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mvnos 2014 promete aquecer mercado de operadoras virtuais móveis. Maior aposta é a entrada dos Correios

Ano 16 • Agosto 2013 • #168 www.teletime.com.br

banda larga rural Teles devem usar outras frequências para atender metas e 450 MHz pode ficar às moscas

B2D: ferramentas para o desenvolvedor Surge um mercado para atender players da indústria de aplicativos. É um nicho de US$ 7 bilhões ao ano


editorial

Méritos e deméritos

O

mercado de TV por assinatura cresceu nos envolvidos. Como diz o ditado, “pau que bate em Chico, últimos anos no Brasil em ritmos bate em Francisco”. Um excesso de regulamentação impressionantes. E continua crescendo. sobre o universo OTT traz o risco de obstruir rotas de Não mais na casa dos 30% ao ano, como há inovação para os players atuais. É o que já falamos dois ou três anos, mas ainda adicionando dois em vários editoriais: as pessoas não usam serviços milhões de lares à base que já passa dos 17 milhões. OTT porque são obrigadas. Usam porque querem. Não é pouca coisa. Quem, no final das contas, ditará as regras daqui Por mais que o governo queira, infelizmente esse para a frente será sempre o usuário. O que não quer crescimento não veio do marco legal estabelecido dizer que não se possa buscar um equilíbrio tributário pela Lei 12.485/2011, que regulamentou o Serviço de e uma certa isonomia de obrigações, Acesso Condicionado (SeAC). O que fez com que o preferencialmente para menos. mercado chegasse no ritmo atual foi o crescimento do A questão é: o mercado de TV por assinatura tem País nos últimos anos e a ação dos players que já espaço para crescer? Vai sobreviver a esse ambiente estavam no mercado pelo menos OTT? Tudo indica que sim, mas desde 2006. Aliás, ainda se espera precisará de ajustes em seus modelos um movimento mais agressivo de para se manter no longo prazo. A Lei Telefônica/Vivo e Oi sobre o mercado Um excesso de 12.485/2011, como também já de TV paga, e um movimento mais dissemos neste espaço em outras regulamentação ocasiões, nasceu defasada nesse vigoroso de entrada de novos e sobre o universo OTT ponto. Ela trata do mundo confinado, pequenos players, o que ainda não traz o risco de das redes controladas. Não trata da aconteceu, seja porque o mercado é obstruir rotas de oferta de conteúdos sobre a Internet (o mais complexo do que esses players imaginavam, seja porque a inovação para os que é um aspecto positivo da lei). Por competição é dura, seja porque o players atuais. no mais que se tente equiparar as coisas, processo de licenciamento por parte final das contas, a brecha sempre estará aberta a da Anatel mostrou-se mais vagaroso quem ditará as contestações. A arena de disputa do que deveria. jurídico/regulatória existirá, mas no regras será sempre longo prazo será inócua. Essa edição mostra, contudo, que o usuário. a vida dos players de TV por De nossa parte, apostamos assinatura não é fácil. No Congresso que o mercado de TV por assinatura ABTA 2013, realizado em agosto e organizado pela (assim como os conteúdos distribuídos sobre redes Converge (que edita TELETIME), ficou claro que a grande de banda larga) ainda tem muito a oferecer em preocupação do momento é uma isonomia regulatória termos de inovação, em novas formas de entregar entre operadores estabelecidos e entrantes que conteúdos e, sobretudo, ainda tem muitos lares a chegam com oferta de conteúdos sobre a banda larga, conquistar no Brasil. os over-the-top (OTT). Esse debate é longo e ainda renderá muitas reportagens e editoriais. O que podemos dizer nesse momento é: boa sorte aos samuca@convergecom.com.br

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Ano 16 • agosto2013 www.teletime.com.br

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Capa

Novos usuários Os desenvolvedores estão se tornando também consumidores com o surgimento de uma indústria de ferramentas para o desenvolvimento de aplicativos móveis: o chamado mercado Business-to-Developer.

Editorial 4 News 8 Bits 37 Produtos e Serviços 38 Ponto de vista 40 Contraponto 42 6 | t e l e t i m e | ag o s to 20 1 3

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Entrevista

Mídia em chamas Marcel Fenez, principal executivo de mídia e entretenimento da PriceWaterhouseCoopers, fala sobre os desafios das empresas tradicionais para se adaptarem a um mercado controlado pela Internet.

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Evento

TV paga x OTTs Durante o Congresso e Feira ABTA 2013, operadores, programadores e governo defenderam a isonomia de tratamento aos serviços de conteúdo over-thetop e a necessidade de uma regulamentação para esse mercado.

ilustração de capa: Maxx-Studio/shutterstock.com.


Editor Samuel Possebon Editora Adjunta e Editora de Projetos Especiais Letícia Cordeiro Editor de Mobilidade Fernando Paiva (Rio de Janeiro)

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Redação Bruno do Amaral, Marina Tsutsumi e Helton Posseti (Brasília)

Fornecedores

Abandono

Consultor Especial Cláudio Dascal

Governo apostou no uso da frequência de 450 MHz para a cobertura de Internet e telefonia em áreas rurais, mas pela visão das teles, a faixa corre o risco de ficar às moscas.

Arte Edmur Cason (Direção de Arte); Rubens Jardim (Produção Gráfica); Geraldo José Nogueira (Edit. Eletrônica); Débora Harue Torigoe (Assistente); Alexandre Barros (Colaborador); Bárbara Cason (Colaboradora) Departamento Comercial Cibele Tommasini (Gerente Negócios) Ivaneti Longo (Assistente) Inscrições e Assinaturas Gislaine Gaspar (Gerente)

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Circulação Patricia Brandão (Gerente)

Serviços Móveis

Explosão atrasada Mercado das operadoras móveis virtuais (MVNO) não teve o desenvolvimento promissor que era esperado por diversos obstáculos, mas o cenário pode mudar completamente a partir de 2014.

Presidente Rubens Glasberg Diretores Editoriais André Mermelstein Claudiney Santos Samuel Possebon (Brasília) Diretor Comercial Manoel Fernandez Diretor Financeiro Otavio Jardanovski

Marketing Gisella Gimenez (Gerente) Ana Paula Pascoaletto (Assistente) Administração Claudia Tornelli Zegaib (Gerente) TELETIME é uma publicação mensal da Converge Comunicações. Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias publicadas nesta revista, sem autorização da Glasberg A.C.R. S/A. Jornalista responsável: Rubens Glasberg (MT 8.965) Impressão: Ipsis Gráfica e Editora S.A.

fale com a gente Converge Comunicações - Rua Sergipe, 401, Conj. 603 - CEP: 01243-001 - Telefone: (11) 3138-4600 e Fax: (11) 3257-5910 - São Paulo, SP. Sucursal Brasília SCN - Quadra 02 Bloco D, sala 424 – Torre B - Centro Empresarial Liberty Mall - CEP: 70712-903 - Fone/Fax: (61) 3327-3755 - Brasília, DF.

redação teletime (+5511) 3138-4600

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Regulamentação

Oportunidade Câmara dos Deputados discute um novo marco legal para o setor de telecomunicações, que pode trazer oportunidades de rediscutir assuntos como a Internet, bens reversíveis e o conceito de serviço público.

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Da redação do Teletime News www.teletime.com.br

SEGURANÇA

Olivier Le Moal/shutterstock.com

Explicação insuficiente Em um dos desdobramentos das denúncias de espionagem do governo dos Estados Unidos feitas pelo ex-técnico da agência norte-americana de segurança (NSA), Edward Snowden, o secretário de Estado daquela nação, John Kerry, esteve no Brasil reunido com a presidente Dilma Rousseff para prestar alguns esclarecimentos, mas o País “não ficou satisfeito”, como declarou na primeira quinzena de agosto o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. Kerry confirmou que os EUA coletam informações de metadados com o objetivo de proteger os cidadãos norteamericanos e, quando necessário, a NSA faz um “aprofundamento” nas informações.

“Ora, se eles podem fazer um aprofundamento, fica claro que eles não têm apenas os metadados. Ficou clara uma contradição”, disse o ministro em audiência pública conjunta de quatro comissões da Câmara dos Deputados. “Nós não estamos satisfeitos com os esclarecimentos prestados. Estamos dispostos a levar a um fórum mundial, provavelmente à ONU. Esteve aqui o John Kerry e de maneira geral ele disse que os EUA cuidam da segurança americana e ninguém pode ser contra, a questão é como vamos preservar nossa privacidade”, afirma o ministro. Redes vulneráveis Em outra audiência na Câmara, o conselheiro da Anatel Jarbas Valente informou que o órgão regulador investiga desde o início de agosto se houve falhas na operação das empresas de telecomunicações ou violação nas comunicações de cidadãos brasileiros. A investigação está sendo feita em 12 empresas que atuam nos segmentos de banda larga, telefonia móvel e fixa e TV por assinatura, que controlam 99% do tráfego de dados internacional do País. “Até agora, não encontramos nenhum indício de vazamento de informação, mas já constatamos que será necessário ampliar o número de empresas a serem fiscalizadas”, destacou.

Nós não estamos satisfeitos com os esclarecimentos prestados. Estamos dispostos a levar a um fórum mundial, provavelmente à ONU. A questão é como vamos preservar nossa privacidade.” Paulo Bernardo, ministro das Comunicações

Valente admitiu, contudo, que há vulnerabilidades. “Precisamos mudar a estrutura, que não é suficiente para detectar mecanismos como os backdoors, que facilitam acesso aos dados que trafegam nas redes. Não basta certificar os equipamentos”, relatou.

FINANÇAS E MERCADO

Oi sem dividendos

Após anunciar prejuízo líquido de R$ 124 milhões no segundo trimestre deste ano (frente a um resultado positivo de R$ 347 milhões no mesmo período de 2012), provocado pelo aumento de custos e despesas financeiras, a Oi finalmente divulgou uma mudança em sua política de distribuição de dividendos, agora mais austera. A nova diretriz é a seguinte: a companhia pagará por ano, entre 2013 e 2016, o mínimo exigido pela legislação – o equivalente a 25% do lucro líquido, ou 6% do capital social ou 3% do patrimônio líquido, o que for maior. A reformulação da política de remuneração de acionistas era tida, já há alguns meses, como inevitável pelo mercado financeiro. Pelos parâmetros

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atuais, o pagamento seria de aproximadamente R$ 500 milhões por ano. “Essa nova política de dividendos garante maior alinhamento com nossa estratégia de prudência financeira”, disse Zeinal Bava, CEO da companhia, durante teleconferência com analistas. Dois dias depois de anunciar seus resultados financeiros e de tornar pública sua nova política de pagamento de dividendos distribuindo apenas o limite exigido pela legislação, a Oi S/A comunicou que a Fitch rebaixou a avaliação da empresa. O rating de crédito de longo prazo atribuído à Oi foi rebaixado de BBB para BBB-, com manutenção de outlook negativo para a companhia.


lexaarts/shutterstock.com

para levar o Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) a regiões inacessíveis por tecnologia terrestre.

Embora o governo tenha reservado ainda em 2011 R$ 716 milhões para o projeto do SGDC, dois anos depois e um câmbio mais desfavorável elevou o custo total do projeto para R$ 1,1 bilhão. De acordo com o presidente da Telebras, Caio Bonilha, esse valor inclui o artefato, o seguro e as estações terrenas. O tempo de construção deverá ser de aproximadamente 30 meses. Sendo assim, o lançamento – que originalmente estava previsto para 2014 – deve acontecer no final de 2015 ou em 2016. O SGDC terá capacidade em banda X para uso militar com 5 transponders totalizando 288 MHz. Já a capacidade em banda Ka para a Telebras deverá girar em torno de 50 Gbps a 60 Gbps e será usada

SATÉLITES

Artefato brasileiro

TV DIGITAL

O dilema do switch-off A secretária interina de Serviços de Comunicação Eletrônica do Ministério das Comunicações, Patricia Ávila, explicou um pouco melhor no Congresso da SET, na segunda quinzena de agosto, como será a transição da TV analógica para a digital com o “apagão” (switch-off) do sistema antigo. Embora o novo decreto da TV digital estabeleça o switch-off gradual entre 2015 e 2018, o melhor seria “não desligar nada” no primeiro ano, ou seja, reduzir o número de cidades que perderão a transmissão analógica àquelas que precisam de liberação de frequências. “Há 724 cidades que se enquadram no critério de 2015, mas o ideal é não desligar”, disse ela. Quanto ao desligamento total da TV analógica em 2018, Patrícia disse não ter “nem ideia” se será possível. “Pode ser que prorrogue, será outro governo, outro ministério”. O processo não ocorrerá sem antes haver um ou dois pilotos, em cidades de cerca de cem mil habitantes, em regiões diferentes do País.

foto: marcelo kahn

A Telebras referendou a escolha da Visiona, joint-venture entre Embraer (51%) e Telebras (49%), para que a francesa Thales Alenia Space seja fornecedora do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) e que a Arianespace seja a companhia que lançará o artefato ao espaço. Os critérios para a seleção, que durou 12 meses, foram a solução técnica, cronograma, riscos, condições contratuais, condições de absorção e transferência de tecnologia e custo global do projeto. Além disso, o edital de licitação exigiu a absorção e transferência de tecnologia definidos pelo governo brasileiro.

StarOne com Ka A operadora de satélites Star One, controlada pela Embratel, bateu o martelo e definiu sua estratégia para o primeiro artefato com banda Ka, que permitirá a oferta de banda larga via satélite a custos acessíveis. Com investimentos de US$ 400 milhões, o Star One D1 cobrirá as Américas do Sul e Central, além do México, e agrega além da banda Ka, transponders em bandas C e Ku. A canadense-americana Space Systems Loral fará a construção do artefato, que pesará 6 toneladas e trará 28 transponders em banda C, 24 em banda Ku e cerca de 300 transponders equivalentes de 36 MHz em banda Ka. O D1 está programado para ser lançado pela francesa Arianespace no primeiro trimestre de 2016 a partir da base de Kourou, na Guiana Francesa. O novo satélite substituirá o Brasilsat B4 na posição orbital 84°W e dará continuidade aos serviços em banda C providos por este último na região. A banda Ku atenderá às demandas de dados, vídeo e Internet para clientes corporativos e governo no Brasil e na América Latina. E a banda Ka, com coberturas nas regiões Nordeste, Sul e Sudeste, além de partes do Norte e Centro-Oeste brasileiros, oferecerá serviços de transmissão de dados, backhaul de telefonia móvel e atenderá o Programa Nacional de Banda Larga (PNBL).

Drible no dilema A Anatel pretende driblar o impasse com a radiodifusão alterando o perfil do cronograma para o edital, começando “de baixo para cima” e ganhando tempo para ambos os lados – broadcasters e operadoras. “Estamos pedindo um estudo para começarmos o 700 MHz pelo interior do Brasil, e não pelos grandes centros. Como no interior não existe problema de alocação da faixa, não tem problema com radiodifusores”, explica o presidente da agência, João Rezende. “Ainda vamos definir (a implantação), mas acho que poderíamos em 2015 começar com as cidades menores, e ir subindo isso para as maiores até compatibilizar com a limpeza da faixa”, declarou.

A TIM passou a claro e assumiu a vice-liderança em 4g no brasil. país fechou julho com 257,2 mil acessos lte. vivo tem 116 mil acessos; tim, 66,2 mil; claro, 44,6 mil; e oi, 30,4 mil.

A blackberry admitiu oficialmente a possibilidade de ser vendida. a empresa avalia alternativas estratégicas que incluem joint-ventures, alianças ou até mesmo a venda de sua unidade de mensagens instantâneas, o blackberry messenger (bbm).

Há 724 cidades que se enquadram no critério de 2015, mas o ideal é não desligar.” Patricia Ávila, do Minicom ag o s to 2013 | t e l e t i m e | 9


Maxx-Studio/shutterstock.com

Desenvolvedores de apps viram clientes Surge um competitivo mercado de ferramentas para desenvolvimento de aplicativos, que movimenta perto de US$ 7 bilhões por ano no mundo. Fernando Paiva

fernando.paiva@convergecom.com.br

O

surgimento dos smartphones e tablets mudou a indústria de software e de fornecedores de tecnologia. Fez surgir uma gigantesca cadeia de desenvolvedores, que agora se tornam um mercado consumidor em si. Existem cerca de 500 mil desenvolvedores de apps móveis no mundo, desde amadores que têm a atividade como um hobby até empresas com faturamento anual na casa das centenas de milhões de dólares. Em torno deles, surgiu uma indústria que provê ferramentas extras para o desenvolvimento, monitoramento e rentabilização dos

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apps. Esse mercado ganhou até uma sigla: B2D, ou “Business-to-Developer”. Estima-se que haja quase mil players oferecendo os serviços mais diversos, de ferramentas para testes antes do lançamento a plataformas para compra de publicidade em múltiplas adnetworks simultaneamente. Em relatório recente sobre o tema, a empresa de pesquisas Vision Mobile identificou 20 categorias diferentes de serviços B2D. Ainda pouco conhecido, esse segmento apresenta números significativos, com estimativa de faturamento mundial de US$ 7 bilhões neste ano. O mercado B2D acompanhou o crescimento da indústria de conteúdo móvel. No começo da vida da


foto: arquivo

App Store e da Google Play, os desenvolvedores se contentavam com as ferramentas oferecidas gratuitamente por Apple e Google, que se limitavam a SDKs (software development kits) e a um painel para controle das vendas, além das lojas em si, para distribuição dos apps. Ao longo dos últimos cinco anos, a popularização de smartphones gerou uma explosão de downloads de apps, o que atraiu mais desenvolvedores, inflando as lojas de aplicativos, agora com catálogos na casa de um milhão de títulos. A competição cada vez mais acirrada dentro das lojas trouxe a necessidade de ferramentas extras para aqueles desenvolvedores, que querem se diferenciar. Hoje, apenas 14% dos desenvolvedores móveis do mundo dizem não utilizar nenhuma ferramenta extra, informa relatório da Vision Mobile. Os que mais procuram esses serviços são aqueles que trabalham com o iOS, da Apple, por causa da maturidade da plataforma e da disponibilidade de mais ferramentas. Pesquisa revela que 92,5% deles usam algum tipo de serviço B2D, enquanto entre desenvolvedores de BlackBerry 10, plataforma recémlançada, o percentual é de 71%. “A maioria das empresas B2D oferece primeiro para iOS porque é a plataforma na qual os desenvolvedores fazem mais dinheiro e, portanto, estão dispostos a pagar”, explica o analista sênior da Vision Mobile, Andreas Pappas. Há também uma relação com a experiência do desenvolvedor: quanto mais experiente, mais comum é o uso de ferramentas B2D. A diversidade de sistemas operacionais móveis proporcionou o surgimento de uma das ferramentas mais populares dessa indústria: as CPTs (cross platform tools), que ajudam os desenvolvedores a criarem simultaneamente apps nativos para diferentes sistemas operacionais ou converterem para outras plataformas apps existentes. Há várias delas disponíveis na web, como PhoneGap e Appcelerator. Algumas são tão simples de operar que até pessoas sem qualquer conhecimento em programação conseguem criar aplicativos móveis. Hoje 29% dos desenvolvedores móveis no mundo utilizam

“Já mudamos muita coisa no design dos apps com base na análise dos dados de uso.” Flávio Stecca, da Movile

“A maioria das empresas B2D oferece (seus serviços) primeiro para iOS.” Andreas Pappas, da Vision Mobile

recorrentemente CPTs. O único problema são suas limitações técnicas, justamente para tornar possível a conversão rápida para múltiplos sistemas. Desenvolvedores mais experientes nem sempre se satisfazem com os resultados. Para aqueles que trabalham com games, existe a oferta de ferramentas especiais de programação dedicadas a esse tipo de conteúdo, chamadas de engine. É o caso da Unity 3D, usada em algumas dezenas de milhares de títulos, entre games móveis, web e para console ou PC. Com seu SDK, é fácil criar personagens em três dimensões e dotá-los de movimentos, desenhar

Hoje, apenas 14% dos desenvolvedores móveis do mundo dizem não utilizar nenhuma ferramenta extra, informa relatório da Vision Mobile. cenários e efeitos especiais etc. “Queremos permitir que mais pessoas façam games. A ideia é democratizar o desenvolvimento de jogos. Nossa plataforma é adotada tanto por estudantes quanto por gigantes como EA e Glu”, relata o CEO da Unity 3D, David Helgason. Um total de 400 mil desenvolvedores usam a plataforma todo mês. Testes e monitoramento de bugs Uma vez desenvolvido um app, é preciso testá-lo antes do lançamento oficial. Para o gerenciamento de testadores reais, uma das ferramentas preferidas pelos desenvolvedores de Android e iOS é a Testflight. Através dela, eles enviam a versão beta para os smartphones dos seus testadores e acompanham os resultados em relatórios detalhados, de forma a aprimorar o app antes de disponibilizá-lo ao público. Há também os testes automáticos, realizados por máquinas, e que complementam o trabalho ag o s to 2013 | t e l e t i m e | 11


foto: DIVULGAÇÃO

“A Apple não conta a história completa (sobre o uso de um app).” Prashant Fuloria, da Flurry

dos testadores. Eles são fundamentais para Android, diante da fragmentação desse sistema operacional em diversas versões e adaptações feitas pelos fabricantes: estima-se que haja 225 diferentes tipos de Android distribuídos entre oito mil devices, com tamanhos de tela e configurações diferentes. Nesse cenário, merece destaque o trabalho feito pela Apkudo, uma empresa que nasceu provendo testes para handsets Android, contratada pelos fabricantes e pelas operadoras, e estendeu o seu serviço para o teste de aplicativos. A empresa recebe os modelos de aparelhos antes de seu lançamento no mercado e precisa certificar que funcionam bem em todos os sentidos. Isso inclui não apenas o hardware, mas também a operação de aplicativos em geral. Assim, a empresa passou a oferecer de graça a desenvolvedores o serviço de teste de apps Android: eles são enviados pela web e executados simultaneamente nos 300 devices Android mais populares do mercado. “É um teste de estresse, como se um macaco saísse apertando todos os botões ao mesmo tempo aleatoriamente. É um exercício de funcionalidades”, explica o CEO da Apkudo, Josh Matthews. O processo dura apenas cinco minutos e gera um relatório para o desenvolvedor, informando que erros aconteceram e em quais devices, com que versões de Android. Mesmo com todos os testes, é considerado praticamente impossível, ou pelo menos economicamente inviável, lançar um app Android que funcione perfeitamente em todos os modelos dessa plataforma. A taxa média de compatibilidade gira em 1 2 | t e l e t i m e | ag o s to 20 1 3

torno de 75% a 80%, segundo especialistas. Testes de performance de rede também são importantes para apps. O que acontece se um milhão de pessoas entrarem ao mesmo tempo em um aplicativo que demanda comunicação com um servidor ou com as redes de telecomunicações? São testes assim que a Soasta provê para apps e sites móveis de grandes empresas, principalmente varejistas online, que não querem perder vendas no celular por causa da demora na abertura de uma página. Com a ajuda de servidores de terceiros espalhados pelo mundo, são realizados acessos em massa. “Problemas de performance são o ponto que mais gera reclamações dos consumidores”, afirma Peter Galvin, vice-presidente de marketing da Soasta. Ele revela que muitos grandes bancos, seguradoras e varejistas ainda não entenderam a importância de realizar esses testes de performance em seus apps e sites móveis antes do lançamento. A Soasta também oferece testes funcionais, para checar se comandos dentro de um app Android ou iOS funcionam como deveriam. Por mais rigorosos que sejam os testes prélançamento, nenhum app está livre de apresentar falhas depois que chega às mãos dos consumidores. Por isso, existem as ferramentas de relatórios de travamento, que alertam os desenvolvedores sempre que seu app congela ou fecha sozinho. O serviço, conhecido como “crash report”, requer a inclusão de uma pequena linha de código dentro do app. O desenvolvedor fica sabendo quantas vezes ocorreu determinado problema, em quais países e com quais modelos de aparelhos ou versões de sistemas operacionais. Com esses dados, pode realizar a correção dos erros mais graves, lançando em seguida uma atualização na loja de aplicativos. “Não existe app

De olho no Brasil

T

odos os prestadores de serviços para desenvolvedores móveis com os quais TELETIME conversou demonstraram entusiasmo em relação ao mercado brasileiro. A Soasta, que provê testes de performance, está particularmente interessada no País por conta da Copa do Mundo e das Olimpíadas, que devem gerar uma sobrecarga de tráfego em aplicativos. A Bugsense, de monitoramento de bugs, relata que já tem vários clientes brasileiros, como Easy Taxi e Peixe Urbano. Entre as ferramentas mais populares para desenvolvedores nacionais estão a Testflight, para testes de versões beta, e a Flurry, para análise de dados. Ambas são gratuitas. A Flurry informa que monitora hoje 2.925 apps brasileiros de 1.642 diferentes desenvolvedores. Movile e Ilhasoft, entrevistados por TELETIME para esta matéria, são dois deles. Ao todo, a Flurry acompanha o uso de 25 milhões de smartphones no Brasil: este é o número de aparelhos que contam com pelo menos um app instalado com o código da empresa.


foto: arquivo

sem bug. Até apps de bancos dão problema”, diz o CEO da Bugsense, Panos Papadopoulos. Sua empresa gera um relatório para cada desenvolvedor com uma pontuação sobre a estabilidade de seu app, de acordo com os resultados colhidos. O executivo explica que é impossível prever todos os problemas externos antes de um lançamento, como outros apps rodando ao mesmo tempo no smartphone do usuário e mau desempenho das redes móveis. Ele cita o exemplo do aplicativo grego Taxibeat, que usa a ferramenta da Bugsense. Quando lançado no Brasil, o Taxibeat notou muitos “crashes” em razão da alta penetração de modelos Android de entrada, com processadores piores, e também por causa da baixa velocidade e disponibilidade das redes móveis locais. Como resultado, o app foi remodelado para se ajustar à realidade brasileira. “Tivemos um problema semelhante por causa da qualidade da Internet. No Brasil, 30% das falhas em nossos apps estão relacionadas à dificuldade de atualização online, ou seja, de comunicação do nosso servidor com o smartphone do usuário. Na Europa isso representa apenas 2% ou 3%”, relata o CTO da Movile, Flávio Stecca. “Usuários não são tolerantes a travamentos. Se o app trava uma vez, tudo bem. Se acontecer outras vezes, acaba desinstalando-o”, comenta Pappas, da Vision Mobile, realçando a importância dessas ferramentas. Análise de dados Conhecer seus usuários e o comportamento deles dentro de um aplicativo são fundamentais para os desenvolvedores aprimorarem seus produtos e planejarem campanhas para promovê-los. O problema é que a Apple fornece apenas dados agregados, com a quantidade total de usuários, sem maiores detalhes. “A Apple não conta a história completa. Imagine que um app registre mil usuários hoje e mil amanhã. Se forem os mesmos nos dois dias é uma coisa. Se forem completamente diferentes, é porque os anteriores não gostaram do app. Dependendo do caso, o desenvolvedor tomará decisões distintas”, exemplifica Prashant Fuloria, diretor de produtos da Flurry, um dos principais players nesse segmento. A Vision Mobile estima que desenvolvedores que adotam ferramentas desse tipo geram, em média, três vezes mais receita que os demais. As ferramentas de análise de uso requerem a instalação de um código dentro do app e, assim, passam a monitorar todas as suas sessões. É possível saber quantos usuários ativos um app tem; que áreas do app eles mais acessam e quanto tempo ficam em cada uma; com que frequência retornam; quais os dias

“Nossa plataforma é adotada tanto por estudantes quanto por gigantes como EA e Glu.” David Helgason, da Unity 3D

e horários que mais usam etc. A Flurry monitora 350 mil apps, instalados em 1,1 bilhão de devices móveis no mundo e que geram 3,5 bilhões de sessões por dia. Cruzando dados que obtém da base de alguns dos desenvolvedores parceiros, a Flurry consegue prover informações sobre o perfil da base de usuários de um app: proporção entre homens e mulheres; faixa etária; e interesses gerais (se gostam de viajar, se praticam esportes, se têm filhos etc.). No caso da Flurry, a ferramenta de análise de dados é gratuita, de forma a estimular a adesão de desenvolvedores. A empresa fatura com serviços de publicidade móvel que aproveitam esses dados para segmentar melhor quem receberá os anúncios. A brasileira Movile é uma das clientes da Flurry. Recentemente, embasada pelos dados gerados pela plataforma, optou por não atualizar mais seus apps em iOS 5, pois essa versão do sistema operacional representava apenas 4% da sua base de usuários. Esse tipo de informação é ainda mais crucial em Android, por causa da fragmentação maior. A ferramenta

Por mais rigorosos que sejam os testes pré-lançamento, nenhum app está livre de apresentar falhas depois que chega às mãos dos consumidores. também serviu para ajustes no layout dos apps. No aplicativo Free Zone, de busca por redes Wi-Fi abertas, um dos botões mais importantes, de compartilhamento de redes, vinha sendo pouco utilizado. Com base nos resultados coletados pela Flurry, a Movile alterou a cor, o tamanho e a posição do botão. “Já mudamos muita coisa no design dos apps com base na análise dos dados de uso”, relata Stecca, da Movile. Outro serviço de inteligência e análise de dados consiste no acompanhamento dos rankings das lojas de aplicativos, provendo estimativas de downloads e receitas de cada app e de cada desenvolvedor. Os principais players nessa área são App Annie e Distimo. Os desenvolvedores interessados entregam a esses serviços seu login e senha na loja de aplicativos. Desta forma, a ferramenta gera relatórios detalhados sobre a evolução do app nos rankings oficiais, segmentando por país, em um painel mais fácil de acessar que ag o s to 2013 | t e l e t i m e | 13


diretora de marketing da Apsalar, uma DSP. Há outros métodos de promoção em massa de aquele fornecido oficialmente por Apple e Google. Com apps, como o utilizado pelo AppGratis, um aplicativo base nos dados que possuem dos desenvolvedores que recomenda um título de graça por um dia a parceiros e as posições nos rankings, App Annie e milhões de usuários, gerando aumento significativo em Distimo conseguem estimar a quantidade de downloads, o que leva o beneficiado para o topo dos downloads e a receita gerada por qualquer app, rankings, de onde demora para sair por causa da mesmo aqueles que não usam a sua ferramenta. visibilidade que isso gera. A Apple, contudo, vem Para conhecer as estimativas dos concorrentes ou de enfrentando esse tipo de serviço, por entender que ele um determinado mercado, os desenvolvedores altera artificialmente os seus rankings. O AppGratis foi precisam pagar. retirado da App Store este ano e hoje atua apenas em Android. Publicidade, DSPs e outros Outros serviços do mercado B2D incluem o aluguel De nada adianta construir um app de qualidade se de infraestrutura de backend e plataformas para ele não for divulgado entre os consumidores. A maneira disparo de notificações, como a AirPush, a Urban Airship mais eficiente de promover um app é dentro de outros e, mais recentemente, a Amazon Web Services. apps, usando redes de publicidade móvel para a A expectativa dos analistas é de que haja uma exibição de banners. Essa é também uma fonte de consolidação desse mercado B2D ao longo dos receita para os desenvolvedores que abrirem espaço próximos anos. Serviços de testes e de monitoramento publicitário dentro de seus aplicativos. São de bugs, por exemplo, tendem a se juntar. tantas as adnetworks que surgiu um Faz igualmente sentido a junção de análise serviço conhecido como Demand-Side de dados do usuário com redes de A maneira mais publicidade móvel, como faz a Flurry. Platform (DSP), que permite a compra de publicidade móvel em várias redes a partir eficiente de E as plataformas de disparo de mensagens de um único ponto de contato. Há vendas promover um vêm sendo incorporadas aos provedores por impressões, cliques e downloads, ao app é dentro de de backend. gosto do freguês. E um acompanhamento Paralelamente, ainda há áreas pouco outros apps, detalhado do retorno sobre o investimento exploradas, como a de suporte técnico ao usando redes consumidor de apps, aproveitando o em cada campanha. “Conquistar clientes de publicidade feedback para aprimorar os produtos. É rentáveis e monitorar o resultado de suas móvel para a citada também a necessidade de adaptar campanhas são pilares essenciais sem os exibição de quais nem o mais bem produzido app ferramentas de SEO (search engine alcança o sucesso”, argumenta Sarah Teng, optimization) para o mundo da mobilidade. banners.

ferramentas mais usadas por desenvolvedores

Digital Storm/shutterstock.com

Ferramenta Análise de uso Cross platform tools Push notification Adnetworks Engine de jogos App Store Analytics Crash reporting & bug tracking APIs de operadoras Mobile BaaS Certificação e testes Redes de promoção cruzada Serviços de voz Nenhum

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Percentual de desenvolvedores móveis que usam no mundo 38% 29% 26% 26% 21% 20% 18% 16% 11% 8% 8% 6% 14%

Exemplos de fornecedores Flurry, Google PhoneGap, Appcelerator Airpush, Urban Airship AdMob, InMobi Unreal, Unity 3D Distimo, App Annie Crittercism, BugSense Bluevia Parse, StackMob Apkudo, Soasta TapJoy, ChartBoost Twilio, Tropo Fonte: Vision Mobile


foto: marcelo kahn

“O usuário está mudando seus hábitos muito mais rapidamente do que os modelos. A não ser que a indústria reaja, não sei se haverá mais negócio daqui a cinco anos.”

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entrevista Marcel Fenez

A nova ordem da mídia

Principal executivo de mídia e entretenimento da PwC fala de como a indústria tradicional está perdendo o controle para a Internet e como os players poderão se adaptar. Samuel Possebon

samuca@convergecom.com.br

O

s modelos tradicionais de mídia, a distribuição de conteúdos e a relação entre empresas de comunicação, Internet e infraestrutura têm passado por transformações importantes nos últimos anos. É uma batalha que foi deflagrada com o surgimento da Internet, 20 anos atrás. A análise das mudanças nesse cenário ainda é cheia de incertezas. Uma das pessoas que têm como função observar esses novos cenários é Marcel Fenez, principal executivo da área de mídia e entretenimento da PriceWaterhouseCoopers (PwC), uma das consultorias mais atuantes nesse segmento no mundo. Fenez esteve no Brasil durante a ABTA 2013 para falar sobre o futuro do mercado de TV por assinatura. Sua visão de longo prazo é preocupante para os players tradicionais. Ele não acredita que os modelos permanecerão intactos com as transformações trazidas pela Internet, mas prevê que eles ainda têm espaço para se adaptar a um novo cenário. TELETIME – Qual a sua avaliação sobre a evolução do modelo de distribuição e consumo de mídia? MARCEL FENEZ – Todo o mundo tem consciência de que alguma coisa diferente está acontecendo. Fundamentalmente, a indústria tradicional não está no controle do processo tanto quanto gostaria de estar. Olhando para o mercado de TV paga, o que vemos é que o usuário está mudando seus hábitos muito mais rapidamente do que os modelos. A não ser que a indústria reaja a essa mudança de comportamento, não sei se haverá mais negócio daqui a cinco anos. É simples assim. É um processo determinado pelo usuário, e ninguém entende exatamente como ele está se comportando nem o ritmo em que isso está acontecendo.

O fator determinante não é, então, a tecnologia em si. As pessoas raramente se importam com a tecnologia por si só. O que as pessoas se perguntam é o que querem,

como encontrar, qual a maneira mais simples, o que é mais conveniente. É isso o que todos nós buscamos. Por isso é complicado entender as mudanças de comportamento, que ainda não foram sentidas plenamente. Uma razão para isso é que ainda existe uma inércia dos usuários, que têm uma certa lealdade aos serviços. Há também uma variável demográfica. O quanto alguém que tem hoje 13, 15, 18 anos será igual ou diferente de seus pais quando se tornar adulto? Certamente não será igual, mas não sabemos o quanto será diferente, inclusive nos hábitos de consumo. Não temos essas respostas ainda. Então, existe uma mudança de comportamento, mas que não está sendo acompanhada por uma mudança de modelos. Existe o risco de que essa mudança não traga um modelo viável? A resposta está no longo prazo. A questão é quanto tempo leva, quem vai ganhar e quem vai perder. O que sabemos de fato é que algo vai mudar. Existem empresas e pessoas no ecossistema hoje que não estavam no cenário de cinco ou oito anos atrás. A lei da probabilidade diz que deve haver mais players. O desafio é gerir essa mudança e reagir a ela. A melhor resposta para um player tradicional certamente começa por reconhecer que algo está acontecendo e que é preciso mudar. Em modelos baseados em publicidade, uma diferença fundamental entre antigos e novos players está no nível de informação e conhecimento sobre o usuário final. Isso fará muita diferença no futuro? Como os players tradicionais conseguirão dar uma resposta? As empresas tradicionais sempre disseram conhecer o consumidor com base em audiência, em leitores. Mas, na verdade, o que eles tinham era apenas um meio de criar uma audiência de massas com bons conteúdos. Essas empresas nunca foram canais B2C efetivamente. Essas novas empresas são efetivamente canais B2C (business consumer). A questão é o que as empresas tradicionais poderão fazer para se tornarem B2C? O desafio é entender como os consumidores agora interagem com o conteúdo e cruzar isso com os dados dos próprios usuários. Existe a ag o s to 2013 | t e l e t i m e | 17


entrevista necessidade desse tipo de mentalidade dentro das empresas tradicionais. Ainda não vimos muitas mudanças nesse sentido, mas tenho certeza de que veremos muito nos próximos três anos. Empresas como o Google estão muito à frente nesse conceito. É uma empresa que tem o browser hegemônico, a principal ferramenta de busca, o sistema operacional móvel hegemônico... Tudo isso coletando dados sobre o uso. Como competir com isso? O ponto é que o Google e outras empresas não pararam por aí. Eles continuam buscando outras coisas, porque eles sabem que o que têm não é suficiente. Tudo o que você falou é verdade, mas o Google e outros também estão investindo pesadamente em conteúdo porque sabem que, no final das contas, é conteúdo o que as pessoas estão buscando. As pessoas não querem uma ferramenta de busca, querem encontrar alguma coisa. Parece óbvio, e é, mas temos que lembrar disso. O interessante em observar nessas empresas é que elas têm sido muito inovadoras e continuam sendo, porque sabem que precisam resolver o problema de amanhã e de depois de amanhã. É muito desafiador. Você pode afirmar que uma empresa tradicional, consolidada, não consegue mudar. Mas eu acho que uma plataforma em chamas é o que de fato motiva uma mudança. Quando se veem sem saída e ameaçadas por todos os lados é que as pessoas se movem. De certa forma, as grandes empresas do mercado de mídia já estão mudando. O risco maior está para as empresas de conteúdo ou para os intermediários, como as empresas de TV a cabo tradicionais, empresas de telecomunicações etc.? Talvez eu tenha simplificado demais quando dei a entender que todo mundo busca conteúdo e por isso as empresas de conteúdo estariam bem posicionadas. Isso é um fato, mas também é um fato que há hoje mais gente produzindo conteúdo do que antes. Todo mundo é potencialmente um criador de conteúdos. Isso é legal por um lado, mas por outro é fato que isso coloca uma pressão sobre a remuneração da cadeia. Blogueiros, por exemplo, uma hora precisarão ganhar algo com o que produzem. Nem todos sobreviverão. O movimento que estamos vendo é fantástico para a criação de conteúdos, mas não necessariamente para os criadores de conteúdo. Sobre a questão dos intermediários: por definição, um intermediário é alguém que tira vantagem da função de agregador, de estar no meio do caminho, da colaboração entre as partes. O que vemos é cada vez mais interação entre as pessoas. E nesse cenário estamos também vendo mais intermediários no processo a cada dia. Uma rede social, um site de busca são intermediários. 1 8 | t e l e t i m e | ag o s to 20 1 3

Por exemplo, o Netflix passa a ocupar o papel de um intermediário como uma operadora de cabo? O intermediário do passado é diferente do intermediário atual, e será diferente do intermediário do futuro. O que não quer dizer que essa função não existirá. Só serão outros players. Uma empresa de jornal, por exemplo, produz, agrega e distribui conteúdo. É uma combinação que faz todo o sentido quando o conteúdo é o core business. Mas aí essa empresa resolveu comprar empresas de transporte para entregar os jornais, gráficas para imprimir. Se a competência era o conteúdo, por que comprar caminhões? Porque aquilo fazia sentido no processo de intermediação, de distribuição. Hoje isso não faz mais sentido. Ainda assim, as empresas jornalísticas precisam de publicidade para manter seus negócios, e a publicidade está minguando. Eu sou um forte partidário da tese de que não se pode basear um negócio de comunicação apenas em publicidade. Não existe mais publicidade suficiente no mundo para sustentar os negócios nesse novo ambiente. Isso é um fato. É preciso olhar outras fontes de receitas. Onde? No consumidor, e é daí que podem sair os recursos para as empresas de comunicação, de várias formas. Em geral, se explora apenas uma fonte, que é assinatura: o consumidor paga para assinar um conteúdo. Mas é assim porque é isso o que está sendo oferecido. É preciso ser mais sofisticado. Modelos criativos de venda de conteúdo, modelos pré-pagos podem ser bem mais efetivos. O desafio das empresas de comunicação é dar a possibilidade de escolha ao usuário. Mas o desafio de que esse conteúdo pode, no final das contas, ser encontrado de graça, permanece. É parte do processo de transição. Tenho certeza de que grandes empresas de comunicação, focadas em bons conteúdos, vão sobreviver, mas precisam mudar. Como você vê as mudanças no relacionamento entre empresas de mídia, empresas de conteúdo de Internet e empresas de infraestrutura? Há empresas de infraestrutura que optam por manter o foco nisso, e certamente são essenciais, porque todo o mundo precisa de infraestrutura. Ou optam por oferecer uma diferenciação, por meio de conteúdos. Há um vai-e-vem nesse momento em relação a essas estratégias, porque o caminho não está ainda muito claro. Isso depende muito do mercado, da dinâmica, da regulação. Não dá para dizer que há apenas uma solução. O que está claro é que quando falamos na oferta de conteúdos por parte das empresas de infraestrutura, não estamos falando apenas de mídia, mas também de outros conteúdos: saúde, transações bancárias, comércio, mídia. Aliás, os conteúdos que têm maior potencial de monetização para empresas de telecomunicações são outros. Saúde tem grande potencial, comércio.


Modelos econômicos nascidos com a Internet estão baseados em data-mining. Esses modelos sobrevivem à medida que as preocupações com privacidade aumentam? Eu me pergunto se as pessoas estão tão preocupadas com privacidade. Acho que de uma maneira geral elas nunca fizeram esse tipo de questionamento da maneira aprofundada. Definir o que é uma infração de privacidade é complicado nesse ambiente. Receber um e-mail indesejado é uma infração? Há pessoas que acham que sim, outras acham que basta apertar o botão e apagar a mensagem e o problema está resolvido. No mundo analógico, qualquer um poderia colocar publicidade na minha caixa de correio. Isso era invasão de privacidade? A verdadeira questão é qual a tolerância das pessoas, porque o fato é que toleramos invasões de privacidade a todo momento. Em alguns casos isso já está estabelecido nas legislações locais. No Brasil, por exemplo, é proibido ler a correspondência, mas plataformas de e-mail fazem isso, e as pessoas toleram. A preocupação das pessoas passa muito pelo uso que se faz dessa informação. Na maior parte dos casos, as pessoas não se importam em ter suas informações usadas para publicidade, ao que parece. Por outro lado, as pessoas certamente não querem alguém olhando a sua conta bancária. Mas esse debate está apenas começando a acontecer, e há gente que diz que essa decisão sobre privacidade deveria caber às pessoas, e não aos governos. Vamos ver no que vai dar. Nesse momento, vemos a primeira geração nascida na era da Internet chegar aos 20 anos, entrar efetivamente no mercado de consumo. O que se pode esperar? Algumas coisas já sabemos, outras especulamos.

foto: marcelo kahn

Uma das variáveis é a regulação dos mercados. O que você tem visto nesse sentido em diferentes países? Existe um caminho desenhado? A regulação da Internet varia muito de país para país, e inevitavelmente está vinculada a políticas, políticos e grupos de pressão locais. Num mundo ideal, haveria um ambiente regulatório similar no mundo todo, mas não é isso que veremos, pelo menos no período das nossas vidas. Em cada mercado há interesses específicos, e isso se reflete nas políticas. Sem citar nenhum país específico, existem três aspectos centrais do debate que podem ser observados de forma mais ou menos uniforme. Um é a privacidade, porque todo o modelo está baseado em datamining, em coleta de dados. Outro aspecto é o da simetria e assimetria de disputa de mercado, porque estabelecer um terreno comum de regras é muito complicado. E a questão da censura e liberdade de expressão é outro aspecto relevante.

“Não existe mais publicidade suficiente no mundo para sustentar os negócios nesse novo ambiente. Isso é um fato. É preciso olhar outras fontes de receitas. Onde? No consumidor.” Sabemos que quando esse indivíduo monta a sua própria casa, instalar uma linha fixa de telefone certamente está longe de ser uma prioridade. Há dez anos, isso ainda era importante. Por outro lado, certamente esse indivíduo vai se assegurar de que tenha uma conexão Wi-Fi, um bom sinal de celular. As pessoas ainda vão comprar TVs de tela grande? Provavelmente sim, ao que parece. Mas quem vai colocar conteúdo nessa TV é outro problema. Essa TV estará conectada a algo. Será TV, mas não como a conhecíamos. O mercado publicitário permanecerá? Com certeza. As empresas continuarão a anunciar, mas vão substituir as mídias. A questão é se elas vão comprar espaço de publicidade, controlar os meios de publicidade ou buscar ganhar esse espaço de outras maneiras. Há 20 anos, o modelo de publicidade era baseado apenas na compra de espaço. Depois surgiram os websites, e elas passaram a deter um canal. O que não se sabe é qual a proporção que vai para cada coisa. Haverá publicidade na tela da TV? Certamente. Mas a TV será a mesma? Não sabemos. Você tem conversado com empresas de comunicações no Brasil. Qual a sua avaliação? Posso dizer que elas têm um alto grau de percepção de todos esses desafios, e isso é bom. Mas não posso dizer, pelo pouco que vi e conheço, se a resposta está sendo adequada e na velocidade necessária. Isso eu deixo para que as próprias empresas respondam. ag o s to 2013 | t e l e t i m e | 19


evento

Regra desigual fotos: marcelo kahn

TV por assinatura já disputa assinantes com as novas plataformas. Agora, operadores e programadores demandam isonomia de tratamento aos OTTs.

Da esq. para dir.: joão rezende (anatel), oscar simões (abta), marta suplicy (ministra da cultura), paulo bernardo (ministro das comunicações) e manoel rangel (ancine), na cerimônia de abertura da abta 2013.

da Tela Viva

cartas.teletime@convergecom.com.br

O

s serviços over-the-top (OTT), com o Netflix em destaque, foram apontados há três anos como o bicho-papão debaixo da cama, prestes a fazer sua grande aparição ao público e, sobretudo, a um setor de TV por assinatura assustado. Agora os novos serviços é que terão de enfrentar uma assombração tão ou mais apavorante quanto a chegada de um concorrente com um modelo de negócios disruptivo: a regulação de sua atuação e o fisco. Enquanto isso, o setor de TV paga mostra que está preparado para manter sua relevância frente ao assinante de TV, com soluções para entregar seu conteúdo em múltiplas plataformas e de maneira não-linear. No Congresso e Feira ABTA 2013, que aconteceu no início de agosto, em São Paulo, o setor de TV por assinatura se uniu em um discurso, pedindo isonomia de tratamento aos serviços de distribuição de conteúdo OTT, como Netflix,

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Apple TV, Totalmovie e similares. O presidente da Net Serviços, José Felix, ressaltou o que classificou como “assimetria tributária incrível” e “quase concorrência desleal”. “Tem empresa que nem sede no Brasil tem. Não pagam impostos, sequer se dão ao trabalho de traduzir o site para o português e ganham muito dinheiro. Acabou o sonho da Internet livre, é um negócio de bilhões, centrado em quatro ou cinco grupos, talvez menos, e em um único país, vendendo aqui no Brasil o mesmo (conteúdo) que vendemos”, disse o executivo. O presidente executivo da ABTA, Oscar Simões, fez coro. “Precisamos de adequações, um marco regulatório e tributário”, declarou. “É uma discussão para a qual o mundo vai ter de encontrar uma resposta. Temos algumas ideias, mas nada que tenha sido consolidado pelo setor”, diz. Apesar disso, ele reconhece que o produto não-linear não chega a ser considerado uma ameaça para os players tradicionais e que o Brasil ainda não é um mercado maduro para os OTTs. “O que a gente reivindica que aconteça é que eu, como operador, também possa ter um produto linear, mas em igualdade de competição tributária com os demais”. O Ministério das Comunicações e as duas agências que regulam o setor, Anatel e Ancine, mostraram-se sensíveis às demandas, mas apontam que não pretendem inviabilizar nenhum tipo de plataforma de distribuição. O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, concordou com as colocações do presidente da maior operadora de TV do País: “O setor (de TV paga) reclama e tem razão. Elas (OTTs) prestam serviço no Brasil e não têm o ônus da prestação, como as cotas de conteúdos nacionais, nem pagam impostos. O dinheiro vai direto

O Ministério das Comunicações e as duas agências que regulam o setor, Anatel e Ancine, mostraram-se sensíveis às demandas, mas apontam que não pretendem inviabilizar nenhum tipo de plataforma de distribuição.


pra lá (EUA), somos como um paraíso fiscal”, reconhece o ministro. Ele acredita que, uma vez que prestam um serviço remunerado aqui no País, essas empresas podem ser tributadas. “Não é simples nem rápido, mas França e Alemanha já estão discutindo uma forma de tributar esse serviço e vamos fazer o mesmo aqui, vamos discutir”, garante. “Evidente que temos que dar isonomia para todos os tipos de serviço”, afirmou o presidente da Anatel, João Rezende, a esta reportagem. “Se eu tiver uma empresa prestando serviços de assinatura pela Internet, vamos ter de criar mecanismos para atender à regulação da Lei 12.485/2011 (Lei do Serviço de Acesso Condicionado – SeAC), mas também atentar à tributação referente ao mercado brasileiro”, explica. Como exemplo, Rezende menciona a regulamentação do serviço de DTH. “Na operação de satélite, a Anatel já exige que as empresas tenham um representante local para responder por efeito de tributação, acho que isso vai pelo mesmo caminho”, diz. “Podemos obrigar as OTTs a ter um representante legal, com todos os deveres e direitos de uma situação de TV a cabo, por exemplo”. A questão é que a operação de DTH é feita como um serviço de acesso condicionado, diferente do meio pelo qual operam os OTTs, a Internet, que é um serviço de valor agregado e não está na seara de regulação da Anatel. “Isso é um debate que está no Marco Civil (da Internet), porque nós regulamos redes. Precisa pensar na questão do direito autoral, produção de conteúdo. Se o Marco Civil mudar essa discussão, pode ser que a agência passe a discutir isso”, declara Rezende. Segundo o presidente da Anatel, o assunto ainda é novo e está sendo debatido internamente de maneira informal. “Vamos ter que estudar isso de forma mais organizada e junto com outros órgãos do governo como a Receita Federal e o Ministério das Comunicações.” Coexistência Na Ancine, a postura é a de preservar os modelos existentes de distribuição de conteúdo, mas sem inviabilizar as novas modalidades. O presidente da agência, Manoel Rangel, diz que “o serviço (de TV) conviverá com um conjunto de outros serviços que chegam ao mercado. Estes serviços também deveriam ser operados de território brasileiro, valorizando também o conteúdo nacional.” A esta reportagem, Rangel afirmou ainda que já há ferramentas para que a agência possa atuar sobre alguns aspectos do OTT. No entanto, diz que para que o serviço seja efetivamente regulado será necessário mexer na legislação.

 Para a consultora sênior da Farncombe Adriana Whiteley, o serviço Netflix não tem se mostrado como um

“Acabou o sonho da Internet livre, é um negócio de bilhões centrado em quatro ou cinco grupos, talvez menos, e em um único país, vendendo aqui no Brasil o mesmo (conteúdo) que nós.” José Felix, da Net serviços competidor direto, mas sim como um complemento à TV por assinatura. Segundo ela, mesmo nos Estados Unidos, um mercado já consolidado para a TV paga, as pessoas ainda preferem assistir ao conteúdo linear. A TV por assinatura brasileira não vê exatamente desta forma. Segundo o diretor de estratégia e gestão operacional da Net Serviços, Rodrigo Marques, a operadora vê este tipo de serviço como uma possível ameaça, sim. Por isso, explica, a Net vem investindo em serviços como o vídeo on-demand (VOD) e o TV everywhere, em parceria com as programadoras, para continuar gerando valor para o assinante de TV. Segundo Marques, o serviço de VOD da operadora já mostra resultados na redução do churn. “Todas as pesquisas e contatos com o cliente apontam que ele gosta do serviço. Os que começam a usar tendem a usar cada vez mais. Entre estes assinantes, os indicadores de desconexão caem radicalmente”, diz. Mas o investimento, lembra, é muito elevado. Já a Telefônica/Vivo acredita, sim, na complementaridade da plataforma e, por isso, investe para atuar em todas. Segundo o diretor executivo da Telefônica Digital, Roberto Piazza, foi lançada uma plataforma global de VOD para as operações da companhia espanhola, a Global Video Platform. “É preciso levar

Alberto Pecegueiro, da Globosat, prepara serviço OTT que será vendido por operadoras de TV paga para não-assinantes de TV. ag o s to 2013 | t e l e t i m e | 2 1


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Oscar Simões, da ABTA em consideração o contexto de cada assinante e no qual ele acessa o conteúdo”, diz. Segundo o executivo, as plataforma de IPTV, DTH e o OTT Vivo Play atendem diversos contextos. Com relação a uma possível assimetria regulatória dos OTTs, Piazza lembra, contudo, que muita regulamentação pode acabar impedindo a flexibilidade e a velocidade de inovação que são tão caros a essa indústria. ”Claro que é um debate que deve ser feito e muita coisa pode ser regulada, mas é preciso chegar em um bom senso do nível adequado de regulamentação. Tema tributário não é o mesmo que a regulação dos serviços OTTs, que na minha opinião, na verdade, é uma discussão mais ampla de Internet e tem de ser tratada no Marco Civil da Internet. São dois mundos distintos e o que preocupa é regular tanto que crie uma estrutura de custos muito elevada e freie a flexibilidade e a inovação”, analisa. Planos O presidente da Net, José Felix, diz que não há previsão de lançamento de um over-the-top puro da operadora, como fizeram algumas operadoras

“A TV paga reclama e tem razão. Os OTTs prestam serviço no Brasil e não têm o ônus da prestação, como as cotas de conteúdos nacionais e os impostos.” Paulo Bernardo, ministro das Comunicações

fotos: marcelo kahn

“Precisamos de adequações, um marco regulatório e tributário. É uma discussão para a qual o mundo vai ter de encontrar uma resposta.”

norte-americanas. No entanto, o executivo diz que continuará ampliando a oferta de TV everywhere em parceria com as programadoras de canais. O problema é: como pagar essa conta? A maior parte do conteúdo acessado no Now, VOD da Net, é oferecido gratuitamente, como um complemento à programação de TV. Segundo Rodrigo Marques, “a publicidade será importante para remunerar a construção desta plataforma”. Segundo Marques, o Now, em dois anos, já contou com 170 milhões de visualizações de títulos. São 15 milhões de novas visualizações por mês, principalmente de conteúdo da própria programação da TV por assinatura. Para a Globosat, a entrada no OTT “puro” é uma questão de tempo. No entanto, a programadora não vê sua entrada no serviço canibalizando a TV por assinatura. Pelo contrário, quer usar a nova plataforma como porta de entrada da TV paga. A programadora começou a trabalhar no desenvolvimento de um serviço over-the-top do Telecine para não-assinantes de TV por assinatura. O OTT do Telecine Play, segundo o diretor-geral da programadora, Alberto Pecegueiro, contará com filmes na janela premium, ao contrário dos seus concorrentes “que custam R$ 17,90”. O serviço será vendido por operadoras de TV por assinatura, ao mesmo preço pelo qual o conjunto de canais é oferecido aos assinantes de TV paga (R$ 35), mas para nãoassinantes. “Se o assinante for convertido (para o serviço de TV), passará a ter acesso aos canais lineares e ao online”, explicou o executivo. Desta forma, a operadora mantém o relacionamento com o assinante do serviço OTT, podendo fazer ofertas para convertê-lo para outros serviços.

Bedrin/shutterstock.com

A batalha do must-carry

U

m dos temas que promete aquecer as discussões em 2014 é a obrigatoriedade de carregamento dos canais abertos por parte das operadoras de TV paga. O chamado must-carry, regra que existe desde 1995, deixa de existir nas condições atuais quando começar o desligamento da TV analógica a partir de 2015. Na ABTA 2013, José Felix, presidente da Net Serviços, já avisou, ainda que em tom de brincadeira, que não vai pagar nada por esses canais. Emissoras como Band e SBT já avisaram que vão cobrar. A Globo já cobra no DTH, e começou a negociar os valores com operadoras de cabo. A Anatel promete um regulamento sobre o assunto. O tema é nitroglicerina pura.

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Banda larga em 450 MHz: esforço em vão? Letícia Cordeiro e Bruno do Amaral leticia@convergecom.com.br bruno@convergecom.com.br

A

novela do uso da faixa de 450 MHz para serviços de banda larga e telefonia rural pode ter um desfecho diverso daquele esperado pelo governo. A faixa, baixa no espectro de frequências e tida como a mais adequada para cobertura em regiões remotas, chegou a ser cobiçada pela Telebras e pequenos provedores, mas foi empurrada para as teles vencedoras do leilão de 4G em 2,5 GHz em meados de 2012 como parte das obrigações de cobertura. Agora, corre o risco de ficar às moscas. Isso porque, sensível aos protestos das operadoras móveis, a Anatel deve levar a cabo uma previsão que já estava no edital como um plano B: permitir que as metas de cobertura para a área rural possam ser atendidas com qualquer outra frequência que a tele tenha disponível. O plano B virou plano A e é isso o que deve acontecer. Segundo fontes de mercado ouvidas por TELETIME, representantes das operadoras se reuniram recentemente com o presidente da Anatel, João Rezende, apresentaram planilhas de custos e informaram que não usariam o 450 MHz para cobertura das áreas rurais, pelos menos nas primeiras duas metas impostas pela agência: a de cobertura de 30% das áreas rurais até junho de 2014, com velocidades de 256 kbps de download e 128 kbps de upload; e de 60% das áreas rurais até dezembro de 2014. Em entrevista a esta reportagem, Rezende reiterou que a execução das obrigações de 2 6 | t e l e t i m e | ag o s to 20 1 3

cobertura rural definidas no edital do leilão do 4G poderá ser efetuada com outras frequências, como já era previsto. “As operadoras estão querendo usar as faixas de 850 MHz ou 2.100 MHz que já têm. E não tem problema nenhum, desde que cubram os municípios com voz e dados a 256 kbps de download e 128 kbps de upload”. Ele reconhece que isso minimizaria os efeitos da recém anunciada padronização do LTE em 450 MHz. “É possível até que elas nem usem a faixa (para nenhuma meta), mas precisamos esperar para ver”, admite. As operadoras colocaram na ponta do lápis não apenas o custo dos equipamentos de rede, mas também o dos terminais e o de instalar uma tecnologia nova que não tem escala, ainda. Por isso, a decisão mais lógica parece ser utilizar o espectro de 850 MHz para cobrir as áreas rurais com 3G nas primeiras duas metas, porque cobririam assim áreas de municípios mais próximos dos principais centros urbanos sem grandes esforços, no que um executivo do setor classificou como “puxadinho”. As únicas operadoras que teriam problemas com essa solução são a Oi, que não tem 850 MHz no Mato Grosso, onde as distâncias entre os municípios são muito grandes; e a Vivo, que não possui esse espectro no Nordeste (exceto na Bahia e em Sergipe). Ali, a Vivo poderia até utilizar 3G em 2,1 GHz, mesmo que a frequência mais alta implique menor raio de cobertura e maior número de estações radiobase (ERBs). Mas a saída pode ser outra: a tele estaria buscando na Anatel autorização para compartilhar o espectro de 850 MHz de outra operadora. Vivo e Claro já compartilham infraestrutura passiva de 3G e 4G, mas ERBs e espectro, não. De acordo com uma fonte do setor, a Vivo também

Slavoljub Pantelic/shutterstock.com

Apesar da aposta do governo de que esse seria o caminho para levar Internet e telefonia a áreas rurais, teles devem começar usando outras faixas do espectro.


foto: marcelo kahn

estuda a possibilidade de entregar uma eventual rede de 450 MHz aqui no Brasil para ser operada pela escandinava AINMT Holdings, que tem experiência na banda e com quem o grupo espanhol anunciou parceria em novembro do ano passado “para explorar as licenças em 450 MHz adquiridas no leilão do 4G”, sem nunca, contudo, detalhar quais seriam seus planos. Estimativas de alguns fabricantes ouvidos por TELETIME preveem que uma eventual demanda das operadoras por equipamentos para a faixa de 450 MHz, se acontecer, será apenas a partir de meados de 2015, para cumprimento da última fase das obrigações de cobertura rural, uma vez que a frequência possibilita grandes raios de cobertura a partir de uma única ERB. “É esperado que as operadoras usem outras bandas com o 3G agora no início. Cada operadora vai montar sua cobertura de acordo com seu mapa de frequência, mas vai ter espaço para 450 MHz e será natural começar a aumentar a demanda durante o próximo ano”, comenta o presidente da fabricante brasileira WxBR, Samuel Lauretti. A empresa nacional tem uma parceria formal para transferência de tecnologia de LTE em 450 MHz com o CPqD , seu acionista indireto por meio da Padtec. Sabe-se que o governo trabalhou intensamente numa política que utilizasse a faixa de 450 MHz justamente para incentivar esse desenvolvimento por empresas nacionais. Agora, outra variável deve ser incluída nessas estimativas, indica outra fonte: o leilão do espectro de 700 MHz, previsto para acontecer entre os meses de abril e maio do próximo ano. Assim, as operadoras vencedoras poderiam usar a faixa para atendimento da última etapa das obrigações de área rural de dezembro de 2015, com a vantagem de poder instalar LTE e contar com a escala global dos terminais. “O custo de colocar uma estrutura em 450 MHz e em qualquer outra faixa é um cálculo econômico que as operadoras terão de fazer. Como em julho de 2014 as operadoras já têm de cumprir as metas de 30% dos municípios com cobertura rural e o edital do 700 MHz vai sair em maio, não conseguirão usar essa faixa. A questão é no horizonte da cobertura de 30 km em dezembro de 2015; tem que ver se existe espaço para criar obrigação com os 700 MHz nesse prazo”, pondera o secretário de Telecomunicações do Minicom, Maximiliano Martinhão. Ainda possível De acordo com um executivo do setor, a busca de alternativas também se deveu à desconfiança de que a padronização do LTE para a faixa não saísse no prazo estipulado. “Achavam que ia atrasar, mas não atrasou. Agora é possível que reconsiderem a decisão de usar o 450 MHz”, comenta. O diretor sênior

Plano B virou plano A e agora faixa de 450 MHz corre o risco de ficar às moscas. Metas de cobertura para a área rural devem ser atendidas com outras frequências. de relações governamentais da Qualcomm, Francisco Giacomini Soares, concorda: “Ainda acho que pode haver, sim, uma virada com a conclusão do 3GPP e fabricantes mostrando equipamentos já para ser comercializados. Cada etapa é importante, com produtos e terminais, para solidificar essa oportunidade”. O CTO da Huawei para a América Latina, José Augusto de Oliveira Neto, explica que com a especificação mestre do LTE para 450 MHz finalizada em julho, as etapas restantes de especificações para testes de conformidade e certificação devem ser concluídas até o fim do ano. “Agora os fabricantes já têm padrão para começar a produzir equipamentos”, comemora o executivo da fornecedora chinesa, que foi a relatora-técnica da padronização no 3GPP. Ele reconhece a possibilidade de que teles venham a usar outras faixas para cumprir as obrigações, mas salienta: “existe um grande mercado rural não explorado que concentra cerca de 22% do PIB do Brasil e requer aplicações de mobilidade e que pode trazer uma receita adicional muito importante para os negócios das operadoras”. Para ele, a cadeia de inclusão digital só se completa com desenvolvimento de aplicações voltadas para esse mercado, que pode ser incentivado pelo governo com desonerações e serviços públicos. “Agentes de governo nas áreas rurais podem utilizar tablets ou computadores conectados em 450 MHz para exercer suas atividades e os benefícios da Caixa Econômica Federal poderiam até mesmo incluir um ‘kit conectividade’”, sugere. A única operadora que já veio a público dizer que usaria o 450 MHz para atendimento a áreas rurais foi a TIM, que também esteve envolvida no processo de padronização do LTE para a faixa desde seu início. Mas a ideia da tele é utilizar inicialmente a cobertura 3G em 850 MHz no Paraná e em Santa Catarina. No Espírito Santo e no Rio de Janeiro, a opção seria o 3G em 2,1 GHz, onde a tele não tem espectro de 850 MHz disponível. Somente em 2015 ela usaria LTE em 450 MHz para complementar a cobertura. A Oi chegou a testar os

“É possível até que elas nem usem a faixa (para nenhuma meta), mas precisamos esperar para ver.” João Rezende, da Anatel ag o s to 2013 | t e l e t i m e | 2 7


“Fizemos um estudo de mercado com levantamento do que seria necessário para produzir em 450 MHz e chegamos à conclusão de que não vamos fazer esse movimento agora.” Roberto Falsarella, da Alcatel-Lucent

equipamentos com a Huawei em Campinas (SP), mas preferiu não se pronunciar sobre o assunto. Da parte dos fornecedores, como lembra o secretário do Minicom, “dois multinacionais e um nacional já se comprometeram a fabricar equipamentos e a Qualcomm falou que o chipset fica pronto até o final do ano”. Martinhão se refere à Huawei, à Nokia Solutions and Networks (NSN) e à brasileira WxBR. A fornecedora chinesa já havia começado a produção de equipamentos mesmo antes da padronização, em setembro do ano passado, e importou para o Brasil dois modelos diferentes de set-top box com LTE, Wi-Fi, telefone e acesso de dados cabeado; como uma espécie de central de conectividade, para testes no Brasil. “Mais de 80% do que a Huawei recomendou foi adotado no standard e agora chega a nova geração dos equipamentos dentro do padrão definido, pronta para ser comercializada”, conta Oliveira Neto, garantindo que há tempo para atender até mesmo as metas de junho de 2014. “Estimamos em seis meses entre a encomenda dos equipamentos e a implantação. Dependendo da demanda e do tempo das teles, decidiremos se serão importados ou fabricados no Brasil”. A NSN também participou do processo de padronização e se diz preparada para produzir equipamentos de rede LTE em 450 MHz se houver

Metas para cobertura rural Até junho de 2014 cobertura de 30% das áreas rurais de até 30 km das sedes dos municípios brasileiros com velocidades de 256 kbps de download e 128 kbps de upload nas redes de dados. Até dezembro de 2014 cobertura de 60% das áreas rurais. Até dezembro de 2015 atendimento de 100% das áreas rurais. Em 2017, as velocidades de todas as cidades cobertas devem ser elevadas para 1 Mbps de download e 256 kbps de upload.

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demanda. “Participamos da padronização porque acreditamos que apenas os projetos que podem existir no Brasil garantiriam escala para fabricação de equipamentos de rede”, diz o head of technology da empresa, Wilson Cardoso. A NSN ainda não começou a fabricar os equipamentos, mas não teria problemas com isso. “Teríamos que adaptar apenas cerca de 30% de uma estação radiobase do zero para o LTE em 450 MHZ”, calcula. Embora ainda não haja nenhum contrato fechado com operadoras, o presidente da WxBR, Samuel Lauretti, garante que as conversas estão “intensas”. “Estamos num momento de testes com as operadoras e discussões. Nossa expectativa é ter os primeiros contratos ainda esse ano para ter uma implantação no começo no ano que vem”, revela o executivo. O CPqD promete para outubro protótipos de engenharia pré-industriais para fazer testes com operadoras com ERBs que poderão chegar a 30 km de raio de cobertura e CPEs fixas, de acordo com o responsável pelo projeto na entidade, Juliano João Bazzo, que pertence à gerência de sistemas de comunicação sem fio do centro. A padronização do LTE na banda é o pontapé inicial para a formação de um ecossistema, das ERBs à integração da faixa de 450 MHz nos chipsets para terminais. “Começamos a nos mobilizar para integrar a frequência no chipset. Agora estamos na fase de sentir como o mercado vai reagir a isso e, se a demanda surgir por parte dos fabricantes de devices, teremos o chipset”, garante o diretor da Qualcomm, Francisco Giacomini. Ele lembra, contudo, que já existem CPEs nomádicos mais simples, que não demandam que o componente seja tão elaborado como em alguns handsets de telefonia móvel. Wilson Cardoso, da NSN, acredita que “entre 18 e 24 meses já é possível ter um ecossistema com chipsets para terminais estabelecido, com convergência de preço de chipsets (em relação a outras frequências) a partir de 2016”. Alguns fabricantes temem, entretanto, que esse ciclo possa ser longo demais e inviabilize a tecnologia. “Se uma linha de LTE em 450 MHz não se materializa no mundo inteiro, os equipamentos podem ficar mais caros mesmo e podem não chegar a um preço próximo de um equipamento de 700 MHz ou 850 MHz e talvez não valha a pena para a operadora”, admite uma fonte mais em relação aos terminais. Outros fabricantes como Ericsson, que chegou a participar das discussões no 3GPP, e Alcatel-Lucent (ALU), optaram por não se comprometer com a tecnologia, pelo menos até o momento. “Devido à banda de frequência em 450 MHz ser muito pequena (7 MHz + 7 MHz - o que é muito pouco para LTE) mais a escala, achamos que era melhor a Ericsson aguardar e fotos: divulgação

fornecedores


não entrar nesse mercado. Não vai ter tanta disponibilidade de acessórios, terminais etc., a operadora sofre com subsídios e isso diminui a atratividade”, explica o vice-presidente de estratégia e marketing para a América Latina e Caribe da fornecedora sueca, Lourenço Coelho. “Somos uma empresa globalizada e precisamos de escala mundial. As operadoras têm arrepio de saber que vão ter um cachorro de estimação para cuidar, mas têm alternativa com 850 MHz”. O executivo da Ericsson ressalta que não enxerga viabilidade econômica e que “a cobertura do 450 MHz poderia chegar a ter 40 km ou 50 km de raio, mas como é uma faixa estreita, esse raio diminui se é preciso colocar mais assinantes”. A questão da limitação da capacidade da faixa também foi citada por várias fontes entrevistadas para esta matéria. A ALU seguiu o mesmo caminho. “Entendemos que deve demorar vários anos para que o produto final ganhe escala. Fizemos um estudo de mercado com levantamento do que seria necessário para produzir em 450 MHz e chegamos à conclusão de que não vamos fazer esse movimento agora”, conta o gerente de soluções móveis da Alcatel-Lucent no Brasil, Roberto Falsarella. Contudo, ele não descarta a possibilidade de fabricar os equipamentos. “Se houver (demanda) a partir de 2015, podemos fazer. Até porque, adaptando a parte de radiofrequência, todo o restante da base LTE pode ser aproveitada”, pontua.

foto: marcelo kahn

Devolução A questão é que, se as operadoras não utilizarem a banda de 450 MHz, eventualmente teriam de devolvê-las à Anatel. Por ser um bem escasso, é possível que a usem apenas para mantê-la. “Uma operadora que tem como núcleo de negócio o acesso móvel nunca devolveria o 450 MHz”, aposta Lauretti, da WxBR. Cardoso, da NSN, sugere que, no caso de uma eventual devolução da faixa, a Anatel teria alternativas. “Está começando uma procura em países da América Latina para uso de 450 MHz na segurança pública porque precisa de poucos sites para cobrir uma cidade inteira - uma antena de 450 MHz tem raio quatro vezes maior do que a de 850 MHz - e o preço mais alto do terminal não seria uma barreira para serviços públicos de alta prioridade”, sugere. De maneira geral, fabricantes já relatam algum interesse de países latinoamericanos e admitem possibilidade de que Nova Zelândia, Suécia, Noruega,

“Uma operadora que tem como núcleo de negócio o acesso móvel nunca devolveria o 450 MHz.” Samuel Lauretti, da WxBR

Rússia e outros países do Leste Europeu acabem por adotar o LTE para evolução dos serviços na faixa de 450 MHz que hoje utilizam a tecnologia CDMA. “No caso da Equador, foi o governo quem nos procurou com interesse em aplicação da tecnologia”, cita Bazzo, do CPqD. “Estamos vendo oportunidade no mercado externo, tem muitas operadoras usando CDMA em 450 MHz na África, na América Latina, em alguns paises na Europa Oriental, e mesmo sem fazer um esforço de venda, a padronização do LTE para a faixa no Brasil despertou o interesse e a gente já teve espontaneamente vários contatos de operadoras (internacionais) interessadas”, comemora Lauretti. Oliveira Neto, da Huawei também acredita na possibilidade. “O governo brasileiro promoveu esse standard e transformou um problema em excelente oportunidade”, diz. Uso urbano Tanto Huawei quanto WxBR veem uma oportunidade para utilização do LTE em 450 MHz em ambientes urbanos. “Em uma região urbana densa, uma ERB LTE de 2,6 GHz consegue oferecer em média 1 Mbps (por exemplo) em um raio de 270 m. No 450 MHz, é possivel oferecer essa mesma velocidade a 1,63 km de raio”, exemplifica Oliveira Neto. “É claro que não é o caso de colocar todas as aplicações de dados em apenas 7 MHz de largura que temos no 450 MHz, mas ela pode ajudar muito em um planejamento adequado distribuindo o tráfego, concentrando por exemplo aplicações de M2M (machine-to-machine) para smartgrids, telemetria em regiões de difícil acesso, ambientes fechados e subsolos, aplicações de carros conectados e de eletrônica embarcada”, avalia o executivo da Huawei.

“Existe um grande mercado rural não explorado que concentra 22% do PIB do Brasil e requer aplicações de mobilidade e que pode trazer uma receita adicional muito importante.” José Augusto Oliveira Neto, da Huawei ag o s to 2013 | t e l e t i m e | 2 9


serviços móveis

MVNOs um pouco mais reais Após anos de estagnação, 2014 promete aquecer mercado de operadoras móveis virtuais, mesmo com a regulamentação restritiva e a falta de interesse de operadoras. Bruno do Amaral e Marina Tsutsumi bruno@convergecom.com.br marina@convergecom.com.br

a maior aposta para 2014 é a entrada dos correios. a projeção é de que em três anos sua mvno chegue a uma base de 3 milhões a 5 milhões de usuários. 30 | t e l e t i m e | ag o s to 20 1 3

Sashkin/shutterstock.com

O

mercado das operadoras móveis virtuais (MVNO, na sigla em inglês) começou a gerar uma expectativa muito grande há alguns anos, quando a regulamentação era discutida. Passada a euforia inicial, veio um longo período de estagnação, sem iniciativas concretas. Agora, nichos pouco explorados voltam a ser vistos como grandes oportunidades, mas a demora em conseguir autorizações da Anatel, os modelos de negócios vigentes e a complexidade de todo o processo para se tornar uma operadora virtual ainda fazem com que o mercado não tenha perspectivas de um grande “boom”, como era esperado. Apesar de crescer a pequenos e cautelosos passos, a promessa é de que o cenário mude e de que 2014 seja o ano em que as MVNOs no País efetivamente criarão algum movimento no mercado. A maior aposta é a entrada certa da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, os Correios. Em abril de 2011, uma medida provisória autorizou a atuação da entidade em novos negócios para gerar nova via de receita. A empresa terá uma subsidiária específica, prevista para ser criada na segunda quinzena de outubro, para obter a licença MVNO na categoria “autorizada” junto à Anatel. Na primeira fase, o projeto – ainda sem nome – já conta com um investimento de pouco mais de R$ 100 milhões. A ideia é aproveitar a presença em todos os municípios brasileiros para a operação da MVNO. Caso o pedido na Anatel seja protocolado no prazo, a licença de operadora virtual estaria disponível por volta de maio, quando seria iniciado um piloto interno. “Em setembro (de

2014), se tudo der certo, chegaremos ao varejo”, afirmou o vice-presidente de tecnologia e infraestrutura dos Correios, Antônio Luiz Fuschino. A empresa conversa atualmente com pelo menos três das quatro grandes operadoras para estabelecer a parceria para o fornecimento da rede. “Se o projeto acontecer conforme planejado, temos condições de colocar qualquer uma das quatro teles na liderança”, explica. Isso porque a projeção da empresa é de que, em três anos, a MVNO dos Correios chegue a uma base de 3 milhões a 5 milhões de usuários. “A gente teria um público relativamente grande, com dezenas de milhares de veículos, mais de uma centena de empregados, respectivas famílias e o projeto de mobilidade dos carteiros, que já seriam algumas centenas de milhares de linhas. E aí o grande público mesmo seria nosso cliente, especialmente aqueles que são clientes do banco postal”. A ideia é que os Correios possam chegar a cidades onde não há ponto de venda de SIMcards das operadoras.


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De acordo com Fuschino, ainda não está definido se a operadora será escolhida por licitação ou por avaliação de negócio. No momento, toda a equipe técnica está ainda preocupada com a subsidiária e em escrever o novo estatuto e construir a organização. A sede possivelmente será construída no Rio de Janeiro, até pela proximidade com as operadoras. Parte da estratégia também é o atendimento diferencial que pode ser dado aos usuários. “Todas as MVNOs de correios que estudamos na Europa têm churn muito menor do que as operadoras tradicionais”, declara. A popularidade e credibilidade da marca dos Correios também ajudam. “A gente sabe que tem o risco de contaminar (o nome) se entregar serviço de baixa qualidade, mas, em geral, o que a gente viu nas experiências do exterior é que conseguem levar boa parte da confiança para os serviços de telecomunicações. Isso reduz o churn e, naturalmente, a base cresce sem roubar de outra operadora”.

foto: marcelo kahn

Regulamentação A Anatel regulamentou os modelos de MVNO em novembro de 2010, dividindo as empresas em credenciada e autorizada (veja box). Mas, até o momento, nenhuma empresa está atuando como credenciada, e não há uma grande procura por essa categoria, de acordo com a Anatel. O problema é que a companhia interessada em ser uma virtual credenciada vira apenas uma espécie de representante comercial da tele de quem compra a operação, ficando então sem direito à base de clientes. O conselheiro da Anatel Marcelo Bechara afirma desconhecer pedidos de empresas como MVNO nessa categoria. Mesmo para as autorizadas, o mercado ainda engatinha no País. “O MVNO não é uma coisa que explodiu”, reconhece. Falta ainda um amadurecimento no setor, mas também da própria agência ao lidar com o assunto. Bechara é relator do regulamento de MVNO e afirma que está estudando o comportamento do mercado para, talvez, alterar o texto e colocá-lo novamente em consulta pública. A redução da VU-M, outra queixa

“As ofertas públicas são feitas, segundo eles (MVNOs), ‘para inglês ver’, porque as condições de preço são piores do que as do varejo.” Marcelo Bechara, da Anatel

“Se o projeto acontecer conforme planejado, temos condições de colocar qualquer uma das quatro teles na liderança.” Antônio Luiz Fuschino, dos Correios constante do mercado, também está no horizonte. As tarifas de interconexão da Porto Seguro, utilizando a rede da Telefônica/Vivo, foram reduzidas em agosto, e o Plano Geral de Metas e Competição (PGMC) prevê queda escalonada em 2016 e 2017. As dificuldades tributárias são as que mais prejudicam os novos entrantes, mas não são as únicas. ”Os interessados têm dificuldade com as ofertas públicas por parte das teles”, explica Bechara. A necessidade de abrir a oferta foi colocada no edital da licitação da faixa de 2,5 GHz, mas não na regulamentação para virtuais. “As ofertas públicas são feitas, segundo eles (MVNOs), ‘para inglês ver’, porque as condições de preço são piores do que as do varejo”. Bechara explica que o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) tem trabalhado para resolver questões como a bitributação e amenizar o problema. Outro impasse é a demora na retirada da licença de autorizada na Anatel: o prazo atualmente está entre oito a dez meses, impactando o time-to-market das empresas. “Eu perguntei na área técnica e dizem que a maior parte da demora é culpa da empresa, que não mostra todos os documentos da outorga”, justifica o conselheiro. Alterar a regulamentação agora pode não ser necessariamente algo benéfico para o mercado. “Meu medo é que estou em uma situação delicada, porque há casos em andamento. Se eu coloco em consulta pública agora, posso criar uma paralisia no setor”, declara. Marcelo Bechara tem um prazo para apresentar o regulamento e deverá ter as alterações concluídas em setembro. “A única certeza que tenho é que não vou atrapalhar o mercado, prefiro recuar a regulamentação (se for necessário)”. Começo do mercado Em agosto de 2011, a Anatel concedeu as primeiras autorizações à Sermatel, grupo da operadora Datora Telecom, e à Porto Seguro. A TIM foi escolhida para ser a MNO (Mobile Network Operator) a fim de fornecer a infraestrutura de rede, e a Ericsson, para fornecer serviços gerenciados. Após um ano, em agosto de 2012, sob a marca de Porto Seguro Conecta, a primeira MVNO do ag o s to 2013 | t e l e t i m e | 3 1


“Está difícil lançar uma MVNO. Se fosse tão fácil, já teriam saído 20 projetos.”

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Greg Decamps, da Sisteer

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País entrou em operação, com serviços máquina-a-máquina (M2M) em chips instalados nos veículos de funcionários e segurados para rastreamento. A Datora, como MVNA (Mobile Virtual Network Aggregator), ficou responsável por fazer a interconexão entre as operadoras, faturamento, billing, e também pelo acordo com a TIM. Em agosto deste ano, a Porto Seguro Conecta iniciou seus serviços de telefonia móvel nas cidades de Santos e Campinas (SP), com planos pós-pagos de voz e dados, além de serviços adicionais voltados aos segurados. Os assinantes ganham descontos na renovação de seguros e têm serviços de segurança e backup dos smartphones e de localização dos familiares. Está previsto também um serviço de pagamentos móveis por NFC, ainda em testes. A exemplo da Porto Segura Conecta, o processo de autorização e início das operações pode levar um certo tempo. Para alguns, é tempo demais. É o caso da Virgin Mobile, que anunciou em meados de 2011 a inclusão do Brasil em seus planos de operação como MVNO na América Latina. Desde então, está aguardando a licença da Anatel no modelo de autorizada para, em seguida, fechar acordo com uma operadora. “No Brasil, temos que chegar a um acordo com as operadoras depois de ter a autorização, portanto são dois passos. Normalmente, isso é feito ao mesmo tempo. Na Colômbia, a licença demorou cerca de sete meses, e no Chile, de três a quatro meses”, diz o presidente da Virgin para a América Latina, Philip Wallace. O executivo confirmou que a Virgin está em conversas com operadoras, mas só deve anunciar algo nos próximos dois meses. Enquanto espera pela autorização no Brasil, a operadora virtual deve começar as operações no México no primeiro trimestre de 2014, pois já tem a licença para operar no

“O Brasil tem um marco equiparado ao mercado internacional, não são grandes barreiras. O desenvolvimento do mercado está atrelado à maturidade.” Rafael Fanchini, da E&Y 32 | t e l e t i m e | ag o s to 20 1 3

país. “Acho que as exigências no Brasil são mais robustas do que em outros países da América Latina, mas em muitos lugares elas são rígidas, e essa é provavelmente uma das razões porque existem poucas MVNOs”, opina Wallace. Ele complementa ao dizer que o cenário no País é mais complicado pelo tamanho do mercado. “Somente poucas MVNOs no mundo seriam realmente capazes de operar em um mercado que é 12 vezes o Chile e cinco vezes a Colômbia”, compara. Se a Anatel entregar a licença à Virgin, o plano é estar em operações em 2014 com foco no público jovem com planos de telefonia e dados pré-pagos e controle. Troca de parceiros Além de atuar como MVNA da Porto Seguro, a Datora Telecom criou sua divisão MVNO em 2012, então chamada de Datora Mobile, focada em conexões M2M. Recentemente, a empresa anunciou uma parceria com a Vodafone para atuar no desenvolvimento do mercado brasileiro de M2M. A divisão, agora chamada de Vodafone Brasil, trabalhará com a divisão da operadora britânica focada em soluções e serviços corporativos. Aparentemente, foi encerrado o acordo entre a Datora e a Virgin Mobile, que estipulava uma sociedade na qual a Datora facilitaria a entrada da Virgin no País. Entretanto, até o fechamento desta edição, nenhuma das empresas confirmou essa informação. Em comunicado, a Datora afirmou que seus clientes vão se beneficiar com os negócios internacionais e as plataformas da Vodafone, e que ela terá acesso à capacidade de compra global da operadora inglesa, o que lhe garantirá acordos comerciais “mais interessantes”. Por sua vez, a francesa Sisteer, que tem atuação internacional como MVNA, anunciou em julho contrato com a Vivo e pretende iniciar o serviço como autorizada virtual no começo do ano que vem, focando no consumidor final. O CEO da companhia no Brasil, Greg Descamps, afirma que o mercado não está saturado e ainda a taxa de teledensidade de 134,26 acessos para cada cem habitantes não corresponde à quantidade de usuários. “Há ainda uma grande faixa da população que não é equipada. Por isso o mercado continua a crescer”, defende. Decamps reconhece, entretanto, a dificuldade para começar o negócio. “Tudo que fizemos até aqui são coisas relativamente fáceis, mas depois tem de vender, os clientes têm de gostar e comprar”, explica. Ele cita a


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complexidade técnica, o custo de interconexão, a falta de claridade na regulamentação da Anatel e o valor do ICMS como principais barreiras. “Está difícil lançar uma MVNO”, desabafa. “Se fosse tão fácil, já teriam saído 20 projetos”, complementa. A demora na entrega da licença acaba tirando também a previsibilidade do mercado. “Uma MVNO é uma start-up, muito flexível, que, às vezes, tem de reinventar o mundo para ultrapassar dificuldades e achar soluções.”

Maturidade do mercado A regulação brasileira pode ser um obstáculo para alguns, mas há um conjunto de outros fatores que contribuem para o desenvolvimento do mercado. Apesar disso, nem todos são positivos. “Algumas (incumbents) não operam MVNOs porque não enxergam vantagem competitiva”, afirmou uma fonte próxima ao assunto. “É

A regulação brasileira pode ser um obstáculo para alguns, mas há um conjunto de outros fatores que contribuem para o desenvolvimento do mercado. um mercado saturado, com operadora de rede que não quer compartilhar carteira, e que tem preços restritivos”. Segundo ele, parte das teles está esperando para ver se o negócio dá certo, pois é necessário mexer na estrutura de operações de rede, e isso tem custo e complexidade. A maturidade do mercado é apontada pelo diretor de consultoria da empresa de pesquisas e análises Ernst & Young (EY), Rafael Fanchini. “O Brasil tem um marco equiparado ao mercado internacional, não são grandes barreiras. O desenvolvimento no País está atrelado à maturidade: 80% da base é de pré-pago. Lá fora, o perfil do consumidor é diferente, há países onde o modelo pós-pago bate na casa de 40%, 50%, os tributos incidentes nos serviços são menores para o usuário final, e existe uma exposição das pessoas à tecnologia e à educação maior do que a dos nossos consumidores”, opina. Embora a diferença socioeconômica possa ser um entrave, Fanchini admite que isso é um atrativo para as MVNOs, que visam atender esses nichos. Mas precisam ter capacidade de assimilar esses perfis e necessidades específicas para construir suas ofertas. “O fato é que é um mercado pequeno. Mesmo em países desenvolvidos não se encontram MVNOs que superem 10% do mercado”, afirma Fanchini. Para as virtuais, somam-se a esses fatores os

“As MVNOs têm de vender de forma massiva e têm que fazer com que o resto queira entrar.” Marco Galaz, da Everis investimentos em um País que tem passado por transformações tecnológicas.” Algumas operadoras já estabeleceram áreas para tratar dos negócios de MVNO, e uma grande tele até se estabeleceu e desistiu, porque as coisas não se realizaram como ela previa”, diz. De acordo com o diretor da EY, inevitavelmente o mercado tem potencial e vai deslanchar.” Naturalmente as empresas vão investir em novos modelos de negócios e em atuações mais precisas em alguns setores, e os nichos começarão a pesar”, prevê. Na visão do sócio da área de telecom da consultoria Everis, Marco Galaz, as teles precisam enxergar as virtuais como parceiras. “Em uma cidade que não tem nenhuma operadora, e se tem uma MVNO que pode chegar lá, para mim é uma parceira”, defende. Apesar de reconhecer entraves, ele se considera um otimista. “As MVNOs têm de vender de forma massiva e têm que fazer com que o resto queira entrar”, declara.

As siglas e modelos de negócios das virtuais MVNO – Mobile Virtual Network Operator

Fornecedora de serviços de comunicação móvel que não possui frequências e infraestrutura de rede próprias, e as utiliza de outras operadoras por meio de acordos comerciais.

MNO – Mobile Network Operator

Operadora que vende o acesso à infraestrutura e serviços à MVNO.

MVNE – Mobile Virtual Network Enabler

Empresa que fornece serviços operacionais, como CRM e billing, à MVNO.

MVNA – Mobile Virtual Network Aggregator

Além de oferecer os serviços operacionais, a agregadora auxilia nas negociações com as operadoras.

Modelos de MVNOs Autorizada – Atua com licença de SMP, com responsabilidade sobre a base. Mas não conta com a infraestrutura de frequências. Credenciada – A empresa tem contrato para agregar a marca às operações de uma tele. Fonte: Anatel

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regulamentação

O grande debate Câmara discute um novo marco legal para as telecomunicações, que pode destravar o setor, mas dificultar a Lei das Antenas. Helton Posseti

helton@convergecom.com.br

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T

udo começou no final de maio, com uma audiência pública na Câmara dos Deputados convocada para discutir a qualidade do serviço de telefonia e banda larga. As empresas, como de praxe, foram representadas pelo sindicato do setor, o SindiTelebrasil, e isso irritou os parlamentares que convocaram a audiência: deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), presidente da Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia (Cindra), e Edinho Bez (PMDB-SC), presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle (CFFC). Diante da ausência dos presidentes das empresas, e depois de alguns parlamentares terem se retirado da sala em sinal de protesto, Bez interrompeu a apresentação do conselheiro da Anatel Rodrigo Zerbone e encerrou a audiência com a promessa de entrar com um novo pedido de CPI contra as teles e a Anatel (ou apoiar algum pedido já em tramitação) como retaliação ao que considerou um desrespeito ao Congresso Nacional. Depois deste episódio, Bez e Goergen convocaram uma nova audiência em que, desta vez, estiveram presentes os presidentes de algumas operadoras e o discurso raivoso deu lugar a um tom mais conciliador. Os deputados perceberam que a baixa qualidade do serviço de telecomunicações não é necessariamente descaso das empresas, e há causas que podem ser solucionadas pelo Congresso Nacional. Com isso, passaram a se debruçar sobre esses temas, trabalho que denominaram de novo marco legal das telecomunicações. Se a ideia for adiante, pode ser a primeira grande mexida na Lei Geral de Telecomunicações (LGT) desde que foi aprovada, em 1997. Foi criado um grupo de trabalho composto por

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parlamentares das duas comissões, que teve uma extensa agenda de reuniões com diversos órgãos do governo, com representantes de assembleias legislativas estaduais (onde correm mais de 15 CPIs paralelas contra as teles) e até uma rodada de visita à sede de algumas operadoras. O deputado Jerônimo Goergen foi designado relator do grupo de trabalho e cedeu a TELETIME uma versão preliminar do seu relatório, que obviamente poderá sofrer modificações no debate com os demais parlamentares. Antenas A questão polêmica no trabalho dos parlamentares da Cindra e da CFFC foi a vontade manifestada por eles de tratar da questão das antenas. Como se sabe este assunto é abordado pelo PL 5.013/2013 do senador Vital do Rego (PMDB-PB), e já foi aprovado no Senado Federal e conta com o apoio do governo. Nem empresas, nem Minicom, querem que esse movimento seja atravessado por outro projeto, o que atrasaria a aprovação. Na justificativa do projeto que está elaborando, Goergen afirma que considera o texto do senador completo e abrangente e, por este motivo, não iria tratar do assunto no seu substitutivo. Mas na verdade, há um ponto em comum entre os dois projetos: o compartilhamento de infraestrutura. Na minuta inicial da comissão que analisa o novo marco legal fica estabelecido que o compartilhamento é obrigatório e que a Anatel regulamentará as condições em que ele deverá ser efetuado, inclusive as situações em que poderá se dispensado. O texto preliminar de Gorgen também toca na questão da exposição humana aos campos eletromagnéticos, mais uma vez colocando a Anatel como órgão responsável por “divulgar as boas práticas” referentes à questão. Além disso, caberá à Anatel elaborar um “plano de referência”


Novo marco pode ser boa oportunidade para rediscutir outros assuntos, como regras para a Internet, bens reversíveis e o conceito de serviço público. Temas grandes, espinhosos e que precisam de uma discussão mais ampla.

foto: divulgação

com o intuito de orientar os Estados e municípios na expedição das licenças para as antenas. O consultor legislativo da Câmara, Fabio Mendes, explica essa aparente contradição entre o que diz a justificativa do projeto e o texto em si. “Eles querem que ocorra um tangenciamento (ao PL das antenas) para que o projeto que sair das comissões seja apensado ao 5.013. Não acho que a Câmara vai aprovar o texto do Senado sem alterações”, afirma ele, que participou da elaboração do texto. Essa estratégia é confirmada pelo deputado Edinho Bez, que preside o grupo de trabalho. “O nosso relatório tem peso de comissão, e isso tem outra conotação. Vamos anexar a ele os demais projetos em andamento”, disse ele. Na opinião do consultor não há um “choque” entre os dois projetos, mas ele concorda que a Câmara vai ter de decidir por um dos caminhos que eles apresentam. O texto de Goergen é mais genérico e coloca a Anatel como responsável pela definição das normas infralegais que vão disciplinar o compartilhamento de antenas e as normas de instalação. Já o PL 5.013/2013 traz no texto da Lei detalhes como prazos para as prefeituras concederem as licenças, cria um “limiar de acionamento” a ser definido pela Anatel e a partir do qual a operadora deverá ampliar a capacidade da rede etc. “Ele (o texto do deputado Goergen) faz ajustes na questão do compartilhamento. Estabelece para a Anatel a possibilidade de definir critérios sobre a capacidade ociosa de determinada infraestrutura. É muito diferente do que está fazendo o PL 5.013/2013, que tem definições, entra nos prazos etc.”, afirma Mendes. O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, apoia a revisão do marco legal das telecomunicações que está sendo discutida pelos parlamentares das comissões, mas discorda da inclusão do tema das antenas na proposta. “Se for fazer isso (tratar de antenas), eu sou contra; acho que vai atrasar a votação da Lei das Antenas. Você vai colocar um monte de coisas que, evidentemente, não têm o mesmo consenso. Eles poderiam apoiar o PL das Antenas e encaminhar o projeto com os outros temas”, sugere o ministro. Informalmente, fontes do governo acham que esse novo marco pode ser uma boa oportunidade para rediscutir outros assuntos, como as regras para a Internet (hoje tratada como serviço de valor adicionado pela LGT), bens reversíveis e o conceito de serviço público. Temas grandes, espinhosos e que precisam de uma discussão mais ampla.

“Não adianta iludir a sociedade, os Estados só abrem mão do ICMS se o governo apresentar uma compensação.” deputado Jerônimo Goergen Desoneração O projeto das comissões também avança sobre outros temas que há anos assombram o Congresso Nacional como a tarifa básica, por exemplo, e inaugura discussões novas, como a obrigação de atendimento de 100% da área urbana e rural nos próximos editais de licitação de espectro da Anatel. O texto também retira os impostos federais da receita de interconexão das operadoras. De modo geral, percebe-se que o foco do projeto é desonerar o serviço pré-pago, que seria beneficiado com a isenção do PIS/PASEP e da Cofins e dos fundos setoriais, Fust, Fistel e Funttel. Fica também proibida a cobrança de roaming ou de adicional de deslocamento para ligações que se iniciem e terminem em redes de empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico. Além das questões relativas ao serviço, o texto do projeto procura aumentar os direitos dos usuários. Alterações no contrato de prestação de serviço só passam a ter validade depois de o usuário as aceitar. Além disso, as operadoras deverão oferecer o detalhamento das chamadas cobradas por meio da sua página na Internet, inclusive para os clientes pré-pagos. “Dessa forma, com este conjunto de medidas de aperfeiçoamento da legislação de telecomunicações, associado à aprovação do Projeto de Lei nº 5.013, de 2013, consideramos que estarão configuradas as condições para uma aceleração do investimento em infraestrutura e também uma redução dos preços do serviço de telefonia móvel”, diz a justificativa do projeto. Apesar do esforço dos parlamentares, é difícil acreditar que um projeto tão abrangente e com impacto direto nas contas do governo possa passar com tranquilidade no Congresso Nacional. Em primeiro lugar, se ele realmente for apensado ao PL 5.013/2013, abre-se nova discussão no ag o s to 2013 | t e l e t i m e | 3 5


foto: divulgação

regulamentação

“O nosso relatório tem peso de comissão, e isso tem outra conotação. Vamos anexar a ele os demais projetos em andamento.” deputado Edinho Bez Senado Federal, já que o 5.013 é oriundo desta casa. Mas, além disso, a minuta disponibilizada por Goergen mostra que o projeto trata de temas que já tramitam no Congresso (como a assinatura básica, a questão das antenas, a validade de créditos do pré-pago), o que pode dificultar a sua aprovação. Mas a estratégia do parlamentar é conseguir o maior apoio possível, muito embora a comissão mais afeita ao tema, a Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCTCI) não tenha participado do grupo de trabalho. “Antes de aprovar o relatório vou pedir para fazer uma exposição na CCTCI e na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), porque eles poderão ter sugestões”, afirma Goergen. Uma fonte ligada às teles, e que também teve acesso à minuta preliminar, lamenta que o deputado não tenha levado em consideração algumas sugestões apresentadas, mas, de qualquer forma, o saldo para as empresas é positivo, tendo em vista que o trabalho

começou com a ameaça de uma CPI e vai resultar em um projeto de lei que desonera o setor. O problema para as empresas é que, além da desoneração, o projeto recupera temas espinhosos como o debate da assinatura básica e o fim da validade dos créditos prépagos, por exemplo. “Eu gosto da existência desse grupo de trabalho porque ele aproximou os deputados do setor”, diz a fonte. Para o consultor legislativo Fabio Mendes, as teles têm desonerações tributárias importantes e por isso poderiam “dar alguma coisa em troca”, ou seja, ceder em relação aos pontos que elas são contra. No caso da assinatura básica, é sabido que ela representa boa parte da receita das teles fixas, embora esse percentual venha diminuindo ao longo dos anos. ICMS Os deputados sabem que o grande vilão do setor é o ICMS, mas já mostram que foi infrutífera a interação com o Confaz para tentar aliviar o peso do tributo no preço dos serviços. Bez e Goergen saíram da última reunião com o órgão, que reúne os secretários de fazenda dos Estados, com uma mensagem clara: “Não adianta iludir a sociedade, eles (os Estados) só abrem mão se o governo apresentar uma compensação”, afirma Jerônimo Goergen. Para o deputado, cabe ao Executivo liderar um processo de negociação direta com os governadores que ofereça alternativas compensatórias, já que os Estados não podem abrir mão dos chamados “impostos insonegáveis”, como é o caso dos que incidem sobre as telecomunicações. Na reunião, Goergen tomou conhecimento de outra questão tributária que volta e meia é mencionada pelo setor. Hoje as operadoras de telecomunicações recolhem ICMS sobre a energia usada pelos equipamentos. O deputado pretende apresentar um projeto de Lei, separado do marco legal, que conceitua as operadoras de telecomunicações como indústria, assim elas podem comprar energia sem a tributação do ICMS. Este ponto ainda não consta da minuta preliminar fornecida pelo deputado.

Proposta de Novo Marco Legal das Telecomunicações • Redução a zero das alíquotas de PIS/PASEP e COFINS para serviços de telefonia móvel pré-pago. • Redução a zero das alíquotas de PIS/PASEP e COFINS para a receita de interconexão. • Isenção da telefonia pré-paga do recolhimento das taxas do FUST – Fundo de Universalização de Telecomunicações, FISTEL – Fundo de Fiscalização das Telecomunicações e FUNTTEL – Fundo Setorial das Telecomunicações. • Proíbe a cobrança de roaming nacional e o adicional de deslocamento para ligações que se iniciem e terminem em redes de empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico.

36 | t e l e t i m e | ag o s to 20 1 3

• Veda a cobrança da assinatura básica • Exige o prévio aceite do usuário para que alterações em seu contrato de prestação de serviço passem a ter validade. • Operadoras devem fornecer detalhamento das chamadas cobradas por meio do site da operadora, inclusive para usuários pré-pagos. • Proíbe a instituição de prazos de validade dos créditos pré-pagos, permitindo, assim, o acúmulo indefinido de minutos não usados. • Obriga a Anatel a exigir cobertura de 100% da área urbana e rural nos editais de licitação de espectro.


RR

Denis Cristo/shutterstock.com

AC

s Claro (99,8%) t Vivo (96,55%) Rio Branco s Claro (99,77%) t Vivo (97,58%)

s Claro (99,9%) t Vivo (92,09%) Manaus s Claro (99,9%) t Vivo (92,36%)

s Claro (99,99%) t Oi (68,6%) Boa Vista s Claro e TIM (99,99%) t Vivo (94,47%)

AP

s Claro (99,98%) t Oi (67,72%) Macapá s Claro (99,99%) t Vivo (94,23%)

PA

s Claro (99,74%) t Vivo (94,33%) Belém s Claro (99,99%) t TIM (96,01%)

MA

s Claro (99,52%) t Oi (89,61%) São Luís s Claro (99,96%) t Oi (87,91%)

PI

Dados de mercado

s Claro (99,62%) t Oi (89,41%) Teresina s Claro (99,31%) t Oi (88,72%)

CE

s Claro (99,51%) t Oi (86,27%) Fortaleza s Claro (99,38%) t Oi (86,29%)

RN

s Claro (99,84%) t Oi (96,87%) Natal s Claro (99,91%) t Oi (95,74%)

RO

s Claro (99,7%) t Oi (95,01%) Porto Velho s Claro (99,76%) t Vivo (97,77%)

TO

PB

s Claro (99,71%) t Vivo (97,99%) Palmas s Claro (99,74%) t Oi (97,36%)

s Claro (99,56%) t Oi (97,19%) João Pessoa s Claro (99,98%) t Oi (96,57%)

DF

Al

s Claro (99,45%) t TIM (96,76%) Brasília s Claro (99,46%) t TIM (96,77%)

RO

s Claro (99,7%) t Oi (95,01%) Porto Velho s Claro (99,76%) t Vivo (97,77%)

BA

s Claro (99,59%) t Oi (89,4%) Salvador s Claro (99,78%) t Oi (91,16%)

MT

s Claro (99,59%) t Vivo (96,62%) Cuiabá s TIM (99,68%) t Vivo (99,09%)

PE

s Claro (98,9%) t Oi (97,05%) Recife s Claro (99,91%) t Oi (96,84%)

SE

s Claro (99,04%) t Oi (93,1%) Aracaju s Claro (99,96%) t Oi (94%)

ES

s Claro (99,83%) t Oi (90,12%) Vitória s Claro (99,97%) t Oi (90,94%)

MS

s Claro (99,83%) t CTBC (94,33%) Campo Grande s Claro (99,86%) t Vivo (98,26%)

SP

RJ

s Claro (97,88%) t CTBC (95,65%) São Paulo s Claro (97,79%) t TIM (93,22%)

PR

RS

s Claro (98,59%) t Oi (87,69%) Porto Alegre s Claro (98,92%) t Oi (89,42%)

s Claro (99,29%) t Vivo (97,66%) Maceió s TIM (99,87%) t Oi (98,06%)

SC

s Claro (99,44%) t TIM (91,68%) Florianópolis s Claro (99,96%) t Vivo (96,61%)

s Claro (99,38%) t TIM (93,49%) Curitiba s Claro (99,59%) t TIM (96,2%)

s Claro (97,67%) t Claro (96,97%) Rio de Janeiro s TIM (94,12%) t TIM (94,15%)

GO

MG

s Claro (98,26%) t TIM (94,14%) Belo Horizonte s Claro (99,07%) t Oi (96,82%)

s Claro (99,6%) t CTBC (94,36%) Goiânia s Claro (99,45%) t TIM (95,84%)

Qualidade

A melhor e a pior banda larga móvel O relatório da Anatel com os índices da qualidade do serviço móvel pessoal (SMP) mostra a mesma tendência para a conexão de dados (consolidado do 2G e 3G), nas unidades da federação e nas capitais: tecnologia 2G com problemas, puxando para baixo o desempenho das operadoras. Vale destacar que a Claro obteve os melhores indicadores em todas as UFs e na grande maioria das capitais, com exceção de Cuiabá e Maceió (em ambas as cidades, a TIM foi a vencedora). Por outro lado, a Oi foi a pior tanto em Estados quanto em capitais, registrando 13 vezes os menores índices. Dados de abril/2013.

Banda larga

PNBL: 3,2 mil municípios e baixo número de clientes Mais de 3.200 municípios brasileiros têm ofertas Banda Larga Popular de 1 Mbps a R$ 35 mensais (com impostos) do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL). De acordo com o Minicom, das 364 novas localidades atendidas no primeiro trimestre deste ano, a maioria está situada nas regiões Norte e Nordeste do País.

Todos os 5.565 municípios brasileiros devem ser atendidos pelas concessionárias até o fim de 2014. O número de clientes do PNBL é baixo. Em dezembro do ano passado, somava apenas 2,5 milhões de clientes, de acordo com o Minicom – número muito longe da expectativa revelada no anúncio do plano, de 35 milhões em 2014.

s Melhor t Pior Cor azul Dentro da meta de qualidade da Anatel (98%) Cor vermelha Abaixo da meta de qualidade da Anatel (98%) A taxa de 98% é o mínimo exigido pela Anatel para o índice de conexão efetiva às redes de dados de cada operadora.

L_amica/shutterstock.com

AM


produtos&serviços foto: DIVULGAÇÃO

Handsets

Huawei lança o Ascend G510, seu primeiro smartphone produzido no Brasil 15% a 20% nos custos para a empresa. Inicialmente, a venda será exclusiva com a Vivo, a um preço de R$ 699 desbloqueado e com dois anos de garantia. O Ascend G510 possui tela de 4,5 polegadas de resolução de 854 x 480 pixels, é equipado com processador dual-core de 1,2 GHz (Qualcomm MSM8225 Snapdragon com um GPU Adreno 203), câmera VGA frontal de 0,3 megapixels e traseira de 5 megapixels. Ele traz a versão 4.1 do Android (JellyBean), mas a Huawei embarca uma modificação própria na interface. A companhia promete futuras atualizações para o dispositivo. A fábrica em Jundiaí, parceria com a Compal Electronics, tem investimento de R$ 5 milhões até 2014 e produzirá 100 mil unidades do G510 exclusivamente para abastecimento do mercado brasileiro.

Convergência 4G

Sky inicia operação com TD-LTE em São Paulo A Sky inaugurou no começo de agosto a primeira operação de banda larga com TD-LTE no estado de São Paulo, em Franca. A escolha foi porque a cidade é um polo de desenvolvimento industrial, um dos maiores centros calçadistas do País. Os planos são oferecidos nas velocidades de 2 Mbps e 4 Mbps e a conexão é feita com um modem 4G, que distribui o sinal dentro da residência para aparelhos via Wi-Fi ou por cabo Ethernet. A empresa já opera com a oferta de Internet fixa por rede móvel 4G na frequência de 2,5 GHz desde 2011, em Brasília. 38 | t e l e t i m e | ag o s to 20 1 3

Claro TV lança oferta de banda larga e telefone fixo pela rede móvel A operadora de DTH da Embratel, a Claro TV, anunciou durante a ABTA 2013 o Claro Combo, um produto que agregará telefone fixo e banda larga 3G (ou 4G) ao pacote de vídeo da Claro TV. Trata-se de um roteador conectado à rede da operadora de celular Claro e que permite a oferta de telefone fixo, cria uma rede Wi-Fi doméstica e oferece uma conexão de Internet pela rede móvel. Por uma imposição regulatória, o modelo prevê mobilidade restrita - ou seja, não é possível mover o set-top pela rede da Claro, já que ela está vinculada a uma estação radiobase (ERB) específica. A Embratel/Claro TV, que é a responsável pelo serviço, está em processo de obtenção de uma autorização de uso do espectro para o STFC. A oferta combinada com a Claro TV prevê pacotes triple-play a partir de R$ 97,97 e franquias de uso que vão de 1 GB a 40 GB. A partir de setembro, o serviço será lançado em Cuiabá e Várzea Grande (MT), como teste, e depois se expande para outras cidades. O Claro Combo também será comercializado pelos parceiros instaladores.

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A Huawei lançou em agosto o primeiro smartphone fabricado no Brasil, o Ascend G510. O aparelho está sendo produzido com direito aos incentivos do Processo Produtivo Básico (PPB), que garante redução de


Banda larga

iZettle e Santander vão oferecer pagamentos móveis no País A sueca iZettle fechou parceria com o Santander Brasil para fornecer serviços de pagamentos móveis. A iZettle distribuirá o produto e o banco será responsável pelo processamento das operações. A solução está disponível para dispositivos Android e iOS e aceita bandeiras MasterCard e Visa. Ela é voltada para micro, pequenas e médias empresas, e cobra do comerciante uma taxa de 5,75% sobre o valor de cada transação, sem custos fixos ou taxa de utilização mínima. Para as vendas com cartão de crédito, o valor será depositado em até cinco dias. Os adquirentes que optarem por ter o valor de suas vendas depositado em uma conta corrente do Santander receberão de volta 50% do valor pago pelo leitor após a primeira transação. Inicialmente, a solução aceitará apenas pagamento com assinatura, mas passará a aceitar pin (senha) este ano, mediante determinadas certificações e aprovação da Anatel.

consegue aumentar o número de canais de transmissão de dados de oito para 32 canais de 6 MHz. Com o novo chipset, o modem poderia transmitir até 60 Mbps por canal, contra 40 Mbps na tecnologia atual. Além disso, a empresa espera que, no futuro, as transmissões em alta definição saltem das resoluções de 720p e 1080i atualmente utilizadas diretamente para o 4K, sem passar pelo 1080p. Isso porque a transmissão em 1080p exigiria um novo decodificador. Telnov Oleksii/shutterstock.com

m-payment

A Net Serviços aproveitou a ABTA 2013 para divulgar o aumento das velocidades de seu portfólio de banda larga a partir de setembro. A velocidade de 20 Mbps deixa de existir e dará lugar às ofertas de 30 Mbps a R$ 89,90 e de 60 Mbps a R$ 119,90. O pacote de 100 Mbps (que custa R$ 299,90) dará lugar ao de 120 Mbps, que sairá por R$ 319,90. As velocidades de upload também serão aumentadas. A operadora manterá em seu portfólio a velocidade de 1 Mbps de Internet popular a R$ 39,90 (R$ 29,90 nos Estados com isenção do ICMS) e a velocidade de 10 Mbps a R$ 59,90, no combo com um pacote de TV. De acordo com a empresa, todas as cidades terão o upgrade, mas isso será escalonado, começando pelas cidades maiores porcontarem com uma infraestrutura mais robusta. A Net aproveitou também para fazer uma demonstração dos testes que vem conduzindo com a fabricante de chipsets para modems Broadcom e que conseguem atingir velocidades de 2 Gbps em sua rede híbrida de fibra e cabo coaxial (HFC) na plataforma DOCSIS 3.0. O chipset da Broadcom

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Net aumenta velocidades do seu portfólio de banda larga

cooperação

TIM e MCTI vão instalar pluviômetros em estações radiobase O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a TIM assinaram um acordo para a instalação de plataformas de coleta de dados pluviométricos em estações radiobase (ERBs) próximas a áreas de risco de desastres naturais. Inicialmente, os pluviômetros automáticos devem ser instalados em cerca de 200 antenas da operadora. Algumas delas no Ceará, Pernambuco, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro já têm a aprovação para receber o equipamento. A instalação e a manutenção dos equipamentos ficarão sob a responsabilidade do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) do MCTI, e a TIM vai oferecer, além do local

para implementação, os chips para a transmissão de dados. Com as informações será possível registrar a quantidade de chuva sobre as áreas de risco de deslizamento e inundação e alertar os habitantes. O objetivo do governo é instalar 2.800 pluviômetros automáticos em todo o País e passar de 340 a 821 municípios monitorados até o final de 2014. ag o s to 2013 | t e l e t i m e | 3 9


ponto de vista

OTTs como oportunidade foto: divulgação

Guilherme Lopasso*

telecom para torná-los mais competitivos. Ainda assim, descontos não substituem os recursos inovadores dos serviços OTT que os usuários tanto apreciam, e podem s serviços over-the-top (OTT) como Skype, não ter efeito sobre a perda da receita. As estratégias FaceTime, WhatsApp, YouTube e Netflix se mais eficazes são aquelas que reformulam os serviços tornaram uma preocupação para operadoras de tradicionais, para torná-los mais atraentes ou, então, telecomunicações quando começaram a que aproveitam o modelo OTT. competir diretamente com seus serviços. O Skype, por Um exemplo: as operadoras móveis brasileiras exemplo, possui 250 milhões de usuários que evitam o usarem o SMS tradicional para oferecer serviços uso da telefonia tradicional. atraentes, como cursos de treinamento. No Brasil, a Claro Os clientes móveis vêm se mostrando propensos a oferece treinamento especial para os concursos de utilizar serviços OTT, que são em sua maioria gratuitos, cargos públicos. Cursos de idiomas baseados em SMS, contando com a receita de propaganda, cobrança de tal como o Kantoo (Vivo), também são muito populares. download de aplicativo ou com grande desconto se Bancos, cartões de crédito e linhas aéreas usam SMS comparado a serviços tradicionais. Trazem ainda recursos para comunicar transações e compras. Serviços de inovadores, como chamada por vídeo, compartilhamento saúde avisam aos clientes a hora certa de tomar de locais e transferência de arquivos. remédios através de SMS. A adoção dos OTTs é muito dependente da penetração As operadoras podem estender, ainda, os serviços de das tecnologias que os suportam, como banda larga e TV paga a várias telas, como PCs, tablets e smartphones, smartphones, que, no caso do Brasil, ainda é baixa. A no chamado “TV everywhere”. A Oi anunciou recentemente penetração de banda larga fixa em domicílios no País é que vai lançar seu serviço de IPTV com esse conceito. de 40%, muito abaixo dos Estados Unidos e Europa, que Mesmo o mais tradicional serviço de telecomunica­ superam os 70%. Em smartphones temos uma ções, a chamada de voz, pode ser diferenciado. Em agosto penetração de 14%, também baixa quando comparada a de 2012, a South Korea Telecom e a MetroPCS (EUA) mercados mais desenvolvidos, onde o índice supera 40%. lançaram serviços de voz sobre LTE (VoLTE) com voz em Não obstante, a ABI Research identificou que o número de alta definição, que melhora significativamente o mensagens de texto na América Latina caiu 5,8% no reconhecimento e o entendimento da voz. primeiro trimestre de 2013, em relação ao anterior, devido As operadoras também podem tirar vantagem do a aplicativos OTT. novo modelo fazendo parcerias com provedores OTT. É o Em serviços de vídeo, a ameaça dos OTT parece caso da TIM, que oferece no seu plano de Internet móvel inofensiva até o momento. O Brasil fechou 2012 com pré-paga a promoção de acesso gratuito ao Facebook. mais de 16 milhões de assinantes de TV paga, enquanto O modelo OTT também pode ser utilizado pelas o Netflix tem menos de um milhão de usuários. operadoras para entrar em novos mercados. Durante os Segundo a ComScore, o consumo de vídeo em sites Jogos Olímpicos de 2012 em Londres, o Terra, portal da como YouTube e Globo.com representa de 11 a 13 horas Telefónica, não apenas transmitiu os jogos, mas também mensais. É apenas uma fração do consumo de TV contratou 220 comentaristas e produziu conteúdo para mensal, com mais de 100 horas. Contudo, toda a América Latina. A transmissão pôde Os serviços OTT ser assistida online gratuitamente; a taxa de crescimento do consumo de vídeo online é superior a 70% ao ano, contudo, estavam incluídas propagandas. têm um grande enquanto o de TV está quase estagnado. Os serviços OTT têm um grande potencial para Uma forma possível de reação das transformar as potencial para transformar as operadoras de telecom a serviços OTT é comunicações e comunicações. Os casos mencionados bloqueá-los ou limitar seu tráfego. demonstram que operadoras podem as operadoras participar ativamente dessa mudança, Contudo, isso desagradaria os clientes e podem participar manter sua relevância para os clientes e geraria preocupações regulatórias quanto ativamente à neutralidade da rede. Outra medida até mesmo explorar novas oportunidades dessa mudança. de negócios. possível é reduzir os preços de serviços de

cartas.teletime@convergecom.com.br

O *Gerente da área de Estratégia e Marketing da Ericsson

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ponto&contraponto

Internet onipresente, para o bem e o mal Cláudio Dascal

transparência, às vezes até excessiva, fazendo com que todos saibam muito rapidamente o que está de fato acontecendo, sem depender de informação oficial ou a martphones e tablets vão viabilizar de forma visão controlada dos meios privados de difusão, que têm definitiva o acesso universal à banda larga. Dentro algum nível de filtro ou censura. de poucos anos, todos terão dispositivos que O lado negativo da Internet é que na mesma podem acessar a banda larga em redes móveis velocidade em que trafegam as informações, há o mau ou fixas, seja pela rede 3G, 4G ou Wi-Fi. uso na mesma veiculação de notícias; a vulnerabilidade Do ponto de vista da tecnologia, as redes móveis em da rede, que permite o seu uso indevido para obter 3G e 4G continuarão aumentando sua cobertura, detalhes pessoais e confidenciais que podem ser usadas capacidade de transmissão e velocidades ofertadas. contra pessoas, corporações e mesmo países; o Porém, ficarão limitadas nas ofertas de preços e planos descontrole no uso por crianças e adolescentes em fase atraentes pelas suas redes legadas e pelas receitas de de formação, sujeitos a desvirtuamentos e mesmo à voz, que continuarão sendo sua principal fonte de receitas pedofilia; além disso, as mesmas redes sociais servem a nos próximos anos. Isto cria um cenário que estimula o propósitos anarquistas extremistas. crescimento das redes de fibra ótica e a cobertura Wi-Fi Desenvolver um conjunto de regras e restrições que operada pelas próprias teles celulares, operadoras de promovam uma utilização mais equilibrada desta nicho ou mesmo pelos próprios usuários. ferramenta de comunicação parece algo necessário. A banda larga corporativa, com característica Apenas a boa intenção não vai resolver. nomádica crescente, utilizará predominantemente a fibra No âmbito das nações, a implementação de um e planos conjugados oferecidos por operadoras móveis e marco civil de uso da Internet com definições equilibradas fixas. Assim se explicam a reorganização de grupos que para responsabilizar o mau uso da rede parece ser o mantinham até há pouco suas operações móvel, fixa e de melhor caminho. Sem, com isto, inibir o seu bom uso, TV por assinatura separadas. principalmente o potencial de promoção da democracia e É mais um caso em que a infraestrutura se da responsabilidade na sociedade. Este é um atributo que desenvolve antes e mais rápido que o hábito de uso. Só não deve, de forma alguma, ser ameaçado. que agora estamos diante da Internet, que tem muita Vale lembrar que as redes que trafegam dados têm utilidade e força, e pode ter seu uso destinos e pontos de presença fixos. A direcionado para o bem e para o mal. A diversificação diversificação de rotas é uma medida de Falemos primeiro do bem, que tem proteção, mas isso, por si só, não garante a de rotas é uma segurança. É uma medida de proteção. como expoentes o acesso ao medida de conhecimento, democratizando a Enquanto nos sistemas tradicionais de proteção, mas por telefonia havia discrição e respeito, na educação; a universalização de acesso à si só não garante Internet parece ser quase inevitável que se atividade econômica, permitindo que as pessoas não tenham mais que migrar criem enormes bancos de dados sobre a segurança. para os grandes centros urbanos ou hábitos e usos de preferências de usuários, mesmo trabalhem de casa onde quer que estejam; com riqueza de informações e sem autorização. Essas finalmente, as redes sociais, que permitem o exercício da informações são postas a uso de interesses de marketing democracia e a mobilização da opinião pública como ou, em casos extremos, à disposição de serviços de nunca antes pensado. A base da revolução é que a espionagem nacionais e supranacionais. A que preço, só Internet permite a comunicação de um para um e de podemos imaginar com base nos balanços dos maiores um para todos, em oposição à comunicação radial, sem operadores over-the-top (OTT), que hoje estão entre as resposta, como é a difusão tradicional da informação. empresas mais valiosas do mundo, mesmo sem terem Outro aspecto positivo é a rapidez da informação e a ativos tangíveis que sustentem este valor.

dascal@uol.com.br

S

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Teletime - 168 - Agosto de 2013  

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