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foto: arquivo

disse o presidente da TIM, Rodrigo Abreu, no 57º Painel Telebrasil em maio, em Brasília. Na ocasião, o presidente da Telefônica/Vivo, Antonio Carlos Valente, também alegou dificuldades, como a presença ainda forte da base de usuários GSM. “A gente sabe que são frequências utilizadas fortemente na Europa para o LTE, mas tem uma carga violenta de tráfego (de voz). Pegar esse tráfego que tem agora e colocar uma portadora LTE não é uma questão menor”, disse ele. Por sua vez, o presidente da Claro, Carlos Zenteno, argumentou que quer usar a faixa de 1,8 GHz porque a cobertura com 2,5 GHz “não é muito eficiente”.

Poder para pequenas Para operadoras menores, levar o LTE para o 1,8 GHz também pode ser uma boa saída. “Se for possível, temos interesse sim. Poderíamos limpar nosso espectro”, declarou o diretor presidente da Algar Telecom (CTBC), Divino Sebastião de Souza. Mas completa: “Não adianta limpar espectro e lançar LTE só em uma cidade e sem roaming com outras operadoras.” Segundo o diretor de operações tecnológicas da Algar, Luís Antonio Andrade Lima, a empresa já está se adiantando. “Solicitamos a alguns fornecedores um estudo de refarming para a nossa área de concessão, nas principais frequências, sendo que a de mais evidência é a de 1,8 GHz”, declara, argumentando que esta é uma das tendências de adoção no mercado europeu e que, por isso, já há muitos devices compatíveis. O ponto é que o LTE é uma tecnologia que consegue agregar frequências diferentes, então a utilização de 1,8 GHz poderia ser complementada por outras faixas. “Estamos analisando os 850 MHz para crescimento do 3G na área rural, mas também pode ser uma possibilidade”. De qualquer forma, a Algar considera que o “driver principal” é o espectro de 1,8 GHz. “Tivemos alguns pareceres que suportam a possibilidade de uso da frequência. Em princípio, não teríamos restrições para colocar a tecnologia LTE, mas ainda é algo que está sendo trabalhado em nossa área regulatória junto com a agência”, explica Lima. Do ponto de vista técnico, a operadora precisa ampliar o volume de dados

“Se conseguirmos viabilizar um negócio que é bom para as empresas e para os usuários, por que iríamos nos opor?” Marcelo Bechara, da Anatel

“O mapa da divisão da faixa de 1,8 GHz parece um quadro impressionista.” Rodrigo Abreu, da TIM Brasil trafegados na banda, o que o executivo garante não ser um problema. “Efetivamente, vamos ter que investir na ampliação das redes naturalmente, pelo maior consumo que a tecnologia exige. E isso não é um grande problema porque a maioria de nossos sites já é atendida com fibra.” A reocupação da faixa, que seria gradativa, levaria no mínimo seis meses, mas ainda não tem data estabelecida - até porque Lima não considera uma tarefa simples a limpeza da base GSM. A Sercomtel conta com 10 MHz + 10 MHz em 1,8 GHz nas cidades paranaenses de Londrina e Tamarana, além de 5 MHz + 5 MHz na área de registro (AR) 43, também no Paraná, que ainda tinha pendente a assinatura da outorga, com previsão para agosto deste ano. Mas a possibilidade técnica do refarming dependerá da migração da base GSM. No caso de Londrina, a empresa também atua com o WCDMA em

Segundo dados da associação global de fabricantes GSA, a frequência de 1,8 GHz é utilizada por 76 operadoras em 43 países. 850 MHz, que tem ganhado a preferência dos usuários em função da popularização do 3G. “Entendemos que, apesar de o tráfego de voz estar concentrado na rede de segunda geração, talvez em dois ou três anos as redes WCDMA assumam a preferência dos usuários”, explica o diretor de engenharia e operações da Sercomtel, Flávio Luiz Borsato. Segundo dados da associação global de fabricantes GSA, a frequência de 1,8 GHz é utilizada por 76 operadoras em 43 países (dados de maio), então adotála para o LTE facilitaria o roaming internacional. Além disso, a banda tem maior alcance e demanda menos estações radiobase (ERBs) por ser mais baixa do que a faixa de 2,5 GHz, escolhida para o LTE atualmente no Brasil. “Teria metade das ERBs, a possibilidade de usar os ativos, quer sejam antenas ou cabos”, explica Borsato. “A questão toda do refarming é j u l h o 2013 | t e l e t i m e | 13

Teletime - 167 - Julho de 2013  
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