garagem. “No


de cidadania com as letras “T”, “V” e “O” animadas. Segundo Ribeiro, o conteúdo será sempre exibido em tela cheia, ao contrário de outras mídias indoor. “Essas telas cheias de informação, no ônibus, virariam paisagem”, diz. A grade terá um looping de 30 minutos diariamente. TVO: Mixer prevê a instalação de monitores em 500 ônibus até meados de outubro. Nesse período, a SP Trans, empresa municipal que gerencia o de 1,5 mil monitores nesse primeiro transporte coletivo, tem a opção de usar momento. Para essa fase do projeto, três minutos para o seu conteúdo próprio. que compreende 164 linhas do Há ainda nove minutos reservados para a sistema SP Trans, foram investidos publicidade, que é o carro-chefe do modelo cerca de R$ 3,5 milhões. “Nosso de negócios. “Vamos usar provavelmente universo de trabalho compreende 6,5 seis minutos de publicidade. Assim, mil ônibus, de uma frota de cerca de teremos de 18 a 21 minutos de conteúdo oito mil na capital paulista”, diz Fábio por dia, com um pouco mais de tempo Ribeiro. Devido a fatores como a idade dedicado a cultura e lazer”, diz Ribeiro. da frota, a instalação das telas não O pacote básico de publicidade conta com acontecerá em todos os ônibus. Até o três inserções (breaks de 15 segundos) a início do ano que vem, outros 700 cada meia hora. “O anunciante que veículos devem contar com monitores, entendeu que essa mídia não está totalizando 3,6 mil telas e público de substituindo outra está construindo uma um milhão de passageiros. estratégia específica. Ele acaba tendo que A segunda fase do projeto, que tem fazer outro filme, somente para essa mídia, início em abril de 2008, deve contar já que ele não conta com o áudio neste com novidades de conteúdo e caso”, afirma o diretor. tecnologia. Uma dessas possibilidades Para entender o que os passageiros é ter conteúdo para a rede toda, ao estão achando da nova mídia, a empresa vivo, com adequação por faixa instalou câmeras em 12 ônibus da frota horária. Outro caminho seria ter que capturam a reação dos usuários a conteúdo diferenciado por ônibus e determinados conteúdos. Cada um desses por horários, de acordo com a região ônibus conta com seis câmeras, e o que abrange. “Com a definição de material será destinado apenas à pesquisa. certas tecnologias como Wimax, 3G e No momento, há 12 pessoas na produção TV digital, podemos seguir diferentes de conteúdo para a TVO, dez na área caminhos nesta segunda fase”, conta comercial e de operações, e outras vinte Ribeiro. O executivo diz ainda que trabalhando em tecnologia e instalação existe a possibilidade de expandir o (essas últimas são da Prodata, empresa serviço para oito grandes capitais e responsável por este aspecto do projeto). para a Grande São Paulo. A instalação das telas de LCD de 17’’ teve início no início de setembro. Até 12 de Na espera pelo próximo trem outubro, a previsão é de ter 500 ônibus Não é só dentro dos veículos que é com monitores instalados (são dois nos possível ter televisão. Na linha C de ônibus standard, três nos articulados e trens da CPTM, por exemplo, circulam quatro nos bi-articulados), totalizando cerca diariamente 128 mil pessoas, em sua FOTOS: divulgação

momento em que o ônibus é abastecido e lavado, ele recebe o conteúdo via conexão wireless”, explica o diretor da TVO, Fábio Ribeiro. O equipamento, constituído por um player, conexão wireless, conexão serial, memória flash, processador e saída de vídeo em vários formatos, está totalmente integrado ao ônibus. Como os funcionários da empresa não podem executar a função de ligar e desligar os monitores, a produtora buscou uma tecnologia que pudesse ser acionada no momento em que o ônibus começasse a circular. “O sistema está conectado à catraca eletrônica. No momento em que é liberada, os monitores ligam”, explica Ribeiro. Já que o monitor fica o dia todo ligado – e o seu acionamento não depende da ação de um funcionário – a empresa optou por não ter áudio instalado. Segundo o diretor da TVO, a escolha deve-se a três motivos: respeito à audiência, problema técnico para modular o áudio no ônibus e ainda a característica em looping da grade de conteúdo. “O motorista e o cobrador escutariam o dia todo a mesma grade repetindo-se”, afirma. O conteúdo exibido é dividido em quatro grandes grupos: humor, entretenimento, contemplativo e cultura e cidadania. No caso do conteúdo de humor, parte dele será constituído de vídeos comprados fora do Brasil, como desenhos animados, video-cassetadas e pegadinhas. O entretenimento tem sido produzido dentro da própria Mixer, com a mistura de imagens e vídeos com textos, e mostrando receitas, artesanato e outros. O conteúdo contemplativo, que deve entrar em menor quantidade na programação, terá vídeos com destinos de viagem, ecologia e imagens brasileiras. Esse grupo tem contado com conteúdos do banco de imagem da produtora. Em cultura e cidadania estão dicas de roteiro cultural da cidade, com destaque para eventos gratuitos. A Mixer também produz um quadro

T e l a

V i v a

s e t 2 0 0 7

57

>>


( negócios) Instalados em plataformas da CPTM, telas da TV Trem transmitem conteúdo produzido pela Estação 8.

totalizando 45 televisores. Segundo o gestor de tecnologia do projeto, Fernando Terzian, existe também uma preocupação com a arquitetura da estação, para não atrapalhar o fluxo de pessoas, especialmente nos horários de maior movimento. Cada televisor instalado exibe três painéis simultâneos: o central exibe conteúdos em vídeo; o lateral apresenta mensagens compostas de textos e imagens, com conteúdo de utilidade pública (como previsão do tempo, fornecida pela Climatempo), avisos da CPTM e publicidade; e no rodapé são transmitidas notícias em formato de texto, fornecidas pelo Terra. Os painéis são independentes, por isso podem ser atualizados separadamente. Os textos de notícias podem ser atualizados em tempo real, enquanto os vídeos passam por compressão e criptografia para então serem enviados ao receptor na estação.

maioria das classes B, C e D. Antes de entrar nos trens, porém, elas esperam de seis a vinte minutos nas plataformas. Ao observar essa oportunidade a Estação 8 fechou uma parceria com a CPTM para a instalação de televisores nas plataformas da linha C. O investimento inicial no projeto foi de R$ 1,7 milhão, aplicados especialmente em pesquisa e na compra dos televisores. “A CPTM tinha essa vontade e nós já pesquisávamos conteúdo e tecnologia para esse tipo de mídia há dois anos”, diz a sócia da produtora, Sandra Jonas, que conta também que os testes tiveram início em março e a

“não é só em são paulo. este tipo de mídia está quente no mundo inteiro”, diz ribeiro, da mixer. conclusão do projeto aconteceu em 1° de agosto, quando já estavam instalados televisores nas 15 estações da linha escolhida. A produtora optou pela transmissão do conteúdo pela Internet, por meio do Speedy, da Telefônica. Uma central de comunicação, localizada na sede da Estação 8, em São Paulo, envia a programação para as estações. Fez parte do projeto a implantação de toda a infra-estrutura necessária nas plataformas, que compreende não só os televisores, mas também uma caixa responsável pelo armazenamento e ordenamento das informações. Foram instaladas em média quatro telas de LCD de 32’’ em cada estação,

O processo demora, segundo Terzian, tempo máximo de cinco minutos. As imagens já transmitidas são armazenadas para utilização posterior, sem atraso. A tecnologia foi desenvolvida em parceria com a empresa Trezian. No caso do painel central, a programação encontra-se dividida em blocos de três minutos. Esse tempo foi definido para que os usuários que aguardam o trem na plataforma possam assistir ao bloco do começo ao fim. No caso do painel central, a programação encontra-se dividida em blocos de três minutos. Esse tempo foi definido para que os usuários que aguardam o trem na plataforma possam assistir ao bloco do começo ao fim. No total, é exibida 1h30 de

58

T e l a

V i v a

s e t 2 0 0 7

programação diariamente, repetida de forma randômica durante as 20 horas em que as estações encontram-se abertas (das 4h à meia-noite). O conteúdo é separado nos blocos Cultura, Lazer, Em Cartaz (neste caso, a agenda cultural pode aparecer em formato de texto com imagem), Esporte, Cidadania, Perto da Estação (que trata das histórias e curiosidades sobre o entorno das estações da linha C) e Descubra São Paulo. A Estação 8 é responsável por 80% desse conteúdo, que pode vir em formato de matérias jornalísticas ou conteúdo customizado. “Podemos fazer alguns desses blocos de conteúdo customizados para anunciantes”, afirma Sandra, que lembra ainda que a produtora tem trabalhado com esse tipo de solução para outras mídias, como a televisão. O modelo de negócios baseia-se na publicidade, que pode ser comercializada tanto na forma de conteúdo customizado, quanto em cotas de patrocínio. Existem cotas de 20 a cem comerciais diários, que podem ser, inclusive, os mesmos utilizados para a TV. Os comerciais são exibidos entre os blocos de três minutos. Em agosto, primeiro mês de operação, Unilever (com os produtos Seda e Rexona), Pão de Açúcar e Universidade Mogi das Cruzes foram os anunciantes. A Unilever (Seda Chocolate) fechou acordo também para setembro. A comercialização dos espaços é feita pela empresa Exibição Propaganda.

“Próxima estação: conteúdo” O meio de transporte mais rápido da cidade de São Paulo também ganhou a sua televisão. Trata-se da TV Minuto, que hoje está presente em dez trens da linha 2 (verde) do sistema, por onde passam cerca de 330 mil pessoas todos os dias. A nova televisão foi idealizada por Sávio de Tarso, que no passado, foi dono da produtora audiovisual Via Láctea, com foco em filmes publicitários. A grande questão para Tarso era como seria feita a atualização do


conteúdo nos trens, já que a maior parte da extensão da linha é subterrânea. Foi o engenheiro Benedito Ribeiro que, em 2004, apresentou uma tecnologia criativa para esse tipo de trabalho nos trens. Em meados de 2006, Tarso conseguiu a concessão para a prestação do serviço por meio de uma licitação. A solução consiste em transmitir, via fibra ótica, os conteúdos da base da TV Minuto, localizada no bairro de Vila Mariana, em São Paulo, para as estações. Cada uma delas está equipada com um transmissor de rádio, que recebe a informação e a transmite para a antena localizada no trem, no momento em que o trem chega à estação. A informação é passada para as telas de LCD de 17’’. “Ele atualiza apenas aquilo que foi modificado desde a última atualização. O resto das informações continua disponível para o looping”, diz Tarso. Ainda que, inicialmente, a atualização do conteúdo esteja sendo feita mecanicamente (ou seja, uma vez por dia um funcionário da TV Minuto atualiza o conteúdo nos trens) a idéia é que ainda este mês o sistema online já esteja em funcionamento na linha verde. Nesta primeira fase, a TV Minuto conta com notícias, em formato de texto; conteúdo de cidadania, meio-

No metrô, TV Minuto terá notícias atualizadas por rádio, no momento em que o trem chega à estação.

ambiente e agenda cultural da cidade, que além de texto também podem ter fotos; e informações fornecidas pelo metrô. “Notícia é o nosso foco”, diz Tarso. Caso haja conteúdo em vídeo, este será transmitido sem som. O looping acontece a cada 30 minutos, mas as notícias são atualizadas em tempo real. É a própria equipe da TV Minuto, formada por 35 pessoas, que apura notícias publicadas, já que a TV ainda não ter parceria para o fornecimento de conteúdo. A meta é renovar 200 notícias por dia, em média. Além do jornalismo, é possível ter conteúdos patrocinados, como já acontece com o tema educação ambiental. Neste caso, a TV Minuto realiza o piloto e o restante da produção é solicitada a uma produtora. “Podemos ter parceiros, mas queremos independência. Não queremos ser um mero veiculador de publicidade”, afirma Tarso. Ainda assim, o modelo de negócios baseia-se especialmente na publicidade, com possibilidade de fazer vinhetas, conteúdo próprio (programas) e comerciais

de 15 segundos. A cota básica de patrocínio inclui uma inserção a cada 30 minutos, totalizando 40 inserções diárias (no total, a TV fica no ar durante 20 horas por dia). A idéia é que o usuário, que permanece em média 15 minutos no trem (15 para ir a um determinado lugar e outros 15 para voltar) não veja comerciais repetidos. No momento, a empresa conta com cinco anunciantes (que promovem oito produtos diferentes). Tarso já planeja a expansão da TV para as outras linhas do metrô. “Já temos 25% da instalação dos monitores na linha 3 (vermelha) pronta”, diz. “Quando chegarmos a 50%, começamos a instalar também na linha 1 (azul)”.


( produção)

DocTV: modelo de resultados Programa da Secretaria do Audiovisual do MinC chega à quarta edição com quase cem documentários produzidos pelo convênio e torna-se modelo para outros países e regiões. com recursos estaduais esse número sobe para 115), com investimento total no programa de R$ 22,846 milhões. A exibição fica por conta das 25 TVs participantes (19 associadas Abepec e seis associadas em caráter excepcional). Antes da seleção, são realizadas oficinas para a formatação de projetos, em nível estadual, que nessas três edições contaram com a participação de 1,333 mil pessoas. Após a contratação, o documentarista ainda participa de uma oficina para o desenvolvimento de projetos. “Pensamos, para o DocTV IV, em uma oficina para desenho criativo de produção. Seria uma tentativa de ‘tradução’ de cada estratégia de abordagem em desenho de produção”, diz o coordenador executivo do DocTV, Paulo Alcoforado.

deslocamento da exibição do documentário para uma faixa mais adequada de programação”, diz Paulo Alcoforado, lembrando que o programa brasileiro foi exibido aos domingos na emissora paulista. Além da co-produção e da teledifusão, o DocTV prevê ações na área de distribuição nacional – que inclui licenciamento e mercado de homevideo – e internacional. A distribuição nacional de homevideo, FOTO: divulgação

À

primeira vista, o DocTV pode parecer mais um programa para incentivar a produção audiovisual no Brasil por meio de recursos públicos. Ao analisar-se o modelo (ou melhor, modelos) de negócios previstos pelo programa e os resultados obtidos até o momento, percebe-se que ele é também um exemplo de articulação que venceu diferenças culturais e políticas e consolidou-se como um importante mecanismo para a produção e a difusão do documentário brasileiro e um modelo para outros países. O programa, lançado em 2003, tem como objetivo incentivar a produção regional de conteúdo e as parcerias entre produtores independentes e a TV, promover e valorizar manifestações culturais regionais e implementar um circuito nacional de exibição de documentários através da TV pública. O DocTV, que é uma realização da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura (MinC), da TV Cultura e da Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais (Abepec), com o apoio da Associação Brasileira de Documentaristas (ABD), está em sua terceira edição. O DocTV IV já foi confirmado pelo secretário do audiovisual, Orlando Senna, que disse que o edital deve ser lançado até o final de setembro. A continuidade do programa reflete os resultados obtidos até o momento. Nas três edições promovidas desde 2003, foram 2,31 mil projetos inscritos, dos quais foram realizados 96 documentários (considerando-se aqueles que foram produzidos apenas

Modelos possíveis O programa foi criado para possibilitar quatro modelos de negócios. O primeiro é a própria sistemática de co-produção e teledifusão a partir de uma operação em rede. A partir de um concurso público estadual, são definidos os contemplados que receberão R$ 100 mil (no caso do primeiro DocTV esse valor foi de R$ 90 mil) para a realização do documentário. O Ministério da Cultura aporta 80% deste valor, enquanto a TV pública estadual fica responsável por 20%, que podem ser recursos financeiros ou insumos de produção. Nota-se que na primeira edição do programa, a contrapartida das TVs públicas foi balanceada, com 52% de recursos financeiros e 48% de insumos de produção. Já na terceira edição, foram 89% de recursos financeiros, contra 11% em insumos de produção. A difusão desses documentários é realizada pelas TVs envolvidas no convênio, que ainda podem realizar reprises em sua programação. “Temos trabalhado, no caso da TV Cultura, para o

60

T e l a

V i v a

s e t 2 0 0 7

“Jesus no Mundo Maravilha”, documentário brasileiro selecionado para o DocTV IB, em exibição na TV Cultura.

que é feita pela Log On em parceria com a Cultura Marcas, já contabiliza 2,9 mil unidades vendidas (em “pacs” ou DVDs avulsos), em seis meses de comercialização. A equipe do DocTV também tem viajado para negociar a carteira de documentários em mercados internacionais, com participação em eventos como Mipcom e Sunny Side of the Doc. Tanto nacional quanto internacionalmente, os títulos podem ser comercializados por todas as partes envolvidas no processo, embora, no momento, os maiores esforços neste sentido tenham partido da coordenação executiva. A receita gerada por título comercializado – excluído o custo de produção e o


DocTV I DocTV II DocTV III Total

(participando, portanto das ações de exibição e distribuição), já contabilizam 19 títulos, entre as três edições do programa. No DocTV II, por exemplo, foram realizados 35 títulos a partir do convênio, e cinco pelas carteiras especiais. No DocTV III, esse número cresceu para 14 títulos realizados pelas carteiras especiais, totalizando 115 títulos realizados desde o início do projeto. Uma das formas de viabilizar esses documentários das carteiras especiais é por meio do último modelo de negócios previsto pelo programa: a publicidade. “A massa de mídia gerada pela programação tem valor superior ao do convênio”, diz Paulo Alcoforado.

“Hermanos” do modelo A partir da solicitação da Conferencia de Autoridades Audiovisuales e Cinematográficas de Iberoamérica (Caaci), a Secretaria do Audiovisual desenvolveu um modelo semelhante ao DocTV voltado aos países ibero-americanos. A primeira carteira desse projeto, que resultou em 13 documentários, cada um proveniente de um país, pode ser vista todas as sextas, às 22h40, desde 7 de setembro deste ano

Títulos produzidos 35

35

26

TOTAL

TOTAL

DocTV I

DocTV II

DocTV III

Total

especiais)

26 40 49

500 mil (carteiras especiais)

(carteiras especiais)

DocTV I

DocTV II

DocTV III

Total

(Em R$)

TOTAL

(convênio) especiais)

0

Invest. carteiras especiais x investimento direto programa

(convênio) (convênio)

5 14 (carteiras (carteiras

11,5 milhões

820 859

México, Portugal e Espanha (que ainda não produziram seus documentários). Os modelos de negócios funcionam de forma semelhante aos do modelo brasileiro. Neste caso, porém, foi criado um Fundo DocTV IB, formado por Brasil, Venezuela, México e Argentina, que é responsável por financiar 80% dos projetos, enquanto os 20% restantes ficam a cargo das TVs públicas de cada país (no caso de Portugal e Espanha o pólo nacional é responsável pelo aporte integral dos contratos de co-produção). Cada projeto recebe US$ 100 mil para a sua realização. A primeira edição do DocTV IB contou com 467 projetos inscritos (destes, cerca de 200 eram brasileiros), e um total de US$ 1,877 milhão investido.

2,6 mi

(convênio) (carteiras especiais)

pela TV Cultura. Além da emissora paulista, outras 36 TV públicas dos países participantes (sendo 19 emissoras brasileiras, associadas à Abepec) exibem os documentários. Com objetivos semelhantes aos do DocTV realizado no Brasil, o IB leva o mérito por conseguir unir em um único projeto audiovisual países geograficamente próximos e culturalmente distantes. Lançado em 2005, o programa foi implementado em um período em que alguns desses países passavam por eleições presidenciais e, conseqüentemente, mudanças políticas. Ainda assim, o programa conseguiu reunir 15 países: Argentina, Chile, Uruguai, Brasil, Bolívia, Peru, Colômbia, Venezuela, Panamá, Costa Rica, Porto Rico, Cuba,

T e l a

V i v a

s e t 2 0 0 7

3,5 mi

(convênio)

3,5 mi

(convênio)

1,4 mi

Recentemente, o secretário do Audiovisual, Orlando Senna, confirmou a intenção de realizar a segunda edição do DocTV IB. “Estamos ‘acertando os ponteiros’ com os países participantes para dar início à segunda edição do projeto em breve. O ideal seria lançar a nova edição em outubro ou novembro deste ano”, afirma Senna. A expansão do modelo não para aí. México e Colômbia (que também participam do programa iberoamericano) adotaram o modelo do DocTV, e cinco países da América Central articulam o programa em sua região nos moldes do DocTV IB. Daniele Frederico

61

Fonte: Balanço DocTV 2003-2006

631

2.310

Projetos inscritos nos concursos estaduais DocTV

Além dos modelos previstos pelo programa, há ainda iniciativas como a da Rede Minas, que em parceria com a Telemig Celular e a Secretaria de Estado de Cultura viabilizou a produção de três documentários e ainda pílulas de um minuto das obras para celular. O item foi disponibilizado pela operadora para download gratuitamente.

115

percentual para quem vende – é distribuída entre autor (12,5%), empresa produtora (12,5%), TV pública (20%) e Fundo DocTV (55%). O recurso relativo ao fundo é reinvestido em ações do programa, buscando a auto-sustentabilidade. Ainda entre os modelos de negócios propostos, estão as carteiras especiais DocTV, que são formadas pelos documentários realizados a partir da articulação de novos recursos financeiros por parte do pólo estadual. Ou seja, são documentários “extras”, além daqueles já garantidos a cada edição nacional, que podem ser realizados com recursos da administração pública e/ou da iniciativa privada local. Esses documentários, que fazem parte da carteira do DocTV


(upgrade ) FotoS: divulgação

Low end exigente

A

Sistema permite monitorar áudio 5.1 com fones de ouvido.

Som envolvente

A

Libor está trazendo para o Brasil o Headzone, um sistema profissional de monitoração de áudio em 5.1 que utiliza um par de fones de ouvido convencional. Desenvolvido pela alemã Beyerdynamic, o equipamento conta com apenas duas fontes de áudio, mas com um processador externo que faz com que o som se comporte como um sistema de alto-falantes com 5.1 canais. Tratase da tecnologia intitulada “Binaural Environemnt Modelling”, que faz a modelagem de ambiente binaural, permitindo posicionar seis canais discretos de áudio ao redor da cabeça do usuário. Parâmetros tais como os ângulos entre os falantes, a distância dos falantes ao usuário e as dimensões e a reverberação da sala de controle

podem ser ajustados em tempo real. Testado por TELA VIVA, o equipamento mostrou uma boa qualidade ao centralizar o usuário em um ambiente virtual multicanal. Graças a um emissor de ultra-som integrado aos fones de ouvido e um receptor que deve ser posicionado sobre o monitor de vídeo, o processador DSP externo consegue monitorar o movimento da cabeça do usuário e recalcular a potência em cada um dos cinco canais. Em outras palavras, o som 5.1 fica sempre centralizado onde está sendo exibido o vídeo, mesmo que o usuário vire a cabeça para qualquer lado. O Headzone pode ser conectado via seis entradas analógicas discretas ou via uma interface IEEE 1394 (FireWire) e é compatível com todos os softwares de produção de áudio que trabalham com som surround, em plataformas PC e Mac. Segundo Alexandre Algranti, responsável pela comercialização do aparelho no Brasil, o equipamento pode substituir o uso de um estúdio 5.1 em produções que não contam com espaço suficiente para a montagem de um estúdio de áudio profissional, como unidades externas de produção. Além disso, pode ser uma alternativa mais em conta para emissoras de pequeno porte na produção para a TV digital. O Headzone custa R$ 5,4 mil para o usuário final no Brasil.

Sony apresentou à imprensa e às revendas da marca na Broadcast & Cable, que aconteceu em agosto, em São Paulo, uma camcorder HDV com lentes Zeiss e preço de US$ 3,5 mil. A HVR-HD1000N chama a atenção pelo design, já que foi projetada para ser apoiada no ombro do operador de câmera, uma característica rara para equipamentos HDV de baixo custo. É voltada para videomakers, filmagem de eventos como casamentos, formaturas e aniversários , e criação de vídeo educacional. O novo modelo trabalha tanto no formato HDV como o DV. Em modo DV, a camcorder adota o atual fluxo de operação DV, sem qualquer mudança. O formato HDV permite ao usuário filmar durante 60 minutos ou mais de vídeo em alta definição. Com um chip de captura de imagens CMOS de 1/3 de polegada, a HVRHD1000N é equipada com uma lente Carl Zeiss Vario-Sonnar T, com zoom óptico de 10x e estabilização de imagem óptica. A própria lente desloca-se vertical e horizontalmente para compensar o eixo de polarização da luz em tempo real. Um anel de lente multifunção localizado na unidade de lente da camcorder permite o ajuste de foco, zoom, brilho, obturação, seletor de exposição automática e seletor de balanço de branco. No modo foto, a camcorder pode capturar imagens de até 6,1 megapixels. A HVR-HD1000N ainda é capaz de capturar imagens fixas de qualquer momento da gravação em HDV com qualidade para pronta impressão, de até 1,2 megapixel. A função “Smooth Slow Rec” possibilita a reprodução em câmera lenta, capturando imagens a uma taxa quatro vezes mais rápida que a taxa de campo normal (240 campos/segundo).

Sony lança HDV de baixo custo para uso no ombro.

62 •

T e l a

V i v a

SE T 2 0 0 7


ANUNCIE NO ANUÁRIO PAYTV.

Tão importante e útil quanto o controle remoto. Vem aí a nova edição do Anuário PAY-TV, o suplemento especial da revista TELA VIVA com análise, mapeamento e cobertura completa das operadoras de serviços de TV por assinatura e banda larga do mercado.

+

INFORMAÇÕES SOBRE TODOS OS CANAIS, FORNECEDORES, PUBLICIDADE E PRESTADORES DE SERVIÇO EM TODAS AS CIDADES DO BRASIL.

Anuncie no Anuário PAY-TV e inclua sua marca em um levantamento criterioso sobre a TV paga: distribuidores, operadoras, programadores e a cobertura em todas as cidades. Uma ferramenta de consulta diária e qualidade reconhecida por profissionais do setor.

EN AOSVIO GRA TU A DA RSSINAN ITO TE EV POD TELA V ISTA S E IV SER NDO TA A, SEP ADQU MBÉM ARA DAMIRIDO ENT E.

UM PRODUTO

PARA ANUNCIAR: (11) 3138.4623

comercial@convergecom.com.br

Tiragem: 10 mil exemplares. Fechamento publicitário: 17 de agosto de 2007. Entrega de material: 24 de agosto de 2007. Circulação: setembro de 2007.


( upgrade)

Externa e estúdio

A

Panasonic apresentou na Broadcast & Cable três lançamentos mundiais em câmeras profissionais, AJ-HPX3000, AG-HPX500, AK-HC3500 e um gravador portátil o AG-HPG10, todos com a tecnologia de gravação em memória em estado sólido P2HD. A AJ-HPX3000 é uma camcorder HD/SD com três CCDs de 2/3 de polegada com varredura progressiva e 2.2 megapixels. Com gravação multicodec e multiformato HD/ SD, o equipamento grava vídeo em HD compatível com 1080 (60i, 24p, 30p) e 720 (60p, 24p, 30p) usando os codecs AVC-Intra (100 Mbps e 50 Mbps) e DVCPROHD100. Panasonic lança modelos para gravação em cartão (HPX3000, no alto) e para estúdio (HC3500, abaixo).

No formato SD, grava em 480 (60i, 24p, 30p), usando o codec DVCPRO50. Conta ainda com cinco slots de cartão, permitindo gravar sem interrupções. A camcorder apresenta alta sensibilidade (a 2000 lux) e iluminação mínima de 0,064 lux (a um ganho de +56dB), além de contar com a função de matriz de correção de cor de 12-eixos. Apresenta também uma função de correção de gama em tempo real pelo Dynamic Range Stretch (DRS). A AG-HPX500 apresenta muitas das funcionalidades do modelo descrito acima, mas trabalha com iluminação mínima de 1,5 lux (a um ganho de +12dB) e não conta com recursos como a função de matriz de correção de cor de 12-eixos e a de correção de gama em tempo real. Já a AK-HC3500, uma câmera multiformato para estúdio, conta com smear vertical menor que -130dB, duplo filtro óptico (CC e ND), conversor A/D de 14 bits com novo DSP de 38 bits de alta performance, masking variável 12-vetores para ajuste preciso e independente de matiz de cor e saturação, correção de gama em tempo real, função cine gamma para reproduzir imagens com tom similar ao filme, circuito de retenção de crominância para prevenir de-saturação de cor em cenas de alto brilho, duplo flesh tone detail e saídas HD e SD simultâneas.

A

AD Digital apresentou na feira seu sistema patenteado de media asset management, o Digital Box. O sistema conta com um servidor centralizado para armazenar todo o conteúdo de uma infra-estrutura de produção e permite definir as permissões para cada um dos usuários conectados na rede, permitindo até a pré-edição em proxy do conteúdo online. Totalmente customizável, o sistema pode contar com redes Gigabit Ethernet ou Fibre Channel e estações Mac ou PC. Na prática, é possível ao repórter de uma redação, por exemplo, fazer uma préedição de sua matéria mesmo que não use um software de edição mais completo, como o Final Cut Pro, por exemplo, deixando para o editor o trabalho de finalizar a edição.

No gerenciamento do conteúdo, o sistema permite criar regras que automatizam o gerenciamento. É possível, por exemplo, definir que todo conteúdo não utilizado por mais de um determinado tempo seja automaticamente “jogado” do online (os discos rígidos do servidor), para o nearline (como um sistema robotizado de DVDs) e depois até para o offline (fitas ou discos catalogados pelo sistema, mas manipulados pelos usuários). Daniela de Souza, diretora executiva da empresa, conta que o sistema foi recentemente vendido para o portal iG. O portal conta com um estúdio pequeno e usa câmeras básicas DVCam. “O problema

64 •

T e l a

V i v a

Foto: marcelo kahn

Redação completa

AD Digital mostra seu sistema patenteado Digital Box.

SE T 2 0 0 7

estava na edição e na manutenção deste conteúdo”, explica Daniela. O sistema conta com servidor de 8 TB, seis estações PC e é capaz de encodar o conteúdo em três resoluções diferentes em tempo real. Assim, o portal pode liberar o conteúdo para streaming para downloads em três velocidades 56, 128 e 256 Kb/s.


EXCLUSIVO PARA ASSINANTES ASSINE TELA VIVA E GANHE O ANUÁRIO PAY-TV 2008, o novíssimo Guia das Mídias Digitais.

Assine TELA VIVA durante um ano (11 edições) e receba a revista mensal brasileira que há mais de 15 anos acompanha o universo da produção e da mídia eletrônica: as novidades dos mercados de TV aberta e por assinatura, a produção independente, os bastidores da publicidade, cinema e das novas mídias, e as análises aprofundadas e isentas sobre as tendências em mercado, tecnologia e regulamentação.

POR APENAS R$ 110,00 Receba 11 edições de TELA VIVA e ganhe os suplementos especiais editados durante a vigência da sua assinatura, entre eles o novo Anuário PAY-TV.

7 t200 175_se 16_# ano

cas etrôni ias el e míd ema ão, cin televis

LES AS TE GARAM

CHE

a V pag o de T ercad ergentes. CIOS no m TV éiam rviços conv NEGÓ anha SE DA tr FA es VA A NO fonia ão nos se lico g sual PARA e tele vi e púb iç ÇÃO sport ídia audio oras d a compet MIGRA an ad Tr er DA m IA m Op UM GU como uenta CIAL: e esq força ESPE

Circula em outubro/2007.

Imagens meramente ilustrativas.

TV sta da ão EVISTA a apo ENTR n explica programaç Markura na multi Cultu

8:11

7 22:5

PARCELE EM ATÉ 3X dd

capa.in

/200

10/9

1

o valor da assinatura no seu cartão de crédito. Não perca esta oportunidade! Preencha o cupom encartado nesta edição. Oferta válida até 31/10/07.

0800 014 50 22 www.telaviva.com.br assine@convergecom.com.br

BÔNUS

10%

Assinantes TELA VIVA têm de desconto nos eventos promovidos pela Converge.

MAIS INFORMAÇÕES: www.convergecom.com.br/eventos.

UM PRODUTO


( agenda ) SETEMBRO

17 a 22 V Curta Santos. Santos, SP.

Tel.: (013) 3219-2036. Web: www.curtasantos.com

18 a 22 3º Festival de Jovens Realizadores de Audiovisual do Mercosul. Vitória, Espírito Santo. Tel: (27) 3327-2751. E-mail: prodjovens@gmail.com. Web: www.festivaljovem.org

19 a 23 Ottawa International Animation Festival, Ottawa, Canadá. Tel.: (613) 232-8769. E-mail: info@animationfestival.ca. Web: ottawa.awn.com

20 e 21 7° Congresso LatinoAmericano de Satélites, Rio de Janeiro, RJ. Tel.: (11) 3120-2351. E-mail: info@convergecom.com.br. Web: www.convergecom.com.br.

20 a 4/10 Festival do Rio, Rio de Janeiro. E-mail: mostrageracao@festivaldorio.com. br. Web: www.festivaldoriobr.com.br. 23 a 29 II Curta Canoa – Festival Latino-Americano de CurtasMetragens, Canoa Quebrada, CE. Tel.: (85) 3231.1624. Web: www.curtacanoa.com.br

26 a 30 Festival Tudo Sobre Mulheres, Chapada dos Guimarães, MT. Tel.: (65) 9221-9503.E-mail: producao@tudosobremulheres.com.br. Web: www.tudosobremulheres.com.br

OUTUBRO

2 a 4 MaxiMídia 2007, São Paulo, SP.

Tel: (11) 3769-1624. E-mail: afernandes@grupomm.com.br. Web: www.maximidia.com.br/2007

6 e 7 Mipcom Junior, Palais des Festivals, Cannes, França. Tel.: (33-1) 4190-4580. E-mail: info.mipcom@reedmidem.com. Web: www.mipcomjunior.com 8 a 12 Mipcom, Palais des Festivals, Cannes, França. Tel.: (33-1) 4190-4580. E-mail: info.mipcom@reedmidem.com Web: www.mipcom.com 9 a 14 7ª Goiânia Mostra Curtas, Goiânia, GO. Tel.: (62) 3218-3780. E-mail: icumam@icumam.com.br. Web: www.goianiamostracurtas.com.br 11 a 14 IV Curta Vídeo Votorantim, Votorantim, SP. Tel: (15) 3353-8669. E-mail: curtavideo@yahoo.com.br Web: www.curtavideovotorantim.com

19 a 1°/11 31ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, São Paulo, SP. Tel.: (11) 3141-0413. E-mail: info@mostra.org. Web: www.mostra.org.

26 a 31 Mostra Amazônica do Filme Etnográfico, Manaus, Amazonas. Tel.: (92) 3647-4380. E-mail: mostraetnografica@ufam.edu.br. Web: www.mostraetnografica.ufam.edu. br

30 Congresso TV 2.0, São Paulo, SP. Tel.: (11) 3120-2351. E-mail: info@convergecom.com.br. Web: www.convergecom.com.br. 31 a 7/11 AFM – American Film Market, Santa Monica, Califórnia, EUA. Tel.: (1-310) 446-1000. E-mail: afm@ifta-online.org. Web: www.ifta-online.org.

NOVEMBRO 5 a 10 6º Ecocine - Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental, Ubatuba, SP. Tel.: (11) 3120-2943. E-mail: producao@ecocine.com.br. Web: www.ecocine.com.br

6 a 8 Fiae 2007 – Festival Internacional de Animação Erótica, Rio de Janeiro, RJ. E-mail: contato@fiae.com. br. Web: www.fiae.com.br

9 a 11 6ª Mostra Internacional de Filmes de Montanha, Rio de Janeiro, RJ. Tel.: (21) 2421-6112. E-mail: atendimento@9dproducoes.com.br. Web: www.filmesdemontanha.com.br

9 a 15 Amazonas Film Festival 4º Mundial do Filme de Aventura, Manaus, AM. Tel.: (92) 3232-7797. Web: www.amazonasfilmfestival.com.br


Para ganhar no jogo dos negócios, o importante é convergir. Os noticiários e os eventos mais importantes dos mercados de comunicações e conteúdo, telecom e TI têm uma assinatura em comum: Converge Comunicações. Criada em 1992 sob o nome de Editora Glasberg, a Converge Comunicações é líder no desenvolvimento de produtos editoriais voltados aos segmentos de telecomunicações, tecnologia da informação, produção e distribuição de conteúdo audiovisual. Única empresa brasileira especializada no acompanhamento regular e aprofundado de produtos e serviços convergentes, a Converge é também a principal organizadora de eventos de fomento e networking deste mercado: feiras, congressos e seminários que fazem parte da agenda de um público qualificado e são sinônimos de informação, análise, estratégia e bons negócios. Reunindo um portfólio que inclui três revistas impressas mensais, quatro noticiários eletrônicos diários, anuários, edições temáticas, pôsteres e suplementos especiais, a Converge conta ainda com serviços de produção, consolidação e análise de pesquisas dos mercados de TV por assinatura e de telecomunicações no Brasil, a cargo da sua coligada PTS. Converge Comunicações. A convergência chegou primeiro aqui.

www.convergecom.com.br info@convergecom.com.br

R. Sergipe, 401/cj. 603 Higienópolis São Paulo, SP 01243-001 Fone: (11) 2123.2600 | Fax: (11) 3257.5910


globosat.com.br

Tem um novo pacote de canais para você. Os Canais Globosat têm mais variedade, diversidade e conteúdo para a sua TV e agora ganharam a companhia de um trio muito especial:

Playboy TV, Venus e Private Gold.

Canais Globosat disponíveis para todas as operadoras de TV por assinatura através da NET Brasil - canais@netbrasil.com.br - (11) 3898-7607

Revista Tela Viva 175 - Setembro de 2007  
Revista Tela Viva 175 - Setembro de 2007  

Revista Tela Viva 175 - Setembro de 2007

Advertisement