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E S P E C I A L

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ENTREVISTA Telefônica/Vivo fala sobre a nova perspectiva de mudanças do modelo brasileiro de telecom

anivers á rio

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Ano 16 • Maio 2013 • #165 www.teletime.com.br

REGULAMENTAÇÃO Os erros e acertos da privatização e o desafio de universalizar a banda larga Memória Os principais fatos que marcaram a história do setor registrados nas páginas da revista desde 1998

Os próximos 15 anos Especialistas de telefonia fixa, móvel, banda larga, TV paga, satélites e backbones internacionais falam das mudanças e do futuro das telecomunicações no Brasil


editorial

15 anos

E

sta é uma edição comemorativa. TELETIME, em sua de cobrir determinados temas solenemente ignorados pela edição impressa, faz 15 anos este mês. É, portanto, grande imprensa e pela imprensa especializada, mesmo uma edição de reflexão, em que olhamos para o sofrendo o boicote de fontes, patrocinadores e colegas do passado e para o futuro. O setor de telecomunicações setor. Foi assim durante o período em que o grupo tem mantido, nos últimos 15 anos, uma história recheada de Opportunity mandava em boa parte das empresas atuantes dinamismo no aspecto tecnológico, nas estratégias no mercado. Apontamos os abusos empresariais, as falhas empresariais, conformações societárias e variedade de de gestão e as manobras societárias que se configuravam produtos e serviços. Mas o mercado de 15 anos atrás era naquele período, ao custo de um punhado de penosos completamente diferente, e ao mesmo tempo muito processos judiciais, dos quais nos saímos vitoriosos até aqui. parecido, com o atual. Diferente porque os personagens eram Mas a maior satisfação é saber que estávamos ao lado dos outros, as tecnologias que reinavam naquele momento são fatos. Apenas como exemplo, o leitor da TELETIME já havia sido hoje peças de museu, os serviços desejados pela sociedade informado por nós, em 2008, que a fusão entre a Telemar e a hoje são outros. A semelhança entre aqueles tempos e os Brasil Telecom seria um péssimo negócio para a Oi, e que um atuais é justamente o fato de que as estruturas estabelecidas grande passivo judicial deixado pela gestão Opportunity estavam prestes a mudar. Se em 1998 a expectativa era pela acabaria estourando nas mãos da nova empresa. Hoje, quase privatização e pela chegada de novos players e competidores, metade das provisões judiciais da Oi decorre direta ou agora em 2013 o que vemos também é um processo em indiretamente de problemas originados naquela época. que velhos modelos competitivos dão lugar a novos modelos Fazer a cobertura jornalística do mercado e garantir aos de negócio, com novos players. nossos leitores e parceiros É claro que as mudanças não Ao longo dessa década e informações diárias é um desafio acontecem do dia para a noite, nem o constante. É preciso pensar em meia fizemos algumas abandono completo dos modelos apostas certas. Tínhamos a pautas novas e diferentes pontos de atuais. O universo dos aplicativos, dos vista, filtrar as informações com convicção de que o serviços over-the-top, da economia muito critério, ponderar os interesses mercado precisava de uma das fontes e garantir a precisão em digital, deve conviver por alguns anos oxigenação de ideias, com o modelo de operadoras de histórias que serão lidas por um leitor debates e posições. redes e serviços. Por um lado, é um extremamente qualificado e movimento positivo, porque traz mais Apostamos em novos temas, conhecedor da realidade. É preciso concorrência, mais inovação, novas buscar ainda os limitados recursos na convergência, na alternativas e mais investimentos ao publicitários, cada vez menos análise e fugimos do mercado. Pretendemos acompanhar direcionados para o jornalismo de imediatismo ou mais essa transformação no mercado qualidade e para a construção de preconceitos em relação imagem institucional sólida e cada e outras que certamente acontecerão. a ideias diferentes. Esse é o compromisso de uma vez mais despejados em duvidosas empresa jornalística que se propõe a estratégias de marketing, muitas discutir e registrar a história do setor. vezes pontuais e limitadas no tempo. Ao longo dessa década e meia fizemos algumas apostas Ainda assim, mantemos esse compromisso jornalístico. certas. Tínhamos a convicção de que o mercado precisava de Julgamos que a presença de uma publicação setorial séria e uma oxigenação de ideias, debates e posições. Apostamos independente, aliada a uma estratégia efetiva de encontros em novos temas, na convergência, na análise aprofundada e setoriais na forma de congressos e feiras ricos em conteúdos, fugimos do imediatismo de algumas posições ou de ajuda o mercado a ter mais informação, mais visibilidade, preconceitos em relação a ideias diferentes. Isso deu mais transparência, mais prestígio e credibilidade. É uma resultado, e TELETIME é hoje uma referência em termos de parceria que renovamos cotidianamente com o setor, e com informação confiável e independente. Com nosso site a qual pretendemos continuar por muitos anos. especializado em mobilidade, o Mobile Time, e nossos eventos no setor, apostamos naquilo que certamente será o futuro. samuca@convergecom.com.br Durante quase uma década, mantivemos a disposição 4 | t e l e t i m e | m a i o 20 1 3


Novo projeto

A

edição número 165 de TELETIME marca não apenas o aniversário de 15 anos de nossa primeira publicação, mas também o lançamento de um novo projeto gráfico e editorial. O novo formato e a escolha das seções que compõem a nova TELETIME foram pensados para tornar a revista mais moderna e agregar ainda mais informações relevantes para o mercado brasileiro de telecomunicações. A partir desta edição, a seção TTN retorna ao projeto editorial da TELETIME com os principais fatos que marcaram o nosso noticiário online TELETIME News no mês de fechamento da revista. O leitor poderá acompanhar também nos infográficos da seção Bits os últimos dados de mercado sobre o total de acessos dos serviços de telefonia fixa e móvel, evolução das conexões machine-to-machine (M2M), 3G e 4G, o crescimento das redes e acessos banda larga fixa via cabo, wireless ou fibra ótica e muito mais. Outra novidade é a seção Produtos e Serviços, que tem o objetivo de mostrar as últimas novidades e tendências tecnológicas no Brasil e no mundo. Sugestões, obviamente, serão sempre bem-vindas. Apenas um aviso: como esta primeira edição traz uma nova proposta e é também um resgate de parte da nossa história, tomamos a liberdade de “brincar” com as diferenças que marcam 1998 e hoje. Assim, o leitor verá alguns dados curiosos sobre o mercado em 1998, produtos que marcavam o cenário das telecomunicações naquela época e referências a fatos antigos. Didaticamente, isso mostra quão dramática foram as mudanças nesse período, e como

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poucas coisas se mantiveram dentro das previsões. Daqui para a frente, TELETIME continuará analisando e reportando em suas páginas os principais acontecimentos da história recente das telecomunicações brasileiras, sempre com o compromisso com a qualidade, a análise crítica, o acompanhamento das tendências de mercado e a independência editorial, que marcaram a história desta publicação desde seu lançamento na edição de Abril/Maio de 1998. Letícia Cordeiro

Gor Grigoryan/shutterstock.com

apresentação


Ano 16 • maio2013 www.teletime.com.br

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Capa

De volta para o futuro Olhando para os últimos 15 anos, o setor de telecomunicações contou com muitas promessas, nem todas concretizadas. Mesmo assim, o futuro aponta para algumas tendências, conforme analisam especialistas da área.

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entrevista

Redesenhando o futuro Diretor de inovação, parcerias e alianças da Ericsson na América Latina, Jesper Rhode, fala sobre o surgimento de um novo modelo de negócios entre operadoras e OTTs.

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valor adicionado

Plataforma para consumo A capacidade mais robusta da rede 4G e o desenvolvimento da tecnologia de smartphones e outros devices inteligentes começam a promover uma explosão na indústria de conteúdo voltado para esses dispositivos móveis.

• Editorial 4 • Apresentação 6 • Ponto de vista 42, 57, 64 • Bits 50 • Produtos e Serviços 58 • News 62 • Contraponto 65 8 | t e l e t i m e | m a i o 20 1 3

ilustração de capa: editoria de arte converge, sobre imagem de Ivonne Wierink/shutterstock.com

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memória

Da privatização ao IP As capas mais importantes dos 15 anos de história da revista TELETIME retratam a evolução das redes, dos negócios, dos serviços e da realidade brasileira no “novo tempo das telecomunicações”. Mas houve alguns tropeços também.


Editor Samuel Possebon Editora Adjunta e Editora de Projetos Especiais Letícia Cordeiro Editor de Mobilidade Fernando Paiva (Rio de Janeiro) Redação Bruno do Amaral e Helton Posseti (Brasília) Consultor Especial Cláudio Dascal

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Arte Edmur Cason (Direção de Arte); Rubens Jardim (Produção Gráfica); Geraldo José Nogueira (Edit. Eletrônica); Débora Harue Torigoe (Assistente); Alexandre Barros (Colaborador); Bárbara Cason (Colaboradora)

entrevista

Departamento Comercial Bruna Zuolo (Ger. de Negócios) Ivaneti Longo (Assistente)

O desafio de um setor em expansão Antonio Carlos Valente avalia os últimos 15 anos das telecomunicações no Brasil na perspectiva atual de presidente da Telefônica/Vivo e de quem viveu as transformações quando atuava no Sistema Telebras e na Anatel.

Inscrições e Assinaturas Gislaine Gaspar (Gerente) Circulação Patricia Brandão (Gerente)

Presidente Rubens Glasberg Diretores Editoriais André Mermelstein Claudiney Santos Samuel Possebon (Brasília) Diretor Comercial Manoel Fernandez Diretor Financeiro Otavio Jardanovski

Marketing Harumi Ishihara (Diretora) Gisella Gimenez (Gerente) Administração Vilma Pereira (Gerente) TELETIME é uma publicação mensal da Converge Comunicações. Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias publicadas nesta revista, sem autorização da Glasberg A.C.R. S/A. Jornalista responsável: Rubens Glasberg (MT 8.965) Impressão: Ipsis Gráfica e Editora S.A.

fale com a gente

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regulamentação

Acompanhando o desenvolvimento A evolução do mercado de telecomunicações e a explosão nos acessos durante a existência de TELETIME vieram com erros e acertos da privatização e do modelo atual, que agora enfrentam o desafio da universalização da banda larga.

Converge Comunicações - Rua Sergipe, 401, Conj. 603 - CEP: 01243-001 - Telefone: (11) 3138-4600 e Fax: (11) 3257-5910 - São Paulo, SP. Sucursal Brasília SCN - Quadra 02 Bloco D, sala 424 – Torre B - Centro Empresarial Liberty Mall - CEP: 70712-903 - Fone/Fax: (61) 3327-3755 - Brasília, DF.

redação teletime (+5511) 3138-4600

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errata O Atlas Brasileiro de Telecomunicações 2013 publicou, erroneamente, os dados de market share das operadoras nos acessos móveis (pág. 52) e de market share da banda larga móvel – handsets e modems 3G (pág.58), referentes a novembro de 2012, que constavam da edição do Atlas do ano anterior. As páginas em PDF com os dados e gráficos corretos estão disponíveis para download na homepage de TELETIME (www.teletime.com.br).

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ORGANIZAÇÃO


Memória

A nova história das telecomunicações Alguns dos principais fatos e mudanças registrados pela revista TELETIME ao longo dos últimos 15 anos. Letícia Cordeiro

leticia@convergecom.com.br

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primeira edição impressa da revista TELETIME foi publicada em abril de 1998, após dois meses de existência na Internet de seu serviço online, o TELETIME News. O pano de fundo compunha um cenário em que já havia ocorrido a licitação da Banda B da telefonia celular, que inaugurou a competição no mercado móvel em meados de 1997, e o País estava prestes a presenciar, em julho daquele ano, a privatização do sistema de telecomunicações, o Sistema Telebrás. A revista surgia com a proposta de cobrir jornalisticamente esse “novo tempo das telecomunicações”, justamente o slogan de lançamento da TELETIME. À época, começávamos a ver o surgimento das primeiras transmissões de voz usando o protocolo TCP/IP e das primeiras operadoras com redes de nova geração com comutação por pacotes. Assim, o tema escolhido para ser nossa primeira capa foi “Telefonia IP: um novo nicho ou mais um competidor”, que trazia estimativas do impacto da voz sobre IP (VoIP) nas receitas das teles tradicionais de comutação por circuitos, principalmente na modalidade de ligações de longa distância internacionais. Para se ter uma ideia, enquanto uma chamada de dez minutos para os Estados Unidos podia custar R$ 9,43 pela estatal Embratel, operadoras de VoIP como Delta Three fariam a mesma chamada por menos de R$ 2, na conversão do dólar de 02/03/1998. A tecnologia VoIP não destruiu o modelo tradicional de voz


Capa da edição número 1 de TELETIME trazia estimativas do impacto da voz sobre IP nas receitas das teles tradicionais de comutação por circuitos, principalmente na modalidade de ligações de longa distância internacional.

nas chamadas locais como se chegou a cogitar, mas afetou sobremaneira o modelo de ligações de longa distância internacional. Um relatório da Anatel de abril de 2013 reflete as quedas constantes no número de minutos trafegados nessa modalidade. Em 2005 eram 658 milhões de minutos trafegados ao ano, número que ficou em 403 milhões em 2012. Só no ano passado a queda foi de 4%. Mas não eram só a tecnologia IP e a Internet que davam sinais. A banda larga começava a esboçar seus primeiros movimentos com as operadoras de TV por assinatura, que já vinham testando soluções desde 1998. Em 1997, a primeira operação de Internet em alta velocidade residencial entrou em funcionamento, por meio do MMDS da antiga operadora TV Filme, em Brasília. Do ponto de vista das redes, a promessa do acesso wireless na tecnologia WLL como alternativa ao cobre e a chegada das redes móveis GSM eram os grandes temas em debate. A oferta de serviços competitivos para o mercado corporativo também se desenhava como uma possibilidade, ainda que, naquele momento, grandes bancos e grupos empresariais precisassem investir em redes próprias para atender às suas demandas, dada a falta de capacidade disponível comercialmente. Estratégias comerciais como planos de serviços prépagos e planos inteligentes de tarifação, como o pioneiro “Friends & Family” da AT&T, que permitia descontos em chamadas para números selecionados, estavam revolucionando o marketing das empresas em todo o mundo. As telecomunicações finalmente se tornavam competitivas e a disputa pelo consumidor ganhava relevância dentro da estratégia das empresas. Esses foram alguns temas da nossa primeira edição. Ao longo dos anos, TELETIME viu tecnologias surgirem e morrerem, estratégias de negócio fracassarem e serem bem sucedidas, grupos empresariais surgirem e desaparecerem. Tudo isso é parte da história recente das telecomunicações no Brasil e no mundo, contada nas páginas da revista. Selecionamos aqui algumas das principais capas que marcaram nossas 165 edições:

#2

#5 Jun.

1998 “Privatização: a universalização está garantida. E a competição?” A privatização estava prestes a acontecer, em julho de 1998, e a matéria analisava que, por ser uma exigência do edital de licitação, a universalização dos serviços de telefonia fixa por parte das futuras concessionárias era certa, mas já chamava a atenção para os desafios imensos que as empresas que decidissem se aventurar como espelhos e espelhinhos teriam pela frente. De fato, o modelo competitivo se mostrou pouco efetivo, e apenas duas das operadorasespelho prosperaram: a GVT, que originalmente era a autorizada espelho da Brasil Telecom para a Região II, e a Intelig, espelho de longa distância da Embratel, posteriormente comprada pela TIM e já sem foco na longa distância. A maior delas, a Vésper, acabou sendo absorvida pela Embratel.

Dez.

1998 “Começa a competição plena na telefonia celular” Praticamente todas as operadoras de telefonia celular da banda B já haviam entrado em operação (as exceções estavam na região Norte e no Rio Grande do Sul) e começava a ser discutida uma consolidação das empresas para o ano seguinte em busca de competitividade. A primeira operação competitiva na telefonia móvel veio ainda em dezembro do ano anterior, com o lançamento da Americel (hoje Claro) em Brasília. Nove meses depois, a Americel já registrava 125 mil assinantes e, à época da publicação da edição número 5 de TELETIME, a banda B já representava metade do crescimento do setor desde dezembro de 1997 (quase 1,6 milhão de terminais a mais). Era um prenúncio da revolução que o mercado veria.

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Memória

#11

#12 Ago.

1999 “A arrancada das redes IP” Com a expectativa da rápida expansão do trafego de dados e a iminente abertura do mercado à competição em 2003, operadoras brasileiras passaram a investir na construção e expansão de suas redes de dados baseadas no protocolo IP, as primeiras redes IP públicas que o País viria a ter. Além de abrir caminho para a voz sobre IP (VoIP) e novos serviços, a implementação dessas redes de nova geração permitiu a entrada de novos fornecedores no setor de telecomunicações, como Cisco, em parceria com a Promon, e a Juniper.

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#17 Set.

1999

#26 Fev.

2000

“Pré-pago vende bem. E a rentabilidade?”

“Internet de graça: onde está o lucro de cada um?”

A venda de telefones prépagos chegava a responder por 60% de todos os aparelhos móveis comercializados no Brasil e já delineava como seria o mercado brasileiro de telefonia móvel, que hoje tem menos de 20% de usuários pós-pagos. À época, as estimativas das teles eram de que os gastos de cada grupo de 10 a 20 clientes pré-pagos equivalessem ao de um único assinante pós-pago. O cliente pré-pago médio usava seu telefone apenas para receber chamadas e as próprias teles incentivavam o recebimento, oferecendo inclusive cartões de visita, para que as pessoas recebessem mais ligações e, eventualmente, passassem também a realizar chamadas. O desafio da rentabilidade do pré-pago só começou a se resolver recentemente, com as operadoras priorizando o tráfego dentro de suas próprias redes, o que em 1999 era impossível, já que as operações móveis eram pulverizadas em vários grupos.

Operadoras, provedores norte-americanos e mesmo bancos brasileiros começaram a investir em provedores de acesso gratuito à Internet e apostar no modelo de sumidouros de tráfego, para capturar com as receitas de interconexão. Vale lembrar que naquela época a Internet era discada, utilizava as redes de telefonia fixa e em alguns horários chegava a representar de 15% a 20% do tráfego nas redes de telecomunicações. A Telefônica lançou o Terra Livre; a Tele Centro Sul (posteriormente Brasil Telecom) e a Telemar entraram de sócias no iG; e o UOL, o NetGratuita. Foi a expansão da banda larga quem acabou com o modelo de autenticação na Internet, quando as operadoras de TV a cabo Net e TVA passaram a fazer autenticação dos seus usuários automaticamente com suas licenças de SCM, modelo posteriormente incorporado pelas teles que ofereciam Internet por ADSL.

Nov.

2000 “Minas de cobre agora valem ouro” A matéria de capa mostra a nova vida que a tecnologia xDSL trouxe para as redes de par de cobre herdadas pelas incumbents, que passaram de velhas minas de cobre sem valor a minas de ouro. As operadoras estavam apenas iniciando os testes com ADSL sobre suas redes de cobre para transmissão simultânea de voz e dados. Ao final de 2012, a tecnologia ADSL e suas evoluções (ADSL2, VDSL e VDSL2) respondiam por cerca de 60% de todos os acessos banda larga brasileiros. Mas hoje essas tecnologias enfrentam a dificuldade de competir com altas velocidades de acesso propiciadas por redes de fibra e redes de cabo.


#28

#43 Jan.

2001 “Especial SMP – A implantação do novo serviço” Começa a maior transformação para o cenário da telefonia móvel brasileira desde a abertura do mercado com a privatização do Sistema Telebrás: a licitação do Serviço Móvel Pessoal (SMP) na frequência de 1,8 GHz e que, consequentemente, abriu as portas do mercado brasileiro para a tecnologia GSM. Ela marcou o início da consolidação das operadoras celulares no País (eram 22 logo após a privatização). O especial trouxe detalhes sobre a então nova (aos olhos do mercado nacional) tecnologia GSM e sua habilidade de transmissão de dados GPRS; as consequências para operadoras que acabaram por ter de abandonar a tecnologia TDMA e, depois, o CDMA; os ganhos de escala de preço do handsets e a entrada de novos fornecedores no mercado. Tudo isso acompanhado de um novo modelo regulatório do SMP, que acabou com as concessões no serviço celular e permitiu a consolidação de grupos empresariais.

#47 Abr.

2002 “O jogo bilionário” A migração das operadoras celulares para o Serviço Móvel Pessoal trouxe como consequência a introdução do Código de Seleção de Prestadora (CSP) para as chamadas de longa distância efetuadas a partir de um telefone celular. Era um mercado que rendia para as operadoras móveis R$ 1 bilhão (US$ 380 milhões) em 2001 e que, com a implantação do CSP, passou a ser disputado também pelas operadoras de longa distância Embratel, Intelig, além das concessionárias de telefonia fixa local que também detinham essa licença. Hoje, as discussões sobre o fim do CSP são cada vez mais intensas, já que o mercado de longa distância trafega hoje exclusivamente em redes próprias.

#54 Ago.

2002

Abr.

2003

“À beira de um colapso”

“Pagar multa pode ser um bom negócio”

Com uma quantidade de funcionários temporários que correspondiam a nada menos do que 46% de seu quadro de servidores, a Anatel estava passando por sua pior crise até então, que ameaçava emperrar suas atribuições de fiscalização, por exemplo. Ministério das Comunicações e partidos políticos brigavam na Justiça para definir o regime de contratação dos funcionários da Anatel desde 2000. Sem uma política de recursos humanos, o que se verificava era uma debandada de profissionais gabaritados para a iniciativa privada. Em seus quadros a Anatel tinha 707 funcionários permanentes (350 oriundos da Telebrás) e 618 temporários contratados. Apenas hoje, depois de vários concursos e da formação de um corpo técnico próprio, a Anatel começa a desenvolver uma cultura regulatória própria, sem os vínculos (e vícios) da regulação dos tempos de um modelo estatal.

A demora de anos na conclusão dos Procedimentos Administrativos (PADOs) por parte de Anatel, com multas por vezes irrisórias e que se arrastavam ainda mais na Justiça, tornava mais atraente aos olhos das teles manter as infrações do que investir para cumprir metas de qualidade. O quadro, dez anos depois, não mudou, com exceção dos valores das multas, que passaram a ser milionárias a partir de 2010 e alcançaram em 2012 o recorde de R$ 1 bilhão em sanções aplicadas pela agência apenas naquele ano. Em abril de 2013, a Anatel estimava que havia recebido apenas 20% dos R$ 2,2 bilhões em multas aplicadas nos últimos 12 anos, que podem chegar a quase R$ 4 bilhões, se contados os PADOs.

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Memória

#61

#91 Nov.

2003 “Consolidação à moda da casa” A onda de consolidação iniciada na Europa havia chegado ao País. TIM, América Móvel e Telefónica começavam a consolidar suas operações móveis por aqui. No campo da telefonia fixa, a MCI, falida, deixava a Embratel para dar lugar à Telmex. A Telecom Italia, que havia saído do bloco de controle Brasil Telecom para poder operar a TIM, já tinha uma grande dívida e cogitava-se no mercado a possibilidade de venda da subsidiária brasileira. Os mexicanos adquiriram as celulares Americel, ATL, BCP São Paulo e Nordeste, Telet e Tess, e a Vivo já existia como joint-venture das operações móveis da Telefónica e da Portugal Telecom. Era o embrião da conformação atual do mercado.

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#92 Ago.

2006 “A bolha da VoIP” Uma nova bolha estava prestes a estourar: a da voz sobre IP (VoIP). A partir de 2004, uma multiplicidade de empresas de VoIP surgiu em todo o mundo, aproveitando o crescimento da banda larga e as altas tarifas cobradas nas chamadas de longa distância pelas operadoras tradicionais de telefonia. No Brasil não foi diferente e àquela época contabilizavam-se 125 empresas oferecendo serviços VoIP com licença de SCM. A previsão era de que a maioria delas desaparecesse em dois anos, o que não tardou a acontecer, em muito por conta da dominância do Skype e, particularmente no Brasil, da oferta mais agressiva de operadoras como Net/Embratel e GVT.

#106 Set.

2006

Dez.

2007

“Admirável mundo novo?”

“O que se esconde na terceira onda”

Atraídas pela possibilidade de uma oferta convergente, as operadoras de telecomunicações começavam a traçar suas estratégias para entrar no segmento de TV por assinatura. A Telemar havia acabado de comprar a operação de cabo da mineira Way TV e a Telefônica havia pedido licença de DTH (satélite) junto à Anatel. A Brasil Telecom também havia lançado a primeira experiência de IPTV brasileira, mas por barreira regulatória (as teles não podiam obter licença de TV a cabo) não podia oferecer grade de programação, limitando o serviço apenas a conteúdo sob demanda (VOD). Hoje, com o mercado desregulamentado, as estratégias variam. A Telefônica ainda é errática em TV paga, a Oi cresceu com o DTH e a GVT também disputa o mercado. Mas quem se sobressaiu no setor foi a Embratel, que hoje tem metade do mercado com a Net Serviços (cabo) e a Claro TV (DTH).

Brasil começava a viver mais um ciclo determinante no mundo móvel: a entrada da terceira geração de telefonia celular, o que viria a permitiria popularização da Internet no Brasil, com boa parte da população tendo acesso pela primeira vez à rede de dados pelo celular. À época, a Anatel preparava a licitação das faixas de 1,9 GHz e 2,1 GHz e cerca de 75% dos acessos fixos à banda larga eram menores do que a velocidade de 1 Mbps, que estava prevista para ser oferecida com o 3G. Além da licitação, algumas operadoras iniciavam a instalação do 3G nas faixas ociosas de 850 MHz.


#110

#116 Mai.

2008

#124 Nov.

2008

“Revisão conveniente”

“Salve-se quem puder”

Dez anos depois da privatização do Sistema Telebrás, o Brasil vivenciou o maior negócio do setor desde então com a fusão entre a Brasil Telecom e a Oi, com a compra do controle da primeira pela Telemar. Mais do que isso, a união das duas concessionárias provocou uma reestruturação do modelo de telecomunicações vigente, que resultou na reformulação do marco para abrigar a convergência, mudanças no Plano Geral de Outorgas e um projeto governamental de inclusão digital que originou o Programa Nacional de Banda Larga (PNBL). Hoje, contudo, a Oi sofre as dores dessa transação: boa parte da dívida da empresa veio da fusão e da projeção mal estimada do passivo judicial deixado pela gestão do Opportunity na Brasil Telecom.

Crise financeira mundial abalou operadoras e fornecedores globais, que tiveram de rever estratégias, renegociar contratos. Estava em voga a lei da selva, em que apenas os mais fortes sobrevivem. O Brasil conseguiu passar ao largo pelos primeiros anos da crise econômica que se arrasta até hoje com o crescimento, embora em parte desacelerado, de sua economia; e de certa forma as subsidiárias brasileiras serviram de galinha dos ovos de ouro para ajudar na sobrevivência das matrizes com sede especialmente na Europa. Mas a crise nos fornecedores e nas matrizes das operadoras permanece até agora, e não há ainda sinais de melhora.

#125 Ago.

2009 “Futuro incerto” A Anatel propôs no final de julho daquele ano uma nova destinação para a faixa de 2,5 GHz, até então alocada aos prestadores de TV por assinatura via MMDS. A proposta da agência acabou por reduzir significativamente a quantidade de espectro alocado para a TV paga via microondas, de 190 MHz para 70 MHz. À época, as operadoras de MMDS e as associações ABTA e Neotec alertavam que tal mudança acarretaria no fim do serviço, o que realmente acabou acontecendo. A mudança na alocação do espectro, contudo, foi essencial para o início da quarta geração de telefonia móvel no Brasil. Batalha semelhante se desenha agora pela ocupação da faixa de 700 MHz.

Set.

2009 “Um modelo para a banda larga” Operadoras e governo começam a discutir um plano para massificar a banda larga no País, o que posteriormente deu origem ao Programa Nacional de Banda Larga. Os papéis de cada um ainda não estavam definidos, mas a inclusão digital finalmente tomava corpo em forma de política pública, a exemplo do que acontecia em outros lugares do mundo. Foi nesse período que começou a ser preparado o renascimento da Telebras, que teria papel fundamental no novo programa.

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Memória

#126

#127 Out.

2009

#128 Nov.

2009

#136 Dez.

2009

“Convergência elétrica”

“Engarrafamento móvel”

“Muito mais que um cano”

O tema smart grids já estava em ebulição no mundo e nações desenvolvidas testavam soluções de redes elétricas inteligentes. Enquanto isso, no Brasil, o debate estava apenas começando, ainda restrito a algumas utilities. As teles ainda não tinham se dado conta do potencial de negócios que esse novo mercado poderia gerar. Hoje, entretanto, todas enxergam esse potencial e têm áreas internas dedicadas ao tema.

O gargalo do 3G começou a dar sinais já no fim de 2009. Em setembro daquele ano a Anatel acendeu a luz amarela ao admitir que havia uma falha sistêmica nos serviços de voz e dados móveis gerada pela alta demanda por banda larga móvel. A solução então, assim como agora, era uma só: investimentos concentrados em infraestrutura. Mas o problema continuou se agravando e em 2012 a agência adotou medida ainda mais radical: impediu a venda de novos acessos por parte de três das quatro operadoras.

A preocupação das operadoras de telecomunicações em não se tornarem meros canos para provedores de serviços agora conhecidos como over-the-top (OTT) se iniciou ainda em 2009, quando os maiores vilões eram serviços VoIP como o Skype e de vídeo gerado pelo usuário com o YouTube. Se a preocupação era grande, ficou maior ainda com a consagração de distribuidores de conteúdos profissionais de vídeo como Netflix, Amazon e tantos outros, e agora operadoras querem dividir os custos de investimentos na rede.

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Set.

2010 “Nem tão livre assim” O conceito de Internet como um território livre e desregulado começou a mudar de forma mais concreta no final de 2010, momento em que as relações econômicas que se desenvolvem sobre a rede e a importância social e política da conectividade fizeram com que mercados e governos passassem a atuar no sentido de mudar isso. No Brasil, se dava então o início das discussões de um novo Plano Geral de Metas de Universalização (PGMU) e o Programa Nacional de Banda Larga (PNBL), que provocou também o começo das discussões sobre neutralidade de rede. O tema é central nos debates do Marco Civil da Internet, e até hoje emperra sua aprovação no Congresso Nacional.


#138

#143 Nov.

2010 “O ano da TV por assinatura” Impulsionado pelo crescimento da base de assinantes de TV por assinatura via satélite (DTH), o mercado de TV paga no Brasil experimentou seu melhor ano. Foi o maior crescimento da última década, quando o total de domicílios assinantes ultrapassou a marca de 9 milhões. Vale lembrar que a Lei do Serviço de Acesso Condicionado (SeAC), aprovada apenas em 2011, ainda não tinha aberto o mercado para que as teles pudessem atuar como provedoras de TV por outra tecnologia que não o satélite e ainda não havia possibilidade de expansão das atuais operadoras de TV a cabo por ausência de novas concessões. Hoje são 17 milhões de assinantes do serviço, mas há alguns sinais de desaceleração no horizonte.

#151 Mar.

2011 “Batalha épica” Teles de um lado, radiodifusores de outro. Começava no Brasil a disputa pela faixa de 700 MHz, que ainda não teve seu desfecho. Destinada às emissoras de televisão brasileiras até 2016, data em que todas as transmissões analógicas deveriam ter finalizado sua transição para a TV digital, a faixa começou a ser demandada de forma mais intensiva pelas teles móveis, de olho no espectro para implantação da tecnologia 4G. Do lado das teles, o argumento é o da escala, uma vez que a faixa fora atribuída para o 4G nos EUA. Do lado dos radiodifusores, o apelo para que a nova atribuição da faixa só começasse a ser discutida depois de 2016, quando se teria uma ideia do real cenário do switch-off analógico e da necessidade de espectro para transmissão em alta definição e multicast, e alertavam para o risco de parte da população ainda não ter conversores e ficar sem o sinal de TV. Hoje, a Anatel já decidiu que os 700 MHz serão alocados para a telefonia móvel. O que não está certo ainda é o cronograma para que isso aconteça de forma a garantir que nenhum brasileiro fique sem TV.

#154 Jan/Fev.

2012

“Filé com um grande osso” Anatel publica a proposta de edital de 4G na faixa de 2,5 GHz, que traz obrigações de cobertura de áreas rurais em 450 MHz. Operadoras protestaram, alegando inviabilidade do modelo, e ameaçaram não participar do leilão. No fim, evidentemente, nenhuma ficou de fora e todas as faixas de 2,5 GHz com o 450 MHz a tiracolo foram adquiridas. Resta saber se a cobertura rural terá resultados concretos.

Mai.

2012 “Terra de ninguém” A multiplicidade de regras divergentes impostas pelos municípios para a implantação de infraestruturas de telecomunicações, em especial das torres e antenas das estações radiobase (ERBs), chegava a um ponto crítico com a necessidade de cumprimento de prazos para a instalação do 4G. Governo dava início então à regulamentação de uma proposta que ficou conhecida como Lei Geral das Antenas, que daria diretrizes para que municípios revisares suas leis para instalação dessas infraestruturas. A lei ainda não foi aprovada.

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Memória

O filtro da história Nesses 15 anos de existência, TELETIME também viu em suas páginas o anúncio de promessas que nunca se concretizaram. Confira algumas delas.

#157

#160 Ago.

2012 “Satélite brasileiro começa a sair do papel” O projeto nacional do Satélite Geoestacionário Brasileiro, que vinha sendo discutido pelo governo desde 2005, começava a tomar forma com a previsão de lançamento de um satélite a cada cinco anos para que houvesse sempre ao menos três artefatos em operação. A Telebras entrava no projeto com papel central para sua viabilização. A previsão de lançamento é para 2015.

2 0 | t e l e t i m e | m a i o 20 1 3

#20 Nov.

2012

#21 Mai.

2000

Jun.

2000

“Espaços preservados”

“A TV que vem para competir”

“Vale a pena ter uma espelhinho?”

Leilão do 4G concluído, operadoras realizaram consultas de preços com fabricantes e decidiram seus fornecedores de LTE. A expectativa de entrada de novos fornecedores no mercado brasileiro acabou por não se concretizar, com was teles mantendo para a 4G basicamente os mesmos fornecedores de suas redes de terceira geração. A exceção foi a entrada da Alcatel-Lucent no rol de fornecedores da Oi.

Com a digitalização de seus sinais de TV, os radiodifusores dos Estados Unidos chegaram a formar cooperativas para explorar as frequências e as infraestruturas usadas para a transmissão dos sinais de TV digital para também transportar dados e se tornarem “datacasters”. A ideia parecia simples, cada emissora cederia parte de suas frequências de 6 MHz a 12 MHz para transmitir dados a velocidades de 2 Mbps a 6 Mbps (o que era bastante para a época) e chegar a 85% dos lares norte-americanos. No Brasil, ainda se discutia qual o melhor modelo para a TV digital por aqui. No fim das contas, o modelo implodiu, a tecnologia não se mostrou apropriada para o serviço e a iniciativa de “datacast” não vingou.

Quando desenhado, o modelo privatizado de telecomunicações criou a figura das espelhinho, operadoras locais competitivas que, em teoria, gerariam grande interesse das prestadoras de TV por assinatura. As exigências impostas pelos editais, a baixa expectativa de rentabilidade nas áreas licitadas e os custos necessários para iniciar essas operações, contudo, provocaram baixo interesse para as TVs pagas. Das espelhinhos que surgiram, praticamente todas desapareceram. A Transit é uma das poucas exceções e até hoje atua no mercado brasileiro.


#48

#50 Set.

2002

#60 Nov.

2002

“Oportunidade para queima de estoque”

“Vem aí o telefone 1.0”

Ao fim de setembro de 2002 as operadoras estavam com 11 milhões de linhas encalhadas, ou seja, linhas fixas instaladas mas sem assinantes. Animadas pelo desempenho da modalidade pré-paga na telefonia móvel, as teles fixas decidiram trilhar o mesmo caminho para se livrar desse estoque indesejado e, de quebra, conquistar clientes das classes C, D e E. A Vésper, espelho da Telemar, chegou a ter 60% de sua base com telefones fixos pré-pagos. É bem verdade que a telefonia fixa da espelho era um fixo-móvel: uma linha fixa num aparelho celular CDMA que tinha mobilidade restrita (ficava limitada à área de cobertura da célula do endereço instalado). Aliás, a restrição da mobilidade foi um dos fatores que levou a Vésper a quebrar, sendo posteriormente adquirida pela Embratel. Nas demais operadoras, houve alguma adesão, mas o pré-pago não chegou a ser um sucesso. Nos anos seguintes, além de não conseguir ‘queimar seu estoque’, as concessionárias fixas viram sua base encolher significativamente.

Mais um furo n’água no segmento de telefonia fixa. Em novembro daquele ano a Anatel começa a estudar a criação do “telefone popular”, que mais tarde viria a ser conhecido pelo nome de Acesso Individual Classe Especial (Aice). O Aice foi idealizado para atender a consumidores de baixa renda e seria incluído na renovação dos contratos de concessão do STFC com tarifas diferenciadas e metas de qualidade menos rígidas. O programa foi um fracasso, pois quase ninguém sabia de sua existência e as teles, obviamente, temendo canibalização, não lhe davam publicidade nem o ofereciam. Em 2012, o Aice foi reformulado mas, um ano depois, mesmo estando disponível para 9,2 milhões de famílias com renda de até um salário mínimo, apenas 53,6 mil de fato aderiram a ele ao final de abril de 2013, o que corresponde a 0,50% da base. Aparentemente, a divulgação do Aice pelas concessionárias continua sendo um problema.

#64 Out.

2003 “Internet na tomada” Prevendo uma competição com os acessos banda larga ADSL já em 2004, as utilities Light e Eletropaulo faziam suas apostas na tecnologia Broadband Over PowerLine, de entrega de Internet em alta velocidade pela rede elétrica. A Anatel prometia um regulamento sobre PowerLine Communications (PLC) para os meses seguintes, várias outras utilities realizavam testes e até um fabricante de equipamentos prometia fabricação local. A resolução da Aneel sobre PLC só saiu em 2009 e, para frustração das elétricas, elas teriam de alugar sua rede para terceiros com licença de SCM para explorar o serviço. A Anatel ainda fez exigências pesadas de certificação e limitação da potência dos equipamentos. A demora e as regulações inviabilizaram a tecnologia no País.

Mar.

2004 “Push-to-talk: a nova arma do SMP contra o trunking” Vivo e Claro começavam a testar terminais com radiodespacho (push-to-talk, PTT) para tentar por um fim à hegemonia da Nextel e sua rede iDEN no mercado corporativo. A ideia era converter as mensagens de voz em IP e trafegá-las pelas redes de dados CDMA 1xRTT e GSM GPRS/EDGE usando a tecnologia PTT over Cellular (PoC). A Nextel não chegou a ser ameaçada pelo PoC, que tinha qualidade visivelmente inferior ao PPT sobre iDEN, especialmente no que se refere ao delay entre apertar o botão e conseguir enviar a mensagem. O que acabou com a hegemonia da Nextel foram as redes 3G das operadoras móveis e seus planos com chamadas gratuitas entre celulares dentro de suas redes. No fim das contas, a Nextel luta para lançar sua operação 3G, agora com uma tecnologia PoC própria e aperfeiçoada, e recuperar parte do share perdido.

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Memória

#72

#105 Nov.

2004

#123 Nov.

2007

“É a cara do irmão caçula”

“Sistemas viram o centro da disputa”

Câmeras embutidas, telas para mensagens multimídia, ringtones, vídeo, jogos e outras funções que prometiam tornar o telefone fixo muito próximo de um celular é algo que até hoje não decolou. A ideia era conseguir agregar novos serviços ao terminal fixo e trazer novas receitas. Continua sendo apenas uma promessa.

A capa dessa edição da Teletime abordava o início da batalha dos sistemas operacionais para telefones móveis. A previsão de disputa acirrada se mostrou acertada. O que estava errado eram as previsões de quem dominaria esse mercado. À época, Windows Mobile, da Microsoft, ganhava força e começava a concorrer com Symbian, RIM (agora BlackBerry) e Palm, que dominavam o mundo dos sistemas operacionais para dispositivos móveis. A Apple acabara de lançar seu primeiro iPhone e ainda não havia impactado de maneira significativa o segmento; e o Google anunciara o lançamento de seu OS Android apenas para o ano seguinte. Hoje, iOS e Android lideram o mercado de sistemas operacionais para smartphones, o Palm OS morreu, o Symbian foi posto de lado pela Nokia, que apostou suas fichas no Windows Phone, o novo OS da Microsoft que luta em terceiro lugar para ganhar participação de mercado, e a BlackBerry manteve-se viva com seu novo OS, o BB10.

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#129 Jul.

2009

Jan/Fev.

2010

“Feira digital”

“A hora das virtuais”

Depois da Apple e sua loja de aplicativos, o mercado móvel nunca mais foi o mesmo. Outros fabricantes como Nokia, RIM (hoje BlackBerry), Palm, LG e Google entraram no jogo e construíram suas próprias lojas. A próxima seria a Microsoft. As operadoras, por outro lado, acostumadas a ter papel central na distribuição de conteúdo para telefones celulares, se viram excluídas da cadeia de valor e passaram a estudar a criação de lojas próprias de aplicativos, o que não funcionou. Mesmo a tentativa posterior de uma loja conjunta das maiores operadoras globais fracassou e hoje a aposta das teles é no sistema aberto Firefox OS, que permitirá que operadoras utilizem a interface da loja de aplicativos criada pela Mozilla para suas próprias lojas.

Lento e irrisório, ainda. Regulamentação do modelo de operadoras móveis virtuais (MVNO) estava pronto para ser publicado em sua versão final pela Anatel e no começo de 2010 eram muitos os que se diziam interessados: bancos, varejistas, clubes de futebol e até mesmo igrejas. Três anos depois o Brasil tem apenas duas operadoras em funcionamento – a Porto Seguro, essencialmente com linhas para comunicação entre máquinas (M2M) para monitoramento dos veículos segurados por ela; e a Datora. A entrada de uma terceira, a Virgin Mobile, é esperada ainda para 2013.


Os próximos 15 anos Ivonne Wierink/shutterstock.com

Especialistas nas áreas de telefonia móvel, banda larga, telefonia fixa, TV por assinatura, satélites e backbones globais dão uma ideia de como será o futuro das telecomunicações.

Bruno Amaral

bruno@convergecom.com.br

Fernando Paiva

fernando.paiva@convergecom.com.br

Letícia Cordeiro

leticia@convergecom.com.br

Samuel Possebon

samuca@convergecom.com.br

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C

omo forma de recontar uma parte da história e de tentar antecipar quais serão os próximos movimentos do mercado em termos de evolução tecnológica e serviços, TELETIME entrevistou alguns especialistas nas áreas de telefonia móvel, banda larga, telefonia fixa, TV por assinatura, satélites e backbones globais para entender o que mudou nos últimos 15 anos e como (e onde), devem ser as próximas mudanças. Temos certeza de que a maior parte das previsões para o futuro não acertarão em cheio, assim como há 15 anos poucos conseguiam prever o que seria a mobilidade e a banda larga e a importância desses serviços no mercado hoje. Sabemos, com certeza, que a banda larga caminha de mãos dadas com a mobilidade, que a oferta de serviços e conteúdos sobre essa rede de banda larga é uma tendência inexorável e que muitas disputas se darão no campo dos dispositivos. De resto, é esperar para ver. Acompanhe agora a visão dos entrevistados por TELETIME.


Redes inteligentes e compartilhadas José Augusto de Oliveira Neto, CTO da Huawei para América Latina

O

foto: divulgação

CTO da Huawei para a América Latina, José suportar IPTV, videoconferências, TV conectada, nuvens de Agusto de Oliveira Neto, é uma das pessoas que conteúdos, informações e serviços que começam a acompanham o desenvolvimento do mercado trafegar. Esse conjunto de medidas reduzindo barreiras, brasileiro de telecomunicações há bem mais de impostos, incentivando redes, terminais, procurando 15 anos. Com passagem também pela Vivo, Oliveira Neto acelerar a adoção de dispositivos inteligentes, vai ajudar a era diretor na Companhia Riograndense de banda larga a crescer além das pessoas, podendo ser Telecomunicações (CRT) quando ocorreu a privatização do até cinco vezes maior que a população, e isso significa Sistema Telebrás, que classifica como a primeira para as operadoras irem além da indústria de telecom grande mudança do setor no País. “Foi quando os através de parcerias para serviços de conteúdo, investimentos e os processos de conectividade de voz smartgrid, segurança, videoconferência; e as teles vão fixa e móvel começaram a se acelerar. A telefonia aprender junto com os OTTs (over-the-top) a criar suas móvel já existia, mas era incipiente em cobertura e próprias lojas de aplicativos”. quantidade de usuários. Para se ter uma ideia, os Para suportar tamanha conectividade, será preciso planos das teles naquela época eram chegar ao fim do que as redes evoluam para a unificação das redes de primeiro ano de operação a uma base de 30 mil TV paga, banda larga, 2G, 3G e 4G em uma única rede usuários de celular”, lembra ele. IP convergente. E Oliveira Neto vai além: Para Oliveira Neto, as mudanças “Quando possível, onde a presença iniciadas com a adoção do IP ganharam (cobertura) não for diferencial ainda mais velocidade nos últimos cinco competitivo, devemos ver mais e mais “O Brasil tem nas anos, com os usuários na web 2.0, o compartilhamento de redes para mãos com o LTE produzindo conteúdo e compartilhando atender a mais de uma operadora. Já (em 450 MHz) uma em redes sociais, e no vídeo, com estamos vendo isso com o LTE e faz oportunidade conteúdos em 3D e alta definição. “A todo o sentido otimizar a implantação participação do usuário e a necessidade equivalente à que o de novas redes, fixas e móveis, onde a de customização fizeram com que presença não for mais o diferencial”. Japão teve quando mercado fosse inundado com conteúdo lançou o 3G anos à Outra tendência é a computação digital e desse crescimento surgiram em nuvem, aplicada não apenas a frente da Europa. novas áreas de negócio e a serviços, mas também à própria há um novo espaço conectividade de banda larga fixa e infraestrutura de rede, no conceito de de negócios ainda móvel passou a ir além da quantidade software defined network (SDN). “O não desenvolvido de conexões de voz”. Isso ficará mais modelo muda. Em vez de comprar para um campo que caixas, compramos serviços, e isso abre patente se confirmada a previsão da explosão de conexões entre máquinas estará conectado.” mais um mercado estimado em (M2M), como dispositivos de controle com trilhões de dólares. No limite, daqui a telemetria para segurança e medida de 15 anos, uma rede de telecom estará consumo de energia com smartgrids. na nuvem, com controles centralizados Embora atribua um papel importante em cloud, hardware genéricos com às redes de banda larga móvel na grande capacidade de processamento aceleração das comunicações daqui para espalhados e terminais com aplicativos a frente, ele reconhece que as tecnologias instalados para rodar os serviços”, prevê, móveis têm suas limitações de salientando, entretanto, que isso só será velocidade e capacidade, e que possível se houver conectividade ubíqua justamente por isso crescerá também a de alta capacidade. Novas importância da banda larga fixa. “Nesse oportunidades também residem na cenário são importante os incentivos tendência de Bring Your Own Device governamentais para implantação de (BYOD) e na necessidade de Big Data fibra como o Regime Especial do PNBL e a para analisar os dados gerados por revisão do próprio PNBL. Talvez em cinco pessoas e máquinas ligadas na nuvem. anos muitas residências ou empresas “As redes vão cada vez mais procurar conectadas necessitem de fibra pra manter seus usuários imersos nelas e m a i o 2013 | t e l e t i m e | 2 5


tentar prever suas necessidades. Será preciso dar inteligência a essas redes”, diz Oliveira Neto. Ele lembra que também será necessária a disponibilidade de espectro. “Existem alguns estudos que apontam que até 2020 a capacidade de conectividade móvel deve crescer mil vezes. Serão precisos espectro, eficiência no uso da radiofrequência, radiobases, leis e projetos de prédios preparados para receber essas ERBs”. Ele cita ainda a padronização do LTE na faixa de 450 MHz, que deve ser finalizada em junho, para dar conectividade à área rural e, na área urbana, pela facilidade de ir mais longe e penetrar mais fácil em elevadores e subsolos, para servir a aplicações de telemetria, smartgrids e controle de frota de veículos,

aplicações que requerem baixa demanda por dados. “O Brasil tem nas mãos com o LTE uma oportunidade equivalente à que o Japão teve quando lançou o 3G anos à frente da Europa. O País tem mais de 250 milhões de bovinos, equinos e suínos e há um novo campo de negócios ainda não desenvolvido para telemetria de processos de vacinação, peso, doenças, aplicações e dispositivos específicos para um campo que estará conectado”. “O sucesso dessa evolução toda só acontece se toda a inovação necessária em redes, aplicações e terminais ocorrer com foco no usuário, se isso é esquecido o resultado não vem. Toda a revolução de soluções anteciparam necessidades dos consumidores”, conclui.

O futuro é everywhere Márcio Carvalho, diretor de produtos e serviços da Net Serviços

Q

foto: divulgação

uando houve a privatização do sistema brasileiro de telefonia, a TV por assinatura no Brasil estava apenas “começando a engatinhar”, lembra o diretor de produtos e serviços da Net Serviços, Márcio Carvalho, que também completa neste ano 15 anos de atuação na indústria nacional de TV paga. “Naquela época, a indústria de TV por assinatura acabara de se dar conta que tinha sido muito ambiciosa sonhando com penetração alta, tínhamos investido muito em rede e todos estavam preocupados porque o mercado não era tudo o que pensávamos”, lembra. Ainda em 98 a Net começou a estudar como usar suas redes também para telefonia, mas a VoIP ainda não estava madura o suficiente e, segundo Carvalho, o cálculo na época indicava que valia mais a pena investir em uma rede de cobre para fazer telefonia, mas isso estava fora de cogitação. A primeira revolução nas redes de cabo veio com a possibilidade de fazer banda larga, e entre 1999 e 2000 a Net começou a operar o serviço com DOCSIS no Sul do País e um padrão proprietário da Terayon em outras partes da rede. Um pouco antes disso, em 97, a TV Filme havia sido a primeira a

“A competição prevista na privatização não aconteceu, com exceção da GVT. Era muito difícil concorrer com as concessionárias, que tinham capilaridade e base, mas hoje a Net/Embratel é a verdadeira concorrência.” 2 6 | t e l e t i m e | m a i o 20 1 3

operar um serviço de banda larga no Brasil, por meio da rede de MMDS de Brasília. “Por conta de uma série de eventos macroeconômicos e a maxidesvalorização do dólar, a nossa banda larga começou efetivamente a crescer por volta de 2003, migramos toda a rede para DOCSIS com tecnologia Packet Cable para poder fazer também voz. Lançamos nosso serviço de telefonia em 2005, quando começamos a botar um pé mais firme no segmento de telecom”, conta. A inclusão de serviços de voz, em parceria com a Embratel, significou uma verdadeira revolução para a Net, nas palavras do executivo, e trouxe um competidor de peso para o mercado. “O modelo de competição previsto na privatização não aconteceu, com exceção da GVT. Era muito difícil concorrer com as concessionárias, que tinham capilaridade e base de assinantes, mas hoje a Net/Embratel é a verdadeira concorrência”, diz. Segundo ele, desde aquela época o mercado do futuro era o de convergência, serviços em silos não faziam sentido e o avanço natural das operadoras de telefonia no mercado de vídeo era uma preocupação. “Nossa preocupação era modernizar nosso negócio ao longo do tempo e, por mais que as operadoras falassem em IPTV, o que nos assustava era o que pudessem viabilizar de interatividade e opções on-demand que ainda não tínhamos, porque boa parte das redes ainda era analógica, dos anos 90”, conta. A interatividade e modelos alternativos à


grade de programação estavam nos planos da Net desde 2003, mas a digitalização da planta e lançamento de novos serviços aconteceu de forma gradual. “Tivemos que estruturar isso em passos, tinha que conviver com nossa possibilidade de investimentos e decisões nem sempre fáceis, como quando digitalizamos o sinal de vídeo com uma plataforma que não suportava vídeo on-demand, porque era mais importante adicionar mais canais numa faixa de preço aceitável de set-top para permitir que mais gente migrasse”, revela Carvalho. A digitalização da rede começou em 2005. Em 2007, a Net começava sua oferta de canais em alta definição. Só depois de conseguir ter uma base significativa de assinantes HD, em 2011, a operadora lançou seu serviço on-demand, o Now. Carvalho reconhece a importância da estratégia de oferta de vídeo via DTH pelas teles para a ampliação do mercado de TV paga no Brasil, especialmente para a classe C, mas lembra que por muito tempo, com a ausência de novas concessões, o mercado de TV a cabo não pôde se expandir para outras localidades. “Isso gerou uma oportunidade para o DTH e o modelo de entrada das teles acelerou a briga pelo cliente, mas a Net soube manter sua posição de mercado dominante onde atua, onde tem rede, e com a aprovação do Serviço de Acesso Condicionado (SeAC) já conseguimos lançar operação em novas cidades e conquistar crescimento de mercado nos últimos dois meses”. Para o futuro, Carvalho aponta a necessidade de encontrar um modelo sustentável de oferecer sempre mais velocidade de banda larga. “Não dá para subestimar a capacidade do usuário de usar toda a banda que entregamos para ele. Sempre acha um novo serviço, novas formar de usar, e a demanda por rede cresce. A briga é sempre encontrar a melhor tecnologia pra entregar maior capacidade com menor custo, e aí vemos a

a Net passou a ser uma empresa multisserviços, somando soluções fixas de dentro da casa do usuário com a móvel da Claro e a inteligência e evolução de serviços em nuvem da Embratel. complementaridade das redes fixa e móvel, com muita capacidade de fibra no backhaul, Wi-Fi na casa do usuário e em hotspots e redes móveis em trânsito”, conta. O projeto de TV everywhere, para entrega de conteúdo da operadora quando o assinante estiver fora de casa, está bem adiantado, garante o executivo. O modelo envolve o uso dos mais de 5,5 mil hotspots da Net instalados no País em parceria com a Embratel e Claro e o uso das redes 3G e 4G da Claro, uma vez que todas as empresas pertencem ao grupo mexicano América Móvil. A evolução nos serviços vem acompanhada ainda da evolução nos data centers da Net para armazenamento na nuvem e ainda Big Data, para ajudar a entender o que o consumidor assistiu, onde e quando e, a partir daí, personalizar conteúdos e recomendações. “A Internet se mostrou uma plataforma muito hábil em entregar convergência na prática, de voz, dados e vídeo. Somos um player tradicional de entrega de conteúdo e usamos a melhor tecnologia disponível para isso, potencializando as tecnologias disponíveis, seja com conteúdo em broadcast massivo com melhor qualidade possível na rede coaxial e conteúdo on-demand com interatividade sobre a rede de banda larga. Nesses 15 anos o que eu vi foi a transformação da Net passando a ser uma empresa multisserviços. Estamos numa revolução contínua, caminhando para somar soluções fixas de dentro da casa com a móvel da Claro e a inteligência e evolução de serviços em nuvem da Embratel”, conclui.

Das operadoras aos aplicativos Luis Minoru Shibata, diretor de Consulting Services na PromonLogicalis

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esses 15 anos, empresas apareceram e outras desapareceram, houve consolidação das operadoras e mudanças drásticas na camada de terminais junto com a cadeia de aplicativos. Na avaliação do diretor de Consulting Services da PromonLogicalis, Luis Minoru Shibata, o foco desse mercado “passou das operadoras, antes as grandes estrelas, para os terminais e depois para os aplicativos, e isso se mostra na camada dos fornecedores. O mundo IP começou a mudar tudo e a Nortel, que reinava no mundo TDM, desapareceu, os chineses chegaram e se abriu espaço para outros fornecedores do mundo de TI, como Cisco e Juniper”.

Minoru lembra que logo após a privatização, a Promon, que ainda não tinha se unido à Logica, percebeu que o mundo IP era o futuro e reforçou a parceria com a recémchegada ao mercado Cisco para soluções IP. “Cada vez mais o investimento que vemos das operadoras é no IP e para chegar cada vez mais perto do assinante móvel. Hoje o IP começa a chegar até a rede de acesso, viabilizando a conexão do cliente e toda a camada de aplicações”, conta. E embora as operadoras tenham cedido lugar no centro do placo para os aplicativos, Minoru salienta que elas “continuam com papel fundamental na cadeia, porque sem conectividade não se faz nada” e “o foco maior em terminais e aplicações que vemos m a i o 2013 | t e l e t i m e | 2 7


fotos: divulgação

“As operadoras é que fazem todo o investimento em infraestrutura e quem ganha a valorização são os OTTs. se um elo dessa cadeia perde, o ecossistema todo perde.”

na mobilidade devemos ver também no mundo fixo”. Minoru acredita que com fibras óticas chegando cada vez mais perto dos clientes, a base de assinantes ganha escala e atratividade e essas redes fixas, que serão usadas para desafogar as móveis, trarão novidades em aplicações para ambientes fechados, com grande valorização dos serviços over-the-top. Ele cita consoles de videogame, Apple TV, Google TV, TVs conectadas e set-top boxes cada vez mais avançados. Para o futuro, Minoru aponta que é preciso equilibrar a cadeia de valor dos serviços de comunicação. “As operadoras é que fazem todo o investimento em infraestrutura e quem ganha toda a valorização são os OTTs. E se um elo dessa cadeia perde, o ecossistema todo perde”, alerta. Ele afirma que as operadoras precisam colaborar mais e cada vez mais desenvolverão habilidades para trabalhar com outras empresas, em parcerias em outras indústrias além da de telecomunicações. “Vemos a GM lançando carros com

chips da AT&T a partir do ano que vem, operadoras fazendo parcerias com bancos, inclusive no Brasil, teles transformando conectividade em ganhos com outros setores. Esse é o caminho”, aponta. Outro caminho possível, na visão de Minoru, é a comunicação entre máquinas (M2M). “O mundo IP deixou de ser restrito a pessoas e está cada vez mais se inserindo em coisas, carros, eletrodomésticos. O consumo da conexão entre coisas é muito mais previsível do que o de pessoas, e é preciso fazer o Big Data disso”, diz. Num cenário pessimista, se nenhum dos caminhos acima for seguido, o cenário é complexo: “As operadoras vão quebrar ou ter muita dificuldade financeira, não conseguem sobreviver, e OTTs, que não sobrevivem sem conectividade, entrarão em infraestrutura ou o próprio governo começa a subsidiar”, prevê. No que se refere a redes, o caminho é a inteligência, tonando-se não apenas gerenciada e autoadministrada, mas se acomodando conforme a demanda, no conceito de redes definidas por software. “É um pouco mais que SDN, é ter inteligência para escolher melhor rota de tráfego, crescer a rede de forma que se autoconfigure. É um cenário com nuvens sujeito a trovoadas fortíssimas, mas é preciso mudar para utilizar todo esse ativo e se inserir na cadeia de produtos e serviços de outros setores”, explica.

O LTE evoluirá mais rápido Paulo César Teixeira, diretor geral da Telefônica/Vivo

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aulo César Teixeira esteve atuante no mercado brasileiro de telecomunicações durantes os últimos 15 anos com passagens por companhias como Telebras, Tele Leste e AJato. Hoje diretorexecutivo da Telefônica/Vivo, Teixeira ajuda a operadora entrar em uma fase em que se autodenomina como “uma empresa de Internet”. Os primeiros passos estão no oferecimento de fibra e na implementação da rede 4G no País, que ele acredita ser uma tecnologia disruptiva. “Os usuários vão precisar de pacotes maiores de dados e poderão fazer isso em movimento, sem se associar tanto a soluções locais”, prevê. “Naturalmente o consumo vai aumentar e o cliente precisará de uma franquia maior”. Ele acredita que a expectativa do mercado é de uma grande adoção do LTE no Brasil por representar “um salto significativo e que vai ser associado à mobilidade”,

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acreditando que o consumidor será seduzido logo pela oferta de maior velocidade. “A curva de adesão será muito mais rápida do que a de gerações anteriores”, garante. O grande responsável por este movimento deverá ser a oportunidade de ter no dispositivo móvel a experiência com vídeo que a banda larga fixa já proporciona. “A mudança mais radical que ocorrerá será o consumo de vídeo, pois o cliente verá que a experiência é muito distinta mesmo do 3G Plus (nome comercial para a tecnologia HSPA+ na empresa)”, afirma. Além disso, ao contrário das promessas de conteúdo multimídia farto na época do lançamento do 3G (e que acabaram não se concretizando), Teixeira espera que a rede consiga lidar com a transmissão de vídeo. “A tecnologia avançou muito e a compactação de vídeo hoje é super eficiente, então tem uma somatória de fatores:


melhores aparelhos e uma rede com mais capacidade, porque as empresas investiram muito em backhaul”, explica. “As grandes tendências estão baseadas no mundo móvel, com o LTE e o LTE-Advanced lá na frente, com todas as capacidades necessárias para que esse serviço seja efetivo e seja entregue.” Outra grande aposta da Telefônica/Vivo para os próximos anos também já está em andamento: a fibra, em especial a implementação na última milha até a residência/empresa. Paulo César Teixeira explica que a infraestrutura com cabos óticos já deverá crescer por conta do backhaul para a rede 4G, mas que também é parte fundamental da estratégia da operadora oferecer o FTTH. Inicialmente, essa oferta ainda está limitada à região metropolitana de São Paulo, mas Teixeira afirma que há “eventualmente” a possibilidade de atendimento corporativo em outras regiões. “É a solução mais robusta, ainda mais com o IPTV. Estamos acelerando neste ano o crescimento dos homes-passed e também os homes-connected”, diz. Mas o IPTV pode ser apenas uma das tecnologias que utilizarão o protocolo de Internet. Com a robustez da rede de fibra, torna-se mais fácil oferecer também conteúdo over-the-top, incluindo a própria transmissão de TV. “Há uma possibilidade que isso ocorra, a tecnologia está aí, mas depende de vários fatores para os quais talvez não estejamos preparados nesse tipo de aplicação”, pondera Teixeira. “É possível, mas talvez

“As grandes tendências estão baseadas no mundo móvel, com o LTE e o LTE-Advanced lá na frente, com todas as capacidades necessárias para que esse serviço seja efetivo e seja entregue.” requeira uma arquitetura de rede muito mais robusta do que as redes atuais. Isso não é uma realidade em lugar nenhum ainda, é uma promessa de algumas operadoras”, diz, citando experimentações da norteamericana Verizon com broadcasting em LTE.

Uma aplicação, muitas plataformas Carlos Stanis, executivo de serviços da IBM

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o nascimento dos smartphones, empresas como a Microsoft, BlackBerry (ainda com o nome de Research In Motion) e a finada Palm disputavam um mercado basicamente constituído por clientes da área corporativa. Os aparelhos ofereciam alguma conectividade, mas eram pouco ou nada voltados para o usuário final. Após a chegada do iPhone da Apple em 2007 e com a explosão de devices com o sistema Android do Google, tudo mudou drasticamente no

“A tendência é cada vez mais haver novas aplicações desenvolvidas em multiplataforma, que utilizem a informação independente do ponto de acesso.”

setor. Agora, as pessoas usam os mesmos handsets para entretenimento e trabalho. Na visão do executivo de serviços da IBM Carlos Stanis, isso irá se perpetuar. “A tendência é cada vez mais haver novas aplicações desenvolvidas em multiplataforma, que utilizem a informação independente do ponto de acesso”, explica. O executivo cita soluções que permitam o desenvolvimento de aplicações universais através de um middleware que cria códigos adaptados para os sistemas operacionais diferentes. “Com a introdução do 4G no Brasil, poderá se pensar em aplicações diferentes. Tudo isso é evolução: cada vez mais acesso, em qualquer lugar e com velocidade mais alta, podendo usar devices para assistir filmes ou realizar videoconferências com alta qualidade.” m a i o 2013 | t e l e t i m e | 2 9


Ele afirma que as empresas deverão adotar de vez a prática do BYOD, mas que a proteção dos dados acessados pelos dispositivos será um fator fundamental. “Pensar na segurança e na portabilidade de aplicações da plataforma, além de como administrar o parque e dar suporte aos usuários, são as preocupações que as companhias têm para aderir

a esse tipo de mudança”, diz. A solução para esse tipo de situação estará em ferramentas de gerenciamento de dispositivos móveis (MDM, na sigla em inglês). “Isso permite aos usuários usarem o equipamento que a empresa oferece ou os deles mesmos, desde que seja instalado o software e tenha todo o controle de segurança”, destaca.

Tudo conectado Rodrigo Dienstmann, presidente da Cisco Brasil

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ntre tantas previsões, havia um ponto no qual a Cisco apostava nesses 15 anos e que acabou se concretizando: a convergência para o protocolo de Internet (IP). Assim como a fibra vem assumindo o papel principal na infraestrutura de redes fixas e móveis, o IP se estabeleceu como a principal forma de comunicação nas redes como um padrão aberto. Apesar de ter assumido recentemente a presidência da Cisco Brasil, Rodrigo Dienstmann já trabalhava no setor quando a primeira edição de TELETIME chegou aos leitores. Ele viu toda a transformação desde a privatização das telas até a chegada da fibra e das redes LTE. “Em 1998 a infra de voz era a que mais gerava receita”, lembra. Nesse período, os protocolos eram proprietários, o PABX era legado, ainda havia rede ISDN e o mercado, como um todo, era fragmentado. “Vimos várias revoluções, como o crescimento da rede de dados baseada em IP, a morte da (tecnologia de comutação de dados) Frame Relay, do (protocolo para rede analógica) X.25 e (da arquitetura de rede) ATM. Morreu a voz em TDM que é onde as grandes centrais telefônicas foram desenvolvidas nas décadas de 80 e 90”, enumera. Hoje, a tendência continua a ser a migração para o IP, tal qual apontava TELETIME em 1998. “Não consigo pensar em nada que não seja passível de ser migrado para IP. Tudo é”, diz, citando infraestruturas como a malha ferroviária e a conexão entre subestações de energia elétrica por meio de smartgrids. “Aí entra o conceito de Internet de todas as coisas. São coisas que não estão conectadas hoje, como sensores, automóveis, infraestruturas críticas e máquinas, todas conectadas em uma

“A revolução não é o IP, ela é a plataforma onde isso acontece.” 30 | t e l e t i m e | m a i o 20 1 3

imensa rede IP e revolucionando as cadeias de valor”, explica. Na visão da Cisco, isso mudará os modelos de negócios, criando novos produtos. Mas Dienstmann diz que o ponto central não está no protocolo, e sim o que isso traz. “A revolução não é o IP, ela é a plataforma onde isso acontece”, declara. “Não são apenas as coisas se conectando, são também processos, pessoas e dados”. Segundo o presidente da Cisco Brasil, o potencial de negócios dessas comunicações M2M é de US$ 14,4 trilhões no mundo em novos produtos e cadeias de valor. Ele prevê também que, com isso, haverá uma tendência de miniaturização de sensores, câmeras e computadores focando em vídeo como principal componente multimídia nas redes. A questão é se isso causa impacto nas redes, pois haverá uma demanda muito maior de dados. Dienstmann acredita que não haverá sobrecarga. “O nível de tráfego de dados que existe hoje no mundo seria impossível de ser vislumbrado há dez anos, porque são níveis milhares de vezes maiores. Então, não será um problema nem o volume de dados, nem a velocidade, nem a conectividade”, garante. Ele diz que uma das razões disso é que muitas dessas comunicações M2M não vão passar por redes de operadoras. Isso porque as smartgrids, por exemplo, utilizarão a infraestrutura das próprias companhias elétricas. Outro exemplo é o de carros conectados, que não precisariam passar os dados para uma central, mas sim por uma rede Mesh – ou seja, os carros são os peers. “A conectividade da Internet de todas as coisas é compatível com a infra das operadoras, mas não necessariamente irá utilizá-la.” O executivo cita ainda comunicações de curto alcance, como Wi-Fi e Bluetooth, que acabam não precisando de um backhaul das teles. O aumento no consumo de conteúdo OTT parece também ser outra aposta mais óbvia, embora as


operadoras possam adotar novos modelos há dez anos, seria espectro é limitada, mas o uso pode ser de negócios para combater isso. Um impossível prever otimizado”, defende. Ele cita técnicas que exemplo é a política recém-adotada pela o nível de tráfego detectam e ajustam canais em redes alemã Deutsche Telekom para sua rede de Wi-Fi, por exemplo, mas que podem ser de dados a que banda larga fixa, que dá uma franquia de aplicadas a qualquer tipo de transmissão chegamos hoje, sem fio. “A gente não sabe que tipo de uso limitado da Internet, que diminui a milhares de vezes tecnologia vai ser dominante, mas velocidade para 384 kbps após maior. no futuro provavelmente será uma mistura de 4G, ultrapassado o limite. Entretanto, a franquia esse volume será do 5G que nem existe ainda, do Wi-Fi de tem um diferencial: a velocidade diminui apenas para serviços OTT que não são da próxima geração e do Bluetooth, utilizando muito maior. operadora (o T-Entertain, rival do Netflix), o seus próprios espectros e sistemas de que fere os princípios de neutralidade de gestão”. rede. A justificativa é de que seriam Nada disso significa que a necessários 80 bilhões de euros para cobrir o país inteiro infraestrutura atual já seja suficiente para essa alta com fibra para aguentar a demanda que deverá demanda. “Investir em infraesturutra de telecomunicações quadruplicar até 2016. “Acho que será por aí, vai começar a sempre é necessário, basta ver o histórico das operadoras”, mudar os arranjos. Não só entre operadoras e usuários, diz, embora argumente que haverá capacidade para mas operadoras e provedores de conteúdo. A sustentar a explosão de dados. “Há dez anos, falávamos de regulamentação é que vai ditar se isso será possível ou backbone de 2,5 Gbps. Hoje tem de 100 Gbps e 400 Gbps, não”, diz. A Cisco defende a capacidade das teles de criar em múltiplas vezes, passando de 1 Tbps.” pacotes de qualidade de serviço diferenciada para As conexões fixas estão virando wireless, acabando por “conseguir conter essa (falta de) proporção” de se confundir com as redes móveis. O que não quer dizer investimentos e receitas. “Dado nosso conhecimento da que não haja uma diferenciação no consumo. “Os OTTs se indústria e a tendência desproporcional na receita, as adaptam à circunstância e à capacidade que têm. Os operadoras poderiam sim ter a possibilidade de criar esse mais populares hoje nas redes móveis são o Viber, o pacote de serviços para provedores”, afirma. Segundo ele, WhatsApp e, no máximo, um Skype ou FaceTime. Quando os investimentos em rede não acompanham o aumento a Internet móvel melhorar, será melhor para o vídeo”, prevê, da receita e nem quanto os usuários estão dispostos a citando players como Netflix e YouTube. pagar. “Ao mesmo tempo, os aplicativos OTT são muito Outra tendência apontada é a do aspecto coletivista grandes e utilizam mais a rede. Numa residência há cinco da tecnologia. “As redes sociais têm um impacto anos havia um laptop conectado no Wi-Fi. Hoje tem o importante em tudo isso porque não são apenas notebook, videogame, TV, tablet, mais de um smartphone e geradores de notícia e de vídeo, mas de cadeia de valor”, pode haver ainda rádios e aparelhos de som”, destaca. diz. “É a mistura de conectividade de todas as coisas, Como já vem acontecendo, o aumento de tráfego com smartphones se conectando; baseado em cloud e também se dará na rede móvel. Mas a falta de frequências em social também”, declara. Dienstmann acredita que disponíveis não é algo que Dienstmann enxergue como logo haverá recursos semelhantes também para saúde, um limite. “Acho que a tecnologia vai acabar resolvendo prevenção de desastres naturais, gestão de varejo e isso, não são obstáculos intransponíveis. A quantidade de “uma infinidade de aplicações”.

4G generalizado Wilson Cardoso, diretor de tecnologia da Nokia Siemens Networks

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a visão do diretor de tecnologia da Nokia Siemens Networks (NSN), Wilson Cardoso, as redes móveis ainda poderão ser muito otimizadas, suportadas pelo backhaul de fibra ótica. “O próprio LTE é uma aposta. Hoje em laboratório estamos chegando a velocidades de 1,5 Gbps em rede móvel. Imagino que em quatro anos podemos lançar em um produto comercial”, alega. Ele justifica que os limites teóricos da fibra têm sido quebrados ano a ano, mas reconhece que a telefonia móvel está chegando a um limite físico de propagação. “Vão se

combinar bandas de telefonia móvel para poder aproveitar o espectro. Nessas combinações tecnológicas, com espectro e novas tecnologias de modulação de fibra, haverá velocidades muito maiores”, diz. Cardoso prevê que o próprio 4G sofrerá transformações. Ele cita o LTE-Advanced como uma das primeiras ondas que já estão se propagando. “Na Coreia já começam a se combinar bandas de 40 MHz + 40 MHz para levar mais velocidade para os usuários”, revela. Atualmente no Brasil, a alocação de maior capacidade m a i o 2013 | t e l e t i m e | 3 1


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“O que temos feito é a combinação de bandas entre 2,5 GHz e 1,8 GHz (para lte), e me atrevo a dizer que (estará disponível) já em 2014.”

para LTE é de dois lotes de 20 MHz + 20 MHz que ficaram com a Claro e a Vivo no leilão da faixa de 2,5 GHz. Existe também a solução de trazer femtocells para aumentar a capacidade indoor, que Cardoso cita como algo “inexorável” para o futuro das redes. Como a Anatel acredita promover um leilão para a faixa de 700 MHz no próximo ano, a telefonia de quarta geração não deverá ficar limitada à frequência de 2,5 GHz no Brasil. Mas há alternativas. “Outro grande espectro é o refarming de 1.800 MHz, porque a base GSM nessa frequência já tem dez anos de brinco que o importante não é o Big Data, mas o equipamentos”, diz. Segundo ele, será possível liberar Relevant Data. Vamos procurar o que é relevante em até 50% da banda para o LTE sem comprometer a sua operação e trabalhar isso.” qualidade do 2G. “O que temos feito é a combinação Com tudo isso, Cardoso prevê que já no final do ano, de bandas entre 2,5 GHz e 1,8 GHz, e me atrevo a dizer a banda larga móvel no Brasil corresponderá a 20% de que estará disponível já em 2014”, diz. Apesar dos todo o tráfego gerado no País. “Em termos globais, isso esforços da Anatel, CPqD e demais companhias vai ser a maior relação entre móvel e fixo do mercado”, envolvidas, Cardoso não considera que a faixa de diz. A demanda será alta, mas ele acredita que haverá 450 MHz consiga o mesmo desempenho. “Será rural, melhoria na qualidade do serviço. “Daqui a cinco anos, pois possibilita o uso de 5 MHz + 5 MHz, que não é a grande previsão é que os investimentos em LTE serão uma largura de banda tão boa. Funciona bem no muito maiores do que em outras tecnologias, e o ambiente rural, mas para o ambiente urbano é pouco.” número de smartphones LTE vai ser muito maior do que O diretor de tecnologia da NSN cita também faixas os de 3G, mesmo aqui no Brasil”, revela. mais altas. “A frequência de 3,5 GHz para uso indoor é Altas demandas ocorrerão também na rede fixa. uma das grandes tendências do mercado, eu consigo Mas os limites ainda estão longe de serem quebrados. ter altíssima velocidade com antenas pequenas e “Imagino que não ocorrerá isso a curto prazo, eu não pouca radiação”, afirma. A banda seria utilizada para vou ver isso durante minha vida profissional”, garante. o serviço de LTE indoor com a utilização de femtocells. Isso porque as técnicas de modulação permitem cada “Os primeiros editais começaram a aparecer agora, só vez mais capacidade nos dutos. “Hoje a velocidade nos mercados mais evoluídos como no Japão e passa de 400 Gbps, onde antes passava 100 Gbps. E já Estados Unidos, mas vai entrar no Brasil também”, estão passando 1,6 Tbps nessa mesma fibra”, prevê. “Em Barcelona (na Mobile World Congress, em compara. Segundo ele, o prognóstico é que a fevereiro último) a gente mostrou uma solução que tecnologia atual consiga suportar todo o aumento de conecta dois equipamentos a 50 metros em 70 GHz tráfego até 2020. “Nos próximos oito anos, o modelo com banda de 1 Gbps. Imagine como de tráfego e a tecnologia que temos uma solução para capilarizar a rede no roadmap nos garante uma solução Daqui a cinco anos, de tecnologia capaz”, revela o executivo. que temos hoje”, diz, colocando-a como os investimentos uma espécie de evolução do backhaul Outro mantra para o futuro está em LTE serão de micro-ondas existente. na oferta de serviços em cloud. “Um muito maiores do dos grandes investimentos é na Outra tendência apontada pelo executivo da NSN é em relação à virtualização da rede das operadoras, que em outras quantidade de dados não-estruturados, aqui no Brasil também”, diz. “A gente tecnologias, que poderão mudar a experiência dos deve esperar as primeiras e o número de usuários nas redes. “As ferramentas de smartphones LTE implementações de virtualização administração de Big Data vão ser uma de rede no Brasil já em 2014. vai ser muito tendência quase irreversível nas Claro que existe todo o trabalho de maior do que operadoras, porque precisarão investir integração dentro das operadoras, os de 3G, mesmo não é tão simples. Mas o benefício é nisso com a presença de tablets, PCs e no Brasil. terminais M2M na rede”, explica. “Eu muito grande.” 32 | t e l e t i m e | m a i o 20 1 3


O desafio das baterias William Stofega, analista da IDC

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ara o diretor de programa para telefones móveis na IDC, William Stofega, há um “grande problema largura de banda” nas redes móveis. Tanto que isso está sendo tema de vários estudos promovidos por empresas do setor, focando no desperdício de banda. Ou seja, quando o usuário sai de casa e deixa o Wi-Fi ligado, há um gasto desnecessário de espectro e de conexão que, além de interferir em comunicações, ficam sem uso. Segundo ele, a solução seria utilizar alguma tecnologia que reaproveitasse essa banda com picocells. “As operadoras falam: por que não ver um jeito de usar isso? Se eu dirijo pela sua casa e vejo uma picocell sem uso, eu poderia aproveitar o sinal”, diz, justificando que as smallcells também são, em essência, estações radiobase. Isso ajudaria a compensar a sobrecarga nas ERBs normais, utilizando backhaul da conexão fixa, por exemplo, como offload. “Ninguém quer construir mais macrocélulas, mas isso vai requerer muita coordenação”, declara, citando uma parceria entre operadoras móveis e fixas para o processo. Mas a utilização dessas smallcells pode acarretar mais desafios. “Haverá problemas de interferência. Precisa de um bom software que orquestre isso tudo, para que todas as partes wireless não se confundam”, adverte. Do lado do consumidor, o que poderia haver é uma compensação para ceder a banda para anônimos. “Vou querer que o plano de dados que pago seja entregue conforme prometido e talvez um pouco mais se a operadora puder dar US$ 10 de desconto na conta”, exemplifica. Se por um lado as tecnologias e modelos de negócios para as redes procuram alternativas criativas para compensar o investimento na infraestrutura, por outro há um desafio para as fabricantes de handsets: afastar a estagnação. “As OEMs procuram jeitos para se diferenciar e isso tem sido cada vez mais difícil. A inovação tem sido cada vez mais lenta”, reclama, citando as poucas mudanças entre os modelos mais recentes do iPhone e a falta de inovação nas últimas versões do sistema operacional do dispositivo da Apple, o iOS. “Falei com OEMs, eles tentam pensar em quais serão os próximos passos, mas o que temos visto é muito pouco, modificações mínimas, e isso não é bom o suficiente”, declara. “A evolução dos smartphones ficou devagar, mas você consegue ver que outras coisas começam a vir, como novos competidores e modelos.”

O problema é que o hardware também está chegando a um ponto de saturação, conforme o raciocínio do executivo da IDC. “Acho que coisas como telas e displays terão novas capacidades, mas não sei por que as pessoas iriam querer uma tela flexível. Elas vão querer alta qualidade para consumir conteúdo”, diz. Ele cita uma tecnologia que pode revolucionar a experiência touchscreen da empresa Tactus, que utiliza uma espécie de líquido que provoca bolhas na tela, simulando botões físicos de um teclado. Segundo Stofega, a tecnologia existe, há empresas grandes e investidores interessados, mas ainda está em fase de protótipos básicos e carece de parcerias. “Falei com o dono da tecnologia em fevereiro, no Mobile World Congress, e ele pensava em vender sua licença para uma grande OEM, mas ninguém quis por considerar muito arriscado”, lamenta. Só que além da falta de novidades, na verdade as empresas precisam ainda se preocupar com um ponto crucial: o consumo de energia. “Acho que a tecnologia de bateria está dez anos atrás da de outros componentes”, explica. O progresso lento acaba por prejudicar o desenvolvimento dos demais equipamentos dos aparelhos móveis. A saída, então, é pesquisar por novos componentes químicos e otimizar o consumo de eletricidade e a geração de calor no processamento. Ele cita novas maneiras de ligar e desligar o circuito, como armazenar algumas dessas funções na memória, usando o processador e o core em chipsets. “Ou seja, se eu não estou usando a GPU, posso usar a capacidade para processo de memória”, diz. Stofega garante que sempre procura fabricantes como Samsung e Sony para saber se existe algum avanço nas pesquisas sobre bateria, mas ainda há pouco avanço para solucionar o problema. “A solução é ser mais eficiente, mas é engraçado porque, mesmo quando está em escala micro, você pode enviar o sinal mais rápido quando os chips ficam mais próximos. Mas se fizer isso fica mais quente e exige mais energia. Eles não vão querer criar algo que seja tão eficiente que derreta”, brinca. Ele explica que agora essas

“Acho que a tecnologia de bateria está dez anos atrás da de outros componentes.” m a i o 2013 | t e l e t i m e | 3 3


mudanças econômicas forçam as empresas a inovarem em outros setores, como na comunicação entre equipamentos. “Estou falando de transmitir conteúdo do meu celular para meu laptop ou meu tablet de maneira transparente (seamless). Não é

replicar a tela, mas comunicar de um jeito que funcione entre diferentes plataformas”, explica. Segundo ele, a indústria tem necessidade por protocolos abertos, diferentes do AirPlay, que se limita apenas à dispositivos da Apple, e mais eficientes que o protocolo DLNA.

Banda Ka: a próxima evolução Lincoln de Oliveira, diretor geral da Star One

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o mercado de satélites, as mudanças são lentas e planejadas. Satélites que foram lançados quando TELETIME circulava pela primeira vez ainda estão em operação, como o Brasilsat B3 (hoje StarOne B3), ainda o principal satélite de distribuição de sinais de TV aberta no Brasil. “Temos que planejar hoje o que acontecerá no mercado em 10 ou 15 anos, que é o tempo que o satélite vai ficar em operação plena”, diz Lincoln Oliveira, diretor geral da StarOne e um dos mais experientes profissionais de satélite do mercado brasileiro. “O que mudou de lá para cá foi a postura das empresas, muito mais voltadas para atender as demandas do mercado”, diz. O mercado de satélites também se tornou bem mais competitivo, com a entrada de concorrentes que operam com satélites estrangeiros e um número maior de artefatos que operam em posições brasileiras. “A grande mudança está por vir, é a chegada da banda Ka. Isso vai viabilizar a oferta de banda larga por satélite para pessoas físicas e empresas”, diz ele. Ainda é difícil dizer se será uma introdução disruptiva, avalia Lincoln Oliveira, porque ainda há poucas experiências reais. Mas a ideia de poder levar capacidade de banda larga para qualquer lugar a um custo por Mbps similar ao de redes físicas é promissora. “Com certeza é algo disruptivo em relação à oferta de dados que se tem via satélite hoje, mas ainda não sabemos se será em relação a tecnologias como o ADSL, por exemplo”. O grande desafio é justamente o de prever o futuro e saber quanto as pessoas demandarão nos próximos anos. Quando as primeiras redes de banda larga por banda Ku foram projetadas, imaginava-se que cada

“A grande mudança está por vir, é a chegada da banda ka. Isso vai viabilizar a oferta de banda larga por satélite para pessoas físicas e empresas.” 36 | t e l e t i m e | m a i o 20 1 3

usuário precisaria de 2% da capacidade do transponder. Mas a realidade mostrou um uso acima de 12%, explica. Outro campo onde o mercado de satélite deve se desenvolver é na oferta de capacidade de backhaul para operadoras de celular. “Com as redes 4G, existe uma inteligência na rede que permite separar o que é tráfego de dados e tráfego de voz, e isso viabiliza o uso do satélite como backhaul para dados”, diz Oliveira. É uma mudança similar à que a introdução da banda Ku trouxe, no começo dos anos 90, para a distribuição de sinais de TV por assinatura, permitindo operações com centenas de canais. Outra fronteira satelital a ser conquistada para os próximos anos são, literalmente, as operações complexas em plataformas marítimas. Com os avanços na exploração do Pré-sal, o tráfego de dados e de imagens em alta definição a partir de estações distantes do litoral expande o mercado e a necessidade de capacidade. “Vejo ainda o mercado se desenvolvendo muito na oferta de capacidade de dados, voz e vídeo embarcados em aviões”, diz Lincoln. Existem algumas inovações técnicas que estão por vir que podem ser importantes, como satélites ativos, com capacidade de processamento a bordo, propulsão iônica e possibilidade de deslocamento de spots. “A propulsão iônica é tecnologia conhecida há muito tempo e é ótima porque economiza muito combustível, mas é ineficiente para realizar grandes deslocamentos do satélite no espaço, porque o empuxo é pequeno e demora muito tempo. Talvez satélites híbridos sejam uma boa resposta”, diz Oliveira. Outra inovação devem ser satélites com processamento a bordo. “O risco dessa tecnologia é o risco de falhas, porque as possibilidades de manutenção são muito limitadas”. Por fim, uma inovação na tecnologia de satélites que ele considera importante é a possibilidade de mudar o apontamento de antenas e spots de cobertura. É uma engenharia complexa por conta da precisão necessária e do risco de falhas mecânicas.


Expansão com pés no chão Marcos Malfatti, vice-presidente da Level 3

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mercado de capacidade de rede, cabos submarinos e oferta corporativa era um dos mais restritos em 1998. Até a privatização, a Embratel reinava praticamente sozinha nesse ambiente. Mas a mudança a patir de 1998 foi rápida, e logo acabou sendo impulsionada pela explosão da Internet nos anos 2000, quando bilhões de dólares foram investidos em uma ampliação sem precedente nos backbones globais de fibra ótica. Nesse contexto, surgiram empresas como a Global Crossing, Impsat, Globenet, GlobalOne, entre outras. Marcos Malfatti, hoje vice-presidente de vendas da Level3 (empresa que comprou a Global Crossing e a Impsat), está no mercado desde as primeiras mudanças. “Era um mercado fechado e explorado pelas incumbents. Mas o mercado mudou e também mudou o mercado corporativo. As decisões sobre serviços de telecomunicações, que antes eram tomadas pela área de informática, ganharam um tratamento especial”, diz ele. Malfatti explica que no final dos anos 80, a maior pate da infraestrutura de dados era baseada em satélites. “Foi preciso um grande investimento em redes de longa distância de fibra, mas nos anos 2000 o dinheiro para isso era abundante e fácil. A bolha, enquanto durou, permitiu o investimento em grandes infraestruturas óticas”. Muito do que foi instalado no começo dos anos 2000 foi o suficiente para atender a demanda até o final da década passada. “A capacidade que tínhamos entre Nova

“Foi preciso um grande investimento em redes de longa distância de fibra, mas nos anos 2000 o dinheiro era abundante e fácil. A bolha, enquanto durou, permitiu o investimento em grandes infraestruturas óticas.” York e Londres, por exemplo, só precisou ser ampliada em 2009”. Hoje, a atualização das grandes redes de cabos submarinos é possível com melhorias na eletrônica e nos processos de transmissão, sem a necessidade de expansão de novas redes físicas. “A mudança é que hoje, com menos dinheiro disponível, todo mundo tem o pé mais no chão e faz as ampliações na medida em que elas surgem”, diz Malfatti. Outra mudança importante no mercado, sobretudo de oferta corporativa, foi a integração entre serviços de telecom e TI. É cada vez mais comum empresas que antes eram especialistas em rede oferecendo data centers, serviços em nuvem e serviços de valor agregado, como segurança gerenciada, CDNs, Big Data entre outros. “É uma tendência para onde todos estão indo, porque é o que o mescado está buscando”. Para Malfatti, o mercado de capacidade de rede só deve crescer com a ampliação de ofertas de serviços de vídeon Internet móvel, serviços over-the-top. “Redes, armazenamento e processamento são fundamentais nesse cenário”, diz ele.

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entrevista

Redesenhando o futuro foto: divulgação

Jesper Rhode, diretor de inovação, parcerias e alianças da Ericsson na América Latina

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capacidade de conexão em qualquer lugar e um novo modelo de negócios entre provedores de conteúdo e operadoras estão entre as previsões do diretor da Ericsson na América Latina, Jesper Rhode. O executivo explica como esse cenário está virando realidade. O que te surpreendeu positivamente nos últimos 15 anos? Naquela época achávamos que o mais fantástico seria ter um celular com tela colorida. Mas entendia-se que o Brasil era um mercado de baixo valor e que jamais haveria celulares com tela colorida para todos.

4G, LTE ou Wi-Fi. Há 500 MHz para Wi-Fi: é muita capacidade e precisa ser mais bem integrado nos próximos anos, para gerar mais conveniência. Outra tendência em rede é ter a nuvem distribuída, pois os grandes fornecedores de conteúdo, como HBO, Netflix, Globo e outros, vão inundar as redes com vídeos de alta definição. Para suportar isso a rede precisa ser redesenhada. As nuvens através das quais esse conteúdo será distribuído precisarão ficar mais perto dos usuários, porque as operadoras não vão conseguir investir em redes de transmissão, cabos submarinos, para buscar todo esse conteúdo do exterior. Acredito muito no que chamamos de “Internet das coisas”. Em cinco anos, teremos muito mais dispositivos que terão chip e rádio, ou seja, uma identidade e acesso à Internet móvel. E, falando do telefone em si, ele vai ter capacidade de armazenamento e processamento de dados que vai substituir o laptop e o computador. Quando chegamos em casa vamos botar ele próximo a uma estação de trabalho para conectar sem fio ao teclado ou à tela mais próxima. A TV também se conectará através do celular.

Como os fabricantes e operadores se adaptam à oferta de conteúdos over-the-top (OTT)? Acredito que vai chegar uma hora em que esses players OTT vão ver que para maximizar o seu negócio terão que desembolsar um valor para operadoras, como, por exemplo, para garantir acesso gratuito a usuários prépagos quando estão sem crédito. Afinal, eles vivem disso. O E o que mais te decepcionou nesses 15 anos? Facebook é uma comunidade de voluntários, que somos As redes Wi-Fi, que eu acho um lixo ainda, para ser nós, que produzem conteúdo para ele. Se não fosse isso, o sincero. No aeroporto, no shopping, eu tento me conectar, Facebook não valeria nada. Para aumentar o fluxo de mas raramente consigo, e ainda requer senha diferente... conteúdo, esses players OTT vão pagar às teles para No celular é muito mais fácil: você liga o aparelho em facilitar o acesso dos usuários. Hoje em dia, é como se eu qualquer país e já funciona. O Wi-Fi está longe de entrasse numa livraria, comprasse um livro e depois ainda entregar o que prometeu. Vai acontecer um dia, mas tivesse que pagar pelo caminhão que transportou o livro. A estou muito decepcionado. Não chega nem perto da lógica da livraria, ou de qualquer outra loja, vai se transferir facilidade e da conveniência que para a rede de telecom também. Você vai encontramos na rede celular. pagar o Netflix, por exemplo, mas não vai “vai chegar uma hora em que esses precisar pagar a operadora para assistir Quais serão as próximas players OTT vão ver aos filmes. Isso vai estar incluído no revoluções tecnológicas nos que para maximizar preço da sua assinatura. É o Netflix campos de rede, handsets e quem vai pagar para a operadora. E nós o seu negócio terão vamos ajudar as operadoras na serviços móveis, na sua opinião? que desembolsar elaboração desse novo modelo de Haverá a integração das redes: não um valor para importa a tecnologia adotada. O usuário negócios. Amazon e Netflix já fazem isso operadoras.” não está nem aí se o celular roda em 3G, com algumas teles. 38 | t e l e t i m e | m a i o 20 1 3


valor adicionado

Tempo de conteúdos móveis

Lançamento do 4G no Brasil dará impulso ao ciclo virtuoso da indústria de conteúdos para dispositivos móveis, criado a partir da chegada das redes 3G e dos smartphones. Fernando Paiva

fernando.paiva@convergecom.com.br

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uando TELETIME nasceu, 15 anos atrás, a telefonia móvel no Brasil existia havia menos de cinco anos e o País começava a migração das redes celulares do sistema analógico para o digital. Ninguém previa a rápida popularização da telefonia celular e a transformação desse dispositivo em um assistente eletrônico pessoal, que faz as vezes de um computador de bolso. “Tínhamos essa esperança, mas não tratávamos como uma previsão. Não achava que a adoção do telefone celular seria tão acelerada. E o ciclo de troca de aparelho está cada vez mais curto”, comenta Roberto Medeiros, diretor de desenvolvimento de produtos da Qualcomm na América Latina. Entre todos os serviços de telecom, o móvel foi o de maior sucesso nos últimos 15 anos, superando as previsões mais otimistas. Olhando para trás, com a visão que temos hoje, tudo parece óbvio. Mas não era assim. Atuante no mercado de serviços de valor adicionado (SVA) para telefones celulares desde os seus primórdios no Brasil como sócio-fundador de uma start-up chamada Compera e que hoje, rebatizada como Movile, é uma multinacional do setor, Fabrício Bloisi comenta: “É comum superestimarmos o que vai acontecer nos próximos dois anos e subestimarmos o que acontecerá em uma década”. Ele cita o fato de que, em 2001, acreditava que em 2004 a Internet móvel já teria transformado o mundo, o que acabou demorando mais para acontecer. Contudo, não imaginava que hoje estaríamos em estágio tão avançado de adoção desse serviço como de fato estamos. André Andrade, executivo experiente do setor, com passagens por grandes operadoras e que agora está à frente do Titans Group, uma das maiores empresas brasileiras de conteúdo móvel, concorda: “O que mais me surpreendeu foi a adoção em massa da banda larga móvel no Brasil”. Novo mercado A popularização da Internet móvel fez florescer o mercado de conteúdo para celular no Brasil. No começo da década passada, os serviços de dados respondiam por menos de 1% do faturamento das teles na América Latina. Hoje, superam 20%. “Saímos de algo que

não representava absolutamente nada, que era completamente marginal. Era muito difícil convencer os executivos a apostar em SVA, a investirem recursos nisso”, lembra Andrade, da Titans. A chegada das redes 3G impulsionou as vendas de smartphones, que por sua vez contribuíram para a construção de uma demanda por conteúdo móvel, iniciando um ciclo virtuoso que tem sua continuidade agora com o lançamento das primeiras redes de quarta geração (4G). A penetração de smartphones no Brasil gira em torno de 20% no momento e deve registrar um salto nos próximos anos, com a desoneração tributária criada pelo governo federal. A relação do brasileiro com esse aparelho mudou. Falar de aplicativos móveis deixou de ser papo de nerd e virou conversa de boteco, compara Leo Xavier, presidente do Grupo.Mobi e uma das maiores referências em mobile marketing no Brasil. “O smartphone está presente nas classes B e C. A adoção é rápida e a curva de aprendizado também, porque o uso é muito intenso”, diz. E complementa: “Dois anos atrás não havia pesquisas sobre comportamento de uso do celular pelo brasileiro. Agora todo mês tem uma nova, o que evidencia a importância desse dispositivo. O celular deixou de ser pauta de tecnologia para virar pauta de comportamento”.

“Na América Latina, a infraestrutura não acompanhou a popularização do serviço e a expectativa dos usuários. Temos limitação de velocidade de dados e planos caros.” Roberto Medeiros, da Qualcomm m a i o 2013 | t e l e t i m e | 3 9


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“Dentro de dois ou três anos, a penetração de smartphones no Brasil vai saltar de 20% para 60%.” Fabrício Bloisi, da movile

Redes deficientes Nem tudo foi positivo ao longo desses 15 anos. Medeiros, da Qualcomm, lamenta que as redes celulares não tenham acompanhado em capacidade e qualidade o avanço da demanda pelos consumidores. “Na América Latina, o investimento em infraestrutura não acompanhou a popularização do serviço e a expectativa dos usuários. Temos limitação de velocidade de dados e planos caros”, avalia. As explicações para isso são várias, desde modelos de negócios pouco sustentáveis, falta de competição em alguns países e o baixo compartilhamento de sites, especialmente no mercado brasileiro, onde quatro grandes operadoras construíram redes em boa parte sobrepostas. Em serviços de valor adicionado também houve muitas frustrações. Uma das mais citadas é o WAP, que apareceu no começo da década passada com a promessa de ser a Internet no celular, mas cuja experiência estava muito aquém daquela a qual o consumidor estava acostumado em seu PC. A vídeochamada também é lembrada como um dos micos do setor. Chegou ao Brasil em 2007, junto com o 3G, apresentada justamente como sendo um dos diferenciais positivos das novas redes. Entretanto, a disponibilidade em poucos modelos de aparelhos, a falta de interoperabilidade do serviço entre as teles e até fatores culturais pesaram contra o serviço. Passados seis anos, a videochamada agora é utilizada em alguns serviços OTT nos smartphones, como o Skype e o FaceTime, da Apple. Mas, ainda assim, em escala relativamente pequena. Outra frustração se refere aos serviços de localização (LBS, na sigla em inglês), especialmente aqueles atrelados à publicidade. “Em 2003, a BCP (hoje Claro) fez um experimento no shopping Morumbi, em São Paulo, que consistia em enviar ofertas por SMS para o celular das pessoas que entravam no shopping.

“Vejo uma convergência entre o que hoje chamamos de tablet e de smartphone. Logo teremos um único device.” André Andrade, do titans group 40 | t e l e t i m e | m a i o 20 1 3

Aquilo ficou no inconsciente das pessoas. Até hoje, sou questionado sobre como mandar SMS quando a pessoa entra no shopping”, lembra Xavier. Os problemas técnicos e de modelos de negócios que dificultaram o lançamento comercial daquela ideia da BCP não existem mais. Porém, o mercado de publicidade móvel, com ou sem localização, migrou para as mãos de terceiros, usando os apps como canal de mídia. E a inclusão do GPS nos terminais diminuiu a relevância da informação de localização provida pelas teles com a triangulação de ERBs. Na opinião de Andrade, da Titans, todas essas tentativas de inovação, mesmo quando demasiadamente adiantadas, contribuem para a evolução do mercado e para as versões futuras dos mesmos serviços. “Se alguns produtos são um sucesso hoje é porque alguém apostou e investiu neles lá atrás”, opina o executivo. Futuro da tecnologia Nos próximos anos, muita coisa vai mudar no mercado de telecomunicações, especialmente em telefonia celular, que continua sendo o mais dinâmico dos seus segmentos. Na área de redes, é esperado um aproveitamento máximo de todo o espectro disponível, seja ele licenciado ou não, para dar conta da crescente demanda de dados pelos usuários móveis, que deve aumentar mil vezes nos próximos dez anos. Isso se dará de forma transparente, em uma convergência de redes e protocolos, que hoje recebe o nome de hetnets, ou redes heterogêneas. “No futuro, não saberemos mais em que frequência ou em que tecnologia o celular estará funcionando. Todo espectro precisará ser aproveitado. Haverá mais bits trafegados por usuário por hertz”, prevê Medeiros, da Qualcomm. Em termos de velocidade, ainda há muito o que avançar, mesmo depois do 4G, que acaba de chegar ao Brasil. No Japão, em fevereiro deste ano, a operadora NTT DoCoMo conseguiu transmitir dados a uma velocidade de 10 Gbps, usando uma banda de 400 MHz na faixa de 11 GHz, para uma estação que se movia a 9 km/h. O experimento foi tido como um primeiro teste do que pode vir a ser a quinta geração (5G) de telefonia celular. Vale lembrar que antes da comercialização de sistemas com essa capacidade ainda são necessários muitos outros testes, além de um processo de


padronização internacional com a participação de empresas e cientistas do mundo inteiro.

Android está promovendo uma rápida proliferação de smartphones na população mais pobre de países em desenvolvimento. “Dentro de dois ou três anos, a penetração de smartphones no Brasil vai saltar de 20% para 60%”, projeta Bloisi, da Movile. Especialista em mobile marketing, Xavier, do Grupo.Mobi, prevê que muito em breve acontecerão no Brasil campanhas publicitárias massivas, de lançamento de produtos, totalmente baseadas na divulgação via smartphones. Ao mesmo tempo, ele entende que o termo “mobile marketing” vai perder o sentido no futuro, com a convergência das telas. “Haverá telas conectadas e consumidores em movimento. Faremos a conexão de pessoas com marcas e serviços, não interessa se através da TV, da Internet, ou do celular. Sempre haverá a necessidade de conectar marcas a consumidores. É isso que eu estarei fazendo daqui a cinco ou dez anos”, afirma.

Adrian Grosu/shutterstock.com

Desmaterialização Nos handsets, as expectativas giram em torno das telas flexíveis, que devem transformar radicalmente o formato dos futuros dispositivos móveis. Xavier, do Grupo. Mobi, fala na “desmaterialização do celular”, que abandonará sua forma atual como produto independente para se integrar ao vestuário das pessoas. Os óculos do Google e os relógios conectados indicam esse caminho. As interfaces também se transformarão. A tela sensível ao toque, última revolução nesse aspecto, vai virar coisa do passado. O Galaxy S4, novo top de linha da Samsung, sinaliza na direção das interfaces sem toque, ou “touchless”. O celular lê o corpo do seu dono e responde a isso. O uso de holografias também é esperado. “Teremos interfaces cada vez mais curiosas”, prevê Medeiros. A fronteira entre tablets e smartphones, por sua vez, tende a acabar. Andrade, da Titans, aposta na fusão entre essas duas categorias. “Vejo uma convergência grande entre o que hoje chamamos de tablet e o que hoje 7 profecias móveis chamamos de smartphone. Logo teremos um único device”, explica o A desmaterialização executivo. Xavier, do Grupo.Mobi, fala na do handset Os terminais serão incorporados morte do computador pessoal. em peças de vestuário “Acredito no movimento da ‘tabletização’ dos computadores, com A morte dos PCs e dos laptops Aparelhos serão substituídos telas giráveis, dobráveis e destacáveis. pelos tablets O tablet será o principal device, não só Redes transparentes para consumo de conteúdo, mas para e heterogêneas produção de conteúdo. É a tão falada Todo o espectro licenciado e não era pós-PC”, diz. licenciado será usado conjuntamente, em uma convergência de redes, sem Seja qual for o nome do device – que o usuário saiba em que frequência smartphone, tablet, relógio, óculos –, ou tecnologia o dispositivo está operando em termos de sistemas operacionais, Domínio do Android a expectativa é por um domínio do Android nos próximos anos. “O Google, com o Android, será o grande líder em inovação, papel que foi da Apple de 2007 a 2011”, prevê Andrade. Outros tendem a ter uma participação menor, brigando pelo segundo lugar em vendas e base instalada. Baixo custo A conexão móvel terá um impacto significativo na sociedade, especialmente em países emergentes onde a população menos favorecida não tem computador em casa, mas começa a ter acesso à Internet por meio de smartphones de baixo custo. A queda no preço dos terminais

Sistema operacional do Google será não apenas líder em vendas, mas também em inovações

A consciência coletiva das máquinas

Sensores ao nosso redor saberão tudo sobre cada um de nós, com análise de dados em tempo real

O fim do mobile marketing

As campanhas serão centradas no consumidor, não no dispositivo. O conteúdo de uma campanha será distribuído para múltiplas telas e plataformas

A eterna relevância das teles Donas da infraestrutura e concessionárias de um bem escasso, o espectro de radiofrequência, as operadoras continuarão a ser players importantes nesse mercado

Futuro do mercado É difícil ter certeza sobre quem vai dar as cartas no mercado de conteúdo móvel daqui a cinco anos. É provável que novos players surjam e outros tantos desapareçam, especialmente entre OTTs. “ O mercado mobile está se mexendo mais rápido que o da Internet. Os grandes players mobile globais ainda vão aparecer”, avalia Bloisi, da Movile. O único consenso é que as teles continuarão a desempenhar um papel relevante, por serem as donas da infraestrutura e as concessionárias para o uso das faixas mais nobres de espectro. Nem mesmo a proliferação de redes Wi-Fi abertas ameaçaria as teles, pois nelas não é possível garantir a mesma qualidade que em redes de frequências licenciadas. “O Wi-Fi não vai matar as operadoras. O usuário sempre vai querer uma qualidade melhor”, aposta Medeiros, da Qualcomm. “As operadoras serão maiores e mais importantes do que são hoje. Elas terão o papel de conectar cinco bilhões de pessoas à Internet”, diz Bloisi, da Movile. Xavier, do Grupo. Mobi, concorda: “Acho uma grande bobagem essa discussão de ser ‘dumb’ ou ‘smart pipe’. Não é nada dumb prover serviço de conexão e telecomunicação em qualquer lugar. Já tem desafio suficiente aí”. m a i o 2013 | t e l e t i m e | 41


ponto de vista

O que o IP mudou (e ainda mudará) nas telecomunicações foto: divulgação

Mauro Fukuda*

cartas.teletime@convergecom.com.br

N

*Diretor de tecnologia e plataformas da Oi.

a recente história das telecomunicações alguns grandes drivers foram fundamentais para a transformação tecnológica e mercadológica do setor: a digitalização das redes, a banda larga, as redes móveis, a Internet e o IP. De uma forma mais restrita, se por um lado a digitalização propiciou toda uma mudança na base tecnológica da rede, a Internet mudou (de uma forma mais ampla) não só a rede, mas também nossa forma de comunicação, os serviços e os negócios. A transformação promovida pela Internet só foi possível com o desenvolvimento das redes IP e de seus serviços associados. Durante os últimos 20 anos o IP e a Internet evoluíram muito, já que originalmente as primeiras redes tinham abrangência restrita (utilizadas em redes acadêmicas e militares), eram de usabilidade nada amigável e com aplicações limitadas (tipicamente e-mail, transferência de arquivos, grupo de notícias e login remoto). Muitos desenvolvimentos foram feitos ao longo dos anos. As redes IP cresceram e a Internet passou a ser uma rede acessível em todo mundo, com novas aplicações surgindo a cada dia, revolucionando a forma de nos comunicar (VoIP, redes sociais, blogs), ter acesso às informações (web, cloud), assistir televisão (IPTV, VOD, OTT etc.), escutar música e fazer comércio (e-commerce, e-payment), entre outras. As redes IP introduziram mudanças significativas na arquitetura da rede das operadoras, quebrando paradigmas relacionados à substituição de suas redes comutadas por circuitos e dedicadas por redes de pacotes (estatísticas). Em muitos casos, contudo, as questões de vulnerabilidade, qualidade de serviço e escalabilidade do protocolo IP levaram as operadoras a considerar preliminarmente o uso destas redes somente para acesso à Internet e

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oferta de serviços para conectividade de dados. Atualmente, limitações como a capacidade de endereçamento, segurança e desempenho vêm sendo superadas de forma contínua e consistente, com o desenvolvimento de novas funcionalidades e recursos como o IPv6, QoS, VPNs, firewalls e caches, por exemplo. Isso tudo contribuiu para que a rede IP se tornasse gradativamente o principal núcleo de transporte de serviços não só para os usuários residenciais, mas também para os usuários empresariais/corporativo das operadoras. Nos últimos anos, a convergência de redes para suporte a serviços triple/quad play passou a ser estratégica, em particular como fator de sustentação dos modelos de negócio das operadoras, numa lógica de satisfação global das necessidades dos seus clientes, e deste modo como fator adicional de fidelização. Nesse cenário, o IP se tornou o elemento fundamental de convergência, levando as operadoras a estruturarem suas redes para o modelo NGN, com camadas funcionais

Spectral-Design/shutterstock.com

A rede se transformou numa grande nuvem Internet, onde os usuários podem ter acesso a qualquer conteúdo ou serviço, e indústrias tradicionais têm de se reinventar.


operadoras era utilizada para o transporte distintas e independentes (acesso, de voz, sendo o tráfego de dados uma transporte, controle e serviços). Esta parcela pouco representativa – mudança na arquitetura das redes trouxe lembrando que durante alguns anos, no benefícios importantes advindos da início da Internet, o IP trafegava pelos possibilidade de unificação e convergência O futuro das canais de voz nas conexões dial-up. Com de redes (redes fixas e móveis com redes IP passa o crescimento da Internet e da banda controle unificado), otimização de investimentos/recursos operacionais e, pelo desafio das larga e, como vários serviços migraram principalmente, flexibilidade para o operadoras na para o IP, a situação atualmente é desenvolvimento e oferta de novos serviços. rentabilização da completamente diferente, pois a maior O rápido desenvolvimento e expansão necessidade de parte do tráfego é predominantemente para atendimento aos serviços de dados, das redes IP tornaram as mesmas aumento da especialmente de conteúdos e onipresentes em todo o mundo e capacidade de aplicações de Internet. acessíveis por qualquer meio, seja suas redes, e O futuro das redes IP passa em utilizando acessos de cobre (xDSL, coaxial, envolve questões grande parte pelo desafio das dial-up), fibra (FTTH) ou wireless (móvel, satélite, rádios). Com isso a rede de relacionadas com operadoras na rentabilização da telecomunicações de uma forma geral a neutralidade. crescente necessidade de aumento da capacidade de suas redes IP, e vem se transformando numa grande inexoravelmente envolve questões relacionadas com a “nuvem” (cloud) Internet, onde os usuários precisam neutralidade das redes. A chegada de novos entrantes somente de uma conectividade IP para ter acesso a na cadeia de valor dos serviços (especialmente os qualquer conteúdo ou serviço da mesma. Verifica-se, por OTTs) torna necessário o estabelecimento de novos isso, um novo contexto de utilização de serviços, em que modelos de negócio entre provedores de conteúdos e o acesso disponibilizado pelas operadoras aos seus provedores de infraestrutura de rede IP, para que não clientes lhes permite utilizar qualquer serviço a partir de haja quebra nem desequilíbrio nesta cadeia. qualquer rede ou terminal, em ambiente nomádico ou Do ponto de vista de rede, caminhamos cada vez de mobilidade plena, de alguma forma comparável a mais para uma infraestrutura totalmente IP. Nesse um conceito de “roaming interno de serviços”. Novos sentido é possível destacar algumas tendências: players foram surgindo, aproveitando a ubiquidade a) Cloud: os conteúdos e aplicações do propiciada pela Internet para ofertar e distribuir usuário estarão cada vez mais deslocalizados conteúdos e aplicações (muitos gratuitos), o que do seu terminal de acesso e serão acessíveis promoveu a erosão de vários modelos tradicionais de por qualquer device; oferta de serviços de voz, dados, música, vídeo, entre b) Conectividade sem fronteiras: redes outros. Com isso, indústrias como as de telecom, mídia e heterogêneas (HetNets) combinarão as várias entretenimento, tiveram que se reinventar para sobreviver. tecnologias de acesso (Wi-Fi, 4G, 3G, femtocell) de As operadoras de telefonia viram surgir novos forma integrada, transparente e eficiente com o competidores com ofertas baseadas em VoIP, bem como núcleo de transporte IP; a substituição da telefonia fixa pela móvel. A venda de c) Camada de controle de serviços centralizada e livros, música e vídeo passou a ter elevada expressão por convergente (como o IMS) baseada nas sessões de download de conteúdo digital ou ofertado via streaming. A dados e serviços, e não mais tarifada com base na pirataria e a distribuição ilegal de conteúdos se localização (origem-destino); disseminaram, exigindo legislações específicas e maior d) Desenvolvimento de redes abertas para permitir a controle por parte dos provedores de conteúdo. criação de aplicações, serviços e oferta de conteúdo A própria Internet foi evoluindo nos últimos anos, de terceiros (utilizando APIs disponibilizadas pelas tendo por base os fatores de convergência entre as operadoras) em ambientes controlados; tecnologias de informação e de comunicação. e) Internet das coisas: integração de objetos dos Inicialmente consistia num grande banco de dados; mais diversos à rede IP em ambientes inteligentes hoje é uma grande plataforma interativa de serviços para facilitar a vida do usuário. (web 2.0) que agora evolui para ser mais inteligente, Enfim, o IP, apesar de ser um mero protocolo de interpretativa e automatizada (web 3.0). A conectividade transporte de informação da rede, promoveu uma M2M (máquina-a-máquina), através das redes IP, está transformação profunda na rede de telecomunicações, permitindo a automatização de processos, coleta de nos serviços e nos negócios do setor e certamente dados em soluções de smart grid e contribuindo para o continuará sendo um dos principais vetores para o desenvolvimento de cidades digitais inteligentes. Até há desenvolvimento de uma sociedade mais conectada, pouco tempo a maior parte do tráfego e integrada e produtiva. consequentemente da capacidade dos backbones das m a i o 2013 | t e l e t i m e | 43


entrevista

Antonio Carlos Valente

Uma nova perspectiva

Egresso do Sistema Telebrás e da Anatel, o presidente da Telefônica do Brasil avalia os últimos 15 anos das telecomunicações no País e projeta os principais desafios para o setor. Samuel Possebon

samuca@convergecom.com.br

A

ntonio Carlos Valente, atual presidente da Telefônica do Brasil, acompanhou o desenvolvimento das telecomunicações nos últimos 15 anos sentado em lugares privilegiados. Egresso do Sistema Telebrás, onde havia sido diretor da Telerj, Valente participou dos debates que deram origem ao modelo atual, depois ocupou uma das primeiras cinco posições no Conselho da Anatel logo que a agência foi criada, chegou à vicepresidência do órgão regulador e, em 2005, deixou o setor público para a iniciativa privada, primeiro como presidente da Telefónica do Peru e depois assumindo a operação brasileira. Nessa entrevista, Valente faz um balanço desse período e projeta os principais desafios para o futuro do modelo criado na década de 90 e das próprias empresas que hoje estão no mercado.

TELETIME – Como você avalia esses 15 anos em relação ao que amadureceu como esperado e em relação ao que não aconteceu? Antonio Carlos Valente – Eu sou um profissional formado pelo Sistema Telebrás, minha escola além da universidade foi essa. No final dos anos 80 e começo dos 90, já tínhamos uma percepção de que não seria possível atender às demandas da sociedade. Não pela qualificação dos profissionais, ao contrário, porque cultura técnica havia. Mas o processo era muito complexo. Um exemplo: o call center funcionava entre 8:30 e 17:00, porque não havia como contratar funcionários por mais tempo, nem manter essas estruturas que se tem hoje. Havia uma preocupação de prestar bons serviços, mas era algo complicado. Eu trabalhava no departamento de planejamento técnico, mas não podíamos contratar funcionários... Isso você atribui ao fato de ser uma estatal ou de ser uma empresa com dificuldades de gestão? Provavelmente havia melhoras que pudessem ser promovidas sob a ótica da gestão, mas era principalmente por conta das regras que se impunham para as estatais. 44 | t e l e t i m e | m a i o 20 1 3

Algumas dessas regras continuam existindo até os dias de hoje, e você continua vendo as mesmas dificuldades de investimentos e contratações em empresas públicas. As amarras ainda estão aí. A partir de 1996, com a Lei Mínima; 1997, com a Lei Geral; e finalmente em 1998, com a privatização, é que se pode dar à sociedade brasileira condições de ser mais competitiva e almejar coisas distintas do que se conseguia fazer na metade anterior. Os desafios que a gente tinha naquele momento eram imensos. Era a primeira agência reguladora, num dos primeiros setores objetos de privatização, um cenário político muito polarizado, onde havia um ambiente de contestações ideológicas muito fortes, e de certa forma até um esquecimento do ponto central que era melhorar a vida dos usuários. Dentro desse processo, os objetivos foram atingidos. É uma obra coletiva, com dois anos do governo Dilma, oito do presidente Lula... Em 15 anos, cada um deixou o seu legado. Não é algo de pessoas específicas ou governos. Ainda que houvesse uma estrutura legada que veio justamente do processo de privatização e que foi a base para que o ambiente atual se desenvolvesse. Sem dúvida, mas eu destacaria que o principal aspecto legado foi o material humano. Mais do que a rede. Hoje são 350 milhões de clientes. Naquela época eram menos de 20 milhões. Então as redes eram muito limitadas. Mas as pessoas que estavam naquele momento foram a base desse coletivo que criou o que temos hoje. O grande acervo era intelectual, o que se tinha em poucos setores. Como você vê o papel do Estado daqui para a frente no setor de telecomunicações? Acho que dentro do processo que foi criado, no primeiro momento já se imaginava que o mercado precisaria de algum tipo de apoio para resolver determinados problemas. Algo que estava ligado a uma limitação de renda da população. Nesse contexto é que se pensou nos fundos de universalização e desenvolvimento. Imaginar que através de soluções de mercado todos os


foto: divulgação

“No final dos anos 80 e começo dos 90, já tínhamos uma percepção de que não seria possível atender às demandas da sociedade. Não pela qualificação dos profissionais, ao contrário, porque cultura técnica havia. Mas o processo era muito complexo.”

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entrevista problemas serão resolvidos não é correto. Mas já fomos capazes de reconhecer isso lá atrás e criar um mecanismo que não onerava o Estado, já que os recursos vinham e vêm até hoje do próprio setor. Esse foi o aspecto do modelo que não deu certo, do seu ponto de vista? Acho que de todas as críticas que se pode ter, a que considero mais importante, e isso se estende a mim por ter sido parte desse processo no começo, foi não termos encontrado uma solução para equacionar os problemas da área rural no Brasil. Essa é a grande lacuna que deixamos no processo inicial. Imaginávamos que se poderia utilizar o Fust, o fundo cabia como uma luva para isso, mas logo de cara vimos que o Fust seria o que seria, e demoramos a reagir e encontrar outra solução. Mas acho que agora, com a faixa de 450 MHz sendo usada para isso, está encaminhado o problema. Por que ninguém previu o que aconteceria com a banda larga e com a mobilidade? No mundo, acho que poucas pessoas conseguissem avaliar o crescimento explosivo que o serviço móvel acabou tendo. A padronização de tecnologias, como foi o

caso do GSM, ajudou, e no Brasil a gente não estava nesse mundo num primeiro momento, só a partir do ano 2000. E muito do desenvolvimento foi fruto dessa decisão acertada de utilizar a frequência padronizada de 1,8 GHz para a telefonia móvel, permitindo o uso do GSM. Isso libertava, de certa forma, a nossa vinculação tecnológica com os Estados Unidos. Foi uma coisa tão importante que extrapolou o que se projetava. Isso mudou o nosso panorama e o dos países vizinhos. Rapidamente também se abandonou o modelo de concessões na telefonia móvel, quando o SMP foi criado. A gente seguiu a lei, que dizia que deveria haver a oferta do serviço no regime público e privado. Não tinha a necessidade de prestar um serviço móvel no regime público, com amarras, tarifas, para um serviço nascente. Isso endereça uma discussão que temos hoje sobre a prestação da banda larga no regime público e privado. O regime público, por si só, não resolve nenhum dos problemas. Tanto que o serviço mais universalizado no Brasil é o serviço móvel, considerando o contingente de pessoas, a facilidade de acesso. Colocar um serviço em regime público não é garantia de que se vá conseguir resultados diferentes. Você acha que o modelo atual precisa começar a ser refeito? Ele sobrevive até 2025? Voltando um pouco na sua outra pergunta, a banda larga também se mostrou algo que a gente não tinha como prever. O serviço de voz como conhecíamos no passado, com uma rede exclusiva, um serviço particular, isso deixou de existir. A voz é hoje um conjunto de bits com qualidade de serviço. É a materialização de algo que o Nicolas Negroponte dizia há 13 anos. Bits são bits e nada mais do que bits. Desconhecer isso é desconhecer a realidade. Isso faz muita diferença. Do jeito como a coisa está constituída hoje, temos redes isoladas, com tecnologias que não necessariamente são as mais atuais, modernas e efetivas. O cobre teve uma importância enorme, mas está cedendo espaço. É preciso reconstruir o modelo para dar esse salto tecnológico.

foto: divulgação

Também do ponto de vista do modelo econômico? A razão de êxito das telecomunicações ao longo desses últimos 15 anos está associada a um modelo econômico forte e sustentável. Os recursos eram gerados dentro do próprio sistema, isso era reinvestido, gerava mais riqueza, investia mais... Sem isso, sem um modelo econômico forte, não se cria um modelo sustentável.

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O mercado se concentrou muito nesses 15 anos. Chegamos a um ponto de equilíbrio já? Em 1998, tínhamos a convicção de que o modelo


tinha que sustentar na universalização e na vindas de um mercado consumidor cada competição. Se formos avaliar de maneira ampla, no vez mais exigente? caso do serviço móvel, talvez tenhamos hoje o mercado Temos um modelo sólido, que precisa ser atualizado, mais competitivo do mundo. Em outros serviços, como mas que funciona bem e gera benefícios para a no mercado corporativo, também. E em algumas sociedade, temos um conjunto de oficiais públicos regiões do Brasil, mesmo no mercado de voz e banda qualificados. Os consumidores têm reclamações? É larga fixa, onde tradicionalmente é difícil preciso melhorar? Não há dúvida, mas estabelecer concorrência, temos um muito do problema passa por dar mercado bastante competitivo. É a informações corretas para a sociedade. O realidade que enfrentamos em São consumidor está satisfeito com o preço Paulo, por exemplo, em qualquer pago pelos serviços? Não. Mas ele não indicador que se olhe. E São Paulo é o sabe que muito do que se paga pelos maior mercado de telecom da América serviços vem de impostos. Nos últimos 15 Latina depois do México. Claro que há anos, apenas recentemente tivemos uma outros estados em que isso não manifestação do ministro das “o serviço mais acontece, regiões de menor renda, mas Comunicações, Paulo Bernardo, que disse universalizado provavelmente por uma limitação do com todas as letras que o problema no Brasil é o próprio mercado, da realidade central de preços está nos impostos. serviço móvel, socioeconômica. Acho que esse Algumas coisas finalmente foram considerando processo de concentração que se vê em endereçadas, como a desoneração na o contingente muitas partes do mundo tem a ver com cadeia de produção para investimentos. a sustentação do modelo, é uma Pela primeira vez se fez algo. Ainda não de pessoas, a necessidade a fazer frente aos chegamos a um debate sobre impostos facilidade de investimentos de grande envergadura acesso. Colocar no consumo, mas começou. Então, é que são necessários. preciso melhorar os serviços? Sim. Mas é um serviço em preciso informar a realidade. Em relação à regime público Na atual conjuntura econômica, qualidade, não podemos ser comparados não é garantia sobretudo internacional, o mercado com o varejo, por exemplo, e a partir disso de que se vá terá fôlego para esse novo ciclo de sermos taxados de campeões mundiais conseguir investimentos? de reclamações. São 300 reclamações por O que precisamos ter é um modelo milhão. Isso nos faz um serviço de resultados balanceado. Uma forma de compensar péssima qualidade? Estamos falando da diferentes.” falta de liquidez no acesso a capital com terceira casa decimal! Cada reclamação a geração de recursos próprios. Nossa indústria investe, envolve uma pessoa e sem dúvida tem que ser atendida. historicamente, 15% de suas receitas ao ano. Agora, como Mas dizer que somos piores do que o varejo, em que o estamos implementando não apenas as redes de 4G, consumidor entra na loja uma vez a cada cinco anos para mas também backbone, cabos internacionais, vamos ter comprar uma geladeira. Vai comparar isso com os nossos que ampliar esse percentual. Mas a conta continua serviços, que precisam estar disponíveis 24 horas por sendo aquela de padeiro: digamos que são cem dia? Há coisas pelas quais somos responsáveis: se unidades monetárias de receita. Uma empresa de geramos um plano muito agressivo, se não telecom integrada e bem administrada tem 30% a 35% dimensionamos a rede... Mas há coisas em que não de margem EBITDA. Então, arredondando, temos 30 de temos responsabilidade. Se não nos permitem colocar sobra. Desses, 15 você precisa colocar para investir o uma antena, não podemos ser cobrados pela qualidade básico. Outros 15 vão para impostos, custos financeiros e onde aquela antena era necessária. remunerar o acionista. A matemática é simples. Quanto mais liberarmos volumes próprios para investimento, Se bem que essa limitação municipal à menos dependeremos do sistema financeiro. Por isso é instalação de antenas, por exemplo, já existe há importante que as empresas sejam saudáveis. Porque a muito tempo, e o mercado nunca se queixou principal fonte de recursos de expansão vem das como faz agora... próprias operações. Nesse momento, é fundamental que É verdade. Mas a grande diferença é que agora temos se busquem formas de melhorar o resultado das datas a cumprir. A licitação das faixas de 3G começou em empresas, para que elas possam investir mais. 2008 e em 2009 já havia redes disponíveis. Isso fez com que o consumo de dados móveis explodisse. É ótimo para E como equilibrar a saúde financeira das a sociedade, para a economia, mas cria um outro cenário, empresas com as demandas de qualidade uma outra realidade para nós. Saímos do mercado de voz m a i o 2013 | t e l e t i m e | 47


entrevista para um mercado de banda larga móvel em menos de dois anos. Isso vale em qualquer país do mundo. E não é só a rede de dados. São as aplicações. As pessoas estão mais dependentes dos serviços móveis, dos aplicativos, o consumo de mídia, vídeos, fotos. O primeiro tablet surgiu há pouco mais de três anos.

final de um ciclo baseado em tecnologias de redes dedicadas. O fixo deve virar uma aplicação a mais de uma rede multisserviços.

O que mudou na postura das empresas em relação ao compartilhamento de infraestrutura? Esse movimento de cooperação para o 4G que vemos agora é uma tendência? É algo perene, por uma série de razões, começando pelas limitações “Sou muito físicas que temos para a construção das otimista em redes. Mesmo que tenhamos a relação ao modernização das leis no Brasil, é preciso futuro. Acho que otimizar a utilização do espaço, e isso cria podemos fazer necessidade de compartilhar. O mesmo uma atualização vale para outros elementos da rede. A do modelo, com massificação para que se chegue a camadas mais básicas da população debate sensato também exige esse esforço, e a sobre alguns perspectiva de qualidade é outro fator de aspectos, que pressão por essa cooperação.

Essa realidade traz novos competidores também. Como enfrentar a disputa com provedores de serviço over-the-top? A indústria de comunicações no mundo, incluindo teles e entretenimento, tem sido muito tensionada nos últimos dez anos. Começou com a de música, agora vídeo. Agora existem esses utilizadores da rede com conteúdos e aplicativos. É um momento semelhante a outros que já vivemos. Falta encontrar soluções para conviver com isso. Sem citar especificamente a Telefônica, mas usando como exemplo, estamos há dois anos visem o interesse apostando na Telefônica Digital, para público. Todo entender como as coisas precisam ser Existe a necessidade de o mundo está feitas daqui para frente. Não podemos ser repensar o Estado e sua relação andando na mesma com as empresas, sobretudo no só uma empresa de conectividade. direção e com Precisamos ser uma empresa de setor de telecomunicações? De aplicativos e plataformas, na área de quem deveria ser essa iniciativa? boa fé.” saúde, educação... Estamos nos De certa forma, sofremos com o movimentando, com as incubadoras, as aceleradoras, paradoxo do filho pródigo. Telecomunicações hoje são com a ideia de trabalhar esses novos negócios e procurar muito mais uma solução do que um problema para o oportunidades. Podemos embarcar produtos em rodovias, País. Basta lembrar que no primeiro PAC (Programa de ferrovias, hospitais, aeroportos, segurança... Aceleração do Crescimento), em meio a bilhões de reais em investimentos, não se previa nenhuma linha em Na área de conteúdos, por exemplo, os grupos telecom. Antes de ficarmos aborrecidos com isso, é de comunicação flertaram com esse mercado, preciso olhar pelo aspecto positivo: não somos um em meados dos anos 2000, mas sem sucesso. problema. Pelo menos não nesse momento. Acredito que É difícil dizer se será a mesma coisa. Mas agora se formos capazes de encaminhar algumas questões, estamos buscando negócios mais próximos ao nosso como a legislação de antenas, continuaremos a não ser negócio. Produção de conteúdos era uma coisa muito no futuro. Não esquecendo que existem questões diferente para uma empresa de telecomunicações. pontuais a ser endereçadas pelos sistemas já criados. Quando se fala em aplicar tecnologias de informação e Atendimento e melhorias para população de baixa renda, comunicação a outros setores, ainda estamos falando de regiões isoladas... Mas esta é uma solução que está aí e TICs, então ficamos no mesmo ambiente. basta ser implementada. Os fundos estão disponíveis, são arrecadados todos os meses. Basta usar o o que já Acabou o ciclo da telefonia fixa? Existe uma existe, com poucos ajustes. A lógica existe. Fora isso, de queda de tráfego, ou seja, as pessoas não estão um modo geral, não existe a percepção de que haja uma mais falando ao telefone. O que significa isso? crise em telecomunicações como existe em outros Acho que não acabou nem vai acabar, se setores de infraestrutura, não somos um gargalo. Mesmo considerarmos determinados mercados, como o nas obrigações da Copa, ninguém deixou de cumprir o empresarial, o de pequenas e médias empresas. E previsto. Sou muito otimista em relação ao futuro do mesmo no mercado doméstico, ainda há espaço para se setor no Brasil. Acho que podemos fazer uma atualização ocupar. Mas seria negar o óbvio não reconhecer o processo do modelo, com debate sensato sobre alguns aspectos, de substituição, seja pela mobilidade, seja por novas que visem o interesse público. Todo o mundo está tecnologias. O que estamos vivendo é uma proximidade do andando na mesma direção e com boa fé. 48 | t e l e t i m e | m a i o 20 1 3


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Março de 2013 264 milhões

Dados de mercado

29,9 milhões

de linhas móveis

Evolução de 1998 a 2012

de acessos fixos em serviço

(apenas concessionárias)

21 milhões

No ano 2000, a Anatel publicou o PASTE (Perspectivas para Ampliação e Modernização do Setor de Telecomunicações) com metas físicas num horizonte de cinco anos para diferentes serviços de telecomunicações. Acompanhe aqui o desenvolvimento do setor em número de acessos desde 1998, onde as metas do PASTE foram alcançadas, subestimadas e superestimadas. (Fonte: Anatel).

16,8 milhões

de conexões banda larga fixa

de assinantes de TV

947 mil

Acessos fixos

penetração fixa

20

33,1

32

31

23,1* 22,8

22

21,6

21,4

27,7 20,7

21,5

20,7

27,3

27,3

30,1

30,6 27,9 22,1

22,6

22,1

23,1 23,9 20,9 13,6 12,4

30,9

27,8 25

15

20

22,1

30

16,8 15,1

20

18,6

44,9* 44,3

43

42,1

41,5

25

22,2

28,2 26,3 28,7 28,5 28,2

62

59,6

57,9 41,2

52,7 39,4

51,2

38,8

50,5 39,8

50

30

35

40

37,4

38,3 40,5

50

39,6

47,8 45,1 49,2 38,8 49,6 49,8 39,2

53,8

58

60

32,6

35

64,7

70

(acessos/100 hab)

Projeção PASTE - Densidade instalada Densidade instalada real Densidade de linhas em serviço

21,7

Projeção PASTE - Linhas instaladas Linhas instaladas real Linhas em serviço

10 5

10 0

1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012

0

1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 *Apenas concessionárias.

Densidade de TUPs

Terminais de uso público - TUPs

(Terminais/1.000 hab)

(em milhões)

2,0

0,2

1,0

1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012

5 0 | t e l e t i m e | m a i o 20 1 3

6,9

7,5

8 8,2

4,9

5,2

5,7

5,9

5,9

6

6

6,4

3,0

0,4

0

5,5 5,5

5,0

4,5

0,95

1,01

1,10

1,13

1,14

1,13

1,13

1,27

6,0

4,0

Projeção PASTE Densidade real de TUPs

3,6

0,8

8,0 7,0

0,74

0,91 0,91

1,0

Projeção PASTE TUPs instalados

7,3

1,54 1,08

1,2

1,32

1,26

1,4

1,37 1,43 1,33

1,38

1,6

0,6

8,1

1,64

9,0

7,3

1,8

8,7

9,2

10,0

0,59

Oleg Babich/shutterstock.com

(em milhões)

0,0

1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012

Augusto Cabral/shutterstock.com

orelhões


penetração da banda larga fixa - SCM*

conexões banda larga fixa - SCM*

(acessos/100 hab.)

45,8 31,6

40

20

*O Serviço de Comunicação Multimídia (SCM) só foi criado em 2000. O PASTE não discriminava os acessos à Internet banda larga. **A partir de 2009, a Anatel passou a ponderar a penetração da banda larga por grupo de cada 100 domicílios.

3,4

5,5

10 2,1

2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012

0,7

0

22,4**

23,6

30

0 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012

acessos de TV por assinatura

acessos móveis

(em milhões)

1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012

32,7

1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012

27,9

21,1 7,9

7,6

8

7,7

6,5

10,2

10

7,7

9,1

12,9

12,3

15

11,7

16,3

16,6

20

6,2

46,6 53,2 9,1 12,9 14 17,2 17 21,9 20,3 26,2 26,2 29,8 36,6 32,6

4,5

0

21,2

25

63,6

80

Projeção PASTE Assinaturas/100 dom.

26,6

104,7 78,1

90,5

100

8,3 8,9

134,9

35 30

120

20

13,2

densidade da TV paga

123,9

Projeção PASTE Penetração móvel

40

10,3

9,8 8,5 6,5

0 (assinaturas/100 domicílios)

(acessos/100 hab)

60

4,5

2

penetração móvel 140

4,1

3,8

3,5

3,6

3,5

5,6 4 3,4

2,79

2,57

6 4

16,1

16,5 7,6

8

99,9

86,2 7,4

50

13,1

10

15 21,5 23,2 29,2 28,7 37,5 34,9 45,5 46,4 52,5 65,6 58

100

Projeção PASTE Assinantes de TV

10,1

12

120,9

150

14

173,9

150,6

200

18 16

202,9

250

242,2

Projeção PASTE Linhas móveis

261,8

(em milhões)

300

0

30,7**

40,4**

50

26,3**

15.473

12.998

60

17,6

5.921,9

4.363,8

3.157,5

966,3

360,2

122,5

5

587,2

10

8.771,3

15

11.402

20

18.471

25

20.219

59,1

(em mil)

5 0

1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012

m a i o 2013 | t e l e t i m e | 5 1


Shell114/shutterstock.com

regulamentação

Erros e acertos

Após 15 anos, especialistas analisam os sucessos e fracassos da privatização e do modelo atual. O desafio agora é dar tratamento adequado ao serviço público e à banda larga. Helton Posseti

helton@convergecom.com.br

“C

ontra fatos não há argumentos” e “os números sob pressão podem dizer qualquer coisa” são duas máximas que podem ser perfeitamente aplicadas na análise dos resultados da privatização, 15 anos depois de estabelecido o modelo atual com a venda das empresas do Sistema Telebrás. É inegável que o número de acessos deu um salto. A planta de telefonia fixa mais do que dobrou; passou de 20 milhões de terminais em 1998 para 44 milhões em 2012. Na telefonia móvel, a evolução do número de acessos foi ainda mais espetacular. O Brasil tinha 7,4 milhões de acessos móveis e hoje esse número já alcança a marca de 264 milhões, mais de um celular por habitante. Toda essa expansão foi acompanhada por uma redução também brutal de preço. De um patrimônio declarável em imposto de renda e que gerava um mercado paralelo, o telefone fixo se tornou um serviço público trivial. A banda larga em 1998

5 2 | t e l e t i m e | m a i o 20 1 3

sequer existia e a Internet, pela linha discada, começava a se popularizar. Os dois principais pilares do modelo estabelecido foram a universalização dos serviços públicos (apenas a telefonia fixa foi classificada como tal) e a competição. Tendo em vista que o serviço fixo está disponível em todo o País, é inegável que o pilar da universalização foi atingido, embora haja várias ressalvas que devem ser feitas nesse campo. O serviço está disponível a todos, mas são poucos os que têm condições de pagar a assinatura básica ou mesmo que podem adquirir um dos planos alternativos oferecidos pelas concessionárias. Tanto é que, depois de 2002, quando as empresas atingiram a meta de cobertura, o número de acessos das concessionárias se manteve estável, a penetração também empacou na casa dos 22% e, de lá para cá, cada vez mais pessoas optam pelos serviços das autorizadas e cada vez menos se fala ao telefone fixo. Na telefonia móvel, apesar do número surpreendente de acessos, o indicador de minutos de uso (MOU) médio é de apenas 135 minutos/mês e a


foto: arquivo

foto: divulgação

receita média (ARPU) de R$ 20. Na área da competição, as empresas-espelho não cumpriram seu papel de se tornarem concorrentes das concessionárias, com exceção da GVT, que hoje atua fora da sua área original, mas ainda assim está focada nos grandes centros. O mesmo vale para a Embratel, que incorporou a Vésper em meados dos anos 2000 e hoje, através da Net, é a principal autorizada de telefonia fixa. Ainda assim, chega a apenas 150 cidades. A competição na telefonia fixa, contudo, vem aumentando aos poucos. Hoje 30% do mercado são detidos pelas empresas autorizadas que, vale dizer, disputam com as concessionárias nas áreas mais rentáveis. Na maior parte do País, entretanto, as concessionárias são a única opção. “O saldo positivo foi que o acesso aumentou muito nesse período. A gente lamenta porque poderia ter aumentado muito mais e as pessoas poderiam falar mais. A gente sabe que o tráfego é muito reduzido”, analisa Flavia Lefèvre, advogada da ProTeste. “A única coisa que o modelo não trouxe foi a competição na telefonia fixa local, que era um dos desejos, mas você não tem isso no mundo inteiro. Todos os outros serviços estão disponíveis em volume e em regime de competição”, diz Francisco Perrone, atual consultor da Oi, um dos conselheiros e vicepresidente da Anatel na fase de nascimento do modelo. Mas há controvérsia sobre esse desejo do modelo de que houvesse competição na telefonia fixa local. Para o advogado Carlos Ari Sundfeld, que atuou na elaboração da Lei Geral de Telecomunicações (LGT), o objetivo do modelo de competição baseado nas empresas-espelho era que elas pudessem se desenvolver e ser compradas pela concessionária da outra região, como forma de viabilizar que uma concessionária entrasse na área da outra. Das espelhos que surgiram na época, apenas a GVT continua viva. A Vésper foi comprada pela Embratel e a Intelig acabou sendo adquirida pela TIM, o que deu, aliás, musculatura para a empresa atuar no mercado de longa distância, ultrapassando a Embratel, a incumbent do segmento. Na opinião da ProTeste, um fator que “atrapalhou” o desenvolvimento das espelhos foi a “proteção especial” que as concessionárias receberam. Segundo Flavia Lefèvre, as empresasespelho não podiam, por exemplo, oferecer serviços a preços mais baixos que as concessionárias. O fato é que o pré-pago é que acabou por fazer as vezes do telefone fixo nas áreas mais pobres do País, com todos os seus defeitos, principalmente o alto custo e a cobertura deficiente.

“A telefonia móvel é regulada quase como a fixa. As empresas têm que olhar não apenas o preço do leilão, porque junto com ele vêm obrigações de cobertura.” Amadeu Castro, da GSMA Outra crítica conhecida da ProTeste é em relação à manutenção da assinatura básica. A associação argumenta que como as metas de universalização foram cumpridas em 2005, não há motivo para que a Anatel mantenha a assinatura básica alta como ela é hoje. A assinatura básica foi a receita criada para que as empresas fossem remuneradas adequadamente, a fim de promoverem a universalização. Para Flavia Lefèvre, a assinatura básica se tornou injusta porque os consumidores já pagaram pela universalização da infraestrutura. Além disso, segundo a advogada, a assinatura básica tem se configurado um subsídio cruzado no setor, já que os investimentos que as empresas vêm realizando após a universalização é na rede de banda larga, não na de telefonia. Mas a telefonia fixa no regime de concessão com sua regulação forte era uma exceção dentro da LGT, que tinha o objetivo de assentar as bases para introdução de um mercado aberto, livre e competitivo. Sundfeld explica que a ideia de mínima regulação estava ancorada na LGT pela competência da Anatel em atuar como autoridade de defesa da concorrência. Para ele, entretanto, a Anatel nunca entendeu isso. “Foi a

“A única coisa que o modelo não trouxe foi a competição na telefonia fixa local, mas você não tem isso no mundo inteiro.” Francisco Perrone, da Oi m a i o 2013 | t e l e t i m e | 5 3


regulamentação foto: divulgação

“É sempre uma luta inglória do regulador tentar estimular o compartilhamento. O desafio do Brasil é atrair novos investimentos. a agência foi pragmática.” Carlos Ari Sundfeld, advogado

“Se não houver planejamento estratégico do governo para olhar essa questão (dos bens reversíveis), a própria União vai perder.” Juarez Quadros, da Orion Consultores 5 4 | t e l e t i m e | m a i o 20 1 3

foto: divulgação

única lei que deu para a agência reguladora a autoridade antitruste. Fazia parte de um projeto de mínima regulação, mas o abuso seria coibido pela aplicação da Lei de Concorrência. A agência nunca entendeu isso”, lamenta ele. A principal frustração do advogado, 15 anos depois da publicação da lei, foi a “timidez” da agência em exercer seu papel de órgão de defesa da concorrência, o que, segundo ele, acabou dificultando a atuação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). “A Anatel dificultou a atuação do Cade na demora para instruir os processos, por exemplo. Acabou rivalizando com o Cade. Foi um fracasso”, diz. O resultado é que o Cade acabou por resolver algumas questões que a agência poderia ter feito, já que a LGT deu a ela o poder de autoridade concorrencial, como foi o caso da exclusividade do conteúdo esportivo na TV por assinatura. Na discussão da nova lei do Cade chegou-se a cogitar retirar essa competência da Anatel, o que não foi feito. Outra questão que Sundfeld reavalia é o papel da ouvidoria da Anatel. A ideia, ele explica, era que a ouvidoria fosse uma área crítica da atuação da agência, e não que ficasse “ouvindo consumidor”. “Eu proporia uma ouvidoria geral dentro do Ministério da Justiça para todas as agências”, diz ele. Modelo de custo e compartilhamento Outro nó do modelo estabelecido é o chamado modelo de custo, previsto pela regulamentação em 2003 para orientar a revisão dos

contratos de concessão em 2005. A ideia, explica Lefèvre, era que, após o cumprimento das metas de universalização, as tarifas de varejo e as de atacado fossem definidas com base no custo das empresas. Acontece que o modelo de custo até hoje não saiu e, sem as regras de compartilhamento, a relação entre as empresas — seja nos contratos de Exploração Industrial de Linha Dedicada (EILD) ou na negociação das tarifas de interconexão — acabou por ser uma fonte de inúmeros problemas que nunca foram resolvidos pela Anatel. “O modelo de custos está atrasado desde 2006 e não tivemos as regras de compartilhamento de rede, essas duas coisas não aconteceram. A assinatura básica continua no contrato de concessão do mesmo jeito, mudaram apenas no índice de correção monetária, que era o IGP-DI e agora é o IST”, diz a advogada. “Teve o contrato de concessão prorrogado sem mudar nada concretamente. E isso é grave porque tinha que ter aproveitado a oportunidade para contemplar as mudanças que já se podiam prever, inclusive a questão dos bens reversíveis”, completa ela. Essa análise, entretanto, não é compartilhada pelo advogado Carlos Ari Sundfeld. Para ele, o compartilhamento (ou unbundling) foi uma medida colocada no “cardápio da lei” que poderia ser utilizada ou não. “A agência não usou isso porque percebeu que haveria um custo regulatório e percebeu que a disputa aconteceria pela telefonia móvel”, diz ele. “Compartilhar a infraestrutura é problema de todo lado. É sempre uma luta inglória do regulador tentar estimular o compartilhamento. O desafio do Brasil é atrair novos investimentos e se o investidor não se sente seguro, ele não o faz. Nesses anos todos, o Brasil continua precisando expandir suas redes. O raciocínio da agência foi muito pragmático”, analisa o advogado. Para o consultor da Orion Consultores e ex-ministro das Comunicações Juarez Quadros do Nascimento, uma questão técnica está por trás do fracasso do compartilhamento. Segundo ele, a qualidade da rede legada não permite que as empresas entrantes ofereçam serviços com velocidades compatíveis com o que deseja o mercado. “A qualidade da rede


legada, resolve o problema da voz. Mas para o ADSL, passou de 2 km não dá. A característica física da rede não permite a velocidade desejada e os competidores acabaram por construir suas redes”, afirma ele. Embora levante essa questão técnica, Quadros concorda que a Anatel falhou ao não “exercer seu poder de bater o martelo”.

o pré-pago acabou por fazer as vezes do telefone fixo nas áreas mais pobres do país, com todos os seus defeitos, principalmente o alto custo e a cobertura deficiente.

nacional dividem o mercado praticamente em partes iguais. Há quem acredite, contudo, que ainda assim a Anatel pese a mão na regulamentação do setor. O diretor da GSMA, Amadeu Castro, diz que a telefonia móvel não tem metas de universalização, mas as exigências de cobertura que a Anatel coloca nos editais acabam por ter essa função. “A telefonia móvel é regulada quase como a fixa. As empresas têm que olhar não apenas o preço do leilão, porque junto com o leilão vem uma série de obrigações de cobertura, e isso é custo”, afirma ele. Outra insatisfação da associação, na linha do alegado excesso de regulação, são as metas de qualidade. Castro explica que a Anatel colocou essas

Telefonia móvel Se a telefonia fixa foi explorada principalmente no regime da concessão, o serviço móvel teve um arcabouço regulatório, pelo menos em tese, muito mais flexível. Sem definição de tarifas, nem obrigações de universalização, a telefonia móvel pôde se desenvolver no regime de plena competição. Hoje os quatro grupos com atuação

Modelo banda estreita

foto: arquivo

U

m dos principais observadores independentes do cenário político e regulatório desde o estabelecimento do modelo atual, e até antes disso, é o professor da Universidade de Brasília e coordenador do Centro de Estudos de Políticas de Comunicação da Universidade de Brasília, Murilo Ramos. Para ele, o pecado original do modelo atual foi ter sido pensado exclusivamente sob a ótica do serviço de telefonia fixa. “Originalmente, havia pressa. O governo precisava fazer a privatização antes de tudo porque precisava fazer caixa. A reforma regulatória, que começou com a reforma constitucional em 1995, foi feita apressadamente. A Lei Geral de Telecomunicações (LGT) mal foi discutida no Congresso. E por isso muita coisa precisou ficar de fora”, diz Ramos. Ele reconhece que na época era extremamente relevante socialmente pensar na universalização da telefonia fixa, e nesse aspecto o modelo foi acertado. “Mas já havia clareza, desde a época em que a Lei de TV a Cabo era discutida no Congresso, em 1994, de que havia a questão das redes óticas, da banda larga, e que sobre essas redes trafegariam inclusive serviços de telefonia. Se houvesse tempo e não houvesse a urgência financeira, não teria sido um modelo restrito à banda estreita”. Ramos lembra que logo depois que a LGT foi aprovada, nos debates sobre a regulamentação do Fust, ficou claro que a banda larga deveria ter sido contemplada. Alguns anos depois, o governo tentou resolver o problema criando o Serviço de Comunicações Digitais, o SCD, inclusive em regime público. “O projeto estratégico de 1997 não poderia ter sido só o STFC.” Outro problema foi a desnacionalização completa do setor, segundo Murilo Ramos. “O próprio ministro Sérgio Motta hesitou muito em vender a Embratel ao capital estrangeiro. Havia a visão de que pelo menos uma empresa nacional deveria ter sido preservada. Depois essa discussão voltou

“o fato é que nós seguimos um caminho, o México seguiu outro, e eles têm uma Telmex.” Murilo Ramos, da UnB quando a Oi e a Brasil Telecom se fundiram. Mas o fato é que nós seguimos um caminho, o México seguiu outro, e eles têm uma Telmex”. Para Murilo Ramos, a discussão do modelo poderia ter sido colocada em qualquer momento ao longo de pelo menos os últimos dez anos. “O governo Lula poderia ter começado o debate, mas optou por ratificar o modelo. O que tivemos foram ajustes feitos em gambiarras regulatórias nos contratos de concessão para colocar alguma coisa de banda larga.” Para o futuro, a perspectiva é a mesma. “A revisão do modelo deve começar já. Em 12 anos há tempo suficiente para pensar um projeto de longo prazo”, diz Ramos, referindo-se ao prazo de 2025, quando terminam os contratos de concessão.  (Samuel Possebon)

m a i o 2013 | t e l e t i m e | 5 5


foto: arquivo

regulamentação governo para olhar essa questão, a própria União vai perder”, observa o consultor Juarez Quadros. Para o diretor-presidente do SindiTelebrasil, Eduardo Levy, o governo deveria “enfrentar” essa questão no debate sobre a evolução do modelo. “A evolução deve ser fruto de um debate entre o governo, as empresas e a sociedade”, diz Levy. É preciso lembrar que o governo tem desde 2009 o Programa Nacional de Banda Larga (PNBL), composto pela oferta voluntária das concessionárias de um acesso de baixo custo (que conta com apenas dois milhões de usuários) e pelo trabalho ainda tímido da Telebras. Além disso, o plano também contempla ações de desoneração tributária como o REPNBL, com suas contrapartidas de construção de rede em áreas “A evolução deve ser fruto de um debate carentes de infraestrutura. Para uma fonte do setor que preferiu não se entre o governo, as empresas e a sociedade.” identificar, falta uma ação articulada entre essas diversas Eduardo Levy, do SindiTelebrasil iniciativas. Ela cita como o exemplo o Programa de Ampliação e Recuperação do Sistema de exigências em um patamar tão elevado, que a Telecomunicações e do Sistema Postal (Paste), elaborado qualidade deixou de ser um diferencial entre as em 1997 para subsidiar a desestatização do setor. O prestadoras. Além disso, ao estabelecer metas Paste é um estudo que fez um diagnóstico do setor à elevadas, na visão da GSMA, a agência elimina a época e estabeleceu metas a serem atingidas. As metas possibilidade de surgirem planos mais baratos. “A do Paste mostraram-se bastante fora da realidade, mas agência deveria estabelecer o mínimo aceitável e não o esforço de planejamento é ainda considerado dizer que é 90%. Ficou todo o mundo com o mesmo exemplar do que pode ser feito agora no âmbito do PNBL. serviço, quando a liberdade deveria ser a regra e a Além disso, na visão dessa fonte, é preciso que o qualidade, um diferencial entre as operações”, diz ele. governo invista mais recursos no plano de banda Para a advogada Flavia Lefèvre, entretanto, a Anatel larga, tendo em vista a experiência de países como fez pouco e a prova disso são “distorções” como o Australia e Coreia, que conseguiram desenvolver a elevado número de clientes pré-pagos com baixíssimo banda larga a partir de recursos públicos. tráfego e o chamado “efeito clube”. “Mesmo no regime As entidades que compõem a campanha “Banda privado, a lei fala que o serviço vai ser Larga é um direito seu” entregaram explorado respeitando a ordem uma proposta ao ministro Paulo econômica, o direito do consumidor e a Bernardo, segundo a qual o modelo função social do serviço. A Anatel botou seria divido em três camadas: camada é necessária muito mais o foco na liberdade das de rede, que necessariamente seria empresas e terminou por prejudicar uma prestada em regime público; camada uma revisão utilização mais racional e a função de conteúdo, prestado em regime do modelo. social das redes”, diz ela. privado; e a camada de serviços, que O mercado é continuará sendo prestada em regime diferente e a Futuro privado, mas sua prestação estará preocupação Quinze anos depois, é consenso vinculada à oferta de um plano básico do governo entre todos os especialistas que é quando houver contratação de link da deve ser em necessária uma revisão do modelo. O concessionária e quando o prestador mercado é diferente e a preocupação for a própria concessionária ela deverá universalizar do governo deve ser em universalizar promover a separação estrutural, (ou massificar) (ou massificar) a banda larga. Além assegurando condições isonômicas às a banda larga, disso, com a aproximação do fim dos demais prestadoras. e é premente contratos de concessão (que se O futuro ainda é incerto, mas todos que a questão encerram em 2025) é premente que a esperam que o mercado de banda dos bens questão dos bens reversíveis seja larga seja dono de números robustos, reversíveis tratada pelo governo. “Se não houver sem as ressalvas e os “senões” seja tratada. um planejamento estratégico do existentes hoje. 5 6 | t e l e t i m e | m a i o 20 1 3


ponto de vista

A norma, o risco e o futuro das telecomunicações O deslocamento do centro decisório de investimentos das operadoras para o governo é questão central e exige ampla reflexão do setor. Pedro Dutra*

cartas.teletime@convergecom.com.br

M

ais de 300 milhões de acessos fixos, móveis, Internet e TV por assinatura: este é o saldo da privatização das telecomunicações, que fez desse serviço uma exceção positiva no dramático quadro da infraestrutura no Brasil. A TELETIME acompanha e analisa essa trajetória vitoriosa, mas hoje exposta a risco perturbador, deduzido de medidas e situações distintas, mas que se inter-relacionam: entre outras, planos ambiciosos do governo, cultura regulatória, assédio à Anatel e decisão de investimento. A identificação do conceito de política pública à política de governo afirmou a presença do Executivo nas agências reguladoras e inclinou a ação dessas à formulação normativa e à execução de planos definidos no âmbito daquele Poder. Essa relação, contudo, vem se desenvolvendo, nessa administração, no sentido de um entrosamento harmônico entre o Executivo e a Anatel, que se traduz na saudável ampliação e qualificação do debate entre os setores público e privado. Merece maior discussão a configuração, que se percebe nas regras infra legais, nas estipulações licitatórias e nas obrigações fixadas pela agência, de um regime de investimento obrigatório às operadoras, que busca ampliar a oferta “pelo mercado”, substituindo a sua dinâmica concorrencial de mercado regulado pela imposição a ele de uma pauta de metas exógenas. A Anatel vem promovendo uma particularização de conceitos; grupo econômico, poder de mercado significativo, qualidade de serviços, metas de competição e reajuste de preços privados ganham sentidos peculiares. Essa distorção abre flanco a disputas judiciais futuras, cria insegurança jurídica e contribui para o insulamento da agência, ao lidar com conceitos próprios em desfavor daqueles afirmados pela experiência jurídica e econômica. Até há pouco, manteve-se a Anatel fechada à sociedade – por mais de década as reuniões do Conselho Diretor, secretas; e seguem vedadas a advogados de

defesa. Hoje a agência se vê questionada por órgãos da sociedade que dela tudo exigem. O Tribunal de Contas da União, no lugar do Congresso, tornou-se árbitro da regulação – algo inédito no mundo – e dita conduta à agência, enquanto órgãos de defesa do consumidor, cegando ao fato de que serviços de telecom exibem complexidade diversa da venda de utilitários domésticos, cobra uma repressão cada vez mais enérgica às teles. Mesmo contando com uma equipe técnica bem formada e tendo seus dirigentes com o Executivo uma relação sem os traumas passados, afirmar ação regulatória técnica é tarefa árdua, e desafia a Anatel. Entre os desafios está a revisão do processo de fiscalização, cujos números mostram deva ser feito não só pelo valor individual das multas impostas e das cifras provisionadas pelas operadoras, mas, sobretudo, pelos critérios (ou a falta deles) de instauração de processos sancionadores. Igualmente, a análise criteriosa a ser discutida publicamente das razões das reclamações dos usuários, que permita atribuir, com equidade, a responsabilidade (e a justa sanção) pelas falhas na prestação dos serviços. Não se pode deixar cristalizar na sociedade a noção de que a efetividade da regulação mede-se pelas sanções impostas pela Anatel aos seus jurisdicionados. A questão central, a exigir ampla reflexão de todo o setor, é o deslocamento do centro decisório de investimentos – das operadoras para o governo – que normas editadas pela agência, para dar curso à política do Executivo, promovem. Esse deslocamento importa em outro: o do titular da fonte de recursos, que, seguindo àquele, move-se também para o Executivo. Uma regra inexorável da experiência regulatória, já vivida entre os anos 40 e 50, diz que aquele que tudo regula, por tudo é responsável. Será a Anatel cobrada dos resultados das normas recentes que editou. Há sinais a indicar ser ela capaz de executá-las com a perícia necessária. Mas, a tanto, será preciso que a ela sejam conferidos os meios, pelo Executivo inclusive, e que ela apure os seus, como já vem fazendo, ao ampliar a discussão da sua ação junto à sociedade, com crescente abertura e intensidade.

*Advogado, acompanha o mercado de telecomunicações desde os anos 90.

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produtos&serviços

O que movimentava o mercado em 1998... abr/98

E-mail: o grande serviço

Abr/98

A promessa: acabar com o PABX Tecnologia de uma época em que havia pouca disponibilidade de linhas e muita gente querendo falar ao telefone (fixo), o PABX era o que de mais moderno havia em telecomunicações corporativas na década de 90. Em 1998, começavam a surgir os primeiros sistemas que prometiam o fim dessa tecnologia. Como a israelense RAD Data Communications, que lançava um dispositivo de acesso a redes de frame relay e prometia comutação de voz por meio de circuitos virtuais no próprio backbone da rede.

jun/98

Celulares: o segredo era o design

O novo celular digital da Philips era mais fino e curvilíneo. O Aeon, grande novidade daquele momento, tinha autonomia de 150 minutos de conversação, display de cristal líquido de alta resolução (para a época) e menu com funções em português. O aparelho permitia até a identificação das chamadas. Outro lançamento da Philips é o Pager Kite, com formas arredondadas e várias cores e recurso para o usuário ajustar o tamanho da fonte. O visor de cristal líquido tinha duas linhas de 20 caracteres cada, mas as mensagens poderiam ter até 540 caracteres.

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A Internet começou a se popularizar em 1994. Em 1998, o grande serviço na rede era o e-mail. Inovar nesse serviço era a palavra de ordem. Um dos produtos anunciados na época era o VOX-Mail, que permite a leitura, redirecionamento, resgate e composição de e-mail por telefone, sem necessitar de PC. O usuário “só” precisava ligar para o provedor e fornecer sua senha para acessar suas mensagens, podendo ouvi-las em três idiomas (português, inglês ou espanhol) e imprimi-las com a ajuda de fax ou enviar resposta com a própria voz. E ainda podiam ser feitas transações por pager!

jun/98

Chegava o Windows 98 A Microsoft Corporation anunciava, em 1998, o lançamento mundial do Windows 98, seu novo sistema operacional para desktops e notebooks em substituição ao Windows 95. Após três anos de investimentos e mais de mil funcionários envolvidos em seu desenvolvimento, o novo sistema chegava ao mercado com mais de 30 mil melhorias em relação ao seu antecessor e integrado às tecnologias da Internet e com interface USB para novos periféricos, como o player de DVD e o gravador de CDs. Foi o melhor sistema operacional da Microsoft até o Windows XP.

ago/98

O nascimento do Symbian Naquele ano, Ericsson e Nokia se uniram à Psion, fabricante de palmtops, e criaram a Symbian, que desenvolveria sistemas operacionais para dispositivos das duas fabricantes. O investimento inicial foi de US$ 100 milhões e a sede da empresa era em Londres. O primeiro sistema era o EPOC, para equipamentos de comunicação sem fio, como telefones e computadores de mão com funções e-mail e voice-mail.


ago/98

Celular de segunda geração que enviava e recebia imagens A Nokia lançava o celular multifunção, o primeiro do mercado a permitir transmissão de imagens sem fio, além de contar com o MultiMediaCard (MMD) para armazenamento extra de dados. O aparelho era chamado pelo fabricante de escritório móvel, porque já tinha os serviços de Internet/intranet, e-mail, telefax, pager e um organizador pessoal com calendário, que podiam ser usados simultaneamente.

set/98

out/98

Convergência no orelhão A Daruma lançava em 1998 um equipamento que unia a praticidade do telefone público à eficiência de um computador multimídia com acesso à Internet. Era o TPNET, projetado com tecnologia 100% nacional. Para operar o terminal, o usuário utilizava o cartão telefônico comum, o smart card ou ainda cartão magnético da empresa que gerencia o terminal. Através do TPNET era possível fazer ligações telefônicas, navegar pela Internet, ou enviar e receber e-mails. A Telebrasília e a Telebahia adquiriram o equipamento, que seria instalado nos aeroportos.

dez/98

O iDen chegava ao Brasil Naquele ano, a Motorola investia US$ 20 milhões para agregar ao seu complexo industrial, em Jaguariúna (interior de São Paulo), a linha de aparelhos da tecnologia iDEN (rede avançada digital integrada), desenvolvida por ela em 1994, em parceria com a Nextel, que operava o serviço. A Motorola passava a fornecer o primeiro lote de aparelhos (que reúnem as funções de celular, pager e rádio digital) à Nextel no Brasil. O grande avanço era produzir i1000, compacto e com mais recursos que o anterior, i600. O aparelho i600 custa R$ 600 e o i1000 saia por R$ 800, em valores da época. O serviço, também na época, não saia por menos de R$ 40 mensais, com direito a 200 minutos de utilização do trunking gratuitamente.

Nascia o Google Até então, o mundo das buscas era dominado por gigantes (da época) como Altavista e Lycos. Mas a partir de um sistema de buscas criado em 1996 pelos estudantes de ciência da computação Larry Page e Sergey Brin, nascia oficialmente em uma garagem em Menlo Park, na Califórnia, o que viria a ser a gigante da Internet Google. A empresa foi criada com recursos iniciais de US$ 100 mil dólares do cofundador da Sun Microsystems, Andy Bechtolsheim, e ao final daquele ano o Google já era destaque entre os sites mais acessados.

dez/98

Identificador de chamadas telefônicas A Citadel, que detinha o direito à “exploração exclusiva da patente por serviços de identificação de chamadas”, lançava o Cita 700, aparelho que permitia o registro prévio do número do chamador, antes mesmo da ligação ser atendida, dando ao usuário a possibilidade de atender ou não a ligação. O Cita 700 também memorizava os números de telefones, complementando o trabalho da secretária eletrônica. m a i o 2013 | t e l e t i m e | 5 9


... e as novidades de abril de 2013

produtos&serviços

LTE

4G chegou! Todas as operadoras móveis brasileiras que têm direito ao uso da faixa de 4G (2,5 GHz) já estão comercialmente em operação. Cumpriram, portanto, a meta de atender até 30 de abril às cidades-sede da Copa das Confederações, como estabelecido no edital da faixa. A primeira operação comercial do 4G no Brasil já havia sido lançada pela Claro, em Recife, ainda em dezembro do ano passado com o nome de 4GMax. De lá até o prazo final, a subsidiária mexicana é a que tem a maior cobertura de 4G no Brasil (12 cidades). A rede 4G da Oi entrou em operação comercial no Rio de

Janeiro com cobertura de 50% da área urbana da capital fluminense, onde foram instaladas entre 250 e 300 antenas LTE. TIM e Vivo também anunciaram suas operações 4G no limite do prazo estabelecido pela Anatel. A TIM limitou o lançamento de sua rede LTE às cidadessede da Copa das Confederações, atendendo à exigência de cobertura de 50% da área urbana de cada uma das capitais. A Vivo, por sua vez, além das seis cidades obrigatórias, lançou também em São Paulo. A capital paulista, aliás, recebeu bastante atenção: a Vivo afirma cobrir mais de 60% da área metropolitana e a maioria das antenas para o LTE aproveitou os sites 3G já instalados e licenciados. A previsão da Vivo é que em maio a cobertura será estendida para a região do ABC paulista.

Aparelhos 4G disponíveis no Brasil

Pelo registro histórico, essa é a relação de aparelhos 4G disponíveis no lançamento do serviço. A informação é perecível, mas você pode mostrar para seus netos no futuro.

BlackBerry Z10

Samsung Galaxy S4

LG Optimus G

Sony Xperia ZQ

Motorola RAZR HD

Samsung Galaxy Note 10.1 4G

Nokia Lumia 820

Nokia Lumia 920

Samsung Galaxy Express

Minimodem Huawei E392

Samsung Galaxy S III 4G

Minimodem Huawei E3276

fotos ilustrativas. não representam as proporções entre os aparelhos.

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Inovação

Cabo turbinado: 73,7 Tbps Com a demanda para conexões mais rápidas para serviços de transações financeiras, cloud computing e supercomputadores, os cabos óticos atuais podem já não ser tão eficientes. Para tanto, cientistas da Universidade de Southampton, no Reino Unido, construíram um cabo fotônico de núcleo “oco”, preenchido com ar. Assim, o equipamento consegue latência menor e mais largura de banda, chegando bem mais próximo da velocidade da luz no vácuo (99,7%, enquanto a fibra de vidro propaga os feixes 31% mais lenta). A pesquisa, concluída em setembro passado, foi publicada pela revista Nature em abril. Os cientistas ingleses conseguiram transferir dados a uma velocidade de 73,7 Tbps. Para efeito de comparação, os cabos de fibra ótica atuais do mercado possuem velocidades de 40 Gbps a 100 Gbps. Vale lembrar que 1 terabit equiavale a 10¹² (ou seja, 1.000.000.000.000 bits, ou 1.000 gigabits). Houve menor perda de pacotes também. Os cabos óticos ocos foram possíveis graças a uma melhoria no design, utilizando aros fotônicos ultrafinos de maior maleabilidade. Os cientistas ingleses ainda utilizaram multiplexadores de divisão de onda (WDM), combinado com multiplexador de divisão de modo (que otimiza a fibra ao girar o sinal com um polarizador), para conseguir as taxas de velocidade alcançadas.

satélites

NASA Lança phonesats Em busca de alternativas viáveis a satélites de telecomunicações, a Nasa (agência espacial norte-americana) anunciou o lançamento bem sucedido do trio “PhoneSats”, artefatos de baixo custo feitos com smartphones. O handset escolhido foi um Nexus One, da HTC, equipado com o sistema Android, mas com capacidades de chamadas e SMS desabilitadas. Eles estão em uma estrutura em forma de caixa, com 25 cm². A intenção do programa é provar que smartphones comuns podem ser utilizados como instrumentos de voo principais (ou cérebros) de um satélite plenamente operacional, mas muito barato, com funções científicas, medições atmosféricas e comunicações. Além de enviar informações sobre suas condições de operação, os smartphones ainda tiraram fotos da Terra. A maioria dos instrumentos necessários já está integrada, incluindo processadores velozes, sistemas operacionais versáteis, sensores miniaturizados múltiplos, câmeras em alta resolução, receptores GPS e várias antenas. O custo total de componentes extras (bateria maior e uma antena mais potente) foi estimado entre US$ 3.500 e US$ 7.000, utilizando o hardware comercial primário e mantendo a missão ao mínimo de diretrizes. O custo é apenas uma fração do valor tradicional de um satélite de comunicações, que chega a custar algumas centenas de milhões de dólares. Obviamente, não há base de comparação em relação à confiabilidade, durabilidade e, sobretudo, posicionamento dos satélites de longa vida no espaço, que exigem combustível e sistemas de navegação complexos muito além daqueles colocados no teste da Nasa.

Conteúdo

Plataforma OTT nacional A NeoTV, associação que representa 157 empresas entre operadoras de TV por assinatura e Internet, anunciou uma parceria com a EnterPlay, especializada em soluções e serviços para a distribuição de vídeo em redes IP e em redes híbridas. O modelo prevê condições exclusivas aos associados da NeoTV que aderirem ao projeto. Eles poderão oferecer a seus clientes conteúdo digital protegido por DRM (Digital Rights Management) e obter novas receitas com soluções de transactional video on-demand, subscription video on-demand e IPTV. A tecnologia desenvolvida pela EnterPlay é compatível com o Plano Nacional de Banda Larga. O set-top habilita o aparelho de televisão a se comportar como um monitor de computador ou tablet e roda os aplicativos desejados pelos usuários, como jogos, Facebook, Twitter, e-mail, navegação na Internet, etc. Nas aplicações disponíveis encontram-se as de VOD e, futuramente, outras. m a i o 2013 | t e l e t i m e | 6 1


Da redação do Teletime News

política industrial

Smartphones desonerados

O Diário Oficial do dia 9 de abril, trouxe, finalmente o decreto que desonera de PIS e Cofins os smartphones com valor de até R$ 1,5 mil. Esta era uma das medidas previstas pelo governo para incentivar a banda larga. O Decreto 7.981 de 8 de abril de 2013 altera o Decreto 5.602/2005, que estabeleceu políticas de desoneração para PCs. Outra novidade do decreto publicado é que ele estabelece ainda desoneração para roteadores de até R$ 150 e para modems de até R$ 200 (esta isenção já existia mas era restrita a equipamentos de até R$ 150). Interessante notar que a desoneração vale para “telefones portáteis de redes celulares que possibilitem o acesso à Internet em alta velocidade do tipo smartphone classificados na posição 8517.12.31 da TIPI, que obedeçam aos requisitos técnicos constantes de ato do Ministro de Estado das Comunicações”, indicando que o Minicom deverá estabelecer regras específicas para essa desoneração ter efeito.

Serggod/shutterstock.com

Para gozar dos benefícios FISCAIS, smartphones devem ter pacote mínimo de Apps brasileiros. Exigência só vale depois de 180 dias da publicação da portaria, mas fabricantes devem apresentar proposta ao minicom em até 60 dias. Ministério tem 30 dias para analisar a proposta. * Handsets deverão ter 3G, Wi-Fi, sistema operacional e tela sensível ao toque.

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foto: arquivo

www.teletime.com.br

Precisamos contar para todos os brasileiros o que eles perdem com o Marco Civil engavetado.” Dep. Alessandro Molon (PT/RJ)

O principal adversário do Marco Civil da Internet não é a oposição daqueles que discordam dele. Neste momento, na opinião do deputado relator do projeto, Alessandro Molon (PT/RJ), é preciso manter o assunto na agenda da sociedade e evitar que ele caia

no esquecimento. Para fazer com que o PL 2.126/2011 volte a ser pautado para a votação no Plenário da Câmara, Molon conclama a sociedade a “empurrar” o projeto. “Precisamos empurrar o Marco Civil para o Plenário, porque enquanto ele não for votado, quem perde é o Brasil. Perdemos novas empresas que deixam de ser criadas e o usuário brasileiro perde a garantia da sua privacidade e da escolha do que ele quer ler na Internet”, declarou em evento organizado pelo setor de radiodifusão, que apoia a proposta. Para o deputado, o desafio agora é “traduzir” para a sociedade os benefícios do Marco Civil para que o projeto ganhe apoio popular que possa mobilizar o Congresso para a sua aprovação.

repnbl-redes

seac

O prazo final para submissão ao Minicom dos projetos das operadoras de telecomunicações a serem incluídos na desoneração do Regime Especial de Tributação do Programa Nacional de Banda Larga (REPNBL-Redes) termina no próximo dia 30 de junho e, embora todas estejam se esforçando para entregar seus projetos no prazo, há algum tempo elas vêm pedindo a dilação desse prazo. O problema é que o prazo foi estabelecido na Lei 12.715/2012 que instituiu o REPNBL e só poderá ser alterado por meio de um novo projeto de lei. E é justamente isso o que está tentando o SindiTelebrasil, levar ao Congresso Nacional uma proposta de adiamento do prazo. A ideia, segundo informações de bastidores, é conseguir que a proposta seja incluída como emenda de relator em qualquer Medida Provisória em andamento no Congresso que trate de desoneração para estender o prazo em, pelo menos, um ano.

O Conselho Diretor da Anatel aprovou no dia 18 de abril a alteração no regulamento do Serviço de Acesso Condicionado (SeAC) para deixar de exigir das empresas de TV por assinatura os contratos de uso dos postes como condição para o licenciamento das estações. “Exigir os contratos de postes e dutos, eu acho que estava além do limite”, reconhece o conselheiro relator, Jarbas Valente. Por outro lado, a regulamentação conjunta que estabeleceria um parâmetro de preço para o aluguel dos postes (na casa dos R$ 2,60) segue na gaveta da Anatel. Jarbas Valente queria remetê-lo de volta à área técnica para mais estudos, pois estava preocupado com os impactos possíveis sobre a Oi, maio concessionária de telefonia brasileira e que paga, hoje, metade do valor que a Anatel estava propondo. O presidente da Anatel chamou o assunto para si e está em processo de análise.

política

Marco Civil lembrado

Mais prazo

Sempre os postes


stfc

operação

Consolidação a vista

uma única operação. Ainda segundo o fato relevante, as companhias irão iniciar as análises internas e os procedimentos junto à Anatel com a finalidade de verificar a viabilidade da operação e as eventuais condições para sua implementação. Segundo as empresas, “a decisão a respeito da realização da operação dependerá, dentre outros aspectos, da conclusão satisfatória dos estudos e análises que serão realizados e do posicionamento a ser adotado pela Anatel em face da mesma”. A expectativa é que mais informações sejam passadas ao mercado em breve.

switch-off

TV analógica desligada

minifilm/shutterstock.com

O Minicom e a Casa Civil estão preparando um novo decreto que formalizará a adoção de um cronograma mais flexível para o desligamento da TV analógica (switchoff). Como já foi anunciado pelo Minicom, o desligamento da TV analógica não será mais de uma vez só em junho de 2016, mas começará mais cedo, em 2015, e se estenderá até 2018. Outro ponto que será flexibilizado é o simulcast. O ministro Paulo Bernardo explica que o decreto também vai isentar as empresas que ainda não fizeram a digitalização de transmitirem o sinal analógico e digital simultaneamente. Ele detalha que a medida beneficia os radiodifusores de pequeno porte que teriam dificuldades econômicas para manter os dois sinais. O Minicom já tem um cronograma provisório do primeiro ano de desligamento da TV analógica, que abrangerá 1.521 municípios.

Cronograma • Mar/15 - 61 transmissões do DF e 9 cidades do entorno • Abr/15 - região metropolitana de São Paulo, com 64 cidades • Mai/15 - regiões metropolitanas de Campinas, Santos e Jundiaí, que compreendem 133 cidades • Até dez/15 - demais Estados. Nordeste em ago/set/15. Norte e o Centro-Oeste out/15

lexaarts/shutterstock.com

As operadoras Claro, Net e Embratel, controladas no Brasil pela América Móvil, finalmente iniciaram o processo de integração entre as companhias. Em fato relevante divulgado no dia 12 de abril as empresas anunciam que “consideram a possibilidade de implementar, em conjunto com a Claro S.A., sociedade também controlada indiretamente pela América Móvil (Claro, Embrapar e Net), uma reestruturação visando a consolidação das estruturas e atividades das companhias e de algumas de suas controladas no País em uma única sociedade”. Na prática, será

Falando pouco

Levantamento da Anatel a que este noticiário teve acesso mostra que o brasileiro está usando cada vez menos o telefone fixo. Segundo a análise da agência, que está embasando as discussões internas sobre o futuro do STFC, só no período de 2011 a 2012 o tráfego total, em minutos cursados, caiu 15,6% na telefonia fixa, de 98,16 bilhões de minutos por ano para 82,88 bilhões de minutos por ano. A causa do problema está no desempenho das concessionárias. Olhando-se apenas a realidade destas empresas (Oi, Telefônica, CTBC e Sercomtel), a queda foi de nada menos do que 22,6% em um ano, passando de 71,22 bilhões de minutos para 55,14 bilhões de minutos. Por outro lado, o tráfego nas autorizadas (o que inclui GVT e a Net/Embratel) tem crescido um pouco. No ano passado, o aumento foi de 3%, indo de 26,94 bilhões de minutos para 27,27 bilhões de minutos no ano. Já o tráfego de longa distância nacional tem crescido. Segundo dados da Anatel, eram ao todo 32,26 bilhões de minutos trafegados ao ano em longa distância nacional em 2005, número que saltou para 68,36 bilhões em 2012. As concessionárias (nesse caso incluída a Embratel) tiveram um tráfego total cerca de 30 bilhões de minutos locais em 2012, contra 38,4 bilhões das autorizadas (aí incluídas as operadoras de celular). Só em 2012, o crescimento do mercado de longa distância nacional, em minutos trafegados, foi de 17%, com uma expansão muito parecida de concessionárias e autorizadas.

De 2008 a 2012, queda nos minutos locais das incumbents do STFC foi de quase 50%, de 112,49 bilhões de minutos para 82,8 bilhões. * Enquanto isso, tráfego local das autorizadas de telefonia fixa cresceu 65%, de 16,82 bilhões para 27,74 bilhões de minutos.

agências reguladoras

Nova estrutura fornecedores

Short list dos satélites A Telebras informou dia 3 de maio que a Visiona Tecnologia Espacial S/A (empresa da qual a estatal de telecomunicações é sócia com 49% do capital, ao lado da Embraer) pré-selecionou as empresas Mitsubishi Electric Corporation (Melco); Space Systems/ Loral; e Thales Alenia Space no processo de escolha para o fornecedor do sistema do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC). Segundo o comunicado, “a próxima etapa será a final e seguirá as especificações da Telebras, operadora do satélite, bem como do Termo de Referência elaborado pelos ministérios das Comunicações, da Defesa e de Ciência, Tecnologia e Inovação”. O projeto do SGDC prevê um satélite com capacidade de operação em banda Ka e banda X. Na banda Ka, que será usada para comunicação de dados pela Telebras, serão 39 spots de 450 km e 10 spots de 900 km de cobertura. Ao todo, a parte de comunicação do satélite terá capacidade de 100 Gbps.

A Anatel está com uma nova estrutura organizacional, a primeira grande mudança desde 1997, quando a agência foi criada. Agora, as superintendências deixam de funcionar por serviços e se focam nos processos. Os novos superintendentes são: • José Alexandre Bicalho, para a Superintendência de Planejamento e Regulamentação; • Marconi Maya, Superintendência de Outorga e Recursos à Prestação; • Marcos Vinicius Paolucci, para a Superintendência de Fiscalização. • Roberto Pinto Martins, Superintendência de Controle de Obrigações; • Carlos Manoel Baigorri, Superintendência de Competição; • Maria Lucia Valadares, para a Superintendência de Gestão Interna e da Informação; • Elisa Peixoto, Superintendência de Relações com o Consumidor; • Ione Heilmann, Superintendência de Administração e Finanças; e • Marilda Moreira, para a Superintendência Executiva. m a i o 2013 | t e l e t i m e | 6 3


ponto de vista

Nuvem, mobilidade e big data: a grande convergência Os três grandes pilares sustentam um novo ecossistema que promete redução de custos, identificar tendências antes invisíveis e criar novas oportunidades de negócio. Antonio Luiz Schuch*

cartas.teletime@convergecom.com.br

A *Diretor de Enterprise do Google para América Latina.

lguns anos atrás, migrar sistemas de TI para a nuvem era inovação. Hoje, há uma inversão de paradigmas: em muitos países mais desenvolvidos, quem ainda não fez essa mudança está atrasado. Em um movimento que se acelera, cada dia a nuvem ganha novos adeptos. E não é por menos, pois as vantagens para as empresas que já fizeram a transição sobre as que ainda não chegaram lá – com acesso a uma variedade enorme de serviços, inteligência e ganho de eficiência – estão ficando mais claras. A redução de custos pode ser a vantagem mais visível decorrente dessa migração, mas os ganhos reais estão na convergência em curso entre três grandes pilares que sustentam este novo ecossistema de inovação: a nuvem, sistemas de computação móveis e o mais novo fator de ruptura, big data. Assim como a nuvem, os dispositivos móveis ganharam espaço lentamente no cotidiano das pessoas. Atualmente, a Anatel estima que o número de dispositivos móveis no Brasil é de 264 milhões – ou 1,3 celular por habitante –, sendo que a Internet móvel está presente em 68,2 milhões de aparelhos. No mundo inteiro, o número de pessoas com acesso à Internet já supera a casa dos 2,4 bilhões. Nas empresas, os telefones fixos e PCs estão desaparecendo das mesas de trabalho. A tendência favorece um crescimento cada vez mais acelerado, graças à chegada diária no mercado de novos dispositivos como smartphones e tablets, mais acessíveis e com mais funcionalidades, que permitem aproveitar a plataforma web de maneira inovadora. Vários estudos sobre tendências relacionadas às próximas tecnologias indicam que em 2013 um volume expressivo de companhias deverá iniciar projetos de computação em nuvem interligados com a mobilidade. A consolidação dessas duas tecnologias se soma ao novo pilar de big data. Big data é mais um fenômeno

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da Internet: é um conjunto de soluções tecnológicas capaz de lidar com dados digitais em volume, variedade e velocidade inéditos até pouco tempo atrás. Avançados mecanismos de busca e análise permitem um rápido processamento de informações, fazendo com que seja possível enxergar tendências que eram invisíveis, identificar problemas antes que grandes falhas ocorram e tomar decisões de forma mais inteligente. Segundo estudo do Gartner (The Nexus of Forces: Social, Mobile, Cloud and Information), a junção da nuvem, a tecnologia de dispositivos móveis e big data está transformando comportamentos e criando novas oportunidades de negócios. Big data, na nuvem, com dispositivos cada vez mais poderosos, possibilita a mensuração e monitoramento, em tempo real, de uma multiplicidade quase infinita de dados, por meio de algoritmos complexos antigamente inacessíveis para a maior parte das pessoas. Essa soma de números está transformando a forma de entender o mundo, nossa capacidade de interpretação, análise e, finalmente, de tirar conclusões sobre as mais diversas situações. Qualquer empresa, grande ou pequena, pode entrar neste jogo. A influência desse novo conjunto de ferramentas poderá ser vista não somente em novos serviços, criados a partir das tendências derivadas desses dados, mas também em melhorias nas aplicações e sistemas existentes. É essa a aposta do Google e suas soluções de Enterprise, que oferecem aos usuários de seus aplicativos tecnologia de ponta e uma capacidade computacional em larga escala para organizar dados, oferecendo resultados inteligentes e precisos. Os ganhos dessa migração para as empresas são marcantes. Casos notáveis de sucesso indicam que a adoção do tripé nuvem, tecnologias móveis e big data causa uma forte evolução tecnológica na organização, com grande impacto nos processos de negócio e na cultura de inovação que move o ecossistema empresarial.


ponto&contraponto

Depois de 15 anos, para onde vamos? É preciso um plano integrado de desenvolvimento do Brasil, onde as telecomunicações atuem como facilitadoras de desenvolvimento, crescimento e garantia de futuro. Cláudio Dascal

em seu momento pelo órgão regulador norteamericano FCC, que se extinguiu após dois anos. Uma lição que podemos tirar e tentar incorporar em á 15 anos lançamos o projeto desta revista. decisões futuras é que o financiamento de mudanças Naquela época, sentimos a necessidade de não pode ser estabelecido como um imposto uma janela para o mundo, apoiando um permanente, ainda mais com o crescimento da base momento de mudança regulatória e e tráfego inerentes ao atendimento da demanda. Lição introdução da competição através da privatização e esta válida para todas as concessões de serviço chegada de múltiplos operadores. Havíamos público cuja implantação vem associada a um identificado uma oportunidade e a necessidade de crescimento contínuo de demanda: de arejar as discussões e pensamentos então em voga, e telecomunicações a pedágios em rodovias e taxas diminuir a defasagem que afastava o nosso ambiente aeroportuárias, entre outros. Apesar da inteligência dos de negócios do resto do mundo. Esta foi uma das mecanismos de financiamento, não tivemos êxito na motivações para introduzir a revista TELETIME e outros aplicação destes recursos por diferentes razões, que produtos na Internet e na forma de eventos. Era a não discutiremos aqui. nossa contribuição para constituir uma nova forma de A oportunidade em 1998 era a universalização do abordar todos estes temas e ajudar o serviço de telefonia fixa, atraindo os Brasil a participar do que estava investimentos necessários, que na acontecendo no resto do mundo, época eram inviáveis para uma eventualmente se tornando empresa estatal. Havia ainda o desafio Perdemos, sim, a de criar um ambiente competitivo que protagonista, e não apenas seguidor. oportunidade de assegurasse ao consumidor melhores Há 15 anos comentávamos na liderança primeira edição que a principal serviços, inovação e preços mudança era a introdução da competitivos. Na época, embora já se regional e competição. Estávamos implantando vislumbrasse o potencial da protagonismo uma revolução apoiada numa lei e internacional, mas convergência de tecnologia e de numa agência reguladora que eram o a aposta era de convergência as perspectivas serviços, que de mais moderno se poderia fazer sobre a rede fixa, e não se vislumbrava de crescimento e ainda o potencial da mobilidade e da na época, servindo, inclusive, de novas demandas banda larga. A Internet era algo ainda exemplo para outros países. A Lei Geral de Telecomunicações foi são muito grandes incipiente. Não previmos as mudanças elaborada de forma muito inteligente e tecnológicas e de comportamento que e, se nos também previu alguns mecanismos de ocorreram nestes 15 anos, o efeito da livrarmos de financiamento para tecnologia (Funttel), universalização pela mobilidade. O ranços do universalização (Fust) e fiscalização papel da banda larga e da Internet na passado, talvez (Fistel). Não foi prevista uma vida das pessoas fez com que a visão possamos acertar daquela época ficasse para trás. Assim, transitoriedade destes fundos ou o passo para os não fomos capazes de incorporar mesmo a sua redução progressiva com desafios dos o crescimento do tráfego, à semelhança mecanismos de reação que próximos 15 anos. acomodassem rapidamente estas da taxa de portabilidade estabelecida

dascal@uol.com.br

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novas realidades, onde mudanças podem ocorrer a todo instante. Uma outra questão que pode ser levantada é que, por não termos uma estratégia integrada de longo prazo, o plano de desenvolvimento das telecomunicações tornou-se um plano setorial, que por sorte em muitos aspectos supriu necessidades globais de desenvolvimento, mas que num próximo ciclo não pode ser deixado ao acaso. A competição, que era a nossa maior aposta de sucesso, não ocorreu como esperado. Houve uma grande consolidação e hoje temos cinco operadores móveis, três operadores fixos e uma maior oferta de serviços de banda larga e TV por assinatura. A consolidação, gerando a presença de monopólios privado, na sua maior parte controlados pelo capital estrangeiro, ocorreu basicamente pelo argumento de que o negócio de telecomunicações requer escala pelo alto volume de investimentos. Hoje, temos quatro grandes grupos atuando nacionalmente e oferecendo quase todos os tipos de serviços, e temos alguns grupos menores que não oferecem cobertura nacional ou uma gama completa de serviços. Monopólio 6 6 | t e l e t i m e | m a i o 20 1 3

privado ou cartelização são temas que sempre vêm à tona, mas o fato é que o modelo de incentivo à competição e metas de cobertura levou a uma negligência generalizada pela qualidade, já que a preferência dos acionistas é sempre por expansão da base de assinantes e o investimento em qualidade nunca tem uma medida clara de retorno. Quando da privatização do Sistema Telebrás, uma das preocupações era a questão de emprego. Os arautos do apocalipse apregoavam que haveria grande desemprego devido à privatização. O que se viu foi um movimento contrário e contínuo até os dias de hoje, com uma demanda aquecida por profissionais, não atendida e não acompanhada pelas instituições de ensino especializadas. Tanto assim que, a cada soluço tecnológico, somos forçados a buscar no mercado internacional especialistas que permitam decolar as novas tecnologias até criar uma massa de conhecimento, a maioria das vezes não formal, para atender às demandas internas. Perdemos, sim, a oportunidade de liderança regional e protagonismo internacional, mas as perspectivas de crescimento e novas demandas são muito grandes e, se nos livrarmos de ranços do passado, talvez possamos acertar o passo para os desafios dos próximos 15 anos que temos pela frente com uma sociedade totalmente conectada. E quais seriam estes desafios? Entender que o mercado de telecomunicações é grande deve ser olhado como oportunidade de crescimento para as empresas, profissionais e para o País; traçar um plano integrado de desenvolvimento do Brasil, e não de forma pulverizada e setorial, onde estas tecnologias atuem como motoras e facilitadoras de desenvolvimento, crescimento e garantia de futuro. Mais uma vez, seguir o exemplo da Coreia seria uma boa ideia. Outras medidas são esperadas: a desindexação de preços e tarifas tuteladas pela agência já é possível, transformando num controle de abusos e controle de preços pelo público; dar atenção, a agência, ao usuário e os prestadores, à qualidade; diminuição dos impostos estaduais e taxas federais num programa lento e suave, que permitirá a todos se adaptarem de forma que tenhamos impostos e taxas similares ao resto do mundo dentro de dez anos; evitar os riscos da reestatização de serviços ou parte deles, já que com a ação do governo e da agência é possível atender as demandas da sociedade e as estratégicas através de capital privado; e, finalmente, atuar para evitar que os vícios do Congresso e de governo privilegiem os interesses de curto prazo em detrimento de uma política de longo prazo de sucesso.


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